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Numero do processo: 10166.013340/2008-27
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM ABERTO. CIÊNCIA.
Não cientificada a contribuinte sobre quais os débitos em aberto, após comparecer à RFB, sendo impedida, portanto, de regularizar a sua situação dentro do prazo legal para evitar a exclusão do Simples Nacional, uma vez regularizada a situação devedora, ainda que após a ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarado insubsistente o ADE que motivou a exclusão.
Numero da decisão: 1801-000.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM ABERTO. CIÊNCIA. Não cientificada a contribuinte sobre quais os débitos em aberto, após comparecer à RFB, sendo impedida, portanto, de regularizar a sua situação dentro do prazo legal para evitar a exclusão do Simples Nacional, uma vez regularizada a situação devedora, ainda que após a ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarado insubsistente o ADE que motivou a exclusão.
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DÉBITOS EM ABERTO. CIÊNCIA. Não cientificada a contribuinte sobre quais os débitos em aberto, após comparecer à RFB, sendo impedida, portanto, de regularizar a sua situação dentro do prazo legal para evitar a exclusão do Simples Nacional, uma vez regularizada a situação devedora, ainda que após a ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarado insubsistente o ADE que motivou a exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 50DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa em epígrafe requer que seja tornado sem efeito o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/BSA nº 024795/08 que a exclui do sistema de tributação diferenciado, favorecido e simplificado – Simples Nacional, disciplinado pela Lei Complementar nº 123/06, por haver quitado os débitos pendentes que motivaram a sua exclusão. Cópia do ADE, emitido em 22 de agosto de 2008, foi juntada às fls. 02 e noticia que o motivo da exclusão foram débitos com a Fazenda Pública Nacional em aberto, sem exigibilidade suspensa. Às fls. 03 a 05 a empresa anexa pesquisa realizada junto ao Ministério da Fazenda, Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre seus dados cadastrais e fiscais e situação de débitos em aberto, em 10/09/2008. A pesquisa acusa débitos de CSLL e Cofins. Em sequencia junta os DARF recolhidos – fls. 07 e 08. Às fls. 10 foi juntado ao processo a “Consulta de Débitos Geradores do ADE” (sistema SIVEX), datada de 01/12/2008, que indicou, além daqueles débitos informados na pesquisa realizada pela empresa, débitos previdenciários inscritos na RFB – Secretaria da Receita Federal do Brasil. No extrato do contribuinte restou acusado os já referidos débitos de CSLL e Cofins como extintos por pagamento. O órgão preparador do presente processo o informa apontando como único débito em aberto da empresa, motivador pela sua exclusão, aquele previdenciário identificado pelo IP nº 2250002008, no valor de R$ 13.673,46. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Brasília prolatou o Acórdão nº 0335.725/10, fls. 19 e ss, mantendo a exclusão da empresa do Simples Nacional, assim fundamentado o votocondutor: “A exclusão em tela foi motivada pelos débitos relacionados à fl. 10, quais sejam, débitos de Cofins dos períodos de apuração 04/2005 e 06/2005, e débitos previdenciários IP n° 2250002008. Essa relação dos débitos motivadores da exclusão foi disponibilizada à contribuinte em endereço eletrônico constante do Ato Declaratório (fl. 02). Em análise aos autos, bem como à consulta ao Sivex de fl. 18 (por mim juntada), constatase que não houve a regularização dos débitos previdenciários dentro do prazo legal conferido para tanto (trinta dias contados da ciência do Ato de exclusão). Por sua vez, a contribuinte nada alega sobre esses débitos, nem apresenta qualquer comprovante de pagamento/suspensão da exigibilidade. Nesse contexto, revelase procedente a exclusão.” Tempestivamente a empresa apresenta o Recurso de fls. 32 e 33 argumentando que em momento algum foi cientificada do débito previdenciário em questão, tomando as medidas cabíveis em relação aos débitos que constaram em aberto em pesquisa realizada junto à Receita Federal do Brasil. Argumenta, ainda, que ao saber deste débito previdenciário, por ocasião da decisão, promoveu a adesão ao REFIS IV (Lei nº 11.941/08), cujo pedido de parcelamento foi devidamente homologado pela RFB, inclusive os débito do IP nº 0025000/2008, ora cancelado. Junta ao recurso documentos que comprovam suas alegações. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.013340/200827 Acórdão n.º 180100.860 S1TE01 Fl. 48 3 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. Da análise dos autos verifico que o ADE recorrido trouxe em seu bojo apenas o endereço eletrônico para a empresa acessar e verificar eventuais débitos em aberto. Todavia, a empresa compareceu à Receita Federal do Brasil e obteve junto à administração tributária a pesquisa consolidada de fls. 03 a 05 pela qual foi cientificada que havia somente dois débitos em aberto, a título de CSLL e Cofins. Prontamente recolheu os débitos em aberto. Somente quando da instrução deste processo pela turma julgadora de primeira instância é que o relator do processo acessa o sistema SIVEX e verifica que há débito previdenciário identificado pelo IP nº 000225000/2008. Na pesquisa buscada junto à administração tributária por ocasião da cientificação do ADE excludente não há qualquer menção deste débito previdenciário, pelo que entendo que, ao ser procurada, o fisco deveria prover a recorrente de todos os elementos que a impediam de usufruir do regime favorecido, diferenciado e simplificado – Simples Nacional. Não há como impingir ao administrado o dever de acessar endereço eletrônico para verificar débitos, quando a própria administração tributária emite pesquisa cadastral e fiscal sem apontar todos os débitos para com a RFB. Tenho pois, para mim, verídicas as alegações da recorrente e verifico aos autos que atualmente o IP nº 00225000/2008 – grafado na pesquisa como “SEM ENVIO” – atualmente encontrase cancelado – fls. 43, não havendo óbices para a empresa usufruir do Simples Nacional. Voto pela insubsistência do Ato Declaratório Executivo de exclusão da recorrente do Simples Nacional. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 52DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000527/2005-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anocalendário:
2000, 2001, 2002
VEÍCULO. SUBSTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da contribuição para o PIS e para a Cofins, segundo o
regime de substituição tributária previsto no art. 44 da Medida Provisória n°
1.99115/
2000, é o preço de venda da montadora, considerado este o preço do
produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados
incidente na operação. Ou seja, é o valor efetivamente pago pela
concessionária à montadora na aquisição do veículo novo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.452
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000, 2001, 2002 VEÍCULO. SUBSTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e para a Cofins, segundo o regime de substituição tributária previsto no art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115/ 2000, é o preço de venda da montadora, considerado este o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação. Ou seja, é o valor efetivamente pago pela concessionária à montadora na aquisição do veículo novo. Recurso Voluntário Negado.
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SUBSTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e para a Cofins, segundo o regime de substituição tributária previsto no art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115/2000, é o preço de venda da montadora, considerado este o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação. Ou seja, é o valor efetivamente pago pela concessionária à montadora na aquisição do veículo novo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 31/08/2005 a empresa IRMÃOS SPERANDIO COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. ingressou com o pedido de restituição (em papel) de PIS e Cofins, relativo a pagamentos efetuados no período de julho de 2000 a outubro de 2002, alegando que o valor do IPI devido pela montadora foi incluído indevidamente na base de cálculo das exações devidas por ela recorrente na qualidade de substituída. A DRF em Joaçaba SC indeferiu o pedido da recorrente, alegando a base de cálculo utilizada pela montadora substituta estar em perfeita harmonia com a legislação de regência e que a IN SRF nº 54/2000 em nada fere a norma que regulamenta, conforme Despacho Decisório nº 461/2005 fls. 507/513. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade, alegando que: 1 a disposição posta no parágrafo 1º do artigo 3º da Instrução Normativa SRF n° 54/2000 acrescentou o IPI às bases de cálculo do PIS e da COFINS objeto da substituição tributária associada às vendas de veículos por parte dos fabricantes, o que afronta o texto das Medidas Provisórias que prevêem e disciplinam a incidência das contribuições no caso em questão (artigo 44 da Medida Provisória n° 1.99115/2000 e artigo 43 da Medida Provisória n° 2.15835/2001); 2 em face da ilegalidade do parágrafo 1º do artigo 3° da Instrução Normativa SRF n° 54/2000, cumpre à autoridade administrativa afastar sua aplicação, fazendoo em estrita subordinação ao inciso I do parágrafo único do artigo 2° da Lei n° 9.784/1999, que expressamente determina aos agentes públicos a atuação conforme a lei e o direito. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0722.287, de 19/11/2010, cuja ementa abaixo transcrevo: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 11/01/2011, conforme AR de fl. 531, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/02/2011, com o recurso voluntário de fls. 532/543, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13982.000527/200592 Acórdão n.º 330201.452 S3C3T2 Fl. 558 3 Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais e dele se conhece. A empresa recorrente está pleiteando a restituição de PIS e de Cofins recolhidos pelo substituto tributário (montadora), que tomou como base de cálculo das exações o valor do veículo novo pago pela recorrente, aí incluído o valor do IPI devido pelo fabricante e vendedor do veículo. Entende a recorrente que o valor do IPI devido pela montadora, incluído na nota fiscal de venda e compondo o preço pago pela concessionária adquirente, não pode integrar a base de cálculo do PIS e Cofins substituição porque existe previsão legal para a sua exclusão da base de cálculo das exações e a disposição posta no parágrafo 1º do artigo 3º da Instrução Normativa SRF n° 54/2000 afronta o texto das Medidas Provisórias que prevêem e disciplinam a incidência das contribuições no caso em questão (artigo 44 da Medida Provisória n° 1.99115/2000 e artigo 43 da Medida Provisória n° 2.15835/2001); Sobres os argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade da IN SRF nº 54/2000, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito, defende a recorrente que o IPI devido pela montadora de veículo deve ser excluído do valor presumido da venda de veículos que adquire da montadora. Ou seja, o valor do IPI que a recorrente paga na aquisição deve ser excluído da base de cálculo presumida e apurada no regime de substituição tributária, por haver previsão legal para a exclusão do valor do IPI da base de cálculo do PIS e da Cofins. Como é cediço, os contribuintes do IPI (as montadoras) recebem o valor desse imposto que é cobrado junto com o preço do bem e o contabiliza na receita bruta da empresa. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a receita bruta da empresa e, portanto, o valor recebido a título de IPI não é receita da empresa, devendo ser excluído da receita bruta (que o incluiu) para fins de encontrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Como não poderia deixar de ser, no caso de substituição tributária na venda de veículos, o fato gerador do PIS e da Cofins não muda. O que muda é a base de cálculo que, que ao invés de ser o valor efetivo da venda do bem (receita efetiva), como de resto ocorre com a venda de partes e peças de veículos (também sujeitos ao IPI na compra pela recorrente), é o preço de venda pelo fabricante, que, por obvio, é o mesmo valor de compra ou valor pago pela recorrente. Também é evidente que o valor da operação de compra e venda de veículo novo junto à montadora é, normalmente, menor que o valor da operação de compra e venda de veículo novo realizado pela recorrente e o consumidor final do veículo novo. Ao valor de aquisição do veículo novo agregase outros custos, tais como frete, comissões de venda, despesas administrativas, etc. O preço de venda da montadora, que é o mesmo pago pela concessionária, engloba todos os impostos incidentes na operação, a exemplo do ICMS e do IPI. Portanto, quis a Lei que a base de cálculo fosse exatamente este valor (MP 1.99118/00, art. 44, § único). Não vejo nenhuma ilegalidade na IN SRF nº 54/02, ao definir que a base de cálculo do PIS e da Cofins é o valor pago pelo concessionária, ou seja, o preço do bem, que inclui o ICMS e o IPI. O fato do IPI ser calculado “por fora” em nada afeta o preço de venda dos veículos pela montadora e, de resto, de todos os bens sujeitos à incidência do IPI. Não há, nesta hipótese, nenhuma majoração da base de cálculo prevista na sistemática da MP nº 1.991 18/00. Sobre as exclusões previstas nas Leis nº 9.715/98 e 9.718/98, especialmente o valor do IPI, há necessidade de que o mesmo tenha sido recebido pelo contribuinte, o que não é o caso da recorrente. A recorrente não é contribuinte do IPI e, portanto, não recebe esse imposto para posterior recolhimento aos cofres da União. Sem isto, não há como falarse em sua exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins. O fato da mercadoria adquirida para revenda ser tributada pelo IPI não autoriza o contribuinte, ao realizar a sua venda, efetuar a exclusão, da base de cálculo do PIS e da Cofins, do valor do IPI pago na aquisição da mesma. Não há previsão legal para tal exclusão. Ainda que restasse provado a improcedência da inclusão do IPI na base de cálculo da exações, ainda assim não teria a recorrente direito de pleitear a restituição, posto que o recolhimento foi efetuado pela montadora e é ela quem tem o direito de pleitear a repetição do indébito. Por fim, e mesmo não tendo sido argüido pela autoridade administrativa, o pedido da recorrente foi apresentado em papel, quando deveria ter sido feito em meio eletrônico, utilizando o programa disponibilizado pela RFB, nos termos do art. 31 da IN SRF nº 460/04. Por esta razão, o pedido de restituição também não merece prosperar. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13982.000527/200592 Acórdão n.º 330201.452 S3C3T2 Fl. 559 5 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 563DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 16306.000054/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001
SUCESSÃO. TRANSMISSÃO DE DIREITOS.
Na sucessão de pessoas jurídicas não se transmitem despesas ou receitas, e sim o patrimônio, identificado por bens, direitos e obrigações. Passada em julgado a decisão judicial que autorizou a correção monetária do balanço da sucedida, relativamente ao ano de 1989, por índices superiores aos oficiais, não tem direito a sucessora de transportar a respectiva despesa de correção
monetária complementar diretamente para sua contabilidade no ano de 2001.
Tal despesa há que compor o resultado da sucedida relativamente ao ano em que se verificou a diferença de correção monetária, reduzindo o lucro real ou aumentando o prejuízo fiscal. Eventual direito à repetição do indébito tributário decorrente da redução do lucro real da sucedida é transmitido à sucessora. Já o direito à compensação do prejuízo fiscal não lhe pode ser transmitido, por expressa vedação legal.
Numero da decisão: 1201-000.661
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Júnior acompanharam o Relator pelas conclusões.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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TRANSMISSÃO DE DIREITOS. Na sucessão de pessoas jurídicas não se transmitem despesas ou receitas, e sim o patrimônio, identificado por bens, direitos e obrigações. Passada em julgado a decisão judicial que autorizou a correção monetária do balanço da sucedida, relativamente ao ano de 1989, por índices superiores aos oficiais, não tem direito a sucessora de transportar a respectiva despesa de correção monetária complementar diretamente para sua contabilidade no ano de 2001. Tal despesa há que compor o resultado da sucedida relativamente ao ano em que se verificou a diferença de correção monetária, reduzindo o lucro real ou aumentando o prejuízo fiscal. Eventual direito à repetição do indébito tributário decorrente da redução do lucro real da sucedida é transmitido à sucessora. Já o direito à compensação do prejuízo fiscal não lhe pode ser transmitido, por expressa vedação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Júnior acompanharam o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Fl. 565DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 537 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior, Marcelo Cuba Netto e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, adoto aqui o relatório contido na decisão de primeira instância: DO DESPACHO DECISÓRIO Conforme o Despacho Decisório da EQPIR/PJ/DERAT/SP, de 25 de maio de 2009, fls. 381/386, a autoridade administrativa analisou um pedido de restituição formulado pela contribuinte em epígrafe, verificando em síntese que: 1. Foi objeto de análise o Pedido de Restituição de R$ 18.072.148,89, relativo ao saldo negativo de IRPJ supostamente apurado no 4° trimestre de 2001. O pedido foi formalizado sob o número 36338.78997.281206.1.2.022800 (fls. 01/03). Vinculadas à restituição pleiteada, há as Declarações de Compensação relacionadas na planilha de fls. 382, cujas respectivas cópias constam às fls. 04/361. 2. Em 28/06/2002, a contribuinte transmitiu a DIPJ/2002 de fls.362/363, na qual indicava ter apurado, no 4° trimestre de 2001, lucro real de R$ 76.114.618,65 e imposto de renda a pagar de R$ 14.601.346,81. Em 28/12/2006, a contribuinte transmitiu uma DIPJ/2002 retificadora (fls. 364/365), com a alteração do valor de "Outras Exclusões" de R$ 5.026.849,82 para R$ 119.894.935,53. Tal aumento no valor de "Outras Exclusões" implicou supostos prejuízo fiscal de R$ 25.619.369,24 e saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 18.072.352,50. 3. Intimada a prestar esclarecimentos sobre a alteração do valor de "Outras Exclusões" da DIPJ/2002, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 367/375, juntamente com as peças de processo judicial acostadas no Anexo I dos presentes autos, alegando que: 3.1. Foi reconhecido judicialmente o direito de as empresas Perdigão Alimentos S/A (CNPJ 82.829.730/000164) e Perdigão Agroindustrial S/A (CNPJ 89.421.903/000150) computarem, na correção monetária dos balanços, os percentuais inflacionários expurgados em decorrência do Plano Verão, nos meses de janeiro e fevereiro de 1989. Tais percentuais seriam de, Fl. 566DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 538 3 respectivamente, 42,72% e 10,14%. A decisão judicial teria transitado em julgado em 18/03/2004. 3.2. A decisão judicial teria reconhecido ainda o direito de as empresas deduzirem, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a despesa originária de tal cômputo, além das despesas de depreciação/amortização/exaustão incidentes sobre os acréscimos efetuados aos custos de aquisição do ativo permanente, a partir do exercício de 1994. 3.3. A contribuinte em epígrafe teria sucedido as empresas citadas no item 3.1. 3.4. Devido à suposta impossibilidade de se retificar as DIRPJ/DIPJ correspondentes aos exercícios financeiros a que competiam as deduções mencionadas, a interessada procedeu à retificação da DIPJ/2002, a fim de gerar os efeitos concedidos pela decisão judicial transitada em julgado, mediante um complemento de exclusão no valor de R$ 114.868.085,71, consoante os demonstrativos de fls. 373/375. 4. Os extratos de fls. 378/379 confirmam que a contribuinte em epígrafe é sucessora por incorporação das empresas Perdigão Alimentos S/A (CNPJ 82.829.730/000164) e Perdigão Agroindustrial S/A (CNPJ 89.421.903/000150). 5. Ao julgar o Agravo de Instrumento nº 322.436SC (2000/00739235, processo originário 94.70006585), o Egrégio Superior Tribunal de Justiça decidiu por conhecer "do agravo de instrumento para dar provimento ao recurso especial, a fim de que se aplique o IPC de janeiro/89 (42,72%) e de fevereiro/89 (10,14%) nas demonstrações financeiras da Recorrente, ano base 1989 (..)" (Anexo I, fls. 318). Adicionalmente, deuse "provimento ao agravo regimental para, reconsiderando a decisão anterior, conhecer do agravo de instrumento e dar parcial provimento ao recurso especial, determinando que seja aplicado o índice de 42,72% para o período de janeiro de 1989". (Anexo I, fls. 320). 6. Deflui da leitura das decisões judiciais que, ao contrário do que alega a interessada, em momento algum houve o reconhecimento de eventual direito de deduzir despesas, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a partir do anocalendário de 1994. Os votos vencedores reconhecem apenas e tão somente o direito de aplicação dos percentuais de 42,72% e de 10,14% para, respectivamente, janeiro/89 e fevereiro/89. 7. Depreendese da análise dos demonstrativos de fls. 373/375 que o complemento de exclusão incluído pela contribuinte na DIPJ/2002, no valor de R$ 114.868.085,71, é composto por diferenças da correção monetária, as quais supõese que deveriam ter sido contabilizadas nos anoscalendário entre 1989 e 2001. 8. Contudo, tal procedimento é irregular. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 539 4 9. Inicialmente, cabe notar que as operações de sucessão ocorreram nos anos de 1995 e 1997, logo, a decisão judicial e as diferenças de correção monetária quantificadas pela contribuinte se referem, inclusive, a períodos em que as empresas peticionárias, posteriormente incorporadas, ainda se encontravam ativas. Isto posto, concluise que o cômputo de exclusões na apuração do lucro real da incorporadora, relativas a valores anteriores as incorporações, oriundos das operações e dos patrimônios da incorporadas, revela a não observância do principio fundamental da contabilidade denominado "principio da entidade", aprovado pela Resolução CFC n° 750, de 29 de dezembro de 1993, art.4º e parágrafo único. Nos termos do dispositivo em questão, a contabilidade deve registrar somente os atos e os fatos ocorridos que se refiram ao patrimônio da própria empresa. 10. Ademais, o registro de uma exclusão do lucro real pressupõe a inclusão do valor respectivo no lucro liquido do exercício, conforme determina o inciso II, do art.250, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Este não foi o caso, pois eventuais receitas provenientes da correção dos balanços da incorporadoras deveriam estar registradas na contabilidade daquelas empresas, em observância ao principio da entidade. Da mesma forma, tratandose de eventuais despesas de depreciação, amortização ou exaustão, não deveriam ser registradas como exclusão, já que seriam contabilizadas como despesas dedutíveis do IRPJ na contabilidade das incorporadas. 11. Em última análise, verificase que o complemento da exclusão ao qual procedeu a interessada representa afronta ao art. 33, do DecretoLei n° 2.341, de 29 de junho de 1987, que dispõe: "A pessoa jurídica sucessora por incorporação ,fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida". 12. Ao tentar determinar os efeitos concedidos pela decisão judicial, a interessada exclui, de seu lucro real do 4° trimestre de 2001, valores relativos à apuração de outros anoscalendário, pertencentes a outras entidades, gerando para si própria um prejuízo fiscal que não apurou. Ressaltese que a decisão judicial não ampara a dedução/exclusão de valores na DIPJ/2002, nem o aproveitamento de tais valores na contabilidade da incorporadora. 13. Ainda que a dedução/exclusão por quem de direito (empresas incorporadas), nos anoscalendário devidos, gerasse prejuízos fiscais, estes não poderiam ser aproveitados pela incorporadora, haja vista a vedação prevista pelo art.33 supracitado. Em função do exposto, a autoridade administrativa decidiu às fls. 386: [..] INDEFIRO o Pedido de Restituição de fls. 1 a 3. Em decorrência, NÃO HOMOLOGO as compensações vinculadas (fls. 4 a 361)". DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 568DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 540 5 Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 419/431, protocolizada em 23/07/2009 e acompanhada dos documentos de fls. 432/474, expondo, em síntese, que: 1. A decisão prolatada pelo STJ em 16/10/2003, fls. 317/318 do Anexo I, relativa a agravo de instrumento manifestado em face de decisão que inadmitiu recurso especial interposto contra acórdão proferido pelo TRF da 4º Região, foi exarada nos seguintes termos: [..] conheço do agravo de instrumento para dar provimento ao recurso especial, afim de que se aplique o IPC de janeiro/89 (42,72%) e de fevereiro/89 (10,14%) nas demonstrações financeiras da Recorrente, anobase 1989, nos termos da fundamentação expendida [..] 1.1. Consequentemente, em qualquer dos períodosbase de incidência do IRPJ e da CSLL havidos a partir de 1989, poderiam a Perdigão Alimentos S/A e a Perdigão Agroindustrial S/A proceder à dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, da despesa de correção monetária de balanço gerada pela aplicação dos percentuais inflacionários expurgados pelo Governo Federal nos meses de janeiro e fevereiro de 1989. 1.2. Ademais, a partir de 1994, poderiam tais companhias deduzir, das mesmas bases de cálculo, as despesas de depreciação, amortização, exaustão ou baixa incidentes sobre os acréscimos efetuados aos custos de aquisição dos bens do ativo permanente em virtude do registro dessa correção monetária. 2. Em 29/09/1995, a Perdigão Alimentos S/A (CNPJ nº 82.829.730/000164) foi incorporada pela Perdigão Agroindustrial (CNPJ n° 89.421.903/000150), a qual, por sua vez, foi incorporada pela manifestante em 31/05/1997. Sendo assim, à época do trânsito em julgado do acórdão do STJ (18/03/2004 — fls. 319/323 do Anexo I — exarado em sede de embargos de declaração da Fazenda Nacional admitidos como agravo regimental), já havia ocorrido a incorporação da Perdigão Agroindustrial pela manifestante. 2.1. Nos termos do art. 227, da Lei n° 6.404/76, e do art. 1.116, da Lei n° 10.406/2002, concluise que a sociedade incorporada desaparece, ao passo que a sociedade incorporadora absorve todos os direitos e obrigações inerentes à primeira, inclusive a legitimidade para apresentar pedido de restituição referente a crédito pleiteado pela incorporada, anteriormente à incorporação. 2.2. Sob o aspecto contábil, os direitos e obrigações antes contabilizados no patrimônio da incorporada são transportados para o patrimônio da incorporadora, com a consequente extinção da incorporada. 2.3. Não houve descumprimento do principio da entidade, uma vez que, com a incorporação, deixou de existir a entidade Fl. 569DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 541 6 incorporada, passando a existir somente a entidade incorporadora. 2.4. Considerando que a decisão judicial que reconheceu o direito ao aproveitamento dos expurgos inflacionários transitou em julgado somente em 2004 e que a incorporação realizada pela manifestante deuse em 1997, esse direito deve, como foi, ser reconhecido pela manifestante em seu patrimônio, única entidade existente à época do reconhecimento do direito pelo Poder Judiciário. 3. Reiterese que a decisão prolatada pelo Poder Judiciário assegurou a aplicação do "[..] IPC de janeiro/89 (42,72%) e de fevereiro/89 (10,41%) nas demonstrações financeiras da(s) Recorrente(s), anobase 1989, nos termos da fundamentação expendida". 3.1. Ou seja, ao decidir nos termos da "fundamentação expendida", o Poder Judiciário reconheceu: "[..] a incorporação do expurgo inflacionário [..] ocorrido em janeiro de 1989 [..] e via de conseqüência, garantir a dedução, da base de cálculo do IR(PJ) e da CS(LL) dos encargos de depreciação, amortização e exaustão, bem como o custo liquido dos bens que vieram a ser baixados, referentes aos itens do ativo permanente que tiveram o seu custo de aquisição reduzido pelo expurgo, a partir do anobase de 1994". 3.2. Consequentemente, em qualquer dos períodosbase de incidência do IRPJ e da CSLL havidos a partir de 1989, poderiam originalmente a Perdigão Alimentos S/A e a antiga Perdigão Agroindustrial S/A — agora a manifestante, em razão da sucessão — proceder à dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, da despesa de correção monetária de balanço gerada pela aplicação dos percentuais inflacionários expurgados pelo Governo Federal nos meses de janeiro e fevereiro de 1989, bem como deduzir das mesmas bases de cálculo, a partir de 1994, as despesas de depreciação, amortização, exaustão ou baixa incidentes sobre os acréscimos efetuados aos custos de aquisição dos bens do ativo permanente em virtude do registro dessa correção monetária. 3.3. Fica evidente, assim, que a decisão reconheceu o direito da dedução das despesas geradas a partir dos expurgos inflacionários de 1989. 4. As deduções em comento devem ser levadas a termo mediante a retificação da DIPJ e, uma vez que o Fisco Federal somente recebe retificações das DIPJ relativas aos anoscalendário aos quais não se aplica a decadência quinquenal do direito de lançamento do IRPJ e da CSLL, somente seriam passíveis de retificação para o lançamento das deduções em questão as DIPJ relativas aos anoscalendário de 2001 em diante. 4.1. A manifestante entendeu que o mais adequado seria o reconhecimento da majoração da despesa de correção Fl. 570DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 542 7 monetária, relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 1989, em 2001, último anocalendário cuja respectiva DIPJ ainda era passível de retificação. 4.2. No pedido formulado ao Poder Judiciário, solicitouse que os efeitos da decisão se dessem a partir de 1994. Contudo, quando a decisão se tornou definitiva, em março de 2006, a manifestante somente poderia alterar informações prestadas nos últimos 5 anos (ou seja, a partir de 2001). Apreciados os argumentos de defesa, a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento do pleito da contribuinte (fls. 477/488), sob o fundamento de que as correções de índice autorizadas pelo STJ devem incidir sobre os registros contábeis das pessoas jurídicas incorporadas, e não diretamente sobre a contabilidade da incorporadora. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, repisando os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade (fls. 490/510). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Direito Creditório Em 28/12/2006 a ora recorrente transmitiu pedido de restituição bem como, a partir de fevereiro de 2007, diversas declarações de compensação (DCOMPs) a ele vinculadas (fls. 1/361). Segundo a interessada, seu direito creditório tem origem no saldo negativo de IRPJ relativo ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, conforme demonstrado em sua DIPJ/2002 retificadora, entregue em 28/12/2006 (fls. 364/365). Intimada a justificar o valor de R$ 119.894.935,53 informado na ficha 9A, linha 36, da mencionada DIPJ retificadora (Demonstração do lucro Real Outras Exclusões), a contribuinte explicou ser ele decorrente de decisão proferida pelo STJ transitada em julgado no ano de 2006 que, reconhecendo os expurgos inflacionários havidos nos meses de janeiro (42,72%) e fevereiro (10,14%) de 1989, teria lhe garantido o direito a: (i) deduzir a respectiva despesa de correção monetária do balanço e; (ii) deduzir as despesas de depreciação, amortização e/ou exaustão incidentes sobre o custo de aquisição de bens do ativo permanente baixados a partir do ano de 1994. Disse ainda a interessada que a referida decisão judicial é fruto de ação proposta no ano de 1994 pelas empresas Perdigão Agroindustrial S.A. e Perdigão Alimentos S.A., sendo que a primeira empresa foi incorporada pela segunda em 29/09/1995 (fl. 378), e a segunda incorporada pela ora recorrente em 31/05/1997 (fl. 379). Fl. 571DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 543 8 Pois bem, antes de mais nada é importante transcrever a parte dispositiva da decisão do STJ (fl. 318 do anexo I): Diante do exposto, amparado no art. 544, § 3°, do Código de Processo Civil, conheço do agravo de instrumento para dar provimento ao recurso especial, a fim de que se aplique o IPC de janeiro/89 (42,72%) e de fevereiro/89 (10,14%) nas demonstrações financeiras da Recorrente, anobase 1989, nos termos da fundamentação expendida, restando invertidos os ônus da sucumbência (custas e honorários advocatícios). Dito isso, no que toca ao direito à dedução da despesa de correção monetária de balanço mediante a utilização dos índices estabelecidos na decisão do STJ, deve ser ele exercido a partir da aplicação dos referidos índices às contas sujeitas à correção monetária do balanço levantado pelas sucedidas em 31/12/1989. Disso a recorrente não discorda, como se depreende dos demonstrativos de crédito por ela elaborados, que tomam como ponto de partida justamente os balanços levantados pelas empresas incorporadas (fls. 373/375). Todavia, essa despesa adicional de correção monetária não poderia ter sido diretamente “transportada” da contabilidade das sucedidas para a contabilidade da sucessora, como pretendeu a interessada (fl. 498, 3º parágrafo). Isso porque, conforme regra elementar de contabilidade, as contas de resultado, como é o caso da conta de despesa de correção monetária de balanço, devem ser todas encerradas na data a que se refere o balanço patrimonial. Em outras palavras, as contas de resultado não são objeto de transporte para os exercícios seguintes. O que é levado ao exercício seguinte é o lucro ou prejuízo, decorrente do encerramento de todas as contas de resultado na data a que se refere o balanço. Aliás, o mandamento contido na decisão do STJ estabelece que os índices deverão ser aplicados “nas demonstrações financeiras da Recorrente, anobase 1989”. Não foi concedido ali direito à transporte da conta da despesa adicional de correção monetária do balanço de 1989 para a conta Outras Exclusões do 4º trimestre do anocalendário de 2001, como fez a interessada. Isso posto, de modo a cumprir a decisão judicial transitada em julgado, e em atenção às regras elementares de contabilidade, deveria a ora recorrente ter levantado nova demonstração do resultado das sucedidas relativamente ao ano de 1989, aplicando às contas sujeitas à correção monetária de balanço os índices determinados na decisão do STJ, e encerrado todas as contas de resultado contra uma conta geralmente designada de “resultado do exercício”. Essa conta, também de resultado, aponta o lucro ou prejuízo líquido das sucedidas em 1989, devendo ser encerrada contra uma conta patrimonial geralmente intitulada “lucros ou prejuízos acumulados”. Como o lucro líquido do período é o ponto de partida para determinação da base de cálculo do IRPJ, o levantamento do novo resultado do exercício resultaria em redução do lucro real originalmente apurado pelas sucedidas em 31/12/1989, ou em aumento do prejuízo fiscal daquele ano. Feito isso, de posse do novo resultado das sucedidas relativamente ao ano de 1989, deveria a sucessora ter verificado quais os direitos que poderlheiam ser juridicamente Fl. 572DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 544 9 transmitidos (e não transportados), na medida e na forma em que dispõem as normas que cuidam da transmissão de direitos na sucessão de pessoas jurídicas. Isso porque, diversamente daquilo que corriqueiramente é afirmado, na incorporação a incorporadora não sucede a incorporada em “todos” os seus bens, direitos e obrigações. É certo que essa é a regra, mas há exceções. No âmbito do direito tributário, a título exemplificativo, é pacífica a jurisprudência no sentido de que as obrigações por multas de ofício lavradas após a incorporação, relativamente a fatos geradores ocorridos antes daquela data, não se transmitem à incorporadora, exceto se esta concorreu para o ilícito ou dele tinha ciência. Bem assim, por força do a seguir transcrito art. 33 do DecretoLei n° 2.341/1987, o direito de a pessoa jurídica compensar os prejuízos por ela apurados não se transmite à pessoa jurídica que a incorporou: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. (...) Em assim sendo, o direito que caberia à recorrente, fruto da já referida decisão judicial transitada em julgado, limitarseía à repetição do IRPJ eventualmente pago a maior pelas sucedidas, relativamente ao fato gerador ocorrido 31/12/1989, em razão da redução do lucro real pela despesa adicional da correção monetária do balanço de 1989. Pelo exame da DIRPJ/1990 original apresentada pela sucedida Perdigão Agroindustrial S.A. (fls. 44/59 do anexo I) é possível verificar que foi apurado prejuízo fiscal em 31/12/1989, daí porque o efeito da decisão judicial seria o aumento desse prejuízo e o consequente direito a sua posterior compensação com lucros futuros da própria Perdigão Agroindustrial S.A., direito esse que não se transmite à ora recorrente/incorporadora em virtude do disposto no já mencionado art. 33 do DecretoLei n° 2.341/1987. Quanto à DIRPJ/1990 original apresentada pela sucedida Perdigão Alimentos S.A.(fls. 78/89 do anexo I), consta ali apuração de lucro real em 31/12/1989, bem como IRPJ a pagar no montante de 473.291,22 BTNs Fiscais. O efeito da decisão do STJ seria o de redução do lucro real e, consequentemente, o direito de repetição do IRPJ pago a maior. O direito à repetição do IRPJ pago a maior transmitese à ora recorrente/incorporadora, todavia, devese ressaltar que não foi este o direito creditório por ela reivindicado no pedido de restituição e das declarações de compensação objeto do presente processo. Além do direito à dedução da despesa de correção monetária do balanço de 1989 pelos índices estabelecidos na decisão do STJ, a interessada afirma ainda que essa mesma decisão lhe teria garantido o direito à dedução das despesas de depreciação, amortização e/ou exaustão incidentes sobre o custo de aquisição de bens do ativo permanente baixados a partir do exercício de 1994. Quanto a isso há que se dizer, em primeiro lugar, que a decisão judicial transitada em julgado (fls. 317/318 do anexo I) não faz qualquer menção a esse alegado direito. Em segundo lugar, ainda que a decisão judicial o houvesse contemplado, a ora recorrente, em atenção às regras básicas de contabilidade, jamais poderia haver “transportado” a referida despesa de depreciação, amortização e/ou exaustão diretamente para Fl. 573DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16306.000054/200917 Acórdão n.º 120100.661 S1C2T1 Fl. 545 10 o resultado do 4º trimestre do anocalendário de 2001, na conta Outras Exclusões. O procedimento correto, como visto acima, seria levantar nova demonstração do resultado dos anos em que se verificaram as baixas por depreciação, amortização e/ou exaustão dos bens sujeitos ao ajuste de correção monetária autorizado pelo STJ. Feito isso, seria necessário verificar se o ajuste assim procedido resultou em redução do lucro real ou aumento do prejuízo fiscal do respectivo período, bem como se isso resultou em pagamento a maior de IRPJ. Nada disso, todavia, foi feito pela ora recorrente, sendo que eventual IRPJ pago a maior pelas sucedidas tanto no ano de 1989 como nos anos em que ocorreram baixas dos bens sujeitos a depreciação, amortização e/ou exaustão, não é objeto do presente pedido de restituição nem das declarações de compensação a ele vinculadas. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 574DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001125/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. NULIDADE.
Configurada a hipótese legal de arbitramento fundamentada na autuação não há que se cogitar de nulidade do lançamento.
IRPJ. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. TRIBUTAÇÃO
CONFISCATÓRIA.
A apreciação de alegação de que a tributação levada a efeito pela autoridade fiscal tem caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e na Súmula CARF nº 2,
MULTA DE OFÍCIO. MULTA CONFISCATÓRIA.
A apreciação de alegação de que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal tem caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e na Súmula CARF nº 2,
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO CARACTERIZADA.
Os fatos apurados e demonstrados pela fiscalização revelam o intuito doloso da fiscalizada, de forma reiterada ao longo de dois exercícios, de omitir ao fisco federal as suas receitas, configurando a prática de sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei 4.502/1964.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se
integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões atinentes ao IRPJ.
Numero da decisão: 1302-000.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. NULIDADE. Configurada a hipótese legal de arbitramento fundamentada na autuação não há que se cogitar de nulidade do lançamento. IRPJ. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. TRIBUTAÇÃO CONFISCATÓRIA. A apreciação de alegação de que a tributação levada a efeito pela autoridade fiscal tem caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e na Súmula CARF nº 2, MULTA DE OFÍCIO. MULTA CONFISCATÓRIA. A apreciação de alegação de que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal tem caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e na Súmula CARF nº 2, MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO CARACTERIZADA. Os fatos apurados e demonstrados pela fiscalização revelam o intuito doloso da fiscalizada, de forma reiterada ao longo de dois exercícios, de omitir ao fisco federal as suas receitas, configurando a prática de sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei 4.502/1964. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões atinentes ao IRPJ. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 159 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 160 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão da Segunda Turma de Julgamento da DRJCuritiba que julgou procedentes os lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, dos anoscalendário 2007 e 2008, no valor total de R$ 1.551.568,61, incluindo o principal, multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora atualizados até 31/08/2010, efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 68 a 80. A infração apurada referese à omissão de receitas pela empresa, apurada a partir dos livros Registro de Apuração do ICMS, sendo que a empresa não apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ nem Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Como não apresentou a escrituração contábil, apesar de intimada, a apuração se deu no regime do lucro arbitrado, em conformidade com o disposto no art. 530, III do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999. A autoridade fiscal lançou, além do IRPJ, a CSLL apurada com base na mesma infração. Também foram lavrados autos de infração relativos a Cofins e PIS, formalizados no processo de nº 10945.001126/201075. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 28/09/2010 (fl. 82) e apresentou sua impugnação (fls. 85/91), em 28/09/2010 cujos principais argumentos estão sintetizados, conforme a relatório no acórdão da DRJCuritiba, in verbis: “2. Acerca de a autuação ter sido lavrada pelo lucro arbitrado, porque a empresa, intimada, não entregou livros contábeis, afirma que tais livros não foram exibidos porque não existem e que, conseqüentemente, não pode subsistir o pretenso arbitramento com a aplicação do coeficiente de 9,6% sobre o valor de revenda de mercadorias, pois é totalmente destituído de embasamento legal, dado que tal percentual está fora da realidade da atividade econômica da autuada, cujo lucro sequer alcança o patamar de 2%. 3. Destaca que a autuação desrespeitou o princípio constitucional tributário da proibição do confisco, dado que o capital social da empresa, no total de R$ 83.989,20 é insuficiente até mesmo para fazer frente aos juros de mora aplicados à exigência de IRPJ; transcreve texto de autor a respeito, bem como jurisprudência. 4. Por isso, contesta a autuação, especialmente a aplicação do arbitramento e a exorbitância do valor das multas aplicadas no percentual de 150%. 5. Conclui que, uma vez descaracterizada a alegada omissão de exibição dos livros contábeis, requer seja declarado nulo o crédito tributário apurado com base em arbitramento e protesta por quaisquer provas que se fizerem necessárias.” Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 161 4 A Segunda Turma de Julgamento da DRJCuritiba manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 0632.383, de 22/06/2011 (fls. 96/99), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RECEITA BRUTA OMITIDA CONHECIDA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL E LIVRO CAIXA. FALTA DE OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado se o contribuinte deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou o livro Caixa, tampouco tendo manifestado a opção pelo lucro presumido. DOLO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados estando caracterizado o dolo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL O percentual da multa de ofício qualificada é o definido em legislação regularmente editada. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Lançamento Procedente. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância conforme AR (fls. 151/152), com data de postagem em 18/07/2011, sem aposição de data de recebimento, tendo interposto recurso voluntário em 19/08/2011 (fls. 153/156). A recorrente alega, preliminarmente, em sua petição que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento pelo fato do contribuinte não ter deixado de apresentar os livros contábeis, conforme relata a autoridade fiscal, que fundamentou o lançamento no art. 530, inc. III do RIR/99. Alega que, conforme esclarecido na impugnação a recorrente não deixou de apresentar os livros fiscais, pois os mesmos inexistem. Alega que a declaração de nulidade prescinde de previsão legal, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, pois a mesma decorre da não subsunção do pretenso enquadramento legal com a situação fática verificada. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 162 5 No mérito, o recurso interposto, basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação que podem ser assim bem sintetizados: 1. Que o arbitramento do lucro no patamar de 9,6% excede em muito o lucro real da atividade que seria de apenas 2%, caracterizandose uma inconstitucionalidade perpetrada pela autoridade fazendária, tendo em vista o princípio que veda o confisco, uma vez que o capital social atualizado da recorrente é de apenas R$ 83.989,20, insuficiente até mesmo para saldar os juros de mora aplicados sobre o Imposto de Renda lançado. 2. Alega que o acórdão recorrido incorreu em equívoco ao reportar citações de acórdãos administrativos, afirmando que na verdade citou a doutrina afirmando o princípio do não confisco, bem como duas ações diretas (de constitucionalidade e inconstitucionalidade), sobre o mesmo tema, que lhe seriam aplicáveis, dado o efeito erga omnes de que são dotadas. 3. Que a multa de ofício aplicada no percentual de 150% deve ser afastada, pois não haveria qualquer prova da prática de crime tributário. Afirma que uma vez mais restou ofendido o princípio do não confisco na fixação de valores exorbitante para as multas, citando a ADI nº 551, relatada pelo Ministro Ilmar Galvão (DJ. De 14/02/2003). Ao final a recorrente requer que seja reformada a decisão recorrida para reconhecer” a nulidade do crédito tributário, apurado com base no arbitramento, discriminado no demonstrativo consolidado, e, afastada a aplicação das multas, por flagrante ofensa ao princípio constitucional do não confisco em matéria tributária”. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 163 6 Voto Conselheiro LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO O recurso voluntário apresentado é tempestivo, pois, uma vez que não se encontra identificada no AR (fls. 151/152) a data de recebimento, deve ser observado o prazo previsto no inc. II do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235/19721. Assim, conheço do recurso. 1. Da preliminar de nulidade A recorrente alega em preliminar a nulidade da autuação. Sustenta que, não obstante a autoridade fiscal tenha sido informada de que não possuía os livros contábeis solicitados na intimação, por não têlos escriturado, a atuação fiscal foi efetuado sob o fundamento de que os livros não foram apresentados àquela autoridade, nos termos do art. 530, inc. III do RIR/1999. Afirma que livros deixaram de ser exibidos única e exclusivamente por não existirem. Assim, não restaria configurada a hipótese legal de arbitramento utilizada pela autoridade fiscal. Não há nada mais equivocado que tal assertiva. A recorrente simplesmente confessa que não possuía os livros contábeis solicitados pela autoridade fiscal, pois jamais os escriturou. Desta forma, só faz confirmar o cabimento da norma de arbitramento aplicada ao caso. Assim dispõe o inc. III do art. 530 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999): Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) 1 Art. 23. Farseá a intimação: I (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) §1º (...) § 2° Considerase feita a intimação: I (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 164 7 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Ora, o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou os livros contábeis que pudessem demonstrar o Lucro Real, nem tampouco o Livro Caixa. Como não efetuou qualquer recolhimento do imposto, nem apresentou as declarações devidas (DIPJ e DCTF), não fez a opção pelo Lucro Presumido. Assim, estando plenamente configurada a hipótese legal de arbitramento afasto a alegação de nulidade do lançamento. 2. Alegações de mérito 2.1 Arbitramento do Lucro No mérito, a recorrente alega que a imposição do percentual de arbitramento do lucro na ordem de 9,6% configuraria tributação confiscatória, o que é vedado pela Constituição Federal. Cita trecho da ADC nº 8 em abono à sua tese. A alegação não procede, pois incidência tributária aplicada ao caso concreto decorre de expressa previsão legal. A base legal para o cálculo da exigência está prevista nos arts. 518, 519 e 532 e 537 do RIR /1999, in verbis: Art. 518 A base de cálculo do imposto e adicional (541 e 542) em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (...) Art. 519 (...) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata o artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º) (...) Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (...) Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). (grifei) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 165 8 O percentual de 9,6% (nove, virgula seis por cento) aplicado corresponde ao percentual base de 8% (oito por cento) acrescidos de 20% (vinte por cento). Não existem precedentes judiciais que afastem com efeito erga omnes a legislação acima citada, que também não foi declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF. A ADC nº 8 citada pela recorrente tem como objeto a aferição de constitucionalidade da Lei 9.784/1999, que dispôs sobre as contribuições para a seguridade social para os servidores públicos federais. Assim, a apreciação da alegação de que a tributação levada a efeito pela autoridade fiscal teria caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/20092 e na Súmula CARF nº 23, de sorte que rejeito as alegações da recorrente. 2.2 Da Multa de Oficio Qualificada No que tange à multa de ofício aplicada a recorrente retorna com a alegação de que a mesma teria caráter confiscatório, desta feita citando a decisão da ADI nº 551. Também não merece acolhida esta alegação pelos mesmos fundamentos anteriormente expendidos em relação ao tributo. A ADI nº 551 citada dispõe sobre a inconstitucionalidade de dispositivos da Constituição do Estado do Rio de Janeiro que fixavam valores mínimos de multas pelo não recolhimento e sonegação de tributos estaduais. Assim afasto a primeira alegação em relação à multa aplicada. O segundo argumento da recorrente é o de que não teria sido evidenciado na autuação qualquer prova de prática de crime tributário. A autoridade fiscal justificou a aplicação da multa qualificada nos seguintes termos: Considerando que a empresa registrou em seus livros fiscais valores de vendas, nos anos calendários (SIC) de 2007 e 2008 e, inclusive, declarou as vendas para “o fisco estadual” através de Guia de ICMS, tal procedimento permite concluir que o contribuinte deliberadamente deixou de declarar e recolher corretamente os tributos federais devidos. Por tal motivo, utilizamos o percentual de multa qualificada (150%), com base no inc. II do art. 957 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/1999. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. 3 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10945.001125/201021 Acórdão n.º 130200.910 S1C3T2 Fl. 166 9 Entendo que os fatos apurados e demonstrados pela fiscalização revelam o intuito doloso da fiscalizada, de forma reiterada ao longo de dois exercícios, de omitir ao fisco federal as suas receitas, configurando a prática de sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei 4.502/19644, na medida que nada declarou ou recolheu nos anoscalendário 2007 e 2008. Destarte, voto por manter a multa de ofício qualificada (150%) aplicada. 3. Tributação Reflexa: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões atinentes ao IRPJ. Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto à exigência lançada a título de CSLL, nos termos examinados em relação ao lançamento do IRPJ. 4. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator 4 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10830.004509/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/07/2003, 30/10/2003, 31/12/2003, 28/02/2004
NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO. DUPLICIDADE.
IMPOSSIBIBIDADE.
É vedado à autoridade administrativa constituir crédito tributário que já foi
objeto de constituição pelo contribuinte, via declaração em DCTF.
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. COMPENSAÇÃO.
LIMITES DAS VERIFICAÇÕES POR PARTE DA AUTORIDADE
FISCAL.
Havendo decisão judicial versando sobre a mesma matéria discutida nos
autos, a qual estabelece o direito do contribuinte ao crédito e à sua
recuperação por meio de compensação, a autoridade administrativa e este
Tribunal têm de respeitála.
Cabe ao Fisco apenas analisar se o contribuinte
possui crédito suficiente para extinção do crédito tributário sob análise, o que
deve ser feito considerando os parâmetros estabelecidos na decisão judicial
que lhe garantiu referido crédito.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-001.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao voluntário, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Walber José da
Silva fez declaração de voto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.004509/200797 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330201.484 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2012 Matéria PIS Compensação Recorrente CHAPÉUS CURY LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/07/2003, 30/10/2003, 31/12/2003, 28/02/2004 NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO. DUPLICIDADE. IMPOSSIBIBIDADE. É vedado à autoridade administrativa constituir crédito tributário que já foi objeto de constituição pelo contribuinte, via declaração em DCTF. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. COMPENSAÇÃO. LIMITES DAS VERIFICAÇÕES POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. Havendo decisão judicial versando sobre a mesma matéria discutida nos autos, a qual estabelece o direito do contribuinte ao crédito e à sua recuperação por meio de compensação, a autoridade administrativa e este Tribunal têm de respeitála. Cabe ao Fisco apenas analisar se o contribuinte possui crédito suficiente para extinção do crédito tributário sob análise, o que deve ser feito considerando os parâmetros estabelecidos na decisão judicial que lhe garantiu referido crédito. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao voluntário, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Walber José da Silva fez declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 29/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 03/07), lavrado para o fim de constituir crédito de PIS relativo às competências de 09/2001, 07/2003, 10/2003 a 12/2003 e 02/2004. Segundo consta no próprio Auto de Infração, os débitos constituídos referemse a valores de PIS que foram objeto de compensação não declarada em DCTF, e também que foram objeto de sete DCOMP’s (uma relativa a cada competência, e duas para a competência 02/2004). Entretanto, fundamentou o lançamento o fato de que, de acordo com informações constantes nos autos (fls. 08), embora as DCOMP’s tenham sido transmitidas em agosto/2004, em 22/12/06, a Recorrente solicitou os respectivos cancelamentos do instrumento de compensação. Em virtude de as DComp’s terem sido canceladas, a fiscalização procurou a constituição dos débitos de PIS (objeto das compensações) via DCTF, não tendo localizado, a autoridade fiscal promoveu a constituição de ofício dos valores. O lançamento se deu após informações da Recorrente (fls. 10/19) de que não houve pagamento dos débitos, mas que os mesmos teriam sido extintos por compensação. Ainda, a Recorrente esclareceu que a compensação foi realizada, no primeiro momento, sem apresentação de DCOMP’s, apenas com a apuração do próprio tributo devido – declarada em DCTF. Em um segundo momento, a compensação se deu com a apresentação de DCOMP’s e desistência na sequência, por receio de ocorrência de duplicidade na constituição do tributo e eventual crime tributário. Informou, ainda, que o direito à compensação foi objeto de medida judicial (que segundo as informações constantes no Auto de Infração, não possuiria causa suspensiva da exigibilidade dos valores). Assim, foi lançada, inclusive, a multa de ofício de 75%. Intimada sobre o lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 28/45), na qual alega, em síntese: preliminarmente, a decadência do período de 09/2001, pois o lançamento somente ocorreu em 2007; improcedência do lançamento porque derivado da desistência de DCOMP’s cuja compensação, contudo, já havia sido realizada e informada em DCTFRetificadora, transmitida após intimação da Receita Federal; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.004509/200797 Acórdão n.º 330201.484 S3C3T2 Fl. 2 3 o pedido de desistência das compensações somente foi realizado após a Receita Federal ter informado ao contador da empresa que o processo seria encaminhado para a promotoria, por ter ocorrido suposta duplicidade na utilização dos créditos, o que constituiria crime. Contudo, a DCOMP era, de todo modo, desnecessária no presente caso, por força dos artigos 70 e 74 da Lei nº 9.430/96; o lançamento é improcedente porque em suas razões o agente fiscal alega que a constituição decorre da desistência das compensações e, posteriormente, de que decorre da não declaração dos créditos em DCTF e da ausência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito; o lançamento ofende as disposições da IN 31/97; por conta da “não aceitação” das compensações, ajuizou medida judicial (processo nº 2004.61.05.0130268) para ter declarado seu direito às compensações; em razão da existência de processo judicial requer a suspensão do processo administrativo até decisão definitiva do Judiciário, pois a medida judicial trata da mesma questão discutida nestes autos; requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ainda que reconhecida a concomitância; no mérito alega que promoveu a compensação de créditos de PIS, derivados da inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449, após a edição da Resolução nº 49/95 do Senado Federal, que autorizaria tal compensação, juntamente com a IN 31/97, pois possui efeito “erga omnes”; efetuou as compensações sob o abrigo do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e da Lei nº 9.430/96, razão pela qual não precisava informar em DCOMP os procedimentos realizados; ofensa à segurança jurídica e ao princípio da vedação ao confisco, por estarse cobrando créditos que foram legalmente compensados; apresenta, ainda, cópia dos DARF’s dos pagamentos indevidos, planilhas demonstrativas dos créditos e compensações, da inicial do processo judicial de das DCTF’s – originais e retificadoras; finalmente, requer (i) a suspensão do processo até decisão final na medida judicial; ou (ii) o reconhecimento da decadência e (iii) o cancelamento integral do lançamento. Foram juntados aos autos extratos internos da Receita Federal, do Sistema Gerencial de DCTF’s (fls. 348/353), que indicam que, exceto pela competência 02/2004, as Declarações retificadoras apresentadas pela Recorrente indicaram não apenas os valores de PIS quitados via DARF, mas também os valores que foram objeto de compensações Fl. 422DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 promovidas pelo contribuinte. Em relação ao mês de 02/2004 o sistema identificou a declaração do pagamento em DARF e de compensação no valor de R$ 3.000,00, mas não indicou a compensação de R$ 9.000,00 valor também objeto do lançamento ora sob análise. Após analisar as razões trazidas na impugnação a DRJ de Campinas proferiu acórdão (fls. 354/359) no qual manteve parcialmente o lançamento, determinando (i) o cancelamento dos valores constituídos em relação ao período de 09/2001, em virtude da extinção do crédito, por decadência, bem como (ii) o cancelamento da multa ofício lavrada sobre valores que já haviam sido declarados em DCTF pelo contribuinte. Importa salientar que a DRJ reconheceu que a maior parte do crédito lançado já havia sido constituída pelo contribuinte em DCTF especialmente os “valores autuados para julho/2003 (R$1.067,44), outubro/2003 (R$ 2.000,00), novembro/2003 (R$ 5.000,00), dezembro/2003 (R$ 4.000,00) e parte do valor autuado para fevereiro 2004 (R$ 3.000,00)”. No entanto, embora tenha reconhecido que o lançamento estava em duplicidade com a constituição do débito pelo contribuinte, a v. decisão recorrida entendeu que não era caso de nulidade, razão pela qual a autuação poderia ser mantida, ressalvando a devida atenção a ser tomada para não promover a cobrança dos débitos, em duplicidade. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 365/388), oportunidade em que reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação. Na seqüência, vieram os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O Recurso é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente ressalto que não há Recurso de Ofício nos autos, razão pela qual os valores cancelados pela DRJ competência 09/2001, por decadência, e multa de ofício das competências 07/2003, 10/2003 a 12/2003 e 02/2004 (um dos valores lançados) não é objeto destes autos, mantendose o cancelamento da cobrança, determinado pela DRJ. Antes de adentrar na análise da questão da compensação – e da existência de créditos para quitar os débitos em questão importa analisar um ponto preliminar, que se refere à duplicidade na constituição dos valores sob análise. Como bem reconheceu a DRJ, com base em documentos acostados nestes autos (fls. 348/353 – Sistema Gerencial de DCTF’s), a maior parte do crédito lançado no AI sob discussão já havia sido constituída pela Recorrente. Em relação aos valores indicados no Auto de Infração, relativos às competências 07/2003, 10/2003 a 12/2003 e 02/2004 (um dos dois valores lançados – R$ 3.000,00), o débito tributário já fora constituído pela Recorrente. Somente o débito de R$9.000,00 relativo à competência 02/2004, não foi previamente constituído por meio de DCTF, o que significa que exceto por este valor, todos os demais estão constituídos em duplicidade. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.004509/200797 Acórdão n.º 330201.484 S3C3T2 Fl. 3 5 É esta questão que deve ser analisada preliminarmente. Entendo que a manutenção do lançamento em relação a estes valores (em duplicidade) não pode prevalecer. Como bem estabelece a legislação tributária, cabe ao agente fiscal a constituição de ofício de créditos tributários, no que se refere aos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas em relação àqueles valores não constituídos pelo contribuinte. Justamente porque é inaceitável a constituição de crédito em duplicidade. A este respeito, destaco decisões deste Tribunal, verbis: “LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS POSSIBILIDADE DE EFEITOS DE POSTERGAÇÃO COBRANÇA EM DUPLICIDADE IMPOSSIBILIDADE Restando provado que, até a data da autuação, deixou o contribuinte de compensar prejuízos fiscais observando o limite de 30% do lucro líquido ajustado, em razão do saldo dos mesmos ter se esgotado ou diminuído por compensação anterior integral e indevida, o lançamento de ofício deve considerar os efeitos da postergação de pagamento de tributos, pois não se pode exigir tributos em duplicidade. Não sendo este Conselho autoridade lançadora, competente para promover a constituição de crédito tributário , cancelase a autuação. Recurso provido.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma, Acórdão CSRF/0104.872, DOU de 16/08/2005 destaquei) “(...) PIS COFINS Comprovada nos autos a duplicidade de lançamento, aliada à errônea apuração das contribuições por inobservância do período de apuração mensal, devem ser anuladas as respectivas exigências. (...)” (1º Conselho de Contribuintes, 5ª Câmara, Acórdão 10516.350, DOU de 10/04/2008 destaquei) “NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO. DUPLICIDADE. IMPOSSIBIBIDADE. É indevida a constituição de crédito tributário em lançamento decorrente de procedimento de ofício sobre matéria que já foi objeto de autuação anterior. Recurso de ofício negado.” (2º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão 20215.831, DOU de 16/02/2007) Embora a DRJ tenha entendido que seria possível manter a constituição em duplicidade, determinando que a autoridade administrativa deveria ter atenção para não incorrer em duplicidade no momento da cobrança, pareceme equivocado este raciocínio. Afinal, evidentemente que a cobrança em duplicidade é indevida, mas a constituição do mesmo crédito tributário duas vezes também não está correta. Se há um só fato gerador, e um só crédito tributário, ele não pode ser duas vezes constituído. Logo, entendo que os valores constituídos em duplicidade têm de ser cancelados, pois mantida está a constituição do crédito tributário em questão em virtude da Fl. 424DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 declaração (lançamento por homologação) realizada pela Recorrente, em suas respectivas DCTF’s e Retificadoras. Mesma sorte não se aplica ao lançamento de 02/2004, no valor de R$9.000,00. Neste caso, necessário se faz adentrar ao mérito do problema, a análise da compensação e da medida judicial ajuizada para reconhecimento do indébito tributário e do direito à compensação. A medida judicial em questão visou o reconhecimento da inexigibilidade do PIS com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, bem como o direito de recuperação dos valores indevidamente pagos pois calculados em conformidade com as regras estabelecidas por tais normas por meio de compensação. Vale notar que a medida judicial não visou a chancela de uma ou outra compensação específica, mas sim o reconhecimento da inexigibilidade do PIS, nos moldes estabelecidos por referidas normas, bem como seu direito de recuperar o indébito por meio de compensação. Neste sentido, destaco trecho do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal, que transitou em julgado em 23/09/2011, verbis: “Cogitei de anular a r. sentença e determinar a realização de perícia, dado que, tendo sido indeferida, o fundamento do decisum acabou por ser o de falta de prova da correição do crédito que ostenta a contribuinte autora. Porém, dado que o apelo restringe o conteúdo da exordial, porquanto não mais busca a anulação dos autos de infração, entendo cabível a solução da lide no sentido de se estipular os critérios de cabimento da compensação e, então, possibilitar os cálculos em fase de execução já com os parâmetros definidos.” (destaquei) O acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal garantiu à Recorrente o direito à restituição dos valores indevidamente pagos, pois calculados nos termos dos referidos DecretosLeis, ambos inconstitucionais. Quanto à forma de apuração dos créditos a decisão estabeleceu alguns parâmetros, especialmente no que se refere à atualização monetária dos valores. Estabeleceu, também, que a Recorrente poderia promover a compensação, nos moldes da Lei nº 8.383/91, antes do trânsito em julgado da decisão final do processo judicial, pois segundo o acórdão existem dois sistemas de compensação vigentes, quais sejam, o da Lei 8.383/91 e o da Lei nº 9.430/96, e enquanto o primeiro é realizado por conta e risco do contribuinte, somente o segundo submetese à necessidade de prévia validação do crédito para que o contribuinte possa promover a compensação. Referida decisão judicial restou assim ementada, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. DL 2.445 E DL 2.449/95. INCONSTITUCIONALIDADE PACIFICADA. INDÉBITO FISCAL. AUTOCOMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF E DARF. REGIME DO ART. 66 DA LEI Nº 8.383/91. AUTOS DE INFRAÇÃO. GLOSA TOTAL. COMPENSAÇÃO. LIMITES E CONDIÇÕES. SUCUMBÊNCIA. 1. Compensação efetivada por conta e risco da contribuinte, autorizada nos moldes dos sistemas de compensação primitivos, inaugurados pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91 e depois alterados Fl. 425DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.004509/200797 Acórdão n.º 330201.484 S3C3T2 Fl. 4 7 pelo art. 39 da Lei nº 9.250/95, por meio da expressão, em DCTF e Darf, dos créditos que apurou contra a Fazenda Pública. 2. Não obstante, o Fisco procedeu a lançamento por autos de infração em que glosou a totalidade da compensação, como se não efetivada. 3. Consolidada a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade dos Decretosleis nº 2.445 e 2.449/88, observada a exigibilidade fiscal fundada na legislação anterior. 4. Encontrase consolidada a jurisprudência da Turma, no sentido de que o prazo previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional é contado a partir do recolhimento do tributo. Prescrição de créditos recolhidos anteriormente a cinco anos da compensação efetivada. 5. No regime das Leis nº 8.383/91 e nº 9.250/95, a compensação era possível apenas entre indébito e débito fiscal vincendo da mesma espécie e destinação constitucional (v.g. PIS com PIS); ao passo que com a Lei nº 9.430/96, em sua redação originária, foi prevista a possibilidade de compensação de indébito com débito fiscal de diferente espécie e destinação, por meio de requerimento administrativo e com autorização do Fisco, vedada a consecução do procedimento, sem tais formalidades. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 vieram a alterar o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a supressão da exigência de requerimento e de autorização, para compensação de indébito com qualquer débito fiscal do próprio contribuinte e administrado pela Secretaria da Receita Federal: regime legal que, porém, não pode ser aplicado no caso, sequer a título de direito superveniente (1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça EDREsp nº 488.992 e REsp nº 1.164.452, pelo regime do art. 543C). 6. O indébito fiscal deve ser, na espécie, acrescido, a título de correção monetária e juros de mora, exclusivamente da Taxa Selic a partir de 01.01.96 e observada a data de cada recolhimento indevido, sem cumulação de qualquer outro índice ou fator no período. Antes disso aplicase a Ufir como fator de correção, sem juros. 7. Caso em que, dada a procedência parcial do pedido, sem decaimento mínimo de qualquer das partes, fica reconhecida a sucumbência recíproca, na forma do artigo 21, caput, do Código de Processo Civil. 8. Precedentes. 9. Apelação parcialmente provida.” Assim, por entender que há concomitância entre a matéria objeto dos autos, e a matéria que foi analisada na referida medida judicial, deixo de apreciar o mérito da questão, ressalvando que a compensação efetuada pelo contribuinte, no tocante ao valor objeto do lançamento sob análise, não cancelado qual seja, de R$ 9.000,00, Fl. 426DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 referente à competência 02/2004 deve ser analisado pelo Fisco sob a ótica do que restou determinado na ação judicial. Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário na matéria conhecida, decidindo pelo cancelamento do lançamento em relação aos períodos constituídos em duplicidade, quais sejam, os lançamentos relativos às competências 07/2003, 10/2003 a 12/2003 e 02/2004 (um dos dois valores lançados, o de R$ 3.000,00), e mantendo a constituição do crédito relativa a 02/2004, no valor de R$ 9.000,00, porquanto a Recorrente não efetuou o lançamento por homologação desta quantia, embora tenha procedido a compensação do tributo devido. Neste ponto, em razão da concomitância existente entre a matéria destes autos, e do processo judicial ajuizado pela Recorrente, deixo de analisar o mérito, devendo a compensação efetuada pela Recorrente ser avaliada pela autoridade fiscal de acordo com os parâmetros de apuração do indébito tributário estabelecidos na decisão transitada em julgado nos autos da ação judicial nº 2004.61.05.0130268, ressalvado às autoridades fazendárias a verificação de existência e suficiência de crédito para quitação e extinção do débito em questão. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de março de 2012 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA. Acompanho a conclusão do voto da ilustre conselheira relatora que julga procedente o lançamento do período de apuração de 02/2004, no valor de R$ 9.000,00, e improcedente o lançamento dos demais períodos de apuração objeto da lide, inclusive o lançamento no valor de R$ 3.000,00 do período de apuração de fevereiro de 2004. No entanto, as razões pelas quais julgo improcedente o lançamento dos períodos de apuração ocorridos em 07/03, 10/03, 11/03, 12/03 e 02/04 (parte) não são as mesmas da ilustre Conselheira Relatora. Entendo que para os referidos períodos de apuração os fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração não correspondem à realidade, ou seja, ao contrário do afirmado pela autoridade lançadora, referidos débitos estavam declarados em DCTF na data do início do procedimento fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.004509/200797 Acórdão n.º 330201.484 S3C3T2 Fl. 5 9 Estando os débitos declarados em DCTF, segundo o entendimento contido na Nota Conjunta Cosit/Cofis/Cosar n.º 535/1997, não é necessária a formalização da exigência em auto de infração, sendo suficiente tãosomente a própria DCTF. Isso porque a DCTF, além de se constituir em confissão de dívida, é instrumento hábil para se prosseguir na cobrança do débito, tornando dispensável o lançamento de ofício para conferir exigibilidade e liquidez à obrigação tributária, já presentes na referida declaração. Esse também é o entendimento da jurisprudência administrativa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DCTF LANÇAMENTO DE OFÍCIO A falta de pagamento nos prazos fixados pela legislação, de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado por meio da DCTF, está sujeita a procedimento de cobrança, com multa e juros de mora, descabendo na hipótese lançamento de ofício. (Acórdão 106 10272, Sexta Câmara, Data da Sessão: 14/07/98) Por tais razões é que julgo procedente, em parte, o recurso voluntário para manter o lançamento do PA 02/04, no valor original de R$ 9.000,00, acrescido de juros de mora e multa de ofício, e excluir o lançamento dos demais períodos de apuração. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 428DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13679.000105/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IOF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Período de apuração: 03/11/1994 a 06/08/2003.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO POR MEIO DE PAPEL.
CABIMENTO. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DAS RAZÕES DO
CONTRIBUINTE.
É cabível a apresentação de PER/DCOMP por meio de papel, conforme art.
3º da IN SRF nº 210/02, vigente à época dos fatos, ante a impossibilidade
demonstrada de sua transmissão por meio eletrônico. Questão de ordem
pública que deve ser conhecida e acolhida.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.463
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento
parcial ao recurso voluntário.
Matéria: IOF- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : ASSUNTO: IOF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Período de apuração: 03/11/1994 a 06/08/2003. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO POR MEIO DE PAPEL. CABIMENTO. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DAS RAZÕES DO CONTRIBUINTE. É cabível a apresentação de PER/DCOMP por meio de papel, conforme art. 3º da IN SRF nº 210/02, vigente à época dos fatos, ante a impossibilidade demonstrada de sua transmissão por meio eletrônico. Questão de ordem pública que deve ser conhecida e acolhida. Recurso voluntário provido em parte.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Período de apuração: 03/11/1994 a 06/08/2003. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO POR MEIO DE PAPEL. CABIMENTO. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DAS RAZÕES DO CONTRIBUINTE. É cabível a apresentação de PER/DCOMP por meio de papel, conforme art. 3º da IN SRF nº 210/02, vigente à época dos fatos, ante a impossibilidade demonstrada de sua transmissão por meio eletrônico. Questão de ordem pública que deve ser conhecida e acolhida. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13679.000105/200470 Acórdão n.º 3202000.463 S3C2T2 Fl. 299 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Em 20/08/2004 a Recorrente protocolou Pedido de Restituição, em virtude de pagamentos indevidos a título de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (“IOF”) realizados no período de 03/11/1994 a 06/08/2003 (fl. 01), no valor original de R$ 12.693,98. Ato contínuo, foi proferido Despacho Decisório (fls. 101/103) negando seguimento ao Pedido de Restituição, por considerar que o mesmo foi apresentado de forma imprópria (meio papel), o que teria desrespeitado a norma que impõe a obrigatoriedade de apresentar aludido pedido por meio do programa PER/DCOMP eletrônico (IN SRF n° 323 de 24/04/2003). Contra esse Despacho Decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 105/127), sendo que a autoridade administrativa, previamente, intimou a Recorrente mediante o Termo de Intimação Fiscal (“TIF”) nº 3/2008 (fl. 137), para que no prazo de 5 (cinco) dias, fornecesse declaração para atender os requisitos da Lei n° 5.764 de 16 de dezembro de 1971. Referida intimação e prazo foram cumpridos (Declaração apresentada às fls. 140 e 141). Na sequência, a DRF/POÇOS DE CALDASMG/SARAC (Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas/MG – Seção de Arrecadação e Cobrança – SARAC), proferiu novo Despacho negando o direito creditório da Recorrente por ausência de comprovação do pagamento indevido e ilegitimidade para o pedido de restituição (fls. 149/151). Em 28/05/2008, conforme AR de fl. 153, a Recorrente tomou ciência, e inconformada com a decisão, apresentou o que chamou de Recurso Voluntário (fls. 154/193), aduzindo em apertada síntese que: a. é sociedade cooperativa, instituída e regida pela Lei n°5.764/71; b. atende ao requisito material previsto na legislação para aplicação da regra de alíquota zero, qual seja, inciso I, do art. 8° do Decreto n° 2.219/1997; c. atende ao requisito da legitimidade para pleitear a restituição; d. o prazo prescricional para restituição é decenal. Ato contínuo, os autos foram remetidos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), que entendeu por bem não “considerar a impugnação não conhecida e submeter à apreciação do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13679.000105/200470 Acórdão n.º 3202000.463 S3C2T2 Fl. 300 3 Poços de Caldas – MG, como “recursos hierárquicos”, tanto a manifestação de inconformidade de fls. 105 a 128, quanto o recurso voluntário de fls. 154 a 166, nos termos do voto proferido”. A ementa dessa decisão está assim redigida: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS DRJ. RECURSO HIERÁRQUICO. Considerada não declarada a compensação em face de pedido de restituição formulado em papel, há que se considerar a impugnação não conhecida, tomando por recurso hierárquicos, tanto a manifestação de inconformidade, quanto o recurso voluntário, assim intitulados, dada a incompetência material desse órgão de julgamento para firmar o necessário juízo de valor sobre um dos motes dos reclamos passivos, qual seja, a impossibilidade de apresentação do pedido por meio de programa PER/DCOMP. Impugnação não Conhecida.” Após intimação específica (fls. 237/238), que abriu a oportunidade de apresentação de Recurso Hierárquico no prazo de 10 dias, nos termos dos 56 e 59 da Lei n. 9.784/99, a Recorrente exerceu esse direito e interpôs o correspondente Recurso Administrativo (fls. 240/292), alegando em apertada síntese os seguintes argumentos: a. ilegalidade da exigência do pedido de restituição ser feito por meio de PER/DCOMP; b. impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP; c. existência do direito creditório; d. prazo decenal para repetição de indébito. Além disso, em razão dos acontecimentos que nortearam seu Pedido de Restituição, a Recorrente Impetrou Mandado de Segurança com Pedido de Liminar para o fim de suspender a exigibilidade dos créditos fiscais a que se referem os processos administrativos 13679.000105/200470, 13679000118/200449 e 13679.000149/200499, a qual foi deferida de acordo com a decisão de fls. 293/296. Por fim, às fl. 297, a DRF/POÇOS DE CALDAS – MG encaminhou os autos para a análise deste Conselho, especialmente para apreciação dos Recursos de fls. 154/193 (Voluntário), e 240/292 (Hierárquico). É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13679.000105/200470 Acórdão n.º 3202000.463 S3C2T2 Fl. 301 4 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Inicialmente, é importante analisar a adequação do Pedido de Restituição formulado pela Recorrente via papel, vez que essa foi a única razão utilizada pela DRJ para negar o direito creditório postulado nestes autos. Inclusive, tal questão é matéria de ordem pública e pode ser conhecida de ofício por este Conselho independentemente de expressa manifestação da Recorrente, vez que está atrelada a uma das condições da ação (interesse de agir). Vide, a propósito, o que diz o art. 267, inciso VI, § 3º, do Código de Processo Civil, aplicado analogicamente ao presente caso: “Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) (...) VI quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; (...)§ 3º O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos ns. IV, V e Vl; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento.”(grifou se). Com efeito, e ao analisar casos similares, o Superior Tribunal de Justiça tem admitido o conhecimento de matéria de ordem pública mesmo que não tenha sido articulado pelo contribuinte: ‘PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EFEITO TRANSLATIVO.CONHECIMENTO DE OFÍCIO DE QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA (CPC, ARTS. 267,§ 3º, E 301, § 4º). POSSIBILIDADE, NOS CASOS EM QUE O NÃO ENFRENTAMENTO DESSAS QUESTÕES CONDUZ A UM JULGAMENTO SEM NENHUMA RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA COM A DEMANDA PROPOSTA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTS. 467, 515, § 1º, e 535, DO CPC NÃO CONFIGURADA. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. JANEIRO E FEVEREIRO DE 1989. 1. Quando eventual nulidade processual ou falta Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13679.000105/200470 Acórdão n.º 3202000.463 S3C2T2 Fl. 302 5 de condição da ação ou de pressuposto processual impede, a toda evidência, que o julgamento do recurso cumpra sua função de ser útil ao desfecho da causa, cabe ao tribunal, mesmo de ofício, conhecer da matéria, nos termos previstos no art. 267, § 3º e no art. 301, § 4º do CPC. Nesses limites é de ser reconhecido o efeito translativo como inerente também ao recurso especial. (....) (STJ, REsp 641904 / DF, Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, T1 PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento 13/12/2005) (grifouse). Pois bem, o art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 210/2002, com a redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 323/2003, vigente à época do protocolo do Pedido de Restituição formulado pela Recorrente, previa que: “Art. 3º. Os formulários a que se refere o art. 44 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional, embora admitida pela legislação federal, não possa ser requerido ou declarada à SRF mediante utilização do programa PER/DCOMP, aprovado pela Instrução Normativa nº 320, de 11 de abril de 2003. Parágrafo único. Na hipótese de descumprimento do disposto no caput, considerarseá não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação.” No caso em tela, e conforme explicitado pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade de fls. 105/128 e Recurso Hierárquico de fls. 240/265, o Pedido de Restituição foi utilizado por meio de papel, especialmente pelos seguintes motivos: a. inviabilização do meio eletrônico ante o fato dos DARFs a serem indicados em ficha própria no PER/DCOMP estarem em poder das instituições financeiras, o que bloqueia a transmissão do arquivo mediante mensagem de relatório de pendência com o seguinte título “Ficha não preenchida”; b. empecilho de caráter operacional dado que para cada DARF deve ser feito um PER/DCOMP e no caso em tela existem centenas de DARFs; Assim, justificada está a apresentação do Pedido de Restituição por intermédio de papel, de modo que a decisão da DRJ deve ser anulada para o conhecimento das demais questões levantadas na Manifestação de Inconformidade. Nesse sentido: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13679.000105/200470 Acórdão n.º 3202000.463 S3C2T2 Fl. 303 6 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PIS E COFINS. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega da Declaração de Compensação.” (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Rel. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Sessão de 1º de março de 2011). Por outro lado, após novo julgamento pela DRJ, será facultada nova possibilidade de a Recorrente interpor Recurso Voluntário, conforme IN SRF n° 210/2002, vigente à época dos fatos, in verbis: “Art. 35. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do ato que não homologou a compensação de débito lançado de ofício ou confessado, apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. § 1o Da decisão que julgar a manifestação de inconformidade do sujeito passivo caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de trinta dias, contado da data de sua ciência. § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso a que se referem o caput e o § 1o regerseão pelo disposto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. § 3o O disposto no caput não se aplica às hipóteses de lançamento de ofício de que trata o art. 23.” Além disso, do trecho acima transcrito extraise que a manifestação de inconformidade tem o condão de suspender a exigibilidade de eventual débito atrelado ao presente processo, o que fica expressamente assegurado à Recorrente até nova apreciação da sua defesa pela DRJ. Essa colocação é importante porque a Recorrente teve que ingressar com medida judicial (liminar de fls. 293/296), a meu ver, desnecessária, para afastar os equívocos de ordem processual cometidos no decorrer do andamento destes autos. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13679.000105/200470 Acórdão n.º 3202000.463 S3C2T2 Fl. 304 7 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso voluntário para que seja afastada a exigência de apresentação em meio magnético e seja apreciado, pela DRJ/JFA, como manifestação de inconformidade, o que a Recorrente chamou de Recurso Voluntário de fls. 154/193. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000178/2006-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Rejeita-se a dedução da base de cálculo pleiteada, quando a pessoa física deixa de atender os dispositivos previstos na legislação tributária, além da falta no processo, das provas cabíveis das alegações do recurso.
DEDUÇÕES DE DEPENDENTE. RESTABELECIMENTO.
Comprovada com documentação hábil a relação de dependência indicada na respectiva declaração do imposto de renda da pessoa física, deve-se ser revista a glosa e restabelecida a dedução pleiteada.
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência ou juntada posterior de provas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer a pensão alimentícia, no importe de R$ 6.198,13, e restabelecer os dependentes Renata Cavalcante A. Prates, Selma Spindola de Ataídes e Ingrid
Spindola Gaspar Carvalho. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que dava provimento parcial em menor extensão, mantendo a glosa da pensão alimentícia.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Rejeita-se a dedução da base de cálculo pleiteada, quando a pessoa física deixa de atender os dispositivos previstos na legislação tributária, além da falta no processo, das provas cabíveis das alegações do recurso. DEDUÇÕES DE DEPENDENTE. RESTABELECIMENTO. Comprovada com documentação hábil a relação de dependência indicada na respectiva declaração do imposto de renda da pessoa física, deve-se ser revista a glosa e restabelecida a dedução pleiteada. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência ou juntada posterior de provas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer a pensão alimentícia, no importe de R$ 6.198,13, e restabelecer os dependentes Renata Cavalcante A. Prates, Selma Spindola de Ataídes e Ingrid Spindola Gaspar Carvalho. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que dava provimento parcial em menor extensão, mantendo a glosa da pensão alimentícia.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Rejeitase a dedução da base de cálculo pleiteada, quando a pessoa física deixa de atender os dispositivos previstos na legislação tributária, além da falta no processo, das provas cabíveis das alegações do recurso. DEDUÇÕES DE DEPENDENTE. RESTABELECIMENTO. Comprovada com documentação hábil a relação de dependência indicada na respectiva declaração do imposto de renda da pessoa física, devese ser revista a glosa e restabelecida a dedução pleiteada. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência ou juntada posterior de provas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer a pensão alimentícia, no importe de R$ 6.198,13, e restabelecer os dependentes Renata Cavalcante A. Prates, Selma Spindola de Ataídes e Ingrid Spindola Gaspar Carvalho. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que dava provimento parcial em menor extensão, mantendo a glosa da pensão alimentícia. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13116.000178/200607 Acórdão n.º 210201.908 S2C1T2 Fl. 91 2 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 56 a 60: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração (fls. 25/32) referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, exercício 2002, ano calendário 2001, que lhe exige o pagamento de imposto suplementar no valor de R$ 16073,008, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. O Crédito tributário lançado totaliza R$ 38.885,22. A autuação decorreu da constatação das seguintes infrações à legislação tributária, em razão do contribuinte não ter apresentado a documentação solicitada na intimação fiscal e com base nas Dirf apresentadas pelas fontes pagadoras: a) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com e sem vínculo empregatício, conforme demonstrativo de infrações de fl. 28; b) dedução indevida de previdência oficial, no valor de R$ 2.321,00; c) dedução indevida com dependentes, no valor deR$ 4.320,00; d) dedução indevida a título de despesa com instrução, no valor de R$ 6.800,00; e) dedução indevida a título de despesas médicas, no valor de R$ 2.100,00; f) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 5.761,00. O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 10/01/2006, conforme documento de fls. 12. Inconformado, o interessado apresentou em 09/02/2006 impugnação ao lançamento de fls. 01 a 03, acompanhada dos documentos de fls. 05 a 09 sob as alegações a seguir resumidas. Afirma inicialmente que a autuação improcede em parte, tendo em vista que não foram consideradas as deduções a título de pensão alimentícia consignada em folha, no valor de R$ 5.761,06, conforme decisão judicial; de contribuição à previdência oficial , no valor de R$ 2.321,97, paga sobre os rendimentos auferidos do INSS, de Fapi, no valor de R$ 164,16; de despesas médicas também´m Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13116.000178/200607 Acórdão n.º 210201.908 S2C1T2 Fl. 92 3 consignadas em folha, de R$ 1.118,888, além de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 68,00. Pugna ainda pelo restabelecimento de previdência oficial de R$ 1.379,04, sobre os rendimentos recebidos da Secretaria de Saúde, da dedução com dependentes, seus três filhos e suas esposa e as despesas com a instrução deles, além de despesas médicas realizadas. Pede, por fim, que sejam consideradas as deduções pleiteadas e que seja retificado o auto de infração. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de cerceamento de defesa e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, restabelecendo abatimentos de previdência oficial (R$3.701,01), previdência privada (R$ 164,16) e despesas médicas (R$ 2.007,41), da base de cálculo do IRPF, considerando que os demais argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos remanescentes postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda esta sujeitas à comprovação ou justificação, mediante documentação hábil e idônea. As despesas efetivamente comprovadas são restabelecidas na Declaração de Ajuste Anual. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 69/70, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. DA GLOSA DE DEPENDENTES. O Recorrente lança seus filhos como dependentes desde o nascimento dos mesmos, conforme pode ser verificados pela própria Receita Federal nas declarações anteriores, pois são seus dependentes e filhos legítimos os 3 primeiros citados às fls 3 do Voto e de n° 4 de nome INGRID SPINDOLA GASPAR DE CARVALHO, a partir de 02/01/1992, quando foi realizado o casamento do recorrente, com SELMA SPINDOLA DE ATÁIDES, mãe da citada, a partir de 02.01.1992, conforme Escritura Publica de Declaração do Cartório do 2° Oficio de Nota, livro 225, folhas 170v° primeiro Translado, datado de 18 de Maio de 1994, e Certidão de Nascimento em anexo ( docs. 01/02); II. DA PENSÃO ALIMENTÍCIA. A pensão alimentícia paga a sua Exesposa, Senhora Lygia Cavalcanti Abreu, CPF N° 055.633.301.25, é PENSÃO ALIMENTÍCIA em decorrência de decisão Judicial, tanto é verdade que é descontada na fonte, ou seja, se é descontada na fonte só pode ser por ordem Judicial., caso contrário não iria pagar nada a sua exesposa.. Requer ainda, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13116.000178/200607 Acórdão n.º 210201.908 S2C1T2 Fl. 93 4 retificação do Valor declarado de R$ 5.761,00, para R$ 6.198,89 ( Seis Mil Cento e Noventa e Oito Reais e Noventa e Nove Centavos), conforme faz prova comprovante em anexo.( doc 3) e III. DAS DEMAIS GLOSAS. Conforme pedido de Prorrogação de prazo junto ao Delegado Fiscal de Anápolis, em anexo,( doc.4) o recorrente requer prazo para juntadas de Novos Documentos de Despesas para que seja retificados os valores decididos pela 4a Turma da DRJ/BSA, por ser uma medida de direito e de Justiça Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DA GLOSA DE DEPENDENTES 1. Gustavo Cavalcante A Silva, filho. Não foram juntados aos autos nenhum documento comprovando a dependência. Glosa mantida. 2. Renata Cavalcante A Prates, filha. Foi juntado a Carteira de Identidade dessa filha, fl. 84. Dessa forma, entendo que deve revertida a respectiva glosa e considerada essa dependente. 3. Selma Spindola de Ataídes, esposa Conforme a escritura pública de fl. 71, há registro que o contribuinte está casado com a Sr. Selma. Assim sendo, entendo que deve revertida a respectiva glosa e considerada essa dependente. 4. Ingrid Spindola Gaspar Carvalho, filha. Conforme a Certidão de Nascimento de fl. 72, está comprovada que Ingrid é filha da atual esposa do declarante que, por sua vez, está sendo considerada dependente do declarante. Assim sendo, entendo que deve revertida a respectiva glosa e considerada essa dependente. DA PENSÃO ALIMENTÍCIA Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13116.000178/200607 Acórdão n.º 210201.908 S2C1T2 Fl. 94 5 Somente são dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública, conforme o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 78. No presente caso foi apresentado o Informe de Rendimentos emitido pelo Instituto Nacional de Seguro Social, órgão do governo federal, atestando o pagamento de Pensão Alimentícia, conforme indicado ao final do referido Informe à fl. 73. Considerando que a fonte pagadora do governo federal somente faz essa exclusão da base de cálculo se apresentados os documentos referidos pela legislação citada, inconteste o direito do recorrente para abater esse valor da sua base de cálculo do IRPF a Pensão Alimentícia no valor de R$ 6.198,13. DAS DEMAIS GLOSAS Acerca do pedido de juntada de novas provas, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, além da fase de fiscalização, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações, contudo, contudo não o fez. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As diligências devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Portanto, não há in casu justificativa para o deferimento da diligência pleiteada, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Não há possibilidade de se sugerir qualquer preterição de direito de defesa, muito menos de se requerer a nulidade da autuação e indefiro o pedido parta juntada de novas provas. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para que seja considerado no lançamento autuado as dependentes, Renata Cavalcante A Prates, Selma Spindola de Ataídes e Ingrid Spindola Gaspar Carvalho e a Pensão Alimentícia no valor de R$ 6.198,13, mantidas as exigências remanescentes. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13116.000178/200607 Acórdão n.º 210201.908 S2C1T2 Fl. 95 6 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10660.000863/2005-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
No caso dos autos, o auto de infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.
A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no encerramento do ano-calendário, já que o fato gerador do IRPF é complexivo.
Para os exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000, constam na Declaração de Ajuste Anual (fls. 210/218) rendimentos com tributação exclusiva, que se referem a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras.
Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de
pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual.
Portanto, verifica-se que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual dos exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000 (fls. 210/218). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o período mais remoto, ano calendário 1999, dá-se no dia 01/01/2001 e o termo final no dia 31/12/2005.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 07 de abril de 2005, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.967
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a decadência, retornando os autos à câmara "a quo" para análise das demais questões.Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. No caso dos autos, o auto de infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no encerramento do anocalendário, já que o fato gerador do IRPF é complexivo. Para os exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000, constam na Declaração de Ajuste Anual (fls. 210/218) rendimentos com tributação exclusiva, que se referem a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras. Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual. Portanto, verificase que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual dos exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000 (fls. 210/218). Em inexistindo pagamento a ser Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o período mais remoto, ano calendário 1999, dáse no dia 01/01/2001 e o termo final no dia 31/12/2005. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 07 de abril de 2005, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a decadência, retornando os autos à câmara "a quo" para análise das demais questões.Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 29/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 106 15.625, proferido pela antiga 6ª Câmara do 1º CC em 21/06/2006 (fls. 313/346), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 357/365). A decisão recorrida, pelo voto de qualidade, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento em face da aplicação retroativa dos efeitos da Lei nº 10.174/2001 e, no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial para acolher a decadência do lançamento quanto ao calendário de 1999, exceto quanto a depósito em conta de pessoa interposta e, ainda, por maioria de votos, acolher a decadência quanto aos meses de janeiro a março de 2000. Segue abaixo sua ementa: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10660.000863/200580 Acórdão n.º 920201.967 CSRFT2 Fl. 409 3 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – SIGILO BANCÁRIO – O sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra neg6cios das instituições financeiras e seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a L.C. n° 105, de 2001, e o art. 197, II do CTN, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199 ambos do CTN, como prevê o inciso XXXIII do art. 5° da Constituição Federal, sob pena de incorrerem em infração administrativa e em crime. DECADÊNCIA — Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos da ocorrência do fato gerador. O fato do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Entretanto, quando há prova de fraude, dolo ou simulação se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN, em que o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE — EXAÇÃO FISCAL — Estando a exação em conformidade com as normas legais, e, tratandose de dispositivos vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe aos órgãos da Administração Pública a observpncia e aplicação dos mandamentos por ela veiculados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS — TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA 0 procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA – Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Recurso parcialmente provido.” Segundo a recorrente, em que pese o aresto atacado ter se referido explicitamente ao art. 150, §4º do CTN, lei de natureza complementar, devese aplicar ao caso Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 a Lei nº 9430/96, lei de natureza ordinária, que teria alterado o critério para o cotejo da decadência tributária em relação aos fatos em pauta neste processo, que, no caso, passaria a ser contado a partir do fato econômico. Explica que lei ordinária não tem força para revogar dispositivo capitulado em lei complementar. Pondera que o §5º do art. 42 da Lei 9430/96 encontra sua finalidade apenas em se estabelecer a data a partir da qual haverá de se contar os juros correspondentes ao imposto que o fato econômico está a suscitar. Argumenta que, caso aplicado esse dispositivo para se fincar o marco inicial da decadência, o contribuinte que almejar ocultar o fato econômico sobre o qual deveria incidir tributo (caixa dois) teria contagem de decadência mais favorável do que aquele que, embora tenha declarado, deixar de recolher o tributo. Considera que o fato bancário não poderá ser o fator inicial da contagem da decadência, na medida em que, para as ocorrências arroladas, não é fato gerador de coisa nenhuma. Apresenta jurisprudência a entender que, embora se aplique ao caso vertente o art. 150, §4º do CTN, considerada a natureza continuativa e anual do IR, seu fato gerador estaria perfeito e acabado unicamente no dia 31 de dezembro do exercício sobre referência. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso. Nos termos do Despacho n.º 106232/2007 (fls. 368/371), foi dado seguimento ao pedido em análise. Por oportuno, destaco o seguinte trecho do r. despacho: “A despeito de ter o Representante da Fazenda Nacional fundamentado o Especial no art. 5°, II, do Regimento Interno da CSRF e relacionado jurisprudência deste Conselho e da CSRF, seu pedido está fundado na vulneração dos arts. 150, § 4°, do CTN, e 42 da Lei n°9.430, de 1996. Assim, aliado ao fato de a decisão relativamente ao reconhecimento da decadência do lançamento quanto ao meses de janeiro a março de 2000 ter sido tomada por maioria de votos, recebo o presente Recurso Especial com esteio no inciso I do referido dispositivo regimental. Com efeito, os dispositivos legais indicados pela Recorrente estão a indicar que o acórdão recorrido poderia, em tese, ter contrariado a legislação que rege a matéria, o que demanda o reexame da questão por parte da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, com fundamento nos art. 7°, I, e 15, §§, 1° e 6°, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, (D. O. U. de 28/06/2007), DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional.” O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões às fls. 383/386. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10660.000863/200580 Acórdão n.º 920201.967 CSRFT2 Fl. 410 5 Afirma que, apesar da imprecisão recursal, a PGFN alega em síntese que deverá ser aplicado ao caso o inciso I do art. 173 do CTN. Apresenta jurisprudência da CSRF que rebate tal posição, entendendo que a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma disciplinada no §4º do art. 150 do CTN. Ao final, requer que o recurso especial da Fazenda Nacional seja negado. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Há de se salientar que o acórdão recorrido acolheu a preliminar de nulidade da intimação do lançamento, considerando o contribuinte intimado somente em 2005, com a seguinte fundamentação: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10660.000863/200580 Acórdão n.º 920201.967 CSRFT2 Fl. 411 7 “Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a data da ciência do Auto de Infração, ou seja, a ciência se deu em 27/12/2004, quando o agente fiscal colocou na caixa de correspondência do suplicante o envelope contendo o Auto de Infração e a respectiva intimação ou foi no ano calendário de 2005 quando o suplicante se manifestou contra a exigência, através da impugnação datada de 26/01/2005. (...) Por outro lado, resta evidente nos autos, que o agente fiscal assim procedeu (postar, em 27/12/2004, na caixa de correspondência do contribuinte) o Auto de Infração, do qual deveria ser regularmente cientificado, em razão do prazo decadencial. Assim sendo, resta necessário se determinar qual seria a data da ciência do lançamento, já que o agente fiscal não procedeu de acordo com que preceitua o artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Ora, a legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que quando trata de intimação, especificamente no art. 23, com nova redação editada por leis posteriores, diz: (...) Como se depreende do dispositivo legal acima, se impõe que a intimação seja feita por uma das seguintes formas: pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, provada com a assinatura do sujeito passivo; por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; por meio eletrônico; ou por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos anteriormente. Assim, o simples ato de postar a intimação, pelo autor do procedimento, na caixa de correspondência do endereço do domicílio fiscal do sujeito passivo, não valida a intimação, já que não existe a prova de recebimento no domicilio eleito pelo sujeito passivo. É claro nos autos, de que o agente fiscal não tomou as devidas precauções para cientificar o contribuinte do lançamento. Desta forma, é de se considerar como ciência da intimação do lançamento à data em que o suplicante veio se manifestar nos autos, qual seja: a data da protocolização da peça impugnatória (26/01/2005). Neste aspecto, nada mais há para se discutir e, por via conseqüência, só posso considerar que o contribuinte tomou Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 ciência do lançamento já no anocalendário de 2005, quando veio a se manifestar no processo. Nestes termos e tendo em vista a falta da prova de recebimento da intimação no domicilio eleito pelo sujeito passivo, posiciono me no sentido de aceitar como data da ciência do Auto de Infração a data da interposição da peça recursal que ocorreu durante o ano calendário de 2005.” No caso dos autos, o auto de infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no encerramento do anocalendário, já que o fato gerador do IRPF é complexivo. Para os exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000, constam na Declaração de Ajuste Anual (fls. 210/218) rendimentos com tributação exclusiva, que se referem a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras. Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual. Portanto, verificase que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual dos exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000 (fls. 210/218). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o período mais remoto, ano calendário 1999, dáse no dia 01/01/2001 e o termo final no dia 31/12/2005. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 07 de abril de 2005, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência, devendo os presentes autos retornarem ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias suscitadas no recurso voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10660.000863/200580 Acórdão n.º 920201.967 CSRFT2 Fl. 412 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19647.003053/2006-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MULTA DE
OFÍCIO CONFISCATÓRIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.320
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003053/200617 Acórdão n.º 180301.320 S1TE03 Fl. 216 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003053/200617 Acórdão n.º 180301.320 S1TE03 Fl. 217 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 184 a 186): Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração, às fls. 03/28, para exigência de créditos tributários, referentes aos meses do ano calendário de 1996 (sic), adiante especificados: [...]. Constituem partes integrantes dos Autos de Infração lavrados, a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e o Termo de Verificação fiscal, nos quais estão descritos a matéria tributável e a base legal de cada tributação, o Demonstrativo de Apuração do Imposto ou Contribuição e o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, documentos que constituem as fls. 06/08; 12/15; 19/22; 26/28 e 30/32 do processo. Objetivando o esclarecimento da tributação, o autuante instruiu o processo com os documentos às fls. 33/94. I Da Autuação. Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi arbitrado o lucro do períodobase de 2001, com base no art. 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), tendo em vista que a mesma, tendo optado pela tributação pelo lucro presumido, consoante DIPJ anexa às fls. 74/94, não apresentou os livros obrigatórios à tributação optada e nem possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. I.1. Da base de cálculo apurada. Conforme “Termo de Verificação Fiscal”, fls. 30/32, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro com base no faturamento mensal verificado através das empresas “Sulamérica Companhia de Seguro Saúde”; “Unibanco AIG Seguros S.A.” e “Porto Seguro Companhia de Seguros Gerais”, tendo em vista que a autuada não forneceu qualquer dado ou livro fiscal a respeito de seu faturamento. O faturamento mensal/trimestral se encontra consolidado no demonstrativo de fl. 33. I.2. Dos Autos de Infração reflexos: I.2.1 PIS/Repique. Item I.1 –Falta ou insuficiência de recolhimento; I.2.2 COFINS. Item I.1 –Falta ou insuficiência de recolhimento; I.2.3 CSLL. Item I.1 – CSLL apurada com base na receita bruta. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003053/200617 Acórdão n.º 180301.320 S1TE03 Fl. 218 4 II. Da Impugnação. Irresignada com a autuação, em 10.05.2006, a autuada apresentou, tempestivamente, as impugnações constantes das fls. 97/105 (IRPJ); fls. 135/143 (PIS); fls. 109/117 (CSLL); fls. 122/130 (COFINS), trazendo as seguintes alegações: II.1 Da ausência de certeza e liquidez dos autos de infração: Taxa SELIC e o anatocismo financeiro. Neste item a autuada se insurge contra o lançamento dos juros moratórios com base na taxa SELIC, alegando que a mesma não deriva de norma legal, e mesmo que assim o fosse, não poderia ser utilizada em face de seu caráter flutuante. Discorrendo acerca da natureza da taxa SELIC, a impugnante assevera que “a clareza da norma tributária impõese pela necessidade de o contribuinte ter ciência a priori dos encargos em que incorrerá e como serão calculados na hipótese de não cumprir a obrigação tributária no devido tempo. Em matéria tributária, é imperioso que os critérios sejam definidos com nitidez e precisão pela lei, inadmissível a insegurança decorrente de encargos flutuantes, obnubilados ou que só se conheçam ex post”.(sic) Concluindo, a impugnante requer a exclusão da taxa SELIC na cobrança dos juros moratórios e que seja tal encargo moratório cobrado com base no disposto no § 1º do art. 161 do CTN, isto é, 1% ao mês. II.2. Da vedação da aplicação da multa de confisco. Neste item a impugnante se insurge contra a aplicação da multa de ofício alegando possuir efeito confiscatório, princípio este vedado pela Constituição Federal. II.3. Do Pedido. Diante das razões apresentadas a impugnante requer a anulação dos autos de infração em lide. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 183 e 184): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MULTA DE OFÍCIO CARÁTER CONFISCATÓRIO / INCONSTITUCIONALIDADE A multa aplicada em procedimento de ofício é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não havendo, portanto, qualquer razão em querer dar cunho confiscatório à aludida exigência. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que, neste Fl. 224DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003053/200617 Acórdão n.º 180301.320 S1TE03 Fl. 219 5 juízo, os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. JUROS DE MORA (TAXA SELIC) INCONSTITUCIONALIDADE. A cobrança em auto de infração da multa de ofício e dos juros de mora (calculados pela TAXA SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal que declare sua inconstitucionalidade. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 21/08/2008 (fls. 193), a tempo, em 17/09/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 196 a 204, instruído com os documentos de fls. 205 a 209, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos no que se refere, exclusivamente, ao caráter confiscatório da multa aplicada. Em mesa para julgamento. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.003053/200617 Acórdão n.º 180301.320 S1TE03 Fl. 220 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Multa confiscatória 4. Tratandose de alegação de inconstitucionalidade de lei, incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 5. Há que se ressaltar que, no caso, a multa aplicada é a de ofício, com fundamento no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (fls. 8, 15, 22 e 28), e não a de mora, como aparentemente parece entender a Recorrente. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10552.000469/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CO-RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO SAT
INCRA SEBRAE SELIC MULTA IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA
ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.192
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO SAT INCRA SEBRAE SELIC MULTA IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000469/200731 Acórdão n.º 240102.192 S2C4T1 Fl. 613 3 Relatório A presente NFLD, lavrada o nº 37.083.9170, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a correspondente aos terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. Foram ainda apuradas contribuições sobre a parcela não descontadas dos segurados contribuintes individuais. Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados, a remuneração de segurados vendedores externos pagas a titulo de Premiação para vendedor que faturar maior percentual , acima do objetivo, efetuadas por intermédio das empresas fornecedoras de cartões de premiação Salles Adan & Associados Marketing Inc S/C e Incentive House S/A. O valor tributável foi apurado com base nos relatórios de beneficiários fornecidos pelo sujeito passivo quais foram confrontados com os valores de premiação constantes nas notas fiscais de serviços e ou, faturas de serviços apresentadas pelo sujeito passivo e lançadas na contabilidade no período de 2003 a 2006, nas contas/rubrica 311.200.100.003, 311.200.110.002, 311.200.120.002, 311.200.130.002, denominadas Propaganda e Publicidade. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 27/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/03/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 134 a 174. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 470 a 482 . Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, conforme fls. 489 a 505. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Não há incidência das contribuições previdenciárias sobre parcelas pagas a titulo de premiação, porque inexiste habitualidade a caracterizar tais parcelas como integrantes do saláriodecontribuição. A premiação depende do preenchimento das condições especiais relacionadas ao cumprimento de metas estabelecidas em função do tipo de bem negociado ou do serviço desenvolvido. 2. A relação que se estabelece entre o patrocinador e o beneficiário é sempre eventual, pois depende da concretização de condições especiais, não configurando, em quaisquer hipóteses, salário nem remuneração, já que não há retributividade a serviço prestado. Ao contrário da prestação de serviços, na premindo, as condições podem ser cumpridas ou não pelo beneficiário, sem que isso lhe acarrete sanção alguma. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 3. Alega, ademais, que os prêmios, quando concedidos em função de campanhas de incentivo, sem caráter de habitualidade, não apresentam natureza salarial, sendo inconcebível qualquer pretensão de enquadramento dessa espécie de premiação. As hipóteses de incidência de contribuições previdenciárias calculadas sobre a folha de salários ou rendimentos do trabalho. Faz referencias a posicionamentos dos Tribunais Superior e Regional do Trabalho. 4. Afirma que, no caso em apreço, não há possibilidade de se verificar os fatos jurídicos tributários das contribuições previdenciárias referidas no artigo 195, I, "a" e II, da Constituição. Salienta, ainda, o disposto nos artigos 11 e 22, I, da lei 8.212/91, para dizer que apenas o valor da remuneração habitual, destinada a retribuir o trabalho, constitui base de cálculo das contribuições previdenciárias, e que o artigo 28 da lei 8.212/91, em seu § 9°, "e", item 7, estabelece que não integram o saláriodecontribuição as importâncias recebidas a titulo de ganhos eventuais. Em face do exposto, concluise que qualquer quantia endereçada ao empregado que não tenha as características da habitualidade e da retributividade, não podem ser tomadas como base de incidência das contribuições para previdência social. 0 mesmo se pode dizer dos valores entregues a terceiros, contribuintes individuais. 5. No caso vertente, salienta que os prêmios pagos aos vendedores que mais se destacaram nas campanhas realizadas pela impugnante em parceria com alguns fornecedores eram eventuais e em valores aleatórios, não se constituindo, em momento algum, em ganhos certos habituais. Exemplifica sua afirmação, demonstrando os prêmios recebidos pelo vendedor Sandro. No entanto, confirma que alguns vendedores destacamse mais que os outros e portanto atingem quase que mensalmente as metas estabelecidas nos programas de incentivo. 6. Entretanto, declara que tal condição não retira do prêmio o caráter de remuneração eventual e aleatória. Ainda, que se houvesse por superada a insurgência acima manifestada , refere que estão contempladas na NFLD em apreço diversas parcelas cuja exigência não tem sustentabilidade jurídica, consoante passa a demonstrar: 7. Contribuição destinada ao SEBRAE : é indevida, pois a impugnante não está enquadrada como micro ou pequena empresa. 8. Contribuição destinada ao Salário Educação: de acordo com os princípios vertidos pelos artigos 149 e 146, III, alínea a, da CF, é insofismável 9. Contribuição para o Seguro de Acidentes do Trabalho (SAT): a lei 8.212/91, e mesmo as alterações posteriores, não estabeleceram os conceitos de atividade preponderante, nem de risco de acidente do trabalho leve, médio ou grave, o que torna inexigível a contribuição para o SAT. 10. A contribuição ao INCRA, incidente sobre a folha de salários, não se enquadra nas contribuições previstas no art. 195 da constituição Federal de 1988, e, tampouco, na exceção prevista no art. 240 do Texto Constitucional. 11. A taxa SELIC: é imprópria como índice de juros aplicável aos tributos. 12. A multa é inaplicável, pois a conduta adotada pela recorrente, e contestada pela fiscalização, encontra amparo em fundamentada corrente jurídica, inexistindo, neste caso, uma finalidade de burlar a legislação e sim o objetivo de garantir um direito. Aplicar a multa nestes casos, acarreta em um desvio de finalidade desta, pois foi instituída e é Fl. 632DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000469/200731 Acórdão n.º 240102.192 S2C4T1 Fl. 614 5 aplicada como uma forma de repressão a procedimentos dolosos que objetivam fraudar o fisco. 13. É incabível a representação fiscal que dará inicio a processo crime, pois pendente de processamento e julgamento definitivos o lançamento realizado contra a impugnante. Ainda que assim não fosse, convém esclarecer que o crime de sonegação de contribuição previdenciária (redução ou supressão de tributo ou contribuição)pretendido imputar à recorrente exige, para a sua plena configuração, a presença do elemento subjetivo do dolo genérico, consistente na intenção de realizar a evasão tributária com obtenção de resultado. 14. A reforma de decisão da DRJ/POA, reconhecendose a não incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a titulo de premiação nas campanhas desenvolvidas pela Recorrente, levandose em consideração a ampla prova produzida e os argumentos tecidos nesta defesa recursal, desconstituindo os reflexos advindos da autuação em relação aos pontos SAT/GILRAT —CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS (SEBRAE) — FNDE — INCRA —SELIC — MULTA E JUROS — REPRESENTAÇÃO PENAL;É o relatório. 15. O reconhecimento de que os pagamentos efetuados às pessoas jurídicas constantes na planilha "Prêmio —Pagamento a Contribuintes Individuais" não estão sujeitos ao recolhimento da contribuição em comento, repercutindo nos demais reflexos do ponto V desta pega. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito deste Conselho. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 610. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO O ponto chave a ser apreciado na NFLD em questão é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000469/200731 Acórdão n.º 240102.192 S2C4T1 Fl. 615 7 § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial, independente de sua habitualidade, ou mesmo se forem pagos por terceira pessoa, no caso, empresas de premiação. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral, ou seja, está relacionado diretamente a atividade exercida na empresa. Dessa forma, não há que se afastar a incidência de contribuição sob o argumento de que a verba não é habitual. Entendo que o termo habitual trazido pelo legislador, não se relaciona no caso vertente, ao pagamento continuo, mas sim, que possua relação direta com a atividade desempenhada. Por exemplo, o habitual, pode ser visto sob alguns paradigmas: em um ano, habitual estará relacionado ao número de vezes em que o pagamento é realizado; mas entendo que também é habitual o prêmio fornecido no mês de dezembro ao longo de 3 ou 4 anos. O termo eventual, diz respeito a acontecimentos ou mesmo pagamentos que surgem sem relação com a atividade exercida, por exemplo, um benefício concedido em função de um caso fortuito, ou de certo acontecimento totalmente sem relação com a atividade desempenhada. O prêmio pelo contrário, independente do n. de vezes que é pago, possui relação direta com o trabalho do empregado, pelo seu esforço para alcançar determinada meta ou resultado. Em função disso, é que possui relação direta com a remuneração auferida e por consequência com inserido no conceito de salário de contribuição. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: (...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...) Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Marcaro Narcimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos .” Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000469/200731 Acórdão n.º 240102.192 S2C4T1 Fl. 616 9 art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000469/200731 Acórdão n.º 240102.192 S2C4T1 Fl. 617 11 Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. Assim, não estando entre as exclusões prevista na legislação não há como excluir da base de cálculo de contribuições previdenciárias os pagamentos feitos à título de premiação. Dessa forma, razão não assiste ao recorrente. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Observase, ainda que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES – INCRA – SELIC, SAT MULTA Ainda, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SAT Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT – Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto (que não possui atribuição para tanto). A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000469/200731 Acórdão n.º 240102.192 S2C4T1 Fl. 618 13 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, devese afastar a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000469/200731 Acórdão n.º 240102.192 S2C4T1 Fl. 619 15 art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Não se deve considerar que a cobrança do RAT (antigo SAT) ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho, não havendo que se falar em tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3º do art. 22 da Lei n ° 8.212/1991: Art. 22 (...) § 3º ao dispor que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Não há que se falar em violação do art. 3º do CTN, pois toda a atividade de cobrança da referida contribuição é vinculada ao que dispõe as normas regulamentares acima expostas, não permanecendo ao alvedrio da autoridade fiscal. Também não há violação ao art. 153, § 1º da Constituição Federal pelo já exposto. INCRA Em relação à cobrança do INCRA segue ementa do Recurso Especial n ° 603267, publicado no DJ em 24/05/2004, cujo Relator foi o Ministro Teori Albino Zavascki: Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA (LEI 2.613/55). EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que sejam cobradas de empresa urbana as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL. 2. Recurso especial provido. JUROS SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000469/200731 Acórdão n.º 240102.192 S2C4T1 Fl. 620 17 Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais MULTA Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Face o exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000469/200731 Acórdão n.º 240102.192 S2C4T1 Fl. 621 19 Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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