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Numero do processo: 11516.721802/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CONCEITO DE ALIENAÇÃO. RESTRIÇÃO. DESCABIMENTO.
Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.
GANHO DE CAPITAL. VALOR DE VENDA DO IMÓVEL. INEXISTÊNCIA DE PROVAS QUE ELIDEM A PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS DADOS INSERIDOS NO REGISTRO PÚBLICO DE IMÓVEIS.
Os dados inseridos no Registro Público de Imóveis gozam de presunção relativa de veracidade, somente não devendo prevalecer quando restar comprovado, de maneira inequívoca, que o seu teor está em descompasso com a realidade fática, caso em que a fé pública do instrumento público deve ceder ao que demonstrado por outros meios.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RESGATES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS.
O demonstrativo de variação patrimonial a descoberto deve refletir a realidade do patrimônio do contribuinte, contemplando todas as origens e aplicações de recursos, inclusive os resgates de aplicações financeiras realizados no curso do ano-calendário.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A imposição da multa calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, devendo incidir, nos casos de lançamento de ofício, sobre a totalidade do tributo apurado no procedimento fiscal.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, indeferir o pedido de apreciação de outras provas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de acréscimo patrimonial a descoberto e para reduzir o valor de venda do apartamento 204C de R$ 215.000,00 para R$ 190.000,00, relativamente à infração de ganho de capital na alienação de imóveis.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CONCEITO DE ALIENAÇÃO. RESTRIÇÃO. DESCABIMENTO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE VENDA DO IMÓVEL. INEXISTÊNCIA DE PROVAS QUE ELIDEM A PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS DADOS INSERIDOS NO REGISTRO PÚBLICO DE IMÓVEIS. Os dados inseridos no Registro Público de Imóveis gozam de presunção relativa de veracidade, somente não devendo prevalecer quando restar comprovado, de maneira inequívoca, que o seu teor está em descompasso com a realidade fática, caso em que a fé pública do instrumento público deve ceder ao que demonstrado por outros meios. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RESGATES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. O demonstrativo de variação patrimonial a descoberto deve refletir a realidade do patrimônio do contribuinte, contemplando todas as origens e aplicações de recursos, inclusive os resgates de aplicações financeiras realizados no curso do anocalendário. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A imposição da multa calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, devendo incidir, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 02 /2 01 1- 24 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 840 2 casos de lançamento de ofício, sobre a totalidade do tributo apurado no procedimento fiscal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, indeferir o pedido de apreciação de outras provas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de acréscimo patrimonial a descoberto e para reduzir o valor de venda do apartamento 204C de R$ 215.000,00 para R$ 190.000,00, relativamente à infração de ganho de capital na alienação de imóveis. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração AI relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 106.888,83, incluídos multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls. 695/696 deste processo digital evidencia que o crédito tributário foi constituído em razão da constatação, pela Autoridade lançadora, das seguintes infrações: Acréscimo patrimonial a descoberto no mês de outubro de 2009; Omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 841 3 Em 1ª instância administrativa a impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada procedente em parte. Entenderam os julgadores da instância de piso que as parcelas constantes do “Termo de Transferência de Crédito Tributário” de fl. 791 não foram impugnadas, motivo pelo qual foram transferidas para o Processo nº 11516.721491/201284. Em relação ao restante do crédito tributário houve a manutenção do IRPF lançado no valor de 52.260,18 e a exoneração do IRPF no valor de R$ 695,65. Cientificado da decisão de primeira instância em 12/06/2012 (fl. 795), a Interessada interpôs, em 10/07/2012, o recurso de fls. 797/806, acompanhado dos documentos de fls. 807/833. Na peça recursal reitera os argumentos expendidos na peça impugnatória e aduz, em complemento, que: Protesto pela apreciação de provas de processo conexo O presente recurso foi interposto unicamente em virtude de a Autoridade fiscal ter separado a controvérsia em dois processos, em face do regime de casamento de comunhão de bens dos cônjuges Clóvis Miranda Garcia e Maria das Graças Cozac da Fonseca Garcia, ora Recorrente. Por este motivo, protesta, desde logo, pela apreciação de todas as provas constantes do processo n° 11516.721800/201135, de Clóvis Miranda Garcia, uma vez que a situação meritória é a mesma. Preliminar de nulidade do Auto de Infração Consta do processo que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF teria validade até o dia 07/05/2011. Ocorre que o mesmo só foi prorrogado por mais dois meses após o vencimento original, ou seja, dia 06/07/2011. Além disso, não consta do processo a autorização para tais prorrogações. Estes procedimentos contrariam o disposto na Portaria RFB n° 11.371, de 12/12/07 e, por tais motivos, o Auto de Infração é nulo de pleno direito. Mérito Ganho de capital na alienação de imóveis No que se refere à infração de ganho de capital na alienação de imóveis o Interessado, por ocasião da impugnação, admitiu a procedência da tributação sobre as operações de vendas, tendo, inclusive, efetuado o pagamento do imposto na sua quase totalidade, conforme DARF anexados, num total de R$ 123.048,70, sendo R$ 61.524,35 para cada cônjuge. No entanto, houve a impugnação de pequenas diferenças no imposto apurado de três imóveis, restando, portanto, discutir neste recurso, as parcelas relativas a tais diferenças. Apartamento 301B A pequena diferença de cálculo apontada, no valor de R$ 568,13, é decorrente, segundo o Fisco, de aplicação do percentual de cálculo previsto na Lei n° 11.196 e em função do número de mesescalendário decorridos. Assim, resta saber se a data de aquisição do referido imóvel ocorreu em 15/09/2004, data do efetivo pagamento do terreno, conforme contrato de compra e venda (doc. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 842 4 03) e extrato bancário (doc. 04), ora juntados, como sustenta o contribuinte, ou em 18/02/2005, data da constituição do condomínio, como considerou o Fisco. Na verdade o imóvel foi adquirido na data de 17/06/2004, pelo valor de R$ 525.000,00, conforme comprova o incluso documento denominado Contrato Particular de Compra e Venda de Imóvel (doc. 07), cujo valor no montante de R$ 100.000,00 (arras) foi pago no ato da compra. A diferença de R$ 425.000,00 foi paga na data de 21/09/2004, quando da escrituração do imóvel. Tais pagamentos estão comprovados no extrato bancário do Banco do Brasil em anexo. Convém frisar que desse total 1/3 é de responsabilidade da Recorrente, conforme consta, inclusive, do extrato bancário, sendo R$ 33.333.00 no dia 18/06/2004 (cheque nº 850.282, conta n° 214.3240, agência 14532) e R$ 141.666,00 por meio de cheque descontado no dia 21/09/2004 (cheque nº 850.786, conta 253.7141, agência 14532), perfazendo um total de R$ 175.000,00. No percentual (43,50%) apurado pelo Fisco o custo de aquisição foi de R$ 28.710,00 (considerando o valor da escritura de R$ 198.000,00, sendo 66.000,00 para cada proprietário x 43.50% = 28.710,00). Considerando que o custo do terreno para a Recorrente foi de R$ 175.000,00 e esse imóvel lhe coube no percentual de 43,50%, o custo de aquisição foi de R$ 76.125,00. Acresce a este montante o valor de R$ 56.445,04, já aceito pelo Fisco, totalizando R$ 132.570,04, que é o valor efetivo a ser considerado para efeito de aquisição. Assim, não se pode concordar com o argumento do Fisco de que a data a ser considerada para efeito de apuração de resultado de ganho de capital seja a de constituição do condomínio, em 18/02/2005, mas sim a data de aquisição do terreno, pois foram nestas datas que houve o desembolso dos valores e cuja compra, como frisado e comprovado, está amparado em Contrato de Compra e Venda e Escritura Pública que não foram refutados pelo Fisco. Portanto, sem razão a pretensão de constituição do crédito tributário vez que o imposto, após a impugnação, foi pago corretamente e, inclusive, por montante acima do devido. Apartamento 204B Neste item a diferença de R$ 2.142,25, apontada pelo contribuinte como indevida foi refutada pela DRJ ao argumento de que, igualmente aqui, deverseia observar as datas para realização dos cálculos como sendo 18/02/05 por parte do Fisco e 15/09/2004 por parte do contribuinte. O custo de aquisição deve ser calculado em função dos pagamentos, da seguinte maneira: no percentual (30,25%) apurado pelo Fisco o custo de aquisição foi de R$ 19.965,00 (considerando o valor da escritura de R$ 198.000,00, sendo 66.000,00 para cada proprietário x 30.25% = 19.965,00). Se para o Recorrente o custo do terreno foi de R$ 175.000,00 e esse imóvel lhe coube no percentual de 30,25%, o custo de aquisição foi de R$ 52.937,50. Assim, não se pode concordar com o argumento do Fisco de que a data a ser considerada para efeito de apuração de resultado de ganho de capital seja a de constituição do condomínio, em 18/02/2005, mas sim a data de aquisição do terreno, pois foram nestas datas Fl. 842DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 843 5 que houve o desembolso dos valores e cuja compra, como frisado e comprovado, está amparado em Contrato de Compra e Venda e Escritura Pública que não foram refutados pelo Fisco. Portanto, sem razão a pretensão de constituição do crédito tributário vez que o imposto, após a impugnação, foi pago corretamente e, inclusive, por montante acima do devido. Apartamento 204C A diferença de R$ 4.396,11, apurada pelo contribuinte como excessiva em relação ao valor encontrado pelo Fisco, decorreu do entendimento dos julgadores em relação ao valor de venda do imóvel, uma vez que segundo o contribuinte o valor de venda foi de R$ 190.000,00 e o Fisco diz que foi de R$ 215.000,00. Também foi considerada a diferença de datas entre as partes como sendo em 15/09/2004 por parte do contribuinte e 18/02/2005 por parte do fisco. De qualquer forma a apuração do custo não está correta. Na escritura o valor da compra foi de R$ 215.000,00, sendo que R$ 65.000,00 o comprador pagou diretamente à promitente vendedora e a Recorrente recebeu apenas R$ 150.000,00, que foi o valor do financiamento, conforme consta do contrato da CEF, datado de 16/03/09 (doc. 06). Assim, o valor a ser considerado para apuração do custo é R$ 150.000,00 e não R$ 215.000,00, conforme pretende o Fisco. Acréscimo patrimonial a descoberto A justificativa da Autoridade fiscal para não acatar a origem do recurso nem foi a existência de contrato de empréstimo e sim a impossibilidade de utilização de saldo em conta bancária do ano anterior como recurso no demonstrativo de evolução patrimonial do ano seguinte. Tal fundamentação encontraria respaldo no principio da presunção legal juris tantum (relativa) e que, em tal situação, caberia ao contribuinte justificar a origem de tais acréscimos com rendimentos já tributados. Sem razão a Autoridade tributária porque os recursos existiam e estavam depositados no Banco do Brasil em conta de aplicação financeira cujos rendimentos, também declarados, foram tributados com retenção na fonte. Tais valores (resgates de R$ 85.542,65, R$ 26.000,00, R$ 180.691,50 e R$ 22.351,60, num total de R$ 314.585,85) constam dos anexos extratos do Banco do Brasil, conta n° 253.7141, agência 4783X, ora juntado (doc. 04). O restante, para completar os R$ 500.000,00, já estava como saldo disponível na referida conta bancária. Também é importe frisar que o valor de R$ 500.000,00 foi lançado no LivroCaixa da empresa, conforme se observa à fl. 603, comprovando, portanto, a utilização do montante para efetivação do empréstimo. Multa de ofício de 75% Fl. 843DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 844 6 Não pode o contribuinte ser compelido a indenizar o Fisco em multa que beira o montante do próprio imposto principal em situação em que a hipótese não se enquadra no dispositivo legal aventado pela Fiscalização. Juros de mora A Turma julgadora mencionou que os juros de mora foram aplicados em função da previsão legal que cita no corpo do acórdão. A Impugnação, que ora se ratifica, é no sentido que os juros moratórios são indevidos para inexistência do crédito tributário principal. Pedidos Requer, ao final: a reforma do acórdão recorrido, julgando pela nulidade total do Auto de Infração; o acolhimento do recurso para considerar válido o empréstimo de R$ 500.000,00 da pessoa física para a pessoa jurídica, vez ficou comprovado a origem dos recursos constante da conta corrente no Banco do Brasil, bem como sua tributação na fonte como aplicação financeira; o acolhimento dos argumentos referente à venda dos imóveis citados para considerar as diferenças apontadas a favor do contribuinte num total de R$ 7.106,49, uma vez que a data correta para apuração do ganho de capital é 15/09/2004 e não 18/02/2005. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Preliminar de nulidade do Auto de Infração Alega a Recorrente que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF teria validade tão somente até o dia 07/05/2011 e que o mesmo só foi prorrogado no dia 06/07/2011, conforme documento de fl. 03. Em decorrência, o AI seria nulo, porquanto em dissonância com o disposto na Portaria RFB n° 11.371, de 12/12/2007. Sem razão a Interessada. É que o MPF Fiscalização (MPFF) acostado aos autos em fl. 3 foi emitido em 16/08/2011, com prazo de validade até 14/12/2011, nos termos da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011, que revogou a Portaria RFB nº 11.371/2007, citada pela Recorrente. Em consonância com a Portaria nº 3.014/2011, o prazo máximo de validade do MPFF é de 120 dias (art. 11, I). Fl. 844DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 845 7 Na espécie, a Interessada foi intimada pela Fiscalização em 22/08/2011 (TIF às fls. 649/650 e AR à fl. 651) e o Auto de Infração foi lavrado em 07/10/2011 (fl. 694), com ciência pessoal à contribuinte em 10/10/2011 (fl. 735), dentro, pois, do prazo de validade do MPFF. Mas ainda que assim não fosse, oportuno registrar que as normas que regulamentam o MPF são normas interna corporis, de modo que eventuais vícios na sua emissão e execução, acaso existentes, só maculam o lançamento se houver prejuízo ao contribuinte, o que não ocorreu na hipótese vertente. Nesse contexto, sou pela rejeição da preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Mérito Ganho de capital na alienação de imóveis No que se refere à infração de ganho de capital na alienação de imóveis a Interessada, por ocasião da impugnação, admitiu a procedência da tributação sobre as operações de vendas, tendo, inclusive, efetuado o pagamento parcial do imposto, conforme DARF anexados às fls. 809/815, num total de R$ 123.048,70, sendo R$ 61.524,35 para cada cônjuge. Todavia, foram impugnadas, na ocasião, pequenas diferenças no imposto apurado em três imóveis, restando, portanto, discutir neste recurso a procedência ou não de tais diferenças. Apartamento 301B A Recorrente alega, em relação ao apartamento 301B, que o imposto sobre o ganho de capital seria de R$ 18.682,88 (fl. 745), ao passo que o Fisco apurou R$ 19.251,01 (fl. 723). Não há divergência entre os valores/parâmetros apurados pelo contribuinte e pelo Fisco no que se refere ao custo de aquisição, valor do imóvel, valor da corretagem e valor/data da alienação. A pequena diferença de cálculo apontada, no valor de R$ 568,13, segundo consta da decisão de piso, é decorrente da aplicação dos fatores de redução previstos na Lei n° 11.196, de 21/11/2005, em função do número de mesescalendário ou fração decorridos entre o mês de janeiro de 1996 ou a data de aquisição do imóvel, se posterior, e o mês de novembro de 2005, para imóveis adquiridos até o mês de novembro de 2005 (FR1 e FR2). A Interessada considerou, como data da aquisição, 15/09/2004, que seria a data mencionada no contrato particular de compra e venda do imóvel constituído de um terreno localizado na Praia dos Ingleses (fls. 830/833) e em Escritura Pública citada na matrícula 72.731 do Cartório do 2º Ofício de Registro de Imóveis da Comarca de Florianópolis (fls. 215/239), datada de 13/09/2004. A Autoridade lançadora, por seu turno, considerou como data da aquisição 18/02/2005, que seria a data da constituição do condomínio registrada na Ata de Constituição do Condomínio Costão dos Ingleses (fls. 612/618). Nesse documento consta que o Condomínio foi constituído em 18/02/2005 e que o imóvel seria edificado sobre terreno de propriedade dos Srs. Jaci Pasini, Clovis Miranda Garcia (cônjuge da Recorrente) e Paulo Sérgio Coelho, os quais seriam adquiridos por permuta de área construída referente a unidades condominiais, entre elas o apartamento 301B, objeto da presente discussão. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 846 8 Assim, o cerne da questão é saber se a data de aquisição do imóvel que ocasionou o ganho de capital referente à alienação do apartamento 301B ocorreu em 15/09/2004, data do contrato particular de compra e venda do imóvel constituído de um terreno localizado na Praia dos Ingleses, conforme lançado no “Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital” (fls. 749/750) da contribuinte, ou em 18/02/2005, data da constituição do condomínio, como considerou o Fisco. Pois bem. A situação relatada revela, a meu ver, a realização de três negócios jurídicos distintos (três alienações distintas): o primeiro evidenciado pelo Contrato Particular de Compra e Venda de Imóvel (fls. 830/833) realizado no ano de 2004, por meio do qual os promitentes compradores, entre eles a Recorrente e seu cônjuge, adquiriram o terreno localizado na Praia dos Ingleses em Florianópolis; o segundo na constituição do Condomínio Costão dos Ingleses, por meio da Ata de Constituição (fls. 612/618), quando ocorreu a permuta do terreno pelo direito a unidades do condomínio que seriam construídas (18/02/2005); e o terceiro na venda de uma unidade (apartamento 301B) ocorrida em 18/07/2008 (Escritura Pública de Compra e Venda às fls. 409/410). Nesse cenário, entendo como correta a data de aquisição considerada pela Autoridade lançadora, uma vez que o ganho de capital lançado ocorreu na celebração do terceiro negócio jurídico celebrado, vale dizer, na venda da unidade cujo direito teria sido adquirido na constituição do condomínio (segundo negócio jurídico), em 18/02/2005. Em outras palavras: na apuração do ganho de capital a aquisição do imóvel se perfaz com a própria alienação, seja por instrumento particular (contrato de compra e venda, documento de constituição de condomínio, dentre outros), seja por instrumento público. Desta forma, descabe, para fins de tributação do ganho de capital na alienação de imóveis, restringir o conceito de alienação para considerar que a aquisição de um imóvel apenas ocorre quando da lavratura da escritura pública de compra e venda ou quando do registro do título no Cartório de Registro de Imóveis. Na seara tributária a matéria é regulada pelo § 3º do art. 3º da Lei 7.713/1988, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Lei nº 7.713/1988 Art. 3º. (...) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Na espécie, a aquisição do direito referente ao apartamento 301B ocorreu com a constituição do condomínio (segundo negócio jurídico), em 18/02/2005, quando ocorreu a permuta do terreno anteriormente adquirido pela cessão do direito a unidades do condomínio que seriam construídas, de modo que não merece nenhum reparo, neste ponto, o lançamento fiscal. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 847 9 Apartamento 204B Com referência ao apartamento 204B, a Interessada aponta uma diferença de R$ 2.142,25, que decorre, igualmente, da consideração da data de aquisição, pelo Fisco, em 18/02/2005, ao passo que a Recorrente lançou, no “Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital” (fls. 752/753), como data de aquisição, a data de 15/09/2004. A Interessada contesta ainda, nesta sede recursal, o custo de aquisição do imóvel, pleiteando que este seja o custo do terreno adquirido em 15/09/2004, no valor de R$ 175.000,00, cabendolhe o percentual de 30,25%, o que implicaria em um custo de aquisição de R$ 52.937,50. A fundamentação exposta no tópico anterior é suficiente para afastar, em meu entendimento, a primeira alegação da Recorrente, devendo ser considerada como data de aquisição a data da constituição do condomínio (18/02/2005). De conseguinte, inviável considerar como custo de aquisição o custo do terreno adquirido em 15/09/2004. Demais disso, o custo de aquisição do imóvel não foi objeto de impugnação em primeira instância administrativa. Pelo contrário. Na peça impugnatória a própria Interessada apontou um custo de aquisição de R$ 19.965,00 (fl. 740), que coincide com o custo de aquisição apurado pela Autoridade lançadora (fls. 724/725), de modo que a insurgência recursal deve ser refutada, mantendose o custo do imóvel utilizado no cálculo do ganho de capital do apartamento 204B. Apartamento 204C No concernente ao apartamento 204C a Recorrente se rebelou, na impugnação, contra dois pontos: a data de aquisição do imóvel e uma diferença no valor do imposto de R$ 4.396,11, que seria decorrente do valor de venda do imóvel: para a Interessada o valor de venda teria sido de R$ 190.000,00 e para o Fisco de R$ 215.000,00. Na peça recursal a Interessada se insurge contra os mesmos pontos. Contudo, afirma que recebeu pela venda do imóvel apenas R$ 150.000,00, decorrentes de financiamento junto ao Banco do Brasil, e não R$ 190.000,00, como anteriormente afirmara. A questão relativa à data de aquisição do imóvel já foi abordada no tópico referente ao apartamento 301B, restringindose a controvérsia, aqui, ao segundo ponto levantado pela Recorrente, qual seja, o valor de venda do imóvel. A Autoridade lançadora considerou o valor de venda de R$ 215.000,00, que resultaria da soma de um pagamento de R$ 30.000,00, de um pagamento de R$ 35.000,00 e de um financiamento de R$ 150.000,00 junto ao Banco do Brasil. A Recorrente, por seu turno, alega, nesta sede recursal, que o valor de R$ 65.000,00 teria sido pago a outra pessoa, e não a ela e seu cônjuge. O que aconteceu, no entanto, encontrase bem explicitado na manifestação do adquirente do imóvel, que foi intimado pela Fiscalização e assim se manifestou: (...) 2. Após diversas buscas, o depoente se interessou pelo apartamento n. 204, do Bloco C, do Condomínio Costão dos Fl. 847DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 848 10 Ingleses, localizado na Rua Morro das Feiticeiras, n. 314, no Bairro dos Ingleses, o qual estava sendo anunciado na Imobiliária SC Imóveis, situada na Rua das Gaivotas, n. 863, naquele mesmo bairro. 3. O depoente efetuou visita no imóvel com um corretor da referida imobiliária e efetuou uma proposta. Após diversas tratativas efetuadas com o sócio da imobiliária, Sr. José Carlos de Oliveira, CPF n. 092.383.28072, ficou acertada a venda do referido imóvel ao depoente pelo valor de R$ 215.000,00 (duzentos e quinze mil reais). (...) 5. Após a proposta ser aceita, o corretor informou o depoente que o referido imóvel era da Sra. Maria Amábile May Werner, CPF n. 008.170.45937, mas que estava escriturado em nome do Sr. Clóvis Miranda Garcia, CPF n. 352.491.70897. 6. Para evitar qualquer tipo de irregularidade, o depoente questionou o motivo do imóvel não estar em nome da Sra. Maria Amábile May Werner, sendo informado pelo corretor da imobiliária que a Sra. Maria teria permutado um imóvel com o Sr. Clóvis Miranda Garcia e como tinha interesse em vender o apartamento optou por não efetuar a transferência junto ao Cartório de Registro de Imóveis, até mesmo para não ter gastos com a escrituração. (...) 9. Diante da inexistência de processos e como o imóvel estava regular, ou seja, sem anhuma pendência para o negócio jurídico, foi entabulado um contrato particular de promessa de compra e venda entre o depoente e sua esposa e a Sra. Maria Amábile May Werner, com a anuência do Sr. Clóvis Miranda Garcia e da esposa Maria das Graças Cozac da Fonseca Garcia, em 04/12/2008. 10. Pelo referido contrato de compromisso de compra e venda, o qual se encontra em anexo, ficou ajustado que o depoente pagaria como arras na assinatura da avença o valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), cujo valor foi pago em espécie, assim como a quantia de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) até o dia 15/01/2009, que foi pago pelo cheque n. 850175, da conta corrente 35.0737, agência 06742, do Banco do Brasil, de titularidade do depoente, sendo que os recibos firmados pela Sra. Maria Amábile May Werner estão em anexo. 11. Ainda, o pacto estabeleceu que o valor remanescente de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) seria pago através de financiamento habitacional a ser providenciado pelo depoente. 12. Em razão disto, o depoente solicitou o financiamento do imóvel junto ao Banco do Brasil, o qual foi aprovado e firmado o contrato de escritura pública de compra e venda do imóvel, com alienação fiduciária em garantia, em que o Banco do Brasil é o Fl. 848DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 849 11 credor, sendo o depoente e sua esposa os compradores do imóvel e o Sr. Clóvis Miranda Garcia e a esposa Maria das Graças Cozac da Fonseca Garcia os vendedores, visto que estes eram os que figuravam como proprietários junto a matrícula do apartamento do Cartório de Registro de Imóveis. 13. O contrato de compra e venda foi devidamente assinado pelas partes em 16/03/2009 e estabelecia em sua cláusula trigésima oitava que o valor do financiamento seria creditado na conta bancária do Sr. Clóvis Miranda Garcia no prazo de três dias úteis da validação do contrato, sendo que o depoente não possui comprovante desta transferência por ser de acesso exclusivo do correntista (Sr. Clóvis Miranda Garcia) e da instituição financeira, sendo que nunca foi procurado pelos vendedores ou pelo corretor para tratar de algum problema com a liberação do crédito referente ao financiamento aos vendedores. A leitura dos trechos em destaque evidencia que a alienação do apartamento 204C, pela Recorrente e seu cônjuge, foi realizada, de fato, com a adquirente Sra. Maria Amábile May Werner. Esta, por sua vez, alienou o imóvel ao Sr. Rodrigo Tavares Martins, que subscreveu a manifestação acima transcrita. Na forma relatada pelo subscritor os R$ 65.000,00 (R$ 30.000,00 + R$ 35.000,00) teriam sido pagos ao sócio da imobiliária (os recibos apresentados estão assinados pela Sra. Maria Amábile May Werner, às fls. 820/821) e os R$ 150.000,00 teriam sido depositados na conta bancária do Sr. Clóvis Miranda Garcia, cônjuge da Recorrente. Ocorre que no Instrumento Particular, com Efeito de Escritura Pública, de Compra e Venda e Financiamento de Imóvel com Alienação Fiduciária em Garantia (fls. 763/764), firmado entre o Banco do Brasil e o adquirente do imóvel, Sr. Rodrigo Tavares Martins, consta que o valor de compra e venda do apartamento 204C foi de R$ 190.000,00, o que é corroborado pela Matrícula 91.911 do Cartório do 2º Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Florianópolis (fl. 762), onde se lê que o valor de venda do imóvel foi realmente R$ 190.000,00, sendo R$ 40.000,00 com recursos próprios e R$ 150.000,00 com recursos do financiamento bancário. Nesse contexto, em que a Autoridade lançadora não conseguiu demonstrar, de forma incontroversa, que o negócio jurídico foi realizado, efetivamente, pelo valor de R$ 215.000,00, da mesma forma que a Recorrente não logrou êxito em comprovar que a negociação se restringiu ao valor do financiamento do Banco do Brasil (R$ 150.000,00), penso que deve prevalecer o valor do imóvel constante do no Instrumento Particular, com Efeito de Escritura Pública, de Compra e Venda e Financiamento de Imóvel com Alienação Fiduciária em Garantia (fls. 763/764), firmado entre o Banco do Brasil e o adquirente do imóvel, Sr. Rodrigo Tavares Martins, bem como da Matrícula 91.911 do Cartório do 2º Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Florianópolis (fl. 762), no montante de R$ 190.000,00. Isto porque os dados inseridos no Registro Público de Imóveis são dotados de fé pública e gozam de presunção relativa de veracidade, somente devendo ser afastados quando restar comprovado, de maneira inequívoca, que o seu teor está em descompasso com a realidade fática, caso em que a fé pública do instrumento público deve ceder ao que demonstrado por outros meios, o que não ocorreu no caso concreto. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 850 12 Assim, entendo que o valor da venda do apartamento 204C deve ser reduzido de R$ 215.000,00 para R$ 190.000,00, fazendo prevalecer a presunção de veracidade das informações constantes de documento dotado de fé pública, que somente pode ser afastada por prova robusta em sentido contrário. Acréscimo patrimonial a descoberto A Autoridade lançadora apurou, no mês de outubro do ano calendário de 2009, que o cônjuge da Recorrente, Sr. Clovis Miranda Garcia, efetuara um empréstimo à empresa C. M. Garcia & Cia. Ltda. ME, no valor de R$ 500.000,00 (fls. 42 e 203). Com as informações disponíveis, a Autoridade fiscal elaborou o “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial” (fl. 638) por meio do qual confrontou os recursos disponíveis e os dispêndios efetuados no ano calendário de 2009 pelo cônjuge da Interessada, apurando uma variação patrimonial a descoberto, no mês de outubro de 2009, no importe de R$ 94.714,59. Considerando que a Recorrente é casada com o Sr. Clovis Miranda Garcia pelo regime de comunhão universal de bens, a Autoridade administrativa efetuou o lançamento de 50% do imposto sobre a renda de pessoa física em cada um dos cônjuges, referente ao acréscimo patrimonial a descoberto no mês de outubro de 2009 (R$ 47.357,30 para cada cônjuge). A Interessada alega que existiam aplicações financeiras no Banco do Brasil que foram resgatadas e tributadas com retenção na fonte cujos recursos não foram considerados no “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial” elaborado pela Autoridade lançadora. Assiste razão à Recorrente. O extrato da conta conjunta da Interessada e de seu cônjuge, anexado à peça recursal (fl. 822), evidencia que no mês de outubro de 2009 foram efetuados quatro resgates em aplicações financeiras cujos valores são suficientes para suportar o acréscimo patrimonial apontado pela Autoridade fiscal, porém não considerados no fluxo financeiro apresentado. O extrato da conta n° 253.7141, agência 4.783X, do Banco do Brasil (fl. 822) revela resgates de aplicações financeiras nos valores de R$ 85.542,65, R$ 26.000,00, R$ 180.691,50 e R$ 22.351,60, totalizando R$ 314.585,85 creditados na conta no mês de outubro de 2009, montante este superior ao acréscimo patrimonial apurado pela Autoridade Administrativa. Nesse cenário, entendo que a infração de acréscimo patrimonial a descoberto deve ser cancelada, uma vez que o demonstrativo de variação patrimonial a descoberto deve refletir a realidade do patrimônio do contribuinte, contemplando todas as origens e aplicações de recursos, inclusive os resgates de aplicações financeiras realizados no curso no ano calendário. Multa de ofício de 75% A imposição da multa de ofício calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, devendo incidir sobre a parcela do tributo que sobejou decorrente da infração de ganho de capital na alienação de imóveis, Fl. 850DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.721802/201124 Acórdão n.º 2201002.828 S2C2T1 Fl. 851 13 sendo inviável, na seara administrativa, desconsiderar norma federal expressa sem ofensa à Súmula CARF nº 2, cujo teor é o seguinte: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Juros de Mora Os juros de mora cobrados no lançamento equivalem à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, estando em consonância com a Súmula CARF nº 4, assim descrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Protesto pela apreciação de provas constantes do processo do cônjuge A Recorrente pleiteia sejam apreciadas todas as provas constantes do processo n° 11516.721800/201135, em nome de seu cônjuge, Clóvis Miranda Garcia, vez que as questões discutidas em ambos os processos são as mesmas. Os documentos constantes dos autos são suficientes, a meu ver, para o deslinde adequado de todas as controvérsias discutidas neste processo, de modo que sou pelo indeferimento do pedido de apreciação de outras provas porventura existentes no processo referente ao Auto de Infração lavrado em nome do cônjuge da Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por indeferir o pedido de apreciação de outras provas, por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de acréscimo patrimonial a descoberto e para reduzir o valor de venda do apartamento 204C de R$ 215.000,00 para R$ 190.000,00, relativamente à infração de ganho de capital na alienação de imóveis. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 851DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10166.001228/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
GLOSA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RESTABELECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Para restabelecer a glosa de imposto de renda retido na fonte, não basta a apresentação de simples recibos e declaração unilateral, pois tais documentos são inaptos a darem suporte à restituição pleiteada.
Numero da decisão: 2201-002.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, que votavam pelo retorno do feito à autoridade julgadora de 1ª instância.
Assinado Digitalmente
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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RESTABELECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para restabelecer a glosa de imposto de renda retido na fonte, não basta a apresentação de simples recibos e declaração unilateral, pois tais documentos são inaptos a darem suporte à restituição pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, que votavam pelo retorno do feito à autoridade julgadora de 1ª instância. Assinado Digitalmente HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 21/12/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 12 28 /2 00 7- 62 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 14/20, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 685.136,50, calculado até dezembro de 2006. A fiscalização apurou dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, alterando, por conseguinte, o valor do imposto retido na fonte de R$ 307.815,75 para 0,00. Cientificado do lançamento em 27/12/2006 (Aviso de Recebimento – SUCOP IMAGEM, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, fls. 95 e cópia do AR – Aviso de Recebimento, fl. 96), o autuado apresentou Impugnação em 02/02/2007 (fls. 1/10) acompanhada da documentação (fls. 11/69), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Em Preliminar, alega que a impugnação é tempestiva, eis que foi notificado do auto de infração em 04/01/2007, começando a fluir o prazo em 05/01/2007 tendo seu termo final em 03/02/2007(sábado), passando então para o próximo dia útil seguinte, isto é, 05/02/2007, pelo que se demonstra a tempestividade da impugnação. Quanto ao mérito, argúi que a cobrança advinda do auto de infração caracteriza bis in iden, refutado pela legislação pátria, uma vez que vem sendo cobrado imposto já descontado na fonte sobre os rendimentos do impugnante pelas empresas Titan Distribuidora de Petróleo Ltda e Oil Petro Brasileira de Petróleo Ltda(doc. 05), cujas retenções foram realizadas de acordo com os artigos 620 e 628 do Decreto nº 3.000/99. Aduz que, mesmo se as empresa antes citadas tivessem deixado de recolher os valores retidos, o que apenas se supõe, a cobrança não poderia recair sobre o impugnante e sim sobre as empresas/fontes pagadora responsáveis pelos recolhimentos, nos termos do art. 45, parágrafo único e art. 128 do CTN.Para ratificar sua tese, cita julgados sobre a matéria. Protesta, ainda, por todos os meios de prova em direito admitidos Ao final, requer seja declarado nulo o auto de infração em causa, uma vez que o valor ora cobrado já foi descontado na fonte pelas empresas fontes pagadoras, sendo essas as responsáveis tributárias no presente caso. A 6ª Turma da Delegacia de Julgamento em Brasília/DF não conheceu da Impugnação por intempestividade, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 253DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.001228/200762 Acórdão n.º 2201002.708 S2C2T1 Fl. 3 3 PAF. PRAZO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A extemporaneidade da impugnação impede o exame de mérito do lançamento, uma vez que não instaura a fase litigiosa do procedimento, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, nem comporta julgamento de primeira instância. Impugnação Não Conhecida Intimado da decisão de primeira instância em 26/06/2009 (fl. 153), João Carlos Bruno apresenta Recurso Voluntário em 21/07/2009 (fl. 157/168), sustentando, essencialmente, verbis: Devidamente intimado da autuação em 04/01/2007, o recorrente interpôs o recurso administrativo, tempestivamente, em 02/02/2008, entretanto, a 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Brasília, julgou intempestiva a impugnação de fls. 01/10 e documentos 11/69, com base no Aviso de Recebimento acostado às fls. 96. Notese, que o Aviso de Recebimento acostado às fls. 96 dos autos invocado pela 6° Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Brasília como prova inequívoca da intempestividade da impugnação apresentada pelo recorrente NÃO CONTÉM A DATA DE RECEBIMENTO, de modo que se revela no mínimo temerário, afirmar que o recorrente foi cientificado do lançamento no dia 27/12/2006. E mais, o carimbo dos correios no Aviso de Recebimento de fls. 96 revela que a correspondência contendo o lançamento foi recebida na UNIDADE DE ENTREGA dia 27/12/2006, portanto, a afirmativa do recorrente de que foi cientificado do lançamento em 04/01/2007 é totalmente plausível. (...) Dessa forma, não há prova nos autos de que o recorrente foi cientificado do lançamento em 27/12/2006 como afirmou a 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Brasília, razão pela qual merece ser afastado o julgamento de intempestividade da impugnação apresentada pelo recorrente às fls. 01/10 dos autos e, conseqüentemente, que seja apreciado o mérito do recurso. (...) Devidamente intimado, o recorrente apresentou os documentos requeridos, que comprovavam cabalmente que a declaração de posto de renda estava correta, vez que nos documentos acostados continham o que ficou retido na Fl. 254DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 fonte, de cada comissão que o impugnante recebeu (fls. 25/47). (...) Ocorre, que o recorrente já teve descontado de seus rendimentos os valores ora cobrados pela Receita Federal, uma vez que as empresa Titan Distribuidora de Petróleo Ltda e Oil Petro Brasileira de Petróleo reteram na fonte os seguintes valores (fls. 49/63) ... Bem é verdade, que a retenção não foi realizada de acordo com art. 620 do Decreto 3.000/99, uma vez que as empresas supra mencionadas reteram 27,5% (vinte e sete por cento) quando o correto seria a retenção de apenas 25% (vinte e cinco por cento), o que acarretou um prejuízo de aproximadamente R$ 7.695,00 (sete mil setecentos e noventa e cinco reais), que será objeto de ação própria. E mesmo que as empresas Titan Distribuidora de Petróleo Ltda e Oil Petro Brasileira de Petróleo Ltda deixaram de recolher estes valores (o que apenas se supõe, uma vez que o recorrente não tem como saber se o imposto foi ou não recolhido por elas), a cobrança não poderá recair sobre o recorrente e sim sobre as empresas/fontes pagadoras que deveriam ter retido o montante e não o fizeram. (...) Desta forma, evidente que o recorrente nada deve a título de Imposto de Renda referente o exercício 2002/Ano calendário 2001, uma vez que lhe foi retido na fonte o valor do imposto, nos exatos termos que exige o art. 620 c/c 628 do decreto 3.000/99, e no caso da não retenção pelas empresas Titan Distribuidora de Petróleo Ltda e Oil Petro Brasileira de Petróleo Lida, estas deverão ser as responsáveis tributárias pela dívida. O processo em apreço foi julgado em 07 de junho de 2011 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão nº 220101.163, negaram provimento ao recurso, consoante se observa da ementa transcrita: INTIMAÇÃO ENVIADA AO DOMICÍLIO FISCAL – REGULARIDADE. A intimação por via postal considerase perfeita quando o AR tenha sido encaminhado para o domicílio fiscal do contribuinte. Portanto, não se toma conhecimento do mérito do recurso interposto fora do trintídio legal. O contribuinte tomou ciência do Acórdão de Recurso Voluntário em 15/12/2011(v.fl. 190), e apresentou recurso especial em 23/12/2011 (fls. 191/203). O exame de admissibilidade negou seguimento ao recurso interposto, em razão da ausência de paradigma (fl. 207/209). Nesse mesmo sentido, foi a decisão de reexame de admissibilidade de recurso Fl. 255DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.001228/200762 Acórdão n.º 2201002.708 S2C2T1 Fl. 4 5 especial, conforme despacho S/Nº proferido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 210/211). Inconformado, o contribuinte impetrou mandado de segurança em face de ato atribuído ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, requerendo que seja declarada a nulidade do julgamento final promovido pelo CARF, a fim de que sejam examinadas as razões recursais. Em setembro de 2014, a Juíza Federal Titular da 6ª Vara / SJDF, Dra. Ivani Silva da Luz concedeu a segurança para declarar a nulidade da decisão proferida pelo CARF, tendo em vista a tempestividade do recurso administrativo interposto (fl. 238/247). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Cuida o presente lançamento de glosa do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 307.815,75. Relativamente à questão da intempestividade, como a mesma foi objeto de ação judicial, a qual determinou que o CARF julgasse as razões de mérito, passo a análise das questões suscitadas pelo contribuinte. Em seu apelo, alega o suplicante que as empresas Titan Distribuidora de Petróleo Ltda e Oil Petro Brasileira de Petróleo retiveram na fonte o imposto de renda devido. Assevera ainda o recorrente, que “... mesmo que as empresas Titan Distribuidora de Petróleo Ltda e Oil Petro Brasileira de Petróleo Ltda deixaram de recolher estes valores (o que apenas se supõe, uma vez que o recorrente não tem como saber se o imposto foi ou não recolhido por elas), a cobrança não poderá recair sobre o recorrente e sim sobre as empresas/fontes pagadoras que deveriam ter retido o montante e não o fizeram”. Antes de se entrar no mérito da questão, impende esclarecer que sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há que se falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Esse entendimento, aliás, propiciou a edição da Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dito isso, cumpre reproduzir o Demonstrativo das Infrações (fl. 16): Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. O contribuinte apresentou diversos recibos particulares de recebimento de comissão pela venda de combustíveis em nome Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 de titan distribuidora de petróleo ltda e de oil petro brasileira de petróleo ltda. (grifei) Do exposto, verificase que a autoridade fiscal glosou o imposto de renda retido, em razão da fragilidade dos documentos apresentados. Como forma de comprovar a retenção do imposto de renda na fonte, junta o contribuinte ao recurso os mesmos documentos carreados à Impugnação, cuja análise restou assim resumida por este Conselheiro: – As declarações de fl. 27 e fl. 34 foram apresentadas sem firma reconhecida e sem qualquer informação dos valores supostamente recebidos pelo contribuinte, além de constar apenas a informação de que o recorrente “... É nosso corretor para a compra de Álcool Combustível e afim, sendo por nós remunerado...”. – Os recibos apresentados às fls. 28/33 e fls. 35/40, são documentos particulares assinados pelo próprio contribuinte, portanto imprestáveis para comprovar o imposto de renda pleiteado. – não há qualquer comprovante de rendimentos e de retenção emitido pelas fontes pagadoras. Embora alegue o suplicante que recebeu a título de comissão o montante de R$ 1.020.330,00 (fl. 102), verificase que o contribuinte não carreou aos autos os comprovantes das transferências bancárias. O depósito bancário juntado no valor de R$ 90.000,00, fl. 43, além de não ser contemporâneo ao lançamento, já que se trata do ano calendário de 2000, identifica o contribuinte não como favorecido da remessa, mas como remetente. Ademais, analisando os pagamentos de imposto de renda perpetrado pela fonte pagadora, CNPJ nº 61.233.771/000709, consta apenas recolhimento em abril e julho de 2001 no valor de R$ 0,42 (fl. 109). Relativamente aos documentos juntados pela autoridade fiscal, constatase que o recorrente declarou nos anoscalendário 1999, 2000, 2002, 2003 e 2004 rendimentos tributários da ordem de R$ 17.000,00; entretanto, no anocalendário objeto da glosa, o valor representou o montante de R$ 1.020.330,00. É cediço que o recorrente de fato recebeu, no ano calendário em apreço, rendimentos significativos, consoante se observa do patrimônio adquirido e declarado à fl. 90; entretanto, não há como afirmar que os valores foram pagos a título de recebimento de comissão pela venda de combustíveis e que, efetivamente, sobre tais valores, houve retenção de imposto de renda na fonte. Portanto, legitima a glosa dos valores informados a título de imposto de renda retido na fonte, por se respaldar em simples recibos e declaração unilateral. Ante a todo o exposto, voto negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.001228/200762 Acórdão n.º 2201002.708 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10380.002354/2004-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/03/1999 a 30/09/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98.
A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3301-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen (Cássio Schappo).
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/03/1999 a 30/09/2000 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Será considerada preclusa a matéria não expressamente contestada pelo sujeito passivo, considerandose definitivo o correspondente crédito tributário com base na mesma constituído. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/1999 a 30/09/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso ao qual se dá provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 23 54 /2 00 4- 57 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.002354/200457 Acórdão n.º 3301002.820 S3C3T1 Fl. 71 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen (Cássio Schappo). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Fortaleza (efls. 44/51), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração lavrado contra o sujeito passivo em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. COFINS CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. A partir de fevereiro de 1999, base de cálculo da Cofins é a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, incluindose as receitas decorrentes de operações realizadas no mercado financeiro. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. SENTENÇAS JUDICIAIS E DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão, exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.002354/200457 Acórdão n.º 3301002.820 S3C3T1 Fl. 72 3 Lançamento Procedente Reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 04/10, para formalização e cobrança do crédito Tributário nele estipulado no valor total de R$ 11.726,99, incluindo acréscimos legais. A infração apurada pela fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05/06, foi, em síntese, a seguinte: Cofins Faturamento. Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago Cofins (Verificações Obrigatórias): Insuficiência de recolhimento da "Contribuição para Financiamento da Seguridade Social" de competência dos meses abaixo discriminados, apurada conforme planilhas anexas intituladas "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada", elaboradas a partir da receita bruta escriturada e informada pela empresa nas planilhas denominadas "Base de cálculo da "COFINS", em confronto com os valores declarados em DCTF e/ou recolhidos conforme sistema Sinal. Enquadramento Legal: Artigo 77, inciso III, do Decretolei n° 5.844/43; art. 149 da Lei n° 5.172/66; art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; Arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições; Arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 17/03/2004 (fls. 04 e 30), o contribuinte, através de seus procuradores (instrumento àas fls. 37), apresentou impugnação em 16/04/2004, fls. 32/35, alegando, em síntese: "(...) A IMPUGNAÇÃO Examinando o Auto de Infração, a Impugnante chegou a conclusão que ele é totalmente incabível, portanto, apresenta pelas razões que expõe, e no final requer, Impugnação Total, tempestivamente, conforme consta da Ciência aposta nos Autos em 17.03.2004, portanto, dentro dos 30 (trinta) dias regulamentares. A fiscalização se valeu exclusivamente de uma suposta "Diferença" que diz ter sido apurada entre o "Valor Escriturado" e o "Valor Declarado/Pago" referente à Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), sem no entanto, perquirir, como seria necessário, para verificar que essa tida "Diferença" nada mais é do que as RECEITAS FINANCEIRAS obtidas pela autuada nesse período, e que foram excluídas da "base de cálculo", conforme a legislação vigente, corroborada por toda a comunidade tributária do país, e principalmente as diversas Câmaras do Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e os Plenos dos Tribunais Superiores como o TRF e STJ. Assim é que, todas as últimas, ou seja, as mais recentes Decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, vêm unissônicas e sistematicamente firmando jurisprudência sobre a não incidência da COFINS sobre as Receitas Financeiras das empresas. Como também, o Superior Tribunal de Justiça, por intermédio do voto da Ministra relatora ELIANE CALMON, seguida pelos demais membros da Corte, decidiram pela derrubada da "ampliação da base do cálculo determinada pela Lei n° 9.718/98 (Publicada no DOU de 09/03/2004), entendendo que a cobrança da Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.002354/200457 Acórdão n.º 3301002.820 S3C3T1 Fl. 73 4 COFINS somente deverá incidir sobre as RECEITAS OPERACIONAIS. Na prática, prevaleceu o bom senso jurídico, que determina definitivamente que o "FATURAMENTO", equivale à "RECEITA BRUTA", resultado "exclusivo" das "VENDAS DE MERCADORIAS E SERVIÇOS". Portanto, encaminhamos em anexo DOC. II, a planilha que se valeu a fiscalização para acrescentar as Receitas Financeiras na pretensa BASE DE CÁLCULO para cálculo da COFINS, nos meses de março a dezembro/1999, o que gerou esse vergastado e falso crédito tributário. Ficando comprovado, sem sombras de dúvidas, que os valores auferidos, escriturados, arrolados, calculados e pagos pela empresa autuada são rigorosamente os corretos, não merecendo qualquer reparo. Desta maneira, são ineficazes Autos de Infrações lavrados com respaldo, único, no argumento e números adotados pela Fiscalização em desacordo com as normas tributárias, e os créditos correspondentes não podem, por nenhuma hipótese, serem exigidos ou cobrados, por de todo ilegais. O PLEITO Por todo o exposto, espera convicta a Autuada ter demonstrado inequivocamente, nesta peça, a total improcedência do Auto de Infração, objeto do Processo em epígrafe, portanto, requer respeitosamente a V.Sa. após o julgamento de praxe, determinar a IMPROCEDÊNCIA do Auto de Infração, com a conseqüente exoneração integral do Contribuinte da exigência lançada, após determinar o seu encaminhamento para prosseguimento dos trâmites legais, conforme previsto na legislação do Processo Administrativo Fiscal P.A.F." Cientificada da referida decisão em 25/06/2007 (efls. 55), a interessada, em 06/07/2007 (efls. 56), apresentou o recurso voluntário de fls. 56/66, onde reitera os argumentos já apresentados na primeira instância, ressaltando, ainda, que a primeira instância teria julgado o feito de forma "totalmente desmotivada, e contra as normas legais incidentes e provas que repousam nos autos". Aduz que o artigo 9º da Lei nº 9.718/98 considerada como receitas e despesas financeiras as "variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual", não podendo as mesmas compor a base de cálculo da COFINS. Se manifesta contra a não consideração das decisões dos "Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF" Requer, ao final, sejam acolhidas as razões apresentadas e dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e há que ser reconhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais de admissibilidade. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.002354/200457 Acórdão n.º 3301002.820 S3C3T1 Fl. 74 5 Não obstante, é possível que a lide aborde questão que tenha sido objeto de preclusão processual. É que o auto de infração, muito embora contemple, dentre a fundamentação legal aventada, o artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não deixa transparente se toda a diferença lançada contra o sujeito passivo decorre efetivamente do conceito ampliado de faturamento constante da aduzida norma. Nem as planilhas e demonstrativos de efls. 26/31 permitem conclusão a esse respeito. De toda sorte, a argumentação desenvolvida pelo sujeito passivo e a análise do pleito pela primeira instância tratam especialmente dessa questão, a qual será aqui abordada, com a ressalva, desde já firmada, de que eventuais diferenças lançadas não decorrentes do conceito ampliado de faturamento objeto da redação original do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 deverá ser considerada como matéria não impugnada1, preclusa, portanto. Feita a devida ressalva, passo para a análise do mérito. Da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 e de sua conseqüência para a lide Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi veementemente contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema 1 Segundo o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.002354/200457 Acórdão n.º 3301002.820 S3C3T1 Fl. 75 6 jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.002354/200457 Acórdão n.º 3301002.820 S3C3T1 Fl. 76 7 inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Importa lembrar que o alcance desse entendimento, em relação à COFINS, prevalece até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, cujos efeitos – nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998 – passaram a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, a inadmissibilidade de ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, é integralmente aplicável ao caso presente, inerente ao período de 31/03/1999 a 30/09/2000. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19982. Em conclusão, relativamente às receitas financeiras, estas, por não se enquadrarem dentre as receitas operacionais da litigante dedicada à "pesca em alto mar [...], comercialização e industrialização de pescado [...], importação de motores, máquinas, 2 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.002354/200457 Acórdão n.º 3301002.820 S3C3T1 Fl. 77 8 equipamentos industriais [...] necessários ao exercício de suas atividades" (conf. efls. 15) , não integram a base de cálculo da contribuição em evidência, uma vez declarada a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei no 9.718/98. Fica ressalvada, no entanto, a parte do crédito tributário eventualmente não decorrente do conceito ampliado de faturamento objeto da redação original do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, questão não contestada pela interessada, e que, portanto, se for o caso, deverá ser considerada como definitiva, em vista da preclusão processual. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso, reconhecendo como indevida a parte do crédito tributário constituída em função do conceito ampliado de faturamento objeto da redação original do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10670.720151/2007-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de22/12/2009)
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ADA INTEMPESTIVO
Comprovada a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do beneficio fiscal no âmbito do ITR.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBRITRAMENTO. SIPT.
Para fins de arbitramento do valor da tetra nua deve-se abandonar os valores discrepantes, tomando-se em seu lugar o valor mais benéfico ao contribuinte, dentre aqueles extraídos do Sistema de Preços de Terra (SIPT). VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
Para contestar arbitramento de valor da terra nua o laudo de avaliação deve obedecer aos preceitos da NBR-ABNT 14653-3.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-000.675
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a preliminar de inconstitucionalidade suscitada e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente (1.900,0 ha) e de reserva legal (1.989,0 ha) e reduzir o arbitramento do valor da terra nua para R$ 568.458,00, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, (Súmula CARF n" 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ADA INTEMPESTIVO„ Comprovada a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, o ADA intempestivo, por Si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do beneficio fiscal no âmbito do "I VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBFIRAMENTO.. SIP'I'. Para fins de arbitramento do valor da tetra nua deve-se abandonar os valores discrepantes, tomando-se em seu lugar o valor mais benéfico ao contribuinte, dentre aqueles extraídos do Sistema de Preços de Terra (SIPT). VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.. LAUDO DE AVALIAÇÃO. Para contestar arbitramento de valor da terra nua o laudo de avaliação deve obedecer aos preceitos da "NBR-ABNT 14653-3. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do \eolegiado, por unaniinidade de votos, em AFASTAR a preliminar de inconstitueionalidade suscitada e, no mérito, em DAR provimei to PARCIAL ao recurso para restabeler--- -,; ar as de preservação permanente (1.900,0 ha) e de reserva legal (i1.989,0 ha) e reduzjr. o arbitrar -tento do valor da terra nua para R$ 568.458,00, nos termos do voto da Relatora - / / _ Giovanni (Anistia . • inc/i — Presidente / 1 / • /NCibi.à. Matos Mt u .ta - afora ETD11. DO EM 19/07/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Ewan Teles Aguiar, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Contra CLÁUDIO GIANOTT1, foi lavrada Notificação de Lançamento, Os. 01/05, pata lornialização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Tenitorial Rural (1TR) do imóvel denominado Fazenda Bana do Boi, com área de 9.474,3ha (NIRF 6.248.964-0), relativo ao exercício 2003, no valor de R$ 87..308,09, incluindo multa de oficio e juros de mora, calculados até 30/11/2007. O crédito tributário apurado na Notificação decorreu das seguintes alterações promovidas pela autoridade fiscal na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR/2003): (i ) Glosa total da área de preservação permanente (1.900,0 ha), em razão da apresentação intempestiva do • Ato Declaratório Ambiental (ADA); Glosa total da área de utilização limitada (1.989,0 ha), também por apresentação intempestiva do ADA; e (iii) Arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) para R$ 1.659.613,13 (R$ .175,17,00/ha), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), em razão de o contribuinte ter deixado de apresentar laudo de avaliação do imóvel, nos termos em que solicitado em Termo de Intimação Fiscal. Inconformado CUM a exigência, o conbibuinte apresentou impugnação, fls..2(..)/40, acompanhada de Laudo de Avaliação do Imóvel, lis. 44/50. .1-11P 2 Processo n°10670720151/2007-23720151/2007-23 S2-CIT2 Acórdão n.." 2102-00..675 H.. 1[1 No acórdão DR.1/BSA n" 03-26.012, de 23/07/2008, lis. 76/89, a autoridade de primeira instância apreciou a impugnação e, por unanimidade de votos, decidiu pela procedência do lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 07/10/2008, fls.. 92, o contribuinte apresentou, em 03/11/2008, recurso voluntário, fis. 93/105, trazendo as seguintes alegações: Das áreas de preservação permanente e de utilização limitada • O único argumento da DM para manter a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal é de que existe necessidade do reconhecimento do 1BAM.A, através do ADA requerido tempestivamente, de acordo corri a Lei n" 10.165/2000 e IN 67/1997. Vale esclarecer, que a mencionada Lei n" 10.165/2000 nada. tem haver com apuração de ITR, a dita Lei trata de Política Nacional de Meio Ambiente, não se prestando, portanto, para fundamentar a decisão que mantém a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal. biconstitucionalidade do art. 14 da Lei n" 9.393/96 - O art. 14 da. Lei IV 9.393/96 fere a Constituição Federal, pois o legislador outorgou poderes para. o executivo legislar matéria privativa de lei, qual seja: definir a base de cálculo do [FR. Da publicidade da tabela SI P1' - A SIPT Kri instituída pela Receita Federal, a fim de determinar o lançamento de oficio do VIR, no caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, e de subavaliação do VTN ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Sendo assim, caso o Fisco discorde do valor da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo, cabe a ele o ônus da prova em contrário. Imprescindível ainda que se divulgue antes do prazo de entrega da DIAT a tabela de preços de terra que servirá de base para o arbitramento do VTN pretendido pelo órgão arrecadador. Da ilegalidade do conteúdo da tabela SIM: -- A Secretaria de Agricultura de Minas Gerais informou a.o recorrente que não possui o valor da terra nua para o município de Januária. para Os anos de 2003, 2004 e 2005. A discussão em questão se faz quanto à origem dos dados constantes do SIPT, urna vez que o autor do feito fiscal relata claramente que utilizou dados da Secretaria de Agricultura constantes do SIPT, o que na verdade não ocorreu, conforme explicitado alhures, Outra prova de que o critério adotado pela fiscalização não tem. consistência, pode ser observado quando se compara o arbitramento do ff-R de 2003 com o do [IR 2004 do mesmo imóvel. A fiscalização arbitrou o VTN cru 2003 em R$ 1.659,683,20 e para o ano de 2004 em R$ 568,482,00. Dos critérios da subavaliação e do arbitramento O autor do feito fiscal utilizou a tabela do SlPT tanto paru provar a subavaliação do imóvel quanto para lançar o arbitramento, procedimento este ilegal, passível de nulidade. 3 Do laudo técnico e das particularidades do imóvel • A DRJ não é órgão competente para julgar a piestabilidade do laudo apresentado quanto ao conteúdo técnico. A revisão do VIN é subordinada apenas à apresentação de laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou profissional devidamente habilitado, e este critério foi obedecido pelo recorrente. No laudo restaram denwnstradas as particularidades do imóvel. que ensejam a revisão do VIN. É o Relatório. Voto Conselheira N-nbia Matos Maura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço.. Cuida-se de lançamento de FIS e o crédito tributário apurado na Notificação decorreu da glosa total das áreas de preservação permanente e de utilização limitada e do arbitramento do valor da terra nua (VTN). Em sede preliminar, o recorrente afirma que o art. 14 da Lei if 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que prevê o arbitramento do VTN, fere a Constituição Federal, porque outorgou poderes para o executivo legislar matéria privativa de lei. OCOITC que este colegiada está impedido de examinar a constitucionalidade de leis tributárias, conforme disposto na Súmula CARF n" 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, abaixo transcrita: Súmula CARP. ' n" 2 O CARF não é competente pira se .pronunciar wbre O inconstitneionalidade de lei tributária. Assim, não será examinada neste voto a constitucionalidade do art. 14 do Lei n." 9.393, de 1.9%, suscitada pelo recorrente. No mérito, antes de dar prosseguimento à analise das questões suscitadas pela defesa concernentes ao arbitramento do valor da terra nua, analisar-se-á as argüições do recorrente no que diz respeito à glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Do Termo de Intimação Fiscal, lis. 06/07, infere-se que a ação fiscal que deu causa ao presente lançamento contemplou três exercícios, 2003, 2004 e 2005. OCOITC que a glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada somente ocorreu para o exercício 2003. Nos demais exercícios, 2004 e 2005, processos 10670,720160/2007-14 e 10670.720167/2007-36, que também finam julgados nesta sessão, o lançamento restringiu-se ao arbitrara-leni() do valor da terra nua. 'Portanto, pode-se concluir que a autoridade fiscal considerou comprovada a existência das áleas de preservação perman.ente e de utilização limitada, glosando tais áreas no exercício 2003 tão-somente em razão da intempestividade do ADA, Ils.. 15, que somente fai apresentado em 08/09/2004.. Ressalte-se que a área de reserva legal, de 1.989,0 ha foi averbada 44 Processo n" 10670.720151/2007-23 S2-CIT2 Acórdão n.' 2102-00.675 El 112 confirme se observa da certidão do imóvel, fis. 14. Ou seja, para a autoridade fiscal a única pendência verificada no exercício 2003 quanto às áreas de preservação permanente e de reserva legal era .ffilta da A DA tempestivo. Logo, a lide que se impõe gira em torno de saber se a apresentação do ADA, depois de transcorrido o prazo estabelecido na Instrução Normativa SRF n" 256, de 11 de dezembro de 2002, impede o contribuinte de usufruir do beneficio de excluir da área tributável a área de preservação permanente e de reserva legal. Tal questão, embora tenha sido por diversas vezes apreciada no antigo Terceiro Conselho de Contribuinte, não tem jurisprudência assentada. Contudo, em recente voto proferido no Acórdão 2102-00..528, de 14/04/2010, o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, fez brilhante estudo da questão para ao final concluir que comprovada, a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do frR. Mais- urna vez, entirtanto, como a Lei n" 6,938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece de.scabida a exigência fi.ita pelo . fisco .federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DTIR, sendo certo apenas que o _sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preseivação permanente e de utilização limitada De fato, o prazo de até seis meses para a apresentação do ADA., contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da .DITR, somente veio a ser fixado na. Instrução Normativa SRF n" 43, de 7 de maio de 1997, com a redação dada pela Instrução 'Normativa SRF n" 67, de 1 de setembro de 1997. 'fal prazo permanece nas redações das Instruções SRF n's 73, de 18 de . junho de 2000, 60, de 6 de junho de 2001 e 256, de 11 de dezembro de 2002, que posteriormente foi alterada pela Instrução "Normativa RFR n" 861, de 17 d.e julho de 2008, de sorte que o referido prazo deixou de existir, conforme infere-se da atual redação do parágrafo 3" do art. V' da IN SRF n" 256, de 2002: 3" Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que re rekre o caput deverão: I - ser obrigatoriamente infin-machis em. Alo Deelaratóiio Ambiental (A DA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (lhama) observada a legislação pertinente; (Redação dada pela I 7n1 .R1‘B n°861, de 17 de julho de 2000 Ii - estar enquadradas nas hipóteses pFeViSlaY nos incisos I a VIII do caput em 1" de janeiro do ano de ocorrência do fido gerador do 1T1?, observado o disposto nos arts.. 10 a 14-4 (Redação dada pela IN RF13 n" 861, de 17 de julho de 2008) Nestes termos, considerando que o contribuinte apresentou ADA em 08/11/2004 e tudo o mais acima exposto, deve-se restabelecer, para fins de cálculo do VIR devido, 1.900,0 ha de área de preservação permanente e 1.989,0 ha de área de reserva legal. .1441) No que concerne ao arbitramento do valor da terra nua, tem-se que o contribuinte informou em sua 1)11 R/2003, VTN de R$ 10..000,00 e foi intimado a -fazer a. comprovação de tal valor, durante o procedimento fiscal, conlbrine Termo de Intimação fiscal, fls. 06/07, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na N.13R 14.653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com fundamentação e grau de precisão 1.1 e anotação de responsabilidade técnica (ART). Encerrado o procedimento, sem que o contribuinte tenha apresentado o laudo solicitado, a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do valor da terra nua, utilizando valor extraído do SIPT, conforme extrato, Os. 16. Assim, arbitrou o VTN em R$ 1..659,613,13 (R$ 175,17/ba). Na impugnação, o contribuinte juntou aos autos laudo de avaliação do imóvel, 1h' 44/50, que dimensiona o VTN do imóvel em R$ 101.090,78 (R$ 10,67/ha).. Tal laudo foi rechaçado pela autoridade julgadora de primeira instância, sob a fundamentação de tião atender ao especificado na NBR 1.4.653-3 e por não indicar características particulares do imóvel que justificassem valor da terra nua tão distante daquele arbitrado com base no SIVE. No recurso o contribuinte afirma que os dados do SIPT deveriam ser divulgados antes do prazo de entrega da DUR., que a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais informou ao recorrente que não possui o valor da terra nua para o município de Januário, enquanto a autoridade fiscal afirma que utilizou dados fornecidos pela mencionada Secretaria e que a tabela. do SIPT foi utilizada..zac.a pela autoridade fiscal tanto para provar a subavaliação do imóvel quanto para proceder ao arbitra-mento. Vale destacar que a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do valor da terra nua em razão de o contribuinte ter deixado de comprovar, mediante a apresentação de laudo de avaliação, o VTN declarado. Ou seja, não comprovado o valor da terra nua declarado e, considerando que tal valor era bastante inferior ao VIN extraído do SIPT, procedeu-se ao arbitramento. Logo, o .fato que ensejou o lançamento fbi a falta de comprovação do valor da terra nua dechirado. Tal conduta, adotada pela autoridade fiscal, esta correta e amparada no disposto no art. 14 da Lei n" 9.393, de 1996, O contribuinte afirma que a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais teria. lh.e informado que não possuía o valor da terra nua para o município de Januária e para comprovar sua alegação traz aos autos cópia de mensagem eletrônica trocada com a Assessoria de Comunicação Social da Secretaria, Os, 71, Na referida mensagem a A.ssessoria de Comunicação em nenhum momento afirma não possuir os VTN de Minas Gerais, mas apenas esclarece que as informações pleiteadas pelo contribuinte podem ser Obtidas junto ao Instituto de 'terras de Minas Gerais. Destaque-se, mais uma vez, que o arbitramento do valor da terra nua foi procedido conforme disposto fio art. 14 da Lei .tr 9.393, de 1996, utilizando-se, para tal, o VTN extraído do SIPT. .Quanto r alegação do recorrente de que os dados do 51.PT deveriam ser divulgados antes do prazo de entrega da DITR, cumpre esclarecer que não existe previsão legal para a publicação dos valores de temi nua constantes do S1PT e que tal divulgação em nada socorreria o contribuinte em sua defesa, Vale lembrar que o VT.N é o preço de mercado da terra nua em I" de janeiro do ano a que se referir a DITR. Esta é a infOrmação que o contribuinte deve prestar- em sua DITR. Os valores da terra nua contidos no SIPT somente são utilizados quando o contribuinte 6 Processo ri° 10670 720151/2007-23 S2-CIT.2 Acórdão ri" 2102-00.675 Fl. 113 deixa de comprovar o valor declarado, mediante laudo de avaliação apropriado. Vale, ainda lembrar, que o arbitramento do valor da terra nua pode ser contraditado mediante a apresentação de laudo de avaliação.. O recorrente afirma, ainda, que o critério adotado pela fiscalização não tem consistência, já que adotou para o exercício de 2003 .VTN de R$ 1.659..683,20, enquanto que para o exercício de 2004 o VTN utilizado foi de R$ 568.482,00. Conforme já mencionado neste voto, o procedimento fiscal, que culminou com o lançamento de que ora se cuida, examinou os exercícios 2003, 2004 e 2005, e a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do valor da terra nua, com base nos valores extraídos do SIM' nos três exercícios, conforme a seguir discriminado: Exercício 2003 R$ 175,1. 7/ha Exercício 2004 R$ 60,00/ha Exercício 2005 R$ 70,00/ha Ocorre que para os exercícios 2004 e 2005, o SIPT dispunha dos valores da terra nua fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura. Já para o exercício 2003, o SPIT somente possuía os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Ora, o valor da terra nua adotado pela autoridade fiscal para o exercício 200.3, em comparação com aqueles valores adotados para os exercícios 2004 e 2005, é totalmente d.esatrazoado, Para considerá-lo correto seria necessário admitir que os valores da terra nua no município de Januária em Minas Gerais tivessem sofrido urna enorme desvalorização entre os anos de 2003 e 2004, fato que não ocorreu. A quantia de R$ 175,17/ha é totalmente discrepante dos demais valores extraídos do SIPT e por esta razão deveria ter sido abandonada pela autoridade fiscal, tomando-se em seu lugar o valor mais benéfico ao contribuinte, ou seja: R$ 60,00/ha. Esta é a regra básica do arbitramento, havendo possibilidades diversas, utiliza-se a modalidade que mais favorece o contribuinte. Como se vê, o valor da terra. nua utilizado - pela autoridade fiscal para proceder ao arbitra-mento do exercício 200.3 mostrou-se completamente inapropriado. Por outro lado, o valor da terra nua declarado pelo contribuinte também restou prejudicado, não podendo ser admitido, pois o próprio recorrente apresentou laudo de avaliação que dimensiona o valor da terra nua em quantia bem superior àquela indicada pelo contribuinte em sua DITR/2003. O laudo de avaliação do imóvel, fis. 44/50, apresentado pelo recorrente, com a devida anotação de responsabilidade técnica (ARI), fls, 4.3, afirma reporta-se ao ano-base de 2003 e avalia o imóvel em R$ 101.090,78. Paru avaliar a propriedade o laudo pauta-se tão-somente em Contrato de Promessa de Compra e Venda de Imóvel, fls. 58/64, celebrado em 09/02/2000, no qual é negociada a venda de uma. fazenda localizada no município de Januária, com 11.372,05 ha, pela quantia de R$ 140„000,00 (R$ 12,31/ha).. Observe-se que o referido contrato não está. registrado em cartório. 141P Nesse ponto, vale destacar que, segundo a .NBR/ABNT 14653 — parte 3, que tem por objetivo detalhar as diretrizes e padrões específicos de procedimentos para a. avaliação de imóveis rurais, é requisito Obrigatório dos laudos, seja qual for o grau de fund.amentação, mínimo, três dados de mercado, efetivamente .utilizados, sendo que nos graus li e 111 são obrigatórios no mínimo cinco dados de mercado efetivamente utilizados, Como se vê, o laudo apresentado pelo contribuinte, ao contrário do que afirma a defesa, não atende ao disposto na -NBR/ABNT 14653 — parte 3, já que não trouxe nenhum dado de mercado efetivamente utilizado. Lembre-se que o contrato de promessa de compra e venda, acima mencionado, foi celebrado em 09/02/2000 e não foi registrado em cartório. E mais, o lançamento cuida do exercício 2003, Há de se concluir, portanto, que o laudo apresentado pelo contribuinte para contestar o arbitramento efetivado pela autoridade lançadora não se presta para a finalidade pretendida pelo recorrente, já que não atende ao disposto na NBR/ABNT 14653-3. Nessa conformidade, considerando que o laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte não atende aos requisitos da NBR/ABNT 14653-3ABNT e o valor do SlPT adotado pela autoridade fiscal para proceder o arbitramento é totalmente desarrazoado, deve-se reduzir o valor da terra nua para R$ 568.458,00, que correspondente a R$ 60,00/ba„ Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de inconstitueionalidade suscitada e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer as área dc preservação .petmanente (1.900,0 ha) e de reserva legal (1,989,0 ha.) e reduzir o arbitramento do valor da terra nua para R$ 568.458,00. .10 Nábia Matos Moura - Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000223/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
Ementa:
ÔNUS DA PROVA. GLOSAS. DIREITO CREDITÓRIO.
Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão que não reconheceu motivadamente o seu direito creditório.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que votou por converter o julgamento em diligência para que fosse apurado se os créditos glosados guardam pertinência com o processo produtivo. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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GLOSAS. DIREITO CREDITÓRIO. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão que não reconheceu motivadamente o seu direito creditório. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que votou por converter o julgamento em diligência para que fosse apurado se os créditos glosados guardam pertinência com o processo produtivo. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 02 23 /2 00 5- 11 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por retratar os fatos que sucederam no presente processo até a apresentação da manifestação de inconformidade, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Relatório 1 Tratase no presente processo de exame da declaração de compensação do interessado acima identificado (Dcomp à fl. 01), por intermédio da qual se pleiteia o reconhecimento da existência de crédito da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep referente ao período de apuração fevereiro de 2005 (PA 02/2005; valor: R$ 973.742,90, v. fls. 02/03), apurado segundo o regime da nãocumulatividade, a ser compensado com débitos de outros tributos e contribuições federais. 2 Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES (DRF/VIT/ES) exarou o Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 1.294/2009 e Despacho Decisório (fls. 119/142), reconhecendo apenas parcialmente (valor: R$ 614.775,16) o direito creditório pleiteado pelo interessado, e homologando também parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, a compensação de que trata a Dcomp acima citada, sob os seguintes fundamentos: · os valores devidos mensalmente a título de PIS/Pasep não cumulativo foram calculados tomandose por base os montantes constantes dos balancetes mensais, partindose, para efeitos de conferência, dos demonstrativos analíticos apresentados pelo contribuinte, em complemento às informações constantes dos Dacon´s, sendo que, do exame levado a cabo, constatouse a não inclusão dos valores contabilizados na conta 415350 (Outras Receitas Eventuais), cuja natureza, segundo informou o contribuinte, revestese de valores percebidos por uso de marca (royalties), indenização por servidão administrativa (passagem de gasoduto) e atualização monetária de contas a receber, os quais, à exceção desses últimos, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelo Decreto nº 5.164/04, não têm base legal para a sua exoneração, motivo pelo qual foram objeto de auto de infração, pelo quê também os débitos apurados pelo contribuinte foram admitidos sem qualquer ajuste, remetendose as diferenças à autuação; · já no que concerne aos créditos da nãocumulatividade, e no que se refere à rubrica “Bens utilizados como insumos”, as exclusões ficaram por conta (v. planilha analítica das notas fiscais excluídas do cálculo às fls. 132/141) de: combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações (transporte Fl. 492DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000223/200511 Acórdão n.º 3402002.837 S3C4T2 Fl. 492 3 de papel e celulose), por, nessa condição, não se enquadrarem no conceito de insumo; insumos agrícolas utilizados na operação florestal, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelos Decretos nºs 5.195/2004 e 5.630/05, e do carvão mineral utilizado para geração de energia, que também teve sua alíquota reduzida a zero por força do art. 2º da Lei nº 10.312/01; óleo lubrificante, utilizado na retífica das facas do picador de cavacos, agente de limpeza e agente hidrofílico, aplicados na limpeza das máquinas do processo produtivo, que não se fazem diretamente aplicados no processo industrial, não atendendo o requisito para a sua configuração como insumo; notas fiscais de importação de insumos sob o regime aduaneiro de drawback (CFOP 3.127), que, como tal, não sofrem a incidência, na nacionalização, do PIS/Pasep e da COFINS nãocumulativos; · já em relação ao item “Serviços utilizados como insumos”, somente assim se consideram aqueles aplicados diretamente na produção, motivo pelo qual foram glosados um sem número de serviços adquiridos, tais como: os serviços relacionados às áreas de centros de custos denominados “Apoio”, “Administração”, “Pesquisa e Silvicultura”, “Ações Sociais”, “Comunicação Interna”, etc, enfim, uma série de serviços relacionados aos centros de custo enumerados pelo Parecer Fiscal à fl. 136, que se entendem como não aplicados diretamente no processo produtivo, mesmo critério adotado para os serviços vinculados às contas de razão igualmente enumeradas à fl. 136 do Parecer Fiscal (planilha demonstrativa das exclusões perpetradas às fls. 110/114); · foram ainda objeto de glosa, na citada rubrica “Serviços utilizados como insumos”: serviços atinentes à operação florestal, tais como a manutenção/abertura de estradas, os serviços topográficos e o inventário florestal; serviços de apoio, análise, assessoria, consultoria e outros serviços afins, descritos no Parecer Fiscal à fl. 137, porquanto não aplicados diretamente no processo produtivo; serviços de empilhadeiras, retroescavadeiras, guinchos e guindastes não admitidos pela mesma razão, ressalvandose a locação destes mesmos equipamentos, devido a previsão explícita de admissão de crédito pelo aluguel de máquinas e equipamentos, mas não como insumos; serviços de construção, reparo e manutenção civil, pintura, hidrojateamento, limpeza e lubrificação realizadas na área de produção, manutenção de elevadores, segurança, meio ambiente, remoção de resíduos e cascas, aterros e serviços administrativos (confecção de placas, carteiras, diagramação, “folders”, reprografia, desenhos, despesas de viagens, etc), não aplicados diretamente no processo produtivo; · ainda nesta categoria (serviços) e pelos mesmos motivos, foram glosadas as aquisições de combustíveis para utilização em veículos da empresa, além de outras que se limitaram à descrição “serviços”, ou que trouxeram em sua indicação o reajuste/adicionais de contratos, rateios, migração de saldos contábeis, bem como pagamento de horas extras de mãode Fl. 493DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 obra, ao entendimento de que não configuram serviços, propriamente ditos, mas ajustes contratuais complementares ou acertos contábeis, além do que, ainda que como serviços pudessem ser tidos, não há como definir, nestas situações, quais foram os serviços efetivamente prestados, o que impede seu reconhecimento como insumo; · na operação florestal foram excluídos os gastos com topografia, cartografia, inventário, vigilância, manutenção e abertura de estradas, construção e manutenção de cercas e viveiros, coleta de dados, confecção de porteiras e torres de vigilância, dentre outros, sendo mais esclarecedor especificar os serviços admitidos, que foram os serviços de manutenção das máquinas e equipamentos, derrubada/colheita, roçada, corte/descasque/baldeio, silvicultura e preparo de solo e mudas, tudo em conformidade com a consulta formulada pela Unidades (DRF/VIT/ES) à Superintendência (SRRF/7ª. RF/Disit); · foram glosadas as despesas relativas a serviços de carga, descarga, baldeio, de emplilhadeiras e manuseio de mercadorias em elaboração e/ou insumos, enfim, a movimentação destes materiais dentro do estabelecimento da pessoa jurídica, bem como o transporte entre suas unidades, pois não aplicados diretamente na produção, e também porque não subsumíveis às espécies de fretes admitidos, cuja aceitação somente se admite para os casos em que é textual, ou seja, para aqueles incidentes sobre as vendas, ou implícita, como custo de aquisição, para aqueles cobrados sobre as compras, desde que, em qualquer caso, seja tal gasto arcado pelo requerente (além daqueles referenciados, foram estornados todos os fretes da VIX Transportes e Logística Ltda., Gafor Ltda. e Júlio Simões Transportes e Serviços Ltda., sendo que, desta última, forma excepcionados aqueles referentes ao transporte de toras de eucalipto entre a Veracel e a Aracruz, por se tratar de frete entre as unidades fabris e os armazéns portuários, onde a mercadoria é destinada ao embarque de exportação, pois, nestes casos, os fretes incidem sobre a operação internacional de venda, e desde que o pagamento tenha sido feito em benefício de pessoa jurídica nacional); · em linha semelhante, ou seja, por não guardarem referência com o conceito de serviço prestado como insumo, as despesas de carregamento (carga, descarga e movimentação), as despesas com pedágios, taxas de utilização portuária, limpeza e conservação de armazéns, empilhadeiras, marcação de fardos, mãodeobra de terceiros relacionados a tais atividades, foram expurgadas em sua integralidade; · quanto aos créditos que se referem às despesas apropriadas com energia elétrica, aquelas que dizem respeito à consultoria prestada no mercado livre de energia, as contribuições para a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia – ABRACE, e as taxas de fiscalização de serviços de energia elétrica – TFSEE cobradas pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL (vide demonstrativo de fl. 115), por não se qualificarem como gastos específicos com energia elétrica e, também, por falta de previsão legal para sua Fl. 494DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000223/200511 Acórdão n.º 3402002.837 S3C4T2 Fl. 493 5 absorção como crédito da nãocumulatividade, não puderam ser admitidas; · no item “Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas”, foram glosados os lançamentos relativos à locação de veículos, ambulâncias e o arrendamento de veículos para transporte de pessoal, por não se enquadrarem tais despesas no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos (fl. 116); · os valores apropriados pelo interessado na rubrica “Outros valores com direito a crédito”, tais como despesas com hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programas de formação profissional, materiais de escritório e propaganda e publicidade, devem ser expurgados, porquanto não são passíveis de inclusão como crédito por inexistência de permissivo legal (demonstrativos de glosa à fl. 117). 3 Cientificado da decisão da autoridade administrativa local acima mencionada em 14/09/2009 (v. fl. 150), o contribuinte, irresignado, apresentou, em 13/10/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 151/164 e demais documentos a ela anexados às fls. 165/186 (cópia de carteira de identidade do procurador da empresa, procuração, atas e estatuto social), alegando, em síntese, que: a) o conceito de insumo deve ser entendido como toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, sendo que, no ciclo produtivo do impugnante, ocorre o consumo de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados ou locados, ou ainda de propriedade e operados por terceiros que são contratados para a prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção, além do que todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo da empresa; b) o combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pelo impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área do impugnante e exclusivamente para o impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pela fiscalização de indiscutível essencialidade no processo produtivo da empresa, conforme entendimento das: Solução de Consulta nº 260, de 26/09/2008; Solução de Consulta nº 85, de 07/04/2008; Solução de Consulta nº 72, de 04/09/2006; Fl. 495DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 c) também não há que se falar em glosa de créditos de PIS, decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pelo PIS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ para fins de crédito presumido de IPI (Resp nº 1008021/CE; Resp nº 617.733/CE; Resp nº 813.280/SC), conceito posto para insumo que o impugnante toma emprestado para a apuração do PIS; d) ante o exposto, requerse a reforma do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 1.294//2009 (na Manifestação referese, erroneamente, ao Parecer nº 2.980/2008), para que seja homologada na integralidade a compensação constante deste processo nº 13770.000223/200511, ou, caso não seja esse o entendimento, que o referido processo seja convertido em diligência, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados. Mediante o Acórdão nº 1330.491, de 28 de julho de 2010, a 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PIS/PASEP. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Na aquisição de bens e serviços, não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos destinados à venda, ou na prestação de serviços, é cabível a manutenção da glosa promovida na base de cálculo de créditos do PIS/Pasep. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O transporte de insumos, produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep com incidência nãocumulativa. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. FERTILIZANTES E CONGÊNERES. CARVÃO MINERAL. A partir do advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apropriar créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep, decorrentes de aquisições de mercadorias não sujeitas ao pagamento da contribuição, inclusive quando adquiridas com alíquota zero, utilizadas na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências que considerar prescindíveis ou impraticáveis, Fl. 496DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000223/200511 Acórdão n.º 3402002.837 S3C4T2 Fl. 494 7 fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 27/10/2010. Em 26/11/2010, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, mediante o qual alega os mesmos argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade, resumidos nos itens "a)" a "d)" do relatório da decisão recorrida acima transcrito. Posteriormente, foi juntado ao processo o Laudo/Parecer Técnico acerca da cadeia produtiva do sistema agroindustrial de produção de celulose, elaborado por professores da Esalq/USP. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele se toma conhecimento. Não pode prosperar o conceito de insumo proposto pela recorrente que seria toda e qualquer matériaprima cuja utilização na cadeia produtiva fosse necessária à consecução do produto final. O direito ao crédito das contribuições não cumulativas deve ser interpretado com as peculiaridades e restrições que lhe são próprias, dispostas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e nas demais normas aplicáveis à espécie. Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, cujo Relator foi Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência Fl. 497DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) Com relação à insurgência genérica ao conceito de insumo aplicado às glosas, devese ressaltar que o fato de este Colegiado ter entendimento divergente da autoridade de primeira instância no que concerne ao conceito de insumos para fins de creditamento do PIS/Pasep não acarreta, de forma alguma, a revisão total das glosas mantidas pela decisão recorrida, a qual foi legitimamente emitida em conformidade com a regulamentação trazida pelas referidas Instruções Normativas. Não há que se olvidar que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Com relação à alegação da recorrente de que seu processo industrial se inicia no viveiro florestal, é de se esclarecer que o entendimento da fiscalização não é dela divergente. A fiscalização considera que os custos incorridos na fase agrícola da produção são insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas. Com efeito, registrou a fiscalização que a DRF/Vitória já havia formulado consulta à Divisão de Tributação desta Superintendência quanto à correta interpretação do art. 66 da IN SRF 247/02 em relação às pessoas jurídicas que realizam atividades agroindustriais, a qual solucionou a questão em abono quase integral da proposta submetida por aquela Unidade, conforme trecho abaixo extraído do Parecer Seort: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000223/200511 Acórdão n.º 3402002.837 S3C4T2 Fl. 495 9 (...) É pertinente registrar a realização de consulta à Divisão de Tributação desta Superintendência quanto à correta interpretação do art. 66 da IN SRF 247/02 em relação às pessoas jurídicas que realizam atividades agroindustriais, cujos termos se transcrevem na íntegra: "DESCRIÇÃO DETALHADA DA QUESTÃO Em procedimento de verificação de ressarcimento de créditos da não cumidatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, realizada junto a pessoa jurídica que exerce atividade de fabricação de celulose juntamente com a produção de toras de eucalipto, esta a principal matériaprima na industrialização daquele produto, deparouse a fiscalização com dúvidas acerca do real alcance do termo "insumo " para fins de apropriação de créditos daquela natureza na operação realizada pela empresa. Assim como na atividade sucroalcooleira, é comum no setor de fabricação de celulose que as indústrias desenvolvam o cultivo de eucalipto para garantia do fornecimento de matériaprima, o que a caracteriza como típica agroindústria. (...) SOLUÇÃO PROPOSTA PELA CONSULENTE Quanto ao primeiro questionamento, entende esta Unidade que, sendo princípio comezinho de direito que a lei não utiliza palavras vãs, os termos "produção" e fabricação" possuem sentidos distintos, não podendo serem tomados como sinônimas no contexto legal sob enfoque. O vocábulo "fabricação", sem maiores controvérsias, guarda relação com "industrialização" na concepção do art. 4o do RIPI/02, aprovado pelo Decreto n° 4.544/02, segundo o qual corresponde a "qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo". Tanto assim que a IN SRF 247/02 buscou a noção de insumo no Parecer CST 65/79 que demarca os conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem, indiscutivelmente espécies do gênero "insumo ". Produção, por sua vez, não se enquadra como industrialização, ainda que do ponto de vista econômico o possa ser. Este entendimento encontrase pacificado na seara administrativa, tendo, inclusive, o próprio Conselho de Contribuintes firmado posição neste sentido, quando, ao analisar o direito ao crédito presumido de IPI da Lei n° 9.363/96 a pessoa jurídica exportadora de café em grão, reafirmou a inexistência de qualquer processo industrial, do ponto de vista legal, que lhe fosse possível conferir o beneplácito, uma vez que as operações se resumiam a limpar, secar, classificar e ensacar o produto (café) destinado ao mercado internacional (vide acórdãos 20179.068 e 201.79.070). (...) Nesta senda e já adentrando à segunda indagação, encarada a produção como algo distinto de industrialização, temse que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 conferiram, sim, o direito ao aproveitamento de créditos incidentes sobre insumos bens e serviços utilizados na Fl. 499DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 produção, no caso em apreço, entendida como a atividade rural empreendida como acessória à industrialização de celulose, não se erigindo em óbice a tal conclusão a simples omissão da IN SRF 247/02 em conceituar os bens utilizados como insumos em relação à produção, mesmo porque ao definir serviços como insumos estipulou que seriam aqueles aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação de bens destinados à venda. Não faria sentido lógicojurídico que se permitisse a apropriação de créditos na produção, exclusivamente em relação serviços tomados como insumos, refutada quanto aos bens, o que leva a crer que houve certa mistura terminológica, em princípio, nada impedindo que, adotando uma interpretação sistemática, apliquese a analogia in bonam partem para se concluir que é possível, na atividade agroindustrial, a tomada de créditos pela utilização de bens e serviços que são consumidos/aplicados na produção. Outrossim, não parece haver dúvida que, acaso a operação florestal fosse realizada em pessoa jurídica distinta e não em processo integrado, como sói ocorrer, os créditos em comento poderiam ser apropriados sem qualquer censura. Isto posto, resta a terceira questão, qual seja, admitidos os créditos, quais seriam os insumos passíveis de admissão no cômputo da apuração dos créditos. Em relação aos bens, dúvida não surge quanto aos herbicidas, fertilizantes e corretivos de solo, eis que consumidos diretamente na produção de toras de eucalipto; entretanto, a mesma facilidade não se repete no que concerne aos serviços, de forma que aqueles relacionados à silvicultura, assim entendido como o cultivo de árvores florestais, e de topografia, visando o levantamento das áreas a serem cultivadas, haveriam de ser admitidos no cálculo. Já os serviços de manutenção de estradas para escoamento da produção e os serviços de satélite para acompanhamento das áreas cultivadas, assim como, a vigilância patrimonial e a construção de cercas divisórias, o mesmo raciocínio não seria aplicável porquanto são serviços que, nada obstante a utilidade na atividade desenvolvida, não se aplicam diretamente na produção, mas apenas de maneira indireta. Nesta linha exegética, "o termo 'insumo' não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço" (SC SRRF/7a RF/Disit n° 69/2007). Na Solução de Consulta SRRF/7" RF/Disit n° 05/2007, destaca se que "( ...) segundo a nova sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os contribuintes a elas sujeitos podem apurar um crédito correspondente à aplicação das respectivas alíquotas sobre determinados custos, para ser abatido do que for devido, num mesmo período, a título das referidas contribuições. Como a utilização desse crédito resultará em redução da contribuição devida, equivalendo a uma renúncia de receita, cumpre salientar o dever de obediência ao princípio da interpretação literal, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos, consoante o disposto no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional." Fl. 500DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000223/200511 Acórdão n.º 3402002.837 S3C4T2 Fl. 496 11 Com estas considerações, submetese o posicionamento retro a esta Divisão de Tributação para que o referende ou, caso contrário, forneça a interpretação mais consentânea com o direito posto, pugnandose desde já, na medida do possível, por uma breve solução, em razão da pendência de análise de pedidos de ressarcimento. " Em abono quase integral da exegese submetida, referida Divisão solucionou a questão no sentido proposto, à exceção dos serviços topográficos, que não vislumbrou hipótese para seu aproveitamento, por falta de respaldo legal, isto é, não se verificava ali a prestação de um serviço diretamente realizado na produção. Fixadas tais premissas, destacase que do exame da escrita contábil/fiscal e dos mapas demonstrativos da composição das contribuições sob exame foram detectados alguns pontos divergentes entre a interpretação levada a cabo pelo contribuinte e a engendrada pela fiscalização, não no que concerne à exatidão dos números fornecidos, mas sim em relação à inclusão/exclusão de certos itens (insumos e/ou receitas) no cálculo dos valores aproveitados na apuração do tributo sob exame. Por força dos princípios do contraditório e da ampla defesa impõese a segregação e exame apartado de todos os pontos de discordância (rectius questões),que foram alvo de glosa ou acréscimo na base de cálculo. em relação aos valores apurados pelo contribuinte. (...) No que concerne aos combustíveis, alega a recorrente, em síntese, que eles são consumidos em veículos, máquinas e equipamentos, durante toda a fase de silvicultura e de colheita, de forma que são essenciais no seu processo produtivo. No Parecer Seort observase que as glosas a título de combustíveis foram somente relativas àqueles utilizados em veículos e embarcações, em face da sua não utilização direta no processo produtivo, conforme se vê abaixo: (...) Nesta rubrica as exclusões ficaram por conta dos combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações (transporte de papel e celulose), por, nessa condição, não se qualificarem como insumo, visto sua influência indireta no processo produtivo; (...) Nesta categoria (serviços) também foram relacionadas aquisições de combustíveis para utilização em veículos da empresa, redundando em sua glosa, não pelo equívoco da classificação proposta (insumo bem x serviço), mas sim, por não possuir este combustível a natureza de insumo, haja vista sua não utilização direta no processo produtivo. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 (...) No entanto, a mera alegação na manifestação de inconformidade de que os combustíveis seriam essenciais à produção de celulose não é suficiente para afastar a glosa correspondente. Caberia à recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão que glosou, motivadamente, o crédito decorrente de combustíveis. Embora esta Relatora pudesse, em conformidade com precedentes deste CARF, reconhecer, por exemplo, o crédito decorrente dos combustíveis utilizados em veículos ou embarcações em relação ao transporte ou manuseio de insumos ou produtos inacabados dentro do contexto do seu processo produtivo, nele incluído a fase agrícola, a recorrente não trouxe aos autos, até a manifestação de inconformidade, a comprovação de que os combustíveis questionados estariam inseridos nessa situação ou, eventualmente, em outra que ensejasse o referido creditamento. A recorrente, no recurso voluntário e na manifestação de inconformidade, restringiuse à alegação de que o combustível seria essencial ao seu processo produtivo e seria consumido em veículos, máquinas e equipamentos na fase de silvicultura e de colheita. No Laudo posteriormente apresentado há a informação de que toda a atividade silvicultural e fabril depende da movimentação de veículos leves, ônibus, vans, tratores, caminhões, máquinas leves e pesadas, todos consumidores de combustível. Não resta mesmo dúvida de que o combustível seja essencial à atividade produtiva da recorrente, entretanto, ela não comprovou que as despesas relativas às aquisições tributadas de combustíveis glosadas seriam, efetivamente, aplicadas nos veículos, máquinas e equipamentos do seu processo produtivo, mas não em outras operações que, embora sejam da atividade da empresa como um todo, não gerariam direito ao crédito das contribuições. A apuração dessa questão exigiria dilação probatória, não mais cabível neste momento processual, quando já preclusa a produção de provas pela recorrente, sem olvidar que seria dela o ônus da prova do seu direito creditório. Pelo que entendo que devem ser mantidas as glosas correspondentes aos combustíveis. Alega a recorrente também a essencialidade no seu processo produtivo de todos os itens ligados a peças de manutenção, a itens de reposição e aos equipamentos de segurança, bem como caminhões, máquinas e diversos equipamentos operados em sua quase totalidade por terceiros. Entretanto, além de os bens não constarem expressamente no Parecer Seort como glosados, acerca dos itens de manutenção, há menção no Parecer Seort de que foram admitidos os créditos relativos aos "serviços de manutenção das máquinas e equipamentos, derrubada/colheita, roçada, corte/descasque/baldeio, silvicultura e preparo de solo e mudas, tudo isso em conformidade, como já dito, com a consulta formulada por esta Unidade", mas também de que foram efetuadas várias glosas relativas a manutenção, como, por exemplo, "manutenção civil", "manutenção de cercas e viveiros" e "manutenção e abertura de estradas". Não se sabe, pela leitura do recurso voluntário, quais seriam, especificamente, os itens recorridos. Tratase de defesa muito genérica, deficiente e desprovida de comprovação. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000223/200511 Acórdão n.º 3402002.837 S3C4T2 Fl. 497 13 Assim, diante da ausência de determinação da discordância e dos seus correspondentes fundamentos de fato e de direito respaldados em provas, conforme exige o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, deixo de conhecer essa alegação. O Parecer Seort também não trata de qualquer questão quanto à glosa de créditos de PIS decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pelo PIS pela sistemática da cumulatividade", alegada pela recorrente no recurso voluntário. Por fim, requereu a recorrente, a conversão em diligência "para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados", entretanto, não logrou êxito em demonstrar quais seriam esses equívocos, conforme acima analisado, além do que, a diligência não se presta a suprir a deficiência probatória ou de fundamentação da requerente de reconhecimento de direito creditório. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. No entanto, essas previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela requerente. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinatura digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 503DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 23034.001959/2001-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/1999
FNDE. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS. APLICAÇÃO AO PERÍODO DE OCORRÊNCIA DOS FATOS. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Os requisitos para a manutenção do direito à dedução das despesas com a educação dos empregados e seus dependentes se aplicam aos fatos ocorridos após a sua vigência, sendo improcedente a fundamentação de lançamentos da contribuição ao salário-educação com a nova legislação.
VICIO MATERIAL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS. APLICAÇÃO AO PERÍODO DE OCORRÊNCIA DOS FATOS. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Os requisitos para a manutenção do direito à dedução das despesas com a educação dos empregados e seus dependentes se aplicam aos fatos ocorridos após a sua vigência, sendo improcedente a fundamentação de lançamentos da contribuição ao salárioeducação com a nova legislação. VICIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 19 59 /2 00 1- 60 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.001959/200160 Acórdão n.º 2301004.383 S2C3T1 Fl. 122 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado pelo FNDE em 15/05/2001 para glosa das deduções indevidas da contribuição ao salárioeducação. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/1999 FNDE NRD DEBCAD n.º 49.901.4740 SALÁRIO EDUCAÇÃO. GLOSA. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não tem o condão de desconstituir o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Tratase a presente de Notificação para Recolhimento de Débito nº 0000370/2001, lavrada em 15/05/2001, para recolhimento ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, no valor de R$ 3.321,88 (três mil, trezentos e vinte e hum reais e oitenta e oito centavos), relativo ao Salário Educação. De acordo com a Notificação para Recolhimento de Débito, os valores foram levantados por meio de Apuração de Deduções decorrentes de irregularidades verificadas pelo FNDE nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, de acordo com a legislação específica. Uma vez que as deduções foram realizadas em desacordo com as informações prestadas ao FNDE, foi realizado o lançamento correspondente à glosa das deduções indevidas. Os valores levantados referemse ao período de dezembro/1996 a junho/1999, conforme Quadro de Atualização de Débito e Crédito. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde alega as seguintes causas de nulidade: a) Em virtude das disposições contidas no artigo 1º do Decreto nº 3.142/99 aplicamse à contribuição social para o salário educação as regras procedimentais do Decreto nº 3.969, de Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 15/10/2001, que coincide com a necessidade de prévia emissão de mandado do procedimento fiscal; b) A fiscalização fundamentou a exigência fiscal de forma genérica; e c) Prescrição intercorrente; No mérito, alega que: a) realizou todos os recolhimentos e os comprovou nos autos; b) não poderia a decisão recorrida adotar como fundamento disposição legal ainda não vigente à época dos fatos geradores. Não se poderia exigir o cumprimento de requisitos inexistentes a época, já que a Resolução nº 3, de 18/12/2000 não vigia no período de 12/96 a 06/99; É o Relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.001959/200160 Acórdão n.º 2301004.383 S2C3T1 Fl. 123 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Das preliminares Quanto ao mandado de procedimento fiscal – MPF, alega que sua ausência torna nulo o lançamento. Acontece que a notificação do débito data de 15/05/2001. Conforme dispõem os artigos 20 e 21 do Decreto nº 3.969, de 15/10/2001, a emissão de MPF somente é exigida para procedimentos fiscais iniciados a partir de 01/01/2002, o que não é o caso do presente processo: Decreto nº 3.969, de 15/10/2001 Art.20.O disposto neste Decreto não se aplica aos procedimentos fiscais iniciados antes de 1o de janeiro de 2002. (Redação dada pelo Decreto nº 4.058, de 18.12.2001) §1o Os procedimento fiscais de que trata este artigo deverão ser concluídos até 31 de dezembro de 2001. §2o Na impossibilidade de cumprimento do disposto no § 1o, os procedimentos fiscais terão continuidade, observadas as normas contidas neste Decreto. Art.21.Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1o de janeiro de 2002 Quanto aos dispositivos legais, constato às fls. 12 que a fiscalização os indicou para que o contribuinte exercesse seu direito constitucional. No mais, a falta de indicação de artigos, parágrafos e incisos da legislação tributária apresentada pela fiscalização por si só não invalida o lançamento quando a descrição dos fatos é suficiente para a compreensão dos fundamentos que suportam a exigência. Quanto à prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, este CARF já pacificou a jurisprudência através da Súmula nº 11: Súmula nº 11 do CARF: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do mérito A criação da modalidade “indenização de dependentes” no Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME) decorreu da Emenda Constitucional 14, de Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 12/09/1996. Com ela, revogouse o direito de a empresa deduzir da contribuição devida a aplicação realizada no ensino fundamental de seus empregados e dependentes: Redação original: § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida, na forma da lei, pelas empresas, que dela poderão deduzir a aplicação realizada no ensino fundamental de seus empregados e dependentes. (grifos nossos) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14/1996: § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida pelas empresas, na forma da lei. No entanto, por força do artigo §3º do artigo 15 da Lei 9.424, de 24/12/1996, garantiu a continuidade do benefício para os empregados que continuasse seus estudos, vedandose novos ingressos: Art. 15 (...) § 3º Os alunos regularmente atendidos, na data da edição desta Lei, como beneficiários da aplicação realizada pelas empresas contribuintes, no ensino fundamental dos seus empregados e dependentes, à conta de deduções da contribuição social do SalárioEducação, na forma da legislação em vigor, terão, a partir de 1º de janeiro de 1997, o benefício assegurado, respeitadas as condições em que foi concedido, e vedados novos ingressos nos termos do art.212, § 5º, da Constituição Federal. Para esses beneficiários, as deduções das contribuições foram mantidas para o pagamento das despesas de educação na forma de indenização aos segurados. Para comprovar o direito, a empresa passou a se submeter ao cumprimento de novos requisitos, conforme Decreto 3.142, de 16/08/1999: Art. 10. O Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental constituise no programa pelo qual a empresa, contribuinte da contribuição social do salárioeducação, propicia aos seus empregados e dependentes o direito social de obter o ensino fundamental, por intermédio das seguintes modalidades: I aquisição de vagas na rede de ensino particular destinadas a empregados e dependentes, indicados pela empresa, até o limite de vagas geradas por sua contribuição; II escola própria gratuita mantida pela empresa para os seus empregados, dependentes e alunos da comunidade; III indenização de dependentes, mediante comprovação semestral de freqüência e pagamento das mensalidades em estabelecimentos particulares. Antes dele, já vigoravam alguns requisitos para que a empresa se utilizasse de recursos do FNDE para custear despesas com a educação dos empregados: DECRETO Nº 88.374 DE 7 DE JUNHO DE 1983 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.001959/200160 Acórdão n.º 2301004.383 S2C3T1 Fl. 124 7 Art. 9º As empresas poderão deixar de recolher a contribuição do SalárioEducação ao Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social quando optarem pela manutenção do ensino de 1º grau, quer regular, quer supletivo, através de: a) escola própria gratuita para os seus empregados ou para os filhos destes, e, havendo vaga, para quaisquer crianças, adolescentes e adultos; b) programa de bolsas tendo em vista a aquisição de vagas na rede de ensino particular de 1º grau para seus empregados e os filhos destes, recolhendo, para esse efeito, no FNDE, a importância correspondente ao valor mensal devido a título de SalárioEducação. c) indenização das despesas realizadas pelo próprio empregado com sua educação de 1º grau, pela via supletiva, fixada nos limites estabelecidos no § 1º do art. 10 deste Decreto, e comprovada por meio de apresentação do respectivo certificado; d) indenização para os filhos de seus empregados, entre sete e quatorze anos, mediante comprovação de freqüência em estabelecimentos pagos, fixada nos mesmos limites da alínea anterior; e) esquema misto, usando combinações das alternativas anteriores. § 1º As operações concernentes à receita e à despesa com o recolhimento do SalárioEducação e com a manutenção direta ou indireta do ensino, previstas no artigo 3º e neste artigo, deverão ser lançadas sob o título “SalárioEducação”, na escrituração tanto da empresa quanto da escola, ficando sujeitas à fiscalização, nos termos do art. 3º deste Decreto e demais normas aplicáveis. Art. 10. São condições para a opção a que se refere o artigo anterior: I responsabilidade integral, pela empresa, das despesas com a manutenção do ensino, direta ou indiretamente; II equivalência dessas despesas ao total da contribuição correspondente ao SalárioEducação respectivo; III prefixação de vagas em número equivalente ao quociente da divisão da importância correspondente a 2,5% (dois e meio por cento) da folha mensal do salário de contribuição pelo preço da vaga de ensino de 1º grau a ser fixado anualmente pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Como se vê, os requisitos para justificar a manutenção do benefício após a EC nº 14, de 12/09/1996 não são os mesmos que existiam anteriormente quando vigorava o direito às deduções. À época não se exigia, por exemplo, a comprovação da freqüência escolar. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Portanto, as razões que fundamentaram a exigência não se aplicam ao período dos fatos geradores da obrigação. Acrescentase que o equívoco na indicação dos dispositivos legais poderia ser suprido pela descrição dos fatos que possibilitasse a compreensão dos fundamentos que sustentaram o lançamento; contudo, verifico que o relatório da notificação traz motivação insuficiente para o exercício do direito de defesa, o que configura um vício material do lançamento: Informamos que a diferença apurada no período compreendido entre 2 2 semestre de 1996 a 1 2 semestre de 1999, representa uma dedução indevida no valor originário de R$ 72.828,00 (Setenta e dois mil, oitocentos e vinte e oito reais) relativo a 3.468 vagas.Este valor será passível de cobrança com os acréscimos legais pertinentes, contados a partir da competência da dedução indevida, caso a situação não seja regularizada até o dia 30 de Janeiro de 2000. ... O erro deve estar, na sua maioria, na ausência da indicação de alunos indenizados, que deveria ser informada semestralmente através de arquivo resultante do programa RAI, fornecido por este FNDE. Caso os arquivos semestrais já tenham sido encaminhados mas não haja lançamento ou exista diferença de alunos, significa que houve rejeição dos arquivos ou de registros por alguma inconsistência, para evitar incorrer no mesmo erro estamos encaminhando, também em anexo, a "Relação de Alunos Não Admitidos". ... O débito em questão, apontado pela APURAÇÃO DE DEDUÇÕES de acordo com Relatórios e Demonstrativos apensados, decorre de irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação consoante disposto na legislação em vigor: DecretoLei nº 1.422/75, Decreto nº 87.043/82, Decreto nº 88.374/83, Lei nº 9.424/96, Lei nº 9.766/98 e demais instruções aplicáveis. Vício material Quanto à natureza do vício insanável, no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ... II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.001959/200160 Acórdão n.º 2301004.383 S2C3T1 Fl. 125 9 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; do que me leva a crer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecálos, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.001959/200160 Acórdão n.º 2301004.383 S2C3T1 Fl. 126 11 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Códex Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, o vício está na própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16682.720621/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1989, 1990
IRPJ. INCORPORAÇÃO CRÉDITOS DA INCORPORADA.
COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA INCORPORADORA.
POSSIBILIDADE. A incorporação transfere débitos e créditos da
incorporada para a incorporadora, a partir do momento em que aprovada pelos sócios o ato societário. O registro da Junta Comercial é mera formalidade que visa dar conhecimento do ato a terceiros para que estes possam questioná-lo nas hipóteses legalmente previstas. O Fisco, por exigências próprias, toma conhecimento da incorporação no momento da apresentação da declaração de encerramento da empresa. Inexigibilidade do
registro para efeitos fiscais.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-001.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, por. cerceamento de direito de defesa, para que outra seja proferida na boa e devida forma, permitindo-se à Contribuinte, no prazo de 30 dias contados da data da intimação desta decisão, a apresentação de documentos e defesa especifica sobre a existência e suficiência ao seu direito creditório
Nome do relator: Francisco Alexandre dos Santos Linhares
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INCO,!U'ORAÇÃO. CRÉDITOS DA INCORPORADA. COMPENSAÇAO COM DÉBITOS DA INCORPORADORA. POSSIBILIDADE. A incorporação transfere débitos e créditos da incorporada para a incorporadora, a partir do momento em que aprovada pelos sócios o ato societário. O registro da Junta Comercial é mera formalidade que visa dar conhecimento do ato a terceiros para que estes possam questioná-lo nas hipóteses legalmente previstas. O Fisco, por exigências próprias, toma conhecimento da incorporação no momento da apresentação da declaração de encerramento da empresa. Inexigibilidade do registro para efeitos fiscais. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, por. cerceamento de direito de defesa, para que outra sej a proferida na boa e devida forma, permitindo-se à Contribuinte, no prazo de 30 dias contados da data da intimação desta decisão, a apresentação de documentos e defesa especifica sobre a ---existência e suficiência ao seu direito-creditório. / é - Presidente Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n' 16682.720621/2012.63 Acórdão n.' 1102-001.206 SI.Cln FI. 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão nO12-51.887 lavrado pela 83 Turma da DRJIRJI, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, sob o argumento de que a falta de comprovação do crédito implica no não reconhecimento do direito creditório e consequentemente não homologação da compensação. O presente processo se originou do processo 15578.000091/2005-39 que tratava de compensações expressas em 40 Dcomp' s, cujo crédito se referia a duas ações judiciais (9700718743 e 95209985). Com base no Parecer Seort nO517/2005 (£1. 217 a 222) e no Despacho Decisório (£1.223) elaborados pela DRF Vitória-ES, foram consideradas NÃO DECLARADAS as Dcomp's apresentadas, sob alegação de que se tratavam de créditos de terceiros (Xerox do Brasil LIda, CNPJ 29.213.386/000100), conforme trecho abaixo do referido parecer: Ante o exposto. é de meu parecer que deverão ser consideradas NÃO DECLARADAS as compensações constantes do presente processo. bem como. qualquer outra que venha a ser apresentada por meio eletrônico apontando o crédito constante do Processo nO 15578.000091/2005-39, observado o ordenamento contido no art. 74 da Lei 9.430/96. com redação dada pelas Leis nO 10.637/2002, nO 10.833/2003 e nO 11.051/2004. Alegou-se que a suposta incorporada (Xerox do Brasil Ltda), encontrava-se na situação ativa não regular com pendência fiscal, de acordo com o sistema CNPJ, não considerando a incorporação feita pela Xerox Comércio e Indústria, o que levou o parecerista a considerar que a Xerox do Brasil LIda era um terceiro, situação em que a compensação é considerada como não declarada, sem direito ao rito processualprevisto nos 999°, 10 e I I do art. 74 da Lei. 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833, de 2003, por força do 9I3 do mesmo dispositivo. A recorrente se insurgiu, em 05112/2005, contra o disposto no Despacho Decisório, através da manifestação de inconformidade (£1.233a 280), doqualteve_ciência em 04/11/2005 (£1.228), apresentando os argumentos que se seguem: A requerente decidiu incorporar a empresa "Xerox do Brasil Ltda." (CNPJ nO29.213.368/000100). A assembléia geral extraordinária realizada em 15.3.2003 analisou e determinou a incorporação e automática extinção da empresa "Xerox do Brasil Ltda", conforme preceitua o artigo 1.116 a 1.118 do Código Civil e o artigo 227 da Lei das Sociedades Anônimas. 2 Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n" 16682.720621/2012-63 Acórdão n." 1102-001.206 A requerente promoveu o arquivamento dos documentos pertinentes à incorporação da extinta empresa "Xerox do Brasil Ltda." na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo - "JUCEES", na Cidade de Vitória, onde está localizada sede da incorporadora. Note-se que consta, na certidão da JUCEES que "fica a incorporada extinta assumindo a incorporadora todos os direitos e obrigações". Em 28.4.2003, também foi apresentada DIPJ, relativa somente ao período de janeiro a março de 2003 (doc. nO 6) da extinta empresa "Xerox do Brasil Ltda. ". A requerente vem tomando todas as providências (ainda não concluída~) necessárias para arquivar os documentos pertinentes nas Juntas Comerciais nos Estados onde a extinta empresa "Xerox do Brasil Ltda." possuia estabelecimento, realocar eventuais débitos além de efetuar a baixa no "CNPJ", inscrições estaduais, inscrições municipais, entre outras. Sucedendo todos os direitos e obrigações existentes até aquela data - artigos l.ll5 e 1./22 do Código Civil e artigo /32 do Código Tributário Nacional- a Requerente utilizou os créditos originalmente pertencentes à extinta empresa "Xerox do Brasil Ltda. " para quitar parte dos débitos próprios de outros tributos federais, conforme consta na declaração de compensação. A requerente teve sua compensação considerada como "não declarada", sob o argumento de que o CNPJ da empresa "Xerox do Brasil Ltda. " ainda estava ativo no Estado do Rio de Janeiro, o que configuraria compensação utilizando crédito de terceiros, considerando a compensação como "não declarada". A baixa no CNPJ da extinta "Xerox do Brasil LIda. " ainda não foi efetuada porque o pedido de arquivamento definitivo dos documentos da incorporação tem caido em exigência na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro - "JUCERJA". Como o registro na JUCEES já foi providenciado, o arquivamento na JUCERJA é meramente uma questão procedimental, que não vícia a incorporação realizada. Deve ser atribuído efeito suspensivo à manifestação de inconformidade apresentada, haja vista que a Lei nO ll.05//2004, que instituiu a compensação "não declarada" e a impossibilidade de recurso com efeito suspensivo nos casos de compensação de créditos próprios com créditos de terceiros (ainda que já vedado pela legislação anterior) não pode ser aplicável in casu, uma vez que a esmagadora maioria das declarações da requerente foi apresentada antes de 30. 12.2004 (data de entrada em vigor da referida lei). A decisão está aplicando legislação diversa daquela vigente à época dos fatos e de forma retroativa, sob a escusa de ser interpretativa, prejudicando o direito adquirido da requerenle e o ato jurídico perfeito. Todos os efeitos da incorporação passaram a ser produzidos a partir de 15.3.2003, os créditos são próprios e não de terceiros. SI-Cln FI. 4 3 Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n' 16682.720621/2012-63 Acórdão n.' 1102-00 1.206 Não se pode considerar o arquivamento definitivo dos documentos pertinentes na JUCERJA ou a baixa no CNPJ um pré-requisito para a homologação da compensação realizada pela requerente. Lembre-se que. foi feito o arquivamento definitivo do evento de incorporaçãoda JUCEES. A necessidade de se efetuar a baixa de empresa no CNPJ é conseqüência de uma concentração societária já realizada. Não se trata de uma dissolução pura e simples de sociedade. Todos os créditos tributários existentes em nome da "Xerox do Brasil Lida." já passaram a ser de responsabilidade da Requerente. de acordo com o artigo 1.115 e 1.122 do Código Civil e. inclusive. o próprio artigo 132 do Código TributárioNacional. A extinção da Xerox do Brasil Ltda" ocorre com a aprovação da incorporação na Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15.3.2003. não se podendo impedir que a incorporadora utilize os crêditos da incorporada. Nem o arquivamento dos documentos pertinentes nas Juntas Comerciais. nem a baixa no CNPJ são condições sine qua non para que conferir validade à incorporação. A Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica especifica sobre este evento em particular. relativa ao período de janeiro a março de 2003. Se a RFB nada disse a respeito da incorporação foi porque com ela concordou. e integralmente. O status ativo da sociedade incorporada é fruto da burocracía. Requer a realização de perícia técnica contábil para comprovar a certeza e liquidez dos créditos de tributos federais da extinta "Xerox do Brasil Ltda. indicar como seu assistente técnico o Senhor Rogêrio da Silva Ribeiro. brasileiro. contador. portador da carteira de identidade nO45.84106. expedida pelo CRC/RJ, apresentando a anexa lista de quesitos (fI.281). SI-ctn F1.5 Não tendo sido atribuido efeito suspensivo à manifestação de inconformidade da recorrente, através do Agravo de Instrumento n° 2007.01000448802/ DF, interposto pela interessada no TRF/1' Região contra a decisão que indeferiu o pedido de antecipação de tutela nos autos da ação ordinária 2007.34.00.0031159 impetrada na 16' Vara Federal do Distrito Federal. No processo, foi concedida a tutela antecipada para determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e o processamento da manifestação de inconformidade constante do processo 15578.000091/2005-39, conforme consta na decisão de fls. 708 a 712 e na certidão de fls.714 e 715 e cujo trecho dispositivo é transcrito abaixo: Com estas razões. defiro o pedido de antecipação da tutela recursal para determinar o processamento da manifestação de inconformidade. ficando suspensa a exigibilidade do crédito tributário constante do PA n. 15578.000091/2005-39 (fls. 712) Cumprindo a decisão judicial, como os créditos das ações judiciais são de naturezas diferentes, foi aberto o presente processo contendo o crédito relativo a ação judicial 4 Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n' 16682.720621/2012-63 Acórdão n.' 1102-001.206 SI-CIT2 FI. 6 nO95209985, que versa sobre correção do balanço com base no IPC (fi. 1296). Tal separação está retratada no documento produzido pela DEMACRJ (fi. 1296 a 1299). A totalidade dos débitos perfaz R$ 44.007. I90,54, conforme consta no extrato do Sief (fi. 1342). As Dcomp relativas a este processo são as seguintes: PER/DCOMP /423/./4087./2//03.1.3.54237/; 39403.71067.281103.1.3.577558; 09900.3060/.101203./.3.575415 42232.99289.15/203.1.3.574444 37582.96878.19/203.1.3.573500 16099.05577.301203.1.3.576998 42776.5/747./50104./.3.573140 1/966.37643.130204.1.3.579404 11736.67856.100304.1.3.575055 07691.28658.150304.1.3.574100 24487.10246.070404.1.3.572150 41583.01510.150404.1.3.579124 22404.22723.100504.1.3.57/103 42079.0924/./40504.1.3.571392; 17931.92880.090604.1.3.579282; 34456.84407.250604./.3.573494; 29705.25328.090704./.3.570050 25351.81467.230704.1.3.57-/109 04768.48808.100804.1.3.574840; 21537.25869.250804.1.3.575710; 19858:77162.100904./.3.570790,0- 39872.61664.240904.1.3.579164; 11914.39469.151004.1.3.570027 23702.64885.121104.1.3.573690; 03996.42/70.121104.1.3.579918 07905.18262./5/204.1.3.578063 5 Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 16682.720621/2012-63 Acórdão n.o 1102-001.206 38374.50006.151204.1.3.573503 19904.52777.140105.1.3.573599 24791.92839.140105.1.3.571092 SI-CIT2 FI. 7 Segundo consta nas Dcomp relativas ao presente processo tem como descrição do crédito o pagamento indevido relativo à ação judicial n° 95209985. A 8" Turma da DRJ/RJI então lavrou o Acórdão 12-51.997, julgando pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, sob o argumento de que a falta de comprovação do crédito implica no não reconhecimento do direito creditório e consequentemente não homologação da compensação, conforme ementa abaixo: Acórdão 12-51.9978" Turma da DRJ/RJ1 Sessão de 21 de janeiro de 2013 Processo 16682.720621/201263 Interessado XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA CNPJ/CP F 02. 773.629/000108 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1989 PERÍCIA Rejeita-se o pedido de pericia ou diligência quando o litigio se resolveria com uma simples juntada de documentos pela interessada. COMPENSAÇÃO A falta de comprovação do crédito implica no não reconhecimento do direito creditório e consequentemente não homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente apresenta recurso voluntário (fls. 1360 - 1394), requerendo a reforma do acórdão de la instância, utilizando-se dos seguintes argumentos: - a r. decisão recorrida incorreu em nulidade por cerceamento do direito de defesa da recorrente. ao. contraditoriamente. indeferir o pedido de pericioldiligência formulado, sob a alegação de que havia nos autos elementos suficientes para o julgamento da controvérsia, e depois não homologar a compensação pela suposta falta de provas acerca da existência do crédito objeto de compensação; 6 Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 16682.720621/2012-63 Acórdão n.o 1102-001.206 - a r. decisão é nula por inobservar a teoria dos motivos determinantes. Isso porque. o r. despacho decisório que rejeitou a compensação baseou-se no único e excluivo de que o crédito pertenceria a terceiros. Na manifestação de inconformidade apresentada. a Recorrente demonstrou cabalmente que era titular dos créditos em questão adquiridos por sucessão tributária. Diante desse cenário. caberia à r. decisão vincular-se a esse motivo e avaliar a sua existência. não podendo inovar e deixar de homologar a compensação por conta de um motivo não explicitadopelo r. despacho decisório; - houve a homologação tácita da compensação. impedindo a revisão do crédito e uma alteração dofundamento da denegação da compensação. passados muito mais de cinco anos da apresentação da PER/DCOMP; - os créditos objetos da compensação discutida no processo administrativo n° 15578.000091/2005-39 são decorrentes das ações ordinária nOs95.00.20998-5 (Plano Verão) e 97.0071874- 3 (Taxa CACEX). transitados em julgado ao tempo da apresentação das PER/DCOMPS originalmente integrantes daquele processo.{...} O crédito objeto daquele primeiro processo. decorrente do reconhecimento do direito à aplicação do IPC como índice para a correção monetária das demonstrações contábeis e fiscais da Recorrente. encontra-se inclusive. respaldado em um relatório específico para o caso elaboradopela empresa de auditoria independente PwC; Requer que seja dado integral provimento ao presente recurso voluntário. para se anular a r. decisão recorrida. de modo que os autos retornem à DRJ de origem. seja para a realização da diligência pericial requerida para demonstrar a existência e validade do crédito utilizado. seja para que seja proferida uma nova decisão. atendo-se ao motivo determinante pelo qual a compensação foi rejeitada (o fato de que a titularidade do crédito pertencer a terceiro. sem que haja uma inovação a essa fundamentação); Subsidiariamente. requer que a r. decisão recorrida seja reformada. reconhecendo-se a homologação da compensação. tácita ou não. ante o decurso do prazo de cinco anos e à prova inequívoca da existência e validade dos créditos utilizados (Plano Verãoe Taxa CACEJ(). SI-CIT2 FI. 8 Destaca-se que_o_relatóri~ da auditoria indeIJendente está presente ás fls. 1473 - 1565. É o relatório. 7 Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n' 16682.720621/2012-63. Acórdào n.' 1102-001.206 Voto' Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator SI-CIT2 FI. 9 --'.- Atendidos os pressupostos legais para interposição de recurso voluntário, é de se conhecê-lo. I Como relatado, a questão a ser decidida no momento se. refere tão somente à legitimidade da incorporadora Xerox Comércio e Indústria a se - aproveitar dos créditos .provenientes de ações judicüiis da incorporada Xerox do Brasil LIda .. No caso, entendo por dar' provimento ao recurso voluntário da recorrente, determinando-se o retomo à DRJ de origem para que seja analisado o mérito do crédito em questão, haja vista ser a recorrente legítima sucessora da Xerox do Brasil LIda., pelas razões a seguir exposadas. . . . . A questão da legitimidade da Xerox Comércio e Indústria' LIda. pelos créditos tributários de sua incorporada Xerox do Brasil Ltda. já foi analisada por reiteradas vezes por este Conselho, conforme ementái-ios abaixo: . . . . Processo n° I 1543.00090712003~I7 Recurso n° 514488 Voluntário Acórdão nO1402-00.431-'4"Cámara 12" Turma o.rdinária Sessãr:de 24 defevereiro de201 I Matéria IRPJ Recorrente XERo.X Co.MÉRCIOE INDÚSTRIA LTDA Recorrida 4" Turmada DRJIRJo.I . Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 IRPJ. INCo.RPo.RAÇÃo. CRÉDITOS .. DA INCo.RPo.RADA. Co.MPENSAÇÃo. Co.M DÉl1lTOS .DA INCo.RPo.RADo.RA.Po.SSIBILIDADE.~. _A _ir/corporação transfere débitos e créditos da incorporada para a incorporadora. a partir do momento em que 'aprovadapelos sócios o ato societário. o. registro da Junta Comercial é. Ineraformalidade que visa dar conhecimento do ato a terceiros para que estespossam questioná-lo nas. hipóteses legalmente previstas. o. Fisco, por exigências próprias, toma conhecimento da incorporação no momento da apresentação da declaração de encerramento da empresa. Inexigibilidade do registropara efeitosfiscais. .. ., 8 Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n' 16682.720621/2012-1;3 Acórdão n.' 1102-001.206 " Recurso Voluntárioprovido. Processo n' 15578.000002/2006-35 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1402001.142-:4"Câmara /2" Turma Ordinária Sessão de 8 de ~gosto de 2012 MatérjaDCOMP IRPJ; Recorrente XEROX COMERCIOE INDUSTRlA LTDA. ,. Recorrida FAZENDANACIONAL 'I Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário SI-CIT2 FI. 10' -, ....... Ano-calendário:2006 • IRPJ INCORPORAÇÃO,' CRÉDITOS DA 'INCORPORADA. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA INCORPORADORA. POSSIBILIDADE. A incorporação transfere débitos e créditos .da incorporadapara a incorporadora, a partir do mom'ento em que aprovada pelos sócios" ato'societário. O registro da Junta 'Comercial émeraformalidade que visa dar conhecimento do ato a terceiros para que estes' possam questioná-lo nas hipóteses legalmente prevIStas.. O Fisco, por exigências próprias,' toma conhecimento da incorporação no momento da apresentação da declaração de encerramento, da empresa. Inexigibilidade dá registropara efeitosfiscais. , Reéurso Voluntário,Providoem Parte, Aplicam-se os mesmos fundamentos daquele Acórdão n° 1402-00.431 48 Câmara /28 Turma Ordin<j.ria, replicad~s no Acórdão n° 140200'1.142 da mesma Câmara, .' que peço vênia para transcrever e adotar 'como razões de decidir, abaixo transcritas:, . ' Conselheiro CARLOS PELA, Relator '. Conheço do 'Recurso por ser tempestivo, por atender aos' requisitos de admíssibilidadé e por conter matéria de competência deste Conselho. ', ,', ' . .O cerne da qúestão é saber se o crédito. utilizado pela Contribuinte lhe pertencia no momento da compensação' ou se era crédito de terceiro. A, 'contribuinte deliberou, assim como também deliberou a empresa \ incorporada, operação, de incorporação' da ,segúnda pela primeira em' " , 15,03.2003 e Q registrou na JUCEES,em 18.03.2003, antes, portanto, da extinção 'do débito tributário' pela compensação. Também não há, 'questionamento acerca do crédito utilizado. A operação; todqvia, ainda não foi registrada na JUCERJA, em virtude de exigências formais da própria JUCERJA, Não consta' oposição de credores à incorporação. A dúvida é saber se o ato societário é suficiente para fins fiscais ou se, de fato, o regiStro, na JUCERJA condiciona à validade da operação, ' '. ' 9 Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n" 16682.720621/2012"-63 Acórdão n." 1102-001.206 SI-CIT2 'FI. 11 " '1 De acordo com o Código- Civil Brasileiro,' a incorporação se aperfeiçoa com a deliberação dos sócios das. duas empresas. Uma veZ deliberada a . incorporação, a sociedade incorporadOra declara extinta a soCiedade incorporada e promove a averbação da extinção no registro do comércio. É o que preconizam os artigos 1116 a 1118: .' Art. 1.116.Na incorporação, uma ou várias sociedades .são absorvidas por outra. que lhes sucede em todos Os direitos e obrigações, devendo todas aprovála, .na forma estabelecidapara os respectivos tipos. Art. 1.1I7, A deliberação dos sócios da sociedade incorporada deverá aprovar as basú da operação e o projeto de.reforma do ato constitutivo.. J io .A sociedade que houver de. ser incorporada tomará conhecimento desse ato. e, se o aprovar, autorizará os administradores a praticar o necessário à incorporação, inclusive a subscrição em bens pelo valor da diferença que se verificar' entre o ativo e o . passivo. J 20 A deliberação dos SOCIOS da sociedade incorporadora compreenderá a nomeação dos peritos para a avaliação do patrimônio liquido da sociedade, que tenha de ser incorporada. Art. i.1I8. Aprovados os atos dá incorporação. a incorporadora declarará extinta a incorporada, e promoverá a respectiva qverbação no registro próprio. A Lei 6.404/76, aplicável subsidiar'iamente aos casos da espéCie, tem disposição semelhante:. . Art: 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes .súcede em todos'os direitos e obrigações. J r A asselnbléia geral da companhia incorporadora. se aprovar.() protocolo da operação, deverá autorizar o 'aumento de' capital a ser subscrito e realizado pela incorporada medianie versão do seu patrimônio .liquido, e nomear osperitos que o avaliarão. J 2~A sociedade que houver de ser. incorporada,_se aprovar o protocolo da operação. autorizará seus administradores a praticareI;' os atos necessários' à . incorporação. inclusive a subscrição do aumento de capital da i,!corporadora. . ' J 30 Aprovados .pela assembléia. geral da incorporadora o laudo de avaliaçãOe a incorpo;ação: extingue-se a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamf!l1toe a publicação dos atos da incorporação. • 10 Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n' 16682.720621/2012-63 Acóidã~ n.o 1102-00 1.206 ,. SI-CIT2 FI. 12, .. / Em ambas as normas, apresenta-se claro que a extinção da pessoa jurídica se dá no' momento da aprovação do ato socieiário, que devé,a posteriori, ser '! .arquivado e publicado. A legislação fiscal não destoa deste entendimento. A Lei.9.430/96 considera o encerramento da empresa; para. fins fiscais, como 'a data do eventosocietário. Confira-se: . Art. I" A partir do ano calendário de 1997, o imposto de renda deispessoas jurídicas será determillOdo com base no lucro real, presumido, ou' arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, ']0 de jl(nho, )0 de setembro e 31 de dezembro de. cada ano calendário, observada a' legislação vigente, com as alterações desta Lei.. ~I" Nos' casos de 'incorporação, fusão ou cisão, a apuraçao da base de cálculo e do imposto de renda devido será efetuada na data do evento, observada o disposto no art. 21 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. ~2°Na'extinção da pessoa jurídica, pelo encerrame~to da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento.' A lei 9.249/95, por sua vez, determina a apresentação do balanço' de encerramento da enipresa sem fazer qualquer menção ao registro na Junta Comercial. Acompanhemos: Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão' ou cisão deverá levàntar balanço específico para esse fim, no 'qual os bens e direitos serão avaliados ,Pelo valor contábil ou de mercado. ~ 1"'O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento. " ~ ]O No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ,ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de'mercado, a diferença entre este e o custo de 'aquisição, diminuído dos. encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será -- ~ -considerada-ganho 'de-capital,'~que-deverá-ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda . devido e da contribuição social sobre.o lucro liquido. . ~ .3° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os ~ncargos serão considerado~ incorridos, ainda que não ienham sido registrados contabilmente. ~ 4° A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos corre~pondente ao período transcorrido durante' o c , . 1I ., Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n' 16682.720621/2012-63 Acórdão n.' 1102-001.206 .ano-calendário, em seu próprio nome, até o último dia úti4do mês subseqüente ao do evento. A Administração Tributária é da mesma opinião. Confira-se o artigo 24 dq IN 200/2002. vigente à época: . Art. 24. O pedido de cancelamento de inscrição no CNPJ. por extinção da pessoa juridica ou de qualquer de seus estabelecimentos, será único e simultáneo para todos os órgãos convenentes a que estiver sujeito . .f 20. Ocancelamento da inscrição no ÇNPJproduzirá .efeitos a partir da data da extinção da pessoa juridica.' J 21. Não serão exigidas as declarações referidas no item 1 da alinea "c" do inciso I do art. 48, relativamente a periodo posterior à data da extinção da pessoa juridica. J 22. Considera-se data de extinção, a data: I - de deliberação entre'seus membros. nos casos de . incorporação,jusão e cisão total; . II - da seniença de encerramento, no caso de falência; III - da publicação, /10 Diário Oficial da União. do ato de enc~rramenio da liqüidação, no cas~ de liqüidaçiÍo extrajudicidl promovida pelo Banco Central- em . instituições financeiras; IV de expiração do prazo . estipulado. no contrato, n'o' caso de extinção. de . sociedades com data prevista no contrato "social; V do .registro de ato extintivo no órgão' competente, nos demais' casos; VIda.. arquivamento da decisão de cancelamento de registró pela Junta Comercial. com base no art. 60 da Lei no 8.934, de 18 de novembro de .1994, . SI-CIT2 FI. 13 Confira-se também o "Perguntas e Respostas" da Receita Federal, publicada na sua página da internet (http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica IDIP J/2005/PergResp2005/pr2 J;!a231.htin):' 229 -. O que se considera data do evento para fins da legislação fiscal? Considera-se ocorrido o evento na data da deliberação-que aprovar-i1-incorporação,.- fusão ou cisão, feita na forma prevista para a' alteração dos respectivos estatutos ou contratos sociais (RIR/I999, art. 235, J 1°; Lei das S.A: Úi n° 6.404. de 1976, arts. 223 e 225). Por fim, o regulamento do imposto de renda mais uma vez fortalece 11 . interpretação de'que a extinção da pessoa jurídica incorporada se dá na data da deliberação, conforme se vê do artigo 235: . 12 Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica . Processo n' 16682.720621/2012-63 Acórdão n.' 1102.001.206 , SI-ctn FI. 14 , Art.235.A pessoajurídíca que tíver parte ou todo o seu' patríinônío absorvído em vírtude de íncorporação, fusão ou císão deverá levantar balanço específico na data desse evento (Leí n° 9.249, de 1995, art. 21, e Leí . n° 9.430, de 1996, art. 1', gl"). g1"Consídera-se data do evenio a data da delíberação que aprovar a íncorporação, fusão ou císão., . -. Enfim, para fins fiscais, ~ data da incorporação, portanto a d~ta em que a . incorporadora assume direitos e obrigações da incorporada, é a data do evento .societário que deliberou a extinção da pessoa jurídica. Não há uma só norma que condicione; a eficácia da incorporação ao registro do ato societário na . . junta comercial. Nesta data,' a . pessoa jurídica' incorporadora, sucessora universal da incorporada, passa a figurar na relação obrigacíonal que' tem .como contraparte a Fazenda Nacional e, portanto, a ser. titular do crédito .tributário surgido quando estava em funcionamento a incorporada. Sendo . titular do crédito, o crédito é seu, não de terceiros. Sendo seu o crédito (assim . como sãos seus os débitos da inéorp~rada), pode compensá-los com débitos seus também. Não há norma 'que vede a extinção do crédito. por esta modalidade. . . . o registro; como muito bem frisado pela Contribuinte, serve para dar conhecimento a 'terceiros da deCisão, para que estes possam opor-se ao ato s(lcietário, acaso se sintam prejudicados. No caso do Fisco, o arquivamento (é . isto mesmo; é mero arquivamento -Lei 8.934/94, artigo 32!) é absolutamente desnecessário para que ele tome' conhecimento do ocorrido e possa se opor ao ato praticado. Isso porque o próprio Fisco impôs obrigações específicas para a . comunicação a ele do ato praticado. De posse da informação,'-pode 'manejar todas as' ferramentas necessárias para impugnar o ato, caso seja lesivo aos .seus interesses, . . . A própria fundamentação do acórdão recorrido reproduz .os. normativos que' induzem à conclusão acima, mas estranh~inente conclui em sentido oposto, entendendo que o registro 'é condição' de eficácia da deliberação'. Não se ' encontra fundamento para esta conclusão, nem nas normas fiscais, nem na doutriria . . A Contribuinte, nas suas razões de .recur!,o reproduz lições de Modesto .Carvalhosa e de Waldirio Bulgarelli, entre outros, que não deixam dúvidas. acerca da conclusão' acima. Reproduz também jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes que corroboram sua tese, Posto isso, entendo que a razão invocada para negar o direito à compensação . não pode prevalecer neste caso, de inodo que voto por dar. provimento ao recurso voluntário, para considerar que não se trata de pedido de compensação de débitos com créditos de terceiros, remetendo-se os auto's à DEF de origem para-,!preciação do mérito. . .' No casa ora analisado, destaca-se que o claro cerceamento do direito de' defesa. da recorrente, considerando a contraditória decisão' recorrida, tendo em vista que' Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n" 16682.720621/2012-63 Acórdào n." 1102-001.206 ! SI-CIT2 FI. 15 denega O pedido de perícia realizado pela recorrente sob o argumento de que "há que' se ressaltar qlle os documentos que constam do processo são suficientes para jazer a análise do . procesSo" (fls. 1349). Entretanto, mais à frente, assevera 'ainda que "de qualquer maneira, há que se . atentar que' interessada não juntou ao jeito qualquer dernonstração do crédito. Coni a documentação que consta no processo não se consegue vislumbrar a existência de qualquer crédito" (fls. 1350). . . Relativamente à ausência de comprovação da origem do crédito pleiteado na compensação, é de se acolher o argumento da Recorrente no sentido de que; no caso, houve inovação por parte da Turma Julgadora de primeira instância, eis que em nenhum momento tal questão foi suscitada no Despacho Decisório da Demac/RJ, o qual considerou a compensação como não declarada, por supostamente se tratar de crédito de terceiro. Para que não nistasse configurado o cerceamento do direito de defesá, 'teria sido necessário que, por meio de diligência fiscal, a contribuinte 'fosse intimada a aportar aos autos a comprovação dos créditos pleiteados mediante documentação hábil e idônea, uma vez que, em tais circunstâncias, o ônus da prova incumbe ao Fisco. Não se encontra nos autos indicação de que' a recorrente tenha .sido intimada a apresentar esclarecimentos, antes da expedição do Despacho Decisório, acerca das retenções da contribuição tidas como' não confirmadas. Também não é possível identificar qualquer providência neste sentido pela DRJ que lavrou o acórdão de primeira instância. Aié~ do mais, cabe destacàr o equivoco em que incorreu o acórdã~ de Ia instância ao assinalar que o agravo de instrumento que determinou o efeito suspensivo à manifestação de inconformidade da recorrente tratava também da origem do crédito, conforme tr~cho a seguir:' .' , "Analisando-se o citado Agravo, verifica-se que o magistrado se pronunciou' sobre as considerações emitidas no Despacho', Decisório a respeito' da propriedade do crédito.I ..J Portanto, não há como esta DRJ se pronunciar se o crédito é de terceiros ou não, posto que, está sendo analisado pelos tribunais. Ressalte-se que o processo judicial ainda não terminou, estando em sede de apelação "(fls. 1351). Conforme destacado no dispositivo do acórdão do agravo de instrumento colacionado no relatório deste voto, o objeto da ação judicial interposta se refere tão somente à à suspensão da exigibilidade do crédito tributário enquanto' pendente o julgamento da manifestação de inconformidade interposta, não se relacionando com.o.crédito propriamente em si: . O fato de o acórdão judicial ter levado em consideração as alegações sobre a . incorporação da Xerox do Brasil Ltda. pela recorrente para conceder a tutela antecipada não se confiinde com o. pedido interposto, razão pela qual não se pode considerar' que a demanda esteja sob análise judiéial e que houve abdicação 'da esfera administrativa. Posto isso, entendo que,a razão invocada para negar o direito à compensação . não pode prevalecer neste çaso, de modo que voto por dar provimento ao recurso voluntário, para considerar que não se trata de nem pedido de compensação' de débitos com créditos 14 .', ( Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS '/ , Processo n' 16682.720621/2012-63 Ac~rdãon.' IIQ2-OO1.206 , <- , ,,' /. Sl.CIT2 FI. 16 -, '-. \' t .. ,'. ,, ,,'-,",".. 'i,' É 'como voto. ; , de terceiros e que hó'Uvecerceamento' do direito de defesa p~la 'DIU de origem, por ter denegado à recorrente o direito ae diligência e ter ino~ado nas razões de decidir, devendo'-se remeter os autos à riRJ de o~igem para apreciação do ,mérito. • ..' • , ' " ," , I," ,/ , I . ~ I. " " .1 , , " "~-------------- ---. --.-- , . • ,I • "'-C---'--~---'-----_'~_' _ '. I, '. , " 15 Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 02/10/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015
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Numero do processo: 10166.913625/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso voluntário apresentado, intempestivamente, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1201-001.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário porque intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso voluntário apresentado, intempestivamente, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário porque intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 36 25 /2 00 9- 41 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.913625/200941 Acórdão n.º 1201001.378 S1C2T1 Fl. 3 2 Por economia processual e bem sintetizar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Cuidam os autos da Compensação de crédito, decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior, efetuado em 12/04/2004, com débito(s) próprio(s) da contribuinte. Irresignada com a homologação parcial da compensação, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Efetuamos a retificação da Dcomp como solicitado, corrigindo a data de arrecadação do Darf de crédito que foi informada errada. Agora, recebemos despacho decisório, depreciando o valor que pagamos a maior, considerando a data de 30/04/2009, que é de uma declaração retificadora ao invés de considerar a data da Dcomp original que foi entregue em 25/04/2006. Segue cópia do Darf pago em 30 de abril de 2006, pago a maior, para dissipar dúvidas e cópia do Darf informado na Dcomp. Diante dos fatos, espera que justiça seja feita e o despacho decisório seja reconsiderado. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília/DF julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 03053.181, de 18 de julho de 2013, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2004. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A lei somente autoriza a compensação de crédito tributário com crédito líquido e certo do sujeito passivo. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 02/09/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR), e, protocolizou em 03/10/2013 recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.913625/200941 Acórdão n.º 1201001.378 S1C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente, em sede recursal, no essencial, traz os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, por tanto, desnecessário repetilos. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado acima, a pessoa jurídica foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 03053.181, de 18 de julho de 2013, em 02/09/2013 (segundafeira), conforme o Aviso de Recebimento (AR). O recurso voluntário foi protocolizado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em 03/10/2013 (quintafeira). É sabido que, o prazo de trinta dias, de acordo com o critério previsto no artigo 210 do CTN e 66 da Lei nº 9.784/99, é contado excluindose o dia do recebimento da intimação e incluindose o último dia para a entrega da defesa. Com efeito, o início da contagem do prazo recursal ocorreu em 03/09/2013 (terçafeira), porém, o recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fora apresentado somente em 03/10/2013 (quintafeira),portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo final o dia 02/10/2013 (quartafeira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto pelo não conhecimento do recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000146/2003-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE AO FISCO. PROCEDIMENTO FISCAL. VIOLAÇÃO À CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Imputação de mácula ao procedimento fiscal baseada em inconstitucionalidade, bem como aventada violação à capacidade contributiva, deve ser afastada com esteio na Súmula CARF nº 2: " O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", tanto mais quando os extratos de conta-corrente objeto de exame pela fiscalização foram entregues pelo próprio contribuinte.
EXTRATOS BANCÁRIOS. COAÇÃO. INEXISTÊNCIA. EXERCÍCIO REGULAR DO PODER-DEVER DE FISCALIZAR.
Compete à auditoria tributária demandar o contribuinte a entregar extratos bancários e demais documentos necessários para a averiguação do cumprimento das obrigações tributárias, em seu regular exercício do poder-dever de fiscalizar.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LIVRO-CAIXA. ENTREGA APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. TENTATIVA TRANSVERSA DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE SEM RESPALDO NA LEGISLAÇÃO.
A entrega de livro-caixa ou documento similar após o início da ação fiscal consubstancia-se, na prática, em tentativa de aproveitamento de deduções via retificação extemporânea da Declaração de Ajuste Anual, sem amparo na legislação aplicável.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PROCEDIMENTO FISCAL. VIOLAÇÃO À CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Imputação de mácula ao procedimento fiscal baseada em inconstitucionalidade, bem como aventada violação à capacidade contributiva, deve ser afastada com esteio na Súmula CARF nº 2: " O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", tanto mais quando os extratos de contacorrente objeto de exame pela fiscalização foram entregues pelo próprio contribuinte. EXTRATOS BANCÁRIOS. COAÇÃO. INEXISTÊNCIA. EXERCÍCIO REGULAR DO PODERDEVER DE FISCALIZAR. Compete à auditoria tributária demandar o contribuinte a entregar extratos bancários e demais documentos necessários para a averiguação do cumprimento das obrigações tributárias, em seu regular exercício do poder dever de fiscalizar. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LIVROCAIXA. ENTREGA APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. TENTATIVA TRANSVERSA DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE SEM RESPALDO NA LEGISLAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 46 /2 00 3- 34 Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 A entrega de livrocaixa ou documento similar após o início da ação fiscal consubstanciase, na prática, em tentativa de aproveitamento de deduções via retificação extemporânea da Declaração de Ajuste Anual, sem amparo na legislação aplicável. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.000146/200334 Acórdão n.º 2402004.732 S2C4T2 Fl. 1.817 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 113.337,39 relativo ao anocalendário 1998. O lançamento de fls. 794/822 deuse em virtude da constatação das infrações de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e de multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão. Os termos da autuação e da impugnação estão bem descritos no relatório da decisão contestada, do qual se extrai, com a devida vênia, o seguinte excerto: No Termo de Verificação Fiscal o autor do feito dá conta dos fatos que originaram a autuação e dos procedimentos adotados no curso da ação fiscal. Consta que a ação fiscal foi instaurada com o objetivo de verificar movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Atendendo a intimações expedidas para verificação da origem dos recursos utilizados nos depósitos/créditos em contas bancárias, o fiscalizado alegou que estes seriam oriundos da administração de imóveis de terceiros, apresentando diversos contratos de locação. Não apresentou qualquer comprovante do recebimento de valores referentes a essa atividade e informou verbalmente não possuir Livro Caixa do período em questão. Noticiou, ainda, que a documentação estava incompleta em razão de o escritório ter sido assaltado. Consta que, intimado a comprovar documentalmente a relação entre os depósitos efetuados em suas contas correntes e os contratos de locação, o fiscalizado não atendeu. Em consequência, foram solicitados e emitidos MPFExtensivos, que autorizaram diligências junto aos proprietários dos imóveis apontados pelo interessado. As diligências se efetivaram por meio de Termos de Solicitação de Esclarecimentos com o objetivo de se confirmarem os valores dos aluguéis dos imóveis administrados pelo contribuinte e as respectivas taxas de administração. Da análise dos esclarecimentos prestados e dos documentos apresentados pelo contribuinte e pelos proprietários dos imóveis por ele administrados, bem como das informações bancárias, DIRPF e informações constantes nos sistemas informatizados da RFB extraíramse as conclusões que levaram à tributação dos fatos anteriormente descritos. A titulo de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas tributaramse as taxas de administração extraídas dos contratos de locação e informes de rendimentos anexados ao processo. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada foi apurada subtraindose do montante representado por Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 estes os cheques devolvidos, os resgates de aplicações e, posteriormente, os valores brutos dos aluguéis comprovadamente recebidos. A multa isolada foi imputada sobre os valores declarados de rendimentos de pessoas físicas, recebidos como aluguéis de imóvel de sua propriedade, sobre os quais incidiu carnêleão, não recolhido pelo declarante. A ciência do auto de infração foi dada por via postal, na data de 15/04/2003 (fl.828). Em 15/05/2003 (fl.829), o interessado apresentou a impugnação de fls.829/848, instruída pelos documentos de fls.849/872, na qual, após proceder ao relato dos fatos, aduz as razões de defesa que a seguir se reproduzem sinteticamente: DAS PRELIMINARES Argúi a ilegalidade do Mandado de Procedimento Fiscal que originou olançamento, por violação a princípios constitucionais e infraconstitucionais. Entende que a autoridade administrativa extrapolou princípios e normas da limitação do poder de tributar, desrespeitando os direitos do indivíduo, e a legalidade da atuação fiscal, quando violou a privacidade , os princípios da irretroatividade e anterioridade, capacidade contributiva e outros. DO MÉRITO No mérito, afirma que comprovou a origem dos recursos depositados na suas contas correntes, com exceção do Bradesco, que informou parcialmente a origem dos depósitos. Anexa carta da referida instituição, na qual consta informação do atendimento parcial à solicitação formulada pelo interessado, mediante apresentação de cópias dos depósitos efetuados em sua conta corrente. Sobre as cópias dos cheques solicitados, afirma que deveriam ser solicitadas aos bancos dos emitentes destes (fl.853). Assim, alegando que os recursos depositados no Banco Bradesco devem ser identificados para serem tributados e, invocando o direito constitucional da ampla defesa, requer que a Administração "proceda à intimação das entidades bancárias competentes pela emissão dos cheque, documentos de crédito, etc..., depositados na referida conta, para que forneçam cópias dos mesmos, a fim de se demonstrar efetivamente, que os recursos não se tratam de lucro liquido tributável...". Alega, ainda, que foi vitima de assalto em seu escritório (B.O anexo às fls.849/852), o que dificultou a demonstração ao auditor fiscal da compatibilidade entre os rendimentos auferidos e a DIRPF do anocalendário de 1998. Observa que, apesar do fato, comprovou 98% (noventa e oito por cento) dos depósitos e a atividade licita que exerce. Acrescenta que pela mesma razão, restou prejudicada a comprovação das despesas mensais do escritório, bem como os recursos depositados no Banco Bradesco, que tornam o pequeno lucro real auferido, isento de tributação. Por outro lado, apesar da ilegalidade absoluta da tributação, não foi difícil apurar parte das despesas básicas dedutíveis,tendo sido refeito o livrocaixa do ano em questão, cujos comprovantes ficam à disposição da Autoridade Administrativa. Elabora um demonstrativo considerando os rendimentos recebidos de pessoas físicas apurados pelo lançamento, descontando os valores das despesas que pretende que sejam consideradas na fase impugnatória, conforme relacionadas às fls. 839/846. Traz, ainda, um demonstrativo para questionar o valor apurado pela fiscalização em relação aos depósitos bancários com origem não comprovada, Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.000146/200334 Acórdão n.º 2402004.732 S2C4T2 Fl. 1.818 5 afirmando que na sua elaboração considerou os elementos constantes nos quadros e planilhas utilizados pelo autuante. Apurou dessa forma um valor tributável de R$44.667,35, menor do que o constante no auto de infração, mas ressalta que não é titular desses recursos, estando fragilizada a possibilidade de demonstrar a assertiva, em razão do mencionado assalto. Consolida os valores que apurou para cada infração, enfatizando, contudo, que o suposto crédito carece de legitimidade para ser exigido, uma vez que abarcam os recursos depositados no Bradesco, que não foram identificados pela referida entidade. Mantido integralmente o lançamento no julgamento de primeiro grau (fls. 876/889), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/6/2013, aduzindo em síntese, que: ameaçado, sob clara coação, apresentou as informações "solicitadas" à SRF; é inconstitucional o procedimento fiscal, pois devassado o seu sigilo sem autorização judicial, em contrariedade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 389.808; disponibilizou farta documentação ao Auditor Fiscal, e que por força maior, ocorrência policial, não pôde comprovar a totalidade dos depósitos; no tocante aos depósitos não comprovados, o tributo deveria cair no máximo em 6% dos valores depositado, que o foi o seu rendimento real; devem ser diligenciadas as autoridades bancárias responsáveis pelas contas dos cheques emitidos e depositados em sua conta, para esclarecer a quais locadores pertencem os depósitos; foi desrespeitado o princípio da capacidade contributiva; é inconcebível que, conforme teratológica justificativa do acórdão a quo, a diferença positiva entre depósitos e aluguéis brutos percebidos tenha sido tributada como omissão de rendimentos, e que nos casos em que o valor dos aluguéis eram maiores que os créditos, tal diferença tenha sido desconsiderada; as taxas de administração de imóveis não eram necessariamente auferidas no mês de recebimento, assim houve meses em que as despesas suplantaram os lucros auferidos, impondose a devida compensação dos saldos negativos com os saldos positivos. Demanda, ao final, seja julgado extinto o procedimento fiscal dada sua inconstitucionalidade. Caso contrário, que sejam realizadas as diligências requeridas, e que o método espúrio dos cálculos para apuração do tributo inclua a consideração das diferenças negativas desprezadas, bem como as despesas de custeio mencionadas na defesa de primeira instância. É o relatório. Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cabe afastar, de início, a alegação do contribuinte de que entregou os extratos sob clara coação, ou "ameaça", conforme refere em suas aduções recursais. Nenhuma evidência documental há nesse sentido, do que decorre que eventual sentimento de estar sendo coagido pelo Fisco resta por pertencer à esfera íntima do autuado, não servindo como embasamento para questionar a autuação. Registrese que a demanda da fiscalização baseouse na legislação aplicável à matéria, a saber os arts. 142, 194, 195 e 196 do Código Tributário Nacional, art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, e art. 7º da Lei nº 2.534, de 29 de novembro de 1954. Tratandose a intimação dirigida ao contribuinte de mero exercício regular do poderdever da fiscalização amparado nas precitadas disposições normativas, conforme consignado no próprio Termo de Início de Fiscalização (fl. 6), é oportuno lembrar que, consoante reza o art. 153 do Código Civil, não se considera coação, espécie de vício de consentimento, a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial. Aliás, compulsando os autos, pode ser verificado que o próprio contribuinte entregou os extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal mediante intimação. Não há falar, consequentemente, de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial a ensejar a alegada inconstitucionalidade do procedimento, argumento o qual, de todo modo, restaria afastado por atrair a incidência do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Face ao teor do enunciado sumular supra, também não há como prosperar as alegações acerca de uma suposta violação do princípio da capacidade contributiva, por possuir essa matéria assento constitucional. Por outro lado, o contribuinte vem afirmando, desde o início do procedimento fiscal (fl. 11), que boa parte dos recursos movimentados em suas contascorrente é proveniente de administração de imóveis de terceiros, dos quais recebe aluguéis e repassa para os respectivos proprietários. Levando em consideração tal alegação, foram demandados e examinados vários contratos de locação, bem como diligenciados os proprietários dos imóveis, visando a confirmação dos valores recebidos de aluguéis, e das taxas de administração pagas. Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.000146/200334 Acórdão n.º 2402004.732 S2C4T2 Fl. 1.819 7 Consolidadas tais informações e cotejadas com os créditos efetuados nas contascorrente do contribuinte, apurou a fiscalização as infrações ora questionadas nesse sentido, ver Termo de Verificação Fiscal de fls. 794/814. Vale lembrar, neste átimo, que desde o início da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Com efeito, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão. Dessarte, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos. Nesse contexto, resta descabido o pleito para que seja realizada diligência junto às entidades bancárias para que identifiquem os responsáveis pela emissão dos cheques depositados no Banco Bradesco, pois a produção de provas com vistas a infirmar a autuação é encargo do contribuinte, cabendolhe sustentar a defesa de seu direito com documentação hábil a fundamentar suas razões. Atentese que a decisão sobre os pedidos de diligência está no âmbito da discricionariedade do julgador, conforme regram os arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72, sendo que no caso dos autos não se vislumbra a necessidade de coleta de elementos adicionais de prova para a formação de convicção acerca dos fatos em apreço. Quanto ao roubo registrado por Boletim de Ocorrência constante às fls. 849/852, não serve ele de escusa para amparar a lacuna na apresentação de documentos comprobatórios da origem dos depósitos bancários. Há naquele documento a referência genérica à subtração de cheques de clientes, mas não há especificação alguma sobre os emitentes, bancos, datas, valores ou mesmo quantidade de cheques roubados; também registra se a subtração de notas fiscais, contratos de locação, mas sem qualquer detalhamento. A única menção precisa ali constante é atinente ao Livro Caixa 2001, ano diverso do fiscalizado. Outrossim, não há base para que a tributação se opere sobre apenas 6 % (seis por cento) dos depósitos que restaram caracterizados como sendo de origem não comprovada, o que corresponderia a taxa de administração que é alegadamente devida ao recorrente, simplesmente porque inexiste elemento de prova de que tais valores sejam atinentes, efetivamente, a repasses a serem efetuados aos clientes do contribuinte. Justamente por isso, aliás, é que remanesceram como depósitos de origem não comprovada, ao final da ação fiscal. Destaquese que o autuado, tendo recebido rendimentos de pessoas físicas como autônomo, deveria ter escriturado livrocaixa tanto para poder deduzir as eventuais despesas decorrentes de sua atividade, quanto para poder atestar os ingressos recebidos a ela vinculados, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, e do inciso I do art. 4º e art. 34 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Tendo assim procedido, poderia ter dado suporte as ilações ventiladas na peça recursal ora abordada; não o havendo feito, acaba por perderse em arrazoados desprovidos de respaldo fáticoprobatório. Notese que em sua impugnação, assevera ele que "foi parcialmente refeito o livro caixa referente ao exercício de 1.998" (fls. 837/846), apresentando tabelas onde constam despesas que pretende deduzir na apuração do imposto. A apresentação de livrocaixa após autuação consubstanciase, na prática, em tentativa de retificação não espontânea da Declaração de Ajuste Anual com o objetivo de redução de tributo, proceder repudiado pelo § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional. Não resta tampouco evidenciado, a propósito, a ocorrência de erro material que sirva, eventualmente, de pretexto a amparar a não apresentação desse documento em momento anterior, passível de ser considerada nos termos previstos pelo art. 21 do Decretolei nº 1.967 e art. 6º do Decretolei nº 1968, ambos de 23 de novembro de 1982. Na espécie, dito "livro caixa", além de consignar apenas despesas, não se reveste das devidas formalidades extrínsecas, e, havendo sido carreado aos autos tão somente em sede de impugnação, deve ser desconsiderado para os fins a que se pretende, assim como a vinculada arguição para que fossem acatadas as "despesas de custeio". O contribuinte refere, ainda, ser inconcebível que na autuação a diferença positiva entre depósitos e aluguéis brutos percebidos tenha sido tributada como omissão de rendimentos, e que nos casos em que o valor dos aluguéis eram maiores que os créditos, tal diferença não tenha sido considerada. Acrescenta, nessa rumo, ser possível a compensação desses montantes. Com efeito, o intento do recorrente pode ser resumido da seguinte maneira. Em alguns meses, os valores de aluguéis brutos constatados foram superiores aos dos depósitos sujeitos à comprovação (ver fl. 888), em diferença supostamente explicável pelas despesas incorridas na condução dos negócios e no descompasso entre o recebimento dos aluguéis e o auferimento de suas receitas. Daí, considera pertinente alocar tal diferença nos meses em que o montante de créditos não comprovados supera os aluguéis. Todavia, de acordo com o § 4º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, "tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira". Nesse diapasão, primeiramente seria necessário o contribuinte fazer a devida prova das despesas a que se refere, bem como da desarmonia entre a recepção dos aluguéis e de suas rendas, o que não se verificou. Além disso, frisese que é perfeitamente possível que a diferença positiva entre o montante de aluguéis recebidos e os depósitos bancários não comprovados devase ao fato de que parte desses aluguéis não tenham transitado nas contas examinadas, ou hipótese de quilate similar. Em resumo, escorreito foi o procedimento da autoridade lançadora, que não aproveitou referida diferença na apuração do crédito tributário, face à ausência de qualquer evidência que permitisse que tal utilização se desse com esteio em critério confiável, o que Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.000146/200334 Acórdão n.º 2402004.732 S2C4T2 Fl. 1.820 9 poderia ter sido sanado, repitase, caso o contribuinte houvesse controlado e escriturado suas operações em livrocaixa, guardando os documentos que lhe serviram de lastro. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário Ronnie Soares Anderson. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 16306.000011/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-001.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2464; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 192 1 191 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16306.000011/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.976 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria CSLL Recorrente AKZO NOBEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 00 11 /2 01 0- 75 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 193 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 194 3 Relatório Akzo Nobel Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 7ª Turma da DRJ São Paulo01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “O presente processo versa acerca das DCOMP eletrônicas abaixo detalhadas, cuja formalização visou declarar a compensação dos débitos nelas especificadas com crédito oriundo de pagamento a maior da estimativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de dezembro do anocalendário de 1999: TIPO DE CRÉDITO: PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL: R$ 1.340.053,63 Nº do PER/DCOMP Inicial: 36230.51379.180805.1.7.042235 PER/DCOMP Nº DATA DE TRANSMISSÃO Fls. CRÉDITO ORIGINAL UTILIZADO NA DCOMP VALOR TOTAL DE DÉBITOS NA DCOMP SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL 36230.51379.180805.1.7.042235(1) 18/08/2005 4/11 422.992,24 742.520,57 907.399,78 28167.78158.180805.1.7.045005(2) 18/08/2005 29/36 13.127,72 23.044,40 894.272,06 42457.73511.180805.1.7.045490(3) 18/08/2005 12/28 504.666,78 885.892,07 389.605,28 35856.33530.180805.1.7.044208(4) 18/08/2005 49/55 2.154,59 3.782,16 387.450,69 34771.37244.180805.1.7.044432(5) 18/08/2005 37/43 7.055,50 12.385,23 380.395,19 20529.67038.180805.1.7.042119(6) 18/08/2005 44/48 380.395,18 667.745,70 0,01 (1) Retificadora da PER/DCOMP nº 08126.85057.050504.1.3.040342; (2) Retificadora da PER/DCOMP nº 40892.69316.120504.1.3.045550; (3) Retificadora da PER/DCOMP nº 04751.75738.190504.1.3.041206; (4) Retificadora da PER/DCOMP nº 10125.67287.190504.1.3.044388; (5) Retificadora da PER/DCOMP nº 09951.65319.260504.1.3.040632; (6) Retificadora da PER/DCOMP nº 42588.52982.310504.1.3.049514. DARF CSLL PERÍODO DE APURAÇÃO 31/12/1999 CNPJ 60.561.719/000123 CÓDIGO DE RECEITA 2484 DATA DE VENCIMENTO 31/01/2000 VALOR DO PRINCIPAL 1.340.053,63 VALOR DA MULTA VALOR DOS JUROS VALOR TOTAL DO DARF 1.340.053,63 DATA DE ARRECADAÇÃO 31/01/2000 A matéria foi objeto de decisão proferida em sede da Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SP) por intermédio do Despacho Decisório EQPIR/DIORT/DERAT/SPO formalizado em 29/01/2010 (fl. 74/78), segundo o qual se resolveu: (I) RECONHECER o direito creditório no valor de R$ 162.730,26 (cento e sessenta e dois mil, setecentos e trinta reais e vinte e seis centavos) atinente ao pagamento indevido ou a maior da estimativa da CSLL Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 195 4 apurada em dezembro do anocalendário de 1999; e (II) HOMOLOGAR as compensações até o limite do direito creditório reconhecido De acordo com os termos da decisão administrativa, a autoridade tributária responsável pela análise do pleito enfatiza, primeiramente: observouse que o requerente promoveu a apresentação de cinco DCTF atinentes ao 4º trimestre/1999 (fls. 56/61), cujas transmissões apresentaram a seguinte evolução de informações inerentes à estimativa confessada em dezembro daquele períodobase: Número da Declaração Data da Recepção Cod. Trib . PA Valor Pagamento Compensação Fl. 000.100.2000.90232958 16/02/2000 2484 Dez/1999 1.340.053,63 1.340.053,63 57 0000.100.2000.70323552 04/08/2000 2484 Dez/1999 1.207.805,55 1.166.096,08 41.709,47 Sem processo (*) 58 000.100.2001.50636233 20/07/2001 2484 Dez/1999 1.207.805,55 1.166.096,08 41.709,47 Sem processo (*) 59 000.100.2004.41917276 27/09/2004 2484 Dez/1999 1.207.805,55 1.166.096,08 41.709,47 Sem processo (**) 60 000.100.2005.51959587 17/08/2005 2484 Dez/1999 1.207.805,55 1.207.805,55 Sem processo (***) 61 (*) Compensação sem processo com saldo negativo da CSLL; (**) Compensação sem processo com saldo negativo da CSLL do AC 1998; (***) Compensação sem processo, sendo R$ 1.203.561,92 com saldo negativo da CSLL do AC 1995 e R$ 4.243,63 com saldo negativo da CSLL do AC 1998. Destaca também que a Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica do Exercício 2000 – Anocalendário 1999 (DIPJ/2000) apresenta a apuração da estimativa de dezembro no montante de R$ 1.207.805,55. Quanto à tempestividade da entrega das DCOMP eletrônicas informa que todas foram transmitidas tempestivamente com observância dos prazos legais estabelecidos na legislação tributária. Por outro lado, certifica que a compensação sem processo com crédito proveniente de saldo negativo da CSLL dos anosbase de 1995 e 1998, veiculadas na DCTF retificadora nº 000.100.20051959587, entregue em 17/08/2005, nos valores de R$ 1.203.561,92 e R$ 4.243,63, respectivamente, foram efetuadas após o decurso do prazo legal admitido. Afora este aspecto, salienta que na data de transmissão da DCTF retificadora não mais se permitia a realização de compensação de débitos sem processo, mas somente amparada em declaração de compensação instituída pelo art. 74 caput e §1º da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Diante disso, a autoridade administrativa promoveu o exame da legitimidade do pleito baseado nas informações constantes nas DCTF retificadoras precedentes, segundo as quais se identificou a extinção parcial da estimativa através da utilização do valor de R$ 1.166.096,08 relativo ao DARF pago em 31/01/2000, no montante de R$ 1.340.053,63. Ressalta que o mesmo DARF foi aproveitado para compensação parcial da estimativa apurada em Jan/2000, utilizandose do valor de R$ 13.135,93 (fls. 71/72). Neste contexto, caracterizou a existência de um crédito proveniente de pagamento a maior da estimativa de Dez/1999, no importe de R$ 162.730,26 Regularmente cientificado do aludido Despacho Decisório, por via postal, consoante AR recebido em 15/03/2010 (fls. 79/80), o contribuinte protocolou suas contrarrazões em 13/04/2010 (fls. 108/116), acompanhada de documentação Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 196 5 anexada à manifestação de inconformidade, através da qual submete seus argumentos de forma a contrapor as inferências firmadas na decisão administrativa. Inaugura suas alegações discordando das inferências de caracterizaram a decadência do direito do requerente em razão do decurso do prazo de cinco anos para realização da compensação com o crédito proveniente do pagamento a maior da estimativa de dezembro/1999. Depreende equivocada a conclusão do AuditorFiscal alegando o crédito já havia sido apurado em 16/02/2000, correspondente à data de transmissão da DCTF original, e que a retificadora entregue em 17/08/2005 em nada altera a situação da apuração do crédito em favor do contribuinte. Assim sendo, sustenta que não se operou a decadência com relação ao crédito pretendido, visto que a constituição do direito formulouse dois meses após a realização do pagamento indevido. Acrescenta que ainda se compreenda que a data da constituição do crédito promoveu pela DCTF retificadora transmitida em 17/08/2005, a contagem do prazo qüinqüenal somente se iniciaria após o prazo de homologação do lançamento. Reforça suas inferências mencionando ementa de acórdão prolatado pelo STJ, cujo teor versa sobre a aplicação da LC 118/2005 para efeito de contagem do prazo decadencial e prescricional. Noutro ponto, entende que não assiste razão as conclusões que suscitam a impossibilidade de compensação na forma adotada pelo requerente. Repisa que a constituição do crédito ocorreu na data da transmissão da DCTF original (16/02/2000) e não na data de transmissão da DCTF retificadora (17/05/2005). Desse modo, à época da entrega do requerimento de compensação não se encontravam vigentes as normas que disciplinam a feitura de pedidos de compensação mediante processo. Protesta que restringir o exercício de um direito com base em norma introduzida no ordenamento jurídico em momento posterior à ocorrência do pedido de compensação realizado pelo contribuinte acaba afrontando o princípio constitucional da segurança jurídica. Sob este aspecto cita trecho de ementa de julgamento emanado pelo STJ. Diante disso, em relação ao caso concreto, entende descabida a motivação reportada pela autoridade administrativa para afastar a eficácia da compensação promovida sem processo. Encerra suas argüições, requerendo a reforma do despacho decisório, bem assim o reconhecimento integral do crédito e, finalmente, a homologação das compensações declaradas. Ato contínuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SP1 para julgamento da manifestação de inconformidade. É o relatório.” Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 197 6 A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 42.981 (fls. 155169) de 17/01/2013, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE. A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Por intermédio do dispositivo legal disciplinouse os pressupostos essenciais para realização do procedimento de compensação no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, incluindose a obrigatoriedade de apresentação declaração específica para determinação da extinção do crédito tributário nele confessada, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela autoridade tributária competente. DECADÊNCIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 198 7 necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 17/05/2013 (termo de fl. 170) a interessada interpôs recurso voluntário em 14/06/2013 (fls. 173186) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 199 8 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. A recorrente submete para apreciação suas argumentações em oposição às conclusões exaradas no Despacho Decisório EQPIR/DIORT/DERAT/SPO formalizado em 29/01/2010 (fl. 74/78), que resultaram no reconhecimento parcial do crédito declarado, proveniente ao pagamento a maior de estimativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) atinente ao mês de dezembro do anobase de 1999. Antes de analisar as alegações interpostas pelo interessado, cumpre instar que a compensação representa modalidade de extinção do crédito tributário prevista no art. 156, inciso II, da Lei 5.172, de 25/10/1966 (CTN), cuja faculdade de aplicação deste instituto, a título de fruição de um direito, estabelece como premissa que o crédito reclamado pelo sujeito passivo esteja dotado de certeza e liquidez, consoante preceito definido no caput do art. 170, do CTN, in verbis: "Art. 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública”. Depreendese desse contexto que o art. 170 do CTN definiu que o exercício do direito somente poderá ser levado a efeito pelo sujeito passivo para fins de compensação de créditos tributários, vencidos ou vincendos, com direitos creditórios líquidos e certos, desde que em consonância com a legislação de regência que outorgue tal faculdade, bem assim (a) atendidas as condições e as garantias fixadas pela norma regulatória específica, ou (b) cumpridas as condições estipuladas em cada caso, em razão de atuação das autoridades administrativas realizada nos limites das atribuições conferidas pela lei. Nesse panorama, o advento do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, alterado pelas redações dadas pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, instituiu a matriz legal que preceitua as condições e garantias concernentes à compensação de créditos do sujeito passivo com débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), segundo corroboram os excertos abaixo reproduzidos, cujos termos norteiam as formalidades e prazos de homologação da compensação declarada: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 200 9 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação.” Ante tal perspectiva, revelase, consequentemente, que incumbe à autoridade administrativa examinar se o crédito apurado pelo contribuinte atende de forma absoluta às premissas firmadas pelo diploma legal, sendo de sua incumbência demonstrar a concretude do direito de fruição da importância pleiteada, assim, evidenciando a certeza e liquidez do pretenso direito creditório, baseandose nos pressupostos legais firmados no caput do art. 170 do CTN combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Enfim, cumpre instar também que, in casu, a efetivação do exercício do direito de compensação condicionase à apresentação da Declaração de Compensação (DCOMP), elaborada em conformidade com os ditames especificados no manual de preenchimento integrante da versão disponibilizada do Programa PER/DCOMP, aprovado por ato normativo expedido pela Secretaria da Receita Federal Brasil, consoante disciplina os termos do §14 do Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 c/c com o §1º do art. 26 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005. No caso em análise, propugna a legitimidade do crédito veiculado na PER/DCOMP, no valor de R$ 1.330.392,02, bem assim do procedimento realizado através da DCTF retificadora através do qual consignou a feitura de compensação sem processo para quitação da estimativa de dezembro/1999. Além disso, ressalta que o crédito declarado encontravase constituído desde a entrega da DCTF original do 4º trimestre/1999, transmitida em 16/02/2000 e não quando da transmissão da retificação. Diante disso, protesta que a inocorrência do decurso de prazo para exercício de compensação, bem assim a pertinência do procedimento adotado através da DCTF. Passo a examinar a controvérsia instaurada pelo requerente, apresentando as inferências na ordem destacada nos tópicos abaixo. Da compensação de tributos/contribuições sem processo Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 201 10 De plano, vale ressaltar que, conforme bem posto na decisão recorrida, a seqüência de informações prestadas pelo contribuinte através das DCTF do 4º trimestre/1999 (originais e retificadoras) sequer confirmam as alusões propugnadas. Analisando os dados expressos na DCTF original, transmitida em 16/02/2000, por si só, observase que, primeiramente, o contribuinte veiculou que o débito encontravase integralmente quitado pelo pagamento associado ao litígio, ou seja, inexistindo qualquer indicação da existência de indébito tributário em seu favor. No que concerne às DCTF retificadoras entregues 04/08/2000, 20/07/2001 e 27/09/2004, o contribuinte alterou parcialmente as informações originais, particularmente, o valor da estimativa de dezembro/1999, bem assim da composição das causas extintivas, qual seja: a) Débito declarado: DCTF original: R$ 1.340.053,63 DCTF retificadoras: R$ 1.207.805,55 b) Créditos Vinculados: DCTF original: Pagamento no valor de R$ 1.340.053,63 DCTF retificadoras: Compensação sem processo no valor de R$ 41.709,47, proveniente de crédito de saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1998; e Pagamento no valor de R$ 1.166,096,08. Percebese claramente que tãosomente através da entrega extemporânea da DCTF retificadora, transmitida 17/08/2005, houve a iniciativa do requerente de informar a compensação da estimativa de dezembro/1999 com o pretenso saldo negativo do períodobase de 1995, ocasião em que não mais se permitia a adoção dessa providência para cumprimento do regime instaurado com o advento da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Exatamente esse é o aspecto acentuado na fundamentação que afastou os efeitos da última DCTF transmitida pelo interessado (17/08/2005), cuja entrega objetivou a liberação integral do DARF pago no valor R$ 1.340.053,63. De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiu se nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 202 11 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório. Da prescrição do direito Não bastasse essa circunstância, melhor sorte não alcança o requerente quanto às ponderações que protestam a inocorrência da prescrição do direito ao exercício de formulação da compensação nos moldes estabelecidos pela legislação tributária. Nesse diapasão, adoto os fundamentos da decisão recorrida na forma a seguir apresentada, por entender que essa bem enfrentou a matéria. Sob esse aspecto, importa esclarecer que a autoridade administrativa não discute o eventual decurso de prazo de utilização da parcela correspondente ao indébito tributário associado ao DARF pago no prazo de vencimento da estimativa de dezembro/1999. A abordagem tratada no despacho decisório referese à inadmissibilidade de validação das compensações sem processo, veiculadas na DCTF retificadora transmitida em 17/08/2005 (fls. 56 e 61), segundo a qual noticiou a extinção da aludida estimativa com a utilização de pretensos créditos oriundos de Saldo Negativo da CSLL apurados nos anos calendário de 1995 (R$ 1.203.561,92) e de 1998 (R$ 4.243,63). Exatamente essas compensações sem processo denotamse alcançadas pela prescrição, visto que, salvo prova em contrário, revelamse utilizadas após o decurso do prazo de 5 anos da data encerramento do períodobase, pormenor que impede a produção de seus efeitos com intuito de desonerar integralmente do DARF especificado na PER/DCOMP inicial. Esclarecido este ponto, passase a tratar a questão inerente ao lapso temporal admitido para o exercício da compensação para efeito de extinção de determinado crédito tributário. Primeiramente, cumpre instar que a apuração da CSLL no regime de tributação com base no Lucro Real coadunase com a modalidade de lançamento por homologação, cuja disposição legal vertente a data de extinção do crédito tributário encontra fundamento nos preceitos firmados no art. 150, caput e §§1º e 4º do CTN, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 203 12 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Por seu turno, o regramento que outorga a admissibilidade de restituição ou compensação do indébito tributário apurado pelo sujeito passivo encontra respaldo no art. 165, I do Código Tributário Nacional (CTN), cujo exercício da faculdade ordena a observância do inciso I do art. 168 do mesmo diploma legal combinado com os termos do art. 3º e 4º da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005: (a) Art. 165, inciso I e 168, caput e inciso I do Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4.º do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. II ...............................................................................................” (b) Art. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005: “Art. 3º . Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º. Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” Nesse compasso, para efeito de determinação do marco prescricional dos créditos oriundos dos saldo negativo atinentes aos anos de 1995 e 1998, apurados no regime do Lucro Real anual, importa ressaltar que os respectivos períodosbase encerramse nos dias 31 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 204 13 de dezembro de cada anocalendário (data na qual se aperfeiçoa o fato gerador da obrigação tributária), inaugurandose a partir de então a contagem do lapso temporal conferido ao interessado para efetivação da faculdade outorgada na forma dos arts. 150 § 4º, e 165, inciso I, do CTN c/c com o disposto no art. 2º, §3º e 28 da Lei nº 9.430, de 1996. Por essa forma, seguro inferir que ainda que fosse permissível a medida adotada pelo requerente, esta promoveuse após o transcurso do lapso temporal admitido pela legislação aplicável, fato que tornaria ineficaz a compensação formulada. Somado a isso, descabe qualquer alusão no sentido de afastar a eficácia na norma interpretativa instituída nos termos do art. 3° da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005. A temática foi objeto de pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, emanado em sede do Recurso Extraordinário – RE nº 566.621/RS, admitido com reconhecimento da repercussão geral da matéria através do Recurso Extraordinário – RERG nº 561.9087/RS, cuja questão incidental foi julgada pelo Tribunal Pleno, em 04/08/2011 (publicado em 11/10/2011) e transitado em julgado, em 17/11/2011, versando acerca da admissibilidade ou não da aplicação retroativa dos dispositivos fixados na Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 205 14 de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis , conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. (destacouse) Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconsti tucionalidade art . 4º , segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 . (destacouse) Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Demonstrase pelos termos do julgado acima ementado, que o Supremo Tribunal Federal posicionouse pela inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, resguardandose, todavia, a plena eficácia da norma quanto às demandas ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Nesse cenário, percebese que também sob este aspecto confirmase a incongruência da pretensão formulada, visto que a própria iniciativa do sujeito passivo realizouse após a vigência da norma interpretativa, fato que torna determinante a ratificação do decurso do lapso temporal para o exercício da compensação. Repisese que a formatação das vinculações levadas a efeito pelo sujeito passivo com finalidade de demonstrar a extinção da estimativa de dezembro/1999, mediante compensação sem processo com pretensos créditos oriundos de saldo negativo da CSLL apurados nos anoscalendário de 1995 (R$ 1.203.561,92) e de 1998 (R$ 4.243,63), apenas se materializou na DCTF retificadora transmitida em 17/08/2005, ou seja, após o decurso do prazo prescricional da CSLL apurada no anobase de 1999. Em suma, percebese que a transmissão extemporânea da aludida DCTF retificadora promoveu uma alteração qualitativa da informação concernente à forma de extinção da estimativa confessada, sem maiores justificativas para tanto, levando a efeito, precipuamente, a disponibilização integral do DARF pago em 31/01/2000, no valor de R$ 1.340.053,63, ou seja, denotando o único propósito de se estabelecer uma tênue identidade da situação do débito e do pagamento após a aludida retificação da declaração, circunstâncias, Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16306.000011/201075 Acórdão n.º 1402001.976 S1C4T2 Fl. 206 15 agora, conjeturadas na manifestação de inconformidade com o intuito de sustentar a pertinência do crédito para homologação das compensações declaradas. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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