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Numero do processo: 10374.000013/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2007
MULTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DÉBITO COMPENSADO PARCELADO. MATÉRIA DISTINTA. APRECIAÇÃO.
A exigência do débito indevidamente compensado não se confunde com a exigência da multa decorrente da compensação indevida, de forma que o parcelamento do débito indevidamente compensado não representa renuncia ao contencioso fiscal relacionado à infração.
Numero da decisão: 3201-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2007 MULTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DÉBITO COMPENSADO PARCELADO. MATÉRIA DISTINTA. APRECIAÇÃO. A exigência do débito indevidamente compensado não se confunde com a exigência da multa decorrente da compensação indevida, de forma que o parcelamento do débito indevidamente compensado não representa renuncia ao contencioso fiscal relacionado à infração.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DÉBITO COMPENSADO PARCELADO. MATÉRIA DISTINTA. APRECIAÇÃO. A exigência do débito indevidamente compensado não se confunde com a exigência da multa decorrente da compensação indevida, de forma que o parcelamento do débito indevidamente compensado não representa renuncia ao contencioso fiscal relacionado à infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 37 4. 00 00 13 /2 01 0- 74 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10374.000013/201074 Acórdão n.º 3201001.958 S3C2T1 Fl. 237 2 Tratase de litígio administrativo instaurado com a impugnação de CASA SHOW S/A (fls. 82/92) ao auto de infração lavrado pela DRF/NOVA IGUAÇU (fls. 58/64). O auto de infração constituiu multa isolada por compensação indevida, no valor total de R$ 6.202.936,46 (fl. 63). O enquadramento legal está no art. 18 da Lei 10.833/03, com redação dada pelas Leis 11.051/04 e 11.196/05, bem como pelo art. 18 da MP 351/07 (fl. 62). Consta dos autos cópias reprográficas dos pareceres administrativos da DRF/NOVA IGUAÇU que embasaram despachos decisórios, os quais, por sua vez, indeferiram, por considerar não declaradas, as compensações relativas a débitos do contribuinte relativos ao PIS e à Cofins com créditos da SIMAB S/A. Tais créditos referemse a créditosprêmios de IPI, oriundos de ações judiciais ainda pendentes de trânsito em julgado, nas quais constituem partes nos processos judiciais: SIMAB S/A (cedente dos créditos) e a Fazenda Nacional (fls. 02/52). O termo de verificação fiscal que integra o auto de infração – faz remissão aos pareceres citados e as respectivas representações fiscais com a finalidade de constituir o auto de infração (fls. 6769). Em seguida, consolida os dados das representações, dos pareceres, dos despachos decisórios com os débitos compensados e as correspondentes multas (fl. 71). O citado termo de verificação traz como fundamentos, ainda, em síntese, que: • O crédito relativo à compensação considerada indevida se refere a créditosprêmio de IPI de terceiros (SIMAB S/A) utilizado com base em mandado de segurança; • O exame de todo o trâmite judicial conclui pela inexistência de decisão judicial capaz de amparar o direito de compensação pleiteado; • O referido crédito necessita não só de liquidez e certeza, mas também de autorização legal ou administrativa para a sua utilização; • A aplicação da multa isolada é decorrente do descumprimento do disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, § 12, II, incluída pela Lei 11.051/04, que impede que sejam objeto de compensação os créditos de terceiros, créditosprêmios e créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; • O § 4º do art. 18 da Lei 10.833/03 determina que seja aplicada multa isolada no percentual de 75% sobre o total do débito indevidamente compensado, na forma do inciso I do caput do art. 44 da Lei 9.430/96, quando a compensação for considerada não declarada; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10374.000013/201074 Acórdão n.º 3201001.958 S3C2T1 Fl. 238 3 • A multa tem por base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado (art. 18, § 2º da Lei 10.833/03); • Com fulcro no art. 173, I do CTN, as multas não estão alcançadas pela decadência. Intimação do auto de infração foi realizada, segundo termo de anexação à fl. 81, em 10/09/2010. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, em 08 de setembro de 2010, alegando, em síntese, que: • Deixou de observar a autoridade lançadora que as compensações realizadas encontravam respaldo na decisão judicial proferida pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do processo nº 2000.02.01.0613208. • Transcrevendo a decisão judicial citada frisa que o magistrado deu provimento “ao recurso do SIMAB S/A, reconhecendo seu direito de utilizar os créditosprêmio de IPI, à alíquota de 15%, decorrentes de exportação de produtos manufaturados através de compensação com quaisquer débitos oriundo de tributos administrados pela SRF, como também o direito de transferir tais créditos a terceiros, apoiado no DL 491/69 e na IN SRF 21/97, consolidada pela IN SRF nºs 73/97 e 37/97”. • O Poder Judiciário, portanto, acolheu a pretensão da SIMAB S/A e do impugnante. Conseqüentemente, em nenhuma hipótese caberia à autoridade fiscal lançadora desconsiderar tal fato, porque os contribuintes nada mais fizeram que atuar em conformidade com a decisão proferida pelo Poder Judiciário. • Descabe qualquer argumento no sentido de que as compensações realizadas encontrariam óbice no disposto no art. 170A do Código Tributário Nacional, mostrandose desaconselhável pensar que os Desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que legitimaram o procedimento adotado pela impugnante, desconheciam o teor daquele dispositivo. • É óbvio que, naquele caso, se o TRF2 acolheu a pretensão da SIMAB e, em conseqüência, autorizou a compensação com débitos de terceiro, fora afastada a norma prevista no art. 170A do CTN. • Traz o contribuinte aos autos decisões em que o Poder Judiciário impediu a aplicação de penalidade, em virtude de o contribuinte efetivar compensação com amparo em decisão judicial. • Por fim, requer a impugnante provimento à impugnação para cancelar integralmente os débitos que constituem o presente auto de infração. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10374.000013/201074 Acórdão n.º 3201001.958 S3C2T1 Fl. 239 4 Sobreveio decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, que decidiu, por unanimidade de votos, por não conhecer da impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2007 PARCELAMENTO. EFEITOS: CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DE DÍVIDA. FORMAÇÃO DE TÍTULO EXECUTIVO NO VALOR DOS DÉBITOS. NÃO PODEM MAIS SER TAIS VALORES DISCUTIDOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO À BASE DE CÁLCULO OU À LEGISLAÇÃO EM QUE SE FUNDA O AUTO DE INFRAÇÃO. MATÉRIA QUE NÃO ESTÁ EXPOSTA À LIDE IMPORTA, EM PRINCÍPIO, EM ACEITAÇÃO DO AUTO. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. A recorrente defende ainda que sua impugnação deve ser conhecida, haja vista não ter ocorrido a citada formalização de parcelamento dos supostos débitos fiscais debatidos no processo administrativo em referência. Apresenta o comprovante da consolidação do parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09 para comprovar o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A decisão recorrida fundamenta o não conhecimento da peça impugnatória devido a que todos os processos de PER/DCOMPs que ensejaram o auto de infração em pauta foram objeto de parcelamento, exceto o de nº 15374.002065/200612, o qual os débitos respectivos foram encaminhados à PFN, para execução fiscal. Entende que os débitos parcelados enquadramse na hipótese prevista no art. 5º da Lei 11.941/09, e que os débitos encaminhados para execução fiscal encontramse definitivamente constituídos. Pois bem, o presente processo tem por objeto a exigência de multa isolada decorrente de diversas compensações consideradas não declaradas. Não se encontra nos autos comprovação de que este débito foi objeto de pedido de parcelamento. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10374.000013/201074 Acórdão n.º 3201001.958 S3C2T1 Fl. 240 5 Os débitos que foram parcelados, conforme exposto na decisão recorrida, correspondem aos débitos compensados na declarações de compensação consideradas não declaradas. Não se confundem com a exigência da multa decorrente da compensação indevida. Em sendo esta a situação em lide, não se mostra correta a decisão recorrida, posto que apenas o parcelamento do débito ora exigido é que teria o condão de representar renúncia ao contencioso administrativo fiscal. Quanto à multa relacionada ao processo nº 15374.002065/200612, da mesma forma, o débito que se encontra definitivamente constituído, e não mais passível de julgamento é apenas o que se refere ao próprio processo, não impedindo o contribuinte de contestar a exigência da multa por compensação indevida. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, anulando a decisão recorrida por preterição ao direito de defesa da recorrente, e devolvendo o processo para que a instância recorrida conheça da peça impugnatória, realizando novo julgamento. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004783/2010-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece do recurso quando o Recorrente não logra demonstrar analiticamente a divergência.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA QUANDO OS FATOS E AS PROVAS SÃO DIFERENTES. Não há divergência quando o acórdão recorrido mantém a multa qualificada a partir de fatos e provas distintos dos analisados no acórdão paradigma que afastou a multa qualificada por entender que, no caso específico, o dolo não restou demonstrado.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes De Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece do recurso quando o Recorrente não logra demonstrar analiticamente a divergência. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA QUANDO OS FATOS E AS PROVAS SÃO DIFERENTES. Não há divergência quando o acórdão recorrido mantém a multa qualificada a partir de fatos e provas distintos dos analisados no acórdão paradigma que afastou a multa qualificada por entender que, no caso específico, o dolo não restou demonstrado. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes De Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 867 1 866 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.004783/201078 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.232 – 1ª Turma Sessão de 4 de fevereiro de 2016 Matéria MULTA QUALIFICADA Recorrente CENTRO TECNOLOGICO CAMBURY LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece do recurso quando o Recorrente não logra demonstrar analiticamente a divergência. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA QUANDO OS FATOS E AS PROVAS SÃO DIFERENTES. Não há divergência quando o acórdão recorrido mantém a multa qualificada a partir de fatos e provas distintos dos analisados no acórdão paradigma que afastou a multa qualificada por entender que, no caso específico, o dolo não restou demonstrado. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 47 83 /2 01 0- 78 Fl. 868DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes De Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório CENTRO TECNOLOGICO CAMBURY LTDA recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 791 e seguintes, contra Acórdão nº 14020001.296, fls 12.634/12.645, de 5 de março de 2013, que recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2005 ATOS POSTERIORES À ALIENAÇÃO ONEROSA DO BEM IMÓVEL.CONTABILIZAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA REAVALIAÇÃO DO BEM IMÓVEL EM RESERVA DE REAVALIAÇÃO. SIMULAÇÃO. Uma série de atos coordenados no sentido de permitir a contabilização do resultado positivo da reavaliação do bem imóvel na conta de reserva de reavaliação caracterizam simulação, visando ocultar deliberadamente a vontade real da contribuinte, de se esquivar da tributação do ganho de capital decorrente da alienação onerosa mesmo bem imóvel para outra sociedade empresária. DOLO. FRAUDE FISCAL. CONDUTA TIPIFICADA. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. O farto encadeamento de fatos, devidamentedocumentados, demonstram o intuito doloso da contribuinte, ao operacionalizar um conjunto de atos ordenados e conscientes, com o objetivo de não oferecer à tributação o ganho de capital auferido em alienação onerosa de bem imóvel, e caracterizam a fraude fiscal, além de tipificar conduta prevista no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária SUSPENSÃO DE ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. CONDIÇÕES.PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. EFEITOS. Caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, cabe a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins conferida pelo Programa Universidade Para Todos PROUNI,instituído por meio da Medida Provisória nº 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei nº 11.096, de 13/01/2005. Asuspensão de isenção deve ser efetivada por meio de ato declaratório executivo,cujos efeitos abrangem todo ano calendáriono qual a infração foi cometida. IMPUGNAÇÃO. EFEITO NÃO SUSPENSIVO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Consoante procedimentos a serem aplicados na suspensão da imunidade e da isenção, dispostos no art. 32, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez efetivada a suspensão Fl. 869DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 9101002.232 CSRFT1 Fl. 868 3 de isenção, por meio do ato declaratório executivo, deverá a autoridade tributária lavrar o auto de infração, se for o caso, sendo que, a impugnação apresentada não terá efeito suspensivo. Recurso Voluntário Negado Provimento. Alega a Recorrente que este processo diz respeito à cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins cobrados em razão da suspensão da isenção de tributos, por ter sido considerado que ele cometeu crime contra a ordem tributária, em decorrência dos fatos apurados no PAF Nº 10120.004712/201075 e, portanto, a expedição do Ato Declaratório de Suspensão, bem como a lavratura dos autos de infração dele decorrentes, deveria aguardar a decisão do processo nº 10120.004712/201075. No item 3 – Síntese dos Fatos do presente recurso, a recorrente narra os fatos relacionados à transação que a Fiscalização entendeu como simulação. E no item 4 Cabimento do Presente Recurso, alega divergência com o acórdão paradigma nº: 9202002.548, cuja ementa transcrevo: “MULTA TRIBUTÁRIA. QUALIFICAÇÃO. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Para a qualificação da multa, utilizandose o percentual de cento e cinqüenta por cento, há a necessidade de demonstração e comprovação cabeis do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No presente caso, não há demonstração e comprovação cabais do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, não devendo prevalecer a qualificação da multa.” (Grifei) No item 5 – Das Razões de Mérito, a recorrente descreve novamente a operação que foi analisada pela Fiscalização, faz contestações e por fim, requer o provimento do presente Recurso, para que se determine o cancelamento da cobrança da totalidade do crédito tributário, “por ser o mesmo contrário a razão da lei e à evidência de prova”. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 1400000.146/2013, de 17/12/2013, o que levou a Fazenda Nacional a apresentar as Contrarrazões aduzindo ausência de préquestionamento da matéria na Impugnação e no Recurso Voluntário, pois, segundo ela, a recorrente discutiu a multa no aspecto de não ser devida por entender que, em razão do disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, o lançamento de ofício estaria com a exigibilidade suspensa. Assim, o assunto teria sido enfrentado não no sentido de analisar a qualificação da multa, isto é, se estava ou não caracterizado o dolo. Alega, ainda, a Fazenda, que o acórdão recorrido não merece reforma porque entende que a simulação ficou bem caracterizada e pede: “Seja aceita a preliminar de ausência de préquestionamento da matéria ventilada no Recurso Especial e rejeitado o recurso apresentado pelo contribuinte. Caso a preliminar apresentada venha a ser superada, que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto, mantendose a decisão proferida pela 2ª Turma da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rego, Relatora O recurso é tempestivo, porém não atende aos pressupostos de admissibilidade constantes da Portaria MF nº 256, de 2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF vigente ao tempo da interposição e nem aos constantes do regimento atual. Isto porque o presente processo diz respeito a lançamentos decorrentes de procedimentos de suspensão de isenção, que por sua vez decorrem do fato de a Fiscalização ter apurado crime contra a ordem tributária, por entender que o sujeito passivo simulou uma incorporação seguida de simulação, para evitar a ocorrência do fato gerador do ganho de capital. Esses fatos estão descritos em outro processo também, conforme mencionado pelo sujeito passivo (PAF nº 10120.004712/201075), mediante o qual a Fiscalização cobrou os tributos relativos à operação em si. Ocorre que desde a impugnação, o sujeito passivo vem pedindo o sobrestamento do julgamento dos autos de infração constantes do presente processo mas, ao mesmo tempo, vem discutindo que não cometeu o ilícito tributário que ensejou a suspensão da isenção. Em conseqüência disso, tanto a decisão de 1ª instância, como a de 2ª instância, mantiveram as exigências constantes do presente processo, mas também analisaram o operação que motivou o lançamento do PAF 10120.004712/201075, efetuado com multa qualificada. Ocorre que em seu recurso especial, a recorrente não traz qualquer paradigma no sentido de que os autos de exigência de tributos cobrados em decorrência de um procedimento de suspensão de isenção, cujos fatos estão apurados em outro processo devem aguardar aquele lançamento. Apenas colaciona acórdão paradigma relativo à multa qualificada. E, no tocante à multa qualificada, ela informa que essa divergência reside na “interpretação dos dispositivos legais aplicáveis, que estabelecem a aplicação da multa qualificada por dolo ou fraude” e transcreve a ementa do acórdão paradigma, aduz que este foi claro ao definir que a regra geral para qualificar a multa é necessária “demonstração e comprovação cabais do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo” (grifos do original), mas não faz o cotejo onde, no acórdão recorrido, surge esta divergência, deixando de atender, portanto, ao disposto no §6º do art. 67 do Anexo II do Regimento de 2009, que corresponde ao §8º do art. 67 do atual Regimento. Mesmo a Recorrente não tendo demonstrado analiticamente os pontos específicos no acórdão recorrido, como houve despacho de admissibilidade dando seguimento ao recurso, resolvi analisar se haveria a divergência e, ainda assim, não a identifiquei. É que o voto condutor do acórdão recorrido adotou os mesmos fundamentos da Delegacia de Julgamento para manter a multa qualificada que assim motivou o seu posicionamento: Mostrase evidente que as operações que ocorreram no sentido promover a entrada da impugnante como sócia da Galula, a integralização do capital mediante a utilização do bem imóvel e a contabilização do valor positivo da reavaliação em conta de Fl. 871DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 9101002.232 CSRFT1 Fl. 869 5 reserva de reavaliação, permitindo o diferimento da tributação, foram todas simuladas. Resta ainda mais manifesta a ilicitude dos atos quando se verifica uma série de contradições, começando pelo fato de que, não obstante o imóvel ter sido incorporado ao patrimônio da Galula, foi a impugnante que se apresentou, em momento posterior, como proprietária do imóvel para dar sua quitação no cartório de imóveis e que continuou recebendo os pagamentos efetuados pela SGC em razão da alienação onerosa. Dando seqüência às incoerências, a Galula contabilizou a incorporação do imóvel antes mesmo de a Quarta Alteração Contratual ser assinada ou mesmo levada a arquivamento na Junta Comercial. E mais: logo em seguida contabilizou a alienação à SGC, com prejuízo na venda. Curioso constatar que a impugnante, ao discorrer na peça defensiva que não teria se efetivado a Quarta Alteração Contratual, e que por consequência não teria sido admitida como nova sócia da Galula, que “A quarta alteração contratual da Galula NÃO foi levada a registro no ofício de imóveis competente (...)”, que o bem imóvel nem mesmo chegou a fazer parte do patrimônio da suposta empresa investida, vem ratificar o entendimento da Fiscalização, no sentido de que as operações foram simuladas. As contradições da impugnante mostramse ainda mais evidentes, na medida em que afirma, categoricamente, por um lado, na peça de defesa, que a alteração contratual da Galula não foi efetivada, e, por outro, registra nos seus livros contábeis lançamentos de constituição de reserva de reavaliação ocorrida em razão da reavaliação de bem imóvel ocorrida em razão de sua integralização para compor uma nova sociedade empresária. A própria contribuinte na sua impugnação corrobora os indícios levantados pela Fiscalização, no sentido que os atos referentes à alteração societária e a integralização do capital social da Galula foram simulados, visando ocultar o ganho de capital auferido decorrente da alienação onerosa do imóvel para a SGC. Em brilhante voto no processo administrativo nº 11080.008017/200411, o Conselheiro Nelson Mallmann, no Acórdão nº 10421.675, do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao discorrer sobre as diferenças entre evasão fiscal (ilícita) e elisão fiscal (lícita), destaca mais um aspecto relevante, que se amolda perfeitamente ao caso concreto analisado nos presentes autos: (...) há de se considerar uma outra característica diferenciadora entre as condutas: a cronologia do ato. Constatase uma diferença temporal entre a elisão e a evasão. Sendo assim, fazse necessário uma avaliação cronológica do ato ou negócio jurídico; há de se averiguar quando foi praticado no intuito de evitar, reduzir ou retardar o pagamento do imposto, ou seja, devese verificar se foram realizados antes ou depois da ocorrência do respectivo fato imponível. Se o ato ou negócio jurídico foi praticado antes, podese estar diante de uma elisão fiscal, Fl. 872DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 porém se praticado posteriormente estará constatada uma evasão fiscal. A diferenciação baseada na cronologia busca consagrar a licitude da elisão com base na falta de corporificação do fato gerador da obrigação tributária, já que esta, de acordo com o art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional (CTN), surge, somente, com a ocorrência daquele. Portanto, concluise que a elisão consiste em não entrar na relação fiscal e evasão é da relação sair após já ter estado. O contribuinte, então, para fugir ao alcance da norma e do tributo decorrente, pode escolher entre dois caminhos: ou desviase do campo de tributação, ou, já sujeito a sua incidência, utilizase de meios ilícitos para impedir, reduzir ou retardar o recolhimento do imposto devido, pela descaracterização do fato gerador ou pela redução da base de cálculo. (grifei) Conforme já exaustivamente demonstrado, uma vez celebrada a alienação onerosa do bem imóvel, restou concretizada a hipótese de incidência prevista na norma tributária. Posteriormente, arquitetou a contribuinte uma série de atos visando encobrir tal transação, que, contudo, foram descobertos pela autoridade tributária, resultado de um trabalho minucioso e detalhado que demonstrou com contundência a ilicitude da atitude da requerente. Portanto, resta caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, em operacionalizar uma série de atos deliberados, conscientes, com a intenção de se esquivar da tributação do IRPJ e da CSLL. Nesse contexto, configurase a fraude fiscal, nos termos do artigo 72 da Lei nº 4.502,de 1964: Da leitura desses trechos transcritos, já é possível constatar que o acórdão recorrido manteve a qualificação da multa de ofício porque vislumbrou a fraude, por concordar com a Fiscalização e decisão de DRJ, no sentido de que as operações analisadas foram realizadas de forma simulada, para descaracterizar uma tributação de ganho de capital. Contudo, esse entendimento é feito à luz dos fatos e provas trazidos aos autos. Também ficou evidenciado que o acórdão recorrido expressou e esclareceu as razões de manter a multa qualificada. Ou seja, se a divergência fosse pelo fato de uma decisão motivar e a outra, não, essa divergência também não se apresenta neste caso pois houve motivação para manter a qualificação. Já no acórdão paradigma, a situação fática enfrentada foi completamente diferente, pois a fiscalização analisou contratos de mútuo e entendeu que estes eram fraudulentos e autuou IRF – pagamentos sem causa. A 2ª Turma da Câmara Superior entendeu que o Fisco não demonstrou, não esclareceu, não tipificou o motivo pelo qual considerou os contratos como fraudulentos. Ou seja, o acórdão paradigma não manteve a multa qualificada por entender que a Fiscalização não demonstrou justificável a multa de 150%. Assim, não entendo que há divergência entre os acórdãos quanto à aplicação da multa qualificada. Ambos convergem no sentido de que é preciso demonstrar o dolo, ou seja, nenhum dos acórdãos expressou o entendimento de que não é preciso a demonstração do dolo. Ocorre que em um, o colegiado entendeu, a partir dos fatos trazidos aos autos, que o dolo restou demonstrado. Em outro, a partir de outros fatos e outras provas, o colegiado entendeu que não ficou demonstrado. Por oportuno, consultando a tramitação do PAF nº 10120.004712/201075, verifico que naquele processo, a contribuinte também impetrou recurso especial, o qual teve a sua admissibilidade negada mediante despacho exarado em 12 de janeiro de 2016, confirmado Fl. 873DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 9101002.232 CSRFT1 Fl. 870 7 pelo Presidente da CSRF mediante Despacho de Reexame, havendo os autos seguido para ciência do sujeito passivo em 15 de janeiro de 2016. Assim, mesmo o pleito do sujeito passivo de sobrestamento do julgamento dos autos para aguardar decisão final relativa ao processo nº 10120.004712/201075 não pode prosperar, haja vista que é definitivo o despacho do Presidente da CSRF que negar ou der seguimento ao recurso especial. Também não pode prosperar o pleito trazido pelo patrono da recorrente, em sede de sustentação oral, a título de matéria de ordem pública, no sentido de que a suspensão da isenção teria ocorrido em razão do art. 4º da IN SRF nº 456, de 2004, e como essa instrução normativa havia sido revogada pela IN RFB nº 1.394, de 2013, não poderia prevalecer a suspensão da isenção. É que, se analisarmos o documento que notifica o sujeito passivo a respeito da suspensão (Notificação Fiscal, fl. 333, volume 2), ele informa a seguinte base legal: art. 13 combinado com o art. 15, §3º, ambos da Lei nº 9.532/97. Analisando esses dispositivos, temse que consoante o art. 13, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o art. 12: (..)relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. O art. 15, §3º, por sua vez, estendeu a aplicação do art. 13 às instituições isentas. Assim, em que pese o ADE de suspensão da isenção, fl. 344 do volume 2, fazer menção à Instrução Normativa SRF nº 456, de 2004, o fato é que a orientação da IN tem previsão legal. Aliás, também a IN RFB nº 1.394, de 2013, autoriza a suspensão da isenção todas as vezes em que o sujeito passivo cometer infração à legislação tributária, consoante dispõe o seu art. 13: Art. 13. Caso a instituição seja desvinculada do Prouni, a suspensão da isenção dos tributos de que trata o art. 2º será a partir da data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, alcançando todo o período de apuração dos tributos. § 1º Quando for constatado que a instituição beneficiária da isenção está descumprindo os requisitos ou as condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A instituição poderá, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 § 3º O Delegado da Receita Federal do Brasil decidirá sobre a procedência das alegações, e, no caso de improcedência, expedirá ato declaratório suspensivo da isenção, do qual dará ciência à instituição. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo de que trata o § 3º, depois de decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da instituição. § 5º Efetivada a suspensão da isenção: I a instituição poderá, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ); e II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso, com a exigência do crédito tributário, desde a data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, da multa de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e de juros de mora. § 6º A impugnação relativa à suspensão da isenção obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 7º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 8º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 9º O disposto no caput aplicase, também, à hipótese de desvinculação da entidade de ensino do Prouni determinada pelo Ministério da Educação, em virtude de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão. Em face de todo o exposto, ou seja, ausência de paradigma no tocante ao sobrestamento, ausência de demonstração analítica da divergência, bem como ausência da própria divergência no tocante à multa qualificada, manifestome por não conhecer o recurso especial do contribuinte, e nem conhecer a matéria trazida pelo patrono como sendo de ordem pública. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 875DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 37216.000666/2006-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1998 a 01/11/2004
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RETENÇÃO 11%.
MPF. PRORROGAÇÃO APÓS O VENCIMENTO DO MPF PRECEDENTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRE NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE MPF COMPLEMENTAR NOTIFICADO AO CONTRIBUINTE APÓS O ENCERRAMENTO DO PRAZO DE VALIDADE DO ANTERIOR. O MPF É MERO INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DA ATIVIDADE FISCAL E NADA MAIS. A COMPETÊNCIA DO FISCO É INSTITUÍDA POR LEI. A RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO É RESPONSABILIDADE DO TOMADOR DO SERVIÇOS, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL, SENDO INAPLICÁVEL AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AS DETERMINAÇÕES LEGAIS DO IRRF - PESSOA FÍSICA. O FISCO DEMONSTROU E COMPROVOU A OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES E A INEXISTÊNCIA DO RECOLHIMENTO. A RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO FISCAL DISCUTIDO ADMINISTRATIVO É UMA DAS VIRTUDES DO PAF, QUE VISA JUSTAMENTE GARANTIR A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ANTE ALGUM POSSÍVEL EQUIVOCO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que a acatou. Em relação à multa de ofício, pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria por não constar do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado) que a conheceram. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada CAROLINA NICOLAU LEANDRO, OAB nº 150.452/RJ.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1998 a 01/11/2004 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RETENÇÃO 11%. MPF. PRORROGAÇÃO APÓS O VENCIMENTO DO MPF PRECEDENTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRE NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE MPF COMPLEMENTAR NOTIFICADO AO CONTRIBUINTE APÓS O ENCERRAMENTO DO PRAZO DE VALIDADE DO ANTERIOR. O MPF É MERO INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DA ATIVIDADE FISCAL E NADA MAIS. A COMPETÊNCIA DO FISCO É INSTITUÍDA POR LEI. A RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO É RESPONSABILIDADE DO TOMADOR DO SERVIÇOS, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL, SENDO INAPLICÁVEL AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AS DETERMINAÇÕES LEGAIS DO IRRF - PESSOA FÍSICA. O FISCO DEMONSTROU E COMPROVOU A OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES E A INEXISTÊNCIA DO RECOLHIMENTO. A RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO FISCAL DISCUTIDO ADMINISTRATIVO É UMA DAS VIRTUDES DO PAF, QUE VISA JUSTAMENTE GARANTIR A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ANTE ALGUM POSSÍVEL EQUIVOCO. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que a acatou. Em relação à multa de ofício, pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria por não constar do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado) que a conheceram. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada CAROLINA NICOLAU LEANDRO, OAB nº 150.452/RJ. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
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EMPRESAS EM GERAL. Recorrente XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 01/11/2004 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO 11%. MPF. PRORROGAÇÃO APÓS O VENCIMENTO DO MPF PRECEDENTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRE NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE MPF COMPLEMENTAR NOTIFICADO AO CONTRIBUINTE APÓS O ENCERRAMENTO DO PRAZO DE VALIDADE DO ANTERIOR. O MPF É MERO INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DA ATIVIDADE FISCAL E NADA MAIS. A COMPETÊNCIA DO FISCO É INSTITUÍDA POR LEI. A RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO É RESPONSABILIDADE DO TOMADOR DO SERVIÇOS, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL, SENDO INAPLICÁVEL AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AS DETERMINAÇÕES LEGAIS DO IRRF PESSOA FÍSICA. O FISCO DEMONSTROU E COMPROVOU A OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES E A INEXISTÊNCIA DO RECOLHIMENTO. A RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO FISCAL DISCUTIDO ADMINISTRATIVO É UMA DAS VIRTUDES DO PAF, QUE VISA JUSTAMENTE GARANTIR A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ANTE ALGUM POSSÍVEL EQUIVOCO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 21 6. 00 06 66 /2 00 6- 46 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.126 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que a acatou. Em relação à multa de ofício, pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria por não constar do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado) que a conheceram. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada CAROLINA NICOLAU LEANDRO, OAB nº 150.452/RJ. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.127 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD – DEBCAD 35.804.5177, a qual objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores, em razão da prestação de serviços com cessão de mão de obra, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC – NFLD, de fls. 59 a 66, com período de apuração de 08/1998 a 10/2004, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 79 a 84. O sujeito passivo foi cientificado da notificação, em 07/07/2005, Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 22/07/2005, as fls. 90 a 121, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 123 a 211. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 212 e 214. O Serviço do Contencioso Administrativo Previdenciário – SECAP baixou os autos em diligência, fls. 215. A diligência foi atendida e expedidos os documentos, de fls. 217 a 232. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a DecisãoNotificação – DN N° 17401.4/0684/2005, fls. 254 a 262, em 01/12/2005. Na qual o lançamento foi considerado procedente em parte e foi retificado pelo Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 234 a 253. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 07/12/2005, Recibo de Entrega, de fls. 263. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário petição, de fls. 288 a 289, recebida, em 06/01/2006, com razões recursais, as fls. 290 a 322, acompanhado dos documentos, de fls. 323 a 571. Consta, dos autos, as fls. 266 a 269, decisão judicial liminar autorizando a substituição de depósito recursal por arrolamento de bens, conforme MS 2005.51.01.5277582 – 6º Juizado Especial Federal Rio de Janeiro. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 573. Devido a apresentação de novos documentos na fase recursal que, ainda, não haviam sido apresentados pela empresa o Serviço do Contencioso Administrativo Previdenciário – SECAP baixou os autos em diligência mais uma vez, despacho, de fls. 575. A diligência foi atendida pelos documentos, de fls. 577 a 586. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.128 4 A Delegacia da Receita Previdenciária – DRP – RJ – Centro emitiu as Contrarrazões – CR nº 17.401.4/0055/2006, de fls. 588 a 592 e os autos foram remetidos ao CRPS. Nos termos dos documentos, de fls. 593 e 594, foi solicitada ao CRPS a devolução do autos a DRP origem, uma vez que, conforme consta, a segurança foi negada e a liminar revogada, no que tange a substituição do depósito prévio por arrolamento de bens, o que se confirma pelos documentos, de fls. 595 a 602. A empresa foi cientificada para promover a comprovação da realização do depósito recursal, fls. 605 e 606. O contribuinte demonstrou a realização do depósito recursal documentos, de fls. 610 a 623. Os autos subiram ao CRPS em devolução, fls. 624. A recorrente, em 09/05/2007, as fls. 630 a 631, atravessou petição com destino ao CRPS noticiando o reconhecimento pelo STF da inconstitucionalidade da exigência do depósito recursal, pedindo pelo devolução dos autos a órgão de origem para que este se manifeste sobre a restituição/levantamento do referido depósito, juntado a decisão da apelação judicial no MS 200551015277582, fls. 632 a 636. Os autos foram restituídos à DRF origem, fls. 637, sendo que essa após suas considerações devolveu os autos ao CRPS, fls. 638 e 639. O Recurso Voluntário foi julgado pelo CARF, em 06/05/2009, Acórdão Nº 240100.147 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, tendo a turma decidido pelo nulidade da decisão a quo, fls. 640 a 646. O contribuinte foi cientificado dessa decisão, em 02/02/2010, AR, de fls. 647. A empresa recorrente apresentou manifestação quanto as diligências, as fls. 648 a 663, acompanhada dos documentos, de fls. 664 a 787; 790 a 871. Os autos foram remetido à DRJ/RJ1, fls. 873. A DRJ/RJ1 por intermédio do Despacho, de fls. 945, baixou os autos em diligência. O contribuinte foi cientificado da diligência e apresentou a manifestação, de fls. 950 a 958, acompanhada dos documentos, de fls. 959 a 974. O órgão julgador de primeiro grau prolatou o Acórdão Nº 1251.317 10ª Turma DRJ/RJ1, de fls. 994 a 1.008, datado de 11/12/2012. O lançamento foi retificado, conforme acórdão e Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 978 a 993. O contribuinte tomou ciência, em 25/01/2013, da decisão e retificação, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo, de fls. 1.010. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.129 5 O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 25/02/2013, fls. 1.038, com petição de interposição, as fls. 1.040 a 1.041, com razões recursais, as fls. 1.042 a 1.069, acompanhado dos documentos, de fls. 1.070 a 1.093. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminarmente. · que o lançamento é nulo, pois a prorrogação do MPF foi intempestiva, ou seja, efetuada após o decurso de prazo do anterior, uma vez que a prorrogação só pode se dar após a cientificação do contribuinte, pois só há comunicação se a mensagem for devidamente recebida pelo destinatário, assim a autoridade administrativa deveria ter emitido um novo MPF e não prorrogado aquele que já estava extinto, o que gera nulidade do lançamento, devendo a decisão a quo ser reformado nesse tópico; Mérito. · que não se pode exigir as contribuições do tomador de serviços sem se verificar se o prestador recolheu as contribuições devidas, sendo a retenção na fonte relativa aos 11% semelhante a retenção do IR por parte do empregador, o que foi confirmada pelo STF; · que tal qual a responsabilidade do empregado se mantém quando o empregador não faz a retenção na fonte isso também ocorre com a retenção de 11%, sendo obrigação do prestador de serviço o recolhimento e não do tomador, cita exemplo, não podendo a empresa tomadora ser punida com o dever de recolher o tributo que é devido pela prestadora, só porque deixou de efetuar a retenção é o que consta do artigo 722 do RIR/99, assim sendo a recorrente sustenta que não pode ser dela exigido o pagamento da contribuição, sem que fique provado que a prestadora não o recolheu, podendo o fisco fazer tal verificação em seus sistemas, devendo ser reformada a decisão guerreada; · que existe o destaque da retenção em todas as notas apresentadas, o que confirma o cumprimento da obrigação, tendo tal retenção ocorrido sobre o valor total da nota, devendo tais notas além de servirem para retificação da planilha de base de cálculo, servir para comprovar a efetiva retenção da contribuição previdenciária, não havendo, assim, diferenças a recolher, o que leva a necessidade de reformar a decisão recorrida; · que o fisco não comprovou a ocorrência dos fatos geradores, lastreando o lançamento em meros indícios e presunções; · que a necessidade de diligência confirma que a ação fiscal a que foi submetida a recorrente foi inexata, ratificando que o auto foi lavrado sem que o débito fosse apurado de forma correta, o que demonstra que o lançamento contém uma série de inconsistências que viola o Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.130 6 artigo 142, do CTN, o princípio da legalidade e a verdade material, sendo que diversos recolhimentos realizados não foram levados em consideração, o que acarreta em exigências indevidas em diversas competências, conforme planilha a seguir, e, ainda, que a Administração possa alterar o lançamento, isso não convalida as inconsistências do lançamento, não atendendo esse o critério de liquidez e certeza para a sua cobrança, sendo necessária a reforma da decisão de primeira grau com o reconhecimento da nulidade do lançamento; · Do pedido: a) admissão das razões recursais com o respectivo provimento, reformando a decisão recorrida, julgando o lançamento totalmente improcedente. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 1.099. O autos foram remetidos ao CARF, fls. 1.099. Por fim, os autos foram distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 03, fls. 1.100. É o Relatório. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.131 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetarão o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Preliminares. Equivocase a recorrente o MPF é mero ato administrativo de controle das atividades fiscais, utilizado pela Administração, e nada mais, o MPF não confere competência para que o agente fiscal promova a fiscalização, pois essa competência é atribuída por lei ao fisco. Ademais, o próprio Decreto 3.969/2001 que institui o MPF em seu artigo 16, abaixo transcrito estabelece que a autoridade pode emitir outro MPF não havendo nulidade no fato de um MPF ser emitido e recebido após o vencimento do anterior. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Aliás, a jurisprudência do CARF e dos TRF’s sobre a matéria entendem pela validade do procedimento de fiscalização ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR EXERCÍCIO: 2002 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA AS HIPÓTESES DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO SÃO AS ELENCADAS NO ARTIGO 59 DO DECRETO 70.235, DE 1972, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM NULIDADE POR OUTRAS RAZÕES.PRELIMINAR MANDADO DE. PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. AS NORMAS QUE REGULAMENTAM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF DIZEM RESPEITO AO CONTROLE INTERNO DAS ATIVIDADES DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, PORTANTO EVENTUAIS VÍCIOS NA SUA EMISSÃO E EXECUÇÃO NÃO AFETAM A VALIDADE DO LANÇAMENTO, ITR IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. SOMENTE PODE SER Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.132 8 CONSIDERADA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA, SEM APLICAÇÃO DE ÍNDICES DE RENDIMENTO POR PRODUTO, A ÁREA DO IMÓVEL RURAL EXPLORADA COM PRODUTOS VEGETAIS EXTRATIVOS, MEDIANTE PLANO DE MANEJO SUSTENTADO APROVADO PELO IBAMA ATÉ O DIA 31 DE DEZEMBRO DO ANO ANTERIOR AO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO ITR, E CUJO CRONOGRAMA ESTEJA SENDO CUMPRIDO PELO CONTRIBUINTE.ARGÜIÇÃODE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA (SÚMULA CARF Nº 2). RECURSO NEGADO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO, AO RECURSO NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. Conselho Administrativo Recurso Fiscais; 2 Seção de Julgamento. 2 Câmara. 2 Turma Ordinária. Proc: 10980.003886/200612 Acórdão:20100512; 220200509. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida.(AC 200585000058685, Desembargador Federal Élio Wanderley de Siqueira Filho, TRF5 Terceira Turma, DJ Data::31/07/2008 Página::426 Nº::146.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. AUTO DE INFRAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO ASSEGURADOS. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO GESTOR PÚBLICO. ART. 135 DO CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CULPABILIDADE DO AGENTE PÚBLICO. LEI Nº 11.941/09. 1 Os atos praticados durante a ação fiscal devem ocorrer dentro do prazo de validade do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal MPF, como disposto no art. 2º e seguintes do Decreto nº 3.969/2001, que pode, inclusive, ser prorrogado (art. 13), com a emissão de um MPFC Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. 2 A ciência do contribuinte da constituição do crédito tributário após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.133 9 não acarreta nulidade do lançamento, como constante no Enunciado nº 25 do CRPS, inclusive. 3 Intimação do Impetrante comprovada pela sua ciência do procedimento fiscal, em face do efetivo exercício do direito de defesa e do contraditório no âmbito administrativo, na forma do art. 5º, LV, da Constituição Federal, tanto que impugnou a autuação e interpôs recurso da questionada DecisãoNotificação. 4 Revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/91 pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Como se exige dolo específico do agente, para se responsabilizar pessoalmente o dirigente de órgão público (CTN, art. 135), revelase imprópria a lavratura de Auto de Infração contra o reitor de universidade pública pelo descumprimento de obrigação acessória. 5 Apelação conhecida e parcialmente provida. Sentença reformada. Segurança concedida em parte, com a determinação da exclusão do nome do Impetrante como contribuinte da ação fiscal. Lançamento mantido, pelo que caberá à Administração retificar o nome do contribuinte sob ação fiscal, para efetivar a cobrança do crédito tributário, com a observância do devido processo legal em sede administrativa. (AMS 200651010178971, Desembargadora Federal GERALDINE PINTO VITAL DE CASTRO, TRF2 TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::02/04/2012 Página::105106.) (todos os grifos são meus) Assim sendo, com esses esclarecimentos rejeito a preliminar. Mérito. Novamente, equivocase a recorrente, embora a retenção de 11% possa ter alguma semelhança com a retenção do IRRF – pessoa física pelo empregador com esse não se confunde, sendo tributos distintos e assim com pressupostos, requisitos, sistemática e legislação distintas. Aliás, a primeira diferença é que um é imposto IRRF – pessoa física e o outro é uma contribuição – Contribuição Social Previdenciária e essa última tem destinação e finalidade específica determinada pela CRFB/88. Não fosse isso suficiente a própria lei deixa claro que a empresa responsável pela retenção fica diretamente responsável pela importância não recebida ou arrecadada, uma simples leitura do artigo 31, da Lei 8.212/91 c/c o parágrafo 5º, do artigo 33, dessa mesma lei trata disso com clareza, observese a transcrição. Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998. Art. 33. omissis... Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.134 10 § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifei). O C. Superior Tribunal de Justiça – STJ corte com competência constitucional para uniformizar a interpretação da lei federal em todo o Brasil, seguindo os princípios constitucionais e a garantia e defesa do Estado de Direito, já se pronunciou sobre a matéria e assim decidiu, observese o aresto. EMEN: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE DE SERVIÇOS EXECUTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ATÉ A LEI 9.711/98, DESDE QUE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO SEJA CONSTITUÍDO CONTRA O DEVEDOR PRINCIPAL. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO DE MÃODEOBRA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (1º/2/1999). NECESSIDADE DE RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. NOVA SISTEMÁTICA DE ARRECADAÇÃO. 1. Existe responsabilidade solidária do contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, na forma estabelecida pelo art. 31 da Lei 8.212/91, antes da alteração legislativa promovida pela Lei 9.711/98. Contudo, in casu, como o crédito tributário não foi constituído contra o devedor principal (prestadora da mãodeobra), a cobrança da exação não pode ser direcionada à empresa tomadora de serviços. Precedentes: REsp 727.183/SE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 18/5/2009; REsp 776.433/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 22/9/2008; REsp 800.054/RS; AgRg no AgRg no REsp 1.039.843/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 26/6/2008; REsp 800.054/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 3/8/2007. 2. A Lei 9.711/98, que introduziu a nova redação do artigo 31, da Lei 8.212/91, vigorando a partir de 1º de fevereiro de 1999, instituiu técnica arrecadatória via substituição tributária, mediante a qual compete à empresa tomadora dos serviços reter 11% (onze por cento) do valor bruto da respectiva nota fiscal ou fatura, bem como recolher, no prazo legal, a importância retida. 3. Cuidase, portanto, de previsão legal de substituição tributária com responsabilidade pessoal do substituto, que passou a figurar como o único sujeito passivo da obrigação tributária. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp 962.550/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 25/6/2009; REsp 780.029/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 5/11/2008; AgRg nos EREsp 707.406/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, , DJe 9/9/2008; REsp 884.936/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 20/8/2008. 4. Recurso especial parcialmente provido, inaugurando divergência em parte da Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.135 11 conclusão adotada pelo relator, para determinar que a partir de 1º de fevereiro de 1999, data do início da vigência da Lei 9.711/98, a empresa tomadora dos serviços de mão de obra é o único sujeito passivo responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias. EMEN: RESP 200801364406 RESP RECURSO ESPECIAL – 1068362 LUIZ FUX. STJ. PRIMEIRA TURMA. DJE DATA 24/02/2010. Assim sendo, é inaplicável ao caso a forma e critério de retenção do IRRF – pessoa física pelo empregador ou, ainda, o artigo 722, do RIR, pois são situações distintas sobre tributos distintos. No caso o artigo 31, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 9.711/98 deixa claro que a obrigação é exclusiva do contratante dos serviços . O mero destaque da retenção na nota fiscal não prova que o recolhimento foi efetivado, aliás, pagamento de tributo só se prova com a respectiva guia de recolhimento, artigo 320, da Lei 10.406/2002 c/c o artigo 156, I, c/c o artigo 158, c/c o artigo 162, I, todos, da Lei 5.172/66. O fisco demonstrou, conforme consta do REFISC, de fls. 59 a 64, nos termos que ali estão descritos, que a empresa contratou serviços mediante a cessão de mão de obra sem a comprovação dos recolhimentos. A diligência fiscal é procedimento regular e normal previsto na legislação que visa esclarecer eventuais dúvidas e constituise em meio de prova à disposição do julgador, não havendo violação ao artigo 142, da Lei 5.172/66 a sua realização no curso do processo administrativo fiscal, pois isso é uma de suas funções. Podese verificar do Relatório de Lançamentos – RL, de fls 50, no que tange ao levantamento WH – WH ENGENHARIA, não existe na competência 06/2001 a inclusão de tal nota no lançamento, pois o valor R$ 1.377,86 não está listado na competência. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.136 12 Dessa forma, a alegação é desprovida de fundamentos. No que se refere ao levantamento MAN – MANSERV MONTAGENS, Relatório de Lançamentos – RL, de fls 44 a 45, verificase que o valor de R$ 8.435,87 não consta em relação a competência 07/2001, bem como as competências 11/2001 e 12/2001 não fazem parte do levantamento, o mesmo verificandose no DAD, de fls. 17. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.137 13 Dessa forma, a alegação em relação as competências 07/2001; 11/2001 e 12/2001 é desprovida de fundamentos. Verificase, ainda, em relação ao levantamento MAN – MANSERV MONTAGENS, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 983 e 984, que as competências 04/2001 e 06/2001 não fazem mais parte do levantamento, observe se a imagem do relatório. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 37216.000666/200646 Acórdão n.º 2202003.168 S2C2T2 Fl. 1.138 14 Dessa forma, a alegação em relação as competências 04/2001 e 06/2001, também, é desprovida de fundamentos. A possibilidade de retificação do crédito não leva a sua iliquidez e incerteza muito pelo contrário o expurgo de valores indevidos no curso do PAF garantem a liquidez e certeza do crédito. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para afastar a preliminar suscitada e no mérito negarlhe provimento, tendo em vista que as alegações da recorrente não encontram suporte fático ou jurídico. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13308.000079/2001-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.
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Recorrida UNIÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. RELATÓRIO 1. Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI formulado pelo contribuinte e referente ao 1°. trimestre de 2001. Após procedimento fiscal que visou a comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza opinou pelo indeferimento total do crédito (fls. 294/296). 2. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 310/338), a qual foi julgada improcedente pela DRJ de Belém/PA (fls. 387/397). Assim, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 399/423. 3. Submetido à apreciação perante este Tribunal Administrativo, o então Relator do caso, Conselheiro Rodrigo Bernardes de Carvalho, juntamente com a Turma julgadora, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 33 08 .0 00 07 9/ 20 01 -5 5 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13308.000079/200155 Resolução nº 3402000.738 S3C4T2 Fl. 489 2 converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização tomasse as seguintes providências: ...entendo necessário que a fiscalização se pronuncie sobre o cumprimento de cada um dos requisitos previstos na Lei n° 9.363, de 1996, para fruição do beneficio em tela, respondendo, objetivamente, se, a vista dos documentos fiscais e escrita fiscal e contábil da recorrente, é possível, para o período de apuração de que tratam estes autos: a) calcular o valor total das aquisições de MP, PI e ME; e b) apurar as receitas operacional bruta e de exportação. Solicitase que se proceda aos referidos cálculos, apurandose a base de cálculo e o crédito presumido, na forma da Lei n° 9.363, de 1996, apresentando ainda descrição detalhada do processo produtivo da recorrente. (...). 4. Referido processo foi baixado em diligência, oportunidade em que a fiscalização "intimou" o contribuinte para que este apresentasse uma infinidade de documentos (fls. 439 e s.s.), "intimação" essa que não teria sido atendida pelo contribuinte, conforme se observa do termo de intimação fiscal de fls. 437. 5. É o relatório. RESOLUÇÃO Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Relator 6. Tendo em vista o relatório acima, é desde já necessário assentar que a "intimação" realizada pela fiscalização para que o contribuinte apresentasse documentos para fins de cumprimento da diligência determinada por este Tribunal Administrativo é absolutamente nula, o que impede o julgamento do presente feito. 7. Para se chegar a tal conclusão, insta desde já registrar que, ao longo de todas as manifestações do contribuinte no presente processo administrativo (fls. 01/03; 103/105; 109; 122/124; 213; 216; 261; 285; 308; 353; 379 e 383), foi apontado como seu endereço o seguinte logradouro: Av. Raimundo Alconforado, n. 777, Alto do Guaramiranga, Canindé/CE CEP n. 62.700000. 8. Não obstante, todas as intimações fiscais anteriores também foram direcionadas para o sobredito endereço, conforme se observa dos comprovantes de aviso de recebimento (AR) de fls. 162/168; 174/177; 197/200; 304/305 e 398. Dentre tais intimações merecem destaque as de fls. 304/305 e 398 que referemse, respectivamente, à decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento e à decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13308.000079/200155 Resolução nº 3402000.738 S3C4T2 Fl. 490 3 9. Ainda nesse esteio, convém destacar que consultando o cartão CNPJ do contribuinte junto ao sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil, consta como seu endereço exatamente aquele mencionado alhures. É o que se observa da transcrição abaixo: 10. Acontece que, ao receber o presente processo com a já citada ordem de diligência, a fiscalização entendeu por bem intimar o contribuinte para que apresentasse uma relação de documentos ao pretexto de dar cumprimento à referida diligência. E, ao assim fazê lo, a fiscalização "sacou" um pretenso endereço do contribuinte (R. Oswaldo Cruz, n. 01, sala 603, Meireles, Fortaleza/CE CEP n. 60.125150 fls. 439 e s.s.) completamente diferente do anteriormente citado e, o que é grave, sem qualquer fundamento para tanto. 11. Não há um único documento nos autos ou mesmo qualquer informação da fiscalização a justificar/fundamentar essa guinada no endereço do contribuinte para fins de intimação. Referido logradouro não coincide sequer com o endereço dos seus patronos, conforme se observa das procurações juntadas aos autos. 12. Diante desse quadro, para que não haja cerceamento de defesa em prejuízo do Recorrente, em notória ofensa, pois, ao princípio do contraditório (art. 2° da lei n. 9.784/99), proponho que os autos sejam novamente baixados em diligência para que a intimação de fls. 439 e s.s. seja realizada no correto endereço físico do contribuinte (Av. Raimundo Alconforado, n. 777, Alto do Guaramiranga, Canindé/CE CEP n. 62.700000) ou, se possível, por intermédio do seu ambiente virtual junto a Receita Federal do Brasil. 13. Ademais, determino ainda que a fiscalização, antes de enviar a referida intimação, verifique nos autos se já não há um ou alguns dos documentos listados no extenso Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13308.000079/200155 Resolução nº 3402000.738 S3C4T2 Fl. 491 4 rol de fls. 439/442, de modo a evitar a juntada de documentos em duplicidade e a imputação de um desnecessário ônus ao Recorrente, em oposição, pois, ao princípios da razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e eficiência (art. 2° da lei n. 9.784/99). 14. Por fim, estabeleço que, uma vez concluída a diligência, o contribuinte seja novamente intimado no endereço já mencionado para que, querendo, possa se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias. 15. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10880.722237/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 22 23 7/ 20 13 -6 3 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722237/201363 Resolução nº 3201000.598 S3C2T1 Fl. 208 2 Trata o presente processo de cobrança referente a pedido de compensação não homologado, que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000.282/201081. O Processo Administrativo nº 12585.000.282/201081, foi julgado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que manteve o despacho decisório negando os créditos pleiteados pela Recorrente. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recurso voluntário, posteriormente os processos foram desapensados no CARF e distribuídos a este Relator para julgamento. A turma de julgamento ao analisar o Processo Administrativo nº 12585.000282/201081 resolveu converter o processo em diligência, que ainda encontrase pendente de realização pela Unidade de Origem. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, o pedido de compensação controlado no presente processo referese aos créditos constantes do Processo Administrativo nº 12585.000282/201081, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Entendo, que a desapensação do processo foi equivocada sendo necessário a sua juntada novamente ao Processo Administrativo nº 12585.000282/201081. Confirmando este entendimento, o novo Regimento Interno do CARF determina de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722237/201363 Resolução nº 3201000.598 S3C2T1 Fl. 209 3 acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a apensação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000282/201081. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000136/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
IRPJ E CSLL. TRIBUTAÇÃO DE RESULTADOS AUFERIDOS POR MEIO
DE CONTROLADA NO EXTERIOR. TRATADO BRASIL-HUNGRIA. A
Legislação Tributária Brasileira não estabelece incidência sobre os lucros da
controlada estrangeira (o que é vedado pelo Artigo VII), mas sim sobre lucros da
investidora brasileira, isto é, dispõe que o lucro real da contribuinte engloba os
lucros disponibilizados por sua controlada, incorporados ao seu patrimônio em
função do Método da equivalência Patrimonial - MEP. Logo, a tributação recai
sobre os lucros da empresa brasileira, o que afasta a aplicação do aludido Artigo
VII do Tratado . 0 art. 74 da MP n° 2.158-35 é uma autêntica regra CFC (regra
de tributação de resultados de controladas no exterior), compreendida como
norma voltada para eliminar o diferimento na tributação dos lucros auferidos no
exterior. Não há um "padrão único" de legislação CFC. 0 ponto comum desse
tipo de regra é a tributação dos residentes de um Estado Contratante em relação
renda proveniente de sua participação em empresas estrangeiras. No contexto
dos tratados, os dividendos pagos correspondem a lucros distribuídos aos socios
da empresa. Por força da MP n° 2.158-35, os lucros apurados pela controlada no
exterior são considerados distribuídos por ficção legal, incorporados ao
patrimônio da contribuinte brasileira via MEP. A não incidência tributária dos
dividendos restringe-se aos lucros produzidos e tributados no Brasil
VARIAÇÃO CAMBIAL. RESULTADOS AUFERIDOS DE CONTROLADA
NO EXTERIOR. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Descabe a tributação da
variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da
equivalência patrimonial, isso porque não constitui despesa dedutivel ou receita
tributável, em face da ausência de norma legal expressa nesse sentido
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE.
TRATADO BRASIL-HUNGRIA. 0 artigo XXIII do Tratado entre Brasil e
Hungria autoriza a compensação dos tributos sobre lucros pagos por controlada
situada na Hungria pela controladora situada no Brasil.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-00.391
Decisão: Acórdão os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recuso, nos seguintes termos: 1) Pelo voto de qualidade, admitir a tributação sobre os lucros apurados pela controlada na Hungria, disponibilizados à investidora brasileira (art. 74 da MP 2.158-35/2001), 7orque equivalentes a distribuição de dividendos. Vencidos os Conselheiros Carlos Pela (reialor), Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. 2) Por unanimidade de votos, excluir da receita de equivalência patrimonial utilizada como base do valor autuado, a variação cambial positiva, bem como conhecer os documentos relativos aos tributos pagos pela controlada na Hungria, para deduzir o valor efetivamente pago da base de cálculo tributada do IRPJ e CSLL, bem como deduzir este mesmo valor do IRPJ lançado de
oficio e da CSLL, caso ainda remanesça saldo a compensar. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Pelá
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decisao_txt : Acórdão os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recuso, nos seguintes termos: 1) Pelo voto de qualidade, admitir a tributação sobre os lucros apurados pela controlada na Hungria, disponibilizados à investidora brasileira (art. 74 da MP 2.158-35/2001), 7orque equivalentes a distribuição de dividendos. Vencidos os Conselheiros Carlos Pela (reialor), Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. 2) Por unanimidade de votos, excluir da receita de equivalência patrimonial utilizada como base do valor autuado, a variação cambial positiva, bem como conhecer os documentos relativos aos tributos pagos pela controlada na Hungria, para deduzir o valor efetivamente pago da base de cálculo tributada do IRPJ e CSLL, bem como deduzir este mesmo valor do IRPJ lançado de oficio e da CSLL, caso ainda remanesça saldo a compensar. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n' 16561.000136/2007-89 12 ,2zn rso n° 173.951 Voluntário Acórdão n° 1402-00.391 — 4 Câmara / r Turma Ordinária sessão de 27 de janeiro de 2011 Matéria IRPJ E CSLL. TRIBUTAÇÃO DE RESULTADOS NO EXTERIOR Recorrente NORMUS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida 5a TURMA/DRJ EM SAO PAULO-SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 IRPJ E CSLL. TRIBUTAÇÃO DE RESULTADOS AUFERIDOS POR MEIO DE CONTROLADA NO EXTERIOR. TRATADO BRASIL-HUNGRIA. A Legislação Tributária Brasileira não estabelece incidência sobre os lucros da controlada estrangeira (o que é vedado pelo Artigo VII), mas sim sobre lucros da investidora brasileira, isto é, dispõe que o lucro real da contribuinte engloba os lucros disponibilizados por sua controlada, incorporados ao seu patrimônio emu função do Método da equivalência Patrimonial - MEP. Logo, a tributação recai sobre os lucros da empresa brasileira, o que afasta a aplicação do aludido Artigo VII do Tratado . 0 art. 74 da MP n° 2.158-35 é uma autêntica regra CFC (regra de tributação de resultados de controladas no exterior), compreendida como norma voltada para eliminar o diferimento na tributação dos lucros auferidos no exterior. Não há um "padrão único" de legislação CFC. 0 ponto comum desse tipo de regra é a tributação dos residentes de um Estado Contratante em relação renda proveniente de sua participação em empresas estrangeiras. No contexto dos tratados, os dividendos pagos correspondem a lucros distribuídos aos socios da empresa. Por força da MP n° 2.158-35, os lucros apurados pela controlada no exterior são considerados distribuídos por ficção legal, incorporados ao patrimônio da contribuinte brasileira via MEP. A não incidência tributária dos dividendos restringe-se aos lucros produzidos e tributados no Brasil. VARIAÇÃO CAMBIAL. RESULTADOS AUFERIDOS DE CONTROLADA NO EXTERIOR. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Descabe a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial, isso porque não constitui despesa dedutivel ou receita tributável, em face da ausência de norma legal expressa nesse sentido. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE. TRATADO BRASIL-HUNGRIA. 0 artigo XXIII do Tratado entre Brasil e Hungria autoriza a compensação dos tributos sobre lucros pagos por controlada situada na Hungria pela controladora situada no Brasil. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. r ir ANTOm:) .;(1 3 IE DE 7ou77... 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF FL 2 Processo n° 16561.000136/2007-89 S 1 -C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acórdão os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recuso, nos seguintes termos: 1) Pelo voto de qualidade, admitir a tributação sobre os lucros apurados pela controlada na Hungria, disponibilizados à investidora brasileira (art. 74 da MP 2.158-35/2001), 7orque equivalentes a distribuição de dividendos. Vencidos os Conselheiros Carlos Pela (reialor), Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. D,.- sigtiado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. 2) Por unanimidade de votos, excluir da receita de equivalência patrimonial utilizada como base do valor autuado, a variação cambial positiva, bem como conhecer os documentos relativos aos tributos pagos pela controlada na Hungria, para deduzir o valor efetivamente pago da base de cálculo tributada do IRPJ e CSLL, bem como deduzir este mesmo valor do IRPJ lançado de oficio e da CSLL, caso ainda remanesça saldo a compensar. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pei& Relator (assinado digitalin ente) Antônio José Praga de Souza — Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pela, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 699/740, interposto pela contribuinte NORMUS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. contra decisão da 5' Turma da DRJ em São Paulo, de fls.676/690, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. A controvérsia originou-se de AUTOS DE INFRAÇÃO, lavrados em 26/11/2007, através do qual a autoridade administrativa identificou falta de recolhimento de IRPJ e CSLL nos anos calendário de 2002 a 2006. A razão da falta praticada pelo contribuinte seria a ausência de adição nas bases de cálculo daqueles tributos dos resultados positivos auferidos pala VCP Overseas Holding KTF, localizada em Budapeste, Hungria, e controlada pela contribuinte, domiciliada no Brasil. Os resultados apresentados pela controlada foram incluidos no cálculo da equivalência patrimonial, mas foram excluídos do cálculo do IRPJ e da CSLL. Assinadc, ii.rn 16/07/2011 nor Ç1!\:7 P:r! 1T.n7/7111 nor ANTONIO ;-.3nuzA 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado dioitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 2 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 3 Processo n° 16561.000136/2007-89 Acórdão n.° 1402-00391 Fl. 3 0 auditor fiscal responsável pela condução do procedimento fiscal identificou os resultados obtidos pela empresa húngara como "dividendos presumidos", cujo tratamento, na convenção para evitar a dupla tributação entre Brasil e Hungria, veiculada pelo Decreto 53/1991, seria dado pelo artigo 10 0., item 6, transcrito a seguir: "6. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante receber lucros ou rendimentos provenientes do outro Estado Contratante, esse outro Estado não poderá cobrar nenhum imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto na medida em que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado ou na medida em que a participação geradora dos dividendos estiver efetivamente ligada a uni estabelecimento permanente ou a uma instalação fixa situados nesse outro Estado, nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre lucros não distribuídos, mesmo se os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistirem, total ou parcialmente, em lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado ". Identificada a falta, a autoridade fiscal constitui o crédito tributário relativo ao IRPJ, invocando como fundamento artigos 25, §§ 2° e 3°, da Lei n°9.249/1995, artigo 16 da Lei n° 9.430/96, artigos 249, inciso II e 394 do RIR199, art. 10, número 6 do tratado para evitar a bitributação celebrado entre o Brasil e a Hungria (Decreto n. 53/1991), art. 3 0 da Lei n° 9.959/00, art. n° 74 da MP n° 2.158/2001, art. 74 da MP no. 2.158/2001 e IN n° 213/2002. Lançou também a CSLL, fundamentado no artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689/88, art. 19 da Lei n° 9.249/1995, artigo 10 da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei IV 9.430/96, artigo 6° da MP n° 1.858/99 e reedições e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. Inconformada com o lançamento do qual foi notificada em 17/11/2007, a contribuinte protocolizou, em 21/12/2007, as IMPUGNAÇÕES (fls. 327 a 366), relativas ao IRPJ e a CSLL, cujo teor, idêntico, contêm os seguintes argumentos: Preliminarmente Alega que não há norma legal que fundamente a tributação no Brasil sobre a distribuição de dividendos, entendendo que a incidência foi eliminada pelo art. 10 da Lei n° 9.249/95. Quanto à incidência sobre a produção ou auferimento de lucros no exterior, a competência do pais na matéria é limitada por norma convencional através do art. Vil do tratado firmados entre o Brasil e a Hungria. Alega que é insubsistente a invocação do art. X do tratado, sendo certo que o mesmo é imprestável para servir como "fundan2en10 legal básico deste lançamento de oficio" e, que por esse motivo requer a nulidade dos lançamentos. Alega que os Comentários elaborados pela Comissão de Assuntos Fiscais da OCDE não são vinculantes e não servem como fundamento jurídico para embasar os presentes autos já sendo motivo suficiente para infirmar lançamento. Alega ainda que se os Comentários são recomendações para os Estados- membros que integram a OCDE, então seriam apenas meras sugestões interpretativas para os Estados que não integram a OCDE, como é o caso do Brasil. Desta forma, jamais poderiam ter Assinxio digitalmente em 16/0712011 per F1 t- I A 0, ,,- '1 011 SJ\ITCN:( .n:7;47 rRAC-A fl t- 5,t0LIZA 10/ 07/2011 por ALBERTI NA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 3 Impresso em 02/03/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF ME' Fl. 4 Processo n° 16561.000136/2007-89 S 1 -C4T2 Acórcldo rt.' 1402-00.391 Fl. 4 poder normativo para corroborar os autos ora impugnados, até porque não têm qualquer tipo de força vinculante. Argumenta que os Comentários não são aplicáveis à legislação brasileira uma vez que dizem respeito à chamada "CFC legislation" (legislação de empresas controladas no exterior), uma ez:tegoria própria do direito tributário que abriga normas que, por sua natureza antielisiva, o dotadas da especialidade de que trata o § 2° do art. 2° da Lei de Introdução ao Código Civil. Alega que, apesar da identidade dos efeitos econômicos, a tributação no Ikasii dos lucros auferidos no exterior não constitui uma legislação CFC, visto serem as normas aplicáveis genericamente, sem as restrições que caracterizariam a especialidade das :-egras, pelo seu escopo antielisivo. 0 que se encontra tanto no art. 25 da Lei n° 9.249/95 como no art. 74 da MP n° 2.158-35/01 são regras amplas e gerais de tributação que alcançam todas as situações, sejam as que poderiam configurar hipóteses de elisão, sejam as decorrentes de razões exclusivamente operacionais. Alega que, neste contexto, não há o que falar de "CFC rules "na tributação do Brasil, uma vez que as regras CFC visam a suspender o diferimento da tributação das controladas no exterior em circunstâncias especificas. No Brasil, sob a égide dos artigos retro citados não ocorreria o diferimento da tributação, e não haveria, portanto, corno cogitar de uma legislação anti-diferimento. Alega que a legislação CFC, ao instituir norma antielisiva, não alcança a tributação de dividendos, aplicando-se a lucros identificados, por sua natureza ou por sua origem geográfica, como artificialmente desviados da jurisdição em que deveriam ser apurados. Alega que essas normas nada têm a ver com a sistemática brasileira, de generalidade, sem as características especiais de um regramento antielisivo. Alega que caberia ao auditor fiscal comprovar, nos presentes autos, não somente o eventual propósito elisivo da Impugnante, mas, principalmente, sua efetiva concretização. Alega que os dispositivos legais a serem aplicados para o caso presente seriam os arts. 10 e 25, § 2 °, da Lei n° 9.249/95. alegando que não seria "o número 6 do artigo 10 0 do tratado do Brasil e Hungria", tampouco o art. 74 "da citada Medida Provisória 2.158-35/2001", e nem, muito menos, a "Instrução Normativa SRF n° 213, de 7 de outubro de 2002" (sic fls 11 do Termo de Verificação Fiscal). Alega que a incidência do tributo se dá na produção ou auferimento de renda por parte da controlada no exterior, e não na sua distribuição, não havendo que se cogitar de dividendo ficto ou presumido. Alega que a impugnante obedeceu à regra de incidência com fulcro na disposição contida no tratado firmado entre o Brasil e a Hungria, que concede Aquele pais competência exclusiva para tributar o auferimento ou a produção de lucros pelas subsidiárias de empresas brasileiras constituídas naquele pais (art. VII, 1, Decreto n° 53/91: "Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante s6 são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado"). Assin:ido dicitalinon:e ern 1607/2011 Por CAFJ.C.0 t:.!,./07:2011 :.c.r ANTONIO .ns.:E PP,ACIt. DE SOUZA 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF I\4F Fl. 5 Processo no 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 5 Alega que a única hipótese da empresa da Hungria ser tributada aqui seria se mantivesse estabelecimento permanente aqui, o que alega não ocorrer. Alega que a parte inicial do Termo de Verificação afirma inexistir "fundamentacao , jurídica" para a aplicação pela Impugnante do art. VII do tratado firmado entre o Brasil e a Hungria. Mas o auditor fiscal não se preocupou corn isso pois não consta dos autos qualquer justificativa que demonstre a alegada inexistência de fundamentação para a aplicação do art. VII referido. Alega que a afirmação do Agente Fiscal, despida de qualquer fundamentação, e pior, em contradição com os fatos constatados por ele próprio de que a empresa efetivamente operava no exterior, sem estabelecimento no Brasil, caracterizaria evidente cerceamento de defesa a tornar nulos os presentes autos, o que requer o reconhecimento e a declaração, em caráter preliminar. Mérito. Inicia fazendo análise do art. 25 da Lei n° 9.249/95 que, em seu entender, embasaria o que alega sobre o auferimento e distribuição dos lucros e que o auferirnento do lucro já é tributado no pais onde se situa a empresa controlada por determinação do tratado firmado e já citado, entre Brasil e Hungria. Alega também que a incidência prevista nessa lei não alcançaria o resultado positivo de equivalência patrimonial, pois argumenta que ha norma expressa de isenção destas receitas e ainda porque tais receitas de equivalência extrapolam o núcleo material da tributação do lucro no exterior que se circunscreve aos "lucros auferidos no exterior" pelas controladas. Reitera que normas convencionais não têm conteúdo positivo, isto 6, constituem-se normas sem fundamento positivo para a tributação, entendendo que o art. X do tratado, citado pelo Auditor no Auto de Infração, diferente de prestar-se ao "fundamento legal básico deste lançamento" (corno referido anteriormente) não tem o condão de instituir norma de incidência tributária aplicável no Brasil, uma vez que art. 10 da Lei n° 9.249/95 teria abolido a incidência do IRPJ e da CSLL sobre dividendos distribuídos ou recebidos por contribuintes no Brasil. Alega que o art. 74 da MP 2.158-35/01 apenas definiu o aspecto temporal da incidência criada pelo art. 25 da Lei n° 9.249/95, no que tange ao 1RPJ, e pelo art. 19 da MP n° 1.858-6, editado pelo art. 21 da MP n°2.158-35/01, no que tange A. CSLL. Alega que entendimento contrário implicaria admitir a possibilidade de o Brasil tributar o recebimento de dividendos por beneficiários residentes no Pais, e não a produção dos lucros no exterior por empresa estrangeira que estivesse sob o controle de pessoa jurídica brasileira, o que configuraria dupla inconstitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35/01: a primeira por caracterizar hipótese ficta ou presumida de distribuição de resultados, já repelida pelo Supremo Tribunal Federal; a segunda por violação regra constitucional da isonomia incorporada ao tratado como vedação à discriminação (art. 24 do tratado Brasil-Hungria), pois essa tributação oneraria a contribuinte em dupla tributação o que não ocorreria se estivesse no Brasil, flagrante violação ao principio constitucional da isonomia tributária (art. 150, II). Alega que qualificar juridicamente os resultados da VCP Overseas Holding Kft A luz das normas do tratado entre o Brasil e a Hungria como "dividendos presumidos" (sic), P.snatio ri.pit.,:mente ern 16107/2011 or CAP,: fl2 flf1 ;.NTC!1(nr=7, na- .-;nuzA. 13; 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 5 Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF ME Fl. 6 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4'1'2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 6 grifado as fls. 2 do Termo de Verificaçao Fiscal incorre em flagrante inconstitucionalidade, além da violação do art. 43 do Código Tributário Nacional, mesmo após alteração perpetrada pela Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001, citando ainda jurisprudência administrativa e judicial alem de doutrinadores que corroborariam o que alega. Aiega que constituiria violação aos postulados normativos da razoabilidade e da propnrci..)m.,:idade pretender agravar a situação fiscal do investidor brasileiro que desenvolva atividades operacionais no exterior, comparativamente aquele que se restringe ao te: . :1 -ório nacional, entendendo ainda que o investidor brasileiro com atividades no exterior restaria mais tributado do que o investidor estrangeiro com atividades no Brasil, devendo ser decretada a nulidade do presente lançamento. Alega que dessa maneira é evidente a falta de fundamentação jurídica para embasar os lançamentos. Alega que a IN SRF n° 213/2002 fere os princípios constitucionais da tipicidade e da legalidade, pois não ha dispositivo legal que ampare suas normas, além de malferir os conceitos constitucionais de renda e lucro insertos no art. 153, III, e no art. 195, I, da Constituição da Republica. Alega que o próprio fiscal reconheceu o recolhimento de tributos no exterior ao intima-la a esclarecer se havia compensado esses pagamentos com o IRPJ devido no Brasil. Alega que por não haver o fiscal efetuado um levantamento dos tributos já recolhidos no exterior, o auto deveria ser anulado mas, na hipótese de prevalecer a presente autuação, requer a aplicação do artigo XXIII, "a" (1), do tratado firmado entre o Brasil e a Hungria, para fins de dedução do valor dos impostos pagos no exterior sobre os lucros objeto de autuação. Por fim requer o acolhimento integral da impugnação para que sejam desconstituidos os autos de infração lavrados, tornando insubsistentes os créditos tributários de IRPJ e CSLL, bem como a multa e os demais acréscimos legais, protestando ainda por todos os meios de prova em Direito admitidas. Ao analisar a impugnação (Es. 327/366), a DRJ JULGOU PROCEDENTE LANÇAMENTO. O acórdão de primeira instância de n° 16-17.253 tem a seguinte ementa: "TRATADO INTERNACIONAL — 0 Tratado firmado entre Brasil e Hungria, vigente à época dos fatos geradores não impede a tributação de lucros auferidos por controlada no exterior. ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA - Alegações de ilegalidade não podem ser opostas na instância administrativa. IRPJ E CSLL. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO — Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam-se c't incidência do IRPJ e da CSLL, observadas as normas de tributação universal. PEDIDO GENÉRICO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. DE PERÍCIA. IMPOSSIBILIDADE — Não atendidos os requisitos de Assir,aoc,dar1ote.csrn 15117 ;20.11 p.:,r • 1 1 F j7A 1 8% 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 6 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 7 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 7 admissibilidade, indefere-se pedido genérico de juntada de todas as provas em direito admitidas. Lançamento procedente" O contribuinte, devidamente intimado da decisão em 12.06.2008, conforme faz prow o A R de fl. 696, interpôs, tempestivamente, o RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 699/749, em 10.07.2008. Inconformado, argumenta que o lucro gerado pela VCP Overseas Holding FIFT deve ser tributado somente na Hungria, já que o Tratado firmado entre Brasil e }-Tungria dispõe sobre esse terna em seu artigo VII. Assim, argumenta a Recorrente que o artigo X do referido tratado não tem relação com o caso especifico, já que não é o instrumento jurídico apto a permitir a tipificação tributária dos fatos geradores, não tendo os tratados a chamada função positiva. Argumenta também a Recorrente que existe falta de fundamento jurídico para a tributação de dividendo presumido, termo esse utilizado pelo ilustre agente fiscal na elaboração do auto de infração. Reforça a Recorrente que tal procedimento é inconstitucional, além de violar o artigo 43 do Código Tributário Nacional. Ademais, acrescenta que a tributação da equivalência patrimonial descrita na IN 213/2002 afronta o conceito de renda já que para compor a receita de equivalência patrimonial é incluída: a) lucro liquido ou prejuízo da controlada; b) ganhos ou perdas efetivos em decorrência da existência de reservas de capital na controlada; c) ganhos ou perdas efetivos em decorrência de ajustes nos exercícios anteriores nas controladas; d) variação cambial de investimento na controlada; e) variação da porcentagem de participação no capital da controlada; e f) reavaliação de ativos na controlada. Por fim, o contribuinte considera que a se admitir a incidência de IRPJ e CSLL sobre distribuição de lucros (ficta ou efetiva) há de se reconhecer configurada flagrante violação ao principio constitucional da isonomia tributária, estabelecido no inciso II do art. 150 da CF. Ademais, requer o contribuinte seja declarado nulo o auto de infração por não compensar os tributos pagos na Hungria, ou que tais valores sejam compensados do 1RPJ e CSLL devidos. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGFN apresentou suas CONTRARRAZOES em face do Recurso Voluntário que, preliminarmente, combateu os argumentos da Recorrente quanto A. nulidade do auto de infração, alegando que não houve a configuração das hipóteses previstas nos incisos do art. 59 do Decreto n° 70235/72, bem como que a DRJ analisou todos os argumentos expostos na impugnação. Ademais, argumenta a PGFN que, como a VCP Overseas Holding KFT tern filial na Suiça, e, por se tratar de holding, existe a possibilidade de que a VCP Overseas participe de entidades localizadas em paraísos fiscais ou em outros países sem acordo com o Brasil. Nessa hipótese, os valores registrados por equivalência patrimonial pela recorrente não seriam provenientes do patrimônio liquido da VCP Overseas Holding KFT, o que afastaria a aplicação do Tratado Brasil-Hungria. Dessa forma a PGFN solicita diligência para esclarecer se a VCP Overseas participa de outras empresas. No mérito, a PGFN interpreta o artigo VII do Tratado entre Brasil e Hungria argumentando que o referido dispositivo prevê a tributação dos lucros de uma empresa residente num dos Estados contratantes. Assim, consoante o Tratado, os lucros da VCP Overseas seriam tributáveis na Hungria. Acrescenta a PGFN que o art. 74 da MP 2158-35/2001 dN italmentc ern 16/07/2011 is/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 7 Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARE MF Fl. 8 Processo IV 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n. ° 1402-00.391 Fl. 8 não incide sobre uma pessoa jurídica residente no exterior, mas uma sociedade estabelecida no Brasil (Normus). A PGFN após refutar a aplicabilidade do artigo VII, reforça que o artigo 74 da referida MP tem fundamento no artigo X (dividendos) do Tratado entre Brasil e Hungria, citando um acórdão da emitido por este colegiado (acórdão 108-08.765), que tem a seguinte ementa: "IRPJ — CONTROLADA NA ESPANHA --- LUCROS A PARTIR DE 2001 — MP 2158-35/2001 — TRATADO INTERNACIONAL — 0 art. 74 da MP 2158-34 estabeleceu a presunç'do absoluta (ficta) de que o lucro auferido por controlada no exterior deve ser considerado distribuído a controladora no Brasil em 31 de dezembro de cada ano. 0 Tratado entre Brasil e Espanha não afasta a incidência de tributação por empresa sediada no Brasil relativamente ao lucro de empresa espanhola considerado distribuído." Entende a PGFN que a aplicação do artigo 10 da Lei 9.249/95 é irrelevante para o caso em tela, pois o que se está tributando é o lucro e não os dividendos. E que o conceito de dividendos no Tratado é mais abrangente que o conceito na legislação local. Entende a PGFN que a subsidiária no exterior é uma sociedade "transparente" para fins fiscais, com base nas normas internacionais chamadas comumente CFC e estas normas não estão em confronto com os tratados firmados pelo Brasil. Entende que os lucros auferidos no exterior são lucros da empresa brasileira e nesta condição são tributados aqui. Para a PGFN, -o conceito de dividendos abrange todos os rendimentos provenientes de direitos de participação de lucros e que dividendos pagos equivale Aquele a que o sócio tem direito. A PGFN cita que a Hungria poderia tributar até 15% dos dividendos e esse valor deveria ser deduzido no Brasil, mas como a Recorrente não comprovou o pagamento do tributo devido na Hungria, tampouco não efetuou a tradução dos documentos com o logotipo do Citigroup o suposto tributo pago na Hungria não pode ser deduzido no Brasil. A Recorrente, 16 de março de 2009, protocolou petição anexando documentos adicionais (fls. 781/1035), pois os referidos documentos não foram solicitados durante o procedimento de fiscalização, sendo que os mesmos são a tradução, inglês para português, dos documentos com logotipo do Citigroup, que supostamente, seriam a comprovação dos recolhimentos do imposto sobre a renda na Hungria. Por fim, a PGFN peticiona requerendo o não conhecimento dos documentos (fls. 781/1035) em razão da incidência da preclusão temporal (art. 16, parágrafos 4° e 5° do Decreto 70235/72). o Relatório. Ass: Jn d , o,idImc,r, 1e em 16/07/20 1 1 poi CArI ír rn A ,-.7!;77:1i 1)01 ANTnt.in 0:7 F.:OUZA. 1 5/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 8 Impresso em 02/03/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO a. DF CARF MF Fl. 9 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 9 Voto Vencido Conselheiro Carlos Pelá , Relator O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qua! (k!le tomo conhecimento. 0 processo está bem instruido e não se verificam a ocorrência de dades. A matéria posta A. apreciação deste colegiado ainda não se pacificou neste CARF e é objeto de acalorados debates nos diversos colegiados. A discussão, contudo, ganhou uma grande contribuição recente, através do voto da Conselheira Sandra Maria Faroni, no acórdão 101-97.070, que analisou um caso semelhante, mas que envolveu empresa controladora no Brasil e controlada situada na Espanha. Outro acórdão que enfrentou a questão foi aquele citado nas contrarrazões da PGFN, que também servirá como paradigma da discussão travada neste processo. O ponto central da discussão é saber se o lucro auferido por uma empresa sediada na Hungria deve ser adicionado ao resultado da sua controladora no Brasil, ou se tais lucros, por outro lado, são tributados exclusivamente na Hungria. O Fundamento para a incidência dos tributos sobre os lucros auferidos no exterior, segundo a autoridade que lavrou o auto de infração, são os seguintes artigos , conforme indicado no auto de infração: art. 25, §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.249/1995; artigo 16 da Lei n° 9.430/96; artigos 249, inciso II e 394 do RIR199, art. 10, número 6 do tratado para evitar a bitributação celebrado entre o Brasil e a Hungria (Decreto n. 53/1991); art. 30 da Lei n° 9.959/00; art. n° 74 da MP n°2.158/2001; art. 74 da MP no. 2.158/2001; e IN n°213/2002. Reproduzo os artigos: LEI 9249/95 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória n° 2158-35, de 2001) ,¢ I° Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro liquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: - os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II - caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte-americanos e, em seguida, em Reais; Assinado em 16077,77:11 oor CARL.":$': ror ANT(); F;F: - Jz 15 07 12011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente ern 05/07/2011 por ANTONIO .JOSE PRAGA DE SOUZA 9 Impresso em 02/03/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF 1\1F Fl. 10 l'roccsso o° 16561.000136/2007-89 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 10 § 2 0 Os lucros auferidos por flilais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observeincia do seguinte: 1 - as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II - os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro liquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III - se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro liquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV - as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações ein Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3° Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I - os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro liquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II - os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do período-base da pessoa jurídica; 111 - se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro liquido, para apuração do lucro real, sua participa cão nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV - a pessoa jurídica devera conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. LEI 9430/96 Art.16.Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: 1-considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II-arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas, quando não for possível a determinação de seus resultados, com observância das mesmas normas aplicáveis as pessoas jurídicas digtalmante em 16/07/2011 pól CAR! OP PrrI r cor )1;•.. I. flP -]‘,,-)l.1ZA. 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA lo Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF IVIF Fl. II Processo if' 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 11 domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real. §1 0 Os resultados decorrentes de aplicações financeiras de renda variável no exterior, cm um mesmo pais, poderão ser ,-,;:solidados para efeito de cômputo do ganho, na determinação do lucro real. §2° Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: I - com relação aos lucros, devera apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótesedo inciso II do caput deste artigo; li -fica dispensada da obrigação a que se refere o çS' 2° do art. 26 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do pais de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. §3 0 Na hipótese de arbitrament() do lucro da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, os lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior serão adicionados ao lucro arbitrado para determinação da base de cálculo do imposto. §4° Do imposto devido correspondente a lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior não será admitida qualquer destinação ou dedução a titulo de incentivo fiscal. MP 2158-35: Art.74.Para Jim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafoiinico.Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. TRATADO "Artigo X - Dividendos 6. Quando ulna sociedade residente de um Estado Contratante receber lucros ou rendimentos provenientes do outro Estado Contratante, esse outro Estado não poderá cobrar nenhum imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto AssInado dig ■ tairnente en' 16/07/2011 por .) -1, r;,.)r : SC)LIZA 8! 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO na II DF CARF MF Fl. 12 Processo n° 16561.000136/2007-89 SI-C4T2 AcgrL15-o n.° 1402-00.391 Fl. 12 medida On que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado ou na medida em que a participação geradora dos dividendos estiver efetivamente ligada a um estabelecimento permanente ou a tuna instalação fixa situados nesse outro Estado, nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre lucros não distribuídos, mesmo se os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos, mesmo se os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistirem, total ou parcialmente, em lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. DA TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Como afirmei linhas atrás, a melhor contribuição para este debate, a meu ver, foi dada pela Conselheira Sandra Maria Faroni, no voto proferido no acórdão 101-97.070, cujos fundamentos peço vênia para adotar. Numa primeira abordagem, a Conselheira faz um levantamento da evolução legislativa sobre a tributação dos lucros no exterior de empresas controladas: 1- Lucros auferidos no exterior por controladas. a) Evolução legislativa Antes da publicação da Lei n° 9.249/95, os resultados auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil poderiam ser excluídos da apuração da base de cálculo do imposto de renda. O art. 25 da Lei 9.249/95 determinou o cômputo, na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano, dos lucros auferidos no exterior. De acordo coot seus parágrafos 2°c 3°, os lucros auferidos pelas controladas e coligadas de empresas brasileiras no exterior deveriam ser tributados segundo os valores apurados em seus respectivos balanços, e adicionados no lucro real da investidora brasileira em 31 de dezembro de cada ano. Portanto, o art. 25 da Lei 9.249/95 elegeu a apuração do lucro da coligada ou controlada no exterior C01110 fato gerador do IRPJ da controladora ou coligada no Brasil, e 31 de dezembro do ano da apuração como o momento da respectiva tributação. Como o artigo 43 do GIN estabelece, como fato gerador do imposto de renda, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica da renda, questionou-se quanto a legalidade do art. 25 da Lei n° 9.249/95: teria ele nascido ilegal frente as disposições do CTN. O argumento do questionamento era que as entidades — investidor e investido - possuem personalidades jurídicas distintas, e o lucro pertence a empresa que o gerou. Dessa forma, sua mera apuração pela coligada controlada no exterior não denotaria disponibilidade econômica ou jurídica para o Asado cl,ttnalrnente em 16107/2011 nor CAR; OS FT-I A :7011 r.:Ir AN 0!..!!;: : , 1 •ZACIA Dr , 1.-; 01JZA 13/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO 12 DF CARF MF Fl. 13 Processo 11° 16561.000136/2007-89 SI-C4T2 Acórdão n. ° 1402-00.391 Fl. 13 investidor no Brasil que, quanto a eles, teria apenas uma expectativa de direito. Enquanto a sociedade que gerou os lucros não deliberasse sobre sua destinação, o investidor, do ponto de vista societário, não seria proprietário desses lucros. Para evitar os problemas que adviriam de um questionamento judicial, foi editada a Instrução Normativa n° 38, de 1996, que elencou situações condizentes com o conceito de disponibilidade econômica ou jurídica de renda como momento da tributação. A Instrução Normativa deu à lei uma interpretação conforme o CTN e a Constituição. Emergiram também discussões quanto a vicio de forma da IN, e foi editada a Lei n° 9.532, de 1997, estabelecendo as mesmas situações elencadas na IN n° 38 como momento da tributação, como a seguir: Art. 1° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § I° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. (..) § 2° Para efeito do disposto na alínea "h" do parágrafo anterior, considera-se: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: I. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer titulo, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. A':;wecio digitalmente em 16/07/2011 por O.ARtG2 :-5 7--!.A -,5;n7DC11 por ArkITONJ::7).' CO: IZA 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 13 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF N1F FL 14 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 14 Dessa evolução da legislação transparece que a edição do art. I° da Lei n° 9.532/97 foi motivada pela necessidade de compatibilizar a incidência do tributo coin o conceito de disponibilização. in-se, assim, que na vigência das leis n° 9.249/95 e 9.532/97, em relação aos lucros auferidos por intermédio de coligadas e controladas, o fato gerador ocorria coin o pagamento ou crédito, conforme disciplinado pelos parágrafos 1° e 2° do artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 38/96 e conforme o disposto no art. 1° e 3Ss 1° da Lei 9.532/97. Enquanto o fato gerador ficou representado pelo pagamento ou crédito (ainda que presumido, conforme IN n° 38/96 e conforme Lei n°9.532/97), o rendimento objeto da tributação representava dividendos e, por determinação legal, qualquer que fosse a opção de pagamento do contribuinte (lucro real trimestral ou lucro real anual), considerava-se ocorrido o fato gerador em dezembro do ano em que ocorreu a disponibilização. Ou seja, na forma daquela legislação, o que se tributam i não são os lucros auferidos pela empresa no exterior (lucros apurados no balanço), mas sim a parte desses lucros disponibilizada para o investidor brasileiro. E a data de ocorrência do fato gerador é o dia 31 de dezembro do ano-calendário correspondente ao período em que os lucros se consideram creditados ou pagos pela investida. A Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001, incluiu dois parágrafos no art. 43 do CT1V, sendo que o ,¢ 2° dispõe: 5S. 20 Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. Já coin lastro na nova redação do CTN, foi editado o art. 74 da Medida Provisória n°2.158-34/2001, reeditado na MP n° 2.158- 35, que dispõe: "Art. 74. Para fini de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada 170 exterior sei-ão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor". Na legislação precedente, a distribuição dos lucros (ainda que por presunção,) era pressuposto para a ocorrência do fato 4tttdc cligitalmente efl 16:07/7011 pctg.MifigI 77: .". .^-s r.41- t";.2" -•• :.-:- 7 :7- lit nEDOLIZA 18/ 0712011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 14 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 15 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 AcOrdtio n.° 1402-00.391 Fl. 15 A partir da MP 2.158/91, a tributação passou a incidir não mais sobre os lucros disponibilizados (dividendos), mas sobre os lucros apurados no balanço. Muito embora tanto a legislação precedente como a MP n° 2.158-35 usem a expressão "serão considerados disponibilizados", na legislação anterior essa expressão tem a conotação de presunção legal, enquanto na nova legislação a conotação é de ficção legal. Essa é uma diferença relevante porque, enquanto as presunções se baseiam no que ordinariamente acontece, a ficção se baseia naquilo que se sabe, coin certeza, não ter acontecido. A alteração trazida com a MP é claramente evidenciada pela regulamentação baixada com a IN 213/2002, que no § 7° do art. 1° dispõe: § 72 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cticulo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no pais de origem. Pela legislação anterior, os valores tributados eram os pagos ou creditados. Embora não se tratasse, necessariamente, de pagamento ou crédito efetivo, somente os valores já líquidos do imposto pago no pais de origem ou de qualquer outra destinação estatutária ou legal poderiam ser utilizados nas situações definidas na lei como caracterizadoras do pagamento ou crédito. Dai se poder concluir que o que tributLivam eram realmente os dividendos (distribuídos ou atribuídos). Na nova situação, ao determinar que os lucros são computados pelos seus valores integrais, sem o desconto do tributo pago no pais de origem, fica claro que o a tributação não recai sobre dividendos, pois não se distribuem dividendos em valor superior ao lucro disponível para distribuição. Não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo questionar a lei, cumpre analisar se o artigo 70 da IN SRF 213/2002 extrapolou-a. Em se tratando de investimentos relevantes e influentes, obrigatoriamente avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com o que dispõe a Lei n° 6.404/76, nos inciso II e Ill do artigo 248, sobre o valor do investimento, após a correção para manter a expressão do valor monetário, deve ser aplicado o percentual de participação da investidora na coligada ou controlada. A diferença positiva entre o valor assim obtido e o custo de aquisição atualizado poderá ser decorrente de lucros obtidos pela coligada ou controlada ou de reavaliação de bens efetuada pela coligada ou controlada. Se decorrente de lucros apurados pela coligada ou controlada, deve ser computada como receita no resultado do exercício. riTitalm,nte em 16707/2011 pry CARI ANT0N:(-: n ■ = COL17,A. 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 15 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF Mr' FL 16 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórddo n.° 1402-00.391 Fl. 16 Essa a tzarina contábil. Portanto, o resultado de equivalência patrimonial apenas atesta a apuração de lucros por meio de controladas ou coligadas. A norma fiscal (art. 23 do DL 1.598/77) determinava que esse reyultado não seria computado na apuração do lucro real. Lima vez que contabilmente já havia influenciado o lucro liquido do exercício, seria excluído para apuração do lucro real. Aqui é importante abrir parênteses, para analisar o alcance do § 60 o art. 25 da lei que instituiu a tributação universal (Lei n° 9.249/95). O § 6° do art. 25 da Lei n° 9.249, de 1995, ao dispor que os resultados da avaliação dos investimentos no exterior pelo método da equivalência patrimonial continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, ressalvou que isso seria sem prejuízo do disposto nos §§ 1°, 20 e 3° do mesmo artigo. A sistemática prevista na legislação vigente (DL 1.598/77) é exclusão do lucro liquido, para fins de lucro real, do resultado positivo da equivalência patrimonial. Se a investida é empresa situada no Brasil, os lucros não são tributados na investidora por ocasião de sua distribuição, porque já o foram na empresa investida. Entretanto, se a investida não é empresa domiciliada no Brasil, essa tributação devera se dar na disponibilização dos lucros. Ou seja, o que o § 6° explicitou foi que, quando decorrentes de investimento no exterior, os resultados positivos da equivalência patrimonial, que afetam o lucro contábil, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, ou seja, continuarão a ser excluídos para fins de apuração do lucro real, "sem prejuízo do disposto nos §§ 1°, 2° e 3° ", ou seja, sem prejuízo da tributação quando da disponibilização. Essa norma fiscal foi mantida pela Lei n° 9.532/97, que previa que a simples apuração dos lucros não era suficiente para marcar a data de sua disponibilização. A regra, contudo, foi alterada pelo art. 74 da MP n° 2.158-35/2001, e a data da apuração do lucro no balanço da entidade estrangeira passou a definir o momento da sua disponibilização. É inquestionável que, a partir da Lei 9.249/95, os lucros obtidos por intermédio das controladas ou coligadas no exterior são tributáveis na investidora no Brasil. 0 artigo 74 da MP 2.158- 35, de 2001, define o momento da disponibilização, para efeito de tributação. Ulna vez que o resultado da equivalência patrimonial apenas atesta a apuração dos lucros pela coligada ou controlada, a determinação contida na IN SRF n° 213/02, para a inclusão na base de cálculo do lucro real e da CSLL do resultado positivo dessa equivalência, apenas concretiza o comando fixado pelo art. 74 da Medida Provisória n° 2.158- 35/2001. Em síntese tem-se que antes da MP 2.158-35/2002, os lucros obtidos poi- intermédio das controladas ou coligadas no exterior digii=3/rnente ,rn 16/07/2n11 poerain :tributáve.;.•:carmando, doi -pr.-g,-1!;:entry:., a::-,crzfditQï.(ainda que 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 16 Impresso em 02/03/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 17 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 17 presumidos, conforme definido na legislação), caracterizando-se a tributação como incidindo sobre dividendos. A partir da MP 2.158-35/2002, a tributação passou a incidir não sobre dividendos, mas sobre os lucros brutos apurados. No caso, restou caracterizada a hipótese prevista no art. 74 da MP 2.158-35/2002. Como já dito, não cabe a este colegiado, integrante do Poder Executivo, deixar de aplicar lei legitimamente inserida no ordenamento pátrio. Por conseguinte, caso não houvesse outras circunstancias especificas, seria legitima a exigência. A análise da Ilustre relatora do acórdão citado não merece reparos. De fato, a legislação brasileira adotou duas formas diferentes para tributar o lucro obtido no exterior através de investimentos la feitos. Pela lei brasileira (9.249, art. 25), são tributados no exterior os "rendimentos e ganhos de capital auf?.ridos no exterior" (par. 1°.) e os "lucros auferidos no exterior por coligadas" (par. 2°.). 0 lucro é o "resultado da venda de cada mercadoria ou produto cujo comércio ou produção constitua objeto da empresa" (Bulhões). IA, rendimento é o ganho obtido diretamente pela pessoa jurídica brasileira, através de aplicações de seu capital no exterior, através de atividades desenvolvidas diretamente por ela. Ganhos de capital são resultantes de ganhos com a alienação de aplicações feitas com capital fixo da empresa. A distinção é relevante. De acordo com o par. 1°. da IN 213/02, os lucros auferidos no exterior são aqueles decorrentes de atividade empresarial no exterior distinta da atividade empresarial no Brasil, que se obtém por meio de uma mtidade criada no exterior para esta finalidade. Os rendimentos, por sua vez, são auferidos no exterior diretamente pela empresa brasileira. A diferença entre as espécies de rendas obtidas no exterior é bastante útil para desvendar a falácia da tributação dos dividendos presumidos como se fossem lucros. 0 artigo 1° da IN 213/02 dispõe: Art. 1 2 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro liquido SLL), na for/na da legislação especifica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. § 12 Os lucros referidos neste artigo são os apurados por filiais e sucursais da pessoa jurídica domiciliada no Brasil e os decorrentes de participações societárias, inclusive emi controladas e coligadas. ,¢ 22 Os rendimentos e ganhos de capital a que se refere este artigo são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. De acordo com o entendimento da Receita Federal sumarizado no artigo transcrito, os lucros auferidos no exterior são aqueles produzidos por atividade empresarial distinta da atividade da empresa brasileira, ou seja, produzida por filiar, sucursal, coligada ou controlada que atue no exterior com personalidade jurídica própria. O resultado destas dipLaimente 1 6107.12c11 pot CA_(;)C, -1 :;:::-)1.127A, tom 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO 17 DF CARF MF Fl. 18 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdiio n.° 1402-00.391 Fl. IS empresas tern apuração autônoma, com as regras próprias do pais de origem, e depois são "juntados" ao resultado da empresa brasileira para fins de determinação do imposto a ser pago. Já os rendimentos e ganhos de capital são auferidos diretamente pela pessoa jurídica dorn1 ,..;i:iada no Brasil. Através de um parecer juntado a um dos processos que julgamos recentmente nesta Turma, o Prof. Luis Eduardo Schoueri trilha por este mesmo caminhe, muito claro para quem milita no Mercado Financeiro. Cita ele um parecer da AGU e um toxic, do Prof. Alcides Jorge Costa, que peço vênia para utilizar neste voto. A AGU, através do Parecer AGU/SF/01-2000, corrobora o que escrevemos linhas atrás: "25 — Ainda a respeito do caput do artigo 25 da Lei 9.249, a Secretaria da Receita Federal já deixou esclarecido que a palavra lucro, obtido no exterior e vinculado a prestação indireta de serviços no exterior, significa o resultado algébrico entre as receitas obtidas e os custos e despesas incorridas. termo é aplicado nos casos de filiais, controladas e coligadas instaladas no exterior, vale repisar, estruturas econômicas, com ou sem personalidade própria, que, de qualquer forma, recebem renda e incorrem em gastos, a fim de manter suas atividades. Neste caso, caberá a matriz controladora ou coligada brasileira apenas o resultado algébrico disponibilizaa'o, já deduzidos os gastos necessários à manutenção do manus no exterior (Lei 9.249, art. 25, §§ 2°, 3° e 4°). 26 — A palavra rendimento significa a receita obtida pela exploração de alguma atividade, significa o resultado do capital transformado em ativos da empresa, empregados em seus fins institucionais. Em se tratando de pessoas jurídicas, é o produto do capital investido em alguma atividade econômica. 0 termo ganhos de capital significa valores operacionais oriundos de alienação por preço acima do valor contábil, de bens do ativo permanente, vale dizer, são resultados que não fazem parte da operacionalidade habitual da empresa, aliás, muito pelo contrário, significam acréscimos pela venda de bens ou direitos que estavam afetados el sua atividade produtiva ou aos seus investimentos, tais como imóveis, veículos, móveis etc." 0 texto do Prof Alcides Jorge Costa citado está publicado no livro "Imposto de renda: alterações fundamentais", editado pela Dialética e publicado em 1996. 0 texto citado tern o seguinte teor: "0 primeiro bloco diz respeito a rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior por pessoas jurídicas. Esses rendimentos e ganhos de capital resultam de atos diretos da pessoa jurídica (ex.: investimentos financeiros, comissões) e, por isso mesmo, devem ser devidamente registrados na contabilidade no Brasil. E por essa razão que se diz que estes rendimentos e ganhos de capital devem ser computados na apuração do lucro liquido das pessoas jurídicas, com observancia das regras contidas nos incisos I e II do parágrafo, ambas concernentes conversão da moeda estrangeira em moeda nacional, O segundo bloco,diz..respeito„.a ,lucros..auferidos„por filiais, „sucursais. el:a;Lain.ento 15707/7011 ocr , . . , . • 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO 18 DF CARE ME Fl. 19 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 19 controladas ou coligadas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. (..) não se fala mais em rendimentos ou ganhos de capital, mas sim em lucros. (..) não se diz que os lucros serão computados na apuração do lucro liquido e sim, na apuração do lucro real. (..) Assim, sem prejuízo da aplicação do método da equivalência, que não conduz à tributação, as pessoas jurídicas devem adicionar ao lucro real, no Lalur e na declaração de rendimentos, os lucros realizados por filiais, sucursais, controladas ou coligadas, quer estas os tenham distribuído, quer não." Os textos emprestados do Parecer do Prof. Schoueri deixam claro: os resultados das empresas brasileiras no exterior são tributados de duas formas. Na hipótese de lucros auferidos pelas controladas no exterior, estes deverão ser adicionados ao lucro real da empresa brasileira, após sua apuração de acordo com as regras de apuração do lucro das empresas no pais de origem. No caso de rendimentos e ganhos de capital, o valor deve ser adicionado ao lucro liquido, para posterior apuração do lucro real. 0 Artigo 25 traz clara esta distinção. No parágrafo primeiro, prevê a tributação dos rendimentos, que devem ser computados na apuração do lucro liquido na data em que forem auferidos. No caso do lucro, devem ser adicionados ao lucro real no exercício em que se considerem disponibilizados. No caso da legislação brasileira, ao final de cada exercício, pois são disponibilizados fictamente. Em suma, os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica brasileira são computados na apuração do lucro contábil, enquanto os lucros auferidos pelas suas controladas e coligadas são adicionados na apuração do lucro real da empresa e são tributados separadamente. E precisamente o que se passa com os dividendos recebidos pelas empresas brasileiras, quando os recebem de suas coligadas ou controladas no exterior. Os dividendos são computados na apuração do lucro liquido, pois representam rendimento do capital da empresa brasileira empregado no capital de outras empresas, no Brasil e no exterior. Os dividendos, todavia, não são tributados pelo imposto de renda nem pela CSLL, por razões bem simples: a lei exclui da tributação esses RENDIMENTOS. No caso de os dividendos serem pagos por empresas brasileiras em que a controladora apura os ganhos pelo método da equivalência patrimonial, que é neutro para fins tributários em qualquer hipótese, os dividendos não são tributados porque a empresa brasileira que os pagou já foi tributada sobre o resultado que o produziu. No caso de os dividendos serem pagos por empresas situadas no exterior e cujo resultado é adicionado ao da controladora melo método da equivalência patrimonial, neutro também para fins tributários, os lucros produzidos pela empresa estrangeira são adicionados ao lucro real para fins de apuração dos tributos devidos no Brasil. A menos que o Brasil, através de algum tratado ou convenção internacional, tenha concordado em não tributar estes lucros, como no caso do tratado com a Hungria. Assim, os dividendos, que se computam no lucro liquido das empresas, não são tributados em nenhuma hipótese. Há uma certa tendência de se subverter a aplicação da legislação tributária mediante interpretações criativas para justificar, ora a incidência de tributos em situações em que a legislação não permite, ora para justificar a sua não-incidência. AsE,Iriacic digitalmoote um 16107/2011 pr CAC; 11 3A DE SOUZA, 1S1 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 19 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 20 Processo II° 16561.000136/2007-89 Sl-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 11. 20 No presente caso, a tentativa de aplicação desta interpretação criativa subverte a lógica. Como vimos, o lucro de coligadas e controladas no exterior é computado na apuração do lucro real da pessoa jurídica, mediante norma positiva que determina a incidência dos tributos sobre estes lucros. Ocorre que uma norma negativa de competência determina que os lucros de coligadas e controladas na Hungria não são tributados no Brasil, por forgo do artigo VII da C_:oavencão entre os dois poises. Ou seja, os LUCROS não são tributados aqui. Lucros, con vimos, auferidos por uma pessoa jurídica sediada no exterior. Pois bem, para contornar esta restrição vem a interpretação criativa: o Estado, até para não negar vigência ao tratado, concorda que os lucros das controladas não são tribtllados aqui mediante adição ao lucro liquido para apuração do lucro real. Todavia, os dividendos a que a controladora tem direito, segundo esta interpretação, devem ser tributados no Brasil, pois correspondem ao resultado obtido pela investidora no exterior. Nesta visão, encontram fundamento para tributação no artigo X da convenção. Ocorre que, como vimos, o resultado obtido através de um investimento no exterior não é lucro da controlada, mas rendimento da controladora, que é computado no lucro liquido, independentemente da adição ou não dos lucros da controlada para apuração do lucro real, que depende de outras normas. 0 rendimento obtido pela controladora através do recebimento de dividendos não é tributável no Brasil. Falta uma norma positiva de incidência sobre estes rendimentos, exatamente porque os lucros das controladas já são tributados pela regra geral. Todavia, o Brasil também concordou em não tributar estes lucros, de modo que estes estão fora do alcance da tributação do lucro quando provenientes de uma controlada na Hungria, pela introdução de regra especial, prevista em tratado internacional, que afasta a tributação destes lucros. Como num passa de mágica, entretanto, aquilo que é rendimento auferido diretamente pela empresa brasileira, previsto no artigo X, passa a ser considerado lucro da controladora auferido através controlada. E o rendimento, que seria isento porque o lucro já é tributado, passa a ser tributado, pois o lucro está isento. A perplexidade é tanta que a explicação fica quase impossível: o lucro é isento; o rendimento é isento; mas o rendimento deixa de ser isento quando é considerado lucro. A lei, nesta interpretação, isentaria o lucro, isentaria o dividendo, mas permitira a tributação do dividendo, pois este foi transformado em lucro fictamente distribuído e, nesta condição, além de passar pela transformação, deixa de ser isento. 0 dividendo, portanto, que no exercício em que for distribuído efetivamente comporá o lucro liquido e será excluído na determinação do lucro real, porque é isento, deverá, fictamente, no exercício em que o lucro da controlada foi produzido, ser adicionado ao lucro real, porque fictamente distribuído. Meu queixo está no chão! 0 fundamento invocado pela fiscalização quer subverter a legislação tributária para transformar o rendimento obtido pela controladora em lucro da controlada. Neste contexto, o rendimento seria adicionado ao lucro liquido para determinação do lucro real antes do seu recebimento, para, quando do seu recebimento, ser computado no lucro liquido e excluído do lucro real. A vontade de tributar justifica o ato, mas a lei não o permite. 0 papel do CARF, neste caso, é recolocar as coisas no seu devido lugar. Não há justificativa jurídica que possa nos fazer concluir em outro sentido. Mais uma vez, valho-me das considerações da Ilustre Conselheira Sandra Faroni no acórdão citado, que trata com muito mais propriedade desta questão: Existindo acordo internacional, a interpretação das normas ,s.ssinwu digitairnc!,t,a ern 16/07/2011 pc.P■IR:l.fleY afordo 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/03/2011 por IVANA, CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO 20 DF CARF H. 21 Process() n° 16561.000136/2007-89 Sl-C4T2 Acórd5o n.° 1402-00.391 Fl. 21 internacional, que para tanto tem regras próprias para a tributação dos lucros (art. 7°) e dos dividendos (art. 10). E essa interpretação não tem se revelado simples, e até o momento não mereceu um posicionamento seguro de quem por ela se debruçou. A Oitava Camara enfrentou a matéria em 23 de mar-go de 2006, e entendeu que os lucros auferidos a partir da vigência da MP 2.158-35, de 2001, seriam regidos pelo art. 10 do Tratado. 0 julgado foi objeto do Acórdão n° 108-08.765, cujo voto vencedor foi redigido pelo Conselheiro José Henrique Longo, e tem a seguinte ementa: IRPJ — CONTROLADA NA ESPANHA — LUCROS A PARTIR DE 2001 — MP 2158-34/2001 — TRATADO INTERNACIONAL — 0 art. 74 da MP 2158-34 estabeleceu a presunção absoluta (ficção) de que o lucro auferido por controlada no exterior deve ser considerado distribuído à controladora no Brasil em 31 de dezembro de cada ano. O Tratado entre Brasil e Espanha não afasta a incidência de tributação por empresa sediada no Brasil relativamente ao lucro de empresa espanhola considerado distribuído Ao analisar o recurso n° 148.709, esta Primeira Camara, em pro -esso de minha relatoria entendeu, conforme Acórdão 101- 95.808, de 19 de outubro de 2006: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO FICTA PARA A CONTROLADORA AQUI NO BRASIL (MP n° 2.158-34/2001, ART. 74, ,sr ONICO -- A partir da vigência do art. 74 da MP 2.158-35/2001, para fim de determinação da base de calculo do imposto de renda e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior ate 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação eni vigor. LUCROS AUFERIDOS POR INTERMÉDIO DE COLIGADAS E CONTROLADAS NO EXTERIOR- Na Lei 9.532/97 o fato gerador era representado pelo pagamento ou crédito (conforme definido no art. da Lei 9.532/97), e o que se tributavam eramn os dividendos. A partir da MP 2.158-35/2001, a tributação independe de pagamento ou crédito (ainda que fictos), deixando, pois, de ter COMO base os dividendos. LUCROS ORIUNDOS DE INVESTIMENTO NA ESPANHA — Nos termos da Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda entre Brasil e a Espanha, promulgada pelo Decreto le 76.975, de 1976, em se tratando de lucros apurados pela sociedade residente na Espanha e que não sejam atribuíveis a estabelecimento permanente situado no Brasil, não pode haver tributação no Brasil. Não são também tributados no Brasil os 1 5072,1, dvidendov.. recphithv .1 1m ., rPcidento _do Bracil e , que, de ,. .' i - , • • •. 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente ern 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/03/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO 21 DF CARF MF Processo n° 16561.000136/2007-89 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 22 acordo coin as disposições da Convenção, são tributáveis na Espanha. No decorrer das discussões, o Conselheiro Mario Junqueira Franco Junior posicionou-se no sentido de que, mesmo na vigência da MP 2.158-35/2001, o que se tributavam eram dividendos antecipados (tal como havia entendido a Oitava Camara). Por isso, no voto condutor analisei as duas linhas de interpretação, concluindo que, por qualquer das duas linhas, não haveria tributação. Repito a parte do voto em que, na ocasião, analisei o tema. De acordo coin o artigo 7°, os lucros de sociedade residente na Espanha, e não atribuíveis a atividades exercidas por intermédio de estabelecimento permanente no Brasil, só são tributáveis na Espanha. A tributação no Brasil poderá ocorrer por ocasião do pagamento sob forin.1 de dividendos. De acordo com o artigo 10, os dividendos pagos por zuna sociedade residente na Espanha a um residente no Brasil são tributados no Brasil, podendo ser também tributados na Espanha de acordo com a lei desse pais, mas a tributação não pode exceder 15% do montante bruto dos dividendos. O artigo 23 só tem aplicação naqueles casos em que o próprio acordo internacional admite a tributação pelos doi Estados celebrantes. Seus parágrafos 3 e 4 tratam, exatamente, da hipótese de pagamento de dividendos, em que a convenção admite a tributação pelos dois Estados. (.) os rendimentos objeto da exação soh exame correspondem aos seus lucros contabilizados até 31/12/2001 e não disponibilizados até 31/12/2002. Se definido que tais rendimentos não podem ser particularizados como dividendos, enquadrando-se apenas no conceito mais amplo de lucros, a tributação fica de imediato afastada. Caso contrário, os rendimentos se sujeitam às regras do artigo 10 e do artigo 23. Como primeiro recurso ao deslinde da questão, deve-se recorrer aos Comentários aos Artigos da Convenção Modelo da OCDE. Isso tendo em consideração que, embora não sendo membro da OCDE, a Convenção (como a maioria das convenções assinadas pelo Brasil) segue o seu modelo. E ainda, que os 'Comentários" têm utilidade como instrumento para auxiliar a interpretação dos tratados que seguem o Modelo OCDE. Consta da publicação do referido Modelol que, "inn/to embora os Comentários não se destinem a ser anexados de uma forma ou de outra às convenções a celebrar pelos poises Membros, que constituem os únicos instrumentos jurídicos internacionais de I Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio- Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal (172)- digitatnantro. cit'Egados Ç.)1 Kin.; AtL'i iö. da; Finanças- Lisboa- 1995, 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 22 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF FL 23 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 23 caráter vinculatório, podem, no entanto, revelar-se extremamente fiteis na aplicação e na interpretação das convenções e, designadamente, na resolução de eventuais litígios "2. (negritos acrescentados) Os Comentários ao Artigo 100, relativo a tributação dos dividendos contêm as seguintes Observações preliminares3 : 1. De um modo geral, por "dividendos" entende-se as distribuições de lucros feitas os accionistas ou sócios pelas sociedades anônimas, pelas sociedades em comandita por acções, pelas sociedades de responsabilidade limitada ou por outras sociedades de capitais. (..) 2. Os lucros de sociedades de pessoas são os lucros dos sócios provenientes de sua própria atividade; relativamente a estes, trata-se de lucros industriais ou comerciais. Assim, o sócio normahnente tributado individualmente pela participação respectiva no capital e no lucro da sociedade de pessoas. 3. 0 mesmo lido acontece em relação ao accionista. Este não é um empresário e os lucros da sociedade não são os seus lucros próprios. Assim, estes lucros não lhe podem ser atribuídos. Só podem ser objeto de tributação nas ma-as do accionista (com exceção das disposições de determinadas legislações relativas tributação dos lucros não distribuídos, ern casos particulares) os lucros distribuidos pela sociedade. Do pondo de vista do accionista, os dividendos constituem rendimento do capital que colocaram ti disposição da sociedade." Essas disposições preliminares conduzem ao entendimento de que, para fins de aplicação da Convenção, os lucros das sociedades de capital se regem pelo artigo 7°, apenas se aplicando o artigo 10 quando distribuídos sob forma de dividendos. 0 Acordo diz que os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Con!ra!ante são tributáveis nesse outro Estado. Os Comentários ao artigo, no item 7 do n° 1, esclarecem que 'A expressão "pagos" reveste um sentido muito amplo, dado que o conceito de pagamento significa a execução da obrigação de colocar os fundos a disposição do accionista de acordo com os termos previstos por contrato ou na pratica A conceituação acima quanto ao sentido de "pagos" permite submeter as regras do artigo 10 os lucros disponibilizados na forma da legislação anterior a MP 2.158-35, mas delas exclui os lucros disponibilizados na forma da MP. Isto tendo em conta que o Artigo 3 0 da Convenção, que contém regra de interpretação autêntica, estabelece que "qualquer expressão que não se encontre de outro modo definida terá o significado que lhe é atribuído pela legislação desse Estado Contratante relativa aos 2 Publicação referida, pág. 20, no 36 AsnL (ilgitatfOadempfi6g2129 e 130 AU fl7 P r: —W.:: 1 - :3C SOUZA, -, 8/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 23 Impresso em 02/05/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 24 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 24 impostos que são objeto da Convenção, a não ser que o contexto imponha interpretação diferente". E pelas normas da Lei n° 9.532/97, a tributação não decorria de uma ficção de disponibilização. Tratava-se de lucros efetivamente disponibilizados ao acionista, tanto que foram creditados ou de ,1,4unia forma utilizados em seu favor, contendo a lei apenas uma presunção legal para definir o momento em que foram disponibilizados. Poder-se-ia indagar se essa mesma regra do Artigo 3° não poderia servir para considerar C01710 dividendos, para os fins da Convenção, a disponibilização ficta instituída com a MP n° 2.158-35. Não me parece ser isso apropriado. No Comentário ao AT1117eF0 2 do Artigo 3° esta esclarecido que, quanto a questão de saber para que legislação é necessário remeter para determinar o significado dos termos não definidos na convenção, o Comité de Assuntos Fiscais concluiu que deveria prevalecer a legislação vigente no momento da incidência. Porém, isso não se aplica se o contexto exigir interpretação diferente. E o contexto é constituído pela intenção das partes quando da assinatura da Convenção, e bem assim, pelo significado atribuído ao termo em questão na legislação do outro Estado contratante (numa referência implícita ao princípio da reciprocidade). Conclui o Comentário que "a redacção do número 2 permite estabelecer um equilíbrio satisfatório entre, por um lado, a necessidade de garantir a permanência dos compromissos assumidos por um Estado por ocasião da assinatura da convenção (uma vez que um Estado não deveria ser autorizado a esvaziar uma convenção de parte da sua substancia, alterando posteriormente, em sua legislação nacional, os termos "lido definidos" na Convenção) e, poi- outro lado, as exigências de uma aplicação cômoda e prática da Convenção ao longo do tempo (convém evitar, de facto, a necessidade de remeter para noções desatualizadas)." É sabido que o significado do termo "dividendos" atribuído pela legislação brasileira sempre foi o de lucros disponibilizados. verbete "Dividendos", no Vocabulário Jurídico, de De Plácido e Silva," registra que "...na terminologia do Direito Comercial e, mesmo no Direito Civil, é compreendido como a percentagem, ou o rendimento que cabe aos sócios ou acionistas de uma sociedade, proporcional ao capital, que possuem, na mesma sociedade. Representa, neste sentido a parte de lucros que compete ao sócio, segundo o valor de sua cota ou colas no capital da sociedade, o qual, denominado de lucro liquido, desde que está apurado de todos os rebates e abatimentos contratuais, estatuários ou legais, é distribuído na conformidade do que, nos contratos ou estatutos, está prescrito. A distribuição de dividendos é, assim, matéria que se regula no próprio pacto societários, importando, entanto, no pressuposto de lucro efetivamente apurado.(.)".(negritos acrescentados) Assim, não considero possível utilizar o n° 2 do Artigo 3 0 da Convenção para atribuir aos lucros apurados em balanço, As,inado digitalmente em 16107/201-i por i por AN iUN .-.7-" E GOUZA 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO 24 DF CARF IVIF Fl. 25 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4'r2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 25 antes de qualquer dedução, o significado de dividendos. Até porque não me parece que pela legislação da Espanha o significado do termo dividendos alcance os lucros apurados emn balanço antes de sua distribuição (em atenção ao principio da reciprocidade). A ficção estabelecida pela MP implicaria esvaziamento da convenção mediante alteração posterior de "definição". Nessa linha de raciocínio, conclui-se que a tributação com filler° no art. 74 da MP n° 1.158-35/2001 incide sobre o lucro das empresas, e não sobre os dividendos. Nessa circunstância, tendo em vista o art. 7° da Convenção, não pode haver tributação no Brasil dos lucros auferidos por intermédio da controlada, enquanto não disponibilizados. Sobre a mesma questão, uma segunda linha de raciocínio possível, e consiste em entender que o Artigo 10 se destina apenas a regular a tributação na fonte por parte do Estado de que a sociedade que paga é residente. Com isso se pode entender que o Estado de residência do beneficiário é livre para tributar de imediato os lucros auferidos por intermédio da coligada no exterior, criando uma ficção jurídica de disponibilização que permita conceituar os lucros apurados como dividendos. Ao argumento de que a tributação dos lucros antes da dedução do tributo pago no pais de residência da sociedade descaracterizaria o conceito de dividendo (vez que não se distribui mais do que existe para chs-tribuir), os seguidores dessa linha de raciocínio opõem o argumento de que, no caso, trata-se apenas de técnica de tributação, que consiste em tributar o bruto e deduzir, do imposto apurado, o imposto pago no pais de residência. Nessa linha de raciocínio, o artigo da Convenção a reger a tributação desses rendimentos seria o artigo 10, e o Brasil, emt principio, é livre para tributá-los segundo suas regras próprias. Ao mesmo tempo, a Espanha pode também tributá-los, de acordo coin a lei desse pais, porém observando o limite máximo de 15% do dividendo. Esse parece ter sido o entendimento que conduziu o Acórdão n° 108-008.765, da Oitava Câmara deste Conselho. Ocorre que, dentro dessa segunda linha de raciocínio, teria que ser observado, também, o Artigo 23 da Convenção, que tem aplicação naqueles casos em que o próprio acordo internacional admite a tributação pelos dois Estados celebrantes. Seus parágrafos 3 e 4 tratam, exatamente, da hipótese de pagamento de dividendos, em que a convenção admite a tributação pelos dois Estados. Determina o parágrafo 40 que "quando um residente do Brasil receber dividendos que de acordo com as disposições da presente Convenção sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos". Essas as razões desenvolvidas no voto condutor do Acórdão n° 101-95.808, de 1996, também de interesse da Eagle. em 16K7,7711 por CARLOS ■2 7•! r17.:r. 7 " ANTON!") ;72.AGAflE SD:_17A 'lb/ 07/2011 por ALBER'f INA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 25 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO .•- DF CARF MF Fl. 26 Processo n° 16561.000136/2007-89 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 26 Porem, como já mencionei, no presente processo a Procuradoria da Fazenda Nacional questionou a aplicação da Convenção em relação à parcela do lucro da controlada espanhola representada pelo resultado da equivalência patrimonial, os quais, pela legis:ação daquele pais, não são registrados e, portanto, não sofreram tributação na Espanha. No voto condutor da Resolução n° 101-02.577, de 06 de dezembro de 2006, analisando o questionamento da PFN concha, com segurança, que mesmo para essa parcela o Acordo Internacional seria aplicável, mas admiti que, nesse caso, a aplicação só seria possível sob a ótica de dividendos antecipados, tal como defendido pelo Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior. A análise quanto à aplicação do Tratado Internacional aquela parcela dos lucros fictamente disponibilizados demandou, mais uma vez, a utilização dos Comentários aos 4rtigos da Convenção Modelo da OCDE. Recorri, então, a considerações contidas nos "Comentários" ao número 5 do Artigo 10 do Modelo de Convenção de 1997. Esse número 5 não consta no Tratado coin a Espanha4, porque é ele anterior a redação do "Novo Modelo e Comentários ", mas trata especificamente de dividendos presumidos, razão pela qual considerei útil sua apreciação para ajudar na inteipretação5. 'Na realidade, o n° 5 do artigo 10 destina-se a regular os casos dos Estados que não tributam apenas os dividendos pagos por uma sociedade residente deste Estado, mas também as distribuições de lucros provenientes deste Estado efetuadas por sociedades não residentes. Embora não seja essa exatamente hipótese concreta posta para análise, recorri a esse n° 5 em razão das referências contidas nos "Comentários" sobre dividendos presumidos, de maneira a possibilitar a análise da submissão ao Tratado dos lucros produzidos em terceiro país. A despeito de não estar em causa a exclusão da tributação extraterritorial de dividendos, que é tratada no n° 5 do art. 10 (que não está contido na Convenção com a Espanha), servi-me das considerações contidas nos itens 37, 38 e 39 dos comentários para compreender o sentido dos dividendos presumidos (antecipados). E a partir deles entendi.- (a) que a 4 Apenas para ajudar no entendimento do alcance do n° 5 do artigo 10, supondo que o Acordo com a Espanha contivesse a claúsula modelo, seu teor seria que quando uma sociedade residente do Brasil obtivesse lucros ou rendimentos provenientes da Espanha, a Espanha não poderia exigir nenhum imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto na medida em que esses dividendos fossem pagos a um residente da Espanha ou na medida em que a participação relativamente à qual os dividendos são pagos estivesse efetivamente ligada a um estabelecimento estável ou a uma instalação fixa situados na Espanha, nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre lucros não distribuídos, mesmo que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, total ou parcialmente, em lucros ou rendimentos provenientes da Espanha. 5 5 A primeira "Recomendação" relativa à dupla tributação foi adotada em 1953, e o primeiro Projeto de convenção de dupla tributação em matéria de rendimento e de capital foi apresentado em 1963. Os trabalhos de revisão ao Projeto de 1963. elaborados pelo Comitê Fiscal e, após 1963, pelo Comité de Assuntos Fiscais, deram origem à publicação, em 1977, do novo Modelo e Comentários. As atualizações desse Modelo conduziram publicação, em 1992, do atual Modelo. Ae,,3inado duptalr PE :Ito ern 16/07/20;1 Doi' CAI C):" -• nE ...,;()L14,4 181 . 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 26 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 27 Processo n° 16561.000136/2007-89 S -C4T2 Accirao n.° 1402-00.391 Fl. 27 disposição da legislação brasileira, de tributar a parcela de participação da investidora brasileira nos lucros auferidos na controlada e ainda não distribuídos, por si só, não fere o Tratado; (b) que se o Estado de residência do investidor tratar a importáncia relativa aos lucros não distribuídos como dividendo 'sumido, deve aplicar-lhe a isenção prevista na convenção como privilégio de afiliação (no caso da Espanha, o parágrafo 4 do Art. 23). A partir dessa análise admiti que, não obstante a tributação com base no art. 74 da MP 2.158-35 incida sobre o lucro das empresas, para fins de aplicação do tratado considera-se que o Brasil tributa os dividendos presumidos, ou seja, a quota desses lucros que cabem ao investidor brasileiro, e o artigo de regência do Tratado não seria o 7 0, mas sim o 10. Como o art. 10 admite a tributação pelo Brasil e pela Espanha, tem aplicação o art. 23, cujo n° 4 determina que quando um residente do Brasil receber dividendos que de acordo com as disposições da presente Convenção sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos, não poderá, pois, haver a tributação no Brasil. Embora alguém pudesse questionar a aplicação da isenção prevista no parágrafo 4 do art. 23 ao caso concreto, uma vez que, rigoroscunente, a sociedade residente do Brasil (Eagle) não estaria recebendo dividendos, o n° 38 do comentário ao item 5 do art. 10 afastaria essa dúvida. De fato, segundo aquele comentário, se a legislação do pais considera o montante tributável como um dividendo, deve aplicar-lhe a isenção de imposto prevista na convenção fiscal, e se não o fizer, expõe-se à acusação de impedir o funcionamento do privilégio da afiliação, ao tributar antecipadamente o dividendo (a titulo de dividendo presumido). 0 artigo 10 do Tratado, como bem destacou a Recorrente nas suas razões de recurso, traz regra negativa de competência tributária. Esta é a função dos trátádos internacionais. Vale citar, nesta passo, a lição de Alberto Xavier, transcrita da defesa, fls 709: "assim, para que exista tributação válida , não basta a existência de norma convencional que a permita; é ainda necessária a existência de uma norma interna que a imponha. E dai que seja necessária uma investigação em duas fases: uma primeira, consistente em verificar se existe uma lei interna que fundamente a tributação; em caso afirmativo, uma segunda, na qual se apure se tal pretensão foi eventualmente limitada por norma convencional" No caso presente, a fundamentação da autuação não permite concluir o que o agente fiscal concluiu. No período autuado, não houve distribuição de dividendos, que foram considerados distribuídos presumidamente nos exercícios autuados, como se lucros fossem. A aceitação da tributação de dividendos, PRESUMIDAMENTE DISTRIBUÍDOS, sem levar em conta a distinção entre lucros e dividendos, equivaleria h. inaplicabilidade do tratado, na sua função negativa, que impede a tributação de lucros das empresas sediadas na Hungria, subsidiárias de empresas brasileiras. As.iraduqiti ce or 15/07727, 11 poi CARI.OF. fl71 7 511 pc. ,;;;r-.LizA. 15! 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 27 Impresso em 02/03/2011 por IVANA, CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 28 l'rocesso n° 16561.000136/2007-89 Sl-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 28 Vale ressaltar que a legislação brasileira não prevê a tributação de dividendos, ou seja, não existe a norma positiva que preveja a tributação dos dividendos. Existe previsão para a tributação dos lucros (função positiva) e norma que afasta a tributação nos casos em que a empresa sediada na Hungria (função negativa). Não se está a afirmar aqui que os lucros e s - L . .1 -,-1.idrias no exterior não são tributáveis. São tributáveis, havendo inclusive norma de incic1Cmcia que atua sobre elas. Contudo, no exercício da sua competência, a União optou pr li Libutar os lucros, pois firmou acordo neste sentido com a Hungria. Abriu mão de trib2V.,,r o lucro. Mais uma vez, vale citar as razões da Conselheira Sandra Faroni, no acórdão 0 Relator do voto condutor do Acórdão 108-08765, emu palestra apresentada no IV Congresso Nacional de Estudos Tributários, realizado em São Paulo nos dias 12, 13 e 14 de dezembro de 2007, debruçou-se novamente sobre o tema e parece ter reconsiderado sua posição anterior. Os trabalhos apresentados no Congresso foram publicados em dezembro de 2007 pela Editora Noeses, e o tema apresentado por Longo encontra-se as fls. 291 a 314. Nele está registrado (11s. 307/308): "Então, formula-se a pergunta: o artigo 74 prevê a incidência do 1RPJ e da CSLL sobre (a) o lucro de outra pessoa jurídica, ou (b) o dividendo que não foi efetivamente disponibilizado empresa sediada no Brasi1(.) Otter me parecer que se está tributando o lucro propriamente dito da coligada ou controlada no exterior. De fato, os lucros da pessoa jurídica contêm, se assim é possível dizer, verbas que contemplam outra destinação, tais como imposto sobre a renda, reserva legal, reserva para contingências, etc.; ou seja, os lucros apurados sofrem diversas destinações, e apenas uma delas corresponde aos dividendos em favor dos sócios, sob pena inclusive de a pessoa jurídica inadimplir suas obrigações" E conclui, ás fls. 314: "Diante .lo q;ie se apresentou, parece que as decisões nos Acórdãos 108-08765 e 101-95802 não levaram cm consideração todos os aspectos que envolvem a questão que lhes foi submetida, e que é imprescindível uma profunda reflexão para novo enfrentamento da questão após retorno das diligências." DAS REGRAS CFC Em suas contrarrazties, a PGFN insiste em justificar a tributação dos dividendos presumidos com base nas regras CFC (Controlled Foreign Corporations). A Recorrente refuta, nos seus memoriais, a aplicação destas regras. As CFC são normas internacionais que podem ser adotadas pelos países para evitar evasões fiscais ou diferimento indevido de lucros tributáveis nos países de residência das empresas contribuintes. Entendo que não é o caso de aplicação das regras CFC no presente caso, uma vez que não se trata de sI eração : cestinádá. ,epar, .a incidência ou_diferimento_da i tributação. Trata-se, na Asnq.do g, i , : . , 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente ern 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 28 Impresso em 02108/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARFMF Fl. 29 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 29 verdade, de rendimentos que não estão sujeitos à tributação no Brasil por falta de previsão na legislação interna para a tributação destes ganhos. A esse respeito, vale citar mais uma vez a fundamentação do acórdão de lavra da Conselheira Sandra Faroni. Joao Francisco Bianco produziu aprofundado estudo sobre o tema da transparência fiscal internacional6, no qual aborda a questão dos tratados internacionais. 0 autor conceitua como transparência fiscal internacional (também conhecido pela sigla CFCs-"Controlled Foreign Companies") o regime "em que os lucros at (feridos por determinadas pessoas jurídicas, sediadas em um país, passam a ser tributados diretamente na pessoa de seus sécios, residentes em outro pais, como se esses últimos os tivessem auferido diretamente. É nesse sentido qi e a pessoa jurídica sediada no exterior, do ponto de vista fisei -il do pais de residência dos sécios, é chamada de transparente" 7 As consideraçães de Bianco a respeito da inconstitucionalidade da legislação brasileira de transparência fiscal internacional 8 e sua brilhante abordagem quanto a formas alternativas de adoção do regime pelo Direito Brasileiro9 não podem ser levadas em conta neste julgamento administrativo. Ao analisar a compatibilidade das legislaçães internas sobre transparência fiscal internacional coin tratados internacionais", o autor analisa os três artigos da Convenção Modelo da OCDE potencialmente aplicáveis, o art. 7°, o art. 10 e o art. 21. Tendo em conta o disposto no parágrafo I° do art. 7°, conclui que "uma legislação das CFCs que institua a tributação dos lucros da sociedade investida- desconsiderando a sua personalidade jurídica ou considerando-a transparente para esse fim especifico - , é claramente contraria ao art. 7°, parágrafo I°, da Convenção Modelo, por extrapolar a competência tributária que lhe foi conferida pelo tratado." Em seguida, lembra que a OCDE, nos Comentários a Convenção Modelo, vem mudando seu entendimento, e que "a nova versão estabelece expressamente que a legislação das CFCs está em perfeita sintonia coin os tratados, pois a única restrição a tributação dos lucros das empresas no exterior, prevista na Convenção-Modelo, é aquela do art. 7°. E como a legislação das CFCs não se submete ao disposto no artigo 70, nenhuma restrição poderia ser estabelecida pelo intérprete eni decorrência do Tratado". 6 Bianco, João Francisco- Transparêncai Fiscal Internacional- Ado Paulo:Dialaica, 2007 7 Obra mecionada, p. 20/21 Obra mencinada, item 3.3.3, p. 76 e seguintes. 9 Obra citada, capitulo 5, p. 117 e seguintes. 'ado cii , Jitin18.1\1esirig-tibitiS,Cittini6.6:Y;.i . :',1 2 . -',-,-:•:% ., ll.:::: - :;) y ., ,r A 7;1- SnI .WA . 10 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07 12011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 29 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARE ME H. 30 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Ac■sclilo n.° 1402-00.391 Fl. 30 Comenta o autor que, de acordo coin a argumentação que embasa esse entendimento, "lido seriam os lucros da sociedade investida que estariam sendo tributados pelo Estado de residência dos sócios, mas os lucros auferidos pelos próprios sócios, ainda que na apuração do montante tributável seja 7:f.'Zizado o valor dos lucros auferidos pela sociedade sediada no outro Estado". E registra que "essa conclusão está fundamentada no fato de os tratados para evitar a dupla tributação terem como escopo a prevenção da elisão e da evasão fiscal". Ern seguida, faz referência ás críticas que o raciocínio da OCDE tem recebido, fazendo referência a autores que sustentam que para o deslinde da questão seria necessário identificar no texto da Convenção Modelo um principio não escrito antiabuso, que permitisse ao intérprete concluir pelo escopo do Tratado efetivamente prevenir a elisão fiscal, e que não identificam tal principio. E conclui que "a legislação das CFCs que considere transparente para fins fiscais a sociedade investida no exterior, e exija a tributação dos lucros antes da efetiva distribuição, é incompatível com o disposto no artigo 7°, parágrafo 1°, da Convenção Modelo. E as conseqüências dessa incompatibilidade deverão ser examinadas à luz de cada ordenamento jurídico, para determinar qual das duas narinas deverá prevalecer: se a norma convencional ou se a regra da lei interna". Analisando o artigo JO da Convenção Modelo, pondera o autor que "o dispositivo convencional assegura a competência tributária concorrente tão somente aos dividendos pagos. A narina não se refere aos dividendos fictos ou as dividendos considerados distribuidos." E conclui que o artigo não se aplica aos casos de distribuição meramente ficia. 0 terceiro dispositivo relacionado com a legislação das CFCs por ele referido como potencialmente aplicável é parágrafo 1° do art. 21, cuja dicção é a seguinte: Os rendimentos de um residente de um Estado Contratante, de onde quer que provenham, não tratados nos artigos precedentes da presente Convenção, sei-ão tributáveis apenas nesse Estado. Comenta Bianco que esse artigo é inaplicável, no caso, porque o regime de tributação das CFCs é tratado nos artigos 7 0 e 10 da Convenção Modelo, e a aplicação do artigo 21 é restrita exclusivainente ás hipóteses de rendimentos que não foram regulados pelos demais dispositivos do tratado, mencionando, como exemplo, os rendimentos provenientes de instrumentos financeiros híbridos, que não se enquadram nem na categoria de juros, nem na categoria de dividendos. E conclui: "Pode-se discordar do regime de repot-140o das competências tributárias proposto na Convenção Modelo, no caso de lucros auferidos por empresas investidas no exterior. Pode-se achá-lo inadequado. Pode-se achá-lo injusto. Mas o que não pode negar é a sua previsão no corpo da Convenção-Modelo. E sendo ta lc: 16/n7/2011 pcprEViV: a r2:-"1:772 d.? ib :.1aV b.=.7 2057 ee aS:C ECS, 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 30 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 31 Processo 00 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 31 inaplicável o artigo 21,, que regula exclusivamente a hipótese de rendimentos não tratados nos demais artigos da Convenção- Mode lo." Conclui, afir.al, o autor, que o único artigo que deve ser cosiderado para se determinar a compatibilidade da legislação interna reguladora das CFCs com o tratado é o art. 7°. Quando analisa especificamente a compatibilidade com a legislação interna brasileira", aponta, inicialmente, que as pessoas jurídicas investidas no exterior que são alcançadas pelos tratados para evitar dupla tributação são as empresas sujeitas a tributação de acordo coin a lei desse Estado, por força da sua residência, sede da administração ou qualquer outro critério semelhante. E aduz que "coino a legislação interna do pais de residência é que vai determinar se ela é ou não sujeita a tributação, cada caso concreto deve ser analisado nas suas especificidades, sendo impossivel formular uma conclusão geral aplicável a todas as situações." Passando a análise do art. 74 da MP 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, diz o ilustre estudioso que se trata claramente de uma disponibilização ficta de lucros, e que o objeto da incidência são os lucros das empresas investidas. Argumenta que o legislador brasileiro utilizou-se do critério de tributação dos dividendos fictos apenas como um mecanismo para conseguir o objetivo de tributar os lucros auferidos por empresa investida no exterior. Acrescenta que os próprios Comentários da OCDE reconhecem que a legislação das CFCs não deve ser aplicada quando não caracterizado qualquer tipo de objetivo abusivo do contribuinte. Formula as seguintes conclusões: a) Se a hipótese fcitica em exame seja de investimento feito em empresa no exterior sem qualquer tipo de intuito abusivo, sediada em um pais que não pratica a concorrência fiscal danosa, a legislação brasileira prevendo a tributação dos lucros auferidos por coligadas e controladas no exterior é incompatível com o art. 7 0 do Tratado e não deve ser aplicada. b) Se a hipótese fática em exame seja de investimento feito em empresa no exterior que usufrua algum tipo de beneficio fiscal, mas seja considerada sujeita a tributação no pais de sua sede, nos termos da respectiva legislação interna, a mesma conclusão se impõe, uma vez que os tratados firmados pelo Brasil não dispõem de dispositivo especifico coibindo medidas de contribuintes visando a obtenção de benefícios fiscais através de mecanismos de planejamento tributário, nem é possível inferir do texto do Tratado a existência de uma cláusula não escrita nesse sentido. c) Se a hipótese fática em exame seja de investimento feito em empresa no exterior que usufrua algum tipo de beneficio fiscal, e que não seja considerada residente no pais de sua sede social, de Assinaclo digitalnU Mestrt.Ceibritekn 6:7„t5 1 55 :: -J-4-. 1;AU.:. -',.2(1 1 .po.. 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digtalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 31 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 32 Processo n° 16561.000136/2007-89 S 1 -C4T2 AcOrdad n.° 1402-00.391 Fl. 32 acordo com a respectiva legislação interna, os dispositivos do Tratado são inaplicáveis ao caso concreto, e nesse caso, a lei brasileira de transparência fiscal e aplicável normalmente. Essas são apenas algumas das considerações que influenciaram , :nha reflexão sobre o tema. Segundo deixei claro nas diversas ocasiões em ! que o tema foi submetido a debate no Colegiado, minha posição é de que o artigo 74 da MP trata da tributação de lucros, e não de dividendos, e só admiti a possibilidade de tratá-los como dividendos frente ao Tratado, diante do seguinte impasse, que emergiu da situação concreta: (i) os lucros não teriam sido produzidos na Espanha, mas não haveria como atribui-los Eagle se não por intermédio da empresa espanhola; (ii) como a legislação da Espanha não determina o registro da equivalência patrimonial, a única maneira de compatibilizar sua tributação no Brasil C(171 as disposições da Convenção seria tratando-os como dividendos antecipados. Alguns aspectos devem ser ressaltados, quanto a essa abordagem. Ao tomar como dividendos os lucros disponibilizados na forma do art. 74 da MP (disponibiliz,ação ficta, e não presumida, como era o caso da Lei 9.532), estende-se a aplicação do artigo 10, que trata de dividendos pagos, e deb ...e-se de observar o disposto no parágrafo 2° do art. 3° da Convenção. Como já me manifestei no voto condutor do Acórdão n° 101-95.808, de 2006, o conceito de "pagamento" definido no item 7 do número 1 dos Comentários ao artigo permite submeter às regras do artigo 10 os lucros disponibilizados na forma da legislação anterior a MP 2.158-35, mas delas exclui os lucros disponibilizados na forma da MP 2.158-35. Conforme já dito neste voto, a alteração do significado do termo "dividendo" pode implicar esvaziamento da convenção por alteração da legislação interna. Poder-se-ia aventar que extensão do significado do termo "dividendo" se ancoraria na busca de estabelecer um equilíbrio satisfatório entre, a necessidade de garantir a permanência dos compromissos assumidos por ocasião da assinatura da convenção e as exigências de uma aplicação cómoda e pratica da Convenção ao longo do tempo, conforme referido na conclusão do Comentário ao Número 2 do Artigo 3°. Veja-se que, tendo em conta as profundas alterações tecnológicas e na condução das transações transfronteiriças, os aperfeiçoamentos dos estratagemas de evasão e de fraudes fiscais, o Comitê Fiscal da OCDE introduziu alterações Convenção Modelo e respectivos Comentários. E no n° 33 da Introdução apontou que "(..) as convenções existentes deveriam, na medida do possível, ser interpretadas dentro do espirito dos Comentários revistos, mesmo que as disposições das convenções Assinado digita'men!:;<,rn 1510712011 rio,- ('API i77.7.7 :2011 ANTCNiri fl7 SOUZA,,18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 32 Impresso em 02/03/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 33 Processo n° 16561.000136/2007-89 Sl-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 33 existentes não comportassem ainda as precisões introduzidas pela Convenção Modelo de 1977." Em relação ao artigo 10, a inovação trazida ao Modelo foi o n° 5, com a seguinte redação: 5. Quando urna sociedade residente de um Estado contratante obtiver lucros ou rendimentos provenientes do outro Estado contratante, este outro Estado não poderá exigir nenhum imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto na medida em que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado ou na medida em que a participação relativamente a qual os dividendos são pagos estiver efetivamente ligada a um estabelecimento estável ou a unia instalação fixa situados nesse outro estado, nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre os lucros não distribuídos, mesmo que os dividendos pagos ou as lucros não distribuídos consistam, total ou parcialmente, em lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. Nos Comentários ao n° 5 esta esclarecido (no item 33) que o artigo 10 trata unicamente de dividendos pagos, e no item 37 refuta o argumento de que são contrárias ao disposto no n° 5 as disposições legais da legislação do pais de residência para tributar lucros não distribuídos, utilizadas para prevenir a evasão fiscal12. Pondera o comentário (no item 37) que o n° 5 vi,v apenas a tributação no local da fonte dos rendimentos, e diz respeito a tributação da sociedade, e não a do acionista. Assim, a questão teria que ser vista sob o prisma da legislação de transparência fiscal internacional, que implica considerar que o lucro foi auferido diretamente pela empresa brasileira, e não pela empresa espanhola, o que o retiraria da submissão ao Tratado. 0 deslinde do litígio passa a se situar na verificação da compatibilidade da lei brasileira de transparência fiscal com o Tratado. Conforme anotou Bianco na obra já referida, a nova versão dos Comeniái ios a Convenção Modelo, estabelece expressamente que a legislação das CFCs está em peifeita sintonia coin os tratados, pois a única restrição a tributação dos lucros das empresas no exterior, prevista na Convenção-Modelo, é aquela do art. 7°. E como a legislação das CFCs não se submete ao disposto no artigo 7°, nenhuma restrição poderia ser estabelecida pelo intérprete em decorrência do Tratado". Todavia, como também assinalou Bianco, "os próprios Comentários da OCDE reconhecem que a legislação das CFCs não deve ser aplicada quando não está caracterizado qualquer tipo de objetivo abusivo do contribuinte." Tratando da transparência fiscal, em artigo denominado "Imputação dos lucros de sociedade não residente no Direito 12 Nesse caso, como já comentado neste voto, é que se aventa com a possibilidade de o pais de residacia ado Jiodalf .consideratle)71'61(1:rnento=` ,iat.P16 5Q , IS',", 07/2011 por ALSERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 33 Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF FL 34 Processo n°16561.000136/2007-89 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 34 Fiscal Brasileiro", o professor Marciano Seabra Godoi escreveu, na Revista Fiscalidade, editada em Portugal "Conclui-se, pois, que são louváveis e plenamente justificados os propósitos que informam a medida legislativa brasileira: i9 ,pedir que a liberdade de movimento de capitais seja utilizada de forma abusiva pelas pessoas jurídicas residentes no Brasil, que de outra forma poderiam criar empresas controladas em regimes fiscais privilegiados somente para transferir-lhes ativos que gerariam rendas não passíveis de tributação pelo fisco brasileiro enquanto não disponibilizadas por um ato formal de distribuição de dividendos. Nada mais consentâneo aos princípios que informam os contemporâneos Estados fiscais que adotar uma postura de combate ao desvio de rendas para países com tributação favorecida, dai a generalizada adoção atual de alguma forma de imputação de lucros de sociedades não residentes. 0 Estudo sobre a transparência fiscal internacional publicado em 2000 pelo Tesouro dos Estados Unidos da America" demonstra que esse sistema está ern sintonia com os princípios da igualdade, da neutralidade fiscal e da eficiência econômica, e além disso evita a situação de injustiça que seria provocada se a tributação reduzida estivesse disponível somente para os contribuintes coin alta capacidade econômica capazes de constituir sociedades em paraísos fiscais. 6.2Peculiaridades negativas do sistema adotado no Brasil e sugestão de mudanças 0 problema é que a legislação de transparência fiscal internacional fbi adotada no Brasil de forma irrefletida e canhestra. Por foro do art.25 da Lei 9.249/95 e agora do art. 74 da Medida Provisória 2.158/2001 (regulamentado pela Instrução Normativa 213/02), todos os investimentos em coligadas e controladas estrangeiras avaliados pelo método de equivalência patrimonial devem submeter-se ao regime da transparência fiscal internacional". Ora, o regime da transparência fiscal internacional foi concebido e implementado ao longo das últimas décadasis para atingir situações especViccis de planejamento tributário internacional, em que pelo menos três fatores estão presentes. 13 DEPARTMENT OF THE TREASURY. The Deferral of Income Earned Through US Controlled Foreign Corporations —A Policy Study, 2000. 14 Identificando tal utilização desvirtuada do regime de transparência fiscal internacional pela Lei 9.249/95, err. OKUNIA, Alessandra. "Da Tributação das Empresas Controladas e Coligadas", In TORRES, Heleno Taveira. Direito Tributário Internacional Aplicado, Volume II. São Paulo: Quartier Latin, 2004, pp. 504-517; XAVIER, Alberto. op.cit., pp.349-353; SALIBA, Luciana Goulart Ferreira. ''Normas Tributarias para la Prevencion de la Elusion Internacional", I1 Coloquio Internacional de Derecho Tributario - VoIll, Buenos Aires: CEU- Universidad Autral, 2000, pp.633-647; TORRES. Heleno. Direito Tributário Internacional, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, pp.131-132 e PANDOLFO, Rafael. “Invalidade das alterações promovidas pelo art.74 da Medida Provisória n.° 2.158-34", Repertório de Jurisprudência JOB - 1, abril de 2002, pp.249-240. 15 Para uma comparação entre as técnicas de imposição utilizadas pelos sistemas de imputação dos diversos /Daises, cfr. AULT, Hugh. J.(Org.). Comparative Income Taxation — A structural Analysis, Londres: Kluwer Law Assinado In ternaiibifal,1 997,„; pp: 41 • - , DE Sr);;ZA lEi 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 34 Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/03/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO ••■ DF CARF MF F1.35 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 35 Em primeiro lugar, supõe-se um controle inequívoco da empresa estrangeira pela empresa nacional submetida ao regime de transparência; em segundo lugar, o regime so é aplicado a determinados tipos de rendimentos, os chamados rendimentos passivos, aqueles que não decorrem de uma genuína atividade empresarial e são produzidos por ativos transferidos previamente pela matriz; finalmente, o regime somente é aplicado quando a entidade controlada ou coligada se localiza numa jurisdição fiscal favorecida (paraíso fiscal), ou desfruta de um regime fiscal privilegiado. Em suma: o legislador brasileiro teve em mente coibir unia pratica de desvio de rendimentos de empresas residentes no Brasil para entidades criadas artificialniente em paraisos fiscais ou que gozam de um regime fiscal privilegiado. Tais desvios gerariam uma posterga cão indefinida do pagamento do imposto de renda brasileiro, por isso o legislador determinou que a renda das entidades controladas ou coligadas no exterior fosse tributada ern sede da pessoas jurídica controladora, mesmo antes de sua disponibilização. Contudo, tal objetivo de política fiscal internacional não foi adequadamente implementado pela legislação pátria, que estabeleceu um regime indiscriminado de atribuição dos rendimentos das entidades controladas as entidades controladoras, sem perquirir sobre o controle inequívoco das segundas sobre as primeiras, e sem cogitar da necessária presença das primeiras em jurisdições de baixa pressão fiscal. A aplicação generalizada do regime de transparência fiscal apresenta graves inconvenientes. Por um lado, prejudica desnecessariamente a competitividade das sociedades brasileiras que efetuam no exterior investimentos diretos em atividades genuinamente empresariais. Nestes casos, não há nada que justifique, de urn ponto de vista de política fiscal, a exigência do imposto a medida que os lucros das controladas e coligadas são auferidos no exterior. Em segundo lugar, a adoção generalizada da transparência fiscal internacional para todo e qualquer investimento estrangeiro é apontada pela própria OCDE C01110 contraria as normas dos tratados internacionais celebrados para evitar a dupla tributação da rendam. 16 Cfr. o item 26 dos Comentários ao Art.1.° do Modelo de Convenção (versão de 2003) — OCDE, Model Tax Convention on Income and on Capital, OCDE: Paris, 2003, p.64. Na edição de 2004 de seu Direito Tributário Internacional do Brasil (pp.446-452). Alberto Xavier afirma que a imputação de lucros de sociedades nao residentes, mesmo que restrita a rendas passivas oriundas de regimes fiscais favorecidos, não poderia ser aplicada quanto a sociedades domiciliadas em pais que tenha celebrado tratado de dupla tributação com o Brasil. O autor reporta-se ao Relatório de 1987 sobre as Conduit Companies e aos Comentários da OCDE na versão de 1992, afirmando haver uma divergência de•orientações dos Estados membros quanto à aplicabilidade de normas anti- abuso na ausência de disposições especi ficas do tratado. Os comentários atuais da OCDE afirmam com muito mais ênfase que nem o artigo 7.1 nem o artigo 10.5 do Modelo de Convenção mostram-se contrários ó adoção das normas de CFC pelos países contratantes, e por conseqüência não é necessário confirmar expressamente no texto do tratado a aplicação das normas de imputação. Cfr. OCDE, Model Tax Convention on Income and on Capital, OCDE: Paris, 2003, pp. 64 (item 23), 114 (item 10.1) e 151 (item 37). Somente a Bélgica, a Irlanda e o Assirlaclo (It ,;liainEuxernbitth,,dafaitifestiri , ir j.ZA„ 15/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 35 Autenticado digitalmente em 05/07/2011 par ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 36 Processo n° 16561.000136/2007-89 S -c4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 36 Sendo assim, urge que o Congresso Nacional, quando delibere definitivamente sobre a Medida Provisória 2.158/2001, promova as necessárias reformas ao regime da transparência fiscal internacional instaurado irrefletidamente pelo art. 74 da referida Medida ;'rovisória. Essas reformas devem contemplar, no 1,i'aimo, os seguintes aspectos; (a) o regime deve aplicar-se somente a situações em que a sociedade residente no Brasil, direta ou indiretamente, isoladamente ou em conjunto com outras sociedades do mesmo grupo, possua mais de 50% do capital votante da sociedade estrangeira; (b) o regime deve aplicar-se somente a determinados tipos de rendimentos passivos (juros, royalties, dividendos, rendas imobiliárias) ou então, em se determinando a inclusão no regime de todos os rendimentos da sociedade, devem ser criadas exceções para, por exemplo, os casos em que os rendimentos provêm de atividades comerciais ou industriais genuinamente exercidas no pais em que se localiza a entidade estrangeira e (c) o regime deve aplicar-se somente quando a entidade estrangeira esteja localizada em um paraíso fiscal ou desfrute de um regime fiscal privilegiado." Fechando os parêntesis e retornando ao caso concreto. Após todas essas reflexões confirmo minha conclusão anterior de que, de fato, a tributação dos lucros disponibilizados fictamente na forma do art. 74 da MP 2.158-35, de 2001, se rege pelo artigo 7° da Convenção. Ainda, e na mesma linha de Bianco, entendo que referida norma de transparência fiscal internacional não é incompatível com os acordos internacionais que seguem o modelo da OCDE, nas situações fáticas de investimento feito em empresa no exterior com intuito abusivo, ou sediada em um pais que pratica a concorrência fiscal danosa. No caso espec (fico, uma vez que a investida não se situa em "paraíso fiscal" e não demonstrado nos autos que goze de regime fiscal privilegiado (a Administração Tributária da Espanha confirmou que a Jalua Spain se encontra submetida ao regime geral de Impostos sobre Sociedades estabelecido na Lei 43/1995, sendo sujeito do Imposto sobre Sociedades), não se sustenta a submissão a tributação dos resultados da empresa espanhola. Tal se aplica, inclusive, a CSLL, uma vez que o parágrafo 4 do Artigo 2° da Convenção determina sua aplicação a quaisquer impostos substancialmente semelhantes que forem criados, seja por adição aos impostos já existentes, seja em sua substituição. E este é exatamente o caso da Contribuição Social sobre o lucro líquido, substancialmente semelhante ao imposto de renda, tendo ambos, como ponto de partida, o lucro liquido do exercício. Ressalvo que não acolho sem ressalvas a conclusão de Bianco, de que a legislação brasileira prevendo a tributação dos lucros auferidos por coligadas e controladas no exterior é incompatível com o art. 7° do Tratado e não deve ser aplicada mesmo nos casos de utilização do tratado visando à obtenção de beneficias fiscais através de mecanismos de planejamento tributário. LisssinE,do itigitalmE:ii.te ern 16/0772)11 por.G,^•:'?! 7.7;7:7=11. ATfl.D.' F"-:'%;;r. OE SOUZA. 18/. 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 36 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 37 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402.00.391 Fl. 37 Entendo que se no ato de lançamento a autoridade fiscal identificar a utilização do tratado apenas como mecanismo de planejamento fiscal internacional estruturado exclusivamente com objetivo de escapar (ou reduzir) a tributação no Brasil, a questão deve ser examinada a luz de planejamento inoponivei ao . /isco. Nessas circunstâncias, cabe aplicar a atual versão dos Comentários a Convenção Modelo, que estabelece expressamente que a legislação das CFCs está em pet:fella sintonia com os tratados. No caso, a questão não foi analisada sob esse prisma, porque não tal não constou da acusação fiscal. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntario. DA TIBUTAÇÃO DA VARIAÇÃO CAMBIAL DOS INVESTIMENTOS NO EXTERIOR Passa-se a análise da tributação da equivalência patrimonial na forma da IN 213/2002, procedimento que, segundo a Recorrente, ofenderia o conceito constitucional da renda, _id que para compor a receita de equivalência patrimonial são incluídos: a) lucro liquido ou prejuízo da controlada; b) ganhos ou perdas efetivos em decorrência da existência de reservas de capital na controlada; c) ganhos ou perdas efetivos em decorrência de ajustes nos exercícios anteriores nas controladas; d) variação cambial de investimento na controlada; e) variação da porcentagem de participação no capital da controlada; e f) reavaliação de ativos na controlada. Assim, ao tributar a totalidade da receita de equivalência patrimonial, a Recorrente estaria incluindo nas apurações de IRPJ e CSLL variações patrimoniais positivas que não sofreriam incidência dos referidos tributos, visto que não se coadunam com o conceito de lucros e rendas. Por esse motivo requer a decretação de nulidade do auto de infração. Não há que se falar em nulidade, uma vez que não cabe a esse colegiado analisar a constitucionalidade de ato normativo, nem afastar sua aplicação. No entanto, cabe a este colegiado a interpretação dos conceitos de renda e lucro. A variação cambial é a expressão do valor em moeda estrangeira investido inicialmente, nada tendo em comum com os lucros gerados no exterior. E uma parcela híbrida na contabilidade em reais com investimento em moeda estrangeira. Este CARF também enfrentou a matéria ern mais de uma ocasião, tendo concluído pelo dever ser excluída da exigência a parcela referente A. variação cambial. Para o Colegiado foi decisivo, na elucidação da questão, o fato de o Presidente da Republica ter vetado o artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/03, que, por sua vez, buscava criar tributação sobre a variação cambial de investimentos no exterior. a seguinte a Mensagem n° 795, de 29 de dezembro de 2003: " Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § la do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei de Conversão n. 30, de 2003 (MP n. 135/03), que "Altera a Legislação Tributária Federal e dá outras providências". Aswladr., digliainlontc (..rn 10/0712011 p..q 77! 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 37 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 38 Processo n° 16561.000136/2007-89 Sl-C4T2 Acórcldo n.° 1402-00.391 Fl. 38 Ouvido, o Ministério da Fazenda manifestou-se quanto ao seguinte dispositivo: "Art. 46. A variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial e considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano-calendário." Razão do veto "Aldo obstante tratar-se de norma de interesse da administração tributária, a falta de disposição expressa para sua entrada em vigor certamente provocará diversas demandas judiciais, patrocinadas pelos contribuintes, para que seus efeitos alcancem o ano-calendário de 2003, quando se registrou variação cambial negativa de, aproximadamente, quinze por cento, o que representaria despesa dedutivel para as pessoas juridicas . com controladas ou coligadas no exterior, provocando, assim, perda de arrecadação, para o ano de 2004, de significativa monta, comprometendo o equilibria fiscal." Esta, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto ern causa, a qual ora submeto a elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Brasilia, 29 de dezembro de 2003." Tendo em vista as razões contidas na da mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutivel nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. Logo, é de se reconhecer o direito da Recorrente de ter excluído da base do valor autuado a variação cambial positiva. DO APROVEITAMENTO DOS TRIBUTOS PAGOS NO EXTERIOR Como defendido pela Recorrente e confirmado pela PGFN, os tributos sobre lucros pagos na Hungria são compensáveis na empresa situada no Brasil que receber os rendimentos. Assim determina o artigo 23 da convenção assinada entre Brasil e Hungria. "ARTIGO XXIII - Métodos para evitar a dupla tributação A dupla tributação será eliminada como segue: a) No Brasil: I. Quando um residente do Brasil receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, possam ser tributados na Republica Popular da Hungria, o Brasil deduzirá do imposto sobre a renda desse residente um montante igual ao imposto sobre a renda pago na República Popular da Hungria. digithiwent c-o; 16107%2 0 11 por 1 ;:,z.,; AN 1 .0t2 SOUZA, 13/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 38 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARE MF Fl. 39 Processo n° 16561.000136/2007-89 SI -C42 Acórno n.° 1402-00.391 Fl. 39 O montante deduzido não podet4 contudo, exceder a fração do imposto sobre a • renda, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos que podem ser tributados na República Popular da Hungria." .N;;sse sentido, a Recorrente anexou os comprovantes de pagamento do imposto pago na Hungria, traduzidos por tradutor juramentado, em 16/03/2009, sendo que o Recurso Vokilitario foi protocolado em 10/07/2008. Por outro lado, a PGFN requer que tais docurncAos não sejam apreciados por esse colegiado, alegando preclusão temporal. Não houve preclusão temporal, visto que todos os argumentos de defesa foram apresentados tempestivamente no Recurso Voluntário, sendo a apresentação dos citados documentos uma mera extensão da defesa, não trazendo qualquer inovação ou novo argumento. Ressalte-se por oportuno, que no presente caso deve ser levado em consideração o principio da verdade material. Tratando-se de fato gerador vigora o principio da verdade material, segundo o qual a conseqüência tributária somente ocorrerá se o evento efetivamente se verificar no plano fenomênico. E no caso concreto, com a apresentação dos documentos comprobatórios do recolhimento dos tributos pagos pela controlada na Hungria, há que se admitir, nos limites estabelecidos nessa decisão, a compensação dos citados tributos pagos, reduzindo assim o valor autuado nesse processo. Ademais, a teor do voto vencedor deste julgado, o lucro a ser tributado no Brasil será equivalente aos dividendos a que tinha direito a controladora, tratados como se lucros das coligadas fossem e considerados disponibilizados fictamente à controladora no Brasil e tidos como lucros no exterior auferidos por intermédio de coligadas e controladas. Por mais que esta decisão não nos pareça adequada, o fato é que se o lucro auferido pela controladora é equivalente aos dividendos a que tinha direito em receber das controladas no exterior, ele deve ser computado pelo valor liquido dos impostos devidos no exterior, fictamente pagos, assim como são fictamente distribuídos os dividendos, posto que os dividendos são calculados após o pagamento dos tributos devidos no exterior. Portanto, o valor a ser computado na apuração do lucro real sera o valor do lucro da controlado, depois de abatido o valor dos impostos pagos pela controlada na Hungria. Os valores efetivamente pagos serão, depois, deduzidos dos tributos devidos no Brasil até o limite incidente sobre estes mesmos lucros. Isto posto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que seja excluída da receita de equivalência patrimonial, utilizada como base do valor autuado, a variação cambial positiva, bem como deduzir da base de cálculo os impostos incidentes no pais de origem que incidem sobre este lucro e deduzir, até o limite do valor autuado, o montante dos tributos sobre o lucro pagos pela controlada na Hungria. (assinado digitalmente) Carlos Peld A55in6(io oloilal;nene er■ 1 1 3i07/2C11 poi CAR .")f' j GIiZA, 13/ zA, 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO 39 DF CARF 1V1F Fl. 40 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Accirddo n.° 1402-00.391 Fl. 40 Voto Vencedor Conselheiro Antonio José Praga de Souza, Redator Designado. Conforme relatado, trata o presente processo de lançamentos de oficio para constituição (11.; credito tributário de IRPJ e CSLL (anos-calendário 2002 a 2006), motivados pela inohservância ao art. 74 da Medida Provisória n° 2,158-35/2001, isto 6, pela ausência de t- ibutacr. tiu dos lucros auferidos no exterior por intermédio da empresa controlada VCP Overseas Holding KFT. Consoante descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 279-291), apesar de haver reconhecido em sua contabilidade os resultados produzidos no exterior, via equivalência patrimonial, a empresa Normus (recorrente) deixou de oferecê-los à tributação no pais, por entender que estariam resguardados pelo Artigo VII do Tratado celebrado entre Brasil e Hungria para evitar a dupla tributação e a evasão fiscal. Por sua vez a Fiscalização concluiu, à luz da Convenção Brasil-Hungria, que os resultados (acréscimo patrimonial) auferido no exterior pela Normus não se enquadra no mencionado Art. VII, mas no Art. X, que permite a tributação pelo Brasil. Logo, em primeiro plano, o cerne do processo litígio reside em qualificar os lucros disponibilizados na forma do art. 74 da MP n° 2.158-35/2001 em face do Tratado Brasil- Hungria para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal, ou seja, definir qual artigo do acordo internacional deve reger a tributação. Na apreciação desse matéria pelo colegiado formei entendimento diverso ao do ilustre Conselheiro Relator em diversos aspectos, dentre eles quanto a seguinte assertiva: "(..)Entendo que não é o caso de aplicação das regras CFC no presente caso, uma vez que não se trata de operação destinada a evitar a incidência de tributos ou diferimento da tributação. Trata-se, na verdade, de rendimentos que não estão sujeitos à tributação no Brasil por falta de previsão na legislação interna para a tributação destes ganhos. 17 Em verdade, a não incidência do Imposto de Renda sobre os lucros ou dividendos restringe-se aos resti!taclos das pessoas jurídicas domiciliadas e tributadas no Brasil, sobre as regras da legislação Brasileira, e não sobre ganhos e resultados obtidos no exterior. Nesse sentido é de clareza solar o Alt 10 da Lei 9.249 de 1995: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mes de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas corn base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos a incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no Pais ou no exterior. Passo a discorrer sobre os fundamentos de direito que sustentam o entendimento que adotei no julgamento, na linha da autuação fiscal e das contrarrazões apresentadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. As,iriadc.) digitaInUiVide'Voti.-0764eido 70 11 ANT-74 -: 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/03/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO ;A !:.ir..)LIZA. 13/ 40 DF CARI-7 MF Fl. 41 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 41 TRIBUTACÃO DE RESULTADOS AUFERIDOS DE CONTROLADA NO EXTERIOR. TRATADO BRASIL-HUNGRIA. Pois bem, nos anos-calendário de 2002 a 2006 a recorrente auferiu lucros no exterior por :C! rmédio da subsidiária VCP Overseas Holding KFT, cuja disponibilização ocorreu nos tcrrlos do art. 74 da MP n° 2.158-35/2001, isto 6, no momento em que foram apurados nos bL:anços, in verbis: Art. 74. Para fim de determinação da base de calculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n° 9.249. de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurac:os por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 set-do considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Os lucros foram integralmente reconhecidos na contabilidade da recorrente, através da equivalência patrimonial (fls. 232-236); todavia, não foram adicionados ao seu lucro liquido, para determinação do lucro real, o que ensejou a lavratura dos autos de infração. Como se sabe, o registro dos lucros da controlada, com base na avaliação do investimento pelo patrimônio liquido, significa dizer que o patrimônio do controlador obteve acréscimo correspondente à sua participação nos resultados da controlada, independentemente da realização financeira dos lucros. Ou seja, em razão da equivalência patrimonial, a Normus registrou em sua contabilidade a parcela do lucro da subsidiária a que faz jus — no caso, a totalidade dos lucros, por ser a única sócia da VCP Overseas Holding KFT. Destarte, não há controvérsia acerca da concretização da hipótese de incidência do art. 25 da Lei n° 9.249/95, c/c o art. 74 da MP n°2.158-35/2001. A contribuinte efetivamente auferiu lucros no exterior, mas não os adicionou à base de cálculo de IRPJ e CSLL, por entender que estariam protegidos pelo Artigo VII do Tratado Brasil-Hungria: ARTIGO VII Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante [VCP Overseas — Hungria] só são tributáveis nesse Estado [Hungria], a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante I Brasil! por meio de um estabelecimento permanente ai situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros são tributáveis no outro Estado I Brasil], mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Coin ressalva do disposto no parágrafo 3, quando uma A. 15(07/7011 'ado c; (; 01 we!..777esa flP .-Evtaclo Contratante exercer., sua atividade no dipd 41)1 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por VANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO 41 DF CARF MF Fl. 42 Processo n0 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 42 outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ai situado, serão atribuídos em cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os lucros que obteria se fosse uma empresa distinta e separada exercendo atividades idênticas ou similares em condições idênticas ou :;hililares e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é estabelecimento permanente. 3. Na determinação dos lucros de um estabelecimento permanente é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo fato da simples compra, por este estabelecimento permanente, de bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem rendimentos tratados separadamente em outros Artigos da presente Convenção, as respectivas disposições não serão afetadas pelas deste Artigo. ( inserções entre colchetes "[ ] " e grifos nossos) 0 Artigo VII disciplina a tributação dos lucros produzidos por empresa residente em urn dos Estados Contratantes (o pais da ibnte geradora dos resultados). Assim, os lucros da VCP Overseas seriam tributáveis exclusivamente pela Hungria, visto que a Overseas não possui estabelecimento permanente no Brasil. Ocorre que o art. 74 da MP n° 2.158-35/2001 não incide sobre uma pessoa jurídica residente no exterior, ou seja, a lei brasileira não "alcança" urn residente no exterior, mas uma sociedade estabelecida no Brasil. Por outras palavras, a legislação nacional não determinou a tributação dos lucros da VCP Overseas Holding KFT, mas fixou que os lucros da contribuinte residente no Brasil também abrangem os lucros disponibilizados por sua controlada. Desse modo, conquanto a distinção seja sutil, não se pode confundir a tributação da própria controlada residente no exterior (o que é vedado pelo Art. VII), com a tributação da controladora sediada no pais, cujos resultados englobam os lucros auferidos por intermédio da subsidiária estrangeira, nos termos da legislação tributária interna. Afinal, o reconhecimento dos lucros da controlada com base no método da equivalência patrimonial implica o aumento do patrimônio da controladora, independentemente da distribuição efetiva. Por outro lado, vale consignar que a técnica de tributação prevista no art. 74 da MP n° 2.158-35/2001 foi inspirada na legislação de outros países, que também consideram legitimo fixar a ocorrência do fato gerador do imposto incidente sobre os lucros auferidos no exterior, por contribuintes residentes, na data em que a controlada, sediada em outro pais, registrar o lucro em seu balanço. Esse tipo de regra (comumente chamada CFC rule, omicalmente em 16V7/2011 por C;;.;; - ; ! '711 11 '..'I LZA, 1;:9 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado dlgitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 42 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 43 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1 -C41'2 Acórdão n.° 1402-00.391 1.1. 43 abreviação de controlled foreign corporation) possui a finalidade precipua de impedir o diferimento na tributação dos lucros apurados no exterior e evitar fraudes ao Fisco. No âmbito internacional, entende-se que essas normas não contrariam o disposto no Arto VII do Tratado Modelo da OCDE. 18 Com efeito, esse modelo recebe constantes co;nc:ititrios por parte da OCDE, e um dos questionamentos abordados foi justameflte a compatibilidade das regras CFC com o Art. VII do tratado (tradução livre, comentArio atualizado em 22/7/2010): "23. A utilização de "companhias de base" ["base companies" ern inglês] também pode ser tratada através de normas sobre sociedades controladas no exterior ["Controlled Foreign Corporations/CFCs" em inglês]. Um namero significativo de países membros e não membros adotou tal legislação. Enquanto o design desse tipo de legislação varia consideravelmente de pais para pais, um traço comum dessas regras, agora internacionalmente reconhecidas como um instrumento legitimo para proteger a base tributária local, é que elas resultam na tributação, por um Estado Contratante, de seus residentes relativamente à renda proveniente de sua participação em certas entidades estrangeiras. Argumentou-se algumas vezes, com base numa determinada interpretação de dispositivos da Convenção tais como o Art. 70, § 1 0, e o Art. 10, § 5°, que esse traço comum da legislação sobre sociedades controladas no exterior estaria , em conflito com tais dispositivos. Pelos motivos expostos nos parágrafos 14 dos "Comentários" ao Art. 7° e 37 dos "Comentários" ao Art. 10, tal interpretação não está de acordo com o texto dos dispositivos. A interpretação também não se sustenta quando os dispositivos são lidos em seu contexto. Portanto, enquanto alguns países consideraram útil esclarecer expressamente, em suas convenções, que a legislação das sociedades controladas no exterior não est á em conflito com a Convenção, tal esclarecimento não é necessário. Reconhece-se que a legislação das sociedades controladas no exterior estruturada dessa forma não é contrária aos dispositivos da Convenção." (grifos nossos) Vale sublinhar que a própria OCDE reconhece que o modelo das regras CFC varia consideravelmente entre os países, ou seja, não há um "padrão único" de legislação CFC. O traço comum desse tipo de regra, conforme registrado nos comentários, é a tributação dos residentes de um Estado Contratante em relação à renda proveniente de sua participação em empresas estrangeiras, característica presente no art. 74 da MP n°2.158-35/2001. Dessa forma, em sentido oposto ao sugerido pela autuada, os comentários da OCDE relativos as normas CFC são pertinentes ao caso ora analisado. De fato, apesar de estar sujeita a criticas como política fiscal, a aplicação em âmbito geral do artigo 74 da MP n° 2.158- 35 não desnatura o seu caráter antielisivo: cuida-se de regra voltada a evitar o diferimento na tributação dos lucros apurados no exterior (tax deferral). As regras CFC não estão em conflito com os tratados porque está claro, no âmbito internacional, que cada pais pode dispor livremente sobre a base de cálculo do imposto de renda devido pelo residente que investe no exterior, desde que impeça a dupla tributação. 18 Apesar de não integrar a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, os tratados para evitar a dupla tributação celebrados pelo Brasil seguem o modelo OCDE — inclusive, a Convençao urinada com a Hungria. Portanto, os comentários da OCDE não são vinculantes para o Brasil, mas auxiliam sobremaneira a Aoricto digitalninterpreta"Od dot ANItl;w5-: CF MliZA 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 43 Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF FL 44 Processo n° 16561.000136/2007-89 Sl-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 44 Alias, pode-se dizer que essa é a regra fundamental para fins de interpretação dos tratados para evitar a dupla tributação. Essa conclusão está evidenciada no parágrafo 14 dos comentários ao Art. VII da Convenção Modelo da OCDE (tradução livre): "14. 0 propósito do § 10 é traçar limites ao direito de um Estado Contratante tributar os lucfos de empresas situadas em outro Estado Contratante. 0 parágrafo não limita o direito de urn Estado Contratante tributar seus próprios residentes corn base nos dispositivos relativos a sociedades controladas no exterior encontrados em sua legislação interna, ainda que tributo, imposto a esses residentes, possa ser computado em relação à parte dos lucros de uma einpresa residente em outro Estado Contratante atribuida A participação desses residentes nessa empresa. 0 tributo assim imposto por um Estado sobre seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa do outro Estado e não se pode dizer, portanto, que teve por objeto tais lucros (ver também § 23 dos "Comentários" ao art. 1° e §§ 37 a 39 dos "Comentários" ao art. 10)." (grifos nossos) Portanto, a MP e° 2.158-35/2001 dispôs que os lucros auferidos pelas controladas no exterior consideram-se disponibilizados para a controladora brasileira na data do balanço em que tiverem sido apurados. Como os lucros da sociedade estrangeira são imputados à empresa brasileira, não há descumprimento ao Art. VII do Tratado, pois continuará havendo tributação dos lucros de empresa brasileira, equivale dizer, lucros disponibilizados à controladora por força de lei. Demonstrada a inaplicabilidade do Art. VII da Convenção Brasil-Hungria, cumpre, então, analisar se os lucros disponibilizados na forma do art. 74 da MP n° 2.158- 35/2001 se enquadram no art. X do Tratado: ARTIGO X Dividendos I. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante [VCP Overseas — Hungria] a um residente do outro Estado Contratante [Normus — Brasil] são tributáveis nesse outro Estado [Brasil]. 2. Todavia, esses dividendos podem também ser tributados no Estado Contratante de que é residente a sociedade que os paga e de acordo com a legislação desse Estado, mas se a pessoa que os receber for a beneficiária efetiva dos dividendos o imposto ass im estabelecido não poderá exceder 15% do montante bruto dos dividendos. Este parágrafo não afetará a tributação da sociedade com relação aos lucros que deram origem aos dividendos pagos. 3. 0 term° "dividendos" usado neste Artigo, designa os rendimentos provenientes de ações, ações ou direitos de fruição, ações de empresas mineradoras, partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, coin exceção de créditos, bemi como os rendimentos provenientes de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado de que é residente a sociedade que OS distribui. Assinado digituimente em 10/07/2011 per Tr! ANTG:_:n S'.-1 LIZA, 1 17J. 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 44 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF FL 45 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acárddo n.° 1402-00.391 Fl. 45 4. 0 disposto nos parágrafos I e 2 não se aplica se o beneficiário efetivo dos dividendos, residente de um Estado Contratante, tiver, no outro Estado Contratante de que residente a sociedade que paga os dividendos, um estabelecimento permanente a que es,'iver efetivamente ligada a participação geradora dos dividendos. Neste caso aplica-se o disposto no Artigo VII. 5. Quando um residente da Republica Popular da Hungria tiver um estabelecimento permanente no Brasil, este estabelecimento permanente poderá ai estar sujeito a um imposto retido na fonte de acordo com a legislação brasileira. Todavia, esse imposto não poderá exceder 15% do montante bruto dos lucros desse estabelecimento permanente determinado após o pagamento do imposto de sociedades referente a esses lucros. 6. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante [Normus — Brasil] receber lucros ou rendimentos provenientes do outro Estado Contratante [Hungria], esse outro Estado [Hungria] não poderá cobrar nenhum imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto na medida em que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado [Hungria] ou na medida em que a participação geradora dos dividendos estiver efetivamente ligada a um estabelecimento permanente ou a uma instalação fixa situados nesse outro Estado [Hungria]. nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre lucros não distribuídos, mesmo se os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos, mesmo se os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistirem, total ou parciahnente, em lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado [Hungria]. 7. A limitação da alíquota do imposto prevista nos parágrafos 2 e 5 não se aplica aos dividendos ou lucros pagos ou remetidos antes do termino do terceiro ano calendário seguinte ao ano em que a Convenção entrar em vigor. ( inserções entre colchetes "[ ]" e grifos nossos) Para fins de aplicação do disposto no Artigo X do Tratado Brasil-Hungria, o conceito de dividendos abrange todos os rendimentos provenientes de direitos de participação nos lucros da sociedade (item 3). Por sua vez, dividendo pago é aquele a que o sócio tem direito, equivale dizer, que foi disponibilizado de alguma maneira ao sócio, ainda que em decorrência de presunção legal. Constata-se, dessa forma, que os lucros auferidos no exterior através da VCP Overseas Holding KFT enquadram-se no conceito de dividendos previsto no item 3 do Art. X do Tratado. Ademais, por forca do art. 74 da MP n° 2.158-35/2001, tais lucros silo considerados pagos (i.e., disponibilizados) no momento em que foram apurados nos balanços, na proporção da participação societária da Normus. E nem se alegue que a tributação do montante integral dos lucros, antes do desconto do imposto pago no pais da fonte, descaracterizaria o conceito de dividendos. De fato, Ass. , ..,.) 10:07120'11 7, 1 1 - 45; C.: -' i 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente ern 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 45 Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 46 Processo n° 16561.000136/2007-89 S -c4 T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 46 cuida-se de simples técnica de arrecadação, que consiste em tributar o bruto e deduzir, do tributo apurado, o imposto pago no pais da controlada. Importa consignar, nesse contexto, que o art. 74 da MP n°2.158-35/2001 não viola o item 6 do Artigo X, o qual impede a criação de "imposto sobre lucros não distribuídos". Com efeito, o dispositivo em questão simplesmente regula a tributação no pais da fonte pagadora dos d;videndas — no caso, a Hungria —, ou seja, não se destina ao pais de residência do beneficidrio dos dividendos. A propósito, confira-se os parágrafos 37 a 39 dos comentários Jci OCDF, ao Art. 10 da Convenção Modelo (tradução livre): "37. Poder-se-ia argumentar que quando o pais de residência do contribuinte, de acordo com sua legislação sobre sociedades controladas no exterior ou outros dispositivos de efeito similar, busca tributar lucros não distribuídos, está agindo contrariamente ao disposto no § 50 [no Tratado Brasil- Hungria, a regra corresponde ao § 61. Entretanto, deve-se notar que o parágrafo se restrin,0 à tributação na fonte e portanto, não influi sobre a tributação na residência sob tal legislação ou normas. Acrescente-se que o parágrafo diz respeito apenas à tributação da companhia e não do acionista. 38. A aplicação de tal legislação ou normas pode, entretanto, complicar a aplicação do art. 23 [estipula métodos para evitar a dupla tributação]. Se a renda fosse atribuida ao contribuinte, então cada item da renda teria de ser tratado de acordo com os dispositivos pertinentes da Convenção (lucros decorrentes da atividade, juros, royalties). Se o valor for tratado como um dividendo presumido, então está claro que ele deriva da 'companhia de base', constituindo, assim, renda originada no pais daquela companhia. Mesmo assim, não está de modo algum claro se o montante tributável deve ser considerado como dividendo segundo o art. 10 ou como 'outros rendimentos' conforme o art. 21. De acordo com algumas dessas legislaçães ou normas, o montante tributável é tratado como dividendo, resultando em que uma isenção concedida por uma convenção tributária, por exemplo uma isenção em razão da filiação, também se estende a ele. É duvidoso se a Convenção exige que isso seja feito. Se o pais de residência considera não ser esse o caso, pode enfrentar a alegação de estar obstruindo a operação normal da isenção em razão da filiação por meio da tributação prévia do dividendo (sob a forma de dividendo presumido). 39. Quando os dividendos forem de fato distribuídos pela 'companhia de base', os dispositivos de uma convenção bilateral relativos a dividendos lerão de ser aplicados normalmente porque há rendimentos de dividendo segundo o significado da convenção. Portanto, o pais de residência da 'companhia de base' pode sujeitar o dividendo a um imposto retido na fonte. pais de residência do acionista aplicará os métodos not-mais para eliminar a dupla tributação (crédito tributário ou isenção tributária é concedida). Isso implica que o imposto retido na fonte sobre o dividendo deveria ser creditado no pais de residência do acionista, mesmo se o lucro distribuído (o dividendo) tiver sido tributado anos antes de acordo com dig,tatm(.:nte em 1 1007:2011 pa.' 0;3t AN jZA 1 9/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/03/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO 46 DF CARF N1F Fl. 47 Processo n° 16561.000136/2007-89 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 47 legislagdo sobre sociedades controladas no exterior ou outras normas de efeito similar. Entretanto, a obrigação de conceder crédito nesse caso permanece duvidosa. Geralmente o dividendo como tal é isento de tributação (pois já fora tributado segundo a legislação ou normas pertinentes) e alguém poderia argumentar uz..' não há base para UM crédito tributário. Por outro lado, o objetivo do tratado seria frustrado se o crédito dos tributos pudesse ser evitado pela mera antecipação da tributação dos dividendos de acordo com legislação em contrário. O principio geral estabelecido acima sugeriria que o crédito deveria ser concedido, embora os detalhes possam depender de tecniCiSMOS da legislação ou normas pertinentes, e o sistema para o crédito de tributos estrangeiros contra tributos internos, assim como das particularidades do caso (por exemplo, tempo decorrido desde a tributação do 'dividendo presumido). Contudo, os contribuintes que recorram a arranjos artificiais correm riscos em relação aos auais lido podem ser totalmente salvaguardados pelas autoridades tributárias". (inserções entre colchetes e grifos nossos) De acordo com os comentários, os lucros tributados sob a aplicação de norma CFC podem ser considerados "dividendos presumidos" pela legislação do pais de residência do investidor. Conclui-se, por inerência, que os lucros auferidos por intermédio da VCP Overseas Holding KFT, e disponibilizados ã. recorrente nos termos do art. 74 da MP n° 2.158-35/2001, enquadram-se no conceito de dividenda; presumidos, o que atrai a incidência do Artigo X do Tratado Brasil-Hungria. Nesse diapasão, cumpre salientar que o entendimento ora exposto foi adotado pela antiga Oitava Câmara do 1° Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 108-08.765), ao enfrentar caso semelhante ao presente, envolvendo a qualificação em face do Tratado Brasil- Espanha dos lucros disponibilizados na forma do art. 74 da MP n° 2.158-35/2001. No que importa, a decisão foi ementada nas seguintes palavras: IRPJ — CONTROLADA NA ESPANHA — LUCROS A PARTIR DE 2001 — MP 2158-34/2001 — TRATADO INTERNACIONAL — 0 art. 74 da MP 2158-34 estabeleceu a presunção absoluta (ficção) de que o lucro auferido por controlada no exterior deve ser considerado distribuído a controladora no Brasil em 31 de dezembro de cada ano. 0 Tratado entre Brasil e Espanha não afasta a incidência de tributação por empresa sediada no Brasil relativamente ao lucro de empresa espanhola considerado distribuído. (Acórdão 108-08.765 — Relatora: Karem Jureidini Dias — Data da Sessão: 23/3/2006) Naquele caso, o contribuinte opôs embargos de declaração em face do Acórdão n° 108-08.765, alegando que a Câmara se omitiu acerca da apreciação do art. 23, § 4 0, do Tratado Brasil-Espanha. Os embargos de declaração foram acolhidos para sanar a omissão. A Oitava Câmara manteve sua interpretação acerca do art. 74 da MP n° 2.158-35/2001, mas, considerando o disposto no § 4° do art. 23 do Tratado Brasil-Espanha l9, converteu o 19 § 4° — Quando um residente do Brasil receber dividendos que, de acordo COM as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos. dig ■ taimentc L,o ; it;44: rr , ANY(..;1 ,1Vs 07/2011 por ALEERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso ern 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO 47 DF CARE IV1F Fl. 48 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 48 julgamento em diligência (Resolução n° 108-00.407), para que fosse verificado junto ao Fisco Espanhol o regime de tributação da pessoa jurídica residente na Espanha. Enfim, o Acórdão n° 108-08.765 foi integrado pela Resolução n° 108-00.407 e essas decis6c, em conjunto, representam o entendimento da Oitava Camara a respeito da matéria or vesy.la, que foi analisada com propriedade no voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Jos::: Henrique Longo no julgamento do recurso voluntário, nestes termos: "A situação da controlada lhama Participações Sociedad Limitada ("lhama Espanha"), com resultado de parte de 2001 e ano de 2002, é semelhante à da lhama Portugal a partir da MP 2158. Com efeito, o art. 74 e § único da MP 2158-34 estabeleceu a ficção de que o lucro auferido por controlada no exterior estaria disponibilizado à sua controladora no Brasil em 31 de dezembro de cada ano. Convém observar que não há espaço para o julgador administrativo tecer considerações acerca da inconstitucionalidade de lei nem para afastar sua aplicação, de maneira que há de ser respeitada neste âmbito a ficção mencionada com os seus reflexos de caráter tributário. E de notar também que, diversamente do que dispunha a Lei 9249, a tributação pelo IRPJ e da CSL não incidem sobre o lucro da lhama Espanha, mas sim sobre os dividendos disponibilizados A Refratec (art. 10 da Lei 9532 e art. 74 e § dn. da MP 2158-34). Por isso, não há que se cogitar da proteção da cláusula VII do Tratado Brasil e Espanha (Decreto 76975/1976), cuja redação é a mesma que a do Tratado com Portugal e que acima se transcreveu. E certo que o Tratado Brasil Espanha cuida também da questão da distribuição de dividendos, e que permite a tributação dos dividendos pagos por uma empresa na Espanha (lhama Espanha) para uma empresa no Brasil (Refratec): ARTIGO 10 Dividendos (...) Entendo que deva ser considerado como "dividendo pago" (item 1 do Artigo 10) como o dividendo que o sócio tiver direito, que tiver sido disponibilizado ao sócio. Caso contrário, qualquer emprego do dividendo que não fosse a transferência para uma conta de titularidade do sócio estaria à margem da incidência do tributo, e, evidência, não é esse o conteúdo dessa norma jurídica. Vale advertir ainda que algumas restrições previstas no texto reproduzido referem-se a situações especificas. Explico. A restrição da aliquota máxima de 15% de imposto sobre o dividendo é aplicável apenas ao pais em que a empresa geradora do lucro tiver sede, no caso a restrição é para a Espanha (item 2). A limitação de que a tributação sobre os dividendos so será aplicável quando forem efetivamente distribuídos ao exterior refere-se ao caso em que uma empresa da Espanha tiver um estabelecimento permanente no Brasil (item 5). Assim, em relação aos lucros da lhama Espanha, devem ser tidos como disponibilizados à sócia brasileira, Refratec, levando em conta que não cabe ao julgador administrativo apreciar a legalidade ou constitucionalidade do art. 74 Registre-se, por oportuno, que o Tratado Brasil-Hungria não contém dispositivo similar ao § 40 da Convenção firmada com a Espanha, pois não prevê hipótese de isenção do imposto, mas apenas a compensação do imposto de Assinado nrendaTakii :di:vidéltdos'..(art. XXIII, a, item 1). 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 48 Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 49 Processo n° 16561.000136/2007-89 Sl-C4'r2 Acórdão n.° 1402-00.391 . Fl. 49 da MP 2158-34 (Regimento Intern° CC, art. 22-A). Desse modo, deve ser mantida a exigência." (grifos nossos) No mesmo sentido, o Acórdão n° 105-17.382 (4/2/2009), no qual a antiga 5' Camara do 1 0 Conselho analisou a aplicação do art. 74, parágrafo Calico, da MP n' 2.158-35 em face do Tratado Brasil-Portugal, conforme o voto do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães: "Ademais, Como bem ressaltou a autoridade julgadora de primeira instancia, tratando-se de lucros considerados disponibilizados, que tem natureza de dividendos, o Tratado referenciado prevê, de forma expressa, a possibilidade de tributação (art. X), não havendo que se falar, pois, em aplicação do seu artigo VII." (grifos nossos) Vale registrar, por oportuno, que esse entendimento também prevaleceu na P Turma Ordinária da l a Camara da 1' Seção do CARF, por ocasião do julgamento do recurso n° 166.281 (PA n° 16327.001409/2006-02), na sessão do novembro/2010 — voto condutor da lavra da brilhante Conselheira Edeli Pereira Bessa, Acórdão n ° 1101-00.365. Por outro lado, reitero que não procede o argumento de que o art. X do acordo internacional seria inaplicável em face do art. 10 da Lei n° 9.249/95, que isentou a distribuição de dividendos, como sustentado pela contribuinte e pelo ínclito Conselheiro Relator Carlos Peld A recorrente mescla indevidamente (0 o enquadramento do evento tributário na legislação interna (auferimento de lucros no exterior), com (ii) a qualificação desses lucros na Convenção Brasil-Hungria (dividendos presumidos). Todavia, a qualificação jurídica em exame ocorreu em momentos distintos na aplicação da legislação: no primeiro instante, o auditor fiscal constatou o auferimento de lucros no exterior, o que se enquadra no art. 25 da Lei no 9.249/95, c/c o art. 74 da MP n° 2.158-35/2001. Em seguida, ao verificar que os lucros não foram oferecidos à tributação, com base no art. VII do Tratado, passou a analisar como deveriam ser enquadrados à luz do acordo internacional, concluindo pelo enquadramento no art. X, ou seja, como dividendos presumidos. Além disso, não é de mais repetir que a isenção prevista no art. 10 da Lei n° 9.249/95 restringe-se aos dividendos pagos ou creditados por pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, isto e, seu alcance é limitado aos dividendos distribuídos por sociedades brasileiras. A final, o objetivo do beneficio fiscal em questão consiste em eliminar a dupla tributação econômica (i.e., a tributação em cascata dos lucros e dividendos) e, por conseguinte, a sua aplicação pressupõe a incidência do IRPJ sobre os lucros distribuídos aos sócios. Nesse sentido, merece registro o seguinte trecho do voto proferido pela ilustre Conselheira Sandra Faroni no Acórdão n° 101-95.497, enfrentando o argumento em análise: Alega, ainda, a Recorrente ilegitimidade da cobrança mesmo ao fundamento do art. X do Tratado, porque a legislação interna brasileira não previa a tributação sobre os dividendos. 0 argumento da recorrente se funda na norma de tributação interna, que (ir.iital..:oote cm .*:1;.-) 7/2.G11. !..:`t.trtt.':'. CS; 1.t.:VeStirrtCtt li.C.S.; ttAl2._!os.;;,,pelo patrimônio, liquido, o 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07'2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 49 Impresso em 02/03/2011 por VANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARF MF Fl. 50 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 50 resultado da equivalência patrimonial não afeta o lucro real e os dividendos recebidos são contabilizados como redução do valor do investimento. Essa regra, todavia, não pode ser interpretada isoladamente, posto que tem como causa o fato de que os lucros Clue originaram os referidos dividendos já foram tributados no Brasil na pessoa jurídica que os distribuiu. Assim, a sistemática prevista na legislação interna (exclusão do lucro liquido da receita de equivalência patrimonial e não contabilização dos dividendos corno receita, mas como redução do valor do investimento) não tem aplicação se os lucros distribuídos pela investida ainda não foram tributados no Brasil. A alegação da recorrente de que a legislação brasileira não previa a tributação dos dividendos é falaciosa. 0 que a legislação 'Atria resguarda é uma segunda tributação, quando da distribuição, de lucros já tributados quando de sua apuração." (grabs nossos) Logo, resta demonstrado que os lucros auferidos no exterior pela Normus, e disponibilizados nos termos do art. 74 da MP n° 2.158-35/2001, se enquadram no conceito de dividendos delineado no Artigo X da Convenção Brasil-Hungria, o que autoriza a sua tributação no pais. Enfim, resta demonstrado que os lucros auferidos no exterior pela Normus deveriam ser oferecidos à tributação, haja vista que a técnica de incidência inaugurada pelo art. 74 da MP n°2.158-35/2001 não contraria o Artigo VII do Tratado Brasil-Hungria, pelas razões sintetizadas a seguir: 1) A legislação tributária nacional não incide sobre os lucros da controlada estrangeira (o que é vedado pelo Artigo VII), mas sobre lucros disponibilizados à investidora brasileira, isto 6, dispõe que o lucro real da contribuinte engloba os lucros disponibilizados por sua controlada, incorporados ao seu patrimônio em função do MEP. Logo, a tributação recai sobre os lucros da empresa brasileira, o que afasta a aplicação do Artigo VII do Tratado. 1.1 Em seus Comentários, a OCDE entendeu que a legislação estrangeira semelhante ao art. 74 da MP n°2.158-35 ("regras CFC") não viola o Artigo VII dos Tratados, considerando que não há incidência sobre os lucros das sociedades controladas no exterior. Afinal, o imposto exigido com base em regra CFC não reduz os lucros das controladas, de forma que não se pode dizer que o objeto da tributação são esses lucros. 1.2 0 art. 74 da MP n° 2.158-35 é uma autêntica regra CFC, compreendida como norma voltada para eliminar o diferimento na tributação dos lucros auferidos no exterior. Não há um "padrão único" de legislação CFC, em sentido oposto ao sugerido pela autuada. A própria OCDE reconhece que o modelo das regras CFC varia muito entre os países, e que o traço comum desse tipo de regra é a tributação dos residentes de urn Estado Contratante em relação à renda proveniente de sua participação em empresas estrangeiras, característica presente no art. 74 da MP n° 2.158-35. 2) Os lucros disponibilizados na forma do art. 74 da MP n° 2.158-35 são qualificados como dividendos pagos à luz do acordo internacional — são os chamados "dividendos presumidos", na linha dos Comentários da OCDE. .6 1 ' 1 7r-g% 16 1C.712011 oor 7: - . 10! 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 50 Impresso em 02/03/2011 por IVANA, CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DF CARE MF Fl. 51 Processo n° 16561.000136/2007-89 S1-C.4"11 Acórdão n. ° 1402 -00.391 1:1. 51 2.1 No contexto dos tratados, os dividendos pagos correspondem a lucros distribuídos aos sócios da empresa. Por força da MP n° 2.158-35, os lucros apurados pela controlada húngara são considerados disponibilizados à Normus, ou seja, trata-se de lucros distribuídos por presunção legal, incorporados ao patrimônio da contribuinte via MEP. 2.2 0 art. 74 da MP n° 2.158-35 simplesmente antecipa a tributação que ocorreria no momento da distribuição dos lucros pela controlada húngara — diga-se de passogern, tributação permitida pelo Artigo X do Tratado. 2.3 A tributação do montante integral dos lucros, antes do desconto do irupo,to pago no pais da fonte, não descaracteriza o conceito de dividendos. De fato, cuida-se simples técnica de arrecadação, que consiste em tributar o bruto e deduzir, do tributo apurado, o imposto pago no pais da controlada. 2.4 0 art. 74 da MP n° 2.158-35 não viola o item 6 do Artigo X do Tratado, que impede a criação de um "imposto sobre lucros não distribuídos". Com efeito, o dispositivo em questão regula a tributação no pais da fonte pagadora dos dividendos (no caso, a Hungria), ou seja, não se destina ao pais de residência do beneficiário dos dividendos. 2.5 A não incidência prevista no art. 10 da Lei n° 9.249/95 não é aplicável ao caso, pois se restringe aos dividendos pagos ou creditados por "pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado", isto e, seu alcance é limitado aos dividendos distribuídos por sociedades brasileiras. 0 objetivo desse beneficio fiscal consiste em evitar a dupla tributação econômica (a tributação em cascata dos lucros e dividendos) e, por conseguinte, a sua aplicação pressupõe a incidência do IRPJ sobre os lucros distribuídos aos sócios—nesse sentido, o voto da Conselheira Sandra Faroni no Acórdão n°101-95.497. 3) 0 art. 74 da MP n° 2.158-35 não frustra a finalidade do Tratado Brasil- Hungria: eliminar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal. A Convenção não confere isenção aos dividendos pagos a residentes no Brasil, mas assegura o crédito pelo imposto pago na Hungria (Artigo XXIII). Em outras palavras, a bitributação é evitada por intermédio do método da imputação ordinária (tax credit), que garante a compensação do tributo pago no exterior. 3.1 Ademais, o art. 26 da Lei n° 9.249/95 permite a compensação do imposto de renda estrangeiro incidente sobre os lucros apurados no exterior. Cuida-se de medida que, por si s6, é suficiente para afastar a dupla tributação dos lucros disponibilizados à empresa brasileira. 4) 0 entendimento ora exposto, prevaleceu também nos Acórdãos n° 108- 08.765 e n° 105-17.382, bem como no julgamento do recurso n° 166.281 pela la Turma da la Camara, na sessão de novembro/2010 (Acórdão n° 1101-00.365). DEMAIS ALEGAÇÕES RECURSAIS No que tange as alegações trazidas pela recorrente sob titulo de "preliminares", vide item IX à fl. 41 do Recurso Voluntário (fl. 739 dos autos), que implicariam na nulidade/cancelamento dos autos de infração, entendo que em verdade se tratam de questões de mérito, pelo que considero enfrentadas e superadas pelos fundamentos or; : ANTC^' 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Impresso em 02/08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO ./GA DE SOUZA-. 18/ 51 DF CARF MV Fl. 52 Processo is° 16561.000136/2007-89 sl-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 5' Assevero, outrossim, relativamente aos aspectos formais e materiais da constituição da exigência, o procedimento fiscal observou o art. 142 do Código Tributário Nacional e também As disposições do art. 10 do Decreto 70.235/1972, garantindo a ampla defesa do contribuinte, logo, não há mesmo que se falar em nulidade. Quanto as alegações contrarias à inclusão da variação cambial positiva, na receita do equivalência patrimonial, que foi utilizada como base de . calculo do valor autuado, cabe razão ao recorrente. Essa matéria foi objeto de julgamento por este Colegiado dentre iyat-:osCO acórdão 1402-00236, no qual atuei como relator, cuja ementa elucida: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR.. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. Descabe a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Em relação A juntada de provas dos tributos pagos pela subsidiária no exterior, fls. 781 e seguintes, entendo que não cabe razão à Douta PGFN, que As fls. 1040-1043 manifesta-se pela desconsideração dos mesmos. Isso porque, a juntada atende ao disposto no art. 16, §4 °. do Decreto 70.235/1972, haja vista que a contribuinte já havia trazido os comprovantes nos autos, fls. 518-612, porem, não foram aceitos pela decisão de 1a instancia por não estarem traduzidos (vide parágrafo 31 do acórdão da DRJ SPO, fl. 687 dos autos). Os documentos estão agora traduzidos. logo devem ser considerados. Registro que não ha qualquer incoerência, tampouco acredito não haver erro, no procedimento estabelecido neste acórdão para aproveitamento do imposto pago na Hungria, qual seja: deduzir o valor efetivamente pago da base de cálculo tributada do IRPJ e CSLL. bem como deduzir este mesmo valor do IRPJ lançado de oficio e da CSLL, caso ainda remanesça saldo a compensar. Os tributos efetivamente pagos na Hungria devem ser subtraidos da base de cálculo a ser tributada no Brasil exatamente para evitar que o tributo Brasileiro incida sobre a parcela de tributo paga na Hungria, pois, a disponibilização dos lucros nesse caso é ficta. Por sua vez, o tributo pago na Hungria, deve ser subtraído da diferença de tributo a pagar no Brasil exatamente para evitar a dupla tributação, sendo que o valor devido corresponde a soma do IRPJ com a CSLL (34% sobre a base de cálculo, na situação versada nos autos). Tais cálculos ficam a cargo da Unidade de origem que na liquidação do acórdão visando apurar as eventuais diferenças de valores a serem cobrados da contribuinte deverá refazer integralmente a base de calculo dos tributos. de se registrar que a multa de oficio e os juros de mora somente incidirão sobre as diferenças de tributos apuradas após a compensação em referência. Por fim, frise-se que a tributação mantida pela presente decisão é sobre o lucro obtido pela Contribuinte, investidora e controladora brasileira, subtraído o que foi efetivamente pago na Hungria. A pretensão da recorrente, ora afastada, seria de deixar de tributar no Brasil a totalidade dos resultados que obteve com o investimento, pelo fato de ter sido tributado em parte pela sua controlada na Hungria, o que certamente não tern amparo na legislação pátria, tampouco no tratado entre os dois países. Assinadc, citort:ilrnento ern 16/07/2011 por CARI Of": PH A ng/n7/7:11 .;ANTfiJC : P :;n1 VA 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 52 Impresso em 02103 12011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO DE: CA RF MF H. 53 Processo n° 16561.000136/2007-89 Sl-C4'r2 Acórdão n.° 1402-00.391 Fl. 53 CONCLUSÃO Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: I) manter a tributação sobre os lucros apurados pela controlada na Hungria, disponibilizados à investidora brasileira, consoante art. 74 da MP 2.158- 35/2001, porque equivalentes a distribuição de dividendos, bem como rejeitar todas as alegações em sentido contrária tratadas pelo recorrente como "preliminares"; 2) excluir a variação cambial na receita de equivalência patrimonial, utilizada como base do valor autuado; 3) conhecer os documentos relativos aos tributos pagos pela controlada na Hungria, para deduzir o valor efetivamente pago da base de calculo tributada do IRPJ e CSLL, bem como deduzir este mesmo valor do IRPJ lançado de oficio e da CSLL, caso ainda remanesça saldo a compensar. (assinado digita/mente) Antônio José Praga de Souza — Redator Designado Assinado digitalmente ern:16/0712011 por CARLO 77! ". I.T.p ANT • - 7 OF SZAz 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 53 Impresso em 02;08/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO - VERSO EM BRANCO
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Numero do processo: 10880.914078/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2003
IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE.Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Inteligência do Parecer Normativo Cosit nº 1/2002.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-002.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador para que seja prolatada decisão complementar com análise das razões de recurso não apreciadas no acórdão original, conforme especificado no bojo do voto condutor.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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INDEFERIMENTO LIMINAR DO DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DA TESE PELO CARF. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. Constatandose que a decisão recorrida não analisou matéria sob litígio em sede de manifestação de inconformidade em razão do indeferimento liminar do direito pleiteado, superado tal entendimento pelo CARF, impõese o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância a fim de que profira decisão complementar sobre o tema. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2003 IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE.Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Inteligência do Parecer Normativo Cosit nº 1/2002. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador para que seja prolatada decisão complementar com análise das razões de recurso não apreciadas no acórdão original, conforme especificado no bojo do voto condutor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 40 78 /2 00 9- 45 Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.986 2 (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.987 3 Relatório COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1646.156 da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP1 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório (fls. 17) que reconheceu parcialmente o saldo negativo do IRPJ relativo ao 3º trimestre de 2003, homologando parcialmente a compensação declarada no PER/Dcomp 24267.16798.280704.1.3.020706 e não homologando aquela constante do PER/Dcomp nº 16657.38868.140305.1.3.029272. O crédito apontado pela contribuinte foi demonstrado no PER/Dcomp nº 17464.97163.260906.1.7.021477. O crédito foi reconhecido parcialmente, uma vez que não foram confirmadas parcelas formadoras do saldo negativo, correspondentes a retenções de imposto de renda que teriam sido efetuadas por três de suas fontes pagadoras de rendimentos, num montante de R$ 6.475.930,07. Notificada da decisão em 04/03/2009 (fls. 21), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/04/2009 (fls. 22/27), alegando, em síntese, que o crédito utilizado para extinção do débito apontado nas presentes Per/dcomp tem origem em Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF do terceiro trimestre/2003, no montante de R$ 13.454.992,90; os demonstrativos de IR entregues pelas respectivas instituições financeiras comprovam a retenção, podendo, inclusive, serem confrontados com as declarações entregues por essas mesmas entidades e que estão disponíveis ao Fisco; e, que, em face do alegado e dos documentos acostados aos autos, fica demonstrada a legitimidade de seu crédito, devendo ser reformada a decisão impugnada. A manifestante apresentou comprovante de rendimento e de retenção de IR, emitido em seu nome por Cia. Hering, CNPJ nº 78.876.950/000171, provocando determinação de diligência para que fosse confirmada a regular emissão do documento e se as respectivas receitas financeiras teriam sido reconhecidas em seu resultado contábil (fls. 96/97). Relatório do diligenciante informa que a contribuinte não demonstrou o oferecimento à tributação dos rendimentos sobre os quais terse iam retido o IR e que, em razão de conclusões de procedimento fiscal realizado em face da fonte pagadora, o IRRF não estaria em condições legais para que fosse deduzido do apurado ao final do 3º trimestre de 2003 (fls. 197/202). Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.988 4 Notificada das conclusões da diligência (fls. 203), a contribuinte, em síntese, assim se manifestou: (i) Era detentora de aplicações financeiras custodiadas por instituições financeiras diversas e que foram transferidas para a custódia do Banco Modal S/A; (ii) Posteriormente, mediante instrumento particular de cessão de direitos e obrigações, objeto de questionamento do diligenciante, foram celebrados contratos entre a Cia. Brasileira de Distribuição (cedente) e a Cia. Hering (cessionário), tendo como anuente o Banco Modal S/A; (iii) Há duas formas de registro contábil das aplicações: (a) ativos que foram inicialmente aplicados em diversas instituições (HSBC BANK BRASIL S/A, BANCO BRADESCO S/A, BANCO SANTANDER BRASIL S/A, BANCO ITAÚ BBA S/A, BANCO PACTUAL S/A, BANCO SANTOS S/A, BANCO MODAL, etc) e depois transferidos para o Banco Modal e Cia. Hering, os quais permaneceram nos controles gerenciais/contábeis com o nome da instituição onde foram originalmente aplicados, e (b) ativos nas mesmas condições do item anterior, mas que ficaram registrados com o nome do cessionário Cia Hering; (iv) Os rendimentos decorrentes dos ativos registrados com os nomes das instituições financeiras que originaram as aplicações foram apropriados “prorata”, motivo pelo qual parte deles está apropriada em outros períodos de apuração, enquanto os rendimentos decorrentes dos ativos registrados com o nome da Cia. Hering foram reconhecidos totalmente no próprio mês de apuração; (v) Os documentos acostados aos autos demonstram que os rendimentos relativos às competências de julho, agosto e setembro de 2003 foram registrados no Razão, rubricado por contabilista habilitado, o que atesta que tais valores compuseram seu resultado contábil e que foram oferecidos à tributação; (vi) A Cia. Hering, quando da liquidação das operações financeiras, pagou à Cia. Brasileira de Distribuição o valor líquido já descontado do IRRF, decorrente dos rendimentos auferidos, por força de previsão contida nos contratos de cessão de direitos e obrigações; (vii) No processo nº 13971.002328/200548, onde foi discutida a operação de cessão de créditos entre Banco Modal e Cia. Hering, foi demonstrado que a cedente, Cia. Brasileira de Distribuição, não obteve qualquer vantagem; (viii) Assim, a partir do momento em que a Cia. Brasileira de Distribuição recebeu os valores já descontados do IRRF, a Receita Federal não pode cobrálo da manifestante, pois o efetivo responsável tributário da operação foi o Banco Modal, conforme definido no referido processo administrativo; Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.989 5 (ix) De acordo com o Parecer Normativo nº 1/2002, ocorrendo a retenção e o não recolhimento do IRRF, cabe exigir a exação da fonte pagadora, no caso, o Banco Modal ou a própria Hering, mas não da Cia. Brasileira de Distribuição; (x) Diante do exposto, requer novamente que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente. Em análise da manifestação de inconformidade apresentada, a 1ª Turma da DRJ em São Paulo – DRJ/SP1 julgoua improcedente, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2003 SALDO NEGATIVO. RENDIMENTOS FINANCEIROS. IRRF. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA. Rejeitase parcela de saldo a pagar negativo de imposto de renda correspondente a imposto retido e não recolhido sobre rendimentos decorrentes de operação financeira da qual a contribuinte participou ciente de sua inconformidade à legislação tributária, por ausência de certeza e liquidez do vindicado crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 24 de maio de 2013, uma sexta feira (fl. 680), apresentando em 24 de junho de 2013 o recurso voluntário de fls. 681749 e anexos (fls. 7501976). Reforça todos os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade e ataca pontos específicos da decisão recorrida, que podem ser assim sintetizados: alega que era detentora de diversos ativos custodiados por inúmeras instituições financeiras que foram transferidas para custódia do Banco Modal; posteriormente, celebrou uma operação de cessão de direitos e obrigações na condição cedente e tendo como cessionária a Companhia Hering. O Banco Modal atuou como anuente da operação; tal operação, basicamente, consistia na cessão de seus direitos e obrigações em relação ao seu conjunto de ativos discriminados no instrumento celebrado então custodiados por Banco Modal – em favor da cessionária (Companhia Hering). Tal operação foi celebrada, sendo os ativos transferidos para Companhia Hering, a qual, segundo cláusula segundo do instrumento pagaria à cedente, e ora recorrente, o preço de mercado e ajustado para cada um dos ativos negociados, sendo que a retenção na fonte em razão dos rendimentos auferidos seria de responsabilidade de Companhia Hering, que transferiria à cedente o valor já líquido do imposto retido; por meio de procedimentos fiscais realizados pela RFB tanto junto à Companhia Hering quanto ao Banco Modal, teria restado esclarecido que a obrigação de retenção na fonte em relação aos rendimentos pagos por Companhia Hering em operações dessa estirpe, seria dela própria; Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.990 6 cita o Parecer Normativo Cosit nº 1/2002 que estabelece que ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora do imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto devido; alega que foi esse justamente o procedimento por ela adotado, tendo apresentado tanto os informes de rendimentos onde constam as informações a respeito de rendimentos e imposto retido, quanto os documentos hábeis a comprovar o efetivo oferecimento à tributação de tais rendimentos (escrituração contábil e DIPJs transmitidas à RFB); crítica a decisão da DRJ em relação à acusação de ter auferido vantagem na operação, diferenciando a vantagem auferida do ponto de vista financeiro da decorrente do ilícito em face do não recolhimento do IRRF por parte das instituições financeiras (ou, no caso concreto, de Companhia Hering); ainda a respeito do tema, salienta que a cláusula citada pelo voto condutor do aresto recorrido que imputava à cessionária a responsabilidade por quaisquer ônus, custas e despesas que a cedente (recorrente) viesse a ser responsabilizada em razão do não recolhimento, ou recolhimento em desacordo com o estabelecido pela legislação vigente – que supostamente demonstraria que a recorrente sabia da incerteza da conformação dos reflexos dessa transação em face da legislação tributária não passa de mera suposição, não havendo qualquer prova de que a recorrente tivesse participado da operação com o intuito de se beneficiar do não recolhimento de IRRF por parte de Companhia Hering; finaliza seus argumentos sobre tal matéria salientando, uma vez mais, que a responsabilidade pelo recolhimento de IRRF não poderia ser a ela atribuída; aduz ainda que a decisão recorrida seria nula em razão de não ter apreciado a documentação que comprovaria que as receitas financeiras em questão haviam sido oferecidas à tributação; nesse sentido, argumenta que a decisão inicial da unidade de origem era que não haveria comprovação das retenções de fonte pleiteadas, e que, em sua manifestação de inconformidade, além de questionar que não caberia a ela própria recolher o imposto de renda retido em tais operações, teria anexado a documentação comprobatória de que os rendimentos haviam sido efetivamente tributados, anexando também os informes de rendimentos que lhe dariam direito a deduzir o IRRF respectivo; contudo, ao concluir que, equivocadamente, a seu ver, a recorrente não faria jus ao IRRF em questão, a decisão recorrida teria deixado de analisar se os rendimentos efetivamente teriam sido oferecidos à tributação; tal omissão implicaria a nulidade da decisão recorrida, não sendo possível sua análise única e exclusivamente por esse colegiado sob pena de restar caracterizada a supressão de instância, e, consequentemente, o cerceamento do seu direito de defesa; por fim, a recorrente busca reforçar seus argumentos quanto ao oferecimento à tributação de tais rendimentos financeiros, demonstrando pormenorizadamente as operações e anexando mais de 1200 páginas de documentos que comprovariam suas alegações, requerendo, ao final: (i) a suspensão da exigibilidade dos débitos em discussão; (ii) Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.991 7 a princípio, seja reconhecido o erro material de julgamento no tocante ao não reconhecimento do IRRF retido por Companhia Hering, e consequentemente o reconhecimento da nulidade da decisão da DRJ que não analisou os demais argumentos/documentos da recorrente; (iii) sendo acatada a validade da retenção ora discutida, seja realizada por esta turma julgadora a análise quanto à efetiva tributação dos rendimentos geradores da retenção de imposto em litígio; (iv) seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o direito creditório e homologandose as compensações realizadas. É o relatório. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.992 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Conforme relatado, o contribuinte foi cientificado da decisão em 24 de maio de 2013, uma sextafeira (fl. 680). Desse modo, o início da contagem do prazo se deu em 27 de maio de 2013, segundafeira. Considerando que o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias (art. 33 do Decreto nº 70.235/72) e o recurso voluntário foi apresentando em 24 de junho de 2013 (fls. 681749), este se mostra tempestivo. Preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. No que atine à suspensão da exigibilidade dos débitos objeto de compensação não homologada, a apresentação de recurso voluntário suspende automaticamente a exigibilidade do crédito objeto do recurso, conforme determina o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 c/c o inciso III do art. 151 do CTN. 2 DA RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA O litígio repousa, basicamente, sobre a possibilidade de a recorrente utilizar se de IRRF incidente sobre rendimentos financeiros sobre ativos inicialmente custodiados por Banco Modal e que, em segundo momento, foram alvo de cessão de créditos, por parte da ora recorrente e com anuência daquela instituição financeira, em favor da cessionária Companhia Hering. O despacho decisório da unidade de origem não reconheceu o direito creditório atinente a tal retenção de imposto pleiteada pela ora recorrente em razão de não constar qualquer informação a respeito nos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, em especial as informações contidas em DIRFs transmitidas pelas fontes pagadoras. Apresentada manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo converteu o feito em diligência a fim de que fossem apreciados os comprovantes de retenção de imposto na fonte supostamente emitidos por Companhia Hering por ocasião de pagamentos de rendimentos de aplicações financeiras à recorrente. Conforme relatado, o instrumento de cessão de crédito pactuado impunha à cessionária (Companhia Hering) a obrigação de remunerar a cedente (recorrente) mediante repasse de recursos já com a retenção de 20% de imposto de renda sobre os respectivos rendimentos. É incontroverso o fato de a recorrente ter apresentado os informes de rendimentos nos quais constam os valores de imposto retido. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.993 9 Contudo, a decisão da turma julgadora de primeira instância não reconheceu o direito creditório. Isso porque Companhia Hering não procedeu ao recolhimento do imposto de renda retido sobre os rendimentos financeiros em questão, e, segundo o entendimento do voto condutor de tal aresto, a recorrente teria participado da operação conhecedora dos objetivos perpetrados por Companhia Hering em não recolher tal imposto. Ainda conforme tal voto, tal “ganho” auferido por Companhia Hering teria sido partilhado com a recorrente mediante remuneração superior à que seria paga caso os ativos tivessem sido mantidos sob custódia do Banco Modal. O ilustre relator de tal voto, concluiu, assim, que não seria possível reconhecerse tais créditos, sendo oportuno transcreverse o fechamento de tal raciocínio: Desta forma, as circunstâncias e documentos pertinentes ao caso indicam que a manifestante tinha conhecimento do mecanismo pelo qual a cessão dos títulos à Cia. Hering propiciarlheia uma remuneração maior do que aquela contratada com seus emitentes originais, ou seja, seria às custas do IRRF que deixaria de ser recolhido. E, justamente porque tinha ciência de que o IRRF não seria recolhido é que a manifestante, em troca da melhor remuneração proporcionada por essa transação, assumiu seu risco fiscal que, ao final, acabou se concretizando, com a presente glosa da dedução do IRRF que comporia o saldo credor do IRPJ ora vindicado. É de se lembrar que a compensação do imposto retido não foi aceita, tampouco se encontrando as respectivas Dcomp em cobrança, eis que foram canceladas. Tendo em vista que a manifestante concorreu para esse resultado, ou seja, o não recolhimento do IRRF devido, não é aplicável ao caso as orientações contidas no Parecer Normativo SRF nº 1/2002. Assim, constatado que o IRRF que comporia o saldo negativo do IRPJ do 3º trimestre de 2003 não foi recolhido, o crédito vindicado pela contribuinte está desprovido dos requisitos de certeza e liquidez exigidos pelo artigo 170 do CTN, necessários a autorizar a pretendida compensação. Discordo do entendimento da decisão recorrida. Alinhome aos argumentos entabulados pela recorrente de que não há como se confundir o ganho financeiro da recorrente na operação com os intuitos engendrados por Companhia Hering. Vejase que o ponto fulcral da decisão recorrida para chegar à conclusão de que a recorrente conheceria os objetivos de Companhia Hering em não recolher o IRRF seria a seguinte cláusula contratual no instrumento de cessão firmado: CLÁUSULA SEGUNDA – [...] Parágrafo terceiro: Fica estabelecido que o CESSIONÁRIO será responsável por quaisquer ônus, custas e despesas que o CEDENTE venha a ser responsabilizado em razão do não recolhimento ou recolhimento em desacordo com o estabelecido pela legislação vigente sobre o imposto referido no parágrafo acima, bem como, sobre quaisquer outros ônus decorrentes de Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.994 10 tal obrigação, em qualquer época que venham a ser exigidos pela autoridade competente. A esse respeito, assim consta no voto da decisão recorrida: A existência de cláusula de tal natureza demonstra que a manifestante sabia da incerteza da conformação dos reflexos dessa transação em face da legislação tributária, motivo pelo qual fez consignar, no instrumento contratual, dispositivo para se resguardar permanentemente de eventual imputação de responsabilidade fiscal sobre tal operação, bem como sobre quaisquer outros ônus dela decorrentes. Desta forma, as circunstâncias e documentos pertinentes ao caso indicam que a manifestante tinha conhecimento do mecanismo pelo qual a cessão dos títulos à Cia. Hering propiciarlheia uma remuneração maior do que aquela contratada com seus emitentes originais, ou seja, seria às custas do IRRF que deixaria de ser recolhido. Ora, tais cláusulas são absolutamente corriqueiras em inúmeros instrumentos contratuais, pois, embora as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não possam ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes (art. 123 do CTN), tais cláusulas servem como possível garantia a uma das partes a fim de possibilitar futura ação de regresso em caso de vir a ser responsabilizada pela Fazenda Pública por algum tributo que assim se entenda devido em relação à operação levada a efeito. Analisando a operação, não se pode desprezar que possa ter havido a efetiva participação da recorrente no desenho do negócio com vistas a obter parcela do ganho pelo não recolhimento do IRRF. Contudo, com os elementos disponíveis nos autos, entendo que não se possa daí extrair que a recorrente agiu nesse sentido. Não vejo como se extrair de tal cláusula os efeitos dados pela decisão recorrente, impondo à recorrente o ônus de não poder utilizar o IRRF que efetivamente lhe foi retido por Companhia Hering. Relativamente aos procedimentos fiscais levados a efeito em Banco Modal e Companhia Hering relativa a esta mesma operação, e também em relação a outras envolvendo outros cedentes (mantendose, contudo, Banco Modal e Companhia Hering como anuente e cessionária, respectivamente), o que se extrai é que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto retido efetivamente era de Companhia Hering. E, à míngua de outros elementos que pudessem comprovar a conduta descrita na decisão recorrida por parte da recorrente, entendo que, caso haja comprovação de que tais rendimentos foram efetivamente tributados, não há como se negar o direito à utilização do imposto de renda retido. Isso porque, nesse particular, ao contrário do que decidiu a turma julgadora a quo, incide, sem sombra de dúvida, o entendimento firmado pela própria Receita Federal a respeito da matéria por meio do Parecer Normativo Cosit nº 2, cujo excerto da ementa a seguir reproduzida, por si só evidencia que o imposto de renda retido e não recolhido deve ser Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.995 11 cobrado do responsável (fonte pagadora), cabendo ao contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação, fazendo este jus, contudo, à dedução do imposto retido: IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Todavia, até o momento, não houve a análise dos documentos acostados aos autos já em sede de manifestação de inconformidade a respeito da efetiva tributação de tais rendimentos. Entende a recorrente que deva ser declarada a nulidade da decisão recorrida em razão da ausência de tal análise. A meu ver, não se deve falar em nulidade no presente caso, pois, de acordo com o raciocínio desenvolvido pelo voto condutor do aresto recorrido, não haveria porque se analisar se os rendimentos haviam ou não sido oferecidos à tributação, uma vez que fora firmado entendimento de que a recorrente, de nenhum modo, faria jus ao imposto de renda retido e não recolhido pela fonte pagadora. Dado o indeferimento liminar do direito creditório em face das conclusões quanto à impossibilidade de se utilizar o IRRF, superado tal óbice no CARF, entendo que os autos devem retornar à turma julgadora de primeira instância para que seja prolatada decisão complementar, analisando se os rendimentos em questão foram, de fato, incluídos na apuração do lucro real (Súmula CARF nº 80). Analisar a documentação acostada aos autos neste momento processual implicaria, sem sombra de dúvidas, uma supressão de instância, pois tal matéria já constava expressamente da manifestação de inconformidade então apresentada, e a documentação respectiva, já compunha os autos. Nesse cenário, qualquer decisão tomada por este colegiado poderia implicar cerceamento do direito de defesa, quer da recorrente, em caso de desprovimento do recurso, quer da Fazenda Nacional, na hipótese de seu provimento. Salientese que, ainda que em sede de recurso voluntário tenha sido anexada documentação até mais farta do que aquela apresentada junto à manifestação de inconformidade, não se trata de exigir da turma julgadora que analise esta nova documentação, mas sim aquela já acostada aos autos quando da prolação da decisão de primeira instância. Obviamente, se assim entender, poderá a turma julgadora compulsar os documentos que foram apresentados em sede de recurso voluntário, ou, ainda, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem possa melhor analisálos, permitindo, inclusive, eventuais intimações à recorrente para aclarar algum ponto que necessite de esclarecimentos adicionais. Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.914078/200945 Acórdão n.º 1402002.055 S1C4T2 Fl. 1.996 12 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, devendo os autos retornar à turma julgadora de primeira instância para que seja analisado se os rendimentos de aplicações financeiras em questão foram oferecidos à tributação, prolatandose acórdão complementar. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13971.000653/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES.
A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado de impostos e contribuições, dentre eles a contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84/96, os artigos 22 e 22-A da Lei no 8.212,/91 e o art. 25 da Lei no 8.870/94.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, em razão da manutenção da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado de impostos e contribuições, dentre eles a contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84/96, os artigos 22 e 22A da Lei no 8.212,/91 e o art. 25 da Lei no 8.870/94. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, em razão da manutenção da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 53 /2 01 0- 33 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000653/201033 Acórdão n.º 2401004.137 S2‐C4T1 Fl. 282 3 Relatório Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 11/02/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 19/02/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.246.4670, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 72/76. Informa a fiscalização que a empresa declarava ser optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal, apesar de já haver sido excluída de tal Sistema Simplificado, desde 01/01/2002, mediante o Ato Declaratório Executivo nº 045, de 23/04/2009, a fl. 78, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, em virtude de infração ao art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96 e art. 24, §1º, II, da IN SRF nº 608/2006. A omissão de forma sistemática pela empresa da contribuição patronal à Secretaria da Receita Federal do Brasil e da contribuição para o custeio do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT, em consequência da informação incorreta do código de opção pelo SIMPLES na GFIP, cujo programa gerador deixa de calcular as referidas contribuições, constituise, em tese, crime de "Sonegação Fiscal" de acordo com o artigo 337 A, do Código Penal Brasileiro aprovado pelo DecretoLei n° 2.848/1940, com a nova redação dada pela Lei n° 9.983/2000 a partir de 15/10/2000, uma vez que não foi informado o valor correto na GFIP, razão pela qual se houve por formalizada a competente Representação Fiscal para Fins Penais. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 86/115. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão nº 0339.070 – 5ª Turma da DRJ/Brasília/DF, a fls. 175/189, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/12/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 191. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 192/1804, requerendo, preliminarmente, a suspensão do presente Processo Administrativo Fiscal até o julgamento definitivo do processo administrativo n° 13971.001650/200550, no qual se discute a exclusão, ou não, do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. O julgamento do Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência Fiscal, para que fosse aguardado o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001650/200550 suso citado, nos Termos da Resolução nº 2302342 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 04/11/2014, a fls. 235/238. Acórdão nº 1302000.975 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 1ª SEJUL/CARF/MF, de 12/09/2012, a fls. 268/174, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001650/200550, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pela BNN Sistemas de Informática ltda – EPP, afastando os efeitos do Ato Declaratório Executivo n° 45, de 23 de abril de 2009, mantendo a empresa Recorrente na sistemática do Simples Nacional. Em face de tal decisão administrativa, a Fazenda Nacional decidiu não interpor Recurso Especial, conforme Despacho a fls. 279 do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001650/200550. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000653/201033 Acórdão n.º 2401004.137 S2‐C4T1 Fl. 283 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/12/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18/01/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Com efeito, dessai do Relatório Fiscal do Auto de Infração em debate que a empresa autuada houvese por excluída do SIMPLES conforme o Ato Declaratório Executivo nº 045, de 23/04/2009, a fl. 78, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, em virtude de infração ao art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96 e art. 24, §1º, II, da IN SRF nº 608/2006. Ocorre que o Autuado ofereceu impugnação administrativa em face do Ato Declaratório Executivo acima citado, sobrevindo naquele Processo Administrativo Fiscal Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1302000.975 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 1ª SEJUL/CARF/MF, de 12/09/2012, a fls. 268/174, favorável à empresa interessada, cancelando o ADE n° 045/2009, e ratificando a manutenção da empresa em tela na sistemática do SIMPLES. Tal decisão já transitou em julgado administrativamente. Diante de tal quadro, resulta que a Autuada, estando ainda amparada pela sistemática do SIMPLES, não se encontra obrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias de que trata o vertente Auto de Infração. Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. §1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 (...) f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001) (...) §4° A inscrição no SIMPLES dispensa a pessoa jurídica do pagamento das demais contribuições instituídas pela União. Nesse contexto, havendo sido o presente Auto de Infração lavrado exclusivamente em razão de a Empresa fiscalizada ter sido excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, não persistindo mais a motivação do lançamento, indevido é o crédito tributário nele consignado, razão pela qual se dá provimento ao Recurso Voluntário. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 11020.003053/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
DILIGÊNCIA
Compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, devendo indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUSPENSÃO.
Inexiste previsão legal estabelecendo a suspensão dos efeitos da exclusão até que sobrevenha decisão definitiva na esfera administrativa do auto de infração.
SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO.
No caso de o contribuinte ter incorrido em prática reiterada de infração à legislação tributária, a exclusão do Simples surtirá efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência da infração. Entendimento do inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317/96.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO.
Havendo autorização expressa do Ministério Público Federal para abertura de fiscalização com base em processo de representação enviado pelo referido órgão, não há que se falar em quebra de sigilo bancário.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
Numero da decisão: 1402-001.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUSPENSÃO. Inexiste previsão legal estabelecendo a suspensão dos efeitos da exclusão até que sobrevenha decisão definitiva na esfera administrativa do auto de infração. SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. No caso de o contribuinte ter incorrido em prática reiterada de infração à legislação tributária, a exclusão do Simples surtirá efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência da infração. Entendimento do inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317/96. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Havendo autorização expressa do Ministério Público Federal para abertura de fiscalização com base em processo de representação enviado pelo referido órgão, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 30 53 /2 00 8- 26 Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.531 2 A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.532 3 Relatório ALICE I G ENZWEILER recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 8ª Turma da DRJ Rio de Janeiro01/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de exclusão da empresa da sistemática do simples (fl.118) e de auto de infração (fls.01/78) e Termo de Verificação Fiscal (fls. 120/133), na forma de tributação do Lucro Arbitrado do período de janeiro de 2003 a dezembro de 2006 nos seguintes valores: IRPJ Imposto R$ 627.485,26 Juros de Mora R$ 239.309,59 Multa R$ 470.613,89 Valor do Crédito Apurado R$ 1.337.408,74 PIS Contribuição R$ 35.998,40 Juros de Mora R$ 14.106,42 Multa R$ 26.998,60 Valor do Crédito Apurado R$ 77.103,42 CSLL Contribuição R$ 184.129,93 Juros de Mora R$ 65.565,21 Multa R$ 138.097,37 Valor do Crédito Apurado R$ 387.792,51 COFINS Contribuição R$ 179.000,42 Juros de Mora R$ 69.429,48 Multa R$ 134.250,14 Valor do Crédito Apurado R$ 382.680,04 Total Crédito tributário total do processo R$ 2.184.984,71 A empresa foi excluída do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 32, de 16 de junho de 2008 (fl. 118) em virtude de prática reiterada de infração à legislação tributária e por excesso de receita bruta com efeitos a partir de 01/01/2003. Segundo Termo de Verificação (fls. 120/133) a fiscalização é decorrente de representação do Ministério Público Federal devido às discrepâncias verificadas Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.533 4 entre os valores declarados ao Fisco e os movimentados no estabelecimentos bancários. A fiscalização apurou que: a conta corrente da Caixa Econômica Federal somente foi escriturada a partir de 2006; contabilmente a interessada transitava a movimentação financeira pela conta caixa, contudo, utilizava valores aglutinados impossibilitando identificar o que originou os depósitos nas contas de Bancos e se os valores foram levados à tributação; intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários, a interessada alegou que grande parte da documentação solicitada foi extraviada e que os lançamentos foram baseados nos extratos e que as receitas estão lastreadas em notas fiscais e lançadas em livro próprio, e que nem sempre correspondem a uma operação a vista “Esse fato impede que se demonstre detalhadamente todas as operações individuais, inobstante encontraramse devidamente contabilizadas”; a sistemática de escrituração contábil empregada pelo contribuinte fazendo toda movimentação bancária “migrar pelo caixa” tornou impraticável também para a fiscalização identificar a origem dos créditos nas contas bancárias; toda a movimentação do mês de janeiro de 2006 da Caixa Econômica Federal foi desconsiderada na escrituração e os saldos da contacorrente, no fim do mês, difere daquele que consta no Razão até o mês de maio; há divergência também do saldo do Razão relativo ao Banco Santander e do Banco do Brasil; a escrituração apresenta erros que gerou saldo credor de caixa; Diante disso, o lucro foi arbitrado com base no art. 530, inciso II e os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada foram considerados receitas omitidas. O total da receita considerado foi a soma da receita das Notas Fiscais mais a receita omitida, sendo deduzido o valor do tributo declarado. A ciência foi efetuada em 27/06/2008 e em 17/07 a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1192/1195) contra o ato declaratório e em 28/07/2008 apresentou a impugnação de fls. 1250/1259, alegando em síntese: em relação ao Ato Declaratório não há prova material de omissão de receita visto que impugnará todos os lançamentos e que toda a receita está escriturada e declarada; que não há prova de que tenha incorrido em práticas reiteradas de infração à legislação tributária e de que tenha ultrapassado os limites da receita para fins de enquadramento no SIMPLES. O ato declaratório somente poderá produzir efeitos após o trânsito em julgado da impugnação do auto de infração. que o efeito da exclusão não pode retroagir e o ato somente produzirá efeitos a partir de sua publicação e ciência ao contribuinte. Cita decisões judiciais neste sentido. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.534 5 a origem do auto de infração é ilegal, visto que houve quebra de sigilo bancário por parte do Ministério Público Federal e não podem constituir prova contra a impugnante. “a autoridade fiscal, extravasando, em muito, os limites de sua competência e os ditames da lei, não aceitou, como comprovação de origem de depósitos, os saldos em conta corrente bancária e saldos existentes no caixa. A Autoridade Fiscal pretende que se justifique os motivos que levaram a impugnante a fazer depósitos bancários e as razões que motivaram as retiradas e transferências de numerário”; os depósitos de valores vultosos foram comprovados e não tinham relação com a produção de receitas da empresa. os depósito menos significativos estão devidamente escriturados, demonstrados e comprovados nos lançamentos de sua escrita fiscal. a fiscalização demonstrou não adotar critérios válidos sob a luz da melhor técnica e metodologia contábeis, e por esta razão teceu críticas infundadas sobre a técnica contábil empregada na escrituração declarando que a contabilidade é imprestável motivando o arbitramento com base no artigo 530, inciso I, que somente se aplica aos optantes pelo Lucro Real; a existência de uma ou outra receita não contabilizada não constitui motivo para invalidar a contabilidade. Cita decisões do Conselho de Contribuintes. o somatório dos depósitos bancários considerados não comprovados foram somados a receita tributada e este total foi considerado a receita total omitida. Neste somatório o fisco pressupõe que todas as receitas escrituradas ficaram à margem das contas bancárias. a impugnante não aceita que os depósitos bancários sejam considerados receita, sem uma prova cabal de que os mesmos representam ingressos tributáveis pela realização de vendas e serviços. não foi efetuado o cotejo dos depósitos com a escrituração. Transparece que a Receita Federal pretende que o contribuinte se autofiscalize, quando, em realidade, aos auditores cabe a obrigação de demonstrar, detalhadamente, os elementos constitutivos dos lançamentos; apresenta justificativa de 36 depósitos alegando que desta forma,não prospera a presunção de que as receitas registradas não migraram pelas contas bancárias; alega que se for considerado somente o total dos depósito como receita não houve excesso, portanto não procede a exclusão do SIMPLES. não se justifica a exclusão retroativa visto que as infrações estão sob julgamento e cita decisões judiciais. solicita perícia para comprovar que todas as operações bancárias estão registradas na escrituração. Acrescenta que não é possível conciliar tantos valores em 30 dias. A competência para julgamento do processo foi transferida pela Portaria nº 2.132/2010. É o relatório.” Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.535 6 A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 35.532 (fls. 1.4111.427) de 04/02/2011, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Inexiste previsão legal estabelecendo a suspensão dos efeitos da exclusão até que sobrevenha decisão definitiva na esfera administrativa do auto de infração. SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. No caso de o contribuinte ter incorrido em prática reiterada de infração à legislação tributária, a exclusão do Simples surtirá efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência da infração. Entendimento do inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317/96. PRELIMINAR. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Havendo autorização expressa do Ministério Público Federal para abertura de fiscalização com base em processo de representação enviado pelo referido órgão, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. DILIGÊNCIA. Compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, devendo indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 08/04/2011 (A.R. de fl. 1.448) a interessada interpôs recurso voluntário em 09/05/2011 (fls. 1.4491.461) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.536 7 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminar pedido de perícia Argumenta, preliminarmente, a recorrente quanto a necessidade de perícia para elucidar as imputações do Fisco que levaram ao arbitramento do lucro da autuada. Com efeito, o pedido de perícia deve vir acompanhado de seus elementos constitutivos, conforme preceitua o art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Não tendo sido formulado a contento, há que se rejeitálo de plano. Ainda assim, supondo que a recorrente se refira a um pedido de diligência, considero que, apesar de lhe ser facultado tal pleito, em conformidade com o já citado art. 16, IV do PAF, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, devendo indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis, na forma do art. 18 daquele diploma legal. Como na negativa anterior, por ocasião da decisão recorrida, destaco que a realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, bem como dirimir dúvidas que o exame dos autos não seja suficiente para esclarecer. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A argumentação da interessada encontrase desprovida de qualquer elemento concreto de sua necessidade. Rejeito, pois, a preliminar arguida para rejeitar o pedido de diligência ou perícia da recorrente. Do mérito Da quebra do sigilo bancário Alega a recorrente que, tendo sido o Ministério Público Federal quem quebrou seu sigilo bancário, e considerando que a representação do MPF deu origem ao procedimento fiscal, sua origem seria ilegal. Com a devida vênia, entendo não haver ilegalidade no feito, ocasionada pelo procedimento de obtenção de dados bancários da recorrente. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.537 8 Entendo que o art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, abaixo transcrito, legitima a análise com base em depósitos bancários. Tal comando legal condiciona o acesso do Fisco aos dados bancários somente à existência de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como conseqüência, há que se considerar que a utilização dos dados bancários prescinde de autorização judicial e não configura quebra de sigilo, porquanto legalmente prevista conforme acima analisado. Nesse sentido, é farta a jurisprudência administrativa apontando nessa direção. Vejase o Acórdão nº 130100486 da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária do CARF, de 27/01/2011, por ser representativo. NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. NÃOOCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante a observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. Diante do exposto, nego provimento ao recurso quanto a essa parte. Da escrituração contábil arbitramento Aduz a recorrente que o Fisco não adotou critérios válidos e que teceu críticas infundadas sobre a técnica contábil empregada em sua escrituração, declarandoa imprestável e arbitrando o lucro com base no artigo 530 inciso II do RIR/99. Vejase a norma citada. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.538 9 a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Quanto ao argumento de que sua contabilidade não seria imprestável, constatase que o próprio fiscalizado apresentou resposta de fls. 237/239 na qual afirma: “Em que pese todas as receitas estarem lastreadas em notas fiscais e lançadas em livro próprio, nem sempre correspondem a uma operação à vista, tendo em conta que a informante recebe cheques para cobrança posterior e pagamentos por cartão de crédito que, embora registrados como operação de caixa, ingressam alguns dias mais tarde. Esse fato impede que se demonstre detalhadamente todas as operações individuais , inobstante encontraramse devidamente contabilizadas. ” Com efeito, constatase que a contribuinte, embora afirme que tudo foi contabilizado, não conseguiu durante a fiscalização comprovar a tributação de nenhum de seus depósitos bancários. Alega, noutro ponto, que este Conselho tem mantido a orientação de que somente seria passível de invalidade ou desclassificação a contabilidade que apresenta falhas insanáveis. Mas é esse exatamente o caso em questão. A contabilidade da interessada não permite a apuração da base de cálculo do imposto. Conforme citado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 122) os valores eram contabilizados sob a rubrica depósito do dia de forma aglutinada e as saídas da conta corrente eram contabilizadas como recebido cheque do dia. E a contrapartida da conta de receita era a conta caixa impossibilitando identificar a origem dos depósitos e se os valores foram levados a tributação. A escrituração com lançamentos aglutinados sem a escrituração de livros ou controles auxiliares que permitam a individualização dos lançamentos descumpre o contido no § 1º do artigo 258 do RIR/99 abaixo transcrito: “Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º).” Diante do exposto, entendo sem máculas o procedimento do Fisco quanto ao arbitramento. Nego provimento ao recurso nesse ponto. Da exclusão do Simples Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.539 10 O Fisco, em procedimento de auditoria quanto aos fatos ocorridos nos anos de 2003 a 2006, concluiu que a contribuinte teria auferido receitas não declaradas em valor superior ao limite de permanência no Simples e que incorrera na prática reiterada de infrações à legislação tributária. Conseqüentemente, foi lavrado o auto de infração objeto deste processo administrativo e determinada sua exclusão da sistemática do Simples. Alega a recorrente que tais condutas ensejadoras de sua exclusão do Simples ainda estariam sub judice, dessa forma o ato de exclusão não poderia prosperar, pelo menos até que se tenha o trânsito em julgado de tais elementos. Com efeito, esclareço que não há previsão legal estabelecendo a suspensão dos efeitos da exclusão até que sobrevenha decisão definitiva na esfera administrativa e o art. 61, da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal determina que, salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. De fato, em sede de recurso administrativo, somente se há de cogitar de efeito suspensivo quando a lei expressamente assim preveja. O fato da defesa da contribuinte estar ainda pendente de julgamento não impede que a exclusão de ofício do Simples seja efetuada. Quanto aos efeitos da exclusão, matéria também contestada pela interessada em seu recurso, convém mencionar que o inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317/96 determina que a exclusão de ofício surtirá efeitos a partir, inclusive, do mês da ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do art. 14 da mesma lei, sendo um deles a prática reiterada de infrações à legislação tributária, hipótese prevista no inciso V. Assim, segundo a regra do inciso V do art. 15 da referida Lei nº 9.317/96, a exclusão baseada na prática reiterada de infrações à legislação tributária deve surtir efeito a partir, inclusive, do mês de sua ocorrência, que no caso, é janeiro de 2003. Nego provimento ao recurso quanto a esse ponto. Da origem não comprovada dos depósitos bancários Nesse ponto, sigo a decisão recorrida em seus fundamentos, que adoto neste voto como razão de decidir na forma a seguir apresentada. A interessada foi intimada a comprovar a origem dos depósitos com documentação hábil e idônea por meio da intimação de fls. 151/225, cuja ciência foi efetuada em 28/11/2007. Em resposta (fls. 227), alegou que grande parte da documentação foi extraviada. Após sucessivas prorrogações de prazo, respondeu, em 26/02/2008, que não foi possível comprovar a origem das operações e justifica 12 valores (fls. 237/239), sendo as justificativas aceitas, conforme citado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 124). Cabe ressaltar que o contribuinte foi intimado a esclarecer 3.287 depósitos efetuados em sua conta corrente, contudo, após o prazo de 90 dias apenas justificou 12 depósitos, sendo que nenhum deles estava relacionado a receita da atividade. Diferentemente do que afirma a interessada em sua impugnação, ela não foi intimada a justificar os motivos dos depósitos e das retiradas, e sim, a comprovar a origem dos depósitos. Assim, deveria apontar qual a Nota Fiscal que originou o depósito, ou outra comprovação se não se tratasse de receita. O objetivo da intimação é identificar a receita da empresa. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.540 11 Contudo, alega na resposta de fls. 237/239 que tudo está escriturado, mas que devido a sua forma de contabilização fica impedida de demonstrar as operações. Diante disso, à fiscalização não restou alternativa senão aplicar a legislação que rege a matéria, devidamente capitulada no enquadramento legal. Alega ainda que os depósitos foram somados a receita tributada e que o total foi considerado como omissão,portanto, o fisco pressupõe que todas as receitas escrituradas ficaram à margem das contas bancárias. Acrescenta que não aceita que os depósitos sejam considerados receita sem prova e que caberia à fiscalização o cotejo dos depósitos com a escrituração. Tratase de arbitramento de lucro baseado em omissão de receita decorrente de depósitos bancários mantidos em contas correntes de titularidade da impugnante, considerados receita não oferecida à tributação, cujo respaldo legal achase previsto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a saber: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Portanto, é conseqüência da lei que permite considerarse como verdadeiro o resultado obtido, até prova em contrário. O principal atributo da presunção relativa é o de inverter o ônus da prova contra o sujeito passivo, autorizando o fisco a presumir a ocorrência do fato gerador pela verificação da situação tipificada em lei, como, no caso vertente, quanto aos depósitos bancários. Reiterese, portanto, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação do crédito bancário, considerado isoladamente, abstraído das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem do numerário creditado e de seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Desse modo, basta a comprovação de depósitos em nome da contribuinte para os quais ela não tenha comprovado a origem dos recursos ou o efetivo oferecimento à tributação para que sejam considerados omitidos. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003053/200826 Acórdão n.º 1402001.987 S1C4T2 Fl. 1.541 12 Quanto à alegação de que o Fisco considerou que a receita escriturada estaria a margem das contas bancárias cabe esclarecer que com o advento da Lei nº 9.430 de 1996, que introduziu novas presunções legais no campo tributário, passou a ocorrer a inversão do ônus da prova, ou seja, agora cabe ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Considerando que a interessada não comprovou durante a ação fiscal que os depósitos seriam provenientes de receita já tributada ou não seriam receita, os valores depositados foram considerados receita omitida. Com tal previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do novo diploma. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção juris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. Quanto a alegação de que a receita declarada também foi considerada receita omitida, tal fato não procede. As receitas omitidas foram somadas às declaradas na apuração da receita conhecida para o cálculo da correta base de cálculo do Lucro Arbitrado, uma vez que o contribuinte utilizava a sistemática do SIMPLES, já que se trata de outra forma de tributação. E do valor de tributo apurado devese excluir o valor recolhido. Verificase que assim foi feito no auto de infração lavrado. Também aqui, nego provimento ao recurso. Conclusão Por todo o exposto, afasto o pedido de perícia e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10530.721424/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DISPONIBILIDADE PARA PRODUÇÃO DE PROVAS NO DECORRER DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Não há cerceamento de direito de defesa do contribuinte recorrente quando ao contribuinte não é vedado a apresentação das provas que este entender necessárias.
NECESSIDADE DE PRÉVIA INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF N° 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
LIVRO CAIXA - DEDUÇÕES - Somente são admitidas as deduções das despesas lançadas no livro caixa do contribuinte, quando baseadas em documentos hábeis, idôneos, e quando necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, ainda que não escrituradas no Livro-Caixa.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA.
Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. 150%. CONDUTA REITERADA. FRAUDE. DOLO. PROVA.
A constatação da fraude, sendo decorrente de ação ou omissão dolosa, exige que se prove, sem sombra de dúvidas, a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da Lei 4.502/64 elenca como caracterizadores da fraude. A legislação não autoriza a presunção de fraude em razão de apresentação de DIRPFS seguidas, todas com deduções glosadas pelo Fisco Federal.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2201-002.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento para afastar a aplicação da multa isolada e desqualificar a multa de oficio, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Presidente em Exercício) que apenas reduzia a multa de ofício ao percentual de 75%.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DISPONIBILIDADE PARA PRODUÇÃO DE PROVAS NO DECORRER DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não há cerceamento de direito de defesa do contribuinte recorrente quando ao contribuinte não é vedado a apresentação das provas que este entender necessárias. NECESSIDADE DE PRÉVIA INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF N° 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. LIVRO CAIXA DEDUÇÕES Somente são admitidas as deduções das despesas lançadas no livro caixa do contribuinte, quando baseadas em documentos hábeis, idôneos, e quando necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, ainda que não escrituradas no LivroCaixa. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 14 24 /2 01 1- 38 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 07/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.721424/201138 Acórdão n.º 2201002.868 S2C2T1 Fl. 165 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. 150%. CONDUTA REITERADA. FRAUDE. DOLO. PROVA. A constatação da fraude, sendo decorrente de ação ou omissão dolosa, exige que se prove, sem sombra de dúvidas, a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da Lei 4.502/64 elenca como caracterizadores da fraude. A legislação não autoriza a presunção de fraude em razão de apresentação de DIRPF’S seguidas, todas com deduções glosadas pelo Fisco Federal. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento para afastar a aplicação da multa isolada e desqualificar a multa de oficio, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Presidente em Exercício) que apenas reduzia a multa de ofício ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente). Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 71), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O interessado impugna auto de infração do anocalendário 2008, onde foram apuradas as seguintes irregularidades: Desclassificação de rendimentos declarados como isentos, recebidos na atividade rural, 250.000,00 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 07/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.721424/201138 Acórdão n.º 2201002.868 S2C2T1 Fl. 166 3 porque o contribuinte não comprovou a isenção. Receitas omitidas pela prestação de serviços contábeis, conforme registradas em livro Caixa. 35.366,92 Glosa de despesas na prestação de serviços contábeis registradas em livro Caixa, porque os documentos apresentados não foram considerados hábeis e idôneos. 230.101,11 De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte procurava comprovar despesas de materiais de escritório com notas fiscais que não discriminavam os itens vendidos, que não continham data de emissão nem data de saída, e cuja empresa emitente, a Afconsite Supermercado de Informática, tinha o mesmo endereço do contribuinte, tendo como responsável legal pessoa com o mesmo sobrenome. Para comprovar despesas pagas a terceiros com vínculo empregatício, apresentara notas fiscais da empresa Edilza de Souza Figueredo, que, porém, não corroboravam esta informação. Houve lançamento da multa isolada de 50% pela falta de recolhimento do Carnêleão sobre os rendimentos omitidos na prestação de serviços contábeis. A multa de lançamento de ofício foi qualificada para 150%. O imposto resultante da autuação foi de R$ 141.753,70, elevandose a exigência para R$ 328.128,97 com as multas e os juros de mora. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: 1. Durante a fiscalização não lhe foi dada oportunidade de apresentar contrarazões quanto às supostas irregularidades dos documentos que apresentara para comprovar as despesas registradas no livro Caixa, implicando cerceamento do direito de ampla defesa. 2. O auto de infração fere o princípio da motivação dos atos administrativos quando não demonstra com argumentos e justificativas por que seriam inidôneos os referidos comprovantes. 3. Se trata de documentos idôneos e hábeis a comprovar as despesas lançadas no livro Caixa: ao contrário do que afirma o autuante, a Afconsite Supermercado de Informática não tem sede no seu endereço. Apesar de se localizar no mesmo prédio, funciona em sala diversa. 4. O auto de infração não identifica a data de ocorrência do fato gerador. 5. Cometera mero erro ao informar em sua declaração haver recebido R$ 250.000,00 de rendimentos isentos, provenientes da Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 07/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.721424/201138 Acórdão n.º 2201002.868 S2C2T1 Fl. 167 4 atividade rural, pois informara na mesma declaração haver recebido receita desta atividade de apenas R$ 10.500,00. Acrescenta que estes rendimentos não serviram para justificar variação patrimonial nem saldo em caixa para o exercício seguinte. 6. Não cabe aplicação da multa de 150%, porque os documentos apresentados comprovam as despesas lançadas no livro Caixa. 7. Tratase de multa exagerada e confiscatória, e por isso inconstitucional. 8. Incabível a multa isolada de 50% pela falta de antecipação do imposto sobre os rendimentos omitidos na prestação de serviços contábeis, porque o tributo já fora pago na declaração de ajuste anual. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/SDR entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO As despesas registradas em livro caixa devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. RENDIMENTOS ISENTOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Quando inexistem provas do recebimento de rendimentos declarados como isentos, somente se admite a sua tributação de ofício quando se demonstre que tenham servido para cobrir variação patrimonial ou renda consumida. Cientificado em 04/10/2011 (Fls. 143), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 31/10/2011 (fls. 146 a 159), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Segundo os autos, resta em litígio a omissão de receitas escrituradas e não declaradas e as glosas de despesas no livro caixa. Em sede preliminar o Recorrente alega o cerceamento do seu direito de defesa em razão de não lhe ter sido dada oportunidade de apresentar contrarazões quanto às Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 07/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.721424/201138 Acórdão n.º 2201002.868 S2C2T1 Fl. 168 5 supostas irregularidades dos documentos que apresentara para comprovar as despesas registradas no livro Caixa. Ainda nas preliminares, o Recorrente pede a nulidade da autuação, posto que a mesma teria ferido o princípio da motivação dos atos administrativos na medida em que não demonstrou com argumentos e justificativas por que seriam inidôneos os referidos comprovantes. Quanto a estas preliminares, destaco parte do acórdão da DRJ, que esclarece a questão; in verbis: "Ao contrário do que alega o impugnante, o auto de infração identifica a data de ocorrência do fato gerador e contém descrição bastante clara das razões por que foram consideradas inábeis as notas fiscais com as quais procurava comprovar as despesas glosadas. Inexiste previsão legal para a apresentação formal de contra razões antes de efetuado o lançamento de ofício. Não procedem, portanto, as argüições de cerceamento do direito de defesa. São documentos inábeis as notas fiscais com as quais o contribuinte procura comprovar a aquisição de materiais de escritório (fls. 64/73). Independentemente do endereço da empresa emitente, permanecem validas as demais razões apontadas pelo autuante: não contêm descrição individualizada do material adquirido e globalizam compras que se teriam realizado em períodos mensais ou semestrais, ou seja, sem data individualizada da saída das mercadorias. Sem estes elementos se torna impossível fiscalizar se as despesas de fato ocorreram, ou se serviram de fato ao custeio da atividade, e não antes, por exemplo, à aquisição de bens de consumo duráveis, como computadores e máquinas em geral, caso em que não seriam dedutíveis." (doc. pág. 124 dos autos) A argumentação de falta de prévia intimação antes do lançamento, encontra se superada pela Súmula CARF n 49, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros; in verbis: Súmula CARF n" 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Ademais, a prova cabal de que a defesa não foi preterida consistiu na apresentação tempestiva da impugnação, na qual o autuado revela conhecer plenamente a infração que lhe foi imputada, rebatendoa; além do mais o Recorrente teve entre a lavratura do auto de infração e o presente julgamento tempo suficiente para poder apresentar as provas para a sua defesa. Temos ainda o fato de que o processo ficou à sua disposição durante o prazo para a impugnação, oportunidade em que poderia pedir vistas dos autos na repartição, podendo, inclusive, solicitar cópia dos elementos que julgasse necessários à defesa. O exercício do contraditório e a ampla defesa realizaramse com a apresentação da peça impugnatória. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 07/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.721424/201138 Acórdão n.º 2201002.868 S2C2T1 Fl. 169 6 Quanto a nulidade do lançamento, não se encontram presentes no lançamento qualquer da hipóteses elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Assim, rejeito as preliminares suscitas pelo Recorrente. No mérito, o Recorrente não contesta a omissão de rendimentos escriturados no livro caixa e não declarados, se limitando a atacar as glosas das despesas. Neste ponto, adoto integralmente, como razão de decidir, parte do acórdão da DRJ, no seguinte sentido: " São documentos inábeis as notas fiscais com as quais o contribuinte procura comprovar a aquisição de materiais de escritório (fls. 64/73). Independentemente do endereço da empresa emitente, permanecem validas as demais razões apontadas pelo autuante: não contêm descrição individualizada do material adquirido e globalizam compras que se teriam realizado em períodos mensais ou semestrais, ou seja, sem data individualizada da saída das mercadorias. Sem estes elementos se torna impossível fiscalizar se as despesas de fato ocorreram, ou se serviram de fato ao custeio da atividade, e não antes, por exemplo, à aquisição de bens de consumo duráveis, como computadores e máquinas em geral, caso em que não seriam dedutíveis. As notas fiscais da empresa Edilza de Souza Figueredo, que seriam relativas a serviços de processamento de dados contábeis e fiscais, não comprovam evidentemente despesas que o contribuinte registrara no livro Caixa como pagas a empregados com vínculo empregatício, com recolhimento de INSS e FGTS. De acordo com o artigo 75 do Decreto nº 3.000/1999, somente neste último caso as despesas de serviços prestados por terceiros são dedutíveis: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 07/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.721424/201138 Acórdão n.º 2201002.868 S2C2T1 Fl. 170 7 Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; (...)" (doc. pág. 124 dos autos) Do acima exposto, resta como totalmente corretas as glosas das despesas realizadas pela fiscalização. Por fim, o Recorrente contesta a aplicação da multa qualificada de 150%, em razão de falta de razão da qualificação, e em razão da sua natureza confiscatória; bem como a aplicação da multa isolada em conjunto com a multa de ofício. No que pertine a aplicação da multa isolada, peço permissão para aplicar o inteiro teor do entendimento do Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnê leão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência deste Conselho é pacífica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 07/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.721424/201138 Acórdão n.º 2201002.868 S2C2T1 Fl. 171 8 Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por intermédio do qual se negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: “O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela”. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 da CSRF. Em resumo: a denominada "multa isolada" do art. 44, II, “a” da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicada aos casos em que não possa ser a multa exigida em conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada. Já o argumento de inconstitucionalidade da multa aplicada em razão da sua natureza confiscatória não pode ser analisado por este Conselheiro, em razão da Súmula CARF n 2, de aplicação obrigatória; in verbis: SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a aplicação da multa qualificada de 150%, verifico que a fiscalização a lançou em virtude do entendimento de que houve ato ilícito em virtude de apresentação de notas fiscais que não continham todos os elementos que permitissem seus aproveitamentos para as deduções, e em virtude de o contribuinte não ter declarado rendimentos que escriturou no livro caixa. Tenho o entendimento de que a constatação da fraude, sendo decorrente de ação ou omissão dolosa, exige que se prove, sem sombra de dúvidas, a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da Lei 4.502/64 elenca como caracterizadores da fraude. Assim, entendo que o simples fato das declarações das notas fiscais terem sido consideradas insuficientes para a comprovação das despesas não caracteriza a conduta dolosa. Ademais, o fato de o contribuinte escriturar corretamente todas as suas receitas, inclusive as lançadas por não constar na DIRPF, afasta a conduta dolosa na omissão de rendimentos. Por estas razões, entendo que deve ser afastada a multa qualificada de 150%; reduzindoa para o patamar de 75%. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 07/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.721424/201138 Acórdão n.º 2201002.868 S2C2T1 Fl. 172 9 Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada, e para reduzir a multa lançada de 150% para 75%. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 07/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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