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Numero do processo: 16403.000070/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PRELIMINAR DE NULIDADE. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Ausência de intimação do resultado da diligência com a prolação de decisão sem a manifestação do sujeito passivo implica cerceamento de defesa, razão suficiente para a nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3302-012.651
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.648, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16403.000066/2007-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinícius Guimarães (Presidente em Exercício), Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Ausentes os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: Vinícius Guimarães
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Ausência de intimação do resultado da diligência com a prolação de decisão sem a manifestação do sujeito passivo implica cerceamento de defesa, razão suficiente para a nulidade da decisão de primeira instância.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Ausência de intimação do resultado da diligência com a prolação de decisão sem a manifestação do sujeito passivo implica cerceamento de defesa, razão suficiente para a nulidade da decisão de primeira instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.648, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16403.000066/2007-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinícius Guimarães (Presidente em Exercício), Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Ausentes os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Larissa Nunes Girard. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 00 70 /2 00 7- 40 Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-012.651 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000070/2007-40 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. O processo versa sobre pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, no qual o interessado indica créditos de COFINS não-cumulativo, mercado interno, atinente ao 3º trimestre de 2005. A autoridade fiscal, após procedimento de verificação dos créditos postulados, indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações declaradas, em razão de não terem sido apresentados os documentos comprobatórios do crédito alegado. Em manifestação de inconformidade, o sujeito passivo sustentou que industrializa e comercializa papel sujeito à alíquota zero de PIS/COFINS, acumulando, desse modo, créditos decorrentes da aquisição de insumos. Afirma que, diante do volume de documentos solicitados durante o procedimento fiscal, pediu prorrogação de prazo, tendo sido atendido apenas parcialmente. Invocando os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa e contraditório, entre outros, aduz que, no caso concreto, o tempo concedido pela autoridade fiscal foi exíguo em face da quantidade de documentos solicitados, afigurando-se como desproporcional e sem razoabilidade o fato da fiscalização negar o pedido de prorrogação de prazo e simplesmente denegar o crédito postulado e não homologar as compensações, sob o frágil argumento de não entrega da documentação no prazo estipulado. Postula pela realização de perícia, sustentando que seria imprescindível para a comprovação do direito creditório postulado, indicando perito e formulando diversos quesitos. Requer, ainda, a juntada de CD-ROM que conteria toda a documentação solicitada pela fiscalização. Numa primeira apreciação da manifestação de inconformidade, o colegiado de primeira instância converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem verificasse se a documentação apresentada era, de fato, suficiente para a análise da eventual existência do crédito pretendido, dando ciência ao sujeito passivo dos trabalhos realizados, reabrindo prazo para apresentação de contrarrazões, com posterior reenvio para aquele colegiado. Em resposta, o serviço de fiscalização da unidade de origem procedeu a intimações do sujeito passivo, requerendo que fosse apresentada documentação necessária para a análise do direito creditório postulado. Após pedidos sucessivos de dilação de prazo, a fiscalização indeferiu o último pedido. Lavrou, então, informação fiscal, na qual reportou os fatos ocorridos e enfatizou as várias oportunidades dadas ao sujeito passivo para apresentar os documentos comprobatórios requeridos, concluindo pela impossibilidade de se verificar a subsistência dos créditos pretendidos. Retornando os autos para julgamento, o colegiado de primeira instância exarou decisão na qual foram rejeitadas as preliminares arguidas, indeferido o pedido de diligência e mantido o não reconhecimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações. O sujeito passivo apresentou, então, recurso voluntário, no qual postulou pela declaração de nulidade do acórdão recorrido, por afronta ao contraditório e ampla defesa na diligência fiscal – inclusive ausência de ciência dos resultados da diligência -, defendeu a subsistência do direito creditório postulado, afirmou a necessidade de lançamento para efetivação de glosa de créditos. Postulou, ainda, pelo reconhecimento do crédito pretendido com Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-012.651 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000070/2007-40 a homologação das compensações vinculadas ou pelo deferimento do pedido de perícia para demonstração dos créditos ou de nova diligência, que não se limite a exigir arquivos magnéticos ou novos documentos, mas que se destine a confirmar e/ou apurar o montante do crédito postulado. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. As matérias em discussão podem ser assim sintetizadas: (i) Em preliminar: nulidade da decisão recorrida, tendo em vista que se baseou em diligência que não cumpriu sua finalidade, deixou de apreciar vários documentos apresentados e violou o contraditório e ampla defesa, não tendo seus resultados sido cientificados ao sujeito passivo; (ii) Quanto ao mérito: a subsistência e legitimidade dos créditos postulados. PRELIMINARES A recorrente sustenta, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida por se basear em diligência que não cumpriu sua finalidade e, antes de tudo, teria violado o contraditório e a ampla defesa, uma vez que o sujeito passivo não teria sido cientificado de seus resultados. Compulsando os autos, constata-se que, de fato, o sujeito passivo não foi cientificado dos resultados da diligência. Com efeito, pode-se observar que a Informação Fiscal, com as constatações fiscais acerca do procedimento de diligência, foram encaminhadas diretamente para o colegiado de primeira instância, tendo este proferido julgamento sem que o sujeito passivo tivesse se pronunciado sobre referido documento. Nesse caso, entendo que há evidente restrição indevida ao exercício do direito de defesa pelo sujeito passivo, razão pela qual a decisão recorrida deve ser anulada, retornando os autos à unidade de origem para que o sujeito passivo seja intimado a sobre as conclusões da diligência fiscal, concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para apresentar suas contrarrazões, encaminhando, em seguida, os autos à DRJ para novo julgamento. Na esteira de tal entendimento temos outras decisões deste CARF, em que figurava como recorrente a mesma empresa, em situação análoga à presente (mesmo procedimento fiscal de apuração dos créditos de PIS/COFINS não-cumulativos), nas quais houve o reconhecimento de nulidade da decisão recorrida com o seguimento do processo nos moldes acima propostos: Acórdãos nºs. 3201-001.985, 3201-001.986, 3201001.984 – 3ª Seção / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-012.651 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000070/2007-40 Acórdãos nº. 3302-01.119 – 3ª Seção / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL . NULIDADE. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGENCIA. CUMPRIMENTO DEFICIENTE. Ocorre cerceamento do direito de defesa quando a diligência proposta não é cumprida de forma adequada e quando do seu resultado não é concedido prazo para a manifestação do recorrente. Situações que acarretam na nulidade da diligencia efetuada e, por conseqüência, na nulidade da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância, determinando o retorno dos autos à Unidade de Origem para realizar a intimação da Recorrente sobre as conclusões da diligência fiscal, concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para suas contrarrazões; após, os autos deverão ser encaminhado à DRJ para novo julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães – Presidente Redator Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10283.007147/2007-30
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
Numero da decisão: 1801-002.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERANNDES
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 71 47 /2 00 7- 30 Fl. 625DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0422.09485.YY95. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 A empresa recorre do Acórdão nº 0125.551/12 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG, fls. 541 a 546, que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologou em parte as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 13 a 31; 36 a 39; 44 a 47; 64 a 67; 164 a 167; 168 a 173; 178 a 181; 182 a 185. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Por intermédio do Parecer DRF/MNS/SEORT e respectivo Despacho Decisório (fls.193/196), o direito creditório foi parcialmente reconhecido (R$ 561.709,66) e as compensações, homologadas em parte. Como fundamento para o não reconhecimento integral do direito creditório, a unidade de origem afirma que "Das estimativas recolhidas e/ou compensadas, porém, constatase que a Contribuinte apurou e informou em DCTF o total de R$ 1.613.324,23 fl.160) e não R$ 1.644.140,01 como informado na DIPJ fl.94)." [...] O processo foi baixado em diligência via Despacho DRJ/BEL n° 198 de 11/06/2010 (fls.438/439) a fim de que a unidade de origem efetuasse acompanhamento em relação ao PER/DCOMP 22315.37705.270307.1.3.041636 (fls.424/428), procedendose à .ntada de decisão referente a esse PER/DCOMP nos autos sob análise. Em resposta, foi elaborada a Informação Fiscal n° 00024/2012 (fls.466/467) e o Despacho Decisório n° 887087659 e anexos (análise do PER/DCOMP 22315.37705.270307.1.3.041636) foram juntados às fls.472/474. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: cópias de folhas da DIPJ/2007 anocalendário 2006 (fls.84/105), cópia do LALUR 2006 (fls.106/134), cópia de balanço e conta de resultado (fls.135/145), extrato DCTF débitos estimativa IRPJ (fls.162/163), cópia Parecer/Despacho Decisório processo 10283.007146/200795(fls.256/260), despacho (fl.479), telas estimativas IRPJ DCTFs 2006 (fls.483/509), comprovantes pagamentos estimativas IRPJ (fls.510/521), cópia PER/DCOMP 02831.23420 (fls.522/525), telas do sistema SIEFFISCEL (fls.526/531) e telas de documentos de arrecadação (fls.532/536) e Simulação Compensação (fls.537/540). [...] VOTO [...] Em sua análise, a unidade de origem verificou as estimativas IRPJ que teriam sido declaradas em DCTF, com quitação via pagamento ou compensação. O total apurado perfaz R$ 1.613.324,23 (fl.162). O contribuinte, por sua vez, apresenta a planilha de fls.203/204 como sendo as estimativas IRPJ efetivamente recolhidas/compensadas no anocalendário 2006 e afirma que o saldo negativo correto é de R$ 585.124,38. Antes de adentrarmos na análise dos valores que representam divergências entre os pagamentos e compensações ratificados com os dados apresentados pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade (fls.203/214), vale ressaltar que o processo foi baixado em diligência (fls.438/439) para fins de juntada de Despacho Decisório referente ao PER/DCOMP 22315.37705.270307.1.3.041636. Fl. 626DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0422.09485.YY95. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.007147/200730 Acórdão n.º 1801002.040 S1TE01 Fl. 3 3 O documento juntado (fls.472/474) revela que não houve a homologação da estimativa IRPJ, junho/2006, R$ 7.698,50, a qual deve ser, por esse motivo, excluídadas estimativas efetivam ente pagas no ajuste anual.” (grifos não pertencem ao original) Neste ponto da decisão a Turma Julgadora fez o cotejo entre os valores discutidos (administração tributária – fls. 162 versus planilha da contribuinte – fls. 203/204), mês a mês, e concluiu: “Considerando toda a análise acima efetuada, além do valor de estimativas IRPJ já reconhecido pela unidade de origem R$ 1.605.625,73 (já deduzida a estimativa IRPJ, junho/2006, R$ 7.698,50), temos pagamentos confirmados de R$ 28.593,00 já utilizados para quitar estimativas IRPJ de 2006 ou que se encontram disponíveis para esse fim. Dessa maneira, o total de estimativas perfaz o montante de R$ 1.634.218,73. A Tabela 2, a seguir, refaz o cálculo do IRPJ: Tabela 2 Cálculo do IRPJ Sobre o Lucro Real Discriminação Valor (R$) Imposto Sobre o Lucro Real + Adicional (=) 1.078.053,87 Programa de Alimentação do Trabalhador () 26.439,30 IR Mensal Pago por Estimativa () 1.634.218,73 Saldo Negativo IRPJ 582.604,16 Destarte, o valor apurado à Tabela 2 é o direito creditório a ser concedido, já incluso o reconhecido pela unidade de origem (R$ 561.709,66). [...] Isto posto, voto no sentido de reconhecer parcialmente o direito creditório referente a saldo negativo IRPJ anocalendário 2006 no valor de R$ 582.604,16, já incluso o reconhecido pela unidade de origem, e declaro homologadas em parte as compensações.” (grifos não pertencem ao original) A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 595 a 597, argumentando, em síntese, que: a) pleiteia nestes autos o reconhecimento do direito creditório evidenciado no saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006, no valor de R$ 592.525,44; b) não houve o reconhecimento do valor relativo à estimativa de IRPJ referente a junho de 2006, R$ 7.698,50, objeto de outro processo administrativo, cuja compensação não foi homologada, o que ensejou o recolhimento deste valor via DARF, em 04/11/2010, com os acréscimos legais devidos, devendo, portanto, o valor deste DARF (R$ 13.387,69), ser considerado nos cálculos efetuados pela Turma Julgadora de Primeira Instância; 1 AR –25/01/13, efls. 548; Recurso – 18/02/13, efls. 595 Fl. 627DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0422.09485.YY95. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 c) juntase ao presente Recurso Voluntário cópia do referido DARF – efls. 604 e cópia do Per/Dcomp, já julgado, no qual solicitouse a quitação da estimativa de junho de 2006, IRPJ, no valor de R$ 7.698,50 – efls. 610. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio a ser dirimido nesta esfera recursal limitase à análise do DARF juntado às efls. 604, que, segundo a recorrente quitou a estimativa de IRPJ, relativa a junho de 2006, não homologada em outro processo administrativo e não considerada pela autoridade e turma de julgamento a quo, no valor de R$ 7.698,50, mas que, uma vez quitada deve compor os valores pagos das estimativas recolhidas/compensadas no anocalendário de 2006 e compor o saldo negativo de IRPJ deste mesmo anocalendário. Com efeito, consoante transcrito acima, no votocondutor do acórdão vergastado restou expressamente afastado o cômputo da estimativa de IRPJ relativa ao mês de junho de 2006, por não ter sido homologada a sua compensação pela autoridade administrativa tributária (Despacho Decisório às efls. 472). Para requerer a consideração do referido valor, a recorrente apresenta o DARF de efls. 604, recolhido somente em 04/11/2010, cujo valor do principal (IRPJ – código 5993), é realmente R$ 7.698,50. Ocorre, todavia, que a recorrente preencheu o DARF como pertinente a período de apuração diverso – 31/12/2005 – e vencimento em 31/01/2006, o que torna este recolhimento pertinente ao anocalendário de 2005 e não a 2006. A recorrente não traz elementos ao processo que permitam identificar se o valor recolhido foi ou não alocado no anocalendário de 2005 (Saldo Negativo de IRPJ), o que torna insegura uma afirmação de que a recorrente incorreu em mero erro de preenchimento e o reconhecimento deste DARF, ex officio, como relativo ao período de junho de 2006 e parte do Saldo Negativo de IRPJ do ano de 2006, e não de 2005. A competência para consertar o referido DARF de recolhimento, se é que houve o equívoco, é da recorrente e poderia ter sido realizado via REDARF (retificação do DARF), na unidade de jurisdição. Não compete a este juizado acertar o erro, sem a recorrente haver esgotado as provas de que cometeu o lapso, se, de fato, incidiu em erro ao preencher o DARF. Considerando que em havendo flagrante equívoco, a ser devidamente comprovado pela recorrente, e o referido recolhimento não tiver sido alocado a outro débito tributário, ou computado ao Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2005, a empresa pode pleitear a restituição do total recolhido indevidamente (se assim o foi, repriso), em outro Per/Dcomp, não estando prescrito o seu direito que pode ser amplamente exercido até novembro de 2015. Fl. 628DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0422.09485.YY95. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.007147/200730 Acórdão n.º 1801002.040 S1TE01 Fl. 4 5 Pelo exposto, não logrando comprovar o recolhimento da estimativa de IRPJ, relativa ao junho de 2006, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 629DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0422.09485.YY95. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH em 12/08/2014 12:37:00. Documento autenticado digitalmente por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH em 12/08/2014. Documento assinado digitalmente por: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH em 12/08/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 14/04/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP14.0422.09485.YY95 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 211F32339748FA45AD3D3E7F2BFCC8716FF593E6 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10283.720130/2013-10. 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Numero do processo: 10166.722147/2009-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/03/2001
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido
elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO
DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.961
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em negar
provimento ao recurso
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊLO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva. Ausentes o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722147/200961 Acórdão n.º 240300.961 S2C4T3 Fl. 101 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ENCOMENDA URGENTE TRANSP DE ENC E CARG DE BRASILIA LTDA. contra Acórdão nº 03 37.287 – 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP nº. 37.143.5447, com valor consolidado de R$ 4.941,63 (quatro mil, novecentos e quarenta e um reais e sessenta e três centavos centavos). O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente aos Terceiros conveniados (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE) incidentes sobre os valores pagos a empregados, no período de 01/2004 a 08/2008. De acordo com o Relatório Fiscal, houve a análise de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Declaração de Imposto de Renda retido na Fonte – DIRF e , Declaração de Imposto de Renda pessoa Jurídica – DIPJ constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil – RFB, folhas de pagamento, Rais, livros Diários e Razão. Conforme o Relatório Fiscal, foram elaborados os levantamentos a seguir: (a) DIR – remuneração de empregados constantes da DIRF não declaradas em folhas de pagamento e GFIP, multa anterior aplicada; (b) FP1 – salários de contribuição pagos a empregados constantes das folhas de pagamento não declarados em GFIP, multa anterior aplicada; (c) Z1 – remuneração de empregados constantes das DIRF não declaradas em folhas de pagamento e GFIP, multa de ofício aplicada. De acordo ainda com o Relatório Fiscal, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, por se configurar, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária. Houve a emissão do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0110100.2009.01344. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Fiscal, é de período de 01/2004 a 08/2008. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 A ciência do AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal ocorreu em 23.10.2009, conforme Aviso de recebimento – AR. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0337.287 – 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2008 AIOP n º: 37.143.5447 RECOLHIMENTO APÓS O INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE, APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Os recolhimentos efetuados após o início do procedimento fiscal, independentemente do período a que se refiram, não devem ser considerados nas apurações dos levantamentos efetuados, em face da exclusão da espontaneidade e conseqüente aplicação de multa de ofício; só podendo ser apropriados para abateremse do total do débito constituído, após o trânsito em julgado administrativo da impugnação. IMPUGNAÇÃO. Pela regra do artigo 302 do CPC, artigo 17 do decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tornase incontroverso o fato declarado pelo autor e não contestado pelo impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para regularização do crédito mantido, no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 305, §1º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com redação dada pelo Decreto nº 6.032/07, com as alterações dos art. 25, §1º, I, da Lei 11.457; art. 33 do Decreto 70.235/72; art. 1º do Decreto 6.103/07; e art. 48 da Lei nº 11.941/2009. Encaminhese à DRF de origem. Sala de Sessões, em 08 de junho de 2010. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722147/200961 Acórdão n.º 240300.961 S2C4T3 Fl. 102 5 Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese ter preparado as folhas de pagamento, que as GFIP retificadoras foram entregues e as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais foram recolhidas: Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722147/200961 Acórdão n.º 240300.961 S2C4T3 Fl. 103 7 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, conforme o Termo de encaminhamento ao CARF. É o Relatório. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação do Termo de encaminhamento ao CARF. Avaliados os pressupostos, passo para as Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Da regularidade do lançamento Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.143.5447 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.143.5447) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722147/200961 Acórdão n.º 240300.961 S2C4T3 Fl. 104 9 fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito; c. FLD Fundamentos Legais doDébito; d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos; e. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.143.5447, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DA DECADÊNCIA Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722147/200961 Acórdão n.º 240300.961 S2C4T3 Fl. 105 11 crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722147/200961 Acórdão n.º 240300.961 S2C4T3 Fl. 106 13 segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. Por outro lado, na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN posto que não houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte, conforme se depreende do Relatório Discriminativo do Débito – DD. Verificase, da análise dos autos, que: O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Fiscal, é de período de 01/2004 a 08/2008. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722147/200961 Acórdão n.º 240300.961 S2C4T3 Fl. 107 15 A ciência do AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal ocorreu em 23.10.2009, conforme Aviso de recebimento – AR.. Dessa forma, constatase que NÃO SE OPERARA a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados nos termos do artigo 173, I, CTN. DO MÉRITO. Solicitação de declaração de quitação do débito e a expedição de CND. Analisemos. (a) Da instauração da fase litigiosa do procedimento Nos termos do art. 56 do Decreto 7574/2011 e dos arts. 14 e 15 do Decreto 70235/1972, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento além do que, deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Ademais, eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (b) Da matéria não impugnada Nos termos do art. 58 do Decreto 7574/2011 e dos arts. 17 do Decreto 70235/1972, considerase não impugnada a matéria não contestada expressamente pelo impugnante: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 (c) Da preclusão para apresentação da prova documental Temse que o art. 57, § 4º, Decreto 7574/2011 e o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: 4oA prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5oConsiderase motivo de força maior o fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir (Lei no 10.406, de 2002, art. 393). Portanto, diante do exposto, concluo pela preclusão da produção da prova documental neste momento processual em sede de Recurso Voluntário em relação ao mérito dos fatos geradores levantados pela Auditoria Fiscal e não contestados pela Recorrente. (d) Da apropriação dos valores recolhidos em Guias da Previdência Social – GPS. Os recolhimentos realizados pela Recorrente, após o início do procedimento fiscal, deverão ser verificados e, se for o caso, apropriados pela unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, no âmbito de sua competência, quando da execução após o trânsito em julgado administrativo. (e) Da expedição da CND – Certidão Negativa de Débito A unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, no âmbito de sua competência, deverá analisar a petição da Recorrente em relação à expedição da CND. Diante de todo o exposto, não prosperam as alegações da Recorrente. CONCLUSÃO Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722147/200961 Acórdão n.º 240300.961 S2C4T3 Fl. 108 17 Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13609.907474/2009-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO
Não se admite a compensação de débitos com créditos que se comprovam inexistente
Numero da decisão: 1103-000.747
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório 2 Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 43, por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.º 27029.22604.151008.1.3.044948, transmitida em 15/10/2008, não foi homologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRPJ de código 2089 (lucro presumido), no valor de R$75.999,66, efetuado em 31/01/2008. Consta do despacho decisório, que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas não foi reconhecido crédito disponível para compensação dos débitos informados. No documento intitulado “DCOMP Despacho Decisório – Análise do Crédito”, fl. 45, consta que os valores informados em DCTF são divergentes dos declarados em DIPJ. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 10.267,43 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996. A ciência do despacho se deu em 21/12/2009 (fl. 44). Em 20/01/2010 (fl. 34), foi postada a manifestação de inconformidade de fl 01 a 03. Nela constam os seguintes argumentos: parte do débito de IRPJ do 4º trim. de 2007, no valor de R$ 138.259,79, foi extinto por compensações com créditos de IPI, declaradas em PER/DCOMP; o saldo de débito, no valor de R$ 64.081,05, foi pago com DARF; com referido DARF foram recolhidos R$ 75.999,66, restando direito creditório no valor de R$11.918,51; a não homologação foi arbitrária, já que o crédito apresentado é compensável, conforme sistemática fixada em lei; a empresa retificou DIPJ e DCTF apresentada, para informar valores que estão de acordo com a compensação realizada, o que talvez tenha gerado confusão na análise do fiscal; a decisão não foi fundamentada, tendo em vista que o despacho decisório não informou o motivo pelo qual o indeferimento foi realizado; o contribuinte não sabe o porque da não aceitação do crédito; a empresa colocase a disposição para apresentar qualquer documentação comprobatória do direito ao crédito, bem como junta DIPJ, DCTF, DARF e outros documentos, justificando a existência do crédito; diante do exposto, pedese o reconhecimento do crédito, a homologação da compensação e a extinção dos débitos compensados. Processo nº 13609.907474/200923 Acórdão n.º 110300.747 S1C1T3 Fl. 2 3 Por meio do acórdão n.º 0232.471, a 3ª turma da DRJ de Belo Horizonte – MG decidiu (ementa): “COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente.” O contribuinte alega em seu recurso (resumo): Apurara um débito de IRPJ no valor de R$ 138.259,79 relativo ao 4.º trimestre de 2007, contudo por meio do DARF foi recolhido R$ 137.816,60, circunstância esta que reflete um direito creditório de R$ 10.596,97. Parte do débito de IRPJ do 4º trim. de 2007, no valor de R$ 138.259,79, foi extinto por compensações com créditos de IPI, declaradas em PER/DCOMP; O saldo de débito, no valor de R$ 64.081,05, foi pago com DARF Com referido DARF foram recolhidos R$ 75.999,66, restando direito creditório no valor de R$11.918,51; Apresentara as retificações das DCTF e DIPJ. Da inconstitucionalidade da multa (confisco). Indevida utilização da Taxa selic. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Conforme fl. 17 dos autos, consta retificadora da DIPJ 2008, de recibo 12.9911602270, recebida via internet em 30/06/2008 às 11:41:19. Nesta retificadora, consta IRPJ a pagar R$ 202.340,84, fl. 21. Contudo, na fl. 54 consta uma outra retificadora apresentada no mesmo dia da citada pela contribuinte, e posterior, as 11:58:57. Nesta última retificadora, consta IRPJ a pagar de R$ 214.259,44, fl. 56. Ou seja, o valor recolhido pela contribuinte. Assim, a diferença entre os R$ 214.259, 44 e R$ 202.340,84 perfaz R$ 11.918,60, justamente o valor pleiteado (PER/DCOMP fl.13). A questão, acredito já estaria resolvida, pois, o que vale é, por óbvio, a última declaração. 4 Contudo, pelo amor ao bom debate, observamos que a diferença de valores apurados se deu pelos rendimentos de aplicações financeiras na fl. 56, que constam R$ 343.646,41. Na retificadora anterior apenas R$ 225.902,24, por isso uma apuração a menor da retificadora anterior. Acontece, que conforme DIRF de fl. 74, abaixo transcrito, o valor dos rendimentos para o 4ª trimestre foi de R$ 342.747,00, como abaixo: Declarante 30.833.936/000169 Fundo 04.061.061/000110 Mês Rendimentos IRRF jan/07 fev/07 10.061,18 2.263,76 mar/07 1º trim 10.061,18 2.263,76 abr/07 mai/07 20.190,74 3.028,61 jun/07 2º trim 20.190,74 3.028,61 jul/07 2.437,50 847,80 ago/07 4.185,55 1.206,55 set/07 10.465,17 2.757,44 3º trim 17.088,22 4.811,79 out/07 4.309,61 906,89 nov/07 338.437,39 50.765,61 dez/07 4º trim 342.747,00 51.672,50 TOTAL 390.087,14 61.776,66 Assim, a uma porque o que vale é a última retificadora, e a duas, pois, pelo que transcrito a segunda retificadora, a apresentada, 11:58:57, é a que esta de acordo com a DIRF. Dessa forma, não há reparos a fazer no r. acórdão atacado. Quanto a inconstitucionalidade da multa temos a Súmula CARF n 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Quanto a Selic temos a Súmula CARF n.º 4 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Processo nº 13609.907474/200923 Acórdão n.º 110300.747 S1C1T3 Fl. 3 5
score : 1.0
Numero do processo: 13768.000259/2010-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2010
SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃOADE.
Não é possível cancelar o ADE quando o contribuinte não comprova a quitação das dívidas que lhe deram origem e nem que os débitos estão com exigibilidade suspensa.
NULIDADE.DO ATO. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do ADE quando este atender as
formalidades legais e ausentes as condições previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1801-000.939
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2010 SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃOADE. Não é possível cancelar o ADE quando o contribuinte não comprova a quitação das dívidas que lhe deram origem e nem que os débitos estão com exigibilidade suspensa. NULIDADE.DO ATO. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do ADE quando este atender as formalidades legais e ausentes as condições previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃOADE. Não é possível cancelar o ADE quando o contribuinte não comprova a quitação das dívidas que lhe deram origem e nem que os débitos estão com exigibilidade suspensa. NULIDADE.DO ATO. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do ADE quando este atender as formalidades legais e ausentes as condições previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: : Carmem Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes Fl. 31DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 2 Relatório A Recorrente foi excluída do SIMPLES a partir de 01 de janeiro de 2011, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/VIT 420065, de 01 de setembro de 2010, por possuir débitos do SIMPLES com exigibilidade não suspensa, relacionados no mesmo, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar 123, de 14/10/2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinado com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN 15, de 23/07/2007. Inconformada com a exclusão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde: I – informa que não quitou o débito constante do Ato Declaratório que, segundo ela o valor não está correto, pela inexistência de possibilidade de parcelamento da dívida; o que caracteriza a sua exclusão como abusiva e ilegal, pois o tratamento é desarrazoado; II – que faz jus ao parcelamento em até 60 (sessenta) vezes, nos termos dos artigos 10 e 14 da Lei 10.522/2002. III – pede a nulidade do Ato Declaratório; e IV – requer o parcelamento da dívida em até 60 (sessenta) meses, ressaltando que o valor real é menor que o informado no Ato Declaratório. Em sessão de 20 de abril de 2011, a 7ª Turma da DRJ/RJ1 julgou a Manifestação improcedente, conforme Acórdão nº 1236.864, pois os débitos não foram quitados e não ser atribuição da DRJ manifestarse sobre a possibilidade ou não de inclusão de débitos em parcelamento. Intimada do Acórdão em 01 de junho de 2011, interpôs Recurso Voluntário em 01 de julho de 2011, onde reprisa as alegações constantes da Manifestação de Inconformidade e pede a nulidade do Ato Declaratório e, alternativamente, o parcelamento da dívida em 60 (sessenta) parcelas, nos termo da Lei 10.522/2002. É o relatório Fl. 32DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 13768.000259/201019 Acórdão n.º 180100.939 S1TE01 Fl. 32 3 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A Recorrente foi excluída do SIMPLES a partir de 01 de janeiro de 2011, por possuir débitos do SIMPLES com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar 123, de 14/10/2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinado com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN 15, de 23/07/2007. A Contribuinte pede a nulidade do Ato Declaratório Executivo que a exclui do SIMPLES, alegando sua ilegalidade, mas razão não lhe assiste, pois o mesmo está revestido de todas as formalidade legais, indicando os motivos da exclusão, sua base legal e o valor devido pela contribuinte, o que lhe possibilitou, após tomar ciência, exercer o direito de defesa e do contraditório, tanto é que apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário. A contribuinte contesta o valor do débito constante do Ato Declaratório mas não demonstra qual o valor correto. E mais, tendo conhecimento do valor cobrado, não promoveu o seu pagamento. A Recorrente pede, alternativamente, o parcelamento da dívida, mas tratase de matéria estranha à competência deste Conselho Diante do exposto voto para negar provimento ao Recurso Voluntário (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL
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Numero do processo: 10166.722150/2009-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS.
Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.964
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS. Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva. Ausentes o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722150/200985 Acórdão n.º 240300.964 S2C4T3 Fl. 101 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ENCOMENDA URGENTE TRANSP DE ENC E CARG DE BRASILIA LTDA. contra Acórdão nº 03 37.290 – 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA nº. 37.143.5480, com valor consolidado de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº. 37.143.5480, Código de Fundamentação Legal – CFL 59, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de arrecadar mediante desconto a retenção de 11% incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais e a contribuição de segurados empregados, constantes dos levantamentos CTB, DIR, FP1, FP2, LUC, PRO, Z1 e Z2 referentes ao período de 01/2004 a 08/2008. De acordo com o Relatório Fiscal, houve a análise de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Declaração de Imposto de Renda retido na Fonte – DIRF e , Declaração de Imposto de Renda pessoa Jurídica – DIPJ constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil – RFB, folhas de pagamento, Rais, livros Diários e Razão. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a". A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "g" e art. 373. Segundo o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, não ficaram caracterizadas nem circunstância agravante e nem circunstância atenuante. Segundo o Relatório Fiscal da Multa, não ficou caracterizada a circunstância agravante da penalidade capitulada no art. 290, II e a gradação da multa do Art. 292, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Houve a emissão do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0110100.2009.01344. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 O período objeto do AIOA, conforme o Relatório Fiscal, é de período de 01/2004 a 08/2008. A ciência do AIOA – Auto de Infração de Obrigação Acessória ocorreu em 23.10.2009, conforme Aviso de recebimento – AR. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0337.290 – 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/10/2009 AIOA no 37.143.5480 MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço.CFL 59 INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA A responsabilidade decorrente da violação à legislação tributária é objetiva, independe da intenção do agente, de haver o cometimento de dolo ou máfé, art. 136 do CTN. IMPUGNAÇÃO. Pela regra do artigo 302 do CPC, artigo 17 do decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tornase incontroverso o fato declarado pelo autor e não contestado pelo impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para regularização do crédito mantido, no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 305, §1º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com redação dada pelo Decreto nº 6.032/07, com as alterações dos art. 25, §1º, I, da Lei 11.457; art. 33 do Decreto 70.235/72; art. 1º do Decreto 6.103/07; e art. 48 da Lei nº 11.941/2009. Encaminhese à DRF de origem. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722150/200985 Acórdão n.º 240300.964 S2C4T3 Fl. 102 5 Sala de Sessões, em 8 de junho de 2010. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese ter preparado as folhas de pagamento, que as GFIP retificadoras foram entregues e as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais foram recolhidas: (i) informa ter preparado as folhas de pagamento, que as GFIP retificadoras foram entregues em 17 de novembro de 2009 e as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos foram recolhidas; (ii) não ter a autuada agido de máfé, até porque, assim que notificada, preparou as folhas de pagamento e entregou as GFIP retificadoras; (iii) solicita o cancelamento da autuação e a expedição de CND. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, conforme o Termo de encaminhamento ao CARF. É o Relatório. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação do Termo de encaminhamento ao CARF. Avaliados os pressupostos, passo para as Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOA, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.143.5480 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722150/200985 Acórdão n.º 240300.964 S2C4T3 Fl. 103 7 IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722150/200985 Acórdão n.º 240300.964 S2C4T3 Fl. 104 9 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. DA DECADÊNCIA Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. Cumpre resgatar que a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 23.10.2009, conforme Aviso de recebimento – AR, e que o Auto de Infração se refere ao período 01/2004 a 08/2008. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 59, o valor da multa é único, sendo que não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 23.10.2009, e o Auto de Infração se refere ao período 01/2004 a 08/2008, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 08/2008, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional, ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não houve decadência parcial da obrigação acessória em questão. DO MÉRITO. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722150/200985 Acórdão n.º 240300.964 S2C4T3 Fl. 105 11 A Recorrente argumenta: (i) informa ter preparado as folhas de pagamento, que as GFIP retificadoras foram entregues em 17 de novembro de 2009 e as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos foram recolhidas; Analisemos. Os recolhimentos realizados pela Recorrente, após o início do procedimento fiscal, deverão ser verificados e, se for o caso, apropriados pela unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, no âmbito de sua competência, quando da execução após o trânsito em julgado administrativo. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. A Recorrente argumenta: (ii) não ter a autuada agido de máfé, até porque, assim que notificada, preparou as folhas de pagamento e entregou as GFIP retificadoras; Analisemos. Ademais, conforme ainda aludido pela decisão de primeira instância, a Recorrente, tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, reconhece ter tomado providências quanto à retificação das folhas de pagamento, das GFIP e providenciado o pagamento de GPS referentes a algumas competências envolvidas no lançamento. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº. 37.143.5480, Código de Fundamentação Legal – CFL 59, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de arrecadar mediante desconto a retenção de 11% incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais e a contribuição de segurados empregados, constantes dos levantamentos CTB, DIR, FP1, FP2, LUC, PRO, Z1 e Z2 referentes ao período de 01/2004 a 08/2008. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a". Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "g" e art. 373. Ademais, há que se observar que o art. 291 do Decreto 3.048/1999 foi revogado pelo Decreto 6.727/2009, de modo que não se permite mais a relevação (A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.) e a atenuação do valor da multa aplicada (Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação). Outrossim, a responsabilidade decorrente da violação à legislação tributária é objetiva, independendo da intenção do agente, de haver o cometimento de dolo ou máfé, nos termos do art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Diante de todo o exposto, não prosperam as alegações da Recorrente. A Recorrente argumenta: (iii) solicita o cancelamento da autuação e a expedição de CND. Analisemos. A unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, no âmbito de sua competência, deverá analisar a petição da Recorrente em relação à expedição da CND. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722150/200985 Acórdão n.º 240300.964 S2C4T3 Fl. 106 13 CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. . É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722148/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido
elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF,
com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
No presente caso, verifica-se que em 23.10.2009 foi dada ciência à Recorrente do Auto de Infração, código de fundamentação legal 68, referente às competências 01/2004 a 08/2008.
Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória até a competência 09/2004, inclusive, nos termos do artigo 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.962
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para declarar a decadência até a competência 09/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62 A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 No presente caso, verificase que em 23.10.2009 foi dada ciência à Recorrente do Auto de Infração, código de fundamentação legal 68, referente às competências 01/2004 a 08/2008. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória até a competência 09/2004, inclusive, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência até a competência 09/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva. Ausentes o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722148/200914 Acórdão n.º 240300.962 S2C4T3 Fl. 101 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ENCOMENDA URGENTE TRANSP DE ENC E CARG DE BRASILIA LTDA. contra Acórdão nº 03 37.288 – 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA nº. 37.143.5455, com valor consolidado de R$ 39.875,40 (trinta e nove mil, oitocentos e setenta e cinco reais e quarenta centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº. 37.143.5455, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, referentes ao período de 01/2004 a 08/2008. De acordo com o Relatório Fiscal, houve a análise de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Declaração de Imposto de Renda retido na Fonte – DIRF e , Declaração de Imposto de Renda pessoa Jurídica – DIPJ constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil – RFB, folhas de pagamento, Rais, livros Diários e Razão. A empresa deixou de informar na GFIP os valores das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, apurados e discriminados nos fatos geradores constantes dos levantamentos: CTB, DIR, FP1, LUC, PRO, RAT, Z1, Z2 e Z3. De acordo ainda com o Relatório Fiscal, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, por se configurar, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Outrossim, conforme o Relatório Fiscal, houve a comparação da multa de ofício estabelecida no art. 44, I,, Lei 9430/1966 (75%) com a soma da multa de mora prevista no art. 35, II, Lei 8.212/1991 (24 %) e da multa prevista no art. 32, § 5º, Lei 8.212/1991 (CFL – 68), tendose aplicado a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Em virtude da infração cometida fica a autuada sujeita à multa prevista no art. 32, §5° da Lei 8212/1991 e 284, inc. II, Decreto 3.048/99, com valor mínimo atualizado pela Portaria PT/MP 142, de 11.04.2007, calculada de acordo com o Anexo do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08 a 80, no valor total de R$ 388.214,72. Segundo o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 03, não ficaram caracterizadas nem circunstância agravante e nem circunstância atenuante. Segundo o Relatório Fiscal da Multa, às fls. 3, não ficou caracterizada a circunstância agravante da penalidade capitulada no art. 290, II e a gradação da multa do Art. 292, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Houve a emissão do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0110100.2009.01344. O período objeto do AIOA, conforme o Relatório Fiscal, é de período de 01/2004 a 08/2008. A ciência do AIOA – Auto de Infração de Obrigação Acessória ocorreu em 23.10.2009, conforme Aviso de recebimento – AR. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0337.288 – 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/10/2009 AIOA: 37.143.5455 MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. CFL 68. Constitui infração capitulada na Lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. IV e §5º, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 combinado com art. 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 06.05.99. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CTN, artigo 106. Tratandose de lançamento de autodeinfração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória por omissão/inexatidão de informações em GFIP, aplicase a lei superveniente, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722148/200914 Acórdão n.º 240300.962 S2C4T3 Fl. 102 5 INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA Com a revogação do artigo 291 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, efetuada pelo decreto nº 6.727, de 12 de janeiro de 2009, não se permite mais a relevação/atenuação do valor da multa aplicada, nos casos em que a autuada venha a corrigir as infrações praticadas. A responsabilidade decorrente da violação à legislação tributária é objetiva, independe da intenção do agente, de haver o cometimento de dolo ou máfé, art. 136 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para regularização do crédito mantido, no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 305, §1º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com redação dada pelo Decreto nº 6.032/07, com as alterações dos art. 25, §1º, I, da Lei 11.457; art. 33 do Decreto 70.235/72; art. 1º do Decreto 6.103/07; e art. 48 da Lei nº 11.941/2009. Encaminhese à DRF de origem. Sala de Sessões, em 08 de junho de 2010. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese ter preparado as folhas de pagamento, que as GFIP retificadoras foram entregues e as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais foram recolhidas: (i) informa ter preparado as folhas de pagamento, que as GFIP retificadoras foram entregues em 17 de novembro de 2009 e as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos foram recolhidas; (ii) que a empresa não é obrigada a compensar o lucro com o prejuízo do passivo, cabendo aos administradores a sua destinação, que o lucro apurado no exercício de 2003, no valor de R$ 164.645,86, não foi distribuído em 2004 e serviu de base para distribuição nos anos de 2005 a 2008, e que o total do valor distribuído como lucro, R$ 780.042,95, não pode ser aceito como prólabore; Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 (iii) não assistir razão à fiscalização no que concerne à aplicação da alíquota RAT de 3% e não a de 2%, como efetivamente aplicada pela empresa, pois a atual atividade preponderante da empresa não é transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional, e, sim, serviços combinados de escritório e apoio administrativo, frisando que a empresa não possui mais transporte de cargas; (iv) não ter a autuada agido de máfé, até porque, assim que notificada, preparou as folhas de pagamento e entregou as GFIP retificadoras; (v) solicita o cancelamento da autuação e a expedição de CND. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, conforme o Termo de encaminhamento ao CARF. É o Relatório. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722148/200914 Acórdão n.º 240300.962 S2C4T3 Fl. 103 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação do Termo de encaminhamento ao CARF. Avaliados os pressupostos, passo para as Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOA, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.143.5455 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722148/200914 Acórdão n.º 240300.962 S2C4T3 Fl. 104 9 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722148/200914 Acórdão n.º 240300.962 S2C4T3 Fl. 105 11 Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. DA DECADÊNCIA Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722148/200914 Acórdão n.º 240300.962 S2C4T3 Fl. 106 13 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722148/200914 Acórdão n.º 240300.962 S2C4T3 Fl. 107 15 aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. Por outro lado, na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte, conforme se depreende das diferenças apontadas na alíquota de RAT pelo código de levantamento Z3 (diferença de RAT de 2% para 3% não declarada em GFIP, multa de ofício aplicada). A título de esclarecimentos, o Relator considera na presente hipótese que bastou haver um levantamento feito pela Auditoria Fiscal como sendo de diferença de alíquotas Rat (levantamento Z3) para se constatar que há recolhimentos antecipados a homologar e, com base no entendimento do STJ no REsp 973.733/SC, se aplicar a decadência com a regra do art. 150, § 4º, CTN. Verificase, da análise dos autos, que: O período objeto do AIOA, conforme o Relatório Fiscal, é de período de 01/2004 a 08/2008. A ciência do AIOA – Auto de Infração de Obrigação Acessória ocorreu em 23.10.2009, conforme Aviso de recebimento – AR. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Dessa forma, constatase que ocorreu a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 09/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. DO MÉRITO. A Recorrente argumenta: (i) informa ter preparado as folhas de pagamento, que as GFIP retificadoras foram entregues em 17 de novembro de 2009 e as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos foram recolhidas; Analisemos. Os recolhimentos realizados pela Recorrente, após o início do procedimento fiscal, deverão ser verificados e, se for o caso, apropriados pela unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, no âmbito de sua competência, quando da execução após o trânsito em julgado administrativo. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. A Recorrente argumenta: (v) solicita o cancelamento da autuação e a expedição de CND. Analisemos. A unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, no âmbito de sua competência, deverá analisar a petição da Recorrente em relação à expedição da CND. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722148/200914 Acórdão n.º 240300.962 S2C4T3 Fl. 108 17 A Recorrente argumenta: (iv) não ter a autuada agido de máfé, até porque, assim que notificada, preparou as folhas de pagamento e entregou as GFIP retificadoras; Analisemos. Ademais, conforme ainda aludido pela decisão de primeira instância, a Recorrente, tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, reconhece ter tomado providências quanto à retificação das folhas de pagamento, das GFIP e providenciado o pagamento de GPS referentes a algumas competências envolvidas no lançamento. De acordo com o Relatório Fiscal, houve a análise de Guias de Recolhimento do FGTS e a empresa deixou de informar na GFIP os valores das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, apurados e discriminados nos autos de infração de obrigação principal AIOP nº 37.143.5439 (patronal e SAT) e AIOP nº 37.143.542 0 (segurados), referentes ao período de 01/2004 a 08/2008. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Ademais, há que se observar que o art. 291 do Decreto 3.048/1999 foi revogado pelo Decreto 6.727/2009, de modo que não se permite mais a relevação (A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.) e a atenuação do valor da multa aplicada (Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação). Outrossim, a responsabilidade decorrente da violação à legislação tributária é objetiva, independendo da intenção do agente, de haver o cometimento de dolo ou máfé, nos termos do art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Diante de todo o exposto, não prosperam as alegações da Recorrente. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 A Recorrente argumenta: (iii) não assistir razão à fiscalização no que concerne à aplicação da alíquota RAT de 3% e não a de 2%, como efetivamente aplicada pela empresa, pois a atual atividade preponderante da empresa não é transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional, e, sim, serviços combinados de escritório e apoio administrativo, frisando que a empresa não possui mais transporte de cargas; Analisemos. Conforme se verifica no Relatório Fiscal da Infração, a Recorrente informou em GFIP as contribuições correspondentes à alíquota RAT de 2%, enquanto que a alíquota RAT que deve ser aplicada ao CNAE 60267 é a de 3%. No entanto, em Sede de recurso Voluntário a Recorrente aduz que não possui mais atividade de transporte de cargas, mas sim serviços combinados de escritório e apoio administrativo: No entanto, a Recorrente segue na mesma linha de defesa da Impugnação, sem apresentar qualquer elemento de prova que evidencie sua alegação de alteração do objeto societário, ademais se observando que o momento processual para a produção de provas documentais se esgota em sede de Impugnação, conforme o art. 14 a 17, Decreto 70.235/1972 e arts. 56 a 58, Decreto 7.574/2011. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. A Recorrente argumenta: Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722148/200914 Acórdão n.º 240300.962 S2C4T3 Fl. 109 19 (ii) que a empresa não é obrigada a compensar o lucro com o prejuízo do passivo, cabendo aos administradores a sua destinação, que o lucro apurado no exercício de 2003, no valor de R$ 164.645,86, não foi distribuído em 2004 e serviu de base para distribuição nos anos de 2005 a 2008, e que o total do valor distribuído como lucro, R$ 780.042,95, não pode ser aceito como prólabore; Analisemos. A Recorrente aduz que não se obriga a compensar lucro com o prejuízo do passivo: Outrossim, conforme se observa do Relatório Fiscal, a Auditoria Fiscal demonstra que foram identificados na contabilidade, folhas de pagamento e Impostos de renda Pessoa Jurídica, diversos lançamentos cujos históricos fazem menção à distribuição de lucro aos sócios da empresa, por exemplo: CONTA 6096 CÓDIGO 2.15.02.006 DESC CONTA: LUCRO DISTRIBUÍDO DATA: 02/2004 Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 HISTÓRICO: PAGAMENTO DISTRIB LUCRO 01/2004 GRAÇA MARIA CONTRAPARTIDA: VALOR: 1.878,00 CONTA 6096 CÓDIGO 2.15.02.006 DESC CONTA: LUCRO DISTRIBUÍDO DATA: 06/2005 HISTÓRICO: PAGAMENTO DISTRIB LUCRO 06/2005 ANIBAL CONTRAPARTIDA: VALOR: 4.500,00 CONTA CÓDIGO 2.4.5.1.02 DESC CONTA: ANTECIPAÇÃO DE LUCROS DATA: 03/2007 HISTÓRICO: FOPAG/03/2007 = DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS CONTRAPARTIDA: VALOR: 4.500,00 O Relatório Fiscal mostra que a Recorrente, a partir da análise das DRE e Balanços patrimoniais assinados pelo contador da Recorrente, não foi apurado lucro suficiente para amparar a distribuição de lucros feita aos sócios nos anos 2005, 2007 e 2008, além de que a Recorrente apresentou em todos os anos saldo em prejuízos acumulados que não foram amortizados em sua integralidade com o lucro apurado no exercício. Desta forma, tendose em vista que restou comprovado, conforme o Relatório Fiscal, que a Recorrente distribuiu lucro aos sócios, sem que fossem amortizados integralmente os prejuízos acumulados existentes, os valores apurados são considerados como prólabores. Ademais, o Relatório Fiscal informa que existem nos Livros Diários apresentados lançamentos contábeis cujos históricos constam como pagamento de prólabore aos sócios da empresa. No entanto, a Recorrente encaminhou esclarecimentos à fiscalização informando que houve erro na contabilização desses lançamentos como prólabore e que na verdade tais valores se referiam à distribuição de lucro aos sócios. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722148/200914 Acórdão n.º 240300.962 S2C4T3 Fl. 110 21 Diante do exposto, e pelo fato de que a Recorrente não trouxe aos autos, tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, elementos de convicção que pudessem alterar o lançamento neste ponto, de modo a afastar a incidência de contribuição social previdenciária nestas operações de distribuição de lucro aos sócios, que foram levantadas como prolabore pela Auditoria Fiscal, não acolho a linha de argumentação da Recorrente. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, declarandose a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 09/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. . É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16327.001945/2003-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF
Período de apuração: 31/03/2000 a 06/02/2002
CPMF. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. ALÍQUOTA.
Operação contratada de assessoria financeira configura hipótese descrita em ato do Ministro de Estado da Fazenda para incidência da alíquota zero na apuração da CPMF decorrente do lançamento a débito, por instituição financeira, em conta corrente de depósito de sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários.
CPMF. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO.
Afasta-se a alegação de duplicidade de lançamento, neste e em outro processo, respectivamente, de controlada e sua controladora, quando, embora a base de cálculo tenha sido a mesma, restou caracterizada a concretização de duas das hipóteses legais de incidência da CPMF; no primeiro, a prevista no
inciso I do artigo 2° da Lei n° 9.311/96, e, no segundo, a prevista no inciso III do mesmo artigo.
Numero da decisão: 9303-001.889
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, conhecer do recurso especial; e, II) no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto. Fizeram sustentações orais o Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior, Procurador da Fazenda Nacional, e Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP nº 83.755, advogado do sujeito
passivo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 31/03/2000 a 06/02/2002 CPMF. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. ALÍQUOTA. Operação contratada de assessoria financeira configura hipótese descrita em ato do Ministro de Estado da Fazenda para incidência da alíquota zero na apuração da CPMF decorrente do lançamento a débito, por instituição financeira, em conta corrente de depósito de sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários. CPMF. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Afastase a alegação de duplicidade de lançamento, neste e em outro processo, respectivamente, de controlada e sua controladora, quando, embora a base de cálculo tenha sido a mesma, restou caracterizada a concretização de duas das hipóteses legais de incidência da CPMF; no primeiro, a prevista no inciso I do artigo 2° da Lei n° 9.311/96, e, no segundo, a prevista no inciso III do mesmo artigo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, conhecer do recurso especial; e, II) no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto. Fizeram sustentações orais o Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior, Procurador da Fl. 0DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Fazenda Nacional, e Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP nº 83.755, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Trata o caso de lançamento da CMPF devida entre 31/03/2000 6/2/2002, fundado no inciso I do art. 2º da Lei nº 9.311/96, em decorrência da movimentação de valores pelo Banco Santander DTVM em conta bancária de sua titularidade "exclusivamente aberta para movimentação de operações sujeitas à alíquota zero da CPMF" (fl. 38), fora da permissão do art. 8, III e § 3º, da Lei nº 9.311/96 c/c art. 3º e § 4º da Port. MF 134/99. Segundo o Termo de Verificação Fiscal — TVF (fls. 38/52), "as operações que originaram a movimentação financeira objeto desse termo referemse à prestação de serviços de 'gestão de pagamentos' e foram efetuadas indevidamente na conta corrente exclusiva das operações com alíquota zero". Ainda Segundo o TVF, o Santander DTVM celebrou com seus clientes "INSTRUMENTO PARTICULAR DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA FINANCEIRA, tendo como objeto: a prestação de serviços de assessoria e assistência financeira a ser prestada pelo SANTANDER através de gestão de caixa do cliente, mediante a indicação de instituições financeiras idôneas que possam, em nome e por conta do cliente, promover o pagamento dos compromissos financeiros assumidos pelo cliente junto a seus fornecedores." (fls. 56 e 59). Também foi acordado o pagamento de "prêmio de preferência" às contratantes, conforme demonstra Cláusula 5 do referido contrato (fls. 54 e 57). De fato, o objeto contratado é conhecido no mercado como "gestão de pagamentos", "gestão de caixa" ou "gestão de recebimentos ou pagamentos" e sua execução se processou, in casu, da seguinte forma vide TVF (fls. 38/52): Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001945/200357 Acórdão n.º 930301.889 CSRFT3 Fl. 1.176 3 I) Contratação CLIENTE X DTVM Contratação de serviços e constituição da DTVM como procuradora A contração era feita para que a DTVM prestasse serviços de pagamento, sendo que o cliente a constituía como procuradora para assinar contrato com a instituição financeira que efetuaria os pagamentos. II) Contratação DTVM X BANCO No mesmo dia, a Santander DTVM assinava contrato (pagline plus) com o BANCO SANTANDER BRASIL S/A para que fossem efetuados pagamentos aos fornecedores e debitados da contacorrente do cliente. 1 III) Débitos da "conta corrente da DTVM com alíquota zero" Na verdade, os compromissos financeiros dos clientes eram debitados diretamente da denominada "conta corrente utilizada exclusivamente para operações com alíquota zero da CPMF", pertencente à SANTANDER DTVM, no BANCO SANTANDER S/A. Analisando referida operação, a fiscalização concluiu que: a) A operação executada pela contribuinte não é própria de uma DTVM (Res. BACEN n2 1.120, alterada pela Res. BACEN 1653/89); b) Não foram atendidos os pressupostos para aplicação da alíquota zero da CPMF (art. 8, III e § 3º, da Lei nº 9.311/96 c/c art. 3º da Portaria MF nº 134/99, repetido na Portaria nº 227/2002) c) Operouse o fato gerador da CPMF — art. 2º, I, da Lei nº 9.311/I96 — quando do débito das contas correntes da DTVM para pagamento das obrigações dos seus clientes junto ao Banco Santander S.A. e para pagamento dos "prêmios de preferência" aos mesmos (esse último esta sendo analisado pelo processo 16327.002009/200363). Em seu Recurso voluntário, a recorrente alega basicamente que atuou como mandatária do cliente e, por isso, goza do benefício da aplicação da alíquota zero para as operações nas contas da DTVM, por atender aos requisitos de (i) constituição da entidade como DTVM, (ii) lançamento em conta corrente de depósito, (iii) previsão, no objeto social da recorrente, da operação que origina os lançamentos em conta e (iv) previsão em ato do Ministro do Estado da Fazenda da operação que origina os lançamentos. Por fim, defende a inconstitucionalidade da taxa selic. A Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, como já asseverado, deu provimento ao recurso do contribuinte para excluir a cobrança da CPMF prevista no art. 2°, inciso I, da Lei 9.311/96, de acordo com os seguintes fundamentos: (i) incidência de alíquota zero, com base no art. 8°, inciso III, da lei9.311/96, uma vez que o objeto social de DTVM, previsto no art. 2, inciso XIV, da resolução 1.120/86, e realizado no presente caso, está de acordo com o art. 3º, incisos I e VII, da Portaria MF 134; (ii) aplicação da teoria da aparência no Direito Bancário, de modo que o banqueiro e o cliente assinalam a validade da operação, ditando eficácia à concretização do negócio jurídico, não podendo o Fisco fazer objeção ao mesmo; (iii) impossibilidade de analogia com o caso da RURAL DTVM (Recurso n2 122.638), eis que o fato gerador nesse caso foi o do art. 22, inciso VI, da Lei 9.311/96. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 963 a 986) contra o acórdão proferido pela Eg. Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 901 a Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 937), que, por maioria de votos, não conheceu do recurso em parte e deu provimento ao recurso do contribuinte na parte conhecida. Contrarazões às fls. 1034 a 1058. Voto Admissibilidade O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, devendose dele tomar conhecimento. A PGFN interpôs o presente recurso alegando que houve contrariedade da decisão, não inânime, à lei. O sujeito passivo alega que a legislação foi corretamente aplicada para desconstituir o Auto de infração, não satisfazendo, assim, os requisitos de admissibilidade para o seu conhecimento. Ora, a alegação de contrariedade da Lei, em tese, devidamente demonstrada, já é suficiente para que seja admitido o presente recurso. Assim o Recurso Especial interposto pela PGFN deve ser admitido. No presente caso é necessário que se faça a análise do Recurso Especial, sob duas premissas jurídicas. A primeira e prejudicial é a análise da existência, ou não, do fato gerador da CPMF nas operações descritas no relatório. É indiscutível que a lei que trata de incidência tributária deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. Façamos um breve estudo da capitulação legal da incidência da CPMF, e também de sua sujeição passiva. Art. 1 º É instituída a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF. Parágrafo único. Considerase movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira qualquer operação liquidada ou lançamento realizado pelas entidades referidas no art. 2°, que representem circulação escritural ou física de moeda, e de que Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001945/200357 Acórdão n.º 930301.889 CSRFT3 Fl. 1.177 5 resulte ou não transferênciá da titularidade dos mesmos valores, créditos e direitos. Art. 2° O fato gerador da contribuição é: I o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, em contas correntes de empréstimo, em contas de depósito de poupança, de depósito judicial e de depósitos em consignação de pagamento de que tratam os 'parágrafos do art. 890 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, introduzidos pelo art. 1° da Lei n° 8.951, de 13 de dezembro de 1994, junto a ela mantidas; II o lançamento a crédito, por instituição financeira, em contas correntes que apresentem saldo negativo, até o limite de valor da redução do saldo devedor; III a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores; IV o lançamento, e qualquer outra forma de movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira, não relacionados nos incisos anteriores, efetuados pelos bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial e caixas econômicas; V a liquidação de operação contratadas nos mercados organizados de liquidação futura; VI qualquer outra movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira que, por sua finalidade, reunindo características que permitam presumir a existência de sistema organizado para efetivála, produza os mesmos efeitos previstos nos incisos anteriores, independentemente da pessoa que a efetue, da denominação que possa ter e da forma jurídica ou dos instrumentos utilizadopara realizálas Art. 4º São contribuintes: I os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2°, ainda que movimentadas por terceiros; II o beneficiário referido no inciso III do art. 2º; III as instituições referidas no inciso IV do art. 2º; IV os comitentes das operações referidas no inciso V do art. 2°; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 V aqueles que realizarem a movimentação ou a transmissão referidano inciso VI do art. 2°. Art. 5° É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2°; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2° ; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2° . § 1° A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2° , valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7° sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2° Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. O contribuinte não alega, em contrarazões, que não houve o fato gerador, mas sim que houve duplicidade de lançamentos, vez que houvera sido feito os lançamentos tanto na DTVM, quanto no banco, o que estaria comprovado pela identidade nas bases de cálculo. E pede a anulação do Auto de Infração se for mantida a cobrança do mesmo montante em face do Banco Santander Brasil S/A, em outro processo administrativo (16327.002009/200363). Ocorre que o pedido tem que ser e determinado, não pode haver pedido condicional, a mesma maneira que não pode haver decisão condicionada ao resultado de outro processo que ainda não encerrou a sua tramitação administrativa. Havendo o fato gerador conforme descrito acima, surge a obrigação tributária e o dever de recolher os tributos, a não ser que haja norma que desobrigue ao pagamento, que é a segunda argumentação a ser detalhada posteriormente. Assim, afastase a alegação de duplicidade de lançamento, neste e em outro processo, respectivamente, de controlada e sua controladora, quando, embora a base de cálculo tenha sido a mesma, restou caracterizada a concretização de duas das hipóteses legais de incidência da CPMF; no primeiro, a prevista no inciso I do artigo 2° da Lei n° 9.311/96, e, no segundo, a prevista no inciso III do mesmo artigo. Como houve o fato imponível e existe a respectiva previsão legal de incidência tributária, surge o fato gerador e a respectiva obrigação tributária de recolhimento da CPMF aos cofres públicos. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001945/200357 Acórdão n.º 930301.889 CSRFT3 Fl. 1.178 7 Por sua vez a recorrente alega que houve movimentação indevida de recursos em conta corrente exclusiva para operações com alíquota zero, oriunda da prestação de serviços de “gestão de pagamentos” e pede a reforma da decisão do colegiado a quo, que deu provimento ao recurso voluntário, cancelando o auto de infração lavrado pela fiscalização. Vejamos: Segundo a fiscalização, os débitos efetuados na conta especial de alíquota zero sofreriam incidência da CPMF em face da disposição do art. 2º, I, da Lei nº 9.311, de 1996; a utilização de conta especial impediria o banco de efetuar a retenção da CPMF; os serviços abrangidos pela portaria ministerial seriam apenas os típicos de instituição financeira; circulares do Banco Central considerariam de máfé tal espécie de prestação de serviços por companhias controladas. A DRJ fez uma análise inicial da natureza do contrato firmado entre a interessada e seus clientes, ressaltando que a interessada não poderia efetuar diretamente os pagamentos; que não haveria previsão contratual de remuneração típica de prestação de serviços; que, havendo recebido os valores dos pagamentos, a interessada não os repassava imediatamente para o cliente, aplicandoos financeiramente. Diante de tais fatos, concluiu a primeira instância tratarse de uma operação programada para efetuar aplicações financeiras sem a incidência de CPMF, compartilhandose a remuneração entre a interessada e o cliente. Concluiu, na seqüência, que “fica caracterizada a contratação da DTVM não para o pagamento de compromissos e obrigações, o que não poderia, de resto, realizar, mas sim para a efetivação de aplicações financeiras sem incidência da CPMF.” Em relação à alíquota zero, considerou que a prestação do serviço em questão sequer poderia constar de seu contrato e que não haveria previsão de operação correspondente na portaria ministerial. Em seu recurso, alegou a interessada que os serviços seriam prestados, ainda que em caráter complementar, no âmbito do mercado de capitais; que prestaria serviços como mandatária, não podendo ser afastado o correntista do pólo passivo da obrigação tributária; que as resoluções do Bacen citadas pela fiscalização não se aplicariam às DTVM; que teria havido duplicidade de lançamento em face do processo de outro processo. No tocante ao núcleo da questão, devemse considerar as questões da atividade e de sua previsão na lei e na portaria ministerial. Estando presente atividade executada na lei e na Portaria Interministerial, a recorrida faz jus à pleiteada aplicação da alíquota zero. Porém a interpretação devera ser feita de forma literal, já que se trata de um benefício fiscal. Transcrevemos abaixo a legislação correlata das operações abrangidas pela incidência da alíquota zero: O artigo 8, inciso III, da Lei nº 9.311/96 reduz a CPMF a alíquota zero nos seguintes casos: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 "III lançamentos a débito em conta corrente de depósito das sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários desde que os respectivos valores sejam movimentados em contas correntes de depósito especialmente abertas e exclusivamente utilizadas paras as operações a que se refere o § . O parágrafo 3º da mesma Lei complementa: "§3º O disposto nos incisos II e IV deste artigo restringese a operações relacionadas em ato do Ministro de Estado da Fazenda, dentre as que constituam o objeto das referidas entidades. Assim, para que os lançamentos a débito em conta corrente da DTVM, se beneficiem da incidência da alíquota zero da CPMF, devem estar relacionados a operações que atendam às seguintes condições, cumulativamente: I) operação deve estar relacionada em ato do Ministro da Fazenda dentre aquelas; II) que constituam objeto da DTVM; Em que pese o art. 111 do CTN dizer que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário ou outorga de isenção, pode dizer que a alíquota zero, embora não esteja explicitamente prevista no referido artigo, pode ser incluída por se tratar de exoneração tributária. Como houve uma omissão legislativa, fazse a integração, nos termos do CTN. Ou seja, a integração será feita em conformidade com o art. 108 do CTN. Usamos aqui a alíquota zero de forma análoga à isenção, por tratarem ambas de dispensa legal do pagamento do tributo, nos termos concebidos pelo CTN. Apesar de a natureza jurídica da isenção suscitas diversos debates e divergências doutrinárias. Por hora ficaremos adstritos à conceituação mais condizente com o texto legal, que é o CTN. Com efeito, é necessária a autorização legislativa expressa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade e de toda a interpretação legislativa acerca da matéria. Coletamos algumas decisões judiciais acerca da matéria: Interpretação literal da renúncia fiscal. “ISENÇÃO – INTERPRETAÇÃO LITERAL... 2. Normas tributárias que impliquem em renúncia fiscal interpretamse restritivamente.” (STJ, 2ª T., Resp 1074015/PR, Eliana Calmon, ago/2009) Podemos perceber que a Ministra Eliana Calmon fala em renúncia fiscal, ou seja, ela usa o gênero renúncia, do qual fazem parte as outras espécies como a isenção e a alíquota zero. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001945/200357 Acórdão n.º 930301.889 CSRFT3 Fl. 1.179 9 Nem mais nem menos. “INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 do CTN... 2... É certo que a interpretação literal preconizada pela lei tributária objetiva evitar interpretações ampliativas ou analógicas (v.g. Resp 62.436/SP, Min. Francisco Peçanha Martins), mas também não podem levar à interpretações que restrinjam mais do que a lei quis.” (STJ, 1ª T., Resp 1109034/PR, Benedito Gonçalves, abr/2009) Analogia x interpretação extensiva. “INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 do CTN... 3. Ofensa ao art. 111 do CTN, visto ser impossível a interpretação extensiva de dispositivos que fixam a isenção.” (STJ 2ª T., AgRg no Resp 980103/SP, Herman Benjamin. fev/2009) Também assim considera a doutrinadora Regina Helena Costa, em seu Curos de Direito Tributário (pag. 164), que a interpretação literal quer dizer não extensiva. Eis parte do texto de sua autoria: Ao determinar nesse dispositivo, que a interpretação de normas relativas à suspensão ou exclusão do crédito tributário, à outorga de isenção e à dispensa do cumprimento de obrigações acessórias seja “literal”, o legislador provavelmente quis significar “não extensiva”, vale dizer, sem alargamento de seus comandos, uma vez que o padrão em nosso sistema é a generalidade da tributação e, também das obrigações acessórias, sendo taxativas as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e de anistia. Em outras palavras, quis prestigiar os princípios da isonomia e legalidadde tributárias. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a não exação. Sabemos que o a alíquota zero é um benefício fiscal. Também é certo que a lei que trata de exonerações, como a que trata da incidência, deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. Segundo o contrato social da interessada, a atividade prevista em contrato que corresponderia às operações em questão seria a de prestação de serviços “de intermediação e de assessoria ou assistência técnica, em operações e atividades nos mercados financeiros e de capitais”. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Alegou a interessada que os serviços seriam prestados de forma complementar, mas “nos mercados financeiros e de capitais”, muito embora o mercado financeiro se destine à captação de recursos para investimentos e, nesse contexto, não abrange operações de liquidação. De fato existe a previsão contratual descrita acima. O que temos de definir e julgar no presente caso e se essa descrição contratual se enquadra perfeitamente na redação legal que faz a previsão da alíquota zero. Talvez em relação à aplicação financeira de recursos houvesse possibilidade mais evidente de tal conceituação, mas, sob a ótica do entendimento do acórdão de primeira instância, estarseia diante de um contrato que visaria à aplicação financeira livre de CPMF e não propriamente de assessoria financeira. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os casos expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a exoneração fiscal. Sabemos que a isenção e alíquota zero são espécies de renúncia fiscal ou exoneração tributária. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. No tocante ao núcleo da questão, devemse considerar as questões da atividade e de sua previsão na portaria ministerial. Segundo o contrato social da interessada, a atividade prevista em contrato que corresponderia às operações em questão seria a de prestação de serviços “de intermediação e de assessoria ou assistência técnica, em operações e atividades nos mercados financeiros e de capitais”. Alegou a interessada que os serviços seriam prestados de forma complementar, mas “nos mercados financeiros e de capitais”, muito embora o mercado financeiro se destine à captação de recursos para investimentos e, nesse contexto, não abrange operações de liquidação. Talvez em relação à aplicação financeira de recursos houvesse possibilidade mais evidente de tal conceituação, mas, sob a ótica do entendimento do acórdão de primeira Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001945/200357 Acórdão n.º 930301.889 CSRFT3 Fl. 1.180 11 instância, estarseia diante de um contrato que visaria à aplicação financeira livre de CPMF e não propriamente de assessoria financeira. A própria interessada alegou que sua posição nas operações seria de “simples” mandatária, e que faz serviços de assessoria, captando recursos do cliente e liquidando os seus pagamento junto à instituição financeira , que é o banco. Um outro mandatário, que não pudesse ser titular de conta especial, não poderia efetuar um contrato como os celebrados pela interessada, o que reforça os argumentos da primeira instância em relação à matéria. Ademais, também não enquadra nas disposições da portaria ministerial que regula a alíquota zero. A Portaria MF nº 134, de 1999, art. 3º, VII, referese a “prestação de serviços de arrecadação de tributos, serviços de pagamentos e recebimentos diversos e outros serviços típicos de instituições financeiras”. O inciso relaciona duas atividades e, a seguir, as generaliza como “serviços típicos de instituições financeiras”. O objetivo da alíquota zero é, no âmbito das atividades próprias de cada instituição citada no art. 8º, III e IV, da Lei nº 9.311, de 1996, evitar a onerosidade de seu objeto social. Caso o inciso não trouxesse a generalização, não seria possível à interessada alegar que a alíquota zero não ficaria restrita às instituições financeiras. Entretanto, a razão primária da generalização é evitar uma longa enumeração de itens. Portanto, não faria sentido que a portaria ministerial, em uma generalização, estendesse a alíquota zero a atividades típicas de instituições financeiras praticadas por outras instituições. Mais ainda, a primeira operação constante do inciso citado da Portaria em exame é privativa de instituições financeiras, bem assim as terceira e a quarta (genérica). Portanto, seria absurdo pensar que somente a segunda operação (pagamentos), por falta da palavra “liquidação”, referirseia também às DTVM. Dessa forma, além de as operações não se enquadrarem perfeitamente no objeto social da interessada, improcede a alegação de que estaria prevista na portaria ministerial, razão pela qual as referidas movimentações financeira feitas pela recorrida não estão sujeitas à alíquota zero. Assim, voto pelo provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13807.004647/99-90
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. ALÍQUOTA.
período fiscalizado, sob a égide da LC nº 7/70, a alíquota do PIS era de 0,75%.
DECRETOS-LEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70.
BASE DE CÁLCULO. Durante o período em que a Lei Complementar nº 7/70 teve vigência, a base de cálculo da contribuição ao PIS foi o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência da hipótese de incidência, em seu valor histórico não corrigido monetariamente. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 201-76.803
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro José Roberto Vieira, quanto à semestralidade.
Nome do relator: GILBERTO CASSULI
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ementa_s : PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. ALÍQUOTA. período fiscalizado, sob a égide da LC nº 7/70, a alíquota do PIS era de 0,75%. DECRETOS-LEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70. BASE DE CÁLCULO. Durante o período em que a Lei Complementar nº 7/70 teve vigência, a base de cálculo da contribuição ao PIS foi o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência da hipótese de incidência, em seu valor histórico não corrigido monetariamente. Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro José Roberto Vieira, quanto à semestralidade.
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Numero do processo: 16045.000179/2010-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DO CARF MANIFESTAR-SE ACERCA DO MÉRITO.
Sendo a impugnação apresentada fora do prazo legal previsto, não há como a 1 instância conhecer da defesa ofertada, o que impossibilita o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em sede de 2 instância, apreciar o meritum causae, tendo em vista que este nem sequer foi analisado pela turma julgadora a quo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DO CARF MANIFESTAR-SE ACERCA DO MÉRITO. Sendo a impugnação apresentada fora do prazo legal previsto, não há como a 1 instância conhecer da defesa ofertada, o que impossibilita o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em sede de 2 instância, apreciar o meritum causae, tendo em vista que este nem sequer foi analisado pela turma julgadora a quo. Recurso Voluntário Negado.
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NÃO CONHECIMENTO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DO CARF MANIFESTAR SE ACERCA DO MÉRITO. Sendo a impugnação apresentada fora do prazo legal previsto, não há como a 1 instância conhecer da defesa ofertada, o que impossibilita o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em sede de 2 instância, apreciar o meritum causae, tendo em vista que este nem sequer foi analisado pela turma julgadora a quo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato (substituído pelo conselheiro Igor Araujo Souza). Fl. 406DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração n° 37.260.4560, no valor original de R$ 67.447,64 (sessenta e sete mil, quatrocentos e quarenta e sete reais e sessenta e quatro centavos). Conforme relatório fiscal às fls. 86 a 95, a cobrança referese às contribuições destinadas à Seguridade Social relativa à contribuição patronal e a contribuição relativa ao SAT que não foram recolhidas em época própria. Ainda segundo a fiscalização, foram identificados vários fatos geradores abaixo discriminados relativos ao período compreendido entre 01/2005 a 12/2006: Remunerações pagas aos segurados empregados (Alain Fabrice Bulfon, Mônica Harue Asato e Anne Christine Gouveia) a titulo de plano de saúde; Remunerações pagas ao segurado Éder Júnior Pereira, durante os meses de 01/05 a 03/05, a titulo de estágio; Valor de aluguel pago pela empresa referente ao imóvel onde residia a segurada empregada Anne Christine Gouveia, a titulo de utilidade com aluguel de imóvel; Remunerações pagas aos segurados empregados Alain Fabrice e José Arantes a título de empréstimo, que, no entanto, não foi devolvido pelo segurados; Remunerações pagas a segurados contribuintes individuais/autônomos, conforme lançamentos verificados junto aos livros contábeis da empresa; Remunerações pagas a transportadores autônomos . Desta autuação, a recorrente foi notificada em 10/05/10 e apresentou impugnação intempestiva às fls. 157 a 181 alegando: Que os valores pagos a título de plano de saúde não integram o salário remuneração, uma vez que o art. 28, § 9°, “q” da Lei n° 8.212/91, foi tacitamente revogado pela Lei n° 10.243/2001, que acrescentou o § 2o , ao art. 458 da CLT que excluiu do conceito de salário os valores pagos a título de plano de saúde; Que não existe na legislação qualquer exigência no sentido de que o plano seja oferecido a todos os funcionários para que tal pagamento seja excluído da base de incidência da remuneração, valendo a ressalva que tal assistência pode ser prestada diretamente ou mediante seguro saúde; Que na descrição dos fatos geradores, o Sr. Auditor muito embora tenha incluído o pagamento de "despesas aos sócios" tais valores não foram objeto de fundamentação específica para a sua inserção no auto de infração, uma Fl. 407DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16045.000179/201007 Acórdão n.º 2403000.936 S2C4T3 Fl. 303 3 vez que o auto de infração deve ter alguns requisitos de suma importância, entre eles a fiel descrição do fato infringente o que não foi feito; Que estava claro e evidente a regularidade do contrato de estágio, o qual continha todos os requisitos formais e materiais que impediam o reconhecimento do vínculo empregatício Como visto não foi prorrogado o contrato, contudo o estagiário manteve as suas funções ainda voltadas à aprendizagem, posto que o Sr. Auditor após detida análise da documentação entregue não encontrou elementos capazes de infirmar a realidade do trabalho desenvolvido que visava o desenvolvimento profissional e educativo do Sr. Éder; Que o pagamento do aluguel do imóvel onde residia Anne Cristine Gouveia, não tinha o objetivo de contrapartida pelo trabalho, mas, sim, em razão do trabalho que desenvolvia, o que, nos termo do §2° do artigo 458 da CLT, retiralhe a natureza salarial dos valores pagos pela impugnante e, via de consequência, a incidência das contribuições previdenciárias apontadas; Que os empréstimos feitos sem retorno pelo segurado Alan Bulfon estão sendo investigados criminalmente; Que o "empréstimo" não quitado não é salário porque tal valor não representa uma contraprestação ao trabalho efetivamente prestado, como também não pode ser tido por gorjeta posto que não pagos por terceiros, não podendo ser considerado como uma conquista social porque não decorrem de preceitos constitucionais, legais ou sindicais e portanto não é remuneração; Que os serviços prestados não poderão ser tributados por cessão de mão deobra , pois foram executados por profissionais autônomos com regulamentação própria. Por fim, requereu a nulidade do auto de infração ou, se entendido como insubsistente, que a exigência do tributo exigido fosse tornada sem efeito. Postulou ainda a realização de diligências, inclusive a de perícias, depoimento pessoal de todos os funcionários e prestadores de serviços, dentre outros meios de prova. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7ª Turma da DRJ/Campinas/SP proferiu acórdão (n° 0532. 816) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS E DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REVELIA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE Em observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, a assertiva peremptória do cumprimento do prazo legal para apresentação de Impugnação foi recebida como arguição Fl. 408DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 de sua tempestividade, mas se encontra desacompanhada das razões de fato e direito. Considerando o desencadeamento cronológico dos fatos e aplicandose as regras de contagem do prazo do Decreto 70.235/1972, o prazo para apresentação da Impugnação foi excedido. Ocorrência da revelia. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário, ratificando todos os argumentos expendidos na impugnação e acrescentou que tanto os autônomos como as pessoas jurídicas prestadoras de serviços possuem o seu regime próprio de contribuição para a previdência social, inexistindo esse tratamento pela fiscalização. Colacionou também decisões acerca do vínculo empregatício e seus requisitos. Por fim, requereu o conhecimento e provimento do recurso voluntário para reformar a decisão de 1 instância, julgando improcedente o lançamento realizado pela fiscalização, bem como a necessidade de ser realizada diligência administrativa para serem verificados outros documentos não analisados inicialmente sob pena de cerceamento de defesa. Requereu ainda a sua intimação para sustentar seus argumentos oralmente quando do julgamento do presente recurso. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16045.000179/201007 Acórdão n.º 2403000.936 S2C4T3 Fl. 304 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. I – DA IMPOSSIBILIDADE DO MÉRITO SER ANALISADO PELO CARF: Segundo os autos, a recorrente foi notificada da autuação em 10/05/2010 (segundafeira) mediante Aviso de Recebimento, ficando estipulado o prazo para entrega da defesa em 09/06/2010 (quartafeira). Entretanto, a impugnação foi apresentada em 10/06/2010 (quintafeira), o que impossibilitou seu conhecimento em 1 instância pela DRJ de Campinas/SP. Por tal motivo, foi apresentado o presente recurso voluntário, que não suscitou, em sede de preliminar, a tempestividade da peça recursal. Sendo assim, considerando que uma das competências do CARF é apreciar recurso voluntário contra decisão de 1 instância e, considerando que o decisum a quo foi no sentido de não conhecer da impugnação intempestiva do contribuinte, entendo que a este Conselho cabe tão somente manter ou reformar essa decisão, exclusivamente, na parte relativa à perempção da defesa apresentada. Desse modo, analisando cronologicamente os atos processuais, verificase que a defesa foi apresentada fora do prazo, não instaurando, segundo previsão legal do Decreto n 7.574/2011, a fase litigiosa do procedimento fiscal, in verbis: Art.56 – (...) (...) §2oEventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Além disso, por mais que a defesa fosse considerada apta a formar o litígio tributário, ainda assim não seria possível ser feita em 2 instância a apreciação e o julgamento do meritum causae, haja vista que o mérito não foi sequer analisado pela turma julgadora de 1 instância que rejeitou o conhecimento da impugnação pela intempestividade. Assim, entendo que o recurso possua os pressupostos processuais (interesse de recorrer, legitimidade da parte e tempestividade) para ser analisado pelo CARF, mas seu provimento ou não fica vinculado à decisão de 1 instância, que, por sua vez, não adentrou ao mérito e impossibilitou essa análise pelo colegiado de 2 instância. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão proferida em 1 instância. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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