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Numero do processo: 10183.004932/2002-54
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Feb 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Feb 29 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.937
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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DRJ/SÀO PAULO/SP Processo n° Recurso n° Assunto Resolução n° Data Recorrente Recorrida RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. LUIZ ROBERTO DOMINGO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi, Valdete Aparecida Marinheiro e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva (Suplente). Ausente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Processo 11. 0 10183.004932/2002-54 Resolução n.° 301-1.937 CCO3 COI Fls. 623 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face da Decisão proferida pela 2' Turma da DRJ — Sao Paulo/SP, que manteve em parte o lançamento do Imposto de Importação — II; Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI e multa, com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte Ementa: "VALORACA -0 ADUANEIRA SUBFATURAMENTO. PENALIDADES Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importa cão e correspondentes faturas não correspondem a realidade das transações, fica caracterizado o subfaturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos. Cabíveis as penalidades agravadas previstas nos art. 44, inciso II da Lei 9.430/96 e no art. 80, inciso II da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, COM a redação dada pelo art. 45 da Lei 9.430/96, por declaração inexata e por ter-se configurado evidente intuito defraude. Cabível a penalidade especifica para a infração de subfaturamento, tipificada no art. 526, inciso III do Regulamento Aduaneiro (Decreto 17 °. 91.030/1985). Incabível a multa capitulada no art. 526, inciso II do RA (Decreto 91.030/85) por se identifical- a mercadoria descrita na DI com a que efetivamente ingressou no pais. Lançamento Procedente em Parte." Intimado da decisão de Primeira Instância (DRJ/SP), o contribuinte interpôs, em 24/08/2004, Recurso Voluntário alegando que: (i) o Auto de Infração lavrado é nulo tendo em vista que o prazo de 120 dias para a execução do Mandado Procedimental foi extrapolado, não tendo sido prorrogado; (ii) o subfaturamento indicado pela fiscalização não pode ser imputado à recorrente, pois a responsabilidade pelas "notas forjadas" é da representante das operações realizadas, e como houve erro de identificação do sujeito passivo o Auto deve ser anulado; (iii) não há provas nos Autos de intuito de fraude e que as operações foram devidamente registradas evidenciando assim sua boa fé; (iv) a fraude deve ser comprovada e não presumida portanto trata-se apenas de declaração inexata; (v) por fim requereu a nulidade da Decisão de Primeiro Grau ou caso não sejam acolhidas as preliminares que suas razões sejam acolhidas para a desconstituição do Auto de Infração. Processo n.° 10183.004932/2002-54 Resolução n.° 301-1.937 CCO3 COI Fls. 624 Em 13/10/2005 o Recorrente promoveu a juntada de documentos, aos quais chamou de "novas provas", e reiterou o pedido de nulidade do Auto de Infração. Em 30/01/2007 protocolou nova petição reiterando as razões do Recurso Voluntário e pedindo desconsideração dos documentos juntados por engano As fls. 656/975. o relatório. e • 3 Processo n.° 10183.004932/2002-54 Resolução n.° 301-1.937 CC03, COI F s. 625 VOTO Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo e atender aos requisitos de admissibilidade. Primeiramente, devo analisar os aspectos de validade do ato administrativo que culminou com a imposição de Auto de infração e multa à Recorrente. Destarte, analiso a validade do Mandado de Procedimento Fiscal que instaurou o processo de fiscalização. 0 Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) está atualmente disciplinado na Portaria RFB if.: 11.371/07, a qual dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. São requisitos para a validade do MPF, entre outros, o disposto pelo artigo 6° da seguinte forma: Art. 6' 0 MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: I - Coordenador-Geral de Fiscalização; II - Coordenador-Geral de Administração Aduaneira; III - Coordenador Especial de Vigilância e Repressão; IV - Superintendente da Receita Federal do Brasil; V - Delegado de Delegacia da Receita Federal do Brasil, de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização, de Delegacia Especial de Instituições Financeiras e de Delegacia Especial de Assuntos Internacionais; e VI - Inspetor-Chefe das unidades constantes cio Anexo Conforme se depreende da leitura do artigo supra, o MPF deve ser expedido pela autoridade competente para a realização do ato. No caso em tela, foram expedidos dois Mandados de Procedimento Fiscal, conforme consta dos autos e conforme verificado em pesquisa realizada no site da Receita Federal. 0 Primeiro MPF de n°: 0130100200200038, com validade de 03/08/2002, prorrogado ate 02/09/2002, que teve com auditores fiscais designados os senhores Marcos Lopes de Oliveira e Mauricio Ferraz, e como chefe de fiscalização o senhor Raimundo Carlos de Lima, vide documento abaixo extraído do site da Receita Federal: Processo n.° 10183.004932/2002-54 Resolução n.° 301-1.937 CC03/C0 I Fls. 626 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL N° 0130100 2002 00038 CNPJ/CPF: 70.488.374/0001-83 itAziko SOCIAL/NOME: SENA PNEUS RONDONOPOLIS LTDA PROCEDIMENTO: FISCALIZAÇÃO VALI DADE: 03/08/2002 Nome Função Matricula Telefone RAIMUNDO CARLOS DE LIMA Chefe de Fiscalizac5o 0024117 615-2000 SI IIZUO TAKAYAMA Supervisor 0021097 MARCOS LOPES DE OLIVEIRA Auditor Fiscal 0019022 MAURICIO FERRAZ Auditor Fiscal 0025437 VALIDADE DE PRORROGAÇÃO DOS MPFs • NI l'F prorrogado até: 02 de Setembro de 2002 E o segundo MPF, o de n°: 0130100200200138, com validade de 18/03/2003, que teve corno auditor responsável pela execução do mandado e como chefe de fiscalização o senhor Marcos Lopes de Oliveira, vide abaixo, conforme extraído do site da Receita Federal: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL N° 0130100 2002 00138 CNI'J/CI'F: 70.488.374/0001-83 RAZÃO SOCIAL/NOME: SENA PNEUS RONDONOPOLIS LTDA PROCEDIMENTO: FISCALIZAÇÃO VALIDADE: 18/03/2003 Nome Função [Matrícula I Telefone 'MARCOS LOPES DE OLIVEIRA 1 Chefe de Fiscalizacao 0019022 615-2000 !MARCOS LOPES DE OLIVEIRA 'Supervisor 0019022 ¡MARCOS LOPES DE OLIVEIRA 'Auditor Fiscal 0019022 Ocorre que, o parágrafo único do artigo 15 da Portaria 11.371/07, antes disciplinado corn igual redação pelo § único do artigo 16 da Portaria 3007/01 (vigente a época da expedição do MPF), não permite que no caso de o MPF ter sido extinto e houver sido expedido um novo MPF, que esse novo mandado seja cumprido pelo mesmo auditor fiscal antes designado, sendo vejamos o artigo in verbis: Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. • 5 Processo n.° 10183.004932/2002-54 Resolução n.° 301-1.937 CCO3 COI Fls. 627 Assim, constato de plano uma irregularidade na expedição do MPF, posto que de fato o auditor fiscal designado para o cumprimento do primeiro e do segundo MPF foi o auditor fiscal Marcos Lopes de Oliveira. Ademais, no segundo MPF o auditor fiscal Marcos Lopes de Oliveira cumulava três funções, quais sejam: auditor, supervisor e chefe de fiscalização. E ainda, a Lei n° 8.112, que dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, dispõe em seu art. 116 o seguinte: "Art. 116. silo deveres do sen,idor: I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo; II - ser leal as instituições a que servir; III - observar as normas lezais e rezulamentares; IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;..." A preexistência e renovação continua do MPF no procedimento fiscalizatório e a manutenção de sua exigência para validar o ato administrativo de lançamento 6, em verdade, norma que cumpre os desígnios legais do ato vinculado e, também, constitui ordem, emanada por superior hierárquico que não pode ser desrespeitada pelo servidor. Sendo a Portaria SRF n° 11.371/07 um ato normativo derivado, cujo objetivo foi dar complementação As exigências do art. 196 do CTN, bem como do art. 6o da MP n° 2.175-29/2001 (hoje Lei n° 10.593/2002), não haveria como o MPF, instituto por ela disciplinado, ser desconsiderado e desprezado como se fosse mero instrumento integrante do rol dos atos discricionários e desvinculados a autorização e controle da execução dos procedimentos de fiscalização. Se o Mandado de Procedimento Fiscal é peça inaugural da ação fiscalizadora, seu desatendimento, seja quanto ao objeto, seja quanto A emissão, seja quanto aos prazos previstos, constitui motivo para nulidade do ato administrativo do lançamento, vez que o MPF figura dentre aqueles atos que são exigidos para o cumprimento das formalidades impostas pela legislação tributária. Diante do exposto, converto o julgamento em diligencia para que a repartição de origem explique o porquê foi designado para proceder a fiscalização o mesmo auditor que já havia sido designado no primeiro MPF e ainda para que junte aos autos os documentos oficiais e respectivas publicações em Diário Oficial da Unido que atestem que o auditor fiscal Marcos Lopes de Oliveira cumulava os cargos de Auditor, Supervisor e Chefe de Fiscalização a época da expedição do MPF n°.: 0130100200200138. Sala das Sessões, em 29 dt f iro i 008 41111 411111.411111111141111.111.1"" 7.0"" ..-7/1" LUIZ ROBERTO DO NGO - Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 10245.000409/2007-91
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Do valor recebido em ação judicial, podem ser deduzidas as despesas
judiciais necessárias ao seu recebimento, inclusive com honorários
advocatícios e periciais, quando pagas pelo contribuinte, sem indenização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.189
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Do valor recebido em ação judicial, podem ser deduzidas as despesas judiciais necessárias ao seu recebimento, inclusive com honorários advocatícios e periciais, quando pagas pelo contribuinte, sem indenização. Recurso Voluntário Provido.
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DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Do valor recebido em ação judicial, podem ser deduzidas as despesas judiciais necessárias ao seu recebimento, inclusive com honorários advocatícios e periciais, quando pagas pelo contribuinte, sem indenização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801002.189 S2TE01 Fl. 84 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, às fls. 33/35, com a exigência do recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 29.868,53. A autuação decorreu de revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte referente ao exercício de 2005, anocalendário 2004, por meio do qual foi apurada a omissão de rendimentos tributáveis recebidos no valor de R$ 1.804,38, e ainda, compensação indevida do IRRF no valor de R$ 19.470,00. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, às fls. 02/03, argumentando que: os valores declarados como rendimentos recebidos de pessoa jurídica no montante de R$ 136.444,56 é o que consta do comprovante de rendimentos, o que comprova que não houve máfé nem intenção deliberada em omitir rendimentos; somente recentemente tomou conhecimento de que o rendimento do ano calendário de 2004 efetivamente foi no montante de R$ 138.248,38; teve julgada como procedente uma ação trabalhista intentada contra o Banco do Brasil, sendo que a atualização das verbas devidas resultou em R$ 91.386,94, tendo sido liberada na condição de crédito líquido do reclamante a quantia de R$ 71.652,05; o IRRF foi devidamente retido e recolhido conforme decisão Judicial e DARF no valor de R$ 19.470,88; por esquecimento não deduziu dos rendimentos tributáveis os honorários advocatícios pagos em razão da sobredita reclamação trabalhista, no valor de R$ 13.690,00. Na sequência, após apreciar o litígio, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/Belém/PA decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência em parte da impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/BEL nº 0114.823, de 12/08/2009, às fls. 43/46, cuja ementa encontrase a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Tendo a fonte pagadora apresentado DIRF retificadora alterando o valor do rendimento do contribuinte para maior, devese manter o lançamento referente a essa parte. DIRPF. GLOSA DE FONTE. COMPROVAÇÃO. Resulta improcedente o lançamento quando o sujeito passivo prova a retenção na fonte do respectivo imposto de renda. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Com a ciência da decisão de primeira instância ocorrendo em 01/10/2009, conforme Aviso de Recebimento AR à fl. 51, o contribuinte, interpôs, em 30/10/2009, o Recurso Voluntário às fls. 63/65, sustentando que a decisão de primeira instância não foi clara em apontar as razões legais que impossibilitaram reconhecer o imposto pago a maior, uma vez Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801002.189 S2TE01 Fl. 85 3 que a própria Receita Federal em seus julgamentos tem reconhecido o direito do contribuinte de deduzir dos rendimentos tributáveis as despesas com ação judicial, inclusive aquelas havidas com honorários advocatícios. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. No caso, o lançamento contemplou omissão de rendimentos recebidos pelo recorrente e glosa de fonte, sendo que o IRRF veio a ser integralmente restabelecido quando do julgamento de primeira instância. Ocorre que, ao impugnar o lançamento, o contribuinte pleiteou também a revisão dos rendimentos tributáveis, argumentando que teria deixado de descontar o valor pago a título de honorários advocatícios, face à reclamatória trabalhista que moveu contra o Banco do Brasil S/A (Ação nº 00977/199602124008). Embora o interessado entenda que a órgão julgador a quo não teria se pronunciado a esse respeito, o que se verifica, da leitura do acórdão às fls. 43/46, é que a autoridade julgadora formou a convicção de que os valores que deveriam ser oferecidos à tributação eram aqueles informados na DIRPF apresentada (fls. 68 a 71). No caso, diferentemente do que sustenta o recorrente, não se verifica no acórdão DRJ qualquer mácula que resulte em sua nulidade. Portanto, a contrariedade do recorrente com a fundamentação esposada na decisão guerreada não constitui qualquer vicio capaz de incorrer em sua desconsideração, até porque, referido julgado obedeceu a todos os ditames da legislação de regência (Decreto nº 70.235/72). Isso posto, cabe, contudo, nessa fase recursal, examinar os elementos de prova e argumentos trazidos pelo contribuinte à luz da legislação de regência. Por oportuno, confirase o disposto no art. 56 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, relativamente aos rendimentos recebidos acumuladamente: “Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12).” Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12).” (Grifos acrescidos) Examinandose os documentos referentes à citada ação judicial trabalhista, bem como os recibos anexados às fls. 05 e 06 do presente processo, concluise que foi pago Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801002.189 S2TE01 Fl. 86 4 pelo recorrente o valor total de R$ 13.690,00 (R$ 6.845,00 x 02) aos dois advogados que atuaram como patronos da causa (Ação nº 00977/199602124008 – 1a Vara do Trabalho de Dourados/MS). Deste modo, conforme pleiteado, esses honorários devem ser excluídos dos rendimentos tributáveis considerados no lançamento. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso para acatar a dedução pleiteada a título de honorários advocatícios no total de R$ 13.690,00, valor a ser deduzido dos rendimentos tributáveis que compuseram a base de cálculo lançada. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 12689.000800/2009-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 12/06/2009
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA SUBMETIDA AO LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. MULTA PREVISTA NA LEI.
Sendo legítima a exigência de licença de importação não automática, com anuência prévia da ANVISA antes do desembaraço das mercadorias, constitui dever da fiscalização aduaneira aplicar a penalidade legalmente prevista,novalorde30%sobreovaloraduaneiro,decorrentedainfraçãoao controle administrativo das importações, em face da omissão do importador em obtê-la
Numero da decisão: 3002-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Régis Venter- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Régis Venter (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Mateus Soares de Oliveira. Ausente o Conselheiro Carlos Delson Santiago.
Nome do relator: Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/06/2009 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA SUBMETIDA AO LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. MULTA PREVISTA NA LEI. Sendo legítima a exigência de licença de importação não automática, com anuência prévia da ANVISA antes do desembaraço das mercadorias, constitui dever da fiscalização aduaneira aplicar a penalidade legalmente prevista,novalorde30%sobreovaloraduaneiro,decorrentedainfraçãoao controle administrativo das importações, em face da omissão do importador em obtê-la
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MULTA PREVISTA NA LEI. Sendo legítima a exigência de licença de importação não automática, com anuência prévia da ANVISA antes do desembaraço das mercadorias, constitui dever da fiscalização aduaneira aplicar a penalidade legalmente prevista,novalorde30%sobreovaloraduaneiro,decorrentedainfraçãoao controle administrativo das importações, em face da omissão do importador em obtê-la Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Régis Venter- Presidente (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Régis Venter (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Mateus Soares de Oliveira. Ausente o Conselheiro Carlos Delson Santiago. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado face ao Acórdão nº 08-45.849, proferido pela 7ª Turma da DRJ/FOR, que decidiu por manter o crédito tributário conforme previsão do art. 169, inciso I, alínea "b", e § 2º, inciso I, do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003; perfazendo, na data da autuação, um total de R$ 22.971,35. Intimada da exigência da multa regulamentar, a recorrente impugnou-a, alegando, em síntese, que a informação de que a mercadoria precisava ser analisada pela ANVISA, como órgão anuente, já que não constava tratamento para esta NCM específica, logo, a multa era AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 08 00 /2 00 9- 64 Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.279 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.000800/2009-64 ilegal, atípica e não havia causada prejuízo ao controle aduaneiro, uma vez que a impugnante havia “confiado” no SISCOMEX. Analisada a impugnação, a DRJ julgou-a improcedente, manteve a exigência da multa, indeferindo o protesto genérico de provas, além de que a LI obtida mediante a errônea informação do destaque para anuência não é considerada como documento idôneo e deve ser considerado inexistente para a finalidade de amparar a importação. Portanto, a situação é ainda mais grave, pois não foi informado nenhum destaque, e, consequentemente, não houve licenciamento, sendo inegável o prejuízo para o controle aduaneiro e somente após efetuada exigência pela autoridade administrativa, em 12/08/2009, dois meses após o registro da DI (12/06/2009), é que foi obtida a licença e retificada a DI. A recorrente foi cientificada da decisão proferida pela DRJ em 28/02/2020 e interpôs Recurso Voluntário (às fls.174-189) em 18/03/2020 argumentando a inocorrência da infração, já que a mercadoria sequer havia sido desembaraçada, afronta aos princípios da legalidade e tipicidade, bem como a boa-fé da recorrente demonstrada que não houve prejuízo à administração fazendária, requerendo a total improcedência do auto de infração combatido. É o relatório. Voto Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade, sendo assim, dele tomo conhecimento. Não havendo preliminares, passo a análise do mérito. O lançamento constitui crédito tributário decorrente da aplicação de penalidade isolada – multa por importação ao desamparo de Licença de Importação (LI), com fundamento no artigo 706, inciso I, alínea "a", do Decreto nº 6.759/2009 - RA/2009 (inciso I, “b”, do artigo 169 do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 6.562/1978), no percentual de trinta por cento sobre o valor aduaneiro, pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Comprovada a obrigatoriedade de licenciamento não automático pelo órgão competente, a sua não obtenção prévia enseja a aplicação da multa cominada nos autos. A situação é simples: se a Recorrente teve alguma dificuldade ao inserir os dados do produto importado no SISCOMEX (se houve ou não omissão; se houve ou não conduta intencional), isso é coisa que não interfere na realidade dos fatos: a exigência de licenciamento não automático é legal e encontrava-se vigente em momento bem anterior ao registro das DIS). Não se trata de presunção alegar que o fato da liberação do produto importado sem a exigência do licenciamento não automático implicaria a impossibilidade de revisão das DIs significa, é evidente, tornar tabula rasa a norma jurídica, já aqui referida, que a permite dentro do prazo decadencial. Fl. 197DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.279 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.000800/2009-64 Cabe observar que não é de se aplicar o Ato Declaratório Normativo – ADN Cosit n.º 12, de 1997, o qual restringe- se às hipóteses, aqui não ocorridas, de erro na classificação tarifária do produto ou de indicação indevida de “ex” que exija novo licenciamento: “Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.” (grifamos). Por conseguinte, uma vez configurado o erro cometido pela recorrente é cabível a multa por falta de Licença para Importação (LI) quando resta demonstrado que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licenciamento no órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro, mas deixou de fazê- lo, em razão da não indicação do código devido destaque de NCM. Restando patente que não há que se falar em descumprimento aos princípios da legalidade/tipicidade, já que o fato, conforme bem demonstrado pela DRJ e reforçado nesta decisão, se subsome às normas aduaneiras. Por fim, frise-se que, independentemente da boa-fé do sujeito passivo, não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Assim, o legislador ao consagrar a responsabilidade objetiva por atos infracionais, dispensa a Fazenda Pública de perquirir fatos comprovadores da presença do dolo ou da culpa e elementos de materialidade efetiva para aplicar a sanção correspondente. A responsabilidade objetiva garante de forma mais eficaz a coercibilidade do sistema punitivo tributário. De outro modo, a atividade de fiscalização se inviabilizaria se a cada infração tivesse que se provar que o contribuinte não autorizou determinada operação por negligência, imperícia ou imprudência. Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta Fl. 198DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.279 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.000800/2009-64 Fl. 199DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720115/2010-65
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIOS NA ORIGEM DO PROCEDIMENTO FISCAL E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Tendo sido a ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, acompanhado da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência, descabe a arguição de vício na origem do procedimento fiscal. Não há cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração preenche os requisitos legais.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%.
A prática dolosa e reiterada tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, bem como para a obtenção de restituições indevidas, justifica a aplicação da multa qualificada.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Ao órgão colegiado de julgamento administrativo não é dada a competência para pronunciar-se sobre inconstitucionalidade de norma legal que instituiu a aplicação de multas e cobrança de juros de mora. Os mecanismos de controle da constitucionalidade passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário.
Rejeitadas as Preliminares de Nulidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.884
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIOS NA ORIGEM DO PROCEDIMENTO FISCAL E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido a ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, acompanhado da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência, descabe a arguição de vício na origem do procedimento fiscal. Não há cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração preenche os requisitos legais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. A prática dolosa e reiterada tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, bem como para a obtenção de restituições indevidas, justifica a aplicação da multa qualificada. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Ao órgão colegiado de julgamento administrativo não é dada a competência para pronunciar-se sobre inconstitucionalidade de norma legal que instituiu a aplicação de multas e cobrança de juros de mora. Os mecanismos de controle da constitucionalidade passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário. Rejeitadas as Preliminares de Nulidade. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 222 1 221 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.720115/201065 Recurso nº 890.420 Voluntário Acórdão nº 280101.884 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de setembro de 2011 Matéria IRPF Recorrente CLAUDEMIR RIBEIRO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIOS NA ORIGEM DO PROCEDIMENTO FISCAL E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido a ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, acompanhado da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência, descabe a arguição de vício na origem do procedimento fiscal. Não há cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração preenche os requisitos legais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. A prática dolosa e reiterada tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, bem como para a obtenção de restituições indevidas, justifica a aplicação da multa qualificada. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Ao órgão colegiado de julgamento administrativo não é dada a competência para pronunciarse sobre inconstitucionalidade de norma legal que instituiu a aplicação de multas e cobrança de juros de mora. Os mecanismos de controle da constitucionalidade passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário. Rejeitadas as Preliminares de Nulidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10166.720115/201065 Acórdão n.º 280101.884 S2TE01 Fl. 223 2 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Eivanice Canário da Silva. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Para o contribuinte identificado no preâmbulo foi lavrado, por Auditor Fiscal da DRF Brasília (DF), o Auto de Infração de fls. 123/145, referente ao imposto de renda pessoa física dos exercícios 2005 a 2009. O crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto... 32.371,35 Juros de Mora (calculados até 12/2009)... 6.274,26 Multa Proporcional (passível de redução)... 48.557,02 Valor do Crédito Tributário Apurado... 87.202,63 No decorrer da ação fiscal foram emitidos Mandados de Procedimento Fiscal, Termo de Início de Fiscalização, Termo de Ciência e Continuidade da Ação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, todos devidamente notificados ao contribuinte. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 136/145, consta que a presente ação fiscal foi levada a efeito em decorrência de investigação realizada pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da 1ª Região Fiscal (ESPEI/1ª RF), quando foram identificadas, mediante diversos cruzamentos de informações nos sistemas da RFB, várias pessoas que se beneficiaram de restituições indevidas. O esquema para se beneficiar das restituições indevidas era executado por um grupo comandado por Luis Joubert dos Santos Lima, conhecido por Dr. Santos, o qual cobrava pelos “serviços” de elaborar declarações com deduções fictícias, além de exigir um percentual sobre o valor do imposto restituído indevidamente. A pedido do Ministério Público Federal foi expedido Mandado de Busca e Apreensão pela juíza Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Martins Alves, da 12ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. No cumprimento do referido Fl. 229DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10166.720115/201065 Acórdão n.º 280101.884 S2TE01 Fl. 224 3 mandado, foram apreendidos computadores e documentos em residências e escritórios de pessoas que participaram da fraude tributária efetuada nas declarações de ajuste anual de vários contribuintes. A DRF Brasília (DF), de posse dos documentos relativos à investigação realizada pelo ESPEI/1ª RF e da documentação oriunda da Busca e Apreensão determinada pela juíza da 12ª Vara da Justiça Federal em Brasília, expediu aproximadamente setecentos Mandados de Procedimento Fiscal, incluindo o que deu origem a esta ação fiscal. Dentre os documentos apreendidos pela Polícia Federal, em cumprimento ao mandado judicial, a autoridade fiscal esclarece que foi identificada uma grande quantidade de cadastros no CNPJ de pessoas jurídicas que eram informados falsamente como beneficiários nas declarações dos contribuintes fiscalizados. A autoridade lançadora informa que o contribuinte não apresentou documentos ou justificativas à fiscalização. Com efeito, as seguintes infrações foram constatadas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 125/128 e 136/145: 001 – Dedução indevida de Dependentes Exercício Valor (R$) 2005 3.816,00 2006 5.616,00 2007 6.065,28 2008 6.338,40 2009 4.967,64 002 – Dedução indevida de Despesas Médicas Exercício Valor (R$) 2008 12.075,00 2009 17.000,00 003 – Dedução indevida de Pensão Judicial Exercício Valor (R$) 2005 4.680,00 2006 5.400,00 2007 6.300,00 2009 18.950,00 004 – Dedução indevida de despesas com Instrução Exercício Valor (R$) 2005 5.994,00 2006 6.594,00 2007 7.121,52 2008 7.441,98 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10166.720115/201065 Acórdão n.º 280101.884 S2TE01 Fl. 225 4 2009 7.776,87 005 – Dedução indevida de Previdência Privada/FAPI Exercício Valor (R$) 2008 7.235,50 2009 10.400,00 Da Multa Qualificada de 150% e da Representação Fiscal Para Fins Penais A autoridade lançadora aplicou multa de ofício qualificada de 150% e procedeu à lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, por entender que os fatos verificados no curso da fiscalização, como a apresentação reiterada de declarações com deduções fictícias, visando restituições indevidas, demonstram práticas que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificado do Auto de Infração, o contribuinte apresenta impugnação às fls.152/159, na qual expõe seus argumentos de defesa adiante.” Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIOS NA ORIGEM DO PROCEDIMENTO FISCAL E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido a ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, acompanhado da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência, descabe a argüição de vício na origem do procedimento fiscal. Não há cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração preenche os requisitos legais. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. DEDUÇÕES INDEVIDAS DE DESPESAS MÉDICAS, INSTRUÇÃO (PARCIAL) E PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo sujeito passivo. DEDUÇÕES INDEVIDAS DE DEPENDENTES, INSTRUÇÃO E PENSÃO JUDICIAL. Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual, todas as despesas estão sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea. São restabelecidas as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. A prática dolosa e reiterada tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu Fl. 231DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10166.720115/201065 Acórdão n.º 280101.884 S2TE01 Fl. 226 5 pagamento, bem como para a obtenção de restituições indevidas, justifica a aplicação da multa qualificada. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE Ao órgão colegiado de julgamento administrativo de primeira instância não é dada a competência para pronunciarse sobre inconstitucionalidade de norma legal que instituiu a aplicação de multas e cobrança de juros de mora. Os mecanismos de controle da constitucionalidade passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário.” DECISÕES JUDICIAIS. Somente produzem efeitos no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as decisões judiciais definitivas do Supremo Tribunal Federal acerca de inconstitucionalidade da lei em litígio, e desde que emitido ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando basicamente: (i) a nulidade do auto de infração por cerceamento à ampla defesa; (ii) a impossibilidade de aplicação de multa superior 75% do valor do débito, sob pena de confisco; e (iii) a afronta ao princípio da igualdade tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Tratase de Auto de Infração lavrado com o escopo de promover a cobrança de suposto débito de IRPF devido pelo Recorrente nos Exercícios de 2005 a 2009, tendo em conta deduções fraudulosamente realizadas, nos termos do apurado mediante investigação realizada pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da 1ª Região Fiscal, conjuntamente com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. Naquele procedimento investigatório, restou comprovado que o Recorrente e outros contribuintes, em conluio com o Sr. Luis Joubert dos Santos Lima, organizaram uma sistemática para burlar o Fisco, elaborando declarações com deduções fictícias. Justamente por isso, em face do Recorrente foi lavrado o auto de infração para a cobrança tanto do tributo pago a menor por ocasião das deduções indevidas, quanto de multa, aplicada no percentual de 150% sobre o valor do débito, em razão do mesmo ter agido com dolo, fraude ou simulação com escopo de burlar o Fisco. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10166.720115/201065 Acórdão n.º 280101.884 S2TE01 Fl. 227 6 Irresignada com essa autuação fiscal, em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente alega, basicamente: (i) nulidade do auto de infração por cerceamento à ampla defesa; (ii) impossibilidade de aplicação de multa superior 75% do valor do débito, sob pena de confisco; (iii) afronta ao princípio da igualdade tributário. Nenhuma das alegações recursais merece prosperar. Primeiramente, com relação à nulidade do auto de infração por cerceamento ao direito de defesa, a mesma é de todo falaciosa, na medida em que a autuação fiscal foi promovida observandose todos os requisitos exigidos no Decreto nº 70.235/72. Além do que, desde o início o Recorrente fora intimado para se insurgir contra todos os atos ocorridos no processo, de modo que não se pode falar em cerceamento ao seu direito à ampla defesa. Com relação à alegação de inconstitucionalidade da aplicação da multa no patamar de 150%, por afronta ao princípio da proibição ao confisco, insculpido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, este E. Conselho de Contribuintes não pode conhecer da matéria, por absolutamente incompetente conforme orientação de seu enunciado de Súmula nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por fim, com relação à alegação de inobservância ao princípio da igualdade, o Recorrente sequer se manifestou sobre o alcance do princípio em sua situação peculiar. De sua peça recursal é impossível inferir qual a tese que o mesmo objetivava sustentar ao lançar mão de tal princípio. Em mero exercício de elucubração, acaso o mesmo tenha tentado, com esteio em tal princípio, questionar a constitucionalidade da aplicação da multa de 150% ao seu caso específico, seu argumento não haveria de prosperar, na medida em que a apuração de sua infração foi precedida de robusta investigação fiscal e criminal, não tendo sido carreada ao processo qualquer prova capaz de afastar essa presunção de fraude e dolo. Diante do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 233DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003445/2006-23
Data da sessão: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Para efeito
de determinação da receita omitida, devem ser excluídos, no caso de pessoa física, os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, sendo incabível a autuação no caso de valores que não alcancem ditos limites (art. 42, § 30, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, com a redação da Lei n°. 9.481, de 1997).
Recurso negado.
Numero da decisão: 3804-000.118
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da
Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Para efeito de determinação da receita omitida, devem ser excluídos, no caso de pessoa física, os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, sendo incabível a autuação no caso de valores que não alcancem ditos limites (art. 42, § 30, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, com a redação da Lei n°. 9.481, de 1997). Recurso negado.
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I A .,,A,:yso No. MINISTÉRIO DA FAZENDA ??2-1(t".) lik> CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS„:TÀ "147'è TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11020.003445/2006-23 Recurso n° 159.558 Voluntário Acórdão n" 3804-00.118 — 4' Turma Especial Sessão de 25 de junho de 2009 Matéria IRPF - Ex(s): 2002 Recorrente MARI IVETE SCHVANTES FURLANETTO Recorrida 4' TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Para efeito de determinação da receita omitida, devem ser excluídos, no caso de pessoa física, os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, sendo incabível a autuação no caso de valores que não alcancem ditos limites (art. 42, § 30, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, com a redação da Lei n°. 9.481, de 1997). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. NEL N - residente JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO Relator Processo n° 11020.003445/2006-23 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.118 Fl. 2 78 SET 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Júlio Cezar da Fonseca Furtado e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 11020.003445/2006-23 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.118 Fl. 3 Relatório Adoto, in totum, o Relatório da Decisão recorrida, verbis: Contra A contribuinte retro mencionadA foi lavrado o Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Física de fls. 06/12, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 13/24, exigindo o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 60.415,69, incluindo multa de oficio de 75% e juros de mora. Da ação fiscal restou a constatação da seguinte irregularidade: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação as quais á contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como as contas bancárias foram mantidas em conjunto com a Sr. Deolino Furlanetto e as declarações de ajuste dos titulares foram apresentadas separadamente, com tributação proporcional dos rendimentos, na forma preconizada pelo art. 6°, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999, foi imputado a cada titular 50% dos valores não comprovados, conforme disposto na IN-SRF n°246/2002 e Lei n° 10.637/2002. Enquadramento Legal: Art. 849 do RIR/99; art. 42 da Lei n° 9.430/1996; art. 4° da Lei n° 9.481/97 e art. 1° da Lei n° 9.887/99. Não se conformando com a exigência, a contribuinte apresenta impugnação tempestivamente, alegando, em resumo, que o imposto de competência da União, incidente sobre a renda ou proventos de qualquer natureza, só poderá ser exigido sobre a parcela corresponde ao efetivo acréscimo patrimonial, que deverá ser real e cabalmente demonstrado pelo poder tributante, ou seja, deve-se ter como regra basiliar que o ônus da prova, visto muito mais como um dever na execução do lançamento tributário, é de competência exclusiva do Fisco. Assim, segundo a impugnante, a totalidade dos valores de depósitos (e que não correspondiam a transferências de contas do mesmo titular), no montante de R$ 182.261,27 (cento e oitenta e dois mil, duzentos e sessenta e um reais e vinte e sete centavos), foram considerados pelos fiscais como rendimentos omitidos à tributação. Destaca, ainda, que os valores de rendimentos de aluguéis no montante de R$ 52.441,91 (cinqüenta e dois mil quatrocentos e quarenta e um reais e noventa e um centavos) representados pela soma dos seus rendimentos e de seu esposo e constante nas respectivas declarações de ajuste anual, bem como a receita obtida pela alienação de um terreno em Cidreira (RS), no montante de R$ 8.000,00(oito mil reais), não foram considerados pelos autuantes, como depósitos comprovados, ou seja, a autoridade lançadora considerou que os rendimentos declarados pela impugnante e seu esposo, não circularam nas contas bancárias mantidas pelos mesmos, de forma conjunta. 3 Processo n° 11020.003445/2006-23 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.118 Fl. 4 Aponta que a presunção do Fisco encontra-se embasada tão-somente nos valores de depósitos em cotas bancárias e constantes nos extratos de movimentação, sem qualquer outro elemento que dê suporte à presumida omissão de renda, tais como: crescimento patrimonial a descoberto, gastos incompatíveis com os rendimentos declarados, sinais exteriores de riqueza, entre outros. Discorda da situação narrada pelos Fiscais, alegando ser totalmente fantasiosa e não corresponder com a verdade dos fatos, e por considerar o fato de que a autoridade administrativa presumiu que os valores dos rendimentos de aluguéis não transitaram nas contas bancárias examinadas e desconsiderou, por inteiro, os esclarecimentos prestados, em especial quanto à justificativa de que vários valores depositados temporariamente na conta bancária eram originados de recursos próprios (saldo em moeda corrente nacional), mantidos pela impugnante e perfeitamente identificados nas declarações de ajuste anual. Reitera que, mesmo que hipoteticamente pudesse o Fisco legalmente presumir que os depósitos bancários equivalessem à receita para fins de tributação, não poderiam os fiscais desconsiderar os rendimentos constantes nas declarações de ajuste anual que, necessariamente, deveriam ser abatidos e, desta forma, se possível fosse, ser tributada somente a diferença existente entre os valores de receita declarados pela impugnante e seu esposo e os valores dos depósitos bancários, tidos presumidamente como receita. No caso os fiscais justificaram a exigência tributária ora combatida, como base na presunção prevista no caput do art. 42, da Lei 9.430/96, sem contudo restar autorizada, pelo dispositivo legal invocado, a utilização da presunção para o fato concreto, objeto do auto de infração e lançamento de oficio ora impugnado. Sustenta que a utilização da presunção para equiparar valores representados por depósitos bancários à renda auferida pelo titular da conta corrente bancária é inconstitucional por criar fato imponível não previsto no inciso III, do art. 153 e malferir o princípio da estrita reserva legal, constante no art. 150, I, ambos da Constituição Federal. Alega que a presunção da ocorrência do fato gerador do IRPF, com base nos valores consignados em extratos bancários seria possível se (e somente se) o Fisco utilizasse esses elementos como base de cálculo do imposto após a realização de robusta prova de acréscimo patrimonial exteriorizado por sinais de riqueza, tais como: crescimento patrimonial a descoberto, gastos incompatíveis com os rendimentos declarados, entre outros. Afirma que o Fisco tem a seu dispor todas as ferramentas e condições para apurar as receitas e/ou rendimentos omitidos em tese, através de depósitos bancários não declarados, razão pela qual, desde a vigência da Lei Complementar n° 105/01, o Fisco tem o dever de provar a ocorrência dos fatos jurídicos tributários e não simples ônus da prova. Solicita a nulidade do Auto de Infração uma vez que os fiscais não teriam logrado demonstrar a ocorrência do fato imponível do Imposto de Renda Pessoa Física, nos termos expressamente exigidos através da Lei Complementar 105/2001 (art. 5°, § 4°). Alega, por sua vez, ser ilegítimo o lançamento do imposto arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, citando uma edição do extinto Tribunal Federal de Recursos de 1° de outubro de 1995 a Súmula n° 182. 4 Processo n° 11020.003445/2006-23 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.118 Fl. 5 Comenta que a impropriedade do procedimento do Fisco e a profusão de lançamentos inconsistentes de IR com base em dados extraídos de extratos bancários, que causam insegurança jurídica na relação com os contribuintes, ensejou a edição do Decreto-lei n° 2.471, de 1° de setembro de 1988, que em seu artigo 9° determinou o cancelamento de débitos constituídos através de arbitramento com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Por fim, solicita alternativamente, na eventual hipótese de ser mantido o auto de infração, seja abatido dos valores levantados pelo Fisco, nas contas bancárias mantidas pela ora defendente e seu esposo, o montante correspondente aos valores de receitas de aluguel e o valor representado pela alienação de bem imóvel, constantes na declaração de ajuste anual de ambos, conforme razões anteriormente expendidas. Buscando corroborar suas razões de defesa, cita ao longo de sua peça contestatória, trechos de obras de caráter doutrinário e ementas de decisões administrativas e judiciais exaradas sobre os temas que desenvolve." A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS, por sua 4" Turma julgou procedente o julgamento, conforme Acórdão 10-11.473, cujas conclusões acham-se sintetizadas em sua Ementa, verbis: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 NULIDADE - IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. 5 Processo n° 11020.003445/2006-23 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.118 Fl. 6 "Súmula 1° CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de leis tributárias." Inconformada, a interessada interpôs o recurso voluntário 182/198. É o Relatório. 6 Processo n° 11020.003445/2006-23 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.118 Fl. 7 Voto Conselheiro JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele torno conhecimento. Trata-se de Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Física de fls. 06/12, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 13/24, em que se exige da recorrente o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 60.415,69, incluindo multa de oficio de 75% e juros de mora. O procedimento fiscal designado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n.° 10.1.06.00-2006-00269-5, levado a efeito contra a Recorrente teve por objeto a revisão da Declaração Anual de Rendimentos do exercício de 2002, ano-calendário de 2001. Segundo o relato da autoridade lançadora foi constatada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes mantidas em duas instituições financeiras (Banco do Brasil e Banrisul), em relação às quais a Recorrente não teria comprovado, mediante documentação "hábil e idônea", a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme justificativa aposta no Termo de Constatação Fiscal de fls. 13/24. Como se trata de conta corrente conjunta com o esposo, Sr. DEOLINO FURLANETO — CPF 057.455.000-34, que, igualmente, foi intimado a manifestar-se, os valores lançados, conforme RESUMO MENSAL — DEPÓSITOS E/OU CRÉDITOS (Fls. 19), foram divididos na proporção de 50% (cinqüenta por cento), atribuindo-se a cada titular a quantia de R$ 88.080,64 Alega a Recorrente, em preliminar, matéria relativa à garantia de instância, tema já superado pelo Ato Declaratório Interpretativo RFB n°. 9, de 05 de junho de 2007, que dispõe sobre a inexigibilidade do arrolamento de bens e direitos para seguimento de recurso voluntário. Portanto, carece de quaisquer considerações. Quanto ao mérito, a Recorrente reporta-se às razões apresentadas em sede impugnatória, requerendo que sejam tidas como integrantes deste apelo. A matéria em exame é do conhecimento deste Conselho de Contribuintes. Trata-se da autuação por depósitos bancários de origem não comprovada, com suporte na Lei n°. 9.430/96, que em seu artigo 42, e parágrafos, estabelece: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (.) 7 Processo n° 1 1 020.003445/2006-23 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.118 Fl. 8 § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1— os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais)." §4° Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. 5 50 Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Compulsando-se o RESUMO DA PLANILHA — TOTAL DOS CRÉDITOS A TRIBUTAR (fls. 19), verifica-se que, no ano-calendário 2001, nos meses junho e dezembro, os depósitos bancários objeto de lançamento foram superiores a R$ 12.000,00, totalizando no ano R$ 88.080,64, fazendo com que todos os depósitos estivessem, portanto, dentro do campo de incidência da presunção. Dessa forma, não tendo a interessada comprovado a origem dos citados depósitos com documentação hábil e idônea, não há como modificar o resultado da decisão recorrida. Diante do exposto, oriento o meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2009 .,"14 JULIO CEZAR %;A FONSECA FURTADO - Relator 8
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Numero do processo: 10845.000339/85-18
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 1989
Numero da decisão: 303-00.216
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter, novamente o julgamento, em diligencia, à origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO
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score : 1.0
Numero do processo: 10980.007437/2008-05
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004, 2005
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. EXIGÊNCIA DE PROTOCOLIZAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. RECONHECIMENTO PELO IBAMA ANTERIORMENTE À OCORRÊNCIA DO FATO
GERADOR.
A partir do exercício 2001, para fins de exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da base de cálculo do ITR, faz-se necessário a existência de ADA tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA, sendo que tal exigência é suprida pelo reconhecimento por parte daquele órgão, em data anterior à ocorrência do fato gerador, da existência de tais áreas.
VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE LAUDO TÉCNICO.
Laudo técnico de avaliação elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), constitui documento hábil a comprovar o Valor da Terra Nua ali especificado.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a dispositivos constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos
preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. EXIGÊNCIA.
Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, correta a lavratura de auto de infração para a exigência do tributo, aplicando-se a multa de ofício de 75%.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Preliminares rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.330
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para, em ambos os exercícios, restabelecer os montantes de 590,38 ha a título de Área de Reserva Legal e 126,90 ha a título de Área de Preservação Permanente, bem como alterar o VTN para R$ 518.094,96. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. EXIGÊNCIA DE PROTOCOLIZAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. RECONHECIMENTO PELO IBAMA ANTERIORMENTE À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A partir do exercício 2001, para fins de exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da base de cálculo do ITR, fazse necessário a existência de ADA tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA, sendo que tal exigência é suprida pelo reconhecimento por parte daquele órgão, em data anterior à ocorrência do fato gerador, da existência de tais áreas. VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE LAUDO TÉCNICO. Laudo técnico de avaliação elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), constitui documento hábil a comprovar o Valor da Terra Nua ali especificado. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a dispositivos constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 263 2 Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. EXIGÊNCIA. Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, correta a lavratura de auto de infração para a exigência do tributo, aplicandose a multa de ofício de 75%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminares rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para, em ambos os exercícios, restabelecer os montantes de 590,38 ha a título de Área de Reserva Legal e 126,90 ha a título de Área de Preservação Permanente, bem como alterar o VTN para R$ 518.094,96. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 284DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 264 3 Por sua pertinência, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 206/209), que reproduzo a seguir: “Exigese da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata nas Declarações do ITR — DITR/2004 e 2005, no valor total de R$ 240.713,48, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Serra Negra, localizado no município de Guaraqueçaba PR, com Número na Receita Federal — NIRF 1.549.9430, com área total de 1.128,8ha conforme Auto de Infração AI de fls. 01 e 104 a 113, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 106 e 109 a 112. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios 2003 a 2005, especialmente a Área de Preservação Permanente — APP, Área de Reserva Legal — ARL e o Valor da Terra Nua — VTN, a declarante foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, fls. 02 e 03. Entre os mesmos constam: cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA; Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, relativamente à demonstração de existência da APP conforme enquadramento legal (art. 2 °, da lei n° 4.771/1965 — Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART; Certidão do Órgão Público competente, caso o imóvel, ou parte dele, esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente nos termos do art. 3 °, do Código Florestal, acompanhado do Ato do Poder Público que assim a declarou; cópia da matricula do imóvel, caso exista averbação de ARL de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN ou outros tipos de Área de Utilização Limitada — AUL; Termo de Responsabilidade/Compromisso de averbação ou Termo de Ajustamento de Conduta da ARL; Ato especifico de órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como Área de Interesse Ecológico — AIE e; Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, com atenção aos requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram ã convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima. 3. Foi informado, inclusive, que na falta de atendimento à intimação poderia ser efetuado o lançamento de oficio com arbitramento do VTN com base no valor informado no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT, conforme a legislação. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 265 4 4. Após pedir e ser deferido prorrogação de prazo, fls. 15 a 28, com a carta de fl. 29 foi encaminhada a documentação de fls. 30 a 97, composta por: cópia de documento de identificação do procurador, procuração, laudos de avaliação e de comprovação de APP, pesquisa de mercado representado por uma planilha de preços de terras elaborada pelo Instituto FNP, referente a alguns município do Paraná, cópia de matriculas do imóvel, ART, mapa do imóvel, oficio do IBAMA informando da localização da propriedade em área de Proteção Ambiental — APA de Guaraqueçaba, Termos de Compromisso de averbação de ARL e, ADA/2007. 5. Na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, através de longas explanações a autoridade fiscal explicou da intimação, dos documentos encaminhados em atendimento e da análise dos mesmos. 6. Com relação às áreas isentas destacou a base legal para exigência do ADA e do prazo para sua protocolização no IBAMA. Observou da divergência de informações quanto às dimensões da APP e ARL constante do laudo, mapa, matriculas do imóvel e dos termos de compromisso, bem como da não exclusão da parte relativa à APP constante dos termos e da não demonstração da localização dessas áreas no mapa. Assim, tendo em vista que o ADA/2007 apresentado é intempestivo para os exercícios em pauta, bem como existir divergências nas dimensões da ARL e estar mesclada com a APP, entre outras incorreções, foi procedida a glosa dessas áreas. 7. Com relação ao VTN foram apontados alguns dos diversos vícios do laudo de avaliação, o qual não preencheu os requisitos mínimos constantes das normas da ABNT, tais como: embora haver sido informado a utilização do Método Comparativo de Mercado, não constam as pesquisas efetuadas conforme recomendação das normas da ABNT; apesar de a maioria dos variáveis ser relativa a valores médios apurados pela Secretaria da Agricultura e FNP, foram arbitrados fatores relativos a dimensão e localização que variam de 0,8 a 1,0, sem qualquer esclarecimento relativos aos critérios adotados para desprezar a média de valores já levantados pelos institutos de pesquisas apontados no laudo. Com base nisso e das demais incorreções constantes da descrição dos fatos, o VTN foi alterado com a utilização dos valores da tabela do SIPT, referente ao preço de terras mistas não mecanizáveis. 8. Procedidas as mencionadas modificações bem como dos demais dados conseqüentes, foi lavrado o Al, cuja ciência foi dada à interessada em 06/06/2008, fl. 117. 9. A impugnação foi apresentada em 01/07/2008, fls. 118 a 165, na qual após tratar Dos Fatos, reproduzindo parte da Descrição do AI, a impugnante apresentou seus argumentos de discordância alegando, em resumo, os seguintes: 9.1. Preliminarmente Fl. 286DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 266 5 9.1.1. Nulidade. Da incompetência do Agente Fiscal em Matéria Ambiental 9.1.1.1. Com relação à glosa das áreas isentas alegou que o Agente Fiscal não possui atribuições para atuação na esfera ambiental, sendo cometido visível abuso de poder, pois, ao glosar a APP e ARL o Agente ultrapassa seu limite de atuação definido em lei formal. 9.1.1.2. Frisou a distinção de competência entre matéria de cunho ambiental e tributário. 9.1.1.3. Somente o IBAMA teria competência para analisar e averiguar a existência ou não das APP ARL. 9.1.1.4. Aprofundouse no tema reproduzindo legislação tributária e ambiental, afirmando, reiteradamente, entre outros assuntos, que não há previsão legal que autorize o Fisco a desconsiderar as áreas protegidas por lei federal, sem a manifestação dos órgãos competentes em matéria ambiental. 9.1.2. Nulidade. Da ausência de motivos 9.1.2.1. Disse não haver motivo para exigência do laudo de avaliação nos termos das normas da ABNT, com grau de precisão II. Aprofundase na matéria destacando a que a declaração feita pelo contribuinte não necessita de comprovação, mas, está sujeita à homologação pela Receita Federal. 9.1.2.2. Prosseguiu no assunto reproduzindo jurisprudência que do Conselho de Contribuinte relativamente à apresentação de laudos eficazes, entre outros. 9.1.3. Do Principio da Autotutela 9.1.3.1. Neste item tratou da possibilidade da Administração anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade. 9.2. Do direito 9.2.1. Do Lançamento Improcedente 9.2.1.1. Praticamente repetiu as principais alegações preliminares, inclusive reproduzindo, novamente, alguns dos dispositivos legais referentes a não necessidade de prévia comprovação por parte do declarante. 9.2.2. Da Área de Preservação Permanente 9.2.2.1. Discorreu, longamente, a respeito do tema; tratou da dimensão da APP na propriedade; afirmou que atende aos requisitos legais, bem como às demais exigências ambientais; que a documentação fornecida estaria em completa consonância com a lei e que a Lei foi aprovada pelo órgão estadual competente, o Instituto Ambiental do Paraná — IAP; explanou Fl. 287DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 267 6 sobre a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, da base legal que embasou a glosa, do questionamento do Fisco quanto a exigência de ADA com base em Instrução Normativa — IN, entre outros. 9.2.2.2. Reiterou a questão de desnecessidade de protocolo do ADA reproduzindo jurisprudência que trata do tema. 9.2.3. Da área de utilização limitada (Reserva Legal) 9.2.3.1. Questionou da glosa com argumentos similares aos da APP. 9.2.3.2. Disse que fez prova da ARL com Termos de Compromisso e matriculas do imóvel, entre outros documentos. 9.2.3.3. Reiterou da não necessidade da exaustiva documentação exigida pelo Fisco e reproduziu parecer doutrinário referente a dano ambiental nas áreas que não possuem APP e ARL. 9.2.4. Da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba 9.2.4.1. Reiterou haver fornecido toda a documentação exigida e demonstrou a existência da APP e ARL. 9.2.4.2. Salientou que o imóvel se encontra inserido totalmente na APA de Guaraqueçaba, criado pelo Decreto n° 90.883/1985. 9.2.4.3. Explanou sobre as características da APA. 9.2.4.4. Tratou do Oficio do IBAMA que comunica da localização do imóvel dentro dos limites da APA. 9.2.4.5. Prosseguiu no tema reiterando que ficou demonstrada a localização do imóvel dentro da APA e que, além disso, está inserido no Bioma Mata Atlântica, o qual, por lei, também está isento de tributação. 9.2.5. Do valor da Terra Nua 9.2.5.1. Tratou do laudo apresentado afirmando haver sido elaborado de acordo com as normas da ABNT. 9.2.5.2. Reproduziu jurisprudência que trata do tema, no qual se discorda autuação por se entender que o laudo apresentado (naqueles autos) seria suficiente para demonstrar a razão do contribuinte e que contém elementos de sobra para refutar o valor atribuído pelo Fisco. 9.2.5.3. Discordou da avaliação por meio do SIPT, alegando que não teve acesso a esse sistema, sendo, assim, prejudicado seu exercício de defesa. 9.2.5.4. Aprofundouse no tema e concluiu pela improcedência do lançamento que arbitrou novo VTN, vez que a apuração contida no laudo é suficiente para comprovar o valor apresentado e, como as informações do SIPT não foram fornecidos, ficou caracterizada a nulidade. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 268 7 9.2.6. Da Multa e Juros de mora 9.2.6.1. Entre os argumentos de discordância afirmou que a multa, de caráter punitivo, é aplicada quando o contribuinte presta subavaliação nas declarações ou informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, então, corretamente se aplica o Lançamento de Oficio. 9.2.6.2. Todavia, como já ficou comprovado, o contribuinte agiu corretamente e não cometeu nenhuma infração. 9.2.6.3. Também discorreu sobre os juros e, entre outras alegações, disse haver ocorrido ofensa aos princípios da capacidade contributiva e não confisco. 9.2.6.4. Após outros argumentos finalizou afirmando ser incabível a aplicação de juros e multa, eis que improcedente a majoração realizada pelo fiscal e, ainda, por não ter sido prolatada decisão final sobre a existência e exigibilidade desse "novo" crédito, erroneamente apurado. 9.3. Do Pedido. Pelo exposto requereu: 9.3.1. Seja a impugnação conhecida e provida. 9.3.2. A declaração da nulidade do lançamento de oficio ante a incompetência da Autoridade Fiscal para emitir juízos de valor em matéria ambiental, ante a ausência de motivo válido e, por fim, ante a não observância do procedimento devido para apurar eventuais inexatidões constantes da DITR. 9.3.3. A improcedência do lançamento ante a desnecessidade de apresentação do protocolo ADA e averbação na matricula do imóvel para reconhecimento da APP e ARL. 9.3.4. Seja o lançamento considerado improcedente por apresentar estrita ilegalidade. 9.3.5. A revisão do lançamento, dirimido os erros ocorridos, importando em retificação nas dimensões apontadas como de Utilização Limitada, ARL, no montante de 612,7ha e APP no montante de 180,2ha e o VTN no total de R$ 518.094,96. 9.3.6. A suspensão e inexigibilidade do credito tributário até o final do julgamento. 9.3.7. 0 afastamento dos juros de mora e multa, ante a improcedência da majoração realizada e, por fim, o afastamento daqueles por importar a retificação em novo lançamento. 9.3.8. A produção de todos os meios de provas em direito admitidos, em especial a prova documental. 10. Instruiu sua impugnação com os documentos de fls. 166 a 202, os quais são, basicamente, parte dos mesmo encaminhados ao Fisco. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 269 8 11. É o relatório.” A DRJ/Campo GrandeMS julgou a impugnação improcedente (fls. 204/218), nos termos das ementas abaixo transcritas: Área de Proteção Ambiental APA Legalmente, a Área de Proteção Ambiental APA é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem estar, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Por isso, a sua exploração tem especial controle pelos órgãos ambientais. Porém, o fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR, mas, somente as Áreas de Preservação Permanente – APP nela contidas, sejam as definidas pelo s6 efeito do Código Florestal ou assim declaradas por Ato do Poder Público, em caráter especifico para determinada área da propriedade e desde que cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária. Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico especifico e averbação na matricula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em ate seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de beneficio fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN Laudo Técnico O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Pregos de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 270 9 consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Inicialmente, aquele órgão julgador rejeitou todas as preliminares de nulidade suscitadas. Quanto às áreas de preservação permanente APP e de reserva legal ARL, destacou que para excluílas da base de cálculo do ITR, além da comprovação de sua existência, seja através de laudo técnico, seja através de Ato especifico do Poder Público, é necessário comprovar, também, a regularização dessas áreas junto ao IBAMA, com a apresentação do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício fiscalizado, sendo que, no presente caso, o ADA foi protocolado intempestivamente, em 03/10/07. Ressaltou que a ARL deve ser averbada a margem da matrícula de registro de imóveis, nos termos do artigo 16 e seu parágrafo 2°, da Lei n° 4.771/1965, o Código Florestal. Destacou, ainda, que foram constatadas divergências quanto às dimensões da APP e ARL informadas no laudo com relação às matriculas e termos de compromissos, que a APP não foi excluída da ARL e que tais áreas não foram localizadas nos mapas apresentados, fatos que inviabilizam a suas visualizações exatas. No que diz respeito ao arbitramento do VTN pela Fiscalização, entendeu que o laudo apresentado não pode ser aceito para questionar o valor lançado e que o procedimento de apuração do VTN com base no SIPT foi efetuado em consonância com a legislação, como pode ser observado no trecho abaixo do respectivo acórdão: Da análise desse documento, entre as inconsistências observadas as principais são as seguintes: embora se informe que o método utilizado é o Comparativo Direto de Dados de Mercado e que a pesquisa de mercado e o tratamento dos dados foram efetuados conforme recomendações das normas técnicas da ABNT, não consta nenhuma pesquisa de mercado, mas, apenas valores genéricos para o município obtidos junto A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná — SEAB, tabela da Prefeitura relativamente ao Imposto sobre Transferência de Bens Imóveis — ITBI, relatório da FNP (em cuja planilha não se visualiza valores para o município em foco) e opinião de corretor imobiliário, pessoa não habilitada para informações com força de modificar o VTN. 60. Não foi apresentado nenhum comprovante idôneo, como certidão de cartório ou jornal da época, atestando negociação efetivada e/ou a oferta concreta de imóveis com características semelhantes às da propriedade em pauta, que conforme a ABNT deve ser na quantidade mínima de cinco elementos. Neste ponto apenas se argumentou que o cartório não tinha como disponibilizar tais informações, porém, não juntou certidão dessa negativa, ou seja, qual seria a razão de negar informações de escritura pública. 61. Alem disso, quando do tratamento dos valores genéricos constantes da tabela da SEAB (que já são valores médios), sem demonstrar os critérios para apuração dos coeficientes quanto a Fl. 291DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 271 10 localização e/ou dimensão e de equivalência expostos nas planilhas, apurou novos valores médios. Após a apuração desses novos valores médios, no tratamento estatístico dos elementos apurou, novamente, outras médias de valores, se distanciando, cada vez mais, dos valores iniciais. 62. É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 146533, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos deve ser considerado parecer técnico. 63. Deve ser observado que os dados constantes da planilha da SEAB são valores médios de referência, apurados já levando em consideração os diversos tipos de terras do município. Assim sendo, os preços devem ser aplicados nas dimensões dos respectivos tipos de qualidades de solo existentes no imóvel avaliando, tais como: APP, ARL (cujas isenções não foram comprovadas), Pastagens, etc. 64. Inconteste, portanto, o fato de que o Laudo trazido aos Autos não apresenta grau de fundamentação II, conforme exigido na intimação, não havendo como, em sede de julgamento, ser aceito levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento, o qual, aliás, é o mesmo informado na DITR em pauta, pois, não houve alteração de oficio. 65. Quanto à discordância dos valores do SIPT é importante esclarecer que a tabela de valores deste sistema é uma das ferramentas utilizadas pela auditoria como critério interno, como referência, para conferência dos dados declarados. É alimentada com informações de órgãos ligados â questão da terra, bem como pelos valores médios das declarações constantes da base de dados da Secretaria da Receita Federal — SRF. 66. Há de ser frisado, ainda, que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo na legislação já citada, Lei n° 9.393/1996, art. 14. 67. Embora conste da legislação, na impugnação foi questionada sua aplicabilidade, a falta de publicação dos métodos de cálculo, do valor por hectare, entre outros. 68. Quanto à falta de publicidade, apesar de a alegação não ser pertinente, haja vista que não há obrigatoriedade de publicidade dos parâmetros de malha fiscal, há de ser esclarecido que os métodos de apuração de valores são de competência das secretarias de agricultura dos estados e municípios, que fornecem os valores para a SRF. Ou seja, a Receita, por determinação legal, apenas utiliza as informações desses órgãos para alimentar o SIPT. 69. Por outro lado, o que importa à contribuinte não é conhecer os valores constantes do SIPT ou da média de valores declarados, mas, apresentar provas da origem da avaliação de seu imóvel, de forma que justifique o valor declarado, que Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 272 11 poderá ser aceito, mesmo sendo aquém dos valores do SIPT, desde que embasados em documentos idôneos e convincentes. 70. Além disso, contrariamente ao reclamado na impugnação, o VTN por hectare foi, sim, informado pelo Fisco. No AI está bem explicado da utilização do prego por hectare relativo a Terra Mista Não Mecanizável, R$ 550,00 e R$ 600,00, respectivamente para 2004 e 2005, bem próximo dos menores preços da tabela da SEAB pesquisados pela própria impugnante, embora na propriedade exista pastagem nativa e plantada, cujos preços são, inclusive, superiores aos considerados no AI. Na planilha colada no laudo de avaliação se visualizam os valores mínimos e máximos de R$ 450,00 e R$ 2.800,00 apurados por aquela secretaria, fato que evidencia ainda mais a improcedência deste questionamento.” Cientificada da decisão de primeira instância em 15/10/10 (fls. 221), a interessada interpôs, em 16/11/10 (fls. 224/257), em que reitera todas as preliminares de nulidade arguídas na impugnação, bem como as alegações relativas ao mérito expostas naquela defesa, para, ao final, formular os seguintes pedidos: “A) Seja o Recurso Voluntário conhecido e provido; B) A declaração da Nulidade do Lançamento de Oficio ante a incompetência da Autoridade Fiscal para emitir juízos de valor em matéria ambiental e pela ausência de motivo de direito e, por fim, ante a não observância do Procedimento devido para apurar eventuais inexatidões constantes do DITR; C) A improcedência do Lançamento de Oficio e do Acórdão 04 21.889 — 1a Turma da DRJ/CGE ante as informações contidas no Laudo Técnico e demais documentos fornecidos que comprovam o declarado pelo contribuinte; D) A Suspensão e inexigibilidade do crédito tributário até o final do julgamento; E) O afastamento dos Juros de Mora e Multa calculados, ante a improcedência da majoração realizada e o afastamento daqueles por importar a retificação em novo lançamento; F) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a prova documental.” É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 273 12 Cumpre assinalar, inicialmente, que as questões relativas à legalidade da exigência de apresentação de Laudo de avaliação em conformidade com as regras da ABNT, para fins de revisão do VTN, assim como a exigência da multa de ofício e juros de mora, são matérias que não se enquadram como preliminares, logo serão apreciadas quando da análise do mérito. Quanto às demais preliminares de nulidade suscitadas, não assiste razão à recorrente, como bem esclarecido e fundamentado no acórdão recorrido, motivo pelo qual peço venia para adotar como razões de decidir os seguintes trechos expostos no aludido aresto, que reproduzo a seguir: “Primeiramente deve ser observado que o lançamento foi legal e corretamente efetuado. Preencheu todos os requisitos necessários para sua elaboração, não existindo nenhum vicio formal ou material para que possa ser anulado. 14. Apesar disso, além das questões de mérito, a impugnante tratou de matérias preliminares como incompetência do Fisco para glosar áreas preservadas; ferimento de princípios constitucionais, como o da legalidade para exigência de averbação e ADA, do não confisco, com relação ao valor da multa e dos juros; entre outros, assuntos que serão tratados preliminarmente. 15. Quanto à alegação de incompetência do Fiscal para glosar áreas preservadas, a mesma não procede. Apesar de as razões da glosa se tratar de matérias a serem analisadas no mérito, facilita a compreensão adiantar a explicação que as áreas não foram desconsideradas por descaracterização ou inexistência, assuntos de competência dos órgãos ambientais.O que busca o Fisco é a comprovação documental da regularização e a localização das áreas de floresta, que se supõe existir, para que sejam consideradas na apuração do ITR. Com a glosa não foram descaracterizadas as APP e ARL, mas, foram de realocadas para área tributável por não estarem regularizadas para efeitos de isenção, pois, para este fim, deve ser observado que o dispositivo legal de concessão de beneficio fiscal se interpreta restritivamente, assim, no caso do não preenchimento de requisitos legais para isenção, não há possibilidade de sua concessão.” As APP e ARL foram glosadas em virtude da protocolização intempestiva do ADA no IBAMA, ocorrida somente em 03/10/07 (fls. 97), e por ter sido constatado que nos mapas apresentados não consta a localização da aludidas áreas apuradas no laudo anexado. A partir do exercício 2001, a protocolização tempestiva do ADA é um dos requisitos legais para que a APP e a ARL não sejam tributadas pelo ITR, conforme disposto no art. 17O, §1º, da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, in verbis: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) Fl. 294DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 274 13 § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (grifos acrescidos) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que a interessada comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público, inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, que compilou a legislação do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal; (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (destaque meu) Para os exercícios 2004 e 2005, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido no art. 9º, § 3º, II, da IN SRF nº 256, de 11/12/02, in verbis: IN SRF nº 256, de 11/12/02 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 275 14 Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I – ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR.. (destaque meu) Diante do exposto acima entendo que a dispensa da exigência da protocolização tempestiva do ADA somente pode ocorrer se as áreas em questão tiverem sido reconhecidas como tais pelos órgãos ambientais competentes, à época do fato gerador. Verificando os Termos de Compromisso de Conservação de Reserva Florestal de fls. 75/96, constatase que o Instituto Ambiental do Paraná reconheceu, em 10/07/00, o montante de 717,28 ha de área de reserva legal e 126,90 ha de área de preservação permanente, todavia o quantitativo da área de preservação permanente está inserido no total da área de reserva legal. Por conseguinte do total de 717,28 ha de área de reserva legal deve ser excluído o montante de 126,90 ha, o que resulta em uma área de reserva legal de 590,38 ha. Por tais razões neste caso a ausência da protocolização tempestiva do ADA encontrase suprida para fins de reconhecimento do montante de 590,38 ha, a título de área de reserva legal, e de 126,90 ha, a título de área de preservação permanente. Quanto à alegação da Fiscalização de que “nos mapas apresentados não consta a localização das áreas totais de reserva legal e de preservação permanente apuradas no laudo” considero que o reconhecimento de tais áreas pelo Instituto Ambiental do Paraná, anteriormente à ocorrência do fato gerador, como demonstrado acima, constitui razão suficiente para atestar suas existências. Acerca do arbitramento do VTN, a autoridade entendeu que o laudo de avaliação apresentado (fls. 33/51) não se presta a comprovar o VTN do imóvel, por não terem sido determinados ou indicados os graus de fundamentação e de precisão do citado laudo, além de terem sido utilizadas em sua maioria variáveis relativas a valores médios apurados anualmente pela Secretaria Estadual de Agricultura e FNP, e ao determinar os índices agronômicos para a avaliação, são arbitrados fatores relativos a dimensão e localização que variam de 0,8 a 1,00, sem constar qualquer esclarecimento relativo aos critérios adotados. Com a devida venia da autoridade lançadora, não compartilho desse entendimento. Considero que o imóvel foi avaliado satisfatoriamente, haja vista que o respectivo laudo foi assinado por engenheira florestal, devidamente habilitada no CREA (fls. 67), cabendo destacar que foi utilizado o Método Comparativo Direto de Dados de Mercado como critério para a avaliação do imóvel. Nesse sentido foram coletadas informações sobre Fl. 296DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 276 15 valores de imóveis junto a órgãos públicos, Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná, Prefeitura de Guaraqueçaba, e à Imobiliária situada em município vizinho. Cumpre assinalar que tais fontes encontramse entre aquelas previstas no item 7.4.3.8 da NBR 14.653 da ABNT, e entendo que os métodos utilizados para determinação do VTN foram perfeitamente demonstrados no documento em questão. Convém ressaltar que o VTN apurado no aludido laudo para os exercícios 2004 e 2005, R$ 518.094,96, aproximase mais do VTN apurado pela Fiscalização do que daquele declarado pela contribuinte em suas respectivas DITR. Vale lembrar que, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Assim, foi com base nesse dispositivo legal, que analisei os documentos carreados aos autos. A contribuinte discorda, ainda, do percentual da multa de ofício. Por oportuno, confirase o que estabelecia o art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação então vigente: "Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72, e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Observese que a penalidade descrita no inciso "I" aplicase sempre que houver falta de recolhimento de imposto. No caso, houve falta de recolhimento do imposto exigido. Esta é exatamente a hipótese do inciso I acima, sendo legítima a multa de 75%. Acerca da exigência de juros de mora com base na taxa Selic, sobre o débito tributário em questão, este Conselho pacificou o entendimento pela sua aplicabilidade, nos termos da Súmula CARF nº 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto às arguições de inconstitucionalidades de leis e de ofensas a princípios constitucionais, cumpre assinalar que este Conselho não é competente para se pronunciar sobre tais matérias, conforme entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 2, in verbis: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 2801002.330 S2TE01 Fl. 277 16 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, acerca das decisões administrativas e judiciais citadas, cumpre informar que, com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Diante do exposto acima voto por REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para, em ambos os exercícios autuados, restabelecer os montantes de 590,38 ha, a título de área de reserva legal, e 126,90 ha, a título de área de preservação permanente, e alterar o VTN para R$ 518.094,96. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10845.000339/85-18
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 1990
Ementa: SUPERFATURAMENTO. Artigo 169, § 7º, inciso I, do Decreto-Lei nº 37/66, com a nova redação conferida pela Lei nº 6562/78.
Inaplicabilidade da excludente de punibilidade em razão de evidente inadequação à previsão legal, uma vez que os limites estabelecidos foram desrespeitados.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 303-25.888
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de contribuintes, pelo voto de qualidade, em acolher a preliminar argüida pelo Conselheiro relator, que considera sanada a questão da representação processual, vencidos os Conselheiros Carlindo de Souza Machado e Silva, Zorilda Leal Schall, Suplente, e José Alves da Fonseca, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso,na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA CSNR , Sessão de 22 de agosto de 19 90 ACOFRDÃO N.° 303-25.888 Recurso n.° 108.721 - Proc. n 2 10845-000339/85-18 Recorrente ALVESNYL TEXTIL E CONFECÇÕES LTDA Recorrid DRF/SANTOS-SP , Illn SUPERFATURAMENTO. Artigo 169, § 7 2 , inciso I, do Decreto-Lei milw n2 37/66, com a nova redação conferida pela Lei n 2 6562/78. Inaplicabilidade da excludente de punibilidade em razão de evidente inadequação à previsão legal, uma vez que os limi- tes estabelecidos foram desrespeitados. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, I ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em acolher a preliminar ar- güida pelo Conselheiro relator, que considera sanada a questão da re- presentação processual, vencidos os Conselheiros Carlindok3e Souza Ma- chado e Silva, Zorilda Leal Schall, Suplente,e José Alves da Fonseca, 1 no merito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso,na forma do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sess6e , em 22 de agosto de 1990. III P UL0 A g------2 ---..- ---- . ONSECA DE BA R V O FARIA JÚNIOR - Vice-Presidente (1 147 R I ESMERALDO BARRETO FILHO - Relator PIO --Cç 0'- P ocurador da Fazenda Nacional --' ----- - .- ?. VISTO EM SESS L O DE: 2 O ti "F 1990 Participaram, ainda, do presente julgamento,os seguintes Con selheiros: JOSÉ ALVES DA FONSECA, RONALDO LINDIMAR JOSÉ MARTON (Suplen- te), ZORILDA LEAL SCHALL (Suplente), CARLINDO DE SOUZA MACHA DO E SILVA. Ausente, justificadamente, a Conselheira Malvina Corujo de Azevedo Lopes. 1 Recurso: 108.721 Acordão:303-25.888 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MEFP-TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECORRENTE: ALVESNYL TÊXTIL E CONFECÇÕES LTDA RECORRIDA : DRF/SANTOS-SP RELATOR : HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO RELATÓRIO Atraves da Resolução n 2 303.0105, de 10.12.86, determi nau esta Colenda Câmara, a conversão do julgamento do feito em epi grafe à repartição de origem, a fim de que a interessada fosse cha mada a regularizar a representação processual do signatário de seu • recurso. Devolvidos os autos sem o cumprimento da diligencia re querida, reiterou este colegiada, em decisão unânime, a . providen- cia já anteriormente determinada, que veio a ser cumprida, final- mente, em 05.10.89. Retorna, agora, o processo para a devida apreciação da controvérsia nele veiculada. Leio em sessão, adotando na Integra, o proficiente re- latório (fls. 59) lavrado pelo ilustre Relatar Conselheiro Rubens Pellicciari, quando da prefalada Resolução n 2 303.0105. É o relatório. • Recurso:108.721 Acordão:303-25.888 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL VOTO A Resolução n 2 303.0105, de 10.12.86, determinou dili- gencia para que a repartição de origem do processo intimasse a inte- ressada a proceder à regularizaçãoda representação processual do Sr. Paulo Cesar Francisco, subscritor do recurso voluntário. Dessa decisão interpôs, o Sr. Procurador da Fazenda Na cional, o recurso especial n 2 303.940, que foi objeto do despacho de fls. 66, da Presidencia desta 3 g Câmara, pelo qual foi o apelo encaminhado à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com a determina ção prévia de que fosse a interessada intimada a oferecer as perti 1111 nentes contra-razOes. Baixados os autos, foram então intimadas as Firmas Pierre Sobrinho S/A Comercial e Marítima (fls. 69) e Export Comissária de Despachos (fls. 71), para que fosse apresentado "pedido de contra- raz3es de recurso interposto pelo Sr. Procurador da Fazenda Macio- nal,conforme 7\c6rdão n 2 303-0.105/86". Não atendidas tais intimações, retornaram os autos ao Terceiro Conselho de Contribuintes para apreciação do ecurso espe cial, que não foi conhecido por inadequar-se à norma regimental in cidente. Formalizada a decisão, foi novamente enviado o proces- so ao 6rgão preparador de origem (fls. 79), para que este procedes se, desta feita, à diligencia requerida na Resolução 303.0105, con • cernente à regularização processual da representação do contribuin te no feito. A diligencia, contudo, não foi cumprida, sendo os autos devolvidos à instância superior, sob o fundamento, contido no des- pacho de fls. 80, de que este Eg. Conselho não haveria apreciado ainda o mérito do recurso voluntário. Merca do desatendimento do pedido de diligencia,não su prido pelas intimaç3es de fls. 68 e 70, que possuíam finalidade ou tra, tomou este colegiado, por deliberação unânime de seus membros, sem a oposição de quaisquer reservas ou ressalvas,a Resolução n2.. 303.0216, reiterando a providencia já determinada. Devidamente observada a decisão do Conselho através da intimação de fls. 85, emitida em consonância com a Resolução que lhe deu origem, retorna o processo à apreciação desta Colenda Cama ra, trazendo agora em seu bojo, todavia,manifestação do Sr. Chefe do 7f Recurso:108.721 Acordão:303-25.888 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL SECPJE (fls. 87 e 88), cujo teor merece registro, em face de seu tom desrespeitoso e da incongruência das alegaçSes nele veiculadas, alem de ensejar, ainda, a explanação retro, cuja motivação maior é a reordenação do panorama fático e processual dos autos, impropria mente obscurecido ate então. Neste passo, cabe, preliminarmente, examinar a questão relativa à representação processual da interessada, que não atendeu ao chamado para regularizar tal situação. ~alertado pelo eminente Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, relator do recurso especial constante dos autos, há, na peça recursal apresentada pela contribuinte (fls. 49), carimbo aposto pela repartição competente onde se certifica a habi litação do signatário para o ato realizado. Entendo que tal fato, por si s6, torna prescindível a regularização exigida nos autos, que já se perfez quando da inter- posição do recurso voluntário. Convem ressaltar, desde logo, que se melhante posicionamento não implica na afirmação da prescindibili- dade da intimação requerida pela Resolução 303.0105, que, enquanto fruto de deliberação deste Eg. Conselho, não poderia deixar de ser, sob qualquer alegação, forçosamente promovida. Dando, assim, por sanada a aludida irregularidade, pas so à apreciação do mérito do presente recurso. Alega a recorrente estar enquadrada na previsão do art. 169, § 7 2 , inciso I, do Decreto-Lei n 2 37/66, com a nova redação • da Lei n2 6562/78, que estabeleceu limites excludentes da penalida de aplicada, abstendo-se, deste modo, de contestar as irregularida des de faturamento apontadas na autuação. Tal dispositivo legal prescreve expressamente, em sua parte final, que os limites nele estipulados serão observados ape- nas quando não ocorrerem simultaneamente diferenças de preço e quan tidade relativas a mercadorias trazidas do exterior. No caso vertente, contudo, concorrem efetivamente as duas irregularidades, de vez que o contribuinte, pela DI's n2s.... 44.993/81 e 53.452/81, importou mercadorias, discrepando das res- pectivas GI's, em quantidades inferiores e preços superiores. Desta sorte, incide na espécie a vedação acima referi- da, importando, de plano, no afastamento da incidencia da norma le gal invocada pela recorrente para efeitos dos benefícios nela esta belecidos. Recurso:108.721 Acordão:303-25.888 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Ante o exposto, nego provimento ao recurso, mantendo a decisão recorrida. Sala das Sess3es, em 22 de agosto de 1990. HUMBERTO ESMERALDO BPRRETO FILHO - Relator •
score : 1.0
Numero do processo: 16592.728475/2016-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2017
REVELIA. TEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO SUSCITADA OU CARACTERIZADA EM PRELIMINAR. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO MÉRITO RECURSAL.
Ocorrida a revelia e não caracterizada ou suscitada em preliminar do recurso a tempestividade da Manifestação de Inconformidade, resta inviável a análise meritória da irresignação, por não atender a requisito intrínseco de admissibilidade recursal.
Numero da decisão: 1002-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa.
Nome do relator: Ailton Neves da Silva
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TEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO SUSCITADA OU CARACTERIZADA EM PRELIMINAR. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO MÉRITO RECURSAL. Ocorrida a revelia e não caracterizada ou suscitada em preliminar do recurso a tempestividade da Manifestação de Inconformidade, resta inviável a análise meritória da irresignação, por não atender a requisito intrínseco de admissibilidade recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 161) interposto contra o Acórdão n 10- 66.884, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em POA (e-fls. 149), que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade em razão de sua intempestividade. Cumpre transcrever a ementa atinente ao caso: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2017 MANIFESTAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 59 2. 72 84 75 /2 01 6- 57 Fl. 204DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.336 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.728475/2016-57 A petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 161), no qual alega, em síntese: - a tempestividade do Recurso Voluntário; - que os débitos geradores da exclusão na RFB estavam quitados e os da procuradoria estavam suspensos por parcelamento; - os princípios da fungibilidade recursal, da administração, da preservação da empresa, da segurança jurídica e da legalidade; - a nulidade da decisão por malferimento do princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório; Ao final requer o acolhimento do presente Recurso para o fim de cancelar o Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO nº 2408941 e, consequentemente, o arquivamento do feito. É o Relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que a irresignação não atende requisito de admissibilidade recursal, pelo que não deve ser conhecida, em razão dos motivos a seguir consignados. Nota-se, de plano, que a decisão da DRJ atesta de maneira categórica a intempestividade da impugnação, conforme excertos seguintes do acórdão recorrido: (...) De acordo com o disposto no artigo 14 do Decreto n.º 70.235/72, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante a apresentação, pelo contribuinte, de impugnação tempestiva do lançamento. Já o prazo para o sujeito passivo para impugná-lo é de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, conforme dispõe o artigo 15 do Decreto n.º 70.235/72. Nessa linha, o parágrafo 2.º do artigo 56 do Decreto n.º 7.574/2011 estabelece que a petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. No caso sob exame, o contribuinte teve ciência do ADE em 28 de setembro de 2016, quarta-feira, fl. 142, e apresentou, em 31 de outubro de 2016, segunda-feira, a Fl. 205DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.336 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.728475/2016-57 impugnação de fls. 02/12 – quando o prazo para fazê-lo já se havia encerrado em 28 de outubro de 2016, sexta-feira. A impugnação de fls. 02/12 é, portanto, intempestiva. (...) Dado o não-conhecimento da exordial defensiva pela instância a quo, forçoso reconhecer que não houve a instauração da fase litigiosa do procedimento na forma do artigo 15, do Dec. 70.235/72, restando manifestamente incabível a via do Recurso Voluntário. O Ato Declaratório Normativo da SRF n° 15, de 12/07/96, consubstanciado nos artigos 151 e 111 do Código Tributário Nacional e nos arts. 15 e 21 do Decreto n° 70.235/72, corrobora com esse entendimento, ao declarar que “eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.” Assim, somente na eventualidade de ter sido contestada a intempestividade da Manifestação de Inconformidade como preliminar é que seria possível adentrar-se à análise do Recurso Voluntário, o que efetivamente não ocorre no presente caso, eis que o Recorrente não faz qualquer consideração nesse sentido. Aduzo que Superior Tribunal de Justiça já se debruçou sobre o tema, decidindo, igualmente, pela inviabilidade de análise de Recurso Voluntário na hipótese de Impugnação intempestiva. Veja-se: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARTS. 14 E 15 DO DECRETO N. 70.235/72. REVELIA. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. ART. 35 DO DECRETO N. 70.235/72. APLICABILIDADE AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS PEREMPTOS E NÃO ÀS IMPUGNAÇÕES INTEMPESTIVAS. 1. Discute-se nos autos a possibilidade de interposição de recurso voluntário em processo administrativo contra decisão que não conhece da impugnação à notificação de infração, por intempestividade. 2. O Tribunal de origem, soberano das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, confirmou a intempestividade da impugnação à notificação da infração, bem como corroborou o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, o que justifica o não cabimento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes 3. Depreende-se da interpretação do arts. 14 e 15 do Decreto n. 70.235/72 que a falta da impugnação da exigência, no prazo preconizado de trinta dias, obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. 4. Aplica-se o art. 35 do Decreto n. 70.235/72 aos casos em que o próprio recurso voluntário é considerado perempto, e não quando a impugnação da exigência não é conhecida em face da Fl. 206DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.336 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.728475/2016-57 intempestividade. Recurso especial improvido. (RESP n. 1.240.018-SC, Relatoria do Min. Humberto Martins) Nesse quadro, o não conhecimento do recurso é medida que se impõe. Dispositivo Ante as razões expostas acima, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do presente Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 207DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13710.001076/2006-91
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física
Exercícios 2003
RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
As importâncias pagas a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada, sob a forma de resgate, ficam sujeitas a incidência do Imposto de Renda na fonte, devendo ser submetidas ao ajuste anual a ser efetuado por meio da correspondente declaração de rendimentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.282
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Imposto de Renda Pessoa Física Exercícios 2003 RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. As importâncias pagas a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada, sob a forma de resgate, ficam sujeitas a incidência do Imposto de Renda na fonte, devendo ser submetidas ao ajuste anual a ser efetuado por meio da correspondente declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Negado.
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RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. As importâncias pagas a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada, sob a forma de resgate, ficam sujeitas a incidência do Imposto de Renda na fonte, devendo ser submetidas ao ajuste anual a ser efetuado por meio da correspondente declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Wálter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre e Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13710.001076/200691 Acórdão n.º 2801002.282 S2TE01 Fl. 85 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de impugnação contra o crédito tributário constituído mediante Auto de Infração (fls. 06 a 10) lavrado contra a pessoa fisica em epígrafe relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2003, anocalendário 2002, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao mencionado período de imposto a restituir no valor de R$ 25.855,57 para imposto a pagar de R$ 4.873,15. Este valor acrescido de multa de oficio e juros de mora perfaz crédito tributário da ordem de R$ 10.908,05. 0 lançamento originouse de procedimento de revisão interna da declaração retificadora (ND 07/34.253.985) entregue pelo contribuinte em 27/10/2004 (fls. 30 a 33), no qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica a titulo de resgate de contribuições à previdência privada, conforme "Demonstrativo das Infrações" à fl. 07. Cientificado do lançamento em 27/03/2006, segundo Aviso de Recebimento (AR) à fl. 42, o interessado apresentou peça impugnatória (fls. 01 a 04), datada de 19/04/2006,na qual, preliminarmente, defende a improcedência da alegação de omissão de rendimentos, haja vista que foram estes devidamente informados, dando origem, inclusive, a pagamento representado por Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) anexos (fls 11 a 16). Em relação ao mérito, explica que o valor considerado omitido fora recebido em contrapartida pelo declínio de direitos relativos à assistência médica constantes no plano de previdência privada fechado oferecido pela FUNDAÇÃO SISTEL DE SEGURIDADE SOCIAL, CNPJ n2 00.493.916/0001 20 (fls 23 a 26). Por ter este valor compensado perdas de "direitos adquiridos" teria natureza indenizatória, e, portanto, nãotributável, em virtude de não representar "aquisição de disponibilidade econômica". Corrobora seu entendimento fazendo referência ao inciso XXXVIII do art 39 do Decreto n2 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR), além de diversos julgados. É o relatório Passo adiante, em 31 de julho de 2009, através do Acórdão 1325.901 a 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO II) entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário apurado, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13710.001076/200691 Acórdão n.º 2801002.282 S2TE01 Fl. 86 3 RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. As importâncias pagas a pessoas fisicas pelas entidades de previdência privada, sob a forma de resgate, ficam sujeitas a incidência do Imposto de Renda na fonte, devendo ser submetidas ao ajuste anual a ser efetuado por meio da correspondente declaração de rendimentos. Lançamento Procedente Cientificado em 06/11/2009, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 01/12/2009 (fls.56 à 65 e documentos anexos), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, argüindo em síntese que os valores por si recebidos e apontados no lançamento tributário possuiriam natureza indenizatória e portanto não seriam fatos geradores de tributos, pugnando ao fim pelo cancelamento do lançamento fiscal e processamento de sua restituição. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No mérito De forma sintética, verificase que os valores recebidos pela ora recorrente à título de resgate de contribuições para previdência privada são tributáveis por serem fatos geradores do imposto de renda, conforme dispõe de forma inequívoca o artigo 33 da Lei 9.250/95, que assim dispõe: Art. 33. Sujeitamse a incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. (g.n.) Nesta esteira, indiscutível que os valores recebidos pelo ora recorrente na realidade não possuem qualquer traço de verba de natureza indenizatória, como pretendido no caso em análise pelo recorrente. Em complemento ao referido raciocínio e a fim de espancar quaisquer dúvidas porventura remanescentes, temos que referidos valores somente estariam fora do campo de tributação caso se tratassem de resgate de contribuições referentes a parcelas de contribuições efetivadas entre 1º de janeiro de 1989 à 31 de dezembro de 1995, o que não se vislumbra nos presentes autos. Por outro lado, frisese que, como bem reconheceu a DRJ, “a mesma fonte pagadora foi deveras diligente ao separar em comprovantes distintos o que pagava a titulo de Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13710.001076/200691 Acórdão n.º 2801002.282 S2TE01 Fl. 87 4 resgate do que era pago como beneficio previdenciário (fls 24 e 25)”, não existindo qualquer documento que autorize a exceção a regra de incidência tributária. Neste sentido, jurisprudência aplicável ao caso sub examen: EMENTA: RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES FEITAS A ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. BENEFÍCIOS. PECÚLIO. A partir do anobase de 1996, os benefícios pagos a pessoas físicas, pelas entidades de previdência privada, inclusive as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, estão submetidos à incidência do imposto de renda, independentemente de quem tinha sido o ônus da contribuição (funcionário participante ou consulente) e do período a que se referem. Entretanto, em razão de disposição de nãoincidência expressa, não incide a referida exação tributária sobre o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de beneficio da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 12 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 , e sobre os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante" Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho – Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA
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