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Numero do processo: 13637.000886/2007-31
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
Multa Atraso Entrega DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1801-001.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 Multa Atraso Entrega DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1608; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13637.000886/200731 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.277 – 1ª Turma Especial Sessão de 4 de dezembro de 2012 Matéria Multa DCTF Recorrente AURORA SIDERÚRGICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 MULTA ATRASO ENTREGA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 08 86 /2 00 7- 31 Fl. 27DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13637.000886/200731 Acórdão n.º 1801001.277 S1TE01 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento consubstanciado no presente processo. Histórico. Tratase de auto de infração (fl. 03) que exige multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativa ao 4o. trimestre do ano calendário 2004. Segundo o que consta dos autos, a DCTF relativa ao 4o. trimestre do ano calendário de 2004, cujo prazo de entrega teria exaurido em 18/02/2005, foi apresentada em 01/11/2007, ensejando a incidência de multa calculada em 2% (dois por cento) ao mês sobre o montante total declarado na respectiva DCTF, limitada ao total de 20%, com redução de 50%, resultando num total exigido de R$ 12.477,00, em virtude da entrega espontânea da declaração. A interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1/2), alegando que todos os tributos declarados na respectiva DCTF se encontram pagos e que a MP 303, de 2006, ao dar nova redação ao artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, teria abolido a multa pela entrega em atraso de DCTF e que mesmo para períodos anteriores a junho de 2006, a multa não seria devida em respeito ao princípio da retroatividade benigna. A 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG julgou a exigência procedente e, notificada da decisão, em 21/07/2009 (AR fl. 21) e irresignada, apresentou a interessada, em 18/08/2009, recurso voluntário (fls. 22/23), no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A recorrente reafirma a sua tese de que a multa por atraso na entrega da DCTF teria sido revogada e não mais existiria sua previsão no artigo 44 da Lei n º 9.430, de Fl. 28DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13637.000886/200731 Acórdão n.º 1801001.277 S1TE01 Fl. 4 3 1996. Em que pese a insistência da defesa, e como bem lembrou a autoridade julgadora de 1a. instância, só deixou de ser infração, com as alterações introduzidas no artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, pela Lei n º 11.488, de 2007, a multa de oficio exigida isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houvesse sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora, disposição que antes das alterações, o inciso II do § 1o. do artigo 44 da Lei 9.430/1996. Mas o auto de infração em análise não trata desse tipo de penalidade, e sim da penalidade pelo descumprimento de uma obrigação acessória, prestação de informações ao FISCO pela entrega de DCTF. Não se trata, portanto, de descumprimento de obrigação principal de pagamento de tributo. No mais, cumpre observar que a obrigação tributária acessória decorre da legislação e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro de Estado da Fazenda pode instituir obrigações acessórias, cuja atribuição delegou à RFB, relativamente a tributos federais por ela administrados, que pode estabelecer, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar, dentre outras, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (c) de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo Simples; Fl. 29DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13637.000886/200731 Acórdão n.º 1801001.277 S1TE01 Fl. 5 4 (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos1. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores2. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 01/11/2007 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativa aos 4o. trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final para apresentação era 18/02/2005. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 1 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13637.000886/200731 Acórdão n.º 1801001.277 S1TE01 Fl. 6 5 ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 31DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.005626/2004-38
Data da sessão: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA. AUTO
COMPLEMENTAR. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Existindo inexatidão na exigência inicial, constatada por ocasião da realização de diligência, em cumprimento à determinação da autoridade de primeira instância, cabe a lavratura de. auto de infração complementar,
devolvendo-se ao sujeito passivo para a apresentação de nova impugnação, de acordo com o art. 18, § 3°, do Decreto n°70.235, de 1972.
Recurso especial provido
Numero da decisão: CSRF/04-00.982
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Camara Superior de Recursos
Fioscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Câmara de origem para apreciação do mérito do recurso voluntário. Vencidos os
Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator) e Gonçalo Bonet Allage que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Maria Ribeiro dos Reis.
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 IRPF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA. AUTO COMPLEMENTAR. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. Existindo inexatidão na exigência inicial, constatada por ocasião da realização de diligência, em cumprimento à determinação da autoridade de primeira instância, cabe a lavratura de. auto de infração complementar, devolvendo-se ao sujeito passivo para a apresentação de nova impugnação, de acordo com o art. 18, § 3°, do Decreto n°70.235, de 1972. Recurso especial provido
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Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Interessado 10945.005626/2004-38 106-145302 Especial do Procurador IRPF CSRF/04-00.982 04 de agosto de 2008 FAZENDA NACIONAL HERMiRIA LOPES VARGAS Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 IRPF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA. AUTO COMPLEMENTAR. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. Existindo inexatidão na exigência inicial, constatada por ocasião da realização de diligência, em cumprimento à determinação da autoridade de primeira instância, cabe a lavratura de. auto de infração complementar, devolvendo-se ao sujeito passivo para a apresentação de nova impugnação, de acordo com o art. 18, § 3°, do Decreto n°70.235, de 1972. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Camara Superior de Recursos Fioscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Câmara de origem para apreciação do mérito do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator) e Gonçalo Bonet Allage que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Maria Ribeiro dos Reis. FORMALIZADO EM: D3fogN,Dio 1 Impresso em 22/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA DF CARF MF Fl. 1 153 Processo n° 10945.005626/2004-38 Acórdao n.° CSRF/04-00.982 CSRF/T04 Fls. 2 .14a_ Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente), Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Ana Maria Ribeiro Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Gustavo Lian Haddad. 2 Impresso em 22/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA DF CARF MF Fl. 1154 Processo no 10945.005626/2004-38 Acórdão n.° 04-00.982 CSRF/1-04 Fls. 4 ill! Voto Vencido Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Relator 0 Recurso Especial da Fazenda Nacional, amparado na possibilidade de afronta a lei em acórdão não unânime do Conselho de Contribuintes, cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Como narrado acima, o acórdão proferido pela Sexta ' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso da contribuinte por constatar a ocorrência de alteração do critério jurídico no lançamento, diante do mesmo conjunto probatório. A Fazenda Nacional, em seu recurso especial, se limita a alegar que não houve tal alteração, mas sim mera aplicação da lei a novos rendimentos, no caso o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Entendo que não assiste razão a Fazenda Nacional. Houve, sim, clara alteração do critério jurídico adotado no lançamento original, na medida em que, diante do mesmo conjunto probatório, o agente fiscal adotou conclusão divergente, revendo de oficio o lançamento em hipótese não autorizada pelo Código Tributário Nacional. 0 voto condutor do acórdão proferido pela C. Sexta Camara bem relata os fatos e a eles aplica o adequado tratamento jurídico-tributário, nos seguinte termos: "Um primeiro lançamento fora lavrado quando da fiscalização da contribuinte e de seu marido (João Carlos de Souza Vargas), para exigência de IRPF no valor de R$ 91.523,82. Quando do retorno dos autos para a simples prestação de esclarecimentos (requeridos pela DR.!), o mesmo fiscal autuante — que analisou e valorou as provas apresentadas pelo contribuinte da primeira vez — decidiu por emitir novo juizo de valor acerca das mesmas, alterando o lançamento original e lavrando um Auto de Infração Complementar, sob o mesmo fundamento do primeiro, mas agora com a exigência de um IRPF no valor de R$ 1.072.929,89. No intuito de compreender esta alteração de entendimento, é forçoso que se analisem as justificativas apresentadas pelo il. Fiscal autuante. Do primeiro Termo de Verificação Fiscal (fls. 752) consta o seguinte trecho: a) Através destes documentos o contribuinte procura esclarecer que parte da movimentação financeira ocorrida em suas contas é decorrente de sua atividade de despachante aduaneiro e que nesta condição teria recebido em suas contas recursos pertencentes a seus clientes com a finalidade de efetuar na praga de Foz do Iguaçu pagamento de despesas em nome daqueles. Visando apurar a veracidade das alegações do contribuinte, ou seja, de que parte dos valores depositados pertencia a seus clientes, efetuei o confronto dos créditos constantes dos extratos com os documentos apresentados. De fato, desta 4 Impresso em 22/11 12013 por MARIA MADALENA SILVA DF CARF MF Processo n° 10945.005626/2004-38 Acórdão n.° 04-00.982 Fl. H55 CSRF/T04 Fls. 5 AIo análise constatei que havia correlacão de datas e valores entre estes depósitos e as despesas pagas descritas nas planilhas apresentadas pelo contribuinte. Por exemplo, um depósito de um determinado cliente do contribuinte correspondia aos gastos referentes a um despacho aduaneiro deste mesmo cliente. Vale ressaltar que estas despesas pagas sio as que normalmente decorrem do desembaraço de mercadorias na importação e exportação, tais como: pagamento de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços), pagamentos de tributos federais vinculados à importação (Ipi e II), despesas com frete das cargas, etc. Há que considerar também que a legislação aduaneira, notadamente o 90 da Instrução Normativa n° 286/03, da Secretaria da Receita Federal, determina que somente pessoas fisicas podem representar o importador /exportador nas atividades relacionadas com o despacho aduaneiro. E, portanto, aceitável o fato do despachante aduaneiro utilizar suas contas de pessoa fisica para receber recursos de seus clientes para fazer face às despesas decorrentes desta atividade. Contudo, ao analisar os documentos, constatei que nem todas as despesas estavam respaldadas na documentação pertinente. (.)" - sem grifos no original. Depreende-se do trecho transcrito que o il. AFRF autuante procedeu, naquela época, à efetiva verificação dos documentos trazidos pelo Recorrente, tendo confirmado que os mesmos diziam respeito atividade por ele exercida e tendo, por isso mesmo, entendido como comprovada a quase totalidade dos depósitos bancários existentes em nome do ora Recorrente. Posteriormente, ao ser apreciada a impugnação pela DRJ, foi proferido despacho no qual ficou determinado que: A vista do exposto, proponho que se devolva o processo ao órgão preparador, a fim de que elaborè demonstrativo analítico evidenciando os valores (indicando em qual volume dos anexos e a que folhas se encontram os documentos correspondentes) que foram comprovados pelo contribuinte, ma a. ma, bem como, que anexe planilha referente aos valores que o contribuinte comprovou ter recebido de pro labore e lucros distribuídos. Em cumprimento a esta determinação, a autoridade preparadora analisou novamente os documentos apresentados pelo contribuinte e decidiu por bem lavrar o Auto de Infra cão Complementar, agora no valor de R$ 1.072.929,89. Do Termo de Verificação Fiscal que instruiu este segundo lançamento, constam os seguintes esclarecimentos: Recursos pertencentes a terceiros: em virtude da sua atividade profissional, o contribuinte alega que recebe recursos de terceiros em suas contas. Recursos que seriam utilizados para pagamento de despesas relacionadas com o desembaraço aduaneiro de mercadorias de seus clientes. Primeiramente, cabe salientar que muitos destes documentos não comprovam sequer que houve algum pagamento. A titulo de exemplo, cito Impresso em 22111/2013 por MARIA MADALENA SILVA sAh 5 DF CARF MF Processo no 10945.005626 12004-38 Acórdão n.° 04-00.982 Fl. 1156 CSRF/T04 Fls. 6 I Lij os constantes das folhas 203 e 208, do anexo VI e o da folha 13, Anexo VII, como se pode observar, são meros orçamentos e ordem de serviços. lid recibos de depósitos bancários (para pagamento de taxa de vigilância sanitária) que não possuem nem a autenticação do banco para comprovar o efetivo pagamento (fis. 120 a 123, 126 a 131,161 a 164, Anexo VI; fis 177 a 184, fls 193 a 195 e 199, Anexo VII), existem no processo diversos recibos com estas caracteristicas. Além destes, foram juntados recibos onde não VI sequer a identificação do beneficiário (fls 199 e 200, Anexo VI; fls 189 e 190, Anexo VII). A maioria dos documentos juntados é constituída por notas fiscais emitidas principalmente por postos de abastecimentos e oficinas mecânicas que, como é sabido, são documentos fiscais, não servem para provar que houve pagamento. Fácil concluir que &contribuinte no afã de justificar os depósitos juntou aleatoriamente qualquer documento para se "chegar" aos totais depositados. Chegando ao absurdo de juntar o mesmo documento duas vezes (I° e 2 0 vias de um Orçamento de Serviço —fls 13 e 16, Anexo VII). Os exemplos citados são meramente exemplificativos, pois existem inconsistências praticamente em toda a documentação apresentada. (Fls. 896) Forçoso concluir que, exceto nos mencionados casos comprovados de utilização de contas da pessoa fisica para recebimento de seri,iços prestados pela empresa JCV, a origem dos recursos depositados não foram comprovados pelos documentos apresentados. Outrossim, conforme demonstrado nas planilhas elaboradas (11s.795 a 888), na apuração dos depósitos/créditos sem comprovação de origem, foram excluídos os cheques depositados e devolvidos bem como os lançamentos a crédito posteriormente estornados. (Fls. 897) 0 contribuinte foi então intimado a apresentar nova impugnação. Apresentada, os autos foram remetidos à DRJ, que manteve integralmente os lançamentos. Interposto Recurso Voluntário, os autos foram encaminhados a esta Câmara, que determinou a realização de diligência, a fim de que a autoridade fiscal informasse quais os documentos juntados aos autos que a teriam conduzido à lavratura do Auto Complementar e que esclarecesse as razões que a levaram a tal mudança de entendimento. Em decorrência de tal diligência, a referida autoridade esclareceu que: Conforme já mencionado no relatório de folhas 894 a 898, toda a documentação apresentada por ocasião da fiscaliza cão foi devolvida ao contribuinte. Na impugnação o contribuinte reapresentou esses documentos (que haviam sido entregues acondicionados em caixas), conjuntamente os outros documentos. Contudo, nessa ocasião, os documentos foram organizados cronologicamente e agrupados por banco e conta, totalizando 20 volumes (aproximadamente 4000 folhas, sendo que algumas folhas continham mais de um documento). Por 3.14- 6 Impi esso em 2211112013 por MARIA MADALENA SILVA Fl. 1157 CSRFTTO4 Fls. 7 kl,,2 DF CARFMF • Processo n° 10945.005626 12004-38 Acórdão n.° 04-00.982 essa =do, agora é impossível indicar quais foram os novos documentos juntados. (.) Os demais não foram aceitos porque no entender da fiscalização não são documentos hábeis para provar o fim pretendido (a origem dos recursos depositados nas contas do contribuinte), sobretudo porque não há qualquer relação entre esses documentos com os depósitos em questão. Essa conclusão está amparada na norma contida no artigo 42 da lei 9.430/96, que determina que "para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente...". (..) Observa-se nos documentos recusados que não ha qualquer vinculavão entre eles e os depósitos analisados. Esta foi a razão pela qual os documentos não foram aceitos para comprovar as alegações do contribuinte. No que se refere ifs razões que levaram a alteração da valoração das provas, isto se deveu a constatação dos seguintes fatos que não tinham sido percebidos pela fiscalização quando da auditoria: (.) Como se observa nos extratos apresentados, não lid nenhum débito que se refira a pagamento de impostos incidentes na importação. Sequer há qualquer débito que coincida com os valores constantes nas Declarações de Importa cão juntadas. Logo, a justificativa de que parte desses recursos foi utilizada para este fim não pode ser aceita. 6.) 3. não se pode admitir sequer a hipótese de que o contribuinte movimentava nas contas de pessoa fisica recursos pertencentes a JCV. Despachos Aduaneiros Ltda., empresa da qual é sócio, o que foi insinuado por ocasião da fiscalização. Os dados relativos a movimentação financeira dessa empresa (com base na retenção da CPMF)jci superaram em muito ao seu faturamento declarado. (..) Todas estas circunstâncias somente foram percebidas pela fiscalização por ocasião da diligencia determinada pela DRJ/CTA, Entendo que são razões suficientes para consubstanciar a alteração de critério na valoracao das provas. (destaques não constantes do original) Da leitura dos trechos acima transcritos, em conjunto com os outros .16 mencionados, é facilmente perceptível que houve uma alteração na valora cão das provas por parte do il. Fiscal autuante, verdadeira mudança de entendimento quanto aos mesmos fatos já analisados. Nem se alegue que os documentos apresentados pelo Recorrente não tenham sido analisados na época da fiscalização, pois as justificativas constantes do primeiro Termo de Verificação Fiscal são bastante convincentes e conclusivas, não havendo qualquer motivo razoável para sua alteração. Os documentos alegadamente "novos" eram documentos apresentados e analisados durante a fiscalização, e que Impresso em 22/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA 7 DF CAIU- IMF Fl. 1158 Processo n° 10945.005626/2004-38 Acórdão n.° 0400.982 CSRF/T04 Fls. 8 1(4? foram novamente trazidos aos autos pelo contribuinte quando da apresentação de sua impugnação. Ocorre que a determinação de diligências ao longo do processo não pode ensejar o agravamento de lançamento anterior, salvo nos casos espcificados em lei. Corn efeito, o art. 18 do Decreto no 70.235/72 prevê a possibilidade de agravamento da autuação, mas somente nas hipóteses lá elencadas, a saber: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou pericias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (.) ,¢ 3 0 Quando, em exames posteriores, diligências ou pericias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente a matéria modificada. No caso em exame, não se pode falar que tenha havido incorreção no lançamento original, nem mesmo omissão, e tampouco inexatidão. Dai porque é possível afirmar que houve, de fato, uma nova valoração das provas já analisadas, isto 6, um reexame destas provas, de forma a agravar a situação do contribuinte. Pois além de não haver previsão no Decreto o° 70.235/72 para que a autoridade fiscal procedesse da forma como o fez no caso em exame, impende salientar que o art. 145 do CDT prevê que o lançamento tributário somente poderá ser alterado por: a) impugnação do sujeito passivo; b) recurso de oficio; ou c) por iniciativa da autoridade administrativa nos casos previstos no art. 149 daquele mesmo Código. No caso em tela, ocorreu a terceira hipótese, isto 6, de alteração de oficio por iniciativa da autoridade administrativa. Sendo assim, há que se analisar se tal revisão se enquadra entre as hipóteses do art. 149 do C7N, que são: Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela • autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; 11 - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, ajuízo daquela autoridade; 8 Impresso em 22/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA DF CARF MF • Processo no 10945.005626/2004-38 Acórdão n.° 04-00.982 Fl. 1159 CSRF/r04 Fls. 9 4141— IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI -quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar it aplicação de penalidade pecuniciria; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX- quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Tal lista é taxativa, sob pena de se vilipendiar a segurança jurídica dos contribuintes brasileiros. Porém, entre as hipóteses nela previstas não esta a de alteração de critério jurídico na aplicação da lei aos mesmos fatos já analisados — o que, repita-se, ocorreu no caso em exame. Em outras palavras, não há previsão legal para a revisão do lançamento da forma como foi efetuada pela autoridade lançadora no caso em exame. Trata-se de verdadeira modifica cão de critério jurídico, a qual deve rechaçada por nosso. Ordenamento, já que viola o principio da Legalidade e aniquila a segurança jurídica dos contribuintes em geraL Alberto Xavier trata deste assunto em sua obra "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", da qual se extraem os seguintes trechos: Ora, é certo que a restauração da legalidade violada, pela revisão do ato ilegal, reclama o afastamento de limites que a impeçam ou dificultem, também é verdade que a inexistência desses limites geraria para os particulares Intoleráveis situações de incerteza, submetendo-os, porventura de surpresa, a uma pluralidade de novas definições da mesma situação jurídica, por ato da mesma autoridade ou de autoridade distinta, num reexercicio ilimitado do seu poder de lançar. Sistemas baseados numa ilimitada revisibilidade dos atos tributários por iniciativa da Administração só podem conceber-se em ordens jurídicas de inspiração totalitária, Impresso em 22/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA DF C7ARF MF FL 1160 Processo n° 10945.005626/2004-38 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.982 Fls. LO avessas a idéia de segurança jurídica, como a do nacional- socialismo alemão que, no § 19° da Steuereinfachungsverordnung, de 14 de setembro de 1944, autorizava a Administração fiscal a corrigir, sem quaisquer limites, os erros das suas decisões. 6.) inadmissível que o Fisco possa 'venire contra factum proprio' e anular 'ex officio' um lançamento e substitui-lo por outro, ou ainda, proceder a lançamento suplementar, baseando-se na alegação de ter passado a adotar critérios jurídicos diferentes dos que aceitara por ocasião de um primeiro lançamento. E isto com fundamento em que 'o direito presume-se conhecido, mormente da autoridade incumbida de sua aplicação e, nessas condições, sendo o lançamento uma função precípua e um dever funcional da referida autoridade, a ela cumpre não incorrer em erro ao aplicá-lo, sob pena de não o poder retificar posteriormente.' (.) (.) RUBENS GOMES DE SOUZA tentou salvar a sua construção: fica assim exduida, aliás de acordo com nossos trabalhos anteriormente citados, apenas a revisão fundada na modificacdo dos critérios jurídicos adotados pelo Fisco, na aplicação da lei tributária competente, a fatos exata e completamente constatados por ocasião do lançamento original. Nessa hipótese haverá realmente ofensa el definitividade da situação jurídica subjetiva criada pelo lançamento anterior (..) Desta consideração de RUBENS GOMES DE SOUSA se apreendem as razões históricas pelas quais o conceito de 'erro na aplicação de lei' (ainda considerado modalidade de erro de fato) viria a ser substituido pelo conceito de `variação do critério jurídico', afinal consagrado no Código Tributário Nacional. Feitos estes estes esclarecimentos, entendo que o lançamento complementar levado a efeito em 14.10.2004 não pode prosperar, eis que a autoridade lançadora procedeu a verdadeira alteração dos critérios jurídicos anteriormente adotados, tendo — sem qualquer motivo para tanto — dado novo valor cis provas já apreciadas em ocasião anterior." Dentre as hipóteses de revisão de oficio de que trata o art. 149 do CTN, está a que se refere à apreciação de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior (inciso VIII). Reporta-se o dispositivo a fato novo como autorizador da revisão, e não 10 Impresso em 22/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA .DF Ci.\12.F Processo no 10945.005626/2004-38 Acórdão n.* 04-00.982 FL 1161 CSRFPF04 Fls. 11 114C c".1. a critério novo de valoração de fatos que já eram conhecidos à época do lançamento original, como 6 o caso dos presentes autos. 0 enunciado prescritivo do art. 146 do CTN, corolário que é do principio da segurança jurídica, impede que atos de lançamento possam ser revistos por simples alteração de critério jurídico (dentre os quais se incluem os de valoração de prova), relativamente a fatos anteriores A introdução de tal alteração. E o que pretendeu fazer o agente fiscal no presente caso, sem amparo no ordenamento vigente. Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR-LHE provimento. Sala das Sessões, em 04 de agosto de 2008 41 GUSTO L A ADDAD Impresso ern 22/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA 11
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Numero do processo: 11516.001261/2007-38
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2001
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO INTEGRAL DO DÉBITO, ACOMPANHADO DOS JUROS DE MORA, ANTES DA ENTREGA DA DCTF E ANTES DE QUALQUER INICIATIVA DO FISCO. CARACTERIZAÇÃO. RECURSO REPETITIVO NO STJ. APLICAÇÃO DA REGRA DO ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
A figura da denúncia espontânea, tipificada no artigo 138 do Código Tributário Nacional, resta caracterizada quando o contribuinte, antes da comunicação ao Fisco acerca de sua situação de devedor [entrega de DCTF] e antes de qualquer iniciativa da parte deste, procede à regularização de seu débito mediante o pagamento do valor integral, acompanhado dos juros de mora. Entendimento pacificado no STJ em julgamento submetido ao crivo do artigo 543-C do Código de Processo Civil. No caso, antecipando-se a qualquer ação do Fisco, procedeu ao recolhimento do principal e dos juros de mora e, posteriormente, efetuou a entrega da DCTF.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-001.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento ao recurso por unanimidade de votos.
Jean Cleuter Simões Mendonça Presidente em exercício
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 151 1 150 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001261/200738 Recurso nº 11.516.001261200738 Voluntário Acórdão nº 3401001.917 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2012 Matéria COFINS PER/DCOMP BASE DE CÁLCULO ALARGAMENTO DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2001 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou de serviços. No caso, a interessada recolhera a contribuição sobre as Receitas Financeiras e Receitas Não Operacionais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO INTEGRAL DO DÉBITO, ACOMPANHADO DOS JUROS DE MORA, ANTES DA ENTREGA DA DCTF E ANTES DE QUALQUER INICIATIVA DO FISCO. CARACTERIZAÇÃO. RECURSO REPETITIVO NO STJ. APLICAÇÃO DA REGRA DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A figura da denúncia espontânea, tipificada no artigo 138 do Código Tributário Nacional, resta caracterizada quando o contribuinte, antes da comunicação ao Fisco acerca de sua situação de devedor [entrega de DCTF] e antes de qualquer iniciativa da parte deste, procede à regularização de seu débito mediante o pagamento do valor integral, acompanhado dos juros de mora. Entendimento pacificado no STJ em julgamento submetido ao crivo do artigo 543C do Código de Processo Civil. No caso, antecipandose a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 61 /2 00 7- 38 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 2 qualquer ação do Fisco, procedeu ao recolhimento do principal e dos juros de mora e, posteriormente, efetuou a entrega da DCTF. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento ao recurso por unanimidade de votos. Jean Cleuter Simões Mendonça – Presidente em exercício Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 11516.001261/200738 Acórdão n.º 3401001.917 S3C4T1 Fl. 152 3 Relatório O processo retorna a julgamento após terem sido cumpridas as duas diligências por nós determinadas nas Resoluções nºs. 340100.064, de 30/09/2010, e 3401 00.384, de 14/12/2012, as quais leio em sessão, em que determináramos, na primeira, que fossem confirmadas as informações da interessada de que parte do crédito postulado nos PER/Dcomp referirseia, de fato, à Cofins recolhida sobre Receitas Financeiras e Receitas Não Operacionais, e, na segunda, que fosse cientificada a interessada sobre o resultado da primeira diligência, bem como que fosse sanada a falha na representação processual, e, ainda, que fosse informada a data de entrega da DCTF do 3o trimestre de 2001. A fiscalização confirmou a informação de que parte do crédito referirseia mesmo à Cofins calculada sobre receitas não decorrentes do faturamento da empresa, nos exatos montantes em indicadas pela interessada, bem como ter havido o saneamento da representação processual. Não foi cumprida, todavia, o último quesito da diligência, qual seja, a informação da data em que se dera a entrega da DCTF relativa ao 3º trimestre de 2001, mais especificamente, aquela em que foi indicado o débito da Cofins devido em julho de 2001. Porém, em face da necessidade dessa informação em relação a outros processos da ora interessada em que fui relator, houvera solicitado, e obtido informalmente da DRF em Florianópolis, um extrato apontando as datas de entrega de várias DCTF, dentre as quais, a do 3o trimestre de 2001. Referido documento foi por mim digitalizado e anexado ao processo sob o título “DCTF – 3 trim 2001”. Referido documento indica que a data da entrega da DCTF do 3º trimestre de 2001 se deu em 14/11/2001. No essencial, é o Relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 4 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Temse, então, a partir do Relatório inserido nas duas Resoluções a que me referi acima, que a presente lide, em resumo, se limita ao reconhecimento, ou não, do crédito relacionado à Cofins do período de apuração de julho de 2001, em face de que o mesmo teria origem em duas partes: a primeira, que o recolhimento da contribuição teria se dado sobre receitas não decorrentes do faturamento da empresa, e, portanto, indevido, a teor do posicionamento do STF quando à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998; e, a segunda, que o recolhimento fora acompanhado de multa de mora de 20%, indevidamente paga, ao ver da postulante, em face da caracterização do instituto da denúncia espontânea. Alargamento da base de cálculo da Cofins Resta sedimentado no STF o entendimento de que, na vigência da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, o PIS/Pasep e a Cofins só podem se fazer incidir sobre o montante do faturamento, assim considerado apenas o produto da venda de mercadorias de bens e/ou serviços; nada além disso. Senão, vejamos o julgado no Recurso Extraordinário 346.084 – Paraná, Relatoria Ministro Ilmar Galvão: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – Pis – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98/98. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindose à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº Lei nº 9.718/98/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” A par disso, a partir da Portaria MF nº 586, de 2010, que introduziu o art. 62 A no Regimento Interno do CARF, temse que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, versando esta parte do julgamento justamente sobre essa matéria, isto é, a interessada postulara o reconhecimento de crédito da Cofins recolhido a maior em face de ter incluído no seu cálculo o valor de Receitas Financeiras e de Receitas Não Operacionais, comprovadamente não integrantes de seu faturamento [a empresa é fornecedora de energia elétrica], é de se acolher o seu pleito, quanto a este quesito, ou seja, tem direito de reaver as quantias pagas a título de Cofins para sobre aquelas duas rubricas. No caso, o crédito a ser reconhecido é de R$ 552.184,95. Denúncia espontânea Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 11516.001261/200738 Acórdão n.º 3401001.917 S3C4T1 Fl. 153 5 A interessada postula o reconhecimento como um “pagamento indevido” o valor da multa de mora, de R$ 880.919,59, calculada no percentual de 20% sobre o valor recolhido da Cofins de julho de 2001, o que se deu em 15/10/2001, portanto, após a data de vencimento, acompanhado, inclusive, dos juros moratórios. Conforme relatei acima, porém, a DCTF correspondente a esse débito fora entregue em 14/11/2001, após, portanto aquele recolhimento. Diante dessas circunstâncias, aliada ao fato de que estamos diante de tributo sujeito ao lançamento por homologação, temse, pois, caracterizada a denúncia espontânea a que alude o art. 138 do Código Tributário Nacional, de sorte que o recolhimento da multa de mora mostrase, de fato, indevido, e deve ser ressarcido. Sobre a matéria o STJ já pacificou entendimento, proferido, inclusive, em julgamento submetido ao crivo do artigo 543C, do novo Código de Processo Civil: à “EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) e (REsp 886462 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008)” à “EMENTA 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 6 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. (REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010)”. Esse entendimento, ressaltese, ou repitase, foi firmado na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, de modo que, a teor dos termos da Portaria MF nº 586, de 2010, que introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, naquela sistemática, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vêse então que a denúncia espontânea alcança apenas aquelas situações em que a infração, antes de ser conhecida pelo Fisco, é elidida pelo infrator mediante o pagamento integral do débito que está em atraso, acrescido dos juros de mora. Contrario senso, naquelas situações em que a infração é comunicada antes ao Fisco, seja por meio de DCTF ou de outra declaração da mesma natureza, prevista em lei, e em que há, portanto, a constituição do crédito tributário, não cabe a aplicação da denúncia espontânea, ainda que haja o pagamento do débito com juros de mora antes de qualquer iniciativa da autoridade fiscal relacionada à infração. Em outras palavras, podese dizer que se a situação ocorrer na sequência: apuração do débito; indicação em DCTF; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 11516.001261/200738 Acórdão n.º 3401001.917 S3C4T1 Fl. 154 7 recolhimento integral com juros de mora antes de qualquer iniciativa da autoridade fiscal à a situação não poderá ser enquadrada como “denúncia espontânea”, e, portanto, abrirseá a possibilidade de exigência de multa da multa de mora estabelecida pelo artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro lado, caso a situação ocorra na sequência: apuração do débito; transcurso do prazo de vencimento da obrigação; recolhimento integral com juros de mora antes de qualquer iniciativa da autoridade fiscal indicação do débito em DCTF; à restará a mesma enquadrada na situação descrita como “denúncia espontânea” e, portanto, no descabimento da multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No presente caso, estamos diante da segunda situação descrita acima, ou seja, o recolhimento da contribuição em atraso, vencida em 15/08/2001, deuse em 15/10/2001, antes, portanto, de ter sido informada ao Fisco [a DCTF foi entregue em 14/11/2001] e sem que este tivesse iniciado qualquer procedimento tendente à sua cobrança, o que, à evidência, caracteriza ter se dado sob os benefícios da denúncia espontânea. Portanto, é de se dar razão à Recorrente e reconhecer que a multa de mora por ela recolhida, no valor de R$ 880.919,59, deuse de forma indevida. Conclusão Em face de todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001725/2003-76
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.198
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. I 4 d4 0 CARLOS LB. ' ITAS B • RRETO — Presidente J L2n5,,,JULIO C 1 ,. ' R n1 ' ., GOMES — ' elator EDITADO EM: 1 8 SEI' 2009 1 Processo n° 10820.001725/2003-76 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.198 Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de contrariedade interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que, ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o artigo 10, § 4°, inciso I, da IN/SRF n° 43/1997, com a redação do artigo 1°, inciso II, da IN/SRF n° 67/1997, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 e os artigos 2°, 3° e 16 da Lei n° 4.771/65. E ainda que: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. O recurso foi admitido através de despacho sob o fundamento de que merece acolhimento, haja vista que a decisão foi prolatada por maioria de votos e contrariou dispositivos de instrução normativa. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. 2 Processo n° 10820.001725/2003-76 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.198 Fl. 3 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Examinando o recurso especial e o despacho que lhe deu seguimento, entendo que não foram atendidos os pressupostos para sua admissibilidade. A alegada contrariedade é em face do artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 88/99, além do artigo 10, da Instrução Normativa/SRF no. 43/97, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa/SRF n. 67/97. Ainda que tenha sido referenciado o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, em última instância, a contrariedade é em face de instrução normativa que trouxe a exigência, portanto à legislação tributária, e não à lei, como prevê o artigo 7°, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, publicado no DOU de 28/06/2007: Art. 7° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: 1- decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; Código Tributário Nacional: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; '51 - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Caso o artigo 7°, I do Regimento fosse interpretado para alcançar toda a legislação tributária, estar-se-ia negando autonomia ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, conforme artigo 25, inciso II do Decreto n° 70.235/72, verbis: 3 Processo n° 10820.001725/2003-76 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.198 Fl. 4 Art. 25. II — em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritá rio, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. Portanto, voto pelo não conhecimento do recurso especial por falta de comprovação da contrariedade à lei. No entanto, diante da possibilidade de prevalência do entendimento contrário, resultando daí o seguimento do recurso, e considerando o princípio da duração razoável do processo, procedo ao exame de mérito. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção' ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. A matéria é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) 4 Processo n° 10820.001725/2003-76 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.198 Fl. 5 — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989; Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 10 da Instrução Normativa SRF no 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIA 7', e a distribuição das áreas, à situação existente em 1" de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) § 3° São áreas de utilização limitada: § 40 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; Áll III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (.) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao 'barna. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/1998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: 5 Processo n° 10820.001725/2003-76 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.198 Fl. 6 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (..) § 6. 0 Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 6 Processo n° 10820.001725/2003-76 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.198 Fl. 7 _ ... IV - a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e . requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de ‘,\TDeclaração Ambiental — AD n. impedido para o gozo da isenção. \@i0 Julio Ce 'ira Gomes - Relator I 7
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Numero do processo: 10240.720012/2004-17
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COFINS. ENERGIA ELÉTRICA. RETENÇÃO DE ÓRGÃOS PÚBLICOS.
A prova da retenção não se faz exclusivamente pela apresentação da DIRF, podendo ser feita pela apresentação de documentos contábeis e bancários que permitam identificar que houve o pagamento do valor líquido, em relação a notas fiscais ou faturas que indicam tanto o valor líquido a pagar quanto os valores de tributos que devem ser retidos.
Deste modo, se a fatura indica o pagamento do valor líquido e a necessidade de retenção dos tributos, então o pagamento da fatura torna forçoso entender que houve a retenção do tributo.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-001.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer ao contribuinte o direito de que seja considerado o valor do DARF de fl. 102 e o direito de crédito tanto da retenção demonstrada em DIRF pelo TRT da 14ª Região, como do valor das retenções identificados na diligência fiscal, limitado ao valor apurado pela Autoridade Fiscal.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Ivan Allegretti - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ENERGIA ELÉTRICA. RETENÇÃO DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. A prova da retenção não se faz exclusivamente pela apresentação da DIRF, podendo ser feita pela apresentação de documentos contábeis e bancários que permitam identificar que houve o pagamento do valor líquido, em relação a notas fiscais ou faturas que indicam tanto o valor líquido a pagar quanto os valores de tributos que devem ser retidos. Deste modo, se a fatura indica o pagamento do valor líquido e a necessidade de retenção dos tributos, então o pagamento da fatura torna forçoso entender que houve a retenção do tributo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer ao contribuinte o direito de que seja considerado o valor do DARF de fl. 102 e o direito de crédito tanto da retenção demonstrada em DIRF pelo TRT da 14ª Região, como do valor das retenções identificados na diligência fiscal, limitado ao valor apurado pela Autoridade Fiscal. Antonio Carlos Atulim Presidente. Ivan Allegretti Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 00 12 /2 00 4- 17 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida em 12.08.2003 (fls. 01/05), por meio da qual se utiliza créditos de pagamento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) relativo ao período de apuração de fevereiro de 2003, recolhido em 14.03.2003, para o pagamento de débitos de tributo da mesma espécie. A Delegacia da Receita Federal de Porto Velho/RO (DRF) promoveu o levantamento do valor devido de Cofins em relação ao Período de Apuração 02/2003, apurando os créditos decorrentes de retenções de órgãos públicos e gerados na sistemática não cumulativa, ao final reconhecendo apenas parte do crédito pleiteado (fls. 66/69), resumindo o cálculo do indébito na seguinte planilha (fl. 68): O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 84/89) explicando que “o não reconhecimento do direito ao crédito pleiteado e a não homologação deuse em função do não reconhecimento pelo fisco do DARF pago em 28/11/2003, (...) cujo principal é de R$ 1.760,82 (...) e o valor da retenção dos órgãos públicos federais que o fisco entende ser menor” (fl. 85). Em relação às retenções realizadas pelos órgãos públicos, explicou que (a) de acordo com a sua contabilidade, considerando os espelhos das contas (faturas) e os correspondentes livros, o valor das retenções de Cofins no PA 02/2003 corresponde a R$ 10.305,73 (fl. 86) – tal como efetivamente indicou nas declarações. Explicou, ainda, (b) que baseado nos comprovantes de retenções que efetivamente recebeu dos órgãos públicos o valor retido de Cofins teria sido de apenas R$ 3.865,62 (fl. 87) e (c) que baseado nas DIRFs apresentadas pelos referidos órgãos, conforme apurado pela Fiscalização, o valor seria de R$ 6.176,40 (fl. 87). Sustenta, pois, o seguinte entendimento (fls. 88/89): Então vejamos, são três informações acerca do mesmo assunto com valores totalmente diferentes, cujo procedimento adotado está de acordo com a legislação em vigor. Ö A primeira informação (A) provém dos relatórios contábeis que é ferramenta confiável e obrigatória conforme os preceitos da Lei 6.404/76 para uma Empresa construída por Sociedade Anônima, vez que retrata a efetiva retenção sofrida, com embasamento no art. 5º § único da IN SRF/STN/SFC nº23, de 02 de março de 2001. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10240.720012/200417 Acórdão n.º 3403001.758 S3C4T3 Fl. 403 3 “Parágrafo único – O valor a ser compensado, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de Contribuição Social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação sobre o valor da fatura, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03 04 ou 05 da tabela de retenção (anexo I).” Ö A segunda informação (B) que os comprovantes de retenções fornecidos à CERON pelos órgãos públicos, não condiz com a realidade, visto que grande parte deles, não cumprem com a obrigação acessória de entregar o comprovante anual de retenção. IN SRF/STN/SFC nº 23, de 02 de março de 2001, art. 21 “art. 21 – O órgão ou a entidade que efetua a retenção deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual da retenção, até o dia 28 de fevereiro do ano subseqüente, informando, relativamente a cada mês em que houver sido efetuado o pagamento...” Ö e a terceira (C) são informações que o contribuinte não tem acesso, que são as DIRF’s apresentadas pelos órgãos públicos . As deduções que procedemos, entendemos que estão de acordo pois são informações contábeis contidas nos livros da Companhia sendo uma Empresa de economia mista, não devemos deixar contas compensáveis acumulando créditos, pois os agentes fiscalizadores tais como Tribunal de contas da União, Auditores Independentes e Agente Regulador (ANEEL) fiscalizam esta concessionária regularmente e nos determinam que busquemos os direitos estabelecidos na legislação em vigor. Nesse sentido a Superintendência da Receita Federal da 5ª RF se pronunciou através da Solução de Consulta nº 19 (doc. 05), de 29 de março de 2004 – 5ª RF, DOU de 29.04.2004, que dispõe: “Ementa: Comprovante Anual de Retenção Fornecido por Órgão ou Entidade da Administração Pública Federal. Ausência. Na hipótese de o órgão ou entidade da administração pública federal não fornecer o comprovante anual de retenção, a pessoa jurídica poderá utilizar os seus registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora, para respaldar a compensação dos tributos e contribuições federais retidos.” Fica evidente a comprovação através de nossos relatórios contábeis que houve a retenção de acordo com a Lei 9.430/96 citada acima, e que a CERON pode compensar este valor, independente do não cumprimento das obrigações acessórias por parte dos órgãos públicos, sujeitos estes as penalidades previstas na Legislação e fiscalização da Receita Federal, até Fl. 476DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 mesmo para comprovar o devido recolhimento das Retenções, conforme IN SRF/STN/SFC nº 23, de 02 de março de 2001, art. 3º: “art. 3º Os valores retidos deverão ser recolhidos ao Tesouro Nacional, pelo órgão ou entidade que efetuar a retenção, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), no prazo de até três dias úteis, contado da data do pagamento à pessoa jurídica, observados os códigos de receita relacionados na Tabela de Retenção (Anexo I), para cada hipótese de retenção.” Diante do exposto, requer a homologação do Per/Dcomp e o reconhecimento do direito ao crédito.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de BelémPA (DRJ), por meio do Acórdão nº 016.612, de 4 de setembro de 2006 (fls. 139/141), negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo a decisão de reconhecimento apenas parcial do crédito, pelas seguintes razões resumidas em sua ementa: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2002 Ementa: VALORES INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. Deveria a Impugnante não só dispor de sua escrituração como de documentos fiscais que comprovassem o faturamento, com as correspondentes retenções. Solicitação indeferida.” O texto da ementa, acima citado, contém praticamente a íntegra do entendimento constante do voto do Relator, o qual entendeu que “deveria a impugnante não só dispor de sua escrituração como de documentos fiscais que comprovem o faturamento, com as correspondentes retenções. Desta forma, não é suficiente o relatório contábil, que é ferramenta e obrigatória conforme preceitos da Lei n. 6.404/76” (fl. 141). O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 144/151) reiterando os fundamento de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade, inclusive quanto à comprovação por meio de DARF de um pagamento que não foi considerado pela Fiscalização, e reeditando os mesmos argumentos em relação às retenções de órgãos públicos, adicionando argumentos no sentido de que as informações da sua contabilidade correspondem à realidade do seu faturamento, apresentando ainda cópias da segunda via de cada uma das faturas pagas relativas ao PA 02/2003 (fls. 169/400) e planilhas demonstrando os valores recebidos e retidos (fls. 158/167). Por meio da Resolução nº 340300.062, de 28 de julho de 2010, este Conselho entendeu pela necessidade de converter o julgamento em diligência, requerendo à Delegacia de origem as seguintes providências: 1) verifique e informe se na escrituração fiscal da contribuinte (lançamentos no livro razão, diário ou outro) existe o registro do recebimento do valor líquido dos valores faturados contra os órgão públicos (por meio de lançamento contábil entre as contas Fl. 477DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10240.720012/200417 Acórdão n.º 3403001.758 S3C4T3 Fl. 404 5 ‘a receber’ e ‘banco’ ou por procedimento similar), listando quais faturas foram ou não pagas, em pertinência com o período e os valores a que se referem as retenções alegadas no presente processo; 2) promova junto ao contribuinte a apuração, por quaisquer outros meios, para a demonstração do efetivo recebimento dos valores líquidos a que se referem as retenções alegadas no presente processo. 3) e, ainda, verifique a situação do DARF apresentado na impugnação pelo contribuinte (fl. 102). Devolvidos os autos à origem, a Delegacia coletou informações e documentos do contribuinte (fls. 412/430), cuja análise foi sintetizada em “Relatório Final” (fls. 434/437), no qual apurou e concluiu o seguinte: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10240.720012/200417 Acórdão n.º 3403001.758 S3C4T3 Fl. 405 7 O contribuinte foi intimado do resultado da diligência, mas não apresentou manifestação, sendo então encaminhados os autos de volta a este Conselho (fl. 472e) É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso é tempestivo (intimação em 06.11.2006 e protocolo em 05.12.2006; fls. 143 e 144), motivo pelo qual dele conheço. Em primeiro lugar, devese reconhecer ao recorrente o direito à inclusão do DARF recolhido em 28.11.2003 na composição do valor total do tributo recolhido. Resta comprovada a existência do recolhimento (fl. 102 e 431) e que se refere à Cofins do período de apuração 02/2003, de modo que deve compor o valor do tributo recolhido. Não passa despercebido o fato de que o recolhimento aconteceu depois da data de transmissão da DCOMP, mas é certo que isto não faz qualquer diferença para o efeito de apuração do indébito. Apenas haveria problema se o recolhimento fosse feito depois da decisão quanto à homologação da compensação. Neste caso, com efeito, o recolhimento aconteceu em 28/11/2003 e a decisão da DRF quanto ao pedido de compensação apenas foi notificada ao contribuinte em 04/05/2006 (fl. 78). Fl. 480DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Ora, assim como a transmissão da DCOMP não impede o contribuinte de promover as correções que venha a perceber necessárias na sua contabilidade e nas suas declarações, não havendo qualquer vedação legal ou normativa neste sentido, pode também acontecer que faça recolhimentos. Não deixa de ser estranho constatar que tenha acontecido um recolhimento complementar em relação ao um período de competência em relação ao qual o próprio contribuinte alegou anteriormente haver recolhimento a maior. Mas o contribuinte pode errar, e deve mesmo ter errado Para a resolução do caso, no entanto, basta o dado objetivo existente na data da decisão do pedido de compensação, da existência dos recolhimentos a maior. Assim, o total do recolhimento a ser considerado na apuração do indébito é de R$ 911.504,84 (R$ 909.744,02 + R$ 1.760,82). Quanto às retenções de Cofins promovidas por órgãos públicos, verifica se que a decisão da DRF apenas reconheceu ao contribuinte o direito de crédito em relação aos valores que foram declarados em DIRF pelos órgãos públicos. Ou seja, o critério utilizado pela DRF como condição para o reconhecimento do crédito foi a existência de declaração dos valores na DIRF. Embora a DRJ tenha dito de maneira genérica que “deveria a impugnante não só dispor de sua escrituração como de documentos fiscais que comprovem o faturamento, com as correspondentes retenções” (fl. 141), na prática não analisa os documentos apresentados, nem diz precisamente quais são os tais documentos fiscais que esperava ver, parecendo claro que, da mesma forma que a DRF, apenas reconheceria o direito ao cômputo das retenções diante das DIRFs apresentadas pelos órgãos públicos. Ocorre que, já com a manifestação de inconformidade, o contribuinte apresentou cópia de uma folha do Livro Razão, em que consta o total de R$ 10.305,73 (fl. 104), seguida de um relatório gerencial que lista vários pagamentos e os respectivos valores retidos, dos quais resultaria este valor total (fls. 106/118), além da cópias de diversos comprovantes de retenção enviados por órgãos públicos (fls. 121/133). Depois, com o recurso voluntário, o contribuinte apresentou copia das faturas que teriam sido pagas (fls. 169/400), das quais teriam decorrido as retenções que considerou para a apuração do indébito. Diante dos documentos apresentados, este Conselho entendeu por bem converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem verificasse se em relação aos valores pleiteados de retenção havia prova de que, em relação ao período 02/3002, foram realizados os pagamentos dos valores líquidos dos quais decorreriam a presunção da retenção dos valores indicados pelo contribuinte. A Autoridade Fiscal da Delegacia de origem verificou que a contabilidade não apresenta os pagamentos individualizados por contribuinte nem a instituição bancária informa os valores individualizados dos pagamentos, mas o total dos valores pagos no dia, de modo que “não foi possível obter confirmação individualizada de pagamento das faturas que sofreram retenção, através de comprovante bancário” (fl. 436). Fl. 481DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10240.720012/200417 Acórdão n.º 3403001.758 S3C4T3 Fl. 406 9 No entanto, a Autoridade Fiscal entendeu por bem identificar os valores de faturas que, tendo sido emitidos para pagamento em 2002, apenas tiveram seu pagamento realizado em 2003, conforme ela própria esclarece no seguinte trecho: Assim, a Autoridade Fiscal tomou como ponto de partida esta nova listagem apresentada pelo contribuinte, na qual constam a data dos respectivos pagamentos (fls. 422/424), fazendo então um somatório dos pagamentos referentes a faturas cujo vencimento era 2002 mas foram pagos em 2003. Verificou, também, a Autoridade Fiscal, que os valores de retenção em questão não foram informados pelos órgãos públicos na DIRF 2002, de modo que poderiam ser computados como retenções de 2003, concluindo o seguinte: Com efeito, o pagamento da fatura força presumir que, no mesmo ato, houve a retenção do tributo. No momento em que promove o pagamento ao beneficiário do valor líquido da fatura, a fonte pagadora tornase fiel depositária dos valores correspondentes às retenções legais, que desde aquele momento pertencem à Fazenda Pública. Ou seja, o pagamento do valor líquido da fatura sela o momento em que o valor correspondente ao tributo passa a pertencer à Fazenda Pública. A fonte pagadora, neste momento, age em nome da própria Fazenda Pública, promovendo a retenção e o repasse aos cofres públicos. A partir do momento em que concretizada no mundo jurídico a retenção, pelo pagamento apenas do valor liquido, o Fisco deve perseguir contra a fonte pagadora a realização do dever legal de repasse do valor dos tributos aos cofres públicos, inclusive sob pena da configuração de depositário infiel. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Neste caso concreto, como visto, a Autoridade Fiscal confirmou a existência dos pagamentos das faturas, reconhecendo, assim, a exist6encia de retenções a serem consideradas na determinação do valor total de Cofins. Via de regra, apenas deveria ser considerados os pagamentos e retenções realizados no mesmo período de apuração da contribuição. Mas a Autoridade Fiscal cuidou de verificar que os créditos em questão foram acumulados desde o início do ano, certificandose de que não constaram de aproveitamento anterior, reconhecendo a possibilidade de serem aproveitados em período subsequente, na forma da legislação vigente na época (art. 5º da IN SRF/STN/SFC nº 23/01). Diante de tal verificação, devese reconhecer ao recorrente o direito de que tais retenções valores integrem o valor de Cofins, na medida do valor que foi certificado na diligência fiscal. Notese, ademais, que o valor de retenção de R$ 2.585,69 foi provado por meio de DIRF regularmente entregue pelo TRT da 14ª Região, de modo que deve ser reconhecido o direito ao seu cômputo. Voto, por isso, pelo parcial provimento do recurso, reconhecendo ao contribuinte o direito (a) de que seja considerado o valor do DARF de fl. 102 e (b) de que seja reconhecido o direito de crédito tanto da retenção demonstrada em DIRF pelo TRT da 14ª Região, como do valor das retenções identificados na diligência fiscal, limitado ao valor apurado pela Autoridade Fiscal. Ivan Allegretti Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19515.004687/2003-31
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Oct 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998,1999, 2000,2001
IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade aíiministrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro (art. 150, § 4.° do CTN).
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA - SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL -Desatendidas as intimações da fiscalização para apresentação dos extratos de movimentação bancário do contribuinte, podem os mesmos ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar n°. 105/2001. As informações albergadas pelo sigilo bancário objeto de fiscalização sujeitam-se, igualmente, ao sigilo fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recuros utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3 o, do citado diploma legal.
TAXA SELIC - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula Io CCn° 04).
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado
Numero da decisão: 2202-000.317
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Pedro Anan Júnior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998,1999, 2000,2001 IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade aíiministrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro (art. 150, § 4.° do CTN). REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA - SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL -Desatendidas as intimações da fiscalização para apresentação dos extratos de movimentação bancário do contribuinte, podem os mesmos ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar n°. 105/2001. As informações albergadas pelo sigilo bancário objeto de fiscalização sujeitam-se, igualmente, ao sigilo fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recuros utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3 o, do citado diploma legal. TAXA SELIC - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula Io CCn° 04). Preliminares rejeitadas. Recurso negado
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Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-Calendário: 1993
Ementa: LUCRO REAL - FUNDO DE APLICAÇÃO FINANCEIRA —
OMISSÃO DE RECEITA - Nos anos-calendários de 1993, os rendimentos
do FAF devem ser tributados pelo lucro real e o imposto de fonte de 5% é antecipação do IRPJ. O FAF é exceção ao regime de tributação exclusiva na fonte, estabelecido pelo art. 36 da Lei n°. 8.541/1992. A omissão dessa receita no lucro real enseja a tributação pelo IRRF (art. 44 dessa Lei) e pela
CSLL (Lei 7.689/88).
PIS/COFINS — RECEITA FINANCEIRA — No ano-calendário de 1993, a
base de PIS e COFINS é o faturamento entendido como a receita da venda de bens e serviços.
Numero da decisão: 1803-000.206
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores relativos ao PIS e à COFINS do ano de 1993, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificada e momentaneamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-Calendário: 1993 Ementa: LUCRO REAL - FUNDO DE APLICAÇÃO FINANCEIRA — OMISSÃO DE RECEITA - Nos anos-calendários de 1993, os rendimentos do FAF devem ser tributados pelo lucro real e o imposto de fonte de 5% é antecipação do IRPJ. O FAF é exceção ao regime de tributação exclusiva na fonte, estabelecido pelo art. 36 da Lei n°. 8.541/1992. A omissão dessa receita no lucro real enseja a tributação pelo IRRF (art. 44 dessa Lei) e pela CSLL (Lei 7.689/88). PIS/COFINS — RECEITA FINANCEIRA — No ano-calendário de 1993, a base de PIS e COFINS é o faturamento entendido como a receita da venda de bens e serviços.
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Recorrida 3' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-Calendário: 1993 Ementa: LUCRO REAL - FUNDO DE APLICAÇÃO FINANCEIRA — OMISSÃO DE RECEITA - Nos anos-calendários de 1993, os rendimentos do FAF devem ser tributados pelo lucro real e o imposto de fonte de 5% é antecipação do IRPJ. O FAF é exceção ao regime de tributação exclusiva na fonte, estabelecido pelo art. 36 da Lei n°. 8.541/1992. A omissão dessa receita no lucro real enseja a tributação pelo IRRF (art. 44 dessa Lei) e pela CSLL (Lei 7.689/88). PIS/COFINS — RECEITA FINANCEIRA — No ano-calendário de 1993, a base de PIS e COFINS é o faturamento entendido como a receita da venda de bens e serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores relativos ao PIS e à COFINS do ano de 1993, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificada e momentaneamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. .ct,W:-C-------------------DE MORAES — Presidente /Ir Ilitrisr/ -e rieFOIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA — Relatora " DITADO EM: 09 Al3R 2010 1 Processo n° 13805.004085/97-23 S1-TE03 Acórdão n.° 180340.206 Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benicio Júnior, Luciano Inocêncio dos Santos, Marcos Antônio Pires. Walter Adolfo Maresch e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. 2 tk• Processo 13805.004085197-23 S1-TE03 Acórdão n•° 1803-00206 Fl. 3 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal que culminou na lavratura de autos de infração (AIIM), por meio dos quais exige-se o recolhimento de IRPJ (fls. 02 a 07), PIS (fls. 08 a 13), COFINS (fls. 14 a 18), IRRF (fls. 19 a 24) e CSLL (fls. 25 a 27), acrescidos dos consectários legais, todos referentes ao ano-calendário de 1993. Nos termos da descrição dos fatos constante no AIIM (fl. 03) e o Termo de Constatação anexado à fl. 33, foi verificada a omissão de receita decorrente da ausência de contabilização dos rendimentos de aplicações financeiras auferidos pelo Recorrente, na forma do disposto no artigo 157, §1°, c/c o artigo 175, ambos do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/80, conforme evidenciado pelos "Extratos de Movimentação Financeifa" do Banco Bradesco S/A, juntados às fls. 35 a 48. Ainda, foi constatada a ausência de contabilização dos rendimentos produzidos por aplicação financeira, com data de resgate em 26.07.1993, no papel "CDB Escriturai", no valor de Cr$ 15.630.018,20, conforme evidenciado no extrato de aplicação do Banco Bradesco S/A às fls. 49. Ciente da lavratura dos autos de infração em 09.05.1997 (fls. 34), em 10.06.1997 o Recorrente apresentou impugnação para cada lançamento às fls. 52 a 59,64 a 73, 78 a 86 e 91 a 99, alegando em apertada síntese o seguinte. 1) Pela definição legal, os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa iniciadas a partir de 1993 eram tributados exclusivamente na fonte, conforme regras, prazos e aliquotas vigentes à época. 2) Se a lei de regência elege como sujeito passivo da obrigação tributária a instituição e se a mesma lei determina que o imposto em questão é exclusivo na fonte, não pode a Autoridade Fiscal pretender fazer incidir sobre o mesmo valor o imposto de renda, ainda mais por pessoa não eleita Pela lei como sujeito passivo. 3) Por previsão legal, as aplicações financeiras diárias estavam sujeitas à retenção na fonte (IRRF) e, estando o Recorrente enquadrado no regime de apuração do lucro real, o IRRF, por caracterizar unia antecipação do devido, pode ser compensando com o valor a ser pago, por ocasião da entrega da declaração. 4) Ainda que tivesse ocorrido omissão de receita, o PIS e a COFINS não são devidos, visto que aludidas contribuições têm como base de cálculo o valor do faturamento mensal e não o valor das receitas financeiras. 5) Como não houve omissão de receita não há que se falar em imposto de renda na fonte. 6) A partir do ano-calendário de 1988, por força do disposto no artigo 35 da Lei n°. 7.713, de 22.12.1988, todo o lucro apurado pelas pessoas jurídicas era considerado r- Processo e 13805.004085/97-23 S1-TE03 Acórdão n.° 180340.206 Fl. 4 automaticamente distribuído aos sócios, estando sujeitos à aliquota de 8% ou seja, por mais que considerasse ocorrida a omissão de receita, a alíquota aplicável seria de 8% e não de 25%, como pretende faier incidir a Autoridade Fiscal. Em julgamento proferido em 20.03.2003, a 3 Turma da DRJ de São Paulo/SP (fls. 112 a 123), julgou parcialmente procedente os lançamentos, conforme ementa abaixo transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1993 Ementa: RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Os rendimentos auferidos pelas pessoas jurídicas em aplicações financeiras de renda fixa são tributados exclusivamente na fonte. Já os rendimentos de aplicações FAF devem ser incluídos na determinação do lucro tributável, sendo o imposto na fonte retido nos meses autuados compensável com o imposto de renda apurado. PIS E COFINS. As receitas financeiras não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COF1NS. IRRF. Aplica-se ao lançamento de IRRF, no que couber, o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, devido á íntima relação de causa e efeito existente entre eles. A alíquota aplicada encontra-se em consonância com a legislação vigente. Lançamento Procedente em Parte". Ciente da decisão de primeira instância em 22.04.2008 (fl. I32-V), o Recorrente interpôs recurso voluntário em 20.05.08 (fls. 136 a 171), reproduzindo os mesmos argumentos articulados em sede impugnação. É o relatório. Voto Conselheira LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade, sendo que dele tomo conhecimento. Em suma, o processo discute a omissão de receita decorrente de fundo de aplicação financeira, que ensejou a lavratura de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes ao ano-calendário de 1993. ti g 1 ' Processo e 13805.004085/97-23 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.206 Fl. 5 O artigo 693, §1°, alíneas "a" e 15", do Regulamento de Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 1.041 de 11 de janeiro de 1994, diploma regulador dos fatos geradores discutidos nos presentes autos, dispõe. "Art. 693. As aplicações em Fundos de Aplicação Financeira sujeitam-se à incidência do imposto na fonte à aliquota de cinco por cento sobre o rendimento bruto apropriado diariamente ao quotista, vedada a dedução de qualquer despesa ou encargo (Leis n°s 8.383/91, art. 21, § 4°, e 8.541/92, art. 36, § 7°). § 1° O imposto retido na fonte, na forma deste artigo, será considerado (Leis n's 8.383/91, arts. 21, § 4°, e 36, e 8.541/92, art. 36, § 7°): a) antecipação do devido na declaração, quando o beneficiário forpessoa jurídica tributada com base no lucro real:- b) devido exclusivamente na fonte, nos demais casos, ressalvado o disposto no § 2"do art. 645". (Grifas meus) Já os artigos 21, §40 e 36, incisos I e II, da Lei n°. 8.383/91 e artigo 36, §7°, da Lei n°. 8.541/92, referenciados pelo RIR/94, por sua vez, dispõem o seguinte. Lei n°. 8.383/91 "Art. 21. Nas aplicações de fundo de renda fixa, resgatadas a partir de I° de janeiro de 1992, a base de cálculo do imposto de renda na fonte será constituída pela diferença positiva entre o valor do resgate, líquido de 10F, e o custo de aquisição da quota, atualizado com base na variação acumulada da Ufir diária desde a data da conversão da aplicação em quotas até a reconversão das quotas em cruzeiros. § 4° Excluem-se do disposto neste artigo as aplicações em Fundo de Aplicação Financeira (FAF), que continuam sujeitas à tributação pelo imposto de renda na fonte à aliquota de cinco por cento sobre o rendimento bruto apropriado diariamente ao quotista". "An. 36. O imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras ou pago sobre ganhos líquidos mensais de que trata o art. 26 será considerado: I - se o beneficiário for pessoa jurídica tributada com base no lucro real: antecipação do devido na declaração • II - se o beneficiário for pessoa fisica ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta: tributação definitiva, vedada a compensação na declaração de ajuste anual". (Grifas meus) Lei n°. 8.541/92 1 Processo n° 13805.004085/97-23 81-TE03 Acórdão n.°1803-00.206 Fl. 6 "Art. 36. Os rendimentos auferidos pelas pessoas jurídicas, inclusive isentas, em aplicações financeiras de renda fixa iniciadas a partir de I° de janeiro de 1993 serão tributadas, exclusivamente na fonte, na forma da legislação vigente, com as alterações introduzidas por esta Lei. (4. 7° Fica mantida a tributação sobre as aplicacões em Fundo de Aplicacão Financeira - FAF (Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 21. if 4°). nos termos previstos na referida Lei". (Grilos meus) Pela análise sistemática dos diplomas legais acima reproduzidos, os quais regulam a celeuma instaurada nos presentes autos, verifico que o Fundo de Aplicação Financeira - FAF, aplicação financeira de renda fixa, constitui exceção ao regime de tributação exclusiva na fonte para aplicações iniciadas a partir de 1° de janeiro de 1993. Isso porque a legislação deixa bem claro que os FAF continuarão a ser tributados nos termos da legislação vigente não se sujeitando a esse novo regime de tributação exclusiva, ou seja, seus rendimentos continuarão integrando o lucro real e estarão sujeitos a IIIRF à aliquota de 5%, sendo o [RAF posteriormente compensável com o 1RPJ. Esse é o entendimento cristalino que se extrai da Lei e que já foi acatado pela Delegacia Regional de Julgamento - DRJ. O contribuinte insiste que o imposto retido pelo Bradesco seria antecipação do imposto sobre o lucro real, com o que eu concordo, mas noto que assim também já decidiu a DRJ. O entendimento até aqui exposto encontra ancoro na jurisprudência deste Conselho: '1° Conselho de Contribuintes / 5a. Câmara / ACÓRDÃO 105- 17.156 em 14.08.2008 IRPJ E OUTRO - Ex(s): 1997 Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993, 1994 Ementa: (.) LUCRO REAL - FUNDO DE APLICAÇÃO FINANCEIRA - RETENÇÕES SOFRIDAS NA FONTE - Nos anos-calendário 1993 e 1994, os rendimentos auferidos por aplicações em Fundos de Aplicação Financeira - FAF - e as correspondentes retenções na fonte devem ser computados na determinação do lucro real, constituindo-se exceção ao regime de tributação exclusiva na fonte, estabelecido pelo art. 36 da Lei n° 8.541/1992 ". No entanto, como o Recorrente não incluiu os rendimentos do FAF na apuração do Lucro Real, incorreu em omissão de receita, sendo portanto por reflexo devido o tributo de que trata, in casu, o artigo 44 da Lei n°. 8.541/92: 2.(1\ •N, Processo n° 13805.004085/97-23 31-TE03 Acórdão n.° 1803-00.206 Fl. 7 "Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro liquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25% sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica." Insurge-se o Recorrente quanto à aplicação da alíquota de 25%, que, no seu entendimento, deveria ser de 8%, nos termos do artigo 35 da Lei n°. 7.713/88. Por mais uma vez, não assiste razão ao Recorrente, visto que o artigo 35 da Lei n°. 7.713/88 diz respeito à alíquota aplicável ao Imposto sobre o Lucro Líquido — ILL - apurado pela pessoa jurídica no encerramento do período — base, não ao imposto de renda. Já a Lei em regência trata do imposto de renda na fonte — IRRF - sobre dividendos pagos aos sócios, na hipótese em que a distribuição é identificada por força de onüssão da correspondente receita na pessoa jurídica. O — ILL e o 1RRF em questão têm fimdamento em dispositivos legais distintos portanto não se confundem. O imposto de renda na fonte trazido pelo artigo 44 da Lei 8.541/92 é um tributo nos termos do artigo 3° do Código Tributário Nacional — CTN: tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". As regras que tratam de omissão de receita, como o indigitado artigo 44, são regras tipicamente tributárias: diante de uma situação de fato objetiva — omissão de rendimentos — aplica-se uma regra específica de tributação, cuja matriz de incidência está disposta na Lei. Elas não são punição ou penalidade. O próprio CTN reconhece a diferença entre o tributo e a penalidade, no artigo 113 parágrafo 1°. Acontece que, se a pessoa jurídica não declara os rendimentos como seus e não os tributa, admite a Lei que eles tenham sido automaticamente distribuídos aos sócios e tem-se a tributação correspondente. Ao fato gerador se aplica, nos termos do artigo 105 do Código Tributário Nacional, a Lei vigente à época, no caso, o artigo 44 da Lei 8.541/92. Assim, ainda que esse artigo tenha sido posteriormente revogado pelo artigo 36 da Lei 9.249/95, cabe manter neste caso como aplicável a legislação vigente na época do fato gerador, em 1993. Assim já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - Primeira Turma / ACORDA° CSRF/01-05.263 em 20.09.2005 IRPJ E OUTROS 1RRF - OMISSÃO DE RECEITAS - LEI 8.541 DE 1992 - A exigência de 1RRF sobre receitas omitidas não se configura como aplicação de penalidade pois configura hipótese de incidência de imposto cuja lei aplicável será sempre aquela vigente na data de ocorrência do respectivo fato gerador ainda que posteriormente modificada ou revogada, em prestígio à legalidade em matéria tributária que realiza também a certeza do direito e a segurança jurídica. 7sN, • "' Processo n° 13805.004085197-23 51-TE03 Acórdão n.° 1803-00106 Fl. 8 Verifico que o rendimento do FAF também não constou do lucro que formou base para o cálculo da contribuição social nos termos da Lei 7.689/88 e por isso entendo devido esse lançamento. Já com relação às contribuições ao PIS e a COFINS, note-se que, no ano- calendário de 1993, as regras vigentes eram a Lei Complementar 70/91 (artigos 1 e 2) para COFINS e Lei Complementar 7/70 para PIS, sendo que a base de cálculo de referidas contribuições era o faturamento entendido apenas como a receita da venda de bens e serviços. A receita da aplicação financeira no FAF não é receita de venda de bem ou serviço, por isso, não está sujeita a PIS e COFINS. Embora a DRI já tenha decidido nessa linha, seguiu protestando o contribuinte em seu recurso. Nestes termos, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência de PIS e COF1NS. __-.----, 4•111•01"—IA,7 ORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA r • MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS4,1".•:• QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo n° : 13805.004085/97-23 Acórdão n° : 1803-00.206 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciado no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. • Brasília, 09 de abril de 2010 i • rOiliáfetà-de\o5glaRe'l Secretária da Câmara Ciência Data: / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional 4 Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
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Numero do processo: 13833.000029/99-53
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: FINSOCIAL — RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
O prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição/compensação de indébito relativo a tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser contado a partir do término do prazo para homologação do pagamento (5 + 5 = 10 anos). Jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.633
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para enfrentamento do mérito, podendo o contribuinte, se discordar da nova decisão, interpor manifestação de inconformidade dirigida à DRJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Judith Do Amaral Marcondes Armando
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Sessão de : 25 de fevereiro de 2008 Acórdão n° : CSRF/03-05.633 FINSOCIAL — RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição/compensação de indébito relativo a tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser contado a partir do término do prazo para homologação do pagamento (5 + 5 = 10 anos). Jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para enfrentamento do mérito, podendo o contribuinte, se discordar da nova decisão, interpor manifestação de inconformidade dirigida à DRJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. TONIO ' • GA - Presidente JUDIT AMARAL MARCONDES ARM O - Relatora FORMALIZADO EM: O 5 OUT 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Otacilio baritas Cartaxo, Susy Gomes Hoffinann, Judith do Amaral Marcondes Armando Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho(Vice Presidente) e Antonio Praga (Presidente). mas Processo n° : 113833.000029/99-53 Acórdão n° : CSRF03-05.633 RELATÓRIO Versa o presente processo de indeferimento do pedido de restituição do Finsocial, referente aos pagamentos a maior no período de setembro de 1989 a março de 1992. O pedido foi protocolizado em 02 de março de 1999. Após a manifestação de inconformidade da Contribuinte, a decisão de Primeira Instância manteve o indeferimento do pedido, sob o fundamento de que o pedido foi extemporâneo. A contribuinte recorreu ao Conselho de Contribuintes, reproduzindo os fundamentos exordiais para reformar o Acórdão de Primeiro Grau, concedendo a restituição dos valores pagos, conforme pleiteado. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou a argüição de decadência do direito de a contribuinte pleitear a restituição do Finsocial paga a maior e determinou a devolução do processo à autoridade julgadora de Primeira Instância para apreciar as demais questões de mérito, em decisão assim ementada: "FINSOCIAL - DECADÊNCIA - AFASTADA - INÍCIO DE CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO - MP N°1110/95 1. Em análise a questão afeita ao critério para contagem do prazo prescricional do presente pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Superior Tribunal Federal, entende-se que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ato do Senado Federal (art. 52, X da CF), fixa-se o termo ad quo da prescrição da vigência de ato emitido pelo Poder Executivo como efeitos similares. Tocante ao FINSOCIAL, .tal ato é representado pela Medida Provisória n° 1110/95. 2. Assim, o termo a quo da prescrição é a data da edição da MP n° 1110, de 30 de agosto de 1995, desde que o prazo de prescrição, pelas regras do CTN, não se tenha consumado. 3. In casu, o pedido ocorreu na data de 02 de março de 1999, logo, dentro do prazo prescricional." A PGFN apresentou, tempestivamente; Recurso Especial de Divergência, fls. 168/186, irresignada com o teor da Decisão estampada no Acórdão 303-32.112, fls. 154/1167: O apelo da Fazenda Nacional fundamenta-se nos argumentos do seguinte acórdão paradigma, oriundo da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, do qual transcrevo a ementa: "FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - A inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso Extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resolução do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X, da 2 Processo n° : 113833.000029/99-53 Acórdão n° : CSRF03-05.633 Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n° 1.110/95 (atual Lei n° 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão de créditos tributários definitivamente constituídos e extintos pelo pagamento. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA." (Acórdão 302-35.782). Devidamente cientificada do Acórdão do Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, a Contribuinte apresentou Contra- Razões Recursais, tempestivamente, conforme documentos de fls. 227 a 238. Na sessão realizada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 13/08/2007, os autos foram distribuídos, por sorteio, a esta Conselheira para relato. É o relatório. VOTO Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Relatora Conforme visto nos relatórios que precedem minha decisão, a contribuinte requereu em 02 de março de 1999 a restituição de valores pagos a título de FINSOCIAL, que julgou indevidos, recolhidos no período de setembro de 1989 a março de 1992. Aprecio o Recurso Especial interposto em nome da Fazenda Nacional e Contra-Razões da Contribuinte, ambos em boa forma. A Decisão recorrida foi proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, assim ementada: "FINSOCIAL - DECADÊNCIA - AFASTADA - INÍCIO DE CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO - MP N°1110/95 1. Em análise a questão afeita ao critério para contagem do prazo prescricional do presente pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Superior Tribunal Federal, entende-se que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ato do Senado Federal (art. 52, X da CF), fixa-se o termo ad quo da prescrição da vigência de ato emitido pelo Poder Executivo como efeitos similares. Tocante ao FINSOCIAL, tal ato é representado pela Medida Provisória n° 1110/95. 2. Assim, o termo a quo da prescrição é a data da edição da MP n° 1110, de 30 de agosto de 1995, desde que o prazo de prescrição, pelas regras do CTN, não se tenha consumado. 3 Processo n° : 113833.000029/99-53 Acórdão n° : CSRF03-05.633 3. In casu, o pedido ocorreu na data de 02 de março de 1999, logo, dentro do prazo prescricional." Para solucionar a divergência transcrevo, por economia processual, voto da minha relatoria na Câmara Ordinária, ao qual devem ser "feitas as necessárias adaptações ao caso aqui relatado: Durante vários anos venho defendendo posicionamento segundo o qual o prazo de extinção do direito de o contribuinte requerer a restituição de valores indevidamente recolhidos ao Erário se encerra 5 (cinco) anos após o respectivo pagamento, uma vez que, em síntese: (i) a presunção de legalidade/constitucionalidade não significa vedação ao exercício de questionar qualquer tributo que o contribuinte entenda como indevido; e, (ii) as garantias individuais estão subordinadas à integridade do interesse social (nenhum direito ou garantia pode ser exercido em detrimento da ordem pública), sendo certo que o orçamento fiscal não pode se sujeitar à imobilidade legal do contribuinte. Nada obstante, após muitas considerações e discussões, esta Câmara acabou por adotar posição majoritária segundo a qual o Poder Executivo deve seguir as orientações emanadas pelo Poder Judiciário, quando por este pacificado. • Nesse esteio, esta Câmara passou a acatar a linha de entendimento consolidado e recentemente confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo o qual o prazo de 5 (cinco) anos estabelecido para a decadência do crédito decorrente de indébito tributário (artigo 168, I, do CTN) deve ser somado ao interstício hábil à homologação assinalada no § 40 do artigo 150 do CTN: ",sç 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Se não se operou a homologação expressa ventilada em tal dispositivo, deflui daí a consumação tácita de tal expediente administrativo, dependente do transcurso de 5 (cinco) anos contados da ocorrência de cada qual dos fatos geradores do tributo considerado para ser reputado materializado. Antes de esgotados os prazos referidos (5 anos + 5 anos) não se pode cogitar de extinção do direito de o contribuinte requerer a restituição de tributo indevidamente recolhido, sobretudo porque não transcorrido o período hábil à constatação formal, pela Fazenda Pública, de que a mesma promoveu pagamentos indevidos. Consulte-se, nesta toada, o entendimento do STJ sobre o tema, que em tudo confirma as observações adredemente formuladas (RE n° 327043): "1. Questiona-se, aqui, (a) a natureza — se interpretativa ou não - do art. 3" da LC 118/2005, segundo o qual, para efeito de contagem do prazo para a repetição do indébito, deve ser considerado que "a extinção do crédito 4 Processo n° : 113833.000029/99-53 Acórdão n° : CSRF03-05.633 tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado", bem como (b) a legitimidade da art. 4 0, segunda parte, da mesma Lei, que determina a aplicação retroativa daquele artigo 3°, tal como prevê o art. 106, I, do CTN. 6.Ainda que se admita a possibilidade de edição de lei interpretativa, como prevê o art. 106, I, do CTN, mas considerando o que antes se disse sobre o processo interpretativo e seus agentes oficiais (= a norma é aquilo que o Judiciário diz que é), evidencia-se como hipótese paradigmática de lei inovadora (e não simplesmente interpretativa) aquela que, a pretexto de interpretar, confere à norma interpretada um conteúdo ou um sentido diferente daquele que lhe foi atribuído pelo Judiciário ou que limita o seu alcance ou lhe retira um dos seus sentidos possíveis. É o que ocorre no caso em exame. Com efeito, sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (.J é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem inicio, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação — expressa ou tácita - do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTIV. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, 1. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo,. na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. (.) Ora, o art. 3" da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a "interpretação" dada, não há como negar que a lei ihovou no plano normativo, pois retirou das disposições normativas interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Se, como se disse, a norma é aquilo que o Judiciário, como seu intérprete, diz que é, não pode ser considerada simplesmente interpretativa a lei que dá a ela outro significado. Em outras palavras: não pode ser considerada interpretativa a lei que tem o evidente objetivo de modificar a jurisprudência dos Tribunais. Somente a jurisprudência é que pode, legitimamente, alterar a jurisprudência. 7.Não se nega ao Legislativo o poder de alterar a norma (e, portanto, se for o caso, também a interpretação formada em relação a ela). Pode, sim, fazê- lo, mas não com efeitos retroativos. (..)" Nessa linha, curvo-me a posição acima explicitada e, com isso, partindo das premissas que: (i) a solicitação levada a efeito pelo Interessado foi protocolizada em 02 de março de 1999 para o pedido de restituição/compensação; (ii) os recolhimentos se referem ao período 61‘1- ' Processo n° : 113833.000029/99-53 Acórdão n° : CSRF03-05.633 de apuração de setembro de 1989 a março de 1992; tenho que a mesma é tempestiva e, portanto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal de Origem, para enfrentamento do mérito. Sala das sessões, em 25 de fevereiro de 2008 41/ (71,‘__s}..i • JJUDYf O AMARAL MARCONDES ARM ' DO - Relatora I ` , - ` 6
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Numero do processo: 10650.001000/2007-19
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
COMODATO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO POR ENTIDADE DE DIREITO PRIVADO SOB CONTROLE DIRETO DO MUNICÍPIO. Comprovado que a unidade hospitalar era mantida com recursos advindos do orçamento municipal, o IRRF que incidiu sobre os pagamentos realizados pertence ao Município.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO POR ENTIDADE DE DIREITO PRIVADO SOB CONTROLE DIRETO DO MUNICÍPIO. Comprovado que a unidade hospitalar era mantida com recursos advindos do orçamento municipal, o IRRF que incidiu sobre os pagamentos realizados pertence ao Município. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 10 00 /2 00 7- 19 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0917.463 (fls. 429/433), que, por unanimidade de voto, julgou procedente o lançamento referente a imposto sobre a renda retido na fonte (IRF), lavrado sob a alegação de (I) falta de recolhimento do IRF sobre rendimentos do trabalho assalariado e (II) falta de recolhimento do IRF sobre rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 336 a 345. Ao apreciar o litígio, os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) mantiveram integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto:Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Exercício: 2006 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. É procedente o Auto de Infração que exige da fonte pagadora, com os acréscimos legais, o imposto retido e não recolhido. Lançamento Procedente. Em sua peça recursal, o sujeito passivo suscita os seguintes argumentos de defesa: I – a inconstitucionalidade do artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, pela exigibilidade de depósito prévio, tendo em vista pronunciamento do Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1976/DF, portanto, a desnecessidade do arrolamento de bens para o seguimento do presente recurso; II – no mérito, afirma que, por integrar formalmente a administração indireta do Município de Ibiá (MG), não está obrigada a repassar os valores referentes a IRF para a Secretaria da Receita Federal, mas sim àquele Município, que é titular dos referidos recursos, nos termos do artigo 158, I, da Constituição Federal; III – por força da Lei Orgânica do Município de Ibiá (MG), qualquer entidade de direito privado sob o controle direto ou indireto do Município, integra a administração indireta, equiparandose a autarquia e fundações municipais; IV – por outro lado, as relações de trabalho que deram origem ao auto de infração decorrem de servidores contratados diretamente pelo Município para prestação de serviços na autuada, com o pagamento dos vencimentos, assim, a Carta Magna afirma que o produto da arrecadação do imposto sobre remuneração paga a qualquer título pelo Município, a este pertence; V – reitera todas a fundamentações da impugnação, requerendo a análise por parte do Colegiado. Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso, para julgar improcedente o lançamento fiscal. O julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução de nº 21010.007 (fls. 450/451). Fl. 542DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10650.001000/200719 Acórdão n.º 2101001.956 S2C1T1 Fl. 522 3 É o Relatório. Voto No tocante ao preparo recursal, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADIN 19761, relator o ministro Joaquim Barbosa, em sessão de 28/03/2007, declarou a inconstitucionalidade da garantia recursal prevista no art. 33, § 2o, do Decreto n° 70.235/72. Assim, desnecessária qualquer consideração sobre a matéria. Em sua defesa, a recorrente afirma que integra formalmente a administração do Município de Ibiá (MG), por força da Lei Orgânica do Município e de Lei Municipal específica que autoriza o executivo a celebrar comodato da unidade hospitalar. Portanto, as relações de trabalho que deram origem ao auto de infração decorrem de servidores contratados diretamente pelo Município para prestação de serviços na Santa Casa de Misericórdia, razão pela qual o respectivo IRRF pertence ao Município. Nos termos do artigo 158, I, da Constituição Federal vigente, pertencem aos Municípios o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. Pareceme evidente que, no caso em exame, o comodato celebrado entre o Município de Ibiá/MG e a Santa Casa de Misericórdia Padre Eustáquio transferiu à comodatária toda a responsabilidade pelos custos da gestão de pessoas, bens e serviços, que passou a autuar diretamente na unidade hospitalar através da Secretaria de Saúde do Município, que tinha a sua sede nas instalações da Santa Casa. Com efeito, a Lei Orgânica do Município de Ibiá/MG estabeleceu que a Administração Pública Municipal é o conjunto de órgãos e recursos materiais, financeiros e humanos aplicados à execução das decisões do governo local, inclusive através de entidade de direito privado sobre seu controle direto ou indireto (fls. 128 e 140): Ari. 78. A administração Pública Municipal é o conjunto de órgãos e recursos materiais, financeiros e humanos aplicados à execução das decisões do governo local. Par. 1º. A atividade de administração pública municipal é direta quando exercida por órgão da Prefeitura ou da Câmara. Par. 2º. A atividade de administração publica municipal é indireta quando compete a: a) autarquia; 1 Decisão da ADI 1976: O Tribunal, por unanimidade, julgou prejudicada a ação relativamente ao artigo 33, caput e parágrafos, da Medida Provisória nº 1.69941/1998, e rejeitou as demais preliminares. No mérito, o Tribunal julgou, por unanimidade, procedente a ação direta para declarar a inconstitucionalidade do artigo 32 da Medida Provisória nº 1.69941/1998, convertida na Lei nº 10.522/2002, que deu nova redação ao artigo 33, § 2º, do Decreto nº 70.235/1972, tudo nos termos do voto do Relator. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Marco Aurélio. Impedido o Senhor Ministro Gilmar Mendes (VicePresidente). Licenciada a Senhora Ministra Ellen Gracie (Presidente). Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence (art. 37, I, do RISTF). Plenário, 28.03.2007. Disponível a partir de: <http://www.stf.gov.br>. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 b) empresas públicas; c) fundação pública; d) outra entidade de direito privado sob controle direto ou indireto do Município.(grifos acrescidos) (...) Art. 83. A atividade administrativa permanente é exercida: I (...) II Nas sociedades de economia mista, empresas públicas e demais entidades de direito privado sob controle direto ou indireto do Município, por empregado público, ocupante de emprego público.(grifos acrescidos) Em 1995 o povo de lbiá autorizou a celebração do contrato de comodato entre o Município e a Santa Casa de Misericórdia (fl. 112): LEI Nº 1473/95 AUTORIZA O PODER EXECUTIVO A ASSINAR CONTRATO DE COMODATO COM A SANTA CASA DE MISERICÓRDIA PADRE EUSTÁQUIO. O Povo do Município de lbiá (MG), por seus representantes na Câmara Municipal aprovou, e eu, Prefeito Municipal, sanciono a seguinte Lei: Art. 1º. Fica o Poder Executivo autorizado a assinar contrato de Comodato com a Santa Casa de Misericórdia PADRE Eustáquio, pelo prazo :de 06 (seis) anos, objetivando assumir a administração geral do complexo hospitalar. Art. 2º. O referido contrato passa a fazer parte integrante desta Lei. Art. 3º. Para ocorrer o disposto no artigo primeiro o Município utilizará dotação prevista no Orçamento Municipal vigente. Art. 4º. — Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições 'em contrário. Ibiá (MG), 16 de maio de 1995 PAULO JOSÉ DA SILVA Prefeito Municipal EDSON FREITAS Secretário Municipal de Recursos Humanos e Administração. O Instrumento Contratual de Comodato, datado de 16.05.1995 (anexo da Lei) contém as seguintes cláusulas: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10650.001000/200719 Acórdão n.º 2101001.956 S2C1T1 Fl. 523 5 CLÁUSULA QUINTA A partir da assinatura do presente. instrumento o Município COMODATÁRIO assume todo o ativo e passivo da COMODANTE, devendo esta apresentar no prazo de quinze dias um balancete contábil retratando toda a situação financeira da entidade, detalhando as receitas e as dívidas, bem como, o inventário de todos os bens existentes. CLÁUSULA SEXTA Todos os direitos adquiridos pelos empregados, serventuários e Corpo Clínico da COMODANTE deverão ser preservados pelo Município COMODATÁRIO, com fiel observância dos preceitos e normas consubstanciadas na Legislação Trabalhista vigente, Estatutos e Regulamento Geral. (...) CLÁUSULA OITAVA O Município COMODATÁRIO poderá ceder de seu quadro funcional servidores para prestar serviços no complexo hospitalar objeto do presente instrumento contratual, livre de quaisquer ônus e encargos para a entidade COMODANTE. Parágrafo Único Os servidores cedidos pelo Município não terão qualquer vínculo empregatício futuro com o COMODANTE. CLÁUSULA NONA O complexo hospitalar da COMODANTE, durante o período de vigência do presente comodato, será administrado por um Diretor Geral nomeado pelo Município COMODATÁRIO. Parágrafo Único — O Diretor Geral nomeado escolherá o Secretário e Tesoureiro, por ser os mesmos cargos de confiança da Diretoria. A Lei nº 1.652, de 10 de julho de 2001, autorizou o Poder Executivo Municipal a prorrogar o Contrato de Comodato com a Santa Casa de Misericórdia Padre Eustáquio até 31 de dezembro de 2004 (fl. 113). Através do instrumento contratual à fl. 366/369, referido comodato foi prorrogado por mais 07 (sete) anos, com seus efeitos retroagindo a 01/01/2005, conforme Lei Municipal n.° 1.741, de 19 de janeiro de 2005, período que abrange o lançamento em exame, que trata do IRRF retido pela Santa Casa no anocalendário de 2005. Como se vê, a partir da celebração do contrato de comodato a Santa Casa de Misericórdia Padre Eustáquio passou a funcionar como verdadeiro hospital público municipal: administrada por pessoas nomeadas pelo Prefeito Municipal e integrando o orçamento público municipal. Cumpre observar que esta conclusão encontrase estampada em inúmeras decisões da Vara do Trabalho de Araxá/MG, dentre elas a proferida no processo nº 0004112005048 03002 (fl. 276), que trata das irregularidades nas contratações sem concurso público. Das Fl. 545DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 decisões nos autos, na mesma linha de entendimento, transcrevo os seguintes excertos (fls. 183/184): A reclamada, apesar de possuir "autonomia", encontrase umbilicalmente vinculada com o Município de Ibiá, fato público e notório. Impende registrar, por oportuno, a cláusula primeira do contrato de comodato de fl. 21, na qual a reclamada cede ao Município de lbiá, todo o seu patrimônio, compreendendo imóveis, instalações e equipamentos hospitalares. O Município Comodatário, nos termos da cláusula quinta do citado instrumento, assume todo o ativo e passivo da Comodante. Esclareçase que em outros processos envolvendo os sujeitos do pólo passivo desta reclamatória, ficou constatado que a Secretaria de Saúde do Município de Ibiá encontrase localizada na própria Santa Casa. (grifos acrescidos) Diante do exposto, o contrato de trabalho da reclamante encontrase eivado de nulidade, revestindose apenas de manobra fraudulenta de ingresso de pessoas ao ente público com violação frontal ao preceito constitucional previsto no artigo 37. Tanto é assim que a reclamante informou que trabalhava em uma unidade de saúde do Município de Ibiá, chamada Posto José Ribeiro e que era subordinada à enfermeira chefe, que trabalhava sob a direção da Secretaria Municipal de Saúde, Vale dizer, a reclamante prestou os serviços à Administração Pública e não à Santa Casa, não sendo verídicas as anotações apostas na CTPS e demais registros. A reclamada, deste modo, ignorou os princípios cardeais da administração pública, elencados no caput do artigo 37 da aludida Constituição: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Visa o comentado artigo constitucional (37, II), a proteção da contratação dos servidores pela Administração Pública, em igualdade de condições, sem qualquer laivo de discriminação política,econômica, social, etc., e com fins eleitoreiros. A situação descrita não se acomoda, em nenhum momento, à possibilidade de contratação da Administração Pública de pessoal por tempo determinado, nas condições da L. 8.745/93, com as alterações da L. 9.849/99, para atender à necessidade temporada de excepcional interesse público. (...) Pelo exposto, resolve a MMª Juíza do Trabalho, DRA. RITA DE CÁSSIA DE CASTRO OLIVEIRA, na reclamação trabalhista movida por DINA ANGÉLICA CUSTÓDIO FERREIRA em face da SANTA CASA DE MISERICÓRDIA PADRE EUSTÁQUIO, declarar a nulidade do contrato de trabalho Fl. 546DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10650.001000/200719 Acórdão n.º 2101001.956 S2C1T1 Fl. 524 7 havido entre as partes, julgando IMPROCEDENTES os pedidos, nos termos da fundamentação retro. Após o trânsito em julgado, oficiemse ao Ministério Público do Trabalho e ao Tribunal de Contas do Estado para ciência e providências que o caso requer. Corroborando as assertivas declinadas na sentença judicial acima transcrita, em diligência determinada por este Colegiado, foi solicitado da autuada a comprovação das fontes de custeio de suas atividades nos anos de 2003, 2004 e 2005, bem assim os valores repassados pela prefeitura de Ibiá (MG). Em resposta a Santa Casa se manifestou nos seguintes termos (fls. 469/470): a) A forma de repasse dos recursos encaminhados pela prefeitura a Santa Casa foram feitos por rede bancária, conforme documentos já encaminhados Extrato Bancário. b) as fontes de custeio das atividades da Santa Casa são quatro: 1º transferência direta de numerário (subvenção da PMI) 2° transferência de numerário :decorrente da produção própria da Santa Casa levados, a efeitos pela Prefeitura Municipal. 3º fornecimento de materiais, medicamentos e insumos realizados por procedimento licitatório própria para a Santa Casa realizados pela Prefeitura Municipal de Ibiá MG. 4º receita própria arrecadado diretamente pela tesouraria da Santa Casa. c) Encaminhamento de documentos hábeis comprobatórios da forma como eram repassados os recursos pela Prefeitura para fazer face as despesas decorrentes da atividade da Santa Casa no período de vigência do contrato de Comodato. O relatório de diligência que analisou os elementos de prova solicitados da Santa Casa de Misericórdia Padre Eustáquio traz as seguintes conclusões (fl. 513): 3 Em 29/10/2010, foram encaminhados pela Santa Casa de Misericórdia Padre Eustáquio planilha da Prefeitura Municipal de Ibiá, Balancete da Despesa do exercício 2003 da Fundação Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Ibiá, Comparativo da Despesa Autorizada com a Despesas Realizada nos exercícios de 2004 e 2007; Relação Analítica de Pagamentos da Prefeitura Municipal de Ibiá dos exercícios 2005 a 2008; Relação de Ordens de Pagamentos por Banco Contabilizados de 2003 a 2008 da Prefeitura de Ibiá e Razão de Bancos de 2007, indicando os valores que teriam sido repassados à Santa Casa de Misericórdia Padre Eustáquio nos exercícios de 2003 a 2008. 4 De acordo com a documentação apresentada, considerando apenas os anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, foram repassados pela Prefeitura Municipal de Ibiá à Santa Casa de Misericórdia Padre Eustáquio: Ano Valor Repassado (R$) Documentação de Suporte 2003 2.623.503,28 Balancete da Despesa por Órgão 2004 1.954.357,02 Comparativo Despesa Autorizada com Despesa Realizada Fl. 547DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 2005 2.640.857,73 Relação Analítica de Pagamentos Resta evidente pelos elementos de prova nos autos que a Secretaria de Saúde do Município de Ibiá/MG, por força do contrato de comodato, exercia plenamente suas funções nas dependências da Santa Casa, e que todos os pagamentos relativos ao trabalho com e sem vínculo empregatício e à remuneração por serviços prestados por pessoa jurídica, no montante anual de R$2.367.810,97, indicados em DIRF (fls. 15/16), encontramse abrangidos nos repasses de recursos pela Prefeitura Municipal de Ibiá/MG no ano de 2005 à Santa Casa de Misericórdia, cujo montante anual alcançou R$2.640.857,73. Efetivamente a instituição hospitalar era mantida por recursos advindos do orçamento municipal, sendo certo que o IRRF que sobre eles incidiu pertence ao Município, por expressa e literal disposição constitucional (CF/88, art. 158, inciso I). Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 548DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10814.019327/2007-19
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/06/2003
AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional implica renúncia ao julgamento em instância administrativa dos lançamentos que tenham por objeto matéria idêntica levada à apreciação do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-00.391
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional implica renúncia ao julgamento em instância administrativa dos lançamentos que tenham por objeto matéria idêntica levada à apreciação do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. . z(o~rn ÉRCIA L N TRAJANO DAMO 'residente LUCIANO LO ' E' D' LMEIDA MORAES — elator EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajam Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator), Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 23/12/2003, em face da contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do imposto de importação e da multa preceituada no inciso 11 do artigo 630 do Decreto nO 4.543/2002, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A contribuinte acima qualificada, acompanhada de seu marido, João Antonio Leitorles, desembarcaram no Aeroporto Internacional de São Paulo, provenientes de Miami/EUA, em 23/06/2003, e, nesta data, por via aérea, o casal dirigiu-se para Curitiba, onde residem. Porém, quatro malas identificadas com o nome da contribuinte, que permaneceram no Aeroporto Internacional de São Paulo, sem o desembaraço de bagagem acompanhada, foram apresentadas á fiscalização da Secretaria da Receita Federal por funcionários da companhia aérea do vôo internacional. Tais malas foram abertas e os produtos de procedência estrangeira nela encontrados foram retidos pelas autoridades alfandegárias, No entanto, as mercadorias retidas foram liberadas para a contribuinte, em 14/08/2003, conforme Termo de Liberação e Entrega de Bens, cópia ás fls. 07108, em cumprimento á decisão prolatada pelo MM. Juizo da 1 a Vara Federal em Guarulhos, em 06/08/2003, nos autos do Mandado de Segurança nO 2003.61.19.004466-6, cópia alI. 24, cópia do Oficio a fl. 26. Em face do acima exposto, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional na eventualidade de decisão judicial definitiva desfavorável ao contribuinte, foi lavrado o presente auto de infração, de fls. 1 a 5, formalizando a exigência do recolhimento do imposto de importação, calculado conforme dispõe o artigo 100 do Decreto nO 4.543/2002, e da multa prevista no inciso 11 do artigo 630 do Decreto nO 4.543/2002, totalizando o valor originário de R$ 2.696,53. Cientificada da lavratura do auto de infração em 15/01/2004 (fI. 21), a contribuinte, por intermédio de sua procuradora e advogada (Instrumento de Mandato ás fls. 39), encaminhou sua peça de defesa, de fls. 33 a 38, por via postal, conforme despacho a fl 31, tempestivamente, em 13/02/2003 (ÍI. 61), na data da sua postagem, conforme orienta o item "c" do Ato Declarató rio Normativo COSIT nO 19, de 26/05/97. Na sua impugnação, a contribuinte discute a mesma matéria que levou para apreciação e decisão do Poder Judiciário: a exigibilidade do imposto de importação incidente sobre o valor excedente ao limite de isenção, dos bens compreendidos no conceito de bagagem. 2 Processo n° 10814.019327/2007-19 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.391 Fl. 161 Consta dos autos cópia da sentença proferida em 24/05/2004, de fls. 68 a 71, na qual a autoridade judicial assim se pronuncia ás fls.70/71: "Ante o exposto, CONCEDO A ORDEM para reconhecer que os impetrantes não devem se sujeitar à cobrança dos tributos relativos às malas por eles ingressadas no país na data dos fatos." Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SPII ri° 18.450, de 24/05/07, fls. 73/77: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/06/2003 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia à discussão na via administrativa, tornando-se definitiva a exigência discutida. Quanto à multa preceituada no inciso II do artigo 630 do Decreto nO 4,543/2002 foi considerada não impugnada, por não ter sido expressamente contestada pelo contribuinte, nos termos do artigo 17 do Decreto nO 70.235/72, com a redação dada pela Lei nO 9.532/97. Lançamento Procedente. Às fls. 80 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 100. Às fls. 104/139 a recorrente junta documentos do processo judicial que discute o tema. Às fls. 158 é dado seguimento ao feito. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como se verifica do recurso interposto, a recorrente discute os mesmos temas já objeto de debate judicial, como bem se verifica da decisão recorrida e das cópias juntadas aos autos. Neste sentido, bem decidiu a decisão recorrida: PRELIMINAR Segundo dispõem o artigo 1°, sÇ 2°, do Decreto-Lei 1.737/79, o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/80, a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Nesse sentido, foi expedido o ADN n.o 3/96, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, esclarecendo que: A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação, judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto". Com efeito, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, onde • são soberanas as decisões judiciais. Por todos esses motivos, esta julgadora não conhece da impugnação onde o contribuinte discute a exigibilidade do Imposto de Importação incidente sobre os bens de procedência estrangeira compreendidos no conceito de bagagem, matéria que foi levada à decisão do Poder Judiciário. Quanto à multa aplicada, preconizada no artigo 57 da Lei n° 9.532/97, regulamentada no inciso 11 do artigo 630 do Decreto n° 4.543/2002, quando esta não está sendo discutida na via judicial, o contribuinte tem direito à discussão na via administrativa, conforme dispõe a letra "h" do ADN n°3/96: "... quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada ... ". 4 Processo n° 10814.019327/2007-19 S3-CIT2 Acórdão n°3102-00.391 Fl. 162 No entanto, a contribuinte não apresentou contestação a sua aplicação, razão pela qual considero-a não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto n.° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n°9.532/97. Como a recorrente não debateu a questão da multa, nem na impugnação, nem no recurso voluntário, não há como debater o tema neste momento. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário interposto. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES •
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