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Numero do processo: 15374.001938/99-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/1993 a 07/1993
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS, NOS TERMOS DO CTN. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008.
Editada a Súmula vinculante do STF nº 8/2008, segundo a qual é
inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9303-001.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS, NOS TERMOS DO CTN. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF nº 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo, contra decisão do 2º Conselho de Contribuintes que aplicou norma contida no art. 45 da lei 8.212/91, que estabelece o prazo decadencial de 10 anos. Os fatos geradores se deram no ano de 1993 (janeiro a julho) e o Auto de Infração foi lavrado em 31/08/1999. É o relatório. Voto O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A recorrente defende a reforma do acórdão para se aplicar o prazo decenal estabelecido pela art. 45 da Lei nº 8.212/1991, e não o qüinqüenal do CTN, com termo de início regulado pelo art. 150, § 4º, do CTN. Já foi pacificado a questão do prazo para a Fazenda Pública efetuar o lançamento, calha observar que o Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 o enunciado da Súmula vinculante nº 08, verbis: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.001938/9915 Acórdão n.º 930301.539 CSRFT3 Fl. 423 3 Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. A adoção de súmula vinculante (art. 103A da CF, introduzido pela EC n. 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigurase inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Temse efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a norma objeto da declaração de inconstitucionalidade. Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, não há como considerar ser de dez anos o prazo para efetuar o lançamento. Como exposto no relatório o lapso temporal entre a ocorrência do fato gerador e a lavratura do AI, foi de mais de seis anos. Assim não há que se cogitar do pagamento ou não. Ademais com o novo regimento do CARF, a questão do pagamento já se encontra pacificada. Do exposto, DOU provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. É como voto. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 37322.001070/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2000 a 08/02/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. NÃO ENQUADRAMENTO.
Para o enquadramento na condição de Agroindústria, faz-se
necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um
mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos.
O regime substitutivo previsto no artigo 22-A da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 10.256/2001, abrange a agroindústria, que por definição legal trata-se de produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros.
A industrialização de produção própria da empresa é insignificante se comparada com a adquirida de terceiros.
Não caracterizada a condição de agroindústria.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.572
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 08/02/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, faz-se necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. O regime substitutivo previsto no artigo 22-A da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 10.256/2001, abrange a agroindústria, que por definição legal trata-se de produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. A industrialização de produção própria da empresa é insignificante se comparada com a adquirida de terceiros. Não caracterizada a condição de agroindústria. Recurso especial negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 08/02/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 10.256/2001, abrange a agroindústria, que por definição legal tratase de produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. A industrialização de produção própria da empresa é insignificante se comparada com a adquirida de terceiros. Não caracterizada a condição de agroindústria. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 580DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 206 00.626, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 08/04/2008 (fls. 471/481), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 486/491). O acórdão recorrido, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exação os lançamentos decorrentes do reenquadramento, por parte da fiscalização, da empresa como agroindústria. Segue abaixo sua ementa: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. I Para o enquadramento na condição de Agroindústria fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. II O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 10.256/2001, abrange a agroindústria, que por definição legal tratase de produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte” A recorrente afirma que o acórdão recorrido contrariou frontalmente o art. 22A da Lei n° 8.212/91, bem como as provas colhidas pela fiscalização, que indicam com segurança que a empresa deve ser enquadrada como agroindústria. Explica que, conforme o texto da lei, o produtor rural pessoa jurídica é aquele cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Assinala que a autuada enquadrase na segunda hipótese. Fl. 581DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 37322.001070/200737 Acórdão n.º 920201.572 CSRFT2 Fl. 2 3 Alega que as provas constantes dos autos permitem o enquadramento da empresa como agroindústria, mesmo porque o art. 22A da Lei 8212/91 não faz qualquer exigência de uma proporção específica entre as produções própria e de terceiros. Entende que o acórdão recorrido, a pretexto de "alcançar a intenção da legislação previdenciária", deixou de aplicar ao caso concreto dispositivo plenamente em vigor. Realizou, na verdade, controle difuso de constitucionalidade da norma, o que afronta o enunciado da súmula 2 do Segundo Conselho de Contribuintes. Pondera que a definição de agroindústria está clara no texto legal e, pelo princípio da legalidade, não cabe à autoridade administrativa, com base em seu juízo de valor, ir além do que a legislação determina. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 2400280 (fls. 492/494), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões às fls. 499/504 Inicialmente, tenta demonstrar o não cabimento do recurso especial, uma vez que ele foi admitido com base em previsão contida na Portaria 147/2007, já revogada. Ademais, alega que a decisão recorrida não contraria a lei ou a evidência da prova. Explica que o relator do acórdão atacado afirmou que o art. 22A da Lei 8212/91 alcança o produtor rural pessoa jurídica que industrializa sua produção própria, o que não é o caso dos autos, porque a recorrida é frigorífico que no seu processo produtivo utiliza parcela ínfima de insumo produzido por ela própria. Em seguida, argumenta que o recurso foi apresentado antes da intimação do PFN, o que o torna intempestivo. Aduz que a improcedência da NFLD deve ser mantida, em face do que consta na Impugnação, no recurso e nas razões do acórdão. Ao final, requer o não conhecimento do recurso especial e, alternativamente, o seu improvimento. Eis o breve relatório. Fl. 582DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei ou à evidência da prova. Examinandose o recurso especial interposto, verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O cerne da questão gira em torno da caracterização ou não do contribuinte como agroindústria, tendo em vista o fato de que a sua produção própria é insignificante se comparada com a produção de terceiros. Ou seja, há de se concluir se a empresa recorrente deve recolher as contribuições previdenciárias sobre a folha de salários ou sobre a receita bruta. O artigo 22A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, aplicável a partir de 01/11/2001, prevê para as agroindústrias uma contribuição incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção em substituição às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, previstas nos incisos I e II do art. 22 desta mesma Lei, in verbis: “Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(grifei) I – dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; II – zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. Fl. 583DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 37322.001070/200737 Acórdão n.º 920201.572 CSRFT2 Fl. 3 5 O aludido dispositivo legal é cristalino ao definir o que deve ser considerada como sendo Agroindústria, ao exigir cumulativamente a ocorrência dos seguintes requisitos, a saber: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar PRODUÇÃO PRÓPRIA, além da industrialização da produção de terceiros, se for o caso. Por certo, a legislação previdenciária tem clara intenção de fazer incidir a contribuição substitutiva prevista para as agroindústrias sobre as que possuam efetivamente esta característica, ou seja, um produtor rural que também industrialize sua produção. Nesse sentido a legislação busca incentivar ao produtor rural que realize o beneficiamento de sua produção (e eventualmente de terceiros), agregandolhe valor comercial. Não fosse assim, poderia uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, realizar alguma atividade rural a fim de enquadrarse na hipótese legal, praticando, assim, uma evasão fiscal. É verdade que a legislação previdenciária não estipula o percentual de produção própria ou adquirida de terceiros suficiente para qualificação de uma pessoa jurídica como agroindústria, todavia não se pode deixar de analisar a realidade tal como ela se apresenta, em busca da Verdade Material, como meio garantidor da certeza do crédito tributário, no qual se deve buscar a realidade dos fatos. Em que pese a força da literalidade dos dispositivos legais, assume grande relevância o aspecto substancial da realidade sobre a qual a tributação incide. Não basta aterse simplesmente ao texto legal, é necessária a busca pela realidade fática em perseguição à verdade material. A reunião desses dois aspectos resultará na aplicação adequada da lei. Caso contrário, qualquer indústria (inclusive os grandes complexos industriais) que utilizasse no seu processo produtivo apenas parte do insumo produzido por ela própria, por menos que fosse, poderia se beneficiar do tratamento tributário especial, o qual, na verdade, é um regime substitutivo criado para ser aplicado ao verdadeiro produtor rural. Não é por outra razão que a Receita Federal do Brasil – RFB, ao se deparar com a situação na qual o percentual de produção própria é insignificante se comparada com a de terceiros, tem desconsiderado o enquadramento destas empresas coma agroindústrias e efetuado o reenquadramento como empresas industriais, conforme precedente que, por oportuno, ora colacionase os seguintes trechos (Acórdão nº 0710.906 da 6ª Turma da DRJ/FNS): “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 NFLD DEBCAD 37.060.7724, de 12/03/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo Fl. 584DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Lançamento Procedente. A empresa, regularmente intimada (fl 01), apresentou impugnação (fls. 128/136), alegando, em síntese: ................................ Agroindústria: que, no período do lançamento, industrializou produção rural própria e adquirida de terceiros, daí ter recolhido a exação na forma estabelecida pelo art. 22A da Lei 8.212/91, e, por ser empresa predominantemente exportadora, beneficiouse da regra imunizante do art. 149, § 2º, I da Constituição Federal; que o percentual de 1,47%, obtido pela auditoriafiscal, de matériaprima própria utilizada em seu processo produtivo, no período de 10 a 12/2005, está divorciado da realidade porque foi obtido pelo confronto entre a totalidade da matériaprima industrializada no referido período e toda a produção do ano de 2005; que o quantum industrializado de produção própria não importa para fins de enquadramento da pessoa jurídica como agroindústria; que a norma não estabelece o percentual mínimo de produção própria; que o auditorfiscal, ao estabelecer o percentual de 10%, está a inserir na letra da lei elementos que ela não possui. Requer a anulação da NFLD. ................................ Do Mérito Produtor Rural Agroindústria : A empresa notificada, que antes se declarava como indústria do setor moveleiro com predominância em madeira (FPAS 507), a partir da competência 06/2003, passou a declararse como Agroindústria e deixou de recolher as contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos segurados que lhe prestavam serviços. Todavia, fazendose a necessária análise dos requisitos para tal, previstos na legislação que trata do assunto, concluise que a impugnante não pode ser enquadrada como Agroindústria. Com a edição da Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, com vigência a partir de 01/11/2001, que acrescentou o artigo 22A à Lei 8.212/91, foi instituída, para as agroindústrias, a alíquota de substituição das contribuições previdenciárias sobre sua folha de pagamento, previstas nos incisos I e II do art. 22 desta mesma Lei, pela contribuição incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (grifei) Fl. 585DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 37322.001070/200737 Acórdão n.º 920201.572 CSRFT2 Fl. 4 7 I – dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; II – zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. § 6º Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30/5/2003) Da análise deste dispositivo legal, verificase que, na definição do que seja Agroindústria, estão contidos os seguintes requisitos: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar PRODUÇÃO PRÓPRIA, além da industrialização da produção de terceiros, se for o caso. Além disso, a norma afasta o benefício do tratamento fiscal substitutivo em qualquer fase do processo produtivo, quando a empresa se dedique apenas ao florestamento ou reflorestamento empregado na industrialização que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. Tal previsão demonstra com clareza o objetivo almejado pela norma, ou seja, favorecer o produtor rural que efetivamente se dedique a industrializar a sua própria produção, podendo, ainda, somar a esta a de terceiros. Nesse sentido a legislação busca incentivar o produtor rural que busque e efetivamente realize o beneficiamento de sua produção (e eventualmente de terceiros), agregandolhe valor comercial. Este mesmo entendimento pode ser traduzido do disposto no art. 201A do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. E, sucessivamente, as disposições contidas no art. 7º da Instrução Normativa INSS/DC nº. 68, de 10 de maio de 2002, no art. 247 da Instrução Normativa INSS/DC nº. 100, de 18 de dezembro de 2003, e no art. 240 da Instrução Normativa MPS/SRP nº. 03, de 14 de julho de 2005, todos transcritos no Relatório Fiscal, foram no sentido de que para o enquadramento da empresa como Agroindústria, além dos requisitos já mencionados, acrescentese a necessidade de desenvolver duas atividades num mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Estas Instruções Normativas trazem, ainda, a definição de Produtor Rural como sendo “a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos” (art. 247, da IN 100/2003; art. 240 da IN 03/2005). Fl. 586DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Já para o enquadramento como Agroindústria, a norma requer não apenas que haja produção rural pela empresa, mas que ocorra também a industrialização desta produção, ainda que parte dela, ou que, além dela, industrialize também produção rural adquirida de terceiros. No presente caso, no entanto, observase que a empresa percorreu o caminho inverso do pretendido com a criação das contribuições substitutivas para as agroindústrias. O que claramente se afigura é uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que, com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, procura realizar alguma atividade rural a fim de enquadrarse na hipótese legal. A lei, muito embora não proíba esta prática, não pode ser utilizada para viabilizar a evasão fiscal e sangrar os cofres públicos. No caso dos autos, o objetivo principal da impugnante, e que consta de seu contrato social (fls. 141/147), é a industrialização e comercialização de móveis de madeira. Atividade esta que já era exercida antes do advento da Lei 10.256/2001 em detrimento de alguma atividade rural. Em que pese a impetrante efetuar reflorestamento e tal atividade demonstrar a existência de produção própria, no período posterior a 10/2005, esta é insignificante. Ou seja, embora passasse a exercer alguma atividade rural, esta não é preponderante. A atividade preponderante da impugnante é a fabricação de móveis em madeira, que além de empregar os insumos que provêm da atividade de reflorestamento, seja própria ou de terceiros, agrega ainda outros materiais (colas, metais, vidros, tintas, etc.) e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, típico da atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial. ...................... Produção Rural Própria: ...................... Ressalvese, todavia, que o aproveitamento da produção rural própria, efetuada a partir de 10/2005, conforme planilha elaborada pela fiscalização (fl. 51), é mínimo, sendo de apenas 1,47%, no período de 10 a 12/2005, e de tão somente 5,39% em todo o ano de 2006. Este percentual reflete a quantidade de matériaprima própria utilizada no seu processo de industrialização, em comparativo com a quantidade total de matériaprima que foi necessária para esta mesma industrialização, nos mesmos respectivos períodos, cuja maior parcela foi adquirida de terceiros. .............. Por isto é que a correta verificação do enquadramento dos contribuintes em geral como Agroindústria requer redobrado Fl. 587DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 37322.001070/200737 Acórdão n.º 920201.572 CSRFT2 Fl. 5 9 cuidado por parte da autoridade lançadora e desta julgadora, a fim de se evitar a burla à legislação previdenciária, sendo que o auditorfiscal chamou a atenção para o caso em que, na produção rural empregada em seu processo de industrialização, mais de 90% provém de terceiros. Portanto, em momento algum o auditor afirma que o mínimo de produção própria para ser considerada agroindústria seja de 10%, como contrariamente alegado pela impugnante.” E mais, em situação análoga à do Acórdão supra colacionado, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por intermédio de sua 1a. Turma, nos autos da Apelação em Mandado de Segurança de nº 2005.72.00.0070924/SC, de Relatoria do Des. Federal Vilson Darós, DJ 15/08/2007, manifestouse pela manutenção da Notificação de Lançamento de Débito questionada, nos seguintes termos: “A impetrante pleiteia, em mandado de segurança, com pedido de liminar, seja reconhecida a nulidade do lançamento descrito na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.515.8159, em relação às parcelas compreendidas entre as competências de julho de 2003 a julho de 2004. ............................ A questão posta nestes autos se refere ao enquadramento da empresa impetrante como agroindústria, a fim de determinar se deve recolher as contribuições previdenciárias sobre a folha de salários ou sobre a receita bruta. ............................. O artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, assim dispõe, verbis: ...................................... Tal previsão demonstra com clareza o objetivo almejado pela norma, ou seja, favorecer o produtor rural que efetivamente se dedique a industrializar a sua própria produção, podendo, ainda, somar a esta a de terceiros. ........................ Em que pese a impetrante efetuar reflorestamento e tal atividade demonstrar a existência de produção própria, consta de sua inscrição no CNPJ que sua principal atividade econômica é a "fabricação de móveis com predominância em madeira" (fl. 416). Com isso, a meu ver, resta evidenciado que a empresa impetrante não pode ser enquadrada como agroindústria, porquanto, embora exerça alguma atividade própria de agroindústria, esta não é preponderante. ..................................... Fl. 588DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 A atividade preponderante da impetrante é a fabricação de móveis com predominância em madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, agrega ainda outros materiais e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, passando pela atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial. ........................... Isso posto, nos termos da fundamentação, voto por dar provimento à apelação do INSS e à remessa oficial.” O julgado acima transcrito culminou com a expedição da seguinte ementa: “MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AGROINDÚSTRIA. FÁBRICA DE MÓVEIS DE MADEIRA. NÃO ENQUADRAMENTO. ART. 22A, LEI Nº 8.212/1991. LEI Nº 10.256/2001. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, tem por objetivo beneficiar o produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. A atividade preponderante da impetrante é a fabricação de móveis com predominância em madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, agrega ainda outros materiais e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, passando pela atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial”.(grifei) (AMS nº 2005.72.00.0070924/SC, TRF 4a. Região, 1a. Turma, Relator: Des. Federal Vilson Darós, DJ 15/08/2007) Concluo, portanto, que o requisito essencial da substituição das contribuições previdenciárias das agroindústrias é o de industrializar a produção própria em primeiro lugar, a qual pode ou não ser acrescentada com a adquirida de terceiros. No presente caso, não obstante a produção própria da recorrente ser insignificante (1,09% em 2001; 3,42% em 2002; 5,57% em 2003; 3,92% em 2004; 1,39% em 2005 e 3,30% em 2006), observase que a fiscalização previdenciária percorreu o caminho inverso do pretendido com a criação das contribuições substitutivas para as agroindústrias, ao considerar a recorrente como tal. O que claramente se afigura é uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial (abatedouro), cuja produção própria industrializada é insignificante. Fl. 589DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 37322.001070/200737 Acórdão n.º 920201.572 CSRFT2 Fl. 6 11 Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. Elias Sampaio Freire (Assinado digitalmente) Fl. 590DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10410.007259/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005
Ementa:
SALÁRIO EDUCAÇÃO DECRETO LEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA
CONSTITUIÇÃO DE 1988
A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário Educação veiculado pelo Decreto Lei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) MPF ELETRÔNICO
A ciência pelo sujeito passivo, do MPF emitido exclusivamente por meio eletrônico, se dará por intermédio da internet no endereço eletrônico da Receita Federal do Brasil, com o código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
Pedido de pericia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se
mostra mais benéfico ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.395
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: SALÁRIO EDUCAÇÃO DECRETO LEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário Educação veiculado pelo Decreto Lei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) MPF ELETRÔNICO A ciência pelo sujeito passivo, do MPF emitido exclusivamente por meio eletrônico, se dará por intermédio da internet no endereço eletrônico da Receita Federal do Brasil, com o código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Pedido de pericia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado
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PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Pedido de pericia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10410.007259/200879 Acórdão n.º 230201.395 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o Auto de infração de Obrigações Principais lavrado em 22/09/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 23/09/2008, de contribuições devidas ao Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação FNDE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados que não foram declaradas em GFIP , no período de 02/2003 a 12/2005. Após a apresentação de impugnação, Acórdão de fls. 173/179, julgou o lançamento procedente em parte, para excluir as competências de 02/2003 a 08/2003, em vista da decadência qüinqüenal. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que o lançamento é nulo porque o Mandado de Procedimento Fiscal é irregular por não observar as formalidades expostas na legislação; b) o cerceamento de defesa pela falta de discriminação do fato gerador, sendo imprescindível a realização de perícia que foi negada na primeira instância; c) que a perícia possibilitaria demonstrar que constam do lançamento valores indenizatórios; d) que deve ser observada a retroatividade benigna da multa. Requer a anulação ou reforma da decisão recorrida para anular total, ou parcialmente a autuação. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares Não vislumbro a tese de nulidade da autuação exposta pela recorrente, porquanto não há qualquer irregularidade na expedição e prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). O Mandado de Procedimento Fiscal é ato administrativo que tem a função de dar partida ao procedimento fiscal, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável à produção de atos subseqüentes, como é exemplo o lançamento. Além dessa precípua finalidade, cumpre com a nobre missão de objetividade e transparência nos atos da Administração Pública, na medida em que dá conhecimento ao sujeito passivo dos elementos objetivos que foram priorizados pela Administração Tributária para início do procedimento de investigação, ao mesmo tempo em que exterioriza o conteúdo da ordem transmitida ao servidor subordinado, delimitando os quadrantes priorizados para a sua atuação. À época da autuação, a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) era disciplinada pela Portaria RFB n.º 11.371, de 12/12/2007, que traz no seu artigo 4º, que o MPF é emitido exclusivamente de forma eletrônica, sendo que a ciência, pelo sujeito passivo, se dará pela internet no sítio da Receita Federal do Brasil, com a utilização de código de acesso que vem consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Art. 42 O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nQ 70.235. de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9 9.532. de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Portanto, o parágrafo único do artigo 4º da Portaria RFB n.º 11.371/2007, acima transcrito, é claro ao estabelecer que a ciência do MPF, emitido exclusivamente por meio eletrônico, pelo sujeito passivo se dará por intermédio da internet no endereço eletrônico Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10410.007259/200879 Acórdão n.º 230201.395 S2C3T2 Fl. 3 5 da Receita Federal do Brasil, com o código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Assim, o TIAF – Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 28/29, do processo consignou o código de acesso a internet e foi devidamente assinado pelo representante do sujeito passivo, formalizando o início do procedimento fiscal em 11/02/2008, não cabendo a alegação de falta de cientificação como quer a recorrente. As sucessivas prorrogações do MPF foram efetuadas de acordo com o disposto na legislação vigente, artigo 9º da já citada Portaria RFB n.º 11.371/2007,: Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Ao contrário do que alega a recorrente, o MPF pode ser prorrogado tantas vezes quanto necessário, observada em cada prorrogação o prazo máximo de sessenta dias, conforme artigos 11 e 12 da PT RFB n.º 11.371/2007. Notase que no caso em tela, ocorreu a prorrogação e não a emissão de um novo MPF, por isso a dispensa da necessidade de ser designado outro Auditor Fiscal. Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: 1 cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Da mesma forma, é inócua a assertiva da recorrente de que não poderiam ser abarcados pelo MPF períodos objetos de refiscalização, eis que tal fato não ocorreu, não há qualquer menção nos autos que o procedimento fiscal trata de refiscalização. Quanto ao alegado cerceamento de defesa por ausência de descrição dos fatos geradores no relatório fiscal, entendo que não restou configurado. O relatório fiscal de fls. 40/44, obedeceu aos preceitos contidos no artigo 10 do Decreto n.º 70.235/72, dizendo explicitamente quais os fatos geradores constantes do levantamento, no caso, contribuições devidas a terceira entidade, FNDE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, conforme as planilhas e cópias das folhas de pagamento às fls. 45 a 144, não se sustentando a tese de que o relatório deixou de discriminar o fato gerador da autuação: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da autuada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defender se sem qualquer restrição, eis que forçosamente, são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ainda quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso ao Auto de Infração lavrado. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10410.007259/200879 Acórdão n.º 230201.395 S2C3T2 Fl. 4 7 a existência do fato gerador, com base nas folhas de pagamento elaboradas pela própria recorrente. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, cujos recolhimentos não foram comprovados, referente às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente, sendo assim, tais valores são incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança. Ademais, as diligências ou as perícias podem ser determinadas em razão de pedido do interessado ou, por iniciativa de ofício das autoridades preparadoras ou julgadoras, conforme contido nos artigos 17 a 19 do Decreto n.º 70.235/72. Mas, somente justificase a formulação de pedidos de diligências ou perícias, pelo Reclamante, quando em razão da natureza técnica do assunto, a comprovação não possa ser feita no corpo dos autos, quer pelo volume de papéis envolvidos na verificação, quer pela impossibilidade de deslocar os elementos materiais examináveis, quer seja pela localização da prova, que, por exemplo, pode encontrarse em poder de terceiros, ou em outros procedimentos fiscais existentes. Logo, revelase prescindível a diligência ou perícia sobre aspecto que poderia ser comodamente trazido à colação com o recurso, ou quando tratarse de matéria puramente jurídica e, para que possa ser afastada a suspeita quanto à finalidade protelatória, o requerimento deve vir acompanhado, sempre que possível, de amostragem ou qualquer forma de evidenciação dos aspectos cuja apreciação requer minucioso exame. No caso em tela, o fisco demonstrou a base de cálculo e indicou os documentos em que se baseou para lavrar o auto de infração de obrigações principais, enquanto a recorrente sequer apontou onde os cálculos poderiam estar incorretos ou comprovou a existência de valores indenizatórios como alegou. Dessa forma, tendo a fiscalização se baseado nas folhas de pagamento e registros contábeis da própria recorrente, para proceder ao lançamento do débito, afastada está a hipótese de necessidade de realização de perícia para a convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA RFB Nº 10.875, de 24 de agosto de 2007 Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Portanto, está correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido de perícia, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova dos fatos independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente. Do Mérito A recorrente não discute o mérito do lançamento que se refere a cobrança das contribuições sociais do salárioeducação, que é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, chegando ao ponto de o STF ter publicado a Súmula de n ° 732, nestas palavras: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. Quanto à multa, a recorrente requer que seja aplicada a retroatividade benigna exposta no artigo 106 do Código Tributário Nacional para fazer incidir alterações introduzidas pela MP nº 449/2008. Todavia, é de se notar que o benefício da retroatividade benigna contido na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado sempre que uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. No caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10410.007259/200879 Acórdão n.º 230201.395 S2C3T2 Fl. 5 9 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no saco da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002715/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 11/2001
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS E NÃO RECOLHIDAS.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, mesmo aplicando a regra mais benéfica para o contribuinte, que é a do art. 150, § 4º do CTN, não merece ser acolhido o recurso em apreço, uma vez que a rubrica não se encontra decaída.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-002.365
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator(a); b) na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 11/2001 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS E NÃO RECOLHIDAS. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, mesmo aplicando a regra mais benéfica para o contribuinte, que é a do art. 150, § 4º do CTN, não merece ser acolhido o recurso em apreço, uma vez que a rubrica não se encontra decaída. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator(a); b) na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/03 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte ISOBRASIL LTDA, contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, por contribuições devidas a Seguridade Social, no período de 08/1998 a 05/2005. 2. Consta do relatório fiscal (ff. 102 a 105), que o crédito apurado é referente as contribuições devidas a Seguridade Social correspondente à parte da empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), e das contribuições destinadas a terceiros (SESI, SENAI, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA E SEBRAE) incidentes sobre a remuneração paga ou creditada pela empresa a segurados empregados e contribuintes individuais. 3. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/1996 a 31/12/2005 (Sic) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. RECOLHIMENTO. O prazo para homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 4. O acórdão recorrido declarou decaídas as competências 08/1998 a 10/2011 (ff. 231 a 233). Para o período de 12/2001 a 12/2005 o contribuinte desistiu da impugnação em virtude de parcelamento (ff. 219 a 222), restando à competência 11/2001, entendida pelo fisco como não atingida pela decadência. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/03 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13603002715200734 Acórdão n.º 2301002.365 S2C3T1 Fl. 2 3 5. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese, que, tendo em vista a sua intimação em 24/11/2006, às competências anteriores a 24/11/2001 encontrase irremediavelmente extintas pela ocorrência da decadência, o que inclui a competência de 11/2001. 6. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso de ofício, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. O recorrente expressamente renunciou ao contencioso administrativo nas parcelas referentes ao período de 12/2001 a 12/2005 (ff. 219 a 222). Na decisão da DRJBelo Horizonte de ff. 231 a 233, foi reconhecida a decadência dos créditos tributários relativos ás competências de 8/1998 a 11/2011. Dessa forma, a matéria do presente recurso voluntário cingese à apreciação da preliminar de decadência, relativa à competência de 11/2001. 3. Tendo em vista o período de apuração da exação objeto do presente recurso, se faz necessária a verificação da matéria nos termos do Código Tributário Nacional. 4. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 5. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/03 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN, se aplica ao caso concreto. 8. Acerca das regras de verificação da decadência do crédito tributário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está consolidada no seguinte sentido: “[...] 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “[...] 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/03 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13603002715200734 Acórdão n.º 2301002.365 S2C3T1 Fl. 3 5 Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 9. Compulsando os autos, constatase que a Delegacia de Julgamento aplicou ao caso a regra do artigo 150, §4º do CTN. 10. Considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 24/11/2006, verificase que o crédito previdenciário referente à competência de novembro de 2001, não se encontra atingida pela decadência. 11. O tributo cujo fato gerador se deu em novembro de 2001, só teve seu vencimento em dezembro daquele ano. Assim, ficaram alcançadas pela decadência quinquenal as competências com o vencimento até 31/11/2001. 12. Em razão disso, mesmo aplicando a regra mais benéfica para o contribuinte, que é a do art. 150, § 4º do CTN, não merece ser acolhido o recurso em apreço, uma vez que a rubrica não se encontra decaída. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/03 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 13. No mérito, o débito foi lançado nos termos da legislação previdenciária vigente à época da autuação fiscal uma vez que a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições os segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais. A decisão de primeira instância, portanto, merece prosperar. CONCLUSÃO 14. Dado o exposto, conheço do recurso voluntário em parte e, nessa parte conhecida, voto por NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos alinhavados acima. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/03 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008412/2004-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 28/02/1999 a 30/09/2000
Ementa:
ART. 3º, §2º, III DA LEI Nº 9.718/98. NORMA SEM EFICÁCIA
JURÍDICA. ESCOPO PEDAGÓGICO E NÃOPRESCRITIVO.
A eficácia do art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98 dependia da regulamentação
infralegal que nunca sobreveio, tornando sem efeito o dispositivo. Seu
propósito, contudo, era apenas o de exemplificar grandezas caracterizadas
como meros “ingressos”, que não compõem a base imponível da COFINS,
independentemente da existência de previsão legal específica.
MEROS INGRESSOS. NÃOINCIDÊNCIA
DE COFINS. REQUISITOS.
Não integram a base da COFINS, por não tipificarem receitas, valores
recebidos com a simultânea obrigação de repasse a terceiros que sejam seus
verdadeiros titulares, o que não é o caso de despesas operacionais diversas da
pessoa jurídica.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.341
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/1999 a 30/09/2000 Ementa: ART. 3º, §2º, III DA LEI Nº 9.718/98. NORMA SEM EFICÁCIA JURÍDICA. ESCOPO PEDAGÓGICO E NÃOPRESCRITIVO. A eficácia do art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98 dependia da regulamentação infralegal que nunca sobreveio, tornando sem efeito o dispositivo. Seu propósito, contudo, era apenas o de exemplificar grandezas caracterizadas como meros “ingressos”, que não compõem a base imponível da COFINS, independentemente da existência de previsão legal específica. MEROS INGRESSOS. NÃOINCIDÊNCIA DE COFINS. REQUISITOS. Não integram a base da COFINS, por não tipificarem receitas, valores recebidos com a simultânea obrigação de repasse a terceiros que sejam seus verdadeiros titulares, o que não é o caso de despesas operacionais diversas da pessoa jurídica. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/1999 a 30/09/2000 Ementa: ART. 3º, §2º, III DA LEI Nº 9.718/98. NORMA SEM EFICÁCIA JURÍDICA. ESCOPO PEDAGÓGICO E NÃOPRESCRITIVO. A eficácia do art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98 dependia da regulamentação infralegal que nunca sobreveio, tornando sem efeito o dispositivo. Seu propósito, contudo, era apenas o de exemplificar grandezas caracterizadas como meros “ingressos”, que não compõem a base imponível da COFINS, independentemente da existência de previsão legal específica. MEROS INGRESSOS. NÃOINCIDÊNCIA DE COFINS. REQUISITOS. Não integram a base da COFINS, por não tipificarem receitas, valores recebidos com a simultânea obrigação de repasse a terceiros que sejam seus verdadeiros titulares, o que não é o caso de despesas operacionais diversas da pessoa jurídica. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Fl. 314DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/12/20 11 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de pedido de restituição de COFINS supostamente paga a maior nos meses de fevereiro de 1999 a setembro de 2000 (fl. 1). O indébito decorreria da nãoexclusão, da base do tributo, de valores transferidos a outras pessoas jurídicas, conforme previsto no art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98, vigente à época. A DRF, inicialmente, não conheceu do pedido porque formulado em via física (formulário) e não via sistema eletrônico PER/DComp, em desacordo com a prescrição da IN/SRF nº 320 que disciplinava o procedimento à época. Chegaram, então, aos autos ofício do juízo da 7ª Vara Federal de Goiânia informando a concessão de medida liminar em favor da recorrente, em mandado de segurança, obrigando a RFB a conhecer do pedido restitutório independentemente de quaisquer inadequações formais (fls. 234/242). Obedecendo à ordem judicial, a DRF examinou o mérito do pedido, indeferindoo aos seguintes fundamentos (fls. 243/249): (a) o art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98, fundante das pretensões da recorrente, nunca chegou a ter eficácia normativa, pois que condicionado, segundo sua própria dicção, à regulamentação executiva que nunca sobreveio; e (b) ainda que, por hipótese, fosse o dispositivo aplicável, ele não permitiria a exclusão de todo e qualquer pagamento feito a pessoas jurídicas, como procedeu a recorrente conforme se depreende da planilha demonstrativa de fl. 2. A recorrente manifestou inconformidade (fls. 255/278), aduzindo, no essencial, que o art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98 não carecia de qualquer regulamentação infralegal para produzir efeitos, e que a decisão da DRF violava toda sorte de princípios constitucionais tributários, como isonomia, capacidade contributiva, legalidade e nãoconfisco. A DRJ/Brasília (fls. 283/287) manteve a decisão da DRF, encampando todos os seus fundamentos, contra o que sobreveio recurso voluntário (fls. 292/310) reproduzindo as idéias da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 315DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/12/20 11 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10120.008412/200417 Acórdão n.º 340301.341 S3C4T3 Fl. 2 3 A controvérsia destes autos gravita em torno do art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98: “Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) §2º. Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) III – os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;” Revogado em 2001 pela MP nº 2.15835, o dispositivo confessavase incompleto, remetendo ao regulamento a definição de seu conteúdo normativo. Debateuse, à época, se sua eficácia dependia integralmente do regulamento a sobrevir ou se, mesmo sem o complemento infralegal, alguma norma já se podia dele extrair. Prevaleceu, na jurisprudência judicial, a primeira perspectiva: “VALORES TRANSFERIDOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REGULAMENTAÇÃO PELO PODER EXECUTIVO. EXIGÊNCIA. LITERAL DISPOSIÇÃO DO ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/983. (...) In casu, o dispositivo legal estabelecia expressamente que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e Cofins, excluíamse da receita bruta os valores que, computados como receita, tivessem sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo (art. 3º, § 2º, inc. III, da Lei n. 9.718/98). 4. A jurisprudência uníssona desta Corte entende que, conforme dispunha a literalidade do art. 3º, § 2º, inc. III, da Lei n. 9.718/98, a referida exclusão da base de cálculo somente poderia ocorrer após a devida regulamentação pelo poder público, fato esse que jamais ocorreu até a revogação da norma pela MP n. 199118/2000. 5. Precedentes: AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003” (STJ. 2ª Turma. REsp 920.516/RS. Rel. Min. Campbell Marques. j. 16.12.10) Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/12/20 11 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Portanto, enquanto existiu no ordenamento, o art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98 nunca foi aplicável, e não poderia pautar qualquer alteração na base imponível da COFINS. Mas, ainda que, no interregno de sua vigência, a norma houvesse sido ademais eficaz, nenhuma modificação no deslinde deste feito adviria. Explicome. A base de cálculo da COFINS, assim o diz o art. 3º, caput da Lei nº 9.718/98, é a receita bruta da pessoa jurídica. É interminável o embate científico acerca das fronteiras semânticas do termo “receita” e, dentre as correntes oferecidas na doutrina, adoto a de Mariz de Oliveira, para quem receita é “um acréscimo de direito que não acarrete qualquer prestação para o adquirente desse direito, pendente de cumprimento por ele” (A problemática das receitas de terceiros perante as bases de cálculo da contribuição ao Pis e da Cofins. in Direito Tributário Atual, vol. 17. São Paulo: Dialética, 2003, p. 70). À luz dessa definição, nem todo ingresso de numerário na posse da pessoa jurídica configurará receita sua. Sempre que, simultaneamente ao recebimento do numerário, nascer para a pessoa jurídica a obrigação de entregar esse mesmo numerário a terceiros, estar seá diante de mero “ingresso”, e não de verdadeira receita. Os ingressos consistem, pois, em hipótese de nãoincidência de COFINS, isto é, situamse para além da realidade fática alcançável pela norma de incidência da contribuição. Por conseguinte, a nãoincidência da COFINS sobre ingressos prescinde de previsão legal específica nesse sentido. É desnecessário “excluir” ingressos da base imponível da COFINS porque, afinal, só se pode excluir o que, em um momento lógico anterior, foi previamente incluído, o que não é o caso dos ingressos. Pois bem. A meu ver, o art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98 abordava essa realidade a que chamamos de ingressos. Seu propósito, a ser alcançado com o socorro de veículo infralegal, era o de explicitar e exemplificar situações enquadráveis como ingressos, isto é, grandezas que, inobstante recebidas pela pessoa jurídica, não estariam, “desde nunca”, incluídas na base de incidência da COFINS. Não se tratava, pois, de texto legal verdadeiramente prescritivo, mas apenas pedagógico, declaratório, razão pela qual sua instituição, tanto quanto sua revogação, não alterou o cenário normativo da COFINS. Mariz de Oliveira comunga igual compreensão: “As receitas de terceiros, que por alguma razão operacional ou jurídica sejam recebidas por uma pessoa jurídica, a qual simplesmente as receba não para si, mas para repasse aos seus verdadeiros titulares, melhor dizendo, os ingressos ou entradas que não se coadunem com o conceito de receita, estão exatamente nessa situação de nãoincidência das duas contribuições. (...) Neste quadro, o inciso II do §2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 apenas explicitava uma norma de nãoincidência, e não de isenção ou exclusão de base de cálculo, porque, não se tratando Fl. 317DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/12/20 11 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10120.008412/200417 Acórdão n.º 340301.341 S3C4T3 Fl. 3 5 de fato ocorrido dentro do campo de incidência, não havia como continua a não haver, necessidade de norma isentiva ou excludente da base de cálculo” (op. cit., p. 82) O fato é que, com fundamento no art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98, a recorrente não pretendeu retirar os ingressos da base da COFINS; longe disso, o que fez foi diminuir da base a soma de todo e qualquer pagamento feito a pessoas jurídicas, isto é, valores que clarissimamente não configuram ingressos porque não foram recebidos com a obrigação congênita de repasse a um terceiro titular. Fornecedores diversos, despesas de manutenção, despesas com publicidade e até – pasmese – tributos (ICMS, ISS, INSS) foram excluídos da base imponível da COFINS, conforme a planilha de fl. 2. A recorrente vislumbrou, pois, um alcance absolutamente inimaginável, quase delirante para o art. 3º, §2º, III da Lei nº 9.718/98. Por isso, reitero, o pleito restitutório haveria de ser indeferido mesmo ante a eventual eficácia deste dispositivo legal. Nego provimento ao recurso. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 318DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/12/20 11 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002342/2002-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E
COOPERATIVAS, E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas,
produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI,
em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Recurso Especial do Contribuinte Provido e Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
Numero da decisão: 9303-001.409
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) em dar provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS, E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Contribuinte Provido e Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
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POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Contribuinte Provido e Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) em dar provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 15 de julho de 2011 Fl. 219DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Os fatos foram assim descritos no acórdão recorrido: Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ de Santa Maria/RS que indeferiu Pedido de Ressarcimento de crédito presumido do IPI para ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre insumos aplicados na industrialização de produtos exportados, nos termos da lei n. 9.363/96. A decisão recorrida foi vazada nos seguintes termos: “Ementa: IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – BASE DE CÁLCULO. Excluise de base de cálculo do benefício as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de cooperativas de produtores, por não terem sofrido a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS sobre o faturamento.” Inconformada, vem a contribuinte no seu Recurso Voluntário aduzir que, tal qual as aquisições de insumos de pessoas físicas onde também não há a incidência do PIS/Cofins, devem as aquisições de cooperativas gerarem direito ao crédito. Junta jurisprudência deste Conselho e pede ao final a reforma da decisão para a concessão do crédito presumido, corrigido pela taxa Selic.. Julgando o feito, a Câmara a quo deu provimento parcial ao recurso, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. PESSOAS FÍSICAS. Matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas, ou de pessoas jurídicas não contribuintes de PIS e Cofins, não dão direito ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 como ressarcimento dessas duas contribuições, devendo seus valores serem excluídos da base de cálculo do incentivo. COOPERATIVAS. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. DO INCENTIVO. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10930.002342/200297 Acórdão n.º 930301.409 CSRFT3 Fl. 209 3 A partir de novembro de 1999, com o fim da isenção concedida de forma ampla às cooperativas, as receitas auferidas por tais sociedades compõem a base de cálculo do PIS Faturamento e como tal nesse período as aquisições oriundas de cooperativas também devem ser computadas na base de cálculo do Crédito Presumido do IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. É cabível a incidência da taxa Selic, a partir da data de protocolização do pedido, no ressarcimento de crédito de IPI. Recurso provido em parte. Contra esse acórdão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 153 a 163, quanto à incidência de Selic sobre o montante a ressarcir O apelo fazendário logrou admissibilidade, nos termos do despacho de fl. 166. Regularmente intimado, o Sujeito Passivo apresentou recurso especial, fls. 181 a 185, onde pugna pelo direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos às aquisições de pessoas físicas. Requer outrossim, a manutenção do acórdão na parte relativa à incidência da Selic sobre os valores a ressarcir. Esse recurso foi admitido, nos termos do despacho de fls. 192/193. Contrarrazões ao apelo do sujeito passivo vieram às fls. 197 a 207. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Os recursos apresentados pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles conheço. A matéria devolvida ao Colegiado cingese às questões da inclusão dos valores pertinentes às aquisições de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI – recurso especial do sujeito passivo, e, também, a da aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI a ressarcir – recurso especial da Fazenda Nacional. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a Fl. 221DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ................................................................................................. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Assim, ressalvo meu entendimento em contrário, explicitado em inúmeros votos neste Colegiado, e, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL Fl. 222DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10930.002342/200297 Acórdão n.º 930301.409 CSRFT3 Fl. 210 5 de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas, e, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao especial apresentado pela Fazenda Nacional, e de dar provimento ao apelo apresentado pelo Sujeito Passivo. Henrique Pinheiro Torres 2008/02047717 Fl. 223DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13738.000389/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO.
O valor pago para por fim a processo que tenha por objeto a prestação de pensão alimentícia pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda desde que decorra de acordo homologado judicialmente, conforme normas do Direito de Família.
Numero da decisão: 2102-001.557
Decisão: Acordam os membros de colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de cancelar a glosa da dedução a título de
pensão alimentícia.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. O valor pago para por fim a processo que tenha por objeto a prestação de pensão alimentícia pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda desde que decorra de acordo homologado judicialmente, conforme normas do Direito de Família. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros de colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de cancelar a glosa da dedução a título de pensão alimentícia. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 26/10/2011 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13738.000389/200703 Acórdão n.º 2102001.557 S2‐C1T2 Fl. 95 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relatório Cuidase de recurso voluntário de fl. 72, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 65 a 66v., que julgou procedente em parte o lançamento do IRPF de fls. 02 a 04v., relativo ao anocalendário 2004, lavrado em 29/05/2007, com ciência do RECORRENTE em 14/06/2007 (fl. 62). De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 03 e 03v., a notificação de lançamento teve por objeto o seguinte: “Dedução Indevida com Dependentes. Glosa do valor de R$ 3.816,00, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, conforme abaixo discriminado. O contribuinte não apresentou nenhum documento. Nome: Data de Nascimento Código de Dependência Motivo da Glosa MICHLELY MOREIRA AYALA 16/05/1996 21 Não comprovou relação de dependência MARIA CRISTINA AYALA FALON 06/09/1972 11 Não comprovou relação de dependência NICHOLAS GREGORI DOS SANTOS 28/12/1989 21 Não comprovou relação de dependência Código Relação de Dependência 11 Cônjuge ou companheiro(a) com o qual o contribuinte tenha filho ou viva ha mais de 5 anos. 21 Filho(a) ou enteado(a) até 21 anos ou, em qualquer idade, quando incapacitado física e/ou mentalmente para o trabalho. (...) Enquadramento Legal: Arts. 8.°, inciso II, alínea ‘c’, e 35 da Lei n.° 9.250/95; arts. 2.° e 15 da Lei n.° 10.451/2002; art. 38 da Instrução Normativa SRF n.° 15/2001, arts. 73, 77 e 83, inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13738.000389/200703 Acórdão n.º 2102001.557 S2‐C1T2 Fl. 96 3 Glosa do valor de R$ 21.456,18, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. O contribuinte não apresentou nenhum documento. Enquadramento Legal: Art. 8.°, inciso II, alínea ‘f’, da Lei n.° 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n.° 15/2001, arts.73, 78 e 83 inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99.” Conforme demonstrativo de fl. 04, após as alterações promovidas pela fiscalização, foi apurado imposto suplementar de R$ 6.127,95, que se sujeita aos juros de mora e à multa de ofício, conforme fl. 04v. DA IMPUGNAÇÃO Em 22/06/2007, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 01, requerendo a reavaliação dos dados que deram origem à Notificação de Lançamento. Alegou que todos os dados informados em sua DIRPF foram oriundos da “Folha de Rendimentos” emitida pela única fonte pagadora do RECORRENTE, e que os pagamentos de pensão alimentícia foram todos descontados em folha. Juntou aos autos diversos documentos, dentre os quais destacamse: certidão de casamento com a excônjuge, Dalva Maria Santos Costa (fl. 12); cópia da ação de divórcio, informando que o RECORRENTE pagaria pensão alimentícia no percentual de 40% dos seus rendimentos, sendo 20% para sua ex cônjuge e 20% para o menor sob a guarda do casal, Nicholas Gregory dos Santos (fls. 20 a 23); sentença que decretou o divórcio e ratificou que a pensão alimentícia será descontada em folha de pagamento e depositada na conta nº 500.182X da agência 03352 do Banco do Brasil S/A, em nome da varoa (fl. 24); ofício expedido pela Vara de Família da Infância e da Juventude da Comarca de Nova Friburgo/RJ, comunicando ao Comando da Aeronáutica (fonte pagadora do RECORRENTE) que deverá ser descontado em folha de pagamento, a título de pensão alimentícia, o valor correspondente a 40% dos rendimentos do RECORRENTE (fl. 25); certidão de nascimento de Michlely Moreira Ayala (fl. 15); certidão de nascimento de Nicholas Gregory dos Santos (fl. 14); certidão expedida pela 3ª vara da Infância e da Juventude de Guaratinguetá/SP informando o deferimento do pedido de guarda de Nicholas Gregory dos Santos ao RECORRENTE e sua excônjuge (fl. 13); Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13738.000389/200703 Acórdão n.º 2102001.557 S2‐C1T2 Fl. 97 4 escritura pública declaratória, informando que Maria Cristina Ayala Falón é companheira do RECORRENTE e possuem uma filha de nome Michlely Moreira Ayala (fls. 17 e 18); e Contracheque do RECORRENTE, referente ao mês de março/2007, informando descontos em folha de pagamento a título de pensão alimentícia. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 65 a 66v. dos autos, julgou procedente em parte o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004 Ementa: DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. A dedução a titulo de pensão judicial somente é cabível quando restar comprovado nos autos que tal pagamento ocorreu de acordo com a decisão judicial que determinou a respectiva pensão. Portanto, o contribuinte precisa provar não só o seu efetivo pagamento bem como deve apresentar a decisão judicial que homologou a pensão judicial. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Menor pobre que o contribuinte detinha a guarda junta com a sua exesposa, porém passou a lhe pagar pensão judicial devido à separação conjugal, não pode ser considerado dependente na declaração de ajuste anual, pois o sujeito passivo perde o direito à dedução de dependente com o beneficiário da respectiva pensão, em respeito à legislação em vigor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Nas razões do voto que compõe o julgamento, a autoridade julgadora teceu os seguintes comentários: “(...) No que diz respeito à glosa de dependentes o contribuinte logrou comprovar a relação de dependência com a sua filha, Michlely Moreira Ayala, conforme certidão de nascimento de fl. 15 e também de sua companheira, Maria Cristina Ayala Falôn, de acordo com a escritura pública declaratória As fls. 17 e 18. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13738.000389/200703 Acórdão n.º 2102001.557 S2‐C1T2 Fl. 98 5 Todavia, o impugnante não pode deduzir em sua declaração de ajuste anual o menor pobre, Nicholas Gregory dos Santos, do qual detinha a guarda junto com a sua exesposa, Dalva Maria Santos Costa, como apontado na certidão de fl. 13, tendo em vista que o impugnante assumiu a responsabilidade de pagar, ao citado menor, pensão alimentícia judicial em face de sua separação conjugal. Frisese que o parágrafo 1º, do art. 78, do RIR/99, dispõe que o contribuinte ao pagar pensão alimentícia judicial, perde o direito a deduzir como dependente o beneficiário da respectiva pensão (...) Sendo assim, fica mantida apenas a glosa de dependente no valor de R$ 1.272,00. (...) Verificase que o interessado trouxe aos autos, entre outros documentos, a sentença judicial que homologou a pensão, conforme pode ser constatado às fls. 50 a 54. Todavia, o contribuinte furtouse de juntar ao processo qualquer documento que pudesse comprovar o pagamento da mencionada pensão alimentícia judicial. Dessa forma, não há como acatar a referida dedução a titulo de pensão judicial no valor de R$ 21.456,18 alegada pelo impugnante, devendo ser mantida a dedução indevida descrita na notificação de lançamento. (...)” Assim, efetuou o reajuste do valor cobrado, e apurou imposto suplementar devido de R$ 5.778,15, que se sujeita à multa de ofício de 75% e aos juros de mora. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 30/11/2010 (fl. 71), apresentou recurso voluntário de fl. 72 em 20/12/2010. Na oportunidade, juntou aos autos o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto na Fonte, referente ao ano calendário 2004, expedido pela fonte pagadora do RECORRENTE (fl. 79), bem como todos os Contracheques do mesmo período (fls. 80 a 86). Apresentou também declaração de sua excônjuge, onde a mesma informa que recebe regularmente da fonte pagadora do RECORRENTE a pensão alimentícia correspondente a 40% dos rendimentos do RECORRENTE (fl. 87). Assim, requereu a reforma do lançamento. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13738.000389/200703 Acórdão n.º 2102001.557 S2‐C1T2 Fl. 99 6 Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em principio, observo que houve erro da autoridade julgadora de primeira instância quando da apuração do imposto devido após a retificação do lançamento. É que a DRJ entendeu que “o contribuinte logrou comprovar a relação de dependência com a sua filha, Michlely Moreira Ayala, conforme certidão de nascimento de fl. 15 e também de sua companheira, Maria Cristina Ayala Falôn, de acordo com a escritura pública declaratória As fls. 17 e 18”. No entanto, ao realizar os cálculos da apuração do imposto devido, considerou apenas o valor da contribuição previdenciária de R$ 4.408,59 (que não foi objeto do lançamento) e o valor correspondente à dedução com apenas um dependente (R$ 1.272,00), correspondente. Assim, considerou como valor total das deduções a quantia de R$ 5.680,59, enquanto que o correto seria a quantia de R$ 6.952,59 (R$ 4.408,59 + RS 1.272,00 + RS 1.272,00). No que diz respeito à dedução do valor pago a título de pensão alimentícia, o art. 4º, inciso II, da Lei nº 9.250/95, estabelece que somente são dedutíveis aqueles valores estabelecidos em acordo homologado judicialmente, verbis: “Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil;” Nos termos com o acordo homologado pela Comarca de Santa Rita do Passa Quatro/SP (fls. 12 a 16), o RECORRENTE ficou incumbido de pagar a pensão alimentícia Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13738.000389/200703 Acórdão n.º 2102001.557 S2‐C1T2 Fl. 100 7 equivalente a 40% de seus rendimentos. Tais valores deveriam ser descontados da folha do RECORRENTE pela fonte pagadora. Nesse sentido, o RECORRENTE acosta aos autos o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto na Fonte, referente ao anocalendário 2004, expedido pela fonte pagadora do RECORRENTE (fl. 79), bem como todos os Contracheques do mesmo período (fls. 80 a 86), os quais comprovam a retenção do valor de R$ 21.456,18 a título de pensão alimentícia. Acostou também declaração prestada por sua excônjuge, onde esta afirma receber regularmente a pensão alimentícia (fl. 87). Portanto, tal conjunto probatório não deixa dúvidas de que o RECORRENTE efetivamente pagou, durante o anocalendário 2004, os valores estipulados no acordo homologado judicialmente a título de pensão alimentícia, na exata quantia de R$ 21.456,18. Portanto, conforme acima exposto, entendo que o RECORRENTE pleiteou a dedução de pensão alimentícia nos exatos limites estabelecidos pelo acordo homologado judicialmente e que foram retidos de seus rendimentos pela fonte pagadora durante o ano calendário 2005. Assim, deve ser restabelecida a glosa efetuada pela fiscalização correspondente à pensão alimentícia paga pelo RECORRENTE, no valor de R$ 21.456,18, devendo apenas ser mantida a glosa relativa à dedução com o dependente Nicholas Gregory dos Santos, no valor de R$ 1.272,00, tendo em vista que é vedada a dedução com dependente relativa ao mesmo beneficiário da pensão alimentícia, nos termos do art. 78, §1º, do RIR/99, verbis: “Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente.” Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, a fim de cancelar a glosa da dedução a título de pensão alimentícia. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13738.000389/200703 Acórdão n.º 2102001.557 S2‐C1T2 Fl. 101 8 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10120.000970/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
PAGAMENTOS “EXTRA FOLHA”. COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Ao provar que a empresa pagava remunerações a seus empregados, sem que tais valores fossem objeto de declaração ao Fisco e registro contábil, a Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores correspondentes a esses pagamentos.
AFERIÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DE PARÂMETROS COLETADOS EM PROCESSOS TRABALHISTAS NA QUAL O SUJEITO PASSIVO ERA PARTE RECLAMADA. POSSIBILIDADE.
Não se apresenta desarrazoada a aferição indireta da base de cálculo efetuada com base em parâmetros coletados em processos trabalhistas nos quais a empresa autuada era parte reclamada.
BIS IN IDEM. AFERIÇÃO COM BASE EM RECIBOS DE PAGAMENTO.
IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO INDIRETA DOS MESMOS FATOS
GERADORES.
No crédito em questão percebe-se apuração em duplicidade, haja vista que para as competências 01/2005 a 12/2006 as contribuições foram lançadas também em outro crédito com base nos recibos e depósitos bancários obtidos de processos trabalhistas. Quanto às demais competências não há o que se falar em bis in idem, posto inexistiu lançamento com base nos mesmos fatos geradores e as contribuições incidiram sobre remunerações não declaradas
em GFIP. Assim não há duplicidade de cobrança, uma vez que em relação a essas parcelas não houve qualquer recolhimento de contribuições.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO.
Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado.
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE.
O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível, nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de concretizado o lançamento.
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE
PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SER SUBMETIDA A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Os procedimentos fiscais, em geral, tem por finalidade averiguar a regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido a ação fiscal.
ESCRITA CONTÁBIL QUE NÃO REFLETE A REALIDADE ECONÔMICO FINANCEIRA
DA EMPRESA E DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
A exibição de documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, bem como a existência de registros contábeis que não reflitam a realidade econômico financeira da empresa, possibilita ao Fisco o arbitramento do tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova
em contrário.
DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria necessariamente em estabelecimento do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.054
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) indeferir o pedido de perícia técnica/diligência; e III) no mérito, dar provimento dar parcial do recurso para que sejam abatidas do lançamento as bases de cálculo constantes no AI n.º 10120.000974/201061 (DEBCAD n.º 37.257.4114).
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Ao provar que a empresa pagava remunerações a seus empregados, sem que tais valores fossem objeto de declaração ao Fisco e registro contábil, a Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores correspondentes a esses pagamentos. AFERIÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DE PARÂMETROS COLETADOS EM PROCESSOS TRABALHISTAS NA QUAL O SUJEITO PASSIVO ERA PARTE RECLAMADA. POSSIBILIDADE. Não se apresenta desarrazoada a aferição indireta da base de cálculo efetuada com base em parâmetros coletados em processos trabalhistas nos quais a empresa autuada era parte reclamada. BIS IN IDEM. AFERIÇÃO COM BASE EM RECIBOS DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO INDIRETA DOS MESMOS FATOS GERADORES. No crédito em questão percebese apuração em duplicidade, haja vista que para as competências 01/2005 a 12/2006 as contribuições foram lançadas também em outro crédito com base nos recibos e depósitos bancários obtidos de processos trabalhistas. Quanto às demais competências não há o que se falar em bis in idem, posto inexistiu lançamento com base nos mesmos fatos geradores e as contribuições incidiram sobre remunerações não declaradas em GFIP. Assim não há duplicidade de cobrança, uma vez que em relação a essas parcelas não houve qualquer recolhimento de contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 Fl. 348DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível, nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de concretizado o lançamento. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SER SUBMETIDA A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Os procedimentos fiscais, em geral, tem por finalidade averiguar a regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido a ação fiscal. ESCRITA CONTÁBIL QUE NÃO REFLETE A REALIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA DA EMPRESA E DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000970/201082 Acórdão n.º 240102.054 S2C4T1 Fl. 349 3 A exibição de documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, bem como a existência de registros contábeis que não reflitam a realidade econômicofinanceira da empresa, possibilita ao Fisco o arbitramento do tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria necessariamente em estabelecimento do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) indeferir o pedido de perícia técnica/diligência; e III) no mérito, dar provimento dar parcial do recurso para que sejam abatidas do lançamento as bases de cálculo constantes no AI n.º 10120.000974/201061 (DEBCAD n.º 37.257.4114). Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 350DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O lançamento O presente processo administrativofiscal referese ao Auto de Infração n.º 37.257.4092, no qual foram lançadas contra o sujeito passivo acima identificado as contribuições para outras entidades e fundos (terceiros). O crédito, com data de consolidação em 29/01/2010, assumiu o montante de R$ 1.751.634,61 (um milhão, setecentos e cinquenta e um mil, seiscentos e trinta e quatro reais e sessenta e um centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos efetuados a segurados empregados a serviço da empresa no período de 01/2005 a 11/2008. Afirmase que a base de cálculo foi obtida por aferição indireta, em razão da constatação de que a empresa efetuou pagamentos a segurados sem fazer os registros contábeis dos mesmos, nem declarálos na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O Auditor Fiscal relata que a empresa costumeiramente efetuava pagamentos aos seus empregados, sem registrar as quantias em folha de pagamento. Esses desembolsos davamse mediante depósitos em contas bancárias dos beneficiários. Tal constatação foi verificada a partir da análise de vários processos trabalhistas, os quais foram listados no Relatório. Salientase que as reclamatórias trabalhistas evidenciam que a prática de efetuar pagamentos “por fora” era extensiva a todos os empregados da instituição autuada. O Fisco dá conta também da existência de ação cautelar de busca e apreensão tramitando na Justiça Comum, a qual foi proposta por JOÃO RODRIGUES DE PAULA e OUTROS em face de AGOSTINHO S. PEDROSA e CONTAC CONTABILIDADE S/S LTDA. Registrase ainda que na referida ação se postula a exclusão do sócio ALEX MARCÓRIO SANTIAGO, por gestão fraudulenta e transferência de bens. Segundo a Auditoria, ficou demonstrado nos autos do referido processo que recursos da empresa eram desviados para contas de outras pessoas jurídicas. Tal constatação foi corroborada em pesquisa efetuada pelo Fisco, na qual se evidencia que pagamentos de mensalidades escolares eram direcionados para outras empresas. A Autoridade Fiscal apresenta ainda dados que revelam a existência de ligação entre as empresas recebedoras dos recursos supostamente desviados da recorrente com sócios e empregados da mesma. Foram ainda mencionadas diversas irregularidades, a exemplo da transferência de recursos da empresa autuada para empresa já encerrada. Fl. 351DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000970/201082 Acórdão n.º 240102.054 S2C4T1 Fl. 350 5 Outro fato destacado é a realização de seqüestro pela Justiça do Trabalho de valores da conta corrente bancária de empresa que supostamente recebia transferências de recursos da recorrente para quitar dívida trabalhista desta. Apresentouse ainda estudo comparativo entre a receita estimada da empresa, conforme pesquisa efetuada no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira/Ministério de Educação e Cultura, a qual demonstraria que o faturamento contabilizado é muito inferior ao que efetivamente foi realizado pela recorrente. O Fisco apontou ainda inconsistências entre valores contabilizados de distribuição de lucros e os valores lançados na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física – DIPJ do principal acionista da empresa autuada. Ao final, concluiu a Auditoria que os fatos narrados seriam suficientes a comprovar que a contabilidade da recorrente não reflete a realidade de sua situação econômico financeira. A base de cálculo para os empregados cujas reclamatórias trabalhistas foram analisadas foi obtida mediante a aplicação sobre a remuneração total (valores constantes e não constantes em folha) do percentual médio de remuneração não registrada. Quanto aos segurados que não constaram nos processos trabalhistas, o percentual de remuneração não declarada em relação à remuneração total foi obtido conforme indicado na reclamatória trabalhista do empregado NEY BARBOSA, responsável pelo setor de recursos humanos da empresa autuada. Esse percentual corresponde a aproximadamente 60,43% da remuneração total, patamar este muito próximo do percentual médio de remuneração não declarada dos empregados constantes das reclamatórias trabalhistas (60,98%). A auditoria menciona ainda que, para fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2008, aplicouse a multa mais benéfica considerando a alteração legislativa promovida pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009. A decisão recorrida A Delegacia de Julgamento – DRJ em Brasília declarou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito. O recurso voluntário Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário no prazo legal, alegando, em apertada síntese, que: a) o recurso é tempestivo; b) todos os recursos relativos aos lançamentos efetuados na ação fiscal que deu ensejo ao presente AI devem ser julgados conjuntamente, em razão da conexão que os vincula; Fl. 352DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 c) a empresa sempre cumpriu com suas obrigações previdenciárias e trabalhistas, prova disso é que contratou um dos mais conceituados escritórios de contabilidade do Estado de Goiás; d) não ficou esclarecido qual motivo levou a RFB a iniciar o procedimento fiscal que culminou com a lavratura questionada; e) há uma ação judicial envolvendo a recorrente, ajuizada para evitar que um sócio com poderes de gestão, mediante práticas criminosas, pudesse se apropriar indevidamente do controle da mesma; f) temse a impressão que o procedimento fiscal foi iniciado a partir de denúncias relacionadas à referida ação judicial; g) os autos lavrados na ação fiscal são de um todo absurdos e improcedentes, posto que a empresa sempre cumpriu com suas obrigações tributárias; h) as solicitações da Auditoria Fiscal sempre foram prontamente atendidas pela recorrente; i) com as autuações foram carreados ao processo inúmeros documentos, esses até então desconhecidos pela empresa; j) dentre os processos trabalhistas mencionados pela Fiscalização, verificase a existência de um do ano de 2003, portanto, fora do período fiscalizado; k) conforme a melhor doutrina, o lançamento deve ser efetuado em conformidade com o art. 142 do CTN, não sendo possível o Fisco extrapolar os limites legais; l) devem ser observados os princípios da legalidade, da objetividade da ação fiscal, da audiência do interessado e da instrução probatória ampla; m) a coleta de documentos e a investigação levada a cabo durante o procedimento fiscal deve ser notificada ao fiscalizado, sob pena de invalidação do trabalho da Auditoria; n) a empresa desconhece a maneira como foram feitas diligências em outros órgãos e até mesmo junto a pessoas físicas; o) a descrição do fato gerador presente no Relatório Fiscal não guarda relação com o que prescreve às normas aplicáveis, pois o Fisco não demonstrou a existência da prestação de serviços, quando a mesma ocorreu e quanto foi o montante envolvido; p) a Auditoria Fiscal atevese mais a questão da coerência dos registros contábeis de que a efetiva ocorrência da hipótese de incidência tributária; q) uma vez que as declarações prestadas pela empresa refletem a realidade dos fatos por ela praticados, descabe o procedimento de aferição indireta da matéria tributável; r) o arbitramento utilizado para obter o valor da remuneração paga aos empregados da recorrente não guarda nenhuma coerência técnica; Fl. 353DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000970/201082 Acórdão n.º 240102.054 S2C4T1 Fl. 351 7 s) o lançamento do tributo foi realizado pelo contribuinte, mediante declaração em GFIP, não sendo possível que seja alterado sem que o Fisco demonstre a ocorrência de irregularidades; t) meros erros nos registros contábeis, não autorizam a desconsideração de toda a contabilidade e o arbitramento do tributo, ainda mais que a sua escrita foi elaborada em obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade; u) o valor da hora/aula encontrado nos documentos mencionados pelo Fisco está em conformidade com o valor estabelecido em convenção coletiva; v) o fato da empresa ter firmado acordo, perante a Justiça do Trabalho, com seus exempregados não pode ser tomado como confissão de culpa, uma vez que esse instrumento de conciliação tem larga utilização em processos judiciais, em especial nos Tribunais Trabalhistas; w) a análise da documentação deveria ter sido realizada nas dependências da empresa, como manda a boa técnica de auditoria, evitandose assim conclusões errôneas, dissociadas da realidade administrativa da recorrente; x) não pode ser aplicada a aferição indireta se existe a possibilidade de se verificar a base de cálculo pelas folhas de pagamento, GFIP e contabilidade; y) a Auditoria não determinou o momento em que se materializa o fato gerador da obrigação tributária; z) se houve o lançamento das contribuições por arbitramento não poderia haver na mesma ação fiscal outros lançamentos decorrentes de divergências de GFIP, de glosa de compensações, de diferenças de segurados, sob pena de se recair em bis in idem; a1) uma vez arbitrados os valores e descontadas as quantias recolhidas, descabe qualquer outro lançamento complementar; b1) o Fisco desrespeitou o princípio da verdade material, uma vez que não comprovou a ocorrência do fato gerador, não confirmou sua materialidade com base em documentos idôneos, tendo a Auditoria tomado como base apenas em registros secundários, informações obtidas unilateralmente e sem o formalismo exigido para que o ato de investigação pudesse produzir efeito; c1) é obrigação dos agentes da Administração Tributária investigar e demonstrar cabalmente a ocorrência do fato jurídico tributário, somente se podendo inverter o ônus da prova nos casos expressamente previstos em lei, o que não se aplica à situação sob enfoque; d1) notase que o cálculo do tributo foi levado a efeito de forma obscura, carecendo de maiores explicações sobre a forma de apuração da matéria tributável, donde se conclui que foi atropelado o art. 37 da Lei n.o 8.212/1991; e1) se não há clareza e precisão, é evidente o cerceamento ao seu direito de defesa, o que é causa de nulidade, conforme tem decidido reiteradamente o próprio Conselho de Contribuintes; Fl. 354DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 f1) a decisão da DRJ simplesmente homologou as conclusões a que chegou o Fisco, sem levar em conta as diversas alegações de ilegalidade lançadas na peça de defesa; g1) ao tentar arrecadar a contribuição sem a destinação clara de sua aplicação, o ato fiscal fere o princípio de contrapartida da contribuição previdenciária; Ao final, requereu: a) o reconhecimento da tempestividade do recurso e o seu regular processamento; b) o reconhecimento dos lançamentos efetuados através da declaração da GFIP; c) a declaração de nulidade do lançamento; d) que o processo seja baixado em diligência para correção das irregularidades apontadas; e) a realização de perícia técnica, conforme quesitos que formula. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000970/201082 Acórdão n.º 240102.054 S2C4T1 Fl. 352 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Reunião dos processos para julgamento conjunto Requer a contribuinte que todos os recursos relativos aos processos de débito lavrados na mesma ação fiscal, que são vinte e três julgamento conjunto. O pedido, apesar de desejável, não é obrigatório, posto que não há norma legal na seara do processo administrativo fiscal que preveja esse procedimento. Por outro lado, há de se convir que estamos incluindo nessa reunião de julgamento quinze dos processos referidos, de modo que se tenha a eficiência e a coerência desejadas nos julgamentos dos processos dessa empresa. Posso dizer ainda que, para o AI sob cuidado, os dados constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia, não havendo necessidade de que se aguarde a chegada dos oito processos restantes a esse Conselho para que se inicie o seu julgamento. Da necessidade do contraditório durante o procedimento de fiscalização No que diz respeito à falta de comunicação à empresa fiscalizada acerca dos passos seguidos na fiscalização, devese ter em conta que no decorrer da ação fiscal não há contraditório. Os agentes do fisco dão ciência de que a empresa está sob ação fiscal através da entrega do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, promovem a intimação para apresentação da documentação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos, elaboram os lançamentos (se cabível) e, por fim, comunicam ao sujeito passivo o resultado da fiscalização. Essa seqüência de atos é que deve ser observada, sob pena de nulidade do lançamento. Na espécie, não vislumbrei qualquer vício relativo ao procedimento narrado que pudesse macular o resultado da ação fiscal. A oportunidade disponibilizada ao contribuinte para demonstrar seu inconformismo ocorre durante o contencioso fiscal. Neste momento é possível apresentar todas as razões e provas que possam afastar ou modificar o lançamento fiscal. Assim, em relação ao trabalho de investigação do auditor fiscal não há o que se falar na obrigatoriedade de manter o contribuinte ciente de todos os passos seguidos pelo agente do Fisco, no entanto, quando da conclusão da fiscalização, o contribuinte deve ser municiado de todos os elementos que lhes sejam úteis a exercer o seu direito de defesa, sob pena de nulidade dos lançamentos porventura lavrados. Nessa linha de pensamento, vale repisar que a ação fiscal é um procedimento inquisitório, de investigação, durante o qual não há obrigatoriedade de ciência do contribuinte Fl. 356DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 em relação ao modo de proceder da Auditoria. Isso porque o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa só é de observância obrigatória na fase litigiosa do processo, que tem início apenas com a impugnação ao lançamento. Nesse sentido, mesmo para as diligências realizadas pelo Fisco em órgãos fora da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não havia obrigatoriedade de se cientificar previamente o sujeito passivo de tais providências, sendo, todavia, obrigatória a menção no Relatório Fiscal dos elementos coletados nas diligências efetuadas que tiveram influência nas conclusões da Auditoria quanto à existência de obrigação tributária não adimplida. Uma leitura do relato do Fisco me deixa à vontade para afirmar com convicção que foram apresentadas à contribuinte todas as fases do procedimento fiscal, bem como, as evidências que foram tomadas como base para se concluir sobre a necessidade de efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias. Das motivações para início da ação fiscal Também não há necessidade de que a ação fiscal tenha uma motivação específica, posto que o objetivo do procedimento de fiscalização é sempre verificar a regularidade das obrigações tributárias do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB. Os elementos relativos ao procedimento fiscal que devem obrigatoriamente ser informados ao contribuinte são aqueles constantes do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (art. 7.º da Portaria RFB n.º 11.371/2007), quais sejam: a) natureza do procedimento (fiscalização/diligência); b) o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal; c) o período da verificação. Vejo que esses dados constam do MPF e que não há obrigatoriedade de se informar qual o motivo determinante para que se programe determinada ação fiscal, posto que a seleção de empresas fica no campo da discricionariedade da Administração Tributária. Nesse sentido, não posso dar razão à recorrente quando alega nulidade em razão do seu desconhecimento dos motivos que deram ensejo ao procedimento fiscal, uma vez que, o próprio MPF já esclarece que a finalidade do procedimento é verificar o cumprimento das obrigações tributárias do contribuinte. Da apuração fiscal fora da sede da empresa Acerca do inconformismo da empresa quanto ao fato dos trabalhos fiscais terem se desenvolvido fora da sede da empresa, não de acatálo. Essa matéria já se encontra pacificada no CARF, sendo inclusive objeto de súmula, conforme se vê: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Portanto, descabe a alegação de que a apuração fiscal deveria obrigatoriamente ter se dado nas dependências da empresa fiscalizada. Da ocorrência dos fatos geradores Fl. 357DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000970/201082 Acórdão n.º 240102.054 S2C4T1 Fl. 353 11 Afirma a recorrente que o Fisco não se desincumbiu do encargo de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores de contribuição previdenciária. Pois bem, conforme se verifica do relatório acima, a fiscalização inferiu mediante a verificação de diversos processos trabalhistas que a empresa fiscalizada utilizavase do artifício de pagar remunerações a segurados empregados que lhes prestavam serviço sem registrar a totalidade dos valores em folha de pagamento. Segundo a Auditoria, essas quantias eram depositadas diretamente em contas correntes dos beneficiários, não sendo também objeto de declaração em GFIP, nem de lançamento na escrita contábil da empresa autuada. A Autoridade Fiscal analisou treze processos trabalhistas identificando em todos eles a ocorrência de pagamentos de remunerações “por fora”, tendo sido anexados aos autos os depósitos bancários e os recibos desses pagamentos, os quais não se sujeitaram à incidência de contribuições previdenciárias. Há um processo, o de n.º 01354200400618003 (reclamante Ney Barbosa), que embora não circunscrito ao período da apuração, foi utilizado pelo Fisco para demonstrar a ocorrência de pagamentos sem registro na contabilidade da empresa. Esse processo, embora as contribuições decorrentes já não pudessem ser apuradas em razão do transcurso do prazo decadencial, assume grande relevância na medida em que o reclamante era o Encarregado do Setor de Recursos Humanos, o qual relata que recebia ordens superiores para efetuar pagamentos “por fora” para todo o quadro funcional da empresa, inclusive para ele próprio. O referido processo trabalhista, cujo pedido inicial totalizou R$ 25.020,00, foi objeto de acordo para pagamento de R$ 18.000,00. Assim, diante da constatação de que a empresa tinha por prática o pagamento, sem o devido registro, de parcelas salariais aos seus empregados, não poderia o Fisco deixar de apurar as contribuições decorrentes das remunerações que a empresa não houvera declarado na GFIP. Observese que foram solicitados os documentos que comprovariam a contabilização dos pagamentos correspondentes aos depósitos bancários coletados dos processos trabalhistas, todavia, a empresa não os apresentou, deixando claro que tais dispêndios não foram objeto de registros contábeis. Portando, devo afastar desde já dois dos principais argumentos utilizados pela empresa em seu recurso: a) o de que cumpria regularmente com suas obrigações fiscais e trabalhistas; e b) o de que houvera prontamente atendido a todas as solicitações do Fisco para exibição de documentos. Entendo, assim, que a ocorrência costumeira do artifício de pagar remunerações “por fora”, visando à supressão de obrigações trabalhistas e previdenciárias, está bem caracterizado no presente AI, portanto, observo que o Fisco não deixou de demonstrar a ocorrência da hipótese de incidência de contribuições, que se materializou pelo pagamento de parcelas salariais não lançadas em folha de pagamento, não declaradas em GFIP e nem registradas na escrita contábil. Do cabimento da aferição indireta da base de cálculo Fl. 358DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Passo agora a análise da alegação relativa ao descabimento da aplicação do método aferição indireta para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão do §§ 3.º e 6.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Fisco solicitou a documentação que deu embasamento aos lançamentos contábeis, no afã de verificar se as parcelas constantes nos processos trabalhistas teriam sido contabilizadas, todavia, a empresa não os exibiu. O Fisco, por esse motivo não teve como visualizar se tais parcelas apareceriam nos registros contábeis da recorrente, por conseguinte, é de se supor que a contabilidade da empresa não registrava a remuneração dos segurados a seu serviço. Ora, o mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram realizados pagamentos de remunerações não registradas na documentação da empresa. Por isso, o Fisco não teria como verificar diretamente o montante desses pagamentos, estando diante da impossibilidade de concluir o seu trabalho apenas com esteio nos elementos apresentados. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 359DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000970/201082 Acórdão n.º 240102.054 S2C4T1 Fl. 354 13 Em resumo, poderseia dizer que a existência de pagamentos não contabilizados e cuja documentação não foi apresentada à Auditoria, caracterizouse um obstáculo intransponível para que se pudesse aferir diretamente a base de cálculo a partir dos elementos disponíveis. Assim, entendo que na espécie estão presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da remuneração paga sem lançamento na folha de salários, posto que a legislação já mencionada autoriza tal procedimento. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal não se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, as quais foram oportunamente mencionadas tanto no relatório do AI, quanto no anexo Fundamentos Legais do Débito. Há ainda muitas outras falhas contábeis apontadas no relato do Fisco, sobre as quais a empresa tenta justificar apenas em questões de disputa societária, fato que é irrelevante para o Direito Tributário. Apontou a Auditoria a existência de receitas de mensalidades escolares não contabilizadas, além de discrepâncias entre o número de alunos matriculados e a receita declarada, além de valores de distribuição de lucros não lançados integralmente na contabilidade. Todos essas falhas não caracterizam apenas meros erros contábeis como quer fazer crer a recorrente, mas indicam que a documentação apresentada, principalmente a escrita contábil, não representa a realidade econômicofinanceira da empresa. Da inversão do ônus da prova Nos termos do § 6.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, já transcrito, a verificação de que os registros contábeis estão dissociados da realidade econômicofinanceira da empresa é motivo para arbitramento das contribuições, tendo o contribuinte a prerrogativa de fazer prova em contrário. Nessa toada, não devo acolher a tese recursal de que há na espécie inversão do onus probandi não autorizada por lei. Da razoabilidade do método de arbitramento adotado Outra questão aventada no recurso diz respeito à falta de coerência técnica e a obscuridade na determinação da base tributável por aferição indireta. Uma leitura do Relatório Fiscal indica que no presente processo foram arbitradas apenas as remunerações dos pagamentos efetuados “extra folha”, ou seja, aqueles que não foram declarados na GFIP. Conforme declarou o Fisco, para os segurados constantes nos processos trabalhistas a remuneração foi apurada mediante a utilização de índice que representa o quociente médio entre a remuneração não declarada e a remuneração total auferida pelo contribuinte. Fazendose uma média do índice para todos os segurados envolvidos nas reclamatórias obtémse 60,98%, levando a conclusão que cerca de sessenta por cento da remuneração total era paga sem o devido registro na contabilidade. Fl. 360DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Para os demais segurados utilizouse o índice encontrado para o segurado Ney Barbosa (Encarregado de RH), o qual não discrepou da média anterior, posto que foi calculado em 60,43%. Assim, não observo qualquer incoerência técnica ou falta de razoabilidade na determinação da base de cálculo por aferição indireta, haja vista que os índices para apuração dos valores pagos sem constar em folha foram obtidos com esteio em processos trabalhistas nos quais a empresa figurava na situação de reclamada, não se podendo afirmar que os valores não tenham qualquer relação com os fatos geradores que deram ensejo às contribuições apuradas. Da ocorrência de bis in idem Como já foi mencionado o processo em questão diz respeito às contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações não declaradas em GFIP, não havendo o que se falar em duplicidade de cobrança em relação aos valores declarados, posto que não houve na ação fiscal lançamentos decorrentes de remunerações declaradas em GFIP. Ainda sobre essa questão, também não merece acolhimento a tese de que o Fisco desconsiderou as declarações prestadas pela recorrente mediante a GFIP, na verdade, conforme se depreende dos autos, as declarações de GFIP, bem como os recolhimentos efetuados, foram integralmente considerados pela Auditoria. Repitase que o AI sob cuidado diz respeito ao lançamento de contribuições por arbitramento as quais tiveram como fato gerador os valores pagos aos segurados a serviço da contribuinte não declarados em GFIP, nem contabilizados. No entanto, tenho que me quedar ao argumento de duplicidade de cobrança quando me deparo com o AI n.º 10120.000974/201061 (DEBCAD n.º 37.257.4114). Nesse crédito foram lançadas as contribuições incidentes sobre as remunerações constantes nos recibos juntados às reclamatórias trabalhistas, ou seja, a base de cálculo ali foi extraída diretamente dos documentos de pagamento. Diante dessa constatação, vejo que não caberia incluir essas mesmas remunerações no presente lançamento, o qual decorre de aferição indireta do saláriode contribuição. Não há nos autos nenhuma indicação de que as remunerações retiradas dos recibos tenham sido excluídas do presente lançamento. Por isso, entendo que devam ser expurgados desse AI as bases de cálculo relativas ao lançamento consubstanciado no AI n.º 10120.000974/201061. Do cerceamento ao direito de defesa em razão de deficiência no Relatório Fiscal Já tendo concluído que o Fisco descreveu com clareza a ocorrência do fato gerador e apresentou de forma clara e precisa os passos seguidos para obtenção da base tributável, além de haver mencionado todas as circunstâncias que o levaram a concluir pela existência de obrigação tributária não adimplida, não devo concordar com a afirmação de que o relato do fisco, por lhe faltarem clareza e precisão, estaria a prejudicar o direito de defesa do sujeito passivo. A meu ver, todos os elementos de que a autuada necessitaria para exercer com amplitude o seu direito de defesa lhe foram fornecidos, de modo que não há de se acolher a tese de cerceamento desse direito. Da decisão de primeira instância Fl. 361DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000970/201082 Acórdão n.º 240102.054 S2C4T1 Fl. 355 15 A decisão de primeira instância abordou todos os pontos trazidos ao processo com a impugnação, não merecendo sucesso a afirmação da recorrente de que a decisão se baseou tãosó nos argumentos da peça de acusação. Estando em confronto as teses do Fisco e do sujeito passivo, o órgão julgador tem obrigatoriamente que aderir a uma delas para dar uma solução para a contenda jurídica. Todavia essa escolha deve se dar de forma motivada, de modo a não prejudicar o direito de defesa do contribuinte. A motivação apresentada pela DRJ foi satisfatória, tendo sido abordados todos os pontos de inconformismo apresentados pela empresa. Na situação sob testilha, se a tese vencedora foi a da procedência do lançamento, fatalmente a DRJ teria que se basear nos fatos trazidos ao processo pela Auditoria Fiscal. Uma vez expostas as peças de ataque de defesa, tem o julgador que se posicionar, pondo fim à lide naquela instância, desde que o faça com esteio nas provas e na legislação aplicável ao caso. Ponderar se a decisão foi ou não acertada é o que deve fazer o órgão ad quem quando do enfretamento das questões de mérito. O Decreto n. 70.235/1972, quando trata das nulidades, prevê: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Por não enxergar na decisão recorrida qualquer das hipóteses acima listadas, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Da perícia contábil/diligência Deixo de acatar o pedido para a produção de novas provas, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela procedência do lançamento, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Tenho que concordar com o indeferimento pelo órgão a quo do pedido de produção de novas provas, por entender que no processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão Fl. 362DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela existência de obrigação tributária não satisfeita pelo devedor. Não há, portanto, necessidade de realização de perícia contábil/diligência, haja vista que os elementos constantes dos autos são suficientes para que se tenha um julgamento seguro da presente lide. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares suscitadas, por indeferir o pedido de perícia técnica/diligência e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso para que sejam abatidas do lançamento as bases de cálculo constantes no AI n.º 10120.000974/201061 (DEBCAD n.º 37.257.4114). Kleber Ferreira de Araújo Fl. 363DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002047/2004-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Ano-calendário: 1999
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TOMADOR SEDIADO NO EXTERIOR ISENÇÃO.
Receitas advindas de prestação de serviço a pessoa jurídica sediada no exterior, mesmo que coligada, constitui, para o prestador, receita de exportação, isenta da Cofins.
Numero da decisão: 9303-001.660
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TOMADOR SEDIADO NO EXTERIOR ISENÇÃO. Receitas advindas de prestação de serviço a pessoa jurídica sediada no exterior, mesmo que coligada, constitui, para o prestador, receita de exportação, isenta da Cofins. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 496DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas – SP, a respeito do auto de infração de fls. 154/164, relativo à Cofins, apurado a partir das verificações obrigatórias, com ciência do AI em 22/09/2004. Por economia processual reproduzo abaixo partes do relatório da decisão recorrida, no quanto necessário ao conhecimento da matéria: “001 – COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) (...) O DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO – COFINS – fls. 149 e 150, contempla as outras receitas e o faturamento. Na primeira coluna do Demonstrativo estão evidenciadas as diferenças de “outras receitas”, detectadas por esta Auditoria Fiscal, cuja contribuição não foi depositada judicialmente. A base de cálculo foi extraída da planilha de fls. 143 a 148, no campo ‘Diferenças apuradas pelo AFRF’ Na segunda coluna, estão evidenciadas as receitas, do tipo faturamento, cuja contribuição (COFINS), não foi recolhida em tempo hábil. A base de cálculo foi extraída da planilha de fls. 137 a 142. A base de cálculo da COFINS, assim como o Demonstrativo do Resultado do Exercício do período de 1999 a 2004, informada pela empresa, constam às fls. 69 a 97 e 106 e 107. Em relação ao ano de 2001 foi elaborada uma planilha que consta às fls. 151. Obs: com relação a outras receitas, inclusive as financeiras, em razão da discussão judicial (MS 1999.61.00.0103892 – 9ª VARA DA JUSTIÇA FEDERAL – SP,) o crédito tributário está sendo exigido em processo apartado, com suspensão de exigibilidade (valores efetivamente depositados). (...) 002 COFINS FATURAMENTO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO – COFINS (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) A empresa sob fiscalização deixou de recolher a contribuição para o COFINS, calculado sobre o seu faturamento e outras receitas, nos períodos abaixo especificados. O DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO – COFINS – fls. 149 e 150, contempla as outras receitas e o faturamento. Na Fl. 497DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.002047/200415 Acórdão n.º 930301.660 CSRFT3 Fl. 489 3 primeira coluna do Demonstrativo estão evidenciadas as diferenças de ‘outras receitas’, detectadas por esta Auditoria Fiscal, cuja contribuição não foi depositada judicialmente. A base de cálculo foi extraída da planilha de fls. 143 a 148, no campo “Diferenças apuradas pelo AFRF”. Na segunda coluna, estão evidenciadas as receitas, do tipo faturamento, cuja contribuição (COFINS), não foi recolhida em tempo hábil. A base de cálculo foi extraída da planilha de fls. 137 a 142. A base de cálculo da COFINS, assim como o Demonstrativo do Resultado do Exercício do período de 1999 a 2004, informada pela empresa constam às fls. 69 a 97 e 106 e 107. Em relação ao ano de 2001 foi elaborada uma planilha que consta às fls. 151. Obs: Com relação a outras receitas, inclusive as financeiras, em razão de discussão judicial (MS 1999.61.00.0103892 – 9ª VARA DA JUSTIÇA FEDERALSP), o crédito tributário está sendo exigido em processo apartado, com suspensão da exigibilidade (valores efetivamente depositados) [Demonstrativo com fatos geradores, de 30/06/99 a 31/12/2003, valor tributável ou contribuição e multa (%)] Enquadramento Legal: Art. 77, inciso III, do DecretoLei n.º 5.844/43; art. 149 da Lei n.º 5.172/66; art. 1º da Lei Complementar n.º 70/91; Arts. 2º, 3º e 8º, da Lei n.º 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n.º 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n.º 1.858/99 e suas reedições.; Arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto n.º 4.524/02.”(grifos acrescidos) Da impugnação o referido relatório extraiu as seguintes informações: “2.3. Afirma que o crédito tributário indicado na primeira parte do auto de infração encontrase subjudice nos autos do Mandado de Segurança n.º 1999.61.00.0103892, em trâmite perante a 9ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, atualmente em fase de Recurso Especial e Extraordinário. 2.4. Na ação judicial interposta, questiona a ampliação da base de cálculo da Cofins pela Lei n.º 9.718, de 27 de novembro de 1998, bem como a majoração da alíquota de 2% para 3%, ressaltando que os valores em questão foram objeto de depósito judicial. 2.5. Argumenta que a autoridade fiscal, no exercício de 1999, incluiu indevidamente na base de cálculo da COFINS custos realizados pela empresa no exercício de 1998, os quais foram recuperados somente no exercício seguinte, decorrentes de medidas judiciais. Elabora demonstrativo, fl. 176. 2.6. Esclarece que os valores em questão tratam de recuperação de prejuízos, notadamente advindos da Ação Ordinária de Fl. 498DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Cobrança n.º 1013/96, que tramitou na 1º Vara Cível da comarca de SantosSP. Por esse motivo, não são receitas no sentido técnico da expressão, mas sim mera recuperação de custos decorrentes de medidas judiciais. 2.7. Alega que a autoridade fiscal computou como faturamento reembolso de despesas, ocorridas durante o exercício de 2001, e incorridas pela empresa por conta e ordem de ABB Lummus Global Inc. 2.8. E continua: ‘Frisese que este reembolso de despesas aconteceu de maneira transparente, tendo sido feita mediante os meios legais de aporte de divisas, ou seja, mediante ordem de pagamento, via Banco Central, consoante se verifica da documentação acostada à presente e devidamente apresentada ao D. Fiscal. Com efeito, a ABB Lummus Global Inc. é empresa norte americana acionista majoritária da ora Impugnante ABB Lummus Global Ltda. Nessa qualidade celebraram aos 15 de fevereiro do ano de 2000, contrato, que, resumidamente, estabelece que a Impugnante tornavase responsável pelo suporte financeiro e operacional na execução dos Serviços de Execução referentes às Plantas de Execução e Química Intermediária que foram construídos nas instalações da Monsanto Nordeste S.A, no Complexo Petroquímico de Camaçari – Bahia. Cópia do referido documento está anexo ao presente devidamente traduzido e juramentado. Consoante se depreende do referido documento, todas as despesas relativas à execução do projeto em questão eram de responsabilidade contratual da impugnante, sendo posteriormente reembolsada pela ABB Lummus Global Inc.’ 2.9. Transcreve cláusula do referido contrato, fl. 177. Afirma que tais despesas foram assumidas pela empresa ‘ABB Lummus Global Inc.’ e reembolsadas por meio de recursos devidamente registrados no Banco Central do Brasil (docs. 5 a 9). Elabora quadro demonstrativo na fl. 178. 2.10. Assevera que, tanto no que se refere ao exercício de 1999 (recuperação de custos judiciais), quanto no exercício de 2001 (reembolso de despesas por força contratual), os valores envolvidos não se tratam de receitas auferidas. 2.11. Faz amplo arrazoado sobre o conceito de receitas, enunciando conceitos, entre os quais destacamse: ‘As entradas que ajudam a formar o resultado, entre outras, são as receitas brutas das vendas e serviços, que compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados, integrado ainda pelo resultado nas operações de conta alheia (art. 279 do RIR/99). Baseado na legislação do IR, podese inicialmente conceituar receita como a entrada classificada no RIR como operacional ou não Fl. 499DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.002047/200415 Acórdão n.º 930301.660 CSRFT3 Fl. 490 5 operacional, apta a formar o resultado da pessoa jurídica, relevante para seus acionistas e para o Fisco. ‘ ‘Aduzse, portanto, das palavras do jurista mencionado, que, para que uma entrada seja considerada uma receita, ela deverá corresponder à entrega de um bem ou à prestação de um serviço’” ‘Também é assim para a contabilidade: “receitas são os acréscimos brutos do ativo que são obtidos sem a ampliação das dívidas ou do capital da empresa. Receitas correspondem a acréscimo ao Patrimônio Líquido e resultam da venda de produtos, bens ou serviços pela empresa’. ‘Portanto, podese concluir que as entradas, ingressos e créditos de uma pessoa jurídica, que representam compromissos seus, não são receitas, em seu sentido restrito e mais técnico, por não contribuírem na formação do resultado da pessoa jurídica, nem terem sua propriedade adquirida, já que não há o poder completo de disposição (que caracteriza a propriedade).’ (...) 2.13. Aduz que a exigência fiscal relativa à suposta falta de recolhimento no período de outubro/2002, onde foi apurada uma base de cálculo de R$ 3.682.115,38, é manifestamente descabida, pois realizou a compensação entre o crédito fiscal apurado no período e valores recolhidos a maior a título de imposto de renda retido na fonte. 2.14. Acrescenta que tal compensação, apesar de ocorrida em novembro/2002, quando do vencimento do tributo relativo a outubro/2002, somente foi comunicada à Secretaria da Receita Federal em 29/09/2004, por meio da apresentação de Declaração de Compensação (doc. 10). Assim, essa parcela do crédito tributário exigida estaria extinta nos termos do art. 156, inc. II, do CTN, combinado com o art. 74, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2.15. Insurgese contra a aplicação da multa de ofício relativa ao período de outubro/2002, tendo em conta a compensação que afirma realizada e que não haveria mora a justificar a imposição da penalidade. Acrescenta que o art. 138 do CTN não é aplicável ao caso, pois não se trata de denúncia espontânea de eventual infração, mas sim de comunicação intempestiva de compensação ocorrida em novembro/2002.” Apreciando as razões postas na impugnação, o Colegiado de primeira instância proferiu decisão resumida na seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999 Fl. 500DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS. O momento de formação da discordância com as provas colhidas pelo Fisco em procedimento de auditoria se dá na impugnação do lançamento, quando, então, é oferecida a oportunidade de apresentação do contraditório e da ampla defesa, a teor do disposto no art. 16, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não comprovados por meio de documentos concretos eventual recuperação de custos ou prejuízos incorridos pela contribuinte, não há como excluir o crédito tributário respectivo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2001 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. Os valores recebidos em virtude de prestação de serviços de obras, custeados por uma das empresas do grupo, representam receitas de serviços e integram o faturamento. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/10/2002 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO. A compensação entre tributos e contribuições de espécies diferentes deve ser formalizada em Declaração de CompensaçãoDCOMP, antes da lavratura do auto de infração. Não comprovada a escrituração contábil de eventual compensação alegada, e apresentada a DCOMP após o lançamento de ofício, não há como desconstituir o crédito tributário formalizado. Os pleitos de compensação de crédito tributário relativo a lançamento de ofício devem ser formalizados em procedimento próprio, a serem apreciados pela autoridade administrativa da DRF que jurisdiciona o domicílio da contribuinte, não sendo a impugnação ao crédito tributário o momento adequado para tanto. Lançamento Procedente”. O voto condutor do Acórdão consubstanciouse nos seguintes pontos: “35. Cabe registrar que a empresa somente formalizou sua Declaração de Compensação depois de lavrado o auto de infração pela fiscalização. 36. Até então não houve qualquer atividade da empresa no sentido de formalizar ou informar à Administração Tributária eventual compensação realizada. 37. Portanto, perfeitamente legítima a formalização do crédito tributário mediante a lavratura do auto de infração, tendo em vista que a empresa não efetuou o recolhimento relativo à Fl. 501DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.002047/200415 Acórdão n.º 930301.660 CSRFT3 Fl. 491 7 Contribuição ao PIS do mês de outubro de 2002, fato este confessado por ela própria, ao alegar como motivo de defesa em sua impugnação pretensa compensação realizada.” Intimada a conhecer da decisão em 08/03/2005, a empresa, insurreta contra seus termos, apresentou, em 06/04/2005, recurso voluntário a este Egrégio Conselho de Contribuintes, com as seguintes razões de dissentir: pugna pela inaplicabilidade do ADN Cosit nº 3/96 por não se constituir em ato que regule qualquer dispositivo legal, mas estabelece regra não prevista no ordenamento jurídico; aduz que a base de cálculo relativa ao ano de 1999 referese a créditos recuperados judicialmente, cuja origem encontrase devidamente comprovada nos autos e cuja contabilização foi corretamente efetuada; a base de cálculo apurada em 2001 pela fiscalização referese à recuperação de custos relativos ao reembolso de despesas realizadas por conta e ordem da empresa americana ABB Lummus Global Inc., sua acionista majoritária, conforme contrato, sendo que os valores recebidos não foram decorrentes da atividade fim da empresa; A Cofins lançada, relativa ao mês de outubro de 2002, referese a compensação realizada na escrita fiscal da recorrente com valores recolhidos a maior que o devido a título de IRRF; a Lei nº 9.718/98 promoveu indevido alargamento da base de cálculo da Cofins; expende arrazoado acerca da contabilidade como ferramenta do direito tributário e a utilização de conceitos contábeis no intento de fazer valer a aplicação sistematizada de tais conceitos naquele subramo do direito, definindo critérios materiais e quantitativos da hipótese de incidência tributária; pondera acerca da importância para o Direito Tributário e interpretação da respectiva legislação a contabilização de custos, despesas e receitas, as quais influenciam diretamente o resultado da empresa. Que o conceito de receita pode ser encontrado no art. 279 do RIR/99 como sendo o produto da venda de bens nas operações de conta própria e conta alheira e o preço dos serviços prestados. Cita doutrina; discorre sobre os conceitos contábeis e jurídicos de receita, custo e despesa, sustentando serem as despesas e os custos redutores do patrimônio líquido e que o reembolso de tais dispêndios não pode ser traduzido como receita, uma vez que é mero retorno do patrimônio líquido ao seu status quo ante, constituindo um equívoco considerar que todo lançamento a crédito na contabilidade corresponda a uma receita; Fl. 502DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 aduz o equívoco da tributação pela Cofins dos valores relativos à recuperação de custos e despesas por não representarem qualquer produto do esforço societário; expõe acerca de julgado do TRF da 4ª Região que considerou inexistir substrato jurídico para conceber que o estorno de despesa, mesmo aumentando a posição líquida da empresa, não determina receita; contesta a paridade impingida entre receita e recuperação de custos, cuja semelhança estanca no fato de produzirem lançamentos contábeis idênticos, ou seja, lançamento credor; agrega a alegação de que, argumentando, considerada a recuperação de custos como receita a mesma deve ser então considerada como receita de exportação; rebate a inclusão dos valores oriundos de recuperação judicial de prejuízos, advindos de ação ordinária de cobrança; expende arrazoado acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins, informando encontrarse tal matéria em fase de questionamento em Juízo, nos autos do MS nº 1999.61.00.0103892, no que se refere à majoração da alíquota de 2% para 3%, cujos valores foram objeto de depósito judicial; em relação à autuação da Cofins relativa ao mês de outubro de 2002, aduz que a mesma foi efetivada em 11/2002, no prazo de vencimento da exação, na escrita contábil da empresa, sendo comunicada à SRF em 29/09/2004 com a apresentação da Declaração de Compensação; aduz, ainda, que dita compensação foi realizada nos termos do art. 156, II, do CTN c/c o art. 74 da Lei nº 9.430/96, considerando implausível que não possa ser aceita em razão do momento em que a mesma foi feita, fato que lhe imputa prejuízo demasiado; contesta a multa aplicada sobre a compensação realizada; entende que a declaração de compensação apenas “declara” um fato ocorrido não representando, ela mesma, a extinção do crédito tributário, tratando somente de comunicação intempestiva de uma compensação ocorrida em 11/2002; persevera no sentido de que inexistiu falta de pagamento, o qual foi realizado em 11/2002 e nem de falta de declaração, apresentada em 29/09/2004, sendo inaplicável o percentual previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, devendo ser reduzido para 20%; considera indevidos os juros de mora, em razão de inexistir atraso, omissão ou desvio de pagamento de tributos devidos e, por conseguinte, inexistindo infração ou descumprimento da legislação tributária; explana acerca do princípio da verdade material, argumentando que se trata de princípio que se contrapõe ao princípio do dispositivo próprio do processo civil, sendo que este busca a Fl. 503DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.002047/200415 Acórdão n.º 930301.660 CSRFT3 Fl. 492 9 verdade formal e o processo administrativo a verdade material, em face do fim que visa ser o controle administrativo da legalidade, inexistindo interesse subjetivo da Administração na solução do litígio é possível o cancelamento do lançamento baseado em evidências trazidas aos autos após a inicial. Ao fim requer seja o recurso conhecido e provido para cancelar a ação fiscal. A autoridade preparadora informa a efetivação do pagamento do depósito administrativo de 30% para fins de garantia da instância recursal, conforme fl. 400. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: COFINS. RECUPERAÇÃO DE RECEITAS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIFERENTES DESACOBERTADA DE DECOMP. Demonstrado que a receita tem origem na recuperação de receitas realizadas por meio de ação judicial de cobrança deve a mesma ser excluída da base de cálculo. Receitas advindas de prestação de serviço a pessoa sediada no exterior, mesmo que coligada, constitui receita de exportação, isenta da Cofins nos termos do art. 14 da MP nº 2.15835/2001. As receitas oriundas de fontes diversas do faturamento não compõem a base de cálculo da Cofins. Inconstitucionalidade declarada pelo STF. A compensação entre tributos de espécies diferentes reputase não efetuada se não declarada tempestivamente ou antes do procedimento de ofício. Recurso provido em parte. Inconformada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde requereu a reforma do acórdão vergastado para que fosse restabelecida a decisão de primeira instância. O recurso foi admitido, nos termos do despacho de fls. 421/422. Cientificada do acórdão e, também, do despacho de admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional, o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões, fls. 429 a 449, onde requer a manutenção doa cordão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Fl. 504DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 A teor do relatado, a controvérsia que aqui se apresenta a debate gira em torno da tributação de valores que a Fiscalização entendeu como receitas provenientes de serviços prestados a empresas do mesmo grupo econômico da autuada; por sua vez, a defesa a advoga serem meras recuperações de despesas. O apelo fazendário reedita os argumentos expendidos na decisão de primeira instância, que, a meu sentir foram bem refutados pelo acórdão recorrido. De fato, o que a decisão de primeiro grau assinalou foi que as parcelas recebidas não se enquadravam como recuperação de custos. Eram, ao contrário, receitas de prestação de serviços à matriz sediada no exterior. Confirase 10. Verificandose o Demonstrativo da Base de Cálculo COFINS, de fls. 149/150, bem como as planilhas de fls. 69/97 e 106/107, constatase que os valores autuados tratamse de “recuperação de custos” escriturados pela empresa, não oferecidos à tributação no anocalendário de 1999 e 2001, e a 'outras receitas', nos demais períodos. (...) 18. Em relação aos fatos geradores ocorridos durante o ano de 2001, transcrevese parcialmente o contrato celebrado entre a autuada e a empresa 'ABB Lummus Global Inc.', fls. 288/291: "CONSIDERANDO que ABB LGI e Monsanto Company (EUA) firmaram um Contrato com data de 1° de agosto de 1999, cobrindo Serviços de Aprovisionamento para Obra a serem executados fora do Brasil, referentes às Plantas de Produção Química Intermediária a serem construídas nas Instalações da Monsanto no Complexo Petroquímico de Camaçari, Estado da Bahia, Brasil (Contrato No. 10.006); e CONSIDERANDO que ABB LGL e Monsanto Nordeste S. A. firmaram um Contrato com data de 1° de agosto de 1999, cobrindo Serviços de Construção a serem executados no Brasil, referentes às Plantas de produção Química Intermediária a serem construídas nas instalações da Monsanto no Complexo Petroquímico de Camaçari, Estado da Bahia, Brasil (Contrato No. 10.007); e CONSIDERANDO que ABB LGL concorda em realizar certas tarefas reparadoras para sanear deficiências da ABB LGI na Obra, resultantes do projeto e material da ABB LGI nos termos e nas condições contidas no presente instrumento; e CONSIDERANDO que ABB LGL será reembolsada pela ABB LGI para sanear certas deficiências no projeto material da Obra a cumprir com certas obrigações de garantia e aval com a Monsanto de acordo com o Contrato No. 10.006. Claúsula 1 — Escopo da Obra Fl. 505DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.002047/200415 Acórdão n.º 930301.660 CSRFT3 Fl. 493 11 1.1 ABB LGL utilizará o produto do Contrato de Adiantamento de Linha de Crédito unicamente na realização de sua obra para Monsanto Nordeste S/A e notificará imediatamente ABB LGI sobre os custos financeiros reais incorridos de acordo com o Contrato. 1.2 ABB LGL notificará imediatamente ABB LGI sobre quaisquer deficiências no projeto e no material fornecido pela ABB LGI de acordo com o Contrato No. 10.006 e identificará o Escopo da Obra a ser realizada para reparar a deficiência. 1.3 Depois do recebimento do aviso da ABB LGI mencionado no parágrafo 1.2, ABB LGI autorizará ABB LGL a executar tal Obra exigida para reparar a deficiência. 1.4 Além da Obra descrita no parágrafo 1.2 ABB LGI poderá solicitar que ABB LGL execute obra auxiliar secundária referente às obrigações da ABB LGI com a Monsanto de acordo com os termos do Contrato Nº 10.006." 19.Do documento acima, constatase que a contribuinte foi contratada para realizar obras, especificadas nas cláusulas 1.1 a 1.4, bem como se tornava responsável pelo suporte financeiro, na realização dos serviços relativos às plantas de execução e química intermediária nas instalações da Monsanto Nordeste S.A 20. Dessa forma, a autuada assume inicialmente as despesas necessárias e realiza as obras, seja principal ou secundária, prestandolhe, assim, um serviço. 21. Logo, o valor recebido pela contribuinte não se trata de mero ressarcimento de despesas, mas sim de receita decorrente de prestação de serviços a outra empresa, que no caso é sua coligada. 22 Neste sentido são as lições de Hiromi Higuchi e outros, na Obra Imposto de Renda das Empresas — interpretação e prática (e. Publicações: São Paulo, p. 777/778, r edição): "Muitas empresas estão contabilizando incorretamente, como recuperação de despesas ou custos, as receitas de prestação de serviços para outras empresas do mesmo grupo. Assim, o departamento jurídico ou o centro de processamento de dados estão em uma empresa e prestam serviços para outras empresas do grupo. As despesas e os custos desses departamentos são rateados para as demais empresas do grupo mediante emissão de notas de débitos. Fl. 506DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 A nota de débito não é um documento idôneo para aquela finalidade. A nota de débito somente deve ser utilizada para transferir pagamento feito por uma empresa em nome de outra. Assim, se a empresa A paga salários de funcionários na empresa B, a empresa poderá emitir nota de débito para transferir o valor pago. O mesmo acontece quando uma empresa paga duplicata sacada contra outra empresa No caso de despesas ou custos, por exemplo, do departamento jurídico, entre várias empresas do mesmo grupo, o documento idôneo é a nota fiscal ou fatura de serviços. O valor da operação deve ser escriturado como receita operacional, com incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, assim como do ISS e não como recuperação de despesas e custos." 23.Portanto, somente se caracterizam como reembolso de despesas os valores revertidos em virtude de pagamentos de débitos em nome de outra empresa. 24. Ressaltese que todas as receitas, em significativa parcela de seu valor, representam nada mais que recuperação de custos ou despesas incorridos para sua obtenção, e tal característica em nada afeta a incidência das contribuições sobre o faturamento. 25. E, ainda que se afaste a caracterização de tais valores como receitas de serviços, cumpre considerar, que para as ocorrências verificadas após a edição da Lei n.° 9.718, de 1998, que a base de cálculo da COFINS passou a abranger todos os ingressos de recursos na empresa, independente da classificação contábil adotada, indicando especificamente as exclusões admitidas e, dentre elas, mencionando apenas as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas (art. 30, § 2°, inciso II), sem qualquer referência aos valores recebidos a titulo de outra forma de recuperação ou reembolso despesas". Foi por conta disso que a autoridade julgadora de primeira instância entendeu devida a contribuição. A meu sentir, as atividades acima mencionadas, caracterizamse como prestação de serviços pela autuada à pessoa domiciliada no exterior. Em outro giro, constam dos autos documentos demonstrando que tais valores foram recebidos em moeda estrangeira, cuja conversão foi regularmente efetuada por via bancária. De outro lado, a teor do inciso III do art. 14 da Medida Provisória 2.15835, de 24/08/2001, as receitas provenientes de serviços prestados a tomador sediado no exterior gozam de isenção quando o pagamento represente ingresso de divisas. “Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;” Fl. 507DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.002047/200415 Acórdão n.º 930301.660 CSRFT3 Fl. 494 13 Assim, não vejo razão para manter a exigência relativa às receitas dos serviços aludidos linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso fazendário. Henrique Pinheiro Torres Fl. 508DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10120.005574/2006-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
DESPESAS MÉDICAS — RECIBOS QUE ATENDEM AS EXIGÊNCIAS DA LEGISLAÇÃO — REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF —
OBRIGATORIEDADE.
Para rejeição de recibos médicos que atendem os requisitos da legislação, deve a autoridade autuante comprovar que os serviços não foram regularmente prestados ou pagos. Não se pode, simplesmente baseado em reiterada prática de dedução indevida de outras despesas pelo contribuinte, glosar àquelas que obedecem aos requisitos formais da legislação, sem um aprofundamento da investigação que desnude a inidoneidade dos recibos.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.775
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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Para rejeição de recibos médicos que atendem os requisitos da legislação, deve a autoridade autuante comprovar que os serviços não foram regularmente prestados ou pagos. Não se pode, simplesmente baseado em reiterada prática de dedução indevida de outras despesas pelo contribuinte, glosar àquelas que obedecem aos requisitos formais da legislação, sem um aprofundamento da investigação que desnude a inidoneidade dos recibos. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 09/11/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 154168), interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 10617.132 (fls. 624633) da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferido em 10 de outubro de 2008, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para excluir da base cálculo o valor de R$ 8.500,00 no ano calendário 2004, decorrente de glosa de despesas médicas, que segundo a administração tributária, não foram devidamente comprovadas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Ano calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: DESPESAS MÉDICAS — RECIBOS QUE ATENDEM AS EXIGÊNCIAS DA LEGISLAÇÃO — REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF — OBRIGATORIEDADE — Para rejeição de recibos médicos que atendem os requisitos da legislação, deve a autoridade autuante comprovar que os serviços não foram regularmente prestados ou pagos. Não se pode, simplesmente baseado em reiterada prática de dedução indevida de outras despesas pelo contribuinte, glosar àquelas que obedecem aos requisitos formais da legislação, sem um aprofundamento da investigação que desnude a inidoneidade dos recibos. Insurge a Procuradoria contra o acórdão atacado por entender que houve afronta à Lei n° 9.259/1995 e a Lei n° 8.134/ 1990 quanto à indevida dedução no Imposto de Renda Pessoa Física do contribuinte, tendo em vista a apresentação de recibos inidôneos para comprovar tais despesas médicas. Segundo a recorrente, os requisitos para a comprovação válida de dedução no IRPF, relativamente às despesas médicas, estão presentes no art. 8° da Lei n° 9250/1995. Senão vejamos: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.005574/200665 Acórdão n.º 920201.775 CSRFT2 Fl. 2 3 Art. 8o A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2o O disposto na alínea a do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV – não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V – no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. A Lei n° 8.134/1990 também dispõe sobre o tema em seu art. 8°. Vejamos: Art. 8o Na declaração anual (art. 9o), poderão ser deduzidos: I – os pagamentos feitos, no anobase, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; § 1o O disposto no inciso I deste artigo: b) restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte relativo ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 c) é condicionado a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas, de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Em seus argumentos, a Procuradoria da Fazenda Nacional defende que em nenhum dos recibos há comprovação dos serviços médicos informados pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, bem como restam dúvidas se o verdadeiro beneficiário dos tratamentos médicos era mesmo o contribuinte ou algum de seus dependentes. Por meio de análise preliminar, a i. Presidente da então Primeira Presidente da Sexta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso interposto por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade – despacho fls. 634 636. Em ContraRazões às fls. 310312, o contribuinte pugna pela manutenção do acórdão recorrido, tendo em vista a infração imputada estar baseada unicamente em suposições, sendo que a Fazenda Pública não pode condenar sem que existam provas inequívocas da infração cometida, sob pena de se perpetuar injustiça. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Conheço do recurso interposto por cercase dos requisitos necessários ao seu seguimento, conforme o disposto no art. 67 do Regimento Interno do CARF, passando, deste modo, a análise das razões recursais. Diante dos fatos narrados, pretende a Procuradoria o restabelecimento da glosa procedida pela autoridade lançadora, relativamente aos valores não comprovados com provas inequívocas do pagamento por serviços médicos, aduzindo que os simples recibos não se prestam a comprovar a efetividade e pagamento dos tratamentos. Por sua vez, a Câmara recorrida entendeu por bem afastar a pretensão fiscal, sob o argumento de que os recibos apresentados pela contribuinte seriam capazes de comprovar a efetividade e pagamento das despesas médicas em comento. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Diante dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase isento de falha, devendo ser mantido. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, cuja contrariedade foi apontada pela recorrente como requisito essencial à interposição do recurso ora em análise: “Lei nº 9.250/1995 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.005574/200665 Acórdão n.º 920201.775 CSRFT2 Fl. 3 5 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;” “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 [...]” Observese, que o legislador exigiu para a comprovação das despesas médicas apenas a indicação dos dados do pagamento, além daqueles do profissional prestador do serviço. Quis assim, que a Administração Tributária, com base nos dados oferecidos por ambos os contribuintes, estabelecesse a conexão das informações declaradas para a devida verificação de veracidade dos recibos apresentados. Na hipótese dos autos, o contribuinte comprovou o efetivo pagamento dos serviços médicos mediante apresentação dos recibos do profissional, devendo a Fazenda, desse modo, promover as diligências necessárias, junto ao profissional, a fim de comparar tais informações, conforme afirmado no voto condutor do acórdão recorrido: Os recibos vergastados pela fiscalização foram acostados aos autos na fase anterior á autuação (fls. 44 a 52), tendo o recorrente e sua esposa como beneficiários dos serviços, sendo: 05 recibos, no valor global de R$ 1.500,00, pagos à fisioterapeuta Elisangela C. Macedo; • 03 recibos, no valor global de R$ 1.500,00, pagos ao dentista Paulo Roberto Peixoto; • 03 recibos, no valor global de R$ 1.500,00, pagos à dentista Zilma Nascimento Peixoto; • 02 recibos, no valor global de R$ 1.000,00, pagos à fisioterapeuta Ana Flávia Alves e Silva; • 02 recibos, no valor global de R$ 3.000,00, pagos ao médico Wilson Geraldo Santos. Neste anocalendário, o contribuinte havia informado em sua declaração de ajuste anual um montante de despesas médicas de R$ 11.157,20, pagos a clinicas, hospitais e planos de saúde, não havendo qualquer identidade destes com os beneficiários dos pagamentos acima. A autoridade autuante glosou a maior parte da despesa médica (glosa de R$ 9.981,41), mantendo, apenas, um montante de R$ 1.175,79 pago à Unimed. Considerando que nenhum dos beneficiários acima nominados constaram na declaração do anocalendário 2004, a autoridade autuante não considerou quaisquer dessas despesas. Já a autoridade julgadora colocou sob suspeita os recibos acima, porque o contribuinte, intimado a comprovar as despesas médicas de beneficiários constantes em sua declaração de ajuste, comprovou despesas feitas com outros beneficiários. Ocorre que a fiscalização não poderia rechaçar os recibos das despesas médicas em debate, simplesmente pelo fato de o declarante ter confessado despesas outras, de beneficiários distintos. Caberia a fiscalização intimar os beneficiários dos recibos de fls. 44 a 52, objetivando comprovar, ou não, a prestação do serviço. Ainda, poderia ter intimado o declarante a comprovar o efetivo pagamento. Caso comprovado que o serviço não tinha sido prestado ou pago, poderseia, então, perpetrar a glosa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.005574/200665 Acórdão n.º 920201.775 CSRFT2 Fl. 4 7 Assim, ausente um aprofundamento da investigação para infirmar os recibos médicos em debate, considerando que estes preenchem os requisitos básicos do art. 46 da IN SRF n° 15/2001, nesta instância, somente resta acatálos como aptos a reduzir a base de cálculo do imposto de renda. Ante o exposto, devese reduzir a base de cálculo do imposto de renda do anocalendário 2004 em R$ 8.500,00 Não se pode inverter o ônus da prova, quando inexistir dispositivo legal assim contemplando, a partir de uma presunção legal. In casu, havendo dúvidas quanto à efetividade e ao pagamento dos serviços médicos prestados, caberia a fiscalização se aprofundar no exame das provas, intimando, inclusive, o profissional médico a prestar esclarecimentos, como ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir que os serviços médicos não foram prestados tão somente pelo fato do declarante ter confessado despesas outras, de beneficiários distintos, assim como descreveu o voto condutor do acórdão recorrido. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente a sujeição passiva, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decorre daí que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, com a inequívoca identificação do sujeito passivo, só podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção para a glosa de despesas médicas escoradas exclusivamente em recibos, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo para tanto, inclusive, intimar os prestadores de serviços para confirmar a idoneidade dos documentos ofertados pela contribuinte. A doutrina não discrepa dessas conclusões, consoante de infere dos ensinamentos de renomado doutrinador Alberto Xavier, em sua obra “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, nos seguintes termos: “ B) Dever de prova e “in dúbio contra fiscum” Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 (beweilöigkeit), esta deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quatitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. [...]” (Xavier, Alberto – Do lançamento no direito tributário brasileiro – 3ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2005) (grifos nossos) Outro não é o posicionamento do eminente professor Paulo de Barros Carvalho, que assim preleciona: “ Com a evolução da doutrina, nos dias atuais, não se acredita mais na inversão da prova por força da presunção de legitimidade dos atos administrativos e tampouco se pensa que esse atributo exonera a Administração de provar os ocorrências que afirmar terem existido. Na própria configuração oficial do lançamento, a lei institui a necessidade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado, o que significa dizer que o Fisco tem que oferecer prova contundente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa.” (CARVALHO, Paulo de Barro. Notas sobre a Prova no Procedimento Administrativo Tributário. In: SHOUERI, Luís Eduardo – cood. – Direito Tributário: Homenagem a Alcides Jorge Costa. São Paulo: Quartier Latin, 2003, v. II, p. 860) (grifamos) Por sua vez, a jurisprudência administrativa é firma e mansa nesse sentido, exigindo a comprovação por parte do fiscal autuante dos fatos imputados aos contribuintes, mormente quando o lançamento não se apoiar em presunções legais, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – Nas presunções simples é necessário que o fisco esgote o campo probatório. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incerteza. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do diposto no art. 112 do CTN.” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Acórdão nº 10706.229 – Sessão de 22/03/2001) “[...] IRPF – PRESUNÇÕES – Em matéria tributária as presunções admitidas somente se referem às expressamente autorizadas em lei, presentes os pressupostos legais exigíveis à sua sustentação. [...]” ( 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Acórdão nº 10416.433 – Sessão de 08/07/1998) “IRPF ATIVIDADE RURAL CONDOMÍNIO RENDIMENTOS OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRESUNÇÃO A obrigação tributária deflui da lei, não podendo criar imposição fiscal por mera presunção subjetiva da autoridade administrativa. Os rendimentos da atividade rural em condomínio devem ser tributados na proporção que couber a cada um, ex vi do artigo 13 da Lei n. 8.023/90, art. 13. Recurso Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.005574/200665 Acórdão n.º 920201.775 CSRFT2 Fl. 5 9 provido.” ( 2ª Câmara do 1º Conselho Contribuintes – Acórdão nº 10244022, Sessão de 08/12/1999) (grifamos) Não bastasse isso, a existência de eventual DÚVIDA, ao contrário do que sustenta a Procuradoria, só pode vir a beneficiar o acusado, qual seja, o contribuinte, em observância ao artigo 112 do CTN, que assim dispõe: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Assim, o Acórdão recorrido deve, desse modo, ser mantido para retirar da base de cálculo do IRPF , ano calendário 2004, o valor de R$ 8.500,00 decorrente da glosa das despesas médicas devidamente comprovadas, por meio de recibos que indicaram o valor pago, os dados e a assinatura do profissional prestador do serviço. Por todo o exposto, estando o Acórdão atacado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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