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Numero do processo: 10380.004951/2007-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS ART.
41 DA LEI N.º 8.212/1991 REVOGAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS
Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com fulcro na responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público no exercício da função pública, as multas por descumprimento de obrigação acessória aplicadas em processos administrativos pendentes de julgamento devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes
de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.542
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Fl. 60DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 16/06/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 61DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 16/06/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.004951/200769 Acórdão n.º 240300.542 S2C4T3 Fl. 61 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 52 a 57, apresentado contra Acórdão nº 12.18.069 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, fls. 38 a 44, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.083.0440, com ciência do sujeito passivo em 12.04.2007, às fls. 24, com valor consolidado de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 20 a 22, no período de 01/2004 a 12/2004, o Sr. Helano Coelho de Sousa, Presidente da Câmara Municipal do Município de Paraipaba CE, é pessoalmente responsável pelo descumprimento de obrigação acessória junto à Previdência Social do período de sua gestão com fulcro no art. 41 da Lei 8.212/1991 c/c o art. 289 do Decreto 3.048/1999, de forma que as multas decorrentes das infrações previstas na legislação previdenciária deverão ser imputadas na pessoa do dirigente do órgão ou entidade da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal, em relação ao período de sua gestão. Ainda segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 20 a 22, a Câmara Municipal do Município de Paraipaba CE não registra a sua movimentação contábil dos fatos geradores da contribuição previdenciária, em títulos próprios, ou seja, em elemento de despesa específico, ainda que para isso tenha que descer ao nível, de Subelemento: “Exemplo direto dessa contabilização indevida está na conta contábil abaixo, onde são registrados os dados citados: a)33903600 — SERVIÇOS DE TERCEIROS PESSOA FÍSICA — Nessa conta o órgão registra todos os pagamentos a pessoa física indiferentemente de estarem ou não sujeitos à incidência da contribuição previdenciária, tais como: COM INCIDÊNCIA — serviços prestados por contribuintes individuais das categorias de autônomos e transportadores autônomos; SEM INCIDÊNCIA — aluguel de imóvel contratado com pessoa física.” O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 34, foi lavrado pela Fiscalização contra o Recorrente como responsável nos termos do art. 41, Lei 8.212/1991, pela Câmara Municipal do Município de Paraipaba CE deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme o dispositivo legal infringido na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 Fl. 62DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 16/06/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. Ainda, o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 20 a 22, informa que não foi verificada a circunstância atenuante nem a circunstância agravante. A multa aplicada corresponde ao valor calculado na forma do art. 32, inciso II da lei 8.212/91, combinado com o art.225, inciso II e § 13 e art. 283, inciso II, alínea "a", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, de 06/05/1999, sendo definida pela Portaria do Ministério da Previdência Social nº 342, de 16/08/2006, no valor R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09375402F00, fls. 13, foi cientificado pelo contribuinte em 06.03.2007, via Aviso de Recebimento – AR nº 563324134BR, às fls. 17. O período objeto do auto de infração de obrigação acessória, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 20 a 22, é de 01/2004 a 12/2004. O Recorrente teve ciência do Auto de Infração nº. 37.083.0440, pelo Aviso de Recebimento – AR nº 318134350BR, às fls. 24. Contra a autuação, o Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 29 a 32, com Anexos às fls. 33. Após análise, a 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, fls. 38 a 44, emitiu o Acórdão nº 12.18.069 julgando procedente a autuação, Auto de Infração nº. 37.083.0440, e manteve a multa aplicada, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 02/04/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. SOLICITAÇÃO DE RELEVAÇÃO. PEDIDO DE PERÍCIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar de lançar em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. É requisito indispensável à relevação a comprovação da correção da falta. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que não atenda às formalidades da legislação. Lançamento Procedente. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 16/06/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.004951/200769 Acórdão n.º 240300.542 S2C4T3 Fl. 62 5 Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 52 a 57, na qual alega: 1. Relatório Fiscal desfundamentado – obstáculo intransponível ao exercício da ampla defesa. Especificamente sobre as omissões e defeitos no relatório de lançamento de débito em contribuições previdenciárias, comprometedores da ampla defesa. 2. O relatório fala de forma generalizada de descumprimento da legislação previdenciária por ter o recorrente deixado de registrar a sua movimentação contábil dos fatos geradores da contribuição previdenciária em títulos próprios, ou seja, em elemento de despesa específico, ainda que para isso tenha que descer ao nível de subelemento e não adotando também o regime de competência, não especificando quais seriam as omissões ou imperfeições. 3. Assim, em função da falta de fundamentação do lançamento, pois, obscuro, omisso e defeituoso o relatório, deve ser considerado insubsistente a DEBCAD n° 37.083.0440, porquanto prejudicado o exercício da ampla e irrestrita defesa do recorrente. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, com a informação da tempestividade do Recurso Voluntário, para análise e decisão, às fls. 59. É o Relatório. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 16/06/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 59. Superados os pressupostos, passo exame do mérito. DO MÉRITO DA ILEGITIMIDADE PASSIVA A infração objeto da presente autuação fiscal tem como descrição sumária o Recorrente, Sr. Helano Coelho de Sousa, Presidente da Câmara Municipal do Município de Paraipaba CE, como responsável nos termos do art. 41, Lei 8.212/1991, ter deixado de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme o dispositivo legal infringido na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. A legislação vigente a época da lavratura deste auto de infração de obrigação acessória determinava que, havendo o descumprimento da obrigação, a aplicação da penalidade pecuniária, auto de infração, seria imposta pessoalmente ao dirigente do órgão ou entidade, conforme dispõe o art. 41 da Lei n ° 8.212/1991: Art.41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos Fl. 65DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 16/06/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.004951/200769 Acórdão n.º 240300.542 S2C4T3 Fl. 63 7 desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Apesar de ser essa a legislação em vigor à época da lavratura do auto de infração, no entanto, a MP n.º 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 alterou este quadro normativo. O art. 41 da Lei n ° 8.212/1991, dispositivo legal que determinava a autuação pessoal do dirigente público, foi revogado de modo a que a responsabilidade pelo descumprimento de obrigações acessórias recai nos próprios entes públicos. De forma que o julgamento dos autos de infração dos gestores de órgãos públicos, deve observar o novo quadro normativo com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/20080, convertida na Lei 11.941/2009. Outrossim, diante deste novo quadro normativo com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 há que se considerar o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, com a verificação da situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No mesmo sentido, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CDA/CAT nº 190/2009, de 02/02/2009, aponta diretrizes quanto ao alcance da interpretação que deve ser adotada no âmbito da Administração Tributária: 22. Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em conseqüência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23. Em conseqüência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 16/06/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 Desta forma, para os dirigentes de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, a lei 8.212/1991 deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a nova redação da lei 8.212/1991 aos processos ainda não definitivamente julgados administrativamente que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para, NO MÉRITO, DAR LHE PROVIMENTO em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 16/06/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 14041.000382/2005-12
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004
DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A não-apresentação, ou a apresentação da DIF-Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.158-35.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.226
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não-apresentação, ou a apresentação da DIF-Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.158-35. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 10580.005551/2007-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO
FAMÍLIA INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO INCIDÊNCIA.
O salário família pago incondicionalmente pela empresa aos empregados em desacordo com a legislação previdenciária é salário e assim incide contribuição previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida.
Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação.
Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.598
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO FAMÍLIA INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO INCIDÊNCIA. O salário família pago incondicionalmente pela empresa aos empregados em desacordo com a legislação previdenciária é salário e assim incide contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida. Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Recurso Voluntário Negado.
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO FAMÍLIA INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO INCIDÊNCIA. O saláriofamília pago incondicionalmente pela empresa aos empregados em desacordo com a legislação previdenciária é salário e assim incide contribuição previdenciária. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida. Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 420 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 394 a 416, apresentado contra Acórdão nº 1516.266 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador BA, fls. 388 a 390, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.018.2723, no montante de R$ 360.079,04 (trezentos e sessenta mil, setenta e nove reais e quatro centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 28 a 31, o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social: (i) devidas ou creditadas aos seus trabalhadores (agentes públicos empregados) para retribuir o trabalho (contribuição prevista no art. 22, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991). (ii) devidas pelos segurados agentes públicos e empregados (a Prefeitura não possui regime próprio de Previdência, conforme Lei Municipal apresentada) e empregados que prestaram serviços à Prefeitura aqui notificada, contribuições estas que foram arrecadadas mediante desconto na remuneração, e não foram recolhidas (contribuição prevista no artigo 20 e obrigação de arrecadar e recolher constante do art. 30, inciso I, alíneas "a" e "b", da Lei n°8.212, de 24/07/1991). (iii)Contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social para os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (contribuição prevista no art. 22, inciso II, da Lei n°8.212, de 24/07/1991). Ademais, o Relatório Fiscal, fls. 28 a 31, informa que a Recorrente não dispõe de Regime Próprio de Previdência, estando todos os trabalhadores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social (Lei Municipal n° 1.099/2002). O Relatório Fiscal, fls. 28 a 31, informa que: Os fatos geradores do crédito previdenciário lançado nesta NFLD decorrem das contribuições sociais descritas no item 2 deste REFISC, pertencente ao levantamento SF — SALÁRIO FAMÍLIA EM DES COM LEI. Contribuições estas que a Prefeitura deixou de recolher. O não recolhimento foi motivado pelo fato de que a Prefeitura considerou as rubricas 1146 — Abono familiar, 1147 — SalárioFamília, 1148 — Sal. Família Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 4 Retroativo e 1149 — Abono familiar retroativo como parcelas salariais sobre as quais não incidem contribuição previdenciária. De fato, o saláriofamília é um benefício concedido pela Previdência aos trabalhadores empregados, pago pela empresa e deduzido do valor de seu débito para com a Previdência, condicionado aos requisitos estabelecidos pela Legislação. Entre estes requisitos estão os estabelecidos pelo artigo 84 do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) quais sejam apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade, e comprovação semestral de freqüência à escola do filho ou equiparado, a partir dos sete anos de idade. Todavia, a Prefeitura não vem exigindo dos segurados a quem paga o saláriofamília, os comprovantes de vacinação, nem a comprovação de freqüência escolar, nos termos acima descritos. Desta forma, o saláriofamília pago incondicionalmente pela empresa aos empregados, em desacordo com a Legislação da Previdência é salário e assim incide contribuição previdenciária, sendo este o fato gerador do presente lançamento. Ressaltase que a Prefeitura não apresentou nenhum comprovante de vacinação, nem termo de responsabilidade e comprovação de freqüência escolar dos filhos de segurados que recebem saláriofamília. Assim, além de terem sido glosados todas as deduções relativa ao saláriofamília na GFIP, o somatório de todo o valor pago foi utilizado como base de cálculo para as contribuições previdenciárias, objeto deste levantamento. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09347568F00, foi de 01/2005 a 10/2006, às fls. 21. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 09, é de 01/2005 a 10/2006. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 21.12.2006, conforme Aviso de Recebimento – AR 005836104BR, às fls. 114. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 61 a 92, com Anexos às fls. 93 a 366, alegando em síntese que a glosa saláriofamília é descabida haja vista que colaciona comprovantes de vacinação e freqüência dos filhos ou equiparados que percebem ou perceberam salário família, às fls. 98 a /362, com o fito de comprovar suas alegações. Houve requisição de diligência fiscal para o Serviço de Fiscalização, às fls. 367 a 368, a fim de que sejam atendidos os seguintes pontos: a) Analisar a documentação anexada aos autos (fls. 98/362) com o fito de atestar se o contribuinte atendeu todos os requisitos, do art. 67, da Lei n.° 8.213/91 c/c o art. 84, do Decreto n.° 3.048/99, necessários à concessão do saláriofamília, haja vista que este julgador não poderá fazêlo, pois o Relatório Fiscal do Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 421 5 presente crédito não consta relação detalhada dos segurados para os quais as glosas foram feitas; b) Na hipótese de retificação do valor do crédito ora apurado, elaborar planilha de cálculo discriminando os valores excluídos; c) Como a glosa da dedução do saláriofamília foi no valor de RS 52.369,50, conforme consta do Relatório de Lançamentos da NFLD n.° 37.018.2715 (fls. 06, do referido documento) e em GFIP da competência 08/2006, conforme extrato anexado, justificar a inclusão do valor de R$ 53.369,50 (fls. 08), e não o valor da glosa já referido (R$ 52.369,50), como salário de contribuição na presente NFLD. Em outras palavras, explicar a diferença de R$ 1.000,00 da base de cálculo lançada para a competência 08/2006. Em resposta, houve a Informação Fiscal da autoridade fiscal responsável pela AuditoriaFiscal, às fls. 374 a 375: (...) 2. Sobre a documentação anexada, é importante que se repita a informação contida na parte final do item 3. "FATOS GERADORES E PERÍODO DO LANÇAMENTO" do Relatório Fiscal da NFLD (fl.29), de que a Prefeitura, durante todo o trabalho da fiscalização (que perdurou desde a ciência do MPF e do TIAD, em 25/10/2006 até a conclusão da fiscalização, com lavratura desta NFLD, em 12/12/2006), não apresentou "nenhum comprovante de vacinação, nem termo de responsabilidade e comprovação de freqüência escolar dos filhos de segurados que recebem saláriofamília", Ademais, a cobrança pela documentação relativa a concessão do saláriofamília não se restringiu ao TIAD. Freqüentemente a fiscalização interrogava verbalmente o Pessoal, citado no Relatório Fiscal, que atendeu à fiscalização, pela dita documentação, até que os Servidores do Departamento Pessoal confessasse que a Prefeitura não vinha tendo este controle. Prova disso é que no dia 14 de dezembro de 2006, após a conclusão da ação fiscal, a Prefeitura expediu a CI Circular n° 57/GS (cópia juntada pela defesa à fl. 304), exigindo dos servidores que recebem saláriofamília,"cartão de vacina ou comprovante de matrícula escolar dos dependentes". Assim, explicase o motivo pelo qual todas as remunerações pagas a título de "abono familiar, saláriofamília, sal. Família retroativo e abono familiar retroativo foram somadas, de forma a constituir a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas nesta NFLD. 3. Entretanto, a documentação providenciada às pressas, dentro do prazo de defesa, e carreada ao processo, não satisfaz os requisitos necessários para a concessão do saláriofamília, senão vejamos: 3.1. O artigo 89 do Decreto 3.048/99 assim dispõe: "Para efeito de concessão e manutenção do saláriofamília, o segurado deve Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 6 firmar termo de responsabilidade, no qual se comprometa a comunicar à empresa ou ao Instituto Nacional do Seguro Social qualquer fato ou circunstância que determine a perda do direito ao benefício, ficando sujeito, em caso do não cumprimento, às sanções penais e trabalhistas". Percebese, pela documentação apresentada, que a Prefeitura não providenciou de seus servidores o referido termo; 3.2 .0 artigo 84 deste mesmo Decreto condiciona o pagamento do saláriofamília, e não do "abono familiar, sal, família retroativo e abono familiar retroativo” à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade, e de comprovação semestral de freqüência à escola do filho ou equiparado, a partir dos sete anos de idade". Com relação à comprovação semestral de freqüência escolar, a Prefeitura juntou ao processo declaração de matrícula escolar datada já em 2007, ou no final de 2006 (fl. 102, 103, etc). Ora, o lançamento referese às contribuições devidas no período de janeiro de 2005 a outubro de 2006. Portanto, declaração de matrícula do final do ano de 2006 ou já de 2007 não comprova freqüência escolar do período fiscalizado; 3.3 Na tentativa desvairada em apenas fulminar o lançamento, a defesa juntou ao processo (fls. 166/169) fichas financeiras dos anos de 2005 a 2006, pertencente ao funcionário Gilmar dos Anjos Silva, com informação de valor de "abono familiar" variando entre R$ 42,27 a R$ R$ 89,32 e, no entanto, juntou somente uma Certidão de Nascimento e uma Carteira de vacinação, relativa a este funcionário, comprovando nascimento da criança em 09/11/2006 (fls. 170/171). Desta forma, o salário família, relativo a este dependente só seria devido a partir da competência novembro de 2006. A competência final do lançamento é outubro de 2006. 3.4 A precariedade segue, à medida que, juntou, por exemplo, ficha financeira e carteira de vacinação do funcionário Ivan Silva Lima, sem a respectiva Certidão de Nascimento; 3.5 Pelo exposto, a documentação anexada é precária, uma vez que não cumpre os requisitos da Legislação apontada, sem eficácia, portanto, para alterar qualquer valor deste lançamento. 4. Quanto à inclusão de R$ 53.369,50 (cinqüenta e três mil, trezentos e sessenta e nove reais e cinqüenta centavos) na base de cálculo, referente à competência 08/2006, este valor foi extraído da folha de pagamento e não da GFIP. Embora a Prefeitura tenha informado na GFIP R$ 52.369,50 (cinqüenta e dois mil, trezentos e sessenta e nove reais e cinqüenta centavos), mesma quantia que foi glosada, o valor lançado é o da folha de pagamento e engloba, como acima mencionado, "abono familiar, saláriofamília, sal. Família retroativo e abono familiar retroativo. Ressaltase, ainda, que os valores das bases de cálculos lançadas nesta NFLD não seguem, à risca, os mesmos valores informados na GFIP a titulo de dedução de saláriofamília, e que foram glosados pela fiscalização. Para melhor esclarecimento, segue cópia do resumo da folha, em anexo. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 422 7 A Recorrente teve ciência da Informação Fiscal, às fls. 377 a 379, para a conseqüente reabertura de prazo para a Recorrente se manifestar. Às fls. 381 a 386, há a manifestação da Recorrente, em apertada síntese: “(...) É oportuno salientar, por outra banda, que o Município de Vitória da Conquista tem mais de 5.000 (cinco) mil servidores, o que, inevitavelmente, é factível de ocorrer problemas documentais com alguns de seus servidores. Este ponto, inclusive, reforça a inexatidão da manifestação do auditor que pinçou pouquíssimos casos em que teoricamente haveria deficiência na documentação apresentada para invalidar todo o lastro probatório trazido pelo Impugnante, o que, obviamente, não pode ser aceito em qualquer hipótese. Restou patente, portanto, que a documentação entregue pelo Impugnante não foi analisada pelo auditor que, por amostragem, escolheu pouquíssimos servidores para demonstrar a suposta deficiência na comprovação dos requisitos ensejadores do pagamento do salário família, inflando, desta maneira, o débito do Município. Obviamente que tal situação não pode prosperar, haja vista que no processo administrativo tributário não se busca uma cobrança desenfreada, mas apenas as obrigações tributárias impagas pelo contribuinte.” A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme o Acórdão nº 1516.266 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador BA, fls. 388 a 390, com a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COTA PATRONAL. SEGURADOS EMPREGADOS. SAT. GLOSA DE SALÁRIO FAMÍLIA. É devida a contribuição dos segurados empregados consoante preceitua o inciso I, do art. 22, da Lei n.° 8.212/91. É devido o SAT, consoante preceitua o inciso II, do art. 22, da Lei n.° 8.212/91. Os valores pagos indevidamente a título de saláriofamília, deduzidos no recolhimento de contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre folha de pagamento, devem ser Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 8 glosados pela fiscalização quando pago em desacordo com a Lei n.° 8.213/91 e o Decreto n.° 3.048/99. Lançamento Procedente Ainda assim, anotese que a decisão 1ª instância em relação à glosa de saláriofamília, assim se manifestou: Com relação às rubricas 1146 — Abono Familiar, 1147 — Salário Família, 1148 — Salário Família retroativo e 3040 — Salário Família, restou demonstrado que o Município de Vitória da Conquista — Prefeitura Municipal não cumpriu com os requisitos legais e regulamentares exigidos para o pagamento do saláriofamília, uma vez que a fiscalização se manifestou (fls. 585/586) no sentido de que as deduções são irregulares e não devem ser consideradas ante a ausência dos requisitos legais e regulamentares necessários para a sua concessão e dedução do cômputo das contribuições previdenciárias, consoante art. 67, da Lei n.° 8.213/91 e arts. 84 e 89, do Decreto n.° 3.048/99, haja vista que o termo de responsabilidade, ato que embasa a concessão e firma o compromisso de comunicar ao sujeito passivo ou ao INSS sobre a ocorrência de qualquer fato que implique a perda do direito ao beneficio, não consta dos autos. Ademais, cabe registrar que o referido termo de responsabilidade não é um mero capricho ou formalidade burocrática exigido pelo art. 89, do Decreto n° 3.048/99, uma vez que o fundamento maior da concessão do beneficio salário família, nos dia de hoje, é a preservação e incentivo à maternidade e paternidade responsáveis, conforme preceitua o art. 227, da Constituição Federal de 1988. Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 394 a 416, onde alega, em apertada síntese: Dos fatos. Entendeu o autuante que o pagamento de salário família pelo Município não estava respaldado na documentação necessária para a concessão do benefício, qual seja, comprovação da vacinação obrigatória e freqüência escolar. Deste modo, como a verba paga aos funcionários, segundo a ótica do auditor, não poderia ser caracterizada como benefício previdenciário, tratavase, em realidade, de parcela salarial sobre a qual deveriam recair as contribuições previdenciárias. Em sede preliminar. (i) DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO. FALTA DE MENÇÃO DO DISPOSITIVO TIDO POR INFRIGIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 423 9 Como se anunciou, o Recorrente foi autuado pela hipotética inobservância dos requisitos legais e regulamentares para a concessão do benefício do saláriofamília. Ocorre, entretanto, que no Fundamento Legais do Débito – FLD não se mencionou quais seriam os dispositivos infringidos pelo contribuinte para que o fiscal desconsiderasse os pagamentos feitos sobre a rubrica de saláriofamília. O mais interessante é que, posteriormente, foram os dispositivos citados pelos nobres julgadores como fundamento para afastar a impugnação levada a cabo pelo Recorrente, como se percebe no trecho da decisão guerreada. (ii). DA NULIDADE DO LANÇAMENTO: ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. Para sua surpresa, entretanto, o julgamento de primeiro grau, em completa desconformidade com o Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, confirmou a autuação sob um novo fundamento o de não teriam sido coligidos aos autos os termos de responsabilidade que embasam a concessão do saláriofamília. (iii) DA NULIDADE DO JULGAMENTO EM PRIMEIRO GRAU. É de se observar também um erro no procedimento que contaminou a decisão da primeira instância administrativa, na medida em que o contribuinte não foi sequer intimado da data do julgamento. Não se alegue que não existe irregularidade em tal fato, pois tal afirmativa se contraporia a garantia estampada na Carta vigente, a qual impôs a observância do devido processo legal nos processos administrativos, tendo como corolário o princípio da ampla defesa. No Mérito: (iv) COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DA CONCESSÃO DO SALÁRIOFAMÍLIA. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDIR SOBRE TAL VERBA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Ainda que se ultrapasse as questões postas, não se pode manter a decisão de piso, na medida em que o Recorrente cumpriu todas as diligências necessárias para a concessão do saláriofamília aos seus servidores. Como se disse alhures, entendeu o autuante que o pagamento de saláriofamília pelo Município não estava Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 10 respaldado na documentação necessária para a concessão do benefício, qual seja, comprovação da vacinação obrigatória e freqüência escolar. Deste modo, como a verba paga aos funcionários, segundo a ótica do auditor, não poderia ser caracterizada como benefício previdenciário, tratavase, em realidade, de parcela salarial sobre a qual deveriam recair as contribuições previdenciárias. Entretanto, o Recorrente trouxe à colação os documentos que comprovam que o pagamento pelo Município do saláriofamília, nas competências de 01/2005 a 10/2006, atendeu aos pressupostos estabelecidos em lei, motivo pelo qual não tem como subsistir a atuação levada a cabo pela presente NFLD. (v) DA ULULANTE NATUREZA PÚBLICA DO AUTUADO. EXTENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA PREVISTA NO ART. 150, VI, "A", DA CF/88. (vi) FEDERALISMO COOPERATIVO. EXTENSÃO DA IMUNIDADE A QUALQUER ESPÉCIE TRIBUTÁRIA (vii) DAS IRREGULARIDADES QUE PERMEIAM A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA COBRANÇA. (vii.1) DA OFENSA AOS ARTS. 150, I E 68, 4 1. 0 , DA CF/88 C/C ART. 25, INCISO 1, DO ADCT. (vii.2) DO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE OFENSA AO ART. 154, I, DA CF/88. (vii.3) DA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA E DA TIPICIDADE C.F., ARTS. 5.°, II E 150, 1 CTN, ARTS. 3.° , 9.° , 7•° , 97 E 99, DO CTN. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 418. É o Relatório. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 424 11 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 418. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (i) DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO. FALTA DE MENÇÃO DO DISPOSITIVO TIDO POR INFRIGIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O Recorrente argumenta: Como se anunciou, o Recorrente foi autuado pela hipotética inobservância dos requisitos legais e regulamentares para a concessão do benefício do saláriofamília. Ocorre, entretanto, que no Fundamento Legais do Débito – FLD não se mencionou quais seriam os dispositivos infringidos pelo contribuinte para que o fiscal desconsiderasse os pagamentos feitos sobre a rubrica de saláriofamília. O mais interessante é que, posteriormente, foram os dispositivos citados pelos nobres julgadores como fundamento para afastar a impugnação levada a cabo pelo Recorrente, como se percebe no trecho da decisão guerreada. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 12 Analisemos. Foi realizada AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 28 a 31, que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social: (i) devidas ou creditadas aos seus trabalhadores (agentes públicos empregados) para retribuir o trabalho (contribuição prevista no art. 22, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991). (ii) devidas pelos segurados agentes públicos e empregados (a Prefeitura não possui regime próprio de Previdência, conforme Lei Municipal apresentada) e empregados que prestaram serviços à Prefeitura aqui notificada, contribuições estas que foram arrecadadas mediante desconto na remuneração, e não foram recolhidas (contribuição prevista no artigo 20 e obrigação de arrecadar e recolher constante do art. 30, inciso I, alíneas "a" e "b", da Lei n°8.212, de 24/07/1991). (iii)Contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social para os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (contribuição prevista no art. 22, inciso II, da Lei n°8.212, de 24/07/1991). Ademais, o Relatório Fiscal, fls. 28 a 31, informa que os fatos geradores do crédito previdenciário lançado nesta NFLD decorrem das contribuições sociais descritas no item 2 deste REFISC, pertencente ao levantamento SF — SALÁRIOFAMÍLIA EM DES COM LEI. Contribuições estas que a Prefeitura deixou de recolher. O não recolhimento foi motivado pelo fato de que a Prefeitura considerou as rubricas 1146 — Abono familiar, 1147 — SalárioFamília, 1148 — Sal. Família Retroativo e 1149 — Abono familiar retroativo como parcelas salariais sobre as quais não incidem contribuição previdenciária. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.018.2723 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.018.2723) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 425 13 IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; O Recorrente teve ciência da NFLD no dia 21.12.2006, conforme o Aviso de Recebimento – AR às fls. 114. Desta forma, a ciência do sujeito passivo por Aviso de Recebimento – AR ocorreu nestes termos do art. 662, II da IN MPS/SRP n° 03/2005: IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 662. O sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma: I pessoalmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, comprovandose o recebimento mediante a assinatura do representante legal ou do mandatário; II por via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; ou III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, ocorrendo recusa de recebimento dos documentos, o AFPS deixará a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência e registrará, em todas as vias, a expressão "recusouse a assinar" seguida da identificação do responsável pela recusa, considerandose, dessa forma, cientificado o sujeito passivo. § 2º Quando da ciência pessoal a mandatário do sujeito passivo será juntada cópia autenticada da procuração, que deverá, em se tratando de instrumento particular, conter firma reconhecida do representante legal. § 3º Na hipótese do inciso II do caput, o encaminhamento dos documentos deverá ser efetuado, preferencialmente, em até três dias após a lavratura da NFLD ou do AI, considerandose cientificado o sujeito passivo na data do efetivo recebimento ou, se omitida a mencionada data do recebimento, quinze dias após a data da expedição da intimação. § 4º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II do caput não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 14 § 5º Na hipótese do inciso III do caput, o edital será publicado uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência do órgão encarregado da intimação, franqueada ao público, considerandose cientificado o sujeito passivo quinze dias após a publicação ou afixação do edital. § 6º A ciência ao órgão do poder público farseá mediante ofício encaminhado ao seu dirigente, subscrito pelo Delegado da Receita Previdenciária circunscricionante do órgão. § 7º No procedimento fiscal em empresa sob regime especial de falência, se o síndico ou administrador judicial renunciou ou foi destituído do cargo, não tendo sido nomeado o substituto, a remessa da NFLD farseá mediante ofício ao juízo da falência. § 8º O sujeito passivo é obrigado a manter atualizado o endereço perante o respectivo órgão previdenciário, sob pena de serem tidas como eficazes as notificações encaminhadas ao endereço anterior. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); Fl. 14DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 426 15 c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. RDA – Relatório de Documentos Apresentados (Este relatório relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificação anteriores.) f. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); g. CORESP – Relação de CoResponsáveis (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação) h. VÍNCULOS – Relação de Vínculos (Este relatório lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente) i. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; j. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos; k. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal; l. REFISC – Relatório Fiscal; Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 16 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.018.2723, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela não menção do dispositivo tido por infrigido. (ii). DA NULIDADE DO LANÇAMENTO: ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A Recorrente argumenta: Para sua surpresa, entretanto, o julgamento de primeiro grau, em completa desconformidade com o Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, confirmou a autuação sob um novo fundamento o de não teriam sido coligidos aos autos os termos de responsabilidade que embasam a concessão do saláriofamília. Analisemos. De plano, não se confere razão à Recorrente porque o julgamento de primeiro grau não inovou em nova fundamentação (“o de não teriam sido coligidos aos autos os termos de responsabilidade que embasam a concessão do saláriofamília”), pois a AuditoriaFiscal, no Fl. 16DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 427 17 corpo do Relatório Fiscal às fls. 29 no item 3, já fez expressa menção aos termos de responsabilidade, conforme se observa: “(...) 3. FATOS GERADORES E PERÍODO DO LANÇAMENTO O período dos lançamentos é de 01/2005 a 10/2006. Os fatos geradores do crédito previdenciário lançado nesta NFLD decorrem das contribuições sociais descritas no item 2 deste REFISC, pertencente ao levantamento SF — SALÁRIO FAMÍLIA EM DES COM LEI. Contribuições estas que a Prefeitura deixou de recolher. O não recolhimento foi motivado pelo fato de que a Prefeitura considerou as rubricas 1146 — Abono familiar, 1147 — SalárioFamília, 1148 — Sal. Família Retroativo e 1149 — Abono familiar retroativo como parcelas salariais sobre as . „quais não incidem contribuição previdenciária. De fato, o saláriofamília é um benefício concedido pela Previdência aos trabalhadores empregados, pago pela empresa e deduzido do valor de seu débito para com a Previdência, condicionado aos requisitos estabelecidos pela Legislação. Entre estes requisitos estão os estabelecidos pelo artigo 84 do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) quais sejam apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade, e comprovação semestral de freqüência à escola do filho ou equiparado, a partir dos sete anos de idade. Todavia, a Prefeitura não vem exigindo dos segurados a quem paga o saláriofamília, os comprovantes de vacinação, nem a comprovação de freqüência escolar, nos termos acima descritos. Desta forma, o saláriofamília pago incondicionalmente pela empresa aos empregados, em desacordo com a Legislação da Previdência é salário e assim incide contribuição previdenciária, sendo este o fato gerador do presente lançamento. Ressaltase que a Prefeitura não apresentou nenhum comprovante de vacinação, nem termo de responsabilidade e comprovação de freqüência escolar dos filhos de segurados que recebem saláriofamília. Assim, além de terem sido glosados todas as deduções relativa ao saláriofamília na GFIP, o somatório de todo o valor pago foi utilizado como base de cálculo para as contribuições previdenciárias, objeto deste levantamento.” (gn) Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade do lançamento por alteração do fundamento da autuação. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 18 (iii) DA NULIDADE DO JULGAMENTO EM PRIMEIRO GRAU. A Recorrente argumenta: É de se observar também um erro no procedimento que contaminou a decisão da primeira instância administrativa, na medida em que o contribuinte não foi sequer intimado da data do julgamento. Não se alegue que não existe irregularidade em tal fato, pois tal afirmativa se contraporia a garantia estampada na Carta vigente, a qual impôs a observância do devido processo legal nos processos administrativos, tendo como corolário o princípio da ampla defesa. Analisemos. A argumentação da Recorrente de que não foi sequer intimado da data do julgamento de primeira instância não tem o condão de prosperar porque o art. 25, I, Decreto 70.235/1972 dispõe que o julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete, em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Decreto 70.235/1972: Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Iem primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação, aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Fl. 18DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 428 19 Desta forma, sendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento um órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 25, I, Decreto 70.235/1972, não se configura a ofensa ao devido processo legal no processo administrativo pela não intimação da Recorrente em relação à data do julgamento de primeira instância. Ademais, o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Fl. 19DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 20 Ainda assim, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NO MÉRITO. (iv) COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DA CONCESSÃO DO SALÁRIOFAMÍLIA. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDIR SOBRE TAL VERBA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A Recorrente argumenta: Ainda que se ultrapasse as questões postas, não se pode manter a decisão de piso, na medida em que o Recorrente cumpriu todas as diligências necessárias para a concessão do saláriofamília aos seus servidores. Como se disse alhures, entendeu o autuante que o pagamento de saláriofamília pelo Município não estava respaldado na documentação necessária para a concessão do benefício, qual seja, comprovação da vacinação obrigatória e freqüência escolar. Deste modo, como a verba paga aos funcionários, segundo a ótica do auditor, não poderia ser caracterizada como benefício previdenciário, tratavase, em realidade, de parcela salarial sobre a qual deveriam recair as contribuições previdenciárias. Entretanto, o Recorrente trouxe à colação os documentos que comprovam que o pagamento pelo Município do saláriofamília, nas competências de 01/2005 a 10/2006, atendeu aos pressupostos estabelecidos em lei, motivo pelo qual não tem como subsistir a atuação levada a cabo pela presente NFLD. Analisemos. Os fatos geradores do crédito previdenciário lançado, conforme o Relatório Fiscal, às fls. 28 a 31, decorrem das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados na forma de saláriofamília em desacordo com os requisitos estabelecidos no art. 84, Decreto 3.048/1999. O art. 84, Decreto 3.048/1999: Art.84.O pagamento do saláriofamília será devido a partir da data da apresentação da certidão de nascimento do filho ou da Fl. 20DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 429 21 documentação relativa ao equiparado, estando condicionado à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade, e de comprovação semestral de freqüência à escola do filho ou equiparado, a partir dos sete anos de idade. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §1ºA empresa deverá conservar, durante dez anos, os comprovantes dos pagamentos e as cópias das certidões correspondentes, para exame pela fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social, conforme o disposto no §7º do art. 225. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §2ºSe o segurado não apresentar o atestado de vacinação obrigatória e a comprovação de freqüência escolar do filho ou equiparado, nas datas definidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, o benefício do saláriofamília será suspenso, até que a documentação seja apresentada.(Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §3ºNão é devido saláriofamília no período entre a suspensão do benefício motivada pela falta de comprovação da freqüência escolar e o seu reativamento, salvo se provada a freqüência escolar regular no período.(Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §4ºA comprovação de freqüência escolar será feita mediante apresentação de documento emitido pela escola, na forma de legislação própria, em nome do aluno, onde consta o registro de freqüência regular ou de atestado do estabelecimento de ensino, comprovando a regularidade da matrícula e freqüência escolar do aluno.(Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Por outro lado, a Recorrente aduz que trouxe à colação os documentos que comprovam que o pagamento pelo Município do saláriofamília, nas competências de 01/2005 a 10/2006, atendeu aos pressupostos estabelecidos em lei. Em relação aos documentos acostados aos autos pela Recorrente, houve requisição de diligência fiscal para o Serviço de Fiscalização, às fls. 367 a 368, a fim de que fossem atendidos os seguintes pontos: a) Analisar a documentação anexada aos autos (fls. 98/362) com o fito de atestar se o contribuinte atendeu todos os requisitos, do art. 67, da Lei n.° 8.213/91 c/c o art. 84, do Decreto n.° 3.048/99, necessários à concessão do saláriofamília, haja vista que este julgador não poderá fazêlo, pois o Relatório Fiscal do presente crédito não consta relação detalhada dos segurados para os quais as glosas foram feitas; b) Na hipótese de retificação do valor do crédito ora apurado, elaborar planilha de cálculo discriminando os valores excluídos; c) Como a glosa da dedução do saláriofamília foi no valor de RS 52.369,50, conforme consta do Relatório de Lançamentos da Fl. 21DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 22 NFLD n.° 37.018.2715 (fls. 06, do referido documento) e em GFIP da competência 08/2006, conforme extrato anexado, justificar a inclusão do valor de R$ 53.369,50 (fls. 08), e não o valor da glosa já referido (R$ 52.369,50), como salário de contribuição na presente NFLD. Em outras palavras, explicar a diferença de R$ 1.000,00 da base de cálculo lançada para a competência 08/2006. Em resposta, houve a Informação Fiscal da autoridade fiscal responsável pela AuditoriaFiscal, às fls. 374 a 375: (...) 2. Sobre a documentação anexada, é importante que se repita a informação contida na parte final do item 3. "FATOS GERADORES E PERÍODO DO LANÇAMENTO" do Relatório Fiscal da NFLD (fl.29), de que a Prefeitura, durante todo o trabalho da fiscalização (que perdurou desde a ciência do MPF e do TIAD, em 25/10/2006 até a conclusão da fiscalização, com lavratura desta NFLD, em 12/12/2006), não apresentou "nenhum comprovante de vacinação, nem termo de responsabilidade e comprovação de freqüência escolar dos filhos de segurados que recebem saláriofamília", Ademais, a cobrança pela documentação relativa a concessão do saláriofamília não se restringiu ao TIAD. Freqüentemente a fiscalização interrogava verbalmente o Pessoal, citado no Relatório Fiscal, que atendeu à fiscalização, pela dita documentação, até que os Servidores do Departamento Pessoal confessasse que a Prefeitura não vinha tendo este controle. Prova disso é que no dia 14 de dezembro de 2006, após a conclusão da ação fiscal, a Prefeitura expediu a CI Circular n° 57/GS (cópia juntada pela defesa à fl. 304), exigindo dos servidores que recebem saláriofamília,"cartão de vacina ou comprovante de matrícula escolar dos dependentes". Assim, explicase o motivo pelo qual todas as remunerações pagas a título de "abono familiar, saláriofamília, sal. Família retroativo e abono familiar retroativo foram somadas, de forma a constituir a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas nesta NFLD. 3. Entretanto, a documentação providenciada às pressas, dentro do prazo de defesa, e carreada ao processo, não satisfaz os requisitos necessários para a concessão do saláriofamília, senão vejamos: 3.1. O artigo 89 do Decreto 3.048/99 assim dispõe: "Para efeito de concessão e manutenção do saláriofamília, o segurado deve firmar termo de responsabilidade, no qual se comprometa a comunicar à empresa ou ao Instituto Nacional do Seguro Social qualquer fato ou circunstância que determine a perda do direito ao benefício, ficando sujeito, em caso do não cumprimento, às sanções penais e trabalhistas". Percebese, pela documentação apresentada, que a Prefeitura não providenciou de seus servidores o referido termo; 3.2 .0 artigo 84 deste mesmo Decreto condiciona o pagamento do saláriofamília, e não do "abono familiar, sal, família retroativo e abono familiar retroativo” à apresentação anual de Fl. 22DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 430 23 atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade, e de comprovação semestral de freqüência à escola do filho ou equiparado, a partir dos sete anos de idade". Com relação à comprovação semestral de freqüência escolar, a Prefeitura juntou ao processo declaração de matrícula escolar datada já em 2007, ou no final de 2006 (fl. 102, 103, etc). Ora, o lançamento referese às contribuições devidas no período de janeiro de 2005 a outubro de 2006. Portanto, declaração de matrícula do final do ano de 2006 ou já de 2007 não comprova freqüência escolar do período fiscalizado; 3.3 Na tentativa desvairada em apenas fulminar o lançamento, a defesa juntou ao processo (fls. 166/169) fichas financeiras dos anos de 2005 a 2006, pertencente ao funcionário Gilmar dos Anjos Silva, com informação de valor de "abono familiar" variando entre R$ 42,27 a R$ R$ 89,32 e, no entanto, juntou somente uma Certidão de Nascimento e uma Carteira de vacinação, relativa a este funcionário, comprovando nascimento da criança em 09/11/2006 (fls. 170/171). Desta forma, o salário família, relativo a este dependente só seria devido a partir da competência novembro de 2006. A competência final do lançamento é outubro de 2006. 3.4 A precariedade segue, à medida que, juntou, por exemplo, ficha financeira e carteira de vacinação do funcionário Ivan Silva Lima, sem a respectiva Certidão de Nascimento; 3.5 Pelo exposto, a documentação anexada é precária, uma vez que não cumpre os requisitos da Legislação apontada, sem eficácia, portanto, para alterar qualquer valor deste lançamento. 4. Quanto à inclusão de R$ 53.369,50 (cinqüenta e três mil, trezentos e sessenta e nove reais e cinqüenta centavos) na base de cálculo, referente à competência 08/2006, este valor foi extraído da folha de pagamento e não da GFIP. Embora a Prefeitura tenha informado na GFIP R$ 52.369,50 (cinqüenta e dois mil, trezentos e sessenta e nove reais e cinqüenta centavos), mesma quantia que foi glosada, o valor lançado é o da folha de pagamento e engloba, como acima mencionado, "abono familiar, saláriofamília, sal. Família retroativo e abono familiar retroativo. Ressaltase, ainda, que os valores das bases de cálculos lançadas nesta NFLD não seguem, à risca, os mesmos valores informados na GFIP a titulo de dedução de saláriofamília, e que foram glosados pela fiscalização. Para melhor esclarecimento, segue cópia do resumo da folha, em anexo. Ainda assim, a Recorrente, às fls. 381 a 386, se manifestou acerca da Informação Fiscal, em apertada síntese: “(...) É oportuno salientar, por outra banda, que o Município de Vitória da Conquista tem mais de 5.000 (cinco) mil servidores, o Fl. 23DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 24 que, inevitavelmente, é factível de ocorrer problemas documentais com alguns de seus servidores. Este ponto, inclusive, reforça a inexatidão da manifestação do auditor que pinçou pouquíssimos casos em que teoricamente haveria deficiência na documentação apresentada para invalidar todo o lastro probatório trazido pelo Impugnante, o que, obviamente, não pode ser aceito em qualquer hipótese. Restou patente, portanto, que a documentação entregue pelo Impugnante não foi analisada pelo auditor que, por amostragem, escolheu pouquíssimos servidores para demonstrar a suposta deficiência na comprovação dos requisitos ensejadores do pagamento do salário família, inflando, desta maneira, o débito do Município. Obviamente que tal situação não pode prosperar, haja vista que no processo administrativo tributário não se busca uma cobrança desenfreada, mas apenas as obrigações tributárias impagas pelo contribuinte.” Diante do exposto, restou evidenciado pela AuditoriaFiscal, tanto no Relatório Fiscal, às fls. 28 a 31, quanto na Informação Fiscal, às fls. 374 a 375, que a Recorrente descumpriu o previsto no art. 84, Decreto 3.048/1999, o que fez surgir a incidência de contribuição previdenciária nas parcelas pagas aos segurados a título de saláriofamília em desacordo com a legislação. Desta forma, não prospera a alegação da Recorrente de que cumpriu os requisitos legais para a não incidência de contribuição previdenciária nas parcelas pagas a título de saláriofamília. (v) DA ULULANTE NATUREZA PÚBLICA DO AUTUADO. EXTENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA PREVISTA NO ART. 150, VI, "A", DA CF/88. (vi) FEDERALISMO COOPERATIVO. EXTENSÃO DA IMUNIDADE A QUALQUER ESPÉCIE TRIBUTÁRIA Analisemos. A Recorrente alega que está alcançada pela imunidade tributária prevista no art. 150, VI, CRFB/1988: Fl. 24DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 431 25 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Desta forma, considerandose que a imunidade prevista no art. 150, VI, a, CRFB/1988a CRFB se refere a impostos, não cabe a sua extensão às contribuições sociais previdenciárias que se revestem de espécie tributária diferente daquela dos impostos. Outrossim, dado que a imunidade deve ser expressa na Constituição, poder seia pensar na hipótese de isenção. No entanto, ainda assim, o art. 111, II, CTN dispõe que em relação à outorga de isenção, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Então, conforme ainda assentado na jurisprudência do STJ em relação ao alcance do art. 11, II, CTN, a imposição da interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção impede tanto a adoção de interpretação ampliativa ou analógica, como também a restrição além do espírito da lei ou ainda a exigência de requisito ou condição não prevista na norma de isenção. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 26 (vii) DAS IRREGULARIDADES QUE PERMEIAM A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA COBRANÇA. (vii.1) DA OFENSA AOS ARTS. 150, I E 68, 4 1. 0 , DA CF/88 C/C ART. 25, INCISO 1, DO ADCT. (vii.2) DO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE OFENSA AO ART. 154, I, DA CF/88. (vii.3) DA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA E DA TIPICIDADE C.F., ARTS. 5.°, II E 150, 1 CTN, ARTS. 3.° , 9.° , 7•° , 97 E 99, DO CTN. Analisemos. Não confiro razão à recorrente quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, que fixou as alíquotas distintas, 1%, 2% e 3%, para a incidência da contribuição ao SAT: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. O Regulamento da Previdência Social, no art. 202, define a atividade preponderante, para o enquadramento legal nos correspondentes graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas: (Decreto n°3.048/1999) Fl. 26DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 432 27 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Fl. 27DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 28 § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, assentou a constitucionalidade da contribuição para o SAT incidente sobre o total das remunerações pagas aos empregados e trabalhadores avulsos: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3° e 4°; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4°; art. 154, II; art. 5°, II; art. 150,I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, 1 Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I(STF — RE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Processo 343446 – SC Decisão 20/03/2003. Tribunal Pleno. Relator MM. Carlos Venoso. DJ 04/04/2003). Fl. 28DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.005551/200714 Acórdão n.º 240300.598 S2C4T3 Fl. 433 29 Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Em relação às violações a preceitos constitucionais, temos que o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Fl. 29DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 30 Ainda assim, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da recorrente acerca da impossibilidade de cobrança da contribuição previdenciária atinente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT. CONCLUSÃO. Voto no sentido de CONHECER do recurso, não acolher as PRELIMINARES suscitadas e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 30DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000445/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: ONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/10/1988 a 31/05/1996
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Competência residual da Primeira Seção, conforme previsão do art. 2º, inc. VII, do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3101-001.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria, não conhecer do recurso voluntário, para declinar competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. Vencida a Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios.
Nome do relator: GLAUCO ANTONIO DE AZEVEDO MORAIS
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Competência residual da Primeira Seção, conforme previsão do art. 2º, inc. VII, do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria, não conhecer do recurso voluntário, para declinar competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. Vencida a Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios. RODRIGO MINEIRO FERNANDES Presidente Substituto. GLAUCO ANTONIO DE AZEVEDO MORAIS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, JOSÉ HENRIQUE MAURI, GLAUCO ANTONIO DE AZEVEDO MORAIS, LUIZ ROBERTO DOMINGO e RODRIGO MINEIRO FERNANDES. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 04 45 /2 00 9- 30 Processo nº 10510.000445/200930 Acórdão n.º 3101001.652 S3C1T1 Fl. 613 2 Tratase de PER/DComp transmitidos pelo período de 21.12.2005 a 06.04.2006 (fl. 91), em que o contribuinte buscou compensar créditos pagos a maior de PIS, pelo período de outubro de 1988 e junho de 1996, no valor de R$ 2.596.590,79, referentes aos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449 de 2009, julgados, a posteriori, inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Esses créditos também foram informados no pedido de restituição nº 10510.001479/200356, no qual foi emitido Despacho Decisório nº 848/2007 pela DRF em Aracaju SE em 21.11.2007 (fl. 0413), que considerou não declaradas as compensações e indeferiu a restituição por entender que as compensações foram efetivadas antes do trânsito em julgado da ação judicial nº 000282605.1998.4.05.8500, que discutia o mesmo crédito, situação que esbarra no art. 74, § 12, inc. II, ‘d’, da Lei nº 9.430, de 1996, bem como no art. 50 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005 e Súmula nº 01 do CARF. Confirase a ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/1988 a 31/12/1993, 31/01/1996 a 31/05/1996 Ementa: Se o sujeito passivo efetuou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido tem direito à restituição ou utilizar o valor que lhe seria restituído para quitar seus débitos, ambos, mediante requerimento à autoridade administrativa. E vedada a compensação de tributos antes do trânsito em julgado da ação. A desistência ou renúncia da ação de execução judicial se traduz cm garantia no Erário (e da Sociedade) de que tal crédito não será duplamente exigido, nas esferas administrativa e judicial. Não sendo efetivada a desistência ou a renúncia da ação de execução, mister se faz indeferir a restituição e não considerar a compensação. Rest/Ress. Indeferido Comp, nao declarada Diante disso, foi efetuado por autoridade competente o lançamento de ofício de multa isolada por compensação indevida feita pelo contribuinte, com fundamento no art. 18, § 4º, inc. I, da Lei nº 10.833/2003 e art. 44, inc. I, da Lei 9.430/1996. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 182219) sustentando, em síntese, a legitimidade do pedido de compensação, que já foi reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, o que afasta a multa isolada; que não se aplica o art. 170A do CTN porquanto a ação judicial foi proposta em momento anterior a sua introdução; e que houve liminar e sentença judicial favorável antes do pedido de compensação. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA delimitou a análise dos argumentos da contribuinte aos relacionados diretamente com o objeto da autuação, que é a multa isolada, e julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento (fls. 454462), diante dos fundamentos resumidos na ementa abaixo: Processo nº 10510.000445/200930 Acórdão n.º 3101001.652 S3C1T1 Fl. 614 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 21/12/2005, 23/12/2005, 28/12/2005, 29/12/2005, 09/01/2006, 10/01/2006, 11/01/2006, 19/01/2006, 01/02/2006, 03/02/2006, 06/04/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do auto de infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. É legítima a aplicação de multa isolada sobre compensação considerada não declarada. MULTA ISOLADA. COEXISTÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA MORA. A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, é penalidade nova, aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado nos casos de uso indevido da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Assim, não se caracteriza como acréscimo do principal não recolhido e coexiste com eventual exigência deste acrescido de multa de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 467498), no qual aduz, basicamente, (i) preliminar de nulidade da decisão da DRJ por inobservância ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa; (ii) legitimidade do procedimento de compensação diante do reconhecimento judicial do direito; (iii) inaplicabilidade do art. 170A, do CTN; (iv) existência de provimento judicial favorável à época do pedido de compensação antes do trânsito em julgado da ação; (v) impossibilidade de cumulação de multa de mora e multa isolada; (vi) e de um simples erro no preenchimento do pedido administrativo se sobrepor ao direito à compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Glauco Antonio de Azevedo Morais, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. No entanto, verificase que a matéria tratada nos autos é de competência da 1ª Seção de Julgamento por referirse à multa isolada por compensação indevida. Processo nº 10510.000445/200930 Acórdão n.º 3101001.652 S3C1T1 Fl. 615 4 O tema enquadrase na competência residual da 1ª Seção, prevista no art. 2º, inc. VII, do Regimento Interno deste Conselho, segundo o qual: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Com efeito, em que pese os créditos objeto dos pedidos de compensação decorrerem de contribuições para o PIS, a natureza da autuação é de multa isolada por compensação indevida, situação esta que não está prevista na competência da 3ª Seção, motivo pelo qual é incluída na competência residual da 1ª Seção. Por essas razões, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário e declinar a competência para a 1ª Seção de Julgamento do CARF. Glauco Antonio de Azevedo Morais
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Numero do processo: 10660.001860/2005-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.196
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por tratar o litígio de matéria não afeta à Primeira Seção e declinar a competência para a Terceira Seção. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de
Figueiredo Neto.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por tratar o litígio de matéria não afeta à Primeira Seção e declinar a competência para a Terceira Seção. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.001860/200563 Resolução nº 1801000.196 S1TE01 Fl. 3 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 7a. Turma da DRJ em Fortaleza/CE que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento consubstanciado nos autos. Trata o presente processo de auto de infração no valor total de R$ 93.816,00, inerente, primeiro, à imposição da multa tipificada no parágrafo único do artigo 3° do Decreto lei n° 399, de 30/12/1968, com a redação implementada pela Lei n° 10.833/2003, regulamentada nos artigos 621 e 632 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, aplicada, proporcionalmente, por maço de cigarros, em virtude da apreensão de cigarros de procedência estrangeira desprovidos de documentação comprobatória de sua regular introdução no País. A exação também contempla a penalidade decorrente da apreensão de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas, consoante prescrita na alínea "b" do inciso VII do art. 107 do decretolei n° 37/66, igualmente, à luz da nova redação dada pela Lei n° 10.833/2003, regulamentada no art. 638 do aludido decreto. No acórdão da DRJ em Fortaleza/CE os fatos foram assim descritos: Em síntese, segundo a descrição dos fatos constante às fls. 7/9 dos presentes autos, a apreensão, em 28/12/2004, dos 46.408 maços de cigarros (93 caixas, sendo 92 caixas de 500 maços e 1 caixa contendo 408 maços — fls. 4, 10/13, 19 e 21), assim como dos simulacros de arma de fogo, operouse em procedimento policial conjunto, levado a cabo pela Polícia Federal e Polícia Civil de Alfenas/MG. Naquela ocasião, as mencionadas mercadorias foram apreendidas no interior de imóveis circunvizinhos, situados na rua da Amizade, bairro Vila Betânia, naquela urbe, consoante os termos do inquérito policialIPL n º 263/04 (fls. 20/26, 46/57). Posteriormente, tais mercadorias, por intermédio do oficio no 2.830/2004 (fl. 18), da lavra da Delegacia da Polícia Federal em Varginha/MG, foram encaminhadas à Delegacia da Receita Federal do Brasil naquele município para a feitura dos procedimentos à espécie cabíveis. Ainda, em 17/02/2005, mediante o oficio n° 373/2005, daquela mesma unidade policial, foi noticiada à RFB, segundo os termos coligidos no citado IPL, que a responsabilidade relacionada às mercadorias apreendidas recaia sobre Laurinete Araújo Maganhoto de Matos, endereço Rua da Amizade, n° 481, Vila Betânia, Alfenas/MG (fl. 20). Diante dos fatos, a autoridade autuante procedeu à constituição do lançamento, ficando a contribuinte, em 19/07/2005, cientificada por via postal, sendo os autos remetidos à unidade preparadora de Alfenas/MG (fl. 27). Em continuidade à descrição do fluxo processual, constatase a lavratura de termo de revelia, seguido de carta cobrança, em 1°/09/2005, destinada à contribuinte (fls. 30/32). Porém, posteriormente, a unidade preparadora, considerando que a autuada já havia promovido, em 18/08/2005, sua defesa referente às penalidades em apreço, contudo endereçada, especificamente, à DRF Varginha, providenciou a juntada aos presentes autos da peça impugnatória, atestandoa, desta forma, tempestiva, restando, por conseguinte, anulados os procedimentos relativos à cobrança administrativa (fls. 61/64). Naquela peça contestatória, inconformada com a exigência, a impugnante, por intermédio de advogado constituído, apresentou sua defesa administrativa (fls. 43/57), onde, requerendo a anulação do auto de infração, em síntese, apresenta seus fundamentos, nos termos a seguir postos: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.001860/200563 Resolução nº 1801000.196 S1TE01 Fl. 4 3 na relação de mercadorias consignada pela Polícia Federal não há qualquer menção a simulacros de arma de fogo; o imóvel que sediou a apreensão dos cigarros em alusão, localizado na rua da amizade, n° 540, bairro Vila Betânia, Alfenas/MG, naquele ínterim, era objeto de locação, tendo como locatário João Batista dos Santos. Tal fato atalha qualquer imputação à impugnante acerca dos presentes acontecimentos; o direito de defesa da peticionaria se encontra abalado, visto que 704 (setecentos e quatro) notas fiscais achamse sob custódia da Polícia Federal, em face da realização de procedimento pericial integrante do IPL n º 263/2004 (fl. 47). Em seguida, os autos foram encaminhados a esta DRJ, por força do disposto na Portaria SRF n° 179, de 13/02/2007, DOU de 14/02/2007, que alterou o Anexo V do Regimento Interno da então Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, visto que a competência para julgamento dos processos de comércio exterior formalizados nas 1a. e 6a. Regiões Fiscais passou a ser incumbência desta unidade de julgamento. Posteriormente, em 27/11/2008, esta unidade de julgamento entendeu oportuno converter o julgamento em diligência visando, além de instruir os presentes autos com os reflexos processos de perdimento e demais elementos, propiciar à autuada oportunidade de manifestarse acerca da matéria afeta as notas fiscais. Cumprida a diligência retornaram os autos para julgamento. A 7a. Turma da DRJ em Fortaleza/CE manteve as exigências consubstanciadas nos autos por unanimidade. Notificada da decisão e, irresignada, apresentou, a interessada, recurso voluntário no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação. É o relatório. VOTO Em relação à previsão legal para julgar a matéria tratada nos autos, a Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, dispõe, no Anexo II: Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma dos arts. 2° a 4° da Seção I. Das Seções de Julgamento Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.001860/200563 Resolução nº 1801000.196 S1TE01 Fl. 5 4 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; {2} ... VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e ... Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] IX Imposto sobre a Importação (II); X Imposto sobre a Exportação (IE); XI contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; XII classificação tarifária de mercadorias; XIII isenção, redução e suspensão de tributos incidentes na importação e na exportação; XIV vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; XV omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; XVI infração relativa à fatura comercial e a outros documentos exigidos na importação e na exportação; XVII trânsito aduaneiro e demais regimes aduaneiros especiais, e dos regimes aplicados em áreas especiais, salvo a hipótese prevista no inciso XVII do art. 105 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966; XVIII remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do DecretoLei n° 37, de 1966; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.001860/200563 Resolução nº 1801000.196 S1TE01 Fl. 6 5 XIX valor aduaneiro; XX bagagem; e XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Parágrafo único. Cabe, ainda, à Terceira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância relativos aos lançamentos decorrentes do descumprimento de normas antidumping ou de medidas compensatórias. Analisando os mencionados dispositivos verificase a ausência de competência desta 1ª Turma Especial da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento para exame do Recurso Voluntário. Pelo exposto voto por não conhecer do recurso voluntário, declinar a competência de julgamento destes autos à Terceira Seção deste CARF, e encaminhar o processo à SECAM/3ª CAM/1ªSEÇÃO, para providências cabíveis, nos termos do § 3º do artigo 2º da Portaria CARF nº. 01/2012. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13830.000343/2009-90
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.092
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13830.000343/200990 Resolução n.º 180100.092 S1C1T1 Fl. 159 2 Relatório A Recorrente solicitou em 27.01.2009, fl. 47, opção pelo Simples Nacional a qual foi indeferida com base nos fundamentos de fato e de direito indicados, sem a identificação dos débitos, fl. 02: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006) [...] A pessoa jurídica acima identificada incorreu na(s) seguínte(s) sítuação(ões) que impediu(ram) a opção pelo Simples Nacional: Estabelecimento CNPJ: 05.863.804/000138 Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil relativo a contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. A pessoa jurídica poderá impugnar o indeferimento da opção pelo Simples Nacional no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação desta Termo. A impugnação deverá ser dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil do Julgamento com jurisdição sobre o domicilio tributário do contribuinte e protocolizada em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Considerase feita a intimação quinze das contados da data do registro deste Termo. (Decreto nº 70.235, de 8 de março de 1972, arts. 5º , 15,17 e 23, § 2º , III, "b"). Os débitos estão discriminados à fl. 03 relativamente àqueles não recolhidos nem com a exigibilidade suspensa e informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) instituída pela Lei nº 9.528, de 10 de novembro de 1997, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Valores dos débitos não recolhidos nem com a exigibilidade suspensa informados nas GFIP nos anos calendário de 2004 a 2008 Meses Ano (A) Jan R$ (B) Fev R$ (C) Mar R$ (D) Abr R$ (E) Mai R$ (F) Jun R$ (G) Jul R$ (H) Ago R$ (I) Set R$ (J) Out R$ (K) Nov R$ (L) Dez R$ (M) 2004 0,00 0,00 0,00 0,00 52,00 52,00 0,00 0,00 52,00 0,00 0,00 0,00 2005 0,00 0,00 52,00 52,00 60,00 0,00 60,00 0,00 60,00 60,00 60,00 60,00 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13830.000343/200990 Resolução n.º 180100.092 S1C1T1 Fl. 160 3 2006 60,00 60,00 60,00 0,00 70,00 70,00 70,00 70,00 70,00 70,00 70,00 70,00 2007 70,00 70,00 70,00 76,00 76,00 76,00 76,00 76,00 76,00 76,00 76,00 76,00 2008 0,00 76,00 83,00 83,00 83,00 83,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Cientificada em 11.03.2009, fl. 02, a Recorrente manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a impugnação em 02.04.2009, fl. 01, alegando precipuamente Conforme consulta de regularidades junto ao fisco previdenciário, em anexo, consta DIV. GFIP: 05/2004, 06/2004 e 09/2004, 03/2005 a 05/2005, 07/2005, 09/2005 a 03/2006, 05/2006 a 12/2007, 02/2008 a 06/2008, todavia, inexiste a inadimplência da empresa retro mencionada com esta Secretaria, em razão do pedido de parcelamento para o ingresso no Simples Nacional em 20/01/2009, conforme registro do recibo do SERPRO sob o n°.00041199899165936120 (fls. 05) dos débitos relativos às Contribuições Previdenciárias, com pagamentos das parcelas no total de 02 (duas). Diante do exposto pedimos a permanência da pessoa jurídica no regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidas pelas microempresas e empresas de pequeno porte. Nestes Termos Pede Deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 32.557, de 18.02.2011, fls. 1920: “Impugnação Improcedente”, uma vez que “o requerimento de parcelamento efetuado pelo contribuinte, [...] fls. 15 [...] não foi validado devido à ausência do termo de opção para o parcelamento do Simples Nacional.” Restou ementado ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. DÉBITOS JUNTO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. SITUAÇÃO IMPEDITIVA. Constitui situação impeditiva à opção pelo Simples Nacional a existência de débitos com o Instituto Nacional do Seguro Social ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Intimada em 17.05.2011, fl. 26, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.06.2011, fls. 2736, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que em virtude da existência de débito referentes a fatos geradores ocorridos até 30.06.2008, cuja exigibilidade não esteja suspensa foi editada a Instrução Normativa RFB nº 902, de 30 de dezembro de 2008, determinando que as pessoas jurídicas que ingressarem pela primeira vez no Simples Nacional em 2009 poderiam parcelálo. Posteriormente alterada pela Instrução Normativa nº RFB nº 906, de 6 de janeiro de 2009, Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13830.000343/200990 Resolução n.º 180100.092 S1C1T1 Fl. 161 4 ficou estabelecido que somente poderiam optar pelo parcelamento as pessoas jurídicas com débito com vencimento até 30.06.2008. Diz que somente o débito referente ao fato gerador de junho de 2008, que se encontra quitado, não foi alcançado pelo parcelamento devido à mudança legislativa, fato que não tem o condão de afastarlhe o direito pleiteado Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui E é por isso que espera, a vista destas considerações, que este Nobre Julgador REFORME POR COMPLETO o TERMO DE INDEFERIMENTO, mantendo a empresa Recorrente no regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidas pelas microempresas e empresas de pequeno porte, sob pena de ferirmos as disposições Constitucionais. JUSTIÇA!!!!!!!!!!!!!!! ENDEREÇO PARA INTIMAÇÃO SITO À RUA 24 de DEZEMBRO, 780, CENTRO MARÍLIA SP (Escritório Walli), NESTA CIDADE DE MARÍLIA SP Termos em que P Deferimento É o Relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13830.000343/200990 Resolução n.º 180100.092 S1C1T1 Fl. 162 5 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda da indeferimento da opção pelo Simples Nacional. A Instrução Normativa RFB nº 902, de 30 de dezembro de 2008, que vigorou a partir de 31.12.2008, determina que as pessoas jurídicas que ingressarem pela primeira vez no Simples Nacional em 2009 poderiam parcelar débitos referentes a fatos geradores ocorridos até 30.06.2008, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Posteriormente alterada pela Instrução Normativa nº RFB nº 906, de 6 de janeiro de 2009, cujos efeitos retroagiram a 31.12.2008, ficou estabelecido que somente poderiam optar pelo parcelamento as pessoas jurídicas com débito com vencimento até 30.06.2008. Em seguida restou esclarecido que os pedidos de parcelamento deveriam ser apresentados até 20 de fevereiro de 2009, exclusivamente por meio do sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, opção "Pedido de Parcelamento para Ingresso no Simples Nacional – 2009, nos termos da Instrução Normativa nº RFB nº 911, de 3 de fevereiro de 2009, que produziu efeitos a partir de 04.02.2009. Vale ressaltar que no período de 31.12.2008 a 03.02.2009, os pedidos de parcelamento deveriam ser apresentados até 30 de janeiro de 2009, exclusivamente por meio do sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, por meio da opção " Pedido de Parcelamento para Ingresso no Simples Nacional 2009". Ademais, o mencionado pedido de parcelamento somente produziria efeitos se a Recorrente procedesse ao pagamento da primeira parcela em 30.01.2009. O pagamento das prestações dos débitos deve ser efetuado mediante Guia da Previdência Social (GPS), com o código de receita 4359. Consta à fl. 48 a cópia da Guia da Previdência Social (GPS) que revela o pagamento do débito no valor original de R$83,00 em 23.06.2009 referente ao fato gerador de junho de 2008 no código de receita nº 2100. Verificase que a Recorrente formalizou o Pedido de Parcelamento para Ingresso no Simples Nacional – 2009 em 27.01.2009, conforme cópia do recibo nº 88559626759, fl. 70. Há uma relação de débitos parceláveis atinentes aos códigos de receita nºs 4493 e 1804, fl. 71, decorrentes de inscrições em Dívida Ativa da União nºs 8060814534268 e 8060814534349. Foram juntadas aos autos as cópias das Guias da Previdência Social (GPS) referentes aos pagamentos efetuados no período de 21.01.2009 a 30.09.2010 pelo código de receita nº 4359 fls. 5069. Diferentemente do que está asseverado na decisão de primeira instância há Pedido de Parcelamento para Ingresso no Simples Nacional – 2009 em 27.01.2009, conforme cópia do recibo nº 88559626759, fl. 70, com os respectivos pagamentos efetuados no período de 21.01.2009 a 30.09.2010 pelo código de receita nº 4359 fls. 5069, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 902, de 2008 e alterações. Contudo, não ficou comprovado que os débitos relacionados à fl. 03 estão ali incluídos. Em face destas questões, com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que, em relação ao Pedido de Parcelamento para Ingresso no Simples Nacional – 2009 em 27.01.2009, conforme Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13830.000343/200990 Resolução n.º 180100.092 S1C1T1 Fl. 163 6 cópia do recibo nº 88559626759, fl. 70, e os respectivos pagamentos efetuados no período de 21.01.2009 a 30.09.2010 pelo código de receita nº 4359 fls. 5069, sejam anexadas aos autos o demonstrativo discriminando analiticamente os débitos ali incluídos, os respectivos pagamentos efetuados e a atual situação do referido parcelamento. Ainda deve ser confirmado o efetivo recolhimento, fl. 48, referente à cópia da Guia da Previdência Social (GPS) que revela o pagamento do débito no valor original de R$83,00 em 23.06.2009 referente ao fato gerador de junho de 2008 no código de receita nº 2100. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá elaborar Relatório Fiscal sobre o fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes (inciso LV do art. 5º da Constituição da República). (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10640.000997/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.303
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento dos autos, conforme dispõe o art. 62-A § 2º do Regimento Interno do CARF e a Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GILl - Redator ad hoc
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento dos autos, conforme dispõe o art. 62-A § 2o do Regimento Interno do CARF e a Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes RELATÓRIO Em face da renúncia ao mandato do Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, fui nomeado redator designado para redigir o relatório e voto do presente julgado. Adoto o relatório da DRJ, por bem descrever os fatos, o qual transcrevo a seguir: Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10640.000997/2010-04 Resolução nº 1801-000.303 S1-TE01 Fl. 703 2 O interessado, contribuinte do Simples, foi excluído dessa sistemática de pagamento de tributos pelos Atos Declaratórios Executivos (ADE) nº 44 (Simples Federal) e nº 48 (Simples Nacional), ambos de 06/05/2010 (fls. 11 e 13); A empresa apresenta impugnação (fls. 19/26) na qual alega, em síntese, que: 1) “expedir ato declaratório de exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que consubstanciá-la ineficiente para os fins legais, afrontando o § 3º, do artigo 15, da Lei 9.317/96 c/c o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99. Não fosse o bastante, os ADE's ora combatidos consignam, ainda, que os efeitos da exclusão devem ser retroagidos à data do ano calendário de 2006. Trata-se de uma ilegalidade que merece ser reparada”; 2) “com relação aos efeitos da retroatividade dos efeitos da exclusão, nova ilegalidade. Ao assim agir, a SRF violou o disposto no artigo 150, III, "a", da Constituição Federal, que trata do princípio da anterioridade. Ademais, o próprio artigo 15 da Lei 9.317/96 que trata dos efeitos da exclusão. Ora, não podemos admitir que o mês em que ocorreu a situação excludente não seja outro, senão, aquele em que recebemos a notificação do Ato Declaratório Executivo. Cabe à SRF a apuração e fiscalização das opções de ingresso no SIMPLES, e não pode o contribuinte ser penalizado por essa omissão”, 3) “podemos concluir que os Atos Declaratórios emanados pela SRF possui várias ilegalidades que devem ser combatidas , dentre as quais podemos citar, primeiramente a própria exclusão da empresa impugnante, vez que esta não incorreu em nenhuma das situações dispostas legalmente que ensejassem tal exclusão, muito menos nas que dispostas nos ADEs ora combatidos.Ademais , ainda que algo tivesse sido apurado pela fiscalização, a empresa deveria ter sido informada da situação para impugnar e provar o alegado por todos os meios admitidos pelo direito, sendo portanto, a exclusão da empresa completamente arbitrária, vez que foram feridos de morte princípios inerentes a quaisquer processos , tais como a ampla defesa e o contraditório, sem desconsiderar os princípios da Tipicidade, Legalidade e verdade material”; 4) “desta forma , são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste manifesto de inconformidade: a) a empresa teve cerceado seu direito de defesa na medida em que não lhe foi oferecido quaisquer documentos que lhe informassem que auferiu receita superior ao legalmente estabelecido para estar incursa no SIMPLES, de forma que os únicos elementos de que dispõe para realizar o presente manifesto de inconformidade ratificam sua posição de que não houve excesso de receita sendo portanto descabido o que alegado nos atos declaratórios ora combatidos”; b) a Impugnante não pode ser excluída do Simples, haja vista não estar incursa em nenhuma das situações excludentes elencadas pela legislação pertinente. c) a impugnante solicita que sejam anulados e /ou retificados os ADE's ora combatidos.considerando todo o explanado no presente manifesto de inconformidade. d) a impugnante pretende provar o alegado por meio de provas documentais , testemunhais ou periciais solicitando .portanto , neste ato, estas possibilidades”; É o breve relatório. A decisão recorrida manteve a exclusão do SIMPLES diante da ausência de provas apresentadas pela impugnante nos seguintes termos: Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10640.000997/2010-04 Resolução nº 1801-000.303 S1-TE01 Fl. 704 3 “A afirmação da empresa soa como pilhéria, visto que para o ano base de 2005 ela declarou originalmente que obteve receitas no total de R$ 1.166.078,90, valor bem próximo do limite para que pudesse ser considerada empresa de pequeno porte. Esse valor foi comprovado pela autoridade fiscal, conforme consta do Relatório Fiscal acostado aos autos do processo nº 10640.001930/201089. No entanto, além desse valor, ela recebeu, por meio de contas de interpostas pessoas, portanto a margem da contabilidade e sem oferecer à tributação, o valor de R$ 458.447,67, o que totaliza R$ 1.624.526,57 de receitas efetivamente recebidas no ano de 2005, valor maior que o permitido para uma empresa ser considerada de pequeno porte e vir a usufruir os benefícios advindos dessa classificação. Registre-se que tais valores encontram-se lançados nos autos de infração constantes do processo nº 10640.001930/201089, que a empresa impugnou sem apresentar qualquer argumento e/ou prova que pudesse modificar os valores neles contidos. O citado processo foi por mim relatado e julgado nessa mesma sessão, sendo mantido integralmente o crédito tributário nele constituído. Inconformada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmo argumentos da sua impugnação É o relatório. VOTO Conselheiro Rogério Aparecido Gil, Redator designado O recurso é tempestivo. Conforme se depreende dos presentes autos (fls. 29/121), a Fazenda Pública obteve acesso aos dados da movimentação financeira da empresa contribuinte, por meio de RMF dirigida diretamente às instituições financeiras, sem autorização judicial. Sobre o assunto devem ser feitas as seguintes observações. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no Dje-086 em 10/05/2011: Ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão eqüidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico-tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26-A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10640.000997/2010-04 Resolução nº 1801-000.303 S1-TE01 Fl. 705 4 sob fundamento de inconstitucionalidade após o STF, por seu plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o STF reconheceu quanto à matéria a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542-B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional, existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontra-se no artigo 542-B, do CPC, e artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator da matéria, não determinou que os demais processos aguardassem na origem, conforme previsto no artigo 328, parágrafo único do Regimento Interno do STF. Porém, esta providência foi determinada em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº. 765.714, cuja decisão contém o seguinte teor: “Trata-se de agravo de instrumento contra a decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11 § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitida o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, deve-se sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10640.000997/2010-04 Resolução nº 1801-000.303 S1-TE01 Fl. 706 5 detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11 § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratava-se de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144 § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 49-50). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegou-se ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria – sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência – cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314-RG/SP, de minha relatoria). Isso Posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543-B do CPC, visto que no recurso extraordinário discute-se questão idêntica à apreciada no RE 601.314-RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314, nos termos do 543-B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Em resumo, o artigo 328, parágrafo único do RISTF, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543-B do Código de Processo Civil. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10640.000997/2010-04 Resolução nº 1801-000.303 S1-TE01 Fl. 707 6 No caso do AI 765.714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314, nos processos que versam sobre a mesma matéria, está determinado o retorno dos autos à origem para observar-se o disposto no artigo 543-B, do CPC, concluindo-se, assim, s.m.j., que tal procedimento corresponde ao sobrestamento dos demais processos, pois, do contrário, os demais processos não poderiam ser devolvidos à origem, como aconteceu com o AI 765.714/SP. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, assim dispõe no artigo 62-A: 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tendo em vista que o presente processo envolve matéria discutida no âmbito jurisdicional em sede de repercussão geral reconhecida, qual seja, quebra sigilo bancário – Lei Complementar nº 105 / 2001 – como se vê do relatório, e considerando o que dispõe o artigo 62-A, e parágrafos 1º e 2º do RICARF e, ainda, a Portaria nº. 01/2012 do CARF, que determinam o sobrestamento do julgamento dos recursos sempre que houver sobrestamento do julgamento jurisdicional dos recursos extraordinários da mesma matéria até decisão final – art.543-B, do Código de Processo Civil – voto no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 707DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.904110/2008-99
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.193
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligências. Vencidos os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votam pela nulidade do acórdão de
Primeira Instância de Julgamento. Designada para redigir o voto vencedor, a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. Ausente momentaneamente João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligências. Vencidos os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votam pela nulidade do acórdão de Primeira Instância de Julgamento. Designada para redigir o voto vencedor, a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. Ausente momentaneamente João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0531.427/10 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, fls. 133 a 141, que julgou procedente em parte o direito Fl. 211DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.904110/200899 Resolução nº 1801000.193 S1TE01 Fl. 3 2 creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologar em parte as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – 29922.07479.260404.1.3.020240; 40491.53703.030504.1.3.028269; 35846.77630.100504.1.3.025242. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentados, por meio dos quais a interessada pleiteia o reconhecimento de direito creditório com origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, para a compensação dos débitos declarados. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada, nos termos do Despacho Decisório de fls. 69/73, que se transcreve: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 38.032,74 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 129.684,36 [...] Cientificada do Despacho Decisório em 04 de novembro de 2008, conforme documento de fl. 74, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 03 de dezembro de 2008, fls. 01/14, com as alegações que se seguem. Discorda do Despacho Decisório, pois as compensações efetuadas são legítimas, tendo em conta que é detentora de créditos com origem em saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ. Afirma que o saldo negativo de R$ 129.684,36 é composto, entre outras parcelas, pelo montante de R$ 91.566,26, relativo ao IRRF indicado na linha 13 da página 11 da DIPJ. Sobre a divergência entre o saldo negativo apurado na DIPJ e os informados nos PER/DCOMP, afirma que: "Nada obstante, ainda que caracterizado equívoco na declaração prestada pela Impugnante, deve ser reforçado, desde logo, que ela procedeu à compensação apenas e tão somente do valor do crédito que efetivamente dispunha. Em outras palavras, não houve qualquer prejuízo ao Erário, dado o fato de que o valor total pela Impugnante compensado corresponde, exatamente, ao valor de seu direito creditório, decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendario de 2003." Esclarece que no PER/DCOMP número 40491.53703.030504.1.3.038269 informou um saldo negativo de R$ 91.566,26, quando o correto seria R$ 129.684,36, tendo em conta que lançou como valor de seu crédito os recolhimentos do IRRF, em vez de informar o efetivo saldo negativo. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.904110/200899 Resolução nº 1801000.193 S1TE01 Fl. 4 3 Em relação ao PER/DCOMP número 35486.77630.100504.1.3.025242, depois de utilizarse de um crédito de R$ 50.917,76 no documento anterior, restoulhe ainda um montante de R$ 78.766,60, sendo legítima a compensação de débitos da Cofins do mês de abril de 2004, na quantia original de R$ 40.648,51. No que se refere ao PER/DCOMP número 29922.07479.260404.1.3.020240, dispunha ainda de um crédito de R$ 38.119,09, utilizado na compensação de débitos de IRPJ do primeiro trimestre de 2004, valor original de R$ 38.032,74. Em suas palavras: [...] VOTO [...] De início, é oportuno esclarecer à interessada que desde a instituição da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, pela Instrução Normativa SRF n° 127, de 30 de outubro de 1998, a declaração apresentada à RFB tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação: (i) nos prazos decadenciais previstos no CTN, para a constituição de crédito tributário; ou (ii) no prazo da homologação tácita das compensações, para fins de restaurar a exigibilidade dos débitos fiscais indevidamente compensados. Por seu turno, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5o da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. [...] Continuando, da análise do Despacho Decisório, depreendese que o presente processo tem por objeto os PER/DCOMP abaixo relacionados: Dessa forma, a partir do demonstrativo acima, contatase que a contribuinte pretende o reconhecimento de direito creditório na importância de R$ 129.599,01, equivalente à soma das parcelas relativas ao "Crédito Original utilizado", informado em cada documento objeto de apreciação, visando a compensação dos débitos declarados, com origem em saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003, importância esta apurada a partir das informações constantes nos PER/DCOMP acima discriminados. Demonstrativo dos PER/DCOMP apresentados PER/DCOMP Data Apresentação Saldo Negativo Informado Crédito Original Utilizado 29922.07479.260404.1.3.020240 26/04/04 38.032,74 38.032,74 40491.53703.030504.1.3.028269 03/05/04 91.566,26 50.917,76 35846.77630.100504.1.3.025242 10/05/04 40.648,51 40.648,51 Totais 129.599,01 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.904110/200899 Resolução nº 1801000.193 S1TE01 Fl. 5 4 Prosseguindo, a partir dos dados presentes na DIPJ, informados pela interessada, consolidase a apuração das estimativas de IRPJ no anocalendário de 2003: [tabela] [...] Portanto, temse um valor de estimativa, a ser considerado no encerramento do período de apuração, de R$ 78.180,75. No que se refere ao Imposto de Renda Retido na Fonte utilizado como dedução no encerramento do período de apuração, compulsandose a Lei n.° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, verificase que esta foi condicionada à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção: [...] No entanto, consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil indicam a retenção de IRRF, informada em DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. [...] Como se trata de declaração apresentada pelas fontes pagadoras, portanto, por terceiros, as informações constantes das DIRF podem ser utilizadas para a validação de dados informados pelos contribuintes em suas Declaração de Rendimentos. Dessa forma, a partir dos dados informados pela interessada na Ficha 43 de sua Declaração de Rendimentos e confrontandoos com os presentes na DIRF, elaborase a planilha: Consolidação do IRRF Retido AnoCalendário de 2001 Fonte Pagadora Código Receita DIPJ Ficha 43 DIRF Respectivas Rendimentos IRRF Rendimentos IRRF 33.479.023/000180 1708 7.782,48 116,73 18.994,14 275,28 33.479.023/000180 1708 10.569,34 158,54 subtotal 18.351,82 275,27 18.994,14 275,28 43.073.394/000119 5273 228.538,25 45.707,65 228.538,25 45.707,65 60.701.190/000140 5273 56.000,81 11.200,12 56.000,81 11.200,12 subtotal 284.539,06 56.907,77 284.539,06 56.907,77 60.701.190/000104 6800 171.916,78 34.383,22 171.916,78 34.383,22 subtotal 171.916,78 34.383,22 171.916,78 34.383,22 Totais 474.807,66) 91.566,28 475.449,98 91.566,27 Do demonstrativo acima, depreendese que houve a retenção de IRRF no valor de R$ 91.566,26, incidente sobre rendimentos com origem na prestação de serviços (código de receita 1708), Operações de SWAP (código de receita 5273) e Aplicações Financeiras em Fundos de Investimentos Renda Fixa (código de receita 6800). Para melhor elucidação da questão, a partir das informações constantes no "PIR Programa Imposto de Renda 2001 Imposto de Renda Retido na Fonte" (MAFON), Fl. 214DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.904110/200899 Resolução nº 1801000.193 S1TE01 Fl. 6 5 temse que o código de receita 6800 abrange os rendimentos produzidos por aplicações em fundos de investimentos financeiros e em fundos de aplicação em quotas de fundos de investimentos financeiros, enquanto o código de receita 5273 corresponde aos rendimentos auferidos em operações de swap, inclusive nas operações de cobertura (hedge), realizadas por meio de swap. Por sua vez, o Manual de Preenchimento da DIPJ assim prescreve sobre o preenchimento da Ficha 06A Demonstração do Resultado: [...] Por outro lado, em consulta à D1PJ, Ficha 06 A Demonstração do Resultado, é possível extrair as seguintes informações: Ficha 06 A Demonstração do Resultado Descrição Valor 08. Receita da Prestação de Serviços 442.760,71 20. Variações Cambiais Ativas 661.165,43 21. Ganhos aufer. No Merc. Ren. Variável, Exc. DayTrade 0,00 24. Outras Receitas Financeiras 429.322,01 [...] Quanto aos rendimentos auferidos com Operações de SWAP, deveriam ser oferecidos à tributação na Linha 21, Ficha 06A, da Declaração de Rendimentos. No entanto, como o montante informado na DIPJ pela interessada mostrase zerado, depreendese que os rendimentos auferidos, presentes na DIRF como sendo de R$ 284.539,06, não teriam sido oferecidos à tributação. Por sua vez, é fato que somente pode ser aproveitado como dedução, na liquidação das estimativas mensais, ou no encerramento do anocalendário, o IRRF cujas receitas tenham integrado a base de cálculo do IRPJ, portanto, desde que tenham sido oferecidas à tributação. [...] Dessa forma, apurase um Saldo Negativo de IRPJ, anocalendário de 2003, na importância de R$ 72.573,39, reconhecese o direito creditório respectivo e homologamse as compensações declaradas, até o limite de tal direito.” Resumindo os fatos, a autoridade a quo indeferiu as Dcomp – Declarações de compensações – sob análise pelo fato de os valores dos créditos identificados como saldo negativo de IRPJ informados nas Dcomp não coincidirem com o valor deste saldo informado na DIPJ correspondente (relativo ao anocalendário de 2003) – R$ 129.683,76. A turma julgadora a quo admitiu o erro de preenchimento das Dcomp e corrigiu os valores dos créditos pleiteados para o valor total do saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/04, dirimindo o litígio neste aspecto. Daí passou a revisar os valores que compõem o saldo negativo de IRPJ para averiguar a sua liquidez e certeza. O saldo negativo de IRPJ em questão foi composto por R$ 78.383,96, informado a título de estimativas, e R$ 91.566,26 a título de IR retidos pelas fontes pela prestação de serviços (cod. 1708) e aplicações financeiras (cods. 5273 swap e 6800 – renda fixa). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.904110/200899 Resolução nº 1801000.193 S1TE01 Fl. 7 6 A turma julgadora legitimou R$ 78.180,75, a título de estimativas de IRPJ, R$ 34.658,50, a título de IRRF, mas não admitiu o IRRF incidente sobre as operações swap porque a empresa não informou na linha adequada (conforme orientação do Manual para preenchimento de DIPJ) qualquer valor de receita, pelo que concluiu que as receitas respectivas não foram oferecidas à tributação. Assim, o saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2003, foi reconhecido no valor de R$ 72.573,39, e não no valor originalmente pleiteado (R$129.683,76). A empresa interpôs tempestivamente (AR – 14/01/11, efls. 176; Recurso – 14/02/11, efls. 178) o Recurso de efls. 178 a 209, reiterando os termos da defesa exordial, mas, em preliminar requer a nulidade da decisão de primeira instância por inovação nos fundamentos do indeferimento das Dcomp objetos deste processo. Discorre amplamente sobre supressão de instância, cerceamento de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e defesa. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio instaurado está em dois pontos: em preliminar, a nulidade da decisão de primeira instância, que admitiu a correção do valor do crédito informado nas Dcomp (de valor parcial de saldo negativo, para valor integral) e passou à análise do crédito para averiguar a sua certeza e liquidez, procedimento atacado de forma veemente pela recorrente; por considerar inovação de fundamento e, no mérito, o direito ao IRRF incidente sobre as operações de swap, valor que foi informado na DIPJ/04 e compõe o saldo negativo de IRPJ ora debatido. O valor submetido à apreciação deste colegiado é da ordem de R$ 56.907,76 (IRRF – swap). Da preliminar suscitada, entendo ser uma conseqüência dos Per/Dcomp o procedimento da turma julgadora em checar a existência, de fato, do valor do crédito que constitui o indébito tributário requerido pelos contribuintes, ao cuidarse de processos de restituição/compensação. Nestes casos, o litígio se instaura, primeiro, pelo indeferimento do pedido de restituição passando à não homologação os débitos, mera conseqüência. No despacho decisório, de pronto, indeferiuse as Dcomp porque o valor do crédito pleiteado, saldo negativo de IRPJ, não condizia com o valor informado pela recorrente a este mesmo título na DIPJ/04, utilizada no confronto eletrônico. A turma julgadora superou o erro inicial da recorrente, mas mister para deferir o crédito é a sua análise, incontinenti. No entanto, apesar de não considerar defeso este procedimento adotado pela primeira instância de julgamento, forçoso reconhecer que não foi concedido à recorrente a oportunidade de se manifestar sobre os valores que compõem o saldo negativo de IRPJ, cuja restituição é pleiteada pela contribuinte, devidamente informados na DIPJ/04. Sendo a composição deste valor o óbice ao deferimento da restituição/compensação, à recorrente deveria ter sido facultada a oportunidade de se manifestar a respeito, certamente antes desta fase recursal. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.904110/200899 Resolução nº 1801000.193 S1TE01 Fl. 8 7 Correto o acórdão combatido ao salientar a natureza jurídica das DIPJ, como meramente informativas, visto que não possuem o condão de constituir crédito tributário (diferentemente das DCTF), mas, observo, para a apreciação do litígio foi exatamente este o documento que a turma julgadora considerou. Assim, atribuiu às informações inseridas na DIPJ o substrato para a fundamentação do acórdão, sem melhor perquirir sobre estas informações. Em nenhum momento, nem quando da intimação realizada pela autoridade a quo, foi requerida a apresentação da contabilidade completa da contribuinte para verificarse, à luz da verdade material dos fatos, qual o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003. Analisando o que dos autos consta, verifico que, embora a recorrente não tenha informado qualquer valor na linha 21 da ficha 06A a título de “ganhos auferidos no mercado de renda variável, exc. daytrade”, fls. 87, razão pela qual a turma julgadora indeferiu em parte o direito creditório, na ficha 53 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte – a recorrente acusou exatamente os valores retidos pelas fontes pagadoras, inclusive os ganhos de swap – fls. 92. A recorrente informou, portanto, que percebeu as receitas na DIPJ. Um exame mais acurado era imprescindível para verificar sob qual rubrica declarou, ou melhor, se foram ou não efetivamente oferecidas à tributação. Mais significante é o fato de os valores, tanto das receitas, como das retenções, estarem confirmados nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras, consoante verificado e afirmado no acórdão recorrido. A ausência de informar o valor da receita de swap na linha pertinente da DIPJ não pode ser argumento suficiente para aferir que as receitas não foram oferecidas à tributação, sem afastarse a possibilidade de erro cometido, haja vista existirem outras rubricas na DIPJ nas quais indevidamente a recorrente pode ter informado tais receitas – em “outras receitas financeiras”, por exemplo. Da mesma forma que a turma julgadora a quo admitiu o erro de preenchimento das Dcomp quanto ao valor do crédito informado, poderia ter questionado sobre possível erro da recorrente ao declarar as receitas auferidas de swap. Somente a apresentação da contabilidade poderia comprovar o fundamento utilizado no acórdão recorrido. E, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), deveria a turma julgadora converter o julgamento na realização de diligência em busca da verdade retratada na contabilidade da empresa: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Digo deveria, apesar da redação do indigitado dispositivo, pois, no presente caso, afastaria o cerceamento de defesa da recorrente, que obteria a oportunidade processual para se manifestar a respeito da matéria que está a lhe subtrair um direito. Dispõe o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.904110/200899 Resolução nº 1801000.193 S1TE01 Fl. 9 8 Sem oferecer oportunidade à recorrente para se defender das razões de indeferimento, há cerceamento de defesa, acarretando a nulidade da decisão de primeira instância. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à Turma de Julgamento de Primeira Instância para a reanálise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio, após cientificar a recorrente das razões de indeferimento que não fundamentaram o despacho denegatório. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada. 1 Preliminarmente. Nulidade da Decisão No muito bem fundamentado voto da Ilustre Conselheira Relatora foram deduzidas as razões que a levaram a considerar nulo o acórdão prolatado pela Turma Julgadora de 1a. instância. Apesar de muito bem fundamentadas as razões, divirjo do posicionamento. Meu entendimento vai em outra direção. Não houve inovação nos fundamentos de decidir adotados pela Turma Julgadora de 1a. instância, como alega a defesa. Tampouco houve, no acórdão mencionado, cerceamento do direito de defesa, como entende a Ilustre Relatora. Com efeito, o próprio interessado, ao apresentar PERDCOMP reivindicando direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL já delimita, ele mesmo, o seu pedido à análise da composição desse saldo negativo reivindicado, pois é dever da autoridade administrativa, inclusive a de julgamento, aferir a certeza e liquidez do direito creditório invocado pelo interessado. E o saldo negativo, seja o de IRPJ, seja o de CSLL, é composto, também, por parcelas recolhidas por antecipação, a título de estimativas e a título de IRRF. Apesar de a DIPJ ser meramente informativa, como foi sobejamente consignado nos autos, o sujeito passivo tem o dever de prestar, corretamente, tais informações ao Fisco, sob pena, inclusive, de incorrer em falsidade. Assim, presumese, sempre, que as informações prestadas pelo sujeito passivo em DIPJ estão corretas. Quando o interessado invoca direito creditório a título de saldo negativo – IRPJ/CSLL a DIPJ é o primeiro elemento a ser analisado e as informações nela prestadas devem ser comparadas àquelas consignadas no PERDCOMP. Mas a Turma Julgadora “a quo”foi além em sua análise e estendeu suas pesquisas aos dados fornecidos por terceiros, constantes das DIRF pesquisadas. Portanto, a Turma Julgadora de 1a. instância agiu nos limites de sua atribuição, analisou a formação do crédito e indeferiu a parcela que considerou não comprovada, de acordo com os elementos de que dispunha e que constavam dos autos, especialmente no que toca às informações prestadas pelo interessado na DIPJ apresentada e nas informações prestadas por terceiros, em DIRF. Aquela autoridade considerou suficientes, para sua análise, e Fl. 218DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.904110/200899 Resolução nº 1801000.193 S1TE01 Fl. 10 9 para a formação de sua convicção, as informações constantes dos autos. E neste ponto destaco que tudo isso faz parte do campo do livre convencimento do julgador. Sob outro enfoque, poderia, a Turma Julgadora de 1a. instância ter avançado um pouco mais na sua análise e determinado a realização de diligências. Mas devemos observar que o termo “poderia” não deve ser entendido como “deveria”. O Decreto n º 70.235, de 1972 e alterações posteriores, PAF prevê que as diligências devem ser deferidas, a pedido ou de ofício, quando a autoridade encarregada do julgamento da lide julgálas necessárias e aquela autoridade não considerou necessária, naquela ocasião, a diligência. E isso também faz parte do livre convencimento do julgador. Entender de forma diversa é tolher a livre convicção do julgador. Consignouse, nos autos, que não é defeso o procedimento da Turma Julgadora de 1a. Instância que sequer considerou a necessidade de intimar a interessada a comprovar cada parcela formadora do saldo negativo. Ora, se não há vedação legal, não há que se falar em ilegalidade, âmbito no qual se insere o cerceamento do direito de defesa. Sendo a diligência uma faculdade, como bem salientou a Ilustre Conselheira Relatora, ela pode não ser exercida o que, de forma alguma, acarreta ilegalidade do ato. Fundamentando esse entendimento, transcrevo, uma vez mais, o dispositivo legal já mencionado pela Ilustre Relatora: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (*) destaques acrescidos Afasto, portanto, a preliminar de nulidade da decisão da autoridade julgadora “a quo”. Entendo, entretanto, e, enfatizo que tal entendimento é pessoal e, no máximo, compartilhado pelos membros desta Turma de Julgamento, que o processo deva ser melhor instruído a fim de auxiliar no deslinde do litígio. Por tal razão voto pela conversão do presente julgamento na realização de diligência, encaminhandose o presente processo ao órgão de origem para que a autoridade administrativa, em diligência fiscal: (i) intime a empresa interessada a demonstrar, mediante apresentação de elementos de sua escrituração contábil e fiscal, os valores de todas as receitas financeiras auferidas e os valores de IRRF, identificadas por tipo de receita e por código de tributo, respectivamente, demonstrando, ainda, se todas foram oferecidas à tributação, na DIPJ do exercício, ainda que tenham sido informadas em linha diversa ou equivocada da DIPJ; (ii) se necessário, também deverão ser intimadas as fontes pagadoras a informar os valores dos rendimentos pagos à empresa interessada e os respectivos valores retidos na fonte. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.904110/200899 Resolução nº 1801000.193 S1TE01 Fl. 11 10 Ao final dos trabalhos o agente encarregado deverá elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos trabalhos, no sentido de atender a esta solicitação, intimando a interessada do resultado, para que ofereça, no prazo legal de 30 dias a contar de sua intimação, suas considerações, se assim o desejar. Após a conclusão deverão os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento da análise do litígio. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Fl. 220DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10660.003671/2007-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS.
A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO
DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se
de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada
pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.639
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por unanimidade de
votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32-A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais
benéfica ao contribuinte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Ivacir Júlio de Souza – Presidente Substituto Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 421 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 401 a 445, apresentado contra Acórdão nº 0919.125 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Juiz de Fora MG, fls. 381 a 395, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária acessória, fl. 01, Auto de Infração – AI nº 37.034.7730, no montante de R$ 78.703,84 (setenta e oito mil, setecentos e três reais e oitenta e quatro centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 06, o Auto de Infração, de obrigação acessória, n° 37.034.7730, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 68, foi lavrado devido a Recorrente ter deixado de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações para a Previdência Social GFIP as Contribuições Patronais (EMPRESA + SAT) devidas no período de 01/2004 a 13/2006. O Relatório Fiscal da Infração, fls. 06, informa ainda que as Contribuições Patronais na GFIP é devida em função do "CANCELAMENTO" da isenção da cota patronal das Contribuições Previdenciárias em vigor no período de 23/10/1998 a 31/12/2003 (Ato Declaratório nº 11431/0022007, de 13 de fevereiro de 2007) a partir de 01/10/2004, por meio do Ato Cancelatório nº 001/2007, de 13 de fevereiro de 2007, observase que a Recorrente informa na GFIP o código FPAS 639 e recolhe as contribuições previdenciárias no código de pagamento 2305 (Filantrópicas com Isenção CNPJ). Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. A multa é apurada por competência, sendo seu valor total a soma dos valores de cada competência em que ocorreu a Infração. O Relatório Fiscal da Infração, fls. 06, mostra que a Recorrente não possui agravantes e nem atenuantes e é primaria. Foi emitido o Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 10 a 11, com ciência do contribuinte em 23.07.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº 478633514BR, bem como o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09412476F00, com período de apuração de 01/1997 a 12/2006, às fls. 09. O período objeto do Auto de Infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06, é de 01/2004 a 13/2006. A Recorrente teve ciência do AI no dia 17.09.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº 478636762BR, às fls. 59. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 422 5 A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 60 a 96, com Anexos às fls. 97 a 374, na qual relaciona os seguintes documentos: Doc. 1 Procuração; Doc. 2 Cadastro CNPJ, Estatuto Social e Ata de Eleição da Diretoria; Doc. 3 Declaração de Utilidade Pública Federal; Doc. 4 Declaração de Utilidade Pública Estadual; Doc. 5 Declaração de Utilidade Pública Municipal; Doc. 6 Declaração de Imunidade de Imposto de Renda Pessoa Jurídica; Doc. 7 Certificado de Entidade Beneficente e de Assistência Social CEBAS; Doc. 8 Certidão do CNAS sobre o pedido de Reconsideração; Doc. 9 Ato Cancelatório n° 001/2007 e Declaratõrio n° 11431/0022007; Doc. 10 Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos; Doc. 11 Registro no Conselho Nacional de Assistência Social CNAS; Doc. 12 Atestado de Funcionamento da Prefeitura Municipal de Santa Rita do Sapucaí; Doc. 13 Relatórios de Atividades dos anos 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006; Doc. 14 Demonstrativos Contábeis dos anos 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006; Doc. 15 Inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes CGC, Registro no Conselho Nacional de Serviço Social, Inscrição no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, Jurisprudências sobre decadência. No Anexo da Impugnação, às fls. 144, há a cópia do Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais nº 001/2007, datado de 13.02.2007, reconhecendo a isenção para o período 23.10.1998 a 31.12.2003. Ainda, no Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 143, há a cópia do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 11431/0022007, datado de 13.02.2007, com o cancelamento da isenção a partir de 01.01.2004, nestes termos: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 I Atestado de Registro junto ao C.N A.S. expedido conforme Processo n° 248512170 na Sessão realizada em 12/11/1970. II Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos expedido pelo CNAS através da Resolução n° 004/2003, conforme Processo n° 44006003682/200029, Publicado no D OU. em 10/0212003, com validade até 31/12/2003 III Utilidade Pública Federal concedida pelo Decr. N° 94.054 , publicado no D.O.U. de 25/02/1987; IV Isenção concedida através do Processo n°11625.01014/98 de 23/10/1998 V CANCELO, a partir de 01/01/2004 a isenção concedida à Entidade supra mencionada, com base no disposto no artigo 206 do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter infringido o disposto nos incisos II do artigo 55 da Lei n° 8.212 de 24 de julho de 1991. A Recorrida, conforme o Acórdão nº 0919.125 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Juiz de Fora MG, fls. 381 a 395, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/08/2007 INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A multa imposta por infração à norma previdenciária é reajustada nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. ENTIDADE ISENTA. REQUISITOS LEGAIS. NÃO ATENDIMENTO. ATO CANCELATÓRIO. Fica isenta das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei it 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que atenda cumulativamente os requisitos previstos no artigo 55 da referida lei. O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto na Lei n°8.212/1991. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 423 7 LEGALIDADE E/OU CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ARGÜIÇÃO. DESCABIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. O controle da legalidade/constitucionalidade de lei ou ato normativo é, em regra, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, cabendo ao fisco a aplicação do texto legal de eficácia no ordenamento jurídico. Lançamento Procedente Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o Auto de Infração AI DEBCAD N° 37.034.7730 e a penalidade imposta ao infrator no valor de R$78.703,84 (setenta e oito mil, setecentos e três reais e oitenta e quatro centavos). Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 (trinta) dias da ciência com redução de 25% (vinte e cinco por cento), salvo interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 305, § I' do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999 na redação dada pelo Decreto n°4.729, de 09/06/2003, combinados com o artigo 29 da Lei n° 11.457, de 16/03/2007, Encaminhese à Sacat/DRF Varginha/MG para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste acórdão e demais providências necessárias ao seu cumprimento. Sala de Sessões, em 27 de março de 2008. Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 401 a 445, onde alega, em apertada síntese: Em sede de Preliminar. (i) Dos fatos. Entendeu a decisão recorrida em manter a exigência fiscal contida na Notificação Fiscal de Débito Deb.Cad 37 034.773 0, relativa apresentação do documento a que se refere a lei ri.° 8212/91, art. 32, inciso IV, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias bem como por ter deixado de informar na guia de recolhimento do FGTS e informações para a previdência social GFIP, as Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 contribuições patronais devidas no período de 01/2004 a 13/2006. Esse entendimento, contudo, não deve prevalecer, pois tratase de entidade imune e está em discussão o cancelamento da isenção, ainda pendente de decisão final. Razão pela qual a entidade permanece gozando da imunidade até decisão final do CNAS sobre o pedido de reconsideração, e decisão final do Conselho de Contribuintes, sobre os recursos voluntários apresentados às NFLD´s n° 37.034.7684, 37.034.7692 e 37.034.7706, em que se discute o mencionado cancelamento. É, portanto, manifestamente incorreto o entendimento da fiscalização, por tratarse de entidade imune, não podendo ter tratamento de empresa, como pretende a fiscalização, razão pela qual a exigência não deve Prevalecer, como passa a recorrente a demonstrar. (ii) Da natureza jurídica da entidade e a imunidade tributária. Teceu comentários acerca da natureza jurídica da impugnante e sua imunidade tributária, alegando que a entidade sempre teve renovado o Certificado de Entidade Filantrópica, posto ser a recorrente entidade de caráter beneficente, filantrópico, de assistência social, de educação, cultural, de saúde, de estudo e pesquisa, desportivo e outros, sem fins lucrativos, constituída na forma de Associação, fundada em 30 de setembro de 1969, e devidamente registrada no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos e Registros de Protestos de Títulos de Santa Rita do Sapucaí estando o Estatuto (doc. 2), em seus arts. 1°, 2° e 4° (que definem o objetivo social), 45 e 46 (que disciplinam o patrimônio e as rendas da entidade. A entidade foi declarada de utilidade pública pelos Governos Federal, conforme Decreto 94.054 de 24/02/1987 (doc. 3); Estadual pela Lei n° 8.627 de 20/07/1984 (doc. 4); e Municipal pela Lei n° 878 de 27/11/1972 (doc. 5), sendo, ademais, reconhecida como de fins filantrópicos, durante mais de 30 (trinta anos), conforme atestado pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, e imune do Imposto de Renda, pela Receita Federal, anualmente (doc. 6). (iii) Da APAE e suas atividades sociais beneméritas. A APAE de Santa Rita do Sapucaí, fundada em 30 de setembro de 1969, e em pleno funcionamento desde então, vem auxiliando e contribuindo com a comunidade local e de municípios vizinhos, prestando inúmeros serviços à comunidade carente, tais como atendimento médico, ensino, esportes entre outros. É um modelo reconhecido de instituição voltada ao cuidado das crianças excepcionais. A APAE, nos termos de seu Estatuto Social, não remunera seus dirigentes e diretores e nem distribui lucros, bonificações, ou qualquer outra vantagem ou beneficio, a qualquer título. Todo o Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 424 9 serviço prestado pela APAE é gratuito, e sua renda advém unicamente de contribuições e doações de particulares e auxílios do Poder Público, conforme prevê seu Estatuto. (iv) O Ato Cancelatório expedido pelo INSS. Em 13/02/07 foi expedido pelo Chefe da Arrecadação da Delegacia da Receita Previdenciária de Varginha, Sr. Herivelto Alves de Mendonça, o Ato Cancelatório n° 001/2007 (doc. 9) da isenção gozada pela recorrente, face ao equivocado entendimento da fiscalização previdenciária de que a entidade não teria o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, por essa razão, teria descumprido as disposições do inciso II do art. 55 da Lei 8212/91. Foram então, lavrados os lançamentos contidos nas NFLD's n's 37.034.7706, 37.034.768 4 e 37.034.7706. A fiscalização do INSS poderia emitir ato cancelatório de isenção, se já houvesse sido proferida decisão definitiva, indeferindo a expedição do CEBAS o que não ocorreu até o presente momento (doc. 8). Isso porque, se o órgão competente do Ministério da Previdência e Assistência Social atesta que a instituição faz jus à imunidade, determinando, em conseqüência, a expedição do CEBAS, é defeso ao INSS pretender afastar, sem autorização legal, a desoneração reconhecida pelo órgão autorizado a tanto. Com efeito, se o INSS não pode emitir o Certificado, não tem, também, competência para emitir qualquer juízo sobre um Certificado emitido pelo órgão competente (art. 55, II, da Lei 8212/91), o que resulta na nulidade do ato Cancelatório da isenção n° 001/2007. (v) O conflito de competência entre o CNAS e o INSS. O art. 18, V, da Lei 8742/1993 estabelece competência EXCLUSIVA do CNAS para fixar as normas para a concessão de registros e certificado de fins filantrópicos às entidades, além de conceder Atestado de registro e Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (atual CEBAS), A fiscalização do INSS só pode emitir ato cancelatório de isenção se a entidade não for portadora do CEBAS. Isso porque se o órgão competente do Ministério da Previdência e Assistência Social atesta que a instituição faz jus à imunidade, determinando, em conseqüência, a expedição do CEBAS, é defeso ao INSS pretender afastar, sem autorização legal, a desoneração que foi reconhecida pelo órgão autorizado a tanto. No caso da recorrente, a NFLD n° 37.034.7706 exige Contribuições Sociais Previdenciárias do período de 01/2004 a 01/2006, sem considerar o pedido de reconsideração (Processo Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 71010.001665/200744), o qual está em análise, conforme prova o documento anexo aos autos (doc. 8), expedido pelo CNAS. Ou seja, em 10/02/2003, houve a renovação do certificado para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003, sendo indeferido o pedido de renovação para os exercícios posteriores (Resolução n° 251/2006) e que a Recorrente apresentou pedido de reconsideração junto ao CNAS (Processo n°71010.001665/2007 44), o qual está sob análise. A Recorrente preenche todos os requisitos legais, tanto da Lei 8212/91 (art.55) como do art. 14 do CTN, razão pela qual sempre teve renovado o seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, não podendo o INSS interferir na competência do CNAS, órgão que examinou e avaliou os documentos apresentados pela recorrente e a considerou apta a usufruir da imunidade tributária. Por tais razões, não poderia ser lavrada a NFLD. (vi) Do exame no processo administrativo de questões de natureza constitucional e ilegalidade Não há, pois, como deixar de ser examinada matéria constitucional alegada pela Recorrente em sua defesa e agora reiterada no presente recurso, sob pena de restar violado o seu direito de ampla defesa assegurado pela Constituição. E ampla defesa compreendese toda matéria argüida pela Recorrente, juridicamente válida, "falecendo competência ao órgão Julgador", isto sim, de dizer o que pode julgar e o que não pode julgar no processo administrativo. A Recorrente ao alegar matéria constitucional em sua defesa não pediu ao órgão julgador administrativo a declaração de inconstitucionalidade da lei, função Que deve ser exercida pelo Poder Judiciário, em função do principio da reserva de jurisdição, mas tão somente que fosse cumprida a Constituição. Quando os contribuintes alegam a inconstitucionalidade de uma lei, não pedem aos tribunais administrativos que ´declare a inconstitucionalidade da lei'. mas que façam cumprir a Constituição. Pedem, na realidade, que determinado dispositivo de lei não seja aplicado àquele caso concreto, por ser inconstitucional. Do Mérito. (vii) Da imunidade tributária. No mérito, a recorrente é titular de imunidade tributária, que lhe põe a salvo das Contribuições exigidas ilegitimamente na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de vez que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para enquadrarse na situação descrita no art. 195, § 70 da CF. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 425 11 Está, portanto, desonerada de exações tributárias, na forma da Lei 11.096/2005. Elenca os documentos com os quais cumpre os requisitos para a imunidade tributária: 1) Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, concedido em 05/07/1973, pelo Processo n° 237.138/73, com validade para o período de 01/01/1998 a 31/12/2000 (doc. 10); 2) Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS renovado para o período de 01/01/2001 a31/12/2003 (doc. 7); 3) Certidão emitida pelo Conselho Nacional de Assistência Social, em 17/08/2007, atestando que o pedido de Reconsideração, para a renovação do CEAS, pelo Processo 71010.001665/2007 44 , ainda se encontra em análise (doc. 8); 4) Atestado de Registro da Entidade junto ao Ministério do Bem Estar Social e o Conselho Nacional de Assistência Social, desde 12/11/1970 (doc. 11); 5) Atestado de Funcionamento expedido pela Prefeitura Municipal de Santa Rita do Sapucaí, que certifica que a Entidade está em pleno e regular funcionamento desde 30/09/1969, cumprindo suas finalidades estatutárias e sociais no que concerne às atividades assistenciais, beneficentes e filantrópicas (doc. 12); 6) Relatórios anuais das atividades desenvolvidas pela entidade nos anos de 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006 e demonstrações contábeis relativas aos anos de 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006 que comprovam a sua adequação em todos os aspectos relevantes, de acordo com as práticas contábeis emanadas da legislação de regência (docs. 13 e 14). Ora, conforme demonstrado, sendo a imunidade do art. 195 § 7º da CF. uma limitação ao poder de tributar, não pode o legislador ordinário criar outros requisitos para o seu gozo que não os do art. 14 do CTN, em face do disposto no art. 146, II da Lei Fundamental. Vale dizer: o art. 195, parágrafo 7° da Carta coloca sob reserva legal a definição do conceito de entidade beneficente de assistência social, mediante a indicação dos comportamentos que a habilitem ao gozo da imunidade, observado o perfil traçado pelo texto maior. O conceito de entidade beneficente de assistência social tem suas balizas estabelecidas no próprio texto constitucional. Nem o legislador ordinário nem tampouco a autoridade administrativa podem ultrapassálas, sob pena de criar restrições à imunidade do art. 195, § 7º da CF, incidindo em violação á Lei Maior. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 (viii) Da suposta Infração cometida Alega a fiscalização que a recorrente deixou de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações para a Previdência Social GFIP as contribuições patronais (empresa + SAT) devidas no período de 01/2004 a 13/2006. A informação das contribuições patronais é devida em função do cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias. Ocorre que conforme exaustivamente exposto acima, a APAE de Santa Rita do Sapucaí é entidade imune, estando, portanto dispensada da apresentação das mencionadas informações. (ix) Descabimento de aplicação de taxa SELIC. Descabe a incidência, sobre o principal, da Taxa SELIC, a título de correção monetária, em razão de referido índice ter natureza de juros remuneratórios, que são inaplicáveis ao crédito tributário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 447. É o Relatório. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 426 13 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 447. DO DEPÓSITO RECURSAL O Supremo Tribunal Federal – STF editou a Súmula Vinculante nº 21 que afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da validade da autuação fiscal. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 14 Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. Mandado de Procedimento Fiscal MPF; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF; h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 427 15 multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. (vi) Da inconstitucionalidade violação a preceitos constitucionais. O Recorrente argumenta em relação à violação a preceitos constitucionais: Do exame no processo administrativo de questões de natureza constitucional e ilegalidade. Não há, pois, como deixar de ser examinada matéria constitucional alegada pela Recorrente em sua defesa e agora reiterada no presente recurso, sob pena de restar violado o seu direito de ampla defesa assegurado pela Constituição. E ampla defesa compreendese toda matéria argüida pela Recorrente, juridicamente válida, "falecendo competência ao órgão Julgador", isto sim, de dizer o que pode julgar e o que não pode julgar no processo administrativo. A Recorrente ao alegar matéria constitucional em sua defesa não pediu ao órgão julgador administrativo a declaração de inconstitucionalidade da lei, função Que deve ser exercida pelo Poder Judiciário, em função do principio da reserva de jurisdição, mas tão somente que fosse cumprida a Constituição. Quando os contribuintes alegam a inconstitucionalidade de uma lei, não pedem aos tribunais administrativos que ´declare a inconstitucionalidade da lei, mas que façam cumprir a Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 16 Constituição. Pedem, na realidade, que determinado dispositivo de lei não seja aplicado àquele caso concreto, por ser inconstitucional. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Fl. 16DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 428 17 Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (ii) Da natureza jurídica da entidade e a imunidade tributária. Teceu comentários acerca da natureza jurídica da impugnante e sua imunidade tributária, alegando que a entidade sempre teve renovado o Certificado de Entidade Filantrópica, posto ser a recorrente entidade de caráter beneficente, filantrópico, de assistência social, de educação, cultural, de saúde, de estudo e pesquisa, desportivo e outros, sem fins lucrativos, constituída na forma de Associação, fundada em 30 de setembro de 1969, e devidamente registrada no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos e Registros de Protestos de Títulos de Santa Rita do Sapucaí estando o Estatuto (doc. 2), em seus arts. 1°, 2° e 4° (que definem o objetivo social), 45 e 46 (que disciplinam o patrimônio e as rendas da entidade.(...) (iii) Da APAE e suas atividades sociais beneméritas. A APAE de Santa Rita do Sapucaí, fundada em 30 de setembro de 1969, e em pleno funcionamento desde então, vem auxiliando e contribuindo com a comunidade local e de municípios vizinhos, prestando inúmeros serviços à comunidade carente, tais como atendimento médico, ensino, esportes entre outros. É um modelo reconhecido de instituição voltada ao cuidado das crianças excepcionais. (...) (vii) Da imunidade tributária. No mérito, a recorrente é titular de imunidade tributária, que lhe põe a salvo das Contribuições exigidas ilegitimamente na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de vez que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para enquadrarse na situação descrita no art. 195, § 70 da CF. Está, portanto, desonerada de exações tributárias, na forma da Lei 11.096/2005. (...) Analisemos estes tópicos (ii), (iii), e (vii). Fl. 17DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 18 Em que pese a argumentação do Recorrente, em relação ao art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988 – CRFB/1988, observemos que o Supremo Tribunal Federal – STF na ADI 2.028 – 5 (vide também a ADI 2.0366, no mesmo sentido) assentou jurisprudência no sentido de que não há inconstitucionalidade no disciplinamento da imunidade prevista no art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, por lei ordinária. Neste sentido, pela clareza de suas lições, confirase o entendimento exarado no voto proferido pelo Ministro José Carlos Moreira Alves: Ou seja, o art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, remete a Lei ordinária, quanto à isenção das contribuições previdenciárias: "Art. 195 (..) § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." (gn) Por outro lado, lembremos que é vedado ao Conselheiro do CARF afastar a aplicação de lei ou ato normativo por inconstitucionalidade, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 429 19 Então, colacionando a decisão liminar julgada pelo Pleno do STF na ADI 2.028 – 5, na relatoria do eminente Min. Moreira Alves, de modo a implicar na restauração da redação original do art. 55, Lei 8.212/1991: Decisão : O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5º, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99. O citado dispositivo, art. 195, § 7º, CRFB/1988, remete à lei ordinária a incumbência da definição das exigências a serem atendidas pelas entidades beneficentes para gozarem de isenção das contribuições previdenciárias, exigências estas insculpidas no art. 55 da Lei n° 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I — seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal,. II — seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III —promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV — não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97). § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 20 Da leitura do regramento legal acima, concluise que a entidade beneficente, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, todos os requisitos dos incisos I a V do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. A forma de apresentação do requerimento está disciplinada no art. 208 do Decreto n°3.048/1999, com a redação à época dos fatos: Art.208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos: I decretos declaratórios de entidade de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) III estatuto da entidade com a respectiva certidão de registro em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; IV ata de eleição ou nomeação da diretoria em exercício, registrada em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; V comprovante de entrega da declaração de imunidade do imposto de renda de pessoa jurídica, fornecido pelo setor competente do Ministério da Fazenda; VI relação nominal de todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, identificados pelos respectivos números de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou matrícula no Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social; e VII resumo de informações de assistência social, em formulário próprio. §1º O Instituto Nacional do Seguro Social decidirá sobre o pedido no prazo de trinta dias contados da data do protocolo. §2º Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo. §3ºA existência de débito em nome da requerente constitui impedimento ao deferimento do pedido até que seja regularizada a situação da entidade requerente, hipótese em que a decisão concessória da isenção produzirá efeitos a partir do 1º dia do mês em que for comprovada a regularização da situação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4º No caso de não ser proferida a decisão de que trata o §1º, o interessado poderá reclamar à autoridade superior, que Fl. 20DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 430 21 apreciará o pedido da concessão da isenção requerida e promoverá a apuração de eventual responsabilidade do servidor omisso, se for o caso. §5º Indeferido o pedido de isenção, cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidirá por uma de suas Câmaras de Julgamento. §6º Os documentos referidos nos incisos I a V poderão ser apresentados por cópia, conferida e autenticada pelo servidor encarregado da instrução, à vista dos respectivos originais. Feito o requerimento, o órgão competente decidirá em 30 (trinta) dias sobre o pedido e, em caso de deferimento, emitirá Ato Declaratório, com efeitos a partir da data do seu protocolo. A titulo de esclarecimento o órgão competente era até 27/10/2004 o Instituto Nacional do Seguro Social INSS; de 28/10/2004 a 14108/2005 e 19/11/2005 a 01/05/2007 a Secretaria da Receita Previdenciária SRP, criada pela MP 222 de 04/10/2004, convertida na Lei 11.098/2005; de 15/08/2005 a 18/11/2005 e a partir de 02/05/2007 a Receita Federal do Brasil RFB, por força da MP n°258, de 21/07/2005 e da Lei n° 11.457/2007, respectivamente. Atestou o Relatório Fiscal, às fls. 25 a 27, que a Recorrente teve o cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a partir de 01.01.2004, nos termos do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 11431/0022007, datado de 13.02.2007, por ter infringido o disposto no inciso II do artigo 55 da Lei n° 8.212 de 24 de julho de 1991. Então, conforme estabelece a legislação já mencionada, ou seja, art. 55, Lei 8.212/1991 c/c art. 208 do Decreto n°3.048/1999, a Recorrente está assim obrigada a recolher as contribuições previdenciárias integralmente, ou seja, relativas à parte dos segurados, da empresa e de Terceiros. Feitas essas considerações ficou demonstrado que, ao contrário da argumentação do Recorrente, ele não faz jus no período notificado à isenção de contribuições previdenciárias. (iv)_ O Ato Cancelatório expedido pelo INSS. Em 13/02/07 foi expedido pelo Chefe da Arrecadação da Delegacia da Receita Previdenciária de Varginha, Sr. Herivelto Alves de Mendonça, o Ato Cancelatório n° 001/2007 (doc. 9) da isenção gozada pela recorrente, face ao equivocado entendimento da fiscalização previdenciária de que a entidade não teria o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, por essa razão, teria descumprido as disposições do inciso II do art. 55 da Lei 8212/91. Foram então, lavrados os Fl. 21DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 22 lançamentos contidos nas NFLD's n's 37.034.7692, 37.034.768 4 e 37.034.7692. (...) (v) O conflito de competência entre o CNAS e o INSS. O art. 18, V, da Lei 8742/1993 estabelece competência EXCLUSIVA do CNAS para fixar as normas para a concessão de registros e certificado de fins filantrópicos às entidades, além de conceder Atestado de registro e Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (atual CEBAS),(...) Analisemos estes tópicos (iv) e (v). Conforme o Relatório Fiscal, fls. 25 a 27, considerandose a ocorrência do cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a partir de 01/01/2004, por meio do Ato Cancelatório n 0 001/2007, de 13 de fevereiro de 2007, procedeu se à apuração das contribuições patronais, inclusive das contribuições de terceiros, devidas no período de 01/2004 a 12/2006, efetuando o lançamento do respectivo credito: 5.1 As bases de calculo, definidas pelas remunerações devidas, creditadas ou pagas aos segurados empregados foram apuradas nos Resumos da Folhas de Pagamento, devidamente informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações para a Previdência Social — GFIP nos períodos de 12/2004 a 12/2006. 5.2 Cabe ressaltar que a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias esteve em vigor no período de 23/10/1998 a 31/12/2003 pelo Ato Declaratório n° 11431/002 2007, de 13 de fevereiro de 2007. No Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 29, há a cópia do Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais nº 001/2007, datado de 13.02.2007, reconhecendo a isenção para o período 23.10.1998 a 31.12.2003. Ainda, no Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 30, há a cópia do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 11431/0022007, datado de 13.02.2007, com o cancelamento da isenção a partir de 01.01.2004, nestes termos: I Atestado de Registro junto ao C.N A.S. expedido conforme Processo n° 248512170 na Sessão realizada em 12/11/1970. II Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos expedido pelo CNAS através da Resolução n° 004/2003, conforme Processo n° 44006003682/200029, Publicado no D OU. em 10/0212003, com validade até 31/12/2003 III Utilidade Pública Federal concedida pelo Decr. N° 94.054 , publicado no D.O.U. de 25/02/1987; IV Isenção concedida através do Processo n°11625.01014/98 de 23/10/1998 Fl. 22DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 431 23 V CANCELO, a partir de 01/01/2004 a isenção concedida à Entidade supra mencionada, com base no disposto no artigo 206 do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter infringido o disposto nos incisos II do artigo 55 da Lei n° 8.212 de 24 de julho de 1991. Observase que o art. 55, Lei 8.212/1991, com a redação à época: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). (...) II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Em relação ao direito à isenção enquanto estiver pendente de decisão o pedido de reconsideração encaminhado ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, não prospera a argumentação da Recorrente pois não há qualquer efeito suspensivo em tal pedido de reconsideração ao CNAS. O Regimento Interno do CNAS, aprovado pela Resolução 177, de 08/12/2004, com a consolidação atual, aponta no art. 41 que o pedido de reconsideração e o recurso interposto na decisão do CNAS não terão efeito suspensivo: Seção IV Do Pedido de Reconsideração e do Recurso Art. 39. Caberá pedido de Reconsideração ao próprio CNAS, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da recepção do Aviso do Recebimento – AR notificatório, no caso de indeferimento de pedidos de Registro, Concessão ou Renovação de CEAS e Manifestação sobre Isenção de Impostos de Importação. § 1º Os pedidos de reconsideração aos indeferimentos do Registro e/ou concessão ou renovação do CEAS e Manifestação sobre Isenção de Imposto de Importação, terão suas Notas Técnicas submetidas à aprovação de uma junta composta pelo Secretário Executivo, pelo/a Coordenador(a) e Chefe do Serviço responsáveis pela elaboração das notas técnicas. § 2º Os processos referentes aos pedidos de reconsideração obedecerão ao mesmo trâmite de distribuição e julgamento relativos aos pedidos de Registro, de concessão ou renovação do CEAS. Art. 40. Mantido o indeferimento, pelo Plenário, caberá recurso ao Ministro de Estado do Ministério da Previdência Social Fl. 23DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 24 MPS, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da publicação da resolução no Diário Oficial da União, sendo legitimados para interpor o recurso a entidade interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Art. 41. O pedido de reconsideração e o recurso interposto na decisão do CNAS não terão efeito suspensivo. Outrossim, o argumento utilizado pela Recorrente acerca do conflito de competências entre o INSS e o CNAS também não merece prosperar pois as esferas de competência dos órgãos estão delimitadas pelas legislações respectivas, o que afasta de plano a análise e julgamento por esta E. Turma de possíveis ilações a respeito de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades no desempenho das atribuições cometidas a tais órgãos posto que a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda assim, anotese que a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, nos termos do Parecer CJ nº. 3.093/2003, aponta a competência legal do INSS para o cancelamento da isenção relacionada ao art. 55, Lei 8.212/1991, ainda que possuam o CEBAS em vigor: PARECER/CJ n º 3.093/03 ASSUNTO: Isenção do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Cancelamento EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ARE 55 DA LEI N` 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL — INSS. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8212/91. ainda que possuam CERAS em vigor. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitas previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 432 25 Do Mérito. (vii) Da imunidade tributária. No mérito, a recorrente é titular de imunidade tributária, que lhe põe a salvo das Contribuições exigidas ilegitimamente na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de vez que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para enquadrarse na situação descrita no art. 195, § 70 da CF. Está, portanto, desonerada de exações tributárias, na forma da Lei 11.096/2005. (...) (viii) Da suposta Infração cometida Alega a fiscalização que a recorrente deixou de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações para a Previdência Social GFIP as contribuições patronais (empresa + SAT) devidas no período de 01/2004 a 13/2006. A informação das contribuições patronais é devida em função do cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias. Ocorre que conforme exaustivamente exposto acima, a APAE de Santa Rita do Sapucaí é entidade imune, estando, portanto dispensada da apresentação das mencionadas informações. Analisemos os itens (vii) e (viii). Não prospera tal argumentação da Recorrente pois a questão relativa à disciplina legal da isenção já foi discutida nos tópicos (ii) e (iii) acima, com a aplicação do art. 55 da Lei 8.212/1991, nos termos da ADI 2.0285, STF, ou seja, com vigência da redação original do art. 55 da Lei 8.212/1991. Observase assim que o Recorrente, nos termos do Relatório Fiscal, às fls. 25 a 27, não cumpriu cumulativamente os requisitos elencados no art. 55, Lei 8.212/1991, em especial o do inciso II, a de que seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, com isso não ensejando os benefícios da isenção de contribuições previdenciárias relacionadas à imunidade de entidades beneficentes. Por outro lado, constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 26 Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração e do Demonstrativo do Cálculo da Multa, às fls. 06 a 07, a Recorrente não informou nas GFIP das competências 01/2004 a 13/2006 os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (cota patronal), infringindo, assim, os dispositivos legais supracitados. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, de modo a que tratase de autuação lavrada contra a Recorrente tendo em vista a constatação fiscal da prática da infração descrita no artigo 32, inciso IV e § 5 0, da Lei n° 8.212/91 na redação dada pela Lei n° 9.528/1997 combinada com o contido no artigo 225, inciso IV e § 40, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. (ix) Descabimento de aplicação de taxa SELIC. Descabe a incidência, sobre o principal, da Taxa SELIC, a título de correção monetária, em razão de referido índice ter natureza de juros remuneratórios, que são inaplicáveis ao crédito tributário. Analisemos. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91 (com a redação à época dos fatos): Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Fl. 26DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 433 27 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 27DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 28 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.042.9893, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 28DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003671/200797 Acórdão n.º 240300.639 S2C4T3 Fl. 434 29 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as PRELIMINARES suscitadas e, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 29DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 10166.721780/2009-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. REGULARIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO EFETUADO COM BASE NO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO.
A empresa excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão.
VALORES PAGOS A TÍTULO DE VALE ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO IN
NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. PRÉ-REQUISITO
Se a empresa realiza o pagamento aos seus segurados em cesta básica, espécie de salário in natura, deverá esta ser inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, sob pena de não ter excluída esta verba do salário de contribuição.
VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. CARÁTER NÃO SALARIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N 478.410/SP. UNANIMIDADE DE VOTOS. CONTROLE DIFUSO. TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. EFEITOS ERGA OMNES. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O vale-transporte pago em pecúnia, mediante crédito na conta corrente dos segurados, não afeta a natureza jurídica de ser não salarial, segundo entendimento proferido no Recurso Extraordinário n 478.410/SP por unanimidade de votos.
Sendo o recurso extraordinário instrumento de apreciação da
constitucionalidade pela via difusa, há de se prevalecer a corrente que defende a Teoria da Transcendência dos Motivos Determinantes, a qual admite que a decisão proferida nessa modalidade de controle tenha efeitos erga omnes, hipótese em que a contribuição previdenciária não incidirá sobre a verba.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.612
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre o vale transporte, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com o
disciplinado no art. 35 “caput” da Lei 8.212/1, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, na questão do PAT (Programa de Alimentação ao Trabalhador). Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza na questão do vale transporte e o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão do vale transporte e da multa de mora.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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REGULARIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO EFETUADO COM BASE NO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO. A empresa excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. VALORES PAGOS A TÍTULO DE VALE ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. PRÉREQUISITO. Se a empresa realiza o pagamento aos seus segurados em cesta básica, espécie de salário in natura, deverá esta ser inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, sob pena de não ter excluída esta verba do saláriodecontribuição. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. CARÁTER NÃO SALARIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N 478.410/SP. UNANIMIDADE DE VOTOS. CONTROLE DIFUSO. TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. EFEITOS ERGA OMNES. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O valetransporte pago em pecúnia, mediante crédito na conta corrente dos segurados, não afeta a natureza jurídica de ser não salarial, segundo entendimento proferido no Recurso Extraordinário n 478.410/SP por unanimidade de votos. Sendo o recurso extraordinário instrumento de apreciação da constitucionalidade pela via difusa, há de se prevalecer a corrente que defende a Teoria da Transcendência dos Motivos Determinantes, a qual Fl. 1151DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 2 admite que a decisão proferida nessa modalidade de controle tenha efeitos erga omnes, hipótese em que a contribuição previdenciária não incidirá sobre a verba. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre o vale transporte, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com o disciplinado no art. 35 “caput” da Lei 8.212/1, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, na questão do PAT (Programa de Alimentação ao Trabalhador). Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza na questão do vale transporte e o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão do vale transporte e da multa de mora. Ivacir Júlio de Souza – Presidente Substituto. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 1152DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 10166.721780/200932 Acórdão n.º 2403000.612 S2C4T3 Fl. 1.151 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração de Obrigação Principal n 37.201.2175, no valor de R$ 795.613,37 (setecentos e noventa e cinco mil, seiscentos e treze reais e trinta e sete centavos). Segundo o relatório fiscal, a fiscalização procedeu à lavratura desse Auto de Infração de Obrigação Principal ao verificar que algumas parcelas não integraram a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias relativas à quota patronal (ausência de informação por GFIP ou que, mesmo tendo havido a prestação de informações, foi informado indevidamente que a empresa seria optante do SIMPLES ). A autuação visou constituir crédito tributário sobre os valores relativos à diferença de base de cálculo considerada pela empresa, à alimentação paga em pecúnia, ao transporte pago em pecúnia, ao prolabore e às verbas referentes à gratificação e hora extra. O período objeto da fiscalização compreendeu, em geral, as competências 01/2005 a 12/2007. Ademais, consta ainda do relato fiscal, que a autoridade lançadora verificou que a empresa apresentou GFIP declarandose como optante do SIMPLES no período de 01/2005 a 12/2007, ou seja, estaria a pessoa jurídica amparada pelo regime simplificado de arrecadação quando da realização da auditoria. Todavia, a fiscalização concluiu, através do exame de diversos documentos analisados, que a empresa autuada, ora recorrente, não estava inscrita nesse regime de tributação simplificado, tendo sido, conforme a base de dados da Receita Federal do Brasil, inscrita no SIMPLES somente no período de 01/01/1997 a 31/12/2001. Aduziu informando que, pela ausência de apresentação dos livros contábeis referentes ao ano de 2005 e 2006, utilizouse em algumas situações da aferição indireta prevista no art.33 da Lei n 8.212/91. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 29/09/2009 e apresentou impugnação, alegando em síntese: Que estava inscrita no SIMPLES, tendo sido excluída pelo Ato Declaratório n 23 do Delegado da Receita Federal em Osasco, o qual é nulo por estar eivado de vício, tendo em vista só ter tomado conhecimento do ato após a lavratura do Auto de Infração; Que o ato declaratório de exclusão não pode gerar efeitos retroativos, trazendo jurisprudências para fundamentar o pleito; Fl. 1153DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 4 Com relação ao prólabore e às gratificações, os pagamentos que foram realizados vinculamse à exclusão do simples; Com relação à parcela do vale alimentação, que os documentos anexados aos autos referemse a relatórios enviados ao Banco do Brasil para controle do que seria objeto de despesa, bem como a recibos emitidos em nome de outra empresa, de modo que a inclusão de tal parcela na base de cálculo seria indevida; Que os recibos constantes no anexo V, referentes a vale transporte, são apenas controles, tendo a empresa recebido os vales de acordo com a legislação regente. Por fim, concluiu que o Auto de Infração deveria ser desconsiderado, tendo em vista que ocorreu recolhimento previdenciário em consonância com a legislação. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7 Turma da DRJ de Brasília/DF proferiu acórdão (n 0337.841) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. REGULARIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO EFETUADO COM BASE NO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO. A empresa excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ALIMENTAÇÃO.INSCRIÇÃO. PAT. AUSÊNCIA. Integram o saláriodecontribuição os valores pagos a título de alimentação, em desacordo com o PAT Lei 6.321/76. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valetransporte pago em espécie em desacordo com a legislação própria (Lei 7418/85 e Decreto 95247/87) constitui saláriodecontribuição, não sendo alcançado pela hipótese de exclusão previdenciária prevista no art. 28, § 9º, alínea “f” da Lei 8212/91. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignada com a decisão supra, a recorrente apresentou recurso voluntário, ratificando todos os argumentos anteriormente expendidos na impugnação. Fl. 1154DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 10166.721780/200932 Acórdão n.º 2403000.612 S2C4T3 Fl. 1.152 5 É o relatório. Fl. 1155DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES E AS VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PRÓLABORE, GRATIFICAÇÕES E HORASEXTRAS: A recorrente afirma que o julgador de 1 instancia considerou como válido o ato de exclusão da empresa do SIMPLES, destacando que à época do fato gerador ela tinha plena convicção de que se encontrava enquadrada nesse regime de tributação, considerando que o próprio sistema da Receita Federal admitiaa como integrante de referido sistema. Todavia, não há como prosperar tais argumentos, tendo em vista que a opção por ser integrante do SIMPLES é facultada pelo fisco, mas as informações contidas no sistema eletrônico são de inteira responsabilidade do contribuinte, que deve se atentar ao preenchimento dos requisitos para ser tributado sob esse regime. Assim, caso seja verificada alguma ocorrência que possa excluir a empresa do SIMPLES, a exclusão será feita mediante um processo administrativo e, ao fim, terá a expedição de um Ato Declaratório. No caso em tela, o processo 10882.000914/200640 tratou da exclusão do sujeito passivo do SIMPLES e oportunizou ao contribuinte a possibilidade de manifestarse contra essa insurgência do fisco de tentar excluílo do regime simplificado. Ao final do processo, houve a expedição do Ato Declaratório Executivo 23 pela Delegacia da Receita Federal, que comunicou à recorrente sua exclusão, tendo sido cientificada do ato em 14/08/2006, ou seja, muito antes da ciência da lavratura do Auto de Infração, que só ocorreu em 29/09/2009, o que vai de encontro ao argumento do contribuinte em alegar que tomou conhecimento da exclusão somente após a autuação. Com relação aos efeitos que tal Ato Declaratório produzirá, cabe destacar que à época da exclusão da empresa do SIMPLES estava vigente a Lei n 9.317/96, a qual permaneceu vigente até 30 de junho de 2007, tendo em vista que o art.89 da Lei Complementar n 123/2006 prelecionou que a partir de 01/07/2007 as disposições da Lei 9.317/96 estariam revogadas. Desse modo, estando vigente a Lei n 9.317/96 à época do procedimento que culminou na exclusão da empresa do SIMPLES, suas disposições devem ser respeitadas, principalmente no que concerne aos efeitos, os quais, segundo essa legislação, atingiriam os fatos ocorridos desde 1 de janeiro de 2001. Durante a fiscalização, foi constatado que o período objeto da auditoria (01/2005 a 12/2007) não estava acobertado pelo SIMPLES, motivo pelo qual a tributação a incidir nesse lapso temporal deve ser aquela exigida das demais pessoas jurídicas. Assim, considerando que os valores relativos ao prólabore, gratificações e horasextras só seriam indevidos se o enquadramento da empresa no SIMPLES estivesse Fl. 1156DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 10166.721780/200932 Acórdão n.º 2403000.612 S2C4T3 Fl. 1.153 7 correto, mantenho o lançamento dessas parcelas por entender que a recorrente foi excluída devidamente do regime de tributação simplificado. II – DOS VALORES RELATIVOS AO PAT: Com relação à parcela do vale alimentação, a recorrente afirmou que os documentos anexados aos autos referemse a relatórios enviados ao Banco do Brasil para controle do que seria objeto de despesa, bem como a recibos emitidos em nome de outra empresa, de modo que a inclusão de tal parcela na base de cálculo seria indevida. Vale destacar que o objetivo da recorrente foi provar que não houve o pagamento da parcela relativa ao vale alimentação em pecúnia, haja vista que os relatórios atestam apenas uma previsão de gastos com os empregados em relação à alimentação. Todavia, a recorrente está sendo cobrada desse levantamento por outro motivo e não pelo fato de ter supostamente realizado o pagamento da verba em dinheiro, pois, segundo a fiscalização, a empresa pagava a verba aos segurados sem possuir inscrição no PAT, o que vai de encontro à legislação que prevê a exclusão da parcela da base de cálculo da contribuição previdenciária, então vejamos: A Lei n 8.212/91, em seu art.28, determina que apenas será excluída da base de cálculo da contribuição social previdenciária a parcela concedida in natura e paga de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Então vejamos, in verbis: Art.28 – (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Pelo transcrito, percebese que é imprescindível que haja a prévia inscrição da empresa ao Programa de Alimentação cuja aprovação ficará a cargo do Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Além disso, mesmo que a recorrente estivesse inscrita no PAT, ainda assim deveria ser obrigada ao pagamento da parcela relacionada ao vale alimentação, tendo em vista que os relatórios enviados pela empresa ao Banco do Brasil determinam a liberação de valores para serem creditados na conta corrente dos empregados, o que comprova o pagamento por pecúnia. Contudo, levando em consideração que a empresa recorrente não se encontrava inscrita no programa de alimentação do Governo Federal (Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT), durante o período objeto da fiscalização, fica Fl. 1157DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 8 prejudicada a exclusão da parcela in natura (cestas básicas, refeição, alimentação) da base de cálculo da contribuição social previdenciária face à ausência do requisito previsto na Lei n 8.212/91. III – DO VALOR PAGO A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE: A recorrente alega que a parcela paga a título de vale transporte não deve integrar a base de cálculo da contribuição social previdenciária, tendo em vista que os recibos constantes no anexo V, referentes a vale transporte, são apenas controles, tendo a empresa recebido os vales de acordo com a legislação regente. Vale destacar que, segundo a fiscalização, a parcela valetransporte não deverá compor a base de cálculo da contribuição previdenciária, desde que o pagamento ocorra em respeito à legislação regente, a qual veda a substituição dos vales por dinheiro/pecúnia, vejamos: Lei n 8.212/91. Art.28 – (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Pelo exposto, só há exclusão se o valetransporte for pago em acordo com a legislação própria, vejamos os instrumentos normativos que tratam dessa parcela: Lei n 7.418/85: Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Decreto n 95.247/87: Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. Pelo transcrito, caso o empregador não adquira os valestransporte necessários aos deslocamentos de seus trabalhadores, distribuindoos posteriormente, e, ao Fl. 1158DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 10166.721780/200932 Acórdão n.º 2403000.612 S2C4T3 Fl. 1.154 9 invés disso, pagar os vales em pecúnia, a contribuição social previdenciária incidirá sobre tal parcela, haja vista o não cumprimento de exigência legal. Ressaltese que há uma ressalva para que a contribuição não incida sobre as parcelas pagas aos segurados a título de valetransporte, que é a hipótese de faltar ou estiver insuficiente o estoque de valestransporte. Todavia, devese analisar que a realidade mostrase diferente, pois, nos dias atuais, é difícil encontrar uma empresa que forneça valestransporte em espécie, até mesmo pela facilidade que se tem de creditar o valor relativo aos vales em contacorrente. Lembrese que o Decreto 95.247, que regulamente tal benefício, é de 17 de novembro de 1985, época em que a dinâmica empresarial era outra. Além disso, vale trazer à baila uma decisão da Corte Suprema (Recurso Extraordinário n 478.410/SP) que admite a exclusão da parcela paga em dinheiro a título de valetransporte da base de cálculo da contribuição previdenciária. Há de ressaltar que os efeitos de uma decisão proferida em Recurso Extraordinário, via controle difuso, são, em regra, inter partes, tendo em vista que só serão erga omnes se o Supremo Tribunal Federal comunicar ao Senado Federal acerca do que foi decidido, o qual poderá editar resolução para suspender a eficácia da norma, segundo o art.52, X, da Constituição Federal. Assim, não tendo sido a decisão do RE n 478.410/SP comunicada ao Senado Federal seus efeitos ficariam somente inter partes e seriam ex tunc. Todavia, seria um retrocesso entender dessa maneira, considerando o atual estágio que se encontra nossa sociedade e as relevantes decisões que têm o Supremo Tribunal Federal proferido e influenciado nos julgamentos dos contenciosos administrativos. Destaco que tem ganhado força e conquistado cada vez mais espaço no cenário jurídico brasileiro a Teoria da transcendência dos motivos determinantes, que consiste na possibilidade de uma decisão proferida via controle difuso, que inicialmente só seria aplicada inter partes e teria efeito ex tunc, alcançar a todos. Sobre o tema, vejamos o que disse o Ministro Gilmar Mendes no informativo do STF 454 (resumos de decisões proferidas pelo Tribunal sobre determinadas matérias): Reclamação: Cabimento e Senado Federal no Controle da Constitucionalidade 3 Aduziu que, de acordo com a doutrina tradicional, a suspensão da execução pelo Senado do ato declarado inconstitucional pelo STF seria ato político que empresta eficácia erga omnes às decisões definitivas sobre inconstitucionalidade proferidas em caso concreto. Asseverou, no entanto, que a amplitude conferida ao controle abstrato de normas e a possibilidade de se suspender, liminarmente, a eficácia de leis ou atos normativos, com eficácia geral, no contexto da CF/88, concorreram para infirmar a crença na própria justificativa do instituto da suspensão da execução do ato pelo Senado, inspirado numa concepção de separação de poderes que hoje estaria Fl. 1159DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 10 ultrapassada. Ressaltou, ademais, que ao alargar, de forma significativa, o rol de entes e órgãos legitimados a provocar o STF, no processo de controle abstrato de normas, o constituinte restringiu a amplitude do controle difuso de constitucionalidade.Rcl 4335/AC, rel. Min. Gilmar Mendes, 1º.2.2007. (Rcl4335) Reclamação: Cabimento e Senado Federal no Controle da Constitucionalidade – 4 Considerou o relator que, em razão disso, bem como da multiplicação de decisões dotadas de eficácia geral e do advento da Lei 9.882/99, alterouse de forma radical a concepção que dominava sobre a divisão de poderes, tornando comum no sistema a decisão com eficácia geral, que era excepcional sob a EC 16/65 e a CF 67/69. Salientou serem inevitáveis, portanto, as reinterpretações dos institutos vinculados ao controle incidental de inconstitucionalidade, notadamente o da exigência da maioria absoluta para declaração de inconstitucionalidade e o da suspensão de execução da lei pelo Senado Federal. Reputou ser legítimo entender que, atualmente, a fórmula relativa à suspensão de execução da lei pelo Senado há de ter simples efeito de publicidade, ou seja, se o STF, em sede de controle incidental, declarar, definitivamente, que a lei é inconstitucional, essa decisão terá efeitos gerais, fazendose a comunicação àquela Casa legislativa para que publique a decisão no Diário do Congresso. Concluiu, assim, que as decisões proferidas pelo juízo reclamado desrespeitaram a eficácia erga omnes que deve ser atribuída à decisão do STF no HC 82959/SP. Após, pediu vista o Min. Eros Grau.Rcl 4335/AC, rel. Min. Gilmar Mendes, 1º.2.2007. (Rcl4335) Desse modo, entendo que o art.52, X, da Constituição Federal, sofreu uma mutação constitucional, ao passo que a norma sofreu alteração pelo avanço da sociedade e pela mudança de interpretação do texto constitucional sem ter havido expressa modificação nesse texto, motivo pelo qual não se faz necessário ser expedida resolução do Senado Federal que suspenda a eficácia de norma (alínea f do parágrafo 9 do art. 28 da Lei n 8.212/91), considerando que a lei admite a exclusão apenas se a verba for paga de acordo com a legislação regente, que exige ser o pagamento em vale. Sendo assim, o pagamento de valetransporte em pecúnia não altera o caráter não salarial da verba, de modo que a incidência sobre essa parcela constitui afronta total à Constituição Federal, devendo, portanto, ser afastada a cobrança do levantamento Vale Transporte. Ademais, vale destacar que a decisão do Supremo Tribunal Federal foi utilizada na presente decisão também em respeito ao Regimento Interno do CARF, que, no seu art.62, parágrafo único, determina as hipóteses que uma norma pode ser afastada sob o argumento de inconstitucionalidade, estando dentre elas a obrigatoriedade da decisão ser proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, o que foi verificado no caso em tela. IV – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Fl. 1160DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 10166.721780/200932 Acórdão n.º 2403000.612 S2C4T3 Fl. 1.155 11 Considerando, portanto, o prosseguimento da cobrança com relação às parcelas relativas à alimentação, prólabore, gratificação e horas extras, há que se destacar que esses débitos serão recolhidos com a incidência de multa e juros na forma da legislação – Lei n 8.212/91. Ressaltese, todavia, que não obstante a fiscalização e a DRJ de Brasília já terem aplicado a multa com a nova redação dada pela Lei n 11.941/2009, entendo que o art.35 A da Lei n 8.212/91 (nova redação), base legal utilizada, não deve ser aplicável ao caso em tela, considerando que o dispositivo legal correto para o caso em tela é o art.35, caput, da Lei n 8.212/91 (nova redação dada pela Lei n 11.941/2009), estando tal previsão na Portaria Conjunta PGFN/RFB n 14, de 4 de dezembro de 2009: Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Pelo exposto, percebese que o art.35A só será aplicado no caso de débito relativo às contribuições devidas a terceiros, o que não é o caso. Sendo os valores lançados na fiscalização referentes às contribuições declaradas em GFIP’s, a base legal para a aplicação da multa moratória deve ser o art.35, caput, da Lei n 8.212/91: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Fl. 1161DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 12 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) Fl. 1162DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 10166.721780/200932 Acórdão n.º 2403000.612 S2C4T3 Fl. 1.156 13 § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. V – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Fl. 1163DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 14 CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, afastando a incidência da contribuição social previdenciária sobre o levantamento vale transporte 01/2005 a 12/2007 pelos motivos já expostos e mantendo a cobrança do Auto de Infração de Obrigação Principal n 37.201.2175 com relação às demais verbas, acrescida do recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 1164DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA
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