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Numero do processo: 11474.000029/2007-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2006
AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO. FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TÍTULOS
PRÓPRIOS.
Nascida a obrigação tributária de recolher contribuições sociais
previdenciárias, há a necessidade dos fatos geradores destas serem lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, caso contrário, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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LANÇAMENTO. FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TÍTULOS PRÓPRIOS. Nascida a obrigação tributária de recolher contribuições sociais previdenciárias, há a necessidade dos fatos geradores destas serem lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, caso contrário, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Eivanice Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Canário da Silva (suplente). Ausentes os conselheiros: Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11474.000029/200716 Acórdão n.º 2403000.459 S2C4T3 Fl. 128 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.95 a 99 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC (fls.88 a 92) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração AI n° 37.001.1589, no valor consolidado de R$ 11.568,83 (onze mil e quinhentos e sessenta e oito reais e oitenta e três centavos). A autuação corresponde à atitude da empresa em não contabilizar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, descumprindo preceito do art.32, II, da Lei n 8.212/91. O dispositivo legal infringido determina que a empresa lance mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, discriminadamente, os fatos geradores de todas as contribuições sociais, incluindo os montantes descontados, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A atividade preponderante da fundação recorrente é incentivar e apoiar a realização de projetos de pesquisa,. ensino e extensão no interesse da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mediante celebração de convênio e contratos com órgãos de fomento à ciência e tecnologia e entidades públicas e privadas, no Brasil e no exterior, em conformidade com os objetivos estabelecidos em seu estatuto. Para a consecução de seus objetivos, a fundação precisa de recursos financeiros, os quais são obtidos, geralmente, através da remuneração pelos serviços prestados na captação e gestão de projetos de pesquisa e extensão realizados no âmbito da UFSC, em especial nas áreas tecnológicas. No caso em tela, a recorrente foi submetida à fiscalização, a qual constatou que a fundação de ensino, ora suplicante, trabalhava com projetos de pesquisa e extensão que eram pagos adiantadamente, e registrados em contas patrimoniais, não sendo transmitidos posteriormente para as contas de resultados, o que ensejou na imposição de multa aplicada via auto de infração. O Auto de Infração n 37.001.1589 no numerário de R$ 11.568,83 (onze mil e quinhentos e sessenta e oito reais e oitenta e três centavos) foi lavrado tendo como base legal os arts.92 e 102 da Lei n 8.212/91 e os arts.283,II, “a” e 373 do Decreto n 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), após terem sido colhidas diversas informações através dos documentos solicitados pelos TIAD’s (fls.16 a 33) Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 51 a 54 alegando: A necessidade de ser observado o Princípio Contábil da Competência, o qual foi plenamente respeitado pela fundação; A observância dos fatos às normas brasileiras de contabilidade; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Por fim, requereu a nulidade do auto de Infração in totum e seu consequente arquivamento. Às. fls.57, a 5 turma da DRJ de Florianópolis/SC determinou a realização de diligência fiscal para fins de complementar o relatório fiscal da autuação com informações relativas aos fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias, que não foram contabilizados em títulos próprios. O relatório fiscal complementar foi juntado às fls. 72 a 79 e explica todo o procedimento fiscal, evidenciando os fatos que levaram a auditoria a concluir que todas as operações da fundação recorrente ocorriam em contas patrimoniais, não se utilizando das contas de resultado de receitas e despesas. Às fls.84 a 86, a recorrente manifestase acerca do relatório fiscal complementar e entende que o mesmo não foi capaz de responder ao pedido da autoridade de 1grau. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 5° Turma da DRJ/Florianópolis/SC proferiu acórdão (n° 0715.606) nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. FATOS GERADORES NÃO LANÇADOS EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.95 a 99, não trazendo nenhuma argumentação nova para o julgamento do pleito, mas tão somente ratifica todos os argumentos expendidos na impugnação. Ademais, a recorrente juntou aos autos pareceres emitidos por “Valério Matos Auditores Independentes” (fls.106 a 108) e por Consultoria, Auditoria e Sistemas Contábeis S/C LTDA (fls.109 e 110). É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11474.000029/200716 Acórdão n.º 2403000.459 S2C4T3 Fl. 129 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA INFRAÇÃO COMETIDA: I.1 – DA OBRIGATORIEDADE DO REGISTRO CONTÁBIL EM TÍTULOS PRÓPRIOS: A recorrente foi autuada com base no art.32, II, da Lei n 8.212/91 e 225, II e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social por lançar em títulos não próprios de sua contabilidade os fatos geradores relativos às contribuições sociais previdenciárias, in verbis: LEI N 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; DECRETO N 3.048/99 (RPS) Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. § 15. A exigência prevista no inciso II do caput não desobriga a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. § 16. São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: I o pequeno comerciante, nas condições estabelecidas pelo Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, e seu Regulamento; II a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário; e; III a pessoa jurídica que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, desde que mantenha escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário. §17. A empresa, agência ou sucursal estabelecida no exterior deverá apresentar os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo à sua congênere no Brasil, observada a solidariedade de que trata o art. 222. Pelo transcrito, percebese que a infração referese à obrigatoriedade do registro contábil dos fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias em títulos próprios. Assim, pode ser que a empresa proceda ao registro dos fatos contábeis, mas que este ocorra em título diverso que não seja o correto. No caso em tela, a recorrente tem como atividade principal o incentivo e apoio aos projetos de pesquisa,. ensino e extensão que estejam no interesse da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Para que isso ocorra, a fundação recebe recursos financeiros de órgãos de fomento ao conhecimento tecnológico (entidades privadas e públicas do Brasil e exterior). Estando munida de recursos financeiros, a fundação dará continuidade às suas atividades e remunerará os profissionais que estejam vinculados aos projetos de pesquisa e extensão. Havendo essa remuneração aos segurados empregados que estejam atuando nos projetos, aos fornecedores, aos prestadores de serviços pessoa física e jurídica, aos estagiários, bolsistas, contribuintes individuais, nasce para a fundação a obrigação de recolher contribuições sociais sobre tais pagamentos e registrar individualizadamente todos os fatos, conforme previsão do art.32, II, da Lei n 8.212/91 e art.225, II, parágrafos 13 a 17 do RPS. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11474.000029/200716 Acórdão n.º 2403000.459 S2C4T3 Fl. 130 7 Todavia, conforme demonstrase durante toda a ação fiscal, incluindo aqui também a emissão e relevância do relatório fiscal complementar (fls.72 a 79), entendo que a recorrente não cumpriu com a determinação legal de registrar todos os fatos geradores das contribuições sociais em títulos próprios. Ademais, não obstante a fiscalização não ter se manifestado acerca de conceitos contábeis que culmine na identificação do título próprio para o registro dos fatos geradores, impendese trazer a diferenciação entre conta patrimonial e conta resultado, tendo em vista que a análise desses dois tipos de registro contábil foram essenciais para a configuração do descumprimento legal. Vejamos: Conta contábil pode ser entendida como um depósito de onde retiramos e colocamos valores representativos das movimentações ocorridas numa determinada entidade. Os valores nelas registrados deverão observar estritamente aos Princípios Fundamentais de Contabilidade. Dentre esses, encontramos o princípio da competência, o qual prevê que as despesas devem ser registradas quando incorridas, mesmo que não pagas. As contas patrimoniais são aquelas utilizadas para o registro e controle dos ítens patrimoniais, ou seja, ativos e passivos, sendo representados pelos bens, direitos e obrigações. Já as contas de resultado aglutinam os valores movimentados numa entidade que influirão diretamente no resultado do exercício, isto é, são contas de despesas e receitas. Diante do presente caso, não caberia o registro ser efetuado em qualquer título, como o fez a recorrente ao lançar o recebimento de recursos financeiros recebidos e eventuais gastos com profissionais em contas patrimoniais, não possibilitando a correta identificação em receitas e despesas. O título próprio para esse lançamento, conforme conceito acima, seria nas contas de resultado, pois esta é apropriada para o registro da movimentação de receitas (recebimento de recursos financeiros) e despesas (gastos com os profissionais que atuam nos projetos). Ressaltese que as despesas previstas no projeto deveriam ser, como o foram, lançadas em contas patrimoniais, para fins de provisionamento de despesas. No entanto, após serem lançadas em contas patrimoniais, no momento de seu pagamento ou recebimento, deveriam ser transferidas para as contas de resultado, havendo um representativo de despesas ou receitas. Ainda a respeito da identificação correta dos títulos próprios, os incisos do § 13 do art.225 do Regulamento da Previdência Social prevêem que os lançamentos atendam ao Princípio Contábil do Regime de Competência e sejam registrados em contas individualizadas de modo que as rubricas das contribuições sejam identificadas melhor. No presente caso, diferentemente do que alega a recorrente, não houve respeito ao Princípio da Competência, previsto na Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n 750/93, que dispõe acerca dos princípios fundamentais da contabilidade, in verbis: Art. 9 As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 3 As receitas consideramse realizadas: I — nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; § 4° Consideramse incorridas as despesas: I– quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para II – pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; III – pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo. Em respeito ao princípio da competência, as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração de resultado do período em que ocorreram. No caso em tela, as receitas ocorrem com o pagamento de valores de órgãos que fomentam os estudos nas áreas de atuação da fundação de ensino, já as despesas ocorrem com o pagamento pela fundação aos profissionais que trabalham nos projetos de pesquisa, ensino e extensão. Desse modo, percebese que a recorrente descumpriu preceito previsto tanto na Resolução do Conselho Federal de Contabilidade como na Lei n 8.212/91, bem com no Decreto n 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) por ter registrado em títulos não próprios de sua contabilidade (contas patrimoniais) os fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias, motivo pelo qual deverá sujeitarse ao pagamento de multa nos moldes do art.92 e 102 da Lei n 8.212/91 e art.283, II, “a”: c/c 373 do RPS, in verbis: Regulamento Previdência Social Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: Nota: Valor atualizado para R$ 9.910,20 (nove mil novecentos e dez reais e vinte centavos), a partir de 1º de junho de 2003, por força do reajuste de 19,71% concedido aos benefícios da Previdência Social pelo Decreto nº 4.709, de 29/05/2003. a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11474.000029/200716 Acórdão n.º 2403000.459 S2C4T3 Fl. 131 9 O Regulamento (Decreto n 3.048/99) cuidou ainda de tratar da atualização do valor cobrado, nos termos do art.373, in verbis: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. No mesmo sentido, a Lei nº 8.212/91 preleciona ainda em seu art. 92 que qualquer infração a dispositivo desta legislação, quando não esteja prevista expressamente, sujeitarseá a observância desse dispositivo. Então vejamos: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que o artigo acima foi atualizado conforme indicativo nº 24, vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Além disso, previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Contudo, conforme já demonstrado, percebo que a infração foi cometida e motivo pelo qual deverá a cobrança ser mantida e atualizada na forma do dispositivo acima. Por fim, não constatei a ocorrência de circunstancias agravantes, de modo que a multa a ser aplicada deverá ser o valor mínimo com base no art.292, I, do Regulamento da Previdência Social. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO, de modo que seja mantida a cobrança do Auto de Infração nº 37.001.1589, na forma do art.92 da Lei nº 8.212/91 e acrescida do reajuste previsto no art.102 da mesma Lei combinados com os arts.283, II, “a” e 373 do Regulamento da Previdência Social (Decreto n 3.048/99). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 10480.901536/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO.
Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto.
Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final.
PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS.
Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979.
Numero da decisão: 3302-012.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: Larissa Nunes Girard
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CONCEITO. Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto. Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS. Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 15 36 /2 01 3- 75 Fl. 273DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-012.499 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901536/2013-75 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em síntese: Em análise no presente processo o litígio decorrente de Despacho Decisório emitido quando da análise do(s) PER/DCOMP n° 29873.44920.220110.1.1.01-7695, transmitido(s) para utilização do saldo credor do IPI apurado no 4° trimestre/2012, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. O reconhecimento parcial se deveu a glosas de créditos de aquisições de produtos que não atendem os requisitos para o creditamento. Conforme se vê do Relatório Fiscal, as glosas se referiram a aquisição de coque de petróleo, além de outros produtos (descrição constante do Anexo "Demonstrativo dos Créditos do IPI Passíveis de Ressarcimento”). A Manifestante alega, em síntese, que todas as aquisições referem-se a insumos utilizados e consumidos no processo industrial, sustentando sua afirmação em laudo técnico anexo à Manifestação de Inconformidade. A Turma da Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação e ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: Da necessária homologação da compensação do contribuinte. Aplicação da Súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Do coque de petróleo; Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si; Do concreto alum; Da argamassa; Do corpo moedor; Da chapa; Da correia transp; Da placa autectic; Fl. 274DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-012.499 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901536/2013-75 DA necessidade da aplicação da súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Da necessidade de aferição dos fatos por meio de perícia técnica. DO PEDIDO Por todo o exposto, a Recorrente REQUER: em sede de preliminar, que seja: a. a imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes à cobrança de todos os “débitos” albergados no processo administrativo n° 10480.905.475/2013-15, face à expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados (art. 151, III, do CTN; art. 74, §§ 4°, 7°, 9°, 11, da Lei n° 9.430/96; o art. 15 do Decreto n° 70.235/72 e 137, da Instrução Normativa RFB n° 1717, de 17 de julho de 2017); b. por força dos mesmos dispositivos legais, que tais processos “de débito” passem a constar como “exigibilidade suspensa” nos sistemas informáticos da Receita Federal, de forma seja não sejam impedimento à obtenção de imprescindível Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa - CPD-EN, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN, tampouco sejam enviados ao CADIN, conforme art. 7° da Lei n° 10.522/2002; No mérito, que seja revisado e reformado o Acórdão proferido pela DRJ, o qual foi cientificado ao contribuinte, inclusive com realização de imprescindível prévia perícia, mais uma vez justificada e requerida, por prevalência da verdade material no âmbito administrativo, conforme determina o art. 149, IV e VIII do CTN e é o núcleo das Súmulas n°s 346 e 473 do STF. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-012.499 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901536/2013-75 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Quanto ao conhecimento, à tempestividade e ao mérito do Recurso Voluntário do contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 02 de setembro de 2020, às e-folhas 222. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 02 de outubro de 2020, às e-folhas 223. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. Foram alegados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: Da necessária homologação da compensação do contribuinte. aplicação da Súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Do coque de petróleo; Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si; Do concreto alum; Da argamassa; Do corpo moedor; Da chapa; Da correia transp; Da placa autectic; DA necessidade da aplicação da súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Da necessidade de aferição dos fatos por meio de perícia técnica. Passa-se à análise. A ora Recorrente, em 20.12.2012, apresentou o PER/DCOMP n° 42333.36803.201212.1.1.01-4402, com crédito referente ao ressarcimento de R$ 1.009.251,51, transmitido para utilização do saldo credor do IPI apurado no 3° trimestre/2012, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99, sendo referido saldo credor relativo ao estabelecimento n° 10.656.452/0023-95. Sobre o direito aos créditos básicos de IPI, assim dispõe o art. 226, I do Regulamento do IPI de 2010: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei n°4.502, de 1964, art. 25): Fl. 276DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-012.499 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901536/2013-75 I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) O Parecer Normativo CST n° 65/79 é um ato normativo expedido por uma autoridade administrativa, nos termos do art. 100, I do CTN, auxilia na determinação do conteúdo e alcance do art. 226, I do RIPI/2010, acerca de quais seriam os insumos que ensejam aproveitamento de créditos do IPI. Em virtude de abordar precisamente os elementos fáticos e pelo seu didatismo, trago o Acórdão de Recurso Voluntário n° 3402-007.295, de Relatoria da ilustre Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, a partir das folhas 06 daquele documento: Parecer Normativo CST n° 65/79 (DOU de 6/11/79) Imposto sobre Produtos Industrializados. 4.18.01.00 - Crédito do imposto - Matérias-primas, Produtos Intermediários e Material de Embalagem. A partir da vigência do RIPI/79, ex vi do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu Ativo Permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CSTn° 181/74. Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). O artigo 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8 a do artigo 2 o do Decreto-lei n° 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1° do Decreto-lei n° 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, trata-se de norma não auto-aplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3. Diante disto, ressalte-se serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 - Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n° 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decreto-lei n° 3.466, art. 2°, alt. 8a): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, Fl. 277DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-012.499 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901536/2013-75 embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 - Note- se que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindo- se às matérias-primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias-primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 - Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matérias- primas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 - Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 - No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matérias- primas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias- primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. 6.1 - Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2- Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 - Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 - Como o texto fala em ‘incluindo-se entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias- primas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor Fl. 278DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-012.499 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901536/2013-75 dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão ‘consumidos’ sobretudo levando-se em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (...) 11 - Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Ao que se observa do Parecer Normativo CST n° 65/79, a partir da vigência do RIPI/1979, o conceito de insumo para fins de creditamento do IPI foi alterado, não se exigindo mais que o consumo se desse "imediata e integralmente" 4 no processo de industrialização, ou seja, o consumo do bem pode se dar após vários ciclos produtivos; e de outra parte, impedindo o creditamento aos bens classificados no Ativo Permanente. 5 A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC/73, cujos termos vincula este Colegiado, acolhe a tese, veiculada pelo Parecer Normativo CST n° 65/79, do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste apenas indireto, tendo sido assim ementada: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. Fl. 279DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-012.499 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901536/2013-75 In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. [negritei] (Grifo e negrito próprios do original) No caso, a fiscalização sustentou as glosas de créditos nas aquisições de materiais refratários pelo não enquadramento no conceito de assemelhados a produtos intermediários para fins de creditamento de IPI (Parecer Normativo CST n° 65/79), conforme Relatório Fiscal. O Recorrente, já na Manifestação de Inconformidade, apresentou Laudo Técnico, a partir das e-folhas 101. Do próprio Laudo Técnico acostado pelo Recorrente à Manifestação de Inconformidade, extrai-se que: - Do coque de petróleo: A Manifestação de Inconformidade traz a seguinte alegação às folhas 08 daquele documento: 1) o produto COQUE DE PETRÓLEO, cujas aquisições pela Impugnante gerou crédito de IPI no montante de R$ 1.380.143,58, corresponde mais de 78,41% dos créditos glosados e é utilizado na industrialização de cimento (produto tributado à alíquota zero e se desgasta direta e imediatamente no processo produtivo), conforme Laudo Técnico n° 115 6562-205 (doc. anexo); Desconsideração do coque de petróleo como matéria-prima ou produto intermediário na fabricação do cimento, tendo se entendido que o mesmo é mero combustível utilizado na geração de energia térmica. - Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si (e-folhas 107): TIJOLO ALUM. Cl (288927) TIJOLO BÁSICO (295208) TIJOLO BÁSICO (455103) TIJOLO BÁSICO (455108) TIJOLO BAS; MAG (445231) TIJOLO BAS; MAGN (445227) TIJOLO ALUM. C2 (288853) Os tijolos citados acima, 5.7 a 5.13, são utilizados como elementos protetores da estrutura do forno, sendo que são parcialmente consumidos na fabricação do clinquer em função do atrito e alta temperatura. Esses elementos são substituídos em intervalos não necessariamente periódicos. Atualmente esse intervalo é de aproximadamente 8 meses. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Do concreto alum (e-folhas 106): CONCRETO ALUM (377846) Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-012.499 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901536/2013-75 CONCRETO ALUM (288146) CONCRETO SIC SU (376472) O material acima, 5.1 a 5.3, é utilizado para revestimento de regiões quentes do forno de clinquer e torre de ciclones. O material é aplicado em média a cada 8 meses. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da argamassa (e-folhas 107): ARGAMASSA ALUM (146432) ARGAMASSA SIL-A (214001) ARGAMASSA BASIC (455132) Os materiais citados acima, 5.14 a 5.16, são utilizados para assentamento dos tijolos refratários quando instalados no forno de clinquer. Sua função principal é corrigir os desníveis presentes nas peças de refratário ou casco do forno. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Do corpo moedor (e-folhas 106): CORPO MOEDOR; D (343023) CORPO MOEDOR; D (342918) CORPO MOEDOR; M (343037) Estes materiais, 4.1 a 4.3, possuem reposição mensal de acordo com medições de volume ocupado dentro do moinho, e que equivalem a 2 ton. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da chapa: O Recurso Voluntário traz a seguinte alegação às folhas 18: Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 6.2 CHAPA ESP 3733002301 HAVER&BOECKER (283870) O item 6.1 são telas que compõem a peneira da ensacadeira. A sua função é não deixar passar corpo com alta granulometria para não entupir os bicos. A cada 8 meses fazemos a sua troca em função do desgaste da passagem do material. Os itens 6.2 e 6.3 são as chapas de encosto e mangotes dos bicos, que também sofrem desgastes durante a expulsão dos sacos após atingir o seu peso. A cada 6 meses sofrem substituição, bem como o item 6.4 responsável pelo acionamento das duas correias transportadoras da “camara” de limpeza dos sacos cheios. Demais itens (6.5 a 6.9) são correias transportadoras que transportam os sacos de cimento ao sair da Ensacadeira até a Paletizadora. Elas sofrem desgastes pela abrasão do saco de papel e a borracha durante o transporte. Com frequência media de troca de 7 meses, variando em função da posição ou caso de quebra por algum acidente. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-012.499 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901536/2013-75 - Da correia transp (e-folhas 104): O item acima citado, corresponde a correia de transporte de material advindo do britador primário que é levado para a pilha pulmão de material bruto. O desgaste das correias também ocorre em função do contato direto entre material transportado e superfície das mesmas. A substituição ocorre sob demanda a partir de avalição técnica, ou anomalia indesejada. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da placa eutectic: O Recurso Voluntário traz a seguinte alegação às folhas 19: Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 5.2 PLACA EUTECTIC/CDP 4666 0604 (374253) O item 5.2 acima são placas que revestem a calha de entrada. Elas são placas especiais para desgaste por sofrer altíssima abrasão e choque na queda dos materiais durante a alimentação constante do moinho. Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 5.2 PLACA EUTECTIC/CDP 4666 0604 (374253) O item 5.2 acima são placas que revestem a calha de entrada. Elas são placas especiais para desgaste por sofrer altíssima abrasão e choque na queda dos materiais durante a alimentação constante do moinho. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. Quanto à conversão do julgamento em diligência, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com a devida vênia, divirjo quanto à proposta de conversão do julgamento em diligência. Importante ressaltar inicialmente que se analisa o conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem no contexto do IPI, tributo para o qual tais definições foram há muito assentadas, a exemplo dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Por meio das referidas normas, ficou definido que partes e peças de máquinas não se confundem com as matérias-primas ou produtos intermediários. E, considerada essa exclusão, para além da matéria-prima, do produto intermediário stricto sensu e do material de embalagem, geram direito a crédito outros bens, desde que não contabilizados no ativo permanente e que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desde que não sejam partes e peças de máquinas. O segundo aspecto a se considerar é que se analisa os bens passíveis de serem classificados como insumo para a industrialização do cimento. Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-012.499 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901536/2013-75 Partindo dessas premissas, entendo por desnecessária a conversão do julgamento em diligência, haja vista que os produtos submetidos à apreciação pelo Colegiado estão adequadamente identificados e descritos nos autos. Resta-nos realizar uma discussão conceitual a partir das informações existentes, e suficientes, como realizado no julgamento de primeira instância. Portanto, rejeito a proposta de conversão do julgamento em diligência. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de afastar a diligência. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002035/2006-59
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1802-000.022
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista, André Almeida Blanco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE Processo nº 10920.002035/200659 Resolução n.º 1802000.022 S1TE02 Fl. 219 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Curitiba/PR. Trata o presente processo sobre Declarações de Compensação por meio das quais a recorrente informou a existência de crédito originado de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, apurado no ano calendário 2003, no montante originário de R$ 533.911,30 (quinhentos e trinta e três mil novecentos e onze reais e trinta centavos). Em análise do feito, a Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC proferiu o Despacho Decisório de folhas 74 a 79 reconhecendo parcialmente o direito creditório e homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A parcela não reconhecida pela autoridade administrativa se relaciona a glosa de compensações utilizadas pela recorrente na composição do prejuízo fiscal do ano calendário 2003, cuja pertinência se discutia em processo administrativo pendente de julgamento e com decisões até então, desfavoráveis à recorrente. Ou seja, parte dos valores utilizados na composição do prejuízo fiscal, não dispunham dos requisitos de certeza e liquidez, resultando na não homologação daquela parcela. Devidamente cientificado (fl. 87) o recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 88 a 103), argumentando que optou pela apuração anual do lucro real, determinando a base de cálculo do imposto de renda lastreada em balanço ou balancete de redução ou suspensão em todos os meses do ano, à exceção de outubro, quando a determinou com base na receita bruta e acréscimos. Sustentou ainda, que assim procedeu porque no mês de outubro de 2003 não teve a possibilidade de apurar a base de cálculo do IRPJ e CSSL com base em balanço ou balancete de redução ou suspensão. Então, para não infringir a legislação vigente, pagou o IRPJ e a CSSL com base na receita bruta e acréscimos, motivo pelo qual, verificou que houve antecipação/recolhimento de IRPJ e CSLL a maior que o efetivamente devido no ano calendário 2003, originandose créditos (saldo negativo de IRPJ), que deram azo ao Pedido de Compensação perante a Receita Federal. Esclareceu, contudo, que para o pagamento dessas antecipações de tributo (neste particular o IRPJ), utilizouse de compensações de créditos provenientes de ressarcimento de IPI, de ação judicial referente ao PIS (tese da semestralidade), bem como de retenções na fonte com parte do montante declarado na Ficha 53 da DIPJ/2004. Após rememorar esses fatos, passou a considerar todo o direito decorrente do reconhecimento em ação judicial dos indébitos de PIS, tecendo outros tantos argumentos e requerendo a homologação integral das compensações apresentadas. A 1ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 127 a 134, indeferiu a solicitação afastando os argumentos da recorrente. Cientificada (fl. 138), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 142 – 162), reafirmando que obteve na Justiça o reconhecimento de crédito decorrente do pagamento tido a maior para a contribuição ao PIS, sob a égide dos famigerados DecretosLei 2.445 e 2.449/88, declarados pelo Senado Federal como inconstitucionais e que discutido nos autos da Fl. 242DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE Processo nº 10920.002035/200659 Resolução n.º 1802000.022 S1TE02 Fl. 220 3 Ação Ordinária n°. 96.01032444, o crédito oriundo de tais recolhimentos restou pela autoridade judicial reconhecido, sendo concedido à autora do feito (ora Recorrente) o direito de ver restituído os respectivos valores ou compensálos com débitos próprios devidos à Fazenda Nacional. Passou a argumentar diante disso, ser absurda a decisão que não lhe confere o direito ao crédito, tratandose de afronta à segurança jurídica e autoridade da coisa julgada. Na sequência, passou a discorrer sobre a imperiosidade de julgar o presente processo em conjunto com outros por ela citados, inclusive aqueles em que se apura o crédito de cujas compensações foram glosadas para efeito de composição do prejuízo fiscal do ano calendário 2003. Teceu substanciosas considerações acerca do seu direito creditório decorrente do pagamento tido a maior para a contribuição ao PIS, sob a égide dos famigerados Decretos Lei 2.445 e 2.449/88, declarados pelo Senado Federal como inconstitucionais e que discutido nos autos da Ação Ordinária n°. 96.01032444, bem como outros tantos argumentos, citou precedentes que entendeu aplicáveis à espécie e pugnou por provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE Processo nº 10920.002035/200659 Resolução n.º 1802000.022 S1TE02 Fl. 221 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como observado no relatório, cuidase aqui de Declarações de Compensação por meio das quais a recorrente informou a existência de crédito originado de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, apurado no ano calendário 2003, e cuja pertinência foi reconhecida parcialmente pelo Despacho Decisório da DRF de Joinville/SC. Relembrese que a parcela do crédito que não foi reconhecida deveuse à glosa de compensações realizadas sem que houvesse definitividade na esfera administrativa da existência ou não crédito. Com efeito, as compensações glosadas da composição do prejuízo fiscal só o foram porquanto declaradas em processos administrativos distintos, indicadas nas DCTF de folhas 57 e 59, referindose ao reconhecimento administrativo de título judicial concernente ao PIS, obtido nos autos do processo judicial n° 96.01032444, no montante total de R$ 274.743,67, e não haviam sido homologadas, e segundo informa a recorrente o processo de número prestouse a inclusão de todos os créditos que se encontravam nos processos exigidos. Por essa razão, a solução que se impõe passa pelo inafastável atrelamento do presente processo ao de nº 13976.000369/200801, sendo certo que caso se homologue aquela compensação, o valor aqui discutido passará a contar com os requisitos de certeza e liquidez, mas se por outro lado não se homologar aquele feito subsistirá o que decidiuse no presente processo até aqui. Com essas considerações, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que o processo seja juntado ao Processo nº 13976.000369/200801. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE
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Numero do processo: 16095.000027/2008-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-000.736
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0523.711, 8ª Turma, que julgou, em razão de decadência, procedente em parte o lançamento da obrigação acessória (CFL 68). Por entender decadentes, foram excluídas do lançamento as competências 01/1999 à 11/2001. O lançamento totalizava R$ 975.441,43, sendo que foi exonerado o valor de R$ 136.656,57, mantendo o crédito tributário remanescente no valor de R$ 841.784,86. Segundo o Relatório Fiscal, a recorrente apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 01/2007. 1. Este Relatório é parte integrante e indissociável do Autode Infração AI acima identificado e consolida a constatação de que a empresa CASA DO EMPREGO TEMPORÁRIO LTDA, CNPJ 59.117.200/000171 (localização do estabelecimento centralizador: av. Vinte e Seis de Março, 479, sala 05, Poá, SP, 08562140) apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 01/2007. 2. Tal constatação comprovouse pela existência de pagamentos de remunerações a empregados (categoria 01) tanto administrativos, como temporários e a sócios (prólabore) que não foram declarados integralmente em GFIPs. 3. Esses valores foram apurados detalhadamente na seguinte NFLD Notificações Fiscais de Lançamento de Débito: • NFLD de DEBCAD n. 37.137.2186 (contendo as remunerações pagas aos empregados temporários lançadas no levantamento "RAG" e aos empregados administrativos e aos sócios lançadas no levantamento "OUT" – não integralmente declaradas em GFIP, no período de 01/1999 a 01/2007), bem como nos levantamentos "VTG" (valetransporte pago em espécie a empregados administrativos) e "VTT" (valetransporte pago em espécie a empregados temporários)., Apresentar GFIP (documento previsto no § 3° e inciso IV do art. 32, da Lei 8.212 de 24/07/1991, atualizada pela Lei 9.528, de 10.12.1997) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos realizados aos segurados a seu serviço, representa infração ao o disposto no Artigo 32, inciso IV e parágrafos 3° e 5° da Lei 8212/91. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000027/200896 Acórdão n.º 240300.736 S2C4T3 Fl. 2.190 3 • Cerceamento de defesa pelo indeferimento do requerimento de perícia e apresentação de documentos. • Princípio da verdade material. • Decadência. • Entregou todas as GFIPs e jamais deixou de informar quaisquer valores na GFIP. • Apresenta o que entende ser irregularidades existentes na NFLD 37.137.2186, utilizada como base para a realização desta autuação. • Desconsideração de pagamentos efetuados com o código 2100 de 04/2002 à 06/2005 e divergência de valores. • NITS divergentes, funcionários inexistentes e outras irregularidades. • Não incidência de contribuição sobre vale transporte. • Necessidade da observância da verdade material. • Inconstitucionalidade da taxa SELIC. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 24/10/2008 e interpôs o recurso no dia 01/12/2008, portanto fora do prazo normativo, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10410.008072/2007-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005
Ementa:
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES ARRECADAS E AS DESCONTADAS DOS SEGURADOS DEVEM SER DECLARADAS E REPASSADAS AO FISCO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF/ NULIDADE. ICMS. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO RURAL. COMPETÊNCIA
PARA ARRECADAR CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AOS
TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. EMPRESA
ADQUIRENTE DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA.
RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO
DOS EMPREGADOS RURAIS. DESCRIÇÃO DOS FATOS
GERADORES NA LEI N°8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular,
quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício
dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício
tivesse se verificado, em preliminar. Na forma da Súmula Vinculante n° 8 do
Supremo Tribunal Federal STF,
são inconstitucionais o parágrafo único do
artigo 5º do Decretolei
1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que
tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
As contribuições da parte dos segurados, arrecadadas pela empresa mediante
desconto na remuneração de seus empregados, e às retenções feitas pela
empresa quando da contratação de serviços de segurados contribuintes
individuais (autônomos) devem ser declaradas e repassadas ao fisco. Não o
fazendo tal conduta importa tipo criminal na forma de apropriação indébita
sujeitando o infrator às penas da lei.
O ato não será considerado nulo se observado seus aspectos formais e
materiais. Não há previsão de se excluir da base de cálculo utilizada no lançamento os
valores referentes ao ICMS.
Não ocorre cerceamento de defesa se não tiver sido mitigado o exercício
amplo do direito de fazêla
e do contraditório no devido processo legal.
O INSS e agora a Receita Federal do Brasil RFB
são competentes para
arrecadar a contribuição para outras entidades e fundos incidentes sobre a
comercialização da produção rural.
A empresa que adquire produto rural de produtor pessoa física se sujeita a
obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias e para o
SENAR desses fornecedores.
O inciso III , do artigo 22 da Lei n° 8.212/91 tem previsão do fato gerador
determinando que se observem vinte por cento sobre o total das
remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos
segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços ao tomador.
O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando,
tratandose
de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos
severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da
retroatividade benigna.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2403-000.772
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Na preliminar, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do crédito lançado para as competências até 11/2002, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no art.150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial promovendo o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, com prevalência da multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES ARRECADAS E AS DESCONTADAS DOS SEGURADOS DEVEM SER DECLARADAS E REPASSADAS AO FISCO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF/ NULIDADE. ICMS. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO RURAL. COMPETÊNCIA PARA ARRECADAR CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AOS TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. EMPRESA ADQUIRENTE DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS RURAIS. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES NA LEI N°8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar. Na forma da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. As contribuições da parte dos segurados, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados, e às retenções feitas pela empresa quando da contratação de serviços de segurados contribuintes individuais (autônomos) devem ser declaradas e repassadas ao fisco. Não o fazendo tal conduta importa tipo criminal na forma de apropriação indébita sujeitando o infrator às penas da lei. O ato não será considerado nulo se observado seus aspectos formais e materiais. Não há previsão de se excluir da base de cálculo utilizada no lançamento os valores referentes ao ICMS. Não ocorre cerceamento de defesa se não tiver sido mitigado o exercício amplo do direito de fazêla e do contraditório no devido processo legal. O INSS e agora a Receita Federal do Brasil RFB são competentes para arrecadar a contribuição para outras entidades e fundos incidentes sobre a comercialização da produção rural. A empresa que adquire produto rural de produtor pessoa física se sujeita a obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias e para o SENAR desses fornecedores. O inciso III , do artigo 22 da Lei n° 8.212/91 tem previsão do fato gerador determinando que se observem vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços ao tomador. O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Provido em parte.
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DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES ARRECADAS E AS DESCONTADAS DOS SEGURADOS DEVEM SER DECLARADAS E REPASSADAS AO FISCO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF/NULIDADE. ICMS. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO RURAL. COMPETÊNCIA PARA ARRECADAR CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AOS TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. EMPRESA ADQUIRENTE DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS RURAIS. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES NA LEI N°8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar. Na forma da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. As contribuições da parte dos segurados, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados, e às retenções feitas pela empresa quando da contratação de serviços de segurados contribuintes individuais (autônomos) devem ser declaradas e repassadas ao fisco. Não o fazendo tal conduta importa tipo criminal na forma de apropriação indébita sujeitando o infrator às penas da lei. O ato não será considerado nulo se observado seus aspectos formais e materiais. Fl. 453DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Não há previsão de se excluir da base de cálculo utilizada no lançamento os valores referentes ao ICMS. Não ocorre cerceamento de defesa se não tiver sido mitigado o exercício amplo do direito de fazêla e do contraditório no devido processo legal. O INSS e agora a Receita Federal do Brasil RFB são competentes para arrecadar a contribuição para outras entidades e fundos incidentes sobre a comercialização da produção rural. A empresa que adquire produto rural de produtor pessoa física se sujeita a obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias e para o SENAR desses fornecedores. O inciso III , do artigo 22 da Lei n° 8.212/91 tem previsão do fato gerador determinando que se observem vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços ao tomador. O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Na preliminar, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do crédito lançado para as competências até 11/2002, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no art.150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial promovendo o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, com prevalência da multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 454DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 455 3 Relatório Li o Relatório de Primeira Instância, compulsei com os autos e não percebi necessidade de emendas. Assim transcrevoo na íntegra : “Trata o presente processo administrativo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD identificada pelo DEBCAD n° '37.003.1857, a qual foi cadastrada no sistema de protocolo da Secretaria da Receita Federal do Brasil sob o número de processo constante nos dados identificadores acima. O credito fiscal, consolidado em 30/11/2001, totaliza R$ 778.264,09 (setecentos e setenta e oito mil duzentos e sessenta e quatro reais e nove centavos), ai incluídos principal e acréscimos legais. De acordo com o relatório de trabalho da auditoria fiscal, são objeto do lançamento em questão as contribuições para a Seguridade Social dos segurados empregados a serviço da empresa e as contribuições dos produtores rurais pessoas físicas de quem a notificada adquiriu matéria prima, essas últimas para a Seguridade Social, para financiamento dos benefícios concedidos em razão dos riscos decorres de incapacidade laborativa (SAT/RAT) e para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. Alerta o auditor que o fato da Usina Capricho haver descontado as referidas contribuições e não ter efetuado o correspondente repasse à Seguridade Social em época própria deu ensejo ao encaminhamento de Representação Fiscal para Fins Penais a autoridade competente. O auditor notificante apresenta, por período, à alíquota utilizada na apuração do crédito para o SENAR, e em seguida passa a indicar os fatos geradores de contribuições sociais presentes no lançamento. Afirma que sendo a notificada adquirente de produtos rurais de pessoas físicas, a mesma subrogase nas obrigações desses produtores quanto ao recolhimento das contribuições ora lançadas. Consta do relato que as bases de cálculo utilizadas para apuração do crédito foram obtidas nas notas fiscais de entrada apresentadas pela contribuinte estando demonstradas em planilha especifica e registradas no relatório de Lançamentos RL, fls.17/32, no item de apuração denominado "APR” (Aquisição Produto Rural FPAS 744). No que concerne às contribuições descontadas dos segurados empregados, mencionase que foram verificadas em folhas de pagamento e estão apresentadas em planilhas anexadas. Tais valores constam também do RL, onde estão agrupados sob os itens de apuração "FP21, Folha de Pagamentos Fl. 455DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Industria/Escritório GFIP (FPAS 531)" e FP3Folha de Pagamentos Geral "FPAS 825 GFIP (FPAS 825)". A seguir, o agente do fisco dispõe sobre os documentos utilizados para desenvolvimento dos trabalhos e enfatiza que os recolhimentos efetuados pela empresa foram considerados e encontramse tabulados no Relatório de Documentos Apresentados – RDA. Segundo o relatório fiscal os créditos pleiteados judicialmente pela contribuinte e declarados na Um de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP foram deduzidos dos valores devidos a Previdência Social e estão contemplados na NPLD em tela e na de n.° 31.003.1813. Informase ainda que os valores objeto de compensação constam do RL e da planilha denominada DEMONSTRATIVO DE APROPRIAÇÃO DOS VALORES DECLARADOS COMO COMPENSAÇÃO EM GFIP – POR LEVANTAMENTO” Mencionase também a dedução dos valores repassados aos segurados a título de saláriofamília e saláriomaternidade. Acrescenta, ainda, que a base legal que dá suporte ao lançamento consta do relatório "Fundamentos Legais do Débito FLD". Foram anexadas, por amostragem, cópias de folhas de pagamento, notas fiscais de entrada e extratos de escrituração contábil de contas representativas da aquisição de produtos rurais. A IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento por via postal com aviso de recebimento AR, fls. 150, o sujeito passivo apresentou em 11/01/2008, impugnação, fls. 1511187, na qual alega em síntese: a) que a sua defesa é tempestiva; b) extinto o MPF por decurso de prazo, posto que não houve ciência de prorrogação do mesmo, a autoridade fiscal já não mais se encontrava revestida da competência para lavrar o lançamento; c) mesmo que se considere válido o lançamento sem cobertura de MPF, ainda assim o auditor era incompetente, posto que o crédito fiscal não poderia ser lançado pela mesma autoridade responsável pelo cumprimento do MPF extinto; d) com a extinção do MPF, somente poderia haver exame da documentação da empresa, com a determinação expressa da autoridade hierarquicamente superior, o que efetivamente não ocorreu; e) o lançamento das contribuições concernentes ao período compreendido entre 01/2000 e 12/2001 foi equivocado, uma vez que ultrapassa o qüinqüênio decadencial previsto no art. _150, § 4.° do Código Tributário Nacional CTN; Fl. 456DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 456 5 f) a glosa nos valores compensados pela empresa não foi justificada pelo auditor, assim o lançamento é nulo por falta de motivação; g) o art. 94, § 1.° da Lei n.° 8.212/1991, bem como o art. 3°, § 2°, da Lei n.° 11.451/2007 não autorizam o INSS a cobrar contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural para outras entidades; h) é invalida a exigência de contribuição sobre a produção rural do empregador pessoa física prevista no art.25 da Lei n. 0 8.212/1991, pois caracteriza bitributação, haja vista o contribuinte estar obrigado a recolher também a contribuição do art. 21 da mesma Lei; i) observase que o art. 25 da Lei n.° 8.212/1991 não revela qual o fato gerador da obrigação tributária, o que torna o comando legal ineficaz quanto á possibilidade de exação fiscal. Para dar guarida a sua tese apresenta votos proferidos no julgamento do Recurso Extraordinário RE n.° 363852; I) o ICMS deve ser excluído da base de cálculo da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, posto que o valor do tributo não constitui juridicamente faturamento ou receita da empresa. Caso hão se entenda desse modo, que, pelo menos, seja suspensa a exigência de tal contribuição até que o STF se posicione definitivamente sobre a matéria; k) não se aplica á contribuição destina ao SENAR o instituto da substituição tributária, pois não há base legal que preveja o recolhimento do tributo pelo adquirente da produção rural; I) há necessidade de perícia contábil para se segregar da base de cálculo utilizada na apuração do crédito os valores remuneratórios das quantias indenizatórias, posto que os demonstrativos e documentos colacionados pela auditoria não permitem a correta visualização das parcelas incidentes e não incidentes de contribuições sociais. Para tal indica os quesitos a serem solucionados e o seu assistente técnico; Por fim, passa a requerer: a anulação do lançamento atacado; b) o deferimento do pedido de perícia; c) que o presente processo seja julgado conjuntamente com as demais NFLDs) lavradas na mesma ação fiscal.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Após analisar aos argumentos da impugnante, conforme documento de fls.374, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Recife DRJ/REC, em 29 de maio de 2008 emitiu o Acórdão n° 1122.473 , mantendo procedente o lançamento. Fl. 457DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.390, onde reiterou, em parte, as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. Em apertada síntese, reproduzo as argüições remanescentes: reiterou que houvera vício do MPF; que em decorrência do MPF extinto somente poderia haver novo reexame dos livros, registros contábeis e fiscais e documentos da empresa com expressa autorização da autoridade hierarquicamente superior; que na decisão recorrida, deixouse de apreciar temas relativos à indevida inclusão na base de cálculo do ICMS, nas contribuições incidentes sobre a receita de comercialização ; que houve cerceamento de defesa por ter sido negado a perícia solicitada em sede de impugnação; que é nulo o lançamento do SENAR incidente sobre a parte rural entre 03/2001 e 10/2001; argüiu a substituição tributária nas contribuições para o SENAR e. reiterou a ineficácia do artigo 25 da Lei 8.212/91 por ausência de fato gerador, alegando que “ também não assiste razão à decisão recorrida quando afirma, na ausência de lei, o fato gerador pode ser indicado por norma infralegal.” É o Relatório Fl. 458DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 457 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.444, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES Da decadência De plano, em atenção ao artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal – RICARF, é relevante observar que o lançamento em comento referese a créditos suplementares. O Relatório de Documentos Apresentados – RDA de fls.33 a 43, registra que houve recolhimentos anteriores à ação fiscal, recolhimentos estes que, portanto, se subsumem à tese “pagamentos antecipados” reiteradamente esposada por parte do STJ. O período de apuração do crédito tributário compreendeu as competências 01/2000 a 11/2005 e a notificação ocorreu em 13/12/2007 conforme Aviso de Recebimento AR de fls. 150 . Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 Fl. 459DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” A Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 através do artigo 2°, § 4°, extinguiu a então Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social promovendo a unificação das receitas dando origem a atual Receita Federal do Brasil. Assume grande importância saber que a partir da Lei nº 9.528/97 é que se introduziu a obrigatoriedade de os sujeitos passivos das contribuições previdenciárias apresentarem a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Então, somente da competência janeiro de 1999 em diante, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, na forma do disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. Na referida GFIP, deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. As empresas estão obrigadas à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. Desse modo, com a introdução da GFIP na legislação previdenciária, se institui para os contribuintes o dever que não existia antes de janeiro de 1999 de declarar, e , espontaneamente, antes de eventual ação fiscal que lhe exija, antecipar os pagamentos, os valores que entendam devidos à Previdência Social e proceder a demais obrigações acessórias. Obrigado a isso, a legislação das contribuições previdenciárias submeteu o sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pagamento este, por analogia, também sujeito a ulterior homologação. Logo, inserido na dicção do artigo 150. Segundo leciona Hugo Brito Machado, em Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas, Editora Saraiva, Edição exclusiva ANFIP, pg. 847: “ Por homologação é o lançamento feito quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa no que concerne à sua determinação. Operase pelo ato em que a autoridade, tomando conhecimento da determinação feita pelo sujeito passivo, expressamente a homologa( CTN, art. 150), ou então, mediante homologação tácita, que se opera pelo decurso de prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário, pelo lançamento.(CTN, art. 150, § 4°) ”. Fl. 460DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 458 9 Nestas condições as contribuições para a Previdência Social e suas obrigações principais e acessórias se subsumem à lançamentos por homologação expressa ou tácita. Também é relevante saber que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. Apresentado tal contexto, inserido nele é que estarei conduzindo minha análise. É muito relevante notar que, isto posto, de forma alguma o legislador condicionou a homologação, nos termos do artigo 150, à antecipações de pagamento até porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Fl. 461DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Entendo, ainda, que a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações. O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa. Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto, aplicando se forma menos severa, tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. Fl. 462DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 459 11 À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência. Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Art. 150 CTN : (...) “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN, a leitura atenta logo nas primeiras palavras do caput, se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente Fl. 463DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite , sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Manifestandose sobre a decadência o legislador foi econômico e objetivo definindo na forma do artigo 150 § 4º que : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Outro ponto de relevo que entendo deva ser destacado da leitura do § 4º do artigo 150 é que na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fica explícito que não se aplicará o referido artigo para o reconhecimento da decadência. Entretanto, nem de forma explícita, tampouco implícita, ficou determinado a capitulação do artigo 173 para a determinação da decadência dos valores fraudados. A meu juízo, a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação importa conduta criminosa e a decadência ou a prescrição devem ser analisadas e em foro próprio não comportando benefício tributário. Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: Fl. 464DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 460 13 “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Fl. 465DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma convenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório, termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB, a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Fl. 466DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 461 15 Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. Conforme Relatório Fiscal de fls. 81, a empresa foi autuada e sofreu Representação Fiscais para Fins Penais. Se a Autoridade Fiscal estivesse convicta e pudesse comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, teria expressado a circunstância no Relatório de Fundamentos legais o inciso II do artigo 290 do Decreto 3.048/99 : “ Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) II agido com dolo, fraude ou máfé;” Na forma do comando do § 4º do artigo 150 do Código tributário Nacional – CTN, o legislador determina a necessidade de comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação para a não aplicação do preceituado nos parágrafos anteriores do mesmo artigo: “ Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ( ...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A Quinta Turma do STJ, em 25/11/10 (Acórdão publicado no DJe em 14/2/2011), ao julgar o Habeas Corpus (HC) no 139.998/RS, concedeu, por unanimidade, a ordem impetrada, para trancar o Inquérito Policial no 1774⁄ 08SR⁄ DPF⁄ RS, relativo ao crime de descaminho (art. 334 do Código Penal), por entender que, “ a deflagração da persecução penal no delito de descaminho pressupõe o trânsito em julgado da decisão na esfera administrativa, somente após o que se poderá falar em ilícito tributário” . O relator do recurso, Ministro Jorge Mussi, do Supremo Tribunal de Justiça – STJ, tribuna este cujas reiteradas teses sobre a aplicação do artigo 150 em comento nos vincula, manifestandose a respeito da exigência de lançamento definitivo do crédito tributário Fl. 467DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 para a instauração da ação penal relativa a crime, destacou ao final o caput do art. 83 da Lei no 9.430/96, ao inciso II do art. 1° do Decreto no 2.730⁄ 98 e ao art. 3o, § 7o da Portaria SRF no 326⁄ 05, para ressaltar que “ a própria legislação sobre o tema reclama a existência de decisão final na esfera administrativa para que se possa investigar criminalmente a inclusão total ou parcial do pagamento de direito ou imposto” Então, sem o trânsito em julgado na instância administrativa, não se inicia a ação penal, desse modo, não se tendo certeza de que um crime fora praticado não se pode na esfera administrativa promover a sua condenação afirmandose que o dolo fora configurado sem sua definitiva prova na forma do preceituado na parte final do artigo 150, § 4° do CTN. Cumpre ressaltar que conforme o artigo 17,IV, do Regimento Interno do Conselho Administrativo FiscalRICARF uma das atribuições do Conselho é zelar pela legalidade do procedimento de julgamento. É relevante perceber que ao observar a legalidade não se pretende punir ou beneficiar. Aduz que o Princípio da Legalidade tem mais característica de garantia constitucional do que de direito individual, pelo fato de não resguardar um bem da vida específico, e sim garantir ao particular a prerrogativa de rechaçar injunções impostas por outra via que não a da lei. Isto posto, usando da prerrogativa do livre convencimento não de forma arbitrária mas fundamentando e esposando o Principio da Legalidade, entendo que o contribuinte fica beneficiado com a dúvida prevista no artigo 112 do Código Tributário nacional – CTN para ver declarada a decadência na forma do artigo 150, § 4° do CTN. É muito relevante e significativo reparar na propriedade de se exortar na lide o preceituado no artigo 112 do CTN em razão de, neste artigo, o legislador alterar a praxe e não tratar o sujeito passivo da contribuição como contribuinte mas sim como ACUSADO bem como fazer referência à IMPUTABILIDADE expressões típicas do direito penal “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação” Segundo Pedro Nunes em sua Obra Dicionário de Tecnologia Jurídica, 13ª Ed. Pg. 53, acusado é o sujeito passivo de uma ação penal. Dizse , principalmente, daquele a quem é imputada a autoria de uma infração da lei penal. É Alguém indiciado de crime. É réu. A lei lhe assegura ampla defesa. Fl. 468DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 462 17 Do mesmo autor, às pgs. 609, imputabilidade é o conjunto de circunstâncias especiais que demonstram nexo causal entre o ilícito penal e seu suposto autor. Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 01/2000 a 11/2005, e ainda que a empresa fora notificada em 13/12/2007 (AR. de fls. 150, na forma do artigo 150, §4° do CTN, bem como em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, todo o crédito lançado para a competência 11/2002 e anteriores, encontrase fulminado pelo instituto da decadência. Da matéria não impugnada No Relatório Fiscal de fls. 75, a Autoridade Fiscal revela que: 1. Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte dos segurados, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados, e às retenções feitas pela empresa quando da contratação de serviços de segurados contribuintes individuais (autônomos). Os descontos e as retenções não foram declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. 1.1. A situação acima descrita, em tese, configura crime de "Apropriação Indébita Previdenciária" e crime de "Sonegação de Contribuição Previdenciária", definidos no DecretoLei n° 2.848, de 07 de dezembro de 1940 (Código Penal), artigos 168A e 337A respectivamente, motivos pelos quais será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis” Em razão da relevância cumpre destacar em preliminar que sequer foi questionado o motivo principal da presente Notificação de Lançamento de Débitos – NFLD, qual seja o fato de haver sido descontado as referidas contribuições e não ter efetuado o correspondente repasse à Seguridade Social em época própria relatado pela Autoridade Fiscal lançadora deu ensejo, inclusive, ao encaminhamento de Representação Fiscal para Fins Penais a autoridade competente.Tal comportamento por parte da recorrente incorre, também, no artigo17 do Decreto 70.235/72 e implica em assunção explícita da irregularidade apontada. “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.( Redação dada pela Lei n 9.532, de 1997).” Do cerceamento de defesa Fl. 469DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 O contribuinte argüi nulidade por cerceamento de defesa por ter negado a perícia solicitada em sede de impugnação. Reitera que a base de cálculo considerada pela fiscalização diverge do figurino legal alegando que os documentos que instruem o auto de infração não permitem à empresa conferir se a fiscalização só incluiu na base de cálculo as verbas destinadas a retribuir o trabalho de seus empregados ou avulsos. Assevera que : “ Efetivamente, nem o DAD Discriminativo Analítico de Débito nem DSD Discriminativo Sintético de Débito nem as planilhas da Folha de Pagamento anexas à autuação indicam as rubricas que compõem a base de cálculo das contribuições lançadas. De outra banda, a listagem dos trabalhadores, também, não esclarecem a questão. 13. Por isso, para que a empresa possa demonstrar que foram incluídos valores de natureza indenizatória na base de cálculo considerada pela fiscalização fazse necessária e é justificável a realização de perícia, nos termos do art. 16, § 4°, do Decreto 70.235/72 1 , para determinar o quantum da base de cálculo referese a verbas que não se destinam a retribuir o trabalho.” ( grifei) A litigância de máfé ocorre quando uma das partes de um processo litiga intencionalmente com deslealdade. Os doutrinadores Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery conceituam o litigante de máfé como: "a parte ou interveniente que, no processo, age de forma maldosa, como dolo ou culpa, causando dano processual à parte contrária. É o improbus litigator, que se utiliza de procedimentos escusos com o objetivo de vencer ou que, sabendo ser difícil ou impossível vencer, prolonga deliberadamente o andamento do processo procrastinando o feito. As condutas aqui previstas, definidas positivamente, são exemplos do descumprimento do dever de probidade estampado no art. 14 do CPC". A Lei 5.869/73 nos seus artigos 14 e 17, preceitua que : “ LEI 5.869/73 (...) Art. 14. São deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo: ( Redação dada pela Lei n 10.358, de 27.12.2001) I expor os fatos em juízo conforme a verdade; Fl. 470DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 463 19 II proceder com lealdade e boafé; III não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são destituídas de fundamento; IV não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou defesa do direito. V cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final. ( Incluído pela Lei n 10.358, de 27.12.2001) Parágrafo único. Ressalvados os advogados que se sujeitam exclusivamente aos estatutos da OAB, a violação do disposto no inciso V deste artigo constitui ato atentatório ao exercício da jurisdição, podendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa em montante a ser fixado de acordo com a gravidade da conduta e não superior a vinte por cento do valor da causa; não sendo paga no prazo estabelecido, contado do trânsito em julgado da decisão final da causa, a multa será inscrita sempre como dívida ativa da União ou do Estado.( Incluído pela Lei n 10.358, de 27.12.2001) (...) Art. 17. Reputase litigante de máfé aquele que:( Redação dada pela Lei n 6.771, de 27.2.1980) I deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; :( Redação dada pela Lei n 6.771, de 27.2.1980) II alterar a verdade dos fatos; :( Redação dada pela Lei n 6.771, de 27.2.1980) ” NELSON NERY JÚNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY, ambos do Ministério Público paulista, conceituam litigante de máfé como : "a parte ou interveniente que, no processo, age de forma maldosa, com dolo ou culpa, causando dano processual à parte contrária. É o improbus litigator, que se utiliza de procedimentos escusos com o objetivo de vencer ou que, sabendo ser difícil ou impossível vencer, prolonga deliberadamente o andamento do processo procrastinando o feito. As condutas aqui previstas, definidas positivamente, são exemplos do descumprimento do dever de probidade estampado no art. 14 do CPC" (Código de Processo Civil e Legislação Processual Extravagante em Vigor, RT Editora, Fl. 471DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 1994, pág. 248), lembrando PONTES DE MIRANDA que "a indiferença às más consequências, se no caso era de exigirse cuidado, pode ser tida como falta de boa fé". O destaque acima foi colocado em razão de que os argumentos apresentados pela Recorrente beiram a litigânciademáfé na medida em que as folhas de pagamentos colacionadas por amostragem, confeccionadas pela própria recorrente, são realizadas demonstrando as rubricas uma a uma. Ademais, na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto 70.235/72 o atendimento ao pedido é uma faculdade do Julgador: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine( Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993)” (...) “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Nesta linha, temos que o procedimento fiscal foi minudenciado, na medida em que oferece para produção de prova a descrição detalhada dos fatos e a sua fundamentação legal foi esclarecida. Foi possibilitado ao Contribuinte, ao contrário do que alega, o contraditório e a ampla defesa, de acordo com a estrita legalidade administrativa e com o mandamento constitucional previsto na Carta Magna. Assim, não se vislumbra no presente caso a necessidade da produção de novas provas periciais.Os elementos constantes do processo são suficientes para formar convicção a respeito da questão. Portanto, apresentase desnecessária e prescindível a produção de prova pericial. Da nulidade dos Mandados de Procedimentos Fiscais MPF’S No item 52. de seu Recurso a Recorrente alega que : “ Diante de tais alegações, objetivamente lançadas pela contribuinte, a decisão recorrida nada falou sobre a necessidade de obediência ao prazo máximo de 120 dias nem sobre a necessidade de nomeação de outro auditor fiscal. A DRJ utilizou o MPFC como panacéia para os vícios de competência da fiscalização, o que, conforme demonstrado nas linhas anteriores, não é admissível se se quer aplicar a legislação tributária.” No item 53, requereu a nulidade nos seguintes termos : Fl. 472DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 464 21 “ 43. Inegável, por conseguinte, que o auto de infração é nulo, por violar o art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72 e os arts.15, II, 16 e 19 da Portaria RFB n° 4.066/ 2007.” A Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, DOU de 2.5.2007 a qual balizou as emissões , registra nos artigos 12 e 13 os prazos de validade: “Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. (...) Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto 70.235, de 1972. A mesma Portaria prevê, ainda, nos artigos 15 e 16, os casos de extinção dos MPF’s conforme abaixo: Da Extinção do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto.” Do voto de Primeira instância: Às fls. 320, O Julgador de primeira instância assim se manifestou: “ Tratarei inicialmente da alegação defensória que diz respeito ao Mandado de Procedimento FiscalMPF. A impugnante tomou ciência, através de seu Diretor Administrativo, de que estava sob ação fiscal mediante o M.PF n.° 09408513F00, fl. 43, em Fl. 473DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 19/06/2007. Dos termos da ordem de serviço, os trabalhos de fiscalização deveriam ser executados até 12/10/2007. Em 05/09/2007, portanto, antes de expirado o MPF, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar MPFC n.° 09408513C01, o qual prorrogou o MPF anterior para 11/12/2007. Chamo atenção que o sujeito passivo tomou ciência da nova ordem de execução em 10/09/2007, fl. 44. Considerandose que a data da lavratura da NFLD foi 30/11/2007, não há, assim, o que se falar em fiscalização desprovida de MPF autorizador. A Portaria RFB, n° 4.066, de 02/05/2007, quando trata da prorrogação dos prazos relativos ao MPF, dispõe: Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1° A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 72, inciso VIII: §2° Na hipótese do §1° o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Vêse, portanto, que não se deu a expiração do MPF original, ao revés ocorreu a sua prorrogação até o dia 11/12/2007, o que está em plena sintonia com a norma de regência acima, sendo desprovido de sustentação jurídica o argumento de defesa que argüi a invalidade do lançamento por falta de competência do auditor para executar o procedimento fiscal, seja pela expiração do MPF, seja pela impossibilidade do agente ser autorizado a executar novo mandado, quando o anterior tenha expirado.” De fato o Julgador de primeira instância não abordou a hipótese prevista no parágrafo único do artigo 16, por desnecessário como adiante se verificará: “ Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto.” ( grifei ) Complementando aquela argumentação, há que se observar o comando do artigo 14 da mesma Portaria que ressalta que os prazos serão contínuos : Fl. 474DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 465 23 “Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto 70.235, de 1972”. Atenção também deve ser dada ao art. 13, § 2° da Portaria MPS/SRP N° 3.031, de 16 de dezembro de 2005 : “ PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 DOU DE 22/12/2005 Retificada no DOU DE 09/06/2006 ( ... ) Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos doart. 7°, inciso VIII § 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, o servidor responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo IX .( grifei) ( ... ) Art. 19. Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 2º do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, constarão no processo administrativo fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento fiscal em si. ( grifei) Art. 20. Os MPF de que trata esta Portaria serão emitidos em três vias, que terão as seguintes destinações: I sujeito passivo; II processo administrativo fiscal, quando instaurado; III arquivo da Delegacia da Receita Previdenciária do domicílio do sujeito passivo. ” Neste sentido considerando o comando de que os prazos serão contínuos, às fls. 71, consta emitido o DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO DE MPF AUDITORIA PREVIDENCIÁRIA, onde se registra informado ao contribuinte a data de emissão do mandado complementar, a data do dia da prorrogação e a data da validade do Fl. 475DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 mandado complementar, 11/12/2007, posterior a data de encerramento da ação fiscal ocorrida em 30/11/2007 na forma do Termo de Encerramento de fls. 77. “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL No.: 09408513 PRORROGAÇÃO: DATA: 12 de Outubro de 2007 EMISSÃO: 14/06/2007 VALIDADE: 11 de Dezembro de 2007” Em razão das considerações complementares se comprova que o procedimento não sofreu solução de continuidade. Desse modo, não há que ser reformada a decisão de primeira instância.Portanto, não dou provimento. Da nulidade do lançamento do SENAR incidente sobre a parte rural da Recorrente, entre 03/2001 e 10/2001 Tais competências foram alcançadas pelo instituto da decadência. Desse modo, por economia processual, deixo de enfrentar a argüição. Da ausência do fato gerador Em combate à decisão de primeira instância, reiterou a ineficácia do artigo 25 da Lei 8.212/91 por ausência de fato gerador, alegando que “ também não assiste razão à decisão recorrida quando afirma, na ausência de lei, o fato gerador pode ser indicado por norma infralegal.” De fato, a relação tributária não implica numa mera relação de poder exercida pelo Estado em desfavor do administrado, sem previsão normativa legal, mas sim constituise numa relação jurídica propriamente dita, onde os atos envolvidos na relação devem estar precisamente disciplinado na lei em sentido estrito, somente podendo alterada por norma jurídica de mesma ou superior hierarquia dentro do nosso ordenamento jurídico. Na forma do artigo 97, III, do CTN somente a lei pode estabelecer a definição do fato gerador : “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo;” Cumpre destacar que remetendome às fls. 384 reparo que ao conduzir seu voto no enfrentamento da matéria em sede de impugnação, não se alcança registrado que o Julgador teria sido norteado por teratológico entendimento de que, na ausência de lei, o fato gerador pode ser indicado por norma infralegal como afirma a recorrente. Aduz que o I. Julgador cingiuse a dar destaque aos aspectos legais da Lei 8.212 onde se explicitava o fato gerador argüido. Fl. 476DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 466 25 Desse modo, seguramente premido pelo o comando dos artigo 97, III, do Código Tributário Nacional – CTN exarou a decisão a qual corroboro. Argüi incompetência para arrecadar contribuições para terceiros incidentes sobre a comercialização da produção rural. Em resposta a isso, não vejo como discordar dos argumentos de primeira instância que, conforme sinteticamente abaixo transcrito, resolveu na forma legal a aparente antinomia presente: “Como se percebe há um conflito aparente de normas entre o § I. do art. 94 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 2. da Lei n.° 8.540/1992. Um dispositivo reza que a Autarquia Previdenciária poderia arrecadar para "terceiros" exclusivamente contribuições que tivessem por base de cálculo remunerações pagas a seus segurados, enquanto o outro prevê a contribuição para o SENAR, a ser arrecadada pelo INSS, incidente sobre a comercialização. Considerando que se trata de choque normativo entre regras de mesma hierarquia, há necessidade de se resolver o conflito mediante a utilização de técnicas extraídas da hermenêutica jurídica. Adotandose o critério da especialidade, há de se concluir que o texto da Lei n.° 8.540/1992 prevaleceria, posto que especifico sobre a contribuição ao SENAR.” Assim, também, não dou provimento aos argumentos interpostos. Da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo Da mesma forma, em razão de entender irretocável a decisão “ad quod”, transcrevo a íntegra daquele arrazoado para afirmar que comungo dos mesmos argumentos sendo despiciendo inovar para acompanhar a conclusão: “A pretensão de que esse órgão de julgamento administrativo exclua da base de cálculo utilizada no lançamento os valores referentes ao ICMS, ou mesmo que declare a suspensão da exigibilidade do crédito não é admissível. A legislação é clara ao definir a base de incidência para cálculo da contribuição do empregador rural pessoa física, o art. 22 A da Lei n.° 8.212/1991, que transcreverei abaixo, não deixa dúvida de que se trata da receita bruta, sem qualquer exclusão, posto que não há qualquer ressalva relativa à dedução de outros tributos, mormente o ICMS, que sendo imposto calculado "por dentro", integra o preço do produto. È inadmissível que o intérprete nesse caso venha impor redução da matéria tributável. Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da Fl. 477DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos 1 e 11 do art. 22 desta Lei, é de: 1 dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social;(incluído pela Lei n°10.256, de 9.7.2001); 11 zero vírgula um por cento para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei pf 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (incluído pela Lei n e 10.2.)6, de 9.7.2001) Fácil concluir que por falta de previsão legal o valor do ICMS não pode ser excluído da base de cálculo da contribuição do produtor rural incidente sobre a receita bruta da comercialização. No que diz respeito à possibilidade de que a NFLD tenha a sua exigibilidade suspensa até o pronunciamento do STF sobre a constitucionalidade da inclusão do 1CMS na base de cálculo do PIS e da COF1NS no bojo do RE n." 240785, não há sustentáculo normativo para tal. Ainda que o julgamento se referisse ao tributo lançado na NFLD em tela, não poderia ocorrer tal suspensão. Digo mais, mesmo que o STF já houvesse se pronunciado contrariamente ao fisco, tal julgamento não iria influenciar o processo de que aqui se cuida, posto que decisão tomada, mesmo pela Corte Maior, no controle difuso de constitucionalidade não possui eficácia erga omnes.” DO MÉRITO Da multa Conforme Relatório FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO – FLD, às fls. 39, item 601.09, o cálculo do valor da multa moratória, teve por base os parâmetros estabelecidos pelo art. 35,I, II, III da Lei 8.212/91. Entretanto o artigo retro foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Fl. 478DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008072/200710 Acórdão n.º 2403000.772 S2C4T3 Fl. 467 27 Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art.5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” Da penalidade menos severa O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. CONCLUSÃO Fl. 479DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 Desse modo, por tudo que foi exposto, em PRELIMINAR, determino que se reconheça a DECADÊNCIA do crédito lançado para as competências anteriores a 11/2002, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no Art.150, § 4º, CTN e, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL promovendo o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto Ivacir Júlio de Souza Fl. 480DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000125/2008-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA
A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra
que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO
NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se
de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada
pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.717
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, , em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32-A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PRIVADOS DO DF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃODEOBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, , em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (substituto). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 215 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 204 a 208, com Aditamento às fls. 212 a 213, interposto pela Recorrente – Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal – AMHPDF contra Acórdão nº 0327.247 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 195 a 201, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.129.9659, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 286.831,20 (duzentos e oitenta e seis mil, oitocentos e trinta e um reais e vinte centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07, o Auto de Infração nº. 37.129.9659, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de informar através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP as remunerações de contribuintes individuais a seu serviço nas competências 01/2002 a 12/2003. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. A multa é apurada por competência, sendo seu valor total a soma dos valores de cada competência em que ocorreu a Infração. Dentre os procedimentos adotados pela AuditoriaFiscal, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07, temse: 4. A análise da documentação apresentada levou esta auditoria a aprofundar as investigações quanto à relação existente entre a Associação e seus associados pessoas físicas. Isto porque nas declarações realizadas pela Associação através da DIRF em todas as competências dos exercícios 2002 e 2003 constavam valores referentes a remunerações pagas a, em média, 350 pessoas físicas sem vínculo empregatício, valores e pessoas essas não declaradas nas respectivas GFIP. 5. Do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, apresentados em meio digital conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 21, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação Fl. 225DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. 6. A tese ora defendida é que a atuação da Associação como intermediadora dos serviços de seus associados pessoas físicas a caracteriza como empresa cedente de mão de obra, nos termos da legislação previdenciária. 7. A tal condição de intermediadora de prestação de serviços consta explicitamente tanto do Estatuto da Associação, fls. 134 , quanto dos contratos por ela firmados com as empresas de segurosaúde conveniadas, fls. 129 . Estatuto Artigo 3 Para consecução de seus objetivos, poderá a Associação: (...) b) colaborar na solução de casos de credenciamento, celebrando e operacionalizando os contratos de prestação de serviços a serem executados por seus associado; c) a administração, na qualidade de mandatária, dos interesses de seus associados no que se refere à contratação de convênios para a prestação de serviços, inclusive com a cobrança, recebimento e repasse dos valores recebidos aos associados; (..)” Ainda de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “8. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo Fl. 226DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 216 5 que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde. Ainda segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07, o Anexo I do presente relatório discrimina nominalmente, por competência, os contribuintes individuais (categoria 13) favorecidos com o CPF, os valores omitidos, a contribuição de responsabilidade da empresa devida, a contribuição de responsabilidade do segurado devida e não descontada pela autuada. Observase, nos autos do processo referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.107.5440, correlata a este presente AI, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, Relatório Fiscal, fls. 50 a 55: “29. Cabe ressaltar que a omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária nas folhas de pagamento ou nas GFIP correspondentes caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2.000, razão da qual foi emitida representação fiscal para fins penais a ser encaminhada à autoridade competente.” O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09422956F00, foi de 01/2002 a 12/2003, às fls. 123. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07, é de 01/2002 a 12/2003. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 21.12.2007, conforme Aviso de recebimento – AR nº 427352293 BR às fls. 155. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 158 a 162, com Anexos às fls. 163 a 192. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0327.247 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 195 a 201, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 20/12/2007 AI DEBCAD 37.129.9659 OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP/GRFP. Determina a lavratura de autodeinfração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP/GRFP, conforme art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n." 8.212/91. Lançamento Procedente Fl. 227DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 204 a 208, onde alega em apertada síntese que: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n. ° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador Fl. 228DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 217 7 dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) (vii) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (viii) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; (ix) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que Fl. 229DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 também é a relação base do presente caso tributário previdenciário A Recorrente em aditamento ao Recurso Voluntário, às fls. 212 a 213, alega, em síntese: (x) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; (xi) requer a aplicação da Súmula Vinculante nº 8, STF em conjunto com o art. 150, § 4º, CTN, declarandose a decadência dos lançamentos efetuados no ano 2002. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 211. É o Relatório. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 218 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 211. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA REPERCUSSÃO GERAL JULGADA NO STF O Supremo Tribunal Federal STF reafirmou no dia 01.08.2011 que é constitucional a retenção, por parte do tomador de serviço, de 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço para fins de contribuição previdenciária. A decisão foi tomada em julgamento de Recurso Extraordinário RE 603.191 que recebeu status de Repercussão Geral. O Plenário aplicou jurisprudência da Corte que confirma a constitucionalidade do artigo 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei 9.711/98, que prevê a retenção da contribuição previdenciária e seu posterior recolhimento em nome da empresa cedente de mãodeobra: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01.08.2011 Fl. 231DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 DA DECADÊNCIA Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Fl. 232DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 219 11 Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Fl. 233DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando Fl. 234DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 220 13 de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, como é o caso da contribuição social previdenciária, com a antecipação de pagamento e desde que não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. Observase da análise dos autos do processo referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.107.5440, correlata a este presente AI que não houve recolhimentos a homologar, pois segundo o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, não foram apropriados recolhimentos no presente lançamento, uma vez que a Recorrente não reconhece a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas. Ademais, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, nos autos do processo referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.107.5440, correlata a este presente AI, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, conforme o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55. Na hipótese presente, configurase a aplicação da regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN pois não houve pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal, além do que no Relatório Fiscal, às fls. 50 a 55, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Esse posicionamento possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... Fl. 236DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 221 15 .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do Auto de Infração pela Recorrente, às fls. 155, ocorreu em 21.12.2007 e o período objeto do Auto de Infração se refere a contribuições devidas à Seguridade Social de 01/2002 a 12/2003. Dessa forma, nos termos do artigo 173, I, CTN, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados entre as competências 01/2002 a 12/2003. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de decadência examinada, pois não se configurou o instituto da decadência nos termos do art. 173, I, CTN. Passemos à análise das argumentações da Recorrente. (A) Da cessão de mãodeobra e da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais A Recorrente argumenta: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; Fl. 237DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) Analisemos. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 222 17 (A.1) da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais Discutese no presente Recurso Voluntários a incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a qualquer título pela Recorrente aos médicos associados em função do atendimento a pacientes de empresas conveniadas à Recorrente(por exemplo, operadoras de planos de saúde). Sobre o tema, a LC 84/96, antes da reforma previdenciária da Emenda Constitucional 20/98, dispunha: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Após a Emenda Constitucional 20/98, a Lei 9.876/99 revogou a LC 84/96 e trouxe modificações à Lei 8.212/1991, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) (g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (...) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...)III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Pela leitura dos artigos acima transcritos, verificase que o legislador estabeleceu o conceito de segurado obrigatório, na condição de contribuinte individual (após a edição da Lei 9.876/99), como aquele que "presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego". Ainda assim, ressaltase que, tal como disposto no art. 3º, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, serviço deve ser entendido de forma ampla, ou seja: "§ 2° Serviço é Fl. 239DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista ". A legislação impõe a incidência de contribuição previdenciária calculada sobre o total de remunerações ou retribuições pagas ou creditadas pela empresa a contribuintes individuais. Além disso, nem mesmo se exige vínculo contratual entre as partes como requisito para a incidência da exação, mas a simples prestação de serviços. Como um primeiro aspecto, coloquemos o posicionamento da jurisprudência em relação à responsabilidade tributária entre o tomador e o prestador do serviço: STJ REsp 1162066 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00952143 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 22/06/2010 TRIBUTÁRIO. CONTRATO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. FOLHA DE SALÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INAPLICÁVEL. 1. Quanto à alegativa de não ser possível a aferição indireta do tributo devido, o apelo não deve ser conhecido em razão da ausência de prequestionamento. Incidência do óbice contido na Súmula 211/STJ. 2. Nos contratos de cessão de mãodeobra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei n. 8.212/91. Precedentes. 3. De acordo com o disposto no art. 124 do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária não comporta benefício de ordem. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ AgRg no REsp 1120910 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2009/00180096 Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 17/11/2009 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. ARTIGO 31 DA LEI N. 8.212/91 EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO DOS EMPREGADOS DA EMPRESA DE VIGILÂNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A pretensão do presente recurso especial cingese a afastar a aplicação do artigo 31 da Lei n. 8.212/91 para que o referido contrato seja considerado como uma mera prestação de serviço; todavia, tal pretensão requer, inequivocadamente, o reexame de suporte probatório para alterar a premissa fática assentada pelo Fl. 240DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 223 19 Tribunal de origem, o qual concluiu no sentido de que o referido contrato se enquadrava como cessão de mãodeobra, por ausência de comprovação da autora em sentido contrário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que no contrato de cessão de mãodeobra a responsabilidade solidária entre o contratante e a empresa contratada somente poderá ser ilidida se aquele comprovar que a empresa prestadora de serviços recolheu os valores devidos. Nesse sentido: (AgRg no Resp 769.952/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 4/5/2006, DJ 25/5/2006; REsp 410.104/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 6/5/2004, DJ 24/5/2004). 3. Agravo regimental não provido. STJ REsp 939189 / RS RECURSO ESPECIAL 2007/00748110 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA (1126) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 20/10/2009 TRIBUTÁRIO. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE DE SERVIÇOS EXECUTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A responsabilidade solidária do contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, na forma estabelecida pelo art. 31 da Lei 8.212/91, antes da alteração legislativa promovida pela Lei 9.711/98, produziu efeitos até 1º de fevereiro de 1999, quando passou a vigorar a atual sistemática de arrecadação, na qual as contribuições destinadas à Seguridade Social são retidas e recolhidas pelo próprio contratante dos serviços executados mediante cessão de mãode obra. 2. Nos presentes autos, ao decidir a causa, o Tribunal de origem entendeu que "a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). " 3. Como visto, no caso em apreço o acórdão recorrido não afastou a responsabilidade solidária. Logo, o Tribunal de origem não contrariou os arts. 124, II, do Código Tributário Nacional, e 31, caput e § 3º, e 33, § 3º, da Lei 8.212/91, e também não divergiu da orientação jurisprudencial predominante no Superior Tribunal de Justiça. Precedentes citados: REsp 800.054/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 3.8.2007, p. 333; AgRg no AgRg no Resp 1.039.843/SP, 2ª Turma, Rel. Fl. 241DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 Min. Humberto Martins, DJe de 26.6.2008; REsp 776.433/RJ, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 22.9.2008. 4. Recurso especial desprovido. STJ REsp 913422 / SP RECURSO ESPECIAL 2006/02774177 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 24/04/2007 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. LEGITIMIDADE. LITISCONSÓRCIO. DESNECESSIDADE. ART. 31 DA LEI N.º 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. 1. A empresa prestadora de serviço é parte legítima para discutir a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de cessão de mãodeobra, porquanto efetiva contribuinte da exação. 2. É desnecessária a formação de litisconsórcio ativo entre a prestadora e a tomadora de serviço ante a ausência de determinação legal nesse sentido. 3. A alteração que a Lei nº 8.212/91 sofreu com a Lei nº 9.711/1998 não criou nova contribuição sobre o faturamento, nem modificou a alíquota, menos ainda a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, sendo, por conseguinte, devida a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. 4. A Lei nº 9.711/98 instituiu nova sistemática na forma de arrecadação da contribuição em debate, em que, por substituição, as empresas passam a figurar como responsáveis tributárias. 5. Recurso especial do INSS provido em parte. Recurso especial da Abeprest prejudicado. Da jurisprudência, observase que,, em termos de legislação tributário previdenciária, não há benefício de ordem entre o tomador e o prestador do serviço, sendo que a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). (A.2) da cessão de mãodeobra Em que pese os argumentos bem elaborados pela Recorrente acerca da não existência de cessão de mãodeobra, a NFLD em questão restou materializada a cessão de mãodeobra. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07, a Recorrente enquadrase no conceito de empresa cedente de mãodeobra, por atuar como intermediadora Fl. 242DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 224 21 dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde, com ela conveniadas. Neste ponto, em que pese a Recorrente reconhecer que exerce atividades de intermediação de serviços entre os associados e as empresas conveniadas, rejeita o enquadramento dado pela AuditoriaFiscal como empresa cedente de mãodeobra com fundamento na não configuração da hipótese prevista no art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991. “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 243DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 22 III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” (gn) Eis, portanto, a questão de fundo: saber se os médicos associados à Recorrente prestam algum tipo de serviço às empresas conveniadas, configurandose a cessão de mãodeobra, sendo então caracterizada a condição de contribuintes individuais dos médicos associados em relação à Recorrente. Neste aspecto, para o deslinde da questão, importa observar o aspecto da relação jurídica entre a Recorrente e o associado de modo a se estabelecer, ou não, se é devido o lançamento acerca das contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, de responsabilidade da empresa, incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. Desta forma, a consideração, a da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho serve apenas de indicativo da direção da jurisprudência, o que em hipótese alguma prejudica a linha de argumentação da Recorrida. Ademais, o art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991 em absoluto exige que os serviços sejam relacionados com a atividade fim da empresa: § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. É evidente que os serviços médicos prestados pelos profissionais de saúde são dirigidos aos pacientes, pois a pessoa jurídica, tanto a Recorrente quanto as empresas conveniadas, obviamente, não se submete a procedimentos dessa natureza. Não obstante, analisandose o Relatório da Infração, às fls. 06 a 07, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este Fl. 244DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 225 23 que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “8. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ainda o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde. Diante do exposto, restou configurada faticamente a cessão de mãodeobra, conforme o exposto no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07: “9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ademais, observase dos autos que há uma relação jurídica entre o médico associado e a Recorrente, sujeitando as verbas pagas à incidência da contribuição previdenciária em questão, também em função da existência de um contrato formal entre as partes, pelo qual o profissional de saúde se vê impedido de ser remunerado pelo serviço prestado diretamente pela empresa de segurosaúde. Essa, na verdade, é uma questão incontroversa, pois a Recorrente, na Impugnação, às fls. 71, reconhece que há um vínculo contratual entre ela e os médicos associados: “4 A AMHPDF apenas atua como representante estatutária e intermediária de seus associados para aproximálos dos seguros Fl. 245DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 24 e planos de saúde na prestação de serviços médicos aos beneficiários destes últimos. Por isso, são os planos de saúde que efetuam os pagamentos pelos serviços, após sua conferência, limitandose a Impugnante a repassar os honorários médicos;” Assim, a própria Recorrente reconhece a existência de uma relação jurídica contratual entre ela e o médico associado, pela qual este se compromete a atender aos segurados das empresas conveniadas e, em contrapartida, a Recorrente se compromete a pagar pelos serviços prestados aos segurados das empresas conveniadas. Desta forma, como negar aqui a inexistência de prestação de serviços à Recorrente? Qual seria então o objetivo do contrato firmado com o associado médico? É claro que, ao atender aos segurados das empresas conveniadas, o médico está prestando um serviço à Recorrente. Não de natureza médica, evidentemente, mas de atendimento, de disponibilização de seu tempo e serviços de saúde para o segurado das empresas conveniadas. Anotase em relação ao mercado das Seguradoras de Saúde, que os Planos de Saúde, como é o caso das empresas conveniadas à Recorrente, pagam um valor já previamente acertado entre eles e os médicos credenciados, de acordo com uma tabela de procedimentos, sem qualquer participação dos segurados. Esse valor é diferente do que é pago em uma consulta particular justamente porque ele não remunera o serviço médico prestado ao paciente, mas sim o serviço prestado ao plano de saúde, consistente no atendimento a um segurado seu. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 06 a 07, do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. Ainda, se depreende do Relatório Fiscal da Infração, nas declarações de Imposto de Renda os profissionais de saúde associados à Recorrente informam que receberam da Recorrente, que inclusive retém na fonte o tributo devido. Devese destacar também que essa prestação de serviços do associado médico para a Recorrente constitui a premissa de funcionamento deste. De fato, ainda que o associado profissional de saúde preste serviços médicos diretamente ao segurado da empresa conveniada, há, concomitantemente, a prestação de serviços à Recorrente, sem os quais esta não pode exercer as atividades para as quais foi constituída. Logo, não há como deixar de reconhecer que a Recorrente utiliza a prestação de serviço (atendimento a segurados de empresas conveniadas) dos médicos associados e dela diretamente se beneficiam para que consigam atingir seus objetivos sociais. Assumese que qualquer interpretação da legislação infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República, neste sentido a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda a sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da eqüidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Nos dizeres de Leandro Paulsen5: “as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao 5 PAULSEN, Leandro. Contribuições Custeio da Seguridade Social. Porto Alegre: ESMAFE e Livraria do Advogado, 2007. p. 22. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 226 25 custeio da seguridade social independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" Ou seja, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos associados da Recorrente, em razão do atendimento a segurados de empresas conveniadas, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da eqüidade na forma de participação no custeio de forma a se criar uma categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Portanto, considero que há sim uma relação jurídica de cessão de mão deobra entre a Recorrente e as empresas conveniadas e também uma relação jurídica existente entre a Recorrente e os médicos associados que, no desenvolvimento de suas atividades profissionais, atendem a pacientes segurados de empresas conveniadas e, por isso, são remunerados pela Recorrente. Assim, incide a contribuição prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91 sobre as verbas pagas pela Recorrente aos profissionais de saúde associados, no caso, contribuintes individuais. (B) Da vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 à tributação fiscalprevidenciária, além da aplicação da Solução de Consulta da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal. A Recorrente argumenta: (vii) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (viii) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; (ix) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à Fl. 247DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 26 resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário Analisemos. (B.1) Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal Em relação à aplicação, para o presente caso, da Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, cumpre informar que tal argumento não encontra qualquer fundamento na legislação que rege a tributação fiscalprevidenciária. Desta forma, superado este ponto, passemos para o seguinte. (B.2) Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 Em relação à vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, de plano, colacionemos o posicionamento da Recorrida, às fls. 200 e 201: “Com relação à solução da Consulta COSIT nº 5/2004, por ser inespecífica ao caso em tela, esta não representa óbice para a aplicação e interpretação da legislação previdenciária, que não foi sequer citada na consulta indicada. No caso, deveria ter sido formulado consulta, que atendesse os requisitos estipulados no artigo 3º da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007, dentre eles, a exigência de que a consulta se circunscrevesse a fato determinado, contendo descrição detalhada de seu objeto e indicação necessária à elucidação da matéria (inciso III) e que indicasse os dispositivos que ensejaram a sua apresentação, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada (inciso IV).” O art. 3º, da IN RFB 740/2007, a que a Recorrida se refere: “Art. 3º A consulta deverá ser formulada por escrito, dirigida à autoridade mencionada no inciso I, II ou III do art. 10, e apresentada na unidade da RFB do domicílio tributário do consulente. § 1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender aos seguintes requisitos: I identificação do consulente: a) no caso de pessoa jurídica ou equiparada: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), número de inscrição no Fl. 248DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 227 27 Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Específico do INSS (CEI) e ramo de atividade; b) no caso de pessoa física: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), atividade profissional e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); e c) identificação do representante legal ou procurador, mediante cópia de documento, que contenha foto e assinatura, autenticada em cartório ou por servidor da RFB à vista da via original, acompanhada da respectiva procuração; II na consulta apresentada pelo sujeito passivo, declaração de que: a) não se encontra sob procedimento fiscal iniciado ou já instaurado para apurar fatos que se relacionem com a matéria objeto da consulta; b) não está intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; e c) o fato nela exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que foi parte o interessado; III circunscreverse a fato determinado, conter descrição detalhada de seu objeto e indicação das informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. § 2º No caso de pessoa jurídica que possua mais de um estabelecimento, as declarações a que se refere o inciso II deverão ser prestadas pelo estabelecimento matriz e abranger todos os estabelecimentos. § 3º A declaração prevista no inciso II do § 1º não se aplica à consulta formulada em nome dos associados ou filiados por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, salvo se formulada pela consulente na condição de sujeito passivo. § 4º Na hipótese de consulta que verse sobre situação determinada ainda não ocorrida, o consulente deverá demonstrar a sua vinculação com o fato, bem como a efetiva possibilidade da sua ocorrência. § 5º A associação que formular consulta em nome de seus associados deverá apresentar autorização expressa dos associados para representálos administrativamente, em estatuto ou documento individual ou coletivo” (gn) Fl. 249DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 28 Resta então verificar se o argumento da Recorrente de que a Solução de Consulta de Consulta COSIT nº 5/2004 é vinculante e se aplica ao presente caso. Não obstante a força dos argumentos e a certeza demonstrada pela Recorrente na defesa da aplicação da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 para o presente caso, temos que lembrar que em 2007 houve a fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, vide Lei 11.457/2007. Neste sentido, quando da elaboração da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, ou seja, no ano de 2004, a Secretaria da Receita Previdenciária, órgão do Ministério da Previdência Social era a responsável pela administração tributárioprevidenciária. Ainda assim, à título de esclarecimento, à época, 2004, a COSIT – Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal, sendo a Receita Federal órgão do Ministério da Fazenda, não possuía quaisquer atribuições normativas em matéria tributário previdenciária. Desta forma, verificase, naturalmente, que a Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, não possui qualquer alcance em matéria tributárioprevidenciária posto que à época a COSIT não detinha quaisquer competências normativas em matéria tributárioprevidenciária. Em relação ao posicionamento da Recorrida de que a Solução de Consulta para ser aplicada deve atender aos requisitos insculpidos no artigo 3º da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007, não há o que contestar visto advir de uma fundamentação normativa. Desta forma, pelo acima exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (C) Do julgamento conjunto dos processos. A Recorrente argumenta: (x) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; Analisemos. Em virtude de diversas restrições estruturais e operacionais no procedimento administrativo fiscalprevidenciário, nem sempre se faz possível o julgamento de todos os processos oriundos da mesma AuditoriaFiscal. Desta forma, não há como atender tal requisição. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 240300.717 S2C4T3 Fl. 228 29 CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 251DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 30 (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, AI nº 37.073.1840, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991 revogados, o qual previa que pena administrativa de que trata o § 5º correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no § 4º. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a PRELIMINAR suscitada, e, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, e determinar o recálculo da multa com base no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com a prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 252DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10925.000520/2004-86
Data da sessão: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1803-000.035
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DE
JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-14T13:56:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-14T13:56:52Z; Last-Modified: 2010-12-14T13:56:52Z; dcterms:modified: 2010-12-14T13:56:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c378e9a8-80f2-4cce-a5ea-60ae8565083c; Last-Save-Date: 2010-12-14T13:56:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-14T13:56:52Z; meta:save-date: 2010-12-14T13:56:52Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-14T13:56:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-14T13:56:52Z; created: 2010-12-14T13:56:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-12-14T13:56:52Z; pdf:charsPerPage: 1139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-14T13:56:52Z | Conteúdo => Sl-TE03 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo !e 10925,000520/2004-86 Recurso n" 165.502 Resolução n" 1803.0035 — 3" Turma Especial Data 7 de outubro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente Primo Tedesco S/A Recorrida 4" Turma/DRJ-Belo Horizonte/MG Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3" Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. b"IrtifF-é-n--erra de Moraes Presidente e Relatara Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Benicio Júnior, Marcos Antonio Pires. Relatório Trata-se de auto de infração de ajuste de base de cálculo do IRPJ, relativo ao ano de 1999, em que foi adicionado ao lucro real o montante total de R$ 274.084,28. Em procedimento de revisão da DIPJ/2000, foi constatado que a autuada teria deixado de adicionar ao lucro liquido, para fins de apuração do lucro real, o lucro inflacionário realizado. Processo n° 10925.000520/2004-86 S1- 1E03 Resolução n.° 18010035 F I 2 hresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que o lucro inflacionário apurado foi totalmente adicionado na apuração do lucro real do ano calendário anterior, ou seja em 1998, conforme cópia da DIN e fls. 1, 12 e 13 do LALUR. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) O Demonstrativo de Lucro Inflacionário SAPLI, é extraído de sistema eletrônico mantido pela Secretaria da Receita Federal, alimentado com informações oriundas das declarações de rendimentos apresentadas pelos contribuintes. b) De acordo com o SAPLI, no ano de 1998, a contribuinte adicionou ao lucro líquido, a título de lucro inflacionário realizado, o valor de R$ 343.062,52. Contudo este valor não corresponde à totalidade do lucro inflacionário que foi diferido pela contribuinte em anos anteriores, que, acumulado até 31/12/1998, atingiu o montante de R$ 2,466.758,69. c) Do exame da documentação apresentada junto com a peça de defesa, verifica-se que o único lançamento que integra o LALUR refere-se tão somente à indicação do alegado valor de R$ 343.062,52, sem nenhuma consistência lógica e/ou histórica de sua formação. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A recorrente verificou ao examinar o SAPLI, que a Secretaria da Receita Federal não alocou no referido demonstrativo as parcelas do lucro inflacionário oferecidos à tributação, resultando na apuração do saldo errado apontado no demonstrativo que originou o auto de infração. b) A recorrente anexa fls. do LALUR — do lucro inflacionário a realizar compreendendo o período de 31/12/1994 até 30/06/1997 e também as fls. do LALUR por trimestre do ano de 1997, que juntamente com as declarações de informações econômico-fiscais são as fontes para elaboração do SAPLI. É o relatório. Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância por via postal, tendo recebido a intimação em 24/01/2004 (AR de fls. 123). O recurso foi protocolado em 22/02/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. O cerne da questão a ser enfrentada no presente recurso gira em torno da existência de erro no demonstrativo extraído do sistema SAPLI. Processo n" 10925.000520/2004-86 S1-TE03 R.esolução n 1803,0035 A. 3 A contribuinte alega que não constaram do demonstrativo os valores de RS 2.100.000,00 e R$ 1,394,910,00, relativos ao lucro inflacionário adicionado respectivamente no 1' e 2° trimestres de 1997, conforme cópia da declaração n° 7994303. Ao analisarmos o demonstrativo de fls. 73/79, verificamos que as informações constantes do sistema SAPLI foram extraídas da declaração mencionada pela contribuinte ( número da declaração: 79943-03 — fls. 74). No entanto não consta dos autos o inteiro teor da DIPJ/1998„ Como a decisão a ser exarada no presente processo depende de juízo acerca da existência de erro no sistema SAPLI, é mister confrontar os dados constantes da declaração com os do sistema. De mais a mais, além da declaração é mister que a contribuinte apresente sua escrituração contábil e demonstre a composição da realização do lucro inflacionário, adicionado no 1° e 2' trimestres de 1997. Por conseguinte, considero necessária a realização de diligência, para as providências e verificações a seguir relacionadas: a) Dar ciência desta resolução à autuada, entregando-lhe cópia, b) Juntada do inteiro teor da DIPJ/1998 constante dos sistemas Federal,. c) Juntada do demonstrativo dos prejuízos fiscais acumulados a os valores apurados na DIPJ/1998. d) Intimar a contribuinte a indicar a composição da realização apresentar a devida prova contábil da Secretaria da Receita fim de confrontá-lo com do lucro inflacionário e A autoridade administrativa encarregada do procedimento deverá elaborar relatório conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia à recorrente e conceder-lhe prazo para que se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que o processo deverá retornar a este Conselho. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. . .... -,---2'Seliene-Ferreira de Moraes 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 10925000520200486 Interessado : PRIMO TEDESCO S/A TERMO DE JUNTADA 1" Seção/4" Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão/Resolução n°1803-00035, às fis. ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo.. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em para cientificar o interessado e demais providências cabíveis. Brasília, Chefe da Secretaria
score : 1.0
Numero do processo: 36266.011936/2006-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. MULTA DE MORA
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Legalidade da Taxa SELIC nos termos da Súmula n. 3 do CARF.
Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.741
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a decadência até 10/2001, inclusive, com base no artigo 150, § 4º do CTN. Votou pela conclusão o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Vencido o conselheiro Carlos
Alberto Mees Stringari, relativamente á decadência. No mérito: Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. MULTA DE MORA O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Legalidade da Taxa SELIC nos termos da Súmula n. 3 do CARF. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a decadência até 10/2001, inclusive, com base no artigo 150, § 4º do CTN. Votou pela conclusão o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, relativamente á decadência. No mérito: Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Fl. 188DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36266.011936/200696 Acórdão n.º 240300.741 S2C4T3 Fl. 184 3 Relatório Trata se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada contra a empresa em epígrafe cujo objeto é a contribuição descontada dos segurados empregados e não repassadas à Previdência Social. De acordo com o relatório fiscal de fls. 131/134, os valores foram extraídos das folhas de pagamento, e Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social. Informa ainda o Auditor Fiscal que a empresa foi autuada por não apresentação de Livro Caixa e por omissão de fato gerador em Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social. Devido a não apresentação de escrituração contábil, deixou de emitir Termo de Arrolamento de Bens — TAB, no entanto encaminhou informação para propositura de Medida Cautelar Fiscal. Por se tratar de retenção de parcelas descontadas dos segurados, o fiscal informa a elaboração de representação fiscal para fins penais. O valor desta Notificação é de R$ 165.421,50 (cento e sessenta e cinco mil, quatrocentos e vinte e um reais e cinqüenta centavos) consolidados em 14/11/2006. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou defesa tempestiva, juntada nas fls. 137/142, alegando, em apertada síntese, que a multa moratória aplicada no importe de 19,85% configura confisco, assim pleiteia a redução para 2% com base na lei 9.298/96 que fixou este percentual para as multas de mora quando relacionadas a crédito e concessão de financiamento ao consumidor. Mediante extenso arrazoado protesta também quanto à aplicação taxa de juros SELIC, alegando em suma que seria inconstitucional, pugna ao final pela aplicação na alíquota de 1% com base no art.161, § 1° do CTN, bem como a redução da multa. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos da impugnante, a 8ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo II – SP DRJ/SPOII, emitiu o Acórdão n° 1719.482, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário de fls. 157/170, com os mesmos fundamentos da impugnação além dos seguintes: Fl. 190DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Decadência de 5 (cinco) anos em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n. 8.212/91 pelo STJ no Julgamento do REsp n. 616.384MG, por esse motivo, estariam decaídos os períodos compreendidos entre 1997 e 2001. Sejam suspensas as cobranças decorrentes do Auto de Infração objeto da lide, qual seja, NFLD n. 37.046.7140, nos termos do art. 151, III do CTN. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36266.011936/200696 Acórdão n.º 240300.741 S2C4T3 Fl. 185 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 182, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE: DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos Fl. 192DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. O presente caso importa a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, pois houve o pagamento parcial da referida Contribuição Previdenciária, assim como destacou a fiscalização na fl. 132 do Relatório Fiscal, verbis: “Os valores devidos estão lançados no discriminativo analítico de débito sob a rubrica 11 segurados e foram obtidos através da apuração dos valores retidos em folha de pagamento deduzidos dos pagamentos parciais efetuados pela empresa que estão demonstrados nos relatórios RDA — Relatório de Documentos Apresentados e RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, todos integrantes da NFLD em referência.” (grifo nosso) O período de apuração compreendeu a competência 02/1997 a 12/2005. A notificação ocorreu em 14/11/2006. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre 02/1997 a 10/2001 (nos termos do art. 150, § 4º do CTN), conforme explicado. A decadência é matéria de ordem pública, por isso deve ser declarada em qualquer fase processual, até mesmo de ofício. DO MÉRITO O auto de infração lançado contra a empresa teve por base a falta do repasse à Previdência Social das contribuições retidas dos segurados empregados. Ressaltese que, no que tange ao objeto da lide, não houve impugnação específica. Diante disso, presumemse aceitas as imputações constantes no Auto de Infração acerca do mérito da demanda, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos Fl. 193DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36266.011936/200696 Acórdão n.º 240300.741 S2C4T3 Fl. 186 7 de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A recorrente entende como ilegal a incidência de algum índice de atualização monetária que não seja 1% ao mês. Ocorre que, essa matéria já se encontra prevista na Súmula n. 3 do CARF, assim como, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Súmula n. 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nos termos do art. 543C do CPC, já se manifestou o C. STJ, verbis: Fl. 194DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Não obstante, essa matéria consta na Súmula n. 3 do CARF, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. CONCLUSÃO Diante do exposto, preliminarmente, reconhecer a decadência das competências compreendidas entre 02/1997 a 10/2001, com base no art. 150 § 4º do CTN. No mérito, voto pelo provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 195DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36266.011936/200696 Acórdão n.º 240300.741 S2C4T3 Fl. 187 9 Fl. 196DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10283.004750/2007-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/08/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NORMAS PROCEDIMENTAIS PRINCÍPIOS
DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA MANIFESTAÇÃO ACERCA DE ATOS PROCESSUAIS/DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação.
Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestar-se acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo fiscal previdenciário, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2403-000.658
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular por vício formal a Decisão de Primeira Instância, devendo o presente processo ser remetido à origem para intimar a Recorrente acerca da Informação Fiscal e do Relatório Fiscal Complementar, consequentemente com a reabertura do prazo de defesa, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestarse acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo fiscal previdenciário, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular por vício formal a Decisão de Primeira Instância, devendo o presente processo ser remetido à origem para intimar a Recorrente acerca da Informação Fiscal e do Relatório Fiscal Complementar, consequentemente com a reabertura do prazo de defesa, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 739DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Ivacir Júlio de Souza – Presidente Substituto Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 740DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10283.004750/200760 Acórdão n.º 240300.658 S2C4T3 Fl. 703 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 677 a 693, com Anexos às fls.694 a 699, apresentado contra Acórdão nº 0110.016 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA, fls. 657 a 699, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.859.5983, no montante de R$ 10.383.811,02 (dez milhões, trezentos e oitenta e três mil, oitocentos e onze reais e dois centavos). Observase que a AuditoriaFiscal, nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, ás fls. 61 a 65, se refere a Revisão Fiscal programada por determinação superior, consoante o disposto no artigo 149, Inciso IX da Lei n.o 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em função de solicitação do Delegado da Policia Federal da DELEPREV/SR/DPF/AM Dr. Charles Lustosa Silvestre, através do Ofício 05267/2004/DELEPREV encaminhado ao Diretor de Receita Previdenciária do INSS Dr. Ocenir Sanches. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, às fls. 256 a 272, com Anexos às fls. 273 a 421, o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade apuradas de acordo com os levantamentos elencados a seguir: Código Descrição AFG FP GFIP FOLHA DE PAGAMENTO NORMAL — Remunerações dos segurados empregados AFN FP SEM GFIP FOLHA PGTO NORMAL — Remunerações dos segurados empregados ANT FP SEM GFIP RUBRICAS NÃO TRIB — Remunerações dos segurados empregados, constituídas de rubricas que deixaram de ser incluídas na base de cálculo da contribuição das folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte ARI RESTITUIÇÃO INDEVIDA — Glosa de restituições efetuadas indevidamente BNI SEGURADOS NÃO INSCRITOS — Remunerações de segurados empregados que deixaram de ser inscritos na Previdência Social e que, também, deixaram de ser incluídos nas folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte Fl. 741DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 CIN CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS — Remunerações de segurados contribuintes individuais CIT CONTR IND TRANSP ROD AUTONOMO — Remunerações de segurados contribuintes individuais que prestaram serviços de transporte rodoviário autônomo CPR COMPRA DE PRODUTOS RURAIS — Contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural RAD Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa A.J.B.de Avilar & Cia Ltda. RAG Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Alexandre Leite de Souza RAH Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Alfha Construções e Comércio Ltda. • RA3 Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Amazoman Com. E Serviços Ltda. RAK Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Amazonaus Com. Repres. e Serviços Ltda. RAL Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Amazônia Sound Ltda. RAM Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Anderson Rodrigues Soares RAN Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa ANL Instalações Ltda. RAO Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Argeli Instalações Elétricas Ltda. RAP Retenção de 11°/0 sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Ariramba Construções e Serviços Ltda. RAT Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Auto Posto Xavier Ltda. RBB Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Balbina Irineu Nabuth BED Auto Mecânica RBD Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa BPA Construção e Comércio Ltda. RBE Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Bumba Promoções e Marketing Ltda. RCB Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Capixaba Prestadora de Serviços Ltda. RCC Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Carlos Alberto Olimpio da Silva RCD Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Cidade Manaus Transporte Turismo Ltda. Fl. 742DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10283.004750/200760 Acórdão n.º 240300.658 S2C4T3 Fl. 704 5 RCE Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Conen Prestações de Serviços Ltda. RCG Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Construtora Enarcon Ltda. RCH Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Construtora Lucas e Santos Ltda. RCJ Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Construtora Meta Ltda. RCK Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Construtora Sólida Ltda. RDA Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa D.V.FonsecaDinelma Transp. de Passag. RDB Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Dantas Transportes e Instalações Ltda. RDC Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Demes S. Rossy RDD Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Dois Eventos Promoções Ltda. REA Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa E.Gomes Trindade Com. e Repres. Trindade REC Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Eliana F. Dias – Orquídeas Construções REH Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Eventu's Promoções e Assessoria Ltda. RFA Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa F.A. Pontes RFC Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Fiesta Buffet RFE Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Freemaq Comércio e Assistência Técnica Ltda. RHE Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Hencal Comércio e Serviços Ltda. RIN Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados ela empresa Intec – Instalações Técnicas de Engenharia Ltda. RIS Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Isalta Const. e Terraplenagem Ltda. RJA Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa 3. Arilton B. de Souza Construtora Urubui • Fl. 743DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 RJC Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa 3. Correa Pinto Junior & Cia Ltda. RJM Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa J.C. Moura Transportes RJR Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Jorgemar Araújo de Andrade RLO Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Locacil Mão de Obra Fixa Ltda. RLU Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Luther Salvador Gibbs dos Santos O Madeirão RMA Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa M. de L. Rocha Monteiro Transportes RMB Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa M.A. da Cunha • Empreiteira RMC Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa M.H Transp. Com . e Serviços Ltda. RMD Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa M.M. Engenharia Ltda. RMF Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Manoel de Jesus Nascimento Peixoto M.J. Comercial RMG Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Manoel de Lucena Pereira Metalúrgica e Vidraçaria Renascer RMI Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Marcelo Demasi Promoções e Eventos RMJ Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Márcia Inês Girão da Silva Vinitoldos Com. e Repres. RML Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Maria da C. M. Lima Neta RMN Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Marta Ribeiro Silva dos Santos RMO Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Menezes & Dezembro Ltda. RNI Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Niltur J N da Silva Serviços RNO Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Nova Comercial Ltda. RON Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa O.N. dos Santos Construções RPA Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa P.A. da S. Mateo Servcom Fl. 744DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10283.004750/200760 Acórdão n.º 240300.658 S2C4T3 Fl. 705 7 RPD Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Patcom Comércio e Serviços Ltda RPE Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Pedro Graciano Chaves Figueira RPP Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Portengi Som e Promoções Artísticas S/C Ltda. RPR Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Promossul S/C Ltda RPS Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Prosec Projetos, Serviços de Construção e Comércio Ltda RRN Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa R.N. Construções Ltda RRU Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Reifran Construções e Comércio Ltda RRV Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa RI Serviços e Comércio Ltda RSC Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Sertracom – Serviços Técnicos, Transporte e Comércio Ltda RSD Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Serviços Especiais de Transportes do Amazonas Ltda RSI Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa SN Eventos e Marketing S/C Ltda RS3 Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Staff Arquitetura e Planejamento Ltda RST Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Starligt Som Ltda RSU Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Suporte Serviços,Construções e Empreendimentos Ltda RTA Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa T.S.N. Construções Ltda RTB Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Terra Brasilis de Fabiano P. de Araújo RTC Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Tetoplan Construções Ltda. RTM Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Transportadora Martins Ltda Fl. 745DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 RTP Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Transportadora Poderosa Ltda RVI Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Viçai Viação Caravelas Ltda RVN Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Vida Nova Transporte e Com. Ltda RVT Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Visão Const. e Projetos Ambientais Ltda RW Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Visuart Ltda RWP Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa W.P. Transporte Locação Ltda RWZ Retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados pela empresa Walter Zamperlini UTI UTILIDADES FORNECIDAS — Salárioutilidade DAL DIFERENÇA DE AC. LEGAIS — Valores de juros recolhidos indevidamente quando da realização de recolhimentos O Relatório Fiscal, às fls. 256 a 272, com Anexos às fls. 273 a 421, destaca que o Município de Presidente Figueiredo é beneficiário optante do parcelamento especial introduzido pela Media Provisória n o 2.18713, de 24 de agosto de 2001 que, entre outras vantagens, permite amortizar os débitos em até 240 parcelas mensais. Neste parcelamento especial ainda é permitida a inclusão de novos débitos, desde que de fatos geradores ocorridos até a competência 06/2001, desta forma apurouse os créditos nesta NFLD a partir de 07/2001 até 08/2004. Ainda segundo o Relatório Fiscal, às fls. 256 a 272, com Anexos às fls. 273 a 421, em relação às contribuições a cargo dos produtores rurais pessoa física e que deixaram de ser arrecadadas dos mesmos, foram apuradas aplicandose a alíquota de 2,2% até a competência 12/2001 — e 2,3% a partir da competência 01/2002 — sobre o valor de aquisição dos produtos rurais. O Relatório Fiscal, às fls. 256 a 272, com Anexos às fls. 273 a 421, em relação contribuições oriundas da retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal fatura ou recibo de prestação de serviços contratados, mostra que os Levantamentos códigos RAD, RAG, RAH, RAJ, RAK, RAL, RAM, RAN, RAO, RAP, RAT, RBB, RBD, RBE, RCB, RCC, RCD, RCE, RCG, RCH, RCJ, RCK, RDA, RDB, RDC, RDD, REA, REC, REH, RFA, RFC, RFE, RHE, RIN, RIS, RJA, RJC, FUM, RJR, RLO, RLU, RMA, RMB, RMC, RMD, RMF, RMG, RMI, RMJ, RML, RMN, RMO, RNI, RNO, RON, RPA, RPD, RPE, RPP, RPR, RPS, RRN, RRU, RRV, RSC, RSD,RSI, RSJ, RST, RSU, RTA, RTB, RTC, RTM, RTP, RVI, RVN, RVT, RVV, RWP e RWZ — Nestes levantamentos estão incluídas as contribuições devidas, relativas à retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal fatura ou recibo de prestação de serviços contratados pelo Município de Presidente Figueiredo e executados pelos contratados mediante cessão de mão de obra e empreitada, no período compreendido entre julho de 2001 a agosto de 2004. Fl. 746DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10283.004750/200760 Acórdão n.º 240300.658 S2C4T3 Fl. 706 9 Observandose, no Relatório Fiscal, às fls. 256 a 272, com Anexos às fls. 273 a 421 que o contribuinte, apesar de regularmente intimado, deixou de apresentar os contratos relativos aos serviços tomados mediante cessão de mão de obra e empreitada, ficando prejudicada, em relação às empreitadas, a identificação de sua natureza: se empreitadas totais ou parciais. Desta forma, considerouse como parciais, todos os serviços contratados mediante empreitadas. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 256 a 272, com Anexos às fls. 273 a 421, dos levantamentos constantes na NFLD, somente as remunerações dos segurados empregados constantes do levantamento código "AFG" foram declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. Outrossim, podemse destacar também os seguintes levantamentos: 5 Levantamentos códigos "AFG" e "AFN" — Nestes levantamentos estão incluídas as contribuições devidas, destinadas à Seguridade Social, a cargo do contribuinte, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados amparados pelo Regime Geral de Previdência Social, que prestaram serviços ao contribuinte no período compreendido entre julho de 2001 a agosto de 2004. 6 Levantamento código "ANT" — Neste levantamento estão incluídas as contribuições devidas, destinadas à Seguridade Social, a cargo do contribuinte, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados amparados pelo Regime Geral de Previdência Social, constituídas de rubricas que deixaram de ser incluídas na base de cálculo da contribuição considerada pelo contribuinte, no período compreendido entre julho de 2001 a agosto de 2004. 7 Levantamento código "ARI" Neste levantamento estão incluídos os valores de contribuições restituídos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS ao Município de Presidente Figueiredo. 8 Levantamento código "BNI" — Neste levantamento estão incluídas as contribuições devidas, destinadas a Seguridade Social, a cargo do contribuinte, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados não inscritos na Previdência Social e que prestaram serviços ao contribuinte no período compreendido entre outubro de 2002 a agosto de 2004. 9 Levantamento código "CIN" — Neste levantamento estão incluídas as contribuições devidas, destinadas à Seguridade Social, a cargo do contribuinte, incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais que prestaram serviços ao contribuinte no período compreendido entre Julho de 2001 a agosto de 2004. 10 Levantamento código "CIT" — Neste levantamento estão incluídas as contribuições devidas, destinadas à Seguridade Social, ao Serviço Social do Transporte — SEST e para o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte — SENAT, a Fl. 747DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 cargo do contribuinte, incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais — condutores autônomos de veículo rodoviário e auxiliares de condutor autônomo — que prestaram serviços ao contribuinte no período compreendido entre julho de 2001 a agosto de 2004. 11 Levantamento código "CPR" — Neste levantamento estão incluídas as contribuições devidas, destinadas à Seguridade Social e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural — SENAR, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. 13 Levantamento código "UTI" — Neste levantamento estão incluídas as contribuições devidas, a cargo do contribuinte, incidentes sobre os ganhos dos segurados sob a forma de utilidades, no período compreendido entre julho de 2001 a agosto de 2004. 14 Levantamento código "DAL" — Neste levantamento estão incluídos os acréscimos legais — juros — não recolhidos ou recolhidos indevidamente, relativos aos recolhimentos efetuados em atraso, no período compreendido entre agosto de 2001 a junho de 2004. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09189297, foi de 01/1994 a 08/2004, às fls. 248 a 252. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 118 a 135, é de 07/2001 a 08/2004. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 22.11.2005, conforme Aviso de Recebimento – AR, às fls. 426 a 427. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 430 a 445, com Anexos às fls. 446 a 455 e 458 a 543. A Seção de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Manaus solicitou Diligência Fiscal ao Serviço de Fiscalização, às fls. 544 a 546, a fim de que a AuditoriaFiscal cotejasse os elementos colacionados nos Anexos da Impugnação com o Levantamento efetuado. Em resposta à solicitação de Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal com a Informação Fiscal, às fls. 549 a 552, emitiu o Relatório Fiscal Complementar, às fls. 553 a 622, com Anexos às fls. 623 a 642. Como resultado da diligência requerida pela Recorrente em sede de Impugnação, foi juntado, às fls. 643 a 650, Laudo Pericial Contábil, realizado pela perita contábil Márcia Cruz Mafra, CRC/AM 0078481P1, bem como o requerimento encaminhado pelo Município de Presidente Figueiredo Prefeitura Municipal, apresentando a sobredita perita, às fls. 651. Observase que nesta etapa do processo administrativofiscal previdenciário, com a emissão do Relatório Fiscal Complementar, às fls. 553 a 622, não constam dos autos Fl. 748DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10283.004750/200760 Acórdão n.º 240300.658 S2C4T3 Fl. 707 11 quaisquer referências à ciência da Recorrente, nem tampouco à reabertura de prazo de defesa da Recorrente. A seguir, foi emitido o Acórdão nº 0110.016 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA, fls. 657 a 699, que julgou procedente o lançamento, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/08/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉBITO REGULARMENTE LAVRADO. ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. Crédito previdenciário constituído dentro das técnicas fiscais e atendendo à legislação previdenciária vigente é plenamente regular, em conformidade com o art. 37, da Lei 8.212/91 e alterações posteriores c/c art. 42 do C.T.N. Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos e no uso da competência atribuída pelo art. 4° da Portaria RFB n° 10.875/2007, de 16/08/2007: Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Intimese para pagamento no prazo de 30 dias da ciência, facultada a interposição de recurso voluntário ao 2' Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, em igual prazo, conforme art. 21 da Portaria RFB n° 10.875/2007, de 16/08/2007. Encaminhese à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem Para dar ciência ao contribuinte sobre o resultado deste julgamento. Sala de Sessões, em 11 de dezembro de 2007. Ademais, observase que a decisão de 1ª instância fez referência expressa ao Relatório Fiscal Complementar, às fls. 665: Fl. 749DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 (...) 19. No Relatório Fiscal Complementar, fls. 553 a 622, foram respondidos os demais questionamentos da Seção de Contencioso Administrativo da DRP/AM, conforme segue, em síntese: Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, fls. 677 a 693, com Anexos às fls.694 a 699, onde alega, em apertada síntese: Em sede PRELIMINAR: (a) Da nulidade da decisão de primeira instância Por não ter apreciado com exatidão os argumentos do contribuinte indicado na impugnação do lançamento, a decisão de primeira instância é nula, pois suscita a dúvida quanto aos valores exigidos no lançamento. Essa dúvida está na conclusão do acórdão que .pesar de demonstrar a insuficiência de provas o que foi atestado durante a realização da perícia, decidiu pela procedência do lançamento. Neste particular o acórdão fere de maneira frontal o direito de defesa da Recorrente. Não sendo possível, mesmo durante a perícia detectar o real valor do crédito do fisco previdenciário, caberia ao julgador designar nova diligência com prazo dilatado a fim de que a parte tivesse tempo suficiente para reunir os documentos comprobatórios dos pagamentos que realizara á previdência social. Por não analisar todos os argumentos apresentados na defesa, bem como por deixar de apreciar documentos mencionados, acórdão merece ser nulo, sob pena de agredir o direito à ampla defesa e ao contraditório consagrado constitucionalmente. Em sede de MÉRITO: (b) Da necessidade de realização de perícia. Repitase que o período fiscalizado nesta NFLD é de JULHO/2001 a AGOSTO/2004. Nessa época o município encontravase sob a administração do Sr. Romeiro José Costeira de Mendonça, conforme é atestado pela Relação de Co Responsáveis integrante do lançamento. O atual prefeito, Sr. Antônio Fernando Fontes Vieira somente assumiu a Prefeitura Municipal em 01.01.2005, o que também está mencionado no documento de coresponsáveis. Fl. 750DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10283.004750/200760 Acórdão n.º 240300.658 S2C4T3 Fl. 708 13 Parte dos documentos comprobatórios da apuração e do recolhimento das contribuições devidas à previdência, por ocasião da fiscalização, não se encontravam na Secretaria de Finanças do Município de Presidente Figueiredo, daí não ter sido exibida ao Sr. Fiscal. Ora, o Município de Presidente Figueiredo dispõe dos documentos comprobatórios de suas receitas, despesas e especialmente do recolhimento dos tributos devidos á previdência, todos escriturados nos livros próprios. (c) Do Regime Próprio de Previdência Social do Município. Para esse regime próprio, o Recorrente efetuara retenções e recolhimentos diversos comprovados com documento. contabilizados e que se encontravam em poder dos administradores do período de 2001 a 2004. Não prevalece, portanto, a assertiva de que as restituições feitas pelo INSS ao Município foram indevidas. Neste particular, tais documentos merecem ser revisados, o que somente será possível através de Perícia Contábil, para que o Recorrente possa exercer com clareza e firmeza o seu direito de defesa, assim como o poder autuante cobrar o crédito que realmente lhe for devido. (d) Das reclamatórias trabalhistas Na tabela em questão constam valores pagos motivados por reclamações trabalhistas. Nestes casos, os valores de idos à previdência são pagos quando da assinatura de acordo ou mediante execução de sentença trabalhista, cujos valores já vêm discriminados sendo o pagamento efetuado diretamente para o Juízo Trabalhista. Mais uma vez é necessário verificar os termos dos acordos • celebrados com exfuncionários para detectar a existência do pagamento dos valores devidos á previdência social. Assim, não procede a afirmativa de que não ocorreu o pagamento das contribuições previdenciárias. (e) Do princípio do contraditório e da ampla defesa Para comprovar que o Recorrente tomou as providências no sentido de atender ás solicitações do Auditor da Previdência, basta informar a Vossa Senhoria que tão logo teve conhecimento de que parte dos documentos não estava de posse da Prefeitura, comunicou imediatamente o fato às autoridades policiais, o que é atestado pelo BOLETIM DE OCORRÊNCIA expedido pelo 33º DP. Fl. 751DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 14 Do mesmo modo, para resguardar seus interesses, a administração atual do Município de Presidente Figueiredo, requereu à Câmara Municipal daquele município informações quanto á prestação de contas do exprefeito, Sr. Romeiro José Costeira de Mendonça. Eméritos Conselheiros, por não estar na posse dos documentos comprobatórios dos recolhimentos devidos à previdência não pode o Recorrente exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório albergados no Texto Magno. Logo, não há que se falar em infração à legislação previdenciária sob pena de comprometer o atual Estado de Direito, : segurança jurídica e atropelar os mais elementares princípios do Direito Administrativo e Constitucional. A Constituição da República Federativa do Brasil, na Título dos Direitos e Garantias Fundamentais, estabeleceu sue aos litigantes, em 'processo judicial ou administrativo — caso destes autos — e aos acusados em geral, são ,1 assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes ( art. 5°, LV ). Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 701. É o Relatório. Fl. 752DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10283.004750/200760 Acórdão n.º 240300.658 S2C4T3 Fl. 709 15 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 701. DO DEPÓSITO RECURSAL O Supremo Tribunal Federal – STF editou a Súmula Vinculante nº 21 que afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Da nulidade da decisão de primeira instância. Não obstante as razões de fato e de direito apresentadas pela Recorrente durante todo procedimento administrativofiscal previdenciário, especialmente no seu Recurso Voluntário, há nos presentes autos vício processual formal o qual precisa ser saneado, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, com o fito de se restabelecer a garantia constitucional do devido processo legal com o contraditório e a ampla defesa. Fl. 753DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 16 Não obstante, ainda que a Recorrente não tenha suscitado em suas razões recursais, do exame dos elementos que instruem o processo concluise que a AuditoriaFiscal e a autoridade julgadora de primeira instância cercearam o direito de defesa da Recorrente, senão vejamos. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 22.11.2005, conforme Aviso de Recebimento – AR, às fls. 426 a 427. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 430 a 445, com Anexos às fls. 446 a 455 e 458 a 543. A Seção de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Manaus solicitou Diligência Fiscal ao Serviço de Fiscalização, às fls. 544 a 546, a fim de que a AuditoriaFiscal cotejasse os elementos colacionados nos Anexos da Impugnação com o Levantamento efetuado. Em resposta à solicitação de Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal com a Informação Fiscal, às fls. 549 a 552, emitiu o Relatório Fiscal Complementar, às fls. 553 a 622, com Anexos às fls. 623 a 642. Outrossim, como resultado da diligência requerida pela Recorrente em sede de Impugnação, foi juntado, às fls. 643 a 650, Laudo Pericial Contábil, realizado pela perita contábil Márcia Cruz Mafra, CRC/AM 0078481P1, bem como o requerimento encaminhado pelo Município de Presidente Figueiredo Prefeitura Municipal, apresentando a sobredita perita, às fls. 651. Observase que nesta etapa do processo administrativofiscal previdenciário, com a emissão do Relatório Fiscal Complementar, às fls. 553 a 622, não constam dos autos quaisquer referências à ciência da Recorrente, nem tampouco à reabertura de prazo de defesa da Recorrente. Ocorre que, ao arrepio do princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa, a Recorrente não foi intimada para manifestarse a respeito do resultado da diligência fiscal, na forma da Informação Fiscal, às fls. 549 a 552, e do Relatório Fiscal Complementar, às fls. 553 a 622, ferindolhe, assim, seu direito constitucional à ampla defesa, inscrito no artigo 5º, inciso LV, da CRFB/1988, in verbis: “Art. 5º. (...) LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” A corroborar este entendimento a Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 26 e 28, assim preceitua: “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimações os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Fl. 754DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10283.004750/200760 Acórdão n.º 240300.658 S2C4T3 Fl. 710 17 No mesmo diapasão, para não deixar dúvidas quanto à nulidade por vício formal da decisão de primeira instância, o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, estabelece o seguinte: Art. 59. São nulos: (...) II – os despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa;” (grifamos) Por sua vez, na doutrina, Marcos Vinicius Neder não discrepa deste entendimento, senão vejamos1: “Especificamente, no processo administrativo fiscal, há previsão para a observância do contraditório e da ampla defesa, já que a Lei nº 9.784/99, e seu artigo 2º, inciso X, prescreve “(...)”. Também o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes determina, a abertura de vista à parte contrária no caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos pela outra parte. Importante frisar que, na hipótese de a decisão administrativa ser proferida sem respeitar o contraditório e a ampla defesa, ela é considerada nula por falta de elemento essencial à sua formação.” Igualmente, a jurisprudência administrativa é pacífica nesse sentido, conforme o julgado dos Conselhos de Contribuintes, com sua ementa abaixo transcrita2: “Normas Processuais – Ofensa aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa – Nulidade. Manifestandose o autuante após a impugnação, deve ser dada ciência dessa manifestação ao contribuinte, com abertura de prazo para sobre ela se manifestar, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa. (...) Processo que se anula a partir da manifestação fiscal posterior à impugnação, exclusive.” Nessa linha de entendimento, deixando o julgador recorrido de intimar/cientificar a Recorrente do resultado da diligência requerida, para devida manifestação, após a apresentação de sua Impugnação e antes de proferida a decisão de primeira instância, incorreu em cerceamento do direito de defesa da Recorrente, em afronta ao princípio 1 NEDER, Marcos Vinícius. LÓPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010. pág. 47 2 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10193.294 – D.O.U. de 12/03/2001 Fl. 755DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 18 constitucional do devido processo legal, o que enseja a nulidade formal da decisão recorrida, bem como de todos os atos subseqüentes, devendo o presente processo ser remetido à origem para intimar a Recorrente, com a conseqüente reabertura do prazo de defesa, das razões da fiscalização consubstanciadas na Informação Fiscal, às fls. 549 a 552, bem como no Relatório Fiscal Complementar, às fls. 553 a 622, com Anexos às fls. 623 a 642, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR por vício formal a decisão de primeira instância, pelas razões de fato e de direito acima expostas, devendo o presente processo ser remetido à origem para intimar a Recorrente acerca da Informação Fiscal e do Relatório Fiscal Complementar, com a conseqüente reabertura do prazo de defesa, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 756DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 10380.026432/99-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1802-000.015
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO FRANCISCO BIANCO
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SI-TE02 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10380.026432/99-90 Recurso nn 175.693 Resolução n° 1802-00.015 — 2n Turma Especial Data 02 de agosto de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente Rigesa do Nordeste S.A. Recorrida 4a Turma da DRJ de Fortaleza Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Alfredo Henrique Rebello Brandão, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco (Vice Presidente de Turma), Processo no 10380.026432/99-90 S 1-TE02 Resolução n.° 1802-00.015 F l, 2 Relatório Tratam os presentes autos de pedido de compensação (fls, 01) de créditos tributários relativos A. CSLL, de titularidade de Sid Microeletrónica S,A., com débitos relativos ao IRRF de terceiro, ou seja, da empresa recorrente Rigesa do Nordeste S.A. Os créditos são objeto de decisão judicial (processo judicial n°. 90.00.03532-5). Reconhecem as autoridades fiscais no Despacho Decisório (fls. 07) que a Instrução Normativa SRF n°. 21, de 1997, autorizava a compensação de créditos do contribuinte com débitos de terceiros. Além disso, reconhecem também que, na ação judicial proposta, havia decisão transitada em julgado reconhecendo a inexistência de relação juridica que obrigasse o contribuinte ao recolhimento da CSLL. A despeito disso, o pedido de compensação havia sido indeferido tendo em vista que o contribuinte não teria comprovado a desistência da execução da sentença, desistência essa necessária à homologação da compensação requerida. A recorrente, devidamente intimada, apresentou sua manifestação de inconformidade (fls. 21). Preliminarmente, discorreu a respeito de sua legitimidade para ingressar nos autos, uma vez que entende comprovado seu interesse processual quando é sujeito passivo da obrigação de pagar os valores advindos da não homologação da compensação efetuada, Discorreu também sobre os princípios da ampla defesa, contraditório, razoabilidade e proporcionalidade. No mérito, sustentou que o pedido de compensação foi homologado tacitamente, tendo em vista que o protocolo do referido pedido foi realizado em 09.09.1999 e a primeira manifestação do Fisco ocorreu somente em 24.08.2007, após, portanto, o decurso do prazo de 05 anos previsto no artigo 74 da Lei n. 9430, de 1996. Adicionalmente, sustentou que a existência ou não de prova quanto a propositura da execução da sentença seria matéria irrelevante para o deslinde da controvérsia ora ern exame pois, como se sabe, não cabe execução de sentença nas ações meramente declaratórias de inexistência de relação jurídica, como aquela proposta pelo contribuinte. Por fim, a recorrente destacou que a multa aplicada é indevida; que os juros calculados de acordo com a variação da Taxa SELIC são ilegais; e que a exigência dos créditos no caso de desprovimento do recurso dever-se-á dar por lançamento próprio (e não por carta cobrança), enfatizando que dita exigência estaria alcançada pela decadência. Por seu turno, a DRJ manteve o indeferimento do pleito (fls 91). Preliminarmente alegou que o crédito tributário já havia sido constituído por meio da entrega da DCTF, não havendo necessidade de lançamento de oficio para tanto. Por conseqüência, afastou a discussão sobre a decadência e a multa de mora. No que diz respeito ao direito creditório, afastou a legitimidade do terceiro interessado para apresentar manifestação de inconformidade, tendo em vista a não comprovação do interesse juridic° da recorrente. A DRJ também alegou não ter havido homologação tácita do pedido de compensação, com o decurso do prazo de cinco anos, tendo em vista que o §4 0 do art. 74 da 2 Processo n° 10380.026432/99-90 S 1 -TE02 Resolu0o n° 1802-00.015 Fl 3 Lei n°. 9.430, de 1996, somente admite a conversão de pedidos de compensação em declaração de compensação nas hipóteses de compensação com débitos próprios e não com débitos de terceiros, conforme sustentado no Parecer PUN/CAT n°. 1.499/2005. Apontou, ainda, que a aplicação da Taxa SELIC é norma cogente ao órgão administrativo, faltando-lhe competência para discutir sua legalidade. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 103) reiterando os termos de sua manifestação anterior. o relatório. 3 Jçbão Francisco Bianco Processo IV 10380.026432/99-90 S1-T E02 Resoluyao n 1802-00.015 Fl 4 Voto Conselheiro João Francisco Bianco, Relator O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Passo a aprecid-lo . A matéria em discussão nestes autos versa sobre questões relacionadas coin a compensação, feita pela recorrente, de créditos obtidos junto a terceiro, conforme previsto na legislação vigente à época da formulação do pedido. Ocorre que referido pedido de compensação (fls 1) faz menção à existência do processo administrativo n. 13811.002062/99-85, processo esse que tern por objeto a repetição dos créditos tributátios cuja titularidade foi cedida h. recorrente . Ora, de nada adianta discutirmos, nestes autos, sobre a compensação efetuada pela recorrente, se naqueles autos a própria existência dos créditos não foi reconhecida pela Administração Fazendiria. O exame daqueles autos, portanto, é fundamental para a solução da presente lide. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que estes autos sejam remetidos à DERAT/DRF em Sao Paulo, com o fim de ser providenciada a anexação, ao presente, do processo n. 13811.002062/99-85. 4
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