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Numero do processo: 10510.000445/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.157
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a Terceira Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a Terceira Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Assinado digitalmente Leonardo de Andrade Couto Presidente. Assinado digitalmente Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 00 44 5/ 20 09 -3 0 Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09471.DIYA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10510.000445/200930 Resolução nº 1402000.157 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório. O recorrente apresentou pedido pretendendo a compensação de tributo declarado com créditos oriundos o pagamento indevido de contribuições para o PIS, instituídas pelos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/98, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e retirados do sistema jurídico por meio da Resolução nº 49, de 2005, do Senado Federal. Por não haver trânsito em julgado, o pedido de compensação foi considerado não declarado e aplicado multa isolada, com base no artigo 74, § 12, II, d, da Lei nº 9.430, de 1996, no valor de R$ 5.837.687,44. Notificada, a parte interessada apresentou impugnação, sendo que a DRJ julgou procedente o lançamento contém a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 21/12/2005, 23/12/2005, 28/12/2005, 29/12/2005, 09/01/2006, 10/01/2006, 11/01/2006, 19/01/2006, 01/02/2006, 03/02/2006, 06/04/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do auto de infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. É legítima a aplicação de multa isolada sobre compensação considerada não declarada. MULTA ISOLADA. COEXISTÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA MORA. A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, é penalidade nova, aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado nos casos de uso indevido da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Assim, não se caracteriza como acréscimo do principal não recolhido e coexiste com eventual exigência deste acrescido de multa de mora. Intimada, a parte interessada, de forma tempestiva apresentou longo arrazoado de onde extraio os principais argumentos: a) que a decisão recorrida é nula por deixar de enfrentar todos os argumentos da recorrente; b) que os créditos tributários compensados são decorrentes de pagamentos de contribuições a título de PIS, exigidas com base nos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/98, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e retirados do sistema jurídico por meio da Resolução nº 49, de 2005, do Senado Federal; c) que a exigência de decisão com trânsito em julgado, prevista no artigo 170A, do CTN, não é aplicável no caso em tela, pois ajuizou sua ação antes da vigência da Lei Complementar nº 104, de 2001, que inseriu o artigo 170A, do CTN, no sistema jurídico; Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09471.DIYA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10510.000445/200930 Resolução nº 1402000.157 S1C4T2 Fl. 4 3 c) que ainda que fosse aplicado o artigo 170A, a recorrente obteve norma individual e concreta, em antecipação de tutela, que lhe garantia o direito de realizar a compensação independentemente de trânsito em julgado; e) que sua decisão transitou em julgado quase meio ano antes do despacho decisório; f) que no caso concreto, em face a decisão do STF, sequer era necessário a propositura de ação por parte da recorrente; g) em seu recurso a recorrente aponta inúmeros precedentes do STJ indicando que a exigência do trânsito em julgado é norma de direito material e só se aplica para os fatos subsequentes e que na época não havia exigência de coisa julgada, dentre os quais o que segue: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO CONTROVÉRSIA LIMITADA À COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. ARTIGO 170A, DO CTN. INAPLICABILIDADE. 1.Os sucessivos regimes de legais de substituição tributária, consoante pacífico entendimento da Primeira Seção externado no julgamento do ERESP 488.992/MG, não retroagem, por isso que "a Lei Complementar 104/2001, que introduziu no Código Tributário o art. 170A, segundo o qual "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". Agregouse, com isso, novo requisito para a realização da compensação tributária: a inexistência de discussão judicial sobre os créditos a serem utilizados pelo contribuinte na compensação. Atualmente, portanto, a compensação será viável apenas após o trânsito em julgado da decisão,(...)". 2. In casu, verificase que a presente demanda foi ajuizada antes da entrada em vigor do art 170A, do CTN, introduzido pela Lei Complementar 104/01, vigente em 11/01/2001, portanto, inaplicável o referido dispositivo. 3. Precedentes desta Corte: AgRg nos EREsp 611.099/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/02/2008, DJe 17/03/2008; EREsp 359.014/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13.12.2006, DJ 01.10.2007 p. 203; EREsp 628.079/SE, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/06/2007, DJ 13/08/2007 p. 321. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag. 940481/RJ, 1a. Turma, Min. Rel. Luiz Fux, DJ 15122008). i) por fim, dentre as alegações que reputo importante ao exame do mérito está a alegação da recorrente de existência de tutela antecipada, concedida por meio de agravo de instrumento cuja ementa consta da fl. 261 dos autos. Por entender que a ementa aqui apontada não se mostrava suficiente ao esclarecimento dos fatos, busquei junto ao TRF5 o conteúdo da decisão, assim sintetizada: Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09471.DIYA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10510.000445/200930 Resolução nº 1402000.157 S1C4T2 Fl. 5 4 .. É o relatório. Fl. 606DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09471.DIYA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10510.000445/200930 Resolução nº 1402000.157 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Porém, conforme fundamentos a seguir, compete à Terceira Sessão do Carf o exame da matéria. Ao tratar da competência para o julgamento dos recursos, o ANEXO II da Portaria n° 256, de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seus artigos 2° e 4°, tratou respectivamente da competência para julgamento, respectivamente, da Primeira e da Terceira Sessão, assim dispondo: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. .... Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV Crédito Presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; V Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF); Fl. 607DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09471.DIYA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10510.000445/200930 Resolução nº 1402000.157 S1C4T2 Fl. 7 6 VI Imposto Provisório sobre a Movimentação Financeira (IPMF); VII Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF); VIII Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); IX Imposto sobre a Importação (II); X Imposto sobre a Exportação (IE); XI contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; XII classificação tarifária de mercadorias; XIII isenção, redução e suspensão de tributos incidentes na importação e na exportação; XIV vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; XV omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; XVI infração relativa à fatura comercial e a outros documentos exigidos na importação e na exportação; XVII trânsito aduaneiro e demais regimes aduaneiros especiais, e dos regimes aplicados em áreas especiais, salvo a hipótese prevista no inciso XVII do art. 105 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966; XVIII remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do DecretoLei n° 37, de 1966; XIX valor aduaneiro; XX bagagem; e XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Parágrafo único. Cabe, ainda, à Terceira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância relativos aos lançamentos decorrentes do descumprimento de normas antidumping ou de medidas compensatórias. Nos casos de compensação, à luz do artigo 7°, § 1o., do Regimento Interno, a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. No caso dos autos, dado o fato que o crédito apontado pelo contribuinte é decorrente da exigência de PIS, a competência para conhecer da matéria, é da Terceira Sessão. ISSO POSTO, voto no sentido de declinar da competência para a Terceira Seção do CARF. Assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 608DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09471.DIYA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA em 23/01/2013 11:27:26. Documento autenticado digitalmente por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA em 23/01/2013. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 07/02/2013 e MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA em 23/01/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0520.09471.DIYA Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 036A0A1581C5C893FADDD04F7AC23D74996E5821 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10510.000445/2009-30. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15504.019778/2008-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO. FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEIXAR DE
PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO EM ACORDO COM PADRÕES ESTABELECIDOS PELA SEGURIDADE SOCIAL.
A elaboração de folhas de pagamento dos segurados a serviço da empresa em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social ocasiona a lavratura de Auto de Infração por esse descumprimento legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 94 1 93 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.019778/200854 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.623 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente EMPRESAS ITACOLOMI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO. FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO EM ACORDO COM PADRÕES ESTABELECIDOS PELA SEGURIDADE SOCIAL. A elaboração de folhas de pagamento dos segurados a serviço da empresa em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social ocasiona a lavratura de Auto de Infração por esse descumprimento legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ivacir Júlio de Souza – Presidente Substituto. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 15504.019778/200854 Acórdão n.º 2403000.623 S2C4T3 Fl. 95 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 66 a 70 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls.56 a 58) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no auto de infração n° 37.053.9680, sendo aplicada a multa no valor R$ 1.254,89 (hum mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). Conforme Relatório Fiscal apresentados às fls. 06 a 09, a autuação corresponde à atitude da empresa em deixar de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, conforme previsto na Lei nº. 8.212/91, art. 32, I, c/c com o art. 225, I, § 9º do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Dec. nº. 3.048/99. A fiscalização verificou que a empresa, após ter sido intimada do início do procedimento fiscal em 29/08/2008, deixou de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas a todos os seus segurados a seu serviço, tendo em vista não ter incluído alguns contribuintes individuais que se encontravam nos documentos do Caixa e lançados no Diário n 25. Foi constatado ainda que essa falha da pessoa jurídica ocorreu no período de 01/2004 a 12/2004 e que os segurados que não tiveram suas folhas de pagamento preparadas foram: Rodrigo de Castro Lucas (01/2004), Wilson Milagres dos Santos (04/2004 e 11/2004) e Cláudio Luiz Reis Rocha (07/2004). O dispositivo legal infringido encontrase previsto no inciso I do Art. 32 da Lei 8.212/91 e Art. 225, I, §9ºdo RPS, estando sujeita à aplicação das penalidades previstas nos arts.92 e 102 da Lei n 8.212/91 e art. 283, I, “a” e art.373 do RPS. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 14/11/2008 e apresentou impugnação às fls. 47 a 51 alegando: Ter se inscrito no PAT em 1992 para usufruir de alguns benefícios fiscais, tais como as deduções no Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, motivo pelo qual desconsiderou a parcela despendida com alimentação do Salário de Contribuição dos funcionários; Inexistir base jurídica que permita a manutenção do presente lançamento, uma vez que a Lei n 6.321/76 nada dispõe acerca de eventuais renovações e inscrições colocadas como requisito para a utilização do programa; Que o auditor deveria ter sanado a irregularidade e orientado o contribuinte; Fl. 90DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 4 Não possuir natureza salarial a alimentação fornecida nos moldes do PAT, trazendo à baila doutrinas e dispositivos legais que tratam do tema, bem como jurisprudências; Ser vinculada ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Imobiliário de Ouro Preto, razão pela qual a Convenção Coletiva que prevê o fornecimento de alimentação aos empregados deve ser respeitada; Por fim, alegou que o lançamento não merece prosperar, devendo ser anulado. Requereu ainda a impugnação parcial do crédito incidente sobre serviços prestados por terceiros e a isenção da multa originária da falta de informação referente à prestação de serviços de contribuintes individuais por meio das GFIP’s, tendo em vista já ter prestado essas informações. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 8ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG proferiu acórdão (n° 0223.758) nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ELABORAR FOLHA DE PAGAMENTO FORA DOS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS. Preparar Folha de Pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos constitui infração à Legislação Previdenciária. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 66 a 70, ratificando todos os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 15504.019778/200854 Acórdão n.º 2403000.623 S2C4T3 Fl. 96 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA INFRAÇÃO COMETIDA: I.1 – DA OBRIGATORIEDADE DE PREPARAR AS FOLHAS DE PAGAMENTO: A recorrente foi autuada com base no art.32, I, da Lei n 8.212/91 e 225, I e parágrafos 9 do Regulamento da Previdência Social por ter deixado de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, in verbis: LEI N 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; DECRETO N 3.048/99 (RPS) Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte Fl. 92DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 6 individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Pelo transcrito, percebese que a infração referese à obrigatoriedade da empresa preparar a folha de pagamento nos moldes do parágrafo 9 do art.225 do RPS. No presente caso, a recorrente deixou de constar nas folhasdepagamento as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço, tendo em vista não ter incluído alguns contribuintes individuais que se encontravam nos documentos do Caixa e lançados no Diário n 25. Foi constatado ainda que essa falha da pessoa jurídica ocorreu no período de 01/2004 a 12/2004 e que os segurados que não tiveram suas folhas de pagamento preparadas foram: Rodrigo de Castro Lucas (01/2004), Wilson Milagres dos Santos (04/2004 e 11/2004) e Cláudio Luiz Reis Rocha (07/2004). Havendo descumprimento da obrigação legal, o infrator sujeitarseá ao pagamento de multa prevista nos moldes do art.92 e 102 da Lei n 8.212/91 e art.283, I, “a”: c/c 373 do RPS, in verbis: Regulamento Previdência Social Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: Nota:Valores atualizados, a partir de 1º de junho 2003, pela Portaria MPS nº 727, de 30.5.2003, para R$ 991,03 (novecentos e noventa e um reais e três centavos). a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; O Regulamento (Decreto n 3.048/99) cuidou ainda de tratar da atualização do valor cobrado, nos termos do art.373, in verbis: Fl. 93DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 15504.019778/200854 Acórdão n.º 2403000.623 S2C4T3 Fl. 97 7 Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. No mesmo sentido, a Lei nº 8.212/91 preleciona ainda em seu art. 92 que qualquer infração a dispositivo desta legislação, quando não esteja prevista expressamente, sujeitarseá a observância desse dispositivo. Então vejamos: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que o artigo acima foi atualizado conforme indicativo nº 24, vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Além disso, previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Contudo, conforme já demonstrado, percebo que a infração foi cometida e motivo pelo qual deverá a cobrança ser mantida e atualizada na forma do dispositivo acima. Por fim, não constatei a ocorrência de circunstancias agravantes, de modo que a multa a ser aplicada deverá ser o valor mínimo com base no art.292, I, do Regulamento da Previdência Social. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO, de modo que seja mantida a cobrança do Auto de Infração nº 37.053.9680. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 8 Fl. 95DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA
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Numero do processo: 19647.016020/2008-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/03/2004
GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-000.560
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, No mérito: Por unanimidade de
votos em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, No mérito: Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Fl. 528DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 529DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.016020/200891 Acórdão n.º 2403000.560 S2C4T3 Fl. 529 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, Acórdão 1128.669 6ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, atenuando a penalidade aplicada de R$ 229.362,51 para R$ 128.406,62. Registra o relatório da DRJ que a falta foi corrigida e isso motivou a redução da multa. Outrossim, compulsando o sistema GFIPWEB (vide extratos juntados, por amostragem, a fls. 438/439), concluise que a falta foi corrigida, haja vista ter o autuado prestado as informações relativas às GF1P dos meses de 12/2002 a 12/2003, dentro do prazo para impugnação, uma vez que as GF1P, das competências 01/2004 a 03/2004, já tinham sido apresentadas durante a ação fiscal. É de se aplicar, portanto, o art. 292, inciso V, do RPS, vigente à época da lavratura e prazo de impugnação, que determinava a atenuação em 50% da penalidade, se o falta fosse corrigida dentro do trintídio de contestação, para as penalidade aplicadas relativas às GFIP de 12/2002 a 12/2003, uma vez que em relação às GFIP de 01/2004 a 03/2004, esse beneficio foi concedido por ocasião da lavratura. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, a empresa foi autuada por não entregar GFIP no período 12/02 a 03/04. A descrição da infração, o dispositivo legal infringido, o dispositivo legal da multa aplicada e o valor da multa foram assim apresentados à recorrente: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar cl empresa de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento definido em Regulamento, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo, 3. e 9., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafos 2., 3. e 4. do "caput" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 2/1.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafos 4. e 7., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Fl. 530DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso I e parágrafos 1. e 2. do caput e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: R$ 229.362,51 Inconformada com a decisão de primeira instância, apresentou recurso, onde não contesta os fundamentos da autuação, porém a entende excessiva. É o Relatório. Fl. 531DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.016020/200891 Acórdão n.º 2403000.560 S2C4T3 Fl. 530 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. MÉRITO Segundo o Relatório Fiscal da Infração, a empresa foi autuada por não entregar GFIP no período 12/02 a 03/04. No mérito a autuação não foi contestada. Empresa entende a penalidade excessiva. Registro que a multa aplicada tem fundamento na Lei n. 8.212, de 2/1.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafos 4. e 7., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso I e parágrafos 1. e 2. do caput e art. 373. Quando do lançamento, a multa foi atenuada em 50% nas competências 01/04 a 03/04, em virtude da empresa apresentar as GFIP's durante a ação fiscal. No julgamento de primeira instância, verificouse que também para as competências 12/2002 a 12/2003, a falta foi corrigida. Aplicouse então a atenuação em 50% da penalidade e a multa foi reduzida para R$ 128.406,62. Entendo que os procedimentos legais foram adotados. Ocorre que nova lei tratando da multa dessa infração foi editada e é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e Fl. 532DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, parágrafos 4. e 7, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, parágrafos 4. e 7, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa, se mais Fl. 533DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.016020/200891 Acórdão n.º 2403000.560 S2C4T3 Fl. 531 7 benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 534DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 17460.001094/2007-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 19/12/2006
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO COM MULTA DE VALOR EXATO.
Tratando-se de auto de infração com multa de valor exato fixado em Portaria do Ministério da Previdência Social, não há o que se falar em decadência parcial de crédito.
MÉRITO. COMPETÊNCIA. AUDITOR PREVIDÊNCIA. LEI 11.457/2007.
UNIFICAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
Com a edição da Lei n 11.457/2007, os auditores da extinta Secretaria da Receita Previdenciária passaram a exercer atividades garantidas anteriormente aos fiscais da Receita Federal, em razão da unificação dos órgãos na Secretaria da Receita Federal do Brasil.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa recorrente deixou de apresentar documentos/livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, motivo pelo qual foi lavrado Auto de Infração por esse descumprimento e não foi apresentada prova que pudesse reverter a autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.566
Decisão: Acordam os membro do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.AUTO DE INFRAÇÃO COM MULTA DE VALOR EXATO. Tratandose de auto de infração com multa de valor exato fixado em Portaria do Ministério da Previdência Social, não há o que se falar em decadência parcial de crédito. MÉRITO. COMPETÊNCIA. AUDITOR PREVIDÊNCIA. LEI 11.457/2007. UNIFICAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Com a edição da Lei n 11.457/2007, os auditores da extinta Secretaria da Receita Previdenciária passaram a exercer atividades garantidas anteriormente aos fiscais da Receita Federal, em razão da unificação dos órgãos na Secretaria da Receita Federal do Brasil. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. A empresa recorrente deixou de apresentar documentos/livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, motivo pelo qual foi lavrado Auto de Infração por esse descumprimento e não foi apresentada prova que pudesse reverter a autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.001094/200702 Acórdão n.º 2403000.566 S2C4T3 Fl. 121 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.100 a 106 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls.87 a 92) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração AI n° 37.072.3155, no valor consolidado de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos). A autuação corresponde ao descumprimento por parte da empresa da obrigação prevista no art.33, §2o da Lei n 8.212/91 combinados com os arts.232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social (Decreto n 3.048/99), motivo pelo qual o fisco lançou de ofício o valor que entendeu ser devido por essa infração, segundo informações do relatório fiscal emitido pela fiscalização, in verbis: 1 Em procedimento fiscal junto à empresa ora autuada, após devidamente intimada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, a mesma deixou de apresentar os livros Diários contábeis, bem como, os livros caixas referentes ao período 01/1997 a 12/2005 e os livros Razões do período 05/1999 a 12/2005: 2 Com relação ao livro caixa apresentado, referente ao ano 2006, a empresa deixou de consideraras retenções dos 11% efetuada pelos tomadores de serviços, ou seja, as notas fiscais foram registradas pelos seus valores totais como se não houvesse a retenção. Tais retenções, apesar de estarem apenas mencionadas nas notas fiscais sem constar os valores retidos, foram informadas em GFIP. Por outro lado, os valores retidos não causam efeitos financeiros as empresa, portanto, as receitas deveriam terem sido registras pelos seus valores líquidos. O dispositivo legal infringido determina que a empresa apresente à fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias. Verificado o descumprimento, o fisco aplicou a multa no valor de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos) com fundamento nos arts. 92 e 102 da Lei n 8.212/91 e arts.283, II, alínea j e 373 do Decreto n 3.048/99. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 27/06/2007 e apresentou impugnação às fls. 70 e 71 alegando, em síntese que: O INSS exorbitou sua competência de fiscalizar, tendo em vista que o ato de fiscalizar os livros diários contábeis, livros caixas e livros razões cabe à Receita Federal, não tendo a autarquia recebido por lei tal competência; Requereu a insubsistência da autuação, ou, alternativamente, a abertura de novo prazo para a apresentação dos livros e documentos solicitados, haja vista o curto prazo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 para reunir todos os documentos necessários ou ainda a realização de perícia, bem como a posterior nomeação de assistente pericial. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7° Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP proferiu acórdão (n° 1418.496) nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS RELACIONADOS COM A CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração à legislação previdenciária a falta de apresentação, à fiscalização, de quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. EXAME DA CONTABILIDADE. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA LEGAL. O Fisco previdenciário é competente para examinar a contabilidade e demais documentos fiscais da empresa, por expressa disposição de lei. PEDIDO DE DILAÇÃO DO PRAZO DE DEFESA E APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PROIBIÇÃO PELA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo as exceções previstas legalmente. Cabe à Administração aplicar fielmente a norma jurídica que regula o prazo de defesa. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia formulados pela impugnante, quando não atendidos os requisitos legais ou ainda quando desnecessários ou impraticáveis. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A lavratura do auto de infração pela fiscalização autuante observou integralmente os ditames legais e procedimentais, atendendo aos requisitos formais previstos na legislação vigente. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.100 a 106, no qual ratificou os argumentos expendidos na impugnação, e aduziu inclusive Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.001094/200702 Acórdão n.º 2403000.566 S2C4T3 Fl. 122 5 ter ocorrido a decadência dos créditos relacionados a fatos geradores anteriores a junho de 2002. Requereu ainda a nulidade do feito ou a compensação dos valores devidos à empresa com os exigidos pelo INSS. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA PRELIMINAR: I DA NÃO OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA: A recorrente requer em sede de mérito o reconhecimento da decadência quinquenal dos créditos relativos a fatos geradores ocorridos até junho de 2002, trazendo vários julgados para fundamentar seu pleito, sem, contudo, indicar qual critério deverá ser adotado para a contagem do instituto. Primeiramente, o pleito para reconhecimento da decadência deve ser feito em sede de preliminar, mas o requerimento realizado no mérito não impede sua apreciação. Sobre a aplicação do instituto ao caso em tela, destaco que seja impossível se falar em decadência, tendo em vista que, não obstante o período fiscalizado ter abrangido as competências 01/1997 a 02/2007, o valor cobrado a título de multa por infração cometida ao art.33, §2° da Lei n° 8.212/91 combinado com os arts.232 e 233 do parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, é único, independentemente do período que esteja sendo fiscalizado. Por exemplo, a conduta em não apresentar os livros caixa e razões relativos ao ano de 2007 e esta mesma conduta exigindo a apresentação desses documentos relativos aos anos de 2001 a 2007, considerando a notificação em 06/2007, não altera em nada o valor aplicado a título de multa. Ademais, a Portaria do Ministério da Previdência Social n 142/2007 quantificou o valor exato para determinadas situações, dentre as quais a conduta violadora prevista no art.283, II do Decreto n 3.048/99, que entrou em vigor em 12/04/2007, vejamos: Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: (...) VI o valor da multa indicado no inciso II do art. 283 do RPS e de R$ 11.951,21 (onze mil novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos); Assim, considerando a ciência da lavratura do auto de infração em 27/06/2007, posterior a 12/04/2007, a multa foi aplicada corretamente, não havendo o que se falar em decadência. DO MÉRITO: I – DA COMPETÊNCIA DO FISCO PREVIDENCIÁRIO À ÉPOCA DA LAVRATURA PARA EXIGIR OS LIVROS CONTÁBEIS: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.001094/200702 Acórdão n.º 2403000.566 S2C4T3 Fl. 123 7 A recorrente sustenta ainda que o fiscal extrapolou sua competência ao exigir os livros diários contábeis, razões e caixas, tendo em vista que tal exigência só poderia ser feita por auditor da Secretaria da Receita Federal e não por auditor do INSS. Todavia, destaco que à época da lavratura do auto de infração, ora guerreado, em 27/06/2007 já estava em vigor a lei que unificou a competência da Previdência com a da Receita Federal, legislação esta que ficou conhecida como a lei da Super Receita (Lei n 11.457/2007, de 16/03/2007), então vejamos: Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). (...) § 3o As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 4o Fica extinta a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social. Destaquese que essa legislação entrou em vigor somente em 02/05/2007, após a ciência da autuação em 27/06/2006, em respeito ao inciso II do art.51 da Lei n 11.457/2007, in verbis: Art. 51. Esta Lei entra em vigor: I na data de sua publicação, para o disposto nos arts. 40, 41, 47, 48, 49 e 50 desta Lei; II no primeiro dia útil do segundo mês subseqüente à data de sua publicação, em relação aos demais dispositivos desta Lei. Todavia, antes mesmo de sua vigência a partir de 02/05/2007, a fiscalização federal, tanto de impostos como aquela relacionada à Previdência Social, já tinha autorização para proceder ao exame da documentação exigida, tendo, portanto, o fisco agido corretamente. Pelo exposto, percebese que todas as atividades anteriores a 16/03/2007 que eram de competência da Secretaria da Receita Previdenciária foram transferidas para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, incluindo a apreciação de processos administrativo fiscais. Desse modo, descabido o argumento da recorrente. II – DA INFRAÇÃO COMETIDA: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 A recorrente foi autuado através do Auto de Infração n° 37.072.3155 por ter deixado de apresentar documentos e livros relevantes para a caracterização de fato gerador das contribuições sociais destinadas a Seguridade Social. Deste modo, a empresa infringiu obrigação legal prevista no art.33, §2° da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Ademais, previu o § 3o do mesmo art.33 que havendo recusa da entrega dos documentos solicitados em fiscalização, esta poderá aplicar a penalidade cabível, lançando de ofício o crédito devido, in verbis: § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O Regulamento da Previdência Social em seus arts.232 e 233, parágrafo único, reproduzem a mesma previsão da Lei n 8.212/91. Ressaltase que apesar da redação do art.33 ter sido dada por Lei recente, o teor é o mesmo, não mudando, portanto, a obrigação imposta à empresa em apresentar todos os documentos que sejam relacionados às contribuições sociais e possam identificar a ocorrência do fato gerador. A fiscalização que, ao verificar o descumprimento de obrigação acessória, lançou multa com base nos arts.92 e 102 da Lei nº 8.212/91, e art.283, II, “j” c/c o art.373 do Regulamento da Previdência Social. Vejamos o que cada dispositivo preleciona, in verbis: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que tal dispositivo foi atualizado conforme indicativo nº 24, vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.001094/200702 Acórdão n.º 2403000.566 S2C4T3 Fl. 124 9 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Além disso, previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Decreto n 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) j)deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; * * * Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Como já citado anteriormente, a Portaria do Ministério da Previdência Social n 142/2007 quantificou o valor exato para determinadas situações, dentre as quais a conduta violadora prevista no art.283, II do Decreto n 3.048/99, que entrou em vigor em 12/04/2007, vejamos: Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 (...) VI o valor da multa indicado no inciso II do art. 283 do RPS e de R$ 11.951,21 (onze mil novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos); Ante o exposto e considerando que a recorrente infringiu norma legal tributária, entendo pela manutenção da cobrança em todos os seus termos. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, na preliminar, NEGARLHE PROVIMENTO, não reconhecendo a decadência. No mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 10070.003399/2002-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.076
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fl. 01), acompanhada de formulário do Anexo VI da IN SRF n° 210, de 30/09/2002 Pagamento a maior, ou indevido de IRF (código 1708) de 09/2000 a 12/2001, no montante de R$ 125.269,72. A interessada acostou aos autos cópias xerox de várias Notas Fiscais Fatura de Prestação de Serviços nas quais estão discriminadas as retenção de imposto de renda na fonte. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.003399/200281 Resolução n.º 1801000.076 S1TE01 Fl. 273 2 Em 28/11/2003, a empresa solicita o cancelamento do processo (fl. 38), alegando que houve erro na classificação do crédito, informado como pagamento a maior ou indevido, quando o correto seria saldo negativo de IRPJ, e que os débitos teriam sido informados na DCOMP 29376.45607.141103.1.3.028227 (fls.59/66). Em 20/09/2006 envia a DCOMP n° 26358.56203.210906.1.7.027179 (fls. 67/74), retificando a anterior. Examinando a DCOMP, verificase que se trata de crédito de saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2001, no valor de R$.197.984,77. Com o referido crédito pretende extinguir, por compensação, débitos de COFINS (2172) referentes aos períodos de apuração setembro/2002 a dezembro/2002, e fevereiro/2003 a abril/2003. A DERAT no Rio de Janeiro/RJ analisou a composição do saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ – Ficha 12A, e pelo Parecer Conclusivo n º 287/07 (fls. 94/96) retificou os valores do IRRF na apuração anual, de R$ 102.635,46 para R$ 8.364,63, ao argumento de que parte do IRRF já havia sido deduzido no cálculo da estimativa mensal de junho de 2001. O saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 restou determinado em R$ 103.713,94 e este foi o direito creditório reconhecido e as compensações foram homologadas até o valor do crédito deferido. A empresa apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando que o valor deduzido a título de IRRF é o correto e que as empresas pagadoras deveriam ser oficiadas para confirmar as retenções efetuadas (125/128). Apreciando o litígio a DRJ no Rio de Janeiro/RJOI deferiu, em parte, a solicitação (fls. 211/215), retificando o saldo negativo de R$ 103.713,94, determinado pela DERAT/RJ para R$ 177.171,80. Aquela autoridade analisou a documentação acostada aos autos e efetuou consultas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 179/182), verificando que na DIRF, onde consta a filial do interessado (05.438.759/000689) como beneficiária, foram informadas retenções na fonte de IR (cód 1708 remuneração serviços prestados por pessoa jurídica), relativamente ao anocalendário 2001, no total de R$ 73.457,86, as quais não foram consideradas pela autoridade administrativa em seu Parecer Conclusivo. Assim, o montante considerado como IRRF totalizou R$ 203.651,44. A diferença entre o valor reconhecido na decisão, de R$ 203.651,44, e aquele alegado corresponde a R$ 20.812,97 (R$ 224.464,41 R$ 203.651,44) e não foi deferida ao interessado. Isto porque no demonstrativo de fls. 127/128, elaborado pelo interessado, constaria como IRRF os valores de R$ 8.913,89, em novembro/2001 e R$ 11.892,05 (R$ 3.048,34 + R$ 8.843,71), em dezembro/2001, todos relativos à fonte Petrobrás S/A, CNPJ n° 33.000.167/013270. Entretanto, na DIRF, os valores teriam sido informados respectivamente, nos meses de janeiro e fevereiro do anocalendário 2002 (fl. 183) e, portanto não poderiam compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. Ainda, de acordo com o acórdão da DRJ, no demonstrativo de fls. 127/128, constaria como IRRF os valores de R$ 389,55 e R$ 7,03, ambos em julho/2001 e relativos à fonte COASTAL BMCAL2LTDA, CNPJ n° 02.857.854/000114. Embora os rendimentos relativos ao imposto de renda retido tivessem sido informados na DIRF, teria constado somente a retenção de IR de R$ 389,55. e o valor do IRRF de R$ 7,03 pleiteado pelo interessado também não poderia compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.003399/200281 Resolução n.º 1801000.076 S1TE01 Fl. 274 3 Aquela autoridade consignou que “Tal fato pode ocorrer porque o reconhecimento de receitas segue o regime de competência, enquanto que a retenção na fonte é feita pelo regime de caixa”. Assim, o montante de R$ 20.812,97 (R$ 8.913,89 + R$ 11.892,05 + R$ 7,03) não compôs o saldo negativo do anocalendário 2001. O crédito deferido foi de 177.171,80 e as compensações foram homologadas até o limite do crédito reconhecido. Notificada da decisão, em 16/09/2009 (AR fl. 232), apresentou a interessada, em 15/10/2009, o recurso voluntário de fls. 234 a 238. Na peça de defesa adverte que, em relação aos valores não reconhecidos, de R$ 7,03, R$ 8.913,89 e R$ 11.892,05, a autoridade julgadora teria reconhecido que as retenções foram efetuadas nos meses de julho, novembro e dezembro de 2001, mas as indeferiu: (i) o primeiro e irrisório valor, por não constar na DIRF e, (ii) os demais por constar em DIRF, mas do anocalendário 2002. Argúi que o direito creditório ao IRRF nasceu no momento em que sua contratante – a Petrobrás e/ou Coastall3MCal2) efetuaram o pagamento das Notas Fiscais de prestação de serviços pois, nesse momento, a empresa teria recebido o valor dos serviços, liquido do imposto de renda de fonte. Assim, no momento do pagamento teriam sido descontados os valores referentes ao imposto de renda retido na fonte, “surgindo para aquele que recebeu os recursos, o. direito de compensação do imposto”, concluindo, então, que compensação e a retenção aconteceram no mesmo período. Invoca a observância do disposto nos artigos 647 e 722 do RIR/99. Afirma que admitir o argumento de que o não reconhecimento à compensação seria a falta de apresentação da DIRF no mesmo período de apuração do imposto, seria o mesmo que admitir que a compensação seria possível somente quando e se a fonte pagadora efetuasse o recolhimento do imposto retido e, ainda assim, o indicasse corretamente na DIRF, o que invalidaria o conteúdo do artigo 722 do RIR/99. Ao final pede pelo reconhecimento integral do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso e tempestivo. Tem razão a recorrente. A legislação dispõe que o contribuinte terá direito à dedução do IRRF se as receitas que deram origem à retenção forem oferecidas à tributação na respectiva declaração. A autoridade julgadora da DRJ consignou, na decisão, que as informações constantes dos sistemas internos da RFB informam que a recorrente auferiu rendimentos da Fl. 274DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.003399/200281 Resolução n.º 1801000.076 S1TE01 Fl. 275 4 ordem de R$ 14.087.102,89, enquanto que na DIPJ do anocalendário 2001 a empresa reconheceu receitas de prestação de serviços num total de R$ 15.832.317,95 (fl. 80). Dessa forma, se as receitas que deram origem aos questionados valores do IRRF de R$ 7,03, relativo a julho/2001; R$ 8.913,89, em novembro/2001 e R$ 11.892,05 em dezembro/2001, foram oferecidas à tributação na DIPJ do anocalendário 2001, então a empresa recorrente faz jus à dedução desses valores na apuração final no saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. Assim, proponho que o presente processo seja remetido à repartição de origem para que a autoridade administrativa, em diligência fiscal, intime a empresa a comprovar, mediante apresentação de demonstrativo de composição, que os valores dos rendimentos que deram origem aos recolhimentos acima discriminados, foram oferecidos à tributação no ano calendário 2001. Ao final dos trabalhos o agente encarregado deverá elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos resultados apurados, no sentido de atender a esta solicitação. Após a conclusão deverão os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento da análise do litígio. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 275DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10640.001929/2010-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1102-000.099
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento à luz do art. 62 A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 8660DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10640.001929/201054 Resolução n.º 110200.099 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 8617/8632) interposto contra o acórdão 09 35.729, de 29.06.2011, da 2ª Turma da DRJ/JFA, que manteve o lançamento do IRPJ e contribuições do anocalendário de 2006, cuja apuração foi efetuada no regime do Lucro Arbitrado. A decisão da Turma Julgadora foi cientificada à interessada em 18.07.2011 e o recurso voluntário foi interposto em 16.08.2011 (informação às fls. 8632). As infrações são as seguintes: a) omissão de receitas operacionais, cujos valores foram mantidos em contas bancárias em nome de interpostas pessoas físicas; b) omissão de receitas em razão de suprimento de numerário de sócio a título de empréstimo sem comprovação da origem e a efetiva entrega dos recursos à empresa; c) receitas operacionais declaradas na Declaração simplificada da Pessoa Jurídica Simples (para efeito de cálculo do lucro arbitrado). A empresa foi excluída do Regime do Simples, a partir de 01.01.2006 até 31.12.2006, por meio do Ato Declaratório nº 44, de 06.05.2010, de fls. 144. Transcrevo do relatório que integra o acórdão de primeira instância, as razões contidas na impugnação: A empresa apresenta impugnação (fls. 244/260) na qual alega, em síntese, que: 1) “ preliminarmente pleiteamos a nulidade do presente auto de infração” , tendo em vista que “ a empresa impugnante, antes de ser intimada , auditou sua escrita contábil e , encontrando algumas diferenças , tratou de fazer uso do que disposto no artigo 138 do CTN, retificando suas declarações de rendimento e efetuando os pagamentos complementares de imediato. Desta forma , o presente auto de infração resta esvaído de nulidades , haja vista que mencionado dispositivo beneficia o contribuinte no sentido de evitar que o mesmo seja sancionado ,haja vista que o mesmo , espontaneamente , denunciou erros e omissões encontrados , tratando de regularizar a situação” ; 2) “ em relação á omissão de receitas decorrentes do empréstimo de sócios, mais uma vez o fisco errou terrivelmente. Isto por que , alem de entregarmos as planilhas demonstrativas inclusive com o n° dos lançamentos efetuados no diário relativo aos valores movimentados na referida conta, também tivemos o cuidado de demonstrar a origem dos recursos dos sócios .devidamente contabilizados no livro diário. Fl. 8661DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10640.001929/201054 Resolução n.º 110200.099 S1C4T2 Fl. 3 3 Deste feito ,considerando que demonstramos os recibos de empréstimo, bem como os recibos de distribuição de lucros recebidos da empresa, efetivamente lançados no livro diário ,nas datas específicas dos respectivos lançamentos, não cabe a o fisco utilizar da hipótese de presunção prevista no RIR, haja vista que esta somente permite ao fisco considerar como receita omitida os valores emprestados pelos sócios cuja origem não possa ser comprovada. Ora , a contabilidade demonstra claramente que os sócios haviam recebido distribuição de lucros e que tinham disponibilidade financeira quando dos respectivos empréstimos. A contabilidade demonstra também que os referidos empréstimos foram pagos em quase sua totalidade, tudo efetivamente lançado de acordo com a legislação pertinente e com os princípios contábeis geralmente aceitos” ; 3) “ o fisco , ao determinar o referido valor considerado omisso não efetuou os seguintes procedimentos: a não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais efetivamente emitidas e informadas não somente na planilha, como nos livros fiscais estaduais, na contabilidade e , inclusive , na declaração de imposto de renda original, haja vista que os valores detectados pela empresa não entraram nesta conta corrente. b Embora devidamente informado na planilha, não foi excluído da mesma os valores decorrentes dos cheques depositados e devolvidos duas vezes. Cumpre salientar que a empresa recebia de seus clientes com cheques, na maioria das vezes, de terceiros. Então , dava baixa nos clientes, conforme escrituração contábil quando do recebimento destes cheques e efetuava o deposito no banco. Quando estes cheques eram devolvidos, ao invés da empresa voltar novamente com o cheque devolvido para o cliente inadimplente, foi criado pela contabilidade uma conta em que todos estes cheques eram lançados, Tais cheques referiamse a clientes que pagaram e tiveram o cheque devolvido por duas vezes. Após o recebimento destes clientes, quando isto acontecia , a empresa dava baixa nos referidos cheques, devolvidos a tais clientes, e depositava os valores recebidos ora em dinheiro , ora em cheque na conta corrente. Desta forma , ao tributar estes valores mais uma vez a fiscalização fere o principio do "no bis in idem". “ Isto por que os cheques recebidos , conforme pode ser observado nos lançamentos contábeis decorrem de notas fiscais devidamente lançadas cujo imposto foi previamente pago Deste feito,considerando que demonstramos os recibos de empréstimo,bem como os recibos de distribuição de lucros recebidos da empresa, efetivamente lançados no livro diário ,nas datas específicas dos respectivos lançamentos, não cabe a o fisco utilizar da hipótese de presunção prevista no RIR, haja vista que esta somente permite ao fisco considerar como receita omitida os valores emprestados pelos sócios cuja origem não possa ser comprovada. Ora , a contabilidade demonstra claramente que os sócios haviam recebido distribuição de lucros e que tinham disponibilidade financeira quando dos respectivos empréstimos. A contabilidade demonstra Fl. 8662DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10640.001929/201054 Resolução n.º 110200.099 S1C4T2 Fl. 4 4 também que os referidos empréstimos foram pagos em quase sua totalidade, tudo efetivamente lançado de acordo com a legislação pertinente e com os princípios contábeis geralmente aceitos” ; 3) “ o fisco , ao determinar o referido valor considerado omisso não efetuou os seguintes procedimentos: a não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais efetivamente emitidas e informadas não somente na planilha, como nos livros fiscais estaduais, na contabilidade e , inclusive , na declaração de imposto de renda original, haja vista que os valores detectados pela empresa não entraram nesta conta corrente. b Embora devidamente informado na planilha , não foi excluído da mesma os valores decorrentes dos cheques depositados e devolvidos duas vezes. Cumpre salientar que a empresa recebia de seus clientes com cheques, na maioria das vezes, de terceiros. Então, dava baixa nos clientes, conforme escrituração contábil quando do recebimento destes cheques e efetuava o deposito no banco. Quando estes cheques eram devolvidos, ao invés da empresa voltar novamente com o cheque devolvido para o cliente inadimplente, foi criado pela contabilidade uma conta em que todos estes cheques eram lançados, Tais cheques referiamse a clientes que pagaram e tiveram o cheque devolvido por duas vezes. Após o recebimento destes clientes, quando isto acontecia , a empresa dava baixa nos referidos cheques, devolvidos a tais clientes, e depositava os valores recebidos ora em dinheiro , ora em cheque na conta corrente. Desta forma , ao tributar estes valores mais uma vez a fiscalização fere o principio do "no bis in idem". “ Isto por que os cheques recebidos , conforme pode ser observado nos lançamentos contábeis decorrem de notas fiscais devidamente lançadas cujo imposto foi previamente pago” ; c “ vários valores depositados nas contas , conforme o próprio fisco pode averiguar , tratamse de receitas decorrentes das outras empresas da família. Desta forma também as receitas das outras empresas deveriam ser excluídas do levantamento fiscal, haja vista que tais receitas já estão sendo tributadas na empresa cedente” ; 4) “ expedir ato declaratório de exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que consubstanciála ineficiente para os fins legais, afrontando o § 3º, do artigo 15, da Lei 9.317/96 c/c o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99. Não fosse o bastante, os ADE's ora combatidos consignam, ainda, que os efeitos da exclusão devem ser retroagidos à data do ano calendário de 2006. Tratase de uma ilegalidade que merece ser reparada” ; 5) “ desta forma são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste manifesto de inconformidade: Fl. 8663DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10640.001929/201054 Resolução n.º 110200.099 S1C4T2 Fl. 5 5 a) A empresa teve cerceado seu direito de defesa na medida em que não lhe foi oferecido quaisquer documentos que lhe informassem que auferiu receita superior ao legalmente estabelecido para estar incursa no SIMPLES, de forma que os únicos elementos de que dispõe para realizar o presente manifesto de inconformidade ratificam sua posição de que não houve excesso de receita sendo portanto descabido o que alegado nos atos declaratórios ora combatidos; b)A Impugnante não pode ser excluída do Simples, haja vista não estar incursa em nenhuma das situações excludentes elencadas pela legislação pertinente. c)A impugnante solicita que sejam anulados e /ou retificados os ADE's ora combatidos.considerando todo o explanado no presente manifesto de inconformidade. d) A impugnante pretende provar o alegado por meio de provas documentais , testemunhais ou periciais solicitando .portanto , neste ato, estas possibilidades. e) a impugnante solicita a inteira desconsideração do auto de infração em epigrafe sendo anulados , portanto, quaisquer sanções civis .criminais ou pecuniárias, moratórias, juros , correções , complemento de impostos, dentre outros. f) A impugnante requer que seja desconsiderado o arbitramento do lucro , haja vista que possuía o livro diário devidamente escriturado com todas as informações necessária à apuração do lucro, caso, de fato, houvesse omitido quaisquer valores. Ademais quem escolhe a tributação que melhor lhe cabe é o próprio contribuinte não cabendo ao fisco tal escolha, haja vista que a empresa tinha os documentos necessários para que sua receita fosse apurada.Ademais era impossível ter efetuado o pagamento da primeira quota do imposto como lucro presumido ,por exemplo , haja vista que a empresa era optante pelo simples e somente ficou sabendo do valor da suposta receita omitida quando do recebimento pela procuradora do auto de infração ora combatido, tendo completamente ferido seus direitos de ampla defesa e contraditório; g) Requer ainda a juntada de documentos e complementos desta petição, vez que , em virtude de motivos de força maior, não teve prazo razoável para juntar os documentos pertinentes que justificassem todo o explanado neste documento h)solicita que seja realizada perícia contábil a fim de verificar que não houve omissão de receitas no que diz respeito á conta das pessoas físicas supracitadas , constatando através da referida perícia que toda a movimentação financeira foi efetivamente, lançada alem de averiguar a questão dos depósitos dos cheques devolvidos , notas iscais de exercícios anteriores, bem como todos os outros itens passíveis de fazer com que tal imputação completamente injusta seja desconsiderada. i) “ Nomeia , desde já , como assistente técnico do perito , a Sra Adriana de Fátima Moreira , bacharel em ciências contábeis , CRCMG 56.680” ; Fl. 8664DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10640.001929/201054 Resolução n.º 110200.099 S1C4T2 Fl. 6 6 7) “ que seja desconsiderada quaisquer majorações de multa vez que não configurada pela fiscalização o intuito de dolo ou fraude praticado pela empresa” ; O acórdão de primeira instância contém as seguintes ementas: LANÇAMENTO DE OFICIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Efetivada a exclusão do Simples, a empresa deve optar por outra forma de apuração do IRPJ. Se não o fizer, é lícito à autoridade fiscal fazer o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITA. Comprovado que a empresa usou contas bancárias de interpostas pessoas, para recebimento de receitas que não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidas à tributação, esses valores serão considerados como omissão de receita. O suprimento de numerário efetuado por sócio, caracteriza omissão de receita por presunção legal do tipo juris tantum. Cabe, portanto, ao contribuinte apresentar a prova da origem e da efetiva entrega dos valores. MULTA QUALIFICADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência da decisão da Turma Julgadora se deu em 18.07.2011. Entre os argumentos contidos no recurso voluntário, interposto em 16.08.2011, um deles referese à preliminar que diz respeito à “quebra de sigilo bancário sem ordem judicial”. Os demais são: a) que seja acolhido o recurso culminando com a procedência total do mesmo; b) que seja reconhecida a denuncia espontânea; c) que seja mantida no simples, haja vista que não houve situação excludente; d) que seja anulado ou retificado o Ato Declaratório e via de regra, que a recorrente possa usufruir do regime do Simples no período em que optou por este; e) que seja anulado em sua totalidade o auto de infração desconstituindo, quaisquer débitos e penalidades lançados; Fl. 8665DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10640.001929/201054 Resolução n.º 110200.099 S1C4T2 Fl. 7 7 f) que seja desconsiderada quaisquer majoração de multa, vez que não configurada pela fiscalização o intuito de dolo ou fraude praticado; g) que sejam considerados para efeito de abater, quaisquer pagamentos porventura existentes seja da declaração anterior ou da retificadora; h) que seja considerado espontâneo o pagamento e a referida declaração de imposto de renda dos anos retificados; i) reafirma todo o alegado e requerido na impugnação. É o relatório. VOTO Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento do IRPJ e contribuições para o PIS, COFINS e CSLL do anocalendário de 2006, cuja decisão de primeira instância considerou o lançamento procedente. Em relação à preliminar de quebra de sigilo bancário sem ordem judicial, constatase que a fiscalização obteve as informações bancárias mediante a emissão do documento Requisição de Informações sobre Movimentações Financeiras – RMF. As contas bancárias estão em nome das pessoas físicas: Elcimar de Araújo Egídio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge. Segundo a fiscalização, as contas bancárias foram de fato utilizadas para movimentar recursos de várias empresas, entre elas, da recorrente. Ocorre que em relação a essa matéria, o STF reconheceu, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do CPC. Na sessão de 12 de junho de 2012, este colegiado se pronunciou em relação ao sobrestamento do julgamento à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, conforme Resolução nº 110200.088, de 12.06.2012, de relatoria do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, tendo acatado o sobrestamento, por maioria de votos. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Transcrevo do voto condutor da Resolução mencionada, trecho que se refere a estudo do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva: Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos Fl. 8666DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10640.001929/201054 Resolução n.º 110200.099 S1C4T2 Fl. 8 8 tribunais “ a quo” , sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados.O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: (...) Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). Fl. 8667DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10640.001929/201054 Resolução n.º 110200.099 S1C4T2 Fl. 9 9 O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15.12.2010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: (...) A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. A Portaria CARF no 1, de 03 de janeiro de 2012, dispõe sobre os procedimentos a serem observados no caso de sobrestamento de processos de que trata o artigo 62A do Regimento Interno do CARF. No caso destes autos, a diferença entre a discussão tratada na Resolução nº 110200.088 é que as contas bancárias cujo sigilo foi transferido para a Receita Federal, e pelas quais transitaram recursos da recorrente, estão em nome de pessoas físicas. Do exposto, pelas mesmas razões, voto por sobrestar o julgamento à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 8668DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16327.003758/2003-16
Data da sessão: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1102-000.005
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa: (i) Identifique e demonstre os recolhimentos incompletos que teriam dado causa à redução de valor, conforme apontado no Extrato de fl. 3.; (ii) Esclareça e demonstre a ocorrência "16" apontada no Extrato (iii) Identifique os eventuais débitos existentes na data da entrega da declaração, e que ainda não foram regularizados, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: SANDRA MARIA FARONI
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa: (i) Identifique e demonstre os recolhimentos incompletos que teriam dado causa à redução de valor, conforme apontado no Extrato de fl. 3.; (ii) Esclareça e demonstre a ocorrência "16" apontada no Extrato (iii) Identifique os eventuais débitos existentes na data da entrega da declaração, e que ainda não foram regularizados, nos termos do voto do relator.. SANDRA MARIA FARONI - Presidente e Relatora EDITADO EM: [1 5 NOV 2009- Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Carlos Passuello, José Sérgio Gomes (suplente convocado) e Natanael Vieira dos Santos (suplente convocado). Processo n° 16327.003758/2003-16 S1-Cd2 Resolução n.° 1102-00.005 Fl. 2 RELATÓRIO Cuida-se de recurso interposto em face de decisão da 8a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo que, por maioria de votos, indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao ano calendário de 2000, foimulado pelo contribuinte Naco JPM S/A O motivo declarado do pedido de revisão foi não ter havido ordem de emissão para o FINOR/FINAM e o contribuinte consta do sistema IRPJOEIF". (fls. 2) O pedido foi indeferido em 23/02/2006 com base na" vedação legal estabelecida pelo art. 60 da Lei n° 9.069/95; pelo inciso II, art. 6° da Lei n° 10.522/2002; e pela alínea a, inc. I, art. 47 da Lei n° 8.212/91". Consta do despacho decisório (fls. 133/136): "9- Á aludida consulta indica que o interessado está: - com a CND expedida pelo INSS vencida desde 03/11/2005 (fl. 131); - inscrito no CADIN (ti. 132); - com a CND expedida pela SRF vencida desde 09/09/2005 (11.92) e no momento, sua situação junto a este órgão é irregular (fis. 93/95;109/110); - em situação irregular junto à PGFN (fis. 96/102;107;112/113;115;118;121;124;126/127); impedindo-o de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições federais, com o que ficam materializadas as vedações previstas na legislação transcrita: (.),, Em manifestação de inconformidade o contribuinte alegou que a regularidade deve ser exigível quando da realização da opção, condição que alegou preencher, conforme reconhece o despacho recorrido, que afifam que o contribuinte teria deixado de possuir tal condição de regularidade anos depois da opção. Aduziu que, ao constatar as supostas irregularidades fiscais, a autoridade administrativa deveria ter intimado o contribuinte a comprovar a quitação dos tributos supostamente inadimplentes, sendo vedado o indeferimento liminar, ainda mais quando se trata de processo iniciado há mais de 5 anos. Disse, ainda, que o despacho decisório não descreveu os fatos adequadamente, não permitindo a manifestação do contribuinte quanto ao seu conteúdo. Imputou não razoável e em desacordo com a finalidade da norma, pretender que o contribuinte possua CND quando da apreciação do PERC, sem, no entanto, exigir-lhe a sua comprovação. A manifestação foi indeferida com base no voto da Relatora, que expôs seu entendimento no sentido de que, a teor do art. 60, a autoridade administrativa deve efetuar uma análise da situação fiscal no momento em vai conceder ou reconhecer o beneficio. Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, está impedida de reconhecer o beneficio" Ciente da decisão e, 29 de março de 2007, o sucessor do contribuinte, Banco JP Morgan S/A ingressou com recurso em 30 de abril. Refuta as razões declinadas pela relatora do ) 2 Processo n° 16327.003758/2003-16 SI-C1T2 Resolução n.° 1102-00.005 Fl. 3 voto condutor da decisão recorrida para eleger o momento da concessão do beneficio como o apropriado para definição da regularidade fiscal.. Pelo princípio da eventualidade, invoca a nulidade da decisão por violação ao direito de defesa, pois acusa-se a Recorrente de possuir débitos que impedem a opção pelos incentivos fiscais, sem abrir prazo para o contribuinte comprovar sua regularidade. Afimia ser ilegal a exigência da CND como pressuposto para concessão do beneficio fiscal. Requer, afinal seja reformada a decisão, sanando-se as suas omissões, no que se refere a possibilitar a comprovação de sua regularidade fiscal, para fins de deferir a ordem de emissão de incentivos fiscais requerida. É o relatório. • • 3 Processo n° 16327.00375812003-16 S1-C112 Resolução n.° 1102-00.005 Fl. 4 Voto Conselheira Sandra Maria faroni Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. O litígio envolve discussão acerca do direito da recorrente de utilizar os incentivos fiscais em fundo de investimento regional, decorrentes de opção realizada na declaração de rendimentos do IRPJ do ano-calendário de 2000. Antes de ingressar na análise do caso concreto, entendo útil tecer algumas considerações genéricas sobre o tema em questão. A matéria " pedido de revisão de aplicação em incentivos fiscais — PERC gerou longas discussões na antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, afinal pacificadas no entendimento a seguir sintetizado, e que passou a constituir uma diretriz para a análise dos litígios.envolvendo indeferimento de aplicação. De acordo com os dispositivos legais que regem o incentivo, a opção pela aplicação pode ser manifestada por duas formas, a saber: a) no curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente, mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, da parte do imposto sobre a renda destinada à aplicação. (Lei 9.532/97, art. 4° e § 1°) b) na declaração de rendimentos, mediante indicação, no campo próprio. A opção é irretratável ((Lei 9.532/97, art. 4°, § 5°). A extensão do significado desse dispositivo é que: a) recolhido o primeiro DARF especifico para determinado fundo e percentual, os demais não poderão ser para fundo distinto nem em percentual distinto; b) em caso de opção manifestada na declaração, não pode haver retificação da declaração para alterar o fundo e/ou o percentual. 3- A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, deve: a) encaminhar aos fundos, para cada ano-calendário, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, em favor das pessoas jurídicas optantes ((Decretos-Leis n's 1.376/74, art. 15, e 1.752/79, art. 10); b) expedir, em cada ano-calendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos Fundos de Investimento. (Decreto-Lei n° 1.752/79, art. 30). A materialização do beneficio compreende momentos distintos bem definidos. O primeiro deles é o momento em que a pessoa jurídica deve exercer sua opção (nos recolhimentos ou na declaração). O segundo ocorre quando a Secretaria da Receita Federal, Processo n° 16327.003758/2003-16 S1-C1T2 Resolução n.° 1102-00.005 Fl. 5 com base nas opções exercidas pelos contribuintes, (ou seja, de acordo com o Fundo e respectivo percentual) e no controle dos recolhimentos, encaminha aos fundos registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, em favor das pessoas jurídicas optantes. O terceiro é quando a Secretaria da Receita Federal expede à pessoa jurídica optante extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos Fundos de Investimento A discordância do sujeito passivo em relação ao extrato de aplicação de incentivos fiscais deve ser manifestada sob a forma de Pedido de Revisão de Aplicação em Incentivos Fiscais (PERC). Considerando inexistir regra legal específica de fixação de prazo para o pedido de revisão e dada a sua equivalência ao pedido de restituição, a jurisprudência dominante em todas as Câmaras do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes privilegiou o entendimento de que se deve fazer uso da analogia prevista no art. 108 do CTN e aplicar-se o prazo de 5 anos previsto no art. 168 do mesmo diploma legal. Influencia, ainda, a concessão dos incentivos a norma contida no art. 60 da Lei n° 9.069/95, que deteimina, in verbis: Lei n°9.069, de 1995: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." Uma vez que as situações de ocorrência de fatos geradores de tributos e contribuições federais se repetem sucessivamente ao longo da existência da pessoa jurídica, o dispositivo deixa uma questão em aberto, que diz respeito ao momento a que se deve referir a prova de quitação (da opção, do processamento da declaração ou da análise do pleito?). De se ressaltar, ainda, que se a prova da regularidade fiscal é feita mediante a apresentação da certidão negativa (que atesta a situação fiscal na data da emissão e cujo prazo de validade é limitado), e se deve ser provada a quitação perante diferentes órgãos (SRF, PFN e INSS), é remotíssima a possibilidade de se instruir o processo com certidões dos três órgãos concomitantemente válidas. A conclusão a que se chega é que, para fins de cumprimento do art. 60 acima transcrito, o momento em que se deve verificar a quitação de tributos e contribuições federais é o momento em que o contribuinte indica a opção na sua declaração de rendimentos. Entender diferentemente (por exemplo, no momento em que a autoridade administrativa examina o pedido) fere a segurança jurídica e a ampla defesa, pois a cada momento podem surgir novos débitos. Por outro lado, o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa foiiiia, identificado que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ele quitar os débitos para obter o deferimento do pedido, o quê poderá ser feito em qualquer fase do processo. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração influenciarão a concessão do beneficio para outros anos-calendário. 5 Processo n° 16327.003758/2003-16 S1-C1T2 Resolução n.° 1102-00.005 Fl. 6 Em relação à declaração de rendimentos, sua retificação ou sua eventual apresentação em atraso, por si só, não obsta a aplicação nos fundos de investimento. O que se exige é que, cumulativamente: a) em qualquer caso, o valor a ser aplicado tenha sido recolhido em DARF específico, e dentro do , exercício financeiro; b) em caso de retificação de declaração, não sejam alterados o fundo e o percentual. Diversas, pois, são as situações que podem ocorrer, relacionadas com a declaração de rendimentos, sem prejudicar a aplicação: a) Retificação da declaração com aumento de imposto devido, sem alteração dos percentuais: poderão ser destinadas ao fundo as parcelas da diferença de imposto que tiverem sido recolhidas em DARF específico, dentro do exercício de competência. b) Retificação da declaração com redução do imposto devido: a eventual diferença a maior recolhida a título de incentivo será considerada aplicação com recursos próprios. c) Apresentação de declaração fora do prazo não prejudica a opção manifestada mediante recolhimento em DARFs específicos, desde que recolhidos dentro do exercício de competência. A situação "c" acima, poderá acarretar o tardio encaminhamento aos fundos dos registros que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, bem como a tardia expedição à pessoa jurídica optante, do extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos Fundos de Investimento. Isso porque essas providências por parte da Secretaria da Receita Federal se dão com base na opção exercida na declaração e no controle dos recolhimentos. Feitas essas considerações, tem-se que, quando o indeferimento do beneficio se der com base no art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, é dever da autoridade administrativa identificar os débitos que a levaram a indeferir o gozo do beneficio, de forma a possibilitar a defesa por parte do contribuinte, bem como a análise por parte do julgador. Passando ao caso concreto, observo (como, aliás, já apontara em declaração de voto o Julgador vencido, Isidoro da Silva Leite), que o "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais" (fl. 3) não apresenta, claramente, a existência débitos, e aponta outras ocorrências (códigos 04 e 16) que teriam dado causa à não destinação aos fundos. Por todas essas razões, entendo que o processo não se encontra em condições de ser julgado. Voto pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa: 1- Identifique e demonstre os recolhimentos incompletos que teriam dado causa à redução de valor, confoime apontado no Extrato de fl. 3. )1 6 • , • Processo n° 16327.003758/2003-16 S1-C1T2 Resolução n.° 1102-00.005 Fl. 7 2- Esclareça e demonstre a ocorrência "16" apontada no Extrato 3- Identifique os eventuais débitos existentes na data da entrega da declaração, e que ainda não foram regularizados. Após, dar ciência ao contribuinte, abrindo-lhe prazo para se manifestar. Sandra lartia Faroni — Relatora. 7
score : 1.0
Numero do processo: 11060.004083/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2005
DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 –
INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
INCONSTITUCIONALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Negado Fl. 105DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11060.004083/200701 Acórdão n.º 2402002.287 S2C4T2 Fl. 103 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 37/38), o montante do crédito foi apurado através de informações prestadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP, informadas ao INSS, Recibos de Pagamento de Salários, Recibos de Férias e valores constantes nos sistemas informatizadas da Receita Federal do Brasil. Foi verificada divergências de informações nas GFIP, com os Recibos de Pagamentos de Salários e nas anotações de alterações de salário no Livro de, Registro de Empregados referente ao segurado empregado CARLOS VENÂNCIO DA SILVA. Ficou demonstrado que a empresa retificou as GFIP em 17/09/2005, informando salários a maior do que o realmente recebido; para o segurado obter benefícios junto a Previdência Social, o que configura, em tese, ilícito tipificado no art. 299 do Decreto Lei 2848 de 07/12/1940. Tal fato foi objeto de comunicação à autoridade pública competente para a proposição de eventual ação penal — Ministério Público Federal. A notificada apresentou defesa (fls. 39/91), onde alega que teria ocorrido a decadência uma vez que o lançamento referese a fatos geradores ocorridos em 1997. Argumenta que a contribuição destinada ao SEBRAE seria inconstitucional, bem como a taxa de juros SELIC aplicada. Considera a multa aplicada abusiva e afirma a inexistência de crime tributário. Alega que determinar denúncia de crime de sonegação fiscal oriundo de valores que não existam mais no mundo jurídico, pois o que não está na lei (decadência de 10 anos, inconstitucional) não está no mundo, é no mínimo temerário. Após análise inicial da defesa, foi solicitada diligência para que a auditoria fiscal esclarecesse qual a remuneração oferecida à tributação, se a da GFIP, no total informado, ou se a do efetivo pagamento (recibos de pagamento/anotações e alterações de salário no Livro Registro de Empregados). No caso de ser a primeira, foi solicitado que os autos fossem instruídos com os valores efetivamente pagos mês a mês. A auditoria fiscal informou que a remuneração lançada foi aquela informada em GFIP; após a última alteração, que é a que consta no CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais e esta vai ser a base utilizada para beneficio de aposentadoria, visto que o segurado entrou na justiça para tal, e a mesma foi concedida. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Pelo Acórdão nº 189.223 (fls. 77/79) a 3ª Turma da DRJ/Santa Maria considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 82/98) onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11060.004083/200701 Acórdão n.º 2402002.287 S2C4T2 Fl. 104 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que não merece acolhida. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 01/2002 a 08/2005 e foi efetuado em 27/12/2007, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 109DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após Fl. 110DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11060.004083/200701 Acórdão n.º 2402002.287 S2C4T2 Fl. 105 7 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, verificase que a base de cálculo é o total declarado em GFIP relativamente ao segurado Carlos Venâncio da Silva, conforme relatórios Consulta Informações GFIP (fls. 71 a 75). No entanto, da análise do Discriminatativo Analítico do Débito DAD (fls. 04 a 13), podese observar que não houve recolhimentos de quaisquer Fl. 111DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 importâncias, ainda que parcialmente. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I do CTN, para considerar que não ocorreu a decadência no presente lançamento. No mais, a recorrente alega a inconstitucionalidade da contribuição destinada ao SEBRAE, bem como a aplicação da multa moratória e da taxa de juros SELIC. Asseverese que tal contribuição e a aplicação da multa e da taxa de juros ocorreram com base em dispositivo legal em plena vigência e não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de tal legislação sob o argumento de que a mesma seria inconstitucional. A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 14/07/2010, por meio da Portaria MF nº 383, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11060.004083/200701 Acórdão n.º 2402002.287 S2C4T2 Fl. 106 9 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 113DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 17546.000662/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88,
motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2402-002.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Jhonatas Ribeiro Da Silva, Ana Maria Bandeira, Ronaldo De Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 Relatório Tratase de NFLD constituída em 21/12/2006 para exigir contribuição previdenciária cota patronal, contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), e contribuição dos segurados, pelo fato da Recorrente não ter comprovado os recolhimentos pela empresa SIV Engenharia e Automação Industrial Ltda. (prestadora de serviços executados mediante cessão de mão de obra), os quais poderiam elidir sua responsabilidade solidária, no período de 02/1996 a 12/1996. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 44/155) pleiteando pela total nulidade do lançamento. A d. DRJ em Campinas, ao analisar o processo (fls. 161/166), julgou o lançamento totalmente procedente, sob o argumento de que: (i) é lícita a presunção do fato gerador, por não ter o contribuinte apresentado os documentos solicitados; (ii) é solidariamente responsável, haja vista que não reteve as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra contratada; (iii) não se aplica o benefício de ordem; (iv) o prazo decadencial é de 10 anos; e (v) a CND não comprova a inexistência de débito. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 173/227) alegando que: (i) o lançamento é nulo por falta de motivação; (ii) os requisitos legais para a lavratura do auto de infração não foram observados; (iii) o crédito tributário está decaído; (iv) sua responsabilidade é subsidiária e não solidária; e (v) não possui nenhum débito pendente perante o INSS. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 17546.000662/200708 Acórdão n.º 240202.281 S2C4T2 Fl. 239 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Alega a Recorrente que o crédito tributário objeto do presente processo deve ser julgado totalmente improcedente, por estar decaído. A presente NFLD foi constituída em 21/12/2006 para exigir contribuições previdenciárias relativas ao período de 02/1996 a 12/1996. Notase que transcorreram aproximadamente 10 anos entre a data da ocorrência dos fatos geradores e a data da constituição do crédito tributário. Havia, na época da lavratura da notificação, previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Assim, considerando que o lapso temporal existente entre a data dos fatos geradores e a data da constituição do crédito tributário é de aproximadamente 10 anos, devese reconhecer a total decadência dos valores ora lançados. Apenas a título de esclarecimento, pontuo que, independentemente da regra adotada (se a regra contida no art. 150, § 4º, ou a do art. 173, inc. I, do CTN), a totalidade dos créditos tributários restam decaídos. Por fim, em razão da extinção da totalidade dos créditos tributários pela decadência, deixo de apreciar as demais razões de recurso do contribuinte. 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE TOTAL PROVIMENTO, reconhecendo a extinção do crédito tributário pela decadência. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 262DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
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Numero do processo: 10803.720049/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.298
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-20T21:10:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-02-20T21:10:09Z; Last-Modified: 2015-02-20T21:10:09Z; dcterms:modified: 2015-02-20T21:10:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-02-20T21:10:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-20T21:10:09Z; meta:save-date: 2015-02-20T21:10:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-20T21:10:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-02-20T21:10:09Z; created: 2015-02-20T21:10:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2015-02-20T21:10:09Z; pdf:charsPerPage: 1615; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-20T21:10:09Z | Conteúdo => S1-C1T2 Fl. 1 1 S1-C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.720049/2012-32 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102-000.298 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 04 de fevereiro de 2015 Assunto IRPJ/CSLL/IRFONTE - glosa de custos e pagamento a beneficiário não identificado Recorrente ITA PEÇAS PARA VEÍCULOS COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, JACKSON MITSUI, MARCELO BAETA IPPOLITO e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS. Fl. 26955DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.720049/2012-32 Resolução nº 1102-000.298 S1-C1T2 Fl. 2 2 A glosa de custos/despesas pela não comprovação só é elidida pela apresentação de prova documental. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 PAGAMENTO SEM CAUSA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF. Não tendo sido comprovada a causa e/ou beneficiário da operação que deu origem aos pagamentos efetuados, correta a ação fiscal ao cobrar o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre a base de cálculo ajustada, conforme determinado pela legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Em ação fiscal direta, a empresa, acima qualificada, foi autuada em 29/08/2008, a recolher ou impugnar os créditos tributários no valor de R$ 8.568.897,54, a título de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica (IRPJ), R$ 18.910.134,37 de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e R$ 54.277,39 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), incluídos nesses totais multas e juros de mora calculados até 10/2012. O enquadramento legal para o Auto de Infração do IRPJ está contido nas fls.16, do IRRF, à fl. 46 e da CSLL, à fl.63. Em 21/05/2012, foi iniciado procedimento fiscal contra a Impugnante, objetivando verificar o registro contábil e a regularidade no cumprimento das obrigações tributárias relacionadas ao IRPJ, em virtude da emissão de notas fiscais de prestação de serviços por EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA., CNPJ 03.069.255/000107, nos anos-calendário de 2006 a 2008. Foram solicitados livros, informações e documentos, para a verificação das obrigações fiscais. Conforme descrição no Termo de Verificação (fls.68/71), a fiscalização constatou em levantamento documental, relativamente ao período entre 2006 e 2008, as seguintes infrações: • Incomprovada a efetiva prestação dos serviços ("Prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação) pela CONTRATADA (EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA., CNPJ 03.069.255/000107), a causa dos pagamentos e a identificação dos beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões (cartão eletrônico denominado Exchange Card), elementos suficientes a demonstrar a necessidade dos dispêndios à atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora da CONTRATANTE, nos termos do Artigo 299 e §§ do RIR/99 – Decreto nº 3.000/99, impôs-se a glosa destes valores na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; Fl. 26956DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.720049/2012-32 Resolução nº 1102-000.298 S1-C1T2 Fl. 3 3 • Não identificados, nos registros contábeis, os beneficiários e, documentalmente, a efetiva prestação dos serviços e a causa, ficam os valores dos pagamentos efetuados por meio de cartões, devidamente reajustados, sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda na Fonte na forma do Artigo 674 §§ do RIR/99 - Decreto nº 3000/99; • Com o procedimento contábil adotado, o contribuinte fez ocultar a causa e os beneficiários destes pagamentos, caracterizando, assim, a hipótese de incidência da multa prevista no inciso II do Artigo 957 do Decreto nº 3.000/99RIR. A Fiscalização entende que para efeitos da legislação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, a dedução de dispêndios a titulo de custos ou despesas operacionais está condicionada à comprovação da efetividade da prestação dos serviços. Não basta comprovar que a despesa foi assumida e que houve o desembolso; é indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde a contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Cientificada do feito em 04/10/2012 (fl.5.892), apresenta, em 31/10/2012, impugnação, de fls. 5.903/5.944, para todos os efeitos, argüindo, em síntese, o seguinte: • Estariam decaídos todos os fatos geradores de IRRF ocorridos antes do mês de outubro de 2007. Quanto aos fatos geradores do IRPJ e da CSLL, já estariam alcançados pela decadência aqueles ocorridos em 31/12/2006; • Devidamente identificados os beneficiários dos pagamentos, como empregados da Impugnante que atingiram as metas impostas para o recebimento de premiações, somente poderia ser exigido, em tese, sobre tais montantes, o Imposto sobre a Renda na Fonte incidente sobre rendimentos do trabalho assalariado, o qual incide como antecipação do devido na Declaração de Ajuste Anual dos beneficiários; • A cobrança de eventual IRRF-antecipação que se pudesse considerar devido, em face da fonte pagadora (a Impugnante), não mais seria possível, em relação aos pagamentos realizados entre 2006 e 2008. Isso porque, de acordo com o Parecer Normativo Coordenador do Sistema de Tributação nº 01/2002, a responsabilidade da fonte pagadora quanto ao imposto devido, nesta modalidade, é limitada temporalmente; • Pagamentos de remuneração a empregados somente poderiam se sujeitar à incidência do IRRF retido e recolhido como antecipação do devido na declaração de ajuste anual; • Contudo, neste caso o principal do imposto teria que ser exigido da Impugnante no próprio ano-calendário dos pagamentos ou até 30/04 do ano-calendário subsequente, pois de acordo com o supracitado Parecer Normativo COSIT 01/2002, "a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue- se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual"; • IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA DA GLOSA DAS DESPESAS COM A EXIGÊNCIA DO IRRF EXCLUSIVO NA FONTE À ALÍQUOTA DE 35%: a adequada interpretação do sistema conduz à conclusão de que se o mesmo fato dá ensejo à glosa de despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não pode haver cobrança concomitante do IRRF exclusivo à alíquota de 35%, e muito Fl. 26957DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.720049/2012-32 Resolução nº 1102-000.298 S1-C1T2 Fl. 4 4 menos ainda a exigência de multa seja ela de ofício ou qualificada sobre os mesmos montantes; • A precisa e irrepreensível análise feita pelo CARF não deixa dúvida sobre o absoluto descabimento da exigência do IRRF, exclusivo na fonte, à alíquota de 35%, quando a mesma situação dá ensejo, como deu nos presentes autos, à glosa das respectivas despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e à exigência de multa de ofício ou qualificada; • Descabido é exigir multa de ofício qualificada sobre o IRRF exclusivo, que já tem natureza punitiva. Por esta razão, deve ser preliminarmente cancelada a exigência do IRRF exclusivo e da respectiva multa de 150%, pois o contexto fático dos autos deu ensejo, também, à glosa das mesmas despesas; • A contratação da EXPERTISE (isto é, causa dos pagamentos) foi devidamente comprovada nos autos, mediante apresentação do contrato entre as partes. O pagamento, em si, das notas fiscais emitidas por esta empresa, pela Impugnante, também foi realizado e reconhecido pelas autoridades fiscais (efetividade dos pagamentos); • E é também normal e usual que empresas comerciais premiem seus funcionários que alcançam os resultados esperados, inclusive mediante implementação de campanhas de marketing geridas por terceiros; • Cabe acrescentar ainda, que tanto os valores das premiações caracterizam despesas operacionais, que o §39 do art. 299 do RIR/99 estabelece, expressamente, que o disposto neste artigo (i.e., que são dedutíveis as despesas operacionais) "aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual fora a designação que tiverem"; • Através da documentação apresentada, demonstra-se o mecanismo de premiação dos empregados com a utilização dos cartões Expertise; • A cada nota fiscal corresponde uma planilha, enviada pela Impugnante à EXPERTISE para informá-la sobre os pagamentos a serem efetuados. E em cada uma dessas planilhas consta (i) a quantidade de funcionários premiados, (ii) o total da premiação, (iii) a taxa (comissão) de 3,20% devida à EXPERTISE, (iv) a taxa de carregamento devida, e (v)o valor da fatura; AUSÊNCIA DE FRAUDE E AFASTAMENTO DA MULTA DE 150%: impossibilitada a defesa da Impugnante, uma vez que não foram identificados os atos entendidos como dolosos que teriam sido praticados, para que pudesse vir a deles se defender ou justificar, tampouco tendo sido individualizado o tipo penal do qual foi acusada; • Se é que foi imputada à Impugnante a prática de sonegação fiscal, em momento algum foi feita demonstração, pelo agente fiscal, de que sua conduta teria caracterizado ação ou omissão dolosa que buscava impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ou II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Portanto, se houve, efetivamente, má- Fl. 26958DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.720049/2012-32 Resolução nº 1102-000.298 S1-C1T2 Fl. 5 5 fé ou intenção dolosa por parte da Impugnante, como supõe o Fisco, o ônus de prová-la (e não de presumi-la) pertence-lhe exclusivamente.” O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de decadência do IRPJ, CSLL e IRRF e, no mérito, julgou improcedente a impugnação da Contribuinte, pelas razões sintetizadas na ementa acima transcrita. Em recurso voluntário, a Contribuinte reproduz razões de impugnação e apresenta outras, alegando-se, em síntese: (i) a inexistência de fraude no caso concreto; (ii) a decadência parcial do lançamento; (iii) a indevida exigência de IRPJ e CSLL face à natureza dos dispêndios, que confirmam a necessidade, normalidade e usualidade das despesas, garantindo-lhe sua dedutibilidade; (iv) a indevida exigência do IRRF, ante a comprovação dos beneficiários dos respectivos pagamentos; (v) nulidade do auto de infração por erro na capitulação legal; (vi) que, diante das informações prestadas ao longo do procedimento fiscal, incumbiria à Fiscalização a identificação dos beneficiários, cuja relação se encontra anexa à impugnação e ao recurso; (vii) o IRRF seria devido pelos beneficiários e jamais seria exigível da Contribuinte; (viii) que o IRRF cobrado da Recorrente teria caráter punitivo, sendo indevida sua cumulação com multa de ofício; e (ix) a qualificação indevida da multa de ofício. Pois bem. Conforme se depreende do relato supra, os lançamentos de IRPJ, CSLL e IRFonte objeto deste PA decorrem do fato de que a Contribuinte não teria identificado os beneficiários e o efetivo pagamento (a esses beneficiários) de valores objeto do contrato de prestação de serviços e outras avenças celebrado com a Expertise Comunicação Total S/C Ltda., cujo objeto é a prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante utilização do cartão eletrônico (que seria entregue aos beneficiários em contrapartida ao cumprimento de metas de trabalho e performance). Em seu recurso voluntário, a par da relação dos respectivos beneficiários, a Contribuinte traz notícia da lavratura de lançamento para a exigência de contribuições previdenciárias sobre esses mesmos valores, consubstanciado no Processo nº 10803.720037/2012-16, que aguarda novo julgamento na DRJ, eis que o CARF anulou a decisão anteriormente prolatada. Paradoxalmente, a acusação fiscal nesse lançamento previdenciário é o efetivo pagamento de remuneração (indireta) a beneficiários que prestaram serviços à Contribuinte no período respectivo. O acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre a intuitiva “contradição” entre as acusações acima citadas, ante a ausência de informação disponível nesses autos sobre o lançamento previdenciário. Sem adentrar ao exame do mérito do recurso, é seguro afirmar que uma de duas: (a) ou bem os pagamentos em referência foram feitos em contrapartida à prestação de serviços por trabalhadores pessoas físicas (empregados ou não) perfeitamente identificados, o que poderia levar à procedência do lançamento previdenciário mas, em contrapartida, à improcedência dos autos de infração objeto desse PA (já que, nessa hipótese, não haveria que se falar em despesa desnecessária ou pagamento a beneficiário não identificado); (b) ou bem os pagamentos em referência não foram destinados a beneficiários pessoas físicas que prestaram serviços à Contribuinte, o que poderia levar à procedência dos autos de infração sob julgamento, mas certamente implicaria insubsistência do lançamento previdenciário. Fl. 26959DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10803.720049/2012-32 Resolução nº 1102-000.298 S1-C1T2 Fl. 6 6 Nesse sentido, ante a contradição levada a efeito pela própria RFB e demais elementos constantes dos autos, indispensável a conversão do julgamento em diligência para que seja adotada pela E. Delegacia da Receita Federal da jurisdição da Recorrente as seguintes providências: (i) sejam juntados aos autos cópia integral do Processo Administrativo n. PA n. 10803.720037/2012-16, cujo traslado deverá fazer especial destaque aos documentos que serviram de base para a RFB constituir créditos de contribuições previdenciárias; (ii) seja intimada a Contribuinte e a Expertise para que estas informem a relação discriminada de todos os beneficiários aos quais foram entregues os Cartões Exclusive Card de que trata o contrato de prestação de serviços objeto desse processo administrativo, com (a) identificação de nome, CPF e endereço; (b) indicação de datas e valores, acompanhada dos respectivos comprovantes de entrega ou qualquer outro elemento de prova que comprove tal entrega e (c) indicação do vínculo respectivo do beneficiário com a Contribuinte. Caso os cartões sejam entregues diretamente à Contribuinte para repasse aos beneficiários, intimar a Contribuinte para que forneça os comprovantes de entrega dos cartões aos beneficiários ou qualquer outro documento que lhes faça as vezes; (iii) seja verificado e atestado, de forma conclusiva e fundamentada, em diligência perante a Contribuinte, Expertise e, a critério da Fiscalização, os beneficiários, (a) correção dos dados informados pela Contribuinte na planilha referida no item (ii) e nos demais elementos apresentados no recurso voluntário, contendo os supostos beneficiários do cartão eletrônico; e (b) quais beneficiários possuem vínculo de trabalho (com vínculo de emprego ou não) com a Contribuinte, indicando especificamente em relação a cada um deles a natureza do respectivo vínculo, as datas e os valores por eles recebidos por força dos cartões eletrônicos, cotejando as informações com as notas fiscais emitidas pela Expertise. (iv) para a providência solicitada no item (iii) supra, pede-se sejam verificados também extratos dos cartões e outros documentos bancários que possam comprovar as informações constantes da planilha referida no item (ii) e a efetiva fruição dos valores pelo respectivo beneficiário. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Fl. 26960DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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