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Numero do processo: 10530.720432/2004-38
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA
O exercício da denúncia espontânea pressupõe a comunicação de infração pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco Todavia, este instituto não afasta a incidência de multa de mota decorrente de mera inadimplência, configurada no pagamento fora de prazo de tributos apurados e declarados pelo sujeito passivo
HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO
Não reconhecido o direito ao crédito não se pode homologai as compensações que o utilizaram
Numero da decisão: 204-02.803
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Airton Adelar Hack (relator), Rodrigo Bernardes de Carvalho e Leonardo Siade Manzan Designado o conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: AIRTON ADELAR HACK
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Numero do processo: 16682.902039/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO ACOLHIMENTO.
Rejeita-se a preliminar de nulidade, uma vez constatado que o acórdão recorrido analisou todas as alegações de defesa apresentadas pelo contribuinte
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO.
Nos casos de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte apresenta pedido de restituição ou compensação, o ônus da prova é deste quanto à existência do direito creditório
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Não se desincumbindo a recorrente, mediante provas robustas, principalmente sua escrituração regular, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, descabe o provimento do recurso voluntário
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Deve-se indeferir o pedido de diligência considerado desnecessário pela autoridade julgadora quando restar analisado todos os documentos anexados ao processo
Numero da decisão: 1401-007.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional referente a saldo negativo de IRPJ, e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito disponível, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernando Augusto Carvalho de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Claudio de Andrade Camerano, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias, Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado)
Nome do relator: FERNANDO AUGUSTO CARVALHO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO ACOLHIMENTO. Rejeita-se a preliminar de nulidade, uma vez constatado que o acórdão recorrido analisou todas as alegações de defesa apresentadas pelo contribuinte ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. Nos casos de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte apresenta pedido de restituição ou compensação, o ônus da prova é deste quanto à existência do direito creditório Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente, mediante provas robustas, principalmente sua escrituração regular, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, descabe o provimento do recurso voluntário Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve-se indeferir o pedido de diligência considerado desnecessário pela autoridade julgadora quando restar analisado todos os documentos anexados ao processo
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NÃO ACOLHIMENTO. Rejeita-se a preliminar de nulidade, uma vez constatado que o acórdão recorrido analisou todas as alegações de defesa apresentadas pelo contribuinte ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. Nos casos de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte apresenta pedido de restituição ou compensação, o ônus da prova é deste quanto à existência do direito creditório Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente, mediante provas robustas, principalmente sua escrituração regular, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, descabe o provimento do recurso voluntário Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve-se indeferir o pedido de diligência considerado desnecessário pela autoridade julgadora quando restar analisado todos os documentos anexados ao processo Fl. 438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.049 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902039/2012-13 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional referente a saldo negativo de IRPJ, e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito disponível, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernando Augusto Carvalho de Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Claudio de Andrade Camerano, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias, Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado) RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão n° 02- 94.168, proferido na sessão de 25 de julho de 2019 pela 2ª Turma da DRJ/BHE (Belo Horizonte – MG), que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecer o direito creditório, não homologando a PerDcomp n° 42123.19619.100707.1.7.02-8165 (fls. 198/215). O despacho decisório n° de Rastreamento: 023601944, emitido eletronicamente em 01/06/2012, não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte referente ao Saldo Negativo IRPJ, do ano-calendario 2006, conforme tabela abaixo: Os valores das parcelas de composição do crédito informados no PER/DCOMP e os valores confirmados pelo fisco foram assim discriminados no despacho decisório: Fl. 439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.049 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902039/2012-13 3 O valor constante da DIPJ e PER/DCOMP era de R$1.743.832,53, contudo foi reconhecido apenas R$ 888.930,83, de modo que a algumas PerDcomp foram homologadas parcialmene e outras não foram homologadas. Juntamente com o Despacho Decisório, consta o documento “Despacho Decisório - Análise de Crédito” no qual constata-se quais parcelas não foram confirmadas, sendo basicamente que algumas retenções na fonte não foram comprovadas ou confirmadas parcialmente. Reproduzo abaixo trecho do relatório da decisão de primeira instância com informações da Manifestação de Inconformidade: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade com suas razões de discordância. A empresa alega que embora diversas parcelas não tenham sido confirmadas, total ou parcialmente, sofreu efetivamente as retenções dos tributos e declarou em sua DIPJ à época. Apresenta cópias das notas fiscais com os respectivos destaques de retenção do IRPJ e extratos bancários, demonstrando que os valores recebidos foram descontados pelos tomadores de serviços, bem como, livro Contas a Receber. Apresenta comprovantes de rendimentos. Requer a concessão de prazo para a apresentação de documentação complementar para comprovação do crédito de IRPJ não constante da documentação em anexo. Postula a produção de prova pericial nos documentos processados pela RFB, em especial as DIRF relacionadas com CNPJ constantes das Notas Fiscais indicadas pela manifestante, e franqueia provas complementares, caso necessário. Requer, por fim, o reconhecimento integral do crédito pleiteado e a homologação das compensações vinculadas. Os documentos anexados pela manifestante constam das fls. 06/196. A decisão da DRJ julgou procedente parte da manifestação de inconformidade, reformando o despacho decisório nos seguintes termos: Diante do exposto, o despacho decisório deve ser reformado nos termos seguintes: Valor original do saldo negativo informado no PER/Dcomp com demonstrativo de crédito: R$ 1.743.832,53. Valor na DIPJ: R$ 1.743.832,53. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 4.903.809,29. IRPJ devido: R$ 3.159.976,76. Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido). Fl. 440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.049 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902039/2012-13 4 CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada para: indeferir o pedido de perícia e a apresentação extemporânea de documentos; reconhecer direito creditório remanescente, além do já admitido no despacho decisório, referente a saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2006, no valor de R$ 567.098,51; homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido Irresignada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando, substancialmente, os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Fernando Augusto Carvalho de Souza, Relator. Ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. PRELIMINAR DE NULIDADE A recorrente pede a anulação da decisão recorrida, por que no seu entendimento: “12. Isto porque, no presente caso, a Fiscalização Federal não cumpriu a sua obrigação legal de apurar a real existência do direito de crédito postulado pela Recorrente (busca da verdade material)”. “14. Ademais, a 2ª Turma da DRJ/BHE indeferiu o pedido de perícia/diligência pleiteado pela Recorrente sob a justificativa de que as informações dos autos seriam suficientes a formação da convicção do julgador, quando, em verdade, tal afirmação não condiz com a realidade dos fatos, pois, desconsiderar a análise de documentos acostados aos autos não se traduz em busca de verdade material”. “16. Conclui-se, portanto, que a Fiscalização Federal agiu em desconformidade com as determinações legais a que está submetida no exercício da sua função profissional, em especial ao art. 142, do CTN” No caso, há que se observar o disposto nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Fl. 441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.049 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902039/2012-13 5 “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Os dispositivos acima são claros para apontar um ato ou despacho nulo, sendo que o despacho decisório aguerrido foi lavrado por agente competente e não houve nem sobra de dúvida sobre a inocorrência de cerceamento do direito de defesa. Esse último ponto (cerceamento do direito de defesa) deve ser analisado in concreto, e no presente processo a Recorrente apresentou no prazo legal a sua Manifestação de Inconformidade com farta documentação acostada, ao ponto de ser bem-sucedida com a decisão de redução do valor devido. Reforço que o art. 142 alegado trata de de lançamento de crédito tributário, o que não é o presente caso. Desta forma voto por REJEITAR a preliminar de nulidade. MÉRITO Inicialmente é para se reconhecer que o Comprovante Anual de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecido pela fonte pagadora não é o único meio ou prova para se reconhecer o direito creditório, com razão a Recorrente aponta para Súmula CARF nº 143. Apesar dessa mitigação na forma de comprovação das retenções, o postulante de crédito deve sustentar suas alegações com outros documentos como notas fiscais, situação que foi feita pela Recorrente, contudo, como será demonstrado, não houve a comprovação de todo o crédito pleiteado. Diante da grande quantidade de documentos, vale a pena relembrar que o despacho decisório confirmou R$ 4.048.907,59 de um total de R$ 4.903,809,29 de retenções na fonte. Na análise do crédito, os R$ 4.048.907,59 foram compostos por R$ 3.060.251,80 confirmados e R$ 988.655,79 (confirmação parcial), permanecendo R$ 854.901,00 não confirmados. Fl. 442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.049 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902039/2012-13 6 (...) Dialogando com a decisão, a Recorrente apresentou em sede recursal planilha eletrônica (“documento 03.xlsx”) na qual detalha as parcelas confirmadas ou confirmadas parcialmente que foram discriminadas no despacho decisório, contudo esse documento é apenas um demonstrativo interno de controle de retenção, não se constituindo prova da retenção. Fazendo o cotejamento entre a documentação constante das folhas 12 à 195 e a planilha “documento 03.xlsx”, constam apenas comprovação das seguintes retenções: Das fontes pagadoras acima, 04 (quatro) delas já haviam sido reconhecidas na decisão de primeira instância: Para a OPPORTUNITY FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIARIO (01.235.622/0001- 61) foi apresentado o Comprovante de Rendimentos Anual (fl. 17) que pela Sumula CARF 143, faz prova da retenção, de modo que fica comprovado o valor de R$ 2.543,48. Fl. 443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.049 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902039/2012-13 7 Para as demais fontes pagadoras foram apresentadas as notas fiscais, conforme quadro abaixo: No Recurso Voluntário, a Recorrente postula que sejam intimadas as fontes pagadoras descriminadas nas notas fiscais elencadas na planilha “documento 03.xlsx”, ocorre que nos casos de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte apresenta pedido de restituição ou compensação, o ônus da prova é deste quanto à existência do direito creditório. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Sobre o ônus da prova, adoto os fundamentos do acórdão recorrido como minhas razões de decidir, tendo em vista que demonstram com fidelidade a situação fática do presente caso: ÔNUS DA PROVA No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 373). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, razão pela qual se utiliza a existente no CPC. No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PER/Dcomp. Em consequência, é seu o ônus de provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplica- se também à restituição. Fl. 444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.049 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902039/2012-13 8 Se não houve a confirmação de parcelas de crédito que comporiam o saldo negativo pleiteado, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB apresentando as provas cabíveis. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Diante do exposto, apenas ficou comprovada com a documentação apresentada no recurso voluntário o valor de R$ 5.370,12 (R$ 2.543,48 + R$ 2.826,54), além do que já havia sido comprovado na decisão de primeira instância. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Da mesma forma que na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente postula pedido de diligência de modo que os documentos fossem periciados. 37. Dessa forma, imperioso que os autos sejam baixados em diligência a fim de que sejam analisadas as provas apresentadas aos autos, que comprovam a composição e a existência do crédito que alega a Recorrente possuir junto à Fazenda Nacional para que seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, com a consequente extinção dos débitos de PIS e COFINS exigidos. Alega que a realização de diligência requisitada poderia comprovar a certeza e liquidez dos créditos glosados pelo julgamento em primeira instância, tendo em vista que a autoridade julgadora não conseguiu obter vínculo entre as notas fiscais e os extratos bancários presentes nos autos. Sem razão a Recorrente. A Recorrente poderia anexar outras notas fiscais e comprovantes de rendimentos anuais após o julgamento de primeira instância, contudo decidiu apenas anexar uma planilha eletrônica onde até constam informações relacionadas as retenções, mas não é suficiente, a meu ver, como prova cabal da retenção. A diligência torna-se ainda mais desnecessária quando fica claro que todos os documentos apresentados pela Recorrente foram analisados por este julgador e sendo esse procedimento adotado nos casos em que houver dúvidas ou omissões, a análise de 100% dos documentos joga por terra essa pretensão. Adiciona-se o fato de que essas novas provas deveriam seguir o determinado nos §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, para evitar a preclusão e não para suprir a deficiência probatória cujo ônus recai, como dito, sobre a Recorrente. No mais, os elementos dos autos são suficientes para formar a convicção do julgador, logo o pedido deve ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/72: Fl. 445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.049 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902039/2012-13 9 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Assim, não trazendo a Recorrente em sede recursal qualquer elemento novo nem prova de suas alegações, a decisão de primeira instância deve ser reformada apenas para incluir a parcela confirmada de R$ 5.370,12. Diante do exposto voto por rejeitar o pedido de diligência e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional, referente a saldo negativo de IRPJ do ano-calendario 2006, e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito disponível. (documento assinado digitalmente) Fernando Augusto Carvalho de Souza Fl. 446DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 15956.000402/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
AGROINDÚSTRIA. PRÁTICA DE OUTRAS ATIVIDADES AUTÔNOMAS. IRRELEVÂNCIA.
A contribuição substitutiva devida pela agroindústria à Previdência Social, incidente sobre a receita bruta de comercialização da produção engloba também o valor oriundo da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Não se pode confundir os efeitos jurídicos de uma Pessoa Jurídica produtora rural praticar atividade autônoma com o caso desta mesma atividade ser praticada por uma agroindústria, já que a legislação é expressa ao determinar que a prática de atividades autônomas não influencia no regime de apuração das contribuições previdenciárias das agroindústrias. Ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, a contribuição previdenciária incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente.
EXPORTAÇÃO INDIRETA. IMUNIDADE. APLICABILIDADE. TESE DE REPERCUSSÃO GERAL Nº 764
A norma imunizante contida no inciso I do §2º do art.149 da Constituição da República alcança as receitas decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação de sociedade exportadora intermediária.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O pedido de perícia não exime a impugnante de seu ônus probatório
Numero da decisão: 2401-012.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, exceto quanto à matéria preclusa, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento as receitas de exportações indiretas.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Guilherme Paes de Barros Geraldi - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Elisa Santos Coelho Sarto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: GUILHERME PAES DE BARROS GERALDI
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PRÁTICA DE OUTRAS ATIVIDADES AUTÔNOMAS. IRRELEVÂNCIA. A contribuição substitutiva devida pela agroindústria à Previdência Social, incidente sobre a receita bruta de comercialização da produção engloba também o valor oriundo da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Não se pode confundir os efeitos jurídicos de uma Pessoa Jurídica produtora rural praticar atividade autônoma com o caso desta mesma atividade ser praticada por uma agroindústria, já que a legislação é expressa ao determinar que a prática de atividades autônomas não influencia no regime de apuração das contribuições previdenciárias das agroindústrias. Ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, a contribuição previdenciária incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente. EXPORTAÇÃO INDIRETA. IMUNIDADE. APLICABILIDADE. TESE DE REPERCUSSÃO GERAL Nº 764 A norma imunizante contida no inciso I do §2º do art.149 da Constituição da República alcança as receitas decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação de sociedade exportadora intermediária. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Fl. 3646DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 2 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O pedido de perícia não exime a impugnante de seu ônus probatório ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, exceto quanto à matéria preclusa, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento as receitas de exportações indiretas. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Guilherme Paes de Barros Geraldi - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Elisa Santos Coelho Sarto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) RELATÓRIO Tratam-se de recursos de ofício e voluntário (fls. 3.322/3.350), interpostos pela 7ª Turma da DRJ/RPO e por TEREOS AÇÚCAR E ENERGIA ANDRADE S/A (sucessora por incorporação de ANDRADE AÇUCAR E ÁLCOOL S.A.) em face do acórdão de fls. 3.301/3.319, que julgou procedente em parte sua impugnação de fls.1.033/1.037, mantendo em parte o crédito constituído por meio do auto de infração DEBCAD nº 37.236.998-7 (fl. 4), lavrado para a cobrança de contribuição patronal e RAT incidentes sobre a receita bruta da agroindústria, na forma do art. 22-A da Lei nº 8.212/91, no período de 01/01/2006 a 31/12/2008. Conforme o relatório fiscal (fls. 1006/1017), a despeito de enquadrar-se como agroindústria, a Recorrente não ofereceu à tributação, no período fiscalizado, a totalidade de sua receita. As receitas em questão são as seguintes: 1. Para o período de 01/2006 a 08/2007 a. receitas decorrentes da comercialização de mercadorias de naturezas diversas, abrangendo açúcar, álcool e cana-de-açúcar nos mercados interno e externo (assim classificadas pela autuada), bem como de subprodutos e revendas de mercadorias, madeiras, sucatas etc, as quais, embora não sejam relativas às atividades estatutárias Fl. 3647DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 3 (finalísticas) da empresa, enquadram-se como atividades econômicas autônomas, por tratar-se de operações comerciais de produtos não industrializados ou resultantes do processo agroindustrial como um todo (vide planilha de fls. 587/588). 2. Para o período de 09/2007 a 12/2008 a. receitas decorrentes da comercialização de naturezas diversas, abrangendo vendas faturadas internas, faturadas a coligadas/controladas, faturadas externas (assim classificadas pela autuada), devoluções sobre vendas e também vendas eventuais de materiais. Estas últimas, cujas notas fiscais têm como objetos óleo lubrificante, sucata, herbicida, uréia, insumos para coligadas/controladas etc, enquadram-se também como receitas de comercialização de produção não industrializada. Em suma, as receitas desse período foram classificadas (planilhas de I a VI) e consolidadas em planilha de fls. 1002. Em sua impugnação (fls.1.033/1.037), a Recorrente alegou: 1. Que haveria valores lançados em duplicidade em decorrência de vendas para entrega futura; 2. Que o lançamento abrangeria receitas decorrentes de exportação indireta, as quais seriam imunes; e 3. Que a revenda de mercadorias, tais como sucatas advindas do processo produtivo e insumos produtivos vendidos a empresas coligadas e controladas não deveriam compor a base de cálculo do lançamento. Encaminhados os autos à DRJ, foi proferido o despacho de fls. 2166/2170, por meio do qual o colegiado a quo determinou a realização de diligência, nos seguintes termos: 6. diante dessa evidência, solicita-se à auditoria-fiscal que. em diligência fiscal, exija da autuada a delimitação de suas próprias alegações, de modo a apontar, precisa e detalhadamente, para quais fatos geradores (comercialização de sua produção rural) já houve o alegado recolhimento, relacionando-os às contas contábeis e planilhas categorizadas pela fiscalização no Relatório Fiscal, a que competências as notas fiscais se referem, se houve a contabilização das respectivas NF mães, e demais informações relevantes. 7. também deve ser solicitado, a contrario sensu, que a autuada informe, inequivocamente, quais fatos geradores ora apurados (relacionando-os às contas contábeis e planilhas categorizadas pela Auditoria-Fiscal) não foram, efetivamente, oferecidos à tributação, ou seja, para os quais não houve o respectivo recolhimento. Fl. 3648DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 4 8. diante da situação ora exposta, e em se confirmando as alegações específicas da impugnante, que a fiscalização manifeste-se acerca da possível retificação do presente débito, sc for o caso, nos termos da legislação vigente. 9. em suma. caso existam motivos para retificação de débito, haja vista os itens supra, solicita-se à fiscalização a elaboração do demonstrativo equivalente ("DE/PARA") e sua anexação aos autos, a fim de que possa ser procedida a retificação no sistema e emitida a Decisão compatível. 10. as alegações quanto à suposta não-incidência de contribuições sobre receitas de comercialização por meio de empresas exportadoras ou trading companies - haja vista que a fiscalização já excetuou do lançamento as vendas diretas a adquirentes domiciliados no exterior - e sobre as receitas decorrentes de atividades econômicas autônomas serão analisadas por esta DRJ. no oportuno julgamento administrativo. 11. Retornem-se os autos para julgamento, após os procedimentos legais. Em cumprimento à diligência, foi apresentada a informação fiscal de fls. 3280/3284. Intimada, a Recorrente apresentou a manifestação de fls. 3288/3290, suscitando que apresentou os documentos que lhe competiam; que as contribuições previdenciárias foram recolhidas no momento da emissão das NF-mãe (embora com os valores “zerados” no LRS, de modo a evitar o registro dobrado das receitas), não caracterizando nenhum prejuízo à Fazenda Pública; que o não pagamento do ICMS ou de tributos federais não é fato suficiente à exigência das contribuições previdenciárias; e que as receitas advindas da comercialização com empresas comerciais exportadoras – como comprova a documentação juntada – deve ser equiparada às operações de exportação, reiterando os argumentos da defesa inicial. Na sequência, os autos foram remetidos novamente à DRJ, que proferiu o acórdão de fls. 3301/3319, julgando a impugnação procedente em parte para (i) excluir parte dos valores relativos às vendas para entrega futura, na forma especificada na tabela de fl. 3318, bem como para (ii) determinar a comparação das multas e eventual aplicação da retroatividade benigna no momento da liquidação do acórdão. Em razão do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício pela DRJ. O acórdão em questão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AGROINDÚSTRIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBPRODUTOS. MERCADORIAS. REVENDA. SUCATAS. INSUMOS. ATIVIDADE ECONÔMICA AUTÔNOMA. INCIDÊNCIA. PARTE PATRONAL E SAT. A contribuição devida pela agroindústria incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, industrializada ou não, englobando inclusive as receitas decorrentes da venda de seus subprodutos, mercadorias, sucatas e insumos, contextualizadas como outras atividades econômicas autônomas exercidas no mesmo ou em estabelecimento distinto, Fl. 3649DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 5 hipótese em que há também incidência sobre o valor das receitas delas decorrentes, nos termos dos artigos 201A e 201B do Regulamento da Previdência Social (RPS) Decreto n.º 3.048/99. PROVAS. DELIMITAÇÃO. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. FATOS GERADORES. RECOLHIMENTO OPORTUNO. BASES DE CÁLCULO. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. COMPROVAÇÃO. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Alegar genericamente e juntar vastíssima quantidade de papéis não é prova. Assim, impõe-se à autuada a delimitação e comprovação específica de suas alegações, relacionando os documentos apresentados com os fatos geradores para os quais não cabe a tributação. Demonstrando-se a conexão entre parte das notas fiscais “mãe” (NF mãe) utilizadas para o faturamento da comercialização da produção rural e suas correspondentes notas fiscais de remessa, adotadas pela fiscalização como basesdecálculo da autuação, e para as quais já teria ocorrido o recolhimento em guias próprias (GPS código 2607); bem como demonstrando-se a duplicidade da apuração de bases de cálculo para certos fatos geradores, obtidos também pelo confronto entre as NFmãe e respectivas notas fiscais de remessa; e ainda demonstrando-se que parte das receitas apuradas não foram efetivamente faturadas pela impugnante; torna-se cabível a retificação do presente Auto de Infração. EXPORTAÇÃO. PRODUÇÃO RURAL. EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS OU TRADING COMPANIES. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. LEGISLAÇÃO VINCULANTE. As receitas decorrentes da comercialização da produção com empresas comerciais exportadoras, ou trading companies, realizadas no mercado interno, ainda que destinadas posteriormente à exportação, sofre a incidência das contribuições previdenciárias, por expressa e vinculante disposição da legislação tributária vigente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. fls. 3.322/3.350, acrescentando às alegações de sua impugnação uma preliminar de nulidade do auto de infração por falta de determinação da matéria tributável. Na sequência, os autos foram encaminhados ao CARF e a mim distribuídos. Posteriormente, foram apresentadas petições constituindo novos patronos para a Recorrente e informando sobre o resultado do RE nº 759.244, que concluiu pela imunidade de receitas oriundas de exportações indiretas. É o Relatório. Fl. 3650DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 6 VOTO Conselheiro Guilherme Paes de Barros Geraldi, Relator. 1.Recurso de Ofício 1.1 Admissibilidade Conforme relatado, a DRJ interpôs recurso de ofício, tendo em vista que o acórdão por ela proferido exonerou valor superior ao delimitado na Portaria MF nº 3/2008 (R$ 1 milhão). Contudo, nos termos da Súmula CARF nº103, “para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. O limite de alçada atualmente vigente é aquele é de R$ 15 milhões, nos termos da Portaria MF nº2/2023. Comparando-se os valores originalmente lançados (fl. 4) com os do DADR (fls. 3295/3300), verifica-se o seguinte: Principal Multa de ofício Multa de mora Soma multas Total (sem juros) Original 3.673.626,17 169.520,53 827.423,73 996.944,26 4.670.570,43 DADR 2.734.322,56 724.929,78 - 724.929,78 3.459.252,34 Exoneração 1.211.318,09 Vê-se, assim, que o total exonerado (R$ 1.211.318,09) não ultrapassa a alçada do recurso de ofício vigente na data do presente julgamento (R$ 15 milhões). Ante o exposto, NÃO CONHEÇO o recurso de ofício. 2. Recurso Voluntário 2.1. Admissibilidade O recurso é tempestivo.1 Contudo, deve ser conhecido apenas em parte, em razão de indevida inovação recursal. Como relatado, a Recorrente apresentou, apenas em sede recursal, a alegação relativa à nulidade do auto de infração por falta de determinação da matéria tributável. Nesse contexto, a impugnação promove a estabilidade do processo entre as partes, de modo que a matéria ventilada em recurso deve guardar estrita harmonia com aquela abordada pelo recorrente em sua impugnação. Não pode a parte contrária ser surpreendida com novos 1 Conforme despacho de encaminhamento de fl. 3.377. Fl. 3651DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 7 argumentos em sede recursal, em razão da preclusão processual, por força dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fogem a esta regra apenas situações excepcionais, como as matérias de ordem pública, atinentes a fato ou direito superveniente e vícios na decisão de piso, desde que tempestivo o recurso. Neste sentido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONEXÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. O julgamento proferido no auto de infração contendo obrigação principal deve ser replicado no julgamento do auto de infração contendo obrigação acessória por deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. INOVAÇÃO DE RAZÕES DE DEFESA EM RECURSO VOLUNTÁRIO. HIPÓTESES RESTRITAS DE CABIMENTO. Em segunda instância, ou seja, no âmbito do CARF, as matérias controvertidas passíveis de conhecimento são aquelas trazidas no recurso voluntário, desde que, alternativamente, i) já tenham sido veiculadas na peça de impugnação, ii) destinem-se a contrapor entendimento prestigiado no acórdão de piso; iii) apontem vícios na decisão de piso ou iv) refiram-se a fato ou direito superveniente relevante para a devida apreciação do litígio. Ademais, entende-se que, desde que o recurso seja conhecido, é possível a apreciação de matérias de ordem pública. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 11. O artigo 40 da LEF tem aplicação restrita ao processo de execução fiscal, sendo incabível a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº. 11). (Acórdão: 2401-011.098, PAF 10380.722302/2009-13, Primeira Turma Ordinária, Quarta Câmara, 2ª Seção, Sessão de 10.05.2023. No caso dos autos, a alegação de nulidade do auto de infração por falta de determinação da matéria tributável, a despeito de não se enquadrar em nenhuma dessas situações excepcionais, somente foi suscitada no recurso voluntário e, portanto, não será apreciada, eis que preclusa. Ante o exposto, CONHEÇO EM PARTE o recurso voluntário. 2.2. Mérito 2.2.1. Valores lançados em duplicidade em decorrência de vendas para entrega futura. Fl. 3652DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 8 A controvérsia posta não trata do mérito em si, mas da distribuição do ônus probatório a seu respeito. De todo modo, apenas a título de contextualização, a matéria de fundo trata da alegação da Recorrente de que a autoridade lançadora teria incluído na base de cálculo do lançamento valores duplicados, decorrentes de operações de venda para entrega futura. Explica a Recorrente que, no período autuado, realizou vendas com base no seguinte processo (fls. 3334/3335): 1) ocorre a aquisição de um lote de mercadorias a serem produzidas pela Recorrente, 2) a Recorrente emite a nota-mãe com base no lote comercializado, 3) a Recorrente recolhe das contribuições previdenciárias com base na nota-mãe, 4) a mercadoria é produzida e remetida ao adquirente acompanhada de nota(s)-filha, na medida em que é disponibilizada (pode haver mais de uma nota-filha para uma mesma nota-mãe); 5) a Recorrente recebe o pagamento conforme as notas-filha são emitidas; 6) a receita é contabilizada pelas notas- filha. A alegação da Recorrente, assim, é no sentido que tanto as notas-mãe como as notas-filha foram incluídas na base de cálculo do tributo lançado, dobrando-a indevidamente. Diante da aparente verossimilhança das alegações da Recorrente, a DRJ determinou a realização de diligência fiscal, nos termos apresentados no relatório, determinado que (fl. 2169): 6. diante dessa evidência, solicita-se à auditoria-fiscal que. em diligência fiscal, exija da autuada a delimitação de suas próprias alegações, de modo a apontar, precisa e detalhadamente, para quais fatos geradores (comercialização de sua produção rural) já houve o alegado recolhimento, relacionando-os às contas contábeis e planilhas categorizadas pela fiscalização no Relatório Fiscal, a que competências as notas fiscais se referem, se houve a contabilização das respectivas NF mães, e demais informações relevantes. A diligência foi cumprida e, na sequência, sobreveio o acórdão que, com base na diligência, deu provimento parcial à impugnação para excluir diversos valores do lançamento. Contudo, com relação ao período de 01 a 07/2006, o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente só teria apresentado provas relativamente às competências 01, 02 e 03. Em razão disso, manteve no lançamento as competências 04 a 07/2006. Vale transcrever os seguintes trechos do acórdão (fl. 3309 e ss): [...] 2. A questão ora debatida – relativa ao procedimento adotado pela autuada de 01 a 07/2006 – consiste, portanto, em cotejar os elementos de prova que possam, inequivocamente, demonstrar e apontar quais dos fatos geradores apurados já teriam sido objeto da tributação previdenciária. Ou seja, que montante das receitas de comercialização da produção rural, levantadas a partir dos arquivos contendo notas fiscais de remessa, apresenta vinculação às ditas NFmãe e para as quais a impugnante demonstre o efetivo recolhimento por meio de GPS código 2607, mesmo em competências anteriores às que foram objeto da autuação. 3. Nesse contexto, observam-se alegações específicas para as competências 01, 02 e 03/2006, relativas às planilhas III e IV do Relatório Fiscal, para as quais a Fl. 3653DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 9 impugnante junta os respectivos comprovantes de recolhimento, em 08/2005 e 12/2005 e registros auxiliares, contidos no documento “conta contábil 2.1.03.02.06 INSS s/ Faturamento”. Aliás, como já havia indicado na impugnação original, demandando a oportuna diligência fiscal. E para nenhuma outra competência. Para tais casos, efetivamente, as NFmãe (v.g., as de n.º 117083, 117087, 123246 e 123247 – fls. 1168/1169 e 1131/1132 dos autos)encontram correspondência com as inúmeras notas fiscais de remessa (v.g., as de n.º 123674 e 123637 – fls. 1122/1126) utilizadas pela autoridade fiscal como base de cálculo da autuação(vide planilhas de “Suporte Apuração FUNRURAL” – fls. 2923/2938 e planilhas III e IV do Relatório Fiscal – fls. 447/554), e estão agregadas no citado registro “conta contábil 2.1.03.02.06 INSS s/ Faturamento”, que traz o detalhamento do montante recolhido em GPS código 2607 de 08 e 12/2005. Fato este que denota ser verdadeira a alegação da impugnante, quanto a tais fatos geradores lançados no Auto de Infração nas competências 01, 02 e 03/2006 referirem-se, efetivamente, àqueles constantes de NFmãe em que houve, nas competências de suas emissões, a incidência previdenciária e respectivos recolhimentos. [...] 5. Para as competências de 04 a 07/2006, no que tange à divergência da planilha III do Relatório Fiscal, persiste a alegação de que as receitas com a venda de Anidro teriam sido levadas à tributação, também, por meio de outras NFmãe, emitidas nos respectivos meses. Porém, a impugnante não alega, nem comprova documentalmente (à semelhança da sistemática ocorrida em 01, 02 e 03/2006) o efetivo recolhimento, em GPS código 2607, para tais fatos geradores. Ou seja, a vinculação inequívoca entre as notas fiscais de remessa (apuradas e lançadas pela Auditoria Fiscal) e as respectivas NFmãe não é acompanhada dos competentes registros auxiliares de recolhimento agregado, contidos nº documento “conta contábil 2.1.03.02.06 INSS s/ Faturamento”, em que se detalham os valores recolhidos, por NFmãe, e suas correspondentes GPS. De modo que não há elementos suficientes e seguros para a exclusão de tais bases de cálculo do presente AI. No recurso, a Recorrente alega que devido ao volume de documentos, optou por apresentar planilha correlacionando a totalidade das notas-mãe com as notas-filha, mas juntar aos autos apenas uma amostra das notas fiscais, correspondente às competências 01, 02 e 03/2006, já que a intimação fiscal não havia determinado a juntada de documentação exaustiva. A partir dessa premissa, sustenta a Recorrente que a apuração do fato gerador, quantificando corretamente a obrigação tributária, seria atribuição do agente fiscal e não do contribuinte. Entendo, todavia, que o acórdão recorrido não merece reparos. Note-se que, nos termos dos arts. 16 e 17 Decreto nº 70.235/72, a impugnação administrativa deve ser expressa, específica e fundamentada, devendo toda a prova documental ser juntada com a impugnação, ressalvadas as hipóteses previstas em suas alíneas: Fl. 3654DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 10 Art. 16 [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) No caso dos autos, a despeito do caráter genérico da impugnação e de não se estar diante de nenhuma das hipóteses excepcionais previstas nas alíneas, ainda assim, a autoridade julgadora de primeira instância determinou a realização de diligência para que fosse oportunizado à Recorrente a especificação de sua impugnação e a apresentação da prova documental que lhe desse lastro. Mesmo tendo sido dada essa oportunidade extraordinária, a Recorrente produziu prova apenas em relação a parte do período autuado. Em relação ao período remanescente, apresentou tão somente planilha, desacompanhada de elementos probatórios que lhe dessem lastro. Vale dizer que o princípio da concentração das provas na inicial ou contestação/impugnação não é uma peculiaridade do processo administrativo fiscal federal, mas uma regra geral de direito probatório no processo civil. É neste sentido a dicção dos arts. 434 e 435 do Código de Processo Civil: Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações. Parágrafo único. Quando o documento consistir em reprodução cinematográfica ou fonográfica, a parte deverá trazê-lo nos termos do caput, mas sua exposição será realizada em audiência, intimando-se previamente as partes. Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos. Parágrafo único. Admite-se também a juntada posterior de documentos formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram Fl. 3655DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 11 conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntá-los anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com o art. 5º . Ou seja, só é dado à parte apresentar prova documental em momento distinto da inicial ou da contestação quando estes se destinarem a fazer prova de fatos novos ou contrapô- los. Não prospera, assim, a alegação de que a Recorrente teria se reservado ao direito de apresentar o restante da prova documental em momento posterior, caso fosse necessária. Em se tratando de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do lançamento, cabia à Recorrente demonstrar a sua ocorrência, por ser ônus que lhe incumbe, a teor do disposto no art. 373 da Lei nº 13.105, de 2015, o que não ocorreu no caso. Dessa forma, improcedem os argumentos da Recorrente. 2.2.2. Imunidade sobre as receitas de exportação indireta Eis o que consta do relatório fiscal a respeito das receitas decorrentes de exportação indireta (fls. 1.009/1.016): 4.1. Período de 01/2006 a 018/2007 [...] 4.1.2. Constatamos, também, que as receitas de comercialização da sua produção (lançadas em sua escrita contábil como receitas operacionais), destacadas nas contas contábeis sintéticas 31000000 - Receitas Operacionais Líquida e 31010000 - Receita Bruta de Vendas de Produtos, a subdivisão na conta sintética 31010200 - Produtos Fabricação Própria Mercado Externo, com indicação da planilha com número romano (juntamos cópia neste AI da qual faz parte integrante), que se compõe de lançamentos contábeis indevidamente lançados como sendo vendidos para o mercado externo, como segue: a) Planilha XIV-Transferidos para o mercado externo indevidamente (fls.569 e 570) [e-fls. 578/579] b) Planilha XV -Indevidamente incluídos no mercado externo (fls. 571 a 575) [e-fls. 580/584] [...] 4.2. Período de 09/2007 a 12/2008 4.2.1. Constatamos que as receitas de comercialização da sua produção (lançadas em sua escrita contábil como receitas operacionais), destacadas nas contas contábeis sintéticas 3.1 — Receita Operacionais e 3.1.1 — Receitas de Produtos e Serviços, subdividido nas contas sintéticas e suas analíticas abaixo descritas, com indicação da planilha com número romano (juntamos cópia neste AI da qual faz parte integrante), compõe-se de lançamentos contábeis: [...] Fl. 3656DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 12 c) Planilha III — 3.1.1.01.0003 — Vendas Faturadas Externas (indevidamente) (fls. 935) [fl. 946] Em sua impugnação, a Recorrente defendeu que a imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, I abrangeria tanto exportações diretas como indiretas. O despacho de diligência consignou o seguinte (fl. 2169): 10. as alegações quanto à suposta não-incidência de contribuições sobre receitas de comercialização por meio de empresas exportadoras ou trading componies – haja vista que a fiscalização já excetuou do lançamento as vendas diretas a adquirentes domiciliados no exterior – e sobre as receitas decorrentes de atividades econômicas autônomas serão analisadas por esta DRJ. no oportuno julgamento administrativo. Com o efeito, o acórdão recorrido refutou a alegação da recorrente, asseverando que a imunidade abarcaria apenas as exportações diretas (fl. 3.314). No recurso, a Recorrente reiterou as alegações da impugnação, sustentando que a imunidade abarcaria as exportações indiretas. Exposta a controvérsia, e considerando que o presente processo tem por objeto apenas a cota patronal e o RAT (não havendo cobrança de contribuições de terreiros). entendo que o acórdão recorrido merece reforma. No julgamento do RE nº 759.244, o STF, em sede de repercussão geral, fixou a Tese nº 764 nos seguintes termos: “a norma imunizante contida no inciso I do §2º do art. 149 da Constituição da República alcança as receitas decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação de sociedade exportadora intermediária”. O trânsito em julgado desse RE ocorreu em 09/09/2020. Desse modo, em obediência ao art. 98, II, “b” do RICARF, é imperioso o acatamento da mencionada tese repetitiva para dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento da cota patronal e do RAT as receitas oriundas de exportações indiretas. 2.2.3 Não incidência das contribuições sobre a receita de comercialização de sucata e materiais diversos. Conforme o relatório fiscal, a Recorrente deixou de oferecer à tributação uma série de receitas oriundas da comercialização de subprodutos de sua produção e mercadorias adquiridas de terceiros (insumos). Na impugnação, a Recorrente defendeu, em síntese, que tais receitas não deveriam compor a base de cálculo já que a base de cálculo da contribuição da agroindústria seria a “receita bruta proveniente da comercialização da produção” e bens meramente revendidos não poderiam ser considerados como produção agroindustrial. O acórdão recorrido rejeitou a alegação da Recorrente, asseverando que a legislação não prevê a possibilidade de segregação da tributação das atividades secundárias Fl. 3657DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 13 exercidas pela agroindústria, além de prever expressamente que a base de cálculo é a receita da produção própria ou da produção própria e adquirida de terceiro: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: No recurso, a Recorrente repete a alegação da impugnação. Apesar do esforço da Recorrente, entendo que não lhe assiste razão. A jurisprudência deste Conselho firmou-se no sentido de que as exceções ao regime contributivo substitutivo da agroindústria estão taxativamente previstas nos parágrafos do art. 22- A da Lei nº8.212/91. Desse modo, tal regime deve abranger toda a receita da agroindústria, ainda que ela exerça atividade secundária. Neste sentido, transcrevem-se, abaixo, ementas de acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e desta turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AGROINDÚSTRIA. PRÁTICA DE OUTRAS ATIVIDADE AUTÔNOMAS. IRRELEVÂNCIA. A contribuição substitutiva devida pela agroindústria à Previdência Social, incidente sobre a receita bruta de comercialização da produção, engloba também o valor oriundo da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Não se pode confundir os efeitos jurídicos de uma Pessoa Jurídica produtora rural praticar atividade autônoma com o caso desta mesma atividade ser praticada por uma agroindústria, já que a legislação é expressa ao determinar que a prática de atividades autônomas não influencia no regime de apuração das contribuições previdenciárias das agroindústrias. Ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, a contribuição previdenciária incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente [...] (Acórdão 9202-010.464, 2ªTurma da CSRF, Sessão de 24/10/2022) Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA AGROINDUSTRIAL. A substituição estabelecida no artigo 22A da Lei nº 8.212/91 é aplicada ainda que a agroindústria explore também outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição também incide sobre o valor da receita bruta dela decorrente. [...] (Acórdão nº2401-004847, 1ªTO da 4ªCâmara da 2ª Seção, Sessão de 05/06/2017) Tal entendimento também vem sendo acompanhado pelo Poder Judiciário, como revelam as seguintes ementas de acórdãos do TRF da 3ª Região: Fl. 3658DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 14 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 22A DA LEI Nº 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. TOTALIDADE DA RECEITA BRUTA DA AGROINDÚSTRIA PROVENIENTE DE QUALQUER PRODUÇÃO. APELAÇÃO DESPROVIDA. SENTENÇA MANTIDA. 1. O cerne da questão consiste no pedido da não incidência da contribuição previdenciária prevista no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991. 2. Da leitura dos artigos 22-A, da Lei 8.212/91, e 201-B, do Decreto 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social), resta cristalino que todo e qualquer ingresso de receitas nos cofres do contribuinte agroindustrial, quer seja decorrente de operações comerciais realizadas com intuito de lucro, quer sejam elas ligadas à atividade primária ou a atividades secundárias da empresa, estão sim incluídas na base de cálculo da contribuição previdenciária aqui discutida. Ademais, o artigo 201-B estatui que as atividades autônomas estão sujeitas ao recolhimento sob o regime da contribuição substitutiva aplicável à empresa principal, assim, a empresa agroindustrial é responsável tributária pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, sejam as receitas provenientes da sua atividade primária ou ainda de unidades autônomas. 3. Apelação desprovida. (TRF 3ª Região, 2ª Turma, ApCiv - APELAÇÃO CÍVEL - 5016375-33.2022.4.03.6100, Rel. Desembargador Federal LUIZ PAULO COTRIM GUIMARAES, julgado em 02/03/2023, Intimação via sistema DATA: 03/03/2023) APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. RECEITAS QUE COMPÕEM A BASE DE CÁLCULO. RECURSO DESPROVIDO. 1. Além do artigo 22-A da Lei nº 8.212/91, o qual deixa claro que a contribuição devida pela agroindústria incide sobre a comercialização de produção própria e de produção própria e adquirida de terceiros, o Decreto nº 3.048/99 e a Instrução Normativa RFB nº 971/09 regulamentam a matéria sem extrapolar tal previsão legal, apenas estabelecendo maior especificidade, sendo, portanto, dotados de legalidade. 2. O recolhimento das contribuições deve ocorrer sobre a receita bruta da empresa decorrente da comercialização da produção própria e daquela adquirida por terceiros, mormente porquanto se trata de atividade própria da agroindústria, devidamente prevista no estatuto social da agravante. 3. Os parágrafos 2º e 3º do artigo 22-A da Lei nº 8.212/91 trazem a exceção sobre a qual não incide as contribuições em análise, qual seja, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do artigo 22 do mesmo diploma normativo. Assim, se a única exceção é exaltada pelo legislador, conclui- se que as demais receitas auferidas pela agroindústria compõem a base de cálculo Fl. 3659DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.073 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.000402/2010-72 15 das exações, inclusive a receita decorrente da comercialização de produtos adquiridos de terceiros. 4. Somando-se às conclusões acima, verifica-se que a parte impetrante não logrou êxito em demonstrar que houve violação a direito seu líquido e certo, isto é, que está sendo compelida a efetuar contribuições indevidas. 5. Apelação a que se nega provimento. (TRF 3ª Região, 1ª Turma, ApCiv - APELAÇÃO CÍVEL - 5000648-75.2017.4.03.6143, Rel. Desembargador Federal VALDECI DOS SANTOS, julgado em 06/04/2021, Intimação via sistema DATA: 07/04/2021) Assim, diante da impossibilidade de segregação da receita por estabelecimento/atividade na agroindústria, por ser um regime substitutivo ao geral, agiu bem a fiscalização em lançar a contribuição sobre todas as receitas auferidas pela Recorrente no período autuado. 3. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO o recurso de ofício, CONHEÇO EM PARTE o recurso voluntário, exceto quanto à matéria preclusa, e, na parte conhecida de DOU-LHE PROVIMENTO EM PARTE para excluir do lançamento as receitas de exportações indiretas. (documento assinado digitalmente) Guilherme Paes de Barros Geraldi Fl. 3660DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001652/2003-53
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PIS. AUTO ELETRÔNICO. REVISÃO DCTF. Se a motivação do lançamento é a inexistência da ação judial declarada como origem do crédito compensado e esta tem sua existência comprovada, o lançamento improcede. Contudo, deve a Administração acercar-se da extensão do que veio a transitar em julgado, conferindo a certeza e liquidez dos indébitos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 204-02.686
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: JORGE FREIRE
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Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP PIS. AUTO ELETRÔNICO. REVISÃO DC1T. Se a motivação do lançamento é a inexistência da ação judiai - SEGUNDO CONSELHO DE CONMS111NTES declarada como origem do crédito compensado e esta CONFERE coci O OGROL tem sua existência comprovada, o lançamento j_ improcede. Contudo, deve a Administração acercar-se da extensão do que veio a transitar em julgado, conferindo a Marinvais certeza e liquidez dos indébitos. Nt..1 9Sh.$1 Recurso prcivido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CAFEE1RA GUERRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. • Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2007. • . 0(7 enrique Pinheiro Torrei' "r"r Presidente Jorge Freire ,) Relator • • • • Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Bemardes de Carvalho, Nayra Bastos Manatta, Júlio César Alva Ramos; Leonardo Siade Manzan, - Airton Adelar Hack e Mauro Wasilewski (Suplente). • • • -orrurnEs...:,J•ii•••••• • • I I AF • SEGU"D Z.;‘ 2° CC-MF 41--- Ministério da Fazenda Cr: • 11):*.z.„-' Segundo Conselho de Contribbintes 3t I Fl. r, — -• . Processo n2 : 10835.001652/2003-53 Recurso na : 139.144 Acórdão n2 : 204-02.686 • ,,I;;r .911er. 1[1, l ' ç Recorrente : CAFEE1RA GUERRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. • RELATÓRIO • Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da r. decisão, vazado nos seguintes termos: • Trata-se de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 16/06/2003, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para erigir da empresa acima identificada o recolhimento da Contribuição para o ,Programa de Integração Social (PIS), apurada em períodos de apuração do ano-calendário de 1998, valor de R$ 3.862,80, acrescida de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, perfazendo o montante de R$ 10.635,86 (11 124). Regularmente cientificada, em 04/0772003 (fi... 134), a autuada, por seus procuradores, conforme instrumento de jl. 65, ingressou, em 25/07/2003 (fl. I) com a impugnação de fls. 01/64, acompanhada dos documentos de fls. 65/116, por meio da qual fustiga a exigência argumentando, em preliminar, nulidade do auto de infração porque o mesmo foi produzido em sistema eletrônico (computador) e sem intimação prévia da contribuinte, o que ofende o devido processo legal e o princípio da ampla defesa. A teor do art. 173, I, do CM, seja declarada, preliminarmente, a nulidade do lançamento, pois as DCTF foram protocoladas em 27/11/1997 e 03/02/1998, a partir do que quaisquer débitos ali declarados poderiam ser cobrados, portanto, considerando que o auto foi lavrado apenas em 16/06/2003, a decadência já tinha ocorrido. Quanto ao mérito, aduz que houve liquidação via compensação tributária autorizada pelo Poder Judiciário na ação ordinária cumulada com pedido de • tutela antecipada n° 96.1200058-1, ajuizada perante a P Vara Federal de Presidente Prudente, conforme documentos anexados. Informou ainda que referido processo encontra-se em grau de recursojunto ao TRF. • Desenvolve, a sé guir, discussão sobre a constitucionalidade de" legislação que alterou o PIS, citando decisões de tribunais e textos de doutrinadores, particularmente em torno da aplicação da. Lei Complementar e de Semestralidade no cálculo da contribuição. Argüiu a possibilidade de compensação administrativa da contribuição com créditos líquidos e certos, eis que acobertados por decisão judicial com antecipação de tutela. Ao final, requereu seja julgador inwrocedente o auto, afastamento da multa e dos juros baseados na taxa Selic, a produção de prova pericial, post ior juntada de documentos e respeitado o direito de defesa da proponente. • 2 • . . . . MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 21 OC-MFMinistério da Fazenda FRE'. CO:1 O ORIGNAL z`.5,7i TO Segundo Conselho de Contribuietesn;!:, , N'IoNr: „.j_11----/—b)• Fl. --- i;!?„2::)11:, ) . 4 Processo n2 : 10835.001652/2003-13 Met Recurso n2 : 139.144 i..f_se.:.,..., °T.:;44:-;. Jus . Acórdão 112 : 204-02.686 . - A r. decisão manteve o lançamento quanto ao principal, exonerando o contribuinte da multa de oficio, uma vez suspensa sua exigibilidade com arrimo decisão • judicial no processo supra referido. Não resignado, foi interposto o presente recurso -.- voluntário, no qual, em síntese, a empresa repisa seus fundamentos impugnatórios, aduzindo que quando da compensação em DCIT estava resguardada por decisão judicial. Por fim insurge-se contra a aplicação da taxa Selic como juros de mora, sustentando sua ilegalidade. ... - Houve arrolamento de bem (fl. 198) para recebimento e probes. sarnento do recurso. • É o relatério.ç I( - -. .. ' , . . • -• . . e • •, . , ' . • . . • .. • - • 1 • 3 . . . •. . • E"‘ E C gifWM-1 Ministério da Fazenda ÍMF SEGUNDO 'r N,, re,,,,,4(4. té'CC-MF CW'rrri. 1.1" . Fl.t.,:pirÁst Segundo Conselho de Contribuiut • f V ge 11 íbreli",1 ;P. Processo »R 10835.001652/2003-53 ' • Sit?"7"C:Çi IS Recurso n2 : 139.144 Morie.. • „ ,t Acórdão iit 204-02.686 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE A motivação do lançamento eletrônico foi por "proc jud não comprovado" (fl. 127), embora o contribuinte tenha declarado em sua DCTF que tinha crédito vinculado a "compensação sem DARF/outros PJU" com base em processo judicial referido. - E, efetivamente, está comprovado que a empresa, quando da declaração da compensação, estava albergada por antecipação de tutela que lhe permitia compensar o PIS pago nos moldes dos malsinados Decretos-Leis trs 2.445 e 2.449, com PIS. E tratando-se de tributos da mesma natureza, a compensação poderia, à época da • declaração, ser feita sponte propria pelo contribuinte, sem necessidade de submeter seu pleito à administração, consoante artigo 14 da IN SRF 21/97. Assim, o que a administração deveria ter feito era. verificar se a compensação estava dentro dos parâmetros legais delimitados pela decisão judicial, uma vez ter o contribuinte informado em DCTF que o valor de seu débito estava sendo compensado com créditos que entendia ter; e certificar-se da certeza e liquidez dos créditos compensados. - Demais disso, o fudamento do lançamento foi equivocado, pois a empresa tinha respaldo em decisão judicial, cujos contornos vincula o sujeito passivo. Bastaria que o processo administrativo de acompanhamento do processo judicial fosse efetivo. CONCLUSÃO Ante o exposto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO PARA DECLARAR IMPROCEDENTE O LANÇAMENTO. CONTUDO, DEVE A ADMINISTRAÇÃO SE CERTIFICAR. SE OS VALORES OBJETO DA COMPENSAÇÃO/COMPENSAÇÕES COM ARRIMO NA AÇÃO JUDICIAL NÃO FORAM EXECUTADOS JUDICIALMENTE E TAMBÉM, CONFERINDO A LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO NOS MOLDES DO TRANSITADO JUDICIALMENTE. É como voto. • Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2007. JORGE FREIRE • • • • 4 Page 1 _0060400.PDF Page 1 _0060500.PDF Page 1 _0060600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10805.721683/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
EMENTA
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS.
Comprovado, por meio das consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a contribuinte auferiu rendimentos da fonte pagadora contestada, no ano-calendário fiscalizado, e que informou na Declaração de Ajuste Anual apenas parte de tais rendimentos, resta caracterizada a omissão de rendimentos lançada.
Numero da decisão: 2202-011.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Andressa Pegoraro Tomazela, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 EMENTA PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. Comprovado, por meio das consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a contribuinte auferiu rendimentos da fonte pagadora contestada, no ano-calendário fiscalizado, e que informou na Declaração de Ajuste Anual apenas parte de tais rendimentos, resta caracterizada a omissão de rendimentos lançada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Andressa Pegoraro Tomazela, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
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RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. Comprovado, por meio das consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a contribuinte auferiu rendimentos da fonte pagadora contestada, no ano-calendário fiscalizado, e que informou na Declaração de Ajuste Anual apenas parte de tais rendimentos, resta caracterizada a omissão de rendimentos lançada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.721683/2011-91 2 (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Andressa Pegoraro Tomazela, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2007, ano-calendário 2006, da contribuinte acima identificada, procedeu-se ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 18/07/2011, de fls. 05/09. Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido Descrição Valores em Reais 1)Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados 40.778,63 2) Omissão de Rendimentos Apurada 23.410,61 3)Total dos Rendimentos Tributáveis Apurados (1+2) 64.189,24 4)Desconto Simplificado (linha 3 x 0,2; limitado a R$ 11.167,20) 11.167,20 5)Base de Cálculo Apurada (3-4) 53.022,04 6)Imposto Apurado após as Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) 8.587,33 7)Total de Imposto Pago Declarado 4.349,85 8) Glosa de Imposto Pago 0,00 9) IRRF sobre infração ou Carnê-Leão Pago 2.473,69 10) Saldo do Imposto a Pagar Apurado após Alterações (6-7+8-9) 1.763,79 11) Imposto a Restituir Declarado/Calculado 1.372,28 Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.721683/2011-91 3 12) Imposto já Restituído 0,00 13) Imposto Suplementar 1.763,79 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização: Lançamento Valor (R$) Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício 23.410,61 Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 23.410,61, recebido pelo titular e/ou dependentes, da fonte pagadora relacionada abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 2.473,69. Complementação da Descrição dos Fatos Valores lançados conforme pesquisas nos sistemas da Receita Federal do Brasil. CNPJ/CPF - Nome da Fonte Pagadora CPF Beneficiário Rendimento Recebido Rendimento Declarado Rendimento Omitido IRRF Retido IRRF Declarado IRRF s/ Omissão 67.572.503/0001-02 – EDITORA JURÍDICA BRASILEIRA LTDA. 532.453.188-04 45.266,66 21.856,05 23.410,61 4.837,30 2.363,61 2.473,69 Enquadramento Legal: Arts. 1o. a 3o. e Parágrafos, e 8o. da Lei no. 7.713/88; arts. 1o. a 4o. da Lei no. 8.134/90; arts. 1o. e 15 da Lei no. 10.451/2002; arts. 43 e 45 do Decreto no. 3.000/99 – RIR/1999. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimada das alterações processadas em sua declaração, a contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fls. 02/03, alegando, em síntese, que: Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.721683/2011-91 4 - Foi admitida na Editora Jurídica Brasileira em 01/04/1993. Em 2006 trabalhou nessa editora por aproximadamente um mês, após a mudança para Bertioga que se deu em setembro; - A partir de então ficou trabalhando em casa e recebia pelo trabalho que realizava e também como “free lance”da Editora Saraiva; - Quando da entrega da DIRPF/2007, somou os valores e pediu para quem fazia suas declarações que declarassem o que de fato recebeu; - O total dos rendimentos declarados R$ 21.856,05 abrange os seis meses de salários e as pequenas quantias recebidas em envelopes em sua casa para ir abatendo dos salários atrasados; - A diferença declarada pela empresa de R$ 23.410,61 é exatamente o que deixaram de lhe pagar: salários atrasados, 13o. salário e férias do ano de 2006; - Para não ser penalizada duas vezes (além de não receber, ter de pagar), pede o cancelamento da notificação; - Anexa documentos. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2006 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. Comprovado, por meio das consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a contribuinte auferiu rendimentos da fonte pagadora contestada, no ano-calendário fiscalizado, e que informou na Declaração de Ajuste Anual apenas parte de tais rendimentos, resta caracterizada a omissão de rendimentos lançada. Cientificado da decisão de primeira instância em 05/11/2014, o sujeito passivo interpôs, em 03/12/2014, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) o contribuinte não pode ser penalizado por erro da fonte pagadora - inexistência de omissão de rendimentos; b) o recorrente não recebeu os rendimentos considerados omitidos pela fiscalização. Convertido o julgamento em diligência (Resolução CARF 2001-000.114), sobrevieram os documentos de fls. 122/127 (diligência frustrada). É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.721683/2011-91 5 VOTO Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. Assim, registro o seguinte trecho do acórdão-recorrido: A contribuinte foi cientificada da Notificação de Lançamento em 28/07/2011, fl. 31, e apresentou impugnação em 02/08/2011, fl. 03. Trata-se de impugnação tempestiva. Ademais, atende aos requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235, de 06/03/1972 e suas alterações posteriores. Assim, dela tomo conhecimento. Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Conforme relatado pela fiscalização, constatou-se a omissão de rendimentos recebidos pela contribuinte, no valor de R$ 23.410,61: CNPJ/CPF - Nome da Fonte Pagadora CPF Beneficiário Rendimento Recebido Rendimento Declarado Rendimento Omitido IRRF Retido IRRF Declarado IRRF s/ Omissão 67.572.503/0001-02 – EDITORA JURÍDICA BRASILEIRA LTDA. 532.453.188-04 45.266,66 21.856,05 23.410,61 4.837,30 2.363,61 2.473,69 O art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 15/2001 define o que é considerado rendimento tributável: Art. 2º Constituem rendimentos tributáveis todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões e, ainda, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. A contribuinte informou na DIRPF/2007: Fl. 135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.721683/2011-91 6 NI Fonte Pagadora Recebidos PJ Previdência Oficial Imposto Retido 67.572.503/0001-02 21.856,05 0,00 2.363,61 Consta na fls. 10/11 cópia da Carteira de Trabalho Profissional da contribuinte em que se verifica que foi admitida em 01/04/1993, como Supervisora de Revisão, na Editora Jurídica Brasileira Ltda., CNPJ 67.572.503/0001-02; Nas fls. 17/22 constam cópias de Recibos de Pagamentos de Salário emitidos por Editora Jurídica Brasileira Ltda., CNPJ 67.572.503/0001-02, dos meses de janeiro a junho/2006; Consta cópia de partes do processo relativo à ação trabalhista movida pela contribuinte em face da empresa Editora Jurídica Brasileira Ltda., datada de 20/09/2011, fls. 38/50; Nas fls. 55/58 há cópia de Sentença datada de 20/08/2012 nos autos da reclamação trabalhista acima referida; A contribuinte anexou demais documentos relativos à ação trabalhista movida em face da Editora Jurídica Brasileira Ltda., fls. 59/78. Em consulta ao Portal DIRF, verifica-se que consta DIRF entregue pela fontes pagadora EDITORA JURÍDICA BRASILEIRA LTDA., CNPJ 67.572.503/0001-02, que traze informação sobre rendimentos recebidos pela contribuinte, no ano- calendário 2006: Dados do beneficiário: CPF do beneficiário: 532.453.188-04 Nome do beneficiário constante do cadastro: MARIA DE LOURDES APPAS CNPJ do declarante: 67.572.503/0001-02 Nome empresarial do declarante constante do cadastro: EDITORA JURÍDICA BRASILEIRA LTDA. Data de entrega: 12/02/2007 08:55 Tipo: Original Código Rend. Bruto Imposto Retido 0561 48.900,92 5.214,63 Total sem 13º: 45.266,66 4.837,30 Da análise mensal dos rendimentos na DIRF entregue pela fonte pagadora Editora Jurídica Brasileira Ltda. verifica-se que constam rendimentos para os meses de janeiro a dezembro de 2006 totalizando R$ 45.266,66. Cumpre esclarecer que a DIRF é uma declaração regulamentar que permite à Administração Tributária, a partir das informações prestadas pelas pessoas jurídicas pagadoras de rendimentos tributáveis às pessoas físicas, aferir a exatidão das declarações de ajuste por estas apresentadas. Fl. 136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.721683/2011-91 7 Essas informações são prestadas pelas fontes pagadoras, que, em princípio, são neutras quanto à relação tributária que se estabelece entre as pessoas físicas e o Fisco Federal, além de se submeterem às penas da lei no que se refere à sua veracidade, bem como se responsabilizam pelo recolhimento do imposto declarado como retido. Por essas razões a DIRF é um documento idôneo para o fim de comprovação dos valores dos rendimentos tributáveis e do Imposto Retido na Fonte, havendo, pois, uma presunção de veracidade dos valores nela contidos. De acordo com as informações contidas na DIRF entregue pela fonte pagadora Editora Jurídica Brasileira Ltda. os rendimentos recebidos pela contribuinte, no ano-calendário 2006, corresponderam a R$ 45.266,66, e não a R$ 21.856,05, por ela informados na DIRPF/2007. Assim, houve omissão de rendimentos recebidos no ano-calendário 2006 no valor de R$ 23.410,61, devendo ser mantido o lançamento nos exatos termos em que efetuado pela Fiscalização. Conclusão Assim, em vista das informações fiscais contidas nos autos, da impugnação da contribuinte e dos documentos apresentados, conforme avaliação acima, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação. O processo deve ser encaminhado para ciência da contribuinte com a finalidade de intimá-la ao pagamento do crédito tributário mantido no presente Acórdão. Cabe recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 137DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 16682.720900/2021-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO
Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente.
NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. FUNDAMENTAÇÃO.
Se o acórdão recorrido está suficientemente fundamentado sobre os pontos articulados pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade.
AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Se o Fisco efetua o lançamento fundado nos elementos apurados no procedimento fiscal, cabe ao Autuado, na sua contestação, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco, conforme preceitua o art.373 do CPC/2015.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ART.99, DA PORTARIA CARF nº1.634/2023 (NOVO RICARF).
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho.
Assim, não se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, por força do disposto no art.99, da Portaria CARF nº1.634/2023, não geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral, as seguintes despesas: despesas com propaganda e marketing, gastos com saúde dos funcionários, gastos com informática, gastos com limpeza, conservação e manutenção, gastos com representantes comerciais, gastos com recrutamento e seleção, serviços temporários, locação de mão de obra, gastos com jardinagem, gastos com auditoria e consultoria, gasto com estudo e treinamento, serviços de transporte externo de funcionários, fretes na transferências de produtos acabados, imobilizados e materiais de uso e consumo, fretes na remessa de mercadoria ou bem para demonstração, fretes na transferência de amostra grátis, fretes na devolução de vendas, fretes na saída de mercadorias para terceiros (operação de remessa), fretes na aquisição de bem que não se enquadra como insumo: descrição do item da NF-e, fretes na transferência de bem que não se enquadra como insumo, gastos com logística aduaneira ou portuária, despesas com locação de veículos e despesas com condomínio e fundo de reserva.
CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIAS (UNIFORMES E EPI). CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. SUCATA. NÃO IMPEDIMENTO. POSSIBILIDADE.
Em julgamento do STF, na sistemática de repercussão geral, foram afastados os dispositivos legais que estabeleciam restrições ao creditamento das contribuições ao PIS e COFINS na aquisição de recicláveis, estabelecendo a seguinte tese no tema 404:“São inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis.
CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. CRÉDITO BÁSICO INTEGRAL. POSSIBILIDADE
Os custos com fretes sobre a aquisição de insumos recicláveis geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos.
INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE EMBALAGENS DE TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS. VASILHAMES E SACARIA. POSSIBILIDADE.
Os fretes para transferência de embalagens entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço essencial ao processo produtivo, subsome-se ao conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos ensejam creditamento.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ART.99, DA PORTARIA CARF nº1.634/2023 (NOVO RICARF).
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho.
Assim, não se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, por força do disposto no art.99, da Portaria CARF nº1.634/2023, não geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral, as seguintes despesas: despesas com propaganda e marketing, gastos com saúde dos funcionários, gastos com informática, gastos com limpeza, conservação e manutenção, gastos com representantes comerciais, gastos com recrutamento e seleção, gastos com estudo e treinamento, serviços temporários, locação de mão de obra, gastos com jardinagem, gastos com auditoria e consultoria, serviços de transporte externo de funcionários, fretes na transferências de produtos acabados, imobilizados e materiais de uso e consumo, fretes na remessa de mercadoria ou bem para demonstração, fretes na transferência de amostra grátis, fretes na devolução de vendas, fretes na saída de mercadorias para terceiros (operação de remessa), fretes na aquisição de bem que não se enquadra como insumo: descrição do item da NF-e, fretes na transferência de bem que não se enquadra como insumo, gastos com logística aduaneira ou portuária, despesas com locação de veículos e despesas com condomínio e fundo de reserva.
CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIAS (UNIFORMES E EPI). CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. SUCATA. NÃO IMPEDIMENTO. POSSIBILIDADE.
Em julgamento do STF, na sistemática de repercussão geral, foram afastados os dispositivos legais que estabeleciam restrições ao creditamento das contribuições ao PIS e COFINS na aquisição de recicláveis, estabelecendo a seguinte tese no tema 404:“São inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis.
CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. CRÉDITO BÁSICO INTEGRAL. POSSIBILIDADE
Os custos com fretes sobre a aquisição de insumos recicláveis geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos.
INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE EMBALAGENS DE TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS. VASILHAMES E SACARIA. POSSIBILIDADE.
Os fretes para transferência de embalagens entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço essencial ao processo produtivo, subsome-se ao conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos ensejam creditamento.
Numero da decisão: 3102-002.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em julgar o processo da seguinte forma: i) por unanimidade, no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de glosas de créditos sobre fretes nas importações de sucatas, e, na parte conhecida, dar parcial provimento para reverter as seguintes glosas: a) aquisições de indumentárias (uniformes e EPIs); b) aquisições de sucatas; c) fretes nas aquisições de sucatas; d) serviços de fretes no transporte internacional de cargas; e) fretes na remessa ou retorno de vasilhame ou sacarias (estocadores ou spiders de acordo com a descrição do CFOP da EFD ICMS IPI ou da NF; f) fretes na remessa ou devolução de vasilhames ou sacarias (estocadores, spiders e similares) e g) fretes na transferência de estocadores (vasilhames e sacarias). ii) por voto de qualidade, para manter as glosas dos seguintes itens: a) gastos com saúde; b) gastos com representantes comerciais; c) transferências de produtos acabados, d) serviços de ensinoe treinamentos dos empregados para a atividade industrial; e) fretes sobre remessa de mercadoria ou bem para demonstração; f) fretes sobre transferência de amostra grátis; g) frete na saída de mercadorias para terceiros (operação de remessa); h) dispêndios com vale-transporte; i) despesas com contratação de pessoa jurídica para transporte do trajeto de ida e volta do trabalho da mão de obra empregada em seu processo produtivo; e j) serviços ligados ao transporte marítimo de cargas; Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Keli Campos de Lima. iii) Por maioria, para manter as glosas quanto os itens: a) devolução de vendas; e b) despesas com taxas de condomínio e fundo de reserva em locação de prédios. Vencido o conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues quanto ao último item e vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Keli Campos de Lima quanto ao primeiro item. Os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Keli Campos de Lima e Joana Maria de Oliveira Guimarães acompanharam o relator pelas conclusões quanto a glosa dos dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros, por aplicação da Súmula CARF n. 190. Julgamento realizado após a vigência da Lei nº14.689/2023 e da IN RFB nº2.205/2024, as quais deverão ser observadas quando do cumprimento da decisão.
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel,Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Carlos de Barros Pereira, Keli Campos de Lima (suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Karoline Marchiori de Assis, substituída pela conselheira Keli Campos de Lima.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em julgar o processo da seguinte forma: i) por unanimidade, no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de glosas de créditos sobre fretes nas importações de sucatas, e, na parte conhecida, dar parcial provimento para reverter as seguintes glosas: a) aquisições de indumentárias (uniformes e EPIs); b) aquisições de sucatas; c) fretes nas aquisições de sucatas; d) serviços de fretes no transporte internacional de cargas; e) fretes na remessa ou retorno de vasilhame ou sacarias (estocadores ou spiders de acordo com a descrição do CFOP da EFD ICMS IPI ou da NF; f) fretes na remessa ou devolução de vasilhames ou sacarias (estocadores, spiders e similares) e g) fretes na transferência de estocadores (vasilhames e sacarias). ii) por voto de qualidade, para manter as glosas dos seguintes itens: a) gastos com saúde; b) gastos com representantes comerciais; c) transferências de produtos acabados, d) serviços de ensinoe treinamentos dos empregados para a atividade industrial; e) fretes sobre remessa de mercadoria ou bem para demonstração; f) fretes sobre transferência de amostra grátis; g) frete na saída de mercadorias para terceiros (operação de remessa); h) dispêndios com vale-transporte; i) despesas com contratação de pessoa jurídica para transporte do trajeto de ida e volta do trabalho da mão de obra empregada em seu processo produtivo; e j) serviços ligados ao transporte marítimo de cargas; Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Keli Campos de Lima. iii) Por maioria, para manter as glosas quanto os itens: a) devolução de vendas; e b) despesas com taxas de condomínio e fundo de reserva em locação de prédios. Vencido o conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues quanto ao último item e vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Keli Campos de Lima quanto ao primeiro item. Os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Keli Campos de Lima e Joana Maria de Oliveira Guimarães acompanharam o relator pelas conclusões quanto a glosa dos dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros, por aplicação da Súmula CARF n. 190. Julgamento realizado após a vigência da Lei nº14.689/2023 e da IN RFB nº2.205/2024, as quais deverão ser observadas quando do cumprimento da decisão. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel,Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Carlos de Barros Pereira, Keli Campos de Lima (suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Karoline Marchiori de Assis, substituída pela conselheira Keli Campos de Lima.
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. FUNDAMENTAÇÃO. Se o acórdão recorrido está suficientemente fundamentado sobre os pontos articulados pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Se o Fisco efetua o lançamento fundado nos elementos apurados no procedimento fiscal, cabe ao Autuado, na sua contestação, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco, conforme preceitua o art.373 do CPC/2015. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ART.99, DA PORTARIA CARF nº1.634/2023 (NOVO RICARF). O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. Assim, não se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, por força do disposto no art.99, da Portaria CARF nº1.634/2023, não geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral, as seguintes despesas: despesas com propaganda e marketing, gastos com saúde dos funcionários, gastos com informática, gastos com limpeza, conservação e manutenção, gastos com representantes comerciais, gastos com recrutamento e seleção, serviços temporários, locação de mão de obra, gastos com jardinagem, gastos com auditoria e consultoria, gasto com estudo e treinamento, serviços de transporte externo de funcionários, fretes na transferências de produtos acabados, imobilizados e materiais de uso e consumo, fretes na remessa de mercadoria ou bem para demonstração, fretes na transferência de amostra grátis, fretes na devolução de vendas, fretes na saída de mercadorias para terceiros (operação de remessa), fretes na aquisição de bem que não se enquadra como insumo: descrição do item da NF-e, fretes na transferência de bem que não se enquadra como insumo, gastos com logística aduaneira ou portuária, despesas com locação de veículos e despesas com condomínio e fundo de reserva. CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIAS (UNIFORMES E EPI). CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. SUCATA. NÃO IMPEDIMENTO. POSSIBILIDADE. Em julgamento do STF, na sistemática de repercussão geral, foram afastados os dispositivos legais que estabeleciam restrições ao creditamento das contribuições ao PIS e COFINS na aquisição de recicláveis, estabelecendo a seguinte tese no tema 404:“São inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. CRÉDITO BÁSICO INTEGRAL. POSSIBILIDADE Os custos com fretes sobre a aquisição de insumos recicláveis geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE EMBALAGENS DE TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS. VASILHAMES E SACARIA. POSSIBILIDADE. Os fretes para transferência de embalagens entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço essencial ao processo produtivo, subsome-se ao conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos ensejam creditamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ART.99, DA PORTARIA CARF nº1.634/2023 (NOVO RICARF). O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. Assim, não se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, por força do disposto no art.99, da Portaria CARF nº1.634/2023, não geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral, as seguintes despesas: despesas com propaganda e marketing, gastos com saúde dos funcionários, gastos com informática, gastos com limpeza, conservação e manutenção, gastos com representantes comerciais, gastos com recrutamento e seleção, gastos com estudo e treinamento, serviços temporários, locação de mão de obra, gastos com jardinagem, gastos com auditoria e consultoria, serviços de transporte externo de funcionários, fretes na transferências de produtos acabados, imobilizados e materiais de uso e consumo, fretes na remessa de mercadoria ou bem para demonstração, fretes na transferência de amostra grátis, fretes na devolução de vendas, fretes na saída de mercadorias para terceiros (operação de remessa), fretes na aquisição de bem que não se enquadra como insumo: descrição do item da NF-e, fretes na transferência de bem que não se enquadra como insumo, gastos com logística aduaneira ou portuária, despesas com locação de veículos e despesas com condomínio e fundo de reserva. CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIAS (UNIFORMES E EPI). CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. SUCATA. NÃO IMPEDIMENTO. POSSIBILIDADE. Em julgamento do STF, na sistemática de repercussão geral, foram afastados os dispositivos legais que estabeleciam restrições ao creditamento das contribuições ao PIS e COFINS na aquisição de recicláveis, estabelecendo a seguinte tese no tema 404:“São inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. CRÉDITO BÁSICO INTEGRAL. POSSIBILIDADE Os custos com fretes sobre a aquisição de insumos recicláveis geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE EMBALAGENS DE TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS. VASILHAMES E SACARIA. POSSIBILIDADE. Os fretes para transferência de embalagens entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço essencial ao processo produtivo, subsome-se ao conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos ensejam creditamento.
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NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. FUNDAMENTAÇÃO. Se o acórdão recorrido está suficientemente fundamentado sobre os pontos articulados pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Se o Fisco efetua o lançamento fundado nos elementos apurados no procedimento fiscal, cabe ao Autuado, na sua contestação, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco, conforme preceitua o art.373 do CPC/2015. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ART.99, DA PORTARIA CARF nº1.634/2023 (NOVO RICARF). O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. Assim, não se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, por força do disposto no art.99, da Portaria CARF nº1.634/2023, não geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o Fl. 15221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 faturamento mensal e/ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral, as seguintes despesas: despesas com propaganda e marketing, gastos com saúde dos funcionários, gastos com informática, gastos com limpeza, conservação e manutenção, gastos com representantes comerciais, gastos com recrutamento e seleção, serviços temporários, locação de mão de obra, gastos com jardinagem, gastos com auditoria e consultoria, gasto com estudo e treinamento, serviços de transporte externo de funcionários, fretes na transferências de produtos acabados, imobilizados e materiais de uso e consumo, fretes na remessa de mercadoria ou bem para demonstração, fretes na transferência de amostra grátis, fretes na devolução de vendas, fretes na saída de mercadorias para terceiros (operação de remessa), fretes na aquisição de bem que não se enquadra como insumo: descrição do item da NF-e, fretes na transferência de bem que não se enquadra como insumo, gastos com logística aduaneira ou portuária, despesas com locação de veículos e despesas com condomínio e fundo de reserva. CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIAS (UNIFORMES E EPI). CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. SUCATA. NÃO IMPEDIMENTO. POSSIBILIDADE. Em julgamento do STF, na sistemática de repercussão geral, foram afastados os dispositivos legais que estabeleciam restrições ao creditamento das contribuições ao PIS e COFINS na aquisição de recicláveis, estabelecendo a seguinte tese no tema 404:“São inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. CRÉDITO BÁSICO INTEGRAL. POSSIBILIDADE Os custos com fretes sobre a aquisição de insumos recicláveis geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. Fl. 15222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE EMBALAGENS DE TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS. VASILHAMES E SACARIA. POSSIBILIDADE. Os fretes para transferência de embalagens entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço essencial ao processo produtivo, subsome-se ao conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos ensejam creditamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ART.99, DA PORTARIA CARF nº1.634/2023 (NOVO RICARF). O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. Assim, não se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, por força do disposto no art.99, da Portaria CARF nº1.634/2023, não geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral, as seguintes despesas: despesas com propaganda e marketing, gastos com saúde dos funcionários, gastos com informática, gastos com limpeza, conservação e manutenção, gastos com representantes comerciais, gastos com recrutamento e seleção, gastos com estudo e treinamento, serviços temporários, locação de mão de obra, gastos com jardinagem, gastos com auditoria e consultoria, serviços de transporte externo de funcionários, fretes na transferências de produtos acabados, imobilizados e materiais de uso e consumo, fretes na remessa de mercadoria ou bem para demonstração, fretes na transferência de amostra grátis, fretes na devolução de vendas, fretes na saída de mercadorias para terceiros (operação de remessa), fretes na aquisição de bem que não se enquadra como insumo: descrição do item da NF-e, fretes na transferência de bem que não se enquadra como insumo, gastos com logística aduaneira ou portuária, despesas com locação de veículos e despesas com condomínio e fundo de reserva. CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIAS (UNIFORMES E EPI). CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Fl. 15223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. SUCATA. NÃO IMPEDIMENTO. POSSIBILIDADE. Em julgamento do STF, na sistemática de repercussão geral, foram afastados os dispositivos legais que estabeleciam restrições ao creditamento das contribuições ao PIS e COFINS na aquisição de recicláveis, estabelecendo a seguinte tese no tema 404:“São inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO DE RECICLÁVEIS. CRÉDITO BÁSICO INTEGRAL. POSSIBILIDADE Os custos com fretes sobre a aquisição de insumos recicláveis geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE EMBALAGENS DE TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS. VASILHAMES E SACARIA. POSSIBILIDADE. Os fretes para transferência de embalagens entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço essencial ao processo produtivo, subsome-se ao conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos ensejam creditamento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em julgar o processo da seguinte forma: i) por unanimidade, no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de glosas de créditos sobre fretes nas importações de sucatas, e, na parte conhecida, dar parcial provimento para reverter as seguintes glosas: a) aquisições de indumentárias (uniformes e EPIs); b) aquisições de sucatas; c) fretes nas aquisições de sucatas; d) serviços de fretes no transporte Fl. 15224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 internacional de cargas; e) fretes na remessa ou retorno de vasilhame ou sacarias (estocadores ou spiders de acordo com a descrição do CFOP da EFD ICMS IPI ou da NF; f) fretes na remessa ou devolução de vasilhames ou sacarias (estocadores, spiders e similares) e g) fretes na transferência de estocadores (vasilhames e sacarias). ii) por voto de qualidade, para manter as glosas dos seguintes itens: a) gastos com saúde; b) gastos com representantes comerciais; c) transferências de produtos acabados, d) serviços de ensino e treinamentos dos empregados para a atividade industrial; e) fretes sobre remessa de mercadoria ou bem para demonstração; f) fretes sobre transferência de amostra grátis; g) frete na saída de mercadorias para terceiros (operação de remessa); h) dispêndios com vale-transporte; i) despesas com contratação de pessoa jurídica para transporte do trajeto de ida e volta do trabalho da mão de obra empregada em seu processo produtivo; e j) serviços ligados ao transporte marítimo de cargas; Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Keli Campos de Lima. iii) Por maioria, para manter as glosas quanto os itens: a) devolução de vendas; e b) despesas com taxas de condomínio e fundo de reserva em locação de prédios. Vencido o conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues quanto ao último item e vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Keli Campos de Lima quanto ao primeiro item. Os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Keli Campos de Lima e Joana Maria de Oliveira Guimarães acompanharam o relator pelas conclusões quanto a glosa dos dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros, por aplicação da Súmula CARF n. 190. Julgamento realizado após a vigência da Lei nº14.689/2023 e da IN RFB nº2.205/2024, as quais deverão ser observadas quando do cumprimento da decisão. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel,Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Carlos de Barros Pereira, Keli Campos de Lima (suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Karoline Marchiori de Assis, substituída pela conselheira Keli Campos de Lima. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de Autos de Infração de COFINS (fls. 12550) e de Contribuição ao PIS (fls. 12560), formalizando crédito tributário nos valores respectivamente de R$ 126.925.627,49 e R$ 27.539.291,89, totalizando R$ 154.464.919,38 (fls. 12806), aí incluídos valores principais, multa proporcional de 75% e juros de mora calculados até 11/2021. Fl. 15225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Os Autos foram lavrados em razão da constatação de infrações descritas como: - Créditos descontados indevidamente em decorrência de aproveitamento de ofício em períodos anteriores (julho/2017), ocasionando contribuição a pagar relativamente ao período de apuração agosto/2017 (fls. 12551 e 12561). - créditos descontados indevidamente na apuração da contribuição, créditos esses decorrentes de operações vinculadas aos registros A 100, C 100, D 100 e F 100 da Escrituração Fiscal Digital - EFD-Contribuições, de períodos de janeiro a dezembro de 2017 (fls. 12551/12553 e 12561/12563). As irregularidades observadas foram consubstanciadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 12571/12805, no qual inicia a Fiscalização expondo o objeto principal da contribuinte (Gerdau), segundo o Estatuto Consolidado na Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, de 26 de abril de 2021: a indústria e o comércio de produtos de aço e respectivas matérias-primas e subprodutos, comercialização de combustíveis sólidos, dentre eles, carvão metalúrgico, carvão térmico, antracito, coque metalúrgico, coque fundição e coque verde de petróleo, podendo ainda exercer atividades complementares destas e quaisquer outras que, direta ou indiretamente, se relacionem com o seu objeto, incluindo mineração, construção, transformação de laminados e prestação de serviços técnicos especializados, elaboração, execução e administração de projetos de florestamento e reflorestamento, bem como a exportação e importação de bens de ou para sua indústria e atividades relacionadas à produção de carvão vegetal, o transporte via rodoviária, ferroviária, marítima e ou pluvial de bens de sua indústria, as atividades portuárias fora de área de porto organizado e as de operador portuário, de que trata a Lei n° 8.630, de 25.02.93, a comercialização e importação de gás natural e outras atividades correlatas de que trata a Lei n° 11.909/09 e ainda, a geração, transmissão e comercialização de energia elétrica. Na sequência, registra o autuante o início do procedimento de fiscalização em 20/02/2020 e seu objetivo de verificar e analisar, por amostragem, as bases de cálculo de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS com base na sistemática do regime não-cumulativo, relativamente ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2017, o que foi feito por meio do exame das informações contidas nas Escriturações Fiscais Digitais da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Previdenciária sobre a Receita (EFD-Contribuições) entregues à RFB, notas fiscais eletrônicas (NF-e), conhecimentos de transporte eletrônicos (CT-e), além das planilhas e documentos disponibilizados e informações prestadas por escrito pela contribuinte, sendo constatadas irregularidades na apuração da base de cálculo dos créditos das contribuições que descreve no tópico 2. Sob o título de Descrição dos Fatos, relaciona, no tópico 2, arquivos da EFD- Fl. 15226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Contribuições, de janeiro a dezembro de 2017, objeto de análise e intimação para apresentação de documentos e esclarecimentos acerca de informações registradas em seus Blocos A, C, D e F e outras informações econômico-fiscais ou contábeis. Aborda, então, cada bloco, iniciando, no item 2.1, com o Bloco "A", em relação ao qual descreve as operações a serem escrituradas nos registros desse Bloco, as intimações e respostas apresentadas. No item 2.1.1 aborda aquisições de serviços utilizados como insumos: Reporta-se ao art. 3°, II, das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, ao conceito de insumo analisado pelo STJ no julgamento RE 1.221.170/PR, e, como consequência dele, à Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF exarada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e ao Parecer Normativo (PN) Cosit/RFB n° 5, de 17 de dezembro de 2018, que, nos termos do art. 8° da IN RFB n° 1396, de 16 de setembro de 2013, tem efeito vinculante no âmbito da RFB em relação à interpretação a ser dada à matéria. Passa a analisar a possibilidade do desconto de crédito de PIS e COFINS incidentes nas aquisições dos serviços tomados pela Gerdau, sob os subtítulos a seguir relacionados, para os quais descreve, individualizadamente, intimação formalizada, correspondentes respostas e respectivas análises e conclusões. 2.1.1.1.1 - ESCOLTA; GUARDA E ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS; SERVIÇOS DE DESENTUPIMENTO; SERVIÇOS DE PORTARIA, RECEPÇÃO, COZINHA, ARRUMAÇÃO; SERVIÇOS GERAIS DE RECEPÇÃO; VARRIÇÃO; VIGILÂNCIA E SEGURANÇA DE PESSOAS E BENS; e VIGILÂNCIA, SEGURANÇA E MONITORAMENTO DE PESSOAS Descreve intimação e resposta apresentada e expõe: Em que pese a Gerdau considerar os serviços essenciais para a sua atividade, os serviços aqui tratados, dentre eles, de vigilância, segurança, monitoramento, escolta e serviços gerais de recepção e portaria constituem atividades intermediárias da pessoa jurídica, não se enquadrando como insumo por carecerem dos aspectos de relevância e essencialidade estabelecidos pelo STJ. Transcreve parte da Solução de Consulta n° 67 - Cosit, de 20/01/2017, e ementa de Acórdão CARF para concluir: Ante o exposto, faz-se necessário glosar os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na aquisição dos serviços aqui tratados tendo em vista que tais serviços não se enquadram na definição de insumo. Os valores a serem glosados se referem aos registros constantes da planilha "REGISTROS A170 - DEMAIS - TIF n° 03", que se encontram consolidados na planilha "REGISTROS A170 CONSOLIDADOS - DEMAIS - TIF n° 03", vinculados à Natureza da Base de Cálculo do Crédito. Fl. 15227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO e ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Ressalta que os serviços vinculados à Natureza da Base de Cálculo ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS se vinculam, de fato, à Natureza da Base de Cálculo AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO, conforme resposta da Gerdau ao item 1 do TIF n° 3. Ressalta ainda: também, por óbvio, que a Gerdau não poderá descontar créditos das contribuições, previstos no art. 3°, IV, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, sobre os serviços aqui tratados em relação à Natureza da Base de Cálculo ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. 2.1.1.1.2- FISIOTERAPIA E FISICULTOR; FONOAUDIOLOGIA; GINÁSTICA, DANÇA, ESPORTES, NATAÇÃO E DEMAIS; MEDICINA; SERVIÇOS DE ENFERMAGEM; SERVIÇOS HOSPITALARES; e SERVIÇOS MÉDICOS No item 2.1.1.1.2, a Fiscalização descreve intimação e resposta apresentada e expõe: Para justificar a relevância dos serviços médicos, a Gerdau cita as normas regulamentadoras NR 4 e NR 7 impostas a ela. Tais normas devem ser cumpridas por todas as empresas não importando o segmento que elas ocupem. Por exemplo, os exames admissionais, demissionais, periódicos, de retorno ao trabalho e de mudança de função, os quais estão previstos na NR 7, são direcionados a todos os empregados da pessoa jurídica, sejam eles da área administrativa, de vendas, de produção ou de qualquer outra área. Assim, a obrigatoriedade imposta pela legislação é para todo e qualquer trabalhador e para toda e qualquer empresa. Menciona referidas "Norma Regulamentadora 4" e "Norma Regulamentadora 7" e continua: É evidente que os serviços aqui tratados não se enquadram no conceito de insumo. Conforme bem definido no PN Cosit/RFB n° 5/18, os itens impostos à pessoa jurídica pela legislação devem ter relação com o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, não podendo ser considerados para fins de creditamento das contribuições: a) itens exigidos pela legislação relativos à pessoa jurídica como um todo; e b) itens relativos a atividades diversas da produção de bens ou prestação de serviços. Cita PN Cosit/RFB n° 05/2018 e Acórdão do CARF e conclui pela glosa dos créditos incidentes na aquisição dos serviços aqui tratados por não se enquadrarem na definição de insumo. Esclarece que os valores a serem glosados se referem aos registros constantes da planilha "REGISTROS A170 - DEMAIS - TIF n° 03", que se encontram consolidados na planilha "REGISTROS A170 CONSOLIDADOS - DEMAIS - TIF n° 03", vinculados à Fl. 15228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Natureza da Base de Cálculo do Crédito ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Ressalta, ainda, que: - os serviços vinculados à Natureza da Base de Cálculo ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS se vinculam, de fato, à Natureza da Base de Cálculo AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO, conforme resposta da Gerdau ao item 1 do TIF n° 3. - por óbvio, que a Gerdau não poderá descontar créditos das contribuições, previstos no art. 3°, IV, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, sobre os serviços aqui tratados em relação à Natureza da Base de Cálculo ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. 2.1.1.1. 3- JARDINAGEM Acerca de dispêndios identificados como serviços de jardinagem, descreve a Fiscalização que, intimada, a Contribuinte prestou as seguintes informações: Grupo: Jardinagem Os serviços acabam descritos na EFD como "Jardinagem" por causa da classificação das notas fiscais no item 7.11 da Lista de Serviços da LC 116/03, mas possuem relação direta com as atividades da empresa e devem ser reconhecidos como insumos. Grande parte da área dos parques industriais, a exemplo da usina localizada no RJ, abaixo, é de florestas e áreas verdes (que demandam corte e poda de árvores). Essas grandes áreas também tornam a empresa responsável pelo acompanhamento e conservação de bacias hidrográficas e de diversos aspectos técnicos do solo. Reporta-se à apresentação de Notas Fiscais e consigna então a Fiscalização: A Gerdau deixou de demonstrar a relevância e a essencialidade dos serviços aqui tratados para o seu processo de produção, a fim de enquadrá-los como insumo, não cumprindo, assim, a determinação contida no item 6.1 do TIF n° 3. É evidente que os serviços de manutenção de área de bosque, jardim e área de lazer, por exemplo, não se enquadram na definição de insumo trazida pelo STJ pela total desvinculação entre tais serviços e o seu processo de produção. Ante o exposto, faz-se necessário glosar os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na aquisição dos serviços aqui tratados tendo em vista que tais serviços não se enquadram na definição de insumo. Os valores a serem glosados se referem aos registros constantes da planilha 2.1.1.1.4- AGENCIAMENTO DE SERVIÇOS DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA, CAMINHÃO PALCO OU PALCO MÓVEL; ORGANIZAÇÃO DE FEIRAS DE AMOSTRAS CONGRESSOS; PRODUÇÃO DE EVENTOS; RELAÇÕES PÚBLICAS; SERVIÇOS DE Fl. 15229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 FOTOGRAFIA E FILMAGEM; SERVIÇOS DE PORMOÇÃO DE EVENTOS SHOWS FEIRAS; SHOW FEIRAS BUFFET Descreve a Fiscalização ter a Contribuinte apurado crédito de dispêndios com os itens relacionados no título acima e que, intimada a esclarecer, prestou as seguintes informações: São despesas com publicidade as campanhas de marketing, elaboração e impressão de panfletos, catálogos, adesivos, banners, cartões de visita etc. Também instruem campanhas internas - especialmente relativas à segurança do trabalho - essenciais para atingir um público superior a 14.000 funcionários, sendo insumos essenciais para a atividade da empresa, de comunicação visual que viabilizam não só a organização da área industrial, como também aspectos relevantes de segurança do trabalho. Além da comunicação visual interna, é também necessário comunicar-se com os potenciais clientes, dar conhecimento sobre os produtos e sobre a empresa, o que só é possível com propaganda. Desse veículo se valem todas as empresas, em maior ou menor grau. O próprio Governo Federal, tanto na administração direta quanto na indireta, são usuários permanentes dos mais diversos meios de comunicação para propagar suas atividades, feitos e serviços. Menciona a apresentação de Notas Fiscais e justifica então a Fiscalização, reportando-se à tese acordada pelo STJ, no RE n° 1.221.170/PR, que os serviços de publicidade e marketing não se enquadram no critério da essencialidade, pois o processo produtivo não depende dele para ocorrer, ou seja, tais serviços estão dissociados do processo produtivo (não constituem elemento estrutural do produto) e a sua falta não terá qualquer reflexo na qualidade, quantidade e/ou suficiência daquilo que será produzido. Não se enquadram também no critério da relevância, uma vez que não integram o processo de produção, seja pelas singularidades da cadeia produtiva, seja por imposição legal. Exemplifica com o serviço de propaganda mencionado pela Gerdau, que tem o objetivo de dar conhecimento aos potenciais clientes sobre os produtos e a empresa, relaciona-se à sua área comercial. Também consignou que evidentemente, os demais serviços como serviços de buffet, eventos comemorativos, serviços de relações públicas não se enquadram como insumo. E conclui pela glosa dos correspondentes créditos, identificando a planilha em que discriminadas as glosas. 2.1.1.1.5- AGÊNCIA DE VIAGENS CÂMBIO; AGENCIAMENTO, CORRETAGEM OU INTERMEDIAÇÃO DE DIREITO; e ATENDIMENTO A HÓSPEDES A Fiscalização reporta-se a resposta a intimação relativa a atendimento à hóspedes (item que não foi impugnado na peça de defesa como adiante se verá) e a notas fiscais apresentadas relativas aos serviços indicados nesse subtítulo. Fl. 15230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Expõe que tais serviços não se enquadram na definição de insumo e reporta-se a identificação dos valores a serem glosados. 2.1.1.1.6- SERVIÇOS DE CADASTRO e COBRANÇA EVENTUAL DE TÍTULOS DE QUALQUER NATUREZA A Fiscalização transcreve resposta a intimação e à apresentação de notas fiscais e expõe: Como abordado no tópico 2.1.1.1.1, os serviços aqui tratados não se enquadram no conceito de insumo, pois não têm relação de pertinência com o processo produtivo da empresa e constituem atividades intermediárias da pessoa jurídica. Reporta-se a Solução de Consulta 67 da Cosit de 2017 e Acórdão CARF 3301- 007.117 citados no referido item, conclui pela necessidade de glosa e reporta-se a planilha de identificação dos valores glosados. 2.1.1.1.7- ENTREGA DE MALA DIRETA E ENTREGA DE OUTROS DOCUMENTOS Nesse item a Fiscalização também se reporta ao que abordado no subitem 2.1.1.1.1, conclui pela necessidade de glosa e indica a planilha em que identificados os valores glosados. 2.1.1.1.8- ENSINO E TREINAMENTO e OUTROS CURSOS A Fiscalização transcreve informações da contribuinte em resposta à intimação: ENSINO E TREINAMENTO, CURSOS e ENSINO DE INFORMÁTICA Grupo: Ensino/Treinamento/Curso O domínio da técnica necessária para a atividade industrial é elemento essencial para que se mantenham padrões de segurança, para evitar acidentes e para viabilizar a produção propriamente dita. Um exemplo é o que se refere a treinamento de ponte rolante. A empresa é obrigada a oferecer esse treinamento, conforme dispõe a Norma Regulamentadora NR11 do Ministério do Trabalho e Emprego, que trata sobre transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais: 11.1.5. Nos equipamentos de transporte, com força motriz própria, o operador deverá receber treinamento específico, dado pela empresa, que o habilitará nessa função. Fl. 15231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Outros treinamentos também obrigatórios por força de lei são: o treinamento para operação de equipamentos de transporte (NR n° 11, item 11.1.5), para situações de emergência (NR n°15, item 3 do Anexo XII), para Operação de Caldeiras (NR n° 13, Anexo I) e para operadores de plataformas (NR n° 30, itens 11.2, 12.5.2 do Anexo II). Assim como os motoristas e os mecânicos de uma empresa de transporte de cargas necessitam de cursos para bem desempenhar suas funções no processo de obtenção de receita de seu empregador, os empregados da impugnante, no exercício de suas mais diversas atividades, também necessitam de conhecimento técnico e reciclagem. Expõe, então, relativamente a ENSINO E TREINAMENTO que a Gerdau, em atendimento ao item 6.1 da intimação, deixou de apresentar a nota fiscal n° 466, emitida por HYPER ISLAND TREINAMENTO E EDUCACAO, CNPJ 21.969.463/0001- 36, não conseguindo, assim, comprovar a operação e, por conseguinte, que o serviço era essencial ou relevante ao seu processo produtivo. E, quanto a OUTROS CURSOS, reporta-se à apresentação, em atendimento à intimação, de notas fiscais emitidas por SGW EDICAO DISTRIBUIÇÃO DE REVISTAS, CNPJ 07.957.034/0001-18, pela realização do Workshop Mesa & Cadeira (docs. 11.14 a 11.20), e expõe ser evidente que o serviço tomado pela Gerdau não se enquadra como insumo, por carecer dos aspectos de relevância e essencialidade definidos pelo STJ. Conclui pela glosa e identifica a planilha de que constam os valores glosados. 2.1.1.2- ADVOCACIA, ASSESSORIA, AUDITORIA, AVALIAÇÃO E PERÍCIA E CONSULTORIA No item 2.1.1.2 do TVF, descreveu a Fiscalização ter recebido a seguinte resposta da Contribuinte que transcreve e descreve que: Em atendimento ao item 5.1 do termo, apresentou as notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços, todavia não esclareceu o motivo de considerar relevante ou essencial para o seu processo de produção os serviços discriminados naquelas notas, a fim de caracterizá-los como insumo (docs. 11.7 a 11.13). Não juntou contrato ou qualquer outro documento para a mesma finalidade. Trata-se as notas fiscais, em sua quase totalidade, de serviços discriminados, genericamente, como serviços advocatícios, de auditoria, assessoria, consultoria Fl. 15232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 ou perícia, ou ainda, de assessoria de gerenciamento de risco, assessoria e consultoria - BPO - Sped Fiscal, assessoria e consultoria ambiental, assessoria e consultoria em planejamento de carreira, assessoria em segurança, assessoria tributária, cobrança de títulos de crédito, consultoria e inteligência empresarial, consultoria econômica, consultoria em comunicação, consultoria em gestão de crédito, consultoria em segurança do trabalho, consultoria na área de processo de negociação com clientes, consultoria para mapear periculosidade, projeto e- social, projeto diálogos de carreira, serviço de coordenador técnico, serviço de elaboração do manual de meio ambiente, serviço de emissão de laudo de periculosidade, serviço de inspeção e manutenção linhas de vida, serviço de portaria, serviço de terceirização, serviço de treinamento, serviço para implementação prontuário NR10, serviços de análise de crédito, serviços de consultoria técnica, serviços de manutenção da certificação, serviços de programação em BI - relatório de gestão de preços e condições de contrato, dentre outros. Reporta-se ao conceito de insumo e conclui pela necessidade da glosa. 2.1.1.3- ANÁLISE CLÍNICA LABORATORIAL, BIOLOGIA E BIOMEDICINA e RAIO X RADIOTERAPIA QUIMIOTERAPIA RESSONÂNCIA Reporta-se a Fiscalização à Intimação acerca dos dispêndios objeto desse subtítulo, à ausência parcial de resposta e à apresentação de notas fiscais cuja análise assim descreve: Da análise das notas fiscais, verificou que nenhum dos serviços lá descritos como "exames médicos", "prestação de serviços ocupacionais e exames complementares", "QL e exames complementares", "Serviço médico", "serviços de técnico de enfermagem" e serviço "referente à folha de medição" não se enquadram como insumo. Cita julgado do CARF e conclui pela necessidade de glosa. 2.1.1.4- AGENCIAMENTO OU INTERMEDIAÇÃO DE BENS e ADMINISTRAÇÃO DE CONVÊNIOS Aborda dispêndios identificados como agenciamento ou intermediação de bens, e, após reportar-se a intimações para apresentação de contratos, notas fiscais e esclarecimentos e as respostas obtidas, expõe, relativamente a contrato com a TICKET SERVIÇOS que seu objeto: era a prestação de serviços operacionais de distribuição de vales-transportes, recebendo a prestadora uma taxa de administração de 2% sobre o total solicitado em cada pedido e/ou sobre o valor total solicitado e disponibilizado nos cartões eletrônicos, com possibilidade de uma taxa de administração adicional. De acordo Fl. 15233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 com a cláusula 1° do contrato, os vales-transportes deveriam ser utilizados pelos usuários no deslocamento residência-trabalho e vice-versa (docs. 11.5, 11.6 e 15.11). É evidente que os serviços aqui tratados não se enquadram como insumo, pois carecem dos elementos de relevância e essencialidade para o processo produtivo. Transcreve item 132 do Parecer Normativo COSIT/RF n° 5, de 2018, e passa a descrever constatações acerca das demais prestadoras de serviços: Em relação as outras prestadoras de serviços, a Gerdau apresentou apenas as notas fiscais, deixando de apresentar os contratos solicitados (doc. 11.5 e 11.6). A nota fiscal n° 304.657 emitida pela EMPRESA BRASILEIRA DE TECNOLOGIA E ADM DE CONVÊNIOS HAAG S/A (atual TICKET SOLUÇÕES) na prestação de serviços de "Gerenciamento e Administração de Ticket Car" e as emitidas pela própria TICKET SOLUÇÕES no "Reembolso Compras Cartão Fuel Control" referem-se a serviços de gerenciamento e administração de Ticket Car. Segundo a página eletrônica da TICKET SOLUÇÕES, os serviços envolvem abastecimento de combustível da frota da empresa de um ou mais carros utilizando-se de uma rede de postos, em que seu cliente terá benefícios pelo serviço: pagamento centralizado em um único fornecedor, produtividade e autonomia com a separação entre gastos pessoais e gastos da empresa, controle e acompanhamento em tempo real dos gastos e outros. A nota fiscal n° 443.858 emitida pela ACCENTIV, atual EDENRED, refere-se a serviços de intermediação para o programa de estímulo para o aumento de produtividade. Seguem trechos extraídos das páginas eletrônicas da empresa. De acordo com a página eletrônica da empresa, (que identifica em nota de rodapé) Nossas soluções conectam empresas, comerciantes e empregados em uma rede positiva, onde todo mundo sai ganhando. (...) Nós construímos conexões e soluções de valor agregado para nossos públicos através de transações confiáveis, baseadas em três pilares de negócio: Benefícios ao Trabalhador, Frota e Soluções de Mobilidade e Soluções Complementares. Para isso, atualmente contamos com cinco marcas no Brasil: Ticket, Ticket Log, Repom, Accentiv' e Edenred Soluções Pré-Pagas. Com foco em Benefícios ao Trabalhador, a Ticket oferece soluções inovadoras, versáteis e pioneiras nos segmentos de Alimentação, Transporte, Cultura, Incentivos e Recompensas e Saúde. Conecta empresas, empregados e comerciantes a uma rede humana e confiável, multiplicando benefícios para quem contrata, para quem usa e para quem. Fl. 15234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 A Ticket Log é uma das marcas do segmento de Frota e Soluções de Mobilidade da Edenred. Com o propósito de valorizar o tempo das pessoas para aproveitarem mais e melhor a vida através de uma mobilidade inteligente, a Ticket Log oferece soluções que simplificam e flexibilizam a mobilidade urbana através de informação e inteligência. A Repom é uma das marcas do segmento de Frota e Soluções de Mobilidade do Grupo Edenred. Líder e pioneira no mercado, a Repom oferece soluções inovadoras para gestão e pagamento de despesas para o transporte rodoviário de carga, com inovações contínuas e antecipando as necessidades de seus clientes. Os produtos Edenred Soluções Pré-Pagas são inovadores e totalmente customizáveis, atendendo desde uma pequena loja até grandes empresas. Através de uma plataforma flexível, a Edenred Soluções Pré-Pagas atua simplificando processos internos com gestão de despesas e pagamento, viabilizando projetos e novos modelos de negócio. Já as notas fiscais emitidas pela ENGEBANC e pela IMOBILIÁRIA FREITAS GODOI se referem a serviço de intermediação imobiliária. Conclui pela glosa. 2.1.1.5- COMISSÕES PAGAS A REPRESENTANTES e SERVIÇOS DE DESPACHANTE Descreve a Fiscalização que, em resposta a intimação, a Contribuinte prestou as seguintes informações: COMISSÕES PAGAS A REPRESENTANTES e SERVIÇOS DE DESPACHANTE Para realizar a atividade-fim da empresa, obrigatoriamente passa pela atuação dos representantes comerciais, organizados em pessoas jurídicas com tal objeto. Eles fazem a intermediação das vendas, aproximando os potenciais clientes e agenciando pedidos. Os representantes comerciais estão a par das obras que demandam aço e possuem contato com os potenciais clientes, fazendo o trabalho de aconselhar sobre produtos, oferecê-los, preparar propostas e intermediar a negociação. ... (cita doutrina) Reporta-se a Fiscalização à apresentação de Notas Fiscais (desacompanhadas de contratos) e esclarece que as despesas com os serviços de representante comercial e despachantes que atuam com o mesmo fim (intermediação nas vendas) não geram direito a crédito das contribuições, uma vez que tais serviços não se enquadram como insumo. Para subsidiar sua assertiva transcreveu ementa da Solução de Consulta n° 99.043, de 13/03/2017 que trata da matéria, bem como itens 8, "b", e 18 do Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 2018. Concluiu pela glosa. Fl. 15235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 2.1.1.6- ADMINISTRAÇÃO DE BENS E NEGÓCIOS EM GERAL Reporta-se a Fiscalização a Intimações com solicitação de documentos e esclarecimentos e expõe: Após solicitação de prorrogação de prazo e de duas reintimações, a Gerdau não apresentou qualquer esclarecimento sobre os serviços tomados por ela, a sua relevância ou essencialidade, além de não juntar as notas fiscais solicitadas ou quaisquer outros documentos comprobatórios das operações entre as empresas (docs. 11.4, 15, 15.2 e 18). Conclui pela necessidade de glosa. 2.1.1.7- MONITORAMENTO ELETRÔNICO SEGURANÇA ELETRÔNICA e VIGILÂNCIA SEGURANÇA ELETRÔNICA Descreve intimação e resposta apresentada e expõe: Em que pese a Gerdau considerar os serviços essenciais para a sua atividade, os serviços de vigilância e monitoramento constituem atividades intermediárias da pessoa jurídica, não se enquadrando como insumo por carecerem de um dos critérios de relevância e essencialidade estabelecidos pelo STJ. Transcreve A Solução de Consulta n° 67 - Cosit, de 20/01/2017, e ementa de Acórdão CARF para concluir pela necessidade de glosa. 2.1.1.8- ANÁLISE TÉCNICA Descreve a Fiscalização intimações e reporta-se a apresentação de notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços, desacompanhadas de esclarecimentos, contrato ou outros documentos e expõe: Da análise das notas fiscais, verificou-se que nenhum dos serviços prestados pelas empresas A S MAIS EVENTOS LTDA ME, CNPJ 13.216.024/0001-24, e ECOPLANTARE SERVIÇOS FLORESTAIS LTDA, CNPJ 22.247.701/0001-62, pode se enquadrar como insumo. Em relação aos serviços prestados pela primeira empresa, o impedimento se dá por questões óbvias, pois se trata de prestação de serviços de "planejamento, organização e administração do evento Prêmio Talento 2017", não sendo relevante ou essencial ao processo produtivo da Gerdau. Quanto aos serviços prestados pela última empresa, o impedimento se dá pela falta de documentação capaz de caracterizar tais serviços como insumo, uma vez que as notas fiscais apresentadas, por si sós, não demonstram a essencialidade ou a relevância dos serviços de "Renovação da ART das linhas de vida do talude do pátio de caminhões e fábrica" e de "elaboração de laudo de caracterização de vegetação" lá descritos. Conclui pela glosa. Fl. 15236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 2.1.1.9- CONFERÊNCIA, CARREGAMENTO, DESCARREGAMENTO E PREPARO DE CARGA Reporta-se a Fiscalização a Intimações e à apresentação de notas fiscais acerca das quais descreve: ... a Gerdau apresentou as notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviços, todavia não esclareceu o motivo de considerar relevante ou essencial para o seu processo de produção os serviços discriminados naquelas notas, a fim de caracterizá-los como insumo (doc. 11.39). Mesmo solicitando prorrogação de prazo para o cumprimento da intimação e após duas reintimações recebidas, nada mais apresentou (docs. 11.4, 15, 15.2 e 18). Analisando as notas emitidas pelas empresas, conclui-se pela impossibilidade de enquadrar como insumo, os serviços descritos como "movimentação de carga" e "movimentação" prestados por M C INDUSTRIAL, "movimentação caminhão poliguindaste com cessão de motorista" e "carregamento de pó aterro" prestados por TRANSPORTES SINGER, e ainda os serviços de escolta prestados por P H TRANSPORTES, além de outros serviços (não discriminados nas notas fiscais) prestados por esta empresa. Aqui, as notas fiscais, por si sós, não são hábeis para demonstrar de modo cabal que os serviços tomados pela Gerdau são relevantes ou essenciais ao seu processo de produção de bens ou serviços. Conclui, então, pela necessidade de glosa. 2.1.1.10- SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO EM GERAL Descreve a Fiscalização intimações para apresentação de contratos, notas fiscais e esclarecimentos acerca dos serviços em questão, respostas apresentadas e correspondentes análises e conclusões, dentre as quais: - Em atendimento aos itens 21.1 e 21.2 do termo, apresentou as notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviços, todavia não esclareceu o motivo de considerar relevante ou essencial para o seu processo de produção os serviços discriminados naquelas notas, a fim de caracterizá-los como insumo (docs. 11.4 e 11.36 a 11.36.3). Mesmo solicitando prorrogação de prazo para a complementação de informações e após duas reintimações recebidas, apresentou tão somente o contrato celebrado com LIDIMA TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA (LIDIMA), CNPJ 03.021.141/000189, em 24/08/2016, juntamente com as Propostas Técnica e Comercial n°s 13374.R9, 13326.R11 e 13437.R1, vinculadas ao contrato, e o contrato celebrado com LSI ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS S/A (LSI), CNPJ 58.034.315/0002-10. Deixou de apresentar os contratos firmados com as outras prestadoras de serviços relacionadas na planilha "REGISTROS A170 CONSOLIDADOS - DEMAIS - TIF n° 03"(docs 15,15.2,15.17, 18 e 18.7). - Em relação à LIDIMA, o contrato celebrado entre as partes tinha como escopo a prestação de serviços de conservação e limpeza e manutenção civil nas Fl. 15237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 dependências da Gerdau Santa Cruz e de conservação e limpeza nas dependências da Gerdau Campo Grande. A Proposta Técnica e Comercial no 13374.R9 apresentada por LIDIMA à Gerdau previa a execução dos serviços de limpeza, conservação e jardinagem na unidade Santa Cruz (Cosigua), envolvendo o uso da mão de obra de auxiliar de serviços gerais, jardineiro, limpador de vidro, líder de jardinagem, operador de trator com varredeira, tratorista, motorista de caminhão, encarregado, supervisor, enquanto a Proposta Técnica e Comercial n° 13326.R11 previa a execução de serviços de limpeza institucional na unidade Campo Grande (RJ), utilizando a mão de obra de auxiliar de serviços gerais. Já a Proposta Técnica e Comercial n° 13437.R1 tinha como escopo os serviços de manutenção civil nas instalações da COSIGUA, empregando o uso da mão de obra de pedreiro, bombeiro hidráulico, montador telhadista, serralheiro, pintor, auxiliar de serviços gerais, encarregado, supervisor e técnico de segurança do trabalho. As notas fiscais emitidas por LIDIMA referiam a serviços de manutenção civil e de limpeza. Não houve a apresentação de qualquer documento ou esclarecimento que vinculassem os serviços tomados pela Gerdau ao seu processo produtivo, a fim de enquadrá-los como insumo. - Já em relação à LSI, o contrato celebrado entre as partes tinha como escopo a prestação de serviços de conservação e limpeza nas unidades da Gerdau de Cotia, Cumbica, Escritório de São Paulo, Mogi das Cruzes (Usina e Taboão), Pirituba, São Caetano do Sul e São José dos Campos. De acordo com o escopo do documento "DESCRITIVO PARA CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO, MÃO DE OBRA ADMINISTRATIVA E RECEPÇÃO" e anexos, partes integrantes do contrato, seriam prestados por LSI os seguintes serviços de conservação e limpeza: -> No Escritório de São Paulo: serviços de higienização e abastecimento de instalações sanitárias, limpeza e conservação da área e salas administrativas, limpeza de copas e cafeteria e limpeza de carpete Em Cotia: serviços de limpeza e conservação da área e salas administrativas, limpeza de copas e cafeteria, limpeza de vias de circulação das fábricas, limpeza de vestiários, banheiros e áreas comuns -Em Cumbica: limpeza e higienização de salas, banheiros, lavação e varrição das áreas da fábrica Em Mogi das Cruzes (Taboão): serviços de higienização e abastecimento de instalações sanitárias, limpeza e conservação da área e salas administrativas, limpeza de copas e cafeteria, limpeza e conservação de área produtiva (salas, banheiros e faixas de segurança), limpeza da sala de recreação, limpeza da sala de expedição e transportadoras, da sala do almoxarifado e de manutenção, da portaria, da copa, do centro de educação, da sala de RH e dos vestiários Em Mogi das Cruzes (Usina): serviços de limpeza e conservação de salas, da portaria, do laboratório, banheiros e copas Fl. 15238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 - Em Pirituba: serviços de limpeza e conservação de vias, vestiários, ambulatório, prédio da administração central, refeitório, sanitários e RH; - Em São Caetano do Sul e São José dos Campos: limpeza dos sanitários, vidros, calçadas e piso, limpeza do imobiliário, paredes e tetos, manutenção de áreas comuns e coleta de lixo. Tratava-se as notas fiscais emitidas por LSI de serviços de limpeza e conservação e jardinagem. Aqui também não houve a apresentação de qualquer documento ou esclarecimento que vinculasse os serviços tomados pela Gerdau ao seu processo produtivo, a fim de enquadrá-los como insumo. Relacionam-se, a seguir, os serviços discriminados nas notas fiscais emitidas pelas demais prestadoras de serviços, não sendo possível enquadrá-los como insumo, uma vez que as notas fiscais, por si sós, não são instrumentos hábeis a demonstrar a sua essencialidade ou relevância no processo produtivo da Gerdau. a) C C M LTDA EPP, CNPJ 71.123.251/0001-01: serviços de limpeza e conservação, serviços de jardinagem, serviços de limpeza de salas e banheiros, serviços hidráulicos e serviços administrativos b) COMADSER SERVIÇOS LTDA EPP, CNPJ 01.096.298/0001-48: serviços de limpeza e conservação, jardinagem e organização de evento empresarial c) CONSERVO SERVIÇOS GERAIS LTDA, CNPJ 17.027.806/0001-76: serviços de limpeza e conservação d) ECOPLANTARE SERVIÇOS FLORESTAIS LTDA, CNPJ 22.247.701/0001-62: serviços de limpeza, despraguejamento e manutenção de área verde e) LEONARDO DE MORAES EPP, CNPJ 62.869.896/0001-05: serviços de limpeza e conservação, coleta de resíduos (limpeza de fossa) e desentupimento f) M C INDUSTRIAL LTDA ME, CNPJ 02.153.933/0001-44: serviços de limpeza e conservação g) MATOS E RIBEIRO HIDROJATEAMENTO LTDA, CNPJ 17.337.817/0001-52: serviços de limpeza e locação de caminhão com utilização de mão de obra (sem a especificação do serviço) h) RCM LOCACAO DE MÁQUINAS LTDA, CNPJ 01.472.377/0001-06: serviços de limpeza e conservação i) REDUC FLORESTAL LTDA ME, CNPJ 11.029.674/0001-35: serviços com atividade de praça e serviços manuais j) SUPREMA SERVIÇOS INDUSTRIAIS LTDA, CNPJ 00.512.573/0001-02: serviços de varrição e limpeza mecanizada k) TOP SERVICE SERVIÇOS E SISTEMAS LTDA, CNPJs 00.973.749/0001-15, 00.973.749/0008-91, 00.973.749/0016-00 e 00.973.749/0018-63: serviços Fl. 15239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 administrativos, limpeza e conservação, manutenção predial, manutenção de escritório e jardinagem administrativa e industrial l) WH ENGENHARIA E MANUTENÇÃO LTDA, CNPJ 02.570.770/0001-03: serviços de manutenção preventiva em instalações prediais Ressalta, ainda, que muitos dos serviços discriminados nas notas fiscais e nos contratos celebrados entre a Gerdau e as prestadoras de serviços eram afetos à área administrativa dos estabelecimentos da contribuinte e conclui pela necessidade de glosa dos créditos aqui tratados pela ausência de comprovação de que tais serviços se enquadravam na definição de insumo. Reporta-se à planilha em que identificadas as glosas. 2.1.1.11- LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA POR TEMPO INDETERMINADO, RECRUTAMENTO E SELEÇÃO ART 651 I RIR99 E SERVIÇO TEMPORÁRIO PRESTADO Acerca dos gastos desse tópico, a Fiscalização, reporta-se a intimação e resposta da Contribuinte no sentido de que se tratava de serviços essenciais e necessários à atividade da empresa. Descreve ter intimado a Contribuinte a apresentar os correspondentes contratos, aditivos e seus anexos relacionados às notas fiscais emitidas no ano-calendário de 2017 pelas pessoas jurídicas prestadoras dos serviços, solicitando esclarecimento de forma minuciosa, o objeto de cada contrato, incluindo informações sobre os setores da empresa onde se empregou a mão de obra e os benefícios trazidos por ela. E, no caso da utilização da mão de obra no processo de produção de bens ou serviços, deveria esclarecer o que caracterizaria o uso da mão de obra como relevante ou essencial para o processo produtivo, juntando elementos de prova, incluindo as notas fiscais. Relata resposta apresentada e expõe: - Em atendimento ao item 20.1 do termo, apresentou as notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviços, todavia não esclareceu o motivo de considerar relevante ou essencial para o seu processo de produção os serviços discriminados naquelas notas, a fim de caracterizá-los como insumo (doc. 11.35). Mesmo solicitando prorrogação de prazo para a complementação de informações e documentos ainda não entregues e após duas reintimações recebidas, apresentou tão somente o contrato celebrado com LIDIMA TERCEIRIZACAO DE SERVIÇOS LTDA (LIDIMA), CNPJ 03.021.141/000189, em 24/08/2016, e as Propostas Técnica e Comercial n°s 13374.R9, 13326.R11 e 13437.R1 vinculadas ao contrato. Deixou de apresentar os contratos firmados com outras oito prestadoras de serviços (docs. 11.4,15,15.2,15.17 e 18). - Em relação à LIDIMA, o contrato celebrado entre as partes tinha como escopo a prestação de serviços de conservação e limpeza e manutenção civil nas dependências da Gerdau Santa Cruz e de conservação e limpeza nas dependências da Gerdau Campo Grande. A Proposta Técnica e Comercial n° 13374.R9 Fl. 15240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 apresentada por LIDIMA à Gerdau previa a execução dos serviços de limpeza, conservação e jardinagem na unidade Santa Cruz (Cosigua), envolvendo o uso da mão de obra de auxiliar de serviços gerais, jardineiro, limpador de vidro, líder de jardinagem, operador de trator com varredeira, tratorista, motorista de caminhão, encarregado, supervisor, enquanto a Proposta Técnica e Comercial n° 13326.R11 previa a execução de serviços de limpeza institucional na unidade Campo Grande (RJ), utilizando a mão de obra de auxiliar de serviços gerais. Já a Proposta Técnica e Comercial n° 13437.R1 tinha como escopo os serviços de manutenção civil nas instalações da COSIGUA, empregando o uso da mão de obra de pedreiro, bombeiro hidráulico, montador telhadista, serralheiro, pintor, auxiliar de serviços gerais, encarregado, supervisor e técnico de segurança do trabalho. As notas fiscais emitidas por LIDIMA referiam a serviços de manutenção civil e de limpeza. Não houve a apresentação de qualquer documento ou esclarecimento que vinculassem os serviços tomados pela Gerdau ao seu processo produtivo, a fim de enquadrá-los como insumo. Relaciona os serviços discriminados nas notas fiscais emitidas pelas demais prestadoras de serviços, expondo não ser possível enquadrá-los como insumo, uma vez que as notas fiscais, por si sós, não são instrumentos hábeis a demonstrar a sua essencialidade ou relevância no processo produtivo da Gerdau. a) ARES EXCELÊNCIA EM SERVIÇOS LTDA, CNPJ 04.075.374/0001-27: serviços de fornecimento de mão de obra para serviço de portaria e/ou auxiliar administrativo b) C C M LTDA EPP, CNPJ 71.123.251/0001-01: serviço de estocagem paliçada e de auxiliar de pátio e de check list c) CONSERVO SERVIÇOS GERAIS LTDA, CNPJ 17.027.806/0001-76: serviços de fornecimento de mão de obra de faxineiro e carpinteiro d) PORSEGUR SISTEMAS DE SEGURANÇA LTDA, CNPJ 74.224.163/0001-94: serviços de portaria e) TOP SERVICE SERVIÇOS E SISTEMAS LTDA, CNPJ 00.973.749/0001-15 e CNPJ 00.973.749/0018-63: serviço administrativo e de limpeza e conservação f) ULTRALIMPO EMPREENDIMENTOS E SERVIC, CNPJ 07.318.686/0001-02: serviços de portaria e de recepcionista g) CT CIA DE TALENTOS RECURSOS HUMANOS, CNPJ 07.728.055/0001-61: serviços relacionados à proposta Jornada para o Futuro h) SELPE SELEÇÃO DE PESSOAL LTDA, CNPJ 17.186.685/0001-05: serviços de recrutamento e seleção ou intermediação de mão de obra temporária Ressalta que muitos dos serviços discriminados nas notas fiscais e nos contratos eram afetos à área administrativa dos estabelecimentos da contribuinte e conclui pela necessidade de glosa. Fl. 15241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 2.1.1.12- MONTAGEM E INSTALAÇÃO EQUIPAMENTO TELEFONIA E COMUTADORES Reporta-se a Fiscalização a intimação com solicitação de esclarecimentos, contratos e notas fiscais e à apresentação de apenas notas fiscais cuja análise ensejou conclusão de que não são capazes de associar os serviços lá discriminados ao processo de produção da Gerdau, a fim de caracterizá-los como relevantes ou essenciais, à luz do entendimento firmado pelo STJ. Relaciona os serviços discriminados nas notas fiscais: • outsourcing serviços cabling • serviços de correção de fibra ótica • serviços de infraestrutura de TI em Zibt e Zbar • serviços de instalação de gravador digital de imagem • serviços de instalação de sistema CFTV IP • serviços de instalação de sistemas de monitoramento • serviços de instalação de três DVRS na SC e de câmeras no pátio • serviços de montagem de circuito elétrico • serviços de montagem e instalação de telefonia e comunicação • serviços manutenção e suporte elétrico Conclui pela necessidade de glosa. 2.1.1.13- COOPERATIVAS DE TRANSPORTE, FRETAMENTO DE VEICULOS PARA TRANSPORTE HABITUAL, TRANSPORTE DE PASSAGEIROS INTERMUNICIPAL e TRANSPORTE DE PASSAGEIROS No item 2.1.1.13, descreve a Fiscalização constatações acerca de dispêndios identificados como Transporte de Passageiros, Locação de Veículos e Cooperativas de Transporte, em relação aos quais, em resposta a intimação, a Contribuinte informou tratar-se principalmente serviços de transporte de empregados, e defendeu a essencialidade dos gastos para atividades da empresa e sua decorrência de obrigações legais. Acrescenta a Fiscalização que: ... Dos contratos solicitados envolvendo 18 empresas, apresentou apenas os firmados com CLA TRANSPORTES DE PASSAGEIROS LTDA (CLA TRANSPORTES), CNPJ 21.919.463/0001-21, e TRANSTURISMO TRANSPORTADORA ORIENTAL (TRANSTURISMO), CNPJ 31.918.535/0001-70 (docs. 15.19 e 18.3). Não apresentou qualquer esclarecimento em relação aos itens 19.1, 19.2 e 19.3 da intimação. Fl. 15242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Trata-se as notas fiscais de serviços de transporte de passageiros, funcionários, colaboradores e pessoal. Analisando os documentos apresentados, em particular os contratos celebrados entre as partes, constatou-se que as prestadoras de serviço foram contratadas pela Gerdau para disponibilizar a seus empregados o transporte nos trajetos residência - trabalho e trabalho - residência. É bom ressaltar que, no procedimento de fiscalização determinado pelo TDPF n° 07.1.85.00-2019-00167-8, relativo ao ano-calendário de 2016, intimou-se a Gerdau, através dos itens 18.1 e 18.2 do TIF n° 5, a esclarecer se haveria obrigatoriedade legal para a empresa oferecer os serviços de transporte de passageiros a seus empregados. A Gerdau deveria, também, esclarecer, se esses serviços estavam disponíveis a todos os empregados da empresa ou somente àqueles que trabalhavam na área de produção de bens/serviços e deveria juntar documentos de prova daquilo que alegasse (doc. 3). Em resposta, a Gerdau informou que os serviços de transporte eram oferecidos a todos os empregados da empresa, por conta de uma obrigação determinada pela Lei n° 7.418/85 e Decreto n° 95.247/87 (doc. 3.2). Já em atendimento ao item 18.3 do TIF n° 5, acerca dos trajetos tomados pelos passageiros que usaram os serviços de transporte, informou que preponderantemente o serviço de transporte se dava no trajeto da residência ao estabelecimento da empresa e do estabelecimento da empresa à residência, havendo uma parte significativa de transporte interno nas áreas industriais, sem, contudo, comprová-lo. Cita trecho do PN Cosit/RFB n° 05/2018 e conclui pela necessidade da glosa. 2.1.1.14- TRANSPORTE MARITIMO e APOIO TECNICO E SUPERVISAO DE EMBARQUE Descreve a Fiscalização intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos referentes a contratos celebrados com NAVEGAÇÃO BOM JESUS LTDA MICRO EMPRESA (NAVEGAÇÃO BOM JESUS), PENNANT SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA (PENNANT), RODRIMAR S/A TRANSP. EQUIP. INDUSTRIAIS E ARM. GERAIS (RODRIMAR), SAMARCO MINERAÇÃO S/A (SAMARCO) e START NAVEGAÇÃO LTDA (START NAVEGAÇÃO). Em função dos documentos apresentados, a Fiscalização expõe: - que PENNANT, RODRIMAR, START NAVEGAÇÃO e SAMARCO prestaram serviços de operador portuário os quais discrimina, - definição legal do termo "Operador Portuário", Fl. 15243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 - comunicação à Contribuinte de que o entendimento da Receita Federal era no sentido de permitir os créditos das contribuições incidentes nos serviços de operador portuário apenas àqueles relativos à armazenagem de mercadorias, tanto na importação como na exportação. Os demais serviços portuários como carregamento, descarregamento e conferência eram despesas da pessoa jurídica, não se enquadrando como despesas de armazenagem, conforme Solução de Consulta COSIT n° 43/17, que transcreve; - intimação para contribuinte informar quais das notas fiscais relacionadas no item da intimação, emitidas pelas empresas PENNANT, RODRIMAR e START NAVEGAÇÃO, referiam-se à armazenagem de mercadorias; - resposta e análise no sentido de que parte dos documentos apresentados pela Gerdau detalham as operações executadas pelos operadores portuários, evidenciando-se, apenas em alguns deles, como as faturas/duplicatas emitidas pela PENNANT, a prestação de serviços de armazenagem (descrição "Retro-área pátio aberto"), ressaltando que os serviços de operação portuária permitiram a exportação de mercadorias advindas da Gerdau para fora do País conforme documentos juntados e registrando que em se tratando de operações de exportação, os serviços de operação portuária não podem ser considerados insumos por não se vincularem ao processo de produção de bens, uma vez que são despesas ocorridas após o processo produtivo. em relação à NAVEGAÇÃO BOM JESUS, as notas fiscais apresentadas em atendimento às intimações referem-se à locação de lanchas. Segundo a Gerdau, em sua resposta ao item 1 do TIF n° 14, corroborado pelo contrato apresentado em atendimento ao item 22 do TIF n° 3, a NAVEGAÇÃO BOM JESUS era responsável pelo transporte de pessoas e materiais através de lancha e/ou balsa para acessar determinado navio e realizar as atividades necessárias ao embarque dos produtos, tratando-se, portanto, de despesas ocorridas após o processo produtivo. Transcreve a Fiscalização itens 55 e 56 do PN COSIT/RFB n° 05, de 2018 referente a Gastos Posteriores a Finalização do Processo de Produção ou de Prestação, expondo que segundo a Solução de Consulta n° 212 - Cosit, de 24/06/2019, os serviços prestados pelas NAVEGAÇÃO BOM JESUS, PENNANT RODRIMAR e START NAVEGAÇÃO também não se enquadram no conceito de frete, o que impede, em relação aos dispêndios com tais serviços, a apuração de créditos das contribuições com base no inciso IX do art. 3° c/c o inciso II do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003 e concluiu: - Glosar créditos porque não houve a comprovação de que tais serviços se enquadrem na definição de insumo e que não serão glosados os créditos das contribuições incidentes sobre os serviços de armazenagem prestados pela PENNANT, cujos valores compõem o valor total das notas fiscais a seguir relacionadas. Fl. 15244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 2.1.1.15- TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI). Descreve, após intimação e resposta, que as intimações à Gerdau tiveram o objetivo de conhecer as características dos sistemas de informação/softwares e dos serviços a eles conexos, as atividades beneficiadas pelo seu uso ou aplicação e a sua relevância ou essencialidade para o processo produtivo. E continua: Faz-se necessário ressaltar que, através do procedimento de fiscalização determinado pelo TDPF n° 07.1.85.00-2019-00167-8, relativo à fiscalização do ano-calendário de 2016, constatou-se que parte dos softwares tiveram a sua aplicação em todas as atividades desenvolvidas pela companhia, outros foram aplicados exclusivamente na atividade industrial e outros, ainda, em mais de uma atividade. Diante disso e em função do que dispõe o art. 35 da Lei n° 12.058/09, solicitou-se que a Gerdau apresentasse o rateio dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nos casos em que os serviços de TI se voltassem para atividades mistas (produtiva e não produtiva) da empresa. Nada foi apresentado. De acordo com o art. 35 da Lei n° 12.058/09, as pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa deverão apurar, de forma segregada, os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins discriminando-os em função da natureza, origem e vinculação desses créditos, aplicando-se no que couber as disposições relativas aos métodos de rateio disciplinados nos §§ 8° e 9° do art. 3° das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, com redações semelhantes. Cita itens 164 e 165 do PN COSIT/RFB 5, de 2018, e, na sequência, em subitens a seguir relacionados 2.1.1.15.1 a 2.1.1.15.10, sendo o subitem 2.1.15.10 subdividido em 3 outros subitens (2.1.1.15.10.1 a 2.1.1.15.10.3, às fls. a 12635 a 12687, a Fiscalização descreve, em detalhes, as intimações, respostas obtidas, constatações (quando apresentados os documentos solicitados) de utilização dos dispêndios em diversas áreas da Contribuinte (e não exclusivamente na atividade de produção), intimações específicas para a Contribuinte proceder ao rateio dos créditos das contribuições no caso de serviços aplicados em atividades mistas (produtivas e não produtivas), essas últimas não atendidas. 2.1.1.15.1- GERENCIAMENTO E SUPERVISÃO DE REDE 2.1.1.15.2 - ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS 2.1.1.15.3- ASSESSORIA E CONSULTORIA EM INFORMÁTICA Fl. 15245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 2.1.1.15.4- PROCESSAMENTO DE DADOS E CONGENERES 2.1.1.15.5- ELABORAÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR 2.1.1.15.6- LICENÇA DE USO DE SOFTWARE 2.1.1.15.7 - LICENÇA DE USO DE SOFTWARE DE PRATELEIRA 2.1.1.15.8- SUPORTE TÉCNICO EM INFORMÁTICA, INSTALAÇÃO E CONFIGURAÇÃO 2.1.1.15.9- MANUTENÇÃO DE SISTEMAS 2.1.15.10 - SERVIÇOS MISTOS 2.1.1.15.10.1- SAP BRASIL LTDA 2.1.1.15.10.2- WIPOR DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA 2.1.1.15.10.3- STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA S/A 2.1.2- ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO Expõe a Fiscalização que as operações aqui tratadas foram registradas nos registros A100/170 das EFD-Contribuições transmitidas pela Gerdau, tendo como Natureza da Base de Cálculo do Crédito "AQUISICAO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO" ou "ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS". 2.1.2.1- LOCAÇÃO DE VEÍCULOS Aborda Locação de Veículos, descrevendo intimações solicitando informações e documentos, respostas apresentadas, fotos, sendo que, em relação ao que foi apresentado, descreveu a Fiscalização: - tratar-se de bens que se enquadram como veículos classificados no capítulo 87 (NCM 8704), - os incisos II e IV do art. 3° das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833 de 2003, não permitem o desconto de créditos em relação à locação de veículos. Cita Súmula Vinculante do STF n° 31 e ementa do Acórdão no RE 466.003 AgR (Precedente representativo da referida súmula), Soluções de Consulta COSIT n° 218 de 29/06/2019 e n° 001, de 02/01/2014, e conclui pela glosa dos créditos. 2.1.3- ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA A Fiscalização, após referir-se a registros da EFD e a dispositivos legais, expõe que: Veremos adiante que, com exceção das operações com ALECRIM TRANSPORTES E LOGÍSTICA LTDA, TRANSPORTADORA BINACIONAL LTDA e TRANSPORTADORA FALCÃO LTDA, nenhuma outra se referia à armazenagem ou a frete nas operações de venda. Todavia, nas operações com as citadas empresas, por se tratar de Fl. 15246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 transporte internacional de cargas, verificou-se a impossibilidade do desconto de créditos das contribuições, uma vez que as receitas obtidas pelas prestadoras de serviços na operação são isentas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins conforme prevê o inciso V c/c § 1° do art. 14 da MP n° 2.158-35, de 24/08/2001. Menciona as intimações formalizadas e as planilhas elaboradas contendo registros cuja documentação de suporte foi solicitada à contribuinte e passa a análise da matéria dividida em 4 subtítulos: 2.1.3.1 - TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGA 2.1.3.2- FRETE NA AQUISIÇÃO OU TRANSFERÊNCIA DE SUCATA 2.1.3.3- SERVIÇOS DE OPERADOR PORTUÁRIO 2.1.3.4- OUTROS SERVIÇOS 2.1.3.1 - TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGA em que detalha intimações e constatações acerca de dispêndios com as empresas ALECRIM TRANSPORTES E LOGÍSTICA LTDA (ALECRIM), TRANSPORTADORA FALCÃO LTDA (TRANSPORTADORA FALCÃO) e TRANSPORTADORA BINACIONAL, ressaltando ao final: as três empresas são responsáveis por transportar as cargas da Gerdau do Brasil com destino ao exterior. Inicialmente, através do TIF n° 2, a Gerdau foi instada a relacionar às notas fiscais ou conhecimentos de transporte as notas fiscais que acompanharam o frete ou a armazenagem de mercadorias. Em seguida, através do TIF n° 6, solicitou-se à Gerdau informar a natureza da prestação de serviços relacionada a cada nota fiscal ou conhecimento de transporte emitido por ALECRIM, TRANSPORTADORA FALCÃO e TRANSPORTADORA BINACIONAL. Para ambas as intimações nada foi informado em relação aos registros referentes a 256 notas fiscais ou conhecimentos de transporte emitidos pela TRANSPORTADORA FALCÃO e a 36 notas fiscais ou conhecimentos de transporte emitidos pela TRANSPORTADORA BINACIONAL. Assim, a Gerdau deixou de comprovar a natureza da operação, não fazendo jus ao aproveitamento de créditos de PIS/Pasep e de Cofins incidentes nas operações. Em relação aos demais registros, a Gerdau informou que as operações com as três empresas referiam-se a transporte internacional de carga ou armazenagem de mercadoria e juntou diversos documentos de prova. Na análise de todas as informações e documentos apresentados, é possível afirmar que ALECRIM, TRANSPORTADORA FALCÃO e TRANSPORTADORA BINACIONAL prestaram serviços de armazenagem de mercadorias em operações de vendas da Gerdau, tendo direito ao aproveitamento de créditos das contribuições incidentes nas operações. As mesmas empresas também prestaram serviços de Transporte Internacional de Carga, não fazendo jus ao aproveitamento de créditos. Maiores detalhes sobre a matéria encontram-se no tópico 2.4.2.2- TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGA, que trata da impossibilidade do desconto de créditos das contribuições calculados em relação a essas operações. Fl. 15247DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Conclui pela necessidade da glosa dos créditos tendo em vista a falta de comprovação das operações ou a impossibilidade do desconto dos créditos calculados em relação às operações TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGA e reporta-se a planilha. 2.1.3.2- FRETE NA AQUISIÇÃO OU TRANSFERÊNCIA DE SUCATA A Fiscalização detalha intimações e respostas relativas a operações envolvendo diversas empresas que relaciona: ANTARES EMPRESA DE TRANSPORTES LTDA (ANTARES), DTK TRANSPORTES E LOCAÇÕES EIRELI (DTK), GARDEL TRANSPORTE E LOGÍSTICA EIRELI (GARDEL), IBOR TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDA (IBOR), JOCARGAS TRANSPORTE LTDA ME (JOCARGAS), KILEGAL TRANSPORTES E LOCAÇÕES LTDA (KILEGAL), PP LOCACOES E TRANSPORTES EIRELI (PP LOCAÇÕES), TRANSLIDA TRANSPORTE E PRESTAÇÃO DE ICOS LTDA ME (TRANSLIDA), TRANSPORTADORA REVERSA LTDA ME (TRANSPORTADORA REVERSA), e TRANSPORTES SACRAMENTO LTDA ME (TRANSPORTES SACRAMENTO), relata a falta ou insuficiência de documentos ou a constatação de que as operações referiam-se ora à aquisição, ora à transferência de sucatas classificadas na posição 7204 Acrescenta: em relação ao Frete na aquisição ou transferência de sucatas classificadas na posição 7204 da TIPI, utilizadas como insumo, vide o tópico 2.4.2.4- FRETE NA AQUISIÇÃO DE BENS SUJEITOS À SUSPENSÃO DA CONTRIBUIÇÃO E/OU FRETE NA AQUISIÇÃO DE BENS CUJA UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS É VEDADA, que trata da impossibilidade do desconto de créditos das contribuições calculados em relação a essas operações. Conclui pela necessidade de glosa dos créditos tendo em vista a falta de comprovação das operações ou a impossibilidade do desconto dos créditos calculados em relação às operações de FRETE NA AQUISIÇÃO OU TRANSFERÊNCIA DE SUCATAS CLASSIFICADAS NO NCM 7204 UTILIZADAS COMO INSUMO. Reporta-se a planilha com identificação dos créditos glosados. 2.1.3.3- SERVIÇOS DE OPERADOR PORTUÁRIO Detalha a Fiscalização intimações, respostas constatações e análises, entre as quais a apuração de que a empresa ATLÂNTICO TERMINAIS S/A (ATLÂNTICO) prestou serviços à Gerdau de operador portuário, que normalmente envolve os serviços de movimentação (carregamento, descarregamento, conferência, etc) e/ou armazenagem de mercadorias. Cita definição de operador portuário e Solução de Consulta 43/17 e, após análise das respostas apresentadas, concluiu que, com exceção dos serviços de armazenagem, no valor de R$ 4.680,00, a Gerdau não faz jus ao aproveitamento Fl. 15248DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 de créditos das contribuições apuradas em relação aos demais serviços de operador portuário. Conclui pela necessidade de glosa dos créditos tendo em vista a falta de comprovação de que tais serviços se referem à armazenagem ou frete nas operações de venda e reporta-se a planilha em que identificados os créditos glosados. 2.1.3.4- OUTROS SERVIÇOS Após detalhar intimações, respostas e análises, conclui a Fiscalização que as operações com as pessoas jurídicas relacionadas abaixo não se referem à ARMAZENAGEM DE MERCADORIA nem à FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA, de modo que os dispêndios não permitem a apuração de crédito. a) CMC TRANSPORTES: A Gerdau deixou de preencher os registros relacionados às operações com a CMC TRANSPORTES. As notas fiscais apresentadas em atendimento aos TIF n°s 2 e 8 referem-se, genericamente, a serviços de transporte municipal. Não houve, em atendimento ao item 4.3 do TIF n° 8, a apresentação de quaisquer notas fiscais que acompanharam os fretes. b) COMERCIAL MORATO: A Gerdau deixou de preencher os registros relacionados às operações com a COMERCIAL MORATO. Das 18 notas fiscais solicitadas no TIF n° 2, a Gerdau apresentou apenas quatro, que se referem a transporte de material (movimentação de terra/entulho), não se vinculando à Natureza da Base de Cálculo do Crédito. Em relação ao item 4.3 do TIF n° 8, nada foi apresentado. c) H N C TRANSPORTE: A Gerdau deixou de preencher os registros relacionados às operações com a H N C TRANSPORTE. As notas fiscais apresentadas em atendimento aos TIF n°s 2 e 8 referem-se a serviço de manobrista e serviço de transporte com caminhão híbrido, não se vinculando à Natureza da Base de Cálculo do Crédito. Não houve, em atendimento ao item 4.3 do TIF n° 8, a apresentação de quaisquer notas fiscais que acompanharam os fretes. d) JADIR: A Gerdau deixou de preencher os registros relacionados às operações com JADIR. As notas fiscais apresentadas em atendimento aos TIF n°s 2 e 8 referem-se a serviço de transporte municipal. Não houve, em atendimento ao item 4.3 do TIF n° 8, a apresentação de quaisquer notas fiscais que acompanharam os fretes. e) SUPER LAMINAÇÃO: A Gerdau deixou de preencher os registros relacionados às operações com SUPER LAMINAÇÃO. As notas fiscais apresentadas em atendimento aos TIF n°s 2 e 8 referem-se a serviço de transporte de carga. Não houve, em atendimento ao item 4.3 do TIF n° 8, a apresentação de quaisquer notas fiscais que acompanharam os fretes. f) JOLIVAN: Uma parte dos registros preenchidos refere-se à operação de transferência de produtos acabados para comercialização. Mesmo a Gerdau não Fl. 15249DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 inserindo em campo próprio da planilha a destinação dada ao bem recebido em transferência, foi possível constatar, conforme planilha FRETE DA JOLIVAN NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS" (doc. 29), elaborada a partir dos dados extraídos da EFD ICMS IPI, que tais bens, após serem recebidos em transferência, destinaram-se à comercialização (campo CFOP da planilha). Ressalte-se que a extração dos dados teve como parâmetro as chaves das notas fiscais eletrônicas inseridas na planilha apresentada pela Gerdau. Uma parte dos registros não preenchidos refere à prestação de serviços de transporte, conforme notas fiscais apresentadas em atendimento aos TIF n°s 2 e 8, todavia não houve, em atendimento ao item 4.3 do TIF n° 8, a apresentação de quaisquer notas fiscais que acompanharam os fretes das mercadorias, impossibilitando conhecer as operações que deram suporte aos fretes. g) TRANSLECCHI: De acordo com os registros preenchidos da planilha, as operações com TRANSLECCHI referiam-se a frete na operação de venda de mercadorias pela Gerdau. Todavia, as notas fiscais de venda associadas às notas fiscais de transporte foram emitidas entre setembro e novembro de 2016, enquanto estas foram emitidas no decorrer do ano de 2017. Além disso, as operações discriminadas nas notas fiscais de serviço apresentadas referiam-se à locação de veículos ou a serviços de manobrista. Percebe-se, portanto, erro nas informações prestadas pela Gerdau. Quanto aos demais registros, estes se referem à locação de veículos, a serviços de manobrista ou à cobrança de pedágio, conforme notas fiscais apresentadas em atendimento aos TIF n°s 2 e 8. Justifica ainda: Em relação aos fretes na transferência de produtos acabados prestados por JOLIVAN, vide o tópico 2.4.2.3- FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS, que trata da impossibilidade do desconto de créditos das contribuições calculados em relação a essas operações. Em relação às locações de veículos realizadas por TRANSLECCHI, vide o tópico 2.1.2.1-LOCAÇÃO DE VEÍCULOS, que trata da impossibilidade do desconto de créditos das contribuições calculados em relação a tais operações. Em relação às demais operações em que foram identificadas a sua natureza, glosam-se os créditos de PIS/Pasep e Cofins por não se referirem à armazenagem e a frete nas operações de venda. Ressalte-se que, através do item 4.3 do TIF n° 8, concedeu-se à Gerdau, no caso de alguma das operações não se tratasse de serviços de transporte de carga, se manifestar quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos da contribuição calculados em relação às operações, fato que não ocorreu. Por fim, em relação as demais operações, glosam-se os créditos de PIS/Pasep e Cofins, tendo em vista que não houve a apresentação de documentação/informação capaz de identificar a natureza da operação que deu suporte ao frete (compra, venda, transferência, remessa), as características do Fl. 15250DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 bem transportado (produto semielaborado ou produto acabado) e a sua destinação (industrialização, comercialização, uso ou consumo) E conclui que, com exceção dos serviços de frete nas operações de venda, faz-se necessário glosar os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na aquisição dos serviços aqui tratados. Menciona planilha de que constam os créditos glosados. 2.2 BLOCO F No item 2.2, aborda o BLOCO F, em relação ao qual descreve a Fiscalização as operações a serem escrituradas nos registros desse Bloco, as intimações e respostas apresentadas e as correspondentes análises, dividindo-as nos seguintes itens: 2.2.1- ALUGUÉIS DE VEÍCULOS Descreve a Fiscalização informações da Contribuinte nos registro F100, intimações e documentos apresentados, além de fotos e consulta Renavan, e expõe constatações e análises no mesmo sentido daquelas do item 2.1.2. 2.2.2- SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS (item não impugnado como se verá adiante) 2.2.3- SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS Descreve a Fiscalização intimação relativa a serviço tomado de UBER DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA, TRANSTURISMO TRANSPORTADORA ORIENTAL LTDA, HG CAR SERVICE LTDA, CLA TRANSPORTES DE PASSAGEIROS LTDA, URUBURETAMA AGENCIAS DE VIAGENS E TURISMO LTDA, TRANSTUPI TRANSPORTE COLETIVO LTDA, ANTONIO SANTOS REBOLSO TRANSPORTES EPP e RODOVIÁRIA GRAVATAENSE LTDA ME, e resposta mencionando ausência de transporte público nos locais de unidade industrial e informando que as empresas prestaram serviços de transporte de passageiros, os quais eram disponibilizados a todos os empregados da empresa, independente do setor em que trabalhavam, por conta de uma obrigação legal. Destaca os itens 132 a 136 e 52 a 54 do PN Cosit/RFB n° 05/2018 e conclui pela glosa. 2.2.4- GERENCIAMENTO E SUPERVISÃO DE REDE No item 2.2.4 (fls. 12727), abordando os dispêndios com gerenciamento e supervisão de rede registrados no Bloco F da EFD, também descreveu a Fiscalização em detalhes, intimações, respostas, análises referentes a dispêndios Fl. 15251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 questionados (no caso desse item em favor de PRIMESYS SOLUCOES EMPRESARIAIS S/A (PRIMESYS), com conclusões de que: - a Contribuinte não demonstrou a relevância ou a essencialidade do serviço para o seu processo produtivo; - os dispêndios beneficiavam ou se voltavam para todas as áreas da empresa - comercial, administrativa, de produção, entre outras, sem que houvesse, por parte da Contribuinte, apesar de intimada para tanto, demonstração efetiva da parte dos serviços aplicada ao seu processo de produção de bens, a fim de enquadrá-la no conceito de insumo. Conclui pela glosa dos créditos. 2.2.5- TAXA CONDOMINIAL E FUNDO DE RESERVA Descreve a Fiscalização intimações, respostas e análises, destacando-se os seguintes excertos: - A Gerdau apresentou os documentos solicitados e informou que o termo "Aporte" se referia à taxa condominial vinculada ao contrato de aluguel EBTJ do prédio empresarial Eldorado Business Tower. Parte dos recibos apresentados se referia à taxa condominial (aporte) ou a fundo de reserva (docs. 16.2 e 16.3). - Os arts. 3°, IV, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 permitem que as pessoas jurídicas descontem créditos das contribuições calculados em relação aos dispêndios com aluguéis de prédios, não incluídos em tais dispêndios a cota condominial e o fundo de reserva. - Já os arts. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 permitem que as pessoas jurídicas descontem créditos das contribuições calculados em relação aos dispêndios com serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entretanto, a cota condominial e o fundo de reserva não se enquadram como insumo, por carecerem dos aspectos de relevância e essencialidade definidos pelo STJ. Trata-se de despesas decorrentes da locação de uma sala comercial no edifício Eldorado Business Tower na cidade de São Paulo para, segundo a Gerdau, operacionalizar negócios com as equipes de suprimentos, exportações, planejamento de produção/entregas, marketing e vendas, entre outros. Cita Solução de Consulta n° 248, de 20/08/2019, em que se assinalou como incabível a apropriação crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas modalidades aluguéis de prédios e aquisição de insumos da cota condominial e concluiu pela glosa dos créditos. 2.2.6- SEGURO DE BENS DO ATIVO Fl. 15252DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Descreve a Fiscalização intimações e resposta acerca de serviços tomados de MAPFRE VERA CRUZ SEGURADORA S/A (MAPFRE) e constatações de que: - Trata-se a apólice de seguros n° 1763/0000007/96, com vigência de 30/04/2017 a 30/04/2018, limite de garantia de 630 milhões de dólares norte- americanos, tendo como segurado a GERDAU S/A, CNPJ 33.611.508/0001-19, de cobertura de bens contra todos os riscos de perda ou dano material (cláusula 1). Conforme Notas de Seguro apresentadas, o prêmio de US$ 6.383.456,14 foi liquidado, dentre outras pessoas jurídicas, pelas Gerdau S/A (liquidação de US$ 814.953,31 [doc. 16.10]), Gerdau Açominas S/A (liquidação de US$ 3.557.105,84 [doc. 16.11]) e Gerdau Aços Longos S/A (liquidação de US$ 1.601.429,70), sendo identificados como bens segurados: A. Patrimônio Imobiliário, inclusive prédios novos ou acréscimos em construção em um Local Segurado, nos quais o Segurado tenha interesse segurável. B. Bens Móveis: 1) de propriedade do Segurado. 2) consistindo dos interesses do Segurado em melhorias e benfeitorias realizadas na condição de inquilino. 3) de executivos e empregados do Segurado. 4) de terceiros sob custódia do Segurado. 5) Trabalhos Temporários. - A Apólice também segurava os interesses de empreiteiros e subempreiteiros em determinados casos Relaciona bens excluídos da Apólice e outros bens nela incluídos, para expor que: portanto, os bens segurados, dentre outros, são os bens móveis e imóveis da companhia, localizados nas diversas áreas em que atua, seja administrativa, comercial, industrial ou outra qualquer. Esclarece que, distintamente da resposta dada pela contribuinte, os dispêndios com seguro em questão não se confunde com obrigação legal, citando Decreto- Lei n° 73/1966 (art. 22 e 20). Discorre acerca do seguro contratado e menciona PN Cosit/RFB 5, de 2018, e acrescenta: nem mesmo o seguro contra incêndio enquadra-se como insumo, pois mesmo sendo uma obrigação legal, é um item que não é específico à área de produção de bens ou serviços, mas imposto a toda e qualquer empresa, de qualquer segmento, conforme entendimento contido no PN Cosit/RFB n° 5/18, item 54, que transcreve. Conclui pela necessidade de glosa. 2.2.7- DEMAIS SERVIÇOS QUE NÃO SE ENQUADRAM COMO INSUMO [item não impugnado conforme se verá adiante] 2.3 BLOCO C Como item 2.3, aborda Bloco "C", no qual descreve que devem ser escrituradas operações de aquisição, venda ou devolução de mercadorias, bens e produtos, mediante emissão de documento fiscal definido pela legislação do ICMS e do IPI. Descreve também as orientações para registros e sua análise. Fl. 15253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Relaciona as aquisições abordadas: I- Aquisição de bens para revenda - SUCATA; II- Aquisição de bens utilizados como insumo/Aquisição de serviços utilizados como insumo – SUCATA e III- Aquisição de bens utilizados como insumo/Aquisição de serviços utilizados como insumo -DIVERSOS. E passa a abordar cada uma delas, discorrendo acerca das respectivas intimações, respostas, análises e planilhas em que discriminados os créditos glosados, sob os seguintes subtítulos: 2.3.1- AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA - SUCATA Consigna a Fiscalização que como as operações inseridas nos registros C170 eram de revenda, esperava-se que os estabelecimentos da Gerdau ao adquirir determinado bem, dessem saída a ele através de uma operação de venda. E descreve intimações, respostas e análises que ensejaram a constatação de tratar- se de aquisição para fabricação ou produção: ... cabe destacar que todas as notas fiscais aqui tratadas foram emitidas pela própria Gerdau pela aquisição de sucatas classificadas 7204.29.00 da TIPI. Conforme os esclarecimentos prestados pela contribuinte, as sucatas, ao serem adquiridas, passavam por processos de corte, trituração, prensa, entre outros, que alteravam as suas características, para, posteriormente, terem algum destino específico. Após o processo de industrialização, o bem (sucata) passava a ter um novo código de mercadoria. Trata-se, assim, de processo de fabricação [formas de industrialização previstas na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)] ou produção (atividades não consideradas como industrialização que promovem a transformação material de um insumo) conforme entendimento contido no PN Cosit/RFB n° 5/18, com trechos transcritos a seguir: Portanto, as sucatas adquiridas e os serviços de corte, trituração e prensa são insumos que compõem o processo de produção ou fabricação do bem (sucata com o novo código) destinado à venda; ou ainda, são insumos do insumo, uma vez que o novo bem (sucata com o novo código) poderá ser insumo no processo de fabricação de aço. Assim, as aquisições enquadram-se nos arts. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, o que impossibilita o desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins conforme prevê o art. 47 da Lei n°11.196/05. E remete à análise contida no item 2.3.2. Fl. 15254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 2.3.2- AQUISIÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMO E AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO - SUCATA Descreve intimações, respostas e constatação de que, com a exceção de poucos registros da planilha relacionados aos NCMs 44013100 e 26180000, confirmou o que fora constatado pela Fiscalização, ou seja, as mercadorias adquiridas classificavam-se na posição 7204 da TIPI conforme dados das notas fiscais de aquisição de sucatas. Tais aquisições enquadram-se nos arts. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Passa à análise deste tópico e do tópico 2.3.1, expondo: - uma das vedações previstas na legislação tributária à utilização do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins diz respeito à aquisição de bens classificados na posição 7204 da TIPI utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou seja, na forma de aquisição prevista no inciso II dos arts. 3° das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. É o que se depreende da leitura do art. 47 da Lei n° 11.196/05, o qual transcreve. - o dispositivo legal, em nenhum momento, implícita ou explicitamente, menciona o fornecedor do bem. A vedação ocorre quando o adquirente de um bem enquadrado em NCM específico, o utiliza como insumo em seu processo produtivo (arts. 3°, II das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03). - Diferentemente ocorre quando o bem adquirido é revendido pela pessoa jurídica, caso enquadrado nos arts. 3°, I das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Na regra geral, a pessoa jurídica descontaria os créditos das contribuições incidentes na operação, todavia, quando a aquisição de bens não estiver sujeita ao pagamento das contribuições, como é o caso da Suspensão, não haveria a possibilidade de aproveitamento dos créditos, como prevêem os arts. 3°, §2°, inciso II das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, de idênticas redações, que transcreve. - Conforme dispõe o art. 48 da Lei n° 11.196/05 e seu parágrafo único, a incidência das contribuições fica suspensa nas vendas de produtos classificados na posição 7204 da TIPI para as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real, desde que a pessoa jurídica fornecedora do produto não seja optante pelo Simples Nacional. Reporta-se à solução de Consulta COSIT n° 176 de 14/03/2017, em que se assinalou a vedação à apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que trata os arts. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, nas aquisições de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, classificados respectivamente nas posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02 e 80.02 da TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da Tipi, ainda que sejam adquiridos de pessoas jurídicas Fl. 15255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 optantes pelo Simples Nacional, apresentando, de acordo com referida Solução de Consulta, o seguinte resumo: a) O crédito é vedado, quando adquirido para uso como insumo (o crédito para mercadoria é o previsto no inciso I dos arts. 3° das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, enquanto a vedação do art. 47 é para o inciso II, que trata dos insumos); b) As empresas não optantes pelo Simples Nacional, quando venderem para pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, venderão com suspensão das contribuições; c) As empresas optantes pelo Simples Nacional tributarão normalmente suas vendas de sucatas, pelas alíquotas próprias do regime, ainda que vendam para empresas do Lucro Real; d) As empresas que adquirem com suspensão não tomarão crédito da não cumulatividade, quer utilizem a sucata adquirida como insumo (nesse caso, por duas vedações: a do art. 47 da Lei n° 11.196/05 que veda crédito sobre sucatas e a dos arts. 3°, §2°, inciso II das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 que vedam crédito sobre operações não tributadas anteriormente), quer a utilizem como mercadoria para revenda (nesse caso apenas pela vedação dos arts. 3°, §2°, inciso II das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03); e) As empresas que adquirem de fornecedores do Simples Nacional, portanto sem suspensão, poderão se creditar, exclusivamente, na hipótese de utilizarem a sucata como mercadoria para revenda, já que a vedação ao crédito quando usado como insumo, permanece por força do art. 47 da Lei n° 11.196/05. E conclui pela glosa dos créditos analisados nesse item, com base no art. 47 da Lei n° 11.196/05 c/c os arts. 3°, inciso II das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Ressalta que, em relação às operações tendo como Natureza da Base de Cálculo "Aquisição de bens para revenda", independentemente da destinação dada ao bem, 93% das aquisições das sucatas classificadas no NCM 72042900 ocorreram junto às empresas não optantes do Simples Nacional. Assim, além da vedação ao aproveitamento dos créditos citados no parágrafo anterior, a Gerdau não poderia descontar créditos das contribuições por conta da vedação imposta pelo arts. 3°, §2°, inciso II das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 c/c art. 48 da Lei n° 11.196/05. Os créditos das contribuições a serem glosados constam na planilha "REGISTROS C170 - TÓPICO 2.3.1 -OPTANTES", cuja consolidação integra a planilha "CONSOLIDAÇÃO MENSAL - REGISTROS C170 -TÓPICO 2.3.1 - OPTANTES" (doc. 50) O mesmo impedimento ocorre nas operações tendo como Natureza da Base de Cálculo "Aquisição de bens utilizados como insumo" ou "Aquisição de bens utilizados como insumo", pois independentemente da destinação dada ao bem, 90,6% das aquisições das sucatas classificadas na posição 7204 da TIPI ocorreram junto às empresas não optantes do Simples Nacional. Os créditos das contribuições a serem glosados constam na planilha "REGISTROS C170 - TÓPICO Fl. 15256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 2.3.2 - OPTANTES", cuja consolidação integra a planilha "CONSOLIDAÇÃO MENSAL -REGISTROS C170 - TÓPICO 2.3.2 -OPTANTES" (doc. 52). Esclarece, ainda, que, em relação às aquisições de sucatas de fornecedores não optantes do Simples Nacional, os créditos das contribuições a serem glosados constam nas planilhas "REGISTROS C170 - TÓPICO 2.3.1 - NÃO OPTANTES", cuja consolidação integra a planilha "CONSOLIDAÇÃO MENSAL - REGISTROS C170 - TÓPICO 2.3.1 - NÃO OPTANTES", e "REGISTROS C170 -TÓPICO 2.3.2 - NÃO OPTANTES", cuja consolidação integra a planilha "CONSOLIDAÇÃO MENSAL - REGISTROS C170 - TÓPICO 2.3.2 - NÃO OPTANTES" (docs. 49 e 51). 2.3.3- AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO ENQUADRADOS COMO INSUMO No item 2.3.3 a Fiscalização reitera a abordagem acerca de disposições das Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833 de 2003, do entendimento do STJ sobre conceito de insumo externado em julgamento com atributo de recurso repetitivo, dos posicionamentos da PGFN na Nota SEI n° 63/2018/PGFN-MF e da Receita Federal no Parecer Normativo COSIT/RFB n° 5, de 2018, reporta-se a resposta a intimação e analisa os seguintes dispêndios: a) Equipamento de Proteção Individual Cita Norma Reguladora (NR) 6, transcrevendo lista de EPI do anexo da referida Norma, esclarece que ao se elaborar a planilha "REGISTROS C170 - TIF n° 04" - AQUISIÇÕES DIVERSAS" encaminhada à contribuinte para apreciação, teve-se o cuidado de não relacionar os registros que representassem a aquisição dos equipamentos listados acima, uma vez que a própria Receita Federal, através do PN Cosit/RFB n° 05/2018, se manifestou no sentido de considerar o EPI como insumo. Transcreve art 172 da IN RFB 1911/2019 e ressalta: calça e camisa não são EPI e sim uniforme a ser usado pelos empregados da empresa, diferentemente de CALÇA ANTICHAMA ou CAMISA ANTICHAMA. b) Limpeza e Higiene, Bebedouros, Medicação e Alimentação Descreve a Fiscalização ter a contribuinte informado que os gastos em questão foram realizados por conta da imposição normativa da NR 24, itens 24.3 e 24.4. Aborda previsões da referida Norma Reguladora, consignando conter imposição dirigida a toda e qualquer empresa e concluindo ser evidente que os serviços aqui tratados não se enquadram no conceito de insumo. Transcreve excertos do PN Cosit/RFB 5, de 2018. c) Vigilância e Segurança Fl. 15257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Expõe a Fiscalização que, apesar de Gerdau considerar os serviços essenciais para a sua atividade, os serviços de vigilância e segurança constituem atividades intermediárias da pessoa jurídica, não se enquadrando como insumo por carecerem dos critérios estabelecidos pelo STJ. Cita a Solução de Consulta n° 67 - Cosit, de 20/01/2017 e Acórdão do CARF. d) Consultoria Consigna a Fiscalização nesse item que Da mesma forma, os serviços de consultoria são atividades intermediárias da pessoa jurídica. A Gerdau informou que os serviços foram aplicados em áreas técnicas da empresa, todavia não houve qualquer detalhamento em relação a esse fato. Deveria esclarecer qual a atividade foi beneficiada pela consultoria, a fim de demonstrar que o serviço foi essencial ou relevante ao seu processo produtivo. Assim, os serviços de consultoria não se enquadram como insumo. Menciona Acórdão do CARF. e) Consultoria em Informática Descreve que, de acordo com a Gerdau, os serviços de consultoria em informática eram imprescindíveis em todas as áreas desenvolvidas por ela, uma vez se tratar de consultoria no sistema SAP, o qual gerencia a produção, logística, estoque, remessas e contabilidade da empresa. Como os serviços se destinam a todas as áreas da Gerdau, caberia à empresa se creditar apenas dos valores inerentes à atividade de produção, desde que demonstrasse a relevância ou a essencialidades de tais serviços em seu processo produtivo de bens e serviços, a fim de enquadrá- los na definição de insumo, o que não ocorreu. f) Demais itens da planilha: Expõe que, para justificar o direito ao desconto dos créditos, a Gerdau procurou ampliar o conceito de insumo definido pelo STJ, o que não pode prosperar, de modo que com exceção da mercadoria descrita como "SUPERGRAF 08", os demais itens da planilha "REGISTROS C170 - TIF n° 04" - AQUISIÇÕES DIVERSAS" não se enquadram como insumo. E, a título ilustrativo, identifica, nos seguintes grupos, os itens que não se enquadram no conceito de insumos: -» Grupo ALIMENTAÇÃO, MANTIMENTOS, BEBIDAS, REFEIÇÃO E ASSEMELHADOS: Gêneros alimentícios e afins (açúcar, água mineral, bala, biscoito, chocolate, bolo, café, leite, pão, refrigerantes, carnes, doces, óleo de soja, ovos, pirulito, paçoca, suco, cerveja, cofees breaks, almoços, jantares, lanches e outros) -#■ Grupo MATERIAL DE LIMPEZA, HIGIENE, PERFUMARIA: Produtos e materiais de limpeza (sabão, detergente, sacos de lixo, baldes, esponjas, vassouras, lixeiras, papel toalha e outros Fl. 15258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 -#■ Grupo MATERIAL DE ESCRITÓRIO, INFORMÁTICA: Materiais de escritório e afins (cartão de visita, lápis, caneta, apagador, cola, corretivo, carimbo, clips, envelope, etiqueta, grampeador, papel A4, papel sulfite, mochila, pasta, tesoura e outros), confecção de banner —> Grupo ALMOXARIFADO: lanterna, insulfilme, fechadura, vidro, lâmpada, porta, armário, gesso e outros Grupo ASSINATURA (JORNAIS, PERIÓDICOS, ETC): Assinaturas do Jornal do Comércio, Folha de São Paulo, O Globo, O Estadão, Correio do Povo, Valor Econômico e outros Grupo BANDEIRA: diversos tipos de bandeira Grupo ATIVO: armário, mesa e outros Grupo BRINDE: troféu, cesta de nascimento, baralho e outros =*> Grupo CONFRATERNIZAÇÃO: buffet, kit aniversário e outros Grupo PRODUTOS FARMACÊUTICOS, MEDICAMENTOS: produtos farmacêuticos e de higiene pessoal, agulhas, algodão, álcool, atadura e outros Grupo PORTARIA E VIGILÂNCIA: serviço de porteiro e de agente de portaria e outros Grupo VESTUÁRIO: capa de chuva, calça, camisa, jaqueta, confecção de camisa e outros Conclui pela necessidade de glosa e reporta-se a planilha de identificação dos créditos glosados. 2.4-BLOCO D Aborda o Bloco "D", expondo que nele se escrituram as operações de prestação ou contratação de serviços relativas a serviços de transporte de cargas e/ou de passageiros, serviços de comunicação e de telecomunicação, mediante emissão de documento fiscal definido pela legislação do ICMS e do IPI. Descreve também: - as orientações para registros e sua análise, - a realização de pesquisas nos sistemas informatizados para vinculação de documentos de transportes registrados na EFD, conhecimentos de transportes e Notas Fiscais, - formulação de intimações referentes a dados residuais em relação aos quais não obtido sucesso na vinculação dos registros, reportando-se individualizadamente às intimações e tipos de fretes. 2.4.1- ANÁLISES: Discorre acerca das análises efetuadas, subdivididas sob os seguintes títulos: Fl. 15259DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 2.4.1.1- EXTRAÇÃO INICIAL DOS DADOS Descreve o procedimento de análise da qual se verificou impossibilidade de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes vinculados a 43 operações que relaciona às fls. 12767/12770: 1- Aquisição de bens - alimentos (descrição da mercadoria [NF-e]): Os bens não se enquadram como insumo 2- Aquisição de bens - bandeiras (descrição da mercadoria [NF-e]): Os bens não se enquadram como insumo 3- Aquisição de bens - cadeados e assemelhados (descrição da mercadoria [NF- e]): Os bens não se enquadram como insumo 4- Aquisição de bens - material de informática, segurança e escritório, utensílios e assemelhados (descrição da mercadoria [NF-e]): Os bens não se enquadram como Insumo 5- Aquisição de bens - material de limpeza, higiene e assemelhados (descrição da mercadoria [NF-e]): Os bens não se enquadram como insumo Aquisição de bens - material esportivo e assemelhados (descrição da mercadoria [NF-e]): Os bens não se enquadram como insumo 6- Aquisição de bens - produtos farmacêuticos, médicos e assemelhados (descrição da mercadoria [NF-e]): Os bens não se enquadram como insumo 7- Aquisição de bens - produtos farmacêuticos, médicos e assemelhados(descrição da mercadoria [NF-e]): Os bens não se enquadram como insumo 8- Aquisição de bens - uniforme não enquadrado como EPI (descrição do CFOP e descrição da mercadoria [NF-e]): Os bens não se enquadram como insumo 9- Aquisição de sucata classificada em NCM constante do art. 47 da Lei n° 11.196/05 utilizada como insumo (descrição da mercadoria, NCM e CFOP [NF-e]): Casos de vedação à utilização dos créditos das contribuições (art. 47 da Lei n° 11.196/05 c/c os arts. 3°, II das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03) e de Suspensão (art. 48 da Lei n° 11.196/05 c/c os arts. 3°, §2°, inciso II das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03). Neste último caso, quando os fornecedores de bens (sucatas) são empresas não optantes do Simples Nacional 10- Sem efeito 11- Remessa de sucata classificada em NCM constante do art. 47 da Lei n° 11.196/05 destinada à industrialização (descrição da mercadoria, descrição do CFOP e NCM [NF-e]): Caso de vedação à utilização dos créditos das contribuições (art. 47 da Lei n° 11.196/05 c/c os arts. 3°, II das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03) 12- Devolução de bens vendidos pela Gerdau (descrição do CFOP, entrada/saída e contribuinte (emitente) [NF-E]): Devolução de Vendas Fl. 15260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 13- Devolução de bens comprados pela Gerdau (descrição do CFOP, entrada/saída e contribuinte (emitente) [NF-E]): Devolução de Compras 14- Devolução de bem do ativo imobilizado de terceiro, recebido para uso no estabelecimento (descrição do CFOP [NF-E]) 15- Devolução a terceiro de vasilhame ou sacaria - containers (descrição do CFOP e descrição da mercadoria [NF-E]) 16- Devolução a terceiro de vasilhame ou sacaria - outros bens (CFOP e descrição da mercadoria [NF-E]) 17- Remessa a terceiro de vasilhame ou sacaria - vasilhames, estocadores, spiders e outros bens (descrição do CFOP e descrição da mercadoria [NF-E]) 18- Devolução à Gerdau de vasilhame ou sacaria - vasilhames, estocadores, spiders e outros bens (descrição do CFOP e descrição da mercadoria [NF-E] 19- Ingresso na Gerdau de vasilhame ou sacaria - vasilhames, estocadores, spiders e outros bens (descrição do CFOP e descrição da mercadoria [NF-E] 20- Remessa à Gerdau de vasilhame ou sacaria - vasilhames, estocadores, spiders e outros bens (descrição do CFOP e descrição da mercadoria [NF-E]) 21- Remessa de amostra grátis feita pela Gerdau (descrição do CFOP [NF-E]) 22- Remessa de amostra grátis à Gerdau - estocadores, sacaria (descrição do CFOP e descrição da mercadoria [NF-E]) 23- Remessa feita pela Gerdau de mercadoria ou bem para demonstração (descrição do CFOP [NF-E] 24- Remessa à Gerdau de mercadoria ou bem para demonstração (descrição do CFOP [NF-E]) 25- Retorno a terceiro de mercadoria ou bem recebido para demonstração (descrição do CFOP [NF-E]) 26- Remessa em bonificação, doação ou brinde feita pela Gerdau (descrição do CFOP [NF-E]) 27- Remessa pela Gerdau de bem por conta de contrato de comodato ou locação (descrição do CFOP [NF-E] 28- Retorno a terceiro de bem por conta de contrato de comodato ou locação (descrição do CFOP [NF-E]) 29- Emitente e destinatário das notas fiscais diversos da Gerdau - (CNPJ do contribuinte e do participante [NF-E]) 30- Transferência de bens do ativo imobilizado - diversos (descrição da mercadoria e descrição do CFOP [NF-E]) Fl. 15261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 31- Transferência de bens do ativo imobilizado - diversos (descrição da mercadoria [NFe]) 32- Transferência de bens do ativo imobilizado - paliteiro (descrição da mercadoria e CFOP [NF-e]) 33- Transferência de bens do ativo imobilizado. Remessa de mercadoria ou bem para demonstração (descrição da mercadoria e CFOP [NF-e]) 34- Transferência de bens do ativo. Remessa de bem por conta de contrato de comodato ou locação (descrição da mercadoria e CFOP [NF-e]) 35- Transferência de material de uso - uniforme não enquadrado como epi (descrição do CFOP e descrição da mercadoria [NF-e]) 36- Transferência de bem - enquadrado como ativo ou de uso ou consumo - não caracterizado como produto semielaborado (descrição da mercadoria e descrição do CFOP [NF-E]) 37- Transferência de mercadorias - material de escritório, informática e assemelhados, cadeados (descrição da mercadoria e descrição do CFOP [NF-e]) 38- Transferência de material de uso - limpeza, higiene, segurança e outros não caracterizados como insumo (descrição da mercadoria [NF-e]) 39- Transferência de vasilhame ou sacaria - estocadores (descrição do CFOP, descrição da mercadoria, CNPJ do contribuinte e do participante [NF-E]) 40- Transferência de produtos acabados para comercialização (descrição do CFOP [EFD ICMS IPI]) 41- Transferência de bens - partes, peças, máquinas e equipamentos (descrição da mercadoria, descrição do CFOP, CNPJ do contribuinte e do participante [NF-E]) 42- Transferência de sucata classificada em NCM constante do art. 47 da Lei n° 11.196/05 (descrição da mercadoria, descrição do CFOP e NCM [NF-E]): Caso devedação à utilização dos créditos das contribuições (art. 47 da Lei n° 11.196/05 c/c os arts. 3°, II das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03) Destaca terem sido analisados diversos Conhecimentos de Transporte Eletrônicos (CT-e) Complementares e exemplifica como foi considerada a vinculação às Notas Fiscais. Reporta-se à Planilha com relação das NF-e e vinculação com CT-e. Indica os itens em que justificada a impossibilidade de aproveitamento dos créditos, como segue: • itens 1 a 8,12 a 39 e 41: vide tópico 2.4.2.5. • itens 9,11, 42: vide tópico 2.4.2.4. • itens 40 e 43: vide tópico 2.4.2.3. Fl. 15262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 E expõe que, em relação à parte residual, a Gerdau foi intimada por meio dos TIF n°s 5, 6, 9, 10 e 12, acerca dos quais, nos itens 2.4.1.2 a 2.4.1.7 (fls. 12771/12783) passa a discorrer e a justificar a impossibilidade de desconto de créditos. A título de Natureza dos Fretes, passa a abordar a análise de cada matéria nos seguintes itens: 2.4.2 - NATUREZA DOS FRETES 2.4.2.1- TRANSPORTE DE PASSAGEIROS A Fiscalização identifica as operações conforme informações da contribuinte, constata não se referirem a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Descreve, ainda, em função de resposta a intimação, a constatação de impossibilidade de os serviços se enquadrem como insumo, citando PN Cosit/RFB n° 05/2018. 2.4.2.2- TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGA No item 2.4.2.2, Transporte Internacional de Cargas, reporta-se à Lei n° 10.833, de 2003, art. 3°, IX e art. 15, II; às Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, em seus art. 3°, § 2°, inciso II, e ao art. 14, V, c/c § 1° , da MP n° 2.158-35, de 24/08/2001, e expondo: No caso concreto, a Gerdau contratava transporte internacional junto a empresas nacionais para transportar mercadorias do Brasil para o exterior. A operação encerrava-se em si mesma, ou seja, o serviço de transporte internacional de cargas não era utilizado como insumo nem revendido. Não existia etapa posterior na Gerdau. Portanto, a Gerdau não poderia descontar créditos da contribuição nas operações de transporte internacional de carga. É o que se depreende da Solução de Divergência n° 3, de 20/01/2017, da Cosit: 2.4.2.3- FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS Reporta-se ao art. 3°, I, II e IX e ao art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003; à regulamentação das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 pela IN RFB n° 1.911, de 11/10/2019; ao Acórdão do STJ no julgamento acerca do conceito de insumo e seu efeito vinculante para a RFB; às duas situações em que, tratando-se de fretes o dispêndio com transporte, há direito à apuração de créditos, situações sobre as quais discorre: a) Quando o frete é tratado como integrante do custo de aquisição dos bens transportados Fl. 15263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 b) Quando o frete ocorrer em uma operação de venda e o ônus do seu pagamento for suportado pelo vendedor Para concluir: Conclui-se, portanto, que as despesas realizadas com fretes utilizados no transporte interno de produtos acabados entre os estabelecimentos da mesma empresa, com a finalidade de colocar os referidos bens mais próximos de seus clientes (compradores), , não geram créditos das contribuições. 2.4.2.4- FRETE NA AQUISIÇÃO DE BENS SUJEITOS À SUSPENSÃO DA CONTRIBUIÇÃO E/OU FRETE NA AQUISIÇÃO DE BENS CUJA UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS É VEDADA Reprisa as duas situações em que o dispêndio com transporte gera direito à apuração de créditos e reporta-se à Solução de Consulta COSIT n° 292, de 13/06/2017, ao art. 167 da IN RFB 1911, de 2019, à Solução de Consulta COSIT n° 265, de 24/09/2019, discorrendo sobre a questão, para concluir que: Portanto, nos serviços de transporte pagos pela Gerdau na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (casos de suspensão), ou cuja utilização dos créditos é vedada conclui-se que há previsão legal que não permite o desconto do crédito das contribuições em relação a esses dispêndios. Conclui-se, portanto, que as despesas realizadas com fretes utilizados no transporte de sucatas classificadas nas posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02 e 80.02 da TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do seu Capítulo 81 - operações relativas aos itens 9, 11 e 42 do tópico 2.4.1.1, item 44 do tópico 2.4.1.2, itens 47, 49 e 51 do tópico 2.4.1.3, item 52 do tópico 2.4.1.4, item 54 do tópico 2.4.1.5 e item 55 do tópico 2.4.1.6 -, não geram créditos das contribuições. 2.4.2.5- DEMAIS FRETES Expõe a Fiscalização: Vimos anteriormente as situações em que os dispêndios com transporte geram direito à apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Pelo fato, as operações constantes do tópico 2.4.1.1 relacionadas aos itens 1 a 8 (frete na aquisição de bens não enquadrados como insumos), 12 (frete na devolução de vendas), 13 (frete na devolução de compras), 14 a 28 (frete nas devoluções e remessas de bens do ativo imobilizado, de material de uso e consumo, de vasilhames e sacarias, de amostra grátis, de bens para doação, etc), 30 a 39 e 41 (frete na transferência de bens do ativo, de material de uso ou Fl. 15264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 consumo e de vasilhames ou sacarias) não dão direito ao desconto de crédito do PIS/Pasep e da Cofins por falta de previsão legal, uma vez que não se referem à frete na aquisição de insumos, frete na transferência de produtos semielaborados ou à frete na venda de mercadorias. As operações relacionadas ao item 29 não dão direito ao desconto de crédito do PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que não se referem à frete de mercadorias adquiridas ou vendidas pela Gerdau. As operações relacionadas aos itens 46 (tópico 2.4.1.2), 48 e 50 (tópico 2.4.1.3) não dão direito ao desconto de crédito do PIS/Pasep e da Cofins, pois a contribuinte não soube informar a natureza da operação, o tipo de mercadoria transportada, a sua classificação fiscal, dentre outros elementos. Reporta-se à planilha de que constam os créditos glosados. Como item 3 (fls. 12.800) aborda a APURAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS, discriminado: 3.1- CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES A SEREM GLOSADOS, item em que expõe os valores que compõem as bases de cálculo e os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a serem glosados constam nas planilhas abaixo relacionadas (docs. 39 a 54): ❖ REGISTROS A170 - TÓPICO 2.1.1 ❖ REGISTROS D100 - TÓPICO 2.4 Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estão totalizados nas tabelas a seguir: Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep a Glosar: Fl. 15265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Créditos da Cofins a Glosar: E esclarece: Conforme demonstrativos a seguir, cujos dados foram extraídos dos registros 1100 (PIS/Pasep) e 1500 (Cofins) das EFD-Contribuições, houve saldos remanescentes de créditos das contribuições nos períodos de julho, novembro e dezembro do ano-calendário de 2017, sendo o saldo de julho aproveitado integralmente no mês de agosto pela contribuinte (docs. 1 e 1.1). Fl. 15266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Pelo fato e em benefício da contribuinte, promoveram-se ajustes em relação ao aproveitamento dos créditos nos meses de julho, novembro e dezembro de 2017, gerando no mês de agosto de 2017 um aproveitamento indevido de créditos de PIS/Pasep, no valor de R$ 618.276,77, e de Cofins, no valor de R$ 2.823.037,03, objeto de Auto de Infração. Outrossim, esclareço que restaram, em dezembro de 2017, saldos remanescentes de créditos de PIS/Pasep, no valor de R$ 151.758,23, e de Cofins, no valor de R$ 649.086,80, a serem utilizados pela contribuinte, conforme demonstrativos: Fl. 15267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 3.2- APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS Com base nas irregularidades descritas neste termo, calcularam-se os valores a lançar da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, relativamente aos períodos de apuração fiscalizados, cujos valores mensais, totalizados abaixo, serão objeto de lançamento. Fl. 15268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Ressalta que nos períodos de apuração em que houve saldo a pagar de PIS/Pasep e COFINS informados nas EFD-Contribuições, estes foram declarados em DCTF (docs. 1.2 e 1.3). 4 - CONCLUSÃO Conclui pela formalização do lançamento, em função das infrações constatadas, e informa que todos os termos lavrados foram encaminhados ao domicílio Fl. 15269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 eletrônico da contribuinte junto à RFB e fazem parte do dossiê eletrônico n° 13031.083840/2020-36. Também fazem parte do dossiê eletrônico os documentos apresentados pela Gerdau em atendimento às intimações. Entre outros, encontram-se Termos de Anexação de Arquivos Não pagináveis relativos aos itens do Termo de Verificação Fiscal, assim intitulados: Fl. 15270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Cientificada da autuação em 26/11/2021 (fls. 12866), a Interessada solicitou em 27/12/2021 (fls. 12876) a juntada de Impugnação de fls. 12879/12954, acompanhada de documentos, com as razões de defesa a seguir sintetizadas: Inicia a Interessada registrando a tempestividade da defesa e, ao expor os fatos identifica-se como uma das maiores empresas do Brasil, com presença industrial em 10 (dez) países e conta com mais de 30.000 (trinta mil) colaboradores para o regular desenvolvimento de suas atividades, detém ações listadas nas bolsas de São Paulo, Nova York e Madri, ... possui mais de 30 (trinta) unidades produtoras de aço, sendo reconhecida, inclusive, como a maior recicladora de sucata da América Latina, desenvolve suas atividades de forma amplamente diversificada e verticalizada. Exemplificando, ao invés de promover a aquisição de carvão pronto de terceiros - imprescindível para o pleno funcionamento de suas caldeiras siderúrgicas -, a Impugnante planta e cultiva florestas [Atualmente, são 250 mil hectares de florestas plantadas de eucalipto], que produzirão a madeira a ser transformada em carvão vegetal. Ainda, embora pudesse vender seus produtos para distribuidores independentes, a impugnante possui um departamento comercial e uma rede de distribuição própria, justamente para assegurar a notória qualidade de suas mercadorias. Informa ter por atividade econômica principal a produção de laminados longos de aço, mas, para exercer tal propósito, atua igualmente no cultivo de eucalipto, na produção de carvão vegetal, nas atividades de apoio à produção florestal, na geração e comércio de energia elétrica, na representação comercial de combustíveis, minerais, produtos siderúrgicos e químicos, no comércio atacadista de produtos siderúrgicos e metalúrgicos, dentre outros (Doc Identificação). Consigna a concordância com a exigência na parcela que identifica por meio da tabela a seguir reproduzida, informando ter recolhido o correspondente crédito tributário pelo que solicita a extinção das respectivas exigências: Fl. 15271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Com ressalva aos valores com os quais concordou, discorda das exigências remanescentes. Fl. 15272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Como tópico IV, a título de DIREITO, defende o CANCELAMENTO INTEGRAL DA EXIGÊNCIA, apresentando seis argumentos em subtópicos como segue. IV.A INSUMOS EMPREGADOS NA ATIVIDADE ECONÔMICA DA IMPUGNANTE. Cita art. 3°, inciso II, das Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, a ilegalidade das Instruções Normativas 247/02 e 404/04, Julgamento de Recurso Especial n° 1.221.170/RS, e o conceito de insumo com obediência aos critérios da essencialidade ou relevância (itens 14 a 21). E passa a defender individualizadamente a possibilidade de apuração de créditos decorrentes dos gastos a seguir relacionados, os quais, em apertada síntese, argumenta serem gastos necessários a sua atividade e a obtenção de receitas, citando julgados do CARF, normas de legislação trabalhista, exigências para licenciamento de atividade, Soluções de Divergência e de Consulta da COSIT. IV.A.1 - GASTOS COM SEGURANÇA (itens 22 a 36 da peça de defesa) reportando- se ao item 2.1.1.1.1, 2.1.1.7 e 2.2.6 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) A Interessada defende tratar-se de despesas necessárias para assegurar a proteção patrimonial, abrangendo sua produção e comercialização de seus produtos, qualifica os dispêndios também como custos indiretos ou gerais de produção, essenciais ao funcionamento de qualquer empresa. Admite que os custos não têm função ativa no processo industrial, mas sim no sistema de geração de receitas da Impugnante. Reporta-se a juntada de Boletins de Ocorrência e Relatórios de Não Conformidade, para demonstrar que, mesmo aplicando vultosos recursos na proteção patrimonial, ocorrem depredações e invasões que fazem parte do cotidiano de uma empresa do porte da Impugnante, aferindo o resultado das contratações de vigilância, segurança de pessoas e bens e gastos com Portaria mediante aferição pelo método classificado como "perdas totais, perdas recuperadas e perdas efetivas" e análise das perdas evitadas. Registra a necessidade dos dispêndios para controle da observância de normas internas e uso de EPI, contribuindo para a continuidade do processo de produção e a segurança física dos empregados. Reporta-se à contratação de seguro destinado à proteção de seu patrimônio, composto não só por seus bens materiais, mas sobretudo pela mão-de-obra empregada em sua atividade, reproduzindo excertos de contrato com a MAPFRE (fls. 10.007/10.084) IV.A.2 - DOS GASTOS COM SAÚDE (itens 37 a 49) reportando-se aos itens 2.1.1.1.2 (Fisioterapia e fisicultor, fonoaudiologia, ginástica, dança, esportes, natação e demais, medicina, serviços de enfermagem, serviços hospitalares e serviços médicos) e 2.1.1.3 (Análise clínica laboratorial, biologia e biomedicina, raio X, radioterapia, quimioterapia, ressonância) do TVF Fl. 15273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 A interessada reprisa os argumentos apresentados no curso do procedimento, alegando que as despesas são exigidas pela legislação trabalhista, citando art. 168 da CLT e Norma Regulamentadora n° 4 do Ministério do Trabalho e Emprego e reportando-se a serviços pagos para realização de exames admissionais, demissionais e periódicos exigidos por lei, bem como outras utilidades imprescindíveis para a manutenção da saúde física e mental dos colaboradores. Acrescenta que, para a atividade de siderurgia e em função do número de funcionários, estava obrigada a empregar em diversas unidades, além dos profissionais relacionados à segurança do trabalho, também auxiliares de enfermagem e/ou médicos do trabalho. Como consequência, diversas unidades dispõem de enfermaria, para as quais adquire material médico. Expõe também que investe na saúde de seus empregados mas teria de arcar com esses custos ainda que não quisesse, uma vez que a legislação brasileira determina que a empresa arque com esses custos. Reporta-se, ainda, a Convenções Coletivas de Trabalho que regulam as relações de emprego mantidas pela Impugnante e afirma serem despesas essenciais para atividade empresarial porque exigidas por lei e caracterizam-se como insumos imprescindíveis para obtenção de receita. IV.A.3 - DOS GASTOS COM JARDINAGEM (itens 50 a 56) opondo-se ao item 2.1.1.1.3 do TVF Em sua defesa alega a Impugnante que: - como demonstrado no curso do procedimento, em razão da extensão de suas atividades, são comuns, necessários e essenciais os gastos com prestadores de serviços de jardinagem, não só para a manutenção de um ambiente de trabalho adequado para seus funcionários, mas sobretudo para emprego na parte florestal de seu processo produtivo; - a Impugnante possui uma estrutura verticalizada, atuando desde a produção (plantação) da madeira que será transformada em carvão para emprego nas caldeiras siderúrgicas ou metalúrgicas. Embora tenha como atividade principal a produção de laminados longos de aço, a Impugnante atua igualmente no cultivo de eucalipto, na produção de carvão vegetal e em temas correlatos à produção florestal, pelo que é obrigada a contratar empresas especializadas na atividade de jardinagem. - também é necessária a manutenção de áreas verdes que circundam os seus estabelecimentos, inclusive, para obtenção de licença de operação pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental "FEPAM", portanto, necessários os gastos para a atividade econômica da Impugnante, ainda que relacionadas à esfera agrícola de seu processo produtivo. Apresenta excertos de licença de operação da Fepam. Cita julgado do CARF. Fl. 15274DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 IV.A.4 - DOS GASTOS COM PUBLICIDADE (itens 57/65) opondo-se ao item 2.1.1.1.4 do TVF. Defende a Interessada que as despesas dão ensejo à tomada de crédito alegando tratar-se de dispêndios com campanhas e eventos de marketing, organização de feiras e congressos etc. Defende a necessidade de comunicação com potenciais clientes e para dar conhecimento sobre os produtos, sobre a empresa, motivar e conquistar as pessoas, o que só é possível com propaganda. Desse veículo se valem todas as empresas, em maior ou menor grau. O próprio Governo Federal, tanto na administração direta quanto na indireta, é usuário permanente dos mais diversos meios de comunicação para propagar suas atividades, feitos e serviços. Expõe inexistir nas Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, vedação expressa para esse tipo de crédito, sendo necessário integrar a lacuna legislativa com base no comando constitucional da não cumulatividade. Cita julgado do CARF e decisão judicial proferida no âmbito do TRF da 4a Região e defende que por contribuírem fortemente para a geração de receitas e serem pertinentes e relevantes à atividade de vender aço (consectário da atividade de produzir), os gastos com propaganda devem ensejar créditos de PIS e COFINS. IV.A.5 - DOS GASTOS COM AUDITORIA, CONSULTORIA E ANÁLISE TÉCNICA (itens 66 A 75) opondo-se aos itens 2.1.1.2 E 2.1.1.18 do TVF A Impugnante defende fazer jus aos créditos dos itens 2.1.1.2 e 2.1.1.18 do TVF, que informa decorrerem de despesas incorridas com assessoria, avaliação, pesquisa ou perícia, consultoria e análise técnica, que compreendem consultorias de diversos ramos como segurança do trabalho, equipamentos, ambiental, química, informática, tecnologia, engenharia, despachos aduaneiros, energia, recursos humanos. Assevera que a contratação de consultorias/assessorias busca melhorar processos industriais e administrativos (avaliações, comunicação, saúde ocupacional, desenvolvimento, etc.). Por vezes, visa resolver determinado problema, noutras, atingir padrão de qualidade compatível com a empresa. Argumenta que esse tipo de contratação ocorre para suprir a falta de domínio de determinado conhecimento e entende que seja relacionada à indústria, à administração ou aos empregados, as despesas são pertinentes e relevantes ao objeto social da Impugnante porque impactam no padrão de qualidade oferecido pela empresa em relação aos seus produtos/serviços. Reporta-se a Doc_ Comprobatório009. Defende também apuração de crédito de dispêndios com serviços de auditoria contábil, sob argumento de que a contratação de auditoria contábil não era Fl. 15275DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 liberalidade da Impugnante, mas inequívoca imposição legal do art. 177, §3°, da Lei n° 6.404/76. Menciona serviços prestados por A. S. MAIS EVENTOS LTDA. ME (CNPJ 13.216.024/0001-24) e ECOPLANTARE SERVIÇOS FLORESTAIS LTDA (CNPJ 22.247.701/0001-62) referentes especialmente a "renovação da ART das linhas de vida do talude do pátio de caminhões e fábrica" e "elaboração de laudo de caracterização de vegetação", alegando serem igualmente indispensáveis e totalmente relevantes para o adequado funcionamento do processo produtivo da Impugnante. Cita julgados do CARF. IV.A.6 - DOS GASTOS COM AGENCIAMENTO OU INTERMEDIAÇÃO DE BENS (itens 76 a 82) opondo-se aos itens 2.1.1.4 e 2.1.1.6 do TVF Menciona a glosa de créditos sobre "serviços de intermediação" em programa de estímulo ao aumento da produtividade (fl. 12.603), consubstanciados nos itens 2.1.1.4 e 2.1.1.6 do TVF, alega serem os serviços essenciais e relevantes para suas atividades e decorrerem de imposição legal, pois Convenções Coletivas do Trabalho possuem força normativa , na forma do art. 611 da CLT, que transcreve. Reporta-se a Acordo Coletivo anexo (Doc_Comprobatórios007), expondo demonstrar que os programas relacionados à produtividade dos colaboradores configuram uma imposição legal, sendo, portanto, insumo passível de creditamento pelo PIS e Cofins. IV.A.7 - DOS GASTOS COM COMISSÕES PAGAS AOS REPRESENTANTES COMERCIAIS (tens 83 A 91) opondo-se ao item 2.1.1.5 do TVF Argumenta a Interessada que: - Os representantes comerciais da Impugnante realizam a intermediação das vendas, aproximando os potenciais clientes e agenciando pedidos. Estão a par dos projetos, empresas e produtos que demandam aço e possuem contato com os potenciais clientes, fazendo o trabalho de explicar as especificidades técnicas, aconselhar sobre produtos, oferecê-los, preparar propostas e intermediar a negociação; - a manutenção do desempenho da Impugnante, do nível de suas receitas (e consequente arrecadação de PIS e COFINS) e da atividade comercial dependem das empresas de representação comercial; - as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 excetuaram da regra geral de concessão do direito de crédito sobre aquisição de 'bens e serviços utilizados como insumos', apenas e tão somente um tipo específico de comissão, nos termos do inciso II, parte final, do art. 3° das mencionadas leis, o que permite concluir que comissões são insumos,... como também se pode depreender que apenas aquela expressamente excluída do campo de vedação é que não dá direito a crédito. Fl. 15276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Acrescenta que, em relação aos serviços de despachante, o entendimento se aplica igualmente, por se encontrarem umbilicalmente ligados à geração de receitas - tributáveis pelo PIS e COFINS - da Impugnante Cita julgado do CARF para defender o direito ao crédito em relação às despesas com comissões e despachantes. IV.A.8 - DOS GASTOS COM LIMPEZA, MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO (itens 92 a 103) opondo-se aos itens 2.1.1.1.1, 2.1.1.10 e 2.1.1.12 do TVF Alega a Impugnante que a manutenção do parque industrial é essencial para garantir a atividade da linha de produção, exigindo a indústria siderúrgica altos investimentos em manutenção (que classifica como preventiva, preditiva e corretiva), pois a natureza bruta e pesada de sua atividade compromete muito os equipamentos que fabricam e transformam o aço. Reporta-se a serviços empregados substancialmente na linha direta de produção, reproduzindo os seguintes excertos (fazendo referência a fls. 5.960 e seguintes): Cita julgado do CARF. Defende também gerarem direito a crédito os gastos correlatos com serviços de limpeza, detergente, pano, sabão, lavagem etc, de manutenção predial, de instalações elétricas, eletrônicas, hidráulicas, entre outros, e informa: Fl. 15277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Essas atividades de limpeza, desinfecção e higienização não ocorrem somente nas máquinas e equipamentos utilizados no processo de industrialização, mas igualmente nas demais dependências da Impugnante, por expressa imposição regulamentar do Ministério do Trabalho e Emprego (Norma Regulamentadora n° 24): É dizer, além de ser uma obrigação legal, a falta de limpeza adequada prejudicaria a própria continuidade do negócio e da Impugnante no longo prazo, motivo pelo qual os custos dessas atividades estão compreendidos no conceito de insumos. Cita julgado do CARF e entende que deve ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e Cofins sobre as despesas com serviços e materiais de limpeza, bem como destinados à manutenção industrial, porque essenciais para o bom funcionamento das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, bem como das boas condições de trabalho e higiene de seus funcionários. IV.A.9 - DOS GASTOS COM RECRUTAMENTO E SELEÇÃO, SERVIÇO TEMPORÁRIO E LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA (itens 104 a 108), opondo-se aos itens 2.1.1.11 do TVF Para defender-se das glosas descritas no item 2.1.1.11 do TVF, transcreve ementa da Solução de Divergência COSIT 29/2017 e alega equívoco da autoridade Administrativa justamente porque a mão-de-obra contratada pela Impugnante é direta ou essencialmente empregada em suas atividades econômicas. Acrescenta que apesar de toda a mão-de-obra contratada pela Impugnante ser empregada efetivamente no desenvolvimento de sua atividade econômica, o que já seria capaz de evidenciar a absoluta fragilidade do lançamento realizado pela Autoridade Administrativa, convém notar que diversas notas fiscais acostadas aos presentes autos no curso da fiscalização já apontaram que os serviços tomados pela Impugnante referem-se a profissionais efetivamente empregados em seu processo produtivo. Objetivando comprovar sua alegação reproduz documentos seguintes, fazendo menção a fls. 5.761 em diante, a seguir reproduzido: Fl. 15278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 E defende que: 107. Nesse contexto, se houvesse qualquer dúvida por parte da Autoridade Administrativa a respeito da importância de tais profissionais na consecução das atividades da Impugnante, inclusive os empenhados na estocagem de insumos necessários à fabricação de seu produto final, a solução teria sido buscar maiores informações a respeito do processo produtivo analisado, em atenção ao comando estatuído no art. 142 do CTN24, sob pena de inafastável nulidade por vício material, Cita julgado do CARF e afirma o direito ao crédito sobre os dispêndios em questão. IV.A.10 - DOS GASTOS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS (itens 109 a 112) opondo-se a itens 2.1.1.4, Fl. 15279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 2.1.1.13, 2.2.3 e 2.4.2.1 do TVF e abordando: IV.A.10.1 - ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA DO TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS (itens 113 a 118) IV.A.10.2 - TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. IMPOSIÇÃO LEGAL (itens 119 a 134) IV.A.10.3 - TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. EMPREGADOS ATUANTES NO PROCESSO PRODUTIVO (itens 135 a 140) Em sua defesa, assevera ter esclarecido (fls. 12623 do TVF) que tais serviços "são absolutamente essenciais a qualquer atividade empresarial. Sem empregados não haveria produção, B 50 venda, receita, tampouco a própria empresa. A essencialidade desses gastos decorre da própria essencialidade dos empregados para o desenvolvimento da atividade produtiva e comercial. Além de essenciais à atividade da empresa, são também decorrentes de obrigações legais. Estes elementos têm caráter de pertinência e relevância ao processo de comprar, produzir e vender. Todos os serviços foram tomados de fornecedores nacionais e, portanto, sofreram a incidência das contribuições na etapa anterior." Defende a essencialidade e relevância do transporte de funcionários, expondo que os estabelecimentos da impugnante estão usualmente em áreas industriais, afastados de centros urbanos, em regiões não servidas por transporte público, e, ainda, que a empresa opera de forma ininterrupta, em turnos que exigem transporte dos funcionários. Cita julgado do CARF. Argumenta também que a contratação desses serviços de transporte decorre de exigência legal. Invoca critério da relevância, julgado do STJ e art. 1° da Lei n° 7.418, de 1985, que instituiu o vale-transporte, e Solução de Consulta DISIT/SRRF07 n° 7081, de 2020. Entende ser inquestionável o direito a crédito sobre gastos com vale-transporte, o que necessariamente abrange os dispêndios feitos com agentes de intermediação de tais aquisições, como no caso do contrato celebrado entre a Impugnante e a TICKET SERVIÇOS S/A. Estende os argumentos a dispêndios com Ticket Car, reportando-se ao TVF (fl. 12603) Alega ainda que a disciplina normativa da matéria não fica limitada ao vale- transporte, porque a obrigação do fornecimento de vale-transporte pode ser satisfeita também pela via do transporte próprio ou do transporte contratado Fl. 15280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 junto a terceiros, conforme estabelece o Decreto n° 95.247/1987 que regulamenta a Lei n° 7.415/1985. Reitera a existência de obrigação legal imposta à Impugnante, de fornecer vale- transporte a seus funcionários - obrigação essa (i) que, no entender da própria RFB, autoriza a apropriação de créditos das contribuições sobre os respectivos gastos e (ii) que pode ser cumprida de duas formas: seja pelo fornecimento do vale-transporte, seja pelo fornecimento de transporte por meios próprios ou contratado junto a terceiros. Conclui pelo direito ao crédito seja porque os serviços de transporte de funcionários são essenciais e relevantes para as atividades desenvolvidas, seja porque tal transporte decorre de exigência legal. Invoca Solução de Consulta COSIT n° 45, de 28/05/2020, reprisa que estabelecimentos dedicados à fabricação de aço estão usualmente situados em áreas industriais, afastadas de centros urbanos, em regiões que não são servidas a contento por transporte público e que atuam em turnos ininterruptos. Assevera ser justamente das despesas com transporte de funcionários atuantes nos estabelecimentos dedicados à fabricação de aço que a Impugnante apropriou créditos de PIS e COFINS, reportando-se a "Planilha contendo a quantidade de Colaboradores com Fretado" (Doc_Comporbatorios011), a "Planilha contendo a quantidade de Colaboradores com Vale Transporte" (Doc_Comporbatorios012), bem como as Notas Fiscais dos serviços de transporte contratados (Doc_Comporbatorios013). Afirma ainda que, conforme se depreende da "Planilha contendo a quantidade de Colaboradores com Fretado" anexa, ao menos 76% dos funcionários que utilizam transporte fretado são alocados diretamente no processo produtivo, sendo que apenas outros 24% dos colaboradores transportados são alocados na administração, entregas e distribuição. A obrigação legal de fornecimento de transporte, contudo, abrange 100% dos colaboradores da Impugnante Conclui que seja porque os serviços de transporte de funcionários são essenciais e relevantes para as atividades desenvolvidas, seja porque tal transporte decorre de exigência legal, ou, até mesmo porque os empregados transportados são, em sua enorme maioria, alocados no processo de produção da Impugnante, deve ser revertida a glosa. IV.A.11 - DOS GASTOS COM INFORMÁTICA (itens 141 a 148) opondo-se aos itens 2.1.1.15, 2.2.4 e 2.3.3 do TVF, questionando, no subitem IV.A.11.1, o rateio utilizado na autuação, mediante arguições de: V.A.11.1 - INAPLICABILIDADE DO ART. 35 DA LEI N° 12.058/2009 E IMPOSSIBILIDADE DA SEGREGAÇÃO DE DESPESAS COM BASE NOS CRITÉRIOS DEFINIDOS NOS §§ 8° E 9° DO ART. 3° NO CASO DE INSUMOS VINCULADOS À MESMA RECEITA (itens 149 a 158) Fl. 15281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 V.A.11.2 - ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA DOS DIVERSOS SERVIÇOS DE INFORMÁTICA PARA AS ATIVIDADES DA IMPUGNANTE (itens 159 a 171) V.A.11.3 - NECESSIDADE DE PERÍCIA OU, NO LIMITE, DE ARBITRAMENTO DO RATEIO EXIGIDO: IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA TOTAL DOS CRÉDITOS (itens 172 a 176) A Interessada ressalta que, dada sua importância, os serviços relacionados à tecnologia da informação representam uma parcela relevante dos custos da indústria de produção do aço. Discorda das glosas consubstanciadas nos itens 2.1.1.15, 2.2.4 e 2.3.3 do TVF alegando que não é sempre possível proceder com o rateio nos moldes exigidos pela i. Fiscalização, e que os serviços de informática, em sua integralidade, são essenciais e relevantes para as atividades desenvolvidas pela Impugnante. Defende a inaplicabilidade do art. 35 da Lei n° 12.058/2009 e impossibilidade da segregação de despesas com base nos critérios definidos nos §§ 8° e 9° do art. 3° no caso de insumos vinculados à mesma receita. Alega que: - a previsão de rateio do citado art. 35 refere-se a créditos regulares e presumidos, enquanto que, no presente caso, trata-se exclusivamente de créditos regulares; - o rateio como proposto no parágrafo 8° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 é pautado na existência de receitas distintas, não sendo cabível diante de despesas vinculadas a receitas integralmente tributadas com base no regime não cumulativo. Acrescenta que tais serviços de informática, ainda que não sejam facilmente visualizados no chão de fábrica, inquestionavelmente influenciam as atividades ali desempenhadas, visando propiciar à Impugnante a gestão de seus processos, o que é imprescindível não só para assegurar a continuidade da produção com os padrões adequados, mas também para garantir a obtenção da receita que servirá de base de cálculo do PIS e Cofins. Discorre acerca da essencialidade e relevância dos serviços de informática para as atividades da Impugnante, reportando-se a salas de comando, sistemas de controle de produção, gestão de insumos e outros fatores de produção, como a captação e disponibilização de informações gerenciais relevantes para os mais diversos setores da empresa permitem o controle de custos, de estoques, a compra de matérias primas e insumos no momento e nas quantidades corretas, o acompanhamento da fabricação conforme demanda, a organização dos produtos na área de expedição, o faturamento das vendas, enfim, todos os aspectos diretos e indiretos da fabricação dos produtos destinados à venda, e também para divulgação de informações consolidadas ao mercado (nos termos do art. 176 da Fl. 15282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Lei n° 6.404/76) e a própria prestação de informações ao Fisco, ambas obrigações legais da Impugnante. Cita julgados do CARF e da CSRF. Reporta-se a contratos anexos, firmados com a PRIMESYS (Doc_Comporbatorios014), BLUECIELO (Doc_Comporbatorios015), EQUANT (Doc_Comporbatorios016), IBM Brasil (Doc_Comporbatorios017) e SAP BRASIL (Doc_Comporbatorios018) alegando reforçarem a relevância e essencialidade dos softwares e serviços adquiridos, dessas empresas, pela Impugnante. Defende também a necessidade de Perícia ou Arbitramento do rateio exigido, dada a impossibilidade de glosa total dos créditos, alegando que, se a Autoridade Administrativa reconhece a existência de, pelo menos, parte dos créditos apropriados pela Impugnante, não pode ser admitido que a glosa promovida alcance a totalidade de tais créditos. IV.A.12 - DOS GASTOS COM ITENS EQUIVOCADAMENTE NÃO ENQUADRADOS COMO INSUMOS (item 177 a 187) opondo-se ao item 2.3.3 do TVF A Interessada faz ressalva a valores recolhidos referentes a concordância com parte das glosas do item 2.3.3 do TVF, reportando-se aDoc_Comprobatório003 e expondo: o detalhado exame dos itens glosados aponta para o indeferimento do direito de crédito sobre itens empregados em equipamentos de proteção individual (EPIs), limpeza e higiene, bebedouro, medicação e alimentação, vigilância e segurança, consultoria, consultoria em informática e demais itens da planilha (material de escritório, assinatura de jornais, periódicos, brinde, confraternização, vestuário etc.). 180. Exceto os itens relativos à equipamento de proteção individual que serão objeto do presente tópico, as demais aquisições apesar de gerarem inequívoco direito ao crédito, foram quitadas pela Impugnante (Doc_Comporbatorios003). Registra a obrigatoriedade de fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPI), conforme art. 166 da CLT, Norma Regulamentadora n° 6 do MTE e Convenções Coletivas de Trabalho. Apresenta fotos indicando utilização de EPI e cita julgado do CARF. IV.A.13 - DOS GASTOS COM AQUISIÇÃO DE SUCATA (itens 188 a 194) opondo-se aos itens 2.1.3.2, 2.3.1 e 2.3.2 do TVF Fl. 15283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 IV.A.13.1 - JULGADO DO STF EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL À TESE N° 304 (itens 195 a 198) IV.A.13.2 -FORNECEDORES DE SUCATA OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL À ÉPOCA DO CREDITAMENTO (itens 199 a 200) IV.A.13.3 - INEXISTÊNCIA DE CONTROVÉRSIA EM RELAÇÃO À CLASSIFICAÇÃO DA SUCATA ADQUIRIDA PELA IMPUGNANTE COMO INSUMO (itens 201 a 204) IV.A.13.4 - DIREITO A CRÉDITOS DE PIS/COFINS SOBRE AQUISIÇÕES JUNTO A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL (itens 205 a 208) IV.A.13.5 - LEI N° 11.196/2005: REGIME TRIBUTÁRIO PARA SUCATAS E DIREITO A CRÉDITOS NAS AQUISIÇÕES JUNTO A EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL (itens 209 a 218) IV.A.13.5 - CRÉDITOS SOBRE A IMPORTAÇÃO DE SUCATA SUJEITA AO PIS/COFINS IMPORTAÇÃO (itens 219 a 221) Assevera a defesa (fls. 12929) que no desenvolvimento de suas atividades operacionais, a Impugnante adquire junto a diversos fornecedores, desperdícios, resíduos e sucata de ligas de aço (que serão referidos genericamente como "sucata"), classificados no código 7204.29.00 da NCM. Tais bens são utilizados pela Impugnante diretamente em seu processo produtivo, evidenciando sua essencialidade e relevância nesse contexto. Reporta-se ao julgado do STF que fixou a tese de Repercussão Geral n° 304, consignando que "são inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis". Invoca o art. 3° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1, de 12 de fevereiro de 2014 - - em leitura conjunta com o Parecer SEI n° 18616/2021/ME37 -, e alega vincular esta c. DRJ às decisões definitivas de mérito, proferidas pelo e. Supremo Tribunal Federal em regime de Repercussão Geral, tendo em vista já ter ocorrido a publicação da ata do julgamento, elemento que resulta na atribuição dos efeitos do julgado a todos, todas as glosas relativas à aquisição de sucatas devem ser afastadas. Afirma, também, que os Fornecedores de Sucata eram Optantes pelo Simples Nacional à Época do Creditamento, e expõe: mesmo que eventualmente determinados fornecedores de sucata, em momento distinto daqueles em que ocorreram os fornecimentos, não estivessem mais enquadrados no Simples Nacional, o que importa para fins de creditamento por parte da Impugnante é Fl. 15284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 que, especificamente no que se refere ao período objeto desta Impugnação, os referidos fornecedores eram optantes pelo Simples Nacional. Expõe Inexistir Controvérsia em Relação à Classificação da Sucata Adquirida pela Impugnante como Insumo, admitindo que a controvérsia envolvendo o creditamento de PIS e Cofins sobre a sucata adquirida limita-se à verificação do direito de a Impugnante se creditar em relação à aquisição de sucata, diante da suposta vedação constante do art. 47 da Lei n° 11.196/2005, que, repita-se, foi declarada inconstitucional pelo e. STF. Defende, então, o Direito a Créditos de PIS/COFINS Sobre Aquisições Junto a Fornecedores optantes pelo Simples Nacional, invocando Ato Declaratório Interpretativo (ADI) n° 15/2007, Solução de Consulta COSIT n° 58, de 18 de maio de 2016, dos quais entende que não há qualquer impedimento à apropriação de créditos de PIS e Cofins por parte da Impugnante em relação a bens adquiridos junto a empresas optantes pelo Simples Nacional utilizados como insumo em seu processo produtivo. Sob o título Lei n° 11.196/2005: Regime Tributário para Sucatas e Direito a Créditos nas Aquisições junto a Empresas Optantes pelo Simples Nacional, a Impugnante invoca a Medida Provisória 252, de 2005, descreve sua perda de eficácia, mas ressalta sua exposição de motivos e seu objetivo maior de saneamento do setor sucateiro com a transferência da tributação "para as etapas seguintes de industrialização e comercialização, para defender que: 214. Consequentemente, sem a referida transferência da tributação - que, como visto, se deu mediante a suspensão do PIS/Cofins nas vendas de sucata -, incabível cogitar a vedação ao creditamento. Afinal, o "novo regime tributário para sucatas, resíduos e desperdícios", introduzido inicialmente pela MP 252 e em seguida ampliado pela MP 255, convertida na Lei n° 11.196/2005, somente pode ser compreendido e aplicado em sua totalidade (suspensão e vedação ao crédito) e não de modo apenas parcial (vedação ao crédito). Transcreve o art. 48 da Lei n° 11.196/2005, caso tal dispositivo não tivesse sido declarado inconstitucional pelo e. STF, e continua: 216. Ora, se por um lado, as empresas optantes pelo Simples Nacional não foram beneficiadas com a suspensão da incidência do PIS/Cofins sobre as vendas de sucata, por outro lado, não caberia vedar o direito a crédito das contribuições quando da aquisição de sucata junto às referidas empresas, optantes pelo Simples Nacional. Conclui pela necessidade de afastamento da glosa sobre aquisições de sucata utilizada em seu processo produtivo adquirido junto a fornecedores que, tendo optado pelo Simples Nacional, não são beneficiados pela suspensão das contribuições por força Fl. 15285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 do parágrafo único do art. 48 da Lei n° 11.196/2005. Reprisa que, contudo, todas as glosas relativas à aquisição de sucatas devem ser afastadas em virtude do julgamento, pelo STF, do Recurso Extraordinário n° 607.109/PR, em regime de Repercussão Geral Defende ainda direito a Crédito sobre Importação de Sucata Sujeita ao PIS/COFINS Importação, afirmando realizar aquisição de sucata no mercado externo. Na importação de sucata, a Impugnante apura e recolhe o PIS/Cofins Importação, fazendo jus, por conseguinte, ao direito a crédito das contribuições apuradas na sistemática não cumulativa. Cita a Solução de Consulta COSIT n° 175, de 28 de dezembro de 2020, e requer reconhecimento do direito a crédito sobre a importação de sucata utilizada como insumo em suas atividades produtivas, afastando-se com isso a glosa em relação aos créditos apropriados sobre tais despesas. IV.A.14 - CRÉDITOS SOBRE ENSINO E TREINAMENTO (itens 222 a 227), opondo-se ao item 2.1.1.1.8 do TVF A Impugnante ressalva valores já devidamente adimplidos pela Impugnante e opõe-se à parcela residual da cobrança, alegando que: - é obrigada a oferecer diversos treinamentos, como por exemplo, o contido na Norma Regulamentadora NR11 do Ministério do Trabalho e Emprego, que trata sobre transporte, movimentação, armazenagem e manuseio; - há outros treinamentos obrigatório por lei: o treinamento para operação de equipamentos de transporte (NR n° 11, item 11.1.5), para situações de emergência (NR n°15, item 3, do Anexo XII), para Operação de Caldeiras (NR n° 13, Anexo I) e para operadores de plataformas (NR n° 30, itens 11.2, 12.5.2, do Anexo II). Cita Acordo Coletivo prevendo remuneração das horas despendidas, alega que a atividade da Impugnante demanda técnica impecável, evidenciando a relevância e essencialidade de dispêndios com treinamentos técnicos, pelo que concluiu devem ser considerados insumos. V - DAS DESPESAS COM FRETE (itens 228 a 233), opondo-se aos itens 2.1.3, 2.4.1.1 a 2.4.2.5 do TVF e desenvolve seus argumentos sob os seguintes subtítulos: V.A - DO FRETE DA AQUISIÇÃO DE SUCATA (itens 234 a 244) Fl. 15286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 V.B - DOS DEMAIS FRETES CONTRATADOS PELA IMPUGNANTE (itens 245 a 260) A Interessada inicia alegando que as glosas relacionadas a estes dispêndios não ocorreram em função da ausência de apresentação de informações sobre as operações de frete, tanto que informa a Fiscalização que, em função do que apresentado e consultado, realizou a vinculação entre CT-e e NF-e, procedendo a segregação e classificação dos fretes como sendo oriundos de 43 operações diferentes. Argumenta que: todos os fretes em relação aos quais a Impugnante tomou crédito são imprescindíveis e indispensáveis ao regular desenvolvimento e exercício de sua atividade. Aborda especificamente, no tópico V.A de sua defesa, Frete da Aquisição de Sucata, alegando discutir-se o direito a crédito em relação a gastos com a aquisição de sucata utilizada como insumo em seu processo produtivo junto a fornecedores optantes pelo Simples Nacional, e expõe que a própria Fiscalização admite que a sucata é insumo do processo produtivo da Impugnante, então o serviço de frete de tal insumo mostra-se essencial e relevante para a atividade produtiva da Impugnante, pois, se o insumo não for entregue ou adequadamente movimentado, a atividade produtiva fica prejudicada. Defende que o direito a crédito sobre o serviço de frete regularmente tributado e utilizado como insumo (autônomo) no contexto da atividade produtiva desenvolvida pela Impugnante, em nada é afetado pela forma como se dá a tributação do insumo transportado. Cita julgados do CARF, CSRF e acórdão do TRF da 3a Região e afirma: diante das decisões acima e tendo em vista que a sucata utilizada em seu processo produtivo é reconhecida pela própria fiscalização como insumo no contexto de seu processo produtivo (cf. TVF, fl. 12.799), o frete contratado para a entrega e movimentação desse insumo confere à Impugnante o direito ao creditamento de PIS/Cofins, com base no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, mostrando-se totalmente irrelevante para o crédito em relação ao serviço de frete como o fornecedor da sucata é tributado. No tópico V.B, sob o título DOS DEMAIS FRETES CONTRATADOS PELA IMPUGNANTE, opõe-se a defesa à glosa de dispêndios, além dos (i) fretes na aquisição e transferência de sucata, os créditos também contemplaram (ii) fretes na transferência de produtos acabados para comercialização; (iii) fretes na aquisição e transferência de bens do ativo imobilizado e de material de uso e consumo; (iv) demais fretes. Fl. 15287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Entende ter a Fiscalização adotado posição restritiva no que concerne à classificação do frete como um serviço utilizado como insumo da atividade produtiva. Alega inexistir previsão legal nas Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 no sentido de excluir os "serviços de transporte" do escopo da previsão constante do inciso II do art. 3° de tais leis, que remetem aos "serviços utilizados como insumo". Cita julgados do CARF e acrescenta ser indispensável para a atividade produtiva a contratação de serviços de transporte/frete, por exemplo para a movimentação dos insumos utilizados no processo produtivo, bem como para a movimentação de bens do ativo e de bens de uso e consumo utilizados e para transporte do produto acabado. Reportase a julgado da 1a Seção do STJ referente a comercialização de veículos (nota de rodapé 63). Estende suas alegações a serviços de transporte marítimo ou internacional, aqui compreendidas as demais atividades portuárias de embarque, carregamento, descarregamento, movimentação de cargas e afins, seja quando atrelados à aquisição ou transferência de produtos ou insumos, seja quando vinculados à operação de venda, por ser essencial no processo produtivo e indispensável para realização de venda. Entende que devem ser revertidas as glosas. VI - DAS DESPESAS DE LOCAÇÃO No tópico VI (itens 261 a 268), opõe-se a glosa de DESPESAS DE LOCAÇÃO reportando-se aos itens 2.1.2, 2.1.2.1, 2.2.1 e 2.2.5 do TVF. A Interessada invoca art. 3°, inciso IV, das Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, destaca que nessa modalidade de creditamento, sequer existe obrigatoriedade de o bem alugado se vincular diretamente à "produção ou fabricação de bens" ou à "prestação de serviços". A previsão de crédito é notadamente ampla e genérica, dependendo apenas da vinculação do bem às "atividades da empresa, e qualifica de imprópria a glosa dos itens 2.1.2 , 2.2.1 e 2.2.5 do TVF. Entende que o dispositivo citado não veda creditamento sobre dispêndios envolvendo a locação de veículos. Cita julgados do CARF. Discorda também da glosa de créditos decorrentes de dispêndios com taxas condominiais (inclusive, fundo de reserva), citando julgado do CARF e alegando direito a reconhecimento de crédito sobre dispêndios atrelados a contratos de aluguel. Ao final, nos itens 269 e 270, formula pedido de: - acolhimento da Impugnação para fins de suspensão da exigibilidade dos créditos tributários cobrados, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, Fl. 15288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 extinguindo, na forma do art. 156, inciso I, do CTN, as exigências regularmente quitadas (Doc Comprobatório 003); - procedência da Impugnação para cancelamento integral da autuação, ... admitida, em qualquer caso, a conversão do feito em diligência para, mediante o exame da verdade material das operações da Impugnante, confirmar a improcedência da cobrança intentada pela Autoridade administrativa. Instruem a Impugnação cópias de: Inscrição no CNPJ, arquivamentos na Junta Comercial, Atas de Assembléia Geral, procuração, substabelecimento, documentos de identificação pessoal publicações, Termos de Posse (fls. 12955/ 12986) Autos de Infração, Termo de Ciência (fls. 12987/13008) DARF e comprovantes de pagamento (fls. 13009/13053) arquivo não paginável sem descrição do conteúdo (fls. 13055) Contrato de Prestação de Serviços de Segurança e Vigilância - Porevi (fls. 13056/13066), Contrato de Prestação de Serviços - Fenixx (fls. 13067/13082), Proposta de prestação de serviço de segurança e Vigilância - Fenixx (fls. 13083/13085), Manual para Qualificação e Acesso de Prestadores de Serviços de setembro de 2012 (fls. 13086/13111), Exigência de Segurança do Trabalho (fls. 13112/ 13130), Diretriz Corporativa (fls. 13131/13141) , Aditivo a Contrato de vigilância - Prossegur (fls. 13142/13146), Apólices de seguro Mapfre (13147/13260), Acordo Coletivo de Trabalho (a partir de 01 de novembro de 2017 - fls. 13261/13265), Acordos Coletivos de Trabalho 2017/2018 (fls. 13266/13276, 13277/13287) Acordo Coletivo de Trabalho abril/2017 a março/218 (fls. 13288/13298), Convenção Coletiva de Trabalho 2017/2018 (fls. 13299/13314), acordo Coletivo de Trabalho (fls. 13315/13322), Termo aditivo Ao Acordo Coletivo de Trabalho (fls. 13323/13328), Acordo Coletivo de Trabalho 2017/2018 (fls. 13329/13341), Convenção Coletiva de Trabalho 2015/2017 (fls. 13342/13361), Convenção Coletiva de Trabalho 2017/2018 (fls. 13362/13385), Convenção Coletiva de Trabalho 2017/2018 (fls. 13386/13422), Convenção Coletiva de Trabalho 2017/2018 (fls. 13423/13454), Acordo Coletivo de Trabalho (fls. 13455/13479) Licença de Operação Fepam (fls. 13480/13493), Deloitte- Proposta de Serviço (fls. 13494/13520), Contrato de Prestação de Serviços - Consultoria - Infosys (fls. 13521/13530), Proposta Técnica Comercial - Infosys (fls. 13531/13562), Termo de Cessão e Transferência de Direitos e Obrigações da Proposta Técnica de Comercial, datada de 01 de Março de 2018 com a PWC (fls. 13563/13565), Proposta Gestão de Crise - PWC(fls. 13566/13609), Fl. 15289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Proposta Técnica Comercial Sonda (fls. 13610/13620), Contrato de Prestação de Serviços - Sonda (fls. 13621/13631) Propostas Prestação de Serviços Sonda (fls. 13632/13669), Anexo a Contrato prestação de Serviços Sonda (fls. 13670/13675), Proposta Técnica Sonda (fls. 13677/13688) Proposta de Renovação (fls. 13689/13695), Proposta Técnica - aditamento (fls. 13696/13707), Propostas Técnica Sonda (fls. 13708/13729 - 13730/13767), Proposta de Renovação (fls. 13768/13800), Proposta Comercial Sonda (fls. 13801/13828) Contrato Prestação de Serviços - Lidima Terceirização de Serviços (fls. 13829/13846) e aditivo (fls. 13847/13851), Proposta Técnica e Comercial Lídima (fls. 13852/13866, 13867/13884, 13885/13896) Notas Fiscais Lídima acompanhadas de documentos Gerdau referentes ao pedidos (fls. 13897/13935) Contrato Prestação de Serviços - LSI Administração e Serviços S A (fls 13936/976) Proposta Comercial - Manserv (fls. 13977/14005) Manual para Qualificação e acesso de Prestadores de Serviços - Gerdau - setembro de 2012 (fls. 14006/14031), Exigência Segurança do Trabalho (fls. 14032/14050) Diretriz Corporativa (fls. 14051/14056) Termo de Anexação de arquivo não paginável - Colaboradores com Fretado (fls. 14060) Termo de Anexação de arquivo não paginável - Colaboradores com VT (fls. 14061) Relação de Fornecedores e contrato (fls. 14062/14066 - 14070/14074 - 14079/14086 - 14090/14095 - 14097/ 14102 - 14104/14111 - 14113/14121 ) Notas Fiscais (14067/4068 - 14087/14089 - 14096 - 14103 - 14112 - 14122 ) Pedidos/ Nota de Débito Uber (fls. 14075/ 14078 ) Contrato de Prestação de Serviços e Nota Fiscal - Transportadora oriental (fls. 14123/14127) Contratos Prestação de Serviços - Gerência de rede - Embratel - anexos e aditivos (fls. 14128/14213) Propostas Contratos aditivos (fls. 14215/14258) Contrato Prestação Serviços IBM (fls. 14259/14370) Contrato de Manutenção e Suporte - SAP Brasil, proposta Técnica e Comercial, Termo de aditamento, Licenciamento e solicitação de redução de rdcopo da manutenção (fls. 14371/14395) Fotos EPI (fls. 14396/ 14400) Ato contínuo, a DRJ-08 julgou a impugnação do Contribuinte nos termos sintetizados na ementa, a seguir transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 DILIGÊNCIA. Injustificável a pretensão de realização de diligência quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, Fl. 15290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 bem como quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção para o julgamento. TRIBUTO SUJEITO AO REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DESCONTADOS. LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. Na exigência fiscal de tributo sujeito a regime de não cumulatividade a distribuição do ônus probatório deve ser feita em conformidade com as peculiaridades deste regime. Ao Fisco compete a prova do direito da Fazenda Pública em face da Contribuinte, devendo a Fiscalização, portanto, fazer a prova da base de cálculo e do valor do tributo devido, quando não admitidos como válidos os valores informados pelo sujeito passivo. Já ao Sujeito Passivo compete a prova dos fatos modificativos ou extintivos daquele direito, devendo este, portanto, fazer a prova da legitimidade e do montante dos créditos da não cumulatividade utilizados para descontar do tributo devido. PROVA. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. A apreciação de questionamentos relacionados a validade, legalidade e constitucionalidade de dispositivos que integram a legislação tributária não se insere na competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 NÃO CUMULATIVIDADE. PIS. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve Fl. 15291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros. Excluem-se do conceito de insumo: itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil etc.; itens relacionados à atividade de revenda de bens; itens utilizados posteriormente à finalização dos processos de produção de bens e de prestação de serviços, salvo exceções justificadas; itens utilizados em atividades que não gerem esforço bem sucedido, como em pesquisas, projetos abandonados, projetos infrutíferos, produtos acabados e furtados ou sinistrados etc; itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida etc, ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades. Nas hipóteses em que for possível que o mesmo bem ou serviço seja considerado insumo gerador de créditos para algumas atividades e não o seja para outras, é necessário que a pessoa jurídica realize rateio fundamentado em critérios racionais e devidamente demonstrado em sua contabilidade para determinar o montante de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurável em relação a cada bem, serviço ou ativo, discriminando os créditos em função da natureza, origem e vinculação, a teor de rateio já previsto na legislação antes mesmo da ampliação do conceito de insumos trazido pelo julgamento do STJ. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SUCATA. Em face do Parecer SEI n° 18616/2021/ME da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, acerca da inconstitucionalidade dos arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, não mais prevalece a glosa de crédito fundada nesses dispositivos quando observadas as demais condições legais para apuração de crédito também citadas na autuação, entre as quais o pagamento das contribuições quando da aquisição de bens ou serviços, a teor do art. 3°, § 2°, II, das Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. FRETES. A previsão legal de apuração de crédito decorrente de dispêndio com frete refere- se àquele pago na operação de venda, quando o ônus do pagamento for suportado pelo vendedor. Inexiste previsão legal expressa para apuração de crédito a título de insumo sobre valor de frete na aquisição. Esse é permitido apenas quando o bem adquirido for Fl. 15292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 passível de creditamento, e na mesma proporção em que se der esse creditamento, já que o frete, quando devidamente comprovado, integra o custo de aquisição dos insumos e deve seguir o regime de créditos desses. É vedada a apuração de crédito decorrente de dispêndios com fretes na transferência de produtos acabados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUEL DE VEÍCULOS. Veículos não se classificam como espécie de "máquinas ou equipamentos" para fins de admissão de créditos calculados sobre operações de aluguéis. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS. A possibilidade legal de apuração de crédito decorrente de aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa não inclui os dispêndios suportados pelo locatário em decorrência da locação do imóvel, tais como a cota condominial e fundo de reserva. Clique ou toque aqui para inserir o texto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seguida, devidamente notificada, a empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No recurso voluntário, a empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na impugnação quanto às infrações lançadas. É o relatório. VOTO Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de lançamento fiscal referente à COFINS e PIS não cumulativos referente ao período de 01/01/2017 a 31/12/2017, no qual se identificou a exclusão indevida de créditos sobre diversos custos/despesas e sobre a aquisição de produtos sujeitos à suspensão ou com vedação legal ao crédito na apuração da contribuição. Inicialmente, cabe esclarecer que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado que tem como atividades precípuas a produção, a comercialização, a exportação e importação de aços. Feitas essas breves considerações, passa-se à análise das pretensões da Recorrente em suas preliminares e mérito. Fl. 15293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Preliminares Nulidade em vista da superficialidade do trabalho fiscal e ofensa ao princípio da verdade material A recorrente alega que o auto de infração não foi devidamente motivado, pelo que deveria ser considerado nulo, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Em suma, a fiscalização não teria apresentado os motivos e provas pelos quais teria glosado os créditos, limitando-se a tecer alegações genéricas, o que, inclusive, teria impossibilitado o pleno exercício do direito de defesa. Não vislumbro assistir razão às alegações do recurso quanto a deficiência na motivação no Termo de Verificação Fiscal e nas provas apresentadas. Entendo que o auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde constam a motivação e fundamentação jurídica para o lançamento, bem como as provas que conduziram a Autoridade Fiscal à lavratura do auto de infração. Se a prova é insuficiente, como aduz a Recorrente, não se deve seguir na direção da nulidade, mas da eventual insubsistência da autuação. Porém, o que se observa na descrição dos fatos é que a Fiscalização fundamentou detalhadamente cada glosa operada, seja por falta de apresentação de documentos ou porque o material adquirido não se subsome no conceito de insumo no âmbitos das contribuição do PIS e da COFINS, vigente à época. Portanto, inexiste falta de motivação na autuação, uma vez que o Contribuinte dispunha de todos os elementos necessários ao pleno exercício dos direitos à ampla defesa e contraditório. Em consequência, o caso não se enquadra em nenhuma das hipóteses de nulidade presentes no art.59 do Dec. nº70.235/72, devendo ser afastada a preliminar alegada. Da nulidade da decisão da DRJ/ Do cerceamento do direito de defesa Argui a Recorrente que teria havido nulidade do acórdão recorrido visto que foi indeferido seu pedido de diligência, que tinha por objetivo demonstrar que fazia jus aos créditos glosados pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal relacionados com fretes nas aquisições de insumos não sujeitos à contribuição. De plano, rejeito a preliminar suscitada isso porque a Autoridade Julgadora a quo considerou que a documentação constante dos autos era suficiente a formação da sua convicção quanto aos créditos calculados sobre insumos, o que tornou prescindível a realização de diligência para o deslinde da lide quanto a este ponto. O Julgador pode determinar a realização das diligências que entender necessárias, quando da apreciação da prova, para a formação da sua livre convicção sobre a matéria, indeferindo as que considerar prescindíveis, com fundamento no art. 18 do Dec. 70.235/72 Tal Fl. 15294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 temática foi abordada suficientemente no acórdão recorrido, com a explicitação dos motivos que levaram a manutenção do lançamento efetuado, conforme se infere na fundamentação do acórdão. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Mérito Para melhor compreensão da matérias envolvida, por oportuno, deve-se apresentar preliminarmente a delimitação do conceito de insumo hodiernamente aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP) e em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, com o objetivo de se saber quais são os insumos que conferem ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Conceito de insumo No que concerne aos bens e serviços utilizados como insumos, a Recorrente sustenta que a glosa de créditos efetuadas e ratificadas pelos julgadores da DRJ, em igual sentido, ancoraram-se em uma interpretação restritiva do conceito de “insumo” para PIS e COFINS, a qual não se coaduna com o princípio da não cumulatividade previsto no parágrafo 12 do artigo 195 da Constituição Federal, a exemplo da posição de expoentes da Doutrina e dos mais recentes julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Para melhor compreensão da matérias envolvida, por oportuno, deve-se apresentar preliminarmente a delimitação do conceito de insumo hodiernamente aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP) e em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, com o objetivo de se saber quais são os insumos que conferem ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, a maioria dos Conselheiros têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402-003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 15295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Essa questão também já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo que se amolda aquele que vinha sendo usado pelas turmas do CARF, tendo como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a ementa do julgado que expressa o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou Fl. 15296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Vale reproduzir o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS não- cumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Embora o referido Acórdão do STJ não tenha transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF1, com a aprovação da 1 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543-B e 543-C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. Fl. 15297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 2 c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) 2 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador- Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III -(VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 15298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. No caso concreto, observa-se que o Auditor Fiscal na autuação, em face da superveniência do REsp nº 1.221.170/PR, efetuou as glosas por eventual falta de enquadramento dos itens no conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância. A decisão da DRJ, segundo informa, também foi norteada pelos critérios da essencialidade e relevância estabelecidos no REsp nº 1.221.170/PR. No acórdão recorrido, foi revertida apenas a glosa nas aquisições de sucatas, em decorrência do Parecer SEI 18616/2021/ME, posterior à ciência da autuação, acerca da inconstitucionalidade dos art. 47 e 48 da Lei 11.196, de 2005, nos casos em que a operação origem do crédito foi tributada, em observância ao art. 3º, § 2º, II, das Leis 10.833, de 2003, e 10.637 de 2002, também integrante do fundamento da autuação. Passa-se, assim, à análise das glosas remanescentes. Inicialmente, cabe frisar que não se pode acolher a pretensão da Recorrente para abarcar todos os seus gastos e despesas como créditos sobre insumos sob a alegação de que todos esses custos e despesas são necessárias à atividade da empresa para a produção de receita, gerando direito a crédito, ainda que ligados apenas indiretamente ao processo produtivo. Como já discorrido anteriormente, o direito a crédito sobre bens ou serviços como insumos se dá naqueles utilizados no processo produtivo da empresa ou prestação de serviços, em função da sua essencialidade nessas atividades. Além disso, em razão da relevância, também se admite o creditamento de bens e serviços como insumos cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação de serviço, integre o processo produtivo por imposição legal. Balizado nesse entendimento exposto, passa-se à análise das glosas controversas, GASTOS COM SEGURANÇA Segundo a recorrente, são despesas incorridas para assegurar a proteção patrimonial da recorrente, abrangendo sua produção e a comercialização de seus produtos. Em seu recurso, a própria recorrente afirma que estes custos não têm uma função ativa no processo Fl. 15299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 industrial, mas têm no sistema de geração de receitas da recorrente, pois em última análise garantem a continuidade da produção. Como se observa, tratam-se de despesas gerais ligadas à segurança patrimonial que são utilizadas em várias áreas da empresa. Embora reconheça-se que tais despesas são importantes para a empresa, não se admite que sejam essenciais ou relevantes à sua área produtiva, não fazendo, por isso, jus a crédito. GASTOS COM SAÚDE Trata-se de serviços médicos pagos a pessoas jurídicas para realização dos exames admissionais, demissionais e periódicos exigidos por lei, bem como outros serviços ligados a manutenção da saúde física e mental dos colaboradores. Embora se reconheça a grande importância aos cuidados à saúde dos funcionários, entendo que gastos com despesas médicas ou planos de saúde não se subsomem ao conceito de insumos consagrado pelo STJ nas atividades de produção que a empresa desenvolve, uma vez que as referidas despesas são auxiliares e não essenciais ou relevantes ao desempenho da produção, e podendo ser utilizadas também nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica. Nesse mesmo sentido, tem sido a jurisprudência das decisões proferidas pelas turmas do CARF, conforme exemplificam as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. SEGURO DE VIDA. ASSISTÊNCIA SOCIAL FAMILIAR. PLANO DE SAÚDE. SEGURO SAÚDE. ASSISTÊNCIA MÉDICO SOCIAL. AUXÍLIO SAÚDE. CURSOS E TREINAMENTOS. QUALIFICAÇÃO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL. As despesas com fornecimento de seguro de vida, assistência social familiar, plano de saúde, seguro saúde, assistência médico social, auxílio saúde, cursos e treinamentos, qualificação e formação profissional para empregados, independentemente de sua área de atuação, não geram direito a crédito do PIS, já que não se revestem da natureza de insumos e que não há previsão legal específica para o desconto do crédito. (Acórdão nº3301-007.117 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, relatoria do Conselheiro Valcir Gassen, sessão de 20 de novembro de 2019) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/10/2010 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. INOBSERVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE Fl. 15300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 As despesas referentes a assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, alimentação, materiais de limpeza e higiene, gastos com veículos, serviços de terceiros c/exportação, comissões sobre vendas, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros, honorários profissionais, no presente caso, não se comprovaram essenciais ao processo produtivo da contribuinte. (Acórdão nº3001-000.939 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária, relatoria do Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, sessão de 18 de setembro de 2019) Diante do exposto, mantém-se a glosa. GASTOS COM AGENCIAMENTO OU INTERMEDIAÇÃO DE BENS Segundo noticia-se nos autos, a autoridade administrativa promoveu a glosa de créditos calculados sobre benefícios trabalhistas consubstanciada no “serviços de intermediação” em programa de estímulo ao aumento da produtividade (fl. 12.603). A recorrente defende a essencialidade dessa despesa para o seu processo produtivo. Embora se reconheça a grande importância do gerenciamento de incentivos financeiros pagos aos funcionários, entendo que tais gastos não se subsomem ao conceito de insumos consagrado pelo STJ nas atividades de produção que a empresa desenvolve, uma vez que a referida despesa é auxiliar e não essencial ou relevante ao desempenho da produção e podendo ser utilizada também nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica. Mantém-se a glosa. GASTOS COM AUDITORIA E CONSULTORIA Tratam de despesas com assessoria, avaliação, pesquisa ou perícia, que compreendem consultorias de diversos ramos de atividades da empresa, tais como: segurança do trabalho, equipamentos, ambiental, química, informática, tecnologia, engenharia, despachos aduaneiros, energia, recursos humanos. Dentre esses serviços, constam os serviços de auditoria contábil, pagos a Price Waterhouse Coopers Auditores e da Accenture do Brasil Ltda. Claramente, tais gastos se tratam de despesas administrativas da empresa que não ensejam o cálculo de créditos sobre as contribuições ao PIS e a COFINS, visto que não se enquadram no conceito de insumo pelos critérios da essencialidade e/ou relevância para a atividade produtiva desenvolvida pela empresa. Mantém-se a glosa. GASTOS COM JARDINAGEM Fl. 15301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Serviços de jardinagem para tratamento de áreas verdes das unidades da empresa. Incluem-se nesse tipo de despesas os serviços de limpeza, poda e manutenção das áreas verdes, visando tanto a organização e administração destes espaços, quanto à preservação ambiental. Despesas com jardins e áreas verdes, embora importantes para a qualidade do ar e bem estar dos funcionários, não podem ser considerados insumos pelo critério da essencialidade ou relevância, visto que não são aplicados no setor produtivo diretamente ou ainda que indiretamente. Mantém-se a glosa. GASTOS COM PUBLICIDADE Neste tópico, estão os dispêndios incorridos pela recorrente com campanhas de marketing, elaboração e impressão de panfletos, catálogos, adesivos, banners, cartões de visita etc., também instruem campanhas internas – especialmente relativas à segurança do trabalho – visando atingir o público de mais de 14.000 colaboradores que a recorrente tinha durante o ano de 2016. Segundo afirma a recorrente, é necessário comunicar-se com os potenciais clientes, dar conhecimento sobre os produtos, sobre a empresa, motivar e conquistar as pessoas, o que só é possível com propaganda. Ademais afirma que tais dispêndios possuem papel importante para definição de estratégia de incremento de receitas e importam em formas de conseguir com que a marca e produtos tenham maior exposição ao grande público, a fim de estabelecer a empresa no mercado em que atua. Entendo que não se comprovou serem essenciais ao processo produtivo da contribuinte. Tais gastos não decorrem de exigências legais ou regulamentares nem resistem, a meu sentir, à regra de que sua subtração do processo produtivo obste a execução da atividade da empresa ou implique substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. Mantém-se a glosa. GASTOS COM RECRUTAMENTO E SELEÇÃO, SERVIÇO TEMPORÁRIO E LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA Trata-se de despesas incorridas com a seleção, locação e contratação de funcionários. Incluem-se nessas despesas os serviços de seleção e recrutamento de funcionários. Como se observa, tais despesas não são da área produtiva, mas sim despesas administrativas com pessoal para seleção e recrutamento de funcionários que somente no futuro poderão ser utilizados no setor produtivo ou em outras áreas de atividade da empresa. Mantém-se a glosa. GASTOS COM REPRESENTANTES COMERCIAIS Fl. 15302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 São despesas incorridas como comissões sobre vendas pela Recorrente com seus representantes comerciais. Os representantes comerciais da Recorrente realizam a intermediação das vendas, aproximando os potenciais clientes e agenciando pedidos. Como se constata, trata-se de despesas ligadas às vendas da empresa que não têm previsão legal para creditamento como insumo da área produtiva. GASTOS COM LIMPEZA E MANUTENÇÃO A recorrente afirma que utiliza estes serviços de forma a manter a organização e o devido funcionamento fabril, seja por meio de manutenção preventiva, seja preditiva ou até corretiva. Segundo o que consta no termo de verificação fiscal, são serviços de limpeza, conservação ambiental e manutenção de jardins, utilizando-se de mão de obra de auxiliar de serviços gerais, operador de roçadeira, limpador de vidro, tratorista, auxiliar de jardinagem, jardineiro e outros (BRASANITAS), serviços de conservação e limpeza e manutenção civil, utilizando-se de mão de obra de auxiliar de serviços gerais, inclusive em ambulatório, operador de roçadeira, limpador de vidros, operador de máquinas, de motorista, jardineiro, bombeiro, pedreiro, serralheiro, pintor e montador (LIDIMA), serviços de conservação e limpeza envolvendo os serviços de coleta de lixo, higienização de telefones e bebedouros, limpeza da recepção e portaria, limpeza de sanitários e vestiários, limpeza e conservação de ambulatório, remoção de manchas de portas e paredes e serviços de manutenção de áreas verdes (LSI), serviços de limpeza, conservação ambiental e manutenção das áreas verdes envolvendo os serviços de limpeza de banheiros, de salas, da área administrativa, serviços hidráulicos e serviços de jardinagem (C C M), serviços de limpeza e conservação em geral envolvendo os serviços de manutenção predial (COLORADO, CONSERVO, ISS MANUTENCAO e M C INDUSTRIAL), serviços de limpeza e conservação em geral envolvendo os serviços de manutenção predial com varrição e limpeza mecanizada de vias (SUPREMA SERVICOS INDUSTRIAIS LTDA). O fundamento para a glosa, no entanto, foi que não foram apresentados documentos aptos a comprovar a utilização dos serviços no processo de produção. Não se olvida que as despesas de manutenção utilizadas no parque produtivo devam ser considerado insumo, mas, em seu recurso, a empresa apenas traz argumentações teóricas sobre a essencialidade dessas despesas com limpeza e manutenção industrial serem consideradas insumos do processo produtivo, sem ter lastreado todas as suas afirmações em documentos que comprovassem a utilização de tais serviços na área produtiva. A Auditoria afirma que a Gerdau não apresentou nenhum dos contratos solicitados, nem informou, de forma minuciosa, quais setores da empresa foram beneficiados pelos serviços tomados das prestadoras acima. Em sede de recurso voluntário, a empresa apresentou um contrato de prestação de serviços, juntado como anexos 6 do recurso. Fl. 15303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 No entanto, o objeto do contrato só vem a confirmar a conclusão da fiscalização de que tais serviços prestados não possuem relação com o setor produtivo da empresa, a exemplo do contrato lavrado com a empresa Top Service Serviços e Sistemas Ltda que em sua cláusula 1.1 apresenta o seguinte objeto: 1.1. Obriga-se a CONTRATADA a executar os serviços de Limpeza Administrativa, Jardinagem e Artificies, conforme a descrição detalhada contida na proposta técnica e comercial que constitui o Anexo I, que faz parte integrante do presente contrato. Quanto a empresa Brasanitas, a recorrente não trouxe qualquer contrato ou nota fiscal da prestação de serviços, apenas trouxe uma planilha de rateio das despesas incorridas. Como se sabe, se o Fisco efetua o lançamento fiscal fundado nos elementos apurados no procedimento fiscal, cabe ao autuado, no seu recurso, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco. Assim, entendo que tais documentos juntados não são hábeis para comprovar que as despesas ensejam o cálculo de créditos como insumos do processo produtivo. Assim, mantém-se a glosa. CRÉDITOS SOBRE ENSINO E TREINAMENTO Segundo a recorrente, a sua atividade desenvolvida demanda técnica impecável, seus empregados receberem treinamento constante, sem o que a linha de industrialização tornar- se-ia um campo de caos. Impossível negar a relevância e essencialidade desses treinamentos técnicos para o desenvolvimento de suas atividades, pelo que devem ser igualmente considerados insumos, com a consequente reforma do entendimento contido no v. acórdão ora recorrido. Ao contrário do entendimento da recorrente, entendo que tais despesas não constituem insumos nos termos do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 nem se enquadram na definição dada pelo STJ na decisão do REsp nº 1.221.170/PR. Mantêm-se a glosa. GASTOS COM ITENS EQUIVOCADAMENTE NÃO ENQUADRADOS COMO INSUMOS Neste tópico, a recorrente pleiteia que seja considerado como insumo da atividade produtiva as despesas com alimentação em vista de ser inequívoca a importância de uma boa alimentação para o desempenho do trabalho humano. Segundo defende, tal premissa se mostra tão inabalável que o próprio Estado estabeleceu, pela Lei nº 6.321/76, o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, regulado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que visa estimular, através de incentivo fiscal, o fornecimento de alimentação aos trabalhadores por parte das empresas. Embora se reconheça a grande importância da alimentação dos funcionários, entendo que tais gastos não se subsomem ao conceito de insumos consagrado pelo STJ nas atividades de produção que a empresa desenvolve, uma vez que as referidas despesas são Fl. 15304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 auxiliares e não essenciais ou relevantes ao desempenho da produção e podendo ser utilizadas também nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica. Com a mesma fundamentação deve ser mantida a glosa de despesas com ticket car (vale combustível). Abrangem também as glosas deste tópico igualmente aquisições de papel, envelopes, canetas, serviços de correios, serviços gráficos, impressões, cartuchos de tinta para impressora, confecção de placas e painéis (exemplos: indicando acesso para rodovia; proibindo entrada; sinalizando ponto de coleta; vias internas; brigada de emergência, regras de segurança, etc.) Tais de gastos têm natureza de despesas administrativa não sendo essenciais ao setor produtivo, tampouco existe amparo legal para tal creditamento, No que concerne às despesas com indumentárias (uniforme e EPIs) melhor sorte tem a recorrente, pois, em razão da relevância, admite-se o creditamento de bens e serviços como insumos cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação de serviço, integre o processo produtivo por imposição legal, como se dá ao caso por normas trabalhistas. Revertem-se as glosas das despesas com indumentárias (uniformes e EPIs) utilizados na área de produção. GASTOS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS Trata-se de prestadores de serviços de transporte para disponibilizar aos seus empregados o transporte nos trajetos residência-trabalho e trabalho-residência. Como se observa, a referida despesa não trata do transporte dos funcionários dentro da própria unidade de produção, situação que ensejaria o creditamento, mas sim das residências dos funcionários até a empresa e vice-versa. Ao meu sentir, tais despesas não ensejam o cálculo de créditos, posto que não se inserem na fase produtiva realizada pela empresa, tratando-se de despesas meramente gerais ou administrativas da empresa. Nesse mesmo sentido, o acórdão nº3201-009.633, de relatoria do conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade: CRÉDITO. SERVIÇO DE TRANSPORTE EXTERNO. IMPOSSIBILIDADE. O serviço de transporte externo de funcionários, por não ser essencial ou relevante ao processo produtivo, não é insumo da produção, não permitindo, portanto, a apuração de crédito em relação a esse dispêndio. Assim, deve ser mantida a glosa. GASTOS COM INFORMÁTICA Fl. 15305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Neste tópico, a recorrente informa que faz uso da tecnologia da informação para criar ou melhorar os seus sistemas de produção e fabricação de produtos, bem como aplica sistemas em outras áreas da empresa, tais como, administrativa, vendas, etc. A autoridade fiscal, embora tivesse reconhecido a possibilidade de desconto de créditos sobre gastos com sistemas de informática utilizados na área produtiva, efetuou a glosa dessa despesa, uma vez que alguns sistemas tiveram a sua aplicação em diversas áreas da fábrica e, apesar de intimada, a empresa não teria apresentado o rateio naqueles casos em que tais despesas são aplicada na atividade produtiva e em outras atividades. A recorrente discorre em sua defesa acerca da essencialidade e relevância dos serviços de informática para as atividades da Impugnante, reportando-se a salas de comando, sistemas de controle de produção, gestão de insumos e outros fatores de produção, como a captação e disponibilização de informações gerenciais relevantes para os mais diversos setores da empresa permitem o controle de custos, de estoques, a compra de matérias primas e insumos no momento e nas quantidades corretas, o acompanhamento da fabricação conforme demanda, a organização dos produtos na área de expedição, o faturamento das vendas, enfim, todos os aspectos diretos e indiretos da fabricação dos produtos destinados à venda, e também para divulgação de informações consolidadas ao mercado (nos termos do art. 176 da Lei n° 6.404/76) e a própria prestação de informações ao Fisco, ambas obrigações legais da Impugnante. Cabe ressaltar que em algumas despesas de informática a empresa apresentou critério de rateio razoável que foi acolhido pela fiscalização. No entanto, no casos que restaram controversos, continuou sem trazer a indicação de qualquer critério de rateio razoável para aqueles sistemas de informática que são de utilização mista, em diversas áreas da empresa. O Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 2018 admite a utilização de critério de rateio baseado em critérios racionais e devidamente demonstrado em sua contabilidade, apresentado pela empresa nessa situação: 14. RATEIO EM CASO DE UTILIZAÇÃO MISTA Em diversas hipóteses apresentadas neste Parecer Normativo é possível que o mesmo bem ou serviço seja considerado insumo gerador de créditos para algumas atividades e não o seja para outras. Nessa hipótese, a pessoa jurídica deverá realizar rateio fundamentado em critérios racionais e devidamente demonstrado em sua contabilidade para determinar o montante de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurável em relação a cada bem, serviço ou ativo, discriminando os créditos em função da natureza, origem e vinculação, observadas as normas específicas (exemplificativamente, art. 35 da Lei n° 12.058, de 13 de outubro de 2009) e as obrigações acessórias aplicáveis. (negrito nosso) Fl. 15306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Vale repetir que se o Fisco efetua o lançamento fiscal fundado nos elementos apurados no procedimento fiscal, cabe ao autuado, no seu recurso, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco. Em seu recurso, a empresa trouxe planilhas anexas contendo o rateio, por amostragem, dos custos com as empresas PRIMESYS (Doc_Comprobatorios005) e BLUECIELO (Doc_Comprobatorios006), porém não trouxe qualquer explicação sobre a metodologia utilizada para distribuir os custos por setor de atividade da empresa, tampouco, além da planilha em excel, trouxe qualquer documentação contábil ou fiscal que demonstrasse ter adotado critério razoável ou racional. Assim, entendo que os documentos juntados aos autos não são hábeis para comprovar que as despesas de informática em comento foram aplicadas como insumos do processo produtivo, não ensejando, por isso, o cálculo de créditos sobre esse tipo de despesa. Mantém-se a glosa por insuficiência probatória para infirmar a glosa. GASTOS COM AQUISIÇÃO DE SUCATA A recorrente informa que no desenvolvimento de suas atividades com fabricação de aços longos adquire junto a diversos fornecedores, optantes pelo SIMPLES, desperdícios, resíduos e sucata de ligas de aço (que serão referidos genericamente como “sucata”), classificados no código 7204.29.00 da NCM. Tais bens são utilizados pela empresa diretamente em seu processo produtivo, evidenciando sua essencialidade e relevância nesse contexto. A autoridade fiscal glosou os créditos por entender que havia expressa vedação legal de creditamento na aquisição de insumos recicláveis, bem com porque a operação de venda de recicláveis, para empresa que apure o imposto de renda pelo lucro real, estar sujeita à suspensão, conforme preveem os arts. 47 e 48 da lei n° 11.196, de 2005 c/c os arts. 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, citado no Termo de Verificação Fiscal. No entanto, percebe-se que, posteriormente (2021), os referidos dispositivos foram considerados inconstitucionais pelo STF em julgamento na sistemática da repercussão geral (tema nº404), no qual foi estabelecida a seguinte tese sobre o tema 404: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Direito Tributário Ambiental. 2. Tema 304 da sistemática da Repercussão Geral. 3. Ar�gos 47 e 48 da Lei federal 11.196/2005. Possibilidade de apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis. 4. Coexistência dos regimes cumulativo e não-cumulativo da icontribuição ao PIS/Cofins. Dualidade de alíquotas. Prejuízos econômicos ao contribuinte industrial dedicado à reciclagem. 5. Inconstitucionalidade de tratamento tributário prejudicial à indústria de reciclagem. Princípio do protetor recebedor. Possibilidade concreta de os créditos fiscais superarem o valor do PIS/Cofins recolhido na etapa anterior da cadeia de produção. Afronta aos princípios da isonomia tributária, neutralidade fiscal e ao regime tributário favorecido e simplificado devido à microempresa e à empresa de pequeno porte. Fl. 15307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 6. Ética ambiental. Estado Socioambiental de Direito. Sustentabilidade ecológica e social. Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Ar�gos 170, inciso VI, e 225, da Constituição Federal. Vinculação do Legislador ordinário. Impossibilidade do esvaziamento do substrato axiológico dos direitos fundamentais ambientais. Inconstitucionalidade de tratamento tributário mais gravoso ao elo mais frágil da cadeia produtiva. População de baixa renda. Afronta às normas fundamentais de defesa do meio ambiente e da valorização do trabalho humano. 7. Fixação da tese: “São inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis. Recurso extraordinário provido. (negrito nosso) Como se sabe, as decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art.99, da Portaria CARF nº1.634/2023). Além do mais, mesmo antes da declaração de inconstitucionalidade já se reconhecia a possibilidade de apropriar créditos de PIS/Cofins sobre as aquisições de sucata utilizada no processo produtivo junto a fornecedores que, tendo optado pelo Simples Nacional, não eram beneficiados pela suspensão das contribuições por força do parágrafo único do art. 48 da Lei nº 11.196/2005, devendo ser afastada a glosa também por esse motivo: Art. 48. A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de desperdícios, resíduos ou aparas de que trata o art. 47[49] desta Lei, para pessoa jurídica que apure o imposto de renda com base no lucro real. Parágrafo único. A suspensão de que trata o caput deste artigo não se aplica às vendas efetuadas por pessoa jurídica optante pelo Simples. (negrito nosso) Assim, sendo considerado insubsistente o fundamento das glosas de créditos operadas pela autoridade fiscal quanto a aquisição de sucatas para utilização como insumos e revenda3 , impende a reversão das glosas constante das planilhas “REGISTROS F100 - TÓPICO 3 “1. Ante o exposto, faz-se necessário glosar os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na aquisição dos bens aqui tratados com base no art. 47 da Lei nº 11.196/05c/c os arts. 3º, inciso II das Leis nos10.637/02 e 10.833/03.Trata-se de valores registrados nas planilhas “REGISTROS F100–TIF nº 04”e “REGISTROS F100 –TIF nº08”, vinculados à Natureza da Base de Cálculo AQUISIÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMO. (...) ´Ante o exposto, faz-se necessário glosar os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes: a) Nas operações cuja natureza da base de cálculo do crédito era a “Aquisição de bens utilizados como insumo” ou “Aquisição de serviços utilizados como insumo”: com base no art. 47 da Lei nº11.196/05c/c os arts. 3º, inciso II das Leis nos10.637/02 e 10.833/03. Fl. 15308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 2.2.6” (doc. 30.1), “REGISTROS C170 -REVENDA DE SUCATAS PJ SN (TÓPICO 2.3.1)”, “REGISTROS C170 - REVENDA DE SUCATAS PJ DEMAIS (TÓPICO 2.3.1)” e “REGISTROS C170 - AQUISIÇÃO DE SUCATAS COMO INSUMO (TÓPICO 2.3.1)” (docs. 31/31.2). GLOSA DE CRÉDITOS NA IMPORTAÇÃO DE SUCATA SUJEITA AO PIS/COFINS IMPORTAÇÃO Este tópico não deve ser conhecido, visto que não há notícia nos autos de que tenha havido glosa de créditos sobre a importação de sucata, todas as glosas envolvendo sucatas estavam relacionadas com o mercado interno. Nesse mesmo sentido, também concluiu o acórdão recorrido. Quanto à menção da defesa à importação de sucata e seu direito de apuração de créditos de PIS-Importação e Cofins-Importação decorrentes de aquisições no mercado externo, também não é hábil a afastar o lançamento. Com efeito, a Impugnante invoca Solução de Consulta COSIT n° 175, de 2020, a qual, ao admitir créditos de Cofins-Importação e PIS-Importação nas aquisições de sucatas no mercado externo, utilizadas como insumo, confirma que a vedação à utilização de crédito contida no art. 47 da Lei n° 11.196, de 2005, diz respeito à Cofins incidente nas aquisições realizadas no mercado interno. (fls. 8975) E, no presente processo, em seu Termo de Verificação, a Fiscalização nada descreveu no sentido de que estaria glosando crédito de PIS-Importação e Cofins-Importação. (negrito nosso) FRETE DA AQUISIÇÃO DE SUCATA Conforme consta nos autos, este tópico trata de serviços de transporte pagos pela Gerdau na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (casos de suspensão), ou cuja utilização dos créditos é vedada, conclui-se (a fiscalização) que há previsão legal que não permite o desconto do crédito das contribuições em relação a esses dispêndios. Conforme restou consignado, o acórdão recorrido entendeu por reverter a glosa das aquisições de recicláveis (sucatas), em decorrência do Parecer SEI 18616/2021/ME, posterior à b) Nas operações cuja natureza da base de cálculo do crédito era a “Aquisição de bens para revenda ”e os fornecedores da mercadoria não eram optantes pelo Simples Nacional: com base no art. 48 da Lei nº 11.196/05c/c arts. 3º, §2º, inciso II das Leis nos10.637/02 e 10.833/03, com as observações acima referidas. c) Nas operações cuja natureza da base de cálculo do crédito era a “Aquisição de bens para revenda”, os fornecedores da mercadoria eram optantes pelo Simples Nacional e as mercadorias se enquadram, de fato, como insumo: com base no art. 47da Lei nº 11.196/05c/c os arts. 3º, inciso II das Leis nos10.637/02 e 10.833/03. Serão glosados, também, com base no art. 47 da Lei nº 11.196/05c/c os arts. 3º, inciso II das Leis nos10.637/02 e 10.833/03,os créditos das contribuições incidentes nas operações objeto de intimação vinculadas à parte III do TIF nº 1(vide otópico2.3.2–AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO ENQUADRADOS COMO INSUMO).Trata-se de aquisições de sucatas, classificadas no NCM 7204.29.00, as quais foram, conforme descrição da Natureza da Operação COMPRA PARA INDUSTRIALIZACAO OU PRODUCAO RURALe Natureza da Base de Cálculo do CréditoAQUISIÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMO,destinadasà industrialização, enquadrando-se, portanto, no conceito de insumo. Fl. 15309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 ciência da autuação, acerca da inconstitucionalidade dos art. 47 e 48 da Lei 11.196, de 2005, nos casos em que a operação origem do crédito foi tributada, em observância ao art. 3º, § 2º, II, das Leis 10.833, de 2003, e 10.637 de 2002, por consequência restou insubsistente a fundamentação da glosa ora discutida dos fretes nas aquisições desses produtos. Além do mais, ainda que se considerasse que os recicláveis não tivessem a incidência das contribuições, o entendimento deste relator é que os fretes no transporte desse tipo de mercadoria enseja o desconto de créditos, pelos motivos que passo a expor. O acórdão recorrido manteve a glosa do crédito básico apurado pela recorrente mediante o mesmo entendimento de que o frete na aquisição de insumo sujeito à suspensão ou com impedimento legal ao creditamento comporia o custo do produto transportado e por isso não daria direito a crédito. Segundo exposto, as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem sujeito à alíquota zero, conforme art. 289, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de 1999. Portanto, estando a mercadoria sujeita à suspensão ou impedimento legal ao creditamento o frete a ela vinculado não gera direito a crédito, em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003: O acórdão recorrido manteve a glosa do crédito básico apurado pela recorrente mediante o mesmo entendimento de que o frete na aquisição de insumo sujeito à alíquota zero comporia o custo do produto transportado e por isso não daria direito a crédito. Segundo exposto, as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem sujeito à alíquota zero, conforme art. 289, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de 1999. Portanto, estando a mercadoria sujeita à alíquota zero ou crédito presumido o frete a ela vinculado não gera direito a crédito ou geraria crédito parcial equivalente ao crédito presumido em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004). Observa-se, no entanto, que o dispositivo transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de vedação de creditamento de serviços sujeitos à Fl. 15310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 tributação incorridos com bens não sujeitos a tributação (que é o caso do presente processo), sendo autônomo o direito ao creditamento dessa despesa com relação ao produto adquirido. Tem-se, assim, por insubsistente a subsunção efetuada pela Auditoria Fiscal no sentido de que o fato do produto transportado não ser onerado pelas contribuições ou sujeito ao crédito presumido, o frete, por compor o custo do produto adquirido, seguiria o mesmo regime dele, não permitindo totalmente ou parcialmente, dessa forma, créditos dos serviços a ele associados. Dessa forma, tratando-se o serviço de transporte de um insumo essencial ao processo produtivo, conclui-se que, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições ou sujeito ao crédito presumido, as despesas com frete oneradas pelas contribuições devem ser apropriadas no regime da não cumulatividade totalmente, na condição de serviços utilizados também como insumos essenciais ao processo produtivo. Nesse sentido, já foi decidido por esta 3ª Seção em casos semelhantes, conforme as ementas parciais de alguns acórdãos, abaixo reproduzidos: FRETES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO CRÉDITO. Os fretes pagos na aquisição de insumos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições. (Acórdão nº 3302005.813– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 24 de setembro de 2018, de relatoria do Conselheiro Raphael Madeira Abad) CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (Acórdão nº 3302004.890 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 25 de outubro de 2017, de relatoria do Conselheiro José Renato Pereira de Deus) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU SUSPENSÃO. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. Os fretes de aquisição de insumos que tenham sido registrados de forma autônoma em relação ao bem adquirido, e submetidos a tributação (portanto, fretes que não tenham sido tributados à alíquota zero, suspensão, isenção ou submetidos a outra forma de não-oneração pelas contribuições) podem gerar créditos básicos da não cumulatividade, na mesma proporção do patamar tributado. No caso de crédito presumido, sendo o frete de aquisição registrado em conjunto com os insumos adquiridos, receberá o mesmo tratamento destes. No entanto, havendo registro autônomo e diferenciado, e tendo a operação de frete sido submetida à tributação, caberá o crédito presumido em relação ao bem adquirido, e o crédito básico em relação ao frete de aquisição, que também constitui insumo, e, portanto, permite a tomada de crédito (salvo nas hipóteses Fl. 15311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 de vedação legal, como a referida no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.833/2003). (Acórdão nº 9303-014.885, sessão de 14 de março de 2024, relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, Câmara Superior de Recursos Fiscais) Cabe registrar que bem recentemente foi aprovada súmula Carf sobre a matéria, na mesma direção aqui explicitada: Súmula nº 188 - É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (publicada a Ata de aprovação no DOU de 27/06/2024). Assim, deve ser cancelada a glosa dos fretes na aquisição de sucatas. TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS, BENS DO IMOBILIZADO E MATERIAIS DE CONSUMO A Recorrente explica que, devido às características do seu ramo de atividade, a empresa necessita transferir seus produtos acabados, imobilizados e materiais de uso e consumo para outros estabelecimentos da companhia. As referidas despesas tratam, assim, de fretes incorridos nas transferências de produtos acabados , imobilizados e materiais de uso e consumo entre os seus estabelecimentos, que a recorrente afirma ter direito a creditamento das contribuições ao PIS e à COFINS, do valor despendido com o frete, sendo possível quando este for utilizado como insumo do seu processo produtivo, com fundamento no artigo 3.º, inciso II da Lei n.º 10.833/03. Sem razão a recorrente. Pode-se assim resumir a possibilidade de geração de créditos na sistemática da não cumulatividade para as empresas quanto aos fretes: i) na compra de mercadorias para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (artigo 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo do inciso I do artigo. 3° da Lei n° 10.833/03; ii) nas vendas de mercadorias, no caso do ônus ser assumido pelo vendedor, nos termos do inciso. IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03; e iii) o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3° da Lei nº10.833/03. Fl. 15312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Desta feita, entendo que o transporte de produtos acabados, imobilizados e materiais de consumo da fábrica para outros estabelecimentos não se enquadra em nenhum dos permissivos legais de crédito citados, pois não possui qualquer identidade com aquele frete que compõe o custo de aquisição dos bens destinados a revenda, não se confunde também com o frete sobre vendas, naquele que o vendedor assume o ônus o frete, tampouco pode ser considerado insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem, já que as operações de fretes ocorrem no período pós produção ou fora da produção. Nesse mesmo sentido, foi o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes, no acórdão nº 3302003.212, de 16.05.2016, conforme trecho da decisão, a seguir parcialmente transcrita: De acordo com os referidos preceitos legais, infere-se que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias-primas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar-se-á de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no Fl. 15313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: (...) Em suma, chega-se a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadram como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (negritos nossos) Ademais, o Parecer Normativo COSIT/RFB/ nº 5, de 17/12/2018, ao delimitar os contornos do REsp 1.221.170/PR, sobre essa questão definiu esse mesmo entendimento em seu item 5 (gastos posteriores à finalização do processo de produção), o seguinte: Fl. 15314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. ... 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende-se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. Nesse mesmo sentido, tem-se decisões das turmas do CARF, conforme exemplificado nas ementas abaixo: PIS-PASEP/COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz e para armazenamento não geram direito a crédito das contribuições para o PIS- PASEP/COFINS na sistemática de apuração não-cumulativa, por não se configurarem como insumo da produção, visto que são realizados após o término do processo produtivo. (Acórdão nº9303-012.317, 3ª Turma da CSRF, sessão de 17 de novembro de 2021, relatoria do Conselheiro Rodrigo Pôssas) CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. DESPESAS PORTUÁRIAS. Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da não-cumulatividade, sobre as despesas desvinculadas do Fl. 15315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 processo produtivo, como por exemplo, as despesas decorrentes do embarque e movimentação de mercadorias no porto onde se processa a exportação, bem como as despesas de transporte de produtos acabados. Contudo, demonstrado que o bem ou serviço adquirido foi utilizado no processo produtivo e se comprovou a sua essencialidade e relevância faz se necessário o reconhecimento do direito ao crédito. (Acórdão nº9303-010.724 – CSRF / 3ª Turma, sessão de 17 de setembro de 2020, relatoria do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal) TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA TERMINAL DE CARGA PARA EXPORTAÇÃO. GASTOS COM FRETE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido o direito de apropriação de créditos da Contribuição para a COFINS sobre os gastos com frete relativos à operação de transporte entre estabelecimentos do contribuinte ou nas remessas para terminal de carga para exportação. (Acórdão nº3402-009.827– 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/2ª Turma, sessão de 16 de dezembro de 2021, relatoria do Conselheiro Pedro Sousa Bispo) Por fim, cabe observar que o transporte de imobilizado e materiais de uso e consumo se dão fora do processo produtivo, também não ensejando o creditamento das contribuições. Assim, com base nessa motivação, devem ser mantidas as glosas dos fretes nas transferências de produtos acabados, imobilizados e materiais de uso e consumo entre a fábrica e outros estabelecimentos da companhia. No que concerne ao frete no transporte de materiais de embalagens entre estabelecimentos (vasilhames e sacarias), é possível o seu creditamento, visto que o frete pago na movimentação de matérias-primas e materiais de embalagens entre estabelecimentos pode ser considerado como insumo durante o processo de produção do bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3° das Lei nº10.833/03 e Lei nº10.637/2002, pouco importando se o bem transportado estava sujeito a alíquota zero, suspensão ou crédito presumido para as contribuições, valendo aqui a mesma fundamentação apresentada nos tópicos anteriores. Nessa esteira, devem ser revertidas as glosas sobre os seguintes itens por serem embalagens que têm relação com o processo produtivo: i) Remessa ou retorno de vasilhame ou sacarias (estocadores ou spiders de acordo com a descrição do CFOP da EFD ICMS IPI ou da NF-e. ii) Remessa ou devolução de vasilhames ou sacarias (estocadores, spiders e similares): de acordo com a descrição do CFOP da NF-e. Operações envolvendo terceiros; e Fl. 15316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 iii) Transferência de estocadores (vasilhames e sacarias). Por derradeiro, as demais glosas sobre as operações abaixo especificadas devem ser mantidas por não possuírem amparo legal para creditamento: i) Remessa de mercadoria ou bem para demonstração: de acordo com a descrição do CFOP da EFD ICMS IPI e da NF-e; ii) Transferência de amostra grátis: De acordo com a descrição do CFOP da EFD ICMS IPI; iii) Devolução de vendas: de acordo com a descrição do CFOP da EFD ICMS IPI e da NF-e; iv) Saída de mercadorias para terceiros (operação de remessa): Descrição da Natureza da Operação (NF-e); v) Aquisição de bem que não se enquadra como insumo: descrição do item da NF-e; e vi) Transferência de bem que não se enquadra como insumo: descrição do item da NFe. SERVIÇOS DE TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS O serviço de transporte Internacional de carga foi abordado pela Fiscalização no item 2.4.2.1 (e-fls. 8874) e a glosa de créditos deles decorrentes foi justificada em função da isenção prevista art. 14, V, c/c § 1° , da MP 2.158-35, de 24/08/2001, da impossibilidade de apuração de crédito das aquisições não sujeitas a pagamento das contribuições (art. 3°, § 2°, inciso II, das Leis n° 10637, de 2002, e n° 10.833, de 2003). A fim de evitar repetições, valem aqui as mesmas considerações do tópico “FRETE DA AQUISIÇÃO DE SUCATA” como fundamentação para a reversão dessa glosa. SERVIÇOS LIGADOS AO TRANSPORTE MARÍTIMO DE CARGAS Em verdade, nesses serviços de transporte marítimo ou internacional estão abrangidas apenas as atividades portuárias de embarque, carregamento, descarregamento, movimentação de cargas e afins. A recorrente informa que as despesas glosadas tratam de serviços de logística aduaneira ou portuária relacionados com a nacionalização de produtos importados utilizados no processo produtivo, bem como com logística de movimentação interna de cargas no porto, necessários para que a empresa viabilize a movimentação dessas cargas, sendo plenamente legítimo o creditamento dos valores referentes à tais despesas na forma do art. 3º, § 3º, inciso II da Lei nº 10.833/03. Fl. 15317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Como se percebe, a tese principal da recorrente é pela essencialidade dos serviços utilizados, o que permitiria o desconto de créditos com fundamento no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Sem razão a recorrente. Quanto a este item, o presente voto acompanha o raciocínio do I. Conselheiro Sílvio Rennan, alinhando-se ao que ficou decidido no acórdão 3402-007.708, de 23 de setembro de 2020, em julgamento de caso semelhante: As Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, trataram de regulamentar a Contribuição para o PIS e a Cofins não cumulativas, incidentes nas operações realizadas no mercado interno, enquanto que a Lei nº 10.865, de 2004, instituiu o PIS e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços, inclusive a possibilidade de desconto de créditos decorrentes da importação. A referência à legislação das contribuições incidentes no Mercado Interno e na Importação se mostram importantes no presente caso, dada a característica peculiar do serviço em discussão: serviço de despachante aduaneiro na importação de insumos. Se por um lado, poder-se-ia alegar vinculação das despesas ao valor dos bens importados e apurar débitos e créditos de PIS/Cofins – Importação, por outro lado, o serviço, prestado por Pessoa Jurídica nacional, seria perfeitamente enquadrado como aquisição de serviço no mercado interno. A Receita Federal do Brasil, apreciou o tema na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012 e, posteriormente, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 241/2017. Nas duas oportunidades a RFB concluiu pela impossibilidade de desconto de créditos tanto com fundamento nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como na Lei nº 10.865/2004, como abaixo se transcreve: Solução de Consulta Cosit nº 241/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. SERVIÇOS ADUANEIROS. FRETE INTERNO NA IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. ARMAZENAGEM DE MERCADORIA IMPORTADA. No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep: a) Não é admitido o desconto de créditos em relação aos dispêndios com: a.1) serviços aduaneiros; [...] DOS GASTOS COM SERVIÇOS ADUANEIROS 15. Em relação à despesa com serviços aduaneiros, verifica-se que não estão incluídas no rol de hipóteses de creditamento constantes do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em que pese os serviços aduaneiros referirem-se à aquisição de mercadorias importadas, também não Fl. 15318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 encontramos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, hipótese passível de abarcar os referidos serviços. Solução de Divergência Cosit nº 7/2012: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. [...] 19. Portanto, considerando-se que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratadas como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostra-se absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição passa o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observa-se que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. [...] 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada refere-se às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do §1º e do §3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: Fl. 15319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 “§1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção de efeitos desta Lei. (...) §3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à Importação, quando integrante do custo de aquisição” [...] 26. Nessa senda, o inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004, dispõe sobre a base de cálculo das contribuições em voga no caso de entrada de bens provenientes do exterior: Art. 7º A base de cálculo será: I – o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º deste Lei” [...] 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep – Importação e da Cofins – Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, passível apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. Dos dispositivos acima expostos, percebe-se o posicionamento da Receita Federal de não admitir o desconto de créditos relativos aos gastos com despachante aduaneiro, sejam os vinculados à Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2033 ou Lei nº 10.865/2004. É nesse contexto que se passa a apreciar os argumentos levantados em Recurso Voluntário. A recorrente, destaca como sua tese principal a essencialidade dos serviços utilizados, sendo permitido o desconto de créditos com fundamento no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Como se percebe, o recurso busca o reconhecimento de créditos não cumulativos decorrentes da aquisição de serviço no mercado interno. Apesar de entender que, a priori, o desconto de créditos relativos a despesas com despachantes aduaneiros deveria ser analisada de acordo com o previsto na Lei nº 10.865, de 2004, visto que tais dispêndios são incluídos no custo de aquisição dos bens importados, este Conselheiro não se furta à análise dos créditos à luz das Leis nº Fl. 15320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 10.637/2002 e 10.833/2002, como requer o contribuinte, dada a possibilidade de análise autônoma do serviço adquirido no mercado interno. Entretanto, ainda assim os gastos realizados pela recorrente não se enquadram no conceito de insumos, mesmo após sua ampliação prevista pelo STJ e Parecer Normativo Cosit nº 5/2018. O contribuinte tem por objeto social a indústria, comércio, a importação e exportação de produtos eletrônicos, entre outras, o que permite concluir que as despesas realizadas com despachantes aduaneiros não fazem parte do processo produtivo, nem de forma indireta, não podendo ser classificadas como insumos. Mais ainda, assim como ressaltado no Acórdão nº 3001-000.728, a utilização dos serviços de despachante aduaneiro sequer é imposta ao contribuinte, podendo este realizar pessoalmente o desembaraço das mercadorias importadas. Dessa forma, não haveria como tais despesas serem classificadas como essenciais ou relevantes, visto que não constituem elemento estrutural ou inseparável do processo produtivo; sua falta não priva o produto da qualidade, quantidade e/ou suficiência; e nem integra o processo produtivo pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. Assim tem entendido o CARF, como nos Acórdãos abaixo expostos: Acórdão nº 3001-000.728 Sessão de 24 de janeiro de 2019 Redator Designado Ad Hoc: Marcos Roberto da Silva ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 PIS/PASEP EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro por não serem utilizados no processo produtivo do Contribuinte e nem serem essenciais ou obrigatórios à atividade de comércio exterior, não geram créditos de PIS/Pasep Exportação no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. [...] Destarte, o conteúdo contido no inciso II, do art. 3o, da Lei n° 10.833, de 2003, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária. In caso, gastos com despachante aduaneiro não são essenciais atividade empresária do presente Contribuinte. Isto porque a legislação não impõem-lhe a obrigatoriedade de contratar referido profissional para que possa empreender-se nas atividades inerentes as de comércio exterior. Pelo contrário, a regra geral determina que ou o próprio desembaraça sua mercadoria, ou então isso deve necessariamente ser feito por despachante. Fl. 15321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Assim, no caso de pessoa jurídica esta pode ser representada por funcionário com carteira assinada, por dirigente ou por sócio, sempre com procuração do responsável legal pela empresa.” “Acórdão nº 3201-002.592 Sessão de 28 de março de 2017 Relator: José Luiz Feistauer de Oliveira ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Ano-calendário: 2009, 2010 [...] CRÉDITO. SERVIÇOS DIVERSOS RELACIONADOS A IMPORTAÇÃO Não se tratando de insumos utilizados na produção, nem de valores que componham a base de cálculo das aquisições do exterior que, prevista em lei, gera crédito, não se reconhece o direito em relação a serviços de importação, como despachantes aduaneiros, taxas e despesas conexas, os quais revestem-se da natureza de despesas administrativas inerentes às operações de importação de mercadorias. O mesmo se aplica às despesas com frete e armazenagem que não compuseram a base de cálculo (valor aduaneiro) das contribuições PIS e Cofins incidentes na importação. Dessa forma, com base nas considerações do voto transcrito, as glosas das despesas relativas à logística aduaneira devem ser mantidas pois não se tratam de serviços utilizados como insumos, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, tampouco se enquadram em qualquer das hipóteses de creditamento presentes no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, vez que a referida despesa não integra a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS incidentes na importação. Falta, portanto, previsão legal para a geração de créditos de PIS/Pasep e Cofins no regime não cumulativo para esse tipo de despesa. DESPESAS DE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS Neste tópico a recorrente irresigna-se contra a glosa de créditos calculados sobre locações de veículos. Afirma a recorrente que tanto a Lei nº 10.637/02 – para o PIS –, como a Lei nº 10.833/03 – para a Cofins –, em seus arts. 3º, inciso IV, estabelecem que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoas jurídicas, utilizados nas atividades da empresa. Destaca que, nessa modalidade de creditamento, sequer existe obrigatoriedade de o bem alugado se vincular diretamente à “produção ou fabricação de bens” ou à “prestação de Fl. 15322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 serviços”. A previsão de crédito é notadamente ampla e genérica, dependendo apenas da vinculação do bem às “atividades da empresa”. Seria justamente por esse motivo que se revela absolutamente imprópria a glosa de créditos confirmada no v. acórdão recorrido (itens 2.1.2 e 2.2.1 do TVF), a qual estaria amparada na suposta falta de demonstração de que os bens locados seriam empregados no processo produtivo da Recorrente ou na compreensão de que o disposto nos arts. 3º, inciso IV, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 não seria extensível à locação de veículos. Sem razão a recorrente. Como se constata, a Recorrente calculou crédito sobre diversos veículos utilizados na sua atividade sob o argumento de que estes podem ser considerados máquinas e dar direito a crédito das contribuições com base no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. Inicialmente, cabe frisar que veículos não se subsomem ao conceito de “máquinas e equipamentos”. A legislação das contribuições deixa claro que os veículos se diferenciam de máquinas e equipamentos, uma vez que cita especificamente cada um quando lhe faz referência, não deixando dúvida que se tratam de espécies diferentes. Eis alguns exemplos: Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I - 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 15323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (negrito nosso) Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetua-se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) III - no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI;(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (negrito nosso) Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) III – no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI;(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)” (negrito nosso) Entendo, assim, que veículo automotor não é máquina, tampouco é equipamento. Confirma esse entendimento a classificação deles no sistema harmonizado, pois, enquanto as máquinas são classificadas nos capítulos 84 e 85, que estão inseridos na Seção XVI (MÁQUINAS E APARELHOS, MATERIAL ELÉTRICO, E SUAS PARTES; APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS), os veículos automotores, por sua vez, são classificados no capítulo 87, que está inserido na Seção XVII (MATERIAL DE TRANSPORTE). Fl. 15324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Vale citar que a RFB expressou esse mesmo entendimento, por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 4, de 2015, no qual afirma que veículo automotor não se confunde com máquina ou equipamento: Art. 1º A opção de apurar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins à taxa de 1/48 (um quarenta e oito avos) sobre o valor de aquisição, nos termos do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, c/c art. 15, II, da Lei nº 10.833, de 2003, refere-se tão somente às máquinas e aos equipamentos incorporados ao ativo imobilizado e utilizados para locação a terceiros, para produção de bens destinados à venda ou para prestação de serviços, não alcançando os veículos automotores, por falta de previsão legal. Quisesse o legislador ter alcançado os veículos automotores no inciso IV do art. 3º das Leis nos 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, teria feto isso de forma expressa ou, ao menos, teria empregado a técnica utilizada no inciso VI do mesmo artigo, que acrescenta “e outros bens” após a expressão “máquinas e equipamentos”. VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Como se sabe, as hipóteses de créditos de PIS e COFINS sobre pagamentos de aluguéis são aquelas relacionadas com prédios, máquinas e equipamentos, não existindo previsão legal para o creditamento relacionado com o aluguel de veículos. O dispositivo legal que dispõe sobre créditos de aluguéis é o inciso IV do mesmo art. 3º, in verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) [...] IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (negrito nosso) Nesse passo, constata-se que não há direito a crédito da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores pagos a pessoa jurídica a título de aluguel de veículos, pois tais aluguéis não são abrangido pela hipótese de creditamento do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. Também não há de se considerar os gastos com aluguéis desses veículos como insumo na produção, pelo critério da essencialidade e com base no inciso. II do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03, uma vez que a recorrente não demonstrou a utilização detalhada de cada um desses veículos glosados na atividade produtiva da empresa. Fl. 15325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Por fim, quanto ao gasto com aluguéis de veículos de passeios locados, resta evidente que se trata de mera despesa administrativa, não tendo qualquer identidade com insumo do processo produtivo. Devem ser mantidas as glosas, portanto. DESPESAS COM TAXAS DE CONDOMÍNIO E FUNDO DE RESERVA EM LOCAÇÃO DE PRÉDIOS A recorrente reivindica que sejam consideradas como despesas de aluguéis as verbas relacionadas com o fundo de reserva pago e despesas com condomínio. De fato, os inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, preveem a possibilidade das despesas incorridas com aluguel gerarem crédito na apuração não cumulativa das contribuições, entretanto, não é possível se ampliar o conceito de aluguel para abarcar as despesas com o condomínio e fundo de reserva. Primeiro porque não há relação de acessoriedade entre aluguel e condomínio/fundo de reserva, pois ausente o vínculo de casualidade entre eles. O condomínio, incluindo o fundo de reserva, é uma contraprestação às utilidades compartilhadas pelos proprietários ou usuários dos prédios, servindo-se para fazer frente aos gastos compartilhados, como, por exemplo, os salários de empregados, materiais de consumo, equipamentos, serviços prestados ao condomínio, etc. Já o aluguel é conceituado pelo Código Civil como um negócio jurídico onde uma das partes cede à outra o usufruto de um bem de sua propriedade em troca de um pagamento. Percebe-se que as despesas de condomínio não têm uma relação direta com o aluguel, podendo-se até mesmo pagar condomínio sem pagar aluguel, como no caso dos proprietários de imóveis. Dessa forma, incorreto está o entendimento da recorrente em querer ampliar, por analogia, o conceito de aluguel para incluir as despesas de condomínio e fundo de reserva, pois estes não se confundem e têm naturezas diversas. Enquanto os aluguéis possuem fundamento legal para crédito das contribuições sobre as despesas incorridas, para as despesas de condomínio e fundo de reserva o legislador não as previram como uma das hipóteses de creditamento para as empresas, previstas nas Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003: Art.3º Do valor apurado na forma do art.2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Dessa forma, mantém-se a glosa. DISPOSITIVO Fl. 15326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.730 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720900/2021-18 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de glosas de créditos sobre fretes nas importações de sucatas, e, na parte conhecida, dar provimento parcial para reverter as seguintes glosas: i) aquisições de indumentárias (uniformes e EPIs); ii) aquisições de sucatas; iii) fretes nas aquisições de sucatas; iv) serviços de fretes no transporte internacional de cargas; v) fretes na remessa ou retorno de vasilhame ou sacarias (estocadores ou spiders de acordo com a descrição do CFOP da EFD ICMS IPI ou da NF; vi) fretes na remessa ou devolução de vasilhames ou sacarias (estocadores, spiders e similares): de acordo com a descrição do CFOP da NF-e. Operações envolvendo terceiros; e vii) fretes na transferência de estocadores (vasilhames e sacarias). Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Fl. 15327DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720097/2016-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
REGIME ESPECIAL ART. 56, MP 2.158-35/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO.
O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando tal valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não se coaduna com o crédito presumido previsto no artigo 56 da Medida Provisória º 2.158/2001, que exige expressamente que os valores de frete sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos.
Demonstrado o atendimento dos requisitos estabelecidos pela legislação específica do crédito presumido do frete, especialmente, a utilização da cláusula C&F e a cobrança do valor do frete juntamente com o custo do veículo, a contribuinte faz jus ao aproveitamento de créditos de IPI sob essa modalidade.
Numero da decisão: 3401-013.393
Decisão: A Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-013.392, de 25 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11624.720010/2017-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ana Paula Pedrosa Giglio – Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (suplente convocado(a)), Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Ana Paula Pedrosa Giglio (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Correia Lima Macedo, substituído (a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha.
Em função de não mais comporem o colegiado o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (relator original), o redator ad hoc designado, Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pelo relator origina no diretório oficial do CARF.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando tal valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não se coaduna com o crédito presumido previsto no artigo 56 da Medida Provisória º 2.158/2001, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos". Demonstrado o atendimento dos requisitos estabelecidos pela legislação específica do crédito presumido do frete, especialmente, a utilização da cláusula C&F e a cobrança do valor do frete juntamente com o custo do veículo, a contribuinte faz jus ao aproveitamento de créditos de IPI sob essa modalidade. ACÓRDÃO A Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-013.392, de 25 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11624.720010/2017-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Pedrosa Giglio – Presidente Redatora Fl. 1063DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (suplente convocado(a)), Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Ana Paula Pedrosa Giglio (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Correia Lima Macedo, substituído (a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha. Em função de não mais comporem o colegiado o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (relator original), o redator ad hoc designado, Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pelo relator origina no diretório oficial do CARF. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração, acrescido de multa de ofício e juros. Conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal considerou que não foi provada a inclusão do frete no preço dos produtos e que não restou demonstrado que tal frete foi cobrado, inequivocamente, dos adquirentes, e, portanto, o contribuinte não teria cumprido os requisitos para utilização do crédito presumido de IPI estabelecido pelo artigo 56 da Medida Provisória nº 2158-35/01. Diante disto, procedeu a glosa dos ajustes a créditos constantes no RAIPI. Inconformada com a autuação, a contribuinte protocolizou impugnação, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: a) Da atenta leitura do artigo 56 da MP nº 2158-35/01, é importante fixar que o dispositivo exige apenas a adição do preço do frete ao preço do produto, sem exigir o destaque do frete na nota fiscal; b) As vendas realizadas pela Impugnante contêm, sem exceção, os encargos de frete incluídos no preço de venda dos produtos. Ou seja, na formação do preço de venda dos produtos, estão incluídas todas as demais despesas incorridas pela Impugnante, dentre elas as despesas com frete; c) O primeiro elemento que comprova a inclusão do frete no preço de venda dos produtos é que as operações que deram origem ao crédito em questão foram realizadas com cláusula CIF (Cost, Insurance and Freight), ou seja, a Impugnante foi a responsável por todos os custos de transporte da mercadoria; Fl. 1064DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 3 d) Para reforçar a prova de que a Impugnante arcava com os encargos de transporte dos produtos (encargos repassados ao comprador), apresentam-se com esta Impugnação comprovantes de pagamento à empresa CATLOG; e) a Impugnante pugna pela realização de perícia técnica para comprovar suas alegações, com fulcro no art. 16 do Decreto n° 70.235/72; f) o art. 61 da Lei n° 9.430/96 não autorizou a aplicação de juros de mora (SELIC) sobre multa de ofício, tal como se está exigindo no processo em tela. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: (...) PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI SOBRE O FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto na legislação, está condicionado à comprovação de que o frete foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos na impugnação e alegando, em breve síntese, que: A decisão recorrida entendeu que o fato de o frete não ter sido destacado nas Notas Fiscais obstaria o aproveitamento do crédito presumido do IPI previsto no art. 56 da MP 2158-35/01. Todavia, como a Recorrente demonstrou nos capítulos anteriores: O art. 56, da MP n° 2158-35/01, não exige o destaque do frete na Nota Fiscal para utilização do crédito presumido de IPI. A RFB exige o destaque do frete nas Notas Fiscais APENAS quando a cobrança é feita em separado do adquirente - o que não é o caso dos autos, Fl. 1065DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 4 pois a Recorrente, em respeito à exigência contida no art. 56, da MP n° 2158- 35/01, efetuou a cobrança do frete juntamente com o preço dos produtos. A inclusão do frete no preço da mercadoria não faz com que ele perca a sua natureza de frete, pois (i) o custo total da venda dos produtos é composto de uma série de fatores que compõe o preço final; e (ii) a própria legislação e o setor consultivo da RFB autorizam a cobrança do frete juntamente com o preço. Devidamente estabelecido que não há exigência legal de destaque do frete na Nota Fiscal - seja o destaque por si só, seja a exigência do destaque para fruição do crédito presumido -, a Recorrente também: (i) Demonstrou que as vendas foram efetuadas com a cláusula CIF; (ii) Demonstrou, pela abertura de seus sistemas internos e dos CTRC's, que o frete foi incluído no preço da mercadoria comercializada; (iii) Anexou planilha em que constam os dados das operações realizadas no período autuado, em especial do valor de frete repassado aos adquirentes; (iv) Anexou declarações fornecidas pelos adquirentes de que os encargos de frete foram incluídos no valor da Nota Fiscal; (v) Por fim, demonstrou, por meio de sua documentação contábil e por suas obrigações acessórias, que o frete faz parte do seu custo, o qual é repassado no preço das mercadorias. Também confirmam o direito da Recorrente os recentíssimos acórdãos desse E. CARF, nos quais foi reconhecido que "O valor do frete somente deve ser segregado da nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001)". Diante de tais elementos de fato e de direito, não restam quaisquer dúvidas que a decisão recorrida deve ser reformada. (...) Assim, não sendo o entendimento pela total improcedência do Auto de Infração, o que não se espera, deve ser reconhecido que o art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96 não é aplicável às multas de ofício impostas no caso em tela, pelo que estas não estão sujeitas à aplicação de juros de mora, por falta de disposição legal. Posteriormente, a recorrente apresentou petição na qual informa que, em julgado no qual se discute matéria idêntica esse Colegiado negou provimento ao recurso da União por entender que “[...] o valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete “sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos” (Acórdão nº 9303-006.465). É o relatório. Fl. 1066DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 5 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Como redator ad hoc, sirvo-me da minuta de voto inserida pelo relator original no diretório oficial do CARF, reproduzida a seguir o voto do Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues: O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre com os requisitos formais de admissibilidade. Trata-se de auto de infração no qual se exige Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), cumulado com multa e juros, que deixou de ser recolhido em decorrência da glosa, pela autoridade fiscal, de créditos presumidos apurados na escrita fiscal da contribuinte, no ano-calendário de 2013. A controvérsia cinge-se ao atendimento (ou não) pela contribuinte dos requisitos para submeter-se ao regime especial de apuração do IPI, relativo à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos veículos novos por ela vendidos, nos termos previstos no artigo 56 da Medida Provisória nº 2158-35/01, abaixo transcrito: Art.56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. §1º O regime especial: I - consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II - será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial; Fl. 1067DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 6 c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. §2º O disposto neste artigo aplica-se, também, ao estabelecimento equiparado a industrial nos termos do § 5o do art. 17 da Medida Provisória no 2.189-49, de 23 de agosto de 2001. §3º Na hipótese do § 2odeste artigo, o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1oalcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente. § 4o O regime especial de tributação de que trata este artigo, por não se configurar como benefício ou incentivo fiscal, não impede ou prejudica a fruição destes. (Grifamos) Por pertinente, merece transcrição também a Instrução Normativa SRF nº 91, de 21 de novembro de 2001, que dispõe sobre o referido regime especial de apuração do IPI: Art. 1º O regime especial de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, instituído nos termos do art. 56 da Medida Provisória No 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, consiste no direito de o estabelecimento industrial, fabricante dos produtos classificados nos Códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex-01, 8702.90.90 Ex-01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 8706.00.20 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI, aprovada pelo Decreto No 3.777, de 23 de março de 2001, creditar-se de três por cento do valor do imposto devido em cada operação. Parágrafo único. O regime especial de apuração de que trata este artigo, aplica-se também ao estabelecimento equiparado a industrial a que se refere o § 5o do art. 17 da Medida Provisória No 2.189-49, de 23 de agosto de 2001. Art. 2º A adesão ao regime especial dar-se-á por opção do estabelecimento industrial e será exercida mediante apresentação, à Delegacia da Receita Federal (DRF) ou à Inspetoria da Receita Federal de Classe A (IRF-A) de sua jurisdição, do Termo de Adesão, conforme modelo constante do Anexo ÚNICO a esta Instrução Normativa. § 1º A opção será renovada anualmente e aplica-se a todas as operações de saída, relativas aos produtos relacionados no art. 1º, realizadas durante o ano-calendário subseqüente ao do exercício da opção; § 2º As operações referidas no § 1º serão, obrigatoriamente, conduzidas com cláusula C & F; Fl. 1068DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 7 § 3º O descumprimento das condições do regime especial obriga o contribuinte à restituição do benefício usufruído durante o ano- calendário, caracterizando-se como falta de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados; § 4º Excepcionalmente, no ano-calendário de 2001, a opção pelo regime especial compreenderá o PERÍODO entre o primeiro dia do mês subseqüente ao do exercício da opção e 31 de dezembro de 2002. Art. 3º A base de cálculo do crédito será o valor do imposto destacado na respectiva nota fiscal. Art. 4º O valor do crédito será informado no campo "informações Complementares" do Livro de Apuração do IPI, modelo 8 e deduzido do "Valor do IPI", com a discriminação "Crédito Instituído pelo Art. 56 da Medida Provisória No 2.158-35, de 2001". Art. 5º Deverá ser computado o frete realizado entre o estabelecimento industrial e o local de entrega do produto ao adquirente. (Grifamos) Em breve síntese, extrai-se do artigo 56 da Medida Provisória nº 2158- 35/01 que o referido regime especial será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos fabricados pela empresa, nas operações de saída do estabelecimento industrial; e c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. Ainda, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 91/01, as operações serão, obrigatoriamente, conduzidas com cláusula C & F, e o valor do crédito apurado deverá ser informado no campo "informações Complementares" do Livro de Apuração do IPI, modelo 8 e deduzido do "Valor do IPI", com a discriminação "Crédito Instituído pelo Art. 56 da Medida Provisória No 2.158-35, de 2001". Por fim, o descumprimento das condições do regime especial obriga o contribuinte à restituição do benefício usufruído durante o ano-calendário, caracterizando-se como falta de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados. Neste cenário, a fiscalização considerou que não foram cumpridas as condições previstas na legislação pela recorrente, no ano-calendário de 2013, por entender que não foi provada a inclusão do frete no preço dos Fl. 1069DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 8 produtos e não restou demonstrado que tal frete foi cobrado, inequivocamente, dos adquirentes. Apreciando a presente controvérsia, o v. acórdão recorrido apontou que, nos termos do artigo 413, inciso V, alínea f, do RIPI/20101, a indicação do valor do frete, no campo próprio da nota fiscal, é disposição impositiva aos contribuintes do imposto, uma vez que tal valor integra o cálculo do imposto devido, compondo o respectivo valor tributável, de modo que “[...] a ausência de destaque do frete na respectiva nota fiscal, na forma regulamentar, obsta, por si só, a pretensão do sujeito passivo”. Ainda, a C. DRJ destaca que “[...] ao optar por, supostamente, levar as despesas de transporte à composição do preço de venda dos produtos em tela, o sujeito passivo deu a tais dispêndios a natureza de custo da produção, deixando de lhes aplicar o tratamento de frete. Em tal hipótese, o valor do transporte não necessita, de fato, ser destacado em nota fiscal, uma vez que integra o "preço do produto", mas também perde a natureza de frete”. Por sua vez, a recorrente defende o direito à apropriação dos créditos presumidos, por entender que (i) o art. 56, da MP n° 2158-35/01, não exige o destaque do frete na Nota Fiscal para utilização do crédito presumido de IPI; (ii) a RFB exige o destaque do frete nas Notas Fiscais APENAS quando a cobrança é feita em separado do adquirente - o que não é o caso dos autos, pois a Recorrente, em respeito à exigência contida no art. 56, da MP n° 215835/01, efetuou a cobrança do frete juntamente com o preço dos produtos -, e (iii) a inclusão do frete no preço da mercadoria não faz com que ele perca a sua natureza de frete, pois o custo total da venda dos produtos é composto de uma série de fatores que compõe o preço final; e a própria legislação e o setor consultivo da RFB autorizam a cobrança do frete juntamente com o preço. Entendo que assiste razão à recorrente. Inicialmente, cumpre destacar que, para submeter-se ao regime especial, a legislação exige que o valor do frete pago pelo estabelecimento industrial ou equiparado seja incluído no preço do produto, inexistindo qualquer exigência, para apuração do crédito presumido, de destaque do valor do frete na nota fiscal. 1 Art. 413. A Nota Fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1-A, conterá: (...) V - no quadro "Cálculo do Imposto": (...) e) o valor total dos produtos; f) o valor do frete; (...) i) o valor total do IPI; e j) o valor total da nota; Fl. 1070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 9 Quanto ao destaque do valor do frete na nota fiscal, nos termos previstos no artigo 413, inciso V, do RIPI/2010, verifica-se que tal exigência se aplica apenas nos casos em que a cobrança do frete do adquirente se dá em separado, uma vez que, nesta hipótese, será necessário somá-lo ao valor do produto para se chegar ao valor tributável pelo IPI. Neste sentido, merece referência a Solução de Consulta n° 26/12 (SRRF 09/Disit): 16. Em suma, constata-se que a exigência de indicação do valor do frete e do seguro na nota fiscal está vinculada à hipótese em que essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria (situação em que, atualmente, tais importâncias compõe a base de cálculo do ICMS e do IPI), razão por que é lícito inferir que essa informação é dispensada quando não ocorra essa hipótese". (Grifamos) Assim, o valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não se coaduna com a legislação sob análise, que, de modo distinto, exige expressamente que os valores relativos ao frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos"(art. 56, II, 'b' , MP nº 2.158/2001). Da mesma forma, por decorrência lógica, também não subsiste o argumento de que a inclusão do frete no preço do produto daria a tais dispêndios a natureza de custo de produção, deixando de lhes aplicar o tratamento de frete, uma vez que a cobrança juntamente com o preço do produto é exigida, no presente caso, pela própria legislação. Ademais, é inegável que o custo do produto é formado pela composição de diversos custos arcados pelo vendedor, os quais, por óbvio, não perdem a sua natureza própria pelo simples fato de serem computados para fim de definição do valor do produto. Superados os argumentos relativos ao destaque na nota fiscal e à possibilidade de inclusão do valor do frete no preço do produto, cumpre averiguar se restou demonstrado que o valor do frete foi efetivamente incluído no preço do produto, sendo cobrado do adquirente. Neste ponto, restou devidamente demonstrado que, em observância ao artigo 2º, §2º da Instrução Normativa SRF nº 91/01 supra transcrito, as operações que deram origem ao crédito apurado foram conduzidas com a cláusula C&F - CIF (Cost, Insurance and Freight) - , em que o frete entre o estabelecimento industrial e o local de entrega ao adquirente é arcado pelo vendedor, informação esta corroborada pelas notas fiscais, que indicam que o frete foi arcado pela “Emitente”. Fl. 1071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 10 Da mesma forma, comprovou-se que a recorrente era a contratante e a pagadora dos fretes entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento dos adquirentes. Neste sentido, a recorrente colacionou aos autos (i) contrato assinado com a CATLOG Logística de Transporte S/A, empresa contratada pela recorrente para realizar o transporte dos veículos vendidos em todo o país, sendo permitida a subcontratação de outras transportadoras; (ii) comprovantes de pagamento à empresa CATLOG; e (iii) Tabela de Preços de Frete vigente no exercício de 2013, a qual discrimina o preço que era pago pela recorrente, à CATLOG, pelo frete de veículos para diferentes cidades do país. Em relação à inclusão do custo do frete no preço do produto, a recorrente demonstrou que - apesar da dimensão de suas operações, a qual impede uma contratação individualizada dos fretes - para fins de determinação do custo médio de cada veículo fabricado, o valor do frete venda alocado ao custo unitário dos veículos fabricados pela empresa corresponde a uma média das operações anteriores, considerando o veículo e a localidade de destino, e leva em conta não apenas os valores pagos à transportadora, mas também os encargos de gestão do pátio de veículos, de pedágio, de quilometragem, de taxa de coleta e outros custos envolvidos, o que, ao meu ver, comprova o atendimento dos requisitos relativos à cobrança conjunta do frete com o preço do produto e que o frete compreende a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. Tal fato também foi corroborado (i) pela abertura, de forma exemplificativa, do sistema interno da empresa, revelando a composição do custo do veículo vendido; (ii) pelo cruzamento das informações entre as notas fiscais emitidas e os Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas - CTRCs anexados aos autos, (iii) por planilha com as operações de venda que geraram os créditos presumidos no exercício de 2013, informando, para todas as operações, (a) a data, o número e o valor da nota fiscal de venda; (b) o chassi do automóvel vendido; (c) o número do respectivo CTRC de transporte; e (d) o valor pago a título de frete, repassado ao comprador; (iv) por declarações fornecidas por adquirentes dos veículos RENAULT no exercício de 2013, atestando que “[...] o valor de compra inclui o frete necessário para a entrega dos veículos e, desta forma, os encargos de frete estão incluídos no valor da nota fiscal de venda dos veículos”; e (v) através de documentos contábeis e obrigações acessórias. Desta forma, restando devidamente atendidos os requisitos estabelecidos pela legislação específica do crédito presumido de IPI relativo ao frete, Fl. 1072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 11 especialmente, a utilização da cláusula C&F e a cobrança do valor do frete juntamente com o preço do produto vendido, entendo que a recorrente fazia jus ao aproveitamento dos créditos presumidos de IPI, no ano- calendário de 2013. Neste sentido, cito os seguintes precedentes deste e. Conselho: REGIME ESPECIAL ART. 56, MP 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE DE FRUIÇÃO. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001). Demonstrado o atendimento dos requisitos estabelecidos pela legislação específica do crédito presumido do frete especialmente a utilização da cláusula C&F e a cobrança do valor do frete juntamente com o valor do veículo a interessada faz jus ao aproveitamento de créditos de IPI sob essa modalidade. (Processo nº 11065.723926/2017-95; Acórdão nº 3302-013.612; Relatora Conselheira Denise Madalena Green; sessão de 23/08/2023) REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.158-35/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é trazida pela legislação aplicável que, por sua vez, exige apenas expressamente que os valores de frete sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos. (Processo nº 10860.720028/2012-32; Acórdão nº 9303-010.948; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 10/11/2020) REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.158-35/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto na legislação, está condicionado à comprovação de que o frete foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. Não há exigência legal pelo destaque e segregação do frete na nota fiscal. (Processo nº 10860.720961/2017-14; Acórdão nº 9303-013.381; Redatora Designada Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 19/10/2022) Fl. 1073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.393 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11624.720097/2016-25 12 Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para o fim de reverter as glosas dos créditos presumidos apurados com base no artigo 56 da Medida Provisória nº 2158-32/01, no ano-calendário de 2013, e, por conseguinte, anular integralmente o Auto de Infração. Por todo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para dar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Pedrosa Giglio – Presidente Redatora Fl. 1074DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13807.008380/00-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1992 a 30/10/1995
UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543-B E 543-C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62-A DO RI-CARF).
PIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL/ PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. VIGÊNCIA DA TESE DOS 10 ANOS. RE 566.621.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-002.006
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARIA TERESA MARTNEZ LOPEZ
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TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62A DO RICARF). PIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL/ PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. VIGÊNCIA DA TESE DOS 10 ANOS. RE 566.621. Recurso Especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto da Relatora. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente Substituto) MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado). Ausentes justificadamente Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Fl. 404DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional defendendo haver contrariedade à lei na decisão adotada pelo acórdão recorrido. Especificamente, quanto ao termo inicial para contagem do prazo extintivo do direito a solicitar restituição/compensação de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, recolhidos sob a égide dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. A ementa dessa decisão na parte objeto de recurso, possui a seguinte redação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1992 a 31/10/1995 PIS. NORMAS PROCESSUAIS DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para se pedir a restituição do tributo pago indevidamente tem como termo inicial a data de publicação da resolução que extirpou do ordenamento jurídico a norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Por meio do Despacho de fls.302/307, sob o entendimento de terem sido observados as condições de admissibilidade do recurso especial, foi admitido quanto ao início da contagem do prazo decadencial para o pedido de restituição/compensação de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS advindos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis n°.s 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal STF. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, no qual defende o direito à repetição de indébito se extingue após cinco anos a contar da data do pagamento indevido, nos termos do artigo 168, I, c/c artigo 155, I, ambos do CTN, e também nos termos do artigo 3° da Lei Complementar nº 118/2005. A decisão recorrida, acordada por maioria de votos, decidiu que o prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS, Fl. 405DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13807.008380/0089 Acórdão n.º 9303002.006 CSRFT3 Fl. 283 3 recolhidos nos termos dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449, ambos 1988, é de 5 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95. Passo ao exame da matéria: Tratase de pedido de restituição efetuada em 29/08/2000 dos valores recolhidos a título de Contribuição para o Programa de Seguridade Social PIS, no período de 06/1992 a 10/1995, e que a interessada entende haver pago a maior, com base no disposto nos DecretosLeis nºs 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal — STF. Em primeiro lugar, registrando a controvérsia que o tema envolve, sempre ressalvei a minha opinião particular de reconhecer, na linha de interpretação do STJ, que os pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 1 devam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 2. Posteriormente a jurisprudência se consolidou nesse sentido. De acordo com o art. 62A do RICARF, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões do STF e STJ, que tenham sido objeto de uniformização de jurisprudência, de acordo com a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC, in verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Nesse sentido, peço vênia para transcrever a ementa do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Min. Ellen Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. A decisão do STF, confirmou o entendimento do STJ, no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir). Para 1 "Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei 2 O prazo para ao pedido de restituição/compensação de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835SC). Fl. 406DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13807.008380/0089 Acórdão n.º 9303002.006 CSRFT3 Fl. 284 5 O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Portanto, a matéria não comporta mais dúvidas. A norma inserta no artigo 3º, da lei complementar n° 118/2005, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada. Pois bem, tendo em vista que o pedido de restituição do PIS foi efetuado em 29/08/2000, e se refere aos recolhimentos de valores a título de Contribuição para o Programa de Seguridade Social PIS, no período de 06/1992 a 10/1995, nenhum período encontrase decaído. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Fl. 408DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900094/2006-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO.
É incabível o ressarcimento do saldo credor do IPI quando for constatado que o valor apurado foi utilizado para abater os débitos do IPI pela saída de produtos tributados em períodos subseqüentes.
Numero da decisão: 3402-001.581
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrida DRJ em RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. É incabível o ressarcimento do saldo credor do IPI quando for constatado que o valor apurado foi utilizado para abater os débitos do IPI pela saída de produtos tributados em períodos subseqüentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Nayra Bastos Manatta Presidente Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 2 Relatório A pessoa jurídica qualificada neste processo transmitiu, em 27 de outubro de 2003, Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débitos seus com crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no primeiro trimestre de 2001. A compensação não foi homologada em virtude de se ter constatado a utilização integral, na escrita fiscal, em períodos subseqüentes ao da apuração, do saldo credor passível de ressarcimento. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO) indeferiu a manifestação, o que deu ensejo à interposição de recurso voluntário para alegar, em síntese, que, nos períodos subseqüentes, os débitos pelas saídas de produtos tributadas foram pagos nas respectivas datas de vencimento. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso para deferir o ressarcimento e homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Em suas razões recursais, a recorrente alegou unicamente ter efetuado o pagamento, nas datas dos respectivos vencimentos, dos débitos do IPI pelas saídas de produtos tributados. Ocorre que, como foi minuciosamente detalhado na decisão ora recorrida, o saldo credor do IPI do 4° trimestre de 2001 foi utilizado para abater os débitos desse imposto nos períodos de apuração subseqüentes, em perfeita sintonia com o disposto no art. 195, § 1°, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002. Assim, tendo a contribuinte utilizado o saldo credor do período de apuração objeto deste processo nos períodos de apuração seguintes, eventuais pagamentos do IPI podem ter sido indevidos e, se for o caso, são passíveis de repetição, na forma do art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), desde que observados os procedimentos específicos dispensados aos processos de restituição. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2011 Sílvia de Brito Oliveira Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10940.900094/200656 Acórdão n.º 3402001.581 S3C4T2 Fl. 273 3 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
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Numero do processo: 10735.722933/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
EMENTA
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO EMPREGADOR DOMÉSTICO. A dedução da contribuição patronal do empregador doméstico está condicionada à comprovação do recolhimento da contribuição à Previdência Social por meio de GPS, bem como do vínculo empregatício registrado em CTPS, observadas as demais disposições contidas na Lei.
Numero da decisão: 2202-011.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução da contribuição patronal.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Andressa Pegoraro Tomazela, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 EMENTA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO EMPREGADOR DOMÉSTICO. A dedução da contribuição patronal do empregador doméstico está condicionada à comprovação do recolhimento da contribuição à Previdência Social por meio de GPS, bem como do vínculo empregatício registrado em CTPS, observadas as demais disposições contidas na Lei.
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A dedução da contribuição patronal do empregador doméstico está condicionada à comprovação do recolhimento da contribuição à Previdência Social por meio de GPS, bem como do vínculo empregatício registrado em CTPS, observadas as demais disposições contidas na Lei. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução da contribuição patronal. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Andressa Pegoraro Tomazela, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). Fl. 82DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.037 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10735.722933/2011-81 2 RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física, fls. 3/9, resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2009, ano- calendário 2008, por meio da qual se exige o crédito tributário de R$ 4.493,59, assim discriminado: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CÓD DARF VALORES EM REAIS IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - SUPLEMENTAR - SUJEITO A MULTA DE OFÍCIO 2904 2.251,98 MULTA DE OFÍCIO - PASSÍVEL DE REDUÇÃO 1.688,98 JUROS DE MORA - CALCULADOS ATÉ 31/10/2011 552,63 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA 0211 0,00 MULTA DE MORA 0,00 JUROS DE MORA (ATÉ 31/10/2011) 0,00 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO 4.493,59 O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal da Notificação, refere-se à omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício informado em DIRF –Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte pela Caixa Econômica Federal no valor de R$ 10.081,95. Na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto de renda retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$302,46. Foram ainda lançadas na notificação as infrações: dedução indevida de contribuição patronal (R$651,40) e dedução indevida de incentivo (R$600,00) devido ao não atendimento a intimação para apresentação de documentos. Cientificada do lançamento em 22/11/2012, a contribuinte apresentou impugnação em 15/12/2011. Informa que o valor considerado omitido foi declarado em seu valor líquido e é decorrente de ação judicial movida pelo sindicato relativo a valor de insalubridade. Salienta que a declaração foi feita considerando os artigos 12 e 12- B da Lei 7.713/88. No tocante a dedução de incentivo informa a juntada de comprovantes de pagamentos feitos diretamente aos fundos de assistência da criança e do Fl. 83DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.037 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10735.722933/2011-81 3 adolescente controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, tendo respeitado o limite de 6% do imposto devido apurado na declaração. Também informa a juntada de comprovantes de contribuição patronal paga a Previdência Social como empregador doméstico. Ressalta que no dia 26 de agosto de 2011, compareceu a Agencia da Receita Federal em Nova Iguaçu onde apresentou alguns documentos, tendo estranhado a Notificação que desconheceu a documentação apresentada. Pede o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO DE INCENTIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. São passíveis de serem consideradas como deduções de incentivo apenas as contribuições a fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais e os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais conforme regulamentado na legislação vigente a época. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO EMPREGADOR DOMÉSTICO. A dedução da contribuição patronal do empregador doméstico está condicionada à comprovação do recolhimento da contribuição à Previdência Social por meio de GPS, bem como do vínculo empregatício registrado em CTPS, observadas as demais disposições contidas na Lei. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUSTIÇA FEDERAL. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Em consonância com o julgamento do Supremo Tribunal Federal, que decretou a inconstitucionalidade da tributação, pelo regime de caixa, dos rendimentos decorrentes de ação judicial recebidos acumuladamente até o ano-calendário 2.009, considera-se improcedente o lançamento correspondente à omissão dos referidos rendimentos, uma vez não observado o regime de competência quando do cálculo do imposto devido. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/05/2016, o sujeito passivo interpôs, em 15/06/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência | improcedência parcial da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que o recolhimento de contribuição previdenciária oficial está comprovado nos autos. Convertido em diligência o julgamento (Resolução CARF 2001-000.106), sobrevieram os documentos de fls. 72. Fl. 84DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.037 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10735.722933/2011-81 4 É o relatório. VOTO Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. As razões recursais e o respectivo pedido têm por objeto, tão-somente, a compensação de valores pertinentes à contribuição destinada ao custeio da previdência social do empregado doméstico. Para boa compreensão do quadro fático, transcrevo o seguinte trecho do acórdão- recorido: A impugnação atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações e dela toma-se conhecimento. Sobre a omissão de rendimentos a contribuinte esclarece que se trata de valor recebido em decorrência de ação judicial movida pela Associação dos Docentes da UFRRJ referentes a perdas de insalubridade. Anexou ao processo cópia do comprovante Levantamento Judicial e de Retenção do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos em decorrência da mencionada ação. Cópias dos documentos foram anexados a fl 21. Em consulta ao processo judicial (1999.51.01.017846-0) verificou-se que a contribuinte e outros moveram ação em face da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro pleiteando a complementação do pagamento feito administrativamente, em abril de 1997, a título de diferença do adicional de insalubridade. A UFRRJ foi condenada a pagar aos autores a correção monetária das diferenças referentes ao adicional de insalubridade, a partir de quando cada parcela se tornou devida. Na presente autuação, para tributação destes rendimentos, foi adotado o regime de caixa, previsto no artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O dispositivo legal referido assim estabelece: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Fl. 85DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.037 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10735.722933/2011-81 5 Esse dispositivo legal foi considerado inconstitucional pelo Plenário do STF, na sessão de 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 614.406/RS, sob o regime do art. 543-B do CPC. Transcreve-se a ementa do julgado da lavra do Ministro Marco Aurélio: IMPOSTO DE RENDA - PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES -ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ao analisar o julgamento do Recurso Extraordinário, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota PGFN/CRJ/Nº 981/2015, formalizou sua orientação quanto à dispensa de contestação e recursos nos processos judiciais que versem acerca da matéria julgada em sentido desfavorável à União, bem como delimitou a extensão e o alcance do julgado, viabilizando a adequada observância da tese por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Sobre o assunto, cabe transcrever os itens 19, 20 e 24 da referida nota que assim dispõem: 19. Registre-se que a declaração de inconstitucionalidade somente alcança a forma de tributação albergada pelo art. 12 da Lei 7.713, de 1988, que, por sua vez, disciplinou a incidência de imposto de renda sobre os rendimentos acumulados percebidos até o ano-base 2009, conforme se depreende do § 7o. do art. 12-A acima transcrito, bem como por força do disposto nos arts. 105 e 144 do caput do Código Tributário Nacional. 20. Como visto, os anos base posteriores têm regência normativa diversa, qual seja o art. 12-A da Lei 7.713, de 1988, dispositivo expressamente ressalvado da declaração de inconstitucionalidade nos autos do RE 614.406/RS em análise. (...). 24. Por conseguinte, o imposto de renda efetivamente devido, relativo a fatos geradores ocorridos até o ano-base de 2009, somente pode ser calculado mediante observância do regime de competência acolhido jurisprudencialmente, com a utilização das tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando-se a renda auferida mês a mês. (...). Por força do disposto no art. 26-A, do Decreto nº 70.235/72 e no art. 19, §§ 4°, 5° e 7°, da Lei nº 10.522, de 2002, a Receita Federal está vinculada ao entendimento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, nos termos do inciso II do referido artigo. Decreto nº 70.235/1972 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Fl. 86DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.037 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10735.722933/2011-81 6 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; Lei nº 10.522/2002 Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Dessa forma, em face do exposto acima, e em razão da submissão formal e material da Administração ao entendimento de que o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, relativos a fatos geradores ocorridos até 2009, deve ser calculado mediante observância do regime de competência, com a utilização das tabelas e alíquotas vigentes à época em que Fl. 87DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.037 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10735.722933/2011-81 7 os valores deveriam ter sido adimplidos, observando-se a renda auferida mês a mês, o lançamento em questão, porque se adotou a tributação pelo regime de caixa, deve ser cancelado. Sobre a dedução de incentivo, a matéria é disciplinada pelo art. 12, I a III, da Lei nº 9.250, de 1995, que, no ano em questão apresentava a seguinte redação: “Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: I - as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; II - as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional de Apoio à Cultura - PRONAC, instituído pelo art. 1º da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; III - os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais, na forma e condições previstas nos arts. 1º e 4º da Lei nº 8.685, de 20 de julho de 1993;” A impugnante apresenta comprovantes de doações feitos diretamente à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais /APAE de Seropédica , conforme documentos juntados as fls. 17 a 19. Ocorre que não há previsão legal de dedução de doações efetuadas a entidades assistenciais, como a APAE, mas apenas das contribuições aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Portanto, deve ser mantida a glosa. No tocante a dedução da contribuição patronal paga à Previdência Social pelo empregador doméstico está ela prevista no inciso VII do art. 12 da Lei nº 9.250/1995, incluído pela Lei nº 11.324/2006, com redação atual dada pela Lei nº 12.469/2011, a seguir transcrito: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: [...] VII - até o exercício de 2015, ano-calendário de 2014, a contribuição patronal paga à Previdência Social pelo empregador doméstico incidente sobre o valor da remuneração do empregado. (Redação dada pela Lei nº 12.469, de 2011) [...]. § 3° - A dedução de que trata o inciso VII do caput deste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.324, de 2006) I - está limitada: (Incluído pela Lei nº 11.324, de 2006) a) a 1 (um) empregado doméstico por declaração, inclusive no caso da declaração em conjunto; (Incluído pela Lei nº 11.324, de 2006) Fl. 88DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.037 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10735.722933/2011-81 8 b) ao valor recolhido no ano-calendário a que se referir a declaração; (Incluído pela Lei nº 11.324, de 2006) II - aplica-se somente ao modelo completo de Declaração de Ajuste Anual; (Incluído pela Lei nº 11.324, de 2006) III - não poderá exceder: (Incluído pela Lei nº 11.324, de 2006) a) ao valor da contribuição patronal calculada sobre 1 (um) salário mínimo mensal, sobre o 13o (décimo terceiro) salário e sobre a remuneração adicional de férias, referidos também a 1 (um) salário mínimo; (Incluído pela Lei nº 11.324, de 2006) b) ao valor do imposto apurado na forma do art. 11 desta Lei, deduzidos os valores de que tratam os incisos I a III do caput deste artigo;(Incluído pela Lei nº 11.324, de 2006) IV - fica condicionada à comprovação da regularidade do empregador doméstico perante o regime geral de previdência social quando se tratar de contribuinte individual. (Incluído pela Lei nº 11.324, de 2006) Às fls. 12/16 foram anexadas cópias de GPS, emitidas com o código de pagamento 1600, referentes às competências 01 a 05/2008 e 9/2008 a 12/2008. As guias foram emitidas em nome de Maria Helena Brito. As GPS, no entanto, não estão acompanhadas do respectivo comprovante de quitação. A contribuinte também não juntou cópia da demonstração do vínculo empregatício registrado em Carteira de Trabalho e Previdência Social. Portanto, será mantida a glosa da contribuição do empregador doméstico. Deste modo, feito o ajuste com o cancelamento da infração de omissão de rendimentos, manutenção da glosa de dedução de incentivo e contribuição do empregador domestico, o lançamento será retificado conforme quadro a seguir: Total de Rendimentos Tributáveis Declarados........160.820,79 Deduções Declaradas.................................................18.826,63 Base de cálculo........................................................141.994,16 Imposto......................................................................32.462,46 Total de Imposto pago declarado..............................32.029,16 Saldo do Imposto a pagar apurado após alterações.......433,30 Imposto a restituir declarado.........................................818,10 Imposto Suplementar....................................................433,30 Por todo o exposto, voto por considerar procedente em parte a impugnação e manter em parte o crédito tributário lançado conforme apurado no demonstrativo acima a ser exigido com multa de ofício e juros de mora na forma da legislação pertinente. Fl. 89DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.037 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10735.722933/2011-81 9 Corroboram os comprovantes de Pagamento de Guia de Assistência Social – GPS (fls. 42-46) a informação fiscal de fls. 72, dando conta dos recolhimentos, e, portanto, deve-se reformar parcialmente o acórdão-recorrido. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOU-LHE PROVIMENTO, tão- somente para restabelecer as deduções pertinentes ao recolhimento dos valores a título de contribuição social destinada ao custeio da previdência social do empregado doméstico. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 90DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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