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Numero do processo: 10980.725635/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO EFETIVA. FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL.
O recurso deve satisfazer certos pressupostos, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Sem contestação efetiva, reputa-se como definitiva a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3101-004.122
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.115, de 19 de setembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11065.900922/2017-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Laura Baptista Borges, Luciana Ferreira Braga, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO EFETIVA. FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. O recurso deve satisfazer certos pressupostos, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Sem contestação efetiva, reputa-se como definitiva a decisão de primeira instância.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO EFETIVA. FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. O recurso deve satisfazer certos pressupostos, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Sem contestação efetiva, reputa-se como definitiva a decisão de primeira instância. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.115, de 19 de setembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11065.900922/2017-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Laura Baptista Borges, Luciana Ferreira Braga, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Fl. 204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.122 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.725635/2011-41 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o pedido de Restituição apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, em síntese: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. VALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para negar validade às normas vigentes. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se considerar não homologada a compensação declarada. Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ao CARF, onde alega que houve apuração equivocada da base de cálculo da Contribuição - PIS/PASEP, pois foi incluído no cálculo o valor do ICMS. Termina a peça recursal requerendo a reforma do acórdão recorrido, com o cancelamento da cobrança vinculada ao processo em epígrafe e ao despacho decisório, além do reconhecimento, de forma integral, do direito creditório da recorrente do período para, ao final, conceder o ressarcimento homologando todas as respectivas compensações realizadas. É o breve relatório. Fl. 205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.122 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.725635/2011-41 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Contudo, não deve ser conhecido pela falta de dialeticidade, uma vez que a recorrente não se insurgiu contra os fundamentos que lastrearam a decisão recorrida, senão vejamos: Os motivos determinantes utilizados como razões de decidir na decisão recorrida foram: a) A Auditoria Fiscal revelou que não houve apuração de créditos oriundos de transações de mercado interno, tendo como base legal o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004; e b) A argumentação apresentada na Manifestação de Inconformidade sobre a formação da base de cálculo, deveria constar como causa de pedir de um novo pedido de restituição, pois não foi fundamento do pedido de ressarcimento/restituição objeto deste processo. No recurso voluntário, a recorrente insiste em defender que seu crédito tem lastro na inclusão na base de cálculo dos valores do ICMS, ou seja, que o valor a ser restituído se refere à apuração equivocada da base de cálculo do PIS. Nota-se de forma clara e evidente que a recorrente não se insurgiu contra os motivos determinantes que sustentaram a decisão recorrida. Em outras linhas, o recurso não buscou alterar o resultado da decisão recorrida, pois não atacou sua ratio decidendi, caracterizando manifesta falta de dialeticidade. O recurso é o meio destinado a provocar o reexame da decisão, no mesmo processo em que foi proferida, com a finalidade de obter-lhe a invalidação, a reforma, o esclarecimento ou a integração. O procedimento recursal é semelhante ao inaugural na ação civil. A petição de interposição de recurso é assemelhável à petição inicial, devendo conter os fundamentos de fato e de direito que embasam o inconformismo do recorrente e o pedido de nova decisão. A Petição recursal deve combater os motivos determinantes que embasaram a decisão que se pretende reverter. Em outras palavras, a recorrente deve apresentar a antítese da tese que embasou a decisão vergastada, surgindo a controvérsia a ser decidida no recurso. Controvérsia é choque de razões, alegações ou fundamentos divergentes, que se excluem – de modo que a aceitação de uma delas é negação da oposta ou vice- Fl. 206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.122 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.725635/2011-41 4 versa (Carnelutti). Se a afirmação de determinado fato não é contestada por uma afirmação oposta, colidente com ela, não há controvérsia. Segundo Dinamarco: A controvérsia gera a questão, definida como dúvida sobre um ponto, ou como ponto controvertido. Se não há controvérsia, o ponto (fundamento da demanda ou da defesa) permanece sempre como ponto, sem erigir em questão. E mero ponto, na técnica do processo civil, em princípio independe de prova. Por fim, se não há controvérsia, não há lide, sem lide não há decisão a ser proferida. Como falava Francesco Carnelutti: ... nos casos em que os indivíduos têm juízo suficiente para resolver as questões não há necessidade de intervenção do juiz para resolvê-las. As razões do recurso são elementos indispensáveis para que o órgão julgador aprecie seu mérito, ponderando-as em confronto com os motivos da decisão. A sua falta acarreta o não conhecimento. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal pela recorrente. Como a recorrente não teceu uma única linha no recurso sobre a existência de créditos oriundos de transações de mercado interno, cuja base legal fosse o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, tampouco sobre a possibilidade de se discutir causa de pedir diversa da posta no pedido de ressarcimento/restituição, motivos determinantes para a improcedência da manifestação de inconformidade, não conheço do recurso pela falta de dialeticidade. Voto por não conhecer do recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 207DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904517/2016-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3402-004.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: a) intime a Recorrente para, no prazo de 30 dias: a.1) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, o enquadramento das despesas (bens e serviços) que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, bem como a utilização em seu processo produtivo, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018; a.2) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, a participação dos itens identificados como bens (partes e peças) e serviços de manutenção em cada etapa do processo produtivo, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo sobre a necessidade e se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas (em quanto tempo); a.3) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, as despesas e efetivos pagamentos relacionados aos fretes nas operações de venda. b) realize eventuais diligências que julgar necessárias para a constatação especificada nesta Resolução; c) elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas no Item “a”, manifestando sobre os documentos apresentados pela Recorrente, bem como apurando a certeza e liquidez dos créditos pleiteados: c.1) com relação ao Item “a.2”, elaborar planilha de cálculo da depreciação equivalente a parcela de cada bem ou serviço, indicando detalhadamente a metodologia de cálculo adotada para cada bem e a respectiva fundamentação legal; c.2) Com relação ao Item “a.3”, analisar a comprovação dos autos, bem como a documentação que será apresentada pela Recorrente, elaborando relatório detalhado, com a discriminação dos valores comprovados para cada operação de frete de venda; d) recalcule as apurações e resultado da diligência; e) intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias.
Assinado Digitalmente
Cynthia Elena de Campos – Relatora
Assinado Digitalmente
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo Honório dos Santos, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: a) intime a Recorrente para, no prazo de 30 dias: a.1) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, o enquadramento das despesas (bens e serviços) que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, bem como a utilização em seu processo produtivo, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018; a.2) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, a participação dos itens identificados como bens (partes e peças) e serviços de manutenção em cada etapa do processo produtivo, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo sobre a necessidade e se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas (em quanto tempo); a.3) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, as despesas e efetivos pagamentos relacionados aos fretes nas operações de venda. b) realize eventuais diligências que julgar necessárias para a constatação especificada nesta Resolução; c) elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas no Item “a”, manifestando sobre os documentos apresentados pela Recorrente, bem como apurando a certeza e liquidez dos créditos pleiteados: c.1) com relação ao Item “a.2”, elaborar planilha de cálculo da depreciação equivalente a parcela de cada bem ou serviço, indicando detalhadamente a metodologia de cálculo adotada para cada bem e a respectiva fundamentação legal; c.2) Com relação ao Item “a.3”, analisar a comprovação dos autos, bem como a documentação que será apresentada pela Recorrente, elaborando relatório detalhado, com a discriminação dos valores comprovados para cada operação de frete de venda; d) recalcule as apurações e resultado da diligência; e) intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo Honório dos Santos, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-11-04T14:25:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-11-04T14:25:39Z; Last-Modified: 2025-11-04T14:25:39Z; dcterms:modified: 2025-11-04T14:25:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-11-04T14:25:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-11-04T14:25:39Z; meta:save-date: 2025-11-04T14:25:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-11-04T14:25:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-11-04T14:25:39Z; created: 2025-11-04T14:25:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2025-11-04T14:25:39Z; pdf:charsPerPage: 2540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-11-04T14:25:39Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10680.904517/2016-97 RESOLUÇÃO 3402-004.240 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 21 de agosto de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SAMARCO MINERAÇÃO S/A INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: a) intime a Recorrente para, no prazo de 30 dias: a.1) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, o enquadramento das despesas (bens e serviços) que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, bem como a utilização em seu processo produtivo, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018; a.2) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, a participação dos itens identificados como bens (partes e peças) e serviços de manutenção em cada etapa do processo produtivo, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo sobre a necessidade e se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas (em quanto tempo); a.3) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, as despesas e efetivos pagamentos relacionados aos fretes nas operações de venda. b) realize eventuais diligências que julgar necessárias para a constatação especificada nesta Resolução; c) elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas no Item “a”, manifestando sobre os documentos apresentados pela Recorrente, bem como apurando a certeza e liquidez dos créditos pleiteados: c.1) com relação ao Item “a.2”, elaborar planilha de cálculo da depreciação equivalente a parcela de cada bem ou serviço, indicando detalhadamente a metodologia de cálculo adotada para cada bem e a respectiva fundamentação legal; c.2) Com relação ao Item “a.3”, analisar a comprovação dos autos, bem como a documentação que será apresentada pela Recorrente, elaborando relatório detalhado, com a discriminação dos valores comprovados para cada operação de frete de venda; Fl. 2692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.240 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.904517/2016-97 2 d) recalcule as apurações e resultado da diligência; e) intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo Honório dos Santos, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). RELATÓRIO Versa o presente litígio sobre Pedido de Ressarcimento de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para a COFINS não-cumulativa, indicado para compensação com débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A DRF de Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório Eletrônico, pelo qual homologou parcialmente as respectivas declarações de compensação. Os fundamentos para tal decisão encontram-se em Relatório Fiscal constante do processo nº 10530.723164/2015-69. Cientificada do Despacho Decisório, reconhecendo o crédito parcialmente, no valor de R$ 60.355.705,33, em face das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em consonância com o disposto na legislação que rege a matéria. A Contribuinte foi intimada do v. acórdão de primeira instância, apresentando tempestivamente o Recurso Voluntário, pelo qual pediu o provimento e a reforma parcial da decisão administrativa, para que sejam reconhecidos todos os créditos de COFINS utilizados pela Recorrente nos pedidos de compensação, com a consequente homologação integral dos PER/DCOMPs objeto deste processo, uma vez que as despesas autuadas permitiam o creditamento da Contribuição. Apresentado o recurso, o processo foi encaminhado para inclusão em lote e sorteio para julgamento. É o relatório. VOTO Fl. 2693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.240 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.904517/2016-97 3 Conselheiro Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. 2. Do objeto do presente litígio Conforme relatório da decisão recorrida, versa o presente litígio sobre Pedido de Ressarcimento – PER – de crédito de Cofins não-cumulativa – Exportação, relativo ao 3º trimestre de 2012, no valor de R$ 78.076.368,53, com posterior encaminhamento de Declarações de Compensação – Dcomp – relativas ao mesmo crédito. A Fiscalização apontou em TVF os seguintes erros na quantificação da base de cálculo dos créditos pleiteados: Em razão dessas infrações, foi indeferida grande parte do crédito pleiteado pelo contribuinte. Assim, a Fiscalização emitiu inicialmente cinco despachos decisórios, por meio dos quais não homologou as compensações transmitidas pela empresa. O resumo dos despachos e os respectivos valores envolvidos foram demonstrados em peça recursal da seguinte forma: Fl. 2694DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.240 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.904517/2016-97 4 Na sequência, foram cientificados à Recorrente os três despachos decisórios remanescentes referentes ao período de 2012, por meio dos quais a Fiscalização igualmente indeferiu a homologação das compensações requeridas pela Empresa. O quadro-resumo desses despachos, bem como os valores a eles correspondentes, foram igualmente demonstrados em peça recursal da seguinte forma: Segundo a defesa, tais itens são essenciais e relevantes na atividade econômica da Contribuinte, atraindo por consequência o enunciado do REsp nº 1.221.170/PR. O v. Acórdão ora recorrido foi proferido pela DRJ de origem em 30 de novembro de 2017, abordado sobre a concepção do termo “insumo” para fins de aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS já com base no conceito mais restritivo. Fato notório que o Superior Tribunal de Justiça decidiu em julgamento ao Recurso Especial nº 1.221.170/PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma do artigo 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser apurado à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item (bem ou serviço) para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Ao julgar a questão, o Tribunal Superior destacou que a interpretação do termo “insumo” de forma restritiva pela Fazenda desnatura o sistema não cumulativo. Por esta razão, o STJ declarou a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004, as quais, repito, restringiam o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem através do contato físico com o produto ou serviço final. Destaco o voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considera-se o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e Fl. 2695DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.240 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.904517/2016-97 5 inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância - considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Diante da decisão do Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, acatando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: 14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotaram uma interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a Fl. 2696DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.240 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.904517/2016-97 6 impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." (sem destaques no texto original) Destaco, ainda, o Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018, proferido com a seguinte Ementa: Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Fl. 2697DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.240 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.904517/2016-97 7 Deve ser aplicado o entendimento do STJ, de forma a adotar o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, como todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou impeça a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 3. Da necessária conversão do julgamento do recurso em diligência Diante de todas as comprovações apresentadas com a Manifestação de Inconformidade e, sobretudo, considerando o conceito de insumos adotado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, deve ser oportunizada a necessária análise do direito creditório pela Unidade Preparadora sob os critérios de essencialidade e relevância. Ademais, considerando os documentos comprobatórios acostados aos autos pela Contribuinte, revela-se imprescindível que a Unidade Preparadora proceda à análise quanto à natureza e à utilização dos itens identificados como partes e peças classificadas como bens do ativo imobilizado empregados no processo produtivo da empresa, bem como quanto ao tempo de vida útil desses itens, esclarecendo se há contribuição efetiva para o aumento da vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e que demandam manutenção. Pelas mesmas razões, faz-se igualmente necessária a confirmação da efetividade dos pagamentos referentes aos fretes nas operações de venda, tendo em vista que a legislação estabelece ser indispensável que o ônus financeiro recaia sobre o vendedor para o reconhecimento do direito creditório correspondente. Para tanto, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de Origem: (a) Intime a Recorrente para, no prazo de 30 dias: a.1) Demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, o enquadramento das despesas (bens e serviços) que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, bem como a utilização em seu processo produtivo, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018; a.2) Demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, a participação dos itens identificados como bens (partes e peças) e serviços de manutenção em cada etapa do processo produtivo, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo sobre a necessidade e se há alguma contribuição Fl. 2698DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.240 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.904517/2016-97 8 quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas (em quanto tempo); a.3) Demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, as despesas e efetivos pagamentos relacionados aos fretes nas operações de venda. (b) Realize eventuais diligências que julgar necessárias para a constatação especificada nesta Resolução; (c) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas no Item “a”, manifestando sobre os documentos apresentados pela Recorrente, bem como apurando a certeza e liquidez dos créditos pleiteados: c.1) Com relação ao Item “a.2”, elaborar planilha de cálculo da depreciação equivalente a parcela de cada bem ou serviço, indicando detalhadamente a metodologia de cálculo adotada para cada bem e a respectiva fundamentação legal; c.2) Com relação ao Item “a.3”, analisar a comprovação dos autos, bem como a documentação que será apresentada pela Recorrente, elaborando relatório detalhado, com a discriminação dos valores comprovados para cada operação de frete de venda. (d) Recalcule as apurações e resultado da diligência; (e) Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após cumprida a diligência, com ou sem manifestação da parte, retornem os autos para julgamento. É a proposta de resolução. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos Fl. 2699DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900079/2019-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS RELATIVOS ÀS RETENÇÕES. SÚMULA CARF N.80.
Para casos de comprovação de retenção sem informe de rendimentos, como o ora analisado, admite-se a comprovação da retenção por outros meios, conforme entendimento pacífico neste Colegiado, de acordo com a Súmula CARF n° 143 do CARF. Deve-se ainda comprovar tanto a retenção na fonte como o oferecimento dos referidos rendimentos à tributação, nos termos da Súmula CARF 80.
Numero da decisão: 1101-001.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, para retornar o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração os documentos juntados aos autos, nos termos do presente voto, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual.
Assinado Digitalmente
Jeferson Teodorovicz – Relator
Assinado Digitalmente
Efigênio de Freitas Júnior – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente).
Nome do relator: JEFERSON TEODOROVICZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2013 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS RELATIVOS ÀS RETENÇÕES. SÚMULA CARF N.80. Para casos de comprovação de retenção sem informe de rendimentos, como o ora analisado, admite-se a comprovação da retenção por outros meios, conforme entendimento pacífico neste Colegiado, de acordo com a Súmula CARF n° 143 do CARF. Deve-se ainda comprovar tanto a retenção na fonte como o oferecimento dos referidos rendimentos à tributação, nos termos da Súmula CARF 80.
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NECESSIDADE DE PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS RELATIVOS ÀS RETENÇÕES. SÚMULA CARF N.80. Para casos de comprovação de retenção sem informe de rendimentos, como o ora analisado, admite-se a comprovação da retenção por outros meios, conforme entendimento pacífico neste Colegiado, de acordo com a Súmula CARF n° 143 do CARF. Deve-se ainda comprovar tanto a retenção na fonte como o oferecimento dos referidos rendimentos à tributação, nos termos da Súmula CARF 80. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, para retornar o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração os documentos juntados aos autos, nos termos do presente voto, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. Fl. 572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 2 Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (efls. 467/477) contra acórdão da DRJ (efls.441/450) que julgou improcedente manifestação de inconformidade (efls. 26/47) movida contra despacho decisório (efls.17 e 71) que não homologou compensação (efls.396/417) por não reconhecer o direito creditório lastreado em saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013 para compensação de débitos diversos. Para síntese dos fatos, reproduzo o relatório do acórdão recorrido (efls.441/450): 1. Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada nos autos da DCOMP nº 11655.82482.221214.1.3.03-8028, transmitida em 22/12/2014, em face do despacho decisório nº de rastreamento 2574310, de 08/02/2019, que não reconheceu a disponibilidade do crédito de Saldo Negativo de CSLL, Ano Calendário 2013, declarado no montante de R$ 3.612.677,63 (crédito original na data de transmissão), para compensação de débitos diversos (fl. 296/317), conforme a fundamentação abaixo: Fl. 573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 3 2. A interessada, cientificada do despacho decisório em 11/02/2019, apresentou a manifestação de inconformidade fls. 317, onde aduz em síntese: No presente caso, o saldo negativo apurado no ano-calendário de 2013 foi composto de retenções na fonte, pois por ser empresa prestadora de serviços de perfuração de poços de petróleo, é habitual credora de IRPJ e CSLL devido às retenções efetuadas pela PETROBRAS nos moldes do art. 34 da Lei 10.833/2003, assim como por outras empresas. O Despacho Decisório confirmou a título de retenção somente o montante total de R$ 14.286.658,60, quando, na realidade, houve a retenção no montante total de R$ 13.804.465,93, conforme declarado no PER/DCOMP e constante em DIRF. A análise das retenções deve ser realizada considerando todos os seus CNPJ, ou seja, tanto o da matriz quanto de suas filiais, o que não ocorreu no presente caso e consequentemente gerou na não confirmação pela autoridade fiscal da integralidade dos valores retidos. Além disso, outra razão para a não confirmação de todas as retenções pela autoridade fiscal se deve ao fato de que muitas fontes pagadoras retificaram suas DIRF ao longo dos anos. Além das retenções, o saldo negativo apurado no ano-calendário de 2013 também foi composto de estimativas mensais quitadas mediante compensação. O crédito que suportou a compensação dessas estimativas decorreu da transposição do saldo negativo apurado no ano-calendário de 2012, referente aos processos de crédito n° 11655.82482.221214.1.3.03-8028, 23367.21800.090115.1.3.03-4110 e 08114.52634.290716.1.3.03-369, que atualmente aguardam julgamento dos Recursos Voluntários. Que não cabe à autoridade fiscal efetuar a glosa de estimativa objeto de compensação não homologada, haja vista a ocorrência de bis in idem, eis que a Manifestante será compelida a pagar em duplicidade pelos respectivos valores já que, de um lado, terá o prosseguimento da cobrança do débito decorrente da estimativa não homologada e, do outro, a redução do saldo negativo, gerando outro débito da mesma origem, lembrando mais uma vez como já mencionado acima a sua habitualidade em ser credora dos referidos impostos. Requer seja afastada a multa moratória em razão da configuração do instituto da denúncia espontânea no presente caso, também é inaplicável em razão de recolhimento ou compensação das estimativas de IRPJ e CSLL em atraso, pois tal multa pressupõe sempre a existência de uma obrigação consubstanciada em uma dívida líquida e certa, cujo fato gerador tenha efetivamente ocorrido, o que não se verifica na presente demanda. Traz julgamentos e pareceres administrativos. Por fim, uma vez comprovada a procedência do direito creditório mediante a confirmação da integralidade dos valores retidos e das estimativas, requer que a presente Manifestação de Inconformidade seja conhecida e, no mérito, provida, para que sejam integralmente homologadas as compensações objeto do PER/DCOMP n° 11655.82482.221214.1.3.03-8028 sem a incidência das multas aplicadas indevidamente no Despacho Decisório, em razão da denúncia espontânea, recorrido que resultaram na redução dos créditos fiscais consignados nos saldos negativos originais. Fl. 574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 4 3. É o relatório. Nada obstante, o acórdão recorrido julgou procedente em parte a pretensão impugnatória, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2013 PARECER NORMATIVO COSIT/RFB nº 02/2018. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. RECONHECIMENTO DIREITO CREDITÓRIO. Com a edição do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 2/2018, as estimativas declaradas por compensação, podem ser deferidas como direito creditório do contribuinte, reduzindo o saldo a pagar ou aumentando o saldo negativo indevidamente e, portanto, passam a ser passíveis de cobrança e inscrição em DAU. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO Compõe o saldo negativo ao final do período de apuração correspondente ao ajuste anual a dedução a título de imposto de renda retido na fonte, desde que devidamente comprovada. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte E concluiu: Conclusão 26. A teor do exposto, voto por julgar PROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para reconhecer o Saldo Negativo de CSLL, A/C - 2013, no valor originário de R$ 3.173.678,82, determinando-se a homologação dos débitos declarados, até o limite do crédito reconhecido, nos termos do voto da relatora. Devidamente cientificado em 01/12/2020 (efls.463), o recorrente, às efls 465, em 30/12/2020, protocolou seu recurso voluntário (efls. 467/477), reforçando e requerendo o que segue: 31. Diante do exposto, a Recorrente requer que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que a respeitável Decisão de fls. 170-176 seja reformada, a fim de que se reconheça: a) a retenção declarada no valor total de R$ 14.339.881,87 (quatorze milhões, trezentos e trinta e nove mil, oitocentos e oitenta e um reais e oitenta e sete centavos); b) consequentemente, a totalidade do saldo negativo declarado, qual seja, o montante de R$ 3.612.677,63 (três milhões, seiscentos e doze mil, seiscentos e setenta e sete reais e sessenta e três centavos); c) a inaplicabilidade da multa de mora, por força da denúncia espontânea, considerando que, conforme demonstrado, não houve pagamento em atraso, reconstituindo dessa forma o crédito originalmente utilizado para compensar tão somente o débito principal e juros devidos. Por fim, a Recorrente requer que todas as intimações sejam postadas, publicadas ou diligenciadas exclusivamente em nome dos advogados ERNESTO JOHANNES TROUW, inscrito na OAB/RJ sob o nº 121.095 e FÁBIO FRAGA GONÇALVES, inscrito na OAB/RJ sob o nº 117.404, com escritório a Avenida Rio Branco nº 99, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Juntou documentos às efls. 527 e ss. Após, os autos retornaram ao CARF para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 5 VOTO Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Inicialmente, a Receita Federal indeferiu o pedido de compensação formulado pela empresa Halliburton Serviços Ltda. com base na constatação de ausência de comprovação da origem e legitimidade dos créditos utilizados. O Despacho Decisório – DD, confirmou parcialmente a parcela de IRRF declarada no importe de R$ 13.804.465,93, e nenhuma das estimativas compensadas, restando tal crédito insuficiente para demonstrar Saldo Negativo disponível, tendo em vista que a CSLL apurada no período foi de R$ 14.339.881,87. Em reanálise ao Direito Creditório, após apresentação de manifestação de inconformidade pelo contribuinte, que juntou documentos comprobatórios adicionais, o acórdão da DRJ reconheceu o direito creditório referente às estimativas, à luz do Parecer Normativo n. 2/2018: Parecer Normativo Cosit/RFB nº 2, de 03 de dezembro de 2018, que uniformiza a interpretação sobre a compensação de estimativas referentes ao IRPJ e à CSSL efetuada por meio de Declaração de Compensação, conforme ementa: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DE ESTIMATIVAS POR COMPENSAÇÃO. ANTECIPAÇÃO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. 31 DE DEZEMBRO. COBRANÇA. TRIBUTO DEVIDO. Os valores apurados mensalmente por estimativa podiam ser quitados por Declaração de compensação (Dcomp) até 31 de maio de 2018, data que entrou em vigor a Lei nº 13.670, de 2018, que passou a vedar a compensação de débitos tributários concernentes a estimativas. Os valores apurados por estimativa constituem mera antecipação do IRPJ e da CSLL, cujos fatos jurídicos tributários se efetivam em 31 de dezembro do respectivo ano- calendário. Não é passível de cobrança a estimativa tampouco sua inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) antes desta data. No caso de Dcomp não declarada, deve-se efetuar o lançamento da multa por estimativa não paga. Os valores dessas estimativas devem ser glosados. Não há como cobrar o valor correspondente a essas estimativas e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL. No caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório que não homologou a compensação for prolatado antes de 31 de dezembro, e não foi objeto de manifestação de inconformidade, não há formação do crédito tributário nem a sua extinção; não há como cobrar o valor não homologado na Dcomp, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL. No caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do ano-calendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o Fl. 576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 6 crédito tributário está extinto via compensação. Não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido. Se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança. g.n. Dispositivos Legais: arts. 2º, 6º, 30, 44 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 52 e 53 da IN RFB nº 1.700, de 14 de março de 2017; IN RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017”. (grifou-se) 8. Nestes termos, esclarece o referido parecer que os valores apurados por estimativa são antecipação do IRPJ e CSLL devidos em 31/12 do respectivo ano- calendário, de modo que não podem ser cobrados nem inscritos em Dívida Ativa da União antes desta data. 9. No entanto, as estimativas que não tenham sido homologadas depois de 31/12 do ano-calendário respectivo, deixam de ser mera antecipação e passam a ser crédito tributário devido passíveis de cobrança e inscrição em DAU. 10. Nesse sentido, destaque-se, a seguinte passagem do referido parecer: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. (Acórdão nº1401-002.876, Rel. Claudio de Andrade Camerano, 16/8/2018). Ressalte-se que esse crédito do sujeito passivo é líquido e certo para os fins do disposto no art. 170 do CTN. Se a estimativa é uma obrigação certa sua, também deve ser tido como certo o saldo negativo por ela formado. Afinal, não se pode negar o efeito que é próprio à estimativa, que existe em conformidade com o direito”. (grifou-se) 11. Com isso, deve ser confirmada como parcela de composição de crédito adicional, o montante de estimativas compensadas no importe de R$ 3.665.900,90. Porém, no que tange às retenções de IRRF, a DRJ manteve o indeferimento, entendendo que as retenções de IRRF apresentadas não foram suficientemente comprovadas, especialmente quanto à vinculação dos valores à receita tributada. Além disso, entendeu que faltou comprovação de que os valores retidos foram oferecidos à tributação. Por fim, destacou que o saldo negativo não estava adequadamente demonstrado ou não havia sido objeto de homologação anterior. Primeiramente, o recorrente, já em sua manifestação de inconformidade, e reiterado em seu recurso voluntário, pleiteia o reconhecimento da compensação como instrumento de denúncia espontânea para afastar penalidades aplicáveis em decorrência de mora ou atraso. Fl. 577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 7 Contudo, tal racional não pode ser acolhido em esfera recursal, já que o tema foi pacificado através da edição da Súmula CARF N. 203: Súmula CARF nº 203 Aprovada pelo Pleno da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 A compensação não equivale a pagamento para fins de aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, que trata de denúncia espontânea. Acórdãos Precedentes: 9303-014.401; 9303-014.698; 9303-014.718; 9101- 006.876 Logo, em atenção à súmula 203, que vincula este julgador, o argumento de denúncia espontânea na compensação deve ser afastado. Passamos à análise do crédito tributário remanescente pleiteado, isto é, nas contribuições retidas na fonte. Sobre essa parcela do saldo negativo, o acórdão da DRJ, assim acresceu: 12. De outra parte, quanto à parcela de CSRF não confirmada pelo DD, códigos 5952 e 6190, a manifestante defende seu crédito afirmando que a analise eletrônica não considerou todos os seus CNPJ, matriz e suas filiais. Traz telas da DIRF, extraídas do Sistema E-CAC. 13. Cumpre instar, primeiramente, que a validação das parcelas decorrentes de retenção na fonte demandam, primeiramente, respaldo nos competentes informes de rendimentos anuais emitidos pela respectiva fonte pagadora, consoante orienta o art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985, c/c com o teor dos arts. 728 e 943, §2º, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 29/03/1999, condição que pode ser suprida pela confirmação da retenção em DIRF apresentada pela fonte pagadora. 14. Além disso, tais parcelas somente serão passíveis de dedução, desde que oferecidos os rendimentos correspondentes à tributação, a teor do art. 2º, § 4º, III, e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 15. Tem-se ainda que sobre esse tipo de recolhimento, código 5952, a Instrução Normativa SRF nº 381, de 30.12.2003, regulamentando a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o valor da CSLL retida na fonte, quando do pagamento efetivado por pessoa jurídica a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços na lei discriminados, sob o código de retenção 5952, deverá ser calculado à alíquota de 1% sobre o montante a ser pago. Lembrando-se que apenas uma parte do valor retido sobre o código 5952, (Retenção contribuições pagto. PJ a PJ dir priv.), aproximadamente, 21,51% (1/4,65) se refere a CSLL. 16. Do mesmo modo, conforme disciplinado pela Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o valor da CSLL retida na fonte por órgãos públicos, pela prestação de serviços na lei discriminados, sob o código de retenção 6190, deverá ser calculado à alíquota de 1% sobre o montante a ser pago. Lembrando-se que apenas uma parte do valor retido sobre o código 6190 (Serviços – Retenção em pagamento por órgão público) se refere a CSLL, aproximadamente 10,58% (1/9,45). 17. Ao passo que, efetuado o cálculo desse percentual sobre os valores totais retidos, com base nos relatórios DIRF extraídos diretamente do Sistema da RFB, cujas telas seguem anexas as fls. 332/429, restou comprovado o IRRF de R$ Fl. 578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 8 43.193,86 a ser adicionada na apuração do Saldo Negativo do A/C 2013, conforme tabela seguinte: 18. Verificou-se, ainda, no caso em tela, que as Receitas de Prestação de Serviços ao ano-calendário 2013 informadas na Linha 04 da Ficha 06A da DIPJ ativa, comportam o montante de rendimentos ora confirmados. 19. A teor do exposto, o Saldo Negativo CSLL - A/C 2013 resulta no seguinte cálculo: Este portanto foi o valor reconhecido pelo acórdão recorrido, após análise dos documentos acostados aos autos até aquele momento, acrescentando o valor de R$ 43.193,86 ao valor das retenções já reconhecidas em DD. Fl. 579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 9 Contudo, em recurso voluntário, a empresa reitera o reconhecimento integral das retenções na fonte que integrariam o saldo negativo remanescente, destacando que a juntada de provas materiais (DARFs, DIRFs de clientes, ECF) que comprovariam tanto a origem do saldo negativo quanto a efetiva retenção de IRRF: 13. No presente caso, o saldo negativo apurado no ano-calendário de 2013 foi composto de retenções na fonte, pois a Recorrente, por ser empresa prestadora de serviços de perfuração de poços de petróleo, é habitual credora de IRPJ e CSLL devido às retenções efetuadas pela PETROBRAS nos moldes do art. 34 da Lei 10.833/2003, assim como por outras empresas. 14. O Despacho Decisório confirmou a título de retenção somente o montante total de R$ 13.804.465,93 e, posteriormente, o Acórdão de Manifestação de Inconformidade confirmou o valor adicional de R$ 43.193,86, totalizando, portanto, R$ 13.847.659,79, quando, na realidade, houve a retenção no montante total de R$ 14.339.881,87, conforme declarado no PER/DCOMP e constante em DIRF cujas informações foram obtidas no próprio site da Receita Federal do Brasil (Doc. 05). 15. O r. Acórdão deixou de reconhecer o montante de R$ 438.998,81 sob alegação de que os relatórios DIRF extraídos diretamente do Sistema da RFB não foram suficientes para comprovar o restante do saldo. 16. O valor a ser retido é calculado levando-se em conta o valor total dos rendimentos acumulados pagos no mês por todos os estabelecimentos de uma empresa, incluindo matriz e filiais, de modo que o cálculo a título de compensação deve considerar também o total dos valores retidos. Isto posto, como já afirmado pela ora Recorrente, a análise das retenções deve ser realizada considerando todos os CNPJs, ou seja, tanto o da matriz quanto de suas filiais. 17. Insta destacar que, à época, a empresa declarou o crédito de Saldo Negativo de IRPJ, objeto do processo nº 16682.902013/2018-61, e de CSLL, objeto do presente caso, ambos referentes ao mesmo período e calculados com base nos relatórios DIRF extraídos diretamente do Sistema da RFB. Naqueles autos, o Despacho Decisório confirmou integralmente a parcela de IRRF declarada em DCOMP, qual seja, R$ 48.354.120,73, e o Acórdão nº 06-67.959 - 1ª Turma da DRJ/CTA confirmou a parcela relativa a estimativas compensadas no montante de R$ 7.932.980,76 (Doc. 06). 18. De outro modo não poderia ter sido, tendo em vista que a Recorrente declara os valores com base nos relatórios DIRF extraídos diretamente do Sistema da RFB, de modo que não faria diferente na presente demanda, conforme se verifica: Fl. 580DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 10 19. Em ambos os casos, levando em consideração os relatórios extraídos do sistema e-CAC referentes ao ano calendário de 2013, os valores retidos na fonte informados ao fisco por meio da DIRF anual encontram-se, inclusive, superiores aos valores declarados pela Recorrente. No caso da CSLL, é possível verificar o montante total de R$ 379.842,50 retidos a maior do que o declarado pela ora Recorrente. 20. Tal fato se dá devido às retificações de DIRFs ao longo dos anos por muitas fontes pagadoras. À título de exemplo, tem-se o caso da Petrobras, maior cliente da Recorrente, que retificou sua DIRF em 19.09.2019, momento posterior, inclusive, à DCOMP da ora Recorrente. 21. Dado o exposto, faz-se necessária a análise das retenções considerando as retificações das DIRFs das fontes pagadoras ao longo dos anos, bem como da matriz e suas filiais, de modo que, por meio dos relatórios DIRFs anexos (vide Doc. 05), é possível confirmar integralmente as retenções declaradas. Contudo, à luz da Súmula CARF n. 143, a prova da retenção não se faz exclusivamente por meio de DIRF, sendo admitidos outros meios que possam corroborar com a retenção: Súmula CARF 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Acórdãos Precedentes: 9101-003.437, 9101-002.876, 9101-002.684, 9202-006.006, 1101-001.236, 1201- 001.889, 1301-002.212 e 1302-002.076. Nesse aspecto, também importa ressaltar que a jurisprudência administrativa é pacífica no sentido de que a existência de crédito de saldo negativo de IRPJ/CSLL depende: a) Da comprovação das retenções na fonte; b) Do oferecimento à tributação das receitas correspondentes às retenções. Não diverge desse entendimento, a Súmula CARF n. 80: Súmula CARF nº 80: Na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o Fl. 581DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 11 cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 1202-00.459, de 25/01/2011 Acórdão nº 1103-00.268, de 03/08/2010 Acórdão nº 1802-00.495, de 05/07/2010 Acórdão nº 1103-00.194, de 18/05/2010 Acórdão nº 105-17.403, de 04/02/2009 Acórdão nº 101-96.819, de 28/06/2008 Contudo, se alguns documentos foram apresentados (DIRFs do período), não se vislumbrou a identificação de documentos que demonstrassem cabalmente o oferecimento de tais receitas à tributação, o que poderia ser feito através de documentos e livros fiscais e contábeis (a exemplo do livro razão, de livro diário e de notas fiscais referentes a cada operação), que permitiriam com maior clareza identificar as retenções relacionando-as ao oferecimento à tributação. No entanto, no caso em tela, em minha leitura, o recorrente demonstra de forma plausível que comportam as retenções na fonte pleiteadas no ano calendário de 2013, informações reforçadas pelos documentos acostados aos autos (DIRFS referidas ao período de 2013 e ECAC 2013, juntados em manifestação de inconformidade – efls.332/429 e no recurso voluntário – doc 05- efl.540-566). Porém, se por um lado, a meu ver, as DIRFs apresentadas justificam a reanálise da totalidade do crédito pleiteado, com base no princípio da verdade material, apresentando potencial de indicar, em minha leitura, que houve efetiva retenção, entende-se necessário a apresentação de documentos complementares para demonstrar que tais retenções foram oferecidas à tributação. Por fim, reforce-se que não se trata de conceder automaticamente todo o crédito, mas de permitir que, com base informações prestadas, além de outros documentos complementares, a autoridade possa confirmar (ou não) que houve a retenção e os valores foram corretamente oferecidos à tributação. Assim, entendo que o melhor caminho é a devolução dos autos à autoridade de origem para que, com base nas provas já apresentadas (e eventualmente complementadas), reanálise individualizada dos créditos compensados, em especial as retenções de CSRF, seja realizada, verificando a efetiva oferta à tributação e a comprovação dos valores, à luz do art. 170 do CTN. Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso e, no mérito, dou PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração os documentos juntados aos autos, nos termos do presente voto, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz Fl. 582DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.868 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900079/2019-05 12 Fl. 583DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10935.721443/2013-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de manifestação de inconformidade administrativa, desde que os documentos sirvam para robustecer tese que já tenha sido apresentada e/ou que se verifiquem as hipóteses do art. 16 § 4º do Decreto n. 70.235/1972.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA.
FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL
Sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços de engenharia incide o coeficiente de presunção de 32%, exceto para os serviços de construção, executados sob a modalidade de empreitada total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, devendo tais materiais ser incorporados a essa, sobre os quais é aplicado o coeficiente de 8%. Considera-se obra de construção civil
a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL.
Mantida, no mérito, a autuação fiscal do IRPJ, deve-se manter os
decorrentes reflexos no lançamento da CSLL, aplicando-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal, em decorrência de sua íntima relação de causa e efeitos, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos.
Numero da decisão: 1402-007.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; ii) afastar os questionamentos de matérias sumuladas no CARF, a saber, Súmula nº 11 (prescrição intercorrente) e Súmula nº 163 (realização de diligências entendidas desnecessárias); iii) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos e o cálculo dos juros moratórios de acordo com a taxa SELIC, nos termos da Súmula CARF nº 4.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de manifestação de inconformidade administrativa, desde que os documentos sirvam para robustecer tese que já tenha sido apresentada e/ou que se verifiquem as hipóteses do art. 16 § 4º do Decreto n. 70.235/1972. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL Sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços de engenharia incide o coeficiente de presunção de 32%, exceto para os serviços de construção, executados sob a modalidade de empreitada total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, devendo tais materiais ser incorporados a essa, sobre os quais é aplicado o coeficiente de 8%. Considera-se obra de construção civil a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Fl. 1135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 2 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL. Mantida, no mérito, a autuação fiscal do IRPJ, deve-se manter os decorrentes reflexos no lançamento da CSLL, aplicando-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal, em decorrência de sua íntima relação de causa e efeitos, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; ii) afastar os questionamentos de matérias sumuladas no CARF, a saber, Súmula nº 11 (prescrição intercorrente) e Súmula nº 163 (realização de diligências entendidas desnecessárias); iii) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos e o cálculo dos juros moratórios de acordo com a taxa SELIC, nos termos da Súmula CARF nº 4. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça – Relatora Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em desfavor do Acórdão nº 02-100.158, pela 10ª Turma da DRJ/BHE que decidiu no sentido de afastar a preliminar de nulidade suscitada e rejeitar o pedido de apresentação posterior de provas, e, no mérito, julgar, parcialmente, procedente a impugnação para manter em parte a exação fiscal, com a incidência de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados pela taxa Selic. Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão de piso: “Trata o presente processo da lavratura de Auto de Infração de IRPJ (fl. 925/931), com reflexo na apuração dos valores devidos de CSLL (fl. 932/940), Fl. 1136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 3 levado a efeito em relação aos ano-calendário de 2009, 2010 e 2011, em face da pessoa jurídica em epígrafe, culminando com a exigência dos seguintes valores, na data do lançamento (16/05/2013): A autuação teve por fundamento a identificação de aplicação indevida do coeficiente de determinação do Lucro Presumido, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL: Termo de Verificação Fiscal (TVF) O procedimento adotado pela Autoridade Tributária encontra-se circunstanciado no Termo de Constatação Fiscal de fl. 914/923, doravante denominado de TVF. Esclareceu a Autoridade Fiscal, no TVF, que nos 03 (três) anos abrangidos pela ação fiscal o contribuinte optou pela tributação com base no Lucro Presumindo, tendo utilizado o coeficiente de presunção de 8% (oito por cento) para apuração do IRPJ, e de 12% (doze por cento) para a CSLL. Salientou que, no objeto social da empresa, encontram-se relacionados serviços que poderiam se enquadrar nos coeficientes de presunção, para fins de Fl. 1137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 4 apuração do Lucro Presumido, de 8%, 16% ou 32%, de acordo com o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Destacou que “ainda que o objeto social mencionasse apenas atividades que se enquadrassem, sem margem para dúvidas, em apenas um destes coeficientes, somente a análise de documentos que demonstrassem o tipo de serviço efetivamente prestado seria capaz de definir se a aplicação dos coeficientes foi correta ou não”. No curso do procedimento fiscal, procedeu o Auditor-Fiscal à análise dos contratos de prestação de serviço, das notas fiscais e de outros documentos obtidos junto ao próprio contribuinte e seus clientes, chegando-se às seguintes conclusões: Fl. 1138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 5 Fl. 1139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 6 Trouxe, no TVF, a evolução das normas infralegais que trataram da evolução do entendimento quanto à utilização de percentual distinto do previsto na Lei nº 9.249, de 1995, relativo à prestação de serviços em geral (32%), quando se refere à “contratação por empreitada de construção de civil”, uma vez que, nos esclarecimentos prestados pelo fiscalizado, o mesmo utilizou o percentual de presunção de 8%, posto que os serviços fornecidos de construção civil continham o fornecimento de material utilizado na obra. Destacou que, nos termos trazidos pela Lei nº 9.249, de 1995, não existe qualquer previsão para que qualquer tipo de serviço, quando acompanhado do fornecimento de materiais, possa ser tributado com base no coeficiente de presunção de 8%. Sugere que, talvez, a origem da confusão esteja no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997, que declarou a utilização, na atividade de construção por empreitada, do percentual de presunção de 8% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, e de 32% quando houver emprego unicamente de mão-de-obra. Trouxe duas Fl. 1140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 7 observações acerca do ADN: (1) de acordo com seu item I, fica claro que se trata, única e exclusivamente, da atividade de “construção civil por empreitada”; (2) constata-se que o ADN, embora não tenha sido formalmente revogado, ficou totalmente ultrapassado com a edição da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004. Na análise, apontou para o art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF nº 480, de 2004, cuja vigência engloba os períodos de apuração tratados na ação fiscal (disposição reproduzida na Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 2012), que estabelecem as seguintes condições para que se possa falar em construção por empreitada e aplicar o coeficiente de presunção de 8%: a) que se trate de obra de construção civil; b) que o empreiteiro forneça todos os materiais indispensáveis à execução do serviço contratado; e c) que os materiais sejam incorporados à obra, sendo que estes não devem ser confundidos com os instrumentos de trabalho utilizados ou os materiais consumidos na execução da obra. Ressaltou que, após análise minuciosa dos serviços prestados pelo contribuinte, a conclusão foi de que alguns serviços – especialmente os definidos pelo cliente como de “drenagem e obras de arte correntes” ou “pontes, viadutos, túneis e passarelas”, restou a caracterização como “obras de construção” e nos quais o prestador forneceu os materiais necessários. Tais serviços concentram-se principalmente naqueles contratos discriminados nos itens “13.1” e “13.3”. No entanto, quanto aos serviços prestados para os clientes mencionados nº item “13.2”, embora se enquadrem no conceito de “obras de construção”, não foram atendidas as outras duas condições impostas pela IN SRF nº 480, de 2004 (não houve o fornecimento de materiais). Nesta condição também se incluem os serviços de “sinalização viária”, prestados para a Ecocataras (item “13.1”), previstos nos contratos 548/2009, 682/2010 e 762/2011, nos quais os materiais empregados foram fornecidos pelo cliente. E, finalmente, na maior parte dos contratos de “conservação rotineira”, firmados com a Ecocataratas (item “13.1”), previstos nos contratos 337/2008, 493/2009 e 680/2010, os serviços prestados não se enquadram na definição de “obras de construção” e nem mesmo, em sua maioria, envolvem o fornecimento de qualquer material, mas apenas o uso de equipamentos, ferramentas e material de consumo, como combustíveis. Informou, ao final, que foram classificadas, das notas fiscais emitidas pela empresa, as receitas auferidas de acordo com os coeficientes de presunção aplicáveis (8% ou 32%) procedendo-se ao confronto com os valores demonstrados em DIPJ e declarados em DCTF, apurando-se as diferenças apontadas nos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL. Fl. 1141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 8 Ciência do lançamento fiscal A ciência da autuada ao lançamento fiscal foi procedida por via pessoal na data de 16/05/2013, conforme se constata às fl. 925 e fl. 932. Impugnação Na data de 13/06/2013 o sujeito passivo formalizou a impugnação de fl. 945/997, na qual apresentou, de forma sintética, os argumentos a seguir delineados. PRELIMINARMENTE (i) Ausência de elementos informados do Auto de Infração. Os Autos de Infração constantes dos processos 10935.721443/2013-73 e 10935.721444/2013-18 foram lançados com base no MPF 0910300.2013.00007-0, contudo, não receberam numeração própria e, portanto, não foram individualizados, sem atendimento ao que determinam os arts. 2, 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, sendo indiscutível que a ausência de tal individualização dificulta a apresentação de defesa, o que impõe a extinção dos autos por vício de forma. (ii) Cerceamento do direito de defesa. O processo se deu de forma unilateral e individual. A fiscalizada não fora intimada de todos os atos do procedimento e, por isso, é nulo. Os princípios constitucionais da publicidade, ampla defesa e contraditório foram desrespeitados, uma vez que apenas uma intimação foi feita à recorrente. (iii) Indicação genérica de violações à legislação. Alega ausência de respeito ao princípio da estrita legalidade, observando que no Auto de Infração o Auditor-Fiscal informa de maneira genérica as razões legais que são as afrontas à legislação, transcrevendo vários artigos sem demonstrar, objetivamente, o que foi violado, onde está a previsão legal e onde está a violação que justifica a autuação. Assim, entende restar clara a violação à lei e, consequente, a caracterização do cerceio ao seu direito de defesa. MÉRITO (iv) Atividade de construção civil. Sustenta que, de acordo com o Contrato Social da pessoa jurídica e suas posteriores alterações contratuais, observa-se claramente que o seu objeto principal é a construção civil em suas variadas formas, que, a despeito de fugirem ao conceito corriqueiro de construção civil (“edificação de prédios”), tem-se que é, de fato, serviços de construção civil por equiparação. Até o próprio portal da Receita Federal conceitua obras de construção civil, entendendo que “obra de construção civil: é a construção, demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou subsolo”. Fl. 1142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 9 A extensão do conceito de construção se presta para desdizer a afirmação do Auditor-Fiscal, no sentido de que a atividade da recorrente está longe de ser considerada construção civil, pois na maior parte trata-se de roçada de estradas, que não tem relação com a atividade invocada pelo contribuinte. Pelos contratos, observa-se que o conjunto da obra abrange, além da roçada, outras tantas ações visando a manutenção das rodovias, sendo impossível observar o serviço de roçada isoladamente, ainda que previsto em contrato distinto, “pois se não há mantença do mato, não pode ser feita a construção, conserto e benfeitorias nas rodovias, trevos e acostamentos, enfim, uma depende da outra”. (v) Instrução Normativa SRF n° 480/2004. Pontua que a Instrução Normativa SRF n° 480, de 2004, não revogou, nem cancelou a compreensão do ADN Cosit n° 6, de 1997, que continua válido, eficaz e surtindo seus efeitos no mundo jurídico. Ademais, a limitação estabelecida na IN não pode ser aceita, pois não encontra respaldo legal, violando o princípio da estrita legalidade. O ADN, não revogado, apenas reconhece a incidência do coeficiente de presunção às empresas com atividade de construção por empreitada, ou seja, só regulou o dispositivo legal. Contudo, a IN veio a alargar a compreensão, criando exigências, formalizando exceções e limitações à utilização do coeficiente. Assim, a IN foi no sentido de criar obrigação tributária, na medida que alargou a compreensão legal, estabelecendo limitações ao direito dos contribuintes que prestam serviços de empreitada com fornecimento de material. A IN, ao regular o art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995, extrapolou os limites impostos às normas reguladoras e tratou de matéria que não poderia. Apresenta excertos de doutrina e de jurisprudência do STJ a confirmar a necessária observância, pela Administração Tributária, ao princípio da estrita legalidade. (vi) Mão de obra com fornecimento de materiais. Contrato 548/2009. TR-GEN 03/11. O Fiscal alega que o Contrato 548/2009, cuja integralidade dos materiais competia à recorrente, não foi assim executado em decorrência das exceções contidas no TR-GEN 003/11. Consigna-se que o citado TR-GEN não é contrato, é apenas uma normativa contratual genérica relativa à toada de preços, dispondo sobre as diretrizes gerais a serem seguidas. É inaceitável a alegação do Fisco, pois o TR-GEN não diz respeito ao Contrato 548/2009, pois é muito posterior ao mesmo (o contrato foi firmado em 2009, e a TR-GEN é de 2011). Observa-se, ademais, que o contrato em questão em nenhum momento menciona a TR-GEN 03/11, nem em seu bojo e muito menos nos aditivos. Afirma que é impossível admitir que os mais de R$ 843.000,00 relativos às notas fiscais emitidas com lastro no Contrato 548/2009 tenham como base o coeficiente de presunção de 32%. Contrato 680/2010. TR-GEN 04/11. Quanto ao Contrato 680/2010, a descrição dos serviços é clara ao constar que deles estão incluídos o fornecimento de materiais. Este contrato prevê a Fl. 1143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 10 incidência das regras da TR-GEN 04/11, no qual consta, em seu item 1.6, que estão inclusos nos custos da contratada o fornecimento de todos os materiais, sendo que a exceção ali apontada (“exceto defensas metálicas, placas de sinalização, perfis, etc.) não é motivadora de reconhecer que não há o fornecimento de material. Mesmo com tais exceções, ainda existem dezenas de atividades que implicam no fornecimento do material (exemplo: remoção de entulhos, desobstrução de bueiros, bacias, caixas de captação, caneletas, recuperação de sarjeta, etc.). Assim, é de se reconhecer a impossibilidade de incidir o coeficiente de 32% ao presente contrato. Contrato 682/2010. TR-GEN 03/11. Para este contrato, a justificativa fiscal para considerar o coeficiente de 32%, é que apenas a mão-de-obra é oferecida, já que os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra não serão incorporados à obra. Neste caso, utiliza-se a limitação trazida pela IN SRF n° 480/2004 que fere o princípio da legalidade. Contrato 762/2011. O Fiscal equivocou-se ao citar o Contrato 762/2010, já que, na verdade, se trata do Contrato 762/2011 (assinado em 2011). Conforme a mesma compreensão dada ao Contrato 548/2009, nenhuma menção existe no Contrato 762/2011 à TRGEN 03/11. Desta feita, é descabida a afirmação de que há norma excluindo o fornecimento de equipamentos para a prestação do serviço. Contratos 337/08, 493/09 e 680/2010. Para estes contratos, o Fisco afirma que se trata de serviços de roçada, sem o fornecimento de materiais que se incorporem à obra, sujeitos ao coeficiente de 32%. Entende, todavia, que não é admissível considerar a prestação do dito serviço sem a utilização de materiais, apenas com mão-de-obra, e todo e qualquer material empregado deve ser reconhecido como fornecimento de material, portanto, sujeitando-se aos coeficientes de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Nesta linha, inclusive, há jurisprudências administrativas admitindo este entendimento – cita- se os Acórdãos 11-38360(09/10/2012, DRJ/Recife), 05-23911 (23/10/2008, DRJ/Campinas) e 14-3473 (21/03/2003, DRJ/Ribeirão Preto). Serviços prestados para outros clientes. Autopista Litoral Sul S.A. – O Fiscal aplicou o coeficiente de presunção de 32%, porque não houve o fornecimento da totalidade do material empregado na obra. Defende, todavia, que, se há fornecimento de material, não importando a quantidade, deve ser reconhecida a incidência do coeficiente utilizado pelo contribuinte. Auto Pista Planalto Sul S.A. – No caso deste contrato, o cliente informou que forneceu o material utilizado na obra. Contudo, nem mesmo esta afirmação Fl. 1144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 11 tem o respaldo de negar o direito ao coeficiente, pois o entendimento adotado pelo Fiscal, oriundo da IN 480/2004, vem calcado em exigência ilegal, posto que a referida IN é ilegal por natureza. Leão Engenharia S.A. – os mesmos argumentos acima aplicam-se para os serviços prestados a esta empresa. (vii) Demais alegações. Toda e qualquer exigência feita com espeque na IN SRF 480/2004 é ilegal e não tem respaldo constitucional, configurando excesso e abuso por parte do Fisco. Assim, caem por terra as alegações feitas pelo Fiscal quanto aos três elementos exigidos pela lei para utilização dos percentuais reduzidos: a) fornecimento de todos os materiais – a lei não diz que são todos; apenas parte já é suficiente; b) materiais incorporados à obra – não há nenhum dispositivo legal neste sentido; c) que se trate de construção civil – os serviços prestados pela empresa são de construção civil. Ademais, o Fiscal considerou, para alguns serviços, a procedência da utilização do coeficiente, como constou do item 13.3 do TVF (clientes Conservias Transportes e Pavimentação Ltda, Pavimentações e Terraplanagem Schmitt Ltda, Petrocon Construtora de Obras Ltda, Sinasc – Sinalização e Construção de Rodovias Ltda, Companhia de Engenharia de Transportes e Trânsito e as Prefeituras Municipais de Cascavel, Toledo e Muniz). Assim, se os serviços prestados a estes clientes são os mesmos prestados às demais empresas, não há motivos para se considerar que, em alguns, esteja configurada a construção civil, enquanto, para outros, tal não ocorra. A se manter o entendimento de que os recolhimentos feitos pelo contribuinte foram indevidos, atribuindo-se novo coeficiente de presunção, outras questões devem ser também contestadas: (viii) Multa de 75%. Ausência de má-fé. Excesso de penalização. No caso, não houve infração tributária, apenas equívoco na interpretação da lei, não havendo omissão ou ação que desobedeça a lei. Assim, a dubiedade na legislação é que implicou na interpretação distinta por parte do Agente Fazendário, não foi a má-fé, tampou há algum tipo de desobediência legal. Desta feita, inexistindo a alegada infração à legislação, não há que se falar na imposição de multa. Diante do fato de que se trata de divergência de interpretação, não merece ser punida pela forma mais gravosa. Assim, deve ser reconhecida a ausência de dolo ou vontade causar prejuízo aos cofres públicos, e, com isto, mitigar a aplicação da multa sob o percentual aplicado. Ou, então, reduzir este para fazer constar o percentual de 20%, como tem entendimentos no Judiciário. Ainda, a multa no patamar de 75% é excessiva, abusiva e configura-se em Fl. 1145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 12 verdadeiro confisco, vedado pela Constituição Federal e pela própria sistemática do direito tributário. Apresentou excertos jurisprudenciais do STF e do TRF para corroborar a sua argumentação. (ix) Cumulação da multa com juros de mora. A cobrança de multa cumulada com a cobrança de juros de mora é inadmissível, na medida em que pune duplamente o mesmo fato, ocasionando um tipo de dupla tributação, em que a razão é uma só, o não pagamento do tributo. (x) Inaplicabilidade da taxa Selic. Questiona a exigência de juros de mora, com aplicação da taxa Selic. Entende que tal cobrança encontra-se em total descompasso com a legislação nacional e com o próprio Código Tributário Nacional, que prevê que a taxa de juros deve ser de, no máximo 12% (doze por cento) ao ano. É pacífico o entendimento da doutrina e da jurisprudência pátrias acerca da ilegalidade da utilização da taxa Selic para fins tributários, por vícios formais e materiais. Inclusive, o STJ já julgou ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic para fins tributários. (xi) Pedidos. Ao final, formulou os seguintes pedidos: a) preliminarmente, o reconhecimento da nulidade da autuação diante da ausência de elementos informadores do Auto de Infração, bem como pela afronta ao princípio do cerceamento de defesa e violação ao princípio da legalidade, pela ausência de demonstração da violação fiscal; b) no mérito, seja reconhecida a violação ao princípio da estrita legalidade, ao se aplicar os dispositivos da IN SRF n° 480, de 2004 (e IN SRF n° 1324, de 2012), que impôs exigências não previstas em lei; c) ainda, reconhecer que não há razão para aplicação do coeficiente de 32% nos contratos citados, pelas justificativas apresentadas, ponderando que não há que se falar em fornecimento de todo material, bem como outras questões pontuadas para cada contrato; d) seja concedido o afastamento da multa aplicada, pois não se trata de desobediência de norma tributária, mas, sim, de interpretação divergente, o que não configura a incidência de penalidade; se não afastada, sob esta argumentação, que seja reduzida ao patamar de 20%; e) afastar, ainda, a cobrança da multa cumulada com juros de mora; e f) substituir a correção pela Selic por outro índice que represente melhor a desvalorização da moeda. Destaca, ao fim, que pretende provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a documental, pericial e as demais que o controvertido dos autos requerer. Fl. 1146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 13 Fl. 1147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 14 Diligência Através da Resolução nº 02-002.281, de 27 de agosto de 2019 (fl. 1004/1006), esta 10ª Turma da DRJ/Belo Horizonte resolveu converter em diligência o julgado do processo, requisitando da Unidade Lançadora a juntada, aos autos, dos Anexos 1, 2 e 3, citados nos itens 33 e 34 do Termo de Constatação Fiscal, e que não haviam sido carreados aos autos. Demandou que, alternativamente, na impossibilidade de proceder a juntada dos anexos elaborados por ocasião do lançamento fiscal, se procedesse à elaboração de demonstrativos, retratando a apuração dos tributos devidos, constantes dos Autos de Infração (IRPJ e CSLL). Assim constou a fundamentação para o pedido feito em sede de diligência: Fl. 1148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 15 A Autoridade Fiscal autuante, em atendimento à Resolução nº 02-002.281, juntou os anexos requisitados às fl. 1009/1018, dos quais o contribuinte teve ciência na data de 20/02/2020 (fl. 1021). Em 20/03/2020, portanto, dentro do prazo legal, apresentou a manifestação de fl. 1025/1026, suscitando, em síntese, o cerceamento ao seu direito de defesa, com os seguintes argumentos: A ausência dos anexos, junto aos autos configura cerceamento de defesa. A menção destas no corpo da notificação, e por conta disto foram impugnadas é mera questão formal que não supera a ausência de documentos no processo, responsabilidade do autuante e que revela-se atentatória, por conta disto deve ser reconhecido cerceio e anulado o feito. Outro ponto que merece destaque é o fato de que a juntada destes elementos não supre a falta que os mesmos refletem no julgamento da presente demanda, visto que, ainda que juntados agora, e por conta da ausência destes quando da análise da impugnação demais recursos gerou como de fato está a gerar uma supressão de instancia impossível de ser superada. No mais, os documentos devem ser impugnados, remetendo aos argumentos já consignados na defesa e recursos já interpostos, os quais corroboram de maneira clara e objetiva a insubsistência da autuação. Diante do exposto, requer seja reconhecido o cerceamento do direito de defesa pela vinda aos autos dos elementos citados somente neste momento, bem como a impossibilidade de analisar sem violar o princípio do duplo grau e a supressão de instancia que acomete a nova apreciação. Pugna pela extinção diante das nulidades insanáveis do presente, e reforça, se não for o caso de extinção o acolhimento das razões de recurso e a extinção pelo julgamento do mérito que se faz oportuna. Por sua vez, a 10ª Turma da DRJ/BHE julgou procedente, em parte, a impugnação improcedente e o crédito tributário mantido, parcialmente, cuja decisão restou assim ementada: Fl. 1149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 16 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 IMPUGNAÇÃO. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Cabe ao contribuinte, no momento da apresentação da impugnação, trazer ao contencioso todas as informações e documentos comprobatórios dos fatos que alega, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, por força do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, posto que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O direito ao contraditório e à ampla defesa só se estabelece após a ciência do lançamento, iniciando-se a fase processual - contenciosa - da relação fisco- contribuinte. A primeira fase do procedimento fiscal - a fase oficiosa - é de atuação exclusiva da Autoridade Tributária, em busca de obter elementos visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e das demais circunstâncias relativas à exigência. Não há determinação legal para que, nesta fase, o fiscalizado seja intimado previamente de todos os atos praticados pela Autoridade Fiscal. Evidenciado, na impugnação, que o contribuinte identificou o motivo exato da autuação e se defendeu tempestiva e plenamente do teor da mesma, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa. AUTOS DE INFRAÇÃO. REUNIÃO EM UM ÚNICO PROCESSO. Os autos de infração formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo podem ser reunidos em um único processo administrativo, quando a comprovação dos ilícitos fiscais, relativamente aos tributos abrangidos pela autuação, depender dos mesmos elementos de prova. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 COBRANÇA DE MULTA. BOA-FÉ DO CONTRIBUINTE. NÃO CONSIDERAÇÃO. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, a eventual boa-fé do sujeito passivo não afasta a exigência do crédito tributário, uma vez que a lavratura do Auto de Infração constitui ato administrativo vinculado. Ocorrendo a situação fática apontada como infração à legislação tributária, deve-se proceder ao seu lançamento, e aplicar, ao infrator, a penalidade imposta por tal legislação. Fl. 1150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 17 MULTA DE OFÍCIO. VINCULAÇÃO DO AGENTE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Pela absoluta vinculação a que submetido o Auditor Fiscal e por prevista em lei, correta a exigência da multa de ofício no percentual em que exigido, sob pena de aquele, em não o fazendo, vir a ser responsabilizado funcionalmente, na forma do art. 142, parágrafo único do CTN. O princípio do não confisco, previsto pela CF/1988, não se aplica às penalidades, limitando-se ao tributo. Ademais, não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constituição Federal. MULTA E JUROS DE MORA. COBRANÇA CUMULATIVA. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. Sendo diferentes os pressupostos dos juros de mora e da multa, portanto, não se configura bis in idem a cobrança cumulativa de ambos. Tanto os juros de mora, quanto a multa incidem quando ocorre atraso ou o descumprimento de obrigação pecuniária. Todavia, o primeiro (juros) tem natureza indenizatória, destinando-se à recomposição de patrimônio, compensando o credor pelo tempo em que esteve privado de seus recursos. Já o segundo (multa), tem natureza punitiva, tem sempre por pressuposto um fato contrário à lei, sendo, pois, sanção de ato ilícito. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL. Sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços de engenharia incide o coeficiente de presunção de 32%, exceto para os serviços de construção, executados sob a modalidade de empreitada total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, devendo tais materiais ser incorporados a essa, sobre os quais é aplicado o coeficiente de 8%. Considera-se obra de construção civil a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL. Mantida, no mérito, a autuação fiscal do IRPJ, deve-se manter os decorrentes reflexos no lançamento da CSLL, aplicando-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal, em decorrência de Fl. 1151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 18 sua íntima relação de causa e efeitos, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Discordando da decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário reproduzindo os argumentos veiculados em sede de impugnação, alegando, em síntese que: “3. PRELIMINARMENTE. 3.1. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. RAZOABILIDADE NA RESPOSTA. DEFESA APRESENTADA EM 2013. JULGAMENTO EM 2020. DECURSO DE PRAZO. EXTINÇÃO. Os princípios que regem a Administração Pública Direta e Indireta estão previstos na Constituição Federal no seu artigo 37, quais sejam, legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Consoante o princípio da eficiência, devem ser adotadas as medidas eficazes e coerentes no intuito de atender as necessidades da coletividade, nada justificando a extrapolação dos prazos estabelecidos na legislação. Ocorrendo referida situação dos presentes, onde a manifestação sobre o recurso apresentado em outubro de 2009, somente foi decidido em novembro de 2011, ou seja, mais de dois anos após a apresentação de defesa, constituindo assim violação ao direito líquido e certo do contribuinte. De fato, a 'Constituição Federal, na redação dada pela EC nº 45/2004, assegura a razoável duração do processo administrativo e judicial e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação, conferindo, por isso, ao Poder Judiciário, a aferição do cumprimento pela administração pública, da razoabilidade da duração do processo administrativo, que foi elevada à categoria de direito fundamental' (AC Nº 2005.71.08.004523-8/RS, Quarta Turma, Relator Márcio Antônio Rocha, julgado em 18/10/2006). Portanto, a omissão da autoridade impetrada em oferecer uma resposta à impetrante em tempo razoável caracteriza a ilegalidade. O legislador ordinário criou norma específica para os processos administrativos tributários, estabelecendo no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 (que dispõe sobre a Administração Federal Tributária), que: 'É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.' Assim, havendo norma específica dispondo sobre a matéria, deve mencionada lei ser aplicada. Neste caso concreto, o pedido administrativo foi protocolizado em 2009. Assim, contando-se o prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) estabelecido na Lei Fl. 1152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 19 nº 11.457/2007, o prazo para a prolação da decisão administrativa venceu muito antes da decisão proferida. O contribuinte não pode ficar à mercê da ineficiência estatal pela falta de recursos humanos. Se há um excesso de trabalho, não é responsabilidade deste, pois a além de fiscalizar deverá contemplar outros setores e serviços afetos à RFB, com a implementação de medidas que possam desafogar a análise dos processos. Frise- se que tal medida é também necessária para o cumprimento da legislação, qual seja, a Lei nº 11.457/2007. Portanto, entendo que a falta de estrutura administrativa não é justificativa para o descumprimento à lei. Pondera-se que a EC 45 inseriu uma nova ramificação dos direitos fundamentais na Constituição Federal: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...); LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. De fato, a 'Constituição Federal, na redação dada pela EC nº 45/2004, assegura a razoável duração do processo administrativo e judicial e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação, conferindo, se for o caso, ao Poder Judiciário, a aferição do cumprimento pela administração pública, da razoabilidade da duração do processo administrativo, que foi elevada à categoria de direito fundamental' (AC Nº 2005.71.08.004523-8/RS, Quarta Turma, Relator Márcio Antônio Rocha, julgado em 18/10/2006). Portanto, a omissão da autoridade impetrada em oferecer uma resposta à impetrante em tempo razoável mostra-se uma atitude abusiva, restando caracterizada a ilegalidade, devendo ser extinto o feito por afrontar a Lei. 3.2. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO PRÓPRIO DAS MATÉRIAS DEBATIDAS. OCORRÊNCIA. NULIDADE. RECONHECIMENTO. Ainda, antes de adentrarmos ao mérito do recurso, é importante, mencionar que o acórdão proferido, em razão da forma sucinta que foi fundamentado, isto, como dissemos, no sentido de que não agregou nenhum novo elemento ao que foi deduzido na defesa, ou seja, apenas e tão somente transcreveu – com outras palavras - o que o d. fiscal havia deduzido, e diante disto, é de perceber-se que houve a violação ao princípio da motivação das Fl. 1153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 20 decisões, calcado no art. 93, X, da Carta Magna, complementado pelo art,. 2º, da Lei 9784/99, inc. VII e VIII da P.ú.: (...) Observamos a desobediência a este princípio diante do fato de que o julgador não conseguiu, contrapor-se à discussão colocada pela recorrente, justificar e fundamentar a aludida cobrança e os motivos que a justificam. Simplesmente, utilizou das razões dadas pelo Fiscal para justificar a exclusão, não demonstra, não enfrenta, não comprova o que o fiscal aduz, apenas referenda. Isto é caso evidente de ausência de motivação, pois não basta a transcrição do posicionamento que emitiu o auto, é preciso motivar e combater as razões que foram descritas na impugnação. Não o fazendo violou a determinação legal, devendo ser reconhecida a ausência de especifica, clara e objetiva motivação para a mantença do ato declaratório, anulando-se o acórdão, determinando a devolução para nova manifestação, em especial quanto a cessão de mão-de-obra e as manifestações que demonstram ela inexistir, as quais, por respeito ao debate, pontuaremos logo adiante em tópico próprio. 3.3. DILIGÊNCIA FLS. 1004. JUNTADA DE INFORMAÇÕES PELA DRF. INADMISSÃO. AFRONTA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE. ART. 59, INC. II DO DECRETO 70.235/72. A recorrente defende que a determinação de diligencias contida nas fls. 1004, que determinou o retorno dos autos para a DRF para que esta concluísse a instrução do feito impõe crassa e clara nulidade no feito. É vedado, tanto ao contribuinte quanto ao ente público a complementação de informações e portanto a deficiência na documentação é vício que não pode ser sanado pela Câmara julgadora, configurando afronta aos direitos do contribuinte a permissão aqui operada. De fato, remetemos até mesmo a argumentação que consta do acórdão que vedou a produção de provas requerida pelo recorrente sob o argumento: Destarte, pelo princípio de paridade de armas, se é defeso ao impugnante apresentar novos documentos, a mesma compreensão deve ser aplicada ao fisco, que fica vedado de municiar o processo após a triangulação processual (apresentação de recurso) e instauração da fase litigiosa. Portanto, é de se reconhecer a desobediência e inobservância do princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal para o fim de Fl. 1154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 21 rechaçar a juntada de novos documentos pelo agente fiscalizador, e com isso reconhecer a deficiência na documentação para extinguir o auto de infração e acolhendo as teses desde, em especial a de falta de elementos formais no processo sendo nula a decisão que foi proferida com espeque naqueles conforme estabelece a parte final do inc. II do art. 59 Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A publicidade, ampla defesa, contraditório, são princípios constitucionais tributários que foram desrespeitados no presente procedimento, e que por isso o nulificam. De fato, a Carta Magna, prevê tais prerrogativas nos arts. 5, inc. LV: “LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” Até a própria legislação que regula o Procedimento Administrativo fiscal, impõe a observância do direito de defesa, conforme nos revela o artigo 59, inc. II, do Decreto 70.235/72. Desta forma, observa-se que o MPF não se deu em obediência a tais princípios, vez que apenas uma intimação foi feita à requerente, qual seja, a para apresentar e manifestar-se sobre o andamento da apuração fiscal. Ao contrário do que se tem pregado, o direito de defesa é inerente à integralidade do procedimento de investigação e não apenas a partir do auto de infração. Diferente não poderia ser, porquanto atos administrativos tem como base a observância ao princípio da publicidade, legalidade, conjuntos de regras que impõem o respeito à manifestação da parte contraria em todas as instancias. Desta feita, deve ser reconhecido o cerceamento de defesa e anulado o processo, retornando-se-o à instancia inicial de apuração, e efetuando-se a intimação sobre todo e qualquer ato do feito. (...) Desta forma, outra alternativa não nos resta senão pugnar pela nulidade in totum do presente AI. 4. DA MATÉRIA ENFRENTADA NO ACÓRDÃO OBJURGADO. A despeito da postura que adotamos, na qual entendemos possível ser analisada toda a questão que envolve a presente autuação, passamos a discorrer, neste momento sobre as questões especificadas pelo acórdão como objeto direto desta discussão. Fl. 1155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 22 (...) Contudo, os argumentos ponderados no acordão não são suficientes para a mantença do lançamento, merecem portanto impugnação a fim de deduzir a motivação objetiva e clara no sentido de justificar a reforma. Vejamos. 5. RAZÕES DE REFORMA DA AUTUAÇÃO. Demonstraremos e provaremos a partir de agora, que a fiscalização mal interpretou as circunstâncias com as quais se deparou, tirando conclusões que mais a beneficiavam, em detrimento da real conotação dos fatos, objetivando com isto criar um ambiente favorável ao fisco, penalizando a recorrente. Resta tudo devidamente impugnado, contudo, por amor à brevidade, deixaremos para nos manifestar sobre os primeiros itens ao decorrer desta, que como veremos, é auto exauriente quanto a tudo o que engloba a presente. 5.1. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS INFORMADORES NO AUTO DE INFRAÇÃO. Como bem demonstra desde o início da defesa, há nos presentes autos um vício que impede formalmente a continuidade do presente feito, e consequentemente, impõe a sua extinção. Trata-se de ausência de elementos informadores no auto de infração. De fato, observamos que os AI´s – tanto este quanto o impugnando nos autos - PAF 10.935.721443/2013-18 - foram lançados com base no MPF 0910300.2013.00007-0, contudo, não receberam numeração própria e portanto não foram individualizados. Estão portanto fazendo parte do mesmo corpo, qual seja, ainda do MPF 0910300.2013.00007-0, e não se trata de individualização, tampouco atendimento ao que determinam os arts. 2, 10 e 11 do decreto 70235/72. É portanto, indiscutível que a ausência de individualização, com a atribuição de número específico e próprio aos AI´s dificulta a apresentação da devesa, eis que estão sendo necessárias a conjugação de três teses em uma apenas para combater as autuações aplicadas. Ressaltamos que os autos dizem respeito à IR, PIS/Pasep e Contribuições. E que por se tratar de figuras distintas deveriam ser tratadas autonomamente. Assim, se impõe a extinção dos presentes pelo vício de forma, e não atendimento ao que determina a legislação, e em decorrência, violação do princípio da estrita legalidade. 5.2. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Como se percebe no presente MPF, houve averiguação por parte da SRF, a qual, apurou, de forma unilateral, e individual, valores devidos pela contestante. Fl. 1156DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 23 O processo se deu, como se disse, de foram unilateral, e individual, sem qualquer intervenção da parte interessada, configurando-se assim, verdadeiro cerceio do direito de defesa. De fato, todas as fases do procedimento deveriam ter sido comunicadas à recorrente, para que a mesma pudesse, no tramite do procedimento, fazer as intervenções que julgasse necessárias. Não foi o que ocorreu. Apesar de ter sido cientificada para um ato, não fora para todos os atos do procedimento, e por isso, nulo é este. A publicidade, ampla defesa, contraditório, são princípios constitucionais tributários que foram desrespeitados no presente procedimento, e que por isso o nulificam. De fato, a Carta Magna, prevê tais prerrogativas nos arts. 5, inc. LV: (...) Até a própria legislação que regula o Procedimento Administrativo fiscal, impõe a observância do direito de defesa, conforme nos revela o artigo 59, inc. II, do Decreto 70.235/72. Desta forma, observa-se que o MPF não se deu em obediência a tais princípios, vez que apenas uma intimação foi feita à requerente, qual seja, a para apresentar e manifestar-se sobre o andamento da apuração fiscal. Ao contrário do que se tem pregado, o direito de defesa é inerente à integralidade do procedimento de investigação e não apenas a partir do auto de infração. Diferente não poderia ser, porquanto atos administrativos tem como base a observância ao princípio da publicidade, legalidade, conjuntos de regras que impõem o respeito à manifestação da parte contraria em todas as instancias. Desta feita, deve ser reconhecido o cerceamento de defesa e anulado o processo, retornando-se-o à instancia inicial de apuração, e efetuando-se a intimação sobre todo e qualquer ato do feito. (...) Desta forma, outra alternativa não nos resta senão pugnar pela nulidade in totum do presente AI. Ainda, não é só. Outros vícios existem. 5.3. INDICAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÕES À LEGISLAÇÃO. AUSENCIA DE RESPEITO AO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE. Observa-se ainda no ato de infração que o fiscal informa de maneira genérica as razões legais que são as afrontas à legislação transcrevendo artigos e mais artigos sem demonstrar objetivamente que foi violado, onde está a previsão legal, e onde está a violação que justifica a exclusão. Assim, ausente o elemento indicativo legal objetivo e claro do que foi violado, e onde está a violação e ainda onde está a previsão de imposição da multa pelo suposto recolhimento ilegal com base de cálculo diferenciada, não Fl. 1157DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 24 pode o surtir seus efeitos, pois deixa nas sombras as bases legais que a investigação adotou para ser formulado. Como se disse, o princípio da legalidade, é cediço neste sentido, impondo, obrigando e sendo determinante que a administração cumpra com o que a lei estabelece em ordem de não dar margem à duvidas e imprecisões. A exigência encontra-se no artigo 10, Inc. III e IV, do Decreto 70235/72, o qual é taxativo ao dispor que o Auto conterá obrigatoriamente: “...descrição do fato, disposição legal infringida e penalidade aplicável...” Entretanto, não basta simples e genérica menção sobre o fato a regra jurídica e a penalidade, tem que haver a exata, completa e direta demonstração e subsunção do ato alegado, da norma violada e da consequência jurídica imposta pela lei para a situação. É a máxima de que o manto da lei tem forma perfeita e se o fato alegado não se amoldar exatamente naquele, não poderá incidir sobre ele. Desta feita, tendo sido preterido direito assegurado ao recorrente, está clara a violação à lei, e consequentemente a caracterização do cerceio ao direito de defesa, pois todo e qualquer obstáculo, por ínfimo que seja que afrontar e dificultar a defesa dos atos contra si imputados, configura tal vedação, e a teor do inc. II, do art. 59, em sua parte final, dispôs garantindo a ampla defesa e o contraditório. Neste sentido: (...) Desta feita, merece tal afronta ser reconhecida e declarada a nulidade do ato, mediante a anulação da exclusão e suas consequências neste sentido. 6. MÉRITO Com a máxima venia aos argumentos tecidos pelo D. relator do Acórdão 02- 100.158, no tocante aos argumentos deduzidos e rechaçados por ele, os quais merecem ser revistos, razão pela qual passamos a impugná-los e reiterar os fundamentos de reformam que são objetivos, claros e evidentes para o acolhimento das teses defendidas. Como dito na inicial de defesa dois são os “cernes” da discussão: 1) saber se a atividade exercida pela recorrente pode ser tida como atividade de construção civil diversificada, e portanto, passível do recolhimento feito com espeque na base de cálculo de 8% e 12%. 2) o emprego dos materiais. A legislação que trata da matéria já foi invocada contudo nos impõe reiterá-la para evitar alegação de omissões ou para fins de prequestionamento e enfrentamento recursal futuro. Trata de questão que tem origem no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, ao tratar da base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica dispõe. Fl. 1158DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 25 Também invocado o art. 20 da mencionada lei, com a redação que lhe deu a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Buscando disciplinar a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 480, de 15 de dezembro de 2004: Como bem dito e observado a IN SRF 480/2004 foi relativizada com a edição da IN RFB 1234/2012, em seus arts. 2º e 38 tratou da matéria: Esse regramento, ressalvadas outras disposições legais que confirmam e referendam o que tais normas dizem é que estão no centro da discussão que aqui se amolda. É possível considerar a recorrente como prestadora dos serviços de construção civil. Sendo possível é de se reconhecer a prestação de serviços com a aplicação de materiais, não se resumindo apenas na Mão de obra a atividade desta?? A resposta para ambas as perguntas é SIM. Respeitamos a postura do acórdão, contudo é inarredável o reconhecimento de que a requerida é pessoa física que desempenha atividade voltada para a construção civil, e mais, aplica à consecução de seus objetivos não apenas a Mão de obra, mas também MATERIAIS. Pois bem, do discurso apresentado podemos observar que são fundamentadas a(s) autuação(ões), no fato de que ao seu ver os serviços prestados não são de construção civil. 6.1. ATIVIDADE SOCIAL. CONSTRUÇÃO CIVIL. ASSEMELHADOS. O acórdão ao analisar a situação, destaca que não é atividade de construção civil várias das exercidas pela recorrente: Contudo não é correta a mantença desta posição. Conforme raciocínio que deve ser reproduzido, a atividade exercida pela recorrente é de construção civil por equiparação em alguns casos, mas por expressa disposição documental e fática em outros. Salutar para não dizer essencial para a discussão invocar o contrato social da requerente, espinha dorsal de toda a presente discussão e que muito revela. Vejamos: Fl. 1159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 26 O contrato social estabelece em sua clausula terceira o objeto social, do qual destacamos claramente serviço de construção civil de obras viárias em rodovia...: A primeira alteração (fls 11 e segs.), repete e complementa tal objeto social, sempre em torno das obras de construção civil: 2ª alteração contratual: 4ª alteração contratual: A partir da quarta alteração, mantém o objeto social como posto retro. Observa-se claramente que o objeto principal é a construção civil em suas mais variadas formas, que a despeito de fugirem ao conceito corriqueiro de construção civil (edificação de prédios), temos que é, de fato, serviço de construção civil por equiparação. Fl. 1160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 27 Construção, como leciona o “Dicionário Aurélio”, nada mais é que: Construção [Do lat. constructione.] Substantivo feminino. 1.Ato, efeito, modo ou arte de construir. 2.Edificação, edifício. 3.Organismo, constituição. (...) Junto ao portal do Ministério da Educação1, encontramos as referências Curriculares nacionais da educação profissional de nível técnico, com enfoque na construção civil que nos informa: “A área de Construção Civil abrange todas as atividades de produção de obras. Estão incluídas nesta área as atividades referentes às funções planejamento e projeto, execução e manutenção e restauração de obras em diferentes segmentos, tais como edifícios, estradas, portos, aeroportos, canais de navegação, túneis, instalações prediais, obras de saneamento, de fundações e de terra em geral, estando excluídas as atividades relacionadas às operações, tais como a operação e o gerenciamento de sistemas de transportes, a operação de estações de tratamento de água, de barragens, etc.” Mais adiante, determina o manual sobre a construção civil e os transportes, definindo tal interface: A interface entre as áreas de Construção Civil e de Transportes se evidencia na interdependência entre planejamento, desenho, construção e manutenção das vias e o gerenciamento do tráfego. Até o próprio portal da SRFB conceitua obras de construção civil, entendendo que “Obra de construção civil: é a construção, demolição, a reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo2. (grifei). Desta feita a concepção de construção civil deve ir muito além daquele conceito pré-formatado e integrado nos subconscientes de edifícios sendo construídos. A lei entende e por isto deve ser a Lei observada, que construção é todo e qualquer benfeitoria que se agrega no solo ou subsolo. O discurso, antes de ser evasivo se presta para desdizer a afirmação do fiscal que a atividade da requerente, está longe de ser considerada construção civil, pois na maior parte trata-se de roçada de estradas, o que ao seu ver não têm relação com a atividade invocada pelo contribuinte. Contudo basta uma análise e mero enfrentamento da questão, observando que roçada é benfeitoria que se agrega ao solo, portanto considerada obra de construção civil a sua implementação. Ademais, diferente é a compreensão que se deve dar á roçada de estradas – que não é a mesma que a roçada de um lote por exemplo – na medida em que a roçada de estradas é considerada essencial por se tratar de manutenção, logo é inarredável conceitua-la e compreendê-la como gênero daquela. Outrossim, é preciso que se entenda englobadamente a questão. Fl. 1161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 28 Observamos tanto pelos contratos, até mesmo pela compreensão do fiscal que o conjunto da obra abrange além da roçada outras tantas ações visando a manutenção das rodovias que são objeto dos contratos, desta feita é impossível observar a roçada isolada – ainda que prevista em contrato distinto – das demais obras de manutenção, pois se não há mantença do mato, não pode ser feita a construção, conserto e benfeitorias nas rodovias, trevos acostamentos, enfim uma depende da outra. Desta forma. É construção civil pois tem a mesma relevância e importância para a mantença da rodovia quanto as demais ações (pavimento, pintura, meio fio- escoamento, etc..). Sopesamos também que a questão da manutenção da estrada não é a única fonte de renda da empresa. Outras tantas, todas elas vinculadas com esta atividade conferem os contornos para a certeza de se tratar de construção civil. Abrimos um parêntesis para divagar um pouco e filosofar, tentando aplicar um pouco do princípio da igualdade que envolve as questões tributarias, em especial quanto ao critério muito utilizado recentemente, que é a presunção. Não raro nos deparamos com situações em que o fisco – em especial nas questões do SIMPLES – buscam meios, elementos e tudo o que estiver ao seu alcance para configurar atividades que não estão abrangidas pelo simples e com isto justificar a exclusão de empresas. De fato, nestes casos a presunção e as ilações são a regra. Quanto lhe convém o fisco interpreta a seu favor questões de fato. Mas não faz o mesmo quando não lhe convém. Certamente se a atividade da requerida como colocada no auto de infração fosse conveniente ao fisco admiti-la como construção civil para majorar o recolhimento certamente já teria sido favorável o parecer pela conceituação desta como obra de construção civil. Contudo raramente, para não dizer jamais, é feita esta presunção pro contribuinte. Não existe esta autorização, a presunção nunca é utilizada para reconhecer uma situação fática que venha a ser favorável ao contribuinte em detrimento do ente fiscal. Contudo a presunção tem todo amparo para ser aqui utilizada, pois como bem frisou Maria Rita Ferragut, em sua obra Presunções no Direito Tributário3, “As presunções legais são normas jurídicas latu sensu que nada presumem juridicamente, mas estabelecem como verdadeiro fato descritor de evento cuja ocorrência é indiretamente provada. “...essas normas visam suprir deficiências probatórias, ao disciplinar o procedimento de construção de fatos jurídicos. Ora nada mais encaixado nesta definição do que a situação invocada para justificar a suposta roçada como obra de construção civil. Duvidas portanto inexistem de que as atividades exercidas pela requerida se enquadram no conceito de construção civil e devem ser como tal tratadas. Fl. 1162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 29 O próprio fiscal afirma sobre a exclusividade na aplicação do coeficiente à “atividade de construção civil por empreitada”. Ainda, abaliza a afirmação do D. fiscal a ADN COSIT 6/1997, que a despeito da compreensão do fisco de que está Ultrapassada, infelizmente não se pode atribuir tal situação às normas jurídicas, pois elas não são atualizadas ou ultrapassadas e sim válidas e eficazes ou revogadas. Não se tem notícia da revogação, e o que se quer dizer com ultrapassada é o fato de que norma posterior (IN SRF 480/2004) complementou-a. De fato a IN retrocitada não revogou, nem cancelou a compreensão da ADN COSIT 6/19974, pelo contrário ela continua válida, eficaz e surtindo seus efeitos no mundo jurídico. A despeito da norma IN SRF 480/2004 consignar novas disposições, a limitação que deu a norma não é passível de aceitação pois a limitação conferida à regra não encontra respaldo legal, pois viola o princípio da estrita legalidade. Neste sentido, salutar invocar um tópico especifico para desdizer a limitação legal imposta pelas regras – tanto a IN 480/2004, quanto a IN RFB 1324/2012. Vejamos. 6.2. IN 480/2004, QUANTO A IN RFB 1324/2012. NORMA ADMINISTRATIVA. DELIMITAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE. RESERVA LEGAL. Como já se disse, as delimitações estabelecidas pela IN 480/2004, repetidas pela IN RFB 1324/2012 configuram claro e expresso afrontamento à estrita legalidade e à reserva legal. Ao contrário do que a ADN COSIT 6/1997 estabeleceu – que foi apenas regulamentar o que a lei já previa, as instruções retrocitadas não regulamentaram nada, foram além, e além infringiram os princípios constitucionais tributários. Observamos que, como já dissemos, a ADN COSIT 6/1997 não foi revogada porque o conteúdo da mesma apenas e tão somente reconhece a incidência do coeficiente de presunção às empresas cuja atividade de construção por empreitada. Contudo a IN 480/2004 veio a alargar a compreensão, criando exigências, formalizando exceções e limitações à utilização do coeficiente, limitando a sua aplicação que já havia sido reconhecida pela ADN COSIT 6/1997 a qual surgiu no mundo jurídico apenas para regular a incidência do coeficiente. Nada criou, só regulou, ao contrário das IN SRF 480/2004 e repetida pela IN RFB 1324/2012. A questão em liça revela uma violação ao princípio da estrita legalidade, principio este que não é concernente tão somente ao direito tributário, mas a todos os ramos do direito, estando consignada a sua obediência no texto Constitucional, art. 5°, inc. II: “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Fl. 1163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 30 Também, se observa a menção a ele no art. 37, da Carta Magna: Fl. 1164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 31 (...) Reporta a doutrina ao princípio da legalidade como o manto que cobre as ações do Estado, manto este representado pela Lei, regularmente introduzida no ordenamento, apta a produzir efeitos, que estabelece as bases onde o Estado (lato sensu), é obrigado a pautar usas atividades no que a lei lhe permite, e não na sua vontade. Para o direito tributário esta regra é aplicada com muito mais propriedade, sendo que o legislador lançou mão proteção extra, que veio destacada pelo artigo 150, inciso I, da Carta Magna, onde se impõe a observância à lei para cobrança ou majoração de tributos: (...) A regra foi seguida à risca pelo ordenamento, haja vista a incidência do artigo 97 do CTN, que respeita ipsis literis a norma inserta na Carta Magna. Vê-se que desta forma criou-se, o que Roque Antonio Carrazza chama de “barreira intransponível”, arguindo que “...a vontade da lei na obrigação tributária, substitui a vontade das partes, na obrigação privada” (curso, p. 167). Mais à frente, em sua obra o autor assevera: “Inexiste o dever de pagar tributo que não tenha brotado de lei ordinária, já que somente por causa dela é que ele nasce e é exigível” (ibidem, p. 168). Lei, aqui não é legislação, não basta ter sido produzida pelo estado para valer, ao contrário, além da legitimidade para os vários tipos de imposições legais, deve haver ainda a subsunção das matérias aos tipos legais previstos. Do conceito de Legislação, temos interpretação mais ampla do que Lei, na medida que o artigo 96 do CTN estabelece de que é composta a legislação tributária de leis, tratados, decretos etc: (...) Entretanto, como dissemos, não é toda e qualquer legislação tributária que pode instituir, criar ou majorar tributos. Pelo contrário, embora discussões, é assente o entendimento de que, nos termos do artigo 146, inc. II, letras “a”, “b” e “c”, da Constituição Federal, é imperiosa que tais alterações se deem por meio de Lei Complementar, e não lei ordinária. (...) Assim, vê-se que a legislação tributária – lato sensu - não pode tratar destas matérias. A CF/88 impõe o rito da legislação complementar para fazê-las. Se o legislador constituinte previu modo especial e especifico para o enfrentamento da matéria, é obvio que Ato Normativo, jamais teria poderes para regulá-las. Ainda, em se tratando de norma especial, vê-se que a lei prevê, como de fato assim é, quórum especial para sua aprovação, reiterando a importância que a matéria tratada por ela tem no sistema: "Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta."(constituição Federal/1988). Fl. 1165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 32 O CTN tem status de lei complementar, e por isso pode regular tais matérias. O ADN não, pois, não é ato de legislador, não é submetido ao poder legislativo, não passa pelos tramites de votação e aprovação, se revestindo tão somente de Ato da Administração, que, no caso é ilegal e abusivo, pois extrapola a competência. Assim, verbi gratia, o aumento de um tributo implica em alterar a lei instituidora da exação, razão pela qual, somente por nova lei pode ser majorado. Entretanto, forçoso relembrar que, por um lado, equipara-se à majoração do tributo a modificação de sua base de cálculo, sujeito passivo, e outras questões atinentes ao mesmo. Neste sentido ainda, o CTN, em seu artigo 97, respeitando a Carta Magna regramento supra, estabelece que, para certas questões é necessária uma especial intervenção legal, ou seja, a lei em sentido fechado. (...) Ainda, o legislador foi mais além. Para não deixar dúvidas quanto à existência de lei em plano superior e normas complementares, em plano inferiores - que, embora tenham certa força, não podem, jamais superar a sistematicamente imposta -, elencou as regras acessórias, ou seja, as espécies de legislação tributária que complementam as normas superiores: (...) Percebe-se claramente isto pelo conteúdo do artigo 100, onde o legislador deixou bem claro que as normas complementares se prestam para complementar, no que for necessária as normas que listam. Por Isso nada criam, nada alteram, apenas complementam, sem inovar, ou seja, atuam para explicitá-la; mas não para suprir suas lacunas. As instruções normativas, com a que ora se enfrenta, são comuns no sistema da administração, e como regras suplementares, revelam uma evidente inaptidão para criar direitos e deveres. Vê-se que a norma, foi no sentido de criar – contrário sensu – obrigação tributária, na medida que alargou a compreensão legal estabelecendo limitações ao direito dos contribuintes que prestam serviços de empreitada com fornecimento de material. Tal ação terminou por “criar uma nova exceção fiscal” àquela categoria que outrora não havia sido citada pela Lei. Assim, por não se tratar de lei, a IN SRF 480/2004, não pode criar tributos nem tampouco obrigações ou exceções que o legislador não criou. A obediência ao princípio da estrita legalidade e à reserva legal, no direito tributário brasileiro é questão de suma relevância, sendo que o poder judiciário, sempre que os IN´s venham a interferir com o equilíbrio estabelecido pelo ordenamento, têm rechaçado veementemente tais incidências viciosas. É regra absoluta do estado democrático de direito, que o princípio da legalidade tributária faz da Lei a fonte primordial e maior dos tributos. Fl. 1166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 33 Como baliza central deste entendimento, transcrevemos ementa de Recurso julgado pelo STJ, o qual serve como fonte inspiradora da solução à questão em liça: (...) Do Acórdão, extraímos partes do voto do eminente Relator, Min. Luiz Fux, o qual o transcrevemos trechos que nos dão reforço à argumentação até aqui travada e nos avaliza a reconhecer que a IN SRF 480/2004 - que ensejou e justificou a não incidência do coeficiente de 8% – é ilegal, inconstitucional, na medida que é legislação tributária inapta, sem caráter criativo ou inventivo, e que para os fins que se presta somente pode complementar normas superiores de direito tributário (Lei, Decreto, LC, EC, etc): No acórdão, para o caso, o Relator assevera: “Não obstante, a tese sustentada nos referidos dispositivos restar por ser analisada, haja vista que o tema versa o princípio da legalidade e o que se discute é se um ato normativo menor componente do gênero Legislação tributária, ao reproduzir o objeto da lei, afrontou-a ”Complementando para a questão julgada que “inicialmente, assente- se que “atos administrativos” não podem determinar base de cálculo inexistente em lei”. Naquele caso, assim como no que ora enfrentamos, houve a edição de uma norma administrativa (ADN/CST 34/76), a qual veio a alterar a essência do tributo, mexendo com o conteúdo normativo da regra a qual deveria apenas e tão somente regular, sem nada acrescer. Lá determinou-se a base de cálculo, aqui, ampliou-se a regra de exceções ao coeficiente de 8%. Ali, se observa violou-se a regra da criação da base de cálculo, que é objeto tão somente de Lei em sentido estrito, nos termos do art. 150, da CF/88. O mesmo ocorre neste caso, pois a afronta da IN SRF 480/2004, é no sentido de alargar a interpretação da lei regulada, para incluir limitações e excesso e que outrora não estavam incluídas nas regras excepcionais de exclusão, ou seja, exigiu tributo sem lei que a estabelecesse. (CF/88, art, 150, Inc. I, primeira parte). Ainda, em ambos os casos, a norma administrativa, além da regra constitucional, afronta o CTN, no art. 97, e incisos, pois lá está delineado que somente a lei é capaz de instituir, extinguir, majorar, reduzir, definir fato gerador, sujeito passivo etc (incs. I, II e III). (...) Resta demonstrado, portanto, que o ato eu não reconhece a incidência do coeficiente de 8% para o contribuinte vem calcado em regramento ilegal pois tratou de matéria que não tinha poderes. Sim, pois tratou de matéria reservada tão somente à lei estrita, conforme a própria lei atesta CF/88, arts, 5, inc. II, arts. 69, 146, 150, inc. I, e CTN, arts. 96, 97, 100, e incs). Fl. 1167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 34 (...) Ora, no caso em comento, o que havia era uma benesse legal que possibilitava uma isenção, ou seja, a não obrigatoriedade de recolhimento, que veio a ser retirada, indevidamente, como reconheceu o acórdão, por meio de Ato Declaratório da Receita Federal. A situação enfrentada é idêntica à questão em liça. (...) Diante de toda a extensa, mas necessária argumentação, é de se reconhecer que a IN SRF 480/2004 e a IN RFB 1324/2012, ao pretender regular o artigo 15, da Lei 9.249/95, extrapolou os limites impostos às normas reguladoras e tratou de matéria que não poderia, violando, desta feita o princípio da Reserva Legal, e da legalidade devendo portanto ser; a presente argumentação acolhida e declarado nulo o ato que não autorizou a utilização do coeficiente. Vejamos. 6.3. MÃO DE OBRA. MATERIAIS. FORNECIMENTO. CONTRATOS MENCIONADOS. COMPREENSÃO EQUIVOCADA. Entendeu o douto fiscal que grande parte dos serviços prestados não implicava no fornecimento de material, contudo não é bem assim. Asseverou no auto que alguns contratos firmados com a ECOCATARATAS aplicaram-se corretamente o índice de 8% e 12% (contrato 522/09)Com relação aos contrato 682/2010 asseverou que o contrato previa o fornecimento de todos os materiais, contudo aduz o fiscal que no anexo, item 1.6.1.1, acostado às fls. 585 e segs., fez-se constar exceções para o custeio do material, e que tais exceções, segundo o seu entender, representavam todos os materiais incorporados à obra, portanto sujeito ao coeficiente de 32%, ao invés de 8% e 12% como foi feito. Com a devida venia, não é acertada esta postura. Os contratos, como bem demonstrado no auto, previam de fato o fornecimento dos materiais. A exceção constante no item indicado pelo fisco não afastou esta obrigação e materiais foram de fato custeados e implementados nas obras. A comprovação destes resta relevada a segundo plano pois a exigência é ilegal conforme já demonstramos. Ademais, observamos que justamente na análise dos contratos apresentados pela ECOCATARATAS o Ilmo. fiscal não pediu informações à empresa. Pelo contrário, observou a documentação, constou que mesmo existindo a previsão de custeio e fornecimento de materiais, desconsiderou a mesma e terminou por excluir o coeficiente aplicado. Fl. 1168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 35 Ora, excelências, em outros contratos o d. fiscal solicitou às empresas contratantes a prestação de informações, constou que em alguns casos não foi fornecido material e diante deste fato, considerou ilegal o recolhimento nº coeficiente de 8% e 12%. Aqui não. Apenas analisou os contratos e diante de algumas suposições – suposições estas que contrariam o que estabelecia expressamente os contratos – achou por bem considerar inexistente a obrigação de fornecimento de materiais e assim sobretributou pela diferença apurada. Ademais, observamos uma impropriedade na interpretação dada aos contratos, em especial ao contrato 548/2009, que passamos a expor. 6.4. CONTRATO 682/2010. COEFICIENTE 32%. TRGEN 04/2011. Observamos ilustríssimos que o contrato 680/2010, ainda que esteja prevendo a incidência das regras da TR-GEN 04/11 – e não da TR-GEN 03/2011 - não condiciona nenhuma excludente conforme havia sido ponderado em relação aos contratos retrocitados que teriam tal compreensão calcada na TRGEN 03/11. Aqui a descrição dos serviços é clara ao constar que deles estão incluídos o fornecimento de materiais. Aliás, o próprio TR-GEN 04/2011 prevê em seu item 1.6 quer estão inclusos nos custos da contratada o fornecimento de todos os materiais incorporados à obra (fl. 474): Ressalte-se excelência que a exclusão apontada aqui não é motivadora de reconhecer que não há o fornecimento de material. Basta observar o contrato, lá estão descritas as atividades relativas aos serviços de conservação de rotina (anexo V, fl. 482 e segs.). Daquele documento podemos observar que, mesmo diante da exceção de custeio prevista no item 1.6, ainda assim existem dezenas de atividades que implicam no fornecimento do material. Citamos exemplificadamente a remoção de entulhos, que deverão ser colocados em algum lugar, transportados por algum modo acondicionados de alguma maneira, e isto é custeado pela requerida; ainda, a desobstrução de bueiros, bacias, caixas de captação, canaletas, tudo isto tem que ser acondicionado e dada a destinação adequada, aos custos da requerente. Também a limpeza de tachões, ora, para serem limpos precisam ser utilizados produtos químicos, custeados pela requerente. Citamos ainda a fabricação de pré-misturado, o pré-misturado é fornecido pela contestante. No mesmo sentido a recuperação de sarjeta, onde é necessária a implementação de material (concreto), fornecido pela requerente. Também a recuperação de meio-fio, igualmente necessita de material para ser construída. Fl. 1169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 36 Nem se diga quanto a implantação de meio fio e de sarjeta que são integralmente fornecidos pela recorrente. Observa-se no item 7.7 a menção de concreto FCK 11 MPA, que é fornecido pela requerente. As caixas coletoras com ou sem grelha também são fornecidas pela requerente. Aliás, todos os serviços descritos no item 7 (fl. 483) confirmam que não é só Mão de obra, mas serviço com material o trabalho desempenhado. Outras tantas questões podem ser invocadas para demonstrar que a exceção constante na clausula 1.6 não atinge o serviço prestado pela requerente, portanto há que se reconhecer também o fornecimento de materiais. Desta feita, é de se reconhecer a impossibilidade de incidir o coeficiente de 32% como pretende o fiscal, pois aos valores recebidos em decorrência do contrato 680/2011 estão incluídos materiais, consequentemente é de ser reconhecido o coeficiente já utilizado, cassando-se os valores apurados pelo fiscal, e a multa dela decorrente. 6.5. CONTRATO 682/2010. TR-GEN 03/11. Igualmente, merece aparte para frisar que a TR-GEN é tomada de preço, não é contrato, serve apenas para balizar o serviço contratado. Tanto é que está claramente constando no bojo do mesmo. Aqui a justificativa do fiscal para considerar que o valor recebido neste título deve ser utilizado o coeficiente de 32 é que apenas a Mao de obra é oferecida, e nada mais, na medida em que os materiais utilizados na consecução do objetivo não podem ser utilizados para o fim que prevê a lei, conforme estampado na IN SRF 480/2004, art. 1§, 9º, que diz que “não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizado e os materiais consumidos na execução da obra”. Com a devida venia, entendemos que a disposição calcada na regra decorrente da IN 480/2004, eis que como já defendemos exaustivamente linhas atrás, a norma e seus dispositivos que criam exceções não são constitucionais por desrespeitarem o princípio da estrita legalidade, vez que adentraram em terreno que somente Lei poderia regular. Para não exaurirmos o julgador, remetemos à discussão já travada (tópico 4) que esgota a matéria. Assim, é de se considerar que a despeito da exceção no fornecimento de alguns materiais tudo o que é essencial na obra é considerado fornecimento de material, justamente porque a previsão excludente estabelecida pelo IN SRF 480/2004, art. 1§, 9º, não pode ser aplicada. Rechaça portanto a afirmação do fisco e de consequência a ilegalidade imprimida no recolhimento com o coeficiente de 8% e 12%. Fl. 1170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 37 6.6. CONTRATOS 337/08, 493/09 e 680/2010. Quanto aos contratos em tela, a afirmação do fisco é de que como se trata de contrato para serviço de roçada, e este não o fornecimento de qualquer material que se incorpore à obra, e que por isto o coeficiente é de 32%. Afirma que os serviços de limpeza de pista, desobstrução de meios-fios, sarjetas, caneletas e bueiro, limpeza de placas de sinalização, locação de equipamentos estão todos sujeitos ao coeficiente de 32%. Data máxima venia exímio julgador, não é possível admitir que a afirmação, calcada no que dispõe a IN SRF 480/2004, art. 1§, 9º - nitidamente ilegal como já deduzido – seja utilizada para onerar sobremaneira o contestante. Já defendemos linhas atrás, em primeiro lugar todo e qualquer material deve ser reconhecida como fornecimento de material, pois assim determinou-se a lei, e ainda, mesmo que se quisesse considerar o contrário seria inadmissível entender que pudesse ser feita a prestação do serviço sem a implementação de materiais apenas com a Mao de obra. Assim, em primeiro plano é ilegal afirmar que não é todo e qualquer matéria que pode ser incorporado à obra que se presta para configurar o fornecimento de material, e ainda, deve ser atribuído a todo e qualquer material o status que o fisco nega, de que são essenciais ao serviço e sua consecução. Quanto a afirmação de que o material é apenas quele implementado na obra, até mesmo o fisco pelas decisões colegiadas que aplica entende de maneira diferente. Relatamos algumas decisões neste sentido que apontam o correto sentido da norma, respaldando a postura do contribuinte, sendo absolutamente correta a forma de aplicação do coeficiente como feita pelo mesmo. Vejamos. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. EMPREGO DE MATERIAIS. ALÍQUOTA DE 8% (OITO POR CENTO). Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será de 8% (oito por cento) quando comprovadamente houver emprego de materiais pelo empreiteiro. DRJ recife – 4ª Turma ACÓRDÃO Nº 11-38360 de 09 de Outubro de 2012 Não diz quais são os materiais empregados, apenas diz que se há comprovação de emprego de materiais é 8% e 12%. Frisamos que a questão resta pacificada porque os próprios contratos firmados estipulam a obrigação de emprego dos materiais para as obras. Nesta decisão apontou acertadamente a turma ao confirmar que o simples fato de empregar material, não importando a quantidade já configura e justifica a utilização do percentual 8% e 12%. A decisão não é única, e se reitera, estando pacificada neste sentido: Fl. 1171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 38 BASE DE CÁLCULO. CONSTRUÇÃO CIVIL. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação de 32% sobre a receita bruta decorrente de prestação de serviço da construção civil quando houver emprego unicamente de mão-de-obra ou de 8% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade. (DRJ Ribeirão Preto, ACÓRDÃO Nº 14-3473 de 21 de Marco de 2003). 6.7. SERVIÇOS PRESTADOS POR OUTROS CLIENTES. 6.7.1. AUTOPISTA LITORAL SUL S.A. Deduziu que a despeito de ter sido prestado o serviço com parte do material fornecido pela contestante, o fiscal entendeu que por ter sido apenas parte não fazia jus ao coeficiente de 8% e 12%, afirmando para justificar os 32% que o asfalto foi fornecido pelo clientes. Ora julgador, conforme exaustivamente demonstrado e pacificado, FORNECENDO MATERIAL, não importa a quantidade, é de se reconhecer a incidência do coeficiente utilizado. O fato de não ser todo é inservível para justificar o reproche ao direito do contribuinte. Neste sentido remetemos às decisões retro destacando o posicionamento: “...quando houver emprego de material em qualquer quantidade. DJR Campinas, 2ª Turma, ACÓRDÃO Nº 05-23911 de 23 de Outubro de 2008.” Assim, conforme o próprio reconhecimento do fiscal, de que houve o fornecimento de matéria, ainda que não todo, deve ser reconhecida a legalidade do coeficiente utilizado 8% e 12%. 6.7.2. AUTOPISTA PLANALTO SUL S.A. O cliente informou que forneceu o material. Contudo nem mesmo esta afirmação tem o respaldo de negar o direito ao coeficiente, pois como já defendido, vem calcada em exigência ilegal, oriunda da IN 480/2004, ilegal por natureza. 6.7.3. LEAO ENGENHARIA S.A. A mesma afirmação que se fez retro, deve ser atribuída ao entendimento infirmado dos serviços prestados para a Leão engenharia. 6.7.4. DAS ALEGAÇÕES PERIFÉRICAS. Todas as demais alegações e justificativas periféricas afirmadas pelo fiscal se reprocham com tudo o que foi dito até aqui. Toda e qualquer exigência feita com espeque na IN SRF 480/2004, é ilegal e não tem respaldo constitucional, configurando excesso e abuso por parte do fisco. Assim, cai por terra a alegação feita no termo de que os três elementos exigidos pela lei não estão presentes [a) fornecimento de todos os materiais – a Fl. 1172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 39 lei não diz que é todos. Apenas parte já é suficiente; b) materiais incorporados à obra – não há nenhum dispositivo legal neste sentido, a construção feita pelo fiscal toma por base a sua compreensão calcada nº regramento ilegal já citado; e c) se trate de construção civil, conforme já foi demonstrado é construção civil. Ainda, Ilustríssimo é imperioso que consigne-se que o próprio fiscal estaria incorrendo em equivoco se considerou parte dos recolhimentos feitos com o coeficiente, conforme afirmado pelo mesmo, dentre estes vários serviços prestados em todos os âmbitos de atividade da requerente, tendo considerado os serviços como construção civil e agora, pretender justificar que outros da mesma espécie não são. Neste sentido observa-se o item 13.3 e seu conteúdo: Ora se ali, os serviços são os mesmos que aqui defendemos, por que considerá-los de construção civil lá e não cá?? Deste modo, é de se observar que nenhuma das afirmações do d. fiscal tem o respaldo para justificar a mantença da ilegalidade atribuída aos recolhimentos feitos com espeque nos coeficientes 8% e 12%. Devem portanto serem reconhecidos – a totalidade e integralidade – dos recolhimentos feitos com os coeficientes alegados, atribuindo e reconhecendo a correção dos pagamento, na forma e valor, consequentemente afastando a presente e suas penalidades. Contudo, ainda que se entenda que pode ser declarado como indevido o recolhimento feito, atribuindo-se novo coeficiente, ainda assim não pode ser nas formas e moldes deduzidos no AI. vejamos 6.8. MULTA 75% EXCESSO DE PENALIZAÇAO. Observa-se que a multa no montante cobrado nos AI’s é no patamar de 75% (setenta e cinco) por cento, sobre o valor do débito. Data venia, tal multa é excessiva, abusiva e configura-se em verdadeiro confisco, transferência de patrimônio. De fato, observa-se que a multa não poderia ter sido aplicada no patamar que o foi, tendo em vista que eleva sobremaneira o valor do débito. Configura-se assim, o excesso da multa, que se reveste de verdadeiro confisco, devendo ser, portanto, reduzida para patamares mais aceitáveis, como soi ocorrer com a multa de 20% aplicável no caso de débitos tributários diversos. Fl. 1173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 40 O confisco é vedado pela CF e pela própria sistemática do direito tributário, na medida que se vale dos princípios para equiparar a saciedade do Fisco aos direitos dos contribuintes. Neste sentido, estabelece-se que o legislador constituinte estabeleceu a garantia da propriedade como um dos direitos fundamentais de todos os brasileiros ou estrangeiros aqui residentes, anotando a proteção enquanto a mesma atender sua função social. Além de apontar hipóteses em que o direito à propriedade não seria tomado em consideração, a CF ainda proibiu os entes públicos necessários de apoderar-se dessa propriedade mediante a edição de atos que pudessem implicar a sua transferência das mãos do contribuinte para as suas. Neste sentido já sinalizou os Ministros do STF, "ao conceder liminar ao julgar a ADIn MC 1.075-DF, promovido pela Federação Nacional do Comércio, suspendendo a vigência do art. 3º, parágrafo único, da Lei n. 8.846/94, que comina multa de trezentos por cento do valor da operação de venda de mercadorias ou de prestações de serviços, para a hipótese de não emissão do correspondente documento fiscal" (MACHADO, 2003, p. 259). Tal proibição não se refere tão somente à propriedade, material, propriamente dita (bem móvel), mas também a toda e qualquer propriedade pertencente aos cidadãos brasileiros, e está prevista das mais diversas maneiras, conforme elenca o §1, do art. 145, da CF/88, onde determina que o imposto deverá ser graduado conforme a capacidade econômica dos contribuintes, ora devendo ser consideradas as condições pessoais dos mesmos, ora exigindo a previa edição de leis (art. 150, I) ora fixando a incidência no tempo (art. 150, III, a e b) ou proibindo tratamento desiguais aos que se encontram em situações idênticas (art. 150, II). Em qualquer hipótese, proibiu que o tributo tivesse efeito de confisco. A sistemática se aplica também aos seus acessórios, como in casu relativamente à multa, que ao ser fixada pela lei em 75%, viola dispositivos constitucionais, e por isso não pode ser aplicada, merecendo como deve ser, a redução para patamares aceitáveis. (...) Pelo reconhecimento da razoabilidade da multa de 20%, transcrevemos posicionamento que abaliza a pretensão da recorrente: (...) A tendência deve ser seguida por todos, inclusive por esta d. delegacia, razão pela qual, a redução se impõe. 6.9. CUMULAÇÃO DA MULTA COM JUROS DE MORA Ainda, vê-se que os AI’s emanados do MPF enfrentado por este recurso, estão a impor a cumulação da multa com a cobrança de juros de mora. Fl. 1174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 41 Tal cumulação é inadmissível, na medida em que pune duplamente o mesmo fato, ocasionando, um tipo de bis in idem, eis que a razão é uma só, o não pagamento do tributo. De fato, não recolhido o tributo, o fisco impõe à cobrança multa e ainda faz incidir juros de mora. Ora aqui está claro que a incidência diz respeito ao mesmo objeto, qual seja, o não pagamento, e por isso, uma delas apenas é mais que suficiente, caso contrário, estar-se-á impondo ônus dobrado ao contribuinte. 6.10. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Em caráter de argumentação, como medida de cautela, na improvável hipótese de ser julgada procedente ou mesmo parcialmente procedente a autuação, fator que deve ser observado diz respeito à aplicação dos juros de mora, que têm como parâmetro para seu cálculo a taxa SELIC. Tal crédito, mostra-se em total descompasso com a legislação nacional e com o próprio Código Tributário Nacional que prevê que a taxa de juros moratórios deve ser de, no máximo, doze por cento (12%) ao ano, o que não ocorre com a taxa SELIC, confirmando-se, pois, a improcedência da sua aplicação. A esse respeito, pacífico é o entendimento da doutrina e da jurisprudência pátrias acerca da ilegalidade da utilização de tal índice para fins tributários, eis que eivado de vícios formais e materiais. Tal taxa passou a ser utilizada para os cálculos de juros de mora das obrigações tributárias a partir da edição da Lei Federal nº 9.250/95, majorando indevidamente os supostos créditos tributários. Pois bem, o Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) é um sistema eletrônico de teleprocessamento, cujo objetivo é o registro das operações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, pelo Banco Central do Brasil, Estados e Municípios, em contas específicas, em nome dos participantes dos Mercados Primário e Secundário daqueles títulos públicos. Ocorre que o Governo Federal, por meio dos seus órgãos competentes, utiliza esta taxa como instrumento de política monetária. Esta esfera de governo, no entanto, exerce influência nas taxas de juros, conforme os fins que têm em vista, podendo aumentar ou diminuir a quantidade influindo na conjuntura e no desenvolvimento da economia nacional, de acordo com a política monetária. (...) De outra parte, os juros praticados pela Taxa SELIC, incidentes sobre os débitos de tributos federais, contemplam o execrável anatocismo, na medida em que referida taxa acumulada os índices mensalmente apurados. A usura, em todas as suas modalidades, não apenas é enfaticamente repudiada, mas também é punida e enquadrada dentre os crimes contra a economia popular. Essa exigência de juros sobre juros é proibida pelo Decreto nº 22.626/33 e recheada pela jurisprudência, conforme a Súmula nº 121, do Egrégio Supremo Tribunal Federal, ainda em vigor, eis que: “A Súmula nº 596 não afasta a Fl. 1175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 42 aplicação da Súmula nº 121” (Recurso Extraordinário nº 100.336, Rel. Min. Néri da Silveira, DJU de 24.05.1985, RTJ 72/916 e 92/1341). Por todas essas razões, não se pode lançar mão de semelhante taxa a título de juros de mora que, como se sabe, não deve ir além da remuneração do montante devido a título de tributo eventualmente não recolhido no prazo legal, pela mora. Qualquer quantia que ultrapasse a singela reparação da mora tem efeito confiscatório, vedado pela Constituição Federal. (...) Nessa medida, a Taxa SELIC para fins tributários somente poderia exceder este limite desde que também prevista em lei complementar nacional, visto que não há como conceder que uma lei complementar nacional venha estabelecer a taxa de juros máxima e mera lei ordinária apresentar um percentual maior. Vale dizer, por oportuno, que o Superior Tribunal de Justiça já julgou ilegal e inconstitucional a utilização da Taxa SELIC para fins tributários. (...) Assim sendo, pode-se afirmar que a jurisprudência firme do Superior Tribunal de Justiça é contra aplicação da Taxa SELIC para débitos tributários. Como corolário do que se expôs, resta claro que a utilização da Taxa SELIC com índice de apuração dos juros legais não é juridicamente segura, porque impede o prévio conhecimento dos juros; não é operacional, porque seu uso será inviável sempre que se calcularem somente juros ou somente correção monetária; assim como é incompatível com a regra do artigo 591 do novo Código Civil, que permite apenas a capitalização anual dos juros, razão pela qual deve ser afastada na presente autuação. 6.11. DAS PROVAS Pouco, para não dizer nada mais merece ser dito com relação ao cerceio cometido no presente feito. Observamos que a DRJ desconsiderou pedido de produção de provas, do mesmo modo como desconsiderou as contundentes argumentações feitas pela recorrente. Passou por cima de direitos, relegou a segundo plano garantias, desconstituiu e desconsiderou a produção de elementos que poderiam auxiliar na busca da verdade real, tudo isto em ordem de manter o auto de infração, e com isto penalizar a recorrente, por uma circunstância que inexiste, e que nem sequer restou demonstrada, quanto mais provada pela fiscalização. Assim, remetemos à discussão já travada sobre o cerceio de defesa, que é exaustiva na demonstração que, nem mesmo as provas que poderiam ter sido analisadas não foram sopesados pela DRJ, que limitou-se à, simplesmente, Fl. 1176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 43 reforçar o auto de infração, nada contribuindo para o andamento do presente feito, senão dificultando a ação do contribuinte. DIANTE DE TODO EXPOSTO, e por tudo mais o que consta dos documentos existentes neste feito requer seja o presente RECURSO VOLUNTÁRIO recebido, determinada a autuação do mesmo, e após analisadas as preliminares invocadas para: Preliminarmente, o reconhecimento da nulidade da presente, diante do longo lapso para a apreciação da impugnação intentada. Ainda, acaso não entenda pelo acolhimento do excesso de prazo, que seja reconhecida a nulidade por ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da estrita legalidade, da fundamentação em especial reformar a decisão proferida e acolher a nulidade pela ausência de elementos informadores do Auto de infração e cerceio de defesa e para extinguir o feito em razão da indicação genérica, e inobservância do princípio da legalidade pela ausência de demonstração de violação; IV - Ou então, em se adentrando à esfera de mérito, ACOLHER E DAR PROVIMENTO para reconhecer a inarredável violação ao princípio da estrita legalidade, reconhecendo que as Instruções Normativas (IN SRF 480/2004 e IN RFB 1324/2012), além de outras mencionadas, regularam matéria adstrita à lei, com as exceções, exigências e previsões que a Lei não impôs, consequentemente julgar inexigíveis as exigências feitas pelo fiscal para enquadramento no coeficiente utilizado pelo contribuinte; V - Ainda, reconhecer que não há razão para aplicação do coeficiente de 32% nos contratos citados pelas justificativas apresentadas, ponderando que não há que se falar em fornecimento de todo material, bem como outras questões mais: V.I - Contrato 680/2010 – TR-GEN04/2011, contêm expressamente os serviços contratados e ressalva apenas alguns materiais que não seriam fornecidos; V.II - Contrato 682/2010 - nulidade das exigências do fisco (aplicação de todo material) em razão da ilegalidade das normas invocadas conforme retromencionado; V.III - contratos 337/08, 493/09 e 680/2010 – o tipo do serviço é passível bem como o contrato prevê o fornecimento de materiais e a norma jurídica prevê que havendo o fornecimento, de qualquer quantidade deve ser aplicado o coeficiente 9-12; V.IV – dos serviços para terceiros: acolher a tese de que empregado material em qualquer quantidade deve ser concedido o benefício de coeficiente reduzido; Fl. 1177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 44 Caso outro entendimento, seja concedido o afastamento da multa aplicada, pois não se trata de desobediência de norma tributária, mas sim de interpretação divergente, o que não configura a incidência da penalidade. Se não afastar sob esta argumentação, reduzi-la para o patamar de 20% conforme defendido retro. Fl. 1178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 45 Ainda, afastar a cobrança da multa cumulada com juros de mora; Substituir a correção pela SELIC, por outro índice que represente melhor a desvalorização da moeda, e ainda, descapitalizado nos termos da fundamentação. É o relatório. VOTO Conselheiro Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Portanto, dele tomo conhecimento. DELIMITAÇÃO DA LIDE De acordo com a decisão de piso, os seguintes valores foram mantidos e exonerados de IRPJ e de CSLL: Portanto, a matéria controvertida restringe-se aos valores mantidos pelo acórdão recorrido relativamente aos lançamentos de IRPJ (R$ 416.200,66) e CSLL (R$ 125.651,34). DO RESUMO DOS FATOS Conforme já relatado, os autos versam acerca da lavratura de Auto de Infração de Auto de Infração de IRPJ (e-fls. 925/931), com reflexos na apuração dos valores devidos de CSLL (e- fls. 932/940), relativamente aos anos calendários de 2009, 2010 e 2011, visto ter sido constatado que houve a aplicação indevida do coeficiente de determinação do Lucro Presumido, para fins de apuração do IRPJ, 8% (oito por cento), e da CSLL, 12% (doze por cento), após confronto com os valores demonstrados em DIPJ e declarados em DCTF. Isso porque a autoridade administrativa verificou no objeto social da Recorrente que encontram-se relacionados os serviços que poderiam se enquadrar nos coeficientes de presunção, para fins de apuração do Lucro Presumido, de 8%, 16% ou 32%, de acordo com o Fl. 1179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 46 disposto no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Destacou que “ainda que o objeto social mencionasse apenas atividades que se enquadrassem, sem margem para dúvidas, em apenas um destes coeficientes, somente a análise de documentos que demonstrassem o tipo de serviço efetivamente prestado seria capaz de definir se a aplicação dos coeficientes foi correta ou não”. Portanto, a discussão está delimitada à possibilidade ou não de utilização de percentual distinto do previsto na Lei nº 9.249, de 1995, relativo à prestação de serviços em geral (32%), quando se refere à “contratação por empreitada de construção de civil”, uma vez que, nos esclarecimentos prestados pela Recorrente, ela utilizou o percentual de presunção de 8%, considerando que os serviços fornecidos de construção civil continham o fornecimento de material utilizado na obra. Para a fiscalização, nos termos trazidos pela Lei nº 9.249/95, não existe qualquer previsão para que qualquer tipo de serviço, quando acompanhado do fornecimento de materiais, possa ser tributado com base no coeficiente de presunção de 8% e que o art. 1º, § 7º, da IN SRF nº 480/04, cuja vigência engloba os períodos de apuração tratados na ação fiscal (disposição reproduzida na Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 2012), estabeleceu as seguintes condições para que se possa falar em construção por empreitada e aplicar o coeficiente de presunção de 8%: a) que se trate de obra de construção civil; b) que o empreiteiro forneça todos os materiais indispensáveis à execução do serviço contratado; e c) que os materiais sejam incorporados à obra, sendo que estes não devem ser confundidos com os instrumentos de trabalho utilizados ou os materiais consumidos na execução da obra. Porém, para a fiscalização, cujo entendimento foi acatado pela decisão recorrida que: a) alguns serviços – especialmente os definidos pelo cliente como de “drenagem e obras de arte correntes” ou “pontes, viadutos, túneis e passarelas”, restaram caracterizados como “obras de construção” e nos quais o prestador forneceu os materiais necessários e que tais serviços concentram-se principalmente naqueles contratos discriminados nos itens “13.1” e “13.3”, cujos valores lançados foram exonerados. b) quanto aos serviços prestados para os clientes mencionados nº item “13.2”, embora se enquadrem no conceito de “obras de construção”, não foram atendidas as outras duas condições impostas pela IN SRF nº 480, de 2004 (não houve o fornecimento de materiais - incluem-se aqui os serviços de “sinalização viária”, prestados para a Ecocataras (item “13.1”), previstos nos contratos 548/2009, 682/2010 e 762/2011, nos quais os materiais empregados foram fornecidos pelo cliente); Fl. 1180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 47 c) na maior parte dos contratos de “conservação rotineira”, firmados com a Ecocataratas (item “13.1”), previstos nos contratos 337/2008, 493/2009 e 680/2010, os serviços prestados não se enquadram na definição de “obras de construção” e nem mesmo, em sua maioria, envolvem o fornecimento de qualquer material, mas apenas o uso de equipamentos, ferramentas e material de consumo, como combustíveis. A Recorrente impugnou o lançamento. Por sua vez, a DRJ rejeitou a preliminar de nulidade suscita e, no mérito, julgou parcialmente procedente a impugnação (exonerando os valores lançados relativos aos contratos discriminados nos itens “13.1” e “13.3”), para manter em parte a exação fiscal, com a incidência de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados pela taxa Selic. Irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, basicamente, reproduzindo os argumentos aduzidos por ocasião da impugnação, assim sintetizado: Razões da Impugnação Razões do Recurso Voluntário 3. PRELIMINARMENTE. 3.1. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. RAZOABILIDADE NA RESPOSTA. DEFESA APRESENTADA EM 2013. JULGAMENTO EM 2020. DECURSO DE PRAZO. EXTINÇÃO.; 3.2. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO PRÓPRIO DAS MATÉRIAS DEBATIDAS. OCORRÊNCIA. NULIDADE. RECONHECIMENTO; 3.3. DILIGÊNCIA FLS. 1004. JUNTADA DE INFORMAÇÕES PELA DRF. INADMISSÃO. AFRONTA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE. ART. 59, INC. II DO DECRETO 70.235/72. 4 - AUSÊNCIA DE ELEMENTOS INFORMADORES NO AUTO DE INFRAÇÃO. 5.1. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS INFORMADORES NO AUTO DE INFRAÇÃO; 5 - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 5.2. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 6 - INDICAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÕES À LEGISLAÇÃO. AUSENCIA DE RESPEITO AO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE. 5.3. INDICAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÕES À LEGISLAÇÃO. AUSENCIA DE RESPEITO AO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE. II) DO MÉRITO. 6. MÉRITO 7 - ATIVIDADE SOCIAL. CONSTRUÇÃO CIVIL. ASSEMELHADOS. 6.1. ATIVIDADE SOCIAL. CONSTRUÇÃO CIVIL. ASSEMELHADOS. Fl. 1181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 48 8 - IN 480/2004, QUANTO A IN RFB 1324/2012. NORMA ADMINISTRATIVA. DELIMITAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE. RESERVA LEGAL. 6.2. IN 480/2004, QUANTO A IN RFB 1324/2012. NORMA ADMINISTRATIVA. DELIMITAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE. RESERVA LEGAL. 9 - MÃO DE OBRA. MATERIAIS. FORNECIMENTO. CONTRATOS MENCIONADOS. COMPREENSÃO EQUIVOCADA. 6.3. MÃO DE OBRA. MATERIAIS. FORNECIMENTO. CONTRATOS MENCIONADOS. COMPREENSÃO EQUIVOCADA. 10 - CONTRATOS 548/2009, 682/2010 E 762/2010. COEFICIENTE 32% 6.4. CONTRATO 682/2010. COEFICIENTE 32%. TRGEN 04/2011. 11 - CONTRATO 548/2009. ECOCATARATAS. TRGEN 003/11. INAPLICABILIDADE. 6.5. CONTRATO 682/2010. TR-GEN 03/11. 12 - DO CONTRATO 680/2010. TR-GEN 04/2011 13 - CONTRATO 682/2010. TR-GEN 03/11. 14 - CONTATO 762/2011. 15 - CONTRATOS 337/08, 493/09 e 680/2010. 6.6. CONTRATOS 337/08, 493/09 e 680/2010. 16 - SERVIÇOS PRESTADOS POR OUTROS CLIENTES 16.1 - AUTOPISTA LITORAL SUL S.A 16.2 - AUTOPISTA PLANALTO SUL S.A 16.3 - LEAO ENGENHARIA S.A 17 – DAS ALEGAÇÕES PERIFÉRICAS 6.7. SERVIÇOS PRESTADOS POR OUTROS CLIENTES. 6.7.1. AUTOPISTA LITORAL SUL S.A. 6.7.2. AUTOPISTA PLANALTO SUL S.A. 6.7.3. LEAO ENGENHARIA S.A. 6.7.4. DAS ALEGAÇÕES PERIFÉRICAS. 18 - MULTA 19 - MULTA 75% EXCESSO DE PENALIZAÇAO 6.8. MULTA 75% EXCESSO DE PENALIZAÇAO. 20 - CUMULAÇÃO DA MULTA COM JUROS DE MORA 6.9. CUMULAÇÃO DA MULTA COM JUROS DE MORA 21 - DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC 6.10. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC 6.11. DAS PROVAS DA ANÁLISE DAS RAZÕES RECURSAIS I – PRELIMINARMENTE I.1.PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Inicialmente, a Recorrente alega que a manifestação sobre a impugnação apresentada em outubro de 2009, somente foi decidido em novembro de 2011, ou seja, mais de dois anos após a apresentação de defesa, constituindo assim violação ao direito líquido e certo do contribuinte. Fl. 1182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 49 Alega a Recorrente que, no caso concreto, o pedido administrativo foi protocolizado em 2009. Assim, contando-se o prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) estabelecido na Lei nº 11.457/2007, o prazo para a prolação da decisão administrativa venceu muito antes da decisão proferida e que o contribuinte não pode ficar à mercê da ineficiência estatal pela falta de recursos humanos. Todavia, não há se falar em eventual prescrição intercorrente no âmbito administrativo. A prescrição que é a perda do direito de ação, onde o direito material torna-se inexigível e, em matéria tributária, é o prazo em que a Fazenda Pública tem para propor cobrança dos débitos tributários contra o sujeito passivo. Como referência vale mencionar a ementa do REsp nº 955.950/SC (2007/0121767- 9): PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO ? SÚMULA 282/STF. EXECUÇÃO FISCAL. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Não se conhece do recurso especial, por ausência de prequestionamento, se a matéria trazida nas razões recursais não foi debatida no Tribunal de origem. Aplicação da Súmula 282/STF. 2. Nos termos do art. 174 do CTN, a ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da sua constituição definitiva. 3. Atualmente, enquanto há pendência de recurso administrativo, não se fala em suspensão do crédito tributário, mas sim em um hiato que vai do início do lançamento, quando desaparece o prazo decadencial, até o julgamento do recurso administrativo ou a revisão ex-officio. 4. Somente a partir da data em que o contribuinte é notificado do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional. 5. Acórdão recorrido em consonância com a jurisprudência dominante desta Corte, ao concluir que a ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos a partir de sua constituição definitiva, que se dá com a notificação regular do lançamento. 6. Recurso especial conhecido em parte e, nessa parte, não provido. O presente processo administrativo fiscal encontra-se em curso contemplando débitos com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio e por isso com a prescrição interrompida (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, há subsunção ao enunciado constituído nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Fl. 1183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 50 Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.(Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, rejeita-se a preliminar aventada. I-2. SUPOSTA AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO PRÓPRIO DAS MATÉRIAS DEBATIDAS ACATERRANDO A INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO A Recorrente aduziu, ainda, que a decisão recorrida não fundamentou corretamente suas razões de decidir implicando a ausência de motivação, pois, simplesmente, utilizou-se das razões dadas pelo Fiscal para justificar o lançamento, não enfrentando as alegações elencadas pela Recorrente , o que teria acarretado, também, afronta ao princípio do contraditório. Todavia, razão não assiste à Recorrente, afinal, ao contrário do argumentando, verifica-se que todos os argumentos aduzidos na impugnação foram devidamente examinados pormenorizadamente no acórdão de piso, não implicando qualquer ofensa ou preterição do seu direito de defesa ou ao amplo contraditório. O que se pode concluir é que a Recorrente está inconformada com a decisão administrativa no mérito, mas tal questão não dá azo à declaração de nulidade do ato administrativo de lançamento ou do acórdão de piso. I-3 DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA PELA DRJ A 10ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, por intermédio da Resolução nº 02-002.281, de 27 de agosto de 2019 (e-fls. 1004/1006), resolveu converter em diligência o julgamento da impugnação apresentada, requisitando da Unidade Lançadora a juntada, aos autos, dos Anexos 1, 2 e 3, citados nos itens 33 e 34 do Termo de Constatação Fiscal, e que não haviam sido carreados aos autos ou que, alternativamente, na impossibilidade de proceder a juntada dos anexos elaborados por ocasião do lançamento fiscal, se procedesse à elaboração de demonstrativos, retratando a apuração dos tributos devidos, constantes dos Autos de Infração (IRPJ e CSLL). A Autoridade Fiscal autuante, em atendimento à Resolução nº 02-002.281,juntou os anexos requisitados às fl. 1009/1018 A Recorrente alega que a ausência de tais documentos configuraria vício afrontando aos seus direitos. Entretanto, a Recorrente foi cientificada dos documentos juntados e teve a oportunidade de se manifestar a respeito, não há se falar em cerceamento ao seu direito de defesa, Ademais, assim constou na decisão de piso: “... De igual modo, não há como acatar a alegação de cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, consoante foi suscitado na manifestação atinente à realização da diligência fiscal. No entender da impugnante, a juntada dos anexos, Fl. 1184DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 51 aos autos, em momento posterior à autuação fiscal, enseja a nulidade do feito fiscal, por cerceio à sua regular defesa. Quanto à questão, é de se pontuar que os referidos anexos, carreados pela Autoridade Fiscal às fl. 1009/1015 (“Anexo 1 – Relação de notas fiscais emitidas e coeficientes de presunção aplicáveis”), fl. 1016/1017 (“Anexo 2 – Notas Fiscais vinculadas aos Contratos 337/2008, 493/2009 e 680/2010 – Ecocataratas – Serviços executados e coeficientes de presunção aplicáveis”) e fl. 1018 (“Anexo 3 – Diferenças apuradas de Imposto de Renda e Contribuição Social”), apesar de discriminados no Termo de Constatação Fiscal, em seus itens 33 e 34 (vide fl. 923 dos autos), não foram juntados ao processo, quando da finalização do procedimento fiscal, que culminou com a lavratura dos Autos de Infração ora contestados. Contudo, pelo que se extrai da peça de defesa, mais especificamente, na página 5 de sua impugnação, em seu segundo parágrafo (fl. 949 dos autos), onde a impugnante faz menção a tais anexos, pode-se inferir, com tal citação, que estes documentos foram remetidos ao sujeito passivo juntamente com os demais documentos que compõem a autuação fiscal – Autos de Infração e Termo de Constatação Fiscal –, apesar de não terem sido trazidos ao processo pela Fiscalização, naquele momento. Tanto é verdade que, quando a impugnante suscita a alegação de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, na sua primeira petição, o faz por outros motivos diversos, já enfrentados anteriormente, neste tópico, sem fazer qualquer referência a tal situação. Assim, a juntada posterior dos anexos aos autos, na fase de diligência fiscal, não traz qualquer mácula ao andamento do feito fiscal, visto que, pelo que se apura, ocorreu tão-somente uma falta de anexação destes documentos ao processo administrativo, mas não a sua ciência ao contribuinte autuado, juntamente com os demais elementos da autuação. Destarte, pelos argumentos acima expostos, afasta-se a alegação de nulidade decorrente de pretenso cerceamento ao direito de defesa da empresa autuada”. Ademais, em relação aos outros argumentos tem-se que a Recorrente tão somente ratificou os argumentos delineados em sua impugnação. Assim, utilizando-me da prerrogativa previsa no Regimento Interno do CARF (art. 114, § 12º, I), adoto os fundamentos da decisão recorrida em complemento aos meus, nos seguintes termos: “II. Preliminarmente. Alegação de nulidade da autuação fiscal. Em sede de preliminar, pugna o contribuinte pela declaração de nulidade dos Autos de Infração exarados, pontuando três questões em sua defesa: a) a ausência de elementos informadores da autuação fiscal, sustentando que o MPF 0910300.2013.00007-0 deu origem aos Autos de Infração constantes Fl. 1185DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 52 dos processos 10935.721443/2013-73 e 10935.721444/2013-18, sem que houvesse numeração própria, de forma individualizada, com afronta ao que determinam os arts. 2, 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972; b) cerceamento do direito de defesa, uma vez que não foi intimado de todos os atos durante o procedimento fiscal; e c) desrespeito ao princípio da estrita legalidade, uma vez que o Auditor- Fiscal informa de maneira genérica as razões legais quanto às afrontas à legislação, sem demonstrar, objetivamente, o que foi violado, caracterizando o cerceamento ao seu direito de defesa. Em sua manifestação posterior, decorrente da diligência procedida pela Autoridade Fiscal autuante, suscitou também a nulidade do lançamento por cerceamento do seu direito de defesa, pelo fato de que os anexos trazidos em sede de realização da diligência não foram juntados aos autos, no momento da autuação fiscal. Cerceamento do direito de defesa. Sobre a alegada nulidade dos Autos de Infração por cerceamento ao seu direito de defesa, não lhe assiste razão, porquanto todos os requisitos previstos no artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), foram observados quando da sua lavratura: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – A qualificação do autuado; II – O local, a data e a hora da lavratura; III – A descrição do fato; IV – A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – A determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná- la nº prazo de trinta dias. (destacou-se) Também não se identificou violação das disposições contidas no artigo 59 do mesmo Decreto: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. Fl. 1186DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 53 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (destacou-se) Os Autos de Infração, objeto dos autos, foram lavrados por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está bem delineado nos Autos de Infração e nº correspondente TVF. Em resumo, encontram-se satisfeitos todos os requisitos legais. Constata-se que foi concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito de defesa, tendo ele apresentado impugnação aos Autos de Infração, exercendo o seu direito ao contraditório, perfeitamente amparado pelo Decreto n.º 70.235, de 1972 (PAF). O recorrente revelou conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, cuja impugnação abrangeu não só questões preliminares como, também, razões de mérito. Sustenta a impugnante que houve cerceamento ao seu direito de defesa, já que, no curso da ação fiscal, não foi cientificado previamente de todos os atos procedidos pela Autoridade Fiscal. De igual forma, não merece prosperar tal alegação. Neste ponto, cabe registrar que o trâmite de um processo administrativo fiscal envolve dois momentos distintos: o momento do procedimento oficioso e o momento do procedimento contencioso. A primeira fase, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da Autoridade Tributária, em busca de obter elementos visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e das demais circunstâncias relativas à exigência. O destinatário desses elementos de convencimento é o contribuinte - que pode reconhecer o seu débito, recolhendo-o -, ou o julgador administrativo, no caso de ser apresentada impugnação ao lançamento. Na fase oficiosa, portanto, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Na realidade, nessa fase o Fisco submete-se à regra geral do ônus da prova prevista no Código de Processo Civil – que serve como fonte subsidiária ao processo administrativo fiscal. Incumbe ao Fisco, como autor, o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito. Ou seja, cabe à Autoridade Fazendária provar a veracidade de sua pretensão, e, se for o caso, constituir o crédito tributário. Se a fiscalização não se desincumbe a contento de sua tarefa, não se extrai daí Fl. 1187DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 54 qualquer problema de ordem processual, mas apenas insuficiência de provas contra o sujeito passivo, o que poderá ser questionado pelo interessado na fase seguinte. A fase processual – contenciosa – da relação fisco-contribuinte inicia-se com a impugnação tempestiva do lançamento (art. 14, do Decreto nº 70.235, de 1972) e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração. À litigância e consequente solução desse conflito é que se aplicam as garantias constitucionais da observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, referidos pela impugnante. Assim, tendo o contribuinte sido intimado a recolher ou impugnar, no prazo regulamentar, o débito constituído pelos Autos de Infração, que foram elaborados a partir de informações colhidas junto à própria interessada e junto a terceiros com os quais manteve transações comerciais no período abrangido pela ação fiscal, mediante circularização, claro está que não ocorreu qualquer lesão aos seus direitos. Não há determinação legal para que, nesta fase (oficiosa), o fiscalizado seja intimado previamente de todos os atos praticados pela Autoridade Fiscal. A única exigência é que o fiscalizado seja devidamente intimado quanto ao início do procedimento fiscal, como consta do art. 7°, I, do Decreto n° 70.235, de 1972. Portanto, observe-se que o procedimento administrativo de lançamento aperfeiçoa-se, eventualmente, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), onde o contribuinte, insatisfeito com o lançamento, inicia o contraditório questionando a validade do ato administrativo implementado pelo Fisco. Cabe ao contribuinte, em sua impugnação, oferecer meios de prova que questionem ou invalidem as provas constantes do Auto de Infração. O direito à ampla defesa ou ao contraditório decorre do art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988, que determina que aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Tais princípios foram rigorosamente observados na presente autuação fiscal, devendo- se, assim, afastar a pretendida nulidade suscitada pela impugnante, em sua peça de defesa. De igual modo, não há como acatar a alegação de cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, consoante foi suscitado na manifestação atinente à realização da diligência fiscal. No entender da impugnante, a juntada dos anexos, aos autos, em momento posterior à autuação fiscal, enseja a nulidade do feito fiscal, por cerceio à sua regular defesa. (...) Destarte, pelos argumentos acima expostos, afasta-se a alegação de nulidade decorrente de pretenso cerceamento ao direito de defesa da empresa autuada. Fl. 1188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 55 Falta de descrição dos fatos da autuação fiscal. Não há como conceber, também, consoante alegado na peça de defesa, que o Auditor-Fiscal informou “de maneira genérica as razões legais quanto às afrontas à legislação”. Ora, verifica-se na autuação, tanto no corpo dos Autos de Infração (fl. 926/927, IRPJ; e fl. 933/934, CSLL), quanto no TVF (fl. 914/923), que a Autoridade Fiscal descreveu minuciosamente as situações fáticas que ensejaram a autuação, bem como o correspondente enquadramento legal, pontuando adequadamente a descrição dos fatos e a disposição legal infringida, apresentando elementos de prova que motivaram o lançamento da exação fiscal, em face da alegada afronta aos dispositivos legais previstos na legislação de regência. Assim, totalmente sem respaldo a questão suscitada pela impugnante. Falta de individualização dos Autos de Infração Quanto à alegação de que não houve a individualização, com numeração própria, para cada Auto de Infração decorrente do MPF o MPF 0910300.2013.00007-0 (Autos de Infração constantes dos processos 10935.721443/2013-73, ora em análise, e 10935.721444/2013-18) , também não lhe assiste razão. O artigo 9º, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972, trata do tema em questão, da seguinte forma: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1° Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (destacou-se) Não há, na legislação citada, a determinação para que cada Auto de Infração, abrangendo os tributos lançados (IRPJ e decorrentes), seja correspondente a processos administrativos distintos. Na verdade, equivoca-se a defendente, ao afirmar que cada Auto de Infração receba uma numeração específica, individualizada. Possivelmente, confunde-se com os termos “auto de infração” (este, distinto para cada tributo) e “processo administrativo” (este, unificado, abrangendo todos os tributos objeto do procedimento fiscal), no qual são carreados os documentos inerentes ao lançamento fiscal (Autos de Infração, Relatório Fiscal, documentos comprobatórios, intimações, termos de ciência, depoimentos, laudos, etc.), constituindo-se, portanto, de um conjunto de Fl. 1189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 56 documentos que seguirão o mesmo rito processual, nos termos da legislação de regência. Ademais, a norma transcrita orienta que, na hipótese de vários autos de infração (um para cada tributo), pautados nos mesmos elementos de prova, proceda-se à juntada destes autos e dos documentos probantes em um único processo administrativo. É a regra estabelecida no § 1° do dispositivo legal, dispondo que, na existência de vários autos de infração, abrangendo tributos distintos, em face de um mesmo sujeito passivo, e tendo por fundamento os mesmos elementos de prova, sejam estes reunidos em um único processo. Trata-se, pois, de aplicação prática do princípio da economia processual, visto que, se a autuação abrange o mesmo contribuinte e as mesmas infrações fiscais, abordando-se os mesmos elementos de prova, o mais lógico é que os lançamento fiscais componham um único processo administrativo, por se tratar de lançamentos decorrentes. Assim, havendo contestação, o litígio será apreciado por uma única Autoridade Julgadora, evitando-se eventuais decisões discrepantes entre si, e, ainda, seguindo o mesmo rito processual, de forma concentrada. Destarte, não se enxerga a nulidade pugnada pela defendente, devendo esta ser afastada. Sendo assim, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas pela Recorrente. II – DO MÉRITO No tocante ao mérito , como o recurso voluntário apenas repisou as alegações da impugnação e não houve nenhum argumento de mérito ou documentos que justifiquem uma nova visão dos fatos, e por entender que a decisão a quo analisou detalhadamente a matéria, adoto como razões de decidir as externadas pela decisão recorrida, tal como abaixo descritas, que ora ficam confirmadas, nos termos do art. 50, inciso V e § 1º, da Lei nº 9.784/1999 c/c art. 114, § 12, inciso I, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 : “(...) III. Mérito. III.1. Construção civil com emprego de materiais. Coeficiente de presunção. Ao desenquadrar os serviços prestados pela impugnante no coeficiente de presunção de 8% e 12%, para fins de apuração do IRPJ e CSLL, a Autoridade Lançadora apresentou a seguinte motivação, nos itens 29 a 30 do TVF: 29. Quanto ao inciso II, vamos analisar as condições necessárias à aplicação do coeficiente de 8% estabelecidas na IN SRF 480/2004, já listadas no item 20: Fl. 1190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 57 29.1. Que o empreiteiro forneça todos os materiais indispensáveis à execução do serviço contratado — exceto nos casos dos contratos de "sinalização viária" — contratos 548/2009, 682/2010 e 762/2011 — que expressamente preveem que a Ecocataratas forneceria a tinta, tachas e tachões, nos demais casos em que houve o fornecimento de material, salvo melhor juízo, esta condição foi cumprida. Mas não é suficiente. 29.2. Que os materiais sejam incorporados à obra — exceto pelas obras de drenagem e alguns serviços de pintura, incluídos no item "pontes, viadutos túneis e passarelas", houve apenas a utilização de equipamentos ou ferramentas ou o consumo de materiais que, como ressalva o art. 1°, § 9° da IN SRF 480/2004, não podem ser confundidos com o fornecimento de materiais para a execução da obra. Tais equipamentos e materiais são utilizados ou consumidos na execução do serviço, mas não são fornecidos ao cliente e muito menos se incorporam à obra. De fato, se fizemos uma vistoria na beira da rodovia, lá não encontraremos nenhum vestígio das roçadeiras utilizadas ou do combustível consumido na roçada. Estes equipamentos ou materiais são apenas um meio para a realização do serviço, não sendo visíveis ou detectáveis depois que o serviço foi concluído, ao contrário do que ocorre, por exemplo, com o concreto utilizado na implantação de canaletas, sarjetas ou meio-fio. 29.3. Que se trate de construção civil — finalmente, nem com toda a boa vontade do mundo poderíamos equiparar serviços de roçada, capina, poda e corte de árvores, limpeza e desobstrução de canaletas, limpeza de placas de sinalização, locação de equipamentos e veículos, etc., como "obras de construção civil”. E a IN SRF 480/2004, em seu art. 32, deixa bem claro que somente nos casos de construção civil por empreitada e de prestação de serviços médicos é que o coeficiente de presunção de 8% se aplica à apuração do Lucro Presumido. 30. Portanto, a conclusão é que o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro devidos pelo contribuinte devem ser calculados a partir dos seguintes coeficientes de presunção: 30.1. Para os serviços que se enquadram nas definições contidas no § 7°, inciso II e no § 9° do art. 1° da IN SRF 480/2004, os coeficientes aplicáveis são de 8% e 12%, respectivamente, para o Imposto de Renda e a Contribuição Social. 30.2. E todos os demais serviços se enquadram no art. 15, § 10, inciso III e art. 20 da Lei 9.249/95, com coeficientes de presunção de 32% tanto para o Imposto de Renda quanto para a Contribuição Social. Assim, não foram aceitos na Auditoria Fiscal os coeficientes de presunção do lucro de 8% e 12%, utilizados para a apuração do IRPJ e da CSLL, respectivamente, em relação à parte das receitas de prestação de serviços da empresa. De se ver que a Autoridade Fiscal definiu, para fins de tributação com Fl. 1191DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 58 base no Lucro Presumido, o coeficiente de presunção de 32% sobre os valores dos serviços analisados, deixando claro o seu entendimento no sentido de que os percentuais de 8% e 12% são aplicáveis tão somente quando ocorrer a hipótese de prestação de serviços de construção civil por empreitada total com emprego de materiais, na sua totalidade, consoante definição trazida pela IN SRF n° 480, de 2004, em seu art. 1°, §§ 7° e 9°, c/c art. 32, II. O contribuinte entende que o emprego de materiais, previsto em alguns contratos, dá o direito da utilização destes percentuais na apuração do IRPJ e da CSLL. Segundo seu entendimento, estes percentuais de 8% e 12% são previstos para as receitas de construção civil por empreitada, com emprego de materiais, não importando a quantidade fornecida pelo prestador de serviços, nos termos do ADN Cosit n° 6, de 1997. O tema em discussão encontra-se positivado no artigo 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (redação original), que versa acerca dos coeficientes de presunção, de acordo com a atividade econômica explorada pela empresa: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III - trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(...)(destacou-se) Dos dispositivos legais reproduzidos, extrai-se que os coeficientes de presunção aplicáveis para as empresas optantes pelo Lucro Presumido são aqueles estabelecidos no artigo 15 da citada Lei, dentre os quais se encontram, conforme § 1º, III, “a”, da citada lei, as prestações de serviços em geral. Não obstante, vigorava à época dos fatos geradores, abrangidos pela autuação, a Instrução Normativa SRF nº 480, de 2004, que dispunha sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas que menciona a outras pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços. A referida IN, por sua vez, estabeleceu uma tabela de retenções, Fl. 1192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 59 pontualmente no “Anexo 1 - Tabela de Retenção Natureza do Bem Fornecido ou do Serviço Prestado”, cuja parte que toca ao caso em apreço se reproduz abaixo: Observa-se, da tabela reproduzida, que os serviços com emprego de materiais foram equiparados, para o efeito de retenção de tributos, aos serviços de construção civil por empreitada com emprego de materiais, na medida em que ambos estão sujeitos aos mesmos percentuais de retenção dos tributos, que, por meio de um simples cálculo, é possível concluir que o coeficiente de presunção corresponde a 8%, já que, no exemplo, o percentual de 1,2% reflete a aplicação da alíquota de 15% (alíquota do IRPJ) sobre o coeficiente de 8%. Todavia, como já assinalado anteriormente, em princípio, a mencionada Instrução Normativa tratava somente do disciplinamento atinente à retenção de tributos, de modo que não haveria repercussão na apuração dos tributos devidos trimestralmente pela sistemática do lucro presumido, se não fossem as normas dispostas em seu art. 32: Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005) I - alcançam somente a retenção na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, realizada para fins de atendimento ao estabelecido nos arts. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, e 34 da Lei nº 10.833, de 2003; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005) II - não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos nº art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1º, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005)(destacou-se) Portanto, em conformidade com o inciso II, antes transcrito, resta claro que o coeficiente de presunção de 8% somente se aplica aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais de que trata o inciso II, § 7°, do art. 1° - a que envolve o fornecimento, pelo empreiteiro, da totalidade do material utilizado na execução da obra –, e não, indiscriminadamente, a qualquer serviço Fl. 1193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 60 de engenharia com emprego de materiais, que continua seguindo a regra geral estatuída pelo art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9249/1995, que estabelece o coeficiente de presunção de 32%. Isso porque, como se viu, ficou evidente que a alteração nos percentuais de presunção abrangeu tão somente os serviços de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, consoante definição trazida no citado art. 1°, § 7°, II, da referida IN: Art. 1°. (...) § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considera-se: I - serviços prestados com emprego de materiais, os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços; II - construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (destacou-se) Vale pontuar que esta, também, é a orientação disponibilizada pela RFB anualmente aos contribuintes, no manual de “Perguntas e Respostas – IRPJ”, disponível para consulta no em seu sítio na Internet. Para exemplificar, segue transcrição da Pergunta 019 do Capítulo XIII (Lucro Presumido), que trata especificamente do assunto – esta pergunta possuía a mesma numeração e o mesmo teor de questionamento e resposta para os manuais disponibilizados com referência aos exercícios de 2010, 2011 e 2012, que englobam o período objeto da presente autuação fiscal: 019. Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão-de-obra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (destacou-se) Não bastasse, deve ser notado que, para a incidência do coeficiente de presunção de 8% sobre os serviços executados, impõe-se, além da necessidade da execução corresponder a empreitada com emprego de materiais, em Fl. 1194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 61 consonância com o dispositivo transcrito, que se tratem tais serviços de execução de obra de construção civil, cuja definição é trazida pela Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, em seu art. 322, I, que reproduz fielmente a redação da IN SRP nº 3, de 2005, conforme segue: Art. 322. Considera-se: I - obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo VII; (...)(destacou-se) Logo, com base no dispositivo em referência, é notório que parte dos contratos de prestação de serviços pactuados pelo contribuinte, tais como o de roçada, capina, poda e corte de árvores, limpeza de canaletas e placas de sinalização, locação de equipamentos e veículos, dentre outros, não são abarcados pelo conceito normativo de serviços de construção civil. Em outros, ficou demonstrado o não fornecimento ou o fornecimento parcial dos materiais indispensáveis à execução da obra. Sendo assim, forçoso concluir que, em tais serviços, deve-se, sim, acompanhar a regra geral de tributação dos rendimentos recebidos pela prestação dos serviços em geral, com a utilização do coeficiente de presunção de 32%. A análise individualizada dos contratos/serviços será procedida posteriormente, em tópico específico. Para sedimentar o entendimento até aqui desenvolvido, vale trazer à colação a ementa da Solução de Consulta Cosit n° 119, de 26 de março de 2019, com efeito vinculante (publicada no DOU de 29/03/2019, Seção 1, pág.72), com a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. OBRAS E SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. EMPREGO DE MATERIAL. TRATAMENTOS TÉRMICOS E ACÚSTICOS. Para a determinação da base de cálculo do imposto de renda devido, no regime do lucro presumido, aplica- se o percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta mensal auferida nas atividades de construção e instalação de tratamentos térmicos e acústicos, somente no caso de contrato de empreitada na modalidade total, ou seja, quando o empreiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Aplica-se o percentual de 32% (trinta e dois por cento) quando a empreitada for parcial, com fornecimento de parte do material, ou exclusivamente de mão-de-obra. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 76, DE 24 DE MAIO DE 2016. Fl. 1195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 62 Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, arts. 15 e 20; Lei nº10.406, de 2002, 82 e 84; Lei nº 8.078, de 1990, art. 39, VIII, IN SRF nº 480, de 2004; IN SRF Nº 539, de 2005; IN RFB nº1.234, de 2012, ADN º 6, de 1997 e ADN Nº 30, de 1999, ABNT NBR 15.575, de 2013. (destacou-se) Cristalino, portanto, que somente é possível a utilização dos coeficientes de presunção de 8% (IRPJ) e de 12% (CSLL) nos casos de serviços de construção civil mediante contrato de empreitada na modalidade total, ou seja, quando o empreiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. O cumprimento de tais condições, face aos contratos destacados pela impugnante em sua peça de defesa, será objeto de análise posterior. III.2. ADN Cosit n° 6, de 1997. Aplicabilidade. No que se reporta à orientação trazida no ADN Cosit n° 6, de 1997, da qual se apodera a defesa para justificar a utilização do percentual reduzido de presunção, veja-se o seu inteiro teor: Ato Declaratório Normativo Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997. Percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada. O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF Nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I - Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão-de obra, ou seja, sem o emprego de materiais. (destacou-se) Observa-se que, de fato, com base no ADN, os contribuintes poderiam se valer do percentual de 8%, nas atividades de construção por empreitada, quando houvesse o emprego de materiais, em qualquer quantidade. Ressalte-se, todavia, Fl. 1196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 63 que o mencionado ADN encontra-se derrogado em face da edição de atos supervenientes. O art. 1º da Instrução Normativa (IN) SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, dando nova redação ao art. 32 da IN SRF nº 480, de 2004, modificou o entendimento sobre a aplicação do percentual de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais: Instrução Normativa SRF nº 539, de 2005. Art. 1º Os arts. 1º, 3º, 18, 19, 20, 21, 22. 26, 27 e 32 da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: I - alcançam somente a retenção na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, realizada para fins de atendimento ao estabelecido nos arts. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, e 34 da Lei nº 10.833, de 2003; II - não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos nº art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1º, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27." (NR)(destacou-se) Nos termos das alterações normativas, ficou superado o item I do ADN Cosit nº 6, de 1997, na medida em que se restringiu a aplicação do percentual ali previsto para a determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, no caso de empreitada com emprego de materiais, apenas à hipótese de fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo estes a ela incorporados – empreitada na modalidade total. Observa-se que, na forma prescrita pela IN RFB nº 480, de 2004, com a redação trazida pela IN RFB nº 539, de 2005, em seu anexo, na atividade de construção por empreitada, com emprego de materiais, o percentual de retenção do IRPJ, indicado na Tabela de Retenção, anexo I da IN RFB nº 539, de 2005, é de 1,2%, o que corresponde à alíquota de 15% (quinze por cento), sobre o percentual de presunção da base de cálculo do IRPJ de 8%(oito por cento). Essas alterações, também, foram mantidas na IN RFB nº 1.234, de 2012, atualmente em vigor. Frise-se que referidas instruções tratam da retenção de tributos nos pagamentos efetuados pela Administração Pública Federal, mas se Fl. 1197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 64 aplicam, também, à situação ora analisada, consoante já pontuado anteriormente, neste voto (item anterior). Ante o explanado, dúvidas não restam quanto à alteração do teor do ADN Cosit n° 6, de 1997, pela superveniência de ato normativo (IN RFB n° 480, de 2004, e alterações posteriores) no qual ficou definido, no cálculo de IRPJ com base no Lucro Presumido, nas receitas decorrentes dos serviços de construção por empreitada, a utilização do coeficiente de presunção de 8% (oito por cento) apenas na situação em que o empreiteiro fornecer “todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo estes incorporados à obra”. Nas demais situações, o coeficiente de presunção aplicável será de 32% (trinta e dois por cento). III.3. IN SRF n° 480, de 2004. Alegação de ilegalidade. Argumenta a impugnante que a IN SRF n° 480, de 2004 (e posteriores alterações), “ao pretender regular o artigo 15, da Lei 9.249/95, extrapolou os limites impostos às normas reguladoras e tratou de matéria que não poderia, violando, desta feita, o princípio da Reserva Legal”. Em sua visão, a referida IN, com respeito à previsão legal acerca do tema(Lei n° 9.249, de 1995), “veio a alargar a compreensão, criando exigências, formalizando exceções e limitações à utilização do coeficiente, limitando a sua aplicação que já havia sido reconhecida pelo ADN COSIT 6/1997” Como é cediço, apesar de não se ter em vista, na redação da IN SRF n° 480, de 2004, nenhuma afronta ou extrapolação aos limites estabelecidos pela lei pertinente, não compete à Autoridade Administrativa o exame de arguições quanto à legalidade e constitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, competência esta atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. Cumpre-lhe observar a norma nos termos em que editada, em conformidade com o que estatui o art. 142 do CTN. A Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, prevê, em seu art. 7º, que: Art. 7º São deveres do julgador: (...) V - observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Portanto, tratando-se a IN SRF n° 480, de 2004, de ato regularmente expedido pela autoridade competente (Secretário da Receita Federal), deve esta ser obrigatoriamente observada, na aplicação do direito, pelos agentes administrativos, notadamente, em sede de apreciação de matéria recursal, no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Destarte, afasta-se a alegação arguida pela impugnante, quanto à eventual ilegalidade da norma em comento. Fl. 1198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 65 III.4. Análise fática. Contratos firmados pela impugnante. Passa-se à análise das particularidades dos contratos de empreitada pontuados pelo contribuinte em sua peça impugnatória, com vistas a verificar qual o coeficiente de presunção a ser utilizado – se 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL), conforme compreendido pelo impugnante; ou 32% (IRPJ/CSLL), na análise da Autoridade Fiscal autuante. Consoante já pontuado, busca-se verificar o cumprimento dos três requisitos básicos regulados na IN SRF n° 480, de 2004, a saber: a) se o serviço prestado fica compreendido no conceito de “construção civil”, entendendo-se esta como sendo “a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo (IN RFB n° 971, de 2009, art. 322, I); b) no caso de construção por empreitada com emprego de materiais, se o empreiteiro forneceu a totalidade dos materiais indispensáveis à sua execução (IN RFB n° 480, de 2004, art. 1°, § 7°, II); e c) que os materiais fornecidos tenham sido incorporados à obra e que não se confundam com os instrumentos de trabalho utilizados ou materiais consumidos na execução da obra (IN RFB n° 480, de 2004, art. 1°, § 7°, II, c/c § 9°). Passa-se à análise dos contratos verificados pela Autoridade Fiscal, quanto aos quais a impugnante exibiu as suas contra argumentações. (i) Contratos 548/2009, 682/2010 e 762/2011 (Contratante: ECOCATARATAS). O Auditor-Fiscal apontou que tais contratos referem-se a serviços de “sinalização horizontal”, compreendendo a pintura de faixas e colocação de microesferas refletivas, tachas e tachões refletivos. Destacou que a Cláusula Primeira do Contrato 682/2010 menciona o Termo de Referência TR-GEN 003/11, que traz, por sua vez, entre as responsabilidades da contratada (SS TREVO) “o fornecimento de todos os materiais incorporados à obra (exceto tintas, solventes, microesferas, tachas, tachões e cola”). Ou seja, as exceções mencionadas no TR- GEN 003/11, referindo-se aos materiais a serem fornecidos pela empresa contratante (ECOCATARATAS) representam, na verdade, todos os materiais de fato incorporados à obra, restando ao contribuinte fiscalizado apenas o fornecimento de materiais de uso, tais como ferramentas, equipamentos, etc., que não se incorporam à obra. Assim, todas as receitas provenientes destes contratos foram submetidas ao coeficiente de presunção de 32%. Alega a impugnante: a) Contrato 548/2009 – O TR-GEN 03/11, citado pela Fiscalização, não traz qualquer relação com os serviços do Contrato 548/2009. Neste contrato, em nenhum momento há a menção da TR-GEN 03/11 (nem nos seus aditivos posteriores). Tal contrato foi firmado em 04/08/2009, e a TR-GEN é de 2011, logo, a incidência retroativa da disposição seria impossível. Fl. 1199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 66 b) Contrato 682/2010 – O TR-GEN 03/11 é tomada de preços, não é contrato, serve apenas para balizar o serviço contratado. O Fiscal justifica a incidência do coeficiente de 32%, com base nos requisitos da IN 480/2004, pelo fato de que os materiais fornecidos pelo contribuinte (contratado) não se incorporam (instrumentos de trabalho utilizado e materiais consumidos na execução da obra). Ocorre que a IN desrespeita o princípio da estrita legalidade, já que adentra em terreno que somente a lei pode regular. c) Contrato 762/2011 – Conforme a mesma compreensão feita para o Contrato 548/2009, nenhuma menção existe neste Contrato relativa à TR-GEN 03/11. Assim, é descabida e infundada a afirmação do Auditor-Fiscal de que a norma contratual exclui o fornecimento de materiais para a prestação do serviço. Análise Os contratos em questão, firmados entre a SS TREVO e a ECOCATARATAS, preveem a prestação de serviços de sinalização viária e conservação de sinalização viária, como se constata às fl. 307/321 (Contrato 548/2009), fl. 579/584 e fl. 593/595 (Contrato 682/2010) e fl. 746/748 (Contrato 762.2011). No TVF, o Auditor-Fiscal justificou a adoção do coeficiente de presunção de 32% para todas as receitas provenientes destes contratos, tendo em vista constar, no Termo de Referência – TR-GEN 003/11 (cópia às fl. 585/592 e fl. 596/612), que à contratante (ECOCATARAS) compete fornecer os materiais – tintas, solventes, microesferas, tachas, tachões e cola. Assim, concluiu que, embora no contrato conste que é de responsabilidade da contratada (SS TREVO) o fornecimento de todos os materiais inerentes à execução dos serviços, as exceções que foram pontuadas no TR-GEN 003/11 representam, na prática, os materiais que são de fato incorporados à obra (tintas, microesferas, tachas, tachões, etc.), ficando, assim, a cargo do prestador de serviços, apenas o fornecimento de materiais de uso (ferramentas, equipamentos, etc.). De fato, no item 1.6.1.1 do TR-GEN 003/11 consta a exceção trazida pela Autoridade Fiscal, ficando claro que os serviços prestados, cujos contratos se vinculam ao referido Termo de Referência, apesar de se enquadrarem no conceito de construção civil, não preveem o fornecimento da totalidade dos materiais utilizados na execução da obra a cargo do prestador de serviços. Ou seja, quanto aos contratos que decorrem do TR-GEN 003/11, não se apura o cumprimento dos demais requisitos exigidos pela IN SRF n° 480, de 2004 (a saber, que o empreiteiro forneça a totalidade dos materiais indispensáveis à execução da obra e que tais materiais tenham sido incorporados à obra e que não se confundam com os instrumentos de trabalho utilizados ou materiais consumidos na execução da obra): Fl. 1200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 67 Ocorre que, dos contratos mencionados, apenas o Contrato 682/2010 (fl. 579/584, e 1º Termo Aditivo às fl. 593/595) faz menção expressa à utilização das regras estabelecidas no TR-GEN 003/11, como se confere a seguir (Cláusula Primeira, item 1.2): Assim, quanto a este, fica explícito que as condições em que os serviços foram contratados não se amoldam aos requisitos exigidos pela IN SRF n° 480, de 2004. Não se adentrará na questão da suposta ilegalidade da referida IN, como sustentado pela impugnante, já que tal análise já foi procedida anteriormente, em tópico específico. Quanto aos outros dois contratos – Contrato 548/2009 (fl. 307/321) e Contrato 762/2011 (fl. 746/748) –, não conta, nos mesmos, a menção de que guardam observância às regras do TR-GEN 003/11, e, de igual modo, não constam – tanto nos contratos ou em seus aditivos – disposições explicitando que o fornecimento dos materiais necessários à execução da obra ficaria a cargo da contratante (ECOCATARATAS). No Contrato 548/2009, consta na sua Cláusula 5.1 que "as especificações, responsabilidades e demais condições gerais de execução dos serviços contratados estão estabelecidas no Anexo I, denominado ‘Condições Gerais de Contratação de Prestação de Serviços', registrado no 7º Cartório de Títulos e Documentos do Município de São Paulo sob o nº 1691999”. Todavia, tal anexo não foi colacionado aos autos pela Autoridade Fiscal. A consulta às condições gerais de contratação, no tocante às especificações e responsabilidades a cargo de cada uma das partes – contratante e contratada – é fundamental para se confirmar de quem é a competência do fornecimento de todos os materiais a serem empregados na realização dos serviços contratados. Nesse sentido, competiria à Autoridade Fiscal carrear tal prova, visto que, no TVF, a justificativa utilizada foi a previsão constante do TR-GEN 003/11 que, como visto acima, somente se relaciona às regras contratuais atinentes ao Contrato 682/2010. Assim, com relação a este contrato, por não restar caracterizada a situação apontada pela Fiscalização, é de se manter a forma de tributação adotada pelo contribuinte quanto às receitas deste decorrentes. Especificamente com relação ao Contrato 762/2011, é registrado, em sua Cláusula Quarta, que integra o instrumento contratual o “Anexo II – Proposta da Contratada, datada de 06/07/2011”, cuja cópia foi juntada às fl. 749, na qual fica expressa a previsão de que todos os materiais necessários à execução da obra ficariam sob responsabilidade do prestador do serviço (SS TREVO). Confira-se: Fl. 1201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 68 Assim, em relação a estes dois contratos (548/2009 e 762/2011), o Auditor- Fiscal não trouxe, à autuação, a documentação comprobatória a demonstrar que o contribuinte não se responsabilizou pelo fornecimento dos materiais necessários à execução dos serviços e incorporados à obra, justificando, assim, a utilização do coeficiente de presunção de 32%. Com base nos documentos carreados – contratos, aditivos e notas fiscais –, não se pode atestar tal conclusão. Ademais, o TR-GEN 03/2011, no qual se fundamentou a Fiscalização – em que consta que os materiais são fornecidos pela contratante –, traz correspondência tão-somente em relação ao Contrato 682/2010, não havendo, nos autos, provas de que suas regras também se estendem aos Contratos 548/2009 e 762/2011. Nesse sentido, voto por desconsiderar a utilização do coeficiente de presunção de 32% para as receitas decorrentes dos serviços prestados com base nos citados contratos, cujas notas fiscais (cópias) foram juntadas às fl. 322/466 (Contrato 548/2009) e fl. 750/753 (Contrato 762/2011), e relacionadas do Anexo I elaborado pela Fiscalização, com a identificação de tais contratos (fl. 1009/1015), abaixo discriminadas, sobre as quais deverá incidir os percentuais de presunção de 8% e 12, para IRPJ e CSLL, respectivamente, e não de 32%, que foi o utilizado pela Fiscalização: Fl. 1202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 69 Concluindo, ficará mantida a tributação com utilização do coeficiente de presunção adotado pela Autoridade Fiscal (32%) para os serviços vinculados ao Contrato 682/2010. Para as notas fiscais correlatas aos Contratos 548/2009 e 762/2010, acima relacionadas, os percentuais de presunção a serem adotados são de 8% (IRPJ) e de 12%(CSLL). Assim, no Anexo III produzido pela Fiscalização (fl. 1018 dos autos), na planilha denominada “receita conforme presunção”, os valores acima discriminados, em cada trimestre de apuração, deverão ser excluídos da coluna de presunção de “32%” a adicionados à coluna de presunção de “8% - 12%), como se demonstra a seguir: (ii) Contratos 337/2008, 493/2009 e 680/2010 (Contratante: ECOCATARATAS). Fl. 1203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 70 Conforme relatado no TVF, os contratos acima foram firmados entre a SS TREVO e a ECOCATARATAS para prestação de serviços de “manutenção rotineira”, regra geral, serviços de roçada nas margens da rodovia, que não envolvem o fornecimento de qualquer material incorporado à obra, embora envolvam a utilização de ferramentas e equipamentos e o consumo de combustível. Relatou a Autoridade Fiscal que tais contratos previam, ainda, serviços de limpeza de pista, limpeza e desobstrução de meio-fio, sarjetas, canaletas e bueiros, limpezas de placas de sinalização e locação de equipamentos, todos sujeitos ao coeficiente de presunção de 32%. Incluíam, também, algumas obras de drenagem e serviços de pintura de pontes, túneis e viadutos, que se caracterizam como obras de construção e, tendo o contribuinte fornecido os materiais destas obras, as receitas correspondentes sujeitam-se aos coeficientes de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Ao final, o Auditor-Fiscal apurou receitas sujeitas ao coeficiente de 8%, no montante de R$ 444.439,77, e de 32%, no montante de R$ 5.066.164,84. Em suas alegações, o contribuiu argumenta que não é admissível considerar a prestação dos serviços pontuados pela Fiscalização sem a utilização de materiais, apenas com mão-de-obra, e todo e qualquer material empregado deve ser reconhecido como fornecimento de material, portanto, sujeitando-se aos coeficientes de 8% (IRPJ) e 12%(CSLL). Acrescenta a impugnante que não é possível admitir a conclusão da Autoridade Fiscal, calcada no que dispõe a IN SRF n° 480, de 2004, que, em sua visão, é nitidamente ilegal, não podendo ser utilizada para onerar o contribuinte. Assim, em primeiro plano, é ilegal afirmar que não é todo e qualquer material que pode ser incorporado à obra que se presta para configurar o fornecimento de material, e, ainda, mesmo que se quisesse considerar o contrário, seria inadmissível entender que pudesse ser feita a prestação do serviço sem a implementação de materiais, apenas com mão-de- obra. Com relação especificamente ao Contrato 680/2010, relata que a descrição dos serviços é clara ao constar que neles estão incluídos o fornecimento de materiais. O próprio TR-GEN 04/2011, ao qual se vincula este contrato, prevê a inclusão, nos custos da contratada, do fornecimento de todos os materiais incorporados à obra, e mesmo a exclusão ali apontada(defensas metálicas, placas de sinalização, perfis, etc.) não é motivadora para não se reconhecer que há o fornecimento de materiais. Ademais, mesmo diante da exceção de custo já mencionada, ainda assim existem dezenas de atividades que implicam no fornecimento do material, como, por exemplo, a remoção de entulhos e desobstrução de bueiros, bacias, caixas de captação e canaletas (que precisam ser acondicionados para serem transportados), a limpeza de tachões (na qual há a necessidade de utilização de produtos químicos), a fabricação de pré misturado (que é fornecido pela contratada), a recuperação de sarjeta e de meio-fio (onde é necessário o fornecimento de concreto). Análise Acerca da alegação de suposta ilegalidade da IN SRF n° 480, de 2004, questionada pela impugnante nesta parte da impugnação, deve-se ressaltar Fl. 1204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 71 que tal assunto já foi explanado no presente voto, em ponto específico, não comportando, assim, nova apreciação, quanto ao seu mérito. Como já destacado neste voto, a primeira condição que se extrai da IN SRF n° 480, de 2004, para que seja possível a utilização do percentual de presunção de 8%, como pretendido pela impugnante, é que os serviços se enquadrem no conceito de construção civil, assim entendido como sendo “a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo (IN RFB n° 971, de 2009, art. 322, I). Partindo dessa premissa, é de se constatar que os três contratos em questão abrangem serviços de “conservação rotineira”, englobando, dentre outras, as seguintes atividades: roçada (mecânica e manual), capina, limpeza e remoção de lixos e entulhos, poda, corte e remoção de árvores, limpeza e desobstrução de canaletas, sarjetas, bueiros, caixas coletoras, saída d’água, limpeza de tachões, limpeza e remoção de terra, varrição de pista e acostamento, caiação de pontes, viadutos, canaletas, sarjetas e meio-fio, roçada de aceiro, etc. Confirma-se, portanto, que os contratos envolvem a prestação de serviços de conservação, em sua grande maioria, nos quais há, essencialmente, o envolvimento de mão-de-obra. Não se vislumbra, para estes serviços, nenhuma característica que possa permitir a sua subjunção ao conceito de “construção civil”, consoante estabelecido pela IN RFB n° 971, de 2009 (art. 322, I). Dos serviços prestados, com base nestes contratos, a Autoridade Fiscal identificou aqueles que se caracterizam como obras de construção civil, a exemplo das obras de drenagem e serviços de pintura de pontes, túneis e viadutos, com o fornecimento de material pelo contribuinte, o que resultou, para estas receitas, a utilização do coeficiente de presunção de 8%. Assim, quanto aos serviços que não se enquadram no conceito de construção civil, pouco importa o eventual fornecimento de materiais, visto que, para estes, não há dúvidas de que o percentual de presunção é de 32%. Nesse sentido, com respeito aos Contratos 337/08, 493/09 e 680/2009, é de se manter a forma de presunção de lucro apurada pela Fiscalização, separando-se as receitas sujeitas ao coeficiente de 8% (R$ 444.339,77) daquelas às quais se aplica o coeficiente de 32%(R$ 5.066.164,84). (iii) Demais contratos (Contratantes: AUTOPISTA LITORAL SUL, AUTOPISTA PLANALTO SUL e LEAO ENGENHARIA). Com relação a estes contratos – cópias às fl. 780/813, fl. 814/898 e fl. 899/913 –, o Auditor-Fiscal ressaltou que os serviços prestados pelo SS TREVO tiveram o fornecimento do material necessário à sua execução a cargo dos clientes, total ou parcialmente. Ressaltou que as NF 321 e 329, referentes a serviços de obras de drenagem prestados à empresa LEAO ENGENHARIA, nos quais o material foi fornecido pela Fl. 1205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 72 contratada(SS TREVO), utilizou-se o coeficiente de presunção de 8%. Quanto à NF 322, também com serviços prestados à mesma empresa, relativos a implantação de cercas, onde o material foi fornecido pela contratante (LEAO ENGENHARIA), aplicou-se o percentual de presunção de 32%. Na contestação, a impugnante argumenta que, no caso da empresa AUTOPISTA LITORAL, em que ficou constatado que apenas parte do material foi fornecido pela SS TREVO, que, se fornecido o material, não importando a quantidade, é de se reconhecer a incidência do coeficiente por ela utilizado (8%). Mesmo argumento também foi utilizado quanto aos serviços prestados às empresas AUTOPISTA PLANALTO SUL e LEAO ENGENHARIA. Ressalta que a conclusão do Fiscal está calcada na IN SRF n° 480, de 2004, que é ilegal por natureza. Análise Acerca da procedência da IN SRF n° 480, de 2004, também questionada pela impugnante nesta parte da impugnação, tal assunto já foi explanado no presente voto, em ponto específico. Portanto, não comporta nova apreciação, quanto ao seu mérito. Temos que, na referida IN, ficou explícita a seguinte exigência, para fins de utilização do percentual de presunção de 8%, com referência aos serviços de construção por empreitada, com emprego de materiais: “Considera-se construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra”. Determina, ainda, que “não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra” (art. 1°, § 7°, II, e § 9° da IN SRF n° 480, de 2004). Nestes termos, uma vez que a própria impugnante consente com a apuração fiscal de que não houve, de sua parte, o fornecimento da totalidade dos materiais necessários à execução das obras contratadas junto às empresas, baseando-se sua manifestação, tão-somente, na questão da legalidade da regulamentação trazida pela IN SRF n° 480, de 2004, é de se manter a apuração fiscal, no sentido de que apenas parte dos serviços, prestados à LEAO ENGENHARIA, constantes das NF 321 e 329 (obras de drenagem), estão sujeitos à presunção do lucro com base no percentual de 8%. Quanto aos demais, correta a utilização do coeficiente de presunção de 32%, nos termos em que foi regulado pela legislação citada. III.5. Cobrança de multa de ofício. Alegação de boa-fé. Quanto à exigência da multa de ofício, constante da autuação fiscal, alega a impugnante que agiu de boa-fé, sendo que a infração apontada pela Fiscalização decorreu de mero equívoco em razão de divergente interpretação de dispositivo Fl. 1206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 73 legal. Nesse sentido, entende que não houve o cometimento de infração tributária e, portanto, indevida a aplicação da multa de ofício. Sobre tal argumento, cabe reproduzir o disposto no art. 136 do CTN, que assim dispõe: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (destacou-se) Assim, a simples leitura do dispositivo acima nos traz a certeza de que, independentemente da intenção do agente ou responsável, a responsabilidade pelas infrações praticadas à legislação tributária perdura, não havendo que se falar, portanto, em ter agido, o contribuinte, com boa ou má-fé. Destarte, a eventual boa-fé do sujeito passivo não afasta a exigência do crédito tributário, uma vez que a lavratura do Auto de Infração constitui ato administrativo vinculado. Ocorrendo a situação fática apontada como infração à legislação tributária, deve-se proceder ao seu lançamento, e aplicar, ao infrator, a penalidade imposta por tal legislação. Portanto, no caso em tela, a alegação de boa-fé do contribuinte deve ser afastada, considerando que os dispositivos legais aplicáveis ao caso concreto, aqui analisado, não sinalizam a exceção apontada na parte inicial do art. 136 do CTN, acima transcrito. III.6. Alegação de violação ao princípio constitucional do não-confisco na cobrança da multa de ofício. O contribuinte apresenta, também, irresignação quanto ao percentual da multa de ofício que lhe foi aplicada (75%), entendendo que, neste patamar, fica caracterizada a ocorrência de confisco. Sustenta que, se for devida a incidência da multa punitiva, esta deva ser reduzida ao patamar de 20%. Na hipótese, o que a Autoridade Fiscal autuante se limitou a aplicar foi o determinado pelo art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 19961. Assim, dada a estrita vinculação a que se submete o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, outro não poderia ser o procedimento a ser adotado pelo autuante, sob pena de, em não o fazendo, vir a ser responsabilizado funcionalmente, na forma do art. 142, parágrafo único, do CTN. Quanto às alegações no sentido de que tal parcela, exigida no percentual em que o foi, viria a caracterizar a ocorrência de confisco, prática essa vedada pela Constituição Federal, é de se dizer que tal penalidade, por si só, não se confunde com o tributo, não lhe sendo, portanto, aplicável o princípio estatuído pelo art. 150, inciso IV, da CF. É o que vem, reiteradamente, dizendo a jurisprudência, conforme pode ser visto pelas ementas abaixo: Fl. 1207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 74 CONFISCO – INCONSTITUCIONALIDADE. A regra contida no inciso IV, do artigo 150, da CF/88, impede que a instituição de tributos seja injusta e consumidora da maior parte da renda e da propriedade. As penalidades não só não se confundem com os tributos, bem como, não lhes é aplicável a “vedação ao confisco” prevista no artigo 150 da CF/88. Recurso improvido.” (Acórdão 103-21.228, de 13/05/2003 – DOU de 30/06/2003). NÃO CONFISCATORIEDADE DE MULTAS. O Princípio Constitucional do não confisco (Constituição, artigo 150, IV) é aplicável exclusivamente aos tributos, não se estendendo às penalidades. É possível cogitar-se da aplicação de uma noção de não confisco genérico às penalidades, como decorrência da proteção constitucional ao direito de propriedade (Constituição, artigo 5º, XXII), contudo apenas quando em face de um exagero irrecusavelmente exorbitante. Recurso negado.” (Acórdão 201- 76339, de 21/08/2002 – DOU de 25/04/2003). Com base no que foi dito acima, aliado ao fato de que as alegações trazem matéria de cunho constitucional (não confisco), não afeta à competência da Autoridade Administrativa, é de se ponderar que qualquer manifestação sobre a mesma é de competência exclusiva do Poder Judiciário, determinada pela da própria Constituição Federal. Ou seja, não compete a esta Unidade de Julgamento apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constituição Federal. Em resumo, não cabe à Autoridade Fiscal usar do poder discricionário para aplicação da norma regulamente inserida no ordenamento jurídico. Ocorrido o fato e estando este perfeitamente enquadrado no dispositivo legal, a autoridade deve, obrigatoriamente, aplicar a lei ao caso concreto. Correta, portanto, a incidência da multa de ofício (vinculada) de 75%, nos moldes em que exigida nos presentes autos. III.7. Exigência concomitante de juros e de multa. Não tem razão a impugnante ao se insurgir contra a exigência simultânea de multa e juros de mora. A alegação não teria fundamento nem mesmo se a multa exigida fosse a de caráter moratório, pois as duas figuras não se confundem, tendo cada qual um pressuposto fático distinto e inconfundível. Multa, seja ela qual for, tem sempre por pressuposto um fato contrário à lei, sendo, pois, sanção de ato ilícito. Nesse sentido, toda multa é punitiva e, como tal, pressupõe uma infração, inclusive a multa de mora, cujo fato gerador é a falta de cumprimento ou o cumprimento em atraso de determinada obrigação. Diferentemente, os juros de mora se destinam à recomposição de patrimônio, compensando o credor pelo tempo em que esteve privado de seus recursos. Fl. 1208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 75 Tanto os juros de mora, quanto a multa, incidem quando ocorre atraso ou o descumprimento de obrigação pecuniária. Todavia, o primeiro tem natureza indenizatória, enquanto o segundo, natureza punitiva. Portanto, é possível a cumulação de ambos, sem que isso configure “bis in idem” ou qualquer outra ilegalidade. III.8. Arguição de inconstitucionalidade dos juros de mora com base na taxa Selic. Quanto à contestação do uso da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, pontua-se que sua utilização decorre de previsão legal, citada no lançamento – artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)(destacou-se) A cobrança de juros de mora com utilização da taxa Selic encontra-se expressamente prevista na mesma Lei, no § 3º do artigo 5º, citado no § 3º do artigo 61 transcrito: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia-SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (destacou-se) Ressalte-se que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, por força do parágrafo único do artigo 142 do CTN: Art. 142 (...) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 76 Assim, não cabe a esta instância julgadora qualquer discricionariedade na aplicação de determinação explícita do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Portanto, por expressa disposição legal, com força vinculante sobre a esfera administrativa de julgamento, os valores que não foram pagos nos prazos previstos na legislação específica, devem ser acrescidos de juros de mora atinentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês seguinte ao do vencimento até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Esse entendimento já consta na Súmula CARF nº 4, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária federal, a partir da publicação da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, conforme atribuição dada pelo Ministro de Estado da Fazenda Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (destacou-se) Dessa forma, improcedentes as alegações apresentadas pela defendente, contrárias à cobrança de juros de mora com utilização da taxa Selic. III.9. Das citações jurisprudenciais e doutrinárias. Quanto à jurisprudência e aos excertos de doutrina trazidos pela impugnante, esclareça-se que a Administração não está jungida à observância das decisões prolatadas em outros julgados nos tribunais judiciais, uma vez que estes somente faz coisa julgada em relação às partes do processo. Tampouco está vinculada às decisões administrativas, quando a lei não lhes atribua eficácia normativa (art. 100, inciso II, do CTN). Nenhuma decisão administrativa ou judicial, com efeito vinculante, foi colacionada pela defendente em sua petição, de forma que esta Autoridade Julgadora tivesse o dever legal de acatá-la no presente voto. Da mesma forma, os excertos doutrinários citados pela interessada, por mais notáveis que sejam, não se conformam em textos normativos, não ensejando, pois, subordinação administrativa. (...) V. Lançamento decorrente. CSLL. Aplicam-se ao lançamento de CSLL as mesmas razões de decidir do lançamento principal (IRPJ), em decorrência de sua íntima relação de causa e efeitos, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. Fl. 1210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 77 VI. Apuração dos valores devidos de IRPJ e CSLL. Passa-se à apuração dos valores devidos de IRPJ e de CSLL, considerando-se as receitas dos Contratos 548/2009 e 762/2011, firmados pela SS TREVO junto à empresa ECOCATARATAS, com incidência do coeficiente de presunção às alíquotas de 8% (IRPJ) e de 12% (CSLL), conforme apurado no item “III.4” acima: a) Discriminação das receitas conforme os coeficientes de presunção: b) Apuração dos valores devidos de IRPJ: c) Apuração dos valores devidos de CSLL: Fl. 1211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 78 VII. Demonstração dos valores mantidos e exonerados de IRPJ e CSLL. Demonstra-se, a seguir, os valores mantidos e exonerados de IRPJ e de CSLL: VIII. Conclusão. Ante todo o exposto e o contido nos autos, voto no sentido de considerar parcialmente procedente a impugnação apresentada pela pessoa jurídica, para: (...) b) afastar a preliminar de nulidade da ação fiscal; c) no mérito, manter em parte a exação fiscal, exonerando os valores de IRPJ e de CSLL demonstrados no item “VII. Demonstração dos valores mantidos e exonerados de IRPJ e CSLL”, acima; d) manter a incidência da multa de ofício vinculada (75%) e dos juros de mora calculados com base na taxa Selic.” Por fim, no tocante à produção de provas em momento posterior, entendo ser plenamente possível a juntada de documentos após a impugnação do lançamento, desde que os documentos sirvam para robustecer tese que já tenha sido apresentada e/ou que se verifiquem as hipóteses do art. 16 § 4º do Decreto n. 70.235/1972. Entretanto, no caso sob exame, a Recorrente não logrou refutar nesta oportunidade as razões de decidir do julgador recorrido. Destaque-se que, no curso do processo (inclusive, em sede de Recurso Voluntário) a Recorrente teve oportunidade de produzir o acervo-fático probatório de suas alegações. Porém, as divergências apontadas na peça de defesa não estão comprovadas, pois não foram apresentadas evidências robustas com força probante conjuntural de suas alegações. Logo, não cabe razão à Recorrente e deve, pois ser mantida a decisão de piso em sua integralidade. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 1212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.478 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721443/2013-73 79 Fl. 1213DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10530.720501/2015-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. OBJETO DA FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE.
A expedição de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF visa apenas a instauração da ação fiscal e se constitui em mero ato administrativo que não se sobrepõe às prerrogativas legais das Autoridades Fiscais de exercer a fiscalização tributária (exegese do art. 142 do CTN c/c art. 6.º, I, da Lei nº 10.593/2002 c/c art. 37, XVIII e XXII da CR/1988).
DO DIREITO DO CONTRIBUINTE AO JULGAMENTO CONJUNTO DE DOIS PROCESSOS FISCAIS
O pleito não é alcançado pelas hipóteses da Port. RFB nº 1668/2016, no que respeita ao julgamento conjunto dos PAFs 10530-724.594/2014-17 e 10530-720.501/2015-66. Portanto, formalmente não estaria obrigado o Órgão Julgador a atender o referido pedido, mesmo considerando o emprego da racionalidade à luz do princípio da economia processual.
DESPESAS INIDÔNEAS EIVADAS DE ILICITUDES POR FRAUDE E SIMULAÇÃO.
Não restou caracterizada a inidoneidade das despesas operacionais de frete, muito menos eivadas de fraude e simulação. Houve por parte da Recorrente a explicação e apresentação de provas plausíveis confirmando a veracidade e idoneidade das operações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO.
Não é cabível a multa qualificada de ofício quando não comprovado que o contribuinte deliberadamente agiu com vistas a fraudar e simular, impedindo o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA.
Afasta-se a responsabilidade tributária solidária das Recorrentes arroladas nos Autos, em virtude da não comprovação da infração, bem como, da conduta dolosa.
Numero da decisão: 1202-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica autuada e dos coobrigados.Vencido o Conselheiro Mauricio Novaes Ferreira e a Conselheira Liana Carine Fernandes de Queiróz que votaram por negar-lhes provimento.
Julgamento realizado na sessão de 25/09/2025 no período da manhã.
Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2025.
Assinado Digitalmente
José André Wanderley Dantas de Oliveira – Relator
Assinado Digitalmente
Leonardo de Andrade Couto – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo de Andrade Couto, Maurício Novaes Ferreira, José André Wanderley Dantas de Oliveira, Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz.
Nome do relator: JOSE ANDRE WANDERLEY DANTAS DE OLIVEIRA
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OBJETO DA FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE. A expedição de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF visa apenas a instauração da ação fiscal e se constitui em mero ato administrativo que não se sobrepõe às prerrogativas legais das Autoridades Fiscais de exercer a fiscalização tributária (exegese do art. 142 do CTN c/c art. 6.º, I, da Lei nº 10.593/2002 c/c art. 37, XVIII e XXII da CR/1988). DO DIREITO DO CONTRIBUINTE AO JULGAMENTO CONJUNTO DE DOIS PROCESSOS FISCAIS O pleito não é alcançado pelas hipóteses da Port. RFB nº 1668/2016, no que respeita ao julgamento conjunto dos PAFs 10530-724.594/2014-17 e 10530-720.501/2015-66. Portanto, formalmente não estaria obrigado o Órgão Julgador a atender o referido pedido, mesmo considerando o emprego da racionalidade à luz do princípio da economia processual. DESPESAS INIDÔNEAS EIVADAS DE ILICITUDES POR FRAUDE E SIMULAÇÃO. Não restou caracterizada a inidoneidade das despesas operacionais de frete, muito menos eivadas de fraude e simulação. Houve por parte da Recorrente a explicação e apresentação de provas plausíveis confirmando a veracidade e idoneidade das operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. Não é cabível a multa qualificada de ofício quando não comprovado que o contribuinte deliberadamente agiu com vistas a fraudar e simular, impedindo o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. Fl. 2501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. Afasta-se a responsabilidade tributária solidária das Recorrentes arroladas nos Autos, em virtude da não comprovação da infração, bem como, da conduta dolosa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica autuada e dos coobrigados. Vencido o Conselheiro Mauricio Novaes Ferreira e a Conselheira Liana Carine Fernandes de Queiróz que votaram por negar-lhes provimento. Julgamento realizado na sessão de 25/09/2025 no período da manhã. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2025. Assinado Digitalmente José André Wanderley Dantas de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo de Andrade Couto, Maurício Novaes Ferreira, José André Wanderley Dantas de Oliveira, Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz. RELATÓRIO 1. Trata-se de Recursos Voluntários interpostos por GUJÃO ALIMENTOS LTDA, pelos sócios administradores e pela administradora da empresa, visando reformar o acórdão 16-78.997, prolatado em 31/07/2017 pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo, que considerou a Impugnação IMPROCEDENTE e o crédito tributário INTEGRALMENTE MANTIDO. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2012 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. OBJETO DA FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE. Fl. 2502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 3 A expedição de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF visa apenas a instauração da ação fiscal e se constitui em mero ato administrativo que não se sobrepõe às prerrogativas legais das Autoridades Fiscais de exercer a fiscalização tributária (exegese do art. 142 do CTN c/c art. 6.º, I, da Lei nº 10.593/2002 c/c art. 37, XVIII e XXII da CR/1988). DESPESAS SIMULADAS. Resta caracterizada a simulação de despesas quando a fiscalização prova a impossibilidade de realização da prestação do serviço que o contribuinte sustenta ter recebido. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. QUALIFICADORA. SONEGAÇÃO FISCAL É cabível a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa objetivando impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. AUTUAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à autuação principal de IRPJ repercute igualmente à autuação reflexa de CSLL, no que cabível. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cabível a utilização da taxa Selic para o cômputo dos juros de mora, por expressa previsão legal. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Na origem, trata-se de autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrados com multa de ofício qualificada, relativos à escrituração de despesas com fretes consideradas inidôneas. 3. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 1340/1361), narra que no curso da ação fiscal foram apurados os seguintes fatos: DESPESAS DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE VENDAS 40. Ao se analisar os documentos apresentados pela contribuinte foram constatadas algumas incorreções. Foram glosadas as notas referentes a TRANSPORTADORA VIDA LTDA: IDENTIFICAÇÃO DE SIMULAÇÃO NA AQUISIÇÕES DE FRETES ENTRE A GUJÃO ALIMENTOS LTDA E A TRANSPORTADORA VIDA LTDA (CNPJ 12.031.445/0001-18) Foi constatado na fiscalização simulação nas aquisições de fretes, tendo em vista a Transportadora Vida não possuía propósito comercial diverso, senão a criação de Fl. 2503DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 4 despesas de frete. Cabe informar que a Transportadora Vida encerrou suas atividades em 07/06/2013. 40.1. Mesmos sócios A Gujão era sócia da Transportadora Vida. Vide Tabela em fls. 1349 40.2. Mesmo endereço Ambas funcionavam no mesmo endereço: ROD BA 502 SN KM 27,8. 40.3 Ausência de veículos A Transportadora Vida não possuía nenhum veículo, e realizava os fretes com os veículos da Gujão. 40.4 Administrador/Procurador responsável pelos pagamentos O Sr. Dario Mascarenhas de Oliveira Neto Segundo é administrador da Gujão e atua como procurador da Transportadora Vida. Ele era um dos responsáveis pelas transferências de pagamentos entre a Gujão e a Transportadora Vida, conforme comprovantes de pagamentos apresentados. 40.5 Ausência de funcionários em 2013 A Transportadora Vida não possuía funcionários na GFIP no ano-calendário de 2013, e mesmo assim houve prestação de serviço no mês de janeiro/2013 no valor de R$ 59.697,00. 40.6 Cliente único Comparando os valores pagos pela Gujão à Transportadora Vida nos anos-calendário 2012/2013 cerca de R$ 2.016.728,40 e o declarado na PGDAS da Transportadora Vida apenas no ano-calendário de 2012 R$ 1.995.925,90, conclui-se que a Gujão era o maior cliente, senão único da Transportadora Vida. Cliente esse que sem o qual não haveria capacidade operacional para existir. 40.7 Transferência de funcionários da Gujão para Transportadora Vida, mas sob subordinação da Gujão. Na sentença o processo trabalhista nº 0001291-92-2011.5.05.0193 RTOrd, na qual são arroladas como reclamados a GUJÃO ALIMENTOS LTDA e TRANSPORTADORA VIDA LTDA, a juíza concluiu: “Na hipótese em exame, a preposta presente à audiência, que se diga representava as duas acionadas, afirmou que a segunda demandada fora criada, para prestar serviço a primeira, quando esta última empresa decidiu terceirizar os serviços de logística. Lado outro, restou evidenciado que, apesar da rescisão do contrato com a primeira demandada, o reclamante manteve inalterados a sua função e o local de trabalho, exercendo atividades para a 2.ª reclamada nas dependências da primeira. Veja-se que a ficha funcional do autor (fl. 75) indica que a função do obreiro junto a primeira ré era de ajudante de entrega, mesma atividade desempenhada perante a segunda demandada (fl. 167). O reclamante prestou serviços de forma subordinada a um único centro de comando, vinculada a empregador único, portanto, sem interrupção das atividades laborais durante a vigência de seu contrato de trabalho. Os melhores elementos confirmam a prestação contínua dos serviços pelo reclamante, sem a solução de continuidade intentada pelo empregador. Neste Fl. 2504DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 5 contexto, pela análise do conjunto probatório, chega-se à conclusão que o reclamante manteve com os demandados vínculo de emprego. Digo, com os reclamados, porque todos os elementos indicam que se está diante de um empregador único numa típica situação que atrai a responsabilização solidária dos réus, nos termos do art. 2º, da CLT e da Súmula 129 do TST. Indubitável a confluência de interesses, sendo nítida a interligação existente entre os reclamados. Certo estar que se trata de um mesmo empreendimento, onde as atividades se desenvolvem mediante a colaboração recíproca e cumprimento das mesmas diretrizes, regendo-se pela unidade de interesses. Entendo, portanto configurada a figura do empregador único, nos termos da Súmula 129 do TST e, portanto, a responsabilidade solidária das demandadas.” 41. A SIMULAÇÃO identificada entre as empresas ficou evidenciado pelas exposições acima que a Transportadora Vida não possuía qualquer capacidade operacional servindo apenas como uma forma de gerar despesas da Gujão. Portanto, devem ser desconsideradas todas as despesas de frete da Transportadora Vida. … INFRAÇÕES APURADAS COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE DESPESA 46. A prática de simulação realizada pela Gujão com o intuito de gerar despesas de prestação de serviços de frete, quando na verdade a contratada era uma empresa do seu grupo econômico sem capacidade operacional, que funcionava no mesmo endereço, não possuía veículos e como já declarado pelo Poder Judiciário “que se trata de um mesmo empreendimento” é caracterizada como FRAUDE e tem como objetivo gerar crédito de PIS/COFINS e reduzir o IRPJ/CSLL. 47. Por meio da análise da Escrituração Contábil Digital (ECD) enviada pelo contribuinte HASH E409EC879FC1A4CEDBFA72AE1AC8FE23901177CB para o ano-calendário de 2012 e 16F689248ABA1D06B9EFB64EB2D92E7198AE6BE0 para o ano-calendário de 2013 contata-se que os fretes da Transportadora Vida foram contabilizados na conta de passivo nº 2.01.02.032.066795 e suas contrapartidas em conta de Resultado que compunham as Despesas Operacionais, conta nº 3.03.02.03.000015. Estas despesas foram utilizadas como dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme demonstrado na DIPJ. Tais despesas não serão admitidas e terão como consequência lançamentos de IRPJ com seus reflexos de CSLL 48. A Tabela 9 ilustra o total a ser lançado em auto de infração como comprovação inidônea de despesa. Tabela 9– Comprovação inidônea de despesa Vide tabela de fls. 1357 OBS: Tendo em vista que parte dos sócios deixou o quadro societário da Gujão em 13/08/2012 (data da alteração contratual), o lançamento de agosto/2012 será desmembrado em dois lançamentos sendo um de R$ 91.200,00 (referente às notas antes de 13/08/2012) e outro de R$ 111.000,00 (referente às notas após 13/08/2012). 4. Em observação, explicou a Autoridade Fiscal que: OBS: Tendo em vista que parte dos sócios deixou o quadro societário da Gujão em 13/08/2012 (data da alteração contratual), o lançamento de agosto/2012 será Fl. 2505DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 6 desmembrado em dois lançamentos sendo um de R$ 91.200,00 (referente às notas antes de 13/08/2012) e outro de R$ 111.000,00 (referente às notas após 13/08/2012). 5. Analisando os procedimentos de auditoria realizados pela Autoridade Fiscal, destacamos que sobre o tema das despesas com fretes, contratadas junto à Transportadora Vida Ltda., as quais foram consideradas inidôneas, há apenas um Termo de Intimação Fiscal, o de Nº 1 (TIF01) (fls. 271-273), lavrado em 15/10/2104, em que solicita à Fiscalizada, nos itens 4 e 5 do TIF 01, o seguinte: 4. Apresentar cópia digitalizada das notas fiscais de frete e do conhecimento de transporte da TRANSPORTADORA VIDA LTDA com comprovante de pagamento das notas abaixo relacionadas: 05/09/2012 1265 9.864,00 17/07/2012 1216 9.000,00 17/07/2012 1218 9.000,00 09/08/2012 1229 9.000,00 09/08/2012 1232 9.000,00 09/08/2012 1237 9.000,00 09/08/2012 1239 9.000,00 09/08/2012 1240 9.000,00 22/08/2012 1247 9.000,00 22/08/2012 1248 9.000,00 22/08/2012 1252 9.000,00 22/08/2012 1253 9.000,00 19/09/2012 1284 9.000,00 19/09/2012 1283 9.000,00 22/10/2012 1329 9.000,00 22/10/2012 1328 9.000,00 22/10/2012 1327 9.000,00 22/10/2012 1320 9.000,00 02/01/2013 1405 9.000,00 Fl. 2506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 7 02/01/2013 1401 9.000,00 02/01/2013 1400 9.000,00 02/01/2013 1409 8.400,00 5. Apresentar um planilha(excel .XLS) relacionando todas as notas fiscais de vendas x notas fiscais referente aos gastos com frete. 6. Pela listagem de notas fiscais acima, podemos observar tratar-se de um pedido de informação por amostragem. 7. Em atendimento ao TIF01, a então Fiscalizada apresentou documento, datado de 21/10/2014 (fls. 290-371), no qual apresentou a cópia dos Conhecimentos de Transporte da Transportadora Vida, acompanhados dos comprovantes de pagamentos. Apresentou também, Planilha Excel relacionando as notas fiscais referentes aos Conhecimentos de Transporte solicitados. 8. Além das informações, por amostragem, relativa à despesa de frete por serviços de transporte realizados pela Transportadora Vida, solicitadas no Termo de Intimação Fiscal nº 01, não se verifica, com vistas a esclarecer os fatos, mais nenhuma outra intimação sobre esse tema, nos dois outros termos lavrados pela Autoridade Fiscal: Termo de Intimação Fiscal nº 02, lavrado em 13/01/2015 (fls. 377-379) e Termo de Intimação Fiscal nº 03, lavrado em 16/01/2015 (fls. 393- 395). 9. Contudo, sem solicitar mais informações e esclarecimentos sobre o tema, a Autoridade Fiscal conclui pela existência de infração fiscal caracterizada como – despesa inidônea - e eivada de ilicitude caracterizada como fraude e simulação, portanto, de ofício aplicou a multa qualificada de 150%, considerando que haveria ocorrido a hipótese capitulada no art. 72 da Lei 4.502/67. 10. Também relacionou as seguintes pessoas físicas considerando-as pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa GUJÃO ALIMENTOS LTDA, CNPJ 34.149.823/0001-03. Vejamos: - Dario Mascarenhas de Oliveira Neto Segundo – CPF 733.517.415-53 – sócio- administrador desde set/2010 e procurador da Transportadora Vida; - Carlos Augusto Pimenta da Silva – CPF 062.156.025-15 - sócioadministrador de set/2008 até ago/2012; - Luci Vinhas de Andrade da Silva – CPF 472.424.345-72 - sóciaadministradora de set/2008 até ago/2012; - Cirene Moreno Ferreira – CPF 162.095.595-49 - sócia-administradora de set/2008 até em síntese ago/2012; - Danielly de Angellys Moreno Ferreira – CPF 014.211.325-59 -sóciaadministradora de set/2010 até ago/2012; - Joana Moreno Ferreira – CPF 017.476.255-07 - sócia-administradora de set/2010 até ago/2012; Karinne Andrade Silva – CPF 957.913.295-04 - administradora desde ago/2012. 11. O contribuinte e os responsáveis tributários acima elencados foram regularmente Fl. 2507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 8 cientificados e, tempestivamente, apresentaram as respectivas impugnações, ambas com as seguintes alegações, argumentando em síntese que: - teria havido uma extensão do trabalho fiscal sem prévio conhecimento do contribuinte, o que causaria ofensa ao princípio da segurança jurídica; - as operações entre a impugnante e a Transportadora Vida Ltda. teriam ocorrido de forma legítima e, para fundamentar a sua defesa, acosta ao processo vários documentos com vistas a rebater cada uma das alegações efetuadas pela Autoridade Fiscal, em relação ao ilícito envolvido na autuação – simulação e fraude; - a contribuinte teria direito ao julgamento conjunto dos dois PAF 10530-724.594/2014-17 e 10530-720.501/2015-66, pois os autos estariam amparados por um único MPF-F e ambos se refeririam ao IRPJ e CSLL com a mesma matéria “distinguindo-se um do outro apenas pelo período sob fiscalização”. 12. Considerando o Acórdão da instância a quo, tanto a Fiscalizada/Impugnante, como as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, insatisfeitas apresentaram Recursos Voluntários. 13. Destacamos que a intimação relativa ao Acórdão de primeira instância, foi cientificada às Recorrentes e, seus Recursos Voluntários foram juntados ao processo tempestivamente, conforme comando do Art. 33, do Decreto nº 70.235/1972. 14. Cabe destacar, que os Recursos Voluntários (RV) apresentados, tanto pelo contribuinte Recorrente, como pelas pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, ratificam as suas argumentações e referenciam as provas já apresentadas na Impugnação; bem como, irresignados registram: “a instância a quo limitou-se a manter a linha e justificativas do agente fiscal contidos no Auto de Infração, sem sequer mencionar qualquer tipo de análise da vasta documentação probatória que instrui os autos, confirmando, em sua totalidade, os lançamentos. Verbis:” “Ante todo o exposto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, devendo ser integralmente mantida a exigência fiscal, inclusive em relação à responsabilização solidária dos senhores Dario Mascarenhas de Oliveira Neto, Carlos Augusto Pimenta da Silva, Luci Vinhas de Andrade da Silva, Cirene Moreno Ferreira, Danielly de Angellys Moreno Ferreira e Joana Moreno Ferreira, quanto aos períodos identificados no Termo de Verificação Fiscal e nos respectivos Autos de Infração.” (fls. 2343) 15. Conforme narrado no item (14) acima, concordamos que não se observa no relatório do Acórdão de primeira instância o enfrentamento dos argumentos e provas apresentados pelos então Impugnantes, hoje Recorrentes. Em nossa análise, alcançamos conclusões distintas conforme a seguir registradas. 16. É o nosso relatório. Passamos a votar. VOTO DA ADMISSIBILIDADE 17. Conforme acima registrado no item (13) o RV interposto pelo contribuinte/Recorrente é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele CONHEÇO. Fl. 2508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 9 18. Conforme também acima registrado no item (13) os RVs interpostos pelos sócios administradores e pela administradora também são tempestivos e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que deles CONHEÇO. DAS PRELIMINARES DA EXTENSÃO DO TRABALHO FISCAL SEM PRÉVIO CONHECIMENTO DA PESSOA JURÍDICA FISCALIZADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA SEGURANCA JURIDICA E À LEI N.º 9.784/1999 19. Como preliminar, a Recorrente alega nulidade do feito tendo em vista que teria havido uma extensão do trabalho fiscal sem prévio conhecimento do contribuinte, o que causaria ofensa ao princípio da segurança jurídica, pois a fiscalização teria se iniciado para a verificação da apuração e utilização de créditos do PIS e de COFINS e teria culminado com a exigência de IRPJ e CSLL. 20. Nas fls. 520-521 do presente processo se encontra o Termo de Ciência de Inclusão de Tributos datado de 28/01/2105, que registra o seguinte teor: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil COMUNICAMOS a inclusão do IRPJ na fiscalização para o período acima informado. A presente ação fiscal encontra-se atualmente na etapa de análise de documental, podendo haver a solicitação de novos elementos pela autoridade fiscal, caso necessário.”. 21. Igualmente, no TVF ficou consignado que: 2. O escopo desta ação fiscal foi ampliado, incluindo o tributo IRPJ e reflexos, tendo em vista que algumas despesas glosadas para efeito de apuração de crédito das contribuições PIS e COFINS também deveriam ser desconsideradas para efeito de apuração de IRPJ, visto que as infrações apresentavam os mesmos instrumentos de prova. Em 28/01/2015, foi disponibilizada na caixa postal da contribuinte (DTE) a inclusão do IRPJ no MPF – Fiscalização nº 05.1.02.00-2014-00585-1. 22. Contudo, o questionamento de ofensa ao princípio de segurança jurídica efetuado pela Recorrente não merece amparo, pois o art. 8º da Portaria RFB 3.014/2011, assim dispõe: “Art. 8 Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF.” 23. É o caso, pois, como as apurações foram feitas em relação a tributo contido no MPF-F (créditos presumidos de PIS e COFINS), eventual existência de infrações a normas de outros tributos devem ser consideradas e, sendo o caso, incluídas no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF, o que não ocorreu no caso me tela. Portanto, correta a lavratura do auto de infração de IRPJ e CSLL. 24. Também lembramos que, o MPF é instrumento de controle da administração e eventuais vícios, que não é o caso do presente processo, não implicam em nulidade dos autos de infração. E que a jurisprudência do CARF é sobejamente pacífica por rejeitar qualquer pretensão de se considerar nulo o lançamento fiscal em virtude de eventuais vícios na emissão ou na prorrogação do MPF, entendimento esse que se aplica igualmente ao TDPF. 25. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal, em que pese prestar-se à relevante função de permitir ao contribuinte verificar, com uma senha pela internet, a veracidade do procedimento Fl. 2509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 10 fiscal, e a autenticidade da identificação das Autoridades Fiscais, trata-se de mero ato administrativo que não se sobrepõe às prerrogativas legais das Autoridades Fiscais em exercer a fiscalização tributária (exegese do art. 142 do CTN c/c art. 6.º, I, da Lei nº 10.593/2002 c/c art. 37, XVIII e XXII da CR/1988). 26. Assim, afasto a preliminar de nulidade, por ausentes os alegados vícios da extensão do trabalho fiscal sem prévio conhecimento da pessoa jurídica fiscalizada, ofendendo o princípio da segurança jurídica e à lei n.º 9.784/1999. DO DIREITO DA CONTRIBUINTE AO JULGAMENTO CONJUNTO DOS DOIS PROCESSOS FISCAIS 27. Sobre o tema, não há resistência à pretensão da Recorrente, uma vez que o processo de número 10530-720.501/2015-66 se encontra com este relator, e foi indicado para a mesma sessão de julgamento do presente processo. Portanto, se encontra nessa turma de julgamento na mesma fase de tramitação, logo não haverá prejuízo ao recorrente por qualquer ângulo que se analise, especialmente porque será julgado pela mesma turma de julgamento e na mesma sessão, salvaguardando o interesse do recorrente. 28. Contudo, vale destacar que o pleito não é alcançado pelas hipóteses da Port. RFB nº 1668/2016, no que respeita ao julgamento conjunto dos PAFs 10530-724.594/2014-17 e 10530- 720.501/2015-66. Portanto, formalmente não estaria obrigado o Órgão Julgador a atender o referido pedido, mesmo considerando o emprego da racionalidade à luz do princípio da economia processual. A prefacial será acatada considerando a possibilidade concreta do caso. 29. Indefere-se o requerimento para juntada ou sobrestamento de processos cujo conteúdo não esteja relacionado nas hipóteses previstas na Portaria RFB nº 1.668/2016. DO MÉRITO GLOSA DE DESPESAS – COMPROVAÇÃO INIDÔNEA: SIMULAÇÃO-FRAUDE NAS AQUISIÇÕES DE FRETES ENTRE A GUJÃO ALIMENTOS LTDA E A TRANSPORTADORA VIDA LTDA 30. O auto de infração se fundamenta na alegação do pagamento de - despesa inidônea de frete – eivada de “simulação” e “fraude” pela GUJÃO ALIMENTOS LTDA., no relacionamento comercial estabelecido com a pessoa jurídica Transportadora Vida Ltda. – CNPJ 12.031.445/0001-18 — tendo em vista a prestação de serviços de transporte, por essa última, dos produtos fabricados pela Recorrente. 31. No item (3) do presente relatório, já transcrevemos o item (40) do TVF lavrado pela Autoridade Fiscal autuante, mas, em síntese recapitulando, a citada autoridade entendeu que houve simulação fraudulenta na despesa de frete incorrida, em função dos seguintes fatos: Que as empresas analisadas tinham os mesmos sócios; estavam situadas no mesmo endereço; que a Transportadora Vida Ltda. não possuía veículos e realizava os fretes com os veículos da Gujão Alimentos Ltda.; que o administrador/procurador responsável pelos pagamentos, é administrador da Gujão Alimentos Ltda. e atua como procurador da Transportadora Vida Ltda.; que a Transportadora Vida Ltda. não possuía funcionários na GFIP no ano-calendário de 2013; que a Gujão Alimentos Ltda. era cliente única da Transportadora Vida Ltda; que houve a transferência de funcionários da Gujão Alimentos Ltda. para Transportadora Vida Ltda, mas sob subordinação da Gujão Alimentos Ltda. 32. Para rebater esses argumentos, as Recorrentes ratificaram as suas narrativas e provas acostadas ao processo, a seguir analisadas. Fl. 2510DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 11 33. Narram as Recorrentes que: “Na visão do agente fazendário tal parceria teria como único objetivo gerar créditos de PIS/COFINS em benefício da GUJÃO ALIMENTOS LTDA. e reduzir a base de cálculo do IRPJ/CSLL, com a dedução das despesas, dentro do regime do Lucro Real adotado pela empresa favorecida.”. (…) Assim, o Auditor pautou o trabalho em seu próprio entendimento pessoal, arvorando a si próprio, exclusivamente, o poder de desqualificar a própria razão de ser da Transportadora Vida Ltda., como se essa não tivesse propósito negocial nem prestasse realmente os serviços a que se propunha. Para a autoridade fazendária, teria havido um conluio entre a Recorrente e a Transportadora Vida Ltda., com o expresso desiderato de lesar o Fisco.”. (grifos nossos) 34. EM seu Recurso, a Recorrente apresenta no item - II.3.1. HISTORICO DA "GUJÃO ALIMENTOS LTDA." E DE SEU RELACIONAMENTO COM A TRANSPORTADORA VIDA LTDA. – incialmente registrando que a Recorrente é uma empresa familiar, que surge da união de duas famílias. E que a transportadora “surgiu a ideia de proporcionar oportunidade de crescimento profissional às filhas dos sócios, através da criação de uma nova empresa do ramo de logística, que tanto faria o transporte e a entrega dos produtos da GUJÃO ALIMENTOS LTDA., como também poderia prestar o mesmo serviço a outros clientes.”. E cujas atividades se iniciaram em maio de 2010, conforme o prova o contrato de constituição da empresa, o qual encontra-se anexo aos autos (Anexo 2 - fls. 1451-1454). No mais, explica que: No tocante à suas obrigações tributárias, a Transportadora Vida Ltda. optou pelo SIMPLES NACIONAL tendo cumprido regularmente as regras do programa quanto às declarações, registros fiscais e recolhimento unificado dos tributos. A Gujão partir de 2012, a empresa enfrentou uma fase de turbulência administrativa causada por divergências de opiniões e visões empresariais incompatíveis; e para superar o impasse foi celebrada uma nova alteração societária que culminou com a saída da Sra. Cirene Moreno Ferreira, viúva do sócio fundador, e de suas filhas, como também a venda de suas cotas à empresa Avícola VKR Ltda. (Anexo 3 - fls. 1455-1458). A nova conformação dos negócios familiares da GUJÃO ALIMENTOS LTDA. terminou por repercutir na Transportadora Vida Ltda. que, embora sempre tenha operado no seu próprio ramo empresarial, foi atingida pela divergência entre as duas famílias. Por isso, reformou-se também o quadro de sócios da Transportadora Vida Ltda., saindo a Sra. Danielly de Angellys Moreno Ferreira, e entrando a GUJÃO ALIMENTOS LTDA. como sócia, no dia 14/01/2013 (Anexo 4 - fls. 1481-1486). Diferentemente do que alega a Autoridade Fiscal, nos trinta e sete meses de atividades da Transportadora Vida Ltda., a GUJÃO ALIMENTOS LTDA. foi sua sócia somente durante os últimos cinco meses, apenas para conferir-lhe uma necessária estabilidade societária enquanto se redefinia o rumo de suas atividades ou se decidia por sua extinção. Fato que se consolidou, por não mais haver sentido na continuidade das atividades de logística em separado, eis que desfeito o vínculo - a affectio societatis - das sócias originárias (Distrato – Anexo 5 - fls.1465-1467). A empresa cessou suas operações, de fato, em 04 de março de Fl. 2511DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 12 2013 (registrando o documento na JUCEB em 20 de maio de 2013) e dando-se a sua baixa definitiva, em 07/06/2013. 35. No item seguinte as Recorrentes apresentam - II.3.2. AS OPERAÇÕES ENTRE A RECORRENTE E A TRANSPORTADORA VIDA LTDA OCORRERAM DE FORMA LEGÍTIMA – quando passam a rebater os argumentos da Autoridade Fiscal, vejamos: 36. Assim, sobre o tema que - a) A GUJÃO ALIMENTOS era sócia da Transportadora Vida Ltda. – as Recorrentes narraram que: “Somente em 14/01/2013 reformou-se o quadro de sócios da Transportadora Vida Ltda., o que ocorreu por causa das divergências entre as sócias, saindo a Sra. DANIELLY DE ANGELLYS MORENO FERREIRA e entrando em seu lugar a GUJÃO ALIMENTOS LTDA. (v. fls 1481-1486). Poucos meses depois, como já demonstrado, as atividades da Transportadora Vida Ltda. foram finalizadas. A GUJÃO ALIMENTOS LTDA. foi sócia da Transportadora Vida Ltda. por apenas cinco meses, justo na fase de reestruturação da sociedade entre a família "Pimenta da Silva" e a família "Ferreira" e durante a qual essa segunda empresa já estava com as atividades suspensas.” 37. Destacamos que a alteração contratual, que reforma o quadro societário, é datada de 27/09/2012, contudo, foi formalizada na Junta Comercial apenas em 14/01/2013. 38. Portanto, a Gujão Alimentos Ltda. não era sócia original da Transportadora Vida Ltda., mas sim, passou a ser sócia a partir de janeiro de 2013, até a extinção da sociedade em junho do mesmo ano, perfazendo um período de apenas 5 meses, confirmasse. 39. Sobre o tema que - b) A GUJÃO ALIMENTOS e a Transportadora Vida Ltda. funcionavam no mesmo endereço: ROD BA 502 SN KM 27,8. – As Recorrentes esclareceram que desde o início de suas atividades, em 2010, a Transportadora Vida Ltda. estabeleceu-se em imóvel situado na Avenida Duque de Caxias, n° 04, Centro, município de Conceição da Feira/BA, CEP 44.320-000. Que em 03/04/2012, com o intuito de melhor administrar suas operações, mudou seu endereço, passando a funcionar na Rodovia BA 502, km 27,8 S/N, bairro SEDE, Anexo A, município de São Gonçalo dos Campos - BA CEP 44.320-000 conforme alteração contratual (Anexo 7 - fls. 1517- 1520). E que a Transportadora Vida Ltda. nunca funcionou no mesmo endereço da GUJÃO ALIMENTOS LTDA. Alegam as Recorrentes que os endereços apenas são próximos. 40. Sobre o tema da - c) Ausência de veículos - A Transportadora Vida Ltda. não possuía veículos e realizava os fretes com os veículos da GUJÃO ALIMENTOS. – as Recorrentes esclareceram que: Firmaram um contrato registrado em cartório (Anexo 8 – fls. 1521-1526), datado de 01/06/2010, no qual consta como locador a GUJÃO ALIMENTOS LTDA e como locatário a Transportadora Vida Ltda., tendo por objeto a locação de vinte e quatro caminhões, que foram utilizados para o desempenho de suas operações, mediante o pagamento de um aluguel no valor de R$ 36.000,00 (trinta e seis mil reais), uma importância de R$ 1.500,00 por veículo. As despesas de aluguel dos veículos foram devidamente registradas na contabilidade da Transportadora Vida Ltda., conforme Livro Razão e respectiva conta (Anexo 9 - às fls.1527- Fl. 2512DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 13 1641). Por outro lado, a receita de aluguel encontra-se devidamente escriturada na contabilidade da GUJÃO ALIMENTOS LTDA, tendo sido tributada normalmente, segundo comprovam o Livro Razão e respectiva conta, (Anexo 10 - fls. 1642-1695). O pagamento dos 25 aluguéis se deu via contas bancárias. A Transportadora Vida Ltda. desenvolvia suas atividades com veículos locados, cujo uso estava amparado em instrumento jurídico adequado e pagamento mensal ao locador, ficando, pois, demonstrada a capacidade operacional da empresa. Um dos motivos para se arrendar os veículos com os quais o serviço de transporte seria prestado é o de que o custo de aquisição de caminhões, e sua depreciação, não seriam problemas para os gestores da empresa. Não tendo essa preocupação, há o benefício intrínseco da redução dessas despesas. 41. As alegações acima estão comprovadas documentalmente, são plausíveis e lícitas. 42. Sobre a alínea - d) O Sr. Dario Mascarenhas de Oliveira Neto Segundo é administrador da GUJÃO ALIMENTOS e atuou como procurador da Transportadora Vida Ltda. Ele era um dos responsáveis pelas transferências de pagamentos entre a GUJÃO ALIMENTOS e a Transportadora Vida Lida., conforme comprovantes de pagamentos apresentados – as Recorrentes alegam que: “O fato de eventualmente ter atuado como procurador da Transportadora Vida Ltda. por si só não implica caracterização de fraude. Ao contrário, demonstra a transparência no relacionamento normal entre as duas empresas.”. 43. Sobre a alínea - e) Ausência de funcionários em 2013 — a Transportadora Vida Ltda. não possuía funcionários na GFIP no ano-calendário de 2013, e mesmo assim houve prestação de serviços no mês de janeiro de 2013, no valor de RS 59.697,00 – as Recorrentes alegaram que: A Transportadora Vida Ltda. se encontrava em operação de direito e de fato até 31 dezembro de 2012; e durante todo o período de sua existência a empresa manteve regulares os contratos de trabalho com seus funcionários, recolhendo devidamente os valores referentes ao FGTS na GFIP (Anexo 11 - fls. 1696-1765). Em 31 dezembro de 2012, a TRANSPORTADORA VIDA encerrou os contratos de trabalho com todos os seus funcionários, pois já estava em fase de encerramento das suas atividades e não mais prestaria nenhum tipo de serviço a partir de janeiro de 2013, conforme se verifica do registro de saídas deste período (DOC 01 - Anexo ao Recurso – fls. 2457-2490) e também do extrato do SIMPLES NACIONAL constante (Anexo 13 – fls. 1819-1822) do processo. Em razão disso é que no mês e ano citado pela Autoridade Fiscal, não havia, realmente, mais funcionários registrados na GFIP em nome da TRANSPORTADORA VIDA. Entretanto, ao contrário do que alegou a Autoridade Fiscal, tampouco houve prestação de serviços no período de janeiro de 2013. Com efeito, o último CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário 27 de Cargas) emitido por esta empresa, e que demonstra o dia da última prestação de serviço, é de 26.12.2012, (DOC 02 - Anexo ao Recurso – fls. 2491-2499). A Gujão Alimentos Ltdar. realizou pagamento à TRANSPORTADORA VIDA no mês de janeiro de 2013 no valor de R$ 59.697,00, mas os serviços correspondentes foram prestados ainda em dezembro de 2012. Ao confrontarmos o Livro de Entradas da Gujão e o Livro de Saídas da Transportadora Vida, (DOC 3 - Anexo ao Recurso – fls. 2491-2499) verifica-se a veracidade dos fatos alegados. O pagamento foi efetuado em janeiro de 2013, porque a Gujão só lançou as CTRC de nº 1399; 1400; 1401; 1403; 1404; 1405; 1406; 1408 e 1409 no livro competente (entrada) no dia 02 de janeiro de 2013, mas os Fl. 2513DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 14 serviços, como se observa do mesmo extrato, foram prestados no período de 14 a 26 de dezembro de 2012. O somatório do valor destas CTRCs correspondem, exatamente, aos R$ 59.697,00 que foram pagos em janeiro de 2013 à Transportadora Vida, mas repise-se, referentes a serviços prestados em dezembro de 2012. Uma verificação mais atenta pelo fiscal dos livros da Gujão teria evitado o seu entendimento equivocado. Não há que se falar em fraude ou simulação. 44. Sobre a alínea - f) Cliente Único — a GUJÃO ALIMENTOS seria o maior cliente da Transportadora Vida Ltda., sem o qual não haveria capacidade operacional para existir – as Recorrentes explicaram que: A alegação da Autoridade Fiscal é flagrantemente inconsistente. E que não há óbice empresarial ou impeditivo legal que proíba uma empresa de prestar serviços a único cliente. Não se trata, no caso, de inexistência de capacidade operacional, mas de opção de negócio, haja vista que as relações entre a GUJÃO ALIMENTOS e a Transportadora Vida Ltda. sempre foram explícitas, transparentes, despidas de qualquer eiva de má-fé. Desta feita, inadmissível a manutenção de entendimento que afirme incapacidade operacional da TRANSPORTADORA VIDA por ter tido apenas um cliente, diante do conjunto probatório vasto que reveste de plena legalidade a sua atuação. 45. Sobre a alínea - g) Transferência de funcionários da GUJÃO ALIMENTOS para a Transportadora Vida Ltda., mas sob a subordinação da GUJÃO ALIMENTOS, o que estaria provado por uma decisão em processo trabalhista – as Recorrentes alegam que: A visão da Justiça do Trabalho não pode – pura e simplesmente – caracterizar fraude ou responsabilidade tributária, porquanto a jurisprudência do direito laboral prima pela proteção à parte hipossuficiente No Direito Tributário tem-se relação jurídica de direito público que exige todas as obrigações sejam antecedidas por lei e se limitem aos seus estritos contornos. Em suma, mesmo se houver uma acusação ou reclamação trabalhista e uma sentença no juízo próprio, NÃO HÁ REPERCUSSÃO AUTOMÁTICA dessas no campo tributário. A decisão isolada da juíza no processo mencionado, não caracteriza a fraude alegada pelo Auto de Infração, demonstra apenas a consolidação jurisprudencial típica da justiça trabalhista, de proteção ao empregado. À luz dos fatos, da legislação específica e das provas trazidas aos autos cai por terra toda a argumentação do auditor fiscal para fundamentar o lançamento. A autuação deve se lastrear em provas materiais consistentes e em expressos comandos legais, o que não ocorreu, pois o d. Fiscal se ateve somente a indícios e presunções "hominis" e desprezou as provas que amparam a conduta da contribuinte. 46. À continuação as Recorrentes apresentam o item - II.3.3 – DOS GASTOS DA TRANSPORTADORA VIDA LTDA. E DAS SUAS RECEITAS – ATIVIDADE EMPRESARIAL DENTRO DA NORMALIDADE – onde argumentam que: Os seus registros contábeis e fiscais conferem um testemunho irretocável da lisura dos atos da empresa. A Transportadora Vida Ltda. possuía sua própria folha de pagamento, com recolhimento do FGTS, INSS e todas as obrigações exigidas pela legislação (Anexo 11 - fls.1642- 1781). A Transportadora Vida Ltda. era optante pelo regime tributário do SIMPLES NACIONAL, e cumpriu rigorosamente suas obrigações tributárias acessórias e principais. A escrituração encontra-se em perfeita ordem (Anexo 12 - fls. 1782-1818). Pode-se constatar que a empresa possuía: registro normal nos órgãos de comércio, situação fiscal regular, honrava a folha Fl. 2514DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 15 de pagamento de seus colaboradores, recolhia a contribuição ao FGTS, etc., enfim, operava normalmente. Apresenta os atos de constituição da sociedade "Transportadora Vida Ltda." e suas alterações posteriores, os quais traduzem com eloquência a sua existência material e jurídica. 47. As Recorrentes também argumentam que “Os documentos fiscais, por seu turno, laboram em favor da Recorrente, haja vista comprovarem a regularidade da sua prestadora de serviços de transporte – Transportadora Vida Ltda – perante a Fazenda Pública Nacional. Faz-se juntada, igualmente, de documentos que atestam a preocupação da empresa em obedecer à legislação empresarial e à legislação tributária.”, vejamos: Sob o ângulo das receitas auferidas, a pessoa jurídica Transportadora apresentou os conhecimentos de transporte, referentes aos serviços por ela prestados e os comprovantes de pagamentos (Anexo 12 - fls. 1782-1818). As declarações do SIMPLES Nacional (2102 e 2013) transmitidas à Receita Federal do Brasil atestam (Anexo 13 - fls. 1819-1822). Com relação às demonstrações contábeis e financeiras, é de se destacar que toda a movimentação de receitas e despesas foi efetuada por intermédio de transações bancárias, de acordo com as melhores prescrições da técnica administrativa e organizacional (Anexos 14.1 e 14.2 - fls. 1823- 2096 - Notas fiscais de entrada, custos e despesas da Transportadora. O índice bruto de lucratividade que, no ramo de transportes de cargas, é pequeno. Ainda assim, a Transportadora Vida Ltda. obteve modestos lucros, constantes das demonstrações anuais dos resultados que, todavia, sequer foram distribuídos aos sócios. As receitas da Transportadora Vida Ltda. – aí compreendidas as originadas de pagamentos a ela efetuados pela GUJÃO ALIMENTOS LTDA. – foram contabilizadas, declaradas à Receita Federal do Brasil, ingressaram financeiramente nas contas da citada empresa e sobre elas foram recolhidos todos os tributos, dentro do SIMPLES. 48. Na sequência, mostrando indignação, as Recorrentes registram em negrito que “Quanto a isso, o Fiscal silencia, pois os tributos pagos pela Transportadora Vida Ltda. foram recolhidos aos cofres públicos.” 49. E à continuação, chamando a atenção do órgão julgador de segunda instância, também em negrito, asseveram que “Outro ponto a ser considerado pelos Eminentes Conselheiros do CARF, é o fato inconteste de que nem as declarações à RFB nem os registros contábeis da Transportadora Vida Ltda. foram questionados ou glosados pelo órgão fazendário federal.”. Em função disso indagam? Por que então, os mesmos pagamentos que geraram receitas para Transportadora Vida Ltda., da parte da Recorrente, são considerados "inidôneos" para efeito de dedutibilidade das despesas com os fretes lançadas por essa última na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL? A incoerência de tratamento, dado pelo agente fazendário, aos dois ângulos dos fatos acima expostos é flagrante! 50. A Recorrente também apresenta na (Tabela 1, fls. 32 e 33) do Recurso as despesas glosadas da GUJÃO ALIMENTOS relativas a pagamentos feitos à TRANSPORTADORA VIDA, no mesmo período do auto de infração, por serviços de transporte, que soma no período de Jan/2012 a Jan/2013 o montante de R$ 2.005.663,40. 51. A seguir apresenta na (Tabela 2, fl. 33 do Recurso) o somatório mensal dos custos e despesas contabilizadas pela TRANSPORTADORA VIDA, no período do auto de infração (Anexos 14.1 e 14.2, Fl. 2515DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 16 fls. 1823-2096 - Notas fiscais de entrada, custos e despesas da Transportadora), num montante de R$ 1.697.337,27. Ressalta a Recorrente que no mês de janeiro de 2013, não há lançamentos de despesas, pois a transportadora não realizou nenhuma atividade. 52. À continuação, a Recorrente apresenta a Tabela 3 que “Exibe a diferença entre o total das despesas com frete da GUJÃO ALIMENTOS em razão de serviços prestados pela VIDA, mas glosadas pelo fiscal e o total das despesas/custos contabilizadas pela transportadora.”; e, em síntese, argumenta que: Se a TRANSPORTADORA VIDA foi criada apenas com o intuito de gerar despesas para a GUJÃO ALIMENTOS, a fim de reduzir a base de cálculo de IRPJ e CSLL. E que esta prática configuraria fraude, e a Autoridade Fiscal desconsidera a existência daquela transportadora. Partindo dessa premissa, conclui que, caso a transportadora não existisse, os custos contabilizados por ela (tabela 02), na prática, seriam da GUJÃO. Neste caso, o valor destas despesas, da ordem de R$ 1.697.337,27, terminaria por reduzir o lucro auferido pela GUJÃO naquele período, fato que, consequentemente, reduziria sua carga tributária. Sendo assim, como traduzir a realidade desses fatos em dolo fraudulento? A verdade é que não houve intenção de criar despesas fictícias, pois se a VIDA não tivesse prestado o serviço, a GUJÃO teria de gastar com frete próprio de toda maneira, o que, diga-se mais uma vez, reduziria a sua base de cálculo. Além disso, a diferença encontrada entre os totais da tabela 1 e da tabela 2, expostos na tabela 3, somam a quantia de R$ 308.326,13. Este valor corresponde ao suposto resultado da VIDA em 2012: as despesas glosadas da Gujão coincidem com a receita bruta da mencionada transportadora, mas, daquele valor, a transportadora ainda pagou os seus tributos, correspondentes a R$ 247.184,15. Este total, retirado dos extratos do SIMPLES do período em questão, e anexados a esta peça recursal, documento 04, seguem resumidos na tabela 4, abaixo. 53. A Recorrente explica que, nessa situação, após reconhecer a sua receita e deduzir todas as suas despesas/custo e tributos pagos via SIMPLES Nacional, a Recorrente teria um lucro de R$ 61.141,98. 54. A recorrente trata no item seguinte - II.3.4. DA PERFEITA LEGALIDADE DE RELAÇÕES ENTRE EMPRESAS LIGADAS. EXEMPLOS DE REGRAS QUANTO A ESSA MATÉRIA NO REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA - DECRETO N.º 3.000/1999 - nessa passagem a Recorrente argumenta que: A licitude das "relações intercompanies", isto é, entre empresas ligadas por fazerem parte do mesmo conglomerado econômico. E que o Fisco não deve se intrometer nos negócios celebrados por particulares, por força do Princípio da Livre Iniciativa, estampado na Constituição Federal de 1988. Diversas normas insertas no Regulamento do Imposto de Renda – RIR1999 se destinam a estabelecer critérios nas relações entre empresas cujos sócios são igualmente participantes do quadro constitutivo de outras pessoas jurídicas. Exemplo disso são os dispositivos que tratam de preços de transferência. INEXISTIR VEDAÇÃO LEGAL que impeça uma pessoa jurídica de manter relações empresariais com outra cujos sócios sejam os mesmos que estão no seu próprio quadro societário. 55. A Recorrente, no item seguinte trata da - II.3.5. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE E DE "SIMULAÇÃO" – quando examina os conceitos de “fraude” e “simulação”; e argumenta que: Em momento algum agiu com fraude, eis que seu relacionamento comercial com a Transportadora Vida Ltda. ocorreu em clima de normalidade no mundo dos negócios. A Recorrente em momento algum buscou ludibriar o Fisco ou ocultar fato gerador de obrigações tributárias, estando com sua contabilidade em perfeita ordem. Fl. 2516DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 17 A Transportadora Vida Ltda., por sua vez, cumpriu plenamente suas obrigações dentro do SIMPLES NACIONAL, nada deve ao Fisco Federal e nunca foi questionada pela Receita Federal do Brasil. 56. Na sequência, a Recorrente trata no item - III — DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS APLICADOS III.1 — subitem - INDEVIDA E ILEGAL APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO, NO PERCENTUAL DE 150% (CENTO E CINQUENTA POR CENTO) – nesse item a Recorrente reafirma a inexistência de crime contra a ordem tributária, pois, “Não comprovada qualquer conduta dolosa, fraudulenta, dissimulada, enfim, ilegal, mostra-se totalmente INJUSTIFICADA A INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFICIO”, portanto, determinando a inaplicabilidade da multa qualificada. Também defende a ideia de que a multa é excessiva e representa uma invasão ao patrimônio do particular, e clama pelo princípio da vedação ao confisco. 57. No item seguinte, a Recorrente trata - III.2 – DOS JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC – quando declara que os juros SELIC é extorsivo e assim resume os seus argumentos: 1. A natureza desta taxa é de índice remuneratório, condizente com operações de mercado financeiro e não com encargos por atraso no pagamento de tributos, o que afronta a regra contida no artigo 161 e § 1° do Código Tributário Nacional; 2. Dado que a taxa SELIC sequer foi instituída por lei, no sentido preciso do termo, foram infringidos os princípios constitucionais estampados no art. 5°, II e no art. 150, I, ambos da Constituição Federal de 1988; 3. A taxa SELIC representa autêntico anatocismo, o que agride ao art. 192, § 3º da Constituição. 58. Na sequência, a Recorrente trata - IV – DA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO – e além dos argumentos e provas acostados ao processo, também “roga aos I. Conselheiros do CARF que, se assim entenderam necessário, determinem, inclusive, a realização de novas diligências.” 59. Por fim, a Recorrente apresenta o seu pedido, vejamos: Diante de todo o exposto, a Recorrente requer aos d. Conselheiros que reformem o acórdão da DRJ/SP, acolhendo suas razões de defesa, acatando todos os seus argumentos apresentados e determinando o cancelamento do auto de infração, por sua total improcedência. Requer, igualmente, seja mantida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em litígio, com fundamento no artigo 151, III do Código Tributário Nacional, enquanto persistir a tramitação do processo, assegurando-se-lhe que a injusta cobrança que se está a combater não afete seu direito à regularidade fiscal, inclusive no tocante a emissão de certidões positivas com efeito de negativas. Requer, por fim, que em decorrência do cancelamento dos autos de infração, seja igualmente arquivada, em definitivo, a representação para fins penais lavrada pela autoridade autuante, eis serem improcedentes os argumentos fazendários contra a empresa e inexistentes provas de conduta ilegal e dolosa por parte da mencionada Recorrente. Nestes termos, Pede deferimento. Fl. 2517DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 18 60. Por tudo acima exposto e suprindo a lacuna analítica da instância a quo, em função da análise da vasta narrativa constante nesse relatório (itens 25 a 50), também conciliada com as provas acostadas ao presente processo pela Recorrente, entendemos que esta conseguiu explicar, justificar e comprovar; portanto, rebater as alegações da Autoridade Fiscal em sua autuação, capitulada como infração fiscal relativa ao pagamento de despesas operacionais de fretes consideradas inidôneas; e, eivadas de ilicitude caracterizadas como fraude e simulação. Portanto, firmamos convicção do equívoco da autuação e da decisão da 1ª instância, assim, afastamos a infração exonerando o crédito tributário constituído, pois: 61. Ficou constatado e provado que a Recorrente, Gujão Alimentos Ltda, passou formalmente a ser sócia da Transportadora Vida Ltda., a partir de janeiro de 2013. A alteração contratual foi firmada, em setembro de 2012 e formalizada na junta comercial, em janeiro de 2013. Vide itens (34, 36 a 38) do presente relatório. 62. A Recorrente também demonstrou que não estava situada no mesmo endereço da Transportadora Vida Ltda. Explicou que, em 03/04/2012, mudou seu endereço, passando a funcionar na Rodovia BA 502, km 27,8 S/N, bairro SEDE, Anexo A, município de São Gonçalo dos Campos - BA CEP 44.320-000 conforme alteração contratual. Mas, não era o mesmo endereço da Gujão Alimentos Ltda., os endereços apenas são próximos essa mudança seria interessante para fins de logística das operações. Vide item (39) do presente relatório. 63. A Recorrente demonstra que a Transportadora Vida Ltda. firmou contrato de locação de veículos junto a ela, bem como, apresentou os respectivos pagamentos mensais. E que a operação é comum no meio empresarial. Vide itens (40-41) do presente relatório. 64. Quanto ao fato de o administrador/procurador responsável pelos pagamentos, ser administrador da Gujão Alimentos Ltda. e atuar como procurador da Transportadora Vida Ltda. a Recorrente informou que esse fato, por si só, não implica caracterização de fraude. Pelo contrário, pode demonstrar a transparência no relacionamento normal entre as duas empresas. Concordamos que esse fato seria relevante como prova subsidiária complementar considerando um conjunto robusto de outros aspectos ilícitos provados. O que não foi o caso. Vide item (42) do presente relatório. 65. Igualmente, a Recorrente conseguiu provar que a Transportadora Vida Ltda. não possuía funcionários na GFIP no ano-calendário de 2013, pois, justamente, deixou de operar a partir dessa data. Ficou provado que o último mês de operação da Transportadora Vida Ltda. foi dezembro de 2012. Vide item (43) do presente relatório. 66. Sobre o tema de que a Gujão Alimentos Ltda. era cliente única da Transportadora Vida Ltda, concordamos que não há óbice empresarial ou impeditivo legal que proíba uma empresa de prestar serviços a um único cliente, mesmo de alguma forma sendo empresa ligada. Vide item (44) do presente relatório. 67. Sobre a transferência de funcionários da Gujão Alimentos Ltda. para Transportadora Vida Ltda, mas sob subordinação da Gujão Alimentos Ltda. A Recorrente explicou que a prova trazida ao processo pela Autoridade Fiscal se lastreava numa sentença da Justiça do Trabalho, entretanto, a visão da justiça do trabalho não pode – pura e simplesmente – caracterizar fraude ou responsabilidade tributária. Concordamos que a decisão isolada da juíza no processo mencionado, não caracteriza a fraude alegada pelo Auto de Infração. Vide item (45) do presente relatório. 68. Também merece destacar que a Transportadora Vida Ltda., possuía escrituração Fl. 2518DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 19 contábil/fiscal regular, que possuía sua própria folha de pagamento e a honrava, recolhia o FGTS, INSS e todas as obrigações exigidas pela legislação de regência; era optante pelo regime tributário do SIMPLES NACIONAL, e cumpriu as suas obrigações tributárias acessórias e principais. Apresentou os atos de constituição da sociedade e suas alterações posteriores, os quais comprovam a sua existência factual e jurídica. 69. A Transportadora Vida reconheceu todas as receitas, despesas e custos, afeitos às suas operações com a Gujão Alimentos Ltda, e como optante do SIMPLES declarou e pagou os tributos inerentes ao regime. Referente a esse fato, a Autoridade Fiscal silenciou. Ademais, nem as declarações à RFB nem os registros contábeis da Transportadora Vida Ltda. foram questionados pela Autoridade Fiscal durante o procedimento de auditoria. 70. A Recorrente explica que, nessa situação, após a Transportadora Vida Ltda. reconhecer a sua receita e deduzir todas as suas despesas/custos, teria um resultado líquido de R$ 308.326,13, após pagar os tributos via SIMPLES Nacional no montante de R$ R$ 247.184,15, teria um lucro de R$ 61.141,98. Contudo, a Autoridade Fiscal preferiu entender que as despesas de frete contratadas com a Transportadora Vida Ltda, no montante de R$ R$ 2.005.663,40, eram inidôneas e, assim, as glosou na totalidade. 71. A Autoridade Fiscal não obstante transmitir a ideia da existência de um grupo econômico de fato, com possível confusão patrimonial, contudo, não caminhou por essa tese. Portanto, não desqualificou a Transportadora Vida Ltda. absorvendo o patrimônio e os resultados líquidos dessa na contabilidade da Recorrente, tributando esse resultado líquido das operações realizadas entre elas (R$ 308.326,13). Optou simplesmente pela glosa total das despesas, considerando-as, como inidôneas (R$ 2.005.663,40). 72. Destaque-se que uma despesa deve ser considerada inidônea, quando não comprovada, comprovada com documentos inidôneos ou inábeis para representar a operação, ou paga a beneficiário efetivo não identificado. 73. Não comungamos da ideia de que a despesa era inidônea, pois, a despesa de frete é usual e necessária à atividade operacional comercial da Recorrente. Ademais, o transporte das mercadorias vendidas pela Recorrente de fato foi prestado pela Transportadora Vida Ltda., empresa era estabelecida de fato e de direito. As operações foram comprovadas documentalmente com Conhecimento de Transportes, Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamentos; além, de terem os devidos registros contábeis/fiscais e a declaração no SIMPLES. 74. Ratificamos, por tudo acima exposto afastamos a infração, exonerando integralmente o crédito tributário da autuação. 75. Em virtude do afastamento da infração, consequentemente, está afastada a existência de crime contra a ordem tributária, uma vez que, não ficou comprovada nem a infração, quanto mais a conduta dolosa, caracterizada por fraude e simulação. 76. Em decorrência do afastamento da conduta dolosa, não precisamos discutir se os acréscimos legais relativos à aplicação da multa no percentual de 150% são indevidos e ilegais, pois os mesmos automaticamente estão afastados. 77. Igualmente, em função do afastamento da autuação, não precisamos apreciar à demanda sobe a os juros de mora calculados com base na taxa SELIC, como extorsivos. 78. Por fim, entendemos que as argumentações e as respectivas provas admitidas em Direito Fl. 2519DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.138 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.720501/2015-66 20 acostadas ao processo, tanto pela Autoridade Fiscal, como pelas Recorrentes foram as necessárias e suficientes para a Autoridade Julgadora firmar as suas convicções. Destarte, não sendo necessário, a determinação do aporte de novos elementos probatórios, tampouco, a realização de diligências. CONCLUSÕES 79. Por tudo aqui exposto e pelo mais que dos autos consta, voto por CONHECER dos Recursos Voluntários, afastar as preliminares de nulidade do Acórdão recorrido e, no mérito, DAR PROVIMENTO integral aos Recursos Voluntários. Assinado Digitalmente José André Wanderley Dantas de Oliveira Conselheiro Relator Fl. 2520DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11065.902352/2015-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO EFETIVA. FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL.
O recurso deve satisfazer certos pressupostos, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Sem contestação efetiva, reputa-se como definitiva a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3101-004.130
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.115, de 19 de setembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11065.900922/2017-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Laura Baptista Borges, Luciana Ferreira Braga, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. O recurso deve satisfazer certos pressupostos, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Sem contestação efetiva, reputa-se como definitiva a decisão de primeira instância. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.115, de 19 de setembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11065.900922/2017-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Laura Baptista Borges, Luciana Ferreira Braga, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Fl. 98DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.130 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.902352/2015-58 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o pedido de Restituição apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, em síntese: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de Apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ao CARF, onde alega que houve apuração equivocada da base de cálculo da Contribuição - COFINS, pois foi incluído no cálculo o valor do ICMS. Termina a peça recursal requerendo a reforma do acórdão recorrido, com o cancelamento da cobrança vinculada ao processo em epígrafe e ao despacho decisório, além do reconhecimento, de forma integral, do direito creditório da recorrente do período para, ao final, conceder o ressarcimento homologando todas as respectivas compensações realizadas. É o breve relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Fl. 99DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.130 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.902352/2015-58 3 Contudo, não deve ser conhecido pela falta de dialeticidade, uma vez que a recorrente não se insurgiu contra os fundamentos que lastrearam a decisão recorrida, senão vejamos: Os motivos determinantes utilizados como razões de decidir na decisão recorrida foram: a) A Auditoria Fiscal revelou que não houve apuração de créditos oriundos de transações de mercado interno, tendo como base legal o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004; e b) A argumentação apresentada na Manifestação de Inconformidade sobre a formação da base de cálculo, deveria constar como causa de pedir de um novo pedido de restituição, pois não foi fundamento do pedido de ressarcimento/restituição objeto deste processo. No recurso voluntário, a recorrente insiste em defender que seu crédito tem lastro na inclusão na base de cálculo dos valores do ICMS, ou seja, que o valor a ser restituído se refere à apuração equivocada da base de cálculo do PIS. Nota-se de forma clara e evidente que a recorrente não se insurgiu contra os motivos determinantes que sustentaram a decisão recorrida. Em outras linhas, o recurso não buscou alterar o resultado da decisão recorrida, pois não atacou sua ratio decidendi, caracterizando manifesta falta de dialeticidade. O recurso é o meio destinado a provocar o reexame da decisão, no mesmo processo em que foi proferida, com a finalidade de obter-lhe a invalidação, a reforma, o esclarecimento ou a integração. O procedimento recursal é semelhante ao inaugural na ação civil. A petição de interposição de recurso é assemelhável à petição inicial, devendo conter os fundamentos de fato e de direito que embasam o inconformismo do recorrente e o pedido de nova decisão. A Petição recursal deve combater os motivos determinantes que embasaram a decisão que se pretende reverter. Em outras palavras, a recorrente deve apresentar a antítese da tese que embasou a decisão vergastada, surgindo a controvérsia a ser decidida no recurso. Controvérsia é choque de razões, alegações ou fundamentos divergentes, que se excluem – de modo que a aceitação de uma delas é negação da oposta ou vice- versa (Carnelutti). Se a afirmação de determinado fato não é contestada por uma afirmação oposta, colidente com ela, não há controvérsia. Segundo Dinamarco: A controvérsia gera a questão, definida como dúvida sobre um ponto, ou como ponto controvertido. Se não há controvérsia, o ponto (fundamento da demanda ou da defesa) permanece sempre como ponto, sem erigir em questão. E mero ponto, na técnica do processo civil, em princípio independe de prova. Por fim, se não há controvérsia, não há lide, sem lide não há decisão a ser proferida. Como falava Francesco Carnelutti: Fl. 100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.130 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.902352/2015-58 4 ... nos casos em que os indivíduos têm juízo suficiente para resolver as questões não há necessidade de intervenção do juiz para resolvê-las. As razões do recurso são elementos indispensáveis para que o órgão julgador aprecie seu mérito, ponderando-as em confronto com os motivos da decisão. A sua falta acarreta o não conhecimento. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal pela recorrente. Como a recorrente não teceu uma única linha no recurso sobre a existência de créditos oriundos de transações de mercado interno, cuja base legal fosse o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, tampouco sobre a possibilidade de se discutir causa de pedir diversa da posta no pedido de ressarcimento/restituição, motivos determinantes para a improcedência da manifestação de inconformidade, não conheço do recurso pela falta de dialeticidade. Voto por não conhecer do recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 101DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003263/2007-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITO DO PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL.
Merecem ser acolhidos os embargos de declaração manejados para sanar omissão no acórdão que negligencia os efeitos do acolhimento, ainda que parcial, da pretensão fazendária.
Devem ser atribuídos efeitos infringentes ao decisium que, de forma omissa, deixa de determinar a devolução dos autos à Turma a quo para que se pronuncie acerca da (não) incidência de multa de ofício e juros de mora incidentes sobre a parcela não decaída da autuação.
Numero da decisão: 9202-011.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para sanando a omissão apontada no acórdão 9202-010.628 de 22/03/2023, determinar o retorno dos autos à Turma a quo, para análise das alegações de recurso voluntário referentes ao período de 07/2000 a 11/2002, não enfrentadas no acórdão recorrido.
Assinado Digitalmente
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora
Assinado Digitalmente
Liziane Angelotti Meira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Diogo Cristian Denny (Substituto Integral), Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITO DO PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. Merecem ser acolhidos os embargos de declaração manejados para sanar omissão no acórdão que negligencia os efeitos do acolhimento, ainda que parcial, da pretensão fazendária. Devem ser atribuídos efeitos infringentes ao decisium que, de forma omissa, deixa de determinar a devolução dos autos à Turma a quo para que se pronuncie acerca da (não) incidência de multa de ofício e juros de mora incidentes sobre a parcela não decaída da autuação.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-11-03T22:13:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-11-03T22:13:27Z; Last-Modified: 2025-11-03T22:13:27Z; dcterms:modified: 2025-11-03T22:13:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-11-03T22:13:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-11-03T22:13:27Z; meta:save-date: 2025-11-03T22:13:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-11-03T22:13:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-11-03T22:13:27Z; created: 2025-11-03T22:13:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2025-11-03T22:13:27Z; pdf:charsPerPage: 1480; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-11-03T22:13:27Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 14485.003263/2007-64 ACÓRDÃO 9202-011.786 – CSRF/2ª TURMA SESSÃO DE 21 de agosto de 2025 RECURSO EMBARGOS EMBARGANTE ITAU SEGUROS S/A INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITO DO PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. Merecem ser acolhidos os embargos de declaração manejados para sanar omissão no acórdão que negligencia os efeitos do acolhimento, ainda que parcial, da pretensão fazendária. Devem ser atribuídos efeitos infringentes ao decisium que, de forma omissa, deixa de determinar a devolução dos autos à Turma a quo para que se pronuncie acerca da (não) incidência de multa de ofício e juros de mora incidentes sobre a parcela não decaída da autuação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para sanando a omissão apontada no acórdão 9202-010.628 de 22/03/2023, determinar o retorno dos autos à Turma a quo, para análise das alegações de recurso voluntário referentes ao período de 07/2000 a 11/2002, não enfrentadas no acórdão recorrido. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Fl. 1107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.786 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 14485.003263/2007-64 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Diogo Cristian Denny (Substituto Integral), Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny. RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração manejados pela ITAU SEGUROS S/A em face do acórdão nº 9202-010.628, proferido por esta eg. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, conheceu do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, por unanimidade de votos, dar-lhe parcial provimento para afastar a decadência para todos os valores efetivamente depositados pelo contribuinte referentes às competências 07/2000 a 11/2002. Em seus aclaratórios (f. 1.055/1.058) afirma padecer o decisium da mácula da omissão, ao argumento de que ao deixar de se pronunciar sobre a incidência de multa de ofício e juros de mora sobre os depósitos realizados nos períodos de 07/2000 a 11/2002, os quais tiveram a decadência afastada . Verifica-se que o Embargante realizou os depósitos dos períodos de 05/2000 a 12/2006 e no julgamento do Recurso Voluntário, o CARF se pronunciou sobre a exclusão dos juros e multa das competências de 07/2005 a 12/2005 e de 01/2006 a 13/2006, deixando de se pronunciar sobre o período de 07/2000 a 11/2002, já que para esse período havia sido decretada a decadência. O despacho de admissibilidade (f. 1.103/1.105) entendeu que uma vez afastada a decadência, ainda que relativamente a parcelas do tributo apurado, para o período em comento, caberia ser realizado o exame da incidência de juros e multa de ofício sobre tais parcelas, até mesmo por se tratar de pedido dantes formulado em sede de recurso voluntário, conforme já mencionado. Consequentemente, deveria ter o embargado se manifestado acerca do ponto em relevo, seja propondo o retorno dos autos à instância inferior para a análise da incidência de juros e multa de ofício sobre as parcelas cuja decadência foi afastada, seja apreciando no âmbito daquela superior instância, caso se entenda apropriado, a matéria em comento. Assim sendo, verifica-se existir, efetivamente, a omissão alegada pela embargante. (sublinhas deste voto) Fl. 1108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.786 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 14485.003263/2007-64 3 É o relatório. VOTO Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. Passo a dar cumprimento à determinação contida no despacho de admissibilidade de f. 1.103/1.105. A decisão embargada, o acórdão nº 9202-010.628, deu provimento parcial ao recurso especial fazendário, reformando a decisão proferida pela Turma Ordinária [acórdão nº 2301-005.824], para “afastar a decadência para todos os valores efetivamente depositados pelo contribuinte referentes às competências 07/2000 a 11/2002.” Ao assim proceder, deveras, padeceu de omissão quanto aos efeitos do afastamento da decadência, porquanto não apreciada duas das três teses arguidas no recurso voluntário, quais sejam: “(ii) o não cabimento dos juros de mora e (iii) o não cabimento de multa, por força do §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96.” – vide relatório do acórdão nº 2301-005.824, que narra os pedidos formulados em sede de recurso voluntário às f. 790. Registro que, no acórdão que apreciou os recursos de ofício e voluntário, ultimada a análise nos seguintes termos: Quanto às guias de depósitos judiciais das competências de 07/2005 a 13/2006, estas se encontram às e-fls. 495 a 514 e foram recolhidas corretamente. Dentre elas, as guias das competências de 01/2006 a 10/2006 foram recolhidas em atraso, mas com todos os acréscimos legais devidos. Todas as guias de depósitos judiciais citadas foram recolhidas antes da ação fiscal. Juntei às e-fls. 783 e 785, as planilhas com a conferência dos acréscimos legais aplicados às guias de depósitos judiciais pagas em atraso. O exame da suficiência dos valores principais das guias de depósitos judiciais foi feito por meio do quadro comparativo de e-fls. 487 a 488, pela confrontação dos valores cobrados por meio das NFLDs 37.121.002-0 (valores declarados em GFIP, objeto deste processo) e 37.121.003-8 (diferenças não declaradas em GFIP, que não são objeto deste processo), com os valores depositados pela recorrente. Esse quadro comparativo foi produzido na diligência fiscal nº 081900-2008-05282. De todas as informações citadas extrai-se as seguintes conclusões: - Competências de 05/2000 a 11/2002 - créditos lançados atingidos pela decadência; Fl. 1109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.786 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 14485.003263/2007-64 4 - Competências de 12/2002 a 06/2005 - depósito judicial efetuado sem a multa de mora, sendo, portanto, insuficiente; - Competência 13/2005 - valor principal do depósito judicial é inferior ao valor lançado nesta NFLD, sendo o depósito insuficiente; - Competências com depósito no montante integral correto: de 07/2005 a 12/2005 e de 01/2006 a 13/2006. Portanto, estão cobertos por depósitos judiciais no montante integral os valores das competências de 07/2005 a 12/2005 e de 01/2006 a 13/2006, devendo tais valores serem retificados para deles se excluir os juros e a multa. (f. 795; sublinhas deste voto) Atenta à necessidade de escrutínio do caderno processual para determinar (ou não) a exclusão dos juros e multas para o período outrora tido como decaído,1 bem como com o objetivo de evitar arguição de supressão de instância, devem os autos serem encaminhados à Turma a quo para que analise a (im)possibilidade do acatamento dos pedidos formulados no recurso voluntário referente às competências de 05/2000 a 11/2002. Ante o exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para sanando a omissão apontada no acórdão 9202-010.628 de 22/03/2023, determinar o retorno dos autos à Turma a quo, para análise das alegações de recurso voluntário referentes ao período de 07/2000 a 11/2002, não enfrentadas no acórdão recorrido. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora 1 Às f. 487 há planilha, elaborada em cumprimento à diligência determinada, esclarecendo a (in)suficiência do depósito para cada uma das competências objeto da autuação. Fl. 1110DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10930.726588/2022-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2018
PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL COM OBJETOS DISTINTOS. NÃO CONCOMITÂNCIA. PROSSEGUIMENTO NAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
A propositura pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com objeto distinto do tratado no processo administrativo fiscal, não implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, sendo cabível a apreciação da matéria constante no processo administrativo pelo órgão de julgamento administrativo.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade no lançamento devidamente motivado, lavrado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do qual o Contribuinte foi regularmente cientificado, sendo-lhe possibilitada a apresentação de defesa.
COFINS. FALTA/INSUFICIÈNCIA DE RECOLHIMENTO.
Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para a COFINS, nos prazos previstos na legislação tributária, é devida sua cobrança com os encargos legais correspondentes.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESES.
As hipóteses para a apuração de créditos da contribuição ao PIS/COFINS são apenas aquelas previstas nos artigos 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
ÔNUS DA PROVA.
Consoante o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, é ônus da impugnante comprovar a veracidade de suas alegações. Logo, cabe ao sujeito passivo apresentar prova dos fatos alegados, por meio de documentos hábeis a demonstrar o direito alegado e afastar a imputação da irregularidade apontada.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS.
Deve-se considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, consolidando-se administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado como principal, uma vez que não há controvérsia quanto a sua exigência.
Numero da decisão: 3201-012.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por preclusão, e, na parte conhecida, por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em lhe dar parcial provimento para cancelar a exigência de multa e juros sobre o valor correspondente ao depósito judicial parcial.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator
Assinado Digitalmente
Helcio Lafeta Reis – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao(substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Ausente a conselheira Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao.
Nome do relator: RODRIGO PINHEIRO LUCAS RISTOW
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NÃO CONCOMITÂNCIA. PROSSEGUIMENTO NAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com objeto distinto do tratado no processo administrativo fiscal, não implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, sendo cabível a apreciação da matéria constante no processo administrativo pelo órgão de julgamento administrativo. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento devidamente motivado, lavrado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do qual o Contribuinte foi regularmente cientificado, sendo-lhe possibilitada a apresentação de defesa. COFINS. FALTA/INSUFICIÈNCIA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para a COFINS, nos prazos previstos na legislação tributária, é devida sua cobrança com os encargos legais correspondentes. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESES. As hipóteses para a apuração de créditos da contribuição ao PIS/COFINS são apenas aquelas previstas nos artigos 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. ÔNUS DA PROVA. Fl. 11162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 2 Consoante o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, é ônus da impugnante comprovar a veracidade de suas alegações. Logo, cabe ao sujeito passivo apresentar prova dos fatos alegados, por meio de documentos hábeis a demonstrar o direito alegado e afastar a imputação da irregularidade apontada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. Deve-se considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, consolidando-se administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado como principal, uma vez que não há controvérsia quanto a sua exigência. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por preclusão, e, na parte conhecida, por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em lhe dar parcial provimento para cancelar a exigência de multa e juros sobre o valor correspondente ao depósito judicial parcial. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao(substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Ausente a conselheira Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão preferida pela DRJ que julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário. Fl. 11163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 3 Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Cuida-se de impugnação (fls. 10.529/10.564) em face de lançamento fiscal a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) no montante de R$ 26.422.385,81, incluídos tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até 10/2022 (fls. 10.491/10.517). Relata a autoridade fiscal (fls. 10.396/10.417) que o sujeito passivo adotou em todo o período sob fiscalização o regime cumulativo para apuração dos valores devidos a título de Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, ainda que inexistente alguma hipótese (art. 10 da Lei nº 10.833/2003) que autorizasse a utilização do regime cumulativo para apuração dessas contribuições. Aponta que desde a sétima alteração contratual, realizada em 10/03/2005, o objeto social da empresa era “serviços de atendimento médico pré-hospitalar” e a partir da décima sexta alteração contratual, em 13/06/2013, o objeto social foi alterado para “serviços de atendimento pré-hospitalar” e que no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ o sujeito passivo informou os seguintes códigos CNAE 8621-6-02 – Serviços móveis de atendimento a urgências, exceto por UTI móvel; e 8621-6-01 – UTI móvel. Consigna que nos contratos de prestação de serviços apresentados no curso do procedimento fiscal, restaria claro e inconteste que a atividade exercida pelo sujeito passivo no período fiscalizado foi a de prestação de serviços de atendimento pré-hospitalar por meio de veículos(ambulâncias) equipados ou não com UTI móvel. Assevera que o sujeito passivo nunca exerceu a atividade de hospital, pronto- socorro, clínica médica, odontológica, de fisioterapia e de fonoaudiologia, ou laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas. Anota que restou caracterizada que a apuração da COFINS realizada pelo sujeito passivo com base na Lei nº 9.718/1998 (regime cumulativo) no período fiscalizado não encontra respaldo legal, aplicando-se às receitas o regime não cumulativo implementado pela Lei nº 10.833/2003. Menciona que verificou contabilmente a devolução de algumas aquisições para as quais houve solicitação de créditos, porém não houve o respectivo estorno. Assim, efetuou os estornos dos créditos com base nesses valores nos períodos de apuração das devoluções, conforme consta no Anexo VI do TVF. Relativamente aos créditos glosou os relativos a: I) duas notas fiscais e a devoluções de algumas aquisições para as quais houve solicitação de créditos (Anexo V do TVF); II) alguns dos serviços registrados na conta MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS/EQUIPAMENTOS, porque não atenderiam aos critérios de Fl. 11164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 4 essencialidade e relevância nos termos do Parecer Normativo COSIT/RFB 05/2018 (Anexo V do TVF) e descontos em folha de pagamento nos meses de janeiro de 2012 e maio a dezembro de 2012 e por baixa de nota fiscal em outubro de 2017 (Anexo VI do TVF); III) ajustes e/ou estorno de depreciação registrada em duplicidade, sem que houvesse a respectiva dedução da base de cálculo dos créditos no período; IV) notas fiscais em duplicidade relativas ao período de apuração dezembro de 2011, as quais perfazem o montante de R$33.557,66; V) custos por reembolso de terceiros, para os quais não houve respectivo estorno dos créditos; VI) alguns dos serviços registrados na conta MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. Não atenderiam aos critérios de essencialidade e relevância nos termos do Parecer Normativo COSIT/RFB 05/2018; VII) lançamentos de estornos por devolução de mercadoria e reembolso de despesas para os quais não houve o respectivo estorno dos créditos (constam no Anexo VI do TVF); VIII) locação e manutenção de software, plotagem de ambulâncias, despachante, testes aplicados em colaboradores, monitoramento e vigilância patrimonial, recrutamento e seleção de colaboradores, serviços advocatícios, plataforma de compra de medicamentos e confecção de crachás; IX) lançamentos contábeis de baixa de adiantamento sem a respectiva emissão de nota fiscal por parte do fornecedor e/ou em situação de inatividade na RFB no período (informada pelo próprio fornecedor); X) serviços de Desentupimento de Rede de Esgoto, Monitoramento de Vigilância Patrimonial, Recrutamento e Seleção de Colaboradores e Serviço de Guincho não seriam vinculados diretamente ao tipo de serviço prestado e não atenderiam os requisitos de essencialidade e relevância previstos na legislação; e XI) Serviços Contábeis e Advocatícios, Monitoramento de Vigilância Patrimonial, Recrutamento e Seleção de Colaboradores, entre outros constantes no Anexo III do TVF, seriam relacionados às atividades normais da empresa e não seriam vinculados diretamente ao tipo de serviço prestado pela empresa. Não atenderiam os requisitos de essencialidade e relevância previstos na legislação e não são passíveis de aproveitamento de créditos. Inconformado, apresentou o contribuinte peça impugnatória (fls. 1.529/1.564), onde: Inicia dizendo que é uma pessoa jurídica que desenvolve seu objeto social na área da saúde, especializando-se no atendimento pré-hospitalar, notadamente no âmbito do resgate médico em rodovias no país, e seus objetos sociais são classificados no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas – CNAE nos seguintes códigos: a) 86.21-6-02 – Serviços móveis de atendimento a urgências, exceto UTI móvel; e b) 86.21-6-010 - UTI móvel. Informa que ajuizou mandado de segurança a fim de que fosse determinado ao Delegado da Receita Federal em Curitiba – PR que se abstivesse de exigir da sociedade Impetrante o recolhimento da COFINS, da qual estaria isenta nos Fl. 11165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 5 termos do art. 6º, inciso II, da Lei Complementar n.º 70/91. O processo tramitou nos autos de n.º 2000.70.00.005514-3, perante a 8ª Vara Federal de Curitiba/PR. Cita que ao final, 29 de outubro de 2004, transitou em julgado decisão monocrática proferida pelo STJ dando provimento ao Recurso Especial da Impetrante. Reporta que Ação Rescisória ajuizada pela União (Fazenda Nacional), em 8 de julho de 2006, com mérito apreciado em 23 de novembro de 2016, obteve êxito e efetivamente rescindiu a decisão transitada em julgado nos autos n.º 2000.70.00.005514-3, e que o acórdão transitou em julgado somente em 16 de agosto de 2018. Transcreveu ementa. Ressalta que a rescisão produziu efeitos ex tunc, ou seja, também para o passado e, em contrapartida, permitiu que não fossem acrescidos nem multa, nem juros sobre o valor devido. Menciona que ajuizou Ação Declaratória que tramita nos autos de n.º 5029168- 18.2021.4.04.7003 cujo objeto é “a declaração do direito da Autora recolher a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS pela sistemática cumulativa, em respeito ao art. 10, XIII, “a” da Lei 10.833/2003 c/c. o art. 196 da CF”. Complementa “...embora a autuação impugnada vise a cobrança da COFINS não-cumulativa não recolhida (01/2010 a 02/2013) e a ser complementada(03/2013 a 01/2018), o direito ao recolhimento pela sistemática cumulativa não será abordado nesta defesa”. Contra o auto de infração suscita, preliminarmente, nulidade do lançamento tributário, posto que, haveria decadência do período que compreende as competências de 01/2010 a 12/2016. Aduz que uma vez ajuizada a Ação Rescisória n.º 3638, a Fazenda Nacional poderia e deveria ter realizado o lançamento para evitar a decadência se realmente pretendia cobrar a integralidade do período que compreende a autuação. A correta aplicação do art. 173, I do CTN imporia que se decaído qualquer crédito anterior à competência de 01/2017. Partiria de uma premissa equivocada o entendimento com base no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2740/2008. Ainda como preliminar, suscita nulidade do lançamento, da aplicação da multa de ofício e da incidência de SELIC após a realização de depósito judicial em relação ao período de 01/2017 a 01/2018 nos autos de n.º 5029168-18.2021.4.04.7003. Defende que o período citado estaria com sua exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, II do CTN. Segue: “Não sendo esse o entendimento, o que é levantado somente por amor ao debate, ao menos deve ser abatido da cobrança o valor já depositado em juízo, haja vista que, a depender de o resultado da demanda de autos n.º 5029168- 18.2021.4.04.7003, ele será convertido em renda em favor da União Federal.” Insurge-se contra as glosas dos créditos, nos termos seguintes: Fl. 11166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 6 3.4.1. MANUTENÇÃO DE AMBULÂNCIAS Aduz que a manutenção de ambulâncias seria insumo essencial para o desenvolvimento de sua atividade, e que sem nenhuma justificativa teriam sido glosados créditos referentes às Notas Fiscais listadas no Anexo 7 da autuação. Defende que em respeito ao art. 3º, II da Lei 10.833/2003 c/c. o REsp n.º 1.221.170/PR as glosas devem ser anuladas. 3.4.2. GUINCHO DE VEÍCULOS Consigna que no regular exercício de sua atividade, tem que arcar com os custos de guincho de seus veículos que, porventura, tenham problemas mecânicos ao longo da prestação do serviço. Defende, mesmo que não se considere tal custo como essencial na prestação do serviço, não há como se negar que, no mínimo, ele é relevante haja vista que, embora não indispensável à prestação do serviço, ele é fundamental em virtude das singularidades dos serviços prestados pela Impugnante. 3.4.3. TRANSPORTE DE PACIENTES Aponta que no item 12 do Parecer Normativo COSIT/RFB n.º 5/2018, a Receita Federal do Brasil expressamente reconheceria o direito ao crédito quando, na prestação do serviço, haja a subcontratação de outra pessoa jurídica para a realização de parcela dessa prestação. Sustenta que de forma equivocada, teriam sido glosados insumos de subcontratação de terceiros para a realização de transporte de pacientes, conforme Anexo 11. 3.4.4. COLETA DE RESÍDUOS HOSPITALARES Apregoa que a autoridade administrativa teria expressamente reconhecido que serviços de Coleta de Resíduos de Serviços de Saúde tem o condão de gerar crédito para a empresa. Contudo, teria realizado a glosa desses mesmos serviços em outras Notas Fiscais e sem nenhuma justificativa plausível. Acrescenta que a essencialidade de tal serviço na sua atividade seria evidente. O correto descarte desses materiais seria uma imposição legal. 3.4.5. ANÁLISE E GESTÃO DE QUALIDADE Cita o trecho do Parecer Normativo Cosit/RFB n.º 5/2018 “deve-se salientar que, por vezes, a legislação específica de alguns setores exige a adoção pelas pessoas jurídicas de medidas posteriores à finalização da produção do bem e anteriores a sua efetiva disponibilização à venda, como ocorre no caso de exigência de testes de qualidade a serem realizados por terceiros”. Diz que além deste respaldo de norma administrativa, não haveria como negar que, nº serviço prestado pela empresa seria relevante que se desenvolvam testes e controles de qualidade. Por se tratar de uma área da saúde, diretamente relacionada à manutenção da vida. 3.4.7. TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA Reporta-se ao item 9.1 do Parecer Normativo n.º 5/2018 que prescreve “neste caso(contratação de pessoa jurídica Fl. 11167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 7 fornecedora de mão de obra), desde que os serviços prestados pela pessoa jurídica contratada sejam considerados insumo nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça e aqui explanados e inexistam outros impedimentos normativos, será possível a apuração de créditos em relação a tais serviços” Suscita que haveria violenta afronta à norma administrativa em relação à glosa de diversas terceirizações de mão de obra, listadas no Anexo 12. 3.4.8. DEMAIS GLOSAS A SEREM ANULADAS Defende que serviços contábeis e advocatícios, monitoramento e vigilância patrimonial, recrutamento e seleção de colaboradores, publicidade e propaganda e dedetização e limpeza seriam essenciais e relevantes ao desenvolvimento da atividade. Alguns seriam decorrentes exigências legais para a regular operacionalização da empresa. 3.4.9. NOTAS FISCAIS N.º 4 (14/06/2017) E 10.155 (04/02/2016)Menciona que ao longo do Anexo V do auto de infração foram listadas diversas Notas Fiscais em que os créditos foram glosados com a justificativa de que “não foi possível identificar o CNPJ para verificação do CNAE”. Diz que parte delas não foi apresentada em virtude da ausência de dever de guarda detidamente narrada no item 3.5. Mas que duas foram encontradas após o procedimento fiscalizatório e, em respeito ao princípio da verdade real que norteia os processos administrativos, devem ser consideradas neste momento. 3.5. DEVER DE GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA AO LONGO DO PAF N.º 13033.191547/2021-11 – ART. 195, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN Em relação a este item apresenta os argumentos seguintes: Importante ressaltar que, embora o art. 195, parágrafo único do CTN se utilize da expressão “prescrição”, tanto a prescrição, como a decadência, são causas extintivas do crédito tributário, nos termos do art. 156, V do mesmo códex. Assim, são corretas as palavras do supracitado autor quando afirma que a constituição da decadência também acarreta na extinção do dever de guarda do contribuinte. A respeito da constituição da decadência uma detida exposição já foi realizada no tópico 3.2 de modo que, neste momento, basta asseverar que ela se operou sobre qualquer competência anterior a janeiro de 2017. Ora, ocorre que ao longo do procedimento fiscal n.º 13033.1914547/2021-11, em verdadeiro abuso de direito, o Ilmo. Auditor Fiscal realizou a fiscalização do período que compreende janeiro de 2010 a janeiro de 2018. Por evidente que, não havendo mais a obrigação legal de guarda, a Impugnante não detinha a posse de muitos dos documentos solicitados. Mesmo assim, imbuída de boa-fé – até porque não tem nada a esconder – a Impugnante apresentou a documentação de período cuja decadência já havia se operado que ainda detinha a posse. Não obstante, isso não quer dizer que a autoridade administrativa tinha direito de exigi-lo e, ao fazê-lo, descumpriu Fl. 11168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 8 mandamento expresso no art. 195, parágrafo único do CTN c/c. art. 37, caput da Constituição Federal. (...)Logo, não há que se falar na ausência de apresentação de documentação por parte da Impugnante haja vista que, ao longo do PAF n.º 13033.1914547/2021-11, ela apresentou toda e qualquer documentação do período em que a decadência não estava constituída. Da simples leitura do procedimento resta evidenciado que, diante das solicitações realizadas, foram apresentados: (...)Tal fato, por si só, já importa na ausência de qualquer conduta ilícita da Impugnante ao longo do procedimento fiscalizatório e, em consequência, na nulidade da Representação Fiscal para Fins Penais indevidamente lavrada pela autoridade administrativa. Insurge-se contra a representação fiscal para fins penais arguindo nulidade dela. Apresenta os argumentos que entende pertinentes. Por fim, requer: a) aplicação da Súmula n.º 1 do CARF aos presentes autos e, em consequência, o conhecimento da presente Impugnação; b) seja declarada a decadência e, consequentemente, anulado o auto de infração do período de 01/2010 a 12/2016, conforme fundamentos detidamente expostos nº item 3.2, em respeito ao art. 173, I do CTN; c) seja anulada a multa de ofício, incidência da SELIC após 02/2022 e o principal cobrado na autuação em relação ao período que compreende 01/2017 a 01/2018 em virtude do depósito judicial do valor integral realizado nos autos de n.º 5029168-18.2021.4.04.7003, conforme fundamentos detidamente expostos no item 3.3, em respeito ao art. 151, II do CTN; d) subsidiariamente ao item II, seja abatido o valor depositado em juízo em relação ao período que compreende 01/2017 a 01/2018, pois, caso a impugnante seja vencida nos autos de n.º 5029168-18.2021.4.04.7003, o valor será convertido em renda em favor da União Federal; e) sejam anuladas as glosas listadas no anexo V do auto de infração, conforme fundamentos detidamente expostos no item 3.4, em respeito ao art. 3º, II da Lei n.º 10.833/2003 c/c. REsp n.º 1.221.170/PR; f) seja anulada a representação para fins penais, em virtude do que foi detidamente exposto nos itens 3.5 e 3.6 e em respeito ao art. 195, parágrafo único do CTN c/c. 5º, II e 6º da Portaria da RFB n.º 1.750/2018; e g) sejam admitidas todas as provas admitidas em direito, em especial, a prova documental. A decisão recorrida julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão 102-004.964 – 3ª TURMA/DRJ02 apresenta o seguinte resultado: Fl. 11169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 9 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 31/01/2018 PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL COM OBJETOS DISTINTOS. NÃO CONCOMITÂNCIA. PROSSEGUIMENTO NAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com objeto distinto do tratado no processo administrativo fiscal, não implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, sendo cabível a apreciação da matéria constante no processo administrativo pelo órgão de julgamento administrativo. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento devidamente motivado, lavrado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do qual o Contribuinte foi regularmente cientificado, sendo-lhe possibilitada a apresentação de defesa. COFINS. FALTA/INSUFICIÈNCIA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para a COFINS, nos prazos previstos na legislação tributária, é devida sua cobrança com os encargos legais correspondentes. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESES. As hipóteses para a apuração de créditos da contribuição ao PIS/COFINS são apenas aquelas previstas nos artigos 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. ÔNUS DA PROVA. Consoante o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, é ônus da impugnante comprovar a veracidade de suas alegações. Logo, cabe ao sujeito passivo apresentar prova dos fatos alegados, por meio de documentos hábeis a demonstrar o direito alegado e afastar a imputação da irregularidade apontada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. Deve-se considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, consolidando-se administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado como principal, uma vez que não há controvérsia quanto a sua exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma tempestiva, reproduzindo os argumentos apresentados em sede de impugnação, alegando em síntese: a) Decadência do período de 01/2010 a 12/2016; b) Anulação da multa de ofício e de juros em virtude do depósito judicial; Fl. 11170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 10 c) Anulação das glosas realizadas por serem insumos; e d) Anulação da representação para fins penais. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade pertinentes, portanto dele conheço. Da matéria não Impugnada Se tomarmos o Recurso Voluntário e a Impugnação apresentados veremos que não há neles contestação das glosas relativas a: i) devolução de algumas aquisições para as quais houve solicitação de créditos, sem o respectivo estorno; ii) descontos em folha de pagamento nos meses de janeiro de 2012 e maio a dezembro de 2012 e de estorno por baixa de nota fiscal em outubro de 2017; iii) lançamentos de ajustes e/ou estorno de depreciação registrada em duplicidade; e iv) locação e manutenção de software, plotagem de ambulâncias, despachante, testes aplicados em colaboradores, plataforma de compra de medicamentos e confecção de crachás. A matéria não expressamente contestada é considerada não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo definitiva a exigência no que se refere a esta parte do lançamento na esfera administrava. Nesses termos, com relação às matérias listadas acima, ainda que não seja possível a cobrança imediata do crédito tributário em face da arguição de decadência aduzida pelo contribuinte, está preclusa a matéria na esfera administrativa. Da concomitância O processo 5029168-18.2021.4.04.7003 é o procedimento comum, por meio do qual a interessada requer a declaração do direito de recolher a COFINS pelo Regime Cumulativo e que estaria amparada no art. 10, XIII, "a", da Lei 10.833/2003 (fl. 10992). De acordo com o Parecer Normativo COSIT nº 07/2014, ocorre a concomitância entre o processo administrativo fiscal e o processo judicial quando houver identidade de objetos, ou seja, quando forem verificadas as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato e de direito) e o mesmo pedido nos dois processos. Análise de tudo o que consta dos autos permite inferir que os pedidos feitos na impugnação são distintos daquele requerido na petição inicial. Portanto, entendo que não há concomitância entre o processo administrativo e o judicial. Fl. 11171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 11 Da Decadência A recorrente alega que o lançamento de ofício referente aos períodos de apuração 01/2010 ao 12/2016 estão decaídos, mesmo se considerar o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2740/2008, visto que poderia ter lançado o crédito com a intenção de prevenir a decadência. Todavia tal alegação não deve prosperar, visto que por ser uma situação atípica não pode ser utilizada a legislação comum, sendo necessário a utilização do quanto apresentado no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2740/2008, o qual tem a seguinte ementa: “Natureza declaratória e eficácia retroativa da decisão judicial que, em juízo rescisório, julga procedente ação rescisória. Consequências em relação à cobrança de créditos tributários. Necessidade de observância, em cada caso, do prazo decadencial incidente. 1. Ocorrendo a rescisão de decisão judicial declaratória de inexistência de relação jurídica tributária, e sendo proferida outra decisão, em seu lugar, agora julgando existente tal relação, o Fisco recobra o direito de lançar os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no curso da ação originária, desde que esse direito ainda não tenha sido fulminado pela decadência. O fluxo do prazo decadencial, que havia sido suspenso a partir do trânsito em julgado da decisão judicial declaratória de inexistência da relação jurídica tributária, com a rescisão desta, volta a correr, pelo seu restante. 2. Com a rescisão, serão automática e plenamente restabelecidos os lançamentos tributários já efetivados, para prevenir a decadência no curso da ação originária, que haviam sido cancelados em razão do advento da decisão final nela proferida, desfavorável ao Fisco. 3. A rescisão confere ao Fisco, ainda, o direito de constituir a totalidade dos créditos tributários relativos ao período compreendido entre a data do trânsito em julgado da decisão rescindenda e a data da prolação da decisão de procedência da ação rescisória. Apenas a partir desta última data é que passa a correr, por inteiro, o prazo decadencial para a constituição dos referidos créditos tributários.” (grifos no original) Além disso, vale esclarecer as datas essenciais para a tomada da decisão, por isso trago o quanto apresentado no TVF: “No presente caso, o sujeito passivo impetrou em 17/03/2000, perante a 6ª Vara Federal de Curitiba/PR, o Mandado de Segurança nº 2000.70.00.005514-3, por meio do qual pretendia obter liminar e a concessão da segurança para garantir que a autoridade fiscal se abstivesse de exigir o recolhimento da COFINS, da qual se dizia isento nos termos do art. 6º, inciso II, da Lei Complementar 70/91, sob a alegação de inconstitucionalidade da cobrança com base na Lei nº 9.430/96. Em primeira e segunda instâncias foi denegada a segurança, porém o Recurso Especial interposto perante o Superior Tribunal de Justiça/STJ (REsp nº 443341/PR) foi provido, transitando em julgado em 29/09/2004, ficando a partir Fl. 11172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 12 dessa data a Fazenda Nacional impedida de efetuar a constituição de créditos tributários a título de COFINS e de prosseguir na cobrança de créditos tributários de COFINS já constituídos. Em 11/09/2006 a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional propôs a Ação Rescisória nº 3638/PR para rescindir a decisão anteriormente transitada em julgado, a qual foi julgada procedente para rescindir o acórdão impugnado com efeitos ex tunc, com decisão prolatada em 22 de fevereiro de 2018, a qual transitou em julgado em 16 de agosto de 2018. Dessa forma, no período de 29/09/2004 a 22/02/2018, a Fazenda Nacional esteve impedida legalmente (decisão judicial então vigente fez lei entre as partes) de efetuar a constituição e/ou cobrar os créditos já constituídos relativos à COFINS, portanto não há que se falar em fluência de prazo decadencial ou prescricional nesse período. “ Levando em consideração o quanto apresentado no item 3 do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2740/2008, devido a essa situação atípica realmente fica a RFB impedida de lavrar o Auto de infração entre o período que foi transitada em julgado o REsp nº 443341/PR e o julgamento da Ação Rescisória nº 3638/PR, sendo que realmente qualquer situação anterior a 29/09/2004, estão totalmente decaídos. Rejeita-se, portanto, a arguição de decadência. Do Depósito judicial A Recorrente alega que em relação ao período de 01/2017 a 01/2018, deverá ser suspensa a exigibilidade de crédito tributário em virtude do depósito judicial, suspendendo também os efeitos da mora além do descabimento da multa de ofício (art. 151, II DO CTN). Para resolução da situação devemos verificar algumas informações, a primeira é que em 22/02/2022 a Recorrente apresentou manifestação informando a propositura da ação judicial nº 5029168-18.2021.4.04.7003 perante a 2ª Vara Federal de Maringá/PR e a realização de depósito judicial relativa as diferenças de COFINS do período de 01/01/2007 a 31/12/2021. Ao passo que a Fiscalização trouxe o Despacho nº 15.480/2022 (Fls. 10987/10991), que tratou da verificação dos depósitos judiciais, restou asseverado que em relação ao período 01/2017 a 01/2018, os depósitos judiciais não correspondem ao montante integral. Seguindo ainda a Súmula CARF nº 132, devemos esclarecer que deve correr a incidência de juros e de multa de ofício, somente sobre o valor não abrangido pelo depósito, conforme se verifica do texto: Súmula CARF nº 132 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2019 Fl. 11173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 13 No caso de lançamento de ofício sobre débito objeto de depósito judicial em montante parcial, a incidência de multa de ofício e de juros de mora atinge apenas o montante da dívida não abrangida pelo depósito. Acórdãos Precedentes: 9303-007.539, 3201-004.265, 3201-003.090, 1302-001.502, 2201-002.132, 9101- 001.598, 1301-000.795, 9101-000.775, 3302-000.671, 1101-00.135, 1101-00.098, 101-96.857, 101-95.884, 105-15.685 e 203-08.164. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Posto isso, deve ser mantida a multa de ofício e dos juros de mora em relação aos valores já depositados pela Recorrente. Da glosa dos créditos de Bens e Serviços Utilizados como Insumos Inicialmente, antes de enfrentar o mérito das glosas efetuadas, necessário se faz analisar a legislação relativa apuração e aproveitamento desses créditos e, nesse sentido estabelecem respectivamente a Lei nº 10.833/2003 e Lei nº 10.637/2002: Lei nº 10.833/2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 11174DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art3i https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art3i https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art18 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art18 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art3v https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art43 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art43 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 14 VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023) § 3o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Lei nº 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 11175DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm#art36 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm#art41 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm#art41 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art55 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art55 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art119 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14592.htm#art7 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 15 II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Fl. 11176DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art3i https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art3i https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art18 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art18 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art3v https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art43 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art43 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm#art36 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm#art41 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm#art41 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art55 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art55 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art119 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 16 § 2o Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023) § 3o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Também deve ser observado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, a saber: “Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: Fl. 11177DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14592.htm#art7 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 17 b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Nos termos do Parecer Normativo COSIT/RFB Nº 05, de 17/12/2018, são considerados insumos geradores de créditos das contribuições ”todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.” Em vista da legislação transcrita, passa-se a analisar as questões relativas às glosas de créditos contestadas pela interessada. Todavia a maior parte da discussão é relacionada a provas, as quais não foram trazidas pela Recorrente, mesmo após o acórdão ora recorrido, motivo pelo qual utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, in verbis:. -MANUTENÇÃO DE AMBULÂNCIAS Aduz que a manutenção de ambulâncias seria insumo essencial para o desenvolvimento de sua atividade, e que sem nenhuma justificativa teriam sido glosados créditos referentes às Notas Fiscais listadas no Anexo 7 da autuação. Defende que em respeito ao art. 3º, II da Lei 10.833/2003 c/c. o REsp n.º 1.221.170/PR as glosas devem ser anuladas. Contudo, não lhe assiste razão. Na planilha trazida com a peça de defesa, fl. 10896, verifica-se que há informação de 12 (doze) notas fiscais. Entretanto, somente em relação a três delas (74, 37, 96) há informações sobre os serviços prestados que são, respectivamente: “Acompanhamento perícia motor de ambulância na via”; “CONSERTO E MAO DE OBRA DE DRIVER E CORNETA, SERVIÇO EFETUADO POR MEI” e “DESCRIÇÃO DOS PRODUTOS/SERVIÇOS: PLACA MAE SONY VAIO SVPI32AICL”. Em vista da discriminação dos serviços e pelo CNAE dos fornecedores (CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 82.19-9-99 - Preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo não especificados anteriormente, CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 43.21-5-00 - Instalação e manutenção elétrica; CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 71.12-0-00 - Serviços de engenharia, CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada; CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 77.29-2-02 - Aluguel de móveis, utensílios e aparelhos de uso doméstico e pessoal; instrumentos musicais, CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 90.01-9-06 - Atividades de sonorização e de iluminação; e CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 45.20- Fl. 11178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 18 0-02 - Serviços de lanternagem ou funilaria e pintura de veículos automotores, CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 45.30-7-03 - Comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores, 47.51- 2-01 - Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática, 47.89-0-07 - Comércio varejista de equipamentos para escritório, 95.11-8-00 - Reparação e manutenção de computadores e de equipamentos periféricos) é possível concluir que os serviços não atendem ao disposto no Parecer Normativo Cosit nº 05/2018. Portanto, não se amoldam ao conceito de insumo. Sobre as demais notas fiscais, constante da precitada planilha, não é possível fazer qualquer avaliação, face a ausência de informações sobre supostos serviços. -GUINCHO DE VEÍCULOS Consigna que no regular exercício de sua atividade, tem que arcar com os custos de guincho de seus veículos que, porventura, tenham problemas mecânicos ao longo da prestação do serviço. Defende, mesmo que não se considere tal custo como essencial na prestação do serviço, não há como se negar que, no mínimo, ele é relevante haja vista que, embora não indispensável à prestação do serviço, ele é fundamental em virtude das singularidades dos serviços prestados pela Impugnante. Na planilha trazida com peça de defesa, fls. 10897/1900, verifica-se que há informação de 25 (vinte e cinco) notas fiscais. Entretanto, somente em relação a duas (11 e 2747) há, respectivamente, as seguintes informações “Reboque com guincho do veículo Ford Transit Placa AUB 1457 da cidade de Mairiporã/SP para Maringá/PR” e “SERVIÇO DE GUINCHO VEÍCULOS: TRANSIT AUB- 1457, FIAT DUCATO AQJ-96 TRAJETO: EMPRESA MULTI FRIOS PARA BARRACÃO DE LEILÕES KLOCKNER”. Em vista da discriminação dos serviços é possível concluir que não se amoldam ao conceito de insumo. Portanto, sobre os valores das precitadas notas fiscais não é permitido apuração de crédito. Sobre as demais notas fiscais não é possível fazer qualquer avaliação, face a ausência de informações sobre supostos serviços. -TRANSPORTE DE PACIENTES Aponta que no item 12 do Parecer Normativo COSIT/RFB n.º 5/2018, a Receita Federal do Brasil expressamente reconheceria o direito ao crédito quando, na prestação do serviço, haja a subcontratação de outra pessoa jurídica para a realização de parcela dessa prestação. Sustenta que de forma equivocada, teriam sido glosados insumos de subcontratação de terceiros para a realização de transporte de pacientes, conforme Anexo 11. Doutra banda, constatou a fiscalização que referidas notas fiscais tratam de locação de veículos. Logo, conforme Solução de consulta Cosit 218/2019, não é permitido o creditamento. Fl. 11179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 19 Na planilha apresentada com a peça de defesa, fl. 10905, há informação de duas notas fiscais (463 e 464), mas não há discriminação dos serviços tomados, impossibilitando qualquer avaliação. -COLETA DE RESÍDUOS HOSPITALARES Apregoa que a autoridade administrativa teria expressamente reconhecido que serviços de Coleta de Resíduos de Serviços de Saúde tem o condão de gerar crédito para a empresa. Contudo, teria realizado a glosa desses mesmos serviços em outras Notas Fiscais e sem nenhuma justificativa plausível. Acrescenta que a essencialidade de tal serviço na sua atividade seria evidente. O correto descarte desses materiais seria uma imposição legal. Na planilha trazida com peça de defesa, fl. 10901, verifica-se que há informação de 5 (cinco) notas fiscais. Entretanto, somente em relação a duas (2683 e 400) há, respectivamente, as seguintes informações “LOCAÇÃO DE CAÇAMBA REF. OBRA DA AV. LAGUNA 2354 MGA-PR” e “REFERENTE À ELABORAÇÃO DO PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DO SERVIÇO DE SAUDE – PGRSS”. Em vista da discriminação dos serviços é possível concluir que não se amoldam ao conceito de insumo. Portanto, sobre os valores das precitadas notas fiscais não é permitido apuração de crédito. Sobre as demais notas fiscais não é possível fazer qualquer avaliação, face a ausência de informações sobre supostos serviços. -ANÁLISE E GESTÃO DE QUALIDADE Cita o trecho do Parecer Normativo Cosit/RFB n.º 5/2018 “deve-se salientar que, por vezes, a legislação específica de alguns setores exige a adoção pelas pessoas jurídicas de medidas posteriores à finalização da produção do bem e anteriores a sua efetiva disponibilização à venda, como ocorre no caso de exigência de testes de qualidade a serem realizados por terceiros”. Diz que além deste respaldo de norma administrativa, não haveria como negar que, no serviço prestado pela empresa seria relevante que se desenvolvam testes e controles de qualidade. Por se tratar de uma área da saúde, diretamente relacionada à manutenção da vida. Na planilha trazida com peça de defesa, fls. 10902/10904, verifica-se que há informação de 10 (dez) notas fiscais. Entretanto, somente em relação a uma (33583) há as seguintes informações “Certificação de sistema de gestão da qualidade - PROPOSTA 433/15 - CI: F0587/16 - LANC: 15400- 17056 - AUDITORIA: 11021”. Em vista da discriminação do serviço é possível concluir que não se amolda ao conceito de insumo. Portanto, sobre o valor da precitada nota fiscal não é permitido apuração de crédito. Sobre as demais notas fiscais não é possível fazer qualquer avaliação, face a ausência de informações sobre supostos serviços. Fl. 11180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 20 -TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA Reporta-se ao item 9.1 do Parecer Normativo n.º 5/2018 que prescreve “neste caso (contratação de pessoa jurídica fornecedora de mão de obra), desde que os serviços prestados pela pessoa jurídica contratada sejam considerados insumo nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça e aqui explanados e inexistam outros impedimentos normativos, será possível a apuração de créditos em relação a tais serviços” Suscita que haveria violenta afronta à norma administrativa em relação à glosa de diversas terceirizações de mão de obra, listadas no Anexo 12. Na planilha trazida com peça de defesa, fls. 10906/10926, verifica-se que há informação de diversas notas fiscais. Entretanto, somente em relação a duas (345 e 408) há, respectivamente, as seguintes informações “Reboque de 2 Renault Master de Cajamar para Cuiabá e trazer 2 Master para Cajamar na empresa Marimar” e “TAXA DE ABERTURA DE VAGA COORDENADOR OPERACIONAL VENCIMENTO 12/05/2016”. Em vista da discriminação dos supostos serviços é possível concluir que não se amoldam ao conceito de insumo. Portanto, sobre os valores das precitadas notas fiscais não é permitido apuração de crédito. Sobre as demais notas fiscais não é possível fazer qualquer avaliação, face a ausência de informações sobre supostos serviços. -DEMAIS GLOSAS A SEREM ANULADAS Defende que serviços contábeis e advocatícios, monitoramento e vigilância patrimonial, recrutamento e seleção de colaboradores, publicidade e propaganda e dedetização e limpeza seriam essenciais e relevantes ao desenvolvimento da atividade. Alguns seriam decorrentes exigências legais para a regular operacionalização da empresa. Não merece acolhida, porém, o pleito do impugnante, posto que, conforme assinalou o Parecer Normativo COSIT/RFB Nº 05, de 17/12/2018, tomando-se em conta a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se, portanto, os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo. Igualmente, aponta o referido Parecer Normativo que as despesas da pessoa jurídica com atividades diversas da produção de bens e da prestação de serviços não representam aquisição de insumos geradores de créditos das contribuições, como ocorre, v.g., com as despesas havidas nos setores administrativo, contábil, jurídico e comercial da pessoa jurídica. Também nesse mesmo sentido, a IN RFB nº 2121/2022 explicita em seu art. 176, § 2º, XI, que “não são considerados insumos (...) bens e serviços utilizados, aplicados ou consumidos em operações comerciais", tratando-se de expressa vedação que alcança exatamente a hipótese em questão. Fl. 11181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 21 Logo, não podem ser considerados insumos os gastos com serviços contábeis e advocatícios, monitoramento e vigilância patrimonial, recrutamento e seleção de colaboradores, publicidade e propaganda e dedetização e limpeza. -NOTAS FISCAIS N.º 4 (14/06/2017) E 10.155 (04/02/2016)Menciona que ao longo do Anexo V do auto de infração foram listadas diversas Notas Fiscais em que os créditos foram glosados com a justificativa de que “não foi possível identificar o CNPJ para verificação do CNAE”. Diz que parte delas não foi apresentada em virtude da ausência de dever de guarda detidamente narrada no item 3.5. Mas que duas foram encontradas após o procedimento fiscalizatório e, em respeito ao princípio da verdade real que norteia os processos administrativos, devem ser consideradas neste momento. As notas fiscais citadas constam das fls. 10922/10923. Contudo, os serviços descritos nelas “conserto de maca” e “vidro temperado para porta 10mm e mão de obra” não subsumem-se ao conceito de insumo, impondo-se a manutenção das glosas. Do dever de guarda da documentação exigida Alega a Recorrente que a fiscalização agiu com abuso de direito ao solicitar os documentos referente ao período de janeiro de 2010 a janeiro de 2018, pois não teria obrigação legal de possuir tais documentos, visto que teria decaído diversos períodos. Todavia, como podemos ver da ementa trazida pela própria Recorrente, o prazo para guarda dos documentos é o mesmo, sendo possível se proceder à constituição do crédito tributário, e como já relatado acima, não foi verificada a decadência do período aqui analisado, portanto não podendo se falar que a Recorrente não deveria ter documentação em relação aos créditos tomados em sua apuração. Da nulidade da Representação Fiscal para fins penais Alega ainda a Recorrente que deve ser anulada a representação para fins penais, em virtude do que foi detidamente exposto nos itens 3.4 e 3.5 e em respeito ao art. 195, parágrafo único do CTN c/c. 5º, II e 6º da Portaria da RFB n.º 1.750/2018. Entretando conforme súmula CARF nº 28, o CARF não é compotente para se manifestar sobre Representação Fiscal para Fins Penais, conforme se extrai do texto: Súmula CARF nº 28 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2009 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Acórdãos Precedentes: Fl. 11182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.602 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.726588/2022-00 22 Acórdão nº 303-33810, de 05/12/2006 Acórdão nº 296-00105, de 10/02/2009 Acórdão nº 201-81384, de 03/09/2008 Acórdão nº 106-16727, de 23/01/2008 Acórdão nº 201-78848, de 09/11/2005 Acórdão nº 106-13820, de 18/02/2004 Portanto não sendo possível analisar possível nulidade da Representação Fiscal para Fins Penais. Conclusão Em vista do exposto, voto em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por preclusão, e, na parte conhecida, por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em lhe dar parcial provimento para cancelar a exigência de multa e juros sobre o valor correspondente ao depósito judicial parcial. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow Fl. 11183DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727673/2014-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2015
PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. PREVALÊNCIA DO JUDICIAL
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto ou objeto maior, importa a renúncia tácita às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto.
Numero da decisão: 1402-007.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário unicamente para a ele negar provimento no sentido de ratificar a decisão recorrida que não conheceu da impugnação interposta pela constatação de concomitância da matéria em discussão com ação judicial proposta pela recorrente. Inteligência da Súmula CARF nº 1.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
(documento assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
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MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. PREVALÊNCIA DO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto ou objeto maior, importa a renúncia tácita às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário unicamente para a ele negar provimento no sentido de ratificar a decisão recorrida que não conheceu da impugnação interposta pela constatação de concomitância da matéria em discussão com ação judicial proposta pela recorrente. Inteligência da Súmula CARF nº 1. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone (Presidente). (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 404DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto pela COMPANHIA PIRATININGA DE FORCA E LUZ, CNPJ 04.172.213/0001-51, contra o Acórdão nº 12-82.824, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO). 1. Do Auto de Infração O Auto de Infração nº 10830.727673/2014-03, lavrado em 10/12/2014 e com ciência em 11/12/2014, apurou Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anos-calendário de 2009 a 2012, totalizando R$ 25.401.079,99. A infração consistiu em "Exclusões Indevidas da Base de Cálculo Ajustada da CSLL" e "Exclusões/Compensações Não Autorizadas na Apuração do Lucro Real", com valor glosado anualmente de R$ 9.111.000,00. A multa aplicada foi de 75%. A fiscalização questionou a dedutibilidade de dispêndios de R$ 9.111.000,00 anuais referentes à "Reversão de Provisão PSAP - Lei 9532/97 - Plano de Suplementação de Aposentadorias e Pensão", considerando-os desnecessários às atividades da empresa e uma "aparente graciosidade" para com a Fundação CESP. A fiscalização apontou que a contribuinte não obteve êxito na busca de amparo judicial para que tais despesas fossem declaradas necessárias, em Mandado de Segurança nº 2003.61.05.014964-9. 2. Da Impugnação Administrativa A contribuinte apresentou impugnação em 09/01/2015, alegando, em suma: • Que os valores glosados são despesas legítimas, decorrentes de sucessão de dívidas da Eletropaulo junto à CESP por cisão. • Que o Mandado de Segurança nº 2003.61.05.014964-9 tratava apenas da limitação de 20% do art. 11, § 2º, da Lei nº 9.532/97, e não da necessidade das despesas. • A dedutibilidade dessas despesas seria amparada pelo art. 361 do RIR/99 e precedentes do CARF. • Questionou a multa de ofício de 75% por violar os princípios do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade. • Defendeu a impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício, citando decisões do CARF e CSRF que, à época, consolidavam esse entendimento. 3. Do Acórdão da DRJ Fl. 405DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 3 Em 29/06/2016, a DRJ/RJO proferiu o Acórdão nº 12-82.824, decidindo por NÃO CONHECER DE PARTE DA IMPUGNAÇÃO em razão da matéria da glosa das despesas estar sendo discutida judicialmente (Mandado de Segurança nº 2003.61.05.014964-9). A DRJ fundamentou sua decisão no Parecer Normativo Cosit nº 07/2014, entendendo que a ação judicial possuía "objeto maior" e, portanto, configurava renúncia tácita à instância administrativa. A DRJ também negou provimento as argumentações da contribuinte sobre a multa de ofício e os juros de mora. Manteve a multa de ofício de 75%, afirmando que o julgador administrativo deve seguir os ditames legais e que não havia liminar para suspender o crédito. Quanto aos juros de mora, a DRJ considerou que a multa faz parte do crédito tributário (art. 113, § 1º, e 139 do CTN) e que a cobrança futura de juros sobre ela tem fundamento nos arts. 161 do CTN c/c o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. A aplicação da taxa SELIC foi mantida, com a ressalva de que o julgador administrativo não pode discutir sua constitucionalidade Ciente da decisão de primeira instância, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário no qual expõe os fundamentos de fato e de direito que serão desenvolvidos no voto. Ao final, pede a revisão do Acórdão da DRJ no sentido de que seja deferido seu pleito. É o relatório. VOTO Da Admissibilidade O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente em 02/08/2016, após a ciência do Acórdão da DRJ em 04/07/2016. Satisfeitos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, conheço do recurso voluntário. Da Preliminar de Nulidade da Composição da Turma da DRJ A contribuinte, em seu Recurso Voluntário, arguiu preliminar de nulidade do Acórdão da DRJ, fundamentando-se em suposta irregularidade na composição da turma de julgamento. Afirma que a Portaria 341/2011 estabelece a composição mínima de cinco julgadores, enquanto o Acórdão teve a participação de apenas 4 julgadores. Há uma evidente confusão entre a composição de uma turma de julgamento e o quórum mínimo para a realização de uma sessão de julgamento pelas DRJs. Conforme o Art. 2º da Portaria MF que regulamenta as DRJ, as turmas de julgamento são "integradas por 5 (cinco) julgadores" e podem funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou pro tempore. No entanto, o § 6º do Art. 4º da mesma Portaria estabelece que o Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento pode designar julgador ad hoc para participar de sessão específica visando a garantir o quorum mínimo de 3 (três) julgadores para a Fl. 406DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 4 realização da sessão. Adicionalmente, o Art. 131 reforça que "Somente pode haver deliberação quando presente a maioria dos membros da Turma". Dado que a sessão foi realizada com 4 (quatro) julgadores, o quorum mínimo de 3 (três) julgadores foi respeitado. Portanto, mesmo que a composição ideal de 5 julgadores não tenha sido alcançada, a deliberação da DRJ é válida, não havendo que se falar em nulidade do acórdão por este motivo. Desse modo, a preliminar de nulidade quanto à composição da turma de julgamento não prospera. Da Nulidade por Descumprimento do Art. 24 da Lei nº 11.457/2007 A contribuinte, em seu Recurso Voluntário, também arguiu a nulidade do lançamento com base no descumprimento do prazo de 360 dias para a prolação de decisão administrativa, conforme previsto no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. O artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 estabelece que "É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recurso administrativos do contribuinte". Contudo, a jurisprudência consolidada deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é no sentido de que a extrapolação desse prazo não acarreta a nulidade do lançamento. Ademais, prevalece sobre a Lei nº 11.457/07 o Decreto nº 70.235/72, que trata especificamente sobre o processo e procedimento administrativos federais. Este Decreto não prevê a nulidade quando o auto de infração preenche todos os requisitos dispostos e o processo não incorreu em nenhuma das nulidades ali apontadas. Portanto, a inobservância do prazo de 360 dias, embora previsto como obrigatório, não gera, por si só, a nulidade do lançamento ou a decadência do crédito tributário, conforme a interpretação dominante deste órgão julgador. A preliminar de nulidade com base no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, portanto, não prospera. Do Mérito No caso, a recorrente afirma que sua origem decorre da cisão parcial da Eletropaulo, momento em que inicialmente houve a criação da empresa Bandeirante energia S.A. posteriormente, esta empresa também foi cindida, gerando a criação da recorrente, COMPANHIA PIRATININGA DE FORCA E LUZ. Como decorrências destes eventos sucessórios, afirma que absorveu certo número de servidores inativos da antiga Bandeirante Energia, o que a levou a assumir obrigações perante a Fundação CESP, entidade fechada de previdência privada, que administra os planos previdenciários de seus empregados. 1 Art. 13. Somente pode haver deliberação quando presente a maioria dos membros da Turma, sendo essa tomada por maioria simples, cabendo ao Presidente da Turma, além do voto ordinário, o de qualidade. Fl. 407DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 5 Desta forma, afirma que contribui “mensalmente não apenas em razão dos benefícios previdenciários de seus funcionários ativos, mas também dos inativos (ex-funcionários), na medida dos benefícios a ele concedidos pela Bandeirante até a data da efetiva cisão (cf. Protocolo de Cisão e Confissão de Dívida)”. Estes pagamentos foram feitos a título de contribuição normal. No entanto, no período fiscalizado, a recorrente teve que também realizar contribuições extraordinárias em vista da necessidade de cobrir déficits atuariais na Fundação CESP. Estes autos tratam exclusivamente da dedutibilidade destas contribuições extraordinárias e correspondem ao valor de R$ 9.111.000,00 que compôs o valor total de R$ 92.039.351,56 que foi objeto de análise no procedimento fiscal (item 03 abaixo e-fls. 31): Na resposta à intimação (e-fls. 51) a empresa confirma que o valor de R$ 9.111.000,00 se trata de pagamentos extraordinários à Fundação CESP: A fiscalização glosou a dedução destas contribuições extraordinárias considerando- as desnecessárias às atividades da empresa e uma "aparente graciosidade" para com a Fundação CESP. A fiscalização apontou que a contribuinte não obteve êxito numa ação judicial (Mandado de Fl. 408DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 6 Segurança nº 2003.61.05.014964-9), pela qual buscava de amparo para que tais despesas fossem declaradas necessárias. O fundamento legal para dedutibilidade de contribuições às entidades de previdência privada está no artigo 11, § 2 da lei 9532/1997, que limita esta dedução ao montante de 20% da folha de salários: Art. 11. As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual - Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. § 2º Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do art. 13 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual - Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a 20% (vinte por cento) do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. A recorrente defende não só a dedutibilidade destas contribuições extraordinárias como também o afastamento deste limite de 20%, sob o argumento que o disposto na lei 9532/1997 não se aplicaria à esta despesa. Afirma que as contribuições extraordinárias, por serem destinadas a cobrir déficits de benefícios de ex-funcionários (inativos), não possuem um valor correspondente em folha de salários. Assim, seria juridicamente impossível aplicar a base de cálculo do limite (20% da folha de pagamento) a uma despesa que não está vinculada a essa mesma folha. A DRJ não conheceu da impugnação quanto ao tema da glosa destas despesas pelo fato de estarem sendo discutido judicialmente neste Mandado de Segurança nº 2003.61.05.014964-9). Em Recurso Voluntário, a defesa afirma que “não há qualquer semelhança com o assunto tratado no Mandado de Segurança n° 2003.61.05.014964-9, pois a ação judicial não trata da dedutibilidade das obrigações assumidas pela Recorrente na condição de sucessora da Bandeirante e da Eletropaulo, não discute a necessidade dessa despesa, e, por tais razões, não tem qualquer relação jurídica com a matéria tratada neste processo administrativo.” Grifei. Fl. 409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 7 A contribuinte alegou que o referido Mandado de Segurança tratava exclusivamente da limitação de 20% para a dedutibilidade das contribuições e não da necessidade da despesa. Contudo, a análise da petição inicial do Mandado de Segurança nº 2003.61.05.014964-9 revela que a impetrante pleiteou expressamente "declarar a inexistência de relação jurídica que proíba a Impetrante de deduzir integralmente, da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as contribuições extraordinárias pagas a título de previdência privada de seus empregados inativos", e também discutiu os "conceitos de despesas necessárias". Na própria petição inicial, nos pedidos finais, a recorrente, então impetrante, (e-fls. 119) reconhece a “não dedutibilidade da contribuição extraordinária”: A petição inicial possui um capítulo próprio (II.4 – efls 114) para tratar da necessidade destas despesas extraordinárias: Fl. 410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 8 Ao final deste capítulo (e-fls. 117), arremata seu raciocínio afirmando ser “inconteste” que estas as despesas extraordinárias são necessárias: Em outra passagem da petição inicial, a impetrante defende que tais pagamentos não se tratam de mera liberalidade (e-fls. 107): E este é exatamente o ponto central da autuação, que é a necessidade desta despesas, como vemos nos seguintes trechos do TVF: “Analisando a parte preliminar da resposta da empresa no item 03, transcrito anteriormente: "A reversão em questão é referente a dívida previdenciária contraída pela CPFL Piratininga junto a Fundação Cesp, CM decorrência de acúmulos de déficit incorridos em períodos anteriores, que exigiram repactuação em instrumento de consolidação de dívida...." Observamos uma aparente graciosidade da CPFL Piratininga para com a Fundação Cesp, e como graciosidade é uma despesa desnecessária a fonte produtora de receitas. Assim aprofundamos estudos sobre a questão.” Fl. 411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 9 “Portanto, é nosso entendimento que o dispêndio em questão, qual seja, R$ 9.111.000,00 não é necessário às atividades nem tampouco à manutenção da fonte produtora das rendas, conforme os ditames constantes no artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3000/99, desta forma não devendo influir nos resultados da empresa perante a RFB. Além do que a própria postura da empresa em procurar o remédio judicial denotou a fragilidade da convicção da contribuinte do seu procedimento, de impactar o Lucro Real e a base de cálculo da CSLL deste dispêndio.” Portanto, a ação judicial não tratou apenas da limitação da dedução à 20% da folha de salários, mas também sobre a própria natureza destas contribuições extraordinárias como despesas dedutíveis. O auto de infração guarda relação direta com a discussão judicial. O juiz da causa, nas e-fls. 122, ao relatar a questão, teve o mesmo entendimento, ao resumir que os pedidos da inicial são segregados em três partes. Observe-se o item “b”: “Pede o deferimento de liminar o especificamente para o fim de ver autorizada : “a imediata e integral dedução, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, das despesas incorridas para o pagamento de contribuição para a previdência privada de empregados inativos”... No mérito pretende a impetrante, in verbis “ a) seja declarada a inexistência de relação jurídica que proíba a Impetrante de deduzir integralmente, da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSSL, a contribuições extraordinárias pagas a título de previdência privada de seus empregados inativos; b) seja reconhecido o direito da Impetrante de compensar os valores indevidamente recolhidos a partir da 10/2001, tendo em vista a não dedutibilidade da contribuição extraordinária... o) seja determinado que o Impetrado se abstenha de praticar qualquer ato tendente a exigir da Impetrante o pagamento dos tributos que deixarem de ser pagos em virtude da compensação..." Portanto, o próprio poder judiciário, ao analisar a petição inicial, entendeu que a recorrente pretendeu que as contribuições feitas em caráter extraordinário à Fundação CESP sejam consideradas despesas necessárias, inclusive por ter formulado pedido exclusivo sobre este tema. A petição inicial possui dois pedidos, que pela lógica são sucessivos: 1) Reconhecer que estas despesas são necessárias; 2) Acaso seja reconhecido que estas despesas são necessárias, pede-se a permissão de dedução integral destas despesas sem os limites do artigo 11 da lei 9532/1997: Fl. 412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 10 Art. 11. A dedução relativa às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea "e" do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, somada às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual - FAPI, a que se refere a Lei n.º 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da pessoa física, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. (Vide Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) § 1º Aos resgates efetuados pelos quotistas de Fundo de Aposentadoria Programada Individual - FAPI, aplicam-se, também, as normas de incidência do imposto de renda de que trata o art. 33 da Lei nº 9.250, de 1995. § 2º Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual - FAPI, a que se refere a Lei nº 9.477, de 1997, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. § 3º O somatório das contribuições que exceder o valor a que se refere o parágrafo anterior deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. § 4º O disposto neste artigo não elide a observância das normas do art. 7º da Lei n° 9.477, de 1997. Portanto, a propositura da ação atrai a aplicação da Súmula CARF nº 12. A ampla discussão promovida pela contribuinte na esfera judicial sobre a dedutibilidade integral das contribuições extraordinárias para previdência privada de inativos, bem como a necessidade de tais despesas, enquadra-se perfeitamente no conceito de "mesmo objeto" da glosa fiscal. Adicionalmente, cumpre ressaltar que esta Turma 1402, já se pronunciou sobre matéria idêntica, envolvendo a mesma contribuinte e o mesmo Mandado de Segurança. No Acórdão nº 1402-001.499, referente ao PAF 10830.001019/2007-39, proferido em 06/11/2013, esta turma, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer do recurso pela existência de ação judicial concomitante: PAF: 10830.001019/2007-39 Sessão de 06/11/2013 2 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Fl. 413DF CARF MF Original https://acordaos.economia.gov.br/acordaos2/pdfs/processados/10830001019200739_5322353.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 11 Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2005 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1). Acórdão 1402-001.499 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso pela existência de ação judicial concomitante. Relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Portanto, há um claro precedente vinculante desta própria Turma para a matéria em discussão. Por fim, destaca-se que o Mandado de Segurança nº 2003.61.05.014964-9 transitou em julgado desfavoravelmente à contribuinte em 27/10/2024, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negar provimento ao Recurso Especial da autora. As decisões judiciais de segunda e terceira instâncias confirmaram a legalidade da limitação imposta pelo art. 11, § 2º, da Lei nº 9.532/97, e afirmaram que benefícios fiscais não podem ser interpretados extensivamente. O trânsito em julgado na esfera judicial sobre a matéria de fundo das glosas consolida a decisão e impede qualquer análise meritória no âmbito administrativo. Diante da aplicação da Súmula CARF nº 1, do precedente desta Turma e do trânsito em julgado desfavorável na esfera judicial, a decisão da DRJ de não conhecer de parte da impugnação por concomitância judicial foi correta e deve ser mantida. Consequentemente, a glosa do principal (IRPJ e CSLL) permanece inalterada em sede administrativa. A defesa não tem razão neste ponto. 2.2. Da Multa de Ofício de 75% A contribuinte questiona a multa de ofício de 75%, alegando violação aos princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. É firme o entendimento deste Conselho de que o julgador administrativo está adstrito à legalidade estrita e não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de normas legais. A Súmula CARF nº 2 é clara ao dispor: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Considerando que o principal do tributo foi mantido (por não conhecimento administrativo do mérito em razão de concomitância judicial), a aplicação da multa de ofício de Fl. 414DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.453 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.727673/2014-03 12 75% encontra-se em conformidade com o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. A defesa não tem razão neste ponto. 2.3. Dos Juros de Mora sobre a Multa de Ofício e Taxa SELIC A contribuinte argumenta a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, citando precedentes que, à época da impugnação, defendiam essa tese. A DRJ, por sua vez, defendeu a incidência, alegando que a multa faz parte do crédito tributário e que a cobrança de juros sobre ela é fundamentada nos artigos 161 do CTN c/c o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Ocorre que, a jurisprudência deste Conselho foi pacificada pela Súmula CARF nº 108, que é vinculante e estabelece expressamente: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.". Portanto, a decisão da DRJ de manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está em consonância com a Súmula vinculante deste Conselho. A discussão sobre a constitucionalidade da taxa SELIC como índice de juros de mora, por sua vez, também é matéria vedada ao julgador administrativo, conforme já mencionado e em linha com a Súmula CARF nº 2. Assim, a DRJ agiu corretamente ao manter a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. A defesa não tem razão neste ponto. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo a decisão da DRJ de não conhecimento. É como voto. documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Fl. 415DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 14098.720027/2019-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2016, 2017
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PARCELAMENTO FORMULADO APÓS A CIÊNCIA DO TERMO DE REINTIMAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA.
Não se reconhece nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa quando ausente qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. A jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de que o parcelamento requerido após o início do procedimento fiscal não afasta a aplicação da multa de ofício, tampouco configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Ademais, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, VI, do CTN, pressupõe homologação do parcelamento, o que não se verifica quando o pedido é posteriormente cancelado. Por fim, a compensação com créditos decorrentes de acordos trabalhistas não se sustenta na ausência de comprovação documental idônea.
NULIDADE NO PROCEDIMENTO FISCAL. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL - TDPF. AUSÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE FORMAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 171.
A fase de procedimento fiscal possui natureza inquisitória e preparatória, instaurando-se o contraditório e a ampla defesa apenas com a apresentação de impugnação. Irregularidades na emissão, alteração ou prorrogação do TDPF não ensejam nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 171.
NULIDADE. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. EXERCÍCIO PLENO DO CONTRADITÓRIO.
É válida a constituição do crédito tributário mediante Auto de Infração instruído com relatório fiscal contendo a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e delimitando o enquadramento jurídico da infração. A motivação apresentada é suficiente para atender aos requisitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não se configurando nulidade por suposta deficiência de fundamentação. A alegação de afronta aos princípios da legalidade, proporcionalidade e razoabilidade não prospera quando o lançamento obedece integralmente às normas legais vigentes, não competindo ao CARF afastar dispositivos legais sob fundamento de eventual inconstitucionalidade, nos termos da Súmula CARF nº 2.
NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DE ENUNCIADOS SUMULARES. SÚMULA Nº 368/TST. SÚMULAS CARF Nº 14 E Nº 77. IRRELEVÂNCIA PARA O CASO CONCRETO. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO A DIREITO DE DEFESA.
A invocação da Súmula nº 368 do TST não conduz à nulidade do lançamento quando o feito fiscal não decorre de execução trabalhista, mas de divergências entre valores informados em DIRF e aqueles efetivamente recolhidos em DARF e DCTF. A súmula trabalhista trata de competência e critérios de cálculo aplicáveis à Justiça do Trabalho, inaplicáveis no âmbito do processo administrativo fiscal. A Súmula CARF nº 14, por sua vez, é inaplicável quando não há qualificação da multa de ofício e o lançamento não se baseia em presunção de omissão de receitas, mas em incongruências autodeclaradas pela contribuinte. Igualmente, a Súmula CARF nº 77 trata exclusivamente da exclusão do Simples Nacional, tema alheio à presente controvérsia, que envolve IRRF. Não havendo pertinência entre os enunciados citados e os fatos apurados, rejeita-se a preliminar de nulidade.
NULIDADE. UNIFICAÇÃO DE EXIGÊNCIAS EM UM ÚNICO AUTO DE INFRAÇÃO. IDENTIDADE DO SUJEITO PASSIVO E ELEMENTOS DE PROVA. IMPROCEDÊNCIA.
É legítima a formalização, em um único Auto de Infração, de exigências relativas a crédito tributário e penalidade, quando presentes os requisitos do art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, a saber: identidade do sujeito passivo e utilização dos mesmos elementos probatórios. No caso, o lançamento decorreu de procedimento fiscal baseado em divergências entre DIRF e DARF/DCTF do mesmo sujeito passivo, com idênticos elementos probatórios.
NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO EXPRESSA E INDIVIDUALIZADA. INOCORRÊNCIA. ENFRENTAMENTO DAS MATÉRIAS RELEVANTES. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. EXERCÍCIO PLENO DO CONTRADITÓRIO.
A ausência de apreciação pormenorizada de todos os argumentos deduzidos na impugnação não configura nulidade, desde que a decisão de primeira instância analise as matérias controvertidas e apresente motivação suficiente, nos termos do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972. O julgador não está obrigado a rebater isoladamente cada ponto da defesa, bastando enfrentar os fundamentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIVERGÊNCIAS ENTRE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO.
É legítima a constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do CTN, quando verificada a falta de recolhimento de imposto de renda declarado pela própria contribuinte em DIRFs, sem que tenha havido comprovação de pagamento correspondente em DARFs e DCTFs. Nessas hipóteses, aplica-se a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, independentemente da demonstração de dolo, fraude ou simulação.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PARCELAMENTO POSTERIOR À CIÊNCIA DO PROCEDIMENTO FISCAL. INAPLICABILIDADE.
A apresentação de pedido de parcelamento após a ciência do Termo de Reintimação Fiscal descaracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Nessa hipótese, o parcelamento não impede a constituição do crédito tributário nem afasta a aplicação da multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE PAGAMENTO, DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA. INCIDÊNCIA AUTOMÁTICA. COMPROVAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE. DESNECESSIDADE.
A multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, incide automaticamente nos casos de falta de pagamento, de declaração ou de declaração inexata, independentemente da demonstração de dolo ou fraude. A infração material constatada — falta de recolhimento de tributo declarado — atrai a penalidade de forma objetiva.
COMPENSAÇÃO COM ACORDOS TRABALHISTAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº 368/TST.
Não se reconhece a compensação de débitos com valores oriundos de acordos trabalhistas na ausência de provas quanto à existência dos acordos e dos recolhimentos de IRRF correlatos. A Súmula nº 368 do TST versa sobre matéria processual trabalhista e não se aplica ao processo administrativo fiscal baseado em divergência entre declarações e pagamentos.
Numero da decisão: 1301-007.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade para, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado Digitalmente
Eduarda Lacerda Kanieski – Relatora
Assinado Digitalmente
Rafael Taranto Malheiros – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto integral), José Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: EDUARDA LACERDA KANIESKI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2016, 2017 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PARCELAMENTO FORMULADO APÓS A CIÊNCIA DO TERMO DE REINTIMAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. Não se reconhece nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa quando ausente qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. A jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de que o parcelamento requerido após o início do procedimento fiscal não afasta a aplicação da multa de ofício, tampouco configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Ademais, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, VI, do CTN, pressupõe homologação do parcelamento, o que não se verifica quando o pedido é posteriormente cancelado. Por fim, a compensação com créditos decorrentes de acordos trabalhistas não se sustenta na ausência de comprovação documental idônea. NULIDADE NO PROCEDIMENTO FISCAL. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL - TDPF. AUSÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE FORMAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 171. A fase de procedimento fiscal possui natureza inquisitória e preparatória, instaurando-se o contraditório e a ampla defesa apenas com a apresentação de impugnação. Irregularidades na emissão, alteração ou prorrogação do TDPF não ensejam nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 171. NULIDADE. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. EXERCÍCIO PLENO DO CONTRADITÓRIO. É válida a constituição do crédito tributário mediante Auto de Infração instruído com relatório fiscal contendo a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e delimitando o enquadramento jurídico da infração. A motivação apresentada é suficiente para atender aos requisitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não se configurando nulidade por suposta deficiência de fundamentação. A alegação de afronta aos princípios da legalidade, proporcionalidade e razoabilidade não prospera quando o lançamento obedece integralmente às normas legais vigentes, não competindo ao CARF afastar dispositivos legais sob fundamento de eventual inconstitucionalidade, nos termos da Súmula CARF nº 2. NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DE ENUNCIADOS SUMULARES. SÚMULA Nº 368/TST. SÚMULAS CARF Nº 14 E Nº 77. IRRELEVÂNCIA PARA O CASO CONCRETO. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO A DIREITO DE DEFESA. A invocação da Súmula nº 368 do TST não conduz à nulidade do lançamento quando o feito fiscal não decorre de execução trabalhista, mas de divergências entre valores informados em DIRF e aqueles efetivamente recolhidos em DARF e DCTF. A súmula trabalhista trata de competência e critérios de cálculo aplicáveis à Justiça do Trabalho, inaplicáveis no âmbito do processo administrativo fiscal. A Súmula CARF nº 14, por sua vez, é inaplicável quando não há qualificação da multa de ofício e o lançamento não se baseia em presunção de omissão de receitas, mas em incongruências autodeclaradas pela contribuinte. Igualmente, a Súmula CARF nº 77 trata exclusivamente da exclusão do Simples Nacional, tema alheio à presente controvérsia, que envolve IRRF. Não havendo pertinência entre os enunciados citados e os fatos apurados, rejeita-se a preliminar de nulidade. NULIDADE. UNIFICAÇÃO DE EXIGÊNCIAS EM UM ÚNICO AUTO DE INFRAÇÃO. IDENTIDADE DO SUJEITO PASSIVO E ELEMENTOS DE PROVA. IMPROCEDÊNCIA. É legítima a formalização, em um único Auto de Infração, de exigências relativas a crédito tributário e penalidade, quando presentes os requisitos do art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, a saber: identidade do sujeito passivo e utilização dos mesmos elementos probatórios. No caso, o lançamento decorreu de procedimento fiscal baseado em divergências entre DIRF e DARF/DCTF do mesmo sujeito passivo, com idênticos elementos probatórios. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO EXPRESSA E INDIVIDUALIZADA. INOCORRÊNCIA. ENFRENTAMENTO DAS MATÉRIAS RELEVANTES. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. EXERCÍCIO PLENO DO CONTRADITÓRIO. A ausência de apreciação pormenorizada de todos os argumentos deduzidos na impugnação não configura nulidade, desde que a decisão de primeira instância analise as matérias controvertidas e apresente motivação suficiente, nos termos do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972. O julgador não está obrigado a rebater isoladamente cada ponto da defesa, bastando enfrentar os fundamentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIVERGÊNCIAS ENTRE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do CTN, quando verificada a falta de recolhimento de imposto de renda declarado pela própria contribuinte em DIRFs, sem que tenha havido comprovação de pagamento correspondente em DARFs e DCTFs. Nessas hipóteses, aplica-se a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, independentemente da demonstração de dolo, fraude ou simulação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PARCELAMENTO POSTERIOR À CIÊNCIA DO PROCEDIMENTO FISCAL. INAPLICABILIDADE. A apresentação de pedido de parcelamento após a ciência do Termo de Reintimação Fiscal descaracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Nessa hipótese, o parcelamento não impede a constituição do crédito tributário nem afasta a aplicação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE PAGAMENTO, DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA. INCIDÊNCIA AUTOMÁTICA. COMPROVAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE. DESNECESSIDADE. A multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, incide automaticamente nos casos de falta de pagamento, de declaração ou de declaração inexata, independentemente da demonstração de dolo ou fraude. A infração material constatada — falta de recolhimento de tributo declarado — atrai a penalidade de forma objetiva. COMPENSAÇÃO COM ACORDOS TRABALHISTAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº 368/TST. Não se reconhece a compensação de débitos com valores oriundos de acordos trabalhistas na ausência de provas quanto à existência dos acordos e dos recolhimentos de IRRF correlatos. 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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-11-06T11:57:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-11-06T11:57:20Z; Last-Modified: 2025-11-06T11:57:20Z; dcterms:modified: 2025-11-06T11:57:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-11-06T11:57:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-11-06T11:57:20Z; meta:save-date: 2025-11-06T11:57:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-11-06T11:57:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-11-06T11:57:20Z; created: 2025-11-06T11:57:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2025-11-06T11:57:20Z; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-11-06T11:57:20Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 14098.720027/2019-11 ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 15 de outubro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE EDUCARE GESTAO DE EDUCACAO LTDA E OUTROS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2016, 2017 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PARCELAMENTO FORMULADO APÓS A CIÊNCIA DO TERMO DE REINTIMAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. Não se reconhece nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa quando ausente qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. A jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de que o parcelamento requerido após o início do procedimento fiscal não afasta a aplicação da multa de ofício, tampouco configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Ademais, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, VI, do CTN, pressupõe homologação do parcelamento, o que não se verifica quando o pedido é posteriormente cancelado. Por fim, a compensação com créditos decorrentes de acordos trabalhistas não se sustenta na ausência de comprovação documental idônea. NULIDADE NO PROCEDIMENTO FISCAL. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL - TDPF. AUSÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE FORMAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 171. A fase de procedimento fiscal possui natureza inquisitória e preparatória, instaurando-se o contraditório e a ampla defesa apenas com a apresentação de impugnação. Irregularidades na emissão, alteração ou prorrogação do TDPF não ensejam nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 171. Fl. 333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 2 NULIDADE. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. EXERCÍCIO PLENO DO CONTRADITÓRIO. É válida a constituição do crédito tributário mediante Auto de Infração instruído com relatório fiscal contendo a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e delimitando o enquadramento jurídico da infração. A motivação apresentada é suficiente para atender aos requisitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não se configurando nulidade por suposta deficiência de fundamentação. A alegação de afronta aos princípios da legalidade, proporcionalidade e razoabilidade não prospera quando o lançamento obedece integralmente às normas legais vigentes, não competindo ao CARF afastar dispositivos legais sob fundamento de eventual inconstitucionalidade, nos termos da Súmula CARF nº 2. NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DE ENUNCIADOS SUMULARES. SÚMULA Nº 368/TST. SÚMULAS CARF Nº 14 E Nº 77. IRRELEVÂNCIA PARA O CASO CONCRETO. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO A DIREITO DE DEFESA. A invocação da Súmula nº 368 do TST não conduz à nulidade do lançamento quando o feito fiscal não decorre de execução trabalhista, mas de divergências entre valores informados em DIRF e aqueles efetivamente recolhidos em DARF e DCTF. A súmula trabalhista trata de competência e critérios de cálculo aplicáveis à Justiça do Trabalho, inaplicáveis no âmbito do processo administrativo fiscal. A Súmula CARF nº 14, por sua vez, é inaplicável quando não há qualificação da multa de ofício e o lançamento não se baseia em presunção de omissão de receitas, mas em incongruências autodeclaradas pela contribuinte. Igualmente, a Súmula CARF nº 77 trata exclusivamente da exclusão do Simples Nacional, tema alheio à presente controvérsia, que envolve IRRF. Não havendo pertinência entre os enunciados citados e os fatos apurados, rejeita-se a preliminar de nulidade. NULIDADE. UNIFICAÇÃO DE EXIGÊNCIAS EM UM ÚNICO AUTO DE INFRAÇÃO. IDENTIDADE DO SUJEITO PASSIVO E ELEMENTOS DE PROVA. IMPROCEDÊNCIA. É legítima a formalização, em um único Auto de Infração, de exigências relativas a crédito tributário e penalidade, quando presentes os requisitos do art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, a saber: identidade do sujeito passivo e utilização dos mesmos elementos probatórios. No caso, o lançamento decorreu de procedimento fiscal baseado em divergências Fl. 334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 3 entre DIRF e DARF/DCTF do mesmo sujeito passivo, com idênticos elementos probatórios. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO EXPRESSA E INDIVIDUALIZADA. INOCORRÊNCIA. ENFRENTAMENTO DAS MATÉRIAS RELEVANTES. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. EXERCÍCIO PLENO DO CONTRADITÓRIO. A ausência de apreciação pormenorizada de todos os argumentos deduzidos na impugnação não configura nulidade, desde que a decisão de primeira instância analise as matérias controvertidas e apresente motivação suficiente, nos termos do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972. O julgador não está obrigado a rebater isoladamente cada ponto da defesa, bastando enfrentar os fundamentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIVERGÊNCIAS ENTRE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do CTN, quando verificada a falta de recolhimento de imposto de renda declarado pela própria contribuinte em DIRFs, sem que tenha havido comprovação de pagamento correspondente em DARFs e DCTFs. Nessas hipóteses, aplica-se a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, independentemente da demonstração de dolo, fraude ou simulação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PARCELAMENTO POSTERIOR À CIÊNCIA DO PROCEDIMENTO FISCAL. INAPLICABILIDADE. A apresentação de pedido de parcelamento após a ciência do Termo de Reintimação Fiscal descaracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Nessa hipótese, o parcelamento não impede a constituição do crédito tributário nem afasta a aplicação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE PAGAMENTO, DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA. INCIDÊNCIA AUTOMÁTICA. COMPROVAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE. DESNECESSIDADE. A multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, incide automaticamente nos casos de falta de pagamento, de declaração ou de declaração inexata, independentemente da demonstração de dolo ou fraude. A infração material constatada — falta de recolhimento de tributo declarado — atrai a penalidade de forma objetiva. Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 4 COMPENSAÇÃO COM ACORDOS TRABALHISTAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº 368/TST. Não se reconhece a compensação de débitos com valores oriundos de acordos trabalhistas na ausência de provas quanto à existência dos acordos e dos recolhimentos de IRRF correlatos. A Súmula nº 368 do TST versa sobre matéria processual trabalhista e não se aplica ao processo administrativo fiscal baseado em divergência entre declarações e pagamentos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade para, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Eduarda Lacerda Kanieski – Relatora Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto integral), José Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto por EDUCARE GESTÃO DE EDUCAÇÃO LTDA., em face do v. Acórdão nº 01-37.137, proferido pela DRJ/BH, que julgou improcedente a Impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, relativo aos anos-calendário de 2016, 2017 e 2018. O lançamento teve por fundamento o disposto no art. 7º, caput, inciso I e § 1º, e art. 26 da Lei nº 7.713/1988; arts. 3º e 16 da Lei nº 8.134/1990; art. 620, Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 5 caput e §§ 1º a 3º, arts. 621, 624, 625, 638, 641, 642, §§ 1º a 4º, 643, §§ 1º a 3º, 644 e 646, do RIR/1999; e art. 4º, incisos II, III, IV, V e VII, da Lei nº 9.250/1995. Consoante descrito no Relatório Fiscal, a fiscalização apurou divergências entre as informações prestadas pela Contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e os valores efetivamente recolhidos em Documento de Arrecadação de Receitas Federais – DARF, ou declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, relativamente aos anos-calendário de 2016 e 2017. A Contribuinte foi intimada (e-fls. 16, 19 e 49) e reintimada (e-fl. 18) para apresentar esclarecimentos e comprovar o recolhimento do IRRF declarado em DIRFs transmitidas em 30/05/2017 e 09/07/2018. Em resposta apresentada em 26/02/2019 (e-fls. 20/21), informou ter solicitado adesão a parcelamento dos débitos referentes ao ano-calendário de 2017, por meio do Processo nº 10183-401.523/2019-41. O pleito, contudo, foi desconsiderado pela Autoridade Fiscal, por ter sido formulado após a ciência do procedimento fiscal, afastando, assim, os efeitos da denúncia espontânea. No tocante ao ano-calendário de 2016, não foram prestados esclarecimentos. Diante desse contexto, as diferenças apuradas foram objeto de lançamento de ofício, consubstanciado no Auto de Infração de e-fls. 2/8, no montante de R$ 272.030,31, acrescido de juros de mora (R$ 40.929,08) e multa de ofício (R$ 204.022,65), sem agravamento ou qualificação. Inconformada, a Contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pela decisão de primeira instância, formalizada no Acórdão nº 01-37.137, cuja ementa consignou, em síntese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2016, 2017 Ementa: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DIVERGÊNCIA. DIRF X DARF. Encontra-se em harmonia com o arcabouço jurídico o lançamento decorrente de divergências apuradas entre as informações apresentadas pelo contribuinte na "Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte" (DIRF) com as informações constantes dos valores recolhidos pela defendente em "Documento de Arrecadação de Receitas Federais" (DARF). Fl. 337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2016, 2017 Ementa: TDPF. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO. NULIDADE. AUSÊNCIA. O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF) é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Seus eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência não são causas de nulidade do auto de infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O procedimento administrativo de lançamento do crédito tributário deve observar os preceitos do artigo 142 do CTN combinado com os preceitos constantes dos artigos 9º e 10º do Decreto nº 70.235/72. Os casos de nulidade do auto de infração estão previstos no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, não havendo vício no lançamento e nem afronta ao art. 142 do CTN quando os fatos que motivaram a autuação estão precisamente descritos no relatório de fiscalização, demonstrados, acompanhados da fundamentação legal e efetivado por autoridade competente. AUTO DE INFRAÇÃO. CUMULAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. ÚNICO PROCESSO. POSSIBILIDADE. De acordo com o comando normativo esculpido no art. 9º, caput c/c § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, encontra-se em harmonia com o ordenamento jurídico a exigência de crédito tributário e a aplicação de penalidade formalizados em um único processo quando estes apresentam o mesmo sujeito passivo e a comprovação dos i l ícitos tributários se encontram subsidiados nos mesmos elementos de prova. MOTIVAÇÃO DEFICIENTE. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando o mesmo possui todos os elementos necessários à compreensão inequívoca da exigência detalhados em Relatório de Fiscalização, que é parte integrante do Auto de Infração e referenciado pelo mesmo, dos fatos que o motivaram e o adequado enquadramento legal da infração fiscal, tendo o sujeito passivo, ainda, demonstrado pleno conhecimento das infrações ao impugnar o lançamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A dil igência e/ou perícia têm por finalidade elucidar pontos obscuros porventura existentes o processo administrativo fiscal de forma a subsidiar a convicção do julgador, podendo a autoridade julgadora de primeira instância indeferir as suas realizações, quando entendê-las prescindíveis ou impraticáveis, não podendo concedê-las quando for possível ao impugnante comprovar os fatos para os quais solicita a dil igência e/ou perícia no momento da apresentação da sua impugnaçã o. Fl. 338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 7 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. PRESCINDIBILIDADE. PEDIDO NÃO FORMULADO. O pedido de realização de dil igências e/ou perícia formulado pela impugnante deve ser acompanhado de exposição dos motivos que as justifiquem, da formulação dos ques itos referentes aos exames desejados e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Considerar-se-á não formulado o pedido de dil igência e/ou perícia que não for acompanhado dos requisitos estabelecidos no IV do art. 16, do Decreto nº 70.235/1972. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE PROVA TESTEMUNHAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO POR MEIOS TRANSVERSOS. INDEFERIMENTO. A legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/1972 e Decreto nº 7.574/2011) não prevê a realização de audiência de instrução e julgamento (fase instrutória) na qual seja possível a produção da prova testemunhal, não prevendo, ainda, a produção de referida prova no bojo desta jurisdição administrativa. Portanto, o seu pedido deve ser indeferido, pois, além de ausência de previsão l egislativa, referida prova testemunhal poderia ser apresentada por "meios transversos" (ata notarial ou outro documento hábil e idôneo) possibil itando a defendente, quando da sua impugnação, apresentar os fatos que pretendia com a produção da prova testemunhal. MULTA DE OFÍCIO. AFRONTA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. Discussões acerca da constitucionalidade das leis, incluindo evocação dos Princípios da Razoabilidade, da Proporcionalidade e do Não Confisco para afastar a aplicação de multa tributária ou reduzir o seu percentual, exorbitam a esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada e vigente, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Referidos princípios são destinados ao legislador infraconstitucional, cabendo à autoridade administrativa tão somente a aplicação das multas previstas no ordenamento jurídico. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. A simples argumentação desacompanhada de provas que forneçam lastro aos argumentos apresentados não pode e não deve ser aceita em virtude da míngua demonstração da existência ou da veracidade do alegado. DO PARCELAMENTO APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O pedido de parcelamento formulado após o início do procedimento fiscal descaracteriza a denúncia espontânea, não sendo possível a atribuição dos seus efeitos. Fl. 339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 8 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e-fls. 214/292), no bojo do qual alega, em síntese: Preliminarmente i. Cerceamento de defesa e error in procedendo, por rejeição de preliminar e desconsideração de parcelamento em curso, que afastaria a multa de ofício (art. 44, I, da Lei nº 9.430/1999) e implicaria a suspensão da exigibilidade (art. 151, VI, do CTN), bem como da ausência de compensação dos débitos lançados com créditos oriundos de acordos trabalhistas; ii. Ausência de intimação regular quanto ao TDPF e irregularidade na condução do procedimento fiscal (art. 20 do Decreto nº 3.724/2001 e art. 7º do Decreto nº 70.235/1972); iii. Violação aos princípios da legalidade, proporcionalidade e razoabilidade, com alegada deficiência de motivação (arts. 30 e 59 do Decreto nº 70.235/1972); iv. Inobservância de súmulas e enunciados, notadamente: Súmula nº 368/TST, Súmula nº 14/CARF e Súmula nº 77/CARF; v. Unificação indevida de autos de infração, em afronta ao art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972; vi. Nulidades formais no Auto de Infração e na Notificação de Lançamento, por ausência de elementos exigidos nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972; vii. Cerceamento de defesa pela ausência de apreciação individualizada de todos os pontos suscitados. Mérito 1. Inexistência de fato gerador para a multa de ofício, por ausência de declaração inverídica, omissão de rendimentos ou conduta dolosa; Fl. 340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 9 2. Compensação de tributos já efetuada em reclamações trabalhistas homologadas, nos termos da Súmula nº 368/TST; 3. Caráter confiscatório da multa de 75%, em afronta ao art. 150, IV, da Constituição Federal, citando precedentes do STF; 4. Fundamentação deficiente da decisão de primeira instância, por ausência de enfrentamento específico das matérias impugnadas. Ao final, requer o provimento do Recurso Voluntário para anular o Auto de Infração ou julgá-lo improcedente. É o relatório. VOTO Conselheira Eduarda Lacerda Kanieski, Relatora 1 DA ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do Acórdão de Impugnação em 11/10/2019, vindo a apresentar o presente Recurso Voluntário em 07/11/2019 dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Presentes os pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, conheço do presente recurso voluntário. 2 DAS PRELIMINARES 2.1 NULI DADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA A Recorrente sustenta que a decisão de primeira instância seria nula, pois teria incorrido em error in procedendo ao rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, argumentando que havia parcelamento em curso, o que afastaria a multa de ofício, e que tal situação ensejaria a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, VI, do Fl. 341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 10 CTN. Aduz, ainda, que os débitos exigidos deveriam ser compensados com supostos créditos decorrentes de acordos trabalhistas homologados na Justiça do Trabalho. Entretanto, razão não lhe assiste. No tocante ao parcelamento, a jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que a multa de ofício somente é afastada nas hipóteses em que o parcelamento é requerido antes do início do procedimento fiscal, não sendo possível reconhecer os efeitos da denúncia espontânea em situação diversa. Nesse sentido, já decidiu esta Turma: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 DENUNCIA ESPONTÂNEA E PARCELAMENTO. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. (Acórdão nº 1301-006.991, Cons. Rel. Rafael Taranto Malheiros ) No caso concreto, consta dos autos representação fiscal de e-fls. 60/61, da qual se extrai que o pedido de parcelamento foi formulado em 12/02/2019, portanto, após a ciência do Termo de Reintimação Fiscal em 11/01/2019. Nesse sentido, a Autoridade Fiscal expressamente consignou que: “Em 12/02/2019, foi requerido o parcelamento das divergênc ias apontadas no batimento eletrônico (malha ‘Programa Dirf x Darf’), objeto do processo nº 10183 -401.523/2019-41, providência realizada após a ciência do Termo de Reintimação Fiscal, que se deu em 11/01/2019. Deste modo, referido parcelamento não tem vali dade, razão porque foi desconsiderado (...). Considerando que a fonte pagadora se encontra submetida a procedimento fiscal (...), o parcelamento objeto do processo nº 10183-401.523/2019-41 deverá ser CANCELADO, e o crédito tributário pertinente, cobrado por intermédio do Auto de Infração integrante do processo administrativo nº 14098-720.027/2019-11.” Assim, não há falar em afastamento da multa de ofício, tampouco em caracterização de denúncia espontânea. Igualmente, não procede a alegação de suspensão da exigibilidade, prevista no art. 151, VI, do CTN, pois o simples pedido de parcelamento não configura, por si só, hipótese legal de Fl. 342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 11 suspensão. Exige-se a efetiva homologação do parcelamento, o que não se verificou nos autos, sendo incontroverso que o pedido restou cancelado. Por fim, quanto à alegada compensação de valores pagos em decorrência de acordos trabalhistas, a Recorrente não logrou comprovar documentalmente a existência dos mencionados acordos, tampouco apresentou elementos que evidenciassem recolhimentos de IRRF correlatos, aptos a serem aproveitados na apuração do crédito tributário lançado. A argumentação, portanto, permaneceu desamparada de lastro probatório, não havendo nulidade a ser reconhecida. Diante desse quadro, a preliminar de nulidade deve ser rejeitada, mantendo-se íntegra a decisão da instância a quo. 2.2 NULI DADE POR IRREGULARI DADES NA CONDUÇÃO DO PROCEDI MENTO FI SCAL A Recorrente suscita nulidade do Auto de Infração ao argumento de que não teria sido regularmente intimada acerca do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal – TDPF, nem das prorrogações correspondentes, em afronta ao art. 20 do Decreto nº 3.724/2001 e ao art. 7º do Decreto nº 70.235/1972. Defende que a ausência de intimação comprometeria a legalidade do procedimento e configuraria cerceamento de defesa. A preliminar não merece prosperar. Conforme bem assinalado no Acórdão recorrido, o TDPF não figura entre os requisitos de validade do Auto de Infração previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 12 V – a determinação da exigência e a intimação para cumpri -la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A partir desse comando normativo, verifica-se que o TDPF possui natureza meramente instrumental, voltada à gestão interna e ao controle das atividades de fiscalização, não sendo elemento constitutivo da validade do lançamento. O procedimento fiscal constitui fase pré-processual, de natureza inquisitória, destinada à apuração da ocorrência do fato gerador e à formação da convicção do Auditor-Fiscal acerca da existência de obrigação tributária. Conforme destacam Marcos Vinícius Neder e Thaís de Laurentiis, tal fase “assenta-se num procedimento, mas não traz, como consequência, a instauração de um contencioso.” Os atos administrativos emitidos nessa etapa – como o Mandado de Procedimento Fiscal, o Termo de Início de Fiscalização e o próprio TDPF – são instrumentos de controle interno e execução das atividades fiscais, não se confundindo com atos decisórios da fase litigiosa. O momento oportuno para o contribuinte se insurgir contra a validade das provas obtidas é a impugnação, que instaura a fase contenciosa e, portanto, o processo administrativo propriamente dito. No caso concreto, a Recorrente foi intimada em três oportunidades distintas para apresentar esclarecimentos e documentação comprobatória, tendo permanecido inerte na maioria delas. Quando apresentou resposta, em 26/02/2019, limitou-se a informar a existência de pedido de parcelamento dos débitos relativos ao ano-calendário de 2017, o qual, como visto, foi declarado inválido pela própria Fiscalização. Dessa forma, não se constata qualquer prejuízo ao direito de defesa. Por todo o exposto, rejeita-se a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Fl. 344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 13 2.3 NULI DADE POR SUPOSTA VI OLAÇÃO AOS PRI NCÍ PI OS DA LEGALI DADE, PROPORCI ONALI DADE, RAZOABI LI DADE E DEFI CI ÊNCI A DE MOTI VAÇÃO A Recorrente alega nulidade do lançamento por afronta aos princípios da legalidade, proporcionalidade e razoabilidade, sustentando, ainda, que o Auto de Infração padeceria de motivação deficiente, em descompasso com os arts. 30 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. A preliminar, contudo, não merece acolhida. De início, observa-se que o Auto de Infração encontra-se devidamente instruído com Relatório Fiscal, no qual constam a descrição minuciosa dos fatos, a indicação dos dispositivos legais infringidos e o enquadramento jurídico da infração. O referido relatório foi incorporado ao Auto de Infração, conferindo-lhe motivação adequada e suficiente, em consonância com o disposto no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. No caso, não há nulidade do lançamento quando o relatório de fiscalização apresenta elementos aptos a permitir o pleno conhecimento da acusação, viabilizando ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, dispõe o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em apreço, não há notícia de incompetência da autoridade autuante ou de violação do direito de defesa. Ao contrário, a Recorrente pôde impugnar amplamente os fundamentos da autuação, exercendo seu direito ao contraditório, como evidenciado pelo teor extenso e detalhado de sua impugnação. No tocante à invocação dos princípios da legalidade, proporcionalidade e razoabilidade, cabe assentar que tais princípios destinam-se precipuamente ao legislador e não podem ser utilizados, no âmbito do processo administrativo fiscal, para infirmar a aplicação de normas vigentes e regularmente editadas. Com efeito, a Súmula CARF nº 2 dispõe expressamente que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, Fl. 345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 14 razão pela qual não cabe a este colegiado afastar a aplicação de multas legalmente previstas sob fundamento de eventual desproporcionalidade ou efeito confiscatório. De mais a mais, verifica-se que a autuação não extrapolou os limites fixados pela lei. O percentual da multa de ofício aplicada corresponde ao patamar de 75% previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, não havendo agravamento ou qualificação, tampouco se cogita de ofensa à razoabilidade ou proporcionalidade. Assim, considerando que o Auto de Infração foi lavrado em estrita observância aos requisitos legais, que a Recorrente teve pleno conhecimento das infrações apuradas e oportunidade de defesa, e que não compete a este Conselho afastar a incidência da lei sob alegação genérica de violação a princípios constitucionais, não há nulidade a ser reconhecida. Por todo o exposto, rejeita-se a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. 2.4 NULI DADE POR SUPOSTA VI OLAÇÃO À SÚMULA Nº 368/TST, SÚMULA Nº 14/CARF E SÚMULA Nº 77/CARF A Recorrente sustenta nulidade do Auto de Infração por suposta inobservância de súmulas vinculantes e enunciados jurisprudenciais, em especial a Súmula nº 368 do Tribunal Superior do Trabalho, e as Súmulas CARF nº 14 e 17: A preliminar não merece acolhida. No que se refere à Súmula nº 368/TST, cabe observar que sua redação dispõe sobre a competência da Justiça do Trabalho para determinar o recolhimento de contribuições fiscais e previdenciárias incidentes sobre créditos trabalhistas, bem como sobre a forma de cálculo do imposto de renda retido na fonte em tais hipóteses: Súmula nº 368 do TST DESCONTOS PREVIDENCIÁRIOS. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. FORMA DE CÁLCULO. FATO GERADOR (aglutinada a parte final da Orientação Jurisprudencial nº 363 da SBDI-I à redação do item II e incluídos os itens IV, V e VI em sessão do Tribunal Pleno realizada Fl. 346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 15 em 26.06.2017) - Res. 219/2017, republicada em razão de erro material – DEJT divulgado em 12, 13 e 14.07.2017 I - A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais. A competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, l imita-se às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado, que integrem o salário de contribuição. (ex -OJ nº 141 da SBDI-1 - inserida em 27.11.1998). II - É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, resultantes de crédito do empregado oriundo de condenação judicial. A culpa do empregador pelo inadimplemento das verbas remuneratórias, contudo, não exime a responsabilidade do empregado pelos pagamentos do imposto de renda devido e da contribuição previdenciária que recaia sobre sua quota -parte. (ex-OJ nº 363 da SBDI-1, parte final) III – Os descontos previdenciários relativos à contribuição do empregado, no caso de ações trabalhistas, devem ser calculados mês a mês, de conformidade com o art. 276, § 4º, do Decreto n º 3.048/1999 que regulamentou a Lei nº 8.212/1991, aplicando-se as alíquotas previstas no art. 198, observado o l imite máximo do salário de contribuição (ex - OJs nºs 32 e 228 da SBDI-1 – inseridas, respectivamente, em 14.03.1994 e 20.06.2001). IV - Considera-se fato gerador das contribuições previdenciárias decorrentes de créditos trabalhistas reconhecidos ou homologados em juízo, para os serviços prestados até 4.3.2009, inclusive, o efetivo pagamento das verbas, configurando-se a mora a partir do dia dois do mês seguinte ao da liquidação (art. 276, “caput”, do Decreto nº 3.048/1999). Eficácia não retroativa da alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que deu nova redação ao art. 43 da Lei nº 8.212/91. V - Para o labor realizado a partir de 5.3.2009, considera -se fato gerador das contribuições previdenciárias decorrentes de créditos trabalhistas reconhecidos ou homologados em juízo a data da efetiva prestação dos serviços. Sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas a partir da prestação dos serviços incidem juros de mora e, uma vez apurados os créditos previdenciários, aplica-se multa a partir do exaurimento do prazo de citação para pagamento, se descumprida a obrigação, observado o l imite legal de 20% (art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96). VI – O imposto de renda decorrente de crédito do empregado recebido acumuladamente deve ser calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a util ização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito, nos termos do art. 12-A da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação conferida pela Lei nº 13.149/2015, observado o procedimento previsto nas Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil. Trata-se de enunciado dirigido ao processo trabalhista e às execuções de créditos oriundos de sentenças condenatórias ou acordos homologados perante aquela Justiça Especializada. No presente caso, contudo, a controvérsia versa sobre divergências entre valores Fl. 347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 16 declarados em DIRF e aqueles efetivamente recolhidos em DARF/DCTF, não se tratando de recolhimento de imposto incidente sobre verbas reconhecidas em reclamatórias trabalhistas. De mais a mais, ainda que a Recorrente alegue compensação com valores de IRRF pagos em acordos trabalhistas, não trouxe aos autos comprovação efetiva da existência desses acordos, tampouco da retenção e recolhimento do imposto correlato. Logo, a invocação da Súmula nº 368/TST não socorre a sua pretensão. Quanto à Súmula CARF nº 14, seu enunciado estabelece que “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Tal verbete é inaplicável à espécie, por duas razões: (i) não houve, no caso, qualificação da multa de ofício, sendo aplicado o percentual ordinário de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996; (ii) o lançamento não se fundou em presunção de omissão de receitas, mas sim em divergências constatadas entre as declarações prestadas pela própria Contribuinte (DIRF) e os recolhimentos informados em DCTF e DARF. Por fim, a Súmula CARF nº 77 dispõe: Súmula CARF nº 77 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 10/12/2012 A possibil idade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). AcórdãosPrecedentes: Acórdão nº 1102-00.442, de 26/5/2011 Acórdão nº 1802-00.817, de 23/2/2011 Acórdão nº 1803-00.753, de 16/12/2010 Acórdão nº 105-16.665, de 13/9/2007 Acórdão nº 101- 96.040, de 2/3/2007 O teor do enunciado, como se vê, refere-se especificamente a situações de exclusão do Simples Nacional, matéria absolutamente estranha ao caso em julgamento, que versa sobre imposto de renda retido na fonte (IRRF) e divergências entre declarações e recolhimentos. Fl. 348DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 17 Portanto, nenhuma das súmulas invocadas guarda pertinência com a situação fática e jurídica objeto dos autos, não havendo falar em nulidade do lançamento por inobservância a enunciados jurisprudenciais. Diante desse contexto, rejeita-se a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. 2.5 NULI DADE POR SUPOSTA UNI FI CAÇÃO INDEVI DA DE AUTOS DE INFRAÇÃO A Recorrente alega nulidade do lançamento sob o argumento de que a Autoridade Fiscal teria procedido à unificação indevida de exigências em um único Auto de Infração, em afronta ao disposto no art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972. A alegação não merece prosperar. O art. 9º do Decreto nº 70.235/1972 dispõe: Art. 9º. O auto de infração conterá a descrição clara e precisa da infração e, quando for o caso, a indicação dos elementos em que se fundamentar. § 1º. Poderá a autoridade tributária formalizar em um único processo a exigência de crédito tributário e a aplicação da penalidade, quando estes tiverem o mesmo sujeito passivo e se encontrarem subsidiados nos mesmos elementos de prova. Do comando normativo extrai-se que a lei expressamente autoriza a reunião, em um único processo, da exigência do crédito tributário e da correspondente penalidade, desde que verificados cumulativamente dois requisitos: (i) identidade do sujeito passivo; e (ii) lastro probatório comum às exigências. No caso concreto, observa-se que o lançamento decorreu da apuração de divergências entre valores declarados em DIRF e aqueles efetivamente recolhidos em DARF/DCTF, fatos relacionados ao mesmo sujeito passivo e comprovados pelos mesmos elementos de prova colhidos em procedimento fiscal único. A cumulação, portanto, atendeu aos pressupostos do § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 18 Em tais situações, não há nulidade, sendo legítima a formalização conjunta do crédito tributário e da multa correspondente em um único Auto de Infração, como bem assentado pela decisão de primeira instância. Além disso, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, que teve plena ciência das exigências e pôde impugná-las de forma detalhada, como se depreende da densidade argumentativa de sua manifestação. Diante do exposto, a alegação de nulidade por unificação indevida de autos de infração deve ser rejeitada. 2.6 NULI DADE POR AUSÊNCI A DOS ELEMENTOS FORMAI S DO ART. 10 E 11 DO DECRETO Nº 70.235/1977 A Recorrente sustenta a nulidade do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento, ao argumento de que tais peças não conteriam os elementos formais exigidos pelos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972. A alegação não procede. Dispõem os dispositivos invocados: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumpri -la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento conterá, obrigatoriamente: I – a qualificação do sujeito passivo; II – o valor do crédito tributário e prazo para pagamento; Fl. 350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 19 III – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; IV – a assinatura da autoridade lançadora. A leitura dos autos evidencia que tanto o Auto de Infração quanto a Notificação de Lançamento atenderam integralmente aos requisitos legais. Consta de ambos a qualificação completa da Recorrente, a descrição pormenorizada dos fatos geradores e das infrações imputadas, a indicação expressa dos dispositivos legais infringidos, o valor do crédito tributário constituído, o prazo para impugnação, bem como as assinaturas e identificações funcionais das autoridades competentes. Cumpre salientar que o Auto de Infração foi instruído com Relatório Fiscal minucioso, peça integrante do lançamento, no qual se expõem de forma detalhada os fundamentos fáticos e jurídicos da autuação. Esse relatório supre, de maneira inequívoca, qualquer dúvida quanto à clareza, motivação e completude da peça acusatória, atendendo ao princípio da motivação dos atos administrativos. Ressalte-se, ainda, que a Recorrente não demonstrou de que forma eventual vício formal teria comprometido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ao contrário, apresentou impugnação articulada e abrangente, o que evidencia pleno conhecimento dos fatos, fundamentos legais e valores exigidos no lançamento. Dessa forma, não se verifica qualquer irregularidade capaz de macular a validade formal do Auto de Infração ou da Notificação de Lançamento. Rejeita-se, portanto, a preliminar de nulidade suscitada neste ponto. 2.7 NULI DADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA - AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO INDIVIDUALIZADA DE TODOS OS PONTOS SUSCI TADOS A Recorrente alega nulidade da decisão de primeira instância, ao argumento de que não teria havido apreciação individualizada de todos os pontos suscitados em sua impugnação, o que configuraria cerceamento de defesa. Fl. 351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 20 Não lhe assiste razão. O art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 delimita taxativamente as hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal, restringindo-as a atos praticados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, a mera discordância da Recorrente quanto à extensão ou à forma de fundamentação adotada pela DRJ não se enquadra em tais hipóteses. A jurisprudência consolidada deste egrégio Tribunal Administrativo é pacífica no sentido de que não há exigência de enfrentamento pormenorizado de todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, bastando que a autoridade julgadora analise todas as matérias de defesa capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada. Ademais, não se confunde ausência de fundamentação com fundamentação sucinta, conforme reiteradamente tem decidido o Superior Tribunal de Justiça (AgInt no AREsp nº 1.941.722/RJ, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, DJe 08/04/2024). Nesse mesmo sentido, o voto condutor do Acórdão nº 1301-007.782, de lavra do ilustre Conselheiro Eduardo Monteiro Cardoso, sintetiza com precisão o entendimento predominante neste Conselho: “(...) 10. Como já me manifestei noutra oportunidade1 não é possível confundir fundamentação sucinta com ausência de fundamentação, como vem manifestando reiteradamente o E. STJ (AgInt no AREsp nº 1.941.722/RJ, Rel. Min. Paulo Sérgi o Domingues, DJ 08/04/2024). Igualmente, o E. STJ possui jurisprudência pacífica no sentido de que o sistema processual brasileiro adota o sistema do livre convencimento motivado, sendo uma consequência deste fato a desnecessidade de o órgão julgador se manifestar sobre todos os argumentos apresentados pelas partes. 11. Porém, a mesma jurisprudência, com fundamento no art. 489, § 1º, inc. IV, do CPC vem entendendo pela necessidade de enfrentar os argumentos que são capazes, ainda que em tese, de infirmar a conclusão adotada. Ou seja, há questões controvertidas essenciais e imprescindíveis, cuja omissão a respeito enseja a nulidade da decisão proferida. Veja-se: “IV. "É verdade que, nos termos da jurisprudência do STJ, 'é admitido ao Tribunal de origem, no julgamento da apelação, util izar, como razões de decidir, os fundamentos delineados na sentença (fundamentação per relationem), medida que [por si só] não implica negativa de prestação jurisdicional' (AgInt no AREsp 1779343/DF, Terceira Turma, DJe 15/04/2021; AgInt no AREsp 855.179/SP, Quarta Turma, DJe 05/06/2019). Entretanto, Fl. 352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 21 restará configurada a negativa de prestação jurisdicional, se o órgão julgador 'não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador' (art. 489, I, do CPC/2015)" (REsp 1.908.213/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, DJe de 20/5/2021).” (AgInt no REsp n. 2.017.578/MA, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 3/10/2022) 12. Nesse sentido, entendo que referido dispositivo legal deve ser interpretado em conjunto com o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, segundo o qual a decisão deve se referir expressamente “às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências”. Vale destacar precedentes do Carf nesse sentido: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. A decisão de primeira instância deve referir-se, expressamente, a todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante que sejam capazes de, em tese, extinguir ou modificar o objeto dos lançamentos tributários. A ausência dessa referência é vício de fundamentação que dá ensejo à anulação da decisão. (Acórdão nº 1201003.598, Rel. Cons. Neudson Cavalcante Albuquerque, Sessão de 13/02/2020) DECISÃO RECORRIDA. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. NULIDADE. Os argumentos capazes de, em tese, infirmar parte da decisão recorrida, devem ser enfrentados pelo órgão de julgamento. (Acórdão nº 2402-006.898, Rel. Cons. João Victor Ribeiro Aldinucci, Sessão de 17/01/2019) No caso concreto, verifica-se que a decisão de primeira instância enfrentou, de modo estruturada, todas as matérias suscitadas na impugnação, notadamente: (i) nulidade do TDPF; (ii) ausência de vícios formais no Auto de Infração; (iii) possibilidade de cumulação de exigência de tributo e multa em um único processo; (iv) alegada desproporcionalidade da multa de ofício; (v) indeferimento de diligências e perícias; e (vi) indeferimento de juntada extemporânea de documentos. Ainda que não tenha se manifestado sobre cada argumento de forma isolada, a decisão abordou todas as matérias de defesa e apresentou fundamentação suficiente, em conformidade com os arts. 30 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. Ressalte-se, ademais, que a própria Recorrente, ao interpor o Recurso Voluntário, demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos do decisum, o que evidencia a inexistência de prejuízo ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, não se verifica nulidade na decisão de primeira instância, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada. Fl. 353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 22 3 DO MÉRITO No mérito, a Recorrente reitera a alegação de inexistência de fato gerador para a aplicação da multa de ofício, sustentando que não teria incorrido em omissão de rendimentos, declaração inverídica ou qualquer conduta dolosa. Argumenta que as diferenças apuradas pela Fiscalização decorreriam de meros equívocos formais, insuscetíveis de ensejar a penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Aduz, ainda, que parte dos débitos exigidos já teria sido objeto de parcelamento e que os valores remanescentes deveriam ser compensados com retenções de imposto de renda supostamente efetuadas em decorrência de acordos trabalhistas homologados na Justiça do Trabalho. Por fim, sustenta que a multa de 75% aplicada possuiria caráter confiscatório, em afronta ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, bem como aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. As alegações não merecem acolhida. Conforme consignado neste voto, o lançamento decorre de divergências objetivas entre os valores informados pela própria contribuinte em suas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRFs) e aqueles efetivamente recolhidos mediante DARFs e informados em DCTFs, relativamente aos anos-calendário de 2016 e 2017. Trata-se, portanto, de diferença apurada em cotejo direto entre declarações e pagamentos, sem qualquer margem de presunção, arbitrariedade ou valoração subjetiva pela Fiscalização. A contribuinte foi intimada em três ocasiões a comprovar o recolhimento dos valores declarados, mantendo-se inerte na maioria delas. Quando se manifestou, limitou-se a informar a existência de pedido de parcelamento referente ao ano-calendário de 2017, o qual foi corretamente desconsiderado pela Autoridade Fiscal, por ter sido formulado após a ciência do Termo de Reintimação Fiscal (11/01/2019), não se caracterizando, portanto, denúncia espontânea, à luz do art. 138 do CTN. Tal circunstância foi confirmada na representação fiscal juntada às e-fls. 60/61, que expressamente determinou o cancelamento do parcelamento e a constituição do crédito tributário por meio do presente Auto de Infração. Fl. 354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 23 Dessa forma, a falta de recolhimento do imposto declarado configura, por si só, hipótese de lançamento de ofício, atraindo a incidência da multa de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe expressamente sobre sua aplicação “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. O dispositivo é objetivo e não exige demonstração de dolo, fraude ou simulação, bastando a constatação da infração material — o não recolhimento do tributo devido. A multa de ofício simples incide automaticamente quando verificada a falta de recolhimento, independentemente da intenção do sujeito passivo, sendo inaplicável, portanto, o entendimento da Súmula CARF nº 14, que se refere exclusivamente à hipótese de qualificação da penalidade. Assim, não prospera a alegação de inexistência de fato gerador, uma vez que o lançamento se funda em elementos contábeis e fiscais objetivos, reconhecidos pela própria contribuinte em suas declarações. No tocante à alegada compensação com tributos oriundos de acordos trabalhistas, a Recorrente limita-se a afirmar, de forma genérica, que parte do imposto retido na fonte seria proveniente de valores pagos em reclamatórias trabalhistas, invocando a Súmula nº 368 do TST. Tal súmula, contudo, disciplina apenas a competência da Justiça do Trabalho e a res ponsabilidade pelo recolhimento de tributos incidentes sobre verbas reconhecidas em sentenças ou acordos trabalhistas, não se aplicando à hipótese dos autos, que versa sobre divergências entre valores declarados e efetivamente recolhidos. Ademais, a Recorrente não apresentou qualquer documento que comprove a existência dos alegados acordos trabalhistas, tampouco comprovantes de retenção ou de recolhimento de imposto de renda correlato, o que inviabiliza o reconhecimento de eventual crédito compensável. Por fim, quanto à alegação de caráter confiscatório da multa de ofício, observa-se que o percentual aplicado (75%) corresponde exatamente ao previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, sem qualquer agravamento. A aplicação da penalidade, portanto, deu-se de forma estritamente vinculada à lei, não havendo margem de discricionariedade para a autoridade fiscal. Assim, verifica-se que o lançamento foi regularmente constituído, com observância aos dispositivos legais e às garantias do contraditório e da ampla defesa. As alegações da Fl. 355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.897 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.720027/2019-11 24 Recorrente reproduzem, em grande parte, matérias já apreciadas e rejeitadas nas preliminares, carecendo de novos elementos fáticos ou probatórios que justifiquem conclusão diversa. Diante de todo o exposto, mantém-se integralmente o crédito tributário lançado, confirmando-se a validade do Auto de Infração e a exigibilidade do imposto de renda retido na fonte, com os acréscimos legais correspondentes. 4 CONCLUSÃO Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Eduarda Lacerda Kanieski Fl. 356DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 DA ADMISSIBILIDADE 2 das preliminares 2.1 Nulidade Por Cerceamento De Defesa 2.2 Nulidade Por Irregularidades Na Condução Do Procedimento Fiscal 2.3 Nulidade Por Suposta Violação Aos Princípios Da Legalidade, Proporcionalidade, Razoabilidade E Deficiência De Motivação 2.4 Nulidade Por Suposta Violação À Súmula Nº 368/Tst, Súmula Nº 14/Carf E Súmula Nº 77/Carf 2.5 Nulidade Por Suposta Unificação Indevida De Autos De Infração 2.6 Nulidade Por Ausência Dos Elementos Formais Do Art. 10 E 11 Do Decreto Nº 70.235/1977 2.7 Nulidade Por Cerceamento De Defesa - Ausência De Apreciação Individualizada De Todos Os Pontos Suscitados 3 do MÉRITO 4 CONCLUSÃO
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