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Numero do processo: 10580.726645/2009-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 45 /2 00 9- 92 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10530.724190/200966. Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei 8.730/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 323 3 Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Sobrestamento do feito dado que o STF reconheceu repercussão geral no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente; b) Os rendimentos previstos na Lei Estadual 8.730/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que seja reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.091, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10530.724190/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.091): A solução do litígio será delineada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pela recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada, limitandose aqui, todavia, às matérias para as quais se deu seguimento ao pleito do contribuinte : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 324 5 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verificase sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos Fl. 292DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Fl. 293DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 325 7 Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais constantes do auto de infração, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 326 9 de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada pela autoridade autuante: Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado fornecido pelo contribuinte em resposta à intimação da autoridade fiscal. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 327 11 Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da Fl. 298DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 328 13 julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação à verba recebida (inclusive juros) tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 17613.720775/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. GLOSA. MOTIVAÇÃO
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Nesse sentido, é possível que a fiscalização exija a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento baseia-se em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 10.350,00.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. GLOSA. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Nesse sentido, é possível que a fiscalização exija a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento baseia-se em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 77 1 76 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17613.720775/201231 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.525 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2016 Matéria IRPF Recorrente DORANY CARDOSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. GLOSA. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Nesse sentido, é possível que a fiscalização exija a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento baseiase em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 07 75 /2 01 2- 31 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 78 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 10.350,00. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. ), complementandoo ao final: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 05/10, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2009, exercício 2010, que lhe exige um crédito tributário de R$ 6.217,01. Por meio do referido lançamento, foi constatada a Dedução Indevida com Despesa de Instrução no valor de R$ 1.283,70 e a dedução indevida de despesas médicas no montante de R$ 14.350,00. Contra o lançamento em análise, a contribuinte, em 05/04/2012, apresentou a impugnação de fl. 02, alegando, em síntese que concordava com a glosa das despesas com instrução e concordava ainda com parte das despesas médicas, (R$ 4.000,00 relativos a tratamento estético que informou por engano na declaração de ajuste). Questionou, então, a glosa das seguintes despesas médicas: 1. R$ 200,00 pagos a Robson Leite; 2. R$ 150,00 pagos a Roberto Sá Cunha; 3. R$ 10.000,00 pagos a Márcia Braga Soares dos Santos. Quanto à parte não impugnada do lançamento, a requerente efetuou o pagamento do valor de R$ 372,16, conforme Extrato de fl. 34. Ao Julgar a Impugnação apresentada pela contribuinte, a 17ª Turma da DRJ I em São Paulo/SP assim dispôs, em resumo: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 79 3 Nos autos do presente processo consta os recibos de fls. 11 e 12 e ainda a declaração de fl. 13, emitidos pelos profissionais beneficiários dos supostos pagamentos de despesas médicas. Ocorre que tanto o recibo de fl. 11 de R$ 200,00, emitido por Robson Leite quanto o de fl. 12, emitido por Roberto Sá Cunha, não contêm os requisitos essenciais previstos na legislação, conforme inciso III do § 1º do artigo 80 do RIR/99, não sendo hábeis a comprovar a efetividade das despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste como dedução. A declaração emitida pela profissional Márcia Braga Soares dos Santos não é hábil a efetuar a comprovação do montante de R$10.000,00 a título de tratamento odontológico. (...) A dedução das despesas médicas permite que os contribuintes deduzam, da base de cálculo do imposto os valores pagos por eles neste sentido. No entanto, não cabe somente a realização das despesas, mas ainda o pagamento das mesmas. E ambas as condições devem ser comprovadas ao Fisco, a fim de que as despesas possam ser dedutíveis. Deveria ela ter trazido aos autos outras formas de comprovar a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, tais como cópias de cheques, comprovantes de transferência de numerário, laudos, radiografias, etc. Concluindo, tendo em vista que a requerente nada trouxe aos autos, com exceção dos recibos de fls. 11 e 12 e da declaração de fl. 13, a fim de comprovar as deduções de despesas médicas pleiteadas, há que se manter a glosa efetuada. Assim deuse o Julgamento de 1ª instância para considerar procedente o lançamento. Cientificada dessa decisão em 24/01/2014 (AR na folha 50), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/02/2014, conforme protocolo na folha 52. Em sede de recurso, defende que os recibos apresentados, firmados por Robson Leite e Roberto Sá Cunha Leite preenchem os requisitos legais e são hábeis a comprovar a despesa informada na DIRPF, bem como a declaração emitida por Márcia Braga Soares. Destaca que a comprovação da despesa por meio de recibos tem como finalidade permitir à RFB executar fiscalização em relação ao rendimento recebido pelo prestador do serviço e é para isso que se exige do pagador que forneça informações sobre aquele. Diz ainda que a fiscalização não demonstrou qualquer indício de irregularidade/inidoneidade nos recibos apresentados. Manifestase ainda pela impossibilidade da exigência de multa e juros de mora. PEDE que seja dado provimento ao seu recurso, cancelandose integralmente a exigência fiscal reclamada. É o Relatório. Voto Fl. 79DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 80 4 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A Notificação de Lançamento promoveu a glosa de dedução com despesa de instrução, no valor de R$ 1.283,70 e glosa de dedução com despesas médicas no total de R$ 14.350,00, conforme fls. 06 e 07. Desde a impugnação, a contribuinte questiona parcialmente o trabalho fiscal, referindose apenas a R$ 10.350,00 a título de despesas médicas. A lide que chega a esta instância recursal, portanto, é parcial em relação aos valores expressos na Notificação, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. A motivação para as glosas questionadas, expressa pela Autoridade Fiscal na Notificação de Lançamento foi a seguinte: 1) Robson Leite o recibo apresentado não possui identificação do paciente, carimbo com registro no órgão de classe e não foi indicado o endereço do profissional; 2)Roberto de Sá Cunha recibo apresentado sem identificação do paciente e sem indicação do endereço do profissional 3) Márcia Braga Soares dos Santos 9 recibos sem identificação do paciente e 1 recibo sem identificação do serviço prestado. Apenas 1 recibo com indicação do endereço da profissional. Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLeinº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Cito a jurisprudência que vem se observando neste CARF: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 81 5 Acórdão 2801003.769 – 1ª Turma Especial. Sessão de 9 de outubro de 2014 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido Assim, não houve a intimação para a comprovação do "efetivo pagamento" ou para comprovação da "efetividade do tratamento", o que poderia ser feito. Mas a fiscalização concentrouse apenas nas formalidades dos recibos. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação expressa as razões e os fundamentos do ato, que vincula. Assim, se os motivos para a glosa dos recibos foram as formalidades legais da existência de indicação do endereço, registro profissional, indicação do paciente, conforme acima discriminado. Portanto, entendo descabido que em sede de julgamento da impugnação, se faça exigências adicionais, como a "comprovação do efetivo pagamento", se a Autoridade lançadora se satisfez com a análise dos recibos, sem requisitar documentos outros. Aponto ainda, que em todos os Acórdãos do CARF transcritos no julgamento recorrido, se faz a ressalva: "na hipótese em que haja dúvida acerca da efetiva realização das despesas" ou "mormente quanto há dúvidas quanto á prestação dos serviços" ou "podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos". Citese: DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. multa de ofício. CARF 2a. Seção 1a. Turma Especial / ACÓRDÃO 280100.497 em 12.05.2010. Publicado DOU: 16.09.2010.(destaquei) Mas nestes autos, a Autoridade lançadora não requisitou a apresentação de comprovantes do efetivo pagamento (não encontro tal intimação) tampouco motivou qualquer indício de inidoneidade nos recibos apresentados. Continuamente, vemos glosas efetuadas por Autoridades Fiscais motivadas na falta de requisitos previstos no inciso III do artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 82 6 RIR/1999, como endereço, CPF ou inscrição no Conselho profissional, sem que, entretanto, se prossiga na persecução para verificar a autenticidade do recibo. Quero dizer, a exigência do endereço é para possibilitar que o Fiscal, querendo, possa verificar a compatibilidade do mesmo com local de exercício profissional mencionado no recibo. A exigência do registro profissional é para que possa conferir a inscrição e o regular exercício da profissão. Mas se nada disso é feito e o trabalho é encerrado pela simples ausência da informação no recibo, constróise um lançamento de pouca substância e eficiência. Neste caso, observo o seguinte: em relação ao recibo emitido por Robson Leite, na cópia que consta da folha 11, consta o carimbo com o CRMES 2505, a especialidade "cardiologia ecocardiograma" e o endereço do profissional na Rua Alfeu Alves Pereira, Enseada do Suá, VitóriaES, que aliás é o mesmo endereço que consta do recibo cuja cópia está na mesma folha, emitido por Roberto de Sá Cunha, no valor que não se pode considerar "exagerado", nos termos do artigo 73 do RIR/1999, de R$ 150,00, especialmente para uma contribuinte que declarou naquele ano R$ 100.608,06 de rendimentos tributáveis (DIRPF fl. 18). em relação aos recibos emitidos por Marcia Braga Soares dos Santos, o Auditor Fiscal apontou que em um deles não constava informação sobre o serviço prestado. E em apenas um constava a indicação do endereço da profissional. Nesse caso, entendo que assiste razão ao recorrente. Sem em um dos recibos constava o endereço da profissional, a Autoridade Fiscal, querendo, poderia ter verificado a compatibilidade do local com a prestação do serviço ou mesmo diligenciado para verificar sua efetiva prestação, junto à profissional. Preferiu aterse à forma, em detrimento da substância. O endereço de prestação de serviços da Cirurgiã Dentista CROES 1064 Marcia Braga Soares é Avenida Leitão da Silva, 389/501, como se verifica no recibo de folha 69. Ademais, é possível se verificar que o serviço executado foi um tratamento odontológico, e os recibos são corroborados pela declaração de folha 68. Em relação à questão da falta da identificação do paciente, nos recibos, cite se, por oportuno, a Solução de Consulta Interna nº 23, da Coordenação de Tributação da RFB Cosit, de 30 de agosto de 2013: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.(sublinhei) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 83 7 Pelo todo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso, cancelandose a glosa de despesas médicas no valor de R$ 10.350,00 expressa na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13805.001171/92-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1991, 1992, 1993
Ementa: CSLL - AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE AO PROCESSO
ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - A pronúncia sobre o mérito de auto de
infração, objeto de contraditório administrativo, fica inibida quando, simultaneamente, a mesma matéria foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. A decisão soberana e superior do Poder Judiciário é que determinará o destino da exigência tributária em litígio. Súmula n° 01 do 1° Conselho de Contribuintes.
CSLL — AÇÃO JUDICIAL — EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA - Cabível a imposição da multa de oficio quando na data
da ciência do auto de infração o crédito tributário não estiver suspenso, na forma do artigo 151 do CTN. Os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral.
Numero da decisão: 1202-000.236
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • , PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13805.001171/92-42 Recurso n° 151.815 Voluntário Acórdão n° 1202-00.236 — r Câmara ir Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria CSLL Recorrente UNIBANCO LEASING S.A - ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida 34 TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SPI Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1991, 1992, 1993 Ementa: CSLL - AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - A pronúncia sobre o mérito de auto de infração, objeto de contraditório administrativo, fica inibida quando, simultaneamente, a mesma matéria foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. A decisão soberana e superior do Poder Judiciário é que determinará o destino da exigência tributária em litígio. Súmula n° 01 do 1° Conselho de Contribuintes. CSLL — AÇÃO JUDICIAL — EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA - Cabível a imposição da multa de oficio quando na data da ciência do auto de infração o crédito tributário não estiver suspenso, na forma do artigo 151 do CTN. Os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado NELSON L O FI - Presidente. e Relator EDITADO EM: 1 9 MAR 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho (Presidente de turma). Cândido Rodrigues Neuber, Valéria Cabral Géo Verçoza, Orlando José Gonçalves Bueno (Vice presidente de turma).José Sergio Gomes(suplente convocado), Silvana Rescigno Guerra Barreto(suplente convocada) Cfç 2 Processo n° 13805.001171/92-42 SI- C2T2 Acórdão n.° 1202-00.236 Fl. 2 Relatório Retoma o recurso a julgamento nesta E. Turma, após cumprimento de diligência determinada na sessão de 06 de março de 2008, por meio da Resolução n° 108- 00.484, fls. 514/520, concluindo o relatório da autoridade fiscal de fls. 522/527 "que os depósitos foram insignificantes em relação ao crédito tributário lançado." A diligência foi determinada para que fosse proferido parecer conclusivo • quanto à integralidade, espontaneidade e pontualidade dos valores depositados judicialmente, • relativos aos processos judiciais que tenham influência no montante exigido nestes autos. Cientificada do resultado da diligência, a recorrente não se manifestou. • Por pertinente, para tornar mais compreensíveis as matérias em julgamento, a • seguir reproduzo o relatório apresentado naquela oportunidade: "Contra a empresa Unibanco Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil (CNPJ/MF 34.120.899/0001-06), foi lavrado auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro, fls. 13/14, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade nos exercícios de 1991 e 1992 e meses de janeiro e fevereiro de 1992, descrita às fls. 14-verso:"Constituição de crédito tributário referente a Contribuição Social não recolhida — A empresa discute judicialmente a alíquota exigida pelo fisco — recolheu 10% e discute na Justiça, 05% dos valores." Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolizada em 11/11/2002, em cujo arrazoado de fls. 16/21, contesta integralmente a exigência. Em 18 de janeiro de 2006 foi prolatado o Acórdão n°8648. da 3° Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, fls. 290/299, que considerou procedente em parte o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/1990, 31/12/1991, 31/01/1992, 29/02/1992 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. Uma vez que a lavratura do auto de infração foi efetuada por autoridade competente, e presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária, não se acolhe a preliminar suscitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUB JUDICE. O lançamento deve ser efetuado inclusive na hipótese em que a matéria esteja sob apreciação do Poder Judiciário. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. Liminar em ação judicial concedida antes do início da ação fiscal, condicionada ao depósito integral da quantia controversa, não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, quando se Cif 3 constata que não foi depositado integralmente o montante em discussão. Todavia, a lei que comine penalidade menos severa aplica-se a atos ou fatos pretéritos não definitivamente julgados. JUROS DE MORA. A incidência dos juros de mora independe de lançamento e ocorre mesmo durante o período em que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Lançamento Procedente em Parte" Cientificada em 31 de março de 2006, AR de fis. 366, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 28 de abril de 2006, em cujo arrazoado de fis. 371/378 alega, em apertada síntese, o seguinte: 1- o acórdão de primeira instância julgou parcialmente procedente o auto de infração por entender, de forma infundada, não estar suspensa a exigibilidade de pane do lançamento, em virtude da insuficiência dos depósitos judiciais, admitindo as penalidades de mora e multa de oficio; 2- esta decisão é totalmente descabida, pois a discussão da suposta deficiência de depósitos judiciais é matéria estranha ao processo administrativo, já que nele não consta nenhuma informação ou apuração fiscal nesse sentido; 3- este fato foi superado com depósito judicial complementar, conforme prova, de forma irredutível, a certidão de objeto e pé e cópias dos depósitos juntadas aos autos; 4- em 1991, data anterior ao procedimento fiscal, o contribuinte ingressou com medida judicial a fim de afastar o diferencial de alíquota de 10% para 15% da Contribuição Social sobre o Lucro, e para obter a suspensão da exigibilidade do crédito tributário efetuou integralmente os depósitos judiciais, não constando dos autos qualquer manifestação fiscal discordando dos depósitos; 5- descabida a sustentação do acórdão recorrido quanto a não integralidade do depósito judicial, já que alegou e nada provou, não trazendo aos autos os valores apontados como diferença, cerceando o direito de defesa, posto que impediu a discussão; 6- além da certidão de objeto e pé, que atesta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como a existência dos depósitos judiciais, anexa ao recurso cópias de depósitos judiciais que comprovam os valores depositados; 7-preenchida a hipótese do artigo 151, R do Código Tributário Nacional, está configurada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito judicial do montante integral; 8- a questão de insuficiência dos valores depositados está superada, a análise fiscal foi anterior à manifestação nos autos judiciais. Tendo sido feitas às devidas complementaçães do depósito, não há que prevalecer os argumentos fiscais; 9- no caso em tela, não há que se falar no pagamento de juros de mora ou multa de oficio, por ser caso de suspensão de exigibilidade, com depósito integral do valor, fato que Cf". 4 Processo n° 13805.001171/9242 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.236 Fl. 3 descaracteriza qualquer infração tributária que possa ensejar a aplicação da multa de ofício, nos termos da Lei n° 9.430/96, artigo 44, inciso 1; 10- este entendimento está pacificado no Primeiro Conselho de Contribuintes, que se posiciona pela inaplicabilidade dos juros de mora e multa de oficio na constituição do crédito tributário, destinado a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa através de ação judicial acompanhada do seu montante integral; 11- deve ser reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por força de depósitos judiciais de valor integral, e afastada a multa de oficio e os juros moratórios." É o Relatório. Voto Conselheiro Relator As matérias em litígio dizem respeito à imposição da multa de oficio e dos juros de mora no caso de existência de ação judicial e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário condicionada a efetividade do depósito judicial do montante integral. O resultado da diligência realizada foi no sentido de que os depósitos judiciais efetuados foram insignificantes em relação ao montante lançado, não tendo a empresa se manifestado quanto ao relatório apresentado. Da análise dos documentos acostados aos autos, vejo que esta Instância não deve tomar conhecimento da matéria levada ao crivo do Poder Judiciário, com base na Lei n.° 6.830/80, art. 38, parágrafo único, c/c art. 1 , § 2, do Decreto-lei n.° 1.737/79, porque a propositura de ação judicial importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. É pacífico o entendimento deste Conselho quanto à possibilidade da lavratura de auto de infração para a constituição de crédito tributário, mesmo estando diante de medida suspensiva da exigibilidade do tributo. Neste sentido já orientava em 1993 o Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGNF/CRIN n•° 1.064/93, cujas conclusões aqui transcrevo: "a) nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, ou em procedimento cautelar com depósito do montante integral do tributo, quando já não houver sido, deve ser efetuado o lançamento, ex vi do art. 142 e respectivo parágrafo único, do Código Tributário Nacional." Visa o lançamento prevenir a decadência do direito da Fazenda Nacional quanto ao crédito tributário, ficando sua exigibilidade adstrita ao tipo de ação impetrada junto ao Poder Judiciário. No caso, o litígio a respeito da constitucionalidade da majoração da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro teve sua esfera deslocada para exame pelo Poder Judiciário, não podendo dele conhecer a esfera administrativa, que junto com a recorrente devem curvar-se à decisão daquele órgão. Sobre o assunto transcrevo texto de Seabra Fagundes no seu livro O Controle dos Atos Administrativos Pelo Poder Judiciário: 54. Quando o Poder Judiciário, pela natureza da sua função, é chamado a resolver situações contenciosas entre a Administração Pública e o indivíduo, tem lugar o controle jurisdicional das atividades administrativas. (Omissis) 55. O controle jurisdicional se exerce por uma intervenção do Poder Judiciário no processo de realização do direito. Os fenômenos executórios saem da alçada do Poder Executivo, 6 Processo n° 13805.001171/92-42 SI-C2T2 Acórdão n.° 120240236 Fl. 4 devolvendo-se ao órgão jurisdicional.... A Administração não é mais órgão ativo do Estado. A demanda vem situá-la, diante do indivíduo, como parte, em condição de igualdade com ele. O judiciário resolve o conflito pela operação interpretativa e pratica também os atos conseqüentemente necessários a ultimar o processo executaria. Há, portanto, duas fases, na operação executiva, realizada pelo Judiciário. Uma tipicamente jurisdicional, em que se constata e decide a contenda entre a administração e o indivíduo, outra formalmente jurisdicional, mas materialmente administrativa, que é a da execução da sentença pela força. "(Editora Saraiva — 1984 — pag. 90/92) Consoante enunciado do Inciso XXXV, do art. 5° do nosso Estatuto Supremo, "a lei não poderá excluir à apreciação do Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito". Destarte, mesmo relativamente à decisão administrativa irreformável pode-se impor o controle de legalidade pelo Poder Judiciário. Amilcar de Araújo Falcão, sobre o tema sublinhou: "Mesmo aqueles que sustentam a teoria da chamada coisa julgada administrativa reconhecem que, efetivamente, não se trata, quer pela sua natureza, quer pela intensidade de seus efeitos, de "res judicata" propriamente dita, senão de um efeito semelhante ao da predita), e que se conceituaria, quando ocorresse, sob o nome de irretratabilidade." ( Apud Direito Administrativo Brasileiro, Hely Lopes Meirelles - Malheiros - I9a ed. -p. 584). Nesse mesmo sentido, preleciona o inolvidável administrativista Hely Lopes Meirelles: "A denominada coisa julgada administrativa, que, na verdade, é apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário. Falta ao ato jurisdicional administrativo aquilo que os publicistas norte-americanos chamam the final enforcing power e que traduz livremente como o poder conclusivo da justiça comum." ( Op. Cit. p. 584). • A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em parecer exarado no processo • no 25.046, de 22/09/78 (DOU de 10/10/78), onde se conclui pela impossibilidade de conhecer o mérito do litígio administrativo, quando objeto de contraditório na via judicial, assentou o seguinte entendimento: 32. Todavia, nenhum dispositivo legal ou principio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. 33. Outrossim, pela sistemática constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, 7.7.‘19 7 sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior e autônoma. SUPERIOR, porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo; AUTÔNOMA, porque a parte não está obrigada a percorrer, antes, as instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Pode fazê-lo, diretamente. 34. Assim sendo, a opção pela via judicial importa, em princípio, em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de recurso acaso formulado. (Omissis) 36. Inadmissível, porém, por ser ilógica e injurídica, é a existência paralela de duas iniciativas, dois procedimentos, com idêntico objeto e para o mesmo fim." Ao aprovar o citado parecer, o Dr. Cid Heráclito de Queiroz, á época sub- procurador-geral da Fazenda Nacional, agregou as seguintes considerações: 11. Nessas condições, havendo fase litigiosa instaurada — inerente à jurisdição administrativa — pela impugnação da exigência (recurso latu sensu), seguida ou mesmo antecedida de propositura de ação judicial, pelo contribuinte, contra a Fazenda, objetivando, por qualquer modalidade processual — ordenatóna, declarató ria ou de outro rito — a anulação do crédito tributário, o processo administrativo fiscal deve ter prosseguimento — exceto na hipótese de mandado de segurança, ou medida liminar, específico — até a inscrição de Dívida Ativa, com decisão formal de instância em que se encontre, declaratória da definitividade da decisão recorrida, sem que o recurso (latu sensu) seja conhecido, eis que dele terá desistido o contribuinte, ao optar pela via judicial" A própria Secretaria da Receita Federal - por meio do Ato Declaratório Normativo - CST n° 03 - DOU de 15/02/96 - com fundamento nas conclusões do referido parecer, orienta o julgador da primeira instância administrativa a não conhecer de matéria litigiosa submetida ao crivo do Poder Judiciário. Vejo que o art. 38 datei n° 6.830/80 ditou normas no sentido de que a dívida ativa da União somente pode ser discutida na esfera judiciária por meio de ação de execução fiscal e seus embargos, possibilitando a utilização de mandado de segurança, ação de repetição de indébito e ação anulatória da divida. Entretanto, o parágrafo único do referido artigo determina que o uso pelo contribuinte de qualquer uma dessas ações importará em renuncia ao direito de interposição de contestação na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, in verbis: "Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, de ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer Processo n° 13805.001171/92-42 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.236 Fl. 5 na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." Das lições anteriormente apresentadas, concluo que não cabe a este Conselho Administrativo se pronunciar sobre o mérito da mesma controvérsia sujeita ao julgamento do Poder Judiciário. Nessa linha, a Súmula n° 1 do 1° Conselho de Contribuintes — "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Por outro giro, a identidade de objeto entre os processos administrativo e judicial limita-se ao questionamento das matérias levadas ao crivo do Poder Judiciário, não estando os juros de mora e a multa de oficio, componentes do crédito tributário lançado no auto de infração, ali incluídos. Quanto a este aspecto, devem ser analisadas as argumentações apresentadas pela recorrente como matéria de mérito. Como consta dos autos, à época da lavratura do auto de infração a empresa estava acobertada por medida judicial acatando suas pretensões, mas que condicionava sua eficácia ao depósito do montante integral. A questão da imposição da multa de oficio foi muito bem abordada pelo acórdão de primeira instância, do qual transcrevo os fundamentos a seguir: "A interessada afirma que a matéria objeto do lançamento i tributário encontra-se sub judice, com o montante questionado caucionado integralmente por força de liminar concedida. Assim, entende que não se caracterizou qualquer infração a ensejar a lavratura do auto de infração e a imposição de multa e juros de mora. Ocorre que, uma vez surgida a obrigação tributária, surge também para a Administração Tributária e seus agentes o dever de realizar o lançamento correspondente, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o art. 142 do Código Tributário Nacional: "Art. 142 - Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". 9 Antes do lançamento, o que existe é a obrigação tributária, pois ela só depende da ocorrência do fato gerador. Já o crédito tributário, para passar a existir, com a exigibilidade suspensa ou não, precisa de um procedimento administrativo de formalização, que é o lançamento. É esse o entendimento da douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional exposto no Parecer PGFN/CRINEVr. 1064/93, cujas conclusões são as seguintes: "a) nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, ou em procedimento cautelar com depósito do montante integral do tributo, quando já não houver sido, deve ser efetuado o lançamento, ex vi do art. 142 e respectivo parágrafo único, do Código Tributário Nacional; b) uma vez efetuado o lançamento, deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (Art. 145 do MT c/c o art. 7", inciso Ido Decreto n° 70.235/72), com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário apurado permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (art. 151 do CTN); " O artigo 151 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, com as alterações da Lei Complementar n° 104/2001, enumera as causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: 1 - moratória; ii - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V - a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; P7- o parcelamento." .A Lei n° 9.430/1996, em seu artigo 63, com a redação do artigo 70 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001 (esta última em vigor por força do artigo 2° da Emenda Constitucional n° 32, de 11 de setembro de 2001), estabelece as hipóteses em que não é cabível o lançamento de multa de oficio: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos 11/ e V do art. 151 da Lei No 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio." Tal dispositivo é aplicável retroativamente por força do disposto no artigo 106, H, "a", do CIN. io Processo n° 13805.001171/9242 SI-C2T2 Acórdão n.°1202-00.236 Fl. 6 contrario sensu, é legitima a exigência da penalidade, quando não estiver presente qualquer das situações enumeradas nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, acima reproduzido. In casu, nos autos da Medida Cautelar, Processo n° 89.0014978- 4, a sentença de primeira instância, que julgou procedente a ação, está fundamentada na Súmula n° 02, do E. TRF/3"Região, segundo a qual "é direito do contribuinte, em ação cautelar, fazer o depósito integral da quantia em dinheiro para suspender a exigibilidade do crédito tributário" (ll. 165, destaques da transcrição). Cabe destacar que a Ação Ordinária, Processo n° 89.0019460-7, na qual a empresa objetivava o reconhecimento da inconstitucionalidade da norma instituidora da CSLL, distribuída por dependência à Medida Cautelar acima mencionada, foi julgada parcialmente procedente em primeira instância, declarando-se "a inexistência de relação jurídica que obrigue as Autoras a recolherem a contribuição social incidente sobre o lucro apurado no balanço realizado em 31 de dezembro de 1988" (fls. 213 e 214, destaques da transcrição). Observe-se que a referida decisão a quo não foi reformada nas instâncias superiores, conforme consta do relatório supra (subitem 8.2). Outrossim, nos autos da Medida Cautelar de Depósito, Processo n° 91.0655123-8, foi deferida a liminar, "mediante o depósito em Juízo das importâncias questionadas" (li. 222). Assim, verifica-se que os provimentos jurisdicionais concedidos nos autos das Ações Cautelares referidas estavam condicionados ao depósito integral da quantia controversa. Uma vez que o depósito judicial efetuado pelo contribuinte é expressivamente inferior ao crédito tributário objeto destes autos, conforme ressalta o despacho de ft 274, da DEINF/SPOIDICAT, não se sustenta a alegação de que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa por medida judicial. Desse modo, impõe-se a manutenção da exigência da penalidade." Na diligência realizada restou provado que os depósitos judiciais efetuados pela pessoa jurídica foram em montante ínfimo em relação àqueles lançados pelo Fisco, não caracterizando, portanto, a suspensão da exigibilidade tributária, no que é perfeitamente aceitável a lavratura de auto de infração para garantir a não ocorrência do prazo decadencial, com a aplicação da multa de ofício, porque a exigência da multa de oficio tem a ver não só com o próprio lançamento, mas, primordialmente, com a exigibilidade do crédito tributário. No caso em voga, ante ao descumprimento da condição impostas pelo Poder Judiciário para a eficácia da sentença, não estava a empresa acobertada por medida suspensiva de exigência fiscal. Deve, portanto, ser mantida a imposição da multa de oficio. Já os juros de mora representam apenas a indicação no lançamento dos encargos financeiros variáveis em fruição do decurso do tempo, incorridos até a data da lavratura do auto de infração, cuja exigibilidade será vinculada à cobrança do tributo lançado. Além do mais, os juros moratórios serão sempre devidos quando o valor do principal for recolhido fora do prazo. Só seriam dispensados caso existisse o depósito do montante integral, fato que não está comprovado nos autos. O Código Tributário Nacional em seu artigo 161 dispõe que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, não constituindo sanção de ato ilícito, não sendo pressuposto para sua imposição a existência de dolo ou culpa do autuado. Este artigo está assim redigido: -Art. 161 — O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias prevista nesta Lei ou em lei tributária." Nesse mesmo diapasão, o art. 50 do Decreto-lei n° 1.736/79 também determina a fluência de juros mesmo durante a suspensão da cobrança, por medida administrativa ou judicial: "Art. 50 - A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial". A matéria já se encontra pacificada por meio de pronunciamentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, órgão responsável por dirimir as divergências entre julgados das diversas Turmas deste Conselho. As ementas dos acórdãos a seguir expressam o posicionamento de que os juros de mora são devidos, mesmo na hipótese da suspensão da exigibilidade do crédito tributário: "Acórdão: CSRF/01-05.020 IRPJ — JUROS DE MORA — SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — Os juros de mora são devidos por força de lei, mesmo durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decreto-lei n°1.736/79, art. 5°,. RIR/94, art. 988, § 2° e R1R/99, art. 953, § 39, e somente o depósito integral do crédito tributário, no prazo de vencimento do tributo, tem o condão de afastar a sua incidência. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário não implica em suspensão da constituição do crédito tributário, que é vinculativa. Efetuado o lançamento, os juros moratórios seguem o destino do tributo de que decorrem, de sorte que a suspensão da exigibilidade do tributo importa na suspensão da cobrança dos juros, mas não de sua incidência, desde o vencimento do prazo do vencimento do tributo (CTN., art. 161). Acórdão: CSRF/01-05.126 12 Processo n° 13805.001171/92-42 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.236 Fl. 7 JUROS DE MORA — INCIDÊNCIA — SUSPENSÃO DA =VIRILIDADE — São devidos juros de mora ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário, à luz do disposto no Decreto-Lei 1.736/79 e no artigo 161 do CTN. Acórdão: CSRF/01-04.850 JUROS DE MORÁ — INCIDÊNCIA — SUSPENSÃO DA =VIRILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA LIMINAR — Por força do disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional, bem como no artigo 5° do Decreto-Lei 1.736/79, os juros de mora são devidos ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário por medida judicial. Somente na hipótese de depósito integral, em que os valores envolvidos • são entregues ao Juizo ou direcionados para uso pela própria Fazenda, é que não haverá para o contribuinte qualquer encargo dessa natureza. • Acórdão: CSRF/01-05.149 e CSRF/01-05.150 (Omissis) JUROS DE MORA — SELIC — Os juros de mora são devidos por força de lei, mesmo durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (Decreto-lei n°1.736/79, art. 5°; R1R/94, art. 988, § 2°, e R1R199, art. 953, § 3°). E. a partir de 1704/95, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, por força do disposto nos arts. 13 e 18 da Lei n°9.065/95, c/c art. 161 do CT/V. " Os juros de mora incidem por autorização expressa de Lei, conforme art. 40 , inciso I, da Lei n° 8.218/91, art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 e art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172/66. A Súmula n° 5 do 1° Conselho de Contribuintes sedimenta este entendimento ao afirmar que "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". Não macula a exigência consubstanciada no auto de infração a indicação de que o tributo lançado para prevenir a decadência, se devido ao final da ação judicial, está sujeito a juros de mora. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. FNELSON 1.7?; 13
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001433/2009-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS.
O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores sem-terra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse.
Numero da decisão: 9202-005.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente momentaneamente a conselheira Ana Paula Fernandes.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS. O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores semterra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 14 33 /2 00 9- 17 Fl. 725DF CARF MF 2 Santos (Presidente em exercício). Ausente momentaneamente a conselheira Ana Paula Fernandes. Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Bonanza" (NIRF 40494993), localizado no Município de Guapé/MG. A motivação da exigência foi a glosa das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal e de Pastagens, bem como o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Os sujeitos passivos são Antonio de Padua Orlandi e Sérgio Mohallem. Em sessão plenária de 10/02/2015, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão 2201002.664 (fls. 593 a 609), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. SUJEITO PASSIVO. A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou imissão prévia na posse. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula CARF nº 2, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória, por força da Lei nº 10.165/2000. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso." Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 720 3 Cientificados do acórdão em 20/03/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 617), os sujeitos passivos interpuseram, em 02/04/2015, o Recurso Especial de fls. 620 a 687, suscitando diversas matérias. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, conforme Despacho de Admissibilidade de 16/10/2015 (fls. 690 a 697), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 698/699, admitindo a rediscussão apenas da sujeição passiva, no caso de imóvel invadido por terceiros. No Recurso Especial, os sujeitos passivos alegam, em síntese, relativamente à matéria que obteve seguimento: o imóvel rural em questão encontrase invadido por integrantes do "Movimento dos Sem Terra" desde 2002, impedindo aos proprietários, ora Recorrentes, o pleno exercício do direito de propriedade; verificase, portanto, que o título de "proprietários" dos Recorrentes, em relação ao imóvel, é apenas fictício, uma mera formalidade, eis que eles detêm tão somente um dos três elementos fundamentais da propriedade, o domínio, concedido pela legitimidade de uma titulação jurídica; no entanto, faltalhes a reunião dos dois elementos imprescindíveis da propriedade plena, a posse, e o domínio útil, consequentemente, não possuem o direito de usar, de gozar e dispor da coisa; no entanto, a despeito de tal fato, o Colegiado recorrido entendeu por julgar improcedente o Recurso Voluntário interposto pelos Recorrentes, ao entendimento de que, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou imissão prévia na posse por parte do INCRA, não há que se fala em ausência de responsabilidade daqueles que figuram no registro como proprietários do imóvel; ocorre que o entendimento externado no acórdão recorrido se mostra divergente daquele apresentado de forma majoritária pelo CARF, que em diversas oportunidades já se manifestou no sentido de que, havendo a invasão do imóvel, o proprietário fica impossibilitado de exercer todos os elementos inerentes à propriedade, sendo inexigível o ITR, diante do desaparecimento da base material do fato gerador; ressaltase que esta Câmara Superior de Recursos Fiscais também já teve oportunidade de se manifestar a respeito da matéria, entendendo de maneira diametralmente oposta àquela decidida no presente processo (Acórdãos nºs 920201.017 e 920201.018, ambos de 18/08/2010, com a mesma ementa): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RURAL ITR Exercício: 1997, 1998 ITR. INVASÃO POR ."SEM TERRAS". IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAR. O proprietário de terras rurais invadidas por "sem terras" tem propriedade meramente formal NÃO PODENDO RESPONDER DE FATO PELAS INFORMAÇÕES FISCAIS RELA TIVAS À DITR E, CONSEQUENTEMENTE, PELO PAGAMENTO DO RESPECTIVO TRIBUTO. Fl. 727DF CARF MF 4 Recurso especial negado. o acórdão recorrido reputou como plenamente possível a sujeição passiva dos Recorrentes ao ITR, a despeito de estarem impossibilitados de gozar plenamente dos direitos de propriedade, em razão da invasão do imóvel por integrantes do Movimento dos Sem Terra, fato este exaustivamente demonstrado no curso do processo; é de se observar que a decisão recorrida não contesta a invasão, portanto satisfeito o requisito para se afastar a cobrança do imposto, nos termos das decisões do CARF; foge a todos os princípios de Direito, mormente os da proporcionalidade e razoabilidade, a possibilidade de o Estado tributar propriedade imóvel que, devido à própria omissão em prover a segurança, ocasionou a perda das faculdades inerentes ao direito de propriedade dos Recorrentes; nesse sentido pedimos vênia para transcrever trecho do Acórdão nº 2101 001.351: "Com a invasão, seu direito ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse, possibilidade de uso ou fruição do bem; consequentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de benefícios para o Recorrente. Se espera, no mínimo, que o Estado reconheça que, diante da sua própria omissão e da dramaticidade dos conflitos agrários no País, aquele que não tem mais direito algum não possa ser tributado por algo que, somente em razão de uma ficção jurídica, detém sobre o bem o título de propriedade. OFENDE O PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE, O DA BOA FÉ OBJETIVA E O PRÓPRIO BOMSENSO O ESTADO UTILIZARSE DA APARÊNCIA DESSE DIREITO OU DO RESQUÍCIO QUE ELE DEIXOU, PARA COBRAR TRIBUTOS QUE PRESSUPÕEM A INCOLUMIDADE E A EXISTÊNCIA NOS PLANOS JURÍDICOS (FORMAL) E FÁTICOS (MATERIAL) DOS DIREITOS INERENTES À PROPRIEDADE. Na peculiar situação do caso, ao considerarse a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos de propriedade sem o devido êxito do processo de desapropriação, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade (vide REsp 1.144.982PR, Rei. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 13/10/2009). Ressaltese que se a posse é exercida por posseiros, estes de fato é quem deveriam declarar e pagar o ITR, diante da impossibilidade do Recorrente de exercer pleno domínio da propriedade, nos termos do art. 29 do CTN, havendo uma ilegitimidade passiva quanto à responsabilidade tributária do Recorrente." (destacamos). assim, com a incontestável invasão pelo "Movimento dos Sem Terra", os direitos de propriedade ficaram cerceados em praticamente todos os seus elementos, não há a posse desde 2002, e por isso inexiste a possibilidade de usar, gozar e dispor da coisa; Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 721 5 ademais, cumpre ressaltar que o entendimento de que somente seria possível se falar em ausência de legitimidade dos Recorrentes após a efetiva transferência do imóvel e/ou imissão prévia na posse pelo INCRA foge completamente ao princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e bom senso, imputandose aos Recorrentes o ônus de arcar com a morosidade do Poder Judiciário e do Poder Executivo, obrigando os Recorrentes a arcarem com tributo sem demonstrarem capacidade contributiva, princípio basilar da atividade tributária do Estado; basta nos colocarmos na posição dos Recorrentes para figurar com mais fortes cores o direito que estão a vindicar, nos imaginarmos sendo tributados pelo IPTU, sendo que nosso imóvel, assim registrado em nosso nome, estivesse totalmente invadido por "sem tetos", ou que o EstadoMembro cobrenos o IPVA de veículo roubado; perguntase onde estaria a concretização da hipótese de incidência concretizadora da capacidade contributiva do contribuinte, como ele iria contribuir para as despesas gerais da sociedade sem que revele riqueza legal (ou que consume o fato gerador tributário) para que seja, obrigado a pagar um imposto; não é, pois, ao acaso que essa Excelsa Câmara Superior de Recursos Fiscais e diversas Turmas de Julgamento decidiram por anular a cobrança de ITR daquelas propriedades comprovadamente invadidas por sem terra, e andaram muito bem em fazêlo; inadmissível se pretender tributar por um tributo que imprescinde da propriedade integral, a mera propriedade formal, despida da posse e o direito de uso; no caso, entre a invasão, em outubro de 2002, e a imissão na posse, em julho de 2005, transcorreram quase três anos; não é de se conceber que, pela morosidade e mazelas inerentes ao Poder Judiciário e ao Poder Executivo, respectivamente consubstanciadas pela demora e não cumprimento da decisão liminar proferida nos autos da Ação de Reintegração de Posse em dezembro de 2004, e pela morosidade da edição do Decreto que declarou o imóvel de interesse para reforma agrária, bem como ao INCRA para a efetivação dos procedimentos para imissão na posse dos posseiros, que os Requerentes, proprietários esbulhados, sejam impelidos a pagamento de imposto; reiterese que a perda da posse se deu no momento da invasão. por ato ilícito dos integrantes do MST. destarte, pelo fato de a norma contida no art. 1º, §1º, da Lei 9.393/96 ter como hipótese fática (não prevista in abstracto) algo completamente diverso do que aconteceu concretamente, não há como pretender sua aplicação, não podendo subsistir o requisito de imissão prévia na posse para obstar a incidência do ITR; nesse sentido, pedimos venia para destacar trecho do acórdão nº 2102 01.635: "Na análise das alegações do Recurso e documentos acostados aos autos, entendeu a il. Relatora que tal preliminar não poderia ser acolhida, eis que o fato do Recorrente ser o proprietário do imóvel sobre o qual se exige o ITR seria suficiente para a Fl. 729DF CARF MF 6 manutenção da exigência fiscal, nos termos do art.4º da Lei n° 9.393/96. A meu ver, porém, razão assiste ao Recorrente, pois o simples fato de o mesmo ser formalmente o proprietário do imóvel em questão não (mais) o legitima como sujeito passivo para fins de recolhimento do ITR, já que foram retirados dele todos os atributos que a propriedade do referido imóvel lhe traria." nada mais razoável e justo que se dar efeito à realidade fática, devidamente comprovada, não se pode tapar os olhos para o fato de que não existe propriedade plena, ou seja, não há identidade da situação fática à norma jurídica tributária, portanto, inexiste subsunção a permitir a exigência de pagamento de tributo; o ITR exigido dos Recorrentes configura exação ilegítima, eis que a situação fática não permite aplicar efeitos aplicáveis àqueles que são plenos e completos proprietários de imóveis rurais, que usam, gozam, reivindicam, possuem a posse completa e a propriedade formal de seus imóveis rurais; a essa a lei do ITR se aplica ... já aos Recorrentes, em absoluto, pode ser aplicada, sob pena de se admitir sejam obrigados a pagar tributo sem que seja consumado o fato gerador. Ao final, o Contribuinte pede que o recurso seja conhecido e provido. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 25/11/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 706), a Fazenda Nacional ofereceu, em 03/12/2014, as Contrarrazões de fls. 707 a 717 (despacho de Encaminhamento de fls. 718), contendo os seguintes argumentos, em resumo: Preliminar de não conhecimento do Recurso Especial apesar da alegação de invasão do imóvel pelo movimento dos sem terra, o contribuinte apresentou DITR até 2009, o que inclui o fato gerador em questão (2005); assim, não há prova inequívoca da perda da propriedade do bem, conforme consta do voto condutor do acórdão recorrido; tendo o contribuinte apresentado DITR até 2009 e não tendo apresentado prova inequívoca da perda da propriedade, deve ser mantido o lançamento; por se tratar o Recurso Especial, de fundamentação vinculada, ou seja, cabível apenas no caso de configuração de divergência de julgados no CARF, nos termos do art. 67 do RICARF, não se pode admitir o reexame de provas. Segue: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. nesse diapasão, segue entendimento do STJ, consubstanciado na súmula 07: “Pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.” em face do exposto, requer seja negado seguimento ao recurso especial do contribuinte, tendo em vista ensejar o reexame de prova, quanto à prova da perda da propriedade do bem, apesar de ter apresentado a DITR/2005; Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 722 7 Mérito de início, imperioso mencionar que a Constituição Federal, no art. 153, VI, atribuiu competência à União para instituir o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), nestes termos: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) VI propriedade territorial rural.” (sem grifo no original) da leitura do referido dispositivo constitucional, já se percebe que a intenção do constituinte foi a de atribuir competência tributária à União para exigir imposto de quem fosse proprietário de imóvel em área rural; e consonância com o preceito constitucional indicado, o CTN, em seus arts. 29 e 31, determinou que: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município.” (...) “Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título”. (grifamos) da mesma maneira, o art. 4º da Lei nº 9.393/96 define quem é o sujeito passivo do ITR: “Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título”. notase que a legislação atinente à espécie menciona sempre como contribuinte o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, nada dispondo acerca de qual dos sujeitos apontados nas normas transcritas será cobrado o tributo em referência; neste sentido, trazse à colação o Acórdão nº 30331.546 e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Ementa: NUMERAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A numeração do Auto de Infração não é requisito essencial para o lançamento por não trazer qualquer prejuízo à defesa. IDENTIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO IMÓVEL. Constando do Auto de Infração a identificação do imóvel e apresentada a defesa, inexiste cerceamento do direito de defesa. SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer Fl. 731DF CARF MF 8 deles. INCIDÊNCIA DO ITR SOBRE O ACERVO IMOBILIÁRIO DA TERRACAP E ISENÇÃO DO ITR. O acervo imobiliário da Terracap localizado na zona rural está sujeito à incidência do ITR. A Lei 5.861/72, em seu artigo 3º,inciso VIII, excetua da isenção do ITR os imóveis rurais da TERRACAP que sejam objeto de alienação, cessão ou promessa de cessão, bem como de posse ou uso por terceiros a qualquer título. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. (Acórdão nº 30331.546, Relator: NANCI GAMA) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO E POSSUIDOR. LEGISLAÇÃO MUNICIPAL. TUTELA ANTECIPADA. ART. 273 DO CPC. AUSÊNCIA DE VEROSSIMILHANÇA DA ALEGAÇÃO. 1. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. 2. A falta de prequestionamento da questão federal, a despeito da oposição dos embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial (Súmulas 282 e 356 do STF). 3. O art. 34 do CTN estabelece que contribuinte do IPTU "é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título". 4. A existência de possuidor apto a ser considerado contribuinte do IPTU não implica a exclusão automática, do pólo passivo da obrigação tributária, do titular do domínio (assim entendido aquele que tem a propriedade registrada no Registro de Imóveis). 5. Ao legislador municipal cabe eleger o sujeito passivo do tributo, contemplando qualquer das situações previstas no CTN. Definindo a lei como contribuinte o proprietário, o titular do domínio útil, ou o possuidor a qualquer título, pode a autoridade administrativa optar por um ou por outro visando a facilitar o procedimento de arrecadação. 6. Ausente o requisito do fumus boni iuris, é de se indeferir o pedido de antecipação de tutela. 7. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 651.371/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23.08.2005, DJ 05.09.2005 p. 233) em nível constitucional, o art. 153, VI, da CF, elegeu o proprietário de imóvel territorial rural como o contribuinte por excelência do ITR. Com efeito, a eleição desse sujeito passivo demonstra que a propriedade de um imóvel rural, como regra, revela maior capacidade contributiva que o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título; Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 723 9 neste passo, destaquese acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, em situação em que o contribuinte perdeu a posse do imóvel, o considerou como sujeito passivo do ITR, haja vista a sua condição de proprietário: Ementa :ITR/1992. O recorrente adquiriu o imóvel rural objeto da lide em 15/07/1986 por meio de escritura de venda e compra registrada no RGI. Sofreu esbulho possessório, mas não perdeu a condição de proprietário, por conseqüência, para efeito do ITR é contribuinte do imposto. Quanto ao pedido de revisão da base de cálculo do ITR/1992, digase que o valor de terra nua tributado foi o valor declarado, conforme se constata pela comparação entre o valor constante do quadro 07 da DITR/1992(VTN) e o valor indicado na notificação de fl. 09. Assim, não pode ser atendido o pedido porque o recorrente não juntou nenhum dado, documento ou laudo que o sustentasse. RECURSO NEGADO (Acórdão nº 30330631, Relator: Paulo Assis) a corroborar esse entendimento, imprescindível transcrever trecho do voto do Acórdão nº 30331546: “Com o fito de elucidar a questão, cito o artigo 29 do CTN, que, com propriedade, dispõe que ‘o imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.’ Concluise, pois, do exame desse artigo e do artigo 30 supra referido que o ITR é devido por qualquer das pessoas que se prendam ao imóvel rural, em uma das modalidades listadas no dispositivo legal acima citado. Portanto, o Fisco pode exigir o tributo de qualquer uma delas, quer se ache vinculada ao imóvel rural como proprietário pleno, como nuproprietário, como posseiro ou, ainda, como simples detentor”. [Negrito acrescentado pela União]. portanto, se é inquestionável que o recorrido era proprietário/possuidor do imóvel na época dos fatos geradores, e se proprietário/possuidor é contribuinte do ITR, conseqüência lógica que ele tem mesmo que figurar no pólo passivo da relação e deve ser mantido o auto de infração lavrado contra ele. o Superior Tribunal de Justiça, em decisão da lavra do ministro José Delgado (abaixo transcrita), seguindo essa linha, entendeu que o que vale é a propriedade na data do fato gerador: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. LANÇAMENTO. DESAPROPRIAÇÃO PARCIAL DE IMÓVEL. PORTARIA MINISTERIAL EXPEDIDA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. 1. Tratam os autos de embargos opostos por Thomagran Agropecuária Ltda em face de execução fiscal movida pela Fazenda Nacional objetivando a cobrança de dívida referente a Fl. 733DF CARF MF 10 ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 1992. O juízo de primeiro grau julgou improcedentes os embargos. Inconformada, apelou a autora e o TRF/4ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso, mantendo incólume a sentença prolatada. Insistindo pela via especial, aduz a empresa contrariedade dos art. 144, § 1º, e 149, VIII, do CTN, defendendo, em suma, que a parte da área objeto do desapossamento deve ser excluída do lançamento, a despeito do fato gerador do ITR ter ocorrido no dia 1º de janeiro de 1992. Contrarazões defendendo, resumidamente, a inadmissibilidade do especial ou, se examinado, seja mantido o aresto na íntegra. 2. O contribuinte do ITR é o proprietário, titular do domínio ou da posse, de imóvel rural. O seu fato gerador ocorre no primeiro dia de cada ano e, a partir desse momento, surge a obrigação tributária. 3. A desapropriação do imóvel em novembro do mesmo ano em que ocorreu o fato gerador do ITR não tem o condão de desconstituir a obrigação tributária assumida na data da ocorrência do fato gerador. 4. Recurso especial improvido.” (REsp 673901 / PR, d.j. 28/02/2005, p. 249, rel. Ministro JOSÉ DELGADO) ainda, imperioso lembrar que nos termos da Lei n.º 6.015/73, no seu art. 252, enquanto não cancelado o registro em seu nome ou transferida a propriedade do imóvel rural, a recorrida é a legítima proprietária e o registro produz todos os seus efeitos legais: “Art. 252 – O registro, enquanto não cancelado, produz todos os seus efeitos legais ainda que, por outra maneira, se prove que o título está desfeito, anulado, extinto ou rescindido”. em observância ao dispositivo acima transcrito, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o seguinte acórdão: ITR/1997. LEGITIMIDADE PASSIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. O contribuinte notificado alega que não é mais o proprietário nem o possuidor a qualquer título do imóvel, porém segundo documento constante dos autos o imóvel em causa é parte de imóvel maior registrado em seu nome. A entrega da DITR/97, em nome do interessado, em 14/06/99, se deu fora do prazo legal e suscita a exigência de multa legalmente prevista. Recurso negado. (Acórdão nº 30332.749, Relator: Cláudio José de Oliveira Marinho) diante de tudo, concluise pela legitimidade do recorrido como sujeito passivo da relação tributária. Ao final, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento ao Recurso Especial ou, subsidiariamente, lhe seja negado provimento, mantendose o acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Voto Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 724 11 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Bonanza" (NIRF 40494993), localizado no Município de Guapé/MG. A motivação da exigência foi a glosa das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal e de Pastagens, bem como o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Os sujeitos passivos são Antonio de Padua Orlandi e Sérgio Mohallem. A matéria em discussão é sujeição passiva, no caso de imóvel invadido por terceiros. Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do apelo, alegando que no acórdão recorrido estaria consignado que não haveria prova inequívoca da perda da propriedade do bem à época do fato gerador e que o Recurso Especial não se presta ao reexame de provas. Entretanto, tal premissa revelase equivocada, já que no acórdão recorrido não se põe em dúvida a invasão do imóvel, em si, o que se conclui é que, independentemente da invasão, a imissão do Poder Público na posse somente ocorreu após o fato gerador, daí a manutenção da sujeição passiva sobre os autuados. Assim sendo, conheço do recurso e passo a analisarlhe o mérito. No presente caso, o tributo foi exigido dos proprietários do imóvel, que alegam ilegitimidade passiva, tendo em vista a área encontrarse invadida por trabalhadores semterra. A Lei nº 5.172, de 1966 CTN, assim dispõe, relativamente ao ITR: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. (...) Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. (grifei) A Lei nº 9.393, de 1996, que regulamentou o ITR, assim estabeleceu: "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Fl. 735DF CARF MF 12 § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." De plano, cabe destacar que a lei não estabelece qualquer benefício de ordem, no que tange ao contribuinte do ITR. Nesse passo, ressaltase que o próprio Contribuinte qualificouse como tal, ao apresentar a DITR/2005 em seu nome, apurando inclusive o tributo que considerou devido (fls. 04). Com efeito, a irresignação acerca da sujeição passiva somente ocorreu quando dele foi exigida a diferença de imposto. Assim, não há que se falar em ilegitimidade passiva, já que o Contribuinte detinha a propriedade do imóvel, o que já é suficiente para, no presente caso, caracterizar a sujeição passiva. Ademais, a Lei nº 9.393, de 1996, assim determina: "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." Regulamentando a lei, o Decreto nº 4.382, de 19/09/2002, foi claríssimo: Art. 2º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1o de janeiro de cada § 1º O ITR incide sobre a propriedade rural declarada de utilidade ou necessidade pública, ou interesse social, inclusive para fins de reforma agrária: I até a data da perda da posse pela imissão prévia do Poder Público na posse; II até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público." (grifei) No caso em apreço, repitase que se trata do ITR/2005, sendo que a imissão prévia na posse pelo INCRA somente ocorreu em 12/07/2005, portanto após o fato gerador do exercício em questão (1º/01/2005) e mesmo assim abrangendo parte da área do imóvel (1.788,3 Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 725 13 ha, fls. 48), em face da Ação de Desapropriação, conforme averbado no Registro da Matrícula do imóvel (fls. 140/verso). Assim, conforme o dispositivo legal acima destacado, somente a partir de 12/07/2005 poderia se cogitar de não exigência do tributo em face do autuado. Destarte, a sujeição passiva, no caso do ITR, não comporta benefício de ordem, sendo que a regra geral é a exigência do ITR em face do proprietário, enquanto não transferida a propriedade, o que no presente caso legitima o Contribuinte como sujeito passivo do ITR/2005. Com efeito, ao tempo de ocorrência do fato gerador, o imóvel em questão não se enquadrava na excepcionalidade que eximiria o proprietário da exigência do tributo: imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária com imissão prévia do Poder Público na posse. Em seu Recurso Especial, os Contribuintes apresentam uma série de argumentos que, a despeito de sua legitimidade, não possuem o condão de afastar a lei, cujo cumprimento vincula o julgamento administrativo. No que tange aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade, bomsenso, e outros que se entenda aplicáveis ao presente caso, ressaltese que ao Julgador Administrativo é vedado afastar a lei, e esta é clara no sentido de que os autuados possuem legitimidade passiva, relativamente ao ITR/2005. Com efeito, ao Julgador Administrativo cabe aplicar a legislação que rege a matéria, e esta não autoriza posicionamento diverso do adotado no presente voto. Finalmente, no que tange e eventuais decisões divergentes acerca da mesma matéria, tratase de situação inerente aos tribunais, cabendo à Instância Especial dirimir eventual divergência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial dos Contribuintes e, no mérito, negolhes provimento, afastando a ilegitimidade passiva, esclarecendo que as demais questões do Recurso Voluntário já foram julgadas. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 737DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720062/2007-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 12/11/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação e indicação das normas de interpretação adotadas na reclassificação fiscal de mercadoria importada alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal.
A ausência de motivação no Auto de Infração acarreta a sua nulidade, por vício material.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em: (a) Por voto de qualidade, conhecer do recurso especial, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para o voto vencedor quanto à admissibilidade; e, (b) no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Raquel Novais, OAB/SP nº 76.649, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação e indicação das normas de interpretação adotadas na reclassificação fiscal de mercadoria importada alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. A ausência de motivação no Auto de Infração acarreta a sua nulidade, por vício material. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em: (a) Por voto de qualidade, conhecer do recurso especial, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para o voto vencedor quanto à admissibilidade; e, (b) no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Raquel Novais, OAB/SP nº 76.649, advogada do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 00 62 /2 00 7- 79 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 827 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Vanessa Marini Cecconello Relatora Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo que busca a reforma do Acórdão nº 3202001.286 (fls. 687 a 699) proferido pela 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, da Terceira Seção de julgamento, em 21/08/2014, ratificado pelo acórdão nº 3202001.466 (fls. 710 a 714), de 24/02/2015, que rejeitou os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. O acórdão nº 3202001.286 foi assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/11/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES QUANTO AOS ELEMENTOS QUE LEVARAM À RECLASSIFICAÇÃO. Quando da reclassificação fiscal, o Auto de Infração, além de indicar o porquê de estar incorreta a classificação utilizada pela contribuinte, deve informar quais as características técnicas relevantes relativas à mercadoria importada que levaram a adotar aquele código específico de reclassificação, ou, pelo menos, informar qual foi a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado adotada. Sem que se tenha Fl. 828DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 828 3 atendido este requisito de validade, há que se declarar o cerceamento do direito de defesa alegado pela contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A ausência de motivação no Auto de Infração acarreta a sua nulidade, por vício material. Recurso de Ofício negado [...] O processo administrativo tem origem em auto de infração lavrado em face do Sujeito Passivo para cobrança de imposto de importação (II), imposto sobre produtos industrializados (IPI), e consectários legais, em razão de suposta classificação fiscal de turbogerador importado pela Contribuinte em NCM equivocado. A Fiscalização entendeu que deveriam ser classificadas em separado cada uma das várias partes integrantes do turbogerador, ensejando a lavratura do auto de infração. Intimada do lançamento, a Contribuinte apresentou impugnação alegando: (a) a nulidade da autuação por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa; (b) a correta classificação da mercadoria no código NCM 85023900 por se tratar de um único equipamento conforme atestado por laudo técnico acostado nos autos do processo. Na apreciação da impugnação, a Delegacia Regional de Julgamento cancelou a autuação em sua integralidade. Mesmo tendo reconhecido o vício de motivação da autuação, ultrapassou a preliminar de nulidade sustentada pela Contribuinte, sob o fundamento de que a classificação fiscal utilizada pela Contribuinte estaria correta. Por unanimidade de votos, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso de ofício, considerando a nulidade da autuação por vício material, por entender que a ausência da indicação dos motivos que ensejaram a reclassificação fiscal da mercadoria pela Fiscalização caracterizou desobediência ao comando do art. 142 do CTN. A decisão foi confirmada pelo acórdão que rejeitou os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Em face da decisão do recurso de ofício, a Fazenda Nacional interpôs o recurso especial em análise, com base em divergência jurisprudencial, alegando a existência de vício formal no lançamento. Traz como paradigmas os acórdãos nºs 20309.332 (processo 13133.000427/201214) e 320100.248. O apelo especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do despacho s/nº, de 21/05/2015 (fls. 801 a 803). Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte (fls. 808 a 820), que por serem tempestivas devem ser consideradas. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 11/12/2015, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 829 4 É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora (VENCIDA APENAS QUANTO À ADMISSIBILIDADE) Admissibilidade O recurso especial da Fazenda Nacional foi interposto tempestivamente, restando analisarse os demais requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009. A Fazenda Nacional, com o intuito de comprovar a divergência jurisprudencial a ensejar a interposição do recurso especial, indicou como paradigmas os acórdãos nº 20309.332 e nº 320100.248. Confrontandose o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas depreendese que não há similitude fática entre eles, requisito indispensável à admissibilidade do recurso especial. O caso dos autos tem origem na importação de um turbo gerador classificado na posição NCM 8523900, desmembrado na ocasião da lavratura do auto de infração e reclassificado pela Autoridade Fiscal, sem fazer constar as informações referentes às características da mercadoria ensejadoras da reclassificação; à regra de classificação utilizada como parâmetro no ato administrativo e à análise técnica realizada no desembaraço aduaneiro. Já o acórdão paradigma nº 20309.332 tem por lastro a imunidade da COFINS e o erro na capitulação legal dos fatos que geraram decisão que declarou o vício formal no lançamento, situação diversa do caso em análise, in verbis: [...] "Tratase de processo relativo à COFINS, decorrente da suspensão de imunidade da contribuinte acima. Os argumentos da contribuinte já foram objeto de julgamento pelo acórdão DRJ/BSB nº 04.108, relativo ao processo n°13133.000025/9962, em anexo, inclusive já foi mantido o ato declaratório por esta instância julgadora. [...] Fl. 830DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 830 5 Compulsando os autos, verifico que a fundamentação no artigo 32 da Lei n° 9.430/96 não diz respeito à COFINS, objeto do presente processo administrativo, ainda que a suspensão da imunidade, operada por ato administrativo, possa servir como subsidio para aplicabilidade do direito. [...] Em se tratando da COFINS, há de se observar que o comando legal inserido está originariamente no artigo 195, § 7°, da Constituição Federal. Em decorrência, reitero que o lançamento é um ato declaratório da obrigação tributária, devendose reportar à legislação especifica do tributo em análise. Pela independência da COFINS, os atos praticados, ou faltas cometidas, devem, obrigatoriamente, ser descritos no auto específico da contribuição e regidos pela lei do tempo em que foram praticados. Estas considerações preliminares são importantes, sobretudo no tocante à prova, pois "a prova" regida pelo direito substantivo há de se ater aos fatos trazidos no processo e com estes ter dependência. Não há como tratar a COFINS como decorrente do IR porque assim não o quis o legislador. [...] Por sua vez, o acórdão paradigma nº 320100.248 trata de conversão da pena de perdimento em multa correspondente ao valor das mercadorias importadas, pelo fato de as mesmas não terem sido encontradas ou já terem sido consumidas, tendo sido o lançamento motivado pela suposta ocultação do verdadeiro responsável pelas importações, in verbis: [...] "Tratase de lançamento da multa capitulada no art. 23, inciso V e seus parágrafos, do DecretoLei n° 1.455, de 07/04/1976, com a redação alterada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002, no valor total de R$ 1.212.754,90 (fls. 01/02), inerente à conversão da pena de perdimento em multa correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas através das Declarações de Importação — DI's — listadas às fls. 31/34. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal objeto do auto de infração em evidência (fls. 02), complementado pelo Relatório de Ação Fiscal de fls. 08/30, o lançamento foi motivado pela constatação da ocultação do verdadeiro responsável pelas operações de importação, infração a qual ensejaria a aplicação da pena de perdimento de que trata o art. 23, inciso V e § 1°, do Decretolei n° 1.455/76. Contudo, pelo fato de as mercadorias não terem sido encontradas ou por já terem sido consumidas houve a conversão da citada penalidade em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme §3º da prescrição legal acima reportada. [...] Embora o trabalho fiscal tenha sido conduzido com destacável zelo (principalmente se levarmos em consideração que o negócio simulado levado a cabo pelos envolvidos se reveste de artimanhas que dificultam — e por vezes até mesmo impossibilitam — a comprovação material do mesmo, uma Fl. 831DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 831 6 vez que, pela própria natureza do ilícito, os meios utilizados para burlar a fiscalização precisam dar aparência de negócio legal), no auto de infração persistem omissões e inconsistências no tocante à determinação da matéria tributável e subsiste a ausência de documentação idônea que sirva de base à apuração do valor correto da multa a ser aplicada, fatos que comprometem a validade do lançamento. No caso em exame, o procedimento fiscal se propôs a aplicar multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, inciso V, § 3° do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei n.° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. [...] Portanto, em razão da ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas, o recurso especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido pois ausente um dos requisitos constantes do art. 67, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. VOTO VENCEDOR NO MÉRITO Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora Mérito Transposta a questão da admissibilidade, em que foi vencido o voto da Relatora no sentido de não conhecer do recurso especial, no mérito, cingese a controvérsia à análise da ocorrência de vício formal ou material a ensejar a nulidade do auto de infração lavrado pela Fiscalização em face do Sujeito Passivo para exigência de Imposto de Importação, IPI vinculado, multa de ofício, multa por classificação incorreta na NCM e juros de mora. A relevância de se distinguir se o vício que maculou o lançamento é de ordem formal ou material está no fato de o Código Tributário Nacional CTN prolongar o prazo de decadência para que seja constituído o crédito tributário quando se reconhece a existência do vício formal, conforme inteligência do seu art. 173, inciso II. O vício formal pode ser entendido como aquele que atinge o procedimento e, não raro, pode ser sanado sem a necessidade de anulação do ato de lançamento original, podendo ser corrigido pela própria autoridade julgadora. O vício material, por sua vez, por macular a substância do lançamento, norma individual e concreta, prejudica a validade da obrigação tributária, sendo imprescindível nesses casos a realização de um novo ato administrativo de lançamento. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 832 7 Os requisitos do auto de infração, dentre eles a descrição dos fatos e a fundamentação legal, estão estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e no art. 142 do Código Tributário Nacional: Decreto 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifouse) Acerca da necessidade de motivação do lançamento, como um dos seus requisitos, leciona o Desembargador Federal Leandro Paulsen, fazendo referência, ainda, à decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: [...] Sendo, o lançamento, o ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, identificase o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplicase a penalidade cabível, nos termos da redação do art. 142 do CTN, certo é que do documento que formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos estes elementos, fazendose necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente. [...] "O lançamento fiscal, espécie de ato administrativo, goza da presunção de legitimidade; essa circunstância, todavia, não dispensa a Fazenda Pública de Fl. 833DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 833 8 demonstrar, no correspondente auto de infração, a metodologia seguida para o arbitramento do imposto exigência que nada tem a ver com a inversão do ônus da prova, resultando da natureza do lançamento fiscal, que deve ser motivado. Recurso especial não conhecido." (STJ, 2ª T., REsp 48.516/SP, ARI PARGENDLER, set/97) (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 17. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2015. p. 1024) Sendo a descrição dos fatos, a correta determinação da matéria tributável e da fundamentação legal elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, o equívoco em análise alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Embora a distinção entre os vícios de ordem formal e material não seja tarefa simples, o caso em exame mostra claramente estarse diante da ocorrência de vício de ordem material, assertiva corroborada pelos fundamentos bem lançados no acórdão recorrido ao negar provimento ao recurso de ofício, proferido pela Ilustre Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, e que passam a integrar as razões de decidir deste julgado: [...] Ao teor do relatado, tratase de apreciação de recurso de ofício, interposto pelo órgão julgador a quo, em razão de haver exonerado o sujeito passivo em montante superior ao seu limite de alçada. A lide diz respeito à classificação fiscal de mercadorias importadas pela interessada, classificadas pela contribuinte no código NCM 8502.39.00 – Outros grupos eletrogêneos e reclassificadas pela autoridade fiscal nos códigos referentes a cada uma das partes importadas, de acordo com o seu próprio regime. Referida reclassificação resultou na lavratura de Autos de Infração, no valor total de R$44.894.481,39, para exigência de Imposto de Importação, IPI vinculado, multa de ofício, multa por classificação incorreta na NCM e juros de mora. Informa a Fiscalização, no Auto de Infração, que o importador, por meio da DI de n ° 02/1008196 6, registrada em 12/11/2002, submeteu a despacho conjunto turbogerador a vapor com 99 MVA de potência, composto de 1(um) gerador acionado por uma turbina a vapor, com todos seus acessórios, incluindo sistema de lubrificação, sistema de regulação do vapor, sistema de drenagem, painéis de controle, quadros, armários e cabinas de comando e distribuição; dispositivo e instrumento de controle, medida e verificação; enclausuramento acústico para máquinas e quadros elétricos e componentes, dispositivos e elementos necessários para interligação e montagem das partes e componentes do conjunto, assim como ferramentas especiais para montagem, os quais se encontrariam instalados e em pleno funcionamento no estabelecimento da contribuinte. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 834 9 Os bens que a contribuinte classificou no referido código NCM, objeto de despacho aduaneiro, estão relacionados às efls.30/31. São ele, especificamentes: Quadro do sistema antiincêndio, Quadro elétrico do sistema de controle da turbina, Quadro de supervisão do controle da turbina, Aparelho Pamos completo, com acessórios, Skid válvula de tomada e regulação do vapor, Válvula de regulação do vapor, Conjunto de materiais de isolação do corpo de turbina e válvula, Conjunto de produtos de isolação dos turbos de vapor, Partes do conjunto turbo gerador a vapor(gerador), Partes para instalação e montagem conjunto turbo gerador a vapor, Skid turbina( corpo principal), Conjunto tubos de vapor, Conjunto de acessórios da turbina, Válvula de retenção com atuador hidráulico e acessórios, válvula de interceptação completa com motor assistido, Quadro elétrico de medida e controle, Quadro elétrico de controle do sistema anti incêndio, Quadro do sistema anti incêndio do turbo gerador, Conjunto de materiais elétricos (ao redor do condensador), Jogo de cabos elétricos, Jogo de caixas, barnes e canal, Estrutura metálica(rack) porta instrumentos, Conjunto de materiais de elevação e filtros óleo, Conjunto de tubos de lavagem de óleo de lubrificação com acessórios, Depurador de óleo completo, Conjunto de painéis para enclausuramento do turbo gerador, Conjunto de partes e acessórios para turbina a vapor, Skid unidade de regulação do óleo de alta pressão, Conjunto de tubos de lavagem control fluid, Conjunto de tubos de control fluid, Fluidos fyrquel, Viga de elevação, Conjunto de instrumentação elétrica, Conjunto de tubos de drenagem condensador e Conjunto de tubos de vapor de drenagem e retenções. A DRJFortaleza/CE julgou improcedente o lançamento, por entender que as mercadorias importadas, objeto desta lide, constituíamse em equipamentos indissociáveis, formando um corpo único em relação ao conjunto turbogerador a vapor. Entendeu aquele órgão, ainda, que os equipamentos auxiliares, importados conjuntamente com o grupo eletrogêneo, exerciam funções bens determinadas, imprescindíveis ao funcionamento do sistema como um todo e que, assim, deveriam também ser classificados como grupo eletrogêneo, em razão da função principal exercida, qual seja, a produção de energia elétrica mediante a utilização de um grupo eletrogêneo. Por fim, concluiu que a classsificação correta de todos os equipamentos seria no código NCM 8502.39.00, uma vez que todos os equipamentos considerados na autuação foram concebidos para executar conjuntamente a função de produção de energia elétrica mediante o emprego do Grupos [sic] Eletrogêneo. No mérito, entendo por equivocado o posicionamento adotado pela autoridade julgadora a quo, no que diz respeito aos equipamentos auxiliares importados, sendo o meu entendimento, quanto a esta matéria, já de conhecimento desta Turma, em razão dos julgamentos proferidos nos autos dos processos nº. 10074.000655/200671 e nº. 10314.002456/200466. Registrada, portanto, a minha discordância em relação ao acórdão recorrido no que diz respeito ao mérito do litígio, é forçoso reconhecer, entretanto, que cabe razão à contribuinte quando alega, em preliminar, ter sido cerceada em seu direito de defesa. Aliás, a decisão recorrida, muito embora tenha rejeitado essa preliminar suscitada, laborou em equívoco ao posicionarse pela sua rejeição, visto que, no corpo do voto proferido pelo relator, posicionouse favoravelmente à ocorrência da nulidade do auto de infração por tal motivo. Na parte dispositiva do voto, portanto, deveria tão Fl. 835DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 835 10 somente, ao invés de rejeitar a preliminar, ter deixado de se pronunciar quanto a esta. Neste ponto, entendo cabíveis as considerações trazidas pelo voto condutor do acórdão recorrido, os quais abaixo transcrevo: “(...) Expostos os motivos pelos quais as mercadorias não poderiam ser classificadas no código informado pelo autuado, caberia a fiscalização, então, encontrar os códigos da NCM corretos, apresentando a descrição dos fatos, embasada nas características técnicas das mercadorias, e os fundamentos legais que amparam essa nova classificação.Todavia, quanto a esse aspecto, o auto de infração revelouse omisso. Pelo simples exame dos quadros apresentados às fls. 33/34, vêse que a fiscalização limitou a descrever o produto importado e a informar o código tarifário por ela considerado correto, ou seja, os códigos NCM adotados pela fiscalização não estão acompanhados da necessária descrição das mercadorias importadas que neles foram classificadas e muito menos da exposição de suas características técnicas, com vista a permitir o exame do cabimento dessa classificação. Portanto, não foram cumpridos os requisitos da descrição dos fatos e da fundamentação legal, fundamentais para a validade do ato, conseqüentemente, não foram fornecidas ao sujeito passivo todas as informações necessárias ao exercício do seu pleno direito de defesa, o que, inevitavelmente, leva à nulidade do lançamento. Vale dizer, em outras palavras, que a fiscalização concluiu que a classificação das mercadorias deve ser feita nos códigos por ela indicados no lançamento, sem indicar os motivos de fato e os fundamentos legais que justificariam tal classificação (...)” Pela leitura da Descrição dos Fatos constante do Auto de Infração e do Relatório de Fiscalização (efls. 22/41) não se consegue, de forma alguma, identificar quais os motivos que levaram a Fiscalização a adotar os códigos que encontrou. Não houve, portanto, a descrição dos fatos, relativo à caracterização dos equipamentos reclassificados, nem ao porquê de a Fiscalização ter adotado o código de classificação que ali indicou. Às efls. 34/35 consta tão somente um quadro comparativo informando a descrição do produto, o código adotado pela contribuinte e o código apurado pela Fiscalização. Entretanto, a descrição do produto ali constante não é suficiente para informar as características técnicas da mercadoria que levaram à escolha daquele código pela Fiscalização, levando à conclusão de que o motivo da reclassificação se deu pela simples discordância da autoridade fiscal em relação à classificação adotada pela contribuinte, sem esclarecer, entretanto, o porquê de a outra classificação ser a correta, ou ao menos indicar qual a regra de Classificação que adotou para chegar àquele código. O Auto de Infração, ao reproduzir as notas explicativas das NESH para demonstrar que a classificação adotada pela contribuinte estava errada, deixou de indicar qualquer elemento fático que fosse para demonstrar de onde firmou o seu convencimento para a reclassificação que adotou, e mais, nem mesmo indicou qual foi a Regra de classificação aplicada, abrindo Fl. 836DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 836 11 margem para se pressupor que, em alguns casos, a reclassificação deve terse dado em razão da utilização da RGI nº 01, ou seja, pelo simples pelo texto das posições, porém o Auto de Infração não é instrumento para se deixar margem a pressuposições em relação aos fatos. O Auto não identifica, assim, qual o motivo que levou a autoridade fiscal a adotar aquela classificação que indicou em detrimento de qualquer outra possível diferente daquela adotada pela contribuinte. Não há como saber de que forma chegou à Fiscalização aos códigos da reclassificação apontados no Relatório de Fiscalização às efls. 34/35, constando, ali, inclusive, a reclassificação para o código 8503.00.90, para classificar o produto identificado como “partes do conjunto turbogerador a vapor (gerador)”, o que, em tese, poderia até mesmo fazer parte do grupo eletrogêneo, mas que, por falta de elementos fáticos elucidativos, não se sabe o porquê de ter sofrido a reclassificação para aquele código. Desta forma, entendo que falta à peça de autuação elemento essencial de sua validade, qual seja, a indicação dos motivos que levaram a Fiscalização àquela reclassificação. Não basta à autoridade autuante dizer “o contribuinte classificou o produto na posição X, está errado por isso e aquilo, e o correto é a posição Y”. Deve o autuante, além de indicar o porquê de entender incorreta a classificação da contribuinte, informar quais as características técnicas relevantes relativas à mercadoria que o levaram a adotar aquele código específico de reclassificação, ou, pelo menos, informar qual foi a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado adotada. Assim, a ausência da indicação dos motivos que levaram a autuação àquele entendimento para a reclassificação caracteriza a existência de vício material no lançamento perpetrado, pois, quando do lançamento, a autoridade fiscal deixou de determinar as razões pelas quais entendeu ser correta a classificação fiscal que adotou, deixando, com isso, de obedecer ao comando do art. 142 do CTN. No caso, a Fiscalização, além de ter identificado por quais razões entendeu que a classificação adotada pela contribuinte estaria incorreta, deveria ter explicitado os critérios que utilizou para chegar à classificação que indicou e da qual resultou os tributos que foram exigidos, bem como à aplicação da multa por classificação incorreta na NCM. Por outro lado, deixo claro o meu entendimento de que o reconhecimento da nulidade do lançamento por existência vício material não importa em nenhuma refomatio in pejus em relação à Fazenda Nacional, a qual recorreu de ofício da decisão. Isso porque, mesmo tendo a autoridade julgadora de primeira instância, diferentemente do meu posicionamento, entendido que teria ocorrido vício formal no lançamento, o dispositivo da decisão, que faz a coisa julgada material administrativa, foi o seguinte: Por isso, VOTO no sentido de: 1. Rejeitar as preliminares suscitadas de alteração de critério jurídico e cerceamento do direito de defesa, e Fl. 837DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 837 12 2. No mérito, a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE, exonerando integralmente o crédito tributário lançado, no valor de R$ 44.894.481,39. Ou seja, houve a rejeição da preliminar referente à existência do cerceamento do direito de defesa, não se tendo formado coisa julgada em relação a qualquer existência de vício no lançamento, fosse ele formal ou material. Demais disso, tendo a autoridade julgadora a quo dado provimento à impugnação no mérito, tal fato importaria na impossibilidade de novo lançamento, de forma que minha decisão em nada agravará a situação da Fazenda Nacional. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, para acolher a preliminar de nulidade do Auto de Infração, por vício material, mantendo a exoneração integral do crédito tributário lançado. [...] Ainda, complementando os fundamentos desta decisão está o acórdão nº 9101 002.146, proferido em julgamento realizado na data de 07/12/2015 pela 1ª Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida caracteriza vício material, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. [...] A autuação lavrada, portanto, deve ser nulificada por vício material em razão dos equívocos na descrição dos fatos e da fundamentação legal na reclassificação da mercadoria importada, os quais não podem ser sanados sem novo ato de lançamento, violando frontalmente os artigos 10 do Decreto nº 70.235/1972 e 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 838 13 Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Designado quanto à admissibilidade Como está bem explicitado em seu voto, a nobre relatora não conheceu do recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Para ela, as circunstâncias fáticas eram diversas, o que não permitiria verificar a divergência. Ousei divergi desse posicionamento por entender que a similitude deve ser verificada no que tange ao questionamento apresentado e não, ao menos não necessariamente, quanto à legislação do tributo, se não é esta que resta atacada. Tenho que tentar me fazer mais claro. É óbvio que não se pode, por exemplo, querer contestar a legislação, digamos da COFINS, trazendo como demonstrativo de controvérsia acórdão em que se tenha discutido, digamos, IPI. Esse parece, mas só parece, ser o caso aqui. Isso porque, embora o recorrido tenha tratado como matéria de mérito de classificação fiscal, enquanto nenhum dos paradigmas a abordou aliás, bem longe disso passaram ambos o questionamento da Fazenda Nacional não diz respeito a qualquer aspecto da legislação atinente a classificação fiscal. Ele reside em aspecto estritamente processual, qual seja, na nulidade por cerceamento de defesa aduzida em razão de má ou incompleta descrição da infração ou dos fundamentos da autuação. Ora, se analisarmos ambos os paradigmas eleitos pela Fazenda, veremos que tratam eles exatamente desse mesmo questionamento, ainda que as autuações sejam de outros tributos. De fato, ambos os colegiados prolatores das decisões não avançaram até o mérito, dado que afirmaram a nulidade do lançamento, do mesmo modo que fez o recorrido. A única diferença entre eles e o contestado é na caracterização do vício que determinou a nulidade, se formal ou material. E é essa a discussão que a Fazenda quer ver travada aqui. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.720062/200779 Acórdão n.º 9303003.811 CSRFT3 Fl. 839 14 Assim, o que se tem de considerar é se as circunstâncias que foram analisados neles são ao menos assemelhadas àquelas consideradas na decisão objeto do recurso especial da Fazenda Nacional. Em outras palavras, a questão que se coloca é: discutiuse em algum dos paradigmas má demonstração da infração ou falta ou incompletude de fundamentos para a autuação? A simples leitura de suas ementas é suficiente para comprovar que sim. Tanto num quanto noutro declarouse nulo lançamento exatamente por esse motivo, mas declarouse a nulidade formal que a Fazenda pretende se aplique aqui também. Como essas considerações foram acompanhadas pela maioria (qualificada) do colegiado, conheceuse do recurso, sendo essa a parte do acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator quanto ao conhecimento Fl. 840DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002998/2006-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS IDÊNTICAS VINCULADAS À MESMA SITUAÇÃO FÁTICA.
Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigma(s) de mesma situação fática, com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa, diante de idêntico suporte fáticoprobatório.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTE NO EXTERIOR. ART. 3º E 8º DA LEI Nº 7.713/88.
Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte no país de origem.
Aplica-se o art. 3º, §1º da Lei nº 7.713/88 no caso de o contribuinte não justificar a origem dos valores recebidos em decorrência de ordens de pagamentos realizadas por meio de conta bancária mantida em instituição financeira localizada no exterior.
Numero da decisão: 9202-004.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), que não conheceram; e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EDISON DOMINGOS BARATO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS IDÊNTICAS VINCULADAS À MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigma(s) de mesma situação fática, com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa, diante de idêntico suporte fáticoprobatório. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTE NO EXTERIOR. ART. 3º E 8º DA LEI Nº 7.713/88. Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte no país de origem. Aplicase o art. 3º, §1º da Lei nº 7.713/88 no caso de o contribuinte não justificar a origem dos valores recebidos em decorrência de ordens de pagamentos realizadas por meio de conta bancária mantida em instituição financeira localizada no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), que não conheceram; e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 98 /2 00 6- 17 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 380 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte para a cobrança de Imposto de Renda incidente sobre omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior e multa isolada pela falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF devido à título de CarnêLeão. Segundo Termo de Verificação Fiscal de efls. 183 e seguintes, o presente procedimento foi instaurado em decorrência das operações de investigação relacionadas com o caso denominado "BANESTADO", onde constatouse que diversos contribuintes nos anos de 2001 e 2002 movimentaram recursos para, do ou no exterior sem declaração/controle/registro oficial das operações. Intimado em 26.12.2006 o contribuinte apresentou impugnação (efls. 223/227) alegando em síntese: cerceamento de defesa, ausência de provas acerca de autorização expressa do contribuinte para realização das movimentações financeiras questionadas. Aduz que o lançamento se baseou em mídias eletrônica as quais o contribuinte não teve acesso. Afirma tratarse de caso típico de ilegitimidade passiva, negando peremptoriamente ser o autor das contas bancárias apreciadas. Às efls. 260/265 o contribuinte apresentou petição complementar à peça de Impugnação reiterando sua ilegitimidade passiva destacando que não logrou a fiscalização comprovar que o nome transcrito em documento resultante de uma mídia, sobre a qual não teve acesso o impugnante, ficando impossível defenderse desta forma, é na realidade o do próprio impugnante. Inexiste qualificação ou qualquer documento assinado que comprove sequer o vínculo do impugnante com os ordenantes. Ademais, não dispõe o impugnante de recursos daquela monta, como demonstra a própria base de cálculo da CPMF anexada pela fiscalização às fls. 49. Em decisão de efl. 297/303 a DRJ julgou improcedente a impugnação afirmando haver nos autos provas suficientes para manutenção do lançamento, destaca que as Fl. 380DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 381 3 provas decorreram de minucioso trabalho de inteligência realizado pela fiscalização e foram obtidas segundo rigorosos critérios de apuração. Recurso Voluntário juntado às efls. 313/316, por meio do qual o contribuinte reitera seus argumentos. Por meio do acórdão nº 2102002.146 a 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária por unanimidade deu provimento ao recurso do contribuinte, decisão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Exercício: 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Mesmo considerando que o contribuinte tivesse efetuado as transações financeiras, informações estas oriundas de depósitos bancários de origem não comprovada, caso não seja possível a comprovação que o contribuinte se beneficiou de algum modo destes depósitos seja por sinais exteriores de riqueza, seja por acréscimo patrimonial ou benefício de terceiro, não há como vingar a presente autuação. Inconformada a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (efls. 355/364) citando como paradigmas os acórdãos 10423.589 e 340200.111. Segundo demonstrado, para os paradigmas os documentos obtidos no mesmo trabalho de fiscalização (caso Banestado) foram considerados como provas suficientes para caracterizar a ocorrência do fato gerador do tributo. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 382 4 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento do recurso: Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão do colegiado a quo que, por unanimidade de votos, dou provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Segundo fundamento da decisão o lançamento (ainda que tivesse se baseado na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96) seria insubsistente, pois o Fisco deixou de comprovar que os valores creditados nas contas bancarias apuradas teriam representado acréscimo patrimonial para o autuado. Nas palavras do Relator: A mera responsabilidade pelo envio de ordens financeiras a partir de contas estrangeiras ou a transferência a partir de contas nacionais (como um débito em conta corrente, envio de ordem de pagamento, transferência bancária, etc.), por si só, não é motivação trazida em sede de DRJ, exceto se ficar comprovado de forma iniludível que o contribuinte se beneficiou da transferência financeira, quer por consumo, quer por incremento patrimonial, quer por outro fim, situações que devem ser provadas pela fiscalização. Ademais, nunca se deve esquecer que uma mera transferência financeira pode ter sido feita a partir de valores de terceiros ou mesmo não implicar em aumento patrimonial, como ocorre com transferências entre contas de mesma titularidade. Porém, como se trata de uma presunção legal, não se pode ancorar tal procedimento em presunções de dispêndios, sob pena de alicerçar uma presunção em outras presunções, aqui sem autorização legal. Os registros de dispêndio do fluxo de caixa têm que estar comprovados de forma cristalina, como despesa (consumo) ou incremento patrimonial, tudo a beneficiar o autuado, direta ou indiretamente. Não se pode ancorar a presunção de omissão de rendimentos em uma presunção de dispêndio. Assim, no caso de transferências bancárias, somente seria possível imputar as transferências (no caso dos autos, as ordens remetidas) como dispêndios em fluxo de caixa se houvesse uma presunção legal de que as transferências bancárias seriam dispêndios, a representar consumo ou outro benefício em prol do autuado (até há uma presunção legal de que os depósitos de origem não comprovada são rendimentos omitidos, no art. 42 da Lei nº 9.430/96, porém não existe presunção de que os débitos em contas correntes ou transferências bancárias sejam rendimentos omitidos). Fl. 382DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 383 5 A esse argumento o Relator ainda acrescenta outra razão de decidir. Esclarece que a mera constituição de "off shore" não autoriza concluir sem uma verificação mais apurada que os recursos movimentados pela empresa sejam de titularidade das pessoas físicas que a compõe, afastando a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Transcrevemos: Indo mais além, vêse que a fiscalização considerou como rendimentos omitidos, quer à luz do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada) ou do art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88 (acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados), movimentações financeiras ocorridas em contas titularizadas por empresas off shore, ao fiscalizado, sem que restasse demonstrado a constituição de tais empresas como meio fraudulento a esconder recursos de propriedade do fiscalizado. A mera constituição de off shore, em si mesma, não autoriza asseverar que os recursos movimentados a partir delas pertençam aos seus titulares, procuradores ou conselheiros, sem que haja uma investigação comprovando tal fim. Na linha acima, a fiscalização, sem aprofundar as investigações, jamais poderia imputar ao fiscalizado a movimentação financeira a crédito de contas bancárias de empresas off shore, até porque, como se vê da documentação acostada aos autos, há milhares de ordenantes e beneficiários das transferências financeiras, parecendo claro que as empresas off shore eram utilizadas como intermediário financeiro de tais remessas, muito provavelmente intermediando operações de câmbio (compra e venda de moedas estrangeiras). ... Claramente, a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza a presumir como rendimentos omitidos os depósitos de origem não comprovada nas contas titularizadas pelo fiscalizado, o que não se amolda ao caso presente, pois as contas são titularizadas pelas off shore. É verdade, entretanto, que o art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96 (Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento) autoriza a utilização da presunção em desfavor do efetivo titular da conta de depósito, desprezando o titular formal da conta de depósito, mas para tanto é preciso comprovar a presença de interposta pessoal, a mascarar o efetivo proprietário dos valores movimentados, situação que não se amolda, repise, ao caso de constituição de empresas off shores, nas quais não se consegue visualizar como os procuradores, conselheiros ou sócios figuraram materialmente em termos de propriedade dos valores recebidos e remetidos, como se viu no caso vertente. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 384 6 Entendo, portanto, haver na decisão recorrida duas fundamentações que isoladamente serviram como motivo para que o Relator e o colegiado a quo decidissem pelo cancelamento do lançamento: I) ausência de comprovação de que os valores recebidos pelo Contribuinte tenham gerado um incremento patrimonial e II) ausência de comprovação acerca do efetivo proprietário das contas por onde foram movimentados os valores da "off shore" e conseqüente inaplicabilidade do art. 42 da Lei nº 9430/96. Para embasar suas argumentações a Fazenda Nacional apresenta paradigmas nos quais os Colegiados afirmaram que os documentos juntados aos autos seriam provas suficientes para comprovar a titularidade dos recursos recebidos e como tal permitiria a aplicação da presunção do citado art. 42. Afirma o ilustre Procurador: Temse, portanto, que diante da mesma situação fática os Colegiados encamparam soluções diferentes: enquanto a Turma recorrida cancelou o lançamento por considerar que o Laudo de Exame Econômico Financeiro – produzido no âmbito da investigação da CPMI do Banestado – é insuficiente para lastrear o auto de infração, as Turmas prolatoras dos acórdãos paradigmas mantiveram o lançamento por considerar que tal tipo de documento é suficiente para provar a titularidade dos recursos objeto de tributação. Para o primeiro paradigma, o Acórdão nº 10423.589, o Redator do voto vencedor afirma de modo genérico ser do contribuinte o ônus de desconstituir os fatos apurados pela fiscalização. Assim com base nos documentos juntados (decorrentes do mesmo arcabouço fático caso Banestado) concluise pela procedência do lançamento pela aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96: Como se vê, nos dispositivos legais acima mencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancaria, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador. Ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. E evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o credito dos valores em contas de deposito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. No segundo paradigma (340200.111), também decorrente de autuação derivada do caso Banestado, concluiu o voto vencedor que os elementos trazidos aos autos são suficientes para demonstrar que o Contribuinte era titular da disponibilidade de recursos Fl. 384DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 385 7 mantidos em instituição financeira sediada no exterior, cuja origem não comprova, o que configura a hipótese referida no art. 42 da lei n° 9.430, de 1996. Portanto, as argumentações dos acórdãos paradigmas se limitam a analisar as provas dos autos e a partir delas concluir para existência de elementos que caracterizavam os autuados como titulares de contas bancárias no exterior decidindo assim pela manutenção da autuação pela aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ocorre que em momento algum nem no recurso e nem nos acórdãos paradigmas foi feita qualquer consideração ou contraponto à argumentação do acórdão recorrido acerca da inexistência de provas de que os recursos movimentados tenham gerado um incremento patrimonial ao contribuinte. Assim, ainda que se considere haver nos autos provas da titularidade das contas bancárias apuradas, inexistiu nos acórdãos paradigmas qualquer discussão capaz de afastar a primeira fundamentação utilizada pelo colegiado a quo. Importante destacar ainda que, conforme relatório fiscal, o lançamento feito contra o contribuinte visa exclusivamente o Imposto de Renda supostamente devido em razão do recebimento de recursos provenientes de fonte no estrangeiro (dessa forma, esgotado o prazo regulamentar sem qualquer outra manifestação por parte do sujeito passivo, efetuamos o lançamento de oficio do crédito tributário apurado no valor de R$ XXXXXXXXX referente à omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior e multa isolada pela falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF devido a título de CarnêLeão) tendo sido utilizado para fins de capitulação legal os seguintes dispositivos: Capitulação legal: Arts. 1º, 2°, 3º e §§, e 8°, da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° a 4º, da Lei n° 8.134/90; Art. 6° da Lei n° 9.250/95; Arts. 55, inciso VII e 995, do RIR/99; Art. 1° da Lei n°9.887/99; Art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002; Art. 8° da Lei n° 7.713/88 c/c arts. 43 e 44, inciso II, alínea "a", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303/06 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66. (fls. 175) Percebese que o presente lançamento fiscal não possui como fundamentação legal a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96, ou seja, no presente caso o crédito tributário não decorre da presunção legal de omissão de receitas caracterizada pela realização de depósitos bancários com origem não comprovada. Assim, entendo haver entre os acórdãos paradigmas e recorrido especificidade (diversidade na tipificação legal) que também impede o conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, deixo de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo ao mérito. Conforme relatório, tratase da cobrança de Imposto de Renda relativo aos períodos de 2002 e 2003 e decorrente do fato de o contribuinte ter recebido valores de fontes situadas no exterior. O fundamento para a autuação foi o art. 8º da Lei nº 7.713/88 que prevê Fl. 385DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 386 8 que fica sujeito ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte no país de origem: Art. 8º Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. § 1º O disposto neste artigo se aplica, também, aos emolumentos e custas dos serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. § 2º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil da primeira quinzena do mês subseqüente ao da percepção dos rendimentos. Intimado a se defender o contribuinte apresentou como linha de defesa a argumentação que os dados apurados pela fiscalização não se referem a sua pessoa, afirmou que desconhece a origem das transferências financeiras feitas pelas empresas Palmeto S/A e Adágio Investimentos Holding Ltda e que jamais autorizou quem quer que seja a promover a utilização de seu nome em qualquer transação comercial, financeira, desconhecendo o montante informado no auto de infração. Ocorre que apesar das argumentações entendo haver nos autos provas suficientes para caracterização da ocorrência do fato gerador e consequente aplicação do art. 3º, §1º da Lei 7.713/88, o qual coadunase com o conceito de proventos constante do inciso II do art. 143 do CTN. Referido art. 3º dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Ora não há nos autos quaisquer inícios que invalidem os elementos que deram origem ao presente lançamento. Conforme exaustivamente descrito ao longo de todo o trâmite processual, todas as informações que embasaram o lançamento foram obtidas por meio lícito e a partir de minucioso trabalho de investigação realizado inicialmente pela Polícia Federal e Poder Judiciário e, posteriormente, por meio de fiscalização especializada da Receita Federal. Ao longo de todo o relatório fiscal foi exposto quais as etapas, meios técnicos e legais utilizados para periciar os dados disponibilizados por instituição bancária responsável pela realização de movimentações financeiras tidas como ilegais e/ou não declaradas pelos respectivos correntistas. Após todo esse procedimento ficou configurado que o autuado era Fl. 386DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 387 9 titular da disponibilidade de recursos mantidos nessa instituição financeira e sobre tais valores não prestou qualquer informação. Apesar das argumentações o contribuinte não trouxe provas suficientes para sustentar sua tese levando a realização da autuação. Ora, sabese que o lançamento é um procedimento administrativo privativo das autoridades fiscais que devem proceder nos termos da lei para sua formalização. Proceder nos termos da lei, na hipótese de lançamento tributário e nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, é se pautar nos seguintes passos: i) verificar a ocorrência do fato gerador; ii) determinar o crédito tributário; iii) calcular o imposto devido; iv) identificar o sujeito passivo; e v) identificar a penalidade (propor a penalidade a ser aplicada de acordo com a norma legal própria). Nos presentes autos, verificase que todos estes passos foram seguidos não tendo ocorrido, no juízo desta Relatora impropriedades por parte do Fisco. Lembramos que é admissível o uso de presunções, como meios indiretos de prova que são quando há fortes indícios, vestígios e indicações claras da ocorrência do fato gerador sem o devido pagamento do tributo. A presunção é uma ilação que se tira de um fato conhecido para se provar, no campo do Direito Tributário, a ocorrência da situação que se caracteriza como fato gerador do tributo. Notese que a utilização de presunção não fere o Princípio da Estrita Legalidade ou da Tipicidade Cerrada pois não há alargamento da hipótese de incidência do tributo, tão pouco aumento da base de cálculo. De todo forma é importante destacar que a utilização da presunção pelo Fisco não inibe a apresentação de provas por parte do Contribuinte em sentido contrário ao fato presumido. Antes pelo contrário, faz crescer a necessidade de apresentação de tal prova a fim de refutar a presunção do Fisco. Sobre a questão a Doutora Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em seu livro “Processo Administrativo Tributário”, assim se manifesta: “Quando a lei estabelece a presunção para abranger pela tributação certas realidades econômicas, o contribuinte deve provar que o ato que praticou se encontra fora da previsão legal. Nesses casos é a lei que dispensa a Administração Fiscal da prova direta de certos fatos – o que permite concluir que os julgadores, então, não podem deixar de aplicar tais normas, até prova em contrário do contribuinte.” No caso concreto, a fiscalização partiu das informações bancárias disponibilizadas por instituição financeira para concluir que o autuado recebeu valores de fontes situadas no exterior incompatíveis com as respectivas declarações apresentadas no período, não tendo o Contribuinte apresentado provas contrárias a esta constatação. O Prof. Sandro Marino Duarte ao discorrer acerca do tema ensina: “A denominada presunção juris tantum permite a utilização de prova em contrário para ilidila. Portanto, se a legislação admite presunção de veracidade em relação a determinados Fl. 387DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 388 10 efeitos provenientes de relação jurídica, também determinada, a despeito do ordenamento positivo, podese produzir prova em contrário, realizandose o intento de fazer que a lei não incida sobre aquele determinado caso concreto e provandose que a relação jurídica não existiu, ou seus efeitos não foram aqueles que a legislação teve por presumivelmente apuráveis”. Assim, as presunções legais juris tantum têm o condão de transferir o ônus da prova da Fiscalização para o Sujeito Passivo da relação jurídicotributária, cabendo a este comprovar a não ocorrência da infração presumida, o que não ocorreu no presente caso. Conforme ressaltado pelo Recorrente a fiscalização trouxe aos autos a prova da ocorrência do fato gerador, prova esta consubstanciada nos documentos de fls. 49/124 por meio das quais se comprovou que o ora contribuinte constou como beneficiário de 74 ordens de pagamento durante o período fiscalizado. Diante do exposto, no mérito, dou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 388DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 389 11 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao conhecimento do pleito. Inicialmente, admito já ter me posicionado no sentido de não estar contemplada na cognição desta instância a solução de divergências decorrentes de exclusiva divergente valoração probatória na instância ordinária, a qual deveria ser resolvida através do instituto processual da conexão entre feitos (vide, a propósito, Declaração de Voto no âmbito do Acórdão CSRF 9202004.252, de 22 de junho de 2016). Todavia, vislumbro necessidade de rever o referido posicionamento, especificamente no caso em que haja identidade fáticoprobatória nítida entre Acórdão recorrido e paradigma, de forma a que, uma vez também não mais se devendo declarar conexos os processos (recomendável somente a conexão até o momento da distribuição, em meu entendimento), caso não se conheça do Recurso, possa se estar a referendar decisões definitivas conflitantes em termos de critério jurídico aplicado em casos com nítida identidade fático probatória. Explico melhor. Há casos em que, repitase, temse: a) Identidade fático probatória caracterizada entre os feitos recorrido e paradigma(s); b) As decisões de piso são conflitantes em termos da solução aplicada aos dois cenários fáticoprobatórios (idênticos para fins de aplicação da solução jurídica) e c) Não é mais recomendável que se declare, a esta altura, a conexão entre os feitos, visto que um deles ou ambos já foi objeto de distribuição, de forma a que, assim, reste priorizado por este Órgão o princípio do juiz natural e garantida, desta forma, a completa imparcialidade deste Conselho, objetivonúcleo de tal princípio. Em tal cenário (e somente neste cenário, onde presentes as três condições acima, de forma cumulativa) entendo que, a fim de evitar a insegurança jurídica que adviria da prolação, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de duas soluções jurídicas distintas, de caráter definitivo, diante de idênticos arcabouços fáticoprobatórios, deva se debruçar também esta Câmara Superior, aqui, sobre o Recurso Especial admitido, buscandose, assim, que se tenha, no âmbito deste CARF, decisões jurídicas uniformes acerca de um mesmo tema, quando considerados idênticos cenários fáticoprobatórios. Feita tal digressão e atendome especificamente agora ao caso em concreto, novamente com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, vislumbro clara identidade entre as situações fáticas dos Acórdãos recorrido e paradigma e também entre o laudo econômico financeiro produzido por Instituto de Criminalística vinculado à operação Beacon Hill, que se constituiu no principal indício que levou à posterior abertura de ação fiscal junto à autuada, onde se utilizou da presunção constante do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, para fins de autuação. Destarte, diante de tal cenário, em que pese meu entendimento anteriormente manifestado acerca do limite de cognição desta Turma estar limitada a solução de divergências de natureza exclusivamente interpretativa, curvome, aqui, uma vez, repitase, caracterizada as Fl. 389DF CARF MF Processo nº 19515.002998/200617 Acórdão n.º 9202004.513 CSRFT2 Fl. 390 12 divergentes decisões de piso em cenários fáticoprobatórios idênticos, e, também repetindo, uma vez não mais recomendável a reunião dos feitos por conexão a esta altura (há feito distribuído já em julgamento), à necessidade de se conhecer do pleito fazendário, sob pena de se estar a promover grave insegurança jurídica pela possibilidade de manutenção, por este CARF, de decisões administrativas definitivas conflitantes, sem que se caracterize, entre os diferentes casos, dessemelhança suficiente, seja quanto à situação fática, seja quanto aos elementos de prova relevantes para a decisão do feito. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 390DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726257/2009-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL.
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-004.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 57 /2 00 9- 10 Fl. 308DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 220201.228, proferido pela 2º Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 160.310,24, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Por fim, destacouse que na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. A Contribuinte apresentou impugnação, arguindo, em síntese, que: inexiste conduta hábil à aplicação de multa, em virtude da responsabilidade exclusiva do Estado da Bahia; a consulta administrativa levada a cabo pelo Presidente do TJ/BA possui caráter vinculante; o lançamento é nulo, em virtude da inadequada apuração da base de cálculo; não incide IR sobre os juros moratórios e compensatórios; as verbas recebidas a título de URV têm natureza indenizatória; a União não tem legitimidade para cobrar o referido imposto; e houve violação ao princípio da isonomia. A Delegacia da Receita Federal do Brasil da DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração. Houve interposição de recurso voluntário, fl. 96, reiterando os argumentos trazidos em sua impugnação. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10580.726257/200910 Acórdão n.º 9202004.465 CSRFT2 Fl. 10 3 A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 137/145, conheceu do recurso voluntário e no mérito lhe deu parcial provimento, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. O Contribuinte interpôs Recurso Especial à fl. 289, versando sobre as seguintes matérias: a) preliminarmente, a necessidade de sobrestamento do feito, conforme o art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009; b) violação à Súmula n° 2 do CARF e ao art. 62 de seu Regimento Interno, em face do afastamento de legislação tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal; c) imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra – lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção; d) “URV” – parcelas de natureza indenizatória; e) não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios; e f) ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária. Ao realizar o exame de admissibilidade, fls. 282, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Seção de Julgamento, ratificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 292/293, deu parcial provimento ao Recurso Especial para que seja rediscutida apenas as matérias tratadas nos itens “d” – “URV” – parcelas de natureza indenizatória e “e” – não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios, assim analisadas: A matéria tratada no item “a” encontrase prejudicada, uma vez que os §§ 1º e 2º do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 (RICARF), que previam tal providência, foram revogados pela Portaria MF nº 545, de 18/11/2013. Em relação à matéria do item “b”, foi indicado como paradigma o Acórdão nº 10194.876. Analisandose o cotejo analítico realizado quanto a essa matéria, não se verifica onde residiria a alegada divergência. Muito pelo contrário, analisandose o inteiro teor do julgado guerreado, constatase que o voto condutor do acórdão, ao referir que o CARF não é competente para o exame da legalidade e da constitucionalidade da legislação tributária, citando a Súmula CARF nº 2, convergiu com o entendimento manifestado pelo acórdão guerreado. Quanto à matéria citada no item “c” – imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra – lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção –, foi indicado como paradigma o Acórdão nº 192 00.015. Compulsando o inteiro teor do voto condutor do paradigma, constatase que esse trata de “evidente vício material” na constituição do crédito tributário, pelo qual restou lançada importância “totalmente alienígena”. Com efeito, tal situação em nada se assemelha ao caso tratado pelo acórdão recorrido, cujo lançamento tratou de diferenças de URV previstas em lei, não se verificando erro na respectiva base de cálculo, como resta claro no excerto Fl. 310DF CARF MF 4 retrotranscrito. Destarte, ausente a semelhança das situações em cotejo, esse paradigma não demonstra a alegada divergência jurisprudencial. Quanto à matéria indicada no item “d” – “URV” – parcelas de natureza indenizatória –, foi indicado como paradigma o Acórdão n° 210201.746. O cotejo entre trechos do acórdão recorrido e a passagem do acórdão paradigma antes reproduzida não deixa dúvidas acerca da demonstração da alegada divergência. Com efeito, os acórdãos recorrido e paradigma, assentados na mesma situação de fato (diferenças remuneratórias determinadas por lei estadual, calculadas em face da variação da URV), adotam conclusões diversas no que tange à incidência, ou não, do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física: no acórdão recorrido, concluiuse pela incidência do imposto; já no paradigma, diversamente, tais rendimentos foram considerados isentos. Demonstrada a divergência, deve ter seguimento o recurso especial em relação à matéria tratada no item “d” – “URV” – parcelas de natureza indenizatória. No concernente à matéria indicada no item “e” – não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios –, foi indicado como paradigma o Acórdão nº 2801 02.138. A comparação entre o segundo trecho do acórdão recorrido e o acórdão paradigma demonstra a existência de divergência interpretativa, uma vez que o acórdão recorrido considerou devido o IRPF sobre os juros de mora recebidos pelo Contribuinte, enquanto que o acórdão paradigma considerou que o IRPF não incide sobre tais verbas. Assim, deve ter seguimento a matéria elencada no item “e” – não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios. Respeitante à matéria relacionada no item “f” – ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária, não foram indicados acórdãos paradigmas exarados pelos Conselhos de Contribuintes ou pelo CARF; portanto, não há como verificar a existência de eventual divergência interpretativa, e o apelo não pode ter seguimento, também nesta parte. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 300, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes, Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 160.310,24, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10580.726257/200910 Acórdão n.º 9202004.465 CSRFT2 Fl. 11 5 de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido votou no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. O Contribuinte interpôs Recurso Especial à fl. 289, versando sobre as inúmeras matérias, porém, restou admita a divergência jurisprudencial, para que seja rediscutida apenas as matérias sobre “URV” – parcelas de natureza indenizatória e sobre não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Fl. 312DF CARF MF 6 Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10580.726257/200910 Acórdão n.º 9202004.465 CSRFT2 Fl. 12 7 configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua Fl. 314DF CARF MF 8 natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10580.726257/200910 Acórdão n.º 9202004.465 CSRFT2 Fl. 13 9 Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Ainda, e não menos importante, uma segunda questão foi recepcionada no despacho de admissibilidade do Recurso Especial, qual seja a aplicação por analogia da resolução N. 245/2002 emitida pelo STF, assim considerando o aceite da matéria para discussão de divergência jurisprudencial, ressalto brevemente que entendo ser a solução juridicamente mais correta ao caso concreto, nos termos proferidos na decisão trazida como paradigma pelo contribuinte, acórdão nº 210201.687, conforme excerto que segue: Fl. 316DF CARF MF 10 RESOLUÇÃO STF N° 245/2002. DIFERENÇAS DE URV PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana n° 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis n° 10.477/2002 e n° 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF n° 245/2002, conforme Parecer PGFN n° 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal n° 10.477/2002 nos termos da Resolução STF n° 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual n° 20/2003. A aplicação do paradigma ao caso concreto garante isonomia tributária aos servidores estatutários de um mesmo ente federativo. A Recorrente ainda, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10580.726257/200910 Acórdão n.º 9202004.465 CSRFT2 Fl. 14 11 Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Conforme já vem sendo aplicado pelo conselheiro Gerson Guerra, no acórdão N. , em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, no acórdão N. : Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: Fl. 318DF CARF MF 12 (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão geral, por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial do contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória, e ainda por aplicação analógica da Resolução 245/2000 do STF, conforme previsto em Lei específica do Estado da Bahia. Quanto à aplicação de IRPF sobre juros moratórios, considero não incidentes. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Redatora Designada A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10580.726257/200910 Acórdão n.º 9202004.465 CSRFT2 Fl. 15 13 como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) Fl. 320DF CARF MF 14 § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) A questão traz à baila a alegação de violação ao princípio da isonomia, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10580.726257/200910 Acórdão n.º 9202004.465 CSRFT2 Fl. 16 15 Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta de identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à suposta inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: Fl. 322DF CARF MF 16 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10580.726257/200910 Acórdão n.º 9202004.465 CSRFT2 Fl. 17 17 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Salientese que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 324DF CARF MF 18 Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001589/2005-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo incidente em suas aquisições.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS.
A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INTERPRETAÇÃO COMPREENSIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL.
O arrendamento de um prédio, assim considerado uma construção (coisa acessória), não se dá de forma independente e autônoma, mas pressupõe o arrendamento de uma construção (coisa acessória) mais o bem imóvel sobre o qual a mesma foi erigida (coisa principal). Logo, se é lícito ao contribuinte descontar créditos com relação ao arrendamento de um todo que compreende o acessório mais o principal, acredito que não existem razões para se vedar o desconto de créditos quando se tratar de arrendamento de um bem imóvel sem acessão - coisa principal, que é parte do todo. Por isso, não há como deixar de reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO.
Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis - não cumulativo.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.
O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins - não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.
Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10.627/2002 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Regra geral, considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes.
Numero da decisão: 3401-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas - por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar - por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento - por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção das conta contábeis da área agrícola - por unanimidade de votos, negou-se provimento, nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas - por maioria de votos, deu-se parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas - por unanimidade de votos, negou-se provimento; vii) Despesas de transporte pagos a PJ - Por maioria de votos, deu-se provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos - por unanimidade, negou-se provimento; ix) Despesas com aluguel e arrendamento rural PF e PJ - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação - por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação - por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Augusto Fiel Jorge d'Oliveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator
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INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INTERPRETAÇÃO COMPREENSIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 15 89 /2 00 5- 90 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 O arrendamento de um prédio, assim considerado uma construção (coisa acessória), não se dá de forma independente e autônoma, mas pressupõe o arrendamento de uma construção (coisa acessória) mais o bem imóvel sobre o qual a mesma foi erigida (coisa principal). Logo, se é lícito ao contribuinte descontar créditos com relação ao arrendamento de um todo que compreende o acessório mais o principal, acredito que não existem razões para se vedar o desconto de créditos quando se tratar de arrendamento de um bem imóvel sem acessão coisa principal, que é parte do todo. Por isso, não há como deixar de reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10.627/2002 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção das conta contábeis da área Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.065 S3C4T1 Fl. 3 3 agrícola por unanimidade de votos, negouse provimento, nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas por maioria de votos, deuse parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas por unanimidade de votos, negouse provimento; vii) Despesas de transporte pagos a PJ Por maioria de votos, deuse provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos por unanimidade, negouse provimento; ix) Despesas com aluguel e arrendamento rural PF e PJ por maioria de votos, deuse parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Augusto Fiel Jorge d'Oliveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo cuida das Declarações de Compensação por meio da qual requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição para o PIS Mercado Externo, do regime não cumulativo, nos termos do art. 3o da Lei n. 10.627/2002 e Lei n° 10.833/2003. A contribuinte alega possuir créditos no valor de R$ 189.998,73, no período de apuração fevereiro de 2004, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. Nenhuma parcela do citado crédito foi utilizada para a dedução da própria contribuição apurada no período, como estabelece o art. 2° da citada Lei, restando, segundo a contribuinte, o valor de R$ 189.998,73 desse crédito para efetuar compensações com outros tributos de sua responsabilidade ou solicitar o ressarcimento ao final do período de apuração. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 A contribuinte requereu o aproveitamento desse valor restante de crédito, por meio de declarações de compensação (DCOMP), identificadas pelo Despacho Decisório DRF/PIRACICABA/SAORT n. 0162/2009, às fls. 108/112. A auditoria fiscal (Termo às fls. 98/104) propôs glosas, confirmadas pela autoridade administrativa no Despacho Decisório DRF PIRACICABA/SAORT n. 162/2009, que, somadas, resultaram em R$ 37.655,91 e reduziram o pretendido e solicitado pelo contribuinte para o valor de crédito reconhecido E DISPONÍVEL para as compensações para R$ 152.342,82. Foram as seguintes as glosas e respectivas justificativas constante dessa Informação Fiscal e do despacho decisório: (i) bens utilizados como insumos Entendese como insumo, utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam, incluídos no ativo imobilizado (IN 404/04, art. 8o, § 4o c/c § 9o). A autoridade fiscal admitiu que peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção e fabricação sejam considerados insumos. Mas há também despesas relacionados a centros de custos que foram glosadas porque não estão diretamente vinculados á produção e fabricação dos produtos vendidos. No caso dos armazéns e assemelhados, considerase armazenagem quando uma empresa contrata outra para que esta última preste esse tipo de serviço, com emissão de nota fiscal específica de armazenagem, em operação de vendas de mercadoria da primeira; além disso, as despesas glosadas não podem ser consideradas insumos pois não foram consumidos no processo de produção das mercadorias. (a) Centros de Custos rejeitados (valor de PIS ME glosado = R$ 145,18) são despesas (combustível, ferramentas operacionais, lubrificantes, materiais de manutenção, materiais utensílios, materiais elétricos) contabilizadas nos seguintes Centros de Custo: Oficina Mecânica e Manutenção Automotiva, Oficina Elétrica e Instrumentação. Observase que estes centros de custo não estão diretamente vinculados à produção e fabricação dos produtos vendidos, portanto as despesas neles registradas não foram aceitas na base de cálculo dos créditos. (b) Despesas rejeitadas nos centros de custos agrícolas com atividades de balança; destilaria; ensacamento; fermentação; geração de vapor e energia; laboratório; preparo, moagem e tratamento; e outras (glosa total de R$ 708,52) São despesas com combustíveis (de veículos, não de máquinas), ferramentas operacionais, materiais elétricos, que foram consideradas como não diretamente vinculadas à produção e fabricação dos produtos vendidos, portanto não foram aceitas na base de cálculo dos créditos. (c ) Despesas de armazém e tonéis rejeitadas (R$ 265,98) São despesas com consumo de água, materiais de manutenção e lubrificantes registradas nos centros de custo de Armazém de Açúcar, Tonéis de Álcool e Tonéis de Melaço; VALOR TOTAL DAS GLOSAS = R$ 1.119,68." (iiA) Serviços utilizados como insumo: (glosa total de R$ 301,83 = R$ 32,38 + 269,45). "São insumos os serviços prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produtos destinados à venda (IN SRF 404/04, art. 8o, § 4o c/c/ § 9o). Há também despesas relacionados a centros de custos que foram glosadas por que não estão diretamente vinculados á produção e fabricação dos produtos vendidos. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.065 S3C4T1 Fl. 4 5 · Centro de Custo rejeitados são despesas contabilizadas nos seguintes Centros de Custo (valor total da glosa R$ 32,38): Oficina Mecânica e Manutenção Automotiva, Oficina Elétrica e Instrumentação. · Despesas de armazém e tonéis rejeitadas (valor total da glosa R$ 269,45) São despesas com mãodeobra contratada, mãodeobra de manutenção e serviços de máquinas registradas nos centros de custo de Armazém de Açúcar e Tonéis de Álcool. No caso dos armazéns e assemelhados, considerase armazenagem quando uma empresa contrata outra para que esta última preste esse tipo de serviço, com emissão de nota fiscal específica de armazenagem, em operação de vendas de mercadoria da primeira; além disso, as despesas glosadas não podem ser consideradas insumos pois não foram consumidos no processo de produção das mercadorias. (iiia) despesas de arrendamento pagos a PJ : (valor total da glosa = R$ 6.702,77) "É vedado o aproveitamento de créditos sobre o valor dos aluguéis de bens, quando devidos a pessoa jurídica domiciliada no País e não se enquadrem no conceito de prédios, máquinas e equipamentos, como por exemplo, o aluguel ou arrendamento de terrenos e propriedades rurais, entre outros ( Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, art. 3o, inciso IV). Pelo demonstrativo da contribuinte, constam despesas com arrendamento de propriedades rurais, as quais não se pode admitir, em face da legislação citada e transcrita. (iiib) despesas de arrendamento pagos a PF e despesas e gastos pagos a pessoas físicas para a aquisição de bens, serviços e insumos (ex.: lavagem de cana águas residuais prestados por pessoas físicas): (valor total da glosa R$ 104,42) Essas despesas e gastos não se enquadram no conceito de insumo. A despesa de arrendamento não se enquadra no conceito de aluguel de prédios, máquinas e equipamentos o aluguel ou arrendamento de terrenos e propriedades rurais, entre outros ( Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, art. 3o, inciso IV). E também não tem previsão legal quando o aluguel é pago a pessoa física. Pelo demonstrativo da contribuinte, constam despesas com arrendamento de propriedades rurais, as quais não se pode admitir, em face da legislação que rege a matéria. A autoridade fiscal reconheceu que as despesas pagas a pessoas físicas e vinculadas por rateio às receitas do mercado externo, podem ser usadas para apurar crédito presumido e desconto ou dedução da própria contribuição, MAS NÃO PARA COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. vi despesas com exportação: "A COSAN contabilizou, em 02/2004, despesas/custos no montante de R$ 1.501.532,73 na conta contábil 6101242421 (DESPESAS PORTUÁRIAS), tendo sido intimada (fls. 28/29) a apresentar os espelhos das notas fiscais correspondentes. Da análise dos documentos (fls. 30 a 32), verificase que R$ 356.441,76 referemse a "Serviço de Embarque de Açúcar Refinado", R$ 112.608,24 referemse genericamente a "Despesas Portuárias s/ Retenção" e R$ 580.521,87 referemse a Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 "Serviços Prestados no Embarque". Como não são despesas/custos de frete ou armazenagem propriamente ditos, não podem compor a base de cálculo dos créditos. Assim, dos R$ 1.501.532,73 registrados na citada conta, está sendo excluída a parcela de R$ 1.049.571,87, restando R$ 451.960,86." "Entretanto, este valor remanescente de R$ 451.960,86 também não poderá ser integralmente considerado na base de cálculo dos créditos. Isto porque a COSAN atua também como comercial exportadora, revendendo, no mercado externo, mercadorias adquiridas no mercado interno." "No caso de empresa comercial exportadora, há expressa vedação legal à apuração de créditos vinculados à receita de exportação, conforme art. 6o, §4°, da Lei 10.833, de 2003, que trata da Cofins, aplicável também à contribuição para o Pis/Pasep por força do art. 15, inciso III, da referida lei." "A empresa comercial exportadora não pode apurar créditos vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referentes a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação, uma vez que o §4° do art. 6o da Lei 10.833, de 2003, veda de forma nítida a apuração de qualquer tipo de crédito vinculado à receita decorrente de exportação." "Do montante de R$ 21.300.166,08 que a COSAN auferiu com Vendas no Mercado Externo em 02/2004, R$ 9.907.183,16 (46,51%) referemse à sua atuação como comercial exportadora." "Portanto, das despesas vinculadas à exportação, 53,49% poderão ser aceitas na base de cálculo dos créditos." "O total de encargos vinculados à exportação em 02/2004 foi de R$ 1.577.931,36 (sendo R$ 4.920 contabilizados na conta 6101242422 DESP. ESTADIAS, R$ 429.503,67 na conta 6101242411TRANSP. FERROVIÁRIO, R$ 691.546,15 na conta 6101242401TRANSP. RODOVIÁRIO e o valor remanescente de R$ 451.960,86 na conta 6101242421DESP.PORTUÁRIAS, já excluídas as de^ sa^ que não dão direito a crédito, conforme explicado acima)." "Aplicandose 53,49% sobre R$ 1.577.931,36 resulta R$ 844.035,48, que é a parcela dos encargos vinculados à exportação permitida na base de cálculo dos créditos. Com a alíquota de 1,65% de Pis/Pasep, chegase ao crédito permitido de R$ 13.926,59. Considerando que a COSAN apurou R$ 43.353,80 de créditos vinculados a estes encargos, estão sendo rejeitados créditos vinculados às receitas de exportação no valor de R$ 29.427,21." A autoridade administrativa de jurisdição do total pleiteado pelo contribuinte (de R$ 189.998,73), decidiu pela procedência das glosas no total de R$ 37.655,91, para, ao Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.065 S3C4T1 Fl. 5 7 final, reconhecer o direito de crédito de R$ 152.342,82, e decidiu homologar as compensações até esse limite. A inconformidade da contribuinte: A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando: o a não cumulatividade do PIS e da COFINS é distinto da não cumulatividade do IPI e do ICMS; o conceito de insumo para o PIS e a COFINS não pode se basear no que determina a legislação do IPI; há vicio de ilegalidade; o especificamente em relação às glosas relativas aos bens utilizados como insumos. elas não podem prevalecer porquanto "tratamse de ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar, na destilaria de álcool, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pela autoridade fiscal". o sobre as despesas com combustíveis que os combustíveis foram adquiridos para o transporte do produto para exportação e que são indispensáveis à atividade agroindustrial. Argumenta que não há como se negar que a atividade agroindustrial integrada demanda grandes espaços, e, por isso mesmo, uma movimentação muito grande de máquinas e veículos, seja na colheita e nos transporte de matériaprima dos fundos agrícolas para a indústria, seja no transporte de máquinas, equipamentos e, sobretudo, adubos e produtos químicos aos diversos fundos agrícolas onde são aplicados. Sem mencionar o transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização. Em decorrência da necessidade de constante vigilância das lavouras, em todo o seu estágio, são necessárias diligências diárias aos diversos fundos agrícolas por agrimensores, agrônomos e demais empregados qualificados para a finalidade de tratar da cultura. E que todo esse transporte se faz em sua grande parte por meio de veículos próprios e de terceiros movidos à gasolina ou álcool ou, na hipótese de ônibus, óleo diesel. Sem combustível, portanto, não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da canadeaçúcar. ... resta patente que os combustíveis se consubstanciam em verdadeiro insumo de produção intrinsecamente ligados ao processo agroindustrial e, conseqüentemente, à atividade da Recorrente. o no item de serviços utilizados como insumos, que todas as glosas são equivocadas e indevidas, tendo em vista que todos os itens indicados pela fiscalização também estão diretamente ligados ao processo produtivo. o são também indevidas as glosas dos custos relacionados com armazenagem e transporte do produto para fins de exportação, inclusive as demais despesas portuárias. E que não há como negar que essas despesas estão diretamente ligadas ao processo produtivo; não pode ser aceita a glosa com as despesas de exportação, pois se referem a "serviços com o recebimento, armazenagem e embarque, ... e transporte rodoviário para os terminais portuários cujo nítido propósito é o transporte para exportação. ... O mesmo com as despesas de estadia .. que se referem ao Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 custo adicional ao frete pela demora no recebimento da mercadoria pelo terminal portuário." E elas encontram amparo nos §§ 1º a 3º do art. 6º da Lei 10.833/2003 e Lei n. 10.627/2002. o no amplo conceito de aluguel de prédio deve ser enquadrado também o arrendamento de propriedades rurais, razão pela qual é legítimo o crédito pleiteado. E que, juridicamente, o imóvel rural pode ser considerado um "prédio rústico", como prescreve o art. 4o do Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64), conceito este posteriormente incorporado no texto da Lei n° 8.629/93, que tratou da reforma agrária. Neste sentido, aplicase à espécie o disposto no art. 1 1 0 do CTN; o sobre os bens e serviços adquiridos de pessoas físicas "não há dúvida de que os serviços de pessoas físicas mencionados (transporte de resíduos industriais vinhaça para aplicação na lavoura de cana de açúcar como fertilizante, armazenagem de açúcar, etc), também se enquadram perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de créditos de Pis não cumulativo. " Os julgadores a quo apreciaram a contestação, a autuação e demais documentos que instruem o processo, e firmaram as seguintes considerações e conclusões: 1. não apreciar as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade; 2. analisaram a questão das glosas nos mesmos termos genéricos postos pela recorrente, sem se debruçar especificamente e individualizadamente nos itens glosados pela fiscalização (identificados pelas respectivas notas fiscais de aquisição); 3. sobre bens utilizados como insumos que nenhum dos itens relacionados pela recorrente, já reproduzidos (ferramentas operacionais e materiais de manutenção), podem efetivamente ser enquadrados na eonceituaçâo de insumos, porquanto não se tratam de matériasprimas ou materiais de embalagem e tampouco desgastamse em contato direto com o produto em fabricação. 4. sobre combustíveis utilizados no transporte que a legislação equiparou os combustíveis aos demais bens considerados como insumos. desde que aqueles também sejam utilizados diretamente no processo produtivo, de fabricação do açúcar e do álcool destinado à venda. Portanto, não há que se falar em creditamento na aquisição de combustíveis utilizados no transporte da produção para a exportação ou mesmo da mãodeobra utilizada no processo agrícola, como pleiteou expressamente a recorrente. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. 5. sobre serviços utilizados como insumos que neste caso o direito argüido reportase ao conceito de insumos. Ou seja, apenas os serviços efetivamente utilizados (aplicados ou consumidos) na fabricação ou produção de bens destinados à venda, podem gerar créditos do PIS/COFINS Não cumulativo. Tendo a fiscalização observado este critério nas glosas procedidas, reputaram como correto o procedimento fiscal, nesse aspecto." 6. sobre aluguel de propriedade rural que as normas que criam direitos em matéria tributária devem ser interpretadas de forma restritiva. Isto porque tais direitos implicam, em última análise, cm renúncia fiscal a favor de uns em detrimento do interesse público da arrecadação de tributos. Nesse sentido, penso que ao intérprete/aplicador destas normas não é dado o Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.065 S3C4T1 Fl. 6 9 direito de ampliar o alcance dos benefícios criados pelo legislador ordinário, sob pena de estendêlos a quem ele não quis alcançar, mormente quando se trata de autoridade administrativa. Destarte, a meu sentir o direito à apuração de créditos do Cofins e do PIS Não cumulativos só alcança as despesas de aluguéis de prédios (obviamente, utilizados nas atividades da empresa), no sentido estrito da palavra, que não abrange a propriedade rural." 7. despesas de armazenagem, frete e de exportação que as glosas se justificaram pela constatação que as despesas (despesas com embarque, despesas portuárias s/retenção) não podiam ser associadas a encargos com frete e armazenagem na operação de venda. E a contribuinte não apresentou prova do direito material que alega. E sobre a glosa pela proporcionalidade entre receitas de exportação e receitas de exportação com revenda, ela corresponde à prescrição legal que veda o aproveitamento de créditos de encargos desse tipo de receita de exportação por revenda. O Acórdão n.º 1434.262 proferido por unanimidade de votos em 20/06/2011 pela mui respeitável 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento *da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS Não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos que dão direito ao creditamento do PIS Não Cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação às despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito da Cofins ou do Pis Não cumulativos. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL E DE VEÍCULOS. No contexto de interpretação restritiva de norma que implica em renúncia fiscal, não há como reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS Não cumulativo ou do Cofins não cumulativo em relação às despesas de aluguel de propriedade rural e de veículos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressou com recurso voluntário contra essa decisão e repisou as razões que compuseram sua contestação apreciada pela instância de 1º piso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Admissibilidade: Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminares: Tendo em vista a contribuinte não apresentar, em seu recurso voluntário, argumentos contrário às glosas com relação às aquisições de bens e serviços junto a pessoas físicas, considero que se trata de matéria não contestada. Prolegômenos O sentido de não cumulatividade para o PIS e para a COFINS e a lógica básica para sua apuração A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social. Ela, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.065 S3C4T1 Fl. 7 11 A Constituição Federal cria a incidência desses tributos sobre a receita ou a faturamento. Mas, são as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção. Além disso, essas leis, regulam o PIS e a COFINS e pretendem vir ao encontro daquela previsão constitucional de um regime de não cumulatividade. Nesse sentido, elas trazem as regras para a determinação do valor devido dessas contribuições, e, para tanto, prevêem que o cálculo considere a redução por créditos apurados para fatores que concorreram para a obtenção dessa receita ou faturamento. A regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. E mesmo as regras das Leis acima citadas, que se apresentam como sob o manto desse regime de não cumulatividade, não correspondem à lógica e regime previsto para o IPI. Mas o uso da mesma expressão pareceme pode causar confusão para os neófitos da matéria. Por isso propugno seja o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS considerado um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. Para disciplinar o creditamento, que abate o valor devido, essas leis informam e disciplinam o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: 1. a materialidade desse tributo está na receita tributável; 2. a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator previsto em lei qual seja, corresponda à uma das hipóteses dos §§ e incisos do artigo 3º da Lei em tela; 3. logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável. Apesar de mal traçadas, essas breves considerações representam, a meu ver, a lógica da não cumulatividade do PIS e da COFINS expressa na leitura conjugada dos artigos dessas Leis. Não faz sentido que se possa gerar creditamento a partir da ocorrência de fatores que não tenham relação de causação ou de concorrência para com a geração da receita a ser tributada. Contradiz essa lógica ler os incisos e §§ do artigo 3º desconectados dos demais artigos da mesma Lei, principalmente os artigos 1º e 2º. Pressupostos para interpretar e identificar os insumos para o creditamento do PIS e da COFINS: Além dessas considerações gerais, ainda preciso me aproximar de outro aspecto central da matéria: a referência a insumo constante nessas leis. Grande controvérsia se instalou a respeito desse creditamento, especialmente quanto ao inciso II, que traz o seguinte texto: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Principalmente os debates se centram na definição de insumos para efeito dessa regra. Os estudiosos sintetizam relatando a existência de três correntes de interpretação e decisão: 1. a primeira que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do IPI, e constantes nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do PIS e da COFINS, e circunscrevem insumos a matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem; 2. a segunda que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do Imposto de Renda, e identificam e separam os custos e despesas das operações e os custos e despesas não operacionais; insumos seriam toda e qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica; 3. a terceira que entende que o PIS e a COFINS deve se pautar por conceitos e definições próprias, que acaba por se afastar da visão estreita da primeira e, também, da visão alargada da segunda. As duas primeiras perspectivas, (1º) para se tratar insumos no PIS e na COFINS a partir da legislação do IPI, malgrado ser a esposada pela Receita Federal em suas normativas, e (2ª) a que se alinha com a legislação do Imposto de Renda, vêm sendo questionadas recorrentemente. Reproduzo, a título de exemplos, trecho do bem fundamentado voto do I Conselheiro Maurício Taveira e Silva proferido no Acórdão n. 3301000.954, refletindo a intensidade crescente dos debates: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.065 S3C4T1 Fl. 8 13 ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. (...) Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. A recorrente invoca o entendimento do IRPJ para servir de fonte aos critérios de determinação dos insumos para o PIS e para a COFINS. Mas não me parece que seja ele adequado. É verdade que a legislação do IRPJ possui uma longa trajetória de existência e consolidação, mas, a principio, creio que a sua simples transposição pode gerar mais imprecisões que soluções. Aproveito também o raciocínio da I Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas a esse respeito, em seu alentado Acórdão 3302002.262: Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, conforme os artigos 290 e 299 do RIR/99. Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e Cofins não cumulativos. Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 Decisões proferidas nas altas cortes administrativas vêm assentando o entendimento da 3ª perspectiva, de que o PIS e a COFINS demandam critérios próprios. Dentre essa decisões destaco o bem fundamentado voto do Ilmo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres na Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n.º 930301.035: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional.. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.065 S3C4T1 Fl. 9 15 Por causa dessas considerações que entendo: (a) não se poder limitar o creditamento aos conceitos e critério advindos da legislação do IPI. Os insumos não se limitam às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem, e não se limitam à avaliação pela aplicação do critério de consumo/desgaste físico. Essa limitação não encontra sustentação no que dispôs a Constituição Federal e as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a matéria; (b) não se pode acriticamente transpor para o creditamento do PIS e da COFINS os conceitos e regras da legislação do Imposto de Renda, pois, além de serem de materialidades distintas, essa legislação não se destina a tratar a hipótese de incidência do tributo contemplando a unidade de análise representada pela relação "insumoprocessoproduto/serviço destinados a venda", como é o caso do PIS e da COFINS. Perdoemme mais uma vez pela brevidade nas considerações. Reconheço que Conselheiros desta Alta Corte têm dedicado longos estudos à matéria e têm produzido artigos e votos que, pela profundidade do conhecimento e da análise, acabam por se constituir em ensinamentos e abastadas fontes para nossa aprendizagem e reflexão. Este voto nada pretende acrescer nos debates em andamento. Está sendo ele proferido sob o manto da cautela, mas com convicção, pela constatação de que, apesar das leis em comento estarem vigentes, o direito correspondente ainda está em construção. Fazme necessário esclarecer que entendo que produção abrange fabricação; mas o inverso não é verdadeiro: fabricação está contida em produção. E também industrialização está contida em produção. Mas nem fabricação, nem industrialização compreende a totalidade das possibilidades da produção. Quando se industrializa, se produz. Quando se fabrica, se produz. Mas há produções que não são industrialização e que não são fabricação. Produzir, em um sentido lato, é dar existência, gerar, fornecer, fazer, realizar, fabricar, manufaturar. Mas, para o âmbito da Lei em discussão, produzir subentende um agir humano, deliberado e com propósito, e capaz de atrair interesse jurídico. Há criação resultante de um esforço físico e mental. Ainda para o âmbito da Lei em discussão, as atividades de produção de bens, regra geral, não se confundem com outras atividades do empreendimento, tais como: vendas, publicidade, comercialização, finanças, administração, pesquisa e desenvolvimento, projetos, e outras. Muito bem, prosseguindo: a meu ver, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Concluídas essas considerações introdutórias, sintome em condições de propor passar à análise das questões de mérito. Mérito Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.065 S3C4T1 Fl. 10 17 Nesse sentido, as possibilidades para se caracterizar insumos não se limitam a: · quando se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; · quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização. · aos bens obtidos por processo industrial. No caso em discussão neste processo, e divergindo da autoridade fiscal e dos julgadores a quo, entendo que o preparo da cana de açúcar para ser ela um insumo da industrialização do açúcar e do álcool é, sim, etapa do processo de produção do açúcar e do álcool. E, sendo assim, há que se identificar que despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção e aos produtos açúcar e álcool vendidos. As informações presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. Das glosas dos bens utilizados como insumos: Inicialmente, neste tópico, esclareço que me parece informação evidente, de domínio público, que o processo de colheita de cana e o seu aproveitamento para o processo de produção de açúcar e álcool, quando em escala industrial, implica em operações realizadas ininterruptamente, dia e noite, durante semanas, até meses. Ademais, não só essa extensão, intensidade e freqüência de uso, mas também os efeitos abrasivos e erosivos da natureza do material colhido, promovem desgaste substantivo nos instrumentos usados nessas operações. Por isso, julgo razoável que as ferramentas de operação e os materiais elétricos e de manutenção efetivamente aplicados no processo de colheita e tratamento dessa matéria prima possam ser considerados como não ativados ou imobilizados. Sobre as despesas e custos relacionados às oficinas (a) Depreendo, portanto, que as despesas com combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, atendem ao critério para caracterização como insumos. (Por falta de comprovação e previsão legal, entendo que as glosas devem ser mantidas. Proponho dar provimento ao recurso neste item. Sobre as despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar Com a mesma razão anteriormente exposta, entendo que atendem aos critério para caracterização como insumo as despesas e custos com combustíveis, consumo de água e materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 18 de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. Proponho dar provimento ao recurso neste item. Sobre as despesas relacionadas a armazenamento Pareceme que as despesas e custos glosadas neste processo não são de armazenagem, para os termos da previsão estabelecida pelo inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. As atividades que cuidam dos estoques dos insumos, dos bens em fase de processamento, dos semiacabados e dos acabados que ainda não estão prontos para comercialização podem ser, a meu ver, como necessárias ao próprio processo de produção. Portanto, divirjo das decisões anteriores, pois entendo que as despesas com materiais de manutenção, materiais de acondicionamento, materiais elétricos, lubrificantes e combustíveis empregados nas atividades de estocagem são insumos no processo de produção da cana de açúcar e do açúcar e do álcool. Proponho dar provimento ao recurso neste item. Das glosas dos serviços utilizados como insumos: Glosa das despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas a autoridade fiscal afirma que esses tipos de despesas não correspondem ao conceito de insumo pois não estão diretamente relacionados ao processo da fabricação do açúcar e do álcool. Mas pareceme que razão assiste à recorrente. Como já visto anteriormente, o conceito de insumo não pode ficar adstrito ao haurido a partir da legislação do IPI. As atividades das oficinas e de estocagem que atendem as outras atividades de preparo da cana de açúcar e de fabrico do açúcar e do álcool são parte do processo de produção. As despesas pagas a pessoas jurídicas para a manutenção dos equipamentos e instalações pertencentes às oficinas e depósitos dedicados ao processo de produção podem gerar creditamento. . Proponho dar provimento ao recurso neste item. Glosa das despesas com aluguel e arrendamento rural PJ E PF A autoridade fiscal propôs a glosa das despesas com arrendamento agrícola e rural por não se enquadraram na hipótese do inciso IV do art. 3º das Leis em comento. Não consigo acompanhar a recorrente em sua argumentação de que o vocábulo 'prédios' desta hipótese legal abrange as propriedades rurais. A meu ver, não há essa equivalência e carece, no texto legal, a expressa autorização para creditamento desse tipo de gasto (arrendamentos rural e agrícola). Proponho não dar provimento ao recurso nestes itens, por falta de previsão legal. Glosa (a) das despesas portuárias e (b) das despesas com armazenagem, ( c) das despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação A autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que as despesas glosadas não faziam jus ao creditamento por que lhes falta a previsão legal. Elas se referem a gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação e embarque e estadia. A esse respeito a recorrente Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.065 S3C4T1 Fl. 11 19 afirma, sem demonstrar, que elas estão ligadas diretamente ao processo de produção ou que elas deveriam ser consideradas como de frete ou armazenagem. Ora, a leitura dos registros que instruem o processo das despesas glosadas não designam o que a recorrente pretende ali esteja escrito ou deva significar (gastos de frete e armazenagem). Concluo sublinhando que, a meu ver, as despesas glosadas não se confundem com gastos e despesas com o frete ou com a armazenagem, nem podem ser consideradas insumos, como propõe a recorrente, e que não há previsão legal para o creditamento desse tipo de despesa. Proponho não dar provimento ao recurso neste aspecto. Glosas das despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação Do valor das despesas portuárias não glosadas, e das despesas de transporte rodoviário e frete marítimo, a autoridade fiscal aplicou o que dispõe o § 4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, c/c inciso III art. 15 da mesma Lei, ou seja, apurou o valor correspondente à proporção de receitas de exportação de bens adquiridos no mercado interno sobre o total das receitas. A recorrente não se resigna com a glosa alusiva às despesas com exportação excluídas por proporcionalidade. Ela firma que essa exclusão vulnera a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Contudo, a contribuinte não apresentou prova do que alega. Ocorre que o texto do § 4º do artigo 6º da Lei n. 10.833, de 2003, c/c inciso III art. 15 da Lei 10.637/2002, é cristalino a respeito: art. 6º A COFINS não incidirá sobre sa receitas decorrentes das operações de: (...) § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedado, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. A recorrente não contradita o fato de ser comercial exportadora e ter receita de exportação proveniente de bens adquiridos no mercado interno e exportados, nem contesta a apuração dos percentuais adotados pela autoridade fiscal para os cálculos. Foi correta a glosa pela proporcionalidade entre receitas de exportação e receitas de exportação com revenda, pois ela corresponde à prescrição legal que veda o aproveitamento de créditos de encargos desse tipo de receita de exportação por revenda. Proponho manter a glosa e não dar provimento ao recurso neste item. Conclusão: Concluindo, proponho dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos exposto neste voto, e considerar homologadas as compensações até o limite do valor líquido assim determinado, após a dedução das glosas e do valor que foi aproveitado como crédito para deduzir a própria contribuição. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 20 Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Voto Vencedor Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Peço vênia para divergir do bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro Relator apenas no que se refere à glosa das despesas com aluguel e arrendamento rural de pessoas jurídicas. Nesse ponto, propôs o i. Relator o não provimento do recurso, por entender que o vocábulo 'prédios' previsto no inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 não abrange propriedades rurais, não havendo, assim, expressa autorização para o creditamento desse tipo de gasto. Contudo, acredito que há direito de crédito nessa hipótese, pelos motivos a seguir. Como se verifica, a questão diz respeito à interpretação a ser dada ao inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que prevê o seguinte: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Mais especificamente, se a norma contida no dispositivo em apreço autorizaria o desconto de crédito relativo a despesas com arrendamento rural pago em favor de pessoa jurídica. Inicialmente, impende destacar que a utilização de créditos no âmbito da não cumulatividade do PIS e da COFINS não se traduz em benefício ou desoneração fiscal outorgado ao sujeito passivo, de modo que as regras que tratam do direito ao crédito não atraem, em sua interpretação, a aplicação do artigo 111, do CTN1. Isso porque, são regras necessárias à própria instituição, existência e operacionalização da nãocumulatividade. Nesse sentido, explica Marco Aurélio Greco2: “toda regra cuja função é desenhar a sistemática da não cumulatividade para formatála adequadamente à realidade de determinado setor, etapa do ciclo, modo de operação dos agentes econômicos etc. não é norma de desoneração ou de benefício. É norma de instituição da própria não cumulatividade. Ou seja, a não cumulatividade para existir e ser operacionalizada necessita da aplicação de regras técnicas de apuração do tributo adequado a ser recolhido; ou seja, o saldo apurado, depois da aplicação de ambos os conjuntos de regras (geradores de débito e de crédito). Por isso, o artigo 111 do CTN não é aplicável às regras que preveem o direito ao crédito, no âmbito do regime normal de não cumulatividade de PIS e COFINS”. Além disso, impendese reconhecer as dificuldades de se empreender em uma interpretação gramatical do termo “prédios”, para fins de aferição do direito de crédito no caso em análise, pois, como bem observado por Carlos Maximiliano “não basta obter o significado 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 2 “PIS e COFINS – Fretes pagos para o transporte de mercadorias” in PIS e Cofins à luz da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: volume 2 / Gilberto de Castro Moreira Junior, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). São Paulo: MP Ed. 2013. P. 350. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.065 S3C4T1 Fl. 12 21 gramatical e etimológico; releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou estrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. (...) [deve o intérprete levar em conta] o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as gradações e finura do pensamento”3. Ainda, outro problema que se coloca é que, muitas vezes, o legislador não emprega o vocábulo na sua forma mais correta. Por esse motivo, Carlos Maximiliano adverte que “o intérprete não traduz em clara linguagem só o que o autor disse explícita e conscientemente; esforçase para entender mais e melhor do que aquilo que se acha expresso, o que o autor inconscientemente estabeleceu, ou é de presumir ter querido instituir ou regular, e não haver feito nos devidos termos, por inadvertência, lapso, excessivo amor à concisão, impropriedade de vocábulos, conhecimento imperfeito de instituto recente, ou por motivo semelhante”4. (grifos nossos) Feitas essas considerações, no presente caso, entendo que não é essencial adentrar na discussão em torno do correto sentido do vocábulo prédio, se no significado de gênero que incluiria o “prédio rústico” e o “prédio urbano”, como defende a contribuinte, ou se no significado de uma acessão existente em um bem imóvel consistente em construções ou edificações, pois, ainda que o último sentido seja o adequado, como entendem aqueles que negam direito ao crédito, mesmo nessa hipótese, a meu ver, seria legítimo o direito de crédito. Isso porque, as acessões, nela incluindose as industriais, que aderem ao principal por intervenção da atividade humana, como é o caso de construções, assim como as benfeitorias, são expressamente reconhecidas pela lei como um bem acessório ao bem imóvel, bem principal, nos termos dos artigos 1.248, inciso V, e 96, da Lei nº 10.406/2002 (“Código Civil”). Dessa maneira, à luz do disposto no artigo 92 do Código Civil, pelo qual “principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal”, temse que o arrendamento de um prédio, assim considerado uma construção (coisa acessória), não se dará de forma independente e autônoma, mas pressupõe o arrendamento de uma construção (coisa acessória) mais o bem imóvel sobre o qual a mesma foi erigida (coisa principal). Logo, se é lícito ao contribuinte descontar créditos com relação ao arrendamento de um todo que compreende o acessório mais o principal, acredito que não existem razões para se vedar o desconto de créditos quando se tratar de arrendamento de um bem imóvel sem acessão coisa principal, que é parte do todo. E aqui é útil a aplicação das regras contidas no brocardo “no todo se contém a parte”, que se “baseia no argumento a majori ad minus, que parte da premissa de que a solução ou regra aplicável ao todo é também aplicável às suas partes. A norma que incide sobre um determinado contrato incide sobre cada cláusula daquele contrato. Buscar afastar da incidência da norma uma parte do “todo” de que ela trata, significa realizar uma distinção, criar uma exceção. As exceções não se presumem, devem estar previstas – ainda que implícita ou sistematicamente – no ordenamento jurídico”. Também aplicável o brocardo “não 3 Maximiliano, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. Rio de Janeiro. Forense. 2008. P. 90. 4 Maximiliano, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. Rio de Janeiro. Forense. 2008. P. 136. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 22 deve, àquele a quem o mais é lícito, deixar de ser lícito o menos”, ordinariamente expressa na frase “quem pode o mais pode o menos”5. Assim, nesse caso específico, entendo que a regra aplicável ao todo composto por principal mais acessório, deve ser aplicada somente ao principal (parte do todo), do mesmo modo que se ao contribuinte é lícito descontar créditos sobre arrendamento de principal mais acessório (o mais), a ele deve ser permitido descontar apenas em relação ao principal (o menos). Por fim, destaquese que essa mesma conclusão, pelo direito de crédito, foi alcançada pela 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, desta Seção, por unanimidade, no julgamento do Processo nº 13827.001007/201057 (Acórdão nº 3402002.396), no qual o douto ConselheiroRelator Gilson Macedo Rosenburg Filho expôs: “Já pontuei em momento passado neste voto que o art. 3º, IV das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, permite ao contribuinte descontar créditos referentes à alugueis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica, desde que utilizados no processo produtivo da empresa. Por amor a coerência, parto dessa premissa para aceitar que na atividade agropecuária o arrendamento das terras a serem cultivadas equiparasse ao aluguel de prédios para implantação do parque fabril, previsto na legislação. Sem muitas delongas, reformo a decisão a quo para incluir no cálculo do crédito das exações o valor com o arrendamento das terras utilizadas no processo produtivo da sociedade”. Ante o exposto, voto no sentido de deferir o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte no item em questão, reconhecendo o direito de desconto de crédito em relação às despesas com aluguel e arrendamento rural de pessoas jurídicas, desde que utilizados nas atividades da empresa. É como voto. Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA 5 SANTOS, Alberto Marques dos. Regras científicas da hermenêutica. Disponível em: <https://albertodossantos.wordpress.com/artigosjuridicos/regrasdahermeneutica/>;. Acesso em: 17.02.2016. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726641/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 41 /2 00 9- 12 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726641/200912 Acórdão n.º 9202004.083 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726641/200912 Acórdão n.º 9202004.083 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726641/200912 Acórdão n.º 9202004.083 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726641/200912 Acórdão n.º 9202004.083 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726641/200912 Acórdão n.º 9202004.083 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726641/200912 Acórdão n.º 9202004.083 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13214.000009/2004-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECISÃO - NULIDADE
Não há que se falar em nulidade por ausência de apreciação de mérito, uma vez que esse foi analisado. O pedido inicial foi o de restituição de saldo credor, o qual foi denegado por inexistir o referido saldo. Já a alegação de equívoco na formulação do pedido inicial também foi apreciada com a conclusão de que se trata de novo pedido e, portanto, não abarcado na lide. Assim, uma vez fixada esta última premissa, não haveria razão para analisar se os novos valores pleiteados poderiam ser restituídos.
CARF - COMPETÊNCIA
Não compete ao CARF proibir a autoridade local de realizar lançamento sob o fundamento de que esse direito já estaria decaído. Poderá apenas, caso o lançamento venha a ser realizado, exonerar a exigência.
ERRO - NOVO PEDIDO
Um erro no preenchimento de um formulário não pode acarretar o perecimento do direito pleiteado. Isso, porém, não legitima toda e qualquer alteração do pedido inicial. Tem que ser possível aferir o conteúdo do pedido. Se um contribuinte solicita a restituição de um valor, mas indica uma natureza diversa, como pleitear estimativas no lugar de saldo devedor e vice-versa, mas o montante solicitado é o mesmo, fica caracterizado o seu erro apenas na caracterização da quantia pleiteada e o pedido pode ser corrigido para ser analisado. Não é o que ocorreu no presente feito. A natureza é diferente e os valores também são. Pede-se algo novo efetivamente. Todavia, os pedidos iniciais não podem ser alterados pela parte. Até porque há um ônus ao não se pedir, que corresponde à prescrição.
Numero da decisão: 1401-001.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento. O Conselheiro Antonio Bezerra Neto votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO e RICARDO MAROZZI GREGORIO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECISÃO - NULIDADE Não há que se falar em nulidade por ausência de apreciação de mérito, uma vez que esse foi analisado. O pedido inicial foi o de restituição de saldo credor, o qual foi denegado por inexistir o referido saldo. Já a alegação de equívoco na formulação do pedido inicial também foi apreciada com a conclusão de que se trata de novo pedido e, portanto, não abarcado na lide. Assim, uma vez fixada esta última premissa, não haveria razão para analisar se os novos valores pleiteados poderiam ser restituídos. CARF - COMPETÊNCIA Não compete ao CARF proibir a autoridade local de realizar lançamento sob o fundamento de que esse direito já estaria decaído. Poderá apenas, caso o lançamento venha a ser realizado, exonerar a exigência. ERRO - NOVO PEDIDO Um erro no preenchimento de um formulário não pode acarretar o perecimento do direito pleiteado. Isso, porém, não legitima toda e qualquer alteração do pedido inicial. Tem que ser possível aferir o conteúdo do pedido. Se um contribuinte solicita a restituição de um valor, mas indica uma natureza diversa, como pleitear estimativas no lugar de saldo devedor e vice-versa, mas o montante solicitado é o mesmo, fica caracterizado o seu erro apenas na caracterização da quantia pleiteada e o pedido pode ser corrigido para ser analisado. Não é o que ocorreu no presente feito. A natureza é diferente e os valores também são. Pede-se algo novo efetivamente. Todavia, os pedidos iniciais não podem ser alterados pela parte. Até porque há um ônus ao não se pedir, que corresponde à prescrição.
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O pedido inicial foi o de restituição de saldo credor, o qual foi denegado por inexistir o referido saldo. Já a alegação de equívoco na formulação do pedido inicial também foi apreciada com a conclusão de que se trata de novo pedido e, portanto, não abarcado na lide. Assim, uma vez fixada esta última premissa, não haveria razão para analisar se os novos valores pleiteados poderiam ser restituídos. CARF COMPETÊNCIA Não compete ao CARF proibir a autoridade local de realizar lançamento sob o fundamento de que esse direito já estaria decaído. Poderá apenas, caso o lançamento venha a ser realizado, exonerar a exigência. ERRO NOVO PEDIDO Um erro no preenchimento de um formulário não pode acarretar o perecimento do direito pleiteado. Isso, porém, não legitima toda e qualquer alteração do pedido inicial. Tem que ser possível aferir o conteúdo do pedido. Se um contribuinte solicita a restituição de um valor, mas indica uma natureza diversa, como pleitear estimativas no lugar de saldo devedor e vice versa, mas o montante solicitado é o mesmo, fica caracterizado o seu erro apenas na caracterização da quantia pleiteada e o pedido pode ser corrigido para ser analisado. Não é o que ocorreu no presente feito. A natureza é diferente e os valores também são. Pedese algo novo efetivamente. Todavia, os pedidos iniciais não podem ser alterados pela parte. Até porque há um ônus ao não se pedir, que corresponde à prescrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 21 4. 00 00 09 /2 00 4- 99 Fl. 507DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento. O Conselheiro Antonio Bezerra Neto votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO e RICARDO MAROZZI GREGORIO. Relatório O presente feito tratase de pedido de restituição acompanhado de declaração de compensação, às fls. 0203 (esta e as demais referências são relativas à numeração do processo eletrônico). Os créditos pleiteados foram relativos a saldo negativo de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 2002, respectivamente, nos valores originais de R$ 40.854,43 (esse é o total de duas indicações de valores de R$ 28.496,98 e R$ 12.357,45) e R$ 11.967,53. Já os débitos indicados para compensação foram os seguintes: Código Período de apuração Vencimento Valor do principal 2362 Janeiro/2003 28/02/2003 R$ 28.496,98 2362 Fevereiro/2003 31/03/2003 R$ 12.967,53 2484 Janeiro/2003 28/02/2003 R$ 11.357,45 Com fundamento na inexistência de saldo credor de IRPJ, bem como de CSLL, no anocalendário de 2002, a autoridade local, por meio do despacho decisório de fls. 5662, não reconheceu o crédito pleiteado e, portanto, também não homologou a declaração de compensação. Em face do resultado negativo ao seu pleito, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 69. Nela, aduziu que se equivocou ao pleitear saldos negativos. Na verdade, seu pleito deveria se referir a valores pagos a maior atinentes ao recolhimento de R$ 167.787,17, código 2362 (estimativa de IRPJ), e R$ 62.906,15, código 2484 (estimativa de CSLL), ambos em 30/09/2002. A DRJ, mediante a decisão de fls. 131134, negou provimento ao pleito sob o fundamento de inexistência de saldos credores. Com relação às estimativas, entendeu que não lhe caberia apreciar o alegado por ser matéria estranha ao objeto do feito, tanto que não foi apreciada pela autoridade local. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13214.000009/200499 Acórdão n.º 1401001.752 S1C4T1 Fl. 508 3 Foi apresentado pelo interessado recurso voluntário às fls. 137167, mediante o qual teceu as seguintes razões: a) pede a nulidade da decisão de primeira instância sob o fundamento de que deixou de apreciar o mérito da questão suscitada; a DRJ deveria ter devolvido os autos à autoridade de origem para apreciar a inovação do pedido; b) haveria cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que os DARF´s encaminhados com a decisão recorrida discrepam daqueles que foram encaminhados com o despacho decisório e também dos valores constantes da declaração de compensação; c) decadência do direito de constituir os valores indicados na declaração de compensação, uma vez que este documento não teria o condão de constituir o crédito tributário; d) caso sejam superadas as questões preliminares, pede a extinção do crédito tributário pela compensação em face de o crédito pleiteado de pagamentos a maior que o devido são legítimos. Ademais, caso pairem dúvidas sobre os créditos pleiteados, pede a realização de diligência fiscal para apreciar os valores. Por meio da Resolução nº 1401000.144, de 13.06.2012, fls. 290292, esta Turma de Julgamento baixou o feito em diligência nos seguintes termos: Muito embora o contribuinte tenha trazido aos autos documentos que, em tese, podem comprovar a efetiva existência do crédito em discussão, o órgão julgador a quo se absteve de analisar os referidos documentos sob o argumento de que tal matéria seria estranha aos autos, razão pela qual a compensação restou indeferida. Todavia, entendo que, em homenagem ao princípio da verdade material, bem como ao direito constitucional da ampla defesa e do contraditório, entendo que a referida documentação trazida pelo contribuinte para supostamente comprovar os pagamentos a maior que legitimariam o crédito aqui em discussão merece ser analisado, razão pela qual determino que o presente processo seja baixado em diligência para que seja verificado se efetivamente existe o pagamento a maior dos DARF's de R$ 167.787,17, código 2362, com pagamento em 30/09/2002 e DARF de R$ 62.906,15, código 2484, com pagamento em 30/09/2002. O termo de resultado da diligência (fls. 358360), a autoridade fiscal consignou o seguinte: a) as estimativas de agosto de 2002 foram apuradas pelo contribuinte com base em balancetes de suspensão/redução; b) intimado a apresentar o balancete de suspensão/redução referente a agosto/2002, acompanhado do livro em que o referido balancete estivesse transcrito (LALUR ou Diário), o contribuinte apresentou documentos sem o referido conteúdo. Nos documentos apresentados, havia apenas um balanço analítico em folhas soltas e o LALUR, mas sem a transcrição do balancete. Fl. 509DF CARF MF 4 c) além da não comprovação dos valores supostamente pagos a maior, parte significativa deles foi utilizada para extinção de outros créditos tributários mediante a apresentação de DCTF´s e DCOMP. Após a utilização desses supostos direitos creditórios para extinção de créditos tributários, remanescem apenas R$ 27.932,04 e R$ 7.514,87 a título, respectivamente, de IRPJ e CSLL. Em resposta ao termo de diligência (fls. 364367), o interessado aduziu: a) reiterou que os valores de estimativas pagos em setembro de 2002 foram pagos a maior na quantia já indicada anteriormente; b) inadvertidamente, pleiteou saldos negativos no lugar dos créditos acima referidos; c) a autoridade diligenciante reconheceu a existência de direitos creditórios suficientes para a extinção dos créditos apresentados no presente feito. O feito, contudo, foi novamente baixado em diligência por esta Turma de Julgamento por meio da Resolução 1401000.337, de 04.03.2015, nos seguintes termos: Tendo em vista as peculiaridades dos presentes autos, bem como do início de prova produzido pela Recorrente, em sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente cotejar as informações fornecidas pela Recorrente com os registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência dos valores remanescentes de saldos negativos de R$27.932,04 do pagamento de IRPJ e de R$7.514,87 do pagamento de CSLL, conforme telas às fls. 268269. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar os valores remanescentes de saldos negativos de R$27.932,04 do pagamento de IRPJ e de R$7.514,87 do pagamento de CSLL, conforme telas às fls. 268269. O resultado da diligência consta das fls. 471477, da qual vale destacar os seguintes trechos: 17. Tendo em vista que a interessada, em sua resposta ao Termo de Encerramento (fls. 364/458), não apresentou fatos ou dados novos, serão utilizados, para a análise posterior, os documentos apresentados, quais sejam: DCTF e recolhimentos, que também estão nos sistemas internos da RFB: (nosso destaque) (...) • Baseandose apenas na DCTF e recolhimentos, há pagamentos a maior nos valores de R$ 141.674,73 (IRPJ) e R$ 52.425,15 (CSLL); Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13214.000009/200499 Acórdão n.º 1401001.752 S1C4T1 Fl. 509 5 • No entanto, os valores acima mencionados foram utilizados pela própria recorrente para quitar débitos de outras competências, seja por meio de DCTF, seja por meio de DCOMP. Tais utilizações encontramse detalhadas no Termo de Encerramento (fls. 358/360); • Após as utilizações, remanescem os saldos de R$ 27.932,04, de estimativa IRPJ e R$ 7.514,87, de estimativa CSLL. (...) A princípio, os fatos acima fazem crer que existe saldo disponível – não utilizado – , referentes aos dois DARF apontados como sendo a origem do crédito utilizado na Declaração de Compensação que deu origem ao processo. 19. Contudo, a falta de comprovação da apuração das estimativas de IRPJ e CSLL, período de apuração agosto/2002, mediante apresentação da documentação contábil e fiscal obrigatória, impossibilita a determinação dos montantes exatos do excedente passível de ser utilizado na compensação pretendida. Isso porque, a confissão da dívida na DCTF não dispensa a interessada de manter a documentação contábil e fiscal, que dá respaldo às informações prestadas à RFB e de apresentálas quando for preciso fazer prova da, entre outros, certeza e liquidez do crédito tributário utilizados na compensação de débitos tributários. 20. Temse, portanto, que, com fundamento no art. 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, o crédito informado pelo contribuinte referente a pagamentos a maior efetuados em 30/9/2002, correspondentes a estimativas de IRPJ e CSLL, período de apuração agosto/2002, nos valores de R$ 167.787,17 e R$ 62.906,15, respectivamente, carece da certeza e liquidez exigida pelo art. 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). 21. Desta forma, deve a compensação ser declarada não homologada por inexistência de crédito. 22. É o que se tem a informar. Em resposta ao termo da nova diligência (fls. 481484), o interessado, após tecer considerações já produzidas em peças processuais anteriores, pede para se acolher, ao menos, os valores de R$ 27.932,04 e R$ 7.514,87 a título, respectivamente, de IRPJ e CSLL, para a extinção, ainda que parcial, dos créditos compensados. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 511DF CARF MF 6 Preliminares Nulidade da decisão recorrida A defesa alega a nulidade da decisão recorrida por não ter apreciado o mérito da lide e em razão de não ter remetido à autoridade local a inovação do pedido. Não há que se falar em nulidade por ausência de apreciação de mérito, uma vez que esse foi analisado. O pedido inicial foi o de restituição de saldo credor, o qual foi denegado por inexistir o referido saldo. Já a alegação de equívoco na formulação do pedido inicial também foi apreciada com a conclusão de que se trata de novo pedido e, portanto, não abarcado na lide. Assim, uma vez fixada esta última premissa, não haveria razão para analisar se os novos valores pleiteados poderiam ser restituídos. Quanto à uma suposta omissão de não ter remetido o feito à autoridade local para analisar um novo pedido, não podemos perder de vista que a decisão é ato administrativo delimitado pela lide. Ainda que pudéssemos supor que a Delegacia de Julgamento teria o dever de remeter para a autoridade competente um pedido equivocadamente a ela endereçado, tal dever ou violação de dever, que supomos apenas para argumentar, não contaminaria a sua decisão com relação ao objeto do presente feito administrativo. Aquele pedido deveria, na melhor das hipóteses, compor novo procedimento/processo e não contaminar o presente. Já no tocante ao encaminhamento de DARF´s, a cobrança é ato de execução do julgamento, portanto, posterior à manifestação da autoridade julgadora. Se tivesse havido realmente algum equívoco, caberia recurso hierárquico. De todo modo, o ato administrativo de ciência do julgamento é composto por um ato de cobrança condicional, pois depende da não realização do recurso voluntário que é franqueado ao contribuinte. Assim, uma vez oferecido o recurso, como foi no presente caso, a cobrança deixa de produzir os seus efeitos. De todo modo, nenhuma dessas questões dão azo à nulidade da decisão recorrida. Decadência Com relação à alegação de decadência do direito de constituir valores indicados na declaração de compensação, uma vez que este documento não teria o condão de constituir o crédito tributário, mais uma vez a defesa pede providências que extrapolam os limites da presente lide. As Delegacias de Julgamento e o CARF não exercem controle preventivo sobre as autoridades da Secretaria da Receita Federal e nem o repressivo por completo. Os atos de lançamento e de cobrança são da alçada daquelas autoridades. No caso dos atos de lançamento, só depois de realizados passam a se submeter ao crivo das instâncias de julgamento. Já no caso dos atos de cobrança, eventual contestação deve ser dirigida à autoridade superior que a realizou. Assim, no presente caso, não compete ao CARF proibir a autoridade local de realizar o lançamento sob o fundamento de que esse direito já estaria decaído. Poderá apenas, caso o lançamento venha a ser realizado, exonerar a exigência. De igual modo, não nos compete aduzir se uma declaração tem força constitutiva apta a ensejar a cobrança administrativa e judicial. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13214.000009/200499 Acórdão n.º 1401001.752 S1C4T1 Fl. 510 7 Mérito De fato, um erro no preenchimento de um formulário não pode acarretar o perecimento do direito pleiteado. Isso, porém, não legitima toda e qualquer alteração do pedido inicial. Tem que ser possível aferir o conteúdo do pedido. Se um contribuinte solicita a restituição de um valor, mas indica uma natureza diversa, como pleitear estimativas no lugar de saldo devedor e viceversa, mas o montante solicitado é o mesmo, fica caracterizado o seu erro apenas na caracterização da quantia pleiteada e o pedido pode ser corrigido para ser analisado. Não é o que ocorreu no presente feito. A natureza é diferente e os valores também são. Pedese algo novo efetivamente. Todavia, os pedidos iniciais não podem ser alterados pela parte. Até porque há um ônus ao não se pedir, que corresponde à prescrição. Desse modo, foi correta a decisão da instância inferior ao não analisar o direito creditórios relativo às estimativas por corresponder a inovação do pedido que inaugura este feito administrativo. Voto, pois, por rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 513DF CARF MF
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