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Numero do processo: 18471.003099/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Consideram-se omitidos os rendimentos recebidos de pessoas físicas a título de honorários advocatícios que não foram informados na Declaração de Ajuste Anual apresentada. Todavia, comprovado que parte dos valores recebidos foram efetivamente remetidos a outros advogados que atuaram na em cooperação com o autuado, devem tais valores ser excluídos do montante tributável.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL.
A apresentação de desistência parcial da impugnação constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário que compõe a confissão, resultando na extinção do litígio no particular, por falta de objeto.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA; CONCOMITÂNCIA
É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996).
Recurso provido em parte,
Numero da decisão: 2202-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer na base de cálculo da infração R$ 350.000,00 no ano calendário 2003. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada pela concomitância. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMDTD (Relator), que afastava a multa de ofício, mantendo a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente e Redator designado.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
EDITADO EM: 13/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Consideramse omitidos os rendimentos recebidos de pessoas físicas a título de honorários advocatícios que não foram informados na Declaração de Ajuste Anual apresentada. Todavia, comprovado que parte dos valores recebidos foram efetivamente remetidos a outros advogados que atuaram na em cooperação com o autuado, devem tais valores ser excluídos do montante tributável. RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. A apresentação de desistência parcial da impugnação constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário que compõe a confissão, resultando na extinção do litígio no particular, por falta de objeto. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA; CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Recurso provido em parte, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 30 99 /2 00 8- 86 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do colegiado,. QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer na base de cálculo da infração R$ 350.000,00 no ano calendário 2003. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada pela concomitância. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMDTD (Relator), que afastava a multa de ofício, mantendo a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ – Presidente e Redator designado. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. EDITADO EM: 13/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fl. 579DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 21 3 Relatório Tratase de auto de infração (fls. 283/289) constituído em razão de 1) omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, e 2) Multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, decorrente do recebimento de honorários advocatícios no anocalendário 2003, exigindo o crédito tributário na monta de R$ 5.058.018,95, já incluídos os juros, multa proporcional qualificada de 150% e multa isolada. Processo de fiscalização A ação fiscal foi motivada pela Representação Fiscal nº 061/2007, encaminhadas pela DIFS IV/Defis/SP (fls. 294/298), resultante de trabalho de malha fiscal onde se observou que, no anocalendário de 2003, vários contribuintes informaram pagamentos a Sérgio Pinheiro Drummond a títulos de honorários advocatícios, que totalizaram o valor de R$ 3.812.620,95 (fls. 371 a 409), superior aos rendimentos tributáveis declarados pelo fiscalizado em DAA no exercício de 2004 (fls. 4/7), na monta de R$ 350.000,00. Diante disso, em 11/03/2011, o contribuinte foi intimado (fls. AR) do Termo de Início de Fiscalização, onde foi intimado a informar todos os valores recebidos à título de honorários advocatícios no anocalendário 2003 (fl.8); O contribuinte protocolou manifestação, com a indicação da lista de pagadores (fls. 14/17; 133), acompanhadas dos respectivos contratos de serviços advocatícios (fls. 18/75; 134/176), além de comprovantes de depósitos para os pagadores beneficiário da ação trabalhista (fls.76/132; 177/203). Em 08/05/2008, foi expedido Termo de Intimação Fiscal de fls. 227, por meio do qual o contribuinte foi intimado a apresentar as seguintes informações: 1 Identificar as pessoas físicas que efetuarem pagamentos ao contribuinte no total de R$ 350.000,00, informados na sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2004, anobase 2003; 2 Conferir e corrigir (ou complementar) os valores ou datas constantes da Relação dos Honorários Recebidos em 2003, anexada ao termo, onde foram listados toso dos beneficiários da ação trabalhista (fls. 336/340) impetrada contra o INSS (Reclamação Trabalhista nº 1053/89, dos quais o fiscalizado era o representante. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Intimado em 09/05/2008, fls. 227, o contribuinte apresentou resposta aos itens constante no Termo de Intimação Fiscal. No tocante ao item 1, afirmou que os rendimentos informados em sua DIRPF foram pagos pelas pessoas físicas já apontadas nas suas manifestações anteriores, acrescentando que o valor dos rendimentos foi equivocadamente, apresentado a menor e que o correto seria aquele informado em suas respostas anteriores. Ou seja, volta a enfatizar o contribuinte que o total por ele reconhecido é o resultado da soma das parcelas de R$ 762.294,10 (fls. 15), e de R$ 643.615,35 (fls. 133), isto é R$ 1.405.909,55. Com relação ao item 2, reconheceu ter firmado contratos de honorários correspondentes a 20% das indenizações recebidas com todas as pessoas ali listadas. Acrescenta, no ponto, que em parte dos valores recebidos, agiu como depositário, tendo repassado R$ 1.848.001,22 à Sociedade Costa Ramos Advogados Associados a título de apoio técnico no curso da ação trabalhista. Como comprovação, trouxe nota fiscal e cópia de depósito bancário (fls. 234/236). Diante das informações prestadas, a sociedade Costa Ramos Advogados Associados foi intimada, através de Termo de Diligência Fiscal, para que apresentasse documentação comprobatória da prestação de serviço de apoio técnico ao fiscalizado na Reclamação Trabalhista nº 1053/89 (fls. 256/257). Em resposta (fls. 260/261), informou que o fiscalizado cedeu parte de seus honorários contratados à sociedade com finalidade de auxílio na citada ação trabalhista, complementando que não foi formalizado contrato de prestação de serviço. Em face dos documentos apresentados, o Relatório Fiscal entendeu que não se poderia afirmar que o ônus pelo valor pago à Sociedade de Advogados tenha sido do fiscalizado, uma vez que na nota fiscal em análise consta como usuários dos serviços Milton Passos e outros. Acrescentou que a cópia do depósito bancário apresentado demonstra, apenas, que os recursos saíram da conta bancária mantida pelo fiscalizado para recebido dos valores cabíveis aos beneficiários da ação trabalhista não de podendo afirmar que o valor transferido tenha sido retirado dos honorários do contribuinte (fls. 292). Conclui o Relatório Fiscal que os documentos anexos à Representação Fiscal nº 061/2007 comprovam que o fiscalizado representou as pessoas físicas relacionadas às fls. 228/230 na reclamação trabalhista citada, sendo que os beneficiários receberam o montante de R$ 23.894.204,88, depositado judicialmente em 07/04/2003 (fls. 367/368). Após os descontos do imposto de renda e da contribuição previdenciária, totalizouse R$ 16.553.212,88 (Fls. 369), sendo depositado na conta do fiscalizado o valor de R$ 17.616.237,48, cuja diferença decorre de correção monetária total de 6,43%. Aplicou o mesmo percentual de correção ao valor bruto devido aos beneficiários e sobre esse aplicou os honorários contratuais de 20%, para se chegar aos valores recebidos pelo fiscalizados, totalizando o valor de R$ 5.085.731,62, que serviu da base de cálculo para a autuação. Por fim, em virtude de o contribuinte ter oferecido à tributação apenas o valor R$ 350.000,00, e após ter reconhecido espontaneamente que o valor correto seria de R$ 1.405.909,55, entendeu que houve omissão intencional de rendimentos efetivamente recebidos, com o intuito de reduzir o imposto devido, caracterizando crime de sonegação fiscal e permitindo a aplicação da multa qualificada. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 22 5 Assim, sobreveio o a auto de lançamento (fls. 283/289), no valor total de R$ 5.058.018,95, sendo tal valor assim composto: em decorrência da omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, foi lançado R$ 1.398.576,19 a título de imposto devido, R$ 862.501.93 decorrentes dos juros de mora e R$ 2.97.864,28, relativos à multa qualificada de 150%; no tocante a falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, foi lançado o valor de R$ 699.076,55. Diante da suposta ocorrência de sonegação fiscal, foi encaminhada a Representação Fiscal para Fins Penais de fls. 478/480. Impugnação Cientificado em 24/10/2008 (fl.477) da notificação de lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 483/501, na qual aduziu em síntese: a) Preliminar de nulidade do auto do lançamento – entende que houve cerceamento de defesa, na medida em que não foi cientificado das informações contidas na Representação Fiscal nº 061/2007, tendo atendido a todas as informações informando que seus rendimentos provinham de honorários advocatícios recebidos em função das mesmas causas e pessoas que constava na referida Representação. Aduz que, ao omitir tal conteúdo, e ao atribuir rendimentos oriundos de uma conta judicial que não teria feito parte de nenhuma das intimações, a fiscalização agiu de forma a preterir o direito de defesa do Impugnante. b) Da impropriedade da base de cálculo e da utilização de presunção não autorizada por Lei – Refere que o Relatório Fiscal teria se citado três bases de cálculos diferentes e se utilizado para fins de lançamento da maior delas. A primeira, ao referir que, de acordo com a Representação Fiscal, teria sido observado que vários contribuintes informaram pagamentos a Sérgio Pinheiro Drummond, a títulos de honorários advocatícios que somaram. R$ 3.812.620,95. Em que pese não tenha cientificada de tal informação quando da fiscalização, o impugnante atendeu as intimações e prestou esclarecimentos, indicando a existência de contratos de honorários no valor de 20% sobre a indenização a ser recebida, demonstrando o recebimento de parcela de R$ 1.405.909,55, que se poderia indicar como a segunda base de cálculo indicada. Ainda, foi apresentada pela fiscalização a terceira base de cálculo que, sem fundamento em qualquer presunção legal, utilizouse de um cálculo feito pelo Fisco imputando um rendimento de R$ 5.085.731,62. Assim, conclui que, mesmo estando claro na Representação Fiscal, que o Impugnante teria recebido o valor de R$ 3.812.620,95, a autoridade preferiu presumir o recebido de outro valor, que foi estipulado com base em contratos firmados com clientes, e por critérios de correção monetária de valores judicialmente depositados. Assim a autoridade fiscal não teria cumprido o dever imposto pelo art. 142 do CTN de provar a existência do fato gerador, tendo o auto de lançamento sob o argumento de que a administração teria levado 400 dias para lavrar o auto de infração, sendo que o administrado teria apenas 30 dias para impugnar o lançamento. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 c) Da impossibilidade de afastamento de esclarecimento prestado pelo Contribuinte sem prova de sua falsidade ou inexatidão. Despesas necessária e paga para a consecução dos rendimentos Refere que foi comprovado o repasse para a Sociedade Costa Ramos Advogados Associados, no valor de R$ 1.848.001,22, a título de remuneração pelos serviços prestado na ação trabalhista que originou o pagamento dos honorários, tendo juntado a TED do referido pagamento. Argumenta que a fiscalização diligenciou até a referida sociedade, que confirmou as informações prestadas, mas que mesmo assim tais informações foram desconsideradas. Sustenta que durante a fiscalização teria fornecido a relação nominal de todas as fontes pagadoras dos rendimentos auferidos no anocalendário de 2003, e explicado que o valor de R$ 350.000,00 lançando em sua declaração de ajuste corresponderia a uma intepretação pessoa da legislação tributária, no sentido de atribuir a si a condição de pessoa jurídica de fato, tributando seus rendimentos como uma sociedade de advogados optantes pelo lucro presumido. Postula a exclusão da base de cálculo dos valores de R$ 1.848.001,22 e R$ 350.000,00. d) Multa Isolada referente à falta do CarnêLeão – entende que a imposição da multa decorreu da mesma presunção de ocorrência de fato gerador, porquanto não há comprovada no auto de infração da data que os pagamentos teriam ocorrido, mas apenas a presunção de que teriam ocorrido na data do depósito judicial, dessa forma não haveria descrição completa do fato que ensejou a sua aplicação. Refere ainda que a imposição da multa isolada caracteriza dupla penalidade sobre a mesma base de cálculo. e) Da multa Qualificada – Insurgese quanto a aplicação da multa de 150%, colacionando súmula nº 11 do CARF, referindo que a omissão de rendimentos não caracterizaria fraude para fins de imposição da multa qualificada. Acrescenta que não há fundamento legal no auto de lançamento para a imposição da multa de ofício, e muito menos para a imposição da qualificação. Entende que deve ser provada pela autoridade fiscal que o contribuinte agiu ou se omitiu dolosamente com o intuito de retardar ou de impedir o conhecimento do fato gerador, para que seja configurada a sonegação. Refere que não se estaria diante de sonegação, pois esta não se caracteriza pela redução do imposto devido, o que é tipificado pelo art. 72 da Lei nº 4.502/64 (fraude), mas sim quando da omissão quanto à ocorrência do fato gerador. Refere que sempre que intimado respondeu e apresentou os esclarecimentos pedidos, fornecendo os elementos de prova que dispunha. Postula o cancelamento da multa de ofício ou, então da sua qualificação. Acórdão de Impugnação Em 22/06/2009, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RJOII, por unanimidade de votos, acordou em rejeitar as preliminares e julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, determinando a exclusão da base de cálculo do imposto de R$ 350.000,00, e de R$ 1.848.001,22. Com isso, o imposto devido foi reduzido de R$ 1.398.576,19 para R$ 794.125,86, sobre o qual seria acrescido de multa qualificada e juros. De forma reflexa, a multa isolada foi reduzida de R$ 699.076,55 para R$ 396.851,39. A autoridade julgadora apresentou o seguinte cálculo: Valores em R$ Infrações (conforme o auto de infração) 5.085.731,62 Valores excluídos 2.198.001,22 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 23 7 Infrações (valor mantido) 2.887.730,40 Base de cálculo declarada 340.600,00 Imposto devido 882.713,96 Imposto pago 88.588,10 Imposto apurado 794.125,86 Valores em R$ Valores sujeitos a recolhimento de carnêleão (novembro 2003) 2.887.730,40 Parcela a deduzir 423,08 Imposto calculado (carnêleão) 793.702,78 Carnêleão recolhido 0,00 Alíquota da multa isolada 50% Multa isolada devida 396.851,39 Nas razões de decidir, disse em síntese: a) Não ter havido cerceamento de defesa, sendo o Interessado cientificado das informações, tendo sido inclusive intimado a se pronunciar a respeito dos valores recebidos pelos Reclamantes da Ação Trabalhista nº 1053/89 e os respectivos honorários advocatícios que acompanharam a planilha remetida. b) Entendeu não prosperar a alegação de que houve autuação com base em presunção. Refere que a autuação considerou valores de honorários advocatícios pagos em razão da Reclamação Trabalhista nº 1053/89 ao autuado, destacando que o contribuinte admitiu ter patrocinado a causa e ter firmado contrato de honorários com os clientes relacionados, em valor correspondente a 20% das indenizações recebidas. Refere não ter havido contestação quanto ao recebimento do montante bruto corrigido de R$ 25.428.658,08 recebido pelas pessoas físicas, sendo essa base sobre a qual foi calculado o recebimento do percentual de 20% a títulos de honorários. c) Determinou a exclusão de R$ 350.000,00, referente à parcela declarada como rendimento recebido de pessoas físicas/exterior no exercício de 2004, uma vez que a Fiscalização não comprovou que tal valor encontravase fora do montante de honorários advocatícios oriundos da Reclamação Trabalhista nº 1053/89. d) Da mesma forma, entendeu pela exclusão da importância de R$ 1.848.001,22, sob o argumento de que tal quantia teria sido repassada para a Sociedade Costa Ramos Advogados, a título de honorários decorrentes da mesma ação trabalhista. Refere que apesar de sido juntada ao processo nota fiscal em nome de Milton Passos e outros, podese concluir que foi o Interessado quem contratou o Serviços da Sociedade Costa Ramos Advogados. e) No tocante à multa qualificada, entendeu que ficou caracterizada a conduta dolosa do contribuinte de se eximir do imposto devido, quer pela omissão de valores vultuosos, quer pelo fornecimento de informações inexatas à Fiscalização, com o fito de impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco. Referiu não haver Fl. 584DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 vinculação da instância julgadora para aplicação da Súmula nº 11, do antigo Conselho de Contribuintes. f) Referente a aplicação da multa isolada, aduziu que sua aplicação decorre da lei, e que inexiste qualquer vedação a sua aplicação conjuntamente à multa de ofício. Tendo em vista o parcial provimento da impugnação que ensejou numa redução significativa do crédito tributário, a DRJ encaminhou o acórdão prolatado como sujeito a recurso de ofício. Requerimento de Desistência Parcial da Impugnação O contribuinte apresentou, em 26/11/2009, Requerimento de Desistência Parcial da Impugnação Administrativa (fl. 518), para efeitos da Lei nº 11.941/2009. Menciona que, para fins de adesão ao parcelamento, reconhecia a base de cálculo de R$ 3.237.730,40, que corresponde à base de cálculo apurada pela Fiscalização (R$ 5.085.731,62), menos os honorários meramente repassados a terceiros, no valor de R$ 1.848.001,22, postulando pelo prosseguimento da impugnação quanto a esses valores, bem como quanto da aplicação da multa isolada. Traz comprovante de pagamento em DARF, emitida no Código 2904, no valor de R$ 1.249.820,59, sendo R$ 890.375,86 referente ao principal e 359.444,73, referente a juros e/ou encargos (fl.519). Recurso Voluntário De acordo com a certidão de fls. 540, em razão da ausência de AR ou ciência pessoal nos autos acerca da intimação, foi considerada como data de ciência do Acórdão, a data protocolada no envelope dos correios que encaminhou o recurso voluntário do contribuinte, em 03/01/2011 (fl. 535). Posteriormente, foi juntado Termo de Ciência Pessoal, atestando a retirada de cópia integral do processo, com ciência das decisões, despachos, intimações ou cobrança constantes dos mesmos, em 28/07/2014 (fls. 543). Em suas razões, delimita o objeto de análise do recurso, em face da adesão do recorrente ao parcelamento instituído pela nº 11.941/10. Refere que a única base de cálculo utilizada de forma equivocada pelo lançamento objeto da impugnação, e sobre a qual houve postula o prosseguimento do processo, referese àquela que o acórdão entendeu pela exclusão do lançamento. Repete que “com o afastamento da base de cálculo utilizada pelo lançamento de ofício dos valores de R$ 1.848.001,22, correspondentes à verba pertencentes a terceiro, resta tão somente a irresignação do ora Recorrente quanto à manutenção da multa isolada.” Postulou a manutenção do acórdão, no tocante à exclusão dos valores apontados em sua parte dispositiva. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 24 9 No tocante à multa isolada, postula a aplicação do art. 112 do CTN. Refere que, se por um lado, não haveria na legislação nada que diga que a aplicação de uma das multas excluiria a outra, por outro lado, não haveria dispositivo expresso a afirmar que fora do anocalendário respectivo possam ambas as multas ser aplicadas concomitantemente. Colaciona jurisprudência acerca da impossibilidade de aplicação concomitante das multas. Repete que o auto de infração pressupôs a data do suposto recebimento de valores de pessoas físicas, o que torna imperioso o cancelamento desta multa isolada, por não haver descrição completa do fato que ensejou a aplicação. É o relatório. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto Vencido Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator Os recursos de ofício e voluntário atendem a todos os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual merecem ser conhecidos. Recurso de Ofício. Omissão de Rendimentos de Trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas físicas Exclusão da base tributável da quantia de R$ 1.848.001,22 Decorre a autuação da fiscalização ter constatado que o contribuinte não informou o recebimento de honorários advocatícios recebidos no anocalendário de 2003, cujos pagamentos foram reportados pelos beneficiários da Ação Trabalhista nº 1053/89. Diante da base de cálculo da tributação, o contribuinte informou que, dentre os valores recebidos dos beneficiários, teria repassado a parcela de R$ 1.848.001,22, para outro escritório que o auxiliou na condução da demanda judicial. Entendo que leva razão o contribuinte. O contribuinte juntou nota fiscal à fl. 234, emitida por Costa Ramos Advogados e Associados, onde consta na discriminação de serviços trataremse de “honorários referente ao processo Milton Passos e outro tramitado na 14ª Vara Federal sob o nº 1053/89”, no valor de 1.848.001,22. Trouxe ainda comprovante de TED, emitido pelo Contribuinte Sergio Pinheiro Drummond em favor de Costa Ramos Adv. Assosc. (fl. 235). Cumpre referir que a nota fiscal emitida por Costa Ramos Advogados e Associados foi emitida em favor de Milton Passos e outros (fls. 234). Todavia, através do TED emitido (fls. ) bem como a declaração da Sociedade Costa Ramos Advogados, que informou que referidos valores eram parte dos honorários da Reclamação Trabalhista nº 1053/89 que foram cedidos pelo contribuinte., não há dúvidas que se trata de repasse de honorários do contribuinte Sergio Pinheiro Drummond para Costa Ramos Advogados e Associados. Tal conjunto probatório é suficiente para depreender que referida quantia pertence de fato a terceiro, tendo apenas transitado na contacorrente do contribuinte. Sendo assim, por força do art. 45, inciso I, e VIII, deveriam ser tributados por terceiros que não o contribuinte, por não configurarse como renda. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 25 11 Diane do exposto, entendo que não merece reparos o Acórdão da DRJ, negandose provimento ao Recurso de Ofício no ponto. Exclusão da Base de cálculo de R$ 350.000,00 A decisão da DRJ optou por excluir do montante a ser tributado a parcela de R$ 350.000,00, declarada pelo Interessado como rendimento recebido de pessoas físicas no exercício de 2004. Argumentou, na ocasião, que a Fiscalização não comprovou que tal valor encontravase fora do montante de honorários advocatícios oriundos da Reclamação Trabalhista nº 1053/89, Aqui, ocorre uma situação peculiar. Verificase que o contribuinte apresentou pedido de desistência de fls. 518, onde afirmou reconhecer, para fins de parcelamento, a base tributada no valor de R$ 3.237.730,40. Tal valor correspondente à diferença entre a base que serviu de objeto da autuação (R$ 5.085.731,62) e os valores repassados a terceiros (R$ 1.848.001,22). Diante dos valores confessados no pedido de desistência, que excluíu do montante lançado tão somente a parcela de R$ 1.848.001,22, percebese que o contribuinte entendeu como devida a parcela de R$ 350.000,00, em que pese tenha apresentado impugnação no ponto, o qual foi acolhido pelo Acórdão a quo. Com isso temse a seguinte situação: O contribuinte teve provida sua impugnação para excluir da base de cálculo da autuação o valor de R$ 350.000,00. Todavia, posteriormente, apresentou pedido de desistência parcial do recurso para fins de parcelamento, onde incluiu no montante parcelado a parcela de R$ 350.000,00. Caso não houvesse Recurso de Ofício, tal parcela teria restado incontroversa, não podendo ser revista pelo Colegiado. Todavia, considerando que houve o recurso obrigatório, cabe ao CARF pronunciarse sobre tal parcela. Diante disso, considerando que tais valores ingressaram na base de cálculo dos débitos apresentados para o parcelamento, configurase a desistência da discussão administrativa quanto a esse ponto. Por essa razão, entendo que deve ser provido o recurso de oficio, para que tais valores voltem a integrar a base de cálculo do imposto. Recurso Voluntário O Recurso Voluntário cingese a três pedidos: Fl. 588DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 1) O reconhecimento do Pedido de Desistência parcial efetuado 2) A manutenção do Acórdão na parte objeto do Recurso de Ofício. 3) A exclusão da multa isolada referente à falta de recolhimento do carnêleão. Os pontos 1 e 2 devem ser analisados conjuntamente. Isso porque, como visto acima, o pedido de desistência albergou parcela decidida favoravelmente pelo Acórdão da DRJ. Sobre tal parcela (R$ 350.000,00) foi interposto Recurso de Ofício. Dessa forma, o acolhimento do pedido de desistência parcial, impede a manutenção do acórdão a quo no tocante à exclusão de R$ 350.000,00, da base de cálculo tributável, conforme visto acima. Diante disso, o pedido de manutenção do Acórdão a quo no ponto referente à parcela de R$ 350.000,00, não pode prosperar, tendo em vista tratarse de dívida confessada pelo Contribuinte, como visto na análise do Recurso de Ofício. Nesse sentido, precedentes do CARF: Ementa Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI PerÍodo de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2007 PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. A opção do contribuinte a parcelamento após a lavratura do lançamento importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondose o não conhecimento do recurso nesta parte. (...) Recurso Parcialmente Conhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo: 15889.000614/200703; Relator(a): Sílvia de Brito Oliveira; nº Acórdão: 3402002.209) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 20/03/2003 a 10/07/2003 PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. O pedido de parcelamento do principal e dos juros de mora constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário exigido, o que resulta na extinção do litígio no particular, por falta de objeto. ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART 63. DA LEI 9.430/96. Para prevenção da decadência cabe ao Fisco o lançamento de auto de infração, sem multa de mora, dos créditos escriturados em cumprimento a ordem judicial. (Número do Processo:10980.016144/200819;Relator(a): ALEXANDRE GOME; nº Acórdão 3302002.099) No mérito, delimitase a análise do Recurso Voluntário acerca da possibilidade de cumulação entre a multa de ofício e a multa isolada, como referido expressamente pelo Contribuinte (fls. 526):“(...) o fato é que o Recurso Voluntário cingirseá a impugnar a parte do Acórdão ora recorrido que manteve, ainda que parcialmente, o bis in idem que é a imposição de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, coisa que este Órgão Judicante sempre rechaçou, como será demonstrado alhures” Fl. 589DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 26 13 Nesse ponto, entendo que assiste razão ao recorrente. Quanto à impossibilidade de cumulação, assim já entendeu este Conselho. A título elucidativo vejase a ementa abaixo reproduzida. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS DE ALUGUEL. DECLARAÇÃO RETIFICADORA APÓS INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. [...]MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. [...]”(Processo nº 10909.000897/200786 82C1T1; Acórdão nº 210100.281 Fl. 647,2011) Para corroborar, também o Conselheiro Rafael Pandolfo assim o referiu: Processo nº 10510.721212/201199 Recurso nº Acórdão nº 2202002.268 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria Multa Isolada IRPF Recorrente ANA MARIA SOARES DE ABREU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊ LEÃO. DEDUÇÕES INDEVIDAS. A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste conselho. Recurso Voluntário Provido Fl. 590DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Nesse contexto, entendo pela impossibilidade da cumulatividade da multa isolada e de ofício, devendo ser excluído do lançamento o valor pertinente de uma delas. No caso, contudo, entendo que a multa a ser excluída é a de ofício, e não a isolada, por três motivos: a) ante as duas possibilidades, o artigo 112 do CTN manda aplicar a interpretação mais favorável; b) em se tratando de sanção, impera a tipicidade e a literalidade. Multa isolada, por definição é aquela que se aplica isoladamente, sem qualquer outra; c) por um princípio de especialidade, aplicase com base no determinado no art. 108, III, em face de um conflito aparente de normas, devese excluir uma delas optando pela que seja mais específica; no caso, aquela atinente ao carnêleão, porque especificamente dirigida conduta aqui versada e não, genericamente, ao não pagamento de tributo. Relativamente às sanções aplicadas, vêse que a autoridade coatora entendeu por cumular a multa de 75% prevista na Lei 9.430/96, no art. 44, I, para as hipóteses de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários sem origem, com a multa de 50%, prevista no inciso II, do mesmo artigo, para as hipóteses de falta de recolhimento de carnêleão. Equivocase, no entanto, ao assim proceder, por incidir em ofensa à proibição de bis in idem. Como se sabe, o princípio “non bis in idem” proíbe a imposição de duplo sancionamento de um único e mesmo fato, o que obriga o hermeneuta a, diante da duplicidade de comandos normativos impositivos de sanção, eleger aquela aplicável, excluindo a aplicação da(s) outra(s) eventualmente previstas na legislação e que conduziriam a uma dupla punição. Para tanto, foram concebidas as teorias do concurso aparente de normas e do concurso formal de crimes, ambos mecanismos a serviço da proibição de bis in idem1 paulatinamente integrados ao Direito Penal interno de diversos países. A primeira voltada a resolver a questão da múltipla tipificação e sancionamento de uma única e mesma ação, mediante o emprego de técnicas hermenêuticas (de especialidade, subsidiariedade, consunção e alternatividade) excludentes da superposição; a segunda voltada à proporcionalização do cúmulo de punições aplicáveis nos casos em que uma única ação resulte em vários resultados delituosos, de forma a evitar o excesso punitivo. A inegável importância histórica dessas duas concepções está em assentar – positivamente a noção de que o sistema jurídico é ordenado, coordenado e harmônico. Ordenado, porque disposto de forma organizada; coordenado, porque concatenado e interligado; e harmônico, porque combina seus elementos de forma a produzir a concórdia e a ausência de conflitos.2 Por isso se entende que o conflito de normas é sempre aparente (com o 1 NIETO, A. Derecho Administrativo Sancionador. 2 ed.. Madrid: Tecnos, 1994, p. 517. 2 “El sistema supone una ordenada relación entre cosas o entre las partes de un todo, relación que permite que el conjunto así formado contribuya a determinado objeto o función. Se trata, pues, de una coordinación interna que se refiere a la situación de las partes en el sistema, y que cuando se refiere a elementos de la vida jurídica — normas, principios, actos— muestra la existencia de amplios grupos o categorías polarizados en torno a funciones de tipo bastante general. De ahí que en la exposición de las disciplinas el prurito sistematizador no deba llevar a los autores —como con harta frecuencia ocurre— a la aberración que consiste en sustituir el sistema interno y real de las cosas por un sistema externo y artificial, con lo que sólo consiguen mostrar un ingenio estéril y llenar de confusión la mente de los lectores menos avisados. El esfuerzo sistematizador debe, por el contrario, afanarse por Fl. 591DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 27 15 afastamento de uma das normas em conflito) e que nenhuma ação será punida em montante irrazoável (ainda que tenha redundado em diversos resultados criminosos independentes). Assim, não se admite que as desinteligências do sistema possam resultar consequências prejudiciais ao indivíduo, firmandose a consciência da necessidade de outorga de coerência interna. Como anota Nieto em seu excelente Derecho Administrativo Sancionador, a teoria do concurso de leis aborda a situação em que duas leis tipificam e sancionam uma mesma ação. Certo é que, em um plano abstrato, poderseia pensar que, havendo duas normas tipificadoras válidas, haveria que se aplicar ambas, já que a mesma ação constitui dois ou mais delitos. Porém, é mais lógico supor que a duplicidade normativa sancionadora seja consequência da incoerência ou descoordenação da legislação que agrava sem fundamento a posição do autor/acusado e, em qualquer caso, a mentalidade moderna rechaça esse critério/resultado. É precisamente a proibição de bis in idem que permite bloquear a superposição de sanções que se considera injusta, operando, definitivamente, como uma válvula de segurança ou mecanismo corretor de deficiências normativas.3 O emprego desses postulados exegéticos no contexto do Direito Sancionador Tributário encontra amparo no Código Tributário, art. 108, que permite o uso da analogia e dos princípios de Direito Público, na ausência de disposição expressa sobre o tema na legislação tributária.4 5 6 Da mesma forma, tratandose de princípios que objetivam garantir observância à «descubrir» esa coordinación interna, que constituye un ingrediente inexcusable de la vida jurídica, poniéndola de manifiesto en sus líneas fundamentales, sin minimizarla confundiéndola con rígidas y prolijas clasificaciones de elementos accesorios o secundarios, que muchas veces ocultan, con su inevitable fárrago, la arquitectura de la disciplina.” (SAINZ DE BUJANDA, Fernando. Hacienda y derecho: estudios de derecho financiero. Madrid : Instituto de Estudios Politicos, 1962. v.2. p. 222) 3 Nas palavras do autor, “La teoría del concurso de leyes aborda una situación en la que dos leyes tipifican y sancionan una misma acción. Cierto es, desde luego, que en un plano abstracto podría pensarse que, puesto que hay dos normas tipificadoras válidas, habría que aplicar ambas, ya que la misma acción constituye dos o más delitos; pero es más lógico suponer que, de ordinario, la duplicidad normativa sancionadora es consecuencia de una incoherencia o descoordinación de la legislación que agrava sin fundamento la posición del autor y, en cualquier caso, la mentalidad moderna rechaza este criterio. Pues bien, es cabalmente la regla de non bis la que permite bloquear la superposición de sanciones que se considera injusta, operando en definitiva como una válvula de seguridad o mecanismo corrector de deficiencias normativas.” Ob. cit., p. 517. 4 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. 5 “Na mesma seção em que pretendeu cuidar da interpretação, o Código Tributário Nacional edita preceito sobre a integração da legislação tributária, ao dispor, no art. 108, que, na ausência de disposição expressa, o aplicador da lei tributária deve utilizar, sucessivamente, na ordem indicada: a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público, e a equidade. Tratase de preceito que busca orientar o aplicador da lei (não só a ‘autoridade competente’, como registra o texto, mas qualquer pessoa a quem incumba identificar o direito aplicável a determinada situação) sobre como proceder diante da lacuna da lei (‘ausência de disposição expressa’), quando, é óbvio, a situação demandar uma solução legal. Não cremos que assista razão a Aliomar Baleeiro quando afirma que ‘o dispositivo se refere à autoridade administrativa, parecendo alcançar só os agentes do Fisco’. Não obstante a literalidade do artigo, não faria sentido que o Fisco estivesse adstrito a aplicar a lei de uma maneira, e o contribuinte ou o juiz devesse (ou pudesse) aplicála de modo diverso. Assim, há de se interpretar o preceito indo além de sua literalidade, vendo nele uma norma dirigida a qualquer pessoa a quem incumba interpretar e aplicar a lei.” (AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 16.ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 236) Fl. 592DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 proibição de bis in idem e, assim, tem por escopo proteger o acusado, relativamente à capitulação legal da infração, a natureza da penalidade aplicável e sua graduação, a observância desses postulados é até mesmo um imperativo em face do que preceitua o art. 112 do CTN.7 8 De fato, não há regra expressa atinente ao concurso ideal no contexto do Direito Tributário Sancionador Brasileiro; não se trata, também, de analogia que implica dispensar o pagamento de tributo devido (uma vez que de tributo não se trata, senão que de multa o seu oposto conceitual), o que impediria o recurso analógico nos termos do § 1º e do caput do art. 112. Ao contrário, por meio dos critérios interpretativos acima referidos, permite se que o intérprete possa, em perfeita sintonia com a “interpretação mais favorável”, recusar a aplicação de uma segunda ou terceira norma destinada a punir o mesmo fato, evitandose, assim, a ocorrência de bis in idem proibido. Não se trata, portanto, de declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de determinada sanção, senão que de integrar9 a legislação de forma racional, de modo a suprir eventuais colisões que coloquem em risco a harmonia do sistema pelo conflito entre dispositivos que, aparentemente, sobrepõemse.10 Como já decidiu o Tribunal Supremo espanhol, a aplicação de uma só norma não necessita sequer de uma previsão expressa “puesto que resulta de la naturaleza misma de las cosas y del principio siempre latente en el derecho punitivo de non bis in idem, al que repugna castigar dos veces los actos que por estar en la misma línea de ataque al bien juridico 6 “Ademais, lembra Ricardo Lobo Torres que a enumeração do art. 108 não é taxativa, lembrando que a plenitude da ordem jurídica é buscada também com os argumentos a contrario sensu e a fortiori, e com os princípios gerais de direito (não apenas com os de direito tributário ou direito público, referidos no dispositivo).” (AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 16.ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 237) 7 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. 8 As normas da cabeça do art. 112, e seus vários incisos, são na verdade meramente explicitantes do que se haveria de entender, mesmo sem elas, em face da Teoria Geral do Direito e dos princípios em que se inspira o direito punitivo.” (MACHADO, Hugo de Brito. Teoria das sanções tributárias. In: MACHADO, Hugo de Brito (Coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética, 2004. p. 185) 9 A ausência de disposição expressa, que enseja a busca pela norma aplicável às situações não reguladas expressamente constitui problema de integração, como demonstra Berliri: “El problema de la interpretación de la ley consiste en determinar lo que el legislador ha querido y lo que ha dicho a través de una determinada norma legal, es decir, en delimitar los casos regulados expresamente con esa determinada disposición. Por tanto, es un problema que presupone la existencia de una determinada norma: la que ha de ser interpretada. Por el contrario, el problema de la integración de la ley consiste en buscar qué norma debe aplicarse a un caso que el legislador no ha regulado expresamente, lo cual supone, en consecuencia, la falta de una específica norma jurídica, una laguna de la ley que debe ser integrada, por lo cual, y con razón, se habla también de descubrimiento integrativo de normas (MESSINEO). Y como este problema, al menos en nuestro Derecho, se resuelve sobra la base de la analogía, o lo que es lo mismo, aplicando al caso no previsto la norma dictada para el caso con el que aquél presenta mayor afinidad, se designa también como el problema de la aplicación analógica de la ley, o también, sobre todo en el pasado, de la interpretación analógica, expresión ésta manifiestamente impropia, toda vez que induce a confundir el problema de la interpretación con el de la integración, que son netamente distintos y, en cierto sentido, totalmente antitéticos.” (BERLIRI, Antonio. Principios de derecho tributario. Madrid: Editorial de Derecho Financiero, 1964. v.1 p. 91) 10 Ainda assim, convém referir que na visão de muitos doutrinadores, dentre os quais Alberto Xavier, também a Administração está obrigada a reconhecer a inconstitucionalidade de um ato legal, já que ela não deve obediência à lei, senão que, na dicção de Hauriou, ao “bloco legal”, dentro do qual se insere a Constituição, com sua supremacia hierárquica: “Logo – e a conclusão parece imporse com inevitabilidade silogística – se a Administração Pública deve obediência ao ‘bloco de legalidade’, do qual a Constituição é o vértice supremo, essa mesma Administração estaria desrespeitando tal bloco se aplicasse, por sua livre e espontânea iniciativa, uma lei inconstitucional.” (XAVIER, Alberto. Princípios do processo administrativo e judicial tributário. Rio de Janeiro: Forense, 2005. p. 96) Fl. 593DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 28 17 protegido se refunden en la acción culminante y de más entidad penal”11. Em definitivo, Nieto anota, referindose aos critérios de especialidade, especialidade e alternatividade, que “a mi juicio, estos tres criterios valen también para el Derecho Administrativo Sancionador cuando se trata de un concurso de normas intraordinamental, es decir, cuando son dos leyes del Ordenamiento juridico administrativo”.12 No caso ora em julgamento, importa atentarmos para o princípio da especialidade. Segundo o princípio da especialidade, a norma especial afasta a aplicação da norma geral. Tratase de regra secular de hermêutica, expressa nos brocardos latinos “lex specialis derrogat generali”, “semper specialia generalibus insunt”, “generi per speciem derogantur”. A existência de uma nota adicional que delimite com maior grau de precisão a conduta, assim, torna determinada norma mais identificada com o caso concreto, dando por isso preferência à sua aplicação. Embora ambas – norma geral e norma especial se subsumam ao caso, entendese que há maior relação de pertinência entre fato e suposto na norma especial, do que se infere sua prevalência no aparente conflito. Exemplo dessa situação é citado pela doutrina na comparação dos crimes de homicídio e infanticídio. O art. 121 do Código Penal brasileiro, assim prevê o crime de homicídio: Homicídio simples Art 121. Matar alguem: Pena reclusão, de seis a vinte anos. O crime de infantício, a seu turno, é descrito no art. 123: Infanticídio Art. 123 Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena detenção, de dois a seis anos. O homicídio, portanto, ocorre quando o agente produz a morte de um homem. No infantício, por sua vez, ainda que também se trate de matar alguém, determinadas elementares presentes no tipo penal do art. 123 do Código Penal brasileiro fazem com que, se presentes, o fato deixe de se amoldar ao art. 121 do mesmo diploma para se subsumir naquele outro tipo, que precisamente contempla matar o próprio filho, sob a influência do estado puerperal. Vejase que se uma parturiente, ao dar à luz seu filho, sem qualquer perturbação psíquica originária de sua especial condição, desejar, pura e simplesmente, causarlhe a morte, 11 STS de 21 de junho de 1976 (Sala 2ª; Ar. 3120) 12 Ob. cit., p. 518. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 responderá pelo crime de homicídio. Mas, se durante o parto ou logo após, sob a influência do estado puerperal, causar a morte do próprio filho, já não mais responderá pela infração a título de homicídio, mas sim por infanticídio, uma vez que as elementares contidas nesta última figura delitiva a tornam especial em relação ao homicídio.13 Dizse, assim, que uma norma penal incriminadora é especial em relação a outra, geral, quando possui em sua definição legal todos os elementos típicos desta, e mais alguns, de natureza objetiva ou subjetiva, denominados especializantes, apresentando, por isso, um minus ou um plus de severidade. “Afastase, desta forma, o bis in idem, pois o comportamento do sujeito só é enquadrado na norma incriminadora especial, embora também descrito na geral.(...) O tipo fundamental é excluído pelo qualificado ou privilegiado, que deriva daquele.” 14 15 Como ressalta García ALBERO, “desde un punto de vista lógico, la relación subyacente es la de inclusión o subordinación”.16 Na letra desse autor, “la relación de especialidad se decide fácilmente con el auxilio de la técnica de sustracción (substraktionstechnik). Se trata de formular un juicio hipotético negativo, en el que se suprima mentalmente la existencia del delito especifico. Cuando suceda entonces que todo hecho sin excepción de los allí contemplados es susceptible de ser calificado con arreglo al precepto general, ha de afirmarse la relación de especialidad.”17 No contexto do Direito Sancionador Tributário, a especialidade constitui um dos métodos mais eficazes de assegurar o desempenho da proibição de bis in idem, relativamente às inúmeras sanções pecuniárias existentes (embora pouco ou nada utilizado nesse campo, no Brasil), cujos enunciados, frequentemente, superpõemse a partir da descrição de uma mesma e única conduta, com maior ou menor grau de especificidade. É exatamente o caso em comento. Aqui se tem um comando geral, que preceitua, em síntese que, dada a inadimplência de tributo, deve ser o pagamento de multa no patamar de 75%. E outro comando especial, que preceitua, em síntese que, dada a inadimplência de (i) imposto de renda de pessoa física (ii) sujeito a recolhimento de carnê leão, deve ser o pagamento de multa no patamar de 50%. 13 GRECO, Rogério. Ob.cit., p. 30 14 JESUS, Damasio de. Direito Penal. São Paulo: Saraiva, 19ª ed., 1995, p. 95. 15 Outro exemplo de especialidade seria, v.g., o latrocínio, que é especial em relação ao homicídio qualificado pela conexão teleológica (art. 121, §2º, V ). Isto porque, enquanto um dos crimes alude ao cometimento de homicídio “para assegurar a execução de outro crime”, genericamente, o tipo do latrocínio especialmente prevê, no art. 157, §3º, o crime de morte com o específico fim de subtrair. 16 GARCÍA ALBERO, Ramón. Non Bis in Idem Material y Concurso de Leyes Penales. Barcelona: Cedecs, 1995, p. 321. 17 GARCÍA ALBERO, Ramón. ob. cit, p. 322. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 29 19 Como bem se vê, há no segundo comando dois elementos especializantes, que, a par de conterem todo o conteúdo da norma geral, tratam a particular conduta a que se dirigem com maior grau de especificidade em relação ao comando geral. A lei especial, portanto, impõese sobre aquela geral, como mecanismo hermenêutico a serviço da proibição de bis in idem, destinado a impedir que as aparentes desinteligências do sistema possam importar resultado não previsto em nenhum dos dois comandos punitivos (lex certa), recaindo sobre o acusado de forma indiscriminadamente cumulativa. No caso, a opção pela multa especial do art. 44, II da lei 9.430/96, é mesmo imperativa, em face do que expressamente dispõe o art. 112 do CTN, quando determina que se interpreta da maneira mais favorável ao acusado a legislação atinente à imposição de sanção, positivando, no âmbito do Direito Sancionador Tributário, a solução penal do in dubio pro reo. Ou seja, o CTN impõe a todos nós a opção – ante o concurso aparente das duas leis em comento – pela lei que outorgue ao réu/acusado o tratamento mais benéfico, o que, a par das características especializantes acima previstas, ainda reforça a solução interpretativa pela prevalência da multa no patamar de 50% relativamente àquela inequivocamente mais prejudicial, de 75%. Entender o contrário, aliás, implicaria mesmo na necessidade de declarar ilegal o referido artigo 112 do Codex, já que, indubitavelmente, importaria – diante de duas possibilidades interpretativas igualmente válidas do ponto de vista de subsunção na adoção de critério mais gravoso e na imposição de penalidade mais prejudicial. E isso, Senhores, estamos impedidos de fazer em face do art. 6218 de nosso Regimento, o que, mais uma vez, reforça a linha de raciocínio acima adotada. Finalmente, e não menos importante, é de se dizer que a multa pela qual optamos é justamente aquela denominada “isolada”. Diz a legislação que a prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido 18 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo Fl. 596DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; O adjetivo “isolada”, por si só, poderia comportar duas interpretações diametralmente opostas. Uma delas, no sentido de aludir à autorização para a imposição de uma segunda multa sobre o mesmo fato. No caso, o vocábulo “isolada” seria entendido como “com independência da primeira multa”. A outra interpretação, em direção diametralmente oposta, seria justamente no sentido de excluir a aplicação de qualquer outra sanção, de modo a entenderse o vocábulo “isolada” como “solitária” ou, ainda, “exclusiva” ou “excludente de quaisquer outras”. O verbo isolar advém do francês “isoler”, como explicita o Houaiss, “fr. isoler 'fazer tomar a forma de uma ilha', o que, em tese, autorizaria o recurso às duas interpretações, ainda que parece pender para a preferência ao segundo sentido antes mencionado (aplicação solitária). Se o vernáculo, contudo, poderia conduzir mais uma vez à dúvida, à dualidade de sentidos possíveis (sendo um conducente à dupla punição de um mesmo fato; e outro conducente ao rechaço ao bis in idem odioso) somos novamente obrigados a fazer respeitar a regra hermenêutica do art. 112 do CTN, optando pela solução mais favorável ao acusado. Mais do que isso, parecenos que essa linha de interpretação literal e etimológica reforça nossa conclusão por isolar, precisamente, aquela sanção autonominada “isolada”, aplicandoa com a independência e exclusividade que se extraem de sua acepção, o que parece mais lógico do que concluir por isolar justamente a sanção “não isolada”, em cuja nomenclatura não se identifica nenhum elemento conducente a uma tal solução. Analisando o auto de infração verificamos que a multa de ofício qualificada partiu da base de cálculo considerada em relação às infrações foi de R$ 5.085.731,62 ((fls. 287 e 289). Tais valores referemse à totalidade dos pagamentos decorrentes de honorários advocatícios recebidos em 2003 (na forma descrita no termo de verificação fiscal de fls. 293), e, portanto estariam sujeitos ao recolhimento por carnêleão. Sobre tais valores foi deduzida quantia relativa ao imposto recolhido no valor de R$ 5.076,90, (relativa ao pagamento sobre uma base declarada de R$ 340.600,00 no respectivo ano), chegandose ao valor de R$ 1.398.576,19 de imposto devido, sobre o qual incidiu a multa de 150%, no valor de R$ 2.097.864,28, e os juros de mora no valor de R$ 862.501,93 (fls. 287 e 289). Igualmente, a multa isolada incidiu sobre a totalidade dos valores recebidos em razão de honorários advocatícios, R$ 5.085.731,62, sendo excluído parcela de 423,08, chegandose a uma base de imposto de R$ 1.398.153,11, sobre o qual incidiu a multa isolada de 50% (fl. 288). Como se vê, 100% da base de cálculo utilizada para o cálculo da multa de ofício foi utilizada também para o cômputo da multa isolada, gerando obvimente a dupla penalidade sobre a mesma quantia/recebimento. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 30 21 Por todos esses motivos, enfim, estou entendendo por afastar a aplicação conjunta das sanções caracterizadoras de ofensa à proibição de bis in idem, resolvendo o aparente conflito de normas com base no critério de especialidade, aliado ao critério cogente de interpretação mais favorável previsto no Codex e à técnica literal e etimológica que reafirmam a adequação da solução proposta (de aplicação, com exclusividade, da multa isolada de 50%). Conclusão Diante de todo exposto, entendo pelo PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO, para que seja novamente incluída a quantia de R$ 350.000,00 na base de cálculo da exação. Quanto ao Recurso Voluntário, entendo por CONHECER PARCIALMENTE, e nesta dar PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, afastando a aplicação conjunta das sanções (multa de ofício e isolada), com aplicação, exclusiva, da multa isolada de 50%, sobre os valores apurados. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Este voto direcionase exclusivamente ao Recurso Voluntário, quando se aprecia a concomitância da multa isolada com a multa de ofício, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator, Da Multa Isolada Cabe reconhecer, que no tocante ao lançamento da multa de ofício exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnêleão, se faz necessário destacar que o lançamento engloba valores recebidos mensalmente, cujas importâncias foram lançadas de ofício, através da constituição de crédito tributário via Auto de Infração. A Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: “Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 599DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão n.º 2202002.924 S2C2T2 Fl. 31 23 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o “carnêleão” que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que para o ano calendário de 1998, não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Quanto à impossibilidade de cumulação, assim já entendeu este Conselho. A titulo elucidativo, vejase a ementa abaixo reproduzida. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS DE ALUGUEL. DECLARAÇÃO RETIFICADORA APÓS INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. [...]MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. [...]”(Processo nº 10909.000897/200786 82C1T1; Acórdão nº 210100.281 Fl. 647,2011) Para corroborar, também o Conselheiro Rafael Pandolfo assim o referiu: Processo nº 10510.721212/201199 Recurso nº Acórdão nº 2202002.268 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria Multa Isolada IRPF Recorrente ANA MARIA SOARES DE ABREU Recorrida FAZENDA NACIONAL Fl. 600DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊ LEÃO. DEDUÇÕES INDEVIDAS. A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste conselho. Recurso Voluntário Provido Nesse contexto, entendo pela impossibilidade da cumulatividade da multa isolada e de ofício, devendo ser excluído do lançamento o valor pertinente ao da multa isolada, pois não havia previsão legal para sua imposição no ano calendário em cotejo. Entendo que não se trata de selecionar a multa menos gravosa, mas de verificar a legalidade da cobrança da multa. A previsão legal da multa de ofício é clara, entretanto para a multa isolada, entendese que não havia a previsão legal. Ante ao exposto, acompanhando o relator nas demais questões, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada pela concomitância, mantendo a multa de ofício. (Assinatura digital) Antonio Lopo Martinez Fl. 601DF CARF MF Impresso em 23/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/06/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13822.000177/2005-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 3401-002.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso voluntário foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base nos relatório, voto e ementa aqui transcritos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, que, na ocasião, informou serem eles válidos para todos os demais. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que auto-designei-me para a tarefa, no que valho-me das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 01 77 /2 00 5- 05 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Este recurso voluntário foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base nos relatório, voto e ementa aqui transcritos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, que, na ocasião, informou serem eles válidos para todos os demais. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que autodesigneime para a tarefa, no que valhome das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria. Relatório O Relatório a seguir é o que foi entregue à Secretaria pela relatora Angela: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de créditos apurados pela sistemática da não cumulatividade, compensado com créditos tributários do próprio interessado através de PER/DCOMP: Crédito: PIS não cumulativa, Período de apuração: 4º trimestre de 2005 cujo Valor pleiteado: R$ 295.007,33. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado Auto de Infração para formalização da glosa dos créditos, onde foram apuradas irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, a saber: a) Bens utilizados como insumos. Baseado no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, dado pelo art. 8º, § 4º c/c § 9º, da Instrução Normativa nº 404, de 2004 a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não esteja incluído no ativo imobilizado – o auditor fiscal verificou a existência de registros de despesas não incluídos nesse conceito. Inicialmente, verificou diferenças entre os valores informados na planilha “Livro do PIS e Cofins Consolidado 2007” e no DACON. Intimado, o interessado informou que no DACON Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000177/200505 Acórdão n.º 3401002.979 S3C4T1 Fl. 123 3 informou que, além dos insumos relacionados nas planilhas, incluiu as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas. A fiscalização ressaltou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON e, portanto, não serão considerados nesse item e serão analisados em item próprio, do Auto de Infração. A seguir, efetuou a análise referente aos grupos que compuseram a planilha de cálculo dos insumos. a.1) Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Da análise da planilha correspondente e das notas fiscais nela relacionadas, verificou que parte dos gastos não se refere à aquisição de insumos, matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar, referindo se a partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e aquisição de pneus, assim como despesas diversas tais como: locação de veículos para uso administrativo e obras de recuperação de rodovias. Ressalta que tais gastos não se dão no âmbito do processo produtivo, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Ressalta, também, que considerou somente os gastos referentes a combustíveis e lubrificantes, para os quais há expressa autorização para a inclusão no conceito de insumos. a.2) Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Que efetuou a glosa referente a gastos com bens não diretamente consumidos na fabricação de bens destinados à venda, tais como gastos com construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas vernizes diluentes (Estoque tintas), cimento, etc. a.3) Fretes Glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 b) Do método da apropriação do crédito presumido. Verificou que o interessado informou que o método de determinação dos créditos foi com base na proporção dos custos diretamente apropriados. Assim, intimou o interessado a comprovar que os valores dos créditos informados nos DACON e nos livros auxiliares do PIS e Cofins são referentes apenas aos custos, despesas e encargos vinculados à receita sujeita ao regime não cumulativo da exportação. Examinando a documentação apresentada, verificouse que, no preenchimento dos DACON, o interessado não utilizou o método de apropriação direta, uma vez que todo o custo da cana de açúcar (insumo), do preparo e processamento da cana, da extração do caldo e do suporte a produção industrial foram apropriados, na sua totalidade, para o produto açúcar, ou seja, todos os custos comuns, vinculados ás receitas sujeitas aos regimes cumulativos e não cumulativo foram aproveitados integralmente como sendo regime não cumulativo. Em resumo, nos DACON entendeu o interessado apropriar todo o gasto com a aquisição do insumo cana de açúcar para o produto açúcar, independentemente se dela foi produzido álcool. Verificou, também: a) Que a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON, para o que somou valores de materiais em estoque. conforme resumo de fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); b) Inconsistências nas informações das planilhas apresentadas, demonstrando que os Razões não comprovam o método de apropriação direta e nem condizem com os valores dos DACON, pois: b.1) conforme esclarecimento do interessado, no valor dos insumos informados nos DACON está incluído o valor da cana adquirida de pessoas jurídicas e na planilha de fls 24 a 26 (numeração constante no relatório do Auto de Infração), não consta a conta correspondente a tal insumo; b.2) a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON (e diferente do valor da cana adquirida de pessoa jurídica) e para chegar ao valor informado nos DACON, o interessado somou o valor dos materiais em estoque, conforme consta no resumo apresentado às fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); e b.3) na planilha há contas estranhas ao conceito de insumo, tais como “Consultoria”, Copa, cozinha e limpeza”, Gêneros Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000177/200505 Acórdão n.º 3401002.979 S3C4T1 Fl. 124 5 Alimentícios”, Lanches e Refeições”, “Uniformes” e “Seguros Gerais”. Pelos fatos expostos, constatase que o método de aproveitamento dos créditos, informado nos DACON, não pode ser caracterizado como de apropriação direta, pois os custos comuns á receita sujeita ao regime não cumulativo e ao cumulativo foram informados integralmente como sendo de receita de exportação e os Razões apresentados não comprovam o declarado nos DACON e nas planilhas com a descrição dos insumos e, considerando que o interessado aufere receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação, com base no disposto nos arts. 3º, §§ 7º e 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, deve ser utilizado o método de rateio proporcional da receita bruta. Assim, calculou os percentuais aplicáveis a cada regime de tributação e aplicou os aos valores dos gastos considerados como insumos, apurando o valor do crédito a aproveitar no período. b.1) Energia Elétrica e Contraprestações de arrendamento mercantil. Considerando a utilização do método de rateio proporcional para a apuração dos créditos, recalculou os valores dos gastos com energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil considerados como créditos apurados no regime não cumulativo. c) Base de cálculo do crédito a descontar referente ao Ativo Imobilizado– com base no valor de aquisição (linha 10 da Ficha 16 A do DACON) Cita A legislação regência e constatou que o interessado incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: a) 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; b) 1/24 de valores de aquisição de bens diferentes de máquinas equipamentos, tais como edificações, veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; c) bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc, contrariando o disposto no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso II, da Lei nº 10.837, de 2002, e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 2º da Lei 11.051, de 2004, e demais dispositivos legacia acima citados; Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 d) bens vinculados ás receitas sujeitas ao regime cumulativo, tais como destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool, etc; e) bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não cumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, meã alimentadora, etc. Com base nas verificações, efetuou a glosa referente aos valores relacionados nos itens “a” a “d” acima. Aos valores referentes ao item “e”, aplicouse o percentual de rateio proporcional apurado para os períodos. d) Créditos presumidos – Atividades Agroindustriais. d.1) Apuração Conforme destacado no item “A”, e de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa (IN) SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON. Assim, relativamente aos valores das aquisições de cana efetuadas junto a pessoas jurídicas, aplicouse o percentual apurado para o rateio proporcional entre as receitas sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo da contribuição. d.2) Forma de utilização do crédito Ressalta que, com base no disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006, o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, e que a apreciação desse item será feita pela Saort da DRF. e) Outros Créditos a descontar (linha 25 da ficha 12 do DACON Verificou que o interessado registrou créditos da contribuição, referente a valor do frete nas operações de venda, pago a pessoas físicas, contrariando as disposições do inciso IX, do art. 3º c/c art 15, ambos da Lei n º 10.833, de 2003. PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araçatuba, através do Parecer Saort, reproduziu as informações do Auto de Infração e propôs o deferimento do valor de R$ 190.764,88, como direito creditório do interessado passível de compensação. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000177/200505 Acórdão n.º 3401002.979 S3C4T1 Fl. 125 7 Através do Despacho Decisório (DD), acataramse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto no Parecer, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente das conclusões do Despacho Decisório (DD), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (MI), onde relata os fatos e faz as suas contrárias alegações onde, preliminarmente, alega que os créditos objeto do presente processo já foram apreciados nos autos do processo 15868.000039/201084 e, assim, constatase a duplicidade das glosas de créditos e da cobrança dos valores atinentes às referidas glosas. Junta cópia do Auto de Infração que seria objeto do referido processo. Em seguida, faz longa exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, em totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde temse o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois o bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Alega o mesmo entendimento do item anterior, contestando especificamente as glosas dos serviços de reparação de equipamentos, manutenção de moenda e outros pois são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo e que sem esse insumos o processo não decorre sem prejuízo para o requerente e que a falta dos mesmos inviabilizaria a continuidade empresarial. Que deve ser revisada a glosa, haja vista a existência de erro material, bem como equívoco conceitual sobre a interpretação da norma, e que as notas fiscais e fornecedores mencionados estão inseridos no processo produtivo. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003., que faz referência aos incisos I e II do próprio art. 3º, que definem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda ou bens e serviços utilizados como insumos, daí a razão Fl. 454DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000177/200505 Acórdão n.º 3401002.979 S3C4T1 Fl. 126 9 para a inclusão dos serviços de transporte gasto em seu processo produtivo. Do método de Apuração de Créditos (Créditos Presumidos da CanadeAçúcar) Que a fiscalização, ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação de créditos elaborado pelo contribuinte, optando pelo mais oneroso, argumentando que todos os custos de cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar, e que os Razões não permitem identificar quais os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, bem como há Razões em que as notas fiscais e fornecedores não constam dos livros auxiliares de PIS/Cofins. Que a legislação é clara quanto ao direito do contribuinte optar entre o método de apropriação direta e o método de rateio proporcional, no caso de existência de receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação Que o sistema de custo integrado separa os custos destinados à fabricação de açúcar e álcool, de modo que os insumos destinados a cada processo sejam diretamente direcionados a seus respectivos centros de requisição contábeis. Que todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial são exatamente custos de fabricação de açúcar, vez que cem pro cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar e que para a fábrica de álcool somente é destinado o “mel final” que resulta do processo de fabricação de açúcar, o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial, e que não houve fabricação de álcool direto da cana. Quanto a outra alegação, de falta de identificação de fornecedores, produtos, insumos dos custos apropriados, alega que adota há trinta anos tal procedimento, nunca senso questionado pela fiscalização e que tal procedimento é reconhecido a adotado como parte integrante das melhores técnicas de escrituração, que todas as requisições e notas fiscais foram apresentadas, o que deu margem à discussão sobre o conceito de insumos. Quanto a argumentação de que há Razões nos quais notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, Fl. 455DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 que tais livros não são obrigatórios e não possuem regramento específico para se preenchimento. Que inexistem custos comuns que são apropriados somente para a parte de produção não cumulativa, conforme mostra o trabalho pericial anexo que o processo de fabricação de açúcar e de álcool são independentes e partem de pontos totalmente distintos e que deve ser respeitado o sistema de custo integrado existente e mantido pelo interessado, e que a fiscalização obteve acesso a todos os documentos atinentes aos créditos. Da energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil Nesses itens, reitera as alegações acima quanto a apropriação do crédito presumidos. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados á venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto a limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maiô e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito pré constituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. E que não há o que se falar em proporcionalidade de receitas, haja vista o sistema de custo integrado, conforme acima explanado. Da utilização do crédito presumido Que a requerente sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições sociais, de modo que a acusação dos autos improcede. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000177/200505 Acórdão n.º 3401002.979 S3C4T1 Fl. 127 11 PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO RERATIFICADO– A DRF em Araçatuba, através do Parecer, reformulou o Parecer anteriormente exarado, para ressaltar que o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, á vista do disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006. Assim, glosouse o valor do crédito presumido da agroindústria – R$ 116.236,43 reduzindo o direito creditório anteriormente deferido, R$ 190.764,87, para R$ 74.528,44, Através do Despacho Decisório (DD), acatouse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido, abrindose prazo para o interessado para a apresentação de nova manifestação de inconformidade (MI). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (MI) – fls. 337188 Na sua nova MI, inicialmente, o interessado reafirma a preliminar anteriormente esposada, a respeito da apreciação anterior dos créditos no processo 15868.000039/201084. No mérito, também reafirma que sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições, conforme pode se verificar nas próprias PER/DCOMP utilizadas no presente processo, e que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 serve a garantir ao contribuinte o direito de compensar quaisquer créditos fiscais que possua com quaisquer débitos federais. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo Fl. 458DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000177/200505 Acórdão n.º 3401002.979 S3C4T1 Fl. 128 13 produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃOCUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser utilizados para a dedução dos valores devidos das contribuições para o PIS/Cofins, vedada a sua utilização para ressarcimento ou compensação com demais tributos. ADN SRF nº 15 de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” A Recorrente apresentou recurso voluntário, com as mesmas alegações acima. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Como acima indicado, transcrevo, ipsis litteris, o voto entregue pela relatora à Secretaria. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os pressupostos para sua admissibilidade, por isso, dele conheço. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A argumentação da interessada encontrase desprovida de qualquer elemento concreto de sua Fl. 459DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 necessidade. Logo, diante do convencimento da desnecessidade de quaisquer esclarecimentos adicionais para o julgamento em tela, concluo pelo indeferimento do pedido de perícia. Das alegações de inconstitucionalidade Quanto à alegação de inconstitucionalidade da IN SRF nº 247, de 2002, e das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 cabe esclarecer que não cabe a apreciação dos dispositivos legais sob o ponto de vista de sua constitucionalidade pela autoridade administrativa. Dos Bens utilizados como insumos Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Cabe esclarecer qual o conceito de insumos para as contribuições não cumulativas: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000177/200505 Acórdão n.º 3401002.979 S3C4T1 Fl. 129 15 Em relação a Cofins não cumulativa, o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Definido o conceito de insumos, cabe analisar se os itens glosados estão enquadrados no conceito legal. Foi glosado partes e peças de manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem, aquisição de pneus, gastos com construção civil, com serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas. Foi glosado também o frete relativo a transporte de pessoas e a transporte de equipamentos do ativo permanente. A legislação adota, para fins de apuração de créditos na modalidade da não cumulatividade, a enumeração exaustiva dos bens e serviços capazes de gerar crédito e os vinculou a determinadas atividades, assim como ao modo de produção, no que respeita à questão do insumo. Dessa forma, a aquisição de um bem ou serviço poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Para qualquer análise sobre aquisições de bens e serviços que vise determinar a geração de crédito são indispensáveis o exato conhecimento da atividade e a forma de aplicação, em especial no caso de insumo. A Recorrente produz açúcar bruto e álcool carburante. Considerando a atividade da Recorrente é possível concluir que os itens glosados não se enquadram como insumos de sua produção. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Os itens relacionados no Auto de Infração, referente ao Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc, não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita, porquanto não se tratam de matérias primas ou materiais de embalagem e tampouco utilizado no processo produtivo da recorrente portanto, mantenho a glosa. Em relação à glosa efetuada referente ao item Material Intermediário – Serviços de Manutenção Industrial, foram contabilizadas despesas referentes a gastos com construção civil, reparação de caminhões, reboques, e com tintas, vernizes e diluentes, e cimento que também não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita. O mesmo se aplica ao frete relativo a transporte de pessoal e de ativo permanente, que também não se enquadram no conceito acima. Quanto à alegação de que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, cabe esclarecer que: Com o advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que criou o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o legislador, além de permitir a apuração de créditos calculados sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passou a admitir também o aproveitamento de créditos sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3o, caput, e incisos I, II e IX. O art. 15 da citada Lei no 10.833, de 2003, estendeu o benefício previsto no inciso IX do citado art. 3º acima transcrito também para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep. Conforme já visto, tratase do direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com armazenagem de mercadorias e frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000177/200505 Acórdão n.º 3401002.979 S3C4T1 Fl. 130 17 A fiscalização juntou lista e Notas fiscais (fls. 217/220). Verifica se que as Notas se referem a transporte com pessoal e de ativo imobilizado, que não geram crédito, por não se tratar de operações de venda de mercadoria. A interessada não comprova ou aponta quais Notas seriam referentes à venda e tampouco foi identificada qualquer nesta condição que tenha sido glosada. Portanto mantenho a glosa neste item. Do método de apuração do crédito comum O §§ 7º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003 regulamentam a matéria e nos casos em que a pessoa jurídica se sujeita a incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas, deverá ser adotado um dos dois métodos em relação aos custos, despesas, e encargos comuns. O Recorrente informou no DACON que teria utilizado a apropriação direta e a fiscalização desconsiderou o critério adotado e aplicou o rateio proporcional já que todos os custos comuns foram vinculados ao produto açúcar. Apurouse também que foram incluídos valores que não são insumos. Inicialmente cabe esclarecer que apurado o custo do produto sujeito à sistemática da não cumulatividade pelo custeio por absorção, deve ser apurado o percentual deste perante o custo total. Apurado o percentual que representa o produto sujeito à sistemática não cumulativa, este percentual deve ser aplicado nos custos, encargos, despesas comuns que dão direito ao crédito da não cumulatividade. Assim, não será o custo apurado na contabilidade que irá gerar crédito, mesmo porque compõe o seu valor os custos fixos e variáveis, que abrangem elementos que não geram credito. Ressalte – se também que tal sistemática somente se aplica se existem custos, encargos ou despesas comuns e a pessoa jurídica se sujeita à incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas. A interessada produz açúcar, produto sujeito à sistemática não cumulativa, e álcool, produto sujeito a sistemática cumulativa. Assim, cabe apurar se existem custos, encargos ou despesas comuns aos dois produtos. A Recorrente alega que os processos produtivos são independentes, na primeira etapa é produzido o açúcar, este processo gera um resíduo chamado de “mel pobre”. A partir do mel se produz o álcool. Os custos incorridos numa produção conjunta até o ponto de cisão (inclusive), são chamados de custos conjuntos. É possível concluir que o processo produtivo da interessada é uma produção conjunta até o ponto de cisão, ou seja, até o momento que é produzido o açúcar e o mel final, a Fl. 463DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 partir daí, o processo produtivo segue em relação ao mel final sendo considerado um processo único até a fabricação do álcool. Não é possível considerar que o mel final (matéria prima) do álcool seja apenas resíduo, mesmo porque este é produto que não tem mercado certo, o que não ocorre com o mel final. A produção do mel final é onde ocorre o ponto de cisão da produção do açúcar e do álcool. Assim a produção do álcool somente é possível se realizado todo o processo produtivo desde a extração do caldo da cana. Estabelecido que se trata de processo de produção conjunta, cabe relatar brevemente o que seria o custeio por absorção. Na obra citada acima assim se define o custeio por absorção: Custeio por absorção é um processo de apuração de custos, cujo objetivo é ratear todos os seus elementos (fixos ou variáveis) em cada fase da produção. Logo um custo é absorvido quando for atribuído a um produto ou unidade de produção, assim cada unidade ou produto receberá sua parcela no custo até que o valor aplicado seja totalmente absorvido pelo custo dos produtos vendidos ou pelos estoques finais. Concluise que a produção da Recorrente é uma produção conjunta, e como tal, possui custos, encargos e despesas comuns, então o contribuinte poderia optar entre as duas formas de rateio quais sejam: custeio direto por absorção ou o rateio proporcional a receita. Para optar pelo custeio direto por absorção a interessada deve ter o sistema de custos integrado e coordenado com o restante da contabilidade. Contudo, analisando a contabilidade da interessada, constatouse que os custos da produção conjunta foram integralmente direcionados para a produção do açúcar, portanto, não houve um rateio, não sendo possível aceitar que tal sistemática seja considerada custeio por absorção, já que neste processo a empresa utilizase de métodos (valor das vendas, volume produzido, igualdade do lucro bruto, etc.) para atribuir os custos conjuntos aos produtos. Para a fabricação do álcool, é absolutamente necessária a existência da matéria prima, no caso, a cana, assim como todos os demais produtos e bens utilizados no processo. Sem a cana e todo o processo posterior para a produção do “mel final” não haveria a produção de álcool que gera receitas significantes para a empresa. Assim, sendo a cana de açúcar insumo necessário para a fabricação tanto do álcool como do açúcar, inferese que tal custo é comum, e deve ser apropriado proporcionalmente, uma vez que não há possibilidade de distinção de custos no Fl. 464DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000177/200505 Acórdão n.º 3401002.979 S3C4T1 Fl. 131 19 processamento para fabricação de ambos os produtos. Tal entendimento aplicase a todos os custos, despesas e encargos envolvidos na produção de tais produtos. Quanto à verificação nos Razões, que não permitiram identificar quais os produtos, insumos, ou fornecedores dos custos apropriados, a empresa alega que adota há trinta anos tal procedimento e nunca foi questionada. Nos termos da lei, toda a escrituração deve ser fundamentada com documentação hábil e idônea e as aquisições de produtos e insumos devem ser comprovadas com a apresentação das notas fiscais correspondentes. Quanto às alegações a respeito da escrituração dos livros auxiliares, que não registraram dados a respeito de produtos, fornecedores e notas fiscais constantes dos Razões, o fato de tais livros não serem obrigatórios e não possuírem regramento específico para o seu preenchimento não muda o fato de que, se são complementares à escrituração e base para apuração de bases de cálculo de créditos das contribuições, obrigatoriamente os seus registros deverão ser baseados em documentação hábil e idônea. A falta de registros os inabilita para o objetivo a que se pretende – a comprovação da correta contabilização dos custos, despesas e encargos para apropriação por sistema integrado com a contabilidade. Correto, portanto, a decisão da DRJ de desqualificação do método de apropriado direta utilizado pelo interessado, pelas irregularidades na escrituração e pela inadequação do sistema adotado à vista do processo fabril da empresa, que tem uma única matéria prima(cana), que passa por procedimentos também únicos, para gerar, ao final, dois produtos tributados por sistemáticas diferentes. Em função da apropriação dos créditos da agroindústria pelo método do rateio proporcional, cujo percentual foi calculado de acordo com as normas legais, correta a glosa dos valores dos créditos referente aos gastos com insumos, energia elétrica, e demais custos comuns considerados na verificação fiscal. Cabe destacar que não foram alterados os valores da linha despesas de contraprestação de arrendamento mercantil Ressaltese que bens de natureza permanente, copa, cozinha e limpeza, gêneros alimentícios, lanches e refeições, uniformes, correios e malotes, comunicações, outros serviços, serviços de manutenção e reparos, não se enquadram no conceito de Fl. 465DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 insumo, portanto, não geram crédito, conforme já tratado neste voto. Do aproveitamento do crédito presumido das atividades industriais. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004, assim dispõe: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ). O crédito presumido aplicase sobre o valor dos bens do inciso II do art. 3º da Lei 10.637 e 10.833, isto é, bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa física. Portanto, não se aplica ao frete adquirido de pessoa física, já que frete não é insumo, e somente é possível apurar crédito em relação ao frete na venda se adquirido de pessoa jurídica, conforme art. 3º,inciso IX e §3º da Lei 10.833/2003 c/c art. 15 da mesma lei. Dos encargos de depreciação do ativo Nesse item, temos duas situações distintas – (i) a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos, e (ii) a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – edificações, veículos, motos , microonibus, caminhões, etc, rádios motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc não deixa duvidas que os mesmos não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por Fl. 466DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000177/200505 Acórdão n.º 3401002.979 S3C4T1 Fl. 132 21 infringência ao dispositivo legal acima transcrito, devem ser glosados. Correta, também, a glosa dos encargos de depreciação dos bens vinculados a receitas sujeitas ao regime cumulativo da contribuição – destilaria, fábrica de álcool, tanque de álcool – uma vez que não podem gerar créditos relativamente à apuração no regime não cumulativo. As disposições legais são expressas quanto aos períodos de aproveitamento dos créditos referentes aos encargos de depreciação, vedando expressamente, a partir de 1º de agosto de 2004, o desconto referente à depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquirido até 30/04/2004 e autorizando o aproveitamento desse tipo de crédito para os bens adquiridos a partir de 01/05/2004 (art. 31 e § 1º, da Lei nº 10.865). O aproveitamento dos créditos mediante a depreciação acelerada, somente é possível para as aquisições efetuadas após 1º de outubro de 2004 (art. 2 º e § 2º, da Lei nº 11,051, de 2004). Por todo exposto, mantenho a decisão da DRJ e nego provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o colegiado, em sua integralidade, o voto acima, negando provimento, por unanimidade, ao recurso do contribuinte. Esse o acórdão que me exigi redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Fl. 467DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000171/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO DIÁRIO E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A autoridade julgadora não conhecerá da matéria que não tenha sido expressamente impugnada pelo sujeito passivo.
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Estando presentes nos autos todos os elementos de prova que embalaram a lavratura do auto de infração, e dispondo o sujeito passivo de todas as informações de que precisa para entender o teor da acusação fiscal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL.
Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei ri' 9.430/1996.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. REPOSICIONAMENTO DE FAIXA COM ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS.
Apurada omissão de receitas, alteram-se, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos no regime do Simples. Correto, portanto, o lançamento das diferenças resultantes das insuficiências de recolhimento.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Correta a aplicação de multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, quando demonstrada a intenção do sujeito passivo de omitir do conhecimento do Fisco a receita de sua atividade, como no caso em que vem a informar, na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica - DSPJ, em todos os meses, valores muito menores do que aqueles apurados na ação fiscal.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastara aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade. Correta, portanto, a aplicação da multa de oficio de 150%, prevista no art. 44, § 1% da Lei n° 9.430/1996, não cabendo ao julgador administrativo conhecer da arguição de confisco.
RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA DOS ADMINISTRADORES DE FATO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Constatada a utilização de "laranjas" no quadro societário da empresa, responderão pela obrigação tributária, em caráter solidário, todos aqueles que houverem sido identificados como administradores de fato, na forma do art. 135, inciso III, do CTN.
Numero da decisão: 1401-001.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso,vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator) que dava parcial provimento ao recurso voluntário, afastando a responsabilidade das pessoas físicas, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator MAURÍCIO PEREIRA FARO não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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(Responsáveis Solidários: PEDRO AFONSO GUARIZA DE REZENDE, MARCO ANTONIO MANGARAVITE, LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA, HEBER LESSA TINOCO e JOÃO JOSÉ NEVE SA SILVA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO DIÁRIO E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A autoridade julgadora não conhecerá da matéria que não tenha sido expressamente impugnada pelo sujeito passivo. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Estando presentes nos autos todos os elementos de prova que embalaram a lavratura do auto de infração, e dispondo o sujeito passivo de todas as informações de que precisa para entender o teor da acusação fiscal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei ri' 9.430/1996. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. REPOSICIONAMENTO DE FAIXA COM ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos no AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 71 /2 01 0- 15 Fl. 5902DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 3 2 regime do Simples. Correto, portanto, o lançamento das diferenças resultantes das insuficiências de recolhimento. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Correta a aplicação de multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, quando demonstrada a intenção do sujeito passivo de omitir do conhecimento do Fisco a receita de sua atividade, como no caso em que vem a informar, na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica DSPJ, em todos os meses, valores muito menores do que aqueles apurados na ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastara aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade. Correta, portanto, a aplicação da multa de oficio de 150%, prevista no art. 44, § 1% da Lei n° 9.430/1996, não cabendo ao julgador administrativo conhecer da arguição de confisco. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA DOS ADMINISTRADORES DE FATO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Constatada a utilização de "laranjas" no quadro societário da empresa, responderão pela obrigação tributária, em caráter solidário, todos aqueles que houverem sido identificados como administradores de fato, na forma do art. 135, inciso III, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso,vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator) que dava parcial provimento ao recurso voluntário, afastando a responsabilidade das pessoas físicas, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator MAURÍCIO PEREIRA FARO não integra o Fl. 5903DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 4 3 quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram do presente julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campos dos Goytacazes RJ (fls. 731/786), em que se exige do interessado acima identificado, inscrito no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, relativamente ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ/SIMPLES, no valor de R$ 47.201,08; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/SIMPLES; no valor de R$ 34.843,45; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL/SIMPLES, no valor de R$ 47.341,16; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS/SIMPLES, no valor de R$ 138.902,55; e Contribuição para a Seguridade Social INSS/SIMPLES, no valor de R$ 402.432,34, todos acrescidos de multa de oficio agravada, no percentual de 150% sobre o principal, e de juros de mora. O enquadramento legal consta do Termo de Verificação Fiscal — TVR de fls. 787/809 e dos Autos de Infração, que assim se transcreve: DO PROCEDIMENTO FISCAL Segundo o Termo de Verificação Fiscal — TVF acima referido, o procedimento fiscal originouse de Demanda Externa Requisitória, em virtude de o interessado ter apresentado movimentação financeira incompatível com a receita declarada ao Fisco no anocalendário de 2007, sendo esta no valor de R$ 600.154,57, e aquela, no montante de R$ 15.228.076,33. O lançamento em análise se refere a procedimento fiscal parcialmente encerrado, relativamente ao período de janeiro a Fl. 5904DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 5 4 julho de 2007, quando o interessado era optante do Simples Federal. A multa de oficio foi agravada para o percentual de 150%, devido à discrepância entre os valores de receitas declarados pelo interessado e aqueles apurados no procedimento de oficio, bem como pela utilização de interpostas pessoas na gerência da sociedade. Por entender que a pessoa jurídica fiscalizada era gerida por pessoas estranhas ao contrato social, a Fiscalização lavrou termos de sujeição passiva solidárias para essas pessoas, identificadas como administradoras de fato da sociedade (fls. 724/729). Segue, abaixo reproduzido, o Termo de Verificação Fiscal — TVF, nas partes essenciais para a compreensão dos fatos: ANÁLISE DA DOCUMENTAÇÃO 1. Introdução Em decorrência de fiscalização na empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA, CNPJ 03.551.292/000149, processo nº 15521.000170/201062, encontramos a empresa ora fiscalizada no mesmo endereço da empresa Abatedouro Itaperunense, no dia 28/05/2008, qual seja, Córrego do Ouro s/n° Aré — 2° Distrito de ltaperuna/RJ. O FRIGORÍFICO VALE DO OURO foi constituído em maio de 2005, sendo que o Con¬trato Social foi registrado na JUCERJA em agosto de 2005. O endereço da empresa era o acima descrito, mesmo endereço da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE na época. Esta última só foi alterar seu endereço em junho de 2007, registrado na Junta em agosto de 2007, mas nunca informou esta alteração à Receita Federal do Brasil. Ou seja, as duas empresas ficaram em funcionamento no mesmo endereço, durante dois anos (agosto de 2005 a agosto de 2007). Nos anos de 2005 e 2006 a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE movimentou elevados recursos em sua conta bancária, já a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO não teve movimento representativo, sua movimentação financeira passou a ser extrema¬mente elevada em comparação com a Receita Declarada, no ano de 2007, quando a ABATEDOURO ITAPERUNENSE foi parando suas atividades. 2. Quadro Societário e Documentos Bancários Os sócios constantes no Contrato Social da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA eram os mesmos sócios da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, sendo eles: a)JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES CPF 002.207.37797 (50% das cotas) Fl. 5905DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 6 5 b)LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU CPF 570.310.02753 (50% das cotas) A gerência da sociedade ficou com o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues. Exatamente na mesma data de 12 de junho de 2007 foi elaborada a 1' Alteração Contra¬tual da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO e a 2a Alteração Contratual da em¬presa ABATEDOURO ITAPERUNENSE. Esta última alterou o endereço da empresa Abatedouro Itaperunense, que já estava há uns dois anos funcionando no mesmo local da empresa Frigorífico Vale do Ouro. Já a 1ª Alteração da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO alterou o quadro societário da empresa. Os sócios que entraram na sociedade foram: •ECIL DUTRA MENDESCPF 012.939.53741 (50% das cotas) •IVAN DOS SANTOSCPF 570.678.21720 (50% das cotas) Com o intuito de comprovar a ligação entre as duas empresas: FRIGORIFICO VALE DO OURO LTDA e ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA, necessário se faz relatar al¬guns fatos constatados no decorrer do trabalho de auditoria feito na empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE. 1º) O fisco constatou que nenhum dos sócios constantes no Contrato Social da mesma movimentava as contas correntes. Esta movimentação era feita por procuração (lavrada em outubro de 2003), cujos outorgados eram as pessoas abaixo descritas. Houve verificação de todas as cópias de cheques enviadas pelo Banco Bradesco. Não havendo assinatura dos sócios de direito em nenhuma delas. Segue abaixo relação dos procuradores da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, responsáveis pela movimentação financeira da mesma. •Marco Antônio MangaraviteCPF 769.784.35791 •Heber Lessa TinocoCPF 680.655.90772 •João José Neves da SilvaCPF 741.041.79787 •Luiz Fernando Cardoso da SilvaCPF 835.164.84772 •José Antônio Figueiredo PoubelCPF 569.660.83704 •Pedro Afonso Guariza de RezendeCPF 616.278.36772 2º) Os poderes concedidos eram "especiais e amplos para representar a firma outorgante junto ao Unibanco S/A União dos Bancos Brasileiros S/A, agência 0296, em Itaperuna RJ, e perante o Banco Bradesco S/A. agencia 9989, em Bom Jesus do ItabapuanaRJ, onde poderá abrir e movimentar contas correntes, efetuar depósitos e saques, emitir e endossar cheques, requisitar extratos de contas e talões de cheques, proceder Fl. 5906DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 7 6 empréstimos, assinando os respectivos contratos de financiamentos; estipulando cláusulas e condições; praticando todos os demais atos que se fizer necessário ao cumprimento do presente mandato, ficando esclarecido que os atos a serem praticados pelos outorgados procuradores, deverão ser assinados com o número mínimo de 03 (três) dos outorgados." 3º) Em 16 de setembro de 2005, logo após a constituição da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, que ocorreu em agosto de 2005, a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, através do seu Representante Legal, Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, lavrou outra procuração nomeando o Sr. ECIL DUTRA MENDES, CPF 012.939.53741, como procurador da empresa perante o Banco Bradesco. Exatamente na mesma data, também foi lavrada procuração pela empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, que através de seu representante, o Sr. JOSE CARLOS COELHO RODRI UES, também nomeou seu bastante procurador o Sr. ECIL DUTRA MENDES. 4º) Também chamounos a atenção o endereço do Sr. ECIL DUTRA MENDES, domiciliado na Fazenda Santa Tereza s/n°, distrito de Santa Maria de Campos. Esta é uma das quatro propriedades rurais pertencentes ao Sr. MARCO ANTÔNIO MANGARAVITE, um dos procuradores da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE. 5º) Além da procuração também foi entregue ao Banco Bradesco uma carta assinada pelo Sr. José Carlos Coelho Rodrigues, onde informam ao gerente do Banco que a partir desta data, 26 de setembro de 2005, somente o Sr. ECIL DUTRA MENDES poderá assinar pelo Frigorífico, com todos os poderes anteriormente outorgados a: JOSE ANTONIO FIGUEIREDO POUBEL; MARCO ANTÔNIO MANGARAVITE; HEBER LESSA TINOCO; PEDRO AFONSO GUARIZA DE REZENDE. Chamounos a atenção o fato de só terem relacionado quatro dos seis procuradores nomeados anteriormente pela empresa, ou seja, não incluíram os nomes do Sr. JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA e do Sr. LUIS FERNANDO CARDOSO DA SILVA. 6º) O Banco Bradesco, em atendimento a RMF n° 124/2008, referente à empresa ABA Ia TEDOURO ITAPERUNENSE, enviou, por engano, a procuração da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, acima mencionada, lavrada também no mês de setembro de 2005, logo após a constituição da empresa e também já nomeando como seu procurador o Sr. ECIL DUTRA MENDES. Fl. 5907DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 8 7 7º) Com já foi dito, a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO só começou a movi¬mentar elevados recursos em 2007, quando a ABATEDOURO ITAPERUNENSE dimi¬nuiu seu movimento. Em 12 de junho de 2007 foi feita a 1' Alteração Contratual da em¬presa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, onde colocaram como sócio da empresa o, até então, procurador da mesma e do ABATEDOURO ITAPERUNENSE, Sr. ECIL DUTRA MENDES, conforme mencionado anteriormente. Voltando à análise da documentação entregue pela empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, verificouse que a sua 2ª Alteração Contratual teve sua cópia autenticada num Cartório da cidade de Bom Jesus do Norte/ES, cidade de domicilio do Sr. JOSÉ ANTÔ¬NIO FIGUEIREDO POUBEL. Inclusive, o nome do Cartório que autenticou a cópia da 2ª Alteração Contratual, bem como reconheceu firma da assinatura do Sr. Ecil Dutra Mendes é CARTÓRIO ROTSCHILD POUBEL. O Sr. ECIL DUTRA MENDES foi questionado se já havia ido à cidade de Bom Jesus dia Norte no Espírito Santo e respondeu que de vez em quando passa por lá, mas que não tem conhecimento de ninguém da cidade. Perguntado, respondeu que tem firma reconhecida em Cartório nessa cidade. Mais adiante vamos relatar todos os depoimentos prestados pelos envolvidos. Analisando a documentação bancária enviada pelo Banco Bradesco em atendimento à RMF n° 001/2010. Referente à empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, verificamos que na Ficha Cadastral constam os seguintes nomes: •JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES (Acionista) •ECIL DUTRA MENDES (Diretor e Sócio) •IVAN DOS SANTOS (Sócio) Foram enviadas três Fichas de Cadastro contendo dados dos representantes, sendo eles: •JOSE CARLOS COELHO RODRIGUES: Forma de assinatura = Isoladamente Contrato Social •LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU: Forma de assinatura = Isoladamente Contrato Social •ECIL DUTRA MENDES: Forma de assinatura = Isoladamente / Procuração O único cartão de assinatura enviado foi de ECIL DUTRA MENDES, juntamente com a procuração (aquela que o Banco Bradesco acabou enviando, por engano, juntamente com os documentos do ABATEDOURO ITAPERUNENSE). Nas cópias dos cheques enviadas pelo Banco Bradesco só constam assinaturas do, até então procurador da empresa, ECIL DUTRA MENDES. Fl. 5908DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 9 8 3. Ligação entre as empresas FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA e ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA Quando da ciência do Termo de Inicio da Fiscalização na empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA, fomos ao endereço constante do cadastro CNPJ, para verificar se a empresa não estava mais funcionando no local, como havia nos informado o contador da empresa, Sr. Afonso. Chegando lá verificamos que havia um abatedouro em plena atividade no local, conforme fotos e Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 235/2008 em nome da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA, cujas cópias foram anexadas ao presente processo (vide Sumário do Processo). Quando perguntamos se ali era o Abatedouro ltaperunense nos informaram que sim, pedi para falar com o responsável e veio o Sr. PEDRO JOSÉ DE ALMEIDA TEIXEIRA, CPF 764.215.207 82. Identifiqueime como Auditor Fiscal da Receita Federal informou sobre o início do procedimento de fiscalização na empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, informei também que havia falado com o contador da empresa, Sr. Affonso, e ele havia informado que a mesma não estava mais em funcionamento, mas que eu estava constatando que a empresa, na verdade, estava em funcionamento sim. Então o Sr. Pedro José pediu para que o auditor esperasse, pois esse assunto não era com ele e me levou a uma sala para falar com os responsáveis. Nesta sala havia duas pessoas, que apenas se identificaram como marchantes [MARCHANTE: aquele que compra gado para vendêlo abatido aos açougues (Fonte: Dicionário Aurélio) — Nota do Autuante] da empresa, que compravam e vendiam bois, se apre¬sentaram como Pedro Afonso e outro como Pedro, informaram que na verdade a empresa Abatedouro ltaperunense não funcionava mais ali e que agora estaria funcionando a em¬presa FRIGORIFICO VALE DO OURO LTDA, CNPJ 07.565.048/000196. Um deles comentou que o Abatedouro ltaperunense estaria até devendo dinheiro para ele. Solicitei seus documentos de identidade e os mesmos não quiseram apresentar, dizendo que não tinham nada com a empresa, que apenas usavam aquela "salinha" para negociar os bois, tanto na época do ABATEDOURO ITAPERUNENSE, como agora com o FRIGORÍFICO VALE DO OURO. Por fim, chamaram o Sr. Pedro José de Almeida Teixeira, que apresentou todos os seus documentos, conforme acima descrito e confirmou que a empre¬sa Abatedouro ltaperunense realmente não funcionava mais no local, dizendo "parece que ela (empresa) foi pra Macaé", sem ter muita certeza. Diante do cenário, foi aberta a presente fiscalização em nome da empresa FRIGORIFICO VALE DO OURO LTDA. Destacando se que os indícios de irregularidade tributária eram os mesmos, ou seja, Movimentação Financeira Incompatível com a Receita Declarada. Enquanto a empresa Abatedouro Itaperunense movimentou recursos muito superiores à Receita Bruta Fl. 5909DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 10 9 declarada nos anos de 2004, 2005 e 2006, a empresa Frigorífico Vale do Ouro o fez em 2007. Destacamos que, posteriormente, verificamos que o Sr. Pedro José de Almeida Teixeira, funcionário encontrado no endereço das empresas Abatedouro Itaperunense e Frigorífico Vale do Ouro, foi empregado do ABATEDOURO ITAPERUNENSE de 01/07/2004 até 30/11/2005 e atualmente, é registrado no FRIGORIFICO VALE DO OURO, tendo sido admitido em 01/06/2006, como Balanceiro. O Sr. Pedro José, mero funcionário da empresa, quando ficou a par de que se tratava de uma fiscalização federal, logo informou que esse assunto não era com ele, encaminhando, o fiscal, para falar com dois homens, que não quiseram se identificar. Posteriormente, constatouse que um desses homens era o Sr. PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE, um dos procuradores da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE. A empresa FRIGORIFICO VALE DO OURO foi constituída com o mesmo quadro societário da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, ou seja. pelos Srs. JOSÉ CAR LOS COELHO RODRIGUES e pela Sra. LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU, os quais não possuem capacidade econômica para figurarem como sócios de ambas as empresas, que juntas movimentaram mais de R$ 63 milhões em 4 (quatro) anos de funcionamento (anos de 2004 a 2007), sem que os mesmos fizessem a menor ideia disso. Além das duas empresas possuírem o mesmo quadro societário, formado por interpostas pessoas, durante 2 (dois) anos (junho de 2005 a junho de 2007), período de transição da movimentação de uma empresa para outra, haja vista, como já foi comentado, que a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE parou de movimentar recursos exorbitantes comparados à Receita Declarada a partir de janeiro de 2007, quando a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO iniciou sua elevada movimentação financeira comparada à Receita Declarada, constatamos que também neste mesmo período de junho de 2005 (data da constituição do FRIGORÍFICO VALE DO OURO) a junho de 2007, as duas empresas coexistiram no mesmo endereço. Outra ligação entre as duas empresas está no fato de que no dia 16/09/2005 foram lavradas duas procurações em cartório, uma pela ABATEDOURO ITAPERUNENSE e outra pela FRIGORÍFICO VALE DO OURO, ambas nomeando como seu bastante procurador o Sr. ECIL DUTRA MENDES, CPF 012.939.53741, com poderes especiais para representar as firmas outorgantes junto ao BANCO BRADESCO S/A, cujos poderes já foram descritos anteriormente. A pessoa designada nas procurações das duas empresas, Sr. ECIL DUTRA MENDES, passou a assinar os cheques da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE no lugar dos procuradores mencionados anteriormente, os quais foram Fl. 5910DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 11 10 considerados como sócios de fato da mesma, até o final do ano de 2006, quando esta empresa deixou de movimentar re¬cursos, passando a movimentação para a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO. Como o Sr. ECIL DUTRA MENDES já possuía procuração desde setembro de 2005 para movimentar a conta corrente bancária do FRIGORÍFICO VALE DO OURO assim o fez durante o ano de 2007, mas em 12/06/2007, foi elaborada e assinada a 1ª Alteração Contratual da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, onde os sócios, JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES e LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU, saíram da sociedade, vendendo suas cotas ao Sr. ECIL DUTRA MENDES e IVAN DOS SANTOS pelo valor de R$ 20.000.00 (RS 10.000,00 cada sócio). Destacamos que a empresa, naquele ano e até a data de 12/06/2007 já havia movimentado aproximadamente R$ 4 milhões, e foi vendida pelo valor de R$ 20.000.00 a duas pessoas que, da mesma forma que os anteriores, não possuíam capacidade econômica para serem sócios da empresa. Sendo assim, diante de todos os fatos, até o momento, relatados, e outros que serão descritos mais adiante, concluiuse que, na verdade, a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO foi constituída com o intuito de dar continuidade às atividades da empresa Abatedouro ltaperunense e os sócios de fato das duas empresas são os mesmos, conforme ficará comprovado mais adiante. DILIGÊNCIAS VINCULADAS À FISCALIZAÇÃO Foram abertos MPFDiligência em nome das pessoas a seguir relacionadas, em virtude de seus envolvimentos com a empresa fiscalizada. Todas as pessoas foram intimadas a pres¬tar depoimento na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campos dos Goytacazes. 1) JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES — CPF 002.207.377 97 Foi intimado a comparecer na DRF de Campos dos Goytacazes no dia 30/08/2010, às 16 hs, para prestar esclarecimentos e o intimamos também a levar consigo um documento de identidade com foto, CPF e Carteira de Trabalho Profissional. Sendo assim, declarou em resposta às perguntas formuladas: Perguntado sobre qual é a sua ocupação, respondeu que é operador de máquinas e que trabalhou em outros frigoríficos em Itaperuna, não se recordando no momento dos nomes. Perguntado se foi o próprio quem assinou o Contrato Social e as alterações posteriores das empresas Abatedouro ltaperunense e Frigorifico Vale do Ouro, respondeu que sim. Fl. 5911DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 12 11 Perguntado se assinou a procuração outorgando poderes aos senhores: Marco Antônio Mangaravite, Heber Lessa Tinoco, João Jose Neves da Silva, Luiz Ferrando Cardoso da Silva, Jose Antônio Figueiredo Poubel e Pedro Afonso Guarita de Re¬zende, respondeu que sim. Perguntado se conhecia as pessoas acima, respondeu que sim e perguntado se já trabalhou para alguns deles, respondeu que os mesmos são criadores de bois e que forneciam os animais para abate. Perguntado sobre como surgiu essa sociedade que constituiu a empresa Abatedouro ltaperunense, respondeu que a senhora Lisandra Cabral Maia era dona do imóvel e ele possuía o conhecimento sobre abate de bois e que posteriormente a senhora Lisandra se retirou da sociedade, entrando em seu lugar, a Sra. Luzia Amélia de Moraes Abreu. Perguntado sobre a procuração outorgando poderes a ECIL DUTRA LEMOS (sic) e se conhecia o mesmo, respondeu que o Sr. Ecil também fornecia bois ao Abatedouro Itaperunense e ao Frigorífico Vale do Ouro e que ficou devendo dinheiro ao mesmo e como forma de pagar esta dívida, o Sr. Ecil acabou entrando na sociedade. Perguntado sobre o cheque n° 2768, no valor de RS 16.000,00, datado 05/11/2007, nominal ao Sr. Jose Carlos Coelho Rodrigues, respondeu que recebeu este valor pela venda da sua parte na empresa Frigorífico Vale do Ouro. Perguntado se confirmava ser o verdadeiro dono das empresas Abatedouro Itaperunense e Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que sim. Perguntado se tinha noção do quanto em milhões de reais as empresas Abatedouro Itaperunense e Frigorífico Vale do Ouro movimentavam, respondeu que não tinha noção, pois havia passado procuração. Perguntado, novamente, se mesmo assim ainda continuava afirmando ser a pessoa quem gerenciava as empresas, enquanto constava no Contrato Social, respondeu que sim. Na Carteira de Trabalho do Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES só consta um Contrato de Trabalho como operador de máquinas, no período de 01/04/1999 a 01/12/1999, com remuneração de R$ 130,00 mensais. Destacamos que a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA foi constituída no inicio do mês de dezembro de 1999 e consta no Contrato Social que o Sr. José Carlos integralizou Capital Social no valor de R$ 15.000,00 em dinheiro. O Sr. JOSÉ CARLOS não apresentava Declarações de Imposto de Renda, apresentou DIRPF 2000, referente ao ano base 1999, informando Rendimentos Recebidos no valor de R$ 12.120,00, com o desconto simplificado seu rendimento disponível ficou em RS 9.696,00. Fl. 5912DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 13 12 Nos sistemas da RFB não consta nenhum bem móvel ou imóvel em nome do mesmo. Na Declaração de Bens e Direitos do contribuinte, constam apenas as cotas de Capital das duas empresas. Quanto a sua movimentação financeira, verificamos que não há informações sobre este contribuinte, ou seja, parece que o mesmo nem possui conta corrente bancária (o período pesquisado foi de 2004 a 2007). Diante do acima exposto, foi possível constatar que mesmo durante todo o período em que o Sr. JOSE CARLOS permaneceu como sócio da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE e FRIGORÍFICO VALE DO OURO, inclusive nos anos de 2004 a 2007, em que as empresas movimentaram mais de R$ 63 milhões (e ele afirmou não fazer idéia do quanto foi movimentado, pois passou procuração a outras pessoas), o Sr. JOSE CARLOS não apresentou nenhum acréscimo patrimonial, ,ou qualquer indício de que seja realmente dono, administrador das empresas ABATEDOURO ITAPERUNENSE e FRIGORIFICO VALE DO OURO. Não possui capacidade econômica e/ou contributiva para ser sócio de nenhuma das duas empresas. Logo a seguir, vamos relatar que o Sr. José Carlos era muito amigo do pai do contador da empresa, Sr. AFFONSO CELSO DE MORAIS ABREU, que vem a ser filho da Sra. LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU, outra sócia de direito, mas não de fato, da empresa fiscalizada. Destacamos que a Sra. LISANDRA CABRAL MAIA GOMES foi intimada pela fiscalização na empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, mas não foi localizada. Segundo informações do Sr. JOSE CARLOS COELHO RODRIGUES, a Sra. LISANDRA era proprietária do imóvel onde funcionava a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE e funciona até hoje a empresa FRIGORIFCO VALE DO OURO e a mesma o chamou para ser sócio da empresa, pois ele tinha o conhecimento sobre abate de bovinos. Destacamos que não há registros previdenciários, nem em sua Carteira de Trabalho Profissional de que o mesmo já tenha trabalhado em outros frigoríficos, como ele alegou. Constatamos, através do Sistema DOI (Declaração de Operações Imobiliárias), que o imóvel onde funcionou o ABATEDOURO ITAPERUNENSE e aonde funciona o FRIGORÍFICO VALE DO OURO, foi vendido em 08/01/1998 pelo Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, CPF 302.197.957 20, que vem a ser pai de LISANDRA CABRAL MAIA GOMES, aos Srs. JOSÉ NEVES MARTINS e CARLOS PEREIRA DUARTE. Em 11/12/1998 os atuais proprietários venderam o imóvel ao Sr. EDSON RODRIGUES VARGAS. Este último vendeu a propriedade a Sra. LISANDRA CABRAL MAIA GOMES, juntamente com sua irmã e respectivos maridos, através de um Contrato de Promessa de Compra e Venda, em 09/07/2001. No dia 11/05/2006 foi feita a escritura definitiva de compra e venda do imóvel. No dia 08/07/2009, a propriedade foi vendida ao FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA, conforme Fl. 5913DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 14 13 cópia da escritura entregue por esta empresa em resposta ao Termo de Intimação d 144/2010. Segundo as Declarações de ITR apresentadas, só constam como donos da respectiva propriedade o Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, até o ano de 2001 e a Sra. LISANDRA CABRAL MAIA GOMES a partir do ano de 2002 até 2009. 2) LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU — CPF 570.310.027 53 para prestar esclarecimentos e a intimamos também a levar consigo um documento de identidade com foto, CPF e Carteira de Trabalho Profissional. A mesma acabou comparecendo no dia 30/08/2010, juntamente com o Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, pois foram juntos de ltaperuna até Campos dos Goytacazes, da mesma forma o contador da empresa e filho da Sra. LUZIA AMÉLIA, Sr. AFFONSO CELSO DE MO¬RAIS ABREU, também foi à Delegacia de Campos, no mesmo dia 30/08/2010. Primeiramente pegamos o depoimento do Sr. José Carlos, sozinho. Depois o mesmo se retirou e entrou a Sra. LUZIA AMÉLIA, juntamente com seu filho e contador das empresas ABATEDOURO ITAPERUNENSE e FRIGORÍFICO VALE DO OURO, na época da ocorrência dos fatos. A Sra. LUZIA AMÉLIA não trouxe Carteira de Trabalho e declarou em resposta às perguntas formuladas: 1) Perguntada se confirmava sua assinatura na 1ª e 2ª Alterações Contratuais da empresa Abatedouro ltaperunense, respondeu que sim. Sobre constar como administradora da empresa, conforme 2ª Alteração Contratual, respondeu que nunca administrou a empresa Abatedouro ltaperunense, nem nunca esteve na empresa. 2) Perguntada sobre como havia entrado na sociedade, respondeu que o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues era muito amigo de seu falecido marido, Sr. Bernardo Cardoso Abreu, e que o Sr. José Carlos havia pedido sua assinatura na alteração contratual e o seu marido pediu que a mesma assinasse. 3) Perguntada sobre a constituição da empresa Frigorifico Vale do Ouro, respondeu que aconteceu o mesmo que ocorreu com a empresa Abatedouro ltaperunense, ou seja, o Sr. José Carlos também pediu sua assinatura. 4) Perguntada se havia assinado a procuração outorgando poderes aos Srs. Marco Antônio Mangaravite, Heber Lessa Tinoco, João José Neves da Silva, Luiz Fernando Cardoso da Silva. José Antonio Figueiredo Poubel e Pedro Afonso Guariza de Rezende, respondeu que assinou uma procuração, mas não sabia sobre o que se tratava. Fl. 5914DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 15 14 5) Perguntada se conhecia as pessoas acima, respondeu que a única pessoa que conhecia era o Sr. José Carlos. 6) Perguntada se havia assinado algum cheque das empresas Abatedouro Itaperunense e Frigorifico Vale do Ouro, respondeu que não, que as únicas assinaturas foram nos Contratos Sociais e procuração. 7) Perguntada se conhecia o Sr. Ecil Dutra Lemos (sic), respondeu que não. 8) Acrescentou que quando tinha alguma coisa para assinar o seu filho, contador da empresa, Sr. Alfonso Celso de Morais Abreu, levava em casa para ela assinar, e que a única vez que saiu foi quando foi ao Cartório assinar a procuração. Pelo depoimento da contribuinte a mesma confessou ser interposta pessoa nas duas sociedades, que assinou os documentos a pedido do Sr. José Carlos e de seu falecido marido. Destacamos nesse depoimento a ligação do Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES com a família do contador das empresas fraudadoras (ABATEDOURO ITAPERUNEN¬SE e FRIGORIFICO VALE DO OURO). 3) AFFONSO CELSO DE MORAIS ABREU– CPF 655.825.007 15 No dia 30/08/2010 intimamos o contribuinte acima, contador das duas empresas (ABATEDOURO ITAPERUNENSE E FRIGORIFICO VALE DO OURO) a prestar depoimento. Nesse momento a Sra. LUZIA AMÉLIA se retirou da sala e ficamos a sós com o Sr. AFFONSO CELSO que declarou o seguinte em resposta às perguntas formuladas: 1) Perguntado se era o contador da empresa Abatedouro Itaperunense, respondeu que sim e quanto à empresa Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que legalizou a mesma e foi contador até a data de início do procedimento de fiscalização em nome da Abatedouro Itaperunense, ocasião em que passaram a contabilidade da empresa Frigorifico Vale do Ouro para o Sr. Adilson, de Bom Jesus do Itabapuana (Escritório Bom Jesus). 2) Perguntado se conhecia os Srs. Marco Antonio Mangaravite, Heber Lessa Tinoco, João José Neves da Silva, Luiz Fernando Cardoso da Silva, José Antonio Figueiredo Poubel e Pedro Afonso Guariza de Rezende, respondeu que conhecia de vista, que quando ia ao Abatedouro levar os impostos encontrava com os mesmos no local. 3) Perguntado se eles trabalhavam no Abatedouro, informou que os mesmos ficavam no local acompanhando as carretas de boi e conferindo peso dos animais. 4) Perguntado sobre os dois marchantes encontrados na empresa no dia da ciência do Termo de Inicio do Procedimento Fl. 5915DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 16 15 Fiscal, os quais não quiseram se identificar, dizendo apenas seus primeiros nomes, Pedro e Pedro Afonso, perguntado se não eram os procuradores da empresa, respondeu apenas que sabe que os procuradores da empresa são compradores e vendedores de gado, alguns tem fazenda, sendo criadores de gado. 5) Perguntado se tinha conhecimento da procuração que outorgou poderes às pessoas identificadas no item 2 acima, informou que o Sr. José Carlos (Abatedouro) estava devendo a essas pessoas, que vendiam bois ao Abatedouro para abate, e que os mesmos então disseram que só iriam continuar abatendo bois se passassem a controlar a conta bancária da empresa, acrescentou que a conta bancária foi aberta com esse intuito. 6) Perguntado, informou que os procuradores negociavam o valor dos bois e recebiam a parte deles e um pouco a mais de forma a ir quitando a dívida que o Abatedouro tinha com eles e o restante do dinheiro deixava na conta do abatedouro para pagamento das despesas da empresa. 7) Perguntado sobre a constituição da empresa Frigorífico Vale do Ouro, que seria uma continuação da empresa Abatedouro Itaperunense, pois foi constituída no mesmo local, com os mesmos sócios, respondeu que o Abatedouro Itaperunense estava sem crédito e que um marchante, Sr. ECIL DUTRA MENDES, estava disposto a assumir a empresa, mas não o Abatedouro Itaperunense, então criaram o Frigorífico Vale do Ouro que levou um tempo para conseguir autorização do Ministério da Agricultura para funcionamento, por isso as duas empresas ficaram funcionando no mesmo local por um tempo. 8) Perguntado se confirmava se os procuradores da empresa são os verdadeiros donos da empresa Abatedouro Itaperunense e da empresa Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que não confirma. 9) Acrescentou que reconhece como donos da empresa o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues e sua mãe, Sra. Luzia Amélia de Moraes Abreu, dizendo que o Sr. José CarIos acabou perdendo o controle da administração da empresa. Constatamos que o contador da empresa é conivente com os atos fraudulentos executados pelas duas empresas, haja vista que os dois sócios "laranjas" são pessoas ligadas diretamente a ele, pessoas de sua confiança, sendo uma delas a sua própria mãe (LUZIA AMÉLIA) e o outro um grande amigo de seu pai (JOSÉ CARLOS). O Sr. AFFONSO CELSO também informou ao fisco que após o início da fiscalização na empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, quando a Auditora Fiscal foi ao endereço da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, que esta mudou de contador, passando a contratar um tal de ADILTON, de Bom Jesus do Itabapoana (Escritório Bom Jesus). 4) IVAN DOS SANTOS – CPF 570.678.21720 Fl. 5916DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 17 16 Foi intimado a comparecer na DRF de Campos dos Goytacazes no dia 31/08/2010, às 14 hs, para prestar esclarecimentos e o intimamos também a levar consigo um documento de identidade com foto, CPF e Carteira de Trabalho Profissional. A correspondência foi devolvida pelo motivo "Desconhecido". Após pesquisas nos sistemas da RFB e internet a fim de tentar descobrir o endereço correto do contribuinte, não conseguimos Iocalizálo. 5)ECIL DUTRA LEMOS (sic) CPF 012.939.53741 Foi intimado a comparecer na DRF de Campos dos Goytacazes no dia 31/08/2010, às 16 hrs, para prestar esclarecimentos e o intimamos também a levar consigo um documento de identidade com foto, CPF e Carteira de Trabalho Profissional. Na data e hora marcadas o Sr. ECIL compareceu acompanhado de seu advogado, Z1RALDO TATAGIBA RODRIGUES, OAB/RJ 78664. Verificamos sua Carteira de Trabalho e constatamos que os cargos ocupados pelo mesmo eram de Caseiro, Porteiro Diurno e Auxiliar de Serviços Gerais. Em seu último emprego, cuja data de saída foi em agosto de 2003, o mesmo informou que trabalhava como carregador de caminhão. O Sr. Ecil declarou em resposta às perguntas formuladas: 1)Perguntado se reconhecia as procurações lavradas pelas empresas Abatedouro Itaperunense Ltda e Frigorífico Vale do Ouro Ltda no mês de setembro de 2005 outorgando amplos poderes ao mesmo para movimentar as contas bancárias das duas empresas, respondeu que sim. 2) Perguntado se foi ele mesmo quem assinou os cartões de assinatura do Banco Bradesco das empresas Abatedouro Itaperunense e Frigorifico Vale do Ouro, respondeu que sim. 3) Perguntado se era ele mesmo quem assinava todos os cheques emitidos pelas empresas Abatedouro Itaperunense e Frigorífico Vale do Ouro, após a lavratura das procurações lhe concedendo poderes para movimentar as contas bancárias, respondeu que sim. 4) Perguntado sobre como se deu o seu envolvimento com as empresas Abatedouro Itaperunense e Frigorifico Vale do Ouro, como e quem o chamou para passar a assinar por essas empresas, respondeu que o Sr. Ivan dos Santos o chamou para assinar pelo Abatedouro e, posteriormente, entrar de sócio na empresa Frigorífico Vale do Ouro. 5) Perguntado se conhecia o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues, respondeu que sim, inclusive pegou o Frigorífico Vale do Ouro dele. 6) Perguntado sobre qual era sua ocupação ou profissão anteriormente a essa função dentro das empresas em questão, respondeu que foi caseiro, porteiro e por último trabalhou numa Fl. 5917DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 18 17 empresa em Macaé como carregador de caminhão. Acrescentou que após o ano 2003, quando saiu dessa empresa ficou trabalhando com compra e venda de gado, com prazo para poder pagar, e tais gados eram abatidos no Abatedouro Itaperunense. 7) Perguntado sobre seu domicílio (endereço) constante na procuração em nome da empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, qual seja, Fazenda Santa Tereza, Distrito de Santa Maria de Campos, que inclusive é o endereço constante de sua DIRPF do ano base 2006, respondeu que conhecia muito o dono dessa fazenda, Sr. MARCO ANTONIO MANGARAVITE, que quando tinha uma quantidade maior de bois para comprar passava para este, que, inclusive, é seu compadre. 8) Perguntado se foi ele mesmo quem assinou a 1ª e 2ª alterações contratuais da empresa Frigorifico Vale do Ouro, respondeu que sim. 9) Perguntado sobre como se deu a sua entrada como sócio da empresa Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que foi o Sr. Ivan dos Santos quem o chamou para ser sócio desta empresa. 10) Perguntado se conhece o Sr. Ivan dos Santos, respondeu que conheceu ele numa Fazenda em Itapertina, que ele exercia a mesma função de marchante, comprava boi para abate, fazendo a intermediação. Perguntado onde o mesmo mora, respondeu que não sabe, sabe que é em ltaperuna, mas que vai pouco para lá. 11) Perguntado se trabalhava dentro do Frigorífico, respondeu que sim, que não ia muito ao centro da cidade de Itaperima, que ia mais aos municípios de Bom Jesus do Itabapoana e em Santa Maria de Campos, Distrito de Campos dos Goytacazes. 12) Perguntado se já foi à cidade de Bom Jesus do Norte, no Espírito Santo, respondeu que de vez em quando passa por lá, mas não tem conhecimento de ninguém da cidade. Reconheceu ter firma em um Cartório de Bom Jesus do Norte/ES. Perguntado, respondeu achar ter firma em cartório de Santa Maria e ltaperuna. 13) Perguntado se conhecia o Sr. José Antônio Figueiredo Poubel, respondeu que conhece pelo nome, pessoalmente não. Perguntado se o Sr. José Antônio Figueiredo Poubel negociava bastante com a empresa, respondeu que sim. 14) Perguntado se conhecia o Sr. João José Neves da Silva, Luiz Fernando Cardoso da Silva, Heber Lessa Tinoco e Pedro Afonso Guariza de Rezende, respondeu que sim, que são marchantes, acrescentou que o Pedro Afonso é o mais "forte" que tem lá. 15) Perguntado se quando da ida da Auditora à empresa, na data do Termo de Início do Procedimento Fiscal em nome da empresa Abatedouro Itaperunense, quando foi encontrado no local uma pessoa identificada como Pedro Afonso, respondeu Fl. 5918DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 19 18 que era o Sr. Pedro Afonso Guariza de Rezende, que o mesmo ficava na empresa quando tinha uma carga de bois para abate e vendia os bois por lá mesmo. 16) Perguntado sobre o cheque ri? 6945, no valor de RS 120.000,00, datado de 13/10/2006, para qual finalidade o mesmo foi emitido, respondeu que foi para pagamento de boi. 17) Perguntado se conhecia o Sr. JOSÉ GOMES CALIL, respondeu que conhece, mas tem tempo que não negocia e confirmou que o cheque acima descrito foi emitido para pagamento de boi ao Sr. José Gomes Calil. 18) Perguntado sobre o cheque n° 1175, no valor de R$ 60.000,00, datado de 11/07/2007 (nominal ao Condomínio Edificio Residencial. Atenas), respondeu que não se lembra, perguntado se conhecia o condomínio ou alguém que morasse lá respondeu que não se recorda. 19) Perguntado sobre quantos funcionários havia na empresa Frigorífico Vale do Ouro respondeu que não se lembra na época, que atualmente tinha uns 38 funcionários. 20) Perguntado se recebia alguma quantia por assinar os cheques das empresas Abatedouro Itaperunense, respondeu que não, que o Sr. Jose Carlos Coelho Rodrigues pediu para o declarante assinar os cheques da empresa. 21) Perguntado sobre quem havia pedido para que ele assinasse pelo Frigorifico Vale do Ouro respondeu que já entrou como sócio, questionado, pois só havia entrado como sócio no Contrato Social quase dois anos depois da constituição da empresa, respondeu que o Sr. Jose Carlos Coelho Rodrigues ia fechar a empresa e ele juntamente com o Sr. Ivan dos Santos resolveram comprara empresa. 22) Perguntado se havia algum advogado que fazia os contratos da empresa, respondeu• que não, só o contador. 23) Perguntado se o Sr. Ivan dos Santos trabalhava lá, respondeu que o mesmo virou alcoólatra e não o deixa mais trabalhar lá. Através do depoimento prestado, constatamos que a pessoa que ligou o Sr. ECIL DUTRA MENDES às empresas fiscalizadas foi o Sr. MARCO ANTÔNIO MANGARAVITE, que os mesmos são compadres, que o endereço cadastral do Sr. ECIL era uma das fazendas do Sr. MARCO ANTONIO MANGARAVITE. O Sr. ECIL também declarou que era marchante e que o Sr. IVAN DOS SANTOS também era, disse que ambos negociavam bois com as empresas fiscalizadas. Disse que foi o Sr. IVAN quem o chamou para ser sócio da empresa, mas pelo depoimento do Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, ele diz que o Sr. ECIL tinha crédito na empresa e que, por isso, o Sr. JOSÉ CARLOS o chamou para entrar na sociedade. Fl. 5919DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 20 19 Dessa forma verificamos divergências nas informações prestadas demonstrando as inverdades relatadas. Segundo pesquisas nos sistemas da RFB e nos cheques emitidos pelas empresas fiscalizadas, não há indícios de que o Sr. ECIL DUTRA MENDES e o Sr. IVAN DOS SANTOS tivessem negociado bois com essas empresas, bem como que os mesmos possuíssem capacidade econômica e/ou contributiva para adquirira empresa FRIGORIFICO VALE DO OURO LTDA. 6) LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA — CPF 835.164.84772 Foi intimado a comparecer na DRF de Campos dos Goytacazes no dia 01/09/2010, às 09 hs, para prestar esclarecimentos. Tendo em vista os fortes indícios de que este contribuinte é sócio de fato da empresa fiscalizada, intimamos o mesmo a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados na contacorrente e de investimento da empresa ora fiscalizada. Na data e hora marcadas o contribuinte compareceu à DRF de Campos dos Goytacazes e declarou cm resposta às perguntas formuladas: 1) Perguntado se reconhecia a procuração em que a empresa Abatedouro Itaperunense Ltda lhe concedia amplos poderes para movimentar suas contas bancárias, juntamente com outros procuradores, respondeu que a procuração nunca passou por sua mão, disse que assinou alguns cheques da empresa, que ficou na empresa durante uns 20 ou 30 dias, no mês de outubro de 2003, que foi quando entrou na empresa, juntamente com outros credores. Acrescentou que logo saiu, porque não viu resultado no objetivo de recuperar seu dinheiro de volta. Disse que assinou no Banco Bradesco algum papel dizendo que não era mais participante da conta, que não assi¬naria mais pela empresa. Informou que o declarante, juntamente com outros cre dores, apresentando uma relação dos mesmos, tinham comprado bois e vendido no Abatedouro, que uns dias antes do mês de outubro de 2003 tiveram conhecimento que o Abatedouro estava quebrado, então se reuniram para tentar recuperar parte do dinheiro ou a totalidade do mesmo. 2) Perguntado quem era o dono do Abatedouro, respondeu que ouviu falar que era um tal de Zé Carlos e o gerente era Garfinhos Cabral, que negociava o boi com esse Carlinhos Cabral, e que a empresa, sob essa gerência, teria ficado devendo ao declarante e aos demais credores relacionados na lista. Acrescentou que conhecia um chefe do escritório chamado Júnior. 3) Informou que acha que foi um dos primeiros a saber sobre a inadimplência da empresa Abatedouro Itaperunense, pois foi à sede da mesma com uma promissória para receber seu dinheiro e não encontrou o Sr. José Carlos, nem o gerente, Sr. Carlinhos Cabral, no local, depois ficou sabendo que a empresa não teria condições de lhe pagar. A notícia se espalhou entre os credores, Fl. 5920DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 21 20 que se reuniram e resolveram que os maiores credores tentariam recuperar o seu dinheiro. 4) Informou que os seis primeiros da lista, sendo eles: João José Neves da Silva, Luiz Fernando (declarante), José António Figueiredo Poubel, Marcos Antônio Mangaravite, Pedro Afonso Guariza de Rezende e Heber Lessa Tinoco, resolveram tentar re¬cuperar o dinheiro, mas que o declarante ficou receoso, pois havia muita gente envolvida e sem conhecer bem todos eles e sem saber direito quem mandava, e também por falta de tempo de ficar na empresa controlando a atividade, o que entra e o que sai, disse que resolveu sair da empresa, pois nesta época o declarante tinha que pagar outras pessoas, então ficou correndo atrás de vender bens seus para tentar pagar seus credores, pois a empresa Abatedouro não tinha o dinheiro para lhe pagar o que devia. 5) Acrescentou que algumas pessoas da lista (os credores que tinham menos valores a receber), não concordaram dizendo que iriam pegar o dinheiro à força, algo do tipo. 6) Perguntado se foi ele mesmo quem assinou o cartão de assinatura do Banco Bradesco, respondeu que sim. 6) Perguntado se assinou cheques da empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, tendo sido mostrado ao mesmo algumas cópias de cheques com a sua assinatura, respondeu que assinou os cheques, que havia saído da empresa, mas continuou no ramo de comprar e vender bois, então que às vezes estava na empresa e um dos outros cinco procuradores pediam para ele assinar, pois precisava da assinatura de no mínimo três pessoas, que o Sr. José António Figueiredo Poubel era o que mais ficava lá, mas todos os outros também ficavam. 8) Perguntado se conhecia os outros procuradores da empresa: Srs. Marco Antônio Mangaravite, Heber Lessa Tinoco, João José Neves da Silva, José Antônio Figueiredo Poubel, Pedro Afonso Guariza de Rezende, respondeu que sim, que conhece todos eles. 9) Perguntado se conhecia o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues, respondeu que sim, mas sem intimidade. 10) Perguntado se conhecia a Sra. Lisandra Cabral Maia, respondeu que não e Luzia Amélia de Moraes Abreu, respondeu que não. 11) Perguntado se conhecia o Sr. Ecil Dutra Mendes, respondeu que não conhece, que na época não tinha ninguém com esse nome lá e posteriormente, o pouco que ainda negociava com a empresa era feito com as mesmas pessoas, com os procuradores que estavam tentando recuperar o dinheiro, acrescentou que nas últimas vezes, negociou diretamente, com o Pedro Afonso Guariza de Rezende, pois tinha o celular dele e acabava ligando direto para o mesmo. Fl. 5921DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 22 21 12) Perguntado sobre a abertura da conta, que ocorreu no dia 27/10/2003 e a procuração foi lavrada no dia 24/10/2003, três dias antes, demonstrando que desde a abertura da conta corrente bancária os procuradores é que movimentavam a mesma, respondeu que o declarante só assinava cheques, que queria ter o poder de saber o que estava acontecendo na empresa, por ser o 2° maior credor, mais não tinha, informou que quem estava mais lá era o José António Figueiredo Poubel, que ficava mais por dentro da parte de compra e venda. 13) Perguntado sobre porque eram emitidos tantos cheques no valor de R$ 4.990,00, cheques com numeração sequencial, mesma data de emissão e às vezes o beneficiário dos pagamentos era a mesma pessoa, respondeu que não tem muito conhecimento sobre pagamento de impostos, mas que às vezes as pessoas pediam para dividir pois tinham que efetuar pagamentos diversos. 14) Perguntado porque pararam de assinar os cheques da empresa Abatedouro Itaperunense, respondeu que como se afastou da empresa e dos outros procuradores não sabe o porquê. 15) Informou que se sentia meio discriminado, pois levava bois que eram para ser abatidos, por exemplo, no dia seguinte, e ficava mais um dia para ser abatido, que seus bois normalmente eram desqualificados pelos outros procuradores e isso foi deixando o declarante chateado e fez com que ele parasse de abater bois na empresa, acrescentou que os outros procuradores falaram para o declarante não abandonar eles, para que tentassem recuperar o dinheiro perdido, mas que o declarante se afastou mesmo assim. 16) Perguntado sobre quem eram os administradores da empresa Abatedouro Itaperunense, respondeu que o compromisso que o declarante tinha, juntamente com os outros procuradores, era de apurar dentro da empresa o lucro e dividir de acordo com o percentual que tinham de crédito, mas que nada foi dividido, pelo menos da sua parte, que o declarante não teve nada de lucro, nem conseguiu recuperar seu dinheiro, acrescentou que em 2003, o Sr. Marco Mangaravite propôs pagar R$ 50.000,00 ao declarante com um ano de prazo, que o declarante reivindicou juros, que os outros procuradores não concordaram, então decidiram pagar em arroba de boi, que acabou lhe rendendo uns R$ 52.000,00 no ano seguinte. Acrescentou que até por esse motivo o declarante continuava indo na empresa, pois tinha essa quantia a receber. 17) Perguntado sobre a empresa Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que vê movimento de caminhão por lá, que acredita que tenha movimentado com a empresa, pois mandava boi para lá, mas não sabe o nome da empresa. 18) Entregamos ao declarante relação dos cheques em que o mesmo consta como beneficiário nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007. Disse que os recebimentos da empresa Frigorífico Vale do Fl. 5922DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 23 22 Ouro devem ser de bois que ele comprava e mandava para lá e para outros Frigoríficos em Itaperuna ou no Espirito Santo. 19) Perguntado sobre sua profissão, seu trabalho, respondeu que é marchante ou atravessador, acrescentou que hoje não trabalha mais com isso e que não tem mais os sítios. 20) Acrescentou que está a disposição para repetir tudo que foi dito, deixando seu telefone para contato (22) 98412529. O contribuinte forneceu informações importantes para o trabalho investigatório, esclareceu, e ainda apresentou um documento, sobre como se deu a entrada e o envolvimento dele e dos outros procuradores nas empresas fiscalizadas, conforme vamos relatar após a descrição de todas as declarações prestadas, no tópico "Conclusão do fisco sobre os depoimentos prestados". Corri base no depoimento desse contribuinte, resolvemos chamar o Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MALA, conhecido como Cadinhos Cabral a prestar depoimento na Delegacia da Receita Federal do Brasil, conforme relataremos mais adiante. 7) HEBER LESSA TINOCO — CPF 680.655.90772 Foi intimado a comparecer na DRF de Campos dos Goytacazes no dia 0 1/09/20 10, às 11 lis, para prestar esclarecimentos. Tendo em vista os fortes indícios de que este contribuinte é sócio de fato da empresa fiscalizada, intimamos o mesmo a comprovar a origem dos fiscalizada. O contribuinte compareceu na data e hora marcadas e declarou em resposta às perguntas formuladas: 1) Perguntado se reconhecia a procuração em que a empresa Abatedouro Itaperunense Ltda lhe concedia amplos poderes para movimentar suas contas bancárias, juntamente com outros procuradores, respondeu que sim. Quis ressaltar que não gerencia a firma que só assinava cheque referente ao gado que o declarante adquiria do produtor. 2) Informou que a empresa estava sem crédito, que estava devendo aos produtores, en¬tão a empresa propôs que fizesse a procuração para que os procuradores (que eram marchantes e alguns produtores também) pudessem receber o gado e vender poste¬riormente, ficando com o lucro, por volta de 3% por cento, e o subproduto ficava para o próprio dono do frigorífico para suprir as despesas. Disse que o declarante, juntamente com os outros procuradores, não conseguiram receber o dinheiro que o Frigorífico devia a eles, disse que mesmo após a procuração, onde os mesmos as¬sinavam os cheques, que só conseguiam receber o que compravam e vendiam após a lavratura da procuração. Acrescentou que os criadores não têm confiança nos Frigoríficos e acabam confiando mais nos marchantes. Fl. 5923DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 24 23 3) Perguntado se foi o declarante mesmo quem assinou o cartão de assinatura do Banco Bradesco, respondeu que sim. 4) Perguntado se assinou cheques da empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, tendo sido mostrado ao mesmo algumas cópias de cheques com a sua assinatura, respondeu que assinava os cheques referentes aos bois que o declarante negociava, para passar ao produtor. 5) Perguntado quem era o gerente, respondeu que era o Sr. José Carlos e tinham uns rapazes que trabalhavam no escritório, disse que na época da procuração tratava com o Sr. José Carlos. 6) Perguntado se conhecia os outros procuradores da empresa: Srs. Marco Antônio Mangaravite, Luiz Fernando Cardoso da Silva, João José Neves da Silva, José Antônio Figueiredo Poubel, Pedro Afonso Guarita de Rezende, respondeu que sim, que conhece todos eles, que todos tinham crédito para receber no Frigorífico. 7) Disse que os procuradores se juntaram e resolveram comprar bois e vender no frigorifico para tentar reaver o dinheiro, e levantar o frigorífico, porque se não o mesmo ia fechar, para que a empresa não fechasse, parasse as atividades, o Sr. José Carlos chamou os procuradores para entrarem na firma e colocar animais lá dentro e movimentar a empresa, sempre ressaltando que o cargo de gerência sempre foi do Sr. Jose Carlos. 8) Perguntado se conhecia o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues, respondeu que sim. 9) Perguntado se conhecia a Sra. Lisandra Cabral Maia, respondeu que a viu uma vez só, fora do frigorífico, e a Sra. Luzia Amélia de Moraes Abreu, respondeu que viu uma vez só no frigorífico. 10) Perguntado se conhecia o Sr. Ecil Dutra Mendes, respondeu que sim, que conhece ele do frigorífico, disse que hoje quando vende boi para lá, vende para ele. 11) Perguntado se conhece o Sr. Carlos Alberto Cabral Maia, respondeu que sim, que o via sempre no frigorífico, disse que ele mexe com açougue e não sabia o que ele fazia lá, ou seja, não sabe dizer se ele era gerente do Abatedouro Itaperunense. Acrescentou que o declarante ia no frigorífico abatia seus bois, assinava o cheque para passar para o produtor e ia embora. 12) Perguntado sobre como se deu seu envolvimento com a empresa Abatedouro ltaperunense Ltda. respondeu que era MARCHANTE (quem compra gado para vendêlo abatido), que a empresa devia dinheiro ao declarante, que então os credores se juntaram para vender bois e tentar recuperar o dinheiro, mas que não conseguiu receber da empresa a quantia que ficou para trás. Acrescentou que com a procuração teriam a garantia de que iriam receber o dinheiro pela venda do gado. Fl. 5924DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 25 24 13) Perguntado sobre quem eram os administradores da empresa Abatedouro ltaperunense, respondeu que conheceu o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues. 14) Perguntado se era sócio da empresa TINOCO AGROPECUÁRIA LTDA, CNPJ 00.712.556/000100, disse que é sócio da empresa, que a mesma tem como atividade o ramo de transporte e comércio de bovino, que fez muito transporte (frete de boi vivo) para o Abatedouro ltaperunense, informou que fez na época e hoje faz para outras empresas. 15) Perguntado sobre a empresa Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que conhece, que vende para essa empresa, que na época que o Sr. José Carlos passou a empresa para o Sr. Ecil Dutra Mendes, o declarante não acompanhou a transição pois estava abatendo boi em outros frigoríficos. Informou que depois quando vendia boi para lá viu que a Guia saia com outra inscrição em nome de Frigorífico Vale do Ouro. 16) Entregamos ao declarante uma relação contendo cheques em que o mesmo consta como beneficiário de valores das empresas Abatedouro Itaperunense Ltda, nos anos de 2004, 2005 e 2006 e Frigorífico Vale do Ouro Ltda, referente ao ano de 2007. 17) Perguntado sobre os recebimentos, respondeu que era de bois que vendia, pois também é produtor, e quanto à sua empresa TINOCO AGROPECUÁRIA LTDA, que também consta como beneficiária de cheques emitidos pelas empresas Abatedouro Itaperunense e Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que deve ser de serviços prestados pela mesma ou venda de bois, que teria que ver com o seu contador. 18) Acrescentou que nunca fez parte da empresa, discordando do termo que recebeu dizendo haver fortes indícios de que o mesmo era sócio da empresa. O contribuinte confirmou a informação sobre serem credores da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE e o fisco conclui que esse foi o motivo do envolvimento dos mesmos nessa empresa. Quando questionado sobre a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO o declarante diz que conhece e que vende pra lá, sabe que o JOSÉ CARLOS pas¬sou a empresa para o ECIL DUTRA MENDES, mas que não acompanhou a transação, pois estava abatendo bois em outros frigoríficos e que depois quando vendia pra lá viu que a Guia saía no nome de outra empresa. Não há muitos cheques nominais a esse contribuinte, mas em nome da sua empresa TINOCO AGROPECUÁRIA LTDA, a quantidade de cheques é bastante elevada em comparação com a Receita declarada, dando indícios de que utilizou sua empresa para movimentar com o Abatedouro e com o Frigorífico. Os cheques nominais à empresa em questão também estão no ANEXO I do presente processo. E a relação dos mesmos foi anexado ao Termo de Declaração do seu representante legal, Sr. HEBER LESSA TINOCO. Fl. 5925DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 26 25 8) JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA — CPF 741.041.79787 Foi intimado a comparecer na DRF de Campos dos Goytacazes no dia 01/09/2010, às 14 hrs., para prestar esclarecimentos. Tendo em vista os fortes indícios de que este contribuinte é sócio de fato da empresa fiscalizada, intimamos o mesmo a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados na contacorrente e de investimento da empresa ora fiscalizada. Na data e hora marcadas o contribuinte compareceu à DRF de Campos dos Goytacazes e declarou em resposta às perguntas formuladas. 1) Perguntado se reconhecia a procuração em que a empresa Abatedouro Itaperunense Ltda lhe concedia amplos poderes para movimentar suas contas bancárias, juntamente com outros procuradores, respondeu que sim. 2) Perguntado se foi o declarante mesmo quem assinou o cartão de assinatura do Banco Bradesco, respondeu que sim. 3) Perguntado se assinou cheques da empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, tendo sido mostrado ao mesmo algumas cópias de cheques com a sua assinatura, respondeu que sim, que confirma ter assinado cheques da empresa. 4) Perguntado se conhecia os outros procuradores da empresa: Srs. Marco António Mangaravite, Luiz Fernando Cardoso da Silva, Heber Lessa Tinoco, José Antônio Figueiredo Poubel e Pedro Afonso Guarita de Rezende, respondeu que sim. 5) Perguntado se conhecia o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues, respondeu que sim, que o mesmo era o proprietário do Abatedouro Itaperunense na época. 6) Perguntado se conhecia a Sra. Lisandra Cabral Maia, respondeu que conhecia, que no início quando começou a abater boi lá com o José Carlos ela também fazia parte da empresa e a Sra. Luzia Amélia de Moraes Abreu, respondeu que não conhece, mas sabe que ela passou a fazer parte da firma, que comprou a parte da Lisandm. 7) Perguntado se conhecia o Sr. Ecil Dutra Mendes, respondeu que sim, que o Sr. Ecil apanhou a firma do Sr. José Carlos, mas que o declarante a partir daí não assinou mais cheques da empresa Abatedouro Itaperunense. 8) Perguntado se conhece o Sr. Carlos Alberto Cabral Maia, respondeu que sim, se recorda dele estar no abatedouro, disse que é pai da Lisandra, mas não soube afamar se o Sr. Carlos Alberto tinha gerência no Abatedouro. 9) Perguntado sobre como se deu seu envolvimento com a empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, respondeu que é MARCHANTE (quem compra gado para vendêlo abatido), que era credor do Abatedouro Itaperunense, ainda sendo credor até hoje, pois não recebeu o que tinha para receber, que então o Sr. Fl. 5926DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 27 26 José Carlos pediu ao declarante e aos outros procuradores que continuassem fornecendo o gado para que o abatedouro não parasse, para tanto exigiram a procuração de forma a não deixar o dinheiro extraviar, garantindo assim o pagamento aos criadores, pois a função do marchante é essa. Acrescentou que muitas vezes os criadores não aceitavam nem o cheque do Abatedouro, então o declarante depositava o cheque na sua conta e passava um cheque seu ao criador de gado. 10) Perguntado se era produtor de gado, respondeu que na época tinha gado, mas depois não criou mais bovinos, não se recordando de quando parou com essa atividade, mas até hoje é marchante. 11) Perguntado porque os procuradores deixaram de assinar os cheques após o mês de setembro de 2005, respondeu que o declarante saiu até antes disso, mas saíram daquilo (da empresa) pois viram que não ia ter jeito de recuperar o dinheiro que haviam perdido. 12) Perguntado sobre quem eram os administradores da empresa Abatedouro Itaperunense, respondeu que não sabia, que o Sr. José Carlos pedia para o declarante e para os outros procuradores assinarem cheques para pagamento de gado, mas não tem conhecimento de quem seja o administrador da empresa. 13) Perguntado sobre a empresa Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que não tem contato nenhum com essa empresa, que não fez negócio nenhum com ela, mas sabe que ela é do Ecil Dutra Mendes. 14) Entregamos ao declarante uma relação contendo cheques em que o mesmo consta como beneficiário de valores das empresas Abatedouro Itaperunense Ltda, nos anos de 2004, 2005 e 2006 e Frigorífico Vale do Ouro Ltda, referente ao ano de 2007. 15) Perguntado sobre os recebimentos constantes da relação acima, entregue ao declarante, respondeu que do Abatedouro Itaperunense recebia os cheques diretamente da empresa para fins de pagamento aos produtores rurais, mas com relação aos cheques do Frigorífico Vale do Ouro, informou que alguns podem ter vindo direto, mas outros devem ter vindo de terceiros e depositou na sua conta para cobrir cheques que havia dado para pagar fazendeiros. 16) Perguntado porque eram emitidos tantos cheques no valor de RS 4.990,00, cuja numeração, muitas vezes era sequencial, com mesma data e, às vezes, o beneficiário dos recursos era a mesma pessoa, respondeu que os cheques que ele assinava já es¬tavam prontos que ele só passava e assinava, que era controle lá do abatedouro, ou seja de quem fazia os cheques. 17) Perguntado se reconhecia a lista com os nomes dos credores da empresa Abatedouro Itaperuense datada de outubro de 2003, respondeu que sim. Fl. 5927DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 28 27 Quanto à intimação para que o mesmo comprovasse a origem dos recursos depositados na conta bancária da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE e da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, o contribuinte apresentou resposta por escrito informando, em suma, que é intermediador na venda de bovinos para abate (marchante), que é o marchante que goza de crédito junto aos produtores rurais, então que o intermediador emite cheque prédatado em favor do produtor e que muitas vezes o frigorifico ou abatedouro não honram com os pagamentos, que em decorrência desse crédito a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE propôs ao contribuinte, para não haver interrupção da atividade da empresa, que o próprio intermediador no ato da compra dos animais junto aos produtores rurais emitissem os cheques de titularidade do ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA. Disse que a procuração não atribuía ao intermediador qualquer ato de gerência. Que, então desconhece absolutamente a origem dos depósitos bancários listados na intimação, pois não exerceu ato de gerência e não era do seu conhecimento ou da prática do intermediador a movimentação bancária, financeira e comercial junto a terceiros, a quem eram fornecidas as carcaças (bovinos já abatidos) para comercialização. Sobre as alegações do contribuinte, destacamos que todos os atos praticados comercialmente têm suas consequências e riscos. O produtor rural corre o risco de vender seu produto (boi vivo) e não receber e, consequentemente o intermediador nessa venda também corre esse risco, como em qualquer outro ato de comércio. Passar a assinar os cheques de uma empresa, alegando que dessa forma estaria garantido o recebimento pela venda dos bois, também tem suas consequências. Primeiramente, destacamos que a procuração foi lavrada em cartório em data anterior a abertura da conta bancária, ou seja, a conta bancária foi aberta para que os novos responsáveis pela empresa, que estava em dificuldades financeiras, pudessem gerir todos os recursos. Em segundo lugar, não há como garantir o pagamento pela venda do boi para abate se não houver o controle sobre o dinheiro recebido pela venda das carcaças e produtos provenientes desse boi abatido, pois é na venda dos produtos que a empresa capta recursos para pagamento de suas dívidas. O fato da procuração não lhes conceder poderes de gerência sobre a empresa, não lhes impedia em nada de administrar a mesma, com relação à determinação do preço do boi a ser abatido, apuração das vendas efetuadas e cálculo dos lucros auferidos. Quanto à declaração prestada, o contribuinte também confirma que era credor da empresa fiscalizada. Chamounos a atenção o conhecimento detalhado sobre quem comprou cotas de capital de quem, quando perguntado se conhecia os sócios de direito das empresas ABATEDOURO ITAPERUNENSE e FRIGORÍFICO VALE DO OURO, informações inerentes a Contratos Sociais e alterações contratuais. Fatos esses que vêm a demonstrar o grau de envolvimento dele e dos outros procuradores, pois todos foram questionados sobre isso, conforme relataremos mais adiante na conclusão sobre o trabalho. Fl. 5928DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 29 28 Quando perguntado sobre a empresa FRIGORIFICO VALE DO OURO, disse que não tem contato nenhum com essa empresa que não fez negócio nenhum com ela, mas sabe que o dono é o ECIL DUTRA MENDES. Então, na verdade, tem um certo contato. Outra prova de que o contribuinte continuou, sim, movimentando com a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO está nos cheques emitidos pela mesma, onde o declarante consta como beneficiário em vários deles, conforme planilha anexada ao Termo de Declaração. 9) PEDRO AFONSO GUARIZA DE REZENDE – CPF 616.278.36772 Foi intimado a comparecer na DRF de Campos dos Goytacazes no dia 01/09/2010, às 16 lis, para prestar esclarecimentos. Tendo em vista os fortes indícios de que este contribu¬inte é sócio de fato da empresa fiscalizada, intimamos o mesmo a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados na contacorrente e de investimento da empresa ora fiscalizada. Na data e hora marcadas o contribuinte compareceu acompanhado de seu advogado, Sr. JOÃO ALVES FEITOSA NETO, inscrito na OAB/RJ nº 156.871, e declarou em resposta às perguntas formuladas: 1) Perguntado se reconhecia a procuração em que a empresa Abatedouro Itaperunense Ltda lhe concedia amplos poderes para movimentar suas contas bancárias, juntamente com outros procuradores, respondeu que sim. 2) Perguntado se foi o declarante mesmo quem assinou o cartão de assinatura do Banco Bradesco, respondeu que sim. 3) Perguntado se assinou cheques da empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, tendo sido mostrado ao mesmo algumas cópias de cheques com a sua assinatura, respondeu que sim. 4) Perguntado se conhecia os outros procuradores da empresa: Srs. Marco Antônio Mangaravite, Luiz Fernando Cardoso da Silva, Heber Lessa Tinoco, João José Neves da Silva e José Antônio Figueiredo Poubel, respondeu que sim. 5) Perguntado se conhecia o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues, respondeu que sim, que na época era gerente, dono da empresa. 6) Perguntado se conhecia a Sra. Lisandra Cabral Maia, respondeu que a viu no Abatedouro algumas vezes, disse que o marchante vai pouco ao frigorifico, perguntado se conhecia a Sra. Luzia Amélia de Moraes Abreu, respondeu que a viu uma ou duas vezes lá no abatedouro. 7) Perguntado se conhecia o Sr. Ecil Dutra Mendes, respondeu que sim. 8) Perguntado se conhece o Sr. Carlos Alberto Cabral Maia, respondeu que sim, que conhece do abatedouro, que o viu lá poucas vezes e não sabe a profissão do mesmo. Fl. 5929DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 30 29 9)Perguntado sobre como se deu seu envolvimento com a empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, respondeu que é marchante, que compra gado direto para o abatedouro e o abatedouro é quem vende, e o declarante recebe uma comissão em torno de 3%. Acrescentou que foi o Sr. José Carlos quem chamou o declarante e os outros procuradores, que também eram compradores de boi, e propôs a lavratura da pro¬curação para que os mesmos assinassem os cheques para pagar os fazendeiros, as assinaturas sempre eram feitas em no mínimo três pessoas. Informou que tinha dinheiro para receber do Abatedouro, mas não se recordava de quanto, mostramos a relação dos credores e o declarante reconheceu os nomes dos seis primeiros, que são os procuradores da empresa, mas não sabe afirmar a veracidade dos valores contidos na relação. Informou que quem tem credibilidade são os marchantes, pois frigoríficos abrem e fecham com muita frequência, não tendo muita credibilidade perante os produtores, e como o abatedouro estava com dificuldades financeiras, o Sr. José Carlos chamou os marchantes para dar credibilidade, ajudando a empresa a continuar com suas atividades e para manter, inclusive, o percentual dos marchantes, pois se a empresa fechasse, os intermediadores (marchantes) ficariam sem suas comissões. 10) Perguntado porque os procuradores deixaram de assinar os cheques após o mês de setembro de 2005, respondeu que parece que o Sr. José Carlos passou a empresa para o Ecil Dutra Mendes, e que este era mais confiável, então os procuradores pararam de assinar os cheques, mas não se recorda ao certo da data. 11) Perguntado sobre quem eram os administradores da empresa Abatedouro Itaperunense, respondeu que era o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues. 12) Perguntado sobre a empresa Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que vende mercadoria para a empresa, acrescentou que vende bastante, pois o frigorífico é mais perto do seu endereço, mas vende para outros frigoríficos também. Informou que o administrador da mesma é o Sr. Ecil Dutra Mendes. 13) Perguntado se tem conhecimento de como se deu a transição entre a empresa Abatedouro Itaperunense e Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que não. 14) Entregamos ao declarante uma relação contendo cheques em que o mesmo consta como beneficiário de valores das empresas Abatedouro Itaperunense Ltda, nos anos de 2004, 2005 e 2006 e Frigorífico Vale do Ouro Ltda, referente ao ano de 2007. 15) Perguntado sobre os recebimentos constantes da relação acima, entregue ao declarante, respondeu que o fazendeiro só dava credibilidade a eles, marchantes, que o declarante depositava os cheques na sua conta para cobrir pagamentos feitos aos fazendeiros e que também podem ser decorrentes de recebimentos de vendas de seu gado, pois o declarante também era, e ainda é, produtor. Fl. 5930DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 31 30 16)Perguntado porque eram emitidos tantos cheques no valor de R$ 4.990,00, cuja numeração, muitas vezes, era sequencial, com mesma data e, às vezes, o beneficiário dos recursos era a mesma pessoa, respondeu que não é do seu conhecimento, que muitos fazendeiros pediam para dividir os cheques, mas não sabe se no valor de RS 4.990,00. 17) Acrescentou que, quanto à intimação recebida para comprovar a origem dos recursos depositados nas contas das empresas Abatedouro Itaperunense e Frigorífico Vale do Ouro, não tinha acesso a essas informações. 18) Perguntado, quando da ciência do Termo de Início da Fiscalização, que a Auditora Fiscal foi à sede da empresa, se era o declarante que se encontrava no local e se identificou como Pedro Afonso, respondeu que sim, que usava a sala para fazer contas decorrentes das negociações de bois que intermediava entre o fazendeiro e o frigorífico e que várias pessoas vão até lá, inclusive fazendeiros que acompanham a pesagem de seus bois. O contribuinte também confirma o fato de ser credor da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, juntamente com os outros procuradores. Destacamos o interesse dos envolvidos em assumir a empresa para que pudesse receber seu dinheiro de volta e outra informação interessante prestada pelo contribuinte com relação ao motivo que eles deixaram de assinar os cheques, informando que "parece" que o Sr. José Carlos passou a empresa para o Sr. ECIL DUTRA MENDES e que este era mais confiável. Obviamente que era mais confiável, ele é compadre do Sr. MARCO ANTONIO MANGARAVITE. Destacamos também o interesse dos procuradores em que a empresa continuasse suas atividades, pois eles tentariam reaver seu dinheiro e continuariam a receber suas comissões de intermediação e continuariam a vender seus gados a um abatedouro que era próximo de suas propriedades. Perguntado sobre o FRIGORIFICO VALE DO OURO o declarante informou que vende bastante para essa empresa, pois é mais perto de seu endereço, mas que vende para outros frigoríficos, informou que o administrador é o ECIL e questionado se era o declarante que estava na empresa FRIGORIFICO VALE DO OURO quando do início da fiscalização na empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, que não quis se identificar à Auditora Fiscal, respondeu que sim, que usava a sala para fazer contas decorrentes das negociações de bois que intermediava, que várias pessoas usavam a sala, inclusive fazendeiros. 10) MARCO ANTONIO MANGARAVITE — CPF 769.784.357 91 Foi intimado a comparecer na DRF de Campos dos Goytacaz no dia 02/09/2010, às 09 hrs., para prestar esclarecimentos. Tendo em vista os fortes indícios de que este contribuinte é sócio de fato da empresa fiscalizada, intimamos o mesmo a comprovar a Fl. 5931DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 32 31 origem dos recursos creditados/depositados na contacorrente e de investimento da empresa ora fiscalizada. No dia e hora marcados o contribuinte acima compareceu e declarou e resposta às perguntas formuladas: 1) Perguntado se reconhecia a procuração em que a empresa Abatedouro Itaperunense Ltda lhe concedia amplos poderes para movimentar suas contas bancárias, juntamente com outros procuradores, respondeu que sim. 2) Perguntado se foi o declarante mesmo quem assinou o cartão de assinatura do Banco Bradesco, respondeu que sim. 3) Perguntado se assinou cheques da empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, tendo sido mostrado ao mesmo algumas cópias de cheques com a sua assinatura, respondeu que sim. 4) Perguntado se conhecia os outros procuradores da empresa: Srs. José Antônio Figueiredo Poubcl, Luiz Fernando Cardoso da Silva, Heber Lessa Tinoco, João José Neves da Silva e Pedro Afonso Guarita de Rezende, respondeu que sim. 5) Perguntado se conhecia o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues, respondeu que sim, que ele é o dono do abatedouro e foi ele quem, na época, deu procuração para o de¬clarante e os outros procuradores. 6) Perguntado se conhecia a Sra. Lisandra Cabral Maia, respondeu já viu no Abatedouro poucas vezes, e a Sra. Luzia Amélia de Moraes Abreu, respondeu que não conhece. 7) Perguntado se conhecia o Sr. Ecil Dutra Mendes, respondeu que sim, que ele é o proprietário do Frigorífico Vale do Ouro, que o declarante, que é marchante, mata boi com ele hoje, que o Ecil é dono do Frigorífico e o José Carlos é dono do Abatedouro. 8) Perguntado se conhece o Sr. Carlos Alberto Cabral Maia, respondeu que conhece, que já viu ele lá poucas vezes, disse que o mesmo mexia com carne, perguntado se sabia se a propriedade onde está localizada o Frigorifico Vale do Ouro era dele, respondeu que não sabe, que mora em Santa Maria e só vai lá matar o seu boi. 9) Perguntado informou que é pecuarista e marchante, compra e vende boi. 10) Perguntado sobre como se deu seu envolvimento com a empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, respondeu que tinham crédito no Abatedouro, que o Abatedouro não tinha credibilidade, estava falido, então que o declarante, juntamente com os outros marchantes c credores da empresa pegaram a procuração com o José Carlos, pois não iam deixar o dinheiro dos mesmos na mão dele, José Carlos. Fl. 5932DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 33 32 11) Perguntado porque os procuradores deixaram de assinar os cheques após o mês de setembro de 2005, respondeu que não se recorda, perguntou se não foi na época em que o José Carlos passou a empresa para o Ecil, acrescentou que tinham procuração do Abatedouro Itaperunense, que sobre o Frigorífico Vale do Ouro não sabe dizer. 12) Perguntado sobre quem eram os administradores da empresa Abatedouro Itaperunense, respondeu que o José Carlos é quem ficava lá. 13) Perguntado sobre como funcionava o trabalho do declarante, juntamente com os demais procuradores no Abatedouro Itaperunense na época em que assinavam os cheques, disse que tinham que assinar sempre em três, que pesavam os bois, vinha uma nota com o peso do gado e faziam a conta na sala dos marchantes e passavam o valor para os funcionários fazerem os cheques do valor do gado e eles assinavam. 14) Perguntado respondeu que mesmo com a procuração não conseguiram receber o dinheiro que tinham a receber do Abatedouro Itaperunense. 15) Perguntado se recordava do levantamento feito em outubro de 2003, relacionando os credores da empresa, apresentamos a relação ao declarante, respondeu que foi exatamente com base nesse documento que o declarante, juntamente com os outros credores, decidiram assumir a empresa para tentar retirar o dinheiro deles, que estava lá, continuou o valor que o declarante tinha a receber como correto, mas que acabou não conseguindo recuperar seu dinheiro. 16) Perguntado sobre a empresa Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que vende boi direto para lá, que conhece o Ecil como dono de lá, disse que o filho do declarante, Maicon Correia Mangaravite, trabalha lá na empresa. 17) Perguntado confirmou ser compadre do Sr. Ecil Dutra Mendes. 18) Entregamos ao declarante uma relação contendo cheques em que o mesmo consta como beneficiário de valores das empresas Abatedouro Itaperunense Ltda, nos anos de 2004, 2005 e 2006 e Frigorífico Vale do Ouro Ltda, referente ao ano de 2007. 19) Perguntado sobre os recebimentos constantes da relação acima, entregue ao declarante, respondeu que os produtores de gado dizem que não querem cheques do Abatedouro, que querem cheques do declarante, que é marchante, então que o declaram te pega cheque da empresa, deposita em sua conta e paga o pecuarista com cheque seu, acrescentou que marchante mexe muito com dinheiro de pecuarista. 20) Perguntado porque eram emitidos tantos cheques no valor de RS 4.990,00, cuja numeração, muitas vezes era sequencial, Fl. 5933DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 34 33 com mesma data e, às vezes, o beneficiário dos recursos era a mesma pessoa, respondeu que vários fazendeiros pediam cheque neste valor e que o declarante ouviu falar que cheques menores de RS 5.000,00 o Banco não cobra taxa. O contribuinte também confirmou que era credor da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE e que em decorrência disso pegaram a procuração para controlar a mesma. Perguntado sobre o FRIGORÍFICO VALE DO OURO, informou que vende direto pra lá, que conhece o Sr. ECIL DUTRA MENDES, como dono de lá e que seu filho, Maicon Corres Mangaravite, trabalha nessa empresa. Destacamos que o Sr. ECIL substituiu os procuradores envolvidos na procuração perante a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE e foi nomeado procurador e depois sócio da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO e é compadre deste contribuinte. 11) JOSÉ ANTÔNIO FIGUEIREDO POUBEL — CPF 569.660.83704 Foi intimado a comparecer na DRF de Campos dos Goytacazes no dia 02/09/2010, às 11 hrs, para prestar esclarecimentos. Tendo em vista os fortes indícios de que este contribuinte é sócio de fato da empresa fiscalizada, intimamos o mesmo a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados na conta corrente e de investimento da empresa ora fiscalizada. Na data e hora marcadas o contribuinte compareceu na DRF Campos e declarou em resposta às perguntas formuladas: 1) Perguntado se reconhecia a procuração em que a empresa Abatedouro Itaperunense Ltda lhe concedia amplos poderes para movimentar suas contas bancárias, juntamente com outros procuradores, respondeu que sim. 2)Perguntado se foi o declarante mesmo quem assinou o cartão de assinatura do Banco Bradesco, respondeu que sim. 3) Perguntado se assinou cheques da empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, tendo sido mostrado ao mesmo algumas cópias de cheques com a sua assinatura, respondeu que sim. 4) Perguntado se conhecia os outros procuradores da empresa: Srs. Marco Antônio Mangaravite, Luiz Fernando Cardoso da Silva, Heber Lessa Tinoco, João José Neves da Silva e Pedro Afonso Guarita de Rezende, respondeu que sim, que às vezes quando estava no Abatedouro via essas pessoas por lá. 5) Perguntado se conhecia o Sr. José Carlos Coelho Rodrigues, respondeu que sim, que conhece do Abatedouro e que o mesmo era o proprietário na época. 6) Perguntado se conhecia a Sra. Lisandra Cabral Maia, respondeu que pessoalmente não, disse que parece que ela era Fl. 5934DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 35 34 sócia do José Carlos, e a Sra. Luzia Amélia de Moraes Abreu, respondeu que não conhece pessoalmente, disse que parece que também era sócia do José Carlos. 7) Perguntado se conhecia o Sr. Ecil Dutra Mendes, respondeu que sim, que conhece do abatedouro, que conheceu depois do José Carlos, informou que pelo que falam, ele é o proprietário atual do Frigorífico Vale do Ouro. 8) Perguntado se conhece o Sr. Carlos Alberto Cabral Maia, respondeu que sim, que conhece como Garfinhos Cabral, que ele tinha açougue em Itaperuna e parece que o abatedouro fornecia boi para ele, no açougue. 9) Perguntado sobre como se deu seu envolvimento com a empresa Abatedouro Itaperunense Ltda, respondeu que na época o Sr. Jose Carlos estava com dificuldades financeiras, sem crédito junto aos fazendeiros e chamou o declarante, que é marchante, e tem credibilidade perante os pecuaristas para que ajudasse a evitar que o abatedouro fechasse, e para isso ele ofereceu um percentual de 3% às vezes 2% de comissão na intermediação de venda de gado. 10) Perguntado sobre como ocorreu a lavratura e o porque da lavratura da procuração respondeu que o Sr. José Carlos propôs a lavratura da procuração para que o declarante, então, pudesse garantir o efetivo pagamento aos fazendeiros, pois sua credibilidade estava em jogo, haja vista ser o intermediador da compra do gado. 11) Perguntado porque os procuradores deixaram de assinar os cheques após o mês de setembro de 2005, respondeu que viu que não teve efeito o trabalho, que o declarante tinha outros afazeres e acabou se afastando do Abatedouro Itaperunense, por falta de tempo para intermediar os negócios nesse frigorífico. 12) Perguntado sobre quem eram os administradores da empresa Abatedouro Itaperunense nessa época, respondeu que o José Carlos estava sempre lá e que fazia todo o trabalho de venda, que a função do declarante era só intermediar a compra do gado, que o restante era tudo com o Sr. José Carlos. 13) Perguntado sobre a empresa Frigorífico Vale do Ouro, respondeu que não trabalha com essa empresa, e tem notícia que o proprietário é o Sr. Ecil Dutra Mendes. 14) Entregamos ao declarante uma relação contendo cheques em que o mesmo consta como beneficiário de valores das empresas Abatedouro Itaperunense Ltda, nos anos de 2004, 2005 e 2006 e Frigorífico Vale do Ouro Ltda, referente ao ano de 2007. 15) Perguntado sobre os recebimentos constantes da relação acima, entregue ao declarante, respondeu que quando fazia a intermediação com o fazendeiro, depositava os cheques na sua conta e efetuava o pagamento ao fazendeiro, que no início do Fl. 5935DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 36 35 ano de 2007 vendeu algumas remessas de gado ao Frigorífico Vale do Ouro, que foi muito pouco. 16) Perguntado porque eram emitidos tantos cheques no valor de RS 4.990,00, cuja numeração, muitas vezes era sequencial, com mesma data e, às vezes, o beneficiário dos recursos era a mesma pessoa, respondeu que os cheques eram emitidos dessa forma, às vezes, por pedido do fazendeiro ou credor e também porque tinham conhecimento que cheques abaixo de R$ 5.000,00 não era cobrada uma taxa do banco. 17) Perguntado se era credor da empresa Abatedouro Itaperunense antes da emissão da procuração, respondeu que sim. Mostramos a relação dos credores da empresa levantada em 10/2003 e respondeu que se lembra dessa relação e que o valor do seu crédito era exatamente esse e que esse foi um dos motivos que o levou a se envolver nessa procuração. 18) Acrescentou que desenvolve a atividade de marchante até hoje, a mais de 20 anos, e que trabalha com outros frigoríficos também. Quanto à intimação para comprovara origem dos recursos depositados na conta bancária da empresa ABATEDOURO ITAPERUNESE e FRIGORIFICO VALE DO OURO, o contribuinte apresentou resposta por escrito informando, em suma, que é produtor rural e marchante, que comercializava com o ABATEDOURO ITAPERUNENSE e com outros frigoríficos e abatedouros, que goza de grande credibilidade no mercado e fora chamado pelo proprietário do Abatedouro em questão, Sr. JOSE CARLOS COELHO RODRIGUES, para dar um suporte ao mesmo na parte administrativa, realizando somente a compra de gado, com intuito de tentar resgatar a credibilidade da empresa perdida junto aos fornecedores e credores, fato que levaria a empresa à situação mais grave em pouco tempo. Que, no intuito de auxiliar, decidiu ajudara empresa, adquirindo boi para a mesma, captando mais vendedores/fornecedores, mas que não assumiu nenhum outro compromisso com a empresa, sequer permanecia lá durante todo o dia, que continuava a exercer suas atividades particulares. Informou que sua função restringiase a compra de gado "em pé", que não tinha acesso a informações de caráter administrativo/financeiro da empresa, que o máximo que fazia era assinar os cheques de pagamentos aos produtores que vendiam o gado, que nunca fora sócio da empresa. Destacou que só exerceu essa atividade de intermediação na compra de gado para o ABATEDOURO ITAPERUNENSE durante um ano e meio, mais especificamente do ano de 2004, até o final de 2005, momento em que encerrou definitivamente a tarefa de intermediação. O contribuinte anexou suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos ano calendário 2004 a 2009 e Extratos Bancários de 2006. Esses documentos não foram colocados no processo por estarem protegidos pelo sigilo fiscal. Fl. 5936DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 37 36 Somente após ser questionado o contribuinte confirmou que era credor da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE e em consequência disso se envolveu na procuração para movimentar as contas bancárias da mesma. Ou seja, omitiu o principal motivo de ter se envolvido com a empresa fiscalizada, pois era o terceiro maior credor da mesma, com mais de RS 100.000,00 a receber. Tentou macular os verdadeiros motivos de seu envolvimento e minimizar o grau de seu envolvimento. Quando perguntado se conhecia José Carlos, Lisandra, Luzia Amélia e Ecil, soube dizer exatamente quem era sócio de qual empresa, demonstrando um elevado conhecimento sobre a composição empresarial das duas empresas: ABATEDOURO ITAPERUNENSE e FRIGORIFICO VALE DO OURO, apesar de declarar que não trabalha com esta última. Quando lhe foi mostrada a relação de cheques em que o mesmo consta como beneficiário, informou que trabalhou um pouco, no início do ano com o FRIGORÍFICO VALE DO OURO. CONCLUSÃO DO FISCO SOBRE OS DEPOIMENTOS PRESTADOS É o fato dos sócios de direito da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, que posteriormente constituíram a empresa FRIGORIFICO VALE DO OURO LTDA são interpostas pessoas pelos motivos já expostos e relatados, resumidamente, a seguir: 1º) A Sra. LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU afirmou que só assinou contratos e procurações a pedido, que nunca foi nas empresas e nunca administrou nada, além de não possuir capacidade econômica para ser sócia das mesmas. Ela vem a ser mãe do contador das duas empresas, na época. 2º) O Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES afirmou ser o sócio das empresas ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA e, posteriormente, FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA. Apesar de não ter a menor ideia do quanto em milhões de reais as mesmas movimentaram nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007. Bem como não se beneficiou em nada desse dinheiro, pois não possuía e até hoje não possui capacidade econômica ou contributiva que indique que o mesmo era dono das empresas fiscalizadas. Além do mais, era e ainda é amigo da família do contador das empresas, AFFONSO CELSO DE MORAIS ABREU. A empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE foi constituída ao final do ano de 1999, não teve qualquer indicio de omissão de receita até o final do ano de 2003. Acreditamos que nesse período o verdadeiro dono da empresa era o Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, que colocou inicialmente sua filha, LISANDRA CABRAL MAIA e uma pessoa de confiança do seu contador, AFFONSO CELSO DE MORAIS ABREU, que era Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, como sócios da empresa. Em maio de 2001, o Sr. CARLOS ALBERTO entra como gerente da empresa e em agosto de 2001, sua filha teve que sair da empresa devido a problemas pessoais, então entra na Fl. 5937DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 38 37 sociedade outra pessoa de confiança do contador, a Sra. LUZIA AMÉLIA, mãe do mesmo. (Cópia do depoimento do mesmo,anexado, junto com os depoimentos prestados pelos envolvidos). Com base nos depoimentos prestados e com relação a esse ponto todos afirmaram ser verdade, a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE não estava pagando suas dívidas com os fornecedores de gado para abate. Essa dificuldade financeira foi descoberta pelos credores em setembro ou outubro de 2003, período em que foi feito um levantamento dos valores que cada credor (criador de boi, pecuarista) tinha a receber, conforme documento (uma lista) apresentada pelo Sr. LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA, que se encontra anexada ao Termo de Declaração do mesmo. Os seis maiores credores na época eram os contribuintes abaixo relacionados: •JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA •LUIZ, FERNANDO CARDOSO DA SILVA •JOSÉ ANTÔNIO FIGUEIREDO POUBEL •MARCO ANTONIO MANGARAVITE •PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE •HEBER LESSA TINOCO Nos depoimentos, os contribuintes envolvidos disseram que eram MARCHANTES, que faziam a intermediação entre o criador de boi e o Abatedouro, mas quando perguntados e conforme constatamos nos sistemas da RFB, confirmaram que também criavam gado, eram pecuaristas e ainda são com exceção dos Srs. JOÃO JOSE NEVES DA SILVA e LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA, CPF 835.164.84772 que venderam suas propriedades. Sendo assim, todos os envolvidos, além de serem pecuaristas e venderem gado para abate, também ganhavam comissão pelo trabalho de intermediação na venda de gados de terceiros ao abatedouro. Outro fato relevante é a proximidade das propriedades dos mesmos em relação ao ABATEDOURO, apesar de alguns terem propriedades no Espírito Santo, em Santa Maria de Campos, em Bom Jesus do Itabapoana RJ, essas localidades são muito próximas umas das outras, ficando no noroeste do Estado do Rio de Janeiro, fronteira com o Estado do Espírito Santo, cidade de Bom Jesus do Norte/ES. Inclusive, o Sr. PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE destacou o fato do Abatedouro ser próximo de suas propriedades, ou seja, tornandose imensamente interessante para estas pessoas que a empresa não fechasse suas portas. Eassim, sabendo que o ABATEDOURO estava em dificuldades financeiras e, inclusive, eles eram os maiores credores da Fl. 5938DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 39 38 empresa, tinham interesse direto em recuperar seu dinheiro, além de terem interesse direto que a empresa não fechasse suas portas, devido à facilidade e menor custo no transporte dos bois para abate, receberam uma procuração, abriram uma conta corrente bancária em nome da empresa e passaram a administrar a mesma, dizendo que dessa forma teriam a garantia de receber o dinheiro que lhes era devido. Os procuradores envolvidos enfatizaram em seus depoimentos que pegaram a procuração para garantir que receberiam o dinheiro pela venda dos bois para abate, que só assinavam cheques para pagar os fazendeiros que faziam a intermediação, que eles, marchantes, é que tinham credibilidade, que não administravam a empresa. O fisco ressalta que o simples fato de assinarem cheques não dá garantia nenhuma de recebimento das vendas de bois para abate, se não controlassem também os recebimentos da empresa, decorrentes das vendas dos produtos originados do boi abatido, haja vista que se o dinheiro dessa venda não entrasse na conta bancária, obviamente eles não teriam como pagar os pecuaristas, pois os cheques voltariam sem fundo. Destacamos que os próprios procuradores eram pecuaristas também. O interesse dos procuradores na ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda era direto, pois os mesmos controlavam a atividade da empresa, apuravam os lucros para chegarem à parte que lhes cabia, como se faz em qualquer sociedade. Apesar dos envolvidos quererem enfatizar que não administravam a empresa, é fato que assinavam todos os cheques e negociavam os preços dos bois, apuravam os lucros da empresa, logo não há dúvidas de que os mesmos se tomaram sócios de fato da empresa fiscalizada, participando diretamente e tendo interesse direto na ocorrência dos fatos. Quanto ao motivo de terem parado de assinar os cheques em setembro de 2005, e a constituição da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, que ocorreu nessa época, pelos mesmos sócios de direito e no mesmo local da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, o fisco conclui que, primeiramente, é fato que os procuradores sabiam perfeitamente da elevada movimentação financeira da empresa, consequência do grande movimento de abate de bois e venda dos seus produtos. Sendo assim, resolveram criar uma nova empresa e colocála no nome de alguém da confiança deles, Sr. ECIL DUTRA MENDES, que também passou a assinar os cheques da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA. O fisco tem convicção de que a verdade dos fatos é essa a, porque os procuradores envolvidos disseram que não conseguiram receber seu dinheiro, que viram que não estava funcionando o fato de assinarem os cheques, mas continuaram movimentando com a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE e com o FRIGORÍFICO VALE DO OURO normalmente, mesmo após terem parado de assinar os cheques Fl. 5939DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 40 39 (setembro de 2005), como mostrados os cheques nominais aos mesmos. "Por que motivo, agora, essas empresas eram confiáveis" Eram confiáveis, pois a pessoa que passou a assinar os cheques das duas empresas era "testa de ferro" deles, da confiança deles, que continuaram sendo os verdadeiros administradores das empresas. Como foi dito o Sr. ECIL DUTRA MENDES é compadre do Sr. MARCO ANTONIO MANGARAVITE. A empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO foi constituída pelos mesmos sócios do ABATEDOURO ITAPERUNENSE, em junho de 2005, sendo eles: JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES e LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU. Segundo informações do contador, demorou para a mesma conseguir autorização pelo Ministério da Agricultura para funcionar, mas logo em setembro de 2005, já foi passada uma procuração para o Sr. ECIL DUTRA MENDES, compadre do Sr. MARCO ANTONIO MANGARAVITE, para que o mesmo assinasse os cheques da FRIGORÍFICO VALE DO OURO e outra procuração para que passasse a assinar os cheques do ABATEDOURO ITAPERUNENSE, cujas procurações foram lavradas exatamente no mesmo dia 16/09/2005, com isso os nomes dos sócios de fato da empresa param de aparecer na movimentação financeira da mesma. Ou seja, os sócios de fato arrumaram outro "laranja", mas agora da confiança deles, para assinar pelas empresas. O Sr. ECIL DUTRA MENDES tem como experiência profissional ter trabalhado como caseiro, porteiro, carregador de caminhão, e sempre com remuneração baixa. De repente passa a ser procurador de duas empresas, assinando uma quantidade enorme de cheques, declarou que não recebia nada por isso e, dois anos depois compra a empresa, vira sócio da mesma, sem sequer ter qualquer indício de capacidade econômica para isso. Nesse período de setembro de 2005 até o final de 2006, a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE que movimentou recursos elevados de dinheiro, então foi cessando suas atividades e a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO passou a movimentar os recursos no ano de 2007. Assim em meados do ano de 2007 (mês de junho), os sócios de fato colocam a pessoa de sua confiança no quadro societário do FRIGORIFICO VALE DO OURO, o Sr. ECIL DUTRA MENDES, e pagaram R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais) ao Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, conforme cópia do cheque anexada ao Termo de Declaração do mesmo e declaração do próprio dizendo que recebeu essa quantia pela sua saída da sociedade. Além dos fatos acima expostos, foi possível verificar que os sócios de fato continuaram suas atividades dentro das empresas, através das cópias dos cheques emitidos pelas mesmas, onde os mesmos continuam sendo beneficiários de elevadas quantias de dinheiro, até o final do ano de 2007. Fl. 5940DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 41 40 Concluiuse então que a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA foi constituída para dar continuidade às atividades da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA, e foi administrada pelos mesmos sócios de fato, conforme abaixo identificados: •JOSÉ ANTÔNIO FIGUEIREDO POUBEL CPF 569.660.837 04 •MARCO ANTONIO MANGARAVITE CPF 769.784.35791 •PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE CPF 616.278.36772 •HEBER LESSA TINOCO CPF 680.655.90772 •JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA CPF 741.041.79787 •LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA CPF 835.164.847 72 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em decorrência dos depoimentos prestados, constatouse que a empresa FRIGORÍFICA VALE DO OURO foi constituída com o intuito de dar continuidade às atividades da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, que os administradores de fato dessa última criaram uma nova empresa, FRIGORIFICO VALE DO OURO, e encontraram uma pessoa humilde, sem capacidade econômica, mas de confiança, para figurar no quadro societário da mesma, Sr. ECIL DUTRA MENDES. A transição de uma empresa para outra foi exaustivamente mencionada no Termo de Verificação Fiscal, onde se mencionou que as duas empresas funcionaram durante dois anos no mesmo endereço e com o mesmo quadro societário (formado por interpostas pessoas). Esse período de dois anos (junho de 2005 a junho de 2007), foi exatamente na época da transição de funcionamento de uma para outra, pois a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE movimentou recursos elevados nos anos de 2004 até o final de 2006 e a empresa FRIGORIFICO VALE DO OURO, apesar de ter sido constituída em junho de 2005, começou a movimentar recursos elevados no ano de 2007. O Sr. ECIL DUTRA MENDES, pessoa humilde sem capacidade econômica para investir em cotas empresariais, que é compadre do Sr. MARCO ANTONIO MANGARAVITE, um dos sócios de fato das empresas, recebeu duas procurações, no dia 16/09/2005, para movimentar as contas bancárias das empresas ABATEDOURO ITAPERUNENSE e FRI¬GORÍFICO VALE DO OURO. Assim o fez no período de final de setembro de 2005 até o final do ano de 2007 (período final da fiscalização), sendo que em junho de 2007 entrou como sócio da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO. Fl. 5941DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 42 41 Os sócios de fato das duas empresas eram pecuaristas, proprietários de terras, marchantes e os maiores credores da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA, que estava com dificuldades financeiras, e para tentarem recuperar seu dinheiro, receberam procuração da mesma para movimentar sua conta corrente bancária, que foi aberta alguns dias após o recebimento da procuração, ou seja, foi aberta com um intuito. O objetivo era ter a garantia de que receberiam pelas vendas de seus bois e que honrariam os pagamentos aos pecuaristas que efetuavam a intermediação. Para tanto, conforme se constatou, em sede de julgamento na DRF, esses credores passaram a administrara empresa e movimentar com ela, pois constam como beneficiários de enormes quantidades de cheques. E essa relação se manteve durante todo o período fiscalizado. Quanto à empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, verificou se que a procuração outorgando poderes ao Sr. ECIL DUTRA MENDES foi lavrada em 16/09/2005 e a conta bancária no Banco Bradesco foi aberta no dia 18/10/2005, ou seja, a conta bancária também foi aberta com o objetivo de que o outorgante a movimentasse. Constatamos que to¬dos os cheques emitidos foram assinados pelo ECIL DUTRA MENDES. Considerando os Parecer PGFN/CRT/CAT n° 55/2009 e PGFN/CAT n° 1474/2009 atinentes à responsabilidade tributária, em especial ao art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Que o artigo 135, inciso III, do CTN, pode ser aplicado para responsabilizar não só o administrador de direito, mas também o administrador de fato da empresa. Nessa hipótese, temse, pois, que a utilização de pessoa humilde para compor o quadro societário não afasta a responsabilização dos que efetivamente exerciam os poderes de administração, sendo desimportante o fato de os verdadeiros administradores não serem sócios da respectiva pessoa jurídica. Entendeuse que a responsabilidade tributária dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado não decorre de sua condição de sócio, e sim do cometimento de ato ilícito (excesso de poderes ou de infração de lei, contrato social ou estatuto) enquanto administrador daquela sociedade. Dois são os elementos verdadeiramente relevantes para sua responsabilização: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. Esse entendimento excluiu, por obvio, a responsabilização tributária do “laranja" por não exercer a administração da sociedade. Fl. 5942DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 43 42 No que tange à responsabilidade solidária, os Pareceres em comento previram o seguinte: "A consequência jurídica principal da conclusão de que o administrador comete ato ilícito, no exercício da gerência, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário, sem beneficio de ordem, é a de que ele, nesse caso, deve ser considerado “sujeito passivo” e “devedor” para efeito de aplicação da legislação tributária em geral". Dessa forma, considerouse que "a obrigação do responsável é autônoma à da pessoa jurídica no que tange à natureza (licitude ou ilicitude do fato jurídico), ao nascimento (momento do surgimento) e à cobrança (exigência simultânea ou não), mas é subordinada no que tange à existência, validade e eficácia; a obrigação da pessoa jurídica contribuinte, por sua vez, independe da obrigação do responsável no que tange a esses elementos”. Decorre dessa subordinação à necessidade de sempre haver a autuação da pessoa jurídica, para que possa haver a responsabilização das pessoas físicas administradoras. Ou seja, a solidariedade sempre ocorre entre a pessoa jurídica (contribuinte) e a pessoa física (responsável). Diante dos fatos acima descritos, constatados e apurados durante todo o procedimento de auditoria, lavramos Termo de Sujeição Passiva em nome de cada um dos seis contribuintes, abaixo relacionados, considerandoos responsáveis pessoais pela empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA, e cientificandoos da exigência tributária presente no auto de infração e Termo de Verificação Fiscal e seus anexos. •JOSÉ ANTÔNIO FIGUEIREDO POUBEL CPF 569.660.837 04 •MARCO ANTONIO MANGARAVITE CPF 769.784.35791 •PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE CPF 616.278.36772 •HEBER LESSA TINOCO CPF 680.655.90772 •JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA CPF 741.041.79787 •LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA CPF 835.164.847 72 QUALIFICAÇÃO DA MULTA O art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com alteração dada pelo art. 18 da Medida Provisória nº 303, de 29/06/2006, dispõe sobre as aplicações de multas nos casos de lançamentos de ofício. Oportuno se faz transcrever tal artigo e os artigos nele mencionados: "Art 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 5943DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 44 43 I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinquenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a)(...) b)(...) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos ca¬sos previstos nos arts. 71. 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502, de 1964. "Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais: II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tribu¬tária principal ou o crédito tributário correspondente Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o mon¬tante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Portanto, o parágrafo primeiro do art. 44 da Lei ri? 9.430/96, alterado pelo art. 18 da MP 303/2006, prevê multa de cento e cinquenta por cento nos casos de sonegação, fraude e conluio. No caso em concreto, a empresa apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, referente ao período de janeiro a junho de 2007, cujo faturamento total declarado foi de RS 172.141,92, verificamos que a empresa escriturou Receitas nesse mesmo período no valor total de RS 1.029.264,00 e sua movimentação financeira foi de R$ 5.131.212,55 nesse mesmo período. Foram utilizadas interpostas pessoas no quadro social da empresa. Com base na fiscalização da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA, CNPJ 03.551.292/000149, foi possível concluir que a empresa ora fiscalizada foi criada pelos sócios de fato da empresa em referência, os quais foram considerados os Fl. 5944DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 45 44 responsáveis pessoais das duas empresas fiscalizadas, conforme ficou demonstrado. Diante dos fatos acima expostos, procedeuse à qualificação da multa por se enquadrar no parágrafo primeiro do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (artigo alterado pelo art. 18 da MP 303/2006). DESCRIÇÃO DAS IRREGULARIDADES 001 OMISSÃO DE RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS Considerase como Omissão de Receita os valores escriturados nos livros comerciais e fiscais e não declarados à Receita Federal do Brasil. Os valores apurados se referem à diferença entre a Receita Escriturada e a Declarada, através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, referente aos meses de janeiro a junho de 2007, conforme Planilha de Apuração das Receitas Omitidas, a qual faz parte integrante dos auto. 002 – OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Considerase como Omissão de Receita os valores creditados em conta de depósito e de investimento mantida junto à instituição financeira, cuja origem dos recursos não for comprovada, através de documentação hábil e idônea, pelo sujeito passivo regularmente intimado. Os valores apurados se referem à diferença entre o total dos depósitos bancários, cujo sujeito passivo foi intimado a comprovar origem e os valores de Receita Bruta escriturada, obtendose, então, os valores mensais de Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, referente aos meses de janeiro a junho de 2007, conforme Planilha, de Apuração das Receitas Omitidas, a qual faz parte integrante dos autos. 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A empresa fiscalizada declarou os seguintes valores a título de Receita Bruta, cujos percentuais aplicados foram os constantes da tabela abaixo. Tendo em vista a constatação de Omissão de Receitas, os percentuais aplicados sofreram alterações, ficaram mais elevados devido ao aumento nas faixas de Receita Bruta Acumulada, acarretando, por consequência a insuficiência de recolhimento do Simples sobre Receita Bruta já Declarada pelo contribuinte, conforme abaixo especificado. Em relação aos valores lançados na linha 34 da ficha 04 A Constituição de Provisões, referentes aos Custos de Bens e Serviços Vendidos, onde a empresa apresentou o demonstrativo, juntamente com uma relação de todos os gastos de provisões com pessoal, relativas às contas abaixo discriminadas, sendo: Fl. 5945DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 46 45 Mês / Ano Receita B Bruta Declarada Percentuais Aplicados pelo contribuinte Percentuais Apurados pelo fisco após Omissão de Receita Diferença Apurada Lançamento de Oficio 01/2007 R$ 14.916,20 3,00 5,40 R$ 357,99 02/2007 R$ 16.562,90 3,00 5,40 R$ 397,51 03/2007 R$ 16.906,30 3,00 6,20 R$ 541,00 04/2007 R$ 47.468, 15 5,00 11,40 R$ 3.037,96 05/2007 R$ 23.041,51 5,00 12,60 R$ 1.751,15 06/2007 R$ 53.246,86 5,40 15,12 R$ 5.175,59 TOTAL R$ 172.141,92 .... R$ 11.261,20 Da mesma forma que se apurou as omissões de receitas descritas na infração anterior, foram apuradas as insuficiências de recolhimentos. Ou seja, para cada faixa de Receita Bruta Acumulada do SIMPLES existe um percentual correspondente e para cada percentual há o desmembramento relativo a cada tributo federal abrangido, sendo eles: IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS. (*) Sendo assim, as diferenças apuradas foram desmembradas e lançadas conforme o percentual referente a cada tributo. (...) GARANTIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Efetuamos o arrolamento de bens para acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo, conforme determina o artigo 7° da Instrução Normativa SRF n° 264/2002. Os responsáveis pessoais pelo crédito tributário ora lançado também terão seu patrimônio acompanhado pelo fisco PLANILHA DE APURAÇÃO DAS RECEITAS OMITIDAS – A N O D E 2 0 0 7 Obs. 1 – Na coluna Diferença Apurada (2 – 1) foram apuradas as Omissões de Receitas decorrentes da diferença entre os valores Declarados e os Escriturados. Obs. 2 – Na coluna Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (3 – 2) foram apurados os valores decorrentes dessa infração, levandose em consideração a totalidade dos Depósitos Bancários, cujo sujeito passivo foi intimado a comprovar a origem, diminuídos da Receita Bruta Escriturada. Obs. 3 – Apenas no mês de Maio de 2007 o valor dos Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada levou em consideração a ANO 2007 DSPJ1DASN (1) Receita Escriturada Livro Diário (2) Diferença Apurada (211) Mov. Financeira Créditos Bancários (3) Depósitos Bancários Origem Não Comprovada (3 — 2) JAN 14.916,20 12.240,00 0,00 0,00 0,00 FEV 16.562,90 28.512,00 11.949,10 0,00 0,00 MAR 16.906,30 45.412,00 28.505,70 328.010,45 282.598,45 ABR 47.468,15 405.560,00 358.091,85 1.602.766,01 1.197.206,01 MA I 23.041,51 21.560,00 0,00 1.417.168,27 1.394.126,76 JUN 53.246,86 515.980,00 462.733,14 1.783.267,82 1.267.287,82 TOTA IS R$ 172.141,92 R$ 1.029.264,00 R$ 861.279,79 R$ 5.131.212,55 R$ 4.141.219,04 Fl. 5946DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 47 46 coluna (3) menos a coluna (1), tendo em vista que o sujeito passivo declarou valor superior ao escriturado. DAS IMPUGNAÇÕES Frigorífico Vale do Ouro fls. 829/843 Cientificada dos Autos de Infração em 23/09/2010, a pessoa jurídica FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA. apresentou sua impugnação em 25/10/2010, alegando, em síntese: QUE a autuação padece de nulidade pelos seguintes motivos: primeiramente, por incluir, no polo passivo da obrigação tributária, terceiros que não possuem vínculos com a empresa autuada; em segundo lugar, por basear suas conclusões em fatos apurados em ação fiscal levada a efeito junto a uma outra empresa, no caso o ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA, sem que as peças daquele procedimento de fiscalização tenham sido disponibilizadas à empresa autuada; e, finalmente, por não fazer constar dos autos cópias de todos documentos que embasaram os fatos relatados, o que configura cerceamento do direito de defesa; QUE há, também, diversas inconsistências na determinação da base tributável; QUE dentre os vários erros cometidos pela Fiscalização, destacamse valores tributados em duplicidade, decorrentes de "reapresentação de cheques devolvidos", bem assim valores computados indevidamente, em função da rubrica "redução de saldo devedor"; QUE no caso dos lançamentos identificados com histórico de "redução do saldo devedor", cabe ressaltar que, após o crédito, segue um débito no mesmo valor, ou seja, a sistemática adotada pelo banco não significa crédito de origem não comprovada, mas simplesmente redução do saldo devedor em virtude de outros créditos efetuados na contacorrente; QUE a tributação dos depósitos bancários como receitas omitidas, no caso em exame, é improcedente; QUE, no decorrer da ação fiscal, a empresa autuada apresentou à Fiscalização todos os seus extratos bancários e livros contábeis e fiscais, com escrituração de toda a sua movimentação financeira; tal fato, somado à possibilidade de identificação das correspondentes operações na contabilidade, desautoriza a presunção de que os recursos se originaram, de receitas omitidas; QUE, no cálculo dos tributos devidos, a Fiscalização desconsiderou não só a escrituração apresentada, como também o ramo de atividade da empresa autuada; QUE um frigorífico, além de trabalhar submetido ao valor de pauta mínima estabelecido pelo Fisco Estadual, tem muito de sua operação voltada para o simples abate de gado bovino para terceiros; em outras palavras, é um simples intermediário dos pagamentos e recebimentos de terceiros produtores, sendo remunerado pelo valor do serviço de abate; QUE, precisamente por isso, o frigorifico não pode ser tributado pelos valores que transitam em sua conta bancária, mas apenas pelas receitas decorrentes do subproduto do gado abatido; QUE a aplicação da multa de oficio no percentual de 150% é inaceitável; QUE a gradação da referida penalidade, já de plano, ofende o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios Fl. 5947DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 48 47 utilizar tributo com efeito de confisco; QUE não se afigura admissível, tampouco, aplicar multa agravada em tributação decorrente de presunção legal, como é o caso dos depósitos bancários; QUE os possíveis erros cometidos pela empresa autuada em suas declarações de imposto de renda não tipificam, ação dolosa, muito menos sonegação fiscal; QUE a aplicação da multa qualificada exige que a fraude esteja exaustivamente comprovada, o que não ocorreu no caso presente; QUE a responsabilização tributária das pessoas físicas arroladas no Termo de Verificação Fiscal é descabida; QUE não há, nos autos, nenhuma prova de que as referidas pessoas físicas tenham sido procuradoras, administradoras, gerentes ou sócias da empresa autuada, sendo certo que esta sociedade nunca lhes outorgou poderes de representação; QUE os verdadeiros sócios da empresa autuada são pessoas conhecidas, com domicílio certo, e que sempre se dedicaram a atividades correlatas com o objeto da sociedade; QUE, pela leitura do depoimento prestado pelo sóciogerente ECIL DUTRA MENDES, temse claro que o mesmo possui pleno conhecimento das atividades da empresa, do seu quadro de empregados e de sua movimentação bancária; QUE os cheques emitidos pela empresa autuada foram todos assinados pelo sóciogerente ECIL DUTRA MENDES; QUE o fato de a empresa autuada ter sido constituída no mesmo endereço de uma outra é justificado, porque não se tratava do mesmo espaço físico, mas sim de um espaço comercial/industrial que era arrendado para terceiros operarem; QUE o fato de a empresa autuada ter se servido de um cartório localizado na cidade de Bom Jesus do Norte ES não prova nem constitui indício de interposição de pessoas, sendo de conhecimento geral que os emolumentos e taxas do Estado do Espírito Santo são bem inferiores aos do Estado do Rio de Janeiro; QUE, em consequência desta equivocada atribuição de responsabilidade solidária, a empresa autuada acabou tendo violado seu sigilo fiscal e bancário, na medida em que terceiros sem vínculo com a sociedade tiveram acesso a informações relativas à sua atividade e à sua movimentação financeira. João José Neves da Silva – fls 818/824: Cientificado dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidána em 25/09/2010 (fl. 815), o Sr. João JOSÉ NEVES DA SILVA apresentou sua impugnação em 19/10/2010, alegando, em síntese: QUE jamais realizou qualquer atividade, nem mesmo de compra e venda, em nome da sociedade FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA; QUE o fato de ter sido beneficiário de cheques emitidos por esta empresa não o transforma em sócio de fato da mesma nem constitui motivo para a sua inclusão no polo passivo da obrigação tributária; QUE, na medida em que o Impugnante vendia animais de abate para o frigorífico em questão, é natural que o recebimento dessas vendas se desse através de cheques. Luiz Fernando Cardoso da Silva fls 852/858: Fl. 5948DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 49 48 Cientificado dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 28/09/2010 (fl. 817), o Sr. LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA apresentou sua impugnação em 22/10/2010, alegando, em síntese: QUE não faz parte do quadro societário da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO; QUE sempre forneceu bois para serem abatidos no ABATEDOURO ITAPERUNENSE; QUE, no ano de 2003, o mencionado abatedouro passou por graves dificuldades financeiras, em decorrência de desvios de recursos; QUE como a dívida junto aos fornecedores era muito alta, os credores do ABATEDOURO ITAPERUNENSE se reuniram com a diretoria da empresa e resolveram criar uma comissão investigativa; QUE esta comissão tinha um caráter administrativo, agindo de forma a coibir desvios de verbas e assegurar que o dinheiro arrecadado fosse efetivamente depositado na conta da empresa, de lá só podendo ser retirado com o aval dos seus membros; QUE, a despeito dessa participação administrativa, a referida comissão não assumiu o abatedouro, apenas resolveu controlar sua renda, a fim de que a dívida junto aos credores fosse quitada; uma vez sanados os débitos, a comissão seria desfeita; QUE, na oportunidade, foi escolhido, juntamente com outras duas pessoas, para atuar como "fiscal bancário" da empresa, assinando as retiradas de valores; QUE, não tendo conseguido receber sua dívida junto ao abatedouro, solicitou sua retirada da comissão; QUE, depois de se afastar• da comissão administrativa, em 2003, não teve mais qualquer participação na vida financeira do abatedouro, não fez parte de qualquer reunião, nem efetuou qualquer compra direta pela empresa; QUE, a partir daí, passou a fornecer bois diretamente ao FRIGORÍFICO VALE DO OURO, pois o pagamento era direto, não havendo mais atraso no recebimento pela venda dos animais; QUE, em virtude do prejuízo sofrido com o abatedouro, acabou tendo que vender sítios de sua propriedade para pagar dívidas junto a fornecedores; QUE atualmente não mais cria bois, limitandose a intermediar algumas vendas para outros produtores. Juntamente com sua impugnação, o Sr. LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA apresentou cópias de várias notas fiscais de produtor, bem assim de um boletim de ocorrência lavrado em 22/06/2006, dando conta de que teria sido vítima de um furto ocorrido em 04/06/2006, data em que lhe teriam sido levados diversos objetos e documentos, dentre os quais um talão de produtor rural. José Antônio Figueiredo Poubel – fls. 884/894: Cientificado dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 27/09/2010 (fl. 816), o Sr. JOSÉ ANTÔNIO FIGUEIREDO POUBEL apresentou sua impugnação em 25/10/2010, alegando, em síntese: QUE sua inclusão no polo passivo carece de legitimidade; QUE nunca teve poderes de administração ou de gerência em relação à empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO; QUE na sua função de marchante, atuava como mero intermediário de gado, Fl. 5949DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 50 49 comprando junto aos produtores rurais e vendendo aos abatedouros e frigoríficos; QUE o fato de possuir domicílio perto do mencionado FRIGORÍFICO VALE DO OURO não constitui motivo para que lhe seja imputada responsabilidade solidária pelas dívidas fiscais daquela empresa; QUE não tem conhecimento das mudanças ocorridas no quadro societário do referido FRIGORÍFICO VALE DO OURO; QUE a multa de oficio aplicada na presente autuação possui natureza confiscatória. Heber Lessa Tinoco fls. 898/913: Cientificado dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 25/09/2010 (fl. 812), o Sr. HEBER LESSA TINOCO apresentou sua impugnação no dia 25/10/2010, alegando, em síntese: QUE jamais teve seu nome ligado a qualquer ato de gerência da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO; QUE nunca foi procurador da referida pessoa jurídica, nem teve poderes para representála junto a qualquer instituição bancária; QUE não cometeu nenhum ato ilícito que pudesse ensejar a sua responsabilização tributária, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN; QUE, de acordo com os fatos narrados pela própria Fiscaliza¬ção, o verdadeiro dono do FRIGORÍFICO VALE DO OURO era o Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, que deixou que constituíssem uma empresa em sua propriedade e colocou cotas em nome de sua filha, LISANDRA CABRAL MAIA, e de JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, pessoa de confiança de seu contador; QUE se alguma interposição de pessoas existiu, esta se deveu ao Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MALA. MarcoAntônio Mangaravite – fls. 918/933: Cientificado dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 28/09/2010 (fl. 814), o Sr. MARCO ANTÔNIO MANGARAVITE apresentou sua impugnação em 25/10/2010, alegando, em síntese: QUE jamais teve seu nome ligado a qualquer ato de gerência da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO; QUE nunca foi procurador da referida pessoa jurídica, nem teve poderes para representála junto a qualquer instituição bancária; QUE não cometeu nenhum ato ilícito que pudesse ensejar a sua responsabilização tributária, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN; QUE, de acordo com os fatos narrados pela própria Fiscalização, o verdadeiro dono do FRIGORÍFICO VALE DO OURO era o Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, que deixou que constituíssem um empresa em sua propriedade e colocou cotas em nome de sua filha, LISANDRA CABRAL MAIA, e de JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, pessoa de confiança de seu contador; QUE se alguma interposição de pessoas existiu, esta se deveu ao Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MALA. Pedro Afonso Guarita de Rezende – fls. 938/953: Cientificado dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 27/09/2010 (fl. 813), o Sr. PEDRO Fl. 5950DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 51 50 AFONSO GUARIZA DE REZENDE apresentou sua impugnação em 25/10/2010, alegando, em síntese: QUE jamais teve seu nome ligado a qualquer ato de gerência da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO; QUE nunca foi procurador da referida pessoa jurídica, nem teve poderes para representála junto a qualquer instituição bancária; QUE não cometeu nenhum ato ilícito que pudesse ensejar a sua responsabilização tributária, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN; QUE, de acordo com os fatos narrados pela própria Fiscalização, o verdadeiro dono do FRIGORÍFICO VALE DO OURO era o Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, que deixou que constituíssem um empresa em sua propriedade e colocou cotas em nome de sua filha, LISANDRA CABRAL MAIA, e de JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, pessoa de confiança de seu contador; QUE se alguma interposição de pessoas existiu, esta se deveu ao Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA.. Em face de tais argumentos, entenderam os membros da Turma de Julgamento da DRJ/Campos RJ, nos termos do relatório e do voto vencedor, NEGAR PROVIMENTO às impugnações apresentadas pela empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA e pelos responsáveis solidários, conforme consta na ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Estando presentes nos autos todos os elementos de prova que embalaram a lavratura do auto de infração, e dispondo o sujeito passivo de todas as informações de que precisa para entender o teor da acusação fiscal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO DIÁRIO E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A autoridade julgadora não conhecerá da matéria que não tenha sido expressamente impugnada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei ri' 9.430/1996. Fl. 5951DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 52 51 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. REPOSICIONAMENTO DE FAIXA COM ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA. INSUFICIÊNCIA DE RE¬COLHIMENTOS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos no regime do Simples. Correto, portanto, o lançamento das diferenças resultantes das insuficiências de recolhimento. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Correta a aplicação de multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, quando demonstrada a intenção do sujeito passivo de omitir do conhecimento do Fisco a receita de sua atividade, como no caso em que vem a informar, na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica DSPJ, em todos os meses, valores muito menores do que aqueles apurados na ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastara aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade. Correta, portanto, a aplicação da multa de oficio de 150%, prevista no art. 44, § 1% da Lei n° 9.430/1996, não cabendo ao julgador administrativo conhecer da arguição de confisco. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS DE FATO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Constatada a utilização de "laranjas" no quadro societário da empresa, responderão pela obrigação tributária, em caráter solidário, todos aqueles que houverem sido identificados como sócios de fato, na forma do art. 135, inciso 111, do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face do referido acórdão de Primeira Instância a FRIGORÍFICO VALE DO OURO interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. Fl. 5952DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 53 52 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. Das Preliminares Do Cerceamento do Direito de Defesa Entendo que não há hipótese de cerceamento do direito de defesa levantado em sede de impugnação e ratificado no Recurso Voluntario, pois constam dos autos todos os elementos necessários que embasam a autuação, dando ao interessado todas as informações de que se precisava para se defender, o que de fato aconteceu quando das apresentação das impugnações de primeira instância. Assim, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração originário por cerceamento de direito de defesa. Do Suposto Julgamento Extrapetita Alega a Recorrente a nulidade do acordão guerreado, tendo em vista o suposto julgamento extrapetita do caso. A Recorrente aduz ser impossível que a empresa Frigorífico Vale do Ouro Ltda é sucessora da empresa Abatedouro Itaperuna Ltda, principalmente alegando que no mundo empresarial real, empresas surgem aproveitando as instalações já existentes, sem que necessariamente configure sucesso. No presente caso, os argumentos da recorrente não merecem prosperar. Conforme bem discriminado no relatório, percebese clara toda a operação realizada no presente caso, motivo pelo qual o Termo de Verificação Fiscal, bem como a ação fiscal abordaram os pontos aqui retratados pela Recorrente. Assim, não há que se falar em julgamento extra petita, mas sim real inconformismo da Recorrente, que, conforme consta em seu recurso nos tópicos seguintes rebateu os pontos os quais lhe entendiam desfavoráveis. Do Mérito Da Questão considerada com não Impugnada Alega a Recorrente que, diferente do que consta na decisão de primeira instancia, não houve nenhuma parte não impugnada. Fl. 5953DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 54 53 Da analise da Impugnação de fls. 829843, percebese que a decisão da DRJK está correta, tendo em vista que naquela peça de defesa não foi abordado defesa especifica quanto a omissão de receita no valor de R$ 861.279,79, referente a diferença apurada entre os valores declarados na DSPJ e os escriturados no Livro Diário. Na peça impugnatória, a Recorrente atevese a questionar alguns preliminares de erro no procedimento fiscal, o ponto de mérito referente aos depósitos bancários, bem com a qualificação da multa de oficio. Assim, não merece reparos essa parte da decisão que reconheceu como não litigiosa parte do Auto de Infração. Da Omissão de Receita referente aos Depósitos Bancários A Recorrente, repetindo os argumentos da faze impugnatória, aduz que a base de cálculo da autuação estaria equivocada, pois nesta fora incluída créditos cujo histórico de lançamentos permitem concluir não se tratar de credito de não origem não comprovado calcado em depósitos bancários, a exemplo de “reapresentação de cheques devolvidos” e “redução de saldo devedor”, com base na planilha de fls.846/850. Compulsando os autos, e principalmente os extratos de fls. 70/123, percebe se a existência de vários lançamentos com o histórico de “redução sdo dev”, conforme afirmado pela Recorrente em sua peça de defesa. Ocorre que, diferente do que alegada a contribuinte, o histórico não revela nada sobre a natureza ou origem desses créditos apontados. Assim dispõe o Artigo 287 do Decreto 3.000/99 (RIR/99): Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). Ou seja, conforme consta no dispositivo supra, para que se possa afastar a presunção de omissão de receita, necessário se faz que o contribuinte autuado, regularmente intimada, comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos, não bastando apenas demonstrar o lançamento na escrita fiscal. É presunção cujo ônus se inverte em desfavor ao contribuinte. Assim, não fora provado o crédito pertinente ao histórico de “redução sdo dev”, motivo pelo qual deverá ser mantida a autuação. Quanto aos valores de “devolução de cheques”, o contribuinte segue linha de defesa diversa da autuação, uma vez que não constavam na planilha elaborada pela fiscalização, sendo que estes não compõem a base de calculo do lançamento tributário sob questão. Além disso, alega que todas as suas operações estão devidamente registradas em sua escrita contábil e fiscal, o que desautorizaria a presunção de que tais recursos se originaram de receitas mantidas a margem da escrituração. Ocorreu que não procede o argumento utilizado pela Recorrente, uma vez que para a afastar a presunção de omissão de Fl. 5954DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 55 54 receitas, é necessário, conforme anteriormente afirmado, comprovar por documentação hábil e idôneo cada origem de credito, o que de fato não foi feito pelo contribuinte. Conforme diversas vezes já debatidas nesta turma julgadora, o artigo 42 da Lei 9430/96 criou a presunção legal de omissão de receita quanto aos valores creditados em conta corrente de instituição financeira que não forem comprovados uma a um por documentação hábil e idônea. A referida presunção legal só pode ser desfeita mediante a comprovação da origem dos depósitos, a qual é ônus do contribuinte. O artigo 18 da Lei n° 9.317, de 1996, estendeu As microempresas e empresas de pequeno porte todas as presunções de omissões de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições aqui referidos, tomandose perfeitamente aplicáveis ao caso. Desse modo, os valores dos créditos foram caracterizados como omissões de receitas e bases de cálculos das tributações. Em se tratando de depósitos bancários de origens não comprovadas, cada valor constituise por si próprio na presunção relativa a omissão de receitas, tributandose o somatório dos valores nesta condição. Prossegue a Recorrente alegando que a sua atividade consiste no abate de gado bovino, constituindo, por isso, urna prestação de serviço, sendo esta a origem de suas receitas. Documentos que constituem o processo indicam que não é verídica a afirmação da Recorrente. Analisandose a Demonstração de Resultado da pessoa jurídica, As fls. 618/621, vêse que os registros de sua contabilidade revelam se tratar, sim, que sua atividade é de compra e venda de mercadorias. A fl. 18, por exemplo, temos que a pessoa jurídica comprou mercadorias para comercialização, num total de R$ 2.636.618,35. A fl. 620, registrase que houve vendas de mercadorias no total de R$ 3.953.237,50. A fl. 621, na demonstração do resultado do período, constatase, também, que a atividade do Interessado é a de compra e venda de mercadorias, e não a de prestação de serviços. Da mesma forma, na Declaração Simplificada PJ, As fls. 626/631, o interessado informa na linha 02 do quadro 04 A, em todos os meses, valores de "Receita bruta não decorrente de prestação de serviços". Mas, ainda que fosse essa a atividade do Interessado, somente se afastaria a hipótese de omissão de receitas, como caracterizada, se a origem dos créditos bancários fosse devidamente comprovada, como já se disse aqui. Em face de todo o exposto, entendo serem procedentes os lançamentos do IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS referentes às omissões de receitas. No que tange a reclassificação da alíquota, a decisão de primeira instancia também não mercê reparos, pois a receita bruta auferida extrapolou aquela declarada, por força da omissão de rendimentos verificada, admitindose a incidência da tributação mediante utilização de outros percentuais que não são aqueles considerados pela Recorrente, de acordo com o reenquadramento da receita efetivamente auferida, nos limites do artigo 5º da lei 9317/96. Da Multa Qualificada Fl. 5955DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 56 55 No presente caso, a multa aplicada sobre os tributos exigidos foi majorada de seu percentual básico, que é de 75%, para 150%. Segundo o artigo 44 da Lei 9.430/96, o percentual é duplicado nos casos previstos nos artigos. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (sonegação, fraude ou conluio) e é aumentado de metade nos casos de o contribuinte não atender a Intimação para prestar esclarecimentos. Para a Fiscalização aplicar a multa qualificada e majorada, há que restar provado, ao menos, a existência da sonegação ou da fraude. Tanto a fraude quanto a sonegação correspondem, segundo os art. 71 e 72, da Lei n° 4.502/64, a atos comissivos ou omissivos que visem impedir ou retardar a constituição do crédito tributário ou a sua satisfação. Depreendese, ainda, da leitura dos dispositivos acima transcritos que, para aplicar a multa qualificada, é necessário observar a existência do elemento subjetivo dolo para caracterizar o intuito (dolo direto), ou o risco assumido (dolo indireto), de fraudar ou de sonegar. Sustenta a decisão recorrida que, no caso em tela, resta justificada a aplicação da multa no percentual de 150% pela ocorrência dos ilícitos previstos na Lei n° 4.502/64, conclusão a que se chegou em razão dos fatos e situações que teriam sido colhidos dos autos do presente processo. Para aplicação da multa mais gravosa, é preciso que a autoridade lançadora justifique a majoração, apontando e demonstrando os fatos que, em seu entendimento, caracterizariam as hipóteses estabelecidas pela lei, situação hipotética que restou comprovada no presente caso, conforme já descrito no presente voto. Da Imputação de Responsabilidade Passiva Solidária Conforme descrito no Relatório, entendeu a autoridade autuante que as pessoas a seguir relacionadas eram os sócios de fato da pessoa jurídica autuada, e por isso sujeitos passivos solidários da obrigação tributária: JOSÉ ANTÔNIO FIGUEIREDO POUBEL CPF 569.660.83704 MARCO ANTONIO MANGARAVITE CPF 769.784.35791 PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE CPF 616.278.36772 HEBER LESSA TINOCO CPF 680.655.90772 JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA CPF 741.041.79787 LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA CPF 835.164.84772 A despeito do árduo e detalhado trabalho efetuado pela fiscalização, não vislumbro, aqui, a ocorrência da hipótese prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional, motivo pelo qual a decisão da DRJ merece ser reformada. Na prática, nas autuações fiscais, quando o Auditor Fiscal almeja a responsabilização de terceiros pelos créditos tributários das pessoas jurídicas autuadas, lavra os Fl. 5956DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 57 56 denominados “Termos de Sujeição Passiva Solidária”, notificando os sócios das empresas. Existem diversos casos que o termo simplesmente arrola o nome do sócio ou administrador e o cientificava da exigência tributária lançada contra a empresa, “para fins do disposto no art. 135 do CTN”. A justificativa comumente apresentada é a de que, como o auto de infração foi lavrado com multa qualificada, isto é, quando a Fiscalização entendeu que houve fraude, são formalizados, também, os termos de sujeição passiva solidária em face dos sócios responsáveis pela administração da empresa. Ocorre que, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN, para que a cobrança do crédito tributário da pessoa jurídica seja redirecionada para a pessoa de seus diretores, gerentes ou representantes legais, obrigatoriamente, há de ser seus pressupostos legais, quais sejam: que haja excesso de poder ou infração à lei, nos atos praticados. Tais termos de sujeição passiva têm sido lavrados em desfavor dos sócios sem a comprovação da sua atuação com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Essa arbitrariedade na lavratura de tais atos administrativos, acaba por mitigar o direito de defesa das referidas pessoas, como tem se manifestado o Superior Tribunal de Justiça.1 Registrese no presente caso que nem mesmo a efetiva participaçao das pessoas físicas no quadro societário restou cabalmente demonstrada. Ressaltese que, interpretando a expressão “infração de lei, contrato social ou estatutos”, expressa no mencionado art. 135, do CTN, é pacífico que, não é sempre que a pessoa física pode ser responsabilizada por débitos contraídos pela pessoa jurídica. A mera ausência do pagamento de tributos não pode ser caracterizada como infração à lei, contrato social ou estatutos.2 Tornase necessária a prova de que o administrador da pessoa jurídica se beneficiou pessoalmente com a inadimplência ou se ele dissolveu a sociedade irregularmente, para haver eventual caracterização de sua responsabilidade tributária. Sobre o tema, vale trazer à baila as lições de Hugo de Brito Machado Segundo: [...] Dessa forma, os diretores e sóciosgerentes apenas podem ser responsabilizados, nos termos do art. 135 do CTN, quando atuem fora dos limites de sua competência. Essa situação, obviamente, é aquela que se dá com infração das normas que limitam essa competência, que são exatamente a lei societária, o contrato social ou os estatutos. [...] Se o tributo (direto ou indireto) não é pago pela pessoa jurídica que não dispõe de recursos, ou os utiliza para outros fins lícitos (v.g. pagamento de folha de salários), temse uma dívida da sociedade, não paga pela sociedade. Entretanto, se 1 “[...] Na execução fiscal, contra sociedade por cotas de responsabilidade limitada, incidência de penhora no patrimônio de sóciogerente, pressupõe a verificação de que a pessoa jurídica não dispõe de bens suficientes para garantir a execução. De qualquer modo, o sóciogerente deve ser citado em nome próprio e sua responsabilidade pela dívida da pessoa jurídica há que ser demonstrada em arrazoado claro, de modo a propiciar ampla defesa”. (REsp 141516/SC, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, Primeira Turma, julgado em 17/09/1998, DJ 30/11/1998, p. 55). “Tenho que a dívida fiscal é da sociedade. O sóciogerente só responde por ela se ficar provado que agiu com excesso de mandato ou infringência à lei ou ao contrato social. Essa prova há de ser feita pelo Fisco” (Trecho do voto do Relator José Delgado, EREsp 100.739, DJ de 28/02/00). 2 Esse entendimento já é, inclusive, sumulado: “o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente” (Súmula nº 430 do STJ, DJe 13/05/2010). Fl. 5957DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 58 57 esse mesmo tributo (direito ou indireto) não é pago porque desfalcado o patrimônio da pessoa jurídica aos que a dirigem, que dolosamente não recolhem o tributo e do valor respectivo se apropriam, em infração à lei societária, temse nítida a incidência da norma contida no art. 135, III, do CTN. Nesse último caso, ressaltese, não foi da pessoa jurídica o ato que infringiu a lei, não pagando o tributo, mas do seu diretor ou gerente, enquanto pessoa natural.3 Diante da análise individualizada dos requisitos indispensáveis para que o responsável tributário seja executado, evidenciase a necessidade de demonstração da prática dos atos infracionais, cabendo a produção da prova de tal situação exclusivamente à Fazenda Pública. Não é aceitável a tentativa de migração da responsabilidade da pessoa jurídica para um suposto responsável tributário sem a preexistência de uma regular investigação procedida pela autoridade administrativa competente acerca da ocorrência das situações que autorizam essa substituição. Noutros termos, a mera afirmação unilateral do Fisco efetuada após a constituição de seus créditos tributários sobre a existência de responsáveis tributários, para fins de responsabilização passiva, é atitude que não tem amparo no direito positivo porquanto acaba por menoscabar a própria garantia constitucional da ampla defesa. Ora, autorizado pelo princípio do inquisitivo, promove o Fisco uma constante busca pela verdade material, com o desiderato de lavrar o auto de infração e demonstrar a prática de atos infracionais, podendose utilizar de todos os meios de prova para tal fim. Não se pode perder de vista que é dever inarredável do Fisco motivar, a contento, todos os atos administrativos postos a seu encargo pelo ordenamento jurídico. Cuida se de um dever jurídico da Fazenda Pública, cuja vinculação originase do mais elevado patamar normativo, o da Constituição da República Federativa do Brasil, como corolário dos magnos princípios da legalidade e da tipicidade. Dever jurídico emergente da própria Carta Política (cf. art. 5º, II e XXXIX; art. 37, caput, e art. 93, X),4 e não mero ônus processual, enquanto parte num determinado contencioso. Ora, o dever de motivar quaisquer atos administrativos – bem o definiu a melhor doutrina – antecede mesmo a própria existência do eventual litígio na esfera administrativa. A propósito, leiase o escólio de Alberto Xavier:5 Ao contrário do que entendia a antiga jurisprudência do Reichsfinanzhof e do Supremo Tribunal Administrativo da Prússia, apoiada na doutrina por Rauschning, Berger e Louveaux, segundo a qual no procedimento de lançamento existiria uma repartição do ônus da prova semelhante à que vigora no processo civil, cabendo à Administração provar os fatos constitutivos do seu direito e ao contribuinte provar os fatos impeditivos, é hoje concepção dominante que não pode falarse num ônus da prova do Fisco, nem em sentido material, 3 MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Problemas de Processo Judicial Tributário. 4o vol. Coordenador: Valdir de Oliveira Rocha, São Paulo, Dialética, 2000, pp. 137/138. 4 O dever de motivação das decisões administrativas do Poder Judiciário, objeto da norma veiculada no art. 93, X, da CRFB, é, obviamente, por equivalência ou paridade, claramente extensível às autoridades do Poder Executivo, notadamente àquelas lotadas em órgãos da Fiscalização Tributária. Sobre o tema, leiase a conhecida doutrina de Lúcia Valle Figueiredo, in Mandado de Segurança. 2ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1996, p. 143. 5 XAVIER, Alberto. Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro. 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 155156. Fl. 5958DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 59 58 nem em sentido formal. Com efeito, se é certo que este se sujeita às consequências desfavoráveis resultantes da falta de prova, não o é menos que a averiguação da verdade material não é objeto de um simples ônus, mas de um dever jurídico. Tratase, portanto, de um verdadeiro encargo de prova ou dever de investigação, que não se vê vantagem alguma em designar por novos conceitos, ambíguos quanto à sua natureza jurídica, como o de ônus de prova objetivo (objektive Beweislast), ônus da probabilidade (Vermutungslast) ou situação, base ou condição da prova (Beweislagen). De fato, o descumprimento do dever jurídico de motivar o ato administrativo, ou seja, a tentativa de responsabilização de terceiros sem prova contundente e cabal, importa, na declaração de nulidade do referido termo. Vide novamente o magistério de Alberto Xavier:6 Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova (Beweislösigkeit), esta deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quantitativo inferior, [...]. Um pressuposto do direito de ampla defesa, do princípio do contraditório e do direito de acesso ao Poder Judiciário consiste no dever de fundamentação expressa dos atos administrativos que afetem direitos e interesses legítimos dos particulares. Com efeito, só a externação das razões de fato e de direito que conduzem a autoridade à prática de certo ato permitem ao cidadão compreender a decisão e livremente optar entre aceita la ou impugnála administrativa ou jurisdicionalmente. Também só com essa externação será possível ao órgão julgador controlar a validade do ato impugnado. E daí que a Constituição de 1988 tenha estabelecido no inciso X do artigo 93 o dever de fundamentação das decisões administrativas do Poder Judiciário, dever este extensível às autoridades administrativas, por paridade de razão. Sendo pressuposto do exercício de direitos constitucionalmente assegurados, o dever de fundamentação tem também raiz constitucional, pelo que devem reputarse inconstitucionais leis que eventualmente o dispensem ou restrinjam. [...] Nos atos vinculados – como é o caso do lançamento – a fundamentação contentarseá com a indicação dos pressupostos de fato e da lei aplicável, que constituem as premissas do raciocínio subsuntivo de aplicação da lei. [...] Em certos atos, como o lançamento de ofício, a revisão do lançamento ou o lançamento por arbitramento, a fundamentação deve abranger a demonstração dos pressupostos de fato que os legitimam, bem como as razões probatórias ou outras que conduziram a que tais atos fossem praticados da maneira que o foram. 6 XAVIER, Alberto. Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro. 3. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 158 e 178182. Fl. 5959DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 60 59 Assim, um lançamento efetuado sem fundamentação ou com fundamentação insuficiente, pela nãoexteriorização clara e precisa dos pressupostos de fato e da lei aplicável, é nulo por vício de forma. Ainda nessa esteira, observese o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (destacamos) Por oportuno, vale lembrar a diferença entre o motivo e a motivação do ato administrativo de lançamento. O motivo (ou “causa” do lançamento) será sempre único, qual seja, a ocorrência do fato imponível da obrigação ou a prática da infração tributária. Deve, pois, a Administração declarar a ocorrência desse fato. A seu turno, a motivação é o discurso justificador do ato administrativo. Contém a enunciação dos motivos e demais pressupostos exigidos legalmente para a prática do ato. Isto é, enquanto o motivo se insere na órbita da própria estrutura do ato administrativo, a motivação diz respeito à sua validade. Todo lançamento de ofício ou auto de infração contém motivo: a ocorrência do fato imponível (art. 114 do CTN). E deve conter, necessariamente, a motivação: o discurso justificador, isto é: a demonstração da ocorrência desse fato. Por isso, a motivação somente alcança seus fins por intermédio da prova, não havendo campo para presunção. É na motivação que se cuida de demonstrar a efetiva existência do motivo. O administrador tem a obrigação de provar o motivo. Nesse diapasão, o artigo 212, do Código Civil, ao contemplar a admissibilidade de todos os meios de prova para alcançar a verdade real das declarações de vontade, prescreve que: “salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia”, os quais devem ser utilizados para demonstrar, de maneira inequívoca, a presença de simulação ou fraude operada pelos contribuintes e eventuais corresponsáveis. Nas hipóteses de meras lavraturas de termos de sujeição passiva solidária em desfavor do sócioadministrador, sem que o fiscal autuante se preocupe provar a infração, carece de suporte fático a autuação, por carência de motivação. Sem provas de que o gestor agiu com dolo, fraude ou simulação, em afronta a lei ou ao contrato social, sem diligências visando a constatar a gestão fraudulenta da sociedade, não se pode pretender a sua responsabilização. Ressaltese: a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica de Fl. 5960DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 61 60 determinada sociedade é um ato grave e com inúmeros desdobramentos, que repercutem, sobretudo, na estabilidade dos setores econômico e financeiro de nosso país. Diante dessa divagação da responsabilidade tributária solidaria, percebese que no presente caso não há prova de que os sujeitos passivos incorreram com violação ao artigo 135, com fraude de estatuto ou lei. Além disso, não há nos autos elementos que possam comprovar, de forma inequívoca, que essas pessoas eram, a época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos, sócios de fato ou administradores da pessoa jurídica. Por exemplo, a procuração a que se refere a auditora, A fl. 791, lavrada em 2003, tinha como outorgante outra pessoa jurídica ABATEDOURO ITAPERUNENSE , na qual são estabelecidos poderes para que os mandatários pudessem movimentar as contas bancárias dela. Em relação a pessoa jurídica que tem relação com os fatos geradores dos tributos, isto é, FRIGORÍFICO VALE DO OURO, o que se tem, conforme consta do TVF, é a existência de uma procuração, lavrada em 2005, tendo como outorgado, para representar o interessado junto ao Bradesco, o Sr. ECIL DUTRA MENDES, CPF 012.939.53741, sendo que este não está relacionado como um dos responsáveis tributários por solidariedade. As pessoas físicas envolvidas como devedores solidários argumentam, em suas defesas, que a relação que mantinham com a Recorrente era puramente comercial, ora atuando como vendedores de bois para o FRIGORÍFICO, ora atuando como intermediários entre o FRIGORÍFICO e outros pecuaristas. Em relação A pessoa jurídica que tem relação com os fatos geradores dos tributos, isto 6, FRIGORÍFICO VALE DO OURO, o que se tem, conforme consta do TVF, é a existência de uma procuração, lavrada em 2005, tendo como outorgado, para representar o interessado junto ao Bradesco, o Sr. ECIL DUTRA MENDES, CPF 012.939.53741, sendo que este não está relacionado como um dos responsáveis tributários por solidariedade. Notese também que não há nenhum documento, entre aqueles encaminhados A RFB pelo Banco Bradesco, assinado por qualquer dos sujeitos passivos indicados como solidários. Os anexos I a IV contêm cópia de cheques emitidos pelo Recorrente a RFB encaminhados pelo Bradesco, requisitados pela fiscalização.O fato de as pessoas em questão constarem como beneficiárias desses cheques, e não como signatárias, indica, a meu ver, que são plausíveis os seus argumentos de que atuaram apenas como vendedores de mercadorias para o FRIGORÍFICO. Se não for assim, qual seria a origem, a motivação, desses pagamentos efetuados pelo Interessado a essas pessoas? Não me parece razoável vincular tais pagamentos a remuneração por atos de gestão. Conforme anteriormente afirmado, a responsabilidade das pessoas descrita no artigo 135 do CTN é pessoal e solidária. O dispositivo citado impõe a prática de atos diversos ao estabelecido em lei ou contrato social ou estatuto com o propósito de incorrer a responsabilidade solidária. Deveriam ter sido carreadas aos autos provas incontestes da responsabilidade das pessoas antes listadas com os fatos que levaram A lavratura do auto de infração, o que de fato não ocorreu. Fl. 5961DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 62 61 Assim, é nítida que não como subsistir a responsabilidade solidaria do presente caso, motivo pelo qual deverá ser afasta a responsabilização de todos os envolvidos. Ante todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário afastar a responsabilidade das pessoas físicas por considerar como não caraterizada a hipótese prevista no artigo 135 do CTN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado O ilustre Conselheiro Relator apresentou respeitável voto, em que deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a responsabilidade das pessoas físicas, por considerar como não caraterizada a hipótese prevista no artigo 135 do CTN. Após prolongados debates, foram colhidos os votos dos demais conselheiros integrantes desse colegiado, tendo o ilustre Relator restado vencido, por maioria de votos, em relação a esta questão. Fui designado pelo conselheiro Presidente para redigir o voto vencedor, demonstrando os motivos pelos quais as pessoas físicas devem permanecer no polo passivo dos presentes lançamentos. É o que passo a fazer, com a devida vênia do ilustre Conselheiro Relator. Responsabilidade tributária das pessoas físicas Em que pesem os respeitáveis argumentos expostos pelo ilustre Conselheiro Relator, peço licença para consignar as razões de divergência deste colegiado, no que diz respeito à exoneração da responsabilidade dos Srs. Heber Lessa Tinoco (CPF 680.655.90772), João José Neves da Silva (CPF 741.041.79787), José Antônio Figueiredo Poubel (CPF 569.660.83704), Luiz Fernando Cardoso da Silva (CPF 835.164.84772), Marco Antônio Mangaravite (CPF 769.784.35791) e Pedro Afonso Guariza de Resende (CPF 616.278.367 72). No caso concreto, considero que a participação destas pessoas físicas na gestão da empresa autuada, mediante utilização de interpostas pessoas ("laranjas"), resultou fartamente demonstrada, por meio de um amplo conjunto de informações consistentes e robustos elementos de prova. Os elementos fundamentais que comprovam a participação destas pessoas física na gestão da empresa autuada podem ser localizados nos próprios depoimentos prestados pelaas citadas pessoas, em conjunto com as informações constantes das respectivas declarações de rendimentos. Fl. 5962DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 63 62 Esta questão foi analisada com bastante objetividade e precisão pelo voto condutor da decisão de piso, fls. 1209, verbis: Tomando por base os depoimentos prestados pelos personagens envolvidos e as informações constantes das respectivas declarações de rendimentos, fica claro que os sócios de direito do FRIGORÍFICO VALE DO OURO Sr. José Carlos Coelho Rodrigues (CPF 002.207.377970) e Sra. Luzia Amélia de Moraes Abreu (CPF 70.310.02753); e, num momento posterior, Sr. Ecil Dutra Mendes (CPF 012.939.53741) e Sr. Ivan dos Santos (CPF 570.678.21720) não tinham capacidade para gerenciar uma empresa de tal porte, sendo indivíduos de modestissimo patrimônio e nenhuma expertise empresarial. Os elementos acostados aos autos evidenciam, por outro lado, que o FRIGORÍFICO VALE DO OURO foi criado com o intuito de dar continuidade ao negócio que já vinha sendo explorado pelo ABATEDOURO ITAPERUNENSE. Basta ver que, entre agosto de 2005 e agosto de 2007, as duas empresas funcionaram no mesmo endereço, e com o mesmo quadro societário. Ora, considerandose que os Srs. Heber Lessa Tinoco, João José Neves da Silva, José Antônio Figueiredo Poubel, Luiz Fernando Cardoso da Silva, Marco Antônio Mangaravite e Pedro Afonso Guariza de Resende eram, originariamente, credores do ABATEDOURO ITAPERUNENSE, e que assumiram a gestão da empresa, a partir do ano de 2003, com inteiro controle de sua movimentação financeira, é fora de dúvida de que passaram a gerenciar, também, o FRIGORÍFICO VALE DO OURO. O Termo de Verificação Fiscal foi bastante esclarecedor ao analisar a rersponsabilidade tributária das pessoas físicas Srs. Heber Lessa Tinoco, João José Neves da Silva, José Antônio Figueiredo Poubel, Luiz Fernando Cardoso da Silva, Marco Antônio Mangaravite e Pedro Afonso Guariza de Resende, verbis: CONCLUSÃO DO FISCO SOBRE OS DEPOIMENTOS PRESTADOS É o fato dos sócios de direito da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, que posteriormente constituíram a empresa FRIGORIFICO VALE DO OURO LTDA são interpostas pessoas pelos motivos já expostos e relatados, resumidamente, a seguir: 1º) A Sra. LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU afirmou que só assinou contratos e procurações a pedido, que nunca foi nas empresas e nunca administrou nada, além de não possuir capacidade econômica para ser sócia das mesmas. Ela vem a ser mãe do contador das duas empresas, na época. 2º) O Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES afirmou ser o sócio das empresas ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA e, posteriormente, FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA. Apesar de não ter a menor ideia do quanto em milhões de reais as mesmas movimentaram nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007. Bem como não se beneficiou em nada desse dinheiro, pois não Fl. 5963DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 64 63 possuía e até hoje não possui capacidade econômica ou contributiva que indique que o mesmo era dono das empresas fiscalizadas. Além do mais, era e ainda é amigo da família do contador das empresas, AFFONSO CELSO DE MORAIS ABREU. A empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE foi constituída ao final do ano de 1999, não teve qualquer indicio de omissão de receita até o final do ano de 2003. Acreditamos que nesse período o verdadeiro dono da empresa era o Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, que colocou inicialmente sua filha, LISANDRA CABRAL MAIA e uma pessoa de confiança do seu contador, AFFONSO CELSO DE MORAIS ABREU, que era Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, como sócios da empresa. Em maio de 2001, o Sr. CARLOS ALBERTO entra como gerente da empresa e em agosto de 2001, sua filha teve que sair da empresa devido a problemas pessoais, então entra na sociedade outra pessoa de confiança do contador, a Sra. LUZIA AMÉLIA, mãe do mesmo. (Cópia do depoimento do mesmo,anexado, junto com os depoimentos prestados pelos envolvidos). Com base nos depoimentos prestados e com relação a esse ponto todos afirmaram ser verdade, a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE não estava pagando suas dívidas com os fornecedores de gado para abate. Essa dificuldade financeira foi descoberta pelos credores em setembro ou outubro de 2003, período em que foi feito um levantamento dos valores que cada credor (criador de boi, pecuarista) tinha a receber, conforme documento (uma lista) apresentada pelo Sr. LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA, que se encontra anexada ao Termo de Declaração do mesmo. Os seis maiores credores na época eram os contribuintes abaixo relacionados: •JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA •LUIZ, FERNANDO CARDOSO DA SILVA •JOSÉ ANTÔNIO FIGUEIREDO POUBEL •MARCO ANTONIO MANGARAVITE •PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE •HEBER LESSA TINOCO Nos depoimentos, os contribuintes envolvidos disseram que eram MARCHANTES, que faziam a intermediação entre o criador de boi e o Abatedouro, mas quando perguntados e conforme constatamos nos sistemas da RFB, confirmaram que também criavam gado, eram pecuaristas e ainda são com exceção dos Srs. JOÃO JOSE NEVES DA SILVA e LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA, CPF 835.164.84772 que venderam suas propriedades. Fl. 5964DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 65 64 Sendo assim, todos os envolvidos, além de serem pecuaristas e venderem gado para abate, também ganhavam comissão pelo trabalho de intermediação na venda de gados de terceiros ao abatedouro. Outro fato relevante é a proximidade das propriedades dos mesmos em relação ao ABATEDOURO, apesar de alguns terem propriedades no Espírito Santo, em Santa Maria de Campos, em Bom Jesus do Itabapoana RJ, essas localidades são muito próximas umas das outras, ficando no noroeste do Estado do Rio de Janeiro, fronteira com o Estado do Espírito Santo, cidade de Bom Jesus do Norte/ES. Inclusive, o Sr. PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE destacou o fato do Abatedouro ser próximo de suas propriedades, ou seja, tornandose imensamente interessante para estas pessoas que a empresa não fechasse suas portas. Eassim, sabendo que o ABATEDOURO estava em dificuldades financeiras e, inclusive, eles eram os maiores credores da empresa, tinham interesse direto em recuperar seu dinheiro, além de terem interesse direto que a empresa não fechasse suas portas, devido à facilidade e menor custo no transporte dos bois para abate, receberam uma procuração, abriram uma conta corrente bancária em nome da empresa e passaram a administrar a mesma, dizendo que dessa forma teriam a garantia de receber o dinheiro que lhes era devido. Os procuradores envolvidos enfatizaram em seus depoimentos que pegaram a procuração para garantir que receberiam o dinheiro pela venda dos bois para abate, que só assinavam cheques para pagar os fazendeiros que faziam a intermediação, que eles, marchantes, é que tinham credibilidade, que não administravam a empresa. O fisco ressalta que o simples fato de assinarem cheques não dá garantia nenhuma de recebimento das vendas de bois para abate, se não controlassem também os recebimentos da empresa, decorrentes das vendas dos produtos originados do boi abatido, haja vista que se o dinheiro dessa venda não entrasse na conta bancária, obviamente eles não teriam como pagar os pecuaristas, pois os cheques voltariam sem fundo. Destacamos que os próprios procuradores eram pecuaristas também. O interesse dos procuradores na ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda era direto, pois os mesmos controlavam a atividade da empresa, apuravam os lucros para chegarem à parte que lhes cabia, como se faz em qualquer sociedade. Apesar dos envolvidos quererem enfatizar que não administravam a empresa, é fato que assinavam todos os cheques e negociavam os preços dos bois, apuravam os lucros da empresa, logo não há dúvidas de que os mesmos se tomaram sócios de fato da empresa fiscalizada, participando diretamente e tendo interesse direto na ocorrência dos fatos. Quanto ao motivo de terem parado de assinar os cheques em setembro de 2005, e a constituição da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, que ocorreu nessa época, pelos mesmos Fl. 5965DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 66 65 sócios de direito e no mesmo local da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, o fisco conclui que, primeiramente, é fato que os procuradores sabiam perfeitamente da elevada movimentação financeira da empresa, consequência do grande movimento de abate de bois e venda dos seus produtos. Sendo assim, resolveram criar uma nova empresa e colocála no nome de alguém da confiança deles, Sr. ECIL DUTRA MENDES, que também passou a assinar os cheques da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA. O fisco tem convicção de que a verdade dos fatos é essa a, porque os procuradores envolvidos disseram que não conseguiram receber seu dinheiro, que viram que não estava funcionando o fato de assinarem os cheques, mas continuaram movimentando com a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE e com o FRIGORÍFICO VALE DO OURO normalmente, mesmo após terem parado de assinar os cheques (setembro de 2005), como mostrados os cheques nominais aos mesmos. "Por que motivo, agora, essas empresas eram confiáveis" Eram confiáveis, pois a pessoa que passou a assinar os cheques das duas empresas era "testa de ferro" deles, da confiança deles, que continuaram sendo os verdadeiros administradores das empresas. Como foi dito o Sr. ECIL DUTRA MENDES é compadre do Sr. MARCO ANTONIO MANGARAVITE. A empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO foi constituída pelos mesmos sócios do ABATEDOURO ITAPERUNENSE, em junho de 2005, sendo eles: JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES e LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU. Segundo informações do contador, demorou para a mesma conseguir autorização pelo Ministério da Agricultura para funcionar, mas logo em setembro de 2005, já foi passada uma procuração para o Sr. ECIL DUTRA MENDES, compadre do Sr. MARCO ANTONIO MANGARAVITE, para que o mesmo assinasse os cheques da FRIGORÍFICO VALE DO OURO e outra procuração para que passasse a assinar os cheques do ABATEDOURO ITAPERUNENSE, cujas procurações foram lavradas exatamente no mesmo dia 16/09/2005, com isso os nomes dos sócios de fato da empresa param de aparecer na movimentação financeira da mesma. Ou seja, os sócios de fato arrumaram outro "laranja", mas agora da confiança deles, para assinar pelas empresas. O Sr. ECIL DUTRA MENDES tem como experiência profissional ter trabalhado como caseiro, porteiro, carregador de caminhão, e sempre com remuneração baixa. De repente passa a ser procurador de duas empresas, assinando uma quantidade enorme de cheques, declarou que não recebia nada por isso e, dois anos depois compra a empresa, vira sócio da mesma, sem sequer ter qualquer indício de capacidade econômica para isso. Nesse período de setembro de 2005 até o final de 2006, a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE que movimentou recursos elevados de dinheiro, então foi cessando suas Fl. 5966DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 67 66 atividades e a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO passou a movimentar os recursos no ano de 2007. Assim em meados do ano de 2007 (mês de junho), os sócios de fato colocam a pessoa de sua confiança no quadro societário do FRIGORIFICO VALE DO OURO, o Sr. ECIL DUTRA MENDES, e pagaram R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais) ao Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, conforme cópia do cheque anexada ao Termo de Declaração do mesmo e declaração do próprio dizendo que recebeu essa quantia pela sua saída da sociedade. Além dos fatos acima expostos, foi possível verificar que os sócios de fato continuaram suas atividades dentro das empresas, através das cópias dos cheques emitidos pelas mesmas, onde os mesmos continuam sendo beneficiários de elevadas quantias de dinheiro, até o final do ano de 2007. Concluiuse então que a empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA foi constituída para dar continuidade às atividades da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA, e foi administrada pelos mesmos sócios de fato, conforme abaixo identificados: •JOSÉ ANTÔNIO FIGUEIREDO POUBEL CPF 569.660.837 04 •MARCO ANTONIO MANGARAVITE CPF 769.784.35791 •PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE CPF 616.278.36772 •HEBER LESSA TINOCO CPF 680.655.90772 •JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA CPF 741.041.79787 •LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA CPF 835.164.847 72 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em decorrência dos depoimentos prestados, constatouse que a empresa FRIGORÍFICA VALE DO OURO foi constituída com o intuito de dar continuidade às atividades da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE, que os administradores de fato dessa última criaram uma nova empresa, FRIGORIFICO VALE DO OURO, e encontraram uma pessoa humilde, sem capacidade econômica, mas de confiança, para figurar no quadro societário da mesma, Sr. ECIL DUTRA MENDES. A transição de uma empresa para outra foi exaustivamente mencionada no Termo de Verificação Fiscal, onde se mencionou que as duas empresas funcionaram durante dois anos no mesmo endereço e com o mesmo quadro societário (formado por interpostas pessoas). Esse período de dois anos (junho de 2005 a junho de 2007), foi exatamente na época da transição de funcionamento de uma para outra, pois a empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE movimentou recursos elevados nos anos de 2004 até o final de 2006 e a empresa Fl. 5967DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 68 67 FRIGORIFICO VALE DO OURO, apesar de ter sido constituída em junho de 2005, começou a movimentar recursos elevados no ano de 2007. O Sr. ECIL DUTRA MENDES, pessoa humilde sem capacidade econômica para investir em cotas empresariais, que é compadre do Sr. MARCO ANTONIO MANGARAVITE, um dos sócios de fato das empresas, recebeu duas procurações, no dia 16/09/2005, para movimentar as contas bancárias das empresas ABATEDOURO ITAPERUNENSE e FRI¬GORÍFICO VALE DO OURO. Assim o fez no período de final de setembro de 2005 até o final do ano de 2007 (período final da fiscalização), sendo que em junho de 2007 entrou como sócio da empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO. Os sócios de fato das duas empresas eram pecuaristas, proprietários de terras, marchantes e os maiores credores da empresa ABATEDOURO ITAPERUNENSE LTDA, que estava com dificuldades financeiras, e para tentarem recuperar seu dinheiro, receberam procuração da mesma para movimentar sua conta corrente bancária, que foi aberta alguns dias após o recebimento da procuração, ou seja, foi aberta com um intuito. O objetivo era ter a garantia de que receberiam pelas vendas de seus bois e que honrariam os pagamentos aos pecuaristas que efetuavam a intermediação. Para tanto, conforme se constatou, em sede de julgamento na DRF, esses credores passaram a administrara empresa e movimentar com ela, pois constam como beneficiários de enormes quantidades de cheques. E essa relação se manteve durante todo o período fiscalizado. Quanto à empresa FRIGORÍFICO VALE DO OURO, verificou se que a procuração outorgando poderes ao Sr. ECIL DUTRA MENDES foi lavrada em 16/09/2005 e a conta bancária no Banco Bradesco foi aberta no dia 18/10/2005, ou seja, a conta bancária também foi aberta com o objetivo de que o outorgante a movimentasse. Constatamos que todos os cheques emitidos foram assinados pelo ECIL DUTRA MENDES. Diante do exposto, considero que as aludidas pessoas físicas são tributariamente responsáveis pelos créditos tributários da pessoa jurídica autuada, por força do disposto no art. 135, III do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O referido artigo aplicase não apenas ao administradores de direito, mas também aos administrador de fato da empresa. No caso específico sob análise, a utilização de pessoa humilde para compor o quadro societário da pessoa jurídica não pode afastar a responsabilização dos que efetivamente exerciam os poderes de administração. Fl. 5968DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000171/201015 Acórdão n.º 1401001.222 S1C4T1 Fl. 69 68 Importante frisar que a responsabilidade tributária dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado não decorre de sua condição de sócio, e sim do cometimento de ato ilícito (excesso de poderes ou de infração de lei, contrato social ou estatuto) enquanto administrador daquela sociedade. Em outras palavras, são dois os requisitos para sua responsabilização: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. Esse entendimento excluiu, por óbvio, a responsabilização tributária do “laranja", por não exercer de fato a administração da sociedade. Assim sendo, considero correta a responsabilização tributária das seguintes pessoas físicas: •JOSÉ ANTÔNIO FIGUEIREDO POUBEL CPF 569.660.83704 •MARCO ANTONIO MANGARAVITE CPF 769.784.35791 •PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE CPF 616.278.36772 •HEBER LESSA TINOCO CPF 680.655.90772 •JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA CPF 741.041.79787 •LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA CPF 835.164.84772 Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento aos presentes recursos voluntários. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 5969DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13851.001599/2005-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como os fatos, analisados nas decisões recorridas e paradigmas, que levaram às conseqüentes decisões, são diversos, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Numero da decisão: 9202-003.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como os fatos, analisados nas decisões recorridas e paradigmas, que levaram às conseqüentes decisões, são diversos, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 15 99 /2 00 5- 42 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 624DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13851.001599/200542 Acórdão n.º 9202003.648 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0548, interposto pelo contribuinte, contra acórdão, fls. 0537, que decidiu, negar provimento a seu recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO IMPROCEDÊNCIA. FISCAL. NULIDADE. São improcedentes as arguições de nulidade quando ausente nos autos qualquer uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA DE DEDUÇÕES. A efetividade do pagamento a título de despesas medicas não se comprova com a mera exibição de recibo, mormente quando os próprios profissionais alegam que os mesmos não foram prestados. CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA PRIVADA. GLOSA DE DEDUÇÃO. Deve ser mantida a glosa da parcela de despesas com previdência privada excedente à quantia confirmada pela entidade beneficiária em procedimento de diligência. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa de ofício qualificada é aplicada como sanção de ato ilícito. E por não ter característica de tributo, a ela é inaplicável a vedação do inciso IV, do artigo 150, da Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de I o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula I o CARF N° 4). Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado (Relator) que restabelecia parcialmente dedução de contribuição à previdência privada. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Como esclarecimento inicial, informamos que o litígio em questão versa sobre qualificação da multa. Em seu recurso especial o contribuinte alega, em síntese, que: 1. Há decisões divergentes sobre os assuntos; 2. Nas despesas médicas, os documentos apresentados bastam para sua dedutibilidade; 3. É indevida a glosa dos pagamentos sobre previdência privada; 4. Não há demonstração de dolo que fundamente a qualificação da multa; 5. Pelo exposto, solicita o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento total parcial ao recurso especial, somente na questão da qualificação da multa, nos seguintes termos: "De acordo com o recorrente, novamente, teria ficado claramente demonstrada a divergência entre as referidas decisões, sendo que o acórdão recorrido afirmaria a possibilidade de agravamento da multa independente da efetiva comprovação do dolo, enquanto o acórdão paradigma de n° 10247.429 seria taxativo no sentido de que a presunção de inidoneidade dos recibos não é suficiente para a gradação da multa aplicada. Compulsando os autos, vêse que de fato há a divergência arguida, já que o paradigma considera que a presunção de idoneidade não sustenta a qualificação da penalidade." A Presidência do CARF analisou o despacho sobre o seguimento parcial do recurso e manteve seu entendimento. A Procuradoria apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que o recurso não deve ser conhecido, e, caso o seja, deve ser mantida a decisão a quo. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13851.001599/200542 Acórdão n.º 9202003.648 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Em relação á admissibilidade do recurso, há questão a ser analisada. Como determinado pelo Regimento Interno do CARF (RICARF), somente se conhece de recurso especial quando restar comprovada divergência, em relação à interpretação de lei tributária, em mesmos contextos fáticos e jurídicos. RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No caso dos autos, as decisões chegar a conclusões diversas pro terem contextos fáticos diversos. Vejamos: Acórdão recorrido (280100.983): Relativamente ao MÉRITO, no que tange às despesas médicas realizadas nos anoscalendários de 2001, 2002 e 2003, com os profissionais REGINA CLAUDIA GOMES, JOSÉ MARCOS DE OLIVEIRA, JOSÉ ROBERTO CLEMENTE FILHO, LENY SABBAG CALSEVERINO e ROSAMNA MARGARETH FELIPE, , cujos recibos, em sua essência, preencheriam os requisitos de aceitabilidade para abatimento da base de cálculo do imposto de Renda, o certo é que os citados profissionais declararam que os eventuais recibos não correspondiam à efetiva prestação de serviços ao contribuinte, ora Recorrente, nem a seus familiares, conforme se infere das declarações de fls. 138/145, dos autos, razão porque não merece reforma a decisão recorrida. ... Da análise dos dispositivos legais transcritos é cabível a incidência da multa de oficio no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, quando ficar constatado, como no presente caso, intuito de fraude por parte do Recorrente, no sentido de reduzir o montante do imposto devido, pelo uso de deduções sabidamente indevidas. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Acórdão paradigma (10247429): Entendo que a qualificação da multa somente deve ser aplicada caso o intuito de fraude por parte do sujeito passivo seja comprovado. Ocorre que, conforme fls. 47, o representante legal da empresa prestadora de serviços prestou declaração confirmando ter prestados os serviços médicos ao contribuinte. Ou seja, no acórdão recorrido os prestadores de serviços médicos informaram que não prestaram serviço algum ao contribuinte. Já no acórdão paradigma, a decisão de desqualificação da multa ocorreu pelo motivo dos prestadores médicos de serviço terem informado que prestaram serviço ao contribuinte. Consequentemente, as decisões chegaram a conclusões diversas, por terem contextos fáticos diversos, motivo da inexistência de diferentes interpretações de lei tributária, requisito obrigatório, conforme determinado na legislação, para o conhecimento do recurso especial. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em não conhecer do recurso do contribuinte, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 628DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 15504.720852/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DECADÊNCIA
Não tendo expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, é legítimo o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
PROVISÃO. REVERSÃO.
Não tem amparo legal a exclusão da base de cálculo do IRPJ, do valor da reversão de provisão não dedutível, cuja despesa (contrapartida da provisão) não foi adicionada ao lucro líquido no passado.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL s/LUCRO LÍQUIDO
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos dos demais tributos com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato, tendo em vista a clara relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1401-001.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antonio Alexandre Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira apresentará Declaração de Voto.
(
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ PROVISÃO. REVERSÃO. Não tem amparo legal a exclusão da base de cálculo do IRPJ, do valor da reversão de provisão não dedutível, cuja despesa (contrapartida da provisão) não foi adicionada ao lucro líquido no passado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL s/LUCRO LÍQUIDO O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos dos demais tributos com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato, tendo em vista a clara relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antonio Alexandre Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira apresentará Declaração de Voto. ( (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 08 52 /2 01 2- 65 Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 3 2 André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que integra a decisão recorrida, fls. 984987: I Do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal Mediante o processo em epigrafe foram lavrados os autos de infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social s/Lucro Líquido relativos aos anocalendário de 2008, fls. 03 a 14, para exigência de crédito tributário, sob a fundamentação abaixo transcrita: “001 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS De acordo com o "Termo de Verificação e de Constatação FiscalTVCF" em anexo, o Contribuinte excluiu do lucro liquido de 2008 receitas de reversão de provisão no valor de R$82.763.604,73. Conforme o mesmo TVCF, à época de sua constituição em 1994, tal provisão não teve sua contrapartida (no caso, uma despesa indedutível) adicionada ao lucro líquido para efeito de apuração do Lucro Real ou da Base de Cálculo da CSLL. Desse modo, a posterior exclusão de sua reversão se caracterizou como indevida, nos termos da legislação tributária e em conformidade com a "Solução de Consulta n° 118SRRF 06/DISIT", de 08/11/2010; cuja decisão se deu a partir de "Petição", de 24/06/10, formulada pelo Contribuinte em questão. A despeito disto, o Contribuinte não retificou sua escrituração e declarações ou efetuou qualquer pagamento; tendo interposto "Recurso Especial de Divergência" à SRF/COSIT, em 02/12/2010; o qual, embora admitido e pendente de apreciação, não tem efeito suspensivo na presente autuação.” O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 17/25, apresenta síntese dos procedimentos fiscais, informa que se trata de instituição financeira, com atuação no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação, tece considerações sobre os lançamentos contábeis/fiscais, sobre a solução de consulta/recurso de divergência e indica a legislação aplicável. II – DA IMPUGNAÇÃO A empresa apresenta sua impugnação de fls. 948 a 968, acompanhada dos documentos de fls. 969 a 981 (estatuto, ata, documentos de identificação e despacho de admissibilidade do recurso de divergência). Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 5 4 No tópico 1 – Da Autuação, indica os valores exigidos nos respectivos autos de infração, afirma que a impugnação é tempestiva e no mérito o lançamento é improcedente, “por não terem ocorrido os fatos geradores apontados nos Autos de Infração, segundo a legislação de regência da matéria.” No tópico 2 – Dos Fatos, reportase à consulta por ela efetuada: “Em 26.06.2010, a recorrente apresentou consulta sobre interpretação da legislação tributária, que constitui o processo nº 10680.721664/201038. Na referida consulta, indagou se era correto seu entendimento de que a reversão de provisão anteriormente realizada para ajuste a valor de mercado de bens imóveis, por não ter reduzido qualquer base de cálculo das exações do PIS, da COFINS, do IRPJ e da CSLL quando de sua constituição, não seria considerada receita nova e tributada, por ocasião de sua reversão. Como relatado na consulta apresentada, a provisão foi constituída em 30.06.1994, data na qual a recorrente estava submetida ao regime de liquidação extrajudicial e, portanto, sua gestão era exercida por liquidante nomeado pelo Banco Central. A provisão foi constituída em atendimento à legislação do sistema financeiro nacional, visando à adequação de valores da conta ‘Outros Valores e Bens’, que registrava imóveis retomados ou recebidos de devedores para pagamento de dívidas.” Depois de transcrever artigos da Circular Bacen 2246, de 05/11/1992, complementa: “Em 30.09.1994, da mesma forma em cumprimento de legislação do BACEN, antes cessação do regime de liquidação extrajudicial e, portanto sob a gestão do liquidante nomeado pelo Banco Central, foi contabilizada uma complementação da provisão destinada a adequar seu valor para amparar perdas em ações judiciais de usucapião de alguns imóveis. Igualmente foi informado na consulta formulada que, com vistas a resolver questões relativas aos níveis de imobilização e endividamento, a recorrente alienou todos os imóveis com os quais se relaciona a provisão, tendo realizado previamente a avaliação dos bens a valor de mercado. Do confronto entre o valor dos imóveis obtido no laudo de avaliação e o correspondente valor contábil deduzido da provisão, constatouse ser o valor de mercado superior ao valor contábil líquido da provisão, impondose, portanto, uma reversão de parte da provisão. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 6 5 Em seguida, foram alienados os imóveis pelo seu valor contábil, após o ajuste mencionado no parágrafo anterior” Em seguida, transcreve ementa da Solução de Consulta nº 118, de 8 de novembro de 2010, informando ter apresentado Recurso de Divergência, que se encontra pendente de decisão, destacando: “Como informado na Consulta apresentada, a Impugnante não era contribuinte do IRPJ e CSLL na época em que a provisão para ajuste ao valor de mercado de imóveis foi constituída, ou seja, em junho e setembro de 1994, uma vez que se encontrava em regime de liquidação extrajudicial no período de 03.05.1984 a 04.10.1994. Assim, a constituição de provisão para ajuste a valor de mercado de imóveis não reduziu a base de cálculo do IRPJ e CSLL quando de sua constituição, já que, estando em processo de liquidação extrajudicial, a Economisa não era contribuinte dos tributos mencionados.” No tópico 3 – Da preliminar de decadência, entende que: “De início, como preliminar, cabe lembrar que, se a mencionada provisão teve qualquer efeito fiscal, o que se admite apenas para argumentar, esses efeitos ocorreram em 1994, quando ela foi constituída.” Transcreve o art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, tece comentários sobre a constituição de provisões e conclui, fundamentandose no art. 150 do CTN e art. 898 e 899, do RIR/99 que: “Assim, a provisão constituída em 1994, se não dedutível perante a legislação do IRPJ e CSLL, constitui adição à base de cálculo do IRPJ e da CSLL daquele ano, ou seja, integra o fato gerador de 1994, o qual já se encontra alcançado pela decadência em 2012, quando houve a autuação.” No tópico 4 – Do Mérito assinala que “pautou seu procedimento à vista de manifestação expressa das autoridades fiscais, constante das soluções de consulta apontadas como paradigmas de divergência, as quais são anteriores à SC nº 118/2010.” Reitera que agiu de boafé, inclusive apresentando a solução de consulta para ter a confirmação de seu entendimento, destacando, novamente: “Ressaltese que a Solução de Consulta nº 118/2010 preconiza uma condição impossível de ser cumprida pela empresa, pois, na época da constituição da provisão, a Economisa não era contribuinte dos tributos em causa, sendolhe impossível fazer a adição da provisão às bases Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 7 6 de cálculo do IRPJ e CSLL. Daí a surpresa da consulente pela solução prolatada. Como se não bastasse, ato contínuo, a despeito de o recurso de divergência não ter sido decidido pela COSIT, viuse a Impugnante na condição de fiscalizada, exatamente quanto aos fatos que submeteu à consulta da autoridade tributária.” Reafirmando que agiu de boafé, expressa sua convicção de estar amparada pelo art. 100 do CTN, por haver entendimento expresso em soluções de consulta publicadas pela Receita Federal do Brasil, bem como em jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Complementa que: “E veio a ser autuada justamente quanto ao ponto objeto da consulta, a reversão da provisão. E isto sem que tivesse sido solucionado o mérito da divergência! A autuação fundamentouse única e exclusivamente na malsinada SC 118/2010, cujo mérito ainda está por ser resolvido pelo órgão competente.” Entende que “É absolutamente improcedente a cobrança, como será demonstrado.” Inicia sua demonstração apresentando o que chama de “gênese da provisão tributada”, quando relata a cronologia dos fatos, destacando nos trechos literalmente transcritos: “Essa reversão é o objeto da presente autuação. Em seguida, foram alienados os imóveis pelo seu valor contábil, após o ajuste mencionado no parágrafo anterior. Ressaltese que o registro dessa provisão só se deu por determinação expressa do Banco Central, segundo as normas específicas aplicáveis somente às instituições financeiras, portanto, normas não tributárias. Embora as instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devam observar as disposições da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e os atos normativos dela decorrentes, para fins fiscais, tais normas não se sobrepõem às normas tributárias de apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. A constituição da provisão em tela foi decorrente de determinação do Banco Central, mas o seu registro não poderia jamais gerar efeitos fiscais, como de fato não os gerou. Não gerou efeitos fiscais ao tempo pretérito em que a provisão foi constituída por que a Impugnante estava submetida ao regime de liquidação extrajudicial e, portanto, não era contribuinte do IRPJ e CSLL. E não gerou efeitos fiscais ao tempo da reversão da provisão já Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 8 7 que quando de sua constituição a base de cálculo do imposto e da contribuição não foi afetada. O resultado fiscal não pode ser alterado em virtude do registro da provisão realizado por determinação das normas aplicáveis às instituições financeiras, que não são de natureza fiscal.” Afirma ainda que não houve acréscimo patrimonial ou lucro, portanto, conclui não há que haver exigência do IRJP e CSLL. A impugnante cita/transcreve excertos de decisões administrativas e judiciais para subsidiar seus argumentos. A 4ª Turma da DRJ Belo Horizonte, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 983: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. DECADÊNCIA Não tendo expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, é legítimo o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PROVISÃO. REVERSÃO. Não tem amparo legal a exclusão da base de cálculo do IRPJ, do valor da reversão de provisão não dedutível, cuja despesa (contrapartida da provisão) não foi adicionada ao lucro líquido no passado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL s/LUCRO LÍQUIDO Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 9 8 O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos dos demais tributos com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. Impugnação Improcedente Cientificada do referido Acórdão em 28/05/2012 (fls. 1000), a contribuinte apresentou em 26/06/2012 o recurso voluntário de fls. 100221037, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Em sua peça recursal, a contribuinte basicamente sustentou que: a) Submeteu à incidência do IRPJ e da CSLL o valor representativo da reversão das provisões indedutíveis; b) Inexistiram efeitos tributários nos atos de constituição das provisões; c) Guardadas as devidas particularidades, a liquidação extrajudicial de instituições financeiras equivale à falência das demais instituições; d) Não há que se falar em incidência do IRPJ e da CSLL posto que inexistiu acréscimo patrimonial; e) Não haveria que se falar em acréscimo patrimonial tributável, até o encerramento do processo “falimentar”. Eventual acréscimo patrimonial apurado, após a satisfação de todos os credores, somente poderia ser tributado na pessoa dos acionistas e não no nome da pessoa jurídica que se encontrava em vias de extinção; f) Não deve haver incidência de juros de mora sobre a multa de mora (alegação inovadora, não apresentada na fase impugnatória). É o relatório. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecido. Ab initio, a recorrente argumentou que não ostentava a condição de contribuinte do IRPJ e da CSLL, pelos fatos de: a) encontrarse sob liquidação extrajudicial, sendo gerida por liquidante nomeado pelo Banco Central; b) a provisão em apreço ter sido constituída em atendimento à legislação do sistema financeiro nacional. Não assiste razão à recorrente. As pessoa jurídicas sob regime de liquidação extrajudicial, bem como aquelas sujeitas ao regime de falência (massa falida), continuam sujeitamse às regras gerais de incidência dos impostos e contribuições aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere às obrigações acessórias (apresentação da declaração). A condição de contribuinte somente cessa após a extinção da instituição liquidada e desde que não restasse caracterizada a responsabilidade por sucessão, nos termos dos artigos 132 e 133 do CTN. Sobre o tema, pronunciouse com muita lucidez a decisão de piso, fls. 989: O fato de sua gestão ter sido exercida por liquidante nomeado pelo Banco Central não tem o condão de afastar suas obrigações tributárias. Da mesma forma, se a provisão foi constituída em atendimento à legislação do sistema financeiro nacional não lhe oferece motivos para se eximir da tributação do IRPJ e da CSLL. Sob este aspecto, a própria impugnante oferece argumentação que não lhe socorre, ao contrário, demonstra a inconsistência do seu argumento. Tem razão quando afirma: “Embora as instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devam observar as disposições da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e os atos normativos dela decorrentes, para fins fiscais, tais normas não se sobrepõem às normas tributárias de apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL.” Mais adiante em sua peça recursal, a contribuinte voltou a alegar que o registro dessa provisão não pode gerar efeitos fiscais, seja no momento da constituição da provisão (por não ser contribuinte), seja no momento da sua reversão (porque a base de cálculo do IRPJ e da CSLL não teria sido afetada quando da sua constituição). Em relação a tais alegações, mais uma vez adoto e transcrevo as coerentes razões de decidir constantes da decisão de piso, fls. 900: Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 11 10 Ora, o trabalho fiscal demonstra – e a impugnante confirma – que ao tempo da constituição da provisão, o valor correspondente não fora adicionado ao lucro líquido para apuração do valor tributável. Sob este aspecto, a impugnante incorre em nova contradição, pois, ela mesma transcreve o art. 13 da Lei nº 9.249/95, destacando: “Portanto, a legislação do imposto de renda e da CSLL somente admite a constituição, como custo ou despesas operacional, das seguintes provisões:” Relaciona as provisões enumeradas pelo mandamento legal acima explicitado e acrescenta as “provisões para perda de estoques de que tratam os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.753, de 2003, com a redação do art. 85 da Lei nº 10.833, de 2003.” A provisão para adequação de valores da conta “Outros Valores e Bens (imóveis retomados e recebidos em dação em pagamento de devedores) não se encontra indicada na legislação de regência. Ora, se a impugnante constitui a provisão e não adiciona sua contrapartida (despesa indedutível) ao lucro líquido para efeito de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, por óbvio cai por terra o argumento de que quando da constituição da referida provisão a base de cálculo de imposto e da contribuição social não foi afetada. Destaquese que esta abordagem tem como objetivo tão somente demonstrar que a impugnante não atendeu à legislação de regência de forma a lhe permitir excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor da reversão de provisão não dedutível, em 2008. Sob nenhum aspecto pretendese analisar o mérito do fato ocorrido em 1994, por não ser objeto de litígio e, até porque, a impugnante não o nega. Mantém apenas o entendimento de que não seria contribuinte: “Assim, a constituição de provisão para ajuste a valor de mercado de imóveis não reduziu a base de cálculo do IRPJ e CSLL quando de sua constituição, já que, estando em processo de liquidação extrajudicial, a Economisa não era contribuinte dos tributos mencionados.” A seguir, a recorrente reiterou o singelo argumento de inocorrência dos fatos geradores apontados nos presentes lançamentos, segundo a legislação de regência. No entender da recorrente, a presente autuação não teria respaldo legal, tendo se baseado única e exclusivamente na Solução de Consulta 118/2010. Ora, os fatos geradores claramente ocorreram e possuem claro enquadramento legal, conforme devidamente evidenciados nos lançamentos e no termo de verificação fiscal que os acompanhou. Compulsando os autos de infração em apreço, facilmente se contata que, além da necessária referência à aludida Solução de Consulta, também foram indicados como Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 12 11 fundamentos das presentes exigências os seguintes dispositivos legais: art. 44, III da Lei n° 4.506/1964; art.6°, §3° do DecretoLei n° 1.598/1977; art. 2o, §1°, da Lei n° 7.689/88, com a redação dada pelo art. 2° da Lei n° 8.034/90; arts. 250, I e II e 392, II do RIR/99; art. 39, §1°, III da IN SRF n° 390/2004 (IRPJ) e art. 2o e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 2o, §1°, c da Lei n° 7.689/88, com a redação dada pelo art. 2° da Lei n° 8.034/90; art. 1o da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; art. 3o da Lei n° 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08 e, por fim, art. 39, §1°, III da INSRF n° 390/2004.(CSLL). A recorrente também argumentou que não deveria ter sido autuada, uma vez que o recurso de divergência apresentado em face da solução de consulta ainda estar pendente de decisão por parte da COSIT. Também em relação a tal alegação, não assiste razão à recorrente. Conforme bem apontado pelo voto condutor da decisão de piso, fls. 990, a autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, não poderia absterse de proceder a lavratura dos presentes autos de infração, posto que o recurso de divergência não tem efeito suspensivo. Nesse sentido, é suficientemente clara a orientação constante da Lei nº 4.930/1996, art. 48, §5º e 11, verbis: Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. § 1º A competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia será atribuída: I a órgão central da Secretaria da Receita Federal, nos casos de consultas formuladas por órgão central da administração pública federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional; II a órgão regional da Secretaria da Receita Federal, nos demais casos. § 5º Havendo diferença de conclusões entre soluções de consultas relativas a uma mesma matéria, fundada em idêntica norma jurídica, cabe recurso especial, sem efeito suspensivo, para o órgão de que trata o inciso I do § 1º. § 11. A solução da divergência acarretará, em qualquer hipótese, a edição de ato específico, uniformizando o entendimento, com imediata ciência ao destinatário da solução reformada, aplicandose seus efeitos a partir da data da ciência.” A recorrente fez referência a diversas decisões judiciais/administrativas e entendimentos doutrinários, pleiteando a aplicação do disposto no art. 100 do CTN por, supostamente, ter agido de boafé. Sobre este tema, com muita lucidez se posicionou a decisão de piso, fls. 991: [...] esclareçase, que entendimentos exarados em decisões prolatadas pelo Judiciário, decisões administrativas e posições Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 13 12 doutrinárias, mesmo a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados tributaristas, não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. Por consequência, a jurisprudência colacionada pela manifestante não vincula a Administração Tributária, estando sua eficácia restrita exclusivamente às partes que integram as lides e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Assim, o artigo 100 do CTN não lhe oferece o arrimo que pretende. De todo o exposto, é forçoso concluir que, de fato, a reversão da provisão em exame deve ser considerada como receita tributável para fins de incidência do IRPJ, no ano calendário de 2008, uma vez que a despesa decorrente desta mesma provisão não foi incluída na apuração do lucro líquido quando da constituição da provisão, em conformidade com o disposto no DecretoLei n° 1.598/1977, artigo 6o, §§ 2o e 3º, verbis: “Art. 6o. (...) § 2o Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real;” Entendimento similar deve prevalecer em relação à CSLL, por força do disposto nos artigos 3o, 38 e 39 da Instrução Normativa SRF n° 390, de 30 de janeiro de 2004: “Art. 3 Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e, no que couberem, as referentes à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação da CSLL. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.346 S1C4T1 Fl. 14 13 Art. 38. Na determinação do resultado ajustado, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração antes da provisão para o IRPJ: os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação da CSLL, não sejam dedutíveis na determinação do resultado ajustado; os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com essa mesma legislação, devam ser computados na determinação do resultado ajustado Art. 39. Na determinação do resultado ajustado, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração: I os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação da CSLL e que não tenham sido deduzidos na apuração do lucro líquido; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com essa mesma legislação, não devam ser computados na determinação do resultado ajustado.” Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721832/2012-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário interposto em prazo superior àquele instituído pelo art. 33 do Decreto Nº 70.235/72.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 3403-003.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário interposto em prazo superior àquele instituído pelo art. 33 do Decreto Nº 70.235/72. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar o julgado de piso que deixou de conhecer a Impugnação em decorrência de intempestividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 18 32 /2 01 2- 13 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Sustenta a Recorrente que ao diligenciar junto ao ECAC/RF tomou conhecimento que a senhora Daniela C. Reis, pessoa estranha à atividade administrativa da empresa teria sido recebido cópia do auto de infração enviado por meio postal, em 19.12.2012. O lançamento se refere falta de recolhimento do PIS e COFINS relativo ao período de apuração de 01.10.2008 a 31.12.2008. Alega também que a colaboradora mencionada não estava autorizada a receber correspondências em nome da empresa e como não havia sequer notícia de que uma correspondência houvera sido entregue nas dependências da Interessada. Por essa razão afirma tratarse de intimação não realizada de forma adequada, ainda que tivessem sido utilizados os meios normais e corriqueiras intimações. Assim, em razões recursais quer rediscutir a tempestividade, discordando da entrega de correspondência registrada a qualquer pessoa, não podendo caracterizar certa a ciência do contribuinte da demanda contra ele. Considera para todos os efeitos segundo o entendimento da interessada a ciência não concretizada, fato que macula o lançamento. A impugnação foi apresentada em 11.03.2013, quando ciência ocorreu em 19.12.2012. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. A questão dos autos é singela, tratase de perda do prazo para impugnação do lançamento efetivado por meio de auto de infração e enviado ao endereço do contribuinte de acordo com o cadastro da Receita Federal. Nesse momento pretende restabelecer a perda do prazo de impugnação e que seja examinado o recurso apresentado. A defesa é de que o funcionário recebedor da notificação não estava autorizado a esse ato, o qual omitiu a informação referente à correspondência enviada pela Receita Federal aos administradores da empresa. Em momento algum alega que não tenha recebido os documentos enviados pela Autoridade Fiscal, portanto, o disciplinado pela norma do art. 23 do Decreto 70.232/72 deixou de ser cumprida, ao contrário que afirma a razões recursais, a intimação foi realizada pelos meios habituais, normais e corriqueiros, como afirma a própria Interessada. A verdade é que o contribuinte, de um modo ou de outro, recebeu a intimação referente ao auto de infração. A Administração não pode ficar ao sabor de escolher, no caso de envio postal, a pessoa a qual deve receber intimações, sem dúvida a funcionária citada estava no local apropriado ao recebimento das correspondências dirigidas a empresa ou fazia às vezes de quem deveria receber. Se cumprida à risca as formas definidas pelo art. 23 do Decreto 70.232/72, considera para todo o efeito cientificado do conteúdo e não pode ser diferente, pois se assim Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10073.721832/201213 Acórdão n.º 3403003.668 S3C4T3 Fl. 4 3 não for abre precedente a justificar todo e qualquer desvio de intimação recebida pelos contribuintes. Tendo o contribuinte deixado de impugnar pela perda do prazo fixado, não há como conhecer da matéria de fundo, vez que, não logrou afastar a intempestividade da peça de Impugnação. Assim, não conhecer do recurso por intempestividade. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001554/2010-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL, POR EXCESSO DE RECEITA BRUTA. LANÇAMENTOS DE IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS E MULTA REGULAMENTAR, SOB A ÓTICA DO REGIME SIMPLIFICADO. PRELIMINAR DE NULIDADE. ARGUIÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR DEFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. REJEIÇÃO. A descrição detalhada dos fatos em Termo de Verificação Fiscal, que constitui parte integrante dos autos de infração lavrados, com a indicação de vasta fundamentação legal, propiciando, à pessoa jurídica, pleno e total conhecimento das irregularidades apuradas, afasta a arguição de cerceamento do direito de defesa.
ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. REJEIÇÃO. Os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada, com estrita observância dos atos praticados pelo Poder Executivo e das leis promulgadas pelo Poder Legislativo, falecendo lhes competência para apreciar arguições de ilegalidade/inconstitucionalidade de lei, atribuição esta privativa do Poder Judiciário.
PIS. COFINS. PRODUTOS HORTIFRUTIGRANJEIROS. ALÍQUOTA ZERO. MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS BANCÁRIAS. INCOMPROVAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. Somente se justifica a exigência de multa qualificada, nos moldes do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, quando a conduta omissiva do contribuinte possa ser tipificada como sonegação, fraude ou conluio, na forma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A ausência de provas diretas sobre a prática destes delitos inviabiliza, por óbvio, a qualificação da sanção. Nesse cenário, não se pode admitir que seja cominada penalidade de 150% (cento e cinquenta por cento) se o lançamento for operado com fulcro em mera presunção legal. Aduções de que a conduta do contribuinte é reiterada, de um lado, e de que as receitas informadas ao Fisco são inverídicas, de outro, não servem para tal fim, a teor da Súmula CARF nº 14.
Numero da decisão: 1101-000.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa e divergindo os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negavam provimento ao recurso para manter também a multa qualificada.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (Assina para efeito de formalização do Acórdão).
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro (Presidente em exerício à época do julgamento), Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, substituído na presidência pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e no colegiado pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa e divergindo os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negavam provimento ao recurso para manter também a multa qualificada. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (Assina para efeito de formalização do Acórdão). (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro (Presidente em exerício à época do julgamento), Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, substituído na presidência pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e no colegiado pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL, POR EXCESSO DE RECEITA BRUTA. LANÇAMENTOS DE IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS E MULTA REGULAMENTAR, SOB A ÓTICA DO REGIME SIMPLIFICADO. PRELIMINAR DE NULIDADE. ARGUIÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR DEFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. REJEIÇÃO. A descrição detalhada dos fatos em Termo de Verificação Fiscal, que constitui parte integrante dos autos de infração lavrados, com a indicação de vasta fundamentação legal, propiciando, à pessoa jurídica, pleno e total conhecimento das irregularidades apuradas, afasta a arguição de cerceamento do direito de defesa. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. REJEIÇÃO. Os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada, com estrita observância dos atos praticados pelo Poder Executivo e das leis promulgadas pelo Poder Legislativo, falecendo lhes competência para apreciar arguições de ilegalidade/inconstitucionalidade de lei, atribuição esta privativa do Poder Judiciário. PIS. COFINS. PRODUTOS HORTIFRUTIGRANJEIROS. ALÍQUOTA ZERO. MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS BANCÁRIAS. INCOMPROVAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. Somente se justifica a exigência de multa qualificada, nos moldes do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, quando a conduta omissiva do contribuinte possa ser tipificada como sonegação, fraude ou conluio, na forma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A ausência de provas diretas sobre a prática destes delitos inviabiliza, por óbvio, a qualificação da sanção. Nesse cenário, não se pode admitir que seja cominada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 54 /2 01 0- 48 Fl. 766DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 penalidade de 150% (cento e cinquenta por cento) se o lançamento for operado com fulcro em mera presunção legal. Aduções de que a conduta do contribuinte é reiterada, de um lado, e de que as receitas informadas ao Fisco são inverídicas, de outro, não servem para tal fim, a teor da Súmula CARF nº 14. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa e divergindo os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negavam provimento ao recurso para manter também a multa qualificada. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (Assina para efeito de formalização do Acórdão). (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro (Presidente em exerício à época do julgamento), Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, substituído na presidência pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e no colegiado pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Por meio do Ato Declaratório Executivo DRFB/V/IT n° 169/2010 (fl. 523), cuja ciência ocorreu em 30.11.2010 (fl. 524), a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória / ES declarou a interessada excluída do SIMPLES NACIONAL, por ter auferido, no ano calendário de 2007, receita bruta acumulada em montante superior ao limite estabelecido para empresas de pequeno porte (artigo 3º, inciso II, da Lei Complementar n° 123/2006) e deixado de efetuar a comunicação obrigatória de sua exclusão do Simples Nacional (artigo 30, inciso II, da Lei Complementar n° 123/2006). Os efeitos da exclusão retroagiram a 01.01.2008, obedecendo ao disposto no artigo 3°, § 9°, da Lei Complementar n° 123/2006. No período de janeiro a junho de 2007, a interessada esteve enquadrada no SIMPLES FEDERAL, e, de julho a dezembro/2007, no SIMPLES NACIONAL. Identificadas irregularidades no cumprimento de suas obrigações tributárias, foi providenciado o lançamento de ofício dos tributos previstos na sistemática do SIMPLES FEDERAL (artigo 3º, § 1º, alíneas Fl. 767DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001554/201048 Acórdão n.º 1101000.704 S1C1T1 Fl. 3 3 "a", "b", "c", "d" e "f, da Lei n° 9.317/96) e do SIMPLES NACIONAL (artigo 13, incisos I, III, IV, V e VI da Lei Complementar n° 123, de 2006), expresso nos autos de infração relacionados adiante, nos termos do artigo 845, inciso III, do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/1999). A lavratura dos autos de infração ocorreu em 30.11.2010, pela DRF em Vitória / ES, amparados nos fatos descritos em Termo de Verificação Fiscal Simples, consubstanciando lançamentos de exigência dos seguintes impostos e contribuições, relativos ao ano calendário de 2007, com o acréscimo das multas de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e 150% (cento e cinquenta por cento) e dos juros moratórios, assim como de multa regulamentar aplicada em razão da falta de comunicação da interessada de sua exclusão do Simples Nacional: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) Simples (fls.567/576). Fatos geradores: janeiro a junho/2007; valor: R$ 28.093,66; Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) Simples (fls.625/630). Fatos geradores: julho a dezembro/2007; valor: R$ 20.913,06; Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep) Simples (fls.577/586). Fatos geradores: janeiro a junho/2007; valor: R$ 20.705,44; Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep) Simples (fls.628/630). Fatos geradores: julho a dezembro/2007; valor: R$ 14.696,39; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Simples (fls.587/596). Fatos geradores: janeiro a junho/2007; valor: R$ 28.093,66; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Simples (fls.631/633). Fatos geradores: julho a dezembro/2007; valor: R$ 20.913,06; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) Simples (fls. 597/608). Fatos geradores: janeiro a junho/2007; valor: R$ 83.053,95; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) Simples (fls. 634/636). Fatos geradores: julho a dezembro/2007; valor: R$ 61.894,59; Contribuição para a Seguridade Social (INSS) Simples (fls.609/618). Fatos geradores: janeiro a junho/2007; valor: RS 239.920,00; Contribuição para a Seguridade Social (INSS) Simples (fls.637/639). Fatos geradores: julho a dezembro/2007; valor: R$ 178.069,35; Multa Regulamentar Falta de Comunicação da Exclusão do Simples Nacional (fls.640/641). Fato gerador: 30/11/2010; valor: R$ 6.541,12. As irregularidades que ensejaram os lançamentos de ofício acima mencionados são, em suma, as seguintes: A) Omissão de Receitas. Depósitos Bancários receitas omitidas (faturamento) no ano calendário de 2007, apuradas com base em depósitos bancários não escriturados e de origens não comprovadas, conforme disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 Fato Gerador Autos de infração Base Tributável Total (R$) Multa (%) 01/2007 a 06/2007 IRPJ (lançamento principal) omissão de receita depósitos bancários de origem não comprovada PIS (reflexo) CSLL (reflexo) COFINS (reflexo) INSS (reflexo) 2.984.735,95 150,00 Fato Gerador Autos de infração Base Tributável Total (R$) Multa (%) 07/2007 a 12/2007 IRPJ (lançamento principal) omissão de receita depósitos bancários de origem não comprovada PIS (reflexo) CSLL (reflexo) COFINS (reflexo) INSS (reflexo) 3.016.689,76 150,00 Enquadramento legal: vide autos de infração B) Diferença de Base de Cálculo receitas escrituradas na contabilidade e não declaradas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, relativo ao período de janeiro a junho/2007. Fato Gerador Autos de infração Base Tributável Total (R$) Multa (%) 01/2007 a 06/2007 IRPJ (lançamento principal) receitas escrituradas e não declaradas PIS (reflexo) CSLL (reflexo) COFINS (reflexo) INSS (reflexo) 356.555,47 75,00 Enquadramento legal: vide autos de infração C) Insuficiência de Recolhimento insuficiência de recolhimento dos impostos e contribuições resultantes do acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta Fl. 769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001554/201048 Acórdão n.º 1101000.704 S1C1T1 Fl. 4 5 informada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, no período de janeiro a junho/2007, e na Declaração Anual do Simples Nacional DASN, no período de julho a dezembro/2007, nos termos do artigo 5º da Lei n° 9.317/96 e do artigo 188 do RIR/1999. Fato Gerador Autos de infração Base Tributável Total (R$) Multa (%) 01/2007 a 06/2007 IRPJ (lançamento principal) acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta PIS (reflexo) CSLL (reflexo) COFINS (reflexo) INSS (reflexo) 1.066,21 75,00 Fato Gerador Autos de infração Base Tributável Total (R$) Multa (%) 07/2007 a 12/2007 IRPJ (lançamento principal) acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta PIS (reflexo) CSLL (reflexo) COFINS (reflexo) INSS (reflexo) 1.364,92 75,00 Enquadramento legal: vide autos de infração D) Multa Regulamentar (Simples Nacional) inobservância da exigência de comunicação obrigatória ao Fisco da exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Fato Gerador Valor (R$) 30/11/2010 6.451,12 Enquadramento legal: vide auto de infração O Termo de Verificação Fiscal Simples (fls. 525/544) que ampara os autos de infração descreve as supostas irregularidades cometidas pela interessada, a seguir sintetizadas: optante pelo SIMPLES, estava a interessada dispensada da escrituração contábil nos termos da legislação comercial, de acordo com o artigo 7º, §1°, da Lei n° 9.317/1996, desde que mantido o Livro Caixa com a escrituração de toda a sua movimentação financeira, inclusive a bancária, conforme o artigo 26, § 2º, da Lei Complementar n° 123/2006; Fl. 770DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 no entanto, o artigo 3º, § 3º, da Resolução do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) n° 10, de 28.06.2007, estabeleceu que a apresentação da escrituração contábil, em especial do Livro Diário e do Livro Razão, dispensa a apresentação do Livro Caixa; formalmente intimada, a interessada não apresentou o Livro Caixa, entretanto, escriturou e apresentou espontaneamente os Livros Diário e Razão, cujos registros na Junta Comercial do Espírito Santo foram autenticados em 19.07.2010, em data posterior à data da ciência do Termo de Início da Fiscalização, que ocorreu em 17.06.2010; a partir da análise dos valores constantes dos lançamentos levados a débito e a crédito no Livro Diário, constatouse a seguinte discrepância: Livro Diário n° 03 Balancete Analítico (ano calendário 2007) ATIVO PASSIVO Débito Crédito Débito Crédito 20.850.391,88 19.738.563,24 837.676,65 1.804.521,67 analisando sua movimentação bancária, constatouse que a interessada, no ano calendário de 2007, auferiu receitas no montante de R$ 7.109.024,52 (sete milhões, cento e novel mil, vinte e quatro reais e cinquenta e dois centavos), por ela reconhecidas como de revendas de hortifrutigranjeiros, conforme esclarecimentos apresentados à Fiscalização em 21.10.2010 e 17.11.2010; avaliando o Livro Diário n° 03, constatouse que a interessada contabilizou nas contas “Bancos Conta Movimento” toda sua movimentação, no entanto, ao invés de registrar contabilmente R$ 7.109.024,52 (sete milhões, cento e novel mil, vinte e quatro reais e cinquenta e dois centavos) como receita de vendas de mercadorias, registrou apenas R$ 1.107.598,81 (um milhão, cento e nove mil, quinhentos e noventa e oito reais e oitenta e um centavos); a diferença de R$ 6.001.425,71 (seis milhões, um mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e setenta e um centavos) foi lançada nas contas “Bancos Conta – Movimento” (Ativo) em contrapartida, tão somente, à conta “Caixa” (Ativo) e vice versa, não gerando nenhum reflexo positivo ou negativo nas contas do Passivo ou do Patrimônio Líquido, ou seja, entrou e saiu dinheiro da escrituração contábil sem as devidas contrapartidas desses recursos; todas as notas fiscais emitidas em 2007 foram escrituradas no Livro Registro de Saída e contabilizadas no Livro Diário como vendas de mercadorias, no montante de R$ 1.107.598,81 (um milhão, cento e nove mil, quinhentos e noventa e oito reais e oitenta e um centavos); analisados os extratos bancários, consolidados os registros de depósitos e créditos, expurgadas quando identificados de forma inequívoca as devoluções de cheques, bem como as transferências de contas de mesma titularidade e empréstimos, e ainda, os valores creditados e posteriormente estornados, foi a interessada intimada, em 16.09.2010, a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas contas correntes de sua titularidade e informar se foram oferecidos à tributação; Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001554/201048 Acórdão n.º 1101000.704 S1C1T1 Fl. 5 7 Respondendo ao Termo n° 03, em 21.10.2010 e 17.11.2010, a interessada esclareceu que, em virtude da natureza perecível das mercadorias, havia operações de revenda de mercadorias que seguiam diretamente do produtor rural para os clientes da empresa, acobertadas pela Nota Fiscal de Produtor Rural; o pagamento ocorria de forma informal, de vez que realizava pagamentos aos produtores rurais e posteriormente recebia de seus clientes a quitação das mercadorias revendidas; todos os valores relacionados no Anexo I (fls. 545/554) são provenientes da revenda de produtos hortifrutigranjeiros; Promovidos os ajustes com os documentos apresentados, verificouse que, no período de janeiro a dezembro de 2007, houve divergências entre os valores contabilizados, os declarados à Receita Federal e os depositados/creditados nas contas bancárias da interessada, conforme detalhado na planilha de fls. 531, cujo demonstrativo diário, por banco e por conta, encontramse relacionados no Anexo I (fls. 545/554); Os dados relativos às declarações apresentadas pela interessada à Receita Federal foram extraídos da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, no período de janeiro a junho de 2007 (fls. 68/79), e da Declaração Anual do Simples Nacional DASN, no período de julho a dezembro de 2007 (fls.82/88); Os valores relativos à receita bruta registrada na contabilidade foram extraídos do Livro Diário n° 03 e do Livro de Registro de Saídas n° 02 (fls.402/522). Os valores referentes à movimentação bancária foram extraídos dos extratos bancários fornecidos pela interessada (fls.101/199 e 202/399). Dos fatos, verificase que o faturamento bruto da interessada expresso na movimentação bancária foi muito superior ao valor contabilizado e ao valor declarado à Receita Federal, restando caracterizado omissão de receita em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, no total de R$ 6.001.425,71 (seis milhões, um mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e setenta e um centavos), no ano calendário de 2007, sendo R$ 2.984.735,95 (dois milhões, novecentos e oitenta e quatro mil, setecentos e trinta e cinco reais e noventa e cinco centavos) no período de janeiro a junho de 2007, e R$ 3.016.689,76 (três milhões, dezesseis mil, seiscentos e oitenta e nove reais e setenta e seis centavos) de julho a dezembro de 2007, incidindo, pois, impostos e contribuições sobre as receitas omitidas não declaradas e não contabilizadas como receita de vendas de mercadorias, nos termos do artigo 24 da Lei n° 9.249/1995, dos artigos 5º e 18 da Lei n° 9.317/96 e do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; À interessada foi dada a oportunidade de comprovar a origem dos recursos, através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 03, de 16.09.2010, porém, não houve comprovação, mediante documentação hábil e idônea, de que a movimentação bancária, ou parte dela, não se originou das atividades normais da empresa, como expresso na tabela de fl. 531. A diferença entre o valor da receita bruta contabilizada e o valor da receita bruta declarada à Receita Federal totalizou R$ 356.555,47 (trezentos e cinquenta e seis mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais e quarenta e sete centavos), no período de janeiro a junho/2007, classificada como diferença de base de cálculo, incidindo, pois, impostos e contribuições sobre as receitas escrituradas no Livro Diário como vendas de mercadorias não declaradas; Classificado como insuficiência de recolhimento estão expressos os impostos e contribuições resultantes do acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta informada a Fl. 772DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 Declaração Anual Simplificada, no período de janeiro a junho de 2007, e na Declaração Anual do Simples Nacional, de julho a dezembro de 2007. Para o cálculo, foram consideradas as alíquotas correspondentes às faixas relativas ao correto enquadramento da interessada em razão do total de sua receita bruta acumulada, tendo sido deduzido deste resultado os valores já recolhidos ou declarados pela interessada. As alíquotas aplicadas sobre a receita bruta encontramse fundamentadas no artigo 23 da Lei n° 9.317/96, com a redação do artigo 1º da Medida Provisória n° 275/05, convertida na Lei n° 11.307/06, conforme discriminado no “Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta” (fls.555/557), constante dos autos de infração, e no artigo 18 da Lei Complementar n° 123/2006, combinado com o art. 3º, incisos I e II, da Resolução CGSN n° 05/07. Em relação aos valores excedentes a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) de receita bruta acumulada, foram aplicados os percentuais previstos na alínea “t” do inciso II do caput do art. 5º da Lei n° 9.317/96, com a redação da Lei n° 11.307/06, acrescidos de 20% (vinte por cento), conforme disciplinado no artigo 23, § 3º, da Lei n° 9.317/96, e no artigo 18, § 16°, da Lei Complementar n°123/2006, como demonstrado à fl. 536. No ano calendário de 2007, a interessada auferiu receita bruta no montante de R$ 7.109.024,52 (sete milhões, cento e novel mil, vinte e quatro reais e cinquenta e dois centavos), conforme tabela de fls. 537, valor esse muito superior ao limite previsto no artigo 3º, inciso II, da Lei Complementar n° 123/06, para que pudesse continuar enquadrada no Simples Nacional, motivo pelo qual foi excluída do regime simplificado, por meio do Ato Declaratório Executivo DRFB/VIT n° 169/10 (fl.523), com efeitos a partir de 01.01.2008, nos termos do artigo 3º, § 9°, da Lei Complementar n° 123/06; Sobre a diferença de base de cálculo e insuficiência de recolhimento foi aplicada multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, e sobre o imposto e as contribuições incidentes sobre a omissão de receita, a multa de 150% (cento e cinquenta por cento), de acordo com o disposto no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96. Os juros de mora foram aplicados no percentual equivalente à taxa SELIC, acumulada mensalmente, conforme dispõe o artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96; Considerando que a receita bruta auferida pela interessada no anocalendário de 2007 superou o limite estabelecido no artigo 3º, inciso II, da Lei Complementar n° 123/06, e não houve a comunicação obrigatória de sua exclusão do Simples Nacional, foi aplicada a multa de 10% (dez por cento) sobre o total dos impostos e contribuições devidos em conformidade com o Simples Nacional, no mês que antecedeu aos efeitos da exclusão dezembro/2007 nos termos dos artigos 30, §1°, e 36, da Lei Complementar n° 123/06, como demonstrado à fl. 538; A qualificação da multa de ofício decorre dos seguintes fatos: no ano calendário de 2007, a interessada auferiu receita da atividade no montante de R$ 7.109.024,52 (sete milhões, cento e novel mil, vinte e quatro reais e cinquenta e dois centavos), apurada mediante extratos bancários, os quais foram reconhecidos pela interessada como receita de revendas de hortifrutigranjeiros, conforme esclarecimentos apresentados à Fiscalização; Fl. 773DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001554/201048 Acórdão n.º 1101000.704 S1C1T1 Fl. 6 9 do montante apurado, somente foram emitidas notas fiscais e escriturados no Livro Diário n° 03 o valor de R$ 1.107.598,81 (um milhão, cento e sete mil, quinhentos e noventa e oito reais e oitenta e um centavos), a título de receita de vendas de mercadorias, sendo que parte desse valor, apenas R$ 751.043,34 (setecentos e cinquenta e um mil, quarenta e três reais e trinta e quatro centavos), bem inferior ao efetivamente realizado, foi oferecido à tributação, por meio das Declarações apresentadas à Receita Federal; embora regularmente intimada, a interessada não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos bancários, no montante de R$ 6.001.425,71 (seis milhões, um mil e quatrocentos e vinte e cinco reais e setenta e um centavos), limitandose a apresentar alguns esclarecimentos, dos quais destacase o de que "o pagamento ocorria de forma informal"; a interessada escriturou e apresentou espontaneamente o Livro Diário e o Razão, cujos registros na Junta Comercial se deram em 19.07.2010, posteriormente à data da ciência do Termo de Início de Fiscalização em 17.06.2010; no Livro Diário a interessada escriturou nas contas Bancos Conta Movimento (Ativo) toda sua movimentação bancária em contrapartida apenas à conta Caixa (Ativo) e vice versa, não gerando nenhum reflexo positivo ou negativo nas contas do Passivo e do Patrimônio Líquido, para a maioria dos lançamentos realizados, ou seja, entrou e saiu dinheiro de sua escrituração contábil sem as devidas contrapartidas desses recursos; ao contabilizar toda sua movimentação bancária no Livro Diário e registrar apenas R$ 1.107.598,81 (um milhão, cento e sete mil, quinhentos e noventa e oito reais e oitenta e um centavos) como receitas de vendas de mercadorias, a interessada tentou passar a falsa impressão de que a sua receita de vendas de mercadorias foi de apenas R$ 1.107.598,81 (um milhão, cento e sete mil, quinhentos e noventa e oito reais e oitenta e um centavos), quando na realidade foi de R$ 7.109.024,52 (sete milhões, cento e novel mil, vinte e quatro reais e cinquenta e dois centavos); com base no exposto, claro está que a interessada ao deixar de emitir notas fiscais, deixar de escriturar como vendas de mercadorias a maior parte das suas receitas e deixar de declarar à Receita Federal a sua efetiva receita, agiu de forma consciente com o objetivo de reduzir o pagamento de tributos; consequentemente, foi elevada a multa de ofício para 150% (cento e cinquenta por cento) sobre os valores dos tributos exigidos nos autos de infração, incidentes sobre as receitas omitidas, em cumprimento às determinações do artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, por ficar entendido que a interessada agiu com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, obtendo como resultado o não pagamento de expressivas quantias de tributos federais, materializando, em tese, crime contra a ordem tributária, tipificado nos incisos I e II do artigo 1º e no inciso I do artigo 2º da Lei n° 8.137/90; o evidente intuito de fraude é conceito amplo no qual se inserem aquelas condutas dolosas, como sonegação, fraude ou conluio, consoante descrito na Lei n° 4.502/64, artigos 71 a 73; a Lei nº 8.137/90 define os crimes contra a ordem tributária, em seus artigos 1º e 2º, e ao tipificar crime contra a ordem tributária evidencia, de forma inequívoca, que a Fl. 774DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 conduta de omitir informação à autoridade fazendária e omitir transações comerciais em documento ou livro fiscal, se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso; Tendo em vista que os fatos descritos caracterizam, em tese, crime contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, incisos I e II, e artigo 2º, inciso I, da Lei n° 8.137/90, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, mediante processo administrativo protocolizado sob o n° 15586.001556/201037, encaminhada à Delegada da Receita Federal do Brasil em Vitória / ES, em cumprimento ao disposto no artigo 1º do Decreto n° 2.730/93 e nos artigos 1º e 3º da Portaria RFB n° 665/08. Considerando que o crédito tributário constituído nos autos de infração é superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) e excede a 30% (trinta por cento) do patrimônio conhecido do sujeito passivo, formalizouse o arrolamento dos bens identificados em nome da interessada, nos termos do artigo 64 da Lei n° 9.532/97 (processo administrativo n° 15586.001518/201084). Inconformada com os lançamentos, dos quais tomou ciência em 30.11.2010, nos próprios autos de infração, interpôs a interessada, em 29.12.2010, a impugnação de fls. 644/680, requerendo a nulidade e a insubsistência dos autos de infração lavrados, ou a redução dos créditos tributários, pelos seguintes motivos: da leitura dos autos de infração, verificase a desobediência ao art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, o qual determina a obrigatoriedade da descrição dos fatos, visto que os mesmos não apresentam as circunstâncias inerentes aos fatos, cerceando seu direito de defesa; os autos de infração apenas descrevem que teria omitido receita por deixar de tributar valores constantes das notas fiscais de saída anexadas ao procedimento de fiscalização, entretanto, tal pretensa descrição nada mais é do que a transcrição da norma prevista nos artigos legais citados no relatório, o que não significa que houve perfeita descrição dos fatos; o fiscal atuante fez uso apenas da capitulação da infração para descrever os fatos, contrariando frontalmente a legislação e a doutrina sobre o tema, não sendo possível identificar a base de cálculo utilizada e a fundamentação da multa aplicada; a descrição dos fatos nos autos de infração diz respeito a suposta não apresentação de declaração a partir de uma multa não especificada, o que cerceia, assim, seu direito constitucional de defesa, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, pois, em virtude da subjetividade da descrição omitiu possíveis fatos que serviriam de análise na apresentação de sua defesa, dificultando a compreensão da acusação; o STJ já decidiu pela nulidade do auto de infração lavrado sem os requisitos legais previstos na legislação vigente. Fica patente, pois, a nulidade dos autos de infração; o fiscal autuante não perquiriu a real ocorrência das hipóteses de incidência tributária de cada uma das exações, estando equivocado o critério utilizado especialmente quanto ao IRPJ, de vez que sua incidência se dá quando ocorre renda; na hipótese, limitouse o autuante a considerar como renda todos os ingressos de numerário em suas contas correntes, sem ter o mínimo cuidado de verificar ao certo se tais valores correspondem a acréscimo patrimonial passível de incidência do imposto, isto é, se correspondem de fato a receita ou a meras entradas que não tenham a interessada como destinatária; Fl. 775DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001554/201048 Acórdão n.º 1101000.704 S1C1T1 Fl. 7 11 a Lei n° 9.430/1996, citada pelo autuante, revelase inconstitucional quando pretende alargar o conceito de renda para todas as entradas em conta corrente, criando assim uma nova espécie tributária, qual seja, a incidente sobre movimentação financeira, cuja competência a União não tem, por força do art. 153 da Constituição Federal; desse modo, revelase indevida a autuação efetivada com base única e exclusivamente em seus extratos bancários; a própria União já reconheceu a impossibilidade de se constituir crédito tributário do IRPJ com base única e exclusivamente em extratos bancários, determinando o cancelamento de autuações feitas nesses moldes, nos termos do disposto no Decretolei n° 2.471, de 01.09.1988, art. 9º, inciso VII ("Ficam cancelados, Arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos cu não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários'); quanto à vigência do referido Decretolei, entende a União que o mesmo encontrase em vigor consolidável, isto é, em vigor com pequenas alterações, que não alteram o seu texto; portanto, deve o Fisco provar que tais créditos são acréscimos patrimoniais passíveis de incidência da citada exação; os Tribunais pátrios mantêm entendimento nesse sentido, sendo todos unânimes em confirmar a validade da súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos de que "é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários"; o auto de infração não observou a efetiva hipótese de incidência das exações lançadas, ou seja, a efetiva renda da interessada para o lançamento do IRPJ, Atendose a meros extratos bancários que comprovam movimentação financeira, sem que isso seja considerado renda nos termos da Constituição Federal; a interessada teve seu lucro arbitrado com fundamento no RIR/1999, na Lei n° 8.981/1995 e na Instrução Normativa n° 93/1997; apesar de ter fornecido as notas fiscais de entrada e saída e os respectivos livros contábeis, o fiscal autuante achou por bem arbitrar o lucro segundo os valores das notas de saída por ela trazidas aos autos; entretanto, o arbitramento do lucro se mostra ilegítimo, ilegal e arbitrário, eis que o fiscal dispunha dos elementos necessários para encontrar o efetivo lucro da empresa, em razão de sua opção pela tributação com base no lucro real; de posse dos livros apresentados, aquela autoridade poderia determinar o lucro real, se é que existiu, de forma a possibilitar a correta tributação, Evitandose a tributação indistinta, sob um percentual não confirmado a título de lucro; o arbitramento do lucro é medida extrema, sendo aplicável somente quando não haja outra forma de se apurar o lucro real, o que não é o caso dos autos, de vez que apresentou os livros que possuía visando sua correta tributação; Fl. 776DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 12 do mesmo modo, devem ser anulados ou reduzidos os créditos decorrentes da tributação reflexa, vez que foram lançados com base no ilegal e incorreto lucro arbitrado; discorda da cobrança das taxas de juros aplicadas, as quais devem ser reduzidas ao percentual previsto no CTN; é evidente a natureza flagrantemente confiscatória da multa qualificada, ferindo os princípios do nãoconfisco, da moralidade e da razoabilidade, transbordando em muito o verdadeiro caráter de punição, passando mesmo a caracterizar enriquecimento ilícito por parte do Fisco, não possuindo a interessada, todavia, condições de arcar com valor tão alto; a cobrança da multa nos moldes apresentados, além de ser excessivamente alta, contraria a Lei n° 9.298, de 01/08/1996, que altera a redação do §1° do artigo 52, da Lei n° 8.078, de 11.09.1990 ("As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a 2% (dois por cento) do valor da prestação”); não se praticou qualquer ato capaz de ensejar a aplicação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento), pois a simples não apresentação de eventuais declarações, por si só, não caracteriza a máfé capaz de ensejar a aplicação da referida multa; recentes súmulas do Conselho de Contribuintes confirmam sua tese, isto é, que o dolo e a vontade de fraudar devem ser provadas pelo Fisco, o que não ocorreu no caso, devendo, portanto, ser excluída da autuação a multa qualificada; a simples não apresentação de declarações e o não pagamento de tributos importam em aplicação de multa de 75% (setenta e cinco) e não na multa qualificada de 150%, logo, por tais razões, ante a exorbitante multa imposta, mister se faz a sua redução ao valor razoável de 10% (dez por cento) sobre o valor das exações inadimplidas ou a sua fixação em 75% (setenta e cinco por cento), conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996; do mesmo modo, é ilegal a aplicação da taxa SELIC a título de juros moratórios sobre débitos tributários, de vez que o CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% (um por cento) ao mês, ou seja, de 12% (doze por cento) ao ano, que diante de sua natureza remuneratória, não poderia ser utilizada para o fim pretendido; juridicamente, somente é possível a cobrança dos juros moratórios cujo fundamento encontra se amparado no art. 161 do CTN, daí porque, a tentativa de utilização de uma taxa de juros de natureza remuneratória como juros moratórios representa flagrante tentativa de burla aos mandamentos legais tributários; além disso, ressaltese que, da forma como é fixada exclusivamente pelo Banco Central, não pode ser utilizada como forma de majoração,, ainda que indireta, dos débitos tributários, representando flagrante ataque ao princípio da legalidade, e sua utilização, uma verdadeira delegação legislativa de competência, de vez que, segundo o art. 150, inciso I, da Constituição Federal, cabe única e exclusivamente ao Poder Legislativo instituir ou majorar tributos, e não ao Poder Executivo; a cobrança fere, também, os princípios da segurança jurídica e da Não surpresa tributária, positivados no art. 150, inciso III, letra "b", da Constituição Federal; as atividades desenvolvidas, previstas no seu contrato social de venda e comercialização de produtos hortifrutigranjeiros de diversas espécies tem o benefício da Fl. 777DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001554/201048 Acórdão n.º 1101000.704 S1C1T1 Fl. 8 13 redução da alíquota desses impostos estipulados pela Lei n° 10.865/2004, art. 28, inciso III (Vide Medida Provisória n° 252, de 15/06/2005); ao arrepio do referido dispositivo legal, o autuante efetuou o lançamento do PIS e da COFINS, o que por certo não merece prosperar, ficando patente a ilegalidade desses lançamentos. A impugnação apresentada foi indeferida pela 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro / RJ I, consoante exegese assim ementada: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL POR EXCESSO DE RECEITA BRUTA. LANÇAMENTOS DO IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS E MULTA REGULAMENTAR, SOB A ÓTICA DO REGIME SIMPLIFICADO. PRELIMINAR DE NULIDADE. ARGUIÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR DEFICIENCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. REJEIÇÃO. A descrição detalhada dos fatos em Termo de Verificação Fiscal Simples, que constitui parte integrante dos autos de infração lavrados, com a indicação de vasta fundamentação legal, propiciando à pessoa jurídica pleno e total conhecimento das irregularidades apuradas, afasta a arguição de cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR DE NULIDADE. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ATIVIDADE VINCULADA. REJEIÇÃO. Os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada, com estrita observância dos atos praticados pelo Poder Executivo e das leis promulgadas pelo Poder Legislativo, falecendolhes competência para apreciar arguições de ilegalidade/inconstitucionalidade de lei, atribuição esta privativa do Poder Judiciário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS/DIFERENÇA ENTRE RECEITA ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS / INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO POR ACRÉSCIMO DE ALÍQUOTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MANUTENÇÃO DAS EXIGÊNCIAS. Meras alegações apresentadas na impugnação, desacompanhadas de qualquer elemento de prova, não tem o condão de afastar as Fl. 778DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 14 irregularidades apuradas no curso da ação fiscal, ensejando manutenção dos lançamentos do IRPJ. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. INSS. EXIGÊNCIA. Aplicamse aos lançamentos reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco durante a Fiscalização evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática de oferecer à tributação valores ínfimos em relação à receita efetivamente apurada, em todos os meses do ano calendário, impõese a aplicação da multa qualificada de 150%. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. JUROS MORATÓRIOS. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Nas hipóteses de lançamento de ofício, devem ser aplicadas multa de ofício de 75% e juros de mora calculados com base na taxa SELIC, sobre a totalidade ou diferença de impostos e contribuições apurados, na forma da legislação que rege as matérias, descabendo no âmbito administrativo qualquer discussão sobre a legalidade da incidência desses acréscimos moratórios, visto que a atividade administrativa de julgamento de processos é plenamente vinculada, com estrita observância da legislação em vigor. MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional deve ser comunicada à Receita Federal de acordo com a legislação que regula o sistema simplificado. O descumprimento da obrigação acessória resulta na exigência de multa regulamentar. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Cientificada do acórdão em 18.07.2011, a recorrente interpôs Recurso Voluntário a este colegiado, em 15.08.2011, repisando, em síntese, os argumentos aduzidos na esfera de julgamento antecedente. É o relatório. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001554/201048 Acórdão n.º 1101000.704 S1C1T1 Fl. 9 15 Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele, portanto, conheço. Dada a pluralidade dos tópicos versados no presente julgamento, dividirei a exposição em itens, visando a uma abordagem mais pedagógica. (1) Preliminarmente: da suposta ausência de requisito essencial do auto de infração. Do alegado cerceamento de defesa. Em sede liminar, o contribuinte aduz que os autos de infração careceriam de requisito essencial de validade, identificado à correta e minudente descrição do fato infrator. A adoção de fórmula redacional alegadamente sucinta e incompleta, por parte do Fisco federal, teria, então, redundado em cerceamento de defesa, eis que a compreensão das infrações imputadas teria resultado em impossibilidade de infirmação satisfatória das acusações. Ocorre, contudo, que, da análise dos autos, não consigo extrair conclusão similar. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 525/544, apontado como parte integrante e indissociável das peças de imputação, é suficientemente pormenorizado. A leitura desse documento, como bem se pode depreender, evidencia, com clareza, todos os passos do trabalho fiscal de lançamento enunciando, com precisão, o entendimento subjacente ao labor autuante – quer no que atine à apuração das bases imponíveis, quer no que toca à imposição de penalidades e de consectários moratórios, quer, ainda, no que concerne ao desenquadramento da autuada junto ao Simples Federal e Nacional. O estudo das peças de impugnação e de Recurso Voluntário apresentadas pelo contribuinte, outrossim, deixa óbvio que o sujeito passivo compreendeu todas as acusações que lhe foram feitas. Jazeu claro, então, que foi ele capaz de se defender bem, contrapondo os apontamentos fazendários com o que lhe cabia afirmar. Vale recordar, nesse ponto, que as nulidades absolutas só pertinem aos “atos e termos lavrados por pessoa incompetente”, de um lado, e aos “despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”, de outro, nos exatos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 16 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta.” Não sendo esse o caso, os vícios porventura existentes – que, aqui, repitase, inexistem – não importam em nulificação dos atos processuais, só precisando ser sanados “quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Isso é o que dispõe o artigo 60 do estresido Decreto nº 70.235/72, verbis: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Logo, não há que se falar em cerceamento de defesa ou em nulidade qualquer, haja vista não haver qualquer vício na fundamentação dos autos de infração lavrados. (2) Da possibilidade de lançamento amparado em constatação de depósitos bancários não escriturados e injustificados. Da presunção omissiva do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Adentrando ao mérito, o sujeito passivo se bate pela suposta impossibilidade de o Fisco arrimar exigências oficiosas em averiguações de depósitos bancários não escriturados, sem prévia segregação daquilo que representa, efetivamente, acréscimo patrimonial da autuada. Consoante se dessume do indigitado Termo de Verificação Fiscal de fls. 525/544, a análise da movimentação bancária da autuada, feita a partir de extratos fornecidos pela própria, levou à apuração, no anocalendário de 2007, de creditamentos equivalentes a R$ 7.109.024,52 (sete milhões, cento e novel mil, vinte e quatro reais e cinquenta e dois centavos). Expurgada a monta de R$ 1.107.598,81 (um milhão, cento e nove mil, quinhentos e noventa e oito reais e oitenta e um centavos), pertinente às vendas de mercadorias devidamente escrituradas, acobertadas por notas fiscais de saída, remanesceu injustificado importe de R$ 6.001.425,71 (seis milhões, um mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e setenta e um centavos). Intimada a comprovar a origem desses ativos, a peticionária se limitou, então, a afirmar, em resposta (fls. 39 e ss.): “Que em virtude da natureza perecível das mercadorias, havia operações de revenda de mercadorias que seguiam diretamente do produtor rural para os clientes da empresa Cássio, acobertadas pela Nota Fiscal de Produtor Rural. O pagamento ocorria de forma informal, onde a Cássio realizava os pagamentos aos produtores rurais e posteriormente recebia de seus clientes a quitação das mercadorias revendidas; Fl. 781DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001554/201048 Acórdão n.º 1101000.704 S1C1T1 Fl. 10 17 b) Que todos os valores relacionados no anexo I, são provenientes da revenda de produtos hortifrutigranjeiros.” A simples evidenciação suposta da causa econômica dos creditamentos verificados, sem juntada de qualquer documento hábil e idôneo comprobatório, faz aperfeiçoar a presunção de omissão de receitas esculpida pelo artigo 42, caput, da Lei nº 9.430/96: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” O comando legislativo em epígrafe é claro: a constatação de creditamentos m contas bancárias do contribuinte, mormente quando não escriturados, denota omissão de receitas, salvo se o sujeito passivo, mediante juntada de documentação hábil e idônea, demonstrar a origem de tais valores. Tratase, pois, de presunção iuris tantum, que só pode ser defenestrada na hipótese de o contribuinte elucidar as origens dos recursos, de maneira indubitável. O mecanismo previsto no citado permissivo opera, em favor do Fisco, a possibilidade de inverter o ônus da prova da sonegação. Noutras palavras, para que a omissão se verifique, incumbe à Fazenda, tãosomente, demonstrar terem ocorrido recebimentos de valores de origem documentalmente não explanada. Fica a cargo do contribuinte, com isso, provar que ditos ingressos não foram omitidos na apuração do lucro tributável. No presente caso, logrou a Fazenda indicar, com precisão, a omissão de rendimentos. Caberia à recorrente, e somente a ela, impugnar a tributação dos importes bancários constatados. Não havendo cabal demonstração, pela via documental, das origens destas receitas, vigora, em prol do Fisco, o benefício da dúvida. Os valores depositados, não escriturados e declarados, foram, escorreitamente, reputados como sonegados, dada a incapacidade da recorrente de provar noutro sentido. Logo, sobre eles se computou os tributos incidentes, derivada da extrusão da interessada perante os regimes do Simples Federal e Nacional. Nada há a se retificar no trabalho lançador, portanto, no que se refere às exigências formalizadas sobre os valores sob escólio. (3) Da invalidade do “arbitramento” realizado Em segundo lugar, argumenta o sujeito passivo que o procedimento adotado para mensuração das bases de cálculo lançadas seria correspondente a efetivo “arbitramento”. Passou a recorrente, por essa razão, a apresentar considerações concernentes à excepcionalidade do mecanismo arbitral – nota esta que, alegadamente, não teria sido observada no caso em comento. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 18 Segundo se explanou alhures, os lançamentos em questão – exceção feita ao de multa regulamentar, oriunda da não informação, à Fazenda, de causa excludente perante o Simples Federal ou Nacional – tiveram arrimo em procedimento de recomposição de bases de cálculo e de alíquotas perpetrados segundo os seguintes critérios: i) constatação de omissão de receita bancárias, acima já cuidado, em razão da averiguação de depósitos bancários de origem não comprovada, no total de R$ 6.001.425,71 (seis milhões, um mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e setenta e um centavos), no anobase de 2007. As receitas omitidas, não declaradas e não contabilizadas como receita de vendas de mercadorias, foram consideradas sonegadas, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; ii) averiguação de diferença entre o valor da receita bruta contabilizada no Livro Diário, a título de receita de venda de mercadorias, de um lado, e a importância da receita bruta declarada à Receita Federal, de outro, no total de R$ 356.555,47 (trezentos e cinquenta e seis mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais e quarenta e sete centavos), entre janeiro e junho de 2007. Sobre esse importe incidiram os impostos e as contribuições devidas; e iii) recomposição das alíquotas aplicadas sobre a receita bruta, informada na Declaração Anual Simplificada e na Declaração Anual do Simples Nacional, haja vista a reformatação das faixas de faturamento acumulado. Foram deduzidos, previamente, os valores já recolhidos ou declarados pela interessada, exigindose as diferenças cabíveis, na forma do “Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta” (fls.555/557). Evidente que o trabalho não se confunde, de forma nenhuma, com o procedimento de arbitramento do lucro, de conhecida aplicação na seara fiscal. Não nos alongaremos na análise desta ilação recursal, portanto, por ser ela totalmente impertinente, eis já estar acima explicado o passoapasso do labor imputacional. (4) Da impossibilidade de exigência de PIS e de COFINS sobre receitas decorrentes da venda de produtos hortifrutigranjeiros. Ainda no que atine aos principais cobrados, o sujeito passivo defende que não se poderia exigir PIS e COFINS computados sobre os rendimentos apurados pelo Fisco, uma vez que todos estes seriam decorrência exclusiva de comercialização de produtos hortifrutigranjeiros. Lembra a recorrente, nesse sentido, que o artigo 28, inciso III, da Lei nº 10.865/04, abaixo transcrito, outorgara benefício isentivo às receitas atreladas a essas mercadorias, mediante redução a 0 (zero) das alíquotas atinentes a ditas contribuições: “Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (...) Fl. 783DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001554/201048 Acórdão n.º 1101000.704 S1C1T1 Fl. 11 19 III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI;” O aresto recorrido desacolheu o pedido, em razão do entendimento de que os lançamentos, quando calcados em depósitos bancários, não poderiam ser reputados como vinculados a uma ou outra operação comercial específica. A razão de ser da presunção omissiva em foco, afinal, era, justamente, a impossibilidade de sapiência da origem dos recursos creditados, frente à não apresentação, pelo contribuinte, de documentos idôneos e hábeis que denotassem a procedência dos rendimentos. Parece ser parcialmente irretocável a exegese do colegiado a quo. Afinal de contas, não há, nos autos, qualquer prova de que os depósitos bancários constatados, presumidos como consubstanciadores de receitas omitidas, tenham derivação de comercialização de produtos hortifrutigranjeiros. Os lançamentos arrimados no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, por definição, não levam em consideração a natureza das operações gerativas das receitas – salvo contrário, obviamente, sequer haveria espaço para a aplicação deste mecanismo presuntivo. Ocorre, contudo, que parte dos lançamentos guerreados tocou à averiguação de bases imponíveis correspondentes à diferença (R$ 356.555,47) entre receitas escrituradas no Livro Razão, correspondentes a vendas de produtos hortifrutigranjeiros (R$ 1.107.598,81), de um lado, e a importância da receita bruta declarada à Fazenda, de outro (R$ R$ 751.043,34). Segundo reconhecido pelo próprio trabalho lançador, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 525/544, este saldo, escriturado e não declarado, correspondeu, integralmente, a operações de vendas de mercadorias, devidamente acobertadas por notas fiscais de saída. Certo se faz, portanto, que, em relação a essa classe de exigências, deveria o fiscal autuante perscrutar quais cifras de receitas derivariam de comercialização de “produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI”. Em referência a esses rendimentos, não se poderia lançar PIS e COFINS, haja vista a existência do benefício isentivo suso noticiado. Essencial, portanto, que a autoridade fazendária de origem expurgue, dos importes de PIS e de COFINS formalizados, aqueles relativos a receitas escrituradas e não declaradas, atreladas a notas fiscais denotativas de vendas de mercadorias subsumíveis ao regime isentado do artigo 28, inciso III, da Lei nº 10.865/04. (5) Da qualificação das multas de ofício aplicadas aos lançamentos decorrentes da apuração de depósitos bancários não justificados Ainda que o contribuinte tenha se referido a esse ponto de forma superficial, creio ser indispensável o cuidado percuciente do tema, por força de sua relevância. O Fisco cominou, a parcela dos valores de principal formalizados, arrimados em depósitos bancários de procedência inexplicada, multa de ofício qualificada, à taxa de 150% (cento e cinquenta por cento), forte no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96: Fl. 784DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 20 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis” É corrente neste Conselho, contudo, o entendimento – com o qual concordo – de que lançamentos calcados em presunção de omissão de receitas não podem vir acompanhados de imposição de multa majorada. O permissivo qualificador, afinal, expressamente condiciona a penalidade de 150% (cento e cinquenta por cento) aos casos em que reste caracterizado comportamento enquadrado em um dos tipos penais dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Ora, a imputação, ao contribuinte, dos delitos de fraude, sonegação ou conluio pressupõe, evidentemente, arcabouço probatório robusto, que denote, direta e imediatamente, o desiderato infrator. Nos casos em que a exigência fiscal se arrima em simples presunções, tal condição não é satisfeita, eis que existentes, nos autos, simples indícios oblíquos da evasão. Os lançamentos em debate não são resultado da perscrutação imediata e indubitável de proventos tributáveis omitidos. Ao contrário, valendose da autorização legislativa acima noticiada, a Fazenda apenas procedeu ao apontamento de movimentações bancárias potencialmente identificáveis a receitas escondidas, transferindo ao contribuinte o ônus de provar que a não declaração de ditas movimentações não corresponderia a qualquer delito tributário. Se todo o trabalho impositivo se calcou em meras presunções, é de se admitir que o Fisco não logrou, de forma alguma, comprovar eventual comportamento doloso, fraudulento ou simulatório. Vejamse as seguintes ementas de julgamento, por oportunas: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA RENDIMENTOS APURADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMITIDOS NA DECLARAÇÃO DE IRPF EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. O fato de a fiscalização apurar omissão de rendimentos em face de depósitos bancários sem origem, não configura, por si só, a prática de Fl. 785DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001554/201048 Acórdão n.º 1101000.704 S1C1T1 Fl. 12 21 dolo, fraude ou simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964. Por sua vez, descabe o agravamento da multa, por falta de atendimento a intimações, quando a fiscalização já dispõe de todos os elementos necessários à lavratura do auto de infração, aplicando a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430 de 1996. Preliminares rejeitadas.” (Ac. 1º CC – 10248.679/07) (grifos nossos) “MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE COMPROVAÇÃO. Se dos elementos que constam dos autos não resta comprovado o evidente intuito de fraude, a multa qualificada deve ser afastada e reduzida ao percentual de 75%. A mera constatação da omissão de receitas, mormente se por presunção legal, é insuficiente para afirmar o intuito doloso do contribuinte de ocultar o fato gerador tributário da autoridade fiscal.” (Ac. 1º CC – 10517.363/08) (grifos nossos) A mera aferição de omissão de receita, mormente quando inexistente prova direta e induvidosa de intuito sonegador ou fraudulento, não autoriza a qualificação da multa de mora. De tão sedimentada, a exegese que ora se expõe chegou a ser sumulada por este colegiado, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Assim, imperiosa é a desqualificação da penalidade imposta, para que seja computada segundo o percentual exclusivo de 75% (setenta e cinco por cento). (6) Da discussão respeitante à constitucionalidade ou à ilegalidade das normas tributárias. A recorrente ventila, ainda, uma série de argumentos destinados a questionar a constitucionalidade das leis fiscais, no que tange aos consectários moratórios e punitivos lançados em seu desfavor, banda uma, e ao procedimento de fiscalização em si, banda outra. Mais uma vez, reservamonos o direito de tratar laconicamente do assunto. Não custa pisar que os órgãos administrativos têm atuação estritamente vinculada à lei. Resta vedado, pois, tanto à Receita Federal, de um lado, quanto a este conselho, de outro, deixar de aplicar as normas tributárias vigentes, ainda que, em tese, possam elas estar eivadas de invalidade. Cabe ao Poder Legislativo, de forma prévia, ou ao Poder Judiciário, a posteriori, perscrutar pela adequação das leis ao sistema de normas gerais e de princípios construído em sede constitucional ou infraconstitucional. Este colegiado, na qualidade de autoridade administrativa, só pode zelar pela observância das normas em vigor, sem analisar sua pertinência sistêmica. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 22 Tragase à baila, a respeito, o enunciado da elucidativa Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (7) Das matérias incontroversas A recorrente, na presente seara, deixou de infirmar variados aspectos do trabalho fiscal. Mais precisamente, tornaramse definitivos, por não controvertidos, a exclusão do contribuinte junto ao Simples Federal e Nacional, de um lado, por força de excesso de receita bruta, e a cominação da multa regulamentar estatuída pelo artigo 36 da Lei Complementar nº 123/06, dimanada da não informação, ao Fisco, da verificação de situação excludente do contribuinte junto ao Simples Nacional, de outro lado. Tais pontos, portanto, devem ser mantidos, em todos os termos definidos pelo fiscal autuante. (8) Parte dispositiva Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para: i) expurgar, dos importes de PIS e de COFINS formalizados, aqueles relativos a receitas escrituradas e não declaradas, atreladas a notas fiscais denotativas de vendas de mercadorias subsumíveis ao regime isentado do artigo 28, inciso III, da Lei nº 10.865/04; e ii) minorar as multas qualificadas impingidas, até o importe de 75% (setenta e cinco por cento) dos principais lançados. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 787DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10680.922658/2012-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado.
Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator).
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1672; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 34 1 33 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.922658/201268 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.286 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2015 Matéria DECOMP COFINS Recorrente WAZ HARDWARE IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE SUPRIMENTOS DE INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 26 58 /2 01 2- 68 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator). Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 33), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 40910557 emitido eletronicamente em 05/12/12, referente ao PER/DCOMP nº 25315.73037.231211.1.3.043404. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS –Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$ 4.852,71, representado por Darf recolhido em 24/04/09 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 35DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10680.922658/201268 Acórdão n.º 3802004.286 S3TE02 Fl. 35 3 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o que ocorreu foram problemas com as Dacon, DCTF e DIPJ a que se vinculam as compensações glosadas. Que os documentos foram entregues com erro e alguns deixaram de ser entregues na época própria tendo sido necessária a apresentação das declarações faltantes e retificadoras. Afirma que juntamente com a manifestação de inconformidade juntou todos os documentos possíveis e que poderia apresentar todos os que a autoridade julgar necessários. Invoca o princípio da verdade material, a ampla defesa, o devido processo legal, a segurança jurídica e a oficialidade, discorrendo sobre eles. Que caberia ao julgador diligenciar para descobrir a verdade material. Que direito aos créditos de PIS e COFINS nascem de vendas tributadas à alíquota zero. Cita leis. Afirma que referidos créditos são comprovados pelos documentos pertinentes (demonstrativos de crédito, notas fiscais de aquisição e outros). Diante disso, pede que sejam realizadas diligências e perícias que a autoridade julgar necessárias e que seja reformado o despacho decisório com a homologação das compensações pleiteadas. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ/BHE entendeu pela improcedência do pleito do sujeito passivo, mantendo a glosa do crédito requerido e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que, diante da divergência entre os valores de débito constantes na DCTF e no Dacon (formadores do direito creditório), o pleito careceu de materialidade do crédito, mormente ante a ausência de prova nos autos. Afirma a decisão recorrida que: Nesse ponto, cumpre assinalar que as contradições foram evidenciadas entre informações prestadas pelo próprio contribuinte (DCTF original, Dacon e Dacon retificadora), motivo pelo qual o manifestante deveria cuidar de provar efetivamente qual valor (informação) corresponde à realidade dos fatos, a fim de conferir a necessária certeza ao crédito pretendido, não cabendo à autoridade julgadora mandar sanar a insuficiência de prova por meio de realização diligência. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Em seu Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, o direito creditório existe, e para tanto acosta diversos documentos aos autos, eminentemente notas fiscais de aquisições e de saídas. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 33), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, apurado erroneamente o PIS e a COFINS, mas afirma que o direito de crédito decorre de vendas efetuadas com alíquota zero nos termos do art. 17 da lei 11.033/2004, “bem assim das diversas rubricas previstas no art. 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que permitem o direito ao crédito das contribuições”. Ocorre que, nada obstante o Recorrente afirmar no Recurso Voluntário que acosta diversas notas fiscais comprobatórias do seu direito de crédito, estas não constam dos autos. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, pois ausente demonstração cabal da origem dos créditos de PIS e da COFINS a serem compensados. Conclusão Fl. 37DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10680.922658/201268 Acórdão n.º 3802004.286 S3TE02 Fl. 36 5 Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13971.721850/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DRJ se manifeste sobre as razões pelas quais não recorreu de ofício, devendo, se for o caso, prolatar nova decisão.
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DRJ se manifeste sobre as razões pelas quais não recorreu de ofício, devendo, se for o caso, prolatar nova decisão. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 21 85 0/ 20 13 -3 2 Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRA DE JENIER Processo nº 13971.721850/201332 Resolução nº 1301000.276 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar as peculiaridades do presente caso, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, donde destaco: Tratase de impugnação a dois autos de infração lavrados para exigir créditos tributários relativos aos anos 2007, 2008, 2009 e 2010, conforme os valores contidos na tabela seguinte (todos os valores monetários estão expressos em reais): 2. A autoridade tributária apontou as seguintes infrações, que resultaram na incorreta apuração de tributos: (i) amortização de ágio indedutível, nos anos 2007, 2008 e 2009, para a qual foi exigida multa de ofício de 150% (qualificada); e (ii) compensação de prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, para a qual foi exigida multa de ofício de 75%. 3. A ação fiscal e seus fundamentos estão apontados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls 963/982, do qual se extrai o seguinte resumo: 1. O autuado, HACO ETIQUETAS LTDA, CNPJ 82.645.862/000136, é pessoa jurídica de direito privado, sociedade por quotas, de capital fechado, totalmente subscrito e integralizado, no valor de R$ 12.550.578,00, dividido em 12.550.578 quotas, assim distribuídas: 12.301.104 quotas para Conrad Empreendimentos e Participações S/A; 249.473 quotas para Ricardo Guedes Lowndes e 1 quota para Alberto Conrad Lowndes. 2. A ação fiscal alcançou os anos 2007, 2008, 2009 e 2010, ocasião em que foi constatada a utilização indevida de despesas com amortização de ágio interno, obtido por meio de incorporações, às avessas, de empresas ligadas. Também foi verificada a compensação indevida de prejuízos fiscais no ano 2010. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO 3. A operação que deu origem ao ágio supracitado ocorreu em 31.12.2004, data da incorporação da empresa Labeltec Etiquetas S/A, CNPJ 03.583.060/000172. Sobre essa operação, merecem destaque os seguintes fatos: 3.1. em 30.11.2004, houve a transformação da Labeltec Etiquetas S/A, de sociedade por quotas de responsabilidade limitada em sociedade anônima, com capital de R$ 500.000,00, divididos em 500.000 ações, sendo que 499.999 ações foram subscritas por Ricardo Guedes Lowndes, CPF 164.095.66700, e 1 ação foi subscrita por Alberto Conrad Lowndes, CPF 095.094.78733, mantendo assim a mesma participação que já possuíam antes da transformação. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRA DE JENIER Processo nº 13971.721850/201332 Resolução nº 1301000.276 S1C3T1 Fl. 4 3 3.2. em 30.12.2004, houve a alteração contratual da Haco Etiquetas Ltda, que consistiu na retirada do sócio estrangeiro Starfeat Intertrading Inc., sediado no Panamá, e na entrada do sócio Conrad Empreendimentos e Participações S/A, CNPJ 01.528.583/000190, que foi representado, naquele ato, por Cornelia Conrad Lowndes, CPF 257.511.15953, esposa de Ricardo Guedes Lowndes e mãe de Alberto Conrad Lowndes. Após essa alteração contratual, a Conrad Emp. e Part. S/A passou a deter mais de 98% da Haco Etiquetas Ltda, sendo que o restante das quotas permaneceram em poder de Ricardo Guedes Lowndes. 3.3. em 30.12.2004, houve a Assembléia Geral Extraordinária da Labeltec Etiquetas S/A, em que foi autorizada a emissão de novas ações e sua alienação para a empresa Conrad Emp. e Part. S/A, mediante a transferência das quotas que esta possuía na Haco Etiquetas Ltda, avaliadas em R$ 49.000.000,00, conforme laudo elaborado pela empresa Capital Soluções S/C Ltda., CNPJ 01.450.563/000144 (fls 704/878). No referido laudo, a empresa Haco Etiquetas Ltda foi avaliada em R$ 51.488.000,00, o que correspondia a um ágio de R$ 37.251.000,00. Com essa AGE, a Labeltec Etiquetas S/A passou a ter o capital de R$ 49.500.000,00, a Conrad Emp. e Part. S/A. passou a ser controladora da Labeltec Etiquetas S/A, que, por sua vez, era a controladora da Haco Etiquetas Ltda. 3.4. em 31.12.2004, a Haco Etiquetas Ltda incorporou a Labeltec Etiquetas, tendo como referência o laudo de avaliação elaborado pela empresa Martinelli Auditores (fls 698/703). 4. A combinação de negócios acima exposta não reúne as condições necessárias para que tenham validade perante o Fisco. Em primeiro lugar, todos os atos envolveram transações dos sócios entre si, sendo patente a ausência da necessária independência para a realização de tais atos. Em segundo lugar, todos os atos ocorreram praticamente na mesma data, o que deixa evidente que a única intenção era obter o efeito tributário pretendido, qual seja, o surgimento de ágio amortizável, sendo possível afirmar que os atos praticados não tiveram propósito negocial outro que não fosse a economia tributária advinda da amortização do ágio. 5. As mutações societárias relatadas são artifícios formais que fizeram surgir na contabilidade da empresa fiscalizada valores aos quais foi dado o nome de "Ágio sobre Investimentos". Em verdade, foi a Haco Etiquetas LTDA que incorporou a empresa Labeltec Etiquetas S.A., cujo capital era constituído em sua quase totalidade por ações da própria Haco Etiquetas Ltda. 6. As referidas operações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidência pela contabilidade, conforme já se manifestou a Comissão de Valores Mobiliários, em seu OFICIO CIRCULAR CVM SNC SEP 01/2007: Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRA DE JENIER Processo nº 13971.721850/201332 Resolução nº 1301000.276 S1C3T1 Fl. 5 4 transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedores do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length”. 7. No mesmo sentido segue o Conselho Federal de Contabilidade, conforme a Resolução CFC n° 1.110/07: O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. 8. A legislação tributária mantém os pressupostos do ágio, encontrados na doutrina contábil: a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do ágio. A empresa Haco Etiquetas Ltda. não recebeu qualquer participação societária. As próprias quotas do capital não são participações societárias, pois nenhuma empresa participa de si mesma. Portanto, o primeiro pressuposto do ágio (participação societária) não foi atendido. 9. O motivo que justificou a contabilização do ágio na Labeltec Etiquetas S.A. foi a nova avaliação econômicofinanceira da Haco Etiquetas Ltda, este motivo não prevalece na incorporação, pois tratase de pessoas jurídicas sob o mesmo controle acionário. Portanto ausente também o segundo pressuposto do ágio, o fundamento econômico. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. 10. O sujeito passivo compensou IRPJ com prejuízo operacional, na apuração relativa ao ano calendário 2010, em montante superior ao saldo desse prejuízo. Da mesma forma, compensou CSLL com base de calculo negativa, na apuração relativa ao ano calendário 2010, em montante superior ao saldo existente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 11. O contribuinte, ao gerar de forma artificial uma despesa com ágio sabidamente inexistente, praticou, de forma inequívoca, uma ação dolosa, ou seja, intencional e consciente a qual retardou o conhecimento das reais circunstâncias materiais do fato gerador (ocultando parcela significativa de seus lucros econômicos, haja vista a introdução de despesa inexistente), já que tudo isso que foi feito teve o propósito de iludir o Fisco, pois deu o nome de "Ágio sobre Investimentos" a fatos sabidamente desprovidos de quaisquer características que o compõe. 12. O contribuinte agiu de forma meticulosa e planejada, pois sabia que seriam produzidos atos meramente formais que provocariam a redução tributária. Apesar de os fatos terem sido informados em DIPJ e os atos formais terem sido registrados nos órgãos competentes, isso não elide o dolo do contribuinte. É certo que tudo foi feito para informar ao Fisco algo que inexistia e que, portanto, produziu o retardamento do conhecimento das verdadeiras circunstâncias. Além disto, houve a modificação de característica essencial do fato gerador, uma vez que os montantes de IRPJ a CSLL devidos foram reduzidos (usaramse despesas sabidamente inexistentes). O contribuinte não praticou estes atos de forma Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRA DE JENIER Processo nº 13971.721850/201332 Resolução nº 1301000.276 S1C3T1 Fl. 6 5 involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta, restando caracterizada a atitude dolosa. Ou seja, a conduta em análise amoldase às previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64. 13. Também se deve levar em conta o tempo exíguo decorrido entre os atos formais que levaram à redução do montante do imposto apurado. DECADÊNCIA. 14. De acordo com o art. 150 do CTN, nos casos de lançamento por homologação, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador. Contudo, a parte final do §4º desse dispositivo excepciona os casos de dolo, fraude ou simulação. Nesse caso, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, pela qual a decadência ocorre com o decurso do prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado. 4. Cientificado pessoalmente do lançamento em 24.06.2013 (fls 985 e 1000), o contribuinte apresentou impugnatória em 23.07.2013 (fls 1024/1058). Em sua defesa, traz os argumentos resumidos a seguir: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO 1. A fiscalização efetuou o lançamento em tela por ter considerado sem validade as operações societárias realizadas pelo impugnante, uma vez que efetuadas entre os sócios das empresas envolvidas, o que teria evidenciado a patente ausência de independência na realização dos atos. 2. No entanto, os eventos acontecidos no mundo real efetivamente guardam inteira consonância com a intenção e desejo querido e realizado, bem assim, os fatos ocorridos foram os efetivamente concretizados, sem que se vislumbre qualquer ato ilícito ou ilegal. 3. Não se detectam artifícios ou operações subjacentes acobertadas pelas transações efetivamente realizadas. 4. Todas as operações e transações encontramse registradas e escrituradas na escrituração comercial e fiscal, não se vislumbrando qualquer hipótese de resistência ou ocultação de fato, pois, tudo foi realizado às claras e foi com base nelas que a autoridade fiscal formou suas conclusões subjetivas. 5. Tratase de aquisição de participação societária, com apuração de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, cujo tratamento tributário é aquele previsto nos artigos 385, 386 e 391 do RIR de 1999. 6. Os laudos já juntados ao presente processo administrativo correspondem, inquestionavelmente, a avaliação do ágio de acordo com a rentabilidade futura. 7. Logo, certo é que a operação praticada decorre da orientação prevista no artigo 386, inciso III, do RIR/99. 8. A fiscalização não conseguiu produzir qualquer prova irrefutável de que houve manipulação de fatos ou provas, utilização de interposta pessoa, ou adulteração de qualquer documento que justificasse a desconsideração do ato jurídico praticado pelo impugnante. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRA DE JENIER Processo nº 13971.721850/201332 Resolução nº 1301000.276 S1C3T1 Fl. 7 6 9. Inexiste qualquer vedação ou óbice à realização das operações expressas nas leis fiscais, tendo em vista que os procedimentos adotados encontram fundamento legal. 10. Os supostos indícios sobre os quais laborou a fiscalização, não se prestam para efeitos probatórios, pois, não conseguem infirmar a veracidade das operações, constituindose, apenas, em juízos subjetivos das autoridades fiscais, sem que haja qualquer disposição de lei que lhes dê guarida. 11. O Direito Tributário e nosso ordenamento jurídico não acolhem acusações sem provas e baseadas em meros indícios, pois, além de afrontar a legalidade, violaria a própria certeza do direito e a segurança jurídica. 12. Ademais, não se pode admitir que considerações ou interpretações subjetivas da autoridade fiscal, possam descaracterizar operações legítimas e revestidas de licitude praticadas pelos contribuintes com total amparo na lei. 13. A subjetividade da fiscalização impôs multa qualificada para o impugnante, fazendo deslocar a contagem decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser realizado, com isso, abrangendo período que, desconsiderada a imposição da referida multa, está efetivamente decaído. 14. Em atenção ao princípio da livre iniciativa, assegurado constitucionalmente, é garantido ao contribuinte à liberalidade na realização de suas operações. Ou seja, prevalece a liberdade do interesse e de ação para os contribuintes em respeito à autonomia privada consagrada pela Carta Magna. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS 15. Pela leitura do item 4.2.1 do Auto de Infração combatido, percebese que a fiscalização afirma que houve compensação indevida de prejuízo operacional com o resultado da atividade geral do contribuinte, em razão de inexistência de saldo insuficiente. Ocorre que a fiscalização cometeu um equívoco ao apurar o prejuízo compensável tanto de IRPJ quanto de CSLL. 16. Mesmo mantendose as infrações relativas ao ágio, o impugnante teria utilizado a mais o valor de R$ 851.077,23 a título de prejuízo fiscal de IRPJ e não o valor de R$ 1.669.232,97 apontado pela fiscalização. Tal erro deveuse ao fato de ter sido desconsiderado o saldo de prejuízos acumulados oriundo de 2009. 17. Da mesma forma, o Fisco desconsiderou o saldo de anos anteriores da CSLL, encontrando uma apuração indevida de R$ 1.663.755,80, quando o correto seria R$ 1.524.833,32. MULTA QUALIFICADA 18. Para que haja a qualificação da multa de ofício, não basta a mera indicação de conduta dolosa fraudulenta a partir de presunções ou subjetividades por parte da autoridade lançadora, pois a multa qualificada exige que tal ente comprove a intenção prédeterminada do contribuinte, sem deixar margem para qualquer dúvida de que agiu com a finalidade de impedir/retardar o recolhimento de tributo devido. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRA DE JENIER Processo nº 13971.721850/201332 Resolução nº 1301000.276 S1C3T1 Fl. 8 7 19. Não existe nenhuma restrição legal para as operações realizadas pelo impugnante. Tudo foi cumprido nos estritos ditames da lei e do que é permitido efetuar, inclusive quanto à amortização do ágio gerado na incorporação. 20. No caso dos autos, não há comprovação pela fiscalização, da intenção de fraude ou da existência de dolo na conduta do contribuinte, até mesmo porque todas as operações foram registradas perante os órgãos públicos competentes, sendo que nada foi feito à revelia do Fisco. DECADÊNCIA. 21. A autoridade fiscal afirma a ocorrência de ação dolosa do contribuinte e, por essa razão, o prazo de decadência a ser aplicado é aquele previsto no artigo 173 do CTN. Contudo, restou demonstrado que: (i) a operação estava amparada em permissivo legal (art. 36 da Lei n° 10.637/02 vigente à época do fato) e com propósito negocial lícito (ii) não havia vedação legal que impedisse a constituição do ágio e a sua utilização dentro do mesmo grupo econômico (iii) o ágio foi devidamente constituído com base em substrato econômico amparado em laudo de rentabilidade futura da Haco Etiquetas Ltda, conforme determina o art. 20, § 2º, alínea “b”, do Decretolei n° 1.598/1977 e art. 385, §2º, inciso II, do RIR/99 e (iv) que a amortização do ágio foi realizada com base no art. 7º, inciso III, da Lei n° 9.532/1997 e art. 386, inciso III, §6º, inciso II, do RIR/99. 22. Em vista disso, há de se aplicar ao caso a regra prevista no artigo 150, §4°, do CTN, segundo a qual os tributos sujeitos ao lançamento por homologação têm prazo decadencial de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador da obrigação. 23. O Auto de Infração ora impugnado abrange o anocalendário 2007. Considerando que a sua notificação ocorreu apenas em 24 de junho de 2013, é certo que essa parte da exigência está extinta pela decadência. JUROS SOBRE MULTA. 24. Sabese que após o prazo legal para apresentação da impugnação, a RFB passa a aplicar a taxa de juros Selic inclusive sobre a multa de ofício. O impugnante se insurge contra tal aplicação, tendo em vista que penalidades, tanto multa de ofício, como taxa de juros Selic, embora previstas em lei, não são podem incidir uma sobre a outra, conforme dispõe o parágrafo único do art. 43 da Lei 9.430/96. 25. Dessa forma, a previsão legal da incidência dos juros de mora é apenas sobre tributos e contribuições, não havendo autorização legal para a incidência sobre qualquer outra espécie que não possua a mesma natureza jurídica. 26. Ademais, cabe a administração pública observar os preceitos legais, previstos na legislação competente, não podendo valerse de brechas ou possíveis omissões do texto legal com o intuito de se beneficiar. É o que dispõe o inciso I do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/99. 27. Portanto, embora a multa de ofício seja parcela integrante do crédito tributário, não é devida a aplicação de juros sobre esta, em face da ausência de previsão legal que autorize tal incidência. 5. Por fim, requer a realização de diligências para apurar os fatos ocorridos, se necessário. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRA DE JENIER Processo nº 13971.721850/201332 Resolução nº 1301000.276 S1C3T1 Fl. 9 8 A partir da análise dos argumentos apresentados na impugnação, entendeu a 4ª Turma da DRJ Fortaleza pela sua PROCEDÊNCIA PARCIAL, destacando, na ementa de seu acórdão, o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LUCRO REAL. ÁGIO INTERNO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a empresa incorporada tiver seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e o evento da incorporação ocorreu em exíguo lapso temporal. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da empresa incorporada como mero artifício para transferência do ágio à incorporadora. PREJUÍZO FISCAL. INFRAÇÕES. As infrações apuradas consomem o prejuízo fiscal declarado, a ponto de nada dele restar para ser compensado em períodos subsequentes. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO Descabe a imputação da multa qualificada quando não demonstrada cabalmente a ocorrência da fraude. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No AgRg no REsp 1.335.688PR, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento das duas turmas que lhe compõem, no sentido de que “é legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, referenciando os seguintes precedentes: REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14.09.2009; e REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 02.06.2010. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. MULTA ISOLADA. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRA DE JENIER Processo nº 13971.721850/201332 Resolução nº 1301000.276 S1C3T1 Fl. 10 9 Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, ao lançamento decorrente aplicase a mesma decisão do principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da leitura dos termos desse acórdão, verificase que a douta turma julgadora de primeira instância deu provimento ao Recurso da Contribuinte, especificamente no que diz respeito ao afastamento da qualificação da multa de ofício aplicada, reduzindoa do patamar de 150% para o montante de 75%, nos termos apontados pelas disposições do Art. 44 da Lei 9.430/96. Além dessa exoneração parcial (apesar do que consta na ementa aqui reproduzida), verificase também que, a partir das razões de descaracterização da ocorrência das hipóteses de fraude, dolo e/ou simulação, o acórdão proferido reconheceu a aplicação das disposições do Art. 150, par. 4o do CTN, identificando expressamente como decaído o lançamento em relação aos fatos ocorridos no anocalendário 2007 (exercício 2008). Apesar das relevantes exonerações efetivadas, por não se atingir o patamar estabelecido pelas disposições da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, inexiste nos autos qualquer interposição de Recurso de Ofício. Intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão exarada pela turma julgadora de primeira instância, por ela foi então interposto o seu Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da decisão exarada (especificamente na parte mantida da autuação), redarguindo, para tanto, todas as matérias aqui já antes apresentadas, quando dos apontamentos de sua impugnação, aqui apenas rememoradas nos seguintes tópicos: a) Da desconsideração do Ato Jurídico e da falta de respaldo legal b) Da constituição do ágio e do propósito negocial Da origem do ágio gerado Da inexistência de vedação legal para a utilização de ágio de empresas do mesmo grupo econômico Ágio interno Do propósito negocial da recorrente c) Da amortização do ágio d) Do princípio da livre iniciativa e) Do saldo insuficiente. Compensação de prejuízo fiscal f) Do afastamento da SELIC sobre a multa Esse é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRA DE JENIER Processo nº 13971.721850/201332 Resolução nº 1301000.276 S1C3T1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Analisando as informações aqui antes apresentadas, relevante destacar que, conforme apontado, pela douta Turma Julgadora de primeira instância (4ª Turma da DRJ Fortaleza) fora pronunciada a "Procedência Parcial" dos termos da impugnação apresentada pelo contribuinte, não se verificando ali, entretanto, qualquer registro relativo à (necessária) interposição de Recurso de Ofício, ou, quando muito, as razões específicas de sua dispensa na oportunidade. Para que o processo siga o seu devido e regular processamento, fazse necessária, antes de tudo, a verificação das razões próprias dessa ausência, sendo definido então, na respectiva seção de julgamento, que devam os autos ser restituídos àquela douta Turma julgadora para que verifique a ocorrência, ou ainda, quando muito, manifestese, especificamente, sobre o cabimento (ou não) do respectivo Recurso de Ofício na presente oportunidade. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que para que a autoridade julgadora de primeira instância se manifeste sobre as razões da ausência da interposição de recurso de ofício, devendo, se for o caso, prolatar nova decisão, permitindo, assim, o regular processamento do feito. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRA DE JENIER
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002044/2005-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NA EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP.
Nas operações de exportação feitas por intermédio de empresa comercial exportadora, com a utilização do Método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP), o preço por ele determinado pode ser considerado parâmetro para fins de apuração de eventuais ajustes decorrentes das normas de preços de transferência, sem que haja necessidade de novo acréscimo a titulo de margem de lucro da empresa comercial exportadora.
EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. CONCEITO.
A Instrução Normativa SRF no 243, de 11 de Novembro de 2002, utilizou o termo "empresa comercial exportadora" em seu sentido amplo, e não restrito apenas as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decreto-Lei n° 1.248, de 1972, vulgarmente denominadas "trading companies".
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NA EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP.
0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se de igual modo à CSLL, por expressa previsdolegal neste sentido, constante do artigo 28 da Lei n° 9.430/96.
Numero da decisão: 1102-000.660
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar os valores tributáveis de R$415.635,76, relativos aos ajustes de preços de transferência lançados no ano calendário de 2000, e de R$ 624.462,09, relativos aos ajustes lançados no ano calendário de 2001, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NA EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP. Nas operações de exportação feitas por intermédio de empresa comercial exportadora, com a utilização do Método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP), o preço por ele determinado pode ser considerado parâmetro para fins de apuração de eventuais ajustes decorrentes das normas de preços de transferência, sem que haja necessidade de novo acréscimo a titulo de margem de lucro da empresa comercial exportadora. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. CONCEITO. A Instrução Normativa SRF no 243, de 11 de Novembro de 2002, utilizou o termo "empresa comercial exportadora" em seu sentido amplo, e não restrito apenas as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decreto-Lei n° 1.248, de 1972, vulgarmente denominadas "trading companies". CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NA EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP. 0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se de igual modo à CSLL, por expressa previsdolegal neste sentido, constante do artigo 28 da Lei n° 9.430/96.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.002044/2005-44 Recurso n° 513.001 Voluntário Acórdão n° 1102-00.660 — P Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria Preço Transferência Exportação Recorrente AVIBRAS DIVISÃO AÉREA E NAVAL S/A Recorrida 5 A.TURMA DRJ S.PAULO/SPI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NA EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP. Nas operações de exportação feitas por intermédio de empresa comercial exportadora, com a utilização do Método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP), o preço por ele determinado pode ser considerado parâmetro para fins de apuração de eventuais ajustes decorrentes das normas de preços de transferência, sem que haja necessidade de novo acréscimo a titulo de margem de lucro da empresa comercial exportadora. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. CONCEITO. A Instrução Normativa SRF no 243, de 11 de Novembro de 2002, utilizou o termo "empresa comercial exportadora" em seu sentido amplo, e não restrito apenas as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decreto-Lei n° 1.248, de 1972, vulgarmente denominadas "trading companies". ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NA EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP. 0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se de igual modo à CSLL, por expressa previsdolegal neste sentido, constante do artigo 28 da Lei n° 9.430/96. ACORDAM os Membros da la CÂMARA / 2a TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar os valores tributáveis de R$415.635,76, relativos aos ajustes de preços de transferência lançados no ano calendário de 2000, e de R$ 624.462,09, relativos aos ajustes it, Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 2 lançados no ano calendário de 2001, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. IVE L A IUI'AS PESSOA MONTEIRO — Presidente e Relatora. Joao Otávio Oppermann Thomé - Redator designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Joao Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto, Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice- Presidente) Relatório Trata-se de exigência, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 362 a 388, decorrente da apuração de divergência nos preços praticados sobre bens nas operações de exportação, nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002, (transcrição do relatório do acórdão recorrido): Das exportações para pais com tributação favorecida: Analisando as DIPJ/2001, 2002 e 2003 (anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, respectivanzente), a fiscalização verificou que a empresa declarou exportações para pessoas residentes em países com tributação favorecida — Avibras Industria Aeroespacial International Limited, situada nas Ilhas Jersey, considerado pais com tributação favorecida, conforme IN SRF n° 188/2002: Ilhas do Canal (Alderney, Guernsey, Jersey e Sark) — Fichas 31A, 32 e 33. Nas DIPJ/2001 e 2002 (anos-calendário de 2000 e 2001) a empresa não efetuou ajustes decorrentes da aplicação de métodos de preços de transferência (Ficha 09A, linha 07). Na DIPJ/2003 (ano-calendário de 2002) a empresa efetuou ajustes decorrentes da aplicação de métodos de preços de transferência (Ficha 09A, linha 07) no valor total de R$ 106.392,61, decorrente de: 2 Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 3 Exportação de bens: lote de peps de reposição — ajuste de R$ 98.853,10 (fl. 100); e Exportação de serviços: serviço de assistência técnica — ajuste de R$ 7.539,51 ffl. 103). Com base no sistema SISCOMEX, foram recuperadas todas as Declarações de Exportação (DDEs), e seus respectivos Registros de Exportação (REs), registrados pela empresa nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002, e elaborada a tabela "Exportações para países com tributação favorecida — anos calendários de 2000, 2001 e 2002". Em 30/03/2004, foi lavrado Termo de Inicio da Ação Fiscal, tendo sido a empresa intimada a apresentar os seguintes documentos e informações (fls. 138/173): Demonstrativo das pessoas físicas ou jurídicas consideradas vinculadas, conforme artigo 23 da Lei n° 9.430/96; artigo 2° da IN SRF n° 38/97 e artigo 2° da IN SRF n° 32/2001, se fosse o caso; Indicação do método adotado, por bem, serviço ou direito exportados, conforme determinado no artigo 39, inciso I, da IN SRF n°38/97 e artigo 40, inciso Ida IN SRF n° 32/2001; As planilhas de memórias de cálculo, por bem, serviço ou direito, comprovando a razão de ter, ou não, efetuado ajuste de preps de transferências, para fins da determinação das receitas de vendas nas exportações, conforme o disposto no artigo 39, inciso II, da IN SRF n°38/97 e artigo 40, inciso II, da IN SRF n° 32/2001; Em cotejamento com a documentação de exportação e corn a documentação fiscal da empresa, ratificar ou retificar os dados constantes da supracitada tabela, anexada naquele Termo. Em 27/05/2004, a empresa apresentou as informações e os documentos em atendimento ao Termo de Inicio da Ação Fiscal, informando que (fls. 178/180): Para os anos calendários de 2000, 2001 e 2002 efetuou os cálculos do prego de transferência, utilizando o método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro — CAP (para comprovação, anexou as planilhas de memórias de cálculos e a respectiva documentação); Não encontrou nenhuma divergência entre os documentos de exportação, a documentação fiscal e os dados constantes da tabela anexada ao Termo de Inicio — Exportações para países com tributação favorecida. A fiscalização verificou que todos os bens exportados foram adquiridos da empresa Avibras Indústria Aeroespacial S.A., conforme consta das Notas Fiscais de exportação apresentadas por essa empresa. Em alguns casos, as mercadorias exportadas foram industrializadas pela Avibras Indústria Aeroespacial S.A., sendo que depois retornaram para serem exportadas. Tal fato Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 4 está consignado nas Notas Fiscais emitidas pela Avibras Indústria Aeroespacial S.A., com a utilização do CFOP 513/599 — industrialização/retorno, bem como com informações sobre a operação de industrialização no corpo das Notas Fiscais. Analisando as planilhas de memórias de cálculos, para a apuração dos preços de transferência, a fiscalização verificou que, em muitos casos, os pregos praticados e os preços- parâmetro não foram determinados seguindo as normas da legislação vigente, ou seja: Nas aquisições de mercadorias da empresa Avibras Indústria Aeroespacial S.A., há casos em que foram utilizados como custo total valores menores que os constantes das Notas Fiscais de aquisição; Nas operações de industrialização de mercadorias, efetuadas pela empresa Avibras Indústria Aeroespacial S.A., não há como verificar o custo total utilizado para apuração do preço- parâmetro; Há casos em que diferentes mercadorias foram agrupadas em um "cesto" (ocorre que tais mercadorias foram industrializadas e exportadas separadamente, como pode ser verificado nas Notas Fiscais de industrialização e exportação). Com base nessas constatações, a fiscalização intimou a empresa a refazer as planilhas de memórias de cálculos de preço de transferência das mercadorias exportadas nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002, observando que (lis. 198/208): A apuração deveria ser feita produto por produto, admitindo-se a apuração global apenas nos casos dos lotes de partes e peças de reposição; Quando forem mercadorias adquiridas para exportação, o custo total, para apuração do prego-parâmetro, seria o valor de aquisição, acrescido dos valores de transporte e seguro, se suportados pela empresa. Apresentar documentos que comprovem tal ônus, se fosse o caso; No caso de mercadorias industrializadas pela empresa Avibras Indústria Aeroespacial S.A., demonstrar o custo total. Apresentar cópias das Notas Fiscais que encaminharam as mercadorias para a industrialização e demais documentos que comprovem tal operação. A contribuinte foi também intimada a apresentar cópia da Nota Fiscal de exportação relativa ao Registro de Exportação (RE) n° 020437486002 (DDE n° 20203288653), a qual não foi apresentada com os demais documentos. Em 27/10/2005, foram apresentadas toda a documentação e as informações solicitadas (fls. 212/215). Analisando as novas planilhas de memórias de cálculos de pregos de transferência, apresentadas pela empresa, bem como Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 5 analisados os custos de produção e de aquisição apresentados, a fiscalização verificou que alguns preps praticados nas operações de exportação de bens, para pais com tributação favorecida, foram superiores aos preços-parâmetro, apurados corn a adoção do método CAP, conforme o determinado no artigo 24 da IN SRF n° 38/97 (para as operações de exportação efetuadas no ano calendário de 2000) e artigo 25 da IN S'RF n° 32/2001 (para os anos-calendário de 2001 e 2002). A fiscalização apresenta, às fls. 369/370 urna tabela que demonstra os pregos praticados e os parâmetros dos bens exportados, apurados segundo a metodologia determinada na legislação vigente: METODOLOGIA PARA APURAÇÃO DOS PREÇOS PRATICADOS, DOS PREÇOS-PARÂMETRO, DA DIFERENÇA, DA MARGEM DE DIVERGÊNCIA E DO PREÇO MÍNIMO DE EXPORTAÇÃO ADMITIDO As fls. 370/371 a fiscalização apresenta a metodologia para apuração dos pregos praticados, dos pregos-parâmetro, da diferença, da margem de divergência e do prego mínimo de exportação admitido. Especificamente quanto aos pregos-parâmetro destaca a fiscalização que: No caso de mercadorias adquiridas para exportação, o custo total, para apuração do prego-parâmetro, foi obtido pelo valor de aquisição (da empresa Avibras Indústria Aeroespacial S.A.); No caso de mercadorias industrializadas por terceiro (empresa Avibras Indústria Aeroespacial S.A.), foi considerado como custo total, para apuração do prego-parâmetro, o valor de aquisição das matérias-primas remetidas para o estabelecimento industrializador acrescido do valor agregado da mão-de-obra aplicada na industrialização; O preço-parâmetro, por bem exportado, foi apurado pela média aritmética ponderada, com a adoção do método CAP, conforme artigo 24 da IN SRF n° 38/97 (para as operações de exportação efetuadas no ano calendário de 2000) e artigo 25 da IN SRF n° 32/2001 (para os anos-calendário de 2001 e 2002). DOS PRODUTOS OUE APRESENTARAM AJUSTES: Analisando os pregos praticados nas operações de exportação, verifica-se que vários são inferiores aos pregos-parâmetro, considerando a margem de divergência — prego mínimo admitido, conforme tabela apresentada anteriormente (fls. 369/370). Tal fato resultou em uma parcela de receita de exportação que excedeu ao valor apropriado na escrituração da empresa. A fiscalização apresenta, às fls. 373/384, as tabelas de apuração do prego praticado, do preço-parâmetro e das parcelas da receita que devem ser adicionadas ao lucro liquido, para determinação do lucro real e do lucro da exploração e para Processo n° 16327.002044/2005-44 si-cl T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. determinação da base de cálculo da CSLL, referenies aos bens exportados para pessoas jurídicas residentes ern pais com tributação favorecida, nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002. Da Consolidação Dos Valores a Serem Adicionados ao Lucro Liquido, Apurados por Ano Calendário: Com base nos valores das receitas a fiscalização apresenta, às fls 385/386, a consolidação a seguir reproduzida (valores em reais): Em decorrência das diferenças de ajustes relativos a preços de transferência de bens ern operações de exportação nos anos calendários de 2000 e 2001, a fiscalização apurou, em relação ao ano-calendário de 2001, compensação indevida de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL, no montante de KS 152.963,94, conforme demonstrativos de fls. 402 e 404. Irresignada, a Contribuinte interpôs a impugnação de fls.414 a 422, alegando, em síntese, em preliminar, erro na quantificação do ajuste e erro no cálculo do preço médio de exportação dos produtos comparados (depósitos de munição). Quanto ao erro na quantificação, alega que no cálculo do preço-parâmetro nas operações de exportação realizadas durante o ano-calendário de 2000, a fiscalização utilizou valores equivocados na composição da média aritmética dos custos de aquisição dos produtos denominados "foguetes skyfire-70", devidamente transcritos nas notas fiscais n's 052146 e 053448 (docs. 4 e 5). Comenta que adquiriu 2.299 unidades da Avibras Indústria Aeroespacial S.A. e promoveu a exportação de 2.277 unidades, conforme notas fiscais ifs 00010, 00090 e 00091 (docs. 6, 7 e 8). As 22 unidades restantes foram objeto de testes e destrufdas na demonstração. Por isto restara equivocada a divisão do valor total da exportação desses produtos (R$ 3.493.743,04) por 2.277 unidades (quantidade de produtos exportados), quando deveria ter dividido o valor total de compra por 2.299 (quantidade de unidades adquiridas). Assim procedendo o resultado do valor médio da compra dos foguetes "skyfire-70" é de R$ 1.433,60 (em vez de R$ 1.447,16, apurado pela fiscalização), que somado à margem de lucro de 15% teria como preço médio final o valor de R$ 1.648,64 (e não R$ 1.664,57, conforme imputado),Igual equivoco ocorrera, também, no cálculo do prego médio de exportação dos depósitos de munição. 0 Termo de Verificação apontou como preço médio unitário praticado o valor de R$ 51.919,36. Contudo, o exame das 15 notas fiscais relativas h. exportação dos referidos produtos (de n's 000263 a 000277, docs. 36 a 50) evidencia que o preço médio por unidade efetivamente praticado foi de R$ 54.582,00, superior, portanto, aqueles estabelecidos como parâmetro para fins de apuração de suposta irregularidade, de modo que nenhum ajuste caberia neste item. No tocante ao mérito alega não ser cabível o regime de preços de transferência, nos termos do artigo 19 da Lei n° 9.430/96. A Lei ao dispor sobre o regime dos preços de transferência, nos casos de exportações, determina sua aplicação somente quando o 6 Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 7 preço médio de exportação são inferiores a 90% do prego médio de venda no mercado interno dos mesmos bens. O ônus da prova é do fisco. Nos autos não restou demonstrado que o preço médio de exportação do produto é inferior a 90% do preço médio de venda do mesmo produto no mercado interno. Afirma que sua natureza é de 'empresa comercial exportadora' (doc. 3).Trabalha com produtos bélicos — controlados pelo Exército Brasileiro — os quais são vendidos sob encomenda a governos estrangeiros, de acordo com as necessidades de cada comprador. "Customiza" esses produtos, o que impede a parametrização com outros similares, porque inexistentes, mais um elemento que impossibilita a aplicação do teste de similaridade previsto no artigo 26 da IN SRF n°. 38/97. Aponta erro no método aplicado na apuração do preço-parâmetro, o do custo de aquisição mais uma margem de lucro de 15%, porque estaria em desacordo com a legislação reguladora da matéria, em especial a IN SRF nos 38/97 e 32/2001. Nas operações de exportação feitas por empresa industrial, por intermédio de empresa comercial exportadora, o § 4° do artigo 25 da IN SRF n° 32/2001 prevê a possibilidade de adoção de critério especial no método de comparação. Neste, o preço-parâmetro não é apurado a partir do custo de aquisição do bem e sim a partir do seu custo de produção, acrescido margem de 15%, sem a necessidade de qualquer outro tipo de ajuste. Afirma que esta é situação dos autos. As notas fiscais juntadas (does. 11 a 142) mostram vendas realizadas pela Avibras Indústria Espacial S.A., emitidas com o fim especifico de exportação.(No mesmo dia e hora emitira as notas fiscais de exportação correspondendo à identificação dos produtos e das respectivas quantidades, com destino à empresa adquirente no exterior) Isto confirma que a exportação na verdade foi feita pela Avibras Indústria Espacial S.A., produtora de bens, por seu intermédio, por ser uma empresa comercial exportadora. Significa dizer que a empresa só realizava a operação quando localizava os compradores no exterior, não mantendo estoques de produtos. Pede observância dessas peculiaridades. Em se tratando de empresa comercial exportadora o regime de cálculo do preço-parâmetro se submete-se ao disposto no § 4° do artigo 25 da IN SRF n°.32/2001, ou seja, custo de produção da Avibras Indústria Espacial S.A., acrescida da margem de lucro de 15%. Os demonstrativos juntados à impugnação (2000 e 2001 - docs. 9, 10 e 35), evidenciariam que, na maioria dos casos, os preços efetivamente praticados são muito superiores aos preços-parâmetro apurados de acordo com esse método, não ocorrendo hipótese de desvio indevido de lucros para o exterior. Pede que seja refeito o cálculo dos pregos-parâmetro de todas as operações contestadas, aplicando-se o método do custo de produção mais margem de lucro de 15%, nos termos do § 4° do artigo 25 da IN SRF n° 32/2001. Quanto ao suposto aproveitamento indevido de prejuízo fiscal nos anos- calendário de 2000 e 2001, sendo essa autuação reflexo da anterior (ajustes de pregos de Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 8 transferência), ante os argumentos trazidos A. colação, restaria improcedente, também,a tese de que aproveitara indevidamente o prejuízo fiscal. Requer a aplicação subsidiária dessas razões ao lançamento referente à CSLL. Sobrevém o julgamento através do acórdão 16-22.119, de 14 de julho de 2009,fls.593/608, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário. 2000, 2001 EXPORTAÇÃO. APLICAÇÃO DAS REGRAS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. O fato de não ser possível se verificar se o preço médio praticado nas exportações de bens a empresas vinculadas é inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes, por se tratar de produtos "customizados", não exime a contribuinte de se submeter ao controle da legislação relativa aos pregos de transferência. CONDIÇÃO DE EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovando a contribuinte sua condição de empresa comercial exportadora, há que se aplicar as regras gerais de apuração dos preços-parâmetro na exportação segundo o método CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro). ERROS NA APURAÇÃO DOS AJUSTES. EXONERAÇÃO PARCIAL. Exonera-se parcialmente a exigência em face da constatação de erros na apuração dos ajustes relativos ao prego de transferência na exportação. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. Não sendo os valores exonerados suficientes para restabelecer prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL anteriores, mantém-se a exigência a titulo de compensação indevida de prejuízos. CSLL. DECORRÊNCIA. 0 decidido quanto cio Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação dele decorrente. Ciente em 24/08/2009, conforme despacho de fls.616, interpõe o recurso voluntário, em 21/09/2009, as fls.617/630, onde repisa os argumentos expendidos na inicial. Nomina-se pessoa jurídica de direito privado cuja finalidade é o desenvolvimento de sistemas militares eletrônicos, a fabricação de equipamento bélico pesado e sua representação comercial, distribuição, fabricação, importação e exportação. A autuação exige o IRPJ e CSLL em decorrência das diferenças de ajustes relativos às regras de preços de transferência, em operações de exportação de bens, nos anos- calendário de 2000 e 2001. Ainda, em relação ao ano-, calendário de 2001, fora também autuada por compensação indevida de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL. Segundo o Auto de Infração, as exigências de IRPJ e CSLL são oriundas, em breve relato, dos seguintes fatos: Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-C I T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 9 (i) Das aquisições de mercadorias da empresa Avibras Indústria Aeroespacial S.A.: Para fins de determinar o prego de transferência parâmetro aplicável, há casos em que foram utilizados como custo total valores menores que os constantes das Notas Fiscais de aquisição; (ii) Das operações de industrialização de mercadorias efetuadas pela empresa Avibras Indústria Aeroespacial S.A.: Não ha como verificar o custo total utilizado para apuração do prego- parâmetro aplicável; (iii) As mercadorias foram agrupadas em "cestos", porém foram industrializadas e exportadas separadamente; e (iv) Em decorrência das diferenças de ajustes relativos às normas de preps de transferência de bens em operações de exportação, foi apurada compensação indevida de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL. Provaria, contudo, que: i) a. fiscalização cometeu erro na quantificação do ajuste necessário durante o ano-calendário de 2000, uma vez que foram utilizados valores equivocados na composição da média aritmética dos custos de aquisição dos produtos denominados de "foguetes skyfire-70"; (ii) igualmente equivocado a determinação do prego médio de exportação dos "depósitos de munição", conforme respectivas notas fiscais, cujo prego médio unitário praticado por unidade seria efetivamente superior ao preço-parâmetro, o que torna inócuas as alegações do fisco; (iii) por ser empresa comercial exportadora, aplicar-se-ia, conforme facultado pelo § 4° do artigo 26 da Instrução Normativa n°• 243/2002, o método de custo de produção mais margem de lucro de 15% (quinze por cento), em detrimento do método de aquisição mais margem de lucro adotado pela fiscalização; (iv) corrigidos os equívocos combatidos, não haveria que se falar em aproveitamento indevido de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para fins de IRPJ e CSLL, respectivamente. Como se depreende da leitura do acórdão recorrido, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Sao Paulo I - SP, seus argumentos foram parcialmente acolhidos, em síntese, sob as seguintes razões: (i) o fato de produzir "produtos customizados", não a exime das obrigações relativas aos preços de transferência. A regra é o controle dos preços praticados entre empresas vinculadas, nos termos da legislação aplicável; (ii) a Contribuinte não se enquadra no conceito de empresa comercial exportadora nos termos do Decreto-Lei n°. 1.248/72; e Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-Cl T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 10 (iii) a Fiscalização se equivocou ao analisar a vasta documentação produzida, no que tange ao cálculo quantitativo unitário dos "depósitos de munição" e dos "foguetes skyfire-70", para fins de verificação do preço-parâmetro. Registra o acolhimento de sua tese expendida no item (iii), o que deixa o litígio para a análise exclusiva da sua natureza jurídica, ou seja, A. sua condição de ser ou não uma empresa comercial exportadora (item ii acima), nos termos do § 4° do artigo 26 da Instrução Normativa n°. 243/02. Afirma que esta análise passa pelas operações realizadas para importação e exportação, que se consumam por qualquer empresa devidamente constituída segundo as normas brasileiras atinentes às sociedades empresariais, desde que possuam como objeto social a realização de importação e exportação de mercadorias, independente do exercício de qualquer outra atividade comercial. Por questão histórica, pela dificuldade de acesso ao mercado internacional e necessidade de fomentar as exportações, surgiu, em 1972 a figura da "trading company", com sua especifica regulamentação legal. 0 comércio internacional se desenvolveu e as práticas comerciais também. Com a globalização as exportações atingiram patamares antes inimagináveis, o que gerou uma nova regulamentação deste mercado e consequente reclassificação das empresas envolvidas na atividade. Além das já existentes "trading companies "„surgiram no mercado inúmeras empresas comerciais exportadoras, que apresentam em seu objeto social a prática de importação e exportação, sob a forma comercial de "empresa comercial exportadora" termo que designa qualquer empresa que atua no comércio exterior, seja ela do tipo trading ou não. Assim, a empresa comercial exportadora que decide apurar o prego parâmetro segundo as regras de preços de transferência pelo Método CAP, pode optar por fazê-lo a partir do custo de aquisição do bem ou, alternativamente, do seu custo de produção, conforme artigo 26 da INSRF 243/02, cuja redação reproduziu: (...) 'Artigo 26 - A receita de venda nas exportações poderá ser determinada com base no método do Custo de Aquisição ou Produção mais Tributos e Lucro (CAP), definido como a média aritmética ponderada dos custos de aquisição ou de produção dos bens, serviços ou direitos exportados, acrescidos dos impostos e contribuições cobrados no Brasil e de margem de lucro de quinze por cento sobre a soma dos custos mais impostos e contribuições. sç 4° - o preço determinado por este método, relativamente as exportações diretas efetuadas pela própria empresa produtora, poderá ser considerado parâmetro para o preço praticado nas exportações efetuadas pela empresa, por intermédio de empresa comercial exportadora, não devendo ser considerado o novo 10 Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 11 acréscimo a titulo de margem de lucro da empresa comercial exportadora". Diz entender que à leitura desses normativos prevê a possibilidade de as empresas comerciais exportadoras adotarem um critério especial de aplicação do referido método CAP, em que o preço parâmetro não é apurado a partir do custo de aquisição do bem, mas a partir do seu custo de produção, acrescido da margem de lucro de 15% (quinze por cento), sem necessidade de qualquer outro tipo de ajuste. Isto circunscreveria a discussão se ela seria ou não uma empresa comercial exportadora, porque fora autuada por optar pela aplicação do CAP no regime de 15% aplicados sobre o custo de produção dos bens exportados. Reclama da vedação do seu direito de optar pela apuração dos seus resultados, através do método CAP, nos contornos descritos na Instrução Normativa n°. 243/02, bem como da conclusão do fisco quando concluiu que ela não se enquadrava na definição de empresa comercial exportadora, nos termos do Decreto-Lei no . 1.248/72, mormente quando seu CNAE descreve a atividade de fabricação de equipamento bélico, e não a atividade de exportação. Transcreve do termo fiscal os seguintes trechos: (...) 2:"a contribuinte não pode ser considerada uma empresa comercial exportadora na medida em que trata-se de uma empresa industrial (CNAE 2550-1- 01, fabricação de equipamento bélico pesado, exceto veículos militares de combate, conforme pesquisa defi. 592)". "ocorre que a contribuinte não comprova sua condição de empresa comercial exportadora, pois não apresenta o registro especial na. SECEX (Portaria SECEX n°. 12/2003, artigo 57) e na RFS, exigência do Decreto-lei n o. 1.248/72 (..). Repele a alegação de que não é empresa comercial exportadora, porque o Decreto-Lei n°.1.248/72, aplicável às trading companies, não dispõe sobre o conceito de "empresa comercial exportadora", mas tão somente sobre o tratamento tributário previsto para as empresas que assim se enquadrem, como se veria da própria letra do dispositivo, do qual reproduz: (...) - As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decreto-Lei." Afirmar que não é empresa comercial exportadora, pois em seu Código Nacional de Atividade Econômica ("CNAE") consta "a fabricação de material bélico", é o mesmo que descartar todas as outras práticas comerciais de seu objeto social, igualmente importantes. 11 Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 12 Valorar o CNAE além de sua função, qual seja o de ser um instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do pais, para que, a partir de sua estrutura hierárquica, os cadastros de Pessoas Jurídicas no âmbito da Administração Tributária sejam organizados, é exceder sua finalidade. Afirma que o mesmo não se presta para caracterizar ou não empresas como "Comerciais Exportadoras". A sua natureza de empresa comercial exportadora é natural. Porque, para o desenvolvimento de suas atividades voltadas à exportação de produtos industrializados, obteve o devido Registro de Exportadores e Importadores junto às autoridades competentes, sob o n°. 3-0175/10-00526, conforme fez prova (doc. 3 da impugnação). Do contrário, seria questionar como uma empresa não Comercial Exportadora porta Registro de Exportador! Tal prova documental já bastaria para desqualificar a decisão e reconhecê-la como empresa comercial exportadora, com o consequente reconhecimento de seu direito em aplicar o Método CAP, conforme realizado. Admitir outro raciocínio implicaria em dizer que a prática de operações de exportação exclui as demais práticas mercantis, sem razão para tanto. Não há distinção quanto ao tratamento tributário aplicável tanto às tradicionais empresas comerciais exportadoras como às empresas "tradings companies", inclusive no fornecimento de bens das referidas empresas com o propósito de exportação! Para reforçar o tema que são empresas comerciais exportadoras todas as que praticam atos de exportação, e não somente as"trading companies", transcreveu o que dispôs os Estados Brasileiros quando da celebração do Convênio CONFAZ n o. 113 de 1996: (...) Cláusula Primeira: "Acordam os signatários em estabelecer mecanismos para controle das saídas de mercadorias com o fim especifico de exportação, promovidas por contribuintes localizados nos territórios dos respectivos Estados para empresa comercial exportadora, inclusive "trading" ou outro estabelecimento da mesma empresa, localizado em outro Estado." Aqui resta evidente que não há diferenciação legal entre trading companies e empresas comerciais exportadoras que praticam operações de exportação. Na verdade, trading companies são espécies do gênero das empresas comerciais exportadoras, razão pela qual utilizou-se do termo "inclusive as trading companies". Mesmo sentido na doutrina de Leone Soares de Resende e Luiz Martins Gardina, de quem transcreve: (...) "como existem outros tipos de empresas comerciais no pais que também se dedicam ao comércio de exportação, surgiu a necessidade de um termo de fácil uso que rapidamente distinguisse o tipo particular de empresa, sem os riscos de se 12 Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-CI T2 Acórao n.° 1102-00.660 Fl. 13 confundirem ambas as organizações (..). Considere-se, outrossim, a origem da "trading company'. Já no entendimento de José Augusta de Castro, "as aquisições no mercado inferno de mercadorias destinadas exportação - realizadas por trading companies ou empresas comerciais exportadoras - tem o mesmo objetivo e finalidade, a despeito de poucas diferenças administrativas (..)". A própria Receita Federal do Brasil em soluções de consultas aponta no mesmo sentido, como seriam exemplo as ementas seguintes: "CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. São requisitos básicos para a caracterização de empresa comercial exportadora apenas o fim comercial de suas atividades e a realização de operações de exportação, en! especial de produtos recebidos com destino ao comércio exterior. Sujeita-se unicamente ao registro junto à RFB, indispensável para operação do sistema SISCOMEX, e a inserção no Registro de Exportadores e Importadores (REI) da Secex/MDIC, em decorrência automática da realização de sua primeira exportação". Processo de Consulta n°. 573, publicado em 08.02.2008, pela 8°. Regido "COMERCIAL EXPORTADORA COMUM não TRADING Para fins de suspensão do IPI, consideram-se adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (.)." Processo de Consulta n°. 149, publicado em 09.05.2007, pela 9` 1, Região "EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. Somente as receitas relativas a mercadorias vendidas pelo produtor-vendedor a empresa comercial exportadora (Decreto-lei n°. 1.248, de 1972) e as empresas exportadoras registradas na SECEX, com especifico para exportação, estão isentas do pagameWo do COFINS".Processo de Consulta n°. 38, publicado em 09.05.2003, pela 6a. Regido Fiscal. Mesmo entendimento de que "empresa comercial exportadora" não diz respeito tão somente as trading companies é também o do CA RF, conforme decisões das quais transcreve as ementas: IPI - INSUMO. PRODUTO EXPORTADO. RESSARCIMENTO. O ressarcimento de IPI relativo a insumos utilizados em produtos destinados a exportação depende da destinaçao do produto e não de a operação ser realizada diretamente pelo produtor, ou através de controladora, trading Ou empresa comercial exportadora. Acórdão 202-14.561, publicado em 19.12.2003, pela 2°, Camara do 2° Conselho de Contribuintes. 13 Processo n° 16327.002044/2005-44 SI -C I T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 14 Todas essas exposições demonstrariam que a doutrina, a jurisprudência e a própria Receita Federal do Brasil se utilizam da expressão "empresa comercial exportadora" para se referirem as empresas que atuam no comércio exterior, sejam elas trading companies ou não, uma vez que não há diferenciação de ordem legal entre elas. Além de todo o seu esforço para demonstrar que é empresa comercial exportadora, a análise das notas fiscais juntadas aos autos (does. 11 a 142 da impugnação) prova que as notas de venda dos produtos feita pela Avibras Indústria Aeroespacial S.A. para ela são todas emitidas com o fim especifico de exportação. Também, no mesmo dia e hora emitira as notas fiscais de exportação em perfeita correspondência no que diz respeito à identificação dos produtos e das respectivas quantidades, com destino à empresa adquirente (importador). Isto aponta que a exportação, na verdade, foi feita pela Avibras Indústria Aeroespacial S.A., produtora dos bens, por seu intermédio (por ser uma empresa comercial exportadora), o que mostra que não houve uma operação de compra de bens para estoque por um determinado período de tempo, até que fossem localizados compradores no exterior. Menciona que a manutenção em estoque de materiais bélicos é proibida por lei, salvo nos casos de autorização do Exército, conforme Decreto 3.665/00 ("R-105").Aqui mais uma razão para não existir no mercado que atua "produtos de prateleira". Os bens exportados são adaptados e customizados de acordo com as reais necessidades geográficas e físicas dos governos adquirentes.Por isto, sempre que os produtos saem da Avibras Indústria Aeroespacial, são diretamente enviados para embarque no Porto designado ou para armazém alfandegado, com o fim especifico de exportação. Também as notas fiscais agrupadas por produto e por operação, emitidas pela Avibras Indústria Aeroespacial S.A. para a Recorrente, e desta para o importador adquirente, em perfeita correspondência no que se refere a produto e quantidades, sempre rigorosamente observando as mesmas datas, é evidência mais do que suficiente para demonstrar que os produtos já saíram da empresa industrializadora com o fim especifico de exportação. Salienta, ainda, que os quadros demonstratives juntados na impugnação, separados para os anos de 2000 e de 2001, demonstram que, na grande maioria dos casos, os preços efetivamente praticados são muito superiores aqueles parâmetros apurados de acordo com esse método, o que evidencia não ter ocorrido hipótese de desvio indevido de lucros para o exterior. E por se tratar de empresa comercial exportadora lhe seria conferido o direito de optar em apurar o preço parâmetro segundo as regras de preços de transferência pelo método CAP, nos moldes do § 4° .do artigo 26 da Instrução Normativa n°. 243/02. DO SUPOSTO APROVEITAMENTO INDEVIDO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CALCULO NEGATIVA NOS ANOS-CALENDÁRIO DE 2000 E 2001 Como a imputação de compensação indevida de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, são reflexos do ajuste de pregos de transferência nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL, aceitos os argumentos anteriormente expendidos, não restaria matéria tributável. Por isto pede o reconhecimento de sua condição de empresa comercial exportadora e validação de sua opção de cálculo do preço de transferência pelo método CAP, o que implica no cancelamento da presente exigência fiscal. Além disso, requer sejam mantidos os montantes dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa declarados anteriormente. 14 Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-Cl 12 Acórdão n.° 1102-00.660 H. 15 Despacho de fls.633 encaminha os autos para o CARF. Por sorteio os recebo para relato. o relatório. Voto Vencido Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro 0 recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Trata-se de exigência para o IRPJ e para a CSLI„ conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 362/388, por falta de adição de parcela de receitas oriundas de exportação a pessoa jurídica domiciliada em pais com tributação favorecida, nos anos de 2000 e 2001, por glosa de compensação de prejuízos e bases de cálculo negativas (por reversão, após lançamento da infração em litígio). Ante o provimento concedido pela autoridade de primeiro grau, que ajustou o lançamento quanto ao valor da exigência, resta análise dos argumentos expendidos nas razões de recurso, tais sejam: a) como produz "produtos customizados", não se obrigaria às regras relativas aos preços de transferência; b) seu enquadramento no conceito de empresa comercial exportadora nos termos do Decreto-Lei n°. 1.248/72, dai caber a aplicação do disposto no § 4 0 do artigo 26 da Instrução Normativa n°. 243/02. A Recorrente, embora se refira, no inicio de suas razões recursais, que a parte litigiosa é apenas a sua condição de empresa comercial exportadora, contesta expressamente sua sujeição As regras dos preços de transferência na exportação, pois a fiscalização não provara a existência dos pressupostos necessários à aplicação do regime dos preços de transferência, conforme disposto no caput do artigo 19 da Lei n° 9.430/96. Repisa, também, a peculiaridade dos produtos, vendidos sob encomenda a governos estrangeiros, de acordo com as necessidades de cada comprador (produtos "customizados"), não possuindo, portanto, qualquer parâmetro de similaridade com outros produtos fabricados no Brasil ou no exterior. A letra do artigo 19 da Lei 9430/1996, dispositivo de regência do lançamento determina: "Art. 19. As receitas auferidas nus operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitrament() auando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nos exportações 15 ttlr Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 16 efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. ,sç' 3 0 Verificado que o prego de venda nas exportações é inferior ao limite de que trata este artigo, as receitas das vendas nas exportações serão determinadas tomando-se por base o valor apurado segundo um dos seguintes métodos: IV - Método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro -CAP: definido como a média aritmética dos custos de aquisição ou de produção dos bens, serviços ou direitos, exportados, acrescidos dos impostos e contribuições cobrados no Brasil e de margem de lucro de quinze por cento sobre a soma dos custos mais impostos e contríbitiOes. 7° A parcela das receitas, apurada segundo o disposto neste artigo, que exceder ao valor já apropriado na escrituração da empresa deverá ser adicionada ao lucro liquido, para determinação do lucro real, bem COMO ser computada na determinação do lucro presumido e do lucro arbitrado. " Ao argumento de que é impossível verificar seu enquadramento nas condições previstas no artigo 19 da Lei n° 9.430/96, por produzir produtos "customizados", fato excludente do controle da legislação relativa aos preços de transferência, se opõe que a regra é o controle dos preços praticados entre empresas vinculadas, sempre. A matéria é objeto de disposições internacionais que dão suporte à legislação brasileira, como o artigo 9° da Convenção Modelo da OCDE: "ARTIGO 9 - Empresas associadas I. Quando: (a) uma empresa de um Estado Contratante participar direta ou indiretamente da direção, controle ou capital de uma empresa do outro Estado Contratante, ou (b) as mesmas pessoas participarem direta ou indiretamente du direção, controle OU capital de uma empresa de um Estado Contratante e de uma empresa do outro Estado Contratante, e em outro caso as duas empresas estejam, em suas relações comerciais ou financeiras, unidas por condições aceitas ou impostas que difiram das que seriam pactuadas por empresas independentes, os lucros que teriam sido obtidos por uma das empresas se não existissem essas condições, e que de fato não se produziram por causa das mesmas, podem ser incluídos nos lucros de.ssa empresa e conseqüentemente submetidos à tributação. Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-Cl T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 17 Também, o suposto único argumento de suas razões, a sua condição de empresa comercial exportadora, não avança, seja por sua natureza ou pela vinculação entre as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Por isto não cabe o argumento de que deveria se submeter ao regime de cálculo do preço-parâmetro com base no disposto no § 4° do artigo 25 da IN SRF n°32/2001. Ao argumento de que as exportações se realizaram pela Avibras Indústria Espacial S.A., produtora de bens, por intermédio da Recorrente e, portanto, o prego-parâmetro se daria com base no disposto no § 4° do artigo 25 da IN SRF n° 32/2001 ( o custo de produção da Avibras Indústria Espacial S.A., mais margem de lucro de 15%), se opõem os fatos. A Recorrente não provou sua condição de empresa comercial exportadora, pois não apresenta o registro especial na SECEX (Portaria SECEX no 12/2003, artigo 57) e na RFB, nos termos do Decreto-lei n° 1.248/72 (artigo 2', inciso I), p:6-requisitos para usufruir os beneficios fiscais correspondentes ao tipo juridico.Os documentos juntados aos autos apontam transações de compra e venda normais entre duas empresas, além da industrialização sob encomenda. Também a condição de empresa industrial (C1NAE 2550-1-01 Fabricação de equipamento bélico pesado, exceto veículos militares de combate, conforme pesquisa de fl. 592), milita contra os argumentos expendidos em sentido contrário e não reprovados, de fato. Quanto ao lançamento para a CSLL, segue a mesma sorte do principal, por se tratar de mera decorrência. Nesta ordem de juizos, NEGO provimento ao recurso. Ivete alaquias Pessoa Monteiro Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thorné Pedindo vênia à i. conselheira relatara, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, que, em seu bem fundamentado voto, negou provimento ao recurso, passo a expor os fundamentos que me levaram a conclusão diversa da por ela alcançada. Versa o presente processo sobre a exigência de IRPJ e CSLL, decorrente da apuração de divergência nos preços praticados sobre bens nas operações de exportação, nos anos calendários de 2000 e 2001. 0 objeto do presente recurso foi assim delimitado pela recorrente (fls. 621): "Em razão do disposto no item (iii) acima, a exigência fiscal foi reduzida. Assim, como se vê, a questão que restou em discussão nos autos refere-se exclusivamente h. natureza da Recorrente , ou seja, h. sua condição de ser ou não urna empresa comercial exportadora (item ii acima). A Recorrente sustenta ser 17 Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-C I T2 Acórclào n.° 1102-00.660 Fl. 18 efetivamente uma empresa comercial exportadora e, em função disso, ser a ela aplicável o disposto no § 4° do artigo 26 da Instrução Normativa n°. 243/02. Já a decisão recorrida insiste em não reconhecer referida natureza de empresa comercial exportadora, negando-lhe a aplicação e os efeitos decorrentes da base legal ora mencionada." 0 item (iii), acima citado, refere-se aos equívocos cometidos pela Fiscalização no que tange ao cálculo quantitativo unitário dos "depósitos de munição" e dos "foguetes skyfire-70", para fins de verificação do prego-parâmetro, os quais foram corrigidos pela decisão recorrida. E, de fato, pela leitura de toda a peça recursal, toda a argumentação da recorrente diz respeito única e exclusivamente à sua condição de empresa comercial exportadora, e, como tal, ao seu direito a. aplicação do quanto disposto no § 4° do artigo 26 da Instrução Normativa no 243/02. Ou seja, não faz parte do recurso contestação á sua sujeição as regras dos preços de transferência na exportação, ao entendimento de que a fiscalização não provara a existência dos pressupostos necessários à aplicação do regime dos preços de transferência. Tal contestação constou somente de sua peça inicial de defesa, não tendo ela logrado êxito neste quesito quando do julgamento pela autoridade a quo, em razão dos fundamentos expressos na decisão recorrida, ora também subscritos pela i. relatora do presente acórdão. De qualquer sorte, em que pese entenda desnecessário, ou mesmo impertinente, portanto, analisar este ponto, disto não decorre alteração substancial quanto ao julgado, visto que o mesmo não foi acolhido. Por fim, registre-se ainda que, em contrário aos seus próprios argumentos de defesa, a recorrente mesma apurou ajustes relativos a pregos de transferência em 2002, tanto que neste ano não houve lançamento fiscal, porque os ajustes calculados pelo fisco resultaram inferiores aos efetuados pela empresa, o que já bem demonstra a fragilidade do manejado argumento de não submissão as regras dos preços de transferência. Dito isto, passo à análise do objeto do recurso. No tocante ao cálculo efetuado pelo fisco, que censiderou como preço parâmetro o custo de aquisição do produto, mais uma margem de 15%, alega a recorrente que, nas operações de exportação feitas por intermédio de empresa comercial exportadora, o parágrafo 4° do artigo 25 da Instrução Normativa SRF n° 32, de 2001, prevê a possibilidade de ser adotado um critério especial de aplicação do referido método , em que o preço parâmetro não é apurado a partir do custo de aquisição do bem, e sim a partir do seu custo de produção, acrescido da margem de lucro de 15%, sem necessidade de qualquer outro tipo de ajuste. A decisão recorrida manteve a premissa utilizada pelo fisco no cálculo feito, por entender que a Recorrente não provou a sua condição de empresa comercial exportadora nos termos do Decreto-Lei n° 1.248/72, e porque os documentos juntados aos autos apontam transações de compra e venda normais entre duas empresas, alem da industrialização sob encomenda. Neste aspecto, entretanto, merece reparo a decisão recorrida. A expressão "empresa comercial exportadora" não mais ostenta o significado restritivo que possuía no passado. Processo n° 16327.002044/2005-44 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 19 A época da edição do referido Decreto-Lei, os benefícios fiscais previstos nas vendas com fim especifico de exportação somente se aplicavam às empresas comerciais exportadoras que cumprissem diversas exigências, entre as quais possuírem um capital mínimo e estarem constituídas sob a forma de sociedades por ações. As empresas comerciais exportadoras que atendessem aos requisitos eram vulgarmente denominadas "tradings" ou "trading companies". Entretanto, com o passar dos anos, a legislação evoluiu, e os benefícios fiscais, nas vendas com fim especifico de exportação, foram estendidos também às empresas exportadoras em geral. Representativos desta evolução são os atos a seguir sucintamente mencionados: Lei Complementar Federal n° 87, de 13 de setembro de 1996 (não incidência de ICMS) "Art. 3°- 0 imposto não incide sobre: II - operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários é produtos industrializados semi-elaborados, ou serviços; Parágrafo único - Equipara-se as operações de que trata o inciso II a saída de mercadoria realizada com o fim especifico de exportação para o exterior, destinadas a: I - empresa comercial exportadora, inclusive tradings ou outro estabelecimento da tnesma empresa; II - armazém alfandegado ou entreposto aduaneiro." Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001 (isenção de PIS e COFINS) "Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: VIII - de vendas realizadas pelo produtor-vendedor as empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-Lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim especifico de exportação para o exterior; IX - de vendas, com fim especifico de exporlacão vara o exterfr)r, a empresas exportadoras registrados na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; ,sç 1° Silo isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos la IX do caput." Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. (não incidência de PIS não cumulativo) "Art. 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidira sobre as receitas decorrentes das operações de: 19 Processo n° 16327.002044/2005-44 S I-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 20 III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação." Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (não incidência de COF1NS não cumulativa) "Art. 60 A CORNS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação." Lei n°9.532, de 10 de dezembro de 1997. ('Suspensão do 1P1) "Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do JPI, os produtos destinados a exportação, quando: I - adquiridos por empresa comercial exportadora, COM o fini especifico de exportação;" Verifica-se, assim, que, ou a lei passou a referir-se expressatnente aos dois tipos de empresas exportadoras, casos da MP n° 2.158-35/2001 e da Lei Complementar n° 87/96, ou então referiu-se apenas genericamente ao teimo "empresa comercial exportadora" mas sem fazer a restrição de que se trataria somente das "traclings". Com relação à não incidência de PIS e COFINS não cumulativos, por exemplo, em que a lei não fez esta distinção, o "Perguntas e Respostas" da Receita Federal, vulgo "Perguntdo", na pergunta n° 006, da DIPJ/2011-Capitulo XXI , citando como embasamento legal tanto a MP n° 2.158-35, quanto a Lei no 10.637/02, e a Lei n° 10.833/03, engloba em uma mesma pergunta e resposta tanto a isenção quanto a não incidência das contribuições PIS e COFINS, nos seguintes termos: "006. Existem isenções ou não incidências da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre receitas especí ficas? Não são devidas a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, incidentes sobre as receitas decorrentes ou provenientes de: c) vendas realizadas pelo produtor-vendedor As empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto Lei n° 1.248, de 29 de npvembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim especifico de exportação para o exterior; d) vendas, com fim especifico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior," Da mesma forma, com relação à suspensão do IPI, em que a lei também não fez a mencionada distinção, o mesmo "Perguntas e Respostas" da Receita Federal, na pergunta no 031, da DIPJ/2011-Capitulo XX, esclarece a questão nos seguintes termos: "031. Tendo em vista a alínea "a" do inciso V do art. 42 do Ripi/2002, a suspensão do IPI prevista para produtos saídos do estabelecimento industrial com destino à exportação é aplicável a todas as empresas comerciais que operam no comércio exterior ou somente As Trading Companies? 20 Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 21 A suspensão do IP1 aplica-se a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim especifico de exportação, aí incluídas as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decreto-Lei n" 1.243, de 1972." neste mesmo contexto que a Instrução Normativa SRF no 38, de 30 de abril de 1997, e as que lhe seguiram, empregaram o termo "empresa comercial exportadora" no artigo que trata da apuração dos preços de transferência na exportação pelo método CAP. Portanto, não há necessidade de que a empresa adquirente seja uma "trading", bastando que seja empresa comercial exportadora, sendo de se ressaltar ainda que nenhum dos atos acima referidos, em qualquer momento, exigiu que esta empresa fosse exclusivamente comercial. Por outro lado, todos eles exigem due a venda tenha sido feita corn o 'Jim especifico de exportação", condição esta cuja definição encontra-se no artigo 45, parágrafo 1 0, do Decreto n° 4.524/2002, que regulamenta o PIS e a COFINS: "§* 1° Consideram-se adquiridos com o jim especifico cle exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora." No caso concreto, os documentos fiscais anexados pela recorrente, relativos às vendas efetuadas pela Avibras Indústria Aeroespacial S/A, trazem no seu corpo a inscrição "Material a ser exportado por Avibras Divisão Aérea e Naval S/A". Ambas as empresas estão situadas no mesmo endereço (Rodovia dos Tamoios, km 14, Jacarei-SP — o da recorrente diferencia-se apenas pela identificação "Prédio A-7"). As notas fiscais de venda pela Aeroespacial para a Recorrente, e de venda pela Recorrente ao exterior (exportação) são emitidas na mesma data. Diante de tais fatos, é evidente que a aquisição foi feita com o fim especifico de exportação, conforme a definição acima transcrita. Portanto, tern razão a recorrente quando afirma que tern direito ao cálculo do preço parâmetro a partir do custo de produção da Aeroespacial, acrescido da margem de lucro de 15%, sem necessidade de qualquer outro tipo de, ajuste, nes termos do que dispõe o §4° do do artigo 25 da Instrução Normativa SRF n° 32, de 2001, abaixo transcrito: "§ 4° 0 prego determinado por este método, relativamente as exportações diretas, efetuadas pela própria empresa produtora, poderá ser considerado parâmetro para o preço praticado nos exportações por intermédio de empresa comercial exportadora, independentemente de novo acréscimo a titulo de margem de lucro." Aliás, a este respeito, frise-se que, desde a primeira resposta apresentada pela Recorrente ao fisco, já informara ela de que, nos casos das exportações de mercadorias adquiridas da Aeroespacial, fizera uso desta faculdade. Portanto, não procedem os cálculos feitos pelo fisco, quando os ajustes por ele apurados, a partir do confronto dos valores praticados na exportação com os valores de aquisição da Aeroespacial, acrescidos de 15%, resultarem superiores acs valores dos ajustes 21 Processo n° 16327.002044/2005-44 S I-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 22 que seriam devidos se considerados em confronto corn os valores do custo de produção da Aeroespacial, acrescidos de 15%. Isto ocorre em quase todos os casos de exportações de mercadorias adquiridas da Aeroespacial, mas não em todos, e por este motivo o provimento ao recurso não pode ser integral. Conforme o doc. 9 da Impugnação (fls. 442), com relação aos produtos "Lançador de Foguetes LM 70/7 SF" e "AV DOA Dioctyl Adipate Plasticizer", exportados no ano de 2000, os seus custos de produção, na Aeroespacial, foram superiores aos valores pelos quais eles foram vendidos A. recorrente, tanto que a margem de lucro na operação de venda A recorrente foi ali apontada como negativa. Assim, os ajustes por preços de transferência, caso a recorrente optasse por fazer uso da faculdade prevista no artigo 25, §4°, da IN SRF n° 32/2001, resultaria superior àquele calculado pelo fisco com base no valor de aquisição. Contudo, não sendo permitido o "reformatio in pcjus", é de se manter o ajuste apurado pelo fisco, com relação a estes produtos. A própria recorrente deixa transparecer que a utilização daquela faculdade não a beneficiaria em todos os casos, conforme se verifica na sua peça de defesa, As fls. 421, verbis: "Os quadros demonstrativos juntados com a presente irripugna0o, separados para os anos de 2000 e de 2001 (does. 9, 10 e 35), demonstram que na grande maioria dos casos os preços efetivamente praticados são muito superiores aos preço parâmetros apurados de acordo com esse método, o que evidencia não ter ocorrido hipótese de desvio indevido de lucros para o exterior." (grifo nosso) Por outro lado, com relação aos produtos que foram industrializados pela Aeroespacial, por encomenda da recorrente, e Os quais tiveram o seu cálculo do prego parâmetro pelo método CAP feito pelo fisco com base na soma do custo do material remetido para industrialização e do custo total da mão-de-obra aplicada pela Aeroespacial -- e, portanto, rigorosamente dentro do que prevê a legislação — não ha que se falar em aplicação do artigo 25, §4°, da IN SRF n° 32/2001, pois não se trata de produtos adquiridos da Aeroespacial com fim especifico de exportação, mas sim de produtos lá industrializados por encomenda da recorrente. Esta situação ocorre no produto -Depásitos de Munição", A propósito, o demonstrativo elaborado pela recorrente (doc. 9 da Impugnação) nem contém o referido produto, e isto porque, de fato, não há que se falar em custo de produção da Aeroespacial, neste caso. Assim, é de se manter também o ajuste apurado com relação a este produto, observada, porém, por óbvio, a redução já procedida pela DRJ com relação a ele, a qual ocorreu por força de incorreção no valor da receita de exportação utilizado pelo fisco nos cálculos por ele efetuados. Para maior clareza quanto aos valores exonerados e mantidos pelo presente voto, elaborei a tabela abaixo: Processo n° 16327.002044/2005-44 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.660 Fl. 23 ' Ano Caléndárici 2000 ERCADORIA Valor do Ajuste Auto de Infração) Exonerado ,,,' (DRJ) 1 Valor do Ajuste ]:, (DRJ)''' Exonerado Neste Voto AV-DOA Dioctyl Adipate Plasticizer 497,83 - 497,83 - Lançadores de Foguetes LM 70/7 SF 54.463,99 - 54.463,99 - Foguetes SBAT-70 (Skyfire-70 MM) 155.420,20 - 155.420,20 155.420,20 Foguetes Skyfire-70 (AV-SF-70-M9) 296.493,73 36.278,17 260.215,56 260.215,56 '''' '11,TOTAIL ' 606.875;75 ' 36.278,17 T 470.597,58 415.635,76 AnoCalendirio 2001 MERCADORIA ,,,,, ',,,',, yalo(do,AjÚste ,,, (Auto de Infração) ,Exonerado ,.: '' (DRJ) !-'2= Valor do Ajuste (DRJ):''= Exonerado , Neste Voto Depósitos de Munição 92.808,11i 79.879,31 1 12.928,80 Foguetes SS09-TS para Treinamento 94.517,96 - 94.517,96 94.517,96 Partes e Peças 32.126,53 - 32.126,53 32.126,53 Foguetes Skyfire-70 (AV-SF-70-M9) 350.981,48 - 350.981,48 350.981,48 Partes e Pegas 146.836,12 - 1 146.836,12 146.836,12 ‘ ,TOTAL‘: : , 717.270,20 ., 79.879,311 ,. 637.390,89 624.462,09 Para finalizar, cumpre observar que c quanto exposto no presente voto aplica- se de igual modo para a CSLL, por expressa previsac legal neste sentido, constante do artigo 28 da Lei n° 9.430/96. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso para cancelar os valores tributáveis de R$415.635,76, relativos aos ajustes de preços de tn.nsfer'éncia lançados no ano calendário de 2000, e de R$ 624.462,09, relativos aos ajustes lançados no ano calendário de 2001. como voto. Joao Otávio Oppermann Thomé — Redator designado 23
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