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Numero do processo: 13924.720191/2018-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 2202-005.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 4. 72 01 91 /2 01 8- 97 Fl. 108DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1159.936, proferido pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE (DRJ/REC) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento, relativamente exercício 2015, ao anocalendário de 2014, na qual é cobrado o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, sujeito à multa de ofício, no valor de R$ 143.012,73, acrescido ainda de juros de mora (calculados até 31/01/2018), perfazendo um crédito tributário total de R$ 296.780,00. O contribuinte apurou em sua DIRPF/2015 um saldo de imposto a pagar no valor de R$ 617.515,45. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, os motivos que deram ensejo ao lançamento acima: · Omissão de Rendimentos do Trabalho Recebidos do FUNBEP Fundo de Pensão Multipatrocinado, no valor de R$ 2.377.487,83. Motivo: Diferença de complemento de aposentadoria foi tributada incorretamente, uma vez que o RRA só é devido à diferença de aposentadoria pagas obrigatoriamente pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e não por entidade de previdência privada. · Número de meses relativo a Rendimentos Recebidos Acumuladamente indevidamente declarado Tributação exclusiva números de meses declarado 243, tendo sido comprovado 65 meses Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: Na notificação a SRF (Secretaria da Receita Federal), resta sustentado que o número de meses corretos para se constar na Declaração de Ajuste Anual deveria ser 65 meses, entretanto. Contudo, tal período representa somente o período imprescrito da Reclamatória Trabalhista (verbas trabalhistas), não podendo se confundir com o número de meses referentes especificadamente ao complemento de aposentadoria, objeto da presente notificação. Para melhor compreensão, demonstramos os cálculos periciais apresentados na Reclamatória Trabalhista, juntado às fls, 1.850 e ss., que o perito inicia o computo das diferenças de aposentadoria em maio/1997, mês posterior à rescisão contratual do Sr. Miguel Brandelero, sendo que tais diferenças cessam em janeiro/2011, vejamos: Portanto, a alegação da SRF não procede, posto que confunde os créditos tributáveis, requerendo que a DIRF seja retificada a fim de que se conste o número de 65 meses sobre os valores a título de complemento de aposentadoria, quando o correto procedimento seria se observar 179 meses, pois é este o período Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13924.720191/201897 Acórdão n.º 2202005.018 S2C2T2 Fl. 109 3 que abrange o crédito, conforme destacamos a contagem correta nos estritos termos dos cálculos periciais: Ademais, cumpre salientar que tramita processo de repetição de indébito perante a Justiça Federal da subseção judiciária de Pato Branco PR, sob o n°. 500268191.2015.4.04.7012, no qual se restituição de valores indevidamente pagos na declaração de ajuste anual do exercício 2015, inclusive quanto à forma de cálculo para a utilização do RRA, para todas as verbas recebidas em virtude da reclamatória trabalhista n°. 0095700 1519975090072, dentre as quais todos os valores a título de complementação de aposentadoria. O processo encontrase sobrestado, aguardando decisão do C. Supremo Tribunal Federal, conforme andamento processual em anexo. Considerando o exposto, é evidente que estes autos administrativos, no caso de não aceitação da impugnação e processamento da declaração na forma realizada, devem aguardar o trânsito em julgado do processo judicial em trâmite, para que depois, na esfera judicial, se realizem as retificações pertinentes para o cálculo de restituição de IR, adotandose os critérios fixados pelo poder judiciário, ou, ao menos, se aguarde para que somente depois de definida a matéria em litígio, com o trânsito em julgado do processo, que gera reflexos diretos no presente caso, se formalize administrativamente os requerimentos e/ou retificação Declaração de Ajuste Anual 2015/2014. A impugnação foi julgada improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de pessoa Física IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO DOS JUROS DE MORA. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL A propositura pelo contribuinte de ação judicial, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto importa renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tomando definitivo o lançamento no que se refere à matéria tratada no âmbito judicial. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÃO. PAGAMENTO REALIZADO PELA ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. O contribuinte recebeu RRA de entidade de previdência privada e equivocadamente tributou este rendimento na forma exclusiva na fonte, em conformidade com o que estabelecia o art. 12 A da lei 7713/88. Todavia a lei restringiu esta forma de tributação para rendimentos acumulados de aposentadoria pagos exclusivamente por órgão oficial. Fl. 110DF CARF MF 4 NÚMERO DE MESES RELATIVO A RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE INDEVIDAMENTE DECLARADO TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. ART. 12 E 12A E §§, DA LEI 7.713/88; ARTS. 27 E 28 DA LEI 10.833/2003; ART. 73 DO DECRETO N.° 3.000/99 RIR99. O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (efls. 81/90), ensejando a interposição de recurso voluntário em 02/08/2018 (fls. 97 e ss), no qual foram renovados, em linhas gerais, os termos da impugnação, tendo acrescentado os seguintes argumentos: a decisão de origem equivocase quanto à concomitância entre o processo administrativo e judicial; o contribuinte ingressou com ação judicial antes de ser notificado, e com o intuito de discutir a não incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios decorrentes das verbas recebidas em virtude de Reclamatória Trabalhista; a notificação recebida se refere ao número de meses a serem considerados para o cálculo pelo RRA em relação à complementação de aposentadoria. Em sua Declaração, o contribuinte utilizou o número de meses na forma calculada e homologada pelo Juízo do processo trabalhista, e igualmente aplicados para o recalculo do montante devido sem a incidência do IR sobre os juros moratórios, na repetição de indébito movida perante a Fazenda Nacional em ação judicial perante a Justiça Federal. no processo trabalhista a União foi intimada a se manifestar sobre os cálculos, portanto, a homologação dos mesmos é ato que gera efeitos não somente as partes do processo, mas também a Receita Federal, se tratando de decisão judicial transitada em julgado, inatingível pelo manto da coisa julgada. em relação ao processo judicial que tramita na Justiça Federal e discute a forma de cálculo do IR para o mesmo exercício da presente notificação, resta evidente que, justamente pelo fato de a decisão judicial não poder ser alterada por decisão administrativa, condição destacada na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, é que ao contrário do decidido, deve ser suspendida a presente notificação até a decisão final do processo judicial Do contrário, a decisão administrativa estaria se sobrepondo à decisão judicial; ainda, quanto ao mérito, novamente existe equívoco quanto à interpretação e aplicação da Legislação ao caso concreto; a decisão proferida entende que o recebimento da complementação de aposentadoria não se enquadra na mesma sistemática de cálculo de IR das demais verbas recebidas, desconsiderando que todas as verbas são provenientes da mesma ação judicial trabalhista. As verbas de complementação de aposentadoria não foram recebidas diretamente da entidade previdenciária (FUNBEP), mas sim em decorrência da decisão judicial trabalhista transitada em julgado, sendo a complementação de aposentadoria verba reflexa das demais verbas constantes do processo, como horas extras, etc, que majoraram a base de cálculo da complementação, gerando diferenças ao período calculado, sendo incorreto dissociálas para fins de apuração e forma de cálculo do IR. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13924.720191/201897 Acórdão n.º 2202005.018 S2C2T2 Fl. 110 5 assim, todas as verbas recebidas em virtude do processo judicial trabalhista devem receber o mesmo enquadramento legal para fins de cálculo do IR, com a observância do disposto no artigo 12A, da Lei n°. 7.713/1988. diante de todo o exposto, requer o recebimento e acolhimento do presente recurso, com a aceitação e o processamento da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2015, ano calendário 2014 dos rendimentos informados em sua Declaração de Imposto de Renda, na forma e termos demonstrados, ou sucessivamente, que sejam suspensos os efeitos da presente notificação até o trânsito em julgado do processo judicial, tudo nos termos da fundamentação. Voto Marcelo de Sousa Sáteles Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente. Em sede de recursos, o contribuinte alega que tramita processo de repetição de indébito perante a Justiça Federal da subseção judiciária de Pato Branco PR, sob o n°. 500268191.2015.4.04.7012, no qual requer restituição de valores indevidamente pagos na declaração de ajuste anual do exercício 2015, inclusive quanto à forma de cálculo para a utilização do RRA, para todas as verbas recebidas em virtude da reclamatória trabalhista n°. 00957001519975090072, dentre as quais todos os valores a título de complementação de aposentadoria. Portanto, o primeiro ponto que deve ser analisado no presente caso é a existência de concomitância entre as discussões nas esferas administrativa e judicial. A fiscalização lavrou a infração de omissão de rendimentos do trabalho recebidos do FUNBEP, no valor de R$ 2.377.487,83, complemento de aposentadoria, por ter o contribuinte declarado em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2014, no campo Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamente (RRA), todas as verbas as verbas recebidas em virtude da reclamatória trabalhista n°. 00957001519975 090072. Contudo, entendeu a autoridade fiscal que parte dos valores recebidos na reclamatória trabalhista por se tratar de complemento de aposentadoria devidos por entidade de previdência privada, não poderia ser declarado como Rendimentos Recebidos Acumuladamente, sendo que só poderia ser declarado no campo RRA à diferença de aposentadoria pagas obrigatoriamente pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Por conseqüência, a fiscalização alterou de 243 para 65 o número de meses relativos ao RRA, retirando os meses relacionados à complementação de aposentadoria recebidas de entidade de previdência privada no âmbito da reclamatória trabalhista bem como alterou o campo Rendimentos Recebidos Acumuladamente de R$ 2.987.070,62 para R$ 594.883,23 (efls. 70), o que gerou por sua vez o lançamento da infração omissão de rendimentos. Constatase que realmente o contribuinte adentrou com Ação de Repetição de Indébito, em face da UniãoFazenda Nacional (efls. 25/29), na Justiça Federal de Pato Fl. 112DF CARF MF 6 Branco/PR, alegando que foi beneficiário de crédito trabalhista n. 0957/1997, em contexto de despedida sem justa causa, e sobre o montante recebidos incidiu imposto de renda sobre os juros moratórios, contudo tal rubrica não poderia integrar a base de cálculo do imposto de renda, anoscalendário 2011, 2012 e 2014. Destacase dois dos pedidos feitos pelo contribuinte na Justiça Federal (efls. 28/29), in verbis: 1) A declaração da inexigibilidade da incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes do crédito recebido na Reclamatória Trabalhista n°. 0957/1997, condenando a requerida na restituição do montante ilegalmente recolhido, conforme cálculo em anexo, nos termos do item II, parte integrante deste pedido; 2) Seja determinado o refazimento dos ajustes anuais, mantendo se o regime de competência (RRA), nos termos da Lei, para o período imprescrito, aplicandose corretamente os valores aos respectivos exercícios (2012, 2013 e 2015 cópias das declarações de ajuste anual em anexo), excluindo da base de cálculo do IR as verbas referentes aos juros moratórios e apurando o valor que deveria ter sido restituído em cada ajuste anual, devidamente corrigido, na forma do item II, parte integrante deste pleito; Colacionamos ainda a parte dispositiva da decisão proferida pelo juízo da 1ª Vara Federal de Pato Branco (efl. 36) : (a) declarar a nãoincidência de imposto de renda sobre os juros moratórios pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho reconhecidos na ação judicial mencionada na exordial; (b) condenar a parte ré a restituir à parte autora os valores eventualmente pagos a maior a título de imposto de renda, devidamente corrigidos pela taxa SEL1C, desde a data da retenção indevida, respeitada a prescrição, nos termos da fundamentação. (c) determinar que na apuração do montante devido seja observado o regime de competência, excluindose eventuais rubricas indenizatórias (v.g.f juros de mora) da base de cálculo do tributo. Constatase que a decisão da justiça federal de primeira instância ocorreu em 06/04/2016, bem anterior ao presente procedimento fiscal, tendo sido lavrada a Notificação de Lançamento em 29/01/2018 (efls. 65). Verificase então que a DAA do contribuinte, anocalendário 2014, objeto da presente Notificação de Lançamento, já estava sendo objeto de análise judicial o mesmo fato gerador do imposto de renda pessoa física, os rendimentos oriundos da reclamatória trabalhista n. 0957/1997, tendo sido declarado em sua DAA no campo RRA, em sua totalidade, incluindo os valores recebidos a título de complementação de aposentadoria, o que deu origem a presente Notificação de Lançamento. No caso em questão, o objeto da análise judicial é, na verdade, de maior extensão do que o do presente processo administrativo ora em questão, uma vez que foi Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13924.720191/201897 Acórdão n.º 2202005.018 S2C2T2 Fl. 111 7 solicitada ainda a nãoincidência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos no contexto da despedida ou rescisão do contrato de trabalho n. 0957/1997. Neste caso, já está sedimentada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que a propositura de ação judicial, antes ou depois do lançamento de ofício, em face da Fazenda Pública, enseja renúncia peremptória à instância administrativa, quando a matéria discutida nesta faz parte da matéria discutida em âmbito judicial, conforme preceitua a Súmula CARF n. 01, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por fim, registrese que compete ao Órgão de origem de jurisdição da contribuinte o acompanhamento da questão no Poder Judiciário e, igualmente, a adoção das providências cabíveis decorrentes das Decisões Judiciais pertinentes. Conclusão Ante o exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.720088/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
Atribuem-se efeitos infringentes aos embargos de declaração quanto o se julgamento acarretar em alteração no resultado do julgamento originário.
CONTRATO DE ESTÁGIO. CARACTERIZAÇÃO DE VINCULO EMPREGATÍCIO DEMONSTRANDO A REALIDADE DE FATO DO VINCULO EXISTENTE.
Cabe a fiscalização desconsiderar os atos e os negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos, embasada nos artigos 118 e 149 do CTN que prevêem a primazia da realidade sobre os atos jurídicos realizados.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO CFL 68.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória.
Numero da decisão: 2202-004.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para sanar a inexatidão material apontada e, atribuindo-lhes efeitos infringentes, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o rol de corresponsáveis contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa, sem o condão de atribuir responsabilidade às pessoas nele indicadas.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Atribuem-se efeitos infringentes aos embargos de declaração quanto o se julgamento acarretar em alteração no resultado do julgamento originário. CONTRATO DE ESTÁGIO. CARACTERIZAÇÃO DE VINCULO EMPREGATÍCIO DEMONSTRANDO A REALIDADE DE FATO DO VINCULO EXISTENTE. Cabe a fiscalização desconsiderar os atos e os negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos, embasada nos artigos 118 e 149 do CTN que prevêem a primazia da realidade sobre os atos jurídicos realizados. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO CFL 68. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Atribuemse efeitos infringentes aos embargos de declaração quanto o se julgamento acarretar em alteração no resultado do julgamento originário. CONTRATO DE ESTÁGIO. CARACTERIZAÇÃO DE VINCULO EMPREGATÍCIO DEMONSTRANDO A REALIDADE DE FATO DO VINCULO EXISTENTE. Cabe a fiscalização desconsiderar os atos e os negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos, embasada nos artigos 118 e 149 do CTN que prevêem a primazia da realidade sobre os atos jurídicos realizados. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO CFL 68. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para sanar a inexatidão material apontada e, atribuindolhes efeitos infringentes, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o rol de corresponsáveis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 00 88 /2 01 0- 27 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2202004.963 S2C2T2 Fl. 300 2 contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa, sem o condão de atribuir responsabilidade às pessoas nele indicadas. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos nos autos do processo nº 10980.720088/201027, em face do acórdão nº 2302002.663, julgado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada em 13 de agosto de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Despacho de Admissibilidade de fls. 293/297, que assim relatou: “Em 13 de agosto de 2013, foi julgado o Acórdão n° 2302 002.663 (efls 226 a 236), que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Nos termos da Súmula 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do ValeTransporte não é integrante da remuneração Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2202004.963 S2C2T2 Fl. 301 3 do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais. RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS. Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ. A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN. Constou no dispositivo do Acórdão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011 e pela aplicabilidade da Súmula n.º 88 do CARF. A relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa, sem permitir discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal. À efl. 237, consta manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, nos seguintes termos: "A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, com amparo no art. 66 do Regimento Interno do CARF, vem informar Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2202004.963 S2C2T2 Fl. 302 4 que nos autos do processo acima mencionado foi juntado, por engano, o Acórdão 2302002.663 do Processo nº 10980.720004/201055. Dessa forma, requer o saneamento do processo para que seja acostado o acórdão correto aos autos, para apresentação do recurso pela PFN, caso necessário. Nesses termos, pede deferimento." Às efls. 238 a 248, foi realizado o saneamento solicitado, com a juntada do Acórdão de n.º 2302002.663 como sendo referente ao Processo n.º 10980.720088/201027. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão n.º 2302 002.663 à efl. 249, informando que não haveria interposição de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Encaminhado o processo à Unidade de Origem, o Sujeito Passivo foi cientificado do Acórdão n.º 2302002.663 em 05/09/2014 conforme AR acostado à efl. 252. Tempestivamente, em 12/09/2014 foram interpostos pelo Sujeito Passivo os Embargos de Declaração de efls. 255 a 256. Em 17/07/2017, através do Despacho s/n.º 2ª Seção (efls. 268 a 272), os embargos foram rejeitados pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento. Cientificado em 16/08/2017 (AR de efl. 278), do Despacho que rejeitou os Embargos de Declaração, o sujeito passivo apresentou em 29/08/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de efl. 280), novo Embargo de Declaração (efls. 282 a 286). Tratase de Embargos Inominados com fundamento no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Alega o embargante, que foram verificadas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, no julgamento proferido nos presentes autos: 1. a matéria tributária objeto do lançamento corresponde à multa acessória por Omissão em GFIP de Fatos Geradores de Contribuições Previdenciárias (R$427,45), nele não se exigindo crédito tributários relativo a Vale transporte e a Vale alimentação; 2. o Acórdão proferido dar provimento parcial ao recurso voluntário em matéria não abarcada pelos autos. Ao final, conclui que é imperioso, em sede de Embargos Inominados, darse fim às inexatidões materiais, devidas a lapso manifesto perpetradas tanto no Acórdão nº 2302 002.663 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, quanto no Despacho s/nº – 2ª Seção, de 17/07/2017, tudo por ser regimentalmente devido (art. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2202004.963 S2C2T2 Fl. 303 5 66) e constitucionalmente determinado (art. 5º, Incisos LIV e LV). É o breve relato. Passo ao Exame.” O Presidente da 2ª Seção por julgar necessário, acolheu parcialmente os embargos de declaração, pelos seguintes fundamentos: “Considerando que se trata de embargos opostos contra decisão proferida por colegiado extinto, analiso sua admissibilidade, na qualidade de Presidente da Seção a qual o referido colegiado estava subordinado. Antes de proceder à análise do pedido em tela, importa salientar que se trata de Embargos de Declaração, previsto nos art. 65 e 66 do RICARF, o meio recursal, pela qual, o embargante dirigi se ao relator do Acórdão Embargado para que o esclareça em seus pontos obscuros, completeo quando houver omissão ou que lhe repare ou elimine eventuais contradições que porventura contenha. (grifo nosso) Da admissibilidade dos embargos de declaração Os legitimados para opor embargos estão listados no §1º do art. 65 do RICARF : Art. 65. (...) §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Já, o art. 66 dispõe: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2202004.963 S2C2T2 Fl. 304 6 § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Referente ao erro material por lapso manifesto, assiste razão ao embargante. Compulsando os autos, especialmente o Termo de Intimação Fiscal n.º 10 (efl. 29) c/c a Planilha de efl. 88, verificamos que tratase de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória pelo fato do Sujeito Passivo ter entregue GFIP, da competência agosto/2007 sem informar os valores de pagamentos efetuados a pessoas físicas tidas como estagiários e que, entretanto, após a análise da documentação apresentada, a Autoridade Lançadora constatou o desvirtuamento do compromisso de estágio e a caracterização como segurados empregados. Portanto, não há o que se falar da natureza salarial do Vale Transporte, conforme constou na ementa, no dispositivo e no voto do acórdão ora embargado. Já, com relação a alegação de inexatidões materiais, devida a lapso manifesto perpetrada no Despacho s/n.º 2ª Seção que rejeitou os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte não lhe assiste razão. O despacho foi claro e preciso quanto as razões que levaram a rejeição dos embargos, tendo constado ao final: "Diante do exposto, devese rejeitar os Embargos de Declaração de forma definitiva, devendo ser cientificado o sujeito passivo, com fulcro no artigo 65, §§ 3º e 4º do Anexo II, do Regimento Interno do CARF." Conforme o § 3º do art. 65 do RICARF : "§ 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)" Conclusão Diante do exposto, devese acolher parcialmente os Embargos Inominados e, conseqüentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pelo Embargante com relação a matéria ValeTransporte. Considerando que o conselheiro relator não mais pertence a colegiados na 2ª Seção do CARF, encaminhese o processo para novo sorteio, no âmbito do colegiado, para relatoria e futura inclusão em pauta de julgamento.” Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2202004.963 S2C2T2 Fl. 305 7 Assim, os Embargos Inominados foram parcialmente admitidos, para que fosse sanado o vício apontado. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos inominados preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Conforme Relatório Fiscal e anexos deste processo, a lide discutida é o DEBCAD nº 37.213.9949, no valor de R$ 427,45, relativo multa administrativa por infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, pelo fato do sujeito passivo em epígrafe ter entregue GFIP, da competência agosto de 2007 sem informar os valores de pagamentos efetuados a pessoas físicas tidas como estagiários e que, entretanto, após a análise da documentação apresentada, a Autoridade Lançadora constatou o desvirtuamento do compromisso de estágio e a caracterização como segurados empregados. O acórdão embargado refira que a matéria de mérito em litígio seja a multa por descumprimento de obrigação acessória decorrente de ter a Fiscalização constatado que teria ocorrido desvirtuamento do compromisso de estágio e, por consequência, caracterização destes como segurados empregados. No entanto, ao apreciar o mérito do recurso, o Conselheiro Relator não trata da matéria atinente a estagiários, tratando, por equivoco, da seguinte matéria "Da Remuneração em Forma de Vale Transporte", que não é objeto desta lide. A conclusão do Conselheiro Relator também trata da matéria valetransporte: "Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para excluir da autuação os valores pagos a título de vale transporte, bem como para que o rol de corresponsáveis contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa, sem o condão de atribuir responsabilidade às pessoas nele indicadas." O mesmo se repete na ementa do julgado: "VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do ValeTransporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição." Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2202004.963 S2C2T2 Fl. 306 8 Configurase, portanto, contradição no acórdão, bem como omissão por não ter apreciado a alegação da contribuinte em recurso voluntário quanto a matéria estagiários. Pois bem. Passo a análise da matéria "estagiários". Inicialmente, saliento que o presente processo trata de multa, no valor de R$ 427,45, por descumprimento de obrigação acessória decorrente de ter a Fiscalização constatado que teria ocorrido desvirtuamento do compromisso de estágio e, por consequência, caracterização destes como segurados empregados. A DRJ de origem já havia reduzido a multa: Quanto a multa lançada neste Auto de Obrigação Acessória, AI DEBCAD 37.213.9949, no valor de R$ 427,45, competência agosto de 2007, está incorreta, eis que, como vimos, a multa mais benéfica é a da legislação atual (R$ 308,96). Logo, o presente lançamento fiscal deve ser retificado de R$ 427,45 para R$ 210,09, que corresponde a diferença entre R$ 308,96, devidos e R$ 98,87, já cobrados nos AI de obrigação principal (AI DEBCAD 37.213.9884 e DEBCAD 37.213.9892). Pelo exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, mantendose em parte o crédito tributário lançado, que fica retificado de R$ 427,45 para R$ 210,09. Portanto, permanece ainda em litígio a multa no valor de R$ 210,09, valor este após a reforma no lançamento procedida pela DRJ. Junto com o lançamento da multa ora em análise, foram lançados outros DEBCADs. Em especial, há dois Autos de Infração de obrigação principal, quais sejam: DEBCAD nº 37.213.9884 (processo nº 10980.720003/201019) e DEBCAD nº 37.213.9892 (processo nº 10980.720004/201055). Ambos os processos acima referidos foram julgados na mesma data que o acórdão ora embargado, vejamos: · DEBCAD nº 37.213.9884 (obrigação principal), processo nº 10980.720003/201019, acórdão CARF nº 2302002.661, julgado em 13/08/2013; · DEBCAD nº 37.213.9892 (obrigação principal), processo nº 10980.720004/201055, acórdão CARF nº 2302002.662, julgado em 13/08/2013; · DEBCAD nº 37.213.9949 (multa), processo nº 10980.720088/2010 27, acórdão CARF nº 2302002.663, julgado em 13/08/2013. Por oportuno, transcrevo o disposto nos acórdãos CARF nº 2302002.661 e 2302002.662, de idêntica redação, quanto a matéria "estagiários": "Da caracterização do vínculo de emprego Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2202004.963 S2C2T2 Fl. 307 9 O Relatório Fiscal demonstrou de forma clara e precisa o desvirtuamento do contrato de estágio, descrevendo detalhadamente todos os pontos que levaram à essa conclusão, dos quais podemos destacar a carga horária diária de oito horas e o recebimento de 13º. Ainda, os estagiários exerciam funções que não dizem respeito à sua área de formação, além de outros aspectos observados que, por si só, não caracterizariam o vínculo empregatício, mas que diante do conjunto apenas reforçam a sua existência, todos alencados pela fiscalização. Ademais, verificase que a empresa já foi inclusive notificada pelo Ministério Público do Trabalho para assinar Termo de Ajustamento de Conduta cujo objetivo foi, justamente, impedir que o estagiários fossem utilizados em substituição aos empregados. Cabe à fiscalização desconsiderar os atos e os negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos, embasada nos artigos 118 e 149 do CTN, que preveêm a primazia da realidade sobre os atos jurídicos realizados, Art. 118 – A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos Art. 149 – O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Essa atribuição da fiscalização é reforçada quando se trata do correto enquadramento dos segurados empregados, para fins de cobrança da contribuição previdenciária devida. Nesse sentido, dispõe o artigo 33 da Lei no 8.212/91 : Art. 33 – Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do Art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do Art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2202004.963 S2C2T2 Fl. 308 10 Mencionada atribuição passou a ser do Ministério da Previdência Social, por força do artigo 1º da Lei 11.098/2005. Para que a fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária – SRP possa efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias é necessário que se enquadre corretamente os segurados obrigatórios. O artigo 12, I “a” da Lei 8.212/91 prevê: Art. 12 – São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Assim, a alegação da Recorrente de que a Auditora Fiscal extrapolou os limites da sua competência, invadindo a competência da Justiça do Trabalho, não merece prosperar, vez que o Auditor Fiscal da Previdência Social, no exercício de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, prevista no art. 142 do CTN, ao constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I, do caput do art. 9º, RPS, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado (art. 229, § 2º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99): RPS ART. 229 , §2ºSe o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado Não se verifica, ainda, qualquer nulidade formal no Auto de Infração em exame, uma vez que, no que diz respeito ao local de sua lavratura, plenamente aplicável a Súmula nº 6 deste Conselho, que reza: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Cumpre ressaltar, por fim, que o prazo prescricional bienal invocado pela Recorrente se aplica única e exclusivamente no âmbito da justiça trabalhista, no que diz respeito à pretensão do empregado de ter reconhecido seu vínculo de emprego." Possuem os acórdãs a seguinte ementa quanto a matéria "estagiários": Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2202004.963 S2C2T2 Fl. 309 11 "CARACTERIZAÇÃO DE VINCULO EMPREGATÍCIO DEMONSTRANDO A REALIDADE DE FATO DO VINCULO EXISTENTE. Cabe a fiscalização desconsiderar os atos e os negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos, embasada nos artigos 118 e 149 do CTN que prevêem a primazia da realidade sobre os atos jurídicos realizados." Assim, considerando que a matéria "estagiários" foi já apreciada nos processos que tratam de obrigação principal (acórdãos CARF nº 2302002.661 e 2302 002.662), entendo que persistindo a infração, devese, por consequência, manter a multa ora exigida por descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Ante o exposto, voto por acolher os embargos inominados para sanar a inexatidão material apontada e, atribuindolhes efeitos infringentes, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o rol de corresponsáveis contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa, sem o condão de atribuir responsabilidade às pessoas nele indicadas. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 309DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907868/2016-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.877
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 86 8/ 20 16 -1 2 Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13896.907868/201612 Resolução nº 3201001.877 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13896.907868/201612 Resolução nº 3201001.877 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13896.907868/201612 Resolução nº 3201001.877 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 13896.907868/201612 Resolução nº 3201001.877 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13896.907868/201612 Resolução nº 3201001.877 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13896.907868/201612 Resolução nº 3201001.877 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 492DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.000764/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora.
REDUÇÃO DA MULTA EM 50%. REQUISITO.
A redução da multa de ofício em cinquenta por cento somente será concedida se o sujeito passivo efetuar o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
A ocorrência de decadência de parte do lançamento não acarreta na nulidade total do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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RESPONSABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora. REDUÇÃO DA MULTA EM 50%. REQUISITO. A redução da multa de ofício em cinquenta por cento somente será concedida se o sujeito passivo efetuar o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A ocorrência de decadência de parte do lançamento não acarreta na nulidade total do lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 64 /2 01 0- 85 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 16004.000764/201085 Acórdão n.º 2202004.905 S2C2T2 Fl. 274 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 16004.000764/201085, em face do acórdão nº 1454.157, julgado pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 16 de outubro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização em nome do sujeito passivo acima identificado, por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 37.300.1487, no valor de R$ 44.597,18, consolidado em 29/11/2010, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social e devidas pelos segurados. Constituiu fato gerador das contribuições lançadas o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na construção/ampliação da obra de construção civil matriculada de ofício sob o nº 70.003.36974/73, com área construída a regularizar de 3.680,85m² (referente à unidade frigorífica situada na Rodovia Vitório Prandi, s/n, km 1.6, Zona Rural, Sítio Itarumã, Jales/SP). O valor da remuneração da mãodeobra foi apurado por aferição indireta, tendo por base as informações contidas no Aviso de Regularização de Obra – ARO. O sujeito passivo apresentou impugnação ao auto de infração, na qual alega e requer, em suma, o seguinte: Ausência de Responsabilidade pela Obra. A fiscalização não comprovou ser a impugnante a proprietária do imóvel situado na Rodovia Vitório Prandi, s/n, km 1.6, Zona Rural, Sítio Itarumã, Jales/SP, ou que ela tinha a posse deste à época dos fatos, nem tampouco que ela era a responsável pela obra realizada. Esse imóvel não pertence e nunca pertenceu à impugnante. E a obra de construção/ampliação da unidade frigorífica também não foi realizada por ela. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 16004.000764/201085 Acórdão n.º 2202004.905 S2C2T2 Fl. 275 3 Com isso, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra utilizada na obra não deve ser imputada à impugnante. Decadência Quando a impugnante foi notificada deste lançamento, em 06/12/2010, já se encontrava decadente o crédito previdenciário relativo ao período de 01/2005 até 12/2005 (equivalente à parte do período abrangido pela obra), nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, segundo o qual se opera a homologação tácita após cinco anos da ocorrência do fato gerador (Transcreve ementas de decisões do STJ e do CARF). Nulidade do Lançamento Ao se exigir valores de quem não é o contribuinte, nem o responsável, além de parte desses valores já estar extinto pela decadência, o lançamento não identificou corretamente o sujeito passivo, nem o montante do tributo devido, estando assim em descordo com o que determina o artigo 142 do CTN, razão pela qual deve ser julgado nulo. Inconstitucionalidade das Multas Aplicadas A multa aplicada no percentual de 75% ofende os princípios constitucionais da vedação do confisco, da proporcionalidade e razoabilidade, do devido processo legal e da moralidade administrativa. A penalidade aplicada exorbita a sua finalidade, que é a de punir, ganhando um caráter arrecadatório, o que a invalida. Redução de 50% do valor da multa Caso o pagamento da multa fosse efetuado até trinta dias da intimação do lançamento, haveria uma redução de 50% no valor da multa. Por outro lado, se a impugnante resolvesse discutir o débito na via administrativa, como de fato ocorreu, ela perderia essa redução. Tal situação viola os princípios do devido processo legal e do direito ao contraditório e ampla defesa, uma vez que se pune o exercício de um direito assegurado constitucionalmente. Assim sendo, deve ser aplicada a redução de 50% do valor da multa, mesmo após a apresentação da impugnação. Pedido Requer que o lançamento seja julgado improcedente, em razão da ausência de responsabilidade em relação à obra de construção civil. Requer o reconhecimento da decadência do crédito relativo ao período de 01/2005 a 12/2005, e, por conseguinte, a nulidade do lançamento, por ofensa ao artigo 142 do CTN. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 16004.000764/201085 Acórdão n.º 2202004.905 S2C2T2 Fl. 276 4 Subsidiariamente, requer a redução de 50% no valor da multa. Requer que todas as intimações e avisos sejam feitos no endereço da impugnante, bem como no endereço de seus procuradores.. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação, reconhecendo a decadência parcial, de modo a retificar o valor lançado, para R$ 20.143,30, sem acréscimos legais, conforme tabela abaixo: Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 255/267, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares de nulidade, Alega a recorrente a nulidade do lançamento por dois fundamentos. O primeiro é de que houve erro na identificação no sujeito passivo. Já o segundo fundamento seria de que o lançamento, por conter período abrangido pela decadência, seria nulo. Em recurso voluntário, a contribuinte suscita ainda que a DRJ deixou de apreciar a nulidade quanto ao erro na identificação do sujeito passivo. 1.1 Alegação de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Quanto a alegação de nulidade quanto ao erro na identificação do sujeito passivo, esta será tratada como mérito, pois mérito e preliminar se confundem neste caso, haja vista que a matéria principal do presente recurso trata da responsabilidade da recorrente em responder pelo lançamento fiscal em questão. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 16004.000764/201085 Acórdão n.º 2202004.905 S2C2T2 Fl. 277 5 1.2 Alegação de omissão pela DRJ quanto a apreciação de nulidade. suscitada quanto ao erro na identificação do sujeito passivo. Entendo que inexiste omissão no acórdão da DRJ por suposto não enfrentamento da matéria suscitada em preliminar, haja vista que a responsabilidade da contribuinte para responder pelo lançamento realizado foi tratado como mérito, estando fundamentado no acórdão que a contribuinte tem responsabilidade pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil objeto da autuação fiscal. Deste modo, deve ser rejeitada a preliminar suscitada. 1.3 Alegação de nulidade em razão da decadência parcial do lançamento. Não acarreta, em relação a parte do lançamento não objeto de reconhecimento da decadência, a sua nulidade, em razão do reconhecimento pela instância julgadora a quo de que o lançamento estaria decaído em parte. Neste caso, somente aquilo que foi reconhecido como decaído é que se afasta do lançamento, permanecendo a lide em relação a parte em que não houve reconhecimento da decadência, sem qualquer afronta ao art. 142 do CTN. Deste modo, deve ser rejeitada a preliminar suscitada. 2. Mérito. Responsabilidade pela Obra de Construção Civil. Em relação a responsabilidade pelas obrigações previdenciárias decorrentes de obra de construção civil, assim dispõe o artigo 325 da IN nº 971/2009: Art. 325. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora. Por sua vez, os conceitos para “proprietário do imóvel” e “dono da obra” estão previstos, respectivamente, nos incisos XXXII e XXXIII do artigo 322 da IN nº 971/2009: Art. 322. Considerase: (...) XXXII proprietário do imóvel, a pessoa física ou jurídica detentora legal da titularidade do imóvel; XXXIII dono de obra, a pessoa física ou jurídica, não proprietária do imóvel, investida na sua posse, na qualidade de promitentecomprador, cessionário ou promitentecessionário de direitos, locatário, comodatário, arrendatário, enfiteuta, usufrutuário, ou outra forma definida em lei, no qual executa obra de construção civil diretamente ou por meio de terceiros; No caso em análise, a fiscalização apresentou um conjunto de indícios que comprovam que o contribuinte executou uma obra de construção civil no imóvel situado na Rodovia Vitório Prandi, s/n, km 1.6, Zona Rural, Sítio Itarumã, Jales/SP. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 16004.000764/201085 Acórdão n.º 2202004.905 S2C2T2 Fl. 278 6 O acórdão da DRJ de origem bem elencou o conjunto probatório que deu suporte ao lançamento, conforme trecho do acórdão abaixo reproduzido: 1 Em 10/01/2005, Emílio Carlos Altomari, à época sóciodiretor da Unidos Agroindustrial S/A, apresenta requerimento junto ao Serviço de Inspeção Federal – SIF em Fernandópolis, para que fosse vistoriado um terreno e autorizada a preparação dos documentos necessários para a construção de uma indústria de produtos não comestíveis graxaria (fl. 137). 2 Em 14/01/2005, o SIF emitiuse o Laudo de Inspeção Prévia do Terreno, no qual consta como proprietário Unidos Agroindustrial S/A e como localização o Sítio Itarumã, rodovia Vitório Prandi, JalesSP (fls. 138/139). 3 Em 23/05/2005, a Unidos Agroindustrial S/A encaminhou ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para apreciação e posterior aprovação, os projetos da nova indústria, situada na rodovia Vitório Prandi, Sítio Itarumã, Zona Rural, JalesSP (fl. 131). Anexou a estes o memorial econômico sanitário, memorial de construção e cronograma das obras a serem executadas. 4 Em 15/10/2009, a Unidade Técnica Regional de Agricultura, Pecuária e Abastecimento em São José do Rio PretoSP emitiu o Laudo Técnico Final, em nome de Unidos Agroindustrial S/A, em relação à fabrica de produtos não comestíveis (fls. 151/154). 5 Na Rodovia Vitório Prandi, km 1.6, Zona Rural, Sítio Itarumã, Jales/SP, está localizado o estabelecimento da Unidos Agroindustrial S/A sob CNPJ nº 07.002.627/00473 (fl. 119). Ainda que não tenha sido apresentado a certidão da propriedade do imóvel, ou mesmo um contrato civil que assegurasse a posse do imóvel, é certo que a Unidos Agroindustrial S/A estava, no mínimo, na posse do imóvel quando a obra foi executada, situação sem a qual a obra de construção civil não teria como ser executada por ela, ou por terceiros contratados por ela. Além disso, caso essa obra de construção civil tivesse sido executada por meio de terceiros, caberia à contribuinte apresentar os contratos de empreitada de construção civil, o que também não ocorreu no caso em análise. Assim sendo, não procede a alegação de que a recorrente não é responsável pelas obrigações previdenciárias decorrentes da obra de construção civil edificada na Rodovia Vitório Prandi, s/n, km 1.6, Zona Rural, Sítio Itarumã, Jales/SP. De igual modo, rejeitase a preliminar suscitada de erro na identificação do sujeito passivo. 3. Multa Aplicada. 3.1 Redução da multa em 50%. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 16004.000764/201085 Acórdão n.º 2202004.905 S2C2T2 Fl. 279 7 Aplicouse a multa de ofício de 75%, nos termos do artigo 35A combinado com o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A redução dessa multa em cinquenta por cento somente seria cabível se o sujeito passivo tivesse efetuado o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento, conforme previsto no artigo 44, §3º, da Lei nº 9.430/96 combinado com o artigo 6º da Lei nº 8.218/91, o que não ocorreu no caso em análise. Portanto, improcede a alegação da contribuinte. 3.2 Alegações de inconstitucionalidade. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Assim, as alegações de inconstitucionalidade suscitadas pela contribuinte, para que a multa aplicada seja afastada, ou ainda, para que a mesma seja reduzida para cinquenta por cento, não podem ser apreciadas por este Conselho. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732435/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ILEGITIMIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
A Impugnação e o Recurso devem ser apresentados pelo sujeito passivo ou seu representante legal. Não se conhece do recurso apresentado por terceiro sem a devida procuração outorgada pelo interessado.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-007.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por falta de legitimidade recursal.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ILEGITIMIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. A Impugnação e o Recurso devem ser apresentados pelo sujeito passivo ou seu representante legal. Não se conhece do recurso apresentado por terceiro sem a devida procuração outorgada pelo interessado. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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VÍCIO NA REPRESENTAÇÃO. Recorrente DULCE FARIAS VARGAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ILEGITIMIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. A Impugnação e o Recurso devem ser apresentados pelo sujeito passivo ou seu representante legal. Não se conhece do recurso apresentado por terceiro sem a devida procuração outorgada pelo interessado. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por falta de legitimidade recursal. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 35 /2 01 1- 51 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11080.732435/201151 Acórdão n.º 2402007.103 S2C4T2 Fl. 202 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 17ª Tuma da DRJ/SPO, consubstanciada no Acórdão nº 1664.976 (fls. 168), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da r. decisão, temse que: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a notificação de lançamento de fls. 10/16, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anocalendário de 2006, em que foram constatadas dedução indevida de despesas médicas, rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, compensação indevida de imposto de renda retido na fonte e dedução indevida de Previdência Oficial, conforme descrições dos fatos e enquadramentos legais às fls. 11, 12, 13 e 14, respectivamente. Cientificada do lançamento por via postal em 24/11/2011 (fl. 147), a interessado apresentou, por procurador (documentos de fls. 6/7 e 8), em 08/12/2011, a impugnação de fls. 2/4, acompanhada dos documentos à fls. 5/146, aduzindo as razões sintetizadas a seguir: Face a documento emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social, de que consta “opina pela concessão de isenção de imposto de renda, face o requerente ser portador de patologia enquadrada no artigo 1º da lei 11.052/04 a contar de 05/04/2001”, por orientação do plantão fiscal encaminhou declarações retificativas e pedido de restituição a que anexou o referido documento. Ao receber Termo de Intimação, compareceu ao plantão fiscal, manifestando entendimento de que já havia apresentado a documentação solicitada, ora anexada, sendo informada que “os processos não se comunicam”. Sobre a dedução indevida de Despesas Médicas, apresenta cópia autenticada dos recibos. Sobre os Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado, alega que a fonte pagadora sempre foi uma só, Instituto Nacional do Seguro Social, pois a fonte atribuída pelo Fisco como Caixa Econômica Federal é referente a precatório do INSS. Sobre a Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, apresenta guia de retenção. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11080.732435/201151 Acórdão n.º 2402007.103 S2C4T2 Fl. 203 3 Sobre a Dedução Indevida de Previdência Oficial, apresenta Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006 RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE. Não comprovado o preenchimento dos requisitos estabelecidos por lei para isenção de imposto de renda incidente sobre proventos de pensão percebidos por portador de moléstia grave, é incabível o reconhecimento da isenção, devendo ser mantidos na base de cálculo do imposto de renda os rendimentos indevidamente declarados pela contribuinte como isentos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL. GLOSA. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as contribuições efetuadas à previdência oficial, devidamente comprovadas. Glosa revertida integralmente. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. É cabível a dedução de despesas médicas ou odontológicas, quando a documentação acostada aos autos faz prova da efetividade dos pagamentos feitos e dos serviços realizados, relativos ao tratamento da contribuinte. Glosa revertida parcialmente. IRRF. GLOSA. Tendo sido constatado que, na notificação de lançamento contestada, já foi considerado o IRRF pleiteado, não há reparos a fazer ao lançamento nesta matéria. Glosa mantida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 186, por meio do qual reitera, em síntese, o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo. Entretanto não deve ser conhecido pelas razões abaixo expostas. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11080.732435/201151 Acórdão n.º 2402007.103 S2C4T2 Fl. 204 4 Analisandose o recurso voluntário (fls. 186 / 195) interposto em face da decisão da DRJ que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo, verificase que este foi apresentado pela “Sucessão de Dulce Faria Vargas, representada por Roberto Faria Vargas”. Junto com a peça recursal, foi trazida aos autos a Certidão de Óbito da Sra. Dulce Faria Vargas, a qual informa o falecimento da contribuinte em 24/02/2014. Neste contexto, tendo vindo a falecer a Sra. Dulce Faria Vargas no curso do contencioso administrativo, o recurso voluntário deveria ter sido apresentado, in casu, pelo espólio da contribuinte, representado pelo inventariante, nos termos do inciso V, art. 12, do CPC/73, vigente à época do protocolo do recurso voluntário. A legitimidade de parte ou legitimidade para a causa (ad causam) se refere ao aspecto subjetivo da relação jurídica processual e nesse aspecto o Sr. Roberto Farias Vargas não possui legitimidade para figurar como representante da Sra Dulce Farias Vargas, senão vejamos: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, que institui o Código de Processo Civil. Art. 3º Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. Art. 4º O interesse do autor pode limitarse à declaração: I da existência ou da inexistência de relação jurídica; II da autenticidade ou falsidade de documento. Parágrafo único. É admissível a ação declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. Art. 5º Se, no curso do processo, se tornar litigiosa relação jurídica de cuja existência ou inexistência depender o julgamento da lide, qualquer das partes poderá requerer que o juiz a declare por sentença (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) Art. 6º Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. (grifei) E no caso concreto, a lei atribui ao espólio, representado pelo inventariante, poderes para litigar em juízo em nome do de cujus, nos termos do inc. V, do art. 12, do CPC/73, in verbis: Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) V o espólio, pelo inventariante; É bem verdade que, às 06 e 07, consta procuração pública outorgada pela Sra. Dulce Farias Vargas, ora contribuinte, nomeando o Sr. Roberto Farias Vargas como seu bastante procurador. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11080.732435/201151 Acórdão n.º 2402007.103 S2C4T2 Fl. 205 5 Ocorre que a referida procuração púbica foi emitida em novembro/2009 (antes, inclusive, da emissão da Notificação de Lançamento Fiscal que deu origem ao presente PAF, o que ocorreu em novembro/2011), pelo que, com o falecimento da sua outorgante em fevereiro/2014, ocorreu a extinção do mandato, nos termos do art. 682, inciso II, do Código Civil: Art. 682. Cessa o mandato: I pela revogação ou pela renúncia; II pela morte ou interdição de uma das partes; III pela mudança de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o mandatário para os exercer; IV pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário, em razão da incapacidade processual do seu subscritor. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720238/2016-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3201-005.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto do Recurso de Ofício, sobre a glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial", ao que foi decidido no julgamento conforme parte dispositiva do acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto do Recurso de Ofício, sobre a glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial", ao que foi decidido no julgamento conforme parte dispositiva do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto do Recurso de Ofício, sobre a glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial", ao que foi decidido no julgamento conforme parte dispositiva do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 38 /2 01 6- 45 Fl. 1798DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pelo conselheiro relator, contra o Acórdão nº 3201004.207, de 25/09/2018, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção. Conforme suscitado, houve uma contradição entre os fundamentos do voto condutor do acórdão embargado e a sua parte dispositiva, especificamente quanto à matéria relativa à glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Com efeito, o acórdão embargado incorreu numa inequívoca contradição, uma vez que, não obstante negado provimento, na integralidade, ao Recurso de Ofício, conforme parte dispositiva do acórdão, mantevese a redação original do voto levado à sessão de julgamento que lhe dava provimento quanto ao direito aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". Eis o excerto em que a matéria é apreciada: Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Todavia, durante o julgamento, modificamos o nosso entendimento e passamos a adotar a decisão proferida pela DRJ com relação à matéria, cujos fundamentos ora reproduzimos, uma vez que, Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canade açúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 19311.720238/201645 Acórdão n.º 3201005.137 S3C2T1 Fl. 1.799 3 Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Ante o exposto, voto por ACOLHER os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto do Recurso de Ofício, sobre a glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial", ao que foi decidido no julgamento conforme parte dispositiva do acórdão embargado. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1800DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720657/2016-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2012
PRELIMINAR. DECADÊNCIA.
Não havendo pagamento o prazo decadencial do lançamento conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte nos termos do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA - RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES
Os diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado respondem solidariamente pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO AO FISCO. DESNECESSIDADE DE MANDADO JUDICIAL
O STF já decidiu que o disposto na Lei Complementar nº 105/2001, não resulta em quebra de sigilo bancário, mas tão somente em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Para essa finalidade, os créditos devem ser analisados individualizadamente e a comprovação da origem/natureza dos recursos deve ser feita por meio de documentação hábil e idônea.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA.
Em sede administrativa, não há respaldo para discussão sobre inconstitucionalidade de norma.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITO BANCÁRIO
"A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." (Súmula CARF nº 25).
Numero da decisão: 1402-003.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa, que mantinham integralmente a exigência.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2012 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Não havendo pagamento o prazo decadencial do lançamento conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte nos termos do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA - RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES Os diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado respondem solidariamente pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO AO FISCO. DESNECESSIDADE DE MANDADO JUDICIAL O STF já decidiu que o disposto na Lei Complementar nº 105/2001, não resulta em quebra de sigilo bancário, mas tão somente em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Para essa finalidade, os créditos devem ser analisados individualizadamente e a comprovação da origem/natureza dos recursos deve ser feita por meio de documentação hábil e idônea. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. Em sede administrativa, não há respaldo para discussão sobre inconstitucionalidade de norma. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITO BANCÁRIO "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." (Súmula CARF nº 25).
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DECADÊNCIA. Não havendo pagamento o prazo decadencial do lançamento contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte nos termos do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES Os diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado respondem solidariamente pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO AO FISCO. DESNECESSIDADE DE MANDADO JUDICIAL O STF já decidiu que o disposto na Lei Complementar nº 105/2001, não resulta em quebra de sigilo bancário, mas tão somente em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Para essa finalidade, os créditos devem ser analisados individualizadamente e a comprovação da origem/natureza dos recursos deve ser feita por meio de documentação hábil e idônea. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 57 /2 01 6- 91 Fl. 1108DF CARF MF 2 Em sede administrativa, não há respaldo para discussão sobre inconstitucionalidade de norma. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITO BANCÁRIO "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." (Súmula CARF nº 25). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa, que mantinham integralmente a exigência. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente) Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrado contra a Recorrente e o responsável solidário Vivaldo Curi, nos quais foram efetuados lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no montante de R$ 9.300.037,51, relativo ao exercício 2012, anocalendário 2011. O Termo de Constatação Fiscal e Responsabilidade Tributária solidária de fls. 715, a fiscalização foi promovida com o intuito de se verificar a movimentação financeira incompatível com a receita declarada na DIPJ, tendo solicitado a apresentação de cópia do contrato social e alterações, como também, os extratos bancários. Em atendimento, a empresa apresentou cópia dos extratos bancários do Banco Santander S/A e do Banco do Brasil, em 09/06/2015 e, do Citibank S/A em 19/06/2015. Todavia, quando na análise dos extratos, a autoridade fiscal verificou que estes não tinham sido apresentado em sua integralidade, motivo pelo qual, lavrou termo de reintimação em 13/03/2016. Dando continuidade à análise dos extratos bancários parcialmente apresentados pela Contribuinte, a fiscalização elaborou planilhas e intimou a empresa a Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.720657/201691 Acórdão n.º 1402003.800 S1C4T2 Fl. 1.109 3 justificar e comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos créditos bancários, bem como seus respectivos destinatários. Transcorrido o prazo para atendimento, a empresa não demonstrou interesse em justificar e comprovar a origem dos crédito e o destino dos débitos bancários, nem tampouco solicitou prorrogação do prazo para atendimento. Em face dessa conduta, em 23/06/2016, a autoridade fiscal lavrou Termo de Constatação e Embaraço à fiscalização. Logo em seguida, a autoridade fiscal requereu a quebra do sigilo bancário amparada pelo art. 33 da Lei nº 9.430/96, por meio das Requisições de Movimentação Financeiras RMF´s 08.1.90.002016000314 e 08.1.90.002016000322. De posse dos extratos bancários fornecidos pelas Instituições Financeiras, foram confeccionadas novas planilhas. Em 01/09/2016 a contribuinte foi intimada a justificar a origem e destino dos créditos mencionados. Transcorrido o prazo para atendimento a fiscalizada não se manifestou. Na continuidade dos exames dos extratos bancários verificouse que algumas transferências debitadas das contas correntes da fiscalizada, foram destinadas para as pessoas físicas e jurídicas abaixo discriminadas: Intimada, em 03/11/2016, a esclarecer e comprovar a origem das transferências, a fiscalizada não logrou fazêlos. Mesmo sem a resposta da empresa a fiscalização intimou as pessoas físicas para tentar apurar a motivação. Dentre as pessoas físicas intimadas, temse os empregados Reinaldo Cariuska CPF 036.114.02826, Silvano Dias Souza, CPF 052.222.87807 e Reinaldo Cariuska Junior CPF 304.512.26801, os quais alegaram que os recursos foram utilizados em diversos pagamentos sem, contudo, comproválos. Também foi intimada a Sra. Sílvia Maria Ferreira Curi, CPF 813.760.14815 que recebeu da empresa no ano de 2011, o valor de R$ 471.500,00. Transcorrido o prazo para atendimento, esta não se manifestou. Após examinar os extratos bancários, a fiscalização detectou que ocorreram transações de venda e compra de direitos creditórios, precatórios (no caso de pessoas físicas) e cheques e duplicatas no caso de pessoas jurídicas. O que se denota da relação comercial mantida com pessoas físicas e jurídicas é que a atividade econômica da empresa sob fiscalização era de operações de "factoring" embora essa atividade não constasse em seu contrato social e alterações contratuais. Fl. 1110DF CARF MF 4 Sendo assim, por praticar , efetivamente, as atividades de operações de "factoring" e tendo em vista que "a receita operacional obtida por essas empresas é representada pela diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido (valor de face) e o valor pago, deverá ser reconhecida, para efeito de apuração do lucro líquido do período base na data da operação" (ADN COSIT 51/94) a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar e comprovar os custos nas intermediações, bem como as notas fiscais e os comprovantes do efetivo recebimento dos serviços prestados. A empresa, todavia, não apresentou qualquer documentação. Diante do exposto, considerando que as empresas de factoring estão obrigadas à apuração pelo lucro real a partir do anocalendário de 1997 e não tendo a fiscalizada apresentado a DIPJ /2012, Escrituração Contábil Digital (ECD) ou livros Diário, Razão e Caixa, a fiscalização efetuou o arbitramento do lucro, considerando como base de cálculo os créditos bancários não comprovados. Considerando os fatos mencionados, entendeu a autoridade fiscal que estaria demonstrada a intenção deliberada da empresa em dificultar o desenvolvimentos dos procedimentos fiscais o que justificaria a qualificação da multa no percentual de 150%. Finalmente, a imputação da responsabilidade solidária ao sócio majoritário Vivaldo Curi se funtamentaria no fato de que ele "utilizava os recursos da empresa como se ele fosse a própria pessoa jurídica; repassando recursos para outras empresas das quais, também, é sócio administrador, utilizava as disponibilidades da mesma para negócios pessoais; transferiu dinheiro da empresa para suas contas bancárias, em registros contábeis e sem documentação que comprovasse e justificasse essas retiradas. " Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Preliminares a.1) ilegitimidade passiva de Vivaldo Curi para figurar como parte no processo administrativo fiscal; a.2) o termo de sujeição passiva e os autos de infração, ora impugnados, não foram assinados pelos impugnantes. Os impugnantes informam que não reconhecem como verdadeiras as alegações e dados constantes dos mesmos; a.3) A desconsideração da pessoa jurídica, prevista no art. 50 do Código Civil e no art. 133 e seguintes do Código de Processo Civil, somente seria possível por meio de uma decisão judicial, o que não ocorreu. b) Mérito b.1) Inconstitucionalidade, por quebra do sigilo bancário da contribuinte pela Receita Federal do Brasil RFB, ao ser utilizada a movimentação bancária da impugnante para apuração do crédito tributário constituído. b.2) As autuações foram baseadas em meras presunções e argumentação genérica. b.3) A totalização dos recursos movimentados como lucro (renda líquida) e a caracterização da atividade da empresa como factoring , com retenção de imposto de renda na fonte sobre tais repasses, são meras presunções. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 19515.720657/201691 Acórdão n.º 1402003.800 S1C4T2 Fl. 1.110 5 Em 13 de julho de 2017, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguintes (fls. 1007): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2012 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES Os diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado respondem solidariamente pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. NO ENDEREÇO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSÁRIA A ENTREGA PESSOAL. Considerase feita a intimação, via postal, com a entrega da correspondência no endereço eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio fiscal, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, mesmo que não seja o representante legal do destinatário. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO AO FISCO. DESNECESSIDADE DE MANDADO JUDICIAL O STF já decidiu que o disposto na Lei Complementar nº 105/2001, não resulta em quebra de sigilo bancário, mas tão somente em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Para essa finalidade, os créditos devem ser analisados individualizadamente e a comprovação da origem/natureza dos recursos deve ser feita por meio de documentação hábil e idônea. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. Fl. 1112DF CARF MF 6 Em sede administrativa, não há respaldo para discussão sobre inconstitucionalidade de norma. Em 26/07/2017, a contribuinte foi cientificada do teor da decisão acima transcrita (AR fls. 1040), em virtude da qual apresentou, em 25/08/2017 o recurso voluntário de fls. 1044/1105, no qual reitera as alegações já suscitadas. Em particular, alega a decadência tendo em vista que a totalidade dos créditos que o fisco federal busca cobrar tiveram seus fatos geradores entre os meses de janeiro a dezembro de 2011 e os autos de infração foram lavrados em 24/11/2016 É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1)DECADÊNCIA De acordo com o Recorrente, o imposto de renda pessoa é tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no art. 150 §4ºdo CTN. Assim, tendo em vista que a totalidade dos créditos que o fisco federal busca cobrar tiveram seus fatos geradores entre os meses de janeiro a dezembro de 2011 e os autos de infração foram lavrados em 24/11/2016 teria transcorrido o prazo decadencial de lançamento. Incorretas as alegações do Recorrente. Em primeiro lugar, porque o fato gerador do Imposto sobre a Renda ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Em segundo lugar, porque, na hipótese dos autos, não houve pagamento, o que transfere o prazo para o primeiro dia do exercício seguinte nos termos previsto no artigo 173, I do CTN. Essa a orientação firmada pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 submetido à sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 19515.720657/201691 Acórdão n.º 1402003.800 S1C4T2 Fl. 1.111 7 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.(grifamos) Fl. 1114DF CARF MF 8 Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 2011. 2) DEMAIS ALEGAÇÕES No tocante às demais alegações, verificase que o Recorrente se limitou a reproduzir, ipsis literis, as alegações constantes da Impugnação, sem infirmar qualquer das alegações da decisão recorrida. Sendo assim, reproduzo as razões da decisão recorrida, as quais confirmo, nos termos previstos no artigo 57, § 3º do RICARF. Preliminar. Ilegitimidade passiva de Vivaldo Curi para figurar como parte no processo administrativo fiscal. Aduzem os impugnantes que o termo de sujeição passiva e os autos de infração impugnados não foram assinados por eles, portanto, não reconhecem como verdadeiros os dados constantes nos referidos documentos. Cumpre esclarecer que os documentos: Termo de Constatação Fiscal e Responsabilidade Tributária Solidária (IRPJ/CSLL/PIS/COFINS), fls. 715/734; AI – IRPJ, fls. 735/750; AI – CSLL, fls. 751/765; AI – PIS, fls. 766/774; AI – COFINS, fls. 775/783; Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal, fls. 784/785 e Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 787/788, foram encaminhados para o endereço dos impugnantes (Cicomac e Vivaldo Curi), cadastrado na Receita Federal do Brasil RFB, qual seja: Al. Ribeirão Preto, nº 235, 3º, Bela Vista/São Paulo/SP, CEP 01331001, via SEDEX, conforme Aviso de Recebimento – AR, fls. 790/791, recepcionado em 29/11/16, por Marcius Noschese. Nos termos do art. 23, II, §2º, II, do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, considerase feita a intimação, via postal, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência. "Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" Este é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, exarado na Súmula nº 9, que considera válida a ciência da intimação, por via postal, mesmo que a Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 19515.720657/201691 Acórdão n.º 1402003.800 S1C4T2 Fl. 1.112 9 correspondência não tenha sido assinada pelo representante legal do destinatário. "Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Portanto, inócua a argumentação de não reconhecimento das informações que constam do termo de sujeição passiva e dos autos de infração impugnados, por não terem sido assinados pelos impugnantes. Entendem que há ilegitimidade passiva de Vivaldo Curi para figurar como parte no processo administrativo fiscal, por não responder pelos haveres da pessoa jurídica impugnante. A tese aventada não merece prosperar, pois o lançamento de ofício deve ser efetuado contra o contribuinte e todos os responsáveis tributários, incluindo os solidários. O art. 142 do Código Tributário Nacional exige a identificação do sujeito passivo, conceito que engloba o contribuinte e o responsável, nos termos do art. 121 do mesmo diploma legal. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifos não originais) [...] Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." Por sua vez, o Decreto nº 70.235, de 1972, quando estabelece em seu art 10 que um dos elementos do Auto de Infração é a identificação do autuado, devese entender que a utilização deste termo ocorreu em acepção ampla, de forma a abranger as figuras do contribuinte e do solidário. De forma a regulamentar no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil os comandos legais mencionados, foi publicada a Portaria RFB nº 2.284, de 29/11/2010, que dispõe Fl. 1116DF CARF MF 10 que os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. Desse modo, a fiscalização cuidou apenas de seguir, fielmente, os ditames legais aos quais está vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do CTN). A motivação para a responsabilização solidária dos impugnantes está devidamente explicitada no item 6 – Da Responsabilidade Tributária Solidária, fls. 731/733, do TCF. Também consta, resumidamente, relatada na parte Relatório desta decisão. Os principais fatos que levaram a responsabilização do sócio majoritário VIVALDO CURI, CPF 008.521.39853, detectados pela fiscalização foram: · utilização dos recursos da empresa como se fosse a própria pessoa jurídica, atitudes de verdadeira confusão patrimonial; · repasse de recursos para outras empresas das quais era sócio administrador; · utilização das disponibilidades da empresa para negócios pessoais; · transferência de dinheiro da empresa para suas contas bancárias, sem registros contábeis e sem documentação; · uso indevido da sociedade empresária e da razão social em negócios estranhos ao objeto social, desrespeitando cláusulas do contrato social. Cita a compra de produtos (medicamentos, bebidas alcoólicas e geradores de energia elétrica) sem nenhuma relação com as atividades exercidas pela empresa, conforme informações extraídas da Notas Fiscais Eletrônicas (Nfe) · utilização da sociedade para fins particulares, infringindo preceito do contrato societário. Cita a venda de imóvel da pessoa física, com recebimento de numerário, e após a venda ser desfeita, o valor de R$750.000,00 foi devolvido ao pretenso comprador com recursos da pessoa jurídica, infringindo preceito do contrato societário, sem compromisso com as obrigações tributárias principal e acessória; · ausência de entrega de declarações, exigidas em lei, à RFB, com informações dos valores sujeitos à tributação, e o não registro da contabilização das operações comerciais, financeiras e fiscais, em desrespeito ao zelo pela correta elaboração dos livros contábeis e fiscais, apresentação dos documentos correlatos, conforme artigos 1.011, 1.193 e 1.194 do Código Civil. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 19515.720657/201691 Acórdão n.º 1402003.800 S1C4T2 Fl. 1.113 11 Tais fatos levaram a responsabilização pessoal do sócio pelas infrações às leis relatadas, sendo solidariamente responsável pelo crédito tributário lançado, conforme 135, inciso III, todos do Código Tributário Nacional –CTN. "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (grifos não originais) [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se pode verificar, no caso concreto, houve a ocorrência de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio e abuso de finalidade ou pela confusão patrimonial. No item 1.15 do TCF, fls. 719, percebese a confusão patrimonial pelas transferências de recursos entre empresas que o administrador era sócio e no uso de numerário da pessoa jurídica como se fosse do próprio sócio: (...) A contribuinte foi intimada, em 03/11/2016, a esclarecer e comprovar com documentação hábil e idônea, a motivação das destinações de valores, através de transferências bancárias, constantes do demonstrativo denominado "Débitos Bancários — Justificar e Comprovar Motivação Destinação" (Anexo B), no entanto a fiscalizada não logrou fazêlo. Outro fato que também configura abuso das cláusulas contratuais, citado pela fiscalização, foi a prática de serviços estranhos ao objeto social da sociedade, caracterizada como atividade de factoring, itens 2,4 e 2.5, do TCF, fls. 723: "2.4 O que se denota, da relação comercial mantida com pessoas físicas e jurídicas, é que a atividade econômica da empresa sob fiscalização, tratavase de operações de "factoring", embora essa atividade não esteja contemplada, como objeto, em seu Contrato Social de Constituição e nem nas alterações contratuais, ou seja, comprou e vendeu direitos creditórios (precatórios, cheques e duplicatas). 2.5 Tal atividade se constata com a documentação apresentada e informações prestadas pelas empresas intimadas, que venderam ou adquiriram direitos creditórios da fiscalizada, pagando ou recebendo através de transferências bancárias, conforme abaixo demonstrado. Destacamse o fundo de investimento ATLANTA FUNDO DE INVESTIMENTO, administrado pela empresa SOCOPA SOCIEDADE CORRETORA PAULISTA S/A, que adquiriu recebíveis, cheques, temos também, a empresa Fl. 1118DF CARF MF 12 ATHNABANCO FOMENTO MERCANTIL LTDA., adquiriu e vendeu recebíveis, duplicatas e, a empresa REFAMA FORMENTO MERCANTIL LTDA. que também adquiriu duplicatas (Vide DOCs 2):" A conduta do administrador, Sr. Vivaldo Curi, no sentido de omitir da administração tributária federal as receitas decorrentes da prestação de serviços, mediante o não envio de DIPJ/DCTF/DACON (art. 1, incisos I e II, art. 2 da Lei 8.137/90), e de evitar o pagamento do tributo sobre estas receitas (artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 – sonegação e fraude), bem como a não elaboração de escrituração contábil, pois apesar de intimada a fiscalizada não prestou qualquer informação a respeito dos livros contábeis, autorizam o seu devido enquadramento como infração qualificada e legítima a responsabilização do administrador com base no art. 135, III, do CTN. Tanto é assim que os ilícitos praticados pelo administrador, no presente caso, é suscetível de consequências até mais severas, por constituir, em tese, crime contra a ordem tributária, nos termos dos incisos I e II do art. 1º e art. 2º da Lei nº 8.137/90, e nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, indicados na representação fiscal para fins penais que se juntou, por apensação nº 19515.720669/201615, ao presente processo. Alegam os impugnantes que, somente no caso de abuso é que se pode desconsiderar a pessoa jurídica partindo para as pessoas dos sócios, o que não se verificou e nem ficou demonstrado pelo fisco federal. Na constituição dos créditos ora impugnados, não foi desconsiderada a personalidade jurídica da sociedade Cicomac para responsabilizar o sócio administrador Vivaldo Curi pelos valores apurados. Diante das condutas praticas pelo impugnante, Vivaldo Curi, demonstradas exaustivamente no TCF, fls. 715/734, a autoridade fiscal entendeu que houve confusão patrimonial, abuso das cláusulas contratuais societárias e o desrespeito às leis tributárias, devendo o sócio administrador responder pelos tributos apurados, com base no 135 III, todos do CTN. Por estas razões, procedeuse à constituição dos créditos, imputando ao sócio administrador a responsabilidade pela infração de omissão de receita, por não comprovação de depósito bancário, de modo a assegurar a correta exigência de tributo, nos moldes da legislação de regência. Não houve, em nenhum momento a alegada desconsideração da personalidade jurídica da Cicomac. A empresa pemaneceu com sua personalidade jurídica, detentora de CNPJ regular e respondendo, conjuntamente, com seu sócio administrador pelos créditos tributários lançados. Ante tais considerações, a indicação de Vivaldo Curi como responsável solidário é legítima e observou as diretrizes estabelecidas na Portaria RFB nº 2.284, de 29/11/2010, destacandose que o mesmo foi qualificado, que houve a descrição dos fatos e que se indicou o enquadramento legal das infrações apuradas e o vínculo de responsabilidade existente. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19515.720657/201691 Acórdão n.º 1402003.800 S1C4T2 Fl. 1.114 13 Por conseguinte, rejeito a preliminar argüida, ficando mantido o vínculo de responsabilidade de Vivaldo Curi pelos créditos constituídos nestes AI (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Mérito. Quebra do sigilo bancário. Inconstitucionalidade. No mérito, alega inconstitucionalidade, por violação a direitos individuais, garantidos constitucionalmente, pela quebra do sigilo bancário da contribuinte pela RFB, sem autorização judicial, ao se utilizar a movimentação bancária da impugnante para apuração do crédito tributário constituído, com amparo no Decreto nº 3.724/01, que regulamenta o art. 6º da LC nº 105/01. A transferência de dados bancários do contribuinte para a Administração Tributária, que está revestida do sigilo fiscal, nos termos do art. 198 do CTN, não viola o sigilo de dados (art. 5º, inciso XII, CF), do direito à intimidade e vida privada (art. 5º, inciso X, CF) e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, CF), como será demonstrado a seguir. Preceitua o caput do art. 198 do CTN, na redação dada pela Lei Complementar LC nº 104, de 10/1/2001, sobre o sigilo fiscal: "Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades." No caso concreto, a fiscalizada foi intimada diversas vezes a apresentar os extratos bancários, conforme TIPF de 12/2/15, fls. 3; TIF de 13/3/15, fls. 24; TRF de 19/5/15, fls. 25/26. A autoridade fiscal cientificou a fiscalizada, nas duas últimas intimações, que, na impossibilidade de apresentação dos extratos bancários solicitados, poderia ser autorizado, por escrito, que fosse feita a requisição diretamente às instituições financeiras. Foi alertada, também, que o não atendimento no novo prazo concedido, configuraria embaraço à fiscalização, autorizando a quebra do sigilo bancário da empresa nos termos da legislação vigente, conforme TRF, fls. 100/101: "REINTIMAMOS a empresa acima identificada, a apresentar no prazo de 20 (vinte) dias os extratos bancários do ano de 2011, relativamente às contas mantida nas seguintes instituições financeira: BANCO DO BRASIL S/A, BANCO CITIBANK S/A. e BANCO SANTANDER S/A, solicitados no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 13/03/2015 e recebido na mesma data pelo Sr. Sílvio Dias de Souza, procurador da empresa. Na impossibilidade de apresentar os documentos solicitados, no prazo determinado, a empresa poderá apresentar uma autorização por escrito e assinada pelo sócio da empresa, com Fl. 1120DF CARF MF 14 firma reconhecida, para que esta fiscalização, TDPF – Nº 08.1.90.002015000779 (código de acesso 71243126), solicite os documentos em tela às instituições financeiras supramencionadas. Informamos que as solicitações acima, constam do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 13/03/2015 e recebido na mesma data pelo Sr. Sílvio Dias de Souza, procurador da fiscalizada. Alertamos que o não atendimento dentro do novo prazo concedido, configurará embaraço à fiscalização, autorizando a quebra do sigilo bancário da empresa nos termos do que prescreve o Art. 2º, §5º e Art. 3º, Inciso VII, ambos do DECRETO Nº 3.724/2001, c/c o Art. 33, Inciso I da LEI nº 9.430/96. A contribuinte, por intermédio do procurador, Sílvio Dias de Souza, conforme instrumento e documentos de fls. 5/6, em 9/6/15, apresentou extratos dos Bancos Santander S/A e Banco do Brasil S/A (incompleto), fls. 29/86. Em 19/6/15, a própria impugnante Cicomac, apresentou os extratos do Banco Citibank S/A, fls. 87/97. Reitimada, em 13/3/16, fls. 100, a apresentar os extratos faltantes do Banco do Brasil S/A (fev, abr, jul, ago e dez/2011), a contribuinte nada apresentou à fiscalização. Foi lavrado o Termo de Constatação e Embaraço à Fiscalização, em 23/6/16, fls. 114/115, em razão de os extratos faltantes serem indispensáveis para o andamento da ação fiscal em curso e que até aquela data não haviam sido exibidos espontaneamente à fiscalização. Em 1/7/16, foi solicitada a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 116/118, aprovada pelo Delegado da Receita Federal DEFIS/São Paulo, fls. 119, em 8/7/16, destinada ao Banco do Brasil S/A, e ao Banco Citibank S/A, fls. 123, nos termos do art. 6º da LC nº 105, de 10/1/2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10/1/2001. A fiscalização justificou, com base nas hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430/96, a solicitação de emissão das RMF, fls. 116/119, pelos seguintes motivos: · os extratos bancários do Banco do Brasil S/A dos meses fev, abr, jul, ago e dez/2011, não foram apresentados, conforme solicitado no TRF de 13/3/16, fls. 100; · não foram apresentados os livros contábeis (diário e razão ou caixa), tendo em visto não ter sido localizada ECD no ambiente SpedContábil, conforme TIF de 11/4/16, fls. 101, e · a contribuinte intimada a comprovar débitos bancários, relativos a parte dos extratos bancários do Banco do Brasil e dos extratos do Citibank, por meio de cópias de cheques, a fim de constatar quem seriam os reais beneficiários dos débitos, Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19515.720657/201691 Acórdão n.º 1402003.800 S1C4T2 Fl. 1.115 15 nada apresentou, conforme TIF, de 13/5/16, fls. 102 e planilhas de fls. 103/113. Registrese que a emissão da RMF constituise em medida que prescinde de autorização judicial e não configura quebra de sigilo, conforme pode se verificar na leitura do citado dispositivo legal: "Art. 6º. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (negritos não originais). Ressaltese que prescreve a LC nº 105/2001, no seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus artigos. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9 da citada LC. Visando preservar a inviolabilidade do direito de intimidade e privacidade do contribuinte, o art. 5º, §5º da LC 105/2001 assim dispõe: "Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. [...] § 5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. (grifos não originais)" As informações bancárias sigilosas são transferidas à Administração Tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Por isso, não se vislumbra na regra do art. 6º da LC 105/2001, quebra de sigilo bancário ou violação do direito à intimidade ou à privacidade das pessoas. As informações transferidas continuam sendo absolutamente sigilosas e a utilização das informações referentes às movimentações financeiras do contribuinte está respaldado em atos normativos vigentes. Cumpre destacar que a questão da transferência do sigilo bancário de instituições financeiras para o fisco já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal – STF, no rito da repercussão Fl. 1122DF CARF MF 16 geral, declarada no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314. Nesse contexto, analisaramse também as Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADI, nºs 2390, 2859, 2386 e 2397, as três últimas apensadas à primeira. Na Sessão Plenária ocorrida no STF, em 24/2/2016, por maioria de votos (9 a 2), prevaleceu o entendimento de que o disposto na LC nº 105/2001, que permite a RFB receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial, não resulta em quebra de sigilo bancário, mas tão somente em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos para o fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, não havendo portanto ofensa à Constituição Federal. O inteiro teor do acórdão foi publicado no DJe198 de 16/9/2016. Por último, parte dos extratos bancários foram fornecidos pela própria contribuinte e as RMF foram emitidas nos termos da legislação de regência, cuja constitucionalidade foi ratificada pelo STF, portanto, não há nenhum vício que possa macular os lançamentos fiscais impugnados. Em relação ao pedido de anulação dos créditos tributários apurados, por entenderem que foram utilizadas provas obtidas por meio ilícito, o que violaria o princípio constitucional do devido processo legal, pelo que já foi exposto anteriormente, tais argumentos não merecem prosperar. A obtenção de dados bancários da contribuinte, diretamente das instituições financeiras, para constituição dos créditos tributários, já é matéria pacificada no STF, não havendo que se falar em violação do devido processo legal. Omissão de Receita por Presunção Legal Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Alegam os impugnantes que as autuações foram baseadas em meras presunções e argumentação genérica. O total creditado/depositado em contas correntes do sujeito passivo (Banco do Brasil e CitiBank), no anocalendário de 2011 foi de R$19.082.216,75, fls. 729 do TCF, cuja origem não foi comprovada, apesar de regularmente intimado a fazêlo. A fiscalização procedeu aos lançamentos, com base legal no art. 287, parágrafos 1º, 2º e 3º do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, que tem a mesma redação do art. 42 e parágrafos da Lei nº 9.430/96: Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 19515.720657/201691 Acórdão n.º 1402003.800 S1C4T2 Fl. 1.116 17 pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 1º). § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 2º). § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 3º, inciso I). A legislação transcrita acima estabeleceu uma presunção de omissão de receita, que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito/investimento. Entendese por comprovação de origem, nos termos do disposto na legislação de regência (art. 287, parágrafos 1º, 2º e 3º do RIR/99 c/c o art. 42 e parágrafos da Lei nº 9.430/96) a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que possa identificar a origem do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título/natureza os créditos foram efetuados na conta bancária. Portanto, há a necessidade de se estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar. É função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito/investimento, examinar a documentação e livros da sociedade empresária e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão da receita de que trata o art. 287, parágrafos 1º, 2º e 3º do RIR/99 c/c o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Contudo, a comprovação da origem/natureza dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte, em não o fazendo, fica caracterizada a omissão de receita dos valores creditados em sua conta bancária. O lucro foi arbitrado, nos termos dos artigos 530, I do RIR/1999, em razão de a contribuinte, sujeita a tributação com base no Lucro Real, ocultar do fisco as informações de operações comerciais/fiscais e bancárias/financeiras, haja visto a não escrituração e apresentação da ECD; não apresentação dos livros contábeis; da não comprovação da origem dos créditos bancários e o fato de não entregar declarações obrigatoriamente exigidas em lei, quais sejam, DIPJ/DACON/DCTF. Alegam as impugnantes que todos os valores movimentados foram considerados como lucro (renda líquida). Temse a Fl. 1124DF CARF MF 18 esclarecer que os valores dos depósitos bancários de origens não comprovadas, foram considerados receitas bruta da atividade da empresa. Para se calcular o lucro arbitrado, foi aplicado o coeficiente de 38,40% (IRPJ) e 32,00% (CSLL), nos termos dos artigos 519, III, alínea “a” c/c o art. 532, todos do RIR/99. Sobre tal base de cálculo é que se aplicou as alíquotas de IRPJ e CSLL. Citese como exemplo o AI IRPJ, fls. 735/750. Podese ver que, no primeiro trimestre de 2011, a receita bruta (valor dos depósitos bancários) é de R$2.765.618,65, foi aplicado o coeficiente de 38,40%, chegandose à base de cálculo do lucro arbitrado de R$1.061.997,56, sobre este valor foi aplicada a alíquota do IRPJ de 15%, apurandose imposto no trimestre de R$159.299,63. No caso do PIS e COFINS, sobre o faturamento mensal, qual seja, a receita bruta conhecida (depósitos bancários não comprovados), incidiu as alíquotas previstas na legislação do PIS e COFINS. Por tudo que foi exposto até aqui, não há que se falar que o lançamento foi constituído por mera presunção e argumentação genérica. As impugnantes aduzem que, das infinitas intimações feitas pela autoridade fiscal aos impugnantes e ao procurador da Cicomac, que não foram respondidas, não há nenhuma intimação nas pessoas dos impugnantes. Compulsando os autos, verificase que o TIF de 13/3/15, expedido em nome da impugnante Cicomac, fls. 24, foi assinado pelo procurador Sílvio Dias Souza, CPF 138.653.81839, conforme procuração juntada às fls. 5, com poderes para representar a outorgante (Cicomac), junto à Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do Brasil/SP, em todos os atos inerente ao TIPF de 12/2/15, fls. 3. Também foram recebidos pelo procurador Sílvio Dias Souza, os TIF de 13/3/15, fls. 24; TRF de 13/3/16, fls. 100 (intimações para apresentação de extratos bancários) e o TIF de 13/5/16, fls. 102/113 (para justificar a origem dos créditos bancários e o destinatário dos débitos bancários conforme planilha anexa do Banco do Brasil e CitiBank). O TRF de 19/5/16, fls. 25/26, em nome da impugnante Cicomac, solicitando extratos bancários, foi encaminhado, via postal, ao endereço Al. Ribeirão Preto, 235, 3º andar, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP 01331001, constante do banco de dados da RFB, endereço convalidado no Contrato Social da sociedade empresária, fls. 7/10. O TRF e planilhas anexas para justificar origem de créditos bancários, expedido em nome da impugnante Cicomac, de 1/9/16, fls. 151/157, foi recepcionado, via postal, no endereço da empresa, AR, fls. 159. Por fim, o TIF de 31/10/16, em nome da Cicomac, para justificar e comprovar a motivação e destinação de débitos bancários, Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 19515.720657/201691 Acórdão n.º 1402003.800 S1C4T2 Fl. 1.117 19 conforme planilhas anexas, fls. 671/678, foi encaminhado por via postal, ao endereço da contribuinte, recepcionado em 3/11/16, AR de fls. 670. Como já explicitado nesta decisão, nos termos do art. 23, II, §2º, II, do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, considerase feita a intimação via postal, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência. E, no caso de intimação recebida pessoalmente, por procurador, nos termos do art. 23, I do Decreto nº 70.235/72, é considerada feita a intimação “pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto....” Portanto, a afirmação de que não recebeu as infinitas intimações feitas pela autoridade fiscal, em nome dos impugnantes não é verdadeira. Conforme preceitua o Decreto nº 70.235/72 a obrigatoriedade do agente do fisco em provar a ocorrência do ilícito fiscal, caput do art. 9º, também impõe ao sujeito passivo o ônus de provar o que alega, redação contida no inciso III do art. 16, sob pena de, não o fazendo, se sujeitar à infração apurada no lançamento. Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A Fiscalização obedeceu ao rito previsto no art. 287, parágrafos 1º, 2º e 3º do RIR/99 c/c art. 42, da Lei nº 9.430/96, pois somente lançou a omissão de receita, valendose dessa presunção legal, após devidamente intimar a contribuinte a apresentar prova em contrário, o que não foi feito. No presente caso, a interessada não logrou comprovar, por meio de apresentação de documentação hábil e idônea, durante o curso do procedimento fiscal e nem na fase de defesa, a origem e a real natureza das operações bancárias depositadas/creditadas em contas de sua titularidade, portanto, correta a apuração da omissão de receita por não comprovação da origem dos recursos. Fl. 1126DF CARF MF 20 Aduzem que a caracterização da atividade da empresa como factoring , com retenção de imposto de renda na fonte sobre tais repasses, são meras presunções. Registrese que as impugnantes não contestaram a caracterização da atividade da empresa como factoring, tão somente a incidência de IRRF sobre as receitas da atividade caracterizada como factoring. No banco de dados da RFB, o código CNAE informado é o de nº 7020400 – Atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica. Nas atividades secundárias, atividades de consultoria e autoria contábil e tributária; outras atividades profissionais, científicas e técnicas não especificadas anteriormente e atividades de teleatendimento, conforme telas de fls. 1.004/1.006. Portanto, a atividade caracterizada pela fiscalização não possui nenhuma relação com a informada pela impugnante à RFB. Neste ponto, cada esclarecer que o lançamento, com exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, foi constituído no processo nº 19515.720664/201692. Da descrição dos fatos constante naquele processo, após a contribuinte ser intimada a comprovar a destinação e motivação de transferências de recursos debitados de suas contas correntes, apuradas através dos extratos bancários, a fiscalização constatou que não houve a comprovação da motivação de pagamentos efetuados através de transferências eletrônicas para o sócio administrador, para parentes e para pessoas físicas e jurídicas vinculadas à sociedade empresária Cicomac. O lançamento foi efetuado com base na caracterização de “pagamento sem causa”, conforme art. 674, parágrafos 1º a 3º do RIR/99, c/c o art. 61 da Lei nº 8.981/95. As alegações de presunções, no lançamento constituído com incidência IRRF, serão apreciadas em decisão a ser proferida nos autos do processo nº 19515.720664/201692. Cabendo aqui destacar, tão somente, que a caracterização da atividade da empresa como factoring não originou lançamento de IRRF, nestes autos, como alegaram as impugnantes. Afirmam os impugnantes que a maior parte dos recursos constantes dos extratos bancários, no ano de 2011, tiveram origens no anocalendário de 2009, valores informados na DIRPF, exercício 2010, de Vivaldo Curi, oferecidos à tributação no montante de R$12.852.452,88, referente a ganho de capital do impugnante. Alegam, também, que, no ano de 2009, o sócio Vivaldo possuía bens e direitos na ordem de R$28.828.778,98. A Declaração de Ajuste Anual – DAA, exercício 2010, ano calendário 2009, do sócio administrador Vivaldo Curi, encontra se juntada às fls. 968/996. No entanto, a simples alegação de que a maioria dos valores tiveram origem no anocalendário de 2009, conforme ganho de capital e valores de bens e direitos declarados em sua DAA, não é prova suficiente para demonstrar a origem dos depósitos/créditos para as contas bancárias da pessoa jurídica Cicomac realizados em 2011. Para se comprovar Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 19515.720657/201691 Acórdão n.º 1402003.800 S1C4T2 Fl. 1.118 21 as origens dos recursos, as impugnantes deveriam ter apresentado provas da origem e da natureza das transferências dos numerários. O que se faz através de documentos hábeis a demonstrar o nexo e a vinculação de cada transação bancária, o que não foi produzido, nem durante o procedimento fiscal e nem na fase de defesa. O fato de o sócio Vivaldo Curi possuir bens e direitos de R$28.828.778,98, ao final do ano de 2009, por si só, não tem nenhum efeito comprobatório de origem de recurso em contas bancárias da pessoa jurídica da qual é sócio no ano de 2011. Os depósitos bancários não comprovados, durante todo o ano de 2011, totalizaram de R$19.082.216,75, fls. 729 do TCF e os rendimentos da pessoa física do sócio da sociedade, sem vinculação e demonstrativos de transferências de numerários para a pessoa jurídica autuada não são capazes de provar a origem dos recursos questionados. Portanto, improcede o argumento de que os depósitos originaram de anos calendários anteriores, decorrentes de ganhos da pessoa física do sócio. Inconstitucionalidade de norma. Em relação às citações feitas pelas impugnantes no que se refere à inconstitucionalidade, ressaltese que, de acordo com o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na esfera administrativa, a norma, contida em lei válida, não pode ser afastada sob fundamento de inconstitucionalidade. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1128DF CARF MF 22 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3) MULTA QUALIFICADA. Por fim, embora não tenha sido objeto de alegação por parte da Recorrente entendo que não cabe a aplicação da multa de 150%. Isso porque, nos termos da Súmula CARF nº 25 "a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." A recusa em fornecer os elementos solicitados pela fiscalização, ainda que reiterada, por si só, não autoriza a qualificação da multa. Isso porque, a consequência para o referido comportamento é a aplicação da presunção prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. 4) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso para reduzir a multa qualificada para o percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002800/2005-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
EMENTA
IRPF. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF SEM A DEVIDA COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE.
Incabível a compensação do IRRF sem a apresentação de documentação hábil e idônea de sua efetiva retenção. Prêmios de bingo sofrem tributação exclusiva na fonte.
Numero da decisão: 2202-004.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF SEM A DEVIDA COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Incabível a compensação do IRRF sem a apresentação de documentação hábil e idônea de sua efetiva retenção. Prêmios de bingo sofrem tributação exclusiva na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 28 00 /2 00 5- 69 Fl. 95DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 86/90 numeração original dos autos físicos) interposto contra o Acórdão 0111.174 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém / PA – DRJ/BEL (fls. 81/82), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF (fls. 72/79), relativo ao anocalendário 2000, exercício 2001, o qual resultou na exigência de crédito tributário no valor de R$ 6.094,53, sendo R$ 2.483,21 de imposto suplementar; R$ 1.862,40 de multa de ofício e R$ 1.748,92 de juros de mora, calculados até março de 2005. 2. Consta do Auto de Infração lavrado em 18/03/2005 que o procedimento fiscal originouse da revisão da declaração de ajuste anual DAA do contribuinte do ano calendário 2000 e teve como escopo a apuração de imposto de renda suplementar devido a dedução indevida de imposto de renda retido na fonte IRRF, por falta de registro deste nos sistemas da Receita Federal e por falta de comprovação da retenção por parte do contribuinte. 3. Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte na peça impugnatória, e por ser de interesse o exame da decisão de primeira instância, reproduzemse os trechos correspondentes do Acórdão prolatado pela 3ª Turma da DRJ/BEL: Relatório Tratase de lançamento efetuado contra o contribuinte acima identificado, no valor de R$ 6.094,53, decorrente de glosa de dedução indevida de IRRF. Segundo a Fiscalização, foi detectada diferença entre o valor declarado (R$ 9.755,81) e o informado pela fonte pagadora (R$ 4.218,12), não tendo o contribuinte atendido intimação para comprovar o valor declarado. 2. Não há no processo comprovação da data da ciência, pelo que se considera tempestiva a impugnação apresentada, na qual o contribuinte esclarece que em sua declaração também constam rendimentos referentes a prêmios de jogos de bingo, no valor de R$ 17.029,69 (anexa cópias de comprovantes nas lis. 20/50), tendo sido feitas retenções a titulo de IRRF. 3. Anexa ainda declaração retificadora que deseja ver recepcionada, para que sejam excluídos os rendimentos oriundos do bingo e cancelado o auto. Voto 4. Inicialmente, lembrase que a declaração retificadora não poderá ser acatada, uma vez que o contribuinte já se encontra sob procedimentos de oficio. 5. Os prêmios em dinheiro, distribuídos por intermédio de jogos de bingo sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte à alíquota de 30%. O contribuinte justifica que inseriu tais valores como rendimentos tributáveis, utilizando a fonte retida. No caso, o procedimento correto seria lançar os rendimentos líquidos na linha referente à retenção exclusiva na fonte. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10830.002800/200569 Acórdão n.º 2202004.943 S2C2T2 Fl. 96 3 6. Entretanto, no caso presente, os comprovantes trazidos pelo Impugnante para justificar o seu erro não possuem identificação quanto ao beneficiário dos rendimentos, não sendo possível acatálos, motivo pelo qual votase pela procedência do lançamento, uma vez que o interessado não logrou comprovar o valor informado a título de IRPF. 4. Em seu recurso (fls. 86/90) protocolado em 06/10/2008, o sujeito passivo se insurge contra a Decisão da DRJ/BEL, a ele intimada em 10/09/2008, e peticiona o que segue: "os recibos anexos ao recurso (na verdade, à impugnação) comprovam que houve retenção na fonte (IRRF) e o julgador entendeu que não existe beneficiário, mas na realidade o beneficiário do IRRF é sempre a Secretaria da Receita Federal e, por isso, deve o recurso ser analisado novamente, considerando os valores já pagos." 5. Requer então que os valores indicados como retidos nos recibos anexos a este processo (fls. 20/50) sejam considerados para fins de pagamento de Imposto de Renda e, se ainda restar algum valor a ser pago a título de IRRF sejam estes compensados com os valores a serem restituídos ao contribuinte nos anos a que tenha direito a restituição (2005 2006) 6. Solicita por fim que o recurso seja julgado procedente. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator 8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, o recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Correta é a posição da Primeira Instância Administrativa ao apontar que os documentos juntados as fls. 20/50 não podem ser acatados, uma vez que não são comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda retido na fonte nem foram elaborados conforme as normas definidas pela Receita Federal do Brasil. Dessa forma, não há como considerar como já pagos a título de IRRF os valores presentes em tais comprovantes. 10. Senão vejamos nos seguintes artigos destacados do então vigente Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto 3000 de 26/03/99, : Art. 941. As pessoas físicas ou jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte, deverão fornecer à pessoa física beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, quando for o caso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86).(grifei) (...) Fl. 97DF CARF MF 4 Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). (...) (Grifei) 11. Claro está na legislação acima citada que o termo "beneficiário", utilizando no Acórdão da DRJ/BEL, referese ao contribuinte declarante, o próprio Sr. Luis Carlos Moura, que pretendeu compensar IRRF em sua DAA. A Secretaria da Receita Federal do Brasil não é beneficiária do tributo, mas sim o órgão fiscalizador do seu recolhimento. 12. Destaquese ainda que os prêmios de bingo são tributados na alíquota de 30% (trinta por cento) sobre o valor do premio, na data de sua distribuição, e tal tributo é retido na forma de tributação exclusiva na fonte, não dedutível na declaração de ajuste anual. Destaquese o então o artigo 676 do já citado RIR/99: Art. 676. Estão sujeitos à incidência do imposto, à alíquota de trinta por cento, exclusivamente na fonte: I os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em loterias, inclusive as instantâneas, mesmo as de finalidade assistencial, ainda que exploradas diretamente pelo Estado, concursos desportivos em geral, compreendidos os de turfe e sorteios de qualquer espécie, exclusive os de antecipação nos títulos de capitalização e os de amortização e resgate das ações das sociedades anônimas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 14);(Grifei) 13. Dessa forma, não é possível considerar os valores retidos destacados nos recibos apresentados como Imposto de Renda Retido na Fonte, e a Decisão da DRJ/BEL deve ser mantida. 14. Por fim, a consideração sobre valores a serem compensados com restituições a receber não é cabível a este Conselho, mas sim à Delegacia da Receita Federal jurisdicionante, por procedimento próprio. 15. Portanto, resta íntegro o Acórdão da DRJ/BEL, que considerou a exigência tributária totalmente mantida. DISPOSITIVO Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001438/98-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.154
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para
redigir o voto vencedor.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO- Processo n° 13808.001438/98-21 Recurso n" 152.318 Voluntário Acórdão no 2101-00.154 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria IPI Recorrente ILUMATIC S/A - ILUMINAÇÃO E ELETROMETALURGICA Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' Câmara / 1' Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para redigir o voto vencedor. CA 1 MARCOS CÂNDIDO Pr sidente OL1Á4 1. L4'ANT NIO CARLOS A ULIM Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Zomer. o Processo n° 13808.001438/98-21 S2-CITI - ' Acórdão n.° 2101-00.154 Fl. 219 Relatório Cuida-se de recurso em face da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que manteve o indeferimento da atualização pela Taxa Selic, de valores objeto de pedido de ressarcimento de IPI, por ausência de previsão legal, sintetizada na seguinte ementa: "Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — Período de apuração.. 01/01/1998 a 31/03/1998 RESSARCIEMNTO DE IPL INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC É incabível, por ausência de base legal, a atualização, pela taxa SELIC, de valores objeto de pedido de ressarcimento. Solicitação Indeferida." Cientificada em 14/01/2008 (cf. AR à fl. 192/verso), é interposto o recurso voluntário de fls. 193/204, em 21/01/2008, no qual a recorrente defende o entendimento de que é possível a atualização dos valores relativos ao ressarcimento de IPI, em favor de sua tese cita decisões emanadas pelo Poder Judiciário e também pelos Conselhos de Contribuintes. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto interposto dentro do trintídio legal e respeitados os demais requisitos estabelecidos. A questão já é bastante conhecida deste colegiado, especialmente desta Câmara, que tem adotado o entendimento do Conselheiro Antonio Carlos Bueno de Carvalho, muito bem expresso através da ementa a seguir transcrita: "IPI — RESSARCIMENTO — CORREÇÃO MONETÁRIA. Aplica-se à atualização dos ressarcimentos de créditos incentivados de IPI, por analogia ao disposto no § do art. 66 da Lei 8.383/91, até a data da derrogação desse dispositivo pelo § 4° do art. 39 da Lei 9.250, de 26.12.1995. TAXA SELIC. Em sendo a média mensal dos juros pagos pela União na captação de recursos de juros e, assim, imprestável como índice de correção monetária, já que informados por pressupostos econômicos distintos, constituindo um plus que exigiria expressa disposição legal para sua adoção no ressarcimento de créditos incentivados. ( 2 Processo n° 13808.001438/98-21 S2-CIT1 • Acórdão n.° 2101-00.154 Fl. 220 Recurso provido em parte." É entendimento pacífico nesta Câmara, pois, que até o advento da Lei 9.250/95, ou até o exercício de 1995, inclusive, não obstante a inexistência de expressa disposição legal neste sentido, que os créditos incentivados de IPI deveriam ser corrigidos monetariamente pelos mesmos índices até então utilizados pela Fazenda Nacional para atualização de seus créditos tributários. Tal direito, corno visto, foi reconhecido por aplicação analógica do disposto no § 3° do art. 66 da Lei 8.383/91. Todavia, com a (pretensa) dexindexação da economia, realizada pelo Plano Real, e com o advento da citada Lei 9.250/95, que acabou com a correção monetária dos créditos dos contribuintes contra a Fazenda Nacional, havidos em decorrência do pagamento indevido de tributos, prevaleceu o entendimento de que a partir de então não haveria mais direito à atualização monetária, e de que não se poderia aplicar a Taxa SELIC para tal fim, pois teria a mesma natureza jurídica de taxa de juros, o que impediria sua aplicação como índice de correção monetária. Tal entendimento, com a devida vênia dos ilustres Conselheiros que o adotam, penso merecer urna maior reflexão. Tal necessidade, decorre, ao meu ver, de um equívoco no exame da natureza jurídica da denominada Taxa SELIC. Isto porque, conforme argutamente percebeu o ilustre Ministro Domingos Franciulli Netto, do Superior Tribunal de Justiça, no melhor e mais aprofundado estudo já publicado sobre a matéria', a referida taxa se destina também a afastar os efeitos da inflação, tal qual reconhecido pelo próprio Banco Central do Brasil: "Entre os objetivos da taxa Selic encarta-se o de neutralizar os efeitos da inflação. A correção monetária, ainda que aplicada de forma senão disfarçada, no mínimo obscura, é mera cláusula de readaptação do valor da moeda corroída pelos efeitos da inflação. O índice que procura reajustar esse valor imiscui-se no principal e passa, uma vez feita a operação, a exteriorizar novo valor. Isso quer dizer que o índice corretivo não é um plus, como, por exemplo, ocorre com os juros, que são adicionais, adventícios, adjacentes ao principal, com o qual não se confundem. Sabe-se, segundo a mesma consulta, que a 'a taxa Selic reflete, basicamente, as condições instântaneas de liquidez no mercado monetário (oferta versus demanda por recursos .financeiros). Finalmente, ressalte-se que a taxa Selic acumulada para determinado período de tempo correlaciona-se positivamente com a taxa de inflação acumulada ex post, embora a sua fórmula de cálculo não contemple a participação expressa de índices de preços'. A correlação entre a taxa Selic e a correção monetária, na hipótese supra, é admitida pelo próprio Banco Central." Por outro lado, cumpre salientar, a utilização da Taxa SEL1C para fins tributários pela Fazenda Nacional, em que pese esta sua natureza híbrida — juros de mora e In, Da Inconstitucionalidade da Taxa Selic para fins tributários, RT 33-59. 3 Processo n° 13808.001438/98-21 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.154 Fl. 22 I correção monetária —, e o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei 9.249/95, por seu art. 36, II, se dá exclusivamente a titulo de juros de mora (art. 61, § 3°, da Lei 9.430/96). Ou seja, o fato de a atualização monetária ter sido expressamente banida de nosso ordenamento não impediu o Governo Federal de, por via transversa, garantir o valor real de seus créditos tributários através da utilização de urna taxa de juros que traz em si embutido e escamoteado índice de correção monetária. Ora, diante de tais considerações, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que ao contribuinte titular de crédito incentivado de IPI, a quem, antes desta pseudo extinção da correção monetária, se garantia, por aplicação analógica do art. 66, § 3°, da Lei 8.383/91, conforme autorizado pelo art. 108, I, do Código Tributário Nacional, direito à correção monetária — note-se, por oportuno, que jamais existiu disposição expressa neste sentido com relação aos créditos incentivados sob exame —, se garanta agora direito à aplicação da denominada Taxa SELIC sobre seu crédito, também por aplicação analógica de dispositivo da legislação tributária, desta feita o art. 39, § 4', da Lei 9.250/95 — que determina a incidência da mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido —, crédito este que em caso contrário restará grandemente minorado pelos efeitos de uma inflação enfraquecida, mas ainda sabidamente danosa e que continua a corroer o valor da moeda. Tal convicção resta ainda mais arraigada quando se percebe que a incidência de juros sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido, nasceu, dê-se destaque, exatamente com o advento do citado art. 39, § 4°, da Lei 9.250/95, pois, antes disso, a incidência dos mesmos, segundo o parágrafo único do art. 167, do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do enunciado 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Percebe-se, assim, fato raro, que o Governo Federal, neste particular, foi extremamente isonômico, pois adotou a mesma sistemática para os créditos fazendários e os dos contribuintes, quando decorrentes do pagamento indevido de tributos. Deste modo, pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso do Contribuinte para determinar a atualização monetária de seus créditos incentivados de IPI segundo e por aplicação analógica do disposto no art. 66, § 3°, da Lei 8.383/91, observados os mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional para atualização de seus créditos tributários, até a sua revogação pelo art. 39, § 4°, da Lei 9.250/95, quando a partir de então deverão incidir juros calculados pela Taxa SELIC, segundo e por aplicação analógica do disposto neste último dispositivo legal. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2009. 08 de maio de 2009 " 10 ISBO . C • 'POSO 4 Processo n° 13808.001438/98-21 S2-C IT1 • Acórdão n.° 2101-00.154 Fl. 222 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Designado O art. 66 da Lei n° 8.383/91, assim dispõe: "A ri. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1 0 A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2 0 É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3 0 A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da Ufir. § 4 0 O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." Este dispositivo teve sua redação alterada pelo art. 58 da Lei nQ 9.069, de 29/06/95, verbis: "Art. 58. O inciso III do art. 10 e o art. 66 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: "A ri. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1" A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2" É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3" A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4" As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional cio Seguro Social - INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." Já o art. 39 da Lei 1-1 0 9.250/95, estabelece que: 5 Processo n° 13808.001438/98-21 S2-CITI . • Acórdão n.° 2101-00.154 Fl. 223 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n" 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuiçào federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1" (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4" A partir de I" de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de I% relativamente ao 1716 em que estiver sendo efetuada." Conforme se pode verificar, todos os dispositivos legais acima se referem à compensação ou restituição, que são espécies do gênero repetição de indébito. Portanto, é lógico inferir que a restituição e a compensação, pressupõem a existência de um pagamento anterior efetuado pelo sujeito passivo, pagamento este indevido ou efetuado em montante maior do que o que seria devido. Ora, no caso dos autos o crédito não se originou de nenhum indébito tributário. Tratando-se de ressarcimento de créditos de IPI, consubstancia-se em mera liberalidade do sujeito ativo do tributo que, ao concedê-lo, decidiu fazê-lo sem a aplicação de correção monetária ou de juros, dado o silêncio das normas específicas que regem a espécie e da referência efetuada tão-somente em relação à repetição de indébito, nas normas acima transcritas. Inaplicável, portanto, o Parecer AGU d . 01/96, visto que só se referiu à repetição de indébito. Na verdade, o argumento em sentido contrário invoca a aplicação analógica da lei, o que significa admitir a existência de uma lacuna que deveria ser colmatada por aquela técnica de integração. O art. 108 do CTN estabelece que as formas de integração das lacunas na legislação tributária são a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público e a eqüidade, os quais devem ser aplicados sucessivamente e na ordem indicada na lex legam. Leciona Maria Helena Diniz que: "A analogia é, portanto, uni método quase-lógico que descobre a norma implícita existente na ordem jurídica. É tão-somente um processo revelador de normas implícitas. Requer a aplicação analógica que: I) o caso sub judice não esteja previsto em norma jurídica; 6 Processo n° 13808.001438/98-21 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.154 Fl. 224 . • 2) o caso não contemplado tenha com o previsto, pelo menos, uma relação de semelhança; 3) o elemento de identidade entre eles não seja qualquer um, mas sim essencial, ou seja, deve haver verdadeira semelhança e a mesma razão entre ambos." (in: Curso de Direito Civil Brasileiro. Vol. 1. São Paulo: Saraiva, 10' ed., 1994, pp.54155) Ora, no caso dos autos o terceiro requisito para aplicação analógica da lei não restou caracterizado porque os fundamentos, os motivos, ou seja, as razOes que fundamentam os institutos do ressarcimento e da repetição do indébito são totalmente distintas. No caso da repetição de indébito, a devolução das importâncias se assenta na preexistência de um pagamento indevido, cuja devolução é reclamada com base no princípio geral de direito que veda o locupletamento sem causa. Já no caso de ressarcimento de créditos incentivados, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo era devido, mas a devolução das quantias se assenta única e exclusivamente na renúncia unilateral de valores que foram licitamente recebidos pelo sujeito ativo do tributo. Como se vê, nos dois casos ocorrem devoluções de quantias ao contribuinte, mas estas devoluções ocorrem por razões distintas. A finalidade do ressarcimento é produzir uma situação de vantagem para determinados contribuintes que atendam a certos requisitos fixados em lei, para incrementar as respectivas atividades; enquanto que a finalidade da repetição do indébito é prestigiar o princípio que veda o enriquecimento sem causa. Nesse passo, não há como conceder o ressarcimento de créditos originados de incentivo fiscal com fundamento nos princípios da isonomia, da finalidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa, porque os dois institutos não apresentam a mesma ratio. Acrescente-se a tudo isso que o art. 3', II, da Lei ri' 8.748/93, estabeleceu expressamente distinção entre repetição de indébito e ressarcimento de créditos de IPI, o que torna ilegal a aplicação de qualquer acréscimo ao ressarcimento Do mesmo modo, não há como fundamentar tal concessão com base na demora da apreciação dos processos pela Receita Federal. É certo que a teor do art. 49 da Lei n' 9.784, de 29/01/1999, a Administração tem até 60 dias para decidir o processo, a partir do encerramento da instrução (e não da data de seu protocolo). Entretanto, se a Administração não se desincumbir de seu dever legal, o remédio adequado para sanar a omissão não é a aplicação de correção monetária ou de juros de mora, mas sim a ação judicial que o contribuinte entender cabível para constranger a Administração a se manifestar. Em face do exposto,. divirjo do ilustre Relator originário e voto no sentido de negar provimento ao recurso,--- Sala das Sessões, em 08 cl\, maio de 2009. `‘,.(Rtitâcuiyi ANT NI C LOS A ULIN1 7
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Numero do processo: 10380.023013/99-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 28/02/1996
INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
A contagem do quinquênio prescricional, para repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de tributos sujeitos a lançamento por homologação, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62, § 2º, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, para os pedidos protocolados até a data de 09/06/2005, deve ser feita pela tese dos cinco mais cinco, cinco anos para a homologação tácita e mais cinco para a prescrição, totalizando dez anos a partir da data do respectivo fato gerador.
Assim, para os fatos geradores correspondentes às competências de julho de 1988 a julho de 1989, na data de protocolo do pedido em discussão, a prescrição do direito do contribuinte repetir/compensar os respectivos indébitos já havia ocorrido; contudo, para as demais competências, agosto de 1989 a fevereiro de 1996, seu direito não foi atingido, fazendo jus à repetição/ compensação dos respectivos indébitos.
Numero da decisão: 9303-008.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a prescrição do direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos correspondentes aos fatos geradores ocorridos no período de competência de julho de 1988 a julho de 1989, e, consequentemente, reconhecer o direito de ele repetir/compensar os indébitos correspondentes às demais competências, agosto de 1989 a fevereiro de 1996.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. A contagem do quinquênio prescricional, para repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de tributos sujeitos a lançamento por homologação, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62, § 2º, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, para os pedidos protocolados até a data de 09/06/2005, deve ser feita pela tese dos “cinco mais cinco”, cinco anos para a homologação tácita e mais cinco para a prescrição, totalizando dez anos a partir da data do respectivo fato gerador. Assim, para os fatos geradores correspondentes às competências de julho de 1988 a julho de 1989, na data de protocolo do pedido em discussão, a prescrição do direito do contribuinte repetir/compensar os respectivos indébitos já havia ocorrido; contudo, para as demais competências, agosto de 1989 a fevereiro de 1996, seu direito não foi atingido, fazendo jus à repetição/ compensação dos respectivos indébitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a prescrição do direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos correspondentes aos fatos geradores ocorridos no período de competência de julho de 1988 a julho de 1989, e, consequentemente, reconhecer o direito de ele repetir/compensar os indébitos correspondentes às demais competências, agosto de 1989 a fevereiro de 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 30 13 /9 9- 51 Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10380.023013/9951 Acórdão n.º 9303008.102 CSRFT3 Fl. 662 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 20181.569, de 07/11/2008, proferido pela Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, afastando a decadência, de fato prescrição, e reconheceu a semestralidade da base de cálculo do PIS, nos termos da seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/0311996 PIS/FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da contribuição para o PIS, eleita pela Lei Complementar nº 7/70, art. 62, parágrafo único, permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n2 1.212/95. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 05 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional." Intimada dessa decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com base no artigo 7°, I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 147/07, então vigente, requerendo a reforma da decisão recorrida, para reconhecer a prescrição do direito de o contribuinte pleitear/compensar os indébitos tributários, defendendo a contagem do prazo prescricional quinquenal, a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, ou seja, nos termos dos arts. 165, I, e 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 638e/639e, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10380.023013/9951 Acórdão n.º 9303008.102 CSRFT3 Fl. 663 3 Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissão, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso apresentado pela Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. O Código Tributário Nacional (CTN) assim dispõe sobre a prescricional da ação para se repetir/compensar crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, decorrente de indébitos tributários: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; […]. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...].” Nos termos destes dispositivos legais, o prazo de cinco anos para se verificar a prescrição do direito à repetição/compensação de indébitos tributários, no caso de pagamento indevido e/ ou a maior, deveria ser contado a partir da extinção do crédito tributário pela homologação tácita. No entanto, no julgamento do RE nº 566.621, que tratou da aplicação do art. 3º da Lei Complementar (LC) nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, que deu interpretação ao inciso I do art. 168 do CTN, quanto à ocorrência da extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que aquele artigo somente se aplica às ações (pedidos) de restituição, ajuizadas (protocoladas) a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10380.023013/9951 Acórdão n.º 9303008.102 CSRFT3 Fl. 664 4 Assim, em face dessa decisão do STF e do disposto no § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 1.012.903/RJ, para os pedidos de restituição protocolados até a data de 8 de junho de 2005, a extinção do crédito tributário, de forma tácita, se deu somente depois de decorridos 5 (cinco) anos contados a partir do respectivo fato gerador e, conequentemente, o prazo prescricional qüinqüenal, para se pedir a restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou maior, deve ser contado a partir da data da extinção tácita, resultando prazo total de 10 (dez), tese “dos cinco mais cinco”, até então aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No presente caso, os valores pleiteados pelo contribuinte decorreram dos pagamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos mensalmente a partir de 31/07/1988 a 28/02/1996. O pedido de restituição foi protocolado na data de 10 de agosto de 1999, conforme prova a data no carimbo de seu protocolo às fls. 10e. Assim, contandose o quinquênio, segundo a tese dos "cinco mais cinco", na data de protocolo do pedido, em 10/08/1999, o direito de o contribuinte repetir os indébitos tributários decorrentes dos fatos geradores ocorridos no período de competência de 31/07/1988´a 31/07/1989 já havia prescrito. A data limite, para a competência de 31/07/1989 expirou em 31/08/1999. Para as demais competências, agosto de 1989 a fevereiro de 1996, na data de protocolo do pedido, seu direito à repetição/compensação ainda não havia prescrito. A data limite para a competência de 31/08/1989 expiraria em 31/08/1999. Contudo, conforme demonstrado e provado. o pedido foi protocolado em 10/08/1999. (fls. 10e). À luz do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição do direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos correspondentes aos fatos geradores ocorridos no período de competência de julho de 1988 a julho de 1989, e, consequentemente, reconhecer o direito de ele repetir/compensar os indébitos correspondente às demais competências, agosto de 1989 a fevereiro de 1996. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10380.023013/9951 Acórdão n.º 9303008.102 CSRFT3 Fl. 665 5 Fl. 665DF CARF MF
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