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Numero do processo: 14747.000013/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora
de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2101-001.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 61DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1129.916, proferido pela 6ª Turma da DRJ Recife (fl. 10), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação ao crédito tributário. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 05, o lançamento decorreu da omissão de rendimentos, conforme exposto abaixo: Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vinculo Empregatício. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos it tabela progressiva, no valor de RS 5.309,19 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00." Lançado conforme DIRF apresentada pela UNIPÊ e comprovante apresentado pelo interessado no valor de R$ 5.309,19. Cientificado do lançamento, em 05/01/2007, o Interessado apresentou a impugnação, em 02/02/2007, alegando, em síntese: 1. que a Fiscalização não incluiu os descontos legais originados do lançamento de oficio, ou seja: Previdência Oficial = R$ 432,30; Pensão Alimentícia = R$ 2.609,95; Dai porque o total das deduções passaria para R$ 50.788,78; 2. a base de cálculo do IR passaria para R$ 28.416,04, e não R$ 31.458,29. Logo, o imposto devido seria de R$ 2.737,51. Retirandose a dedução de R$ 2.613,41, restaria imposto suplementar de R$ 124,10. Tais retificações teriam sido feitas em Declaração Retificadora, embora impedida de envio pela Internet (cópia anexada). Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manifestouse nos seguintes termos: Alega o Impugnante que a Fiscalização não incluiu os descontos legais originados do lançamento de oficio, ou seja, Previdência Oficial ( R$ 432,30) e Pensão Alimentícia ( R$ 2.609,95). Passase A. análise dos fatos. Compulsando os autos, fl. 07, encontrase cópia de comprovante de rendimentos, tendo como fonte pagadora o Institutos Paraibanos de Educação IPE, CNPJ 08.679.557/0001 02, informando rendimentos tributáveis de R$ 5.309,19 e contribuição previdenciária oficial de R$ 432,30. Logo, nesse ponto, deve ser incluído no total das deduções o valor de R$ 432,30, passando o Total das Deduções Declaradas de R$ 47.746,53 para R$ 48.178,83. Ainda se constata nos autos a presença de cópia de Declaração de ajuste anual, exercício 2005, como sendo suposta declaração retificadora, inserindo no campo de rendimentos tributáveis os valores recebidos pela referida fonte (Institutos Paraibanos de Educação). No entanto, tal declaração de ajuste não possui nenhum valor legal, tendo em vista que não foi recepcionada pela RFB, por extemporânea. (...) Fl. 62DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14747.000013/200744 Acórdão n.º 210101.155 S2C1T1 Fl. 29 3 Quanto à pensão alimentícia, de acordo com o conteúdo do comprovante de rendimentos (fonte pagadora Secretaria de FinançasPB), há informação de desconto com pensão alimentícia no valor de R$ 36.133,70, sendo este o valor exatamente informado na declaração de ajuste anual enviada pelo Impugnante. Dai porque deve permanecer o valor originalmente informado pelo contribuinte, a titulo de dedução com pensão alimentícia, no valor de R$ 36.133,70. Salientase, por oportuno, existirem nos autos alguns comprovantes (cópias) de transferências bancárias, mas que, efetivamente, não se vinculam à pensão alimentícia judicial, que é descontada pela própria fonte pagadora. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTOS. Na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física devem ser incluídas todas as fontes pagadoras da mesma. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. É vedada pela legislação a retificação da Declaração de Ajuste Anual após a notificação do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Cientificado da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 22/25. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, relator. Consta dos autos que o Recorrente tomou ciência da Decisão de primeiro grau em 12/10/2010, uma terçafeira, conforme Aviso de Recebimento à fl. 17. O recurso voluntário para este Conselho de Contribuintes deve ser apresentado no prazo máximo de trinta (30) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Considerando que o início da contagem do prazo começou a fluir a partir de 13/10/2010, uma quartafeira, dia de expediente normal na repartição de origem, e primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, o último dia para a apresentação do recurso seria 11/11/2010, uma quintafeira. Acontece que o recurso voluntário foi protocolizado em 12/11/2010 (fl. 22), quando já havia transcorrido o prazo regulamentar. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Dispõe o artigo 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Em face ao exposto, não conheço do recurso, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 64DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13642.000211/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/03/2007
PEDIDO DE REEMBOLSO DE SALÁRIO MATERNIDADE. INDEFERIMENTO. SÓCIA COTISTA. SEGURADA EMPREGADA. IMPOSSIBILIDADE. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PERÍODO DE CARÊNCIA.
É cediço que o sócio pode ser empregado, posto que a sociedade tem personalidade jurídica própria. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que o sócio não possua cotaparte
que lhe assegure posição de destaque na sociedade nem tenha
participação intensa na gestão. O sócio cotista que recebe remuneração decorrente de seu trabalho em empresa
urbana ou rural é contribuinte individual perante o Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 12, V, alínea “f”, da Lei 8.212/91. Para tanto é preciso observar o período de carência de dez (10) contribuições mensais previstos na legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 2301-002.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/03/2007 PEDIDO DE REEMBOLSO DE SALÁRIO MATERNIDADE. INDEFERIMENTO. SÓCIA COTISTA. SEGURADA EMPREGADA. IMPOSSIBILIDADE. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PERÍODO DE CARÊNCIA. É cediço que o sócio pode ser empregado, posto que a sociedade tem personalidade jurídica própria. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que o sócio não possua cotaparte que lhe assegure posição de destaque na sociedade nem tenha participação intensa na gestão. O sócio cotista que recebe remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural é contribuinte individual perante o Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 12, V, alínea “f”, da Lei 8.212/91. Para tanto é preciso observar o período de carência de dez (10) contribuições mensais previstos na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido
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INDEFERIMENTO. SÓCIA COTISTA. SEGURADA EMPREGADA. IMPOSSIBILIDADE. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PERÍODO DE CARÊNCIA. É cediço que o sócio pode ser empregado, posto que a sociedade tem personalidade jurídica própria. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que o sócio não possua cotaparte que lhe assegure posição de destaque na sociedade nem tenha participação intensa na gestão. O sócio cotista que recebe remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural é contribuinte individual perante o Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 12, V, alínea “f”, da Lei 8.212/91. Para tanto é preciso observar o período de carência de dez (10) contribuições mensais previstos na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes (VicePresidente), Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13642.000211/200713 Acórdão n.º 230102.123 S2C3T1 Fl. 83 3 Relatório 1. Tratamse os autos de pedido de reembolso de salário maternidade requerido pela empresa PAIVA GUERRA DEL REI INFORMÁTICA LTDA, o qual foi indeferido pelo fato de que a sócia cotista SORAIA FERREIRA GUERRA “não atende aos requisitos para enquadramento como segurada do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).” 2. Irresignada com a decisão de fls. 73/75, o requerente, em suas razões recursais aduz que a sócia cotista SORAIA FERREIRA GUERRA foi contratada como segurada empregada, nos termos do artigo 12, da Lei 8.212/91, e que foram cumpridos todos os requisitos e obrigações de uma relação contratual (salário, FGTS, contribuição previdenciária, etc), logo, o pedido de reembolso, referente às competências 12/2006 a 4/2007, deve ser deferido. 3. A fiscalização, por sua vez, em suas contrarrazões pugna pela manutenção da decisão recorrida, a qual negou o pedido de reembolso à pessoa jurídica esclarecendo que seu indeferimento não se deu somente em razão da alínea “a”, inciso I, do artigo 12, da Lei 8.212/91, mas também pelo fato de a empresa não ter declarado em GFIP a sócia cotista como contribuinte individual, nos termos do artigo 12, inciso V, alínea “f”, da mesma Lei e, cumulativamente não ter preenchido os 10 meses de contribuições mensais exigidos como período de carência. 4. Após a contrarrazão fiscal, os autos foram encaminhados a este Colegiado para análise do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. REEMBOLSO SALÁRIO MATERNIDADE 2. A controvérsia dos autos cingese ao direito ou não de reembolso do salário maternidade percebido pela sócia cotista SORAIA FERREIRA GUERRA, no período de 12/2006 a 4/2007. 3. De acordo com a fiscalização, a sócia cotista não poderia ser enquadrada como segurada empregada por não preencher os requisitos do artigo 3o da Consolidação das Leis do Trabalho, nem ser considerada contribuinte individual por não perceber remuneração conforme declarações prestadas nas GFIP’s. 4. Em contrapartida, a requerente informa que o pedido de reembolso deve ser deferido, pois a sócia cotista foi contratada como segurada empregada, nos termos do artigo 12, da Lei 8.212/91, e que foram cumpridos todos os requisitos e obrigações (salário, FGTS, contribuição previdenciária, etc) de uma relação contratual. 5. Antes de adentrar ao caso concreto, tecerei alguns breves comentários sobre a matéria em questão, qual seja: salário maternidade. 6. A Carta Magna de 1988, em seu artigo 6o, elenca como direito social a proteção e assegura à mulher a “licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias”, conforme previsto no artigo 7o, XVIII, da referida Carta. 7. No âmbito da legislação infraconstitucional, o benefício do salário maternidade está disciplinado nos artigos 71 a 73 da Lei nº 8.213/ 91, e nos artigos 93 a 103 do atual Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n٥ 3.048, de 1999. 8. Todas as trabalhadoras filiadas ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS – segurada empregada, trabalhadora avulsa, empregada doméstica, contribuinte individual e segurada especial – têm direito ao benefício do saláriomaternidade, observadas as condições legalmente impostas. 9. No que se refere à segurada empregada, o salário maternidade será devido pela previdência social enquanto existir relação de emprego, observadas as regras quanto ao pagamento desse benefício pela empresa, nos termos do artigo 97, do Decreto 3048/99. 10. No mesmo sentido, cabe ressaltar que cabe a empresa o pagamento do salário maternidade a segurada empregada gestante, “efetivandose a compensação, observado o disposto no art. 248 da Constituição Federal, quando do recolhimento das contribuições incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço.” (artigo 72, § 1o, da Lei 8.213/91) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13642.000211/200713 Acórdão n.º 230102.123 S2C3T1 Fl. 84 5 11. Em síntese, a existência da relação de emprego (empregada e empregada doméstica) ou de contribuições (contribuinte individual e facultativa) é prérequisito necessário para o direito ao saláriomaternidade. 12. E no caso sob exame, verificase que a sócia cotista, detentora de 50% das quotas conforme cláusula 3a do Contrato Social (fl. 08), foi admitida como segurada empregada em 07/03/2006 (fl. 42) e começou a receber o salário maternidade a partir da competência 12/2006, 9 (nove) meses depois. 13. No meu entendimento, o sócio pode ser empregado, posto que a sociedade tem personalidade jurídica própria. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que o sócio não possua cotaparte que lhe assegure posição de destaque na sociedade nem tenha participação intensa na gestão. Em resumo, sob as limitações acima expostas, é possível a coexistência do contrato de trabalho com qualidade de acionista ou sóciocotista. A propósito o TST já decidiu que o empregado que adquire algumas cotas da sociedade empregadora não perde a sua condição de empregado. (RO 00300200410222001, Rel. Desembargador Francisco Meton Marques de Lima, TRT da 22ª Região, Tribunal Pleno, julgado em 22/11/2005, DJT 19/12/2005 p. 19) 14. Dito isso, considero que, no presente caso, a sócia não poderia ser enquadrada como segurada empregada para fins de Previdência Social, vez que possuía cinquenta (50%) por cento das quotas. Além do que consta da cláusula oitava (8ª) do Contrato Social (fl. 09) menção ao recebimento de lucros anuais. 15. Quanto à hipótese de a sócia cotista ser eventualmente enquadrada como contribuinte individual, há previsão legal quando o sócio perceber remuneração decorrente de seu trabalho, nos termos do artigo 12, inciso V, alínea “f”, da Lei 8212/91: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração;” [g.n.] 15. E compulsando os autos, consta da cláusula oitava (8ª) do Contrato Social (fl. 09) menção ao recebimento de lucros anuais por parte dos sócios. Além disso, não foi observado o período de carência previsto em lei, qual seja: 10 (dez) contribuições mensais, conforme disposto no artigo 25, inciso III, da Lei 8.213/91. 16. Feitas essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário para manter o indeferimento do salário maternidade referente às competências 12/2006 a 4/2007, vez que não restou demonstrado que a sócia faria jus ao benefício. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 CONCLUSÃO 17. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 15922.000013/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. INCIDENTES SOBRE CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS. VALES REFEIÇÃO. PAT. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECADÊNCIA.
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, não houve antecipação de pagamento, pois embora parte do lançamento refira-se a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados, houve lançamento englobando as contribuições incidentes sobre a outra parte da remuneração.
Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 173, I do CTN.
SALÁRIO INDIRETO
Integra o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 22 da mesma lei, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de utilidade.
VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. IMPOSSIBILIDADE.
INCIDÊNCIA.
Se não forem observadas as disposições da Lei nº 7.418/1985 e do Decreto nº 95.427/1987, a contribuição previdenciária sobre parcela paga a título de Vale Transporte é devida.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÕES.
Nos termos do art. 22 da Lei nº 8212/91, com a redação dada pela Lei nº 9876/99, a partir de 03/2000; é devida pela empresa, a contribuição de 20% incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.752
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, declarar a decadência até a competência 11/2001, com fulcro no art. 173, I do CTN. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de
Oliveira, que declaravam, também, a decadência da competência 12/2001. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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EMPRESA. INCIDENTES SOBRE CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS. VALES REFEIÇÃO. PAT. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, não houve antecipação de pagamento, pois embora parte do lançamento refirase a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados, houve lançamento englobando as contribuições incidentes sobre a outra parte da remuneração. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 173, I do CTN. SALÁRIO INDIRETO Integra o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 22 da mesma lei, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de utilidade. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Se não forem observadas as disposições da Lei nº 7.418/1985 e do Decreto nº 95.427/1987, a contribuição previdenciária sobre parcela paga a título de ValeTransporte é devida. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÕES. Nos termos do art. 22 da Lei nº 8212/91, com a redação dada pela Lei nº 9876/99, a partir de 03/2000; é devida pela empresa, a contribuição de 20% incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, declarar a decadência até a competência 11/2001, com fulcro no art. 173, I do CTN. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declaravam, também, a decadência da competência 12/2001. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000013/200739 Acórdão n.º 240101.752 S2C4T1 Fl. 179 3 Relatório Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito –NFLD nº 37.089.9911 que, de acordo com o Relatório Fiscal de 78/89, referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no e aquelas devidas a Terceiros (outras entidades e fundos), no período de 05/1999 a 12/2005. Segundo o citado relatório fiscal, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias, ora lançadas, as remunerações pagas aos segurados empregados, em forma de salários e salário utilidades (in natura), verificados nos livros Diário e Razão, e valores pagos a contribuintes individuais, sendo apuradas as contribuições nos seguintes levantamentos: • ALM compreendendo contribuições incidentes sobre o fornecimento de vales refeição aos funcionários, período de 05/1999 a 12/1999, considerados salário indireto pela fiscalização, com fundamento no artigo 28, §9°, "c", da Lei n° 8.212/91, em virtude da empresa não estar inscrita neste período no Programa de Alimentação do Trabalhador/PAT, conforme discriminado no Anexo "ALM", Il. 90; • SIl e 5I2 compreendendo contribuições incidentes sobre pagamentos de despesas pessoais, aluguel, condomínio, IPTU, escola e passagens aéreas aos empregados Yann Benech, Laurent Perez e Pierre Yves Briere, no período de 06/1999 a 05/2000 (SI1) e 04/2000 a 10/2003 (SI2), conforme lançamentos contábeis discriminados nos anexos Sll e SI2, fls.101/110; • CI1 e Cl2 compreendendo contribuições incidentes sobre valores pagos a contribuintes individuais, no período de 03/2001 a 05/2000 (CI1) e 11/2003 a 12/2005 (Cl2), conforme lançamentos contábeis discriminados nos anexos C11 e C12, fls. 91/100; • VT compreendendo contribuições incidentes sobre pagamentos de vale transporte em dinheiro, período de 04/2003 a 10/2005, conforme lançamentos contábeis discriminados no anexo VT, fls. 111/115. Informa o citado relatório fiscal que os valores apurados foram extraídos dos registros contábeis da empresa, Livros Diário e Razão, e folhas de pagamento no caso do levantamento ALM, sendo que não foi concedida a redução de 50% na multa de mora uma vez que os lançamentos não foram declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocialGF1P. Em virtude da apresentação deficiente de informações pelo contribuinte, não tendo incluído todos os valores em folha de pagamento e GFIP, as bases de cálculo dos Fl. 188DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 levantamentos SI1, CIl e CI2 foram determinadas conforme os lançamentos contábeis, e não sendo possível identificar nominalmente a remuneração de cada empregado, os valores foram lançados globalmente, de acordo com o disposto no artigo 33, §3°, da Lei n°8.212/91, e aplicada a alíquota mínima no cálculo das contribuições dos segurados. Tempestivamente a Contribuinte apresentou sua impugnação, fls. 118/134, juntando documentos, fls. 135/141 e alegando, em síntese: • que se encontra em regularidade com os recolhimentos pois os contribuintes individuais apresentaram seus comprovantes de recolhimento, tendo sanado a exigência no tocante ao PAT, cuja participação se dá desde 04/04/2000, conforme declaração enviada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, anexada, sendo equívoco aplicar a penalidade sem a redução de 50% pois todos os fatos foram sanados em GFIP; • alega que a interpretação da fiscalização quanto a correção da rubrica de despesas pessoais de empregado e ocasionais prestadoras de serviço é precipitada, sendo possível correção de erro na escrita contábil, ressaltando que o atendimento aos esclarecimentos da fiscalização e retificação do necessário deve ser considerado como atenuante, transcrevendo o artigo 292 do Decreto n° 3.048/99; • assevera que "outro prisma seria o critério de aplicabilidade de graduação de multa em valor de R$ 30.706,05, sem que a empresa suplicada nunca tivesse praticado “nenhuma infração" transcrevendo o artigo 292 do Decreto n° 3.048/99; • em prejudicial do mérito alega carência do direito à autuação, por ser primária ter sanado a falta, a penalidade deve ser atenuada, transcrevendo os artigos 32, da Lei n° 8.212/91 e 225 do Decreto n°3.048/99; • sustenta que as alíquotas sobre as remunerações dos administradores, avulsos e autônomos, encontramse majoradas, uma vez que o artigo 195, inciso I, da Constituição Federal permite incidência apenas sobre a folha de salários, lançando em duplicidade e em discordância com o entendimento firmado no STF a respeito da inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei te 7.787/89, sendo que a fiscalização não analisou os recolhimentos juntados em anexo, sendo oportuno realizarse uma declaração retificadora, no tocante a exigibilidade do crédito; • assevera que jamais teria condições de pagar o débito, pois "o regulamento de cálculo estampado na NFLD não está sendo formalizado e sem motivo aparente", não são claras as condições de pagamento e parcelamento o que afeta a ampla defesa; • requereu com fundamento na Lei n° 1.533/51 a suspensão da exigibilidade do crédito com relação às parcelas do INCRA e sua exclusão do débito; aduz que o pagamento de multa e juros de mora nos tributos arrecadados pela SRF obedecem ao artigo 61, Lei n° 9.430/96, sendo que a exigência de multa de mora nos pagamentos espontâneos e em atraso vem sendo rechaçada com base no artigo 138 Fl. 189DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000013/200739 Acórdão n.º 240101.752 S2C4T1 Fl. 180 5 do CTN, conforme jurisprudência dos tribunais superiores e do Conselho de Contribuintes; • menciona que de acordo com o artigo47, da lei n° 9 430/96, o contribuinte poderá pagar até o 20° dia subseqüente ao início da ação fiscal os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, com os acréscimos legais aplicáveis aos casos espontâneos, devendo ser informado com clareza para possibilitar pagar, parcelar, discordar do débito; • alega carência do direito de ação e extinção do auto de infração uma vez que havendo recolhimento não há que se falar em apropriação indébita, pois o delito é de natureza omissiva; Requereu ao final a suspensão da cobrança, a desconfiguração dos crimes de apropriação indébita previdenciária e sonegação de contribuição pois não configurado o dolo da empresa, a aplicação das atenuantes da multa, protestando pela juntada de documentos e provas, escrita e pericial, e exclusão de qualquer inscrição que negue certidão deste órgão federal. A 8ª Turma da DRJ/CPS, por meio do Acórdão nº 0519.716/2007, julgou procedente o lançamento. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, razões expendidas às fls. 152/179, em que alega, em síntese: • Conforme se infere da leitura do Termo de Encerramento e posteriormente a certificação do Auto de Infração em tela, a empresa encontrase em perfeita harmonia com os lançamentos e recolhimentos pertinentes às rubricas levantadas, pelo simples fato dos respectivos contribuintes individuais terem apresentados seus comprovantes de recolhimento individuais; • Que a Empresa apesar de sua adequação à época e posteriormente a manutenção de suas atividades regulares, sempre manteve todas as diretrizes determinadas pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social; • Outro prisma seria o critério de aplicabilidade de graduação de multa em valor R$30.706,05(trinta mil, setecentos e seis Reais e cinco centavos), sem que a Empresa Suplicada nunca tivesse praticado nenhuma infração; • Conforme se infere da leitura do Termo de Encerramento e posteriormente a certificação do Auto de Infração em tela, a empresa encontrase atualmente sanada a respectiva exigência no que cerne ao Programa de Alimentação do TrabalhadorPAT, onde participa desde 04.04.2000, à época cadastrado com 07(sete) beneficiados, tudo em Fl. 190DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 • declaração enviada pelo Ministério do Trabalho já anexada, datada de 04.04.2007. Equivoco se mostra na aplicação de penalidade sem redução de 50%(cinqüenta por cento), pois todos os fatos verificados foram sanados em GFIP. • Inoportuna e precipitada, pálida e tática de fundamento material foi à interpretação da Ilustre Fiscal no que cerne a correção das rubricas na aplicação das despesas pessoais de empregado e ocasionais prestadores de serviços, até porque se possivelmente possa ter ocorrido erro em pagamento parcial, passível de correção e corrigido dentro da condição contábil; • É por alvitre elencar a V.Exa., que a Ilustre Fiscal sempre que solicitou qualquer tipo de esclarecimento foi devidamente atendida e com o acompanhamento do procedimento fiscal, Empresa de Contabilidade esteve em congruência para atender e retificar o que necessário o que se deve ter como situação atenuante; • Seguindo este prisma, improcedente será a aplicação das penalidades impostas pela Ilustre Fiscal previstos no Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado peio Decreto n°.3.048, de 06.05.1999, já que a Empresa Suplicada procurou corrigir as observações feitas pela Autarquia Previdenciária Ao final requer: • face à distribuição por dependência e autuação, seja inicialmente revista à interpretação da representação fiscal para fins penais direcionada pela Ilustre Fiscal ao Ministério Público Federal, em razão das contribuições não versarem sobre a cota previdenciária dos segurados e sim da empresa, em conformidade com o acima descrito; • o deferimento imediato de Oficio ao Ministério Público Federal para que faça a correção em relação NFLD n°.370899903 (Previdenciário) excluindo a mesma do inquérito policial n°.IPL9 0667/07 através do processo n°.2007.61.05.0108069 da 1° Vara Federal Criminal da Seção Judiciária da Cidade de Campinas Estado de São Paulo; • Em razão do dano moral e do prejuízo material que este equivoco de lançamento já causou, pois cita erroneamente o débito de segurados ao invés de elencar empresa, o que neste seguimento impossibilita a Recorrente de requerer parcelamento do débito ou qualquer outra modalidade, as considerações do Ilustre Julgador; • Seja suspensa a presente cobrança tendo em vista a necessidade de correção do Auto de Infração NFLD, face às alegações acima aludidas; • Desconsideração da aplicabilidade do previsto em crime de Apropriação Indébita Previdenciária, previsto no artigo 168A, § 1°, inciso I do Código Penal, acrescido pela Lei n°.9.983/00, e do crime Fl. 191DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000013/200739 Acórdão n.º 240101.752 S2C4T1 Fl. 181 7 de sonegação de contribuição Previdenciária, previsto no artigo 337 A, inciso I do Código Penal, acrescido pela Lei n°.9.983/00, face a improcedência da apuração e de configurada a não intenção do dolo da Recorrente; • Aplicação das atenuantes contidas no dispositivo legal no que tange a aplicação de multa cumulada; • juntada de novos documentos ou da complementação da prova documental escrita e pericial se necessária, bem como, a exclusão de qualquer inscrição que denegue certidão deste órgão federal, para que produza seu legal efeito. Sem contrarrazões, vem os autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, Devendo, portanto, ser conhecido. De início, impõe esclarecer que conforme sobejamente esclarecido no relatório fiscal de fls. 78/89, o presente Crédito Previdenciário, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito –NFLD nº 37.089.9911 referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no e aquelas devidas a Terceiros (outras entidades e fundos), no período de 05/1999 a 12/2005. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ora lançadas, são as remunerações pagas aos segurados empregados, em forma de salários e salário utilidades (in natura), verificados nos livros Diário e Razão, e valores pagos a contribuintes individuais, sendo apuradas as contribuições nos seguintes levantamentos: ALM compreendendo contribuições incidentes sobre o fornecimento de vales refeição aos funcionários, período de 05/1999 a 12/1999, considerados salário indireto pela fiscalização, com fundamento no artigo 28, §9°, "c", da Lei n° 8.212/91, em virtude da empresa não estar inscrita neste período no Programa de Alimentação do Trabalhador/PAT, conforme discriminado no Anexo "ALM", Il. 90; SIl e 5I2 compreendendo contribuições incidentes sobre pagamentos de despesas pessoais, aluguel, condomínio, IPTU, escola e passagens aéreas aos empregados Yann Benech, Laurent Perez e Pierre Yves Briere, no período de 06/1999 a 05/2000 (SI1) e 04/2000 a 10/2003 (SI2), conforme lançamentos contábeis discriminados nos anexos Sll e SI2, fls.101/110; CI1 e Cl2 compreendendo contribuições incidentes sobre valores pagos a contribuintes individuais, no período de 03/2001 a 05/2000 (CI1) e 11/2003 a 12/2005 (Cl2), conforme lançamentos contábeis discriminados nos anexos C11 e C12, fls. 91/100; VT compreendendo contribuições incidentes sobre pagamentos de vale transporte em dinheiro, período de 04/2003 a 10/2005, conforme lançamentos contábeis discriminados no anexo VT, fls. 111/115. Antes, porém, de adentrar à análise das razões aduzidas, mister se faz proceder, de ofício à análise de decadência arguída. Nesse sentido, impõe considerar que o Supremo Tribunal Federal STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Fl. 193DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000013/200739 Acórdão n.º 240101.752 S2C4T1 Fl. 182 9 Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ pronunciouse nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1ª Turma do STJ, mais uma vez, pronunciouse nos temos da ementa colacionada: Fl. 194DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar Fl. 195DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000013/200739 Acórdão n.º 240101.752 S2C4T1 Fl. 183 11 segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404) No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, não houve antecipação de pagamento, pois embora parte do lançamento refirase a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados, houve lançamento englobando as contribuições incidentes sobre a outra parte da remuneração. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 173, I do CTN. Assim, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 05/04/2007, as contribuições relativas ao período de 05/1999 a 11/2001 já se encontravam fulminadas pela decadência. Em suas razões de recurso a este Conselho, o Recorrente não leva a termo qualquer conclusão lógica referindose a fatos outros que não guardam relação com a presente notificação fiscal, requerendo a aplicação de atenuante e redução da multa em 50% por ter corrigido a falta, transcrevendo os artigos 291 e 292 do Decreto n°3.048/99. Contudo os dispositivos mencionados somente se aplicam às penalidades por descumprimento de obrigação acessória, o que não se configura no caso em questão, em que houve lavratura de Notificação Fiscal por descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de recolhimento de tributo. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Outrossim, a multa no valor dc R$ 30.706,05 a que se refere o contribuinte, é multa de mora aplicável aos débitos previdenciários por força do artigo 35 da Lei n°8.212/91, não podendo ser reduzida em 50% de seu valor uma vez que a empresa não declarou as contribuições aqui discutidas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, conforme disposto no artigo 35, § 4°, da Lei n° 8.212/91, verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas peloINSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei n o 9.876, de 26.11.99) (.) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Incluído pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) O Recorrente alega que está inscrito no PAT desde 04/2000, juntando comprovante do Ministério do Trabalho e Emprego, fls. 140/141, nesse sentido importa salientar que o levantamento correspondente ao PAT, considerado salário indireto pela fiscalização, com fundamento no artigo 28, §9°, "c", da Lei n° 8.212/91, referese ao período de 05/1999 a 12/1999. Há que se esclarecer, outrossim, que tal levantamento foi alcançado pela decadência. Com relação às contribuições incidentes sobre pagamentos de despesas pessoais, aluguel, condomínio, IPTU, escola e passagens aéreas aos empregados Yann Benech, Laurent Perez e Pierre Yves Briere, no período de 04/2000 a 10/2003 (SI2), excluindo aquelas alcançadas pela decadência (até a competência 12/2001), caracteriza a referida verba como salário de contribuição para todos os efeitos, conforme o disposto no artigo 28, inciso I da Lei nº 8212/91, abaixo transcrito. “Art 28 Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado (...): a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Assim, não é incorreto afirmar que tudo aquilo que é pago em caráter retributivo e de forma habitual, ao empregado pelo empregador, constitui a base cálculo sobre a qual vai incidir a contribuição previdenciária. Tal dispositivo foi mais além, prevendo que não somente os valores diretamente recebidos ou creditados compõem o saláriodecontribuição, mas igualmente os ganhos decorrentes de utilidades, desde que também habituais e em caráter oneroso. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000013/200739 Acórdão n.º 240101.752 S2C4T1 Fl. 184 13 Consoante se infere do dispositivo legal encimado, não resta dúvida que os valores recebidos pelos empregados para pagamento de despesas pessoais, aluguel, condomínio, IPTU, escola e passagens aéreas, devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados remuneração, na forma de utilidade, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito no artigo 28 inciso I acima transcrito, bem como no artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescreve: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa Nesse sentido, é importante ressaltar que, pelo fato de ser concedido aos funcionários da empresa, tem origem no contrato de trabalho e surgem em decorrência da prestação de serviços e além disso, é evidente que representa um acréscimo no patrimônio do trabalhador. Em que pese a alegação de que a empresa encontrase “em harmonia com seus lançamentos, pelo simples fato dos respectivos contribuintes individuais terem apresentados seus comprovantes de recolhimento individuais”, impõe esclarecer que trata o presente lançamento de contribuições a cargo da empresa, que não se confundem com as contribuições devidas pelos segurados, empregados ou contribuintes individuais e que o simples fato de os contribuintes individuais terem efetuado o recolhimento de suas contribuições, não exime a empresa de cumprir com as obrigações a seu cargo. Esclareçase, mais que, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês aos segurados contribuintes individuais que prestam serviços à empresa, incidem a contribuição social prevista artigo 22, inciso III da Lei nº 8212/91, com a redação dada pela Lei nº 9876/99 (in verbis): Art. 22 A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art, 23, é de : (...); (...)III – Vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços Com relação às contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de valetransporte, vale esclarecer que o dispositivo que trata da não incidência de contribuição previdenciária sobre a referida verba é a alínea “f” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrita: Fl. 198DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 “§ 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria;” Verificase, assim, que a condição para que a parcela paga a título de vale transporte não sofra a incidência da contribuição previdenciária é que ela seja paga de acordo com a legislação própria e a legislação própria é a Lei nº 7.418/85 e o Decreto nº 95.247/87. No artigo 2º da Lei, prescreve taxativamente que o vale transporte concedido nas condições e limites definidos nesta lei, no que se refere à contribuição do empregador (...) não constitui base de incidência da contribuição previdenciária; e determina que o empregador participará dos gastos de deslocamento do empregado com ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% de seu salário básico; Portanto, conforme disposto acima é vedado o pagamento do valor correspondente ao vale transporte em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, exceto na hipótese de falta de estoque de vale transporte para o atendimento da demanda. Como no presente caso não ficou comprovada a hipótese excepcional, os valores pagos aos servidores a título de vale transporte em moeda corrente, em desacordo com a Lei n. º 7.418/95 c/c Decreto n. º 95.247/87, devem ser considerados parte integrante do salário de contribuição dos servidores, sujeito, portanto, a incidência de contribuição previdenciária. Com relação aos pedidos do contribuinte, acima relacionados, é de se ver que não guardam relação com o presente processo. Nesse sentido releva considerar que o Relatório Fiscal da NFLD, também informa que, além da presente notificação, também foram lavrados contra a empresa os Auto de Infração nº 37.032.9783, 37.032.9759, 37.032.9767, 37.032.9740, 37.032.9775, pelo descumprimento de obrigações acessórias previstas em lei; a NFLD 37.089.9920, relativa às contribuições descontadas dos segurados empregados, contribuintes individuais e Retenções relativas à cessão de mãodeobra, não recolhidas á Previdência Social e NFLD nº 37.089.9903, relativa às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e aquelas devidas a Terceiros (outras entidades e fundos). Contudo, se nos autos do processo nº 2007.61.05.0108069, há a citação expressa do número da NFLD em tela, o saneamento deverá ocorrer nos autos daquele processo, já que a NFLD que trata das contribuições descontadas dos empregados, contribuintes individuais e Retenções relativas á cessão de mãodeobra, não recolhidas à Previdência Social, que caracteriza em tese o Crime de Apropriação Indébita, previsto no artigo 168A do Código Penal, conforme já relatado, é a de nº 37.089.9920. Por essa razão, tais pedidos/argumentos e outros que não sejam relacionados ao presente processo, não serão aqui enfrentados. Eis que, como já sobejamente explicitado, o presente lançamento referese às contribuições a cargo da empresa, previstas no artigo 22, incisos I, II e III, da Lei nº 8212/91 e artigo 94 da mesma lei. Por fim, o lançamento obedeceu aos critérios estabelecidos pela legislação previdenciária, especialmente aqueles do art. 37, da Lei n. º 8.212/91, e a despeito da argumentação apresentada pelo recorrente, não vejo nela qualquer fundamento que possa levar Fl. 199DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000013/200739 Acórdão n.º 240101.752 S2C4T1 Fl. 185 15 à desconstituição do crédito previdenciário ora atacado, uma vez que se encontra revestido das formalidades legais exigidas para a sua constituição. Pelo exposto VOTO no sentido da darlhe provimento parcial, para acolher de ofício a decadência e excluir do presente lançamento valores correspondentes às contribuições do período de 05/1999 a 11/2001, nos termos do artigo 173, I do CTN e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza Fl. 200DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10865.000022/2005-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2000
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA.
Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
ADA. NECESSIDADE. EXERCÍCIOS DE 2000 E ANTERIORES. A não
apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF Nº 41) Preliminares rejeitadas
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-000.965
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as
preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. ADA. NECESSIDADE. EXERCÍCIOS DE 2000 E ANTERIORES. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF Nº 41) Preliminares rejeitadas Recurso provido.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. ADA. NECESSIDADE. EXERCÍCIOS DE 2000 E ANTERIORES. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF Nº 41) Preliminares rejeitadas Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Fl. 334DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 14/02/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório GERALDO DE ANDRADE OLIVEIRA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 245) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 01/10 , para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2000, no valor de R$ 30.275,56, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 74.862,37. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2000 da qual foram glosados os valores declarados como área de preservação permanente (40,0ha) e área de reserva legal (405,02). Segundo o relatório fiscal, as glosas decorreram da falta de apresentação do ADA. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 35/39 na qual alegou, em síntese, que o procedimento fiscal não observou o princípio da ampla defesa consignado no art. 5°, LV, da Constituição, ao ignorar sem qualquer critério ou vistoria a existência no imóvel das áreas de preservação permanente e de reserva legal; que o ADA é declaração prestada pelo contribuinte, na qual ele informa as áreas destinadas à conservação do meio ambiente, mas sua imposição é ilegal, porque não decorre de lei; que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de preservação permanente e de reserva legal procurou dar publicidade a terceiros desses atos, um dos princípios básicos da lei de registros públicos, não podendo o Ibama ou a Receita Federal alegarem desconhecimento do fato; que o inciso I, do art. 10, da Lei n°4.382, de 19/09/2002, excluiu da base de cálculo do imposto as áreas de preservação permanente e reserva legal; que os órgãos ambientais vedam a exploração de culturas e pecuárias nas áreas averbadas como reserva legal, por isso não podem ser consideradas aproveitáveis; que é correta a declaração apresentada, que indica grau de utilização 80,0%, e alíquota de 0,30%. Por fim, o Contribuinte se insurge contra os juros de mora e a multa. Em momento posterior, o Contribuinte manifestouse novamente nos autos e apresentou novos documentos segundo os quais, afirma, o imóvel teria uma área de preservação permanente de 209,1ha e uma área de utilização limitada de 405,2 ha; que teria, ainda, uma área ocupada com benfeitoria de 3,2, uma área explorada com produtos vegetais de 997,9ha, uma área de pastagens de 297,5ha e área de exploração extrativa de 1.295,4ha e, portanto, um grau de utilização — 100,0%. Disse ainda que protocolizou o ADA no Ibama em 18/01/2005. Ao fim, pede que seja anulado o lançamento. Fl. 335DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10865.000022/200576 Acórdão n.º 220100.965 S2C2T1 Fl. 2 3 A DRJCAMPO GRANDE/MS rejeitou a alegação e cerceamento de direito de defesa e a argüição de nulidade do lançamento, quanto ao mérito, julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que a entrega tempestiva do ADA era condição necessária para a isenção do imposto sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal e que, no caso, o ADA referente ao exercício de 2000 somente foi entregue em 2005. Relativamente à área de reserva legal, a DRJ observou também que a mesma não foi averbada margem da matrícula do imóvel e que esta também seria uma condição legal para o direito À isenção. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 04/03/2008 (fls. 252) e, em 27/03/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 260/284, que ora se examina, e no qual afirma que averbou a área de reserva legal em data anterior ao fato gerador, o que foi ignorado pela decisão de primeira instância, que também teria se baseado, para fundamentar a decisão, em legislação posterior ao fato gerador. O Contribuinte reafirma as alegações e argumentos da impugnação quanto à existência das áreas ambientais e ao direito à exclusão dessas áreas na apuração do ITR. Defende também, o direito à retificação dos valores que teriam sido erroneamente declarados e que teriam levado á apuração de imposto a maior. Sustenta que negar o direito a esse pedido constitui cerceamento do direito de defesa e que a manutenção dos valores declarados constitui a negativa a esse direito constitui violação a princípio constitucional e que a manutenção dos valores declarados a maior violaria o princípio da legalidade. É o relatório Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da glosa de valores declarados como área de preservação permanente (40,0ha) e área de reserva legal (405,2ha). No recuso, além de sustentar a existência e o direito á exclusão dessas áreas, o Contribuinte afirma a existência de uma área de preservação permanente maior do que a declarada e aponta outros dados que confirmariam um grau de utilização do imóvel de 100%. Inicialmente, afasto de plano qualquer vício no procedimento fiscal ou na autuação dela decorrente que pudesse ensejar a nulidade do lançamento. É papel da autoridade fiscal verificar a regularidade a regularidade do pagamento dos tributos podendo, para tanto, rever os dados declarados pelos Contribuintes e, identificando qualquer discrepância, proceder ao lançamento. Por outro lado, quando o contribuinte discorda das conclusões da autoridade fiscal pode manifestar essa inconformidade mediante impugnação e, se for o caso, posterior recurso, nos termos das normas que regem o processo administrativo fiscal. Assim, eventual discordância com relação às conclusões da autoridade fiscal se resolve com a discussão do Fl. 336DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 mérito no processo administrativo e, sendo o caso, com a eventual revisão do lançamento, e não coma anulação do procedimento e da autuação. E é o que ocorre neste caso. Não há falar em cerceamento do direito de defesa quanto ao procedimento fiscal, pois foram asseguradas ao Contribuinte amplas condições para manifestar sua inconformidade com a autuação, com a impugnação e o recurso, que ora se examina. Também não se cogita de cerceamento de direito de defesa por parte da decisão de primeira instância que tem a liberdade de decidir segundo suas convicções. E, da mesma forma, no caso de discordância do contribuinte quanto a estas conclusões, cabelhe recorrer da decisão, e foi o que fez o contribuinte neste caso. Rejeito, pois, preliminarmente, a argüição de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância. Quanto ao mérito, o cerne da questão diz respeito à necessidade ou não do ADA como condição para a isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Ante de examinar essa questão, contudo, convém deixar assentado que não cabe ás instâncias administrativas de julgamento examinar pedido de retificação das declarações apresentadas pelos contribuintes para acrescentar valores que não foram declarados. O litígio se restringe á matéria objeto da autuação e esta se limitou á glosa dos valores que foram declarados a título de reserva legal. Portanto, a única conclusão possível neste julgamento seria o restabelecimento dos valores declarados ou a manutenção, total ou parcial das glosas e, consequentemente, o afastamento da exigência do imposto suplementar e de seus acréscimos ou a manutenção, total ou parcial, da exigência. Verificase também que, embora a decisão de primeira instância tenha se referido ao fato de que, quanto á área de reserva legal, as mesmas não estavam averbadas, o fundamento da autuação é apenas o da falta de apresentação do ADA e, portanto, a discussão deve se limitar a este ponto. De qualquer forma, consta a averbação à margem da matrícula do imóvel, em 06/07/1987, de uma área de reserva legal de 415,16ha, conforme documento de fls. 51 (av. 63270). Resta em discussão, portanto, somente a questão da obrigatoriedade do ADA. A respeito dessa questão eu tenho me posicionado no sentido de que, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, cujas existências independem de prévia manifestação do Poder Público e cujas exclusões para fins de apuração do ITR não estão sujeitas a prévia comprovação, a apresentação do ADA não é condição indispensável para o exercício do direito à isenção do imposto relativamente a estas áreas. Nos casos do imposto relativo ao exercício de 2000, como o de que aqui se cuida, a exercícios anteriores, com mais razão ainda, pois, sequer havia dispositivo prevendo tal obrigatoriedade, conforme entendimento consolidado neste Conselho, o que levou à edição, pelo CARF, de súmula, a saber: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF No 41) Como neste caso o único fundamento para a glosa da área de preservação permanente foi a apresentação intempestiva do ADA. Afastado este fundamento, deve ser restabelecida a exclusão da área, conforme declarado pelo Contribuinte. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10865.000022/200576 Acórdão n.º 220100.965 S2C2T1 Fl. 3 5 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 338DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 10730.011067/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Data do fato gerador: 01/02/2006
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
ATIVIDADE VEDADA. ENSINO MÉDIO. Regular a exclusão quando
demonstrado que a contribuinte exerce atividade impeditiva.
Numero da decisão: 1101-000.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 01/02/2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. ENSINO MÉDIO. Regular a exclusão quando demonstrado que a contribuinte exerce atividade impeditiva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-04-06T12:53:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 10; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-04-06T12:53:28Z; Last-Modified: 2011-04-06T12:53:29Z; dcterms:modified: 2011-04-06T12:53:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:33795d48-66e7-47dd-a077-b06e63b29ab4; Last-Save-Date: 2011-04-06T12:53:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-04-06T12:53:29Z; meta:save-date: 2011-04-06T12:53:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-04-06T12:53:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-04-06T12:53:28Z; created: 2011-04-06T12:53:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-04-06T12:53:28Z; pdf:charsPerPage: 1274; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-04-06T12:53:28Z | Conteúdo => LES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente. CISCO Si-CITI Fl. 130 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10730.011067/2007-63 Recurso n° 144.262 Voluntário Acórdão n° 1101-00.426 — la Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria SIMPLES - Exclusão Recorrente CURSO TAURUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 01/02/2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. ENSINO MÉDIO. Regular a exclusão quando demonstrado que a contribuinte exerce atividade impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos ten-nos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: EDELI PEREIRA BESSA — Relatora 11 t• 17)" 11 ti it) . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice- presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Relatório CURSO TAURUS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 6 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro-I, que por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/Niterói n° 6/2008, que excluiu a contribuinte do SIMPLES Federal a partir de 01/02/2006. Apreciando solicitação de revisão do referido ato, expressou a DRF/Niterói no Parecer de fls. 102/104 que a contribuinte, após ter sido autuada pela antiga Secretaria de Receita Previdencidria, formalizou sua opção pelos SIMPLES em 2005 e, para que ela fosse acatada, modificou seu CNAE para 8513-9-00 (ensino fundamental). Ainda, formalizou pedido de inclusão retroativa desde 1997, objeto do processo administrativo n° 10730.006042/2006- 67, apresentando também outros quatro pedidos de retificação de DIPJ que entregara como optante pela sistemática do lucro real, para apuração do IRPJ e CSLL. 0 pedido de inclusão retroativa foi indeferido, ante a constatação de que a contribuinte exercia atividade de ensino médio, no mínimo, desde 2001. Já nestes autos, alem daquelas constatações decorrentes de diligência fiscal, observou-se que: 1) a contribuinte constava nas relações de resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) realizado em 2006 e 2007; 2) era apontada, no sitio do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura — CREA/RJ como habilitada a ministrar cursos "Técnico em Eletrônica" e "Técnico Ind em Eletrotécnica", inclusive havendo curriculos de profissionais formados com tais qualificações no estabelecimento da contribuinte; 3) era apontada em pesquisa realizada pelo CEFET (Município de Campos) em 2005 como colégio no qual o aluno cursou o Ultimo ano do ensino médio. Concluindo que a contribuinte exercia atividade econômica vedada, tendo alterado indevidamente o CNAE a fim de possibilitar a opção pelo SIMPLES, foi mantido o ato de exclusão com efeitos a partir de 01/02/2006. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte afirmou que dá ênfase ao ensino fundamental desde 1978 e que optou pelo SIMPLES em 1997. Discorda do fato de a exclusão ter levado em conta informações de seus atos societários registrados em 03/07/2003, na medida em que estaria em discussão período pretérito, no qual não foi implementada a atividade impeditiva. Na medida em que pretende, apenas, a retificação da data de opção, pediu o cancelamento do Ato Declaratório Executivo n° 6/2008. A Turma Julgadora acolheu o voto do I. Relator e Presidente Léo da Silva, nos seguintes termos: 0 ato administrativo de que trata estes autos e que poderia ser objeto da inconformidade da interessada é o da sua exclusão do SIMPLES. Era de se esperar, portanto, que ela atacasse a sua motivação ou o parecer de fls. 102 e 103 no qual se fundamentou o despacho decisório que ratificou o ato administrativo. Não obstante, talvez por lhe faltar argumento para rebater as evidências cuidadosamente levantadas que constam no parecer, ela resolveu alegar que dá ênfase ao ensino fundamental desde 1978 —fato que ninguém questionou — que se %fr Processo n° 10730.011067/2007-63 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.426 Fl. 131 fez referência a trecho do seu ultimo ato con. stitutivo — o qual não tem a menor importância para a solução da lide – e depois alegou algo que, quer-me parecer, pouco ou nada tem a ver com estes autos. Sem saber o certo aonde quis chegar a interessada com a alegação de que o requerimento originário não se reporta it inclusão retroativa, mas apenas a retificação da data da opção, e atento ao fato de que ela não foi capaz de rechaçar nenhum dos motivos impeditivos da opção pelo SIMPLES relacionados no parecer de fls. 102 e 103, reputo acertado o Ato Declaratório Executivo n° 6, de 13.02.2008, da DRF/NITERÓI/RI (fls. 26), exarado com base no art. 9 0 , XIII, da Lei n° 9.317, de 1996, e por conseguinte, indefiro a solicitação apresentada. Cientificada da decisão de primeira instância em 28/10/2008 (fl. 119), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 26/11/2008 (fls. 120/127), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Antes, porém, assevera que pleiteou retificação quanto ã data de OPÇÃO DO SIMPLES para o dia 21/02/1997, face o procedimento administrativo chancelado naquela data, sem que o mesmo tenha recebido qualquer aviso, comunicado sobre a sua exclusão ao Regime Fiscal referenciado. No mais, discorre acerca dos motivos pelos quais entende ser pertinente a ratificação quanto a data de sua opção, mantendo-se o enquadramento do SIMPLES por conta do processo administrativo que lhe foi formalizado a partir de21/02/1997, sem jamais ter sido excluído. o relatOrior n. ttk 3 ELI PEREIRA BESSA — Relatora Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A fl. 26 destes autos consta o Ato Declaratório Executivo n° 6/2008, expedido pela DRF/Niterói nos seguintes termos: Art. 1 ° - Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do SIMPLES a partir do dia 01/02/2006 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. Nome: CURSO TAURUS LTDA. CNPJ: 30.338.453/0001-93 Data da Opção pelo Si/vies: -01/01/2006. Situação excludente (evento 306): Atividade Econômica Vedada: 8520-1/00: Educação geral de ensino médio, público ou particular. - Data da ocorrência: 01/01/2006. - Fundamentação legal: Lei n.°9.317, de 05/12/1996: Art. 9°, XIII e art. 15, inciso II da mesma Lei, consubstanciada no Mandado de Procedimento Fiscal —Diligência n° 07.1.02.00-2007-00416-0 e no Parecer SECAT/DRF/NIT s/n de 13/11/2007, informando o exercício de atividades econômicas vedadas pelo interessado fl. 28 consta a publicação do referido Ato no Diário Oficial da União de 20/02/2008, e à fl. 29 consta aviso de recebimento fin-nando também a ciência postal do que expresso no presente processo administrativo. Ainda, em 25/03/2008 a contribuinte recebeu cópia integral dos autos até aquele momento, em atendimento á. sua solicitação de fl. 31. Assim, regularmente formalizado o ato de exclusão, com efeitos a partir de 01/02/2006, e sem que qualquer argumento tenha sido apresentado contra os fatos e fundamentos jurídicos que o motivaram, em nada é afetada sua existência. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
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Numero do processo: 13558.002576/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PIS/COFINS
Período de Apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº. 01 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LIVRO DE REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. PROVA EMPRESTADA.
Não caracteriza prova emprestada a utilização das informações prestadas pela própria contribuinte em seus livros fiscais, Presumindo-se como verdadeiras os dados informados no Livro de Registro de Apuração do ICMS, servindo como elemento de prova. MULTA QUALIFICADA.
É cabível o agravamento da multa de ofício quando o sujeito assivo informa em sua DIRPJ percentual ínfimo da receita bruta declarada ao fisco estadual e escriturada no Livro de Apuração do ICMS.
Recurso conhecido em parte.
Na parte conhecida, recurso voluntário negado..
Numero da decisão: 3202-000.321
Decisão: Acordam membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº. 01 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LIVRO DE REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. PROVA EMPRESTADA. Não caracteriza prova emprestada a utilização das informações prestadas pela própria contribuinte em seus livros fiscais, presumindose como verdadeiras os dados informados no Livro de Registro de Apuração do ICMS, servindo como elemento de prova. MULTA QUALIFICADA. É cabível o agravamento da multa de ofício quando o sujeito passivo informa em sua DIRPJ percentual ínfimo da receita bruta declarada ao fisco estadual e escriturada no Livro de Apuração do ICMS. Recurso conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. José Luiz Novo Rossari Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002576/200812 Acórdão n.º 3202000.321 S3C2T2 Fl. 155 2 Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Mara Cristina Sifuentes e Wilson Sampaio Sahade Filho. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 03/10) e da Contribuição para o Programa de Integração Social— PIS (fls. 14/21), relativas aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2003. Consta dos Autos de Infração que a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo n°2007.33.00.01344038 da 8ª Vara Federal/BA, nos termos dos incisos II e IV do Código Tributário Nacional. No Relatório de Fiscalização (fls. 25/30), o autuante informa que a empresa foi excluída do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n° 18/2007 (fl. 92), com efeitos a partir de 01/01/2003, por ter obtido receitas da venda de mercadorias no ano calendário de 2002 no total de R$ 3.935.804,16, acima do limite de enquadramento de Empresa de Pequeno Porte no SIMPLES, embora tenha apresentado Declaração Anual Simplificada como se inativa estivesse. Assim, foram lavrados Autos de Infração relativos ao SIMPLES, objeto do processo administrativo n° 13558.001874/200712. Em relação anocalendário 2003, segundo o autuante, foi constatada a falta ou insuficiência de recolhimentos da Cofins e do PIS, cujas bases de cálculo foram apuradas a partir dos valores informados no Livro de Registro de Apuração do ICMS (fls. 66/80). Porém, o autuante informa que o ICMS foi excluído das bases de cálculo das contribuições apuradas pela fiscalização, em face da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.33.00.01344038 (fls. 82/91), impetrado pela ASDAB — Associação dos Distribuidores e Atacadistas da Bahia, da qual a contribuinte faz parte. Desta forma, as contribuições incidentes sobre a parcela do ICMS foram lançadas de oficio, visando Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002576/200812 Acórdão n.º 3202000.321 S3C2T2 Fl. 156 3 prevenir a decadência, conforme demonstrativos às folhas 11 (Cofins) e 21(PIS). Por fim, segundo o autuante, tendo em vista que a contribuinte informou à Receita Federal apenas 6,27% da receita total, restou claro o intuito de fraude definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, razão pela qual foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150% prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Cientificada dos lançamentos em 31/12/2008, conforme Aviso de Recebimento à folha 96, a contribuinte apresenta em 29/01/2009 a impugnação de folhas 97/117, alegando em sua defesa, em síntese: • Preliminarmente, o Auto de Infração deve ser declarado nulo, pois a autuação foi baseada exclusivamente em prova emprestada, qual seja, valores declarados ao Fisco estadual, embora caracterizem meros indícios de omissão de receitas, transcrevendo jurisprudência judicial e administrativa que entende corroborar seus argumentos; • A autuação também é nula por estar fundamentada em exclusão indevida da empresa da sistemática do SIMPLES, pois embora o Ato Declaratório Executivo n° 18/2007, exarado pela DRF/Itabuna, mencione que a exclusão se deu em função do processo n° 13558.002056/2007 29, jamais teve conhecimento do teor daquele processo, tendo somente recebido cópia do ADE; • Contribuintes optantes do SIMPLES, anteriormente ao ato declaratório excludente, têm direito a permanecer no regime por atender aos requisitos à época da opção, e sua exclusão somente pode ocorrer com observância dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, o que, no presente caso, não ocorreu; • No mérito, alega ser impossível a cobrança de tributo retroativamente, que somente pode ocorrer a partir do momento em que o Fisco tomou conhecimento de que o contribuinte não mais se enquadrava no Simples, sob pena de se ferir os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da norma jurídica tributária, conforme jurisprudência judicial transcrita; • Por sua própria natureza, a atividade desenvolvida pela empresa jamais poderia gerar uma receita bruta no elevado montante imaginado pelo auditor, apurado com base em elementos indiciários, ressaltando, ainda, que se localiza numa região que sofre processo histórico de degradação na economia regional, não havendo como tributála em percentuais incompatíveis com o lucro real da empresa sem avaliar e considerar as despesas do estabelecimento, não tendo sido considerada também a elevada inadimplência com a qual a impugnante vem se defrontando, o que reduz ainda mais a sua rentabilidade média; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002576/200812 Acórdão n.º 3202000.321 S3C2T2 Fl. 157 4 • Ao final, requer a improcedência dos Autos de Infração. A DRJSalvador/BA julgou procedente o lançamento (fls. 123/127), nos termos da ementa transcrita adiante: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, dom o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo, cabendo, entretanto, análise relativamente às matérias não submetidas à apreciação do Poder Judiciário. NULIDADE.As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas ,na lei para a sua ocorrência, e não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. LIVROS FISCAIS. PROVA EMPRESTADA. Não caracteriza prova emprestada a utilização do Livro de Registro de Ai Duração de ICMS para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. Os valores informados e atestados como verídicos ao Fisco estadual pelo contribuinte, mediante declaração firmada no Livro Registro de Apuração do ICMS e Registro de Saídas, presumemse verdadeiros, cabendo prova em contrário, com elementos objetivos. EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls.129/150), repisando os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso voluntário e declarada a improcedência da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002576/200812 Acórdão n.º 3202000.321 S3C2T2 Fl. 158 5 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Trata a lide de Autos de Infração lavrados contra a empresa DISTRIBUIDORA MULTIFRIOS LTDA para constituição de créditos tributários relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 3/13) e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 14/24), no valor total de R$40.963,17, referentes ao período de apuração de 31/01/2003 a 31/12/2003, inclusos o valor do tributo que deixou de ser recolhido ou foi recolhido a menor, multa de ofício agravada (150%) e juros de mora. Entendeu a Fiscalização ter havido omissão de receitas, a qual foi apurada por meio de divergências verificadas entre as receitas declaradas pela contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e a informada à Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de Declaração Anual Simplificada/2003 – SIMPLES. Concluiu o Fisco que a contribuinte, apesar de ter auferido receita no montante total de quase nove milhões de reais, decorrente da revenda de mercadorias, informou à SRF uma receita bruta anual de apenas R$ 564.179,45, ou seja 6,27% do valor informado ao Fisco Estadual, conforme comprovam cópias das DIRPJSimples anexas ao Auto de Infração. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 25/30), as bases de cálculo das contribuições foram apuradas a partir dos valores informados no Livro de Registro de Apuração do ICMS. Entretanto, referido tributo estadual foi excluído das preditas bases de cálculo em razão de sentença judicial, proferida pelo juízo da 8ª Vara da Justiça Federal no Estado da Bahia, nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.33.00.01344038 (fls. 91/99), impetrado pela ASDAB — Associação dos Distribuidores e Atacadistas da Bahia, da qual a contribuinte faz parte. Tendo em vista que ainda não havia o trânsito em julgado da sentença proferida nos autos do referido Mandado de Segurança, e com vistas a preservar os interesses da Fazenda Nacional e prevenir a decadência, foram lavrados os Autos de Infração para constituir os créditos tributários relativos às contribuições da COFINS e do PIS, com exigibilidade suspensa, tão somente em relação aos valores que foram excluídos da base de cálculo por força da predita decisão judicial. A inclusão do ICMS na base de cálculo é objeto de discussão na seara judicial, razão pela qual não cabe ser conhecido o recurso quanto a esta matéria, conforme sumulado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: Súmula nº. 01 – Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002576/200812 Acórdão n.º 3202000.321 S3C2T2 Fl. 159 6 apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Também não devem ser conhecidas as alegações de defesa que dizem respeito à exclusão da contribuinte da sistemática de pagamento de tributos pelo SIMPLES. Isso porque, por disposição dos arts. 2º e 4º Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº. 256, de 22/06/2009, tal matéria é de competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF, cabendo a esta Turma, no caso, analisar somente a autuação quanto aos aspectos que se relacionam às contribuições da COFINS e PIS, no que for distinto da matéria sob apreciação do Poder Judiciário. Feitas tais considerações, temse que quanto à autuação referente à COFINS e ao PIS, em sede de recurso a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova que pudesse sustentar suas precária alegações de defesa, já aduzidas na impugnação, não havendo nos autos contraposição às provas trazidas pela autoridade autuante. Ressaltese que, no processo administrativo fiscal, também é aplicável o princípio processual de que ao autor cabe o ônus de demonstrar os fatos constitutivos de seu direito, isto é, à Fazenda Pública cabe demonstrar os fatos que justificam o lançamento fiscal (quem alega tem de provar) e, ao sujeito passivo, os fatos impeditivos e ou modificativos do direito demonstrado pelo autor (pela Fazenda Pública). No caso, nada traz a defesa para contrapor as provas produzidas pela autoridade autuante, e, antes pelo contrário, as explicações que fornece mostramse vazias de fundamentação, pois à tributação não se mostram relevantes os fatores regionais da economia. Por outro lado, como bem salientou a autoridade julgadora a quo, a utilização das informações prestadas pela própria contribuinte no Livro de Registro de Apuração do ICMS não se trata de utilização de prova emprestada. Esta é tipo de prova atípica, admitida pelo Direito Processual Civil em razão dos princípios da economia processual e da unicidade da jurisdição, e que consiste no transporte de produção probatória de um processo para outro, isto é, as provas produzidas perante um determinado juízo são trasladadas para os autos de outro processo, com o fim de produzir prova perante outro juízo. No caso, o que ocorreu foi um simples exame dos livros fiscais e contábeis pela autoridade competente para tanto, conforme autorizado pelo artigo 911 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo amparo legal é dado pelo artigo 7° da Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, e assim dispõe, verbis: Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais. Por último, temse que idêntica matéria de que tratam estes autos foi julgada por esta Turma na sessão de maio deste ano, no processo administrativo nº. 10120.016064/200885, em que foi relator do voto condutor do Acórdão o ilustre Conselheiro Gilberto Castro Moreira Júnior. Naquela oportunidade, este Colegiado, por unanimidade de votos, reconheceu válida a utilização das informações contantes do RAICMS e entendeu que a divergência de informações prestadas pela própria contribuinte entre os Fiscos Federal e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002576/200812 Acórdão n.º 3202000.321 S3C2T2 Fl. 160 7 Estadual consistia em omissão de receitas, jusitificando o agravamento da multa de ofício. Eis a ementa do referido Acórdão: Assunto: PIS/COFINS Período de Apuração: 31/01/2005 a 31/12/2005 ILEGALIDADE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA. Tendo o lançamento sido pautado nas provas juntadas aos autos sem que o contribuinte tenha atacado tais provas de maneira a questionar e demonstrar a ausência de conteúdo das mesmas, não há que se falar em nulidade do lançamento. MULTA QUALIFICADA. A prática de oferecer à tributação, em todos os períodos de apuração do ano, percentual ínfimo da receita bruta declarada ao fisco estadual e escriturada no Livro de Apuração do ICMS, constitui ilícito que justifica a qualificação da multa de oficio. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA ALEGADA APENAS EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Segundo o artigo 17 do Decreto 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente, motivo pelo qual se encontram preclusas as matérias alegadas pela Recorrente apenas em sede de Recurso Voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO CONHECIDO EM PARTE. NA PARTE CONHECIDA, REJEITADA A PRELIMINAR DE NULIDADE DE LANÇAMENTO E NO MÉRITO NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Por todo o exposto, CONHEÇO EM PARTE do recurso; na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 10218.000667/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 1999
ITR RESERVA LEGAL Estando a reserva legal registrada à margem da
matrícula do registro de imóveis deve ser excluída da base de cálculo do ITR.
ÁREA UTILIZADA COMO PASTAGENS – FALTA DE COMPROVAÇÃO Oportuna
a cobrança de Imposto Suplementar por glosa de área de pastagens da propriedade em função da não apresentação, em qualquer tempo, de documento que comprovasse ou mesmo identificasse a quantidade de animais existentes no período lançado.
Numero da decisão: 2201-001.083
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para excluir da tributação à área de 31.363 ha relativa à reserva legal.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ÁREA UTILIZADA COMO PASTAGENS – FALTA DE COMPROVAÇÃO Oportuna a cobrança de Imposto Suplementar por glosa de área de pastagens da propriedade em função da não apresentação, em qualquer tempo, de documento que comprovasse ou mesmo identificasse a quantidade de animais existentes no período lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para excluir da tributação à área de 31.363 ha relativa à reserva legal. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 101DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Paulista S/A Comércio, Participações e Empreendimentos recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela 1ª Turma da DRJ de Recife/PE, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 67/81. Tratase de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR (fls. 04/09), no valor de R$ 335.637,97, com multa de 75% e juros de mora, calculados até 30/09/2003, perfazendo um montante de R$ 821.406,79. A infração apurada pela fiscalização foi de exclusão indevida da tributação de 31.363,20 ha de área de utilização limitada e a inclusão indevida de 6.978,00 ha como área utilizada com pastagem. Ressaltese que a exclusão indevida, conforme se extrai do “Demonstrativo dos Fatos e Enquadramento Legal”, fl. 06, tem origem na falta de apresentação de documentação que comprove ser a área de utilização limitada não tributável pelo ITR/1999 e a inclusão indevida da área de pastagem decorreu da falta de observação da tabela de índices de rendimento. Cientificada do auto de infração em 16/10/2003 (fl. 15), a autuada apresentou Impugnação em 14/11/2003 (fls. 19/41), alegando, essencialmente, que: a) juntou cópia autenticada da certidão contendo a averbação da reserva legal, atendendo, assim, ao disposto no Parágrafo 7° do art. 10 da IN SRF n° 43 de 07/05/1997; b) apresentou documento expedido pelo Incra considerando o referido imóvel como produtivo o que ocorreu com a apresentação de projeto técnico. A 1ª Turma da DRJ em Recife/PE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento dela junto ao Ibama ou a órgão delegado através de convênio, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. A exclusão da área de utilização limitada/Reserva Legal da tributação pelo ITR depende ainda de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE PASTAGENS. O total da área servida de pastagem é a resultante da soma das áreas constantes nos campos “Área Servida de Pastagem Aceita”, “Pastagem em Formação” e “Área Implantada Objeto de Projeto Técnico”. ÁREAS DE PASTAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.000667/200371 Acórdão n.º 220101.083 S2C2T1 Fl. 2 3 Deve ser mantida a glosa do valor declarado a título de área de pastagem, quando nãocomprovada pelo contribuinte, recalculandose, conseqüentemente, o ITR, devendo a diferença apurada ser acrescida das cominações legais, por meio de lançamento de ofício suplementar. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Lançamento Procedente Cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 29/06/2007 (fl. 59), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 30/07/2007 (fls.67/81), sustentando, em síntese, que: a) a prova cabal de que as matrículas dos imóveis apresentados referemse à Fazenda Rio Fresco foi feita. A soma das áreas das nove matrículas juntadas perfaz 39.204,00 hectares, mesma área declarada na DITR. E ainda, se a julgadora entendeu que as matrículas poderiam não ser da "Fazenda Rio Fresco", teria formas de comprovar em definitivo esta suspeita. Órgãos públicos como o INCRA e a própria Secretaria da Receita Federal possuem informações que dão conta de que as nove matrículas apresentadas são de fato da "Fazenda Rio Fresco"; b) seja encaminhado oficio a Delegacia da Receita Federal em Marabá para solicitar do INCRA as informações sobre quais as glebas e respectivas matrículas compõem a "Fazenda Rio Fresco", ou mesmo, faculte à recorrente, a juntada de outros documentos que possam sanar qualquer dúvida a respeito, pois se trata de uma exigência nova e que a recorrente não tinha obrigação de provar na peça impugnatória; c) de acordo com o dispõe o artigo l0, § 7° da Lei nº 9393/1996, a área de preservação permanente e de reserva legal informada, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira. Portanto, o dispositivo legal dispensou expressamente a entrega do ADA, que é a obrigação acessória exigida ilegalmente pela IN/SRF n° 43/1997. Concluise, assim, que a dispensa da entrega do ADA é expressa porque o contribuinte provou que suas declarações são verdadeiras; d) a decisão de primeira instância ao aplicar o que dispõe numa Instrução Normativa em detrimento do artigo l0, § 7° da Lei n° 9393/1996, feriu a hierarquia das normas e a Carta Magna de 88, pois entendeu que a IN/SRF n° 43/1997 tem maior eficácia do que uma Lei Ordinária; e) a DRJ utilizou uma Instrução Normativa para definir o VTN tributável do imóvel, ou seja, definiu a base de cálculo do ITR com fundamento em uma norma singular, de cunho meramente complementar de normas jurídicas superiores. Entretanto, o artigo 97 do CTN dispõe que a base de cálculo de um tributo somente pode ser definida ou majorada por Lei, e que a alteração da base de cálculo constituise em majoração de tributo. Portanto, a IN/SRF n° 43/1997 jamais poderia ser utilizada; Fl. 103DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 f) o processo de fiscalização junto ao INCRA de número 54600.001091/2002 possui todos os elementos comprobatórios de que foi apresentado projeto técnico, tanto que foi revalidado o CCIR 1998/1999. Dessa forma, como os únicos documentos hábeis a provar a existência do projeto técnico à época era apresentação do CCIR 1996/1997, considerando o imóvel como "grande produtiva". Portanto, não resta alternativa a não ser autorizar ao recorrente a produção de prova suplementar, sob pena de estar ferindo o direito do mesmo; g) sejam deferidas as diligências para o INCRA, via da Superintendência de MarabáPA e para a Secretaria da Agricultura e para a ADEPARÁ, ambas de jurisdição do município de Santana do Araguaia, PA, pois se tratam de exigências novas e que a recorrente não tinha obrigação de provar na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos cingese, essencialmente, na glosa efetuada pela autoridade fiscal relativa à exclusão de 31.363,20 ha de área de utilização limitada, bem como a glosa em relação à área de 6.978,00 ha utilizada como pastagem. De acordo com o “Demonstrativo dos Fatos e Enquadramento Legal”, fl. 06, a exigência originouse da falta de apresentação de documentação que comprove ser a área de utilização limitada, informada na DITR/99, área não tributável. Neste mesmo sentido, considerou a fiscalização que a inclusão indevida da área de pastagem decorreu da falta de observação da tabela de índices de rendimento. Por sua vez, a decisão de primeira instância concluiu pela procedência do lançamento, posto que o contribuinte não logrou comprovar que as cópias apresentadas do Serviço de Registro de Imóveis, onde consta averbação de reserva legal, referese ao imóvel Fazenda Rio Fresco (fls. 31/39). Ademais, assevera a decisão a quo que não restou provado, para fins de utilização de área de pastagem, a aprovação de projeto técnico e que o mesmo encontravase em andamento em 1998. O processo em questão foi incluindo em pauta em 12 de maio de 2010 e, diante da insuficiência das provas, bem como a necessidade de novos esclarecimentos, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, decidiu converter o processo em diligência para a juntada de alguns documentos. Fundamentalmente, a diligência foi proposta nos seguintes termos: i ajuntada de outros documentos que possam sanar qualquer dúvida a respeito de quais os lotes rurais e respectivas matrículas compõem a Fazenda Rio Fresco; ii cópia do processo administrativo INCRA n° 54600.001091/2002; Fl. 104DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.000667/200371 Acórdão n.º 220101.083 S2C2T1 Fl. 3 5 iii qual a área de pastagem e o número do rebanho e respectivo porte, a luz dos órgãos oficiais de controle (Secretaria da Agricultura, ADEPARÁ, INCRA, etc.), bem como se existe, para o período fiscalizado, de projeto técnico e se o mesmo encontravase em andamento; iv demais documentos de interesse do recorrente. Finda a diligência dos documentos deverão ser apreciados pela fiscalização que, caso queira, emitirá seu parecer. Finda da diligência, a recorrente prestou, em apertadíssima síntese, os seguintes esclarecimentos: I – Da comprovação da área de reserva legal A “Fazenda Rio Fresco” localizase no município de Cumuaru do Norte, Estado do Pará e integra a área da Amazônia legal na forma da Lei nº 4.771/65. As áreas de floresta que integram a Amazônia Legal são gravadas por uma série de restrições legais para sua ocupação, especialmente a prescrição legal da manutenção como área de reserva permanente, de 80% do território da propriedade rural, por força do art. 16, I, do Código Florestal. Em atendimento a diligência junta a Recorrente “Escritura de Venda e Compra e Divisão Amigável” relativa à Fazenda Rio Fresco que foi alienada em dezembro de 1999. A referida escritura menciona cada uma das matrículas que compõem a Fazenda (fl. 131): “O imóvel está cadastrado no INCRA, tendo os seguintes dados: CCIR – Código do imóvel 044024 005568 6 em nome da Fazenda Rio Fresco, localizada na região do Rio Fresco, município de Cumarú do Norte – PA com área total de 39.204,0 ha em nome de Paulista S A Participações e Empreendimentos”. Destarte, os lotes somados (matrícula: 8522 – Área 4.356,00 ha; 8523 – Área 4.356,00; 8524 – Área 4.356,00; 8618 – Área 4.356,00; 8620 – Área 4.356,00; 8517 – Área 4.356,00; 8619 – Área 4.356,00; 8621 – Área 4.356,00 e 8622 – Área 4.356,00) perfazem o total de 39.204,00 ha e, deste montante, 31.363,20 ha corresponde à área de reserva legal averbada em 23 de setembro de 1998 (fl. 131/142). II – Da comprovação da área de pastagem objeto de projeto técnico De acordo com os esclarecimentos prestados, fl. 107, a recorrente ingressou efetivamente com o projeto técnico das áreas de pastagem em período que compreende o fato gerador, contudo, a recorrente alienou o referido imóvel em dezembro de 1999, conforme Escritura de Compra e Venda, fl. 131. O CCIR 1998/1999 classifica a Fazenda Rio Fresco como “Grande Produtiva”, predicado que somente seria possível atribuíla no caso em que se aceitasse o projeto técnico, pois, efetivamente, todo o remanescente da área, excluída a reserva legal, era objeto de projeto técnico, não havendo quaisquer outras atividades produtivas neste imóvel rural. Em linhas gerais estes foram os esclarecimentos da recorrente. Passase, então, à análise individualizada do mérito. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Em relação à área de reserva legal, tenho firmado entendimento de que a averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário é ato constitutivo da reserva legal, portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. Senão vejamos: O artigo 11 da Lei n° 8.847/1994, prescreve: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I – de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. (...) Pelo que se vê, o art. 11 da Lei n° 8.847/1994 considerou como isentas do imposto às áreas de preservação permanente e de reserva legal. Todavia, para fazer jus a isenção deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental. Assim, para a exclusão do cálculo do imposto da área definida como reserva legal é imprescindível sua averbação no órgão competente de registro, conforme se extrai da leitura do § 2° do artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/1989, Art. 16. ...................... § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” Neste sentido, compulsandose as matrículas: 8522; 8523; 8524; 8618; 8620; 8517; 8619; 8621 e 8622 verifico que a área de 31.363,20 ha, relativa à reserva legal (fl. 131/142), encontrase averbada a margem da matrícula do imóvel da Fazenda Rio Fresco, desde 23 de setembro de 1998. Ademais, consta à fl. 40 entrega tempestiva do ADA – Ato Declaratório Ambiental informando a área de 31.363,20 ha como área de utilização limitada. Destarte, deve ser excluída da tributação a referida área. Quanto a glosa da área de pastagem melhor sorte não assiste a recorrente. Analisando detidamente o Projeto Técnico Agropecuário, fl. 164, do total da propriedade, qual seja, 39.204,00 ha a recorrente considerou o montante de 842,00 ha como área de pastagem, embora a suplicante, instada a comprovar a existência de animais na propriedade, não tenha carreado aos autos qualquer documento de prova. Ressaltese que os documentos hábeis para comprovar o rebanho existente no imóvel rural seriam, por exemplo: ficha registro de vacinação e movimentação de gados e/ou ficha do Serviço de Erradicação da sarna e Piolheira dos Ovinos fornecidos pelos escritórios Fl. 106DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.000667/200371 Acórdão n.º 220101.083 S2C2T1 Fl. 4 7 vinculados à Secretaria de Agricultura, localizados nos respectivos municípios, laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais (secretaria de Agricultura dos Estados, Banco do Brasil, bancos e órgãos regionais ou estaduais de desenvolvimento), no qual deverão constar as informações sobre o efetivo pecuário de grande e médio porte, no imóvel em questão, no exercício anterior, no caso ao período de 01/01/1998 a 31/12/1998. Portanto, diante da insuficiência de prova, não há como acolher a pretensão da recorrente. Ante a todo o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso para excluir da tributação a área de 31.363,00 ha relativa à reserva legal. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 107DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Processo nº: 10218.000667/200371 Recurso nº: 339.911 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.083. Brasília/DF, 14 de abril de 2011 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 108DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13963.001774/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento do salário utilidade em espécie caracteriza descumprimento da legislação do PAT e da Lei de Custeio da Previdência Social, por conseguinte, deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.692
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento do salário utilidade em espécie caracteriza descumprimento da legislação do PAT e da Lei de Custeio da Previdência Social, por conseguinte, deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 166/167, interposto pela empresa acima epigrafada contra decisão da DRJ em Florianópolis (SC), fls. 160/163, a qual declarou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração – AI n. 37.155.5825, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. O crédito em questão contempla o período de 01/2004 a 02/2006 e diz respeito às contribuições dos segurados. O crédito, com data de consolidação em 13/06/2008, assumiu o montante de R$ 16.906,34 (dezesseis mil, novecentos e seis reais e trinta e quatro centavos). Nos termos do Relatório da Auditoria, fls. 40/45, o lançamento teve como base tributável os valores repassados a título de “alimentação” aos segurados empregados que laboraram em serviço prestado pela autuada ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Asseverou o Fisco que a empresa era inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, na modalidade “AlimentaçãoConvênio”, cuja execução deveria se dar através da empresa Ticket Serviços Ltda, todavia, verificouse que programa não foi cumprido tendo em vista que a alimentação foi paga em pecúnia diretamente aos empregados, mediante depósito bancário. Diante desse fato, o fisco considerou a aludida verba como saláriode contribuição. A Auditoria ressalta que comprovou, mediante análise da Ação Trabalhista n. 1082/2006, movida pela empregada Maria Salete da Silva Vicente que a autuada efetuava o pagamento do salário utilidade alimentação sem registrar os valores em folha de pagamento, tendo o Magistrado reconhecido que a reclamada não cumpria as normas do PAT. Esclarece ainda o Fisco que, pelo fato da contribuinte não lançar nas folhas de pagamento os valores correspondentes à verba “alimentação”, a base de cálculo foi extraída das notas fiscais referentes ao valealimentação e emitidas pela autuada ao seu contratante. De acordo com o citado Relatório, foram aproveitados na apuração os recolhimentos efetuados, as retenções destacadas nas notas fiscais emitidas pela empresa, em decorrência da Lei 9.711/1998, nas respectivas competências de sua emissão, inclusive os saldos remanescentes das retenções relativas às obras de construção civil. Também houve o aproveitamento dos créditos constituídos mediante Intimações para Pagamentos (IP) emitidas pela Receita Federal do Brasil. No seu recurso, a empresa argumentou, em apertada síntese, que: a) não poderia se manifestar favoravelmente à compensação dos seus créditos no presente lançamento, uma vez que entende que não há incidência de contribuições sobre a verba “alimentação; b) a farta jurisprudência citada demonstra não haver tributação previdenciária sobre a rubrica em questão; c) a apuração fiscal efetuada no período de 06/2004 a 02/2006 carece de um critério mais preciso, posto que tais valores não constavam em folha de pagamento; Fl. 178DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13963.001774/200887 Acórdão n.º 240101.692 S2C4T1 Fl. 171 3 d) o Fisco, ao levar em conta os descontos da parte dos empregados, acabou por reconhecer que a empresa cumpria as normas do PAT, posto que esse desconto é previsto nas mesmas. Ao final, requer a declaração de nulidade do AI. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O argumento de que a empresa cumpria as normas do PAT e que, por conseguinte, não poderia haver a incidência de contribuições sobre a verba “alimentação” não merece acatamento. Sobre a questão, façamos uma breve análise da legislação aplicável, desde a Constituição Federal até as normas infralegais editadas pela Administração Tributária. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195.A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo Fl. 180DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13963.001774/200887 Acórdão n.º 240101.692 S2C4T1 Fl. 172 5 de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nesses termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Tendose em conta a abrangência do conceito, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. É importante que se diga que o propósito do legislador foi de explicitar na lei todas as hipóteses de não incidência de contribuição, em lista exaustiva. Vejase que a Medida Provisória nº 1.59614, de 10/11/1997, posteriormente convertida na Lei nº 9.528/97, introduziu o termo “exclusivamente” ao citado dispositivo, ficando claro que, no preceptivo em questão (§ 9.º do art. 28), estão dispostas hipóteses de não incidência em lista numerus clausus. Enfocando as hipóteses previstas na alínea “c”, a impugnante afirma que o lançamento sob desvelo não encontra amparo na legislação de regência. Eis o dispositivo invocado: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Fl. 181DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Observese do dispositivo transcrito que a previsão de não incidência de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Na apreciação do alcance da norma sob comento, temos que ter em vista que, nos termos do art. 111, I, do Código Tributário Nacional – CTN, a norma isentiva tem que ser interpretada restritivamente, não cabendo ao aplicador ampliarlhe o alcance para dispensar o contribuinte do pagamento de tributo. Nessa linha, a norma é enfática ao prescrever que as condições para que o fornecimento de alimentação aos trabalhadores fique a margem do campo da tributação previdenciária são a sua disponibilização “in natura” e em conformidade com as regras do PAT. Consultando a legislação específica que trata do PAT, pude verificar que inexiste a previsão de seu fornecimento em pecúnia. É que se pode concluir da leitura da alínea “c” do § 1. do art. 2. da Portaria Interministerial n. 05, de 30/11/1999, in verbis: § 1°A adesão ao PAT consistirá na apresentação do formulário oficial instruído com os seguintes elementos.. (...) c) modalidade de serviços de alimentação e percentuais correspondentes (próprio, fornecedor, convênio e cesta de alimentos); Não é razoável, então, que se deixe de tributar a verba que foi repassada aos empregados da recorrente sem sequer transitar pela folha de pagamento e, mais grave ainda, paga em total desconformidade com as normas do PAT. Observese o que dispunha a Instrução Normativa SRP n. 03/2005 quando tratava do fornecimento de alimentação: Art. 753. (...) §2° O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. (...) Pois, então, não há como ser acatada a alegação de que o fornecimento de alimentação em espécie, ou seja, em desacordo com as normas aplicáveis, possa ficar livre incidência de contribuições previdenciárias. Não encontrei também desacerto do fisco quando fixou a base de cálculo pelo valor das notas fiscais, posto que, como mesmo afirmou a recorrente, os valores da alimentação não foram lançados em folha de pagamento. O próprio contrato firmado entre a autuada e a recorrente previa o repasse dos valesrefeição aos empregados, que seriam custeados com recursos específicos repassados pela contratante. Então, na ausência do registro na folha de pagamento, não havia outra alternativa do fisco senão considerar saláriodecontribuição os valores das notas fiscais relativas ao vale alimentação, deduzindo a parcela descontada dos empregados e os valores não utilizados. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13963.001774/200887 Acórdão n.º 240101.692 S2C4T1 Fl. 173 7 Vejase que o fato do Fisco haver excluído a parcela descontada dos trabalhadores não indica que tenha havido o entendimento de que as normas do PAT estariam cumpridas, mas decorreu da impossibilidade de haver tributação sobre verbas que não se constituíram em repasse da empresa. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 183DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 29/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 37172.000981/2006-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/01/1994, 20/12/2004
AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO QUE ANTES DO JULGAMENTO DA SRP, RETORNA EM DILIGÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO SE PROCUNUNCIAR EM QUESITOS, E LOGO APÓS HA DECISÃO SINGULAR SEM A OBSERVÂNCIA DA PRONÚNCIA DO CONTRIBUINTE DEFENDENTE, CAUSA AFRONTA CONSTITUCIONAL DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO.
0 cerceamento de defesa não é causado tão somente quando há
impedimento de produção de provas, mas, sobretudo, quando há
afronta a princípios pétreos da Carta Maior, dentre eles o fato de não oportunizar que a parte defensiva se pronuncie após
diligencias realizadas pela fiscalização.
Numero da decisão: 2301-002.171
Decisão: Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/1994, 20/12/2004 AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO QUE ANTES DO JULGAMENTO DA SRP, RETORNA EM DILIGÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO SE PROCUNUNCIAR EM QUESITOS, E LOGO APÓS HA DECISÃO SINGULAR SEM A OBSERVÂNCIA DA PRONÚNCIA DO CONTRIBUINTE DEFENDENTE, CAUSA AFRONTA CONSTITUCIONAL DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. 0 cerceamento de defesa não é causado tão somente quando há impedimento de produção de provas, mas, sobretudo, quando há afronta a princípios pétreos da Carta Maior, dentre eles o fato de não oportunizar que a parte defensiva se pronuncie após diligencias realizadas pela fiscalização.
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O cerceamento de defesa não é causado tão somente quando há impedimento de produção de provas, mas, sobretudo, quando há afronta a princípios pétreos da Carta Maior, dentre eles o fato de não oportunizar que a parte defensiva se pronuncie após diligências realizadas pela fiscalização. I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Relator. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) materializada pelo n° 35.724.1347, consolidada em 20/12/2004, em desfavor da empresa Recorrente, referente às contribuições previdenciária, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados correspondentes às partes da empresa, dos empregados e às destinadas ao financiamento das prestações por risco de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCELO OLIVE IRA 2 acidentes de trabalho — SAT/RAT ou da complementação para aposentadorias especiais, no período de Janeiro de 1994 a Setembro de 2003. De acordo com o Relatório Fiscal (fl. 619/668) essas contribuições referem se, as contribuições de valores pagos a título de prêmio de retorno de férias e de diferenças relativas à rubrica constantes das folhas de pagamentos, adicional de lanches, reclamatória trabalhista, caracterização de segurados empregados, caracterização de segurado aposentado, caracterização de estagiários, produto rural, diferença de SAT/RAT. Irresignada com a autuação, a Recorrente apresentou sua Impugnação tempestiva (fl.776/1127) onde, em síntese, requer o que se segue: Preliminarmente: a) Pela decadência, respaldada sob o argumento de que o fato gerador do crédito está datado em DEZ/1998, mas que o lançamento do crédito exigido apenas ocorreu em 22/12/2004. Sendo assim, a Recorrente argúi que viola os ditames do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN; Mérito: b) Da impossibilidade do INSS contestar os valores das contribuições previdenciárias recolhidas à época, tendo em vista a homologação dos acordos trabalhistas entabulados perante os Juízes do Trabalho, fundamentado sob a óptica da Orientação Jurisprudencial nº 104; c) Pelo descabimento da integração do adicional de lanches na base de cálculo para o recolhimento das contribuições previdenciárias; d) Pela caracterização dos segurados empregados como autônomos, descaracterizando, portanto, a relação de vínculo jurídico entre a empresa Recorrente e os prestadores de serviços. Assevera, ainda, que há usurpação de competência dos Auditores, tendo em vista que a competência do INSS está adstrita a arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições previdenciárias; e) Pela caracterização dos segurados empregados aposentados, sob o argumento de que os Auditores do INSS incorreram nas irregularidades no que tange ao vício praticado por usurpação de competência, seja pela utilização equivocada dos conceitos dos elementos constitutivos de uma relação empregatícia, seja pela incorreta apuração dos referido elementos para desconstituição da relação jurídica mantida pela Notificada e os prestadores de serviço; f) Pela caracterização dos segurados empregados estagiários, respaldado sob o argumento de usurpação de competência, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 37172.000981/200627 Acórdão n.º 230102.171 S2C3T1 Fl. 8 3 tendo em vista que somente aos Juízes de Trabalho é permito declararem fraudulenta as relações de trabalho de estágio e reconhecerem eventuais vínculos empregatícios entre estudantes trabalhadores e tomadores de serviços; g) Para não integralizar a base de cálculo da contribuição previdenciária a gratificação (prêmio) de retorno férias, sob o argumento de que a referida verba não é salário de contribuição, h) Pela descaracterização de aquisição de produtos naturais, sob o argumento de que a empresa Recorrente realizou diretamente com pessoas jurídicas prestadoras de serviços, as aquisições dos produtos, não havendo, portanto, a comercialização própria de produção natural. Por fim, argúi que as referidas operações foram devidamente registradas nos livros contábeis da empresa. No entanto, os autos foram baixados em diligência, para a fiscalização se manifestar sobre os seguintes pontos: Sobre os documentos anexados, às fls.805 a 1063, relativos às reclamatórias trabalhistas, juntamente com o demonstrativo elaborado pela defesa, às fls.784 a 787, informando se os mesmos alteram ou não o lançamento fiscal; Sobre os seguintes argumentos aduzidos pela defesa (fls. 799/800): Por tratar de negócio jurídico realizado diretamente entre Magnesita S.A e pessoas jurídicas prestadora de serviços, não havendo comercialização de produção rural, nem mesmo através de intermediários, com segurado especial — rurícola; bem como o argumento de que as referidas operações foram registradas nos competentes livros contábeis da Notificada, os quais foram exibidos e disponibilizados à Auditoria do INSS; Sobre os argumentos de que não foram demonstradas a pessoalidade e subordinação na caracterização dos segurados empregados (788/794), e que no tocante aos estagiários a fiscalização não apontou qualquer traço no vínculo havido entre a empresa e estudantes que eventualmente pudesse identificálo como uma legítima relação de emprego (797/799); Sobre outros argumentos aduzidos na defesa que a fiscalização julgar importante para subsidiar na elaboração da Decisão Notificação Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCELO OLIVE IRA 4 Após a apresentação das informações Fiscais (fls. 1134/1164), a DRJ de Belo Horizonte, por meio da Decisão Notificação nº 11401.4/0264/2006 (fls. 1577/1589), julgou o lançamento procedente em parte, como se vê o ementário do acórdão proferido: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. PROCESSOS TRABALHISTAS. PARCELAS INTEGRANTES DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. PRÊMIO RETORNO DE FÉRIAS. ESTAGIÁRIO. PRODUTO RURAL. 1 O direito da Seguridade Social de apurar e constituir seus créditos extinguese após 10(dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada, nos termos do art.45 da Lei n° 8.212/91. 2 Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas à contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado, conforme parágrafo único do art. 43 da Lei n°8.212/91, acrescentado pela Lei n° 8.620/93. 3 A verba paga aos empregados a título de adicional de lanche integra o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I da Lei n° 8.212/91 não se encontrando no rol do §9° do artigo 28 da mesma Lei. 4 Constatada a presença dos requisitos estabelecidos no artigo 12, I, "a", da Lei n° 8.212/91 e no art. 3°, da CLT, o segurado deverá ser enquadrado como empregado, independentemente do vínculo pactuado entre a empresa e o trabalhador. 5 È segurado do RGPS na categoria de empregado o estagiário que presta serviço a empresa em desacordo com a Lei n°6.494, de 07/12/1977. 6 Integra a base de cálculo da contribuição previdenciária a gratificação (prêmio) de retorno férias com concessão vinculada a fatores como eficiência assiduidade, pontualidade, tempo de serviço e produção, estabelecido ou não em cláusula contratual ou convenção coletiva de trabalho, conforme art.28, I da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores. 7 A aquisição de produto rural restou evidenciada pelas notas fiscais de entrada, configurando o prescrito no artigo 25, §2° da Lei n° 8.212/91, com a redação alterada pela Lei n° 8.398/92, e renumerado para parágrafo 3° com a Lei n° 8.540/92. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE” Inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 1923/1952) alegando, em síntese, todos os argumentos e fundamentos já ventilados na impugnação supracitada. Em síntese, requer que seja desconstituída a notificação de lançamento de débito lavrada em desfavor da empresa Recorrente. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 37172.000981/200627 Acórdão n.º 230102.171 S2C3T1 Fl. 9 5 Eis o relato dos fatos Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS FERINDO A AMPLA DEFESA, O CONTRADITÓRIO E O DEVIDO PROCESSO LEGAL O processo administrativo nada mais é que o conjunto ordenado de atos públicos que tem como objeto a instrução processual, reunindo todas as peças e provas necessárias para implemento de um julgado da controvérsia posta em discussão, visando o deslinde dela, responsabilizando ou absolvendo, trazendo assim a solução do caso. Nele, sob pena de nulidade, obedecerá, dentre outros, aos princípios da publicidade, legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Ora, a ampla defesa e o contraditório é condição ‘sine qua non’ para que se tenha o devido processo legal, trazendo a segurança jurídica, tão amplamente defendida na Constituição Cidadã, desde a sua promulgação em outubro de 1988, seja nos processos judiciais como nos administrativos. Assim, temse que o contraditório nada mais que a obrigação do julgador de, em razão de o dever da imparcialidade, ouvir a outra parte do Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCELO OLIVE IRA 6 processo sobre as alegações deduzidas por uma outra. Também é chamado de princípio da audiência bilateral. Esse axioma dá sustentação a toda teoria geral do processo, e sua inobservância gera a nulidade do ato. Peço vênia para lembrar que, subjacente ao direito de defesa, estão presentes três outros direitos. i) O direito a informação, ii) o direito a manifestação e iii) o direito de ver as razões consideradas. No caso em tela, tenho que houve agressão aos princípios do contraditório e da ampla defesa, faltando com a lealdade ao devido processo legal, porque a autoridade julgadora ‘a quo’ determinou a realização de diligência para que a autoridade fiscal se pronunciasse em determinados quesitos, sem, contudo, oportunizar a defendente de manifestar das razões da fiscalização destes quesitos. Penso que o certo seria, após a realização da diligência, com as manifestações expostas pela autoridade fiscalizadora, fosse oportunizado a ora Recorrente de se pronunciar. O que não ocorreu. Diante do exposto, tenho que o presente recurso aviado é tempestivo e deve ser conhecido, e sem que seja feito analise de mérito, seja reconhecido afronta aos princípios pétreos Constitucionais da ampla defesa e do contraditório, devendo ser anulada a decisão ‘a quo’, retornando os autos à origem para que a Recorrente manifestese da diligência realizada pela autoridade fiscalizadora, quando, após, e ato contínuo, deverá ser exarada decisão. É o meu voto. Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003708/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO
A compensação de créditos de PISImportação,
apurados no período de
novembro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação
(Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio
de 2005.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 22/04/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio
sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação
(Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros
declarados.
CRÉDITOS DE PIS COMPENSADOS. JUROS SELIC
Inexiste amparo legal para o pagamento de juros compensatórios sobre
créditos de Cofins compensados com débitos fiscais próprios
Numero da decisão: 3301-000.914
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a
advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO A compensação de créditos de PISImportação, apurados no período de novembro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação (Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio de 2005. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. CRÉDITOS DE PIS COMPENSADOS. JUROS SELIC Inexiste amparo legal para o pagamento de juros compensatórios sobre créditos de Cofins compensados com débitos fiscais próprios
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO A compensação de créditos de PISImportação, apurados no período de novembro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação (Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio de 2005. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. CRÉDITOS DE PIS COMPENSADOS. JUROS SELIC Inexiste amparo legal para o pagamento de juros compensatórios sobre créditos de Cofins compensados com débitos fiscais próprios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Curitiba, PR, que julgou improcedente a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação dos débitos fiscais vencidos, declarados na Dcomp em discussão protocolada em 20/04/2005, com créditos de PIS e de PIS Importação referentes ao mês de novembro de 2004. A DRF não homologou a compensação dos débitos fiscais declarados sob o argumento de que o crédito a que a recorrente fazia jus, referente ao mês de novembro de 2004, foi integralmente utilizado para compensar débitos declarados no processo administrativo nº 10980.00331/200577. Naquele processo, a DRF reconheceu parcialmente os créditos declarados e homologou a compensação dos débitos fiscais declarados até o total dos créditos reconhecidos. As glosas efetuadas por ela se referem aos créditos do PIS pagos em importações por falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação e sobre aquisições da PK Cables do Brasil Ind. e Com. Ltda. e da ArvinMeritor do Brasil Sistema Automotivo Ltda., notas fiscaisfaturas nº 041.144 e nº 83.192, respectivamente, por falta de descrição das mercadorias. Cientificada do despacho decisório, inconformada, interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 115/126, insurgindo contra o nãoreconhecimento do seu direito àqueles créditos, alegando razões assim sintetizadas pela DRJ: “. . . na apreciação da compensação, a autoridade entendeu que não havia nenhum crédito compensável, pois o saldo acumulado do PIS até 11/2004 já havia sido integralmente aproveitado nas compensações que precederam o presente requerimento. Essa conclusão, ressalta, se baseou na análise levada a efeito no PAF n° 10980.003319/200577, com a glosa do PIS de notas fiscais por falta de enquadramento da descrição dos seus produtos ou serviços e da totalidade dos ‘Créditos a Descontar na Importação PIS Pago’. Entende, contudo, que as glosas são indevidas e a decisão, fundada em premissas de fato e de direito equivocadas, merece ser reformada, a fim de que se reconheça todo o crédito, que é suficiente para a efetivação da compensação pretendida, computando, ainda, o acréscimo legal de correção monetária.” Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ Curitiba julgoua improcedente e nãohomologou a compensação dos débitos declarados, conforme acórdão nº 0625.832, datado de 17/03/2010, às fls. 196/197, sob a seguinte ementa: “PIS NÃOCUMULATIVO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS A COMPENSAR. Na inexistência de saldo de créditos a compensar de PIS/Pasep nãocumulativo, mantémse a nãohomologação da compensação declarada.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.003708/200501 Acórdão n.º 330100.914 S3C3T1 Fl. 217 3 Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 200/214, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito à compensação dos valores reclamado, acrescidos de juros compensatórios, alegando, em síntese, que tem direito ao ressarcimento/compensação dos créditos decorrentes do PIS pagos nas importações de insumos aplicados na produção de bens para exportação. Ainda, segundo seu entendimento, a Lei n° 10.865/2005 (conversão da MP nº 164, de 29.01.2004), que instituiu o PIS/CofinsImportação, permitiu que essas contribuições pagas em importações específicas fossem aproveitadas como créditos para a compensação do PIS/Cofins nãocumulativos. Também, ao contrário do entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, art, 16, não se aplica ao presente pedido de ressarcimento, limitando sua aplicação aos créditos referidos no art. 17, da Lei 11.033, que dizem respeito às importações e às vendas realizadas no mercado interno, não trazendo qualquer alteração no tratamento dos créditos vinculados à exportação nem mesmo a eles se referindo. Ao final, requereu a incidência de juros compensatórios sobre os valores deferidos e/ ou a serem deferidos, à taxa Selic, sob argumento de que o nãoreconhecimento de sua incidência implicará flagrante lesão patrimonial à empresa, e, por outro lado, o enriquecimento sem causa da União. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. As questões de mérito opostas nesta fase recursal se resumem ao direito ou não de a recorrente compensar os saldos dos créditos da PISImportação, apurados no mês de novembro de 2004, com débitos fiscais de outra natureza, bem como ao pagamento de juros compensatórios sobre tais créditos. A legislação que trata do PIS com incidência nãocumulativa assim dispõe, in verbis: Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (PIS) nãocumulativo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 (...); § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...). “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Cabe ressaltar que esses dispositivos, citados e transcritos anteriormente, se aplicam ao PIS com incidência nãocumulativa apurada sobre o faturamento mensal e aquisições no mercado interno. A Lei nº 10.865, de 30/04/2004, com vigência a partir de 1º de maio de 2004, que instituiu o PIS/CofinsImportação incidente sobre as importações de bens adquiridos para revendas e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a vendas, dispõe, in verbis: “Art. 1º Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.003708/200501 Acórdão n.º 330100.914 S3C3T1 Fl. 218 5 determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...). § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...).” Ora, conforme se verifica dos §§ 1º e 2º transcritos acima, os créditos do PIS/CofinsImportação pagos na importação de bens somente podiam ser deduzidos das contribuições devidas no mês ou aproveitados nos meses subsequentes, inexistindo amparo legal para compensálos com outros débitos fiscais e/ ou para os seus ressarcimentos. Posteriormente, a Lei nº 11.033, de 21/12/2004, convertida da MP nº 206, de 06/08/2004, com vigência a partir de 09/08/2004, assim dispôs quanto aos créditos de PIS/Cofins decorrentes de custos de produtos vendidos sem a incidência dessa contribuição, in verbis: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Finalmente, a Lei nº 11.116, com vigência a partir de 19/05/2005, assim dispôs quanto ao aproveitamento dos créditos de Cofins, in verbis: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” (grifos nãooriginais) Da interpretação dos dispositivos legais transcritos anteriormente, concluise que somente, a partir de 19/05/2005, os saldos credores trimestrais dos créditos de PIS Importação passaram a ser passíveis de compensação com débitos próprios e/ ou de pedido de ressarcimento. Na prática os saldos credores apurados para o 2º trimestre de 2005 em diante. Assim, os saldos credores trimestrais apurados para os trimestres anteriores àquele, não são passíveis de compensação/ressarcimento, mas tão somente dedutíveis da contribuição devida, tendo em vista que aqueles dispositivos legais restringiram de forma expressa a compensação e/ ou o pedido de ressarcimento somente a partir de 19/05/2005. No presente caso, os saldos de créditos de PISImportação cuja compensação se pleiteia referemse ao mês novembro de 2004. Dessa forma, não há amparo legal para homologar a compensação dos débitos fiscais declarados na Dcomp em discussão. Quanto à aplicação de juros compensatórios, à taxa Selic, sobre créditos de PIS/Cofins nãocumulativas, utilizados em compensação e/ ou passiveis de ressarcimento, inexiste amparo legal para o seu pagamento. Ao contrário, a Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu esta modalidade de contribuição, veda expressamente a aplicação de juros compensatórios sobre tais créditos, assim dispondo, in verbis: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art; 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...); VI – no art. 13 desta Lei.” Já a homologação da compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Dcomp, bem como a extinção do débito fiscal declarado, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, a condiciona à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, o direito de a recorrente compensar os créditos financeiros utilizados na Dcomp em discussão não foi reconhecido. Assim não há que se falar em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.003708/200501 Acórdão n.º 330100.914 S3C3T1 Fl. 219 7 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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