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Numero do processo: 10920.911383/2012-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 83 /2 01 2- 67 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 226,85, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 14/06/2004. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911383/201267 Acórdão n.º 3803005.325 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implicitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Se o cálculo do ICMS fosse por fora Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911383/201267 Acórdão n.º 3803005.325 S3TE03 Fl. 50 5 O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911383/201267 Acórdão n.º 3803005.325 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11080.929139/2009-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 91 39 /2 00 9- 57 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929139/200957 Acórdão n.º 3803005.961 S3TE03 Fl. 483 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 10 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 8 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço predeterminado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929139/200957 Acórdão n.º 3803005.961 S3TE03 Fl. 484 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929139/200957 Acórdão n.º 3803005.961 S3TE03 Fl. 485 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929139/200957 Acórdão n.º 3803005.961 S3TE03 Fl. 486 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929139/200957 Acórdão n.º 3803005.961 S3TE03 Fl. 487 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900736/2008-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO
Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-002.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 07 36 /2 00 8- 60 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.900736/200860 Acórdão n.º 1802002.158 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, Acórdão nº 0634.205, de 27/10/2011, às efls. 85 a 90, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE CSLL. DEDUÇÃO DE 1/3 DA COFINS. INEXISTÊNCIA DE RETIFICADORA DE DIPJ OU DCTF. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Mantémse a decisão que não homologou a compensação, sob a alegação de direito à dedução de 1/3 da Cofins na apuração da CSLL, quando o contribuinte sequer retifica a DIPJ ou a DCTF, o que demonstraria o exercício daquele direito, que constitui em faculdade do interessado, dependendo, portanto, de sua iniciativa. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA DOS DÉBITOS. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. Não homologada a compensação, a cobrança dos débitos deve ser acompanhada de multa e juros moratórios, conforme previsto na legislação, sendo descabido o pedido de sua não exigência. Manifestação de Inconformidade Improcedente A ciência desta decisão pela Contribuinte ocorreu em 03/05/2012 (quinta feira), e o recurso voluntário foi apresentado em 05/06/2012 (terçafeira). Este é o Relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.900736/200860 Acórdão n.º 1802002.158 S1TE02 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Não há condição para se conhecer do recurso. O prazo para sua apresentação é de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, mas a Contribuinte o protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 03/05/2012, uma quintafeira, e o último dia para a apresentação do recurso seria 04/06/2012, segundafeira, conforme as regras do art. 210 do Código Tributário Nacional. Todavia, o recurso só foi apresentado em 05/06/2012, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.929123/2009-44
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 816 1 815 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.929123/200944 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.953 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 91 23 /2 00 9- 44 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929123/200944 Acórdão n.º 3803005.953 S3TE03 Fl. 817 3 efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 12 de março de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de abril de 2013, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929123/200944 Acórdão n.º 3803005.953 S3TE03 Fl. 818 5 Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: IN SRF 468/04: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como Fl. 821DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929123/200944 Acórdão n.º 3803005.953 S3TE03 Fl. 819 7 preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929123/200944 Acórdão n.º 3803005.953 S3TE03 Fl. 820 9 dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 825DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929123/200944 Acórdão n.º 3803005.953 S3TE03 Fl. 821 11 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11080.934335/2009-43
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 43 35 /2 00 9- 43 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934335/200943 Acórdão n.º 3803005.969 S3TE03 Fl. 483 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 11 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 8 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço predeterminado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934335/200943 Acórdão n.º 3803005.969 S3TE03 Fl. 484 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934335/200943 Acórdão n.º 3803005.969 S3TE03 Fl. 485 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934335/200943 Acórdão n.º 3803005.969 S3TE03 Fl. 486 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934335/200943 Acórdão n.º 3803005.969 S3TE03 Fl. 487 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10930.904557/2012-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 57 /2 01 2- 16 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904557/201216 Acórdão n.º 3803004.907 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904557/201216 Acórdão n.º 3803004.907 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904557/201216 Acórdão n.º 3803004.907 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 19515.001501/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria sob repercussão geral, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria sob repercussão geral, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 50 1/ 20 07 -1 6 Fl. 4792DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Em ação fiscal direta, a contribuinte anteriormente qualificada foi autuada e notificada a recolher ou impugnar os créditos tributários de R$ 23.040.061,08, a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ; R$ 6.371.241,54, de Contribuição para o Programa de Integração Social — Pis; R$ 10.535.085,44, de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL; e R$ 29.405.734,32, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, incluídos nesses valores as multas e juros de mora, calculados até 31.05.2007. 2. A infração imputada ao sujeito passivo encontrase discriminada no relatório fiscal de fls. 1080/1085, que, em síntese é a seguinte: a. A contribuinte foi intimada, em 05.12.2006 (fls. 20/21), e reintimada em 29.12.2006 (22/23), a apresentar os extratos bancários de suas contascorrentes, de investimentos, além dos Livros Razão, Diário ou Caixa; b. O descumprimento as intimações motivou a expedição de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras — RMF's, encaminhadas as instituições financeiras nas quais a contribuinte mantinha contascorrentes e investimentos; c. Depois de analisar os extratos bancários recebidos das instituições financeiras, foram excluídos os valores correspondentes a transferências entre contas de mesma titularidade, os créditos decorrentes de empréstimos, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários, saldo devedor CPMF, operações de capital de giro, créditos de leasing, resultando em uma listagem contendo valores depositados/creditados nas contas da contribuinte; d. A contribuinte foi intimada, em 18.04.2007 (fl. 56), e reintimada, em 11.05.2007 (fl. 893), a comprovar a contabilização e a origem desses valores. Também pelos mesmos instrumentos, o responsável pela empresa Djalma Leonardo de Siqueira foi intimado a comparecer pessoalmente à sede da unidade da Receita Federal em que se processou a fiscalização para prestar esclarecimentos; e. O responsável pela empresa apresentouse à auditorafiscal autuante, em 21.05.2007, ocasião em que informou estar impossibilitado de apresentar a escrituração e os documentos, sob a alegação de que estariam retidos pela Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais; f. 0 lucro foi arbitrado, tomandose como parâmetro os valores depositados/creditados nas contas bancárias, considerados receitas omitidas, sobre o qual foi aplicado o percentual de 9,6%, já descontados os valores declarados pela contribuinte em suas DIPJs; g. A multa de 150% foi aplicada porque a fiscalizada declarou à Receita Federal valores de receitas muito inferiores aos que efetivamente ingressaram na empresa; Fl. 4793DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001501/200716 Resolução nº 1402000.188 S1C4T2 Fl. 4 3 h. Foi formalizada representação fiscal para fins penais, autuada sob n° 19515.001502/200761. 3. O enquadramento legal encontrase grafado no campo especifico do auto de infração. 4. Intimada da autuação em 27/06/2007, conforme termo de ciência de fl. 1156, a contribuinte apresentou impugnação ao feito em 25.07.2007, conforme peça de fls. 1171/1220 e 1255 , cujas razões, em resumo, adiante se seguem: i. Preliminarmente, o lançamento é nulo em razão de não terem sido observados os procedimentos e o devido processo legal, nos termos da L.C. no 105/2001 e do Decreto n° 3.724/2001; ii. Invoca a ocorrência da decadência do direito de constituir o crédito tributário referentes aos meses de janeiro de 2001 a maio de 2002, por força do art. 150 do C.T.N; iii. Houve violação ao principio da oficialidade, uma vez que o agente fiscal não teve autorização, com conhecimento prévio da fiscalizada, para a solicitação de emissão de RMF, restando violadas as regras expressas nos artigos 2°, 4° e 5° do Decreto n° 3.724/2001; iv. Houve ofensa ao principio da verdade material, uma vez que não existe qualquer prova da ocorrência de omissão de receitas; v. Houve ofensa ao principio da ampla defesa, uma vez que não pode se defender da acusação de omissão de receitas, haja vista que não há nos autos elementos para serem contestados, situação que caracteriza realização de prova negativa, quando seria a obrigação do Fisco em trazer provas incontestes de que os valores depositados seriam receitas omitidas intencionalmente, não podendo ser utilizada a presunção de omissão de receitas; vi. No mérito, sustenta que a autuante partiu de meras ilações, desprovidas de provas inequívocas, o que contraria a presunção prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996; vii. A autuante desconsiderou os valores de receita bruta declaradas pela contribuinte em DIPJ, bem como não observou que as retiradas em espécie, representativos de saques bancários, devem ser considerados fontes de recursos para os depósitos bancários seguintes; viii. Não é possível exigir da contribuinte um controle contábil de todas as transações bancárias do último qüinqüênio; ix. Seria imprescindível que o Fisco comprovasse a utilização dos valores depositados como renda consumida ou aplicada pela pessoa jurídica, evidenciado sinais exteriores de riqueza, uma vez que os depósitos bancários, por si sós, não constituem fato gerador do imposto de renda, devendo ser demonstrado o nexo causal entre o deposito e o fato que constitui a omissão de rendimentos; Fl. 4794DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001501/200716 Resolução nº 1402000.188 S1C4T2 Fl. 5 4 x. Protesta pela anexação posterior de cópias de todos os cheques sacados em espécie nos bancos, tendo em vista o exíguo tempo para a defesa, em relação ao de fiscalização, em respeito ao principio da Verdade Material; xi. O contribuinte deveria ter sido intimado no prazo de vinte dias para apresentar os documentos e livros de sua atividade e, se novamente intimado não os apresentasse, poderseia adotar o arbitramento de oficio; xii. Não se vislumbra ter incorrido a fiscalizada em qualquer uma das hipóteses de arbitramento previstas no art. 530 do RIR/1999, sendo que o dirigente da contribuinte já havia informado que seus documentos e escrituração encontravamse retidos pela Secretaria da Fazenda de Minas Gerais; xiii. O arbitramento deve ser o último recurso depois de esgotadas todas as possibilidades de se apurar o lucro real, sendo que a exigência fiscal, tal como efetuada, constituise em excesso de exação; xiv. O lançamento contém erro formal, uma vez que a autoridade fiscal não considerou os valores já incluidos nos parcelamentos de que tratam a Lei n° 10.684/2003 e a Medida Provisória n° 303/2006, onerando duplamente o contribuinte; xv. A opção pelo parcelamento previsto na MP n° 303/2006 foi feito em procedimento espontâneo, uma vez que vencidos os prazos de procedimento de oficio de que trata o Decreto n° 70.235/1972; xvi. 0 parcelamento de que trata a o art. 1° da Lei n° 10.684/2003 (conta PAES 800300283646) ocorreu antes do inicio da ação fiscal, sendo que todos os créditos tributários devidos (tributos, juros e multa) foram incluídos no parcelamento, conforme processo administrativo n° 10880.485740/200431, de 21.12.2004; xvii. Tendo em vista que sobre os créditos tributários declarados espontaneamente já incidiram a multa de mora de vinte por cento, não é possível, ao mesmo tempo, cobrar a multa de oficio; xviii. Deve ser afastada a aplicação da multa agravada de 150%, uma vez que não foi comprovado o "evidente intuito de fraude", como definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/1964; xix. "A fiscalização teve acesso a todos os documentos, e por presunção legal (a partir dos depósitos bancários) apurou omissão de receitas, e por presunção da presunção presumiu a intenção do contribuinte em fraudar." xx. Não se trata de interposição de pessoas, contas bancárias em nome de terceiros ou de documentação inidônea, inexistindo os pressupostos para a aplicação da multa prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, devendo ser considerado o percentual de 75% sobre eventual crédito tributário residual; xxi. A aplicação da taxa Selic para calcular os juros moratórios é ilegal, pois representa afronta ao disposto no art. 161, § 10 do CTN, devendo ser considerados a taxa de 1% ao mês; Fl. 4795DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001501/200716 Resolução nº 1402000.188 S1C4T2 Fl. 6 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo prolatou o Acórdão 1616.539 dando provimento parcial à impugnação para acolher a decadência do IRPJ em relação aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2001. Nesse ponto, a decisão manifestouse da seguinte forma: O auto de infração do IRPJ foi lançado na forma do lucro arbitrado. Portanto, os fatos geradores do anocalendário de 2001 para o IRPJ ocorreram em: 03/2001 (1° trimestre), 06/2001 (2° trimestre), 09/2001 (3° trimestre) e 12/2001 (4° trimestre). Os vencimentos relativos a estes fatos geradores ocorreram respectivamente em: 30/04/2001, 31/07/2001, 29/10/2001 e 31/01/2002, dados constantes dos autos, à fl. 1096. Tendo o auto de infração sido lançado na forma do lucro arbitrado, sua apuração tornouse definitiva no encerramento de cada trimestre. Portanto, passíveis de lançamento já no próprio anocalendário de 2001 para os 1°, 2° e 3° trimestres, após o prazo de vencimento para o seu pagamento. Já o vencimento do IRPJ lançado no 4° trimestre ocorre em janeiro do ano seguinte, postergando o inicio da contagem decadencial. Desta forma, o presente lançamento já poderia ter sido realizado no próprio ano de 2001 para os 1°, 2° e 3° trimestres, o que leva o inicio da contagem do prazo decadencial para 01/01/2002 e o seu encerramento em 31/12/2006. Como o lançamento foi formalizado em 27/06/2007, o crédito tributário já se encontrava atingido pela decadência no momento do lançamento, para os 1°, 2° e 3° trimestres de 2001. Já em relação ao 4° trimestre de 2001, cujo vencimento ocorreu em 31/01/2002, o inicio da contagem do prazo decadencial deuse em 01/01/2003, encerrandose em 31/12/2007, portanto não atingido pela decadência. Dessa decisão, o Órgão julgador recorreu de ofício a este Colegiado. No que se refere à inclusão de débitos nos parcelamentos de que tratam a Lei n° 10.684/2003 e a Medida Provisória n° 303/2006, a decisão esclareceu em primeiro lugar que os valores informados em DIPJ não foram objeto de lançamento. Tais valores, originalmente incluídos no PAES(Lei nº 10.684/2003), foram transferidos para o PAEX (MP 303/2006) juntamente com outros débitos confessados, após manifestação de desistência naquela primeira modalidade. Entretanto, por não ter desistido da impugnação, não foi aceita a inscrição dos débitos autuados no parcelamento especial PAEX. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) retificou de ofício o lançamento para reconhecer a decadência da CSLL em relação ao 1°, 2° e 3° trimestres de 2001 e das contribuições ao PIS e à Cofins relativamente aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001, inclusive. Cientificado da decisão, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. No que se refere à decadência, pleiteia a aplicação da regra prevista no § 4º, do art. 150 do CTN o que, sustenta, implicaria na caducidade para os fatos geradores ocorridos até maio de 2002, em relação a todos os tributos. Com o advento das normas exonerativas estabelecidas na Lei nº 11.941/2009 o sujeito passivo decidiu usufruir dos benefícios ali previstos e formalizou desistência parcial do recurso interposto. A desistência atingiu todos os valores tributados com exceção daqueles Fl. 4796DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001501/200716 Resolução nº 1402000.188 S1C4T2 Fl. 7 6 abrangidos pela argüição de decadência apresentada no recurso voluntário bem como os já excluídos pela decisão de primeira instância. Além disso, manteve a contestação contra a qualificação da multa. É o relatório. Fl. 4797DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001501/200716 Resolução nº 1402000.188 S1C4T2 Fl. 8 7 Voto O sujeito passivo apresentou pedido de desistência parcial com vistas a usufruir dos benefícios previstos na Lei nº 11.941/2009. De acordo com o requerimento, a desistência atingiu todos os valores tributados com exceção daqueles abrangidos pela argüição de decadência apresentada no recurso voluntário bem como os já excluídos pela decisão de primeira instância. Além disso, manteve a contestação contra a qualificação da multa. Com isso, o litígio a ser dirimido limitase ao recurso de ofício e, no caso do recurso voluntário, à decadência e à imputação da multa qualificada. A apreciação da decadência envolveria a manutenção parcial da exigência não abrangida pelo pedido de desistência. Assim, como os extratos bancários foram obtidos mediante emissão de RMF direcionada às instituições financeiras, o julgamento envolve matéria sob repercussão geral no STF. Destarte, nos termos do § 1º, do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF; proponho que o julgamento seja sobrestado até pronunciamento definitivo do STF sobre o tema. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 4798DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13971.001630/2006-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. MATÉRIA QUE PODE SER
CONHECIDA DE OFICIO.
Sendo a decadência causa extintiva do crédito tributário e causa de nulidade do lançamento, deve ser conhecida de oficio.
DECADÊNCIA, O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) veicula hipótese de lançamento por homologação, sendo o prazo de decadência para a constituição do credito tributário de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do
artigo 150, parágrafo 4° do CTN, salvo nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Decadência acolhida.
IRRF. RENDIMENTOS DE RESIDENTES E DOMICILIADOS NO
EXTERIOR. REMESSA DE JUROS. ALÍQUOTA ZERO. PRAZO
MÍNIMO MÉDIO PARA AMORTIZAÇÃO DE 96 MESES.
Para que o pagamento de juros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocação de títulos no exterior (Fixed Rate Notes), previamente autorizada pelo Banco Central do Brasil, possa se beneficiar da alíquota zero do imposto sobre a renda retido na fonte, o prazo médio mínimo de amortização deve ser de 96 meses.
IRRF. JUROS INCIDENTES EM PRÉ-PAGAMENTOS DE.
EXPORTAÇÃO.
É condição para o gozo da alíquota zero do imposto, fixada pelo art. 1°, XI, da Lei n°. 9.481/97, que a empresa utilize o valor correspondente ao recurso financeiro internado para fomentar suas exportações. Assim, seria deturpar a finalidade da isenção concedida nestes casos exigir que o contribuinte permaneça, em caixa, com o dinheiro (bem fungível) especificamente obtido nas operações de empréstimo até que sua utilização nas operações de
exportação ocorra.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.294
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, em reduzir a multa de oficio de 150% para 75%, e, por maioria de votos, em reconhecer que a decadência fulminou os fatos geradores anteriores a 04/10/2001, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que não acatava essa decadência. Ainda no mérito, por voto de qualidade, em manter a infração referente ao item 1 - Não recolhimento de IRRF sobre juros pagos em empréstimos tomados ("eurobônus"),
vencidos os Conselheiros Vanessa Pereira Rodrigues Domene (Relatora), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, sendo designado para redigir o voto
vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. Por fim, por maioria de votos, em exonerar a inflação do item 2 - Não recolhimento de IRRF sobre juros incidentes em pré-pagamentos
de exportação, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho.
Nome do relator: Vanessa Pereira Rodrigues Domene
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Turrna/DRJ-FIcrianópolis/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. MATÉRIA QUE PODE SER CONHECIDA DE OFICIO. Sendo a decadência causa extintiva do crédito tributário e causa de nulidade do lançamento, deve ser conhecida de oficio. DECADÊN CIA, O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) veicula hipótese de lançamento por homologação, sendo o prazo de decadência para a constituição do credito tributário de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 150, parágrafo 4' do CTN, salvo nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Decadência acolhida. IRRF. RENDIMENTOS DE RESIDENTES E DOMICILIADOS NO EXTERIOR. REMESSA DE JUROS. ALÍQUOTA ZERO. PRAZO MÍNIMO MÉDIO PARA AMORTIZAÇÃO DE 96 MESES. Para que o pagamento de juros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocação de títulos no exterior (Fixed Rate Notes), previamente autorizada pelo Banco Central do Brasil, possa se beneficiar da aliquota zero do imposto sobre a renda retido na fonte, o prazo médio mínimo de amortização deve ser de 96 meses. IRRF. JUROS INCIDENTES EM PRÉ-PAGAMENTOS DE. EXPORTAÇÃO. É condição para o gozo da aliquota zero do imposto, fixada pelo art. 1°, XI, da Lei n°. 9.481/97, que a empresa utilize o valor correspondente ao recurso financeiro internado para fomentar suas exportações. Assim, seria deturpar a finalidade da isenção concedida nestes casos exigir que o contribuinte permaneça, em caixa, com o dinheiro (bem fungivel) especificamente obtido es C nipos Presidente Ro \ drigues Domene — Relatora nas operações de empréstimo até que sua utilização nas operações de exportação ocorra. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Camara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, em reduzir a multa de o ficio de 150% para 75%, e, por maioria de votos, em reconhecer que a decadência fulminou os fatos geradores anteriores a 04/10/2001, vencida a Conselheira NAbia Matos Moura que não acatava essa decadencia. Ainda no mérito, por voto de qualidade, em manter a infração referente ao item 1 - Não recolhimento de IRRF sobre juros pagos em empréstimos tomados ("eurobeinus"), vencidos os Conselheiros Vanessa Pereira Rodrigues Domene (Relatora), Moises Giacomelli Nunes da Silva e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. Por fim, por maioria de votos, em exonerar a inflação do item 2 - Não recolhimento de IRRF sobre juros incidentes em pre- pagamentos de exportação, vencidos os Conselheiros Niabia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho. Realizou stentação oral, pelo contribuinte, o Dr.Amo Schmidt Júnior, OAB/SC n°6.878, e pela hides Leite Patriota. Rubens Mauricio Carvalho - Redator designado Data da Edição: 23/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigus Domene, Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Giovanni Christian Nunes Campos e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Conselheiro convocado). Relatório Em 04/10/2006 foi lavrado contra a empresa contribuinte o Auto de Infração de fls. 718/729, exigindo o recolhimento do crédito tributário de R$ 82.258.338,23, sendo R$28.127.342,99 de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), R$ 34.706,710,00 de multa de 2 Processo n° 13971 001630/2006-60 S2-C1 T2 Ac6rd5o n°2102-00.294 Fl 1.068 oficio, R$ 19.274.405,24 de juros de mora calculados até 29/09/2006 e R$ 149.880,00 de multa exigida isoladarnente (cód_receita DARF 6380), Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 682/717 a fiscalização apurou, no curso da auditoria realizada, as seguintes infrações: (i) Não recolhimento de IRRF sobre juros pagos em empréstimos tornados ("eurobemus"); (ii) Não recolhimento de II-tRF sobre juros incidentes em pré- pagamentos de exportação; (iii) Multa por falta de retenção de IRRF no pagamento de verbas devidas na rescisão de contrato de trabalho. No tocante ao item (i) a .fiscalização assim relatou: A empresa 'fiscalizada foi intimada a informar a composição do valor de R$253.596.329,05, informado na linha correspondente a "Outras Despesas Financeiras" (Ficha 06 — Demonstração do Resultado) de sua DIPJ referente ao ano-calendário 2001, sendo que a empresa revelou que parte deste valor correspondia a juros incidentes sobre títulos de crédito internacionais "eurobônus" (doravante denominados apenas "eurobônus"). Foi constatado que os títulos emitidos estavam em mãos de partes relacionadas da empresa, quais sejam Bunge Fertilizantes International, Ceval International e Bunge Finance A empresa havia realizado duas emissões de eurobeinus, cada urna no valor de US$ 100,000,000,00, mas, posteriormente, em razão da cisão parcial do patrimônio da empresa (datada de 31/10/1998), parte deste passivo foi vertida para a empresa Seam Alimentos S/A. Foram emitidos, em suma, os seguintes títulos: 1' emissão — Citibank: Valor original: US$ 100.000.000,00. Data de ingresso das divisas no pals: 02/10/1996. Vencimento do principal: parcela (mica em 01/10/2004. Valor remanescente de responsabilidade da empresa após cisão: US$ 79..518 000,00. Agente de colocação: Citibank Internacional PLC Juros: 11,125% ao ano, semestralmente vencidos. 2' emissão — Chase: Valor original: US$ 100.000.000,00. Data de ingresso das divisas no pais: 30/12/1996. Vencimento do principal: parcela única em 30/12/2004. Valor remanescente de responsabilidade da emp) esa após cisão . US$ 11.422.000,00 Agente de colocagdo.. chase Manhattan Internacional Limited. faros: 10,625% ao ano, semestralmente vencidos. Ao remeter os juros ao exterior a empresa fiscalizada não efetuou qualquer retenção a titulo de imposto sobre a renda, sendo que, nos termos do art. 1°, IX, da Lei n'. 9.481/97 a aplicação da aliquota zero do IRRF nas remessas de juros ao exterior em razão de títulos de créditos internacional (como é o caso do eurobônus) fica condicionada a que o prazo médio de amortização seja de pelo menos 96 meses. Segundo a fiscalização, todavia, a empresa efetuou o resgate antecipado, não diretamente, mas por meio de empresa controlada, portanto, com redução do prazo médio de resgate, o que implica na necessidade do recolhimento do IRRF, a alíquota de 15%, conforme previsto no art. 702 do RIR199. Ainda de acordo com a fiscalização, apesar de o resgate ter sido efetuado por intermédio de empresa controlada, foi efetuado com recursos provenientes da empresa fiscalizada. A empresa foi intimada a identificar todas as empresas detentoras dos títulos eurobônus, informando datas e valores nas negociações, sendo que em resposta a fiscalizada afirmou que alem das empresas já informadas não havia como fornecer maiores detalhes, já que os papeis foram negociados no mercado aberto. Para o Fisco a informação procede apenas em parte, pois nos balanços publicados pela empresa existem indicadores de que, já anteriormente a 2001, grande parte dos títulos emitidos estaria em posse de empresas suas relacionadas, No caso desta parte dos títulos, apesar de negociados no mercado aberto, a empresa deveria ter conhecimento de seus detentores. A fiscalização fez uma análise das informações contidas nos balanços apresentados e concluiu que, do total de empréstimos na modalidade eurob6nus, o valor de R$151.879.000,00 era representado, em 31/12/2000, por títulos em poder de empresas controladas pela fiscalizada . A fiscalização apurou a expressiva diminuição no endividamento da contribuinte na forma de eurolxinus, indicando o resgate de grande parte dos títulos por parte da empresa, apesar desta alegar que tal alteração se deveu a simples mudança de critério da companhia para fins de elaboração das notas explicativas nos balanços. De acordo com o apurado pela fiscalização a empresa fiscalizada se utilizou de empresa controlada, no caso a Ceval International, da qual possuía 100% (cem por cento) de controle, para efetuar o resgate antecipado de parte dos títulos. A fiscalização afirma, ainda, que a maior aquisição efetuada pela Ceval International foi realizad? com recursos provenientes da empresa fiscalizada. Às fls. 688/689 a fiscalização detalha todas as transações efetuadas pelas partes relacionadas da fiscalizada e, As fls. 690/694, detalha os recursos utilizados pela Ceval International para aquisição dos títulos eurob6nus. 4 Processo n° 13971.001630/2006-60 S2 - C1T2 Acórdão n *2102-00.294 N 1 069 Neste tópico a fiscalização afirma que foi celebrado contrato de mutuo entre Ceval International (mutuária) e Bunge AlimentOs (mutuante), sendo que a Ceval adquiriu os titulos eurobônus com o dinheiro do recebimento do mútuo. Assim, restou caracterizado que o resgate dos títulos se deu de forma antecipada (antes dos 96 meses) pela Bunge Alimentos, ainda que de forma indireta, pois a "recompra" foi feita pela Ceval International, com dinheiro da fiscalizada. O Fisco, neste particular, traçou coincidências entre valores e datas nos mútuos e aquisições de eurobônus. De acordo corn o Fisco os mesmos recursos mutuados foram utilizados cinco anos mais tarde par a o resgate formal ("oficial") dos títulos eurobônus, de maneira que tal mútuo no ativo da companhia apenas se justificou enquanto existente a divida, anulando-se reciprocamente durante todo este período. No tocante ao item (ii) a fiscalização assim relatou: Foram observadas "diversas opera cães de empréstimos tomados pela contribuinte, classificados na contabilidade da empresa como pré-pagamentos". Neste caso discute-se a aplicação do art. 691, XI, do RIR199, que dispõe sobre a aliquota zero do IRRF na remessa de juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações. Para a fiscalização, a confirmação das operações de exportação apenas comprova que o valor principal do empréstimo tomado no exterior foi quitado via embarques de mercadorias, mas não é suficiente para comprovar que os recursos internados no Brasil foram utilizados no financiamento de exportações, condição essencial à. redução à zero da aliquota do IRRF. As fls. 697/699 a fiscalização detalha a não aplicação da integralidade dos recursos no financiamento das exportações. Por fim, no tocante ao item (iii) o Fisco apurou a falta de recolhimento do IRRF no pagamento de verbas rescisóiias realizado ao Sr. Hélio José Bemz. Neste caso, em razão do não recolhimento do IRRF, foi aplicada a multa do art. 44 da Lei 9.430/96 (75% sobre o imposto não recolhido, o que corresponde a R$ 149.880,00). Devidamente notificada do auto de infração a contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 738/823), acompanhada dos documentos de fls. 824/946, oportunidade em que alegou: Preliminarmente: Nulidade do lançamento: C) lançamento é nulo, pois os fatos geradores da obrigação tributária não foram devidamente caracterizados no auto de infração. O agravamento da multa para 150% também foi realizado sem qualquer explieitação do dispositivo legal aplicável. 5 A aplicação da multa por falta de retenção do IRRF sobre o pagamento de verbas rescisórias ao Sr. Hélio Jose Bernz carece, da mesma forma, de fundamento de validade, já que a multa em comento foi fixada pela Medida Provisória n°. 16/2001, editada em momento posterior h. suposta infração. Mérito: Corn relação à inflação relativa ao item (i): Os títulos foram resgatados na data prevista, ou seja, em 96 meses. A aquisição feita pela Ceval International não representou resgate antecipado, pois a exposição dos fatos feita pelo Fisco não leva à conclusão de que o dinheiro utilizado pela Ceval International pia a aquisição dos títulos era da Bunge Alimentos. No mais, este tipo de titulo é negociado em mercado aberto, o que impede um efetivo controle das partes adquirentes. Ainda, após a aquisição dos títulos pela Ceval International os títulos eurobõrrus continuaram a ser renegociados no mercado secundário, sendo irrelevante, neste particular, a qualidade dos adquirentes. Na época do lançamento dos títulos a contribuinte não integrava o grupo Bunge e as aquisições ocorreram de investidores sem qualquer relação com a empresa. As aquisições posteriores por empresas relacionadas ocorreram diretamente junto a investidores no mercado externo e o dinheiro reverteu a favor destes, de sorte que tão-somente representou uma diminuição da exposição financeira do grupo Bunge e da própria empresa autuada. O Fisco associou, erroneamente, o mutuo feito pela empresa autuada it empresa Ceval International com a aquisição, por esta, dos títulos eurobõrms, especialmente porque (i) o contrato de mútuo foi firmado em 19/10/1999, (ii) o valor foi remetido no dia seguinte e (iii) no dia 21/10/1999 a mutuária (Ceval International) adquiriu US$ 68,978,000.00 de Eurobórius no mercado secundário externo. A fiscalização, todavia, omitiu que os documentos (balancete do riles de outubro de 1999) demonstram que a Ceval International teve operações em milhões de dólares compatíveis com as aquisições dos títulos eurobemus. Ademais, o montante mutuado era superior ao valor de aquisição dos títulos, demonstrando a fragilidade da correlação estabelecida pelo Fisco. A impossibilidade de apresentação de documentos bancários da empresa Ceval International se justifica ante a passagem de mais de cinco anos desde a realização das operações. A fiscalização omitiu a informação de que a Ceval International já havia adquirido em 30/06/1999, antes da realização do mútuo com a empresa autuada, o montante de US$ 6,510,000.00. Da mesma forma, não foi informado que não obstante o mútuo realizado em 13/10/1999 a Ceval International, embora houvesse adquirido os títulos, os vendeu em 01/03/2001 A Bunge Fertilizantes International, muito antes da quitação do mútuo e da efetiva liquidação. Ainda, não foi considerado que em 05/06/2000 (após a aquisição dos títulos pela Ceval International e antes da sua venda à Bunge Fertilizantes International), houve a cessão do contrato de mútuo à Santista Export, de forma a deixar duvidosa a tentativa de imputar empresa uni suposto resgate antecipado. As prorrogações dos prazos do contrato de mútuo foram realizadas quando a . mutuária já era a Santista Export, empresa que não teve qualquer relação com os eurobbnus, sendo a primeira prorrogação em 15/09/2000. 6 Processo n° 13971,001630/2006-60 S2-C1T2 Acórdão nY 2102-00.294 Fl 1 070 Não ocorreu a liquidação antecipada, pois independentemente do mútuo realizado a empresa autuada continuou pagando os juros devidos aos eurobônus, repassando-os aos bancos intermediadores, de forma que não se operou a troca da divida. Por fim, a simples possibilidade de ter havido a aquisição dos eurobônus com parte ou todo o recurso tomado a titulo de mútuo pela Ceval International da autuada não permite a acusação de que houve simulação, dolo ou fraude. Com relação à infração relativa ao item (ii): A empresa recebeu US$ 250,000,000.00 referentes a pré-pagamento de exportação no período de 27/10/2000 a 20/12/2000, cuja regularidade de registro contábil perante o BACEN foi atestada. Deste modo, efetuou pagamentos a titulo de juros, remetendo os correspondentes valores com o beneficio da alíquota zero do IRRF, nos termos do art. 1°, XI, da Lei no_ 9.481/97. A conclusão apresentada pelo Fisco, no sentido de que os recursos recebidos não foram aplicados no financiamento da exportação, é contraditória, uma vez que amplia a própria interpretação contida na legislação de regência. Neste sentido, a fiscalização estaria exigindo a vinculação direta de cada nota do dinheiro recebido pela autuada, como se este recebesse um carimbo identificador e uma conta contábil e bancária especifica. A autuada teve quatro anos para cumprir o compromisso de exportar as mercadorias antecipadamente pagas. Caberia ao BACEN a fiscalização dos valores que entraram no pais corno antecipação de pagamento de exportação e o efetivo pagamento desta obrigação. Todos os valores relativos aos pre-pagamentos de exportações foram cabalmente cumpridos, com a respectiva exportação efetivada. A coincidência da entrada dos recursos com os pagamentos da liquidação antecipada das debentures e dos acionistas dissidentes não pode ter o condão de descaracterizar o efetivo "financiamento da exportação", na qualidade de pagamento antecipado pelo importador das mercadorias produzidas. Com relação à infração relativa ao item (iii): A responsabilidade pelo pagamento do IRRF se extingue corn a entrega da declaração do contribuinte de direito. Ademais, quanto à multa pela não retenção, a verba paga foi de cunho indenizatório, sendo que não incide, neste caso, o IRRF. Da inaplicabilidade do diEposto no art. 725 do RIR199: inaplicável o reajustamento ,da base de cálculo previsto no art,. 725 do R1R199, pois tal dispositivo apenas seria cabível nos casos em que o pagamento ajustado entre as partes é liquido de IRRF, assumindo a fonte pagadora este ônus. Por fim, a autuada defendeu (a) a necessidade de afastamento da multa majorada e combateu (b) a violação ao princípio da capacidade contributiva e (iii) a aplicação da multa confiscatória. 7 Às fls. 948/962 a 4' Turma da DRJ de Florianópolis (SC) julgou o lançamento procedente, sob os argumentos adiante explicitados: Em sede preliminar: • A preliminar de nulidade suscitada pela contribuinte não pode ser acolhida, porque os fatos que ensejaram a autuação encontram-se descritos detalhadamente em minucioso trabalho de auditoria fiscal, inclusive, corn a indicação dos dispositivos legais aplicáveis; assim, a autuação fiscal preenche os requisitos legais previstos no art. 10 do Decreto 70.235/72; Mérito — item (i): • Os valores mutuados a Ceval International foram remetidos em 20/10/1999, sendo que no dia seguinte a empresa adquiriu os eurob6nus; • A autuada não comprovou que a Ceval International possuía capacidade financeira compatível com as operações realizadas; • Nos termos do art. 264 do RIR199 a pessoa jurídica é obrigada a mantel em ordem os documentos que se refiram a operações que modifiquem sua situação patrimonial, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes; • Na ausência da documentação solicitada a fiscalização buscou trazer outras evidências aos autos que pudessem demonstrar que a autuada enviou os recursos em mútuo para o resgate de eurobeinus, sendo que, no caso concreto, as provas apresentadas confirmaram a suspeita; • Isto porque o mútuo concedido não é considerado uma operação usual no âmbito das relações entre a autuada e sua controlada (Ceval International); tal controlada, sediada nas Ilhas Cayman, é majoritariamente fornecedora de recurso pata a controladora; • A autuada não tinha mais interesse na manutenção dos eurobeinus, porque enquanto estes eram remunerados pela empresa a taxas de 11,125% e 10,625% ao ano, outras fontes de financiamento da empresa, também atreladas à variação cambial e igualmente de longo prazo, tinham taxas mais atrativas; • 0 recurso mutuado apenas retornou ao pais no vencimento formal dos títulos eurob6nus, estabelecendo definitivamente a vinculação entre o mútuo e os eurobeinus. • Sendo da autuada o emus de provar a legitimidade das operações realizadas, seu comportamento evasivo indica o intuito de fraude, nos termos do art. 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502/64, autorizando a qualificação da multa de oficio para 150%; Mérito - item (ii): Processo ri" 13971.001630/2006-60 S2-C1 T2 Acórdão ri." 2102-00.294 Fl 1 011 • De acordo corn o art. 111, H, do Código Tributário Nacional (CTN) a legislação tributária relativa a isenções deve ser interpretada de forma literal; • Por este motivo a Portaria MF n°. 70/97 enfatizou que o requisito para a isenção seria que os recursos fossem "comprovadamente aplicados no financiamento de exportações brasileiras" (art, 1 0, V, da portaria); • O controle cambial das operações cabe ao BACEN, mas cabe A Receita Federal verificar a regularidade da utilização do recurso, a fim de aferir a procedência da isenção do 1RRF; • A própria empresa autuada identificou em suas demonstrações financeiras do ano-calendário de 2000 o destino dado aos US$ 250 milhões; na nota explicativa n°. 11 consta que a "aplicação destes recursos foi destinada basicamente ao resgate antecipado de debentures, de emissão da sociedade incorporada Santista Alimentos S/A, ao pagamento do reembolso das açães dos acionistas dissidentes da Santista Alimentos S/A e para atendimento das necessidades de capital de giro"; • Tendo em vista que o "reembolso de acionistas dissidentes" e o "resgate de debentures" não podem ser considerados aplicações destinadas As exportações, constdta-se que o requisito previsto na legislação para o gozo do beneficio fiscal não foi observado; Mérito — reajustamento da base de cálculo: • Tendo em vista que o IRRF sobre os juros pagos a domiciliados no exterior tem a natureza de tributação exclusiva, a fonte pagadora reveste- se da responsável exclusiva pelo imposto, competindo-lhe entregar o valor já liquido ao beneficiário; assim, se a empresa autuada não fez a retenção do imposto, o reajustamento da base de cálculo do tributo é medida que se impõe; Mérito — item MO: • A multa aplicada coin relação a este item tem seu fundamento de validade no art. 722, parágrafo único, do RIR/99, dispositivo anterior, portanto, A Medida Provisória n°, 16/01; • Assim, inexiste óbice em relação ao aspecto temporal para a exigência da multa em questão; Da multa confiscatória: • A apreciação da constitucionalidade das normas tributária é matéria afeta ao Poder Judiciário, e não as autoridades administrativas. 9 ;êts fls. 969/1059 a contribuinle interpôs Recurso Voluntário, oportunidade em que ratificou os argumentos lançados .ern sede de impugnação. o relatório. Voto Vencido Conselheira VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE, Relatora O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço-o e passo ao exame. — Preliminarmente: Argumenta a Recorrente que o auto de infração é nulo, eis que teria se pautado em presunções. • Todavia, ao que consta do Termo de Verificação Fiscal ("TVF") o trabalho da fiscalização foi detalhadamente exposto, e, ademais, o auto de infração foi pautado na legislação de regência, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade do lançamento. Ademais, nos ‘termos do art. 59 do Decreto n°. 70.235/72, somente são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e, ainda, (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente. Veja-se: "Art. 59— Sao nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões profetidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Assim, afasto a preliminar suscitada. II — Do dolo fraude ou simulaqis: Antes de verificar as demais questões referentes ao caso em análise, cumpre tecer algumas considerações a respeito da inexistência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, haja vista a implicação do tema nos demais pontos da lide, notadamente, na questão da decadência e da aplicação da multa de oficio qualificada. Nesse sentido a imputação de dolo, fraude ou simulação implica conteddo criminoso, ou seja, a intenção deliberada do contribuinte em fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar tais aches o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artificio tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artificio empregado e o beneficio por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo. ç) G" lo Processo n° 13971 001630/2006-60 S2-C1T2 AcORIcio n ° 2102-00.294 Fl I 072 Exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. No entanto, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo especifico do agente evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Aliás, multa agravada está assim prevista na Lei 9.4.30/96, mais precisamente em seu artigo 44, inciso IL Vejamos: Art. 44 — Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (. ) — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de . fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n 4502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, E, conforme se extrai do comando normativo acima, o intuito de fraude por parte do contribuinte deve restar caracterizado nos moldes dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, que assim dispõe: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária.• I - da ocorrência do fato getador da obrigação tributãria principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obriga cão tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardai; total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obriga cão tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73, Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts, 71 e 72 Assim, devemos entender que a falta submetida á. hipótese da multa do inciso II do artigo 44 é a ação ou omissão coin intenção de retardar ou impedir o pagamento do tributo, cujo fato gerador tenha ocorrido. Alberto Xavier traz com clareza, apoiado em Rubens Comes de Sousa, a noção do instituto: <ON_ , II "Não cabe dúvida que a delinição se inspirou nas lições de Rubcns Gomes de Sousa, quando ensinava no seu 'Compêndio de Legislagdo Tributária' que a ,fraude fiscal — uma das infrações tributárias simples, por oposição aos crimes e contravenção em matéria tributária — podia ser definida coma toda ação ou omissão destinada a evitar ou retardar o pagamento de um tributo devido, ou a pagar tributo menor que o devido. Em face desta noção desenhava-se bem simples a distinção entre a fraude fiscal e a evasão de imposto Ambas seriam ações ou °missiles destinadas a evitar, retardar ou reduzir o pagantento de um tributo, mas enquanto a fraude fiscal pressupõe a ocorrência do fato gerador, isto á, uma obrigação tributária fá existente, constituindo uma infração, a evasão coloca-se em momento anterior ao da ocorrência do fato gerador, antes pois do nascimento da obrigaciio do imposto, pelo que não caberia no caso falar-se em ato ilícito (Alberto Xavier Direito Tributário e Empresarial — Pareceres, Forense, 1982, At.. 11) Grifamos." Tal posicionamento é confirmado pelas reiteradas decisões proferidas por este CARE, conforme exemplificado abaixo: MULTA AGRAVADA - Não havendo nos autos elementos de prova suficientes que autorizem o convencimento de prática de fraude ou qualquer outro procedimento no qual o dolo especifico seja elementar não prospera a multa agravada. (Acórdão 103- 19682,). IPI - MULTA DE OFICIO - MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL SITUA ÇAO QUALIFICATIVA - FRAUDE - A conduta descrita pela norma do art. 72 da Lei n" 4,502/64 exige do sujeito passivo, cumulativamente, os seguintes comportamentos . o dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato geradoz; ou a exclusão ou modificagdo das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento (Acórdão 201-73945) Alem disso, vale lembrar, que o presente caso trata uma hipótese de planejamento tributário, o que de forma alguma pode ser interpretada com o intuito de fraudar o fisco. Com eféito, considerando todo o exposto, fica evidente que não restou comprovada pela autoridade fiscal a ocorrência de dolo, fraude ou simulação supostamente cometido pelo contribuinte em nenhum dos itens autuados, nem mesmo é possível atingirmos tal conclusão com base nos elementos que constam dos autos, motivo pelo qual afasto de pronto a aplicação da multa qualificada, reduzindo-se de a multa de oficio de 150% para 75%, devendo-se aplicar este mesmo entendimento para a apreciação dos demais pontos discutidos neste julgado. III — Da decadência: Embora a Recorrente não tenha suscitado a extinção do credito tributário em razão da decadência, limitando-se a expor sobre o assunto no trecho em que combate o dever de guarda dos documentos da Ceval International por mais de cinco anos, a decadência do credito fiscal é matéria que pode — e deve — ser conhecida de oficio. Neste sentido: 12 Process° nn 13971 001630/2006-60 S2-C1T2 Acórcifin n.° 2102-00.294 FL 1 073 "NORMAS PROCESSUAIS_ DECADÊNCIA. MATÉRIA QUE PODE SER CONHECIDA DE OFICIO. Sendo a decadência causa extintiva do crédito tributário e causa de nulidade do lançamento, deve ser conhecida de oficio " (2° CC — ()Marta Câmara — Recurso n". 129 761 — Relator: Flávio de Sá Munhoz — Sessão de 19/10/200.5). Corno sabido o prazo decadencial para a realização do lançamento tributário pelo Fisco sempre terá corno marco a data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, "verbis": "Art, 150 — 0 lançamento por homologação, que ocorre quanta aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento senz prévio ex -ame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado expressamente a homologa. (-) ,sç 4" - Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Páblica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.." g n. Sobre o instituto da decadência, cumpre transcrever o entendimento do i. Professor Ives Gandra da Silva Martins, para quem tanto a decadência como a prescrição podem ser resumidas como a "punição da inércia". Veja-se: "Se, por inércia ou por qualquer outro motivo, a autoridade administrativa não exercer o dever de lançar, nos prazos estipulados, constituindo o crédito ti ibutcirio, ou se, uma vez lançado, deixar de executá-lo judicialmente, também nos prazos definidos pelo Código Tributário Nacional, terá lugar a punição da inércia, constituída pelas vedações provocadas pelos institutos da decadência e da prescrição. Tais institutos têm por objetivo, exclusivamente, ofertar segurança maior ao direito, não permitindo que a espada de Dihnocles paire, indefinidamente, sobre a cabeça do sujeito passivo da obrigação tributária, Seu escopo é, pois, coin clareza, ofertar, de um lado, um prazo temporal suficiente para o exercício do poder ,fiscalizatório, para o exercício do dever impositivo e, de outro lado, não permitir que esse prazo ultrapasse o razoável, que não se prolongue ao infinito. Decadência e prescrição pattern a desídia, a imperícia, a negligência, a omissão da Administração Pública e garantem a segurança jurídica, dando estabilidade its relações entre Fisco e contribuinte, impedindo que, após determinado prazo, possam ser alteradas " g n. (Pesquisas Tributárias: nova série, "Decadência e prescrição". Coordenador Ives Gandra da Silva Martins. Conferencista inaugural José Carlos Moreira Alves — São Paulo: Editora Revista dos Tribunals.' Centro de Extensão Universitária, 2007, pg. 20/21), 13 . A seguir, a decadência sob oenfoque do i. Prpfessor Jose Eduardo Soares de Melo: "O perecimento do direito é justificcivel não só porque as relaçães jurídicas não devem ser peipétuas, tornando-se impi escindiVel sua estabilização no tempo, mas lambent porque a inércia revela negligência da Fazenda, que não pode ser pi estigiada, não devendo o sujeito passivo manter indefinidamente os elementos e documentos relativos a seus negócios, património, etc." g. mi. (Pesquisas Tributárias: nova série "Decadência e prescrição". Coordenador Ives Gandra da Silva Martins Conferencista inaugural José Carlos Moreira Alves — Sao Paulo: Editora Revista dos Tribunais: Centro de &tensão Universitária, 2007, pg. 20/21). No caso dos autos, tendo em vista a natureza das infrações consignadas nos itens (i) e (ii) do auto de infração falta de recolhimento do IRRF nas remessas de juros incidentes sobre títulos eurobeinus e falta de recolhimento do IRRF nas remessas de juros pagos em pré-pagamentos de exportação), a data do fato gerador correspondente justamente data das remessas realizadas a titulo de juros pela empresa Recorrente. Aliás, a Receita Federal do Brasil (ou Secretaria da Receita Federal), quando consultada, já se manifestou no sentido de que o fato gerador do IRRF, devido sobre remessas realizadas ao exterior, se dá com o "crédito, emprego, entrega ou remessa de rendimentos, o que ocorrer primeiro", defendendo, assim, o dever de recolhimento do tributo apenas e tdo- somente com a realização do crédito contábil do montante a remeter. Neste sentido: "SOLLA,740 DE CONSULTA 1 ■1°. 69 de 31 de Maio de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF EMENTA: FATO GERADOR DO IRRF A retenção e o recolhimento do imposto de renda na fonte sobre rendimentos atribuidos a residente ou domiciliado no exterior (Seiviços de engenharia e outros serviços) devem ser feitos quando da OCW'rência do . fato gerador, que corresponde ao crédito, emprego, entrega ou remessa de rendimentos - o que ocorrer primeho, Se ocorrer em primeiro lugar o crédito contábil, nominal ao beneficiário, incondicional e não sujeito a termo, configura-se o fato gerador, ainda que a remessa dos valores se dê posteriormente, devendo ser retido e recolhido o imposto, em reais, e esse valor se torna definitivo, não cabendo a aplicação da norma prevista na Lei n 9.816, de 1999, art. 3 0, e Instrução Normativa SRF 71_ 041/1999, art 10, a qual se destina ao caso em que o fato gerador seja a transferência do e para o exterior." Desta fon-na, considerando que a data do fato gerador. do IRRF se dá no momento do crédito, emprego, entrega ou remessa dos rendimentos ao exterior, verifico que, no caso concreto, parte do crédito tributário exigido foi atingido pela decadência. Note-se, neste sentido, que o auto de infração foi lavrado em 04/10/2006 e as remessas sobre as quais deve incidir o IRRF, no entender da fiscalização, são as seguintes: Item I — falta de recolhimento do IRRF nas remessas de juros incidentes sobre eurobeinus: 14 Processo n" 13971.001630/2006-60 S2-C1T2 , Acórdão 2102-04.294 Fl. 1.074 Fato gerador Valor tributável ou Imposto 30/03/2001 R$ 1.769.865,01 28/09/2001 R$ 2.129.062,88 Item 2 — falta de recolhimento do IRRF nas remessas de juros em pré- pagamentos de exportação: Fato gerador Valor tributável ou Imposto 08/01/2001 R$ 505.302,85 07/02/2001 R$ 478.621,72 08/03/2001 R$ 485.588,05 27/04/2001 R$ 809.750,97 26/07/2001 R$ 1.496.610,32 Desde já esclareço que não identifico, na hipótese dos autos, a ocorrência de fraude, dolo ou simulação que pudessem justificar a aplicação do art. 173, I, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, nos termos já claramente expostos no item II deste voto, bem corno pelos motivos também evidenciados adiante quando da análise do mérito do presente processo administrativo. Desta feita, tendo em vista a ocorrência dos fatos geradores nas datas acima indicadas, e tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em 04/10/2006, os correspondentes cr editos tributários reclamados foram atingidos pela decadência.. 0 mesmo se dá corn relação ao IRRF exigido no item (iii) do auto de infração (multa por falta de retenção de IRRF no pagamento de verbas devidas na rescisão de contrato de trabalho). Tendo em vista que o fato gerador, neste caso. é o pagamento, e tendo ele ocorrido em 28/02/2001, o crédito tributário reclamado também foi atingido pela decadência. No entanto, tendo em vista que apenas o item (iii) do auto de infração foi atingido de forma integral pela decadência, passarei, a seguir, à análise de mérito dos itens (i) e (ii) do lançamento. IV — Mérito: IV.1 - Item (i) Não recolhimento de IRRF sobre juros pagos em empréstimos tomados ("eurobinhus") Nos termos do relatado o presente processo administrativo teve origem na constatação, por parte da fiscalização, da falta de recolhimento do IRRF nas remessas efetuadas ao exterior a titulo de juros incidentes sobre títulos eurobônus. Conforme se denota dos autos a Recorrente emitiu os seguintes títulos: 15 emissão — Citibank: Valor ai iginal: US$ 100,000,000,00, Data de ingresso das divisas no pais: 02/10/1996 Vencimento do principal: parcela única em 01/10/2004. Valor remanescente de responsabilidade da empresa após cisão. US$ 79. 5,18 ,O00, 00., Agente de colocação, Citibank Internacional PLC, .Iuros: 11,125% ao ano, semestralmente vencidos. 2' emissão — Chase: Valor original: US$ 100.000.000,00, Data de ingresso das divisas no pais: 30/12/1996 Vencimento do principal: parcela (mica em 30/12/2004. Valor i emanescente de responsabilidade da empresa após cisão: US$ 11.422.000,00. Agente de colocação: Chase Manhattan Internacional Limited. ATOS: 10,625% ao ano, semestralmente vencidos. Nos termos do entendimento da fiscalização a Recorrente não poderia ter gozado do beneficio contido no art. 1 0, IX, da Lei n. 9.481/97, assim disposto: "Art I" - Relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano- calendário de 1997, a aliquota do imposto de renda na fonte incidente solne os rendimentos auferidos no Pais, por residentes ou domiciliados no exterior, .fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: IX - juros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocações no e..xterior, previamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, de títulos de crédito internacionais, inclusive comercial papers, desde que o prazo in ódio de amortização corresponda, no mínimo, a 96 meses; " De acordo com o Fisco o prazo médio mínimo de amortização dos títulos (96 meses) não foi observado pela Recorrente, pois esta promoveu o resgate antecipado dos eurobónus lançados no mercado, e assim o fez de forma indireta, já que a aquisição dos títulos foi realizada por uma de suas empresas controladas (Ceval International) no exterior, corn recursos da própria Recorrente. Conforme afirmado peias autoridades fiscais o mútuo celebrado entre a Recorrente e sua controlada — Ceval International — teve como objetivo permitir que esta última empresa adquirisse os eurobónus lançados pela Recorrente, pois, se o resgate fosse realizado pela própria autuada esta perderia o beneficio fiscal em comento. 16 Processo n° 13971.001630/2006-60 S2-C1T2 Acórao n.° 21024)0.294 Ft t075 A quitação do mirtuo em referência ocorreu em datas próximas ao "resgate oficial" dos eurobônus por parte da Recorrente, fato que, de acordo corn a fiscalização, reforça a constatação no sentido de que as operaçaes foram engendradas corn vistas, tão-somente, a manutenção do beneficio fiscal contido no art. 1 0, IX, da Lei n', 9,481/97. A autoridade julgadora de primeira instância administrativa, entendendo estar o trabalho fiscal bem fundamentado, julgou o lançamento procedente Todavia, tenho para mim que a r. decisão recorrida merece reforma. Isto porque, a meu ver, a autuação perpetrada contra a Recorrente partiu do pressuposto de que inexiste independência econômica e principalmente jurídica entre empresas vinculadas, a exemplo da Bunge Alimentos e da Ceval International. A meu ver, referida ausência de autonomia entre as empresas somente poderia ser considerada a partir de eventual desconsideração da personalidade jurídica de uma delas. No caso concreto, ainda que indiretamente, o Fisco desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Ceval International, que foi constituída, inclusive, sob legislação estrangeira. Neste particular, filio-me à corrente daqueles que entendem que ao Fisco é defeso desconsiderar, por vias obliquas, a personalidade jurídica da empresa, ainda que somente "para fins tributários", especialmente porque não vejo diferença entre a desconsideração da personalidade jurídica determinada judicialmente e a desconsideração da per sonalidade.juridica imposta pelo Fisco "somente para fins fiscais" Vale esclarecer, neste panto, que a desconsideração da personalidade jurídica da empresa não importa na negação de sua existência, mas tão-somente na sua desconsideração para fins dos atos ilícitos praticados. Em nenhum momento a desconsideração da personalidade jurídica importa na extinção ou dissolução da empresa. Neste sentido, veja-se: "A grande vantagem dessa teoria é que sua aplicação pontua.. Demonstrada a fraude, a desconsideração da personaddade da sociedade ocorrerá apenas sabre os atos ilícitos praticados. Não será dissolvida ou extinta a empresa, nem se declarará inválido seus atos constitutivos. Todos os atos por ela praticados antes e depois dos ilícitos permanecem válidos. A teoria apenas ignora a personalidade da empresa e sua independência patrimonial naquela situação de fraude em particular, atingindo, sem limites, e de forma direta, os bens pessoais dos sócios. Para outros fins, a sociedade continua com personalidade distinta de seus membros, bem como patrimônio próprio, resguardando-se todos os interesses que a circundam, como o dos demais sócios não envolvidos na ,fraude; dos trabalhadores da empresa; do Fisco pela arrecadação; e da própria coletividade, pela produção de bens ou prestação de serviços úteis, " (Gongalves, Maria Gabriela Venturoti Pei-rota Rios. Direito Comercial: direito de empresa e sociedades empresárias / Maria Gabriela Venturoti Pei-rota Rios Gonçalves, Victor Eduardo Rios Gongalves— São Paulo: Saraiva, 2005, pg. 97/98). li Estando diante de hipótese dc desconsideração da personalidade jurídica vale destacar que esta somente pode ser decretada judicialmente, a teor do que dispi3e o art 50 do Código Civil, "verbis": "Art, 50 Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a reverimento da parte, ou do Ministério Público quando Ike couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica." O dispositivo em comento espanca qualquer dúvida a respeito da necessidade de decisão judicial para fins de aplicação da temia da desconsideração da personalidade jurídica. Esclareço, ainda, que ao contrário do que defendido por alguns operadores do Direito, o art. 116, parágrafo único, do CTN, não é auto-aplicável. Sobre esse assunto compartilho do entendimento já esposado pelo magistrado Leandro Paulsen, que assim já prelecionou: "Se constitucioncdfosse — que não é — a referida norma não tem eficácia imediata, pois depende de regulamentação procedimental por lei ordinária. A única tentativa de regulamentação deu-se por meio dos arts. 13 a 19 da MP 66/00, que, entretanto, foi repelida pelo Congresso Nacional, ainda em sua Comissão de Constituição e Justiça. ... a eficácia da norma é futura e condicionada, não podendo, pois, dar suporte a qualquer ere& fiscal para fazê-la efetiva, sem lei que crie os ppcedimentos pertinentes atp_s_11 flui. " (Paulsen, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 8" ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006). No entanto, ainda que a desconsideração da personalidade jurídica prescindisse de autorização judicial, não visualizo, no caso concreto, qualquer abuso da personalidade jurídica, como aduzido pelo art. 50 do CC. Explico. Embora, de fato, haja coincidência entre a data do envio dos recursos ao exterior e a data da aquisição dos títulos pela Ceval International, bem como proximidade de datas entre a quitação do mútuo e o resgate "oficial" dos eurobemus pela Recorrente, entendo que tal constatação, por si só, não confere respaldo jurídico ã conclusão apresentada pelo Fisco. Primeiramente, porque diante dos motivos já expostos neste voto o trabalho da fiscalização foi pautado, ainda que de forma indireta, na desconsideração da personalidade jurídica da empresa Ceval International. Em segundo lugar, porque não restou comprovado, em momento algum, que a vontade manifestada pela Recorrente estaria dissociada dos atos por ela praticados. Muito ao revés, em nenhum momento a emissão dos títulos eurobênus pela empresa autuada foi contestada, muito menos a legitimidade do contrato de mútuo celebrado entre esta e a empresa Ceval International, de maneira que, em razão do principio da legalidade, há que se presumir 18 Processo n° 13971' 00163012006-60 S2-C.11 -2 Acórdão n.° 2102-00.294 Fl 1.076 que as operações foram realizadas visando os objetivos concernentes aos próprios atos externados, quais sejam, a captação de recursos no exterior e, ainda, a realização de empréstimo a empresa vinculada. Nesse sentido vale observar que uma das características dos títulos eurobbnus justamente sua negociação em mercado aberto, não importando que a adquirente seja empresa vinculada. Assim, ainda que os títulos adquiridos pela Ceval International não tivessem sido objeto de posterior renegociação no mercado, a aquisição levada a efeito pela empresa estrangeira não tem o condão de fazer prova contra a emitente dos títulos unicamente pelo fato de serem, emitente e adquirente, empresas vinculadas. Insta destacar, ademais, como bem salientou a Recorrente, que à época do lançamento dos títulos a empresa não integrava o grupo Bunge, sendo que as aquisições foram realizadas, assim, por investidores sem qualquer relação corn a autuada. Note, ainda, que o mútuo celebrado entre as empresas Bunge Alimentos (Recorrente) e Ceval International foi realizado em valor inferior ao valor dos títulos adquiridos por este última. Neste ponto vale esclarecer que o empréstimo concedido à Ceval International foi da monta de US$ 90,000,000.00, enquanto que a aquisição dos títulos no exterior correspondeu a USS 68,978,000.00. Outro ponto que merece consideração é o fato, não contestado pela fiscalização, de que a Ceval International já havia adquirido parte dos etirobbnus antes mesmo do recebimento dos valores mutuados, no importe de US$ 6,510,000.00. Um dos principais argumentos apresentados pelo Fisco para estabelecer correlação entre o mútuo realizado (Bunge Alimentos e Ceval International) e o suposto "resgate antecipado" dos títulos eurobemus pela Recorrente seria a falta de capacidade financeira da empresa controlada, que não teria, assim, operações financeiras compatíveis com a aquisição dos títulos. A autoridade julgadora de primeira instância, corroborando o entendimento da fiscalização, assim expôs As fls. 957-verso e 958: "No caso em concreto, as provas apresentadas indicant que operação em análise objetivou realmente a aquisição dos eurob6nus. Assim é que o mútuo concedido não é considerado tuna operação usual no âmbito das relações entre a autuada e sua controlada Ceval International. A fiscalização relatou que Ns. 711) esta controlada — sediada nas Ilhas Cayman, região caracterizada pela facilidade de obtenção de financiamentos internacionais — é majoritariamente .fornecedora de recursos para a controladora, conforme levantamento feito a partir das demonstrações financeiras publicadas pela empresa (doc. 60) A exceção fica por conta justamente do mútuo em analise, ocorrido em 1999: ...," Observe, todavia, que a conclusão exposta pelo Fisco, e corroborada pela autoridade julgadora de primeira instância, é claramente contraditória, pois o fato de a empresa Ceval International ser empresa "majoritariamente fornecedora de recursos para a controladora" (Recorrente), por se encontrar estabelecida em região "caracterizada pela facilidade de obtenção de financiamentos internacionais", indica, aponta, sustenta a 19 capacidade financeira da empresa Ceval para realizar, no exterior, operações compatíveis corn a aquisição dos títulos eurobõnus. Tal constatação, por si sõ, reforça a afirmação de que as operações realizadas entre as empresas vinculadas devem ptesumir-se licitas, não tendo lugar presunções e ilações pautadas na mera vinculação das pessoas jurídicas, com autonomia e independência. Neste sentido, cumpre observar que a única condição ao gozo da aliquota zero do IRRF srevista selo art. 1° IX da Lei n". 9.481/97 é a emissão de títulos no exterior com prazo de amortização médio mínimo de 96 meses. Não consta da referida lei a condição de não negociação de tais títulos com empresas vinculadas. Neste sentido já decidiu este E. Conselho de Contribuintes. Veja-se: "[REF RENDIMENTOS DE RESIDENTES E DOMICILIADOS NO EXTERIOR. REMESSA DE JUROS - AIIOUOTA ZERO - PRAZO MÍNIMO MÉDIO PARA AMORTIZAÇÃO DE 96 MESES. Para que o pagamento de juros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocação de títulos no exterior (Fixed Rate Notes), previamente autorizada pelo Banco Central do Brasil, possa se beneficiar da aliquota zeio do imposto sobre a renda retido na fonte, basta que o prazo médio de amortização corresponda, no minim:), lid 96 meses-, Recurso Pi ovido." (1° CC — Primeira Câmara — Recurso n" 154.569 — Relator: Valmir Sandri — Sessão de 17/09/2008). Vale notar que o entendimento deste tribunal já caminhava neste sentido desde 2006, oportunidade em que a Quarta Câmara, ao analisar operação semelhante, assim decidiu: "RENDIMENTOS DE RESIDENTES E DOMICILIADOS NO EXTERIOR - OPERAÇÕES DE EMPRÉSTIMOS REALIZADAS ENTRE EMPRESAS CONTROLADAS E EMPRESA CONTROLADORA - REMESSA DE JUROS - TÍTULOS DE CRÉDITO INTERNACIONAIS — COLOCAÇÃO DE FIXED RATE NOTES NO MERCADO INTERNACIONAL - INCIDÊNCIA NA FONTE REDUZIDA Á AL/QUOTA ZERO - CONTRATOS EM VIGOR EM 31/12/1299 PRAZO MÍNIMO MÉDIO PARA AMORTIZAÇÃO DE 96 MESES. As operações de captação de recursos financeiros a curto prazo realizadas entre as empresas subsidiárias da contribuinte no exterior e banqueiros internacionais não se confundem com as operações de empréstimo a longo prazo realizadas entre as empresas. subsididrias no exterior e a empresa controladora no Brasil - são negócios jurídicos distintos. Inocorre resgate antecipado das Fixed Rate Notes em razão de transferência internacional de Reais tealizada entre a empresa controladora no Brasil (emitente dos títulos de crédito) para as .suas empresas subsidiárias no exterior (adquirentes dos títulos de crédito) a titulo de aumento de capital, inclusive se as empresas subsididrias utilizarem estas transferencias de Reais para liquidar seus cirri), éstimos de curto prazo frente aos banqueiros internacionais que financiaram a aquisição destes títulos de créditos internacionais. Desta forma, as remessas de pagamentos de juros decorrentes de colocações no exterior de títulos de crédito internacionais, a exemplo das Fixed Rate 20 Processo n° 1397100163012006-60 S2-C1T2 Ac6rci5o n " 2102-011294 Fl 1 077 Notes, previamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, cujo pail() médio de amortização corresponda, no minima, a 96 meses e cujos contratos encontravam-se em vigor en? 31/12/1999, estão com incidência de imposto de renda na fonte reduzida à aliquota zero Recurso provido." (1" CC — Quarta Câmara — Recurso n". 148.3.30 — Relator: Nelson Itlallmann Sessão de 18/10/2006). Sobre o prazo de 96 meses como única condição a ser observada para a aplicação da isenção, cumpre transcrever trecho do voto exarado pelo Relator Nelson Mallmann: Ora, não cabe it Receita Federal, unilateralmente, desconsiderar pronunciamento formal e conclusivo do Banco Central que deu its condutas realizadas a qualifica cão jurídica de não- configuradoras de resgate antecipado. Tanta não houve resgate antecipado que, para fins cambiais e de capital estrangeiro, as operações permanecem registradas como operações com prazo de amortização superior a 96 meses e, par isso, continuam a produzir todos os efeitos que lhes são próprios. Como a obriga cão tributária 6 uma obrigação ex lege, e como não /id lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada it lei, deve-se sempre procurar a verdade real it cerca da imputação, desde que o fato gerador da obrigação tributária esteja previsto em lei. Não basta probabilidade da existência de um fato para dizer-se haver ou não haver obrigação tributária. Calcada neste principio — o da estrita legalidade da obrigação tributária decone, tranqüila, a constatação de que cada um pode, no que concerne a saci colocação ante imposições tributárias, dirigir sua vida e seus negócios da forma que, dentro dos limites da licitude e da legalidade, melhor atenda a seus interesses, não podendo ser constrangido a organizá-los de maneira à abrindo mão do sett próprio, melhor atendei - ao interesse do fisco. De acordo com a legislação tributária que trata do assunto e levando en) conta as considerações expostas, é de se concluir que a suplicante observou as regras para ttsükuir o direito ao beneficio da redução a zero do imposto de renda na fonte nas remessas de juros para o exterior de que trata o art, 1", LW, da Lei n. 9.481, de 1997, coin a redação dada pelo art. 20 da lei 77. 9.532, de 1997, já que não há possibilidade de se considerar que o aumento de capital das subsidiárias teria ocorrido para amortizar a divida da suplicante. 21 • Pois muito bem. A lide que se impõe gira em tomo de se saber se existem nos autos documentos que comprovem de forma inequívoca que o contribuinte efetuou, ainda que indiretamente o resgate antecipado de títulos, conforme discriminado pela autoridade fiscal. Para o estudo que se propõe vale destacar que o art 9' do Decreto n° 70.235, de 1972, abaixo transcrito, estabelece que a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Art. 9". A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instntidos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis ti comprovação do ilícito (Redação dada pelo art. 1." da Lei n."8.748/1993) Deve-se, ainda observar que o direito probatório brasileiro consagra a possibilidade de uso da prova indicidria. Entretanto, no caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulá-los de forma tal a demonstrar a inequívoca conduta ilícita do contribuinte (se do cruzamento dos elementos de prova coletados não resultar como possível apenas aquele resultado afirmado pelo agente fiscal, sem vigor restará o cenário construido, o que, via de regra, demanda aprofundamento da investigação), Assim, em razão do exposto, entendo que à Recorrente assiste razão quanto aos argumentos lançados em sede de impugnação e Recurso Voluntário, que denotam a fragilidade do lançamento tributário perpetrado. Ademais, restando evidente a não ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, nos termos explanados no item II retro. bem como explanado nas razões de decidir quanto ao mérito, deixo de analisar a aplicação da multa majorada de 150%, posto que os argumentos acima que espancam qualquer suspeita acerca da possível ilicitude e/ou ilegitimidade das operações praticadas pela recorrente. 1E2 — Item (ii) Nan recolhimento de IRRF sobre juros incidentes em pré- pagamentos de exportação A Recorrente recebeu US$250,000,000.00 referentes a pré-pagamento de exportação, no período de 27/10/2000 a 20/12/2000. Todavia, entendeu a fiscalização que a aplicação dos recursos fbi "desviada", ou seja, que os recursos não foram aplicados para o financiamento da exportação, o que impediria a empresa de gozar da aliquota zero do IRRF sobre as remessas realizadas, fixada pelo art. 1°, XI, da Lei n°. 9.481/97, "verbis": "Art. I" - Relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano- calendário de 1997, a aliquota do imposto de renda na fonte incidente sabre os rendimentos auferidos no Pais, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: 22 Processo n° 13971..001630/2006-60 S2 -CI T2 Ac6rdilo n ° 2102-00,294 Ft 1.07 8 - juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de expodaçães." Ao Fisco, no entanto, não assiste razdo . Isto porque, muito embora a empresa tenha consignado em seu Balanço Patrimonial relativo ao ano-calendário 2000 (doc. 60), em suas Notas Explicativas n°. II, a informação de que o valor obtido no exterior a titulo de empréstimo fora utilizado, basicamente, para o resgate antecipado de debêntures de emissão de sociedade incorporada, bem como ao pagamento de reembolso das ações dos acionistas dissidentes da Santista Alimentos S/A e também para atendimento das suas necessidades de capital de giro, não se pode deixar de considerar que dinheiro é bem fungivel, portanto, é irrelevante se a empresa utilizou o dinheiro recebido do exterior para financiamento de suas exportações. Com efeito, o que importa destacar é que a empresa aplicou montante similar no financiamento de operações diretamente ligadas As suas atividades de exportação. Tal fato, vale dizer, foi corroborado, inclusive, pela própria fiscalização, que, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 698) assim expôs: "Cumpre destacar que a empresa possui grande parte de suns operações voltadas ao mercado internacional, sendo que, no ano de 2001 por exemplo, aproximadamente metade de suas receitas operacionais é proveniente de exportações, Assiut, podemos afirmar, grosso modo, que não havendo segregação da utilização de setts recursos financeiros, parte deles efetivamente .financia operações de exportações da companhia, mas o restante é utilizado no foment() das operações voltadas ao mercado interno, na proporção da realização das receitas," (grifei) Ora, se a própria autoridade fiscal reconheceu, no Termo de Verificação Fiscal, conforme acima relatado, que efetivamente a contribuinte aplica grande parte de seus recursos para financiamento de exportações, seria, portanto, do Fisco, o ônus de provar que o mesmo valor financeiro tomado a titulo de empréstimo nAo foi devidamente aplicado pela Recorrente em atividades relacionadas a exportação. Como a própria contribuinte ressalta, o prazo para comprovação das exportações é de quatro anos, nos termos dos normativos exarados pelo Banco Central do Brasil, que regulam a matéria. Desta forma, seria deturpar a finalidade da isencão concedida nestes casos fazer corn que a contribuinte permanecesse com o dinheiro especificamente obtido nas operações de empréstimo em caixa até que sua utilização nas operações de exportação ocorresse. Assim, entendo que se utilizados para fins de fomento das exportações valores decorrentes de outras fontes, que não especificamente decorrentes dos empréstimos tomados no exterior, mas totalmente correspondentes a estes, não há que se falar em violação da norma isentiva, visto que, de uma forma ou de outra, os valores foram aplicados efetivamente nas exportações, obtendo o Estado os fins pretendidos com o mencionado incentivo fiscal„ Como sabido, o processo administrativo prima pela verdade material, em detrimento da estrita comprovação formal de algumas situações . Neste caso especifico a 23 4.) própria autoridade fiscal, como já salientado, concorda que a contribuinte 6 empresa que possui grande parte de suas operações voltadas à exportação. Sendo assim, uma vez não comprovado on não demonstrado pelo Fisco que o montante tomado a titulo de empréstimo foi menor que o montante aplicado para fomento da exportação, não há previsão legal para a aplicação de presunção de desvio de recursos pela empresa, devendo considerar como atendidos os requisitos estabelecidos pela norma tributária. Ademais, conforme se verifica dos autos, existe autorização e, mais, ainda, regulamentação poi parte do BACEN, da referida operação levada a efeito pela Recorrente, nos termos das cláusulas contidas no Certificado de Autorização n°. 514/00107 (doc. 80), no campo 12 — Condições da Autorização, alíneas "A" a "L". Desta forma, especificamente em relação a esta infração imputada b. contribuinte, há de se considerar que não houve comprovação, por parte do Fisco, de que as finalidades da norma isentiva não foram atendidas. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso do contribuinte, com base na decadência do crédito tributário exigido no item (iii) do auto de infração e, com relação aos itens (i) e (ii) do auto para declarar a decadência de parte do crédito tributário e, no mérito, a improcedência do lançamento fiscal. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2009 VANE1SA PEREIRA RODRIGUES DOMENE 24 Processo n° 13971 0016:30/2006-60 S2-C1T2 • AcOrdiio n 2102-00.294 FL 1.079 Voto Vencedor Conselheiro RUBENS MAURÍCIO CARVALHO Inicialmente, devo esclarecer que este voto cinge-se, tão-somente, ao Item 1: Não recolhimento de IRRF sobre juros pagos em empréstimos tornados ("eurobanus"). Data yenta, ouso discordar das razões nesse item do voto da i. Relatora pelos argumentos que declino a seguir. Consta no Relatório supra: Ao remeter os juros ao exterior a empresa fiscalizada não efetuou qualquer retenção a titulo de imposto sobre a renda, sendo que, nos termos do art. 1°, IX, da Lei II'. 9.481/97 a aplicação da aliquota zero do IRRI ■ nas remessas de juros ao exterior em razão de títulos de créditos internacional (como é o caso do eurobemus) fica condicionada a que o prazo médio de amortização seja de pelo menos 96 meses. Segundo a fiscalização, todavia, a empresa efetuou o resgate antecipado, não diretamente, mas por meio de empresa controlada, portanto, com redução do prazo medic) de resgate, o que implica na necessidade do recolhimento do 1RRF, a aliquota de 15%, conforme previsto no art. 702 do RIR/99. Ainda de acordo com a fiscalização, apesar de o resgate ter sido efetuado por intermédio de empresa controlada, foi efetuado corn recursos provenientes da empresa fiscalizada. Diante dessa situação a ilustre relatora entendeu que o procedimento da fiscalização não poderia prosperar fundamentando seu voto no seguinte: (...) a autuação perpetrada contra a Recorrente partiu do pressuposto de que inexiste independência econômica e principalmente jurídica entre empresas vinculadas, a exemplo da Bunge Alimentos e da Ceval International.. A meu ver, referida ausência de autonomia entre as empresas somente poderia ser considerada a partir de eventual desconsideração da personalidade jurídica de uma delas. Corn base nesse pressuposto de Desconsideração da Personalidade Jurídica, discorreu longamente sobre essa impossibilidade no caso concreto, salvo se tivesse sido decretada pelo poder judiciário e concluiu: (...) Primeiramente, porque diante dos motivos já expostos neste voto o trabalho da fiscalização foi pautado, ainda que de forma indireta, na desconsideração da personalidade jurídica da empresa Ceval International. Essa foi a linha básica do voto da relatora para desconstituir o lançamento reforçada pelo aspecto que a única condição ao gozo da aliquota zero do IRRF prevista pelo art. 1 0, IX, da Lei n°. 9,481, de 1997 é a emissão de títulos no exterioi corn prazo de amortização médio mínimo de 96 meses, entendimento esse reforçado pela jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, especificam-ente nos Recursos 154.569 e 148.330, Sobre isso, importante destacar que esse assunto não se trata de jurisprudência pacifica nesse órgão, No próprio recurso citado pela Relatora, n2 148.330, que deu provimento ao pedido do contribuinte, contudo, por maioria de votos, importante destacar 25 a. que nesse acórdão, os relevantes esclarecimentos quo o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa fez em sua declaração de voto, cujas razões se amoldando com perfeição ao caso em debate, transcrevo-as de forma livre a seguir , (...) O que se discute é a incidência, ou não, no caso concreto, de uma norma que institui uma exceção A regra geral contida no art. 8°, acima transcrito, que reduz para zero a aliquota aplicável. Trata-se do art. 1°, IX da Lei n°9.481, de 1997, verbis: "Art 1° A aliquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos alifiridos no Pais, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses.. LX — juros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocação no exterior, previamente autorizados pelo Banco Central do Brasil, de títulos de crédito internacionais, inclusive comercial papers, desde que o prazo médio de amortização corresponda, no minim:), a 96 (noventa e seis) meses." (sublinhei) Ora, essa é uma norma de índole erninenternente extrafiscal, onde o legislador claramente oferece uma vantagem — a aliquota zero na remessa de rendimentos — com o objetivo de induzir uma determinada conduta, qual seja, a de que as captações de recursos no exterior sejam feitas corn prazos de amortização longos, mantendo no Pais por mais tempo esses recursos. Dessa explanação se vê que não se trata de aplicação da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica, tanto que em toda extensão do acórdão no recurso citado n2 148.330, em nenhum momento é citada essa questão. Restando, portanto, ser uma questão de prova se, em cada caso, a conduta do sujeito passivo se amoldou ou não a situação legal para que o contribuinte possa usufruir do beneficio fiscal. Ainda, sendo uma questão de prova não se pode diretamente aplicar um julgado ao outro de forma direta, de toda sorte entendo aplicável o delineamento do objeto que ora se discute. Na citada Declaração de voto ainda encontramos o seguinte: A questão central 6: esses aumentos de capital, nas circunstâncias em que ocorreram, são oponiveis ao Fisco, para legitimar a pretensão da Contribuinte de usufruir a vantagem oferecida pela norma excepcional? Ou, por outro ângulo, essas remessas de recursos ao exterior podem não set consideradas como devolução dos recursos que ingressaram no pais? A resposta é negativa para ambas as indagações. evidente que, embora a saída dos recursos tenha se dado sob a rubrica de aumento de capital, se destinaram ao pagamento dos empréstimos captados no exterior cujos recursos foram repassados para a Recorrente. A remessa dos recursos, para a liquidação desses empréstimos, portanto, representa, ipso facto, o retomo, antes do prazo médio dos 96 meses, dos recursos ingressados no Pais. Não há como desconsiderar o fato de que o aumento de capital das empresas Lir e Loi visavam alcançer um outro objetivo: contornar a norma que exigia a permanência dos recursos captados no exterior' por prazo longo . Embora do ponto de vista formal, a operação de processe de acordo com a letra da lei, a convivência entre a saída antecipada dos recursos e o gozo da vantagem oferecida pelo legislador, afronta o seu espírito, 26 Processo n° 13971001630/2006-60 S2-CIT2 Acórdão n.°2102-00,294 FL 1 080 Trata-se de hipótese típica da chamada fraude â lei, isto 6, a observância di letra da lei (verba legis) para alcançar fim contrário ao seu espirito (mens legis). De outro lado, no voto condutor de primeira instância, asseverou o insigne julgador: Em 19/10/1999, a fiscalizada concedeu empréstimo de US$ 90.000.000,00 para a empresa Ceval International, por meio de contrato de mútuo, 0 recurso foi enviado no dia 20/10/1999 e no dia seguinte, a mutuaria adquiriu grande parte dos títulos eurobemus. Entre 29/09/2004 e 01/10/2004, houve a liquidação do mútuo com o recebimento dos valores pela fiscalizada, na mesma época em que deveria honrar a maior parte dos títulos eurobônus de sua responsabilidade. Além disso, o valor do mútuo concedido (US$90.000,000,00) é quase idêntico à divida na forma de eurobbnus da empresa fiscalizada (US$ 90.940.000,00). Para ratificar a tese de que os recursos utilizados pela Ceval International para a aquisição dos títulos eurobônus foram provenientes da Bunge Alimentos, esta foi intimada a informar . a destinação dada pela empresa Ceval International Ltd. ao valor recebido em virtude do mútuo pactuado em 19/10/1999. Entretanto, a empresa somente afirmou genericamente que os recursos foram utilizados para fomentar as operações mantidas pela companhia. A análise dos balanços e balancetes apresentados demonstraria que a empresa Ceval International não possuía disponibilidades para a aquisição de títulos etuobernus efetuada em 21/10/1999, no valor de USS 68.978.000,00, Para aprofundar as investigações, foi solicitado que a empresa apresentasse o razão das contas contábeis 1.1.01.02,08 — Citibank—NY e 1.1.01.04.04 — Citibank — NY, de sua controlada Ceval International Ltd., relativamente aos lançamentos efetuados no mês de outubro de 1999 e os respectivos diários, bem corno os extratos bancários relativos à movimentação bancária contabilizada no mês de outubro de 1999 em tais contas contábeis, Todavia, a empresa não apresentou os documentos solicitados, alegando que em virtude do tempo transcorrido a empresa não dispunha mais dos elementos solicitados.. A fiscalização contesta esta assertiva, apoiando-se no fato de que seria obrigatória a conservação dos comprovantes até o transcurso do prazo de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, conforme art. 37 da Lei n° 9.430, de 1996. Além disso, as contribuições teriam prazo decadencial de 10 (dez) anos, obrigando a apresentação dos documentos solicitados . Desta forma, à luz das respostas genéricas apresentadas e em virtude da ausência de apresentação de elementos que poderiam comprovar o contrario, a fiscalização concluiu que a aquisição de US$ 68.978,000,00 em títulos eurobônus em 21/10/1999 pela Ceval International fo'r efetuada corn recursos recebidos na véspera da empresa fiscalizada, especificamente parte dos US$ 90.000.000,00 relativos ao mútuo concedido. Para reforçar a vinculação do mútuo sob análise corn a divida representada pelos títulos enrol:1(511ns, a fiscalização utilizou a mesma sistemática, desta vez buscando o rastreamento dos recursos recebidos pela empresa fiscalizada quando da liquidação do mútuo em 2004, visando identificar se estes foram utilizados para quitação da divida representada pelos títulos eurobõrius. 27 A contribuinte foi intimada a apresentar o razão de sua conta contábil 01020.01012 Banco do Brasil-BL AS, com os lançamentos efetuados no dia 28/09/2004, além do respectivo extrato bancario. Em analise dos documentos fornecidos, foi verificado o seguinte lançamento: debito contábil de R$ 255.773.400,00, com histórico "Ref. Liq. Santista Export XB Al". Tal lançamento corresponde ao valor da maior parte recebida pela empresa referente à quitação do matuo concedido à Ceval International Ltd. As obrigações de tat mútuo foram transferidas pela Ceval International para a Santista Export Ltd,, na data de 05/06/2000, conforme "Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito com Assunção de Débito" (does. 75 e 76), o que justifica o pagamento efetuado pela Santista Export. A este lançamento contábil corresponde crédito no extrato bancário de mesmo valor com o histórico "câmbio". O lançamento a crédito contábil de R$ 240.197.711,61, com o histórico "Pgto pile jts Eurobtinus Citi" corresponde ao pagamento dos títulos eurobimus que venceriam em 01/10/2004 e corresponde a dois lançamentos constantes no extrato bancário, na mesma data de recebimento da maior parcela do mútuo recém tratado, também com histórico "câmbio" Desta forma, o fluxo financeiro relativo as operações em analise foi sincronizado, com a empresa fiscalizada recebendo a liquidação do mútuo e utilizando tais recursos na quitação de seu empréstimo lastreado ern títulos eurobônus, o que indicaria que desde a concessão deste mútuo tais recursos já estavam vinculados ao resgate destes títulos. A empresa teria optado pela concessão do mútuo à sua subsidiária Ceval International para que esta efetuasse o resgate dos títulos eurobõrius, ao invés de efetuar tal operação diretamente, A motivação para tal "artificio" estaria relacionada com o imposto de renda retido na fonte (LRF) sobre todas as remessas efetuadas a titulo de juros incidentes sobxe os títulos eurob6nus, no caso de resgate antecipado dos títulos. A aliquota de IRRF só seria reduzida a zero quando o pram, media de amortização correspondesse, no minim°, a 96 meses, conforme inciso EX, do art 10 da Lei n°9.481/97. Coin essa detalhada descrição sobre o caso em julgamento, o que não se pode desconsiderar é o fato dos recursos da Bunge Alimentos repassados a Ceval International, via contrato de mútuo, terem sido aplicados de forma inequívoca no resgate antecipado dos Eurobónus deixando patente a real intenção da autuada nessa operação. Para se ter esse raciocínio não é preciso lançar mão da Desconsideração da Personalidade Jurídica, trata-se na verdade de uma constatação notória pelo sincronismo das operações documentadas. Não há que se falar ern Desconsideração da Personalidade Jurídica, isso somente poderia ser ventilado se para que fosse possível chegar a conclusão da responsabilidade da autuada, houvesse o requisito da aplicação da desconsideração mas não é o caso. Os fatos estão claros e comprovados nos autos: Recursos repassados pela autuada a controlada serviram exclusivamente para efetuar o discutido resgate. Contrario sensit, onde teriam sido aplicados tais vultuosos recursos? Não se vislumbra em todo o processo qualquer resposta senão o que foi demonstrado pela fiscalização e que embasou o lançamento. Subsidiariamente entendeu a relatora que a fiscalização deveria ter contestado o fato que Ceval International já havia adquirido parte dos eurobônus antes mesmo do recebimento dos valores mutuados, no importe de US$ 6,510,000.00. Ora, a legislação sobre essa questão amplamente debatida nos atos anteriores mostra que o prazo media mínimo de amortização dos títulos deveria ser de (96 meses). 28 Processo n° 13971 001630/2006-60 S2-C1T2 Acórdão n 2102-00.294 Fi 1 081 Valor da aquisição dos títulos no exterior correspondeu a US$ 90.940.000,00. 0 fato de hipoteticamente ser possível que aproximadamente 7% dos títulos tenham sido resgatados corn recursos próprios da Ceval International em nada socorre a autuada nessa questão. De uma forma ou de outra não estaria sendo atendido o requisito do prazo médio mínimo. Importante epetir que o valor do mútuo concedido (US$90.000.000,00) é quase idêntico à divida na forma de eurobônus da empresa fiscalizada (US$ 90.940,000,00), Além disso, ressalte-se que os juros também indiretamente passaram a ser pagos para a própria contribuinte, já que a credora dos juros passou a ser a Ceval International, sua controlada. Continuando, diferentemente da Conselheira Relatora que entendeu ser urna conclusão contraditória exposta pelo Fisco o fato da Ceval International ser empresa "majoritariamente fornecedora de recursos para a controladora" (Recorrente) por se encontrar estabelecida em regido "caracterizada pela facilidade de obtenção de financiamentos internacionais e também ser caracterizada corn falta de capacidade financeira, de minha parte entendo que faz sentido sim essa argumentação, pois, demonstra que houve urna inversão no fluxo de recursos com um objetivo especial e especifico, qual seja, o resgate dos títulos. CONCLUSÃO Pelo exposto, concluo que o procedimento da Contribuinte constituiu violação do requisito previsto no art. 1°, XI da Lei ° 9.481, de 1997 e, portanto, é devida a cobrança do Imposto de Renda sobre a remessa dos recursos para pagamento dos encargos referentes aos recursos captados no exterior. Destarte NEGO PROVIMENTO AO RECURSO em relação às alegações do Item 1: Não recolhimento de IRRF sobre juros paps' em empréstimos tomados ("eurobônus"). RUBENSAAAURICIO CARVALHO, redator designado. 29
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722854/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005
CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO.
Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de instância, bem como em razão da preclusão processual.
MEMBROS DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ASSEMBLÉIA GERAL E CONSELHO FISCAL.
A teor do disposto no artigo 12, inciso V, alínea f, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são considerados contribuintes individuais. Logo sobre remuneração paga a empresa tem a obrigação de recolher contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2301-003.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator; b) na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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FINANC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de instância, bem como em razão da preclusão processual. MEMBROS DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ASSEMBLÉIA GERAL E CONSELHO FISCAL. A teor do disposto no artigo 12, inciso V, alínea f, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são considerados contribuintes individuais. Logo sobre remuneração paga a empresa tem a obrigação de recolher contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator; b) na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 28 54 /2 00 9- 58 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.143.5552, o qual exige multa em razão de a empresa não ter declarado em folha de pagamento todas as remunerações dos segurados a seu serviço. Segundo o Relatório Fiscal foram identificados na contabilidade da empresa lançamentos em nome de pessoas físicas, membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados da autuada. Ademais, segundo análise feira por meio de DIRF, foram identificados pagamentos sobre a rubrica “rendimentos de trabalho assalariado” e “rendimentos sem vínculo empregatício”, os quais não constam ou foram declaradas a menor em GFIP e folhas de pagamento. A empresa autuada apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, os argumentos a seguir: i) o lançamento tem efeito confiscatório, sendo nulo o lançamento em virtude de agressão ao inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal; ii) que o lançamento contraria o artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois foi lavrado sem a clareza e precisão dos fatos geradores, motivo pela qual está criando dificuldades para o exercício da defesa; iii) não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados, uma vez que esses não são vinculados obrigatório ao RGPS; iv) que os diretores e os presidentes não podem figurar como coresponsáveis pelo débito; v) que é inaplicável a multa haja vista que os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados não constituem fato gerador das contribuições previdenciárias; vi) que é impossível gerar a GFIP, pois não houve a ocorrência do fato gerador; vii) que a representação fiscal para fins penais ofende o princípio da verdade material. A DRJ de Brasília manteve integralmente o presente AI, conforme se extrai da ementa transcrita: Fl. 490DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722854/200958 Acórdão n.º 2301003.529 S2C3T1 Fl. 490 3 MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. CFL 30. A autuada, devidamente intimada em interpôs recurso voluntário alegando o que segue: i) que o crédito tributário aqui versado está conectado com aquele apurado no processo 10166.722850/200970 razão pela qual transcreve os argumentos sustentados naquele processo no sentido de que em relação à diferença verificada em DIRF, tratase de adiantamento de férias pagas, havendo, na legislação, um desencontro de fato gerador. Para o imposto de renda ocorre quando do pagamento e para as contribuições previdenciárias, apenas quando do efetivo gozo das férias; e ii) não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados, uma vez que esses não são vinculados obrigatório ao RGPS. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso há de ser conhecido em parte, uma vez que no meu entender a recorrente suscitou questões não levadas em sede de impugnação e, portanto, ao conhecimento do órgão colegiado de primeira instância. Como visto no relatório acima, a recorrente suscita equívoco no lançamento das contribuições previdenciárias, uma vez que os fatos geradores para o imposto de renda ocorrem em momento diverso do das contribuições, não podendo a fiscalização ter considerado a DIRF como prova para efetuar o lançamento. Ora essa questão não foi suscitada quando da impugnação e, assim, creio que houve preclusão processual. Conhecer dessa matéria nessa segunda instância administrativa ensejaria a supressão da primeira instância como órgão que primeiro analisa e decide sobre a matéria impugnada. Assim, o recurso merece ser analisado apenas no que diz respeito à caracterização dos membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados como contribuintes individuais do RGPS. Segundo o artigo 12, inciso V, alínea f da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são segurados obrigatórios do RGPS na condição de contribuinte individual o “associado eleito para o cargo de direção em cooperativa”. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, ao definir a Política Nacional de Cooperativismo e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, estabelece em seu artigo 47 que a cooperativa “será administrada por uma Diretoria ou Conselho de Administração, composto exclusivamente de associados eleitos pela Assembléia Geral”. Já em seu artigo 56 assinala que a “administração da sociedade será fiscalizada, assídua e minuciosamente, por um Conselho Fiscal”. No tocante aos Delegados, esses representarão os associados na Assembléia Geral da cooperativa, conforme o artigo 27 do estatuto da autuada. A Assembléia, por sua vez, é o “órgão deliberativo supremo” da cooperativa, de acordo com o artigo 24 do Estatuto. A assembléia geral, o conselho fiscal e o conselho de administração, de acordo com o artigo 23 do Estatuto da autuada são os seus órgãos sociais, isto é, os órgãos responsáveis pela direção da cooperativa. Ao contrário do que sustenta a recorrente, penso que a legislação previdenciária ao versar sobre “cargo de direção” não restringiu a obrigatoriedade de filiação ao regime geral da Previdência Social, como contribuinte individual, aos membros do conselho de administração. A meu ver a lei é mais ampla, caracterizando como contribuinte individual todo aquele cooperado que exerça qualquer cargo que implique na direção da cooperativa. E essa direção, como visto, não é realizada apenas pelos membros do conselho de administração, mas também pelos membros da Assembléia Geral e do Conselho Fiscal. Nesse sentido destaco julgado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, o qual se alinha ao entendimento ora manifestado: “TRIBUTÁRIO – ART. 22 DA LEI N. 8.212/91 – MEMBROS DO CONSELHO FISCAL E ADMINISTRATIVO – COMPARECIMENTO A REUNIÕES – INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INDEPENDENTE DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. Cingese a controvérsia à incidência ou não da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga aos membros do conselho fiscal e de administração pelo comparecimento em reuniões. 2. Os cargos de direção existentes nas cooperativas, desde que pelo seu exercício venham a ser remunerados, qualquer que seja o nome dado a essa remuneração, se prolabore ou honorários, estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias, mesmo que essa função, nessas circunstâncias, seja exercida por cooperados, pois o exercício de atividade remunerada vem a ser a condição preponderante, no direito previdenciário, da filiação do regime de que trata o caso. 3. As funções de Diretor e de Conselheiro Fiscal, por serem remuneradas, in casu, são consideradas como integrantes do saláriodecontribuição; estão incluídas do regime previdenciário urbano. Agravo regimental improvido.” Fl. 492DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722854/200958 Acórdão n.º 2301003.529 S2C3T1 Fl. 491 5 (AgRg no REsp 1117023/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2010, DJe 19/08/2010) Logo, havendo remuneração paga a contribuinte individual, cabível o lançamento fiscal, exigindo a declaração em folha de pagamento todas as remunerações dos segurados a seu serviço. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO e, na parte conhecida NEGARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 493DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10783.722207/2012-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES. EXCLUSÃO.
Ultrapassado o limite de receita bruta anual estabelecido na lei que rege o regime do Simples Nacional, é devida a exclusão de ofício.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Inexistente a comprovação da origem dos créditos/depósitos bancários reputam-se como receitas omitidas nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1803-002.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES. EXCLUSÃO. Ultrapassado o limite de receita bruta anual estabelecido na lei que rege o regime do Simples Nacional, é devida a exclusão de ofício. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Inexistente a comprovação da origem dos créditos/depósitos bancários reputam-se como receitas omitidas nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
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EXCLUSÃO. Ultrapassado o limite de receita bruta anual estabelecido na lei que rege o regime do Simples Nacional, é devida a exclusão de ofício. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Inexistente a comprovação da origem dos créditos/depósitos bancários reputamse como receitas omitidas nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 22 07 /2 01 2- 74 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório EWEM GRANITOS EIRELI EPP, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. O presente processo cuida dos autos de infração de fls. 240/335 e do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional nº 98/2012 (fl. 336), ambos emitidos em 13.09.2012 pela DRF Vitória – ES, contra Ewem Granitos Ltda. Os lançamentos, relativos ao ano calendário 2008, exigem, pelo regime do Simples Nacional, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 14.097,41, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 14.097,41, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor de R$ 42.012,23, a Contribuição para o PIS no valor de R$ 9.946,45, o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor de R$ 12.830,67 e a Contribuição Patronal Previdenciária no valor de R$ 120.532,09, todos acrescidos de multa proporcional de 75%. Os autos de infração, o Ato Declaratório e o Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 228/239 trazem as seguintes informações, em resumo: • O autuado foi intimado a apresentar documentação que comprovasse a origem e a natureza das operações que motivaram os depósitos feitos em suas contas bancárias, mas ele nada comprovou; • Os depósitos não comprovados (excluídos aqueles que claramente não representavam vendas) totalizaram, no ano, R$ 4.022.275,29, enquanto que só haviam sido declarados R$ 1.780.579,09 na DAS N (DE C L A R A Ç Ã O AN UA L D O SI MP L E S NA C I O N A L ), o que caracterizou uma omissão de receitas de R$ 2.241.696,20 com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96; e • O autuado foi excluído, de oficio, do regime do Simples Nacional, desde de 2009, por ter excedido o limite de receita anual em 2008, à luz do artigo 3º, parágrafo 9º, da Lei Complementar nº 123/2006. Cientificado dos lançamentos e da exclusão em 21.09.2012 (fl. 337), o autuado apresentou, em 19.10.2012, a impugnação de fls. 340/357 e a manifestação de inconformidade de fls. 411/429, nas quais, trouxe as seguintes alegações, em síntese: a) As entidades bancárias não podiam transferir informações financeiras sigilosas para a fiscalização sem prévia autorização judicial, conforme artigo 5º, inciso XII, da Carta Magna e artigos 1º, 3º, 10 e 11 da Lei Complementar nº 105/2001; b) A ausência da ordem judicial para acesso aos dados bancários Fl. 536DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10783.722207/201274 Acórdão n.º 1803002.095 S1TE03 Fl. 536 3 fere o princípio do devido processo legal; c) Não se pode partir do pressuposto de que movimentação financeira corresponde a receita de vendas, fatos conceitualmente diferentes; d) Os valores constantes das contas correntes que ultrapassam os declarados na DASN não podem ser considerados receitas por mera suposição; e) Os depósitos referentes à liquidação de duplicatas foram devidamente declarados na DASN. As transferências, empréstimos e troca de títulos é que não foram comprovados pela empresa, porque em 2008 foi atingido pela crise financeira mundial e pela doença do genitor do sócio administrador; e f) O percentual de 75% da multa aplicada é excessivo e confiscatório; g) As Súmulas no s 14 e 25 do CARF (CO NS E L H O AD MI N I S T R A T I V O D E RE C U RS O S FI S C A I S ) deixam claro que a omissão de receitas, por si só, não justifica a qualificação da multa, sem a comprovação do evidente intuito de fraude. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão nº 1252.836, de 19 de fevereiro de 2013 (fls. 480/485), julgou improcedente a manifestação de inconformidade em relação à exclusão do SIMPLES e manteve o lançamento de ofício, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano calendário: 2008 SIGILO BANCÁRIO. A entrega dos extratos bancários pelo próprio contribuinte à fiscalização não caracteriza quebra de sigilo de dados. RECEITA OMITIDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É do contribuinte o ônus de provar que os ingressos de recursos em sua conta bancária não são oriundos de receitas. Sem esta prova, presumese, por determinação legal, que os valores depositados constituem receita. SIMPLES. EXCLUSÃO. Confirmado que a receita anual ultrapassou o limite estabelecido na lei que rege o regime do Simples Nacional, é devida a exclusão de ofício do regime. Ciente da decisão em 01/03/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 489), apresentou o recurso voluntário em 21/03/2013 fls. 491/509, onde reitera suas alegações da inicial. É o relatório. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração com exigência de tributos contidos na sistemática do SIMPLES NACIONAL relativos ao ano calendário 2008 e Ato Declaratório de Exclusão por excesso de receita bruta anual. Alega a recorrente em síntese: a) nulidade do procedimento fiscal pela inconstitucional e ilegal quebra do sigilo bancário já que ausente a devida autorização judicial; c) Que a escrituração contábil embora contenha apenas os lançamentos de vendas à vista engloba os depósitos/créditos bancários que se referem a créditos das operações escrituradas conforme atestam os históricos correspondentes; d) Que a multa de ofício aplicada tem efeito confiscatório; e) Que deve ser mantida no SIMPLES NACIONAL considerando a inexistência das irregularidades apontadas pela fiscalização. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme a bem lançada decisão de primeira instância já refutou, os extratos bancários foram fornecidos pela própria contribuinte inexistindo portanto qualquer inconstitucionalidade ou ilegalidade na sua utilização. A utilização dos extratos bancários está respaldada na Lei Complementar nº 105/2001 e a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, autoriza a utilização e presunção como receita omitida dos depósitos bancários sem origem. Portanto rejeito as alegações de nulidade do procedimento fiscal e de inobservância do devido processo legal. A recorrente foi regularmente intimada a comprovar a origem dos créditos bancários no Bradesco e Caixa Econômica Federal muito superiores à sua receita bruta declarada. A contribuinte nas suas diversas manifestações, limitouse a informar de que correspondem à receita bruta declarada inexistindo qualquer receita omitida. A presunção legal esculpida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 erige como grandeza representativa de receita omitida os créditos/depósitos bancários cuja origem a contribuinte não logra comprovar. A fiscalização confeccionou as planilhas de fls. 210/217 (Bradesco) e fls. 218/227 (Caixa Econômica Federal), relacionando de forma individualizada todos os créditos/depósitos expurgando conforme Termo de Encerramento (fls. 225/239) os créditos decorrentes de cheques devolvidos ou débitos de descontos de duplicatas. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10783.722207/201274 Acórdão n.º 1803002.095 S1TE03 Fl. 537 5 Não procurou a recorrente em qualquer momento processual demonstrar ou comprovar a vinculação de qualquer depósito/crédito bancário com a receita bruta regularmente declarada, aperfeiçoandose a presunção legal de omissão de receitas. No tocante ao Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/2006), a recorrente limitouse a solicitar a manutenção na sistemática de recolhimento simplificado, alegando apenas a insubsistência dos autos de infração. Rejeito, destarte, a solicitação de manutenção da recorrente na sistemática do SIMPLES NACIONAL, considerando a manutenção integral do lançamento de ofício e não vislumbrar qualquer equívoco no ato de exclusão. Por derradeiro, com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício (75%), tal análise implica apreciação da constitucionalidade da lei tributária o que é defeso a este colegiado julgador administrativo, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 539DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
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