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Numero do processo: 10120.008827/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
Ementa:
IRPJ E REFLEXOS ANOCALENDÁRIO
2002.
RECURSO PEREMPTO É definitiva a decisão de primeira instância
quando não interposto recurso voluntário no prazo legal.
Numero da decisão: 1302-000.767
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por ser intempestivo
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente COMERCIAL DE ALIMENTOS ITATICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: IRPJ E REFLEXOS ANOCALENDÁRIO 2002. RECURSO PEREMPTO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por ser intempestivo MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. EDITADO EM: 10/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Fl. 2796DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Tratase de lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, para a exigência de crédito tributário no montante de R$ R$ 14.683.444,43, constituído por meio dos Autos de Infrações (fls. 2522/2581), referentes aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário: 2006 e 2007. Os lançamentos foram efetuados em face de constatação pela fiscalização da omissão de receitas apuradas, tendo em vista que a fiscalizada apresentou declarações (DIPJ e DCTF) zeradas, não obstante tenha apresentado ao Fisco Estadual as informações relativas às receitas com venda de produtos alimentícios. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou a escrituração contábil solicitada, a fiscalização apurou o IRPJ com base nas normas relativas ao Lucro Arbitrado, ensejando a cobrança de IRPJ e das contribuições sociais: CSLL, Pis e Cofins (apuração reflexa). Cientificada das exigências por via postal em 26/10/2010 (AR fl. 2.582), a contribuinte apresentou impugnação em 26/11/2010 (fls. 2.593 a 2.648), apresentando os argumentos sintetizados na decisão de primeira instância, in verbis: a) não observância dos requisitos mínimos da legislação que regra o processo administrativo, bem como ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa e do devido processo legal, o que acarretaria a nulidade dos autos de infração. Mais objetivamente, alega que não houve permissão escrita da autoridade superior para o arbitramento do lucro, tendo agido o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB sem competência para tanto; b) nulidade dos lançamentos de contribuição para o PIS e de Cofins, ao argumento de que foram fundamentados em dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF, no exame de Recurso Extraordinário ao qual foi atribuída repercussão geral. Nesse sentido, aduz que os AFRFB consideraram os ingressos financeiros na empresa como “receita”, dentro de um conceito introduzido na legislação tributária pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, o qual foi objeto da referida decisão. Transcreve, por versar sobre o assunto, a ementa do Acórdão nº 20181416 do Segundo Conselho de Contribuintes; c) capitulação legal do arbitramento inadequada, sob a alegação de que é incabível a adoção de arbitramento de lucros quando é possível a apuração do lucro real. No seu entender, com os dados da apuração do ICMS disponíveis, a Fiscalização poderia ter identificado o lucro bruto das operações, considerando não apenas a receita, mas o respectivo custo das mercadorias vendidas, ainda que faltassem alguns elementos de despesas administrativas. Argumenta que o arbitramento do lucro deve ser medida extrema e cita, nesse sentido, ementa do Acórdão nº 10317.316, do antigo Conselho de Contribuintes. Consigna, ainda, que a interpretação tributária deve observar os ditames do art. 112 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN), in dubio pro reo, e que, nesse sentido, o art. 6º, §6º, da Lei nº 8.201/90 determina que deverá ser escolhida, para o arbitramento, a modalidade que mais favorecer o contribuinte. Acrescenta que o fiscal não atendeu tal dispositivo, uma vez que, na presente situação, nem sequer de arbitramento deveria ter Fl. 2797DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10120.008827/201039 Acórdão n.º 1302000.767 S1C3T2 Fl. 2.788 3 cogitado. Nesse sentido, cita o Acórdão 1062927 do Conselho de Contribuintes. Em seguida, faz referência ao princípio da verdade material e ao dever de aperfeiçoamento do lançamento, para fundamentar a alegação de que é necessário rever os autos de infração, em vista de terem sido levados à tributação valores absurdos e distantes da realidade, tomandose por base de cálculo parâmetros incompatíveis com a atividade da empresa. Conclui que, em decorrência de incorreto aferimento da base tributável, de indevida determinação da exigência e de capitulação errônea do lançamento, os referidos autos de infração teriam desatendido a norma prescrita nos arts. 112 e 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, bem como ao próprio princípio da legalidade. Por fim, pede vênia para apresentar documentos que comprovam o “lucro bruto” correto dos períodos fiscalizados, calculado mediante dedução, da receita líquida, do correspondente custo de mercadorias vendidas. d) impossibilidade de imposição de quaisquer multas de ofício, uma vez que as aludidas penalidades pecuniárias constituem acessório da exação principal, a qual entende deva ser declarada nula. Consigna, também, que, ainda que houvesse infração à legislação tributária, as penalidades aplicadas de 150% constituem ato confiscatório, em descompasso com o disposto no art. 150 da Constituição Federal de 1988. Nesse sentido, e sob uma interpretação extensiva do art. 150 da CF, o qual abrangeria não somente o tributo, mas também as multas pecuniárias, alega que a Fiscalização atendeu aos ditames da Lei nº 9.430/96, a qual não poderia ter estabelecido tais percentuais. Demais disso, assevera que a Fiscalização não comprovou a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, fundamentos do art. 44 da Lei nº 9.430/96 para a aplicação da multa qualificada, visto que a simples entrega de declarações com dados incompletos não seriam suficientes para atestar a existência de dolo nos atos praticados pela contribuinte e que, embora tenha descumprido obrigações acessórias perante a RFB, confessou suas receitas a autoridades fazendárias estaduais e colocou à disposição do AFRFB as informações sobre suas receitas e custos de 2006. Por fim, argumenta que, salvo disposição de lei em contrário, o ônus da prova incumbe a quem alega, e que presunções, interpretações, conclusões ou indícios são insuficientes para caracterizar a existência do dolo. e) impossibilidade de ajuizamento de ação criminal antes do exaurimento da via administrativa. A esse respeito, argumenta Fl. 2798DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 que, enquanto não houver decisão definitiva acerca da ocorrência do dolo no cometimento de infração à legislação tributária, não há configuração de ilícito penal, não devendo ser dado seguimento à representação fiscal para fins penais; d) ilegalidade e inconstitucionalidade de aplicação da taxa Selic a título de juros de mora. Sobre o assunto, assevera que a natureza dessa taxa é de índice remuneratório, condizente com operações de mercado financeiro e não com encargos por atraso no pagamento de tributos, o que afronta a regra contida no art. 161, §1º, do CTN. Defende, ainda, que, dado que a taxa Selic não foi instituída por lei, foram infrigidos os princípios constitucionais estampados no art. 5º, II, e no art. 150, I, ambos da CF/88. Por fim, aduz que a taxa Selic constituise em uma aplicação de juros sobre juros, em percentuais superiores ao disposto no art. 192, § 3º, da Constituição Federal. Requer, assim, o reconhecimento da improcedência do lançamento de ofício e a extinção do respectivo crédito tributário. A Segunda Turma da DRJ–Brasília julgou o lançamento procedente, proferindo o Acórdão nº 0341.819, de 18 de fevereiro de 2011, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. COMPETÊNCIA. Reputase válido o auto de infração quando constatada a inexistência de norma legal dispondo sobre a necessidade de autorização superior para o arbitramento do lucro. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, os quais incluem a completa descrição dos fatos, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando o contribuinte, regularmente intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos em conformidade com as normas de escrituração comercial e fiscal, sendo válida a utilização das informações disponíveis no Livro Registro de Apuração do ICMS e em notas fiscais de saída para obtenção dos valores da receita bruta conhecida. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Fl. 2799DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10120.008827/201039 Acórdão n.º 1302000.767 S1C3T2 Fl. 2.789 5 Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. RFFP. ENCAMINHAMENTO AO MP. Processo de representação fiscal para fins penais somente é encaminhado ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de apresentar ao fisco federal declarações inverídicas, que ocultam o efetivo valor da obrigação tributária principal, constitui fato que evidencia sonegação e implica qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de ilegalidade ou inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a taxa de juros Selic sobre os valores de tributos devidos e não pagos no vencimento, em conformidade com a legislação vigente. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. Reputase correto o lançamento relativo à contribuição para o PIS quando inexiste qualquer vínculo entre os feitos fiscais e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de tal contribuição. Fl. 2800DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. Reputase correto o lançamento relativo à Cofins quando inexiste qualquer vínculo entre os feitos fiscais e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de tal contribuição. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. A contribuinte autuada, ora recorrente, foi cientificada do acórdão em 18/03/2011 – sextafeira (AR fls. 2709), tendo interposto o presente recurso voluntário em 20/04/2011 – quartafeira (fls. 2711/2760). No recurso voluntário a recorrente apresenta os mesmos argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Em obediência ao art. 35 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, regulador do Processo Administrativo Fiscal, passo ao exame da tempestividade do recurso. Em relação à intimação, o art. 23 do citado decreto assim preceitua: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou Fl. 2801DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10120.008827/201039 Acórdão n.º 1302000.767 S1C3T2 Fl. 2.790 7 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) (grifei) A contagem dos prazos deve respeitar o disposto no art. 5º do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Já o prazo para interposição do recurso voluntário é regido pelo artigo 33 do diploma processual já mencionado, nestes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No presente caso o sujeito passivo, ora recorrente, foi intimado da decisão de primeira instância, proferida pela DRJBrasília, em 18/03/2008 (sextafeira), conforme Aviso de Recebimento PostalAR (fls. 2709) tendo interposto o recurso voluntário (fls. 2711/2760) no dia 20/04/2011 (QuartaFeira). De acordo com a regra do art. 5° do citado decreto, o último dia do prazo para interposição do recurso foi o dia 19/04/2011. Portanto, o recurso voluntário só foi interposto no 31º dia após a ciência da decisão. Ante ao exposto, deixo de conhecer o recurso, por intempestivo. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 2802DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 Fl. 2803DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.903025/2013-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, por entender que eventual direito creditório poderia ser comprovado por outros meios, ainda que já não se pudesse mais retificar a DCTF, nos termos do PN Cosit nº 02/15..
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, por entender que eventual direito creditório poderia ser comprovado por outros meios, ainda que já não se pudesse mais retificar a DCTF, nos termos do PN Cosit nº 02/15.. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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Se esta não ocorrer, prevalece o lançamento original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, por entender que eventual direito creditório poderia ser comprovado por outros meios, ainda que já não se pudesse mais retificar a DCTF, nos termos do PN Cosit nº 02/15.. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 30 25 /2 01 3- 54 Fl. 319DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1655.792, da 2ª Turma da DRJ/SP1, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação PER/DCOMP, cujo relatório reproduzo a seguir: Voto Trata o presente processo de Declaração de Compensação relativa ao pagamento indevido ou maior de IRPJ– cód. 5993, no montante de R$ 34.109,68, recolhido em 30/09/2007. A DCOMP em questão, identificada com o nº 20090.10870.260412.1.3.044956, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o despacho decisório de fl. 24, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o despacho decisório, o pagamento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da Decisão em 13/08/2013, conforme doc. de fls. 24, o contribuinte apresentou em 09/09/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 08 a 15, com as seguintes alegações: teria havido um equívoco quando do preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF de n° 33.60.52.77.2888, referente ao 2º semestre de 2007, transmitida em 27/03/2008. o valor do débito do IRPJ de R$ 34.109,68 (trinta e quatro mil, cento e nove reais e sessenta e oito centavos), teria sido preenchido de forma errada, enquanto o valor correto seria de R$ 19.175,00 (dezenove mil, cento e setenta e cinco reais), o que terminou por gerar a não homologação deste PER/DCOMP, conforme despacho decisório. teria ocorrido um equívoco no preenchimento da DCTF no valor do débito apurado período de apuração (mês/ano) setembro/2007, onde deveria constar o valor de R$ 19.175,00 (dezenove mil, cento e setenta e cinco reais). o débito referente ao IRPJ competência 09/2007 teria sido incorretamente informado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, porém teria sido informado corretamente na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2008 transmitida em 10/02/2012. É o breve relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13971.903025/201354 Acórdão n.º 1001000.720 S1C0T1 Fl. 3 3 Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente apresenta uma descrição dos fatos, já reportada no relatório acima transcrito, e alega, basicamente, que: · o simples erro no preenchimento da DCTF não pode se sobrepor ao fato de que a recorrente possuía créditos, porém que estava correto na DIPJ; · descreve o erro cometido no preenchimento da DCTF; · alega o princípio da verdade material; · menciona a súmula CARF 84 que trata de pagamento indevido ou a maior de estimativa; · cita decisões deste CARF que tratam de erro no preenchimento da PER/DCOMP; · alega que não há o que se falar em preclusão, diante do princípio da instrumentalidade processual, cita decisão deste CARF; e, por último, requer: · que seja homologado o seu pedido de compensação. A própria recorrente reconheceu o seu erro ao apresentar uma DCTF do segundo semestre de 2007. No entanto, a DRJ manifestou a sua a posição da seguinte forma transcrição parcial): Cabe ressaltar, primeiramente, que a compensação tributária exige que o sujeito passivo tenha contra a Fazenda Pública um crédito líquido e certo, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (destaquei) A certeza diz respeito, in casu, ao reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil quanto à possibilidade de a contribuinte compensarse de supostos indébitos. Já a liquidez do direito há de ser comprovada pela prova documental do quantum compensável, a ser reconhecido pelo devedor. Por sua vez, o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (com as modificações legais posteriores), estabelece que a compensação tributária deve ser realizada pelo contribuinte através da entrega da Declaração de Compensação, gerada obrigatoriamente através do programa PER/DCOMP, com todas as informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados. Fl. 321DF CARF MF 4 Desse modo, para que a compensação declarada pelo contribuinte possa ser homologada pela autoridade administrativa, e surta os efeitos desejados (extinção de um crédito tributário), é imprescindível que seja confirmada a existência do direito creditório informado na DCOMP No caso, a compensação não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado na DCOMP não existia, ou seja, na data da emissão do despacho decisório o valor indicado como origem do crédito para compensação, estava totalmente utilizado para a quitação de débitos validamente declarados em DCTF. Em contrapartida, na manifestação, o contribuinte alega a ocorrência de um erro de fato no preenchimento da DCTF. Ocorre, entretanto, que o contribuinte não logrou êxito em comprovar materialmente o erro de fato cometido, pois não juntou ao processo cópia da documentação contábil comprovando a ocorrência do indébito tributário. Compete elucidar que a comprovação das alegações aduzidas na fase litigiosa do procedimento deve ser conduzida mediante juntada de prova inequívoca hábil e idônea devidamente conjugada com a escrituração contábil e demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levados a registro no órgão competente, à época dos fatos, as quais deverão ser mantidas em boa ordem e conservados, sob a responsabilidade do sujeito passivo, a fim de serem colocadas à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, enquanto não ocorrida a prescrição dos créditos tributários conexos aos fatos atrelados à declaração de compensação, conforme determina o art. 195, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Assim, a legislação aplicável atribui ao requerente firmar justificativas motivadas, corroboradas em razões e fatos que demonstrem suas objeções em relação à decisão administrativa que não homologou a compensação declarada, bem assim provar a eventual inexatidão dos pressupostos e fatores que pautaram a negativa de reconhecimento do crédito pleiteado, em conformidade com os termos firmados no despacho decisório. A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento da interposição da manifestação de inconformidade. Por sinal, tem sido esse o entendimento do egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), consoante se atesta de forma ilustrativa nas ementas dos acórdãos abaixo reproduzidos: “DCTF – ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO – AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso.” (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) “COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.” (Acórdão 3803003.509, de 25/09/2012) Cumpre enfatizar, mais uma vez que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13971.903025/201354 Acórdão n.º 1001000.720 S1C0T1 Fl. 4 5 repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa do contribuinte. No caso presente, em face da inexistência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 citado acima, não há como acatar a compensação pleiteada na PER/DCOMP em lide. Diante dos fatos acima expostos, VOTO no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE bem como NÃO HOMOLOGAR AS COMPENSAÇÕES correlatas ao crédito ora indeferido. A estes fatos, acrescento o entendimento exarado pela COSIT no Parecer Normativo 2/2015: O Parecer Normativo COSIT 2/2015, assim interpretou: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido.(grifei) 50. A declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e tem caráter de confissão de dívida (§§2º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Ocorre, porém, que o débito ali declarado, em regra, teve sua constituição operada por outro meio (lançamento de ofício ou declaração do contribuinte, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, p. ex.). Dessa forma, na hipótese de regular alteração no meio originário que constituiu o crédito tributário – como, p.ex., uma retificação da DCTF –, a redução do valor do débito implicará a necessidade de correção deste valor na Dcomp (já extinto pela própria declaração), que pode se dar tanto por meio de retificação da Dcomp por parte do contribuinte, quando cabível, como por revisão de ofício, caso a matéria já não esteja sob a alçada da DRJ, em virtude de manifestação de inconformidade interposta.(grifei) Por outro lado, a súmula CARF 84 apenas reconhece o direito ao indébito nos casos de pagamento indevido ou a maior de estimativas, como não poderia deixar de ser, não tratando de provas que devam ser apresentadas no Processo Administrativo Fiscal. Isto quer dizer que apenas os valores recolhidos a maior podem ser compensados, do contrário os valores estimados com base na receita bruta somente podem ser compensados com o devido ao final do exercício, ainda que o contribuinte tenha suspendido os recolhimentos com base em balanços ou balancetes de verificação levantados durante o período. Fl. 323DF CARF MF 6 Não restam dúvidas de que a DCTF constitui, efetivamente, em confissão de dívida e que a DIPJ é uma obrigação acessória de caráter meramente informativo. Portanto, os valores lançados na DCTF devem prevalecer se não houver a sua retificação tempestiva. Portanto, nego provimento ao presente recurso, crédito tributário negado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000345/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 45 /2 00 9- 17 Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 470DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber Fl. 471DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 4 como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes Fl. 472DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 5 últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 473DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.572, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 475DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 476DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 477DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 479DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 482DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 483DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 16349.000345/200917 Acórdão n.º 3401004.893 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901295/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS.
De acordo com a Súmula CARF nº 2 não compete às autoridades que atuam no contencioso administrativo manifestar se em relação às alegações com base na ofensa aos princípios constitucionais, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1999
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS.PRESCRIÇÃO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO
O Decreto-Lei nº 20.910/32 estabelece que a prescrição do direito ao crédito do IPI prescreve em cinco anos contado do ato ou fato do qual se originar.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3301-004.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS. De acordo com a Súmula CARF nº 2 não compete às autoridades que atuam no contencioso administrativo manifestar se em relação às alegações com base na ofensa aos princípios constitucionais, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS.PRESCRIÇÃO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO O DecretoLei nº 20.910/32 estabelece que a prescrição do direito ao crédito do IPI prescreve em cinco anos contado do ato ou fato do qual se originar. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 12 95 /2 00 8- 92 Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10783.901295/200892 Acórdão n.º 3301004.989 S3C3T1 Fl. 621 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 576 a 586) interposto pelo Contribuinte, em 24 de março de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0126.506 (fls. 544 a 548), de 18 de junho de 2013, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) – DRJ/BEL – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade. Com o intuito de auxiliar na elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, referente ao 1º trimestre de 2004, feito através do PER/DCOMP de fls. 92/209 e 212/264, no valor de R$ 311.806,83. Tendo sido transmitidas diversas declarações de compensação utilizando tal crédito. A DRF/Vitória, através do Despacho Decisório, fl. 267, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento no valor de R$ 193.399,04. Assim, homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP no 38043.54258.080606.1.3.01.9335 e não homologou as demais compensações a ele vinculadas. Conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 271/275, a fiscalização, com base na relação de produtos apresentada pelo contribuinte classificou os produtos fabricados pelo mesmo e glosou créditos relativos às aquisições de insumos, por entender que tais insumos foram aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI com a notação “NT” – Não Tributado, notas fiscais estão relacionadas no demonstrativo de fls. 276/280. A fiscalização glosou, também, créditos referentes a insumos entrados no estabelecimento no período de 01/01/99 a 31/03/99, notas fiscais estão relacionadas no demonstrativo de fls. 280/282, por entender que os mesmos estão prescritos, pois o pedido de ressarcimento foi apresentado em 30/06/2004. Cientificada a interessada apresentou em 05/10/2009, manifestação de inconformidade (fls. 02/06) na qual alega, em síntese, que: a) O que ocorreu foi o envio de tabela de classificação de produtos onde diversos deles foram erroneamente classificados como NT, sendo na verdade, na sua maioria, produtos classificados como “Alíquota Zero” na TIPI. b) No Anexo I à impugnação segue tabela atualizada com a classificação fiscal adequada e já atualizada nos sistemas contábil e fiscal. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10783.901295/200892 Acórdão n.º 3301004.989 S3C3T1 Fl. 622 3 c) A principal alteração na tabela se deu relação aos produtos de códigos 799, 905, 904, 916, 815, 906, 908 e 820, que foram erradamente informados como enquadrados na TIPI sob a classificação 0404.90.00 – NT, ao passo que os mesmos pertencem, de fato, à classificação fiscal 0403.90.00 Ex 01 ou 2202.90.00 Ex 01, para as bebidas alimentares à base de leite e cacau. d) O quadro “Relação de Insumos Glosados pela Fiscalização”, preparado pela Autoridade Fiscal, demonstra detalhadamente as notas fiscais cujos produtos suportados pelas mesmas seriam nãotributados (NT). No referido quadro, a oitava coluna (Produto) repete as explicações enviadas por esta Cooperativa durante a ação fiscal, informações estas que podem ter passado a falsa impressão de que créditos do IPI de insumos aplicados a produtos finais nãotributados foram apropriados. e) No Anexo III à presente impugnação, encontrase o mesmo quadro, detalhado nota fiscal a nota fiscal, onde a coluna “Produto” descreva mais detalhadamente a destinação dada a cada insumo em questão. f) Nos Anexos IV a XXXIV da presente impugnação é possível verificar não só o registro dos produtos junto ao Ministério da Agricultura, como também as embalagens respectivas registradas junto ao referido ministério. g) Determinam as instruções do programa PER/DCOMP que o contribuinte possui até o término do trimestrecalendário subseqüente para submeter o Pedido de Restituição dos créditos de IPI sobre insumos aplicados em produtos finais de alíquota zero em determinado trimestrecalendário. Portanto, discorda da autoridade fiscal relativamente as glosas de créditos que segundo entendimento da mesma o direito ao referido pleito teriam sido atingidos pela prescrição. A 3a Turma da DRJ/BEL determinou a realização diligência visando a correta classificação fiscal e tributação dos produtos manufaturados pela empresa para os quais houve alegação de erro de classificação, bem como a procedência dos créditos pretendidos pelo contribuinte. Consta do Relatório de Diligência Fiscal que o contribuinte foi intimado várias vezes, mas que atendeu parcialmente as intimações, apresentando somente alguns documentos e informações solicitadas. Com base nos documentos e informações apresentados a fiscalização apurou um crédito no valor de R$ 1.071,00, mas também constatou que o contribuinte promoveu a saída de produto Bebida Láctea sem adição de cacau, descrito como Bebida Láctea 1 Litro, classificado no código TIPI 2202.90.00 e tributado à alíquota de 27% (vinte e sete por cento), sem destaque do imposto e sem recolhimento do IPI devido, sendo R$ 2.153,35 ref. ao mês 11/2003 e R$ 4.024,84 ref. a 12/2003. Logo, no encontro de contas não restou valor a ser reconhecido. Cientificado do Relatório de Diligência Fiscal em 21/12/2011 a interessada deixou de se manifestar, sendo o processo devolvido para julgamento. Tendo em vista a decisão proferida no Acórdão da 3ª Turma da DRJ/BEL o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10783.901295/200892 Acórdão n.º 3301004.989 S3C3T1 Fl. 623 4 Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0126.506 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário agora em análise visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS.RESSARCIMENTO. PRODUTOS NT. Não geram direito a créditos de IPI as aquisições de insumos aplicados em produtos que correspondem à notação NT (NãoTributados) da tabela de incidência TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS.PRESCRIÇÃO. As dívidas passivas da União prescrevem em cinco anos contados do ato ou fato do qual se originarem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inicialmente o Contribuinte discorre sobre a atividade financeira do Estado para apontar que é incorreto aplicar o Parecer Normativo nº 515/1971, visto que no seu entender não tem força normativa; discorre sobre o direito tributário e alega que a decisão ora recorrida fere “princípios legais e constitucionais”, como o princípio da estrita legalidade, da moralidade pública, dos direitos fundamentais, da proporcionalidade para sustentar que os créditos não estavam prescritos e que as glosas não procedem, pois os créditos pretendidos são decorrentes de produtos de alíquota zero e não NT. Em suma requer (fls.: 585): (...) 2. O provimento do presente recurso, considerando que os créditos não estão prescritos e, por inexistir impeditivos, o deferimento INTEGRAL dos créditos pleiteados; (...) O presente processo trata de pedido de ressarcimento de créditos de IPI referente ao 1º trimestre de 2004 por meio de PER/DCOMP de fls. 92/209 e 212/264, no valor de R$ 311.806,83. Foram transmitidas diversas declarações de compensação utilizando tal crédito. A DRF/Vitória entendeu correto o deferimento parcial do pedido de ressarcimento no valor de R$ 193.399,04. Assim, homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP nº 38043.54258.080606.1.3.01.9335 e não homologando as demais compensações a ele vinculadas. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10783.901295/200892 Acórdão n.º 3301004.989 S3C3T1 Fl. 624 5 O motivo pela não homologação se dá pelo fato de que a fiscalização (Conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 271/275), com base na relação de produtos apresentada pelo contribuinte classificou os produtos fabricados pelo mesmo e glosou, por primeiro, créditos relativos às aquisições de insumos, por entender que tais insumos foram aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI com a notação “NT” – Não Tributado (as notas fiscais estão relacionadas no demonstrativo de fls. 276/280). A segunda glosa, referese a créditos de insumos entrados no estabelecimento no período de 01/01/99 a 31/03/99, por entender da fiscalização, que os mesmos estão prescritos, pois o pedido de ressarcimento foi apresentado em 30/06/2004 (as notas fiscais estão relacionadas no demonstrativo de fls. 280/282). Atentese que há outro processo administrativo que o Contribuinte faz referência em seu Recurso Voluntário nestes termos (fls. 584): (...) Entretanto, como se espera que a questão temporal seja superada pela argumentação anteriormente apresentada, ratificase o pedido de procedência dos créditos em si, como forma de perfectibilização do direito da recorrente. Sobre a saída de produtos sem destaque de IPI, que levaria a um encontro de contas extinguindo o direito creditório, cabe informar que a matéria está sendo discutida em processo apartado, pois a cooperativa discorda VEEMENTEMENTE da autuação. No mais, como a discussão ainda está pendente de julgamento, não cabe se falar em compensação, mesmo que de ofício, pois os débitos estão suspensos. Isto posto, cabe a análise no presente processo de três questões: a primeira, referente as alegações feitas pelo Contribuinte de que a decisão ora recorrida estaria ferindo princípios constitucionais; a segunda, diz respeito a questão da prescrição; e, a terceira, referente a saída de produtos sem destaque de IPI. No que concerne as alegações do Contribuinte de que a decisão ora recorrida feriu princípios legais e constitucionais, cabe a aplicação da Súmula CARF nº 2 que assim dispõe: Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, de acordo com a Súmula CARF nº 2, voto por não tomar conhecimento da matéria sobre a ofensa aos princípios constitucionais, pois não cabe às autoridades do contencioso administrativo manifestarse sobre o tema, e sim, às autoridades do contencioso judicial. Em relação a segunda glosa efetuada pela administração fiscal pertinente a créditos de insumos entrados no estabelecimento no período de 01/01/99 a 31/03/99 entendo correto o entendimento da decisão da DRJ. Cito trechos do Acórdão nº 0126.506 como razões para decidir (fls. 548 e 549): Prescrição O art. 1º do Decreto no 20.910, de 6 de janeiro de 1932, ainda em vigor, dispõe que : “Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem.” Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10783.901295/200892 Acórdão n.º 3301004.989 S3C3T1 Fl. 625 6 É orientação há muito firmada pelo Parecer Normativo CST nº 515, de 10 de agosto de 1971 (publicado no DOU de 27/08/71, ato normativo, portanto, posterior à edição do Código Tributário Nacional), que essa norma é aplicável a reclamações de créditos do IPI não utilizados à época própria, entendendose que tais créditos têm natureza de dívidas passivas da União, e, sendo assim, o direito a que sejam pleiteados regese pela regra específica de direito financeiro acima transcrita e não pelas regras tributárias que tratam da decadência para pleitear a repetição de impostos ou contribuições pagos a maior ou indevidamente. Destacamse, a seguir, os trechos relevantes do referido PN 515, de 1971: “Crédito não utilizado na época própria: se a natureza jurídica do crédito é a de uma dívida da União, aplicável será para a prescrição do direito de reclamálo, a norma específica do art.1o do Dec. no 20.910, de 06.01.32, que a fixa em cinco anos, em vez do dispositivo genérico art. 6 o do mesmo diploma. Entendeu esta Coordenação que são aplicáveis as normas específicas do Decreto no 20.910, de 06.01.32, no que diz respeito à prescrição extintiva do direito de reclamar o crédito do IPI, nas várias modalidades em que o referido crédito é admitido na legislação desse tributo, inclusive quando a título de estímulo à exportação ou outros incentivos fiscais(v. entre outros, Ps. Ns. 87/70, item 11 e 377/71, item 7). Isso porque atribui aos créditos em questão a natureza jurídica de uma ‘dívida passiva da União’, cuja prescrição qüinqüenal é regulada pelo mencionado Decreto. 2. Por certo, muito embora implique o crédito no montante correspondente em diminuir o imposto devido (regra geral), não tem a mesma natureza deste, especialmente quando é utilizado em forma de incentivos (regra especial). Conseqüentemente, ao crédito não utilizado na época própria não se aplicam as mesmas normas previstas para a reclamação do ‘imposto indevidamente pago’, cuja prescrição é de cinco anos (CTN, art. 168), embora, ocasionalmente, possa esse prazo ser idêntico para ambos os casos. 3. (...) 4. Com efeito: se a natureza jurídica do crédito é a de uma dívida passiva da União, como então corretamente se entendeu; se o art. 1o do Dec. no 20.910 prevê especificamente um prazo de prescrição para as dívidas dessa natureza; se o art. 6o do mesmo Dec. dispõe genericamente sobre o prazo de prescrição para ‘o direito à reclamação administrativa, que não tiver prazo fixado em disposição de lei para ser formulada’, não há por que deixar de se aplicar aos créditos não utilizados na época própria o prazo de prescrição previsto no referido art. 1o, que é de cinco anos da data do ato ou fato do qual se originarem.” (grifouse) A Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, que dispunha, na época da materialização do direito objeto do presente processo, sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido, previa: “Art. 4ª O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o crédito. 3º No caso de impossibilidade de utilização do crédito presumido na forma do caput ou do § lo, o contribuinte poderá solicitar, à Secretaria da Receita Federal, o seu ressarcimento em moeda corrente. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10783.901295/200892 Acórdão n.º 3301004.989 S3C3T1 Fl. 626 7 § 4º O pedido de ressarcimento será apresentado por trimestrecalendário, em formulário próprio, estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. ........” (grifouse) Dessa forma, concluise que o direito a pleitear o ressarcimento do crédito básico do IPI tem sua prescrição regida pelo art. 1º do Decreto no 20.910, de 1932, ocorrendo em cinco anos contados a partir da data em que se materializou, gerando a possibilidade de sua utilização por parte da empresa, no caso, em 01/04/1999 (crédito do 1º trimestre). Ao serem solicitados em 30/06/2004, referidos créditos estavam prescritos. Portanto, de acordo com os fatos e a legislação aplicável, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte por entender que esses créditos em discussão estão atingidos pela prescrição. A terceira questão referese a primeira glosa efetuada pela administração fiscal referente a créditos relativos às aquisições de insumos, por entender que tais insumos foram aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI com a notação “NT” – Não Tributado, não homologando a integralidade das compensações pleiteadas. Como bem salienta o Contribuinte, apesar de constar em seu Recurso Voluntário no ponto “DOS CRÉDITOS EM SI”, é matéria que está sendo discutida em processo apartado, tanto que na decisão ora recorrida não se faz menção a esta matéria. Importante salientar que na ementa da decisão ora recorrida se entendeu que não geram direito a créditos de IPI as aquisições de insumos aplicados em produtos que correspondem à notação NT (Não tributados) da tabela de incidência TIPI, sendo que no voto não se tratou desta questão. Conclusão: De acordo com os autos do processo e a legislação aplicável, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão ora recorrida no que tange a prescrição e por não conhecer das demais matérias trazidas no recurso voluntário, uma por discutir questão de constitucionalidade, e, outra, por ser objeto de outro processo administrativo fiscal os insumos utilizados na fabricação de produtos NT. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 626DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003194/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
NULIDADE. VICIO MATERIAL. ERRO NA INTERPRETAÇÃO DA REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA.
O erro na subsunção do fato ao critério material da regra matriz de incidência da infração tributária constitui vício material impossível de ser convalidado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do lançamento e em dar provimento ao recurso voluntário e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 NULIDADE. VICIO MATERIAL. ERRO NA INTERPRETAÇÃO DA REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA. O erro na subsunção do fato ao critério material da regra matriz de incidência da infração tributária constitui vício material impossível de ser convalidado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do lançamento e em dar provimento ao recurso voluntário e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 94 /2 00 6- 27 Fl. 12306DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.307 2 Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício frente ao Acórdão nº 1689.823, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 12.127 a 12.249), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. Deve haver correspondência entre os bens encaminhados à industrialização e os devolvidos após industrialização. Deve ser cancelada parte da exigência quando o impugnante trouxer aos autos provas em seu favor. LUCRO INFLACIONÁRIO. O saldo do lucro inflacionário deve ser realizado de acordo com a legislação de regência. CSLL, PIS e COFINS. O decidido quanto ao lançamento principal deve nortear a decisão dos lançamentos reflexos. " Por bem sintetizar o constante no presente processo, passo a transcrever o relatório constante da decisão de primeira instância: "1. SUPERA FARMA LABORATÓRIOS S.A. atual denominação de BILLI FARMACÊUTICA LTDA, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento de auditoria fiscal. 2. Durante a realização dos trabalhos, a autoridade fiscal verificou as seguintes irregularidades, no anocalendário de 2001, conforme descrição contida no Termo de Constatações, de fls. 672/674: 2.1.omissão de receitas decorrente da diferença apurada entre as remessas e retornos de produtos destinados à industrialização, no valor de R$ 103.219.008,18; 2.2.falta de realização do lucro inflacionário do período, no montante de R$ 591.174,45. 3. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados os seguintes autos de infração, cientificados ao contribuinte em 28/12/2006: 3.1.Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 678/680): Total do crédito tributário, R$ 61.242.911,24, incluídos o tributo, multa e juros de mora. Fundamento legal: artigos 249, I e II; 251 e parágrafo único; 278; 279; 280; 288; 448 e 957, II, todos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) Fl. 12307DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.308 3 aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, artigo 5º da Lei n° 9.065/95 e artigos 6°; 7º e 24 da Lei n° 9.249/95. 3.2.Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 683/684): Total do credito tributário, R$ 1.731.854,95, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigos 1 ° e 3° da Lei Complementar n° 07/70; artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95; artigos 2°, I; 8 ° , I e 9° da Lei n° 9.715/98 e artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/98; 3.3. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 687/688): Total do crédito tributário, R$ 7.993.176,76, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigos 1 ° da Lei Complementar n° 70/91, c/c MP n° 1807/99 e 1858/99; 3.4. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 691/693): Total do crédito tributário, R$ 21.025.098,63, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 2°, e §§, da Lei n° 7.689/88; artigos 19 e 24 da Lei n°9.249/95, artigo 28 da Lei n° 9.430/96, artigo 1 ° da Lei n° 9.316/96 e artigo da MP n° 1858/99. 4. O contribuinte apresentou defesa de fls. 724/758, em 29/01/2007, por via postal, alegando em síntese que: 4.1.não infringiu nenhum dos dispositivos legais citados pela autoridade fiscal; 4.2.o entendimento de que as diferenças entre o valor do custo das mercadorias recebidas para industrialização e o valor constante das notas fiscais de retorno, quando maior os de devolução caracteriza venda, não tem base legal; 4.3. segundo a fiscalização, a empresa Novartis, CNPJ n° 02.804.404/00244 não teria remetido nenhuma mercadoria para industrialização, entretanto foi tributada operação relativa a esta empresa, no valor de R$ 28.210.232,62; 4.4.foi intimado a prestar informações no decorrer do procedimento fiscal, entretanto estas informações sequer foram analisadas pela fiscalização; 4.5.anexa notas fiscais de remessa e devolução de mercadorias onde se verificam erros crassos; 4.6.a fiscalização valeuse de presunção para efetuar o lançamento; 4.7.quanto ao lucro inflacionário, inexistia no anocalendário de 2001 saldo de lucro inflacionário. O valor constante do LALUR decorre de erro formal; 4.8.todo lucro inflacionário foi realizado no ano de 2000; 4.9.o lançamento é nulo; Fl. 12308DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.309 4 4.10.há que se deduzir os tributos indiretos das contribuições; 4.11.a taxa Selic não pode ser exigida; 4.12.apresenta quesitos para a realização de perícia ou diligência. 5. O contribuinte apresentou em 18/05/2007 diversos documentos não numerados que totalizaram 43 volumes (fls. 1.358/10.527). 6. Esta Delegacia de Julgamento proferiu acórdão nº 16 13.588, em 24/05/2007 (fls. 1.222/1.237) no qual considerou os lançamentos de ofício procedentes e deixou de analisar os documentos de fls. 1.358/10.527 em face do disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. 7. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/12/2007 (fls. 1.248/1.314) que foi acolhido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que entendeu ser necessário converter o julgamento em diligência (fls. 1.341/1.348), para que fossem apreciados pela fiscalização os documentos que não haviam sido examinados pela DRJ. 8. A autoridade fiscal responsável pela realização da diligência fiscal elaborou a Informação Fiscal de fls. 10.530/10.540 em que opinou pela manutenção integral dos lançamentos de ofício. 9. Em face desta Informação Fiscal o contribuinte elaborou a petição de fls. 10.572/10.587 e juntou os documentos de fls. 10.589/11.004 e 11.008/11.391. 10. Na sessão ocorrida no dia 11/06/2013 (fls. 11.406/11.417), a 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF decidiu anular a decisão proferida por esta DRJ, para que outra fosse proferida mediante a apreciação dos documentos acostados aos autos: Portanto, para garantia dos princípios do contraditório e da ampla defesa, da razoabilidade e, ainda, para impedir a violação ao duplo grau de jurisdição, entendo que não cabe a esta câmara julgar o processo a partir de fundamentos probatórios diversos, razão pela qual voto no sentido de anular a decisão da DRJ para que esta proceda a novo julgamento apreciando a totalidade do conjunto probatório. 11. Em 27/11/2014 o contribuinte solicitou a juntada dos documentos de fls. 11.431/11.889. 12. Os autos retornaram a esta Turma de julgamento que entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que fossem apreciados os documentos ainda não analisados pela fiscalização, bem como fosse juntado o Livro Registro de Inventário. Fl. 12309DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.310 5 13. A fiscalização elaborou Informação Fiscal de fls. 12.117/12.118 em que relata que os Livros Registro de Inventário apresentados pelo contribuinte não se revestem dos requisitos formais necessários e não servem para fazer prova em favor do contribuinte." A nova decisão de primeira instância (fls. 12.127 a 12.149) rejeitou a preliminar de nulidade do procedimento fiscal, por entender ausentes as hipóteses previstas no art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Quanto ao mérito, entendeu possível a autuação por omissão de receitas baseada nas "diferenças entre os bens recebidos para industrialização e os devolvidos após a industrialização"; não acolheu a divergência apontada pelo sujeito passivo, em relação aos produtos remetidos/recebidos pela empresa Novartis Saúde Animal, posto que justificada pela autoridade fiscal; e considerou que a simples indicação de notas fiscais que conteriam erros, sem a emissão de novas notas fiscais ou cartas de correção não possuiria o condão de elidir as conclusões do procedimento fiscal. Em relação aos documentos não analisados no primeiro julgamento, considerou corretas as conclusões trazidas pela diligência fiscal realizada e reputou desnecessário diligenciar junto às empresas que solicitaram os serviços de industrialização. No que diz respeito aos novos documentos juntados após a diligência fiscal, concluiu que as mensagens eletrônicas trazidas não confirmam a ocorrência de erros nas notas fiscais emitidas, e, mais uma vez, entendeu que deveria ter sido seguido "o procedimento previsto na legislação, ou seja, a emissão de cartas de correção". A par disso, considerou que as cartas de correção apresentadas não são aptas a justificar os erros apontados, pois ausente a anuência do destinatário. Como exceção, considerou que a documentação relativa à carta de correção de fl. 10.960, emitida em face da empresa Novartis, comprova a existência de erro na apuração fiscal, de modo que "a diferença que totaliza R$ 28.019.741,16, deve ser deduzida da receita considerada omitida". Em relação aos estoques de insumos ou produtos industrializados existentes em 31/12/2000 e 31/12/2001, acatou as conclusões da nova diligência fiscal realizada, no sentido de que "os Livros Contábeis apresentados não preenchiam os requisitos necessários para que fossem aceitos como aptos a fazer prova em favor do contribuinte", por não estarem revestidos das formalidades extrínsecas exigidas pela legislação (registro na Junta Comercial). Quanto à infração relacionada ao lucro inflacionário, não acatou a alegação de que inexistia no anocalendário de 2001 saldo a tal título e que o valor constante do Lalur decorreria de erro formal, posto que indicado no sistema SAPLI que "o contribuinte detinha no ano de 2001 saldo de lucro inflacionário a realizar no valor de R$ 1.097.942,17". A decisão entendeu, ainda, aplicáveis juros de mora equivalentes à taxa SELIC, por força do art 161 do CTN, art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, e art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. As conclusões relativas ao IRPJ foram aplicadas aos lançamentos reflexos de CSLL, Cofins e Contribuição ao PIS, sendo rejeitado o pedido para dedução dos tributos Fl. 12310DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.311 6 indiretos das bases de cálculo das contribuições, posto que inexistente tal previsão na legislação em vigor na data do fato gerador. Após a ciência da citada decisão (fl. 12.159), o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 12.163 a 12.199, no qual: (i) alega que o fundamento da autuação fiscal (diferenças entre remessa e retorno de produtos submetidos a industrialização) não corresponde a qualquer das hipóteses de presunção legal de omissão de receitas previstas na legislação e não possui conteúdo econômico, pelo que o lançamento merece ser liminarmente cancelado; (ii) ataca diversos pontos da decisão de primeira instância em que teria havido mera repetição das conclusões fiscais e afastamento do argumento utilizado para a constituição do crédito tributário, bem como desconsideração das provas juntadas aos autos; (iii) sustenta que somente haveria necessidade de manifestação do destinatário, em relação às cartas de correção, caso delas discordassem; (iv) argumenta que a pessoa jurídica SILICON, embora contactada pela Recorrente, jamais prestou as informações necessárias para apresentação ao Fisco; (v) apresenta novos documentos relativos aos anos de 2000 e 2002, que não deixariam dúvidas quanto às suas alegações e afastariam os argumentos do julgador. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. DO RECURSO VOLUNTÁRIO I.1 Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 11 de dezembro de 2017 (fl. 12.159), tendo apresentado Recurso Voluntário em 02 de janeiro de 2018 (fl. 12.160), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por procuradores, devidamente constituídos às fls. 11.924/11.925. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 12311DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.312 7 Cabe ressaltar que a Recorrente não ataca a autuação no que diz respeito à nãorealização do lucro inflacionário, pelo que os valores referentes a tal matéria se consideram definitivamente constituídos. I.2 Da nulidade do lançamento A Recorrente pede, ao final do seu Recurso, a decretação da nulidade do lançamento. No corpo do Recurso, contudo, não há tópico específico tratando da alegação. A justificativa apresentada, como preliminar, seria a ausência de subsunção dos fatos descritos às hipóteses de presunção legal de omissão de receitas, bem como o fato de as diferenças apuradas pela autoridade fiscal não servirem como prova direta de omissão de receitas. O exame do auto de infração (fls. 676 a 680) e do Termo de Constatações (fls. 672 a 674) revela que o lançamento não foi embasado em nenhuma das hipóteses de presunção legal previstas na legislação. Parte do crédito tributário constituído, porém, teve por base a acusação de omissão de receitas baseada na constatação de diferenças entre os montantes de mercadorias recebidas para industrialização e aquelas retornadas aos remetentes, após o processo. A constatação foi assim consignada, pelo responsável pela constituição do crédito tributário, no Termo de Constatações (fls. 672 a 674): "12. Constatase ante ao exposto, que a fiscalizada registrou operações no montante de R$ 103.219,008,18, sem a necessária correspondência que caracterizam as operações de remessas e retornos de industrialização. Dessa forma, fica configurado que a contribuinte procedeu a saídas e entradas não vinculadas, sem justificativa, cabendo considerar as diferenças apuradas como decorrentes de operações de compras e vendas não contabilizadas, indicativas, portanto, de omissão de receitas, sujeitas à tributação." No auto de infração, por sua vez, assim é descrita a infração: O lançamento foi mantido pela autoridade julgadora de primeira instância, para quem: "24. Em princípio, a presunção de omissão de receita levantada pela fiscalização está correta, afinal, os bens que ingressaram na empresa para fins de industrialização devem equivaler aos bens que saíram da empresa, já industrializados, evidentemente, levandose em conta as perdas ocorridas na industrialização, entre outros. Fl. 12312DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.313 8 25. De fato, se bens foram encaminhados para industrialização em montante superior aos devolvidos aos clientes, podese supor que a diferença equivalha a bens adquiridos pelo “industrializador” com recursos mantidos à margem da contabilidade. Em situação oposta, clientes que receberam bens em montante superior aos encaminhados para industrialização, poderiam ter adquirido estas mercadorias (diferença) com recursos que não foram contabilizados pelo “industrializador”." (Destacouse) O procedimento de remessa/recebimento de matériaprima para industrialização e do retorno das mercadorias após processamento para o remetente, de fato, pode dar margem à omissão de compras e/ou vendas pelas partes envolvidas. Para tanto, de modo a permitir o controle das operações, deve ser observada, nas saídas/entradas das mercadorias, a utilização dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) adequados. Segue um esquema, para melhor visualização da operação (adaptado da obra de Adriana Manni Peres, Cristina Beatriz de Sousa Almeida e Karin Cristina Ikoma, CFOP/CST Código Fiscal de Operações e Prestações/Código de Situação Tributária, 1ª ed. São Paulo: IOBThompson, 2004, p. 63): Em síntese, o procedimento deve ser realizado do seguinte modo (registrese que os CFOPs utilizados são aqueles vigentes à época dos fatos gerados de que tratam os autos): 1) o remetente envia a matériaprima ao industrializador, dando saída nos produtos sem tributação, mediante o emprego do CFOP 5.93 ou 6.93 (a depender de se tratar de remessas intra ou interestaduais, respectivamente). Em contrapartida, o industrializador dá entrada na matériaprima sob os CFOPs 1.93/2.93; 2) após a industrialização, o industrializador registra o retorno simbólico das matériasprimas recebidas e aplicadas no produto, por meio dos CFOPs 5.94/6.94, ao mesmo tempo em que utiliza os CFOPs 5.13/6.13, para registrar o valor cobrado na operação pela mãodeobra e material próprio utilizado na industrialização. Tal valor é que será a base de cálculo sobre os quais incidirão os tributos devidos na operação. O remetente utilizará, então, os CFOPs 1.94/2.94 e 1.13/2.13, para a entrada correspondentes às referidas saídas; Fl. 12313DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.314 9 3) as matériasprimas recebidas pelo industrializador e não empregadas no processo deverão ser devolvidas ao remetente, mediante o uso dos CFOPs 5.99/6.99, com o registro das entradas pelo remetente (CFOPs 1.99/2.99). Por meio do Termo de Intimação de fl. 144, em 19/10/2006, a autoridade fiscal intimou a Recorrente a apresentar: "1. Relação de todas as notas fiscais de entradas e saídas no anocalendário de 2001, relativas às operações fiscais envolvendo as empresas coligadas EUROFARMA LABORATÓRIOS E DISTRIBUIDORA LTDA, CNPJ 61.975.652/000136 e EUROFARMA LABORATORIOS LTDA, CNPJ 61.190.096/000192, e filiais, discriminando número das notas fiscais, datas de emissão, códigos das operações, e respectivos valores das remessas, dos retornos e das industrializações efetuadas." Após a análise da resposta apresentada (fls. 145 a 457), o responsável pelo procedimento fiscal, em 07/12/2006, intimou o sujeito passivo a justificar as diferenças apuradas entre as entradas e saídas relacionadas às citadas pessoas jurídicas (fls. 458/459), bem como a apresentar as relações de notas fiscais e justificativas para diferenças entre remessas e retornos de industrialização referentes a várias outras pessoas jurídicas. A intimação teve o seguinte teor: Fl. 12314DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.315 10 Na resposta apresentada pelo sujeito passivo, as diferenças constatadas pela autoridade fiscal foram justificadas como decorrentes de "utilização indevida de CFOP's quanto às operações; conversões de preços unitários e de unidades de medidas dos produtos". A par disso, o sujeito passivo justifica divergência entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e aqueles registrados nos Livros Registro de Entradas e Saídas de Notas Fiscais. Segundo ele, "os valores apresentados na DIPJ do ano calendário de 2001, foram apurados através de programas independentes para extração de registros do banco de dados do sistema legado, onde não foi corretamente considerada a aplicação dos procedimentos determinados pela DIPJ". Assim, a partir da utilização apenas dos CFOPs envolvidos na remessa e retorno de industrialização, e após justificativa para diferença de R$ 28.025.983,72, decorrente de erro na utilização de unidade de massa na aquisição de produto, a Recorrente apontou diferença de R$ 5.092.438,21, a qual, segundo ela, seria justificada mediante a conciliação e levantamento de novos documentos, incluindo os valores existentes nos livros de inventário de 31.12.2000 e 31.12.2001. Solicitou, então, a prorrogação do prazo em 90 (noventa) dias, para a conclusão das referidas apurações. Em 28/12/2006, contudo, foram lavrados os autos de infração decorrentes do procedimento fiscal, com a tributação sobre as diferenças, por remetentes, entre os valores recebidos para industrialização no anocalendário de 2001 e os montantes retornados. Constatase, portanto, de plano, que a autoridade fiscal não embasou as suas conclusões na comparação individualizada entre as matériasprimas recebidas e os produtos e insumos devolvidos, de modo a evidenciar a utilização dos CFOPs relativos às operações de industrialização para encomenda, para acobertar a omissão de registros de compras e vendas. A mesma conclusão foi registrada pelo julgador de primeira instância: "27. Notese que no trabalho elaborado pela fiscalização não houve a discriminação dos bens transacionados, a autoridade fiscal pautouse somente nos valores negociados no ano de 2001." Apenas após a apresentação da Impugnação, por meio da diligência determinada por turma julgadora deste CARF, é que a autoridade fiscal veio a realizar algum tipo de cotejo individualizado sobre as remessas e retornos (fls. 10.530 a 10.540), sem se basear, exclusivamente, nos totais anuais. Há, portanto, que se concordar com a Recorrente no sentido de que a autoridade fiscal terminou por criar hipótese de presunção de omissão de receitas não prevista na legislação (e referendada pela autoridade julgadora). Ainda que o sujeito passivo não tenha logrado, mesmo após a apresentação extemporânea de documentos, justificar todas as diferenças entre os totais de remessas e retornos ao longo do ano, entendo que não é possível, a partir de tais diferenças anuais, fazer incidir a tributação como se omissão de receitas comprovada fosse, com base no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, que foi o dispositivo legal que embasou a autuação. Fl. 12315DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.316 11 Seria imprescindível, no caso, a evidenciação individualizada das entradas/saídas de insumos e produtos que teriam sido indevidamente encobertos pelos CFOPs referentes à operação de industrialização por encomenda. Registrese que as operações são vultosas e o prazo concedido pela autoridade fiscal para a comprovação foi exíguo, de modo que, apenas no contencioso administrativo é que, de fato, pôdese realizar alguma análise mais individualizada. Além disso, a autuação ignora completamente a influência dos saldos de insumos e produtos no início e no término do anocalendário, algo que, também, somente começou a ser analisado após a autuação. Aparentemente, como aventado pela Recorrente, premido pelo prazo decadencial, a autoridade iniciou o procedimento fiscal em 05/10/2006 e o encerrou em 28/12/2006, sem que tenha realizado todas as apurações necessárias para a evidenciação de que as diferenças apuradas, de fato, estavam relacionadas com a omissão de receitas por parte do sujeito passivo. O fato comprovado pela autoridade fiscal foi a divergência entre os montantes anuais de remessas recebidas e retornos de insumos/produtos para industrialização. Tal constatação, ainda mais diante da incipiente instrução probatória realizada pela autoridade fiscal, não é hábil a, por si só, caracterizar omissão de receitas e embasar a constituição de crédito tributário sobre a divergência apurada. Se o auditorfiscal não realizou a comprovação da omissão, não cabe ao julgador administrativo realizar as apurações que deveriam haver sido por ele realizadas, que, sequer, realizou diligências junto aos encomendantes. Ademais, se os fatos apurados pela autoridade fiscal não se subsumem à norma que motiva o lançamento, é imperioso o reconhecimento da nulidade do lançamento, por falta de motivação. Preciosa a lição de Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2011): " Do exposto decorre a conclusão de que, sendo o lançamento ou o ato administrativo de aplicação de penalidade realizados sem respaldo em provas, estando, portanto, viciados na motivação, é imperativa sua retirada do ordenamento jurídico pela autoridade competente. Ainda que depois de instalado o procedimento tributário venham a ser colacionadas provas capazes de constituir o fato jurídico ou o ilícito tributário, tal procedimento não supre a invalidade que afeta o ato, pois, como anotamos, tratase de vício na estrutura interna, de natureza não convalidável. A instrução, realizada no corpo do processo instaurado por ocasião da impugnação do contribuinte, voltase tão somente ao convencimento do julgador sobre pontos contraditados pelo particular, não servindo para preencher eventual ausência de comprovação do fato que serve de suporte à exigência ou autuação fiscal." Fl. 12316DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.317 12 Em recente julgado (Acórdão nº 1402003.233, sessão de 13 de junho de 2018, Relator Conselheiro Evandro Correa Dias), a 2ª turma Ordinária da 4ª Câmara desta Primeira Seção de Julgamento do CARF chegou a semelhante conclusão, sendo relevante transcrever a fundamentação ali exposta, plenamente aplicável ao caso sob exame: Destarte, não se pode desconsiderar que o processo administrativo fiscal tem por finalidade primeira o controle da legalidade dos atos administrativos, que deve ser observado pelo julgador por força do princípio da verdade material, na busca da descoberta da existência ou não da hipótese de incidência tributária originária do lançamento. Assim é de fundamental importância a verificação da motivação da exigência fiscal, se é adequada aos fatos e também à norma que a embasou, para que se possa definir a linha divisória entre a legalidade da exigência e o direito do contribuinte. O lançamento, como procedimento administrativo vinculado e obrigatório, é de competência privativa da autoridade fiscal, devendo este, vincular o fato material da irregularidade fiscal levada a efeito pelo contribuinte, com a norma legal disciplinadora. Notase que os arts. 2° e 50 da Lei n° 9.784/99, que disciplina o processo administrativo no âmbito Federal, transcritos a seguir, prevêem a observância desse princípio: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: 1 neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Além disso, especificamente quanto ao processo tributário, o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito a seguir, estabelece os requisitos essenciais para a constituição do crédito tributário, que se dá pelo lançamento: a demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e, sendo o caso, a propositura da aplicação de penalidade. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo Fl. 12317DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.318 13 lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A matéria tributável mencionada no supracitado art. 142, do CTN, é o elemento que define o objeto sobre o qual deve recair a autuação, e é por meio dela que se estabelece a base de cálculo do lançamento, chegandose, por conseqüência, ao montante devido. Desta feita, a autoridade fiscal deve, obrigatoriamente, fundamentar a autuação de forma completa, explícita e congruente, apresentando com clareza os motivos e a motivação da exigência fiscal, elementos cuja ausência ou incorreção, inevitavelmente, viciarão o lançamento. Partindo da regulamentação geral para o regramento específico do processo administrativo fiscal, o Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, no que respeita aos requisitos necessários ao procedimento administrativo de constituição do crédito tributário, prevê em seu artigo 10: "Art.10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá, obrigatoriamente: III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Os requisitos transcritos, também descritos no art. 142 do CTN acima, dão validade jurídica ao lançamento do crédito tributário. A falta de atendimento a essas normas determina a nulidade do lançamento. No caso concreto, os fatos materialmente ocorridos (não comprovação das devoluções de venda) não se enquadram nas normas invocadas pela fiscalização (omissão de receitas), como supostamente violadas. Inexistindo subsunção dos fatos à norma, não procede a violação daquela norma jurídica invocada. O ato praticado, como no presente processo, padecerá de vício insanável toda vez que o motivo de fato não coincidir com o motivo legal e a conseqüência jurídica desta falta de correspondência entre o motivo (fatos que originaram a ação administrativa) do Auto de Infração e das normas ditas como violadas em sua motivação é a nulidade do ato viciado. Neste caso, detectouse imprecisão quanto à motivação da autuação e a determinação da matéria tributável, por não subsunção dos fatos à regra matriz de incidência, julgo que o lançamento foi integralmente contaminado por vício material, fato que impõe a decretação de sua nulidade." Fl. 12318DF CARF MF Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1302003.092 S1C3T2 Fl. 12.319 14 Não havendo, no caso, congruência entre a situação constatada pelo responsável pelo lançamento e a infração e norma legal invocadas, é imperioso o reconhecimento da invalidade do lançamento. Deste modo, entendo que deve ser acolhida a preliminar suscitada pela Recorrente e decretada a nulidade do lançamento, no que se refere à infração de omissão de receitas, por vício material. II. DO RECURSO DE OFÍCIO Consoante o disposto na análise do Recurso Voluntário, todo o lançamento relativo à infração de omissão de receitas deve ser cancelado. Tal conclusão torna desnecessária qualquer análise acerca do acerto da decisão de primeira instância, no que diz respeito à parcela do referido lançamento em relação a qual o sujeito passivo teria logrado comprovar a improcedência da divergência apurada pela autoridade lançadora, quando do julgamento em primeira instância. III. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por acolher a preliminar de nulidade e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do sujeito passivo, para cancelar a infração relativa a omissão de receitas. Ao mesmo tempo, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Como consequência, ficam integralmente cancelados os Autos de Infração relativos à CSLL, Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep e alterado o lançamento referente ao IRPJ, para os seguintes valores: Prejuízo fiscal apurado no período (DIPJ) (3.520.098,61) Infração apurada (Lucro Inflacionário não adicionado) 591.174,45 Prejuízo fiscal do período apurado após a infração (2.928.924,16) (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 12319DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722277/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Nulidade.
Anula-se a decisão de 1ª instância que não se manifestou sobre desistência manifestada pelo contribuinte nos autos.
Numero da decisão: 1302-000.835
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a
decisão de 1ª instância
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Anulase a decisão de 1ª instância que não se manifestou sobre desistência manifestada pelo contribuinte nos autos. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Diniz Raposo e Silva e Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relatório Tratase de autos de infração, lavrados contra a contribuinte acima qualificada, através dos quais foi constituído crédito tributário, referente ao Imposto de Renda Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 130200.835 S1C3T2 Fl. 2 2 da Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, nos valores respectivos de R$ 4.839.809,46 e R$ 1.745.414,73, incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora. 2.No lançamento referente ao IRPJ (fls. 885/887), encontramse registradas as seguintes infrações, ao final tipificadas: “001 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES”; “002 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL” e “003 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS”. 3.No Termo de Verificação Fiscal de fls. 909/919, a autoridade autuante consignou, em síntese: 3.1.A contribuinte fiscalizada tem por objeto social o transporte de valores, o serviço de tesouraria em geral, o serviço de vigilância patrimonial de bancos, instituições financeiras, estabelecimentos industriais e comerciais, residências e condomínios, segurança eletrônica e escolta armada; 3.2.Foram glosadas as compensações de prejuízos fiscais, no valor total de R$ 1.231.190,05, realizadas em 31/12/2005 (no valor de R$ 823.797,40), 31/03/2006 (no valor de R$ 318.754,41) e 31/12/2006 (no valor de R$ 88.638,24), pois inexistiam saldos acumulados com origem em anos anteriores, conforme verificado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ da contribuinte e no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal, Base de Cálculo Negativa da CSLL e Lucro Inflacionário – SAPLI da RFB; 3.3.A contribuinte não adicionou ao lucro líquido, na determinação do lucro real, nos períodos de apuração de julho de 2004 a dezembro de 2006, despesas não dedutíveis contabilizadas na conta “Diferenças de Tesouraria”. Como justificativa, alegou que tratavam de diferenças normais e usuais da atividade, guarda e transporte de valores. Quanto às medidas adotadas ou propostas pela empresa visando buscar o ressarcimento dos valores subtraídos, afirmou que “tendo em vista a forma como se revestem as operações, a dificuldade existente na maioria dos casos para se apontar exatamente o responsável ou os responsáveis pelos desfalques e, assim, formalizar queixa policial para o consequente ressarcimento”. Disse, também, que os valores oriundos das diferenças de numerário foram registradas em despesas operacionais, por se tratar de despesas intrínsecas à atividade, e que a forma de ocorrência dos desfalques, por não propiciar, na maioria das vezes, a identificação dos responsáveis diretos, respaldada em provas circunstanciais, nem sempre ensejou a formulação de queixa policial; 3.4.Para fins de apuração do imposto de renda, a legislação estabelece que as despesas, para serem consideradas dedutíveis, devem ser necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Contudo, pelos esclarecimentos prestados, a fiscalização não vislumbrou que tais diferenças sejam normais ou usuais ao ramo de atividade desenvolvida pela contribuinte, assim como não reconhece que sejam algo necessário. As diferenças apontadas têm a natureza de furtos e desfalques, que são tratados no art. 364 do Decreto n.º 3.000, de 1999 (RIR/99), o qual somente permite a dedução quando há inquérito trabalhista instaurado ou apresentação de queixa crime. Como, embora intimada, a contribuinte não comprovou os requisitos legais previstos no art. 364 do RIR/99, as diferenças de tesouraria foram adicionadas ao lucro líquido, na apuração do lucro real; Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 130200.835 S1C3T2 Fl. 3 3 3.5.Verificouse redução do lucro real não autorizada pela legislação, em virtude da exclusão indevida de valores do lucro líquido do exercício de 2006, anocalendário de 2005: R$ 5.531.620,70, a título de DESP. POSTERGADAS 2002 A 2004 (EFEITO S/IRPJ/CSLL PG A MAIOR 2002 A 2004). Tratase de despesas de outros exercícios que não teriam sido computadas nos respectivos períodos de apuração (2002 a 2004), resultando no suposto pagamento a maior de imposto de renda naqueles períodos. A contribuinte buscou, utilizando como instrumento a DIPJ, fazer a compensação dos supostos pagamentos a maior de imposto de renda naqueles anos, excluindo R$ 5.531.620,70 no resultado do exercício de 2005 (rectius, anocalendário de 2005), o que na pode ser acatado pela fiscalização, pois, além de utilizarse de instrumento não apropriado, desconsiderou o regime de competência, acarretando redução indevida do lucro real (as exclusões do lucro líquido, na apuração do lucro real, estão previstas no art. 247 do RIR/99, que, em seu § 2º, trata das despesas e receitas que competem a períodos diversos); 3.6.Deixouse de fazer a compensação das infrações apuradas com os saldos negativos de IRPJ indicados nas DIPJs dos anoscalendários de 2004 a 2006, porque a contribuinte já formalizou pedidos de compensação com tais créditos; 3.76.Glosouse a base de cálculo negativa da CSLL, no valor total de R$ 1.179.864,68, indevidamente compensada nos períodos de apuração encerrados em 31/12/2005 (R$ 772.472,03), 31/03/2006 (R$ 318.754,41) e 31/12/2006 (R$ 88.638,24), pois inexistiam saldos acumulados em anos anteriores, conforme se verificou nas DIPJs e no SAPLI; 4.No prazo legal, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 925/953, por meio da qual alega, em síntese, depois de sustentar a sua tempestividade: A insuficiência de saldo de prejuízos fiscais 4.1.Em 2005, constatou que diversas despesas incorridas nos anos calendários de 2002 a 2004 não haviam sido computadas no resultado. Objetivando regularizar suas demonstrações contábeis e fiscais, promoveu o ajuste contábil no ano de 2005, através de débitos na conta “Prejuízos e Lucros Acumulados” (ajustes de exercícios anteriores), em consonância com o art. 186, § 1º, da Lei das S/A. Após esse lançamento no Patrimônio Líquido, foram realizadas exclusões das mencionadas despesas no lucro líquido de 2002 a 2004, observando, assim, o regime de competência. Ou seja, após realizar o ajuste contábil, realizou exclusões no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, o que gerou a majoração dos prejuízos acumulados, indevidamente glosados pela fiscalização. Quanto ao ano de 2002, apresentou DIPJ retificadora concomitantemente com a exclusão no LALUR dessas despesas. Em relação aos anos de 2003 e 2004, apenas realizou as exclusões no LALUR (não apresentou DIPJ retificadora), gerando a discrepância entre o saldo indicado no SAPLI e na DIPJ em comparação com o prejuízo compensado pela empresa (existente apenas no LALUR). Se tivesse retificado as DIPJs de 2003 e 2004, não haveria auto de infração. A não observância de uma formalidade não pode afastar a efetiva existência de prejuízos fiscais (reproduz ementas de decisões desta DRJ e do Conselho de Contribuintes, atual CARF, segundo as quais o mero erro formal de preenchimento da declaração não caracteriza infração punível, devendose corrigir o lançamento); 4.2.As despesas excluídas no LALUR poderiam ter reduzido o lucro real, pois correspondem a despesas com juros de contratos de financiamento bancário, despesas com sinistro, com seguro, com FGTS, INSS e ISS, com aluguel e com táxi aéreo para transporte de valores. As primeiras estão em consonância com o art. 299 do RIR/99; a última (táxi aéreo) se Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 130200.835 S1C3T2 Fl. 4 4 trata de despesa decorrente da utilização de meio de transporte com maior segurança para os valores sob a sua guarda e decorrem de previsão contratual expressa com o Banco do Brasil S/A (reproduz ementa de decisão de DRJ, entendendo cabível, dentro do limite da razoabilidade, a referida despesa); Despesas escrituradas na conta “Diferença de Tesouraria” 4.3.A composição da conta “Diferença de Tesouraria” decorre de despesas habituais com as operações desempenhadas pela empresa, bem como de despesas com furtos e desfalques. A autoridade fiscal partiu da premissa de que todas as despesas derivaram de furtos ou desfalques. As despesas com furtos estão lastreadas em boletins de ocorrência, sendo, assim, passíveis de dedução, nos termos do art. 364 do RIR/99. A maior parte, no entanto, é oriunda de perdas operacionais inerentes às atividades desenvolvidas pela empresa. Nos contratos de prestação de serviços de apoio a instituições financeiras, consta expressamente que deve arcar com todas as diferenças de numerários que possam ocorrer em função das operações de custódia, abastecimento, tesouraria e outros, ou seja, o ônus de reaver o dinheiro do cliente é exclusivo da empresa autuada; 4.4.Nos serviços de caixas eletrônicos, as diferenças de numerário podem derivar de erro na colocação do tipo de cédula em cada cassete (onde se colocam as cédulas), infidelidade de funcionários de impossível comprovação, subtração por terceiros, sem vestígios de arrombamento, erros no sistema operacional da máquina, pagamento a maior ou menor etc. As receitas obtidas com a operação dos caixas eletrônicos são operacionais e tributadas, e o risco da ocorrência de diferenças faz parte da composição de preços. Eventuais tentativas de imputação da diferença a funcionários só renderam reclamações trabalhistas com condenações em danos morais; 4.5.Nos serviços de tesouraria, existem vários tipos de diferenças pelos quais não se pode responsabilizar qualquer pessoa através de inquéritos policiais ou trabalhistas: a) realiza depósitos de centenas de milhões de reais de diversas instituições financeiras/clientes no BACEN ou Banco do Brasil, cuja conferência pode levar meses. Caso existam diferenças entre os valores informados no ato do depósito pela impugnante e as conferências pelo BACEN e/ou Banco do Brasil, estes debitam as diferenças nas contas das reservas bancárias das instituições financeiras. Posteriormente, enviam um “espelho”, identificando apenas a empresa transportadora que efetuou o depósito do numerário. Como é custodiante/fiel depositária dos valores das instituições financeiras depositantes, todas as diferenças são de sua responsabilidade; b) ao receber os malotes contendo os envelopes recolhidos por seus funcionários nas máquinas de autoatendimento ou nas agências dos bancos, realiza a conferência da quantidade de envelopes, caso em que pode haver diferenças, nos malotes ou no fechamento da mesa (total de recebimentos). No caso de todos os procedimentos de conferência terem sido seguidos pelos funcionários da impugnante, a diferença é aceita pelo banco e debitada ao cliente depositante. Se tiver ocorrido alguma desconformidade que possa levantar dúvida sobre o caso, a empresa autuada é responsabilizada pela diferença, arcando com o ônus. Muitas vezes o banco solicita imagens de grande número de ocorrências, cuja preparação é impraticável, situação que gera a assunção do ônus pela empresa autuada; 4.6.Quando se detecta qualquer fraude de seus funcionários, nas quais existem provas da ocorrência, faz um boletim de ocorrência na polícia. A maior parte das diferenças assumidas decorre de erro de apuração dos valores ou desatenção de seus funcionários. Erro não é furto. Tais diferenças não podem ser exigidas de seus funcionários, Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 130200.835 S1C3T2 Fl. 5 5 por questões ligadas a seus direitos trabalhistas ou a suas condições financeiras, de modo que não resta outra alternativa senão a de assumir o ônus. Diferenças de tesourarias sempre ocorreram em sua atividade. Não dá para afirmar que não sejam despesas operacionais nem afirmar que resultem de erros ou fraudes. Caso a premissa da fiscalização estivesse correta quanto à necessidade de registro de queixas e inquéritos policiais, estarseia diante de aproximadamente duas mil queixas prestadas, que, em sua maioria, sequer se trata de furtos. Existem comprovantes de pagamentos das diferenças lançadas na conta “Diferença de Tesouraria” para o Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bandepe, Banco Real, Unibanco, Itaú, Bradesco e HSBC. Ou seja, tais pagamentos são inequivocamente despesas operacionais; A correta exclusão das despesas no LALUR em 2005 4.7.Conforme já enfrentado, a empresa autuada constatou, em 2005, que não havia considerado diversas despesas relativas às competências de 2002 a 2004. Com a retificação do LALUR, onde havia lucros tributados, passouse a apurar prejuízos. As despesas que amortizariam os lucros equivocadamente apurados em 2002, 2003 e 2004, poderiam ser deduzidas integralmente no ano de 2005, “eis que considerando que essas despesas haviam ‘zerado’ os lucros anteriormente tributados, não havia qualquer efeito de postergação de receita ou prejuízo à Fazenda Nacional”. Os R$ 5.531.620,70 excluídos do lucro real em 2005 deveriam ser, na verdade, R$ 4.637.911,98, ou seja, a empresa reconhece uma exclusão a maior de R$ 893.708,72, que equivale aos lucros apurados em 2002 a 2004, ou seja, “as despesas que anularam esses lucros nessas competências poderiam ser diretamente redutoras (exclusão) do lucro líquido na competência de 2005”; 4.8.O art. 273 do RIR/99 estabelece que a inexatidão de competência para o reconhecimento de despesas somente irá gerar contingência tributária em caso de postergação de pagamento de imposto ou redução indevida do lucro real. O art. 34 da Instrução Normativa – IN SRF n.º11, de 1996, disciplina que determinada exclusão que se refira a ajustes do exercício anterior não poderá ser realizada caso acarrete efeito diverso daquele que seria obtido se realizado à época própria (sobre o tema, reproduz, também, com idêntica redação, o art. 26 da IN SRF n.º 51, de 1995). Considerando que as despesas excluídas do LALUR em 2005 correspondiam às despesas que haviam “zerado” os lucros apurados em 2002, 2003 e 2004, e que tais lucros foram tributados pelo IRPJ e pela CSLL, significa que a exclusão dessas despesas em 2005 não gerou qualquer efeito prejudicial ao Fisco, pois a apropriação dessas despesas em 2005 não precisava respeitar a trava dos trinta por cento de prejuízos acumulados “que gerariam em 2002, 2003 e 2004, eis que sobre essas despesas, na verdade, incidiu tributação naquelas competências” (reproduz três ementas do Conselho de Contribuintes, entendendo, a primeira e a terceira, que não há como glosar a dedutibilidade, se a fiscalização não demonstrar que, em face da postergação da dedução de despesa, o contribuinte obteve vantagem em razão de ter apresentado prejuízo no período de competência da despesa ou prejuízo ao Fisco; a segunda consubstancia o entendimento de que a apropriação de despesa em período posterior ao da competência significa apenas que houve antecipação do pagamento de tributo, não postergação); 4.9.Os efeitos da exclusão do LALUR em 2005 são idênticos ao da compensação do IRPJ e da CSLL apurados em 2005 (sem a exclusão) com o saldo negativo do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL que seriam gerados se a empresa tivesse retificado suas DIPJ em 2002 a 2004, para incluir tais despesas. Como, no presente caso, houve tão somente uma antecipação da tributação e uma postergação de despesas, o Fisco não sofreu qualquer prejuízo, não havendo, portanto, fundamento para a glosa da exclusão de despesas Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 130200.835 S1C3T2 Fl. 6 6 realizadas em 2005 (passa a reproduzir tabela por meio da qual resume as “operações que geraram os lançamentos realizados e indevidamente glosados pela autoridade fiscal”). 5.Ao final, requer o cancelamento dos autos de infração. Ainda, a realização de perícia, “para que todos os fatos e documentos indicados nesta defesa sejam ratificados e devidamente admitidos como inequívocos”. 6.Em 28/12/2009, a contribuinte pleiteou, ao Delegado da Receita Federal de Julgamento, a desistência da impugnação apresentada em 27/11/2009, em face do parcelamento instituído pela Lei n.º 11.941, de 2009 (fls. 6397/6401), porém, em 07/01/2010, requereu a desconsideração da desistência, por meio da petição de fls. 6416/6417. 7.Por meio do doc. de fls. 6455/6456, informa ao Delegado da Receita Federal de Julgamento que efetuou a venda do bem que especifica, que fora arrolado pela fiscalização para fins de acompanhamento do seu patrimônio. A DRJ decidiu conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/03/2006, 31/12/2006, 30/09/2004, 31/12/2004, 30/06/2006, 30/09/2006 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. Somente são dedutíveis, para fins fiscais, as despesas que atendam aos requisitos cumulativos da necessidade, normalidade e usualidade, em relação às atividades operacionais da pessoa jurídica. O conceito de necessidade deve ser corolário direto da relação havida entre os gastos (despesas) e a contribuição desses gastos para a geração da correspondente receita. FURTO. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL. O prejuízo oriundo de desfalque, apropriação indébita ou furto somente será dedutível na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à apuração pelo Lucro Real, quando houver inquérito instaurado, nos termos da legislação trabalhista, ou quando o fato for comunicado à autoridade policial (noticia criminis). Os prejuízos sofridos pela pessoa jurídica que foram objeto de indenização, inclusive por cobertura de seguro, não poderão ser deduzidos da apuração do lucro real. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO POSTERIOR À NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento. DESPESAS. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de despesas constitui fundamento para lançamento de imposto quando resultar redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 130200.835 S1C3T2 Fl. 7 7 LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O que decidido no imposto sobre a renda de pessoa jurídica, por basearse nos mesmos argumentos e provas da impugnação, alcança a tributação reflexa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/03/2006, 31/12/2006, 30/09/2004, 31/12/2004, 30/06/2006, 30/09/2006 PEDIDOS DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia e/ou diligência quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. PEDIDOS DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Os pedidos de diligência e perícia devem atender aos requisitos especificados no art. 16, IV, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Cientificado do acórdão DRJ em 14/07/2011, apresentou recurso em 11/08/2011. Em seu recurso reitera os argumentos apresentados com a impugnação e, especialmente: a existência dos prejuízos fiscais glosados/suficiência dos saldos de prejuízo fiscal; a dedutibilidade das despesas lançadas na conta “Diferença de Tesouraria”; a correta exclusão de despesas do LALUR em 2005 É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Preliminar muito relevante diz respeito aos efeitos da desistência da impugnação protocolada pela então impugnante. Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 130200.835 S1C3T2 Fl. 8 8 Em 23 de dezembro de 2009, a contribuinte protocolou pedido que reproduzo abaixo: Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 130200.835 S1C3T2 Fl. 9 9 Ocorre, entretanto, que a contribuinte, em 07 de janeiro de 2010, protocolou pedido para que se desconsiderasse o pedido de desistência, conforme abaixo reproduzido: Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 130200.835 S1C3T2 Fl. 10 10 O acórdão recorrido, embora tenha citado a desistência e o pedido de reconsideração da mesma no relatório, não se manifesta sobre tais atos. Por entender relevante que a decisão recorrida se manifeste sobre a desistência, voto por anular a decisão recorrida para que a DRJ delibere sobre o tema. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 18470.904744/2015-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 12a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro /RJO, que julgou PROCEDENTE, em parte, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .9 04 74 4/ 20 15 -1 9 Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 18470.904744/201519 Resolução nº 1402000.697 S1C4T2 Fl. 1.570 2 Do Despacho Decisório: Por bem detalhar o teor do despacho decisório emitido, transcrevo abaixo o conteúdo pertinente na v. decisão recorrida: Trata o presente processo de PER nº 27089.47482.200814.1.2.028620, relativo a crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2013, no valor de R$ 27.257.946,08. Para este PER foram transmitidas DCOMP conforme fls. 975/988. De acordo com o processo 10166.720240/201580, fls. 909 a 983, o contribuinte foi intimado em 16/09/2015, nos seguintes termos: A análise do Per/Dcomp nº 227089.47482.200814.1.2.028620 apontou a seguinte inconsistência entre as receitas declaradas em DIPJ e DIRFs transmitidas pelas fontes pagadoras. As divergências apontadas devem ser esclarecidas, acompanhadas da documentação das fontes pagadoras e do devido registro contábil das aplicações financeiras e dos mútuos praticados entre empresas ligadas, para que seja dado prosseguimento ao procedimento de homologação das compensações penduradas no crédito de Saldo Negativo de IRPJ do exercício de 2014, ano calendário de 2013: Em resposta solicitou prorrogação para atendimento da intimação. A unidade negou a prorrogação nos seguintes termos: RESPOSTA A PEDIDO DE PRORROGAÇÃO Tendo em vista que esta análise está atrelada a determinação judicial face ao Mandado de Segurança nº 2015.51.01.1066879, que determinou o prazo de 01/10/2015 para que a decisão a respeito do crédito pleiteado fosse proferida, é impossível a concessão da prorrogação de prazo solicitada. Em consequência, a análise será efetuada a partir dos dados constantes das declarações transmitidas pelo contribuinte e das DIRFs transmitidas pelas fontes pagadoras, constantes dos sistemas da RFB. Assim sendo a apreciação limitouse às informações constantes nos sistemas da RFB. No PER o contribuinte informa como parcela de composição de crédito apenas retenções na fonte no total de R$ 27.257.946,08, deste valor, foi confirmado o valor de R$ 7.373.006,68. Considerando que, segundo a DIPJ apresentada, foi apurado IRPJ devido no valor de R$ 1.712.395,30 foi reconhecida a diferença no valor de R$ 5.660.611,38 (R$ 7.373.006,68 1.712.395,30). As fontes foram glosadas parcialmente (fls. 973/974), tendo em vista que a receita correspondente foi oferecida apenas parcialmente à tributação. Da Manifestação de Inconformidade: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 18470.904744/201519 Resolução nº 1402000.697 S1C4T2 Fl. 1.571 3 O contribuinte foi cientificado em 27/05/2016 (fl. 989) e apresentou sua manifestação de inconformidade (fls. 05/17) em 23/06/2016 alegando, em síntese: A fiscalização não solicitou os contratos de mútuo, bem como os das aplicações financeiras, para identificar quando se iniciaram as operações e quando estas foram resgatadas, o que a impediu de identificar a legitimidade dos créditos. As aplicações financeiras são referentes ao anocalendário de 2010, conforme contratos anexos. Logo, as receitas financeiras referentes àquelas aplicações e contratos estão contabilizadas e declaradas nas DIPJ’s da Manifestante desde o anocalendário de 2010, sendo inclusive, oferecidas ao IRPJ e CSLL, conforme pode ser constatado nas DIPJs e razões contábeis anexos. Segundo a contabilidade o registro de eventos financeiros e econômicos devese adotar o regime de competência. Cita o item 4.47 da Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório contábil Financeiro (CPC 00). Acrescenta que as receitas financeiras decorrentes de resgates de aplicações financeiras e de juros sobre contratos de mútuo foram escrituradas pela manifestante nas contas contábeis dos juros ativos, segundo o regime de competência em períodos anteriores a 2013 como determina o CPC 26. Apresenta uma discriminação anual das receitas financeiras. Cita Acórdão nº 10193453 do CARF. Acrescenta que as retenções do imposto de renda sobre as mencionadas receitas financeiras foram contabilizadas segundo o regime de caixa. Cita soluções de consulta (SC nº 42/2005 e SC nº 83/2009) sobre o momento de incidência de IRRF. Embora a fiscalização tenha intimado a Manifestante para apresentar os documentos que comprovam que as referidas receitas financeiras foram contabilizadas e oferecidas a tributação, o fato é que tais documentos sequer foram analisados. Cita Acórdão nº 1101001.236 do CARF. Afirma que o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Cita ainda doutrina sobre o princípio da verdade material e decisões administrativas. Ao final requer que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade para que seja reformado o despacho decisório emitido e por conseqüência seja reconhecido o seu direito creditório, homologandose, assim, as compensações declaradas, nos exatos termos dos créditos indicados. Da decisão da DRJ: Em análise, a DRJ julgou a manifestação de conformidade procedente, em parte, com a decisão cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 18470.904744/201519 Resolução nº 1402000.697 S1C4T2 Fl. 1.572 4 Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. O saldo negativo apurado na declaração de rendimentos é passível de restituição/compensação, desde que demonstrada a certeza e liquidez do direito. RECEITA FINANCEIRA. RENDA FIXA. RATEIO. VENCIMENTO POSTERIOR AO ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. O rendimento de aplicação financeira de renda fixa será incluído no lucro operacional e pode ser rateado segundo o regime de competência, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração. ESTIMATIVA. DCOMP. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA. Na hipótese de estimativa compensada, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, uma vez que a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória. Do v. acórdão recorrido, extraio do voto do relator, acompanhado por unanimidade da turma, os seguintes pontos que entendo pertinentes para justificar a decisão tomada: o presente processo foi provocado o seu julgamento com prazo por um mandado de segurança. Intimado a comprovar elementos durante a análise, a recorrente pediu prazo para atender, o qual foi negado, por conta do prazo concedido no mandado de segurança; a recorrente alega que os rendimentos foram oferecidos à tributação pelo regime de competência, e que a receita vem sendo tributada desde 2010. Intimada a apresentar os extratos bancários, não o fez, apresentando apenas os balancetes de 2010/2013, o que não permite confirmar o oferecimento à tributação das receitas financeiras de 2013. pelos valores informados na DIPJ do anocalendário de 2013, foi reconhecido o valor de R$ 1.712.395,30. Do Recurso Voluntário: Em 22 de agosto de 2017, o contribuinte tomou ciência com acesso ao Acórdão de Manifestação de Inconformidade na sua caixa postal DTE (Domicílio Tributário Eletrônico). No dia 21 de setembro de 2017 apresentou Recurso Voluntário e anexos. O Recurso Voluntário (fls. 1134 a 1148) e respectivos anexos (fls. 1149 a 1533) apresenta os seguintes elementos, repisando o que já apresentara na sua peça impugnatória, no seguinte sentido, em síntese: Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 18470.904744/201519 Resolução nº 1402000.697 S1C4T2 Fl. 1.573 5 o direito creditório pleiteado nos PER/Dcomps está correto, e decorre da divergência da escrituração das suas receitas financeiras pelo regime de competência, enquanto os resgates das aplicações foram informadas pelo regime de caixa; trouxe cópias do livro razão de 2010 a 2013 (docs. 1 a 4) para comprovar tal situação; trouxe também na sua peça recursal os contratos de mútuo pertinentes. É o relatório. Voto: Conselheiro Marco Rogério Borges Da admissibilidade O Recurso foi apresentado tempestivamente, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço. Da matéria envolvida A questão envolvida nos autos é recorrente e controvertida, dependendo de algumas circunstâncias muito próprias de cada caso para seu deslinde. Relacionase ao descompasso evocado pela recorrente, entre o regime de competência para apurar suas receitas financeiras, quando envolve mais de um anocalendário de determinada(s) aplicação(ões), e o regime de caixa para as retenções de IRRF ocorridas, que ensejam a divergência entre o saldo negativo de IRPJ e o montante do oferecimento de receitas financeiras na DIPJ no anocalendário das retenções. No presente caso, a recorrente provocou o Poder Judiciário para agilizar a apreciação do seu pleito, e quando foi intimada a se manifestar pela autoridade fiscal, anteriormente ao Despacho Decisório, pleiteou dilatação de prazo para a resposta. A autoridade fiscal entendeu que havia um prazo dado pela decisão judicial, e analisou o mérito com os elementos que dispunha naquele momento, reconhecendo parcela de R$ 5.660.611,38 dos R$ 27.257.946,08 pleiteados. Em sede de impugnação, a recorrente trouxe aos autos elementos que a autoridade julgadora a quo entendeu como não satisfatórios para comprovar a contabilização dos valores, como os balancetes dos anos de 2010 a 2013. Com base nos dados disponíveis e Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 18470.904744/201519 Resolução nº 1402000.697 S1C4T2 Fl. 1.574 6 na imputação proporcional das receitas financeiras informadas em DIPJ com as DIRFs, reconheceu mais R$ 1.712.395,30. Agora em sede recursal, a recorrente traz outros elementos, como os registros contábeis dos seus livros razão de 2010 a 2013 (quase 400 folhas digitalizadas) e planilhas demonstrando os cálculos e equivalente apropriação entre o regime de competência com o regime de caixa dos valores em litígio no presente processo. Em princípio, nestes casos de pedido de compensação através de PER/DCOMP, o ônus da prova é do contribuinte, nos termos do art. 170 do CTN, para firmar a situação de um crédito líquido e certo. Analisando todos os documentos anexados a suas manifestação e recurso, e considerando os elementos apresentados em sua peça recursal (que já foram objetos de intimação prévia do despacho decisório), há dúvidas para a formação da minha convicção do presente processo e seu deslinde. De todo o exposto, em atendimento à busca da verdade material, manifestome propondo a baixa dos autos para elaboração de Relatório de Diligência conclusivo acompanhado de todas provas do alegado tais como cópias dos lançamentos, demonstrativos de apuração, informativos das fontes retentoras e demais elementos necessários à apuração do valor pleiteado, e seu relacionamento ao longo da interação regime de competência e regime de caixa das receitas financeiras objeto da presente discussão, correlacionando sua escrituração contábil e as informações prestadas em DIPJ, visando demonstrar que boa parte das receitas financeiras informadas em DIRF referentes ao anocalendário de 2013 (período do resgate dos investimentos) já houvera sido oferecida à tributação em razão do seu reconhecimento pelo regime de competência. Deve a autoridade fiscal designada, além de analisar os elementos encostados aos autos pela recorrente, se entender necessário, intimar a recorrente solicitando a apresentação de livros e documentos e a elaboração de demonstrativos de apuração dos valores questionados, embasados em documentação comprobatória para justificar o alegado que ofereceu as receitas financeiras pelo regime de competência. Ao final, deve o Fisco cientificar o contribuinte do Relatório de Diligência, concedendo o prazo de 30 (trinta) dias para, se assim o desejar, manifestarse a respeito da matéria. Eis como voto. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1574DF CARF MF
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Numero do processo: 17883.000019/2008-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-003.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 19 /2 00 8- 26 Fl. 998DF CARF MF Processo nº 17883.000019/200826 Acórdão n.º 9101003.719 CSRFT1 Fl. 999 2 Relatório Tratase de recurso especial (efls. 972/978) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1301001.065, da sessão de 02 de outubro de 2012 (efls. 945/951) e Acórdão de Embargos nº 1301001.281, da sessão de 11 de setembro de 2013 (efls. 966/970), proferidos pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e dado provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela J. M. APOLONIO DA SILVA ("Contribuinte"). Inicialmente foram lavrados autos de infração de IRPJSIMPLES e reflexos (efls. 80/130) relativos ao anocalendário de 2002, no se constatou a ocorrência de omissão de receitas com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e insuficiência de recolhimento. Assim, foram efetuados os lançamentos de ofício, mantendose o regime de tributação especial. Posteriormente, constatou a autoridade autuante que já havia sido concretizada a exclusão do SIMPLES com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002. Então, foram lavrados novos autos de infração, com base no lucro real trimestral, de IRPJ e reflexos (efls. 361/403 e 613/659), para os anoscalendário de 2002 e 2003. Foram apresentadas impugnações de efls. 133/144 (em face dos autos de infração de IRPJSIMPLES e reflexos do anocalendário 2002) e efls. 419/427 (em face dos autos de infração IRPJ lucro real e reflexos dos anoscalendário 2002 e 2003). A primeira instância (DRJ) julgou as impugnações procedentes em parte (e fls. 881/886), para afastar a autuação fiscal relativa ao autos de infração de IRPJSIMPLES e reflexos do anocalendário 2002 (efls. 80/130), o que ensejou a remessa necessária (recurso de ofício). Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte (efls. 891/904). Turma ordinária do CARF, nos Acórdão nº 1301001.065, da sessão de 02 de outubro de 2012 (efls. 945/951) e Acórdão de Embargos nº 1301001.281, da sessão de 11 de setembro de 2013 (efls. 966/970), negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a autuação fiscal relativa ao autos de infração de IRPJ lucro real e reflexos do anocalendário 2002 (efls. 361/403). Discorre a decisão que o segundo lançamento, de IRPJ lucro real e reflexos, seria nulo, em razão de duplicidade, vez que ainda subsistia o primeiro lançamento fiscal de IRPJ SIMPLES, e a realização de novo lançamento não se enquadraria na hipótese do art. 149, VIII do CTN revisão de ofício, além de ter se dado inovação de critério jurídico, o que não seria permitido para um mesmo anocalendário. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 999DF CARF MF Processo nº 17883.000019/200826 Acórdão n.º 9101003.719 CSRFT1 Fl. 1000 3 Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO FORMALIZADO PELA SISTEMÁTICA DO SIMPLES EMPRESA DELE EXCLUÍDA. Se a empresa foi excluída do Simples, o lançamento efetuado nessa modalidade não pode prevalecer, eis que em desacordo com os critérios material e temporal aplicáveis. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Não pode haver duplicidade de lançamentos para um mesmo fato gerador. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado nas hipóteses previstas no art. 145 do CTN. Não configurada a hipótese prevista no art. 149, VII, do CTN, alegada pela autoridade. Nulo segundo o auto de infração lavrado para o mesmo fato gerador, enquanto o primeiro, impugnado, não tiver sido julgado. DECADÊNCIA TERMO INICIAL Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 5). Não compete à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei. A PGFN interpôs recurso especial (efls. 972/978), apresentando paradigmas (Acórdãos nº 910100.540 e 10247.321) para lastrear entendimento no sentido de que matéria não impugnada não deveria ser objeto de exame no recurso voluntário. Aduz que a decisão recorrida procedeu de maneira divergente, ao se pronunciar sobre matéria que não havia sido impugnada pela Contribuinte. No mérito, entende que a decisão recorrida incorreu em julgamento extra petita, ao se manifestar sobre matéria que não foi impugnada e tampouco objeto de recurso voluntário. Requer pela reforma da decisão e pelo restabelecimento do lançamento de ofício de IRPJ lucro real do anocalendário de 2002. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 980/985) deu seguimento ao recurso especial, entendendo que o paradigma nº 910100.540 demonstrou a divergência na interpretação da legislação tributária. Ainda se manifestou no sentido de que em relação ao paradigma nº 10247.321 não estaria caracterizada a divergência. Não foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 17883.000019/200826 Acórdão n.º 9101003.719 CSRFT1 Fl. 1001 4 É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Passo ao exame da admissibilidade. O despacho de exame de admissibilidade deu seguimento ao recurso em relação ao paradigma nº 910100.540. Contudo, entendo que o acórdão não trata de mesma situação dos presentes autos, no qual a decisão recorrida parte da premissa de que se encontra diante de matéria de ordem pública e por isso caberia uma apreciação de ofício da questão, independente da arguição na impugnação. O paradigma aprecia uma decisão recorrida no qual se entendeu que o principal do tributo e a multa isolada encontravamse dentro de um mesmo escopo, e por isso não haveria necessidade de contestação específica da multa isolada. Transcrevo a ementa e excerto do voto vencido da decisão paradigma que descreve a questão: MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, ante a não comprovação de divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma, forçoso o não conhecimento do recurso pautado no inciso II do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ................................................................................................... Como se vê acima, cingese a controvérsia ao entendimento do acórdão recorrido, que afastou ex officio a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais de CSLL, relativa ao anocalendário de 2002, sob o argumento de que a aplicação da multa de oficio cumulativamente com multa isolada implica na dupla penalização do mesmo fato, tendo em vista que as multas aplicadas incidiram sobre a mesma base de cálculo. Inicialmente entendo que agiu com acerto a r. decisão recorrida que afastou de oficio a multa isolada, tendo em vista que a Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 17883.000019/200826 Acórdão n.º 9101003.719 CSRFT1 Fl. 1002 5 contribuinte, por ocasião de seu recurso voluntário, insurgiuse contra a exigência como um todo ao atacar a exigência principal (CSLL), e sendo a multa isolada decorrente da referida contribuição, não há como disassocialá dos argumentos despendidos pela contribuinte contra a sua exigência, embora ela não o tenha apresentado considerações especificas contra a mesma (Multa Isolada). E o voto vencedor descaracteriza o entendimento, para dizer que são matérias isoladas e por isso, caberia impugnação específica para a multa isolada: O entendimento no sentido de que 'a contestação da exigência do tributo como um todo abrangeria a multa de oficio, seria razoável se estivéssemos avaliando a multa cobrada em conjunto com o tributo. Nesse caso, caberia talvez a argumentação de que o acessório segue o principal, até porque uma decisão pela improcedência da cobrança do tributo afetaria diretamente a exigência da multa. Por outro lado, ao menos em duas situações relativamente comuns neste Colegiado a imputação da multa envolve situações com vínculo apenas indireto ao tributo, o que a torna suscetível de análise específica. Uma delas é a multa no percentual qualificado ou agravado. Nesse caso a vinculação direta ocorre apenas em relação ao percentual de setenta e cinco por cento (75%). A partir daí, as razões que levaram a autoridade lançadora a majorar o percentual aplicado devem se objeto de questionamento próprio pela recorrente, pelo motivo óbvio de uma decisão pela manutenção da exigência do tributo não implica necessariamente na procedência da qualificação ou agravamento do percentual da multa. A outra situação, para a qual o entendimento supra também se aplica, referese justamente à imputação da multa isolada. Aliás, a independência fica ainda mais cristalina quando se constata que a manifestação do relator pela improcedência da multa isolada não gerou qualquer impacto na decisão da Câmara que decidiu pela correção da exigência da contribuição. Portanto, caberia ao sujeito passivo apresentar questionamentos voltados à exigência da multa isolada. Não o fazendo oportunamente caracterizou se a preclusão,nos termos do art. 17, do Decreto n° 70.235/72. Observase que a discussão em nenhum momento partiu da premissa de que a multa isolada seria suscetível de apreciação de ofício, mas sim se o principal do tributo e a multa isolada seriam uma mesma universalidade, e por isso a impugnação do principal do tributo implicaria automaticamente na contestação também da multa isolada. Por outro lado, a decisão recorrida partiu da premissa de que se deparou com matéria de ordem pública e por isso caberia uma apreciação de ofício da questão, independente da arguição na impugnação. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 17883.000019/200826 Acórdão n.º 9101003.719 CSRFT1 Fl. 1003 6 Ora, são distintas as situações apresentadas no recorrido e no paradigma, fazendo com que a aplicação do entendimento do paradigma não se preste a alterar a decisão dos presentes autos. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1003DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000165/2007-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
Numero da decisão: 1003-000.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
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EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 65 /2 00 7- 21 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19740.000165/200721 Acórdão n.º 1003000.180 S1C0T3 Fl. 221 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 150/156) que julgou improcedente a impugnação contra o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração às folhas 56/58, com anexos às folhas 60/66, correspondente a multa de mora paga a menor relativa a débitos de IRPJ do segundo trimestres de 2001, no valor de R$ 4.833,35. A recorrente alega, em síntese, que os pagamentos por ela efetuados se deram acompanhados de juros de mora, anteriormente à declaração dos débitos, tendo havido denúncia espontânea da infração e sendo incabível a aplicação de multa de mora conforme art. 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A questão sob julgamento é saber se a denúncia espontânea tem o condão de alcançar a multa de mora. Conforme mostram os anexos ao auto de infração, o débito tributário em questão foi recolhido em 26/08/2002, em seu valor principal e juros de mora, e, conforme consta do próprio auto de infração e no recibo à folha 102, a DCTF retificadora que o informa foi apresentada em 05/02/2003. A DCTF original, da qual não constava o referido débito, foi apresentada em 15/07/2002, conforme recibo à folha 80. Destarte, restou evidenciado nos autos de que o contribuinte declarou o crédito tributário posteriormente ao pagamento, sendo o auto de infração lavrado unicamente em razão de entender a fiscalização de que a denúncia espontânea não alcança a multa de mora. A questão relativa à denúncia espontânea nos casos de tributos recolhidos espontaneamente com atraso, foi submetida pelo Superior Tribunal de Justiça ao rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10, sendo oportuno transcrever a ementa do respectivo julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19740.000165/200721 Acórdão n.º 1003000.180 S1C0T3 Fl. 222 3 RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a Fl. 222DF CARF MF Processo nº 19740.000165/200721 Acórdão n.º 1003000.180 S1C0T3 Fl. 223 4 denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Pelo exposto, resta caracterizada a denúncia espontânea, que exclui a incidência da multa de mora nos casos em que houve o recolhimento com atraso de tributos que ainda não haviam sido declarados à Receita Federal do Brasil, como ocorre nos casos em que o pagamento extemporâneo de tributos declarados em DCTF, entregue após o citado pagamento. Por oportuno, depreendese importante salientar que diante da abordagem definitiva da matéria pelo STJ, foi editada a Nota Técnica da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil com o objetivo de orientar as unidades daquele órgão a interpretar as consequências decorrentes dos Atos Declaratórios PGFN nº 4/2011 e 8/2011, sendo que este último autorizou a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nos casos alcançados pela decisão proferida no Resp 1.149.022. Assim, devese afastar a multa de mora em face da ocorrência de denúncia espontânea nos moldes do artigo 138 do CTN. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001829/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 29 /2 00 9- 80 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13888.001829/200980 Acórdão n.º 1301003.271 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13888.001829/200980 Acórdão n.º 1301003.271 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13888.001829/200980 Acórdão n.º 1301003.271 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13888.001829/200980 Acórdão n.º 1301003.271 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13888.001829/200980 Acórdão n.º 1301003.271 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 201DF CARF MF
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