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Numero do processo: 19647.010988/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, não se caracterizando a omissão se a matéria não foi alegada na peça recursal.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO.
Se o pedido veiculado no recurso voluntário foi acatado na decisão embargada, não há que se falar em omissão ou lapso manifesto.
Numero da decisão: 1201-001.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, não se caracterizando a omissão se a matéria não foi alegada na peça recursal. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. Se o pedido veiculado no recurso voluntário foi acatado na decisão embargada, não há que se falar em omissão ou lapso manifesto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 09 88 /2 00 6- 41 Fl. 1406DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte recorrente. Adotase como relatório as explanações do despacho de admissibilidade, por elucidativas: A Portaria CARF nº 34, de 31 de agosto de 2015, dispõe: Art. 4º Os embargos contra acórdão prolatado por colegiado extinto, opostos anteriormente à vigência da Portaria MF nº 343, de 2015, com análise de admissibilidade pendente, terão o seguinte tratamento: [...] II se o conselheiro relator, ou redator do voto vencedor, não mais integrar a Seção de Julgamento: a) a admissibilidade dos embargos poderá ser realizada pelo Presidente da Câmara a que a Turma extinta estava vinculada e, se admitidos, o processo deverá ser sorteado, no âmbito da Seção, para relatoria [...] Considerando o dispositivo acima transcrito, passase a análise dos embargos de declaração interpostos pelo Sujeito Passivo, em face do Acórdão nº 110300.179, de 08.04.2009, (Turma extinta), em cuja ementa consta: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA POR SÓCIO. A ausência de comprovação da origem e da efetiva entrega de recursos de caixa fornecidos por sócio autoriza a sua tributação como omissão de receitas, por presunção legal. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: PAGAMENTO SEM CAUSA. Os pagamentos realizados por pessoa jurídica sem causa comprovada sofrem incidência do IRF imposto de renda na fonte. Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 19647.010988/200641 Acórdão n.º 1201001.885 S1C2T1 Fl. 3 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A imposição de multa qualificada (150%) deve ser fundamentada em comprovação inequívoca de evidente intuito de fraude. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência quanto aos fatos geradores anteriores a 1°/12/2001 [...], e no mérito, por unanimidade de votos reduzir a multa de oficio ao seu percentual ordinário de 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Tendo em vista os embargos de declaração opostos anteriormente pelo Sujeito Passivo foi proferido o Acórdão nº 1103001.137, de 24.10.2014, (Turma extinta), em cuja ementa consta: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REABERTURA DA DISCUSSÃO DE MÉRITO. DESCABIMENTO. A utilização dos embargos de declaração para contestar a fundamentação da decisão atacada, sem comprovação da ocorrência dos seus pressupostos (dos embargos), não é cabível nessa restrita via recursal. Os aclaratórios não se prestam para rediscussão da matéria previamente decidida. [...] ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos. Notificado da referida decisão em 12.06.2015, o Sujeito Passivo novamente opôs embargos de declaração em 17.06.2015, suscitando que: Inicialmente cumpre informar que a decisão ora embargada foi proferida em face de embargos declaratórios opostos contra o Acórdão n° 110300.179, sessão de 08/04/2009, os quais foram apresentados em dois momentos, ou seja, primeiramente na data da ciência da decisão embargada, em 14/05/2014, e, posteriormente, através dos complementos protocolizados em 19/05/2014, portanto dentro do prazo regimental de até 5 (cinco) dias da data da ciência. Nos declaratórios opostos em 14/05/2014 foi arguida contradição entre a decisão e os seus fundamentos, sendo que nos complementares, opostos em 19/05/2014, foram trazidas à discussão omissões relativas a pontos sobre os quais a turma deveria terse pronunciado (anexo por cópia). Pois bem. O aresto ora embargado enfrentou a questão relativa à arguida contradição entre a decisão e seus fundamentos, embora sem esclarecêla satisfatoriamente, conforme falarei mais adiante, porém omitiuse inteiramente com relação às Fl. 1408DF CARF MF 4 questões arguidas nos complementos protocolizados, tempestivamente, repitase, no dia 19/05/2014. Tal omissão pode ser facilmente observada pela leitura do relatório da decisão ora embargada, no qual se fez menção apenas aos embargos opostos no mesmo dia da ciência da decisão embargada, dia 14/05/2014, conforme segue: Cientificada da decisão de segunda instância 14/05/2014 (fls. 1.126, 1.131 e 1.144), a contribuinte opôs embargos de declaração no mesmo dia (fls. 1.132) ao fundamento de contradição entre os fundamentos e a decisão. (destaques acrescidos) Dessa forma, os presentes embargos são opostos primeiramente pela referida omissão no julgado, relativos a pontos sobre os quais a turma deveria terse pronunciado, constantes dos declaratórios complementares protocolizados em 19/05/2014, anexos por cópia. Quanto a essa omissão no julgado, portanto, nada mais há a acrescentar, pois sua ocorrência é manifesta. Entretanto, com todas as vênias do i. Conselheiro relator [...] e seus igualmente i. pares, sintome na obrigação de retornar ao ponto que ensejou os declaratórios rejeitados no aresto ora embargado, relativo à arguida contradição entre a decisão e os seus fundamentos. De início entendo equivocadas, permissa vênia, as colocações postas pelo i. Conselheiro relator [...] no voto condutor da decisão ora embargada, no sentido de que: Não ocorreu o vício alegado. A recorrente parece não ter compreendido a separação das matérias julgadas, o que teria se resolvido com uma leitura atenta do voto condutor do acórdão embargado. [...] Com efeito, o que parece desejar a embargante é a reabertura do julgamento pelo mesmo órgão prolator da decisão que lhe foi parcialmente desfavorável, expediente descabido no âmbito de embargos de declaração, via que "não se presta para tal propósito", (...). Realmente posso afirmar que não houve essa falta de compreensão quanto à pretendida separação das matérias julgadas, tampouco a intenção de reabrir o julgamento pelo mesmo órgão prolator da decisão que lhe foi parcialmente desfavorável, mas o que houve e ainda há é tão somente o exercício do direito de pedir esclarecimento sobre dúvida que, no entendimento da ora embargante, continua sem a devida elucidação. Portanto, peço vênia para reapresentar minhas razões dos declaratórios então opostos, desta feita sob o enfoque que a seguir passo a dispor, na esperança de que consiga melhor explicitar a questão, com vistas ao seu entendimento, relativamente à contradição existente entre a decisão e os seus fundamentos. Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 19647.010988/200641 Acórdão n.º 1201001.885 S1C2T1 Fl. 4 5 Primeiramente deve ser ressaltado que estamos diante de um conjunto probatório que deve ser analisado como um todo, não havendo como dissociar o pagamento das outras etapas que compreenderam o processo de aquisição e instalação das máquinas e equipamentos adquiridos com recursos do Fundo de Investimento do Nordeste FINOR, com vistas à conferência da regularidade da operação, regularidade essa que já fora atestada pelo Ministério da Integração Regional e pela Advocacia Geral da União AGU, consoante se observa dos excertos a seguir transcritos, extraídos do próprio voto condutor do Acórdão 110300.179, sessão de 08/04/2009, embargado em 14/05/2014: [...] Ainda de acordo com o referido voto condutor do Acórdão 1103 00.179, sessão de 08/04/2009, embargado em 14/05/2014, o i. relator, Conselheiro [...], continua sua manifestação nos termos que se seguem: [...] Ora, tal regularidade somente poderia ter sido reconhecida pelos referidos órgãos se comprovado fora o pagamento final aos fornecedores dos bens ou serviços, até porque, nesses projetos levados a efeito com recursos públicos alocados através de programas de incentivos fiscais, tal comprovação é exigida com muito maior rigor. [...] De onde se conclui que, indubitavelmente, os pagamentos foram dados por satisfeitos pelos mencionados órgãos de controle e acompanhamento da aplicação dos questionados recursos públicos (Advocacia Geral da União AGU e Ministério da Integração Regional), exceto pela autoridade de fiscalização da Receita Federal do Brasil RFB, sob a singela alegação de não ser usual que valores daquela monta tenham sido pagos em espécie, desqualificando, nesse ponto, a escrituração oficial da empresa, sem apresentar qualquer prova da acusação de que o lançamento contábil teria sido falseado. Corroborando a equivocada e não provada acusação da autoridade fiscal autora do procedimento, assim se expressou o i. Conselheiro relator [...], no mencionado Acórdão 1103 00.179, sessão de 08/04/2009, embargado em 14/05/2014: [...] Com a devida vênia, não considero que o causar estranheza seja fundamento suficiente para a manutenção do gravame, mesmo porque o pagamento em dinheiro é uma das formas que, sem qualquer impedimento legal, pode ser utilizada. Cumpre ressaltar que para os órgãos de controle acima referidos (Advocacia Geral da União AGU e Ministério da Integração Regional) esses pagamentos feitos em espécie não causaram estranheza alguma, pois, se assim não fosse, esses considerados pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, conforme definido no lançamento de ofício, seriam considerados como desvio na aplicação de recursos, nos termos do § 1º do art. 12, da Lei nº 8.167/1991. [...] Fl. 1410DF CARF MF 6 Ainda de acordo com aquele i. Conselheiro relator [...], (...), como bem destacado no relatório do Ministério da Integração Regional, o exame da correção das operações sob o enfoque fiscal, no âmbito regulado pela legislação aplicável, compete ao órgão de administração tributária, o que, afinal, é o objetivo almejado por intermédio do litígio instaurado neste processo administrativo. Concordo plenamente com essas assertivas, pois a competência tributária é mesmo da Receita Federal do Brasil RFB, mas convenhamos que o desvio na aplicação de recursos teria sido assim considerado pela Advocacia Geral da União AGU e pelo Ministério da Integração Regional se referidos pagamentos em dinheiro, e apenas por esse motivo, tivessem por eles sido considerados como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Os efeitos gerados e as cominações aplicáveis é que seriam diferentes e, digase de passagem, muito mais gravosas se fossem as previstas no art 12, § 1º, da Lei n° 8.167/91. Portanto, essa suposta irregularidade teria ocorrido independentemente de sua análise ser efetuada sob a ótica fiscal ou de controle da aplicação de recursos públicos. Em suma, se o i. Conselheiro relator [...] concordava com as conclusões a que chegaram os mencionados órgãos de controle, de que não teria ocorrido desvio na aplicação de recursos, não haveria como, pari passu, considerar que teriam ocorrido pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, sendo, portanto, manifesta a contradição arguida nos presentes embargos. Constatase, pois, que, para a análise da regularidade da operação as atividades que compõem o quadro a ser analisado são indissociáveis, ainda mais que todos os eventos encontram se devidamente escriturados em livros contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais exigidas, e registrados de conformidade com a legislação fiscal/tributária de regência e os princípios e normas legais de contabilidade. E mais. Sendo a recorrente uma sociedade anônima, seus balanços e demonstrativos são auditados e publicados conforme determina legislação própria das S/A, sendo impensável que a fraude imaginada inicialmente pelo i. agente fiscal autor do procedimento, mas que em boa hora foi desconstituída por esse egrégio colegiado, pudesse ter sido cometida, assim como também seria quase impossível a realização de registro contábil falseado, conforme aduz a autoridade de fiscalização, equívoco esse corroborado pela decisão ora embargada. Convenhamos que a acusação fiscal posta contra a ora embargante, no sentido de que os pagamentos escriturados como tendo sido efetuados às pessoas jurídicas Semeraro Comércio de Máquinas Ltda. e Cargo Construções Projetos Imobiliários Ltda. não condizem com a verdade, lança dúvidas sobre a lisura dos seus registros contábeis. Entretanto, fazse oportuno lembrar o basilar princípio de que a escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica faz prova a seu favor, sendo a mesma, até prova em contrário, expressão da verdade. Significa dizer que se a Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 19647.010988/200641 Acórdão n.º 1201001.885 S1C2T1 Fl. 5 7 acusação fiscal considerou que determinado lançamento contábil não condiz com a verdade dos fatos nele descritos, a prova dessa inveracidade deve ser apresentada pela fiscalização, porquanto o ônus da prova é de quem acusa. Mais uma vez, com todas as vênias, também não concordo com o i. Conselheiro relator [...] a quando diz que a fiscalização ofertou várias oportunidades à recorrente para comprovação da causa e do beneficiário dos pagamentos, mediante a lavratura de diversas intimações e reintimações, conforme detalhadamente relatado pelas autoridades fiscais no termo de verificação, porquanto seria o mesmo que se exigir do acusado prova negativa de que não falseara sua escrituração. Ademais, a verdade dos fatos, até prova em contrário, já havia sido posta quando do lançamento contábil, nada mais havendo a informar pela então fiscalizada em atendimento às mencionadas diversas intimações e reintimações que lhes foram encaminhadas no curso da ação fiscal ou em qualquer outra oportunidade. À fiscalização caberia, sim, comprovar, à luz dos assentamentos contábeis, ou fora deles, se fosse o caso, que esses pagamentos teriam sido feitos de outra forma ou mesmo que não teriam sido realizados, hipótese em que os mesmos estariam em aberto e logicamente sendo objeto de cobrança mediante protesto de títulos não adimplidos e consequente cobrança judicial. Mas nada existe nesse sentido, demonstrando que os compromissos foram de fato liquidados. [...] A requerida manifestação dessa egrégia Turma a esse respeito faz sentido até mesmo para se evitar o que seria mais uma omissão no julgado, revestindose a mesma, ainda, de importância capital para o deslinde da controvérsia, pois, além de se mostrar suficiente à solução do litígio em favor da ora embargante, constitui o necessário prequestionamento com vistas a eventual interposição de recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. [...] No presente caso se fazem presentes todas essas constatações que fundamentaram a decisão paradigmática acima transcrita, e de forma ainda mais contundente, por se tratar de bens escriturados no ativo permanente e não destinados à atividade comercial como naquele caso (comércio de aparelhos celulares), conforme segue: As máquinas foram transportadas da sua origem, em São Paulo, até seu destino, no estado de Pernambuco, acompanhadas da documentação fiscal exigida, chanceladas pelos postos fiscais dos estados pelos quais transitaram, conforme consta das suas próprias notas fiscais de venda; Foram instaladas e produziram plenamente; Os pagamentos referentes à sua aquisição foram efetuados, não havendo questionamento algum a esse respeito; Fl. 1412DF CARF MF 8 Referidos pagamentos foram regularmente escriturados, muito embora, sem qualquer justificativa plausível, tais registros tenham sido considerados pela autoridade fiscal como falseados; A escrita, obviamente, é uma só, bastando que a autoridade fiscal indicasse qual teria sido o(s) lançamento(s) contábeis que registrara(m) os pagamentos pela aquisição, no lugar daqueles tidos como falseados, já que inquestionavelmente tais pagamentos foram honrados; Todas essas operações foram convalidadas pelos órgãos federais de controle relativamente à correta aplicação dos recursos, destinados que são à implantação e desenvolvimento de projetos financiados com recursos públicos, através do FINOR; As máquinas e equipamentos continuam disponíveis, no pátio da empresa, para eventuais verificações. Outras constatações poderiam ser aqui elencadas, demonstrando a veracidade dos lançamentos contábeis considerados falseados pela autoridade de fiscalização, porém os já citados se bastam à finalidade ora proposta, de tão somente demonstrar a contradição existente entre a decisão embargada e os seus fundamentos. Diante do exposto, a contradição arguida residiria exatamente no entendimento externado na decisão embargada no sentido de que a autuada não comprovara o destino do suposto pagamento contabilizado como dirigido à fornecedora Semeraro, ao tempo em que afirma não se estar questionando a compra de máquinas pela recorrente ou, dito em outras palavras, se o i. Conselheiro relator Aloysio José Percinio da Silva concordava com as conclusões a que chegaram os mencionados órgãos de controle (Advocacia Geral da União AGU e Ministério da Integração Regional), de que não teria ocorrido desvio na aplicação de recursos, não haveria como, pari passu, considerar que teriam ocorrido pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Com efeito, conforme já demonstrado, a aquisição e o pagamento são ações subjacentes, ou seja, não havendo dúvida quanto à aquisição das máquinas e equipamentos e não subsistindo dúvida também quanto ao seu pagamento, o mesmo, se não tiver sido feito da forma como foi escriturado, obrigatoriamente o teria sido de outra forma, cabendo à fiscalização identificar nos assentamentos contábeis qual fora essa outra forma, já que considerara falso o histórico descrito no lançamento contábil feito pela ora embargante, sob pena de, em assim não procedendo, dar margem à ilação de que referidas máquinas e equipamentos teriam sido doadas e não vendidas, hipótese absolutamente despropositada. Sendo assim, na expectativa de que, desta feita, tenha sido melhor explicitada a contradição arguida, espero que a mesma seja devidamente analisada quanto à sua procedência, resultando dessa análise efeitos modificativos em relação à decisão ora embargada, constituindo essa apreciação também o necessário prequestionamento da matéria com vistas a eventual Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 19647.010988/200641 Acórdão n.º 1201001.885 S1C2T1 Fl. 6 9 interposição de recurso especial de divergência junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. DO PEDIDO Em face de todo o exposto, a embargante pugna pela apreciação e acolhimento dos presentes declaratórios relativamente às seguintes questões de fato e de direito: 1 Quanto à manifesta omissão no julgado, relativa a pontos sobre os quais a turma deveria terse pronunciado constantes dos declaratórios complementares protocolizados em 19/05/2014, anexos por cópia; 2 Quanto à evidenciada contradição existente entre a decisão e seus fundamentos, operandose os respectivos efeitos modificativos, e, 3. Quanto à caracterização do prequestionamento da matéria arguida nos declaratórios, no caso de a mesma não ser enfrentada em face do juízo de admissibilidade a ser pronunciado pelo presidente ou mesmo pela própria turma julgadora a quo, acerca do entendimento de que a escrituração faz prova a favor do contribuinte. Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) 1 e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Sobre as alegações do Sujeito Passivo tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Conforme relatado, a embargante indicou "evidente" contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No seu ponto de vista: "... no voto condutor do v. Acórdão de fls., o i. Relator, com todas as vênias, caiu em contradição ao, com muito acerto, afastar a acusação de simulação das operações, reconhecendo a validade dos negócios pactuados e também dos documentos que o ampararam, tenha optado pela manutenção do lançamento de IRF ao argumento de que os saques na boca do caixa não comprovariam os pagamentos escriturados e, sem nenhuma outra prova, senão em face do inusual saque na boca do caixa, aceitar que pagamentos teriam sido realizados a terceiros não identificados ou sem causa." Não ocorreu o vício alegado. A recorrente parece não ter compreendido a separação das matérias julgadas, o que teria se resolvido com uma leitura atenta do voto condutor do acórdão embargado. Fl. 1414DF CARF MF 10 Observese parte do texto do referido voto: "Para que não se desvie o foco do julgamento da sua questão central, devo lembrar que a infração indicada pela fiscalização tem por base o destino não comprovado do suposto pagamento e não glosa de despesas ou custos vinculados às máquinas adquiridas, como seria o caso de depreciação, por exemplo. Tal diferenciação ficou clara na conclusão das autoridades fiscais no termo de verificação e de encerramento de ação fiscal, assim apresentada (fls. 672): 'Esta fiscalização concluiu que os pagamentos efetuados pela empresa fiscalizada não podem ser vinculados à prestação de serviços e/ou fornecimento de bens da empresa Semeraro Comércio de Máquinas Ltda., logo, os pagamentos efetuados discriminados no quando abaixo, foram considerados pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa: (...)' Em resumo, o que o Fisco questionou foi a efetiva destinação de suposto pagamento registrado na contabilidade, não a compra de máquinas pela recorrente. Em que pese o desconhecimento da recorrente acerca da irregular situação fiscal da Semeraro, de boa fé, conforme atestam os pareceres acima transcritos, causa estranheza o fato de a fornecedora estar domiciliada no Estado de São Paulo, o que levaria à inusitada situação de se sacar vultosas quantias em dinheiro para leválas, em mão, de Pernambuco até aquela unidade da federação (SP) para quitação dos compromissos, em vez de fazêlos diretamente por intermédio de cheques nominais levados à compensação bancária ou qualquer outra forma legal disponível para transferência de valores. No meu entendimento, a recorrente não logrou comprovar o destino do suposto pagamento contabilizado como dirigido à fornecedora Semeraro. (...) A documentação das fls. 940/984 se refere a contrato de execução de obras pela Cargo Construções Projetos Imobiliários Ltda. (fls. 940 e 973), sendo formada por recibos, faturas, nota fiscal e extrato de situação cadastral da Cargo (Sintegra/ICMS). Em relação a essa segunda pessoa jurídica, constou do termo de verificação a observação de que só um único cheque nominal a ela fora identificado, cuja cópia se encontra nas fls. 115/116. Tal pagamento foi acatado pela fiscalização. Também nesse caso, considero cabível o mesmo entendimento adotado em relação à fornecedora Semeraro. Destaquese que a fiscalização ofertou várias oportunidades à recorrente para comprovação da causa e do beneficiário dos pagamentos, mediante a lavratura de diversas intimações e Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 19647.010988/200641 Acórdão n.º 1201001.885 S1C2T1 Fl. 7 11 reintimações, conforme detalhadamente relatado pelas autoridades fiscais no termo de verificação. Quanto à imposição da multa qualificada, de 150%, consideroa descabida. Em nenhuma das duas infrações indicadas há comprovação do evidente intuito de fraude previsto no art. 44, II, da Lei 9.430/96. Inexiste prova de utilização de documentos material ou ideologicamente falsos, prática de simulação, etc. A tributação dos suprimentos de caixa se baseou em presunção legal relativa. A tributação por presunção legal, sem qualquer elemento caracterizador da intenção de fraudar, não compota, em regra, a imposição de multa qualificada. Semelhante conclusão se extrai em relação aos pagamentos a beneficiários não identificados, em que nada se provou a respeito de eventual destino fraudulento dos recursos financeiros ou mesmo a utilização de documentação falsa. Portanto, a multa deve ser reduzida ao seu percentual ordinário de 75%."(Destaque acrescido) Os trechos transcritos deixam clara a separação das matérias julgadas – falta de comprovação de pagamentos e qualificação da multa de ofício – inexistindo qualquer contradição. Com efeito, o que parece desejar a embargante é a reabertura do julgamento pelo mesmo órgão prolator da decisão que lhe foi parcialmente desfavorável, expediente descabido no âmbito de embargos de declaração, via que "não se presta para tal propósito", segundo afirmou o Ministro Castro Meira2, reproduzindo pacífica jurisprudência do STJ –Superior Tribunal de Justiça. Ainda segundo o eminente Ministro: "... os aclaratórios não se prestam a rediscutir matéria previamente decidida, sendo que os efeitos infringentes a eles atribuídos são apenas incidentais, quando, acolhidos para sanar um dos vícios acima mencionados, mostraremse necessários à modificação do julgado. (...) Em resumo, bem ou mal, a controvérsia foi solucionada, razão pela qual é vedado o manejo dos embargos declaratórios que buscam o simples reexame da matéria decidida." (Destaque acrescido) Conclusão Pelo exposto, rejeito os embargos. Fl. 1416DF CARF MF 12 1) Omissão O Sujeito Passivo argúi que as alegações opostas tempestivamente no dia 19.05.2014 em complemento à peça oposta dia 14.05.2014 não foram analisadas no acórdão embargado. Observese que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir, no que se refere à peça complementar apresentada dia 19.05.2014. Para constatar essa circunstância, tem cabimento transcrever excerto do relatório do acórdão embargado: Cientificada da decisão de segunda instância 14/05/2014 (fls. 1.126, 1.131 e 1.144), a contribuinte opôs embargos de declaração no mesmo dia (fls. 1.132) ao fundamento de contradição entre os fundamentos e a decisão. Ocorre que, de fato as alegações opostas tempestivamente no dia 19.05.2014 em complemento à peça oposta dia 14.05.2014 não foram analisadas no acórdão embargado: Inicialmente cumpre ressaltar que os presentes complementos aos Embargos Declaratórios anteriormente apresentados estão sendo protocolizados dentro do prazo regimental de 5 (cinco) dias, contados da data da ciência do acórdão embargado, a qual foi levada a efeito no último dia 14 de maio, sendo, portanto, tempestivos. Nos embargos que ora se complementa, foi arguida contradição entre a decisão e os seus fundamentos, relativamente à acusação fiscal quanto à incidência do IRF sobre supostos pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. [...] A respeito, o Parecer PGFN/CAT N° 1617/2008 assim se pronunciou: [...] 40. Do que, então, emerge mais uma conclusão: o pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra especial, isto é, do § 4º do art. 150 do CTN,; a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade, projetados nas contribuições previdenciárias. Isto é, no que se refere à contagem dos prazos de decadência. Tal concepção, em princípio, pode ser aplicada para todos os tributos federais, e não somente, para as contribuições previdenciárias. [...] Do Pedido Em face de todo o exposto, a embargante pugna pela apreciação dos presentes complementos em conjunto com os embargos de declaração protocolados em 14/05/2014, e espera o seu acolhimento com efeitos modificativos ou, quando menos, Nesse sentido, a situação de omissão está indicada objetivamente. 2) Contradição Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 19647.010988/200641 Acórdão n.º 1201001.885 S1C2T1 Fl. 8 13 O Sujeito Passivo suscita que há contradição entre a decisão e os seus fundamentos em relação a falta de comprovação de pagamentos e qualificação da multa de ofício proporcional. Por outro lado, a situação de contradição não está apontada objetivamente. No interior da própria decisão não restou caracterizado esse vício, ou seja, não ficou evidenciada a desconformidade interna da decisão jurisdicional, uma vez que todas as circunstâncias estão descritas no acórdão embargado de forma explícita, clara e congruente e os trechos transcritos deixam clara a separação das matérias julgadas – falta de comprovação de pagamentos e qualificação da multa de ofício proporcional – inexistindo qualquer contradição. Com efeito, o que parece desejar a embargante é a reabertura do julgamento pelo mesmo órgão prolator da decisão que lhe foi parcialmente desfavorável, expediente descabido no âmbito de embargos de declaração. Conclusão Por todo o exposto, ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração interpostos, quanto a omissão da análise da peça apresentada dia 19.05.2014 e rejeito a alegação de contradição. Relativamente à matéria rejeitada, o presente despacho é DEFINITIVO, nos termos do art. 65, § 3º, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RI/CARF). Encaminhese o presente processo a 1ªSEÇÃO/CARF/MF/DF com a finalidade de: em relação à matéria rejeitada, "2) Contradição", dar ciência a Embargante e demais providências; pertinente ao tema admitido, qual seja, "1) Omissão" da análise da peça apresentada dia 19.05.2014, incluir em lote de sorteio no âmbito da 1ªSEÇÃO/CARF/MF/DF, nos termos do art. 49, § 5º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. O processo foi redistribuído por sorteio em face de o antigo relator não atuar mais neste colegiado. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Omissão. Fl. 1418DF CARF MF 14 Na peça protocolada em 19 de maio de 2014, assim se pronunciou a embargante: Passo, assim, a discorrer sobre esses pontos não levados em consideração pela Turma a quo, indispensáveis à fiel apreciação das razões de defesa trazidas nos presentes autos e, consequentemente, à correta solução do litígio instaurado mediante apresentação da peça impugnativa: 1. Resultados negativos apurados nos períodosbase objeto do lançamento (2001 e 2002) não deduzidos do valor tributado com base na suposta ocorrência de omissão de receitas caracterizada pela existência de suprimentos de caixa não comprovados quanto à origem e à efetiva entrega dos numerários à fiscalizada; 2. Valores recolhidos relativos ao PIS e à COFINS. devidamente atualizados, igualmente não deduzidos da base de cálculo utilizada na autuação acima descrita; 3. Os valores apurados pela fiscalização a título de CSLL, PIS e COFINS também não foram excluídos da base tributável do IRPJ; 4. Inexatidão material existente no acórdão embargado, conforme definição do art. 66 do supracitado RICARF/2009, consistente no fato de não ter sido observada a existência de pagamentos antecipados de tributos no anocalendário de 2001, para efeito da contagem do prazo decadencial ser feito com base no § 4o do art. 150 do CTN, cujos comprovantes de pagamento encontramse em anexo, constituindose em lapso manifesto que teria levado um único Conselheiro do Colegiado a quo a discordar da decadência, conforme decisão assim proclamada: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência quanto aos fatos geradores anteriores a 1º/12/2001, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, em razão de inexistência de pagamento, e no mérito, por unanimidade de votos reduzir a multa de oficio ao seu percentual ordinário de 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (destaques acrescidos) [...] 5. Não foi levado em consideração que no caso estarseia cobrando tributo em duplicidade sobre a mesma base de cálculo representada pela entrada dos aportes efetuados para aumento de capital e as saídas referentes aos pagamentos efetuados à empresa fornecedora dos maquinários adquiridos com recursos do fundo de incentivos fiscais FINOR, tidos pela fiscalização, de forma equivocada, como sendo pagamentos a beneficiários não identificados. Compulsandose a peça recursal (fls. 819 a 852), não se vê ali nenhuma das primeiras quatro alegações trazidas na petição de embargos. Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 19647.010988/200641 Acórdão n.º 1201001.885 S1C2T1 Fl. 9 15 Após a síntese dos fatos, os tópicos considerados de mérito pela recorrente ali constantes são os seguintes: Preliminar de decadência; Da omissão de receita; Dos pagamentos a beneficiários não identificados; Sobre a tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35%; Da necessidade de aplicação do in dubio contra fiscum e Não é hipótese de aplicação da multa agravada. O relatório do voto condutor do acórdão embargado traduz com muita fidelidade o quanto contido na peça que veicula o recurso voluntário: Cientificada da decisão em 23/10/2007 (fls. 739), a autuada interpôs recurso voluntário no dia 22 do mês Seguinte (fls. 741), por intermédio do seu advogado. Suscitou preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores anteriores a novembro de 2001, alcançados pelo prazo de cinco anos previsto no art. 150, §4°, do CTN. No mérito, quanto à omissão de receitas que lhe foi atribuída, alegou que os valores supridos pelos acionistas Marcelo José Barbalho Silva e Proteína Projeto Integrado de Alimentos S/A seriam originários de empréstimos. Os aportes de capital estariam devidamente registrados na contabilidade e nas declarações de rendimentos dos envolvidos e teriam sido aprovados pelo Conselho de Administração, cujas atas estariam registradas na Junta Comercial. Assegurou que o registro público "faz prova dos fatos, que o funcionário declarar, de acordo com o art. 364 do CPC". A respeito da tributação do IRRF sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, assegurou que as aquisições de máquinas da Semeraro Comércio de Máquinas Ltda. e as obras da Cargo Construções Projetos Imobiliários Ltda. foram regulares e devidamente pagas. O "simples" fato de os pagamentos serem realizados em dinheiro não transformaria em sustentável a acusação fiscal. Eventuais irregularidades fiscais das duas contratadas não seriam de sua responsabilidade, ainda mais porque só as teria conhecido depois da auditoria realizada pela CGU, cujas conclusões foram retificadas pela extinta Sudene, segundo alegou. Deveria o Fisco, no exercício do seu poder de policia e de fiscalização adotar as providencias cabíveis em relação àquelas empresas, em vez de responsabilizar um terceiro de boafé sem qualquer vinculação às referidas irregularidades. Informou ter trazido aos autos cópias de notas fiscais com chancelas de postos fiscais, recibos emitidos pelos contratados, fotos do parque fabril comprovando a sua construção e a aquisição das máquinas, laudo de órgão federal Fl. 1420DF CARF MF 16 atestando o seu funcionamento e a entrega das máquinas, laudo atestando o seu desconhecimento das irregularidades dos contratados, etc. Defendeu a aplicação do principio in dubio contra fiscum, no caso de remanescerem dúvidas. No seu entendimento, estáse utilizando o IRRF como penalidade, contrariando o art. 3° do CTN, que define tributo como "prestação pecuniária compulsória que não constitua sanção de ato ilícito". A multa qualificada seria indevida por ter agido sempre de boa fé, inexistindo intuito de fraude. Informou que estava se defendendo das hipóteses contidas nos art. 71 e 72 da Lei 4.502/64 "porquê não sabe qual dos ilícitos lhe está sendo imputado", se sonegação ou fraude. Pediu a adoção de interpretação que lhe seja mais favorável, no caso de dúvida. Requereu a conversão do julgamento em diligência e relacionou quesitos. Portanto, no recurso voluntário não houve nenhuma alegação quanto: consideração de resultados negativos apurados nos períodosbase objeto do lançamento (2001 e 2002) não deduzidos; valores recolhidos relativos ao PIS e à COFINS, devidamente atualizados, igualmente não deduzidos da base de cálculo utilizada na autuação; falta de dedução da base de cálculo do IRPJ de valores apurados pela fiscalização a título de CSLL, PIS e COFINS. Relativamente ao alegado erro material contido no acórdão, no que tange ao fato de não ter sido observada a existência de pagamentos antecipados de tributos no ano calendário 2001, para efeito da contagem do prazo decadencial ser feita com base no § 4o do art. 150 do CTN, e que os comprovantes de pagamento encontramse nos autos, também não houve nenhuma omissão. Não foi feita qualquer alegação nesse sentido. Pelo contrário, no recurso voluntário foi alegado que o prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, independe de pagamento, bastando que o tributo esteja sujeito ao lançamento por homologação. Vejase (fls. 824, 827, 828): Ocorrido o fato gerador, o fisco dispõe de 5 (cinco) anos para homologar o lançamento efetuado pelo contribuinte (CTN, art. 150, § 40), tenha havido ou não recolhimento antecipado, de forma que, ultrapassado aquele prazo, considerase homologado o lançamento (tacitamente) e eventual crédito tributário exigível extinguese pela decadência (CTN, art. 156, V). [...] Oportuno refutar o argumento de que a regra esculpida no art. 150, § 4º do CTN somente é aplicável quando existe a antecipação do pagamento. Isso porque o que se deve considerar na aplicação daquele dispositivo é se o tributo está sujeito a lançamento por homologação ou não. Se está sujeito ao lançamento por homologação, aplicável é o art. 150, § 4º do CTN, independentemente da efetiva antecipação. Se não for tributo sujeito ao lançamento por homologação, aí sim será aplicável o disposto 173 do CTN. Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 19647.010988/200641 Acórdão n.º 1201001.885 S1C2T1 Fl. 10 17 A lei tributária não desnatura o lançamento por homologação simplesmente porque não houve o pagamento antecipado. Quer isso dizer que a hipótese típica do lançamento por homologação é a previsão legal do dever de o sujeito passivo antecipar o pagamento; o fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento por homologação, que, para ocorrer, deve apenas ter previsão legal a respeito do dever de o sujeito passivo fazer a antecipação do pagamento. Aliás, na hipótese de não haver pagamento, pode, perfeitamente, incidir a hipótese típica do lançamento por homologação, posto que o sujeito passivo pode ter cumprido o dever legal e dele ter concluído que não há o que pagar. [...] De efeito, esse fato (a inexistência de pagamento) não impede que o fisco homologue expressamente a atividade à qual o sujeito passivo está obrigado por lei (como a emissão de notas fiscais, classificação fiscal dos produtos, escrituração de livros e apuração do tributo devido, se for o caso); ou então que, na ausência de homologação expressa, se opere a homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 4º do art. 150. Ademais, essa alegação de lapso manifesto não tem consistência. O voto condutor do acórdão embargado contém fundamento consentâneo com aquele trazido pela embargante, para fins de acatamento da preliminar de diligência, conforme excerto abaixo (fl. 1.070): Sobre decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a tributos e contribuições sociais submetidas ao regime de lançamento por homologação, como no caso destes autos, este Conselho acolhe o entendimento, apoiado em ampla e conhecida jurisprudência, pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de que tal matéria é regulada pelo comando do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos. Apenas se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do Código. (Grifouse) Ainda, dentre os pedidos constantes ao final do Recurso Voluntário (fls. 850 e 851) o primeiro é: Ante o exposto, pede a Recorrente seja reconhecida a decadência do IRRF, PIS e COFINS relativa ao período exigido anterior a novembro de 2001, e, no mérito, seja dado provimento ao recurso para desconstituir a exigência fiscal, considerandose que não houve omissão de receitas, tampouco pagamento a beneficiário não identificado, e que toda a infração parte de suposições infundadas, elididas mediante documentação hábil apresentada no curso do processo administrativo, inclusive Parecer da AdvocaciaGeral da União e do Ministério da Integração Nacional. (Grifouse) Fl. 1422DF CARF MF 18 No acórdão embargado, como já visto, está assim decidido: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência quanto aos fatos geradores anteriores a 1º/12/2001, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, em razão de inexistência de pagamento, ... Vêse, pois, que, no tocante à decadência, os embargos não têm objeto, uma vez o acolhimento total do pedido veiculado no voluntário. Por fim, no tocante ao item 5 da petição de embargos, de "que não foi levado em consideração que no caso estarseia cobrando tributo em duplicidade sobre a mesma base de cálculo representada pela entrada dos aportes efetuados para aumento de capital e as saídas referentes aos pagamentos efetuados à empresa fornecedora dos maquinários adquiridos com recursos do fundo de incentivos fiscais FINOR, tidos pela fiscalização, de forma equivocada, como sendo pagamentos a beneficiários não identificados", mais uma vez, verificase que tais alegações não constam do voluntário. Para se chegar a esta conclusão, basta a leitura da peça recursal (fls. 819 a 852), em especial do tópico denominado "Dos pagamentos a beneficiários não identificados" (fls. 833 a 846). Mais uma vez, reiterase que o relatório do voto condutor do acórdão embargado, embora sintético, traduz com muita fidelidade o quanto contido na peça que veicula o recurso voluntário no que tange à matéria em questão. Ali foi alegado apenas o que consta relatado: A respeito da tributação do IRRF sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, assegurou que as aquisições de máquinas da Semeraro Comércio de Máquinas Ltda. e as obras da Cargo Construções Projetos Imobiliários Ltda. foram regulares e devidamente pagas. O "simples" fato de os pagamentos serem realizados em dinheiro não transformaria em sustentável a acusação fiscal. Eventuais irregularidades fiscais das duas contratadas não seriam de sua responsabilidade, ainda mais porque só as teria conhecido depois da auditoria realizada pela CGU, cujas conclusões foram retificadas pela extinta Sudene, segundo alegou. Deveria o Fisco, no exercício do seu poder de policia e de fiscalização adotar as providencias cabíveis em relação àquelas empresas, em vez de responsabilizar um terceiro de boafé sem qualquer vinculação às referidas irregularidades. Informou ter trazido aos autos cópias de notas fiscais com chancelas de postos fiscais, recibos emitidos pelos contratados, fotos do parque fabril comprovando a sua construção e a aquisição das máquinas, laudo de órgão federal atestando o seu funcionamento e a entrega das máquinas, laudo atestando o seu desconhecimento das irregularidades dos contratados, etc. Não incidiu pois o relator do voto condutor do acórdão embargado em qualquer omissão, não havendo nele também lapso ou erro material. Conclusão. Em face de todo o exposto, voto por rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 19647.010988/200641 Acórdão n.º 1201001.885 S1C2T1 Fl. 11 19 Fl. 1424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000229/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2009
GLIFOSATO TÉCNICO. MATÉRIA PRIMA UTILIZADA NA
FABRICAÇÃO HERBICIDA DA POSIÇÃO 38.08 DA NCM. AQUISIÇÃO
POR ESTABELECIMENTO FABRICANTE. RECEITA AUFERIDA NA
VENDA. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. CABIMENTO.
Se comprovado que a pessoa jurídica adquirente é fabricante de defensivos
agropecuários, fica reduzida a alíquota a zero da Cofins incidente sobre a
receita decorrente da venda de matéria-prima, a exemplo do insumo
“Glifosato Técnico”, utilizado na fabricação de herbicida da posição 38.08 da
NCM.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMO TRIBUTADO.
APLICAÇÃO EM PRODUTO NÃO TRIBUTADO. APROPRIAÇÃO DE
CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
É permitido o desconto de crédito sobre à aquisição de insumo sujeito à
tributação normal da Cofins e utilizado na fabricação de produto
intermediário, cuja receita de venda não está sujeita à tributação da referida
contribuição.
COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS CORRELATOS À ARMAZENAGEM. INADMISSIBILIDADE.
Não encontra amparo no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 a pretensão de descontar os valores das contribuições das despesas que não são de armazenagem, mas que corroboram com essa atividade.
REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que apresentado pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça defensiva e a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos da decisão.
Numero da decisão: 3302-004.824
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: reverter a glosa na aquisição de insumos classificados na NCM 38249041 (desincrustantes, anticorrosivos ou antioxidantes), reverter a glosa nas aquisições de 29310037
(Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético -PIA) utilizadas na fabricação de NCM 29310032 (N-(fosfonometil)Glicina), reverter a glosa quanto à despesa com nota fiscal emitida pela empresa
Mendes Cintra & Cintra Ltda, reverter a glosa sobre os créditos tomados sobre locação de máquinas de bebidas quentes e purificadores de água, bem como sobre mão-de-obra de manejo
dos guindastes, reverter a glosa sobre o crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero e manter a incidência de alíquota zero nas vendas de produto "Glifosato
Técnico" à empresa Helm. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha as glosas nas aquisições de 29310037 (Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético - PIA), quanto à despesa com a nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda e quanto ao crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Vencida a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar que mantinha as glosas nas aquisições de 29310037 (Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético - PIA) e quanto à despesa com a nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa quanto ao crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa Prado que dava provimento quanto às
despesas com enlonamento, amarração e manobra de carga, quanto aos créditos sobre frete de devolução de vendas e de retorno de mercadoria e de material, transferência de mercadorias,
outros fretes genericamente denominados, fretes na operação de venda de sucata industrial e de veículos, operação de doação, remessas, importações, recebimentos de amostras e material,
quanto aos fretes na aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para o uso e consumo, quanto aos fretes na aquisição de insumos sem identificação e sem indicação de operação relacionada e que convertia em diligência para: esclarecimentos quanto à utilização dos guindastes no processo produtivo, apresentar as notas fiscais relativas às glosa do frete na
venda de mercadorias sem indicação de nota fiscal, esclarecimento quanto aos créditos cujas informações, na planilha de memória dos cálculos, eram conflitantes ou o tipo de despesa não foi identificado, produzir perícia contábil e fiscal quanto às vendas de produto "Glifosato Técnico" à empresa Helm. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2009 GLIFOSATO TÉCNICO. MATÉRIA PRIMA UTILIZADA NA FABRICAÇÃO HERBICIDA DA POSIÇÃO 38.08 DA NCM. AQUISIÇÃO POR ESTABELECIMENTO FABRICANTE. RECEITA AUFERIDA NA VENDA. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. CABIMENTO. Se comprovado que a pessoa jurídica adquirente é fabricante de defensivos agropecuários, fica reduzida a alíquota a zero da Cofins incidente sobre a receita decorrente da venda de matéria-prima, a exemplo do insumo “Glifosato Técnico”, utilizado na fabricação de herbicida da posição 38.08 da NCM. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMO TRIBUTADO. APLICAÇÃO EM PRODUTO NÃO TRIBUTADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. É permitido o desconto de crédito sobre à aquisição de insumo sujeito à tributação normal da Cofins e utilizado na fabricação de produto intermediário, cuja receita de venda não está sujeita à tributação da referida contribuição. COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS CORRELATOS À ARMAZENAGEM. INADMISSIBILIDADE. Não encontra amparo no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 a pretensão de descontar os valores das contribuições das despesas que não são de armazenagem, mas que corroboram com essa atividade. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que apresentado pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça defensiva e a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos da decisão.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: reverter a glosa na aquisição de insumos classificados na NCM 38249041 (desincrustantes, anticorrosivos ou antioxidantes), reverter a glosa nas aquisições de 29310037 (Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético -PIA) utilizadas na fabricação de NCM 29310032 (N-(fosfonometil)Glicina), reverter a glosa quanto à despesa com nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda, reverter a glosa sobre os créditos tomados sobre locação de máquinas de bebidas quentes e purificadores de água, bem como sobre mão-de-obra de manejo dos guindastes, reverter a glosa sobre o crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero e manter a incidência de alíquota zero nas vendas de produto "Glifosato Técnico" à empresa Helm. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha as glosas nas aquisições de 29310037 (Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético - PIA), quanto à despesa com a nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda e quanto ao crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Vencida a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar que mantinha as glosas nas aquisições de 29310037 (Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético - PIA) e quanto à despesa com a nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa quanto ao crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa Prado que dava provimento quanto às despesas com enlonamento, amarração e manobra de carga, quanto aos créditos sobre frete de devolução de vendas e de retorno de mercadoria e de material, transferência de mercadorias, outros fretes genericamente denominados, fretes na operação de venda de sucata industrial e de veículos, operação de doação, remessas, importações, recebimentos de amostras e material, quanto aos fretes na aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para o uso e consumo, quanto aos fretes na aquisição de insumos sem identificação e sem indicação de operação relacionada e que convertia em diligência para: esclarecimentos quanto à utilização dos guindastes no processo produtivo, apresentar as notas fiscais relativas às glosa do frete na venda de mercadorias sem indicação de nota fiscal, esclarecimento quanto aos créditos cujas informações, na planilha de memória dos cálculos, eram conflitantes ou o tipo de despesa não foi identificado, produzir perícia contábil e fiscal quanto às vendas de produto "Glifosato Técnico" à empresa Helm. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor.
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MATÉRIA PRIMA UTILIZADA NA FABRICAÇÃO HERBICIDA DA POSIÇÃO 38.08 DA NCM. AQUISIÇÃO POR ESTABELECIMENTO FABRICANTE. RECEITA AUFERIDA NA VENDA. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. CABIMENTO. Se comprovado que a pessoa jurídica adquirente é fabricante de defensivos agropecuários, fica reduzida a alíquota a zero da Cofins incidente sobre a receita decorrente da venda de matéria-prima, a exemplo do insumo “Glifosato Técnico”, utilizado na fabricação de herbicida da posição 38.08 da NCM. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMO TRIBUTADO. APLICAÇÃO EM PRODUTO NÃO TRIBUTADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. É permitido o desconto de crédito sobre à aquisição de insumo sujeito à tributação normal da Cofins e utilizado na fabricação de produto intermediário, cuja receita de venda não está sujeita à tributação da referida contribuição. COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS CORRELATOS À ARMAZENAGEM. INADMISSIBILIDADE. Não encontra amparo no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 a pretensão de descontar os valores das contribuições das despesas que não são de armazenagem, mas que corroboram com essa atividade. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 63 49 .0 00 22 9/ 20 09 -9 0 Fl. 1.062Fl. 1.062 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ubro de 2017 ubro de 2017 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins MONSANTO DO BRASIL LTDA MONSANTO DO BRASIL LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 1062DF CARF MF 2 No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que apresentado pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça defensiva e a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: reverter a glosa na aquisição de insumos classificados na NCM 38249041 (desincrustantes, anticorrosivos ou antioxidantes), reverter a glosa nas aquisições de 29310037 (Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético -PIA) utilizadas na fabricação de NCM 29310032 (N- (fosfonometil)Glicina), reverter a glosa quanto à despesa com nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda, reverter a glosa sobre os créditos tomados sobre locação de máquinas de bebidas quentes e purificadores de água, bem como sobre mão-de-obra de manejo dos guindastes, reverter a glosa sobre o crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero e manter a incidência de alíquota zero nas vendas de produto "Glifosato Técnico" à empresa Helm. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha as glosas nas aquisições de 29310037 (Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético - PIA), quanto à despesa com a nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda e quanto ao crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Vencida a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar que mantinha as glosas nas aquisições de 29310037 (Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético - PIA) e quanto à despesa com a nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa quanto ao crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa Prado que dava provimento quanto às despesas com enlonamento, amarração e manobra de carga, quanto aos créditos sobre frete de devolução de vendas e de retorno de mercadoria e de material, transferência de mercadorias, outros fretes genericamente denominados, fretes na operação de venda de sucata industrial e de veículos, operação de doação, remessas, importações, recebimentos de amostras e material, quanto aos fretes na aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para o uso e consumo, quanto aos fretes na aquisição de insumos sem identificação e sem indicação de operação relacionada e que convertia em diligência para: esclarecimentos quanto à utilização dos guindastes no processo produtivo, apresentar as notas fiscais relativas às glosa do frete na venda de mercadorias sem indicação de nota fiscal, esclarecimento quanto aos créditos cujas informações, na planilha de memória dos cálculos, eram conflitantes ou o tipo de despesa não foi identificado, produzir perícia contábil e fiscal quanto às vendas de produto "Glifosato Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.063 3 Técnico" à empresa Helm. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor. Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) Charles Pereira Nunes - Redator designado (assinatura digital) José Fernandes do Nascimento - Redator designado (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa- Mercado Interno apurados no 3º trimestre/2008, no total de R$ 8.483.757,09, cumulado com declarações de compensação. A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a certeza e liquidez do direito creditório, emitiu despacho decisório (fls. 722/747) indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações correlatas. Naquela decisão foram glosados os créditos referentes a: a) Matérias- prima de código NCM 29310037 (que corresponde a Ácido N- Fosfonometiliminodiacético) e NCM 29310032 (N-fosfonometilGlicina), utilizado na fabricação de defensivos agrícolas, já que é insumo tributário à alíquota zero na venda do mercado interno, em virtude do que determina o inciso II do art. 1º da Lei n. 10.925/2004 e inciso II do art. 1º do Decreto 5.630/2005; b) Serviços empregados na produção de milho e do Glisofato Técnico - "enlonamento", amarração e manobra de cargas, já que não podem ser definidas como insumos para fins de aproveitamento dos créditos; c) Serviços prestados pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda - porque a atividade econômica descrita na nota fiscal apresentada corresponde a locação de mão-de-obra temporária que inexiste previsão legal para tal apropriação; Fl. 1064DF CARF MF 4 d) Material para consumo de código NCM 38249041 (que corresponde a preparações desincrustantes, anticorrosivas ou antioxidantes) - por falta de previsão legal; e) Aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas (purificadores de água e máquinas de bebidas quentes), bem como os custos de mão-de-obra incluídos nas notas fiscais dessas locações; f) Despesas de armazenagem e frete: i) transportar produtos tributados à alíquota zero ; ii) fretes de vendas para os quais a empresa não informou o número da nota fiscal de venda; iii) fretes de devolução de vendas e de transferência, por falta de previsão legal; iv) fretes classificados de forma genérica como "outros fretes"; v) fretes de venda de sucata industrial; vi) fretes de compras de bens para o ativo imobilizado e demais materiais para uso e consumo, por falta de previsão legal; vii) fretes sobre fabricação própria, porém sem a informação do número da nota fiscal de venda; viii) fretes para os quais a empresa não identificou a operação vinculada ao frete (compra, venda ou outra operação); ix) fretes vinculados às operações de conservação de móveis, máquinas e equipamentos; custos projetos capitalizados; devolução de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros; industrialização efetuado por outras empresas; lançamento simples faturamento decorrente de venda para entrega futura indústria/comércio; lançamento simples faturamento decorrente de revenda para entrega futura indústria/comércio; recebimento de amostra (sem retorno); recebimento de/para troca; recebimento por transferência do saldo credor de ICMS; remessa de insumos para aplicação em campo de produção; remessa para orçamento e posterior conserto; retorno de amostra; retorno de armazém geral de terceiros (real); retorno de armazém geral de terceiros (simbólico); retorno de conserto; retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda; retorno de remessa para entrega futura; transferência de mercadoria adquirida e/ou recebida de terceiros para industrialização; transferência de produção do estabelecimento para industrialização; transferência para uso e consumo e transporte matéria-prima bruta, todos por falta de previsão legal; g) Créditos cujas informações na planilha de memória de cálculos são conflitantes ou tipo de despesa não foi identificado. Cientificado sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade na qual alega que é inadequada a formalização de cobrança dos créditos tributários por outro meio que não através da lavratura de auto de infração. Ainda em preliminar sustenta que o despacho decisório é nulo porque considerou inválidas todas as informações regularmente prestadas pela requerente em seus documentos fiscais. No mérito, a contribuinte questiona o acerto das glosas efetuadas sobre: a) os insumos supostamente tributados à alíquota zero; Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.064 5 b) os serviços de armazenagem e logística; c) as despesas com mão-de-obra; d) os insumos consumidos no processo produtivo; e) sobre despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos; f) sobre despesas com fretes: i) na aquisição de insumos tributados à alíquota zero; ii) na venda de mercadorias sem indicação do número de nota fiscal; iii) com as operações de venda de sucata industrial e de veículos, devolução de mercadorias, doação, remessas, importações, recebimentos de amostras e material, retorno de mercadorias e material, transferência de mercadorias e outros fretes. Também se insurge contra a glosa aposta sobre as despesas com fretes de aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para uso e consumos e o transporte de insumos adquiridos porém não identificados. Fretes sem indicação de operação relacionadas. g) apresenta seus argumentos de despesa sobre o item identificado como "divergências encontradas na apuração dos créditos"; h) sobre as operações de venda de glisofato sujeitas à alíquota zero. Por fim, com relação aos documentos identificados pelas autoridades fiscais como não apresentados pela contribuinte e sobre as divergências apuradas pela fiscalização, a contribuinte alega que em razão do grande volume de operações por ela realizadas e pelo fato de se referirem a períodos de apuração de cerca de seis anos, não foi possível recuperar e apresentar todos os documentos requeridos, no curto prazo permitido. Por esse motivo, protesta pela juntada de novos documentos, em especial das notas fiscais mencionadas no despacho decisório, para que se torne possível "comprovar a existência da totalidade do crédito pleiteado". A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PAF. ATO ADMINISTRATIVO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no ato administrativo que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972, com as alterações da Lei n. 8.748/1993 e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Fl. 1066DF CARF MF 6 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. DILIGÊNCIA. ÔNUS PROCESSUAL DA PROVA. Faz-se incabível a realização de perícia ou diligência quando reputadas desnecessárias. Ademais, a realização de perícia não se presta a suprir eventual inércia probatória do contribuinte. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 COFINS NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da COFINS Não-Cumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ARMAZENAGEM E FRETE. CRÉDITOS. O estabelecimento industrial somente poderá descontar créditos calculados me relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS À CONTRIBUIÇÃO. Nos termos do art. 3º, § 2º, II da Lei n. 10.833/2003, incluído pela Lei n. 10.865/04, não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento de Cofins. COFINS NÃO-CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ressarcimento de créditos decorrentes da não-cumulatividade da Cofins vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária, devendo ser indeferido quando não reste comprovada a sua existência. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. A declaração de compensação somente pode ser homologada quando o respectivo direito creditório resulte comprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho. É o relatório. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.065 7 Voto Vencido Conselheira Relatora Lenisa Prado A contribuinte foi intimada sobre o resultado do julgamento da manifestação de inconformidade em 23/07/20151 e apresentou, tempestivamente, a petição de recurso voluntário em 21/08/2015. Presentes os requisitos extrínsecos de admissibilidade, é de rigor a submissão do recurso a este colegiado. A recorrente apresenta os seguintes argumentos de defesa: 1. PRELIMINARES 1.1. NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO DE COBRANÇA POR AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO A recorrente defende que os artigos 142 do CTN é taxativo ao determinar que o crédito tributário deve ser feito através do competente lançamento, por ser ato administrativo obrigatório que confere liquidez e certeza ao crédito tributário. O art. 9º do Decreto n. 70.235/1975 confere a autoridade fiscal permite que o crédito seja formalizado através de auto de infração ou notificação de lançamento. Na hipótese dos autos o crédito tributário está sendo cobrado por despacho decisório que extrapola as suas finalidades. Ao apontar o conteúdo dos dispositivos acima mencionados, a recorrente defende que "a autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido devidamente constituídos, seja por meio de um Auto de Infração ou por meio de uma Notificação de Lançamento", e conclui que "a presente exigência deve ser cancelada, uma vez que o r. despacho decisório não é via competente para exigência do tributo". Porém, entendo que não merece reparos a decisão colegiada recorrida, no que concerne este tópico, já que apresenta a cronologia da legislação que culmina com a permissão expressa que os débitos confessados em DCOMP sejam cobrados no próprio despacho decisório2. 1 Termo de Registro de Mensagem na Caixa Postal - Comunicado, acostado à folha 973 dos autos eletrônicos. 2 "O art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 30 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 31 de dezembro de 2002, ao alterar o art. 74 da Lei n° 9.430, de 30 de dezembro de 1996, atribuiu à compensação efeito extintivo do valor compensado mediante a apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Nesse sentido, o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento de ofício, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária. E, nos termos do art. 74, § 6°, da Lei n° 9.430, de 1996, "a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados". Decorre de forma imediata que o débito confessado em DCOMP deverá ser objeto de cobrança quando não haja a homologação da compensação oposta à Administração Tributária. Ou seja, não há qualquer vício ou irregularidade a macular a exigência em tela." Fl. 1068DF CARF MF 8 1.2. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO A contribuinte sustenta que o acórdão recorrido não poderia ter presumido que haveria suposta falta de certeza e liquidez quanto aos créditos por ela calculados, e simplesmente desconsiderado os valores apurados, já que foi solicitada a perícia técnica (nos moldes exigidos pelo Decreto n. 7.574/2011) para que fossem apurados e confirmados os créditos utilizados, mas tal pedido não foi acatado pela instância de origem. Registra que sequer foi deferida a extensão do prazo para a entrega das informações exigidas pela fiscalização, o que configura a violação ao direito constitucional a ampla defesa e ao contraditório. Diante do prejuízo causado à contribuinte ao ter seu pedido de perícia indeferido, a ora recorrente requer a conversão do julgamento em diligência, para que se apure corretamente o seu crédito total de COFINS. É indiscutível que a compensação tributária exige créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, motivo pelo qual deve restar comprovada de forma induvidosa, por intermédio de documentação hábil e idônea, a existência dos créditos alegados pelo sujeito passivo. E, em se tratando de compensação oposta à Receita Federal do Brasil, o contribuinte figura como autor do pleito e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Diante da responsabilidade imposta ao contribuinte - seja pela referência ao inciso I do art. 333 do antigo CPC, quanto pelo art. 170 do CTN -, não pode a autoridade fiscal recusar-se a permitir a produção das provas necessárias para a demonstração de certeza e liquidez dos créditos reclamados. Consta no acórdão recorrido a assertiva que "o despacho decisório recorrido indica todos os elementos que serviram de motivação para sua conclusão" e que "nenhum motivo ou fato foi sonegado ao contribuinte que, para elaboração de sua defesa, dispunha da totalidade das informações necessárias e suficientes a contraditar o ato administrativo". No entanto, da simples leitura dos autos chega-se a conclusão diametralmente oposta àquela registrada pela instância de origem. A autoridade fiscal negou3 o pedido de dilação de prazo requerido pela contribuinte quando apresentou resposta ao Termo de Intimação n. 45 (fls. 268/269). Os documentos não apresentados naquela resposta e que motivaram o pedido denegado são os seguintes: * Nota Fiscal de serviço n. 4110 relacionado ao Anexo I (referente aos serviços utilizados como insumos) e também as NFs 1134479, 2282-1, 175002-2 e 658; * Notas Fiscais relacionadas ao Anexo III (referente a armazenagem) de n. 6751,4259, 28677, 24, 1099-A, 6910, 637-A e 2698; * Notas Fiscais relacionadas ao Anexo IV de n. 18367, 018380, 005289, 014964, 018151, 018175, 015250, 015114, 005386, 056279, 010924, 010746; * Planilha de memória de cálculo dos créditos de COFINS lançados na linha 07 da Ficha 16ª do DACON, com os números de conhecimento de transportes incluídos. 3 Negativa registrada pela autoridade fiscal à folha 269. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.066 9 A contribuinte se insurgiu, tempestivamente, contra o cerceamento ao seu direito a defesa, ao consignar em manifestação de inconformidade que: "17. Contudo, a D. Autoridade Fiscal não poderia ter presumido que haveria suposta falta de certeza e liquidez quanto aos créditos calculados pela Requerente e simplesmente desconsiderado os valores apurados (...). 18. Diante da enorme quantidade de operações realizadas e do exíguo prazo para apresentação de informações à D. Autoridade Fiscal, pode não ser possível reunir de plano todos os dados solicitados durante a ação fiscal. Isso não invalida as informações regularmente prestadas pela Recorrente em seus documentos fiscais, notadamente em sua Dacon, previamente aos inícios dos trabalhos fiscais. 19. A D. Autoridade Fiscal, deveria, no mínimo, ter concedido prazo adicional para a Requerente pudesse coletar as informações solicitadas e/ou buscado a regularidade dos créditos por outros meios, ao menos considerando os valores já informados pela Requerente em suas declarações fiscais. Não poderia simplesmente glosar os créditos com base em mera alegação de suposta divergência de informações. 20. Considerando que o despacho decisório não foi embasado em provas concretas de que os créditos da Requerente não seriam válidos e que a D. Autoridade deixou de promover as diligências que a ela competia para fundamentar corretamente as cobranças, deve-se reconhecer a nulidade do despacho decisório por descumprimento ao artigo 142 do CTN, 9º e 10 do Decreto n. 70.235/1972, 39 do Decreto n. 7.574/11 e 50, inciso II, da Lei n. 9.784/99, inclusive porque houve supressão do direito da Requerente à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela legislação fiscal e pela própria Constituição Federal" (fls. 761/762). A própria autoridade fiscal considera que os documentos não apresentados pela contribuinte são indispensáveis para a apuração do crédito reclamado, já que indeferiu o creditamento sob a justificativa: "b.1) Base de cálculo dos créditos relativos aos serviços utilizados como insumos, não comprovada pela planilha da memória dos cálculos dos créditos apresentadas pela empresa, conforme demonstrativo abaixo" (fl. 729) "d.2) Fretes de vendas para os quais a empresa não informou o número da nota fiscal de venda, embora tenha sido intimada a fazê-lo pelo TIF n. 43, não sendo possível verificar a procedência ou não do creditamento" (fl. 733)". Fl. 1070DF CARF MF 10 "15.2.1.- Foram constadas divergências entre os valores das vendas tributadas à alíquota zero constantes nas planilhas da memória dos cálculos e nos arquivos digitais de notas fiscais, conforme demonstrativo abaixo (...); 16 - As receitas de vendas tributadas à alíquota zero não comprovadas pelos arquivos de notas fiscais foram consideradas pela fiscalização como receitas de vendas de bens sujeitas à alíquota 7,6%, integrando a base de cálculo da contribuição" (fl. 738) "20.2.1. As receitas de vendas tributadas à alíquota zero não comprovadas pelos arquivos de notas fiscais foram considerados pela fiscalização como receitas de vendas de bens sujeitas à alíquota de 7,6%, integrando a base de cálculo da contribuição" (fl. 741) É certo que o pedido de perícia deve ser indeferido quando revela-se impraticável e/ou prescindível para a formação da convicção da autoridade julgadora4. Porém, na hipótese dos autos essa investigação se comprova necessária. Por exemplo, o aproveitamento do crédito dos insumos classificados na NCM sob o número 38249041 (desincrustantes, anticorrosivos ou antioxidantes) foi indeferido porque não seriam utilizados no processo produtivo. Porém, em nenhum momento da fiscalização a contribuinte foi solicitada a apresentar as informações sobre tais produtos e também não foram apresentados esclarecimentos sobre os fatos/lógica adotada pelo fiscal para chegar a tal conclusão. É de se concluir, portanto, que existe uma falha significativa no trabalho fiscal, o qual merece reparos. Também foram glosados os custos incorridos com os serviços de "enlonamento", amarração e manobras de cargas sem que a contribuinte tenha sido intimada a esclarecer a essencialidade dessas contratações. Outro aspecto que demonstra a essencialidade da produção de provas nesses autos é a fundamentação apresentada para justificar as glosas dos créditos referentes às operações de venda do Glifosato à empresa Helm do Brasil Mercantil Ltda. Para a autoridade fiscal, a ora recorrente não teria comprovado que a Helm utiliza tal produto como insumo para fabricação de defensivo agrícola e, por esse motivo, tais insumos não estariam sujeitos à alíquota zero. Ao contrário do que alega o fiscal, a contribuinte trouxe aos autos, em tempo hábil, documentos que comprovam que a adquirente do insumo é fabricante de defensivos agrícolas5. Percebe-se que houve a desqualificação das provas apresentadas pela contribuinte sem, contudo, a devida motivação para tanto. Convém destacar que a contribuinte não poderia adentrar ao estabelecimento da empresa Helm do Brasil e produzir a prova que a autoridade entendeu por indispensável. Esta seria tarefa exclusiva da administração, já que não compete ao particular fiscalizar a contabilidade de outrem, seja para que fim for. Considerando que a ora recorrente apresentou em sua impugnação o pedido de realização de prova pericial, contábil e fiscal, cumprindo fielmente os requisitos previstos 4 Disposição contida no art. 29 do Decreto n. 70.235/1972. 5 À fl. 313 dos autos está o espelho da consulta ao CNPJ da citada contribuinte, onde consta a sua classificação como Comércio Atacadista de Defensivos Agrícolas. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.067 11 no art. 16 do Decreto n. 70235/19726 (fl. 783), entendo que é não só possível, como indispensável, o acolhimento de sua demanda. Isso porque, caso mantida a denegação do pedido de produção de provas, estar-se-ia incorrendo em violação aos Princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório e também por ir em direção contrária ao princípio que rege o processo administrativo fiscal que é a busca pela verdade material. Por esse motivo, proponho ao Colegiado que este julgamento seja convertido em diligência para que a contribuinte tenha a oportunidade de apresentar os documentos abaixo descritos: 1. Apresente laudo técnico que demonstre a utilização dos produtos catalogados na NCM 29310037 (ácido n-fosfonometil iminodiacético - PIA), 38249041 (desincrustantes, anticorrosivos ou antioxidantes) em seu processo produtivo; 2. Comprovantes que o PIA adquirido da empresa Monsanto Nordeste Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda foi efetivamente tributado pela COFINS; 3. Laudo técnico onde se descreva os serviços de enlonamento, amarração e manobras de cargas para que seja possível constatar se são (ou não) essenciais ao processo produtivo da contribuinte; 4. Comprovantes que os serviços de frete foram efetivamente onerados pela incidência da COFINS; 5. Documento em que se esclareça os motivos que resultaram na divergência apurada pela fiscalização na apuração de créditos7. Nesta diligência também deverá ser determinado que a autoridade preparadora perscrute os arquivos contábeis e fiscais da contribuinte Helm do Brasil Mercantil Ltda., de modo que seja possível responder aos seguintes quesitos: 1. Se a Helm do Brasil Mercantil Ltda fornece (ou forneceu à época dos fatos fiscalizados neste processo) glifosato como insumo para a fabricação de defensivo agrícola; 2. Se a citada contribuinte tem (ou tinha) por atividade a produção de defensivos agrícolas, e; 3. Se a Helm utilizou o insumo para a produção de seus defensivos agrícolas no período objeto da discussão nos autos. Caso reste vencida na proposta de conversão do julgamento em diligência, passo a apreciar os demais argumentos de mérito apresentados na petição do recurso voluntário. 6 Art. 16. A impugnação mencionará: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito 7 Essa divergência, de acordo com o despacho decisório, decorreu do cotejo das informações lançadas na memória de cálculos apresentadas pela contribuinte e os créditos apropriados no DACON. Fl. 1072DF CARF MF 12 2. MÉRITO A recorrente tece esclarecimentos sobre a sistemática que rege a COFINS não cumulativa e quais são os custos que geram créditos. Também apresenta apontamentos sobre o conceito de insumo e a sua abrangência, apresentando a conclusão defendida pela maior parte da doutrina nacional que: "o conceito de insumo deve incluir aquilo que pode ser classificado contabilmente como (i) custo de produção, nos termos da legislação aplicável ao IRPJ e à CSLL, qual seja, artigos 13, §§ 1º e 2º, e 14 do Decreto-lei n. 1.598/1977, e artigos 289 e 290 do Decreto n. 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR 99) , alcançando também (ii) as despesas necessárias, nos termos do artigo 47, caput e §§ 1º e 2º, da Lei n. 4.506/1964, e do artigo 299 do RIR/99, e indispensáveis para a consecução da atividade-fim da sociedade (ou seja, no contexto de seu estatuto social)". Apresenta precedente exarado pelo STJ e também julgados deste Conselho no mesmo sentido. 2.1. SOBRE OS CRÉDITOS APURADOS PELA RECORRENTE E A IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA PELAS AUTORIDADES FISCAIS 8 . 2.1.1. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUPOSTAMENTE TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. As fundamentações para a glosa sobre o valor da matéria prima do Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético (NCM 29310037) apresentadas no Despacho Decisório são: "Em resposta ao TIF n. 309, a empresa descreveu a utilização em suas atividades do produto de NCM 29310037 e informou que o mesmo é utilizado como matéria- prima para a fabricação dos defensivos agrícolas. (...) Cabe ressaltar que a mesma hipótese de incidência ocorreu quando a empresa vendeu o produto de código NCM 29310032 (N-(fosfonometil)Glicina), tributado à alíquota zero, quando destinada à utilização como matéria-prima para a produção de defensivos agrícolas, com base na Lei n. 10.925/04, art. 1º, inciso II e no Decreto 5.630/2005, artigo 1º, inciso II, conforme resposta ao TIF n. 26, de fls. 265 e 266" (fls. 728/729). Sobre a afirmativa contida no despacho decisório, de que a contribuinte vendeu o produto de código NCM 29310032 sempre sob a tributação à alíquota zero, é importante registrar que na resposta apresentada pela ora recorrente ao Termo de Intimação Fiscal n. 26 (fls. 170/171) não está consignado o que assevera o fiscal. É certo que tal informação pode estar contida nos outros documentos que foram acostados aos autos na mídia tombada sob o número 8f58eaae-fd77ced9-5a2e49db-b7de2e4a, porém não é possível acessar o conteúdo destes neste momento processual. 8 Cópias das descrições dos processos produtivos às fls. 122 a 135 e 158 a 166. 9 As cópias do TIF n. 30, da Declaração de Uso e Finalidade e da Descrição dos Processos Produtivos foram juntadas às fls. 173 a 177. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.068 13 Por não existir outro meio de apreciar a contenda sob julgamento, nos resta, apenas, cotejar os fatos apresentados pela ora recorrente e a dicção da norma pertinente. Sobre a glosa dos créditos calculados sobre os insumos de código NCM 29310037 (Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético - PIA), a recorrente tece as seguintes observações: "Com relação ao PIA, conforme demonstrado na resposta ao Termo de Verificação n. 30, este insumo é fundamental para o regular desenvolvimento de suas atividades. É utilizado para produzir 'Glisofato Técnico', o qual é posteriormente vendido ou utilizado pela própria Requerente na produção de defensivo agrícola. (...) A Recorrente deixou claro que o PIA possui finalidades distintas, sendo que a parcela vendida como produto intermediário é regularmente tributada pelo PIS e pela COFINS, o que demonstra o direito aos créditos. Frise-se que a Recorrente somente se credita da parcela regularmente tributada por essas contribuições". "o PIA não é adquirido para ser utilizado no processo produtivo de defensivos agrícolas, mas somente para a fabricação de um produto intermediário que será vendido pela Recorrente ('Glisofato Técnico'). Por isso, não se aplica a alíquota zero sobre a receita de venda do insumo (Pia) à Recorrente, que assim tem o direito ao aproveitamento do crédito decorrente dessa aquisição". A contribuinte esclarece que: "(i) parte do PIA é adquirido pela Recorrente para a formulação do 'Glisofato Técnico', o qual, subsequentemente, é utilizado pela própria Recorrente para a fabricação de defensivo agrícola. Pelo fato de o PIA ser adquirido pela Recorrente para a formulação de defensivo agrícola final, sobre a receita decorrente de sua aquisição incidiu alíquota zero de PIS e da COFINS, nos termos do art. 1º, inciso II, do Decreto n. 5.630/2005. Por isso, a Recorrente não aproveitou crédito sobre esses insumos adquiridos; e (ii) parte do PIA é adquirido pela Recorrente para a fabricação do 'Glisofato Técnico', que será vendido pela Recorrente. Nesse caso, não há fabricação de defensivo agrícola (classificado na posição 38.08 da TIPI), mas sim de mero produto intermediário. Por isso, sobre a receita decorrente de aquisição do PIA há a regular tributação pelas alíquotas de 1,65% e 7,6% respectivamente para o PIS e para a COFINS, e a Requerente tem direito ao aproveitamento dos créditos decorrentes dessas aquisições" (grifos no original). Segue trecho da norma pertinente para a solução da contenda: DECRETO N. 5.630/2005 Art. 1º. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Fl. 1074DF CARF MF 14 Seguridade Social (COFINS) incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: I - adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e suas matérias- primas; II - defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da NCM e suas matérias-primas. (...) § 2º A redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no caso das matérias-primas de que tratam os incisos I e II do caput, aplica-se somente nos casos em que a pessoa jurídica adquirente seja fabricante dos produtos neles relacionados. Da leitura do trecho acima reproduzido, mais especificamente diante do texto do § 2º, percebe-se que a contribuinte não faz jus a redução das contribuições para alíquota zero quando não fabrica os defensivos agrícolas. E esta interpretação foi chancelada pela Secretaria da Receita Federal em alguns Processo de Consulta, os quais reproduzo no que importa: Processo de Consulta n. 315/2006, respondida pela SRRF da 9ª Região: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: MATÉRIAS- PRIMAS DE FERTILIZANTES. PESSOA JURÍDICA NÃO FABRICANTE. ALÍQUOTA NORMAL. Não estão sujeitas a alíquota zero a importação e a receita de vendas de matérias-primas para adubo ou fertilizantes do Capítulo 31 da NCM, quando a pessoa jurídica adquirente não é fabricante desses produtos. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n. 10.925/2004, art. 1º, I e parágrafo único; Decreto n. 5.630/2005. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins MATÉRIAS-PRIMAS DE FERTILIZANTES. PESSOA JURÍDICA NÃO FABRICANTE. ALÍQUOTA NORMAL. Não estão sujeitas a alíquota zero a importação e a receita de vendas de matérias-primas para adubo ou fertilizantes do Capítulo 31 da NCM, quando a pessoa jurídica adquirente não é fabricante desses produtos". Processo de Consulta n. 59/09, respondido pela SRRF da 6ª Região: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins. Ementa: ALÍQUOTA. REDUÇÃO A ZERO. A alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas decorrentes das vendas, no mercado interno, de produtos classificados no código 2507.00.90 da TIPI reduz-se a zero quando, entre outras exigências da legislação de regência, são atendidos, cumulativamente, os seguintes requisitos: a) o Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.069 15 adquirente emprega o produto como matéria-prima na fabricação de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31 da TIPI, ou de defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI (mas não de produtos classificados no Capítulo 31 da TIPI destinados ao uso veterinário); e b) os produtos fabricados com a matéria-prima em questão são vendidos no mercado interno. DISPOSITIVOS LEGAIS: CTN, art. 111; Lei nº 10.925/2004, art. 1º, I e II; e Decreto nº 5.630/2005, art. 1º, caput, I e II, e §§ 1º e 2º.". Adoto como razões de decidir o conteúdo das Soluções de Consulta acima reproduzidos, por estar em fina harmonia com a interpretação a ser conferido ao § 2º do Decreto n. 5.630/2005, de modo a considerar que geram direito aos créditos reclamados pela ora recorrente as vendas do insumo classificado sob o código NCM 29310037 (Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético - PIA), já que sobre tais operações incidiram as contribuições do PIS e da COFINS. 2.1.2. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM E LOGÍSTICA. A recorrente se insurge contra a manutenção das glosas sobre os créditos advindos das despesas com "enlonamento", amarração e manobras de cargas, porque afirma serem serviços que "compõem o serviço de armazenagem, carga, descarga e transporte que movimentam mercadorias de diversas naturezas e fazem parte do processo produtivo". Esclarece, ainda, que: "De fato, vedar o crédito sobre os fretes e armazenagem em questão criaria uma discriminação injustificada entre contribuintes, já que para aqueles onde a mercadoria é vendida é expedida a partir de suas dependências haveria crédito. Todavia, para aqueles em que se faz uma primeira remessa para o armazém, por não possuírem espaço físico adequado para a estocagem dos seus produtos (com um custo de frete correlato), para posterior expedição a partir do depositário (com um novo custo de frete), não seria admitida a apropriação do crédito". A fundamentação apresentada pela autoridade fiscal para glosar os créditos calculados sobre os serviços de "enlonamento" e amarração e manobra de cargas foi que não integram o consumo de insumo definido na alínea b do inciso I do § 4º do art. 8º da IN SRF n. 404/2004, o que estaria em desacordo com o inciso II do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. Há, ainda, o esclarecimento que "os serviços de 'enlonamento' e amarração e manobra de cargas não se aplicam ou se consomem na produção do Glifosato Técnico e do milho, portanto, não geram direito ao crédito" (fl. 730). A propósito, é importante consignar que a autoridade fiscal reconhece que a contribuinte recolheu aos cofres públicos o montante referente a COFINS sobre os serviços de manobra de cargas, "enlonamento" e amarração, conforme consta na planilha Anexo II do Despacho Decisório (fl. 648). Diante dos esclarecimentos apresentados pela contribuinte entendo que as glosas desses créditos devem ser canceladas, já que os serviços de manobra de cargas, "enlonamento" e amarração são necessários ao processo produtivo da ora recorrente. Fl. 1076DF CARF MF 16 2.1.3. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESA COM MÃO DE OBRA. Consta no Despacho Decisório que "os créditos calculados sobre a nota fiscal emitida pela Empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda, cujo código nacional de atividade econômica é o 7820-5-00 - Locação de Mão-de-Obra Temporária - por falta de previsão legal" (fl. 730). A recorrente esclarece que as glosas feitas sobre as despesas incorridas com os serviços prestados pelas empresas Mendes Cintra & Cintra Ltda e Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda são equivocadas, já que restringem o direito ao crédito indevidamente. Informa que: "os serviços prestados pelas empresas (...) são necessários ao processo de fabricação dos produtos e despesas correlatas ensejam a apuração do crédito compensável. De acordo com o Contrato de Prestação de Serviços e com as notas fiscais apresentadas na Manifestação de Inconformidade de fls (doc. n. 5 da manifestação de inconformidade), firmados entre a Recorrente e as aludidas empresas, os serviços contratados são utilizados para logística de armazenagem, expedição de produtos, controle de estoques e transporte de insumos dentro da unidade fabril da Recorrente, bem como para o transporte dos produtos finais destinados à expedição (venda)". Filio-me à corrente que reconhece que "a locação de mão-de-obra aplicada na produção o fabricação de bens destinados à venda geram direito a crédito da COFINS"10. Por esse motivo, e considerando que todos os serviços contratados referem-se estritamente às atividades realizadas pela contribuinte na fabricação de seus produtos (não foram locados serviços para serem realizados após a fase industrial), e sobre todos os serviços foram recolhidos os valores referente a COFINS11, entendo que as glosas devem ser canceladas. 2.1.4. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE INSUMOS CONSUMIDOS NO PROCESSO PRODUTIVO. A contribuinte questiona a validade do acórdão recorrido ao manter as glosas sobre as despesas incorridas com a aquisição de materiais para consumo, de código NCM 3824904, por suposta falta de previsão legal12. Afirma que o Parecer Normativo n. 181/1974, utilizado pelo colegiado de origem para fundamentar a manutenção das glosas, "trata especificamente dos créditos de IPI e não dos créditos de PIS e COFINS, o que deixa evidente que tal disposição não se aplica ao presente caso". Assevera que as glosas se referem aos produtos desincrustantes, anticorrosivos e antioxidante que são consumidos ao longo de seu processo produtivo. Indica julgado deste Conselho que reconhece a possibilidade de se creditar dos custos incorridos na aquisição destes insumos13 ao qual filio-me. 10 Acórdão n. 3302-002.855, proferido no julgamento do Processo Administrativo n. 13053.000269/200-35, pela antiga composição desta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de julgamentos, em 25/02/2015. 11 Fls. 298 a 302 dos autos eletrônicos, onde estão acostadas as notas fiscais dos serviços. 12 A fundamentação apresentada no Despacho Decisório sobre esta glosa é, somente, que não existe previsão legal para atender a pretensão da contribuinte (fl. 730) 13 Acórdão n. 3403-002.052, Cons. Antônio Carlos Atulim, julgado em 24.4.2013. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.070 17 2.1.5. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. A recorrente defende seu direito a apropriação dos créditos referentes às despesas de aluguel das máquinas purificadoras de água e bebidas quentes pois são utilizadas nas atividades da empresa, e que tal direito está previsto tanto no inciso IV quanto no II, ambos do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. A autoridade fiscal glosou os créditos calculados sobre a locação de purificadores de água e de máquinas de bebidas quentes porque está em desacordo com o inciso IV do art. 3º da Lei n. 10.833/2003, já que não são indispensáveis para a produção de bens e serviços da empresa. E a mesma fundamentação foi apontada para justificar as glosas sobre os custos incorridos com locação de máquinas e equipamentos (fl. 732). Com efeito, não merece reparos as glosas sobre os custos incorridos com a locação de máquinas de bebidas quentes e purificadores de água, já que não instrumentos indispensáveis para a consecução das atividades próprias da recorrente. No entanto, foram indeferidos os créditos gerados pelos custos com a locação de guindastes e os respectivos serviços utilizados para o manejo dessas máquinas (vide Anexo IV, acostado à folha 653 dos autos eletrônicos). A fiscalização não apresenta argumento para justificar a glosa realizada sobre esses custos e também não intimou a contribuinte para esclarecer em qual momento esse maquinário pesado é utilizado em seu processo produtivo. Por esse motivo, voto pelo cancelamento dessas glosas. 2.1.6. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE AS DESPESAS COM FRETES. A) FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Esclarece que o frete é essencial para o seu processo produtivo e que apesar das matérias-primas estarem sujeitas à tributação pela alíquota zero, as despesas com frete são regularmente oneradas pela COFINS, o que deveria cancelar a glosa imposta, já que o inciso II do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 permite o creditamento equivalente aos serviços utilizados como insumos na produção dos bens. Transcreve a ementa do Processo de Consulta n. 31/2008, onde se reconhece que: "Os créditos calculados em relação à armazenagem dos defensivos agrícolas classificados na posição 38.08 da TIPI, cuja venda é efetuada com alíquota zero da Cofins, e em relação ao frete contratado para a entrega desses defensivos agrícolas diretamente aos clientes adquirentes, poderão ser descontados da Contribuição para o PIS/Pasep apurada segundo a sistemática não-cumulativa, desde que a aquisição desses serviços esteja sujeita ao pagamento dessa contribuição, observados os demais requisitos legais relativos ao desconto de crédito". Com efeito, a jurisprudência está em consonância com a pretensão da contribuinte. A saber: Fl. 1078DF CARF MF 18 "CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF - Terceira Seção QUARTA CÂMARA - SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR MATÉRIA: PIS ACÓRDÃO: 3402-003.520 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS RELATIVOS AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de mercadorias tributadas pelo PIS com alíquota zero.". "TERCEIRA SECAO DE JULGAMENTO / 3A CAMARA / 2A TURMA ORDINARIA ACÓRDÃO: 3302-001.916 DATA DA SESSÃO: 04/03/2013 DATA DA PUBLICAÇÃO: 04/03/2013 RELATOR: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS EMENTA: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apurar créditos relativos à Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratando-se de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. CRÉDITO. DAÇÃO EM PAGAMENTO. Ainda que pagas por meio de dação em pagamento, as aquisições tributadas pelas contribuição que se enquadrem no conceito de insumo utilizado na produção geram direito a crédito.CRÉDITO. FRETE NA EXPORTAÇÃO. Os serviços contratados de agenciamento, logística e intermediação de exportação ou frete não são passíveis de creditamento, o que não abrange o frete contratado de empresa brasileira que tenha subcontratado empresa estrangeira. Recurso Voluntário Provido em Parte" E, dentre as várias notas fiscais acostadas tempestivamente pela contribuinte, destacam-se aquelas em que está registrado que sobre o custo do frete contratado, incidiram as contribuições sociais. Ilustrativamente destaco os seguintes documentos: Nota Fiscal n. 09699 - Emitida pela Empresa Transpiratininga Logística e Locação de Veículos e Equipamentos Ltda em 19/08/2008 (fl. 836): - Prestação de Serviços: * SERV. PRESTA. C/ FORNECIMENTO DE MÃO DE OBRA OPERACIONAL - Retenção de PIS/COFINS. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.071 19 Nota Fiscal n. 097000 - Emitida pela Empresa Transpiratininga Logística e Locação de Veículos e Equipamentos Ltda em 19/08/2008 (fl. 837): - Prestação de Serviços: * SERV. PRESTA. C/ FORNECIMENTO DE MÃO DE OBRA OPERACIONAL DRY PROCESSO I E II - Retenção de PIS/COFINS. Nota Fiscal n. 097001 - Emitida pela Empresa Transpiratininga Logística e Locação de Veículos e Equipamentos Ltda em 19/08/2008 (fl. 838): - Prestação de Serviços: * SERV. PRESTA. C/ FORNECIMENTO DE MÃO DE OBRA SETOR EXTRUTURADO - Retenção de PIS/COFINS. Assim, entendo que devem ser canceladas as glosas efetuadas sobre os custos incorridos com fretes de insumos tributados à alíquota zero. B) FRETE NA VENDA DE MERCADORIAS SEM INDICAÇÃO DO NÚMERO DA NOTA FISCAL. A recorrente afirma que a manutenção das glosas sobre os fretes de venda de mercadorias, porque não foram identificadas as notas fiscais relacionadas é indevida, já que não existe previsão legal que exija tal requisito. Conclui que esse serviço é tributado pela COFINS e, por esse motivo, ainda que não seja informado o número da nota fiscal, é de rigor o reconhecimento do direito ao crédito correspondente. Por sua vez, consta no Despacho Decisório que o direito ao creditamento foi indeferido por que "a empresa não informou o número da nota fiscal de venda, embora tenha sido intimada a fazê-lo pelo TIF n. 43, não sendo possível verificar a procedência ou não do creditamento" (fl. 733) Vale registrar que a autoridade fiscal negou14 o pedido de dilação de prazo requerido pela contribuinte quando apresentou resposta ao Termo de Intimação n. 45 (fls. 268/269). Deste modo, outra saída não há a não ser de converter o julgamento em diligência para que a contribuinte apresente as notas fiscais exigidas pela fiscalização. C) FRETE COM OPERAÇÃO DE VENDA DE SUCATA INDUSTRIAL E DE VEÍCULOS, DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS, DOAÇÃO, REMESSA, IMPORTAÇÕES, RECEBIMENTO DE AMOSTRAS E MATERIAL, RETORNO DE MERCADORIAS E MATERIAL, TRANSFERÊNCIAS DE MERCADORIAS E OUTROS FRETES. Sobre esse tópico, a recorrente se limita a afirmar que os serviços são tributados pelas contribuições e, diante do texto do inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.833/2003, devem gerar o crédito reclamado. Esclarece que: 14 Negativa registrada pela autoridade fiscal à folha 269. Fl. 1080DF CARF MF 20 (i) que os serviços prestados pela Empresa Brucai Transporte e Armazenagens Gerais Ltda é o transporte e armazenagem de glifosato, que é insumo utilizado em seu processo produtivo; (ii) foram indevidamente glosados os pedidos de aproveitamento dos créditos dos custos incorridos com os serviços de frete de transferência dos produtos entre os estabelecimentos da própria contribuinte. Os documentos acostados aos autos pela contribuinte confirmam que a glosa foi indevida, já que os créditos são oriundos dos serviços de armazenagem e frete dos insumos utilizados por ela em seu processo industrial. Reproduzo abaixo as informações contidas em algumas Notas Fiscais que remetem a esta conclusão: Conhecimento de Cargas n. 33917- Emitido pela Empresa Brucai Logísticas em 23/07/2008 (fl. 860): Remetente: Sygenta Proteção de Cultivos Ltda Destinatário: Monsanto do Brasil Ltda Natureza da Carga: PRIMATOP SC 20 L Responsabilidade do frete: A pagar. Conhecimento de Cargas n. 33972- Emitido pela Empresa Brucai Logísticas em 28/07/2008 (fl. 862): Remetente: Sygenta Proteção de Cultivos Ltda Destinatário: Monsanto do Brasil Ltda Natureza da Carga: GESAPRIM 500 SC 20 L Responsabilidade do frete: A pagar. Conhecimento de Cargas n. 33518 - Emitido pela Empresa Brucai Logística em 10/06/2008 (fl. 870): Remetente: Monsanto do Brasil Ltda Destinatário: Dow Agrossciences Industrial Ltda Natureza da Carga: Glifosato Responsabilidade do frete: Monsanto do Brasil Ltda. Conhecimento de Cargas n. 33838 - Emitido pela Empresa Brucai Logística em 22/07/2008 (fl. 874): Remetente: Monsanto do Brasil Ltda Destinatário: Dow Agrossciences Industrial Ltda Natureza da Carga: Glifosato Responsabilidade do frete: Monsanto do Brasil Ltda. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.072 21 Conhecimento de Cargas n. 33899 - Emitido pela Empresa Brucai Logística em 22/07/2008 (fl. 875): Remetente: Monsanto do Brasil Ltda Destinatário: Dow Agrossciences Industrial Ltda Natureza da Carga: Glifosato Responsabilidade do frete: Monsanto do Brasil Ltda. Obs.: Essas mesmas informações constam dos Conhecimento de Carga n. 33814 (emitido em 23/07/2008 - fl.876), Conhecimento de Carga n. 33915 (emitido em 23/07/2008 - fl.877), Conhecimento de Carga n. 33924 (emitido em 24/07/2008 - fl.878), Conhecimento de Carga n. 33925 (emitido em 24/07/2008 - fl.879), Conhecimento de Carga n. 33926 (emitido em 24/07/2008 - fl.880). Ademais, a própria autoridade fiscal consigna no Anexo VIII do Despacho Decisório (fl. 658) que nos custos incorridos com o transporte das sucatas industriais vendidas pela recorrente (serviço prestado pela Brucai Transportes e Armazenagens) foram recolhidos os montantes referentes ao COFINS. Tendo sido reconhecido pela autoridade fiscal que a contribuinte efetivamente recolheu a COFINS incidente sobre os serviços de frete de transferência dos produtos15, aplica-se ao caso em concreto a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que reconhece ser devida a concessão do crédito reclamado nas hipóteses análoga à dos autos. A saber: "CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF - Camara Superior de Recursos Fiscais CSRF SUPERIOR - TERCEIRA TURMA RECURSO: RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR MATÉRIA: PIS ACÓRDÃO: 9303-005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. 15 Anexo VII do Despacho Decisório (fl. 657) Fl. 1082DF CARF MF 22 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS-PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias-primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria-prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins". Assim, voto por cancelar as glosas realizadas sobre os créditos decorridos dos custos de frete com operação de venda de sucata industrial e de veículos, devolução de mercadorias, doação, remessa, importações, recebimento de amostras e material, retorno de mercadorias e material, transferências de mercadorias e outros fretes. D) FRETE NA AQUISIÇÃO DE BENS PARA O ATIVO IMOBILIZADO E DE MATERIAIS PARA O USO E CONSUMO. A recorrente aponta ao documento n. 8 acostado à manifestação de inconformidade para esclarecer que a glosa sobre as despesas descritas neste tópico é indevida, já que se trata dos serviços prestados pelas empresas Bravo Serviços Logísticos Ltda, Flexsil Sistema Sul Brasileiro de Transportes, Armazenagens e Distribuição Ltda e Login Logística Intermodal S.A. e estão todos relacionados ao transporte de insumos e materiais utilizados pela contribuinte em seu processo produtivo. De acordo com a Recorrente, não se trata de frete de bens do ativo imobilizado e que as notas fiscais acostadas aos autos comprovam a sua afirmação. São os documentos comprobatórios existentes nos autos: * Conhecimento de Cargas n. 006261 - Emitido pela Empresa Flexsil Sistema Sul Brasileiro de Transportes, Armazenagens e Distribuição em 26/09/2008 (fl. 870): Remetente: Monsanto do Brasil Ltda Destinatário: Herbioeste Herbicidas Ltda Natureza da Carga: Defensivos Agrícolas Responsabilidade do frete: Monsanto do Brasil Ltda. PIS e COFINS recolhidos. * Conhecimento de Cargas n. 007738 - Emitido pela Empresa Flexsil Sistema Sul Brasileiro de Transportes, Armazenagens e Distribuição em 25/07/2008: Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.073 23 Remetente: Monsanto do Brasil Ltda Destinatário: Nova Serrana Ltda Natureza da Carga: Agroquímica Responsabilidade do frete: Monsanto do Brasil Ltda. PIS e COFINS recolhidos. *Conhecimento de Cargas n. 007741 - Emitido pela Empresa Flexsil Sistema Sul Brasileiro de Transportes, Armazenagens e Distribuição em 25/07/2008 (fl. 872): Remetente: Monsanto do Brasil Ltda Destinatário: Florestas do Sul Agroflorestal Ltda Natureza da Carga: Agroquímica Responsabilidade do frete: Monsanto do Brasil Ltda. PIS e COFINS recolhidos. *Conhecimento de Cargas n. 00181 - Emitido pela Empresa Login Logistica Intermodal S.A.em 26/06/2008 (fl. 871): Remetente: Monsanto do Nordeste S.A. Destinatário: Monsanto do Brasil Ltda. Natureza da Carga: Ácido N- Fosfonometil Iminodiagético Responsabilidade do frete: Monsanto do Brasil Ltda. E as informações inseridas no Anexo X do Despacho Decisório (fl. 660) confirmam que sobre todos os fretes - ainda que se refiram ao transporte de materiais de uso e consumo - foram devidamente tributados pela COFINS. Deste modo, dou provimento ao recurso da contribuinte para cancelar as glosas realizadas. E) FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SEM IDENTIFICAÇÃO A Recorrente defende que, apesar de não terem sido identificados os NCMs das mercadorias transportadas, todos os serviços foram tributados pelo PIS e Cofins e, dessa forma, devem gerar os créditos esperados. E alega, ainda, que por mais que não tenham sido apresentados os códigos nas notas fiscais, as informações sugerem se tratar de transporte de glifosato, insumo comum da atividade da contribuinte. Como já demonstrado no item A acima, os documentos acostados aos autos confirmam que os serviços de transporte foram efetivamente tributados e se referem a frete de insumos próprios da contribuinte, o que enseja o cancelamento das glosas sobre os fretes na aquisição de insumos sem identificação. Fl. 1084DF CARF MF 24 F) FRETE SEM INDICAÇÃO DA OPERAÇÃO RELACIONADA A contribuinte reitera o que acima defendeu e acrescenta que o texto do inciso II do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 remete a conclusão que independente a qual operação a despesa com frete esteja vinculada, as despesas com frete geram direito ao crédito. A análise superficial dos Anexos V, VI do Despacho Decisório (fls. 654, 655) confirma que o auditor fiscal reconhece que sobre os serviços de frete para os quais não foram identificadas as operações, foram recolhidas as contribuições sociais. Por este motivo, reconheço e defiro o direito creditório reclamado pela contribuinte. 2.1.7. SOBRE AS DIVERGÊNCIAS ENCONTRADAS PELA AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS NA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. Sobre esse tópico, assim se pronunciou a autoridade fiscal: "f) Créditos cujas informações na planilha da memória dos cálculos são conflitantes ou o tipo de despesa não foi identificado: Na planilha da memória dos cálculos há créditos vinculados a documentos emitidos por transportadora, porém, na coluna do tipo de despesa a informação é de aquisição de serviço de comunicação, incompatível com a vinculação a documento emitido por transportadora. Existem ainda créditos calculados sobre documentos fiscais sem identificação do tipo de despesa, impedindo a verificação da procedência ou não do creditamento" (fl. 735). Por sua vez, a contribuinte alega que: "109. Contudo, diante das divergências apuradas, a D. Autoridade Fiscal deveria ao menos ter buscado apurar os créditos da Recorrente por outras formas, por exemplo, analisando-se os documentos contábeis e fiscais da Recorrente ou ao menos concedendo-se prazo para que apresentasse informações adicionais. Reitere-se que o volume das operações praticadas pela Recorrente é muito grande e, por isso, nem sempre é possível apresentar todas as informações solicitadas pela fiscalização no exíguo prazo concedido. A Recorrente sequer pôde identificar as razões dessas divergências. 110. Por essa razão, a Recorrente pleiteia que o julgamento seja convertido em diligência para que seja realizada prova pericial para que sejam esclarecidas as razões de divergência na apuração de seus documentos e sejam sanados os equívocos cometidos, apurando-se assim, o exato valor dos créditos a que tem direito". Considerando que a contribuinte não foi intimada para justificar as divergências apontadas no despacho decisório, e que provavelmente trata-se de erro material, sugiro a conversão do julgamento em diligência para que se permita a contribuinte a apresentar os esclarecimentos que entender pertinente. 2.1.8. SOBRE AS OPERAÇÕES DE VENDA DO GLIFOSATO SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.074 25 As operações de venda de glifosato técnico à empresa Helm do Brasil Mercantil Ltda foram glosadas porque a fiscalização considerou que este produto não foi utilizado para produção de herbicidas, já que a empresa Helm não preencheu as fichas de DIPJ relativas ao IPI com informações nesse sentido. A contribuinte defende que não pode ter o seu direito a creditamento condicionado aos eventos futuros e incertos como o eventual recolhimento ou não de IPI pela empresa adquirente, "principalmente pelo fato de que os produtos classificados na posição 38.08 são vendidos com alíquota zero para o IPI, conforme atesta a própria TIPI". Como já informado no item 1.2, a recorrente trouxe aos autos16 o registro exarado pelo Ministério da Agricultura que concedeu à recorrente o direito de comercializar o glifosato para o mercado de produção de herbicidas. Ou seja, este documento equivale ao reconhecimento do Poder Público que o glifosato é utilizado como insumo na fabricação de defensivos agrícolas. Também é parte dos autos a ficha cadastral simplificada da empresa Helm (emitida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo), onde consta que a contribuinte se dedica ao comércio de defensivos agrícolas por ela produzidos (fl. 882). É importante registrar que neste documento consta as atividades desenvolvidas pela Empresa Helm: "OBJETO SOCIAL FABRICAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS FABRICAÇÃO DE OUTROS PRODUTOS QUÍMICOS NÃO ESPECIFICADOS ANTERIORMENTE COMÉRCIO ATACADISTA DE MEDICAMENTOS E DROGAS DE USO HUMANO COMÉRCIO ATACADISTA DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS, ADUBOS, FERTILIZANTES E CORRETIVOS DE SOLO COMÉRCIO ATACADISTA DE OUTROS PRODUTOS QUÍMICOS E PETROQUÍMICOS NÃO ESPECIFICADOS ANTERIORMENTE"17. Por outro lado, a autoridade fiscal justifica o indeferimento do pedido de creditamento pelo fato que a ora recorrente não teria comprovado que a Helm utiliza tal produto como insumo para fabricação de defensivo agrícola e, por esse motivo, tais insumos não estariam sujeitos à alíquota zero. Ao contrário do que alega o fiscal, a contribuinte trouxe aos autos, em tempo hábil, documentos que comprovam que a adquirente do insumo é fabricante de defensivos agrícolas18. Percebe-se que houve a desqualificação das provas apresentadas pela contribuinte sem, contudo, a devida motivação para tanto. Convém destacar que a contribuinte não poderia adentrar ao estabelecimento da empresa Helm do Brasil e produzir a prova que a autoridade entendeu por indispensável. Esta seria tarefa exclusiva da administração, já que não compete ao particular fiscalizar a contabilidade de outrem, seja para que fim for. Considerando que a ora recorrente apresentou em sua impugnação o pedido de realização de prova pericial, contábil e fiscal, cumprindo fielmente os requisitos previstos 16 Doc. 10 da manifestação de inconformidade. 17 Documento emitido em 27/11/2013. 18 À fl. 313 dos autos está o espelho da consulta ao CNPJ da citada contribuinte, onde consta a sua classificação como Comércio Atacadista de Defensivos Agrícolas. Fl. 1086DF CARF MF 26 no art. 16 do Decreto n. 70235/197219 (fl. 783), entendo que é não só possível, como indispensável, o acolhimento de sua demanda. Isso porque, caso mantida a denegação do pedido de produção de provas, estar-se-ia incorrendo em violação aos Princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório e também por ir em direção contrária ao princípio que rege o processo administrativo fiscal que é a busca pela verdade material. 2.1.9. SOBRE A NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A contribuinte, amparada pelo inciso IV do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972 e no art. 36 do Decreto n. 7.574/2011, reitera seu pedido de produção de prova pericial contábil/fiscal e industrial de seu estabelecimento, para se comprovar a origem e suficiência do crédito de COFINS apurado no 3º trimestre de 2008. Para tanto, apresenta os quesitos que demandam respostas20, dentre os quais destaco: "(i) se a receita correspondente ao PIA adquirido da empresa Monsanto Nordeste Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda foi regularmente tributada pela COFINS e, assim, enseja a apuração de crédito pela Recorrente; (ii) se as despesas com serviços de transporte, logística de armazenagem de produtos e com movimentação e transporte, mão de obra e insumos consumidos no processo produtivo são necessárias ao processo de fabricação dos produtos da Recorrente, em razão da interdependência dos setores da planta produtiva da Requerente, e qual o valor do crédito relativo a esta despesa; (iii) se as despesas com armazenagem e frete em operações de aquisição de insumos e venda são necessárias ao processo de fabricação e comercialização dos produtos da Recorrente; se os valores relativos aos fretes foram tributados pelo PIS/COFINS, independentemente da forma de tributação das mercadorias transportadas e da eventual não indicação dos números das notas fiscais de venda ou das mercadorias transportadas; e qual o valor do crédito relativo a essas despesas; (i) se a Helm tem ou tinha como atividade a produção de defensivos agrícolas; (ii) se a empresa Helm do Brasil Mercantil Ltda utilizou o Glifosato Técnico produzido pela Recorrente como insumo para a produção de seus defensivos agrícolas no período objeto da discussão nestes autos". 19 Art. 16. A impugnação mencionará: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito 20 O que o faz preenchendo os requisitos legais, ao passo que indica, também na forma prevista na legislação de regência, a perita a realizar as apurações listadas. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.075 27 Reitero meu posicionamento já apresentado no item 1.2, sobre a nulidade do despacho decisório, já que entendo que é indispensável a realização de perícia no caso sob exame, para que se evite o prejuízo a ampla defesa da contribuinte. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da contribuinte em apurar os créditos decorrentes: 1. Das perações de venda do insumo classificado sob o código NCM 29310037 (Ácido N- Fosfonometil Iminodiacético - PIA); 2. Dos custos incorridos com as despesas com locação de mão-de-obra; 3. Dos custos incorridos com os serviços de frete na aquisição de insumos tributados à alíquota zero; 4. Dos custos incorridos com os serviços de frete nas operações de venda de sucata industrial e de veículos, devolução de mercadorias, doação, remessa, importações, recebimento de amostras e material, retorno de mercadorias e material, transferências de mercadorias e outros fretes; 5. Dos custos incorridos com frete na aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais de uso e consumo; 6. Dos custos incorridos com o frete na aquisição de insumos sem identificação. Reitero a minha sugestão em converter o julgamento em diligência, para que a contribuinte, em 30 dias apresente: 1. Laudo técnico onde se descreva os serviços de "enlonamento", amarração e manobras de cargas para que seja possível constatar se são (ou não) essenciais ao processo produtivo da contribuinte; 2. Laudo técnico que demonstre a utilização dos produtos catalogados na NCM 38249041 (desincrustantes, anticorrosivos ou antioxidantes) em seu processo produtivo; 3. Laudo técnico que indique a utilização de guindastes em seu processo produtivo; 4. As notas fiscais de frete requeridas pela autoridade no Termo de Intimação Fiscal n. 43; 5. Os motivos que esclareçam onde reside a divergência apurada pela fiscalização na apuração de créditos21. Nesta diligência também deverá ser determinado que a autoridade preparadora perscrute os arquivos contábeis e fiscais da contribuinte Helm do Brasil Mercantil Ltda., de modo que seja possível responder aos seguintes quesitos: 21 Essa divergência, de acordo com o despacho decisório, decorreu do cotejo das informações lançadas na memória de cálculos apresentadas pela contribuinte e os créditos apropriados no DACON. Fl. 1088DF CARF MF 28 1. Se a Helm do Brasil Mercantil Ltda fornece (ou forneceu à época dos fatos fiscalizados neste processo) glifosato como insumo para a fabricação de defensivo agrícola; 2. Se a citada contribuinte tem (ou tinha) por atividade a produção de defensivos agrícolas, e; 3. Se a Helm utilizou o insumo para a produção de seus defensivos agrícolas no período objeto da discussão nos autos. Ultimadas as diligências propostas, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para que seja possível dar prosseguimento ao recurso voluntário. Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.076 29 Voto Vencedor Conselheiro Charles Pereira Nunes, Redator Designado. Diverge-se aqui quanto à diligência proposta pela ilustre Relatora um a vez que percorrendo os autos vê-se a existência de algumas respostas à intimações feitas pela fiscalização na fase inquisitorial de comprovação dos créditos alegados, bem como a existência de pedido de diligência feita pela empresa em sua Manifestação de Inconformidade. No Acórdão de piso o pedido foi assim examinado (negritei): Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligência e perícia, há que se ter presente que a implementação de tais medidas processuais incidentais pressupõe que o fato a ser provado, por obscuro, necessite de esclarecimentos ou que a produção probatória necessite de conhecimento técnico especializado. No presente caso, tais motivos são inexistentes, haja vista que os documentos e informações necessárias ao deslinde da questão encontram-se (ou deveriam encontrar-se) ao fácil e direto acesso da contribuinte, a quem se impunha trazer aos autos administrativos, já com sua manifestação de inconformidade, as provas cujo ônus probatório encontra-se em sua esfera de responsabilidade, conforme acima referido. A realização de diligência ou perícia não se presta a suprir eventual inércia probatória do sujeito passivo. No que diz respeito à “perícia industrial”, tanto na requerente quanto na pessoa jurídica Helm do Brasil Mercantil LTDA, com a finalidade de se afastar quaisquer dúvidas acerca da condição de insumo do produto Glifosato, bem como de demonstrar que a empresa Helm do Brasil Mercantil LTDA utilizaria tal insumo na produção de defensivos agrícolas, constata-se, de plano, tratar- se de medida a um só tempo incabível quanto desnecessária, posto que, no período de apuração objeto dos autos (3º trimestre/2008), resta já configurado que tal adquirente não foi fabricante dos defensivos agropecuários da posição 38.08 da TIPI ou, ainda, de suas matérias-primas, apresentando-se irrelevante que eventualmente, na presente data, tal pessoa jurídica exerça atividades típicas de indústria. Pois bem, desde a fase inquisitorial a Recorrente teve conhecimento da necessidade de ela própria produzir prova de seus créditos, conforme reforçado nas razões da decisão de piso, as quais adoto nesta análise do pedido de diligência. Vê-se ainda que ao recurso foi acrescentada uma cópia de Sentença em ação de autoria da Recorrente, em situação que diz ser análoga. Por todo o exposto, voto pelo indeferimento do pedido da produção de prova pericial contábil/fiscal e industrial, devendo o recurso ser examinado e levado a julgamento nas condições em que se encontra. Fl. 1090DF CARF MF 30 (assinado digitalmente) Charles Pereira Nunes - Redator designado Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Com a devida vênia da nobre Relatora, apresenta a seguir entendimentos e conclusões divergentes sobre: a) a preliminar de nulidade do acórdão recorrido; b) as glosas dos variados tipos de créditos da Cofins a seguir analisados; e c) a reclassificação de parte da receita auferida pela recorrente da tributação pela alíquota zero para a tributação pela alíquota normal das contribuições. Da preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do acórdão, por lhe haver suprimido o direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela legislação fiscal e pela própria Constituição Federal de 1988 ("CF/88"), em seu artigo 5°, inciso LV. Para a recorrente, os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, conforme exige os arts. 9º e 10 do Decreto 70.235/1972 e art. 50, II, da Lei 9.784//1999, porém, o acórdão recorrido, ao analisar os fundamentos da autuação, limitou- se a consignar que nenhum requisito formal fora violado e que o ônus da prova caberia ao contribuinte. Solicitada regularmente perícia técnica, para apuração e confirmação dos créditos utilizados, porém, fora indeferida. A recorrente alegou ainda que, para prolação do acórdão recorrida, as autoridades julgadoras: a) deveriam “ter buscado informações complementares sobre os insumos utilizados pela Recorrente, e não simplesmente glosar o crédito correspondente com base nas informações prestadas pela D. Autoridade fiscal.”; b) não poderiam “ter presumido que haveria suposta falta de certeza e liquidez quanto aos créditos calculados pela Recorrente e simplesmente desconsiderado os valores apurados; e c) “deveriam, no mínimo, ter concedido prazo adicional para que a Recorrente pudesse coletar as informações solicitadas e/ou buscado a regularidade dos créditos por outros meios, ao menos considerando os valores já informados em suas declarações fiscais.” Sabe-se que, nos pedidos do contribuinte de reconhecimento de direito creditório, como o presente, cabe ao requerente a demonstração do cabimento do seu pleito, nos termos do art. 36 da Lei 9.784/1999 e do art. 373 do vigente Código de Processo Civil, juntando aos autos os documentos comprobatórios da existência do direito creditório para o seu reconhecimento. Assim, se a autoridade fiscal apurou que os documentos e informações apresentados pelo contribuinte não eram hábeis a demonstrar o valor do crédito pretendido, caber-lhe-ia trazer aos autos, junto com a manifestação de inconformidade as provas adequadas a demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório informado, conforme exige o art. 16 do Decreto 70.235/1972 e do art. 373, II, do CPC. Portanto, segundo os referidos preceitos legais, o ônus da comprovação de eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão de indeferimento do direito creditório cabia à recorrente. Logo, agiu corretamente a fiscalização, e também o órgão de julgamento de primeiro grau, ao não reconhecer o direito creditório não comprovado pela requerente. Em decorrência, não cabia ao citado órgão de julgamento coletar os documentos e apresentar as informações complementares ou fazer diligências no estabelecimento da contribuinte para comprovar os créditos denegados. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.077 31 Da mesma forma, tampouco caberia a realização de diligência ou perícia neste momento processual, quando já preclusa a produção de provas, nos termos do art. 16, § 4° do Decreto 70.235/1972, além do que seria da recorrente o ônus da prova do alegado em contraposição ao despacho decisório que denegou em parte seu pleito, em conformidade com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e art. 36 da Lei nº 9.784/1999. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendê-las necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova disponível às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo requerente. Sabe-se que diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de provas trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Assim, não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de ofício promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pelo contribuinte. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material e do contraditório e da ampla defesa, em nada conflita com tudo o que foi até aqui asseverado. Eis que os dois princípios estão balizados pelo rito processual definido em lei, num cenário dentro do qual as partes trabalharam de forma proativa, com vista ao cumprimento do onus probandi. Além disso, como consta do acórdão recorrido os fundamentos do indeferimento da realização da diligência/perícia solicitada, conforme exige o art. 18 do Decreto 70.235/1972, resta demonstrada a inexistência de qualquer mácula na referida decisão passível de decretação de nulidade. Por essas razões, rejeita-se a presente preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Da análise das questões de mérito As questões de méritos suscitadas na presente lide serão a seguir analisadas. 1) Da glosa dos créditos relativos a despesas com serviços de enlonamento, amarração e manobra de carga No recurso em apreço, a recorrente manteve a alegação de que fazia jus aos créditos calculados sobre as despesas com enlonamento, amarração e manobra de carga, sob o fundamento de que tais serviços compunham o serviço de armazenagem, carga, descarga e transporte que movimentam mercadorias de diversas naturezas e fazem parte do seu processo produtivo. Fl. 1092DF CARF MF 32 De acordo com despacho decisório, tais créditos foram glosados porque os citados serviços não eram aplicados na produção do Glifosato Técnico e do milho, logo, não geravam direito a crédito. A razão está com a fiscalização. A recorrente fazia jus aos referidos créditos como insumos se ao menos exercesse a atividade de prestação de serviços de armazenagem, o que não é caso. A recorrente exerce atividade de produção de Glifosato Técnico, defensivos agrícolas e milho. A recorrente alegou ainda que a armazenagem de mercadorias dava direito ao crédito, como disposto no inciso IX do artigo 3o da Lei 10.833/2003. E que os procedimentos de armazenagem e o transporte desses produtos são necessários para a correta organização e utilização dos insumos que fazem parte do processo produtivo. O inciso IX do artigo 3o da Lei 10.833/2003 assegura apenas o crédito sobre as despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No caso, não há notícia de que tais tipos de créditos foram glosados. A glosa foram dos créditos calculados sobre as despesas com os serviços de enlonamento, amarração e manobra de carga, para os quais não existe previsão legal de apropriação créditos. Assim, como tais serviços não se enquadra no conceito de insumo e não há previsão específica para apropriação de créditos sobre tais tipo despesa, a glosa deve ser integralmente mantida. 2) Da glosa dos créditos relativos a despesas com material de consumo (preparações desincrustantes, anticorrosivas ou antioxidantes) De acordo com o despacho decisório, os créditos apropriados sobre os valores de aquisição do material de consumo, identificado como “preparações desincrustantes, anticorrosivas ou antioxidantes”, foram glosados por falta de previsão legal, porque não atendiam o conceito de insumo. A recorrente alegou que tais produtos foram utilizados no processo produtivo, para limpar incrustações, combater corrosões e prevenir a oxidação. Embora a recorrente não tenha demonstrado com elementos seguros o emprego dos referidos produtos no âmbito estabelecimento fabril, este Conselheiro entende que tais tipos de produtos são utilizados no processo produtivo “para limpar incrustações, combater corrosões e prevenir a oxidação”. E como não há, nos autos, provas que contrariem esse entendimento, não como aceitar que tais produtos não são insumos utilizados processo produtivo, o que afasta a alegada falta de previsão legal para a apropriação de créditos suscitada pela autoridade fiscal. Por essas razões, devem ser integralmente restabelecidos os créditos apropriados sobre a aquisição das “preparações desincrustantes, anticorrosivas ou antioxidantes”. 3) Da glosa dos créditos relativos a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos De acordo com o despacho decisório, os valores das despesas com a locação de máquinas para a purificação de água e para o preparo de bebidas quentes não representavam dispêndios intrinsecamente aplicáveis à atividade fim da empresa, portanto, não geravam Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.078 33 direito a crédito, porque não atendiam ao previsto no inciso IV do art. 3º da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que o preceito legal em destaque, expressamente, permitia a apropriação de crédito sobre os valores das despesas com alugueis de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Assiste razão à recorrente. O preceito legal em destaque exige que bens locados de pessoa jurídica sejam “utilizados nas atividades da empresa” e não na atividade fim da empresa como entendeu a autoridade fiscal. Logo, deve ser cancelada a glosa dos créditos apropriados sobre os valores das despesas de aluguéis de máquinas para a purificação de água e o preparo de bebidas quentes. No mesmo tópico, por falta de previsão legal, a autoridade fiscal também procedeu a glosa dos créditos apropriados sobre os valores de mão de obra, incluídos nas notas fiscais de locação de máquinas e equipamentos. As referidas notas fiscais encontram-se juntadas aos autos (fls. 303/312) e relacionadas na planilha do anexo IV (fl. 653). Em relação a esse item, a recorrente alegou que tinha direito aos créditos de Cofis relacionados às despesas atreladas à locação de máquinas e atividades correlatas, “por se tratarem de despesas passíveis de creditamento, nos termos do artigo 3o, incisos II e IV, da Lei n° 10.833/2003.” A análise das referidas notas fiscais revela que parte delas tratam de despesas de locação de guindaste e com a mão de obra. Segundo a planilha do Anexo IV, apenas a parcela relativa à mão de obra foi objeto da glosa em questão. E esta glosa deve ser cancelada, porque há previsão legal para apropriação de créditos sobre este tipo de insumo. Logo, deve ser integralmente cancelada a glosa dos créditos determinada pela fiscalização. 4) Da glosa dos créditos vinculados a despesas com fretes Em relação ao direito de apropriação de créditos sobre despesas com fretes, este Relator, em vários julgamentos anteriores, após longa análise sobre o assunto, que dispensa reprodução, chegou a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); Fl. 1094DF CARF MF 34 b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). De outra parte, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Será com base nesse entendimento que serão analisadas as glosas dos créditos apropriados sobre gastos com fretes objeto da presente controvérsia. 4.1) Do frete na venda de mercadorias sem indicação do número da nota fiscal De acordo com o despacho decisório, a glosa dos créditos sobre os valores dos fretes de vendas para os quais a empresa não informou o número da nota fiscal da venda efetivada, porque não foi possível verificar a procedência ou não do creditamento. Segundo a autoridade fiscal, embora tenha sido intimada, por meio do TIF n° 43, a fazer tal comprovação a recorrente não atendeu a solicitação. Na peça recursal, a interessada alegou que não havia previsão legal que exigisse a informação do número de nota fiscal de venda. Sendo assim, ainda que não tivesse sido informado o número da nota fiscal de venda, o crédito sobre o serviço de frete era incontroverso. A alegação da recorrente de que faz jus ao direito de crédito sem comprovar a realização da despesa, dispensa qualquer comentário a respeito. Por essa razão, deve ser mantida integralmente a glosa, por falta de comprovação do valor da referidas despesas. 4.2) Do frete de devolução de vendas e de retorno de mercadorias e de material Segundo o despacho decisório, por falta de previsão legal, foram glosadas as despesas com fretes nas operações de devolução de vendas e transferência das mercadorias, discriminadas na planilha integrante do Anexo VII (fl. 657). Em relação a essa glosa, a recorrente apresentou apenas alegações genéricas desprovidas de provas e de fundamento jurídico. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.079 35 No âmbito da operação de devolução de venda, há permissão apenas permissão para o estorno do valor do débito da contribuição calculado sobre o valor da receita da venda do bem devolvido, conforme se extrai do disposto no art. 3º, VIII, e § 1º, IV, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: [...] IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] (grifos não originais) A simples leitura dos preceitos legais em destaque revela que não existe amparo legal para a apropriação de crédito da contribuição calculado sobre os gastos com frete no transporte de bens devolvidos nas operações de devolução de vendas. Assim, por falta de previsão legal, deve ser integralmente mantida a glosa. 4.3) Do frete de transferência de mercadorias Segundo o despacho decisório, por falta de previsão legal, foram glosadas as despesas com fretes nas operações de transferência de mercadorias. No recurso em apreço, a recorrente alegou que as despesas de frete incorridas nas transferências de produtos entre os seus estabelecimentos ou para armazém geral, a jurisprudência reconhece a possibilidade de creditamento. Com base nas conclusões apresentadas anteriormente, o entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Conselheiro. Assim, resta demonstrado que a glosa em apreço foi corretamente realizada, uma vez que não há amparo legal para apropriação de créditos sobre as despesas com fretes vinculados a operações transferência de mercadorias, portanto, deve ser integralmente a glosa realizada pela fiscalização. 4.4) Do frete classificados de forma genérica como “outros fretes”. De acordo com o despacho decisório, a glosa em apreço foi realizada em razão da impossibilidade da verificação da procedência ou não do creditamento relativo as despesas de fretes classificados de forma genérica como “outros fretes”. Fl. 1096DF CARF MF 36 Sobre este ponto, a recorrente limitou-se em apresentar alegações genéricas, dentre as quais merece destaque a seguinte: “vedar o crédito sobre os fretes em questão criaria uma discriminação injustificada entre contribuintes.” No caso, o motivo da glosa foi a falta de apresentação de elementos que possibilitassem a identificação da despesa e a consequente análise da procedência do correspondente direito ao crédito. Como não foi apresentada prova alguma pela recorrente, a glosa deve ser integralmente mantida. 4.5) Dos fretes na operação de venda de sucata industrial e de veículos Por falta de previsão legal, a fiscalização procedeu a glosa dos créditos apropriados sobre as despesas de frete relativo à operação de venda de sucata industrial. Sobre essa glosa, a recorrente limitou-se em apresentar alegações genéricas desprovidas de provas e fundamentação jurídica. A previsão de apropriação de créditos sobre as despesas com fretes na operação de venda encontra-se estabelecida no art.. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] (grifos não originais) No entendimento deste Conselheiro, o preceito legal em destaque só permite a apropriação de créditos vinculados às operações de venda de bens adquiridos para revenda e de bens produzidos destinados à venda, nos termos dos incisos I e II do art. 3º da Lei 10.833/2003. Assim, demonstrado que não há amparo legal para apropriação de créditos sobre as despesas com frete relativas à operação de venda de sucata industrial e de veículos, logo, a glosa deve ser integralmente mantida. 4.6) Dos fretes na operação de doação, remessas, importações, recebimento de amostras e material. Por falta de previsão legal, a fiscalização procedeu a glosa dos créditos apropriados sobre as despesas de frete na operação de doação, remessas, importações, recebimento de amostras e material. Sobre essa glosa, a recorrente limitou-se em apresentar alegações genéricas desprovidas de provas e fundamentação jurídica. Pelos mesmos fundamentos apresentados subitem anterior, resta demonstrado que não há amparo legal para apropriação de créditos sobre as despesas com frete relativas à operação de doação, remessas, importações, recebimento de amostras e material, logo, a glosa deve ser integralmente mantida. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.080 37 4.7) Dos fretes na operação de aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para o uso e consumo Por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa dos créditos apropriados sobre as despesas de frete na operação de aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para o uso e consumo. No recurso em apreço, a recorrente alegou que as despesas com fretes na operação de aquisição de tais bens fazem parte do processo produtivo, já que esses bens e materiais são utilizados em diversos setores dentro da planta da recorrente. Sob ponto de vista jurídico, com base nas conclusões sumariadas no preâmbulo deste tópico, o entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Conselheiro. No entanto, a recorrente ainda alegou que os serviços de frete realizados pelas empresas Bravo Serviços Logísticos Ltda, Flexsil Sistema Sul Brasileiro de Transportes, Armazenagens e Distribuição Ltda. e Login Logística Intermodal S/A. estariam todos relacionados ao transporte de insumos e materiais utilizados no processo produtivo. A planilha integrante do Anexo X do despacho decisório recorrido (fl. 660) discrimina todas as notas fiscais objeto da glosa em apreço. A leitura desses documentos revelam que as despesa por ela acobertadas correspondem a “Compra p/ uso/consumo/mat.promocional tribut. ICMS”, “Compra para Uso e Consumo” e “Compr. p/ativo imobilizado sem crédito do ICMS”. Logo, fica evidenciado que qualquer delas não se refere a insumos utilizados no processo produtivo. Por sua vez, as cópias das notas fiscais e conhecimentos de transportes trazidos aos autos pela interessada (doc. nº 8 - fls. 868/873), na fase de manifestação de inconformidade, com a finalidade de comprovar tal alegação, também não comprovam que os fretes referem-se aos serviços de transporte de insumos tributados, pelas razões que seguem expostas no excerto extraído do voto condutor do julgado recorrido, que segue transcrito: Verifica-se, porém, que: a) o conhecimento de transporte de fl. 873 refere-se ao transporte de container vazio (trata- se, pois, do transporte de bens); b) o conhecimento de transporte de fls. 872 exibe como remetente/embarcador a pessoa jurídica Monsanto Nordeste S/A e como destinatário a contribuinte (trata-se, pois, de aquisição de bens); c) o conhecimento de transporte de fl. 871 exibe o número 7741, sendo que não especifica os bens transportados (não permitindo qualquer conclusão quanto à sua admissibilidade na base de cálculo do direito creditório) e, ainda, apresenta um valor (R$ 646,97) completamente diverso daquele identificado e glosado pela autoridade fiscal (R$ 1.077,78, fl. 660); d) o conhecimento de transporte de fl. 870 exibe o número 7738, sendo que não especifica os bens transportados (não permitindo qualquer conclusão quanto à sua admissibilidade na base de cálculo do direito creditório) e, ainda, apresenta um valor (R$ 111,65) completamente diverso daquele identificado e Fl. 1098DF CARF MF 38 glosado pela autoridade fiscal (R$ 1.260,75, fl. 660); e) o conhecimento de transporte de fl. 869 exibe o número 6261, sendo que não especifica os bens transportados (não permitindo qualquer conclusão quanto à sua admissibilidade na base de cálculo do direito creditório) e, ainda, apresenta um valor (R$ 2.747,46) completamente diverso daquele identificado e glosado pela autoridade fiscal (R$ 2.123,60, fl. 660); f) a nota fiscal de serviço de fl. 868 exibe o número 875 e discrimina o serviço como sendo “serviço prestado sobre trans. Municip”, não especificando os bens transportados e não permitindo, pois, qualquer conclusão quanto à sua admissibilidade na base de cálculo do direito creditório. Como se vê, trata-se de documentação que, isoladamente, apresenta-se imprestável para amparar a pretensão do contribuinte. Assim, resta demonstrado que a glosa em apreço foi corretamente realizada, uma vez que ficou demonstrado pelas notas fiscais relacionadas na planilha integrante do citado Anexo X referem-se à aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para o uso e consumo e não à aquisição de insumos tributados, como alegado pela recorrente. Assim, como não há amparo legal para apropriação de créditos sobre as despesas com fretes na operação de aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para o uso e consumo, a glosa realizada pela fiscalização deve ser integralmente mantida. 4.8) Dos fretes na operação de aquisição de insumos sem identificação Segundo a autoridade fiscal, embora tenha sido intimada a identificar o código NCM dos bens adquiridos, por meio do TIF n° 43, a recorrente não atendeu o pedido da fiscalização, o que impossibilitou verificar a procedência ou não dos créditos apropriados sobre as despesas com fretes de tais produtos. Por sua vez, a recorrente alegou que, independentemente da NCM do bem transportado, as despesas com frete configuram insumo necessário às atividades da recorrente, logo, nos termos do art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, fazia jus ao crédito apropriado sobre o valor de tais despesas. Sem razão à recorrente. De acordo com as conclusões anteriormente apresentadas, somente o frete pago na aquisição de insumos tributado gera créditos na sistemática não cumulativa da Cofins. Em outras palavras, se o insumo não está sujeito a pagamento da contribuição, por conseguinte, a despesa com frete no seu transporte, embora tributada pela contribuição, não gera crédito. Quanto aos conhecimentos de transporte trazidos aos autos pela recorrente (fls. 874/880), constata-se que todos têm como remetente o contribuinte e referem-se ao transporte de glifosato. Entretanto, não consta de tais documentos a natureza da operação (se venda ou remessa para outra finalidade, v.g.), bem como qualquer elemento que permita a conclusão de se tratar de serviços que se sujeitaram ao pagamento da contribuição, o que afastaria a vedação do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003. Assim, como a documentação apresentada, isoladamente, não comprova que a despesa realizada foi com frete no transporte de insumos tributados, ela não ampara a pretensão da recorrente. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.081 39 Por essas razões, deve ser integralmente mantida a glosa dos créditos em destaque. 4.9 Dos fretes sem indicação da operação relacionada De acordo com o despacho decisório, a autoridade fiscal informou que, embora tenha sido intimada, por meio do TIF n° 43, a identificar a operação vinculada ao frete (compra, venda ou outra operação) a recorrente não atendeu a intimação. Em decorrência, a fiscalização ficou impossibilitada de verificar a procedência ou não do creditamento realizado pela recorrente. A glosa refere-se as notas fiscais relacionadas na planilha do anexo XIII. No recurso em apreço, a recorrente limitou-se que alegar que, independentemente, da operação a que esteja vinculada, as despesas com frete sempre geram direito ao crédito. Logo, ainda que não tenha sido informado a que operação a despesa com frete estava relacionada, o direito ao crédito sobre o serviço de frete era incontroverso. A alegação da recorrente não procede. Conforme demonstrado anteriormente, somente o frete pago na aquisição de insumos tributado gera créditos na sistemática não cumulativa da Cofins, portanto, ao contrário do alegado, a identificação do operação revela-se imprescindível, para fim de análise do direito de crédito sobre as despesas com frete. No caso, embora intimada, a recorrente não identificou a operação relacionada aos créditos das despesas de frete glosados, logo, por evidente impossibilidade de confirmação do referido direito, a glosa em questão deve ser integralmente mantida. 7) Da glosa dos créditos cujas informações, na planilha da memória dos cálculos, eram conflitantes ou o tipo de despesa não foi identificado. De acordo com despacho decisório, a autoridade fiscal apurou que, na planilha da memória dos cálculos, havia créditos vinculados a documentos emitidos por transportadora, porém, na coluna do tipo de despesa a informação era de aquisição de serviço de comunicação, incompatível com a vinculação a documento emitido por transportadora. Apurou ainda que existiam créditos calculados sobre documentos fiscais sem identificação do tipo de despesa, impedindo a verificação da procedência ou não do creditamento. Os documentos e valores glosados encontram-se discriminados na planilha do anexo XV. Em relação à essa glosa, a recorrente alegou que, diante das divergências apuradas, a autoridade fiscal deveria, ao menos, ter buscado apurar os créditos da recorrente por outras formas. A recorrente alegou ainda que o volume de operações era muito grande e, por isso, nem sempre era possível apresentar todas as informações solicitadas pela fiscalização no exíguo prazo concedido, e que sequer pôde identificar as razões dessas divergências. Por essa razão, pleiteava que o julgamento fosse convertido em diligência ou que fosse realizada prova pericial para que fossem esclarecidas as razões da divergência na apuração de seus documentos e fossem sanados os equívocos cometidos, apurando-se, assim, o exato valor do crédito a que tem direito. A análise do anexo XV revela que, a presente glosa, cinge-se a apenas seis documentos, o que evidencia o despropósito da alegação de que o volume de operações era muito grande. E o motivo da glosa foi apenas a ausência de informação do tipo de despesa e o evidente conflito entre o tipo o tipo de empresa emitente do documento (empresa transportadora) e o tipo de despesa descrito no documento (serviço de comunicação). Afirmar Fl. 1100DF CARF MF 40 que não pôde identificar algo tão óbvio e pedir realização de perícia para algo tão elementar não parece razoável e tampouco compreensível. Além disso, ao alegar que a fiscalização deveria ter apurado os créditos por outra forma, a recorrente pretende, claramente omitir-se da sua obrigação de esclarecer os equívocos/irregularidades encontrados pela fiscalização. O papel da fiscalização, sabe-se não é de apurar créditos para o contribuinte, mas apenas de controlar e fiscalizar a regularidade dos créditos apurados. E pedir perícia contábil para esclarecer falta de informação ou informação conflitante em seis documentos, concessa maxima venia, trata-se de evidente sacrilégio ao bom senso. Assim, na ausência de esclarecimentos, a presente glosa deve ser integralmente mantida. 8) Das operações de venda sujeitas à alíquota zero Segundo o despacho decisório, com base na análise dos valores das receitas tributadas à alíquota zero informados no Dacon, nas planilhas de memória dos cálculos das receitas e nos arquivos digitais de notas fiscais, a autoridade fiscal apurou divergências entres os valores das vendas tributadas à alíquota zero constantes nas planilhas da memória dos cálculos e nos arquivos digitais de notas fiscais, consoante tabela de fl. 738. Diante dessa constatação, por meio do TIF n° 26, a recorrente foi intimada a esclarecer a diferença apurada. Em resposta, a recorrente informou que o embasamento legal para a aplicação da alíquota zero ao produto de código de NCM 2931.0032 (Glifosato Técnico) era “o artigo 1° da Lei n° 10.925/04 e artigo 1° do Decreto 5.195/04”. Acontece que, o citado Decreto foi revogado pelo Decreto 5.630/2005, o qual no seu art. 1º, § 2º, expressamente, vedou a aplicação da alíquota zero na hipótese de as matérias-primas tratadas nos incisos I e II do caput do citado artigo não terem sido utilizadas em processo produtivo de adubos e fertilizantes ou defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da NCM. Ao analisar o código de atividade econômica dos adquirentes do produto de NCM 2931.00.32, no trimestre em questão, a fiscalização constatou que a empresa HELM DO BRASIL MERCANTIL LTDA., possuía o código de atividade econômica 4683-4-00 – Comércio atacadista de defensivos agrícolas, adubos, fertilizantes e corretivos do solo. Portanto, não tinha como atividade a fabricação de defensivos agrícolas e sim o seu comércio. Dessa forma, a venda do produto de NCM 29310032, efetuada a essa empresa não se encontrava sujeita à alíquota zero, pois não atendia ao disposto no inciso II do parágrafo único do art. 1º do Decreto 5.195/2004 [art. 1º, § 2º, do Decreto 5.630/2005], integrando a base de cálculo da contribuição. Em consequência, os valores das vendas efetuadas à citada empresa foram incluídos na base de cálculo da contribuição como receita de vendas de bens sujeita à alíquota de 7,6% (linha 01 da Ficha 17A do Dacon). Tais operações e respectivas notas fiscais encontram-se discriminadas na planilha de fl. 315 e consolidadas na planilha de fl. 739. Por sua vez, a recorrente apresentou as seguintes alegações: a) o produto “Glifosato Técnico” vendido para a empresa Helm do Brasil Mercantil Ltda., doravante denominada de Helm, estava sujeita à alíquota zero da Cofins, nos termos do art. 1º, II, do Decreto 5.630/2004; b) o Ministério da Agricultura concedera registro à recorrente para a comercialização do Glifosato para a produção de herbicidas (defensivos agrícolas), por meio do Certificado de Registro de fl. 881; c) a Helm era fabricante de defensivos agrícolas, conforme atestava a ficha cadastral simplificada da citada empresa (fls. 882/883), emitida pela Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.082 41 Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), e “reconhecido pelas próprias DD. Autoridades Fiscais em casos análogos da Recorrente”, no acórdão nº 16-53.928, de 19 de setembro de 2013 (fls. 884/935), da lavra da 9ª Turma da DRJ São Paulo I; d) não se pode concluir que a recorrente não vendera seus insumos para produção de herbicidas (defensivos agrícolas), pela simples alegação de que a Helm não teria preenchido as Fichas da DIPJ relativas ao IPI, conforme indicado no acórdão recorrido; e) a recorrente não podia condicionar seu direito ao creditamento a eventos futuros e incertos, como o eventual recolhimento ou não do IPI pela empresa adquirente, principalmente pelo fato de que os produtos classificados na posição 38.08 são vendidos com alíquota zero para o IPI, conforme atesta a própria TIPI (fls. 1057/1059); e f) pleiteeiou a conversão do julgamento em diligência, para que fosse realizada perícia tanto na recorrente como na empresa Helm do Brasil Mercantil Ltda. Inicialmente, cabe esclarecer que, no período de apuração dos créditos em apreço, encontrava-se vigente o Decreto 5.630/2004, cujo art. 1º, II, § 2º, tem a seguinte redação: Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: [...] II - defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da NCM e suas matérias-primas; [...] § 2º A redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no caso das matérias-primas de que tratam os incisos I e II do caput, aplica-se somente nos casos em que a pessoa jurídica adquirente seja fabricante dos produtos neles relacionados. [...] (grifos não originais) A simples leitura do preceito legal em destaque revela que a redução a zero da alíquota das contribuições sobre a receita decorrente da venda no mercado interno de matérias primas destinadas a fabricação de defensivos agropecuários da posição 38.08 da NCM está condicionada a que a dita matéria prima seja vendida a pessoa jurídica fabricante dos tipos de defensivos agropecuários da citada posição. Não há controvérsia de que a recorrente é a fabricante e detentora do registro do produto “Glifosato Técnico”, bem como não há qualquer informação nos autos de que o citado não seja utilizado como matéria de prima na fabricação de defensivos agrícolas, especificamente de herbicidas. No sítio da recorrente, existe a seguinte informação sobre o citado produto: O glifosato é um dos herbicidas mais usados no mundo, com um histórico de 40 anos de uso seguro em mais de 160 países, sendo produzido e comercializado por diversas Fl. 1102DF CARF MF 42 empresas. Só no Brasil, mais de 50 empresas possuem registro para a comercialização do glifosato. 22 De outra parte, o cerne da controvérsia está no tipo de atividade econômica exercido pela pessoa jurídica Helm, a adquirente do referido produto. Para a autoridade fiscal, a citada empresa exerce, exclusivamente, atividade comercial, enquanto que para a recorrente, a dita empresa também exerce a atividade de fabricante de defensivos agrícolas. A fiscalização embasa a sua conclusão com base no CNAE fiscal declarado pela recorrente perante o CNPJ (fl. 313), ao passo que a recorrente baseou-se nos dados da Ficha Cadastral extraída do sítio da JUCESP (fls. 882/883). Para este Conselheiro, nenhum dos dois documentos, isoladamente, representam fonte segura de informação da efetiva atividade econômica desenvolvida pela empresa Helm. Dada essa deficiência, elementos adicionais de provas eram imprescindíveis, para fim de formação de firme convicção acerca da real atividade econômica desenvolvida pela adquirente Helm. Nesse sentido, a colação aos autos do acórdão nº 16-53.928, de 19 de setembro de 2013 (fls. 884/935), em cujo voto vencedor encontra-se reproduzido as bulas dos dois tipos de herbicidas produzidos pela empresa Helm teve papel decisivo. E para melhor compreensão, transcreve-se a seguir as referidas bulas extraídas do sítio na internet da citada empresa: 22 Disponível em: <http://www.monsantoglobal.com/global/br/produtos/Pages/seguranca-glifosato.aspx>. Acesso em 22 set. 2017. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.083 43 A teor dos documentos em destaque esclarecem que os dois tipos de herbicidas registrados em nome da Helm que têm na composição o “Sal de Isopropilamina de N - (fosfonometil) glicina (Glifosato”. Além disso, a classificação fiscal do produto no código NCM 2931.00.32 - Glifosato e seu sal de monoisopropilamina, integrante do Capítulo dos compostos orgânicos de constituição química definida, corrobora a conclusão de que o referido produto vendido a empresa Helm era matéria prima ou insumo utilizado na produção do herbicida da posição 38.08, especificamente, do herbicida classificado no código NCM 3808.30.23 - Herbicida à base de glifosato ou de seus sais, de imazaquim ou de lactofen. Com base nesse conjunto de provas indiciárias, chega-se a convicção que o produto “Glifosato Técnico” vendido pela recorrente a empresa Helm trata-se insumo de produção, que a referida empresa utiliza na fabricação dos produtos comercialmente denominados “Glifosato 480 Helm” e “Glifoxin”, em decorrência não há como negar que a Helm é fabricante dos citados produtos. Por essas razões, fica demonstrado que as receitas auferidas nas vendas do citado produto à empresa Helm, discriminadas na planilha de fl. 315 e consolidadas na planilha de fl. 739, estão sujeitas à alíquota zero da Cofins e não à alíquota normal. Em consequência, devem ser recalculados as proporções das receitas apresentadas no Demonstrativo de Cálculo da Proporção das Receitas de fl. 740, bem excluídos da base de cálculo da Cofins os respectivos valores. 10) Da conclusão Por todo o exposto, vota-se pelo provimento parcial do recurso, para: a) restabelecer os créditos apropriados (i) sobre a aquisição das “preparações desincrustantes, anticorrosivas ou antioxidantes” e (ii) sobre os valores das despesas de aluguéis de máquinas para a purificação de água e o preparo de bebidas quentes e mão de obra utilizada na operação dos guindastes; e b) reincluir no cômputo das receitas tributadas à alíquota zero os valores das receitas das vendas do “Glifosato Técnico”, código NCM 2931.00.32, discriminadas na Fl. 1104DF CARF MF 44 planilha de fl. 315 e consolidadas na planilha de fl. 739, em conseqüência, devem ser recalculados as proporções das receitas apresentadas no Demonstrativo de Cálculo da Proporção das Receitas de fl. 740. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator designado Declaração de Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Declarante. Em relação aos pontos da controvérsia a seguir abordados, em que este Conselheiro foi vencido, apresenta-se a declaração de voto que se segue. 1) Da glosa dos créditos calculados sobre a aquisição de insumo não sujeitos ao pagamento da contribuição A recorrente apropriou créditos sobre os valores de aquisição do insumo denominado de Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético, classificado no código NCM 2931.00.37, utilizado na fabricação de defensivos agrícolas, sujeitos à tributação pela alíquota zero na venda no mercado interno, em virtude do disposto art. 1º, II, da Lei 10.925/2004, e no art. 1º, II, do Decreto 5.630/2005. Acertadamente, a autoridade fiscal procedeu a glosa integral dos referidos créditos, uma vez que há expressa vedação legal para apropriação de créditos sobre as operações de aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição, determinada no art. 3º, § 2º, II, da Lei 10.833/2003, que segue transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] No recurso em apreço, a recorrente alegou que parte do referido produto (insumo) era utilizado na fabricação do “GlifosatoTécnico”, classificado no código NCM 2931.00.32, produto intermediário vendido para os fabricantes de defensivos agrícolas da Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 16349.000229/2009-90 Acórdão n.º 3302-004.824 S3-C3T2 Fl. 1.084 45 posição 38.08. Segundo a recorrente, essa parcela do insumo não era utilizada na fabricação do defensivo agrícola por ela produzido (classificado na posição 38.08 da TIPI), mas na fabriação do produto intermediário (o “GlifosatoTécnico”). Por isso, sobre a receita decorrente da aquisição do citado produto havia regular tributação das contribuições pelas alíquotas normais das contribuições pelo fornecedor, logo, ela tinha direito ao aproveitamento do crédito da contribuição relativos a essa parcela das aquisições do Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético (PIA). Assim como na manifestação de inconformidade, no recurso em apreço, a recorrente limitou-se apenas em alegar que a aquisição da referida parcela do citado insumo fora submetido a tributação normal da Cofins pelo fornecedor, porém, não trouxe aos autos prova alguma, para fim de demonstrar o que alegara. Também não procede o argumento da recorrente de que ainda não apresentara tal prova porque não possuía fácil acesso às notas fiscais listadas no anexo I do despacho decisório, relativas à aquisição da parcela do citado produto que sofrera a alegada tributação normal das contribuições, especialmente, tendo em conta que o citado produto fora adquirido, exclusivamente, de um único fornecedor, ou seja, a Monsanto do Nordeste S/A., que foi incorporada pela recorrente, conforme extrato de consulta de fl. 297. Além disso, tais documentos, se existentes, a recorrente deveria ter trazidos aos autos junto com a manifestação de inconformidade. Como não o fez, não poderia mais fazê-lo na atual fase recursal, em razão de se encontrar consumada a preclusão determinada no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972. Com efeito, como já demonstrado, não é cabível a realização de diligência na atual fase processual, uma vez que se encontra preclusa a produção de novas provas, nos termos do citado preceito legal. Ademais, era da recorrente o ônus da prova do alegado em contraposição ao despacho decisório denegatório, conforme determina o art. 16 do Decreto 70.235/72 e o art. 36 da Lei 9.784/1999. Por essas razões, devem ser integralmente mantida a glosa em apreço. 2) Da glosa dos créditos relativos a despesas com mão de obra Por falta de previsão legal, a autoridade fiscal procedeu a glosa dos créditos calculados sobre nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda, cujo código nacional de atividade econômica é 7820-5-00 - Locação de Mão-de-Obra Temporária. Segundo a fiscalização, o montante lançado nas notas fiscais era composto por taxa administrativa, reembolso de salários e encargos sociais, reembolso de uniformes, valor de IRRF, Seguridade Social, retenção de ISS e retenção de PIS/COFINS/CSLL. No recurso em apreço, a recorrente alegou que os serviços prestados pelas empresas Transpiratininga e Mendes Cintra eram necessários ao processo de fabricação dos produtos e as despesas correlatas ensejam apuração de crédito compensável. Segundo a recorrente, o contrato de prestação de serviços firmados entre a recorrente e as aludidas empresas e as notas fiscais, apresentadas com a manifestação de inconformidade, os serviços contratados eram utilizados para logística de armazenagem, expedição de produtos, controle de estoques e transporte dos insumos dentro da unidade fabril da recorrente, bem como para o transporte dos produtos finais destinados à expedição (venda). Os serviços descritos pelo sujeito passivo não se enquadram no conceito normativo de armazenagem ou frete e tampouco atendem o conceito de insumo. Assim, por Fl. 1106DF CARF MF 46 falta de previsão legal, a glosa integral dos créditos apropriados sobre os valores pagos a título de mão de obra deve ser integralmente mantida. 3) Do frete na aquisição de insumos tributados à alíquota zero De acordo com o despacho decisório, os custos de transporte integram o custo de aquisição da mercadoria, portanto, estando a mercadoria sujeita à alíquota zero, o frete a ela vinculado não gera direito a crédito, em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. Com base nesse entendimento, a autoridade fiscal procedeu a glosa dos créditos sobre as despesas com fretes para o transporte de bens adquiridos de códigos de NCM 3808 e 29310037 (Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético), utilizado na fabricação de defensivos. Por sua vez, a recorrente alegou que a despesa com frete configurava insumo necessário às suas atividades, já que era necessária para a aquisição das matérias primas e demais produtos necessários à fabricação de seus bens. Além disso, muito embora o insumo fosse tributado à alíquota zero, as despesas com frete eram regularmente tributadas pela Cofins, o que deixa claro o direito ao crédito dessa contribuição e a necessidade de se afastar a vedação do artigo 3o, § 2º, II, da Lei 10.833/2003. Com base nas conclusões apresentadas anteriormente, o entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Conselheiro, portanto, a glosa em apreço foi corretamente realizada, uma vez que não há amparo legal para apropriação de créditos sobre o referido tipo despesa. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1107DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.721588/2014-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3º, DO DECRETO Nº 1.455/1976.
A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização, com o objetivo de obter de uma vantagem indevida.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. CUMULAÇÃO DE MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA POR CESSÃO DE NOME.
Caracterizada a interposição fraudulenta, e não sendo afastadas as acusações fiscais pelas interessadas, cabível a aplicação penalidade prevista no artigo 33 do Decreto Lei nº 1455/76.
Numero da decisão: 3401-003.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários apresentados, vencido o relator, que dava provimento ao recurso da "Pan Asia" para excluí-la do lançamento, e negava provimento ao recurso interposto pela "VPR Brasil". Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
MARA CRISTINA SIFUENTES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3º, DO DECRETO Nº 1.455/1976. A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização, com o objetivo de obter de uma vantagem indevida. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. CUMULAÇÃO DE MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA POR CESSÃO DE NOME. Caracterizada a interposição fraudulenta, e não sendo afastadas as acusações fiscais pelas interessadas, cabível a aplicação penalidade prevista no artigo 33 do Decreto Lei nº 1455/76.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 416 1 415 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.721588/201472 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.972 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2017 Matéria COMÉRCIO EXTERIOR INFRAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA Recorrente PAN ASIA TRADING IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA E OUTRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3º, DO DECRETO Nº 1.455/1976. A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização, com o objetivo de obter de uma vantagem indevida. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. CUMULAÇÃO DE MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA POR CESSÃO DE NOME. Caracterizada a interposição fraudulenta, e não sendo afastadas as acusações fiscais pelas interessadas, cabível a aplicação penalidade prevista no artigo 33 do Decreto Lei nº 1455/76. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários apresentados, vencido o relator, que dava provimento ao recurso da "Pan Asia" para excluíla do lançamento, e negava provimento ao recurso interposto pela "VPR Brasil". Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 15 88 /2 01 4- 72 Fl. 416DF CARF MF 2 ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. MARA CRISTINA SIFUENTES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de auto de infração para aplicação e cobrança de "multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face a aplicação do procedimento especial de controle aduaneiro previsto na IN SRF 228/2002" (fls. 06 dos autos), prevista no artigo 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decreto nº 1.455/1976, decorrentes de operações de importação praticadas pelo contribuinte Pan Asia Trading Importacao e Exportacao Ltda. ("Pan Asia") entre 15/03/2012 e 29/06/2012, nas quais a Fiscalização aponta a existência de "dano ao erário público devido à ocultação, mediante simulação, do verdadeiro adquirente e proprietário da carga (VPR BRASIL)" (fls. 78 dos autos). Com isso, o Auto de Infração foi lavrado contra a Pan Asia, contribuinte das operações de importação realizadas, mas também aponta como responsável solidário a sociedade VPR Brasil Imp E Exp Ltda. ("VPR Brasil"), que seria verdadeiro adquirente, segundo a Fiscalização. Após a ciência do lançamento, tanto o importador quanto o sujeito passivo solidário apresentaram Impugnações, que foram julgadas totalmente improcedentes pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo ("DRJ"), na sessão de julgamento do dia 04/02/2015, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação caracteriza a penalidade prevista no art. 23, V, § 1° do Decretolei n°1.455/76". Dessa decisão, o importador, Pan Asia, foi cientificado no dia 11/02/2015, conforme "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem" acostado às fls. 363 dos autos, e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 13/03/2015, conforme documentos de fls. 364 e 392, na qual requer que seja o auto de infração declarado insubsistente, pelos seguintes Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10909.721588/201472 Acórdão n.º 3401003.972 S3C4T1 Fl. 417 3 argumentos: (i) que ela, a Pan Asia, seria a real adquirente da mercadoria, pois teria financiado, com recursos próprios, as operações de importação, não sendo possível, segundo a Recorrente, a discussão de opção logística por ela utilizada; (ii) "que o ilícito de interposição fraudulenta de terceiros possui natureza penaltributária, devendo estar diretamente ligado a prática de crimes antecedentes", segundo a Recorrente, de ocultação da origem ilícita de recursos, prática de crime contra o Sistema Tributário Nacional ou crime contra o Sistema Financeiro Nacional, o que não teria ocorrido no caso dos autos; (iii) "que o ilícito de interposição fraudulenta tratase de um crime de resultado, sendo que no caso dos autos inexiste dolo em fraudar ou dano ao Erário, uma vez que todos os tributos foram recolhidos devidamente"; e (iv) a multa cominada no Auto de Infração seria inaplicável à Pan Asia, que foi acusada de ceder seu nome nas operações de importação, diante da incidência do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Como pedido subsidiário, a Pan Asia requer a alteração do pólo passivo da demanda, para que a empresa VPR Brasil seja indicada como contribuinte e principal interessada e que a Pan Asia seja indicada exclusivamente como responsável solidária. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), sendo distribuídos à minha relatoria na sessão de julgamento do dia 19/05/2016. Porém, como não havia nos autos qualquer intimação endereçada ao sujeito passivo solidário, VPR Brasil, nem qualquer documento que comprovasse que a VPR Brasil foi cientificada da decisão de primeiro piso, em 07/04/2017, foi proferido o despacho saneador de fls. 402 e seguintes, para "retirada do processo de pauta e remessa dos autos à unidade administrativa de jurisdição para que (i) realize a intimação do sujeito passivo solidário, VPR Brasil, do inteiro teor da decisão de primeira instância (Acórdão nº 1665.306, de lavra da 24ª Turma da DRJ/SPO), advertindolhe do prazo disponível para pagamento ou interposição de Recurso Voluntário ao CARF, dentre outras comunicações prescritas pela legislação; (ii) acoste aos autos comprovante da data de ciência da decisão de primeiro grau pela VPR Brasil; e (iii) determine o retorno dos autos ao CARF, com ou sem interposição de Recurso Voluntário pela VPR Brasil, para remessa a esta Relatoria, para oportuna reinclusão em pauta e início de julgamento". Em decorrência, os autos foram remetidos à Seção de Arrecadação e Cobrança da Alfândega do Porto de Itajaí ("SARAC/Itajaí"), que realizou a intimação da VPR Brasil no dia 05/05/2017, conforme fls. 407 e seguintes. A VPR Brasil, todavia, após ser devidamente intimada, não interpôs Recurso Voluntário, sendo determinado o encaminhamento dos autos novamente ao CARF pelo despacho de fls. 410. Por último, pelo despacho de fls. 415, os autos foram redistribuídos à minha relatoria no dia 13/07/2017. É o relatório. Fl. 418DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso interposto pela Pan Asia é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Da acusação fiscal interposição fraudulenta comprovada Como relatado, o processo ora em julgamento decorre de "aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face a aplicação do procedimento especial de controle aduaneiro previsto na IN SRF 228/2002", pela realização, pela Pan Asia, de operações de importação entre 15/03/2012 e 29/06/2012. Esse lançamento tem origem e se utiliza de constatações feitas pela Fiscalização no âmbito do procedimento especial de controle aduaneiro da IN nº 1.169/2011, que embasou o Processo Administrativo nº 12457733.820/201244, e se debruçou sobre operações de importação realizadas pela Pan Asia, cujo real adquirente seria a empresa VPR Brasil, nas quais teria sido verificada a interposição fraudulenta. Apesar de constar no Relatório de Encerramento daquele procedimento especial que a Pan Asia teria se utilizado de recursos de terceiros para realizar as operações de importação (item 7.5.1 do Relatório), como ali afirmado, "devido ao amplo quadro probatório, a fiscalização foi além, não se sustentando, exclusivamente, na presunção, o que já seria suficiente para caracterizar o ilícito punível com a pena de perdimento. Tratase, portanto, de COMPROVAÇÃO de ocultação do sujeito passivo, real adquirente das mercadorias e não presunção". Dessa maneira, a acusação fiscal sobre a qual se desenvolveu o processo é de interposição fraudulenta comprovada, cuja distinção faremos a seguir, em conjunto com os aspectos que entendemos pertinentes para resolução do caso concreto. Da multa por conversão da pena de perdimento O fundamento legal apontado para a multa aplicada é o artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76, in verbis: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) “§ 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10909.721588/201472 Acórdão n.º 3401003.972 S3C4T1 Fl. 418 5 § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972”. (grifos nossos) A partir da leitura desses dispositivos, percebese que a infração de dano ao erário decorrente da prática de ocultação do sujeito passivo ou real adquirente pode ser aferida de duas maneiras, de forma presumida ou comprovada. Na hipótese de nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, presumese que tenha havido uma interposição fraudulenta de terceiros, pois, a ausência de recursos por parte do importador para a realização da operação é um elemento eleito pela Lei como suficiente para considerar que os recursos utilizados tiveram origem em terceiro, que não apareceu perante os controles aduaneiros, a caracterizar a interposição ilegal. Não sendo esse o caso, poderão as autoridades aduaneiras, com base em outros elementos, formar um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização. Como já destacado, no presente caso, apesar de tecer acusações que indicavam a utilização de interposição fraudulenta presumida, em que sequer precisaria provar a fraude ou simulação, a Fiscalização seguiu a segunda linha. Não há qualquer fundamento legal apontando a interposição presumida nem a Fiscalização iniciou procedimento para declarar a inaptidão da empresa, pelo contrário, aplicou a multa por cessão do nome prevista no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007. Logo, a acusação é baseada no artigo 23, V, § 3º, do Decreto Lei nº 1455/76, devendo o Fisco comprovar a ocorrência de interposição fraudulenta. Nesses casos, como afirmado no Acórdão nº 3401.003.174, de 17.05.2016, "muito embora a caracterização da interposição fraudulenta por si só constitua um dano ao erário passível de punição, não cabendo discussão quanto à identificação ou extensão do dano na sua ocorrência, penso que, na etapa anterior, para que se verifique a existência da própria interposição fraudulenta decorrente de simulação, a análise da existência de prejuízo, efetivo ou potencial, ao terceiro (Fazenda Pública) vinculado e decorrente do intuito de enganar o terceiro (Fazenda Pública), pode e deve ser um dos elementos a serem levados em consideração". Dessa maneira, para a cominação da pena de perdimento ou da multa substitutiva, previstas no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76, o Fisco deve provar não apenas a ocultação do sujeito passivo, mas que a mesma se deu com fraude ou simulação, o que, para esse último caso, importa demonstrar a existência do intuito de enganar o Fisco para a obtenção de uma vantagem indevida, normalmente em prejuízo à Fazenda Pública. Por esse motivo, o Desembargador Antônio Albino Ramos de Oliveira, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim se manifestou: "O que se reprime, através da drástica pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, "inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Evidente que a infração deve ser grave em sua Fl. 420DF CARF MF 6 substância, e não sob o aspecto meramente formal. No caso concreto, porém, a despeito do esforço desenvolvido pela autoridade autuante, não vejo no procedimento da agravante qualquer objetivo fraudulento ou malicioso. Não atino onde esteja o dano ao erário, a justificar o confisco do equipamento importado". (Agravo de Instrumento nº 2005.04.01.0462051 / 046205157.2005.4.04.0000; publicado em 11/01/2006) Dos elementos levantados pela Fiscalização para imputar a ocorrência da infração e das alegações das Recorrentes Como narrado, a Fiscalização levantou provas da ocorrência de interposição fraudulenta (i) na ação fiscal que deu origem ao lançamento; e (ii) em procedimento anterior, especial de controle aduaneiro da IN nº 1.169/2011, que embasou o Processo Administrativo nº 12457733.820/201244, que consta como anexo 1 ao Auto de Infração. Da leitura da descrição dos fatos do Auto de Infração (fls. 10 e seguintes dos autos), a Fiscalização afirma que o Relatório de Encerramento do Procedimento Especial detalha minuciosamente a conduta ilícita dos envolvidos e que a "conduta [dos envolvidos] encontrase sistematicamente repetida nas operações em comento, motivo pelo qual analisaremos neste tópico somente alguns aspectos que complementam e explicitam os demais elementos de prova constantes no referido relatório". Nesse sentido, a Fiscalização aponta que na declaração de importação lá utilizada como exemplo, haveria comprovação de que os recursos para pagamento do fornecedor estrangeiro vieram da empresa VPR Brasil, pela análise do extrato da conta bancária da Pan Asia e demais documentos. Já no procedimento anterior, especial de controle aduaneiro da IN nº 1.169/2011, que embasou o Processo Administrativo nº 12457733.820/201244, uma série de provas foi levantada e apresentada pela Fiscalização para afastar a importação declarada como por conta própria da Pan Asia e caracterizar a interposição fraudulenta, conforme a seguir: (i) vinculação entre empresa exportadora, transportadora internacional e VPR Brasil: "Há vinculação entre a empresa exportadora, Frigorífico SAN PEDRO, a empresa de transporte internacional, VPR FOODS e a empresa destinatária da carga VPR BRASIL. Vinculação, esta, que se dá em nome da Sra. Vania Paula que ocupa as posições de vicepresidente, presidente e sócia majoritária, respectivamente, das empresas"; (ii) Licenciamento de Importação vinculado à VPR Brasil: "O Licenciamento da Importação é vinculado à VPR BRASIL, uma vez que a reinspeção pelo MAPA da carga é feito no estabelecimento da própria VPR BRASIL, em Colorado/PR, e o número SIF/MAPA 2153, indicado na Licença de Importação (L.I.) que instruiu a DI objeto deste relatório é vinculado, também, a VPR BRASIL"; (iii) o destino da carga em todos os documentos, desde o Paraguai, portanto, antes de qualquer importação, é a cidade de Colorado PR, sede da empresa VPR Brasil; (iv) despachante aduaneiro da Pan Asia é o mesmo da única operação de importação realizada pela VPR Brasil, antes das operações realizadas com interposição da Pan Asia e na qual foi estourado o limite semestral para operar no comércio exterior: "O despachante aduaneiro responsável pelo Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10909.721588/201472 Acórdão n.º 3401003.972 S3C4T1 Fl. 419 7 registro de 16 declarações de importação (por conta própria) de carne em nome de PAN ASIA que teve como destino da carga a VPR BRASIL (venda simulada) é também representante legal da própria VPR BRASIL"; (v) histórico das operações de importação de carne entre os envolvidos: "O histórico das importações anteriores (33 operações), registradas em nome da PAN ASIA representam 100% das importações de carne esta empresa, e seguiram um mesmo padrão: 100% Exportador: SAN PEDRO, 100% Transporte: VPR FOODS e 100% Destino da carga: VPR BRASIL. Este mesmo padrão foi seguido pela VPR BRASIL na única operação de importação que havia registrado em seu nome até a instauração deste procedimento"; (vi) limitações na habilitação de importar da VPR Brasil: "A empresa VPR BRASIL não possuía habilitação para importar a carga objeto deste relatório por estar com seu limite de importação extrapolado, logo, não poderia a VPR BRASIL figurar como adquirente desta declaração de importação, nem por conta própria como importadora e adquirente e nem sequer como adquirente em uma importação por conta e ordem, o que justifica o uso ilícito da interposta PAN ASIA para permanecer oculta nesta importação"; (vii) com relação à negociação com o exportador, "a PAN ASIA não apresentou nenhum documento sequer que demonstrasse o contato dela com o exportador paraguaio SAN PEDRO, obviamente, a sua “assessora”, real adquirente, VPR BRASIL, vinculada ao Frigorífico SAN PEDRO, intermediou toda a negociação". Além dos elementos levantados para caracterizar a ocultação do sujeito passivo, a Fiscalização afirma que, ao proceder dessa forma, a empresa que se ocultou buscava as seguintes vantagens: (i) a não submissão aos procedimentos de habilitação ao SISCOMEX e de revisão de habilitação ao SISCOMEX, com o objetivo de não se expor a uma fiscalização, seja pela existência de irregularidades, seja pelo receio de sofrer alguma sanção, e evitar uma análise detalhada de informações contábeis, financeiras e operacionais; (ii) interferência na avaliação de risco nas operações; e (iii) não declaração da vinculação entre o exportador e adquirente. Por outro lado, a Pan Asia defende que realizou uma importação por conta própria e que seria a real adquirente da mercadoria, pois teria financiado, com recursos próprios, as operações de importação, não sendo possível, segundo a Recorrente, a discussão de opção logística por ela utilizada. Análise da caracterização de interposição fraudulenta Diante de elementos tão robustos dando conta que a Pan Asia não realizou uma operação por conta própria, mas cedeu seu nome para que a VPR Brasil pudesse realizar operações de importação de exportador de seu próprio grupo, sem que precisasse declarar a Fl. 422DF CARF MF 8 condição de vinculada e se sujeitar aos controles respectivos, a Pan Asia concentra sua defesa na alegação de que teria financiado, com recursos próprios as operações de importação. Para tanto, acosta à Impugnação, uma série de extratos bancários. Porém, da forma como oferecida a prova, sem qualquer demonstração de correlação entre operações de importação, datas de importação, despesas para nacionalização e valores disponíveis pela Pan Asia, com a evidenciação de sua origem, tal documentação não ajuda a Recorrente a infirmar a acusação fiscal e a presunção legal prevista no artigo 37 da Lei nº 10.637/2002: in verbis: "Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001". De qualquer modo, esse não é o único elemento trazido pela Fiscalização para comprovar a tese acusatória. Existe comprovação de que exportador, transportador e VPR Brasil pertencem ao mesmo grupo econômico. Antes de utilizar a Pan Asia, a VPR realizou apenas uma única operação de importação, em que não declarou o vínculo com o exportador e, além disso, sequer estava autorizada a realizar operações adicionais com a habilitação que possuía à época. O histórico das operações com carne realizadas pela envolvidas corrobora a acusação. Em todas as operações realizadas pela Pan Asia com carne, o exportador foi a empresa paraguaia e o "comprador no mercado interno" ou "real adquirente", para a Fiscalização, foi a VPR Brasil. Do ponto de vista da VPR, além daquela importação isolada diretamente da empresa paraguaia, todas as aquisições de carne se deram, a partir da Pan Asia e tendo como exportador a empresa paraguaia e, finalmente, do ponto de vista do exportador, todas as suas exportações acabaram tendo como adquirente a VPR Brasil, seja diretamente, naquela única importação por conta própria realizada pela VPR Brasil, seja indiretamente, nas operações de importação que a Pan Asia conta como importador por conta própria. Contundente também é a informação de que a Pan Asia foi incapaz de apresentar um elemento sequer que demonstrasse o mínimo de relação comercial com o exportador, situação que permaneceu após inaugurado o contencioso. Com efeito, a Recorrente não consegue apresentar explicações e provas para afastar os elementos apresentados pela Fiscalização, acima indicados. Por outro lado, também não faz prova da natureza das operações por ela realizadas. Se a Pan Asia era quem corria o risco e arcava com as operações de importação, por conta própria, poderia ter trazido algum elemento comprovando a compra e venda internacional junto ao exportador paraguaio, como emails, cartas, mensagens, contratos, viagens de funcionários ao Paraguai, que indicassem as negociações e ajustes realizados com os exportadores para a compra da carne. Se a VPR Brasil realizava apenas uma compra interna da carne, a Pan Asia poderia ter trazido também elementos que demonstrassem as negociações e ajustes para a venda e aquisição da carne junto a referida empresa e também os preços praticados nessa venda interna, para demonstrar que era remunerada pela margem de lucro entre importação e revenda e não por emprestar o nome. Aliás, nesse ponto, as próprias empresas envolvidas afirmam que a margem praticada era de 1,5% (um e meio por cento), o que está muito mais próximo a uma prestação de serviços de nacionalização, do que a uma margem condizente com a compra e venda no mercado interno de uma mercadoria anteriormente importada. De qualquer maneira, nem as acusações fiscais foram afastadas nem a Recorrente foi capaz de apresentar explicações e provas para amparar a natureza das operações Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10909.721588/201472 Acórdão n.º 3401003.972 S3C4T1 Fl. 420 9 por ela declaradas e defendidas. Com isso, o conjunto de provas dos autos, a meu ver, ampara a acusação de que houve ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Além disso, não me parece que a declaração quanto à natureza das operações às autoridades aduaneiras tenha se dado por mero equívoco ou questão de formalidade, mas sim que toda a estruturação da operação se deu na busca de vantagens para as partes envolvidas, em práticas que configuram fraude e simulação, requisitos para o reconhecimento da interposição fraudulenta. De acordo com a Fiscalização, as vantagens buscadas pela VPR Brasil seriam a não submissão aos procedimentos de habilitação ao SISCOMEX e de revisão de habilitação ao SISCOMEX, interferência na avaliação de risco nas operações, e evitar a declaração de que exportador e real adquirente eram vinculados. Com relação aos dois primeiros, quando levantados de forma genérica pela Fiscalização, como sói ocorrer no presente caso, penso que, por si só, não sirvam para justificar uma acusação, pois tais vantagens existem, em tese, em todo e qualquer caso em que há uma ocultação. Assim, não haveria que se fazer qualquer distinção entre a ocultação com artifício malicioso e aquela praticada sem qualquer fraude ou simulação. Mas, com relação a última vantagem, penso que é relevante. Como narrado pela Fiscalização, a utilização de uma interposta pessoa para fugir a essa declaração representa prejuízo ao controle aduaneiro, pois tal declaração tem reflexos na valoração aduaneira as mercadorias importadas e, em conseqüência, na base de cálculo dos tributos incidentes na importação. Desse modo, existindo vinculação, cabe ao Fisco analisar se essa relação influenciou a fixação dos preços, conforme dispõem os artigos 15 e 16 da Instrução Normativa nº 327/2003, a seguir transcritos: "Art. 15. A utilização do método do valor de transação nas operações comerciais entre pessoas vinculadas somente será permitida quando a vinculação não tiver influenciado o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Art. 16. A vinculação de que trata o artigo anterior diz respeito à relação existente entre o comprador e o vendedor na transação comercial de compra e venda das mercadorias". E, na hipótese de concluir que a vinculação entre as partes afetou o preço efetivamente pago, poderá determinar a apuração do valor aduaneiro, com base nos métodos substitutivos, como prevêem os artigos 29 e 33 da referida Instrução Normativa: "Art. 29. O importador deverá comprovar o valor declarado mediante a prestação das informações necessárias e a apresentação da respectiva documentação justificativa. Art. 33. O valor aduaneiro também será apurado com base em método substitutivo ao do valor de transação, quando o importador ou o adquirente da mercadoria não apresentar à fiscalização, em perfeita ordem e conservação, os documentos comprobatórios das informações prestadas na DI, a Fl. 424DF CARF MF 10 correspondência comercial, bem assim os respectivos registros contábeis, se obrigado à escrituração". Pelo exposto, entendo que restou caracterizada a ocultação do real adquirente. Dos demais argumentos da Recorrente Pan Asia A Pan Asia ainda sustenta "que o ilícito de interposição fraudulenta de terceiros possui natureza penaltributária, devendo estar diretamente ligado à prática de crimes antecedentes", segundo a Pan Asia, de ocultação da origem ilícita de recursos, prática de crime contra o Sistema Tributário Nacional ou crime contra o Sistema Financeiro Nacional, o que não teria ocorrido no caso dos autos. Além disso, afirma "que o ilícito de interposição fraudulenta tratase de um crime de resultado, sendo que no caso dos autos inexiste dolo em fraudar ou dano ao Erário, uma vez que todos os tributos foram recolhidos devidamente". Porém, o artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 não exige para a cominação da pena de perdimento ou da multa substitutiva que a interposição fraudulenta tenha sido praticada de forma vinculada a outros crimes como utilização de recursos de origem ilícita, prática de crime contra o Sistema Tributário Nacional ou crime contra o Sistema Financeiro Nacional. Apesar de um dos grandes objetivos da penalidade ser coibir crimes dessa natureza, a aplicação da penalidade não está restrita a esse tipo de crime, sendo certo que, pela norma que se extrai do dispositivo, a pena ou multa devem ser aplicadas ao se constatar uma interposição fraudulenta e não uma interposição fraudulenta praticada em conjunto ou em decorrência de origem ilícita de recursos, prática de crime contra o Sistema Tributário Nacional ou crime contra o Sistema Financeiro Nacional. Quanto ao pagamento dos tributos, em nada afeta a aplicação da pena, pois, como explicado, a pena ou multa incidem na ocorrência de interposição fraudulenta por prejuízo ao controle aduaneiro que, nos termos da Lei, por si só, configura um dano ao erário. De qualquer maneira, verificouse, no presente caso, não apenas o prejuízo ao controle aduaneiro, mas também a vantagem de natureza fiscal, de redução do quantum a pagar no total de tributos incidentes nas operações de importação, pela diminuição do valor devido a título de ICMS. A Pan Asia ainda defende a inaplicabilidade da multa, pois foi acusada de ceder seu nome nas operações de importação, diante da incidência do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Essa matéria não é nova no CARF. Uma primeira corrente advoga a possibilidade de cumulação, pelo entendimento de que as normas visam proteger bens jurídicos diversos. A pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria tem por objetivo proteger o controle aduaneiro, enquanto que a multa por cessão de nome visa proteger o uso do CNPJ. Além disso, o artigo 95, do Decreto Lei nº 37/1966, permitiria a atribuição de responsabilidade, de forma conjunta, entre ocultado e ocultante, em relação à pena de perdimento/multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Nesse sentido, decidiu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa de julgado abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10909.721588/201472 Acórdão n.º 3401003.972 S3C4T1 Fl. 421 11 CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas". (Processo nº 12466.002267/200647; Acórdão nº 9303004.345; 3ª Turma da CSRF; Sessão de 06/10/2016; Relatora: Érika Costa Camargos Autran) Uma segunda corrente defende a aplicação do princípio da especialidade, pelo raciocínio que a multa por cessão de nome estaria veiculada em norma especial para punição, ao passo que a perdimento/multa equivalente ao valor aduaneiro estaria veiculada em norma geral, ambas para tratar de um mesmo ato infracional. Logo, aplicarseia a norma decorrente da regra especial para o ocultante, levando ainda em consideração que essa interpretação se adequaria à norma contida no artigo 100, do Decreto Lei nº 37/1966. Nessa segunda linha de pensamento, podese citar o julgado abaixo: Ementa: "(...) IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MULTA APLICÁVEL AO IMPORTADOR OSTENSIVO CESSÃO DE NOME PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE DA SANÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, em face do princípio da especialidade da sanção, não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, sob pena de ilegal bis in idem. Trecho do Voto Vencedor: "(...) entendo que com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07 aplicável à hipótese de pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários – não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, aplicável na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 426DF CARF MF 12 A aplicação cumulativa dessas sanções sobre a importadora ostensiva não somente viola o princípio da especialidade, como constitui um ilegal bis in idem. Realmente, tratandose de dispositivos legais que tipificam uma única conduta – “acobertamento” ou “ocultação” dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, evidenciase o conflito aparente de normas, que impõe a observância do princípio da especialidade que por sua vez determina a prevalência da norma especial, não sendo lícito ao fisco cumulála ou agravála sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator, pois como expressamente determina o art. 100 do Decretolei nº 37/66, “in verbis”: [transcrição do artigo]". (Processo nº 10314.724447/201230; Acórdão nº 3402002.362; 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 23/04/2014). Com efeito, as duas normas visam punir a mesma conduta, de acobertamento ou a ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior. Enquanto o artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976 abrange todas as partes envolvidas na operação de importação, o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 foi específico, ao indicar como destinatário da norma a pessoa jurídica acobertante. Assim, a interpretação exclusivamente teleológica daqueles que afirmam ser a penalidade do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 um abrandamento da pena capital de inaptidão de CNPJ, a meu ver, entra em choque com a norma que resulta da leitura dos textos normativos, tal como inseridos e como ganharam vida no ordenamento jurídico. Nesse sentido, acredito que a leitura adequada do texto normativo deva levar em conta o diálogo desse dispositivo com os demais dispositivos que são influenciados e o influenciam no âmbito do sistema do direito aduaneiro e, além disso, a interpretação determinada pelo artigo 112, inciso IV, do CTN, o que me leva a adotar a segunda corrente exposta, pela impossibilidade de cumulação das penalidades em apreço, devendo o acobertante ser penalizado exclusivamente com a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, motivo pelo qual proponho o cancelamento do lançamento em relação à Pan Asia. Como pedido subsidiário, a Pan Asia requer a alteração do pólo passivo da demanda, para que a empresa VPR Brasil seja indicada como contribuinte e principal interessada e que a Pan Asia seja indicada exclusivamente como responsável solidária. Não merece prosperar esse pleito da Recorrente. Nas operações de importação, é contribuinte do Imposto de Importação, nos termos do artigo 31, inciso I, do Decreto Lei nº 37/1966: "O importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional". Já nas operações por conta e ordem e para encomendante predeterminado, além do importador, respondem, de forma solidária, pelo pagamento do imposto o adquirente por conta e ordem e o encomendante predeterminado, nos termos do artigo 32, parágrafo único, alíneas "c" e "d", do Decreto Lei nº 37/19661. 1 Art . 32. É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10909.721588/201472 Acórdão n.º 3401003.972 S3C4T1 Fl. 422 13 Assim, no que se refere ao Imposto de Importação, há o importador na qualidade de contribuinte (artigo 121, inciso I, do CTN), e o adquirente por conta e ordem e o encomendante predeterminado, na qualidade de responsável (artigo 121, inciso II, do CTN). Já no que se refere às infrações, o artigo 95, incisos I, V e VI, do Decreto Lei nº 37/1966, prevê que respondem, de forma isolada ou conjunta, quem, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie, o adquirente por conta e ordem e o encomendante predeterminado na aquisição de mercadoria estrangeira, nos termos abaixo: "Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora". Assim, para a penalidade prevista no artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976, todos os atores que a Fiscalização entender que tiverem concorrido ou se beneficiado da prática infracional devem responder, em pé de igualdade, independentemente da natureza que ostentar o infrator, de contribuinte ou responsável, em relação ao Imposto de Importação. Dessa maneira, ainda que o lançamento tenha indicado a Recorrente e a VPR Brasil como sujeitos passivos e a VPR Brasil como "responsável solidário" e não como "responsável conjunto" pela multa, não há nada a reparar no Auto de Infração, pois da "descrição dos fatos" e do TVF percebese que a acusação se volta contra os atores envolvidos na operação de importação de forma direta e não por atribuição de responsabilidade, pois o fundamento do lançamento é o artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976. Além disso, a indicação inexata da condição do sujeito passivo, no presente caso, não implicou prejuízo a defesa da Recorrente, não havendo, portanto, que se declarar qualquer nulidade do Auto de Infração (artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972). Conclusão Pelo exposto, proponho ao Colegiado dar provimento ao Recurso Voluntário da Pan Asia para excluíla do lançamento, mantendo o lançamento da multa em relação a VPR Brasil. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 428DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Redatora designada Em que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto do ilustre relator, deste ouso divergir apenas quanto a exclusão da empresa Pan Ásia do lançamento, já que quanto aos outros pontos alegados em recurso voluntário concordo com a fundamentação trazida pelo relator. Concordo com o ilustre relator que as acusações fiscais não foram afastadas pelos acusados e nem eles apresentaram explicações e provas para amparar as operações efetuadas: Porém, nem as acusações fiscais foram afastadas nem as Recorrentes foram capazes de apresentar explicações e provas para amparar a natureza das operações por ela declaradas e defendidas. Com isso, o conjunto de provas dos autos, a meu ver, ampara a acusação de que houve ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Além disso, não me parece que a declaração quanto à natureza das operações às autoridades aduaneiras tenha se dado por mero equívoco ou questão de formalidade, mas sim que toda a estruturação da operação se deu na busca de vantagens para as partes envolvidas, em práticas que configuram fraude e simulação, requisitos para o reconhecimento da interposição fraudulenta. Entretanto, o relator do voto vencido expõe sua posição de que há impossibilidade de cumulação das penalidades do artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976, com a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, motivo pelo qual ele propõe o cancelamento do lançamento da multa do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 em relação à Pan Ásia: Com efeito, as duas normas visam punir a mesma conduta, de acobertamento ou a ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior. Enquanto o artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976 abrange todas as partes envolvidas na operação de importação, o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 foi específico, ao indicar como destinatário da norma a pessoa jurídica acobertante. Assim, a interpretação exclusivamente teleológica daqueles que afirmam ser a penalidade do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 um abrandamento da pena capital de inaptidão de CNPJ, a meu ver, entra em choque com a norma que resulta da leitura dos textos normativos, tal como inseridos e como ganharam vida no ordenamento jurídico. Nesse sentido, acredito que a leitura adequada do texto normativo deva levar em conta o diálogo desse dispositivo com os demais dispositivos que são influenciados e o influenciam no âmbito do sistema do direito aduaneiro e, além disso, a interpretação determinada pelo artigo 112, inciso IV, do CTN, Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10909.721588/201472 Acórdão n.º 3401003.972 S3C4T1 Fl. 423 15 o que me leva a adotar a segunda corrente exposta, pela impossibilidade de cumulação das penalidades em apreço, devendo o acobertante ser penalizado exclusivamente com a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, motivo pelo qual proponho o cancelamento do lançamento em relação à Pan Asia. Neste ponto entendo que é possível a cumulação das duas sanções (artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976, com a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007) já que estão protegendo bens jurídicos diversos, a saber: a pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria protegendo o controle aduaneiro, enquanto que multa por cessão de nome visa proteger o uso do CNPJ. Nesse sentido, já decidiu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa de julgado abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 CESSÃO DE NOME. CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acórdão nº 9303 003.388 – 3ª Turma. Sessão de 25 de janeiro de 2016. Pelo exposto, voto por negar provimento aos Recursos Voluntários apresentados pelas empresas, mantendo o lançamento em sua íntegra. Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Redatora designada Fl. 430DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.720873/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE. LEI COMPLEMENTAR 105/01
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Reputa-se válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
A argumentação sobre o caráter confiscatorio da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Numero da decisão: 2401-005.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE. LEI COMPLEMENTAR 105/01 O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputase válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatorio da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 08 73 /2 01 2- 45 Fl. 293DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10670.720873/201245 Acórdão n.º 2401005.191 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório VALDIR MAXIMINO DA CRUZ, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0369.469/2015, às fls. 238/251, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada e omissão ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação aos exercícios 2009 e 2010, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/11, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 31/05/2012 (AR efl. 217), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente dos seguintes fatos geradores: a) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. b) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS. Omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de bens e direitos de qualquer natureza adquiridos em reais. Quanto a primeira infração, depósitos bancários de origem na comprovada, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal às fls. 17/18, o contribuinte não atendeu satisfatoriamente à intimação e portanto não identificou nem comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, embora devidamente intimado. Tais valores constam em demonstrativos anexos, e também fazem parte integrante deste Termo, em conformidade com art. 42 da Lei n° 9.430, com as alterações da Lei n° 9.841/1997 e Lei n° 10.637/2002. Para fins de tributação foram considerados apenas os valores cujo histórico não trazem nenhuma dúvida quanto ao seu enunciado, tratandose exclusivamente de depósitos inequívocos, feitos nas contas correntes do contribuinte, quais sejam depósito em dinheiro, depósito online, depósito em cheque, desbloqueio de depósito, depósito de cheque liquidado, depósito de cheque liberado, etc. Por outro lado foram excluídos das planilhas e conseqüentemente não tributados todos os outros valores de transferências, TED, transferências entre contas, empréstimos, financiamentos, descontos de cheques e outros créditos. Os valores dos créditos cuja origem não foi comprovada constam dos demonstrativos anexos, denominados "Depósitos Não Comprovados na Conta Corrente n° 11.4065, Banco do Brasil"; "Depósitos Não Comprovados na Conta Corrente n° 000089, BNB";"Depósitos Não Comprovados na Conta Corrente nº 00100803, do Banco Bradesco", e "Depósitos Não Fl. 295DF CARF MF 4 Comprovados na Conta Corrente n° 234.0011, da Cooperativa de Crédito Credigerais" que fazem parte deste termo e do Auto de Infração. Para o anocalendário 2009 não houve tributação a este título uma vez que os valores dos depósitos não comprovados foram inferiores aos valores das Receitas da Atividade Rural mais Rendimentos declarados na DIRPF. No entanto em relação ao anocalendário 2008 os valores dos depósitos não comprovados excederam aos valores das Receitas da Atividade Rural mais Rendimentos declarados em R$ 235.448,29. Tais valores constam de demonstrativo anexo denominado "CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS X RECEITAS E RENDIMENTOS DECLARADOS”, que também faz parte integrante deste termo e do Auto de Infração. Já em relação ao ganho de capital, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal às fls. 18/19, o contribuinte fiscalizado era legítimo proprietário de dois imóveis urbanos localizados na cidade de JanaúbaMG. Um com área de 6.000 metros quadrados que constava da declaração de IRPF do anocalendário 2008 pelo valor de R$ 12.000,00 e outro com área de 2.392 metros quadrados que também constava da mencionada declaração pelo valor de R$ 38.800,00. Em 28.09.2009 com a primeira alteração contratual da sociedade empresária Superjan Supermercado Ltda, ambos os imóveis foram transferidos do patrimônio do Sr. Valdir para o patrimônio da sociedade empresária acima referenciada. Para fins de alienação os imóveis foram avaliados, sendo o de 6.000 metros quadrados pelo valor de R$ 330.000,00 e o de 2.392 metros quadrados pelo valor de R$ 908.960,00. No anocalendário de 2009 não foram apurados os ganhos de capital e conseqüentemente não foi recolhido o valor do imposto de renda incidente sobre essas operações. Depois de submetido à Fiscalização, estando portanto sem espontaneidade, o contribuinte apurou o ganho de capital e contrariando a legislação, tentou parcelar o débito vencido em 30.10.2009. Através de Auto de Infração foi efetuado o lançamento de oficio do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, acrescidos de juros de mora e multa de oficio conforme determina a legislação em vigor. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado apresentou Recurso Voluntário, às efls. 256/286, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, aduzindo que os depósitos por si só, não representam disponibilidade financeira, conforme o art. 43 do CTN e Súmula 182 do extinto TFR. Afirma restar comprovada a origem do montante referente aos depósitos bancários questionados, sendo totalmente ignorada a documentação apresentada pelo contribuinte. Alega que os valores depositados em suas contas pessoais eram decorrentes das duas únicas atividades profissionais exercidas por ele, quais sejam, empresarial e da atividade rural. Explícita que as movimentações econômicas e financeiras são compatíveis com suas atividades empresariais, sendo que o mesmo não está obrigado a conciliar suas contas bancárias pessoais e não lhe é vedado movimentar numerários dessas atividades em suas contas correntes, reiterando a inversão do ônus da prova, pois quem tem que provar é o Sr. Auditor. Aduz que a fundamentação do Auto na mera movimentação bancária contraria o entendimento da doutrina pátria que sustenta que o regramento do artigo 42 da Lei Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10670.720873/201245 Acórdão n.º 2401005.191 S2C4T1 Fl. 4 5 nº 9.430/96 não autoriza o lançamento do imposto no caso de existência de meros depósitos bancários, ainda que de origem não comprovada, sem a devida demonstração de existência de renda consumida pelo contribuinte, ou seja, é absolutamente equivocado pretender o Fisco retirar do artigo supracitado uma suposta presunção juris tantum em favor do mesmo, que o autorizasse a exigir imposto de renda sobre meros depósitos bancários, sem aprofundamentos investigatórios relativamente à presença de renda consumida ou à demonstração de outros elementos fáticos vinculados a movimentação de renda. Insurgese quanto a aplicação da multa de ofício, por afronta direta ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade, sendo de caráter confiscatorio, além da quebra da quebra do sigilo bancário. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar o cancelamento do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Conforme depreendese do relato acima, o recorrente insurgese apenas quanto a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, motivo pelo qual iremos nos ater apenas a este tema. SIGILO BANCÁRIO Assevera ser claro o caráter sigiloso da movimentação bancária. Pois bem, com relação à utilização das informações bancárias do Autuado para a constituição do crédito tributário, devese notar que, na espécie, não houve quebra do sigilo bancário, no momento em que as informações foram fornecidas pelo próprio sujeito passivo, voluntariamente, ainda que em atendimento à intimação fiscal, e estão cobertas pelo sigilo fiscal. Requerer, posteriormente, a nulidade de tal prova seria venire contra factum proprium, o que não se admite. Ademais, a Lei Complementar no 105/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, já previa, desde janeiro/2001, a possibilidade de a autoridade fiscal examinar as informações referentes a contas de depósito em instituições financeiras. Vejamos: Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Vale salientar ainda que, em recente assentada (24/02/2016), o Supremo Tribunal Federal julgou, com repercussão geral, constitucionais os dispositivos da LC n° 105/2001 que permitem à Receita Federal obter dados bancários de contribuintes, fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial1. Prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. DEPÓSITO BANCÁRIO O contribuinte aduz que os depósitos por si só, não representam disponibilidade financeira, conforme o art. 43 do CTN e Súmula 182 do extinto TFR. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10670.720873/201245 Acórdão n.º 2401005.191 S2C4T1 Fl. 5 7 Afirma restar comprovada a origem do montante referente aos depósitos bancários questionados, sendo totalmente ignorada a documentação apresentada pelo contribuinte. Alega que os valores depositados em suas contas pessoais eram decorrentes das duas únicas atividades profissionais exercidas por ele, quais sejam, empresarial e da atividade rural. Explícita que as movimentações econômicas e financeiras são compatíveis com suas atividades empresariais, sendo que o mesmo não está obrigado a conciliar suas contas bancárias pessoais e não lhe é vedado movimentar numerários dessas atividades em suas contas correntes, reiterando a inversão do ônus da prova, pois quem tem que provar é o Sr. Auditor. Aduz que a fundamentação do Auto na mera movimentação bancária contraria o entendimento da doutrina pátria que sustenta que o regramento do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não autoriza o lançamento do imposto no caso de existência de meros depósitos bancários, ainda que de origem não comprovada, sem a devida demonstração de existência de renda consumida pelo contribuinte, ou seja, é absolutamente equivocado pretender o Fisco retirar do artigo supracitado uma suposta presunção juris tantum em favor do mesmo, que o autorizasse a exigir imposto de renda sobre meros depósitos bancários, sem aprofundamentos investigatórios relativamente à presença de renda consumida ou à demonstração de outros elementos fáticos vinculados a movimentação de renda. Em que pesem as razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, senão vejamos: Primeiramente é importante salientar que o contribuinte não discute nenhum valor ou depósito específico considerado pela autoridade fiscal, apenas questionando legislação e documentação, não sendo o bastante para reformular a decisão de piso. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: "Art. 42, Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição . financeira, em relação aos quais o titular, pessoa _física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 299DF CARF MF 8 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa .física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 Oitenta mil reais) (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.897). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será *tirada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002). § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares' tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. ('Incluído pela Lei n°10637, de 30,12,2002)." O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado corno fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Para Pontes de Miranda, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm corno verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário, conforme demasiadamente tratado em diversos outros votos deste Relator. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem corno verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10670.720873/201245 Acórdão n.º 2401005.191 S2C4T1 Fl. 6 9 sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, existe a Súmula CARF n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário e por este Tribunal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de n° 26, com a seguinte redação: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." Mais uma vez, repiso, o contribuinte nada se esforça ou argumenta sobre a comprovação dos numerários, apenas demonstrando descontentamento com a legislação e mencionando entendimento judicial, ou seja, em relação aos depósitos efetuados na conta bancária não foram apresentados esclarecimentos convincentes e muito menos documentos hábeis e idôneos a demonstrar a origem de cada depósito bancário. Fl. 301DF CARF MF 10 MULTA DE OFÍCIO Insurgese quanto a aplicação da multa de ofício, por afronta direta ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade, sendo de caráter confiscatorio. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo, fato incontestável, aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001497/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL - TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO - POSSIBILIDADE.
Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte
Numero da decisão: 9202-005.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir apenas os rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual, vencidas as Conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para excluir apenas os rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual, vencidas as Conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 14 97 /2 00 7- 46 Fl. 285DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 280100.316, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2005, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora no valor de R$ 105.269,01. O Contribuinte, às fls. 122/154, apresentou a impugnação alegando, em síntese, inaplicabilidade ao caso a presunção de que trata o art. 42 da Lei 49.430/1996, por inexistirem documentos fornecidos pelas instituições financeiras que possibilitasse a regular comprovação da movimentação que transitou em suas contas bancárias, o que contraria os artigos 43, 114, 139 do CTN e os princípios constitucionais da pessoalidade, da capacidade contributiva, etc. A DRJ/POA, às fls. 164/180, julgou procedente o lançamento. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 185/213, alegando, dentre outras, que o auto de infração não poderia estar assoalhando na movimentação financeira, mas sim na variação patrimonial, que reconhece que ante a ausência de rígidos controles contábeis, infelizmente inexistentes, mesmo porque a lei não exige tais controles, os depósitos não puderam ser rigorosamente justificados. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 234/246, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir da base de cálculo o valor de R$ 38.400,00. Às fls. 255/269, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual argumentou que Colegiado a quo presumiu que o valor declarado em DAA pode ser considerado como comprovação de origem dos depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. De outro modo, os acórdãos paradigmas firmaram entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11020.001497/200746 Acórdão n.º 9202005.632 CSRFT2 Fl. 286 3 alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobando entre os depósitos. Cada depósito deve ser justificado individualizadamente como determina a lei. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 272/275, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: omissão de depósito bancário, pois, os paradigmas, à semelhança do acórdão recorrido, tratam de lançamento de imposto de renda de pessoa física, baseado na presunção legal disposta no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. No recorrido, a turma decidiu excluir os rendimentos declarados (tributáveis, isentos ou não tributáveis) da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Já os paradigmas consideraram indispensável a individualização e a vinculação de cada depósito aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem. Resta, portanto, patente a divergência jurisprudencial alegada. Cientificado à fl. 282, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2005, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora no valor de R$ 105.269,01. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: omissão de depósito bancário, tendo em vista que, diferente do entendimento do acórdão recorrido, os paradigmas consideram indispensável a individualização e a vinculação de cada depósito aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem. Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Utilizase aqui das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em discussão. Assim, "presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). Fl. 287DF CARF MF 4 No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Podemos, deste dispositivo, destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. No caso em tela, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte, conforme excerto abaixo: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11020.001497/200746 Acórdão n.º 9202005.632 CSRFT2 Fl. 287 5 A alegação do Contribuinte de que os rendimentos declarados na DIRPF devem ser excluídos dos valores objeto de tributação tem fundamento, caso contrário, estaríamos tributando novamente algo que foi declarado e tributado, ou apenas declarado nos casos de rendimentos isentos e não tributáveis. Desta forma, devemos excluir da base de cálculo dos valores informados nas Declarações de Rendimentos a título de rendimento tributável, isento e não tributáveis no ano no importe de R$ 38.400,00. Neste ponto, entendo, inclusive, de modo mais abrangente, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF pode ser considerado como prova de origem, independentemente de sua natureza (tributável, não tributável ou isento), pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa sobre ele ser provada a identidade entre fonte e depósito. Assim, os valores declarados nas DIRPF's deveriam ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento, mantendo o acórdão recorrido na sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 289DF CARF MF 6 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a máxima vênia ao entendimento da nobre relatora, alinhome ao posicionamento majoritário deste CARF acerca do tema de exclusão de valores declarados dos montantes tributáveis a título de omissão de rendimentos oriunda de depósitos não comprovados. Reproduzo, a propósito, excerto do brilhante voto de lavra do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no âmbito do Acórdão no 10617.117, exarado pela 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes e que, assim, adoto como razões de decidir, verbis: “(...) Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa fisica, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada cum grano salis. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente. Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231) (...)” Ainda, rejeito a necessidade de extensão de tal posicionamento aos rendimentos isentos e não tributáveis também declarados, pelo fato de que, notese, o que se está a presumir, com fulcro no permissivo legal estabelecido pelo art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, é que todos os depósitos bancários, quando não comprovados através de documentação hábil e idônea pelo contribuinte, passam a se constituir em omissão de rendimentos tributáveis (daí sua tributação quando da utilização da presunção), não havendo qualquer consequência, assim, que se possa associar diretamente aos rendimentos isentos e não tributáveis declarados, que destarte, restaram aceitos na forma que declarados pelo contribuinte. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11020.001497/200746 Acórdão n.º 9202005.632 CSRFT2 Fl. 288 7 Assim, entendo que devam ser excluídos dos montantes tributados a título de omissão de receita tão somente os montantes declarados como tributáveis pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, totalizando R$ 37.700,00 (consoante efl. 10). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional de forma a que a exclusão se limite aos rendimentos tributáveis constantes da declaração anual do contribuinte. É como voto (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.912287/2006-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RECOLHIMENTO DE IRPJ DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. DEDUÇÃO DO IRPJ APURADO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor de IRPJ apurado no encerramento do período, os pagamentos de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada correspondente, desde que os dados estejam inequivocamente comprovados. PESSOAS JURÍDICAS CONSORCIADAS. SUJEITO PASSIVO. Todas as pessoas jurídicas consorciadas mantém sua personalidade jurídica distinta das demais e por esta razão são os sujeitos passivos das obrigações tributárias em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO DO IRPJ APURADO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor de IRPJ apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente, desde que os dados estejam inequivocamente evidenciados. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.247
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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RECOLHIMENTO DE IRPJ DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. DEDUÇÃO DO IRPJ APURADO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor de IRPJ apurado no encerramento do período, os pagamentos de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada correspondente, desde que os dados estejam inequivocamente comprovados. PESSOAS JURÍDICAS CONSORCIADAS. SUJEITO PASSIVO. Todas as pessoas jurídicas consorciadas mantém sua personalidade jurídica distinta das demais e por esta razão são os sujeitos passivos das obrigações tributárias em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO DO IRPJ APURADO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor de IRPJ apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente, desde que os dados estejam inequivocamente evidenciados. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 22 87 /2 00 6- 10 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 278 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente, CNPJ 57.059.4201000160, formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) no período de 06.08.2003 e 14.01.2005, fls. 0208 e 150158, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$193.309,75 referente ao anocalendário de 2000. Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente, fls. 0911, foi informado o valor total de R$273.581,19 originário do somatório de R$111.392,20 de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada e de R$162.188,09 de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 97102, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou ementado Assunto: Pedidos Eletrônicos de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação —Per/Dcomp’s Anocalendário: 2000 Ementa: Saldo Negativo de IRPJ. Recolhimento por estimativa IRPJ e IRRF. Dedução. Os recolhimentos efetuados por estimativa de IRPJ e o imposto de renda retido na fonte são considerados antecipações, não são indébitos ou recolhimentos a maior, mas podem ser deduzidos do imposto devido apurado ao final do ano calendário. Se o resultado apurado for um saldo negativo, poderá ser restituído à pessoa jurídica. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 279 3 Crédito líquido e certo. Compensação. A autoridade administrativa somente autorizará a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos. Cientificada em 03.07.2008, fl. 103, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.08.2008, fl. 104116, argumentando que discorda do indeferimento do pleito. Atinente ao valor de R$111.392,20 de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, suscita que apurou os valores de IRPJ nos meses de fevereiro e abril, nos valores de R$85.281,60 e R$26.137,37, respectivamente, os quais foram compensados com os saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário 1999 e 1998. Esclarece que esta quantia, entretanto, não foi considerada de ofício para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no período, porque nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999 não havia créditos. Lembra que não utilizou qualquer valor do anocalendário de 1997. Em relação aos anoscalendário de 1998 e 1999 incorreu em erro no preenchimento das DIPJ ao deixar de informar, respectivamente, os montantes de R$90.692,24 e R$192.395,37 a título de IRRF. No que se refere ao valor de R$162.188,09 de IRRF, diz que foi reconhecido como correto de ofício o valor de R$87.212,77. Menciona que deve ser considerado também como induvidoso o valor de R$75.792,80 de IRRF da Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus, CNPJ 74.638.933/000145, do qual tem participação de 42,5%. Apresenta como fundamento o fato de que os consórcios não detêm autonomia jurídico tributária, nem personalidade jurídica própria e por esta razão cada consorciada é que responde pelos tributos incidentes sobre os resultados auferidos, na proporção de sua participação. Neste sentido, aduz que tem direito ao referido montante que decorre do cálculo de 42,5% do total de R$178.336,21 correspondente ao IRRF de aplicações financeiras efetuados pela Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus no Banco do Brasil S/A, Banespa S/A e Banespa S/A Corretora. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Concluise, assim, pela existência da totalidade do crédito utilizado pela Peticionária nas compensações efetuadas (R$193.309,75), razão pela qual todas as PER/DCOMPs apresentadas devem ser homologadas, com a conseqüente extinção dos débitos de IRRF, PIS e COFINS compensados. [...] Em face do quanto exposto, aguardase seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, para o fim de (i) reconhecer o direito creditório da Peticionária, assim como (ü) homologar as compensações efetuadas por meio das PER/DCOMPS ii's 04965.56800.060803.1.3.020753. 00538.56404.290304.1.3.02 0506, 38)72.38376.190504.1.3.020870, 14329.94902.260504.1.3.02 0370, 3299f>.95932.080704.1.3.02 4144, 27637.79062.090904.1.3.027424 e 0426ti.76883.140105.1.3.02930, por tratarse de medida de direito. Requerse, outrossim, que as intimações referentes ao processo administrativo em questão sejam encaminhadas para os advogados da empresa, cujo endereço consta do timbre. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 280 4 Termos em que, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1626.834, de 23.09.2010, fls. 166177:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta no Voto condutor Resumidamente a DERAT relatou o seguinte: (i) foram apresentados PER/DCOMP's, de 08/2003 a 01/2005, para compensação de débitos com saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2000, no valor de R$273.581,19; (ii) parte deste valor, R$162.188,99, se referia a IRRF, tendo sido confirmada a existência da quantia de R$87.212,77; (iii) a outra parte, do saldo negativo, R$111.392,20, a DERAT não reconheceu, pois se referiam às estimativas de fevereiro e abril de 2000 compensadas com saldos credores do IRPJ de 1997 a 1999 inexistentes, pois, não figuravam nas DIPJ's; (iv) foi apurado também, que o contribuinte realizou em 2001 compensações sem processo de: estimativa de fevereiro/2001 e IRRF sobre juros de capital próprio, também, com o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2000; (v) que a DERAT com o saldo negativo de 2000 reconhecido, no valor de R$87.212,77, procedeu à compensação, através do sistema NEO SAPO, destes débitos de 2001 e que ficou ainda em aberto débitos no valor de R$93.200,18 e (vi) em conseqüência do apurado o despacho decisório foi de não reconhecer o direito creditório de IRPJ pleiteado e não homologar os PER/DCOMP's apresentados eletronicamente. [...] Esclareçase, por oportuno, que compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170, do CTN. Em relação ao IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, ficou assim esclarecido Porém, além de não ter realizado a retificação das suas DIPJ's procedimento necessário, pois, para Receita Federal do Brasil estas informações são utilizadas para efeito de acompanhamento e planejamento de trabalhos de fiscalização, além de representar para o contribuinte o documento que espelha o crédito que tem direito , não apresentou como deveria os documentos para comprovar que as receitas financeiras relativas aos valores do IRRF foram efetivamente consideradas na apuração do lucro real. No que se refere ao IRRF, consta que também, a Impugnante não comprova o direito líquido e certo do crédito do IRPJ, apurado com estas retenções, pois, não apresenta os documentos acima mencionados para comprovar que efetivamente os rendimentos foram oferecidos à tributação na DIPJ/2001. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 281 5 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Não tendo sido informado na DIPJ o IRRF que comporia o saldo negativo do IRPJ, sua retificação tem que ser realizada, visto que ela deve espelhar a realidade dos fatos. COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA Á TRIBUTAÇÃO. NECESSIDADE. Para que o IRRF possa ser deduzido do valor do Imposto de Renda a ser pago, é necessário que: (i) o contribuinte apresente comprovante de retenção emitido em seu nome, pela fonte pagadora, e (ii) prove que as receitas correspondentes integram a base de cálculo do imposto devido. Notificada em 27.10.2010, fl. 178 e 204, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.11.2010, fls. 179, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 282 6 de tributo pago a maior1. Vale esclarecer que cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações2 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. I) Recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada Atinente ao valor de R$111.392,20 de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, a pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) 4. A Recorrente alega que apurou os valores de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada nos meses de fevereiro e abril, nos valores de R$85.281,60 e R$26.137,37, respectivamente, os quais foram deduzidos do IRPJ apurado do anocalendário de 2000. Para tanto utilizou os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 1999. Mas à época incorreu em lapso manifesto ao preencher as DIPJ destes anoscalendário, já que deixou de indicar a dedução de IRPJ nos valores respectivos de R$90.692,24 e R$192.395,37 de IRRF. Entretanto, de acordo com as normas que regem as obrigações tributárias deveria ter procedido à retificação da DIPJ, que independe de autorização pela autoridade administrativa e tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal:§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 283 7 substituindoa integralmente5. Esta por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Sobre esta questão, os autos estão instruídos com as DIRF e as DIPJ originais, fls. 2860, que, por si sós, não evidenciam suas alegações. Ademais, não foram entregues as DIPJ retificadoras, tampouco todos os registros contábeis e documentos correspondentes. Diante destes fatos não se pode inferir a congruência de todos estes dados e assim a afirmação suscitada pela defendente não pode ser demonstrada inequivocamente. II) IRRF No que se refere ao valor de R$ R$75.792,80 de IRRF, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente6. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte, devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o IRRF somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do anocalendário 7. No caso de consórcio de pessoas jurídicas, sob o mesmo controle ou não, consiste na integração de sociedades empresárias com a finalidade de execução de um determinado empreendimento de grande vulto, exigindo para sua execução conhecimentos técnico e instrumental especializados formalizado por um contrato previamente aprovado pelo Conselho de Administração, ou pela Assembleia Geral ou pelos sócios, por deliberação majoritária, conforme o tipo societário. Neste sentido, o objeto comum pode ser um acordo exploratório a execução prestação de serviço de transporte, que é administrado por um das pessoas jurídicas integrantes designada como a “líder” no contrato respectivo. Esta fica responsável pela escrituração contábil e fiscal próprios e guarda dos livros e documentos comprobatórios das operações do consórcio, conforme os prazos legais. O consórcio não tem personalidade jurídica tributária, embora esteja obrigada à inscrição Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e ao arquivamento de seus atos constitutivos na Junta Comercial do lugar da sua sede. Todas as pessoas jurídicas consorciadas mantém sua personalidade jurídica distinta das demais e por esta razão são os sujeitos passivos das obrigações tributárias em 5 Fundamentação legal: art. 147 do Código Tributário Nacional e Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. 6 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 284 8 relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento, sem presunção de solidariedade. O faturamento correspondente às operações do consórcio é efetuado pelas pessoas jurídicas consorciadas, mediante a emissão de nota fiscal ou de fatura próprias com informação esclarecendo tratarse de operações vinculadas ao consórcio, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento, e devem remeter as cópias destes documentos à pessoa jurídica “líder”. Ademais, os pagamentos decorrentes das operações do consórcio sujeitos à IRRF na forma da legislação em vigor, a retenção, o recolhimento e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, devem ser efetuados em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Somente a partir de 29.10.2010 há possibilidade de que a retenção de tributos, o respectivo recolhimento e o cumprimento das obrigações acessórias sejam realizadas pela figura do consórcio, ficando as empresas que o integram como responsáveis solidárias8. A Recorrente suscita que tem direito ao valor de R$75.792,80 de IRRF, decorrente das aplicações financeiras efetivadas em 2000 pela Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus. Os autos estão instruídos, além de planilhas, de DIPJ e de DIRF, com os seguintes documentos: (a) Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus, CNPJ 74.638.933/000145 Livro Razão de 1998 e 1999, fls. 207219 e 237241; Informes de Rendimento do Banco do Brasil S/A de 1999, fls. 220 e 223; e Informe de Rendimento do Banespa S/A de 1999, fl. 222. (b) Recorrente, W Washington Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ 57.059.4201000160 Instrumento Particular de Consolidação do Contrato de Consórcio, fls. 133 136; Informe de Rendimento do Unibanco S/A de 1998 e 1999, fls. 225226, 251; Informe de Rendimento do Bank Boston S/A de 2000, fl. 224; Informes de Rendimento do Banco do Brasil S/A de 1998 e 1999, fls. 227, 252253; Informes de Rendimento do Banco do Safra S/A de 1998, fl. 254; Livro Razão de 2000, fls. 257266. 8 Fundamentação legal: art. 278 e art. 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, art. 1º da Lei nº 12.402, de 2 de maio de 2011, Instrução Normativa DNRC nº 74, de 28 de dezembro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 834 de 26 de março de 2008 e Instrução Normativa RFB nº 1.199, de 14 de outubro de 2011. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 285 9 No Instrumento Particular de Consolidação do Contrato de Consórcio está explícito, fls. 133136 7 Os resultados líquidos (após deduzidos os eventuais prejuízos e a provisão para imposto sobre a renda) obtidos pelo Consórcio serão partilhados proporcionalmente à participação de cada consorciada. 8. O Consórcio manterá uma escrituração contábil e fiscal e será executada de acordo com a legislação aplicável, de forma a permitir a transferência dos resultados econômicos elou financeiros às consorciadas. 9. O Consórcio levantará balancetes mensais, balanço anual e conta de resultado ao final de cada exercício , nos termos da legislação aplicável. A liberdade de contratar é exercida em razão e nos limites da função social do contrato e os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boafé9. Analisando os ajustes pactuados entre as partes verificase que a pessoa jurídica Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus ficou responsável por toda escrituração contábil e fiscal, guarda dos documentos e os pagamentos decorrentes das operações do consórcio, inclusive em relação à retenção, ao recolhimento e ao cumprimento das respectivas obrigações principais e acessórias em nome próprio, somente distribuindo os resultados às consorciadas no encerramento do ano calendário. Não restou comprovado nos autos que a Recorrente tenha cumprido estas obrigações tributárias em nome próprio. Assim, em conformidade com a legislação de regência, a autoridade preparadora corretamente reconheceu o montante de R$87.212,77 a título de IRRF recolhido pelas fontes pagadoras em nome da Recorrente efetivamente comprovados no anocalendário de 2000 e homologou as compensações com débitos constantes nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 7585. Não resta, assim, qualquer valor de IRRF a ser reconhecido relativamente às aplicações financeiras efetivadas pela pessoa jurídica Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus em nome próprio. A tese protetora exposta pela defendente, assim sendo, não está demonstrada. III) Demais matérias No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de 9 Fundamentação legal: art. 421 e 422 do Código Civil. 10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 286 10 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 18471.000041/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS: Os dados que servem de base para elaboração do demonstrativo de fluxo financeiro de origens e aplicações hão de estar lastreados em livros e documentos contábeis. Não constituem dados confiáveis aqueles extraídos simplesmente de planilhas preenchidas à distância pelo contribuinte, sem qualquer exame, por parte do Fisco, da veracidade e consistência das infrações porventura suscitadas.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano calendário:2002
Ementa:
PIS, COFINS, IRRF e CSLL – LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se aos
lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 1401-000.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS: Os dados que servem de base para elaboração do demonstrativo de fluxo financeiro de origens e aplicações hão de estar lastreados em livros e documentos contábeis. Não constituem dados confiáveis aqueles extraídos simplesmente de planilhas preenchidas à distância pelo contribuinte, sem qualquer exame, por parte do Fisco, da veracidade e consistência das infrações porventura suscitadas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário:2002 Ementa: PIS, COFINS, IRRF e CSLL – LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Recurso de Ofício negado.
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Não constituem dados confiáveis aqueles extraídos simplesmente de planilhas preenchidas à distância pelo contribuinte, sem qualquer exame, por parte do Fisco, da veracidade e consistência das infrações porventura suscitadas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 Ementa: PIS, COFINS, IRRF e CSLL – LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Recurso de Ofício negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (Assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias (VicePresidente). Relatório Trata o presente caso de recurso de ofício interposto em razão de acórdão da DRJ/RJ que acolheu a impugnação apresentada pelo contribuinte e exonerou o crédito tributário exigido. Por bem relatar a situação ora analisada, adoto o relatório elaborado pela DRJ/RJ, em textual: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada ao interessado acima identificado, por meio do auto de infração de imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, de fls. 51/56, no valor de R$615.294,57 de imposto e R$461.470,91 de multa; e os dele decorrentes, relativos à contribuição para o programa de integração social — PIS, de fls. 57/61, no valor de R$51.455,17 de contribuição e R$38.591,37 de multa; à contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, de fls. 62/67, no valor de R$85.494,75 de contribuição e R$64.121,04 de multa, todos acrescidos de juros de mora; à contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS, de fls. 68/72, no valor de R$237.485,46 de contribuição e R$178.114,09 de multa. 2.0 procedimento é decorrente de ação fiscal promovida pela DEFIC/Rio de Janeiro, a partir da qual se constatou que o interessado omitiu receitas nos 1°, 2° e 3° trimestres do ano calendário de 2002, em desacordo com o artigo 528 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26/03/1999 (RIR199). 3.Na folha de continuação do AI, fl. 53, o autuante esclarece que a interessada, no período sub exame, apresentou opção pela tributação sob a sistemática do lucro presumido e que, de acordo com o Demonstrativo de Fluxo Financeiro, aponta insuficiência de recursos aplicados nos valores de R$ 767.161,06, R$ 6.284.153,21 e R$ 864.868,27 configurando omissão de receitas da atividade. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 3 3 4.0s lançamentos decorrentes se fundamentaram nos seguintes diplomas legais: a) PIS: arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/1970, c/c art. 24, §2° da Lei n° 9.249/95, art. 2°, inc. I, 8°, inciso I e 9° da Lei 9.715/98, e art 2° e 3° da Lei 9.718/98; b) CSLL: art. 2° e §§, da Lei 7.689/ 1988, artigos 19 e 24 da Lei n° 9.249/95, art 29 da Lei n° 9.430/96 e art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e re edições; c) COFINS : artigo 1° da Lei Complementar n° 70/1991, ART. 24, § 2°, da Lei 9.249/95, artigos 2°, 3° e 8°, da Lei 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas alterações. 5.Sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas se fez incidir a multa de oficio no percentual de 75%, conforme determina o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. 6.Inconformado com a exigência, o interessado interpôs, relativamente ao lançamento principal, a petição de fls. 93 a 104, na qual pede o cancelamento do auto de infração do IRPJ e a exoneração da exigência efetuada, por falta de tipicidade, alegando, em síntese, o seguinte: Que a impugnação é tempestiva, e, 6.1 Preliminarmente, que: 6.1.1 por ser o lançamento uma atividade vinculada à lei, não pode ser feita de qualquer maneira, não tendo o fiscal autuante se preocupado em reunir os elementos probante e esclarecer suficientemente a verdade real do contribuinte antes de lavrar o auto de infração, o que caracteriza o excesso de exação do fiscal, que se sujeita à responsabilidade pessoal e funcional pelo fato; 6.1.2 houve inversão do ônus da prova, pois transferiu ao sujeito passivo a incumbência de provar que não infringiu a lei, quando o fisco devia dar provas irrefutáveis da infração cometida pelo contribuinte; cita Acórdão da Câmara do 1° Conselho de Contribuinte que dispõe que "o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo, tratandose de atividade plenamente vinculada"; 6.1.3 o impugnante suscita, em preliminar, a nulidade do procedimento fiscal, porquanto levado a feito ao arrepio da legislação de regência 6.2 No mérito, que: 6.2.1 a suplicante possui escrituração contábil completa, com todos os livros comerciais e fiscais, devidamente escriturados, com termo de abertura e de encerramento, Fl. 267DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 4 4 inclusive o Diário, que contém as operações do ano objeto de fiscalização; 6.2.2 foram entregues ao fiscal balancetes e demonstrativos dos meses do ano de 2002, demonstração das origens e aplicações de recursos, disquetes com informações dos tributos pagos em 2000 a 2004 para a SRF; 6.2.3 na correspondência datada de 6/10/2005 a impugnante ressaltou que em virtude da falta de esclarecimento e de clareza dos dados solicitados no mapa do fluxo financeiro o mesmo tinha sido preenchido com incorreções; 6.2.4 foi encaminhado, a pedido do fiscal, livro diário n° 40 de 2002, razões e balancetes de 2002 e novas planilhas do fluxo financeiro referentes aos 1° a 4 trimestres de 2002, possibilitando ao mesmo verificar que o fluxo financeiro utilizado como base para o lançamento estava incorreto; 6.2.5 não há insuficiência de recursos para comprovar as aplicações que foram efetuadas pela empresa; 6.2.6 se houve omissão de receita tal fato se refletiria em saldo credor de caixa e/ou suprimentos fictícios de numerários ou manutenção de obrigações já pagas no balanço e que nada disso ocorreu, sendo que o fiscal não examinou a escrituração contábil para comprovar o alegado. 7 O interessado também se insurge contra os lançamentos decorrentes mediante a apresentação das petições de fls. 104/5, tratando, respectivamente, do PIS, da Cofins e da CSL. Em todas petições alega que o mérito da autuação foi discutido na impugnação do lançamento do IRPJ, do qual os demais são decorrentes. 8 Após considerar demonstrada e comprovada a ilicitude do procedimento fiscal, requer que seja cancelado o lançamento, por falta de tipicidade e, também, a exoneração da exigência consubstanciada no AI e a realização de perícia/diligência. Analisando a questão entendeu por bem o órgão julgador a quo por acolher a impugnação apresentada, exonerando o crédito tributário constituído, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 268DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 5 5 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS: Os dados que servem de base para elaboração do demonstrativo de fluxo financeiro de origens e aplicações hão de estar lastreados em livros e documentos contábeis. Não constituem dados confiáveis aqueles extraídos simplesmente de planilhas preenchidas à distância pelo contribuinte, sem qualquer exame, por parte do Fisco, da veracidade e consistência das infrações porventura suscitadas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 Ementa: PIS, COFINS, IRRF e CSLL – LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Lançamento Improcedente Em face do referido acórdão recorreu de oficio o Presidente da DRJ/RJ. É o relatório. Voto Da análise dos elementos dos autos, constatase que os Levantamentos do Fluxo Financeiro (fls. 73 a 84), considerados pela Fiscalização como prova de omissão de receitas, foram elaborados a partir de dados de formulários preenchidos pelo interessado, em cumprimento à intimação de fl. 49 e da declaração de rendimentos (fls. 6 e 7). Tais demonstrativos, convém saber, são um instrumento de auditoria que tomam por base as origens e aplicações de recursos e têm por objetivo evidenciar as variações ocorridas no caixa da empresa. Através deste instrumento, é possível identificar as origens de recursos financeiros (receitas de vendas, recebimentos de clientes, empréstimos, integralização de capital, etc.) e as aplicações que lhes foram dadas (pagamentos a fornecedores, distribuição de lucros, amortização de empréstimos, aquisição de bens do imobilizado, pagamentos de despesas, etc.). Estando corretos os registros contábeis da empresa, o somatório das origens de recursos, num dado período, deve ser igual ao somatório das aplicações no mesmo período. Sendo um instrumento de fácil manuseio, o demonstrativo de fluxo de origens e aplicações de recursos mostrase bastante útil no trabalho de fiscalização. Para que, no entanto, forneça resultados confiáveis, há de estar calcado em dados igualmente confiáveis, necessariamente lastreados nos livros e documentos contábeis do contribuinte. No caso presente, os dados que serviram de base para a elaboração dos demonstrativos foram extraídos de planilhas preenchidas pelo interessado (fls. 73/84), sem um exame minucioso, por parte da fiscalização, de sua veracidade ou consistência. Também não Fl. 269DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 6 6 consta dos autos que o autuante tenha dado qualquer orientação ao interessado quanto à finalidade dos formulários e quanto aos critérios de preenchimento. Avançando na análise do procedimento apuratório em questão, o contribuinte informou na impugnação que os demonstrativos do fluxo financeiro apresentados, como resposta à intimação de 02/09/205, foram preenchidos com incorreções, em virtude de 'falta de esclarecimento e de clareza dos dados solicitados" pelo fiscal. Em regra, esses itens têm origem em contas patrimoniais representativas de dispêndios de períodos anteriores que contribuem para a formação de resultado de mais de um período, sendo sua contabilização mero ato de apropriação de encargos pelo regime de competência, razão por que não se prestam ao propósito de apurar omissão de receita por diferença. A comparação de saldos iniciais e finais de Conta Fornecedores revelase igualmente inútil, pela falta de informação acerca das variações ocorridas na conta ao longo do período, raciocínio que também se estende à comparação entre saldos iniciais e finais da conta Caixa e da conta Bancos. Essas falhas contaminam irremediavelmente o "Levantamento do Fluxo Financeiro" de fls. 73 a 84, no qual, contraditoriamente, foi utilizada informação sobre receita total extraída da declaração de rendimentos do interessado, que a fiscalização não considerou confiável como expressão das receitas totais por ela efetivamente auferidas. Em face de tais circunstâncias, a constatação de um eventual excesso/de dispêndios em relação às origens de recursos não deve conduzir à apressada conclusão de omissão de receitas. Sinaliza, possivelmente, alguma irregularidade nos registros contábeis da empresa. Irregularidade que, todavia, pode ser fruto tanto da movimentação espúria de recursos, quanto de simples erros de escrituração. Ou até mesmo de um equívoco no preenchimento das próprias planilhas. De qualquer modo, o diagnóstico preciso reclamaria o aprofundamento da investigação, ou antes, o início de um efetivo trabalho de auditoria, que nunca chegou a ocorrer. O demonstrativo de origens e aplicações de recursos, ou fluxo financeiro, deve ser o início dos trabalhos de auditoria e não seu fim. Não bastasse a imprecisão dessa metodologia para aferir omissão de receita, os referidos levantamentos configuram forma de presunção que não se inclui entre aquelas previstas em lei (passivo fictício, saldo credor de caixa, etc.) e, por isso, não pode servir de fundamento único à constituição de crédito tributário. Diferentemente da presunção legal, pela qual se inverte o ônus da prova dos fatos alegados pela fiscalização, baseado em indícios previstos na lei, a presunção simples, não prevista pelo legislador, "é o resultado de um trabalho mental de exercício lógico, eis que a conclusão decorre da análise crítica de fatos conhecidos, na tentativa de estabelecer a verdade existente em outros fatos desconhecidos." (RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA; "Presunções no Direito Tributário"; in "Cadernos de Pesquisas Tributárias", Ives Gandra da Silva Martins (coord.), vol. 9, S. Paulo: Ed. Resenha Tributária, 1984, p. 277). Cuidado especial deve ser tomado pela fiscalização, no campo das provas, ao presumir a ocorrência do fato gerador, tendo como base a existência de indícios não previstos na lei (planilhas de fluxos financeiros em que as origens não coincidem com as aplicações). Há Fl. 270DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 7 7 que se demonstrar a relação de causalidade entre os indícios e o fato gerador presumido, no caso a omissão de receitas. Assim, para que se desminta a relação de causalidade entre o indício e o fato (prova abstrata, lógica) como, simplesmente, demonstrar que a ocorrência do indício permitiria não só a ocorrência do fato alegado como também de outro diverso. Noutras palavras, a prova da relação de causalidade implica exclusividade. O indício somente serve para a prova indireta se a ocorrência do primeiro não permitir senão a hipótese de ocorrência do fato a ser provado (ainda que haja toda a probabilidade de que ele de fato tenha acontecido), então não se estará diante de uma prova indireta, mas de uma presunção." A opção do Fiscal foi por efetuar o lançamento com base no levantamento originalmente efetuado e sem se debruçar detalhadamente na contabilidade regular da interessada, que poderia ter trazido a verdade real e inquestionável, mas preferiu "tipificar" o que entendeu como infração em legislação aplicável à espécie. Dessa forma, considerando que os Levantamentos do Fluxo Financeiro não são hábeis para apurar excesso de dispêndios e de pronto deduzir a omissão de receitas, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 271DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 13401.000483/2006-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 9303-005.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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SUBVENÇÕES ESTADUAIS. Recorrente TERPHANE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 04 83 /2 00 6- 75 Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivo interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3403003.396, de 12/11/2014, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004 COFINS. CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA No 1 DO CARF. Não se conhece do Recurso Voluntário em relação às matérias e períodos levados pela Recorrente ao Poder Judiciário, em razão de sua renúncia à discussão administrativa. COFINS. SUBVENÇÕES. BENEFÍCIOS ESTADUAISICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, sendo irrelevante a classificação das receitas provenientes de subvenções estaduais (“para custeio ou operação”, ou para “investimento”). A Turma julgadora, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso na parte em que existe concomitância com as ações judiciais e, na parte conhecida (incidência da Cofins sobre as receitas provenientes de subvenções estaduais, para o período de fevereiro a dezembro de 2004), pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo apresentou Recurso Especial (fls. 1467/ss) questionando exclusivamente a “inclusão ou não de valores correspondentes a benefícios fiscais de ICMS (PRODEPE) na base de cálculo da COFINS, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833/2003”. O Recurso Especial foi admitido, conforme Despacho s/n, de 25/09/2015 (fls. 1552/ss). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 1558/ss) sustentando que os próprios enunciados dos arts. 10 e 22 do Decreto nº 4.524, de 2002 (Regulamento do PIS e da Cofins), prescrevem que a receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, incluem todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, da qual podem ser excluídos somente os valores legalmente autorizados, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Assim, conclui que a base de cálculo da Cofins e do PIS para o tipo de empresa ora em análise é a totalidade da receita bruta mensal por ela auferida, ou seja, não somente pelas receitas de vendas, mas também pelas receitas financeiras e por outras receitas operacionais, podendo as operações efetivadas pela contribuinte serem enquadradas na última modalidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Como relatado, a questão a ser analisada está delimitada à inclusão ou não na base de cálculo da Cofins dos valores correspondentes a benefícios fiscais do ICMS, objeto do programa denominado “PRODEPE”. Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 5 4 Restou claramente demonstrado nos autos que a Recorrente é beneficiária de subvenção fiscal concedida pelo Governo do Estado de Pernambuco (“PRODEPE”). A Recorrente sustenta que tais subvenções deveriam ser enquadradas como “subvenções para investimento” (e não “subvenções para custeio ou operação”) e, por esse motivo, não estariam sujeitas à incidência da Cofins, sob o argumento que o art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) estabelece que não seriam computadas na determinação do lucro real, desde que registradas como reserva de capital. Contudo, como bem destacado pelo relator do voto vencedor do acórdão recorrido, a discussão relacionada à espécie de subvenção utilizada pelo sujeito passivo (“subvenções para investimento” ou “subvenções para custeio ou operação”) só é relevante para fins de incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas. Isto porque, conforme prevê o § 12 do art. 195 da CF/88, com a redação dada pela EC nº 42, de 2003, o regime da não cumulatividade previsto para a cobrança das contribuições incidentes sobre a receita ou faturamento, onde se enquadra a Cofins, deve ser instituido nos termos de lei específica. Assim, coube à Lei nº 10.833, de 2003, no que se refere à sistemática da não cumulatividade, definir o fato gerador, fixar a alíquota e também a base de cálculo da contribuição. Não se pode aplicar aos casos autorizados de dedutibilidade previstos na legislação do imposto de renda para fins de apuração da base de cálculo da Cofins, posto que há regramento específico que disciplina a matéria, o qual deve necessariamente ser observado. Nesse sentido, a Cofins sob a égide do sistema da não cumulatividade, regida pela Lei nº 10.833, de 2003, incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sejam elas operacionais ou não operacionais, independentemente de sua denominação ou classificação fiscal, conforme depreendese do art. 1º da citada Lei, verbis: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 6 5 § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Destarte, é irrelevante classificar as subvenções, para efeito de tributação pelas contribuições não cumulativas, com bem decidiu a Turma do acórdão recorrido. Por outro lado, as únicas espécies de receita possíveis de serem excluídas da base de cálculo são aquelas expressamente listadas no §3º do citado artigo 1º. As receitas decorrentes de subvenções, de qualquer espécie, não estão entre aquelas passíveis de exclusão da base de cálculo da Cofins. Somente a partir da edição da Lei nº 12.973/2014 é que passou a estar expresso, na Lei nº 10.833/2003, a exclusão das receitas com subvenções para investimento. Abaixo a transcrição do dispositivo: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) A forma como está redigido o dispositivo legal acima transcrito deixa evidente que a própria Lei configura as subvenções de investimento como receitas, afastando a sua tributação, a partir da vigência do comando legal, ou seja a partir de 2014. Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 7 6 A título de esclarecimento é importante registrar que não incide PIS e Cofins sobre as receitas auferidas com subvenções para investimento desde a vigência do art. 21 da Lei 11.941/2009 a qual estabelece certas condições para tanto. Porém, para os fatos geradores constantes do presente recurso especial, 02/2004 a 12/2004, não havia qualquer previsão legal para exclusão das subvenções de investimento da base de cálculo da Cofins, impondo sua tributação neste período. Em suma, considerando que a matéria posta nos autos referese à Cofins, apurada pela sistemática da nãocumulatividade, e que as receitas operacionais e não operacionais devem ser incluídas na base de cálculo do tributo, em atendimento ao comando legal prescrito no art. 1º da Lei nº 10.833/2003, os valores recebidos à título de benefício fiscal concedido pelo Governo do Estado de Pernambuco, no âmbito do “PRODEPE”, devem ser enquadrados como receita e, por conseguinte, estão sujeitos à incidência da contribuição social. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinatura digital) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado Discordamos do il. Relator. Está mais do que pacificada na jurisprudência a tese de que o crédito presumido de ICMS concedido pelos Estados às pessoas jurídicas que neles se instalem ou aumentem a produção já instalada não integra a base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativos, por constituirse, segundo este entendimento, apenas mera recuperação de custos. Exemplificativamente, confiramse as seguintes ementas de decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ, a quem cabe, como se sabe, a tarefa de uniformizar a interpretação de lei federal: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno interposto em 20/04/2016, contra decisão publicada em 29/03/2016. II. Na esteira do entendimento firmado no STJ, "o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS" (STJ, AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2015). No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.402.204/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/06/2015. III. Consoante a jurisprudência desta Corte, "a questão referente à ofensa ao princípio da reserva de plenário (art. 97 da CF) não deve ser confundida com a interpretação de normas legais embasada na jurisprudência deste Tribunal" (STJ, AgRg no REsp 1.330.888/AM, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/02/2014). IV. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 843051 / SP, Rel. Min. Assussete Magalhães, DJe 02/06/2016). Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 9 8 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ ACERCA DA MATÉRIA. SÚMULA 83/STJ. 1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ de que os créditos presumidos de ICMS, por se tratarem de mero ressarcimento, não representam ingresso de valores nos caixas da empresa e, portanto, não são tributáveis. Incidência da Súmula 83/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1573339 / SC, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 24/05/2016). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO. INCENTIVO FISCAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA DE RECEITA OU FATURAMENTO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte os valores provenientes do crédito presumido do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 6/4/2015; AgRg no REsp 1.494.388/ES, Rel. Ministra Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4ª Região), Primeira Turma, DJe 24/3/2015; AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19/12/2014; AgRg no REsp 1.329.781/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 3/12/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1247255 / RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 26/11/2015). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LEIS 10.637/02 E 10.833/03: O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS CONFIGURA INCENTIVO VOLTADO À REDUÇÃO DE CUSTOS, COM VISTAS A PROPORCIONAR MAIOR COMPETITIVIDADE NO MERCADO PARA AS EMPRESAS DE UM DETERMINADO ESTADOMEMBRO, NÃO ASSUMINDO NATUREZA DE RECEITA OU Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 10 9 FATURAMENTO, PELO QUE NÃO COMPÕE A BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ENTENDIMENTO APLICÁVEL AO IRPJ E À CSLL. PRECEDENTE: AGRG NO RESP. 1.227.519/RS, REL. MIN. BENEDITO GONÇALVES, DJE 7.4.2015. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. 2. A Primeira Turma desta Corte assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS não se inclui na base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Não há dúvida alguma que a aplicação desse sistema de incentivo aos exportadores amplia os lucros das empresas exportadoras. Se não ampliasse, não haveria interesse nem em conceder, nem em utilizar. O interesse é que move ambas as partes, o Fisco e o contribuinte; neste caso, o Fisco tem o interesse de dinamizar as exportações, por isso concede o benefício, e os exportadores têm o interesse de auferir maiores lucros na atividade exportadora, por isso correm reivindicam o benefício. Isso é absolutamente básico e dispensável de qualquer demonstração. 3. Nesse sentido, deve o legislador haver ponderado que, no propósito de menor tributação, a satisfação do interesse público primário representado pelo desenvolvimento econômico, pela geração de emprego e de renda, pelo aumento de capacidade produtiva, etc. preponderaria sobre a pretensão fiscal irrestrita, exemplo clássico de interesse público secundário. 4. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. (AgRg no REsp 1461415 / SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 26/10/2015). PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Recurso especial em que se discute a inclusão do crédito presumido de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo de: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para Programa de Integração Social (PIS) e Constribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). 2. "O crédito presumido de ICMS configura "benefício fiscal" que ao ser lançado na escrita contábil da empresa promove, indiretamente, a majoração de seu lucro e impacta, consequentemente, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL". Nesse sentido: AgRg nos EDcl no REsp 1.458.772/RS, Rel. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 11 10 Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJe 13/10/2014; AgRg no REsp 1.461.032/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 27/11/2014; AgRg nos EDcl no REsp 1.465.870/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 31/3/2015. 3. "Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas mera recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, NÃO integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS". Nesse sentido: AgRg no REsp 1422739/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 18/02/2014; AgRg no REsp 1.463.364/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, julgado em 24/3/2015, DJe 30/3/2015. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1402204 / SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 02/06/2015). O fundamento de tais decisões judiciais reside no disposto na alínea “b” do inciso V do § 3º do art. 1º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, 29 de dezembro de 2003, que assim determinam: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: (...) b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (g.n.) Esse entendimento também foi compartilhado pelo ProcuradorGeral da República, como se vê do parecer que exarou nos autos do Recurso Extraordinário – RE nº Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 12 11 835818/PR, no qual reconhecida a repercussão geral da matéria levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal: PARECER Nº 117184/2016 – ASJCIV/SAJ/PGR Recurso Extraordinário 835818 – PR Relator: Ministro Marco Aurélio Recorrente: União Recorrida: O.V.D. Importadora e Distribuidora Ltda. DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 843. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, DA ISONOMIA E DA PROPORCIONALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS. DESPROVIMENTO. 1 – Proposta de Tese de Repercussão Geral (Tema 843): Devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores correspondentes a créditos presumidos de ICMS decorrentes de incentivos fiscais concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, sob pena de ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da proporcionalidade. 2 – Parecer pelo não provimento do recurso extraordinário. Brasília (DF), 30 de maio de 2016. Rodrigo Janot Monteiro de Barros ProcuradorGeral da República Portanto, na esteira de remansosa jurisprudência do STJ, o crédito presumido de ICMS conferido pelos estados não integra a base de cálculo do PIS/Cofins, razão pela qual DOU PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1588DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.903025/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 25 /2 00 9- 24 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3402001.720, de 24/04/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Para melhor contextualizar os fatos ocorridos, transcrevo parte do voto da decisão recorrida: "Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tãosomente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.Custas ex lege. Publiquese" Na decisão recorrida a Turma não incluiu as receitas financeiras decorrentes das operações bancárias na base de cálculo da contribuição. O provimento foi parcial apenas "devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário (...)". A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial apontando paradigma e demonstrando a divergência quanto à base de cálculo das contribuições Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 4 3 das instituições financeiras. Em apertada síntese, defendeu o entendimento no sentido de que para as instituições financeiras as receitas decorrentes de prestação de serviços abrangem tanto as advindas da cobrança de taxas e tarifas quanto aquelas de intermediação financeira. Aduz que não pode se depreender da declaração de inconstitucionalidade do STF que o conceito de faturamento é restrito. Isso porque a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência das contribuições como as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas, e não somente a venda de mercadorias ou de serviços do contribuinte. Assim, por perfilar desse entendimento, afirma inexistir violação à coisa julgada formada nos autos da ação judicial proposta pelo contribuinte. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, pedindo que seja negado provimento ao recurso. Em resumo, defende que a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP deve se dar sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviço, com a consequente exclusão das receitas financeiras decorrentes das operações bancárias. Assim, no seu entender, a receita de prestação de serviços, que configura o faturamento das instituições financeiras e seguradoras, englobaria apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições, sendo que as receitas da atividade financeira propriamente dita estariam fora do conceito de faturamento fixado pelo STF. Assevera ainda que adotar outro entendimento resultaria em ofensa direta à coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, que, na sua compreensão, teria determinado que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP fosse calculada com base no faturamento, entendido como a receita da venda de mercadorias e a prestação de serviços. Ressaltese que, em suas contrarrazçoes, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.944, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10675.720831/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.944): Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 5 4 "(...) No mérito, discutese entendimento sobre o que vem a ser “receita” para as instituições do mercado financeiro. Como relatado, a Recorrente obteve decisão judicial (Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782,) para calcular o PIS utilizando o conceito de faturamento, cujo significado corresponde a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esse entendimento ficou claro na fundamentação do voto constante da decisão judicial, conforme trechos acima transcritos no Relatório. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, especificamente para a compreensão do que se entende por “receita de serviços” para as instituições financeiras. Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Logo, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, e definiu que a base de cálculo da contribuição deve ser o faturamento, “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E mais nada! Contudo, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” em relação às instituições financeiras. Como muito bem destacado no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9303002940, julgado em 03/06/2014, que tratou especificamente sobre a mesma matéria deste litígio, a controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a matéria decidiu, em sistemática de Repercussão Geral, nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 6 5 Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Portanto, tanto a decisão judicial obtida pelo contribuinte quanto o julgado do STF que reconheceu a repercussão geral para a matéria, apenas afastou a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas não adentrou no alcance das receitas financeiras, nem tampouco ventilou a possibilidade de exclusão da receita bruta operacional do faturamento. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já fixou o conceito de receita bruta como sendo não somente aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também à soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais. Nesse sentido, vejamos o leading case RE 390.840/MG, onde o Ministro Cezar Peluzo delimita o conceito de faturamento nos seguintes termos: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação”. (negritei) No mesmo sentido, vejamos os trechos dos pronunciamentos dos Ministros Marco Aurélio, Carlos Brito, Cezar Peluzo e Sepúlveda Pertence sobre a matéria, trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na ocasião do julgamento do Pleno do STF dos Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases): Min. Marco Aurélio (relator): Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Min. Carlos Brito: Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Min. Veloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 7 6 “a) a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente aqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Min. Cezar Peluso: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgado proferido no RE 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Min. Sepúlveda Pertence: “(...) Lamentando não poder nada mais acrescentar a tudo que aqui foi dito hoje, acompanho o voto do Min. Cezar Peluso e, nos outros casos, o do Ministro Marco Aurélio.” Destarte, resta claro que o entendimento assentado no STF é de que faturamento não se restringe unicamente à venda de mercadorias e serviços, mas também às receitas decorrentes de outras atividades empresariais desempenhadas pelo sujeito passivo, como delimita objetivamente o Ministro Cezar Peluzo no RE 444.601ED: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." Em conclusão, no meu entender, em consonância com a jurisprudência do STF, o faturamento das instituições financeiras deve compreender não apenas as receitas de prestação de serviços (taxas e tarifas), mas também as demais receitas decorrentes de outras atividades empresariais da recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? A clara delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 79/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas e tarifas” cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários, como pretende a Recorrente. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 8 7 Categoricamente, todos sabem, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições. Por fim, registrese que a jurisprudência desta Câmara Superior tem decidido no mesmo sentido defendido neste voto (Acórdãos nº 9303002.962; 9303002.960, 9303 002.957, dentre outros). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. " No presente processo o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, de sorte que o resultado do julgamento deve ser pelo seu provimento, dado que o resultado do paradigma, no qual o recurso especial foi do contribuinte, foi por negar provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 298DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.903067/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 03 06 7/ 20 08 -2 5 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11065.903067/200825 Resolução nº 1201000.309 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11065.903067/200825 Resolução nº 1201000.309 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 111DF CARF MF
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