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Numero do processo: 10783.723667/2011-39
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2010
PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
O ajuizamento de processo judicial anterior, concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, importa renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Desta forma, o recurso interposto não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2010 PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O ajuizamento de processo judicial anterior, concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, importa renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Desta forma, o recurso interposto não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 66 1 65 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.723667/201139 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.880 – 1ª Turma Especial Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente ROBERTO RIBEIRO DE CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2010 PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O ajuizamento de processo judicial anterior, concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, importa renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Desta forma, o recurso interposto não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 36 67 /2 01 1- 39 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10783.723667/201139 Acórdão n.º 2801003.880 S2TE01 Fl. 67 2 Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte contra acórdão proferido pela 7ª Turma da DRJ/BSB (acórdão número 03046.783), em processo administrativo instaurado após a lavratura de auto de lançamento por conta de omissão de rendimentos de Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da pessoa física (IRPF). Após o lançamento, o contribuinte, ora recorrente, apresentou impugnação administrativa, sustentando ser portador de moléstia grave (cardiopatia grave), motivo pelo qual os rendimentos supostamente omitidos não se achariam dentre aqueles sujeitos à tributação pelo imposto de renda. A 7ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB julgou improcedente a impugnação apresentada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE NÃO COMPROVADA. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A legislação de regência impede o reconhecimento do benefício, quando o sujeito passivo deixar de cumprir, cumulativamente, tais requisitos. Inconformado com a manutenção do crédito tributário lançado pelo Fisco, o contribuinte interpõe recurso voluntário. Pugna pela reforma integral da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. O recurso é tempestivo. De acordo com o documento de fls. 35/57, há extrato de Consulta processual do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, onde consta o Agravo de Instrumento de número 024.099.168.26. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10783.723667/201139 Acórdão n.º 2801003.880 S2TE01 Fl. 68 3 O Agravo de Instrumento em questão tem como objeto a isenção de IRPF devido à moléstia de cardiopatia grave contraída pelo contribuinte. Desta forma, resta evidenciada a concomitância da via administrativa e judicial, sendo necessário observar o disposto na súmula nº 1 deste Conselho: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constantedo processo judicial. Os atos administrativos se sujeitam às decisões do Poder Judiciário. Assim, no caso de o contribuinte ingressar na via judicial, estará renunciando às instâncias administrativas, visto que qualquer decisão administrativa que eventualmente seja prolatada não terá eficácia frente à decisão judicial, que a esta se sobrepõe. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000365/2002-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSUBSISTÊNCIA. EQUÍVOCO. COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO.
Diante da insubsistência do motivo do ato administrativo fiscal (proc. jud. de outro CNPJ), cumpre à DRJ o acolhimento da impugnação, com o consequente cancelamento do auto de infração. Descabe ingressar no exame da suposta convalidac¸a~o da compensac¸a~o das parcelas dos de´bitos tributa´rios, uma vez que se trata de matéria estranha à fundamentação originária do auto de infração.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3802-004.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSUBSISTÊNCIA. EQUÍVOCO. COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO. Diante da insubsistência do motivo do ato administrativo fiscal (proc. jud. de outro CNPJ), cumpre à DRJ o acolhimento da impugnação, com o consequente cancelamento do auto de infração. Descabe ingressar no exame da suposta convalidac¸a~o da compensac¸a~o das parcelas dos de´bitos tributa´rios, uma vez que se trata de matéria estranha à fundamentação originária do auto de infração. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSUBSISTÊNCIA. EQUÍVOCO. COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO. Diante da insubsistência do motivo do ato administrativo fiscal (“proc. jud. de outro CNPJ”), cumpre à DRJ o acolhimento da impugnação, com o consequente cancelamento do auto de infração. Descabe ingressar no exame da suposta convalidaçaõ da compensação das parcelas dos débitos tributários, uma vez que se trata de matéria estranha à fundamentação originária do auto de infração. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 03 65 /2 00 2- 45 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que, por unanimidade de votos, julgou procedente, em parte, a impugnação ao auto de lançamento apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado (fls. 238): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE A base de cálculo do PIS, na vigência dos Decretoslei nº2.445 e nº2449, ambos de 1888, era faturamento do sexto mes anterior, ao da respectiva apuraçãi do valor devido, sem correção monetária. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/08/1997, 15/09/1997, 15/10/1997 DÉBITOS. TRIBUTÁRIOS EXIGIDOS. COMPENSAÇÃO. DCTF. DECISÃO JUDICIAL. A compensação de débitos tributários, informada em DCTF, realizada com amparo em decisao judicial, deve ser convalidada pela autoridade administrativa até o limite do montante do créditofinanceiro reconhecido na ação judicial respectiva. CRÉDITOS FINANCEIROS. MONTANTE. APURAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Compete à autoridade administrativa apurar o montante dos créditos financeiros (indébitos) reconhecidos na esfera judicial, de conformidade com a decisao transitada em julgado, passível de compensação. MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados nas respectivas DCTF. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 246 e ss., alega que o auto de infração teria sido lavrado em razão da suposta falta de comprovação da existência de medida judicial (“proc. jud. de outro CNPJ”). A decisão recorrida, ao afastar esse fundamento, deveria ter cancelado o auto de infração, ao invés de mantêlo sob novo fundamento. Essa inovação caracteriza lançamento por meio de decisão, o que seria vedado pela ordem jurídica, notadamente porque fora do prazo decadencial. Requer o conhecimento e provimento do Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13931.000365/200245 Acórdão n.º 3802004.296 S3TE02 Fl. 316 3 recurso voluntário e, em caso de empate na votação, a prevalência dos votos em favor do sujeito passivo, na forma do art. 112 do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 18/11/2014 (fls. 243), ao passo que o recurso foi protocolizado em 18/12/2014 (fls. 246), dentro do prazo legal. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso deve ser conhecido. Compulsando os autos, notase que o auto de infração foi motivado pela não comprovação da medida judicial (“proc. jud. de outro CNPJ”). A decisão da DRJ, por outro lado, reconheceu que “o fato de o interessado ter informado o CNPJ nº 00.116.506/000160, da matriz, na ação judicial e na DCTF, e, ainda, ter a denominação social, vigente na data da propositura, Seg Transporte de Valores S/A, posteriormente alterada para Proforte S/A Transporte de Valores, não veda seu direito de compensar créditos do PIS a que tem direito, reconhecidos judicialmente, com débitos do próprio PIS. Ressaltese, também que, com a alteração da denominação social, os CNPJ da matriz e da filia não foram alterados” (fls. 193). Portanto, razão assiste ao Recorrente. Afinal, se não é verdadeiro o motivo do ato administrativo fiscal (“proc. jud. de outro CNPJ”), o encaminhamento apropriado para o caso seria o acolhimento da impugnação e o cancelamento do auto de infração. Descabe ingressar no exame da susposta convalidaçaõ da compensaçaõ das parcelas dos débitos tributários. Tratase de matéria estranha à fundamentação do auto de infração. Votase, assim, pelo conhecimento do recurso e pelo seu integral provimento. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13407.000040/2002-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2002
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E DERIVADOS.
O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana-de-açúcar. Ocorre que o cultivo da cana-de-açúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial.
Recurso voluntário conhecido, mas desprovido.
Crédito tributário negado.
Numero da decisão: 3102-00.887
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de canadeaçúcar. Ocorre que o cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. Recurso voluntário conhecido, mas desprovido. Crédito tributário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente Fl. 531DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 04/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13407.000040/200209 Acórdão n.º 3102000.887 S3‐C1T2 Fl. 2 2 BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório O presente processo se refere a restituição e compensação de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), oriundos da produção de canadeaçúcar. A parte pretende discutir neste processo os seguintes pontos: a) Possibilidade de anulação dos créditos lançados na produção de aguardente; b) O conceito de insumo para industrialização nos termos definidos na legislação regente; c) Consideração, ou não, dos insumos utilizados no cultivo de canade açúcar para crédito de IPI. O pedido de compensação foi indeferido pela DRJ porque a “atividade agrícola de cultivo de canadeaçúcar não se enquadra no conceito de industrialização definido na legislação regente do IPI, notadamente do RIPI” (fl. 2095). Em manifestação de inconformidade ao despacho decisório, a empresa argumenta que a atividade por ela desempenhada seria de caráter agroindustrial, na qual não se segregaria a agricultura da industrialização. Argumenta, ademais, que a “atividade econômica agroindustrial da defendente se revela predominantemente na industrialização de produção própria de canadeaçúcar numa cadeia integrada, jamais separada como almeja a autoridade fiscal. A atividade empresarial, tanto no bojo econômico quanto jurídico não pode ser dissociada. O que há, na verdade, é tão somente um: deslocamento físico da canadeaçúcar na sua fase de produção para a industrialização.” (fl. 2115). Ante a natureza industrial da atividade econômica da empresa, incide o IPI a gerar os créditos pedidos. É o relatório. Voto Fl. 532DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 04/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13407.000040/200209 Acórdão n.º 3102000.887 S3‐C1T2 Fl. 3 3 Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário deve ser conhecido, uma vez protocolado no prazo legal e subscrito por procurador com poderes nos autos. Cabe esclarecer o pedido efetivamente realizado nos autos. Quanto à possibilidade de anulação dos créditos lançados na produção de aguardente, observo que o Contribuinte não realizou o procedimento adequado a compensar o crédito tributário. O art. 10 do Decreto n° 93.646/1996, que alterou, com efeito retroativo, a redação do inciso IV do art. 36 do RIPI, permitia que se desse com suspensão do imposto as saídas de aguardente do código 22.09.07.00 da TIPI remetida pelos estabelecimentos produtores, em recipientes de capacidade superior a um litro e destinada para: a) as indústrias que a utilizem como insumo na fabricação de outras bebidas; b) os atacadistas e cooperativas de produtores, e c) os engarrafadores do mesmo produto. Na hipótese da saída ser realizada com suspensão, teriam que ser anulados os créditos relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados no processo industrial (art. 100, I, "h" do RIPI11982). Para tanto, a Lei n° 9.493/1997, que resultou da conversão da MP n° 1.50816 de 17/04/1997, transformou esta suspensão em obrigatória, também exigindo a anulação dos créditos relativos aos insumos utilizados na fabricação da aguardente (classificação fiscal 2208.40.00), tendo sido estes dispositivos posteriormente incorporados ao RIPI/1998. A norma passou, então, a dispor o seguinte: Art. 41. As bebidas alcoólicas e demais produtos de produção nacional, classificados nas posições 2204, 2205, 2206 e 2208 da TIPI, acondicionados em recipientes da capacidade superior ao limite máximo permitido para venda a varejo sairão obrigatoriamente com suspensão do imposto dos respectivos estabelecimentos produtores, dos estabelecimentos atacadistas e das cooperativas de produtores, quando destinados aos seguintes estabelecimentos (Lei n°9.493, de 1997, art. 3°e 4°): I — industriais que utilizem os produtores mencionados como insumo na fabricação de bebidas; II atacadistas e cooperativas de produtores; III— engarrafadores dos mesmos produtos. Fl. 533DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 04/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13407.000040/200209 Acórdão n.º 3102000.887 S3‐C1T2 Fl. 4 4 Art. 174. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I— relativo a matériasprimas, produtos intermediários e II material de embalagem, que tenham sido: III empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento produtor com a suspensão do imposto determinado no art. 41 (Lei n° 9.493, de 1997). Portanto, não há créditos de IPI a compensar relativos à matériaprima, produtos intermediários e embalagem, pois a suspensão do IPI já exerceu o papel desonerador da cadeia produtiva, posto que estabelecida a obrigatoriedade de estorno dos mesmos na escrita fiscal da empresa. A nãocumulatividade do IPI, nesse caso, passou a ser aplicada por meio da suspensão da exigência desse imposto quando da saída do produto do estabelecimento industrial, e não pela compensação de crédito presumido apurado nas fases anteriores do processo de industrialização. Em seu pedido de compensação/restituição de IPI, o Interessado desconsiderou o fato de que o IPI sobre aguardente encontrase suspenso. Não há, portanto, diferenças de IPI recolhidas a maior a justificar a compensação. Por outro lado, o conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de canadeaçúcar. Em outras palavras, ainda que seja possível o creditamento de IPI sobre a canadeaçúcar, por ser espécie de insumo, não se pode proceder à mesma operação na fase de cultivo, plantação, desse mesmo produto. Ocorre que o cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. O conceito de agroindústria não socorre o Interessado, pois somente podese cogitar de atividade sujeita ao recolhimento do IPI quando há transformação do produto primário, elemento essencial da atividade industrial. Isso não ocorre no cultivo da canade açúcar, que não sofre transformação na lavoura, mas é plantado. Por fim, o art. 147 do RIPI é claro quanto à impossibilidade de utilização de créditos oriundos da compra de máquinas e equipamentos utilizados na produção industrial quando esses integram o ativo permanente da empresa. Uma vez que esse maquinário não é consumido na industrialização, sofrendo apenas o desgaste natural pelo uso, o seu valor não se incorpora ao IPI para efeito de compensação escritural. Conclusão Fl. 534DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 04/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13407.000040/200209 Acórdão n.º 3102000.887 S3‐C1T2 Fl. 5 5 Pelo exporto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 2 de fevereiro de 2011. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 535DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 04/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.919026/2012-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/05/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 25/05/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 26 /2 01 2- 49 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919026/201249 Acórdão n.º 3801005.166 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919026/201249 Acórdão n.º 3801005.166 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919026/201249 Acórdão n.º 3801005.166 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919026/201249 Acórdão n.º 3801005.166 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919026/201249 Acórdão n.º 3801005.166 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919026/201249 Acórdão n.º 3801005.166 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919026/201249 Acórdão n.º 3801005.166 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919026/201249 Acórdão n.º 3801005.166 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11065.725367/2011-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE. REVISÃO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO IMPUGNADO.
A impugnação do lançamento não impede sua revisão de ofício, desde que a autoridade administrativa se sujeite ao prazo de decadência, no caso de agravamento da exigência.
NULIDADE. FALTA DA INDICAÇÃO DO CÓDIGO COMPLETO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
A falta de indicação do código de classificação fiscal até o nível de subitem não eiva de nulidade o lançamento, pois o objeto do procedimento de determinação e exigência de créditos tributários é diverso do objeto do processo de consulta fiscal. Se todos os códigos de determinada posição possuem a mesma alíquota e se a controvérsia nos autos reside no enquadramento do produto ao nível de posição na TIPI, para fins de exigência das diferenças de IPI, basta que o fisco indique o código de classificação até o nível de posição.
DECADÊNCIA. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONFRONTO ENTRE DÉBITOS E CRÉDITOS ADMITIDOS PELO REGULAMENTO SEM RESTAR SALDO A RECOLHER.
A presunção de ocorrência de pagamento antecipado contida no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002 só se verifica quando os créditos de IPI escriturados pelo contribuinte forem legítimos. Constatada a ilegitimidade dos créditos e revelada a existência de saldos devedores não declarados e não recolhidos, o prazo de decadência para a feitura do lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 173, I, do CTN.
GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE GLOSAR. INEXISTÊNCIA.
A decadência fulmina o direito da fazenda pública exigir tributo por meio do lançamento de ofício e não o direito de o fisco efetuar glosas no livro de IPI. As glosas podem retroagir a tempos imemoriais, mas o fisco só pode exigir o imposto relativo aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO "SPLIT SYSTEM". VENDA CONJUNTA DE UNIDADES EVAPORADORAS E CONDENSADORAS.
A venda conjunta de uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora caracteriza a venda de um aparelho de ar condicionado do tipo "split system", devendo o conjunto ser classificado na posição 8415 como aparelho de ar condicionado.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO "MULTISPLIT". VENDA CONJUNTA DE UMA UNIDADE CONDENSADORA E VÁRIAS UNIDADES EVAPORADORAS.
A venda conjunta de uma unidade condensadora e de várias unidades evaporadoras caracteriza a venda de um aparelho de ar condicionado "multisplit", devendo o conjunto ser classificado na posição 8415 como aparelho de ar condicionado.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EVAPORADORAS. SOLUÇÃO DE CONSULTA.
Existindo solução de consulta que fixou a classificação fiscal das unidades evaporadoras, quando vendidas isoladamente, a interpretação assim fixada, certa ou errada, justa ou injusta, vincula tanto a Administração quanto o contribuinte.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO TIPO "FAN COIL".
Não tendo o fisco demonstrado a venda conjunta do equipamento que produz a água gelada ou quente e do equipamento constituído pelo ventilador motorizado conjugado com a serpentina; nem que os equipamentos vendidos constituíam um corpo único, cancela-se o lançamento por carência probatória da acusação.
GLOSA DE CRÉDITOS.
O crédito glosado em outros processos não impede o julgamento, mas repercute na reconstituição dos saldos da escrita fiscal, podendo alterar os saldos devedores lançados de ofício, caso haja reversão total ou parcial da glosa ou decisão quanto à improcedência de débitos apurados em algum processo. Sendo assim, a liquidação deste julgado fica na dependência do resultado dos processos anteriores.
SALDO CREDOR DE ESCRITA. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Existindo saldo credor de escrita a ser transportado para períodos seguintes, o valor sofrerá a correção monetária, conforme estabelecido na decisão judicial transitada em julgado a favor do contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE.
Constitui circunstância agravante da multa de ofício o fato de o contribuinte dar saída a produto com classificação fiscal incorreta, após a classificação fiscal ter sido objeto de decisão em consulta por ele formulada.
CONSECTÁRIOS DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. OBSERVÂNCIA DAS NORMAS COMPLEMENTARES.
Inexistindo solução de consulta específica para o ar condicionado "split system" e "fan coil", devem ser mantidos os consectários do lançamento de ofício.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-003.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação as vendas de aparelhos fan coil e para que a autoridade administrativa, no momento da execução conjunta de todas as decisões derradeiras que vierem a ser proferidas quanto aos autos de infração desta ação fiscal, aplique a correção monetária, nos termos da decisão judicial que beneficia o contribuinte, sobre os eventuais saldos credores que possam vir a surgir se houver reversão total ou parcial das glosas efetuadas. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (Relator) e Luiz Rogério Sawaya Batista, quanto à classificação fiscal do split system e quanto às evaporadoras. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti quanto à decadência. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, que negou provimento na íntegra. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Cláudio Moretti, OAB/RS 28.384.
Antonio Carlos Atulim - Presidente e redator designado.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. REVISÃO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO IMPUGNADO. A impugnação do lançamento não impede sua revisão de ofício, desde que a autoridade administrativa se sujeite ao prazo de decadência, no caso de agravamento da exigência. NULIDADE. FALTA DA INDICAÇÃO DO CÓDIGO COMPLETO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A falta de indicação do código de classificação fiscal até o nível de subitem não eiva de nulidade o lançamento, pois o objeto do procedimento de determinação e exigência de créditos tributários é diverso do objeto do processo de consulta fiscal. Se todos os códigos de determinada posição possuem a mesma alíquota e se a controvérsia nos autos reside no enquadramento do produto ao nível de posição na TIPI, para fins de exigência das diferenças de IPI, basta que o fisco indique o código de classificação até o nível de posição. DECADÊNCIA. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONFRONTO ENTRE DÉBITOS E CRÉDITOS ADMITIDOS PELO REGULAMENTO SEM RESTAR SALDO A RECOLHER. A presunção de ocorrência de pagamento antecipado contida no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002 só se verifica quando os créditos de IPI escriturados pelo contribuinte forem legítimos. Constatada a ilegitimidade dos créditos e revelada a existência de saldos devedores não declarados e não recolhidos, o prazo de decadência para a feitura do lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 173, I, do CTN. GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE GLOSAR. INEXISTÊNCIA. A decadência fulmina o direito da fazenda pública exigir tributo por meio do lançamento de ofício e não o direito de o fisco efetuar glosas no livro de IPI. As glosas podem retroagir a tempos imemoriais, mas o fisco só pode exigir o imposto relativo aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO "SPLIT SYSTEM". VENDA CONJUNTA DE UNIDADES EVAPORADORAS E CONDENSADORAS. A venda conjunta de uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora caracteriza a venda de um aparelho de ar condicionado do tipo "split system", devendo o conjunto ser classificado na posição 8415 como aparelho de ar condicionado. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO "MULTISPLIT". VENDA CONJUNTA DE UMA UNIDADE CONDENSADORA E VÁRIAS UNIDADES EVAPORADORAS. A venda conjunta de uma unidade condensadora e de várias unidades evaporadoras caracteriza a venda de um aparelho de ar condicionado "multisplit", devendo o conjunto ser classificado na posição 8415 como aparelho de ar condicionado. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EVAPORADORAS. SOLUÇÃO DE CONSULTA. Existindo solução de consulta que fixou a classificação fiscal das unidades evaporadoras, quando vendidas isoladamente, a interpretação assim fixada, certa ou errada, justa ou injusta, vincula tanto a Administração quanto o contribuinte. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO TIPO "FAN COIL". Não tendo o fisco demonstrado a venda conjunta do equipamento que produz a água gelada ou quente e do equipamento constituído pelo ventilador motorizado conjugado com a serpentina; nem que os equipamentos vendidos constituíam um corpo único, cancela-se o lançamento por carência probatória da acusação. GLOSA DE CRÉDITOS. O crédito glosado em outros processos não impede o julgamento, mas repercute na reconstituição dos saldos da escrita fiscal, podendo alterar os saldos devedores lançados de ofício, caso haja reversão total ou parcial da glosa ou decisão quanto à improcedência de débitos apurados em algum processo. Sendo assim, a liquidação deste julgado fica na dependência do resultado dos processos anteriores. SALDO CREDOR DE ESCRITA. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Existindo saldo credor de escrita a ser transportado para períodos seguintes, o valor sofrerá a correção monetária, conforme estabelecido na decisão judicial transitada em julgado a favor do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. Constitui circunstância agravante da multa de ofício o fato de o contribuinte dar saída a produto com classificação fiscal incorreta, após a classificação fiscal ter sido objeto de decisão em consulta por ele formulada. CONSECTÁRIOS DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. OBSERVÂNCIA DAS NORMAS COMPLEMENTARES. Inexistindo solução de consulta específica para o ar condicionado "split system" e "fan coil", devem ser mantidos os consectários do lançamento de ofício. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. REVISÃO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO IMPUGNADO. A impugnação do lançamento não impede sua revisão de ofício, desde que a autoridade administrativa se sujeite ao prazo de decadência, no caso de agravamento da exigência. NULIDADE. FALTA DA INDICAÇÃO DO CÓDIGO COMPLETO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A falta de indicação do código de classificação fiscal até o nível de subitem não eiva de nulidade o lançamento, pois o objeto do procedimento de determinação e exigência de créditos tributários é diverso do objeto do processo de consulta fiscal. Se todos os códigos de determinada posição possuem a mesma alíquota e se a controvérsia nos autos reside no enquadramento do produto ao nível de posição na TIPI, para fins de exigência das diferenças de IPI, basta que o fisco indique o código de classificação até o nível de posição. DECADÊNCIA. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONFRONTO ENTRE DÉBITOS E CRÉDITOS ADMITIDOS PELO REGULAMENTO SEM RESTAR SALDO A RECOLHER. A presunção de ocorrência de pagamento antecipado contida no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002 só se verifica quando os créditos de IPI escriturados pelo contribuinte forem legítimos. Constatada a ilegitimidade dos créditos e revelada a existência de saldos devedores não declarados e não recolhidos, o prazo de decadência para a feitura do lançamento de ofício regese pela regra do art. 173, I, do CTN. GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE GLOSAR. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 53 67 /2 01 1- 62 Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 2 A decadência fulmina o direito da fazenda pública exigir tributo por meio do lançamento de ofício e não o direito de o fisco efetuar glosas no livro de IPI. As glosas podem retroagir a tempos imemoriais, mas o fisco só pode exigir o imposto relativo aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO "SPLIT SYSTEM". VENDA CONJUNTA DE UNIDADES EVAPORADORAS E CONDENSADORAS. A venda conjunta de uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora caracteriza a venda de um aparelho de ar condicionado do tipo "split system", devendo o conjunto ser classificado na posição 8415 como aparelho de ar condicionado. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO "MULTISPLIT". VENDA CONJUNTA DE UMA UNIDADE CONDENSADORA E VÁRIAS UNIDADES EVAPORADORAS. A venda conjunta de uma unidade condensadora e de várias unidades evaporadoras caracteriza a venda de um aparelho de ar condicionado "multisplit", devendo o conjunto ser classificado na posição 8415 como aparelho de ar condicionado. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EVAPORADORAS. SOLUÇÃO DE CONSULTA. Existindo solução de consulta que fixou a classificação fiscal das unidades evaporadoras, quando vendidas isoladamente, a interpretação assim fixada, certa ou errada, justa ou injusta, vincula tanto a Administração quanto o contribuinte. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO TIPO "FAN COIL". Não tendo o fisco demonstrado a venda conjunta do equipamento que produz a água gelada ou quente e do equipamento constituído pelo ventilador motorizado conjugado com a serpentina; nem que os equipamentos vendidos constituíam um corpo único, cancelase o lançamento por carência probatória da acusação. GLOSA DE CRÉDITOS. O crédito glosado em outros processos não impede o julgamento, mas repercute na reconstituição dos saldos da escrita fiscal, podendo alterar os saldos devedores lançados de ofício, caso haja reversão total ou parcial da glosa ou decisão quanto à improcedência de débitos apurados em algum processo. Sendo assim, a liquidação deste julgado fica na dependência do resultado dos processos anteriores. SALDO CREDOR DE ESCRITA. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Existindo saldo credor de escrita a ser transportado para períodos seguintes, o valor sofrerá a correção monetária, conforme estabelecido na decisão judicial transitada em julgado a favor do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 7 3 Constitui circunstância agravante da multa de ofício o fato de o contribuinte dar saída a produto com classificação fiscal incorreta, após a classificação fiscal ter sido objeto de decisão em consulta por ele formulada. CONSECTÁRIOS DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. OBSERVÂNCIA DAS NORMAS COMPLEMENTARES. Inexistindo solução de consulta específica para o ar condicionado "split system" e "fan coil", devem ser mantidos os consectários do lançamento de ofício. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação as vendas de aparelhos fan coil e para que a autoridade administrativa, no momento da execução conjunta de todas as decisões derradeiras que vierem a ser proferidas quanto aos autos de infração desta ação fiscal, aplique a correção monetária, nos termos da decisão judicial que beneficia o contribuinte, sobre os eventuais saldos credores que possam vir a surgir se houver reversão total ou parcial das glosas efetuadas. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (Relator) e Luiz Rogério Sawaya Batista, quanto à classificação fiscal do split system e quanto às evaporadoras. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti quanto à decadência. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, que negou provimento na íntegra. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Cláudio Moretti, OAB/RS 28.384. Antonio Carlos Atulim Presidente e redator designado. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve o lançamento referente IPI período de apuração de primeiro de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2008, para tanto, foi lavrado auto de infração, fls. 192 a 195 e anexo, exigência no valor de R$ 11.910.862,02 de Imposto Sobre Produtos Industrializados, acrescido de juros de mora e da multa por lançamento de ofício de 75%, em alguns casos majorada para 112,5%, totalizando, na data da autuação, R$ 26.345.948,18. Os motivos do lançamento de ofício encontramse explicitados no Relatório da Ação Fiscal das fls. 216 a 246, retificado pelo Relatório de Diligência Fiscal das fls. 1144 a 1147, abaixo resumidos: Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 4 “Unidades condensadoras A Recorrente classificou esses aparelhos nos códigos 8418.6110 ou 8418.6190, de acordo com a capacidade do equipamento. A autuação considerou que tais aparelhos, quando vendidos conjuntamente com unidades evaporadoras, formariam um aparelho de ar condicionado completo do tipo split system, eis que a junção de ambos os elementos possibilitaria, no entender do Fisco, a modificação, simultaneamente, da temperatura e da umidade do ar, funções típicas dos sistemas de arcondicionado. São aparelhos cujas unidades ditas principais (evaporadora e condensadora) são apresentadas em corpos distintos, as quais, após a instalação, permanecem fisicamente separadas, interligadas por fios e dutos. O Agente Fiscal consigna que a Recorrente formulou consulta perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sobre a classificação fiscal das unidades condensadoras, apresentadas isoladamente, consulta que foi objeto da Solução de Divergência Coana n° 20, de 27 de maio de 2002 (fls. 224), determinando que tal produto fosse classificado no código 8418.69.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), alusivo a “outras máquinas e aparelhos para produção de frio”. Assim, imputase à contribuinte erros de classificação fiscal junto a TIPI relativamente a elementos de sistemas de refrigeração de ar, produzidos e comercializados pela Recorrente. Em decorrência dos erros de classificação fiscal incorridos pela Recorrente, esta teria aplicado alíquotas de IPI inferiores àquela efetivamente incidente na saída dos equipamentos denominados(i) “Unidades Condensadoras”, (ii) “Unidades Evaporadoras”, (iii) aparelhos “FanCoil” e (iv)Módulos Condensadores, Evaporadores e Trocadores de CalorMultisplit. Entende a fiscalização, na espécie teriam ocorrido “vendas casadas”, assim entendidas vendas conjuntas de unidades evaporadoras e de unidades condensadoras, em igual número, em documentos fiscais sequenciais e para o mesmo cliente, porém tributadas como elementos separados. Discordando da classificação adotada pela Recorrente, da fiscalização entendeu que o enquadramento correto do conjunto formado por evaporador e condensador, também conhecido por aparelho do tipo “splitsystem”, é no código 8415.10.11 ou 8415.10.90 da TIPI, dependendo da capacidade de extração de calor, em frigorias/hora, relativos a “máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente – dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando um corpo único ou do tipo ‘splitsystem’ (sistema com elementos separados)”, códigos aos quais corresponde alíquota de 20% para o IPI. A irregularidade abordada no presente tópico, apontada no item 3.1 do Relatório da Ação Fiscal das fls. 216 a 246 (fls. 223 a 227), foi apurada conforme planilha intitulada “Saídas de Unidades Condensadoras Casadas com Evaporadoras (Split System)” das fls. 902 a 1090. Das Unidades evaporadoras. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 8 5 A Recorrente classificou esses aparelhos nos códigos 8418.69.40 e 8419.50.90. E por vezes também no código 8415.82.10, porém sem lançamento de IPI. Conforme consignado no auto de infração, as Unidades Evaporadoras (fl. 228), assim como os aparelhos FanCoil (fl. 230 veremos adiante) são considerados aparelhos condicionadores de ar completos, independentemente de eventual "venda casada" com outros elementos e, por isso, deveriam ser classificados na posição 8415. Nesse sentido, afirmouse que a evaporadora "é um aparelho destinado a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade, contém um ventilador a motor e é concebida para modificar simultaneamente temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar." (fl. 228). O entendimento da fiscalização que mesmo quando comercializadas sozinhas, seriam consideradas aparelhos de arcondicionado completos, com capacidade de modificar a temperatura e a umidade independente da junção com quaisquer outros aparelhos. O auto de infração destaca que as evaporadoras foram objeto de consulta sobre classificação fiscal pela Recorrente no passado, tendo sido emitida a Decisão nº 12 SRRF/10a RF/Diana, de 12 de fevereiro de 1998, cuja ementa, publicada na página 58 da Seção 1 do Diário Oficial da União de 8 de maio de 1998, é a seguinte: “DECISÃO No 12, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias CÓDIGO T1PI: MERCADORIA: Aparelhos de arcondicionado contendo ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade: 8415.10.10 dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando corpo único, com capacidade máxima de 6.075 frigorias/hora (30.000Btu/h), tipo HiWall, modelos 42RCA, 42RQA, 42 DXA, 42DQA, 42DXB e 42DQB 8415.82.10 dos tipos utilizados nos tetos das construções (tipo Console Underceiling, modelos 42FMG, 42FMGH, 42MAA090226FR e 42MAA090446FR e 42MAB) ou sobre o forro (tipo BuiltIn, modelos 42PEA, 42PGA, FB4ANF e 40MSA), com capacidade máxima de 22.785 frigorias/hora (90.000Btu/h) 8415.82.10 dos tipos utilizados nos tetos das construções (tipo Console Underceiling, modelos 42FMG, 42FMGH, 42MAA090226FR e 42MAA090446FR e 42MAB) ou sobre o forro (tipo BuiltIn, modelos 42PEA, 42PGA, FB4ANF e 40MSA), com capacidade máxima de 22.785 frigoriaslhora (90.000Btu/h) 8415.82.90 dos tipos utilizados nos tetos das construções, com capacidade de 30.380 frigorias/hora (120.000Btu/h), tipo ConsoleUnderceiling, modelos 42MAA120226FR e 42MAA120446FR DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1ª (texto da posição 8415) e 6ª (textos das subposições 8415.10 e 8415.82), e RGC1 (textos dos itens 8415.10.10, 8415.82.10 e 8415.82.90), da TlPI aprovada pelo Decreto no 2.092/96.” Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 6 A fiscalização ressalta que o dito erro de classificação fiscal das unidades evaporadoras foi objeto de autuações anteriores, conforme Processos nos 11065.004409/2004 07, 11065.003605/200618, 11065.002749/200738, 11065.005554/200821, 11065.000667/201054 e 11065.001377/201028, referentes aos anoscalendário 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006. Pondera que, no período objeto da respectiva auditoria, o interessado acatou, em regra, a orientação emanada da Decisão no 12 SRRF/10a RF/Diana, de 1998, antes referida. Todavia, foi constatado que, em algumas vendas, as unidades evaporadoras foram classificadas nos códigos 8418.69.40, relativo a “outros materiais, máquinas e aparelhos, para produção de frio; bombas de calor”, e 8419.50.90, referente a “outros trocadores (permutadores) de calor”, ou, simplesmente, não houve lançamento do IPI nas notas fiscais em que a classificação ocorreu no antes mencionado código 8415.82.10. Em relação a algumas saídas, a contribuinte alegou tratarse de operações amparadas pelo instituto da suspensão do IPI, o que restou acatado pelo auditor fiscal, tendo sido excluídas essas ocorrências dos Anexos do Relatório da Ação Fiscal das fls. 216 a 246. A irregularidade objeto deste tópico, apontada no item 3.2 do Relatório da Ação Fiscal das fls. 216 a 246 (fls. 228 a 229) foi apurada conforme planilha intitulada “Saídas de Unidades Evaporadoras” das fls. 1091 a 1095. O lançamento de ofício por falta de lançamento do IPI, devido a erro de classificação fiscal fez incidir multa de 75%, e, o lançamento de ofício em relação às unidades evaporadoras, a multa foi majorada em cinquenta por cento, passando para 112,5%, por força do art. 478, I, “a”, combinado com os artigos 475, 476, I, e 488, do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, dada a ocorrência da circunstância agravante de o imposto, destacado em valor inferior ao devido, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já havia sido objeto de decisão proferida em consulta formulada pela contribuinte. DO FANCOIL A Recorrente teria também classificados esses aparelhos no código 8419.50.90. No que tange aos aparelhos denominados “FanCoil”, conforme destacado acima, a fiscalização entendeu que estes, quando comercializados isoladamente, são aparelhos condicionadores de ar completos. Diante disso, a fiscalização considera correto o enquadramento na posição 8415, mais especificamente, nas subposições 8415.81 ou 8415.82, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade em frigorias/hora, produtos sujeitos, em qualquer caso, à alíquota de 20% para o IPI. A irregularidade focalizada neste tópico, apontada no item 3.3 do Relatório da Ação Fiscal das fls. 216 a 246 (fls. 230 a 232), foi apurada conforme planilha intitulada “Saídas de FanCoil” das fls. 1096 a 1116. DOS MULTISPLIT Na sequência, a fiscalização menciona que a Interessada fabrica aparelhos denominados “multisplit”, divididos em duas linhas, uma de alta e outra de baixa capacidade. Descreveu os princípios de funcionamento desses aparelhos, afirmando serem semelhantes aos antes referidos, no tocante aos equipamentos do tipo “splitsystem”. Nas duas linhas, as unidades evaporadoras são constituídas pela conjugação de dois módulos independentes, denominados “Módulo Trocador de Calor” e “Módulo Ventilação” (códigos 40MZ, na linha de alta capacidade, e 40MS na linha de baixa capacidade). As condensadoras Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 9 7 são identificadas pela fiscalizada com os códigos 38MZ (ventilador centrífugo) ou 38AB (ventilador axial) na linha de alta capacidade e 38MS na linha de baixa capacidade. Da análise das notas fiscais de saída desses produtos levou a fiscalização a concluir que boa parte das vendas de unidades condensadoras e dos módulos “Trocador de Calor” e “Ventilação” era “casada”, ou seja, era feita aos mesmos clientes, em notas fiscais sequenciais. Consequentemente, a classificação fiscal correta do conjunto de equipamentos em causa, segundo a fiscalização, é a própria dos condicionadores de ar, na “posição 8415, mais especificamente 8415.81 ou 8415.82 e subposições, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade de frigorias/hora” (fls. 230 e 234), todas com IPI à alíquota de 20%, em prejuízo da classificação adotada pela contribuinte nos códigos 8418.61.10, 8418.61.90 e 8418.69.99 para as unidades condensadoras, referentes a “equipamentos para refrigeração ou para arcondicionado”, 8414.59.90 para o módulo “Ventilador”, referente a “outros ventiladores”, e 8419.50.90 para o módulo “Trocador de Calor”, referente a “outros trocadores (permutadores) de calor”. A irregularidade em comento, apontada no item 3.4 do Relatório da Ação Fiscal das fls. 216 a 246 ( fls. 232 a 234), foi apurada conforme planilha intitulada “Saídas de Multisplit” das fls. 1.117 a 1.143. Assim, menciona o relatório fiscal que a contribuinte foi atuada por erro de classificação fiscal, consequentemente, destaque a menor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, nas notas fiscais de saídas no período de primeiro de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2008. DOS CRÉDITOS INDEVIDOS DE IPI (Manutenção de crédito glosado pela fiscalização em ações fiscais anteriores). A fiscalização afirma que, no processo no 11065.001377/201028, houve reconstituição da escrita fiscal de IPI da empresa, havendo ordem para estorno do saldo credor escritural verificado em 31 de dezembro de 2006, no valor de R$ 28.133.890,51, estorno que, todavia, não aconteceu, distorcendo o saldo credor do período anterior ao primeiro período de apuração objeto da fiscalização de que trata este processo. Consequentemente, em nova reconstituição da escrita fiscal, foi feito o estorno, de ofício, do referido saldo credor, na mencionada importância de R$ 28.133.890,51, no período de apuração correspondente a janeiro de 2007, reduzindoo a zero, conforme consta na fl. 212. Correção monetária de créditos do IPI A ação fiscal identificou no livro RAIPI da contribuinte a escrituração de valores a título de “outros créditos”, referentes à “Correção Monetária do Saldo Credor de IPI”, com base na Sentença no 095/96, proferida na Ação Ordinária no 93.00092138, sentença cuja cópia já havia sido apresentada em procedimentos fiscais anteriores, acompanhada por certidão comprobatória do respectivo trânsito em julgado, autorizando crédito com a natureza mencionada. Ressalta a fiscalização que, embora o direito de corrigir monetariamente os saldos credores do IPI tenha sido reconhecido em caráter definitivo, em juízo, após a reconstituição de ofício da escrita, pela apuração de débitos do citado imposto, e o estorno, Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 8 também de ofício, do saldo credor inicial referido no tópico precedente, deixaram de existir saldos credores do IPI passíveis de correção, motivo pelo qual foram integralmente glosados os créditos referentes à atualização monetária. Na Tabela 05, intitulada “Correção monetária dos saldos credores – Glosa – em R$”, da fl. 245, são exibidos os valores glosados no período de janeiro a dezembro de 2007. Nestes termos resumese o auto do infração. Tomado ciência em 26 de janeiro de 2012, e, inconformada com o lançamento decorrente da acusação de erro de classificação dos produtos por ela produzidos e comercializados, a Recorrente, impugna , apontando nulidades que impossibilitavam sua defesa (mais de 250 páginas em branco além de uma série de entrelinhas sem ressalvas nas planilhas que supostamente deveriam apurar o crédito tributário objeto do lançamento). Arguiu ainda nulidade por ausência de motivação suficiente da autuação quanto aos aparelhos FanCoil e Multisplit, ausência de estorno das vendas com suspensão do IPI, bem como atacou a autuação integralmente no mérito. Ao apreciar a impugnação, a Delegacia de Julgamento de Porto Alegre/RS (DRJ/POA) entendeu por bem determinar a devolução do processo à autoridade lançadora para que a mesma “sanasse” falhas nos documentos entregue ao contribuinte, evitando, assim, alegação de nulidades constantes no auto de infração (despacho de fls. 899/900) no que tange às páginas em branco acima referidas: “Acrescentese que o Relatório da Ação Fiscal das fls. 216 a 246 alude a Anexos I a III, “VI e VII” e “IX e X”, sem que se verifique no processo a existência de documentos assim identificados”. Em razão disso determinou o retorno do processo à autoridade lançadora, realizada diligência fiscal (fls. 1144/1147) por meio da qual foram anexadas, novas, planilhas de apuração do crédito tributário (fls. 902/1.143). Intimada a se manifestar acerca da diligência fiscal, a Recorrente reiterou a nulidade do auto de infração, assim como, da diligência realizada, uma vez que o art. 145 do CTN veda a modificação do auto de infração após a notificação do contribuinte. A diligência realizada não teria se resumido a trazer o conteúdo das paginas em branco, mas teria elaborado novas planilhas de cálculo do auto de infração, embora seu valor final tenha permanecido inalterado. Ademais, apontou que o trabalho realizado na diligência fiscal teria apenas demonstrado a precariedade do lançamento como um todo, eis que se se limitou a cobrar a diferença entre as alíquotas aplicadas pela Recorrente e a alíquota de 20% que entende aplicável, sem verificar, contudo, as peculiaridades dos produtos ou das operações objeto do lançamento (entre elas operações isentam ou suspensas). Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 10 9 Concluso novamente à DRJ/POA, o processo foi encaminhado mais uma vez para a autoridade lançadora, em diligência, para verificação de “eventual exigen̂cia indevida do IPI em operacõ̧es desoneradas desse imposto” (fl. 1354). Retornado o processo ao auditor fiscal, foi constatado o lançamento indevido no montante total de R$ 491.626,24 (quatrocentos e noventa e um mil, seiscentos e vinte e seis reais e vinte e quatro centavos) relativo a operações desoneradas do IPI. Após nova manifestação da Recorrente (fls. 1399/1402), foi proferido acórdão pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, a qual considerou afastadas as nulidades alegadas pela Recorrente, e manteve o lançamento, exceto na parte em que a própria fiscalização reconheceu lançamento indevido sobre operações desoneradas. O acórdão restou assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. Sem que tenha ocorrido pagamento antecipado do IPI, nos termos da legislação desse imposto, a contagem do prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário ocorre do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ALEGAC ̧ÃO DE NULIDADE DA AUTUAC ̧ÃO. Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 10 É descabida a alegação de nulidade da autuação, fundada em suposta preterição do direito de defesa, não verificada no caso concreto, por terem sido as infrações descritas e enquadradas com clareza, infrações que foram perfeitamente compreendidas e amplamente contestadas pelo sujeito passivo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente, classificamse na posição 8415 da TIPI, com alíquota de 20% para o IPI, classificandose na mesma posição outras máquinas que, por combinação com as primeiras, complementamnas no condicionamento de ar, o que justifica o lanc ̧amento de ofício das diferenças apuradas pela fiscalizac ̧ão, com o acréscimo de multa e juros, exceto nos casos em que as saídas dos referidos Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 11 11 produtos estavam amparadas por imunidade, isenção ou suspensão. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. É cabível a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%, nos casos de inobservância de classificação fiscal que já foi objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo próprio infrator que, mesmo ciente dessa decisão, utilizou classificação imprópria. RECONSTITUIC ̧ÃO DA ESCRITA FISCAL. É legítima a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, por terem sido apurados débitos do IPI, que devem ser deduzidos dos créditos desse mesmo imposto. CORREC ̧ÃO MONETÁRIA DOS SALDOS CREDORES DO IPI RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 12 A correção monetária dos saldos credores do IPI, reconhecida por decisão transitada em julgado, resta prejudicada após reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, em razão da qual deixaram de existir os saldos credores sobre os quais incidiria a correção. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É indeferida a solicitac ̧ão de perícia considerada prescindível para a solução do litígio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." (fls. 1432/1433) Ciente da decisão em 24 de julho de 2013, “AR” – fl. 1470 ofereceu recurso em 23 de agosto de 2013, fl. 1480. A contribuinte recorreu da decisão, reiterando a nulidade do auto de infração e a improcedência das suas razões de mérito, bem como apontando a ocorrência de decadência, mormente em virtude das diligências de saneamento do auto. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 12 13 A Controvérsia a ser examinada neste caderno processual se refere a erro de classificação fiscal, consequentemente, levou destaque menor do IPI devido. A contribuinte sustenta, também, em sede de preliminar nulidade do auto de infração e de decadência. Passase ao exame de tais pontos separadamente. Nulidade do Auto de Infração Páginas em Branco e retificações dos montantes tributáveis por período de apuração Há sustentação de que, embora a matéria de mérito tratada no presente lançamento seja de seu conhecimento da Recorrente, encontrou dificuldades em verificar os valores apurados pela fiscalização no auto de infração, eis que se deparou com a existência de 258 (duzentos e cinquenta e oito) páginas em branco quando da intimação recebida originalmente, no lugar das páginas onde deveriam conter as planilhas de apuração do crédito tributário constituído no presente processo. Tais páginas, de fato, vieram em branco, conforme comprovam as fls. 463/680 e fls. 737/776 dos autos. Em tais folhas, embora tenha havido numeração, autenticação e assinatura, não há qualquer conteúdo. Algumas ainda possuem grifos coloridos (p. ex., às fls. 470, 750, 758 e 764, entre outras) levando a crer que ali teria conteúdo que não aparece nos autos do processo. Constatouse, ainda, a existência de entrelinhas sem ressalvas nas páginas onde as planilhas aparecem, como, por exemplo, à fl. 310, correspondente à linha 16, ou à fl. 425, correspondente à linha 2. Entende a Recorrente, por tais razões, há nulidade do auto de infração, por violação ao art. 2º1 do Dec. nº 70.235/72, bem como ao art. 1712 do Código de Processo Civil. Nesse sentido tratou de trazer à baila precedente nesse sentido (Acórdão do CARF n° 108 05.954 e Decisão nº 1.176 da DRFCampinas). Não obstante o entendimento do Contribuinte, saneado tal equívoco, não há mais falar em nulidade do auto de infração. De fato, inicialmente sua defesa restava prejudicada, pela impossibilidade de verificação em detalhe dos valores que lhe estavam sendo imputados pelo auto. No entanto, sanado tal equívoco, com nova notificação da empresa (09 de julho de 2012), que inclusive propiciouo apresentar nova impugnação aos termos da acusação, não há mais razão para cogitar existência de nulidade. Decadência Parcial do Auto de Infração Como referido acima, as duas diligências, efetuadas pela própria fiscalização, que visaram "retificar" o auto de infração e corrigir seus erros materiais, implicaram em clara substituição do auto de infração original, levando à conclusão de que se o lançamento anterior 1Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. 2Art. 171 Não se admitem, nos atos e termos, espaços em branco, bem como entrelinhas, emendas ou rasuras, salvo se aqueles forem inutilizados e estas expressamente ressalvadas. Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 14 foi anulado/substituído, o prazo decadencial assume como novo termo final o Auto de Infração Complementar. Neste sentido, é a lição de Vladimir Passos de Freitas nos comentários ao art. 149 do CTN, in verbis: “A efetivação do lançamento tem como resultado a constituição do crédito tributário. A revisão do lançamento, como posta no artigo, não tem o sentido de um reexame puramente confirmatório, mas de uma atuação de que resulta a modificação do lançamento revisado e, conseqüentemente, do crédito tributário constituído. A modificação implicará anulação, total ou parcial, do lançamento revisado, e substituição deste, ou sua complementação por um lançamento de ofício.” (In Código Tributário Nacional Comentado: doutrina e jurisprudência..., Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 2005, p. 644). Nesse sentido, também, é o consolidado entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça: “O lançamento pode ser revisto se constatado erro em sua feitura, desde que não esteja extinto pela decadência o direito de lançar da Fazenda.” (REsp 676.378/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 16/12/2009). No caso concreto, o auto de infração foi modificado em duas oportunidades: a primeira, referente às páginas que constavam em branco nos autos; a segunda, referente à ausência de exclusão do auto das operações não sujeitas ao IPI. É importante observar, porém, que a existência de nova notificação com o auto de infração supostamente "saneado", implica na invalidação da notificação anteriormente efetuada, o que terá impacto na contagem do prazo decadencial do presente auto de infração, conforme veremos a seguir. O mesmo vale para a alegada segunda causa de nulidade do auto de infração, evidenciada pelo procedimento de "saneamento do auto de infração" determinado pela DRJ para identificação das operações não tributáveis, determinação essa ocorrida após a primeira diligência que resultou na apresentação de novas planilhas em substituição àquelas apresentadas em branco e em nova intimação (23 de maio de 2013). A Recorrente afirma que a Delegacia Regional de Porto Alegre, extrapolando os limites da sua competência3, resolveu remeter os autos à autoridade fiscal para que sanasse as nulidades existentes, conforme se verifica pelo teor da decisão de fl. 899, in verbis: "Em face do exposto, proponho encaminhar este processo à unidade da RFB de origem, em diligência, para saneamento, com a devida ciência do interessado sobre as medidas corretivas adotadas, dando a ele a oportunidade de impugnação complementar, e posterior retorno, para solução do litígio." Todavia, tal procedimento estaria proibido pelo art. 9 do Dec. 70.235/72, que estabelece que o auto de infração deve ser instruído com todos os seus termos e elementos. Ou seja, não seria dada a complementação posterior dos termos e elementos do auto de infração. 3 Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012): " Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: (...)" (grifamos) Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 13 15 Embora não comungue do entendimento de que é impossível sanear o auto de infração, devo reconhecer que qualquer alteração no auto de infração pela própria fiscalização por erros originais do auto, seja por ausência de páginas prejudicial à defesa da contribuinte, seja por ausência de exclusão de operações não sujeitas ao IPI, consoante ocorrido nas duas diligências fiscais anteriores ao acórdão recorrido, é equivalente à nova autuação, nova notificação de lançamento, inclusive com abertura de novo prazo para impugnação do contribuinte. Tal "nova notificação" terá, também, impacto na verificação de decadência da autuação, conforme veremos a seguir. Ainda assim, é importante atentar para a afirmação da Recorrente no sentido de que o dito "saneamento" ocasionou uma modificação dos valores objeto de autuação em comparação com aqueles apresentados no lançamento original. De fato, observemos, por exemplo, o que consta na planilha denominada “Saídas de Unidades Condensadoras Casadas com Evaporadoras (Split System)” (fl. 902). Pelo fato de iniciar pela Nota Fiscal nº 106240, poderíamos presumir que ela seria o “aperfeiçoamento da apresentação” da planilha constante da pág. 247 e ss. do auto de infração original (a qual não apresenta nome ou indicação de qual anexo se refere). Pois bem, na planilha original o valor do lançamento relativo ao mês de Janeiro de 2007 foi de R$ 934.583,18 (novecentos e trinta e quatro mil, quinhentos e oitenta e três reais e dezoito centavos), conforme se verifica pela soma constante da pág. 264 do processo. O valor relativo ao mês de Janeiro de 2007 apresentado na planilha correspondente ao “aperfeiçoamento da apresentação” (fl. 917), por outro lado, é de R$ 899.128,76 (oitocentos e noventa e nova mil, cento e vinte e oito reais e setenta e seis centavos). Houve, portanto, verdadeira alteração na apuração dos montantes tributáveis relativos a cada período de apuração, em que pese os somatório finais da autuação tenham permanecidos inalterados. Daí que, apesar de sanadas as nulidades de apuração do lançamento, oportunizandose nova intimação à Recorrente, tal situação terá efeito sobre a contagem do prazo decadencial aplicável ao lançamento de ofício. Constatado que a notificação da empresa quanto à primeira decisão/retificação ocorreu em 09 de julho de 2012; quanto à segunda, em 23 de maio de 2013. Ocorre que eventual diligência para sanar omissões do auto de infração só pode ocorrer se não transcorrido o prazo decadencial para lançamento. Nesse exato sentido: “Ano calendário: 2006, 2007, 2008 NULIDADE. LANÇAMENTO APERFEIÇOADO EM DILIGÊNCIA. VALIDADE PARCIAL. As omissões que resultem em prejuízo ao sujeito passivo, quando este não lhes der causa, podem ser sanadas com reabertura do prazo para impugnação, desde que não transcorrido o prazo decadencial para revisão do lançamento. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 16 encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeitase à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. (CARF, 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, Processo 10945.721240/201104, Acórdão 1101011.013, Sessão de 03 de dezembro de 2013 grifado) Essa discussão foi afastada pelo julgado recorrido ao argumento como se extrai do acórdão recorrido a fls. 1458 do processo: "Em relação a janeiro de 2007, período de apuração que poderia ser atingido pelo prazo decadencial de cinco anos, dado que o sujeito passivo foi cientificado do Auto de Infração das fls. 192 a 195 e do Relatório da Ação Fiscal das fls. 216 a 246 em 26 de janeiro de 2012, segundo consta nas fls. 192 e 246, cumpre dizer que no referido período houve glosa de crédito a título de correção monetária, que passou a ser indevida, pela inexistência de saldo credor em janeiro de 2007, após a reconstituição da escrita fiscal, conforme consta nas fls. 212 e 213.(grifo é nosso) À vista disso, constatase que, no caso, houve dedução dos débitos, em janeiro de 2007, de crédito inadmitido, sem resultar saldo a recolher, fato que, por força da legislação antes mencionada (art. 124, parágrafo único, III, e art. 125, III, do RIPI de 2002), não configura pagamento do IPI, para aperfeiçoar o lançamento por homologação, motivo pelo qual a contagem do prazo decadencial de cinco anos não ocorre a partir da data do fato gerador (regra específica do lançamento por homologação) e, sim, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, que é a regra geral do art. 173, I, do CTN (art. 129, II, do RIPI de 2002). Consequentemente, o prazo decadencial em relação ao mês de janeiro de 2007 iniciou em 1o de janeiro de 2008 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado) e findou cinco anos depois, em 1o de janeiro de 2013, sendo que a ciência do Auto de Infração das fls. 192 a 195 e do Relatório da Ação Fiscal das fls. 216 a 246 ocorreu antes dessa data, em 26 de janeiro de 2012, segundo consta nas fls. 192 e 246, motivo pelo qual a alegação de decadência não pode ser acolhida." A meu sentir, tal entendimento não pode prosperar! Isso porque a inadmissibilidade dos créditos é matéria de mérito, é lançamento, que só pode ocorrer caso não tenha sido atingido pela decadência. Entendimento contrário levaria à conclusão de que a decadência nunca atingiria situações em que o mérito do lançamento estivesse correto. Mas isso não é verdade. Só haverá lançamento de ofício se não houver decadência para tanto. Este é condição daquele, razão pela qual não poderia o acórdão recorrido ter desconsiderado os pagamentos feitos Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 14 17 com créditos de IPI, a não ser que, os mesmos tivessem sido objeto de lançamento transitado em julgado ao tempo da sua utilização, parece que não é o caso. Assim, não vislumbro aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, pois o acórdão recorrido construiu a tese de que o pagamento se deu com créditos inadmitidos inadmitidos pelo próprio auto de infração cuja decadência se busca verificar. Considerando que a Recorrente foi intimada da segunda revisão do lançamento em 23 de maio de 2013, entendo que foram atingidos pela decadência os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até maio de 2008 inclusive, aplicável a regra do art. 150, §4° do CTN, que determina como termo a quo da contagem do prazo decadencial a data dos fatos geradores, eis que, conforme reconhecido pelo próprio acórdão recorrido, houve não só declaração do imposto devido, como também pagamento. Em assim sendo, entrevejo aplicação do §4°, art. 150, do CTN para contagem do prazo decadencial na espécie, razão pela qual entendo decaídos todos os lançamentos constantes do auto de infração relativos ao período de 01/01/2007 a 30/05/2008. Doutra banda, mesmo que assim não fosse, e se admitisse a aplicação do art. 173, I, do CTN, não haveria muita diferença na espécie, pois a contagem do prazo decadencial começaria no dia 01 de junho de 2008, e não no próprio mês de maio de 2008. Assim, a diferença da aplicação da regra do § 4º do 150, é apenas de um mês, eis que o exercício do IPI é mensal e o primeiro dia do exercício subseqüente, no caso seria o dia 01 de junho de 2008. De qualquer forma, entendo que aplicável à espécie é o art. 150, §4° do CTN, e por isso foram abrangido pela decadência os lançamentos relativos aos períodos de 01/01/2007 a 30/05/2008. Nulidade por Vício de Motivação A Recorrente aponta vícios de motivação na autuação. Tais vícios dizem respeito ao fato de que a Fiscalização, que entendeu equivocada a classificação fiscal NCM utilizada pela Recorrente para os aparelhos FanCoil e Multisplit, não apontou com precisão qual a classificação entende aplicável, deixando de indicar as subposições e subitens da NCM, em flagrante violação ao Princípio da Motivação, o qual determina que os atos administrativos devem ser realizados com precisa e perfeita descrição dos fatos. Deixo essa análise, entretanto, para quando da análise de mérito dos fundamentos do lançamento, ainda necessária, eis que os lançamentos de junho a dezembro de 2008 não foram atingidos pela decadência. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. É nulo o Auto de Infração que ao imputar ao contribuinte errônea classificação fiscal, descreve de maneira incompleta aquela que entende ser a correta, limitandose a indicar apenas a posição composta de (4) quatro dígitos e a subposição composta de (2) dois dígitos.” (3º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 303 30798, Relator: IRINEU BIANCHI, Publicado no DOU em: 22.06.2004). Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 18 No que tange às evaporadoras, saliento que embora haja solução de consulta alegadamente aplicável pela fiscalização a esses equipamentos, solução essa proferida no âmbito da Superintendência Regional da Receita Federal da 10ª Região Fiscal, nos autos do processo 13002.000205/9787 (citada acima), entendo que tal consulta além de abranger outros equipamentos e modelos, tais como arcondicionados de corpo único e tipo console Underceiling, está fundamentada na TIPI aprovada pelo Decreto 2.092, publicado em 11 de dezembro de 1996, norma revogada pelo Decreto 3.777, de 23 de março de 2001, que aprovou a TIPI subsequente. Desconsidero, por tal revogação, a solução de consulta arrolada nos fundamentos do lançamento do crédito tributário, que se dá sempre à luz de uma determinada legislação, e perdura enquanto o quadro jurídico no qual foi proferida permanecer inalterado. Relativamente às Condensadoras e aos Módulos que compõem o Multisplit, arguem o auto de infração e a decisão recorrida que a comercialização desses equipamentos deuse conjuntamente, no primeiro caso com evaporadoras, e no segundo com todos os módulos necessários à composição de um arcondicionado. Ou seja, a venda conjunta de Condensadoras com evaporadoras e de módulos que compõem o Multisplit formariam cada qual um arcondicionado do tipo split system, capaz de alterar a temperatura e a umidade do ar simultaneamente. Tenho que essa matéria, também, confunde com o mérito, e, será melhor apreciada quando da análise da matéria de fundo. Exaurido as preliminares, passase ao exame da matéria de fundo, Mérito. O presente caso trata de divergência na classificação fiscal dos equipamentos denominados(i)Unidades Condensadoras, (ii)Unidades Evaporadoras, (iii)FanCoil e (iv)Multisplit. Conforme já examinado, os referidos aparelhos, no entender da fiscalização, ou caracterizam sozinhos sistemas de arcondicionado completos (Evaporadoras e FanCoil), ou o caracterizariam (Unidades condensadoras e módulos do Multisplit) se conjugados a outros equipamentos ou entre si, formando um sistema de refrigeração capaz de exercer as funções básicas exigidas pela TIPI para a classificação na posição 8415, quais sejam: ventilar e alterar a temperatura e umidade do ar. A matéria não é nova, em parte, e, essa Turma em outra oportunidade apreciou e decidiu, sendo vencido esse Relator. Mesmo vencido naquela oportunidade continuou convencido de que não se trata de único equipamento, haja vista que cada um deles possuir funções diferentes. Ao ler o relatório do douto auditor, certo momento lança questionamento se algum anúncio comercial oferece condensadora e evaporadora separada, afirma ainda não ter lido, motivo suficiente para convencêlo de que a comercialização se refere venda casada, daí o equivoco da classificação fiscal pela interessada. Não obstante a autuação tenha se dado nesse sentido, observo que o próprio acórdão reconhecido afirma que nenhum dos referidos aparelhos é capaz, por si só, de realizar as três tarefas acima ( ventilar e alterar a temperatura e umidade do ar). Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 15 19 "Ressaltese também que não foi dito nos julgamentos de primeira insta ̂ncia, neste ou nos processos anteriores, que os elementos de aparelhos/sistemas de ar condicionado em causa, individualmente considerados, desempenhem, por si sós, todas as func ̧ões das máquinas e aparelhos do gênero, func ̧ões que, vale repetir, são exercidas pelos dispositivos apresentados em conjunto e, segundo a demonstrac ̧ão anterior, levam a classificac ̧ão fiscal para a posição 8415, no caso, com alíquota de 20% do IPI, para os produtos objeto do lanc ̧amento de ofício." (fl. 1.463) Logo, contrariando o que fora afirmado no auto de infração, o acórdão de primeira instância verificou que os aparelhos "Evaporadoras" e "FanCoil" são incapazes de, sozinhos, desempenharem as funções essenciais de um aparelho de ar condicionado, necessitando a inserção em um sistema específico para tanto. Demonstrou a Recorrente em seu recurso, inclusive, que os aparelhos de FanCoil são meros ventiladores, que distribuem no ambiente a troca de calor realizada por um trocador de calor que funciona por meio de um fluido que circula e é refrigerado à água, diferentemente das evaporadoras que trabalham com trocadores de calor cujo fluido utilizado é o ar, de modo que o FanCoil sequer poderia ser combinado com quaisquer dos aparelhos objetos da autuação, necessitando para funcionar de diversos elementos de grande dimensão, entre esses, torres de resfriamento e bombas de água, elementos esses que não se noticia neste caderno processual administrativo que tenha sido comercializados pela empresa Recorrente. O fato é que nem as "evaporadoras", nem o "FanCoil" tem a capacidade de por si só alterar simultaneamente a temperatura e a umidade do ar, propriedade essencial a caracterização de um arcondicionado conforme definido na posição 8415: "Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídas as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente". Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 20 No caso desses dois equipamentos, como não há a alegação de venda casada, não há que se tergiversar sobre a sua classificação nas posições que contenham textos específicos às características de tais equipamentos, conforme determinado na RGI 01: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias às referidas Posições e Notas, pelas Regras Seguintes." Mesmo que venham a ser parte de outras máquinas, a classificação desses equipamentos deve ser em suas posições específicas e não na posição das máquinas a que venham eventualmente a compor, conforme determina a nota 2. a) da Seção XVI: "Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.85, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem;” Ou seja, de acordo com a referida Nota de Seção, se uma parte de máquina (elemento) constituir artefato compreendido em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85, como é caso da Evaporadora na NCM 8418.6910 (“Outros materiais, máquinas e aparelhos, para produção de frio” – “Outros”) e do FanCoil na NCM 8419.50.90,essa parte de máquina deve ser incluída em sua posição específica, independentemente de se destinar à composição de um sistema condicionador de ar. A Nota 2 a), na verdade, enfatiza a força dos textos das posições, essa minha compreensão do tema. Afinal, se existe posição que enquadre uma determinada parte ou elemento, tenho que é o texto da posição que deve prevalecer e não a destinação (uso) que se dará ao elemento. Além disso, o texto das NESH para a posição 8415 continha previsão excluindo dessa posição os elementos dos grupos de ar condicionado, como é o caso dos aparelhos em questão. Vejase: “Os elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente que sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2 a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.)” O trecho acima cita justamente a Nota 2 a) da Seção XVI como fundamento para classificação fiscal dos elementos do sistema de arcondicionado. Ademais, observase, que houve alterações realizadas nas NESH pela IN/RFB nº 1.072/2010, a qual foi editada justamente com a finalidade de estender aos referidos elementos o mesmo tratamento tributário dado aos aparelhos de arcondicionado completos, situação realizada justamente com a exclusão da passagem da NESH acima transcrita e com a inclusão de previsão para que “as unidades internas e externas [ou seja, os elementos tratados no presente auto de infração] quando apresentadas separadamente classificamse sempre nesta mesma posição”. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 16 21 Portanto, a edição da IN/RFB nº 1.072/2010 corrobora a tese da Recorrente, no sentido de que se fosse a vontade do ente tributante dar o mesmo tratamento previsto para os aparelhos de arcondicionado completos para os seus elementos, teria alterado as alíquotas correspondentes aos últimos ou, como realizado através da IN/RFB nº 1.072/2010, alterado o conteúdo das notas explicativas, afastando a exclusão dos elementos do capítulo referente aos condicionadores de ar completos. E se analisadas as NESH das Posições adotadas pela contribuinte, verseá o acerto da classificação fiscal por ela aplicada. As NESH das Posições 8418 e 8419 recepcionam expressamente os elementos que compõem os sistemas de ar condicionado, tanto Condensadores, como Evaporadoras, como Multisplit, como FanCoil, conforme se verifica pelas seguintes passagens: “Os aparelhos acima mencionados só se classificam aqui se se apresentarem nas seguintes formas: 1) Grupos frigoríficos de compressão (compreendendo o compressor, com ou sem motor, e o condensador, montados em uma base comum, com ou sem evaporador, ou formando um conjunto monobloco) e grupos de absorção formando corpo. Estes grupos frigoríficos são comumente utilizados para equipar refrigeradores domésticos ou outros móveis ou conjuntos frigoríficos. Alguns grupos de compressão, denominados "grupos resfriadores de líquidos", compreendem, sobre uma base comum, com ou sem condensadores, compressores e um trocador (permutador) de calor contendo um evaporador e condutos, nos quais circula o líquido a refrigerar. Estes aparelhos incluem os aparelhos de refrigeração utilizados nos sistema de arcondicionado.” “Ressalvadas as disposições gerais relativas à classificação das partes (ver as Considerações Gerais da Seção), também se incluem aqui as partes das máquinas ou aparelhos domésticos ou industriais da presente posição, tais como condensadores, absorvedores, evaporadores e ebulidores, armários, balcões e outros móveis incluídos no parágrafo 2), acima, ainda não equipados com um grupo frigorífico completo ou com um evaporador, mas manifestamente concebidos para receber tais equipamentos.” “esta posição não compreende: (…) b)Os simples trocadores (permutadores) de calor, tais como os resfriadores de circulação ou fluxo de água fria (posição 84.19). (…)” (Grifado) Assim, se as evaporadoras e o fancoil devem ser classificados em posições que descrevam especificamente as propriedades dessas máquinas, então não há que se falar no seu enquadramento na posição 8415 relativa a arcondicionados, pois para tanto necessitariam ter a propriedade de alterar a temperatura e a umidade do ar simultaneamente conforme determina essa posição. Tais equipamentos não tem essa propriedade. E mesmo que venham a Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 22 ser parte dessa espécie de máquina, haverão que ser classificadas em suas posições específicas, conforme determina a Nota 2 "a" antes referida. Assim, tenho que merece acolhida o pleito, consequentemente, provir o recurso para afastar a exigência de IPI no que se refere a esses equipamentos, pois a pretensão do Fisco em classificálos na posição 8415, não se coaduna com as orientações aqui espostas. No que tange ao equipamento denominado fancoil, a impropriedade do lançamento é reforçada pela nulidade apontada pela Recorrente, decorrente do fato de não terem sido indicadas as subposições em que se enquadrariam tais equipamentos. De fato, o auto de infração refere apenas que tais aparelhos deveriam ser classificados na “posição 8415, mais especificamente 8415.81 ou 8415.82 e subposições, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade de frigorias/hora” (fls. 230 e 234). Isso posto, em que pese as subposições da posição indicada pela Fiscalização possuam a mesma alíquota (20%), a ausência de indicação precisa da classificação fiscal sob exame, além de ser ilegal, inviabiliza o correto exercício de defesa da Recorrente. Com efeito, em casos de autuação por equívoco de classificação fiscal, é nulo o auto de infração que deixa de indicar com precisão a posição, a subposição e o subitem que entende corretos. É o que se extrai do seguinte julgado, que se assemelha em tudo e por tudo ao caso em evidência: “IPI. LANÇAMENTO. REQUISITOS. Lançamento é o procedimento destinado a constituição do crédito tributário, que se opera de oficio, ou por iniciativa do sujeito passivo da obrigação tributária e compreende a descrição da operação que lhe dá origem, a identificação do sujeito passivo, a descrição e classificaçãodo produto, o cálculo do imposto, com a declaração do seu valor e, sendo o caso, a penalidade prevista (CTN, art. 142, c/c RIPI, art. 54 e § 1º). TIPI CLASSIFICAÇÃO. POSIÇÃO. A classificação dos produtos se faz à luz das Regras Gerais para Interpretação e Regras Gerais Complementares e compõese de dez (10) dígitos. As RGI de números 1 a 5 servem para o reconhecimento da posição (quatro dígitos) enquanto a regra número 6 (seis) se aplica para o reconhecimento da subposição(quinto e sexto dígitos). A Regra Geral Complementar (RGC) é utilizada para o reconhecimento do código item/subitem (dígitos 7 a 10) (Cfe. PAULO DE BARROS CARVALHO, Revista Dialética de Direito Tributário nº 12, pp. 42 e segs.). Em assim sendo, conheço do recurso e dou provimento: 1) acatar decadência da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário, aplicando a regra do § 4º do art. 150 do CTN; 2) parcial para afastar reclassificação procedida pela fiscalização e manter a classificação fiscal consignado nos documentos fiscais e as alíquotas aplicadas. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 17 23 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator designado. Atrevome a divergir da integralidade do voto do ilustre Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator originário deste processo. Alegou a recorrente a nulidade do procedimento, pois o lançamento, após impugnado, não poderia ter sido revisto de ofício. No que tange à possibilidade de revisão de ofício do lançamento, o Conselheiro Domingos de Sá Filho sustentou o seguinte: "(...) Embora não comungue do entendimento de que é impossível sanear o auto de infração, devo reconhecer que qualquer alteração no auto de infração pela própria fiscalização por erros originais do auto, seja por ausência de páginas prejudicial à defesa da contribuinte, seja por ausência de exclusão de operações não sujeitas ao IPI, consoante ocorrido nas duas diligências fiscais anteriores ao acórdão recorrido, é equivalente à nova autuação, nova notificação de lançamento, inclusive com abertura de novo prazo para impugnação do contribuinte. Tal "nova notificação" terá, também, impacto na verificação de decadência da autuação, conforme veremos a seguir.(...)" Quanto a essa questão, cabe esclarecer que a impugnação do lançamento não constitui óbice à sua revisão de ofício. Se a autoridade administrativa descobre um erro ou uma falha no lançamento e resolve sanála, ela pode fazêlo independentemente de o lançamento estar impugnado ou não, desde que tenha por base um dos motivos do art. 149 do CTN. Em outras palavras, o lançamento não pode ser alterado de ofício em razões de questões de direito, apenas por questões de fato mencionadas no art. 149 do CTN. E neste caso concreto, entendo que a revisão ocorreu com base no inciso IX do art. 149, pois houve omissão por parte da fiscalização de ato ou formalidade especial. A alegação da defesa foi no sentido de que as planilhas continham entrelinhas sem ressalvas e páginas em branco, o que viola o art. 2º do Decreto nº 70.235/72. Então, com base no art. 149, IX, do CTN, não é nula a revisão do lançamento que foi efetuada, principalmente porque no relatório da primeira diligência a fiscalização apresentou tabelas nas quais foram mantidos os mesmos valores exigidos no auto de infração. Basta comparar as tabelas de fls. 242 a 244 (relatório fiscal) com as tabelas apresentadas às fls. 1146/1147 (relatório da primeira diligência), para se constatar que não houve mudança em nenhum dos valores lançados e também não houve mudança no critério jurídico adotado para o lançamento. Portanto, se não houve alteração do crédito tributário lançado e nem do critério jurídico adotado pela fiscalização, tratase do mesmo lançamento e não de um novo lançamento como alegou a defesa. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 24 Além disso, o contribuinte foi notificado das novas planilhas e teve o prazo legal de 30 dias para apresentar impugnação complementar, tendo exercido esse direito. Sendo assim, não tendo havido inovação nem na fundamentação do lançamento e nem na sua quantificação e tendo sido respeitado o direito de defesa do contribuinte, não há que se falar em nulidade. Outra nulidade alegada foi o fato de que em relação aos fan coil e aos multisplit a fiscalização não teria declinado o código específico para cada um dos equipamentos. Tal alegação de nulidade não prospera, pois como bem apontou a DRJ, a indicação feita pelo fisco é o quanto basta para a exigência das diferenças do imposto, uma vez que a alíquota estabelecida de IPI para todos os produtos classificados na posição 8415 é 20%. Para fins de exigência do imposto, basta saber se o produto é classificável ou não na posição 8415, pois todos os códigos desta posição são tributados com a mesma alíquota. Se o contribuinte sente a necessidade de conhecer o código de classificação do fan coil até o nível de subitem, a fim de se proteger de uma futura alteração de alíquota, deve formular consulta específica à Receita Federal, pois conforme já foi dito, este processo se destina apenas ao lançamento das diferenças do IPI por fatos geradores já ocorridos, onde as alíquotas são as mesmas para todos os códigos da posição 8415. No que concerne à decadência, não há como se concordar com o voto do ilustre relator originário. Isto porque o exame dos livros modelo 8 que se encontram anexados ao processo revela que, no período fiscalizado, o contribuinte apresentava saldo credor de escrita. Com a reconstituição dos saldos da escrita em virtude da falta de lançamento de IPI decorrente do erro de classificação fiscal e da glosa do saldo credor inicial (31/12/2006) que já havia sido determinada em outro processo, surgiram saldos credores não declarados e não recolhidos. Esses fatos revelam a inexistência do pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º do CTN, combinado com o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, deslocando a regra de contagem do prazo de decadência para o art. 173, I, do CTN. Adotandose esse critério, verificase nos autos que o período de apuração mais antigo abrangido pelo auto de infração remonta a janeiro de 2007. O primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2008. Sendo assim, a fazenda pública dispunha de prazo até 31/12/2012 para efetuar o lançamento de ofício. Se o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 26/01/2012 não há que se cogitar de decadência, pois todos os períodos de apuração estão hígidos quanto a este aspecto. No que tange às retificações das planilhas na primeira diligência e à redução do valor do crédito tributário promovida pela fiscalização quando da segunda diligência, também não ocorreu a decadência. Conforme foi visto antes, a retificação das planilhas na primeira diligência não implicou um novo lançamento, pois foram mantidos os valores originais e o mesmo critério jurídico. Além disso, a ciência do contribuinte quanto à retificação efetuada se deu antes da data fatal de 31/12/2012. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 18 25 No que concerne à segunda diligência, na qual houve redução do crédito tributário originalmente lançado, também não há que se falar em decadência, pois houve apenas desoneração do contribuinte e não agravamento da exigência. O contribuinte alega que o fisco perdeu o direito de glosar o saldo credor inicial de 31/12/2006. Cabe esclarecer que a decadência fulmina apenas e tãosomente o direito de o fisco exigir tributo por meio de lançamento de ofício e não o de efetuar glosas no livro de IPI. As glosas podem retroagir no tempo há mais de cinco anos, mas o fisco só pode exigir os saldos devedores dos últimos cinco anos. Ademais, essa glosa já havia sido determinada em procedimento fiscal anterior e está sendo discutida em outro processo. A fiscalização, para manter a coerência entre o procedimento anterior e este, teve que adotar como sendo zero o saldo inicial da escrita fiscal para a reconstituição efetuada neste processo. Também não há como se concordar com o voto do ilustre Conselheiro Domingos de Sá Filho, na parte em que contesta o critério estabelecido no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002. Eis o trecho do voto vencido em que ele externa suas razões: "( ...) A meu sentir, tal entendimento não pode prosperar! Isso porque a inadmissibilidade dos créditos é matéria de mérito, é lançamento, que só pode ocorrer caso não tenha sido atingido pela decadência. Entendimento contrário levaria à conclusão de que a decadência nunca atingiria situações em que o mérito do lançamento estivesse correto. Mas isso não é verdade. Só haverá lançamento de ofício se não houver decadência para tanto. Este é condição daquele, razão pela qual não poderia o acórdão recorrido ter desconsiderado os pagamentos feitos com créditos de IPI, a não ser que, os mesmos tivessem sido objeto de lançamento transitado em julgado ao tempo da sua utilização, parece que não é o caso. Assim, não vislumbro aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, pois o acórdão recorrido construiu a tese de que o pagamento se deu com créditos inadmitidos inadmitidos pelo próprio auto de infração cuja decadência se busca verificar. Entendimento contrário levaria à conclusão de que a decadência nunca atingiria situações em que o mérito do lançamento estivesse correto. Mas isso não é verdade. Só haverá lançamento de ofício se não houver decadência para tanto. Este é condição daquele, razão pela qual não poderia o acórdão recorrido ter desconsiderado os pagamentos feitos com créditos de IPI, a não ser que, os mesmos tivessem sido objeto de lançamento transitado em julgado ao tempo da sua utilização, parece que não é o caso.(...)" O art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002 está presente em todos os regulamentos do imposto desde a sua instituição. Esse dispositivo regulamentar estabelece que deve ser considerado pagamento antecipado a inexistência de saldo a recolher no final do período de apuração, se esse saldo (que pode ser zero ou pode ser saldo credor) resultar do abatimento dos débitos com créditos admitidos pelo regulamento. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 26 Obviamente, se os créditos escriturados não forem admitidos pelo regulamento, eles deverão ser glosados. E se dessa glosa resultar saldo devedor, não se poderá considerar que houve pagamento antecipado, fato que desloca a regra de contagem para o art. 173, I, do CTN. O relator entende que tal interpretação, fixada em decreto, não tem cabimento porque a verificação da legitimidade do crédito é questão de mérito, ou seja, primeiro seria necessário analisar o mérito, para só depois aferir se a decadência ocorreu ou não. E isso acarretaria que a decadência jamais ocorreria, se o mérito do lançamento estivesse correto. Não existe inconsistência alguma em verificar primeiro se o crédito é legítimo ou não (analisar o mérito) para depois aferir se houve ou não houve a decadência, pois essa necessidade decorre da aplicação da própria legislação tributária. A aplicação da legislação da forma como se encontra posta, não implica a consequência de que nunca ocorrerá a decadência, se o lançamento estiver correto pelo mérito. Isto porque a fiscalização está limitada pela regra do art. 170, I, do CTN. Em outras palavras, ainda que o mérito do lançamento esteja correto (ou seja, que os créditos utilizados na escrita sejam de fato ilegítimos) a fiscalização dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte para fazer o lançamento. O que ocorre é apenas o deslocamento do termo inicial do prazo da data da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte. O argumento do ilustre relator só válido se não houvesse a previsão contida no art. 173, I, do CTN, o que não é o caso. No mérito, tratase de decidir quanto à correta classificação dos aparelhos de ar condicionado. Para tanto, é preciso aferir se um aparelho apresenta conjuntamente as seguintes características: a) possuir um ventilador motorizado; b) o aparelho precisa ser capaz de modificar a temperatura ambiente e a umidade do ar; e c) não é necessário que a umidade do ar possa ser regulada separadamente. Se um aparelho formando um corpo único, ou um conjunto de aparelhos ligados por dutos e cabos (Nota 4 da Seção XVI) possuírem aquelas características, ele deverá ser classificados na posição 8415. Quanto aos splitsystem, já decidimos no Acórdão nº 3403002.464, proferido em relação a este mesmo contribuinte, que quando ocorre a venda casada de uma unidade evaporadora e uma unidade condensadora, o conjunto deve ser classificado na posição 8415 como sendo um aparelho de ar condicionado. Sendo assim, valhome do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, para adotar, nesta parte, os mesmos fundamentos lançados pelo Conselheiro Ivan Allegretti no voto condutor do Acórdão nº 3403002.464. Quanto aos multisplit a única diferença existente entre esses aparelhos e o split é que no multisplit temos uma unidade condensadora (equipamento externo) e várias unidades evaporadoras (equipamentos internos) nos diversos ambientes que serão climatizados. A condensadora é dimensionada para suportar várias evaporadoras ligadas ao mesmo tempo em vários ambientes diferentes. Já no splitsystem, temos uma evaporadora e uma condensadora apenas. Portanto, com os mesmos fundamentos adotados para o splitsystem, o multisplit deve ser classificado na posição 8415 como um aparelho e ar condicionado e não separadamente por componente como deseja o contribuinte. Quanto aos fan coil, foram tais aparelhos que motivaram meu pedido de vista, pois durante a sustentação oral não ficou claro para mim o que seriam esses aparelhos, Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 19 27 tendo em vista que a defesa mencionou que não seria um ar condicionado, mas apenas e tão somente um ventilador montado em conjunto com uma serpentinha pela qual passaria água gelada ou água quente. Conforme foi dito antes, para que um aparelho seja classificado na posição 8415 é preciso que cumpra três requisitos objetivamente colocados na Nomenclatura. Vale apena repetilos: a) possuir um ventilador motorizado; b) o aparelho precisa ser capaz de modificar a temperatura ambiente e a umidade do ar; e c) não é necessário que a umidade do ar possa ser regulada separadamente. Quanto ao requisito "a" a própria defesa confirmou que os fan coil possuem um ventilador motorizado. Quanto aos requisitos "b" (modificar a temperatura) e "c" (modificar a umidade) seria necessária a comprovação de que a fiscalização tributou o conjunto (equipamento que produz a água gelada ou quente + equipamento que contém o ventilador motorizado e serpentina), ou que esses dois equipamentos estão reunidos em um corpo único. A fiscalização não comprovou nem uma coisa e nem outra. Aparentemente, a fiscalização se refere ao fan coil como sendo um conjunto de equipamentos, um que produz a água quente ou gelada e outro, constituído de serpentina e ventilador motorizado, que injeta o ar quente ou gelado no ambiente. Diz que esse aparelho que denomina fan coil pode se apresentar em um corpo único ou pode ser separado em módulos. Já a defesa se refere ao fan coil como sendo apenas o ventilador motorizado montado em conjunto com a serpentina. O exame dos catálogos juntados ao processo e do manual de instalação e operação existente na página da Springer na internet, não solucionam a dificuldade encontrada por este julgador em analisar a classificação fiscal do fan coil. Quanto ao quesito "b" é incontroverso que o conjunto constituído pelo equipamento que produz a água quente ou gelada e pelo equipamento que injeta o ar no ambiente é capaz de modificar a temperatura ambiente, pois se assim não fosse a Springer não conseguiria vender nenhum. A dúvida quanto ao quesito "c" (capacidade de alteração da umidade do ar) é resolvida por meio da consulta ao manual de instalação, operação e manutenção, que pode ser encontrado na página da Springer na internet, encontrase a seguinte instrução no item 9.3 de fl. 39: Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 28 Portanto, verificase que o conjunto formado pelo equipamento que produz a água gelada ou quente e o equipamento que contém o ventilador montado com a serpentina apresenta os três requisitos para ser classificado na Nomenclatura como um aparelho de ar condicionado, sendo correta a classificação desse conjunto na posição 8415, e não na posição 8419.50.90 trocadores de calor. Entretanto, analisando o texto produzido pela fiscalização no relatório fiscal, não é possível concluir se a fiscalização tributou o conjunto, ou seja, o equipamento que produz água gelada ou quente e o equipamento que contém o ventilador motorizado com a serpentina; ou se tributou apenas as saídas do ventilador motorizado montado em conjunto com a serpentina (que a defesa chama de fan coil). Entendo que isoladamente o ventilador motorizado montado em conjunto com a serpentina não é capaz de alterar a temperatura e a umidade do ar em determinado ambiente, pois esse equipamento (que a defesa chama de fan coil) depende da água aquecida ou resfriada fornecida por um outro equipamento. Esse conjunto poderia ser enquadrado na posição 8415, por reunir as três características exigidas pela Nomenclatura para formar um aparelho de ar condicionado. É bem verdade que esses dois equipamentos em conjunto constituem um aparelho de ar condicionado que funciona de modo diferente de um aparelho de ar condicionado tradicional. Os aparelhos de ar condicionado tradicionais utilizam um gás como fluído de arrefecimento, realizando o chamado ciclo de Carnot4. Já os aparelhos denominados pela defesa como fan coil, não utilizam gás e não executam o ciclo de Carnot, pois utilizam água em estado líquido como elemento para realizar a troca de calor. Entretanto, a Nomenclatura não diz que só são classificáveis na posição 8415 aparelhos que executem o ciclo de Carnot, não existindo nenhum impedimento para que uma máquina térmica que utilize água e que preencha aqueles três requisitos anteriormente citados se enquadre na referida posição. 4 Sobre o ciclo de Carnot, vide: http://www.if.ufrgs.br/~dschulz/web/ciclo_carnot.htm Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 20 29 Entretanto, assim como é necessário o conjunto de uma evaporadora e de uma condensadora para executar o ciclo de Carnot e formar um aparelho de ar condicionado tradicional; é necessário o conjunto de um equipamento que resfrie ou que esquente a água e de um equipamento constituído de ventilador e serpentina para formar um condicionador de ar do tipo fan coil. Ou então que o equipamento que altere a temperatura da água e o ventilador conjugado com a serpentina estejam reunidos em um corpo único. Não tendo a fiscalização demonstrado que ocorreram vendas casadas do equipamento que fornece a água e do equipamento que contém o ventilador motorizado em conjunto com a serpentina, e tampouco que tais equipamentos foram comercializados em corpo único, deve ser cancelada a exigência do IPI em relação aos fan coil por carência probatória da acusação. Fica registrado que é firme a posição deste colegiado quanto ao não cabimento de diligência com o fim de suprir o ônus probatório das partes. Sendo assim, incabível no caso concreto baixar o processo em diligência, a fim de que a fiscalização esclareça ou demonstre o que foi tributado, pois isso sim implicaria inovação do lançamento, uma vez que se estaria a produzir prova que deveria ter sido produzida até o momento da notificação do lançamento ao contribuinte. No que concerne à venda de unidades evaporadoras com classificação fiscal incorreta, verificase que o contribuinte consultou a Receita Federal acerca da correta classificação fiscal do aludido equipamento. A DIANA da 10ª Região Fiscal respondeu que a classificação correta se dá sob os códigos 8415.10.10, 8415.82.10 e 8415.82.90 (dependendo da potência) todos tributados com alíquota de 20%. O contribuinte informa que acatou a classificação indicada pelo fisco até que os recursos interpostos no processo de consulta fossem decididos pela Administração, mas admitiu que existem algumas saídas com classificação incorreta. A multa de 75% foi majorada em 50% passando para 112%, em razão de circunstância agravante: a classificação correta já havia sido objeto de decisão em consulta formulada pela recorrente, mas mesmo assim o contribuinte deu saída com a classificação incorreta. Conquanto a defesa conteste a classificação fiscal indicada na Solução de Consulta nº 12/1998 da DIANA da 10ª Região Fiscal, é cediço que a consulta, certa ou errada, justa ou injusta, vincula tanto a Administração quanto o Contribuinte, enquanto prevalecer a interpretação nela estabelecida. No caso concreto, é incontroverso que os aparelhos tributados pela fiscalização são os mesmos que foram objeto da Solução de Consulta nº 12/1998 da 10ª Região Fiscal. Portanto, não merece nenhum reparo a exigência da diferença de imposto em relação a esses aparelhos com a aplicação da multa de 112% sobre essas operações, a classificação fiscal das evaporadoras foi definida em solução de consulta do próprio contribuinte e o art. 68, § 1º, II, da Lei nº 4.504/62 estabelece que a inobservância dessa solução de consulta é circunstância agravante da multa de ofício. Quanto à glosa dos créditos, a questão deve ser analisada em duas partes. A glosa do saldo credor inicial em 31/12/2006 foi determinada dentro do mesmo procedimento fiscal, mas em período alcançado por outro auto de infração. Sendo Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 30 assim, essa glosa influencia os saldos credores ou devedores de períodos de apuração posteriores. Tal fato não impede o julgamento deste processo, mas impede a liquidação do julgado por parte da autoridade administrativa, pois se a glosa determinada em processo anterior for revertida no todo ou em parte, haverá mudança nos saldos devedores apurados neste processo. Sendo assim, todas as decisões derradeiras proferidas quanto aos autos de infração objeto da mesma ação fiscal deverão ser executadas em conjunto, levando em conta o que restar decidido em cada uma delas. No que concerne à glosa da correção monetária, é preciso esclarecer que é fato incontroverso nos autos que o contribuinte obteve, em decisão transitada em julgado, o direito de corrigir o saldo credor de escrita. Sendo assim, se foi apurada a inexistência de saldos credores após a reconstituição da escrita, não existe direito a nenhuma correção, pois se não existe o principal (saldo credor) não existe o acessório (a correção monetária). Entretanto, como o lançamento foi particionado em vários autos de infração, se em processos anteriores houver no todo ou em parte reversão de glosas ou decisão quanto à improcedência de débitos apurados, e em razão de tais fatos, surgirem saldos credores de escrita que devam ser transportados para períodos seguintes, esses valores a serem transportados deverão ser corrigidos nos exatos termos definidos na decisão judicial. O contribuinte pleiteia a exclusão dos consectários do lançamento de ofício por ter se comportado conforme as soluções de consulta proferidas pelo fisco. Não tem cabimento tal exclusão, pois a Solução de Consulta DIANA 10ª Região Fiscal nº 12/98 e a Solução de Divergência Coana nº 20/2002 analisaram as unidades evaporadora e condensadora, quando vendidas separadamente. Não existe solução de consulta analisando a venda conjunta de evaporadoras e de condensadoras, formando um splitsystem, e nem solução de consulta específica para o que a defesa chama de fan coil. Sendo assim, devem ser mantidos os consectários do lançamento de ofício. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para excluir da autuação as vendas de aparelhos fan coil e para que a autoridade administrativa, no momento da execução conjunta de todas as decisões derradeiras que vierem a ser proferidas quanto aos autos de infração desta ação fiscal, aplique a correção monetária, nos termos da decisão judicial que beneficia o contribuinte, sobre os eventuais saldos credores de escrita que possam vir a surgir se houver reversão total ou parcial das glosas efetuadas. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti Acompanho o entendimento do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, dele divergindo apenas em relação à decadência, pelas seguintes razões. Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11065.725367/201162 Acórdão n.º 3403003.537 S3C4T3 Fl. 21 31 Configurado o lanca̧mento por homologação, a contagem do prazo decadencial se desloca do art. 173 para o art. 150, §§ 1º e 4º do CTN, iniciandose a partir do momento da ocorrência do fato gerador. É entendimento uniforme deste Conselho, por transposiçaõ do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (v.g. ERESP 101407, DJ 08/05/2000), de que fica inequivocamente configurado o lançamento por homologaçaõ quando o contribuinte realiza o pagamento, em caráter de adiantamento do tributo devido. No caso do IPI, em razão de sua peculiar sistemática de apuração, o pagamento também fica caracterizado na hipótese em que os débitos do imposto são integralmente compensados com os créditos existentes, quando de seu confronto ao final do período de apuraçaõ. Como se percebe, não ocorre recolhimento por parte do contribuinte simplesmente porque não há recolhimento a fazer, não se podendo dizer que o contribuinte deixou de efetuar a antecipação do valor devido, pois concretamente não é devido o adiantamento de qualquer valor por meio de recolhimento, visto que o contribuinte utilizou o seu saldo de créditos para compensar com os débitos do período. Nesta hipótese, como visto, os créditos detidos pelo contribuinte fazem as vezes de pagamento, no confronto com os débitos apurados no período. É isto, aliás, o que dispõe o inciso III do art. 56, p.u., do RIPI/82: Art. 56 O procedimento de lançar o imposto, de iniciativa do sujeito passivo, aperfeiçoase com o seu pagamento, feito antes do exame pela autoridade administrativa (Lei no 5172/66, Art. 150 e parágrafo 1o). Parágrafo único Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor resultante da compensação dos débitos, no período de apuração do imposto, com os créditos admitidos; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a compensar; III a compensação dos débitos, no período de apuracã̧o do imposto, com os créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Este mesma previsão foi reiterada pelo art. 111 do RIPI/98, pelo art. 124 do RIPI/2002 e pelo art. 183 do RIPI/2010. O RIPI/2002, vigente na época dos fatos aqui tratados, dispunha o seguinte: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologacã̧o, aperfeico̧amse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei no 5.172, de 1966, art. 150 e § 1o, Lei no 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória no 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI 32 admitidos dos débitos, no período de apuracã̧o do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a deducã̧o dos débitos, no período de apuracã̧o do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Assim, conforme previsto pela legislação, a compensaçaõ entre débitos e créditos do IPI traduz modalidade de pagamento, configurando inequivocamente o lançamento por homologaçaõ. Neste mesmo sentido já entendeu esta Turma (Acórdão 340300.805, PA no 10830.006348/200512, Rel. Cons. Robson José Bayerl, j. 03/02/2011; Acórdão 3403 002.548, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 22/10/2013) e também a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303001.658, PA 10980.002125/2003/92, Rel. Cons. Susy Hoffmann, j. 03/10/2011). Neste caso há ainda uma outra peculiaridade. A DRJ determinou a conversão do julgamento em diligência para que a DRF promovesse a juntada de planilhas faltantes (fls. 1144/1152). Embora se trate de mera correção da formação do conjunto probatório que dá suporte ao lançamento, é necessário reconehcer que a falta de elementos necessários para a integral e completa compreensão do lançamento apenas pode significar que o lançamento apenas se aperfeiçoou neste último momento. Entendo, por isso, que a notificacã̧o válida do lanca̧mento apenas aconteceu em 10/07/2012 (fl. 1152), de modo que o lançamento apenas pode alcançar os fatos geradores ocorridos até 10/07/2007. Por força da decadência, portanto, voto pela exclusão do lançamento dos fatos geradores ocorridos em antes de 10/07/2007. (Assinado com certificado digital) Ivan Allegretti Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 15/05/2015 por IVAN ALLEGRETTI
score : 1.0
Numero do processo: 10070.002680/2003-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO,
OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS
Não se conhece dos embargos de declaração opostos quando não constatados
omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado
Numero da decisão: 1401-001.363
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECERAM dos Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator
Nome do relator: André Mendes de Moura
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-09-04T12:44:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 1401001363_10070002680200387_ESTÚDIOS BARROZO Netto Ltda; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 77820304120; dcterms:created: 2015-09-04T12:44:32Z; Last-Modified: 2015-09-04T12:44:32Z; dcterms:modified: 2015-09-04T12:44:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 1401001363_10070002680200387_ESTÚDIOS BARROZO Netto Ltda; xmpMM:DocumentID: uuid:30f4188a-555e-11e5-0000-fb298dfe9505; Last-Save-Date: 2015-09-04T12:44:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2015-09-04T12:44:32Z; meta:save-date: 2015-09-04T12:44:32Z; pdf:encrypted: true; dc:title: 1401001363_10070002680200387_ESTÚDIOS BARROZO Netto Ltda; modified: 2015-09-04T12:44:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 77820304120; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 77820304120; meta:author: 77820304120; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-09-04T12:44:32Z; created: 2015-09-04T12:44:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2015-09-04T12:44:32Z; pdf:charsPerPage: 2054; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 77820304120; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-09-04T12:44:32Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl. 2 1 1 S1-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.002680/2003-87 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401-001.363 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Recorrente ESTUDIOS BARROZO NETTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS Não se conhece dos embargos de declaração opostos quando não constatados omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECERAM dos Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento), Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10070.002680/2003-87 Acórdão n.º 1401-001.363 S1-C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata-se de embargos de declaração contra acórdão que negou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo parte do relatório anterior: O presente processo tem origem no Ato Declaratório Executivo DERAT/RJO n° 449.707, de 07/08/2003, anexada às fls. 04, expedido peio Delegado a Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro - RJ, determinando a exclusão do interessado do regime do SIMPLES, em razão de: 1- "atividade econômica vedada: 9211-8/99 Outras atividades relacionadas a produção de filmes e fitas de vídeos"; 2 - data da ocorrência em 18/07/2000, sendo que os efeitos da exclusão terão inicio a partir do dia 01/01/2002; 3 - enquadramento legal: Lei n°. 9.317, de 05/12/1996; artigo 9º, inciso XIII; artigo 14,1; artigo 15, Medida Provisória n°. 2158-34, de 7/07/2001: artigo 73; Instrução Normativa SRF n° 250, de 26/11/2002: artigo 20 'XII; artigo 2 1 ; artigo 23,1; artigo!; artigo 24, II, c/c parágrafo único. A interessada ingressou com Solicitação de Revisão da Exclusão da Opção pelo Simples — SRS, conforme documento de fls. 01, alegando o que se segue: 1 - os serviços prestados pela empresa não dependem de habilitação profissional legalmente exigida, conforme declaração prestada pelo Sindicato, anexado às fls. 16, e não se enquadram, nem se assemelham a nenhum dos serviços profissionais relacionados no item XIII, do art. 90 da Lei n°9.317/96; 2 - que a referida exclusão de oficio irá causar desequilíbrio econômico financeiro da empresa, podendo inviabilizar a continuidade de suas atividades e consequentemente dos empregos que gera, haja vista a obrigatoriedade de se sujeitar às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; A Delegacia competente indeferiu seu pleito, a teor do despacho de fls. 02, fundamentando sua decisão no sentido de que a atividade constante da cláusula 3º, do contrato social, acostado às fls. 12, “de prestação dos serviços de gravação, dublagem, vídeo-tape, produção de filmes cinematográficos brasileiros curta, média, e longa metragem e produção artística", constitui-se em atividade vedada. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10070.002680/2003-87 Acórdão n.º 1401-001.363 S1-C4T1 Fl. 4 3 Irresignada com o despacho denegatório, de que foi cientificada em 27/05/2008, conforme AR de fls. 24, verso, a interessada apresentou, em 26/064108, a manifestação de inconformidade de fls. 25/28, alegando o que se segue: 1 - que o ato de exclusão foi equivocadamente fundamentado no inciso XIII, do art. 9º, da Lei nº 93171/96, tendo em vista que a atividade desenvolvida pela manifestante não depende de habilitação profissionalmente exigida e não se enquadra, ou sequer, se assemelha aos serviços relacionados naquele dispositivo. 2 - que a manifestante desenvolve atividades relacionada à produção de filmes e fitas de vídeo, não Constando do embasamento legal que fundamentou sua exclusão, nenhuma atividade semelhante a sua; 3 - que apresentou uma declaração do Sindicato da Indústria Audiovisual — SNIC — onde é atestado que não presta nenhum serviço que dependa de habilitação profissional legalmente exigida; 4 - que o "ato vinculado está sujeito à observância estrita do critério legalidade impondo-se à estrita observância da norma jurídica e restringindo sua interpretação", conforme jurisprudência do Conselho de Contribuinte que junta; 5 - que pelas razões acima elencadas, fica claro "a violação do principio da legalidade, da ampla defesa e da falta de motivação prévia ao ato administrativo impugnado, eis que o Ato Declaratório de Exclusão, bem como a decisão ora recorrida, não encontram embasamento legal que o justifiquem", atividades SIMPLES 6 - que, com o advento da LC n°123/2006, conforme art. 41 §1°, incisos XVII e XVIII, as de produção cultural e artística e produção cinematográfica e de artes cênicas estão autorizadas no Nacional; 7 - que a lei supracitada deve ser aplicada a ato ou fato pretérito, nos termos do que dispõe o art. 106, inciso I e II, do CTN; Entretanto, a DRJ indeferiu a solicitação da manifestante sob o fundamento de que idades exercidas pela manifestante se incompatibilizam com as normas da lei 9.317 para ingresso ou permanência no Simples. Isto porque, a pessoa jurídica que se dedica à produção de filmes cinematográficos de curta, média, e longa metragem, além de produção artística, fato este confirmado pela própria manifestante em sua peça de defesa, em tudo se assemelha à atividade de empresário, diretor ou produtor de espetáculos e que tem,'também, por óbvio, a responsabilidade de contratar ou indicar para contratação: atores, músicos e dançarinos, os quais são atividades expressamente impeditivos, especificadas no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10070.002680/2003-87 Acórdão n.º 1401-001.363 S1-C4T1 Fl. 5 4 O contribuinte às fls. 46/53 interpôs Recurso Voluntário em face da decisão da DRJ alegando impossibilidade do direito da ampla defesa e do contraditório, por manifesta falta de motivação e embasamento legal da fundamentação do Ato de Exclusão. Alega, ainda, a aplicação do art. 106, II, a do CTN no que se refere ao artigo 17 da Lei Complementar 123/2006, que traz a listagem exaustiva das vedações, que em seu parágrafo primeiro autoriza expressamente a opção ao SIMPLES NACIONAL das atividades de (parte): § 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§ 5º-B a 5º-E do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo: XVII - produção cultural e artística; XVIII - produção cinematográfica e de artes cênicas; Em face da referida decisão, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em preliminarmente que o Ato Declaratório nº 449.07, afrontou o direito ao contraditório e à ampla, ante a falta de fundamentação apta a justificar a exclusão do SIMPLES defesa do Recorrente, motivo pelo qual o Auto de Infração seria nulo. No mérito, alegou que as atividades prestadas eram totalmente compatíveis com a Lei n°. 9.317/96, e, que a fundamentação da DRJ se baseou apenas no contrato social da Recorrente para enquadrá-lo dentre as atividades vedadas pelo SIMPLES, além de violar o art. 106 do CTN. . Em face destes argumentos, a 4º Câmara/ 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, proferiu acórdão, assim emendado: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE DEPENDENTE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL. VEDAÇÃO. 1. cinge-se a presente discussão acerca do enquadramento da atividade exercida pela Recorrente no inciso XIII do artigo 9 o da Lei 9.317/96, com a consequente impossibilidade de que a mesma seja enquadrada no SIMPLES. 2. infere-se que a vedação à opção pelo SIMPLES alcança as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais relativos a qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, ainda que não expressamente listados no inciso XIII do artigo 9 o da Lei 9.317/96, dado o alcance da expressão "assemelhados" inserta em seu texto. 3. Recurso Voluntário conhecido e improvido. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10070.002680/2003-87 Acórdão n.º 1401-001.363 S1-C4T1 Fl. 6 5 Inconformada, o contribuinte opôs Embargos de Declaração, para fins de prequestionamento da matéria, sustentando em síntese que o acórdão recorrido incorreu em omissão eis que a deixou de observar a fundamentação exposta no Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10070.002680/2003-87 Acórdão n.º 1401-001.363 S1-C4T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontro-me na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindo-se a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Primeiramente, os embargos são tempestivos e recebidos nos termos da lei. O Embargante sustenta haver omissão no acórdão embargado, argumentando que não houve análise da fundamentação exposta no Recurso Voluntário: “Com relação ao ponto 1.1, há absoluta OMISSÃO do acórdão embargado, haja vista que inexiste qualquer menção à nulidade do ADE no voto que ensejou a exclusão do Embargante do SIMPLES.” (...) ”Com relação aos pontos 2.1 e 2.2, há igualmente a OMISSÃO do acórdão embargado, uma vez que, conforme comprovado pelo Recorrente, mediante a apresentação das notas fiscais de serviços”. No mais, a Embargante parte do pressuposto que o posicionamento desta câmara não deveria seguir o entendimento da DRJ. Todavia, não merece amparo o pleito da ora Embargante. Da análise dos declaratórios, percebe-se que o contribuinte vislumbra a rediscussão da matéria deduzida nestes autos. No entanto, como se sabe, esta não é a via eleita. Nesse sentido, este i. Conselho já se manifestou sobre a matéria: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS. LANÇAMENTO FISCAL. CONSTITUIÇÃO. FATOS EXISTENTES À ÉPOCA. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10070.002680/2003-87 Acórdão n.º 1401-001.363 S1-C4T1 Fl. 8 7 Não se conhece dos embargos de declaração opostos quando não constatados omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado e se verifica que o lançamento fiscal foi efetuado com base nos fatos existentes à época da sua constituição, sendo que fatos posteriores não podem interferir em lançamentos corretamente formalizados. (Acórdão nº 1202- 001.170-2ª Câmara-2ª Turma ordinária- Rel. Carlos Alberto Donassolo- Sessão de 19.07.2014). ............................................ ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2009 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. (Acórdão nº 1802-002.067 - 2ª Turma Especial- Rel. Ester Marques Lins de Sousa- Sessão de 08.04.2014). No mais, pela leitura do voto condutor, percebe-se que todos os pontos elencados pela ora Embargante foram devidamente debatidos, com a devida citação expressa da legislação. Deste modo, verifica-se que inexiste omissão/contradição/obscuridade no voto condutor do acórdão embargado, uma vez que o voto contém clara e completa fundamentação que levou à solução do litígio, de modo que descabe reapreciar novamente a matéria, como pretende o embargante, não sendo o caso de se proceder a revisão da decisão. Por não haver omissão, voto pela rejeição dos embargos. É como voto. André Mendes de Moura - Redator para Formalização do Voto Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10711.004855/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/07/2008
PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente.
COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003.
Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente.
Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52).
Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009.
Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa.
Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3803-006.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 172 1 171 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.004855/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.926 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO MULTA ADMINISTRATIVA Recorrente KUEHNE + NAGEL SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/07/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Inferese ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 48 55 /2 00 9- 93 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004855/200993 Acórdão n.º 3803006.926 S3TE03 Fl. 173 2 Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator). Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Tratase de auto de infração em que a fiscalização impõe multa à ora Recorrente por ter deixado de observar os prazos para a “prestação de informações sobre veículo ou carga transportada, ou a operação que seria executada”. Segundo a Fiscalização, o transportador ou o agente de cargas estão obrigados a prestar à Receita Federal do Brasil informações sobre a chegada das cargas transportadas, na forma e nos prazos definidos pela legislação. No caso, a embarcação atracou no Porto do Rio de Janeiro/RJ em 03/07/2008, sendo que a Recorrente procedeu a desconsolidação somente no dia 04/07/2008. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004855/200993 Acórdão n.º 3803006.926 S3TE03 Fl. 174 3 Por tal motivo, a Recorrente foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a inobservância de prazo para a prestação de informação perante a RFB. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação, sustentando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração pela ausência de descrição clara dos fatos e do próprio enquadramento legal, e no mérito, o não descumprimento do prazo, eis que a prestação de informações estaria disciplinada no artigo 22 da IN RFB 800/2007, cujos efeitos somente entraram em vigor em 1º de abril de 2009, por força da IN 899/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC julgou improcedente a impugnação, mantendo a autuação. Segundo a DRJ/FNS, revelouse insubsistente a alegação de nulidade formal, pelo que rejeitou a preliminar. E no mérito, concluiu que embora o artigo 22 da IN RFB 800/2007 não estivesse em vigor ao tempo dos fatos, a solução do caso estava no parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, que impunha prazos de antecedência para a prestação de informações inerentes ao Controle Aduaneiro. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos. Em síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. A questão me parece bastante simples. A Recorrente está certa ao defender que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800/2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de julho de 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da IN RFB 800/2007, com redação dada pela IN 899/2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004855/200993 Acórdão n.º 3803006.926 S3TE03 Fl. 175 4 Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, impossível se cogitar que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800/2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800/2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que a embarcação atracou em 03/07/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 04/07/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir a Recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004855/200993 Acórdão n.º 3803006.926 S3TE03 Fl. 176 5 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) Assim, penso que a exigência fiscal está correta, de modo que não vislumbro argumentos capazes de infirmar a presente autuação. Em tempo, registramos que a tese levantada pela empresa recorrente, acerca da denúncia espontânea prevista na atual redação do artigo 102 e parágrafos do DecretoLei 37/66, não se aplica ao caso dos autos. Explico a partir da transcrição do dispositivo legal: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Como se vê, o parágrafo 1º do artigo 102 do Decretolei 37/66 não considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. O ato que determina o início do despacho aduaneiro de importação é o registro da DI no Siscomex. No caso dos autos há uma particularidade que envolve as novas ferramentas à disposição do controle aduaneiro, sobretudo a implantação do SISCOMEX Cargas, cujos prazos de transmissão de informação de conteúdo de carga estão disciplinados pela IN 800/2007. Isto é, pela observância obrigatória do SISCOMEC Cargas, o despacho aduaneiro terá início no momento da inclusão das informações no referido sistema, cujo prazo limite será o da atracação. Vejamos as razões extraídas do próprio auto de infração: A Receita Federal do Brasil, no âmbito da competência conferida pelo Art. 37 do DecretoLei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo Art. 77 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e na maneira prevista no Art. 64 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 estabeleceu Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004855/200993 Acórdão n.º 3803006.926 S3TE03 Fl. 177 6 que o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados deverá ser procedido de acordo com a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, que em seus Artigos 10 e 52 dispõe: "Art. 1º 0 controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RW) pelos intervenientes, conforme estabelecido nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: (grifo nosso) I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), gerenciado pelo departamento do Fundo da Marinha Mercante (DEFI0), pelos transportadores, agentes marítimos e agentes de Carga; e II diretamente no Siscomex Carga, pelos demais intervenientes". Conforme explicitado, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, desde 31 de março de 2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como às relativas às escalas, aos dados constantes nos Manifestos Marítimos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga dar seá pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. (...) 0 planejamento das ações de Fiscalização, a partir da implementação do Siscomex Carga, está fundamentado em critérios de análise de risco. 0 gerenciamento de risco constitui a ferramenta que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e consequentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional acarretando maior competitividade dos produtos fabricados no País, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que nortearão os atos da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério entrave ao exercício do Controle Aduaneiro, facilitando a Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004855/200993 Acórdão n.º 3803006.926 S3TE03 Fl. 178 7 ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate A pirataria. Portanto, a atracação se deu no dia 03/07/2008 e o conhecimento de embarque ocorreu apenas no dia 04/07/2008, ou seja, já no curso do despacho aduaneiro, o que atrai a hipótese de não aplicação da denúncia espontânea prevista no artigo 102 do DecretoLei 37/66. Derradeiramente, ainda existe outra regra que afasta a denúncia espontânea no caso dos autos. Tratase do parágrafo 3º do artigo 612 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4543, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos. In verbis: Art. 612, § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a exigência fiscal. É como penso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10921.000332/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 14/01/2005 a 05/01/2006
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração.
MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010.
O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, § 2º, do Decreto-Lei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde acompanhou o relator pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Gomes.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 19/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 14/01/2005 a 05/01/2006 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, § 2º, do Decreto-Lei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010. Recurso Voluntário Provido.
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AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde acompanhou o relator pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Gomes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 03 32 /2 00 9- 01 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000332/200901 Acórdão n.º 3302002.733 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório de decisão recorrida, por bem refletir a contenda. O presente Auto de Infração, no valor de R$ 430.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõem os artigos 37 e 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 12/18), a apuração da infração dáse a cada viagem do veiculo transportador em que tenha havido o registro de dados de embarque fora do prazo estipulado pela RFB, cujas cargas estão amparadas nas Declarações de Despacho de Exportação DDEs, por amostragem, constantes da relação de fls. 21/22, na qual também constam os nomes dos navios, as datas dos embarques, as datas dos fatos geradores e as datas dos registros dos respectivos dados, extraídos das consultas ao sistema Siscomex, conforme extratos juntados. Frisa que não é determinante para o cálculo do valor da multa a quantidade de despachos de exportação cujos dados de embarques não foram informados tempestivamente. Informa que as informações foram registradas pelo autuado após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005. Intimada da autuação (fl. 195), a interessada apresentou a impugnação de fls. 197/222, na qual, em breve síntese: Ilegitimidade Passiva: alega a sua ilegitimidade passiva, uma vez que não é empresa transportadora, mas mero agente marítimo e, nesta condição, não responde pela infração. Sendo representante do transportador, limitada fica a sua atividade como um mandatário mercantil. Da Denúncia Espontânea: alega que a impugnante providenciou, por conta e ordem do transportador, o registro dos dados dos embarques efetivados, anteriormente a qualquer ação fiscal, não cabendo a infração descrita como "não prestação de informação sobre veiculo 0k carga transportada". Afirma ser pacifica a possibilidade de denúncia espontânea da infração na área aduaneira, o que afasta a responsabilidade do sujeito passivo. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000332/200901 Acórdão n.º 3302002.733 S3C3T2 Fl. 4 3 Da aplicação da multa singular para infrações de natureza continuada: argui que as infrações de uma mesma origem, apuradas em uma única ação fiscal, devem ser consideradas como infração continuada para aplicação de penalidade cabível, não sendo razoável efetuar o somatório da sanção por embarcação, em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer, pelos motivos expostos e porque não houve qualquer embaraço, dificuldade ou mesmo impedimento a ação fiscal em tela, a desconstituição do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Segunda Turma de Julgamento, por unanimidade de votos julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 04.11.11, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 24.11.11. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Preliminar de ilegitimidade passiva. Alegou a recorrente que a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, objeto do auto de infração em apreço, não podia serlhe cominada, pois sua “figura” de agente transportador marítimo, não se confundiria com o próprio transportador marítimo, o real responsável pela prestação de informações à Secretaria da Receita Federal. Verifico não assistir razão à Recorrente neste tópico. Vejamos. Nos termos do artigo 107, inciso IV, aliena “e” do DecretoLei º 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, temos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...). e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000332/200901 Acórdão n.º 3302002.733 S3C3T2 Fl. 5 4 prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. A norma exposta indica expressamente que, além da empresa de transporte internacional, também o agente de cargas pode ser penalizado caso deixe de prestar informações relativas aos dados de embarque, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Comprovada a vinculação entre o Recorrente e o transportador marítimo, não há que se falar em ilegitimidade passiva daquele que foi responsável pela coleta e aposição das informações acerca das importações no sistema, em sendo o sujeito passivo o representante do transportador marítimo no país. Ademais, o E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do RESP 1129430, Relator Ministro Luiz Fux (Matéria julgada pelo STJ no regime do art. 543C / Recursos Repetitivos), assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do Decreto Lei 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porquanto inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Portanto, na condição de agência marítima e mandatário do transportador, a recorrente é também responsável por prestar as informações acerca da carga transportada pelo seu representado. Assim, demonstrada a legitimidade passiva da recorrente, rejeitase a alegação preliminar. Da denúncia espontânea e da inaplicabilidade da infração aduaneira. Alega a Recorrente estar amparada pelo instituto da denúncia espontânea, tendo em vista que todas as informações necessárias à importação da mercadoria foram prestadas antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, isentando dessa forma qualquer responsabilidade da Recorrente. O presente lançamento está fundamentado no seguinte dispositivo: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000332/200901 Acórdão n.º 3302002.733 S3C3T2 Fl. 6 5 § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." Adiante o artigo 107 do mesmo diploma legal prevê: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12.2003) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" Por fim, nos termos do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66 temos: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Até a entrada em vigor da Lei nº 12.350/10, discutiase muito acerca da aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN e no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, nos casos relativos a descumprimento de obrigações acessórias e respectivas multas administrativas. A partir de então, o que se percebe do texto legal é que a inovação trazida pela Lei nº 12.350, de 2010, veio a ampliar o alcance do instituto da denúncia espontânea, no âmbito da legislação aduaneira, para excluir dentre as hipóteses de aplicabilidade apenas as penalidades incidentes na hipótese de sujeição a perdimento. Ou seja, intenta alcançar as penalidades de natureza tributária e também as de natureza administrativa. O dispositivo legal, de per si, pode ser extensivamente interpretado. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000332/200901 Acórdão n.º 3302002.733 S3C3T2 Fl. 7 6 Assim, após a inclusão do § 2º, artigo 102 do DecretoLei nº 37/66, pela Lei nº 12.350/10 não restam mais dúvidas quanto a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea em relação às penalidades administrativas. Neste sentido o seguinte julgado: “PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. PROVAS A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. No âmbito da legislação aduaneira, o instituto da denúncia espontânea aplicase para exclusão de penalidade de natureza tributária ou administrativa”. Grifos nossos. (Acórdão nº 3402002.245. Sessão 24.10/2013). Neste ponto, destacamos o art. 106 do CTN, que prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000332/200901 Acórdão n.º 3302002.733 S3C3T2 Fl. 8 7 Assim, superada esse tópico, bem como demonstrado, no caso dos autos, que todas as informações foram prestadas anteriormente a qualquer procedimento administrativo, cuja materialização – o auto de infração fora lavrado em 03.12.2008, posteriormente à prestação das informações, não haveria o que se falar em aplicação de penalidades ao contribuinte. Primeiro motivo para seu cancelamento. Outro aspecto que devemos considerar é que a multa prescrita no artigo 107, IV “e” do Decreto nº 37/66, decorre de omissão da contribuinte que deixou de observar o prazo estabelecido em Instrução Normativa. Assim, uma vez transcorrido o prazo normativo e persistindo a omissão do contribuinte quanto às informações que está obrigado a fornecer à administração aduaneira, a autoridade competente pode e deve instaurar procedimento fiscal com vista ao lançamento da multa cominada pela lei. Todavia, antecipandose o Recorrente à fiscalização, com o adimplemento da obrigação acessória, não há mais que considerar a tese da fiscalização quanto a aplicação da multa punitiva, visto que o motivo, o fato gerador da multa não mais existiria, cumprida a obrigação acessória. De fato, às fls. 23, verificase que foram devidamente prestadas todas as informações pela recorrente anteriormente a 30/04/2009, data da lavratura do auto, sendo a última informação prestada datada de 25/01/2006, que deveria ter sido prestada em 05/01/2006. Diante disso, e da omissão da fiscalização em averiguar o cumprimento dos prazos pelo contribuinte tempestivamente, contribuinte este que prestou as informações requeridas, merece pois o cabimento do previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. Da aplicação da multa singular infrações de natureza continuada. Por fim, alega a Recorrente que no presente caso deveria ser aplicado “... as infrações de uma mesma origem, apuradas em uma única ação fiscal, devem ser consideradas como infração continuada para aplicação da penalidade cabível.” Caso mantida a multa apreciada anteriormente, cabível a discussão se esta infração seria continuada, e portanto haveria a incidência de uma penalidade, em vez da aplicação de várias multas ao longo do período. Entendo, nesse caso, ser esta uma infração de caráter continuado, a ser considerada como uma única infração, resultando na imposição de multa singular, a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo. Neste sentido, Paulo José da Costa Junior e Zelmo Denari sustentam: “O instituto penal dos crimes continuados supõe que crimes da mesma espécie sejam praticados em tais condições de tempo, lugar e maneira de execução que os subsequente sejam havidos como continuação dos precedentes. Nesta hipótese, a lei penal prevê a aplicação da pena de um só dos crimes, ou a mais grave Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000332/200901 Acórdão n.º 3302002.733 S3C3T2 Fl. 9 8 se diversos, aumentada de um sexto a dois terços (conforme art. 71 do Código Penal). Na área tributária, é possível, da mesma sorte, sustentar, em tese, a ocorrência de violações continuadas à lei tributária, caracterizadas pela prática sucessiva de infrações da mesma espécie, de tal sorte que, presentes as condições de tempo, lugar e maneira de execução, possam ser qualificadas como infrações continuadas. Um dos exemplos mais flagrantes de infrações continuadas é o que decorre da falta sistemática de emissão de documentos fiscais. De todo modo, nossa legislação não as contempla, o que faz crer que devemos dispensarlhes o mesmo tratamento do concurso material de infrações: cumulam se as penas pecuniárias aplicadas às infrações ainda que continuadas. (grifo nosso) (COSTA JÚNIOR, Paulo José da; DENARI, Zelmo. Infrações Tributárias e Delitos Fiscais. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 2728. A obra foi agraciada com o prêmio "Livro do Ano de 1995" pela Academia Brasileira de Direito Tributário) Em matéria aduaneira, inexiste previsão legal específica, muito embora o artigo 99 do DecretoLei nº 37/66 assim o preveja: “Art.99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. § 1º Quando se tratar de infração continuada em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações, serão eles reunidos em um só processo, para imposição da pena. § 2º Não se considera infração continuada a repetição de falta já arrolada em processo fiscal de cuja instauração o infrator tenha sido intimado.” Como podemos perceber o referido diploma legal referese a um aspecto formal da junção de processos, quando se refere a “infração continuada”. Todavia, muito embora haja uma lacuna no ordenamento jurídico quanto a aplicação específica da infração continuada às infrações de natureza aduaneira, podemos nos apoiar tanto no art. 99 retromencionado, como também na jurisprudência do Poder Judiciário. Adiante: DIRETO ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO ADMINISTRATIVO C.C. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CERCEAMENTO DE DEFESA E AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO/MOTIVAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO INOCORRÊNCIA PRODUTO TABELADO NOS TERMOS DA RESOLUÇÃO CIP Nº 294/88 LEGITIMIDADE DECRETO Nº 63.196/68 MULTA DA SUNAB POR MAJORAÇÃO DE PREÇOS LEI DELEGADA Nº 4/62 LEGITIMIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DE VÍCIOS EXIGÊNCIA MANTIDA APELAÇÃO DESPROVIDA. I O indeferimento de provas pautouse no disposto no art. 37, § 1° do Ato anexo à Portaria n° Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000332/200901 Acórdão n.º 3302002.733 S3C3T2 Fl. 10 9 51/86 que rege o processo administrativo de apuração das infrações à Lei Delegada n° 4/62. Com efeito, no caso em tela, a defesa apresentada pela autora na via administrativa (fls. 57/80) trouxe como documentos apenas as normas aplicáveis ao caso discutido e decisões proferidas na via judicial (fls. 105/204). Portanto, deveria a empresa, por ocasião de sua defesa, apresentar o laudo técnico sobre o produto que ensejou a autuação, a teor do que dispõe o artigo em referência, o que não foi feito à época. II De outro lado, não demonstrou, igualmente, a existência de força maior a justificar a concessão de novo prazo para a sua juntada, motivo pelo qual não há qualquer vício no procedimento fiscal a ensejar sua anulação. III Inexiste a alegada fundamentação insuficiente e a ausência de motivação do ato administrativo, posto que a fiscalização elencou de forma minuciosa as razões de fato e de direito que ensejaram a lavratura do auto de infração, o qual se encontra suficientemente motivado a fim de possibilitar a defesa da apelante. IV A matéria sob controvérsia nestes autos diz respeito ao controle de preços, especialmente ao congelamento de preços aos níveis dos determinados pelo Conselho Interministerial de Preços CIP, estabelecidos com vistas à estabilização da economia e controle do abastecimento e do processo inflacionário. V Está pacificado que as normas de controle de preços, assim como os DecretosLei nº 2.283 e nº 2.284, de 1986 eram constitucionais e válidas no âmbito do poder do Estado para intervenção na economia. VI Em relação aos materiais objeto da autuação, a perícia realizada nos autos (fls. 348/372) comprovou que se tratam de fios isolados eletricamente, os quais diferem do fio meramente revestido. Diante da definição do material objeto de autuação fiscal, a questão a ser resolvida, nesse momento, referese em saber se a Resolução CIP nº 294/88 poderia tabelar os preços dos produtos arrolados no aludido Auto de Infração, os quais encontravamse com os preços liberados pela Portaria nº 353/87 do Ministro da Fazenda. VII A Resolução CIP nº 294/88 foi editada com o intuito de dar execução à Lei Delegada nº 4/62, assim como ao DecretoLei nº 2.335/87 e à Portaria do Ministro da Fazenda nº 297/87. VIII Nos termos do Decreto nº 63.196/68, cabe ao Conselho Interministerial de Preços fixar e promover a execução de medidas destinadas à implementação de regulação de preços, observada a orientação da política econômica governamental. Desse modo, a Resolução expedida pelo CIP tem legitimidade para regular os preços, tal como se deu com a Resolução combatida nesta demanda, a qual revogou a Portaria Ministerial nº 353/87, por total incompatibilidade entre as normas. IX Em relação à aplicação da penalidade imposta à apelante, no montante de NCZ$ 8.492,20 (oito mil, quatrocentos e noventa e dois cruzados novos e vinte centavos), o qual resultou do arbitramento individual de cada infração cometida, no valor de NCZ$ 424,61 (quatrocentos e vinte e quatros cruzados novos e sessenta e um centavos), correta a autoridade fiscal. X No caso em exame, a r. sentença entendeu que o auto de infração ao apurar a venda de mercadorias com preços acima da tabela a vários clientes e em momentos diversos no período de 17 a 29 de Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000332/200901 Acórdão n.º 3302002.733 S3C3T2 Fl. 11 10 novembro de 1988, aplicou corretamente a penalidade imposta, por se tratarem de infrações diversas. XI Tal entendimento deve ser reformado. XII Constitui infração continuada, a ser considerada como uma única infração, conforme o § 3º do mesmo dispositivo legal, quando "a apuração das infrações ocorre em uma mesma autuação, e constatada a seqüência de várias infrações da mesma natureza, permitese a imposição de multa singular, a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, acrescida de até 2/3 (dois terços) do valor da primeira delas, conforme disposto no artigo 46 da Portaria nº 51/86 da SUNAB" (TRF 3ª Reg., 6ª T., vu. AC 207662, Processo: 94030808489 UF: SP. J. 24/08/2005, DJU 09/09/2005, p. 628. Rel. Des. Fed. LAZARANO NETO), "ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo" (TRF 3ª Reg., 4ªT., vu. AMS Processo: 92030023496 UF: SP. J. 02/03/1999, DJ 11/05/1999, p. 548. Rel. SOUZA PIRES). XIII No caso dos presentes autos, tratase de infrações continuadas, em razão da seqüência de infrações de igual natureza (mesma alínea) em curto período (apenas alguns meses) e apuradas em um mesmo Auto de Infração, pelo que assim deveria ter sido considerado pela Administração, conforme disposto no §3º do art. 23 da Portaria 51/86. A infração apurada no Auto de Infração deve ser mantida, mas a multa deve ser recalculada com base nos parâmetros legais das infrações continuadas, na forma exposta. XIV De outro lado, restou atendido o princípio da razoabilidade e proporcionalidade entre a infração cometida e a penalidade imposta, consoante bem asseverou a r. sentença ao observar que no Relatório Econômico anexo ao auto de infração, a empresa se enquadra como de grande porte, haja visto o elevado montante de suas vendas. XV Sentença parcialmente reformada nos termos do ora exposto, reconhecendose a parcial procedência da ação e a sucumbência recíproca para fins de compensação da verba honorária (CPC, art. 21, caput) e reembolso pela ré de metade das custas processuais desembolsadas pela autora. XVI Apelação da autora parcialmente provida. (AC APELAÇÃO CÍVEL – 1266647. Rel. JUIZ CONVOCADO SOUZA RIBEIRO. DJ 08.09.2009). Grifos nossos. ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. SUNAB. LEI DELEGADA 4/62. AUTUAÇÕES FISCAIS. INFRAÇÕES CONTINUADAS. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. QUESTÃO APROPRIADAS A SOBERANIA DAS INSTANCIAS ORDINÁRIAS. PREQUESTIONAMENTO. IMPRECISÃO NA INDICAÇÃO DE PADRÕES LEGAIS APONTADOS COMO MALFERIDOS. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CPC, ART. 541 E PARÁGRAFO ÚNICO. SUMULAS 7 E 126/STJ. 1. O PREQUESTIONAMENTO E IMPOSITIVO. A DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DEVE OBEDIÊNCIA AS DISPOSIÇÕES DO ART. 541, PARÁGRAFO ÚNICO, CPC. DESATENDIDOS OS SEUS REQUISITOS FICA OBSTADO O CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. 2. AS INFRAÇÕES SEQUENCIAIS, FERINDO O MESMO OBJETO DA TUTELA JURIDICA, GUARDANDO Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000332/200901 Acórdão n.º 3302002.733 S3C3T2 Fl. 12 11 AFINIDADE COM IGUAL FUNDAMENTO FATICO, CONSTITUINDO COMPORTAMENTO DE FEIÇÃO CONTINUADA, ESTÃO SUJEITAS A UMA UNICA SANÇÃO, APLICADO E GRADUADO O APENAMENTO CONFORME A SUA INTENSIDADE, REITERAÇÃO E CONSEQUENCIAS DANOSAS A ECONOMIA POPULAR. TIPIFICAÇÃO QUE DEVE SER DEMONSTRADA EM SINGULAR AUTO DE INFRAÇÃO. 3. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS ITERATIVOS. 4. RECURSO DA PARTE IMPETRANTE PARCIALMENTE CONHECIDO E PROVIDO. NÃO CONHECIDO O RECURSO DA SUNAB. (RESP RECURSO ESPECIAL – 94635. Rel. Milton Luiz Pereira. DJ 04.08.1997). Grifos nossos. Por todo exposto, conheço do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, e, no mérito, para provêlo para cancelar o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10882.900945/2008-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 45 /2 00 8- 64 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 5 4 Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 7 6 I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 2348 9, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 9 8 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 10 9 verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 11 10 judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/03 04.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 12 11 Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900945/200864 Acórdão n.º 3801004.983 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.720432/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jul 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE NORMA VIOLADA. INEXISTÊNCIA.
O lançamento se deu pela falta de apuração do ganho de capital na subscrição do capital social da empresa Colombus realizada pela Recorrente. Assim, dentro do contexto da acusação fiscal, o sujeito passivo está corretamente identificado e o enquadramento legal adequadamente definido, não se podendo considerar o lançamento como nulo.
GANHO DE CAPITAL. INCLUSÃO DE ÁGIO GERADO ARTIFICIALMENTE NO CUSTO CONTÁBIL.
Constatado que as ações utilizadas em subscrição de capital foram transferidas em valor superior ao custo contábil, correta a exigência de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital correspondente.
Não integra o valor do bem o ágio artificialmente criado em operações meramente formais e desprovidas de outro propósito negocial que não a própria redução de tributos.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do redator designado que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 10ª Turma da DRJ/RJ1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE NORMA VIOLADA. INEXISTÊNCIA. O lançamento se deu pela falta de apuração do ganho de capital na subscrição do capital social da empresa Colombus realizada pela Recorrente. Assim, dentro do contexto da acusação fiscal, o sujeito passivo está corretamente identificado e o enquadramento legal adequadamente definido, não se podendo considerar o lançamento como nulo. GANHO DE CAPITAL. INCLUSÃO DE ÁGIO GERADO ARTIFICIALMENTE NO CUSTO CONTÁBIL. Constatado que as ações utilizadas em subscrição de capital foram transferidas em valor superior ao custo contábil, correta a exigência de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital correspondente. Não integra o valor do bem o ágio artificialmente criado em operações meramente formais e desprovidas de outro propósito negocial que não a própria redução de tributos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 32 /2 01 2- 30 Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.537 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do redator designado que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.538 3 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL, cumulados com juros e multa de ofício de 75%, referentes ao anocalendário 2009, cuja ciência foi dada ao Contribuinte em 13/04/2012. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 2194/2241), no presente caso, a Fiscalização entendeu que a Contribuinte Rubi Holdings Ltda (“Rubi”) não ofereceu à tributação ganho de capital auferido em operação que resultou na entrega de participação acionária da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento – Visanet (“Visanet”) para a empresa Columbus Holdings S.A. (“Colombus”). Dessa forma, teria havido redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que motivou o lançamento de ofício. Passase à síntese dos fatos e do direito descritos no Termo de Verificação Fiscal. DAS OPERAÇÕES Inicialmente, relata a Fiscalização que a Colombus, empresa pertencente ao Grupo Bradesco, recebeu 535.792.789 ações da Visanet, através de subscrição de capital realizada por cinco empresas do Grupo Bradesco (Banco Alvorada, Banco Boavista, Alvorada Cartões, Elba Holdings e Rubi Holdings) nos meses de abril e maio de 2009, um pouco antes do IPO da Visanet que ocorreu em junho de 2009. Nesse passo, o ágio de R$ 3.437.214.726,69 contabilizado na Colombus como parte integrante do valor contábil da Visanet, reduziu significativamente o ganho de capital apurado no IPO. Assim, considerando o valor desse ágio e a disparidade entre os valores unitários das ações da Visanet que foram entregues (variação de 3.160%), praticamente na mesma data, pelas empresas pertencentes ao Grupo Bradesco, a fiscalização entendeu por bem apurar qual era a origem das ações da Visanet e o seu custo de aquisição. Para tanto, além da diligência aberta na empresa Colombus, foram abertas diligências e fiscalização nas seguintes empresas do Grupo Bradesco: Banco Alvorada, Elba Holdings, Rubi Holdings, Aicare Holdings, Ferrara Participações, Quixaba Empreendimentos, Neon Holdings e Nova Paiol. O trabalho da Fiscalização focou o caminho percorrido pelas ações da Visanet dentro das empresas que compõem o Grupo Bradesco, concluindo que o pagamento de ágio em diversas operações realizadas pelo citado grupo empresarial, teve como fundamento, tão somente, a maisvalia referente a essas ações. Além disso, afirmou que a própria Contribuinte reconhece que toda a reorganização societária concretizada pelo Grupo Bradesco tinha por objetivo final a IPO que abriria o capital da empresa Visanet. A parcela do ágio referente às ações da Visanet que foram entregues pela Elba à Colombus já foi analisada pela fiscalização, resultando em dois autos de infração Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.539 4 lavrados contra as empresas Neon Holdings e Nova Paiol (que integravam o Grupo Bradesco), formalizados através dos processos administrativos 16327.721661/201191 e 16327.721663/201180. (De se notar que, ambos os casos foram julgados pela 2ª Turma da 2ª Câmara desta 1ª Seção do CARF, em 04/12/2013. Na ocasião, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaram as preliminares de decadência e de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, por maioria de votos, deram provimento parcial aos recursos voluntários interpostos, apenas para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício). No presente processo administrativo, a autoridade fiscal concentrouse no percurso efetuado pelas 253.820.700 ações da Visanet que foram entregues pela Rubi (Autuada) na capitalização da Colombus e que envolveram transações entre empresas do próprio Grupo Bradesco e do Grupo Bradesco com o Grupo Goldman Sachs. No entanto, para que ficasse clara qual era a situação inicial e o resultado alcançado com as operações, a fiscalização apresentou uma síntese dos fatos anteriores àqueles que originaram a constituição do presente crédito tributário, de forma que os atos realizados pela Contribuinte e demais pessoas jurídicas integrantes do grupo pudessem ser visualizados em conjunto. Como a análise de todo o processo é extremamente complexa, seguimos a análise dos fatos e divisões propostas pela fiscalização, aproveitando o quanto já relatado pela DRJ e pela Fazenda Nacional. 1 – Etapas do negócio de alienação de ações da Visanet para o Grupo Goldman Sachs e seu “desfazimento” 1.1 – Operações entre empresas do Grupo Bradesco Na primeira fase da análise, a autoridade fiscal autuante descreveu como uma parcela das ações da Visanet, negociadas com o Grupo Goldman Sachs, foi inserida no patrimônio da Ferrara Participações. O primeiro ato societário ocorreu em 05/10/2007: subscrição de capital na Ferrara Holdings S/A (“Ferrara Holdings”) pelo Banco Alvorada – ambas pessoas jurídicas pertencentes ao Grupo Bradesco. O capital social da Ferrara Holdings passou de R$ 1.937.000,00 para R$ 55.764.479,63, tendo sido integralizado pelo Banco Alvorada através da entrega de 112.499.900 ações da Visanet, avaliadas pelo valor contábil de R$ 68.767.876,47. Ao final deste ato societário, R$ 14.940.396,84 foram registrados na Ferrara Holdings na conta “Reserva de Ágio na Emissão de Ações”. Por fim, cumpre mencionar que, antes dessa operação, a Ferrara Holdings já possuía 4.410.450 ações da Visanet em seu acervo. Em 15/04/2008, houve a incorporação da Ferrara Holdings pela Aicaré. As duas pessoas jurídicas pertenciam à União Participações Ltda e ao Banco Alvorada, ou seja, também compunham o Grupo Bradesco. A Aicaré tinha capital social de R$ 1.000,00 antes da incorporação. Após a operação, passou a ter capital social de R$ 240.806.211,00, sendo que das 240.805.211 cotas criadas na operação, 232.440.842 foram atribuídas ao Banco Alvorada. Significa dizer que as ações da Visanet saíram do Banco Alvorada em 05/10/2007 e permaneceram, de forma indireta, sob o controle desta pessoa jurídica. Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.540 5 Por fim, em 02/05/2008, aconteceu a cisão parcial da Aicaré seguida de incorporação da parcela cindida pela Anapurus Holding Ltda (atual Ferrara Participações S/A – “Ferrara”). A parcela cindida da Aicaré e incorporada pela Anapurus/Ferrara era representada por 126.910.350 ações da Visanet, avaliadas pelo valor contábil de R$ 100.371.210,74. Vale ressaltar que a Aicaré e a Anapurus/Ferrara possuíam os mesmos dois sócios quotitas – o Banco Alvorada e a União Participações Ltda. O capital social da Anapurus/Ferrara foi alterado de R$ 1.000,00 para R$ 100.372.210,00, com a maior parte das novas quotas criadas em virtude da operação sendo destinadas ao Banco Alvorada. A ilustração a seguir demonstra o caminho percorrido pelas ações a partir do início das reorganizações societárias, iniciadas em 05/10/2007: BANCO ALVORADA VISANET BANCO ALVORADA AICARÉ FERRARA HOLDINGS VISANET Integralização de capital da FERRARA HOLDINGS com ações da VISANET 112.499.900 ações da VISANET 05/10/2007 15/04/2008 BANCO ALVORADA AICARÉ VISANET Incorporação da FERRARA HOLDINGS pela AICARÉ BANCO ALVORADA AICARÉ VISANET BANCO ALVORADA AICARÉFERRARA VISANET Cisão parcial da AICARÉ e incorporação da parcela cindida pela ANAPURUS/ FERRARA 02/05/2008 Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.541 6 Essas operações societárias, realizadas dentro do Grupo Bradesco, podem ser consideradas como preparatórias para a alienação de parte das ações da Visanet para o Grupo Goldman Sachs. Com efeito, o que se percebe é que as ações objeto do negócio permaneceram sob o controle do Banco Alvorada, apenas sendo alterada a forma, vale dizer: no início o Banco Alvorada detinha controle direto e, após todas as operações, passou a ter controle indireto, por meio da Ferrara Participações. 1.2 – Operações envolvendo o Grupo Bradesco e o Grupo Goldman Sachs Segundo relata a Fiscalização, o Grupo Goldman Sachs pretendia adquirir 9,28% da participação acionária da Visanet, que pertencia ao Grupo Bradesco. Para concretizar o negócio, uma pessoa jurídica integrante do Grupo Goldman Sachs deveria adquirir 49,9% das ações da Ferrara Participações, que possuía 126.910.350 ações da Visanet. Diante disso, em 04/09/2009, os dois grupos empresariais firmaram um acordo, por meio da assinatura de diversos documentos, que tinha por escopo a alienação de 9,28% da participação acionária da Visanet pelo montante de R$ 4.382.585.166,14. O passo seguinte, portanto, seria viabilizar a entrada do Grupo Goldman Sachs no capital da Ferrara e, conseqüentemente, no controle de parte das ações da Visanet. Assim, em 04/09/2008, foi deliberado e aprovado o aumento de capital social da Ferrara, que passou de R$ 100.372.051,00 para R$ 200.343.416,00. Em decorrência desse aumento de capital, foram emitidas, 99.971.365 novas ações representativas do capital da Ferrara, avaliadas em R$ 43,8369043576 por ação. Em 08/09/2008, a Pirapetinga integralizou o aumento de capital da Ferrara e passou a deter 49,9 % do capital desta pessoa jurídica. Nesse ponto, vale a pena ressaltar que a Pirapetinga era controlada pelo Grupo Goldman Sachs, ou seja, essa operação serviu para concretizar o negócio que previa a entrada do referido grupo empresarial como acionista, ainda que indireto, da Visanet. Nessa perspectiva, salienta como foram feitos os registros contábeis nas pessoas jurídicas que participaram da operação. Primeiramente, na Ferrara, repartiuse valor de R$ 43,8369043576 atribuído a cada a cada ação da seguinte forma: a) R$ 1,00 foi registrado na conta “Capital Social” (R$ 99.971.365,00); e b) R$ 42,8369043576 foi registrado na conta “Reserva de Ágio na Emissão de Ações” (R$ 4.282.463.801,00). Por sua vez, a Pirapetinga escriturou contabilmente a operação societária da seguinte maneira: a) participação de 49,9% no novo patrimônio líquido da Ferrara, correspondente à conta 1.3.1.01.00017 – Ferrara – R$ 2.236.920.777,09; e b) a diferença entre a participação no PL da Ferrara e o aporte feito pela Pirapetinga foi registrado como ágio, na conta 1.3.1.01.00026 – “Ferrara – Ágio” – R$ 2.145.514.389,05. Nesse ponto, explica a origem do capital utilizado pela Pirapetinga para integralizar o aumento de capital social da Ferrara. A primeira parte dos recursos eram provenientes de um empréstimo concedido pelo Grupo Bradesco à pessoa jurídica BCI II, que fazia parte da estrutura do Grupo Goldman Sachs. Mais especificamente, em 04/09/2008, a filial do Banco Bradesco nas Ilhas Cayman firmou um contrato com a BCI II, por meio do qual esta pessoa jurídica foi autorizada a emitir e vender ao Banco Bradesco uma “Nota” pelo valor equivalente em dólares americanos a R$ 1.575.010.205,00. No tocante a esses valores, a Contribuinte alegou que não seria possível afirmar como foram utilizados. Não obstante, a autoridade fiscal constatou que o contrato estabelecido entre o Grupo Bradesco e a BCI II Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.542 7 estava intimamente ligado à aquisição, pelo Grupo Goldman Sachs, da participação societária da Visanet. Para corroborar o quanto constatado ressaltou a condição imposta para que o Banco Bradesco comprasse a “Nota” emitida pela BCI II, qual seja: que a BCI II cumprisse todos os “compromissos, avenças e acordos exigidos por qualquer Contrato da Operação”. Dentre os diversos atos que deveriam ser praticados pela BCI II, chamou atenção para a presença de negócios envolvendo empresas do Grupo Bradesco que controlavam a Visanet. Igualmente, merece destaque a “Nota de Taxa Flutuante” de R$ 3 bilhões – que configurou o instrumento para fornecer o restante do dinheiro que seria utilizado pelo Grupo Goldman Sachs na integralização de capital da Ferrara e, por conseguinte, na aquisição de ações da Visanet (fls. 2201/2202). Ademais, importante notar que o prazo fixado para a BCI II realizar adimplir todos os compromissos era 08/09/2008 – mesma data em que fora realizada a aquisição da participação societária da Ferrara, pela Pirapetinga. Diante disso, fica evidente que o empréstimo de R$ 1.575.010.205,00, concedido pela filial do Grupo Bradesco nas Ilhas Cayman à BCI II, fazia parte do negócio cujo objeto era a aquisição dos 9,28% participação societária da Visanet. A segunda parte do capital investido pelo Grupo Goldman Sachs era proveniente de um contrato também firmado no dia 04/09/2008. Nesse acordo, restou estabelecido que a Quixaba iria emitir e a GSFS – empresa do Grupo Goldman Sachs – compraria uma “Nota de Taxa Flutuante”, no valor de R$ 3 bilhões. De acordo com o relatado pela Fiscalização, “O fechamento ocorreria em 08/09/2008, quando a Quixaba entregaria a Nota e a GSFS transferiria o numerário para a conta n° 55719, da agência n° 2372 do Banco Bradesco, pertencente a Quixaba”. Novamente, verificase que foram previstas várias exigências para a Quixaba que guardavam correlação com a aquisição dos 9,28% participação societária da Visanet (fls. 2204). Diante disso, explicada a origem dos recursos que seriam utilizados pelo Grupo Goldman Sachs, temse que o referido grupo empresarial entrou no país, em 08/09/2008, com um total de R$ 4.625.261.158,62 (US$ 2.719.142.362,51). Uma parte desse valor (R$ 1.625.261.158,62) veio por intermédio de integralização do capital da Quixaba, enquanto o restante (R$ 3 bilhões) através de empréstimo concedido pelo GSFS à Quixaba – por meio da emissão de “Nota de Taxa Flutuante” de R$ 3 bilhões. No mesmo dia que recebeu os R$ 4.625.261.158,62, a Quixaba realizou as seguintes operações: • R$ 11.400.000,00 foram retidos para pagamento do IOF incidente sobre o empréstimo concedido pelo GSFS (“Nota de Taxa Flutuante” de R$ 3 bilhões); • R$ 4.382.585.166,14 foram utilizados para integralizar o aumento de capital da Pirapetinga; • R$ 213.200.545,19 foram utilizados para comprar 246.860 LTN em 08/09/2008. Na mesma data em que a Quixaba integralizou o aumento de capital social da Pirapetinga, em 08/09/2008, no montante de R$ 4.382.585.166,14, a Pirapetinga integralizou as Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.543 8 99.971.365 novas ações da Ferrara. Por sua vez, a Ferrara aplicou todo o capital recebido da Pirapetinga no “Fundo de Investimento Referenciado Quartzo”, que era administrado e custodiado pelo Grupo Bradesco. Isso completa o fluxo de recursos financeiros, entre o Grupo Goldman Sachs e o Grupo Bradesco, correspondente ao primeiro momento das operações. As ilustrações a seguir representam as reorganizações societárias realizadas: GRUPO GOLDMAN BC I II BC I III QUIXABA PIRAPETINGA Ágio QUIXABA II GRUPO BRADESCO BANCO ALVORADA RUB IBRADESPLAN FERRARA V ISANET 18 ,598% 49,9% GRUPO GOLDMAN BCI II BCI III QUIXABA PIRAPETINGA QUIXABA II Fluxo de capital Aumento de capital da FERRARA, integralizado pela PIRAPETINGA em 08/09/2008 GRUPO BRADESCO BANCO ALVORADA RUBI BRADESPLAN FERRARA VISANET 18,598% Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.544 9 1.3 – Procedimentos adotados pela Ferrara após o recebimento do numerário da Pirapetinga e atos intermediários A Ferrara recebeu, 08/09/2008, R$ 4.382.435.166,14, através da integralização do seu capital realizada pela Pirapetinga. Na mesma data, aplicou este numerário no Fundo de Investimento Referenciado Quartzo, administrado e custodiado pelo Banco Bradesco. Após isso, relata a fiscalização, que a Quixaba II emitiu 4 milhões de debêntures pelo valor de R$ 4 bilhões, conforme Instrumento Particular de Escritura de Debêntures da 1ª Emissão da Quixaba Investimento S/A, datado de 13/11/2008, e celebrado entre a Quixaba II, na qualidade de emissora, e Ferrara, qualidade de investidora, e Quixaba, na qualidade de interveniente. Em 03/12/2008 a Ferrara subscreveu 2.250.000 Debêntures de emissão da Quixaba II pelo valor de R$ 2,5 bilhões. Os recursos utilizados pela Ferrara para a aquisição destas debêntures foram provenientes do Fundo de Investimento Referenciado Quartzo. Dessa forma, nota que, pela análise do fluxo financeiro, o valor despendido pelo Grupo Goldman Sachs para pagar o ágio pela participação da Ferrara voltou novamente a ser uma disponibilidade financeira do Grupo Goldman Sachs. Ainda em 03/12/2008, a quixaba II penhorou 609.579 LTF, avaliadas nesta data em r$ 2.25 bilhões, para o GSFS em garantia de pagamento da Nota de R$ 3 bilhões emitida pela Quixaba. Vide abaixo o esquema que ilustra o fluxo de capital: Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.545 10 1.4 – “Desfazimento” do negócio e retorno do dinheiro ao Grupo Goldman Sachs Em 09/12/2008, após realizar o conjunto de operações descrito acima, o Grupo Goldman Sachs e o Grupo Bradesco resolveram desfazer o negócio. Conforme afirmou a Contribuinte à Fiscalização, o fato que desencadeou o “desfazimento” da associação entre Grupo Bradesco e Grupo Goldman Sachs foi o anúncio da “concordata” requerida pelo Banco americano Lehman Brothers, em 15/09/2008. A partir desse evento, emergiu a crise financeira mundial de 2008 e isso teria trazido reflexos para o negócio firmado entre os acima mencionados grupos empresariais. Diante desse cenário, a Contribuinte afirmou que “iniciouse uma operação para o ‘desfazimento’ da sociedade (...) fato que foi consumado no mês dezembro de 2009”. Percebese, portanto, que o “desfazimento” do negócio consistiu em tratativas e atos societários entre o Grupo Bradesco e o Grupo Goldman Sachs, que culminaram com a saída deste último grupo empresarial do controle da Visanet, em dezembro de 2008. Nesse sentido, a Fiscalização relata que foram celebrados dois compromissos, em 09/12/2008, que tinham por finalidade o “desfazimento” do negócio, quais sejam: (a) a compra da BCI II pela filial das Ilhas Cayman do Banco Bradesco, por R$ 233.944.731,89; e (b) o pagamento ao GSFS, feito pela Rubi, da “Nota Promissória de Taxa Flutuante” – no valor de R$ 3 bilhões (fls. 2210). GRUPO GOLDMAN BCI II BCI III QUIXABA PIRAPETINGAQUIXABA II 08/09/2008 08/09/2008 Aumento de capital da FERRARA em R$ 4.382 B, integralizado pela PIRAPETINGA em 08/09/2008 GRUPO BRADESCO BANCO ALVORADA RUBIBRADESPLAN FERRARA VISANET 18,598% GSFS FUNDO QUARTZO CAYMAN Emissão de 2.250.000 debêntures, em 13/11/2008; subscritas, em 03/12/2008, no valor de R$ 2.250 B; e resgatados em 02/01/2009, no valor de R$ 2.268 B 04/09/2008 Nota R$ 1.575 B 08/09/2008 Nota R$ 3 B 08/09/2008 Nota R$ 4.382 B Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.546 11 A GSFS se comprometeu a assinar e entregar a Quixaba, com cópia para Rubi, no dia 11/12/2008, as declarações de rescisão dos seguintes contratos anteriormente firmados: (i) distrato do contrato de penhor em que a Quixaba II empenhou a favor da GSFS 609.579 LTF; (ii) Distrato do Contrato de Penhor em que a Quixaba empenhou a favor da GSFS 246.860 LTN; (iii) Distrato de Contrato de Alienação Fiduciária em Garantia em que a Quixaba alienou fiduciariamente à GSFS a Opção de Venda de todas as suas quotas do capital social da Pirapetinga para o Banco Bradesco; e (iv) Distrato de Contrato de Alienação Fiduciária em Garantia em que a Quixaba alienou fiduciariamente à GSFS todas as suas quotas do capital social da Pirapetinga. Em 11/12/2008, ocorreu o fechamento da compra e venda e o Grupo Bradesco adquiriu a BCI II e a BCI III do Grupo Goldman Sachs. Ainda em 11/12/2008, foi realizado o negócio entre o Grupo Bradesco, a BCI II e a BCI III, segundo o qual estas duas últimas pessoas jurídicas (BCI II e a BCI III) cederiam para a Rubi (pertencente ao Grupo Bradesco) as cotas do capital da Quixaba, pelo valor de R$ 1.827.000.000,00 (fls. 1727 e ss.). Considerando que o Grupo Bradesco passou a controlar a Quixaba, o próximo passo foi a compra da “Nota Promissória de Taxa Flutuante”, pela Rubi (controladora da Quixaba). Depois de concluída essa etapa, temse que o Grupo Bradesco, em 11/12/2008, havia entregado ao Grupo Goldman Sachs o valor de R$ 3.349.984.937,89, composto por: (i) R$ 3 bilhões pelo pagamento da nota promissória, relativo ao valor nominal do título (o “principal”); (ii) R$ 116.040.206,00 pelos juros incidentes sobre a nota promissória; e (iii) R$ 233.944.731,89 pela aquisição de ações da Brasília Cayman Investiments II Limited, que pertencia ao Grupo Goldman Sachs. Dessa maneira, fica evidente que houve a devolução do capital empregado pelo Grupo Goldman Sachs para adquirir 9,28% da participação societária da Visanet – por meio da aquisição de 49,9% do capital de sua controladora, a Ferrrara. 1.5 – Visão geral dos próximos atos de desfazimento da alienação de ações da Visanet Após as operações descritas até aqui e antes do IPO da Visanet, ocorreram novas reorganizações entre as empresas do Grupo Bradesco, com a atribuição de diversos ágios ao valor contábil das ações da Visanet, que resultaram, como visto, em um aumento total do custo contábil destas ações de R$ 2.934.898.634,15. Uma parte deste ágio, no valor de R$ 2.145.514.389,05, foi criado em 08/09/2008, quando a Pirapetinga adquiriu uma participação societária na Ferrara, fato que já foi exaustivamente explorado acima e que, no entender da fiscalização, deveria ter sido expurgado da contabilidade da Pirapetinga, em 09/12/2009, quando o negócio foi desfeito (vide desenho anterior). O restante do ágio foi criado em dois momentos distintos, o primeiro, no valor de R$ 305.675.950,64, em 11/12/2008, quando a Rubi adquiriu a Quixaba, e o segundo, no valor de R$ 483.708.294,46, em 23/04/2009, quando a Quixaba contabilizou a incorporação da Pirapetinga pela Ferrara. Para analisar detalhadamente esses ágios e entender seus fundamentos econômicos, o momento em que eles foram contabilmente associados ao custo das ações da Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.547 12 Visanet e por último como eles foram transferidos entre as empresas do Grupo Bradesco, a fiscalização divide as operações em 6 (seis) passos, da seguinte forma: Passo 1) 11/12/2008 – Aquisição das cotas da Quixaba pela Rubi – Criação de um ágio de R$ 305.675.950,64 na contabilidade da Rubi; Passo 2) 23/04/2009 – Incorporação da Pirapetinga pela Ferrara – Atribuição do ágio de R$ 2.145.514.389,05 ao valor contábil das ações da Visanet pertencentes a Ferrara; Passo 3) 23/04/2009 Incorporação da Pirapetinga pela Ferrara – Criação de um ágio de R$ 1.074.907.321,03 na contabilidade da Quixaba; Passo 4) 24/04/2009 – Redução do capital da Ferrara – Transferência do ágio de R$ 2.145.514.389,05 para as empresas Rubi (R$ 1.074.907.321,03) e Quixaba (R$ 1.070.611.684,32); Passo 5) 30/04/2009 – Redução do capital da Quixaba – Transferência do ágio de R$ 1.554.319.978,78 para a empresa Rubi, sendo este montante composto da soma dos ágios de R$ 1.070.611.684,32 com R$ 483.708.294,46 (este valor referese a uma parcela do ágio criado na Quixaba em 23/04/2009); e Passo 6) 04/05/2009 – Subscrição do capital da Colombus pela Rubi – Transferência do ágio de R$ 2.934.898.634,15 para a empresa Colombus, sendo este valor composto da soma dos ágios de R$ 2.145.514.389,05, R$ 483.708.294,46 e R$ 305.675.950,64. Analisando e explicando estas operações, a Fiscalização sustenta que existem três momentos distintos em que ocorre a incidência de fatos geradores de IRPJ e CSLL: (Passo 4) redução de capital da Ferrara em 24/04/2009; (Passo 5) redução de capital da Quixaba em 30/04/2009; e (Passo 6) Subscrição de capital da Colombus, em 04/05/2009, pela Rubi, entregando 253.820.700 ações da Visanet, todas provenientes da Ferrara, tendo uma parte delas passado pela Quixaba. No que toca especificamente à essa última etapa, o valor patrimonial destas ações era de R$ 113.165.236,66 acrescidas de dois valores de ágio, um no montante de R$ 2.629.222.683,51, proveniente da Ferrara e Quixaba, e outro, no valor de R$ 305.675.950,64 criado dentro da própria Rubi. O ágio decorrente da Ferrara e Quixaba, nos valores de R$ 2.145.514.389,05 e R$ 483.708.294,46, respectivamente, já foram objeto de tributação/autuação nas referidas empresas, de forma que foram considerados parte do valor contábil das ações da Visanet. Dessa forma, a controvérsia nos presentes autos reside no valor de R$ 305.675.950,64, registrados pela Rubi como ágio na aquisição de quotas da Quixaba. Vale ressaltar, apenas, que a autuação do ágio decorrente da Ferrara, objeto do processo administrativo 16327.720430/201241, foi analisada pela 1ª Câmara da 2ª Turma da 1ª Seção deste CARF em 08/04/2014 (acórdão nº. 1102001.073). Na ocasião, os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitaram as preliminares de nulidade e, no mérito, negaram provimento ao recurso. Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.548 13 2 – Aquisição das cotas da Quixaba pela Rubi: suposto “ágio interno” no valor de R$ 305.675.950,64 A Fiscalização repartiu a análise da formação e aproveitamento desse ágio em duas partes, quais sejam: a) a primeira parcela correspondendo ao valor de R$233.561.057,03; e b) a segunda parcela no montante de R$72.114.893,61. 2.1 – Formação do ágio de R$ 233.561.057,03 nas reorganizações do Grupo Bradesco De acordo com o relatado pela Fiscalização, a Rubi desembolsou, em 11/12/2008, o valor de R$ 4.943.040.206,00. Desse montante, R$ 1.827.000.000,00 foi destinado à aquisição das quotas da Quixaba I e R$ 3.116.040.206,00 para a quitação da Nota Promissória, acrescida de juros. A Rubi obteve este numerário, em 11/12/2008, pelo aumento de R$ 4.962.000.000,00 do seu capital, promovido pelo Banco Alvorada. Essa operação aconteceu quando o Grupo Bradesco realizou o “desfazimento” do negócio com o Grupo Goldman Sachs. Mais precisamente, o Grupo Bradesco procedeu da seguinte forma: a) em 09/12/2008, adquiriu as quotas da BCI II, que pertenciam ao Grupo Goldman Sachs, por R$233.944.731,89; b) no dia 11/12/2008, quando BCI II e a BCI III já pertenciam ao Grupo Bradesco, aprovouse a cessão das cotas do capital da Quixaba (detidas pela BCI II e BCI III) para a Rubi. Para justificar os valores empregados na operação, a Rubi apresentou um laudo de avaliação das cotas da Quixaba (fls.144/183), que tinha principal ativo uma participação de 9,28% do capital da Visanet. De acordo com o item 5.1 do laudo de avaliação (fls.159), o valor do patrimônio líquido da Quixaba era de R$1.593.438.942,97, em 30/11/2008. Como o valor pago pela Rubi foi de R$ 1.827.000.000,00, o ágio a ser registrado deveria corresponder ao montante de R$ 233.561.057,03. No entanto, a Rubi registrou ágio no montante de R$ 305.675.950,64, representado pela conta 1.3.1.1.2.054 – Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda. O fundamento econômico do ágio, segundo a Contribuinte, seria a mais valia das ações da Visanet, a ser integralizada em aumento de capital social da Colombus. Ressalta a Fiscalização, no que se refere à aquisição de quotas da Quixaba, que esta transação ocorreu exclusivamente entre pessoas jurídicas que compunham o Grupo Bradesco, haja vista que no momento da aquisição da Quixaba, pela Rubi (Grupo Bradesco), a BCI II e a BCI III já pertenciam a este grupo empresarial. Os organogramas a seguir ilustram as reorganizações societárias realizadas dentro do Grupo Bradesco e demonstram a formação intragrupo do ágio: Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.549 14 Ainda nesse passo, aduz que, em 08/09/2008, o Grupo GS havia avaliado a empresa Visanet pelo valor aproximado de R$ 23,7 bilhões, ao passo que a Rubi avaliou a Visanet, em 11/12/2008, pelo valor aproximado de R$ 26,5 bilhões (R$ 2.460.752 mi / 9,28%). GRUPO GOLDMAN BCI II BCI III QUIXABA PIRAPETINGAQUIXABA II GRUPO BRADESCO BANCO ALVORADA RUBIBRADESPLAN FERRARA VISANET Situação em 08/09/2008 G RUPO BR ADESCO RUB I FERRARA V ISAN ET BC I I I B C I I II Q U IX A BA P IRA PE T ING A A pó s o “d es fa z im en to” d o negó c io , em 09 /1 2 /20 08 G R U P O B R A D E S C O R U B I Á g io F E R R A R A V IS A N E T Q U IX A B A P IR A P E T IN G A S itu a ç ã o em 1 1 /1 2 /2 0 0 8 Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.550 15 Sustenta que o valor da Visanet não poderia ter sido majorado em pleno colapso do mundo financeiro. Para corroborar as conclusões, nota que o valor atribuído à Visanet no IPO realizado em junho de 2009 foi de R$ 20,47 bilhões. Com isso, conclui que o valor de R$ 305.675,64 registrado na contabilidade da Rubi como ágio não poderia ser associado ao valor econômico das ações da Visanet, visto que o valor econômico atribuído à Visanet contrariava as evidências de mercado, já que (i) descartou avaliação que já se encontrava refletida na contabilidade da Quixaba e pela qual a própria Rubi havia aceitado vender a sua participação da Visanet três meses antes; (ii) descartou avaliação feita pelo Grupo GS, Grupo capacitado para realizála, tendo inclusive atuado como Coordenador da Oferta e Agente de Colocação Internacional, participando da formação do preço do IPO; e (iii) desconsiderou a crise econômica mundial que estava acarretando queda generalizada no preço das empresas. Repisando os fatos, ilustro os passos posteriores, já relatados acima: 2.2 – Formação do ágio de R$ 72.114.893,61 Após analisar os registros contábeis da RUBI, a Fiscalização identificou a origem do ágio no montante de R$ 72.114.893,61, a saber: (i) Valores provisionados de IOF a recolher sobre operações de câmbio no montante de R$ 18.717.409,87 (conta “2.1.3.1.1.002 – IOF a recolher”, às fls.129/130); GRUPO BRADESCO RUBI Ágio 305 M FERRARA Ágio 1.070 B VISANET 23/04/2009 – Passo 2 e 3) Incorporação da Pirapetinga pela Ferrara – (I) Atribuição do ágio de R$ 2.145.514.389,05 ao valor contábil das ações da Visanet pertencentes a Ferrara; e (II) Criação de um ágio de R$ 1.074.907.321,03 na contabilidade da Quixaba: QUIXABA Ágio 1.074 B GRUPO BRADESCO RUBI Ágio 305 M e 1.074 B VISANET QUIXABA Ágio 1.070 B 24/04/2009 – Passo 4) Redução do capital da Ferrara – Transferência do ágio de R$ 2.145.514.389,05 para as empresas Rubi (R$ 1.074.907.321,03) e Quixaba (R$ 1.070.611.684,32): GRUPO BRADESCO RUBI Ágio 305 M 1.074 B 1.070 B 483 M VISANET 30/04/2009 – Passo 5) Redução do capital da Quixaba – Transferência do ágio de R$ 1.554.319.978,78 para a empresa Rubi, sendo este montante composto da soma dos ágios de R$ 1.070.611.684,32 com R$ 483.708.294,46 (este valor refere se a uma parcela do ágio criado na Quixaba em 23/04/2009): Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.551 16 (ii) Ajustes feitos em 01/12/2008 no patrimônio líquido da Quixaba, no montante de R$ 53.397.483,74, por meio de reduções de três contas do ativo e aumento de uma conta do passivo, conforme descrito a seguir: (iii) Conta “1.1.1.3.1.013 Aplicação em LTN”: reduzida em R$ 18.780.230,84 Devido à reversão de atualização financeira, aplicação de nova atualização financeira e estorno de IR fonte; (iv) Conta “1.1.2.5.2.097 IRRF a Compensar sobre Aplicação Financeira”: reduzida em R$ 7.573.377,33 Devido ao estorno de IR fonte; (v) Conta “1.1.2.6.1.001 Despesas Antecipadas”: reduzida em R$21.434.701,49 Devido à apropriação de despesa de IOF sobre empréstimo a pagar já pago e apropriação de prêmio de opção de venda pago; e (vi) Conta “2.1.5.6.3.002 Outros Créditos”: aumentada em R$ 5.608.618,54 – Devido à atualização de empréstimo de R$ 3 bilhões tomado da empresa Goldman Sachs Financial Services LP. Diante desse cenário, conclui restar evidente que os valores relativos ao ágio de R$72.114.893,61 não tem o menor vínculo com o valor de mercado das ações da VISANET, pois, de acordo com os registros contábeis acima, este ágio é composto de: (i) provisões de IOF a recolher; (ii) reversão de rendimentos de aplicações financeiras e IR fonte; (iii) despesas de IOF sobre empréstimos a pagar já pago; (iv) apropriação de prêmio de opção de venda pago; e (v) atualização de empréstimos. O Grupo Bradesco aproveitou o ágio registrado na Pirapetinga para alterar o valor contábil das ações da Visanet. Com efeito, antes da incorporação da Pirapetinga, as ações da Visanet estavam registradas na Ferrara pelo seu valor patrimonial – R$ 96 milhões. Após a referida incorporação, o ágio de R$ 2,145 bilhões – anteriormente registrado na Pirapetinga – passou a compor o valor das ações da Visanet. Esses eventos tiveram reflexos nas reorganizações societárias posteriormente realizadas dentro do Grupo Bradesco, descritas a seguir. 3 – Subscrição do capital da Columbus: Caracterização do ganho de capital suposta contabilização indevida do “ágio interno” para aumentar o custo contábil das ações da Visanet A essa altura, afirma a fiscalização que o objetivo do Grupo Bradesco era, após algumas reorganizações societárias intragrupo, atribuir ao valor contábil das ações da Visanet o montante de ágio registrado na Rubi. Essa expectativa se concretizou quando a Rubi integralizou aumento de capital da Colombus, em 04/05/2009, por meio da conferência de 253.820.700 ações da Visanet. Nessa operação, o valor atribuído às ações da Visanet teve como contrapartida contábil um lançamento a crédito na conta “1.3.1.1.2.054 – Ágio – Quixaba Empr. e Partic.”, no valor de R$ 305.675.950,64. Confirase a ilustração: Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.552 17 Conclui que, o ágio de R$ 305.675.950,64 foi utilizado pelo Grupo Bradesco para majorar o valor das ações da Visanet. Assim, em virtude do aumento de capital da Colombus, em 04/05/2009, as ações da Visanet foram repassadas pelo seu valor patrimonial acrescido de ágio. Noutras palavras, a Rubi subscreveu o capital da Columbus pelo valor de R$ 3.048.063.870,81, entregando ações da Visanet, cujo valor contábil, para efeitos tributários, deveria ser composto apenas do seu valor patrimonial de R$ 113.165.236,66, acrescido do ágio de R$ 2.629.222.683,51, já tributado na redução do capital da Ferrara e da Quixaba, resultando num valor de ganho de capital de R$ 305.675.950,64, que deve ser objeto de tributação na Rubi, com base no artigo 418 do RIR/99. Por fim, registra que a Rubi acertadamente contabilizou, em 31/12/2008, o valor de R$ 305.675.950,64 a crédito na conta redutora de ativo “1.3.1.1.7.12Provisão Amortização de ÁgioOutras empresas”, eliminando do valor contábil da Quixaba os efeitos do ágio. Entretanto, ao subscrever o capital da Columbus, a Rubi atribuiu apenas o valor do ágio ao valor contábil das ações da Visanet. Caso a Rubi tivesse utilizado também o valor da provisão ela eliminaria o ágio e o valor de R$ 305 milhões não seria acrescido ao valor contábil das ações da Visanet. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a Contribuinte apresentou impugnação às fls. 2259/2323, acompanhada dos documentos de fls. 2324/2348, aduzindo, em síntese, o que segue: Preliminares COLUMBUS Ágio 2.934 B COLUMBUS 04/05/2009 Passo 6) Subscrição do capital da Colombus pela RUBI – Transferência do ágio de R$ 2.934.898.634,15 para a empresa Colombus, sendo este valor composto da soma dos ágios de R$ 2.145.514.389,05 (1.070.611.684 + 1.074.907.321,03) + R$ 483.708.294,46 + R$ 305.675.950,64 GRUPO BRADESCO RUBI Ágio 305 M 1.074 B 1.070 B 483 M GRUPO BRADESCO RUBI VISANETVISANET Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.553 18 1. A fiscalização não observou que a empresa que experimentou o ganho de capital, e, por consequência, o recolhimento a menor de tributos, em decorrência da contabilização do ágio, foi a Columbus Holding S/A, e não a Autuada. 1.1. O ganho de capital, a aquisição de renda – renda esta diminuída em razão da contabilização do ágio – foi apurado pela Columbus Holding S/A, e, assim sendo, somente a mencionada pessoa jurídica poderia sofrer as consequências pela diminuição dos tributos pagos, jamais a Autuada, que não auferiu renda alguma. Logo, a presente autuação contempla hipótese de erro na identificação do sujeito passivo, o que acarreta sua nulidade. 2. Os presentes autos de infração foram lavrados sem enquadrar os fatos invocados como geradores da obrigação tributária na lei. A capitulação legal é genérica, aponta que ganho de capital é tributável, mas não aponta a lei da qual decorreu a convicção de que tenha se dado, em concreto, o tal ganho de capital. Mérito 3. No caso da Autuada, não ocorreu riqueza nova ou acréscimo patrimonial, logo não ocorreu fato gerador dos tributos em causa. Os autos se baseiam em fenômenos contábeis e não em renda. Tributouse ágio e se esqueceu que o fato gerador dos tributos é a renda, o acréscimo, o ganho, o aumento patrimonial, e nenhum desses fenômenos ocorreu. 3.1. O artigo 426 do RIR/99 descreve qual é o valor contábil com vistas a apurar o ganho de capital nestas operações com participações societárias, e pontua que o ágio faz parte deste custo, dando respaldo ao procedimento adotado pelo contribuinte na operação, procedimento este que não merece qualquer reparo, inexistindo qualquer diferença de tributo a ser recolhida. 4. O laudo de avaliação é uma exigência prevista no §3º, do art. 385, do RIR/99, e tem a finalidade apenas de esclarecer qual o fundamento pelo qual se pagou, pelo quinhão de capital, valor maior do que o valor registrado no patrimônio líquido da empresa investida. O laudo não é o fato gerador do ágio, nem condição para o registro desse ágio como custo do investimento. O custo do investimento é dado pelo valor efetivamente pago e não pelo laudo de avaliação, este é só um instrumento de análise para se determinar a possível razão entre uma eventual disparidade entre o valor do patrimônio da empresa e o valor pago. E, é incontroverso nos autos que houve o pagamento do preço total de R$ 1.845.717.409,87, desdobrado em PL de R$ 1.540.041.459,23 e ágio de R$ 305.675.950,64. 4.1. No presente caso, a discussão levantada pelo Fisco acerca dos dois laudos de avaliação é descabida, pois ambos estão dentro da mesma faixa de valor. Como os laudos são uma estimativa feita a partir de métodos consagrados no mercado, há sempre margem para pequenas variações entre as metodologias adotadas por cada empresa especializada no assunto. Nunca estes laudos arbitram um valor específico, sempre fazem a avaliação estabelecendo um intervalo, mínimo e máximo. Os dois laudos comparados tem a faixa média entre mínimo e máximo praticamente iguais. 5. Nem o Bradesco cedeu graciosamente parte das ações Visanet que possuía no momento inicial da associação, assim como o Goldman Sachs não as devolveu graciosamente quando da desassociação. Em todas as transações e operações realizadas, tinha se em mente o valor de mercado de tais ações, que eram a razão da associação. Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.554 19 5.1. Por intermédio da aquisição de participações societárias, o Goldman Sachs adquiriu os ativos a que se comprometeu, pagando por eles valor de mercado, de forma a criar um negócio conjunto. Quando esse negócio conjunto tornouse impraticável em razão da conjuntura internacional, recebeu pelos ativos, também parametrizados ao valor de mercado negociado entre as partes. 5.2. A desconstituição da parceria era um negócio complexo, pois, em função do valor dos ativos envolvidos, demandava recursos financeiros de grande monta para viabilizar o negócio, além da segurança que cada uma das partes exigia em cada um dos passos do negócio. Afinal, eram mais de 4 bilhões de reais envolvidos, e não era concebível perder tal valor no todo ou em parte. As partes não poderiam se sujeitar a ficar sem as devidas garantias em cada um dos passos que o negócio seguiu e a desconstituição da parceria foi planejada para atender aos requisitos de segurança das partes. 5.3. Ocorreu, na verdade, um novo negócio, não se podendo perder de vista que o Banco Alvorada, do Bradesco, teve que fazer um aporte de capital novo nesta Autuada de quase 5 bilhões de reais, para tornar possível a retirada do Goldman Sachs da parceria. Neste contexto, não se pode falar em perda de fundamento econômico do ágio registrado. 6. Quanto ao entendimento de que a falta de fundamento econômico do ágio se daria em virtude de haver sido constituído ágio sem que se tivesse pago por ele, não se deu conta a fiscalização que existem outras formas de pagamento, além das transferências monetárias. Nas trocas, por exemplo, sacrificase um ativo para ter o outro, e esta é uma forma de pagamento. Nas incorporações, o preço da participação extinta paga o valor da aquisição da nova havida. 7. O desfazimento da sociedade com o Goldman Sachs deuse em 11/12/2008, quando o Banco Bradesco adquiriu a empresa BCI II. Neste momento, configurou se a saída do Grupo Goldman Sachs da associação. Portanto, nos termos do art. 48, do Código Civil, por ocasião da lavratura dos autos aqui discutidos estava decaído o direito de se tirar os efeitos dos atos societários praticados, ainda que estes violassem a lei ou fossem eivados de erro, dolo, simulação ou fraude. 8. Segundo a fiscalização, a interveniência concreta das empresas regularmente constituídas não teria a menor importância ou significado, pois todas as ações, independentemente de quem as fazia, eram sempre o "Grupo Bradesco" e o "Grupo Goldman Sachs" que agiam. 8.1. Sendo assim, o procedimento da fiscalização implica na necessária desconstituição da personalidade jurídica das pessoas que efetivamente fizeram os negócios e acabaram sendo tributadas. Num momento elas não existem, para logo depois serem penalizadas. No entanto, a quebra da personalidade jurídica é prerrogativa do Poder Judiciário. 9. O entendimento adotado pela fiscalização contraria a orientação dada pela Receita Federal aos contribuintes por intermédio da resposta à questão de número 554 – “Qual é o tratamento tributário aplicável no caso de rescisão de contrato de promessa de compra e venda de bens ou direitos?”, do “Perguntão” da Pessoa Física, relativo ao anocalendário de 2012, segundo a qual eventual ganho de capital auferido no negócio desfeito tem o tratamento tributário como se o negócio não tivesse sido desfeito, e o desfazimento implica em nova aquisição que altera o custo do bem, para agregar ao valor anteriormente escriturado, para o bem, o ganho de capital do negócio desfeito. Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.555 20 10. O TVF lança a acusação de que o ágio não teria fundamento econômico, pois teria sido gerado num momento em que a empresa adquirida pela Autuada já era de propriedade do Banco Bradesco. Contudo, o custo de aquisição das cotas da Quixaba pela Autuada se deu pelo valor de mercado e pago através de fechamento de câmbio, noticiado pela fiscalização, sendo que o valor foi devidamente amparado por laudo de avaliação. 10.1. Ademais, o ágio decorrente de operações entre empresas com elos societários entre si não está em desacordo com o nosso ordenamento jurídico, motivo pelo qual há que ser reconhecida a legalidade da operação realizada pela Autuada. 11. É insubsistente a alegação de que houve planejamento tributário visando à economia de tributos, visto que, no caso, o Grupo Bradesco pagaria menos tributos se não tivesse efetuado a reestruturação societária. 11.1. Isso porque, conforme atesta o próprio termo de verificação fiscal, o custo médio de cada ação da Visanet era de R$6,80, tendo sido alienadas no IPO 173.327.543 ações pelo valor unitário de R$ 15,00, apurandose um ganho de capital de R$ 1.421.451.623,88. Antes do IPO, a Rubi era proprietária de 253.820.700 ações da Visanet, cujo custo unitário era de R$ 12,01. Assim, caso fossem alienadas no IPO apenas as ações da Visanet de propriedade da Rubi, o ganho de capital seria de R$ 518.249.353,57, sobre o qual incidiriam tributos no montante de R$ 176.204.780,21, valor R$ 307.088.771,91 inferior ao montante de tributos recolhidos pelo Grupo Bradesco. Logo, não faz sentido a argumentação de que o planejamento tributário visaria apenas à economia tributária, pois o que ocorreu foi justamente o contrário. 12. É indevida a cobrança de juros Selic sobre multa de ofício. DA DECISÃO DA DRJ Em 29/04/2013, a 10ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CAPITULAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não prosperam os questionamentos relativos à identificação do sujeito passivo e à capitulação legal do lançamento de ofício, tanto em face da perfeita compreensão de ambas as questões demonstrada pela contribuinte por intermédio da peça de impugnação, quanto à luz do exauriente conjunto probatório trazido pela fiscalização aos autos. ÁGIO FUNDAMENTADO EM PAGAMENTO COM RECURSOS PROVENIENTES DO EXTERIOR. ALEGAÇÕES CONTRADITÓRIAS E DIVERGENTES DAS PROVAS Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.556 21 TRAZIDAS AOS AUTOS. Resta improcedente a alegação de que haveria fundamento econômico para ágio oriundo de pagamento efetuado por meio de recursos provenientes do exterior, tendo em vista a falta de comprovação da existência do referido pagamento, bem como em função de argumentos contraditórios da impugnação, que refutam a própria tese defendida pelo sujeito passivo. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE PREVISTA EM LEI. Não cabe questionar a ocorrência do fato gerador do tributo, ao ser demonstrado pelo Fisco que o caso descrito no lançamento de ofício se subsumiu à situação definida em lei para gerar a obrigação principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.557 22 Inconformada com a decisão, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 2397/2474), acompanhada dos documentos de fls. 2476/2492, repisando os argumentos de sua peça impugnatória. Em adição, sustenta que: 1. O acórdão recorrido transcreveu incorretamente partes do laudo de avaliação da BDO Trevisan, para fazer parecer que houve discrepância no preço pago. No entanto, repisa, ambos os laudos estão dentro da mesma faixa de valor. O laudo da BDO Trevisan (fls. 1189/1244) situa o valor da Visanet no intervalo de R$ 22,372 bilhões a r$ 33,976 bilhões e, por sua vez, o laudo da Moore Stephens situa o valor da Visanet no intervalo de R$ 24,917 bilhões a R$ 31,454 bilhões (fls. 144/183). 2. O preço foi efetivamente pago e decorreu de negociação entre partes livres e autônomas, estando absolutamente comprovado nos autos e reconhecido no TVF (fl. 2215). Não se discute qual a forma de aquisição de um investimento, ou seja, se o investimento foi pago com recursos próprios ou se foi adquirido com recursos de empréstimos. 3. A Recorrente pagou mediante fechamento de câmbio realizado no sistema bancário brasileiro, R$ 1.827 milhões às empresas Brasília II e Brasília III pelas ações da Quixaba, que passou a ser sua subsidiária integral. As remessas para o exterior ensejaram a incidência de IOF no valor de R$ 18.717.409,87, contabilizado pela Recorrente como custo da participação societária e não como despesa do exercício pura e simplesmente. O acórdão recorrido questiona os lançamentos contábeis realizados pela Recorrente sem nem mesmo perceber que o caminho tomado pela Recorrente foi mais favorável ao Fisco. 4. A doutrina da interpretação econômica do fato é rejeitada de forma unânime por nossos grandes doutrinadores, por ser contrária à nossa lei. 5. Não há desfazimento pontual de qualquer dos negócios celebrados. Houve sim, novos negócios. Talvez se pudesse pensar em desfazimento se a Ferrara fizesse uma redução de capital , devolvendo os recursos de pronto para a Pirapetinga. Entretanto, isso não aconteceu e não era possível que acontecesse pois, se ocorresse a redução de capital, os atos ficariam suspensos para registro por 90 dias. Esse modelo se mostrava totalmente inadequado e poderia ser questionado no futuro. Além disso, ficariam pendentes de resolução as garantias contratuais assumidas quando da associação. Por isso, foi tomado outro caminho, que não passava por entregar recursos nas mãos de terceiros, sem antes ter certeza de que os compromissos seriam quitados. 6. Não há que se falar em desfazimento, pois os sujeitos envolvidos no fato inicial não são os mesmos envolvidos no segundo fato. No primeiro, os sujeitos da operação eram Ferrara/Pirapetinga, no segundo Banco Bradesco/Rubi/BCI II. 7. Não merece razão a decisão recorrida ao rechaçar a aplicação da orientação formal da Receita Federal do Brasil no que toca ao desfazimento de negócios, pois embora a orientação refirase a pessoas físicas, ela demonstra que a regra externada é tão somente a aplicação dos arts. 116 e 117 do CTN. 8. Para corroborar o expoto, anexa laudo técnico sobre as operações realizadas, elaborado pela PriceWaterhouseCoopers (PWC), que concluiu: (i) os registros contábeis da Rubi e demais sociedades relacionadas no citado processo decorrentes dos eventos Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.558 23 societários realizados entre 05/10/2007 a 04/05/2009 que resultaram na concentração das ações da Visanet com respectivo ágio na Colombus foram realizados observando as correspondentes normas contábeis; (ii) os resultados fiscais aplicados estão de acordo com a legislação de IRPJ e CSLL, em especial (a) a não tributação das reduções de capital social com entrega de bens a valor contábil realizadas pela Ferrara em 24/04/2009 ou pela Quixaba em 30/04/2009; (b) a não tributação do aumento de capital com conferência de ativo, avaliado pelo valor contábil embasado em escrituração legítima e regular, ocorrida em 04/05/2009, da Rubi para a Colombus; (iii) os documentos societários dos eventos cumprem as exigências legais e estão devidamente arquivados na Junta Comercial do Estado de São Paulo e representam atos juridicamente perfeitos, não podendo ser classificados contábil ou fiscalmente de forma diversa. CONTRARRAZÕES DA FAZENDA NACIONAL A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 2495/2534), aduzindo, em resumo, que: 1) O ágio registrado na Rubi apresenta dois problemas: a) a parcela de R$ 233.561.057,03 foi gerado em uma operação intragrupo, sem qualquer fundamento econômico ou propósito negocial; e b) a parcela de R$ 72.114.893,61 não tem qualquer ligação com o valor de mercado das ações da Visanet. 2) O verdadeiro propósito do conjunto de atos societários era a reavaliação dos ativos pertencentes ao Grupo Bradesco sem o pagamento de IRPJ e da CSLL incidente sobre o ganho de capital. A própria contribuinte reconhece que existiu reavaliação de ativos e o respectivo ganho de capital, mas não consegue apresentar um fundamento plausível para justificar porque esse ganho não foi oferecido à tributação. Ao invés disso, tenta desqualificar a análise feita pela autoridade administrativa e pela DRJ/SP1, sob a alegação de que não é preciso investigar as razões econômicas dos fatos. 3) O verdadeiro negócio pretendido pelo grupo empresarial era atribuir o ágio de R$ 305.675.950,64 ao custo contábil das ações da Visanet. Majorando o custo contábil das ações da Visanet, reduziu o montante do ganho de capital no momento em que as ações da Visanet foram alienadas no IPO. 4) Correto o entendimento da Fiscalização ao considerar o cenário inicial e final da estrutura societária do Grupo Bradesco, a fim de identificar exatamente qual a operação pretendida. A partir dessa análise, contatase que o ágio de R$ 305.675.950,64 não poderia ter sido atribuído ao custo contábil das ações da Visanet. Nesse contexto, a interpretação dos fatos e jurídica feita pela autoridade fiscal conduziu à seguinte conclusão: o valor de R$ 305.675.950,64 configurou, na realidade, um ganho de capital. Isso porque a Rubi entregou as ações da Visanet com acréscimo patrimonial, ou seja, superior ao valor contábil, sem oferecer tais ganhos à tributação – como determina o 418 do RIR/99 e § 1° do art. 31 do DecretoLei n° 1.598, de 1977. 5) Não se pode admitir, em hipótese alguma, a exclusão total dos juros de mora sobre a multa de ofício, por expressa afronta ao § 1º do art. 161 do CTN e à finalidade do ordenamento tributário. É o Relatório. Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.559 24 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Redator ad hoc Tendo em vista a impossibilidade de o Conselheiro Relator formalizar relatório e voto dos presentes autos por não mais compor este colegiado, passo a fazêlo na condição de Redator ad hoc, adotando os fundamentos apresentados pelo Relator na sessão de julgamento, ressalvando que o posicionamento ora externado não se coaduna com meu entendimento sobre os temas ora tratados. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Preliminar A Recorrente pleiteia a nulidade do auto de infração por erro de identificação do sujeito passivo e pela ausência de norma legal violada. O erro de identificação do sujeito passivo decorreria do fato de a acusação fiscal se centrar em uma redução indevida do ganho de capital da Colombus no IPO da Visanet. Assim, no seu entender, seria nessa empresa que a autuação deveria ter se dado. Ocorre que, conforme TVF, o ganho de capital apurado pela Colombus no IPO da Visanet serviu apenas como ponto de partida para as investigações fiscais, que, conforme cuidadosamente narrado, detectaram a ocorrência de fatos geradores de IRPJ e CSLL em outros momentos, quais foram: (i) a redução de capital da Ferrara em 24/04/2009; (ii) a redução de capital da Quixaba em 30/04/2009; e (iii) a subscrição de capital da Colombus pela Rubi em 04/05/2009. Em tais momentos, segundo o entendimento fiscal, houve a realização de um ganho indevido, decorrente do aproveitamento das reservas de ágio em tais empresas, aumentando o custo de aquisição das participações societárias adquiridas com ágio e reduzindo o ganho de capital que seria apurado em tais operações. Ademais, não prospera a alegação de nulidade por falta de norma legal que se aplique aos fatos existentes, já que a acusação demonstra de forma racional seu entendimento no sentido de que a subscrição de capital da Colombus com a entrega das ações da Visanet configurou a hipótese de incidência prevista no art. 418 do RIR/99. Com efeito, dentro do contexto da acusação, o sujeito passivo e o enquadramento legal estão corretamente identificados e definidos, de modo que rejeito as preliminares de nulidade do lançamento. Mérito Faço breve resumo das operações para melhor compreensão dos fatos e análise do direito: Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.560 25 05/10/2007 Subscrição de capital da Ferrara Holdings pelo Banco Alvorada com a entrega de 112.499.900 ações da Visanet, avaliadas pelo valor contábil de R$ 68.767.876,47. Deste valor R$ 14.940.396,84 foram registrados como reserva de ágio. 15/04/2008 – Incorporação da Ferrara Holdings pela Aicaré. 02/05/2008 – Cisão parcial da Aicaré seguida de incorporação da parcela cindida pela Anapurus (atual Ferrara). 04/09/2008 – Foram assinados diversos documentos em que o GS se comprometia a adquirir 9,28% de participação da Visanet pertencente ao Grupo Bradesco: a) Contrato entre Banco Bradesco (Ilhas Cayman) e BCI II para emissão e venda de nota de R$ 1.575.010.205,00; b) Nota de Taxa Flutuante e contrato de compra e venda de Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões com vencimento em 26/02/2010, emitida pela Quixaba em favor da GSFS; c) Contrato de agenciamento de cálculo; d) Contrato de agenciamento de cálculo, de 08/09/2002 entre GSFS, Banco Bradesco, Quixaba, BCI II, BCI III, Pirapetinga e Goldman Sachs & Co.; e) Contrato de opção de compra de 08/09/2008, entre Banco Bradesco e BCI e, como intervenientes, a BCI II e o Goldman Sachs & Co.; f) Contrato de alienação fiduciária de quotas em garantia, de 08/09/2008, entre Quixaba e GSFS, e com interveniente anuente, Pirapetinga; g) Contrato de penhor, de 08/09/2008, entre GSFS e Quixaba; h) Contrato de opção de venda, de 08/09/2008, entre Banco Bradesco, BCI II e BCI III e, como intervenientes anuentes, Quixaba e Goldman Sachs & Co.; i) Contrato de opção de venda, de 08/09/2008, entre Banco Bradesco e Quixaba e, como intervenientes anuentes, Pirapetinga e Goldman Sachs & Co.; j) Contrato de alienação fiduciária de opção de venda em garantia, de 08/09/2008 entre Quixaba e GSFS e, como intervenientes anuentes, Banco Bradesco e Pirapetinga; k) Acordo de acionistas celebrado entre Rubi, Bradesplan, Pirapetinga, Ferrara e Quixaba, que estabelecia, dentre outras coisas, (i) uma opção irrevogável para que a Bradesplan pudesse, a seu critério, direta ou indiretamente, comprar todas as ações da Ferrara detidas Pirapetinga, a qualquer tempo caso (i.i) a Pirapetinga deixasse de ser controlada pelo GS, que não fosse uma troca de controle para a Rubi ou Bradesplan ou suas afiliadas; e (i.ii) Pirapetinga violasse quaisquer de suas obrigações relevantes do presente acordo; (ii) a opção só poderia ser exercida para todas as ações da Ferrara, pelo valor de R$ 4,3 bilhões; e (iii) a Pirapetinga e a Quixaba se obrigavam a utilizar os recursos obtidos pelo exercício da opção de compra para pagar a Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões emitida pela Quixaba; (iv) o Fl. 2560DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.561 26 acordo teria sua vigência válida enquanto a Pirapetinga ou outra sociedade do GS fosse acionista da Ferrara; e l) Contrato de subscrição celebrado entre Rubi, Bradesplan, Pirapetinga, Ferrara e Banco Bradesco. 08/09/2008 – BCI II emite nota e recebe R$ 1.575.010.205,00 do Bradesco (Ilhas Cayman). 08/09/2008 BCI II e BCI III aportam capital na Quixaba, no total de R$ 1.625.261.158,62. 08/09/2008 – Quixaba emite Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões para GSFS. Com o numerário recebido a Quixaba (i) paga o IOF de R$ 11.400.000,00 sobre o empréstimo concedido pela GSFS; (ii) compra 246.860 LTN no valor de R$ 213.200.545,19 e (iii) aumenta o capital da Pirapetinga com R$ 4.382.585.166,14. Na mesma data, para garantir o pagamento da Nota de R$ 3 bilhões, as 246.860 LTN são penhoradas pela GSFS e as quotas do capital da Pirapetinga são objeto de alienação fiduciária para o GSFS. Ainda na mesma data, a Quixaba paga R$ 11.800.000,00 para o Banco Bradesco pelo direito de vender as quotas da Pirapetinga e o Banco Bradesco ter a obrigação de comprar. Este contrato foi alienado fiduciariamente no mesmo dia pela Quixaba pela GSFS para garantir a Nota de R$ 3 bilhões (contratos firmados conforme previsto em 04/09/2008). 08/09/2008 – Pirapetinga aumenta o capital da Ferrrara. O valor pago por 49,9% das ações da Ferrara foi R$ 4.382.435.166,14, em face da avaliação patrimonial de mercado, atestado pelo laudo elaborado pela BDO Trevisan Auditores Independentes. A diferença entre o PL (R$ 2.236.920.777,09) e o aporte feito (R$ 4.382.435.166,14) foi registrada como ágio (R$ 2.145.514.389,05) na Pirapetinga. 08/09/2008 – Ferrara aplica R$ 4.382.435.166,14 no Fundo de Investimento Referenciado Quartzo. 15/09/2008 – Quebra do Banco Lehman Brothers e início da crise financeira mundial. 13/11/2008 – Emissão de debêntures pela Quixaba II. 03/12/2008 – Ferrara subscreve 2.250.000 debêntures de emissão da Quixaba II pelo valor de R$ 2,25 bilhões com recursos provenientes do Fundo de Investimento Referenciado Quartzo. (O resgate das debêntures aconteceu em 02/01/2009 pelo valor líquido de R$ 2.268.776.809,72). 03/12/2008 – Quixaba II penhora 609.579 LFT, avaliadas nesta data em R$ 2,25 bilhões, para o GSFS em garantia de pagamento da Nota de R$ 3 bilhões emitida pela Quixaba. 09/12/2008 – Foram celebrados dois compromissos para o “desfazimento” do negócio: (i) compra da BCI II pela filial do Bradesco em Cayman; e (ii) pagamento da Nota de R$ 3 bilhões ao GSFS pela Rubi, ambos compromissos deveriam ser concretizados em 11/12/2008. Fl. 2561DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.562 27 11/12/2008 Banco Bradesco atuando pela sua filial nas Ilhas Cayman adquire as quotas da BCI II e BCI III, realizando a transferência eletrônica do valor de R$ 233.944.731,89. 11/12/2008 – Banco Alvorada aumenta o capital da Rubi em R$ 4.962.000.000,00. 11/12/2008 Rubi adquiriu da BCI II e da BCI III todas as quotas representativas do capital da Quixaba pelo montante de R$ 1.827.000.000,00. O valor do PL da Quixaba era de R$ 1.593.438.942,97, no mês imediatamente anterior da aquisição. Porém, em 12/2008 foram realizados ajustes para adequação do PL, reduzindo o PL em R$ 53.397.483,74, de forma que o PL na data da aquisição era de R$ 1.540.041.459,23. Assim, dos R$ 1.827.000.000,00 do preço pago, acrescido da despesa de R$ 18.717.409,87 com o fechamento de câmbio (IOF), o custo de aquisição somou R$ 1.845.717.409,87, de forma que a Recorrente registrou um ágio de R$ 305.675.950,64. 11/12/2008 Rubi adquire da GSFS a Nota de R$ 3 bilhões (com juros de R$ 116.040.206,00. GFSF se compromete a entregar à Quixaba, o distrato dos seguintes contratos: (i) contrato de penhor das 609.579 LFT; (ii) contrato de penhor das 246.860 lTN; (iii) contrato de alienação fiduciária em garantia da opção de venda de todas as quotas do capital social da Pirapetinga para o Banco Bradesco; e (iv) contrato de alienação fiduciária em garantia das quotas do capital social da Pirapetinga. 23/04/2009 – Ferrara incorpora a Pirapetinga acrescentando ao valor contábil de suas ações da Visanet o ágio de R$ 2.145.514.389,05 (registrado pela Pirapetinga quando ela integralizou capital da Ferrara em 08/09/2008). Na ocasião, a Quixaba teve trocadas 438.258.566.614 quotas de capital (100% PL = R$ 4.746.908.996,77) que possuía na Pirapetinga por 106.330.995 ações da Ferrara (49,9% PL total = R$ 7.358.720.764,30, 49,90% do PL = R$ 3.672.001.675,74), registrando, pelo valor de equivalência patrimonial, o valor de R$ 1.074.907.321,03 como ágio (R$ 4.746.908.996,77 – R$ 3.672.001.675,74). 24/04/2009 – Redução de capital da Ferrara, com a transferência de ações Visanet (e consequentemente do ágio de R$ 2.145.514.389,05) para as empresas Rubi (R$ 1.074.907.321,03) e Quixaba (R$ 1.070.611.684,32). 30/04/2009 – Redução de capital da Quixaba com a entrega de 126.656.530 ações Visanet para a Rubi e transferência do ágio de R$ 1.554.319.978,78 (montante composto da soma dos ágios de R$ 1.070.611.684,32 e de R$ 483.708.294,46 – este último referente a uma parcela do ágio criado na Quixaba em 23/04/2009). 04/05/2009 – Rubi subscreveu capital da Colombus, com a transferência do ágio de R$ 2.934.898.634,15 (montante composto pela soma dos ágios de R$ 2.145.514.389,05, R$ 305.675.950,64 e R$ 483.708.294,46). 25/06/2009 – IPO da empresa Visanet. Fl. 2562DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.563 28 Sustenta a fiscalização, em síntese, que: Pelo exposto podemos verificar que o ágio registrado na contabilidade da Pirapetinga, a partir do “desfazimento” do negócio entre investidor e investido, perdeu seu fundamento econômico, pois o dinheiro utilizado no pagamento deste ágio foi devolvido integralmente ao investidor e o controle acionário sobre a participação na Visanet, objeto da negociação, retornou ao controle do Grupo Bradesco, mais especificamente ao controle da Rubi. Especificamente no que toca ao ágio de R$ 305.675.950,64 registrado pela Rubi em razão da aquisição, pelo montante de R$ 1.827.000.000,00, de todas as quotas representativas do capital da Quixaba detidas pela BCI II e da BCI III, concluiu que: Apesar do valor de R$ 305 milhões estar denominado como “Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda” na contabilidade da Rubi e o contribuinte ter liberdade de atribuílo ao valor contábil das ações Visanet, o “Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda” não poderia reduzir o valor tributável previsto no artigo 418 do RIR/99, pela falta de essência econômica e ainda pelas seguintes razões: I) Este ágio era fruto da aquisição da Quixaba, que já pertencia ao Grupo Bradesco e se inseria no processo de “desfazimento” da venda da participação na Visanet; II) Ao se desfazer a venda, este ágio não poderia ser atribuído ao único ativo que era o objeto da venda e que na realidade estava retornado ao controle da Rubi, através da aquisição da Quixaba; III) A avaliação da Visanet feita pela Rubi contrariava as evidências de mercado e da própria operação de venda que foi desfeita; e IV) Na composição deste ágio foram inseridos valores que não tinham a menor relação com o valor das ações da Visanet. Portanto, a Rubi subscreveu o capital da Colombus pelo valor de R$ 3.048.063.870,81, entregando ações da Visanet cujo valor contábil, para efeitos tributários, deveria ser composto apenas do seu valor patrimonial de R$ 113.165.236,66 acrescido do ágio de R$ 2.629.222.683,51, já tributado na redução do capital da Ferrara e da Quixaba, resultando em um valor tributável de ganho de capital de R$ 305.675.950,54. Passo a analisar cada um dos argumentos, na ordem exposta, considerando, ainda, tudo quanto fora aduzido pela Recorrente e pela Fazenda Nacional. Inicialmente, entendo que não se sustenta a acusação fiscal no sentido de que o ágio registrado na contabilidade da Pirapetinga “perdeu seu fundamento econômico” em razão “desfazimento” do negócio entre investidor e investido. Fl. 2563DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.564 29 É certo que o dinheiro utilizado no pagamento deste ágio foi devolvido integralmente ao Grupo Goldman Sachs e as ações da Visanet, objeto da negociação, retornaram ao controle do Grupo Bradesco. Também é fato incontroverso que apenas parte do valor integralizado pela Pirapetinga na Ferrara (3 bilhões) foi desembolsado por empresas do Grupo Goldman Sachs, tendo parte do valor sido emprestado pelo próprio Grupo Bradesco. No entanto, ao contrário do que fez parecer o Sr. Agente Fiscal autuante, é atividade normal e usual para instituições financeiras o empréstimo de valores, de forma que não causa estranheza que o Grupo Bradesco tenha emprestado parte dos valores ao Grupo Goldman Sachs como forma de viabilizar a operação. Causa estranheza, contudo, certas condições negociadas e cláusulas inseridas nos contratos firmados entre os dois grupos. Nesse sentido, vale citar, por exemplo, o Acordo de Acionistas, celebrado entre Rubi, Bradesplan, Pirapetinga, Ferrara e Quixaba, que estabelecia, dentre outras coisas, (i) uma opção irrevogável para que a Bradesplan pudesse, a seu critério, direta ou indiretamente, comprar todas as ações da Ferrara detidas Pirapetinga, a qualquer tempo caso (i.i) a Pirapetinga deixasse de ser controlada pelo GS, que não fosse uma troca de controle para a Rubi ou Bradesplan ou suas afiliadas; e (i.ii) Pirapetinga violasse quaisquer de suas obrigações relevantes do presente acordo; (ii) a opção só poderia ser exercida para todas as ações da Ferrara, pelo valor de R$ 4,3 bilhões; e (iii) a Pirapetinga e a Quixaba se obrigavam a utilizar os recursos obtidos pelo exercício da opção de compra para pagar a Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões emitida pela Quixaba; (iv) o acordo teria sua vigência válida enquanto a Pirapetinga ou outra sociedade do GS fosse acionista da Ferrara. Não vejo razão, dentro do contexto analisado, para que a Pirapetinga e a Quixaba tenham se obrigado a utilizar os recursos obtidos pelo exercício da opção de compra para pagar a Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões emitida pela Quixaba. Entretanto, não se vislumbra nos autos qualquer acusação, por parte das autoridades fiscais, no sentido de que esse valor de R$ 3 bilhões também tenha sido, de alguma forma, direta ou indiretamente, financiado pelo Grupo Bradesco. Por essa razão, há de se convir, como fez, inclusive, a autoridade fiscal, que há fundamento econômico na operação até esse passo, mostrandose correto o desdobramento do preço pago pela Pirapetinga e a contabilização do ágio no valor de R$ 2.145.514.389,05. A partir daqui, porém, não posso concordar com os argumentos fiscais, pois não há que se falar em “desfazimento do negócio” e “perda de fundamento econômico do ágio”. Todos os atos praticados produziram seus efeitos legais e foram legitimamente registrado e contabilizados. Todos os efeitos desses atos foram desejados pelos Grupos Goldman Sachs e Bradesco quando eles firmaram a parceria. Em decorrência da crise do mercado financeiro, as partes entenderam por bem terminar a parceria, mas não se pode dizer que ela não tenha existido e que os atos praticados sejam nulos por isso. Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.565 30 É inegável que as ações da Visanet eram interessantes para o Grupo Bradesco, assim como é inegável que houve propósito negocial nas operações subseqüentes que terminaram por voltar a situação ao status quo ante, tendo em vista a crise econômica do mercado financeiro. Nesse contexto, o que ocorreu foi a efetivação de novos negócios. O Banco Alvorada teve que aportar capital na Recorrente que, por sua vez, para adquirir a participação acionária da Visanet teve que desembolsar um total de quase R$ 5 bilhões. Conforme pontuou a Recorrente, a própria Receita Federal do Brasil (entendimento da RFB manifesto por meio da resposta à questão 554 do “Perguntão” da Pessoa Física relativo ao anocalendário de 2012) entende que, uma vez realizada a venda, devido é o ganho de capital e, mesmo se o negócio for desfeito, esse ganho de capital continua devido e deve compor o custo de aquisição da nova alienação. E, faz todo sentido que assim seja, pois se os atos foram legítimos e perfeitos, não há que se falar em desfazimento da operação, mas em uma nova operação. Não se sustentam os argumentos da decisão recorrida, nesse ponto, já que o racional aqui é o mesmo exarado na resposta à questão 554, independente de se tratar de pessoa física ou de pessoa jurídica. Portanto, não prospera o entendimento fiscal no sentido de que houve o “desfazimento do negócio” e a “perda de fundamento econômico do ágio”. Avançando, o auditor fiscal autuante pretende afastar o ágio de R$ 305.675.950,64, fruto da aquisição da Quixaba, afirmando que se trataria de ágio interno, já que, tecnicamente, essa empresa já pertencia ao Grupo Bradesco na data de sua aquisição pela Recorrente. Ora, essa argumentação merece ser rechaçada pela pobreza com que analisa a situação e os atos praticados. O Bradesco, através da sua filial em Cayman, adquiriu no exterior as empresas BCI II e BCI III (controladoras da Quixaba), junto ao GS, em 09/12/2009, enquanto que, no Brasil, a Recorrente adquiriu a Quixaba em 11/12/2009, ou seja, apenas 2 dias após. Na prática, essas operações foram realizadas dentro de um único contexto, que era a saída do GS do negócio, devendo, pois, serem analisadas em conjunto. Ademais, é totalmente desarrazoado pensar que por dois dias o ágio teria perdido seu fundamento econômico. Conforme aduziu a Recorrente, é razoável que as operações tenham sido realizadas dessa forma, com as garantias que a operação reclamava. No caso em apreço, não era cabível exigir da Recorrente que ela transferisse o montante, sem antes reaver a participação societária na Quixaba. Analisando a operação como um todo, é justificável e compreensível que os atos tenham sido praticados dessa forma, com toda prudência que o montante envolvido exigia. Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.566 31 De toda sorte, como se vê, as operações foram levadas a cabo quase que simultaneamente, portanto, o intervalo de 2 dias, no contexto analisado, não é capaz de transformar a natureza do ágio pago em ágio interno. Não bastasse isso, o pagamento do ágio se encontra absolutamente comprovado nos autos e reconhecido no TVF (fl. 2215), onde se lê: “a Rubi adquiriu da BCI II e BCI III todas as quotas representativas do capital social da Quixaba pelo montante de R$ 1.827.000.000,00. (...) A BCI II recebeu R$ 1.826.817.300,00 pelas suas 162.509.863.250 quotas e a BCI III recebeu R$ 182.700,00 pelas suas 16.225.612 quotas. O pagamento foi realizado através de fechamento de dois contratos de câmbio de venda – tipo 04 – transferências financeiras para o exterior: a) Beneficiário BCI II – Contrato nº. 08/120880 emitido em 11/12/2008 pelo valor de US$ 735.759.515,08, que foi depositado na conta nº. 400.303 do Banco Bradesco de Grand Cayman; e b) Beneficiário BCI III – Contrato nº. 08/120881 emitido em 09/12/2008 e liquidado em 11/12/2008 pelo valor de US$ 73.583,31, que foi depositado na conta nº. 400.304 do Banco Bradesco de Grand Cayman. Houve incidência de IOF sobre estas operações de câmbio no valor de R$ 6.941.905,74, que foi pago pelo Banco Bradesco.” Diante disso, no caso concreto, as operações realizadas não refletem apenas a troca de participações societárias entre o mesmo grupo econômico. Houve o efetivo dispêndio para o grupo GS, conforme descrito acima. Por essa razão, há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente dessa transação. Na lógica da fiscalização, se as aquisições tivessem ocorrido de modo inverso, ou seja, se a aquisição da Quixaba por parte da Recorrente tivesse ocorrido em 09/12/09 e a aquisição da BCI II e III por parte da filial em Cayman, tivesse ocorrido em 11/09/09, o ágio teria sido aceito. A partir desse exemplo, verificase novamente que não é razoável a interpretação fiscal, pois essas duas etapas devem ser encaradas em conjunto na formação desse ágio. Na análise de casos de planejamento fiscal em que se discutiu a criação de ágio interno e a utilização de empresa veículo, sempre ressaltei que existiam hipóteses em que mesmo o ágio interno, formado dentro de um mesmo grupo societário, poderia ser considerado válido. É a hipótese, por exemplo, de negócios realizados entre partes relacionadas, nas quais se verifica, cumulativamente, (i) o efetivo desembolso de capital por uma delas; e (ii) uma efetividade econômica ou algum significado econômico na operação que lhe deu causa. Portanto, para fins jurídicotributários, é necessário distinguir ágios internos reais (efetivos ou com causa) dos chamados “ágios em si mesmo”, que são ágios internos “criados” artificialmente (ou sem causa). A ressalva sempre mereceu espaço, para que ficasse claro que as operações devem ser analisadas sempre individualmente, conforme seu caso específico. O julgador não pode partir da préconcepção de que todas as operações intra grupo são ilícitas, de que todas as empresas de curta duração estão envolvidas em um contexto simulatório, etc. Eventuais abusos devem ser combatidos caso a caso e não por meio de conceitos rígidos (sequer positivados) e generalizações. A hipótese dos autos se amolda perfeitamente à essa exceção, já que, tecnicamente a Quixaba já pertencia ao Grupo Bradesco quando foi adquirida pela Recorrente, mas houve o efetivo desembolso de capital e há propósito negocial que justifique a operação. Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.567 32 De se notar, ainda, no intuito de frisar novamente que merece ressalvas a interpretação fiscal de que o direito de livre organização dos contribuintes está limitado a motivações extrafiscais, que o conceito de propósito negocial não consta das nossa leis e não tem qualquer relação, ao menos em princípio, com a amortização fiscal do ágio. Com efeito, considerando que o ágio foi efetivamente pago e decorreu de uma operação que envolvia partes independentes, integrantes de grupos societários distintos, que houve efetiva alienação de participação societária e mudança de controle e que a operação como um todo possuía propósito negocial, resta analisar, apenas, se o valor do ágio registrado se justifica. São exatamente nesse sentido os demais argumentos invocados pela autoridade autuante, que questiona o preço atribuído pela Rubi à participação de 9,28% das ações da Visanet e o valor de R$ 305.675.950,64 do ágio registrado por ocasião da aquisição de 100% da participação da Quixaba. A esse respeito, a Recorrente apresentou um laudo de avaliação econômica financeira realizado pela empresa Moore Stephens Lima Lucchesi Auditores Independentes, contratado pelo Banco Bradesco para avaliar, na data base 30/11/2008, o valor econômico das cotas do capital social da Quixaba, a qual tinha como principal ativo uma participação de 9,28% do capital da Visanet. Como a Rubi estava adquirindo 100% da participação da Quixaba, o ágio registrado em sua contabilidade deveria ser a diferença entre o valor pago e o valor do PL da Quixaba. O valor do PL da Quixaba, conforme apurado pelo item 5.1 do laudo da Moore, era de R$ 1.593.438.942,97 em 30/11/2008. Como o valor pago pela Rubi foi de R$ 1.827.000.000,00, entendeu a fiscalização que o ágio registrado deveria ser de R$ 233.561.057,03. Como a Recorrente registrou um ágio no montante de R$ 305.675.950,64, de início, a autoridade fiscal apurou de onde vinha essa diferença de R$ 72.114.893,61. Nessa toada, concluiu que a diferença residia na contabilização de valores provisionados de IOF a recolher sobre operações de câmbio no montante de R$ 18.717.409,87 e na consideração de ajustes feitos no patrimônio líquido da Quixaba no montante de R$ 53.397.483,74. Estes ajustes foram implementados em 01/12/2008, através de reduções de contas do ativo e aumento de uma conta do passivo da Quixaba, conforme listado abaixo: Contas do ativo reduzidas: Conta 1.1.1.3.1.013 – Aplicação em LTN – Reduzida em R$ 18.780.230,84 – Devido à reversão de atualização financeira, aplicação de nova atualização financeira e estorno de IR fonte; Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.568 33 Conta 1.1.2.5.2.097 – IRRF a Compensar sobre Aplicação Financeira – reduzida em 7.573.377,33 – Devido ao estorno de IR fonte; e Conta 1.1.2.6.1.001 – Despesas antecipadas – Reduzida em R$ 21.434.701,49 – Devido à apropriação de despesas de IOF sobre empréstimo a pagar já pago e apropriação de prêmio de opção de venda pago. Conta do passivo aumentada: Conta 2.1.5.6.3.002 – Outros créditos – Aumentada em R$ 5.608.618,54 – Devido a atualização do empréstimo de R$ 3 bilhões tomado da GSFS. Ocorre que, para afastar essa diferença de R$ 72.114.893,61, a autoridade fiscal sustenta, tão somente, que esses elementos não têm o menor vínculo com o valor de mercado das ações da Visanet. Ora, como se vê, a diferença de R$ 72.114.893,61 não compôs o valor do ágio porque representa a mais valia do investimento ou porque tenha relação com o valor de mercado das ações da Visanet. A diferença de R$ 72.114.893,61 foi integrada ao valor do ágio porque, na verdade, reduziu o valor do PL. Na forma do art. 426 do RIR, o valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de PL (art. 384) é a soma algébrica do (i) valor de PL pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; e (ii) do ágio ou deságio na aquisição do investimento. Portanto, se a autoridade fiscal pretendia questionar a redução do PL no valor de R$ 72.114.893,61, deveria ter combatido especificamente cada um dos ajustes que foram realizados na contabilidade da Quixaba. Entretanto, a autoridade fiscal autuante não tece qualquer comentário sobre a natureza dos ajustes realizados, que, como se vê, mostramse razoáveis e normais. O IOF a recolher, por exemplo, no valor de R$ 18.717.409,87 é compatível com o valor total do IOF incidente sobre as operações de câmbio referentes à aquisição da Nota de Taxa Flutuante (IOF R$ 11.774.809,87) e sobre a aquisição das ações da Quixaba de titularidade da BCI II (IOF R$ 6.941.905,74) e BCI III (IOF R$ 694.26). A redução nas contas de ativo e o aumento na conta de passivo, representam, por suas vezes, uma reversão de atualização financeira de aplicações em LTN, antecipação de despesas e alteração na forma de contabilização do empréstimo de R$ 3 bilhões tomado da GSFS. Logo, quisera a fiscalização glosar tais ajustes, deveria ter questionado as causas dessas alterações, solicitando documentos e apresentando argumentos que demonstrassem que os eles não se justificavam. Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.569 34 Estando tais ajustes dentro da normalidade, inexistindo qualquer argumento contra tais ajustes que não fosse a sua não vinculação com a mais valia do investimento, não se sustenta a acusação fiscal, devendo ser acatados os ajustes realizados na contabilidade da Quixaba que reduziram o valor do PL de R$ 1.593.438.942,97 (informado no laudo) para R$ 1.540.041.459,23 e aumentaram o custo total da operação para R$ 1.845.717.409,87 (R$ 1.827.000.000,00 + IOF de R$ 18.717.409,87). No que toca ao restante do ágio, no valor R$ 233.561.057,03, a fiscalização aduz que não se justificaria, uma vez que o valor atribuído pela Recorrente para as ações da Visanet contrariou evidências de mercado. Afirma que conforme laudo da Moore, a soma dos valores de liquidação das empresas Quixaba, Pirapetinga e Ferrara seria negativo no montante de R$ 633.752 mil. Como a Recorrente pagou o valor de R$ 1.827.000 mil pelo total das quotas da Quixaba, o valor que foi atribuído à participação de 9,28% da Visanet foi de R$ 2.460.752 mil (R$ 1.827.000 mil + 633.752 mil). Portanto, a Recorrente avaliou a empresa Visanet em 11/12/2008, pelo valor de aproximadamente R$ 26,5 bilhões (R$ 2.460.752 mil / 9,28%), utilizando o método de múltiplos de mercado por comparação direta com a empresa Redecard S/A. Por outro lado, afirma que o GS, utilizando o laudo da BDO Trevisan avaliou a empresa Visanet, em 08/09/2008, pelo valor aproximado de R$ 23,7 bilhões. Assim, caso a Recorrente tivesse utilizado esse mesmo valor para avaliar a empresa Visanet, a participação de 9,28% representaria R$ 2.915.505 mil (9,28% x R$ 23,7 bilhões) e o valor da Quixaba seria de r$ 1.561.753 mil (R$ 2.195.505 mil – R$ 633.752 mil). Aqui, corroboro a assertiva da Recorrente no sentido de que a discussão é estéril, pois ambos os laudos estão dentro de uma mesma faixa de valor. Ou seja, ambos os laudos comparados tem a faixa média entre valor mínimo e máximo praticamente iguais. Como se constata das cópias dos laudos, a conclusão do laudo da BDO Trevisan (fls. 1189/1244, conclusão fl. 1244) situa o valor da Visanet no intervalo de R$ 22,372 bilhões a R$ 33,976 bilhões. Já o laudo da Moore situa o valor da Visanet no intervalo de R$ 24,917 bilhões a R$ 31,454 bilhões (fls. 144/183 – conclusão fl. 182). Desse modo, é evidente que ambos os laudos situam a Visanet no mesmo intervalo de valor e que o valor atribuído pela Recorrente às ações, R$ 26,5 bilhões, se justifica frente aos dois laudos. Por tudo isso, entendo que não se sustentam as acusações fiscais como um todo, devendo ser mantido o ágio contabilizado pela Recorrente por ocasião da aquisição de 100% das quotas do capital social da Quixaba, no valor de R$ 305.675.950,64. E, por via de consequência, correta a atribuição do valor do ágio de R$ 305.675.950,64 ao valor contábil das ações da Visanet, quando a Recorrente subscreveu o capital da Colombus. Juros de mora sobre multa de ofício Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.570 35 Por fim, a Recorrente sustenta a improcedência da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Analiso o argumento, considerando a hipótese de ser vencido no mérito. A exigência para tal cobrança, conforme manifestação da Fazenda Nacional através do parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº. 28, de 02/04/98, está no art. 61, § 3º da Lei nº. 9.430/96, que assim estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Pela simples leitura do texto acima, resta claro que se está apenas permitindo que os débitos com a União Federal decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos vencimentos sejam acrescidos de multa de mora, e que aqueles mesmos débitos (e não a multa) sofram também a incidência de juros de mora. Corrobora com o entendimento que o art. 61 da Lei nº. 9.430/96 prevê a cobrança de juros exclusivamente sobre o valor dos tributos e contribuições o art. 43 da mesma Lei nº. 9.430/96, ao dispor: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do art. 61 da Lei nº. 9.430/96 incluísse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do art. 43 acima Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.571 36 reproduzido, uma vez que a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do art. 61. Desse modo, resta claro que somente existe previsão legal para a cobrança de juros sobre a multa no caso da multa lançada isoladamente, o que não e o caso do recurso em análise. Outra discussão que se tem em relação ao tema de cobrança de juros sobre a multa é que a legitimidade para a sua cobrança estaria no próprio Código Tributário Nacional, na medida em que o art. 113 do CTN estabeleceria o procedimento de cobrança e o regime jurídico das multas ao mesmo adotado para os tributos. Tal entendimento, todavia, não merece prosperar, senão vejamos. O art. 113 do CTN estabelece: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Pela simples leitura do caput do artigo acima reproduzido, verificase que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.”, nos termos do parágrafo 3º do referido art. 113. Desse modo, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. E é somente sobre essa penalidade (descumprimento de obrigação acessória), que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não paga integralmente no seu vencimento podem incidir os juros de mora, conforme previsto no art. 43 da Lei nº. 9.430/96. No caso em questão, é preciso salientar mais uma vez que a multa de ofício lançada não se refere ao descumprimento de obrigação acessória, mas sim de multa exigida pelo descumprimento da obrigação principal de pagar tributo. Poderia, por fim se argumentar aqui que o art. 161 do CTN legitimaria a cobrança dos juros sobre a multa de tributo não pago no vencimento. Pareceme também que nesse artigo não traz tal permissão, senão vejamos. Dispõe o art. 161do CTN, “in verbis”: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.572 37 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pelo texto legal acima transcrito verificase que se a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal já estivesse incluída no “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no art. 161 do CTN, seria desnecessária a ressalva final constante do referido dispositivo no sentido de que essa incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Ao analisar a matéria esse E. Conselho vem se manifestando pela impossibilidade da cobrança de juros sobre a multa, conforme se verifica das decisões abaixo reproduzidas: IRPJ E OUTRO Ex(s): 2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. A decisão vergastada foi exarada de acordo com a correta análise dos fatos e do direito aplicável ao caso em questão, pelo quê há ser confirmada. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR MOMENTO DO FATO GERADOR. A Lei nº 9.532/1997, não atuou modificando a data da ocorrência do fato gerador, mas, tãosomente, deslocou o seu componente temporal, indicando o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DECADÊNCIA. No caso de tributação de lucros auferidos no exterior por intermédio de coligada, o prazo decadencial tem início no dia 31 de dezembro do anocalendário em que houve a disponibilização para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO EM COLIGADA. São tributáveis os lucros auferidos no exterior por sociedade domiciliada no Brasil, por intermédio de sua coligada, que sejam disponibilizados àquela. Tais lucros serão considerados disponibilizados na data do seu pagamento, que é considerado efetuado, quando ocorrido o emprego do valor em favor da beneficiária. A alienação de participação societária em coligada no exterior incluise na hipótese de "emprego do valor em benefício" da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR RESERVA LEGAL. Não deve compor a base de cálculo do lançamento a parcela correspondente à Reserva Legal, posto que esta tem destinação obrigatória prevista em lei e deve ser constituída antes de Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.573 38 qualquer outra destinação dos lucros. TRIBUTOS PAGOS NO EXTERIOR COMPENSAÇÃO. A compensação do imposto sobre a renda devido no Brasil, em face da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, só será possível com o imposto sobre a renda recolhido no exterior em razão dos mesmos lucros, independentemente da denominação do tributo no país de origem. PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS ADIÇÃO DE JUROS CAPITALIZAÇÃO DE RECURSOS INDISPONIBILIDADE DOS LUCROS. A adição dos juros decorrentes da capitação de recursos junto a coligada no exterior, só é cabível no caso de não ter sido disponibilizado os lucro do período para sua coligada no Brasil. Configurada a disponibilização de tais lucros não deve prevalecer o lançamento tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido em relação ao tributo principal se aplica aos lançamentos reflexos, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes, salvo quando houver na legislação de regência do tributo lançado como reflexo, característica que leve a outra conclusão. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR CSLL. Por força do princípio da legalidade estrita, no Direito Tributário só há incidência tributária sob a vigência de norma que estabeleça tal tributação. No caso da CSLL sobre lucros auferidos no exterior por coligada, a norma instituidora da obrigação tributária foi publicada em 30 de junho de 1999, passando a vigorar a partir de 01 de outubro de 1999. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, que acolhiam a preliminar, sendo que o Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva, acompanha pelas conclusões. No mérito, pelo voto de qualidade, considerar ocorrida a disponibilidade do lucro na alienação da participação societária, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior , José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva, que apresenta declaração de voto, e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, quanto a primeira infração para excluir a tributação da CSLL em relação aos lucros apurados pela coligada no exterior, até 30 de setembro de 1999, bem assim a reserva legal. Por unanimidade de votos, cancelar a exigência em relação 'a glosa de despesas de juros, acompanham pelas conclusões João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por maioria de votos, excluir a Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.574 39 exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nesta parte os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa selic sobre a multa de oficio. (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 96.601 em 06.03.2008) Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Essa regra aplicase também à CSLL por força da Súmula nº 8 do STF. Acolhese a argüição de decadência em relação ao anocalendário de 1997. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1997, 1998, 1999 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE Aplicase ao lançamento formalizado como decorrência o resultado do julgamento proferido no processo que lhe deu origem, tendo em vista o liame fático que os une. Ementario publicado no DOU nº 13 de 20/01/2009. Págs. 05/09 Resultado: DPM DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, acolheram a preliminar de decadência relativamente ao ano 1997, vencido o conselheiro Luciano de Oliveira Valença que aplicava o art. 173, I, do CTN. No mérito, por maioria de votos, deram provimento ao recurso, vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa. Houve sustentação oral do representante do recorrente, Sr. Ricardo Krakowiak, (Acórdão 10323566, Relator Leonardo de Andrade Couto, Data da Sessão: 17/09/2008, Recurso 160718, 3ª Câmara, Processo 16327.000106/200311) Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.575 40 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente. SIMULAÇÃO GANHO DE CAPITAL Se as provas constantes dos autos demonstram que a Contribuinte realizou negócio jurídico de forma diversa daquela formalmente declarada, havendo desconformidade entre a realidade fática e a aparência do negócio jurídico, resta caracterizada a ocorrência de simulação, devendo a obrigação tributária ser apurada sobre o negócio jurídico de fato realizado. ATOS NÃOCOOPERADOS TRIBUTAÇÃO Os atos praticados por cooperativas que não se configurem como tipicamente cooperativos, estão sujeitos à tributação. Apenas os atos cooperativos, praticados entre associados e com o objetivo de atingir suas finalidades estatutárias não serão tributados. MULTA E JUROS SELIC Se a multa de ofício e os juros pela taxa Selic aplicados encontramse em consonância com a legislação vigente, o Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos da sua Súmula nº 02, não pode afastar sua aplicação, já que não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado.RV Provido em Parte. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nessa parte, em segunda votação, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Aloysio José Percinio da Silva e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa selic sobre a multa de oficio. Nas demais matérias em litígio houve unanimidade do colegiado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de oficio proporcional. (Acórdão 10196523, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Data da Sessão 23/01/2008, Recurso 157078, 1ª Câmara, Processo 19515.003663/200527) Ementa: AGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.576 41 A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro ano calendário seguinte ao evento. O ágio também poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O legislador não estabeleceu ordem de seqüência dos atos que de incorporação, fusão ou cisão, não cabendo ao interprete vedar aquilo que a não proibiu. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio líquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o próprio subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e de o tratamento do ágio apurado nessa circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA Não procede a exigência de multa isolada quando da recomposição do resultado em virtude de glosa de despesa, visto que não participam da base a ser utilizada para calcular o imposto estimado antecipado mensalmente. JUROS SOBRE MULTA A SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN. (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3º do CTN). Recurso parcialmente provido. Texto da Decisão: Decisão: Por unanimidade de votos, AFASTAR a tributação na aquisição de ações, no valor de R$ 315.144,91 mensais, TVF fl. 601 e determinar que os juros sobre a multa de ofício deverão ser calculados à razão de 1% ao mês nos termos do artigo 161 do CTN, a partir do 31º dia da ciência do lançamento. Por maioria de votos, AFASTAR a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Marcos Rodrigues de Mello e Waldir Veiga Rocha. Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL quanto ao ágio na subscrição de ações admitindo a amortização no valor total de R$ 3.483.041,38. Vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves (Relator), Wilson Fernandes Guimarães e Marcos Rodrigues de Mello. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Bekierman (Suplente Convocado). (Acórdão 10516774, Relator José Clóvis Alves, Data da Sessão: 08/11/2007, Recurso: 155375, 5ª Câmara, Processo: 13839.001516/200664, Recorrente: CPQ BRASIL S.A.) Ementa: RECURSO EX OFFICIO IRPJ e CSLL – Devidamente justificada pelo julgador a quo a insubsistência das razões determinantes de parte da autuação por glosa de despesas, é de se negar provimento ao recurso de ofício interposto contra a decisão que dispensou a parcela do crédito tributário irregularmente constituído. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.577 42 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – A apreciação da constitucionalidade ou não de lei regularmente emanada do Poder Legislativo é de competência exclusiva do Poder Judiciário, pelo princípio da independência dos Poderes da República, como preconizado na nossa Carta Magna. Assim, somente será apreciada nos Tribunais Administrativos quando uniformizada e pacificada na esfera judicial pelo Supremo Tribunal Federal. IRPJ – CSLL – PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS – TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS – Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. MULTA ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA – No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP nº 351, de 22/01/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS – Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: 1) afastar a exigência das multas isoladas; 2) afastar a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez (Relator) e Sandra Maria Faroni, que deram provimento parcial ao recurso Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.578 43 em menor extensão, no tocante à incidência dos juros de mora, e Sebastião Rodrigues Cabral e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão, para também cancelar a exigência da CSL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmir Sandri. (Acórdão 10196008, Relator Paulo Roberto Cortez, Data da Sessão: 01/03/2007, Recurso: 151401, 1ª Câmara, Processo: 16327.004079/200275) Nesse mesmo sentido, também foi a manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao analisar e decidir sobre a matéria, conforme se verifica do acórdão abaixo reproduzido: Favorável – Administrativo – Câmara Superior de Recursos Fiscais Texto da Decisão: 1) Por maioria de votos, NÃO CONHECER da preliminar de perda de objeto do recurso em face do trânsito em julgado da decisão judicial quanto ao mérito, suscitada pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez e Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado); 2) Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência até os fatos geradores do mês de outubro de 1999, vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Júlio César Vieira Gomes e Elias Sampaio Freire que não acolhiam; 3) por maioria de votos CONHECER do recurso quanto a incidência sobre a multa de ofício dos juros à taxa SELIC, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Leonardo Siade Manzan, e por maioria de votos DAR provimento nessa parte, vencidos s conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Antonio Praga, que mantinham essa incidência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP 138.192. (Acórdão CSRF/0203.133, Relator Henrique Pinheiro Torres, Data da Sessão: 06/05/2008, Recurso 202131351 ,2ª Turma, Processo: 18471.001680/200430, RECURSO DE DIVERGÊNCIA, Matéria: COFINS, Recorrente: COMPANHIA VALE DO RIO DOCE S/A.) Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Redator ad hoc Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.579 44 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Redator Designado Com a devida vênia, discordo do entendimento do ilustre Conselheiro Relator/Redator. A meu ver, a exigência fiscal mostrase correta. Em primeiro lugar, o conjunto de fatos longamente debatido nos autos se deu como uma forma de preparação para a futura IPO relativa à Visanet, objetivando aumentar o custo das ações então detidas por empresas do GRUPO BRADESCO, mediante reavaliação de seus ativos, e, consequentemente, eximirse do pagamento do respectivo ganho de capital. De se frisar, contudo, que o fato gerador apontado pela Fiscalização na exigência fiscal ocorreu em outro momento: na entrega de ações da VISANET para COLUMBUS, realizada por RUBI quando da integralização do aumento de capital de COLUMBUS. Justamente em tal operação, a autoridade fiscal identificou que houve transferência das ações por valor superior ao valor histórico contábil, ensejando a apuração de ganho de capital não reconhecido por RUBI e, consequentemente, não foi oferecido à tributação. As operações realizadas preparatoriamente envolvendo o GRUPO GOLDMAN SACHS e GRUPO BRADESCO (em especial a subscrição de capital em FERRADA HOLDINGS pelo BANCO ALVORADA mediante entrega das ações de VISANET) geraram o ágio com recursos advindos, em sua maior parte do próprio GRUPO BRADESCO, em intrincadas operações financeiras com detalhes pouco usuais. O próprio voto do Conselheiro Carlos Pelá retrata tais circunstâncias. Veja se: Causa estranheza, contudo, certas condições negociadas e cláusulas inseridas nos contratos firmados entre os dois grupos. Nesse sentido, vale citar, por exemplo, o Acordo de Acionistas, celebrado entre Rubi, Bradesplan, Pirapetinga, Ferrara e Quixaba, que estabelecia, dentre outras coisas, (i) uma opção irrevogável para que a Bradesplan pudesse, a seu critério, direta ou indiretamente, comprar todas as ações da Ferrara detidas Pirapetinga, a qualquer tempo caso (i.i) a Pirapetinga deixasse de ser controlada pelo GS, que não fosse uma troca de controle para a Rubi ou Bradesplan ou suas afiliadas; e (i.ii) Pirapetinga violasse quaisquer de suas obrigações relevantes do presente acordo; (ii) a opção só poderia ser exercida para todas as ações da Ferrara, pelo valor de R$ 4,3 bilhões; e (iii) a Pirapetinga e a Quixaba se obrigavam a utilizar os recursos obtidos pelo exercício da opção de compra para pagar a Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões emitida pela Quixaba; (iv) o acordo teria sua vigência válida enquanto a Pirapetinga ou outra sociedade do GS fosse acionista da Ferrara. Não vejo razão, dentro do contexto analisado, para que a Pirapetinga e a Quixaba tenham se obrigado a utilizar os recursos obtidos pelo Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.580 45 exercício da opção de compra para pagar a Nota de Taxa Flutuante de R$ 3 bilhões emitida pela Quixaba. De toda forma, conforme bem explanado pela decisão recorrida, não se consegue demonstrar a efetividade do ágio pago: De início, ressaltese que, a fim de subsidiar a alegação de ter pago pelo ágio de R$305.675.950,64 utilizando recursos provenientes do exterior, a impugnante faz uma menção genérica a fechamento de câmbio, sem, no entanto, apontar quais seriam especificamente os eventuais contratos que fundamentariam tal operação. Observase que tal afirmação foi realizada sem o apoio de qualquer prova documental que lhe conferisse sustentação. Ademais, ainda que se entendesse que a impugnante se referiu a recursos do exterior provenientes de operações realizadas com o Grupo Goldman Sachs, mesmo assim haveria um nítido problema cronológico: por ocasião do reconhecimento do ágio de R$305.675.950,64, por parte da Rubi, em 04/05/2009 (conforme a listagem de lançamentos contábeis de fls.39), já havia ocorrido o desfazimento da sociedade do Grupo Bradesco com o Grupo Goldman Sachs. A respeito de tal questão, a própria impugnante afirma categoricamente às fls. 2304: O "desfazimento" do negócio, só para usar o termo da fiscalização, com o Grupo GS, deuse em 11/12/2008, quando o Banco Bradesco adquiriu a empresa BCI II. Neste momento, configurouse a saída do Grupo GS da parceria, da associação. Uma vez que a sociedade com o Grupo Goldman Sachs foi desfeita em 11/12/2008, não há como se sustentar que recursos provenientes do exterior teriam sido utilizados para o pagamento de um ágio ocorrido em 04/05/2009. Nesse sentido, a contribuinte também deixa claro que, após o desfazimento da sociedade, não houve quaisquer resíduos dos recursos provenientes do exterior, ou seja, os recursos para efetuar o alegado pagamento, nos termos e na data propostos pela impugnante, eram inexistentes, conforme se depreende do seguinte excerto da impugnação às fls. 2300: Não importa a forma que tanto associação como dissociação tomaram, as partes pagaram de maneira justa pelos ativos envolvidos. Quando cedeu ativos, o Bradesco fez com que os mesmos fossem remunerados de forma muito próxima ao valor do mercado, da mesma forma procedeu o GS na desassociação. Como já dito, ninguém fez favores a ninguém, foram transações negociadas entre profissionais. Observese ainda que, ao mesmo tempo em que alega ter pago o ágio com recursos provenientes do exterior, a impugnante também afirma, de maneira contraditória, que o pagamento teria ocorrido de outras formas, além de transferências monetárias, consoante se verifica no seguinte trecho de fls.2302: Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.581 46 Não se deu conta a fiscalização que existem outras formas de pagamento, além das transferências monetárias. Nas trocas, por exemplo sacrifica se um ativo para ter o outro, e esta é uma forma de pagamento. Nas incorporações o preço da participação extinta paga o valor da aquisição da nova havida. Concluise, assim, que o argumento de pagamento do ágio é completamente infundado, já que a impugnante nem mesmo consegue manter uma coerência lógica acerca daquilo que afirma, como demonstra a contradição acima apontada. Desse modo, ainda que se considerem válidas as operações perpetradas entre os Grupos BRADESCO e GOLDMAN SACHS, desfeitos os negócios correspondentes, entendo não ser possível manterse somente os efeitos fiscais de tais operações, qual seja, a reavaliação do custo de aquisição com base no ágio então criado. Por essas razões, já vejo como razão suficiente para a manutenção da exação. Nas contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional, fazse uma leitura dos fatos um pouco distinta da anterior, mas com desfecho e consequências idênticas: a contabilização do “ágio interno” para aumentar o custo contábil das ações da VISANET. A esse respeito, e a fim de evitar tautologia, peço escusas para transcrever os valiosos argumentos expedidos pela Doutra Procuradoria: O objetivo do GRUPO BRADESCO era, após algumas reorganizações societárias intragrupo, atribuir ao valor contábil das ações da VISANET o montante de ágio registrado na RUBI. Essa expectativa se concretizou quando a RUBI integralizou aumento de capital da COLUMBUS S.A., em 04/05/2009, por meio da conferência de ações da VISANET. Nessa operação, o valor atribuído às ações da VISANET teve como contrapartida contábil um lançamento a crédito na conta “1.3.1.1.2.054 – Ágio – Quixaba Empr. e Partic.”, no valor de R$ 305.675.950,64. [...] Percebese, portanto, que o ágio de R$305.675.950,64 foi utilizado pelo GRUPO BRADESCO para majorar o valor das ações da VISANET. Com efeito, em virtude do aumento de capital da COLUMBUS, em 04/05/2009, as ações da VISANET foram repassadas pelo seu valor patrimonial acrescido de ágio. Considerando esse contexto, fica mais fácil entender o fundamento da autuação fiscal, no presente processo administrativo. Isso porque não havia fundamento econômico válido para o ágio registrado na contabilidade da RUBI. Por essa razão, quando a RUBI utilizou as ações da VISANET para integralizar o aumento de capital da COLUMBUS, o montante de R$305.675.950,64 não poderia ter sido atrelado ao valor contábil das ações como “ágio” pago, mas sim como ganho de capital da RUBI. A recorrente tenta fazer parecer que todas as reorganizações societárias realizadas intragrupo foram legítimas e sem qualquer repercussão Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.582 47 tributária. Primeiramente, argumenta que o registro do ágio está lastreado no inciso I do § 2° do art. 385 do RIR/99. Por sua vez, a recorrente alega que o registro contábil do ágio na RUBI teria suporte no disposto no art. 386 do RIR/99, notadamente no inciso I do caput deste dispositivo. Portanto, a tese da contribuinte é no sentido de que o ágio de R$ 305.675.950,64 foi regularmente constituído e não poderia ser questionada a atribuição desse valor ao registro contábil das ações da VISANET. Partindo dessas premissas, a contribuinte afirma que não houve ganho de capital na integralização de capital da COLUMBUS, que resultou na entrega de ações da VISANET. Isso porque, de acordo com a recorrente, as ações da VISANET foram entregues aos sócios pelo valor exato que estavam contabilizados. Entretanto, a tese da recorrente não merece prosperar, tendo em vista a ausência de fundamento econômico do ágio registrado pela RUBI. Nesse ponto, importante ressaltar que os arts. 385 e 386 do RIR/99, citados pela recorrente no Recurso Voluntário, não servem para fundamentar a sua pretensão. [...] III.3.1 – Ausência de fundamento econômico e propósito negocial do “ágio interno” O ágio registrado na RUBI apresenta dois problemas: a) a parcela de R$ 233.561.057,03 foi gerado em uma operação intragrupo, sem qualquer fundamento econômico ou propósito negocial; e b) a parcela de R$ 72.114.893,61 não tem qualquer ligação com o valor de mercado das ações da VISANET. Esses aspectos serão examinados separadamente. a) caracterização de “ágio interno” da parcela de R$233.561.057,03: ausência de fundamento econômico ou propósito negocial No que diz respeito ao “ágio interno” (R$233.561.057,03), a recorrente alega que registrou regularmente o ágio, nos termos do art. 385 e 386 do RIR/99. Entretanto, para atender às normas preconizadas nos citados dispositivos, não basta que a pessoa jurídica, por exemplo, simplesmente incorpore uma controlada na qual detenha participação societária com ágio. Entre as condições e requisitos previstos, deve essa pessoa jurídica ter efetivamente suportado o ágio por ele registrado, ou seja, o ágio deve existir, deve ter propósito negocial e substrato econômico a justificar a sua origem. Quanto à apuração do lucro real e do resultado do exercício ajustado para fins de incidência da CSLL, usualmente, a amortização do ágio ou deságio não é deduzida ou tributada. Via de regra, a dedução ou tributação dessa amortização no âmbito do IRPJ e da CSLL somente ocorrerá quando o investimento que lhe deu origem for alienado ou liquidado (arts. 391 e 426 do RIR/99), na apuração de eventual ganho ou perda de capital, quando então o ágio ou deságio é incluído (somado ou diminuído) no preço de aquisição do investimento que está sendo extinto. Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.583 48 [...] Ainda nessa linha de raciocínio, cumpre destacar que, para existir, o ágio ou Deságio deve sempre ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e, assim, um substrato econômico (transação comercial). Somente registros escriturais, por exemplo, não podem servir de suporte para essa figura econômica e contábil. Por propósito negocial, entende se a lógica econômica que levou ao surgimento do ágio ou deságio, ou seja, a razão negocial que ensejou a aquisição de um investimento por valor superior ou inferior àquele que custou originalmente ao alienante. Há esse propósito quando, por exemplo, uma empresa adquire participação societária de outra com ágio com o intuito de auferir os prováveis resultados positivos que esta última terá no futuro; ou, quando uma empresa adquire participação societária de outra ativo. O ágio ou deságio, dessa forma, deve sempre decorrer da efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, independentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres correspondentes e proporcionais. À guisa de exemplo, se em um negócio o alienante pede pelo seu bem ou direito determinado sobrepreço, essa mais valia a ser paga pelo adquirente deve ser justificada pela expectativa de algum ganho. Se não há previsão de ganho, não há porque existir ágio. Nesse esteio, o § 2º do art. 385 do RIR/99, o qual repete o conteúdo do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, determina que o lançamento do ágio ou deságio deve indicar como seu fundamento econômico uma das seguintes hipóteses: I – valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II – valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III – fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. [...] Outrossim, para que ocorra a efetiva aquisição de um investimento, com o correspondente surgimento do ágio ou deságio, é imprescindível a existência de substrato econômico à sua realização. Implica dizer que é necessário haver transação econômica que materialize o valor de aquisição, ao mesmo tempo pago pelo adquirente e recebido pelo alienante. A aquisição de um investimento, assim como de qualquer bem ou direito, deve sempre importar o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o respectivo ganho (também econômico ou patrimonial) auferido pelo alienante. Sem essa troca de riquezas e da titularidade do investimento, não há que se falar em aquisição, e, como consequência, no surgimento de ágio ou deságio. Corroborando com esse entendimento, a Comissão de Valores Mobiliários – CVM – emitiu o Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007. Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.584 49 Nesse documento, a CVM, ao esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas Gerais de Contabilidade, chama atenção para os casos em que o ágio é criado artificialmente, vale dizer: quando empresas de um mesmo grupo econômico, indevidamente, geram ágio sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial). [...] Ainda nesse sentido, registrase o item 50 da Orientação Técnica OCPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis: É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Mostrase, com as premissas aqui expostas, a necessidade de o ágio suportado por uma empresa com a aquisição de uma participação societária ter como origem um propósito econômico real, um efetivo substrato econômico, assim como cumprir incondicionalmente todos os requisitos impostos pela legislação aplicável (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e 385 e 386 do RIR/99). A presença concomitante de todos esses aspectos é imprescindível ao reconhecimento da existência dessa figura econômica e contábil, assim como para que tenha impacto tributário na apuração do IRPJ e da CSLL. A aquisição de um investimento por meio de mera escrituração artificial, sem a sua real materialização no mundo econômico, não é hábil a gerar um ágio cujo valor possa ser agregado ao custo contábil de ações de pessoas jurídicas. Dessa forma, o ágio ou deságio deve sempre decorrer da efetiva aquisição de um investimento, oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes – independentes entre si e ocupando posições opostas – tenham interesse em assumir direitos e deveres correspondentes e proporcionais. No caso dos autos, não se verifica qualquer fundamento econômico ou propósito negocial válido que possa fundamentar o ágio de R$ 233.561.057,03. Isso se torna, indiscutivelmente, um fator impeditivo à pretensão da recorrente, qual seja: atribuir o ágio de R$233.561.057,03 ao custo contábil das ações da VISANET detidas pelo GRUPO BRADESCO. b) a parcela de R$72.114.893,61 não tem qualquer ligação com o valor de mercado das ações da VISANET No tocante a essa parcela do ágio, relevante salientar que não há nenhuma explicação para ter sido contabilizada como custo contábil das ações da VISANET. Com efeito, o ágio de R$ 72.114.893,61 não tem qualquer ligação com o valor das ações da VISANET, como muito bem destacado pela decisão recorrida: Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.585 50 Além disso, no tocante à parcela do ágio de R$ 72.114.893,61, há que se destacar que as afirmações da impugnante corroboram o entendimento da fiscalização, no sentido de que tal parcela não tinha a menor relação com o valor das ações da Visanet, conforme se depreende do seguinte excerto da impugnação (fls. 2273): O valor de patrimônio líquido da empresa adquirida era de R$1.593.438.942,97, no mês imediatamente anterior à aquisição, porém ajustes eram necessários para adequação do patrimônio líquido, ajustes normais da vida empresarial, sendo que os mesmos foram realizados no mês de dezembro antes da aquisição da empresa, tais ajustes reduziram o patrimônio líquido em R$53.397.483,75, pelo que tal valor na data da aquisição era de R$1.540.041.459,22. Assim, os R$1.827.000.000,00 do preço contratado, mais as despesas, com o fechamento de câmbio, no valor de R$18.717.409,86 implicaram num custo total de R$1.845.717.409,86, o que fez com que se registrasse R$1.540.041.459,22 como investimentopatrimônio líquido e R$ 305.675.950,64 como ágio. A partir da leitura do trecho acima reproduzido, verificase que ao tratar das parcelas de R$53.397.483,75 e R$18.717.409,86, cuja soma corresponde ao montante de R$72.114.893,61, a impugnante é taxativa ao afirmar que as quantias dizem respeito, respectivamente, a “ajustes normais da vida empresarial, necessários para adequação do patrimônio líquido da empresa Quixaba, realizados no mês de dezembro, antes da aquisição da empresa” e a “despesas com o fechamento de câmbio”, ou seja, ambas as parcelas não tinham o menor vínculo com o valor de mercado das ações da Visanet. Percebese, portanto, que a natureza das quantias que compuseram o “ágio” de R$ 72.114.893,61 não se referem a nenhuma aquisição de investimento com mais valia – requisito indispensável para a caracterização de um ágio. Dessa maneira, não há como aceitar a pretensão da contribuinte, no sentido de considerar tais valores como “ágio pago”, tendo como fundamento econômico as ações da VISANET. Consequentemente, mostrase totalmente incabível a atribuição do “ágio” de R$ 72.114.893,61 ao custo contábil das ações da VISANET. Ora, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. Nesse sentido, colacionamse a seguir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco1: 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 198208. Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.586 51 ... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer “planejamento” é admissível? Minha resposta é negativa. (pág. 190) Ou seja, cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos de igualdade, solidariedade social e justiça. (pág. 202) [...] com o advento do Código Civil de 2002 a questão ficou solucionada, pois seu artigo 187 é expresso ao prever que o abuso de direito configura ato ilícito: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. (pág. 206) No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao ato abusivo (mesmo antes do Código Civil de 2002) encontra base no ordenamento positivo, por decorrer dos princípios consagrados na Constituição de 1988 e da natureza da figura. Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. Esta conclusão resulta da conjugação dos vários princípios acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do fenômeno tributário que não deve mais ser visto como simples agressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado ao princípio da solidariedade social. (pág. 208) Em suma, não há dúvida de que o contribuinte tem o direito, encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, a fraude à lei. (pág. 228) Notase, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.587 52 Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”.2 A tributação, historicamente, sempre contou com a rejeição do povo. Esse o motivo em função do qual foi fixada, em 1215, a limitação à tributação pela lei. Na Inglaterra de então, os barões e os religiosos procuraram conter o arbítrio do Rei, fixando que não haveria tributação sem lei que a estabelecesse. Mais adiante, a Constituição NorteAmericana de 1787 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 reprisaram a limitação. Essa perspectiva, entretanto, sofreu alteração ao longo do tempo. Hoje, a tributação não é mais uma concessão da sociedade em favor do Estado, mas um instrumento da sociedade que tem por finalidade manter uma máquina pública estruturada em favor da própria sociedade. Esse é o sentido do dever fundamental do indivíduo de recolher os tributos devidos. Confirase, a respeito, o pensamento de Klaus Tipke (“Justiça Fiscal e Princípio da Capacidade Contributiva”, Douglas Yamashita, São Paulo, Malheiros, 2002, pág. 13): O dever de pagar impostos é um dever fundamental. O imposto não é meramente um sacrifício, mas sim uma contribuição necessária para que o Estado possa cumprir suas tarefas no interesse do proveitoso convívio de todos os cidadãos. O Direito tributário de um Estado de Direito não é Direito técnico de conteúdo qualquer, mas ramo jurídico orientado por valores. O direito Tributário afeta não só a relação cidadão/Estado, mas também a relação dos cidadãos uns com os outros. É um direito da coletividade. A Constituição Federal de 1988 caminhou no sentido defendido por Tipke, quando afirma no seu art. 1º que a República Federativa do Brasil constituise em Estado Democrático de Direito e estipula como seus fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. A atividade produtiva deve cumprir o seu papel social de importância ao desenvolvimento do país e de fonte de manutenção dos membros da sociedade, mas sem que se sobreponha à cidadania e a dignidade humana. O art. 3º da Constituição estipula como objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a garantia do desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Para o atingimento desses objetivos é de suma importância os recursos oriundos da tributação, daí que não se pode admitir o planejamento tributário lastreado exclusivamente na liberdade negocial e no respeito às formas, mas com mascaramento dos atos e negócios praticados para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente para se esquivar do pagamento dos tributos. 2 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 20. Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.588 53 O pagamento de tributos é a contrapartida à proteção estatal que cada cidadão aspira. Ele tem muita importância para a coletividade e, por isso, pode ser exigido. Não se pode ter uma fixação por direitos, sob o aspecto individualista, esquecendose dos deveres, que também são importantes e que cada cidadão deve cumprir em função da posição que ocupa na sociedade. Cabível assentar, também, que a orientação constitucional e jurisprudencial antes referida não representa novidade em termos internacionais. Nos Estados Unidos da América, meca do capitalismo e do liberalismo, a Suprema Corte, ao apreciar o caso Gregory v. Helvering, já em 1935, reconheceu o direito de planejamento do contribuinte, mas afastou a licitude de operações societárias nas quais presente choque entre a realidade e o artifício formal. Daquele julgado, que tratou de pretensa operação societária isenta do imposto de renda, colhese o seguinte excerto da decisão (“Interpretação Econômica do Direito Tributário: o caso Gregory v. Helvering e as doutrinas do propósito negocial (business purpose) e da substância sobre a forma (substance over form)”, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, nº 43, págs. 55 a 62): Nessas circunstâncias, os fatos falam por eles mesmos e permitem apenas uma única interpretação. O único empreendimento, embora conduzido nos termos do item “b” da seção 112, fora de fato uma forma elaborada e errônea de transposição simulada como reorganização societária, e nada mais. A regra que exclui de consideração o motivo da elisão fiscal não guarda pertinência com a situação presente, porquanto a transação em sua essência não é alcançada pela intenção pura da lei. Sustentarse de outro modo seria uma exaltação do artifício em desfavor da realidade, bem como retirar da previsão legal em questão qualquer propósito sério. É mantido o julgamento de segunda instância. Marco Aurélio Greco assevera ainda que “nem tudo o que é lícito é o honesto” e que o “o ordenamento jurídico não se resume à legalidade; ele contempla também mecanismos em última análise de neutralização de esperteza”, fazendo parte daquilo que Tércio Sampaio Ferraz Júnior denomina de regras de calibração do ordenamento. Ou seja, os textos legais dão as peças do sistema jurídico, mas para que funcionem coordenadamente precisam ser calibradas, ajustadas. 3 (grifo nosso) Sobre o tema, Ricardo Lobo Torres conclui que No direito tributário o mais importante para a Administração é requalificar o ato abusivo, sem anulálo em suas consequências no plano das relações comerciais ou trabalhistas.[...] Na elisão, afinal de contas, ocorre um abuso na subsunção do fato à norma tributária; como lembra Paul Kirchhof, a elisão é sempre uma 3 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 231. Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.589 54 subsunção malograda [...] Cabe à Administração Tributária, conseguintemente, corrigir a subsunção malograda, requalificando o fato de acordo com a interpretação correta da regra de incidência. 4 Discorrendo sobre o tema planejamento tributário, Greco assim se manifesta: Recordando: na primeira fase, predomina a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação; na segunda fase do ainda predomina a liberdade de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, porém nela o planejamento é contaminado não apenas pela simulação, mas também pelas outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei. Na terceira fase, acrescentase um outro ingrediente que é o princípio da capacidade contributiva que – por ser um princípio constitucional tributário – acaba por eliminar o predomínio da liberdade, para temperála com a solidariedade social inerente à capacidade contributiva. 5 (grifo nosso) Salienta ainda o doutrinador que a capacidade contributiva é uma norma programática “possuindo caráter positivo em todos os momentos da atividade de concreção dos preceitos constitucionais: legislação, execução e jurisdição. É a afirmação de que a eficácia jurídica alcança os intérpretes e aplicadores do Direito e não apenas o legislador” 6. (grifo nosso) Acrescenta ainda que se trata de instrumentos de controle do abuso de direito, fraude à lei e outras patologias dos negócios jurídicos, uma vez que negariam a eficácia de regramentos constitucionais.7 O Supremo Tribunal Federal já vêm se manifestando nesse sentido, como é possível observar no voto do Ministro Carlos Velloso no julgamento do RE nº 227.8321 DJ de 28.06.2002), cujo excerto transcrevese a seguir: [...] a interpretação puramente literal e isolada do §3º do art. 155 da Constituição Federal levaria ao absurdo, conforme linhas atrás registramos, de ficarem excepcionadas do princípio inscrito no art. 195, caput, da mesma Carta – “a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei...” – empresas de grande porte, as empresas de mineração, as distribuidoras de derivados de petróleo, as distribuidoras de eletricidade e as que executam serviços de telecomunicações – o que não se coaduna com o sistema da Constituição, e ofensiva, tal modo de interpretar isoladamente o § 3º do art. 155, a princípios constitucionais outros, como o da igualdade 4 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 25. 5 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 319. 6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 343. 7 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 344. Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.590 55 (C.F., artigo 5º e artigo 150, II) e da capacidade contributiva. A respeito da colisão entre liberdade de iniciativa e solidariedade, Greco, em excepcional análise sobre o tema, conclui: [...] quando se diz que é preciso tributar segundo a capacidade contributiva, também é preciso ponderar não ser adequado transformar a capacidade contributiva num valor absoluto que atropele a legalidade e a tipicidade. [...] Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 8 (grifo nosso) Portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontrase em total sintonia com os princípios da legalidade e da livre iniciativa, encontrando eco não só na doutrina, mas também na jurisprudência, inclusive do Pretório Excelso. Também não há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica ou de atos jurídicos. O que houve, na prática, foi uma requalificação dos atos realizados pelo contribuinte, prática adotada como regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco. No caso concreto, ressaltam aos olhos o posicionamento artificial da Recorrente em face das leis de regência de cunhos societário e fiscal. A estrutura negocial montada pela Recorrente caracteriza o que a doutrina denomina de “operação estruturada em sequência”. Greco9 trata o tema com a maestria peculiar: Operação Estruturada em Sequência Sob esta denominação estão as step transactions, vale dizer, aquelas sequências de etapas em que cada uma 8 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. 9 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 462476. Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.591 56 corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Neste casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. (p. 462) Conforme já explanado, não tenho dúvidas de que o verdadeiro propósito das operações levadas a efeito era a reavaliação dos ativos pertencentes ao GRUPO BRADESCO, objetivando elidir o pagamento de IRPJ e da CSLL incidente sobre o ganho de capital. O próprio Recorrente admite que reavaliou seus ativos mas não foi capaz de apresentar fundamentos aceitáveis que justificassem, a meu juízo, as operações tais quais contabilizadas. As alegações de não é preciso investigar as razões econômicas dos fatos são de pouca valia diante dos elementos coligidos aos autos. Os fatos retratados nos autos demonstram, sem sombra de dúvidas, que as operações societárias foram arquitetadas a fim de beneficiar do GRUPO BRADESCO, não havendo fundamento econômico para as operações, tal qual descrito pela autoridade fiscal lançadora. Ao fim e ao cabo, os negócios entabulados visaram a tão somente obter vantagens tributárias. Conforme bem delineado pela descrição dos fatos que embasam o lançamento, o conjunto de reorganizações societárias buscado pelo GRUPO BRADESCO foi agregar o ágio de R$ 305.675.950,64 gerado artificialmente ao custo contábil das ações da VISANET. Por fim, é imperioso esclarecer que a autuação baseiase exclusivamente nos passos intermediários da reorganização societária e dos seus efeitos tributários. Não se contestam, pois, os demais aspectos da reorganização, bem como suas consequências em outras searas. Tecidas as observações pertinentes, peço vênia a Marco Aurélio Greco para tomar como minhas suas conclusões, que muito se encaixam no fechamento do meu entendimento sobre o caso, em especial o conflito entre livre iniciativa e solidariedade: Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.592 57 objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 10 Desse modo, pelas conclusões já expostas, não se pode acatar que os valores referidos de ágio componham o valor do custo para fins de apuração do ganho de capital da Recorrente. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso em relação ao objeto principal da exigência. DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO O ilustre Relator entendeu não ser possível a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Discordo de tal posicionamento. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: 10 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.593 58 "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.594 59 A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.595 60 A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.596 61 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Isso posto, voto por manter também a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada, negando provimento ao recurso também em relação a tal ponto. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 1402001.926 S1C4T2 Fl. 2.597 62 Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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