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Numero do processo: 18471.000097/2004-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1994
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula nº 11 CARF, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010).
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO POR VÍCIO FORMAL.
Declarada a nulidade do lançamento por vício de forma, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extingue-se,
nos termos do art. 173, inciso II do CTN, após cinco anos contados da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou por vício formal o lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.188
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade, AFASTAR as
preliminares suscitadas pela defesa e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para considerar devido o imposto de renda no valor de R$ 1.790,16, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1994 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula nº 11 CARF, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010). DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO POR VÍCIO FORMAL. Declarada a nulidade do lançamento por vício de forma, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extingue-se, nos termos do art. 173, inciso II do CTN, após cinco anos contados da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou por vício formal o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula nº 11 CARF, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010). DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO POR VÍCIO FORMAL. Declarada a nulidade do lançamento por vício de forma, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extinguese, nos termos do art. 173, inciso II do CTN, após cinco anos contados da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou por vício formal o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade, AFASTAR as preliminares suscitadas pela defesa e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para considerar devido o imposto de renda no valor de R$ 1.790,16, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 18471.000097/200410 Acórdão n.º 210201.188 S2C1T2 Fl. 114 2 EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra ALBERTO GOMES DE BARROS foi lavrado Auto de Infração, fls. 07/12, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1993, exercício 1994, no valor total de R$ 83.781,39, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 27/02/2004. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, no valor de 49.946,14 Ufir e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de 13.766,10 Ufir. Vale ressaltar que o Auto de Infração foi lavrado em decorrência de declaração de nulidade por vício formal de Notificação de Lançamento, fls. 19/21, Decisão DRJ/FLA nº 352, de 21/03/2001, fls. 56/57. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 25/37, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/RJOII nº 1318.398, de 28/12/2007, fls. 77/81. Decidiuse, por unanimidade de votos, pela procedência em parte do lançamento, para acolher a preliminar de decadência em relação ao crédito tributário decorrente da infração de omissão de rendimentos. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 17/04/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 87, o contribuinte apresentou, em 08/05/2008, recurso voluntário, fls. 88/101, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Preliminares da prescrição do crédito tributário e da decadência O crédito tributário a que alude o referido lançamento está maculado pelo manto da prescrição qüinqüenal, portanto sendo nulo de pleno direito o Auto de Infração a que se alude a presente impugnação. (...) O Fisco se manteve inerte durante 11 (onze) anos, só vindo a se manifestar após ter declarado nulo "ex oficio", inclusive "ab initio", a teor do que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 94 de 24/12/97, tendo inclusive deixado de recorrer de Oficio em virtude do lançamento ser nulo "ab initio" , isto é desde o início, indo além em sua assertiva, “não se exonerando, portanto, crédito tributário que ensejasse o recurso estabelecido pelo art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72”, assim, eis que o recurso Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 18471.000097/200410 Acórdão n.º 210201.188 S2C1T2 Fl. 115 3 do contribuinte ainda que conhecido não foi apreciado o seu mérito, tendo o contribuinte por ocasião de seu requerimento, apenas solicitado que o crédito tributário decorrente do acordo trabalhista, fosse atribuído, a empresa Reclamada da qual havia assumido a responsabilidade pelo credito tributário, contudo merecendo decisão de Autoridade Fiscal fora de sua Região, ou seja, Ceará, o que por si só, denota falta de interesse da autoridade fiscal local. No mérito A especificação do artigo 8° da Lei no. 8383/91, alegado pela autoridade fiscal como tendo sido infringido, como consta do Auto de Infração, nada tem a ver com a realidade dos fatos, visto que o quadro a que se refere, é o que consta do quadro 1— Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica, e se refere a valores de IRRF, e não de Rendimentos, logo tal valor não poderia ser sujeito a glosa, como foi imposto pela autoridade coatora, ademais, quando da apuração imposto, aplicados os procedimentos aplicáveis na DECLARAÇÃO DE AJUSTES, tais valores já foram considerados, logo não há que falar em glosa. (...) Desta forma, eis que foram considerados todos os rendimentos passíveis de incidência de IR, não se podendo cogitar de glosa da diferença de Imposto declarado como recolhido e o efetivamente recolhido, tendo em vista que os valores considerados fatos geradores, já o foram na sua integralidade, assim, se débito de Imposto de Renda houve, cujo entendimento do Impugnante, está maculado pelo manto da prescrição e/ou decadência, seria, tãosomente o valor acima explicitado de 12.486,54 UFIR (s), traduzidas em R$ 11.372,74 (Onze mil trezentos e setenta e dois reais e setenta e quatro centavos). Assim, a diferença glosada em cujo quadro do AI Consolidação do Imposto com vencimento anual, está indevidamente, ali configurado, portanto o debito tributário apontado de 13.766,10 UFIR (s), correspondente a R$ 12.538,16 (doze mil quinhentos e trinta e oito reais e dezesseis centavos) são absolutamente indevidos. (...) É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 18471.000097/200410 Acórdão n.º 210201.188 S2C1T2 Fl. 116 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte suscita a prescrição e a decadência do crédito tributário exigido no lançamento, sob a alegação de que o Fisco teria permanecido inerte durante onze anos. No que concerne à prescrição intercorrente, temse que a matéria já se encontra pacificada neste Colegiado, que, inclusive, já editou súmula aplicável ao caso: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Quanto à decadência, a matéria já foi devidamente analisada pela decisão recorrida, que considerou o lançamento procedente em parte para justamente acolher a decadência em relação ao crédito tributário decorrente da infração de omissão de rendimentos, matéria esta que não era tratada na Notificação de Lançamento original. Já no que tange à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, temse que a contagem do prazo decadencial se dá nos termos do disposto no art. 173, inciso II, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, no prazo de cinco anos a contar da data em que se tornou definitiva a decisão que declarou a nulidade por vício formal. Deste modo, considerando que o primeiro lançamento foi anulado em 21/03/2001, Decisão DRJ/FLA nº 352, fls. 56/57, temse que o direito de a Fazenda Pública proceder ao novo lançamento decaiu somente em 21/03/2006. Como o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 07/04/2004, não há que se falar em decadência, no que se refere à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, que já fora tratada na notificação de Lançamento original. Logo, no que concerne à decadência correta a decisão recorrida. No mérito, o contribuinte afirma que houve erro no enquadramento legal da infração e no cálculo do saldo do imposto de renda devido exigido no lançamento. O enquadramento legal da infração, art. 8º da Lei nº 8.383, de 1991, está perfeitamente correlacionado à glosa de imposto de renda retido na fonte. Já no que diz respeito ao cálculo do imposto devido assiste razão ao contribuinte, conforme se demonstrará a seguir. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 18471.000097/200410 Acórdão n.º 210201.188 S2C1T2 Fl. 117 5 Veja que o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), fls. 05/06, pleiteando compensação de imposto de renda retido na fonte, nos valores de 6.637,78 Ufir e 61.124,38 Ufir, no que se refere às seguintes fontes pagadoras: Petrobras Petróleo Brasileiro S/A e Merlin Gerin Brasil S/A, respectivamente. Observese que o somatório de ambas retenções é de 67.762,16 Ufir e que o contribuinte havia apurado em sua DAA restituição de 11.800,60 Ufir, que não foi recebida. A glosa procedida pela autoridade fiscal, no valor de 13.766,10 Ufir, diz respeito ao imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos recebidos da fonte pagadora Merlin Gerin Brasil S/A, que foi reduzido de 61.124,38 Ufir para 47.358,28 Ufir no Auto de Infração. Assim, procedida à glosa de 13.766,10 Ufir, verificase que o contribuinte poderia compensar imposto de renda retido na fonte, no valor total de 53.996,06 Ufir (6.637,78 Ufir + 47.358,28 Ufir). Contudo, no Demonstrativo de Apuração, fls. 10, a autoridade fiscal procedeu ao cálculo do imposto devido sem considerar que o contribuinte não havia recebido a restituição apurada na DAA. Ou seja, no Auto de Infração exigiuse do contribuinte a quantia de 26.252,64 Ufir, que está acrescida do valor da restituição apurada e não recebida. Já na decisão recorrida, quando do cálculo do imposto devido depois de excluída do lançamento a infração de omissão de rendimentos, tal erro mantevese, de forma que se passa a seguir ao correto cálculo do imposto devido pelo contribuinte: Demonstrativo de apuração do IRPF anocalendário 1993 (em Ufir): Base de cálculo declarada 240.406,22 Parcela a deduzir 4.140,00 Imposto devido na declaração 55.961,55 Imposto de renda retido na fonte 53.996,06 Saldo de imposto a pagar 1.965,49 Saldo de imposto em Reais R$ 1.790,16 Nessa conformidade, o saldo de imposto a pagar deve ser alterado de R$ 7.835,85 (valor apurado na decisão recorrida) para R$ 1.790,16. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas pela defesa e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para considerar devido o imposto de renda no valor de R$ 1.790,16, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 18471.000097/200410 Acórdão n.º 210201.188 S2C1T2 Fl. 118 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13739.000675/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.063
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de otos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasungi
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-12-14T15:21:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-12-14T15:21:54Z; Last-Modified: 2011-12-14T15:21:54Z; dcterms:modified: 2011-12-14T15:21:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:978cab53-0a88-46d6-99a4-612ae969c566; Last-Save-Date: 2011-12-14T15:21:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-12-14T15:21:54Z; meta:save-date: 2011-12-14T15:21:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-12-14T15:21:54Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-12-14T15:21:54Z; created: 2011-12-14T15:21:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-12-14T15:21:54Z; pdf:charsPerPage: 1153; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-12-14T15:21:54Z | Conteúdo => sidente Giov EN_ Acácia S atora Vistos, relatados e disc resentes autos. Acordam os Me do, por unanimi de de votos, em negar provimento ao recurso, nos termo ra. EDITAD EM: 09/11/2011 52-C1T2 Fl. 43 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13739.000675.2007-51 Recurso le 172.498 Voluntário Acórdão n° 2102-01.063 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente ALOÍSIO ROSA PIMENTEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, NUbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Assim, contra ALOISIO ROSAL PIMENTEL foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 21/23, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano- calendário 2003, exercício 2004, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular constatou-se omissão de rendimentos sujeitos A tabela progressiva, no valor de R$ 16.224,60, percebido das fontes pagadoras. Na apuração do imposto devido, nada havia a ser compensado. Ern síntese, o presente processo fiscal de lançamento, fora lavrado após o processamento da declaração de ajuste e resultado da solicitação de retificação de lançamento - SRL, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa fisica e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 05/20. A DRJ em acorddo tombado sob o n°. 13-17.826, la. Turma da DRFRJOII, em sessão de julgamento datado de 28/11/2007, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 29/33, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - 1RPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusêes do conceito de remuneraçao, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, no são hipóteses de isençao ou nao incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em materia tributaria, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente" Cientificada, ern 02/06/2008, fls. 41, o contribuinte apresentou, em 17/06/2008, recurso voluntário, fls. 37/40, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal no 8.852/94, em seu art. 1°, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13 0 Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. RELATÓRIO. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes Processo n° 13739.000675.2007-51 S2-C I T2 Acórdão n.° 2102-01.063 1:1. 44 Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fatica para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instancia que, aqui transcrevo, em partes: 0 Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3 0 da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § I°, da Constituição Federal, além de dar outras providencias, mas não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito , não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada especie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art I° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa fisica, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/2006-17 Recurso n°. : 155.978 Matéria : IRPF - Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 1RPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas fIsicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de ferias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, a mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências Desta fl a, an correto o lançamento e, por conseguinte, não merecendo reparos a decis. , • eira instância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. 41w.. Ac asugi - Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001249/2003-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999
Ementa:
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL.
Comprovado que os rendimentos do contribuinte são decorrentes de
aposentadoria, e comprovado, através de laudos oficiais, que o mesmo é portador de doença grave prevista em lei, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713/88.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-001.021
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso para reconhecer o direito à isenção do IRPF em relação aos rendimentos de aposentadoria.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. Comprovado que os rendimentos do contribuinte são decorrentes de aposentadoria, e comprovado, através de laudos oficiais, que o mesmo é portador de doença grave prevista em lei, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713/88. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à isenção do IRPF em relação aos rendimentos de aposentadoria. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 05/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 05/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração para exigir crédito tributário de IRPF, exercício 1999, no montante total de R$ 12.230,21, incluído multa de ofício e juros de mora calculado até 03/2003, originado da constatação de omissão de rendimentos auferidos da Polícia Militar do Estado de São Paulo. O auto de infração foi lavrado em 06/02/2003 e confirmada a intimação via AR em 08/04/2003 (fls.24). Tendo o contribuinte já falecido desde 11/04/2000, conforme atestado de óbito acostado às fls.15, a inventariante interpôs, em 29/04/2003, impugnação de fls. 01/13, acompanhado dos Laudos Médicos de fls.17/19, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: que é policial militar aposentado com idade superior a 65 anos, vivendo exclusivamente dos rendimentos de sua respectiva aposentadoria, composta de proventos mensais, sobre os quais são efetuados os correspondentes descontos; que dentre os descontos apontados, incluise o imposto sobre a renda na fonte, cuja incidência se opera na proporção de 27,5%; que por considerar a cobrança de imposto de renda nestas condições manifestamente inconstitucional, a ASSOCIAÇÃO DOS OFICIAIS DA RESERVA DA POLÍCIA. MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO, na condição de representante dos interesses de seus associados policiais militares aposentados, impetrou Mandado de Segurança coletivo ou 18/09/1996 objetivando o afastamento da exigência do referido; imposto pela afronta ao artigo 153, § 2°, II, da Carta Magna. Postulou o provimento liminar bem como a autorização para promover o depósito judicial das quantias discutidas no curso do pleito; que a liminar foi deferida, suspendendose a exigibilidade do imposto, passando a Associação a promover o competente depósito judicial dos valores. Tais depósitos foram efetuados no período de janeiro de 1997 a fevereiro de 1998; que sobreveio sentença improcedente, cuja ciência se deu em 23/04/1998; que a Associação, sucessivamente, apelou e ajuizou ação cautelar incidental no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, obtendo nesta última a concessão de liminar em 03/06/1998; que em 15/12/1998, foi promulgada a Emenda Constitucional n° 20/98 revogando, em seu artigo 17, a imunidade imersa no artigo 153, § 2°, II, da CF/88; que, neste sentido, a Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região apreciou as razões de Apelação da Associação, inclusive a superveniente Emenda Constitucional 20/98, e, ao final, negoulhe provimento, tendo sido o Acórdão publicado em 26/09/2001; que tal decisão motivou a Associação a interpor Recurso Extraordinário à Suprema Corte. Recurso não admitido, o que ensejou a interposição de Agravo de Instrumento à apreciação do Supremo Tribunal Federal, o qual até a presente data não foi apreciado; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 05/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10840.001249/200355 Acórdão n.º 220101.021 S2C2T1 Fl. 2 3 que, apesar de a lide ainda não ter sido decidida de forma definitiva, o interessado se vê às voltas com o presente lançamento fiscal, descabido e inconstitucional; que preliminarmente, impõese o sobrestamento deste feito administrativo em face da existência de demanda judicial em curso, a qual se encontra em fase de apreciação de juízo de admissibilidade perante o Supremo Tribunal Federal; que o pedido encontra respaldo no primado da segurança jurídica, encartado no Texto Constitucional, bem assim no princípio da celeridade processual e da economia processual, haja vista que os desdobramentos da autuação ora combatida se submeterão impreterivelmente à decisão que venha a ser proferida pela Suprema Corte; que, também preliminarmente, assinala o cabimento da presente Impugnação, por tratarse de exigência inter partes, fato que não se confunde com o pleito coletivo originalmente intentado pela Associação da qual faz parte o ora Impugnante. Cita entendimento doutrinário c jurisprudencial sobre a matéria. E continua alegando: que a autoridade administrativa pode e deve manifestarse acerca de inconstitucionalidades de leis fundamentadoras de seus atos, quando tal inconstitucionalidade seja flagrante e inafastável; que deseja a não aplicação de normas inconstitucionais e ilegais, como forma de defenderse, ainda que provisoriamente, de danos irreparáveis que agridam os seus direitos e garantias individuais; que cumpre a todos os poderes do Estado a permanente busca pela preservação do texto constitucional, onde qualquer ato praticado, de conteúdo legislativo ou não, deixa de ter eficácia quando conflitante com a Constituição, segundo o princípio da supremacia constitucional, que tem por fim garantir a unidade do sistema jurídico; que, nesse sentido, diz a decisão do Tribunal de Impostos e Taxas, de relatoria do Juiz Adermir Ramos da Silva, por ocasião de decisão plenária SF n° 2.173/95, fazendo citação das palavras de Francisco Campos: "... recusar ao Poder Legislativo ou ao Executivo a faculdade de interpretar a Constituição e, em virtude de sua interpretação, tomar decisões, seria instalar, nos dois grandes motores da vida política do País, ou do Estado, o principio da inércia e da irresponsabilidade, paralisando seu funcionamento por um sistema de frenação e obstrução permanentes. Daí a conclusão de que esses Poderes não são apenas autorizados, mas necessitados e compelidos a julgar por si mesmos a constitucionalidade de seus atos. " (cfr. Recurso de Mandado de Segurança n. 15.015SP Rt. .136/383) (in Tribunal de Impostos e Taxas, Ementário 1996, p. 393); que qualquer exigência fiscal referente ao período entre janeiro de 1997 e fevereiro de 1998 não pode ser considerada válida tendo em vista a realização de depósitos judiciais neste período, nos autos do MS citado; que no mérito da questão, pauta sua argumentação por meio de quatro variáveis, quais sejam, a primeira substanciada na incompetência do legislador ordinário para dispor sobre a incidência do imposto sob exame, a segunda consubstanciaria no grau eficácia da norma imunizante inserta no artigo 153, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 05/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 4 parágrafo 2°, inciso II, da Constituição da República que, à míngua de normação restritiva, produz desde logo os seus efeitos próprios, a terceira configurada na superveniência da inconstitucionalidade da supressão promovida pela Emenda Constitucional 20/98 e a quarta, consistente na dupla incidência tributária nos proventos de aposentadoria pelo imposto de renda; que a legislação ordinária mencionada no auto de infração, ora impugnado, como fundamentação para a cobrança de valores referentes ao Imposto de Renda nos moldes aqui mencionados, não é suficiente para produzir os efeitos a que se pretende, pois inconstitucional, face à incompetência do legislador ordinário para normalizar sobre a matéria; que tratase de assunto adstrito á ambitude do legislador complementar, em consonância, frisese, com o mandamento imerso no artigo 146, inciso II, "a" do Diploma Excelso, que consagrou a função tricotômica da legislação complementar de índole tributária, atribuindolhe, pois, nommtizar sobre conflitos de competências entre as pessoas políticas, limitações constitucionais ao poder de tributar, e normas gerais, inclusive, base de cálculo de obrigação tributária; que somente a lei complementar pode versar acerca de normas gerais, base de cálculo, a exemplo do tema ern discussão, opinião sufragada por doutrinadores de tomo, a exemplo das citadas que deixo de transcrever; que o pensamento dos doutrinadores reconhecem caber privativamente à lei complementar a incumbência de desenhar a base de cálculo de impostos; que as imunidades podem ter efeitos absolutos ou relativos, ou seja, tanto pode abrigar cores irrestringíveis, aquela concernente a templos de qualquer culto ou a respeitante a jornais e livros, ou restringíveis, a não incidência constitucionalizada susceptível de normação ulterior de índole infraconstitucional, a teor do caso versado, onde o artigo 153, parágrafo 2°, inciso II, do Diploma Magno qualificou como imunes do imposto sobre a renda os proventos de aposentados e pensionistas, nos termos e limites a serem firmados em lei, no caso lei complementar; que os funcionários categorizados naquele preceito constitucional estão a salvo de qualquer tributação na área do imposto sobre a renda, a não ser nos termos e limites a serem fixados em legislação complementar. Assim, enquanto não sobrevier a lei complementar, a imunidade se opera em sua plenitude; que as normas precitadas não podem ser qualificadas por igual e que a diferença consiste na impossibilidade de restrição porvindoura com referência às primeira e a condição de restringíveis que peculiarizam às segundas; que o artigo 153, parágrafo 2°, inciso 11, CF é norma autoexecutável, que produz todos os seus efeitos imediatamente, embora passíveis de restrição por meio de norma infraconstitucional; que enquanto não sobrevier a aludida formação subsconstitucional restringível, os seus efeitos se operam de plano e na plenitude; que a regra imunitária em apreço impede qualquer incidência do imposto sobre a renda na fonte, ou sob o regime de declaração ou a qualquer titulo seja, o qual C cobrado sobre a remuneração dos associados da Impugnante, tudo em virtude do binômio ora sustentado, de um lado, a existência de uma norma pronta e acabada e, de outra parte, a inexistência de legislação idônea para restringir a dimensão da nãoincidência, mensurando a base de cálculo, obtemperando que a legislação a viger não atende aos ditames do Texto Supremo; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 05/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10840.001249/200355 Acórdão n.º 220101.021 S2C2T1 Fl. 3 5 que a revogação da imunidade em apreço por meio da Emenda Constitucional de n° 20198 é inconstitucional, pois cláusula pétrea enquanto contemplado no rol de direitos e garantias. Cita entendimento doutrinário sobre as alegações. E prossegue: que há superposição de incidência tributária, uma vez que os valores recolhidos pelo Impugnante à época em que era funcionário ativo para composição de seu fundo de previdência já sofreram a incidência do imposto de renda; que a simples condição de aposentado já propicia o desfrute da situação prevista no mandamento constitucional imunizante. Cita jurisprudência constitucional acerca de suas teses Por fim, requer o sobrestamento do feito até o julgamento final do Recurso Extraordinário no STF e, caso não acolhido, a insubsistência do auto de infração, em virtude da imunidade alegada ou em face da dupla incidência tributária, ou ainda a declaração de inexigibilidade do tributo no período compreendido ente janeiro de 1997 a fevereiro de 1998, em virtude dos depósitos judiciais realizados. Ao analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BSA n° 0321.593, de 19 de julho de 2007, fls. 33/44, em decisão assim ementada: “CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. OMISSÃO. Os rendimentos provenientes de aposentadoria são tributáveis por expressa determinação legal. Omitidos na Declaração de Ajuste Anual, deverão ser adicionados à base de cálculo eventualmente declarada, para fim de apuração do imposto devido. ESPÓLIO. MULTA DE MORA. A multa aplicada ao espólio por infrações cometidas pelo de cujus até a data da abertura da sucessão é de dez por cento sobre o imposto apurado. Lançamento Procedente em Parte.” Cientificado da decisão da DRJ em 11/12/2007 (fls. 48), o contribuinte devidamente representado por sua inventariante, interpôs em 16/12/2007, Recurso Voluntário de fls.50/51, em que em síntese argumenta que a Ação/Liminar, impetrada pela Associação dos Oficiais da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, foi realizada sem antes fazer uma comunicação prévia aos associados, pois o contribuinte desde Maio de 1993 foi diagnosticado portador de Síndrome de Parkison, como prova acosta Laudo Médico de fls. 52, emitido pelo Departamento Municipal de Brosowski/SP, no qual está assim disposto: “LAUDO MÉDICO PERICIAL Atesto para os devidos fins de ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA, nos termos do artigo 6°, inciso XIV, da lei Federal n° 7.713 de 22 de dezembro de 1.988, com redação dada pela Lei Federal n° 9.250, de 26 de dezembro de 1.995, e parágrafo 4°, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 05/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 6 da Instrução Normativa n° 25, de 29 de abril de 1.996, da Secretaria da Receita Federal, que o Sr. José Fernandes de Lima Junior, portador da cédula de identidade RG n° 764.3524 SP/SSP inscrito no CPF sob o n° 051.936.48800, nascido no dia 15/07/1917, é portador de síndrome de Parkinson, CD n° 332.0/0, desde maio 1.993, moléstia não passível de cura por tempo indeterminado, e evolui para o óbito em 11 de abril de 2.000, conforme atestados e exames constantes no prontuário.” O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls.56 (última). É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. No mérito a controvérsia está centrada em se definir se o contribuinte tinha ou não, no anocalendário de 1998, direito à isenção do IRPF por moléstia grave. Compulsando os autos verificase que o contribuinte era reformado, pois nasceu em 15/07/1917, assim em 1998, já tinha 80 anos. A dúvida existente está circunscrita a data do início da sua patologia que é o início do prazo para o direito de gozar da isenção prevista em Lei. Vale transcrever o dispositivo legal que ampara essa isenção, consolidado no artigo 40, do Regulamento do Imposto de Renda, então vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 1994: “Artigo 40 Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXVII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;" (grifouse) A decisão de primeira instância ao apreciar as provas trazidas aos autos asseverou: “Com relação ao laudo médico datado de 09/08/1999, à fl. 18, que informa que o contribuinte era portador de Doença de Parkinson, esclareço à interessada que para que o contribuinte fizesse jus à isenção por moléstia grave no anocalendário de 1998 seria necessário comprovar por meio de laudo oficial que o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 05/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10840.001249/200355 Acórdão n.º 220101.021 S2C2T1 Fl. 4 7 contribuinte possuía a doença em 1998 e que era reformado. Friso a necessidade de o contribuinte ser reformado, já que a legislação não concede a isenção aos servidores da reserva, conforme legislação abaixo transcrita.” Não obstante essa diferenciação apresentada, sobre militar reformado ou da reserva, divirjo da mesma, filiandome a jurisprudência predominante desse Colegiado de que a reserva remunerada se equipara à aposentadoria, razão pela qual os rendimentos assim auferidos por contribuinte portador de moléstia grave estariam enquadrados na regra da isenção do IRPF. Como fundamento, valhome das conclusões do nobre Conselheiro Nelson Mallmann ao proferir o Acórdão nº 10421.935, datado de 18 de outubro de 2006: “Ora, qualquer interpretação que leve em conta tão somente à letra da lei, mas não o seu contexto, a finalidade da norma a se aplicar, está fadada a cometer equívocos. Com efeito, a um caso concreto aplicase o ordenamento jurídico vigente inteiro, com os seus freios e contrapesos, de acordo com a razoabilidade que o caso concreto pede. Há de se buscar, no caso em tela, a finalidade da norma isentiva. Parecenos objetivar a proteção ou ressalva dos proventos daquele que se encontra inativo, seja militar ou civil, desde que portador de moléstia grave especificada em lei. Esses dois requisitos são suficientes, sem necessidade de entrarmos numa discussão de termos técnicos, como, por exemplo, o da distinção entre reforma e reserva remunerada. Aquela decisão, interpretando e aplicando tãosomente a literalidade da lei, houve por bem não acolher o pleito do contribuinte, não reconhecendo a isenção a que se refere o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº. 7.713, de 1988, para o período em que o recorrente se encontrava na reserva remunerada, manifestandose que apenas faz jus àquele que passou para a inatividade mediante reforma. Não obstante, entendo que o portador de moléstia grave faz jus à isenção por enquadrarse na condição de aposentado. Buscando a finalidade que norteia a norma isentiva, que inegavelmente visa proteger o portador de doença grave prevista em lei, constatase que a reserva remunerada nada mais é que a aposentadoria a que se refere o dispositivo isencional acima transcrito. Da citada legislação, podese verificar que, tanto a transferência para a Reserva Remunerada como a Reforma, podem ser efetuadas “a pedido” ou “exofício”, sendo certo que, a reforma exofício, será aplicada ao militar que atingir determinadas idadeslimite de permanência na reserva ou ser portador de doença grave que o incapacite para exercer a atividade militar. Além disso, se por ventura for convocado, dentro das situações previstas em lei, para integrar novamente o serviço ativo, o militar na reserva, portador de doença incapacitante, não poderá participar do serviço ativo e será automaticamente reformado. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 05/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 8 Assim, é que o recorrente deveria ter sido reformado ex ofício na data em que foi constatado ser portador de neoplasia maligna, já que não poderia ser convocado para exercer atividade na ativa. Entretanto, não foi feito à transposição de reserva remunerada para a situação de reformado, que para mim, para fins tributários, é irrelevante, já que o termo transferência para inatividade (reserva remunerada ou reforma) tem o mesmo significado que aposentado, caso contrário seria uma norma tributária restritiva, não dando direitos iguais para situações iguais, pois a norma isentiva é para os portadores de moléstia grave prevista na lei, cujos rendimentos são oriundos de aposentadoria. O militar na reserva remunerada não exerce mais atividade militar é um aposentado no sentido amplo, que só perdera esta condição se estiver em perfeitas condições de saúde e se for caso excepcional de convocação, em situações especiais previstos na lei, para reversão ao serviço ativo e para que esta condição excepcional se realize deverá, antes de qualquer coisa, passar por uma junta médica para que seja verificado a sua situação de saúde. Ora, o suplicante na situação que se encontrava em 02 de outubro de 2000 (constatação de neoplasia maligna devidamente atestada), jamais voltaria a integrar o serviço ativo em circunstância alguma, pois seria considerado inapto para o serviço militar. Não tenho dúvidas, de que o termo reserva remunerada, referese à aposentadoria de que trata a norma isencional, tendo recebido nominação própria em face das peculiaridades dos membros das Forças Armadas e Forças Auxiliares. Entendo, pois, que a simples negativa ao direito isencional em face da denominação de “reserva remunerada” não tira do contribuinte o direito à isenção em face de moléstia grave. Considerandose, ainda, que a tipificação primeira, naquele Estatuto, enquadra a reserva remunerada a título de inatividade. Da mesma forma, discordo daqueles que se filiam à tese de que quando a Lei nº. 7.713, de 1988, no seu artigo 6º, inciso XIV quis falar, propositalmente, em proventos de reforma, e que esta norma estaria restringindo a isenção somente aos militares portadores de doença grave que fossem reformados, não entraria neste contexto os militares que estivessem na inatividade sob a condição de transferidos para reserva remunerada não importando os detalhes da situação individual de cada um, ou seja, só faz jus àqueles que estiverem na situação de reformado, apresentando como contraponto o inciso XV do artigo 6º da lei anteriormente citada, sob o argumento que neste inciso se fala em transferência para a reserva remunerada ou reforma. Ora, é evidente que a redação do artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 1988, não poderia ser diferente, já que pela Lei 6.880, de 1980 (Estatuto dos Militares) os militares portadores de doença que incapacite para o exercício da função militar são reformados ex officio, independentemente de estar no serviço ativo ou estar na inatividade sob a condição de transferidos para Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 05/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10840.001249/200355 Acórdão n.º 220101.021 S2C2T1 Fl. 5 9 reserva remunerada. Ou seja, em termos práticos o militar que esta na condição de transferido para inatividade (transferência para reserva remunerada) portador de doença que incapacite para o exercício de atividades inerentes das forças armadas, não poderá, mesmo que queira, retornar ao serviço ativo, deverá ser automaticamente reformado e não poderá mais ser convocado. Ademais, o termo transferência para a reserva remunerada utilizado pelo inciso VX do artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 1988, se comparado ao conteúdo da Lei nº. 6.880, de 09 de dezembro de 1980 (Estatuto dos Militares) é letra morta, já que somente abrangeria os oficiaisgenerais, pois estes são reformados ex officio aos 68 (sessenta e oito) anos, o restante, que representam a expressividade das forças armadas, são reformados ex officio com idades entre 56 (cinqüenta e seis) anos e 64 (sessenta e quatro) anos.” A questão que resta é a definição de a partir de quando a Contribuinte tem direito a tal isenção. A respeito, dispõe o § 4º, do mesmo dispositivo acima transcrito, in verbis: “§ 4º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” O contribuinte durante a fiscalização apresentou Laudo Médico emitido pelo Chefe do Departamento de Perícias Medicas da Polícia Militar do Estado de São Paulo, fls.18 que foi acolhido, sendo apenas apontada a falta da indicação da data em que a doença foi contraída. No recurso voluntário, foi apresentado Laudo Médico, emitido pelo Departamento Municipal de Brosowski/SP, fls. 52, indicando que o contribuinte é portador de síndrome de Parkinson, CD n° 332.0/0, desde maio 1993. Identifica a data inicial da moléstia em maio 1993 e sendo o contribuinte aposentado, não resta qualquer dúvida, que os rendimentos de aposentadoria recebidos pelo Contribuinte, no anocalendário de 1998, estão isentos do IRPF. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para reconhecer o direito à isenção do IRPF para seus rendimentos de aposentadoria. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 05/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 05/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 10DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 05/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000604/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e
serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou
fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas
legais.
BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO
FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL
A receita relativa ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363/96,
apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa
comercial exportadora com fim específico de exportação, deve ser
contabilizada como receita operacional e oferecida à tributação do COFINS.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
DILIGÊNCIA. MATÉRIA DE DIREITO. PRESCINDIBILIDADE.
Indeferese
o pedido de perícia cuja realização revelase
prescindível para o
deslinde da questão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.083
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, deve ser contabilizada como receita operacional e oferecida à tributação do COFINS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DILIGÊNCIA. MATÉRIA DE DIREITO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revelase prescindível para o deslinde da questão. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Fl. 531DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado EDITADO EM: 24/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria versado no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro II: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos de COFINS, apurados sob o regime nãocumulativo, referente ao 3° trimestre de 2006, decorrentes de operações de exportação. A DRF/LONDRINA/PR exarou o Despacho Decisório de fls. 396, com base no Parecer SAORT/DRF/LON n° 275/2007 (fls. 393/395) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 364 a 386), deferindo parcialmente o pedido da interessada, no sentido de reconhecer o direito creditório no valor de R$ 385.831,13 e homologar as compensações declaradas pelo contribuinte relacionadas no Parecer. No Termo de Verificação Fiscal que embasou a decisão proferida consta consignado, em resumo, que a) Em verificação por amostragem, constatouse que os elementos que respaldaram o preenchimento do DACON foram devidamente registrados na escrituração fiscal e contábil do contribuinte; b) Foram incluídos na base de cálculo da contribuição devida nos meses analisados, os valores referente à recuperação de despesas e, no mês de julho, valor referente a ressarcimento de IPI, uma vez que não há previsão legal para a exclusão efetuada pelo contribuinte; c) Foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar nos meses analisados, os encargos de depreciação que não se Fl. 532DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 330201.083 S3C3T2 Fl. 2 3 referem a bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação de produtos destinados a venda ou à prestação de serviços; d) Foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar, as parcela dos combustíveis e lubrificantes que a contribuinte não comprovou terem sido utilizadas na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços; e) Encerrada a auditoria, a autoridade fiscal propôs que do valor total pleiteado pelo contribuinte, fosse considerado legítimo, para fins de compensação e/ou ressarcimento, conforme previsto no § 1°, inciso II e § 2°, ambos do art. 6° da Lei 10.833/03, o valor de R$ 385.831,13. Cientificada da decisão em 02/08/2007 (fl. 402), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 31/08/2007 (fls. 415 a 423), alegando, em síntese que a) Os créditos referentes a combustíveis e lubrificantes foram excluídos sob alegação de que não houve comprovação de sua utilização na fabricação dos produtos ou na prestação de serviços. Comprovase mediante notas de amostragem, a aquisição de óleo diesel e lubrificantes, os quais são consumidos nos veículos da empresa no transporte de matéria prima dos frigoríficos para a indústria e desta, após a industrialização, para seus compradores e portos onde serão exportados; b) Os veículos da empresa também efetuam fretes e carretos, e notas de conhecimento de transporte (amostragem) que são receitas de serviços sujeitas à contribuição. Se os valores de fretes e carretos sofrem incidência da contribuição, logo se apresenta justo e correto que o óleo diesel necessário ao transporte também seja tributado pela COFINS. Dessa forma, a glosa relativa aos combustíveis não se sustenta; c) Os valores de recuperação de despesas, se referem a faltas de empregados ao serviço, participação correspondente aos empregados no vale transporte e vale refeição, bem como ao convênio Senai, Sesi, reembolso Bradesco Seguros, reembolso DHL, reembolso Desp. Pinho, conforme listagem do Razão em anexo; d) Tais valores não se referem a faturamento da venda de mercadorias ou prestação de serviços, mas recuperação de despesas. O STF já decidiu sobre a não incidência da COFINS sobre o alargamento da base de cálculo da Lei 9.718/98, art. 3°, § 1º. Portanto, a tributação efetuada pela fiscalização sobre os valores relativos a recuperação de despesas não deve prevalecer por contrariar jurisprudência do e. STF já decidida no ano de 2005; O A fiscalização equivocouse quanto à incidência do PIS sobre os ressarcimentos de IPI (devolução de PIS e Cofins), pois está exigindo PIS sobre a recuperação de PIS (crédito presumido de IPI); Fl. 533DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 g) A jurisprudência do e. TRF 4a região é muito clara e concisa sobre o assunto, conforme acórdão citado, que entendeu que dita recuperação não constitui receita da pessoa jurídica, não devendo incidir PIS sobre esse ressarcimento; h) Requer a reconsideração do Despacho Decisório, para conceder o direito ao creditamento da COFINS referente às aquisições de combustíveis e lubrificantes, bem como a exclusão da base de cálculo da COFINS dos valores referentes a recuperação de despesas e ressarcimento de crédito presumido do IPI registrados no Razão. 3 O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJO II tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 340/2008. A par dos argumentos lançados na Impugnação, proferiuse decisão não reconhecendo os créditos pleiteados e que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. Os gastos com combustíveis e lubrificantes, usados no transporte de matéria prima ou de produtos vendidos, não se caracterizam como insumo para fins de apuração de créditos a descontar na sistemática nãocumulativa. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPROVAÇÃO. Para fins de apuração dos créditos a descontar na sistemática nãocumulativa sobre gastos com combustíveis e lubrificantes a empresa deve manter registros contábeis e documentos capazes de comprovar e quantificar os valores vinculados à prestação de serviço de transporte rodoviário de carga. BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. A COFINS incide sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, não havendo previsão legal para a exclusão de valores relativos a recuperação de despesas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O crédito presumido de IPI, previsto na Lei n° 9.363/96, integra a base de cálculo da COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário a recorrente insurgirse contra a glosa dos gastos com combustíveis e lubrificantes, que entende serem passíveis de creditamento, bem como, protestou pela inclusão dos valores relativos ao ressarcimento de créditos presumidos de IPI na Fl. 534DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 330201.083 S3C3T2 Fl. 3 5 base de cálculo da COFINS, e pugnou pela realização de perícia técnica para a comprovação dos gastos com combustíveis e lubrificantes na frota própria. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Com o protocolo do Recurso Voluntário a matéria a ser analisada no presente processo está limitada a dois temas, a saber: (i) a possibilidade de utilização dos gastos com combustíveis e lubrificantes na sistemática de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativa; (ii) a impossibilidade de o crédito presumido de IPI integrar a base de calculo para a COFINS. (i) Créditos decorrentes da aquisição de combustíveis e lubrificantes Na decisão proferida pela DRJ o tema assim ficou retratado: No que concerne aos gastos com combustíveis, salientese que de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, foram aceitos apenas os créditos de PIS calculados sobre aquisição de combustíveis e lubrificantes comprovadamente utilizados na fabricação de produtos destinados a venda, conforme valores relacionados em fl. 389. A parcela glosada, segundo informação da interessada, se refere a despesas com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículo da empresa em atividades distintas, quais sejam: no transporte de matéria prima dos frigoríficos para o seu estabelecimento industrial ou deste, após a industrialização, para seus clientes e portos onde são exportados, bem como na prestação de serviço de frete realizado pela empresa. Anexa aos autos cópia de algumas notas fiscais para fins de comprovação das referidas aquisições e de alguns conhecimentos de transporte objetivando demonstrar que a empresa executa serviço de frete. A lei 10.637/02 que dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), bem como a Lei 10.833/03, assim prescreve: Art. 3º Do valor apurado na firma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos Fl. 535DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A Lei 10.833/03, que tratou da nãocumulatividade da COFINS, possui o mesmo dispositivo legal acima transcrito, tratando a matéria de forma igual. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verificase que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Vale destacar que a chamada “não cumulatividade” do PIS e COFINS não guarda qualquer simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS. Assim, a primeira diferença que destacamos é de ordem jurídica: a sistemática “não cumulativa” do PIS e COFINS, diferentemente da existente para o IPI e o ICMS, não vem prevista na Constituição Federal e sim em lei ordinária. Outra diferença tem relação com o método da “não cumulatividade” formalmente erigido pelo legislador ordinário para o PIS e COFINS. Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo”, como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. De outro lado, no caso do IPI, temos o método de crédito do imposto que determina que o calculo do crédito a ser utilizado leva em consideração o valor destacado de IPI na nota fiscal de aquisição dos insumos. Porém a falta de melhor definição dos termos utilizados na Lei 10.637/02 e 10.833/03 acabou por permitir uma grande discussão a respeito do alcance da possibilidade de utilização dos créditos para abatimento das contribuições devidas. De um lado, a Receita Federal que procura restringir o direito ao crédito igualando a sistemática de apuração a do IPI, ou seja, somente dariam direito ao creditamento as aquisições de insumos que se consumirem ou se desgastarem no processo produtivo, e de outro, os contribuintes, buscando um alargamento deste conceito de insumo. A respeito do tema vale destacar recente decisão do Conselho Administrativo de Recurso Fiscal – CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes Fl. 536DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 330201.083 S3C3T2 Fl. 4 7 denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado. (CSRF. Resp 248.457. Relator Henrique Pinheiro Torres Data Julgamento: 23/08/2010) Do voto do eminente Relator Henrique Pinheiro Torres destacase pela relevância para o aqui discutido: A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Após analisar o tema e os dispositivos legais relacionados, assim conclui o nobre relator: Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Fl. 537DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 Como vemos a jurisprudência administrativa do CARF caminha a passos largos para um distanciamento cada vez maior da aplicação dos conceitos do IPI na apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativo. No mesmo norte, decidiu a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, de forma unânime, nos autos do processo 11020.001952/200622, de cuja ementa destacase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI. Uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. (...) Recurso Voluntário provido em Parte. Neste contexto, entendo que assiste razão a recorrente, que pode creditarse das despesas com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículo da empresa em atividades distintas, quais sejam: no transporte de matéria prima dos frigoríficos para o seu estabelecimento industrial ou deste, após a industrialização, para seus clientes e portos onde são exportados, bem como na prestação de serviço de frete realizado pela empresa (ii) Credito Presumido de IPI Em relação a inclusão de valores relativos a créditos presumidos de IPI na base de cálculo da COFINS no mês de julho de 2006, assim se manifestou a decisão recorrida: Quanto à inclusão na base de cálculo da contribuição devida para o mês de julho, de valor registrado na contabilidade da empresa em conta representativa de receita a título de ressarcimento de IPI, a interessada alega que referido valor se refere a recuperação de crédito presumido de IPI e, como tal, não constitui receita da pessoa jurídica, conforme entendimento firmado pelo TRF da 4' Região. Registrese inicialmente que os documentos apresentados pelo contribuinte junto à manifestação de inconformidade não comprovam a origem da receita contestada, uma vez que se referem à cópia de decisões administrativas proferidas pela DRF/Londrina em agosto de 2004 reconhecendo, em nome da empresa interessada, direito creditório oriundo de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/96, apurado para o período de outubro a dezembro de 2003 e de janeiro a março de 2004. Já a receita incluída pela autoridade fiscal na base de cálculo do PIS foi escriturada na contabilidade da empresa no Fl. 538DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 330201.083 S3C3T2 Fl. 5 9 mês de julho de 2006, não havendo correspondência de datas nem de valores entre os créditos reconhecidos e a receita tributada. É de se estranhar também que a receita contabilmente reconhecida pela empresa em conta intitulada "ressarcimento de IPI" se refira de fato a crédito presumido de IPI, pois de acordo com o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 31 de março de 2004, abaixo transcrito, somente as pessoas jurídicas sujeitas à apuração cumulativa do PIS e da Cofins fazem jus ao referido crédito, não sendo este o caso do contribuinte. A Recorrente alega que os créditos presumidos de IPI referemse a apuração efetuada no 4º Trimestre de 2003 e 1º Trimestre de 2004 (somente do mês de janeiro de 2004) e teria sido calculado em período que não estava em vigor a Lei 10.833/03. E que estes créditos somente foram escriturados no mês de 07/2006, pois o pagamento pela Receita Federal somente ocorreu nesta data. Por fim, afirma que os valores relativos ao ressarcimento de crédito de IPI não estão sujeitos a incidência do PIS e da COFINS por não se constituírem receita da pessoa jurídica mas mera recomposição dos custos. Neste ponto também assiste razão a recorrente, pois de fato os ressarcimentos de créditos de IPI se caracterizam como mera recomposição dos custos existentes face a incidência das contribuições incidentes sobre os insumos adquiridos para a fabricação de produtos a serem exportados. Este entendimento segue a jurisprudência reiterada do STJ sobre o tema, cita se: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI (LEI N. 9.363/96). IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência desta Corte firmou seu entendimento no sentido de que as exações relativas ao PIS e à Cofins não incidem sobre os valores correspondentes ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n. 9.363/96. 2. Precedentes: REsp 1130033/SC, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 16.12.2009; AgRg no REsp 1059829/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 4.11.2008; REsp 807.130/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 21.10.2008; e REsp 1025833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 17.11.2008. 3. Ademais, "ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições" (REsp 807.130/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 21.10.2008). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.961 RS (2008/01568603)) Fl. 539DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 10 Neste contexto, indevida a inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores relativos ao ressarcimento de créditos presumidos de IPI. Por fim, deixou de apreciar a questão relativa a inclusão da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de créditos da COFINS por ser matéria estranha aos autos e para que não haja supressão de instância. Assim, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, nos termos acima expostos, mantendo a decisão recorrida em relação aos demais temas por seus próprios fundamentos, nos termos do art. 50 § 1º da Lei 9.784/99. (Assinado digitalmente) Alexandre Gomes Voto Vencedor Conselheiro Alan Fialho Gandra, Redator Designado Concernente a controvérsia relativa a utilização dos gastos com combustíveis e lubrificantes na sistemática de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativa, créditos esses glosados pela fiscalização, quando da análise do pedido de ressarcimento formulado pela Contribuinte, discordo do entendimento do eminente Relator, pelas razões que passo a expor. Da leitura atenta do dispositivo legal acima reproduzido há que se concluir que a condição para descontar o crédito sobre combustíveis e lubrificantes é que eles sejam usados na fabricação de bens ou produtos, estando superada a discussão se os mesmos são ou não insumos. A Lei determina que os mesmos sejam assim tratados. Pelo o que defluise dos autos, o gasto em apreço não gera direito ao creditamento eis que não são utilizados na fabricação ou produção. No presente caso, o frete é de produto acabado e, sendo assim, não foram utilizados conforme preceitua a lei. Entendo que a lei ao relacionar os bens e serviços que geram direito ao crédito o faz de forma taxativa, quaisquer outros dispêndios, seja qual for a denominação, alheios ao que está enumerado na lei, não dá direito ao creditamento. Destarte, ao contrário do entendimento da Recorrente e do ilustre Relator, os gastos em apreço não geram crédito do COFINS nãocumulativo, por falta de previsão legal. No tocante ao crédito presumido do IPI, sua natureza é de receita, uma vez que é um incentivo financeiro, uma despesa da União. Não representa um ressarcimento, em sentido estrito, ou uma restituição de tributo, mas sim um benefício financeiro instituído por lei que implica aumento do patrimônio da empresa beneficiária. Ademais, não é o fato de ter sido instituído como compensação financeira pela incidência das contribuições sociais que esteja isento de sua incidência pelo PIS ou desfigure a sua natureza de receita. Como bem disse o acórdão recorrido, cujos fundamentos adoto, o crédito presumido em tela tratase de receita e, portanto, está sujeito à incidência do PIS. Para que não Fl. 540DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000604/200641 Acórdão n.º 330201.083 S3C3T2 Fl. 6 11 houvesse incidência seria necessário haver lei específica, concedendo isenção, à vista do que dispõe o art. 150, § 6º, da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, § 2º, XII, g. Coerente com esse entendimento é que a Lei nº 11.945/2009, por exemplo, reduziu a zero a alíquota do PIS e da Cofins sobre receitas decorrentes de valores pagos ou creditados pelos Estados e Municípios aos contribuintes do ICMS e do ISS e autorizou a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins do valor da receita decorrente da transferência de créditos do ICMS para terceiros (arts. 5º, 15, 16 e 17 da Lei nº 11.945/09). Portanto, à mingua de previsão legal, não há como excluir da base de cálculo do PIS a receita recebida da União pela recorrente a título de crédito presumido do IPI. Quanto ao pedido de diligência entendo ser prescindível a realização da mesma visto que o objeto em apreço tratase de matéria de direito, portanto descabida para o deslinde da presente lide. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado Fl. 541DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004322/2007-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA
Só se cogita da nulidade do ato praticado pela autoridade administrativa,
quando presentes os pressupostos dispostos no art. 59 do Decreto nº
70.235/72. Assim, em havendo no lançamento informações e justificativas
que permitam ao contribuinte oferecer impugnação fundamentada e completa, não há de se falar em nulidade do lançamento por cerceamento ao
direito de defesa. DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram
origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações
realizadas à margem da contabilidade.
Numero da decisão: 1103-000.467
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Assim, em havendo no lançamento informações e justificativas que permitam ao contribuinte oferecer impugnação fundamentada e completa, não há de se falar em nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Fl. 452DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. . Relatório Tratasse de recurso voluntário a respeito da decisão da DRJ que indeferiu a impugnação da contribuinte. COELHO AUTO PEÇAS LTDA ME, acima qualificada, foi lançada no valor total do crédito tributário de R$ 99.302,05 relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Simples, conforme Auto de Infração e demonstrativos (fls. 0340, vol. 01). O lançamento ocorreu em virtude dos seguintes fatos: omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários, liquidações de cobranças e transferências entre agências, não escriturados, realizados junto ao Banco Bradesco S/A, Agência 12890, conta corrente nº 3.8393, em relação aos quais a contribuinte foi regularmente intimada e não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações correspondentes aos anoscalendário de 2003, 2004. Enquadramento: art. 24 da Lei nº 9.249/1995; arts. 2º. § 2º, 3º, § 1º, alínea “a”, 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; art. 42 da Lei nº 9.430/96; art. 3º da Lei nº 9.732/98; arts. 1860 188 e 199 do RIR/1999 (fls. 0408); Foi à empresa lançada, em procedimentos decorrentes, a recolher: a Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) Simples, no total do crédito tributário de R$ 99.302,05 (fls. 4155); a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) Simples, no total do crédito tributário de R$ 324.357,75 (fls. 7185); a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – Simples, no valor total do crédito tributário de R$ 162.178,76 (fls. 5670); e a Contribuição para Seguridade Social (INSS) – Simples, no valor total do crédito tributário de R$ 638.225,44 (fls. 86102) conforme a fundamentação legal constante das referidas autuações. O total do crédito tributário no processo é de R$ 1.323.366,04 (fls. 02). Foram juntados os demonstrativos que acompanham os autos de infração às fls. 105200 (vol. 01). Os demais documentos constam do volume 02. A contribuinte foi intimada em 18/09/2007 (fls. 272, vol. 02). Foi lavrado Termo de Revelia (fls. 343). A interessada apresentou impugnação em 22/11/2007 (fls. 354 373, vol. 02) alegando, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente, tempestividade da impugnação, pois seu procurador requereu que todas as intimações lhe fossem endereçadas ao escritório profissional, mas tal pleito não foi atendido, o que contribuiu para que não tivesse ciência do auto, e mesmo constando no aviso de recebimento o seu domicílio tributário, é desconhecida a pessoa que o recebeu, muito menos que tal correspondência tenha sido repassada ao representante legal da empresa; e somente tomou conhecimento da autuação por ocasião da devolução de seus livros fiscais e documentos utilizados na fiscalização, em 13/11/2007 (fls. 345), e o fato dos livros não terem sido restituídos em tempo hábil evidencia o cerceamento de defesa; Fl. 453DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10183.004322/200765 Acórdão n.º 110300.467 S1C1T3 Fl. 2 3 b) é de ser declarada a nulidade do lançamento tendo em vista que houve violação de seu sigilo bancário, que exige autorização judicial, tendo sido utilizada sua movimentação financeira como base de cálculo para constituição do crédito tributário, o que infringe o art. 5º, X e XII da Constituição e conforme doutrina e decisões de nossos tribunais, que transcreveu; c) há ilegalidade na utilização da movimentação financeira como base de cálculo para constituição do crédito tributário, já tendo o extinto TFR editado a Súmula nº 182 dispondo que é ilegítimo o lançamento do imposto de renda com base apenas em extratos ou depósitos bancários e, no caso, a autoridade ignorou os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional na medida em que as transações financeiras, por si só não são capazes de provar a aquisição de disponibilidade econômica, daí porque violouse tais dispositivos, conforme decisões do Conselho de Contribuintes e CSRF que citou, restando ser declarada a nulidade do auto de infração. A DRJ decidiu (ementa): “Inconstitucionalidade E Ilegalidade. É defeso em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade e legalidade das leis em vigor. Nulidade. Quebra Do Sigilo Bancário. A utilização, pela fiscalização, de documentos e extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, face à quebra do sigilo bancário do contribuinte, não configura nulidade, vez que a prova foi obtida nos termos legais. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003, 2004 irpj. omissão de receita. depósitos bancários. Nos termos da legislação de regência, inexiste sigilo bancário para o Fisco. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em contas bancárias, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Autuações Reflexas Do Simples: Pis/pasep CSLL Cofins CSS/INSS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal.” A contribuinte, ora recorrente, alega (resumo): Fl. 454DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA A contribuinte Recorrente foi preterida no seu direito de defesa, pois, apesar de requerida a produção de outras provas na impugnação, o órgão julgador de primeira instância não oportunizou tal ato, prolatando a decisão atacada; Dessa forma, nula se mostra a decisão atacada, pois, mesmo requerida a produção de prova pericial acerca da disponibilidade econômica para fins de lançamento tributário, o órgão julgador nem oportunizou a contribuinte fazer tal produção, nem mesmo as indeferiu em decisão fundamentada, como rege a norma; Assim, requer o conhecimento da presente preliminar, declarando nula da decisão de fls. 383389, oportunizando a parte Recorrente a produção da prova pretendida, qual seja, perícia sobre a movimentação financeira ante os documentos existentes nos autos; PRELIMINAR DA NULIDADE PROCESSUAL POR NÃO OPORTUNIZAR À CONTRIBUINTE APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES FINAIS Segundo redação do artigo 2°, X, da Lei Federal n° 9.784/99, todo processo administrativo deverá assegurar, dentre outras, garantia "(...) á apresentação de alegações finais à produção de provas (...) nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio"; In casu, além de não ter havido dilação probatória em detrimento único e exclusivo da Recorrente, também não lhe foi oportunizada a apresentação de alegações finais, o que se infere pela simples análise dos autos, muito embora o dispositivo legal acima seja categórico neste sentido; PRELIMINAR DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ANTES DA INSTAURAÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO ILEGALIDADE Mesmo que a legislação autorize a quebra do sigilo bancário do contribuinte, nesse procedimento deveria ter que ser observado alguns requisitos, os quais não foram pelo órgão fiscalizador. Verificase, que no procedimento em curso, a quebra se deu antes mesmo da instauração da fiscalização, portanto, desrespeitando o que determina a legislação, bem como o entendimento do STF sobre o assunto; A quebra se deu anteriormente a instauração do procedimento fiscalizatório, pois, diante dessas informações é que o órgão fiscalizador intimou a Contribuinte Recorrente para prestar esclarecimentos; Vejase às fls. 01/02 dos autos que embora tenham sido expedidos os Mandados de Procedimento Fiscal MPF'S, conforme determina a lei, os mesmos não foram devidamente apresentados à Recorrente, tanto que o campo para ciência da contribuinte está "em branco"; DO ÔNUS DA PROVA DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL.COMPROVAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO CONTRIBUINTE O ônus da prova caberia ao fisco. Fl. 455DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10183.004322/200765 Acórdão n.º 110300.467 S1C1T3 Fl. 3 5 DA ILEGALIDADE NA UTILIZAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DA CONTRIBUINTE COMO BASE DE CÁLCULO PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A base, de cálculo para a apuração do crédito tributário, conforme a própria autoridade responsável pela lavratura dos autos de infrações, foi baseada nas transações bancárias e depósitos efetivados na conta corrente da recorrente perante o Banco Bradesco S.A; A Jurisprudência que cruzam os nossos Tribunais Federais são no sentido da ilegalidade da base de cálculo seja feita desse modo, pois, é ilegítima o lançamento do imposto apenas em extratos ou depósitos bancários (súmula 182 do TFR). Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há, em absoluto, nulidade do acórdão recorrido, pois, a produção de provas, de acordo com o Decreto n.º 70.235, de 1972, se dá na impugnação, assim, tal pedido da recorrente não encontra amparo na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Quanto à produção de provas periciais, elas tem a forma própria (Decreto n.º 70.235/72), que também não foi seguida pela contribuinte, assim, rejeito o pedido de perícia. PRELIMINAR DA NULIDADE PROCESSUAL POR NÃO OPORTUNIZAR À CONTRIBUINTE APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES FINAIS O art. 69 da Lei n.º 9.784, de 1999, dispõe: “ Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei.” Como sabemos, o processo administrativo fiscal, regese por lei própria, assim, de acordo com a própria lei geral de processo administrativo, Lei n.º 9.784/99, a lei própria prevalece. Não há etapa de alegações finais no processo administrativo fiscal. Assim, a nulidade pretendida pelo recorrente não existe. Fl. 456DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 PRELIMINAR DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ANTES DA INSTAURAÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO ILEGALIDADE A afirmação da recorrente não condiz com a realidade, pois, se havia investigação, por óbvio já existia procedimento administrativo, haja vista que a fiscalização não agiria sem o competente procedimento administrativo em curso. Quanto a afirmação de que os MPFs não foram apresentados à contribuinte, não condiz com a realidade, haja vista que, fl. 105 há o AR que acusa recebimento tanto do termo de início da fiscalização quanto do MPF. DO ÔNUS DA PROVA DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL.COMPROVAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO CONTRIBUINTE No caso em questão, omissão de receita por depósitos ao contrário do que pensa a recorrente há uma inversão do ônus da prova, pois, o lançamento baseouse na Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, que diz: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A despeito da opinião contrária da impugnante, tratase de uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destacase que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. A comprovação da origem dos valores depositados em contacorrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Assim, não assiste razão a recorrente neste item também. DA ILEGALIDADE NA UTILIZAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DA CONTRIBUINTE COMO BASE DE CÁLCULO PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 457DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10183.004322/200765 Acórdão n.º 110300.467 S1C1T3 Fl. 4 7 Cumpre esclarecer que a autuação ocorreu na forma da lei, pois, é perfeitamente cabível considerar como receita omitida, em face da presunção legal juris tantum, prevista do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o valor representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. A própria lei quem define que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, e não meros indícios de omissão, sendo que esta presunção, a qual milita em favor do fisco, transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos, denotando que esta presunção é relativa, ou seja, passível de prova em contrário. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, mas sim, pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Há uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem e o fato desconhecido auferir rendimentos, o que permite estabelecer a presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos não declarados. Quanto a Súmula 182 do TFR, ela é anterior ao artigo 42 em questão, pois, antes da presunção legal os depósitos bancários não eram suficientes para caracterizar um lançamento. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de maio de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 458DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 13884.000478/2007-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Anocalendário:
2002
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito
passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois
do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,
sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,
de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3302-001.128
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_IPI - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IPI)
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 27/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório A matéria Tratada no presente processo foi assim resumida pelo acórdão produzido pela DRJ de Ribeirão Preto/SP: Tratase de lançamento de ofício da multa de mora pelo fato de a contribuinte acima identificada haver recolhido os débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referentes ao terceiro decêndio de agosto e primeiro e segundo de setembro, ambos de 2002, em atraso, com insuficiência da multa moratória. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que recolheu o tributo espontaneamente, antes do inicio do procedimento fiscal, acompanhado dos juros moratórios devidos, assim teria ocorrido a denúncia espontânea, que, a teor do art.138 do Código Tributário Nacional (CTN), afasta a responsabilização do sujeito passivo, portanto a aplicação da multa de mora deve ser afastada, conforme julgados que transcreve. Informa também que está discutindo a cobrança da multa moratória na Justiça e obteve o direito de depositála judicialmente, conforme sentença e guia que anexa. Assim, requer a nulidade do lançamento, pois o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa. Neste contexto, a Delegacia de Julgamento julgou o lançamento procedente em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A existência de ação judicial, em nome da interessada, importa em renúncia às instâncias administrativas quanto à matéria objeto da ação. Lançamento Procedente. Em seu Recurso Voluntário a recorrente alega, em síntese, que: (i) a multa mora deve ser excluída diante da denuncia espontânea do debito; (ii) interpôs mandado de segurança “apenas com o objetivo de que fosse declarada e reconhecida a denúncia espontânea efetuada pela Recorrente, de modo a ser autorizado o depósito judicial do débito guerreado, enquanto que o presente processo administrativo objetiva a demonstrar a desnecessidade de pagamento de multa de mora decorrente de denúncia espontânea.”; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13884.000478/200768 Acórdão n.º 330201.128 S3C3T2 Fl. 99 3 (iii) realizou deposito judicial dos valores ora discutidos em 29/09/2005 e que são improcedentes os argumentos de que os depósitos não seriam integrais; (iv) tendo ocorrido o depósito judicial e a suspensão da exigibilidade do crédito é nulo o lançamento realizado. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. O presente Auto de Infração Eletrônico foi emitido em 16/03/2007 para a cobrança de multa de mora incidente sobre recolhimentos de IPI efetuados fora do prazo regulamentar. A Recorrente alega se tratar de denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, e que o recolhimento foi efetuado sem o acréscimo da multa de mora uma vez que ocorreu antes de qualquer procedimento administrativo de fiscalização. Importante destacar que foi juntada ao presente processo, cópia do Mandado de Segurança Preventivo impetrado pela Recorrente, cujo pedido assim ficou assentado: “Por tais razões, presentes os requisitos ensejadores para a concessão da liminar, espera a Impetrante pelo seu deferimento, no sentido de declarar a inexistência da incidência de multa de mora decorrente do pagamento fora do vencimento, uma vez que a Impetrante utilizouse do instituto da Denuncia Espontânea previsto de forma literal no artigo 138 do Código Tributário Nacional.” Por conta do indeferimento da liminar no mandando de segurança, foi proposta Medida Cautelar onde se requereu o depósito dos valores que deixaram de ser recolhidos a título de multa, bem como a suspensão de sua exigibilidade. Consta ainda, cópia de decisão proferida em 23/09/2005, deferindo os pedidos formulados na Medida Cautelar. Neste contexto, indiscutível que a questão da incidência da multa de mora nos pagamentos em atraso, está sendo analisada pelo judiciário. Em relação à concomitância entre as matérias tratadas no processo judicial e no processo administrativo, o CARF promoveu a edição da súmula nº 1, cuja redação é a seguinte: Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Importante destacar que as súmulas do CARF são de aplicação obrigatória, conforme determina o art. do RICARF, devendo ser não conhecido o recurso em que se reconhecer a concomitância. No mais, tendo ocorrido o deposito integral do débito no Mandado de Segurança deve o crédito exigido no presente auto de infração permanecer com exigibilidade suspensa até o transito em julgado da ação judicial. Por todo o exposto voto por NÃO CONHECER DO RECURSO em razão da concomitância ora reconhecida. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13884.000478/200768 Acórdão n.º 330201.128 S3C3T2 Fl. 100 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 16327.002125/2003-82
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA
DE ORIGEM INCOMPROVADA. Caracterizam receitas omitidas os valores
creditados em conta bancária em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa: MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM INCOMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas com base em créditos em conta bancária de origem incomprovada, por si só, não autoriza a
qualificação da multa de ofício.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa: MULTA QUALIFICADA. DESINTERESSE DO CONTRIBUINTE DE COMPROVAR VALORES INFORMADOS EM DIPJ. Falta de condições ou de interesse do contribuinte para comprovar valores informados em DIPJ, alegado pela fiscalização, não caracteriza o evidente intuito de fraude, pressuposto legal para imposição da multa de
ofício qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1103-000.487
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar a
preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75%, vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes que
votou pela manutenção da multa qualificada (150%).
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM INCOMPROVADA. Caracterizam receitas omitidas os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM INCOMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas com base em créditos em conta bancária de origem incomprovada, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: MULTA QUALIFICADA. DESINTERESSE DO CONTRIBUINTE DE COMPROVAR VALORES INFORMADOS EM DIPJ. Falta de condições ou de interesse do contribuinte para comprovar valores informados em DIPJ, alegado pela fiscalização, não caracteriza o evidente intuito de fraude, pressuposto legal para imposição da multa de ofício qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria, dar provimento parcial ao Fl. 1223DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 recurso para reduzir a multa de ofício para 75%, vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes que votou pela manutenção da multa qualificada (150%). Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero (Vice presidente) e Aloysio José Percínio da Silva (Presidente). Relatório O processo trata de autos de infração de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica (fls. 1.346) e, como tributação reflexa, de CSLL – contribuição social sobre o lucro líquido (fls. 1.366), PIS – programa de integração social (fls. 1.353) e Cofins – contribuição para financiamento da seguridade social (fls. 1.360), relativos aos anoscalendário 1999 e 2000, lavrados em razão de omissão de receitas identificada com base em depósitos bancários de origem incomprovada, conforme presunção do art. 42 da Lei 9.430/96. Aplicada multa de ofício no percentual de 150% previsto no art. 44, II, da Lei 9.430/96. A autuada impugnou a exigência, contestandoa integralmente no mérito, além de suscitar preliminar de nulidade dos autos de infração. A turma de primeira instância julgou o lançamento procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão (fls. 1.457): “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. Descabe a alegação de nulidade por descumprimento de forma estabelecida para constituição de crédito tributário, quando no mesmo processo é lavrado um auto de infração distinto para cada tributo reflexo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, a legislação tributária autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1224DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.002125/200382 Acórdão n.º 110300.487 S1C1T3 Fl. 2 3 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada de 150 % deve ser aplicada em face de conduta reiterada tendente a ocultar dolosamente da administração tributária a ocorrência do fato gerador. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. INCONSTITUCIONALIDADE. Não é da competência de órgãos julgadores administrativos a manifestação sobre inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo discutir. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido no Imposto de Renda alcança as tributações reflexas dele decorrentes:PIS, COFINS e CSLL.” Cientificada da decisão em 06/02/2004 (fls. 1.471), a contribuinte interpôs o recurso no dia 1º do mês seguinte (fls. 1.472). Inicialmente, requereu envio de intimações ao endereço do seu procurador. Suscitou preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, em razão de suposto descumprimento do art. 9º do Decreto 70.235/72, que prevê a lavratura de autos de infração distintos para cada tributo, e pelo descabimento de “se falar em infração à legislação de um único imposto com reflexo nos demais”. No mérito, refutou a legitimiddade da apuração da base de cálculo por considerar que créditos em conta bancária sem comprovação de origem não reúnem os requisitos necessários, nos termos do art. 43 do CTN, para caracterizarem receitas omitidas. Considerou arbitrária a multa de 150%, tendo em vista que jamais teve o intuito de enganar a fiscalização, além de violar os princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Refutou a aplicação da taxa Selic como juros de mora. O despachos de fls. 1.661/1.662 tratam de inexigibilidade de arrolamento de bens para seguimento do recurso e anulação de inscrição em Dívida Ativa da União. É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator Fl. 1225DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 4 O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Esclareço, inicialmente, que este Conselho, na condição de órgão integrante da estrutura administrativa da União, não detém competência para enfrentar argüições de inconstitucionalidade de atos legais, segundo entendimento contido na Súmula Carf nº 2, com o seguinte enunciado: “Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A alegação de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa é descabida. Foram lavrados autos de infração distintos para cada tributo (fls. 1.346, 1.353, 1.360 e 1.366), conforme determina o art. 9º do Decreto 70.235/72. Em cada um deles, complementados pelo anexo TVF – termo de verificação fiscal (fls. 1.311), constaram os requisitos prescritos pelos art. 9º e 10 do referido ato legal, proporcionando ao contribuinte todos os meios para pleno exercício do seu direito de defesa, o que efetivamente ocorreu pelo que se observa pelo exame dos autos deste processo. A reunião dos autos de infração principal e reflexos num único processo está prevista §1º do supracitado art. 9º, com o seguinte teor: “§ 1º. Quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e autos de infração.” No mérito, vêse que a exigência está baseada na presunção de receitas em razão de créditos em conta bancária de origem incomprovada, contida no art. 42 da Lei 9.430/96. O dispositivo legal assim estabelece: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Revisando os autos, constatase que o requisito da prévia intimação ao contribuinte foi regularmente cumprido pela fiscalização. Os procedimentos adotados durante a fase investigatória foram bem resumidos no relatório da decisão recorrida: “O contribuinte foi intimado a apresentar, em 12 de novembro de 2001, entre outros documentos, os seus livros Diário e Razão, referentes aos anos de 1999 e 2000, conforme Termo de Início de Fiscalização de fls. 94. Em resposta, a empresa apresentou o Boletim de Ocorrência nº 000724/2002 (cópia às fls. 152/153), emitido em 21 de janeiro de 2002, pela 14ª Delegacia de Polícia de São Paulo, onde consta o roubo, em 18 de janeiro de 2002, do livro Diário e do Razão dos anos de 1999 e Fl. 1226DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.002125/200382 Acórdão n.º 110300.487 S1C1T3 Fl. 3 5 2000 e dos extratos bancários, subtraídos de um veículo parado no semáforo, quando transitava por uma via pública. Em 29 de janeiro de 2002 foi intimado (fls. 95) a reconstituir a documentação e a apresentar os demais documentos referentes à movimentação financeira dos anos de 1999 e 2000, ou, então, a apresentar a cópia de correspondência dirigida aos bancos, solicitando os extratos extraviados. Não havendo o atendimento por parte do contribuinte, conforme Termo de Verificação Fiscal – TVF às fls. 4/30 (fls. 1314 dos autos), foi solicitada pela fiscalização, em 14 de agosto de 2002, a emissão da “Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF”, efetuadas pela empresa nos bancos BCN S/A, Banco Boavista Interatlântico S/A e Bank Boston Múltiplo S/A. De posse das informações fornecidas pelas instituições financeiras, a fiscalização intimou o contribuinte em 11 de fevereiro de 2003 (fls. 106), a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem e o destino dos recursos utilizados nas movimentações financeiras. O TVF, às fls. 1313/1317, descreve minuciosamente o procedimento de fiscalização, com reiteradas intimações não atendidas ou com respostas insatisfatórias, por incompletas ou contraditórias, tendo o autuante concluído, às fls. 1317 que: “...tendo esgotado todas as oportunidades concedidas a empresa para reconstituir sua escrita e prestar os seus esclarecimentos, diante da falta de interesse, uma vez que em momento algum, da duração desta fiscalização, que iniciou em 12/11/2001 até hoje (12/05/2003) a empresa apresentou qualquer documentação como comprovação do que tentou esclarecer, tendo apenas objetivo de confundir e enganar esta fiscalização, passamos abaixo, a apontar a falta de lógica e as divergências, nos esclarecimentos acima descritos e em seguida apresentar os critérios adotados por esta fiscalização para o arbitramento dos valores a serem considerados para fins de lançamento dos créditos tributário, como segue ...” (grifo do original) Após o cotejo das informações fornecidas pelos bancos com as poucas informações coerentes obtidas junto ao contribuinte, a fiscalização apurou os montantes relacionados às fls. 1332/1333, que correspondem aos depósitos bancários não comprovados e que foram tributados como “Omissão de Receita”. A explicação do critério adotado para a determinação da base de cálculo do IRPJ e tributos reflexos, dos anoscalendário de 1999 e 2000, encontrase no item 5, do TVF (fls. 1321/1332).” (destaques do original) No âmbito da jurisprudência administrativa, é pacífico o entendimento de que os créditos em conta bancária sem comprovação de origem devem ser tributados como receitas omitidas, nos termos do dispositivo legal acima referido, conforme se observa nos seguintes acórdãos: “DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam omissão Fl. 1227DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 6 de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. (Ac. CSRF/0400.452/2006) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. LANÇAMENTO EM DEPÓSITO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. O lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósito bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir do ano calendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Ac. CSRF/0105.312/2005) OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica (Ac. 110100.166/2009)” A autoridade fiscal impôs a multa qualificada de 150% ao fundamento de apresentação das DIPJ relativas aos anoscalendário 1999 e 2000 com valores incorretos, sem suporte na contabilidade, inexistindo condições e interesse de comprovação de tais valores por parte da contribuinte, o que caracterizaria “o único objetivo de enganar a fiscalização”, segundo descrito no TVF (fls. 1.339). O percentual de 150% se encontra previsto no art. 44, II, da Lei 9.430/96, com a seguinte redação, vigente na época dos fatos: “Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – (...) II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Consolidouse neste conselho o entendimento de que apenas a apuração de omissão de receitas com base em presunção legal não seria suficiente para qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo nos casos previstos pelos art. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Essa é a interpretação contida no enunciado da Súmula Carf nº 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Por sua vez, os referidos artigos da Lei 4.502/64 definem sonegação, fraude e concluio: “Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, Fl. 1228DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.002125/200382 Acórdão n.º 110300.487 S1C1T3 Fl. 4 7 ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Do exame do texto legal transcrito (Lei 4.502/64), bem se vê que o fato relatado pela autoridade fiscal como falta de condições e de interesse da contribuinte de comprovar valores declarados, caracterizando objetivo de “enganar” a fiscalização, não se enquadra em nenhum dos tipos penais descritos acima, de sonegação, fraude ou conluio. Nos casos de declaração inexata, como ocorre nestes autos, aplicase a multa de ofício no seu percentual ordinário de 75% previsto no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Com efeito, seria possível, no máximo, na hipótese aventada nos autos – falta de condições ou de interesse do contribuinte para comprovar valores informados em DIPJ – o agravamento do percentual de 75% para 112,5%, por descumprimento de intimação para prestar esclarecimentos, conforme previsão expressa do §2º do mesmo artigo 44 da Lei 9.430/96. Na contestação da utilização da taxa Selic como juros de mora, a recorrente se baseou nas razões comuns aos que se rebelam contra a sua aplicação. Esse tema não suscita mais debates neste colegiado, tendo em vista a Súmula Carf nº 4, com o seguinte enunciado: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Conforme relatado, o processo também abrange autos de infração do tipo reflexo. Nesse caso, a decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. A respeito do envio de intimações requerido pela recorrente, cabe ao órgão preparador realizálo segundo as prescrições do art. 23 do Decreto 70.235/72. Conclusão Pelo exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao seu percentual ordinário de 75% previsto no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011. Fl. 1229DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 8 ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 1230DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000709/2004-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2001
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES E CONTRADIÇÕES.
Verificadas omissões e contradições no acórdão embargados, acolhe-se o recurso para promover as alterações necessárias de modo a sanar os vícios.
Embargos acolhidos.
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2201-000.984
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 30134160,
dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as áreas de reserva legal e de preservação permanente e alterar a área total do imóvel para 7.773,39ha, além de esclarecer que o valor a ser considerado como área de pastagem deve ser de 2.927,79ha e que o valor da terra nua deve ser recalculado considerando-se as alterações deliberadas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES E CONTRADIÇÕES. Verificadas omissões e contradições no acórdão embargados, acolhese o recurso para promover as alterações necessárias de modo a sanar os vícios. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos de declaração para reratificar o Acórdão nº 30134160, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as áreas de reserva legal e de preservação permanente e alterar a área total do imóvel para 7.773,39ha, além de esclarecer que o valor a ser considerado como área de pastagem deve ser de 2.927,79ha e que o valor da terra nua deve ser recalculado considerando se as alterações deliberadas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 14/02/2011 Fl. 350DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Cuidase de embargos declaratórios interpostos pela unida de SRFB de origem que aponta contradições, omissões e obscuridades no acórdão nº 30134.160. O referido acórdão foi julgado na sessão de 07/11/2007 e teve o seguinte resultado: ACORDAM os membros da primeira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Eis a ementa do acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 Prevalece a inteligência do parágrafo sétimo do artigo 10 da Lei 9.393/96 introduzido pela Medida Provisória 2.16667 de 24/08/01 em detrimento do disposto na Lei 10.165/2000 que traz a presunção legal em favor do contribuinte, de modo que vale o por ele declarado, em termos de áreas de preservação permanente e de reserva legal, até que o fisco demonstre, por meio de provas hábeis, a falsidade de sua declaração. A ausência do ADA não tem o condão de fazer incidir o ITR sobre as áreas de reserva legal e de preservação permanente declarada pelo contribuinte, ainda mais, quando devidamente comprovadas por ele. Área total do imóvel. Comprovada a redução pelo contribuinte da área total do imóvel através de levantamento topográfico realizado pelo INCRA à época dos fatos. Não houve a comprovação nos autos da redução referente à desapropriação realizada no imóvel para a época dos fatos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A embargante pede esclarecimentos sobre pontos do voto condutor do acórdão embargado. Nos seguintes termos: 1) Área total do imóvel. Observase à folha 324, que o relator, apesar de ter admitido que os documentos juntados aos autos demonstram, de forma inequívoca, a área total do imóvel, determina que seja Fl. 351DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13116.000709/200491 Acórdão n.º 220100.984 S2C2T1 Fl. 2 3 considerada a área total do imóvel correspondente a 7.375,0 ha, enquanto que nos mencionados documentos, a área total do imóvel infamada é de 7.773,39 ha (fls.55/91/324) 2). Área de pastagens Esclarecer quanto a área de pastagens a ser restabelecida. Se 3.956,0 há (DRJ) ou a área registrada no Laudo Técnico, 2.027,90 ha, já que a retificação da área total do imóvel foi aceita no julgamento de segunda instância (fl.59). 3) Alteração do VTN Confirmar o novo valor do VTN uma vez que a alteração da área total implica em alteração do VTN. VTN/ha = R$ 69,13 7.773,4 .R$ 69,13 = R$ 537.375.14 ou 7.375,0. R$ 69,13 = R$ 509.833,75 Em exame preliminar de admissibilidade o Presidente da Câmara resolveu distribuir o processo para exame, pelo Colegiado, dos aspectos questionados pela Embargante. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Os embargos atendem os pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Inicialmente, quanto à área total do imóvel, considerando que há discrepância entre o que s do voto e os documentos a que o voto se refere, de fato, notase que o voto refere se ao fato de que os documentos carreados aos autos provam uma área total de 7.350,0ha., quando, na verdade, os tais documentos mencionam uma área de 7.773,39. Assim, podese concluir que a discrepância decorre de um erro material do voto ao se referir ao número correspondente à área total do imóvel. Assim, penso que deve ser corrigido o valor correspondente à área total do imóvel para 7.773,39ha., que é o que se extrai do teor do voto. Quanto à área de pastagem, a Embargante pede que se esclareça qual o valor a ser considerado, dado que a questão não foi tratada no voto, entendendo que, com a mudança da área total do imóvel, esta também deveria ser alterada. Neste ponto, penso que a falta de referência do acórdão caracteriza uma omissão. Se o próprio recorrente, ao solicitar a redução da área total, por meio de laudo técnico, aponta neste lado técnico, além da redução da área Fl. 352DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 total, o valor da área ocupada com pastagem, uma redução não poderia ser considerada sem a outra. Penso, portanto, que, neste caso, além da redução da área total do imóvel, deve ser reduzida a área ocupada com pastagens para 2.027,90ha. Finalmente quanto ao VTN, embora o acórdão recorrido não tenha se referido expressamente a este ponto, resta claro que, como o VTN é proporcional à área total do imóvel, feitas as exclusões devidas, a redução da área total bem como das áreas aproveitáveis devem ser consideradas na apuração do VTN tributável. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para reratificando o acórdão recorrido, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as áreas de reserva legal e de preservação permanente e alterar a área total do imóvel para 7.773,39ha, esclarecendo, ainda, que o valor a ser considerado como área de pastagem deve ser de 2.927,79ha e que o valor da terra nua deve ser calculado considerandose as alterações acima. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 353DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 13839.004861/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
Com a publicação da Lei nº 11.941/09, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o §1° do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços.
O dispositivo legal revogado é justamente aquele cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, a qual deve ser acatada, forte no art. 26-A da Lei nº 11.941/09.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram-se previsão legal.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3201-000.687
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a exclusão das receitas consideradas alargamento da base de cálculo.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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O dispositivo legal revogado é justamente aquele cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, a qual deve ser acatada, forte no art. 26A da Lei nº 11.941/09. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontramse previsão legal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a exclusão das receitas consideradas alargamento da base de cálculo. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. EDITADO EM: 26/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrosssino Barbieri. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudino Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, fls. 38/46. O feito, referente a fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2002, resultou na constituição de crédito tributário no total de R$ 35.585,50, somados o principal, multa de ofício e juros de mora incorridos até o mês anterior ao da lavratura. O fundamento da autuação é falta ou insuficiência de recolhimentos da contribuição. No Auto de Infração, à fl. 39, a fiscalização assim sintetiza as razões da autuação: Constatamos diferença, em relação o PIS devido no ano calendário de 2002, no confronto dos respectivos valores informados pelo contribuinte para o período na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais com os valores informados na DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, a maior conforme Demonstrativo das Diferenças Apuradas pelo AFRF que passa a integrar o presente Auto de Infração. O contribuinte foi devidamente intimado, porém, não comprovou satisfatoriamente quanto ao recolhimento da diferença apontada da contribuição social devida no ano calendário de 2002. Essa contribuição incide sobre o faturamento da empresa, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS PELO AFRF, fl. 05, especifica, mês a mês, essencialmente, os valores de débitos escriturados na DIPJ, os débitos declarados em DCTF, os créditos apurados e as diferenças tributáveis. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 13839.004861/200650 Acórdão n.º 3201000.687 S3C2T1 Fl. 2 3 A contribuinte foi cientificada da autuação em 24/11/2006 (fl. 47), tendo apresentado, em 21/12/2006, impugnação ao feito fiscal (fls. 32/60), na qual, em síntese e fundamentalmente afirma: Ter como atividade preponderante o recrutamento, agenciamento e seleção de mãodeobra, conforme descrito no objeto social estabelecido em seu contrato social; “Quando contratada para prestar seus serviços de locação ou fornecimento de mãodeobra, realiza o pagamento da remuneração dos trabalhadores colocados à disposição do tomador dos serviços, sendo certo, ainda, que paga os encargos trabalhistas / previdenciários e, posteriormente, emite uma Nota Fiscal Fatura de Serviços contendo todos os valores a serem pagos, tais como "Reembolso de Salários", "Reembolso Ref. Encargos", "Repasse Vale Transporte", "Repasse Assistência Médica", e, por fim, o.valor cobrado como "Prestação de Serviços" ou "Taxa de Administração" ou "Taxa de Serviços" ou "Prestação de Serviços" que, efetivamente, é o valor percebido como contraprestacão dos serviços.” Não poder prosperar o entendimento esposado no Auto de Infração que aponta a base de cálculo da contribuição “englobando o total dos valores descritos da "Nota de Serviço" ou "Nota Fiscal Fatura de Serviços", ou seja, integra a base de cálculo de referidas contribuições os "reembolso de encargos trabalhistas/previdenciários", "reembolso de remunerações/salários" das pessoas que tiveram a mãodeobra, locada/fornecida ao tomador dos servicos, bem como "repasse" de despesas em geral (vale transporte, assistência médica etc.)” “Ressaltase (...) que a aplicação da lei n° 10.833/03, fere, também, os princípios constitucionais: (i)da estrita legalidade e tipicidade, e (ü)o art. 195, da CF e art. 110, do CTN.” Que a incidência tributária, como pretende a fiscalização, tomando como base de cálculo o valor total da fatura, fere o princípio da capacidade contributiva consagrado no artigo 145 da Constituição Federal. Cita, em favor desse argumento decisão judicial proferida nos autos do processo judicial nº 2005.61.00.0017102, da 16ª Vara Federal de São Paulo; Que o art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 480, de 2004, dedica tratamento diferenciado aos adquirentes de tíquetes alimentação e refeição, valetransporte e vale combustível, prescrevendo, para situação que assevera ser idêntica à sua, “calcular as contribuições sobre o valor da corretagem ou comissão cobrado”. Tal tratamento feriria o princípio da isonomia, positivado pelo artigo 150, II, da Constituição Federal; “Muito embora o pagamento houvesse sido realizado correta e tempestivamente sobre a Taxa de Serviço, razão suficiente para nulificar o auto de infração, é importante esclarecer, apenas para argumentar, que o Sr. Fiscal penalizou a Requerente com 75% de multa sobre o montante supostamente recolhido a menor”; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 4 Que a multa de ofício tem caráter confiscatório, ofendendo o artigo 150, Inciso IV da Constituição Federal; Que é ilegal a aplicação da SELIC para a atualização dos valores constituídos de ofício e é inconstitucional o parágrafo 4º do artigo 39 da Lei nº 9250, de 26 de dezembro de 1995, que estabeleceu a utilização da SELIC para fins tributários.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CPS no 0524.960, de 02/03/2009, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, cuja ementa dispõe, verbis “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EMPRESA FORNECEDORA DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. Sendo a autuada responsável pelo vínculo empregatício com o trabalhador cuja mãodeobra é locada ou posta a disposição de outras empresas, todos os valores faturados, ainda que posteriormente utilizados para a satisfação das obrigações contraídas com a contratação de pessoal devem ser considerados como receita bruta e, portanto, integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação de confisco. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. LANÇAMENTO PROCEDENTE.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente o lançamento, para manter o crédito tributário exigido mediante Auto de Infração de flS. 38/46. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta e requer o total provimento do recurso voluntário, bem como o reconhecimento da inconstitucionalidade do §1°, art. 3° da Lei de n° 9.718/98 pelo STF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 13839.004861/200650 Acórdão n.º 3201000.687 S3C2T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de diferença, em relação ao PIS devido no ano calendário de 2002, no confronto dos respectivos valores informados pelo contribuinte para o período na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais com os valores informados na DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, a maior conforme Demonstrativo das Diferenças Apuradas pela fiscalização, que resultou na constituição de crédito tributário no total de R$ 35.585,50; além do principal, multa de ofício e juros de mora. Em sede de recurso voluntário, solicita a recorrente que determine a incidência do valores sobre a receita bruta, sem a incidência do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, vez que declarado inconstitucional pelo STF — Supremo Tribunal Federal e ter sido revogado pelo art. 79, XII, da Lei n° 11.941/2009. Quanto à questão de inconstitucionalidade das normas, carece de competência para sua apreciação; tendo inclusive já pacificado o entendimento em relação ao tema com a edição da Súmula nº 02 abaixo transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Entretanto, não está se discutindo aqui a inconstitucionalidade daquela norma, já que o STF já a reconheceu em decisão plenária definitiva. O julgamento do RE 378191 AgR /RJ que bem resume o tema: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PIS. COFINS. LEI Nº 9.718/98. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, apreciou a questão. Ao fazêlo, esta colenda Corte: a) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), para impedir a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91; e b) entendeu desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no inciso I do art. 195 da Lei das Leis. No que diz respeito ao § 6o do art. 195 da Carta Magna, esta excelsa Corte já firmou a orientação de que o prazo nonagesimal é contado a partir da publicação da Medida Provisória que houver instituído ou modificado a contribuição (no caso, a MP 1.724/98). De outro giro, no julgamento do RE 336.134, Relator Ministro Ilmar Galvão, esta Suprema Corte reputou constitucional a compensação facultada à pessoa jurídica pelo § 1º do art. 8º da Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 6 Lei nº 9.718/98, afastando, deste modo, a alegação de ofensa ao princípio da isonomia. Decisões no mesmo sentido: REs 388.992, Relator Ministro Marco Aurélio, e 476.694, Relator Ministro Cezar Peluso, entre outras. Agravo regimental desprovido.(grifo nosso) Por sua vez, o art. 26A da Lei nº 11.941/09 dispõe: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1o (Revogado). § 2o (Revogado). § 3o (Revogado). § 4o (Revogado). § 5o (Revogado). § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...)”(negritei) Assim, entendo, que como o pedido foi com base na inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei de n° 9.718/98, a incidência do PIS e da COFINS deve ser sobre o seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. Isso posto, neste contexto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para ajustar à base de cálculo a decisão do STJ relativa ao artigo 3º da lei nº 9.718/98. O recorrente investe contra a aplicação da multa de ofício de 75%, que diz ser confiscatória e injustificada. O dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;(grifei) A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 75 % o legalmente previsto para a situação descrita no Termo de Verificação Fiscal, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre os valores do imposto não recolhido, rejeitandose a contestação de que não haveria previsão legal para tanto. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 13839.004861/200650 Acórdão n.º 3201000.687 S3C2T1 Fl. 4 7 Em derradeiro, quanto à exigência de juros de mora no auto de infração também está sendo efetuada na forma da lei ao contrário do entendimento da recorrente, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica (Lei nº 9.065/95), que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa SELIC: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito do contribuinte, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM
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Numero do processo: 13054.000239/2004-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1999
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. INÍCIO DO BENEFICIO ISENTIVO
Os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, auferidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente.
Numero da decisão: 2102-001.161
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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MOLÉSTIA GRAVE. INÍCIO DO BENEFICIO ISENTIVO Os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, auferidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. ASSINADO DIGITALMENTE Giovanni Christian Nunes Campos Presidente ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 14/03/2011 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13054.000239/200438 Acórdão n.º 2102001.161 S2‐C1T2 Fl. 76 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 62 a 68, interposto contra decisão da DRJ em Porto Alegre/RS, de fls. 56 a 58, que julgou procedente o lançamento de fls. 12 a 16, relativo ao anocalendário 1999, lavrado em 12/12/2001, com ciência da RECORRENTE em 11/03/2004, conforme AR de fl. 36. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 11.169,07, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício no percentual de 75%. De acordo com o demonstrativo das infrações de fl. 15, o presente lançamento decorreu da acusação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, onde a fiscalização efetuou a inclusão dos rendimentos auferidos do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul IPERGS, no valor de R$ 31.453,47. Assim, a autoridade lançadora procedeu, de ofício, à seguinte alteração na declaração de ajuste da RECORRENTE: a) Rendimentos tributáveis de R$ 68.838,00 para R$ 100.291,47. Com isso, foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 5.512,60 em substituição ao valor a restituir de R$ 3.137,10, inicialmente calculado pela RECORRENTE. A informação sobre os valores recebidos pela RECORRENTE encontramse no documento de fl. 46, denominado “informações sobre as declarações retidas em malha”, o qual informa que a RECORRENTE recebeu os seguintes valores no anocalendário 1999: (i) R$ 68.838,00 da empresa Ópticas Corujinha do Vale LTDA. (com retenção de imposto na fonte de R$ 10.643,76); e (ii) R$ 31.453,47 do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul IPERGS (com retenção de imposto na fonte de R$ 4.903,79). A declaração de ajuste anual apresentada pela RECORRENTE encontrase às fls. 40 e 41 dos autos. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13054.000239/200438 Acórdão n.º 2102001.161 S2‐C1T2 Fl. 77 3 Em 26/03/2004, o ESPÓLIO da RECORRENTE (fl. 08) apresentou a impugnação de fls. 01 a 06 através de procurador devidamente constituído à fl. 07. Em suas razões, afirmou que a RECORRENTE era portadora de cardiopatia grave e, nesta condição, a pensão que recebia do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS era isenta de tributação, por força do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, com redação dada pelas Leis nºs 8.541/92 e 9.250/95. Desta forma, afirmou, em suma, que: “(...) a impugnante era portadora de cardiopatia grave desde o ano de 1992, conforme atestam os laudos periciais anexados, tendo esta encaminhado processo administrativo para reconhecimento da isenção e liberação da retenção do Imposto de Renda na fonte junto a sua fonte pagadora no ano de 1999. Assim, considerando que ao tempo da autuação a impugnante já era possuidora de cardiopatia grave, os valores que recebia a título de pensão não estavam sequer sujeitos à incidência do imposto de renda, por força da norma isentiva veiculada pelo art. 6°, inciso XIV da Lei 7.713188, e também pela norma veiculada pelos incisos XXXI e XXXIII do art. 39, do Decreto 3.000/99. (...)” Juntou aos autos atestado do fl. 18, assinado em 27/08/1999 por médico perito, informando que a RECORRENTE era portadora de patologia do coração desde janeiro de 1993, conforme atestado cardiológico de fl. 19 a 21. Anexou a solicitação de pericia médica requerida pelo Chefe do Serviço de Coordenação Médica do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS (fl. 28), bem como documento do IPE (fl. 29), datado de 22/10/1999, que atesta ser a RECORRENTE portadora, em caráter definitivo, de patologia que isenta do imposto de renda os valores recebidos a título de pensão, conforme laudo médico pericial (fls. 30 a 33). DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 56 a 58 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. A isenção de doença grave aplicase a partir da data da emissão do laudo médico que a reconhecer. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13054.000239/200438 Acórdão n.º 2102001.161 S2‐C1T2 Fl. 78 4 Lançamento Procedente” Nas razões do voto, a autoridade julgadora afirmou que a isenção do imposto de renda por doença grave contase a partir da data da emissão do laudo, conforme art. 39, § 5º, do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99). Desta forma, considerando que os laudos médicos são datados de outubro de 1999 (fl. 29), julgou procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, intimada da decisão da DRJ em 09/01/2009, conforme AR de fl. 61, apresentou recurso voluntário, de fls. 62 a 68, em 04/02/2009. Em suas razões recursais, a RECORRENTE alega que em um dos laudos médicos, o Dr. João Carlos Vieira Benjamim atesta a existência da cardiopatia grave desde 05/01/1992, e afirma que a paciente é inválida definitivamente desde a citada data (fls. 69 e 70). Desta forma, por entender que já era possuidora de cardiopatia grave ao tempo da autuação, afirmou que os valores que recebia a título de pensão não estavam sequer sujeitos à incidência do imposto de renda. Por fim, alegou o seguinte: “(...) a recorrente percebia valores relativos a alugueres de dois imóveis de sua propriedade, quantias estas que, não informadas na declaração de renda relativa ao ano de 1999, foram detectadas pela fiscalização e embasaram o auto de infração ora atacado. É fato, portanto, que tanto as rendas oriundas de alugueres auferidas pela recorrente estavam sujeitas à tributação, quanto as rendas oriundas de pensão estavam isentas do imposto sobre a renda (...) Necessário que se reconheça, então, que a recorrente devia imposto de renda (relativo ao ano de 1999) somente sobre os alugueres que perfaziam sua renda "extra", base de cálculo do imposto suplementar apurado no auto de infração. O rendimento oriundo da pensão por ela percebida junto ao IPERGS não estava sujeito à tributação pelo imposto de renda. (...) Em suma, no exercício fiscal de 1999 a ora recorrente apurou débito de IR gerado pelo não oferecimento à tributação de renda tributável (alugueres). Por outro lado, a mesma recorrente possui créditos relativos ao imposto de renda indevidamente retido na fonte dada a sua condição de portadora de cardiopatia grave que lhe enquadrava na hipótese de isenção prevista na norma veiculada pelo art. 39, XXXI e XXXIII. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13054.000239/200438 Acórdão n.º 2102001.161 S2‐C1T2 Fl. 79 5 Diante do quadro posto, entende a recorrente que a alternativa mais plausível seria a da realização de um encontro de contas com a compensação de ofício daquele imposto que foi pago indevidamente com o imposto efetivamente devido apurado no auto de infração, nos termos do art. 24 da IN/SRF n° 210/02: (...)” Portanto, requereu o provimento do recurso voluntário para que fosse reconhecida a condição de portadora de cardiopatia grave desde 05/01/1992, compensandose, via de consequência, o imposto suplementar apurado no presente auto de infração com as retenções de imposto de renda na fonte suportadas pela RECORRENTE. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A controvérsia nos presentes autos se resume à data de início da isenção do imposto de renda, por ser a RECORRENTE portadora de moléstia grave. Através do recurso, a RECORRENTE afirma ser portadora da doença desde o ano 1992, requerendo reconhecimento da isenção do imposto de renda sobre a pensão recebida do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS, no anocalendário 1999. Em sede de impugnação, a RECORRENTE acostou parecer médico expedido em 22/10/1999, o qual concluiu que a RECORRENTE é portadora, em caráter definitivo, de patologia que isenta do imposto de renda os valores recebidos a título de pensão (fl. 29). Tal parecer foi embasado em laudos médicos expedidos por junta médica do Serviço de Coordenação Médica do IPERGS (fls. 30 a 32). Já em sede de recurso voluntário, a RECORRENTE apresentou à fl. 70 parte do laudo expedido por médico do Serviço de Coordenação Médica do IPERGS que não havia sido apresentada quando da impugnação. Neste documento, o médicoperito atesta que a RECORRENTE é acometida por cardiopatia isquêmica e valvulopatia aórtica, e conclui seu parecer afirmando que a RECORRENTE é inválida, definitivamente, desde 05/01/1992. De acordo com o art. 6º da Lei 7.713/88, são isentos do imposto de renda as pensões recebidas por pessoa física quando esta for portadora de cardiopatia grave Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13054.000239/200438 Acórdão n.º 2102001.161 S2‐C1T2 Fl. 80 6 “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Conforme dispõe o art. 30 da Lei nº 9.250/95, a partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito de reconhecimento das hipóteses de isenções descritas acima, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a título de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, §5°, do Decreto n. 3.000/99). No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRF n° 15, de 06/02/2001 determina, em seu art. 5° e parágrafos o seguinte: "Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13054.000239/200438 Acórdão n.º 2102001.161 S2‐C1T2 Fl. 81 7 XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose); (...) XXXV quantia recebida a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XII deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional; (...) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 3º São isentos os rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, conforme os incisos XII e XXXV, atestada por laudo médico oficial, desde que correspondam a proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave.” No caso sob exame, observase que a RECORRENTE recebeu pensão do IPERGS desde 19/12/1995, conforme consulta de pensionista de fl. 26. Ademais, a RECORRENTE comprova, através de laudo da coordenação médica do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS, que era portadora da moléstia grave desde 05/01/1992, tendo sido submetida a cirurgia nesta data, conforme documento de fl. 71. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13054.000239/200438 Acórdão n.º 2102001.161 S2‐C1T2 Fl. 82 8 Assim, como a data da moléstia grave é anterior à data de início da pensão, a RECORRENTE faz jus ao benefício da isenção a partir do mês da concessão da pensão, visto que a doença era preexistente. Nesse sentido, observese a ementa de acórdão deste Conselho transcrita a seguir: “IRPF MOLÉSTIA GRAVE INÍCIO DO BENEFICIO ISENTIVO Os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, auferidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda a partir: a) do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; b) do mês da emissão do laudo que reconhecer a moléstia, quando esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; c) da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Recurso negado. (Recurso nº 138977; julgado em 02/12/2004 pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes)” Isto posto, entendo que a RECORRENTE comprovou atender às condições e aos requisitos necessários para caracterização de hipótese de isenção prevista na legislação, uma vez que recebe do IPERGS valores a título de pensão e por ter apresentado laudo médico oficial atestando ser portadora de cardiopatia isquêmica desde 1992. Portanto, reconheço o direito à isenção do imposto sobre os valores recebidos do IPERGS durante o anocalendário 1999 (objeto da presente ação), devendo ser mantidas as informações constantes na declaração de ajuste anual daquele ano (fls. 40 e 41), onde foi calculado imposto a restituir no valor de R$ 3.137,10. Em razão do exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, julgando improcedente o lançamento. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 90DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13054.000239/200438 Acórdão n.º 2102001.161 S2‐C1T2 Fl. 83 9 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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