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Numero do processo: 13637.000533/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 01/07/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL
O prazo para requerer o cancelamento da opção pelo Simples Nacional, com efeitos retroativos a 01/07/2007, venceu em 20/08/2007.
Numero da decisão: 1401-000.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/07/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL O prazo para requerer o cancelamento da opção pelo Simples Nacional, com efeitos retroativos a 01/07/2007, venceu em 20/08/2007.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Fl. 53DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 222223): A contribuinte acima identificada apresenta manifestação de inconformidade contra o indeferimento de seu pedido de exclusão retroativa do Simples Nacional, alegando, em síntese, que: • Sua inclusão no Simples Nacional ocorreu por migração automática, de acordo com a legislação em vigor; • Sua assessoria contábil, antes de findo o prazo legal para mudança de enquadramento, tentou várias vezes e não conseguiu, junto ao sistema eletrônico informatizado da RFB, solicitar a sua exclusão do Simples Nacional; • A empresa de contabilidade praticou erro de fato, pois não conseguiu fazer o cancelamento. A 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora, por unanimidade, indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão nº 0923.893, assim ementado (fls. 23): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL O prazo para efetuar o cancelamento da solicitação de opção pelo Simples Nacional, retroativa a 01/07/2007 venceu em 20/08/2007. Solicitação Indeferida Cientificada do Acórdão em 02/06/2009 (fls. 28), a contribuinte, em 30/06/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 3037, reiterando os argumentos apresentados na instância anterior. Invocou o princípio da proporcionalidade e alegou que o indeferimento do pleito ocasionará a suspensão das atividades da empresa, tendo em vista a elevada carga tributária a que estaria sujeita, caso permanecesse enquadrada no Simples. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Com vistas a deixar o regime simplificado a contribuinte deveria ter solicitado sua exclusão do Simples Nacional, retroativa a 01/07/2007, dentro do prazo legal que venceu em 20/08/2007, consoante art. 17 da Resolução CGSN 04/2007, com a redação dada pela Resolução CGSN n° 56/2009, verbis: Fl. 54DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13637.000533/200731 Acórdão n.º 140100.517 S1C4T1 Fl. 48 3 Art. 70 A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1°A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 32 deste artigo e observado o disposto no § 30 do art. 21. § 1°A Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN n°56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN n° 56, de 23 de março de 2009). II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN n°56, de 23 de março de 2009). (...) Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7° poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1° de julho de 2007." (Redação dada pela Resolução CGSN n° 19, de 13 de agosto de 2007) A contribuinte, ora Recorrente, somente apresentou seu pedido de exclusão do Simples Nacional em 16/10/2007 (v. fls. 01), ou seja, quase 2 meses após o término do prazo regulamentar. Por esta razão (solicitação realizada depois de vencido o prazo legal), o seu pedido foi indeferido pela unidade de origem (fls. 1617). Pela mesma razão, o indeferimento foi ratificado pela DRJ Juiz de Fora (fls. 2325), o que deu ensejo ao presente recurso voluntário. Alega a defendente que na data de 31/08/2007, tentou , e não conseguiu fazer o cancelamento no simples nacional, pelo Portal do Simples Nacional. Abstevese, contudo, de apresentar qualquer prova nesse sentido, tal como um simples protocolo de reclamação dirigida à Receita Federal, comunicado o “problema” supostamente ocorrido no Portal do Simples Nacional. Registrese, por oportuno, que não se tem notícias de que o Portal do Simples Nacional tenha apresentado algum problema de funcionamento no mês de agosto de 2007. Um problema desta natureza certamente seria de conhecimento público e notório, tendo em vista as milhões de pessoas jurídicas enquadradas no Simples Nacional, que cotidianamente utilizam o referido portal da internet. Importante frisar que o Fisco possui outros interesses, além de simplesmente maximizar a arrecadação de tributos. Alguns destes objetivos são o de assegurar o fiel cumprimento da legislação tributária e permitir uma adequada administração do universo de Fl. 55DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 contribuintes (particularmente no que tange à estabilização dos critérios de tributação a que deve se submeter cada contribuinte). Este fato, por si só, demonstra a necessidade da estabilização da opção feita pelas pessoas jurídicas pelo Simples Nacional. Assim sendo, não há que que se falar, na espécie, em aplicação do princípio da proporcionalidade, da boafé ou da verdade material. Em resumo: a Recorrente, fora do prazo legal, apresentou pedido de exclusão do sistema simplificado de recolhimento de tributos e contribuições federais, com efeitos retroativos a 01/07/2007. Por absoluta ausência de previsão legal, sua exclusão retroativa a 01/07/2007 não pode ser aceita, devendo seu pedido de exclusão do Simples Nacional surtir efeitos somente a partir do anocalendário de 2008. Diante do exposto, meu voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, indeferindo a solicitação da interessada. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 56DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 06/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10860.902767/2008-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL - PRECLUSÃO
O momento para produção da prova é na apresentação da Manifestação de Inconformidade. Após esta fase processual, opera-se a preclusão.
COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. MEIOS DE PROVA.
Os meios de prova aptos a comprovação do crédito, são aqueles que esclarecem a real ocorrência da operação. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, as operações negociais.
Numero da decisão: 3001-000.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cléber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL - PRECLUSÃO O momento para produção da prova é na apresentação da Manifestação de Inconformidade. Após esta fase processual, opera-se a preclusão. COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. MEIOS DE PROVA. Os meios de prova aptos a comprovação do crédito, são aqueles que esclarecem a real ocorrência da operação. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, as operações negociais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cléber Magalhães e Cássio Schappo.
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Após esta fase processual, operase a preclusão. COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. MEIOS DE PROVA. Os meios de prova aptos a comprovação do crédito, são aqueles que esclarecem a real ocorrência da operação. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, as operações negociais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 27 67 /2 00 8- 64 Fl. 250DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cléber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 854520805 O pleito da Recorrente referiuse a utilização de Crédito, através de Pedido de Ressarcimento de IPI, materializada na Perd/Comp n. Per/Dcomp 31937.96166.220307.1.7.01 0945, referente ao período de apuração do crédito referente ao 1.º trimestre de 2004. O valor do crédito solicitado foi R$ 42.108,20, sendo que foi reconhecido R$ 5.592,69. O crédito reconhecido foi menor que o crédito pleiteado em razão de ter sido utilizado parcialmente, em sua escrita fiscal. Neste sentido, em sede de Despacho Decisório (DDE), julgouse insuficiente o crédito reconhecido, para fins de compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi considerada NÃO HOMOLOGADA a compensação. Desta forma, encontrase em cobrança, em termos de valor principal R$ 21.835,47, multa R$ 4.367,08 e juros R$ 16.839,57. Manifestação de Inconformidade Informou a Recorrente que apurou, nos períodos entre janeiro a março de 2004, créditos de IPI, inclusive extemporâneos, os quais foram creditados na 2.º quinzena do mês de março de 2004, incidentes sobre a aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos acabados. Arremata que a Recorrente foi supreendida com o Despacho Decisório, sob o argumento de que já teria utilizado parcialmente, em sua escrita fiscal, o crédito, tornandoo insuficiente. Suspensão da exigibilidade do crédito A suspensão da exigibilidade conforme o artigo 74, parágrafo 11 da Lei 9.430/96, com alterações trazidas pela 10.833/03. Existência do Crédito Pleiteado No mérito, a Recorrente indica a existência de saldo credor, pois, ao compulsar seu Livro de Registro de Apuração do IPI, por exemplo, às fls. 8, verificandose que outros débitos de tributos administrados pela Receita Federal foram compensados com créditos de IPI, na 1.º quinzena de abril de 2004, estando, todos, demonstrados no item DEMONSTRATIVO DE DÉBITOS, linha 12 OUTROS DÉBITOS, e, também, na quinzena do mês de abril de 2004. Ocorrência de Erro Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10860.902767/200864 Acórdão n.º 3001000.038 S3C0T1 Fl. 186 3 Alegou a Recorrente que houve a existência de erro no lançamento, pois tal valor, acima descrito, deveria ter sido lançado na linha 11 RESSARCIMENTOS DE CRÉDITOS, motivo este que deve ter levado o Sistema de Controle de Créditos da Receita Federal do Brasil a concluir pela inexistência de Créditos aptos e suficientes para suportar integralmente os débitos compensados. Fundamentação Legal Em sua fundamentação, a Recorrente busca apoio no artigo 41, VI Decreto n.º 3.048/99. A IN 210/2002, artigo 14, parágrafo 1. Documentos juntados Acompanhou a Manifestação de Inconformidade, cópia do livro de Registro de Apuração de IPI. Acórdão DRJ/REC A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente com a seguinte ementa: Acórdão 11050.700 2.º Turma Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. Tratandose de ressarcimento ou restituição o ônus de provar a existência do direito creditório é do contribuinte, pelo que se mantém indeferimento parcial quando o contribuinte não comprova o direito alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Manifestação de Inconformidade, manejada em face do Despacho Decisório Eletrônico (DDE), tratou de Pedido de Ressarcimento do IPI relativo ao 1º trimestre de 2004 e Declarações de Compensação (PER/DCOMP), foi julgada improcedente, em breve síntese, por ter havido glosa de créditos, conforme adiante exposto. Preterição do Direito de Defesa Argumentou, a Recorrente, preliminarmente, pela preterição do direito de defesa. Consoante se denota do acórdão, não foi vislumbrada tal assertiva. Isto porque, tratous de alegação genérica e sem qualquer justificativa. Segundo o acórdão, o contribuinte não diz, por exemplo, o que não teria compreendido, tampouco aponta algum dado necessário que Fl. 252DF CARF MF 4 estaria ausente do Despacho Decisório, finalizando por justificar que os demonstrativos que acompanham o Despacho evidenciam o motivo do indeferimento. Glosas de Créditos Os créditos considerados indevidos correspondem a "Glosas de Créditos Ressarcíveis", como informado no DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS (RESSARCIMENTO DE IPI), período de apuração 2ª quinzena de mar/2004, e demonstrado na RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Neste Demonstrativo verificase que a glosa se deveu a aquisições sob o CFOP 1.97 (compra de material para uso ou consumo), e aquisições sob o CFOP 1.11 (compra para industrialização, de mercadoria recebida anteriormente em consignação industrial). Saldo Credor Conforme se destaca da decisão da DRJ, após análise do RAIPI da Recorrente, quando se analisa as duas quinzenas de abril de 2004, não se verifica nenhum dos dois valores apontados pela Recorrente. Vejase: “Na 1ª quinzena desse mês, a ‘Linha 12 Outros Débitos’ possui valor zero (fl. 22), enquanto na 2ª quinzena o valor é R$ 39.546,68. Admitindose que o erro alegado tenha acontecido, e desprezandose a diferença entre R$ 39.546,68 e o valor constante da coluna "Débitos Ajustados do Período (d)" do DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO, R$ 40.152,59, caberia substituir este por R$ 1.478,96 na 2ª quinzena de abril de 2004 (ver fl. 25, débitos da Linha 9Por Saídas no Mercado Nacional) e reconstituir tal DEMONSTRATIVO.” Mesmo assim, concluiu, que com a reconstituição, não se teria saldo credor no mês de setembro de 2005. No tocante à Manifestação de Inconformidade, ponderou que deve ser apresentada com as provas que possuir (art. 16, III, do Decreto 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). No presente processo, ficou apontado no acórdão, que o contribuinte, além de não se insurgir diretamente contra as razões do Despacho Decisório, não apresentou nenhuma prova que possa infirmar o Despacho Decisório. Daí, concluiu o acórdão, não caber acatar as alegações trazidas aos autos. Recurso Voluntário Em sua defesa, assegura a Recorrente sua razão a respeito do crédito de IPI apurado nos períodos de janeiro de 2000 a dezembro de 2002, dando suporte e legitimidade às compensações efetuadas. Mesmo assim, foi surpreendida com o teor do despacho decisório, o qual considerou NÃO HOMOLOGADAS as compensações sob a alegação de que o crédito seria insuficiente, já que utilizado parcialmente na escrita fiscal, em períodos subsquentes. Existência do Crédito Tal crédito teve origem em razão da suspensão do IPI na venda interna de seus produtos acabados, nos termos do artigo 42, VI Decreto n.º 4.544/02. Destaca que entre Janeiro de 2000 a Dezembro de 2002, os créditos de IPI constantes nas notas fiscais não foram apropriados, tendo a Recorrente, na segunda quinzena de março de 2004, apropriado tais créditos no registro de apuração do IPI RAIPI. Documentos juntados Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10860.902767/200864 Acórdão n.º 3001000.038 S3C0T1 Fl. 187 5 · Notas Fiscais que comprovam a existência do crédito IPI destacado na Nota, feito extemporaneamente na 2.º quinzena de março de 2004;RAIPI da 2.º quinzena de março de 2004, onde consta o crédito extemporâneo · Planilha que demonstra a composição do Crédito É o Relatório Voto Conselheiro Relator Renato Vieira de Avila Tempestividade O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, ciência esta realizada por seu procurador 831.957.18804 REINALDO TEIXEIRA, na data de 25/08/2015 09:26:10, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Apresentou seu Recurso Voluntário em 10 de setembro de 2015. Tempestivo, portanto, o Recurso Voluntário. Momento da Prova Foi apresentado, pela recorrente, em tempo hábil, ou seja, em sede de manifestação de inconformidade, cópia do Livro de Apuração de IPI. Já em sede deste Recurso Voluntário, apresentou, também, cópias das Notas Fiscais, as quais, sob entendimento da Recorrente, estariam aptas a comprovar a existência do crédito de IPI destacado na Nota, feito extemporaneamente na 2.º quinzena de março de 2004 cópia do RAIPI da 2.º quinzena de março de 2004, onde consta o crédito extemporâneo; e, por fim, apresentou, no corpo do Recurso Voluntário, memória de cálculo apresentando os créditos gerados vinculados com as respectivas notas fiscais. Seguindo o entendimento deste Conselho, relaciono abaixo o acórdão cujo teor da decisão determina o momento da apresentação da prova: Acórdão 202.15430 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL PRECLUSÃO Na forma do parágrafo quarto do artigo 16 do Decreto n.º 70.235/72, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Existência do Crédito Pleiteado Fl. 254DF CARF MF 6 Pretende a Recorrente demonstrar a existência do crédito mediante a apresentação de seu RAIPI, em fls 8 e ss. destacando que, entre Janeiro de 2000 a Dezembro de 2002, os créditos de IPI constantes nas notas fiscais não foram apropriados., tendo a Recorrente, na segunda quinzena de março de 2004, apropriado tais créditos no registro de apuração do IPI RAIPI. As notas fiscais não serão analisadas em razão de seu não conhecimento por tida como preclusa. Já a Recorrente apontou, em seu favor, a existência de saldo credor de IPI, em montante superior aos montantes informados pela Delegacia, e portanto, suficientes, para fomentar a compensação. Para sustentar seu argumento, expôs a Recorrente que o saldo apontado em seu favor consta do Livro de Apuração de IPI, apresentado, para fins desta análise, tempestivamente. A fim de explicitar a tomada de crédito, lista, mediante apresentação de tabela, nota a nota, seguida de valor, com o apontamento de crédito não lançado. Temse, portanto, dos seguintes meios de provas pelos quais a Recorrente pretendeu valer sua pretensão, quais sejam, o Raipi. É entendimento deste Conselho que a Recorrente, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, o ônus de provar a real existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Meio de Prova Apto a comprovação do Crédito Pagamento e comprovantes de transporte Após ampla pesquisa sobre os meios de prova aptos a comprovar a legitimidade da tomada de crédito, este julgador concluiu que o pagamento e comprovantes de entregas seriam os meios de prova aptos para espancar quaisquer dúvidas a respeito da realidade fática e, assim, dar efetiva concretude ao princípio da verdade material. Qualquer outro meio de prova, como notas fiscais, livros contábeis e fiscais e memoriais de cálculo, poderiam renderse a eventuais manipulações com a intenção, justamente, de esconder o real acontecido. Neste sentido, são as manifestações da jurisprudência deste Conselho: Acórdão 3402002.954 TERCEIRO INTERESSADO. PROCEDIMENTO FISCAL REGULAR. ATO DECLARATÓRIO DE BAIXA DA INSCRIÇÃO. DESNECESSIDADE. Não obstante o procedimento fiscal instaurado em face da contribuinte, motivado pela inexistência de fato da empresa fornecedora de seus produtos, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar a efetiva realização das operações suspeitas e o correspondente pagamento, tendo sido corretas as glosas perpetradas pela fiscalização. "DA PROVA DA OPERAÇÃO" Alega a recorrente que a nota fiscal seria o documento hábil para representar a operação de compra e venda dos produtos e, logo, serve de lastro ao registro na escrituração, consoante dispõe o art.9o do Decretole in°1.598/77, assim, a contabilização de operação de aquisição Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10860.902767/200864 Acórdão n.º 3001000.038 S3C0T1 Fl. 188 7 de matéria prima lastreada em nota fiscal faria prova em seu favor. No entanto, diante da ausência da comprovação da idoneidade das notas fiscais, o dispositivo citado não favorece a recorrente. Não há que se olvidar que o procedimento fiscal foi instaurado justamente para verificar se efetivamente ocorreram as aquisições da recorrente objeto das notas fiscais com fundadas suspeitas da idoneidade ,eis que a fornecedora da autuada nessas operações, na verdade, atuava com a compra e venda das próprias notas fiscais, e não das mercadorias nela descritas. Por certo,as"aquisições"objeto das notas fiscais seriam registradas corretamente na contabilidade da recorrente, pois era mesmo esse o intento da fraude para o registro dos créditos de IPI da s"aquisições". Não obstante as oportunidades oferecidas à recorrente no curso do procedimento fiscal e na impugnação, como bem explicitou a decisão recorrida, cujos trechos abaixo transcritos adoto como fundamento de decidir, nos termos do art. 50, §1° da Lei nº 9.784/99,ela não comprovou que efetivamente ocorreram as aquisições objeto das notas fiscais suspeitas: Há que se esclarecer que está preclusa, neste momento processual, a produção de novas provas, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72. É por ocasião da apresentação da impugnação que a recorrente deveria ter produzido a prova necessária à comprovação das suas alegações. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. No entanto, as diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da provacolocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela requerente. As diligências destinamse à solução de dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, à impugnante, ora recorrente. Assim, entendo que deve ser indeferido o pedido de perícia da recorrente, em conformidade com o art. 18 e 28 do Decreto nº70.235/72,tendo em vista a preclusão para a produção de provas neste momento processual, bem como ao fato de que seria de sua incumbência a apresentação de provas em contraposição à pretensão fiscal, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº9.784/99. "DA AUSÊNCIA DE APURAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS" Somente as notas fiscais não seria suficientes para comprovar a efetiva aquisição das mercadorias, não obstante a eventual dificuldade da recorrente para produzir a prova em face do tempo decorrido, mormente quando: foram emitidas por empresa fornecedora que atuava na compra e venda de notas fiscais, não se comprovou a vinculação dos pagamentos a essas operações e não se comprovou os transportes das mercadorias correspondentes, Fl. 256DF CARF MF 8 como já esclareceu a decisão recorrida. Nesta esteira, diante da ausência de qualquer prova da efetiva existência das operações, a matéria não comporta dúvida razoável para a aplicação do art. 112 do CTN, como quer a recorrente. Insuficientes, portanto, as notas fiscais, por intempestivas, e o RAIPI. Os documentos hábeis a comprovar a efetiva operação seriam os comprovantes de pagamento, facilmente comprováveis pelas movimentações financeiras em conta corrente. Conclusão Diante do exposto, tomo conhecimento do Recurso para negarlhe provimento, por ausência de prova suficiente a comprovar a operação que teria gerado o crédito e, além de preclusa a apresentação das notas fiscais. (assinado digitalmente) Relator Renato Vieira de Avila Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000381/99-46
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO EM RAZÃO DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TERMO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DO RE 566.621 E DA SÚMULA CARF N. 91.
Aplica-se o que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543-B, §3º, do Código de Processo Civil e a Súmula CARF n. 91, os quais determinam a adoção do prazo de decadência decenal relativamente aos pedidos de restituição anteriores à entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05, no caso dos autos, tendo sido formulado em 24.09.1999, para a recuperação de valores relativos ao período de setembro de 1989 a fevereiro de 1992.
Numero da decisão: 9900-001.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Criz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente). Ausente, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rêgo e Érika Costa Carmargos Autran.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO EM RAZÃO DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TERMO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DO RE 566.621 E DA SÚMULA CARF N. 91. Aplica-se o que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543-B, §3º, do Código de Processo Civil e a Súmula CARF n. 91, os quais determinam a adoção do prazo de decadência decenal relativamente aos pedidos de restituição anteriores à entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05, no caso dos autos, tendo sido formulado em 24.09.1999, para a recuperação de valores relativos ao período de setembro de 1989 a fevereiro de 1992.
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DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida NEVES E SILVA LTDA. ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO EM RAZÃO DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TERMO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DO RE 566.621 E DA SÚMULA CARF N. 91. Aplicase o que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543B, §3º, do Código de Processo Civil e a Súmula CARF n. 91, os quais determinam a adoção do prazo de decadência decenal relativamente aos pedidos de restituição anteriores à entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05, no caso dos autos, tendo sido formulado em 24.09.1999, para a recuperação de valores relativos ao período de setembro de 1989 a fevereiro de 1992. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 03 81 /9 9- 46 Fl. 457DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Criz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente). Ausente, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rêgo e Érika Costa Carmargos Autran. Relatório Tratase de pedido de compensação (Efls. 227 ss.) apresentado em 24.09.1999 para a restituição de Finsocial apurado no período de setembro de 1989 a fevereiro de 1992, pago a maior em decorrência do reconhecimento da inconstitucionalidade da majoração de suas alíquotas pelo Supremo Tribunal Federal (RE 150.7641 PE, DJU 02/04/1993), conforme consignado na Instrunção Normativan. 31, de 08.04.1997, com débitos decorrentes de COFINS, Contribuição ao PIS, CSLL e SIMPLES. Com o despacho decisório SOTRI/CFN 043/2000, a Delegacia da Receita Federal em Coronel Fabriciano/MG (Efls. 270 ss.) indeferiu o pedido de restituição tão somente com base no transcurso do prazo prescricional, aplicandose a contagem quinquenal a partir do pagamento indevido, adotandose o Ato Declaratório n. 96/1999. Em face desse resultado, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (Efls. 276 ss.), sustentando a incidência do prazo decenal, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, mediante o acórdão n. 00.068 (Efls. 284 ss.), no mesmo sentido que a decisão anterior, indeferiu o pedido de compensação sob o fundamento de que a contagem do prazo de cinco anos se iniciaria da extinção do crédito tributário, sem adentrar no mérito do direito ao crédito. A contribuinte apresentou recurso voluntário (Efls. 290 ss.), renovando as razões postas em sua manifestação de inconformidade, à qual foi dado provimento pelo acórdão n. 30331.680 (Efls. 306 ss.), que iniciou a contagem do prazo quiquenal da publicação da Medida Provisória n. 1.110/95, em 31.08.1995, determinandose o retorno dos autos à unidade de origem para que esta apreciasse a higidez do crédito tributário. A Fazenda Nacional então interpôs recurso especial (Efls. 339 ss.), requerendo o reconhecimento de que o direito de pleitear a repetição do indébito tributário extinguese em cinco anos a contar do pagamento indevido, com aplicação vinculante do Ato Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13605.000381/9946 Acórdão n.º 9900001.021 CSRFPL Fl. 458 3 Declaratório n. 96/1999, não havedo justificativa para que se fixasse como termo inicial a publicação da Medida Provisória n. 1.110/95. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 275 ss.), com o oferecimento de contrarrazões pela contribuinte (Efls. 381 ss.). A Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, decidindose no acórdão n. 0306.013 (Efls. 397 ss.) por afastar a decadência, pelas mesmas razões que o fez a instância a quo, como registrado na seguinte ementa, alem de haver determinado o retorno dos autos à instância de origem para análise do crédito: Finalmente, a Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário (Efls. 410 ss.), novamente requerendo a aplicação do prazo quinquenal a partir do pagamento indevido, ao que foi dado seguimento por despacho de admissibilidade (Efls. 452 ss.). Passase, assim, à apreciação do recurso. Fl. 459DF CARF MF 4 Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio – Relatora Conheço o recurso nos termos do despacho de admissibilidade. Tratase de pedido de restituição encaminhado em 24.09.1999 para a restituição de Finsocial apurado no período de setembro de 1989 a fevereiro de 1992, pleito este que, por formulado anteriormente à vigência da Lei Complementar n.118/05, deve observar o prazo decenal correspondente aos cinco anos decadenciais para o lançamento de ofício/homologação tácita do pagamento antecipado, somado de mais cinco anos prescricionais para o pedido de restituição, nos termos do que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543B, §3º, do Código de Processo Civil: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13605.000381/9946 Acórdão n.º 9900001.021 CSRFPL Fl. 459 5 da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Subsumese, portanto, a questão, à Súmula CARF n. 91, de obrigação vinculada deste colegiado, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Assim sendo, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, determinandose o retorno dos autos à unidade de origem para a verificação da liquidez e certeza dos créditos em questão. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.903290/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA.
Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.668
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente I.J.G. SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 32 90 /2 01 1- 38 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10925.903290/201138 Acórdão n.º 3302004.668 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PERDCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não reconhecendo o direito creditório/não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição e compensação dos débitos informados no PerDcomp. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que a empresa se dedica ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, tendo verificado que estava tributando PIS e Cofins de produtos sujeitos à alíquota zero. Diante disso, constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses. Assevera que foram retificados os Dacon e feito um pedido de restituição do crédito referente ao pagamento do Darf e, posteriormente, feito um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição. Assim, o manifestante não pode ter a DCOMP indeferida sem que se analise o crédito que lhe deu origem como demonstra comprovante em anexo, tendo destacado que não se justifica a não homologação da compensação, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior. Ao final, requer seja homologada a compensação, cujo crédito está demonstrado em Dacon e objeto de pedido de restituição e, se assim não for decidido, que seja determinada a apreciação e julgamento do pedido de restituição mencionado, para que se confirme o crédito pleiteado na forma da legislação. O Acórdão a quo manteve o indeferimento do pleito, nos termos do Acórdão 02056.312. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados na primeira instância, e acrescenta que não apresentou a DCTF retificadora correspondente ao Dacon retificador, com débito reduzido, porque não sabia desta exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.659, de Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10925.903290/201138 Acórdão n.º 3302004.668 S3C3T2 Fl. 4 3 29 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.902188/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.659): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Segundo a decisão recorrida, os fatos ocorreram na seguinte sequência: Vêse que para a retificação do Dacon em 22/11/2007 não houve a correspondente retificação obrigatória da DCTF1. Em 04/10/2007 foi transmitido o PER pedindo restituição de R$ 608,37, antes mesmo de ser retificado o Dacon acima, restando sem análise. Em 17/10/2007, também antes de ser entregue o Dacon retificador, foi transmitida a Dcom indicando como valor original do crédito o mesmo valor de R$ 608,37. finalmente, em 05/07/2011 foi emitido o despacho decisório correspondente à PerdComp 29929.28859.171007.1.3.040235, constante na fl. 2 indicando a não homologação e consequente emissão de DARF para pagamento. 1 Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10925.903290/201138 Acórdão n.º 3302004.668 S3C3T2 Fl. 5 4 Na análise da matéria, inicialmente verificase que está correta a decisão a quo quando afirma que a Dcomp anula o Per anterior, pois evidentemente o mesmo crédito não pode ser restituído e compensado simultaneamente, pois constituiria dupla repetição de indébito. Evidenciase que o erro cometido pela recorrente ao deixar de apresentar a DCTF retificadora vinculada ao Dacon retificador prejudicou a análise tanto do seu pedido de restituição (Per) quanto da declaração de compensação (Dcomp), estranhamente transmitidos antes do Dacon retificador, uma vez que o débito anteriormente declarado na DCTF original não foi alterado e com isso ele absorveu todo valor do DARF, nada havendo a restituir ou a compensar. Nos autos não existe prova de que a Recorrente teria direito ao crédito pleiteado, pois a retificação do Dacon em si mesmo não produz efeito probatório, mormente quando desacompanhada da correspondente retificação da DCTF que levaria o fisco a intimar a declarante para comprovação. Pedido de reconhecimento de crédito realizado sem as formalidade acima exigem que a requerente desde o início carreie para os autos as provas das suas alegações. A simples menção à legislação que reduziu à zero a alíquota do PIS e da Cofins para determinados produtos não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DCTF, não retificada, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido. Assim sendo, por falta de provas sobre a existência de crédito líquido e certo, não há como se admitir a compensação pleiteada. Conclusão Isto posto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Recorrente não retificou a DCTF e nem trouxe aos autos escrituração e/ou documentos fiscais, não logrando comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001524/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. RECEITAS. ESTORNO. COMPROVAÇÃO À CARGO DO CONTRIBUINTE.
Para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição, ao contribuinte cabe comprovar a natureza dos valores desta excluídos ou estornadas, conforme por ele lançados em sua escrituração contábil.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP). EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor recebido a título de juros sobre capital próprio (JCP) integra a base de cálculo da COFINS, uma vez que não há previsão legal que permita a exclusão de tal valor da base de cálculo da referida contribuição.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. RECEITAS. ESTORNO. COMPROVAÇÃO À CARGO DO CONTRIBUINTE. Para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição, ao contribuinte cabe comprovar a natureza dos valores desta excluídos ou estornadas, conforme por ele lançados em sua escrituração contábil. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP). EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor recebido a título de juros sobre capital próprio (JCP) integra a base de cálculo da COFINS, uma vez que não há previsão legal que permita a exclusão de tal valor da base de cálculo da referida contribuição. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada).
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AUTO DE INFRAÇÃO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. RECEITAS. ESTORNO. COMPROVAÇÃO À CARGO DO CONTRIBUINTE. Para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição, ao contribuinte cabe comprovar a natureza dos valores desta excluídos ou estornadas, conforme por ele lançados em sua escrituração contábil. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP). EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor recebido a título de juros sobre capital próprio (JCP) integra a base de cálculo da COFINS, uma vez que não há previsão legal que permita a exclusão de tal valor da base de cálculo da referida contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 15 24 /2 00 9- 38 Fl. 299DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada). Relatório Trata o presente processo de dois Autos de Infração, lavrados contra a empresa EXICON EXPORTAÇÃO, IMPORTAÇÃO E CONSULTORIA S.A (fls. 03 a 20), sendo atual EXICON CONSULTORIA EM CRÉDITO E COBRANÇA LTDA, referente às contribuições de PIS e da COFINS, no valor total de R$ 95.987,04, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da insuficiência de recolhimento dessas contribuições no período de 01/2005 a 12/2005. O procedimento fiscal que originou o lançamento ora questionado teve início em 05/06/2008, pela ciência do Termo de Início de Fiscalização de fl. 26. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão recorrida, vazada nos seguintes termos (fls. 216/229): "(...) Na descrição dos fatos, que faz parte do auto de infração, consta que a falta de recolhimento do PIS e da Cofins foi apurada conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal, que também faz parte do auto de infração (fls. 21 a 25 do processo), cujo teor é sintetizado abaixo: 1) QUE conforme os estatutos da companhia, a pessoa jurídica tem como objeto a importação e exportação de mercadorias por conta própria ou de terceiros, a representação comercial e o fomento mercantil, dentre outros; 2) QUE no cadastro CNPJ consta como atividade econômica exercida o comércio atacadista de mercadorias em geral. Entretanto, a atividade efetivamente exercida pela pessoa jurídica é a de fomento mercantil ou factoring; 3) QUE no anocalendário 2005, o contribuinte optou por tributar seus rendimentos pela sistemática do lucro real anual; 4) QUE o contribuinte reduziu indevidamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, uma vez que contabilizou a débito de conta de receita de factoring despesas com cessão de créditos a terceiro, e não incluiu valores recebidos de juros sobre o capital próprio; 5) QUE, conforme é possível verificar pelos próprios balancetes e extratos, a conta contábil "3.3.3.02.0030 — Receita Fator de Compra" recebeu ao longo do ano de 2005 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11080.001524/200938 Acórdão n.º 3402004.776 S3C4T2 Fl. 300 3 vários lançamentos a débito com histórico mencionando despesas com cessão de crédito; 6) QUE uma vez que, para efeitos de composição da base de cálculo do PIS e da COFINS, foi tomado o valor correspondente à variação mensal do saldo desta conta, não resta dúvida de que tais lançamentos contábeis reduziram as bases de cálculo desses tributos; 7) QUE, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e art. 1º da Lei nº 10.833/2003, a redução na base de cálculo das contribuições foi indevida; 8) QUE a operação praticada pelas cessionárias foi a compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, a qual é definida em lei como atividade de factoring; 9) QUE conforme informações da DIRF constantes no processo, no ano de 2005 a EXICON recebeu valores referentes a juros sobre capital próprio e que referidos valores não foram lançados em contas de resultado, não sendo incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS; 10) QUE os Decretos nºs 5.164/2004 e 5.442/2005, que reduziram a zero as aliquotas de PIS e COFINS incidentes sobre receitas financeiras, excepcionaram da redução as receitas de juros sobre capital próprio. A ciência foi dada ao contribuinte em 11/03/2009. Na data de 09/04/2009 o contribuinte apresentou impugnação (fls. 199/213), onde em síntese, faz as seguintes alegações: 1) QUE na verdade, os lançamentos devedores na conta de Receita Fator de Compra estão corretos, pois representam estornos da mencionada conta em decorrência de anulação de parcelas da receita não confirmadas. Que isso ocorre pois, ao atingir determinado patamar no volume de operações de compra de créditos de clientes, a empresa repassa operações para uma outra empresa, a South Service Trading S/A, comercialmente ligada, que absorve a parte que excede a capacidade da Fiscalizada. QUE quando da compra de créditos mercantis da empresacliente, contabilizase a receita que potencialmente seria obtida, no caso representada pela diferença entre a quantia expressa no titulo de crédito adquirido e o valor pago e que é nestas condições que se opera, em vista do repasse, o lançamento a débito da conta de receita, pois efetivamente há uma anulação de receita. O registro contábil, portanto, foi corretamente processado como um lançamento representativo de operação redutora de receita, e não como uma despesa financeira, como equivocadamente foi aduzido pelo Fisco, hipótese em que, ai sim, deveria ser classificada em despesas operacionais; Fl. 301DF CARF MF 4 2) QUE o diferencial em tela, ao menos segundo as orientações da Receita Federal, não tem natureza financeira, o que se extrai do entendimento do próprio órgão Regulador, expresso no Ato Declaratório no 51, de 28 de dezembro de 1994, que define a receita obtida pelas empresas de factoring; 3) QUE é irrelevante classificar a operação como redutora de receita, conforme o procedimento da empresa, ou como despesa financeira, conforme entendeu o Fisco, pois ambas acabam reduzindo o lucro; 4) QUE há autorização legal para se deduzir da base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela da receita bruta que não se confirma, o que em empresas comerciais é equivalente a "vendas canceladas"; 5) QUE a operação de factoring convencional, sem regresso, como no caso em foco, configura operações de crédito, pois são antecipados valores que serão recebidos futuramente, o que autoriza a adoção, para o reconhecimento da receita auferida, do regime pro rata tempore nos termos do disposto no art. 373 do RIR/99 e que não é possível outro entendimento que não o de se reconhecer que de fato estas receitas, que não se fixaram no tempo na empresa Fiscalizada, foram corretamente anuladas; 6) QUE a jurisprudência administrativa já enfrentou discussões similares, com decisões que condenam à insubsistência lançamentos que não admitiam a exclusão da receita quando o titulo objeto de operação de fomento mercantil não permaneceu no ativo da empresa pelo período originalmente negociado; 7) QUE efetivamente deixou de tributar o valor de R$ 14.978,44, relativo a juros de capital próprio recebidos, o que foi feito com fundamento no disposto nos artigos 1º, §3º, inciso V, letra "b", cuja redação é congruente tanto na Lei nº 10.637/2002, quanto na Lei nº 10.833/03. Que a mencionada letra "b" autoriza a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, entre outros valores, do "resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita". E que é neste contexto que se inserem os juros sobre o capital próprio, pois com a edição da Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, ficou estabelecido que "o valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a titulo de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976"[...]. Neste panorama, os juros sobre o capital próprio, pagos exclusivamente a sócios ou acionistas, de fato assumem natureza singular, semelhante a dos dividendos, pois, mormente, são pagos mediante a constatação de resultados positivos no exercício, ou quando a empresa mantém lucros acumulados. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11080.001524/200938 Acórdão n.º 3402004.776 S3C4T2 Fl. 301 5 No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ em Porto Alegre (RS) nº 10054.418, de 02/04/2015, abaixo transcrito (fls. 216): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMPRESAS DE FOMENTO COMERCIAL (FACTORING). BASE DE CÁLCULO. COFINS. As empresas de fomento comercial (Factoring) têm como base de cálculo da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, entendida como a diferença verificada entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valo recebido a título de juros sobre capital próprio integra a base de cálculo da contribuição para a COFINS, uma vez que não há previsão legal que permita a exclusão de tal valor da base de cálculo da referida contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMPRESAS DE FOMENTO COMERCIAL (FACTORING). BASE DE CÁLCULO. PIS. As empresas de fomento comercial (Factoring) têm como base de cálculo da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, entendida como a diferença verificada entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor recebido a título de juros sobre capital próprio integra a base de cálculo da contribuição para o PIS, uma vez que não há previsão legal que permita a exclusão de tal valor da base de cálculo da referida contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 14/04/2015 a Recorrente foi devidamente cientificada do Acórdão, conforme cópia do AR Correios (fl. 235) e não resignada com a decisão, a empresa em 14/05/2015 (fl. 237), interpôs o presente recurso voluntário, (fls. 237/248) o qual, repisa os argumentos de sua impugnação, junta cópia de documentos (fls. 249/271) e em suma, alega as seguintes razões: Fl. 303DF CARF MF 6 (a) Da Equivocada Conclusão Fiscal de que houve "Dedução Indevida da Base de Cálculo do PIS/COFINS Infração "001": Tais reduções, todavia, não representam indevida diminuição de receitas, e em conseqüência também não reduziram indevidamente a base de cálculo das contribuições auditadas. Na verdade, os lançamentos devedores na conta de "Receita Fator de Compra" estão corretos, pois representam estornos da mencionada conta em decorrência de anulação de parcelas da receita não confirmadas, tendo em vista o inteiro estorno da operação; Também, há autorização legal para se deduzir da base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela da receita bruta que não se confirma, o que em empresas comerciais é equivalente a "vendas canceladas". Esta base legal consta no art. 1º da Lei n° 10.637/2002, que regula a nãocumulatividade do PIS, cuja redação, na parte específica, é repetida pela Lei n° 10.833/2003, que trata da COFINS; Em razão disto é certo dizer que o custo de oportunidade das operações de factoring está intimamente vinculado ao custo do dinheiro no tempo, o que autoriza a adoção, para o reconhecimento da receita auferida, do regime pro rata tempore, nos termos do disposto no art. 373 do RIR/99. (b) Da Indevida Tributação dos Juros sobre o Capital Próprio "Infração 002": esta segunda infração, em relação ao PIS e à COFINS, decorreu de "valores de receitas de juros sobre o capital próprio não computados na base de cálculo do PIS/COFINS". Deixou de ser tributado o valor de R$ 14.978,44, relativo a juros de capital próprio recebidos, o que foi feito com fundamento no disposto nos artigos 1º, §3º, inciso V, letra "b", cuja redação é congruente tanto na Lei n° 10.637/2002, quanto na Lei n° 10.833/03. A mencionada letra "b" autoriza a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, entre outros valores, do "resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita". Neste panorama, os juros sobre o capital próprio, pagos exclusivamente a sócios ou acionistas, de fato assumem natureza singular, semelhante à dos dividendos, pois, mormente, são pagos mediante a constatação de resultados positivos no exercício, ou quando a empresa mantém lucros acumulados. Do Pedido: Ao final, requer que acolha as razões de mérito expostas nesta Defesa, que seja reformado a decisão recorrida e declare extintos os lançamentos de PIS e COFINS contidos nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra, relator 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido por este Colegiado. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11080.001524/200938 Acórdão n.º 3402004.776 S3C4T2 Fl. 302 7 2. Objeto da lide O período fiscalizado referese ao anocalendário de 2005, em que a Recorrente foi tributada pelo Lucro Real, apurando, portanto, as contribuições de PIS e COFINS objetos deste processo pelo regime da nãocumulatividade. Conforme referido nos autos, apesar dos estatutos da Fiscalizada se referirem a diversas atividades como sendo objetos da mesma, no período fiscalizado as operações cingiramse, basicamente, à atividade de factoring, cuja atividade foi alvo da auditoria. Conforme exposto na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" dos Autos de Infração, o lançamento decorreu das seguintes pretensas infrações: Infração 001 "Insuficiência de recolhimento de PIS/COFINS causada pela dedução indevida da base de cálculo destas contribuições de despesas com cessão de crédito, conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal, o qual é parte integrante deste Auto de Infração"; e Infração 002 "Valores de receitas de juros sobre o capital próprio não computados na base de cálculo do PIS/COFINS, conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal, o qual é parte integrante deste Auto de Infração". 3. Base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS (Facturing) Primeiramente, fazse necessário examinar a legislação que disciplina a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, aplicável ao caso sob exame. Neste diapasão a Lei n.º 9.718, de 1998, a base de cálculo do PIS e da COFINS passou a ter a mesma definição legal. A legislação posterior à Lei nº 9.718/98, quais sejam, a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e a Lei nº 10.833, de 29 dezembro de 2003, da mesma forma mencionam o faturamento como fato gerador da contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS, respectivamente. O Decreto n.º 4.524, de 2002, que regulamentou a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral em seu art. 10, assim dispôs: Art. 10 As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar n.º 70, de 1991, art. 1º, Lei n.º 9.701, de 1998, art. 1º, Lei n.º9.715, de 1998, art.2º, Lei n.º 9.716, de 26 de novembro de 1998, art. 5º, e Lei n.º 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º). (...) . § 3º Nas aquisições de direitos creditórios, resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, efetuadas por empresas de fomento comercial (Factoring), a receita bruta corresponde à diferença verificada entre o valor de face e o valor de aquisição do título ou direito creditório adquirido. (Grifei) Fl. 305DF CARF MF 8 A própria Recorrente, informa em seu recurso que "(...) Em 2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre/RS iniciou uma fiscalização (fi. 23) na empresa EXICON, antes qualificada, relativa ao anocalendário de 2005, período em que a Empresa foi tributada pelo Lucro Real, apurando, portanto, as contribuições de PIS e COFINS objetos deste processo pelo regime da nãocumulatividade". E continua afirmando que "(...) Conforme referido nos autos, apesar dos estatutos da Fiscalizada se referirem a diversas atividades como sendo objetos da mesma, no ano da fiscalização as operações cingiramse, basicamente, à atividade de factoring, cuja foi alvo da minuciosa auditoria". Nesse contexto, concluise que as empresas de fomento mercantil estão obrigadas ao Lucro Real e, portanto, à nãocumulatividade, devendo apurar o PIS e a COFINS com a aplicação das alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente. Desta forma, as contribuições para o PIS e COFINS devem ser calculadas com base no seu faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta, para o caso em tela, a diferença verificada entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido. Quando da aquisição com deságio de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços por empresas de fomento (factoring), considerase receita bruta, portanto, a diferença entre os valores de aquisição e de face do título ou direito creditório adquirido, integrando a base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. Da "Dedução Indevida da Base de Cálculo do PIS/COFINS Infração 001" Conforme descrito no Relatório Fiscal (anexo ao Auto de Infração, fls. 21/25), foi constatdo "insuficiência de recolhimento de PIS/COFINS, causada pela dedução indevida da base de cálculo destas contribuições, de despesas com cessão de crédito", o que redundou na "Infração 001", tanto no Auto de Infração referente ao PIS como no de COFINS. Relata ainda que, as ditas "reduções indevidas" foram identificadas a partir de lançamentos contábeis efetuados a débito da conta "Receita Fator de Compra". Por outro lado, aduz a Recorrente que "(...) Tais reduções, todavia, não representam indevida diminuição de receitas, e em conseqüência também não reduziram indevidamente a base de cálculo das contribuições auditadas. Na verdade, os lançamentos devedores na conta de "Receita Fator de Compra" estão corretos, pois representam estornos da mencionada conta em decorrência de anulação de parcelas da receita não confirmadas, tendo em vista o inteiro estorno da operação. Ocorre que a empresa, quando atingido determinado patamar no volume de operações de compra de créditos de clientes, o que se verifica, obviamente, por não ser ilimitada sua capacidade financeira, repassa operações para outra empresa, a South Service Trading S/A, comercialmente ligada, que absorve a parte que excede a capacidade da Fiscalizada". Explica a Recorrente que de forma geral, quando da compra de "recebíveis mercantis" de cliente, contabilizase em conta de receita o valor representado pela diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido e o valor pago e, para completar o conjunto de lançamentos da operação, também é efetuado um registro a débito de conta patrimonial ativa, representativa do título de crédito adquirido, e mais um crédito em conta patrimonial passiva pela obrigação assumida pela aquisição do "recebível mercantil". Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11080.001524/200938 Acórdão n.º 3402004.776 S3C4T2 Fl. 303 9 "(...) Tais registros também foram efetuados na contabilidade da Recorrente, equivocadamente, em relação às operações assumidas pela South Service Trading S/A. Nesses casos, para corrigir o equívoco, como prescrevem as normas contábeis, cada operação foi integralmente estornada na contabilidade da Recorrente, nas três contas acima referidas, ou seja: (a) a crédito da conta de bens e direitos pelo repasse do recebível à South Service; (b) a débito da conta de receita pela inocorrência desta; (c) a débito de conta patrimonial passiva pela anulação da obrigação registrada erroneamente na contabilidade da Recorrente, pois a compra do recebível foi assumida pela South Service". Assim, entende a Recorrente que a receita autuada pelo Fisco, tanto em relação ao PIS como em relação à COFINS, já havia sido oferecida à tributação na South Service, conforme exemplificado na planilha (no corpo do recurso, fl. 242) e comprovado na documentação que anexa aos autos, que tratase de cópias de folhas do Livro Razão, demonstrativos de apuração do PIS e da COFINS e DACONs, todos da empresa South Serviçe Trading S/A. (fls. 249/271). Como se vê, a Recorrente afirma que os lançamentos devedores na conta de Receita Fator de Compra estão corretos, pois representam estornos da mencionada conta em decorrência de anulação de parcelas da receita não confirmadas. Por outro lado, no curso do procedimento, a fiscalização verificou que com essa prática ocorre a redução da receita da empresa e, portanto, reduz a base cálculo do PIS e da COFINS. Isso se confirma, como pode ser verificado através de declaração do próprio contribuinte, em resposta a Intimação de 15/01/2009, abaixo reproduzida, que os valores lançados a débito na conta referida referemse, na realidade, a novas cessões de crédito efetuadas para as empresas South Service e EHW, sendo o custo dessas operações deduzido da receita que serviu de base de cálculo do PIS e da COFINS (fl. 74): “Os valores lançados a débito na conta 33302003 Receita Fator de Compra, referemse a cessões de crédito efetuadas para as empresas South Service e EHW em razão de insuficiência temporária de capital de giro na Exicon. Tais valores foram repassados com deságio inferior ao obtido pela Exicon na aquisição original dos títulos, tendo este 'custo' de captação sido deduzido da receita que serviu de base de cálculo do PIS/COFINS”. A matéria sob discussão encontrase bem delineada pelo Acórdão recorrido, devendo ser adotado como razão de decidir, com forte no artigo 50, §3º da Lei n. 9.784/99, o que faço com adaptações. É de se destacar, que os lançamentos de estorno devem ter seus motivos devidamente demonstrados, bem como estar apoiados em elementos consistentes, que lhes dêem respaldo, não bastando, para esse fim, apenas registros desacompanhados de provas. E a empresa, no caso, não justifica, por meio de documentos hábeis e idôneos, o alegado estorno, e não comprova, em nenhum momento, que a receita lançada e posteriormente estornada não existia, sendo que caberia a ela comprovar Fl. 307DF CARF MF 10 que os valores lançados a crédito da conta de receita, e posteriormente estornados, não representavam receita. E prossegue a Recorrente argumentando em seu recurso que, "(...) Ainda é de frisar que o registro contábil questionado pelo Fisco foi corretamente contabilizado como um lançamento representativo de estorno de receita, e não como uma despesa financeira, como equivocadamente foi aduzido pelo Fisco, hipótese em que, aí sim, deveria ser classificada em despesas operacionais. Afinal, o diferencial em tela, ao menos segundo as orientações da Receita Federal, não tem natureza financeira, o que se extrai do entendimento do próprio Órgão Regulador, expresso no Ato Declaratório n° 51, de 28 de dezembro de 1994, que define a receita obtida pelas empresas de factoring". Aqui assiste razão à Recorrente. Como bem analisada esta matéria pela decisão recorrida, que adoto como fundamentos, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, por força da convicção de que a operação de aquisição do título para futura realização não tem natureza financeira, a RFB, através da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, editou o Ato Declaratório Cosit nº 51, de 28.12.94, determinando o seguinte: “I – a diferença entre o valor de face e o valor de venda oriunda da alienação de duplicata à empresa de fomento comercial, (factoring), será computada como despesa operacional, na data da transação; (...).” Com efeito, o tipo de atividade efetuado por empresas de fomento comercial (factoring) não é equiparado ao das instituições financeiras. Seu ramo de atividade é o mercantil, onde presta serviços de levantamento cadastral, avaliação de riscos, assessoria contábil, jurídica e mercadológica e de aquisição de títulos ou direitos de crédito. Por esse último serviço, é cobrado um deságio, que é a diferença entre o valor de face e o valor de venda do direito. Não corresponde à receita financeira, que é a oriunda de juros de empréstimos e financiamentos. Neste aspecto, cumpre, pois, observar que a faturização ao contrário do desconto é uma cessão de crédito na modalidade pro soluto, ou seja, sem a responsabilização do cedente dos créditos. Ou seja, não há, a rigor, empréstimo ou financiamento, mas mera “compra e venda” dos créditos. É o que se deduz claramente a partir da leitura do art. 15, § 1o, inciso III, alínea “d”, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que define o serviço de factoring como sendo a “prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços”. À vista do exposto, vêse que a diferença entre o valor de face e o valor de venda de direitos ou títulos de crédito adquiridos por empresas de fomento comercial (factoring) não se trata de receita financeira, integrando, portanto a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS nãocumulativos. Aduz a Recorrente também que "(...) Até poderia se discutir se o lançamento deveria ter sido efetuado em conta devedora específica, classificada Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11080.001524/200938 Acórdão n.º 3402004.776 S3C4T2 Fl. 304 11 como retificadora da receita, ao invés de levado a débito à conta da própria receita. Esta discussão, todavia, para a verdade dos fatos, é irrelevante, pois tanto numa situação como em outra seria correta a dedução da base de cálculo do PIS e da COFINS. Aliás, foi o que justificou a não exigência de Imposto de Renda e de CSLL sobre estas pretensas infrações. Afinal, para estes tributos, em vista da tributação pelo Lucro Real, é irrelevante classificar a operação como redutora de receita, conforme o procedimento da empresa, ou como despesa financeira, conforme entendeu o Fisco, pois ambas acabam reduzindo o lucro". No mesmo sentido, também concordo adoto os termos da decisão recorrida, pois aqui parece haver uma confusão por parte da Recorrente, pois o litígio não está na apuração da correta classificação de um lançamento contábil, mas sim no efeito que esse lançamento teve ao reduzir a base de cálculo do PIS e da Cofins. As Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 contém dispositivos legais que determinam que essas contribuições incidem sobre a receita, e não sobre o lucro. Nesse sentido, o termo “receita” significa a integralidade dos valores recebidos pela pessoa jurídica, e conseqüentemente, é diferente de lucro, o qual significa o resultado que se obtém quando se subtrai dessas receitas o valor de todas as despesas e custos da empresa. Portanto, resta claro que a base de cálculo do PIS e da COFINS não é o lucro, mas sim a receita obtida pela pessoa jurídica. E continua a Recorrente argumentando que "(...) Também, há autorização legal para se deduzir da base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela da receita bruta que não se confirma, o que em empresas comerciais é equivalente a "vendas canceladas". Esta base legal consta no art. Io da Lei n° 10.637/2002, que regula a nãocumulatividade do PIS, cuja redação, na parte específica, é repetida pela Lei n° 10.833/2003, que trata da COFINS: (...)." Também entendo que não tem razão novamente a Recorrente. Compartilho da análise e considerações propalada pela decisão de piso. O fato gerador das contribuições no regime de apuração não cumulativa é o auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas, o que ocorre quando as receitas são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. E foi exatamente isso que aconteceu. A impugnante, conforme sua própria declaração à fl. 74 efetuou novas cessões de crédito para as empresas South Service e EHW, sendo o custo dessas operações deduzido da receita que serviu de base de cálculo do PIS e da COFINS: “Os valores lançados a débito na conta 33302003 Receita Fator de Compra, referemse a cessões de crédito efetuadas para as empresas South Service e EHW.” Fl. 309DF CARF MF 12 Portanto, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS, por falta de expressa previsão legal. Por fim, aduz em seu recurso que, "(...) Neste panorama, a operação de factoring convencional, sem regresso, como no caso em foco, configura operações de crédito, pois são antecipados valores que serão recebidos futuramente. Em razão disto é certo dizer que o custo de oportunidade das operações de factoring está intimamente vinculado ao custo do dinheiro no tempo, o que autoriza a adoção, para o reconhecimento da receita auferida, do regime pro rata tempore, nos termos do disposto no art. 373 do RIR/99". Como se vê, a Recorrente entende que a operação de factoring convencional, sem regresso, como no caso em foco, configura operações de crédito, pois são antecipados valores que serão recebidos futuramente, o que autoriza a adoção, para o reconhecimento da receita auferida, do regime pro rata tempore nos termos do disposto no art. 373 do RIR/99. Aqui a empresa aborda questão referente ao regime de apropriação de receitas na aquisição de títulos por empresa de factoring, se de imediato ou pro rata tempore. Essa questão também encontrase bem enfrentada pela decisão a quo, que adoto como fundamentos. Não é disso que estamos tratando. O art. 373 do RIR/99, apenas flexibiliza a aplicação do princípio da competência dos exercícios com relação a certas hipóteses de ganhos financeiros. Neste caso, devem ser utilizados os critérios de reconhecimento de receita adotados pela legislação do Imposto de Renda, previstos para a espécie de operação. Já afirmamos anteriormente que o tipo de atividade efetuado por empresas de fomento comercial (factoring) não é o mesmo das instituições financeiras. Seu ramo de atividade é o mercantil e suas receitas, portanto, não são financeiras, que são aquelas oriundas de juros de empréstimos e financiamentos. O que interessa nestes autos não é o tratamento que se deva dar ao valor correspondente à diferença do que foi pago por certo título e o montante que se vai, em momento futuro, receber. Até porque a impugnante apenas exclui esses valores de sua contabilidade e, portanto, de suas receitas. O litígio versa, na realidade, sobre valores que foram deduzidos da base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. Em resumo, concluise que a Recorrente apenas exclui esses valores lançados de sua contabilidade e, portanto, de suas receitas, reduzindo indevidamente a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS. 5. Da Tributação dos Juros sobre o Capital Próprio "Infração 002" Segundo consta do Relatório do Fisco, esta infração em relação ao PIS e à COFINS, decorre de valores de receitas de juros sobre o capital próprio (JCP) não computados na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11080.001524/200938 Acórdão n.º 3402004.776 S3C4T2 Fl. 305 13 Segundo a Recorrente, "(...) Neste passo, efetivamente, deixou de ser tributado o valor de R$ 14.978,44, relativo a juros de capital próprio recebidos, o que foi feito com fundamento no disposto nos artigos 1º, §3º, inciso V, letra "b", cuja redação é congruente tanto na Lei n° 10.637/2002, quanto na Lei n° 10.833/03. Entende a Recorrente que a mencionada letra "b" do artigo acima, autoriza a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, dentre outros valores, do "resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita". E é neste contexto que se inserem os juros sobre o capital próprio, pois com a edição da Lei n° 9.249, de 1995, ficou estabelecido que "o valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a titulo de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976" (...). Arremata que neste panorama, os juros sobre o capital próprio, pagos exclusivamente a sócios ou acionistas, de fato assumem natureza singular, semelhante à dos dividendos, pois, mormente, são pagos mediante a constatação de resultados positivos no exercício, ou quando a empresa mantém lucros acumulados. E esta característica singular faz com que os juros sobre o capital próprio não podem ser considerados integrantes do fato gerador do PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 1º, § 3º, inciso V, letra "b", das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/03. Vejamos inicialmente o teor desses dispositivos legais: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 1º (...). § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I (...). V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita.” (Grifei) Fl. 311DF CARF MF 14 Pois bem. Em seu recurso, a Recorrente não contesta o valor apurado a partir de sua contabilidade, mas limitase a defender, em síntese, que os juros sobre capital próprio possuem natureza de dividendos, com fundamento no art. 9º, § 7º, da Lei nº 9.249/1995, que enuncia que o valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404/1976. Sustenta, então, a improcedência do lançamento uma vez que o art. 1º, § 3º, V, alínea "b", das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002, exclui da base de cálculo das contribuições de que tratam, dentre outros valores, os referentes a “dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita”. De fato tais dispositivos legais determinam que os dividendos não compõem a base de cálculo das contribuições em apreço. Sucede, porém, que os juros sobre o capital próprio, ao contrário do que alega a recorrente, não se confundem com os dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, possuindo na verdade natureza jurídica distinta. Apesar de os dividendos e os JCP possuírem natureza jurídica e tratamentos tributários distintos, ambos dizem respeito a formas de a sociedade remunerar o acionista pelo capital por ele investido, razão pela qual suas respectivas finalidades econômicas (e societárias) são coincidentes. Esse é o entendimento da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”), conforme declaração de voto vencedor da Presidente Maria Helena Santana, no Processo Administrativo CVM RJ 2008/6446. Vejase: “(...) Uma última palavra, contudo, deve ser dedicada à aplicação desta minha conclusão à hipótese dos Juros sobre o Capital Próprio (JCP) e outras assemelhadas. Entendo que os JCP devem ser equiparados, para fins da vedação legal, a dividendos. Isto porque, o JCP, embora possua natureza diversa, é utilizado com a mesma finalidade do dividendo, tanto que o montante pago a título de JCP pode ser deduzido do cômputo do dividendo mínimo obrigatório. Nada mais natural, portanto, que também visto sob esse mesmo prisma, seja o JCP incluído na restrição legal de que ações em tesouraria recebam dividendos. Isso se justifica até mesmo por uma questão temporal, pois obviamente os autores da Lei das S.A. não poderiam antever que seria criada essa figura híbrida que é o JCP, que por um lado não é dividendo, mas, por outro, pode integrar o montante pago a título de dividendo mínimo obrigatório (...)". No mesmo sentido, também a forma que vem sendo decidido pelo STJ: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E DIVIDENDOS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. NATUREZAS DISTINTAS. ENUNCIADO N. 83/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Possibilidade de cumulação de dividendos com juros sobre capital próprio, por possuírem naturezas jurídicas distintas. Enunciado n. 83/STJ. 2. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11080.001524/200938 Acórdão n.º 3402004.776 S3C4T2 Fl. 306 15 (AgRg no Ag 1362396/RS, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/03/2012, DJe 16/03/2012). Como se vê, portanto, por possuírem natureza jurídica distinta dos dividendos, não se aplica aos juros sobre capital próprio a ressalva expressa o art. 1º, § 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Notese que o próprio tratamento fiscal diferenciado que a lei nº 9.249/1995 dispensa aos juros sobre o capital próprio se deve precisamente à distinção material existente entre eles e os dividendos. Os juros sobre o capital próprio constituem espécie de remuneração auferida pela pessoa jurídica em função do capital investido em outra companhia, quando esta aufere lucro, proporcionando um acréscimo ao ganho obtido com a própria valorização da empresa investida. Diversamente dos dividendos, são calculados sobre as contas do patrimônio líquido da empresa, estando limitados à variação pro rata da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP (art.9º). Os dividendos representam parcela do lucro distribuída aos sócios segundo o valor das quotas que possuem no capital da sociedade, não estando vinculados a quaisquer taxas de juros e correlacionandose, portanto, exclusivamente com o lucro auferido no período. Os dividendos recebidos pelos acionistas são isentos de tributos, enquanto sobre os juros sobre capital próprio incide alíquota de imposto de renda (IR) de 15%. Esta matéria já se encontra decidida no âmbito do STJ, conforme julgamento do REsp nº 1.200.492 (RS), de outubro de 2015, cuja tese julgada gera efeitos do art. 543C do CPC. Vejase: RECURSO ESPECIAL Nº 1.200.492 RS (2010/01169433) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO R.P/ ACÓRDÃO : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : REFINARIA DE PETRÓLEO IPIRANGA S/A ADVOGADO : ÂNGELA PAES DE BARROS DI FRANCO E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. 1. A jurisprudência deste STJ já está pacificada no sentido de que não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, permitindo tal benesse apenas para a vigência da Lei n. 9.718/98. Precedentes da Primeira Turma: AgRg nos EDcl no REsp. 983066 / RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 01.03.2011;(...). 2. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003". (grifei) Fl. 313DF CARF MF 16 3. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Nesse esteio, o referido precedente pretoriano tem força vinculativa para este julgador, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2° do Regimento Interno do CARF. Mesmo assim, faço constar que quanto à base de cálculo da contribuição para PIS e da COFINS, não cumulativas, vejamos a legislação de regência. As leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, no art. 1º, determinam que as contribuições de que tratam incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Já no § 3º deste artigo, trazem o rol taxativo das receitas que não integram a base de cálculo das contribuições, do qual não há qualquer menção a juros sobre o capital próprio . Cabe observar ainda que, a partir de 02.08.2004, por força do Decreto nº 5.164/2004, ficaram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativo das referidas contribuições. O disposto não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio (JCP) e as decorrentes de operações de hedge, estas até 31.03.2005. E, a partir de 01.04.2005, por força do Decreto nº 5.442/2005, ficam reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge. Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; II aplicase às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de abril de 2005. Constatase que permanece a incidência do PIS e COFINS sobre os juros sobre o capital próprio. O disposto aplicase, também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Concluise, então, que os juros sobre o capital próprio (JCP), compõem a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da COFINS e da contribuição para o PIS, uma vez que não há qualquer dispositivo legal permitindo sua exclusão da base de cálculo das referidas contribuições. 6 Dispositivo Diante de tudo o que fora exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11080.001524/200938 Acórdão n.º 3402004.776 S3C4T2 Fl. 307 17 É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 315DF CARF MF
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Numero do processo: 10070.001876/93-49
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTO - LANÇAMENTO COM BASE EXCLUSIVAMENTE EM DEPÓSITO BANCÁRIO - CANCELAMENTO - Os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível
quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que
representa a omissão de rendimento, nos termos da legislação que rege a matéria
Recurso especial provido
Numero da decisão: CSRF/01-03.547
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leila Maria Scherrer Leitão
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JORGE MARCOS CARRIÇO RAJÃO Recorrida SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES interessada : FAZENDA NACIONAL Sessão de . 05 de novembro de 2001 Acórdão n°. , CSRF/01-03 547 IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTO - LANÇAMENTO COM BASE EXCLUSIVAMENTE EM DEPÓSITO BANCÁRIO - CANCELAMENTO - Os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa a omissão de rendimento, nos termos da legislação que rege a matéria Recurso especial provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto por JORGE MARCOS CARRIÇO RAJÃO ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado °. ON 'EREIFTARIGUES PRESIDENTE , LEILA MARIAeHERRER LEITÃO RELATORA FORMALIZADO EM O 3 DEZ 2001 _ MINIbTERIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS jJ PRIMEIRA TURMA_ Processo n° : 10070 001876/93-49 Acórdão n° CSRF/01-03 547 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros CELSO ALVES FEITOSA, ANTÓNIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, JOSÉ CARLOS PASSUELO, IACY NOGUEIRA MARTINS MORAIS, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS E LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, 2 jr1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° 10070.001876/93-49 Acórdão n° CSRF/01-03 547 Recurso n° RD/106-0362 Recorrente : JORGE MARCOS CARRIÇO RAJÃO RELATÓRIO Inconformado com o decidido no Acórdão n° 106-10.926, de 17 08 99 (fis 75/87), prolatado pela E Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o contribuinte JORGE MARCOS CARRIÇO RAJÃO, recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais, objetivando a reforma do referido Acórdão em relação à matéria consubstanciada, na seguinte ementa: "DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Provado nos autos que a pessoa jurídica efetuou depósito na conta•corrente bancária de titularidade do contribuinte em montante superior à renda declarada, cabe a ele a prova de que a importância depositada decorre de rendimentos tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte " Assevera o recorrente que esta decisão diverge do entendimento manifesto nos Acórdãos102-42 865 e 104-12,517, entre outros Requer, ao final, a reforma do acórdão guerreado e o cancelamento do lançamento O recurso especial de divergência foi admitido, conforme despacho de fls. 131/134, do ilustre presidente da Colenda Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes 3 jr1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. .: 10070 001876/93-49 Acórdão ri° CSRF/01-03 547 Ciente, a Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 136, transcrevebdo texo do voto do Acórdão atacado, requer que se denegue provimento ao recurso especial. 4/ É o Relatório 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA- _ CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° 10070001876/93-49 Acórdão n° CSRF/01-03 547 VOTO Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, Relatora Presentes os pressupostos legais de admissibilidade, o recurso especial deve ser conhecido A matéria em julgamento nesta Instância Superior diz respeito a crédito tributário tendo por base um depósito bancário em conta corrente do sujeito passivo, relativo a cheque emitido por pessoa jurídica, no ano-base de 1990 A questão trazida ao deslinde nesta assentada foi objeto de vastos estudos e debates, tendo este Colegiado firmado jurisprudência quanto a lançamentos que tais, antes da vigência da Lei n° 9.430 E de notório saber que a omissão de rendimentos, caracterizada exclusivamente por depósitos bancários, vem merecendo sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no Judiciário Filio-me à corrente quanto à ilegitimidade de lançamento de imposto de renda com base exclusivamente em extratos ou depósitos bancários Este Colegiado em diversas oportunidades já se manifestou a respeito, - tendo firmado pacífica jurisprudência, podendo-se citar os Acórdãos CSRF/01-1 898 e 01- 1 911, tendo por Relator o ilustre Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes Reporto-. e 5 jri 1- MINISTÉRIO DA FAZENDA CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° : 10070.001876/93-49 Acórdão n°, . CSRF/01-03.547 aos brilhantes fundamentos do voto em que se baseou o referido Conselheiro, a quem peço vênia para reproduzir o seguinte excerto. "Inicialmente, cabe consignar que o Direito Tributário Brasileiro consagra o princípio da reserva legal CTN, arts 3 0 , 97 e 142, de modo que descabe o lançamento de imposto com base em presunção que não seja expressamente autorizada por lei Por outro lado, o mesmo código estabelece em seu artigo 43 que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica Ora, o depósito bancário em si mesmo não é fato gerador do imposto, sendo necessário que o fisco demonstre a existência da renda auferida pelo contribuinte A prova da aquisição de renda não declarada pelo contribuinte cabe, portanto, ao fisco, salvo quando por expressa disposição, a lei impuser ao contribuinte a comprovação de um determinado fato sem o que a autoridade administrativa poderá presumir a percepção do rendimento Neste caso, o artigo 39 do RIR/80 que autorizava o arbitramento dos rendimentos com base em sinais exteriores de riqueza Por longo tempo, a Administração recorreu a esse dispositivo para lançar o imposto Todavia, não raro, utilizava os depósitos bancários como prova bastante de omissão de rendimentos e não apenas corno um indício a ser devidamente investigado e corroborado com outros elementos probatórios que autorizassem, em seu conjunto, a formação dessa convicção. Dessa forma, inúmeros foram os lançamentos feitos com base exclusivamente em depósitos bancários, infringindo princípios e regras do direito tributário, fato que levou o Poder Judiciário e também a jurisprudência administrativa a pronunciar-se contra o procedimento, manifestações essas - que culminaram na Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, citada e transcrita ao finai do relatório .. MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS- PRIMEIRA TURMA Processo n° . 10070001876/93-49 Acórdão n° CSRF/01-03 547 Em resumo, a administração estava lançando imposto com base em presunção não autorizada em lei E foi exatamente por reconhecer a inexistência da obrigação tributária, que autorizaria o fisco a lançar o imposto, que o Poder Executivo, valendo- se da prerrogativa constitucional de baixar decretos-leis, cancelou os débitos para com a Fazenda Nacional a esse título, através do art 9° e seu inciso VH, do Decreto-Lei n°. 2471, de 1/09/88, assim redigidos "Art 9°. - Ficam cancelados, arquivando-se, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não corno Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança VU - do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de débitos bancários" O Poder Executivo assim motivou a expedição desse dispositivo "A medida preconizada no art. 9°. do projeto, pretende concretizar o princípio constitucional da colaboração e harmonia dos Poderes, contribuindo, outrossim, para o desafogo do Poder Judiciário, ao determinar o cancelamento dos processos administrativos e das correspondentes execuções fiscais em hipótese que, à luz da reiterada Jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal e do Tribunal - Federal de Recursos, não são passíveis da menor perspectiva de êxito, o que, s m j., evita dispêndio de recursos do Tesouro Nacional, à conta de custas processuais e do ônus de sucumbência " Abra-se parêntese para realçar que a vontade do legislador era por cobro a pretensões fiscais que não tinham a menor chance de sucesso, dentre elas as arbitradas com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de débitos bancários, evitar dispêndio de recursos do Tesouro Nacional, à conta de custas processuais e do ônus da sucumbência, e colaboração e harmonia dos Poderes, contribuindo, também, para o desafogo do Poder Judiciário 7 ,r1 .;•-4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. 10070 001876/93-49 Acórdão n° CSRF/01-03 547 O fato gerador, é justamente a hipótese prevista na Lei tributária em abstrato, isto é, origem à obrigação de pagar o tributo Pelo menos, enquanto o legislador não autorizasse o arbitramento de rendimentos com base na renda presumida mediante utilização de depósitos bancários, o que somente veio a acontecer com o advento da Lei 8021/90, nas condições nela previstas (Grifamos) A edição desta lei veio confirmar o entendimento de que não havia previsão legal que justificasse a incidência do imposto de renda com base em arbitramento de rendimentos sobre os valores de extratos e de comprovantes bancários, exclusivamente" Somente após o advento da Lei no. 8021/90, através de seu art 6° e parágrafos, é que foi legalmente autorizada a tributação com base na renda presumida, mediante sinais exteriores de riqueza, através de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras Entretanto, esse dispositivo requeria o exercício de ação fiscalizadora objetivando detectar, com p_rovas, a realização de gasto que efetivamente caracterizasse sinais exteriores de riqueza, podendo-se, ainda, arbitrar o rendimento com base em depósito bancário de origem não comprovada. Entretanto, o § 6° daquele artigo, dispunha que a exigência lançada fosse a mais favorável ao contribuinte, isto é, autuava-se com base no § 1° ou com base no § 5 0 , se este fosse o mais favorável, competindo ao fisco a comparação, para se levar a cabo a exigência O fato de o depósito ter sido emitido por pessoa jurídica, por si só, não é suficiente para concluir omissão de rendimento Principalmente porque não se fez qualquer vínculo entre depositante e beneficiário e a que título o depósito se efetivou„ Caberia ao fisco, para a acusação, diligenciar junto à pessoa jurídica depositante O ônus da prova, em casos que tais, é sempre de quem alega, 8 iri MINISTÉRIO DA FAZENDA rs i-MVIARA SU P ERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° . 10070001876/93-49 Acórdão n° • CSRF/01-03 547 Objetivando dar mais sustentação a esse tipo de situação, alterou o legislador a sistemática para a ação fiscal, com o advento da Lei n° 9430, de 1996 Em seu art. 42, instituiu-se a presunção de omissão de rendimento quando o contribuinte não logra comprovar a origem de valores constantes em depósito bancário efetuado em corrente bancária, observadas as disposições constantes nos §§ do citado artigo. Após esse diploma legal, o ônus é sempre do sujeito passivo De se esclarecer, por oportuno, que a vigência dessa lei somente alcança fatos geradores a partir de 1° de janeiro de 1997, o que não é caso Frente à exigência e às normas legais então videntes, conclui-se que, depósitos bancários podem se constituir em valiosos indícios mas não prova de omissão de rendimentos e não caracterizam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, nem podem ser tomados como valores representativos de acréscimos patrimoniais. Para amparar o lançamento, mister que se estabeleça um nexo causal entre o depósito e o rendimento omitido, não devendo, pois, prevalecer o lançamento sob este aspecto Em face das considerações acima, não deve prevalecer o lançamento efetuado exclusivamente com base em depósitos bancários de origem não identificada, efetuados no ano de 1990, por falta de base legal para a exigência Voto, pois, no sentido de DAR provimento ao recurso especial interposto Brasília - DF, em 05 de novembro de 2001 LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO 9 ir! Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 15586.720065/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 06 5/ 20 11 -7 0 Fl. 641DF CARF MF Processo nº 15586.720065/201170 Resolução nº 3301000.528 S3C3T1 Fl. 641 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1669.792, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. O presente processo administrativo traz lançamento de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Remessas ao Exterior, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A fiscalização que resultou na presente autuação iniciouse com foco no PIS/Pasep e Cofins, somente depois dedicandose à CIDE. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, reproduzido abaixo, focalizando a parte que diz respeito à CIDE: Pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 143/148 a Autoridade Lançadora consigna, em síntese, no seguinte sentido: (...) A operação fiscal "Verificações Preliminares" teve por objetivo a verificação da correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo contribuinte em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRFB, nos últimos cinco anos. 2. PROCEDIMENTO FISCAL Foi emitido o Termo de Início de Ação Fiscal n° 053/2010, datado de 19/05/2010, solicitando os seguintes documentos e informações (fls. 03/08): [...] Após análise das planilhas apresentadas, em 13/01/2010, emitimos o Termo de Intimação Fiscal n° 105/2011, solicitando ao contribuinte (fls. 100/105): [...] Justificar as diferenças apuradas entre a contabilidade e o declarado em DCTF dos valores da CIDE do anocalendário 2007. [...] Em 16/03/2011, em complemento à resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 105/2011, o contribuinte apresentou (fls. 119): Comparativo entre valores da CIDE recolhida, valores informados em DCTF, valores apontados no Termo de Intimação e valores registrados na rubrica CIDE a recolher da contabilidade, sendo encontradas inconsistências que estão sendo analisadas (fls. 120). Fl. 642DF CARF MF Processo nº 15586.720065/201170 Resolução nº 3301000.528 S3C3T1 Fl. 642 3 Dados referentes às remessas ao exterior tais como: favorecido, data, valor em moeda estrangeira e as informações sobre liberação de pagamento (fls. 121); [...] Em 09/05/2011, o contribuinte apresentou resposta ao Termo de Intimação n° 105/2011, informando que as diferenças apontadas no item 4 (CIDE) são decorrentes dos seguintes fatores (fls. 127): 1 Recuperação de CIDE sobre Royalties utilizada para abater de recolhimentos futuros; 2 Efeitos de conversão de moeda estrangeira entre valor provisionado x fechamento de cambio; 3. Valores reconhecidos contabilmente e não realizados no exercício. Visto que as alegações do contribuinte são totalmente genéricas, sem a devida escrituração contábil e documentos comprobatórios, entendemos que as diferenças apuradas não foram justificadas, de modo que serão objetos do auto de infração. 3. INFRAÇÕES APURADAS • FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS CIDE Com base na escrituração fiscal (fls. 48/79), na planilha entregue a fiscalização (fls. 120), nas declarações de DCTF (fls. 131/142) e nos pagamentos, confeccionamos a planilha abaixo onde apuramos a diferença tributável: (...) O Lançamento foi impugnado (fls. 164/175), discorrendo, alegando e requerendo a Interessada, em síntese, no seguinte sentido: [...] O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 NULIDADE.INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72, contra o qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias a ponto de crer ter provado o seu suposto direito. CONTA CONTÁBIL DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 15586.720065/201170 Resolução nº 3301000.528 S3C3T1 Fl. 643 4 A conta contábil de tributo ou contribuição é apta a sustentar o lançamento de ofício. Se a contabilidade da sociedade contém erros ou omissões, deve ser corrigida segundo o norteamento da Lei 6.404/76. PERÍCIA. O exame pericial não se presta para dirimir questões de direito e nem para abordar questões que independam de conhecimento técnico especializado, tampouco para suprimir o encargo que cabe ao contribuinte quanto à formação da demonstração probatória que lhe compete. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repetindo parte dos argumentos da peça impugnatória. Preliminarmente, aduz a nulidade da decisão de piso, por não ter a DRJ analisado os argumentos por ela levados ao contencioso; como também a nulidade da autuação, por ausência de motivação; e a necessidade de baixa dos autos em diligência. No mérito, traz em seu favor, a justificar as diferenças apuradas: a recuperação de CIDE sobre royalties utilizada para abater de recolhimentos futuros; os efeitos de conversão de moeda estrangeira entre a data da provisão e o fechamento de câmbio; e os valores provisionados contabilmente e não realizados no exercício. Ao final, pugna pelo provimento do recurso voluntário. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 15586.720065/201170 Resolução nº 3301000.528 S3C3T1 Fl. 644 5 Voto O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A recorrente introduz sua peça resumindo fatos da fiscalização a que fora submetida: a Receita Federal iniciou, em maio de 2010, auditoria fiscal com o objetivo de verificar a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pela recorrente em sua escrituração contábil; a fiscalização prosseguiu com foco nas contribuições Pis/Pasep e Cofins; somente em .janeiro de 2010 (sic), começa a investigar a apuração da CIDE, solicitando "justificar as diferenças apuradas entre a contabilidade e o declarado em DCTF dos valores da CIDE do anocalendário 2007". Mais adiante, em maio de 2011, a contribuinte informou" que as diferenças apontadas na CIDE decorreram de três fatores. Reproduzo resposta da então fiscalizada (127): Foram estas e somente estas as justificativas oferecidas pela empresa (resposta à intimação à fl. 127), ao que a fiscalização entendeu (fl 146): E assim apurou a infração e lavrou a autuação, nos seguintes valores: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 645DF CARF MF Processo nº 15586.720065/201170 Resolução nº 3301000.528 S3C3T1 Fl. 645 6 Afirma a recorrente, em sua peça de 22/09/15, que "Do valor apurado pela Fiscalização, R$ 2.719.438,77, a Impugnante refez a apuração da CIDE (doc. 04 da impugnação) e encontrou uma diferença de R$ 93.082,44, a qual será recolhida nos próximos dias e juntada aos autos. Assim, quando da juntada do pagamento, requer seja ele abatido do crédito tributário" (grifos do original). Já havia dito o mesmo, em sua impugnação, datada de 13/06/2011. Não fora identificado nos autos o prometido pagamento. Alega a recorrente a existência de créditos de CIDE que compensaram parte dos valores devidos em perídodos subsequentes, apurados de junho/2007 a dezembro de 2007, da seguinte forma: a c E traz a base legal para o dito creditamento, o art. 4º da Medida Provisória n° 2.15970, de 24 de agosto de 2001, à alíquota de 70%: Art.4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. §1º O crédito referido no caput: Iserá determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de Fl. 646DF CARF MF Processo nº 15586.720065/201170 Resolução nº 3301000.528 S3C3T1 Fl. 646 7 róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: [...] b)setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; [...] IIserá utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. Traz Solução de Consulta da Receita Federal n°. 37 de 21 de junho de 2011 que trata da utilização do dito crédito. "O crédito passível de utilização na apuração da CIDE incidente sobre valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos ao exterior a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no "caput" e no § 2º do art. 2° da Lei n° 10.168, de 29 de dezembro de 2000, é calculado sobre a contribuição devida, representada pela diferença entre o valor obtido em decorrência da aplicação da alíquota sobre a operação tributada e o valor do crédito anterior porventura utilizado. O limite temporal à utilização do crédito é de cinco anos, contados do último dia da quinzena subsequente ao da ocorrência do fato gerador que tiver ensejado o cálculo da contribuição devida sobre a qual tiver sido apurado o crédito. Não existe vedação à utilização total dos créditos, podendo eventual saldo remanescente ser utilizado em operações posteriores, cabendo ressaltar que somente são utilizáveis os créditos apurados em operações anteriores." E conclue: De fato, o acórdão recorrido, menciona esses lançamentos/ contas de provisão: As apontadas contas contábeis de CIDE não expressariam a verdadeira CIDE a recolher, pois estariam a cuidar de provisões e/ou seriam usadas para o que a Impugnante chama de "reclassificação de crédito" Sobre a alegado creditamento, assim se manifesta o a recorrente Pois bem, em relação aos alegados créditos de CIDE, por exemplo, verificase em fl. 237 que a conta 215020 não evidencia o crédito tomado. O apontado crédito de CIDE, no montante de R$ 103.715,02, ao que consta não é contabilizado. Então existe uma apuração extracontábil e a apropriação dos alegados créditos não fica evidenciada na contabilidade? Numa sociedade anônima? Fl. 647DF CARF MF Processo nº 15586.720065/201170 Resolução nº 3301000.528 S3C3T1 Fl. 647 8 Argumenta não ter considerado a fiscalização os efeitos de conversão de moeda estrangeira entre data do provisionamento e a do fechamento do câmbio respectivo. Conforme já exposto no relatório, a recorrente "quando tomava conhecimento de que deveria efetuar o pagamento desses Royalties", assim procedia: a) Por se tratar de um contrato que envolve moeda estrangeira, a empresa, quando da análise do contrato, registrava na conta n°. 215010 o valor convertido para Real, pela taxa de câmbio à época do contrato. [...] ̶ procedimento meramente contábil, pois ainda não realizado o fato gerador da CIDE, apenas a sua expectativa; b) Assim que chegava a data do pagamento, quando era possível apurar o valor efetivamente devido, ela estornava a provisão e efetuava o pagamento com a taxa da moeda estrangeira à época do vencimento. [...] Conclusivamente, a variação cambial entre a provisão e o efetivo valor devido foi desconsiderado pela Fiscalização [...]. (Grifos do original). E exemplifica: Podemos tomar como exemplo o procedimento adotado em março de 2007: [...] A provisão foi constituída (crédito no passivo) em 28.03.2007, no valor de R$ 1.044.564,09, no entanto, a reversão dessa provisão, que se deu por meio de pagamento (débito no passivo) foi feita em Abril, mais precisamente no dia 13.04.2007, no valor de R$1.034.714,08, sendo este o valor efetivamente devido (e recolhido) pela empresa: (Grifos do original). Alega ainda a recorrente que a fiscalização não considerou valores provisionados, sem a realização do fato gerador respectivo ou realizados em valores a menor. E exemplifica: O caso mais gritante se dá em dezembro de 2007, uma vez que o efetivo fato gerador se deu somente em 2008 e por um valor bem menor. Como dito anteriormente, a conta 215020 CIDE s/ Royalties, na qual se baseou a Fiscalização para apontar divergências com as DCTFs, é utilizada somente para reclassificação de crédito de CIDE, e não para formação de imposto a pagar. Ora, no caso apontado acima, a provisão de R$ 449.736,31, contabilizada em 12/2007, teve o pagamento do principal somente em 22/10/2008 taxa de fechamento de câmbio), posto que adiada a realização do fato gerador, além Fl. 648DF CARF MF Processo nº 15586.720065/201170 Resolução nº 3301000.528 S3C3T1 Fl. 648 9 de ter ocorrido reclassificação deste valor (R$344.861,66), uma vez que houve redução na base de cálculo (Doc. 11 da impugnação). (Grifos do original). E diz ter juntado o contrato de câmbio que justifica a contabilização deste valor. (doc. 12, instrutivo da impugnação). Aponta que o mesmo teria ocorrido nos meses de abril, maio e junho de 2007. Nas fls 230 a 440 dos autos, a contribuinte apresenta documentos instrutivos de sua impugnação, planilhas de apuração de CIDE, folhas do livro razão, planilhas de cálculo dos tributos nas remessas, lançamentos de estorno de CIDE, comprovantes de arrecadação e contratos de câmbio. Assim; considerando as alegações da recorrente, seu amparo legal e os documentos por ela apresentados (em sede de impugnação); em homenagem ao princípio da verdade material; voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Delegacia de Origem: 1) Intime a contribuinte a efetuar uma conciliação entre os saldos contábeis e DCTF e guias de arrecadação fiscalizados, apresentando as justificativas para todas diferenças encontradas e tributadas pela fiscalização, acompanhadas das respectivas documentações suporte; 2) Nos casos específicos das justificativas para a ocorrência das diferenças autuadas apresentadas pela contribuinte nas suas peças de defesa, intime esta a: a) Sobre os créditos de CIDE abatidos dos valores devidos lançados na DCTF e recolhidos, porém não debitados na conta contábil de CIDE a recolher: indicar base legal, cálculo e documentação de suporte, que comprovem a legitimidade dos créditos; e apresentar cópias dos livros contábeis principal e/ou auxiliares, identificando a conta contábil em que foram lançados os créditos de CIDE, os quais, indevidamente, não teriam sido debitados na conta de passivo, ocasionando o surgimento de parte da diferença apurada pela fiscalização; b) Quanto a variação cambial indevidamente contabilizada: demonstrar as corretas bases de cálculo da CIDE e comparar com os valores contabilizados, indicando, desta forma, o excedente relativo à variação cambial indevidamente registrada nos livros contábeis e tributada pela fiscalização; c) Sobre os valores de CIDE indevidamente contabilizados e posteriormente revertidos: indicar os lançamentos indevidamente efetuados na conta contábil de CIDE a recolher, e tributados pela fiscalização, e os correspondentes registros contábeis das reversões; 3) Com base nas informações e documentos assim levantados, bem como naqueles já constantes dos autos, verifique se procedem as justificativas apresentadas pela contribuinte para as diferenças autuadas. Se for o caso, refazer a base de cálculo sobre as quais incide a CIDE, recalculando os créditos tributários devidos na presente autuação; e 4) Conceda prazo para a contribuinte se manifestar, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 15586.720065/201170 Resolução nº 3301000.528 S3C3T1 Fl. 649 10 (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Fl. 650DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.720138/2014-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal.
Numero da decisão: 1001-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal.
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ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efls. 05/06) para o ano calendário 2014, tendose em vista a existência de débitos (IRPJ código 2089 e CSLL código 2372, período de apuração 3º trimestre/2013, no valor de R$ 128,76 e R$ 154,51) com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, de natureza não previdenciária, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 01 38 /2 01 4- 78 Fl. 73DF CARF MF 2 cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 31/36) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento efetuado em janeiro de 2014 não foi suficiente para a quitação dos débitos naquela data: Feita a imputação proporcional (Parecer PGFN/CDA nº 1.936, de 2005), pois, restam ainda em aberto as importâncias de R$ 10,97 e R$ 13,16 a título de IRPJ e de CSLL (fl. 22). Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 17/11/2014 (efl. 39) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 04/12/2014 (e fl. 40), em que aduz, em resumo, que não houve a intenção de desrespeitar as normas estabelecidas, e que pagou as diferenças apontadas na decisão recorrida. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 03) para o ano calendário 2011. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13982.720138/201478 Acórdão n.º 1001000.225 S1C0T1 Fl. 74 3 não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Está comprovado que o contribuinte recolheu (efls. 24/25) em 30/01/2014 os débitos devidos sem o total dos encargos legais. Logo, em 31/01/2014 os débitos não estavam quitados nem estavam com a exigibilidade suspensa. Devido à prescrição expressa do artigo 17 da LC nº 123/2006 não cabe o afastamento de seu teor em julgamento administrativo (conforme o prescrito no art. 108 do CTN). Desta forma, concluo que havia impedimento para a adesão. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001240/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 12 40 /2 00 7- 91 Fl. 535DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 11853.001240/200791 Acórdão n.º 2202004.223 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 537DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004223/2007-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2004
INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A responsabilidade não é excluída pela denúncia espontânea quando a penalidade decorre de infração que tem por objeto a conduta extemporânea do administrado, materializada pelo cumprimento a destempo, e antes do início de qualquer procedimento fiscal, da obrigação de fazer.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/07/2004
AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO. PRAZO IMEDIATO. INOBSERVÂNCIA. MULTA. COMINAÇÃO.
Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) à empresa de transporte internacional ou ao agente de carga que deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal.
Numero da decisão: 9303-005.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2004 INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A responsabilidade não é excluída pela denúncia espontânea quando a penalidade decorre de infração que tem por objeto a conduta extemporânea do administrado, materializada pelo cumprimento a destempo, e antes do início de qualquer procedimento fiscal, da obrigação de fazer. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/07/2004 AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO. PRAZO IMEDIATO. INOBSERVÂNCIA. MULTA. COMINAÇÃO. Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) à empresa de transporte internacional ou ao agente de carga que deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.004223/200719 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.995 – 3ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado OCEANUS AGÊNCIA MARÍTIMA S.A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2004 INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A responsabilidade não é excluída pela denúncia espontânea quando a penalidade decorre de infração que tem por objeto a conduta extemporânea do administrado, materializada pelo cumprimento a destempo, e antes do início de qualquer procedimento fiscal, da obrigação de fazer. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2004 AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO. PRAZO IMEDIATO. INOBSERVÂNCIA. MULTA. COMINAÇÃO. Aplicase a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) à empresa de transporte internacional ou ao agente de carga que deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 42 23 /2 00 7- 19 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3202000.935, de 26 de setembro de 2013 (efolhas 203 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN/SRF nºs. 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF n.º 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF n.º 510/2005 entrou Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 4 3 em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário provido. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 212 e segs) remete ao prazo definido na IN 28/94 para o registro dos dados de embarque da mercadoria exportada. A recorrente argumenta que, embora o termo "imediatamente após" contivesse algum grau de subjetividade, a Notícia Siscomex nº 105/94 traduziuo "como um prazo de 24 horas (...)". O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 221 e segs. Contrarrazões da contribuinte às efolhas 232 e segs. Requer que não se admita o recurso e, no mérito, que se lhe negue provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Conhecimento do Recurso Especial A contrarrazoante considera ausentes os requisitos formais de admissibilidade do recurso, uma vez que ele não esteja instruído com cópia do inteiro teor do acórdão paradigma ou da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia da publicação de sua ementa. Não assiste razão à reclamante. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 5 4 O artigo 67 do Regimento Interno do CARF admite que a instrução do recurso especial seja feita apenas com a reprodução, em seu próprio corpo, do inteiro teor das ementas1. Isso foi observado. Portanto o instrumento atende aos requisitos formais. As demais alegações com as quais pretende obstar o seguimento do recurso também não podem prosperar. Os argumentos de que (i) a Notícia SISCOMEX n.º 105/94 não tem força normativa, (ii) de que a retroação benigna não se aplica aos casos nos quais traga prejuízo ao administrado, (iii) de que a expressão "imediatamente após" não define prazo etc são questões de mérito e apenas no exame de mérito podem ser apreciadas. Na essência, o fato é que acórdão paradigma considerou que o prazo "imediatamente" contém clareza e precisão suficientes e deve ser observado por quem obriga, se não vejamos. O Recorrente, na qualidade de transportador, nada obstante tecer longas linhas sobre o conteúdo jurídico da expressão imediatamente, sabe ou deveria saber que além do vernáculo não abrir possibilidades de dilação temporal ao conceito comum imediatamente, a Notícia SISCOMEX nº 105/94 esclarece que a exigência de apresentação imediata comporta até 24 horas de tolerância para o cumprimento da referida obrigação acessória. O entendimento que prevaleceu no acórdão recorrido é diametralmente oposto, o que demonstra a dissensão jurisprudencial. Uma vez que apresentado dentro do prazo legal, o recurso deve ser conhecido. 1 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 6 5 Mérito O assunto em exame não é novo. Este Colegiado teve oportunidade de discutilo recentemente, em decisão tomada nos autos do processo nº 10689.000018/200910, acórdão nº 9303004.244, da relatoria do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Uma vez que partilhe do entendimento expresso no voto, reproduzo excertos dele extraídos, de onde se colhem os fundamentos que deram azo à decisão adotada, que acolho em sua integralidade, como se meus fossem. A matéria, única, diz respeito à aplicabilidade, no ano de 2004, da penalidade capitulada no art. 107, IV, “e” do Decreto lei nº 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Diz o dispositivo: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Como facilmente se vê, a norma legal define com absoluta clareza a situação em que se configura a infração, o montante da penalidade aplicável e de quem ela deve ser exigida. Nenhum desses aspectos está em discussão. Esta última se restringe à parte do dispositivo que remete à Secretaria da Receita Federal a fixação do prazo a ser observado pelos sujeitos passivos nela discriminados. À época Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 7 6 dos fatos, tal prazo encontravase definido na Instrução Normativa SRF 28/94, nos seguinte termos: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) E que essa disposição se refere à infração antes discutida dilo o ato normativo expressamente: Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei nº 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. Destarte, a situação parece bastante clara: há norma legal prevendo como infração a conduta de deixar de prestar no prazo informação considerada relevante ao controle aduaneiro. Esse dispositivo legal confere à Secretaria da Receita Federal competência para fixar tal prazo; a SRF o fixa, e o que se discute é se ele pode ou não ser aplicado (!?). Assim colocadas as coisas, e diante das disposições regimentais que nos impedem de afastar ato legal regularmente editado e em vigor, pareceme falecernos competência para concluir, como feito pelo relator da decisão recorrida, que o prazo não poderia ser aplicado por não ser certo. Ora, o dispositivo legal apenas exige que haja um prazo e que ele seja fixado pela SRF. Prazo há, dado que a Administração, mal ou bem, exerceu a competência que lhe foi legalmente atribuída. A conclusão parece evidente: deixar de observar tal prazo é deixar de aplicar a Lei. O que nos é lícito fazer é, portanto, apenas interpretar a norma regulatória. Concretamente, fixar o que Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 8 7 significa a expressão "imediatamente após" ínsita no ato normativo. Sobre isso, em nada divirjo das considerações expendidas no acórdão paradigma pelo ex Conselheiro Luiz Sérgio Fonseca Soares, a quem presto as homenagens devidas. Peço vênia para transcrevêlas aqui: Quanto ao prazo do art. 37 da IN SRF 28/94, é descabida a afirmativa de que a expressão "Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria..." possa ter o significado pretendido pela recorrente, a saber "o prazo possível do exportador poder aglomerar dados"(sic, fls ...... ). Primeiro, porque tal entendimento afronta o princípio da isonomia. Segundo, porque seria um prazo em aberto e indeterminado. Terceiro, porque os dados se baseiam nos documentos de emissão do próprio transportador, não sendo razoável que não estejam disponíveis e organizados. Quarto, porque a expressão "imediatamente após" tem sentido unívoco de "de imediato", que significa: 4. Filos. Dizse de toda relação ou de toda ação em que os dois termos se relacionam sem que haja um terceiro que se interponha como intermediário. 1. Que não tem nada de permeio, próximo. 2 Rápido, instantâneo.... 3. Que (Se) segue, seguinte.: Novo Dicionário Aurélio. Imediato... assim se diz de tudo o que se segue, sem solução de continuidade. É o que vem logo, sem intermeio de qualquer coisa..... Imediato dá, pois, idéia de instantâneo. De igual maneira, o advérbio imediatamente exprime bem a significação do que vem em seguimento, com a necessária presteza e brevidade, tão logo se tenha feito o que lhe antecede."(Vocabulário Jurídico, De Plácido e Silva). A expressão "imediatamente" repele a existência de prazo, sendo contraditório pensarse em lapso de tempo, em termo inicial e termo final, no caso, entre o embarque da mercadoria e o registro de dados." Disso resulta que, nos termos da IN a ser aplicada, o primeiro ato a ser cumprido pelo exportador, após o embarque Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 9 8 da mercadoria, seria fornecer à Administração Aduaneira as informações requeridas, as quais inclusive, bem dito no voto paradigma, já se encontram prontas. Nesses termos, ainda que fossem elas apresentadas no dia seguinte, cabível seria a multa. Para concluir, releva dizer que, a despeito das opiniões particulares que se tenha a respeito da aplicação retroativa dos prazos dilatados pelas instruções normativas que alteraram a IN SRF 28/94, o fato é que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/082, admitiu tal possibilidade. Assim, não me parece razoável que este Conselho ignore uma interpretação do próprio Órgão autuante, flagrantemente favorável à empresa, ainda que, para uns ou outros, a retroação de prazos legais possa parecer indevida. Sopesado isso, resta, contudo, esclarecer que nem mesmo os novos prazos legais beneficiam a autuada no caso concreto. De fato, como se depreende dos autos (efolhas 62), os dados foram registrados no Siscomex quase quatro meses depois do embarque das mercadorias. Já no que diz respeito à aplicação do excludente de responsabilidade pela infração em face da denunciação espontânea da mesma, trilhase o mesmo caminho escolhido por ocasião da decisão tomada por este Colegiado nos autos do processo nº 10283.002493/200993, acórdão nº 9303003.559, da relatoria do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho. Nestes termos, adoto mais uma vez, pela maestria como aborda a matéria, os fundamentos declinados no voto do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, nos autos do processo nº processo 11128.002765/200749, acórdão 380200.568, datado de 05 de julho de 2011, como a seguir se reproduz. 2 SCI COSIT nº 8, de 14/02/2008, verbis: “9. Observase que o art. 37, com a redação dada pela IN SRF no 510, de 2005, é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. O aumento do prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, excluiu de sanções os registros feitos depois de 24 horas e antes de dois dias, bem como os registros feitos depois das 24 horas e antes de 7 dias, na hipótese de embarque marítimo. A legislação tributária deixou de definir, como infração, o registro dos dados nesses intervalos de tempo, o que tornou a nova situação jurídica mais benéfica ao transportador, devendo, portanto, ser aplicada a retroatividade benigna disposta na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pois deixou de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.” Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 10 9 Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 11 10 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. (...) Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 12 11 contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, ao meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 13 12 Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória3 (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. É consabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da 3 A origem dessa discussão está na jurisprudência do C. STF (RE nº 79.625/SP) que tratou da natureza jurídica da multa moratória (se punitiva ou ressarcitória), quando julgou questões acerca da aplicação do art. 184 do CTN, que trata dos privilégios do crédito fiscal, no âmbito do processo de falência. Segundo o referido julgado, entendeu a Corte Suprema que a dita multa tinha natureza punitiva. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11128.004223/200719 Acórdão n.º 9303005.995 CSRFT3 Fl. 14 13 arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. Diante do exporto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 310DF CARF MF
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