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Numero do processo: 13161.000892/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO
O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2301-002.988
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Fl. 206DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13161.000892/200994 Acórdão n.º 2301002.988 S2C3T1 Fl. 2 2 Tratase de Auto de Infração lavrado em face de COMPANHIA COLORADO DE AGRONEGÓCIOS, decorrente do não recolhimento das contribuições previdenciárias destinadas a terceiros – SENAR, INCRA, FNDE, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, para a primeira e, sobre a remuneração dos empregados, para as últimas, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 119/121. Diante disso, foi efetuado o lançamento no valor de R$ 144.054,71 (cento e quarenta e quatro mil e cinquenta e quatro reais e setenta e um centavos). O contribuinte tomou ciência da autuação contra ele lavrada em 15/07/2009, apresentando impugnação tempestiva em 12/08/2009, às fls. 137/140. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, às fls. 159/164, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007 DA MULTA E DOS JUROS A multa e os juros que encontram embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não podem ser alterados ou excluídos administrativamente se a situação Mica verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, interpôs, no dia 17/09/2010, o Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 167/171, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Requer a exclusão da multa de mora, nos termos do art. 138, CTN, por entender que existe um locupletamento ilícito da Receita Federal, uma vez que houve um aumento do suposto débito, sem nenhuma base legal, tornando assim, a exigência tributária ilegal. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 207DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13161.000892/200994 Acórdão n.º 2301002.988 S2C3T1 Fl. 3 3 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade A ora Recorrente tomou ciência do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, no dia 09/08/2010, e apresentou seu Recurso Voluntário em 17/09/2010. Todavia, o art. 33, da Lei 70.235/75, diz que o prazo para a apresentação do referido Recurso é de 30 dias, contados a partir da ciência da decisão pelo contribuinte, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta feita, se a ciência da decisão deuse em 09/08/2010, o fim do prazo para a apresentação do Recurso ocorreu em 08/09/2010. Sendo assim, se a ora Recorrente apresentou suas razões em época posterior à data supramencionada (17/09/2010), temos que o Recurso em referência se encontra intempestivo, tornando, portanto, incabível sua apreciação por este Conselho. Da Conclusão Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por ser este, intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002551/99-67
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1990 a 31/08/1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF E STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CPC. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45, I DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
O direito da fiscalização constituir o crédito tributário, referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados, mas pagos de forma supostamente equivocada, decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 150, §4º do CTN. Tendo o contribuinte sido cientificado da autuação em 14/10/1999, decaído encontra-se o direito da fiscalização de constituir os valores de PIS cujos fatos geradores ocorreram entre abril de 1990 e setembro de 1994.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1990 a 31/08/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF E STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CPC. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45, I DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. O direito da fiscalização constituir o crédito tributário, referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados, mas pagos de forma supostamente equivocada, decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 150, §4º do CTN. Tendo o contribuinte sido cientificado da autuação em 14/10/1999, decaído encontra-se o direito da fiscalização de constituir os valores de PIS cujos fatos geradores ocorreram entre abril de 1990 e setembro de 1994. Recurso Especial do Procurador Negado.
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EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF E STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DO CPC. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45, I DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. O direito da fiscalização constituir o crédito tributário, referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados, mas pagos de forma supostamente equivocada, decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 150, §4º do CTN. Tendo o contribuinte sido cientificado da autuação em 14/10/1999, decaído encontrase o direito da fiscalização de constituir os valores de PIS cujos fatos geradores ocorreram entre abril de 1990 e setembro de 1994. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 25 51 /9 9- 67 Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de n.º 20176.937, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência da autuação no que se refere ao período de abril de 1990 a setembro de 1994, eis que a ciência do lançamento apenas ocorreu em 14/10/1999, e, paralelamente, deu parcial provimento ao recurso para que fosse considerada a semestralidade da base de cálculo do PIS no que se refere aos valores da autuação relativos aos fatos geradores ocorridos até fevereiro de 1996, conforme ementa a seguir: “DECADÊNCIA. O direito de o Fisco lançar tributos sujeitos ao regime de homologação, nos casos em que houve antecipação do pagamento por parte do contribuinte, decai após o transcurso de 5 (cinco) anos contado da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º, do CTN. PIS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS somente foi alterada pela Medida Provisória nº 1.212/95. Até fevereiro de 1996, o PIS devido era calculado com base de cálculo do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso provido em parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, aduzindo que acórdãos, utilizados como paradigmas, teriam entendido que o prazo decadencial, para que a fiscalização constituísse créditos tributários de contribuições destinadas à Seguridade Social, como é o caso da contribuição ao PIS, seria de 10 (dez) anos contados do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, em consonância ao que dispõe o artigo 45, I da Lei nº 8.212/91. Aduziu, ainda, que a decisão recorrida, ao afastar a aplicação de aludido dispositivo legal, teria acabado por apreciar a sua constitucionalidade e, por conseguinte, teria acabado por extrapolar a competência que detêm os Conselhos de Contribuintes e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em despacho de fls. 819/820, a i. Presidente da Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional no que se refere à matéria relativa à decadência do direito da fiscalização de constituir valores da contribuição ao PIS. Regularmente intimado, em 23/11/2004, do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do respectivo despacho de admissibilidade, o contribuinte opôs, em 29/11/2004, embargos de declaração com fulcro no artigo 27 do antigo Regimento Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13819.002551/9967 Acórdão n.º 9303001.581 CSRFT3 Fl. 959 3 Interno dos Conselhos de Contribuintes, aduzindo que a decisão a quo teria sido omissa quanto às seguintes alegações suscitadas em sede de recurso voluntário: (i) deveriam ser considerados os valores de PIS, oriundos dos pagamentos realizados no período de abril a novembro de 1990, e de maio de 1991 a dezembro de 1995, para abater os valores dos débitos consubstanciados no presente auto de infração; (ii) os créditos a partir de janeiro de 1996, deveriam ser atualizados pela aplicação da taxa Selic, nos termos dos artigos 167 do CTN e 39 da Lei nº 9.250/95, e; (iii) os débitos existentes deveriam ser compensados sem que, para tanto, sobre eles incidisse qualquer acréscimo de multa e juros. Apresentou, também, em 07/12/2004, às fls. 878/889, suas contrarazões ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, requerendo que o mesmo não fosse conhecido, ou, caso assim não se entendesse, que fosse mantida a decisão recorrida no que se refere à aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN. Em despacho de fls. 872/873, o relator da decisão recorrida, ao analisar os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, aduziu que, no que se refere à primeira omissão suscitada pelo contribuinte, a pretensão do Embargante revelou tentativa de reexame da matéria objeto do recurso voluntário, a qual já havia sido apreciada pelo acórdão embargado. Quanto à segunda pretensão do Embargante, referente à atualização de seus créditos pela taxa Selic, o relator do acórdão recorrido aduziu que a mesma seria improcedente, eis que o acórdão recorrido já teria se pronunciado favoravelmente à atualização pela taxa Selic sobre o eventual saldo credor do contribuinte, ou, também, sobre o seu eventual saldo devedor. Quanto à terceira omissão suscitada pelo Embargante, referente à questão da compensação dos créditos com os débitos existentes, sem qualquer acréscimo de multa e juros, o relator aduziu que o acórdão embargado teria sido claro ao expor que a multa e os juros deverão incidir sobre os valores que, porventura, restassem devidos à título de PIS. Com efeito, aludido posicionamento foi ratificado no despacho proferido pela i. Presidente da Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes às fls. 928/929, tendo os embargos de declaração sido totalmente rejeitados. Em 17/05/2007, o contribuinte foi regularmente intimado, via postal, dos despachos supracitados (cfr. Fls. 996), tendo interposto, em 01/06/2007, recurso especial ao acórdão recorrido, eis que teria concluído que “a questão relativa à aplicabilidade da Taxa SELIC foi apreciada no acórdão recorrido” e que, portanto, “restou afastada, no acórdão recorrido, a sua [Taxa SELIC] incidência sobre os créditos a que faz jus a Recorrente”. Para tanto, o contribuinte juntou acórdão paradigma que entenderia que “à repetição do indébito será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da restituição e de um Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA 4 por cento relativamente ao mês em que o recurso for colocado à disposição do contribuinte”, requerendo fosse aplicada a taxa Selic aos seus créditos de PIS. Em despacho de fls. 951, o i. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, reiterando o despacho proferido pelo i. Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF às fls. 949/951, entendeu por negar seguimento ao recurso especial do contribuinte por falta de necessidade, eis que a pretensão, consubstanciada em aludida peça recursal, mostravase equivocada, posto que a mesma já teria sido atendida pelo acórdão recorrido que, por sua vez, reconheceu a aplicação da taxa Selic aos eventuais créditos de PIS que o contribuinte detenha. O contribuinte foi regularmente intimado de aludido despacho em 30/08/2010, sem que, para tanto, tenha interposto qualquer recurso cabível, restando definitivamente negado o seguimento de seu recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, eis que tempestivo e, ao meu ver, encontramse reunidas todas as condições de admissibilidade previstas no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Conforme se infere do relatório, a divergência trazida aos presentes autos referese à determinação do prazo, para que seja homologado o lançamento referente à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, como em sendo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, conforme determinado pelo § 4º do artigo 150 do CTN, ou de 10 (dez) anos contados do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, conforme estipulado pelo artigo 45, I da Lei 8.212/91. A relevância da presente discussão se dá, portanto, no que se refere ao período compreendido entre abril de 1990 e setembro de 1994, eis que a ciência do lançamento ocorreu em 14/10/1999. Primeiramente, considerando que, segundo o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, mister se faz que esta Relatora reproduza o teor exarado pela Súmula Vinculante de nº 082, a qual respaldou o entendimento do STF de que o artigo 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional. Não cabe, portanto, a aplicação de aludido dispositivo, o qual foi suscitado pela Fazenda Nacional como tendo sido violado pelo acórdão a quo. 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” 2 Súmula Vinculante nº 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13819.002551/9967 Acórdão n.º 9303001.581 CSRFT3 Fl. 960 5 Feitas essas considerações acerca da inaplicabilidade do artigo 45, I da Lei nº 8.212/91, o qual, inclusive já foi revogado pela Lei Complementar de nº 128/2008, cabe a esta Conselheira analisar se o direito da fiscalização constituir crédito tributário de PIS no presente caso, em que houve antecipação do pagamento por parte do contribuinte, decai após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme defendido pelo acórdão recorrido com fulcro no artigo 150, §4º do CTN. Ainda considerando o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, vale considerar que o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, o qual esta Câmara Superior de Recursos Fiscais deve reproduzir integralmente, considerou, em seu teor, as regras para a aplicação dos dispositivos do CTN, referentes à decadência, da seguinte forma: “(...) 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).” 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA 6 por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória.(...)” (g.n.) Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13819.002551/9967 Acórdão n.º 9303001.581 CSRFT3 Fl. 961 7 Dessa forma, considerando que o presente caso se enquadra na regra (iii), eis que o PIS se trata de tributo sujeito à lançamento por homologação, e, também, que houve pagamento antecipado pelo contribuinte, correto foi o acórdão recorrido que aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN. Em face do exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, mantendo os efeitos da decisão recorrida para reconhecer a decadência do direito da fiscalização constituir os valores de PIS referentes ao período compreendido entre abril de 1990 e setembro de 1994. Nanci Gama Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 10166.722765/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
MPF. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. VALIDADE Não há que se falar em nulidade, uma vez comprovado que as prorrogações de prazo foram feitas de acordo com a legislação de regência.
INTIMAÇÃO. PRAZOS. Rejeita-se a preliminar de nulidade, uma vez comprovado que os termos de intimação respeitaram os prazos estabelecidos pelo art. 71 da MP nº 2.158-35/2001.
DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento e o efetivo ingresso das mercadorias objeto de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, as citadas notas devem ser consideradas inidôneas, independentemente de ato declaratório anterior.
PREJUÍZOS FISCAIS. Correto o cálculo do tributo devido, uma vez realizada a devida compensação do prejuízo declarado e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido.
ADICIONAL DO IRPJ. Correta a apuração do adicional de IRPJ, uma vez que somente foi tributado o valor excedente ao limite trimestral de R$ 60.000,00.
PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. MESMA AÇÃO FISCAL. DEDUÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ/CSLL. CABIMENTO. Devem ser deduzidos na reconstituição do Lucro Liquido, bem como do Lucro Real, o PIS e a COFINS lançados concomitantemente, na mesma ação fiscal. Isso porque não há qualquer impedimento legal nesse sentido, haja vista que o lançamento de oficio não implica na suspensão da exigibilidade dos tributos exigidos, que somente ocorrerá na hipótese de impugnação tempestiva. A penalidade em face de infrações é a multa de oficio, que incidente proporcionalmente ao tributo, e não a majoração deste.
MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas à operações cuja efetividade não resta comprovada, enseja a qualificação da multa de ofício.
LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão tomada em relação ao lançamento principal (IRPJ) aplica-se aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), em razão da íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos.
CSLL. DESPESA INEXISTENTE. A contabilização de notas fiscais inidôneas, que representam custos e despesas inexistentes, deve ser desconsiderada tanto do lucro líquido como do lucro real, para a correta apuração do tributo devido.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 1402-001.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito,dar provimento parcial ao recurso para acatar a dedução do PIS e da Cofins lançados de ofício na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento integral..
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 MPF. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. VALIDADE Não há que se falar em nulidade, uma vez comprovado que as prorrogações de prazo foram feitas de acordo com a legislação de regência. INTIMAÇÃO. PRAZOS. Rejeita-se a preliminar de nulidade, uma vez comprovado que os termos de intimação respeitaram os prazos estabelecidos pelo art. 71 da MP nº 2.158-35/2001. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento e o efetivo ingresso das mercadorias objeto de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, as citadas notas devem ser consideradas inidôneas, independentemente de ato declaratório anterior. PREJUÍZOS FISCAIS. Correto o cálculo do tributo devido, uma vez realizada a devida compensação do prejuízo declarado e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido. ADICIONAL DO IRPJ. Correta a apuração do adicional de IRPJ, uma vez que somente foi tributado o valor excedente ao limite trimestral de R$ 60.000,00. PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. MESMA AÇÃO FISCAL. DEDUÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ/CSLL. CABIMENTO. Devem ser deduzidos na reconstituição do Lucro Liquido, bem como do Lucro Real, o PIS e a COFINS lançados concomitantemente, na mesma ação fiscal. Isso porque não há qualquer impedimento legal nesse sentido, haja vista que o lançamento de oficio não implica na suspensão da exigibilidade dos tributos exigidos, que somente ocorrerá na hipótese de impugnação tempestiva. A penalidade em face de infrações é a multa de oficio, que incidente proporcionalmente ao tributo, e não a majoração deste. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas à operações cuja efetividade não resta comprovada, enseja a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão tomada em relação ao lançamento principal (IRPJ) aplica-se aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), em razão da íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos. CSLL. DESPESA INEXISTENTE. A contabilização de notas fiscais inidôneas, que representam custos e despesas inexistentes, deve ser desconsiderada tanto do lucro líquido como do lucro real, para a correta apuração do tributo devido. Recurso Voluntário provido em parte.
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PRORROGAÇÃO DE PRAZO. VALIDADE Não há que se falar em nulidade, uma vez comprovado que as prorrogações de prazo foram feitas de acordo com a legislação de regência. INTIMAÇÃO. PRAZOS. Rejeitase a preliminar de nulidade, uma vez comprovado que os termos de intimação respeitaram os prazos estabelecidos pelo art. 71 da MP nº 2.15835/2001. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento e o efetivo ingresso das mercadorias objeto de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, as citadas notas devem ser consideradas inidôneas, independentemente de ato declaratório anterior. PREJUÍZOS FISCAIS. Correto o cálculo do tributo devido, uma vez realizada a devida compensação do prejuízo declarado e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido. ADICIONAL DO IRPJ. Correta a apuração do adicional de IRPJ, uma vez que somente foi tributado o valor excedente ao limite trimestral de R$ 60.000,00. PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. MESMA AÇÃO FISCAL. DEDUÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ/CSLL. CABIMENTO. Devem ser deduzidos na reconstituição do Lucro Liquido, bem como do Lucro Real, o PIS e a COFINS lançados concomitantemente, na mesma ação fiscal. Isso porque não há qualquer impedimento legal nesse sentido, haja vista que o lançamento de oficio não implica na suspensão da exigibilidade dos tributos exigidos, que somente ocorrerá na hipótese de impugnação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 27 65 /2 01 0- 45 Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 2 tempestiva. A penalidade em face de infrações é a multa de oficio, que incidente proporcionalmente ao tributo, e não a majoração deste. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas à operações cuja efetividade não resta comprovada, enseja a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão tomada em relação ao lançamento principal (IRPJ) aplicase aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), em razão da íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos. CSLL. DESPESA INEXISTENTE. A contabilização de notas fiscais inidôneas, que representam custos e despesas inexistentes, deve ser desconsiderada tanto do lucro líquido como do lucro real, para a correta apuração do tributo devido. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito,dar provimento parcial ao recurso para acatar a dedução do PIS e da Cofins lançados de ofício na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento integral.. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório COMERCIAL DE ALIMENTOS CERES S/A recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Tratamse de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 6.664.712,53. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (TVF), inclusive Anexos I e II (fls. 11531175), o procedimento fiscal foi aberto com o objetivo de verificar a efetividade de diversos custos com aquisições de mercadorias para revenda, visto que a fiscalização da Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal (SEF/DF) identificou que diversos fornecedores da empresa fiscalizada não existiam de fato. Afirmase que a SEF/DF apurou, de acordo com o Relatório n° 03/COINF/SUREC/05 JUN 2009 e documentos anexos, a existência de um grupo especializado na emissão e distribuição de "notas frias" com o objetivo de fraudar a Fazenda Pública; que na esfera federal essas notas inflaram os custos dos produtos vendidos, reduzindo o lucro e, consequentemente, o IRPJ e a CSLL, e, também, geraram créditos de PIS e de Cofins, uma vez que a empresa estava sujeita ao regime de apuração nãocumulativoNa reunião de 31/01/2012 esta Turma apreciou o recurso e converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: (..) A partir da análise dos presentes autos, em confronto com as razões de decidir do ilustre conselheiro Fernando Mattos naquele outro processo(acima transcritas), conclui que, embora o ônus da prova seja da contribuinte, especialmente quanto aos custos contabilizados, é possível que tais custos tenham correspondência com a venda de produtos cujas receitas foram contabilizadas e tributadas. Os valores glosados variam em torno de 10% a 15% do total dos custos contabilizados (isso em todas as empresas e períodos de apuração), logo, é possível que a contribuinte tenha mesmo adquiridos as mercadorias desses fornecedores e contabilizado as vendas, conforme alegado no recurso. Esses percentuais também coadunam com a acusação fiscal de que não houve ingresso das mercadorias e que as receitas contabilizadas correspondem a vendas dos outros produtos efetivamente adquiridos. Justamente por serem valores significativos e, principalmente, por se tratar em sua maioria de produtos industrializados, alguns produzidos pelas principais indústrias do país, aliado ao fato de o contribuinte possuir contabilidade regular, formei convencimento da pertinência de uma diligência fiscal, priorizando a verdade material, para trazer aos autos elementos seguros quanto a efetividade, ou não, da entrada deste produtos, bem com fazer verificações que certamente irão robustecer o convencimento do Colegiado. Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 4 Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização da DRF Brasilia efetue os seguintes procedimentos: 1. Identifique nas notas fiscais glosadas pelo menos 2 (dois) produtos fabricados por indústrias nacionais de grandes porte, revendidos por cada uma dos fornecedores considerados inidôneos, listados no TVF, por exemplo de Mucilon (Nestlé), Sopão Knnor, Farofa Yoki. Caso sejam identificados produtos de um mesmo fabricante fornecidos por varias empresas consideradas inidôneas, a escolha deve recair sobre esses, facilitando as verificações. 1.1 Fazer verificação in locu nas prateleiras dos supermercados BIG BOX para apurar o CNPJ dos fabricantes, bem como se os produtos são realmente vendidos nos estabelecimentos, juntando aos autos reprodução da imagem das embalagens. 2. Expedir intimações à essas indústrias (fabricantes) para informar as vendas efetuadas desses produtos, nos anos de 2007 e 2008, tanto para os emitentes das notas fiscais glosadas, quanto para o contribuinte (vendas efetuadas diretamente) solicitando informar as datas das vendas, número das NF, quantidades vendidas, valor unitário/total e forma de pagamento. 2.1 Solicitar também às indústrias que informem o total das vendas mensais efetuadas ao contribuinte naqueles anos, nesse caso englobando todos os produtos. 3. Escolher pelo menos 1 (um) trimestre do ano calendário 2007, e outro(s) do ano calendário de 2008, e intimar o contribuinte para que elabore demonstrativos a partir das contabilizações de estoques/entradas/devoluções e vendas desses produtos (quantidades e valores), identificando também se foram realizadas compras de outros fornecedores que não a indústria (fabricante) e das empresas glosas. 3.1 A Fiscalização deverá verificar/atestar a correção desses demonstrativos, mediante análise da escrituração contábil do contribuinte fornecida durante a auditoria fiscal. O objetivo desse item da diligência é apurar a correspondência entre a quantidade desses produtos vendidos e suas respectivas quantidades disponíveis para venda, determinando se nas quantidades vendidas incluemse as compras glosados. Certamente, há meios para fazer esse batimento, haja vista que é público e notório que os cupons fiscais emitidos pelos supermercados do Grupo BIG BOX atendem a legislação, individualizando os produtos vendidos, alimentando os sistemas informatizados. 3.2 Elaborar tabela comparativa dos preços médios unitários de compra e venda dos produtos auditados, em cada trimestre (preço da Indústria, preço do fornecedor da compras glosadas, preço de venda ao consumidor). 4. A Fiscalização poderá realizar outros procedimentos e verificações, além dos acima solicitados, deste que concernentes com o objetivo da diligência, qual seja, determinar se os produtos relacionados nas notas glosadas foram vendidos pelo contribuinte e compõe as receitas contabilizadas, bem com a pertinência do valor das operações. 5. Ao final, a Fiscalização deverá lavrar relatório consubstanciado, cientificando a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. (...) Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 5 Os trabalhos de diligência resultaram em Relatório Fiscal, cujos partes relevantes a seguir transcrevese: Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 6 Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 7 Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação, a seguir reproduzida em parte: (...) Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 8 Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 9 É o breve relatório. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Consoante registrado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), a contribuinte tem por nome de fantasia “BIG BOX SUPERMERCADOS”, nome este utilizado por um grupo de empresas do Distrito Federal, que foram fiscalizadas em conjunto pela Receita Federal do Brasil (RFB), em face de representação do Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal (SEFDF), segundo a qual tais empresas utilizaramse de notas frias, emitidas por diversos fornecedores, com o objetivo de fraudar a Fazenda Pública. A Fiscalização da RFB aduz que, na esfera das receitas estaduais, essas notas geraram créditos fictícios de ICMS, reduzindo o montante de tributos a recolher; já no âmbito Federal, as notas inflaram os custos dos produtos vendidos, reduzindose o lucro e, consequentemente, o IRPJ e CSLL devidos. Segundo a Fiscalização, ainda no âmbito Federal, essas notas também geraram créditos de PIS e Cofins, uma vez que a contribuinte estava sujeita ao regime de apuração nãocumulativo dessas contribuições. Em pesquisa nos processos em julgamento neste Conselho, identifiquei 8 (oito) recursos voluntários de contribuintes do grupo “BIG BOX”, submetidos à mesma operação fiscal, cujas exigências foram mantidas integralmente na DRJ Brasília, sendo que as peças recursais tem o mesmo teor e foram apresentadas pelos mesmos signatários, a saber: Item Contribuinte Processo 1 VIA PARK COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722232201063 2 SIBERIA COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722209201079 3 SUPERMERCADO TATA S/A 10166722455201021 4 SOLEDADE COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA 10166722189201036 5 BIG TRANS COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722297201017 6 BRUNELA COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722766201090 7 COMERCIAL DE ALIMENTOS CERES S/A 10166722765201045 8 COMERCIAL SÃO PATRICIO S/A 10166722945201027 Os itens 1 e 3 acima foram sorteados para a 1a. Turma desta Câmara do CARF e foram pautados concomitantemente com os itens 4 a 8 (sorteados para esta 2a. Turma). A 1a. Turma deste Câmara já julgou os 3 primeiros, negando provimento aos recursos por unanimidade, enquanto a 2a. Turma converteu os demais em diligência. O item 1 acima, processo 10166.722232/201063, julgado em 16/1/2012, acórdão 140100704, recebeu as seguintes ementas e decisão: Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 11 MPF. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. VALIDADE Rejeitase a preliminar de nulidade, uma vez comprovado que as prorrogações de prazo foram feitas de acordo com a legislação de regência. INTIMAÇÃO. PRAZOS. Rejeitase a preliminar de nulidade, uma vez comprovado que os termos de intimação respeitaram os prazos estabelecidos pelo art. 71 da MP nº 2.15835/2001. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento e o efetivo ingresso das mercadorias objeto de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, as citadas notas devem ser consideradas inidôneas. PREJUÍZOS FISCAIS. Correto o cálculo do tributo devido, uma vez realizada a devida compensação do prejuízo declarado e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido. ADICIONAL DO IRPJ. Correta a apuração do adicional de IRPJ, uma vez que somente foi tributado o valor excedente ao limite trimestral de R$ 60.000,00. CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO. INDEDUTIBILIDADE. É incabível a dedução, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas à operações cuja efetividade não resta comprovada, enseja a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão tomada em relação ao lançamento principal (IRPJ) aplicase aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), em razão da íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos. CSLL. DESPESA INEXISTENTE. A contabilização de notas fiscais inidôneas representa despesa inexistente, que deve ser deduzida tanto do lucro líquido como do lucro real, para a correta apuração do tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Tal qual neste Colegiado, as preliminares foram todas rejeitadas, pelo que peço vênia para transcrever e adotar nessa parte os fundamentos do voto condutor do aludido acórdão, da lavra do Ilustre conselheiro Fernando Mattos, verbis: Irregularidades relativas ao MPF Preliminarmente, a recorrente arguiu a nulidade do lançamento, sob a alegação de que o MPF não atendeu os requisitos previstos na legislação para a sua finalidade. Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 12 Sobre o tema, assim decidiu o acórdão recorrido, fls. 844: No caso em concreto, conforme se vê no Termo de Início de Ação Fiscal (fl. 83 e 84), a interessada foi devidamente cientificada do MPFF (Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 01.1.01.002010001392), que determinou a execução da ação fiscal. Por meio do mesmo Termo, foi cientificada do código que lhe possibilitava o acesso, via internet, a todas as informações relacionadas com o aludido mandado. As prorrogações do prazo de validade do MPF foram devidamente registradas na internet e, desse modo, não pode a interessada alegar seu desconhecimento. Ademais, a contribuinte foi informada, em termos de intimação, sobre a continuidade da ação fiscal e sobre a possibilidade de consultar o MPF no sítio da RFB na internet, por meio do aludido código de acesso. Não existe, portanto, a irregularidade noticiada. Em sua peça recursal, a contribuinte não trouxe nenhuma alegação inovadora, razão pela qual, em relação a este tema, adoto as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, retrotranscritas. Irregularidades relativas a prazos concedidos no curso da fiscalização Dando continuidade às suas razões de recurso, a contribuinte afirmou que durante os procedimentos fiscalizatórios as diligências e intimações para apresentação de documentos também não observaram a legislação, em vista de terem sido os prazos exíguos e incompatíveis com a complexidade das informações solicitadas. Mais uma vez, adoto e transcrevo as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 844845: Entretanto, o que se constata da análise dos autos é que a Fiscalização agiu em conformidade com o comando expresso no art. 71 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, in verbis: Art.71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art.19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. §1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. §2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento." (NR)(g.n.o) No caso em tela, no termo de início da ação fiscal e no termo de intimação nº 3, foi concedido um prazo para atendimento de 20 dias, em consonância, Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 13 portanto, com o caput do art. 19, antes transcrito. Quanto aos termos nº 2, 4 e 5, as intimações efetuadas dizem respeito a informações e documentos que devem estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do contribuinte, situação que se enquadra no §1º do dispositivo reproduzido; em decorrência, foi concedido, corretamente, o prazo de 5 dias úteis ou 8 dias. Restou demonstrado, portanto, que durante os procedimentos de fiscalização todos os prazos foram concedidos em estrita conformidade com a legislação. Por esta razão, rejeito esta preliminar arguida pela recorrente. Prova emprestada Na sequência, a contribuinte discutiu a forma como a prova emprestada foi utilizada pelo Fisco Federal. Sobre o tema, assim se manifestou a recorrente: [...] não basta alegar, com fez a DRJ, que as informações foram obtidas em colaboração com outro Fisco, mas era necessário que o Fisco Federal tivesse laborado o seu ofício dentro do seu mister específico e de suas posições cadastrais, porque a falta desses demonstrativos nos autos ou de aprofundamento da fiscalização nesse sentido é causa de nulidade do procedimento fiscal. Não assiste razão à recorrente. Para demonstrar esse fato, considero suficiente transcrever pequenos trechos do acórdão recorrido (grifado): Entretanto, cumpre observar que a autoridade autuante não se limitou a acolher as conclusões expostas nos relatórios elaborados pelas autoridades competentes do fisco distrital. Foram utilizadas, sim, as constatações verificadas nas diligências, porém, a partir desses documentos, e com base nas respostas às intimações efetuadas no curso da ação fiscal, a autoridade lançadora construiu seu entendimento acerca dos fatos ocorridos. Em verdade, a autoridade lançadora, baseada nos fatos apurados, buscou novas informações junto à contribuinte, a qual não logrou êxito em comprovar os pagamentos e tampouco a entrada das mercadorias objeto das notas fiscais em análise. [...] Portanto, tentar resumir o procedimento fiscal apenas ao trabalho efetuado pelo fisco distrital é fechar os olhos à realidade dos autos. A fiscalização federal executou trabalho de auditoria fiscal, em busca da verdade material, colhendo provas, intimando o contribuinte a esclarecer fatos e apresentar documentos. [...] Em vista do exposto, constatase que a autoridade autuante, com base nas informações prestadas pela Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, buscou confirmar os indícios apontados, intimando a interessada a comprovar o pagamento das mercadorias adquiridas. Logo, foi concedida à autuada a oportunidade de demonstrar sua boafé mediante a comprovação da efetividade da transação comercial. Entretanto, em vez de efetivar essa comprovação, limitouse a impugnante a argumentar em torno da possibilidade de utilização de atos declaratórios publicados na esfera distrital e de seus efeitos temporais. Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 14 Nestes termos, também rejeito esta preliminar apresentada pela recorrente. Documentos inidôneos A recorrente afirmou que na relação de empresas supostamente inexistentes havia muitas empresas com operações e existências reais, inclusive integrantes de regimes especiais criados pelo Distrito Federal (TARE ou REA). Afirmou, outrossim, que por várias vezes foi concedida AIDF (Autorização para Impressão de Documentos Fiscais) para algumas dessas empresas, em quantidades razoáveis (até 8000 documentos). Além disso, diversas FAC (Fichas de Alteração Cadastral) destas empresas teriam sido acatadas pelo Fisco Distrital. Com base nestes argumentos, a recorrente afirma que “os contribuintes adquirentes foram vítimas dessas situações e não fraudadores como que a autuação impugnada”. Tais alegações se revelam totalmente desprovidas de sentido. Afinal, a declaração de inidoneidade dos documentos fiscais daquelas empresas foi apenas o ponto de partida da presente autuação. Posteriormente, foi dado à contribuinte a oportunidade de apresentar as vias originais das notas fiscais, bem como o respectivo comprovante de pagamento. A contribuinte, por seu turno, apresentou apenas parte das notas fiscais, e sem a devida comprovação de pagamento. Ora, se as empresas em questão realmente existiam e se as operações comerciais tivessem sido reais, certamente a recorrente teria apresentado todos os comprovantes solicitados, elidindo por completo a suspeita de utilização de documentos fiscais inidôneos. No item “g” das suas alegações preliminares, a recorrente alegou que apresentou apenas parte das notas fiscais solicitadas, pelo fato de as vias originais terem ficado na posse do Fisco do Distrito Federal. Tal alegação, contudo, não se encontra comprovada nos, posto que a recorrente não juntou qualquer comprovante de entrega de tais documentos às autoridades fiscais distritais. Além disso, a recorrente se absteve por completo de justificar a falta de apresentação dos supostos comprovantes de pagamento relativos a tais notas fiscais. Em resumo: o fator determinante para a presente autuação não foi a mera declaração de inidoneidade da documentação emitida pelos fornecedores da contribuinte, ora recorrente. Na realidade, o fator determinante para o presente lançamento foi a ausência de comprovação, por parte da recorrente, da efetividade daquelas operações. Como facilmente se percebe, a recorrente limitouse a apresentar simples alegações, de cunho exclusivamente retórico. Com o intuito de elidir a presente autuação, a recorrente deveria ter trazido aos autos a comprovação Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 15 do efetivo pagamento das supostas operações comerciais, amparadas por documentação inidônea. Diante da ausência de qualquer comprovação de pagamento, merece ser rejitada a presente alegação apresentada pela recorrente. Irretroatividade dos efeitos de ato declaratório de inidoneidade de documento fiscal e necessidade de declaração de inidoneidade também pelo Fisco Federal Em relação a este tema, a recorrente alegou que os Atos Declaratórios de inidoneidade somente foram publicados em 2009, razão pela qual não poderiam abranger as notas fiscais objeto do presente lançamento, as quais foram emitidas em 2007 e 2008. Além disso, para alguns fornecedores sequer teria havido o ato de declaração de inidoneidade. Por fim, não teria havido declaração de inidoneidade pelo Fisco Federal, mas tão somente pelo Fisco Distrital. No tocante à tais alegações, adoto e transcrevo as razões de decidir constantes do acórdão recorrido: Assim, não obstante o rito estabelecido para a declaração de inaptidão, a redação do caput do art. 82 deixa bem claro que a inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação. A Instrução Normativa RFB nº 1.005, de 8 de fevereiro de 2010, em seu art. 45, § 4º, esclarece, ainda, que, além de não excluir as demais formas de inidoneidade, a declação de inaptidão tampouco legitima os documentos inidôneos emitidos antes da publicação de tal ato, verbis: § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. Resta claro, portanto, que a consideração ou declaração de inaptidão constituise em uma das hipóteses de inidoneidade de documentos prevista na legislação, mas não a única. Ademais, devese elucidar a natureza declaratória dos atos de inaptidão da RFB, que, como o próprio nome indica, apenas declara uma situação irregular que já se verificava no passado, não tendo, portanto, a característica de ato constitutivo. Dessa forma, sendo os elementos de prova acostados aos autos do processo suficientes para caracterizar a inidoneidade dos documentos fiscais, não é necessário que se aguarde a declaração de inaptidão das empresas envolvidas. E foi justamente isso que ocorreu no caso concreto e que se demonstrará mais adiante. Ainda em alusão aos atos declaratórios, aduz a impugnante que a autuação baseouse exclusivamente em declaração de inidoneidade publicada na esfera distrital, não sendo esta válida para efeito de lançamento de tributos administrados pelo fisco federal. Nesse sentido, acrescenta que cumpriria à Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 16 autoridade lançadora efetuar uma melhor análise dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Entretanto, cumpre observar que a autoridade autuante não se limitou a acolher as conclusões expostas nos relatórios elaborados pelas autoridades competentes do fisco distrital. Foram utilizadas, sim, as constatações verificadas nas diligências, porém, a partir desses documentos, e com base nas respostas às intimações efetuadas no curso da ação fiscal, a autoridade lançadora construiu seu entendimento acerca dos fatos ocorridos. Em verdade, a autoridade lançadora, baseada nos fatos apurados, buscou novas informações junto à contribuinte, a qual não logrou êxito em comprovar os pagamentos e tampouco a entrada das mercadorias objeto das notas fiscais em análise. [...] Neste ponto, é importante assinalar que as provas carreadas pela fazenda distrital são de abrangência e efetividade suficientes para a formação da convicção quanto aos fatos ocorridos, o que torna prescindível a realização de novas diligências. Além disso, não há que se perder de vista que tanto o fisco distrital quanto o federal detêm o poder de polícia e suas afirmações gozam da presunção de veracidade. Dessa forma, a realização das mesmas diligências, já efetuadas em outra esfera, tornase desnecessária. Pelas razões expostas, concluo que os fatos arguidos pela recorrente são completamente inaptos para eivar de nulidade os presentes lançamentos. Por esta razão, também esta preliminar merece ser rejeitada. (...) O ilustre conselheiro Leonardo Oliveira sustentou seu voto acerca nulidade da exigência, asseverando que haveria muitas inconsistências no procedimento fiscal e, “sendo fato que no universo das notas fiscais consideradas inidôneas há grande número que não se subsume a espécie, o crédito tributário padece de liquidez e certeza, passível de os lançamentos de ofício do IRPJ e tributação reflexa serem julgados insubsistentes, face à existência de vício material na determinação da matéria tributável ex vi do disposto no art. 142 do CTN”. Discordei veementemente desse posicionamento, isso porque a glosa dos custos não se deu em razão da inidoneidade das notas fiscais apurada pela SEFDF, mas sim pela não comprovação da efetividade das operações de que tratam essas e outras notas fiscais, cujos valores foram deduzidos na apuração do lucro liquido da contribuinte (custos). Não há qualquer inconsistência no procedimento fiscal da RFB. A contribuinte foi regularmente intimada durante a auditoria para comprovar a efetividade da aquisição dos produtos constantes em diversas notas fiscais, emitidas pelas empresas objeto da representação do SEFDF, bem como apresentar os comprovantes de pagamento aos fornecedores. Apesar de as operações superarem a casa dos milhões de Reais, nenhum comprovante de pagamento via bancária foi apresentado. À inteligência dos artigos 249, inciso I, e 259 parágrafo único do Regulamento do Imposto Renda (RIR/99), citados na base legal dos Autos de Infração, em se tratando de lucro real, cabe à contribuinte fazer prova da efetividade dos custos e despesas contabilizados, incluídos na apuração do resultado tributável. Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 17 Frisese que tanto nos Autos de Infração, quanto no TVF, dos quais a contribuinte foi cientificada, está patente que o lançamento se deu pela glosa de custos em face da ausência ou insuficiência de comprovação. Portanto, no presente caso, não há que se falar em exigência fiscal calcada em prova emprestada, e sim em falta de provas, pelo que essa preliminar deve mesmo ser rejeitada. Concluo, pois, por rejeitar todas as preliminares. Mérito A diligência fiscal espancou as quaisquer duvidas deste Conselheiro quanto a inveracidade das operações entre a contribuinte e suas “fornecedoras fantasma”. Tais empresas não adquiriram os produtos dos fabricantes, logo, não tinham mesmo o que vender à contribuinte. Por sua vez, a contribuinte fez compras diretas desses fabricantes, tendo inclusive efetuado os pagamentos mediante boleto bancário. A recorrente alega que a diligência foi incompleta, pois, deixou de atender as outras solicitações deste relator. De fato, a diligência fiscal não atendeu ao item “3” e subitens do voto condutor da Resolução. Mas nem poderia, afinal as “fornecedoras fantasma” nada compraram dos fabricantes, logo, não poderiam vender. Por outro lado, a contribuinte adquiriu os produtos desses fabricantes, sendo esses foram os produtos que vendeu. Entendo que a diligência fiscal se deu na medida certa. Não é crível que empresa desse porte realize e registre aquisições de produtos industrializados, inclusive de alimentos e de higiene pessoal, junto a empresas que se quer possuem estabelecimento físicos. O intuito de fraude é patente. A contribuinte utilizouse dessas notas fiscais inidôneas para: reduzir o ICMS a Recolher, o PIS e a Cofins, bem como aumentar o custo das mercadorias vendidas e reduzir o lucro tributável no IRPJ e CSLL. Demais alegações da recorrente No que tange as demais alegações da recorrente, peço vênia para novamente adotar as razões de decidir do acórdão 140100704, já citado neste voto. Compras efetivas Em relação a este tema, a recorrente afirmou que as notas fiscais glosadas representam compras efetivas de mercadorias destinadas a revenda. Afirmou que eventuais irregularidades com a situação fiscal dos fornecedores não podem afetar/prejudicar a autuada, que agiu de boa fé. Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 18 Tais alegações constituem meras repetições dos argumentos apresentados no tópico correspondente às preliminares. Naquela oportunidade, restou demonstrado que o fator determinante para a presente autuação não foi a mera declaração de inidoneidade da documentação emitida pelos fornecedores da contribuinte, ora recorrente. Na realidade, o fator determinante para o presente lançamento foi a ausência de comprovação, por parte da recorrente, da efetividade daquelas operações. Se a contribuinte, ora recorrente, efetivamente tivesse agido de boa fé, certamente teria trazido aos autos os alegados comprovantes de pagamento relativos àquelas operações. No entanto, a recorrente não apresentou nenhum elemento de prova (documentos, pagamentos, recebimentos, fretes etc.) visando sustentar sua argumentação, quer por ocasião da autuação, quer no momento da impugnação, quer no momento do recurso voluntário. A completa ausência de comprovação de tais pagamentos por parte da recorrente, aliada à declaração de inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelos seus fornecedores, comprovam à exaustão que as aludidas operações comerciais não existiram, razão pela qual os valores correspondentes não podem ser considerados como custos para a contribuinte. Diante do exposto, em relação a este tema a decisão recorrida merece ser confirmada. Glosa de custo sem glosa da receita correspondente No entender da recorrente, ao se proceder a glosa de custos, as autoridades fiscais também deveriam ter procedido a glosa das receitas correspondentes. Alegação totalmente desprovida de sentido. Afinal, não resta qualquer dúvida acerca da efetiva das receitas, devidamente declaradas e contabilizadas pela contribuinte. A presente autuação versa, exclusivamente, sobre a glosa de custos não comprovados, tendo em vista a ausência de comprovação do seu efetivo pagamento (cumulada com a declaração de inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelos seus fornecedores). Assim sendo, não merece prosperar esta alegação da recorrente. Necessária dedutibilidade do custo das mercadorias vendidas Segundo a recorrente, não foi correta a glosa dos custos, porque decorrem de operações que foram efetivamente realizadas e são necessários à empresa e à sua fonte produtora, e achamse devidamente escrituradas nos livros da autuada, o que faz prova a seu favor. Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 19 Tratase de mera reiteração da alegação feita no item anterior, o que dispensa maiores considerações sobre o assunto. Por mera formalidade, cumpre repetir que, no presente caso, a contribuinte efetivamente não comprovou que as mercadorias entraram em seu estabelecimento, não tendo demonstrado ter agido de boafé. Importante destacar que a fiscalização atuou com fundamento em provas diretas, e não com base em indícios, suspeitas ou suposições, conforme indevidamente alegado pela recorrente. Em síntese: a insuficiência de elementos comprobatórios impede o acatamento das razões da impugnante. Não há, pois, que se falar em dedutibilidade de custos, uma vez que não restou comprovada a efetividade daquelas operações. Ônus da prova A recorrente admitiu ter o ônus da prova de comprovar a efetividade das operações comerciais realizadas com seus fornecedores. No entanto, sustentou que esta comprovação deve ser realizada por meio de seus livros contábeis. Pelo fato de manter escrituração regular, caberia ao Fisco o ônus de desconstituir as provas registradas em sua contabilidade. Alegação totalmente desprovida de sentido. Ab initio, esclareçase que a contabilidade da contribuinte não era mantida com estrita observância das disposições legais. Afinal, um dos requisitos legais é que todos os lançamentos contábeis sejam alicerçados em documentos hábeis e idôneos. No caso concreto, quando intimada a comprovar o efetivo recebimento e o efetivo pagamento das mercadorias adquiridas junto a determinados fornecedores, a contribuinte abstevese, por completo, de apresentar qualquer documento comprobatório. Sobre o tema, manifestouse com grande propriedade o acórdão recorrido: Sujeitamse, pois, à comprovação, sob pena de glosa dos valores registrados, todas as operações realizadas pela pessoa jurídica, mormente aquelas que envolvem documentos fiscais sob suspeitas de inidoneidade, porque emitidos por empresas irregulares, para fornecer o bem ou para prestar o serviço constante da nota fiscal. Dessa forma, procedeu corretamente a fiscalização à intimação da empresa para que comprovasse o efetivo pagamento dos custos contabilizados, de forma a validar as despesas computadas como dedutíveis na escrituração da empresa. Entretanto, a impugnante não apresentou nenhum elemento de prova sequer (documentos, pagamentos, recebimentos, fretes etc.), quer quando da autuação, quer no momento da impugnação, para alicerçar a argumentação vertida na peça de defesa. [...] Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 20 Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Isso não obstante, em que pese a argumentação apresentada na peça impugnatória, a contribuinte não comprovou que as mercadorias efetivamente entraram em seu estabelecimento, não tendo demonstrado, dessa forma, ter agido de boafé. Pelo contrário, as provas acostadas aos autos são consistentes e inequívocas, as quais, inclusive, autorizam concluir pela ocorrência de máfé da contribuinte. Destaquese, ainda, que a fiscalização atuou com fundamento em provas diretas, e não com base em indícios, suspeitas ou suposições. Diante do exposto, considero que, em relação a este tema, o acõrdão recorrido não merece quaisquer reparos. Diferenças apuradas Neste tópico, a contribuinte voltou a argumentar que o Fisco teria apurado algumas diferenças entre o valor escriturado e o valor declarado. Sustentou que tais diferenças são indevidas, por se mostrarem inexistentes ou por terem sido corrigidas por meio de declarações retificadoras. Alegação desprovida de sentido, uma vez que as aludidas diferenças não fazem parte do presente processo, conforme claramente demonstrou o acórdão recorrido, fls. 845 (grifado): Antes de adentrar na análise do mérito, registrese que os valores contestados pela interessada relativos ao confronto entre os valores declarados e os escriturados não são objeto do presente processo, tendo sido a exigência correspondente formalizada no processo de nº 10166.722233/201016. Dessa forma, não serão apreciados os argumentos apresentados na peça impugnatória referentes a essa matéria. Pelas claras razões acima expostas, em relação a este tema o acórdão recorrido merece ser ratificado. Erros materiais (.. ). Ainda em relação a este tópico (erros materiais), a recorrente questionou a não consideração dos prejuízos fiscais ocorridos nos trimestres e anos anteriores. Além disso, a fiscalização teria cometido erro no cálculo do adicional de IRPJ, deixando de observar que o referido adicional somente incide sobre a parcela do lucro que exceder o limite de R$ 60.000,00. Também andou bem o acórdão recorrido ao apreciar tais alegações, razão pela qual adoto e transcrevo as suas razões de decidir, fls. 861: Pelo exposto, verificase que, além de correta a compensação do prejuízo fiscal, nos períodos em que houve tal prejuízo, não foi apurado, no auto de infração, adicional do IRPJ sobre o limite de R$ 60.000,00, mas somente sobre a quantia restante Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 21 (diferença entre o valor tributável, que é o valor da infração deduzida do montante do prejuízo, e o limite de R$ 60.000,00). O mesmo procedimento foi adotado em relação à CSLL. No tocante ao cálculo do adicional do IRPJ nos períodos em que houve apuração de lucro real, a apuração também foi correta, uma vez que, naqueles períodos em que o lucro real constante do LALUR excedeu o limite de R$ 60.000,00, foi aplicada a alíquota de 10% sobre o total da infração, e, nos períodos em que o lucro foi inferior a esse limite, não foi tributada a diferença entre tais quantias, conforme a seguir: [...] Destarte, não há erro material algum na apuração dos tributos devidos, devendose concluir pela manutenção do lançamento nos moldes efetuados. Pelas razões expostas, considero acertado o entendimento do acórdão recorrido, relativo à presente alegação. Multa confiscatória A recorrente considerou que a multa de ofício no percentual de 150% possui natureza confiscatória, afrontando o disposto no art. 150, IV da Constituição Federal. Não assiste razão à recorrente. Arguições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, conforme texto de Súmula aprovada por este Egrégio Conselho, verbis: Súmula CARF º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, abstenhome de apreciar a arguição de inconstitucionalidade formulada pela recorrente. Ausência de materialização de sonegação ou fraude Mesmo que superada a arguição de inconstitucionalidade da multa de ofício de 150%, é forçoso apreciar outra alegação da recorrente, relativa à suposta ausência de materialização da sonegação ou fraude, ensejadoras da qualificação da multa de ofício. Também em relação a este tema, não assiste razão à recorrente. Por questões práticas, limitome a adotar e transcrever parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 885: No caso em apreço, a intenção, ou seja, o dolo, restou evidenciado e provado nos autos, pois claro está que a prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, emitidas por empresas que inexistem de fato, é tentativa dolosa de reduzir o recolhimento dos tributos devidos. Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 22 Destarte, quanto à qualificação da penalidade, está configurado que, indubitavelmente, apesar de a contribuinte ter plena consciência de suas obrigações tributárias, optou, reiteradamente, por prestar ao fisco federal informações inverídicas, com o escopo de eximirse do pagamento do valor dos tributos devidos. [...] Notese que os chamados erros escusáveis se distinguem daqueles cometidos intencionalmente e de forma sistemática. O contribuinte que, reiteradamente, escritura notas fiscais inidôneas em sua contabilidade, emitidas por diversas empresas inexistentes de fato, afasta a possibilidade de desatenção eventual e enquadrase no tipo descrito no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Tratase de prova direta, portanto, e não de presunção ou indícios, como afirma a interessada. Observe que tal entendimento encontra guarida no Conselho de Contribuintes (Acórdãos 10192.509 de 1999 e 10805.889 de 1999): GLOSA DE CUSTOS – DOCUMENTOS INIDÔNEOS – Comprovada a inidoneidade das notas fiscais escrituradas, cabe ao contribuinte comprovar a efetividade das operações por ela lastreadas, a fim de comprovar, inclusive, a ausência de dolo de sua parte. A não comprovação autoriza a glosa dos custos e a aplicação da penalidade agravada. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS – GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS – PENALIDADE AGRAVADA – Legítima a glosa da dedutibilidade de custos/despesas, assim como a imposição de penalidade agravada, quando as provas são convergentes para atestar a inidoneidade das notas fiscais, pela inexistência da emitente e falta de comprovação da efetividade das operações. Nestes termos, considero materializada a hipótese de fraude e sonegação, ensejadoras da qualificação da multa de ofício. Impugnação de dados e elementos autuados A recorrente considerou que os valores utilizados no lançamento fiscal, bem como os demonstrativos e relatórios anexos, não têm amparo na legislação fiscal. Afirmou que no caso da autuação da CSLL é incabível a exclusão da despesa do lucro real, uma vez que a base de cálculo desta exação é o lucro líquido. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, limitome a adotar e transcrever parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 863 (grifado): Em referência ao lançamento de CSLL, defende que não cabe a exclusão da despesa do lucro real como indedutível uma vez que a base desta é o lucro líquido. Cita, em sua defesa, o Acórdão 10708.297 do 1º Conselho de Contribuintes. O teor da ementa do citado acórdão é o seguinte: 31 DESPESAS OU CUSTOS DESNECESSÁRIOS. Não há previsão legal para se exigir a CSLL incidente na glosa de despesas ou custos considerados Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 23 desnecessários, porque a indedutibilidade atinge tão somente o lucro real e não o lucro líquido.(g.n.o) Entretanto, no caso em apreço, não se tratou da desnecessidade do custo e sim, de sua inexistência, o que afeta diretamente o lucro líquido. Dessa forma, irrelevante prosseguirse na discussão sobre a base de cálculo da CSLL, se lucro real ou lucro líquido, uma vez que, no caso em tela, o fato ocorrido implica a desconsideração do custo em ambas as bases. Nestes termos, concluo pela correção do lançamento efetuado e, por conseguinte, do acórdão recorrido. Tributações reflexas Em relação a este tema, a recorrente sustenta que os lançamento reflexos devem ter o mesmo destino do lançamento principal. Neste particular, assiste razão à recorrente. No entanto, o efeito final da aplicação deste princípio é contrário aos interesses. Afinal, a solução dada ao litígio principal, referente ao IRPJ, aplicase aos lançamentos dele decorrentes (CSLL, contribuição para o PIS e Cofins), por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. Consequentemente, os lançamentos decorrentes também merecem ser mantidos, tendo em vista a íntima relação de causa e efeito com o lançamento principal. (...) Pis e Cofins Lançados de Ofício. Dedução na base de cálculo do IRPJ/CSLL Aduz o Conselheiro Fernando Matos, Relator do Acórdão 140100807 que a dedutibilidade dos tributos e contribuições está estabelecida no art. 41, da Lei nº 8.981/95, matriz legal do art. 344, do RIR/99 , sendo que seu §1º estabelece exceção à regra geral de dedutibilidade de tributos na determinação do lucro real, mediante a vedação da dedutibilidade de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN. Lembra que entre essas hipóteses estão as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Assim, se o contribuinte não recolheu ou declarou os tributos devidos nos respectivos períodos de apuração, motivando seu lançamento de ofício e beneficiandose da suspensão da exigibilidade do crédito em virtude da impugnação contra ele interposta (art. 151, inciso III, do CTN), ilegítima tornase a sua dedução da base tributável no período. Com a devida vênia, entendo que o nobre Conselheiro equivocase em suas premissas. Isso porque o lançamento de ofício não implica em suspensão automática da exigibilidade do crédito tributário, que somente irá ocorrer se o contribuinte apresentar impugnação com fulcro no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 24 Outrossim, a penalidade em razão de infrações à legislação tributária, aplicadas em lançamento de oficio, são as multas proporcionais estabelecidas no art. 44 da Lei 9.430/1996, tal qual aplicado neste processo, jamais a majoração indevida dos tributos (IRPJ e CSLL). Em verdade, não qualquer dispositivo legal que vede essa dedutibilidade, ao contrário, o melhor entendimento da legislação é no sentido de que o autoridadefiscal deve reconstituir o lucro liquido e o lucro real do contribuinte para apurar os tributos devidos. Nessa reconstituição devem ser consideradas as deduções (custos e despesas) verificadas pelo Fisco, não só pela observância do art. 142 do CTN, mas também pelo próprio principio da lealdade da administração (tributária) para com os administrados (contribuintes). Esclareço que não se trata de uma despesa condicional. Na hipótese de erros ou exonerações que impliquem no cancelamento do PIS e Cofins, sem a possibilidade de ajuste no IRPJ/CSLL, cabe ao contribuinte, após o transito em julgado, oferecer a tributação esse ganho. Do contrário estará sujeito a novo lançamento de ofício. Neste sentido são várias as decisões deste Conselho, vejamos: PIS e COFINS BASE DE CÁLCULO IRPJ – DEDUÇÃO. A apuração da base de cálculo do IRPJ, quando há omissão de receitas pelo contribuinte, será eleita de forma direta, pois a omissão é tributada como renda isolada. Contudo, devese deduzir das referidas bases de cálculo os valores referentes a lançamentos de ofício das contribuições ao PIS e da COFINS e dos juros incidentes sobre tais contribuições, até a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL. Pelas mesmas razões é permitida a dedução da CSLL da base do cálculo de IRPJ para os anos calendário de 1995 e 1996. 1a. Conselho. Acórdão 10809.526 Grifei. A Câmara Superior de Recursos Fiscais apreciou a questão em vários julgados, dentre os quais: Acordão CSRF/0105.750 de 3/12/2007, CSRF/0105.585 de 5/12/2006, CSRF/0105.368 de 6/1/2005, CSRF/0102.596 de 15/3/1998. Vejamos a ementas: “IRPJ – DEDUÇÃO DA CSLL DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ: Na ausência de proibição legal específica, o lucro real para ser correto deve ser reduzido por quaisquer rubricas que o afetam, independentemente da iniciativa de apuração partir da empresa ou do fisco. Até a edição da Lei nº 9.316/96 não havia norma que vedasse a referida dedução.” Acordão CSRF/0105.750 de 3/12/2007. “IRPJ – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – DEDUÇÃO DE TRIBUTOS LANÇADOS – Correta a dedução de tributos, normalmente dedutíveis, no lançamento ex officio de outros tributos exigidos correlatamente, pois a natureza da obrigação não se desnatura por ser oriunda de ato de exigência do próprio fisco, sob pena de se tributar parcela não correspondente à base de cálculo.” Acórdão CSRF/0105.585 de 5/12/2006. Frisese que em relação à CSLL há expressa vedação legal para que seja deduzida da base de cálculo do IRPJ (Lei 9.316/1996). Concluo, pois, que o PIS e Cofins, lançados de oficio (mesma ação fiscal), deve mesmo ser deduzido da base de calculo do IRPJ e CSLL. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10166.722765/201045 Acórdão n.º 1402001.267 S1C4T2 Fl. 0 25 Outros erros materiais na apuração da base de calculo do PIS e cofins Aduz a contribuinte aduz que parte de seus créditos de PIS e Cofins não foram aproveitados no lançamento. De plano, esclareço que erros quanto a base de cálculo não nulificam o procedimento, pois podem ser ajustados nas decisões administrativas, judiciais ou revisões de oficio. Do contrário jamais haveria decisões parciais. Quanto aos créditos das notas fiscais que não teriam sido aproveitadas para apuração do PIS e Cofins, tal qual asseverado pela DRJ, a recorrente limitase a indicar a efetiva utilização de cada uma das notas, sem comprovar tal alegação. A mera indicação de quais notas fiscais teriam sido utilizadas, sem a demonstração inequívoca de que os valores constantes de tais documentos não foram computados no montante de crédito aproveitado, conforme informado na respectiva DACON, não é suficiente para fazer prova a seu favor. O fato de tais notas terem sido registradas em sua contabilidade, conforme a própria empresa alega, autoriza a conclusão de que foram, sim, incluídas nos cálculos relativos à contribuição para o PIS e à COFINS, uma vez que não haveria motivos para que assim não o fizesse. Correta a decisão de 1a. instância quando afirma que a contribuinte não logrou êxito em negar sua própria assertiva, proferida quando da resposta ao Termo de Intimação nº 4. Ademais, no recurso voluntário a contribuinte nada alega quanto as razões de decidir de 1a. instancia, ou seja, simplesmente repetiu as alegações. Logo, cumpre negar provimento quanto a este item. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso acolher a dedução do PIS e da Cofins lançados de ofício na base de cálculo do IRPJ e da CSL (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10580.904567/2008-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
Consoante a redação do art. 33 do Decreto 70.235/1972, o prazo para a interposição do Recurso Voluntário por parte do contribuinte é de 30 (trinta) dias, contados da intimação da decisão de primeira instância. Não exercido o direito de defesa no prazo legal, o recurso carece de requisitos para sua admissibilidade
Numero da decisão: 1802-001.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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Não exercido o direito de defesa no prazo legal, o recurso carece de requisitos para sua admissibilidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 45 67 /2 00 8- 92 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.904567/200892 Acórdão n.º 1802001.562 S1TE02 Fl. 211 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – BA (“DRJ/SDR”), que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “Trata o presente de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Salvador através do Despacho Decisório 796751952 de 23/10/2008, que negou homologação à compensação declarada através do Per/Dcomp 10575.93979.220404.1.3.023012, onde se pretendia quitar débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil RFB, com créditos decorrentes do saldo negativo do IRPJ apurados no anocalendário de 2003. O indeferimento teve lastro na informação de que não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ não correspondente ao valor do saldo negativo informado na PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no Per/Dcomp com demonstrativo de crédito: RS 10.793,66. Valor original do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 5.954,30. Esclareçase que razão da constatação prévia das divergências entre os valores informados no Per/Dcomp e os valores informados na DIPJ, mediante o Termo de Intimação n° 636822486 (fl. 115), a Impugnante foi regularmente intimada em 18/10/2006 (fls. 116 e 125), para em 20 dias "retificar a DIPJ correspondente ou apresentar Per/Dcomp retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo, e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do Per/Dcomp, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação". Ante a inexistência de qualquer resposta ao Termo de Intimação encaminhado pelo fisco, em 23/10/2008 a DRF de Salvador emite o Despacho Decisório 808235180, indeferindo o pedido de compensação com base na divergência entre o valor original do saldo negativo informado no Per/Dcomp ( R$ 10.793,66) e o valor original do saldo negativo informado na DIPJ (R$ 5.954,30). Intimada regularmente do Despacho Decisório em 04/11/2008, em 24/11/2008 a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 04), alegando em síntese o seguinte: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.904567/200892 Acórdão n.º 1802001.562 S1TE02 Fl. 212 3 No ano calendário de 2001, o contribuinte exerceu a opção de tributação pelo Lucro Real Estimado, e ao longo dos períodos de apuração que foram de janeiro até dezembro de 2001, apurou o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica), mensalmente, e efetuou os pagamentos através dos DARFs correspondentes, que totalizaram R$4.839,36 (quatro mil oitocentos e trinta e nove reais e trinta e seis centavos) DARF's anexos. Foi entregue a DIPJ/2002 em 27/06/2002. referente ao ano calendário de 2001, que teve DIPJ retifícadora entregue em 15 de novembro de 2006, que apurou saldo negativo de IRPJ na Ficha 12 A , Linha 18, no valor de R$4.839,36 (quatro mil oitocentos e trinta e nove reais e trinta e seis centavos). No ano calendário de 2003, o contribuinte exerceu a opção de tributação pelo Lucro Real Estimado, e ao longo dos períodos de apuração que foram de janeiro até dezembro de 2003, apurou o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica), mensalmente, e efetuou os pagamentos através dos DARFs correspondentes, que totalizaram R$5.954,30 (cinco mil novecentos e cinqüenta e quatro reais e trinta centavos). DARFs anexos. Foi entregue a DIPJ/2004 em 27/06/2004 referente ao ano calendário de 2003, que apurou saldo negativo de IRPJ na Ficha 12 A, Linha 19, no valor de R$5.954,30 (cinco mil novecentos e cinqüenta e quatro reais e trinta centavos). Com a situação ocorrida, foi apurado um saldo negativo do IRPJ, no montante de R$10.793,66 (dez mil setecentos e noventa e três reais e sessenta e seis centavos), sendo R$4.839,36 (quatro mil oitocentos e trinta e nove reais e trinta e seis centavos), relativo a DIPJ/2002, e R$5.954,30 (cinco mil novecentos e cinqüenta e quatro reais e trinta centavos) da DIPJ/2004. O valor do crédito apurado, R$10.793,66 (dez mil setecentos e noventa e três reais e sessenta e seis centavos), decorrente do saldo negativo das DIPJ/2002 e DIPJ/2004, foi indevidamente objeto de pedido de compensação através da PER/DCOMP de número 10575.93979.220404.1.3.023012, entregue em 22 de abril de 2004, e também das PER/DCOMP: • 01575.63621.140604.1.3.020902 • 30959.62235.120704.1.3.029360 • 41208.08136.100904.1.3.021019 • 17423.16804.131004.1.3.02.0125 • 01981.28512.091104.1.3.029090 • 17186.95234.050805.1.3.026676 • 31046.33440.120905.1.3.028398 • 38046.70703.291105.1.3.021012 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.904567/200892 Acórdão n.º 1802001.562 S1TE02 Fl. 213 4 • 39748.48071.080206.1.3.020058 • 29678.58499.220404.1.3.029077 • 18629.92076.151106.1.7.024087 • 07201.96188.130504.1.3.02.9480 • 17829.23665.110804.1.3.02.6456 • 02946.82880.091204.1.3.02.2713 41331.09177.200105.1.3.02.9742 • 42019.52752.050805.1.3.02.2026 • 18899.58482.071005.1.3.021717 A compensação indevida mencionada no item anterior, ocorreu por um erro no preenchimento no PER/DCOMP 10575.93979.220404.1.3.023012. entregue em 22 de abril de 2004, que constou o valor do saldo negativo correspondente a 02 (dois) anoscalendário, que foram 2001 e 2003, quando deveria considerar somente o valor de R$4.839,36 (quatro mil oitocentos e trinta e nove reais e trinta e seis centavos), do ano calendário de 2001, e em seguida a elaboração de outro PER/DCOMP, para compensação do saldo negativo de R$5.954,30 (cinco mil novecentos e cinqüenta e quatro reais e trinta centavos), apurado no ano calendário de 2003. Com a situação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em SalvadorBahia, não homologou a compensação das PER/DCOMP apresentadas. Despacho Decisório anexado. O valor do crédito para elaboração de PER/DCOMP, relativo ao anocalendário de 2003, é de R$5.954,30 (cinco mil novecentos e cinqüenta e quatro reais e trinta centavos), que se transforma em R$ 11.656,41 (onze mil seiscentos cinqüenta seis reais e quarenta e um centavos) atualizados até o mês de novembro de 2008. que é destinado para compensação do débito do ano calendário 2005 dos meses de Junho de 2005 até Dezembro de 2005 no valor de R$ 5.195,10 (cinco mil cento e noventa e cinco reais e dez centavos) que se transforma em R$ 8.263,94 (oito mil duzentos sessenta e três reais e noventa e quatro centavos). Demonstrativo do SILCAC anexado. Diante do exposto, o contribuinte pede permissão para que seja autorizada a elaboração e envio das PER/DCOMP retificadoras, para compensação dos créditos com as devidas atualizações, do anocalendário de 2001 no valor de R$4.839,36, e do ano calendário de 2003 no valor de R$5.954,30, ou ainda proceder a compensação administrativamente em conformidade com a documentação apresentada. Em sua decisão, a DRJ/SDR decidiu pela modificação do despacho decisório, número de rastreamento 796751952, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Salvador, reconhecendo a totalidade do direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ do ano Fl. 213DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.904567/200892 Acórdão n.º 1802001.562 S1TE02 Fl. 214 5 calendário de 2003, no valor de R$ 5.954,30, homologando os débitos declarados no Per/Dcomp 10575.93979.220404.1.3.023012, até o limite do valor ora reconhecido. Não reconheceu o saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, que teria sido informado indevidamente em conjunto com o pedido ora em análise, que cuida do saldo negativo apurado no anocalendário de 2003, por tratarse de fato que não diz respeito ao presente PAF, cujo objeto é o saldo negativo apurado no anocalendário de 2003, devendo, se for o caso, tal direito creditório ser exercído individualmente, em época própria. Tal decisão está assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabível a restituição e compensação do saldo negativo apurado ao final do anocalendário se presentes a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. DECLARAÇÕES ELETRÔNICAS. ERRO MATERIAL. DIREITO CREDITÓRIO. Os erros materiais no preenchimento das declarações eletrônicas por si só não possuem força suficiente para afetar o direito creditório dos contribuintes. Impugnação Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual requereu a compensação, administrativamente, de crédito no valor de R$ 4.839,36, referente a saldo negativo relativo ao anocalendário 2001, DIPJ/2002. É o relatório, passo a decidir Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho Intempestividade Inicialmente cumpre analisar a tempestividade do presente recurso. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.904567/200892 Acórdão n.º 1802001.562 S1TE02 Fl. 215 6 Conforme aviso de recebimento e informações de fl. 178, a Recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 13 de setembro de 2011. De acordo com o art. 33, caput, do Decreto n. 70.235, de 06/03/1972, cabe recurso voluntário da decisão em primeira instância dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Assim, tendo a ciência da decisão datada de 13/09/2011, a contagem do prazo de 30 dias para oferecimento de recurso voluntário, iniciouse em 14/09/2011, tendo como prazo fatal dia 13/10/2011. O recurso voluntário foi protocolado em 17/10/2011, ou seja, fora do prazo previsto na legislação. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão combatida. Marco Antonio Nunes Castilho Relator Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720587/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2004
LITÍGIO ENCERRADO COM O ACÓRDÃO DA AUTORIDADE DE 1ª INSTÂNCIA JULGADORA. MATÉRIA NÃO APRECIADA PELA DRJ COMPETENTE.
Tendo o litígio inicial sido encerrado com a decisão constante do Acórdão dito recorrido e tratando-se de nova contestação ainda não analisada pela Delegacia de Julgamento, descabe ser conhecida por este conselho, por lhe faltar competência para julgamento de questão em primeira mão, em razão de suprimento de instância.
DISCORDÂNCIA DA SISTEMÁTICA DE CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO.
A apreciação da discordância acerca da sistemática de cálculo efetuada pela unidade de origem visando à operacionalização da compensação declarada até o limite do direito creditório disponível, a partir da qual persistiu saldo de compensação declarada não homologada, deve ser apreciada inicialmente pela autoridade julgadora de 1ª instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-001.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido de votar.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Maria da Conceição Arnaldo Jacó - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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MATÉRIA NÃO APRECIADA PELA DRJ COMPETENTE. Tendo o litígio inicial sido encerrado com a decisão constante do Acórdão dito recorrido e tratandose de nova contestação ainda não analisada pela Delegacia de Julgamento, descabe ser conhecida por este conselho, por lhe faltar competência para julgamento de questão em primeira mão, em razão de suprimento de instância. DISCORDÂNCIA DA SISTEMÁTICA DE CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO. A apreciação da discordância acerca da sistemática de cálculo efetuada pela unidade de origem visando à operacionalização da compensação declarada até o limite do direito creditório disponível, a partir da qual persistiu saldo de compensação declarada não homologada, deve ser apreciada inicialmente pela autoridade julgadora de 1ª instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido de votar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 87 /2 01 2- 61 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA (assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório O presente processo foi formalizado a partir do Despacho de fl. 125 do servidor do SEORT da DRF/BHE, com a concordância do chefe superior, que tem o seguinte teor: “Procedemos à abertura do presente processo para fins de julgamento do Recurso voluntário (fls. 65 a 124), em referência ao Acórdão 0233.402 (fls. 59 a 61) – processo 10680.935.163/200901 que se encontra encerrado no SIEF Processos, haja vista o reconhecimento do direito creditório ali analisado. Considerando que o recurso foi apresentado dentro do prazo, proponho o encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) 3ª Seção, para análise do recurso.” A contribuinte transmitiu Declaração de Compensação visando compensar o(s) débito(s) nela declarado com o crédito oriundo do pagamento a maior de COFINS, relativo ao fato gerador de 30/06/2004. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento apontado foi utilizado integralmente para quitar débitos da contribuinte, não restando saldo credor disponível. Depois da ciência do despacho decisório, a contribuinte retifica a DCTF e apresenta a sua manifestação de inconformidade, iniciando o litígio por meio do Processo original de nº 10680.935.163/200901, alegando tratarse de um erro de fato na apuração da contribuição do PA de jun/2004 e que, por engano, deixou de retificar a DCTF do 2º trimestre de 2004 em tempo hábil, comprovando os argumentos com a retificação feita tempestivamente na DACON. Seus argumentos foram acatados pela autoridade julgadora de 1ª instância que, por meio do Acórdão nº 0233.402 da 1ª Turma da DRJ/BHE, sessão de 11/07/2011, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 3 decidiu pela procedência da manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito creditório no valor original de R$ 2.067.205,34 e determinando que a DRF operacionalizasse a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, consoante se constata pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Cofins Data do fato gerador: 30/06/2004 DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Deve ser reconhecido o direito creditório do contribuinte quando constatado o equívoco no preenchimento da DCTF, se esse erro foi o que deu causa ao despacho de indeferimento do pedido de compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido” Em despacho proferido à fl. 59 do processo original nº 10680.935.163/2009 01 (fl. 62 do presente processo), a DRJ/BHE/SECOG informa não caber recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos seguintes termos: “Tendo em vista a Nota Técnica eProcesso nº 014/2011, informamos que o presente processo não foi digitalizado e encaminhado em meio digital, em virtude da manifestação de inconformidade apresentada pelo o contribuinte ter sido atendida integralmente, não cabendo com isso a interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” Por meio do Termo de Ciência e Notificação de fl. 63, a DRF/BHE cientifica a contribuinte do Acórdão nº 0233.402 da 1ª Turma da DRJ/BHE, sessão de 11/07/2011, no qual cientifica que o saldo credor reconhecido pela DRJ no Acórdão nº 0233.402 é insuficiente para fazer face à totalidade dos débitos declarados na DCOMP, gerando assim, saldo a pagar, conforme o DARF encaminhado. No referido Termo efetua a seguinte ressalva: “Informamos, ainda, que o contribuinte poderá, dentro do prazo de 30 (trinta) dias desta ciência, se for o caso, apresentar Recurso Voluntário ao CARF – 1ª Seção – nos termos do Dec. 70235/72 e Portaria MF 256/09.” A contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/BHE e dos cálculos elaborados pela DRF/BHE em 07/11/2011, consoante se vê pelo AR de fl. 64. Irresignada com a sistemática de cálculo da compensação efetuada pela DRF/BHE, a contribuinte apresenta em 07/12/2011, documento de fls.74/95, denominado Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fazendo referência ao Acórdão nº 0233.402 da 1ª Turma da DRJ/BHE, iniciando a sua petição com a solicitação de que seja reformada a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal que homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 20447.60434.181007.1.3.042808, transmitida em 18/10/2007, tendo em vista o reconhecimento do crédito mediante a procedência da manifestação de Inconformidade da recorrente, consoante as alegações que apresenta depois de descrever sobre os fatos, sob os títulos a seguir: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 1. Necessidade de revisão do ato administrativo realizado no PAT nº 10680.933167/2009 47, por cerceamento do direito de defesa; 2. Impossibilidade de incidência de Multa inocorrência de mora; 3. Da exclusão da multa de mora pela denúncia espontânea. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Da análise dos autos, verificase que o litígio iniciado no processo original nº 10680.935.163/200901 foi encerrado com a decisão favorável ao contribuinte posto que por meio do Acórdão nº 0233.402 da 1ª Turma da DRJ/BHE, sessão de 11/07/2011, julgouse procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito creditório e determinando que a delegacia de origem operacionalizasse a compensação pleiteada até o limite do crédito existente. Por ter a DRJ/BHE decidido no Acórdão nº 0233.402 da 1ª Turma da DRJ/BHE, sessão de 11/07/2011, pela procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra o Despacho Decisório eletrônico nº 848544241 não caberia interposição de recurso em face do referido Acórdão, haja vista o encerramento do litígio. Assim é que a própria DRJ despachou no sentido de não digitalizar o processo original em razão de não caber recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, haja vista a manifestação de inconformidade apresentada pelo o contribuinte ter sido atendida integralmente. Com o propósito de dar cumprimento à decisão proferida no Acórdão nº 02 33.402 da 1ª Turma da DRJ/BHE, sessão de 11/07/2011, a unidade de origem elabora os cálculos da compensação até o limite do crédito disponível, cientificando e notificando a contribuinte por meio do Termo de Ciência e Notificação de fl. 63. Podese concluir, porém, que a DRF/BHE induziu a contribuinte ao equívoco quando no referido termo de fl. 63 (fl.60 do processo original) informou que “o contribuinte poderá, dentro do prazo de 30 (trinta) dias desta ciência, se for o caso, apresentar Recurso Voluntário ao CARF – 1ª Seção – nos termos do Dec. 70235/72 e Portaria MF 256/09”. Não obstante constar de tal informação a ressalva negritada “Se for o caso”, a contribuinte apresentou a petição de fls 74/95, sob a denominação de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 0233.402 da 1ª Turma da DRJ/BHE. Assim, é que, com a apresentação da contestação à sistemática de cálculo da compensação elaborada pela DRF/BHE, sob a denominação de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 0233.402 da 1ª Turma da DRJ/BHE, a unidade preparadora procede à abertura do presente processo para fins de julgamento do Recurso, haja vista a impossibilidade de fazêlo por meio do processo original nº 10680.935.163/200901, que, segundo afirma em seu Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 5 despacho de abertura do presente processo, se encontrava encerrado no SIEF Processos, uma vez que houve o reconhecimento integral do direito creditório ali analisado. A unidade de origem não atentou para o despacho proferido pela DRJ/BHE à fl. 59 daquele processo de que não cabia recurso voluntário contra o Acórdão nº 0233.402 da 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou totalmente favorável à manifestação de inconformidade da contribuinte. Portanto, como se vê, a contestação aqui apresentada é contra a sistemática de cálculo da compensação da qual persistiu saldo de compensação declarada no PER/DCOMP nº 20447.60434.181007.1.3.042808, transmitida em 31/08/2007, não homologada, questão esta que tem outro enfoque que não foi anteriormente abordado, tratandose, então, de matéria diversa do litígio inicial que se referia ao reconhecimento do direito creditório este já resolvido. Tratase, pois, de nova matéria que não foi apreciada pela Receita Federal do Brasil, por meio de sua autoridade administrativa de julgamento de 1ª instância, haja vista tratarse de questionamento dos cálculos feitos pela DRF/BHE, depois da decisão da DRJ/BHE que reconheceu o direito creditório da contribuinte, em cumprimento desta. Podese afirmar, portanto, que a contestação apresentada e ora sob análise, não obstante se denomine Recurso voluntário, em face do Acórdão nº 0233.402 da 1ª Turma da DRJ/BHE proferido no processo original nº 10680.935.163/200901, não contesta o Acórdão proferido pela DRJ/BHE naquele processo, mas, sim, contesta unicamente o ato administrativo de cobrança, em face da sistemática de cálculos da compensação adotada pela unidade jurisdicionante da contribuinte e, em sendo assim, não deve ser conhecida por este conselho, por lhe faltar competência para julgamento de questão ainda não analisada pela Delegacia de Julgamento, em razão de suprimento de instância. Cabe assim, verificar a quem compete apreciar a contestação apresentada constante do presente processo. Reconhecido o direito creditório da contribuinte, coube à unidade de origem, em cumprimento à decisão da autoridade julgadora, operacionalizar a compensação declarada, até o limite do direito creditório disponível. A DRF/BHE, utilizandose dessa competência, efetuou os cálculos e enviou o Termo de Ciência e Notificação de fl. 63, que corresponde a um ato administrativo de cobrança. Assim, por tratarse de ato de operacionalização da compensação declarada, depois de reconhecido e fixado o direito creditório, do qual persistiu saldo de compensação não homologada, a petição contendo o questionamento sobre a sistemática de tais cálculos, no meu entender, deve ser apreciada e decidida inicialmente pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, segundo o rito do PAF. Tal conclusão baseiase no art. 66 e seu §4º da IN SRF nº 900, de 2008, bem como no inciso III do art. 212 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, que assim dispõe: “IN SRF nº 900, de 2008 Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. (...) §4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.” “Regimento Interno Art. 212. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: (..); III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e à redução de alíquotas de tributos e contribuições.” A Coordenação Geral de Tributação, por meio do Parecer 19COSIT, de 8 de fevereiro de 2011, decidindo sobre conflito de competência suscitada pela SRRF01 no processo nº 10140.001696/0051, acerca de rito do Processo Administrativo Fiscal e competência para apreciação da manifestação de inconformidade, em questão análoga, declarou: “42. Devida, pois, a apreciação por parte da DRF/CGE/MS do pedido de restituição do ponto de vista da existência de fato do crédito e, portanto, a emissão de despacho decisório conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório. Caso deferido apenas parcialmente o pedido de restituição por falta de comprovação ou impropriedade nos cálculos apresentados, está garantido ao interessado o direito de manifestar sua inconformidade consoante disposição contida no art. 48 da IN SRF nº 600, de 2005, vigente à época da decisão, atualmente art. 66 da IN RFB nº 900, de 2008”. Convém esclarecer que a questão tratada no mencionado parecer da COSIT referese a questionamento dos cálculos feitos para apurar o credito de fato a restituir, cujo direito foi reconhecido pela Autoridade julgadora de 2ª instância administrativa; enquanto, a questão aqui tratada, referese a questionamento dos cálculos efetuados para operacionalizar a compensação, quando já se tem a certeza e liquidez do crédito tributário julgado pela autoridade de 1ª instância a favor da contribuinte. Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, com a orientação de que a petição seja apreciada e decidida inicialmente pela autoridade Julgadora de 1ª instância. (assinado eletronicamente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 7 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13882.000063/2008-95
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2802-002.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator
EDITADO EM: 28/11/2012.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator EDITADO EM: 28/11/2012. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator EDITADO EM: 28/11/2012. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 00 00 63 /2 00 8- 95 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano Relatório Tratase de Auto de Infração de fls. 07/10, referente ao imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2002, que reduziu o saldo de imposto a restituir de R$ 12.499,05 para R$ 1.885,32, em virtude de omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Justiça, CNPJ n. 00.394.494/011251. Inconformado, o Recorrente apresentou impugnação julgada improcedente pela DRJ, sob fundamento de que as verbas recebidas pelo contribuinte a titulo de gratificação por atividade executiva, gratificação de atividade de Policia Rodoviária Federal, gratificação por desgaste físico e mental, gratificação de atividade de risco, gratificação de operações especiais e adicional por tempo de serviço, estão sujeitas ao imposto de renda pessoa física, uma vez que as alíneas "a" a "r" do inciso III do art. 1° da Lei n° 8.852/94, contêm exclusões do conceito de remuneração, mas não contemplam hipóteses de isenção ou de não incidência do IRPF. Intimado da decisão em 17/05/2010 – segundafeira (fl. 33), o Recorrente interpôs recurso voluntário em 18/06/2010 – sextafeira (fls. 34 e seguintes), após o transcurso de trinta dias a que se refere o art. 33 do Decreto n° 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. O AR referente à intimação da decisão de 1ª instância foi recebido em 9/4/2010. O Recurso Voluntário foi protocolado em 18/06/2010, portanto, além do prazo legal de 30 dias a contar da intimação da decisão de 1ª instância. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos termos do Decreto n. 70.235/72 é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Após o transcurso do prazo, o recurso não é de ser conhecido e o lançamento se torna definitivo na órbita administrativa. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13882.000063/200895 Acórdão n.º 2802002.019 S2TE02 Fl. 40 3 Diante do exposto, não conheço do Recurso Voluntário por intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 43DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10384.722643/2011-65
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PEDIDO DE PERÍCIA E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL.
Incabível o pedido de perícia, bem como a juntada posterior de documentos, tendo em vista que tais pleitos contrariam dispositivos do Decreto nº 70.235/72, em especial, o inciso IV do art. 16, bem como o § 4º do art. 15.
A decisão da 3ª Vara Federal em Teresina/PI (MS nº 2009.40.00.006545-7), foi parcialmente favorável às pretensões do contribuinte e muito clara no ponto de que a compensação seria possível somente após o transito em julgado da sentença, observado o limite determinado pelo art. 170-A do CTN. Com efeito, o contribuinte realizou a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, situação que afasta completamente qualquer argumento de amparo judicial para efetivar compensações.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PEDIDO DE PERÍCIA E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. Incabível o pedido de perícia, bem como a juntada posterior de documentos, tendo em vista que tais pleitos contrariam dispositivos do Decreto nº 70.235/72, em especial, o inciso IV do art. 16, bem como o § 4º do art. 15. A decisão da 3ª Vara Federal em Teresina/PI (MS nº 2009.40.00.006545-7), foi parcialmente favorável às pretensões do contribuinte e muito clara no ponto de que a compensação seria possível somente após o transito em julgado da sentença, observado o limite determinado pelo art. 170-A do CTN. Com efeito, o contribuinte realizou a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, situação que afasta completamente qualquer argumento de amparo judicial para efetivar compensações. Recurso Voluntário Negado
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PEDIDO DE PERÍCIA E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. 1. Incabível o pedido de perícia, bem como a juntada posterior de documentos, tendo em vista que tais pleitos contrariam dispositivos do Decreto nº 70.235/72, em especial, o inciso IV do art. 16, bem como o § 4º do art. 15. 2. A decisão da 3ª Vara Federal em Teresina/PI (MS nº 2009.40.00.006545 7), foi parcialmente favorável às pretensões do contribuinte e muito clara no ponto de que a compensação seria possível somente após o transito em julgado da sentença, observado o limite determinado pelo art. 170A do CTN. Com efeito, o contribuinte realizou a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, situação que afasta completamente qualquer argumento de amparo judicial para efetivar compensações. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 26 43 /2 01 1- 65 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722643/201165 Acórdão n.º 2803001.979 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722643/201165 Acórdão n.º 2803001.979 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, decorrente da glosa de contribuições previdenciárias compensadas indevidamente, conforme previsto no art. 89, § 9º, da Lei 8.212/91, art. 35 da Lei 8.212/91, c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96, §§ aº e 2º, nas competências 09/2009 a 12/2010, cuja penalidade está prevista no art. 89, § 9º, da Lei 8.212/91, sujeita a juros e multa de mora, consolidada em 14/12/2011. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 25 de abril de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. PEDIDO DE PERÍCIA. A formulação de quesitos referentes aos exames desejados é condição necessária para o deferimento do pedido de perícia ou diligência no Processo Administrativo Fiscal. No caso da perícia, ainda é necessário a indicação do nome, endereço e qualificação profissional do perito. IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A impugnação deve vir acompanhada de todas as provas e documentos em que se fundamentar, ressalvados os casos previstos no art. 15, § 4º, do Decreto 70.235/72. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial – ART 170A do CTN. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. A compensação de contribuição previdenciária declarada em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social em desacordo com os termos de Sentença Judicial proferida em Mandado de Segurança sujeita o contribuinte à penalidade prevista no art. 89, § 10º, da Lei 8.212/91. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722643/201165 Acórdão n.º 2803001.979 S2TE03 Fl. 5 4 O Mandado de Segurança suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos em que for proferida a decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Cuidase de auto de infração DEBCAD nº 51.010.0260, lavrado pela SRFB/DRF de Teresina/PI, que exige do Contribuinte/Recorrente, Contribuições Sociais supostamente devidas à Seguridade Social, decorrente de glosa de compensações de contribuições previdenciárias realizadas pelo contribuinte por meio de GFIP, referente ao período de 09/2009 a 13/2010. A Autuada, aqui Recorrente, esclarece que houve claro equívoco na autuação, uma vez que diante do recolhimento indevido de contribuições sociais previdenciárias, a peticionante ajuizou Mandado de Segurança distribuído para a 3ª Vara Federal em Teresina/PI, sob o nº 2009.40.00.0065457, pleiteando a declaração da inexigibilidade das verbas discutidas, bem como que o Fisco Federal se abstivesse de promover retaliações ao exercício do direito à compensação, previsto no artigo 66 da Lei nº 8.383/91 c/c artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Contrariando decisões judiciais, foram lavrados os Autos de Infração supramencionados numa tentativa do fisco de compelir o Contribuinte/Recorrente ao pagamento de tributo inexigível, como se o Recorrente não tivesse nenhuma base legal e judicial para suas declarações – o que, digase de passagem – não ocorreu, uma vez que as declarações do Peticionante estão como já demonstrado, embasadas legal e judicialmente. É certo que o Recorrente recolheu Contribuição Social Previdenciária Patronal incidente sobre férias e 1/3 Constitucional de férias indevidamente, e faria jus à compensação desses valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, combinado com o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, como bem já declarados pelo Poder Judiciário. Auferese, assim, o recorrente do conteúdo das decisões proferidas pelos tribunais pátrios, que é a Fazenda Nacional quem o deve, em razão de ter exigido da mesma o recolhimento indevido de tributos. Todavia, alegando não haver nenhum impedimento legal ou jurídico para a exigibilidade dos créditos tributários em questão, a autoridade fiscal propôs a formalização de processo administrativo para cobrança de débitos com exigibilidade suspensa, originando o auto de infração supramencionado, exigindo do Recorrente pagamento de tributo por ora indevido. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722643/201165 Acórdão n.º 2803001.979 S2TE03 Fl. 6 5 Ainda que se considere possível a glosa dos valores comparados, o que, ad argumentandum, somente se daria para evitar a decadência, há que se excluir a incidência da multa isolada. A decisão recorrida indeferiu o pedido de produção de prova pericial formulado pela Recorrente no sentido de averiguar que o aproveitamento do crédito foi feito com base em decisão judicial para tanto. Nesse ponto, referida decisão cerceou gravemente o direito de defesa da aqui Recorrente. Os agentes fiscais arbitrariamente entenderam que a Recorrente não pode pedir a juntada posterior de documentos após apresentar a impugnação administrativa, o que coíbe de pronto o direito de defesa da Recorrente. É legal a realização da compensação, sendo, inclusive, desnecessária a autorização judicial. Reiterese que a suspensão da exigibilidade dos tributos em questão, em favor da Impugnante, tem previsão judicial – conforme decisões – bem como previsão legal no próprio CTN. Não incide contribuição previdenciária sobre 1/3 constitucional de férias. No que tange às férias gozadas e seu respectivo adicional constitucional de 1/3 (terço), o fisco federal faz indevida equiparação entre a contribuição patronal e a contribuição dos empregados. No que tange ao saláriomaternidade, novamente se equivoca o Fisco Federal, realizando indevida equiparação entre a contribuição patronal e a contribuição dos empregados. Assim, absolutamente ilegal e inconstitucional é a pretensa exigência de contribuição previdenciária devidas pelas empresas sobre os valores pagos a título de salário maternidade. É invalida a multa isolada aplicada em dobro. O ato administrativo que aplicou a penalidade (multa exorbitante) também ofendeu os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, o que não pode de forma alguma ocorrer. Face ao exposto, pede a Vossas Excelências que conheçam e deem provimento ao presente recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, julgando no todo improcedente esta ação fiscal DEBCAD nº 51.010.0260. Tudo por ser de direito e justiça. Por fim, pede que o advogado que a presente subscreve seja intimado a comparecer na seção de julgamento deste Recurso, para que possa sustentar oralmente as suas razões de defesa. Não apresentadas as contrarrazões. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722643/201165 Acórdão n.º 2803001.979 S2TE03 Fl. 7 6 É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722643/201165 Acórdão n.º 2803001.979 S2TE03 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Seguindo o mesmo entendimento dos julgadores a quo também entendo incabível o pedido de perícia, bem como a juntada posterior de documentos, tendo em vista que tais pleitos contrariam dispositivos do Decreto nº 70.235/72, em especial, o inciso IV do art. 16, bem como o § 4º do art. 15. No que diz respeito ao ponto nodal do lançamento, ou seja, em relação à compensação de contribuições previdenciárias recolhidas nos 10 (dez) anos anteriores, incidentes sobre o saláriomaternidade; as férias normais gozadas pelo empregado; o terço constitucional de férias e os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença ou acidente, bem como a declaração da inexigibilidade das citadas bases de cálculo. Notase, que a pretensão do contribuinte é dissonante daquela supostamente amparada por decisão judicial. Como bem explicitado no acórdão recorrido, a decisão da 3ª Vara Federal em Teresina/PI (MS nº 2009.40.00.0065457), foi parcialmente favorável às pretensões do contribuinte e muito clara no ponto de que a compensação seria possível somente após o transito em julgado da sentença, ou seja, observado o limite determinado pelo art. 170A do CTN. Com efeito, o contribuinte realizou a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, situação que afasta completamente qualquer argumento de amparo judicial para efetivar compensações. Outrossim, a suspensão da exigibilidade do crédito por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração, conforme dispõe o enunciado nº 03 do CARF. As verbas ora em discussão estão previstas na legislação de regência, in casu, no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91, motivo pelo qual não merece prosperar qualquer alegação de afronta a texto constitucional. A autoridade administrativa incumbida do lançamento, como se pode observar, agiu em estrita conformidade com a legislação e constituiu o crédito tributário nos exatos termos do art. 142 do CTN. No quesito inconstitucionalidade, há que se destacar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722643/201165 Acórdão n.º 2803001.979 S2TE03 Fl. 9 8 Sobre a multa isolada em dobro (prevista no § 10 da Lei nº 8.212/91) estão corretas as descrições dos itens 6 e 7 do Relatório Fiscal (fls. 4), tendo em vista a falsidade das informações declaradas em GFIP. Quanto ao pedido de intimação do advogado para comparecer na seção de julgamento para sustentar oralmente as suas razões de defesa há que se destacar a aplicabilidade do art. 55 do RICARF. Vêse, pois, que o lançamento e a decisão recorrida estão em perfeita consonância com o ordenamento jurídico vigente. Assim sendo, os mantenho pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000855/2004-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
SIMPLES – EXCLUSÃO
Não é atividade vedada à inclusão no simples a prestação de serviços de transporte de cana de açúcar, utilizando maquinário e funcionários da prestadora de serviço
Numero da decisão: 1302-000.693
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: DANIEL SALGUEIRO DA SILVA
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(documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Relatório Fl. 115DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13855.000855/200463 Acórdão n.º 130200.693 S1C3T2 Fl. 116 2 A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo nº 14, às fls. 73, de 18/7/2003, emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Franca, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), informando como causa do evento a atividade econômica, no caso, locação de mãodeobra . Fundamentouse na Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art. 9º, XII, f. Constou do ato declaratório que os efeitos da exclusão seria a partir de 01/01/2002 em obediência ao disposto na Medida Provisória nº 2.158, de 27/07/2001, e Instrução Normativa (IN) – SRF nº 355, de 29/08/2003. A exclusão do referido sistema foi motivada por Representação Fiscal do INSS, em anexo, encaminhada à Secretaria da Receita Federal em face da situação de vedação/exclusão à opção pelo SIMPLES, aos autos foram juntados cópia de representação fiscal, contrato social e alterações, notas fiscais e demais documentos. Cientificada do Ato Declaratório, a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 1 a 10. A DRJ decidiu: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃODE OBRA. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce atividades que envolvem locação de mãode obra ou cessão de mãodeobra não pode optar pelo simples. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 19/09/2007 e apresentou recurso em 19/10/2007. Em seu recurso argumenta: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13855.000855/200463 Acórdão n.º 130200.693 S1C3T2 Fl. 117 3 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13855.000855/200463 Acórdão n.º 130200.693 S1C3T2 Fl. 118 4 Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Merece acolhida a argumentação da recorrente. Embora o ato declaratório e a decisão DRJ tenham utilizado a mesma motivação legal para a exclusão (locação de mão de obra), não trazem aos autos qualquer prova de que a recorrente tenha efetivado tal tipo de operação. Ao contrário. O que se evidencia pela provas trazidas aos autos, é que a recorrente presta serviços de carga, descarga e movimentação de cana de açúcar e para tal, utiliza mão de obra própria além de seu próprio maquinário. Não se evidencia relação de subordinação entre as contratantes e os funcionários da recorrente e qualquer outro vínculo que pudesse caracterizar a locação de mão de obra . Não tendo sido provado nos autos que a recorrente efetue locação de mão de obra, não se justifica a exclusão do simples efetuada. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator ad hoc Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720054/2009-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE.
A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta.
ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS
Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF.
PRODUTOS IMPORTADOS
Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido.
Numero da decisão: 3803-003.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF. PRODUTOS IMPORTADOS Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
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ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF. PRODUTOS IMPORTADOS Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 54 /2 00 9- 34 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de compensação de crédito presumido de IPI relativo ao 4º trimestre/2003 para ressarcimento do PIS e da COFINS, nos termos da Lei n° 9.363/1996 e Lei n° 10.637/2002, por meio de DCOMP transmitida em 18.11.2004, conforme se evidencia das fls. 02/23, com a finalidade de quitar débito de IRPJ referente ao período de outubro/2004, pertencente a filial de CNPJ n.º 17.177.999/000222. A empresa possui como objeto social a exploração, beneficiamento, comercialização de minério de ferro, zinco e outros minerais. À fl. 149 foi exarado Despacho Decisório pela Delegacia de Sete Lagoas, por meio do qual o pedido de compensação foi deferido parcialmente no valor de R$ 62.133,38, em consonância com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 133/142, correspondente a crédito de IPI correspondente ao 4° trimestre de 2003. O indeferimento está embasado no Demonstrativo do Crédito Presumido do IPI à fl. 132 e no Termo de Verificação Fiscal de fls. 133/142. Depois às fls. 152/180 a Recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade contra a glosa dos créditos e apresentou defesa em relação aos seguintes pontos: a) discorreu a respeito do equívoco da Fazenda no que se refere a negativa do direito aos créditos presumidos em razão dos produtos estarem fora do campo de incidência do IPI, por se tratar simplesmente de NT; b) reclamou que os custos com energia elétrica e combustíveis geram créditos presumidos de IPI; e por fim contestou as conclusões de que os produtos importados não se enquadram no conceito de insumo e ainda requereu perícia. Todavia, importante mencionar, que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte nada reclamou a respeito das glosas que recaíram sobre os valores a aquisição de cimento. A DRF compreendeu que as aquisições de cimento efetuadas no mercado interno, não se enquadram no conceito de insumo, mas configuram material de reposição ou de partes do ativo imobilizado, com fundamento no Parecer Normativo CTS n.º 65/1979 e no art. 164, inciso I do Regulamento do IPI. Sobreveio a Decisão da DRJ às fls. 324/341, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI . PRODUTO NT As saídas de produtos classificados na TIPI com a notação NT não estão abrangidas no campo de incidência do imposto, não podendo ser consideradas no cálculo do crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996. 2. CUSTO DE PRODUÇÃO As aquisições de energia elétrica, combustíveis, cimento não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720054/200934 Acórdão n.º 3803003.708 S3TE03 Fl. 216 3 não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário, a teor do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º, parágrafo único, da Lei 9.363/96, em consonância com o art. 164, inciso I, do RIPI/2002 e o Parecer Normativo CST 65/79. As aquisições de insumos importados também não integram a base de cálculo do crédito presumido por determinação expressa do art. 1º da Lei 9.363/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Tornase definitiva a exclusão de produto da base de cálculo do IPI efetuada pelo Fisco que não tenha sido expressamente contestada pela interessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas validade e eficácia. Sendo assim, as argüições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão acima indeferiu integralmente o pleito, indeferiu a preliminar de nulidade e depois compreendeu que as saídas de produtos NT não geram direito a crédito, com fulcro no art. 17 da Instrução Normativa da SRF n.º 419/2004. Manifestou ainda entendimento de que não são insumos os custos incorridos com o consumo de energia elétrica e combustível, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/1979 e do art. 164, inciso I, do RIPI/2002, além do fato de a empresa ter adotado a sistemática de apuração do crédito presumido a partir do que reza a Lei nº 9.363/96 e não o regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001. E por fim, negou ainda o direito aos créditos em relação aos produtos importados, sob o argumento de que o art. 1º da Lei n.º 9.363/96, apregoa que somente dará direito a crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e COFINS, quando incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a partir do seguintes argumentos: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 a) pleiteia nulidade da decisão de primeiro grau em razão do cerceamento de defesa, por não ter acolhido o pedido de diligência, pois segundo seu entendimento a realização de perícia seria necessária para comprovar que os produtos fabricados se submetem ao processo produtivo, bem como que são tributáveis pelo IPI; b) discorda que não teria atacado a glosa do crédito presumido referente as aquisições de cimento, na medida em que na Manifestação de Inconformidade requereu a nulidade do Despacho Decisório e neste sentido se insurgiu contra “todas” as conclusões do Fisco, inclusive em relação ao equívoco de excluir as aquisições de cimento da base de cálculo do crédito presumido; c) nulidade da decisão da DRJ em virtude da sua fundamentação legal equivocada, pois se baseou na IN n.º 419/2004, quando a apuração dos créditos ocorreu em período anterior. Assim, não pode o fisco indeferir o crédito presumido utilizando legislação posterior ao período de apuração; d) a glosa do crédito presumido foi indevida, pois a empresa realizada a industrialização dos produtos e estes são tributáveis, mas não estão sendo tributados “NT”, por liberalidade da Fazenda Nacional, logo não se tratam de produtos fora do campo da incidência do IPI; e) que não foi apresentado o fundamento legal para indeferir a inclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições de produtos importados; f) a empresa possui o direito aos créditos presumidos por força da imunidade do art. 149, § 2º, inciso I da Constituição Federal, o qual determina que não incidirão as contribuições sobre as receitas decorrentes de exportação. g) Além do que, a Lei n.º 9.363/96 não fez qualquer menção de que as receias de exportação se refiram unicamente a produtos tributados pelo IPI, razão pela qual é ilegal o § 1º do art. 17 da IN n.º 419/2004, por ter restringido à Lei. h) o inciso III do art. 1º da Lei n.º 10.833/2003 considera que a energia é insumo de produção e por isso gera crédito em relação à sua aquisição. Além do que o inciso I do art. 1º da Lei n.º 10.276/2001 confere o direito aos créditos tanto para as aquisições de energia como também combustíveis utilizados no processo produtivo; Assim, uma vez apontados todos os argumentos de defesa o Recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeiro grau para que seja realizada perícia com o propósito Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720054/200934 Acórdão n.º 3803003.708 S3TE03 Fl. 217 5 de que seja comprovado que os produtos fabricados se submetem ao processo produtivo e que se sujeitam à tributação do IPI; Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Inicialmente é preciso dizer que se trata de Recurso Voluntário tempestivo e por isso merece ser analisado. 1) DAS PRELIMINARES O contribuinte apresenta preliminar de nulidade da decisão prolatada pela DRJ em razão do “suposto” cerceamento de defesa. Alegou que não foi acolhido seu pedido de realização de perícia com a finalidade de demonstrar que os produtos sofrem industrialização e alegou ainda preliminar em relação ao reconhecimento do equívoco da decisão quanto a conclusão de não ter sido impugnada a glosa referente as aquisições de cimento. “Data vênia”, entendimento contrário, a preliminar suscitada em relação ao indeferimento do pedido de perícia não merece prosperar, tendo em vista que a DRJ sustentou adequadamente o motivo pelo qual deixou de acolher tal pleito, pois demonstrou que tal providência é realmente desnecessária para a solução do caso, principalmente por se tratar de produtos não tributados. Assim, pouco importa se ocorre processo de industrialização, quando na realidade a legislação do IPI determina que inexiste a obrigação de recolher o imposto em favor do Erário. Sendo assim, cabe tão somente rejeitar esta preliminar. Quanto a segunda preliminar, ou seja, aquela pertinente ao equívoco da decisão quanto a ausência de reclamação em relação a glosa dos valores de aquisição de cimento, observo que assiste razão do contribuinte, na medida em que compreendo que esta matéria foi controvertida pelo contribuinte, ainda que de maneira genérica, quando solicitou a reforma da decisão da DRJ. Deste modo, acolho esta preliminar para reconhecer a controversa quanto o creditamento das aquisições de cimento, restando a análise no mérito em relação a possibilidade do crédito presumido. 2) DO MÉRITO Em relação ao mérito, analisando as razões de recurso, percebese que o Recorrente formulou três pedidos: a) afastar o art. 17 da IN da SRF n.º 419/2004, que veda a obtenção de crédito presumido do IPI em face das aquisições de produtos não tributados por esse tributo; b) buscar a não aplicação do Parecer Normativo CST n.º 65/1979 e do art. 164, inciso I do RIPI/2002 que impede Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 o creditamento dos valores despendidos com energia elétrica e combustíveis; c) ver reconhecido seu direito aos créditos em relação a aquisição de cimento. 2.1) DA IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO Em relação a esta matéria pertinente ao creditamento do IPI relacionado a produtos com alíquota zero, não tributados e isentos, cumpre mencionar que o STF no RE 590.809 – RG/RS, julgado em 13.11.2008, conferiu repercussão geral ao tema. Assim, até dezembro/2012 havia determinação no art. 62A do RICARF para sobrestar o julgamento desta matéria neste colegiado. Entretanto, por força da Portaria n.º 001/2012 do CARF, agora o sobrestamento é aplicável tão somente em relação a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais (RE 574706), razão pela qual cabe o enfrentamento da questão neste tribunal administrativo. Assim, quanto a discussão pertinente as saídas dos produtos fabricados pela reclamante sob a notação “não tributados”, salvo melhor juízo, estes não devem integrar as receitas de exportação e a receita operacional bruta utilizadas no cálculo do crédito presumido do IPI, justamente em razão da inexistência de obrigação tributária em relação a este imposto nas saídas dos produtos beneficiados. O STF por meio do Recurso Extraordinário n.º 592.917 AgR/RJ, julgado em 31.05.2011, manifestou posicionamento no sentido de que inexiste direito a crédito presumido do IPI em relação as aquisições de insumos isentos, sujeito à alíquota zero ou não tributados. A premissa básica que fundamenta a impossibilidade do creditamento decorre do princípio da nãocumulatividade, pois a essência dela sistemática é a de que o direito à compensação nasce quando o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, já que neste caso se pressupõe a ocorrência da dupla incidência tributária, Entretanto, se não foi pago nada na entrada do produto, nada deverá ser compensado. EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. PRODUTO FINAL TRIBUTADO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O artigo 153, § 3º, II, da Constituição dispõe que o IPI “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. 2. O princípio da não cumulatividade é alicerçado especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. 3. O aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a matériaprima utilizada na fabricação de produtos tributados reste desonerada, sejam os insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Isso porque a compensação com o montante devido na operação subsequente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720054/200934 Acórdão n.º 3803003.708 S3TE03 Fl. 218 7 gerado na operação anterior, o que não ocorre nas hipóteses exoneratórias. 4. A jurisprudência do egrégio STF, à luz de entendimento hodierno retratado por recentes julgados, inclui os insumos isentos no rol de hipóteses exoneratórias que não geram créditos a serem compensados, verbis: “Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. ... Frisese que, como bem esclareceu o voto condutor, 'a nãoexigência do IPI se dá sempre que essa é adquirida sob os regimes, indistintamente, de isenção (exclusão do imposto incidente), alíquota zero (redução da alíquota ao fator zero) ou de não incidência (produto não compreendido na esfera material de incidência do tributo)” ( RE 370.682 – ED, relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 17.11.10). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 – AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 30.04.10). 5. Agravo regimental a que se nega provimento. 2.2) DA INEXISTÊNCIA DOS CRÉDITO EM RELAÇÃO AS AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS Quanto ao pedido de credito relacionado as aquisições de energia elétrica, o contribuinte afirma que o inciso III do art. 1º da Lei n.º 10.833/2003 considera que a energia é insumo de produção e por isso gera crédito em relação à sua aquisição. Já o inciso I do art. 1º da Lei n.º 10.276/2001 confere o direito aos créditos tanto para as aquisições de energia como também combustíveis utilizados no processo produtivo. Estes dispositivos apresentam a seguinte redação. Lei n.º 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (grifo) A Lei n.º 10.276/2001 em seu art. 1º confere direito a crédito em relação as aquisições de insumos, bem como energia elétrica e combustíveis utilizados no processo produtivo. Lei n.º 10.276/2001: Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (grifo) Refletindo a respeito do processo produtivo da empresa, ainda que seja considerando que a mesma possui como objeto social a extração, beneficiamento, comercialização de minério de ferro, zinco e outros minerais, por certo que o combustível e a energia elétrica realmente não são indispensáveis para a obtenção do produto final, qual seja, o minério beneficiado, ainda que ajudem a integrar o custo do produto final. Além do que, é preciso observa que a jurisprudência aponta no sentido de que a energia elétrica e o combustível não se enquadram no conceito de insumo à Luz da Lei n.º 9363/96, ainda que reste demonstrado tratarse de despesas relacionada ao processo produtivo, razão pela qual não que se falar em reconhecimento de crédito no caso de energia elétrica e combustíveis. Cumpre cita a vedação da Súmula n.º 19 do CARF. Citase no STJ o AgRg no REsp 913.433 / ES, julgado em 04/06/2009, cujo Relator foi o Ministro: Humberto Martins: AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL – TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS – ART 1º DA LEI N.9.363/96 – RESTRIÇÃO PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 23/97 –ILEGALIDADE. É pacífico no STJ que a IN/SRF 23/1997, por se tratar de norma hierarquicamente inferior, extrapolou os limites do art. 1º, da Lei n. 9.363/1996 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS.Agravo regimental da FAZENDA NACIONAL improvido.AGRAVO REGIMENTAL DO CONTRIBUINTE – PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA – TRIBUTÁRIO – ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS – INSUMOS PARA EFEITO DE CREDITAMENTO – IMPOSSIBILIDADE.1. A aquisição e utilização de energia elétrica e combustíveis no processo produtivo não se caracteriza como insumo para fins de creditamento do IPI, porquanto não se incorporam no processo de transformação do qual resulta a mercadoria industrializada. 2. Precedentes: REsp 797.926/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720054/200934 Acórdão n.º 3803003.708 S3TE03 Fl. 219 9 Segunda Turma, DJ 8.10.2007; AgRg no REsp 971.147/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19.12.2008; AgRg no REsp 675.613/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 5.11.2008; AgRg no REsp 1025758/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 23.10.2008.Agravo regimental do CONTRIBUINTE improvido. (grifo) Assim, ainda que a Lei n.º 10.276/2001 apregoe que geram direito de crédito presumido do IPI as aquisições de energia elétrica e combustíveis, prevalece a orientação de que não estas despensas não compõe o conceito de insumo. Além do que, é importante lembrar que a partir do Demonstrativo de Crédito Presumido anexo às fls. 123/128 o contribuinte de fato optou pelo ressarcimento a partir da regra disposta na Lei n.º 9.363/96 e não da Lei nº 10.276/2001. 2.3) DAS AQUISIÇÕES DE CIMENTO E PRODUTOS IMPORTADOS Uma vez superada a preliminar que visava demonstrar que o contribuinte havia controvertido a discussão relacionada as aquisições de cimento e que este insumo deve integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI, agora resta analisar se este produto integra o conceito de insumo. No Termo de Verificação Fiscal, mais precisamente à fls. 201 dos autos, a repartição de origem conclui que as notas fiscais acostadas às fls. 173/175 referentes a aquisição de cimento, não geram direito a crédito presumido por se referir a material de reposição ou partes do ativo imobilizado. Com o objetivo de demonstrar o seu processo produtivo, a Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, mais precisamente às fls. 225/232, discorre detalhadamente a respeito das reações químicas e produtos resultantes. Entretanto, em momento algum faz referencia a respeito da utilização do cimento no processo produtivo, seja em sua Manifestação de Inconformidade, seja no Recurso Voluntário, razão pela qual deixo de reconhecer o direito de crédito presumido às aquisições referente a este produto, conforme dispõe a Lei n.º 9.363/96. Por fim, em relação aos produtos importados também não há que se falar em direito a crédito premido do IPI, por força da vedação do art. 1º da Lei n.º 9.363/96, já que este dispositivo prevê que são passíveis de creditamento somente as aquisições de insumos adquiridos no mercado interno e desde que utilizados no processo produtivo. Ante o exposto, conheço do recurso, mas nego provimento. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10940.720220/2011-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA. Exonera-se o lançamento, quando o Fisco não comprovar, de forma satisfatória, a infração imputada.
Numero da decisão: 1402-001.092
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.720220/201158 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1402001.092 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de julho de 2012 Matéria IRPJ Recorrente PNEUFORTE COMÉRCIO E RECAPAGENS LTDA Recorrida 1ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA. Exonerase o lançamento, quando o Fisco não comprovar, de forma satisfatória, a infração imputada. Recurso de ofício desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL (fls. 338/353), cumulados com juros, multa de ofício qualificada (112%) e multa isolada, referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, conforme fatos detalhados no Relatório de Ação Fiscal (fl. 354/372), a seguir expostos. A fiscalização verificou que a autuada apurou lucro no ano de 2007, conforme DRE (fls. 179/183) e LALUR (fls. 231/236). Contudo, não declarou qualquer movimento ao Fisco Federal, conforme DIPJ 2007 (fls. 311/326) e DCTF (fls. 309/310). Além disso, da análise dos documentos apresentados pela autuada entendeu restarem configuradas fortes irregularidades em sua contabilidade, afirmando, em síntese, que: A escrituração da contribuinte apresenta saldo credor de caixa, conforme constatado nos seus arquivos digitais da contabilidade e no Livro Razão (fls. 111 a 124), circunstância que constitui presunção de omissão de receita, nos termos do § 2º do art. 12 do Decretolei nº 1.598/77; A maior irregularidade foi a existência de vários lançamentos contábeis a débito da conta “Cheques Prédatados” (código 11220020005), e a crédito da conta “Caixa Geral” (código 112200100001), conforme arquivos digitais de contabilidade e cópias do Livro Diário às fls. 125/165. Qualifica tais lançamentos como totalmente atípicos; Intimada a apresentar esclarecimentos a respeito desses lançamentos, a autuada quedouse inerte; Os lançamentos a débito da conta “cheques prédatados” e a crédito da conta “caixa geral” jamais poderiam ter existido, pois significam que está saindo numerário da conta caixa e entrando diretamente na conta “cheques prédatados”, o que carece de sentido. Adiciona que a conta cheques prédatados, por sua natureza, não deveria receber dinheiro em espécie, e que os valores debitados nessa conta, a teor de seus históricos, deveriam ter o respectivo crédito em contas de receita, o que não ocorreu. Também estranha que todos os lançamentos apresentem valores significativos e ‘redondos’, tais como R$ 80.000,00, R$ 25.000,00, o que considera forte indício de operações fictícias. Adiciona que o somatório de todos esses lançamentos atinge a significativa importância de R$ 1.684.500,00 e que, se a fiscalizada recebeu esses valores de cheques prédatados, deveria ser em função de suas atividades, que é a venda de mercadorias e a prestação de serviços (conforme tabela 2 no Relatório de Ação Fiscal). As operações contábeis de descontos dos cheques prédatados em instituição bancária efetuados pela fiscalizada, em que se credita a conta ‘cheques prédatado’ e se debita uma conta representativa de instituição bancária estão presentes na tabela 03 Relatório de Ação Fiscal, que, por sua vez, ao contrário da tabela 02, não apresenta valores ‘redondos’. Ademais, o histórico do lançamento é “Vlr. Cheque descontado Bco. Do Brasil S.A”, indicando o desconto de um único cheque, sendo que, na tabela 02, o histórico Fl. 403DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 3 3 demonstrava o recebimento de diversos cheques. Raciocina que, se esses cheques foram descontados, saindo, portanto, da conta ‘cheques prédatados’, antes deveriam ter nela entrado, mas que as únicas operações de entrada coerentes foram as da tabela 01. Além disso, prossegue, considerando os valores de cada lançamento, enfatizando ficar inviável estabelecer uma correlação entre as entradas de cheques na conta ‘cheques prédatados’, vindo das operações das tabelas 01 e 02, e as saídas, provenientes das operações da tabela 03; Conclui que a fiscalizada, quando recebia um cheque, no mais das vezes, não o contabilizava como receita. No entanto, tal cheque deveria ser, necessariamente, depositado ou descontado em um banco. Sustenta que deve haver correspondência entre a contabilidade e as contas bancárias, pois inconsistências seriam facilmente detectadas, bastando comparar o razão da conta contábil representativa da conta bancária com o extrato bancário dessa mesma conta. Adiciona que quando a fiscalizada descontava cada cheque, efetuava a operação contábil de debitar a conta contábil ‘Banco do Brasil – 252719’ e creditar a conta ‘Cheques prédatados’, tal como demonstrado na tabela 03. Entretanto, como não tinha havido a entrada deste cheque na conta ‘Cheques prédatados’, a fiscalizada ficaria com saldo credor cada vez maior, o que não pode ocorrer contabilmente. Em virtude disso, a fiscalizada efetuava os lançamentos fictícios a crédito de “Caixa Geral”, razão pela qual esta conta, eventualmente, apresenta saldo credor; A estratégia ocorreu porque é mais fácil suprir irregularmente a conta “Caixa Geral” com outros lançamentos fictícios, já que ela não pode ser conferida posteriormente por extrato, como ocorre com a conta bancária. Essa tese estaria corroborada pelo fato de a conta “Caixa geral” ter recebido, no anocalendário de 2007, débitos no valor de R$ 6.534.021,04, e créditos no valor de R$ 6.543.844,09. Segundo a fiscalização, a contabilidade está afirmando que entraram e saíram do caixa esses valores em moeda corrente, ou seja, dinheiro em espécie. A fiscalização argumenta que, considerando que a fiscalizada também tem contas contábeis representativas de suas operações bancárias, e que a maior parte das transações comerciais de uma empresa comercial atualmente ocorre por meio de cheques, cartões de crédito ou transferências bancárias, é difícil acreditar que esses valores realmente tenham circulado pela conta Caixa Geral; A receita lançada na contabilidade é compatível com a emissão das notas fiscais declaradas em GIA. Assim, o recebimento de valores que não passaram por contas de receitas teria ocorrido sem a emissão de nota fiscal de vendas ou de prestação de serviços. Afirma que, nesse caso, a Lei nº 8.846/94, disciplina a apuração da receita para efeitos tributários, com ênfase para os seus art. 6º e 8º; O método mais coerente para o arbitramento da receita foi excluir os lançamentos fictícios da conta cheques prédatados, o que a deixou com saldo credor, considerado como receita omitida, já que originários de valores de cheques que entraram em contas bancárias sem passar por contas de receitas. Também sustenta que esse arbitramento foi baseado na mesma presunção de omissão de receitas estabelecidas no § 2º do art. 12 do Decretolei nº 1.598/77, regulamentado pelo inciso I do art. 281, do RIR/99; Após a exclusão de todos os lançamentos a débito da conta “Caixa Geral”, os quais foram considerados fictícios, montouse o razão da conta “cheques prédatados”, recalculandose o saldo dela. Obtido o saldo credor, para se calcular o momento da omissão, considerouse o primeiro saldo credor como o momento inicial da omissão. A partir daí, para cada novo saldo credor, só foi considerado como novo momento de omissão quando o novo Fl. 404DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 4 4 valor de saldo credor superava o somatório dos valores já considerados como receita emitida. Neste caso, a fim de se evitar uma segunda tributação, foram descontados os valores já considerados como omissão de receita nos momentos anteriores. Após os expurgos dos lançamentos relativos aos cheques prédatados, a conta Caixa Geral deixou de ter saldo credor, não havendo mais a presunção de omissão de receitas correspondente; A fiscalização detalha, às fls. 368/372, os critérios utilizados na mensuração dos tributos lançados e da respectiva multa de ofício isolada, as razões determinantes do agravamento da multa de ofício e da Representação Fiscal para Fins Penais. Irresignada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 379/388, veiculando as alegações sintetizadas no relatório da DRJ/CTA que passo a transcrever: aponta as seguintes assertivas veiculadas no Relatório de Ação Fiscal: “lançamentos irregulares”, “”forte indício de operações fictícias”, “... não está mantendo a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais”. Afirma que tais fatos estão tipificados nos incisos I e II do art. 530 do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/99) como causa determinante do arbitramento do lucro; reclama que a fiscalização, apesar de ter apontado a existência de tais irregularidades, adotou critério de tributação com base no lucro real, o que entende ter sido irregular; afirma que os autos de infração lavrados padecem de dois vícios: (a) estão calcados em presunção; e (b) estão baseados em fatos presumidos com equívoco. Com respeito à presunção, afirma que a autoridade administrativa transgrediu o art. 142 do CTN, que lhe impõe o dever de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente; também afirma que o Relatório de Ação Fiscal mostra evidentes equívocos na metodologia empregada para dimensionar a base de cálculo dos tributos cobrados ao afirmar ter excluído da conta “Cheques Prédatados” a importância de R$ 1.684.500,00, resultando na apuração de saldo credor nessa conta em valor quase idêntico, ou seja, R$ 1.613.701,04. Em face desses números quase idênticos, esclarece que: a) as receitas de vendas foram anteriormente apropriadas nas contas referentes a ‘caixa’, ‘clientes’ e ‘cheques prédatados’; b) a autoridade fiscal comprovou que os lançamentos a débito de cheques prédatados foram creditados em conta de receitas (tabela 01); afirma que, diante desses fatos, é possível concluir que: a) as contrapartidas dos débitos na conta ‘caixa’ foram feitas também a crédito de conta de receitas; b) a transferência de valores da conta ‘cheques prédatados’ para a conta Caixa não poderia ser indício de omissão de receita, pois tanto a conta “cheques pré datados’ quanto a conta Caixa tiveram valores reconhecidos anteriormente como receita; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 5 5 afirma que havia transferências da conta Caixa para a conta ‘cheques prédatados’ com o objetivo de regularizar práticas contábeis anteriores, e que jamais houve prejuízo ao Fisco, pois tanto os valores existentes na conta Caixa quanto os valores existentes na conta ‘Cheques prédatados’ haviam sido anteriormente lançados, com contrapartida em conta de receita de vendas; argumenta que as pessoas que trabalham com contabilidade sabem que a conta Caixa não reproduz saldos unicamente de numerário, mas também a existência de vales e cheques, e que é perfeitamente concebível a transferência de cheques a receber, existentes na conta Caixa para a conta “Cheques prédatados”; conclui que não devem ser considerados os valores apontados na Tabela 02 do Relatório de Ação Fiscal, no valor total de R$ 1.684.500,00, com o que desaparecerá o saldo credor apurado; com argumentação variada, e transcrevendo excertos do Relatório de Ação Fiscal, contesta o agravamento da multa; afirma que a cobrança da multa isolada de 50% no âmbito do IRPJ e da CSLL é indevida, pois houve aplicação de multa isolada no ano de 2011, sobre fatos geradores do ano calendário de 2007; houve aplicação concomitante com multa proporcional de ofício; afirma ser sabido que a multa isolada somente pode ser aplicada no curso do períodobase, e não pode ser cumulativa com a multa de ofício. Os julgadores da 1ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgaram a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido, sob o entendimento de que inexistem elementos a conferir o indispensável grau de certeza aos indícios apontados pelo autuante de que teria ocorrido o fato gerador dos tributos lançados. O Presidente da 1ª Turma da DRJ/CTA recorreu de ofício, haja vista que a exoneração superou o limite de alçada de R$ 1.000.000,00 ( Portaria MF nº 3/2008). É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 6 6 Analisados os fatos e as provas constantes dos autos, podese concluir que a autoridade julgadora de primeira instância agiu de acordo com as normas legais aplicáveis à espécie, cabendo aqui transcrever as razões de decidir: Na sequência de seu raciocínio, o autuante sustenta que os lançamentos a débito da conta “Cheques prédatados’ e a crédito da conta “Caixa Geral” jamais poderiam ter existido, pois significam que está saindo numerário da conta Caixa e entrando diretamente na conta “Cheques prédatados”, o que não tem qualquer sentido. Acrescenta que a conta “Cheques prédatados”, por sua natureza, não deveria receber dinheiro em espécie. Enquanto preceitos para a elaboração de escrita na melhor técnica contábil, o raciocínio está absolutamente correto. Contudo, em face do caso concreto e da mera inobservância desses preceitos, não partilho a opinião de que a legislação autorize extrair as conclusões a que chegou a fiscalização. Como se vê, o autuante assenta seu raciocínio na premissa de que a conta Caixa somente seria debitada/creditada pelo ingresso/saída de numerário. Por isso, os lançamentos questionados representariam saída de numerário da conta Caixa, com a correspondente entrada na conta “Cheques prédatados”. Ocorre que a experiência acumulada em mais de dez anos como julgador administrativo demonstra que as escritas das pequenas e médias empresas infelizmente não observam esse rigor técnico. Muito pelo contrário. Sou forçado a concordar com a assertiva da impugnante (fls. 384), de que, verbis: “As pessoas que habitualmente trabalham em contabilidade sabem, perfeitamente, que a conta ‘caixa’ não reproduz saldos unicamente de numerário.” Além do mais, a própria técnica contábil não preconiza tanto rigor na escrituração da conta Caixa, conforme se observa no Manual de Contabilidade da FIPECAFI, sétima edição, elaborado por Sérgio de Iudícibus et ali: “... Além disso, há, basicamente, dois tipos de controles da conta Caixa, ou seja, um fundo fixo e caixa flutuante. (...) b) CAIXA FLUTUANTE No sistema de caixa flutuante, transitam pela conta Caixa os recebimentos e os pagamentos em dinheiro. Nesse sistema, podem ocorrer maiores problemas de ordem de classificação contábil de valores, pois o saldo da conta Caixa muitas vezes apresenta não só o dinheiro propriamente dito, mas, também, vales, adiantamentos para despesas de viagens e outras despesas, cheques recebidos a depositar, valores pendentes e outros. (...) Fl. 407DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 7 7 Há empresas que ainda efetuam toda a contabilização por meio da conta Caixa, incluindo todos os recebimentos e todos os pagamentos em cheques, gerando um grande e desnecessário volume de débitos e créditos.” Não se está aqui convalidando o procedimento contábil adotado pela autuada, ou emitindo qualquer juízo de valor a respeito. Não é o caso. O que aqui se afirma é que não se pode descartar a possibilidade de que os lançamentos questionados pelo autuante, vertidos a débito da conta “cheques prédatados” e a crédito da conta Caixa, se refiram, parcial ou integralmente, a valores correspondentes a vendas que foram quitadas mediante a entrega de cheques prédatados e que foram contabilizados a débito da conta Caixa. Assim, a função desses lançamentos seria apenas expurgar do Caixa os valores relativos aos cheques prédatados que seriam descontados no Banco. Também não se pode descartar a hipótese aventada pela impugnante (fls. 384), verbis: “a) havia transferência da conta ‘caixa’ para a conta ‘cheques prédatados’com o objetivo de regularizar práticas contábeis anteriores;” O que aqui se enfatiza é a ausência de elementos a conferir o indispensável grau de certeza aos indícios apontados pelo autuante de que teria ocorrido o fato gerador – receita – dos tributos lançados. Em realidade, o lançamento está calcado apenas na suspeita do autuante e no que ele próprio classifica como indícios. Deveria, portanto, o autuante ter aprofundado a investigação e identificado, com rigor e precisão, eventuais infrações perpetradas pela impugnante, devidamente guarnecidas do indispensável conjunto probatório. Também não logrou a fiscalização infirmar a seguinte assertiva da impugnante (fls. 383), verbis: “b) logo, a transferência de valores da conta ‘cheques prédatados’ para a conta ‘caixa’ não poderia ser indício de omissão de receita, pois tanto a conta ‘cheques prédatados’ quanto a conta ‘caixa’ tiveram valores reconhecidos anteriormente como receita.” Por outro lado, também não me persuado de que a pouco ortodoxa metodologia utilizada na mensuração da receita supostamente omitida efetivamente encontre respaldo nos dispositivos da Lei nº 8.846, de 1994, transcritos às fls. 364, verbis: (...). Não me convenço de que o artigo 8º possa ser tomado, isoladamente, como um ‘cheque em branco’ para que o Fisco, em qualquer ação fiscal que encetar, possa, ao seu livre alvedrio, criar, com a força das presunções legais, metodologias próprias para o arbitramento de receitas que considere ter sido omitidas. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 8 8 É necessário ter em mente que aludido diploma que veio a ser conhecido como Lei do Ponto Fixo foi concebido como instrumento legal que permitisse a verificação do cumprimento das obrigações tributárias em tempo real, prevendo a permanência de servidores fiscais no estabelecimento do contribuinte, por tempo determinado, acompanhando a emissão de documentos fiscais ou recibos, no ato da ocorrência da operação de venda ou da prestação do serviço. Esse acompanhamento presencial também se prestava ao procedimento que apurava, na forma da Lei, a receita mínima a ser computada na apuração dos tributos federais nos futuros meses de validade do arbitramento. Também não se pode perder de vista que, no processo administrativo, ficavam devidamente formalizados os cálculos aritméticos das médias diárias de faturamento que serviam de parâmetro para a projeção da receita mínima arbitrada pelo prazo máximo de doze meses. Pois bem. Caso a intenção tivesse sido prover o Fisco do poder de criar livremente outros métodos de determinação da receita no curso de qualquer ação fiscal sempre que entendesse ter sido utilizado artifício visando a frustrar a apuração da receita efetiva do seu estabelecimento, como enxerga a fiscalização, o texto legal teria deixado expresso, não ressalvando que a faculdade somente seria utilizada para efeito de arbitramento a que se refere o art. 6º, que é muito específico. Entendo, portanto, que o autuante não dispõe da faculdade de efetuar levantamento com base apenas na conta “Cheques prédatados” e atribuir a esse levantamento a força probatória de que dispõem apenas as presunções legais. Estando assim convencido, entendo que a inadequada metodologia de quantificação da suposta receita omitida – único suporte do lançamento – contamina integralmente o lançamento, determinando sua improcedência. Ressalvo que nos autos há evidências inequívocas de que teriam sido omitidas receitas, dada a existência de saldos credores de caixa (presunção legal); e que tributos não foram recolhidos, como se vê na DIPJ juntada às fls. 204226, que acusa débito de IRPJ no importe de R$ 162.042,31 (fls. 215), e CSLL no importe de R$ 66.975,23 (fls. 220). Entretanto, não pode esta DRJ, sob pena de alterar o critério jurídico utilizado no lançamento, manter tais exações. Da leitura do trecho transcrito é possível perceber que a incorreta contabilização da conta do Ativo Circulante “Cheques prédatados” não é suficiente para comprovar ou presumir a suposta omissão de receitas perpetrada pela Recorrente. Pelo contrário, como bem afirmado pela decisão a quo, o que se verifica é a ausência de elementos a conferir o indispensável grau de certeza aos indícios invocados pela fiscalização para presumir a omissão de receitas e a ocorrência do fato gerador dos tributos lançados. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 9 9 Portanto, correta a decisão recorrida ao afirmar que a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação, identificado, com rigor e precisão, eventuais infrações perpetradas pela Recorrente, devidamente guarnecidas do indispensável conjunto probatório. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso de ofício interposto, haja vista a improcedência do lançamento em questão. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 410DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA
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