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Numero do processo: 11075.000072/2008-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-001.769
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentou declaração de voto.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo acima qualificado, que solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI, instiuído pela Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, cumulado com declaração de compensação. Em despacho decisório proferido pela DRF, não se reconheceu o direito creditório e, por conseguinte, não se homologou as compensações declaradas em DCOMP. O interessado apresentou a Manifestação de Inconformidade, que foi indeferida. Também apresentou Recurso Voluntário, que também foi negado. Agora em sede de Recurso especial, devidamente admitido por Despacho do Presidente da Câmara, pleiteia a reforma da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Voto A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.000072/200865 Acórdão n.º 930301.769 CSRFT3 Fl. 171 3 Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições — ser produtora e ser exportadora —, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25/06/98). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.000072/200865 Acórdão n.º 930301.769 CSRFT3 Fl. 172 5 "Art. 2° Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermeneutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.000072/200865 Acórdão n.º 930301.769 CSRFT3 Fl. 173 7 exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.000072/200865 Acórdão n.º 930301.769 CSRFT3 Fl. 174 9 Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.000072/200865 Acórdão n.º 930301.769 CSRFT3 Fl. 175 11 Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Tratase de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.000072/200865 Acórdão n.º 930301.769 CSRFT3 Fl. 176 13 O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto voto pelo não provimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Declaração de Voto A controvérsia aduzida nos presentes autos consiste em definir se os insumos utilizados para a produção de produtos, classificados como não tributáveis “NT” pela TIPI, integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI ao serem exportados. Em que pesem as razões aduzidas no acórdão recorrido, entendo que as mesmas não mereçam prosperar eis que o artigo 1º da lei nº 9.363/961, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à “empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais”, não o restringiu apenas aos produtos industrializados, não cabendo, com a devida venia, ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Assim, tendo o benefício fiscal em tela sido dado ao gênero “mercadorias nacionais”, não cabe ao intérprete restringilo à espécie de “produtos industrializados”. Nesse sentido, peço a devida licença para transcrever como meu, o voto proferido pelo i. Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda quando do julgamento do Recurso nº 202126.282, cujas razões passo a aduzir: 1 “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” (grifouse) Fl. 12DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 “Não cabe ao intérprete da norma jurídica estabelecer distinção onde o legislador não o fez. Ao excluir as aquisições, cuja última operação não esteja sujeita à incidência das contribuições por haver um distanciamento do critério legal de apuração da carga de contribuições contida nos insumos, automaticamente estarseia legitimando o pleito de um ressarcimento maior que o previsto em lei para os casos em que a carga de contribuições contida no valor das mercadorias fosse maior que o valor resultante da aplicação do critério previsto em lei, em razão do maior número de etapas que tenha percorrido. O erro da exigência da efetiva incidência das contribuições na última operação decorre, na minha opinião, de dois fatores. A tentativa da administração de barrar o benefício dado pela lei às empresas que adquiram produtos sem a incidência das contribuições, em razão do evidente ganho que auferem pela critérios contidos na lei. O outro é a decorrente da transferência indevida das regras vigentes na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI para a presente sistemática de apuração dos créditos de COFINS e PIS a serem ressarcidos. Como é sabido, a legislação do IPI, como regra geral, expressamente proíbe o registro do crédito do imposto, se a operação de aquisição não está sujeita à incidência do referido imposto. Em razão do nome “crédito presumido de IPI” a Secretaria da Receita Federal deu ao incentivo fiscal o tratamento de crédito de IPI (conforme fica evidenciado pelas diversas normas administrativas expedidas por aquele órgão), como é o caso das mercadorias classificadas como “Não Tributadas” (ou NT) na tabela de incidência do IPI, hipótese em que as considera fora do incentivo fiscal em tela. O crédito passível de registro nos livros fiscais do IPI foi apenas uma forma criada pelo legislador para o ressarcimento mais rápido das contribuições, e seu valor não pode ser confundido com o IPI. Por outro lado, a lei autoriza que se utilize os conceitos da legislação do IPI apenas no que se refere aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (art. 3o., parágrafo único, da Lei nº 9.363/96). O fato de ser ressarcido mediante a compensação com créditos de IPI não lhe altera a natureza jurídica, que permanece sendo de contribuição para o PIS e COFINS. Finalmente, não cabe à autoridade administrativa tentar corrigir eventuais distorções contidas na lei, como é o caso do ressarcimento das contribuições nos casos em que não houve essa incidência na operação anterior por não ser praticada por contribuinte, como nos casos de pessoas físicas e cooperativas, entre outros. Da mesma forma como a lei beneficiou as empresas que adquirem mercadorias de não contribuintes do PIS e PASEP, ao estabelecer um critério uniforme de apuração do crédito a ser ressarcido para todas as situações, igualmente prejudicou aquelas, cujos produtos percorrem várias etapas, sendo oneradas pelas contribuições de forma mais intensa, pela cumulação da incidência tributária, lhes retirando a competitividade, especialmente no mercado internacional, onde a regra é a não exportação de tributos. Entendo que a lei deva ser aplicada da forma como foi concebida pelo legislador, e que somente a este compete aprimorála. Evidentemente, por todas razões expostas, sou da opinião de que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, mesmo que adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, ou que, por outro motivo, essas contribuições não tenham incidido na aquisição dessas mercadorias, os Fl. 13DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.000072/200865 Acórdão n.º 930301.769 CSRFT3 Fl. 177 15 valores correspondentes a essas operações devem compor a base de cálculo do incentivo fiscal em tela, sendo, portanto, incorreta a glosa aplicada pela fiscalização.” (...) “Como já por diversas vezes decidido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a finalidade da Lei nº 9.363/96 foi a de desonerar as exportações de mercadorias nacionais e, como conseqüência, melhorar o balanço de pagamentos. Aliás, tal entendimento está em linha com o que doutrinariamente defendido por José Erinaldo Dantas Filho, “O espírito do citado diploma legal foi o de incentivar a exportação de produtos nacionais, tentando diminuir o chamado ‘custo Brasil’ para os produtos pátrios, de maneira que sejam ‘exportados tributos para o exterior’. O legislador federal visualizou a extrema necessidade de desonerar a exagerada carga tributária para os produtos exportados, bem como visou a combater o acentuado déficit da balança comercial de nosso País, assim gerando mais empregos e maior arrecadação.”2. Diferente não é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme já consubstanciado no acórdão referente ao julgamento do já mencionado e citado Recurso Especial nº 586.392/RN3. Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as “mercadorias” exportadas pela recorrente (produtos de origem animal), são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado “A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI – Hipóteses de Conflito”4:” (...) “Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultado final deste ato – o produto. Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: “... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso.” 2 “Da impossibilidade de Restrições ao Crédito Presumido de IPI através de Normas Administrativas Complementares”, in Revista Dialética de Direito Tributário, volume 75, p. 77. 3 REsp 586.392/RN, Ministra relatora Eliana Calmon, Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, acórdão publicado no D.J.U., Seção I, de 6/12/2004 4 “IPI – Aspectos Jurídicos Relevantes – Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto” – São Paulo: Quartier Latin, 2003, pp. 221 a 238 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não.” (...) “E a propósito da discussão travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o benefício do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre “produto industrializado não tributado” e “produto industrializado tributado”, pois tanto um como outro são “mercadorias”5 e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei nº 9.363/96.” Dessa forma, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. Face ao exposto, conheço do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte para, no mérito, darlhe provimento. NANCI GAMA Conselheira 5 “Aquilo que é objeto de comércio; bem econômico destinado à venda; mercancia. ...” Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. “Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa/3ª edição – Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1999 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.010845/2004-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DA MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES.
Exercício: 2003
SIMPLES. EXCLUSÃO. ARTIGO 9°, INCISO IX, DA LEI N° 9.317/96.
ALTERAÇÃO CONTRATUAL.
A alteração contratual ocorrida antes da data da ocorrência lavrada no ADE, torna esse insubsistente, pois que fundado em motivo inexistente.
Numero da decisão: 9101-001.074
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, para determinar a sua reinclusão no Simples a partir de 01/01/2003. Vencido o conselheiro Alberto Pinto de Souza Júnior que negava provimento.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Exercício: 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. ARTIGO 9°, INCISO IX, DA LEI N° 9.317/96. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. A alteração contratual ocorrida antes da data da ocorrência lavrada no ADE, torna esse insubsistente, pois que fundado em motivo inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, para determinar a sua reinclusão no Simples a partir de 01/01/2003. Vencido o conselheiro Alberto Pinto de Souza Júnior que negava provimento. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 232DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.010845/200415 Acórdão n.º 9101001.074 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. O contribuinte foi excluído do Simples, com base em participação de sócio em mais de 10% do capital social de outra empresa, bem como porque a receita bruta global no anocalendário de 2002 excedeu o limite legal. O Ato Declaratório Executivo foi expedido de 02/08/2004, excluindo a empresa a partir de 01/01/2003. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 103/107). O contribuinte opôs embargos de declaração, os quais restaram rejeitados (fls. 139/140). Os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteram o julgamento em diligência. O contribuinte interpôs recurso voluntário. A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso do contribuinte. Eis a sua ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Anocalendário: 2004 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. É vedada à opção pelo SIMPLES da pessoa jurídica na condição de empresa de pequeno porte, cujo titular ou sócio, participe com mais de 10% do capital de outra empresa que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior a 2003, recita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (Inteligência do art. 9° II, Lei 9.317/96). RECURSO NEGADO. O contribuinte interpôs o presente recurso especial de divergência. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.010845/200415 Acórdão n.º 9101001.074 CSRFT1 Fl. 3 3 Insurgiuse contra a decisão recorrida, argumentando que: Analisando exclusivamente a receita bruta da Recorrente se atesta o cumprimento deste requisito quando auferiu em todo o ano calendário de 2002 a quantia de R$ 397.397,03, fato incontroverso. Assim, o cerne da questão fica restrito ao Inc. IX do art. 9° da lei 9317/96, se deve ou não, somar as receitas de outra empresa, não participante do SIMPLES em 2002, na qual o sócio da Recorrente participou com mais de 10% durante determinados meses do ano de 2002, entretanto, no dia 31/12/2002, comprovadamente, a sócia Maria Franco Andrade, pertencia exclusivamente ao quadro da sociedade ora recorrente. De referência a validade da demissão da sócia do quadro social da outra empresa em dezembro de 2002, não permeia questionamento, a medida que o próprio acórdão ora recorrido tratou de sanar incorreções da decisão de primeira instancia, ou seja, a sócia Maria Franco Andrade, a partir de 18/12/2002, não pertence ao quadro da sociedade de CNPJ 14.558.613/000153. Ressaltou que a saída da sócia Maria Franco Andrade deuse com a finalidade de, em 2003, a recorrente estar com todos os requisitos preenchidos para o ingresso no Simples. Argumentou que: “A tributação simplificada e menos onerosa do sistema SIMPLES somente foi usufruída a partir de janeiro de 2003, portanto confirmase que a Recorrente no ano de 2002 não estava cingida aos ditames da referida lei, nem usufruiu qualquer beneficio que enseje a somar a sua receita com a de outra empresa” Diante disso, sustentou a legitimidade da sua participação do Simples, a partir do anocalendário de 2003. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões às fls. 223/226 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Fl. 234DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.010845/200415 Acórdão n.º 9101001.074 CSRFT1 Fl. 4 4 O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. A recorrente foi excluída do Simples, com fundamento no artigo 9°, inciso IX, da Lei n° 9.317/96, que dispõe no seguinte sentido: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2o; Depreendese, dos autos, que a recorrente promoveu a alteração contratual em 18/12/2002, levando os documentos correspondentes a arquivamento perante a Junta Comercial do Estado da Bahia em 27/12/2002, dentro, portanto, dos trinta dias estabelecidos pela legislação pertinente (artigo 36 da Lei ° 8.934/96). A exclusão do Simples deuse a partir da sua opção: 01/01/2003. Entendeuse, no acórdão recorrido, que a participação da Sra. Maria Franco Andrade em mais de 10% do capital social de outra empresa até o fim de dezembro de 2002, bem como a existência de receita bruta superior ao limite legal neste anocalendário, constitui se em motivo legítimo à exclusão do recorrente do Simples a partir de 01/01/2003. Por outro lado, o recorrente trouxe à tona julgado em que se entendeu, e aqui reside a divergência jurisprudencial a ser enfrentada, que, quando da opção pelo Simples (01/01/2003), inexistindo os requisitos impeditivos em questão, a exclusão cai por terra. No caso, como em tal data já se havia realizado a alteração contratual em questão, não haveria motivo ensejador da sua exclusão do Simples. Com efeito, conforme se depreende do dispositivo legal acima transcrito, a causa impeditiva em questão decompõese em dois requisitos cumulativos: a) a participação de sócio ou titular em mais de 10% do capital social de outra empresa; b) receita bruta global superior ao estabelecido no artigo 2°, inciso II do mesmo diploma legal. O segundo requisito, contudo, referente à receita global, somente é analisado em se fazendo presente o primeiro dos requisitos, quando da opção pelo Simples. É neste momento que se deve verificar se o contribuinte preenche as condições necessárias à adesão ao Simples. Desta forma, se, quando da opção pelo Simples, já havia ocorrido a alteração contratual de exclusão da sócia sra. Maria Franco Andrade, não haveria sequer que se cogitar de analisar circunstância preteritamente existente, atinente à receita global composta também pela sociedade antes por aquela integrada. A análise desta circunstância fática, com efeito, restou prejudicada ante a inexistência, quando da opção pelo Simples, de preenchimento da primeira das condições impeditivas (participação de sócio ou titular em mais de 10% do capital social de outra empresa). Fl. 235DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.010845/200415 Acórdão n.º 9101001.074 CSRFT1 Fl. 5 5 Notese que a aferição acerca do anocalendário anterior somente seria cabível se houvesse de fato o preenchimento do primeiro dos requisitos impeditivos. Veja que no próprio Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples (fls. 09) temse por expresso a “data da ocorrência: 31/12/2002”. Ora, em tal data, consoante se revela incontroverso nos autos, já havia ocorrido a alteração contratual em questão, de modo que o motivo fático da exclusão, em verdade, já não existia. Cumprenos aqui fazer uma observação. O STJ, no julgamento do recurso especial n° 1.124.507MG, sob relatoria do Ministro Benedito Gonçalves, sob o rito dos recursos repetitivos, decidiu nos termos da seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. 2. Não merece conhecimento o apelo especial quanto às alegações de contrariedade aos artigos 458 e 535 do CPC, porquanto a recorrente apresentou argumentação de cunho genérico, sem apontar quais seriam os vícios do acórdão recorrido, que justificariam sua anulação. Incidência da Súmula 284/STF. 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da Fl. 236DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.010845/200415 Acórdão n.º 9101001.074 CSRFT1 Fl. 6 6 circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido. Veja que o STJ fixou, através do julgamento do recurso repetitivo em questão, o entendimento de que “em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei”. Com efeito, o artigo 15, inciso II, da Lei n° 9.317/96 dispunha que: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; O provimento do recurso especial do contribuinte, no presente caso, não importa em inobservância do decidido no recurso repetitivo pelo STJ. Pelo contrário, observa lhe o preceito. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.010845/200415 Acórdão n.º 9101001.074 CSRFT1 Fl. 7 7 De fato, no presente caso, o que não existe é o substrato fático, quando da data da ocorrência expressa no ADE (31/12/2002), referente à hipótese impeditiva que serviu de base à exclusão do contribuinte do Simples. Conforme isto, em 31/12/2002, não poderia haver a incidência do artigo 9°, inciso IX, da Lei n° 9.317/96, já que, em tal data, o contribuinte já havia procedido à alteração contratual. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, para determinar a sua reinclusão no Simples a partir de 01/01/2003. Sala das Sessões, em 28 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 238DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13161.000193/2004-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: MULTA AGRAVADA E ARBITRAMENTO - O que determina a aplicação da multa agravada é o não atendimento, no prazo assinalado, a intimação para prestar esclarecimentos. O não atendimento a intimação para apresentação de livros e documentos constitui hipótese legal de arbitramento dos lucros, não ensejando, por si só, o agravamento da penalidade.
Numero da decisão: 9101-000.766
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-02-03T20:59:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2760018_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-02-03T20:59:31Z; Last-Modified: 2011-02-03T20:59:31Z; dcterms:modified: 2011-02-03T20:59:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2760018_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:f6361fba-b626-46b4-ba97-e79f3f769b6e; Last-Save-Date: 2011-02-03T20:59:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-02-03T20:59:31Z; meta:save-date: 2011-02-03T20:59:31Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2760018_0.doc; modified: 2011-02-03T20:59:31Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-02-03T20:59:31Z; created: 2011-02-03T20:59:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-02-03T20:59:31Z; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-02-03T20:59:31Z | Conteúdo => CSRF-T1 Fl. 1 1 CSRF-T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13161.000193/2004-30 Recurso nº 155.135 Especial do Procurador Acórdão nº 9101-000.766 – 1ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2010. Matéria IRPJ e outros Recorrente Fazenda Nacional Interessado Frigonova Ltda. MULTA AGRAVADA E ARBITRAMENTO - O que determina a aplicação da multa agravada é o não atendimento, no prazo assinalado, a intimação para prestar esclarecimentos. O não atendimento a intimação para apresentação de livros e documentos constitui hipótese legal de arbitramento dos lucros, não ensejando, por si só, o agravamento da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CAIO MARCOS CANDIDO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre de Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 433DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13161.000193/2004-30 Acórdão n.º 9101-000.766 CSRF-T1 Fl. 2 2 Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional, inconformada com a decisão consubstanciada no Acórdão nº 103-23.005 (Sessão de 26 de abril de 2007), que, por maioria de votos, DEU provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio agravada de 122,5% para 75%, ingressou, no prazo regimental, com RECURSO ESPECIAL (RE), com fulcro no art. 7ª, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007. A matéria envolvida no recurso gira em torno do agravamento da multa. O acórdão desafiado considerou incabível o agravamento da multa de oficio quando o contribuinte não exibe á fiscalização os livros e documentos que amparariam sua tributação com base no lucro real, conforme sintetizado em sua ementa, verbis: MULTA DE OFICIO. AGRAVAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. Não é suficiente para justificar o agravamento da multa de oficio (Lei n. 9.430/96, art..44, § 2°) a circunstancia de o contribuinte ter deixado de apresentar à fiscalização os livros fiscais e contábeis de escrituração obrigatória. Tal circunstância — quando desacompanhada de expressa recusa do contribuinte ou mesmo de embaraços ao procedimento de fiscalização — autoriza o arbitramento do lucro, mas não o agravamento da multa de oficio para 112,5% do tributo lançado. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. A recorrente, na petição apresentada, assevera haver incompatibilidade do r. acórdão com a lei, mais especificamente o § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, bem como o art. 97, inciso VI, do CTN. Alega que o agravamento da multa prevista na Lei n° 9.430/96 não é ato discricionário do agente administrativo, pelo contrário, é imperativo. E que, no momento em que o sujeito passivo pratica alguma das condutas previstas, cabe o agravamento da penalidade, não competindo ao agente administrativo fazer juízo de legalidade ou proporcionalidade. Aduz que o art. 97, inciso VI, do CTN, reserva à lei o estabelecimento das hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades, e que, uma vez que não há dúvida de que o contribuinte não atendeu, de modo completo, às solicitações do Fisco, a Câmara criou nova hipótese de redução de penalidades, não prevista em lei. Requer, afinal, seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 7°, I do RICSRF, e seja provido para que, reformando a decisão recorrida nesse ponto, seja restabelecido o percentual de 112,5% para a multa aplicada. A Presidência da Terceira Câmara deu seguimento ao recurso vez que revestido dos requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência da matéria. Fl. 434DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13161.000193/2004-30 Acórdão n.º 9101-000.766 CSRF-T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Fl. 435DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13161.000193/2004-30 Acórdão n.º 9101-000.766 CSRF-T1 Fl. 4 4 O recurso foi interposto com fulcro no art. 7ª, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, e atende os pressupostos para sua admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A matéria questionada diz respeito à imposição de multa agravada quando o contribuinte, intimado, deixa de apresentar seus livros e documentos à fiscalização. O voto condutor do acórdão ora recorrido traz a seguinte motivação para cancelar o agravamento: “(iv) Do agravamento da multa de oficio Consoante precedentes desta E. Corte Administrativa, não é suficiente para justificar o agravamento da multa de oficio (Lei n. 9.430/96, art. 44, § 2°) circunstância de a Recorrente ter deixado de, apresentar tempestivamente a fiscalização os livros fiscais e contábeis de escrituração obrigatória. Tal circunstância — quando desacompanhada de expressa recusa do contribuinte ou mesmo de embaraços ao procedimento de fiscalização — autoriza o arbitramento do lucro, mas não o agravamento da multa de oficio para 112,5 % do tributo lançado. Veja-se, a título ilustrativo, ementa de v. acórdão proferido pela E: Primeira Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: (omissis)” A lei determina a aplicação da multa agravada “nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento”. Assim, para que seja agravada a multa, é preciso que tenha se configurado a situação de ser o sujeito passivo intimado a prestar esclarecimentos e, no prazo assinalado, não atender a intimação. O não atendimento a intimação para apresentação de livros e documentos constitui hipótese legal de arbitramento dos lucros, não ensejando, por si só, o agravamento da penalidade. Eventualmente, se além de não apresentar livros e documentos, o contribuinte também deixar de atender intimação para prestar esclarecimentos, pode ser cabível o agravamento da multa. São hipóteses distintas, acarretando conseqüências jurídicas distintas, e que podem vir cumuladas. Assim, sendo a única acusação que pesa sobre o contribuinte a falta de apresentação de livros e documentos, que ensejou o arbitramento do lucro, andou bem a Câmara para cancelar o lançamento. Não se trata, como alega a PFN, de redução de penalidade sem previsão legal. O que o acórdão recorrido entendeu foi que se materializou a hipótese de agravamento do lucro, pelo não atendimento, no prazo dado na intimação, para apresentação dos livros fiscais e contábeis de escrituração obrigatória, e não para prestar esclarecimentos. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmir Sandri - Relator. Fl. 436DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13161.000193/2004-30 Acórdão n.º 9101-000.766 CSRF-T1 Fl. 5 5 Fl. 437DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004290/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/12/2005
Ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DOCUMENTAÇÃO COMPLETA.
O auto de infração encontra-se devidamente instruído, acompanhado de toda a documentação necessária e suficiente.
AGRAVANTE. REINCIDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO.
A reincidência está devidamente caracterizada Sendo uma condição objetiva que agrava a multa, a indicação no relatório fiscal das infrações anteriores é suficiente para sustentar o lançamento.
Numero da decisão: 2302-001.453
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/12/2005 Ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DOCUMENTAÇÃO COMPLETA. O auto de infração encontra-se devidamente instruído, acompanhado de toda a documentação necessária e suficiente. AGRAVANTE. REINCIDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. A reincidência está devidamente caracterizada Sendo uma condição objetiva que agrava a multa, a indicação no relatório fiscal das infrações anteriores é suficiente para sustentar o lançamento.
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Recorrente SERVIMARC CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/12/2005 Ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DOCUMENTAÇÃO COMPLETA. O auto de infração encontrase devidamente instruído, acompanhado de toda a documentação necessária e suficiente. AGRAVANTE. REINCIDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. A reincidência está devidamente caracterizada Sendo uma condição objetiva que agrava a multa, a indicação no relatório fiscal das infrações anteriores é suficiente para sustentar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Ausência Momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de prestar à fiscalização as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme relatório fiscal às fls. 102 a 112. Não conformada com a imposição fiscal, a autuada apresentou impugnação, fls. 133 a 139, em face do relatório fiscal substitutivo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão, fls. 160 a 169, mantendo a autuação na integralidade. A autuada não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls. 174 a 180. Alega em síntese: • Não consta o TEAF; • Deveria ter sido remetida uma cópia ao contribuinte; • Deve ser anulado o auto de infração; • Não há comprovação nos autos da circunstância agravante; • Não há clareza e precisão no relatório fiscal; • Não há indicação dos passivos existentes; • É necessária a confirmação de que os lançamentos transitaram em julgado; • Requerendo o cancelamento da autuação. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35464.004290/200519 Acórdão n.º 230201.453 S2C3T2 Fl. 197 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fl. 187. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A afirmação recursal de que houve irregularidade na ciência do TEAF não condiz com as provas dos autos. A prova contida nos autos é de que efetivamente foi elaborado o TEAF, conforme cópia às fls. 60 e 61, inclusive foi firmado pelo representante do autuado que teria recebido a segunda via do documento fl. 61. Assim, ao contrário do afirmado, foi remetida uma cópia ao contribuinte. Nesse ponto não reconheço a nulidade alegada pela recorrente. A recorrente alega que não há comprovação nos autos da circunstância agravante. Tal afirmação também não corresponde ao contidos nos autos. O relatório fiscal ás fls. 113 e 116, indicou precisamente os motivos da reincidência, precisando todos os autos de infração que acarretam a agravante. A própria recorrente reconheceu as autuações anteriores, tendo inclusive realizado o pagamento das mesmas, conforme cópias às fls. 144 e seguintes. A multa foi agravada em duas vezes tendo em vista a fiscalização ter considerado a reincidência genérica. A reincidência está devidamente caracterizada. Sendo uma condição objetiva que agrava a multa, a indicação no relatório fiscal das infrações anteriores é suficiente para sustentar o lançamento. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003560/2003-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS MÍNIMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE.
Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria e
jurisprudência consolidada neste Colegiado, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo na hipótese de encontrar-se revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 8.799 da Associação
Brasileiras de Normas Técnicas ABNT.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.919
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS MÍNIMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE. Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria e jurisprudência consolidada neste Colegiado, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo na hipótese de encontrar-se revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 8.799 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Recurso especial negado.
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VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS MÍNIMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE. Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria e jurisprudência consolidada neste Colegiado, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo na hipótese de encontrarse revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 8.799 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (conselheira convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório ELVÍDIO ELÓI WEISHEIMER, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 26/11/2003, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1999, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Gameleira” localizado no município de Lagoa Grande/MG, cadastrado na RFB sob o nº 57013101, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/08, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 11.122/2004, às fls. 125/137, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Câmara, em 28/02/2007, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30133.705, mantido após oposição de Embargos pela PFN, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1999 ITR – EXERCÍCIO 1999. – ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA – COMPROVAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do ADA como condição para o gozo da redução do ITR nos casos de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, teve vigência apenas a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10675.003560/200398 Acórdão n.º 920201.919 CSRFT2 Fl. 299 3 art. 17O da Lei no 6.938/81, na redação do art. 1o da Lei no 10.165/2000. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL) A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento por meio de ADA e de prévia averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, uma vez que sua efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO” Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 214/231, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs CSRF/0304.292 e 30132.973, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovadas as divergências arguidas. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, uma vez imporem que a revisão do VTN e a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de não incidência do ITR, independe da requisição tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA, sobretudo quando aludidas áreas se encontram lastreadas em Laudo Técnico com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica ART, bem como ADA, ao contrário do que restou decidido pelo julgado recorrido. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, defendendo que as áreas de preservação permanente e reserva legal, conquanto que devidamente comprovadas mediante Laudo Técnico, devem ser excluídas da base de cálculo do Imposto Territorial Rural, mormente quando a legislação tributária não estabelece que referido laudo esteja em observância às normas da ABNT. Infere que a legislação de regência estabelece que o contribuinte não está obrigado a promover a comprovação prévia das áreas declaradas como isentas em sua Declaração de ITR, ou mesmo apresentar tempestivamente o ADA ou a averbação à margem da matrícula do imóvel, conforme se verifica do artigo 10, § 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pela MP n° 2.16667/2001, o que deverá ser aplicado retroativamente, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, estando o decisum recorrido escorado em formalismo exacerbado. No entanto, assevera que, mesmo desobrigada, o autuado apresentou Mapas Topográficos e Laudos Técnicos, além dos registros imobiliários, comprovando a existência de referidas áreas. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados, reconhecendo as áreas de preservação permanente e reserva legal declaradas em sua DITR, bem como a revisão do VTN. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Contribuinte, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 210100159/2010, às fls. 263. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial do Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 266/272, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada pelo Contribuinte, conheço do Recurso Especial no que tange ao questionamento do Laudo Técnico para fins de revisão do VTN, em razão do exposto abaixo, e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende dos autos, o contribuinte fora autuado em razão da glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal informadas em sua Declaração de ITR, tendo em vista a falta de comprovação da requisição atempada do ADA e averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, respectivamente, além da revisão do VTN por conta da constatação de sua subavaliação, como se verifica da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legais, às fls. 04/05. Interposta impugnação, a 1a Turma da DRJ em Brasília/DF julgou procedente em parte, mantendo as glosas procedidas, alterando, porém, a área de pastagens, reduzindo a exigência fiscal, nos termos do quadro de fls. 136/137. Em face do Acórdão de 1a instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o qual fora provido em parte para Câmara recorrida para admitir a reserva legal elencada no Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta lavrado perante o Instituto Estadual de Florestas, de fl. 152, mantendo, entretanto, a exigência em relação à área de preservação permanente e ao VTN lançado de ofício, uma vez que o autuado não logrou comprovar mediante documentação hábil e idônea os seus argumentos, sobretudo por ter apresentado Laudo Técnico em inobservância às normas da ABNT. Ressaltou o nobre subscritor do Acórdão guerreado que, inobstante restar consolidado na jurisprudência administrativa que anteriormente ao exercício de 2001 não se pode exigir o ADA para fins de comprovação das áreas declaradas isentas, cabe ao contribuinte comprovar as informações prestadas em sua DITR quando intimado para tanto pelo Fisco, não tendo o autuado logrado êxito nesta empreitada. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10675.003560/200398 Acórdão n.º 920201.919 CSRFT2 Fl. 300 5 Por sua vez, em seu Recurso Especial, pretende o contribuinte a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que o Laudo carreado aos autos, às fls. 72/74 e ADA de fl. 29, se prestam a comprovar às áreas declaradas em sua DITR, não podendo prevalecer à tese do Acórdão recorrido, no sentido de que o laudo encontrase em dissonância com as normas da ABNT, uma vez que tal determinação não encontra sustentáculo na legislação de regência. Acrescenta que os dispositivos legais que regulamentam a matéria não contemplam a exigência da observância às normas da ABNT para elaboração de Laudos Técnicos objetivando revisar o VTN e/ou comprovar as áreas declaradas pelo contribuinte em sua DITR, como restou circunstanciadamente assentado no Acórdão nº CSRF/0304.292, ora adotado como paradigma. Arremata, sustentando que a legislação de regência estabelece que o contribuinte não está obrigado a promover a comprovação prévia das áreas declaradas como isentas em sua Declaração de ITR, ou mesmo apresentar tempestivamente o ADA ou a averbação à margem da matrícula do imóvel, conforme se verifica do artigo 10, § 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pela MP n° 2.16667/2001, o que deverá ser aplicado retroativamente, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, estando o decisum recorrido escorado em formalismo exacerbado, trazendo à baila o Acórdão nº 30132.973, com o fito de comprovar a divergência arguida. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da prestabilidade do Laudo apresentado pelo contribuinte, associado com os demais elementos de prova constantes dos autos, para fins de revisão do Valor da Terra Nua – VTN arbitrado pela fiscalização e, bem assim, da comprovação as áreas de reserva legal e preservação permanente. Melhor delimitando a matéria, constatase que o nobre subscritor do Acórdão recorrido compartilha com o entendimento do contribuinte no sentido de que a comprovação das áreas de reserva legal e preservação permanente não dependem exclusivamente da averbação à margem da matrícula do imóvel e requisição atempada do ADA, mormente para exercícios anteriores a 2001, bem como em face do disposto no artigo 10, § 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pela MP n° 2.16667/2001. Neste sentido, assevera que referida comprovação pode se dar a partir de outros elementos de prova, especialmente apresentação de Laudo Técnico untado das formalidades legais, o que se presta, igualmente, para revisar o VTN arbitrado pela fiscalização. Entrementes, concluiu o ilustre Relator do decisum guerreado que as provas constantes do processo, notadamente o Laudo Técnico acostado aos autos não atende aos requisitos essenciais previstos nas Normas da ABNT (NBR8799), entendimento atacado pelo contribuinte que defende inexistir na legislação de regência aludida exigência, apresentando Acórdão paradigma da CSRF para escorar sua pretensão. Dessa forma, a controvérsia posta em debate se limita a definir se a elaboração de Laudo Técnico visando à demonstração das áreas declaradas pelo contribuinte e a revisão do VTN deve observância às normas da ABNT e, caso contrário, se na hipótese dos autos àquele apresentado é suficientemente capaz de escorar o pleito do autuado, o que passaremos a analisar. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 6 Com efeito, relativamente à comprovação das áreas de preservação permanente e reserva legal não merece ser conhecido o recurso. Isto porque o Acórdão nº CSRF/0304.292, admitido com o paradigma para efeito da demonstração da divergência suscitada, somente contempla a análise da validade do Laudo Técnico para fins da revisão do VTN, nada dissertando a propósito da comprovação de áreas de reserva legal e permanente, não se cogitando, portanto, na divergência pretendida. Em outra via, o Acórdão nº 30132.973, o qual trata das áreas de preservação permanente e reserva legal, igualmente colacionado como paradigma pelo contribuinte, não tem o condão de sustentar a sua pretensão, uma vez ser proveniente da mesma Câmara, malferindo, portanto, o disposto no artigo 67, caput, do Regimento Interno do CARF. Assim, restando comprovada a divergência exclusivamente em relação à prestabilidade do Laudo Técnico ofertado pelo contribuinte, no que tange à pretensa revisão do VTN, somente examinaremos referida matéria no presente voto. Em que pesem os argumentos do recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, estando em dissonância com a farta e mansa jurisprudência deste Eg. Conselho. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigos 10 e 14, § 1°, da Lei nº 9.393/1996, que assim estabelecem: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10675.003560/200398 Acórdão n.º 920201.919 CSRFT2 Fl. 301 7 de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. § 2º As informações que permitam determinar o GU deverão constar do DIAT. § 3º Os índices a que se referem as alíneas "b" e "c" do inciso V do § 1º serão fixados, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola, pela Secretaria da Receita Federal, que dispensará da sua aplicação os imóveis com área inferior a: a) 1.000 ha, se localizados em municípios compreendidos na Amazônia Ocidental ou no Pantanal matogrossense e sul matogrossense; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 8 b) 500 ha, se localizados em municípios compreendidos no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; c) 200 ha, se localizados em qualquer outro município. § 4º Para os fins do inciso V do § 1º, o contribuinte poderá valerse dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento ou parceria. § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. § 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; II oficialmente destinados à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura. § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” (grifamos) Extraise da norma legal encimada que o Valor da Terra Nua mínimo – VTNm será estabelecido pela Receita Federal do Brasil, após os devidos procedimentos e pesquisas para se aferir aludido valor. Por sua vez, o contribuinte poderá se insurgir ao valor arbitrado pelo Fisco, devendo, porém, apresentar os documentos necessários a comprovar os valores por ele pretendidos. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10675.003560/200398 Acórdão n.º 920201.919 CSRFT2 Fl. 302 9 Na esteira do dispositivo legal retro, a revisão do VTN por parte da autoridade fiscal fica condicionada à apresentação de Laudo emitido por profissional habilitado e acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, além da necessidade de alinhavarse com as normas procedimentais mínimas ditadas pela ABNT, mais especificadamente aquelas relativas à avaliação de imóveis rurais. Outro não é o entendimento levado a efeito por este Conselho Administrativo, ao tratar da matéria, como se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ITR/94. VALOR DA TERRA NUA VTNm. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REVISÃO. O laudo técnico de avaliação para que tenha validade e produza efeitos pretendidos através da revisão do VTNm, além de ser elaborado por profissional habilitado e acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, deve revestirse de formalidades e exigências técnicas mínimas, que corroborem para a sua eficácia, não devendo limitarse a ser um mero documento informativo. A base de cálculo do imposto é o valor da terra nua – VTN, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. A data registrada no laudo técnico o torna inservível, por encontrarse em desacordo com a lei de regência sobre a matéria. Recurso especial provido.” (3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 325.167 – Acórdão nº CSRF/0304.255 – Sessão de 21/02/2005) (grifamos) “TR – EXERCÍCIO 1994. VALOR DA TERRA NUA. A revisão do VTN mínimo é condicionada à apresentação de laudo técnico de acordo com as exigências legais, especialmente as referentes ao valor e às fontes de sua pesquisa. JUROS DE MORA Os juros de mora têm caráter compensatório e são exigidos pela não disponibilização do valor devido à Fazenda Pública. Sua fluência só se interrompe se a impugnação for acompanhada do depósito integral do crédito tributário considerado devido. MULTA DE MORA Nos lançamentos de ITR em que não exista a obrigação de antecipação do imposto, havendo impugnação, a multa de mora só é cabível após o vencimento do prazo de intimação de decisão final administrativa. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR UNANIMIDADE” (1a Câmara do 3o Conselho – Recurso nº 326.064, Acórdão nº 30130761, Sessão de 11/09/2003) “ITR/95. VTN. REVISÃO. LAUDO. PROVA INSUFICIENTE. Laudo Técnico de Avaliação que não atenda às exigências legais, especialmente as relativas à pesquisa e comprovação das fontes, é prova insuficiente para a revisão do lançamento em que se adotou o VTNm. CNA. LEGALIDADE. As contribuições lançadas com o ITR têm natureza tributária e fundamento nos art. 149 e 8º, inc. V, parte final, da CF/88, e art. 10, § 2 º do Ato das Disposições Constitucionais transitórias. MULTA DE MORA. A multa de mora só é exigível, na vigência da Lei 8.847/94, após a constituição definitiva do crédito tributário. JUROS DE MORA. A fluência dos juros de mora só é interrompida se a impugnação for acompanhada do depósito Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 10 integral do crédito tributário contestado. Recurso parcialmente provido por unanimidade.” (1a Câmara do 3o Conselho – Recurso nº 322.872, Acórdão nº 30130534, Sessão de 25/02/2003) Constatamse da legislação de regência e da jurisprudência administrativa acima transcrita, as formalidades necessárias à validade do Laudo Técnico a ser emitido com a finalidade de revisar o VTNm presumido para cada região. É bem verdade que os dispositivos legais que tratam da matéria não trazem em seu bojo a exigência expressa da observância às normas da ABNT para elaboração de Laudos Técnicos tendentes a revisar o VTNm. No entanto, os julgadores deste Colegiado vêm exigindo o atendimento das normas mínimas da ABNT, por ser da própria essência da elaboração de Laudos Técnicos, sobretudo com a finalidade de se estabelecer parâmetros com o fito de conferir maior robustez ao conteúdo do documento em epígrafe. Aliás, o próprio Acórdão nº CSRF/0304.292, trazido à colação pelo contribuinte para arrimar sua pretensão, oferece guarida ao entendimento encimado ao estabelecer o seguinte: “[...] Tal laudo possui riqueza de detalhes e indicações de fontes pesquisadas, além de planilhas demonstrativas, tudo levando à conclusão de que o VTN tributável do referido imóvel é, efetivamente, o indicado no referido Laudo. [...]” Em verdade, o que se extrai do voto condutor do Acórdão paradigma é que não se pode exigir o cumprimento de todo o regramento estabelecido pela ABNT, mormente porque tal exigência não decorre da lei. Entrementes, impõese que o Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte ofereça condições mínimas de valoração de seu conteúdo, demonstrando e justificando as bases adotadas para a sua conclusão. Na hipótese dos autos, da detida análise do Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte, às fls. 40/43, 109/112 e 146/150, constatase que o documento não faz menção a escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; a homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; a pesquisa de valores, abrangendo avaliações e/ou estimativas anteriores, produtividade das explorações, e transações e ofertas. A rigor, o Laudo Técnico contemplando o Memorial Descritivo do imóvel, às fls. 41/43, é por demais enfático ao afirmar que “ O presente memorial é para venda de parte do referido imóvel para Elvidio Eloi Weisheimer e Outro. CPF 086.058.07091”, não se destinando, portanto, à revisão do VTN lançado. Destarte, o laudo apesar de descrever as dimensões do imóvel, os seus aspectos físicos e nível de manejo pela análise da vegetação, hidrografia, solos, relevo, tipo de exploração, clima, conservação do solo e recursos hídricos, quais as áreas são destinadas a pastagens, culturas, a preservação ambiental, inclusive as inaproveitáveis, pecou no sentido de trazer elementos imprescindíveis quanto à avaliação do VTN. Relativamente a este ponto, o laudo ofertado pelo contribuinte não justifica os motivos pelo qual deixou de levar em consideração em sua avaliação os fatores mercadológicos de comercialização e avaliação de outras propriedades da área para concluir Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10675.003560/200398 Acórdão n.º 920201.919 CSRFT2 Fl. 303 11 que o correto seria a adoção do VTN pretendido, valor este abaixo daquele da região admitido pela fiscalização. Para tanto, objetivando estabelecer um parâmetro mínimo, poderia ter observado as normas constantes da NBR 8.799, especialmente o disposto nos itens 2 e 3, de modo que restasse devidamente comprovada a justificativa da fixação do VTN de forma individualizada e específica para a propriedade do contribuinte, confirase: “ 2 – Pesquisa de valores, com identificação das fontes pesquisadas, abrangendo: 2.1 – avaliação e/ou estimativas anteriores; 2.2 – valores fiscais; 2.3 – transações e ofertas; 2.4 – valor dos frutos; 2.5 – produtividade das explorações; 2.6 – formas de arrendamento, locação e parcerias; 2.7 – informações (bancos, cooperativas, órgãos oficiais e de assistência técnica); 3 – Escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; 4 – Homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; 5 – Determinação do valor final com indicação da data de referência; 6 – Conclusões com os fundamentos resultantes da análise final; e 7 – Data da vistoria;” Ademais, referido laudo, igualmente, não fez menção à metodologia utilizada, seja para a coleta ou mesmo para a homogeneização dos dados levantados, com o fito de justificar a conclusão levada a efeito pelo perito, sobretudo em relação ao procedimento adotado para a demonstração do valor da terra nua que, de fato, deveria ser aplicável à propriedade rural do autuado. Não se sabe, portanto, como o conjunto de dados coletados e as verificações procedidas foram analisadas, pois em face da falta de demonstração da metodologia dos trabalhos não há como fixarse um parâmetro de verificação dos procedimentos utilizados para uma correta avaliação do imóvel. Ressaltese, que a metodologia dos trabalhos do perito engenheiro agrônomo é o ponto de partida para que terceiros, no caso a Receita Federal e este próprio Conselho Administrativo, faça uma correta valoração do laudo apresentado pelo contribuinte, porquanto é deste ponto que se extrai a forma de análise do conjunto fático das características da propriedade de maneira a se compreender como acertada ou não a conclusão do perito. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 12 Em outras palavras, inobstante o esforço despendido, o contribuinte não logrou se desincumbir do ônus de comprovar o contrário presumido, em contraposição ao Valor da Terra Nua mínimo arbitrado pelo Fisco para Região do imóvel rural. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO
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Numero do processo: 15586.000699/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. FALTA DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Durante a vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, somente faziam jus à isenção do recolhimento da cota patronal previdenciária as entidades que cumpriam os requisitos legais ali expressos.
ENTIDADES COM PERSONALIDADES JURÍDICAS DISTINTAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Inexiste a possibilidade de extensão da condição de entidade beneficente entre organizações com personalidades jurídicas distintas.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.129
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade do lançamento; II) indeferir o pedido para juntada de novas provas; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ELIAS ANTONIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. FALTA DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Durante a vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, somente faziam jus à isenção do recolhimento da cota patronal previdenciária as entidades que cumpriam os requisitos legais ali expressos. ENTIDADES COM PERSONALIDADES JURÍDICAS DISTINTAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Inexiste a possibilidade de extensão da condição de entidade beneficente entre organizações com personalidades jurídicas distintas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Recurso Voluntário Negado Fl. 143DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade do lançamento; II) indeferir o pedido para juntada de novas provas; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000699/200998 Acórdão n.º 240102.129 S2C4T1 Fl. 144 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa acima epigrafada contra decisão da DRJ Rio de Janeiro I (RJ) a qual declarou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração AI n. 37.213.8420, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. O crédito em questão contempla o período de 01 a 12/2005 e contém a contribuição as contribuições patronais destinadas aos Terceiros: SALÁRIOEDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. O valor do crédito, com data de consolidação em 27/07/2009, assumiu o montante de R$ 54.882,84 (cinquenta e quatro mil, oitocentos e oitenta e dois reais e oitenta e quatro centavos). De acordo com o Relatório da Auditoria, o lançamento decorreu da suposta falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais verificadas mediante análise de folhas de pagamento, de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social – GPS, Livros Contábeis, etc. Verificase que foram adotados, para a confecção do lançamento, os seguintes levantamentos (itens de apuração): a) AUT – pagamentos a contribuintes individuais constantes em folha de pagamento e não declarados em GFIP, os quais foram relacionados na Planilha 12; b) DIF – este levantamento subdividese em: b.1) pagamentos a empregados, registrados na folha de pagamento normal, sob a forma de “abonos” e sem incidência de contribuição, nem declaração em GFIP, os quais foram relacionados na Planilha 13; b.2) pagamentos a empregados constantes em recibos e em folhas de pagamento, que foram denominadas pelo Autuado como “Folhas de Pagamento – Autônomos”, não declarados em GFIP, os quais foram relacionados na Planilha 13; c) EMP – pagamentos a pessoas físicas, enquadradas pelo Fisco como segurados empregados, constantes em recibos e em folhas de pagamento, que foram denominadas pelo Autuado como “Folhas de Pagamento – Autônomos”, os quais encontramse relacionados na Planilha 14. A seguir, em relação ao levantamento EMP, a Auditoria passa a apresentar os motivos de fato e de direito que a levaram a concluir pela existência da relação de emprego para os trabalhadores arrolados. A empresa apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que declarou procedente o lançamento. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Inconformado o Instituto apresentou recurso, no qual argumenta, em apertada síntese, que: a) por ser entidade beneficente de assistência social e sem fins lucrativos, não pode sofrer tributação sobre o se patrimônio, renda ou receitas de serviços, pelo que dispõe o art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal e o art. 14 do Código Tributário Nacional – CTN; b) presta relevantes serviços a pessoas carentes na região em que atua; c) se enquadra em todos os requisitos fixados pelo artigo 14 do CTN, portanto, faz jus ao beneficio da imunidade prevista no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal; d) o registro no Conselho Nacional de Assistência Social e a declaração de utilidade pública apenas reforçam os argumentos relativos à imunidade, já que os certificados foram emitidos à época em que o Instituto integrava a Fundação, abarcando, assim, tanto um como o outro; e) sendo a imunidade uma espécie de limitação ao poder de tributar, somente lei complementar pode lhe traçar os contornos e esse aspecto deve ser enfrentado pelo órgão de julgamento administrativo; f) é antijurídica toda medida tomada pela Administração que não seja amparada por lei ou que extrapole o âmbito fixado por essa; g) não se pode afastar a imunidade das entidades que prestam assistência social pelo, mero fato de seus diretores receberem remuneração, quando essa decorre exclusivamente de atividade laborativa; h) no caso em apreço, as leis ordinárias invocadas para sustentar os autos de infração lançados invadem o espaço que o constituinte reservou para as leis complementares, sendo, portanto, o auto de infração totalmente inválido; Ao final, pede a declaração de nulidade do AI e a produção de todos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000699/200998 Acórdão n.º 240102.129 S2C4T1 Fl. 145 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Matéria não impugnada Um primeiro ponto a ser destacado é o fato do Instituto autuado não haver se contraposto, nem na defesa, tampouco no recurso, à apuração fiscal. Não se traçou uma linha sequer impugnando a ocorrência dos pagamentos efetuados pelo autuado aos trabalhadores a seu serviço ou mesmo quanto ao enquadramento previdenciário dado pelo Fisco a esses. Nesse sentido, conforme dispõe o Decreto n. 70.235, art. 17, “caput” 1, esses pontos do lançamento não foram objeto de impugnação. Isenção/imunidade A invocada imunidade da recorrente com base no art. 150, VI, da Constituição Federal não se sustenta. Vejamos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. (...) Como se pode ver do comando constitucional, a imunidade ali traçada diz respeito apenas aos impostos, que é espécie tributária diferente de contribuição, exação tratada no presente AI. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Para as contribuições destinadas à Seguridade Social, o legislador constituinte reservou o § 7.º do art. 195 quando pretendeu tratar de imunidade: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (...) Para regulamentar esse preceptivo da Carta Magna foi inserido no ordenamento o hoje revogado art. 55 da Lei n. 8.212/1991, o qual regulou a matéria na época da ocorrência dos fatos geradores. Eis o texto: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (...) Em nenhuma passagem do seu recurso o sujeito passivo buscou demonstrar o atendimento aos requisitos legais acima expostos, limitandose a tentar afastar a aplicação da Lei n. 8.212/1991, por entender que a mesma padece de vício formal de inconstitucionalidade. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000699/200998 Acórdão n.º 240102.129 S2C4T1 Fl. 146 7 Também não se pode acatar a pretensão da recorrente de ver reconhecido o direito ao Certificado de Entidade Beneficente e ao Título de Utilidade Pública Federal obtidos por entidade que no passado foi sua mantenedora. Sobre essa questão vale a pena reproduzir trecho da decisão recorrida, que trata magistralmente da matéria: 7. Extraise do teor da defesa apresentada que a Impugnante confundese com sua personalidade jurídica, quando argui a possibilidade de aproveitar os certificados e títulos pertencentes a outra pessoa jurídica, a Fundação do Coração Dom Luiz Gonzaga Peluso, CNPJ n° 02.513.754/000170, como se fossem uma só, pelo fato de terem sido emitidos quando o Impugnante figurava apenas como corpo clínico daquela Fundação, desprovido de personalidade. 8. Ocorre que desde 30/10/2000, a Ata de reunião do conselho Deliberativo da Fundação do Coração Dom Luiz Gonzaga Peluso, desagregou o Corpo Clínico do Instituto do Coração Dr. Elias Antonio, o qual ganhou personalidade jurídica e passou a atuar com autonomia e independência em relação à Fundação, como executora dos serviços médicos da Fundação. Também neste sentido, em 03/01/2005, celebraram contrato para que o 4 Impugnante realizasse o gerenciamento operacional do serviço de Hemodinâmica e Ambulatório oferecido pela Fundação. 9. Notese, portanto, que se tratam de pessoas jurídicas distintas onde a autuada se apresenta como mera prestadora de serviços médicos contratada pela Fundação, para a consecução dos objetivos desta e não como parte integrante da entidade, embora dela tenha nascido. Com a escusa pelo exemplo, aproveitar os títulos conferidos à Fundação para imunizar o Instituto que dela se originou, seria o mesmo que tratar por Doutor o filho, pelo fato de sua mãe possuir o título de Doutorado. Claro então que não há de se cogitar da extensão de situações jurídicas da Fundação do Coração Dom Luiz Gonzaga Peluso para a recorrente, que, como afirmado acima, é pessoa jurídica com personalidade distinta, sendo mera prestadora de serviço da Fundação. A essa situação aplicase o § 2.º do art. 55 da Lei n. 8.212/1991 (acima transcrito), o qual veda expressamente que a isenção seja aproveitada por pessoas jurídicas de personalidades distintas, ainda que uma seja entidade mantenedora da outra. Nesse sentido, não atendendo aos requisitos legais que lhe garantiriam a isenção da cota patronal previdenciária, mormente a ausência de requerimento ao INSS, descabido o reconhecimento da pretendida desoneração. Decorrência disso é que o pedido de anulação do AI não deve ser acatado, uma vez que o sujeito passivo deixou de demonstrar a ocorrência de qualquer mácula que pudesse levar á invalidação do ato administrativo. As meras considerações de ordem teóricas são insuficientes para comprovar a necessidade de nulificação do lançamento. Da inconstitucionalidade do art. 55 da Lei n. 8.212/1991 Para enfrentar a tese da possibilidade de órgão administrativo afastar a aplicação de lei em face do reconhecimento de sua inconstitucionalidade, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade de lei trazida pela recorrente. Juntada de provas A juntada de elementos probatórios no processo administrativo fiscal é regulada pelo Decreto n. 70.235/1972, nos seguintes termos: 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 150DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000699/200998 Acórdão n.º 240102.129 S2C4T1 Fl. 147 9 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos Considerandose que o recorrente não apresenta qualquer justificativa legal que ampare a apresentação de novas provas no presente momento processual, devese indeferir o seu requerimento nesse sentido. Conclusão Ante todo o exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de nulidade do lançamento, por indeferir o pedido para juntada de novas provas e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 151DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 18471.001516/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2001, 2002
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA
IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir.
Numero da decisão: 1301-000.753
Decisão: Acordam os membros do colegiado, acordam os membros da Turma, por
maioria, DAR provimento ao recurso voluntário, por entender nula a constituição do crédito tributário, em razão de ter sido lançado o tributo em nome de pessoa jurídica extinta. Vencido o Relator, Conselheiro Jaci de Assis Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
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PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros da Turma, por maioria, DAR provimento ao recurso voluntário, por entender nula a constituição do crédito tributário, em razão de ter sido lançado o tributo em nome de pessoa jurídica extinta. Vencido o Relator, Conselheiro Jaci de Assis Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator designado. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Jaci de Assis Junior e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em 02 de dezembro de 2008, fls. 421 a 423, em face da decisão proferida pelo Acórdão nº 1221.387, da 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I – DRJ/RJOI, fls. 399 a 413, que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência dos créditos tributários de IRPJ e CSLL do 1º, 2º e 3° trimestres de 2000, e dos créditos tributários de PIS e COFINS dos meses de janeiro a novembro de 2000 e, no mérito, por unanimidade de votos, considerou procedentes os lançamentos não atingidos pela referida decadência. O acórdão combativo, do qual o Recorrente teve ciência em 05 de novembro de 2008, fls. 420, verso, minuciosamente relata os procedimentos desenvolvidos da nos seguintes termos: “Versa este processo sobre os Autos de Infração de fls. 322/352, com ciência em 29/11/2006, para a exigência de créditos tributários de IRPJ, no valor de R$ 265.576,54, de PIS, no valor de R$ 20.269,40, de CSLL, no valor de R$ 35.601,83, e de Cofins, no valor de R$ 93.551,28, acrescidos de multa de ofício agravada de 150% e de juros de mora. Com base no Termo de Verificação Fiscal, fls. 316/321, foram apurados os seguintes fatos: 1 Histórico • Decorrente da CPI do Banestado, foi constatado que diversos contribuintes nacionais enviaram divisas para o exterior ou as movimentaram no exterior, à revelia do sistema nacional,. ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas offshore com participações de brasileiros. • Foram obtidos, por medida judicial, junto à Promotoria do Distrito de Nova Iorque, mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros relativos às mencionadas empresas, e de suas contas no exterior. • Nas investigações realizadas pelas autoridades norteamericanas descobriuse que havia a conta no Merchants Bank de New York, de n° 9008308 da CAPITAL WORLD, offshore, aberta por Marco Antônio Reis Simão em conjunto com seu irmão Paulo Cezar Reis Simão, e gerida pela cidadã portuguesa, naturalizada norteamericana, Maria Carolina Nolasco. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 436 3 • Os Srs. Marco Antônio Reis Simão e Paulo Cezar Reis Simão são sócios da autuada, e, na qualidade de "doleiros", e valendose da Rio Exchange Turismo LTDA, operaram no exterior, através da conta Capital World, com recursos financeiros brasileiros, de procedência suspeita, com o objetivo de ocultar os efetivos "donos do dinheiro", eles próprios ou terceiros seus clientes. • Mediante requisição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, o Instituto Nacional de Criminalista do Departamento da Polícia Federal (INC) elaborou laudos periciais, que demonstraram que os valores que transitaram na conta Capital World, tiveram como origem ou destinos outras mantidas junto ao próprio Merchant's Bank, bem como subcontas da Beacon Hill Service Corporation, e mantidas por excorrentistas do Banestado em Nova Iorque ou que com eles se relacionaram, revelando as relações e conexões entre os esquemas Banestado, Merchant's Bank e Beacon Hill como parte de uma câmera de compensação entre doleiros. 2. Fiscalização Durante a ação fiscal, foram constatadas as seguintes infrações: 2.1 — Omissão de Receitas — caracterizada por depósitos bancários de origens não comprovadas. A autuada não comprovou as origens dos recursos que deram suporte às movimentações financeiras em moeda estrangeira na conta de n° 9008308, junto ao Merchant's Bank, pertencente a offshore Capital World Inc., da qual os sócios da autuada são controladores, nos valores abaixo discriminados: Data Valor US$ Taxa Valor R$ 29/03/2001 100.000,00 2,12360 212.360,00 (...) 19/04/2001 65.000,00 2,18880 142.272,00 Total 370.000,00 797.527,00 2.2 Omissão de Receitas — caracterizada por depósitos bancários de origens não comprovadas. A autuada não comprovou as origens dos recursos que deram suporte as movimentações financeiras em moeda estrangeira nas contas de n° 530972417 — Lara e 311012 Pescara, junto ao JP Morgan Chase Bank, mantida/administrada pela Beacon Hill Service Corporation, onde a autuada configura como ordenante das remessas, conforme laudo pericial n° 1288/04 do INC, nos valores abaixo discriminados: Conta Data Valor U$ Taxa Valor R$ 311012 11/10/2000 50.000,00 1,85740 92.870,00 530972417 26/12/2001 200.710,00 2,33110 467.875,08 2.3 — Omissão de Receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A autuada não comprovou as origens dos depósitos efetuados na conta corrente n° 7490867, junto à Agência 160 do Banco Unibanco, no período de 03/01/2000 a 21/07/2000, aberta com o CNPJ n° 29.048.337/000231 (filial com endereço na Av. Nossa Senhora de Copacabana, n° 346 — Loja B — Copacabana — Rio de Janeiro — RJ), nos valores abaixo discriminados: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Mês/Ano Valor R$ jan/00 534.401,25 (...) jul/00 5.766,28 Total 1.760.105,50 Em função da falta de apresentação dos livros e documentos contábeis/fiscais, a constituição do imposto de renda e seus reflexos foi pelo lucro arbitrado. O enquadramento legal: artigo 27, inciso I e 42 da Lei n° 9.430/96; artigos 530, inciso III, 532 e 537 do RIR/99. Considerando os motivos já expostos, foi aplicada a multa de 150%, com fulcro no artigo 1° da Lei n° 8.137/90. Inconformada, a interessada ingressou com a impugnação em 22/12/2006, de fls. 358/394, alegando: 1. Questões Preliminares A Erro de Identificação do Sujeito Passivo. • A impugnante não tem qualquer relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador do imposto de renda pretensamente devido. • O próprio autante admite que a impugnante não é titular dos depósitos bancários, reconhecendo e declarando que as contas bancárias autuadas são da titularidade de 3 (três) empresas sediadas no exterior, e uma outra no País. • Apenas para a conta n° 9008308, junto ao Merchant's Bank em Nova Iorque, pertencente a "offshore" Capital World Inc., teria um vínculo que o autuante aponta para atribuir sua titularidade à impugnante, [o qual] reside no fato de a conta teria [sido] aberta por seus sócios (Marco Antonio Reis Simão e Paulo Cezar Reis Simão), contra os quais já foram lavrados autos de infração exigindolhes IRPF sobre os depósitos efetuados na conta em questão. • Os sócios atuaram como pessoas físicas, em nome pessoal, e não na condição de sócios da impugnante. • A impugnante não foi enquadrada em nenhuma das situações elencadas no procedimento recomendado pela Coordenação de Fiscalização, exclusão essa que pode ser comprovada através dos Extratos Bancários da referida conta fornecidos pelo Merchant's Bank. • A impugnante esclareceu e comprovou que encerrou suas atividades em 31/12/1999, com Distrato Social protocolizado na JUCERJA em 06/02/2006, antes da ação fiscal que se deu em 10/08/2006. • Devese declarar a nulidade posto que descumpriu o pressuposto básico da correta eleição do sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 437 5 B Base de Cálculo Irreal • A Coordenação de Fiscalização reconhece, expressamente, que os valores disponibilizados na mídia eletrônicos da SRF, em sua maioria, não têm respaldo documental. • Em se tratando de operações envolvendo compra e venda de moeda, a IN SRF n° 118/2000 estabeleceu que o ganho de capital correspondente a cada alienação será a diferença positiva, em reais, entre o valor da alienação e o respectivo custo de aquisição. • Em casos de omissão de receitas por alegada falta de comprovação da origem de depósitos bancários, a orientação é que eleja a base real, e não a que proporciona maior crédito. • Como o próprio fisco enquadra na condição de doleiro, a base de cálculo seria a diferença entre o valor da venda e do custo, e não a totalidade dos créditos existentes nas contas bancárias em nome de terceiros, cuja titularidade em nome da impugnante jamais restou demonstrada. • Logo, a base de cálculo do pretenso IRPJ é de todo irreal. • Há duplicidade de tributação quanto aos valores relativos à conta n° 9008308, do Merchant's Bank, pois já foi objeto de autuação para cobrança de IRPF dos sócios Marco Antonio Reis Simão e Paulo Cezar Reis Simão. C Decadência do direito de a Fazenda Pública proceder a parte do lançamento. • Os fatos geradores dos meses de janeiro de 2000 a abril de 2001, já teriam sido alcançados pela decadência, prevista no artigo 150, §4° do CTN, por ser lançamento por homologação, não cabendo mais a constituição do crédito pelo Fisco. • Não cabe a aplicação da regra do artigo 173 do CTN, em razão de multa agravada, pois inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude estabelecidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. • A tributação baseada em presunção de omissão de receita, por alegada falta de comprovação de origem de depósitos bancários, é suficiente para afastar a acusada existência de dolo. • Traz acórdãos do Conselho de Contribuintes com este entendimento, bem como a Súmula do l° Conselho de Contribuintes n° 14, que uniformizou a jurisprudência. • Admitir a aplicação da penalidade agravada em autuações pautadas em mera presunção de omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários, estarseia legitimando a acusação de dolo, fraude ou simulação, por presunção da presunção, em verdadeira Fl. 445DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 afronta ao artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430/96, que exige a prova do crime para a exasperação da penalidade nele prevista. • Assim, uma vez comprovada a inaplicabilidade da penalidade agravada em autuações pautadas em mera presunção, requer o cancelamento da exigência relativa ao períodobase de janeiro de 2000 a abril de 2001, em razão da decadência do direito de lançar. 2— DO MÉRITO A — Falta de suporte legal e material da acusação fiscal • As exigências fiscais têm como suporte fático ditos depósitos bancários em nome de terceiros sem qualquer vínculo com a Autuada. • O fundamento material do arbitramento seria a constatação de suposta omissão de receita, decorrente dos depósitos bancários, em montante superior aos valores declarados, tornando a contabilidade imprestável. • Houve erro na fundamentação legal do lançamento, uma vez que o arbitramento não é penalidade, pois constitui medida extrema e só deve ser utilizado como último recurso. • Quanto aos fundamentos materiais, foram tomados como da autuada depósitos bancários de terceiras pessoas jurídicas, devidamente identificadas, sob o argumento de que uma das contas pesquisadas, a de n° 9008308 junto ao Merchant's Bank, pertencente à "offshore" Capital Word Inc., que teria sido aberta por seus sócios (Marco Antonio Reis Simão e Paulo Cezar Reis Simão), contra os quais já foram lavrados Autos de Infração exigindo pretenso IRPF sobre os depósitos efetuados na conta em questão. • Em conseqüência de tal fato, a totalidade de depósitos bancários apurados no referido banco e em outros situados no exterior foi considerada receita omitida no contribuinte, porque este não apresentou origens de tais recursos de terceiros, e, em conseqüência, foi arbitrado o lucro da empresa. A fiscalização não demonstrou qualquer preocupação de auditagem com as apropriações contábeis/fiscais levadas a efeito pelo contribuinte, arbitrandolhe o lucro com base na receita bruta contabilizada, agregando a este a totalidade de depósitos em nome e por conta de terceiros. • Não foram observados os princípios da legalidade objetiva, constantes do artigo 97 do CTN. B — Impossibilidade legal e jurídica de responsabilizar a recorrente sobre depósitos bancários da titularidade de terceiros. • A presente exigência, autuações de depósitos bancários feitos em contas correntes e/ou de investimentos mantidas em bancos situados no exterior, cuja titularidade é de empresas igualmente sediadas fora do território nacional, decorre de orientações baixadas em Memorando Circulares pela Coordenação da Fiscalização, totalmente desconexos e divorciados da realidade dos fatos. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 438 7 • Não foi apurada qualquer irregularidade conforme os termos dos atos que integram o auto de infração, até porque não foi feita qualquer investigação na sua escrita fiscal e comercial. • A única irregularidade que lhe foi imputada é a de que não escriturou depósitos bancários da titularidade de pessoa jurídica estranha ao seu quadro societário, relativos aos anos de 2000 e 2001. • A eleição da autuada como titular das contas bancárias investigadas deve se ao fato de os verdadeiros titulares estarem sediados no exterior, estando, assim, fora do alcance da legislação fiscal brasileira. • Tal fato não dá à Fiscalização o direito de, sem qualquer respaldo em provas e elementos concretos, transferir a titularidade das mencionadas contas à autuada e muito menos lhe exigir tributos e contribuições, a pretexto de que os indícios apontam que a autuada utilizava aquelas pessoas para movimentar receitas desviadas do seu giro normal. • Os indícios não estabelecem qualquer vínculo entre os valores movimentados nas contas investigadas da titularidade das pessoas jurídicas acima nomeadas com as transações da empresa. • Os lançamentos devem ser declarados nulos, por incidir do vício da incerteza e insegurança sobre os fatos autuados. C — DA ILEGALIDADE DO ARBITRAMENTO DE LUCROS • O arbitramento do lucro é improcedente vez que a situação sob exame não se enquadra nas hipóteses previstas no artigo 529 do RIR/99: (1) não mantiver escrituração contábil no caso de lucro real; (2) deixar de elaborar as demonstrações financeiras; (3) recusarse a exibir os livros ou documentos; (4) escrituração com vícios. • As duas primeiras dispensam maiores considerações. [Em relação à terceira] A recusa de apresentação dos livros fiscais é evidenciado pelo comportamento do contribuinte fiscalizado. • No presente caso, os auditores não apontaram qualquer vício, erro ou deficiência na escrituração da autuada, de modo a tornála imprestável para a apuração do lucro real. Reclamou somente a falta de escrituração de valores movimentados em contas bancárias de terceiros estranhos ao quadro societário. • Até 31/12/1999, a impugnante mantinha escrituração contábil que atendia aos requisitos exigidos pela legislação comercial e fiscal, o que, de plano, a convalida para a apuração do lucro real. • O arbitramento não pode ser utilizado penalizar os contribuintes. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 • A tributação a título de omissão de receitas não tem como prosperar, especialmente em razão de a mesma ter se processado de forma cumulada com o arbitramento de lucros. • A fiscalização não considerou que na atividade cambial a receita compreende apenas spreed, diferença entre o valor de compra e da venda da moeda estrangeira, que gira em torno de 5%. Assim, eventual receita omitida corresponderia, no máximo, a 5% dos depósitos bancários, nunca 100% nos moldes levados à efeitos pela fiscalização. • Tratandose de depósitos em nome de terceiros não ligados ao quadro societário da pessoa jurídica, qualquer vinculação que se queira estabelecer deve, necessariamente, demonstrar e comprovar que a empresa omitiu algum tipo de receita ou ainda que os recursos movimentados nessas contas foram utilizados pela pessoa jurídica para pagar compromissos. • O fisco não despendeu o menor esforço para comprovar o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de receitas de vendas. • O procedimento não tem respaldo no artigo 42 e §§ da Lei n° 9.430/96, eis que, mesmo que a presunção citada é a favor do Fisco, não afasta a tese de que, em princípio, os depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade de rendimentos. D — Do descabimento da majoração da multa de oficio • O autuante não produziu um único elemento de prova para caracterizar o evidente intuito de fraude. • Diante da situação fática dos autos, concluise que incorreu qualquer resquício de ato doloso, muito menos de intuito de fraude. • A exasperação foi aplicada através de artifício repudiado no ordenamento, qual seja, a presunção da prática de dolo ou simulação em autuação formulada com base em presunção legal de omissão de receita, respaldada unicamente na falta de comprovação de origem de depósitos bancários de contas em bancos situados em Nova York, de titularidade de pessoas jurídicas igualmente sediadas no exterior, em relação a qual a impugnante não tem qualquer vínculo. • O fiscal reconhece que a autuação se fez por presunção de omissão de receitas, admitindo, é obvio, que o dito intuito doloso invocada para qualificação da penalidade se fez também por presunção. • A Súmula n° 14 do Conselho de Contribuintes afirma a impossibilidade do agravamento da multa de oficio em matéria de omissão de receita pautada em presunção legal. • Admitir a aplicação da penalidade agravada em autuações pautadas em mera presunção de omissão estarseia legitimando a acusação do dolo, fraude ou simulação, por presunção da presunção, em afronta ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que exige a prova do crime, que compete ao Fisco. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 439 9 O acórdão ora recorrido, com base nos elementos de prova juntados aos presentes autos, examinou as alegações apresentadas na impugnação, para reconhecer a decadência dos créditos tributários de IRPJ e CSLL do 1º, 2º e 3° trimestres de 2000, e dos créditos tributários de PIS e COFINS dos meses de janeiro a novembro de 2000. No mérito, decidiu considerar procedentes os lançamentos, na parte não atingida pela decadência, com base nas seguintes ementas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: NULIDADE. Inocorrência. O atendimento aos preceitos estabelecidos na legislação tributária relativos ao processo administrativo fiscal bem como a observância do amplo direito de defesa do contribuinte afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. DECADÊNCIA Constatada a fraude, o prazo decadencial é de 5 (cinco) contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme determina o artigo 173, inciso I do OMISSÃO DE RECEITAS. Os recursos remetidos para o exterior e/ou movimentados no exterior, mantidos à margem da escrituração, em total inobservância das leis comerciais e fiscais determinantes de que a escrituração deverá abranger todas as operações realizadas, caracterizase como omissão de receitas, devendo, portanto, ser mantida a autuação. ARBITRAMENTO O artigo 530, inciso III determina o arbitramento do lucro quando a fiscalizada deixa de apresentar os livros contábeis e fiscais. BASE DE CÁLCULO A constituição do crédito tributário pelo arbitramento do lucro considera como base de cálculo a totalidade da receita omitida, aplicando percentual previsto no artigo 532 do RIR199, e presumindo as despesas. MULTA AGRAVADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Constatada a utilização de contas bancárias não contabilizadas, aliada à falta de escrituração contábil e fiscal, durante três anos consecutivos, como forma de se furtar ao recolhimento de tributos, cabível a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Lançamento Procedente em Parte” Fl. 449DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Cientificada em 05 de novembro de 2008, a autuada interpôs recurso voluntário em 02 de dezembro de 2009, fls. 421 a 432, argumentando, em síntese, que: Em relação aos depósitos realizados na conta supostamente mantida pela Recorrente no Unibanco, reconheceu a decisão de primeira instância que, por ocasião da lavratura do auto de infração, já havia transcorrido o prazo decadencial para tal atitude; portanto, versa o presente recurso, apenas em relação aos depósitos na conta 9008308 da Capital World, mantida no Merchant's Bank of New York, e nas contas n 2 5309972417 Lara e 311012 Pescara, ambas junto ao JP Morgan Chase em Nova Iorque (essas últimas mantidas/administradas pela BSHC Beacon Hill Service Corporation). a autoridade lançadora somente enquadrou a hipótese descrita no auto no disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1.996, e nos artigos que definem o arbitramento de lucros e que estabelecem que a omissão de receitas deva integrar a base de cálculo desta modalidade de apuração. Diferente, porém, é a situação fundamentada na decisão que mais se relaciona à hipótese prevista no inciso II do artigo 281 do RIR, de 1999, o qual, por sua vez, não constou no auto de infração. Refuta que tenha realizado qualquer remessa para o exterior daqueles valores, muito menos para os destinatários apontados pela Fiscalização. Não existe nos autos, qualquer extrato das mencionadas contas, nem tampouco comprovantes de depósitos, apenas referências ao nome "Rio Intercâmbio" (exchange em inglês) como ordenante, na reprodução das contas mantidas pela Beacon Hill. O termo, aliás, é abrangente e pode ser aplicado a milhares de situações ou empresas que não a Recorrente. O laudo citado pelo auto de infração é um relatório sobre a contabilidade da referida empresa, e sequer é assinado em relação aos depósitos ora em apreço; tampouco existe qualquer evidência de que estes depósitos foram efetuados, remetidos ou ordenados pela Recorrente, a qual de igual modo, não foi beneficiada por nenhum saque da conta bancária situada no exterior, mormente quando a Recorrente já havia encerrado suas atividades em 31 de dezembro de 1999. Bastaria à fiscalização obter a conta de origem dos depósitos para verificar que a Recorrente jamais remeteu ou depositou qualquer um dos valores mencionados no auto de infração. A orientação desse Egrégio Conselho é firme no sentido de que a determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento lhe pertenciam, sendo incabível a aplicação dessa regra quando ausente no processo qualquer indício de que o titular de fato da conta bancária não seja o autuado. É patente o erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Os termos e atos que integram os autos de infração lavrados, a toda evidência, denotam que contra a pessoa jurídica autuada nenhuma Fl. 450DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 440 11 irregularidade foi apurada, até porque não foi feita qualquer investigação mais profunda em sua escrita fiscal e comercial. Consoante ressaltado na preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, a eleição da Recorrente como titular das contas bancárias investigadas devese ao fato de os verdadeiros titulares estarem sediados no exterior, estando, assim, fora do alcance da legislação fiscal brasileira. O fato de a legislação pátria não se aplicar aos residentes no exterior, especialmente se não tiverem qualquer vínculo com o País, como é o caso dessas empresas chamadas offshore, não dá à Fiscalização o direito de, sem qualquer respaldo em provas e elementos concretos, transferir a titularidade das mencionadas contas à Recorrente e muito menos lhe exigir tributos e contribuições sobre os valores lá movimentados. Os indícios apontados pelo Fisco, além de fantasiosos, não se prestam para estabelecer qualquer vínculo das contas bancárias com a Recorrente; não foi apurado nenhum pagamento feito para quitação de empregados ou demais compromissos da empresa com cheques emitidos contra aquelas contas, muito menos apurado vendas sem notas ou qualquer outro indício de omissão de receitas. Os lançamentos ora guerreados devem ser declarados nulos, por incidir do vício da incerteza e insegurança sobre os fatos autuados, falhas essas refutadas pelas normas que regem o Processo AdministrativoFiscal. Transcreve excertos da doutrina para concluir que o equívoco incorrido quando da autuação consiste não se fazer presente a condição de que os indícios não são coincidentes fazendo presumir de modo claro e inconcusso a apropriação de custos fictícios. Indaga: como extrair dessa ordem de indícios, a certeza de que os valores baixados correspondiam a custos fictícios? O próprio Primeiro Conselho de Contribuintes e a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais têm seguidamente acentuado a necessidade de observância fiel dos princípios de estrita legalidade e de tipicidade cerrada, cuja raiz está exatamente nas normas inscritas na Constituição e no Código Tributário Nacional, segundo as quais somente a lei pode definir incidências tributárias. No caso ora submetido a julgamento tratase de hipótese para a qual a legislação não estabeleceu presunção de auferimento de receita. Por conseqüência, a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração tem apoio exclusivamente na "presumptio hominis", e não encontra lastro na legalidade estrita, afrontando ademais a norma inscrita no artigo 142 do CTN, por desatendida a vinculação que ali se fez integrar a própria definição de lançamento. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Finaliza sua peça recursal salientando que não remeteu ou depositou qualquer dos valores que lhe está sendo indevida e levianamente atribuído, de sorte que não deve ao Tesouro imposto sobre esse valor. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, convém ressaltar que, embora conste do item 16 da impugnação apresentada em primeira instância administrativa, a questão da nulidade do lançamento por eventual erro na identificação do sujeito passivo, em razão de encerramento de suas atividades, não foi objeto de contestação específica por parte da Recorrente nesta fase recursal. Necessário também que se ressalte que em relação aos depósitos realizados na conta corrente mantida pela Recorrente junto ao Unibanco, reconheceu a decisão de primeira instância que, por ocasião da lavratura do auto de infração, já havia transcorrido o prazo decadencial para que a Fazenda Nacional pudesse constituir o respectivo crédito tributário. Portanto, a questão que se coloca sob discussão neste voto diz respeito apenas ao exame dos argumentos acerca do eventual erro na eleição da Recorrente como titular das referidas contas bancárias investigadas, expressamente questionado em sua peça recursal, além das remessas de numerários para a conta 9008308 da Capital World, mantida no Merchant's Bank of New York, e para as contas nº 5309972417 Lara e nº 311012 Pescara, ambas mantidas junto ao JP Morgan Chase em Nova Iorque (essas últimas mantidas/administradas pela BSHC Beacon Hill Service Corporation). No que diz respeito à utilização de presunções para definição dos efeitos tributários, releva observar que, a partir do advento da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, novas presunções legais de omissão de receitas foram inseridas no nosso ordenamento jurídico. No presente caso, cumprese destacar o art. 42 da citada Lei, por ter sido este o dispositivo legal capitulado pelo Auto de Infração (fls. 324 do presente processo). É a seguinte a redação do dispositivo em comento: “Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 441 13 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...)” Objetivando estabelecer regras precisas de lançamento de ofício baseado em omissão de receitas detectada por meio de movimentação financeira de origem não comprovada na hipótese em que ficar evidenciada a utilização de interposta pessoa ou de contas conjuntas, ao comando legal em referência foram acrescidos, a partir da edição do art. 58 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, (convertida na Lei nº 10.637, de 2002), os §§ 5º e 6º nos seguintes termos: “Art. 58. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5º e 6º: ‘Art. 42. ..................................................................... .................................................................................... § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.’(NR)” A Recorrente alega que a situação fundamentada na decisão parece estar relacionada à hipótese prevista no inciso II do artigo 281 do RIR, de 1999, dispositivo este que não constou da capitulação legal da infração descrita no Auto de Infração. Como fundamento de sua alegação, transcreve o seguinte excerto da decisão recorrida, extraído das fls. 410 e 411 do presente processo: “Para comprovação da primeira infração, consta nos autos as transcrições das mídias eletrônicas encaminhadas pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, constando as movimentações financeiras nas contas mantidas junto ao Merchant's Bank (conta nº 9008308 — Capital World) e JP Morgan Chase Bank (conta nº 530972417— Lara e conta nº Fl. 453DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 311012 — Pescara). As transcrições foram feitas pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal. Da análise dos laudos, verificase que a autuada figura com a remetente dos recursos, totalizando R$ 1.358.272,08. (...) A autuada não está sendo responsabilizada pelos depósitos nas contas de terceiros, mas sim pela falta de comprovação da origem dos recursos remetidos para o exterior nos anos calendários de 2000 e 2001, ainda mais quando encerradas as atividades econômicas desde 31/12/1999." (fls. 410/411 dos presentes autos). O art. 281, inciso II, citado pela Recorrente, consolida outra hipótese de presunção de omissão no registro de receita que foi inserida no ordenamento jurídico a partir do advento da Lei nº 9.430, de 1996, mais especificamente, disposta em seu art. 40. Neste caso, a hipótese de presunção de omissão de receitas também pode ficar caracterizada quando verificada a ocorrência de falta de escrituração de pagamentos efetuados. Contudo, tal artigo não serviu de fundamento para a decisão recorrida e tampouco para o lançamento consubstanciado no Auto de Infração questionado, conforme se verá a seguir. Para exame deste assunto, convém transcrever a parte do Termo de Verificação Fiscal, lavrado pela fiscalização às fls. 316 a 321, que relata a infração cometida pela contribuinte: “B Histórico. (...) 6 Há que se destacar que toda prova reunida e trazida ao país foi colhida legitimamente junto às autoridades norteamericanas do Departamento de Segurança Interna (DHS — United State Departament of Homeland Security), da Agência de Combate ao Narcotráfico (DEA — United State Drug Enforcement Administration), da procuradoria dos Estados Unidos (United State Attorney) para o distrito de Nova Jersey, e da Promotoria Distrital de Nova Iorque de Manhattan (District Attorney of New York), mediante autorizações de quebra de sigilo deferidas pela Justiça Federal do Paraná conforme citado no item 2 e pela Justiça dos Estados Unidos da América e mediante a intermediação das autoridades centrais dos dois países, no âmbito do MLAT (Tratado de Assistência Jurídica Mútua em Assuntos Penais, firmado pelo Brasil e pelos Estados Unidos da América). Os documentos foram devidamente autenticados, por meio de affidavits do DHS (United State Department of Homeland Security — Departamento de Segurança Interna) e do DJO (United State Department of Justice) e legalizados pela Secretaria Nacional de Justiça/Departamento de Recuperação de Ativos e de Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) para utilização como provas perante o poder Judiciário Brasileiro. 7 Com base nestes elementos, evidenciouse que diversos contribuintes nacionais enviaram divisas para o exterior ou as movimentaram no exterior, à revelia do sistema nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas Fl. 454DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 442 15 estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas offshore com participações de brasileiros. 8 A empresa "Beacon Hill Service Corporation" — BHSC mantinha uma conta própria no "JP Morgan Chase Bank" de Nova Iorque e administrava dezenas de outras contas (subcontas), e especial de "doleiros" brasileiros, exercendo, inclusive, controle sobre a origem dos depósitos. Algumas das subcontas tinham indicação de serem tituladas por empresas off shore, sediadas em paraísos fiscais e movimentadas por brasileiros na qualidade de procuradores. Há indícios de que esses procuradores eram reais titulares das subcontas, utilizandose destas empresas apenas como meio de esconder atividades irregulares. 9 Nas investigações realizadas pelas autoridades norte americanas descobriuse que havia cerca de trinta e nove contas no Merchants Bank of New York — base do esquema Nolasco – todas situadas na cidade de Nova Iorque dentre elas a de n° 9008308 da CAPITAL WORLD pertencente a offshore com sede em paraíso fiscal no Caribe, aberta por MARCO ANTONIO REIS SIMÃO em conjunto com seu irmão PAULO CEZAR REIS SIMÃO e gerida pela cidadã portuguesa, naturalizada norte americana, Maria Carolina Nolasco. 10 A Sra Maria Carolina Nolasco, em depoimento prestado em 15 de novembro de 2004, nos Estados Unidos, à Força Tarefa, confirmou que a conta Capital World pertencente a MARCO ANTONIO REIS SIMÃO em conjunto com seu irmão PAULO CEZAR REIS SIMÃO, que estes são do ramo do turismo e câmbio na cidade do Rio de Janeiro e que tratava com os dois, sobre a movimentação da conta. 11 Os Srs. PAULO CEZAR REIS SIMÃO e MARCO ANTONIO REIS SIMÃO são proprietários, dentre outras, do contribuinte sob fiscalização. 12 Os Srs. PAULO CEZAR REIS SIMÃO e MARCO ANTONIO REIS SIMÃO na qualidade de "doleiros", valendose da Rio Exchange Turismo Ltda, operam no exterior, através da conta Capital World aberta em nome de uma offshore, com recursos financeiros brasileiros, de procedência suspeita, no desiderato de ocultar os efetivos "donos do dinheiro", eles próprios ou terceiros seus clientes. 13 Mediante requisição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, o Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal (INC) elaborou laudos periciais, que demonstraram a movimentação financeira da conta Capital World. Estas movimentações se referem às transferências eletrônicas (wire transfers) e foram apresentadas em mídia eletrônica (CD) obtidas junto às autoridades americanas (item 6). Fl. 455DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 14 Os laudos demonstraram que os valores que transitaram pela aludida conta, tiveram como origem ou destinos outras mantidas junto ao próprio Merchant's Bank, bem como subcontas da Beacon Hil Service Corp. e mantidas por ex correntistas do Banestado em Nova Iorque ou que com eles se relacionaram, revelando as relações e conexões entre os esquemas Banestado, Merchant's Bank e Beacon Hill como parte de uma câmera de compensação entre doleiros. (...) E — Fiscalização. 1 "Omissão de Receitas" — caracterizada por depósitos bancários de origens não comprovadas. Regularmente intimado através do item 1 do Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 29/09/2006, cuja ciência do contribuinte ocorreu em 06/10/2006 por via postal (AR), a comprovar através de documentação hábil e idônea as origens dos recursos que deram suporte as movimentações financeiras em moeda estrangeira (dólares americanos) na conta de n° 9008308 junto ao Merchant's Bank em Nova Iorque pertencente à "offshore" Capital World Inc. com sede nas Ilhas Virgens Britânicas da qual os sócios do contribuinte são um dos controladores, conforme demonstrativo abaixo discriminado encaminhado à SRF pela 2ª Vara Criminal da Justiça Federal do Paraná objeto dos autos de 2005.70.00.0340091 no qual acolheu a denúncia do MPF de Curitiba constante do processo n° 1.25.000.000863/200575. Data Valor – US$ Taxa de Câmbio Valor R$ 29/03/2001 100,000.00 2,12360 212.360,00 Soma Mês 100,000.00 212.360,00 04/04/2001 40,000.00 2,15840 86.336,00 05/04/2001 35,000.00 2,17320 76.062,00 09/04/2001 30,000.00 2,15890 64.767,00 17/04/2001 100,000.00 2,15730 215.730,00 19/04/2001 65,000.00 2,18880 142.272,00 Soma Mês 270,000.00 585.167,00 Total Ano 370,000.00 797.527,00 O fiscalizado, em sua resposta por nós recebida em 19/10/2006, equivocadamente datada de 05/09/2006, alegou que desconhece estas movimentações financeiras. 2 "Omissão de Receitas" — caracterizada por depósitos bancários de origens não comprovadas. Regularmente intimado através do item 2 do Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 29/09/2006, cuja ciência do contribuinte ocorreu em 06/10/2006 por via postal (AR), a comprovar através de documentação hábil e idônea as origens dos recursos que deram suporte as movimentações financeiras em moeda estrangeira (dólares americanos) nas contas de n° 530972417Lara e 311012 Pescara, ambas junto ao JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque, mantidas/administradas por BSHC — Beacon Hill Service Corporation, onde o contribuinte figura como ordenante das remessas, conforme mencionado no Laudo Pericial n°. 1288/04 do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, obtido por Decisão Judicial de 29/04/2004, da r. Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, conforme demonstrativo abaixo: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 443 17 Conta Data Valor US$ Taxa de Câmbio Valor R$ 311012 11/10/2000 50,000.00 1,85740 92.870,00 Total Ano 50,000.00 92.870,00 530972417 26/12/2001 200,710.00 2,33110 467.875,08 Total Ano 200,710.00 467.875,08 O fiscalizado, em sua resposta por nós recebida em 19/10/2006, equivocadamente datada de 05/09/2006, alegou que desconhece estas contas bem como suas movimentações. (...)” No Auto de Infração de lançamento do IRPJ, fls. 323 e 324, a fiscalização assim caracterizou a infração: Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2000 06/2000 09/2000 12/2000 03/2001 06/2001 12/2001 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99. 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal, anexo e parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/03/2000 R$ 534.401,25 150,00 (...) 31/12/2001 R$ 467.875,08 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96 Arts. 532 e 537 do RIR/99. (...)” Portanto, no caso sob exame, o procedimento da autoridade fiscal se ateve ao lançamento dos valores constantes dos elementos de prova colhidos legitimamente junto às autoridades norteamericanas, tão somente em relação àqueles para os quais se constatou que o contribuinte deixou de comprovar, por meio de documentação hábil e idônea as origens dos recursos que deram suporte as movimentações financeiras em moeda estrangeira (dólares americanos): Fl. 457DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 1 na conta de n° 9008308 junto ao Merchant's Bank em Nova Iorque pertencente à "offshore" Capital World Inc. com sede nas Ilhas Virgens Britânicas da qual os sócios do contribuinte são um dos controladores, e; 2 nas contas de n° 530972417Lara e 311012Pescara, ambas junto ao JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque, mantidas/administradas por BSHC — Beacon Hill Service Corporation, onde o contribuinte figura como ordenante das remessas. Por sua vez, a decisão recorrida assim expôs suas razões de decidir: “Omissão de Receitas caracterizadas por depósitos bancários de origens não comprovadas — março e abril de 2001 De acordo com o TVF, a autuada foi devidamente intimada para comprovar através de documentação hábil e idônea as origens dos recursos que deram suporte às movimentações financeiras em moeda estrangeira na conta n° 9008308. As movimentações financeiras estão devidamente discriminadas, sendo que a autuada consta como remetente dos recursos, e não como receptora (no caso, a conta n° 9008308). A comprovação das remessas encontrase nas transcrições das mídias eletrônicas, fls. 196/197/198, sendo que o nome da autuada consta no campo "a5000_org", ou seja, a ordenante das transferências, segundo orientação do Laudo n° 894/05 do INC, fl. 168. Neste contexto, não importa o destinatário dos recursos, se contas de terceiros ou dela própria. Nesta autuação, o foco da autuação fiscal é naquele que possuía os recursos que foram transferidos, e qual a sua origem. A fiscalização foi clara ao intimar a esclarecer a origem dos recursos remetidos, tendo a autuada como a ordenante. Em resposta, autuada se limitou a informar que desconhecia as movimentações financeiras. Assim, uma vez não comprovada a origem, forçoso concluir que os recursos remetidos foram mantidos à margem da escrituração, não sendo oferecidos à tributação.” Portanto, tendo em vista tratarse de remessas de recursos da autuada para a conta bancária nº 9008308, movimentada no exterior, o que a fiscalização pretendeu buscar, na verdade, foi a comprovação da origem dos recursos remetidos para o exterior. Conforme se constata das transcrições das mídias eletrônicas, fls. 196/197/198, uma vez que se trata de ordens de pagamento recebidas pela referida conta nº 9008308, são utilizados os seguintes campos para identificação dessas operações, além dos correspondentes à data e valor: CAMPO IDENFICAÇÃO DO CAMPO (conforme Laudo n.° 894/05 – INC) a5000_org Ordenante a5100_orig_fin informações adicionais da instituição de origem a5200 Ins fi outros dados da instituição de origem ou ordenante a3100 nome banco remetente Fl. 458DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 444 19 a6500_bbi informações adicionais de banco para banco a4200_addreess Das seis remessas de recursos que aparecem o nome da autuada como ordenante, fls. 196/197/198, não se constata nenhum dado que faça referência ao beneficiário dos respectivos valores. A conclusão lógica que se chega então é que a beneficiária dessas remessas teria sido a própria autuada, e não um terceiro. Equivocada, pois, é a alegação no sentido de que a decisão recorrida teria se fundamentado no art. 281, inciso II, do RIR, de 1999, não capitulado pelo Auto de Infração, eis que evidenciado o não havendo envolvimento de terceiro beneficiário na operação de remessa de recursos ao exterior pela autuada. Daí, não faz sentido questionar acerca do destino e dado a esses recursos no exterior (se para pagamentos de despesas ou compromissos no exterior), como pretende a Recorrente. Dos dois lançamentos destacados anteriormente, percebese existir distinção entre ambos na medida em que o primeiro se refere à omissão de receita caracterizada por depósitos de origens não comprovadas realizados em moeda estrangeira em conta bancária controlada por seus sócios. Já a omissão de receita objeto do segundo lançamento, se relaciona aos valores transferidos para contas de terceiros, cujos comprovantes o contribuinte figura como ordenante. No que concerne ao primeiro lançamento, conforme relatado pelo Termo de Verificação Fiscal, a conta de n° 9008308 da CAPITAL WORLD pertence à offshore com sede em paraíso fiscal no Caribe, aberta por MARCO ANTONIO REIS SIMÃO em conjunto com seu irmão PAULO CEZAR REIS SIMÃO (sócios da Recorrente) e gerida pela cidadã portuguesa, naturalizada norteamericana, Maria Carolina Nolasco. Tal relato pode ser confirmado pela cópia do depoimento colhido na audiência de interrogatório dos referidos sócios (realizada em 16/05/2006 nos autos de Ação Penal n° 2005.70.00.0340091, na 2ª Vara Federal de CuritibaPR, anexo às fls.159 a 315 dos presentes autos), da qual se depreende que o sr. Paulo Cezar Reis Simão atesta ser sócio da empresa Rio Exchange, ora Recorrente, durante o período de 1993 até 2002, quando encerraram as atividades desta empresa. Confirma também ter criado a empresa offshore (CAPITAL WORLD INC) e também aberto a conta no Merchants Bank (nº 9008308) conjuntamente com seu irmão Marco Antônio Reis Simão (também sócio da Recorrente), bem como identificou como seus os documentos pessoais utilizados para abertura da conta no referido banco estrangeiro (identidade, CPF e Ficha cadastral e do cartão da empresa Rio Exchange Turismo, nome fantasia Rio Câmbio e Turismo (todos oriundos da apreensão realizada pelas autoridades americanas no Marchants Bank, fls. 131 a 143). Chegou também a admitir ter efetuado alguma operação na referida conta, porém não se recordando qual o valor. Embora negue que a Rio Exchange tenha feito seis remessas totalizadas em 370 mil dólares (relacionadas acima, documentos às fls. 196 a 198), disse que não faria uma operação dessas porque tinha autorização do Banco Central para compra e venda de moedas estrangeiras aqui no Brasil. Indagado, porém, sobre o período que detinha tal autorização, o sr. Paulo Cezar respondeu que ficou sem esta autorização no ano de 1998. Desse depoimento, portanto, fica evidenciado que os sócios da Recorrente foram, de fato, os responsáveis pela abertura da empresa CAPITAL WORLD INC, offshore com sede em paraíso fiscal no Caribe, bem como pela abertura da conta CAPITAL WORLD nº Fl. 459DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 9008308, movimentada no Merchants Bank of New York. Também ficou claro pelo interrogatório do referido sócio que a Recorrente atuou no mercado até o ano de 2002. Sobre este último fato, trazido em audiência de interrogatório realizada em 16/05/2006 nos autos do processo de ação penal, convém ressaltar que o fato de a contribuinte ter operado no mercado até o ano de 2002 põe em xeque e desnatura a força probatória pretendida pela Recorrente com relação o “DISTRATO SOCIAL”, fls. 353 a 355, no qual consta a que a Recorrente teria encerrado suas atividades em 31/12/1999. Ademais, chama atenção o fato de que o referido “DISTRATO SOCIAL” foi firmado por seus sócios em 30/01/2006 e registrado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro – JUCERJA em 09/02/2006. Ou seja, foi firmado e registrado durante o curso da ação penal em andamento na Justiça Federal (apenas cerca de três meses antes da referida audiência de interrogatório) e, ainda, mais de seis anos após a data em que a Recorrente pretende oficializar o encerramento de suas atividades. Também chama atenção outro fato destacado anteriormente em relação à indagação acerca da época em que a Recorrente não mais possuía a autorização do Banco Central para a compra e venda de moedas estrangeiras no Brasil. Nesse sentido, o sócio, sr. Paulo Cezar, afirma textualmente que: “(...) Ministério Público Federal: E qual é o período que o senhor teve essa autorização? Durante todo o período da empresa o senhor tinha essa autorização? Depoente: Não, não, nós perdemos a nossa autorização do BACEN quando houve no Rio várias fiscalizações e várias agências perderam a autorização do Banco Central. Ministério Público Federal: O senhor sabe a época? Depoente: Que eu fiquei sem autorização? Ministério Público Federal: É. Depoente: Creio eu que em 1998. Ministério Público Federal: Em 1998? Depoente: Exatamente.” A conclusão que se chega, pois, é que a partir do ano de 1998 e até o ano de 2002, a atuação da Recorrente no mercado de compra e venda de moedas estrangeiras foi processada sem a autorização do Banco Central do Brasil. Diante destas evidências extraídas a partir dos documentos que integram os presentes autos fica demonstrada, de forma robusta e inconteste, a existência da estreita ligação entre a Recorrente e a conta CAPITAL WORLD nº 9008308, haja vista ter sido aberta pelos seus sócios no Merchants Bank of New York. Comprovada tal ligação, estabelecese o vínculo necessário para a caracterização da presunção de omissão de receitas decorrente das seis remessas destinadas a essa conta, no valor global de US$ 370.000,00 (R$ 797.527,00), de responsabilidade da empresa Rio Exchange Turismo Ltda, ora Recorrente. Portanto, fica configurada a situação que se subsume à hipótese prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, anteriormente transcrito, bem como conferida validade ao lançamento administrativo, a teor do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 445 21 Nesse caso, ao contrário do que alegou a autuada em sua peça recursal, tipificada a hipótese de presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, transfere se ao sujeito passivo o ônus da prova da regular origem dos recursos utilizados nas operações que deram origem à presunção legal, aspecto que a Recorrente não logrou fazer no caso presente. Estando, pois, perfeitamente identificados no auto de infração a fundamentação do lançamento e o enquadramento legal que tipifica a infração, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. A respeito do mencionado valor de recursos, convém observar que, de acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, fls. 109 dos presentes autos, a mencionada conta da CAPITAL WORLD movimentou mais de onze milhões de dólares norteamericanos provenientes de 298 remessas realizadas por diversas pessoas físicas e jurídicas. Dentre essas remessas, responde a Rio Exchenge Turismo Ltda, pela quantidade de seis remessas no valor global de US$ 370.000,00, durante o período de 29/03/2001 a 19/04/2001, conforme se observa dos registros anexos às 196 a 198 dos presentes autos. Existindo nos autos elementos que identificam a contribuinte como sendo a autora de transferências bancárias ao exterior, não há como prosperar as alegações de erro de identificação do sujeito passivo. Observese que, sendo os sócios da Recorrente as mesmas pessoas que controlaram e movimentaram a referida conta CAPITAL WORLD nº 9008308 durante o período fiscalizado, o mínimo que se espera deles é a gerência natural e normal dos recursos que ingressaram na conta por eles aberta no exterior. Sendo, pois, gestores da referida conta tiveram oportunidade de verificar os valores nela ingressados mediante os respectivos extratos de movimentação bancária. Daí, não há razão para, somente agora, alegar o desconhecimento dos valores remetidos pela própria Rio Exchange Turismo Ltda, da qual são sócios, para a conta CAPITAL WORLD nº 9008308, da qual são responsáveis pela sua movimentação. Nesse caso, conforme mencionado anteriormente, caberia à Recorrente o ônus da prova da regular origem dos recursos utilizados nas operações que deram origem à presunção legal, aspecto que não logrou fazer em nenhum momento deste processo. Mesmo regularmente intimada a comprovar, através de documentação hábil e idônea, as origens dos recursos relativos às seis mencionadas remessas, bem como a natureza/causa das operações de remessas para a conta nº 9008308, mantida por seus sócio no exterior, a interessada não apresentou nenhum documento comprobatório daqueles recursos. Ressaltese que, em que pese a alegação da Recorrente acerca da falta de assinatura do Laudo Pericial nº 895/05 – INC, fls. 165 a 171, corroboram o mencionado procedimento realizado pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Policia Federal, o Ofício do Departamento de Polícia Federal, fls. 119 a 121, respectiva autorização expedida pela Justiça Federal, fls. 122 a 125, o Ofício nº 66, de 2004 do Ministério da Justiça encaminhando a documentação recebida das autoridades norteamericanas, fls. 126 a 158, os relatórios “Arquivos Digitais Merchants Bank” juntados às fls. 172 a 298, e o citado Termo de Transcrição dos depoimentos colhidos na audiência de interrogatório, realizada nos autos de Ação Penal n° 2005.70.00.0340091, em 16/05/2006, devidamente assinado pelo competente Juiz Federal, fls. 299 a 314. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 Ressaltese também ser infundada a alegação de que a fiscalização não realizou qualquer investigação mais profunda em sua escrituração fiscal e comercial, mesmo porque a exigência do presente crédito tributário teve por base de cálculo o lucro arbitrado, em face justamente de o contribuinte haver deixado de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal (art. 530, inciso III, do RIR/99). Também não produz o efeito desejado pela Recorrente a indagação relacionada a supostos custos fictícios, eis que tal matéria não constitui objeto tratado nos presentes autos. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Portanto, o conjunto dos elementos que integra os presentes autos constitui prova legítima e robusta capaz de evidenciar não somente as circunstâncias envolvidas nas operações de remessas recursos, mas também a estreita ligação entre a contribuinte e a conta bancária receptora destes recursos no exterior, aberta e controlada pelos próprios sócios da autuada. Uma vez que a remetente desses recursos, após intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações, mediante documentação hábil e idônea, fica caracterizada a presunção legal de omissão de receitas operacionais. O segundo lançamento descrito no Termo de Verificação Fiscal, conforme mencionado, distingue do analisado anteriormente em razão de apontar como fato gerador a situação segundo a qual o contribuinte deixou de comprovar, por meio de documentação hábil e idônea as origens dos recursos que deram suporte às movimentações financeiras em moeda estrangeira (dólares norteamericanos), nas contas de n° 530972417Lara e 311012Pescara, ambas movimentadas junto ao JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque, mantidas/administradas por BSHC — Beacon Hill Service Corporation, nas quais o contribuinte figura como ordenante das remessas. Conforme consta do referido Termo de Verificação Fiscal, este fato gerador fica se configura a partir do Laudo Pericial n° 1288/04 do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, obtido por Decisão Judicial de 29/04/2004, da r. Vara Criminal Federal de Curitiba/PR. De plano, cumprese observar que, do exame dos elementos que integram o presente processo, não se constata a existência do referido Laudo Pericial nº 1288/04. O único documento que apresenta valores e datas coincidentes com os relacionados no Termo de Verificação Fiscal se encontra juntado, por cópia, às fls. 26 dos presentes autos. Deste documento, que integra o Termo de Intimação Fiscal lavrado pela fiscalização em 29/09/2006, se consegue constatar, tãosomente, a indicação da Recorrente como ordenante daquelas duas operações de remessa de recursos registrados nas contas n° 530972417Lara e 311012 Pescara, ambas movimentadas junto ao JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque. Embora conste citada na denúncia promovida pelo Ministério Público à Justiça Federal, cópia às fls. 98, em relação à averiguação das operações constantes da conta nº 9008308, controlada pelos sócios MARCO ANTONIO e PAULO CÉSAR (anteriormente analisada), mencionarem ter sido esta alimentada pelas contas n° 530972417Lara e 311012 Pescara, ora sob exame, dos agentes das remessas enumeradas na mencionada denúncia do Ministério Público Federal não se consegue evidenciar nenhuma referência à Rio Exchange Turismo Ltda. Tampouco os valores e datas relacionados naquele ato de acusação do Ministério Público correspondem aos descritos pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 446 23 É de se concluir, pois, que o documento juntado pela fiscalização às fls. 26 dos presentes autos, por si só, constitui apenas um indício que não consegue evidenciar qualquer vínculo entre a Recorrente e as mencionadas contas n° 530972417Lara e 311012 Pescara, ambas junto ao JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque. Diante do exposto, a falta de elementos probatórios capazes de evidenciar a ligação entre a contribuinte e as operações registradas nas referidas contas não configura a presunção fiscal de omissão de receitas e, consequentemente, impede a manutenção do feito fiscal, nesta parte. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir tão somente os seguintes valores das bases tributáveis relativas ao IRPJ, à CSLL, à COFINS e ao PIS: Fato Gerador Valor R$ 11/10/2000 92.870,00 26/12/2001 467.875,08 (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio foi levantada questão que antecede ao exame do mérito, atinente à sujeição passiva, o que, afinal, conduziu a conclusão diversa. Do exame dos autos se constata que o Fisco identificou como sujeito passivo da obrigação tributária, na qualidade de contribuinte, a pessoa jurídica RIO EXCHANGE TURISMO LTDA. E, ainda, que essa pessoa jurídica já se encontrava extinta desde momento anterior ao do lançamento, anterior mesmo ao do início do procedimento de fiscalização. Com a extinção por liquidação voluntária, cessa a personalidade jurídica daquela tida por contribuinte no lançamento ora discutido, o qual não pode, assim, subsistir. A jurisprudência majoritária da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e também deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a qual concordo, é de que pessoa jurídica extinta não pode figurar no pólo passivo da relação jurídicotributária, conforme ilustram as decisões cujas ementas são a seguir transcritas: LANÇAMENTO – PESSOA JURÍDICA EXTINTA – LIQUIDAÇÃO – O artigo 121 estabelece que o sujeito passivo é quem estiver obrigado ao pagamento do tributo, que pode ser o contribuinte ou o responsável indicado na lei. A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que não é possível promover lançamento (formalização da relação jurídico Fl. 463DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 24 tributária) contra uma pessoa extinta pois ela é inexistente no mundo jurídico. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO – PESSOA JURÍDICA EXTINTA – É inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica extinta, bem como a transferência do pólo passivo da relação jurídica tributária no curso do processo administrativo a um dos sócios da empresa sem o devido processo legal para identificar o responsável conforme previsto no Código Civil e no Código Tributário Nacional (arts. 128 a 135), abrindo a possibilidade do direito à ampla defesa e ao contraditório. (Ac. CSRF/0105.352, de 05/12/2005, Rel. Cons. José Henrique Longo). SOCIEDADE EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. A pessoa jurídica dissolvida por deliberação social não é titular de direitos, nem sujeito de obrigação. Os direitos se transmitem aos seus membros de acordo com a vontade expressa no contrato de dissolução e as obrigações, inclusive as tributárias, por força de lei. (Ac. 10322.779, de 06/12/2006, Rel. Cons. Paulo Jacinto do Nascimento). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, sendo inadmissível a lavratura de auto de infração contra ela após sua liquidação. (Ac. 10323.204, de 14/09/2007, Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. (Ac. 10516.986, de 27/05/2008, Rel. Cons. Waldir Veiga Rocha) Ressalto, por oportuno, que, no caso concreto, a extinção da pessoa jurídica se deu mediante o registro de seu Distrato Social na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro – JUCERJA, em 09/02/2006 (fls. 353/355v), bem antes do início do procedimento fiscal (em 17/08/2006, cf. AR à fl. 10) e da lavratura dos autos de infração (em 29/11/2006, fl. 322). Também não vislumbro qualquer tentativa de ocultação dos fatos por parte do representante da pessoa jurídica já então extinta, visto que os fatos eram claramente do conhecimento da Fiscalização por ocasião do lançamento, tanto assim que o Distrato Social é expressamente mencionado no Termo de Verificação Fiscal à fl. 320. O Fisco, ao que parece, não deu qualquer importância a essa circunstância e simplesmente a ignorou, como se inexistente ou ineficaz fosse. Muito menos houve qualquer tentativa de imputação, na forma da lei, de responsabilidade tributária a quem quer que seja. De fato, extinta a pessoa jurídica, deixa de ter a capacidade de ser titular de direitos e obrigações, particularmente a tributária. Não mais pode se revestir da qualidade de contribuinte, e uma relação jurídicotributária em que o pólo passivo está vazio é, por certo, uma relação inexistente juridicamente, causa de nulidade do lançamento ora discutido. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 130100.753 S1C3T1 Fl. 447 25 Em conclusão, a decisão do colegiado foi por dar provimento ao recurso voluntário, por entender nula a constituição do crédito tributário, em razão de ter sido lançado o tributo em nome de pessoa jurídica extinta. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 465DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digita lmente em 22/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10166.011757/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos
preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
PENSÃO PERCEBIDA POR PORTADOR DE DEFICIÊNCIA MENTAL.
TRIBUTAÇÃO.
As importâncias percebidas por deficientes mentais a título de pensão, pecúlio, montepio e auxílio, quando decorrentes de prestações do regime de previdência social ou de entidades de previdência privada são isentas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.733
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PENSÃO PERCEBIDA POR PORTADOR DE DEFICIÊNCIA MENTAL. TRIBUTAÇÃO. As importâncias percebidas por deficientes mentais a título de pensão, pecúlio, montepio e auxílio, quando decorrentes de prestações do regime de previdência social ou de entidades de previdência privada são isentas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.011757/200855 Acórdão n.º 210201.733 S2C1T2 Fl. 194 2 EDITADO EM: 02/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra LILIA MIRANDA DE SIQUEIRA LIMA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 05/09, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 34.339,96, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 28/12/2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, no valor de R$ 70.778,50 e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 87,45. Inconformada com a exigência, a curadora da contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/04, onde alega, em apertada síntese, que a pensão recebida do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios é isenta em razão de a contribuinte ser portadora de doença grave, nos termos do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. A autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/BSB nº 0333.649, de 30/09/2009, fls. 37/41. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 15/12/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 191, a curadora da contribuinte apresentou, em 14/01/2010, recurso voluntário, fls. 44/49, no qual traz as alegações a seguir resumidas: É nulo o lançamento por cerceamento ao direito de defesa em razão de não ter sido oportunizado à contribuinte durante o procedimento fiscal apresentar os documentos outrora demandados, que comprovam a situação fática e jurídica da recorrente. A recorrente é portadora de enfermidade mental, de maneira que é incapaz de reger seus atos da vida civil, conforme sentença judicial em processo de interdição transitada em julgado, enquadrandose no caso específico do Decreto n°3000/1999 e da Lei n° 8.687, de 20 de julho de 1993. É o Relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.011757/200855 Acórdão n.º 210201.733 S2C1T2 Fl. 195 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De pronto, vale dizer que a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte foi considerada matéria não impugnada na decisão recorrida, de sorte que a lide aqui examinada restringese tãosomente à infração de omissão de rendimentos. No recurso, a defesa argúi a nulidade do lançamento, pois entende que restou caracterizado o cerceamento ao direito de defesa em razão de não ter sido devidamente cientificada do Termo de Intimação Fiscal, lavrado durante o procedimento fiscal. De fato, consta da Notificação de Lançamento que a contribuinte teria sido intimada e que até a data da lavratura da Notificação de Lançamento não teria atendido à intimação para prestar esclarecimentos. Segundo a recorrente o nãoatendimento à intimação deveuse ao fato de o Termo de Intimação ter sido encaminhado para o endereço da antiga curadora da contribuinte. Contudo, o fato de a contribuinte ter deixado de atender ao mencionado Termo de Intimação em nada prejudicou sua defesa, pois cientificada do lançamento, apresentou, tempestivamente, sua impugnação, acostando aos autos os documentos que entendeu pertinentes para comprovar a tese argüida de que os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios são isentos. Registrese, ainda, que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e que na lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estando em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Assim, não pode prosperar a argüição de nulidade do lançamento suscitada pela recorrente. No mérito, a defesa alega que os rendimentos percebidos pela contribuinte são isentos nos termos do art. 1º da Lei nº 8.687, de 20 de julho de 1993: Art. 1º Não se incluem entre os rendimentos tributáveis pelo Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza as importâncias percebidas por deficientes mentais a título de pensão, pecúlio, montepio e auxílio, quando decorrentes de prestações do regime de previdência social ou de entidades de previdência privada. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.011757/200855 Acórdão n.º 210201.733 S2C1T2 Fl. 196 4 Parágrafo único. Para fins do disposto nesta Lei, considerase deficiente mental a pessoa que, independentemente da idade, apresenta funcionamento intelectual subnormal com origem durante o período de desenvolvimento e associado à deterioração do comportamento adaptativo. Art. 2º A isenção do Imposto de Renda conferida por esta Lei não se comunica aos rendimentos de deficientes mentais originários de outras fontes de receita, ainda que sob a mesma denominação dos benefícios referidos no artigo anterior. No presente caso, cuidase de pensão recebida do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e, conforme Laudo Médico, fls. 11, inferese que a contribuinte é portadora de patologia caracterizada pelo CID 10 – G403 e F41, os quais são assim definidos: G40.3 Epilepsia e síndromes epilépticas generalizadas idiopáticas Convulsões neonatais benignas (familiares) Crises epilépticas não específicas: atônicas clônicas mioclônicas tônicas tônicoclônicas Epilepsia (de): ausências da adolescência ausências da infância [picnolepsia] com crises grande mal ao despertar mioclônica benigna da infância mioclônica juvenil [pequeno mal impulsivo] (...) F71.Retardo mental moderado Amplitude aproximada do QI entre 35 e 49 (em adultos, idade mental de 6 a menos de 9 anos). Provavelmente devem ocorrer atrasos acentuados do desenvolvimento na infância, mas a maioria dos pacientes aprendem a desempenhar algum grau de independência quanto aos cuidados pessoais e adquirir habilidades adequadas de comunicação e acadêmicas. Os adultos necessitarão de assistência em grau variado para viver e trabalhar na comunidade. Inclui: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.011757/200855 Acórdão n.º 210201.733 S2C1T2 Fl. 197 5 atraso mental médio oligofrenia moderada subnormalidade mental moderada Concluise, portanto, que os rendimentos recebidos pela contribuinte se enquadram no disposto no art. 1º da Lei nº 8.687, de 1993, sendo, pois, não tributáveis. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000200/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004
SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO
STF. IMPROCEDÊNCIA
Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004
ERROS MATERIAIS NA LAVRATURA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO ADMINISTRADO OU LESÃO AO INTERESSE PÚBLICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há de se declarar a nulidade de procedimento fiscal em razão de erros materiais que não provoquem prejuízo ao contribuinte ou lesão ao interesse público.
MPF. PRORROGAÇÃO. COMANDO NO SISTEMA INFORMATIZADO.
DISPONIBILIZAÇÃO PELA INTERNET.
Com a edição do Decreto n. 6.104/2007 e da Portaria RFB n. 4.066/2007 abriu-se a possibilidade da Administração Tributária efetuar a prorrogação do MPF mediante simples comando no sistema informatizado, podendo o contribuinte visualizar a prorrogação mediante consulta na internet.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.968
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004 SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004 ERROS MATERIAIS NA LAVRATURA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO ADMINISTRADO OU LESÃO AO INTERESSE PÚBLICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há de se declarar a nulidade de procedimento fiscal em razão de erros materiais que não provoquem prejuízo ao contribuinte ou lesão ao interesse público. MPF. PRORROGAÇÃO. COMANDO NO SISTEMA INFORMATIZADO. DISPONIBILIZAÇÃO PELA INTERNET. Com a edição do Decreto n. 6.104/2007 e da Portaria RFB n. 4.066/2007 abriu-se a possibilidade da Administração Tributária efetuar a prorrogação do MPF mediante simples comando no sistema informatizado, podendo o contribuinte visualizar a prorrogação mediante consulta na internet. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004 SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004 ERROS MATERIAIS NA LAVRATURA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO ADMINISTRADO OU LESÃO AO INTERESSE PÚBLICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há de se declarar a nulidade de procedimento fiscal em razão de erros materiais que não provoquem prejuízo ao contribuinte ou lesão ao interesse público. MPF. PRORROGAÇÃO. COMANDO NO SISTEMA INFORMATIZADO. DISPONIBILIZAÇÃO PELA INTERNET. Com a edição do Decreto n. 6.104/2007 e da Portaria RFB n. 4.066/2007 abriuse a possibilidade da Administração Tributária efetuar a prorrogação do MPF mediante simples comando no sistema informatizado, podendo o contribuinte visualizar a prorrogação mediante consulta na internet. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000200/200809 Acórdão n.º 240101.968 S2C4T1 Fl. 144 3 Relatório A autuação Tratase do Auto de Infração n. 37.184.0686, mediante o qual são exigidas contribuições devidas Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, retidas pelo adquirente, na condição de subrogado, incidentes sobre o valor da comercialização do produto rural adquirida de pessoa física e segurado especial, cujos recolhimentos não foram comprovados ou foram efetuados a menor. O crédito, consolidado em 04/09/2008, assumiu o montante de R$ 176.435,34 (cento e setenta e seis mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e trinta e quatro centavos). O sujeito passivo foi cientificado do mesmo em 25/09/2008, fl. 41. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 32/35, o fato gerador das contribuições foi a aquisição, pela autuada, de produtos rurais comercializados por produtor pessoa física ou por segurado especial. Relata o Fisco que as bases de cálculo, consistente no valor bruto da operação de aquisição dos produtos rurais, foi extraída de arquivos digitais fornecidos pela empresa, informações essas confrontadas com lançamentos contábeis e com os Livros de Registro de Entrada de Mercadorias. Informase que foram emitidas duas Representações Fiscais para Fins Penais, a primeira motivada pela omissão de declaração na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP dos fatos geradores dos quais decorreram as contribuições lançadas no presente AI e a outra pela falta de recolhimento do total das contribuições retidas do empregador rural pessoa física e do segurado especial. A impugnação A autuada apresentou impugnação, fls. 39/48, na qual, em apertada síntese, alegou que o procedimento fiscal é nulo uma vez que o Termo de Início da Ação Fiscal foi lavrado em 19/05/2005 e o Mandado de Procedimento Fiscal MPF somente foi emitido em 30/04/2008. Afirma que o encerramento da ação fiscal se deu em 17/09/2008, portanto mais de três anos após a lavratura do TIAF e a mais de 120 dias da emissão do MPF, portanto a expiração desse, como se verifica em consulta realizada no sítio da Administração Tributária. Sustenta que parte do débito apurado encontrase quitado. Assevera terem sido recolhidas as contribuições relativas às competências: 03/2004, 04/2004, 06/2004, 09/2004, 10/2004 e 12/2004, todavia, o Fisco os apropriou erroneamente no AI n. 37.184.066 0. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Alega que a contribuição ao SENAR, por ter sido instituída pela por lei ordinária (Lei n. 8.315/1991), é inconstitucional, posto que nos termos Constituição Federal, art. 195, § 4. , combinado com o art. 154, I, tal matéria estaria reservada à lei complementar. Ao final, pede: a) o reconhecimento da nulidade do procedimento em razão da expiração do MPF; b) a exclusão dos valores recolhidos; c) que se reconheça a ilegalidade da contribuição destinada ao SENAR; e c) que as intimações do presente PAF sejam encaminhada para a empresa e também para sua patrona. A decisão de primeira instância A Delegacia de Julgamento em Campo Grande (MS) declarou, fls. 86/97, procedente o lançamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. A fiscalização lavrará notificação fiscal débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. SENAR. É devida a contribuição do empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, para o Serviço Nacional Rural, calculada sobre a receita bruta proveniente da venda de produtos rurais. COMUNICAÇÃO PROCESSUAL A comunicação processual será feita na forma pessoal, ou por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N° 11.941/2009 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA A análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000200/200809 Acórdão n.º 240101.968 S2C4T1 Fl. 145 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recurso Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 104/120, no qual, alem da preliminar de nulidade apresentada na defesa, aduziu que o Supremo Tribunal Federal se pronunciou pela inconstitucionalidade dos dispositivos que dão guarida ao lançamento, ao julgar o Recurso Extraordinário RE 363852/MG, apresentado pelo Frigorífico Mataboi S/A. Pede então que o CARF afaste a aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais pelo Pretório Excelso no julgamento acima mencionado. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da nulidade do procedimento Argüiu a recorrente que o fato do TIAF ter sido lavrado no ano de 2005, bem como do procedimento fiscal ter sido encerrado somente após a expiração do MPF, seriam causas de nulidade do procedimento fiscal, em razão de tais situações terem prejudicado o seu direito de defesa. De fato, está estampada no TIAF, fls. 31/32, a data de lavratura como o dia 19/05/2005. Esse fato, no entanto, passa longe de caracterizar vício insanável. Não é necessário grande esforço elucubrativo para se descobrir que a mácula apontada decorreu de erro de digitação. É pertinente que se pergunte como um documento do ano de 2005, no caso o TIAF, poderia mencionar outro documento no caso o MPF n. 1.3.01.002008002566, com data de emissão em 30/04/2008? De outra banda verificase também que o TIAF somente produz efeitos legais quando assinado pelo representante da empresa. Essa cientificação encontrase aposta no próprio documento com data de 19/05/2008. Não há o que se falar em nulificação do procedimento em razão do erro apontado. Na sistemática aplicável ao processo administrativo fiscal pátrio não tem lugar a declaração de nulidade de atos ou conjunto de atos quando não se revela qualquer prejuízo ao administrado nem lesão ao interesse público. É assim que dispõe a Lei n. 9.784/1999, a qual regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Não seria razoável supor que um mero erro de digitação pudesse acarretar lesão ao interesse público. Também devo admitir que a falha trouxe prejuízo à contribuinte, na medida que o TIAF cumpriu o seu papel de dar ciência à mesma que estava sob fiscalização. Ainda mais quando se percebe o representante legal da empresa tomou ciência do termo, lançando a data correta no campo próprio. Nesse sentido, não devo dar razão ao sujeito passivo quanto a esse aspecto preliminar. Equivocase ainda a recorrente ao afirmar que quando a ação fiscal teve fim, o MPF já estaria extinto. Para abordar essa questão, vale a pena tecer um breve relato desde a legislação que tratava do MPF desde o período anterior a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, órgão que resultou da fusão das Secretarias da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, até os dias atuais. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000200/200809 Acórdão n.º 240101.968 S2C4T1 Fl. 146 7 As atividades de fiscalização das contribuições previdenciárias eram regidas pelo Decreto n. 3.969/2001, que ao tratar, no seu capítulo III, do MPF, previa, no caso de fiscalização, o prazo máximo de validade 120(dias), o qual poderia ser prorrogado mediante a emissão de MPF complementar. Com a criação da RFB, pela Lei n. 11.457/2007, o Decreto acima referido foi revogado pelo de n. 6.104/2007, atualmente em vigor, o qual delegou ao Secretario da RFB a prerrogativa de estabelecer a normatização relativa ao MPF. Foi então editada a Portaria RFB n. 4.066/2007, a qual tratou do prazo de vigência e da prorrogação do MPF nos seguintes termos: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Na hipótese do § 1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Como se pode ver do § 1. do art. 13, não há mais a necessidade de emissão de emissão de MPF complementar em meio papel para a prorrogação do mandato original, mas apenas o registro no sistema informatizado, o qual fica acessível ao contribuinte no sítio da RFB. A recorrente alega que em sua consulta à internet, a qual foi juntada, não havia indicação de MPF válido. Compulsando os autos não deve ser acatada essa tese, uma vez que se verifica a fl. 92, que a consulta foi efetuada em 23/10/2008, quando a ação fiscal já havia sido concluída. Diante dessas evidências não há como se acolher a preliminar de nulidade do lançamento sob cuidado. Aplicação do Recurso Extraordinário RE n. 863.352/MG No RE em questão discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuição social prevista no art. 25, I, da Lei n. 8.212/1991, com redação dada pela Lei n. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 8.540/1992. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 17 de março de 2011. Uma vez não caber mais recurso contra o RE em tela e tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve o referido julgado ser observado nos julgamentos do CARF, nos termos do que dispõe o inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000200/200809 Acórdão n.º 240101.968 S2C4T1 Fl. 147 9 Verifico então que tendo o crédito em questão sido edificado sobre a legislação declarada inconstitucional, em decisão plenária, pelo STF, entendo que o mesmo não deve prosperar, devendo ser decretado o seu cancelamento. É que a subrogação do adquirente nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial pelo recolhimento das contribuições sobre a receita bruta da comercialização foi objeto da declaração de inconstitucionalidade uma vez que foi introduzida pelo art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, ao dar redação ao inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Eis os textos desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.528/1997, posto que essa é anterior a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 na redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.528/1997 foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, por darlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 12DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10925.001455/2004-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES
AÇÃO FISCAL.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em
observância ao princípio da verdade material.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA.
EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA.
De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL.
Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para restabelecer no lançamento o valor correspondente a área de reserva legal. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, e Gonçalo Bonet Allage, que entendem ser exigível a averbação da área de reserva legal, mesmo que após a ocorrência do fato gerador.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para restabelecer no lançamento o valor correspondente a área de reserva legal. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, e Gonçalo Bonet Allage, que entendem ser exigível a averbação da área de reserva legal, mesmo que após a ocorrência do fato gerador.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001455/200414 Acórdão n.º 920201.422 CSRFT2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para restabelecer no lançamento o valor correspondente a área de reserva legal. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, e Gonçalo Bonet Allage, que entendem ser exigível a averbação da área de reserva legal, mesmo que após a ocorrência do fato gerador. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado).Convocado). Relatório FISCHER FRAIBURGO AGRÍCOLA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privada, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 27/07/2004, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2000, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Prosperidade”, localizado no município de Fraiburgo/SC, NIRF nº 15440800, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/05, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0410.087/2006, às fls. 139/148, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Câmara, em 13/08/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30134.682, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR EXERCÍCIO: 2000 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A verdade material é demonstrada na matrícula do imóvel constando 1.478,80 há de área total, 297,63 há de área de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001455/200414 Acórdão n.º 920201.422 CSRFT2 Fl. 3 3 reserva legal averbada e de 136,2 há de área de preservação permanente na forma de laudo técnico apresentado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 232/242, com arrimo no artigo 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai do Acórdão nº 30236.278, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovadas às divergências argüidas. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel e requisição atempada do ADA, respectivamente, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição do ADA, e Leis nºs 7.803/89 e 9.393/1996, relativamente à exigência da averbação tempestiva da área de reserva legal. Infere que a Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei nº 7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Aduz que a Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei nº 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei nº 4.771/1965, bem como Lei nº 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001455/200414 Acórdão n.º 920201.422 CSRFT2 Fl. 4 4 devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, a fatos geradores ocorridos anteriormente a esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas a assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Relativamente à área de Preservação Permanente, defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à averbação em comento e a protocolização atempada do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito das mesmas matérias, conforme Despacho n° 920200.190/2009, às fls. 246/247. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 263/269, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001455/200414 Acórdão n.º 920201.422 CSRFT2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma trazido à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação da averbação tempestiva da reserva legal à margem da matrícula do imóvel e, bem assim, o protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação da reserva legal e requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida malferiu o regramento inserto no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações) e as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, bem como a exigência do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001455/200414 Acórdão n.º 920201.422 CSRFT2 Fl. 6 6 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) DA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001455/200414 Acórdão n.º 920201.422 CSRFT2 Fl. 7 7 comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o beneficio fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001455/200414 Acórdão n.º 920201.422 CSRFT2 Fl. 8 8 parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, e que fora determinante para os demais Conselheiros que acompanharam o presente voto pelas conclusões, é que o contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta, inclusive, que a averbação fora procedida, ainda que intempestivamente (posteriormente ao fato gerador), mas antes do início da ação fiscal, em 12/11/2002, como a própria autoridade lançadora reconhece no Auto de Infração – “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 03. Nesse sentido, afora entendimento pessoal a propósito da matéria acima alinhavado, o certo é que a averbação à margem da escritura do imóvel, ainda que intempestiva, associada aos Laudos Técnicos e anexos, às fls. 42/51 e 113/117, se prestam a comprovar a existência da área de reserva legal, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – INEXIGÊNCIA – EXERCÍCIO 2000 Por outro lado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal, o que se vislumbra na hipótese vertente (Exercício 2000). Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou Enunciado da Súmula, contemplando o tema, afastando qualquer dúvida quanto à matéria, nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001455/200414 Acórdão n.º 920201.422 CSRFT2 Fl. 9 9 lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento, exclusivamente, a requisição atempada do ADA e à averbação tempestiva da reserva legal junto a matricula do imóvel, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001455/200414 Acórdão n.º 920201.422 CSRFT2 Fl. 10 10 uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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