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Numero do processo: 10875.005755/2003-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para
títulos federais.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a autoridade fiscal a tributar, como depósitos de origem não comprovada, a remessa de valores ao exterior, sobremaneira quando o contribuinte prova que auferiu e ofereceu à tributação recursos suficientes para realizar a referida remessa ao exterior, no mesmo ano-calendário.
Numero da decisão: 2102-001.099
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a autoridade fiscal a tributar, como depósitos de origem não comprovada, a remessa de valores ao exterior, sobremaneira quando o contribuinte prova que auferiu e ofereceu à tributação recursos suficientes para realizar a referida remessa ao exterior, no mesmo anocalendário. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 111 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 11/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima, e Eivanice Canário da Silva. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 85 a 103, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 65 a 79, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 20 a 22 dos autos, lavrado em 12/12/2003, relativo ao anocalendário 1998, com ciência do RECORRENTE em 22/12/2003 (fl. 22). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 76.095,75, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 21, o lançamento teve origem na seguinte infração: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados Fl. 122DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 112 3 nessas operações, conforme verificação nos documentos entregues pelo contribuinte Fato Gerador 30/06/1998 31/10/1998 Valor Tributável ou Imposto R$ 64.170,00 R$ 59.000,00 Multa(%) 75,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 42 da Lei nº 9.430/96; art.4º da Lei nº 9.481/97; art. 21 da Lei nº 9.532/97. De acordo com o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade de fls. 14 e 15, a presente ação fiscal foi instaurada contra o RECORRENTE a fim de que prestasse informações sobre transferências de recursos para o exterior, nos meses de junho e outubro de 1998, e comprovar a sua origem. Ainda conforme o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade, o RECORRENTE foi intimado por duas vezes para comprovar a origem dos recursos enviados para o exterior, registrado em extrato enviado pelo BANESTADO (fls. 16 e 17). Conforme tais documentos, foram duas remessas, uma de US$ 55.800,00 em 18/06/1998, através do BANESTADO NYC, creditada na conta corrente n° 010098360816 de titularidade do RECORRENTE, junto ao OCEAN BANK – MIAMI, e outra de US$ 50.000,00 em 21/10/1998, também através do BANESTADO NYC, creditada em conta corrente, cuja titularidade também é do RECORRENTE, junto ao BANK BOSTON – URUGUAY. Em resposta, o RECORRENTE esclareceu, através da documentação de fls. 11 a 13, que praticou mero erro formal em não discriminar, na declaração do ano de 1998, os valores remetidos e depositados em conta no exterior, tendo optado por declarar todos os valores englobados sob a rubrica “caixa”. Informou ainda que as remessas estavam lastreadas em rendimentos declarados naquele exercício, e nos anteriores, e solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos documentos esclarecedores. Com relação à declaração de que as remessas foram feitas com valores declarados, a fiscalização verificou, da análise feita na DIRPF relativa ao anocalendário 1998, a existência de saldo de dinheiro “em espécie”, e que as remessas para o exterior não foram declaradas nem oferecidas à tributação, como seria o correto. Assim, em vista da falta de comprovação das origens dos recursos enviados e depositados em sua conta no exterior, a fiscalização constatou que o RECORRENTE estaria sujeito à constituição do crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Física, com base de cálculo no total de R$ 123.170,00, obtido através da multiplicação do valor remetido pelo dólar do dia, conforme o cálculo descrito adiante: DATA VALOR DA REMESSA VALOR TRIBUTÁVEL 18/06/1998 US$ 55.800,00 R$ 64.170,00 (55.800,00 X 1,15) Fl. 123DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 113 4 21/10/1998 US$ 50.000,00 R$ 59.000,00 (50.000,00 X 1,18) TOTAL: R$ 123.170,00 DA IMPUGNAÇÃO Em 20/01/2004, o RECORRENTE apresentou sua impugnação de fls. 26 a 43, por meio da qual expôs, em síntese, a seguinte matéria de defesa: 1 – Da Preliminar 1.1 – extinção dos créditos tributários pelo decurso do prazo decadencial. O RECORRENTE alegou que, conforme prevê o art. 39 do Decreto nº 1.041/94 (RIR/94), os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerandose como tal a entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Assim, para o RECORRENTE, a periodicidade de apuração do imposto de renda pessoa física é mensal e não anual. Portanto, não restaria dúvida que os valores referentes aos meses de junho de 1998 e outubro de 1998, objeto de autuação fiscal, não podem ser mais exigidos, com fulcro no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN, visto que o RECORRENTE somente tomou ciência do auto de infração em 22/12/2003. Afirmou que a regra de decadência aplicada no caso era a do art. 150, § 4º, e não do art. 173, inciso I, ambos do CTN, tendo em vista que o imposto de renda está sujeito ao lançamento por homologação. 2 – Do mérito 2.1 – Equívoco quanto à apuração anual Alegou, novamente com base no art. 39 do Decreto nº 1.041/94 (RIR/94), que a tributação do imposto de renda pessoa física é de periodicidade mensal. Assim, o fato gerador do imposto de renda ocorre mensalmente, e não anualmente. Na hipótese de tributação de pessoa física, alegou que inexiste qualquer dispositivo definindo a ocorrência do fato gerador em 31 de dezembro do anocalendário, como ocorre, expressamente, em relação a pessoas jurídicas. Afirmou que o momento da ocorrência do fato gerador do tributo deve ser expressamente previsto em lei, mesmo porque há implicação quanto à lei aplicável ao lançamento (CTN, art. 144). Desta forma, não prospera o procedimento fiscal. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 114 5 2.2 – Insubsistência da acusação fiscal de não comprovação das origens dos recursos Neste ponto, o RECORRENTE afirmou que a autuação fundase no fato que ele próprio não havia logrado comprovar as origens de recursos enviados ao exterior. Assim, no seu entender, tal acusação fiscal somente prevaleceria em face dos valores constantes da sua Declaração de Bens e de Rendimentos. E a autuação somente seria cabível em face de notória ocorrência de incompatibilidade entre os valores detectados pelo Fisco com os dados da Declaração de Bens e Rendimentos. Alegou que os dados da sua Declaração de Bens e Rendimentos justificam plenamente os recursos enviados ao exterior. Acusou que a presente autuação decorre de singela conclusão extraída de exame superficial da sua Declaração de Bens, não podendo prosperar, sob pena de manutenção de procedimento fiscal ilegal. Afirmou que não se denota ter havido qualquer exame acurado de suas declarações. Expôs que a Fiscalização deixou de examinar a sua Declaração de Bens e Rendimentos do anocalendário 1997, onde se encontram os valores que, efetivamente, justificam os recursos enviados ao exterior. Assim, conforme a mencionada declaração de rendimentos do anocalendário 1997, o RECORRENTE declarou a seguinte disponibilidade de recursos: Rendimentos Tributáveis de R$ 77.395,74 (–) dedução de R$ 8.244,94 (–) IR retido na fonte de R$ 5.209,40 (–) CarnêLeão pago de R$ 2.050,00 (+) rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 122.542,30 (+) rend. sujeitos à tributação exclusiva na fonte R$ 16.284,39 (=) disponibilidade líquida de R$200.718,09. Declaração de Bens: Saldo de disponibilidade em espécie R$ 260.000,00 Disponibilidade Total: R$ 460.718,09 Com relação à declaração de rendimentos do anocalendário 1998, há indicação das seguintes disponibilidades: Rendimentos Tributáveis de R$ 90.975,00 (–) dedução de R$ 7.534,87 (–) IR retido na fonte de R$ 8.219,99 Fl. 125DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 115 6 (–) carnêleão pago de R$ 3.150,00 (+) rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 14.912,15 (+) rend. sujeitos à tributação exclusiva na fonte de R$ 57.582,54 (=) disponibilidade líquida de R$ 144.564,83. Declaração de Bens: Disponibilidade em espécie R$ 450.000,00 Disponibilidade Total: R$ 594.564,83 O RECORRENTE afirmou que até outubro de 1998 (mês de transferência de recursos para o exterior), teria, em princípio, disponibilidade de R$ 495.470,70 (R$ 594.564,83/12 x 10 meses). Portanto, ao constatar tais dados, o RECORRENTE argumentou que detinha recursos mais do que suficientes para justificar a aplicação de recursos no exterior. Ademais, argumenta que a própria autoridade fiscal reconhece a existência dos recursos apontados pelo RECORRENTE, ao fazer a seguinte referência, no Termo de Verificação: “verificamos a existência de numerários em espécie”. Alegou que os numerários por ele declarados, nas Declarações de Bens dos anoscalendário 1997 e 1998, constituem autênticas e legítimas origens de recursos, não podendo ser desprezados pelo Fisco. Assim, no seu entendimento, a tentativa de tributar os valores aplicados no exterior seria o mesmo que praticar bitributação, ou seja, tributar novamente os valores que já passaram pelo crivo da tributação e se encontram na Declaração de Bens do contribuinte. O RECORRENTE alegou ainda que, quando foi intimado para indicar a origem dos valores dos recursos aplicados, esclareceu tratarse de recursos disponíveis em suas Declarações de Rendimentos e Bens. Contudo, acusou que não houve qualquer verificação de suas alegações pelo Fisco, nem foi dada qualquer justificativa do motivo da não aceitação dos numerários em espécie constantes em sua declaração. Citou acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual expõe que “as disponibilidades de recursos financeiros, sejam em espécie, tais como "dinheiro em caixa", "numerário em cofre", sejam depositadas em estabelecimentos bancários, informadas na declaração de bens, que não foram contestadas pela fiscalização, justificam aplicações de recursos no anocalendário subsequente”. Transcreveu, ainda, outro acórdão do Conselho de Contribuintes, esclarecendo que os recursos do contribuinte não são apenas aqueles apurados no exercício, porém, a universalidade dos recursos constantes das Declarações de Bens e Direitos. Por fim, o RECORRENTE afirmou que inexiste qualquer impedimento legal à aplicação de recursos no exterior. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 116 7 2.3 – Inconstitucionalidade e ilegalidade na aplicação da taxa SELIC como juros moratórios O RECORRENTE afirmou também que, conforme entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, a Taxa SELIC é ilegal e inconstitucional para fins de correção de débitos fiscais em atraso, em virtude de não haver previsão legal do que seja a Taxa SELIC. Portanto, não prosperaria a exigência no que tange a aplicação da Taxa SELIC. O RECORRENTE juntou aos autos a sua DIRPF referente ao anocalendário 1998 (fls. 45 a 48), e a DIRPF referente ao anocalendário 1997 (fls. 49 a 53). DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 65 a 79 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINAR. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO MENSAL. Conforme disposição legal expressa, os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos a tributação na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de oficio, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 117 8 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR ANUAL O fato de a legislação definir que o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira define a sistemática de apuração da base de cálculo mês a mês, que a exemplo do acréscimo patrimonial a descoberto submetese à tributação a ser realizada mediante a tabela progressiva anual. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações do RECORRENTE, e findou por julgar procedente o presente lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 09/10/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 83, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 85 a 103, em 05/11/2008. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou o alegado em sua impugnação. Inovou apenas no sentido de afirmar que a presunção legal que depósitos bancários constituem renda tributável não pode prosperar. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 118 9 Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo a Descrição dos Fatos de fl. 21 e com o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade de fls. 14 e 15 dos autos, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração pelo fato de o RECORRENTE não ter comprovado a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente no exterior, no valor total de R$ 123.170,00, durante o ano calendário 1998. O RECORRENTE não contesta a titularidade da contacorrente, e nem informa mantêla em cotitularidade com terceiro. Intimado durante a ação fiscal, o alegou apenas que praticou mero erro formal em não discriminar, na declaração do ano de 1998, os valores remetidos e depositados em conta no exterior, tendo optado por declarar todos os valores englobados sob a rubrica “caixa”. Informou ainda, que as remessas foram feitas com renda declarada no exercício, e nos anteriores. Preliminar de decadência: De acordo com diversos julgados deste Conselho, o imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação. Portanto, o prazo decadencial para efetuar o seu lançamento é disciplinado, em princípio, pelo § 4º do art. 150 do CTN (cinco anos contados da data do fato gerador). Sobre o tema, importante transcrever acórdão proferido pelo – antes denominado – Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1999 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 119 10 Recurso voluntário provido. (recurso voluntário nº 155335; 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 06/02/2009)” Desta forma, como o fato gerador do imposto de renda apurado no ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário, o prazo decadencial que a Fazenda Pública possui para lançar imposto referente ao anocalendário 1998 começou a fluir em 31/12/1998 (data do fato gerador), de modo que o lançamento poderia ser formalizado até 31/12/2003 (cinco anos depois). Assim, os créditos tributários objeto do presente lançamento não foram atingidos pela decadência, visto que o presente auto de infração foi lavrado em 12/12/2003 (fl. 20), com ciência do RECORRENTE em 22/12/2003 (fl. 22). Portanto, são insubsistentes as alegações do RECORRENTE quanto à extinção dos créditos tributários pela decadência. Ultrapassada essa questão preliminar, passo a analisar o mérito da defesa do RECORRENTE: Atualização pelo índice do SELIC O RECORRENTE afirma que o índice do SELIC carece de previsão legal para que possa ser utilizado como indexador de tributos. Neste sentido, citou jurisprudência do STJ. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Do mérito: Conforme consta dos autos, o RECORRENTE declarou a seguinte disponibilidade de recursos no anocalendário 1997: Rendimentos Tributáveis de R$ 77.395,74 (–) dedução de R$ 8.244,94 (–) IR retido na fonte de R$ 5.209,40 (–) CarnêLeão pago de R$ 2.050,00 (+) rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 122.542,30 (+) rend. sujeitos à tributação exclusiva na fonte R$ 16.284,39 Fl. 130DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 120 11 (=) disponibilidade líquida de R$200.718,09. Declaração de Bens: Saldo de disponibilidade em espécie R$ 260.000,00 Disponibilidade Total: R$ 460.718,09 Com relação à declaração de rendimentos do anocalendário 1998, há indicação das seguintes disponibilidades: Rendimentos Tributáveis de R$ 90.975,00 (–) dedução de R$ 7.534,87 (–) IR retido na fonte de R$ 8.219,99 (–) carnêleão pago de R$ 3.150,00 (+) rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 14.912,15 (+) rend. sujeitos à tributação exclusiva na fonte de R$ 57.582,54 (=) disponibilidade líquida de R$ 144.564,83. Declaração de Bens: Disponibilidade em espécie R$ 450.000,00 Disponibilidade Total: R$ 594.564,83 Registrese que o presente lançamento não diz respeito a depósito em conta corrente de origem não comprovada, mas sim da remessa ao exterior de, aproximadamente, 1/5 dos recursos auferidos pelo RECORRENTE no anocalendário objeto de fiscalização. Dessa forma, como o RECORRENTE prova que até outubro de 1998 (mês de transferência de recursos para o exterior), já havia auferido a disponibilidade de R$ 495.470,70 (R$ 594.564,83/12 x 10 meses), que integrou a correspondente declaração de ajuste anual, este recurso é suficiente, portanto, para suportar os recursos transferidos para sua contacorrente no exterior, no valor total de R$ 123.170,00, durante o anocalendário 1998. Entendo, com base nos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da verdade material, que as remessas ao exterior realizadas pelo RECORRENTE são compatíveis com o patrimônio auferido e declarado, razão por que deve ser cancelado o lançamento, pois a autoridade fiscal não logra êxito em comprovar que aqueles recursos transferidos ao exterior tinham origem em receita omitida. Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, julgando totalmente improcedente o lançamento. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 131DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.005755/200316 Acórdão n.º 210201.099 S2‐C1T2 Fl. 121 12 Fl. 132DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 11128.005847/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE
MARÍTIMO.
O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis.
EXPORTAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS
O descumprimento da obrigação de informação de dados de embarque de exportação, no prazo previsto na legislação, constitui infração que deve ser penalizada com a multa prevista no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei nº 37/66, com a redação dada pela
Lei n° 10.833/03, regulamentada pelo art. 37 da IN SRF n° 28/94,
aplicada em relação a cada veiculo transportador, e não em relação a cada despacho de exportação presente nesse mesmo veículo.
Numero da decisão: 3201-000.757
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. EXPORTAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS O descumprimento da obrigação de informação de dados de embarque de exportação, no prazo previsto na legislação, constitui infração que deve ser penalizada com a multa prevista no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, regulamentada pelo art. 37 da IN SRF n° 28/94, aplicada em relação a cada veiculo transportador, e não em relação a cada despacho de exportação presente nesse mesmo veiculo. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator. JUDITH AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUÍS EDUARDO G. BARBIERI Relator. EDITADO EM: 11/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice Fl. 210DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 2 presidente), Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino Relatório Tratase o presente processo de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (fls. 01/ss), para a cobrança da multa regulamentar prevista nas alíneas “c” c/c "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei N°. 37/66, em decorrência de ter sido apurado pela fiscalização que o Recorrente efetuou os registros de embarque de mercadorias para exportação, no SISCOMEX, fora do prazo previsto na legislação, durante o ano de 2006. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis : Tratase de auto de infração pela não informação tempestiva dos dados de embarque no SISCOMEX relativos às declarações de exportação (DDE) citadas no corpo do auto. A fiscalização fundamentou o auto nos artigos 37 e 107, IV, "c" e "e" do DecretoLei n° 37166 com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, e com a regulamentação da INSRF n° 28/94. Através do presente auto de infração, cobrouse a multa de R$ 5.000,00 para cada declaração de exportação cujos dados de embarque foram informados intempestivamente. Intimada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação e documentos, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a atipicidade em relação ao agente marítimo. Entende que c) art. 107, IV, "e", restringe o sujeito passivo da multa apenas ao "agen. te de carga" e à "empresa de transporte internacional". 2. Alega também que o agente marítimo não pode ser considerado representante do transportador, para os 'efeitos'do DecretoLei n° 37/66. Apresenta doutrina e jurisprudência sobre o tema.. 3. Alega a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN pelo fato de ter prestado as informações sobre os embarques antes de qualquer procedimento fiscal. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 4. Alega que não ficou caracterizada a conduta prevista na alínea "c", IV, do art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 5. Alega a aplicação da Teoria da Infração Continuada. Entende que, por analogia ao Direito Penal, deveria ser aplicada apenas uma multa e não múltiplas multas ao caso concreto. Cita doutrina e jurisprudência judicial sobre o tema. 6. Requer por fim que seja julgado improcedente o auto de infração ou, alternativamente, seja reduzida a multa lançada ao valor mínimo de R$ 5.000,00. Requer ainda o apensamento de vários processos. É o relatório.. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, julgou procedente em parte o lançamento efetuado, proferindo o Acórdão 1733.687 (fls. 990/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Fl. 211DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11128.005847/200745 Acórdão n.º 3201000.757 S3C2T1 Fl. 1.020 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 17/09/2006 Ementa: A multa por falta de informação dos dados de embarque de exportação, dentro do prazo regulamentar, prevista no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 3,7/66, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, regulamentada pelo art. 37 da IN SRF n° 28/94, deve ser aplicada em relação a cada veiculo transportador, e não em relação a cada despacho de exportação presente nesse mesmo veiculo. Lançamento Procedente em Parte A DRJ – São Paulo II, portanto, exonerou a empresa da cobrança de parte dos créditos lançados (R$ 1.145.000,00), por entender que a que a multa de R$ 5.000,00 deve ser aplicada em relação a cada veículo transportador, no caso deste processo, para cada navio embarcado, e não em relação a cada despacho de exportação constante desse navio. A Recorrente foi regularmente cientificada do Acórdão e procedeu ao pagamento do débito restante (fls.1013/1015). Por exceder o limite de alçada, foi interposto Recurso de Ofício. O processo digitalizado foi distribuído este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A multa aplicada está prevista na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03, que tem a seguinte redação: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...). e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. .(grifei) Fl. 212DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 4 A norma acima citada indica expressamente que, além da empresa de transporte internacional, também o agente de cargas deve ser penalizado caso deixe de prestar informações relativas aos dados de embarque, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Portanto, não há que se falar em ilegitimidade passiva no caso em análise. No mesmo diapasão, o CTN também prescreve no artigo 124, inciso II, que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei e, no caso em tela, o agente de carga foi expressamente indicado pela lei como responsável pela infração (alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03). Registrese, por oportuno, que no RESP 1129430, Relator Ministro Luiz Fux (Matéria julgada pelo STJ no regime do art. 543C / Recursos Repetitivos), ficou assentado que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do DecretoLei 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porquanto inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do DecretoLei No. 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. No mérito, resta analisar a questão da aplicação da multa face ao descumprimento do prazo previsto na legislação para o registro de dados do embarque de mercadorias para exportação no SISCOMEX. Conforme já comentado, a autuação fiscal está lastreada no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei no. 37/66 (redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03), que prevê a aplicação de multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para quem deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Tratase de norma que tem por finalidade penalizar o comportamento daqueles que impedirem ou retardarem o fluxo normal de registros de dados no SISCOMEX, ocasionando acúmulo desnecessário de pendências no Sistema, o que levou o legislador a estabelecer expressamente que o descumprimento de obrigações acessórias, na forma e no prazo previstos pela Receita Federal, acarretariam a aplicação de multa. Quanto à forma e ao prazo para informação de dados no SISCOMEX, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n°28/94 dispunha: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. O termo "imediatamente" foi esclarecido nos termos da Notícia SISCOMEX de 27/07/1994: “27/07/1994 0002 INFORMAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX Fl. 213DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11128.005847/200745 Acórdão n.º 3201000.757 S3C2T1 Fl. 1.021 5 2) POR OPORTUNO, ESCLARECEMOS QUE O TERMO "IMEDIATAMENTE” CONTIDO NO ART. 37 DA IN 28/94, DEVE SER INTERPRETADO COMO "EM ATE 24 HORAS DA DATA DO EFETIVO EMBARQUE DA MERCADORIA O TRANSPORTADOR REGISTRARA OS DADOS PERTINENTES NO SISCOMEX COM BASE NOS DOCUMENTOS POR ELE EMITIDOS". SALIENTAMOS O DISPOSTO NO ART. 44 DA REFERIDA IN, OU SEJA, A PREVISÃO LEGAL PARÁ AUTUAÇÃO DO TRANSPORTADOR NO CASO DE DESCUMPRIMENTO DO PREVISTO NO ARTIGO ACIMA REFERENCIADO”. Posteriormente, a IN SRF n° 510/05 , deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de 7 dias, para a via de transporte marítimo, verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex,será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2° Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Cumpre observar o disposto no § 2° e § 3°, do art. 113, do Código Tributário Nacional que dispõe: "§ 2° A obrigação acessória decorre de legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. "§ 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária." No caso em tela, ficou comprovado que a Recorrente descumpriu o prazo para prestar informação dos dados de embarque de mercadorias no sistema e, assim sendo, restou caracterizado o descumprimento de obrigações acessórias, portanto, deverá ser aplicada a penalidade prescrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei no. 37/66 (com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03). Fl. 214DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 6 Ademais, é somente com a cominação de penalidades que o Fisco pode regular condutas de forma a inibir práticas que ocasionem atrasos ou descontroles nos sistemas de registro das operações de comércio exterior. Por outro lado, no tocante a forma de aplicação da penalidade, devese concordar com o entendimento exarado no voto condutor do Acórdão recorrido. Registrese, ainda, que o Acórdão seguiu orientação trazida pela Solução de Consulta Interna n° 8 da COSIT, de 14/02/2008, que trata especificamente sobre o tema, cuja ementa transcrevo abaixo: "SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA N° 8 COSIT Data: 14 de fevereiro de 2008. Origem : Coordenação Geral de Administração Aduaneira Assunto: Obrigações Acessórias DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea "h" do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF ng 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF n" 28, de 1994, é a que se refere à alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n" 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no. 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. Assim, não há reparos a fazer no Acórdão recorrido. A multa de R$ 5.000,00 deve ser aplicada em relação a cada veículo transportador. No caso em litígio, para cada navio embarcado, e não em relação a cada despacho de exportação constante desse navio. Como todos os despachos referemse a um único veículo transportador (navio), resta cabível apenas a multa no montante de R$ 5.000,00. Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade, para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 215DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11128.005847/200745 Acórdão n.º 3201000.757 S3C2T1 Fl. 1.022 7 Fl. 216DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE
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Numero do processo: 10280.900229/2006-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/07/1999, 15/12/1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3803-001.607
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Andréa Medrado Darzé, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Amazônia Celular S/A declarou a compensação de direito creditório advindo de pagamentos indevidos, efetuados em 15/12/1999, a título de Contribuição para o PIS/Pasep, com débito de COFINS, código 2172, referente a maio de 2003 no valor de R$ 9.210,94. A DRF de jurisdição não reconheceu o direito creditório e, via de consequência, não homologou a compensação declarada. O PARECER SEORT/DRF/BEL N° 034/2008, fls. 25 a 27, sobre o qual se amparou o Despacho Decisório, deu conta de que analisando os Balancetes e os Razões relativos ao CNPJ02.322.103/000101 do período para o qual o contribuinte requer crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS a partir dos arquivos contábeis disponibilizados pelo contribuinte no Programa SINCO, constataramse valores lançados a débito das contas Fl. 342DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN 2 formadoras da Receita Bruta da empresa reduzindo significativamente a Base de Cálculo e, em conseqüência, os valores de PIS a pagar. Embora intimado a apresentar documentos e informações sobre esses lançamentos o contribuinte tão somente prestou explicações (fls. 14 a 16), sem, no entanto, atender, no prazo determinado, à solicitação para apresentação dos documentos que confirmassem os citados lançamentos, não permitindo análise conclusiva sobre o valor correto da contribuição a pagar . Sobreveio reclamação, julgada improcedente pela DRJ/BEL3ª Turma. O Acórdão nº 0112.239, de 14 de outubro de 2008, fls. 82 a 93, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. FALTA DE ESCRITURAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO DE DECISÃO DENEGATÓR1A. A análise de questão prévia, relacionada à falta de escrituração e da respectiva documentação, impede o trabalho da autoridade fiscal no sentido de investigar a veracidade das informações registradas na DCTF, constituindo esta circunstância a motivação da decisão denegatória. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA. A falta de indicação de dispositivos normativos no despacho decisório não induz, de si mesma, a qualquer nulidade, na medida em que o contribuinte se defende de fatos e não de normas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. PROFUNDIDADE DO EXAME. No pedido de restituição, o direito respectivo deve ser analisado em toda sua completude, inexistindo legislação que vede a ampla apuração do direito creditório do contribuinte por parte do fisco, que poderá investigar de forma abrangente a existência ou não do crédito pleiteado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. GUARDA. ÔNUS DA PROVA. Em caso de pedido de restituição, deve o contribuinte permanecer na guarda dos livros e documentos a ele relativos enquanto durar o processo administrativo ou judicial, na medida Fl. 343DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.900229/200602 Acórdão n.º 380301.607 S3TE03 Fl. 154 3 em que possui o encargo probatório quanto ao fato constitutivo de seu direito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando inexistente o crédito apontado como compensável. Solicitação Indeferida O arrazoado de fls. 143 a 15397 a 107, após protestar pela tempestividade do apelo, e resumir os fatos relacionados com a demanda, digressionado sobre o dever de colaboração do contribuinte na instrução do processo, repete os termos da reclamação, valendose de doutrina de Alberto Xavier, para exonerarse de qualquer obrigação de produção de provas outras das constantes nos autos. Entende que, no presente caso, a origem do crédito tem como base as apurações contábeis, refletidas em demonstrativos fiscais entregues ao Fisco, comprovando a utilização de créditos nos exatos termos apurados e informados, cabendo ao Fisco o ônus de impugnar os lançamentos ou revisar seus critérios. Em assim não procedendo, a prova de existência do crédito deverá ser feita apenas com a disponibilização fiscal em DCTF. Na continuação, disserta sobre os fundamentos dos atos administrativos, para acusar a autoridade fiscal de evadirse de seu dever funcional de verificação da ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito postulado pelo contribuinte. Argumento tocar ao Fisco efetuar as diligências necessárias ao conhecimento do objeto da tributação, em obediência ao art. 142 do CTN, que vincula a atuação dos agentes e autoridades fiscais. Os poderes vastíssimos de fiscalização e de acesso aos documentos de toda natureza dos contribuintes prestase à descoberta da verdade material, enquanto pressuposto da adequada aplicação da lei fiscal. Diz que o Fisco desconsiderou o crédito ao seu alvedrio sem justificar tal conduta e o Despacho Decisório não logrou fundamentar de forma legal a exigência fiscal, pois, embora tenha tido acesso a toda a documentação requerida da Requerente, não indicou de forma individualizada as supostas irregularidades, nem o fundamento legal para deixar de analisar os demonstrativos apresentados. Rechaça a pretensão do Fisco de rediscutir a base de cálculo de tributo relativo a período decaído, por constituirse uma situação jurídica consolidada, já que se reporta a período pretérito alcançado pela homologação tácita, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, a que se sujeita a contribuição. Cita jurisprudência administrativa. Considera desarrazoada a objeção do Fisco ao reconhecimento de crédito apurado pela Requerente, em relação ao ano de 1999, pois representa exigência a destempo de comprovação de fatos relativos a períodos decaídos. Reitera a correção dos procedimentos da Requerente, que indicou nos PER/DCOMP o seu crédito e facultou ao fisco elementos probatórios suficientes à averiguação do crédito, apresentando, conforme reconhecido pela própria Fazenda, documentação demonstrando a apuração do crédito e a sua aptidão para extinguir os débitos do processo, enquanto o Fisco apresentou alegações genéricas sem demonstrar qualquer irregularidade acerca dos demonstrativos contábeis apresentados. Menciona doutrina sobre o dever de prova por parte da autoridade administrativa. Acusa o despacho decisório de transferir tal dever (e não ônus) ao contribuinte, em face se sua incapacidade de demonstrar a ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito postulado, quando deveria se dar o inverso, Fl. 344DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN 4 cabendo ao Fisco indicar as evidências seguras que infirmassem as declarações fiscais e os registros contábeis apresentados à autoridade administrativa. Pede reforma para o fim de reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação declarada. É o Relatório, Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Verifico, liminarmente, que a petição de fls. 97 a 107 foi protocolada fora do trintídio regulamentar, contado da data da intimação da decisão de primeira instância. Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 96v, a ciência ocorreu em 11/11/2008, terça feira. Assim, o prazo para recorrer findou em 11/12/2008, quintafeira. Todavia, a petição de fls. 97 a 107 somente foi protocolada em 12/12/2008, conforme o carimbo de protocolo na fl. 97. Diante do exposto, em face de sua intempestividade, não há como conhecer como recurso voluntário a referida petição. Sala das Sessões, em 4 de maio de 2011 Alexandre Kern Fl. 345DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.900229/200602 Acórdão n.º 380301.607 S3TE03 Fl. 155 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10280.900229/200602 Interessada: AMAZÔNIA CELULAR S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.607, de 4 de maio de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 4 de maio de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 346DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10875.003151/2003-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 1998
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA.
COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO OBJETO DE PROCESSO JUDICIAL.
A compensação de créditos decorrentes de decisão judicial de repetição de indébito submete-se ao procedimento fixado nas Instruções Normativas SRF n° 21/97 e 73/97.
Numero da decisão: 3102-001.083
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 1998 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO OBJETO DE PROCESSO JUDICIAL. A compensação de créditos decorrentes de decisão judicial de repetição de indébito submete-se ao procedimento fixado nas Instruções Normativas SRF n° 21/97 e 73/97.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO OBJETO DE PROCESSO JUDICIAL. A compensação de créditos decorrentes de decisão judicial de repetição de indébito submetese ao procedimento fixado nas Instruções Normativas SRF n°21/97 e 73/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinatura digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes, Paulo Sérgio Celani e Álvaro Almeida Filho Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório O recurso voluntário visa a reforma do acórdão nº 0531.015 da 5ª Turma da DRJ/CPS, que entendeu pela procedência parcial do lançamento. Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da SeguridadSocía1 Cofins, lavrado em 17/07/2003 (f1S. 12) e cientificado por via postal em 11/07/2003 (fls. 47), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 6.273,67, em virtude de não comprovação do processo judicial(proc. Jud. De outro CNPJ) indicado para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados para os períodos de fevereiro e abril de 1998. Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 13/08/2003, impugnação de fls. 09/43, acompanhada dos documentos de fls. 11/58, com as razões de defesa a seguir aduzidas. Assevera que o débito foi quitado via compensação, no prazo estabelecido pela legislação tributária. Argui em preliminar a nulidade do Auto de Infração porque formalizado pelo simples fato de não constar o pagamento no sistema de processamento de dados da SRF, não se estendendo mais a fundo; o contribuinte sequer foi notificado a prestar esclarecimentos. Também como causas de nulidade aponta: (i) a ocorrência de decadência, porque já passados cinco anos do fato gerador, (ii) a existência de vicio formal por inobservância das determinações do art. 11 do Decreto 70.235/72, (iii) a emissão eletrônica do Auto de Infração, sem os requisitos do art. 142 do CTN. Argumenta também não caber a aplicação de multa para débito com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. No mérito, assevera que os valores lançados foram compensados com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de Finsocial reclamados na ação de repetição de indébito Processo 92.00794963, ajuizada em nome do estabelecimento matriz. Discorda da imposição da multa de 75%, que entende ter efeito de confisco e configurar abuso do poder fiscal do Estado. Finaliza requerendo o cancelamento do Auto de Infração. Em análise prévia, a autoridade da DRF destacou, As fls. 48/49, não terem sido apresentados elementos comprobatórios da existência do crédito e do direito à compensação. Analisada a impugnação ao auto de infração e a informação fiscal, decidiu a 5ª Turma da DRJ/CPS, pela procedência parcial do lançamento, conforme demonstra ementa abaixo: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003151/200335 Acórdão n.º 3102001082 S3C1T2 Fl. 92 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE. Incabível discutir aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO OBJETO DE PROCESSO JUDICIAL. A compensação de créditos decorrentes de decisão judicial de repetição de indébito submetese ao procedimento fixado nas Instruções Normativas SRF n°21/97 e 73/97. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFICIO. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de suspensão de exigibilidade por compensação não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão acima a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando que: 1) Ajuizou ação de repetição de indébito visando a repetição de valores pagos à título de FINSOCIAL em relação a fatos geradores de 1988, a qual foi julgado procedente e transitada em julgado; 2) Optou por proceder a compensação de valores recolhidos indevidamente, observando a IN/SRF nº 71 que alterou a IN/SRF nº. 21/97; 3) Teria a faculdade de optar pela forma que irá receber os créditos; 4) Não há violação a coisa julgada ao observar que a decisão que autorizou a restituição dos valores pagos indevidamente, “fez surgir para a mesma, um crédito que poderá ser quitado por uma das formas de execução do julgado” por precatório ou a própria compensação tributária; 5) O art. 66 da lei 8.383/91 faculta ao contribuinte optar pela restituição ou compensação, desta forma com o trânsito em julgado do acórdão que declarou o direito de repetição do indébito, teria a recorrente a faculdade de executar o julgado através da restituição por precatório ou por compensação. Ao final requer a recorrente a provimento do recurso para julgar o lançamento improcedente. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira seção. Como demonstrado o cerne da presente questão está na possibilidade da realização da compensação de créditos reconhecidos em sentença transitada em julgado sem o prévio requerimento a administração e o pedido de desistência da execução. De acordo com a sentença de primeiro grau que foi parcialmente confirmada pelo TRF 3 e já transitada em julgado a recorrente teve reconhecida a inexigibilidade das majorações de alíquota da exigência superiores a 0,5%, condenando a União Federal a restituir os valores recolhidos a titulo de FINSOCIAL pago no período de novembro de 1988 a outubro de 1991. A decisão da DRJ apesar de reconhecer que a contribuição ao FINSOCIAL e a COFINS são da mesma espécie, afastou a possibilidade da compensação ao afirmar que a repetição do indébito geraria um título executivo judicial acarretando a devolução por precatório, e assim condicionou a compensação as exigências da IN SRF nº 21/97 e a IN SRF nº 73/97, no tocante ao prévio requerimento administrativo e ao pedido de desistência da execução do julgado. De acordo o art. 741 da lei nº 9.430/96, caberá a Secretaria da Receita Federal autorizar a utilização de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para tributos e contribuições sob sua administração, já o decreto nº 2.138 de janeiro de 1997, disciplina que o pedido de compensação atenderá procedimento interno nos termos do parágrafo único do art. 1º, in verbis: Decreto n°2.138, de 29 de janeiro de 1997 Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de oficio, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. Já o art. 5º, do mesmo decreto, apresenta os requisitos para ser efetuada a compensação, enquanto o art. 7ª estabelece que as normas para execução do decreto serão proferidas pelo Secretário da Receita Federal, no seguintes termos: Art. 7° 0 Secretário da Receita Federal baixará as normas necessárias a execução deste Decreto. 1 Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituidos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003151/200335 Acórdão n.º 3102001082 S3C1T2 Fl. 93 5 Atendendo ao decreto acima foi editada inicialmente a Instrução normativa SRF nº 21 de 10/03/1997, a qual no tocante a compensação dos tributos decorrentes de sentença judicial transitada em julgado assim estabeleceu: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2° e 3°, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de oficio ou a requerimento do interessado. ... § 7° A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de oficio, independentemente de requerimento. ... § 6° A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. § 7° A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito, mesmo que de mesma espécie, deverá ser solicitada à DRF ou IRFA do domicilio do contribuinte, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação. Art. 17. A restituição, o ressarcimento ou a compensação de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, somente poderá ser efetuada após prévia análise do pedido pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, que deverá se pronunciar quanto ao mérito, valor e prazo de prescrição ou decadência. Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou ressarcimento uma cópia da sentença e do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito. A instrução acima foi alterada através da IN/SRF nº 73 de 15/09/1997, passando o art. 17 da IN/SRF a ter a seguinte redação: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. § 1° No caso de titulo judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, corn ou sem emissão de precatório. Percebese que desde instrução nº 21 de 10/03/97 já era condição para o deferimento da compensação de crédito decorrente de sentença transitada o “pedido de restituição e ressarcimento”, condição esta estendida através da instrução nº 73 de 15/09/97, ficando definido que a partir de então, no caso do título judicial em fase de execução exigirse ia a comprovação do pedido desistência da execução do título judicial, com a assunção das custas e honorários. De acordo com o auto de infração a DCTF original corresponde ao 3º trimestre de 1998, portanto já estavam em vigor as normas acima citadas, assim para prosperar a pretensão da recorrente devem ser atendidos os requisitos acima definidos, razão pela qual não prosperam as razões da recorrente. Diante do exposto conheço do recurso para negarlhe provimento. Sala de sessões 01/06/2011. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.001938/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
LEI. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-000.517
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 LEI. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10680.001938/200854 Acórdão n.º 120100.517 S1C2T1 Fl. 37 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme informado no despacho decisório de fls. 14/15, a interessada teve seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2008, indeferido. Explica a autoridade que não existe previsão legal para inclusão retroativa no Simples Nacional quando a contribuinte não houver manifestado sua opção no tempo oportuno. Proposta manifestação de inconformidade (fls. 17/18), a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento do pleito (fls. 26/28). Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 30/31) pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeiro grau, sob as seguintes alegações, em síntese: a) que requereu sua inclusão no Simples Nacional em 19/02/2008, todavia, a Receita Federal exigiu que no ato da opção fosse informado o código de entrega da DIRPF do representante legal da empresa; b) como o representante legal não possuía o referido código, já que não estava obrigado a apresentar declaração, foi necessário promoverse a alteração do representante legal da pessoa jurídica; c) quando realizada a referida alteração, o prazo para inclusão no Simples Nacional já havia se esgotado; d) como os arts. 170 e 179 da Constituição Federal asseguram tratamento diferenciado e simplificado às microempresas e às empresas de pequeno porte, não pode a Receita Federal negar o ingresso da ora recorrente no Simples Nacional por não ter o sócio o protocolo de entrega da DIRPF. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Opção pelo Simples Nacional Sobre a opção pelo Simples Nacional o art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006 assim prescreve: Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10680.001938/200854 Acórdão n.º 120100.517 S1C2T1 Fl. 38 3 §2o A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3o deste artigo. (...) No caso, a alegação da interessada somente poderia ser admitida caso fosse declarada a inconstitucionalidade do art. 16, § 2º, da Lei Complementar nº 123/2006 frente aos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, o que não é possível no âmbito administrativo, tendo em vista o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e na súmula nº 2 do CARF, a seguir transcritos: Decreto nº 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Súmula CARF nº 2 (D.O.U. de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
score : 1.0
Numero do processo: 15469.000858/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
IRPF – ANISTIA POLÍTICA.
Os rendimentos recebidos antes do reconhecimento da anistia política podem ser considerados como isentos e não tributáveis, desde que requerida, na forma da Lei nº 10.599, de 2002, a substituição pelo regime de reparação econômica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 IRPF – ANISTIA POLÍTICA. Os rendimentos recebidos antes do reconhecimento da anistia política podem ser considerados como isentos e não tributáveis, desde que requerida, na forma da Lei nº 10.599, de 2002, a substituição pelo regime de reparação econômica. Recurso Voluntário Negado.
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Anistia Política Recorrente DARIO RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 IRPF – ANISTIA POLÍTICA. Os rendimentos recebidos antes do reconhecimento da anistia política podem ser considerados como isentos e não tributáveis, desde que requerida, na forma da Lei nº 10.599, de 2002, a substituição pelo regime de reparação econômica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator (assinado digitalmente) EDITADO EM: 30/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene e presente a Conselheira Eivanice Canário da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de folhas 2 a 4, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física exercício 2004, por omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 36.652,50 (trinta e seis mil, seiscentos e cinquenta e dois reais e cinqüenta centavos). Na impugnação (fl. 1) o contribuinte alega que os rendimentos pagos pelo Comando da Marinha são isentos por força da Lei nº 10.559, de 2002, por se tratar de indenização paga a anistiado político. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ/RJOII decidiu (fls. 25 a 30), por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado. Foi efetuada a consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal (fl. 24) constatando que a fonte pagadora efetuou retenção do imposto de renda sobre os rendimentos pagos nos meses de novembro e dezembro. O voto é fundamentado na Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002 (resultante da conversão da Medida Provisória nº 65, de 28 de agosto de 2002), que regulamentou o art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, estabelecendo o Regime do Anistiado Político. O relator transcreve o artigo 1º e inciso II da Lei nº 10.559, de 2002, que garante a reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada; o artigo 3º, §§ 1º e 2º, que determina não ser a reparação econômica em parcela única acumulável com a prestação mensal, permanente e continuada, e que será a reparação concedida mediante portaria do Ministro de Estado da Justiça, após parecer favorável da Comissão de Anistiado que trata o artigo 12 da referida lei. Reproduz ainda o artigo 9º, parágrafo único, que trata esses rendimentos como indenização isentos do Imposto de Renda. Complementa o relator com a transcrição do artigo 19 da Lei nº 10.559, de 2002, onde dispõe que o pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei, obedecido o que determina o art. 11. Em relação ao Decreto nº 4.897, de 25 de novembro de 2003, que regulamentou o parágrafo único do artigo 9º da Lei nº 10.559, de 2002, e determinou (art. 1º, parágrafo único) que são também isentos do imposto de renda as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos da citada lei, faz uma ressalva: é necessário requerer a substituição do regime de reparação econômica, ainda que pendente de deferimento. Reforça o relator sua argumentação citando trecho da Exposição de Motivos nº 197, do Ministério da Justiça. O contribuinte tomou ciência da decisão de 1ª instância em 05 de setembro de 2008 (fl. 59) e interpôs recurso voluntário em 16 de setembro de 2008 (fl. 33 e 34). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15469.000858/200729 Acórdão n.º 210201.121 S2C1T2 Fl. 61 3 No recurso, o contribuinte faz juntada da cópia do recibo de entrega e da Declaração de Ajuste Anual exercício 2004 (fls. 40 a 43); dos DARFs relativo às seis cotas do Imposto de Renda pagos após a entrega da declaração (fls. 44 a 47); das cópias das restituições do Imposto de Renda (fls. 51 e 53); das copias de documentos enviados pelo Ministério da Justiça e Marinha; e das cópia de páginas do Diário Oficial da União de 10 de março de 2003 e 24 de setembro de 2004 (fls. 54 a 57). Alega não entender como está sendo cobrado, mesmo após pagar os impostos, e tendo restituição de impostos. Informa, por fim, o contribuinte, que “não solicitou antecipadamente o seu enquadramento no Ministério da Justiça, como determina a lei”, e “não se furtou e nem se omitiu em pagar corretamente o imposto devido, mas foi feito pela própria fonte pagadora”. E requer que seja o Acórdão da DRJ reconsiderado, já que entende haver pago corretamente o imposto devido à época, não devendo mais nada à Receita Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. De fato, o contribuinte foi declarado anistiado político, conforme se observa na Portaria MJ nº 2.682, de 21 de setembro de 2004 (fl. 56), que concedeulhe reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada, no valor de R$ 3.757,50 (três mil, setecentos e cinquenta e sete reais e cinquenta centavos), além da diferença de proventos do posto assegurado e os já recebidos pelo requerente, no valor de R$ 45,00 (quarenta e cinco reais), pago acumuladamente, que totalizou 5.898,75 (cinco mil, oitocentos e noventa e oito reais e setenta e cinco centavos) no período de 13 de janeiro de 1994 até a data do julgamento, em 12 de fevereiro de 2004. Da leitura da portaria acima citada subtende que os rendimentos como anistiado político iniciaram a partir de fevereiro de 2004. Os rendimentos de que tratam o auto de infração foram recebidos no ano de 2003, conforme detalhamento mensal da DIRF anexada à folha 24. Os rendimentos recebidos antes do reconhecimento da anistia política poderiam ser considerados como isentos e não tributáveis, conforme expressa o art. 19 da Lei nº 10599, de 2002: Art. 19. O pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei, obedecido o que determina o art. 11. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 4 O art. 10 da Lei nº 10.559, de 2002, cita que caberá ao Ministro de Estado da Justiça, decidir sobre os requerimentos fixados naquela lei. O contribuinte informa nos autos que não requereu a substituição pelo regime de reparação econômica. Portanto, não há de falar em isenção dos rendimentos obtidos antes da publicação da Portaria MJ nº 2.682, de 21 de setembro de 2004, já que esses rendimentos foram devidos em função da reintegração à Marinha do Brasil, ocorrida a partir de 5 de outubro de 1988, na graduação de suboficial, reformado a partir de 19 de abril de 1995, conforme expressa a Portaria publicada na folha 47, do Diário Oficial da União de 10 de março de 2003. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007524/2006-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/08/2001 a 05/08/2003
REDUÇÃO DE ALiQUOTA. UTILITÁRIOS.
A enumeração contida na Nota Complementar 87-4 da Tabela de Incidência
do IPI refere-se As características que o veiculo utilitário deve apresentar para
gozar da redução de aliquota. A menção à "potência máxima de até 115 cv",
contida na referida enumeração, deve ser entendida como a potência maxima
efetiva do veiculo e não a potência maxima liquida, utilizada para fins de
homologação do motor perante os órgãos oficiais de metrologia e de controle
do meio ambiente.
REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. USO INDEVIDO. FALTA DE
LANÇAMENTO.
A falta de lançamento do IPI decorrente da utilização de aliquota reduzida
após a revogação do beneficio, rende ensejo à exigência da diferença de
imposto com os consectdrios do lançamento de o ficio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-000.976
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para excluir do auto de infração os fatos geradores ocorridos até
12/01/2003, inclusive. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro.
OAB/RJ n2 32.641.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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(Sucessora de TROLLER VEÍCULOS ESPECIAIS LTDA). Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/08/2001 a 05/08/2003 REDUÇÃO DE ALiQUOTA. UTILITÁRIOS. A enumeração contida na Nota Complementar 87-4 da Tabela de Incidência do IPI refere-se As características que o veiculo utilitário deve apresentar para gozar da redução de aliquota. A menção à "potência máxima de até 115 cv", contida na referida enumeração, deve ser entendida como a potência maxima efetiva do veiculo e não a potência maxima liquida, utilizada para fins de homologação do motor perante os órgãos oficiais de metrologia e de controle do meio ambiente. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. USO INDEVIDO. FALTA DE LANÇAMENTO. A falta de lançamento do IPI decorrente da utilização de aliquota reduzida após a revogação do beneficio, rende ensejo à exigência da diferença de imposto com os consectdrios do lançamento de o ficio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do auto de infração os fatos geradores ocorridos até 12/01/2003, inclusive. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro. OAB/RJ n2 32.641. Antonio Carlos Atulim — Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Licluina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. ;2;111 r.K. 1(iit572() I "5:CW201 s•-• dii DF (..;ARF Mk: FL 2 Processo n° 10380.007524/2006-51 S3 -C4T3 Acórdão ri.° 3403 -000.976 Fl. 2 I Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em 10/08/2006 para exigir o crédito tributário IPI, multa de o ficio e juros de mora, em razão da insuficiência de lançamerito aposto. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 28 a 32). a empresa TROLLER VEI(.11,1LOS ESPECIAIS S/A, sucedida por FORD MOTOR COMPANY DO BRASIL, deu said:: aos veículos automotores de sua fabricação, classificados sob código 8703.33.10 das Tabelas de Incidência do IPI, aprovadas pelos Decretos n 2 3.777, de 23 de mat-go de 2001 e 4.070, de 28 de dezembro de 2001, no período compreendido entre agosto de 2001 e agosto de 2003, com erro de aliquota por ter enquadrado indevidamente seus produtos na Nota Complementar 87-4, uma vez que. segundo a fiscalização, os motores MWM SPRINT 4.07 TCA que equipavam os veículos tinham potência liquida maxima superior aos 115 cv referidos na citada Nota Complementar. O fornecedor dos motores, mediante intimação da fiscalização, informou que a potência liquida maxima dos motores MWM SPRINT 4.07 TCA fornecidos à empresa TROLLER no período de 2001 a 2003, apurada segundo os critérios estabelecidos na norma ABNT NBR ISO 1585, é de 97 kW (132 cv) a 3.600 rpm, curva de potência n 2 9.407.0.001.0077, conforme homologação junto ao INMETRO/1BAMA em 31/01/2000 (fls. 183/191). Foi então lançada a diferença de 15% entre a aliquota normal para os veículos classificados nesta posição (25%) e a efetivamente aplicada pelo contribuinte (10%). Em sua impugnação o contribuinte contraditou os itens 15 a 18 do Termo de Verificação Fiscal de fls. 28/32, procurando demonstrar que o fiscal, tomado por uma compulsão irresistivel de constatar irregularidade, desconsiderou totalmente o laudo técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de Sao Paulo e demais documentos que lhe foram apresentados. Alegou que: a) o fabricante, no curso das negociações, teria mencionado que a potência de 132 cv a 3.600 rpm seria a potência bruta, e que a potência liquida efetiva seria de aproximadamente 115 cv; b) o fabricante, conforme teria sido acordado, faria constar o valor de potência bruta no contrato e o de potência liquida nas notas fiscais de venda; c) na ocasião foi contratado o IPT para realizar um ensaio de medição da potência liquida efetiva do motor MWM SPRINT 4.07 TCA, cujo resultado está consolidado no Relatório Técnico n 2 46.232/00, de 10/07/2000 (fls. 197/207), onde esta comprovado que a potência liquida é de 84,6 kW (114,79 cv) a 3.200 rpm; f) a fiscalização não se desincumbiu do ônus de provar que os motores tinham potência liquida superior aos 115 cv; g) o Auditor-Fiscal deveria ter produzido a prova obrigatoriamente mediante laudo técnico, pois este seria o elemento indispensável à comprovação do pretenso ilícito fiscal em matéria desta natureza, eminentemente técnica, de classificação de produto em razão de especificação; h) o veiculo produzido foi objeto de testes pelas revistas especializadas e, em todas as reportagens a potência medida do motor foi de 115 cv a 3.200 rpm; h) a potência de 115 cv a 3.200 rpm consta dos prospectos institucionais da montadora, que não tinha nenhum interesse em divulgar urna potência menor do que a real. A 3' Turma da DRJ em Belém - PA, por meio do Acórdão n 2 01-9.931, de 04/12/2007, manteve o lançamento, em julgado que recebeu a seguinte ementa: ASSIF, , r't orn 03!,;(5!"..:•)' 17).F CA P,F Fl. 3 Processo n° 10380.007524/2006-51 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-000.976 Fl. 3 "IPI AL1QUOT4. MOTOR. POTÊNCIA LÍQUIDA MÁXIMA. Deve ser utilLado o valor de potência líquida manna homologado junto ao INMETRO/IBAM4 para determinaceio da aliqztota do IN. Lançamento procedente" Regularmente notificado daquele Acórdão em 16/06/2008, o sujeito passivo intéTos curso voluntário de fls. 322/329, em 15/07/2008, instruido corn os documentos de fls. 330/338. Alegou, em síntese, que tanto o autuante quanto o julgador de primeira instância funt!amentaram seus atos apenas na declaração de terceiro corn dupla e contraditoria verdade, 1.:ala vez que durante as negociações a MWM informou que no contrato de fornecimento faria constar a potência bruta de 132 cv a 3600 rpm, enquanto que nas notas fiscais faria constar a potência liquida de 115 cv. Acrescentou que o autuante apegou-se a juizos subjetivos para fundamentar a autuação e que o voto condutor do acórdão de primeira instância apegou-se a pontos impertinentes para manter o trabalho fiscal, já que a homologação do INMETRO não é requisito exigido pela Nota Complementar 87-4. Alegou que para desquali ficar o laudo do IPT, a fiscalização deveria ter contraposto outro laudo. Em vez disso fiou-se em urna informação que não tem nenhum respaldo, pois não se sabe com base em que a MWM informou à Receita Federal que os motores tinham potência efetiva de 132 cv a 3.600 rpm em vez dos 115 cv, informados nas suas notas fiscais de venda. 0 ensaio de desempenho do motor foi feito pelo IPT mais de oito meses antes da edição do Decreto que aprovou a Nota Complementar 87-4 e com o conhecimento do fabricante que em momento algum o contestou. Requereu a reforma da decisão de primeira instância e o cancelamento do auto de infração. Por meio da Resolução n 2 3403-00.002, de 07/07/2009, o julgamento foi convertido em diligencia a fim de que a fornecedora dos motores, MWM, fosse intimada a esclarecer o descompasso existente entre as notas fiscais emitidas no momento da venda e a informação que prestada As fls. 188/189 dos autos. 0 processo retornou com os documentos de fls. 372 a 379, onde a MWM informa, em síntese, que o aparente descompasso entre os valores informados sobre a potência dos motores fornecidos A TROLLER, no período em questão, se deve aos diferentes acessórios acoplados ao motor quando do teste para a homologação pelo INMETRO/IBAMA e quando do ensaio realizado pelo 1PT. Regularmente notificada dos documentos coligidos durante a diligencia, a FORD MOTOR COMPANY DO BRASIL, sucessora da autuada por incorporação, por meio de seu representante legal, apresentou a manifestação de fls. 426 a 434, onde endossa os esclarecimentos prestados pela MWM e reafirma que a aliquota de 10% aplicada aos produtos no período em questão estava correta, pois os veículos tinham potência inferior a 115 cv, enquadrando-se perfeitamente na redução de alíquota prevista na Nota Complementar 87-4. E. o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. 3 EL 4 Processo 1° 10380.007524/2006-51 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-000.976 11. 4 0 recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele torno conhecimento. Os documentos trazidos aos autos pela diligência solucionaram a dúvida em relação ao C.::::ctompasso entre as informações prestadas pela MWM à fiscalização (fls. 183/191) c as nor-as - fiscais de fornecimento dos motores. A razão desta diferença reside no fato de que .7s iilfmnações prestadas pela fornecedora se basearam no valor de potência obtido no teste efetuado pela MWM para fins de homologação do motor perante os órgãos oficiais de Ineireloa e de controle ambiental (132 cv a 3.600 rpm). medição efetuada por meio da execução do ensaio de potência coin os periféricos acoplados ao motor preconizados pela NBR ISO 1585. Por seu turno, o valor informado nas notas fiscais (115 cv) a pedido da TROLLER, foi obtido no ensaio realizado pelo IPT, que acoplou ao motor componentes de aplicação exclusiva nos Jipes Troller T4 e T5, para a determinação da potência liquida efetiva do motor instalado no veiculo (fl. 199). Está confirmado que o objetivo do ensaio realizado pelo IPT foi medir a potência simulando a situação do motor instalado no veiculo. Desse modo, os valores da potência liquida efetiva (114,79 cv a 3.200 rpm) e da potência liquida maxima (132 cv a 3.600 rpm) são inquestionáveis, urna vez que obtidos em experimentos realizados sob condições distintas. luz dos esclarecimentos prestados na diligência, considero que não se pode afirmar que houve má-fé de quem quer que seja quanto ao fato de o contrato de fornecimento consignar a potência bruta e as notas fi scais de fornecimento a potência liquida a pedido da montadora. Esclarecida a questão de fato, resta verificar a qual potência se referiu a Nota Complementar 87-4, que instituiu a redução de aliquota do IPI. Esta Nota Complementar integrava as Tabelas de Incidência do Imposto, vigentes no período compreendido entre 23/03/2001 e 12/01/2003 e estava redigida nos seguintes termos: "Ficam reduzidas a dez por cento as alíquotas relativas aos veículos utilitários de fabricação nacional, concebidos para uso preponderantemente fora de estrada e para aplicação militar ou trabalho rural, coin tração nas quatro rodas, classificados nos códigos 8703.32.10 e 8703.33.10, quando equipados coin motor de quatro cilindros em linha, potência maxima de até 115 cv, transmissão manual com até cinco velocidades sincronizadas a frente e urna a ré corn caixa de transferência com duas velocidades e corn as seguintes dimensões: entreeixo de até 2.794mm e bitolas do eixo dianteiro de até 1.590mm e do eixo traseiro de até 1.615mm." (grifei) Como bem apontou a decisão recorrida, realmente não há controvérsia alguma acerca da potência máxima referida na Nota Complementar 87-4 ser a potência liquida. A questão reside em saber se "potência máxima de até 115 cv", significa a potência máxima liquida, também chamada de potência declarada , obtida por meio da aplicação da NBR ISO 1585, ou se aquela expressão entre aspas se refere a potência máxima efetiva, relativa ao motor instalado no veiculo, que foi obtida no ensaio realizado pelo IPT. Tanto a fiscalização quanto a decisão de primeiro grau entenderam que a "potência máxima de até 115 cv" se refere A potência máxima liquida (132 cv a 3.600 rpm), que foi o valor base para a homologação do motor junto aos órgãos oficiais de metrologia e de DI CARF vF Fl Processo n° 10380.007524/2006-51 S3-C4T3 Acórdão 11. 0 3403 -000.976 Fl. 5 controle do meio ambiente. Para justificar tal entendimento, recorreram basicamente aos seguintes argumentos: 1) "máximo" significa o "maior de todos", "aquela que está acima de todos", "o limite extremo", "o maior grau de uma quantidade variável"; 2) o Código de Defesa do Consumidor proibe o fornecedor de colocar no mercado produtos em desacordo com normas expe,:iiOils por órgãos oficiais competentes ou, se normas especificas não existirem, pela Ass.-,ciayM Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo CONIVIETRC;; 3) o laudo do IPT não deixou claro qual padrão normativo foi utilizado na realizo do ensaio, sendo pouco provável que tenha ocorrido nos estritos termos da NBR ISO 1585. Pois bem, em matéria de determinação da aliquota de IN a que estão sujeitos os produtos industrializados, o art. 130 do RIPI/2002, cuja matriz legal é o art. 13 da Lei n2 4.502/64, estabelece que: "0 imposto sera calculado mediante a aplicação das aliquotas, constantes da TIPI, sobre o valor tributável dos produtos. (...)" E quanto à classificação dos produtos na respectiva Tabela de Incidência, a Regra Geral de Interpretação n 2 1 do sistema harmonizado de classificação de mercadorias, estabelece o seguinte: "1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapitulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, peas Regras seguintes: (...)" (grifei) Ora, da conjugação do art. 13 da Lei n 2 4.502/64 com a RGI n 2 1, resulta que para determinar-se a alíquota do IPI de um determinado produto o aplicador do direito deve observar apenas o conteúdo dos textos das posições na Tabela e das notas de Seção e de Capitulo. No caso concreto, não existe controvérsia quanto ao código em que devem ser classificados os veículos. A controvérsia é quanto ao enquadramento dos produtos na Nota Complementar que prevê a redução de aliquota. A Nota Complementar 87-4 enumera as características que um utilitário deve possuir para gozar do beneficio da aliquota reduzida. Uma dessas características é que o veiculo possua potência máxima de até 115 cv, o que restou sobejamente comprovado pelo laudo do IPT, que foi assinado por três engenheiros mecânicos daquele conceituado órgão. O raciocínio empregado pela fiscalização e pela decisão de primeira instancia não se sustenta frente ao que determina o art. 13 da Lei n 2 4.502/64 e a RGI n2 1 para interpretação do sistema harmonizado, pois os textos da posição 8703 e das notas de Seção e de Capitulo não fazem nenhuma menção As normas da ABNT, A homologação pelos órgãos oficiais de metrologia e meio ambiente, ou ao Código de Defesa do Consumidor, como, aliás, bem apontou a defesa em seu recurso. 0 texto da Nota Complementar 87-4 simplesmente se refere à potência máxima, sem especificar se é a potência declarada do motor ou a potência do veiculo (entenda- se potência do veiculo com o significado de potência liquida efetiva, que é a potência :1 r,')t• CAT:i. t W 2C; I PO; 0I 1 U. 5 Processo n° 1 0380.007524/2006-5 1 S3 -(4{3 Acórddo n.° 3403-000.976 Fl. 6 disponível do motor quando ele está instalado no veiculo). Ora, se tal requisito está contido em uma enumeração que elenca as características do veiculo, e, mais, se está em uma Nota Complementar cuja finalidade foi determinar a redução de aliquota para veículos utilitários, é lógico inferir que o texto esteja se referindo à potência máxima desempenhada pelo veiculo (potência líqrii ofetiva), e não à potência liquida máxima que o motor poderia teoricamente desenvolvur. Portanto, à luz do art. 13 da Lei n 2 4.502/64, da RGI n2 1 e do texto da Nota Complementar 87-4 não vejo como se possa exigir que o contribuinte adote a potência liquida máxitra, aferida por meio da aplicação da NBR ISO 1585, utilizada para a homologação do nfoor, pois esta exigência não consta nos textos da posição 8703 e nem das Notas da Seção XVII (Material de Transporte) ou das Notas do Capitulo 87 da Tabela de Incidência do WI. Urna coisa é a necessidade de seguir a norma da ABNT para padronizar a medida da potência do motor, a fim de enquadrá-lo em classes de ruído e de emissão de poluentes, com o objetivo de homologá-lo perante os órgãos oficiais de metrologia e de controle do meio ambiente; outra coisa completamente distinta são os requisitos exigidos pela legislação tributária para enquadrar o veiculo na Tabela de Incidência do imposto a fim de determinar a aliquota aplicável. Se a norma tributária de redução de aliquota descreve as características do veiculo e não do motor e, ainda, se esta norma não é precisa em determinar que se utilize o valor de potência obtido sob as condições especificas da NBR ISO 1585, não vejo como se possa obrigar o contribuinte a utilizar tal valor, que foi obtido em condições ideais, em lugar do valor da potência liquida efetiva que o veiculo pode atingir. Ao contrário do que sugeriram a fiscalização e a decisão recorrida, utilizar a potência liquida efetiva de 114,79 cv para enquadrar, no período em questão, os Jipes Troller na redução de aliquota da Nota Complementar 87-4, não desrespeita o Código de Defesa do Consumidor, pois isto não significa que a empresa está oferecendo um produto em desacordo corn as especificações técnicas da ABNT para o setor. Pelo contrário, além dos veículos estarem equipados com o mesmo motor que foi homologado pelos órgãos oficiais de metrologia e de controle do meio ambiente, a empresa está informando aos consumidores o valor efetivo da potência que o veiculo pode atingir. Relativamente à objeção da fiscalização oposta ao ensaio de potência realizado pelo IPT, verifica-se que ela não condiz com o que consta dos autos, uma vez que está claro que a medição seguiu a NBR ISO 1585, mas com os acessórios específicos do Jipe Troller. Para fazer esta constatação, basta ler o item 2 do laudo técnico (fl. 199/200) onde os engenheiros descreveram em detalhes o procedimento, especificando que as medições dos parâmetros de desempenho, consumo e teor de fuligem foram efetuadas de acordo com as normas da ABNT NBR ISO 1585 "Veículos rodoviários — Código de ensaio de motores — Potência liquida efetiva" e ABNT MB 1615 "Ws de escapamento emitido por motor Diesel — Medição do teor de fuligem corn amostrador por elemento filtrante". Por seu turno, o item 3 do laudo (fls. 200/203) descreve em detalhes os acessórios específicos dos Jipes Troller que foram acoplados ao motor durante o ensaio. Por fim, reitero que para fins de determinação da aliquota do IPI aplicável aos Jipes Troller não existe nenhuma regra, quer no Regulamento do IPI, quer na Tabela de Incidência do imposto, que vincule o enquadramento na TIPI A potência liquida máxima declarada aos órgãos oficiais de metrologia e controle do meio ambiente. Alta 6 cMes:m um 05!e...-3/2i.i 1 I ur VAN:. CLA , DI CARF MF FL 7 Processo n° I 0380.007524/2006-5 I S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-000.976 Fl. 7 A luz dos fundamentos acima expostos. considero que os Jipes Troller T4 e T5, por desenvolverem potência máxima efetiva de até 115 cv, conforme comprovado pelo laudo técnico do IPI, foram corretamente enquadrados pela empresa na redução de aliquota no período em que o beneficio teve vigência. Examinando-se os autos, verifica-se que o lançamento abarcou os fatos gerado-s oco:Tidos no período compreendido entre 01/08/2001 e 05/08/2003. A redução de aliquota prevista na Nota Complementar 87-4, surgiu no mundo juridic° com o Decreto n2 3.777, de 23 de mat -go de 2001 (DOU de 26/03/2001) e vigorou até 12 de janeiro de 2003, quando foi revogada pelo Decreto n 2 4.542, de 26 de dezembro de 2002. ;.:publicado no DOU de 13/01/2003. A redução de aliquota para esses veículos foi novamente instituída em outros termos, pelo Decreto n 2 4.800, de 05 de agosto de 2003 (DOU de 06/08/2003). Tendo em vista que o Decreto n 2 4.542, de 26 de dezembro de 2002 foi republicado na integra em 13 de janeiro de 2003, considero que esta deve ser considerada a data da revogação da redução de aliquota. Os demonstrativos de apuração do IPI não lançado de fls. 53/63 revelam que para os fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 13/01/2003 e 05/08/2003 o contribuinte deu saída aos veículos com aliquota reduzida, sem que existisse no mundo juridico norma prevendo tal redução. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir do auto de infração os fatos geradores ocorridos até 12/01/2003, inclusive, por considerar que até esta data os veículos foram corretamente tributados com a alíquota reduzida de 10%, prevista na Nota Complementar 87-4 da Tabela de Incidência do IPI. Antonio Carlos Atulim .aclo pe-r S Fl. 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF Terceira Seção —Quarta Camara CARF-MF- DF Fl. Processo ri°: “i:007524/2006-51 Interessada, : MOTOR COMPANY DO BRASIL LTDA (Sucessora de TROLLYA Vv.,;CULOS ESPECIAIS LTDA) TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Anexo II ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) da Fazenda Nacional, credenciado(a). junto a este Conselho a tomar ciência do Acórdão n 2 3403-000.976. de 02 de junho de 2011. Brasilia, 08 de junho de 2011. Antonio Carlos Atulim Presidente da 3 2 Turma Ordinária Ciente com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração [ ] Com Contrarrazões Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional (identificação e assinatura) A,itentiçacio d . r) CAR imp;:sso e1 '
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Numero do processo: 12045.000280/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/1995
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO EMBARGOS
OMISSÃO/ CONTRADIÇÃO PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL.
Com fulcro no art. 64, I e 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO DECADÊNCIA
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no
intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Tratando-se de lançamento substitutivo, face a anulação por vício formal do lançamento original a decadência aplicada deve consubstanciar-se primeiramente a luz do art. 173, II, considerando a data da lavratura original para efeitos de declarar a decadência.
O lançamento foi efetuado em 12/08/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 24/08/2004, contudo o lançamento original foi cientificado em 14/05/2001, devendo ser essa a data a ser considerada para cálculo das contribuições excluídas pela decadência. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1995 a 03/1995, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Acórdão re-ratificado
Resultado Proferido Inalterado.
Numero da decisão: 2401-001.781
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão nº240100.443, sem alteração do resultado do julgamento.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Com fulcro no art. 64, I e 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO DECADÊNCIA O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Tratandose de lançamento substitutivo, face a anulação por vício formal do lançamento original a decadência aplicada deve consubstanciarse primeiramente a luz do art. 173, II, considerando a data da lavratura original para efeitos de declarar a decadência. O lançamento foi efetuado em 12/08/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 24/08/2004, contudo o lançamento original foi cientificado em 14/05/2001, devendo ser essa a data a ser considerada para cálculo das contribuições excluídas pela decadência. Os fatos geradores Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ocorreram entre as competências 01/1995 a 03/1995, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Acórdão reratificado Resultado Proferido Inalterado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reratificar o Acórdão nº 240100.443, sem alteração do resultado do julgamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000280/200701 Acórdão n.º 240101.781 S2C4T1 Fl. 130 3 Relatório Considerando a propositura de embargos com fulcro no art. 64, I do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, a Fazenda Nacional, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 240100.443 de 05 de junho de 2009 . Tratase de embargos opostos pela procuradoria por entender que o acordão prolatado apresenta omissão/contradição, conforme descrito abaixo. Conforme descrito pela ilustre procuradora do exame da decisão sob enfoque observase omissão/obscuridade visto que a decisão olvidou a análise de fato indispensável ao deslinde da controvérsia posta à apreciação, relativo ao caráter substitutivo do lançamento formalizado nestes auto. O lançamento que se tomou em conta para verificar a ocorrência da decadência reconhecida na espécie foi lavrado em substituição de nº 35.356.2416 anulada pela Decisão nº 08.401.4/0237/2002, segundo descrito no relatório fiscal. Assim, ante a possível existência de lançamento anterior que foi objeto de revisão adminitrativa, seria imprescindível, ára aferição da decadência ventilada nos autos que se investigasse o cumprimento dos prazos decadenciais com base na respectiva NFLD. Forçoso ainda reconhecer que a verificação da decadência na espécie deve ter como parâmetro a regra estampada no art. 173, II e não a veiculada no art. 173, I ou mesmo §4º do art. 150 do CTN. Para fins de se fixar o termo a quo do prazo decadencial, bem como verificar se existe decadência parcial, revelase necessário observar a data da NFLD declarada nula, bem como da Decisão Notificação que determinou a nulidade. Requer a União (Fazenda Nacional) que sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos, para suprir a omissão e sanar a contradição apontados.Contudo para adentra aos pontos que entende a relatora geraram contradição, transcrevo abaixo o relatório do acordão que não sofreu qualquer alteração. Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 206 00.076 desta 6ª Câmara de Julgamento no intuito de identificar a existência de fiscalização na empresa prestadora de serviços, evitando dessa forma, a possibilidade de cobrança em duplicidade, fls. 124 a 126. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 12/08/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 24/08/2004. Os fatos geradores ocorreram entre as competências. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária, previsto no art. 30, VI, da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências 01/1995 a 03/1995. A base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços pela empresa LIMPSERVICE CONSERVADORA DE EDIFÍCIOS LTDA foram obtidas mediante análise das notas fiscais de serviços. O percentual foi aplicada sobre o valor das notas fiscais de serviços, de acordo com o serviço prestado, conforme descrito no relatório fiscal. Não conformada com a notificação, a notificada apresentou defesa, fls. 39 A 48. Foi emitido relatório fiscal complementar às fls. 62 a 65. Foi emitida DecisãoNotificação confirmando a procedência do lançamento, fls. 84 a 96. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 105 a 114. Tendo o processo sido baixado em diligência, foi emitida informação fiscal destacando que a empresa prestadora não foi submetida a procedimento fiscal anterior. A empresa devidamente cientificada alega que: o contribuinte, principal sujeito passivo, detentor dos documentos não foi fiscalizado, a solidariedade foi confundida com a substituição tributária, assim como empreitada foi confundido com cessão de mão de obra, o crédito foi apurado indevidamente por aferição indireta. O processo foi encaminhado após o cumprimento da diligência. Em tendo sido acatados os embargos e da análise do documentos constantes do processo, houvese por bem, converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal, identificasse a data de lavratura da NFLD declarada nula, bem como fossem acostados aos autos cópia da Decisão Notificação declarada nula. Devidamente, cientificado o recorrente manifestouse às fls. 224 a 226, aduzindo em síntese ser incabível a aplicação do art. 173, II do CTN, tendo em vista que a NFLD no 35.356.2416, de 30/04/2001, foi anulada pela autoridade julgadora em virtude de vício material. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000280/200701 Acórdão n.º 240101.781 S2C4T1 Fl. 131 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Os pressupostos já foram devidamente apreciados quando do julgamento realizado, ora objeto de embargos. DA ANÁLISE DOS EMBARGOS Considerando os embargos opostos pela Fazenda Nacional, entendo que realmente existe uma omissão/contradição entre o acolhimento da decadência qüinqüenal total do lançamento e o fato de tratarse de lançamento substitutivo, tendo em vista não ter sido observado a data da lavratura da NFLD declarada nula. Na verdade, por tratarse de retorno de diligência, acabouse por adotar o relatório do relator que determinou a baixa em diligência para prestar esclarecimentos sobre o prestador, sem qualquer informação a respeito de tratarse de NFLD substitutiva, talvez porque a luz do art. 45 da lei 8212/91, este fato não se fazia relevante. Face o exposto, entendo que devem ser acatados os embargos propostos pela procuradoria, para que a decadência seja apreciada considerando tratarse de NFLD substitutiva. Notese que o ponto devolvido para análise diz respeito a aplicação da decadência a luz do art. 173, II do CTN, tendo em vista ter sido identificado tratarse de NFLD substitutiva, por ter sido a anterior declarada nula, face a ausência de indicação correta dos responsáveis solidários, conforme se depreende do resultado proferido no acórdão anexado aos autos: EMENTA SOLIDARIEDADE. FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO INCORRETA CERCEAMENTO DE DEFESA E ILEGALIDADE. NFLD lavrada somente em nome do solidário. Nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito por solidariedade, esta deve ser caracterizada e todos os solidários devem ser notificados. Contribuintes de direito, sem liames de solidariedade entre si, não devem ser incluídos na mesma relação jurídica. A exclusão dos contribuintes do pólo passivo caracteriza substituição tributária não prevista no art. 30, VI, da Lei n° 8.212/91. O INSS carece de norma procedimental a respeito da lavratura de débitos por solidariedade. LANÇAMENTO NULO TRECHO DO VOTO PROFERIDO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Tendo em vista que o débito presente padece de vícios insanáveis, não se reveste da imprescindível legalidade, não se conforma aos critérios da lei que o fundamenta, resta necessária a declaração de sua nulidade. Uma vez que tal juízo se dá por vícios meramente formais, fazse imperioso que a administração providencie, com base no Art. 140 do CTN, a recuperação do crédito via novos lançamentos (necessariamente, mais de um, W tendo em vista que contribuintes que executam obras diferentes não são solidários entre si). É certo, ainda, que o INSS carece da norma procedimental cuja criação foi determinada pela Consultoria Jurídica do MPAS no Parecer MPAS/CJ n° 2376, de 21 de dezembro de 2000, em seu item 29. Daí, nada se poder falar contra o procedimento adotado pelos notificantes: eles constituíram o crédito da forma que reputavam correta. Apenas tal forma não é a correta, dada a falta da referida norma procedimental. ANÁLISE DA DECADÊNCIA APÓS O ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000280/200701 Acórdão n.º 240101.781 S2C4T1 Fl. 132 7 Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000280/200701 Acórdão n.º 240101.781 S2C4T1 Fl. 133 9 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial Fl. 9DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000280/200701 Acórdão n.º 240101.781 S2C4T1 Fl. 134 11 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. O primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a aplicação do art. 173, II do CTN para fins de aplicação da decadência uma vez que identificouse trata de lançamento substitutivo cujo lançamento original fora declarado nulo por vício formal,pela ausência na cientificação de todos os sujeitos passivos no lançamento original. Assim, ao contrário do entendimento pretendido pelo recorrente o vício consubstanciado na incorreta indicação do sujeito passivo diz respeito a requisito de formalização do lançamento, o que enseja nulidade por vício formal. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Assim, perfeitamente viável a retomada do prazo para realização do lançamento nos termos do art. 173, II do CTN. Em assim sendo, passamos a aplicação da decadência. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. Entendo que no caso de responsabilidade solidária, ainda mais quando não foi apresentada qualquer manifestação de cumprimento da exigência por parte da prestadora de serviços não há como presumir a existência de recolhimentos, razão porque entendo aplicável a regra contida no art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura da NFLD em 12/08/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 24/08/2004, contudo o lançamento original foi cientificado em 14/05/2001, devendo ser essa a data a ser considerada para cálculo das contribuições excluídas pela decadência. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1995 a 03/1995, dessa forma independente de qual dispositivo legal fosse aplicado a época do lançamento há de ser declarada a decadência das contribuições, posto que quando da primeira lavratura já se encontram decadentes os fatos geradores. CONCLUSÃO: Pelo exposto e tudo mais que consta dos autos, voto por ACOLHER OS EMBARGOS propostos, para reratificar os termos do acórdão 240100.443, pelos fundamentos descritos acima, mantendo INALTERADO O RESULTADO PROFERIDO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 12DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000280/200701 Acórdão n.º 240101.781 S2C4T1 Fl. 135 13 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000153/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO.
IMPROCEDÊNCIA.
Não há que se falar em sobrestamento de julgamento, se improcedente a
alegação da existência de processo de compensação em que se discutiria
matéria objeto do lançamento de ofício.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS.
Constatada irregular situação fiscal da recorrente, que não produziu as provas
capazes de contestar a autuação, mantémse
a exigência fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.890
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Pasep- ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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DE PRAIA GRANDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em sobrestamento de julgamento, se improcedente a alegação da existência de processo de compensação em que se discutiria matéria objeto do lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Constatada irregular situação fiscal da recorrente, que não produziu as provas capazes de contestar a autuação, mantémse a exigência fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15983.000153/200521 Acórdão n.º 330200.890 S3C3T2 Fl. 116 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 104 a 109) apresentado em 29 de outubro de 2009 contra o Acórdão no 1620.844, de 26 de março de 2009, da 6ª Turma da DRJ/SPO I (fls. 95 a 100), cientificado em 06 de outubro de 2009, que, relativamente a auto de infração de Pasep dos períodos de março a dezembro de 2004, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em sobrestamento do julgamento por ausência de previsão legal. Não procede a alegação de que existiria processo de compensação em que se discute matéria objeto deste lançamento de ofício, tendo em vista que os débitos ali declarados se referem a períodos de apuração diversos daqueles alcançados pelo lançamento ora constituído. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Constatada irregular situação fiscal da impugnante e não tendo esta produzido as provas capazes de infirmar a autuação, mantémse a exigência formalizada nestes autos. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 01 de setembro de 2005, de acordo com o termo de fls. 10 a 13. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Trata o presente feito de auto de infração de PASEP, relativo ao anocalendário de 2004 (fls. 04/06). Consignouse no Termo de Constatação Fiscal (fls. 12/13) que a prefeitura acima qualificada deixou de recolher os valores devidos ao PASEP, por entender que seria credora da União por pagamentos feitos a maior, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos nº 2.445 e 2.449/1988. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15983.000153/200521 Acórdão n.º 330200.890 S3C3T2 Fl. 117 3 Observa a autoridade lançadora que a prefeitura não apresentou prova de que teria entrado com ação judicial para suspender a exigibilidade. As disposições legais que embasaram o lançamento encontram se descritas no referido auto de infração. Em 18/10/2005, a interessada tomou ciência do auto de infração (fl. 20) e, em 11/11/2005, apresentou defesa (fls. 25/27), resumidamente, nos seguintes termos: os créditos em questão foram objeto de pedido de restituição/compensação formalizado por meio do Processo 10845.001749/200517. contra o despacho que indeferiu o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, a qual se encontra pendente de apreciação. assim, o lançamento não pode prevalecer. primeiramente porque existe litispendência. A decisão que for proferida nessa impugnação necessariamente afetará a matéria discutida no presente lançamento, razão pela qual este deve ter sua exigibilidade suspensa até a apreciação do mencionado processo. ademais, o indeferimento do aludido pedido fundamentado no fato de que o formulário utilizado foi inadequado não está em consonância com a legislação pertinente, pois a Lei 10.637/2002, ao alterar o artigo 49 da Lei 9.430/1996, determina que haja um pedido de compensação que discrimine os débitos e os créditos que deverão ser cancelados. a lei não estabelece que tipo de formulário a ser utilizado e o sistema PER/DCOMP não contempla créditos anteriores a 1999. no que se refere à tempestividade do pedido, outro motivo para o indeferimento, não há dúvidas de sua improcedência. A Câmara Superior de Recursos Fiscais firmou entendimento de que, não havendo ação prévia na área administrativa ou judicial, o prazo para reivindicar restituição ou compensação passa a correr da data da Resolução do Senado Federal que declarou a inconstitucionalidade do tributo. de acordo com o artigo 95 da Lei 8.212/1991, o prazo de decadência para constituição do crédito e obviamente a restituição do indébito, é de 10 anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído. assim, tal pedido podia ser formulado até 31/12/2005. cabe, portanto, ser sobrestado o andamento do processo até a decisão do Processo 10845.001749/200517 e, no mérito, considerar improcedente o lançamento." Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15983.000153/200521 Acórdão n.º 330200.890 S3C3T2 Fl. 118 4 No recurso, a Interessada tratou do direito de restituição e da semestralidade e repetiu as alegações da impugnação, sem contestar as afirmações do acórdão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, a Interessada repetiu no recurso as alegações da impugnação, defendendo o direito de restituição, requerendo o sobrestamento do julgamento do processo e o cancelamento da autuação. Entretanto, conforme esclarecido no acórdão de primeira instância, o processo de restituição e compensação mencionado trata de outros débitos e não dos lançados no presente processo. Assim, restou sem justificativa a falta de recolhimento da contribuição. Portanto, adotando os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000398/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 28/06/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º
3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a
obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na
administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do
RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Constitui infração deixar de prestar
ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS
e ao Departamento da Receita
FederalDRF
todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de
interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os
esclarecimentos necessários à fiscalização.
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO.
CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA
DE INCIDÊNCIA DE
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação. é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.797
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/06/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Constitui infração deixar de prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado.
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E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/06/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Constitui infração deixar de prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 410DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 411DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000398/200797 Acórdão n.º 2401001.797 S2C4T1 Fl. 421 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.084.0780, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, III e § 22 e art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de prestar todas as informações contábeis, econômicas e financeiras de interesse da fiscalização, em especial deixou de apresentar as relações nominais dos valores pagos por meio de cartões de premiação, solicitados por meio do documento TIAD. O período da infração alcança as competências 02/2000 a 09/2006. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/06/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 55 a 66, alegando sinteticamente a inexistência de reincidência genérica, bem como seja julgada improcedente a autuação considerando que os valores de premiação não integram a remuneração salarial dos empregados premiados. Tendo em vista as alegações da empresa autuada, o processo foi baixado em diligência tendo o auditor se manifestado no sentido de que não houve trânsito em julgado das autuações, conforme descrito no relatório fiscal. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, contudo com retificação da multa, por não haver trânsito em julgado dos AI que ensejaram a reincidência genérica, conforme fls. 374 a 379. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 385 a 399. Em síntese, a recorrente alega: Preliminarmente, se não foi apresentada a relação de beneficiários como a fiscalização chegou aos valores da NFD n° 37.064.0748? Nada mais absurdo! Máxima vênia, no final do voto do Acórdão n. 0323.862, está claro que a empresa apresentou toda documentação. Traz, ainda as mesmas alegações da impugnação, de que os valores correspondentes às premiações não integram a remuneração salarial dos empregados premiados, e portanto, não há que se falar em descumprimento de apresentação de informações cadastrais, financeiras e contábeis, •porque obedecida a legislação de regência. Requer seja cancelada a exigência fiscal, pelas razões de mérito e desconstituída a multa sem sua totalidade, pela comprovação da improcedência total da mesma. É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 419. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Ao contrário do que alega o recorrente a autuação não se deu em função da apresentação da relação de todos os beneficiários, mas por não terem sido prestados informações acerca dos destinatários de algumas espécies de pagamento, descritas no TIAD n. 02, fls. 12 a 33. Ademais, foi anexado ao relatório da infração a relação com as NF e contas contábeis onde não foram prestadas as informações, razão porque não devem prosperar as alegações. Transcrevo trecho do relatório fiscal: Por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — (TIAD 02) foram solicitadas à JORLAN a apresentação da relação dos beneficiários com os valores creditados conforme parágrafos anteriores, tendo a empresa intimada deixado de apresentar algumas delas. Segue planilha em anexo com os valores e numerações das notas fiscais em que não foram entregues as relações nominais dos beneficiários que receberam' as premiações nelas contidas. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Pelos documentos presentes nos autos a autoridade previdenciária requereu os documentos pertinentes ao cumprimento da legislação previdenciária, mais precisamente determinada relação de beneficiários por meio de TIAD específico, de notas fiscais e registros contábeis apresentados pela empresa. O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, III, nestas palavras: Fl. 413DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000398/200797 Acórdão n.º 2401001.797 S2C4T1 Fl. 422 5 Art.32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O presente auto foi lavrado tendo como fundamento a não apresentação dentre outros dos documentos no relatório deste voto. O ponto chave a ser apreciado no AI em questão em consonância com a NFLD lavrada durante o mesmo procedimento e julgada nessa mesma sessão, é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. Fl. 414DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Não procede o argumento do recorrente de que a verba prêmio não possue natureza salarial, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial, independente de sua habitualidade, ou mesmo se forem pagos por terceira pessoa, no caso, empresas de premiação. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: (...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...) Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Mascaro Nascimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos .” Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou Fl. 415DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000398/200797 Acórdão n.º 2401001.797 S2C4T1 Fl. 423 7 em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, e podese identificar que o referido dispositivo não faz qualquer referência a verba premiação. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 32, III, da Lei n° 8.212/1991. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Fl. 416DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 417DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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