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Numero do processo: 13811.004089/2003-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1999
ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. EXIGÊNCIA DO PRINCIPAL. IMPOSSIBILIDADE.
O Fisco, após o encerramento do ano-calendário, não pode exigir estimativas não recolhidas, uma vez que as quantias não pagas estão contidas no saldo apurado no ajuste. Nessa hipótese, somente caberia o lançamento de ofício para imposição da multa isolada sobre os valores que deixaram de ser recolhidos durante o anocalendário.
O lançamento que constitui crédito tributário sobre o principal de estimativas mensais deve ser cancelado.
Numero da decisão: 1301-000.746
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos proferidos no voto do Relator.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. EXIGÊNCIA DO PRINCIPAL. IMPOSSIBILIDADE. O Fisco, após o encerramento do anocalendário, não pode exigir estimativas não recolhidas, uma vez que as quantias não pagas estão contidas no saldo apurado no ajuste. Nessa hipótese, somente caberia o lançamento de ofício para imposição da multa isolada sobre os valores que deixaram de ser recolhidos durante o anocalendário. O lançamento que constitui crédito tributário sobre o principal de estimativas mensais deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos proferidos no voto do Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.004089/200331 Acórdão n.º 130100.746 S1C3T1 Fl. 285 2 Relatório McKINSEY & COMPANY, INC. DO BRASIL CONSULTORIA LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 10.632.749,15, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 42. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir parcialmente transcrito. Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ realizado em decorrência de erros ou inconsistências verificados nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais – DCTF dos 2º, 3º e 4º trimestres de 1998, segundo o disposto nas Instruções Normativas nº 45/1998 e nº 77/1998 (fls. 40 a 58). No Auto de Infração do IRPJ (fl. 43), foram apontados os enquadramentos legais do imposto, da multa de ofício vinculada e dos juros de mora devidos em função de falta de recolhimento ou pagamento do principal. A Interessada, tendo tomado ciência da autuação em 12/08/2003 (fl. 93), apresentou sua impugnação (fls. 01 a 03), por intermédio de seu Superintendente (fls. 07 a 38), alegando, em síntese, que: Diferentemente do que constou no auto de infração, referidos débitos foram pagos em sua totalidade. Uma pequena parte dos débitos foi paga mediante DARF (docs. anexos), e o restante, representando quase que a totalidade dos débitos, foi pago mediante compensação com créditos do mesmo efetuado no exercício de 1997, conforme depreendese da anexa cópia da “Ficha 08 – Cálculo do Imposto de Renda – PJ em Geral”, extraída da Declaração de Imposto de Renda da Impugnante do anocalendário 1997 (doc. 01). Conforme comprova o incluso documento, o valor do saldo apurado foi de R$ 3.861.713,82. Esse saldo, acrescido de R$ 631.515,43, correspondente aos juros Selic computados a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, conforme permitido pelo art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, atingiu o montante de R$ 4.493.229,25, valor total do crédito de IRPJ utilizado para compensar com os débitos do mesmo imposto apurados no segundo, terceiro e quarto trimestre de 1998. Vale dizer que referidas compensações foram realizadas com base no art. 66 da Lei nº 8.383/1991, e foram informadas nas respectivas DCTFs, cujas cópias seguem em anexo, razão pela qual devem ser consideradas por V. Sa., juntamente com os DARF ora juntados, para efeito de comprovação do pagamento do débito exigido e, conseqüentemente, para cancelamento do auto de infração ora impugnado. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.004089/200331 Acórdão n.º 130100.746 S1C3T1 Fl. 286 3 Em face de exposto, a Impugnante pede e espera que, em face da prova do pagamento do débito exigido, V.Sa. julgue a ação fiscal improcedente para o fim de determinar o pronto e total cancelamento da exigência fiscal perpetrada. Às fls. 162/166 encontro despacho em que são analisados o lançamento e respectiva impugnação. Ali, a Autoridade Lançadora observa que o alegado crédito de R$ 3.861.713,82, apurado em 31/12/1997, não se reveste da liquidez e certeza indispensáveis à compensação tributária. Tal saldo credor teria sido apurado a partir das estimativas mensais de IRPJ, em sua quase totalidade compensados. Por sua vez, as compensações declaradas em DCTF relativas ao anocalendário 1997 apresentariam valores incompatíveis com os débitos declarados, dando azo à lavratura de auto de infração, protocolizado sob o nº 13811.004535/200146. Sua conclusão foi como segue: A partir dos elementos disponíveis no processo e das informações registradas nos sistemas da Receita Federal do Brasil, está descartada a possibilidade de Revisão de Ofício devido à ocorrência de ERRO DE FATO. A Revisão de Ofício dos débitos só seria admissível com a instrução dos autos com elementos probatórios, contábeis e fiscais, relativos à perfeita caracterização da liquidez e certeza do alegado crédito de R$ 3.861,713,82 apurado em 31/12/1997 utilizado para a compensação dos débitos do IRPJ Estimativa apurados durante o anobase de 1998, compensações essas que devem ter sido tempestivamente registradas no livro Diário. Logo, considerando que a competência para análise dos pedidos de impugnação é do Delegado da Receita Federal de Julgamento, encaminhese o processo ao SERV. DE CONTROLE DO JULGAMENTODRJSPOISP (código 0111193.0) para prosseguimento.” A 4ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1617.146, de 15/05/2008 (fls. 171/181), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 DCTF. COMPENSAÇÃO. Não comprovada a opção de compensação com base no art. 66 da Lei nº 8.383/1991, em época própria, mantémse o lançamento. MULTA DE OFÍCIO. Tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II, “c”, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 CTN há que se proceder à exoneração da multa de ofício vinculada aplicada. Por relevante, informo que foram integralmente mantidos o tributo e os juros. Os dois parágrafos a seguir, transcritos do voto condutor do acórdão, esclarecem sobre os fundamentos adotados: Para considerar as alegações da empresa, seria necessário se comprovar, inicialmente, que ela realmente realizou a alegada compensação (sem DARF), com saldo negativo relativo ao anocalendário de 1997, em sua escrita fiscal, quando do Fl. 548DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.004089/200331 Acórdão n.º 130100.746 S1C3T1 Fl. 287 4 vencimento do imposto de renda informado em DCTF, ou em momento posterior com os acréscimos legais, dentro do prazo legal. Isto não ocorreu, em nenhum momento, nos autos. Há que se concordar, por outro lado, após ultrapassada a condição acima tratada, com a possibilidade, em tese, à época dos fatos, desse tipo de compensação com base no art. 170 do CTN combinado com o art. 66 da Lei nº 8.383/1991, caso comprovadas a liquidez e a certeza do crédito a favor do contribuinte. Isto também não ocorreu, tendo em vista que a empresa apurou saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 1997 em decorrência de estimativas que teriam sido extintas por compensação, fato este também não esclarecido nos autos. Por outro turno, a multa de ofício aplicada foi integralmente afastada. O seguinte excerto bem dá conta dos motivos: [...]. No caso de que trata o presente processo administrativo, foi constatado em procedimento de auditoria interna de DCTF que o contribuinte informou DARFs inexistentes para liquidar débitos. Assim, detectada a inexatidão das informações constantes da DCTF foi lavrado corretamente o auto de infração com o acréscimo de multa de lançamento de ofício e de juros de mora. Ocorre que, em que pese o autuante ter observado corretamente os percentuais determinados por lei, eis que fundamentou a multa de ofício no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a referida exigência deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que assim estabeleceu: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 . (…) § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”(Grifouse) Assim, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II “c”, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 – CTN – há que se proceder à exoneração da multa de ofício vinculada aplicada. Ciente da decisão de primeira instância em 02/06/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 183, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/06/2008 conforme carimbo de recepção à folha 186. No recurso interposto (fls. 187/198), após historiar os fatos, por sua ótica, a interessada apresenta seus argumentos para a reforma do acórdão recorrido, a seguir sintetizados: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.004089/200331 Acórdão n.º 130100.746 S1C3T1 Fl. 288 5 • A recorrente combate o entendimento do acórdão recorrido de que a utilização de créditos para a compensação objeto do presente auto de infração teria sido extemporânea. Sustenta que essa compensação foi informada ao Fisco na DCTF do anocalendário 1998. Não se poderia cogitar, assim, de decadência do direito de compensação de créditos tributários. • A contribuinte afirma a liquidez e certeza dos créditos utilizados para compensação com débitos de IRPJ no segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário 1998. Tais créditos, no montante de R$ 3.862.713,82, seriam originados de saldo negativo do mesmo tributo apurado ao final do exercício de 1997, mediante confronto das estimativas recolhidas (R$ 5.551.170,89) com o valor efetivamente devido (R$ 1.688.457,07). No entender da recorrente, o saldo negativo estaria comprovado desde a fase impugnatória, mediante a juntada aos autos de cópia da DIPJ do anocalendário 1997. Apresenta tabela demonstrativa dos valores apurados, pagos e compensados naquele ano, e acrescenta que “devido ao lapso temporal de mais de 10 anos da entrega de referida DIPJ, esta já se encontra tacitamente homologada, não podendo o FISCO, nesse momento, oporse às informações nela contidas”. Não obstante, faz juntar DARFs (docs. 05 a 10) representativos de pagamentos das estimativas mensais de IRPJ do anocalendário 1997. • A interessada sustenta a regularidade dos procedimentos por ela adotados para a compensação. Concorda com o julgador de primeira instância no sentido de que, na realidade, se trata de compensação sem DARF, mas afirma que seu erro “é plenamente sanável e não obsta os efeitos da presente compensação”. • No que tange à alegada necessidade de demonstração da compensação em sua escrita fiscal, a recorrente afirma que teria juntado aos autos, “em sede de Impugnação, cópia das fls. de abertura e encerramento de seu Livro Diário, evidenciando assim referida escrituração”. Não obstante, requer a juntada dos livros Diários dos anoscalendário 1997 e 1998 (docs. 03 e 04), os quais comprovariam, por sua ótica, a escrituração dos créditos ora discutidos. Diante de seus argumentos, a recorrente conclui com o pedido de conhecimento e provimento de seu recurso, reforma do acórdão recorrido e afastamento da exigência tributária. Como o crédito tributário afastado superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Fl. 550DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.004089/200331 Acórdão n.º 130100.746 S1C3T1 Fl. 289 6 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, o valor correspondente à multa afastada em primeira instância é de exatos R$ 2.981.858,34 (fl. 42), superando o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. O recurso de ofício é, pois, cabível e dele conheço. Quanto ao mérito, a decisão recorrida não merece reparos. De fato, o lançamento decorre do comando do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em se tratando, como é o caso, de procedimento de auditoria interna de DCTF, o lançamento das diferenças apuradas foi feito em 24/06/2003 (ciência do contribuinte em 11/08/2003), englobando tributo, multa de ofício e juros moratórios. Entretanto, conforme bem demonstrado na decisão a quo, sobreveio posterior modificação legislativa, consubstanciada no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051/2004: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 . (…) § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”(Grifouse) Da análise dessas disposições, é de se constatar que a situação sob exame não mais ensejava a aplicação de multa, pelo que se mostra perfeitamente aplicável o art. 106, II, “c”, do CTN e o consequente afastamento da multa lançada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 551DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.004089/200331 Acórdão n.º 130100.746 S1C3T1 Fl. 290 7 O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. Inicialmente, a recorrente combate o entendimento do acórdão recorrido de que a utilização de créditos para a compensação objeto do presente auto de infração teria sido extemporânea. Sustenta que essa compensação foi informada ao Fisco na DCTF do ano calendário 1998. Não se poderia cogitar, assim, de decadência do direito de compensação de créditos tributários. Não é bem o que ocorre. Em nenhum momento se cogitou de decadência do direito de compensar. A decisão de primeira instância considerou tão somente a falta de comprovação das alegações da interessada, de que a compensação teria sido feita com fulcro nas disposições do art. 66 da Lei nº 8.383/1991. Tal comprovação deveria consistir na apresentação de sua escrita contábil. Somente assim, ainda no entender da autoridade julgadora a quo, se poderia aceitar que a compensação declarada em DCTF como sendo com DARF teria sido, de fato, compensação sem DARF, e que a interessada teria incorrido em mero erro de preenchimento da declaração. Esclarecido este ponto, passo ao exame dos autos. À fl. 85, encontro cópia de folha do razão, em que constam as compensações em questão com créditos anteriores, supostamente do anocalendário 1997. Às fls. 88 e 89, termos de abertura e encerramento do Diário do anocalendário 1998. Tais documentos, apresentados ainda na fase impugnatória, foram tidos como insuficientes em primeira instância. Com seu recurso, a interessada junta, às fls. 228/245, cópias autenticadas de folhas do Livro Diário do anocalendário 1998, provando a efetiva compensação nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91. Quanto a esta questão, entendo não mais restar dúvidas de que o contribuinte pretendeu, efetivamente, a compensação sem DARF e efetuou os competentes registros em sua contabilidade. O próximo passo deve ser verificar se os créditos utilizados para a alegada compensação se revestem dos indispensáveis requisitos de liquidez e certeza. E, sob este aspecto, as provas dos autos não favorecem a interessada. Sua alegação é de que os créditos seriam originados de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1997, no montante de R$ 3.862.713,82, mediante confronto das estimativas recolhidas (R$ 5.551.170,89) com o valor efetivamente devido (R$ 1.688.457,07). Muito embora o valor do saldo negativo coincida com aquele que consta da DIRPJ do anocalendário 1997 (Ficha 08, linha 18, fl. 100 do processo), não há nos autos comprovação de sua composição, especificamente sobre os R$ 5.551.170,89 que teriam sido recolhidos por estimativas. Os DARFs, acostados pela interessada por cópias autenticadas a partir da fl. 263, se referem a estimativas da CSLL, código 2484, e não guardam qualquer relação com o presente processo. E, mais importante, as estimativas dos meses de jan/1997 a mai/1997 (parte) teriam sido quitadas mediante compensação com saldos negativos anteriores (vide DIPJ AC 1997, ficha 09, fls. 101/104), compensação e saldos esses acerca dos quais não se encontra qualquer informação nos autos. As DCTFs do anocalendário 1997 estão às fls. 145 e segs, e os valores das estimativas são diferentes daqueles que constam na DIRPJ. As cópias do Livro Diário do anocalendário 1997 (fls. 246/261) não fornecem qualquer evidência adicional. A afirmação da recorrente de que “devido ao lapso temporal de mais de 10 anos da entrega de referida DIPJ, esta já se encontra tacitamente homologada, não podendo o FISCO, nesse momento, oporse às informações nela contidas” não pode ser acolhida. É que a decadência atinge a possibilidade da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários após o Fl. 552DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.004089/200331 Acórdão n.º 130100.746 S1C3T1 Fl. 291 8 decurso do quinquênio legal, mas nenhuma relação tem com o poder/dever de aferir os requisitos de certeza e liquidez de alegados créditos passíveis de restituição e/ou compensação em favor do sujeito passivo. Diante da falta de certeza e liquidez dos créditos, considero não haver provas nos autos de que os débitos declarados em DCTF tenham sido extintos por compensação, nos termos autorizados pela Lei nº 8.383/1991. Não obstante, o presente lançamento não pode prosperar. É que os débitos declarados em DCTF e objeto do auto de infração correspondem a estimativas mensais do IRPJ do anocalendário 1998. Isto é facilmente constatado ao cotejar o auto de infração (fls. 43/46) com as DCTFs nas quais a auditoria interna da Receita Federal constatou as diferenças (fls. 59/79). Os débitos são do código 2362 – IR das demais PJ obrigadas ao Lucro Real – Estimativa Mensal –, das competências de abril a outubro de 1998. As pessoas jurídicas que adotam essa forma de pagamento mensal (estimativa) apuram o IRPJ devido com base no resultado anual, apurado em 31 de dezembro de cada ano, podendo deduzir do montante devido o valor pago por estimativa, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV – do imposto de renda pago na forma deste artigo.” Como se vê, quando o contribuinte opta pela apuração anual do resultado, situação da interessada, os recolhimentos estimados, mensais e obrigatórios, constituemse meras antecipações do valor do IRPJ devido ao final do ano calendário. A própria Administração Tributária fez publicar a Instrução Normativa nº 93, de 1997, com a finalidade de eliminar quaisquer dúvidas sobre o procedimento a ser adotado pelo Fisco em caso de falta de recolhimento de estimativas: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: Fl. 553DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.004089/200331 Acórdão n.º 130100.746 S1C3T1 Fl. 292 9 I – a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II – o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Assim, da forma como foi levado a efeito, o lançamento não pode subsistir. Incabível a constituição de crédito tributário sobre meras estimativas, antecipações de caráter provisório. A jurisprudência administrativa é pacífica nesse sentido, como ilustram as decisões abaixo: IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. – LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. – RECOLHIMENTOS MENSAIS. – ESTIMATIVA. – INSUFICIÊNCIA. – IMPOSSIBILIDADE. – Encerrado o anocalendário, é defeso à Fiscalização formalizar exigência de crédito que corresponda à diferença de imposto de renda e contribuição social recolhidos com insuficiência, quando feita opção para pagamento por estimativa. Ocorrida a hipótese de incidência do tributo, o lançamento tributário deve contemplar o valor apurado segundo a declaração de ajuste anual. (Acórdão 10194176, de 17/04/2003) IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças, mormente quando verificado o prejuízo no anocalendário. (Acórdão 10321030, de 18/09/2002) CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA O Fisco, após o encerramento do anocalendário, não pode exigir estimativas não recolhidas, uma vez que as quantias não pagas estão contidas no saldo apurado no ajuste. Nessa hipótese, somente caberia o lançamento de ofício para imposição da multa isolada, com base no art. 44, §1º, incisivo IV, da Lei nº 9.430/96, sobre os valores que deixaram de ser recolhidos durante o ano calendário. (Acórdão 10707483, de 28/01/2001) Observo, por relevante, que o cancelamento do lançamento aqui analisado não implica, de qualquer forma, a convalidação ou homologação das compensações alegadamente feitas pelo sujeito passivo para a quitação das estimativas mensais do ano calendário 1998. Tal verificação deverá ser feita nos autos de processo administrativo específico, se e quando o contribuinte buscar restituição ou compensação de eventual saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1998. Pelo exposto, é de se dar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Fl. 554DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.004089/200331 Acórdão n.º 130100.746 S1C3T1 Fl. 293 10 Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, com o que fica integralmente afastada a exigência. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 555DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13116.000062/2004-06
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2000, 2003, 2004
MULTA QUALIFICADA. IRPJ.
Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza-se a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondo-se a aplicação da multa de
ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 9101-001.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro João Carlos Lima Júnior.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMERCIAL DE ALIMENTOS FLORESTA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro João Carlos Lima Júnior. ﴾documento assinado digitalmente﴿ HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente Substituto. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Fl. 505DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 2/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR 2 Tratase de Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 10322.197, de 7 de dezembro de 2005 (fls. 679/703), proferido pela Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para reduzir a multa majorada de 150% para 75%, nos lançamentos ex officio do IRPJ e decorrentes (contribuição para o Pis/Pasep, Cofins e CSLL) nos anoscalendários de 1999 a 2003. A recorrente tomou ciência do acórdão em 29/05/2006 (doc a fls. 704), tendo interposto o recurso especial (fls. 705/720 do vol. IV), com base no art. 32, I, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes c/c art. 5º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria nº 55/98, no qual alega em síntese: I que ficou constatado que no período de jan/1999 a set/2003, num total de 57 meses, o contribuinte declarou para a Receita Federal aproximadamente 10% (dez por cento) dos valores escriturados na Contabilidade; II que foi verificado, também, que a empresa, em 03/01/2003, foi vendida por preço menor que 30% (trinta por cento) do que registrava o balanço de 31/12/2002 no Patrimônio Líquido, sendo que ficou demonstrada, ainda que solicitado pela fiscalização, a idoneidade da transação com comprovação da movimentação de recursos aportados; III que os endereços dos novos sócios não eram verdadeiros e que não apresentaram Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física no exercício de 2002, sendo que a fiscalização foi sempre atendida por um dos antigos sócios; IV que, no caso concreto temse que examinar o comportamento da contribuinte e verificar se a materialidade da conduta se ajusta à norma inserida nos artigos da Lei n° 4.502/66 a que remete a Lei n° 9.430/96 artigo 44, inciso II, existindo já conhecimento de que o litígio não se dá sobre discordância de qualificação jurídica dada aos fatos; V – que exatamente inexatidão da declaração é uma das materialidades justificadoras da apenação exasperada porque os casos do inciso I do artigo 44 da Lei n°. 9430/96 são os mesmos do inciso II, o que justifica a ressalva no inciso I (penalização de 75% em caso de declaração inexata, salvo...) que excetua para apenar em 150% havendo evidente intuito de fraude naquelas condutas tipificadas no inciso I e, entre elas, a inexatidão de declaração; VI que a ação do contribuinte retardou por parte da autoridade fazendária o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal (Lei 4502/66, art. 71, inciso I), bem como as declarações inexatas prestadas, depois de realizado o fato gerador, modificando sua informação quantitativamente, reduzia o montante do imposto devido; VII – que a E. Terceira Câmara, por sua maioria e, seguindo o voto condutor do Ilustríssimo Senhor Relator, não considerou o evidente intuito de fraude, pois a conduta do contribuinte foi firme e abusiva no sentido de fornecer informações inexatas com alta lesividade à Administração Tributária, diminuindo acintosamente o valor real de seu faturamento, reduzindo, de tal forma, o valor do pagamento de tributos e contribuições por prolongados períodos, sistematicamente; e Fl. 506DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 2/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR Processo nº 13116.000062/200406 Acórdão n.º 910101.202 CSRFT1 Fl. 655 3 VIII – ao final, requer o conhecimento e provimento do recurso especial, para que seja reestabelecida a multa qualificada. Em despacho a fls. 719 e 720, o Presidente da Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes admitiu o recurso da Fazenda Nacional, por entender que ficou demonstrado, fundamentadamente, que a decisão recorrida “seria contrária à lei e à evidência das provas contidas nos autos, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no § 1°, do artigo 33, do Regimento Interno dos Conselhos dos Contribuintes, preenchendo, assim, os pressupostos legais de admissibilidade”. Cientificada em 18/10/2007 (doc. a fls. 734), a recorrida apresentou contrarrazões (doc. a fls. 735 e 736 do volume IV), nas quais sustenta: I – que a suposta ocorrência de fraude na apuração do imposto já é matéria analisada e vencida, tanto no âmbito do Conselho de Contribuintes como da Justiça Federal, pois a ação cautelar proposta em seu desfavor pela União já foi julgada improcedente e está pendente de recurso para o “TRF 1”; e II – que o contribuinte demonstrou no âmbito administrativo e também no judiciário que não cometeu nenhuma fraude, c que a sua empresa não sofreu solução de continuidade, estando exercendo not malmente as suas atividades. O contribuinte interessado, no intuito de optar pelo Parcelamento para ingresso no Simples Nacional, apresentou desistência expressa de impugnação ou recurso em relação a esse processo (doc. fls. 865 a 867). Conforme despacho da autoridade preparadora a fls 861, o processo foi desdobrado, para que houvesse a transferência dos débitos mantidos no Acórdão recorrido (principal e 75% da multa de ofício) para o processo no 13116.000100/200765, permanecendo assim, no presente processo, somente os valores referente ao percentual das multas de ofício exonerado pelo acórdão recorrido. Tendo em vista que a desistência dos recursos ocorreu em momento posterior ao julgamento do recurso voluntário, interposto pelo contribuinte, e que há recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a autoridade preparadora, no despacho a fls. 696, propôs o encaminhamento deste processo ao Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme disposto no item 1.1.1.4.2 da letra g) do Anexo único da Portaria SRF no 1769, de 12/07/2005. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Fl. 507DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 2/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR 4 Todavia, antes de adentrar ao mérito, há necessidade de dirimir questão preliminar, qual seja, os efeitos da desistência dos recursos, apresentado pela contribuinte (doc. a fls. 866), após o julgamento do recurso voluntário, em face da norma insculpida no § 3o do art. 78 do do Anexo II do RICARF (Portaria MF no 256, de 22/06/2009), que assim preceitua: “Art. 78. omissis § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010)” Primeiramente, há que se ressaltar que, à época do pedido de desistência da contribuinte, não vigia a norma acima transcrita, nem era essa a orientação da Receita Federal e do extinto Conselho de Contribuintes, tanto que a autoridade preparadora, no despacho a fls. 696, e o Presidente da CSRF, no despacho a fls. 689, deixam claro que o processo deveria voltar ao CARF para prosseguimento no julgamento do recurso da Fazenda Nacional. Assim, a contribuinte, ao apresentar seu pedido de desistência, foi orientada que desistiria apenas da parte em que sucumbira, tanto que só esse valor foi objeto de parcelamento, conforme explicitado no despacho a fls. 696. Por essas razões, há que se concluir que o aludido § 3o não pode retroagir para prejudicar a recorrida, ampliando os limites objetivos do seu pedido de desistência. Mesmo porque, tal norma, por ser uma norma de natureza processual, não atinge os atos processuais praticados antes da sua vigência, mas apenas aqueles atos a praticar (sistema do isolamento dos atos processuais). A questão a ser solucionada versa sobre a possibilidade de aplicação da multa qualificada (150%) sobre a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização, tendo em vista que foi constatado que o contribuinte declarou, em DCTF, durante o período de 01/01/1999 a 30/09/2003, aproximadamente 10% (dez por cento) dos valores escriturados na contabilidade, especificamente no Livro Diário, fls. 128 a 193, e Livro de Saídas, fls. 72 a 127. Conforme preceitua o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, a multa qualificada é aplicável quando demonstrado o evidente intuito de fraude, seja por uma conduta que se subsuma nos conceitos legais de sonegação, fraude ou conluio, previstos, respectivamente, nos artigos 71, 72, e 73 da Lei nº 4.502/1964, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de Fl. 508DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 2/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR Processo nº 13116.000062/200406 Acórdão n.º 910101.202 CSRFT1 Fl. 656 5 modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. De plano, para os fatos geradores em tela, há que se afastar as hipóteses previstas nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, pois em momento algum a fiscalização indica que a recorrida tenha praticado “ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, ou agido em conluio. Por outro lado, a conduta da recorrida se enquadra na hipótese fática do art. 71 acima transcrito, pois a recorrida tinha total conhecimento das suas bases tributáveis e do imposto de renda devido. Todavia, apresentou DCTF e pagou tributos durante vários anos consecutivos calculados sobre 10% das bases tributáveis que constava da sua escrita contábil. Ora, a declaração sistemática durante 57 meses, em DCTF, de valores em torno de 10% do valor real devido, quando inegavelmente tinha conhecimento dos tributos devidos é prova irrefutável da conduta dolosamente concebida com o intuito de sonegar tributos, ou seja, da intenção de retardar o conhecimento pelo Fisco das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal. Assim, pelas circunstâncias descritas e demais elementos constantes do presente processo, conforme acima examinado, entendo que as infrações ocorridas nos anos de 1999 a 2003, e de que resultaram na lavratura do auto de infração, se amoldam perfeitamente à hipótese descrita no art. 71 da lei nº 4.502/1964; ou seja, que estão presentes os elementos objetivo (omissão dos rendimentos e tributos) e subjetivo (dolo de retarrdar o conhecimento do Fisco do fato gerador), caracterizadores do tipo previsto na lei. Assim, não resta dúvida que a recorrida agiu intencionalmente (com dolo) ao omitir, em todas as declarações apresentadas, os valores das receitas e tributos devidos, retardando o conhecimento do fisco quanto aos fatos geradores efetivamente ocorridos, aliado ao fato de não efetuar o recolhimentos de qualquer valor nos períodos de apuração fiscalizados. A conduta da fiscalizada denota o claro intuito de sonegar os tributos devidos. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial para restabelecer a cobrança da multa de ofício qualificada (150%) sobre os valores do IRPJ, contribuição para o Pis/Pasep, Cofins e CSLL, apurados nos anoscalendário 1999 a 2003, nos moldes constantes do lançamento. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 509DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 2/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR 6 Fl. 510DF CARF MF Emitido em 30/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/1 2/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000157/2004-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996 só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada
e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.
APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS E OUTRAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. INTIMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO. OUTRAS FONTES. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento da multa de ofício, devido à falta de esclarecimento ao Fisco, só pode ocorrer quando houver clara vontade do contribuinte em não atender às solicitações do Fisco e evidente prejuízo para a confecção do lançamento.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9202-001.662
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996 só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS E OUTRAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. INTIMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO. OUTRAS FONTES. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, devido à falta de esclarecimento ao Fisco, só pode ocorrer quando houver clara vontade do contribuinte em não atender às solicitações do Fisco e evidente prejuízo para a confecção do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado
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Recorrente PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado RAIMUNDO ERIVAN TORRES BELO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996 só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS E OUTRAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. INTIMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO. OUTRAS FONTES. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, devido à falta de esclarecimento ao Fisco, só pode ocorrer quando houver clara vontade do contribuinte em não atender às solicitações do Fisco e evidente prejuízo para a confecção do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos, (Conselheiro Convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcelo Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10247.000157/200438 Acórdão n.º 920201.662 CSRFT2 Fl. 650 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade, fls.0635, interposto pela digna Procuradoria da Fazenda Nacional contra acórdão, fls. 0615, que decidiu, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de oficio para 75%, nos termos do voto do Relator. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão, com destaque para a parte contra a qual o recurso foi interposto: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: ERRO DE ESCRITA NO RELATÓRIO DA DECISÃO RECORRIDA — AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO RECORRENTE — INOCORRÊNCIA DE NULIDADE — Meros erros de escrita no relatório da decisão recorrida, sem qualquer reflexo no voto da Turma de Julgamento, não têm o condão de inquinar de nulidade o aresto que aqui se recorre. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS — PRINCÍPIOS REITORES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA — PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA — IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária porque essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar ao ato de aplicação da lei. Não pode a autoridade lançadora ou julgadora administrativa, por exemplo, invocando os princípios da capacidade contributiva e do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isto ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária, no caso vertente, os arts. 42 e 44 da Lei n° 9.430/96, que são a base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. No caso específico do Conselho de Contribuintes, adstrito às normas administrativas fazendárias, tem aplicação o art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 50 do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO – MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado sumular n° 14 deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, mormente quando estribada em presunção legal, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO – Como a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação, devese desagravar a multa de oficio. O não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS — ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ERAM DE PROPRIEDADES DE TERCEIROS NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS, COM IDENTIDADE DE DATA E VALOR – INOCORRÊNCIA – A alegação de que os depósitos bancários eram recursos de terceiros não restou comprovada nos autos. Assim, ausente a comprovação da origem dos depósitos, com identidade de data e valor, devese manter o lançamento vergastado. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos,. relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RAIMUNDO ERIVAN.TORRES BELLO. ACORDAM os membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga que deu provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio para 150% e Sérgio Galvão Ferreira Garcia (suplente convocado) que deu provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício para 112,5%. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10247.000157/200438 Acórdão n.º 920201.662 CSRFT2 Fl. 651 5 1. Insurgese a Fazenda Nacional contra acórdão, na parte que reduziu a multa qualificada e agravada para o seu percentual normal; 2. A razão para o recurso ocorre devido ao acórdão contrariar as provas constantes dos autos, assim como o disposto no art. 44, II, da Lei 9.430/96, pois a multa agravada incide no caso de evidente intuito de fraude, que está definido nos artigos 71 a 73 da Lei n.° 4.502/64; 3. Aplicase ao caso o delito sonegação, previsto no art. 71 da Lei n.° 4.502/64; 4. Está demonstrado nos autos o evidente intuito de fraude, pois manifesto quando o contribuinte, reiteradamente intimado pela autoridade fiscal, deixou de prestar esclarecimentos a respeito de fatos geradores ocorridos por quatro anos seguidos; 5. O contribuinte não atendeu as intimações da fiscalização, motivo, correto, de agravamento da multa; 6. Depreendese do próprio art. 71 da Lei n.° 4.502/64, que não é, de forma alguma, permitido ao contribuinte deixar de declarar os tributos devidos ao Fisco; 7. Assim, demonstrado que o contribuinte declarou, de forma consciente, informações falsas ao Fisco, não há a menor dúvida de que agiu com dolo; 8. A jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes já condenou tal prática fraudulenta, pacificando o entendimento de que, quando o contribuinte deixa, de forma reiterada, de apresentar as declarações devidas ao Fisco, resta patente sua intenção dolosa e inteiramente viável a aplicação da multa agravada; 9. Assim, face ao exposto, requer a Procuradoria que seja dado provimento a seu recurso. Por despacho, fls. 0643, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Posteriormente, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da então 6ª Câmara do 1º Conselho a contrariedade suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O presente recurso possui seu fundamento no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. RICSRF: Artigo 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. No caso em questão, o fundamento do recurso encontrase no I, Art. 7º RICSRF, devido à decisão nãounânime presente no acórdão recorrido, pois, segundo a Procuradoria, a decisão é contraria à lei ou à evidência de prova. Em síntese, o lançamento referese a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário 1999 a 2002, sendo a infração apenada com multa qualificada e agravada de 225%. No acórdão recorrido decidiuse pela desqualificação da multa de oficio, por se entender não comprovado o evidente intuito de fraude e, considerando a ausência de prejuízo da conduta do contribuinte ao trabalho fiscal, não prosperou também o agravamento da multa. Já a Procuradoria busca a reforma do acórdão, no que tange à qualificação e agravamento da multa, argüindo contrariedade às determinações expressas no II e § 2°, do Art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10247.000157/200438 Acórdão n.º 920201.662 CSRFT2 Fl. 652 7 ... § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Para chegar a uma solução, devemos analisar o Auto de Infração, fls. 0237, e o Relatório da Fiscalização, fls. 0263, a fim de verificar os motivos elencados pelo Fisco para a qualificação e agravamento da multa. Nessa análise, não encontramos justificativas para a qualificação da multa. Encontramos, sim, no Relatório de Fiscalização as informações de que o contribuinte não atendeu ás solicitações do Fisco, solicitando prorrogações de prazo, e às intimações sobre valores constantes em conta depósito de sua titularidade, mas não há a subsunção das ações/omissões do contribuinte às determinações da norma. Ressaltese que o Fisco obteve conhecimento desse depósitos por Requisições sobre Movimentação Financeira (RMF), solicitadas pela fiscalização e fornecidas pelas instituições bancárias. Feito o esclarecimento, devemos analisar se cabíveis: 1. A qualificação da multa de ofício, devido a existência de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; 2. O agravamento da multa de ofício acima, devido ao não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestação de esclarecimentos. Em nosso entendimento a multa não deve ser qualificada e agravada e o acórdão recorrido não deve ser modificado. Sobre a qualificação da multa de ofício, devido a evidente intuito de fraude, entendemos que a determinação não diz respeito unicamente ao fim almejado com a prática de fraude, mas, também, quando existe um resultado obtido. Toda sanção deve penalizar um resultado, um objetivo alcançado. Não basta a existência, provada/evidente, de mero desejo, objetivo, intuito, de obter o resultado. Fazse necessário e obrigatório para a qualificação da multa que, também, ele tenha sido produzido de uma determinada forma: com fraude (Art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964). Para a qualificação da multa, tornase, sem sombra de dúvida, de extrema relevância a descrição do modo de ação pelo qual se buscou que o cumprimento da obrigação tributária fosse frustrado. Portanto, a intenção (intuito) do contribuinte deve ser provada, fato que não ocorreu no lançamento. Somase as considerações expostas em voto qualificado do nobre Conselheiro Relator do acórdão recorrido, Giovanni Christian Nunes Campos: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 “Primeiro, devese discutir a pertinência da qualificação da multa de oficio. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicavase a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários. Por fim, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. ... Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. ... No caso dos autos, o contribuinte não comprovou, documentalmente, a origem dos depósitos, o que manteve íntegro o auto de infração. Caso o recorrente tivesse comprovado a origem dos depósitos, a autoridade autuante, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/96, iria verificar se tais depósitos tinham sido submetidos a regular tributação. Caso negativo, iria submetêlos às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Na última situação do parágrafo acima, a autoridade fiscal iria analisar a gênese do fato gerador do imposto omitido, e, eventualmente, poderia identificar as condutas dolosas de sonegação, fraude ou conluio. Entretanto, somente poderíamos afiançar que o contribuinte agiu dessa forma com o conhecimento do real fato gerador do tributo. Por óbvio, considerando as gravíssimas conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10247.000157/200438 Acórdão n.º 920201.662 CSRFT2 Fl. 653 9 terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. Como exemplo, acatase a qualificação da multa de oficio nas seguintes hipóteses: • utilização de documentos, material ou ideologicamente, falsos para abertura ou movimentação da conta bancária; • conta de depósito aberta em nome interposta pessoa (Acórdão n° 104 20.713, sessão de 19/05/2005, relator o Conselheiro Remis Almeida Estol; Acórdão n° 10422.618, sessão de 13/09/2007, relator o Conselheiro Nelson Mallmann); • utilização de um segundo número de CPF para dificultar a identificação do contribuinte (acórdão n° 10247.157, sessão de 20/10/2005, relatora a Conselheiro Silvana Mancini Karam); • contribuinte que utiliza conta de terceiro para movimentar recursos de origem não comprovada (Acórdão n° 10616.646, sessão de 05/12/2007, relatora a Conselheira Roberto de Azeredo Ferreira Pagetti); • omissão da escrituração de depósitos bancários, aliado ao exercício de atividades paralelas, as quais dependem de autorização de órgão governamental (Acórdão n° 10193.865, sessão de 19/06/2002, relator o Conselheiro Paulo Roberto Cortez); • utilização de meio fraudulento para comprovar a origem dos depósitos bancários (Acórdão n° 10248.266, sessão de 01/03/2007, relator o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho). Na espécie, nenhuma das hipóteses acima ocorreu, mas apenas uma omissão de rendimentos, estribada em uma presunção legal relativa. Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizada pela Súmula 1°CC n° 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Como exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionase a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI 1‘1°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente ' Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL – Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei no. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. (grifei) Ainda, na linha do aqui decidido, citamse os Acórdãos n's: 103 23151, sessão de 08/08/2007, relator o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento; 10616389, sessão de 23/05/2007, relatora a conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assim, devese afastar a qualificação da multa de oficio. Por todo exposto, nego provimento ao recurso na questão da qualificação da multa de ofício. Quanto ao agravamento da multa qualificada, em primeiro lugar, devese ressaltar que o recorrente solicitou mais prazo para atender ao Fisco. No agravamento da multa o Fisco deve demonstrar o intuito do sujeito passivo, pois somente em casos comprovados em que o contribuinte busca, por ações ou omissões, dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e a respectiva base de cálculo é que a penalização deve ocorrer. Nesse sentido, a resposta à intimação fiscal, para pedir prorrogação ou para informar que não tem o documento ou que não vai entregálo, inviabiliza a aplicação da norma que manda agravar a multa de oficio. A intimação foi respondida pelo sujeito passivo, para solicitar prorrogação do prazo, conforme consta do Relatório Fiscal. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10247.000157/200438 Acórdão n.º 920201.662 CSRFT2 Fl. 654 11 Portanto, o sujeito passivo demonstrou interesse em responder e atender à fiscalização. Em segundo lugar, somase a informação de que a fiscalização obteve, por Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF) os dados que solicitou, utilizando a presunção permitida por lei para quantificar a base de cálculo do tributo. Na aplicação do agravamento da multa devemos levar em conta se houve prejuízo á atuação do Fisco, pois, caso não tenha ocorrido prejuízo à ação fiscal, não há como prosperar o agravamento da multa. Nesse sentido há a correta decisão da CSRF, em voto qualificado do nobre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira: Ementa: IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA PREJUÍZO. NÃO APLICABILIDADE. Improcedente a aplicação da multa agravada contemplada no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/1996, quando não comprovada que a ausência de atendimento/resposta às intimações fiscais por parte do contribuinte representou prejuízo à fiscalização e/ou lavratura do Auto de Infração, sobretudo quando o Fisco já detinha todos elementos de prova capazes de lastrear o lançamento promovido com base na presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, onde fora justamente à ausência de prestação de esclarecimentos do contribuinte, no sentido de comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias, que caracterizou a omissão de rendimentos objeto da autuação. Recurso Especial Negado. ... Ao analisar a matéria, a Câmara recorrida reduziu a multa ao percentual de 75%, afastando o agravamento procedido pela autoridade lançadora, a pretexto de não ter existido qualquer prejuízo à fiscalização no fato de o contribuinte não responder/atender às intimações fiscais, sobretudo quando àquela já detinha elementos suficientes para promover o lançamento. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com a conclusão levada a efeito pela Câmara recorrida, reduzindo à multa agravada ao percentual mínimo de 75%. Destarte, em nosso sentir, aludida disposição legal tem como finalidade precípua evitar que o contribuinte quedese silente objetivando prejudicar e/ou impedir o procedimento fiscalizatório que poderá ou não culminar com o lançamento. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 12 É bem verdade que a legislação de regência, não faz essa explicação/diferenciação, estabelecendo bastar à ausência de prestação de esclarecimentos solicitados pelo fisco para ensejar a aplicação da multa agravada. Entrementes, ao analisar as demandas cabe ao julgador e/ou demais aplicadores da lei, verificar qual a finalidade da norma. In casu, entendemos que não é a mera omissão na prestação das informações requeridas pelo Fisco que faz incidir a possibilidade de aplicação da multa em comento. Ao contrário, como elucidado alhures, defendemos que qualquer uma das hipóteses legais contempladas pelas alíneas “a”, “b” e “c”, do artigo 44, inciso I, § 2o, da Lei n° 9.430/96, procura penalizar o contribuinte que, deixando de prestar esclarecimentos ou apresentar a documentação ali descrita, impediu, retardou e/ou impossibilitou a continuidade da verificação fiscal, culminando ou não com o lançamento. Mas não é o que se vislumbra na hipótese dos autos. Em verdade, o procedimento fiscal seguiu o rito normal para a maioria dos casos dessa natureza, senão vejamos: Intimado e reintimado a apresentar seus extratos bancários o contribuinte não o fez, o que ensejou a expedição de RMF, requerendo a movimentação bancária do autuado. Posteriormente, intimado a justificar a origem dos depósitos bancários o interessado permaneceu silente, fazendo incidir os preceitos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Observese, que a conduta do contribuinte não interferiu em absolutamente nada no andamento da ação fiscal. Aliás, somente agilizou a lavratura do Auto de Infração, uma vez que, deixando de procurar justificar a origem dos depósitos bancários, incorreu precisamente na presunção legal contemplada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Ocorreria prejuízo muito maior ao fisco se o contribuinte prolongasse a ação fiscal, requerendo dilatação de prazo ou procurando justificar sua movimentação bancária com argumentos frágeis, hipótese em que a fiscalização seria mais duradoura. Ora, se não conseguiria comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias, entendeu por bem permanecer silente. A rigor, as hipóteses de incidência da presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e do agravamento da multa em epígrafe, neste caso, se confundem. De um lado o artigo 42 daquele Diploma Legal caracteriza omissão de rendimentos quando o contribuinte não comprovar a origem dos depósitos bancários. De outro, o artigo 44, inciso I, parágrafo 2°, alínea “a”, prescreve o agravamento da multa quando não prestadas às informações solicitadas pelo fisco. No entanto foi exatamente em razão de deixar de prestar os esclarecimentos requeridos pela fiscalização, quais sejam, comprovação da origem dos depósitos bancários, que o contribuinte fora autuado com base na presente presunção legal. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10247.000157/200438 Acórdão n.º 920201.662 CSRFT2 Fl. 655 13 Mais a mais, inexiste a toda evidência qualquer prejuízo ao Fisco capaz de ensejar a aplicação da multa sob análise, mormente quando a fiscalização já dispunha de todos os elementos de prova suficientes ao lançamento. Prova disso é que, após ter em mãos os extratos bancários, intimou o contribuinte numa única oportunidade para comprovar a origem dos recursos. Assim não o tendo feito, promoveuse o lançamento com base na presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, afastando o agravamento da multa do artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, quando não comprovado o prejuízo da fiscalização em razão da conduta omissiva do contribuinte, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabelece, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, individualizadamente, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza (não tributável, isenta ou já anteriormente tributada) dos valores depositados em sua conta de depósito. MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INAPLICABILIDADE Incabível a qualificação da multa, quando não restar comprovada nos autos a ações ou omissões do contribuinte com deliberado propósito de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou seu conhecimento pelo fisco, utilizandose de meios que caracterizem evidente intuito de fraude. MULTA AGRAVADA ART. 44, § 2°, LEI N° 9.430/1996 – INOCORRÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Incabível o agravamento da multa, quando o lançamento ocorreu mediante informações bancárias fornecidas pelas instituições financeiras, fundamentado pela Lei Complementar n° 105/2001, sem restar comprovado nos autos nenhum prejuízo e, portanto, embaraço ao procedimento de fiscalização. Recurso de ofício parcialmente provido.” (2a Câmara do 1o Conselho – Recurso n° 153.399, Acórdão n° 10248.303 – Sessão de 28/03/2007) (grifamos) “[...] MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO O agravamento da penalidade pelo não atendimento à intimação para apresentação de comprovação da origem dos depósitos é incompatível com o lançamento ancorado na presunção legal do art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, eis que este já veicula conseqüência específica para a hipótese. Preliminar de decadência acolhida. Preliminar de cerceamento do direito de defesa rejeitada. Recurso Fl. 13DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 14 parcialmente provido.” (4a Câmara do 1o Conselho – Recurso n° 153.736, Acórdão n° 10422.367 – Sessão de 26/04/2007) (grifamos) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 [...] MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO Devese desagravar a multa de ofício, pois a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. Recurso voluntário provido parcialmente.” (6a Câmara do 1o Conselho – Recurso n° 159.003, Acórdão n° 106 17.240 – Sessão de 05/02/2009) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, demonstrandose que a ausência do atendimento/resposta do contribuinte às intimações fiscais não acarretou qualquer prejuízo ao bom andamento da ação fiscal e, conseqüentemente, à lavratura do Auto de Infração, é de se manter a ordem legal no sentido de afastar a multa agravada insculpida no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. (Processo 10540.000250/200690) Por todo o exposto, não podemos concordar com a nobre recorrente, também, nesse ponto. CONCLUSÃO: Pelo exposto, estando o acórdão recorrido em sintonia com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, pelas razões de fato e de direito acima expostas. Marcelo Oliveira Fl. 14DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10247.000157/200438 Acórdão n.º 920201.662 CSRFT2 Fl. 656 15 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10183.002655/2004-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000
RECURSO ESPECIAL, INADMISSIBILIDADE. Não se conhece do recurso especial que suscita exclusivamente a violação do acórdão recorrido ao disposto no art. 45 da Lei no 8212191, em face da edição ,da Súmula Vinculante n° 8 pelo C. Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9101-000.731
Decisão: Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-09T14:18:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-09T14:18:28Z; Last-Modified: 2011-09-09T14:18:28Z; dcterms:modified: 2011-09-09T14:18:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:fc9bd534-35d6-49cd-87e0-9c38ead76a8e; Last-Save-Date: 2011-09-09T14:18:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-09T14:18:28Z; meta:save-date: 2011-09-09T14:18:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-09T14:18:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-09T14:18:28Z; created: 2011-09-09T14:18:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-09-09T14:18:28Z; pdf:charsPerPage: 1437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-09T14:18:28Z | Conteúdo => F 1:1 1 CSRF-T1 Ft 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 1 Processa n° 10181002655/2004-15 Recurso o° 144.771 Especial do Procurador Acórdão rt° 9101-00.731 — I' Turma Sessão de 9 de novembro de 2010 Matéria Decadência. Contribuições sociais. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessada CD FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA 1 ,11 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: RECURSO ESPECIAL, INADMISSIBILIDADE. Não se conhece do recurso especial que suscita exclusivamente a violação do acórdão recorrido ao disposto no art. 45 da Lei no 8212191, em face da edição ,da Sirrnula Vinculante n° 8 pelo C. Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros da I Turma da Cdmara Superior de Recursos Fiscais,' por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora EDITADO EM: 30/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidon' Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman. 1 1 vrpAL • RLOS ALEEP,TO IREI 11 2 . Trata-se de recurso- especial interposto pela Procuradoria da Fazenda tonal em face de acórdão proferido pela Primeira Camara do Primeiro Conselho de tribuintes que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência de todos os tos em relação aos fatos geradores ocorridos ate 30.06,1999, haja vista a ciência dos autos nfração ocorrida em 02.07.2004. No tema do presente recurso, o acórdão ora recorrido restou assim ementado: DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a langanzento por homologação, e não comp, ovada a existência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para a contagem do pra:o de decadência é a data de ocorrência do fato gerador Segundo jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais a decadência das contribuiçães sociais se rege pelas regras do CTN A Fazenda Nacional interpôs recurso especial com fundamento no art. 15, , do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria n° 12007, alegando, em síntese, que a divergência jurisprudencial estaria na interpretação do 45, da Lei n° 8.212/91, o qual, em face da inexistência de decisão do Supremo Tribunal ler-ai sobre o tema, seria aplicável à CSLL, ao PIS e A Cofins, diante da impossibilidade de retação de inconstitucionalidade de lei pelo colegiado administrativo O recurso especial foi admitido pelo Presidente da Camara recorrida pacho n° 101-00712008, fls. 189), após verificada, A época, a alegada contrariedade A lei. Sem contrarrazões, o relatório. Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora t,E IMINAR DE ADMISSIBILIDADE O acórdão recorrido reconheceu a decadência do credito tributário pela lieação do art. 150, §4 0, do CIN, ern rar -Ao dos fatos geradores terem ocorrido há mais de 5 nco) anos, contados da data da ciência do lançamento Em que pese posição pessoal divergente sobre tal forma de contagem do azo decadencial, no presente caso, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, m a devida vênia, não merece ser conhecido. A recorrente, em suas razaes recursais, aponta divergências jurisprudenciais rgando, exclusivamente, a contrariedade da decisão guerreada em relação ao disposto no art da Lei n° 8212/91. ialri•.e.rne em in.1 12/20 IC par VIVIANE. VIDAL 11..1ACII;EP, 1 1/121:n1") 1:. ,:s 1:;;'1 .:. 1*.X:: AiLE?:11) FREI Ws: 11 0.-v120010 por VIVIAME VIE;AL 1.1,/11, !2Fi 2 10 1 0011 RAI M:rasterio da Fazerida MF r 'tot H iï Processo n° 10183 002655/2004-15 Acórdlo n° 9101-0D..731 CSI2F-T 1 Fl 2 I I Ocorre que a alegada violação legal deixou de existir a partir da edição da Sumula vinculante n° 8, pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, declarando, com efeito erga omnes, a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8,212/1991 (DOU de 20 06.2008). Diante da vinculação de toda a administração pública à decisão da Corte Suprema, em observância ao art. 103-A, da Constituição Federal, esvazia-se o objeto do presente recurso. Pelo exposto, e considerando-se a inexist8ncia de outro fundamento recursal voto no sentido de não conhecer o recurso interposto. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner r...z.w VI 1 Lí2;Ci p .',/id•11_(;!3 TD FRE
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000036/2007-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
A falta de apresentação de extratos bancários solicitados pela fiscalização não autoriza o agravamento da multa de ofício, na medida em que tal situação não prejudica a elaboração do lançamento cujo fundamento é a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não
comprovada. Diante desta situação os extratos bancários foram obtidos através de RMF. Aplicabilidade ao caso do artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional, com a manutenção da decisão recorrida, que reduziu a penalidade de 112,5% para 75%.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.856
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Francisco Assis de Oliveira Junior e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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A falta de apresentação de extratos bancários solicitados pela fiscalização não autoriza o agravamento da multa de ofício, na medida em que tal situação não prejudica a elaboração do lançamento cujo fundamento é a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Diante desta situação os extratos bancários foram obtidos através de RMF. Aplicabilidade ao caso do artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional, com a manutenção da decisão recorrida, que reduziu a penalidade de 112,5% para 75%. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Francisco Assis de Oliveira Junior e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Fl. 348DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por AUZONIA EVANGELISTA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Redator Designado EDITADO EM: 12/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (conselheiro convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 290 a 296), interposto pela Fazenda Nacional, contra Acórdão no 220200.289, da 2a Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 279 a 286), julgado na sessão plenária de 29 de outubro de 2009, que havia dado provimento parcial ao recurso para redução da multa de ofício lançada, do percentual de 112,5% para o percentual de 75%. Em sede de fiscalização, a interessada havia sido intimada (fls. 07 a 10) a apresentar extratos bancários referentes a contascorrentes de sua titularidade, sem, entretanto, atender à intimação. Com isso, foi lavrado o termo de embaraço à fiscalização (fls. 11a 12), emitida RMF Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 13 a 16) e lavrado o Auto de Infração (fls. 115 a 122) com multa majorada em 50% (de 75% para 112,5%), por conta de falta de atendimento a intimações para prestação de esclarecimentos, com base no inciso I, parágrafo 2o do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Inconformada, a interessada apresentou impugnação ao Auto de Infração, porém, em primeira instância, o Auto foi mantido. Posteriormente, foi interposto recurso voluntário ao CARF e, no julgamento do recurso voluntário, o colegiado decidiu, por unanimidade de votos, reduzir a multa para o percentual de 75%, sob o argumento de que, para o agravamento da penalidade, seria necessário que a conduta do sujeito passivo estivesse associada a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal, concluindo que essa somente seria uma medida aplicável naqueles casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. Entendeuse, no acórdão ora recorrido, que, no caso concreto, o não atendimento à intimação não obstou o procedimento fiscal, pelo fato da fiscalização ter solicitado os extratos bancários às próprias instituições financeiras. Contra o acórdão da 2a Turma da 2a Câmara da 2a Seção do CARF, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo o restabelecimento da multa de 112,5%, demonstrando divergência entre a decisão recorrida e, entre outros, o acórdão paradigma n° 10808356, em cuja ementa consta que “Havendo descumprimento de intimação fiscal, correto o agravamento do coeficiente aplicado”. No mérito, a Fazenda Nacional argumenta que a Fl. 349DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por AUZONIA EVANGELISTA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10805.000036/200766 Acórdão n.º 920201.856 CSRFT2 Fl. 2 3 fiscalização tem o poder de buscar as informações necessárias à apuração do montante tributável juntamente com o contribuinte mediante intimações e que o contribuinte, as possuindo, não pode furtarse a entregálas sob pena de sanção legal. Conclui observando que a não aplicação do agravamento aniquilaria o trabalho da fiscalização tributária, vez que as intimações passariam a ser meras solicitações de cumprimento facultativo pelos contribuintes. De acordo com o despacho de fls. 299 a 302, foi dado seguimento ao Recurso especial, com fundamento nos arts. 68 e 69 do Regimento Interno do CARF, para reapreciação da questão do agravamento da multa de lançamento de ofício. Não tendo sido apresentadas contrarrazões ou recurso especial pelo sujeito passivo, o processo foi enviado a esta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para apreciação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. No mérito, é importante esclarecer que a falta de atendimento de intimações, por si só, não pode ser considerada apressadamente o fundamento para o agravamento da multa. Com efeito, a legislação (art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996), tanto em sua redação original quanto na redação atualmente em vigor, referese ao agravamento da multa de ofício em 50% nos casos em que não for atendida a requisição de prestação de esclarecimentos. Ora, esse foi exatamente o caso sob análise. Não foram apresentados os extratos bancários, que são de titularidade do contribuinte e que poderiam ter sido entregues, ou ser autorizada sua entrega por parte da instituição financeira. Esses extratos teriam o condão de esclarecer o montante presumido por lei como rendimento tributável (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996). Porém, com a falta de atendimento à intimação e a consequente falta de esclarecimento do contribuinte, a fiscalização se viu forçada a encontrar essa informação junto a terceiros. Diferente é o caso em que, já tendo sido identificado o montante tributável, o contribuinte é intimado a indicar se há alguma causa que, aproveitando ao contribuinte, pudesse vir a reduzir esse montante. Reparase que, nesse caso, o não atendimento à intimação não prejudica a fiscalização e, assim, não ensejaria o agravamento da multa. Entretanto, repise se, não é esse o caso dos autos. Portanto, pelo fato da falta de atendimento à intimação ter resultado na falta de esclarecimentos necessários à apuração do montante tributável e, com isso, ter obrigado a fiscalização a buscar os esclarecimentos com terceiros, entendo ter sido correto o agravamento da multa. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por AUZONIA EVANGELISTA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Pelo que se encontra acima exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, acatar o pedido de restabelecimento da multa de 112,5% originalmente aplicada pela fiscalização. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 351DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por AUZONIA EVANGELISTA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10805.000036/200766 Acórdão n.º 920201.856 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Vencedor Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Designado. Não obstante a respeitável posição defendida pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e seguida pelos Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Otacílio Dantas Cartaxo, tenho adotado entendimento diverso com relação ao agravamento da penalidade em lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Segundo a autoridade lançadora, o fato de o contribuinte ter deixado de apresentar seus extratos bancários deu ensejo ao agravamento da multa de ofício para o patamar de 112,5%. Em sua defesa com relação à matéria, o sujeito passivo alegou que não se negou a apresentar os documentos solicitados, apenas pediu dilação de prazo para poder fazê lo, o que restou indeferido. Ao tempo dos fatos em apreço, a multa agravada de 112,5% estava prevista no artigo 44, inciso I, § 2°, da Lei n° 9.430/961, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte: (...) § 2°. As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento) e 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alter ações introduzidas pelo art. 62 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. 1 Atualmente tal regra encontrase expressa no § 2°, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por AUZONIA EVANGELISTA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Entendo que a ausência de resposta às intimações da autoridade lançadora, neste caso, não caracteriza nenhuma das previsões do dispositivo acima transcrito, pois a não apresentação dos extratos bancários não prejudicou, de forma nenhuma, a elaboração do lançamento, na medida em que a fiscalização pode fazer uso da regra prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001, obtendo os extratos bancários necessários à lavratura do auto de infração por intermédio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. A Relatora do acórdão recorrido, Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, fez as seguintes ponderações a respeito da matéria: O contribuinte se insurge contra o agravamento da multa de ofício, alegando que o não atendimento no prazo para apresentação dos elementos requeridos pelo fisco decorreu do indeferimento do pedido de dilação de prazo para apresentação da documentação solicitada. Como dos autos se infere, o agravamento da penalidade se deu porque a autoridade fiscal entendeu estar inclusa nos limites do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a conduta do contribuinte de não haver atendido no prazo as intimações feitas no curso da ação fiscal (fl. 113— volume I). Cumpre ressaltar que não foi localizado nos autos qualquer pedido de prorrogação, conforme alegado. Por outro lado, a jurisprudência neste Tribunal Administrativo tem se firmado no sentido de que, para o agravamento da penalidade é necessário que à conduta do sujeito passivo esteja associado um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal, ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis, depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. O não atendimento à intimação, na qual eram solicitados os extratos bancários de suas contas, não obstou o procedimento fiscal, pois a lei faculta ao fisco a possibilidade de requerêlos às instituições financeiras ante a recusa do contribuinte. Tanto é assim que o autuante solicitou os extratos bancários diretamente aos bancos, intimou o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos por ele relacionados e, ante a falta de manifestação do mesmo, efetuou o lançamento da omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei n 9.430/1996. Da mesma forma, a não comprovação da origem dos depósitos não obsta a atividade fiscal, pelo contrário, a facilita, pois tal conduta do contribuinte coloca a presunção legal contra ele, autorizando o lançamento de ofício. Como se vê, ao não justificar a origem dos depósitos ou mesmo ao se recusar a apresentar seus extratos bancários, o contribuinte atua contra si próprio, não se podendo, nestes casos, terse como evidenciada conduta tendente à caracterização da situação que justifique a imposição da multa de agravada. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por AUZONIA EVANGELISTA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10805.000036/200766 Acórdão n.º 920201.856 CSRFT2 Fl. 4 7 Diante do exposto, manifestome no sentido de que não restou evidenciada a situação de fato que daria ensejo à aplicação da multa de ofício de 112,5%, devendo a mesma ser reduzida para 75%. Estou integralmente de acordo com tais assertivas. Tenho como aplicável à situação em voga a regra do artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional, segundo a qual “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Sob minha ótica, não resta justificada a exasperação da penalidade para 112,5%. A antiga Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes adotava referido posicionamento com muita freqüência, conforme ilustra a ementa do seguinte acórdão: (...) MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO – Como a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação, devese desagravar a multa de ofício. O não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS –– ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ERAM DE PROPRIEDADES DE TERCEIROS NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS, COM IDENTIDADE DE DATA E VALOR – INOCORRÊNCIA – A alegação de que os depósitos bancários eram recursos de terceiros não restou comprovada nos autos. Assim, ausente a comprovação da origem dos depósitos, com identidade de data e valor, devese manter o lançamento vergastado. Recurso voluntário parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso Voluntário n° 148.837, Acórdão n° 10617.015, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 07/08/2008) Este entendimento também prevalece no âmbito desta Segunda Turma da CSRF há longa data. Com tais singelas considerações, concluo que a decisão recorrida merece ser confirmada, pois não se justifica, no caso, o agravamento da penalidade de ofício. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por AUZONIA EVANGELISTA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 355DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por AUZONIA EVANGELISTA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002277/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2007
REVELIA. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA INTEMPESTIVAMENTE. NOTIFICAÇÃO. REGULARIDADE.
A notificação do lançamento foi corretamente realizada no domicílio do contribuinte. Não é necessário que o representante legal da entidade receba pessoalmente o aviso, pois a correta entrega no domicílio é suficiente para regularidade da intimação.
Numero da decisão: 2302-001.245
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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IMPUGNAÇÃO APRESENTADA INTEMPESTIVAMENTE. NOTIFICAÇÃO. REGULARIDADE. A notificação do lançamento foi corretamente realizada no domicílio do contribuinte. Não é necessário que o representante legal da entidade receba pessoalmente o aviso, pois a correta entrega no domicílio é suficiente para regularidade da intimação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório A NFLD referese a contribuições previdenciárias não recolhidas pela Prefeitura Municipal de Cambuquira no período de 01/2006 a 01/2007, relativas a remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados referente à verba abono família, conforme relatório fiscal às fls. 33 a 35. A autuada apresentou impugnação considerada intempestiva pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, conforme decisão às fls. 96 a 101. Inconformada, o ente público interpôs recurso voluntário na forma das fls. 104 a 111. Alega em síntese: a) Todas as notificações levadas a efeito pelo INSS nos presentes autos são nulas, pois deveriam ter sido realizadas na pessoa do Prefeito ou do ProcuradorGeral; b) Houve cerceamento do direito de defesa; c) Deve ser reconhecida a nulidade do procedimento. É o relato suficiente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10660.002277/200731 Acórdão n.º 230201.245 S2C3T2 Fl. 117 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 103 e 114. Passo ao exame da tempestividade da impugnação administrativa. A impugnação foi apresentada fora do prazo, conforme apreciado pela órgão de primeira instância. Desse modo, lide não se instaurou, uma vez que a reclamação não foi apresentada nos termos do processo administrativo fiscal. Em sendo a defesa intempestiva, o único argumento a ser apreciado pelo órgão julgador são os motivos de a defesa ser considerada tempestiva ou não, e somente caso o sujeito passivo suscite a questão. No caso em tela, o contribuinte suscitou a tempestividade da impugnação, conforme fls. 87 a 91. O órgão julgador resolveu não considerar a defesa tempestiva, fls. 96 a 101, afastando os argumentos do sujeito passivo. Assim, os argumentos meritórios não foram apreciados, pois não há pressuposto de admissibilidade da peça impugnatória. O eventual recurso interposto somente pode versar sobre o acerto ou não da decisão de primeira instância quanto à apreciação da tempestividade. Essa seria a matéria devolvida a este Colegiado. Se o colegiado julgar que a decisão de primeira instância estava errada, anularia a mesma por cerceamento do direito de defesa, caso entenda que esteja correta, seria mantida a decisão, não havendo como apreciar qualquer outro argumento recursal, por falta de pressuposto processual, uma vez que não há lide instaurada. Analisando o recurso voluntário, foi devolvido a este Colegiado o acerto ou desacerto da decisão a quo quanto à tempestividade da impugnação no que se refere à irregularidade da notificação. Nesse sentido entendo que não há reparo na decisão recorrida. A notificação do lançamento foi corretamente realizada no domicílio do contribuinte, conforme aviso de recebimento às fls. 78 e seguintes. Não é necessário que o representante legal da entidade receba pessoalmente o aviso, pois a correta entrega no domicílio é suficiente para regularidade da intimação. Além do mais, o 2o Conselho de Contribuintes já havia firmado entendimento, por meio da Súmula n º 6 de que é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. SÚMULA N ° 6 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em função da revelia em primeira instância. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13767.000120/2003-48
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES - SIMPLES.
Exercício: Simples
ALTERAÇÃO CONTRATUAL. OBJETO SOCIAL DA EMPRESA. REGISTRO NO CARTÓRIO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS. VALIDADE.
A alteração do objeto social da empresa, registrada em cartório de títulos e documentos, tem validade perante o Fisco, para efeito de inclusão retroativa no Simples, com fundamento nos artigos 1152 e 1154 do Código Civil.
Numero da decisão: 9101-001.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES - SIMPLES. Exercício: Simples ALTERAÇÃO CONTRATUAL. OBJETO SOCIAL DA EMPRESA. REGISTRO NO CARTÓRIO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS. VALIDADE. A alteração do objeto social da empresa, registrada em cartório de títulos e documentos, tem validade perante o Fisco, para efeito de inclusão retroativa no Simples, com fundamento nos artigos 1152 e 1154 do Código Civil.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13767.000120/2003-48 Recurso n° 335.609 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.104 — la Turma Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado OMEGA PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS LTDA. Assunto: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES - SIMPLES. Exercício: Simples ALTERAÇÃO CONTRATUAL. OBJETO SOCIAL DA EMPRESA. REGISTRO NO CARTÓRIO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS. VALIDADE. A alteração do objeto social da empresa, registrada em cartório de títulos e documentos, tem validade perante o Fisco, para efeito de inclusão retroativa no Simples, com fundamento nos artigos 1152 e 1154 do Código Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Otacilio Dantas 'rtaxo - Presidente. Editado em: 03 NOV 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Joao Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O processo originou-se de pedido de inclusão retroativa da empresa no Simples, a partir de 01/01/2002, o qual restou indeferido sob o fundamento de exercício de atividade impeditiva da participação no Simples- representação comercial-, com fulcro no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu a solicitação do contribuinte (fls. 26/28). O contribuinte interpôs recurso voluntário. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte- Simples. Exercício: 2003 Ementa: SIMPLES. INCLUSÃ 0 RETROATIVA. Comprovada a intenção do contribuinte em aderir ao sistema, a opção há que se retificada de oficio, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16/02. SIMPLES. OPÇÃO. Sendo o objeto social "outros serviços prestados principalmente as empresas, serviços de cobrança e informações cadastrais, e atividades de apoio a Administração Pública", não ha impedimento ZI op cão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte- Simples". Entendeu -se, no acórdão recorrido, que: "Contudo, a atividade do contribuinte foi modificada por meio de alteração contratual (fls. 32), levada a efeito em 18 de janeiro de 2001, passando o seu objeto social a ser de "outros serviços prestados principalmente as empresas, serviços de cobranças e informações cadastrais, e atividades de apoio a administração pública "atividades que não impedem sua opção ao sistema. Desta feita, entendo que a partir da alteração contratual deixaram de existir óbices para o seu enquadramento retroativo". Reputou-se suficiente, para a eficácia da alteração contratual, o seu registro perante o Cartório de Títulos e Documentos. 2 Processo n' 13767.000120/2003-48 CSRF-T1 AcOrdao n.' 9101-001.104 Fl. 2 A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de 51/53), os quais restaram rejeitados (fls. 56/60). A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o especial de divergência jurisprudencial. Trouxe à tona julgado em que se entendeu que somente validade à alteração contratual devidamente arquivada na junta comercial. declaração (fls. presente recurso se pode conferir Segundo a recorrente: "Assim, enquanto o acórdão recorrido defende que a mera alteração contratual gera aptidão em face de terceiros, inclusive o Fisco Federal, o acórdão paradigma sustenta justamente o contrário, qual seja, a necessidade de averbação na Junta Comercial". Afirmou, ainda, clue: "Portanto, restou configurada a divergência jurisprudencial entre o Acórdão recorrido, coinplementado pela decisão embargada e o acórdão paradigma, que corretamente interpretou a questão, já que, no âmbito do Direito, a alteração contratual só alcança terceiros, e nesta categoria obviamente se inclui a Administração Pública, na medida em que se torna público, mediante o registro na Junta Comercial". 0 contribuinte não foi encontrado para a apresentação de contra-razões, por se encontrar em local incerto e não sabido, conforme documentos de fls. 93. o relatório. 3 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a existência da divergência jurisprudencial aludida. 0 dissídio jurisprudencial nasceu da decisão proferida pelo órgão a quo, na qual se deu por eficaz, aos respectivos fins, a alteração do contrato social do contribuinte, relativamente ao seu objeto social, com registro no cartório de títulos e documentos. 0 que antes era de "representação comercial de gêneros alimentícios, bebidas, madeiras, materiais de construção, ferragens, têxteis, vestuário, calçados e mercadorias em geral". Tornou-se em "outros serviços prestados principalmente as empresas; serviços de cobranças e informações cadastrais; e atividades de apoio a Administração Pública" (documentos de fls. 32 e verso). O recorrente sustentou que o registro da alteração do contrato social no cartório de títulos e documentos, não poderia surtir efeitos jurídicos perante o Fisco, uma vez que, para tanto, referido registro deveria ter sido efetivado na Junta Comercial. 0 que se deve decidir, pois, é se o registro da alteração contratual no cartório de títulos e documentos é suficiente para fins de ingresso no Simples. Primeiramente, é de se ter que, consoante estabelecido no acórdão recorrido, o contribuinte, desde a data da sua instituição, enquadrou-se como microempresa. Neste sentido, veja-se a seguinte passagem: "No caso, demonstra-se erro de fato, já que o contribuinte, desde a data de constituição da empresa, enquadra-se na condição de microempresa, já que permaneceu inativa de sua constituição até o ano de 2001, apresentando movimentação compatível com o enquadramento no ano de 2002, como demonstra DIPJ 2003, anexada as fls. 15. No mais, apresentou a DIPJ 2003 pela sistemática do SIMPLES, procedendo ao recolhimento de suas obrigações por meio de DARF's SIMPLES, a partir de 07/2002, pelo que, entendo que é direito do contribuinte seu ingresso retroativo no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte- Simples, a partir do ano-calendário 2002, desde que observados os demais requisitos previstos na norma de regência". A alteração contratual, conforme se depreende dos documentos de fls. 32, deu-se em 17 de janeiro de 2001,e foi registrado no cartório de registro de documentos no dia subseqüente: 18 de janeiro de 2001. Vê-se, destarte, que, em relação ao ano-calendário de 2002, o contribuinte não mais tinha, dentre as atividades integrantes do seu objeto social, aquela vedada pela Lei no 4 Processo n° 13767.000120/2003-48 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.104 Fl. 3 9.317/96, consistente em representação comercial. Com , isso, tendo preenchido os demais requisitos, o contribuinte, no ano de 2002, já tinha condições de optar pelo Simples. Não procedem as alegações da recorrente no sentido de que, para que a alteração contratual tenha efeitos perante o Fisco, há a necessidade inafastável de registro perante a Junta Comercial. Em primeiro lugar, as provas dos autos denotam que, de fato, o contribuinte, em face da alteração do seu contrato social, realmente preencheu os requisitos para o ingresso no Simples. Por outro lado, a alteração contratual, posto que registrada no cartório de títulos e documentos, tem eficácia perante terceiros. E isto, sobretudo, em razão do que dispõe o artigo 1.154 do Código Civil: Art. 1.154. 0 ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Parágrafo único. 0 terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades. A regra estabelece que o ato sujeito a registro, no caso a alteração contratual, poderá ser oposto a terceiros na hipótese de conhecimento deste a respeito da existência do ato. Comentando este artigo, Marcelo Fortes Barbosa Filho, discorre no seguinte sentido: "É possível, no ereanto, sejam estabelecidas situações de caráter excepcional, como o ressalvado pelo caput, em duas circunstâncias. Mesmo quando ausente o registro previsto como obrigatório, diante de norma positivada expressa ou quando ficar demonstrado o efetivo e concreto conhecimento do ato ou fato, o terceiro não poderá, também, furtar-se aos efeitos produzidos por dito ato ou fato". Lii Veja, a alteração contratual, ainda que não registrada perante a Junta Comercial, tendo sido efetivamente registrada perante o cartório de títulos e documentos, dá a publicidade suficiente ao seu conhecimento por parte de terceiros, sobretudo pelo Fisco, tendo em vista que, conforme estabelecido no acórdão recorrido, o contribuinte, no ano de 2002, já se encontrava enquadrado como Microempresa, com recolhimento de suas obrigações por meio de DARF's Simples a partir de 07/2002. Observe-se que, conforme o teor do dispositivo, o que importa, e é o que deve importar aqui, a possibilidade de ciência da prática do ato. E esta ciência de fato houve, tendo em vista a postulação pelo contribuinte da sua inclusão retroativa no Simples. Ademais, conforme estabelece o artigo 1.152 do Código Civil, constitui-se em incumbência do órgão responsável pelo registro verificar a regularidade das publicações determinadas em lei. Não pode recair sobre o particular tal incumbência. O registro, no caso, revela-se apto aos seus fins, quais sejam retratar a alteração do objeto social da empresa, e dar conhecimento de tal alteração a terceiros interessados. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. 111 e 11 • h Susy Gomes Mfm. Relatora 6
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000055/2003-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO
CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias primas,
produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
Numero da decisão: 9303-001.461
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 EDITADO EM: 30/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por Brespel Companhia Industrial Brasil Espanha (fls. 253 a 270) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF (fls. 240 a 245) que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Referindose a lei a contribuições , "incidentes" sobre as "respectivas" aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. Recurso Voluntário Negado. (grifos nossos) O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 291 a 292. Contrarrazões às fls. 297 a 308. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial merece ser conhecido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13501.000055/200371 Acórdão n.º 930301.461 CSRFT3 Fl. 310 3 Conforme se depreende dos autos, a questão a ser dirimida diz respeito à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas aos contribuintes do PIS/COFINS na base de cálculo do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96. Meu entendimento, no caso, coincide com o do seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo n° 13974.0001221200391 Recurso n° 228.637 Especial do Contribuinte Acórdão n° 930300.682 — 3' Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Recorrente CEREAGRO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator (grifos nossos) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.010643/2004-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.793
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 01/09/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Robson José Bayerl. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração de multa em virtude da entrega depois do prazo fixado pela legislação, das Declarações Especiais de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF–Papel Imune) a que estava obrigado o contribuinte acima identificado, com fundamento no art. 505 c/c art. 212 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do IPI (Ripi/2002), num valor total de R$ 665.000,00. Em 27.12.2005, inconformado com a autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 2226) alegando: As DIFs objeto da autuação foram devidamente entregues depois da intimação ocorrida em setembro de 2004. Informou as datas de apresentação das referidas DIFs para atestar que tais declarações foram entregues no prazo em que foram solicitadas pela autoridade fiscal. Deveriam ser aplicados os artigos 368 e 507 do RIPI/2002 (Decreto n° 4.544/2002) e não o artigo 12 da IN SRF 71/2001, pois tratase de instrumento meramente interpretativo ou norma de interpretação, não podendo ir além do previsto em norma específica, ou seja, o Decreto n° 4.544/2002. A multa possui efeito confiscatório, de acordo com o artigo 150, iciso IV, da Constituição Federal. Aduziu decisão do STJ. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA indeferiu parcialmente o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/BEL n.º 9.631, de 30/10/2007, fls. 99/105: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004 DIF PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004 Fl. 125DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10380.010643/200420 Acórdão n.º 3201000.793 S3C2T1 Fl. 124 3 INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. LEI. ATO NORMATIVO. FALTA DE ATRIBUIÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade de dispositivos legais e normativos. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, desde que não tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. Lançamento Procedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 108 e interpõe recurso voluntário de fls. 109/113. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância no dia 28/01/2008, conforme Aviso de Recebimento constante de fls. 108, iniciandose a contagem do prazo recursal no dia seguinte, 29/01/2008. A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão a quo em 29/02/2008, conforme carimbo de fls. 109. Diz o artigo 33 do Decreto 70.235/72 que rege o Processo Administrativo Fiscal: Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 4 Verificase que a irresignação do contribuinte foi protocolada fora do prazo legalmente previsto, sendo, portanto, intempestivo o recurso interposto. Como a recorrente não cumpriu o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 para interposição de recurso contra a decisão do órgão julgador de primeira instância, voto por não conhecer o recurso, pois perempto. Sala de sessões, 02 de setembro de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 127DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.012236/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2003
PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR DOENÇA GRAVE.
ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO POR LAUDO MÉDICO
São isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos por portador de moléstia grave, atestada por laudo médico pericial, correspondente a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma.
Numero da decisão: 2102-001.484
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO POR LAUDO MÉDICO São isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos por portador de moléstia grave, atestada por laudo médico pericial, correspondente a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080012236200747 Acórdão n.º 2102001.484 S2C1T2 Fl. 74 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 8a. Turma da DRJ/POA de 18 de junho de 2.010 (fls. 31/33), que por unanimidade de votos negou procedência à impugnação, mantendo a exigência fiscal no valor total de R$ 20.193,90, sendo R$ 8.913,27 a título de imposto, R$ 6.684,95 de multa e R$ 4.595,68 de juros de mora. De acordo com o Auto de Infração (fls. 13/16), a exigência fiscal decorre dos seguintes fatos: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave — Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Em decorrência do contribuinte, regularmente intimado, não ter atendido a Intimação até a presente data e não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave, ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do Imposto de Renda, procedeuse ao lançamento de ofício, conforme a seguir descrito. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf, constatouse omissão de rendimentos tributáveis, sujeitos à tabela progressiva, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes e indevidamente declarados como isentos e nãotributáveis no valor de R$ 62.586,44. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Foi incluído o rendimento recebido da PREVIMPA DEPARTAMENTO MUNICIPAL DA PREVIDÊNCIA (CNPJ 05.332.568/000123) conforme Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte apresentada pela fonte pagadora. Na impugnação a Recorrente expôs que aposentouse como professora do Município de Porto Alegre em 04 de setembro de 1991, juntando ato administrativo neste sentido. Não obstante ter se aposentado por tempo de serviço, em 1999 apresentou quadro de Cardiopatia Isquêmica Grave, Hipertensão Arterial Sistêmica e Infarto do Miocárdio inferior, anexando documentos comprobatórios. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080012236200747 Acórdão n.º 2102001.484 S2C1T2 Fl. 75 3 Nas questões de direito, fez referencia ao art. 876 do Código Civil e transcreveu o inciso XXXIII do art. 39 do RIR, que exclui os proventos da aposentadoria decorrentes das doenças e circunstancias nele mencionadas, entendendo assim, estarem presentes as condições para o benefício, uma vez comprovada a doença por laudo do Instituto de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul. A decisão recorrida manteve a exigência fiscal por entender que a Recorrente não atendeu os requisitos dos incisos XIV e XXI do art. 6o da lei 7.713/98, mais precisamente, apresentação de Laudo Médico Oficial, emitido por serviço médico da União, Estados ou Municípios, de que ela era portadora de cardiopatia grave no ano base de 2.003. Em grau de Recurso Voluntário, além de reiterar os termos da impugnação, que entendia suficientes para afastar a pretensão fiscal, a Recorrrente informa que no ano de 2.003 foi submetida a várias perícias médicas realizadas por órgãos oficiais, inclusive, do INSS, que recomendou aposentála por invalidez, constatando a existência de doença isquêmica crônica do coração, CID 125, e que esta anomalia inicio em 1.999. Também no ano de 2.003 se submeteu a perícia por órgão oficial da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, juntando documentos neste sentido. Assim, entende estar amparada pelo benefício contido no inciso XIV do art. 6o da lei n.o 7.713/88, citando precedentes da 1a e 2a Turmas do TRF da 4a Região. É o Relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n 70.235, de 06 de março de 1.972, foi interposto por representante legal devidamente constituído e está fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo à apreciação. Na peça recursal foram apresentados documentos emitidos pelo INSS (fls. 50/54) que atestam a submissão da Recorrente a constantes avaliações médicas junto ao Instituto Federal, inclusive, em 16/03/2004, chegou a ser sugerida a sua aposentadoria por invalidez (fl. 51). No Laudo Médico Pericial de fl. 52, emitida pelo INSS consta que a doença teve início em 23/08/1.999, tornando a Recorrente incapacitada para o trabalho a partir de 17/02/2003, CID 125 – Doença isquêmica crônica do coração – Patologia severa. O inciso XIV do art. 6o da lei 7.713/99 está assim redigido: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080012236200747 Acórdão n.º 2102001.484 S2C1T2 Fl. 76 4 XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004). Os rendimentos sobre os quais recaem a presente exigência fiscal decorrem da aposentadoria por tempo de serviço prestados à Prefeitura Municipal de Porte Alegre, tendo esta natureza a partir de 1.999, e a cardiopatia grave, embora reconhecida pelo laudo do INSS em 16/03/2004, àquele ano retroage, como data inicial da doença, declarando a Recorrente como incapaz para o trabalho, a partir de 17/02/2003. Também acompanharam a peça recursal documentos emitidos pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre (fls. 56/57), no mesmo sentido, onde consta: “Providenciamos a isenção a partir de julho/2003 e anotamos nos assentamentos funcionais”, datado de 18/07/2003. Se as condicionantes para o benefício da isenção do imposto de renda dos rendimentos decorrem da natureza do benefício, devendo este ser de aposentadoria, e a beneficiária ser portadora de uma das doenças mencionadas pelo dispositivo legal acima transcrito, quer me parecer, que à Recorrente deve ser assegurado, mesmo para os rendimentos auferidos no ano base de 2.003. A apresentação destes documentos à autoridade fiscal autuante no procedimento que precedeu à autuação, provavelmente teria evitado este processo administrativo, assim como esta fase processual, se apresentados na impugnação, uma vez que, notadamente os de fls. 50/54, emitidos pelo INSS, atestam a doença e início dela, em datas que precedem a data da autuação. Assim, por tratarse de um direito assegurado por lei, não obstante o art. 16 do decreto 70.235/72 estabelecer como prazo para a apresentação de tais documentos o da impugnação, no caso, entendo aplicável os termos do inciso III do art. 3o e 38 da lei 9.784/99, que permite ao contribuinte, a apresentação de documentos até a tomada da decisão em processo administrativo na esfera federal. Por essas razões, CONHEÇO do recurso, pois presentes seus pressupostos de admissibilidade, para no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080012236200747 Acórdão n.º 2102001.484 S2C1T2 Fl. 77 5 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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