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Numero do processo: 16327.002223/99-63
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PERC - PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA EM RAZÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. A existência de depósito judicial nos termos do art. 151, II, do CTN, realizado antes do exercício de referência do PERC, suspende a exigibilidade do crédito tributário e supre a exigência de quitação de tributos federais de que trata o art. 60 da Lei 9.069/95, autorizando o reconhecimento do incentivo fiscal.
Numero da decisão: 103-22.884
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para reconhecer o direito à emissão do Certificado de Incentivo Fiscal (PERC), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA EM RAZÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. A existência de depósito judicial nos termos do art. 151, II, do CTN, realizado antes do exercício de referência do PERC, suspende a exigibilidade do crédito tributário e supre a exigência de quitação de tributos federais de que trata o art. 60 da Lei 9.069/95, autorizando o reconhecimento do incentivo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Banco Itabanco S/A., ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso - para reconhecer o direito à emissão do Certificado de Incentivo Fiscal (PERC), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. - TiVrt Is RODA . • BER Presidente Processo n.° 16327.002223/99-63 CC0I/CO3 Acórdão o? 103-22.884 Fls. 2 ALOYSIO " P strItIMA SILVA Relator FORMALIZADO EM: 02 ABR 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Márcio Machado Caldeira, Flávio Franco Corrêa, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Jacinto do Nascimento. Ausente momentaneamente por motivo justificado o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Processo n.° 16327.002223/99-63 CCOI/CO3 Acórdão 103-22.884 Fls. 3 Relatório Trata-se PERC - pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, fls. 01, relativo ao exercício de 1997, indeferido pela DEINF/São Paulo-SP, fls. 114, em razão de existência de débitos referentes aos processos administrativos n° 10880.039321/90-83, 10880.039319/90-31 e 10880.003082/84-18, todos inscritos na Divida Ativa da União — DAU. Manifestada inconformidade, a 8' Turma da DRJ/SPOI ratificou o - indeferimento por meio do Acórdão n° 6.797/2005, assim resumido: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1997 Ementa: INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS. A não - • comprovação de quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais." Cientificada da decisão em 24/05/2005, fls. 162, a requerente opôs recurso voluntário em 23/06/2005, fls. 164, por via postal, conforme envelope às fls. 163. Em síntese, _ junta documentação para comprovar as ações ajuizadas para contestação das exigências contidas nos citados processos administrativos e depósitos judiciais. É o relatório. Processo n.° 16327.002223/99-63 MO I /CO3 Acórdão n.° 103-22.884 Fls. 4 Vo to Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERC1NIO DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. A turma recorrida considerou incomprovada a quitação dos débitos em questão e ratificou o indeferimento da solicitação com fimdamento no comando do art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal "à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". Assim concluiu: "10.5. Isto considerado, verificamos, no caso concreto em relação aos créditos tributários discutidos nos processos 10880.039319/90-31 e 10880.039321/90-83, não ter ocorrido a extinção da obrigação tributária, mas, apenas e tão somente, a declaração de vontade do contribuinte de querer ver liquidado seu débito tributário por meio da conversão em renda da União do depósito judicial por ele providenciado no curso da Ação Anulatória de Débito Fiscal. Essa declaração de vontade ainda não se transformou num fato jurídico, ou seja, ainda não é capaz de produzir efeitos jurídicos. 10.6. Conclui-se, portanto, para estes 2 (dois) processos, não ter ocorrido a quitação dos débitos pendentes, descritos na Intimação DISAR/008/2000. 11.Com relação ao processo 10880.003082/84-18, não há informações suficientes para se concluir pela extinção do crédito tributário discutido nele, no entanto, qualquer que seja sua situação, não afetará a decisão, pois o discutido no item anterior é suficiente para justificar a decisão proferida pelo Sr. Delegado da DEINF/SPO. 12.Diante do exposto, e lembrando que a existência de qualquer débito é empecilho para a concessão do beneficio fiscal, voto no sentido de indeferir a solicitação." (negrito do original) Por sua vez, a requerente trouxe aos autos comprovação das ações judiciais, propostas antes do exercício a que se refere o PERC, acompanhadas dos respectivos depósitos, fls. 79/113, 137/147,197/198 e 201/219. A meu ver, não se poderia exigir comprovação de quitação de crédito tributário com exigibilidade suspensa por força de depósito judicial nos termos do art. 151, II, do CTN — Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). Nesse contexto, o depósito supre a exigência de quitação, caracterizando inexistência de débito em erto da requerente, devendo- se considerar comprovada a sua regularidade fiscal. Ag( Processo n.• 16327.002223/99-63 CC91/033 Acérdào n, 103-22.884 Fls. $ Pelo exposto, deve-se dar provimento ao recurso voluntário. - Sala das Sessões — DF, em 28 de fevereiro de 2007 4 3 PALOYSIO • • R IN A SILVA • Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.000956/00-79
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: COMPENSAÇÃO – Reconhecido o direito creditório do contribuinte, a compensação declarada não pode ser obstada sob a alegação da existência de crédito tributário apurado em processo distinto, ainda mais quando a exigibilidade daquele esteja suspensa.
Numero da decisão: 107-08.759
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima e Hugo Correa Sotero votam pelas conclusões.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Luiz Martins Valero
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SÉTIMA CAMARA Processo n° :13627.000956/00-79 Recurso n° :146.542 Matéria : IRPJ E OUTRO. EX(S):1999 Recorrente : BANCO REDE S/A Recorrida : 8° TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Sessão de : 21 DE SETEMBRO DE 2006 Acórdão n° : 107-08.759 COMPENSAÇÃO — Reconhecido o direito creditório do contribuinte, a compensação declarada não pode ser obstada sob a alegação da existência de crédito tributário apurado em processo distinto, ainda mais quando a exigibilidade daquele esteja suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANCO REDE S/A ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Marcos doVinicius Neder de Lima e Hugo o , Sotero votam pelas conclusões. 4.4 o M A - f OzV NICIUS NEDER DE LIMA P - 4.EN ri i 1 i(e LUI • ALERO - :— FORMALIZADO EM: e 3 NOV 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros: NATANAEL MARTINS, ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, NILTON PÊSS E CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Ausente justificadamente a conselheira RENATA SUCUPIRA DUARTE. , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "frh.."( SÉTIMA CÂMARA '''.4194W? Processo n° : 13627.000956/00-79 • Acórdão n° : 107-0.8759 Recurso n° :13627.000956/00-79 Recorrente : BANCO REDE S/A RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra Acórdão da 8a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo que deferiu em parte Manifestação de Inconformidade apresentada por Banco Rede S/A contra Despacho Decisório de fls. 858/861 da Delegacia Especial de Instituições Financeiras DEINF/SP. Ao apreciar pedido de compensação/restituição apresentado pela recorrente, a autoridade fiscal, apesar de reconhecer o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 1.140.867,00, não aceitou a sua compensação com os débitos apontados, por conta da existência de lançamento de oficio contra a requerente, referente ao próprio ano-calendário do crédito. Na apreciação da Manifestação de Inconformidade, a Turma Julgadora, acompanhando à unanimidade o Relator, referendou o entendimento da autoridade que negou a compensação. No recurso a este Colegiado, protocolado em 09 de junho de 2005, o contribuinte defende que a negativa de homologação da compensação em face da existência de débitos em discussão administrativa não encontra respaldo no art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assevera que as compensações em litígio foram realizadas entre maio de 2000 e outubro de 2002, antes, portanto, da lavratura do Auto de Infração objeto do Processo Administrativo n° 16327.003793/2003-27. Aduz que a legislação aplicável à compensação é a vigente na data do encontro de contas, por isso entende descabido invocar a lavratura de Auto de Infração posterior. 2 )(a .4.4„.t. t MINISTÉRIO DA FAZENDA- ty •t7 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA 4rtte?). Processo n° : 13627.000956100-79 Acórdão n° : 107-0.8759 Em memorial apresentado pela recorrente há noticia de que o referido Auto de Infração foi julgado insubsistente pela Oitava Câmara deste Colegiado, em Sessão de 09.11.2005, Acórdão 108-08542. É o Relatório. 3 _J • • ó'tH MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA -4A-4:1?)' Processo n° : 13627.000956/00-79 Acórdão n° : 107-0.8759 VOTO Conselheiro LUIZ MARTINS VALERO, Relator Recurso tempestivo, dele conheço. Não se trata de exigência de crédito tributário, por isso não se exige arrolamento de bens. Dispõe o art. 74 da Lei n° 9.430/96, em sua redação atual: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 3° Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1°: I - o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III - os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV - o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal - SRF; 4 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA tt;i."11": PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . SÉTIMA CÂMARA • Processo n° : 13627.000956100-79 Acórdão n° : 107-0.8759 V - o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI - o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal - SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. § 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I - previstas no § 3° deste artigo; - II - em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refira-se a "crédito-prêmio" instituído pelo art. 1° do Decreto- Lei n° 491, de 5 de março de 1969; c) refira-se a titulo público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. Como visto, a motivação para a não homologação da compensação efetuada pelo sujeito passivo não encontra amparo na lei de regência. Nem mesmo a Instrução Normativa SRF n° 600/2006, que trata dos procedimentos para a homologação da compensação contem restrição como a posta pela autoridade encarregada de examiná-la. Se a hipótese fosse de restituição, mesmo assim, eventual compensação de ofício, na existência de débitos exigíveis, deveria ser previamente notificada ao contribuinte. Se não bastasse, o crédito tributário exigido no Processo Administrativo n°16327.003793/2003-27 foi objeto do recurso n°143003 que, examinado pela Oitava 1'9 sSA 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA b t,t4. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 13627.000956/00-79 Acórdão n° : 107-0.8759 Câmara deste Conselho, teve seu provimento dado à unanimidade, conforme Acórdão 108-08.542. Face ao exposto, voto por se dar provimento ao recurso. Sa . das essões - DF, em 21 de setembro de 2006. I le L IZ MAR IN VALERO 6 Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.000321/2003-12
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2007
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE UTILIZAÇÃO DE NORMAS DE CARÁTER EXONERATIVO - O Decreto 70. 235/72 segue rito processual distinto da regra geral de tramitação das petições dirigidas à União, atualmente estabelecida no artigo 56 da Lei nº 9.784/99. Carece competência a este Conselho para apreciar procedimento que envolve o reconhecimento do benefício previsto no 17 da Lei nº 9.779/99 não previsto nem no Decreto nº 70.235/72, tampouco no art. 25 do Regimento Interno desse Conselho (Portaria MF nº 55/98). Portanto, o inconformismo do contribuinte com o indeferimento do seu pedido deve ser tratado no âmbito dos recursos hierárquicos previstos na Lei nº 9.784/99. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 107-08.907
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Luiz Martins Valero
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44 .14 SÉTIMA CÂMARA 'i‘tt,411 Processo n° : 16327.00321/2003-12 Recurso n° : 149529 Matéria : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL /LL - Ex(s): 1990 Recorrente : SUDAMERIS ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A Recorrida : 83 TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP Sessão de : 1° DE MARÇO DE 2007 Acórdão n° : 107-08907 . NORMAS PROCESSUAIS - INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE UTILIZAÇÃO DE NORMAS DE CARÁTER EXONERATIVO - Decreto 70. 235/72 segue rito processual distinto da regra geral de tramitação das petições dirigidas à União, atualmente estabelecida no artigo 56 da Lei n° 9.784/99. Carece competência a este Conselho para apreciar procedimento que envolve o reconhecimento do beneficio previsto no 17 da Lei n° 9.779/99 não previsto nem no Decreto n° 70.235/72, tampouco no art. 25 do Regimento Interno desse Conselho (Portaria MF n° 55/98). Portanto, o inconformismo do contribuinte com o indeferimento do seu pedido deve ser tratado no âmbito dos recursos hierárquicos previstos na Lei n° 9.784/99. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SUDAMERIS ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimida• - de votos NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passai in -grar O presente julgado. ARI e S INICIUS NEDER DE LIMA — DENTE U MATlERO FORMALIZADO EM: ii 4 Atits ?001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NATANAEL MARTINS, ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, HUGO CORREIA SOTERO, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ (Suplente convocado). Ausente a Conselheira RENATA SUCUPIRA DUARTE e, justificadamente, o Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES....It.., a ,m,:r> SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 16327.00321/2003-12 Acórdão n° : 107-08907 Recurso n° : 149529 Recorrente : SUDAMERIS ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A. RELATÓRIO Cuida-se de Recurso Voluntário de Fls. 793/824, interposto contra o Acórdão DRJ/SPOI n° 7.861/05, Fls. 757/770. Passo ao relato da origem e dos desdobramentos do presente processo: Em petição protocolada em 12/07/2001, Fls. 03/04, a contribuinte se insurgira contra a cobrança administrativa de créditos tributários relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, formalizada nos processos administrativos n° 16327.200002/00-73 e 16327.001413/2001-58, alegando que parte da exigência fora paga com a benesse prevista no artigo 17 da Lei n° 9.779/99, e alterações posteriores, e outra parte se encontra com a exigibilidade suspensa por decisão judicial, nos termos do art. 151, IV, do Código Tributário Nacional. Para comprovar suas alegações, juntara DARF efetivamente recolhidos e cópias de ações judiciais onde pretendeu ver declarada a inconstitucionalidade do CSLL. Em 14/02/2003, fora formalizado o Despacho Decisório de Fls. 347/357, onde a autoridade administrativa - Delegado da DEINF — SP - propôs o não reconhecimento do direito da contribuinte em pagar os débitos existentes de CSLL com os benefícios do artigo 17 da Lei n° 9.779/99, e ainda, a cobrança do saldo remanescente (juros de mora e multa). Em seu parecer, a autoridade responsável pelo Despacho acima mencionado, esclareceu que o direito ao gozo do benefício previsto na mencionada Lei, depende da observância de três requisitos, à saber: 1) existência de processo judicial distribuído até 31/12/1998; 2) determinação dos fatos geradores abrangidos pelo período da ação, e; 3) análise do pagamento sob o prisma do prazo e do montante. 2 ,411e4. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES; 4 t SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 16327.00321/2003-12 Acórdão n° : 107-08907 Embora tenha reconhecido que o sujeito passivo observou o primeiro requisito, a autoridade, ao considerar não cumprido o segundo requisito, propôs a negação ao direito pleiteado, aduzindo que aos pagamentos por ele (sujeito passivo) efetuados (período de apuração 31.12/89 a 29.01.99) e para os quais pleiteia o reconhecimento do benefício, não estão alcançados pelo objeto do pedido (da ação), qual seja, ano base 1988, exercício 1989.° lrresignada com o teor do aludido Despacho Decisório, a contribuinte oferecera, em 16/04/2002, a Manifestação de Inconformidade de Fls. 539/551, onde atacou o Despacho Decisório com os seguintes argumentos: - Inicialmente, apresentou relato sobre as ações que interpusera contra a cobrança da CSLL, assim como de seus desdobramentos. Afirmou que o deferimento das medidas liminares concedidas nas ações, somada ao depósito judicial do montante discutido, tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, sendo descabida a pretensão de se acrescentar multas e juros moratórios aos valores autuados; - Prosseguiu asseverando que com o advento da Lei n° 9.779/99, efetuara o recolhimento parcial do débito, no que concerne à parcela relativa a alíquota da CSLL devida pelas demais pessoas jurídicas; - Sustentou que a presente manifestação M de ser conhecida para julgamento pela DRJ, consoante competência a ela atribuída pelo artigo 203, I da Portaria MF n° 259/2001; - Discorreu sobre a legislação atinente à anistia em questão (o artigo 17 da Lei n° 9.779/99, as alterações introduzidas pelo artigo 10 da MP n° 1.807/99), deixando claro seu posicionamento sobre quais os contribuintes se submeteriam aos efeitos da Lei n° 9.779/99, a partir dos incisos I, II e III, do § 1°, do seu art. 17. Alegou ainda que o § 2 do mencionado artigo estabelecera o critério temporal a ser adotado; 3 e esil,tak4 e', MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARAn.: • Processo n° : 16327.00321/2003-12 Acórdão n° : 107-08907 - Obtemperou que as hipóteses de concessão do beneficio não devem ser interpretadas como excludentes, pois foram criadas para abarcar o maior número de contribuintes. Assim sendo, classificou como equivocada a análise que a autoridade fizera com base exclusivamente no inciso III, do § 10, da MP n° 1.807/99; - Salientou que o recolhimento efetuado referia-se aos períodos compreendidos entre 31/12/1989 e 29/01/1999, e, diferentemente do ocorrido com as MP n° 2222/2002, 25/2002, 38/2002, 66/2002 e 75/2002, não havia qualquer determinação quanto à indicação de medidas judiciais e/ou procedimentos administrativos ao qual o pagamento estivesse relacionado, de forma a possibilitar ao Fisco a correta determinação de quais ações ou procedimentos o mesmo se referia; - Esclareceu que o fato de ter mencionado a existência da Ação Ordinária n° 89.0013066-8 e da Medida Cautelar n° 89.0014323-9 e os pagamentos efetuados com base no artigo 17 da Lei n° 9.779, não teve a finalidade de vincular os procedimentos administrativos às mesmas, mas sim de demonstrar que as cobranças não poderiam prosseguir uma vez que existiam as citadas medidas judiciais, cujos créditos tributários estavam com a exigibilidade suspensa e de ter sido realizado o pagamento da CSLL do período mencionado nos mesmos; - Tendo o STF declarado a constitucionalidade da Lei 7.689/88, argumentou que os recolhimentos efetuados relativamente aos períodos de 1992 e seguintes devem ser analisados sob o prisma do § 1°, inciso I c/c § 2°, inciso I, ambos do artigo 10 da Medida Provisória n° 1.807/99. Assim, deveria a autoridade fiscal ter desmembrado o recolhimento, reconhecendo parte deste como passível dos benefícios da Lei n° 9.779/99; 4 i1/40 — MINISTÉRIO DA FAZENDA strzY' . 0 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES a•(441--;9> SÉTIMA CAMARA Processo n° : 16327.00321/2003-12 Acórdão n° : 107-08907 - Insistiu que, em razão da existência das mencionadas medidas judiciais, os pagamentos efetuados não podem ser imputados para a quitação integral do débito da contribuição relativa ao período de 31/12/1989 a 29/01/1999, nem tampouco acrescidos de multa e juros de mora como pretende a autoridade fiscal. Ademais, estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, o recolhimento relativo à parcela devida à alíquota exigida das demais pessoas jurídicas foi efetuado de maneira correta, sem multa e com os juros de mora, consoante determina a Lei n° 9.779/99; - Por fim postulou pela procedência de sua Manifestação, com a consequente possibilidade de se aproveitar dos benefícios previstos na Lei. Apreciada pela Efa Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal de São Paulo — SP, a manifestação acima sintetizada restara infrutífera, uma vez que a referida Turma, ao acompanhar o voto do Relator, optou por manter o teor do Despacho Decisório combatido pela interessada. Formalizada no Acórdão DRJ/SPOI n° 7.861/05, Fls. 757/770, a decisão a quo teve, em síntese, a seguinte fundamentação: - Logo de início, teceram comentários tanto sobre a tempestividade da manifestação, quanto sobre a competência das DRJ para a apreciação da mesma, concluindo pelo seu conhecimento; - Posteriormente, discorreram brevemente sobre o citado artigo 17 da Lei n° 9.779/99 e suas alterações levadas a efeito com a edição das Medidas Provisórias n° 1.807-2/99 e n° 1.858-6/99; - Adentraram ao mérito da questão, asseverando que da análise dos autos conclui-se que as ações citadas pela defendente se referem tão somente ao ano-base 1988, não se estendendo a discussão aos fatos geradores ocorridos a partir de 1989. Ressaltaram que tal constatação fora determinante no resultado do Despacho Decisório guerreado, que 5 e qd^ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .fr• SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 16327.00321/2003-12 Acórdão n° : 107-08907 a interessada, não refutara esse entendimento em sua manifestação. Sendo assim, consideraram acertada a conclusão a qual chegou a autoridade parecerista; - Entenderam que, ainda que se admitisse que o benefício fiscal pudesse ser apreciado com base no inciso I, do § 1°, do artigo 17 da Lei n° 9.779/99, como pretendeu a contribuinte, não foi efetivamente esse o beneficio objeto de apreciação no Despacho Decisório ora contestado. O exame do beneficio fiscal procedido pela autoridade fiscal foi elaborado com base no inciso III, ou seja, tendente a verificar se os recolhimentos a que se referem as cópias de DARF de Fls. 14/20 eram aptos a extinguir o crédito tributário relativo à CSLL do período de 1989 a 1999 (que, segundo informa o contribuinte, seria objeto da Ação Ordinária n° 89.0013066-8 e da Ação Cautelar n° 89.0014323-9), afastar a correspondente multa, bem assim excluir os juros de mora; - Salientaram que os termos da fundamentação contida nos Embargos de Declaração, Fls. 125/131, interpostos em face do Acórdão da 6° Turma do TRF 38 Região (processo n° 95.03.99414-4 enfatizam que os pagamentos foram efetuados com base no § 1°, III, no § 2°, III, e no § 30, II?, do artigo 17, da Lei n° 9.779/99. Destarte, considerando que a apreciação do beneficio nos termos do inciso, I, do § 1°, do artigo 17, da Lei n° 9.779/99 não fora sequer pleiteada junto à autoridade administrativa, declararam irrepreensível o Despacho Decisório em análise; - Acrescentaram que, mesmo analisada sob o fundamento sustentado pela contribuinte, a manifestação não teria outra solução, isto porque o pagamento sem multa e juros de mora somente é aplicável ao contribuinte que esteja discutindo judicialmente o tributo ou contribuição. Neste sentido, reprisaram que nada consta nos autos a 6 e 4 Ac...A" _ MINISTÉRIO DA FAZENDA 9:0.70 ir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4V. SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 16327.00321/2003-12 Acórdão n° : 107-08907 comprovar que a contribuinte discutia a CSLL que fora recolhida (DARF Fls. 14/20); - Por fim, assinalaram que o tratamento dispensado aos juros de mora e multa não merece reparo, pois a imputação dos pagamentos aos débitos existentes, segundo determinado no item b do Despacho Decisório (Fls. 357), deve levar em conta os devidos acréscimos legais (juros de mora e multa) quando cabível, ou seja, eventual condição suspensiva da exigibilidade deverá ser devidamente observada pela autoridade tributária; Inconformada com o resultado plenamente desfavorável, do qual tomara ciência em 09/12/2005, Fl. 791, a contribuinte recorre à este Primeiro Conselho através do Recurso Voluntário de Fls. 793/824, interposto em 09/01/2006 e garantido com o depósito de Fl. 844. Pretende reverter o resultado do julgamento a quo, dispensando os argumentos que se seguem: - Primeiramente tece comentário no sentido de esclarecer que o objeto do presente processo administrativo não é o mesmo das discussões judiciais anteriormente citadas. Com isto, procura afastar a declaração de concomitância entre as esferas administrativa e judicial, fato que verificado, implicaria no não conhecimento de seu apelo; - Preliminarmente, assevera que o crédito ora combatido deriva de créditos discutidos judicialmente, não sendo objeto de lançamento os relativos aos meses: 8 e 9/1992; 10 a 12/1993; 1 a 4, 6, 7 e 12/1995; 7 e 10 a 12/1996; e 1 e 2/1998. Diante disso, considerando que a cientificação da representação fiscal (sic) ocorrera em março de 2003, postula seja decretada a decadência referente a esses períodos, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN. Assevera, ainda, que a mera entrega das DIPJ pela contribuinte e o seu respectivo controle, não pode ser considerado ato de lançamento capaz de interromper o prazo decadencial; 7. Ø ‘41:.44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 16327.00321/2003-12 Acórdão n° : 107-08907 - Ainda preliminarmente, sustenta que a CSLL trata-se de contribuição administrada pela SRF, sujeita portanto ao lançamento por homologação, cujo prazo decadencial é de cinco anos. Procura reforçar sua tese transcrevendo excertos da doutrina e julgados proferidos por Colegiados pátrios; - Subsidiariamente, alega que, se não pela decadência, o crédito tributário pretendido pela fiscalização está extinto, mas pela prescrição. Entende que o direito do fisco em ajuizar uma execução fiscal está prescrito, uma vez que transcorrido o prazo previsto no artigo 174 do CTN. Assim, considerando constituído o crédito tributário quando da entrega das DIPJ, estariam prescritos os fatos geradores ocorridos entre os anos de 1992 e 1996, inclusive. Colaciona julgados proferidos na esfera judicial; - No mérito, pretende reformar o guerreado Acórdão reiterando basicamente os argumentos dispensados na Manifestação de Inconformidade, razão pela qual entendo que prescinde novo relato; - Requer seja o Recurso Voluntário conhecido e no mérito provido, para que seja acolhida a decadência arguida, ou que seja reconhecido o direito em gozar dos benefícios da Lei 9.779/99. É o Relatório. 8 re: , MINISTÉRIO DA FAZENDA It.;::..4.11 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,;:tr i• SÉTIMA CÂMARA • Processo n° : 16327.00321/2003-12 Acórdão n° : 107-08907 VOTO Conselheiro LUIZ MARTINS VALERO, Relator Recurso tempestivo e que atende os demais requisitos legais. Dele conheço. Em que pese ter o órgão julgador a quo entendido dispor de competência para o exame da matéria, cumpre lembrar que o Decreto n° 70.235/72 regula o contencioso administrativo federal, mas se aplicando apenas aos processos de exigência de créditos tributários e de consulta no âmbito federal, conforme se verifica em seu artigo 1°, verbis: Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. O rito especial definido pelo Decreto n° 70.235/72 decorre, sobretudo, da necessidade de especialização dos julgadores administrativos no trato de determinadas lides de natureza fiscal, para cuja solução envolve o conhecimento de matérias de certa complexidade, não só jurídicas, mas também relacionadas com outras ciências sociais, tais como: Contabilidade e Economia. A Administração optou, então, por atribuir competência de julgamento a órgãos administrativos especializados, Delegacias da Receita Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes, que, embora fora da linha hierárquica das autoridades administrativas que proferiram o ato de lançamento são incumbidos de solucionar os litígios gerados a partir da provocação do sujeito passivo. Assim, constata-se que o Decreto segue rito processual distinto da regra geral de tramitação das petições dirigidas à União, atualmente estabelecida no artigo 56 da Lei n° 9.784/99, a saber "o recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior". Dai, pode-se diferenciar os processos que seguem o rito especial do Decreto n° 70.235/72, e aqueles que seguem a regra geral prevista na Lei n° 9.784/99. Incluem-se, neste segundo grupo, por exemplo, os processos fiscais relacionados a pedidos em geral 9 )63 1S MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .ez4,›..?"), SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 16327.00321/2003-12 Acórdão n° : 107-08907 (v.g.,parcelamento de débitos, de registro especial na área de IPI) que são apreciados, primeiramente, pelos Delegados ou Inspetores da Receita Federal e os recursos interpostos dessas decisões pelos Superintendentes da respectiva região fiscal. Tratando- se de exceção à regra geral, a aplicação do rito previsto no Decreto n° 70.235/72 está condicionada à expressa previsão na norma processual administrativa. O procedimento que envolve o reconhecimento do beneficio previsto no 17 da Lei n° 9.779/99 não está previsto nem no Decreto n° 70.235/72, tampouco no Regimento Interno desse Conselho (Portaria MF n° 55/98). Resta, portanto, a obediência ao procedimento geral previsto para petições dos contribuintes ao Poder Público insculpido no art. 56 da Lei n° 9.784/99 anteriormente mencionado. Registre-se, por oportuno, que o artigo 151 do Código Tributário Nacional só prevê a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em presença de reclamações e recursos contra lançamentos fiscais. Como não há previsão legal que autorize a suspensão da exigência, o trâmite do processo de apreciação do pedido de anistia mencionado não autoriza a suspensão da exigência do crédito tributário pela Fazenda Nacional. O Regimento Interno é a norma que prevê as competências dos Conselhos e não há previsão para examinar o pedido da recorrente. Não é competente quem quer, mas só aquele que a lei determina. Portanto, a inconformidade do contribuinte com o Despacho Decisório da DEINF/SPO deve ser tratada no âmbito dos recursos hierárquicos previstos na Lei n° 9.784/99, sendo de justiça que o prazo lhe seja devolvido desde a notificação do indeferimento do seu pleito à autoridade administrativa. Isto posto, por entender que carece a esse Colegiado competência para apreciar a maté ia objeto do pedido, voto no sentido de não conhecer do recurso. "a r das Sessões - DF, em 1° de março de 2007. L I MAR INS ALERO to Page 1 _0054900.PDF Page 1 _0055000.PDF Page 1 _0055100.PDF Page 1 _0055200.PDF Page 1 _0055300.PDF Page 1 _0055400.PDF Page 1 _0055500.PDF Page 1 _0055600.PDF Page 1 _0055700.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.000869/99-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPJ – ERRO DE CÁLCULO DO TRIBUTO E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DEVIDOS: Uma vez detectado pela autoridade julgadora monocrática o erro de cálculo apontado pela impugnante, a retificação procedida é inteiramente pertinente.
POSTERGAÇÃO DE RECEITAS: A imputação proporcional que determina as parcelas do imposto, multa e juros de mora pagos por ocasião do reconhecimento postergado das receitas lançadas deve ser feito por dentro, ou seja, o percentual de multa e juros incide sobre o imposto pago, embutido no valor do recolhimento postergado.
MAJORAÇÃO DE PERCENTUAIS DE JUROS DE MORA: Uma vez constatado que os percentuais de juros de mora foram indevidamente majorados no auto de infração, impõe-se a retificação determinada pela decisão recorrida, o mesmo acontecendo em relação a datas de vencimento incorretas.
RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL: Irrepreensível a decisão recorrida que determino a recomposição do Lucro Real e dos prejuízos fiscais da interessada para todo o período autuado, com a finalidade de apurar de forma precisa os valores de imposto e adicional devidos em cada período mensal de apuração, procedimento idêntico adotado em ralação a Contribuição Social S/ o Lucro.
Negado provimento ao recurso “ex officio”.
Numero da decisão: 101-93517
Decisão: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Francisco de Assis Miranda
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POSTERGAÇÃO DE RECEITAS:: A imputação proporcional que determina as parcelas do imposto, multa e juros de mora pagos por ocasião do reconhecimento postergado das receitas lançadas deve ser feito por dentro, ou seja, o percentual de multa e juros incide sobre o imposto pago, embutido no valor do recolhimento postergado.. MAJORAÇÃO DE PERCENTUAIS DE JUROS DE MORA:: Uma vez constatado que os percentuais de juros de mora foram indevidamente majorados no auto de infração, impõe-se a retificação determinada pela decisão recorrida, o mesmo acontecendo em relação a datas de vencimento incorretas,. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL:: Irrepreensível a decisão recorrida que determino a recomposição do Lucro Real e dos prejuízos fiscais da interessada para todo o período autuado, com a finalidade de apurar de forma precisa os valores de imposto e adicional devidos em cada período mensal de apuração, procedimento idêntico adotado em ralação a Contribuição Social S/ o Lucro,. Negado provimento ao recurso "ex officio", O/\ Processo n° 16327.000869/99-6i 2 Acórdão n° 101-93.517 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO — SP ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado 2' SON l. REI ROD UE ,' PRESIDENT .i...-4.--1------- FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA RELATOR FORMALIZADO EM '''' I g2 0 200.'3 ' Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros KAZUKI SHIOBARA, SANDRA MARIA FARONI, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, RAUL PIMENTEL, LINA MARIA VIEIRA e CELSO ALVES FEITOSA Processo n°, 16327.000869/9 9- 6 1 3 Acórdão n°. 101-93.517 Recurso n°. : 125.241 Recorrente DRJ EM SÃO PAULO - SP Interessado . BANCO ITAU S/A RELATÓRIO O Delegado da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - SP, recorre a este Conselho de sua decisão n° 003587, de 28/09/00, que exonerou crédito tributário excedente ao vigente limite de alçada, ao apreciar impugnação tempestivamente interposta por BANCO 'TAL) S/A., devidamente qualificado nos autos A ação fiscal julgada parcialmente procedente consistiu na tributação das receitas auferidas pela fiscalizada no ano-calendário de 1993, correspondentes às variações monetárias ativas e às receitas financeiras incidentes sobre os créditos em atraso e créditos em liquidação, que deixaram de compor o lucro real oferecido à tributação, ou que foram incluídas no lucro real apurado em períodos posteriores (receitas postergadas) conforme descrito no relatório de fiscalização, uma vez que tais valores foram lançados a crédito na conta "Rendas a Apropriar", que não é conta de resultado. Em sua decisão, o julgador monocrático julgou procedente a alegação da interessada de que na parte em que efetuou a imputação proporcional dos valores pagos postergadamente, o Autuante "considerou que multa e juros são devidos sobre o valor postergado, ao invés de considerá-los embutidos nesse valor," majorando indevidamente os valores exigidos Entendeu o julgador que o cálculo da imputação proporcional, que determina as parcelas do imposto, multa e juros de mora pagos por ocasião do Processo n° 16327.000869/99-61 4 Acórdão n° :101-93517 reconhecimento postergado das receitas lançada em "Rendas a Apropriar" deve ser feito por "dentro", ou seja, o percentual de multa e juros incidem sobre o imposto pago, embutido no valor do recolhimento postergado, e não sobre este último Observa que toda a imputação proporcional procedida pelo Autuante, tanto em relação ao IRPJ, quanto à CSSL, foi feita "por fora" Diante disso foi refeita a apuração dos valores imputados Decidiu ainda que a parcela da exigência fiscal apurada pelo critério da postergação, por sua vez, deve ser apurada nos termos do PN-COSIT 02/96, como corretamente observa a Impugnante Quanto aos juros de mora a decisão foi no sentido de que' "A impugnante reclama, com relação aos juros de mora, os quais o agente fiscal fez incidir "desde o mês de vencimento dos tributos, majorando o percentual em 1% em todos os meses objeto de autuação" (fls. 216) O autuante, por sua vez, arrola corretamente a legislação pertinente, às fls, 70 e 71, e às fls 101 e 102 É de se ressaltar que, conforme a legislação correspondente (art. 59, § 2°, da Lei 8.383/91, art 988, caput, do RIR/94, e art. 955, inc I do RIR/99), os juros de mora incidentes sobre fatos geradores ocorridos no período autuado (ano-calendário de 1993) seriam devidos a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento do prazo para o pagamento, sendo calculados pelos seguintes percentuais (art. 59, caput, Lei 8 383/91, art 30 MP 1.770/98, e art. 955, parj. Único, RIR/99)' a) 1% ao mês, ATÉ 31/12/96; b) taxa SELIC, a partir de 01/01/1997, e até o último dia do mês anterior ao pagamento, e 0/‘' Processo n° 16327.000869/99-61 5 Acórdão n° 101-93517 c) 1% no mês de pagamento Entretanto, os percentuais acumulados (calculados até o mês de abril de 1999, utilizados pela autoridade fiscal, às fls 70 e 101, constam, como bem asseverou a impugnante, indevidamente majorados em 1- todos os meses abrangidos pela exação fiscal, se comparados com os percentuais obtidos pelos critérios acima (com exceção da exigência relativa ao período de apuração de Janeiro/93 a Março/93, que será abordado a seguir) Procedente, portanto, esta alegação da interessada, com relação aos percentuais de juros de mora que deferiam ser utilizados no Auto de Infração Ainda com relação aos juros de mora, a impugnante afirma (fia. 216) que o vencimento correto para os tributos de Jan/93 e Fev/93, conforme o art. 51, da Lei 8541/92, deu-se em Abr/93, e para os tributos de Mar193, ocorreu em Mai/93 O autuante, equivocadamente, teria considerado o vencimento dos tributos citados nos meses subsequentes, majorando indevidamente a exigência fiscal A referida Lei 8541/92 dispõe, em seu art. 51 "Art. 51 As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, no ano-calendário de 1992, poderão, excepcionalmente, no ano-calendário de 1993, efetuar o pagamento do imposto de renda mensal, da seguinte forma: a) em abril de 1993, o imposto e adicional dos meses de janeiro e fevereiro, b) em maio de 1993, o imposto e adicional dos meses de março e abril, **1;111 Processo n° 16327.000869/99-61 6 Acórdão n° :101-93517 c) a partir de junho de 1993, o imposto é adicional referente os respectivos meses imediatamente anteriores" Assim, procedente se configura a alegação da impugnante, quanto aos vencimentos do IRPJ (bem como da CSLL, à qual aplicam-se as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o IRPJ, nos termos do art 38, da mesma Lei8.541/92), como se pode confirmar, também, pelas normas constates na IN SRF n° 20, de 12/02/993, nas respectivas Tabelas de Códigos e Prazos de Recolhimento (Anexos VI e VII) Portanto os valores apurados pela fiscalização a título de juros de mora, referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1993, além da majoração de 1`)/0 já discutida anteriormente, tomam datas de vencimentos incorretas, resultando em novo aumento indevido dos juros de mora calculados Cumpre ressaltar, porém, com relação ao cálculo de juros de mora, discutido acima, que tal apuração foi efetuada tomando-se como termo final o dia 30/04/1999, conforme conta nos Autos de Infração (fls.. 72 e 103), e que tal cálculo será refeito quando, se for o caso, o contribuinte efetivamente realizar o pagamento do crédito tributário.. Tendo em vista os vencimentos corretos para o recolhimento dos tributos referentes a janeiro, fevereiro e março de 1993, conforme preceitua o art.. 51 da Lei 8.541/92, foram os mesmos também considerados para fins de determinação dos percentuais utilizados na imputação, no demonstrativo "IRPJ — Pagamento Postergado" em anexo, já citado " No tocante aos prejuízos fiscais assevera o julgador Processo n° 16327.000869/99-61 7 Acórdão n° :101-93517 "A impugnante afirma, às fls. 215, que "no imposto de renda por omissão de receita, não foi considerada a existência de prejuízos fiscais, desatendendo-se ao disposto no art. 10, 1, da Lei n° 8.541/92, ao fazer incidir o percentual de 40% sobre o valor apurado nos meses de agosto e novembro de 1993." Vale lembrar que o imposto de renda é calculado pela alíquota de 25%, conforme prevê o § 1°, do art. 3°, da referida Lei 8.541/92. Entretanto, o dispositivo legal mencionado pela interessada dispõe, verbis, "Art. 10 A partir de 1° de janeiro de 1993, a pessoa jurídica estará sujeira a um adicional do Imposto de Renda à alíquota de dez por cento sobre a parcela do lucro real ou arbitrado que ultrapassar I — 25.000 UFIR, para as pessoas jurídicas que apurarem a base de cálculo mensalmente; — 300 000 UFIR, para as pessoas jurídicas que apurarem a base de cálculo mensalmente, § 1° A alíquota de adicional de eu trata este artigo será de quinze por cento para os bancos comerciais, bancos de investimento, bando de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários e empresas de arrendamento mercantil § 2° O valor do adicional será recolhido integralmente, não sendo permitidas quaisquer deduções § 30 O limite previsto no inciso 11 do "caput" deste artigo será proporcional ao número de meses do ano-calendário, no caso de período-base inferior a doze meses."- n Processo n° 16327.000869/99-61 8 Acórdão n° 101-93.517 Assim, a interessada entende que, por ter apurado prejuízo fiscal nos meses de agosto e novembro de 1993, o lançamento de ofício deveria calcular o adicional previsto no art. 10, inciso I, da Lei 8.541/92, transcrito acima, apenas sobre o montante autuado que excede 25,000 UFIR Correto, neste aspecto, o entendimento da impugnante, havendo que se ressaltar, contudo, a necessidade de se proceder a uma recomposição do lucro real e dos prejuízos fiscais da fiscalizada para todo o período autuado, com a finalidade de apurar de forma precisa os valores de imposto e adicional devidos pela contribuinte, em cada período mensal de apuração Sendo assim, foi elaborado o demonstrativo "Recomposição do Lucro Real e do IRPJ Devido", também anexo, com a finalidade de apurar o imposto devido, haja vista as questões abordadas acima A sistemática de apurações é equivalente à adotada pelo autuante, diferindo, apenas, pelo fato de tornar possível, através do cálculo constante neste demonstrativo, a recomposição do prejuízo fiscal correto da fiscalizada, e a identificação precisa do montante tributável excedente a 25,000 UFIR mensais, como pleiteado pela impugnante, para a aplicação do percentual de 15% referente ao adicional (art.. 10, inc I, e § 1°, da Lei 8 541/92) É de se observar, ainda, que a apuração levada a efeito pelo autuante tomou em consideração os valores, anteriormente apurados, de Receitas Auferidas no Exterior, conforme Demonstrativo 02 de fls.. 120 Estas receitas forma objeto de autuação distinta desta em discussão, cuja impugnação tempestivamente interposta pela autuada já foi apreciada por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo Pela Decisão DRJ/SPO 003850 de 22 de novembro de 1999 proferida no processo 16327.000868/99-06 (cópias às fls a ), a autoridade administrativa de primeira instância julgou improcedente o lançamento de IRPJ e CSLL //‘' Processo n° 16327.000á69/99-61 9 Acórdão n° :101-93517 sobre as citadas receitas auferidas no exterior que, portanto, deixaram de compor a base de cálculo na apuração efetuada no presente processo Os cálculos, referidos no demonstrativo "Recomposição do Lucro Real e do IRPJ Devido" já cotado, também corrigem os erros de transposição de valores cometidos pelo autuante, mencionados pela impugnante às fls 216 Quanto ao erro "grosseiro" contido no Demonstrativo consolidado ás fls 01, apontado pela interessada, no valor referente a juros de mora do IRPJ, trata-se, por evidente, de mero defeito na transcrição de valores, sendo que até os valores totais calculados não foram afetados pelo erro Ademais, a exigência fiscal dos tributos devidos não depende dos dados constantes no referido demonstrativo, porquanto sua formalização se dá através da lavratura dos Autos de Infração de fls 72 e 73, e fls. 103 e 104 De forma idêntica ao IRPJ, foi refeita a apuração dos valores imputados, relativamente à contribuição recolhida postergadamente, conforme demonstrativo "CSLL — Pagamento Postergado", utilizando-se do cálculo 'por dentro' reclamado pela interessada, bem assim considerando os vencimentos corretos de recolhimento referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1993, aludidos na peça impugnatória às fls 216 Note-se que na imputação proporcional recalculada no demonstrativo citado acima, novamente, foram desconsideradas as receitas postergadas reconhecidas nos meses de maio, junho, agosto e dezembro de 1993, nos quais não houve pagamento de CSLL (fls.. ), tendo em vista o entendimento firmado no retrocitado item 6,1 do PN COSIT 02/96 Processo n° . 16327 ,c)00869/99-61 to Acórdão n°. :101-93.517 Os erros de transcrição de valores e a desconsideração das bases de cálculo negativas da contribuição apuradas em 1993, apontadas pela interessada ás fls.. 215 e 216, são sanados mediante os cálculos contidos no demonstrativo "Recomposição da Base de Cálculo e da CSLL Devida", também anexo a esta Decisão. Da apuração efetuada conforme os demonstrativos citados, anexos à presente Decisão, resulta que os valores devidos de IRPJ, comparados com os valores exigidos no respectivo Auto de Infração (fls. 70), são os contidos na tabela a seguir Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) IPRJ Auto de IRPJ Auto de I RPJ Mês Recalculado Infração Recalculado Infração A Exonerar (UFIR) (UFIR) (R$) (R$) (R$) Jan193 14233.354,58 11.535.921,19 13.054.819,35 10 506.917,02 0,00 Fev/93 18 558 420,57 15.130.110,07 16 930.333,46 13.780 504,25 0,00 Mar/93 16 433.348,44 13 405.163,64 14.967„493,76 12.209.423,04 0,00 Abr/93 15.464.248,74 11 699.477,02 14.084.837,75 10.655.883,67 0,00 Mai/93 14.624„524,32 11.284.306,76 13.320.016,75 10.277 746,60 0,00 Jun/93 (839.577,86) 12.630.396,11 (764.687,51) 11.503.764,78 1 503.764,78 Jul/93 33.412.630,37 13.747.775,00 30.432.223,74 12.521.473,47 0,00 Ago/93 10,021.525,43 15,192.922,61 9.127.605,36 13.837 713,91 4.710 108,55 Set/93 41 953.271,81 28.049.609,06 38.211.039,96 25„547.583,93 0,00 Out/93 23.789.435,33 18.907.178,66 21.667.417,70 17.220.658,32 0,00 Nov/93 18.555.712,42 17.523.205,69 16.900.542,8 15.960.135,74 0,00 Dez/93 26.222.765,10 20.467.618,04 23.883.694,45 18.641.906,51 0,00 (*) UFIR de conversão R$0,9108 Quanto à CSLL (valores exigidos às fls. 101), o resultado foi o seguinte' Processo n° 16327.000869/99-61 11 Acórdão n° :101-93.517 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) CSLL AUTO DE CSLL Auto de CSLL Mês Recalculada Infração Recalculada Infração A Exonerar (UFIR) (UFIR) (R$) (R$) (R$) Jan/93 6 756 160,98 6 599 290,04 6 153 511,42 6 010 633,37 0,00 Fev/93 8 762 248,34 8 699 812,10 7980 655,79 7 923 788,86 0,00 Mar/93 7 822 375,34 7 707.969,09 7 124 619,46 7 020 418,25 0,00 Abr/93 7 542 467,70 6 727 199,27 6 869 679,58 6.127 133,10 0,00 Mai/93 5 859 521,83 6 491 926,38 5 336.852,48 5 912 846,55 575 994,07 Jun/93 760 761,02 7 262 483,71 692 901,14 6,614 670,15 5 921 769,01 Jul/93 14 465 171,49 7 904 970,64 13 174 878,19 7 199 847,26 0,00 Ago/93 4 826 969,76 8 735,930,5 4 396.404,06 7 956 685,50 3 560 281,44 Set193 19 522 379,86 16 037,756,22 17 780 983,58 14 607,188,37 0,00 Out/93 11 350 042,55 10 846 469,43 10 337 618,75 9 878 964,36 0,00 Nov/93 10 001 615,88 10 031 433,87 9 109 471,74 9 136 629,97 27 158,23 Dez/93 10.345.542,12 11.768.880,37 9.422.719,76 10.719.096,24 1.296.376,48 (*) UFIR de conversão R$0,9108 As parcelas a exonerar calculadas acima referem-se ao crédito tributário apurado em excesso nos Autos de Infração impugnados, quando comparado com os valores recalculados nos demonstrativos anexos a esta Decisão Quanto aos períodos de apuração onde o IRPJ a exigir, recalculado nos demonstrativos citados, resultou maior que a exigência contida na autuação, é de se observar que, conforme já discutido em preliminar, tais períodos já se encontravam atingidos pela decadência, diante da fluência do prazo legal de 5 anos para o Fisco constituir o crédito tributário eu deixou de ser lançado Tal não ocorre, porém, com relação à CSLL, uma vez que o seu prazo decadencial é de 10 anos, conforme prevê o art 45, da Lei 8.212/91, combinado com o art.. 28, inciso II do Regulamento da Seguridade Social, aprovado pelo Decreto n° 2 173/97 " É o Relatório. ‘1‘4/1 Processo n° 1632'h 000869/99-61 12 Acórdão n° :101-93.517 VOTO Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator O recurso de ofício foi interposto nos termos do art.. 34, inciso I do Decreto n° 70.235/72, com a nova redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93, e dele tomo conhecimento, uma vez que o imposto e multa exonerados excede o limite de alçada estabelecido pela Portaria MF/333, de 11/12/97 A decisão recorrida não merece reparos, na medida em que aplicou corretamente a lei à hipótese versada nos autos Assim é que, no tocante ao cálculo da imputação proporcional que determina as parcelas do imposto, multa e juros de mora, pagos por ocasião do reconhecimento postergado das parcelas lançadas em "Rendas a Apropriar" o julgador entendeu que o Autuante, tanto em relação ao IRPJ, quanto a CSSL, o fez "por fora" ao invés de fazê-lo "por dentro" Diante disso refez a apuração dos valores imputados, na trilha do PN- COSIT 02/96 Relativamente aos juros de mora apurou que houve majoração indevida de 1% (um por cento) para todos os meses abrangidos pela exação fiscal, e que foram tomadas datas de vencimentos incorretas Procedeu às alterações necessárias, após o recálculo correto Processo n° 16327.000869/99-61 13 Acórdão n° :101-93.517 Por outro lado, no que concerne aos prejuízos fiscais, acatou o argumento da interessada, de que, por ter apurado prejuízo fiscal nos meses de agosto e novembro de 1993, o lançamento de ofício deveria calcular o adicional previsto no art 10, inciso I da Lei n° 8541/92, apenas sobre o montante autuado que excede 25.000 UFIR, o que demandou a necessidade de recomposição do lucro rela e dos prejuízos fiscais da fiscalizada para todo o período autuado Essa recomposição foi feita conforme demonstrativo que integra a decisão, onde, inclusive, foi promovida a correção dos erros de transposição de valores, cometidos pelo autuante e apontados pela interessada De forma idêntica foi refeita a apuração dos valores imputados relativamente a Contribuição Social recolhida postergadamente conforme se vê do demonstrativo "CSSL-Pagamento Postergado", utilizando-se do cálculo "por dentro" e promovendo a correção do vencimento referente aos meses de janeiro a março/93 Na imputação proporcional recalculada no demonstrativo foram desconsideradas as receitas postergadas reconhecidas nos meses de maio, junho, agosto e dezembro/93, nos quais não houve pagamento da CSSL Verifica-se que os erros de transcrição de valores e a desconsideração das bases de cálculo negativas da contribuição apuradas em 1993, foram sanadas no demonstrativo "Recomposição da Base de Cálculo e da CSSL Devida " No que tange aos períodos de apuração onde o !RR.] a exigir, recalculado nos demonstrativos citados, resultou maior que a exigência contida na autuação, entendeu o julgador que tais períodos já se encontravam atingidos pela decadência, diante a fluência do prazo legal de cinco anos para o fisco constituir o crédito tributário eu deixou de ser lançado, o que contudo não ocorreu em relação à 1/1)1' Processo n° 16327.000869/99-61 14 Acórdão n° 101-93517 CSSL, por aplicável a regra do art 45 da Lei 8,212/91 c/c o art 38, II do Regj. Da Seg Social aprovado pelo Decreto n° 2 173/97 Na esteira dessas considerações, voto pela negativa de provimento do recurso "ex officio" Sala das Sessões - DF, em 25 de ulho de 901 • exT—T-4- FRANCISCO DE ASSIS MIRAN • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.001458/2005-56
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
RECURSO DE OFÍCIO.
A decisão vergastada foi exarada de acordo com a correta análise dos fatos e do direito aplicável ao caso em questão, pelo quê há ser confirmada.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR - MOMENTO DO FATO GERADOR.
A Lei nº 9.532/1997, não atuou modificando a data da ocorrência do fato gerador, mas, tão-somente, deslocou o seu componente temporal, indicando o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR – DECADÊNCIA.
No caso de tributação de lucros auferidos no exterior por intermédio de coligada, o prazo decadencial tem início no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que houve a disponibilização para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR – DISPONIBILIZAÇÃO – ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO EM COLIGADA.
São tributáveis os lucros auferidos no exterior por sociedade domiciliada no Brasil, por intermédio de sua coligada, que sejam disponibilizados àquela. Tais lucros serão considerados disponibilizados na data do seu pagamento, que é considerado efetuado, quando ocorrido o emprego do valor em favor da beneficiária. A alienação de participação societária em coligada no exterior inclui-se na hipótese de “emprego do valor em benefício” da pessoa jurídica domiciliada no Brasil.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR – RESERVA LEGAL.
Não deve compor a base de cálculo do lançamento a parcela correspondente à Reserva Legal, posto que esta tem destinação obrigatória prevista em lei e deve ser constituída antes de qualquer outra destinação dos lucros.
TRIBUTOS PAGOS NO EXTERIOR – COMPENSAÇÃO.
A compensação do imposto sobre a renda devido no Brasil, em face da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, só será possível com o imposto sobre a renda recolhido no exterior em razão dos mesmos lucros, independentemente da denominação do tributo no país de origem.
PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS – ADIÇÃO DE JUROS – CAPITALIZAÇÃO DE RECURSOS – INDISPONIBILIDADE DOS LUCROS.
A adição dos juros decorrentes da capitação de recursos junto a coligada no exterior, só é cabível no caso de não ter sido disponibilizado os lucro do período para sua coligada no Brasil. Configurada a disponibilização de tais lucros não deve prevalecer o lançamento tributário.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
O decidido em relação ao tributo principal se aplica aos lançamentos reflexos, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes, salvo quando houver na legislação de regência do tributo lançado como reflexo, característica que leve a outra conclusão.
LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR – CSLL.
Por força do princípio da legalidade estrita, no Direito Tributário só há incidência tributária sob a vigência de norma que estabeleça tal tributação. No caso da CSLL sobre lucros auferidos no exterior por coligada, a norma instituidora da obrigação tributária foi publicada em 30 de junho de 1999, passando a vigorar a partir de 01 de outubro de 1999.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 101-96.601
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao
recurso de oficio. Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva e Alexandre
Andrade Lima da Fonte Filho, sendo que o Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva, acompanha pelas conclusões. No mérito, pelo voto de qualidade, considerar ocorrida a disponibilidade do lucro na alienação da participação societária, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior ,, José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva, que apresenta declaração de voto, e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, quanto a primeira infração para excluir a tributação da CSLL em relação aos lucros apurados pela coligada no exterior, até 30 de setembro de 1999, bem assim a reserva legal. Por unanimidade de votos, cancelar a exigência em relação 'a glosa de despesas de juros, acompanham pelas conclusões João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por maioria de votos, excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nesta parte os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa SELIC sobre a multa de oficio, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 RECURSO DE OFÍCIO. A decisão vergastada foi exarada de acordo com a correta análise dos fatos e do direito aplicável ao caso em questão, pelo quê há ser confirmada. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR - MOMENTO DO FATO GERADOR. A Lei nº 9.532/1997, não atuou modificando a data da ocorrência do fato gerador, mas, tão-somente, deslocou o seu componente temporal, indicando o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR – DECADÊNCIA. No caso de tributação de lucros auferidos no exterior por intermédio de coligada, o prazo decadencial tem início no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que houve a disponibilização para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR – DISPONIBILIZAÇÃO – ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO EM COLIGADA. São tributáveis os lucros auferidos no exterior por sociedade domiciliada no Brasil, por intermédio de sua coligada, que sejam disponibilizados àquela. Tais lucros serão considerados disponibilizados na data do seu pagamento, que é considerado efetuado, quando ocorrido o emprego do valor em favor da beneficiária. A alienação de participação societária em coligada no exterior inclui-se na hipótese de “emprego do valor em benefício” da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR – RESERVA LEGAL. Não deve compor a base de cálculo do lançamento a parcela correspondente à Reserva Legal, posto que esta tem destinação obrigatória prevista em lei e deve ser constituída antes de qualquer outra destinação dos lucros. TRIBUTOS PAGOS NO EXTERIOR – COMPENSAÇÃO. A compensação do imposto sobre a renda devido no Brasil, em face da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, só será possível com o imposto sobre a renda recolhido no exterior em razão dos mesmos lucros, independentemente da denominação do tributo no país de origem. PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS – ADIÇÃO DE JUROS – CAPITALIZAÇÃO DE RECURSOS – INDISPONIBILIDADE DOS LUCROS. A adição dos juros decorrentes da capitação de recursos junto a coligada no exterior, só é cabível no caso de não ter sido disponibilizado os lucro do período para sua coligada no Brasil. Configurada a disponibilização de tais lucros não deve prevalecer o lançamento tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido em relação ao tributo principal se aplica aos lançamentos reflexos, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes, salvo quando houver na legislação de regência do tributo lançado como reflexo, característica que leve a outra conclusão. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR – CSLL. Por força do princípio da legalidade estrita, no Direito Tributário só há incidência tributária sob a vigência de norma que estabeleça tal tributação. No caso da CSLL sobre lucros auferidos no exterior por coligada, a norma instituidora da obrigação tributária foi publicada em 30 de junho de 1999, passando a vigorar a partir de 01 de outubro de 1999. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: RECURSO DE OFICIO. A decisão vergastada foi exarada de acordo com a correta análise dos fatos e do direito aplicável ao caso em questão, pelo quê há ser confirmada. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR - MOMENTO DO FATO GERADOR. A Lei n° 9.532/1997, não atuou modificando a data da ocorrência do fato gerador, mas, tão-somente, deslocou o seu componente temporal, indicando o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR — DECADÊNCIA. No caso de tributação de lucros auferidos no exterior por intermédio de coligada, o prazo decadencial tem início no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que houve a disponibilização para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO — ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO • EM COLIGADA. São tributáveis os lucros auferidos no exterior por sociedade domiciliada no Brasil, por intermédio de sua coligada, que sejam disponibilizados àquela. Tais lucros serão considerados disponibilizados na data do seu pagamento, que é considerado efetuado, quando ocorrido o emprego do valor em favor da beneficiária. A alienação de participação societária em coligada no exterior inclui-se na hipótese de "emprego do valor em beneficio" da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. ã . Processo n°16327.00145812005-56 CCO /C01 Acórdão n.° 10146.601 Fls. 2 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR — RESERVA LEGAL. Não deve compor a base de cálculo do lançamento a parcela correspondente à Reserva Legal, posto que esta tem destinação obrigatória prevista em lei e deve ser constituída antes de qualquer outra destinação dos lucros. TRIBUTOS PAGOS NO EXTERIOR — COMPENSAÇÃO. A compensação do imposto sobre a renda devido no Brasil, em face da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, só será possível com o imposto sobre a renda recolhido no exterior em razão dos mesmos lucros, independentemente da denominação do tributo no país de origem. PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS — ADIÇÃO DE JUROS — CAPITALIZAÇÃO DE RECURSOS — INDISPONIBILIDADE DOS LUCROS. A adição dos juros decorrentes da capitação de recursos junto a coligada no exterior, só é cabível no caso de não ter sido disponibilizado os lucro do período para sua coligada no Brasil. Configurada a disponibilização de tais lucros não deve prevalecer o lançamento tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido em relação ao tributo principal se aplica aos lançamentos reflexos, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes, salvo quando houver na legislação de regência do tributo lançado como reflexo, característica que leve a outra conclusão. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR — CSLL. Por força do princípio da legalidade estrita, no Direito Tributário só há incidência tributária sob a vigência de norma que estabeleça tal tributação. No caso da CSLL sobre lucros auferidos no exterior por coligada, a norma instituidora da obrigação tributária foi publicada em 30 de junho de 1999, passando a vigorar a partir de 01 de outubro de 1999. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO — INAP LICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. 2 4 Processo n° 16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101 -98.801 Fls. 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU S A. e de recurso de oficio interposto pela 5 TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ I EM SÃO PAULO - SP. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, sendo que o Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva, acompanha pelas conclusões. No mérito, pelo voto de qualidade, considerar ocorrida a disponibilidade do lucro na alienação da participação societária, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, , José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva, que apresenta declaração de voto, e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, quanto a primeira infração para excluir a tributação da CSLL em relação aos lucros apurados pela coligada no exterior, até 30 de setembro de 1999, bem assim a reserva legal. Por unanimidade de votos, cancelar a exigência em relação 'a glosa de despesas de juros, acompanham pelas conclusões João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por maioria de votos, excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nesta parte os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa SELIC sobre a multa de oficio, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. RESGI ENTE G A AI 411 4n CAIO MARCOS CANDI 1, O RELATOR FO • ir DO EM: 1 4 NOV 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, a Conselheira SANDRA MARIA FARONI. 3 Processo n° 16327.001458/2005-56 Cal/C01 Acórdão n.° 101-96.601 Fls. 4 Relatório CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU S A., pessoa jurídica já qualificada nos autos, recorre a este Conselho em razão de seu acórdão n° 10.057, de 15 de agosto de 2006, que julgou parcialmente procedentes os lançamentos consubstanciados nos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 217/224) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 225/228), relativos ao ano-calendário de 2000. Termo de Verificação Fiscal às fls. 236/243. A 5' Turma de Julgamento da I em São Paulo — SP recorreu de oficio em razão da parcela exonerada do crédito tributário ser superior ao limite de alçada previsto no artigo 2° da Portaria MF n°375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00). Os fatos que deram origem à autuação foram assim descritos pela autoridade julgadora de primeira instância: 2. A contribuinte possuía, até o ano de 1996, participação de 37,55% na Imbituba S/A Uruguai, de 43,50% na Baysh S/A Uruguai, alienadas, conforme documentos anexos, em 1996. Destaque-se que sua participação na Jalua S/A (sediada no Uruguai), que era de 18% em 1996, passou, em 1997, a 20,2704% (fls. 107, e 193 a 209). 3. Em 02/01/2000, ocorre a alienação onerosa, por parte da contribuinte à Eagle Distribuidora de Bebidas S/A, de 19.154.154 ações da Jalua S/A, de sua propriedade, representando 10% do capital social da empresa uruguaia, pelo preço de R$ 168.126.564,10, a ser pago em 15/01/2001 (fls. 101 a 103). 4. Em 02/05/2000, ocorre a alienação onerosa, por parte da contribuinte à Eagle Distribuidora de Bebidas S/A, de 19.671.082 ações da Jalua S/A, de sua propriedade, representando 10,2704% do capital social da empresa uruguaia, pelo preço de R$ 180.313.544,13, a ser pago em 15/05/2001 (fls. 104 a 106). 5. A Jalua S/A apresentou: a. até maio de 2000 (data da alienação de 10,2704% de suas ações), lucro de R$ 82.851.801,11 (R$ 83.478.053,11 + 626.252,00, fl. 119); b. em 1999, lucro bruto de R$ 545.206.409,73 (R$ 540.405.075,58 + R$ 4.801.334,15) e uma reserva legal de R$ 15.978.567,92 (fl. 117); c. em 1998, lucro bruto de R$ 22.865.142,68 (fl. 116); d. em 1997, lucro bruto de R$ 3.804.096,94 (fl. 114); e. em 1996, lucro bruto de R$ 45.335.393,13 (fl. 112). 6. A contribuinte, como forma de captar recursos financeiros, emitiu, em 1996, Fixed Rate Notes (FRN), em 3 lotes (dois de US$ 125,000,000.00; e um de US$ 80,000,000.00), operação esta registrada no Banco Central (fls. 121 a 145, e 157 a 192). 4 e . . Processo n° 16327,001458/2005-56 CC01/C01 Acórdão n.° 101-96.601 Fls. 5 7. Conforme informação do Agente (fl. 120), o Banque Europèenne pour L'Amèrique Latine (BEAL), o único detentor de tais FRN foi a Jalua Spain S/A (anteriormente Jalua S/A). 8. Assim, fica perfeitamente caracterizada a operação não como lançamento de FRN, e sim, como mútuo tomado de coligada domiciliada no exterior. 9. Tendo em vista que essa coligada auferiu lucros desde 1996, a despesa de juros relativos a essa operação, de janeiro a abril de 2000 (data da alienação da participação da contribuinte na Jalua), deve ser glosada, de acordo com o §3° do artigo 1° da Lei n° 9.532/97, alterado pelo artigo 3° da Lei n°9.959/2000, e pelo artigo 35 da MP n° 1.991- 15/2000. 10. Observa-se, também, no balanço de 1999 da empresa uruguaia, R$ 4.801.334,15 em impostos (fl. 117). Conforme documentos anexos, trata-se de Imposto sobre Patrimônio das SAFIs (Sociedades Financieras de Inversion) conforme artigo 7° da Ley 11.073 do Uruguai, portanto não compensável como o imposto de renda devido no Brasil. Da análise dos fatos e do direito aplicável 11.A Jalua S/A obteve lucro nos anos-calendário de 1996 a 2000. 12. Conforme declarações de 1RPJ da contribuinte, nenhum valor a título de lucros obtidos no exterior foi disponibilizado (fl. 198). 13. A contribuinte é responsável pelo recolhimento de tributos proporcionalmente à sua participação na empresa no exterior. O total a ser oferecido à tributação é de R$ 135.829.983,40, conforme demonstrado às fls. 239 e 240.. 14. As operações pelas quais a contribuinte transferiu suas ações da Jalua S/A (Uruguai) para a Eagle Distribuidora de Bebidas S/A estão devidamente demonstradas através de seus Contratos de Cessão de Ações, datados de 02/01/2000 e 02/05/2000 (fls. 101 a 106). 15.Com a Lei n°9.249/95 (artigo 25), a legislação do imposto de renda passou a tributar os lucros auferidos no exterior. ?IX16. O artigo 1° da Lei n° 9.532/97 determina o momento em que esse lucro deverá ser adicionado ao lucro líquido, e seus §§ 1° e 2° determinam as hipóteses de .. disponibilização. . 17.Portanto as operações nas quais a contribuinte transferiu suas quotas da Jalua S/A (Uruguai) para a Eagle Distribuidora de Bebidas S/A configuram hipótese de disponibilização de lucros, conforme item 4, alínea b, §2°, artigo 1°, da Lei n° 9.532/97. 18. A contribuinte contraiu mútuo com sua coligada domiciliada no exterior (Jalua S/A), que, por sua vez, auferiu lucros desde 1996. Portanto, a despesa de juros relativos a essa operação de janeiro a abril de 2000 (data da alienação da participação da contribuinte na Jalua) deve ser glosada, de acordo com o §3° do artigo 1° da Lei n° 9.532/97, alterado pelo artigo 3° da Lei n°9.959/2000, e pelo artigo 35 da MP n° 1.991- 15/2000. 19. Conforme o razão da empresa (síntese à fl. 242), as despesas de juros contabilizadas totalizam R$ 21.477.411,09. 5 Processo n0 16327.001458/2005-56 CC01/001 Acórdão o.° 101-96.601 Fls. 6 Os autos de infração imputam ao sujeito passivo duas infrações à legislação tributária consistente em: 1. falta de adição ao lucro líquido do período dos lucros auferidos no exterior nos anos de 1996 a 2000, em virtude de sua disponibilização em conseqüência da alienação da participação societária que detinha na Jalua (coligada no exterior) para a Eagle (empresa domiciliada no Brasil). 2. falta de adição ao lucro líquido do período dos juros pagos ou creditados a pessoa jurídica coligada no exterior, em face da existência, no balanço da coligada, de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada. Tendo tomado ciência dos lançamentos em 30 de setembro de 2005, a autuada insurgiu-se contra tais exigências, tendo apresentado impugnação (fls. 260/297) em 01 de novembro de 2005, em que apresentou as seguintes razões de defesa, conforme relato da autoridade julgadora de primeira instância: Com relação à primeira infração, a contribuinte alega que: 1. Inexiste base legal para a autuação, pois é inaplicável ao caso o disposto no artigo 1°, §2°, alínea "b", item 4, da Lei n°9.532/97; 2. Com relação à CSLL, somente os lucros apurados no exterior a partir de 01/10/99, data em que a MP n° 1.858-6/99 passou a produzir efeitos, devem, quando disponibilizados para a empresa nacional, ser adicionados ao lucro para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição; 3. Não poderia a fiscalização ter adicionado aos lucros auferidos pela Jalua no exterior o valor da reserva legal, que não é passível de distribuição; 4. A fiscalização não poderia ter desconsiderado os pagamentos feitos pela Jalua a título de imposto no exterior, pois não há óbice algum a que tal valor seja compensado com o imposto de renda devido no Brasil, conforme expressamente autoriza o artigo 14 da IN SRF n°213/2002. )1ACom relação à segunda infração, alega que: 1. A Jalua S/A não era controlada pela impugnante, mas sua coligada; 2. Houve disponibilização dos lucros por força do presente Auto de Infração; 3. A impugnante não firmou contrato de empréstimo com sua coligada; 4. O lançamentos das Fixed Rate Notes no exterior ocorreram em 1996, quando ainda não estava em vigor o artigo 1°, §3°, da Lei n° 9.532/97; 5. Inconstitucionalidade do §3° do artigo I° da Lei n°9.532/97; 6. Foi glosado valor superior à soma dos juros efetivamente registrados no Razão. Contesta a exigência de juros sobre multa e a aplicação da taxa SELIC no cômputo dos juros de mora; A autoridade julgadora de primeira instância proferiu decisão por meio do acórdão n° 10.057/2006 julgando parcialmente procedentes os lançamentos, para cancelar 6 • . Processo n° 16327.001458/2005-56 CCO I/C01 Acórdão n.° 101 -98.601 Fls. 7 parcialmente os lançamentos relativamente à segunda infração, no tocante à dedutibilidade das despesas com juros de março e abril de 2000 e a parte dos juros do mês de janeiro de 2000, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. HIPÓTESE DE DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS. Na alienação de participação em empresa sediada no exterior há o emprego de lucros (inclusive da reserva legal) da coligada exterior, em favor da coligada no Brasil, o que configura hipótese de disponibilizaçã o. IMPOSTO SOBRE O PATRIMÓNIO. COMPENSAÇÃO. É passível de compensação apenas o tributo que incida sobre lucros, e não sobre o patrimônio. MÚTUO ENTRE COLIGADAS. DESPESAS DE JUROS. Até a edição da MP n" 1.991-15/2000, são indedutíveis os juros, pagos ou creditados, incidentes sobre o valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresa coligadas ou controladas, domiciliadas no exterior, quando estas forem as beneficiárias do pagamento ou crédito. Restabelecem-se os valores glosados relativos a período posterior à edição de supracitada norma. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL Ano-calendário: 2000 Ementa: CSLL. DISPONIBILIZAÇÁO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos *".no exterior sujeitam-se à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universaL Lançamento Procedente em Parte. O referido acórdão, em síntese, traz os seguintes argumentos e constatações: Em relação à primeira infração apontada: 1. que na operação em que a contribuinte transferiu suas ações da Jalua para a Eagle, houve, evidentemente, a utilização dos lucros auferidos pela coligada / controlada no exterior (Jalua), pois o valor das ações reflete o valor do Patrimônio Líquido, do qual fazem parte os lucros acumulados e a reserva legal. 2. que a reserva legal tem origem no lucro líquido do exercício, a teor do artigo 193 da Lei n°6.404/1976 e não pode ser excluída do valor tributável. 7 Processo n° 16327.001458/2005-56 CCO 1/C01 Acórdão n.° 101-96.801 Fls. 8 3. que teria ocorrido uma das hipóteses de disponibilização de lucros, nos termos do item 4 alínea "h" do parágrafo 2° do artigo 1° da Lei n° 9.532/1997, consistente no emprego do valor, em favor da beneficiária. 4. que a Instrução Normativa SRF n° 38/1996 dispôs expressamente que a operação em tela representa hipótese de disponibilização de lucros, nos termos de seu artigo 2°, §9°. 5. que improcedem as alegações de que inexiste base legal para a autuação e que a reserva legal é não tributável. 6. Da tributação relativa à CSLL: a. que o artigo 19 da MP n° 1.858/1999 e o artigo único do Ato Declaratório SRF n° 75/1999 dispõem que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam-se à incidência da CSLL e que, a partir de 1° de outubro de 1999, serão computados na base de cálculo dessa contribuição em 31 de dezembro do ano-calendário da disponibilização, observadas as demais normas estabelecidas para o imposto de renda. b. Que os lucros auferidos no exterior, mesmo antes da vigência da MP n° 1.858/99, e disponibilizados a partir de 01 de outubro de 1999 se sujeitam à tributação a titulo de CSLL, posto que o fato gerador não é a geração do lucro, mas a sua disponibilização à coligada / controladora no Brasil. c. Que a tese defendida pela contribuinte só vingaria se houvesse (e não houve) disposição expressa do legislador que excluísse da incidência os lucros apurados antes da entrada em vigor da norma de incidência universal da CSLL, a exemplo do que se observa com relação à incidência do IRPJ em bases universais (artigo 16 da IN SRF n°38/96). 7. Quanto à compensação dos impostos pagos no exterior, há que se observar que tal compensação só se pode dar se o imposto pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada ou o relativo a rendimentos e ganhos de capital, incidir sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser o mesmo de - competência de unidade da federação do país de origem. Em se tratando de tributo calculado sobre o patrimônio (fls. 48 e 49), e não sobre os lucros, correto o procedimento da fiscalização. Em função da manutenção parcial do lançamento recorre voluntariamente o contribuinte e, em função do crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada das DRJ (artigo 2° da Portaria MF n° 375 de 07 de dezembro de 2001), recorre de oficio a autoridade julgadora de primeira instância. Cientificado do acórdão em 11 de setembro de 2006, irresignado pela manutenção parcial do lançamento na decisão administrativa de primeira instância apresentou, em 10 de outubro de 2006, o recurso voluntário de fls. 378/434, em que, em linhas gerais, re- apresenta os seguintes de sua impugnação, inovando no que se segue: 1. No tocante à primeira infração: 8 Processo n°16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-98.801 Fls. 9 a. que "diversamente do decidido o fato de o valor recebido pela venda das ações eventualmente refletir o valor dos lucros acumulados que integram o patrimônio líquido da sociedade investida, o que não necessariamente ocorre, não tem em absoluto o efeito de um emprego do valor daqueles lucros em beneficio da recorrente, porque os lucros remanesceram na empresa coligada após as operações em causa". b. que não houve aumento de capital da própria geradora dos lucros, pois este permaneceu inalterado pelas operações em causa. c. que não teria ocorrido disponibilização dos lucros em causa nem de fato, pois a recorrente jamais se beneficiou diretamente do valor dos lucros, nem de direito, por que os fatos como ocorridos não se subsumem à norma legal invocada. d. que a IN n° 38/1996 evidencia a manifesta improcedência da autuação, posto que a Lei n° 9.532/1997, que estabeleceu o conceito legal da disponibilização, deixou de reproduzir várias hipóteses trazidas pela IN 38, entre elas a prevista no parágrafo 9° do artigo 2°, hipótese esta que deu azo à autuação. e. que até o advento da MP n° 1.858-6/1999, a CSLL não incidia sobre os lucros auferidos no exterior, em sendo assim não poderia a IN 38 fundamentar a exigência da CSLL, por força do contido em seu artigo 15. f. que o presente caso é distinto daqueles analisados pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que tem entendido ser hipótese de disponibilização de lucros a alienação de participação societária em pessoa jurídica domiciliada no exterior, hipótese em que os lucros jamais seriam tributados no Brasil. Tal diferença recaí no fato de que a compradora é empresa cujo domicílio é no Brasil, a quem serão remetidos os lucros quando forem disponibilizados. g. que a própria Secretaria da Receita Federal divulgou entendimento, por meio da ". IN 38 que, ao excepcionar a tributação dos lucros auferidos anteriormente a 01 de janeiro de 1995, ainda que não disponibilizados, reafirmou ser incabível a tributação pela CSLL dos lucros auferidos no exterior antes da vigência da MP n° 1.858-6. h. que o valor da reserva legal deve ser excluído do lançamento, posto ter destinação específica (dar proteção aos credores), não podendo ter outra destina*. i. que o imposto incidente sobre o capital e reservas é o único imposto incidente sobre este tipo de sociedade, no Uruguai, de modo que não há óbice algum para que tal valor seja compensado com o IR devido no Brasil. j. Outrossim, caso não se considere possível tal compensação, aquele valor não poderia compor o lucro supostamente disponibilizado para a recorrente por se tratar de despesa incorrida pela pessoa jurídica no exterior. 2. no tocante à segunda infração, que ainda que tenham sido glosados os juros relativos a período anterior ao fato que no entender da fiscalização consubstancia a 9 , . . . Processo n° 16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.601 EL ia disponibilização dos lucros acumulados, fato é que, tratando-se de uma despesa legitima, jamais questionada, a vedação em questão só pode obstar a dedução da despesa correspondente enquanto aqueles lucros não forem disponibilizados, se ocorrida a disponibilização deixa de existir o óbice previsto na norma. Se a fiscalização considerou disponibilizados os lucros, não poderia a falta de disponibilização dar causa ao lançamento desta infração. Por ocasião da sustentação oral o patrono da recorrente pugna pela decadência do crédito tributário relativo ao ano-calendário 1996 e 1997. É o Relatório. Passo a seguir ao voto. /v 10 . . Processo if 16327.001458/2005-56 CCO I /C01 Acórdão n.° 101-98.601 Fls. H Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O Ato Declaratório Interpretativo RFB n°09, de 05 de junho de 2007, dispensou a exigência de arrolamento de bens e direitos como condição para o seguimento do recurso voluntário. PRIMEIRA INFRAÇÃO: falta de adição dos lucros auferidos no exterior por coligada no período de 1996 a 2000. Conforme visto o patrono da recorrente no curso de sua sustentação oral argüiu a decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário em relação aos lucros auferidos em 1996 e 1997. Inicialmente faz-se necessário identificar a data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária em relação aos lucros auferidos no exterior por sociedade coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil. De acordo com o disposto no artigo 25 da Lei n° 9.249/1995, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior deveriam ser computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. A matéria foi disciplinada pela Instrução Normativa n° 38/1996 que estabeleceu o momento no qual se considerariam disponibilizados aqueles lucros, verbis: Art. 2° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido do período-base, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do ano- calendário em que tiverem sido disponibilizados. § 1° Consideram-se disponibilizados os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, no Brasil, pela filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. § 2° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, considera-se: II Processo n° 16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101 -96.601 Fls. 12 1- creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliado no exterior: II - pago o lucro, quando ocorrer: a) o crédito do valor em conta bancária em favor da matriz, controladora ou coligada, domiciliado no Brasil:O a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária;c) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça;d) o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliado no exterior. Tal entendimento foi corroborado pelo dispositivo do parágrafo rdo artigo 1° da Lei n° 9.532/1997 quando estabeleceu que os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas seriam adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tivessem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Conforme afirmou a Ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni, nos autos do julgamento que deu origem ao acórdão 101 —95.302: A norma tributária em questão trata da tributação, pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, dos rendimentos auferidos no exterior. É que, antes da publicação da Lei n° 9.249/1995, os resultados auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil poderiam ser excluídos da apuração da base de cálculo do imposto de renda e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro — CSLL. O artigo 25 da Lei 9.249/95 alterou essa situação, ao determinar o cômputo, na apuração do lucro real, dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por pessoa jurídica em qualquer operação praticada no exterior. O artigo 1' da Lei n° 9.532/1997 introduziu regra quanto ao momento em que os lucros no exterior se consideram auferidos pela empresa brasileira. Portanto, a obrigação tributária, surge com o auferimento do lucro, e a norma invocado pela recorrente para sustentar não ter ocorrido o fato gerador cuida apenas de estabelecer presunção quanto ao momento de sua ocorrência. Assim, muito feliz a decisão de primeira instância ao se valer de lição de Paulo de Barros Carvalho e argumentar que: (a) "O verbo núcleo do Imposto de Renda não é "empregar", mas sim "auferir"; (b) "O agente que pratica o verbo, ou seja, o núcleo do aspecto material, não é outro senão o contribuinte (no caso, o controlador). Não é um terceiro (a controlada), portanto"; e, (c) "os dispositivos que compõem o artigo 1° da Lei n° 9.532/1997 definem o aspecto temporal, ou melhor, excepcionam o aspecto temporal geral do imposto de renda, que é o próprio momento de aquisição de renda, do aumento de patrimônio". 12 Processo n°16327.001458/2005-5ó CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.601 Fls. 13 Concluindo, o fato gerador da obrigação tributária se dá com o auferimento do lucro e o momento temporal do fato gerador se dá quando incorrida uma das hipóteses de sua disponibilização, ficta ou real. No presente caso, os lucros foram auferidos por coligada no exterior nos anos- calendário de 1996 a 2000, sendo que o momento temporal do fato gerador relativo a ele relativo se concretizou no momento de sua disponibilização real ou ficta. Cabe verificar se a alienação da participação societária da coligada no exterior, pela pessoa jurídica coligada, domiciliada no país, corresponde a uma das hipóteses de disponibilização dos lucros auferidos pela coligada no exterior. A recorrente afirma que não houve disponibilização de lucros com a alienação de sua participação no exterior por não ter havido a subsunção do fato a norma invocada pelo Fisco, visto não ter havido o emprego do valor dos lucros em beneficio da recorrente, já que eles ficaram em poder da coligada, após as operações em causa. Afirma também que não houve aumento de capital da coligada geradora dos lucros, pois este permaneceu inalterado pelas operações em causa. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu que "a utilização em beneficio próprio restou configurado, pois o valor das ações reflete o valor do Patrimônio Líquido do qual fazem parte os lucros acumulados e a reserva legal (...). Assim, ocorreu uma das hipóteses de disponibilização de lucros, nos termos do artigo 1°, parágrafo 2°, alínea "b", item 4, da Lei n°9.532/1997", verbis: Art. I° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem ?Í sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliado no Brasil. (Vide Medida Provisória n°2158-35, de 2001). § 1 0 Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (.) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. (.) § 2° Para efeito do disposto na alínea "h" do parágrafo anterior, considera-se: b) pago o lucro, quando ocorrer: (-) 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliado no exterior. 13 Processo n°16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.801 Fls. 14 Tal hipótese, conforme visto, já se encontrava prevista na letra "d' do inciso II do parágrafo 2° do artigo 2° da IN n° 38/1996, norma esta de integração em relação ao artigo 25 da Lei n° 9.249/1995, da qual dava uma interpretação conforme a Constituição da República. Da exegese dos dispositivos apresentados vê-se que a matéria tributável é o lucro auferido no exterior por sociedade domiciliada no Brasil, por intermédio de suas sucursais, filiais, controladas ou coligadas, que sejam disponibilizados àquela (artigo 1°). Os lucros serão considerados disponibilizados, no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento (letra b do parágrafo 1°). O parágrafo 2° cria uma presunção de que o lucro será considerado pago, quando ocorrido o emprego do valor em favor da beneficiária. Falta definir apenas se a alienação da participação societária de coligada no exterior se enquadraria na expressão "o emprego do valor em favor da beneficiária". À luz dos dispositivos supra citados, não resta dúvida de que ao alienar sua participação societária em sua coligada no exterior a coligada brasileira beneficiou-se do valor dos lucros auferidos por aquela, representado, tal beneficio, pelo acréscimo no valor das ações alienadas, em decorrência da valorização do patrimônio líquido pelos lucros auferidos e acumulados nele. Portanto, a disponibilização dos lucros se deu na data da alienação da participação societária (maio de 2000), devendo ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro daquele ano-calendário, sendo este o momento temporal do fato gerador da obrigação tributária. A ciência dos lançamentos se deu em 30 de setembro de 2005, portanto tempestivamente, não tendo ocorrido a suscitada decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário. Argumenta, ainda, a recorrente que no caso presente a adquirente é domiciliada no país, o que implicaria em considerar que, como os lucros acumulados ainda constam do balanço da coligada cujas ações foram alienadas, no futuro poderão objeto de disponibilização, agora para a sociedade adquirente, o que ocasionaria nova tributação com base nos mesmos lucros. A tributação deve se dar no momento em que a lei determina a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou naquele em que a lei determine outro momento temporal para tanto. Ora os lucros tributados na disponibilização para a ora recorrente, não mais poderão ser tributados no momento da disponibilização para a sociedade adquirente, pelo simples fato de já tê-los sido tributados. Não há diferença no fato de que a pessoa jurídica adquirente da participação societária ser domiciliada ou não no país. Existente a hipótese de disponibilização do lucro auferido por coligada no exterior, surge a obrigação tributária da qual decorreu o lançamento do IRPJ e da CSLL. Não há na regra de incidência qualquer exceção relativa à localização da pessoa jurídica adquirente da participação societária. Quanto à tributação da parcela correspondente à reserva legal, que restou incluída na base tributável pela fiscalização, entendo caber razão à recorrente. A reserva legal, instituída por força do artigo 193 da Lei ° 6.404/1976, tem destinação específica, não sendo passível de distribuição aos sócios, verbis: 14 . . Processo n°16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101 -98.601 Fls. 15 Art. 193. Do lucro liquido do exercício, 5% (cinco por cento) serão aplicados, antes de qualquer outra destinação, na constituição da reserva legal, que não excederá de 20% (vinte por cento) do capital social. § 1° A companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital de que trata o § 1° do artigo 182, exceder de 30% (trinta por cento) do capital social § 20 A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital A reserva legal deve ser constituída "antes de qualquer outra destinação", além disso tem destinação estabelecida na lei. Caso os lucros houvessem sido disponibilizados por vontade própria, dele não poderia constar parcela de lucros que compunham a reserva legal, posto expresso impedimento legal para sua distribuição Por essa razão entendo que o valor correspondente à reserva legal deve ser excluído da base tributável. O decidido em relação ao lançamento principal se aplica aos lançamentos decorrentes, em função da relação de causa e efeitos entre eles existentes, salvo quando houver na legislação de regência do tributo lançado como reflexo, característica que leve a outra conclusão É o caso em relação à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido nos lucros auferidos no exterior, por pessoa jurídica coligada ou controlada. Tal regra de tributação foi introduzida no ordenamento pátrio pelo artigo 19 da Medida Provisória n° 1.858-6/1999, verbis: Art. 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam-se à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os artigos 25 a 27 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os artigos 15 a 17 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1° da Lei n . 9.532, de 1997. Parágrafo único. O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros oriundos do exterior, até o limite acrescido em decorrência dessa adição. Como já estabelecido neste voto, a obrigação tributária surge com o auferimento do lucro, mesmo que a lei eleja outro momento temporal como o momento de sua ocorrência. O certo é que o fato gerador da obrigação tributária surge com o auferimento do lucro, e não na data de sua disponibilização, real ou ficta. Por força do princípio da legalidade estrita, no Direito Tributário só há incidência tributária sob a vigência de norma que estabeleça tal tributação. No caso da CSLL 15 Processo n° 16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.• 101 -96.601 Fls. 16 sobre lucros auferidos no exterior por coligada, a norma instituidora da obrigação tributária foi publicada em 30 de junho de 1999, passando a vigorar a partir de 01 de outubro de 1999. Pelo quê, quanto a este item da tributação, não deve prevalecer o lançamento da CSLL em relação aos lucros apurados pela coligada, no exterior, até 30 de setembro de 1999. Pugna ainda a recorrente pela compensação dos valores pagos no exterior, por força do artigo 26 da Lei n°9.249/1995. O referido dispositivo assim dispõe: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1" Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2' Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3' O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte- americanos e, em seguida, em Reais. Afirma a recorrente que o lançamento deveria ter sido ajustado em função dos valores do imposto, incidente sobre capital e reservas, único a que este tipo de sociedade está sujeito no Uruguai, o que estaria conforme ao previsto no artigo 14 da IN n°213/2002. Não cabe razão à recorrente quanto a este ponto. O artigo 26 é claro ao autorizar a compensação do imposto sobre a renda pago no exterior, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital, com o imposto sobre a renda, devido no Brasil, independentemente de sua denominação. A própria recorrente consigna que o imposto pago no Uruguai incide sobre capital e reservas, destoando daquele cuja compensação seria aceitável no Brasil. Quanto à argumentação de que o imposto pago no Uruguai deveria ser excluído do lucro apurado naquele pais por se caracterizar como despesa incorrida, o montante dos lucros auferidos pela recorrente, considerados na autuação, encontra-se de acordo com a apuração levada a efeito pela recorrente, devendo portanto prevalecer, a menos que haja comprovação por documentos hábeis e idôneos, de que tenha ocorrido equívoco na sua apuração. 16 Processo n° 16327.00145812005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-98.501 Fls. 17 Pelo quê, voto no sentido de dar provimento parcial em relação a esta primeira infração para excluir da tributação a parcela da base de cálculo relativa à reserva legal e a tributação da CSLL em relação aos lucros apurados pela coligada, no exterior, até 30 de setembro de 1999. SEGUNDA INFRAÇÃO: falta de adição de juros decorrentes da capitação de recursos junto à empresa coligada no exterior. A acusação fiscal dá conta de que a recorrente teria tomado recursos de sua coligada no exterior, no entanto não teria disponibilizado os lucro do período para sua coligada no Brasil, em decorrência foi glosada a despesa com os juros relativos àquela operação (janeiro a abril de 2000), conforme o disposto no parágrafo 3° do artigo 1° da Lei n°9332/1997, com as alterações estabelecidas no artigo 3° da Lei n°9.959/2000 e artigo 35 da MP n° 1.991-15/2000. A decisão de primeira instância excluiu a tributação a partir da vigência da MP n° 1991-15/2000, tendo em vista que esta norma restringia a vedação às empresas controladas e as pessoas jurídicas envolvidas na operação de capitação de recursos são empresas coligadas. Em recurso, reafirmando argumentos trazidos em sua impugnação, afirma a recorrente que a norrna embasadora do lançamento restringe-se a operações de empréstimos e não a operação de lançamento de títulos internacionalmente conhecidos como frzed rates notes, que são "valores mobiliários que, embora não se identifiquem de forma absoluta com os títulos de crédito tradicionais?' Argumenta ainda a recorrente que a autoridade fiscal, na primeira infração constante do lançamento, entendeu disponibilizados os lucros auferidos no exterior por pessoa jurídica coligada, o que tornaria inconsistente a segunda infração tendo em vista que a norma legal na qual se baseou condicionava a indedutibilidade dos juros à não disponibilização do lucro do período à coligada no Brasil. • Vejamos a legislação citada: Lei n°9.532/1997 Art. I° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no BrasiL (Vide Medida Provisória n°2158-35, de 2001) § 3° Não serão dedutiveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no BrasiL Lei n°9.959/2000 Art. 3° O art. I° da Lei n° 9.532, de 1997, passa a vigorar com a seguinte redação: 17 Processo n° 16327.00145812005-56 CC01/C01 Acórdão n.° 101 -96.601 Fls. 18 Art. 1" § 3" Não serão dedutiveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido os juros, pagos ou creditados, incidentes sobre o valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas; 1 - coligadas ou controladas, domiciliadas no exterior, quando estas forem as beneficiárias do pagamento ou crédito; II - controladas, domiciliadas no exterior, independente do beneficiário. MP n°1.991-15/2000 Art. 35. O § 3 do art. 1 2 da Lei IP 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alterado pela Lei n° 9.959, de 27 de janeiro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: "§3: Não serão dedutiveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido os juros, relativos a empréstimos, pagos ou creditados a empresa controlada ou coligada, independente do local de seu domicilio, incidentes sobre valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas controladas, domiciliadas no exterior." Deixo de analisar a discussão acerca da configuração das operações como empréstimos ou não, posto que conforme se pode verificar da redação dos dispositivos supra relacionados é condição para a indedutibilidade das despesas com juros a ausência de disponibilização dos lucros auferidos pela coligada l . Ocorre que, como visto na análise da 4-- primeira infração imputada à recorrente, foram considerados disponibilizados os lucros -• auferidos pela coligada no exterior no ano-calendário de 2000, o que contraria a hipótese legal que deu base à autuação. Estando disponibilizados os lucros do período no qual foi deduzida a despesa com juros, não há como manter a glosa dos juros por indedutíveis. Pelo quê, excluo a tributação em relação à segunda infração lançada. Entendo caber razão à recorrente quanto à não aplicação de juros de mora sobre a multa de oficio, nem mesmo no percentual de 1%. Reproduzo parte dos argumentos de defesa esposados pela recorrente. O artigo 139 do CTN estabelece que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Já o artigo 113 do CTN estatui que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória "pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária", nos termos do parágrafo 3 0 do citado artigo 113. I até a entrada de vigor da MP 1.991-15, março de 2000, que limitou tal situação a pessoas jurídicas controladas. 18 Processo e 16327.001458/2005-56 CCO I /C01 Acórdão n.° 101-98.601 Fls. 19 Assim, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. É somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não integralmente paga no respectivo vencimento podem incidir os juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 do CTN, seja com base na taxa SELIC como atualmente previsto no artigo 43 da Lei n°9.430/1996. Portanto, sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, não pode incidir juros moratórios, posto que se já estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis.". Corrobora tal entendimento o voto condutor do ilustre Conselheiro Antônio Zomer, nos autos do recurso n° 125.436, que deu origem ao acórdão 202- 16.397: Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de oficio não pagas no vencimento, dos juros previstos no artigo 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de oficio, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão "sem prejuízo da imposição das ?".penalidades cabíveis" que aparece logo depois da previsão dos juros -sobre o crédito. Se a multa de oficio está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o C77V também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Pelo quê, entendo não ser cabível a cobrança de juros moratórios sobre a multa de oficio imposta no lançamento. Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento em PARTE ao recurso voluntário para excluir da tributação a parcela da base de cálculo relativa à reserva legal e a tributação da CSLL em relação aos lucros apurados pela coligada, no exterior, até 30 de setembro de 1999. RECURSO DE OFÍCIO: O valor exonerado de crédito tributário supera aquele previsto no artigo 2° da Portaria MF n° 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 19 4. Processo n° 16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.601 Fls. 20 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), pelo quê se acolhe o recurso de oficio interposto pela autoridade julgadora de primeira instância. A matéria objeto do recurso de oficio é decorrente da segunda infração imputada à recorrente e se refere à exclusão dos juros a partir da edição da 15/113 n° 1.991-15/2000, tendo em vista a condição de coligação e não de controle, existente entre as duas pessoas jurídicas que compunham os pólos da relação jurídica de tomada de recursos financeiros. A decisão adotada pela autoridade julgadora de primeira instância encontra-se fundada em correta análise dos fatos e do direito aplicável ao caso em questão. Além disso, na análise do recurso voluntário, a segunda infração foi afastada por outra razão de decidir que também daria azo à exclusão da tributação objeto do recurso de oficio. Pelo quê, NEGO provimento ao recurso de oficio. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de oficio e de DAR provimento em PARTE ao recurso voluntário para excluir da tributação a parcela da base de cálculo relativa à reserva legal e a tributação da CSLL em relação aos lucros apurados pela coligada, no exterior, até 30 de setembro de 1999, bem como a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. S. la das Sessões, em 06 de mar • e 2008 10 MARCOS CAND, O IP" 20 • Processo n° 16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.601 Fls. 21 Declaração de Voto Pode-se resumir o núcleo da fundamentação do ilustre conselheiro relator com o seguinte trecho extraído do seu voto: "À luz dos dispositivos supra citados, não resta dúvida de que ao alienar sua participação societária em sua coligada no exterior a coligada brasileira beneficiou-se do valor dos lucros auferidos por aquela, representado, tal beneficio, pelo acréscimo no valor das ações alienadas, em decorrência da valorização do patrimônio líquido pelos lucros auferidos e acumulados nele." Em que pese o respeitável entendimento adotado, dele discordo, pedindo permissão para apresentar as minhas razões de divergência quanto à conclusão acerca da disponibilização à empresa brasileira de lucro apurado por empresa no exterior, sob o regime de tributação instituído pela Lei 9.249/95, com as alterações introduzidas pela Lei 9.532/97, anteriormente à vigência do art. 74 da MP 2.158-35/2001. Tive a oportunidade de examinar o tema por ocasião do julgamento do Recurso n° 143538, quando ainda integrava o colegiado da e. Terceira Câmara deste Conselho. Naquele momento, expus a minha interpretação em voto que veio a ser vencedor, resultando no Acórdão n° 103-22.330/2006, nos seguintes termos: "Peço permissão para divergir do relator, Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, unicamente quanto à conclusão de que a transferência de quotas de capital se enquadra na hipótese prevista pelo art. 1° da Lei 9.532/97 (§ 2°, b, 4). Com o seu habitual brilho, o relator, no seu voto, expressou precisamente o seu entendimento quanto à titularidade dos lucros pendentes de destinação. Interpretação com a qual concordo inteiramente. Disse o relator: "A controlada, por possuir personalidade jurídica distinta da controladora, conserva consigo a titularidade dos seus lucros, que permanecerão integrando-lhe o patrimônio, e não o patrimônio da controladora, até que, por um ato jurídico que importe em transferência do direito sobre esses lucros, venham a ser distribuídos, nos moldes, por exemplo, dos eventos descritos nos §§ 1° e 2° do art. 1° da Lei n°9.532/97. No espaço de tempo decorrido entre a geração dos lucros na controlada e a distribuição ou disponibilização à controladora, para esta os lucros não passam de mera expectativa de direito. São lucros de terceiro, que, inclusive, podem jamais se converter em lucros da controladora, bastando, para tanto, que permaneçam indefinidamente retidos na controlada ou sejam consumidos por prejuízos posteriores dela própria." Dizendo-se o mesmo, porém de outra forma, os lucros da controlada, cuja destinação ainda não foi deliberada, não podem ser considerados auferidos pela Wçz • ,. Processo n° 16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101 -96.601 Fls. 22 controladora. Segundo o texto legal, art. 25 da Lei 9.249/97, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. O verbo auferir significa ganhar, obter ou conseguir, costumeiramente empregado na legislação tributária em conseqüência do reconhecimento de receitas da pessoa jurídica pelo regime contábil de competência, independentemente do seu efetivo recebimento, nos termos da lei societária, em oposição ao regime de caixa, pelo qual as receitas são contabilizadas e tributadas quando recebidas. A destinatária do comando contido no caput do dispositivo examinado é a pessoa jurídica controladora, no Brasil. Ela é que aufere lucros, rendimentos ou ganhos de capital aqui tributáveis. Assim, o momento de ocorrência do fato gerador, o seu elemento temporal, é aquele em que a controladora auferir lucro proveniente da sua controlada no exterior, e não aquele da apuração do lucro pela sua controlada. A lei tributária ordinária requer interpretação à luz da redação então vigente do art. 43 do CTN, definidor do conceito de renda. A apuração de lucros pela controlada, ou sua manutenção em conta de lucros acumulados, não implica por si só, em qualquer receita auferida pela controladora, imediatamente, inexistindo acréscimo patrimonial desta última. Possível transferência de lucros depende de decisão societária da pessoa jurídica controlada no sentido de deliberar a distribuição. Só a partir desse ato jurídico é que se consideram auferidos pela controladora os lucros originados da controlada, ainda que não recebidos, com o seu devido reconhecimento como receita, pelo regime de competência. Nesse instante, ocorre o fato gerador e da-se a incidência tributária. A meu ver, como já dito antes, lucros da controlada, ainda pendentes de deliberação para definição da sua destinação, não se incorporam ao patrimônio da controladora, não são por esta auferidos. Inexiste disponibilidade jurídica ou econômica da controladora sobre eles. Destaque-se a possibilidade de nunca ocorrer distribuição, utilização de lucros para aumento de capital ou qualquer outra forma de "disponibilização" em favor da recorrente, a exemplo da absorção por prejuízos, hipótese na qual jamais ocorreria fato gerador, no regime disciplinado pela Lei 9.249/95. Não identifico a alienação de participação societária como caso de "emprego do valor em favor da beneficiária", conforme previsto pelo art. 1° da Lei 9.532/97. O lucro cuja destinação permanece pendente de deliberação não se incorpora, ao menos ainda, ao patrimônio da controladora. A alienação das quotas transfere ao adquirente os direitos sobre eventual "disponibilização" futura, que será reconhecida na sua contabilidade e oferecida à tributação, se cabível, no momento da sua ocorrência. O fato indicado pela fiscalização é passível de tributação como simples alienação de participação societária, compondo o lucro real, mas não sob o regime de lucro obtido no exterior. Em tudo o mais, adoto as conclusões do i. relator." Retomando o enfrentamento do tema, chamo atenção para o comando do art. 1° (§ 2°, alínea "b", item 4) da Lei n° 9.532/1997, tido por fimdamento para o lançamento ora discutido, contendo determinação no sentido de considerar pago o lucro quando ocorrer "o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliado no exterior". 22 1. Processo n° 16327.001458/2005-56 CCOUCO1 Acórdão n.° 101 -96.601 Fls. 23 O referido artigo assim dispõe: "Art. 1 0 Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (..-) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2° Para efeito do disposto na alínea "h" do parágrafo anterior, considera-se: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1.o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra Praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. § 3° A redação do dispositivo revela o pressuposto de existência de ato da sociedade estrangeira para que se possa considerar disponibilizado o lucro. Afinal, quem pode deliberar o emprego do valor em favor da beneficiária? Parece-me que tão-somente a sociedade estrangeira poderia fazê-lo, nunca a controladora (coligada) no Brasil. A própria hipótese prevista no dispositivo legal, dada como situação equiparada à de emprego de lucros em favor da beneficiária, de "aumento de capital da controlada ou coligada", também pressupõe ato prévio no sentido de pôr o lucro à disposição da pessoa jurídica no Brasil. Com efeito, todas as hipóteses listadas nos itens "a" e "b", do § 2°, acima transcrito, pressupõem prévia decisão da empresa no exterior no sentido de pôr os lucros apurados à disposição da beneficiária brasileira, além do que, na ocorrência de qualquer uma delas (hipóteses), dá-se efetiva disponibilidade dos lucros à pessoa jurídica no Brasil. A491ht 23 •., . Processo n° 16327.001458/2005-56 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.801 Es. 24 No exame do tema, tenho em mente a definição do fato gerador do imposto de renda como aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, dada pelo art. 43 do CTN. Observe-se que o art. 1° da Lei 9.532/97 também utiliza o conceito de disponibilidade, neste caso, para definir o momento da incidência do IRPJ sobre os lucros originários de exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas. Disponibilidade é a qualidade ou estado daquilo que é ou está disponível. De Plácido e Silva2 assim define o vocábulo "disponível": "Na linguagem jurídica, disponível, de dispor (latim disponere), quer exprimir tudo de que se possa dispor livremente. E, a rigor da técnica jurídica, quer então significar toda espécie de bens que possam ser negociados ou alienados, porque se encontram livres e desembaraçados e porque pode o alienante dispor deles a seu bel-prazer, visto ter capacidade jurídica e estar na livre administração dos mesmos bens." (destaques em itálico constam do original) Mary Elbe Queiroz3 , ex-integrante deste Conselho, fornece-nos interessante conceito de disponibilidade ao examinar o termo no sentido como se encontra empregado no art. 43 do CTN: "O melhor significado para disponibilidade é de liberdade necessária à normalidade dos negócios, caracterizando-se como situação que possibilita ao titular poder dar destinação livre e imediata à renda ou provento percebido, não alcançando a disponibilidade apenas potencial" (destaquei) A lição da conceituada tributarista autoriza a classificação dos lucros pendentes de deliberação como caso típico de "disponibilidade apenas potencial" de lucros, no regime legal pesquisado. Em tais situações, de potencial disponibilidade, não incide a tributação. O poder para dar livre e imediata destinação se propaga sobre a participação societária, da qual se é titular, mas não sobre os lucros apurados por terceiros, cuja destinação depende de deliberação formal por parte desses terceiros, nos termos dos art. 132, II, e 192 da Lei Societária — Lei 6.404/76. Tal interpretação coincide com o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE n° 172058-1/SC, versando sobre o art. 35 da Lei 7.713/88. Do voto do relator, Ministro Marco Aurélio, extraio os seguintes trechos, em face da sua relevância para a compreensão do tema analisado: "Os lucros apurados em balanço de pessoa jurídica integram o patrimônio desta e não dos sécios, já que estes, considerados isoladamente, deles não dispõem, quer sob o ângulo económico, quer, até mesmo, sob o jurídico. ... Ainda no Caderno de pesquisas, encontramos enfoque de Gustavo Miguez de Mello. Após ressaltar que a disponibilidade económica ou jurídica de renda e proventos 2 "Vocabulário Jurídico", Rio de Janeiro, Forense, 2001, 18* edição, pág. 280. (MÇ3 "Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza", São Paulo, Manole, 2004, pág. 72. • 24 ' • Processo n°16327.001458/200546 CCO l/C01 Acórdão n.° 101 -98.601 Fls. 25 de qualquer natureza constitui elemento essencial do fato gerador do imposto de renda previsto na lei complementar — Código Tributário Nacional, artigo 43 — transcreveu lição de Bulhões Pedreira, consoante a qual "disponibilidade jurídica é a presumida por força de lei, que define como fato gerador do imposto a aquisição virtual, e não efetiva, do poder de dispor. A disponibilidade é virtual quando já ocorreram todas as condições necessárias para que se tome efetiva" (página 183). No caso, sem a deliberação da assembléia competente. não se pode cogitar da disponibilidade, sequer virtual, dos lucros apurados em balanço". (destaquei) Devo admitir a aparência de disponibilidade dos lucros no caso examinado, foi essa a minha impressão quando do contado inicial com o assunto. Todavia, para o seu correto entendimento, deve-se ir além das aparências, para descobrimento da sua essência, da diferença entre parecer e ser. Na verdade, em que pese a aparência, a alienação de participação societária não constitui, na sua essência, caso de disponibilidade de lucros, ao menos no âmbito do Direito Tributário pátrio. Para Alberto Xavier4, a Lei 9.532/97, reconhecendo incompatibilidades com o art. 43 do CTN, não acolheu algumas das hipóteses de equiparação a disponibilização de lucros relacionadas na IN 38/96. Entre tais hipóteses, citou a "alienação da participação societária em controlada ou coligada no exterior (art. 2°, § 9°, da Instrução Normativa n° 38/96)." Não é demais lembrar que não se cogitou de simulação no lançamento tributário contestado, daí porque considero descartado eventual exame acerca da aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN, introduzido pela LC 104/2001, que atribuiu à autoridade administrativa poderes para "desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária". Não se discute nesse caso a utilização pelo contribuinte de meio ilícito com o fim de se esquivar do pagamento do imposto. Enfim, não se considera a possibilidade de dolo, fraude ou simulação. Procura-se identificar apenas se a alienação de participação societária deve ser classificada como caso de lucro disponibilizado por controlada ou coligada no exterior, segundo previsão do art. 1° da Lei 9.532/97, mais especificamente no seu § 2°, "b", 4, que trata do "emprego do valor" em favor da coligada ou controlada no Brasil. Afastada a hipótese de caracterização de simulação, parece-me que o entendimento que a fiscalização vem adotando nos casos de alienação de participação societária, como hipótese de disponibilização de lucros, assemelha-se à denominada interpretação econômica do Direito Tributário, segundo a qual deve ser pesquisado o significado econômico da lei tributária, como interpretação derivada do método teleológico, de aplicação amplamente censurada pela doutrina. Luciano Amaro s, ao comentar a interpretação econômica, assim orienta: 4 "Direito Tributário Internacional do Brasil", Rio de Janeiro, Forense, 2002, 5' edição, pág. 370/371. . 5 "Direito Tributário Brasileiro", São Paulo, Saraiva, 2006, 12' edição, pág. 229. 25 %• " Processo n°16327.001458/2005-56 CC0I/C01 Acórdão n.° 101-98.601 Fls. 26 "A interpretação do art. 109 do Código Tributário Nacional não se pode fazer contra a própria letra do dispositivo e com sacrifício do principio da legalidade, do princípio da segurança e certeza do direito aplicável, e, ainda, em contradição com os preceitos do próprio código, que proclamam (como desdobramentos daqueles princípios) a vedação da tributação e da isenção por analogia. Ora, tributar a situação a pretexto de que ela revela a mesma capacidade contributiva de "a", é tributar por analogia, o que é expressamente proibido pelo art. 108, § 1°, do Código Tributário Nacional. Se o legislador quiser atingir ambas as situações, repita-se, basta fazê-lo de modo expresso." O entendimento da fiscalização procura fazer a tributação alcançar a realização econômico-financeira da avaliação de investimento pelo método da equivalência patrimonial, equiparando-a a disponibilização de lucros. Devo destacar que não rejeito a afirmação de que a participação societária alienada tenha sofrido influência dos lucros apurados pela coligada no exterior, no sentido de tomá-la mais atraente em razão de expectativa de distribuição futura, provavelmente elevando o seu valor de mercado. Muito pelo contrário, ratifico a afirmação. Como igualmente concordo que o efeito da apuração dos lucros pela coligada no exterior se projeta sobre o patrimônio da empresa no Brasil, pela via do seu reconhecimento contábil segundo o método da equivalência patrimonial, valorizando o investimento. Todavia, no regime instituído pela Lei 9.249/95, o resultado da equivalência patrimonial continua fora do alcance da tributação, conforme expressamente ressalvado pelo § 6° do art. 25, assim dispondo: "§ 6° Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1°, 2° e 3°." O que se tributa é o lucro, quando disponibilizado, não o resultado da equivalência patrimonial ou a sua realização econômico-financeira. Na alienação de participação societária, seria cabível apenas eventual incidência tributária sobre ganhos de capital, integrante do resultado tributável do período. Nesse caso, também é inegável que o alienante seria beneficiado pela valorização do investimento na pessoa jurídica situada no exterior (em razão da apuração de lucro), reduzindo o eventual ganho a ser obtido. Entretanto, insisto, a lei não prevê incidência tributária sobre esse "beneficio", decorrente do método de avaliação de investimento pela equivalência patrimonial. A hipótese descrita no parágrafo anterior também ocorre no caso de coligação ou controle societário entre empresas no Brasil, igualmente sem qualquer incidência tributária que não seja a do ganho de capital. Ademais, deve-se atentar para um detalhe fundamental. No caso de deliberação pela distribuição, a adquirente da participação societária é que auferirá os lucros, incluindo-os entre os seus ingressos de recursos tributáveis, e não a alienante, eis que não mais será titular das ações no momento em que os lucros forem postos à disposição, com o advento de qualquer uma das hipóteses previstas no art. 1° da Lei 9.532/97. 4)(26 • sI Processo n° 16327.001458/2005-56 CCOIA:01 Acórdão n.° 101-98.601 Fls. 27 Existe também uma corrente que defende que o controle acionário proporciona a decisão de deliberação dos lucros à sociedade brasileira (controladora), por via indireta. Embora seja verdadeira a afirmação, penso que, mesmo assim, a transferência dos lucros nos termos previstos no referido dispositivo legal, como disponibilização, só ocorre com o ato jurídico formal de deliberação pela destinação, tendo em vista as personalidades jurídicas distintas e autônomas das empresas envolvidas, a que apura lucros e a que os recebe. Para ilustrar o equivoco resultante da interpretação do Fisco sobre o art. 25 da Lei 9.249/95, com as alterações da Lei 9.532/97, tome-se uma hipotética situação em que uma pessoa jurídica no Brasil (A) detém o controle societário de duas outras no exterior (B e C) e vende a sua participação societária em ambas, no mesmo momento. Admita-se que B e C apuram lucros no ano-calendário X 1. B delibera em X2 pela utilização dos lucros para absorção de prejuízos acumulados e C adota idêntica decisão em X4. A aliena as participações em B e C no ano X3. Na alienação das ações de B, ocorrida no ano X3, não ocorreria disponibilização de lucro para A, uma vez que os lucros foram utilizados para absorção de prejuízos no ano anterior (X2). Nessa hipótese, não haveria tributação sobre A, em face da inexistência de lucros acumulados no momento da alienação das ações. No caso da venda das ações de C, também no ano X3, incidiria a tributação, mesmo que ocorresse superveniente deliberação para absorção de prejuízos, como contemplado no exemplo, no ano X4. Na hipótese, A seria tributada, muito embora nunca viesse a ter os lucros à sua disposição. No exemplo, operações idênticas, praticadas no mesmo momento por uma única pessoa jurídica, sem a ocorrência de qualquer transferência de recursos financeiros, têm conseqüências tributárias distintas apenas em face do instante em que se dá a decisão, por terceiros, pela absorção de prejuízos. Não me parece apropriado o acolhimento de interpretação que conduz a tal resultado, o que vem revelar que a alienação de ações não pode ser tomada como hipótese de disponibilização de lucros. Em suma, a alienação de participação societária de coligada ou controlada no exterior não caracteriza "emprego do valor, em favor da beneficiária" para fins da incidência tributária prevista no art. 1° da Lei 9.532/97. Os lucros apurados pelas pessoas jurídicas no exterior permanecem no seu patrimônio enquanto inexistir deliberação que os transfira aos sócios no Brasil. Com efeito, antes da deliberação, existe apenas disponibilidade potencial, os sócios detêm unicamente uma expectativa de direito sobre aqueles lucros, os quais não se transferem para o patrimônio da sociedade controladora (ou coligada) no Brasil enquanto não praticados os atos jurídicos necessários pela controlada (coligada) no exterior. Penso que tal entendimento não contraria o comando do art. 1° da Lei 9.532/97, bem ao contrário, ao meu ver, a ele se acomoda perfeitamente. Para que se caracterize a apuração do resultado positivo na coligada ou coligada no exterior como disponibilização de lucro, faz-se necessário pesquisar o estatuto social da empresa estrangeira, assim como a legislação societária que a regula no país onde está N IX.. 27 n Sl •I • , • a Processo n° 16327.001458/2005-56 CCO I /C01 Acórdão n.° 101-98.801 Fls. 28 domiciliaria, o que não consta dos autos. Sob o enfoque da lei brasileira, a alienação de ações não constitui caso de disponibilização de lucro, conforme visto. Essas são as observações . ue • " e ero relevantes. ALOYSIO • l iPE I ii 1 10 DA SILVA /Y 28 , , Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022600.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.002777/99-15
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2001
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – É de se acolher os embargos quando constatada contradição no acórdão recorrido, mantendo-se a decisão se outro argumento já utilizado, por si só, seja suficiente para sustentar o antes decidido.
POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO – A teor do disposto no item 6.2 do Parecer Normativo CST 02/96, caso tenha a contribuinte pago o tributo devido, ainda que a destempo, o lançamento deve se resumir aos juros de mora e multa.
Embargos parcialmente acolhidos.
Numero da decisão: 108-06468
Decisão: Por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos de declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL, a fim de afastar no aresto embargado (Acórdão 108-06.302) o fundamento da denúncia espontânea, mantendo-se contudo a decisão nele consubstanciada, no sentido de, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Manoel Antônio Gadelha Dias que votaram pelo não provimento do recurso.
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Júnior
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Recurso n°. : 121.526 - EMBARGO bE DECLAFtAÇÃO Matéria: : CSL — Ex.: 1995 Embargante : FAZENDA NACIONAL Embargada : OITAVA CÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : BANCO SAFRA S. A. Sessão de : 18 de abril de 2001 Acórdão n°. : 108-06.468 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — É de se acolher os embargos quando constatada contradição no acórdão recorrido, mantendo-se a decisão se outro argumento já utilizado, por si só, seja suficiente para sustentar o antes decidido. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO — A teor do disposto no item 6.2 do Parecei' Normativo CST 02/96, caso tenha :a-contribuinte pago o tributo devido, ainda que a destempo, o lançamento deve se resumir aos juros de mora e multa. Embargos parcialmente acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de embargos interposto pelo PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos de declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL, a fim de afastar no aresto embargado (Acórdão 108-06.302) o fundamento da denúncia espontânea, mantendo-se contudo a - decisão nele consubstanciada, no sentido de, por maioria de votos, DAR provimento , ao recurso voluntário do sujeito passivo, vencos Conselheiros Nelson Losso Filho, • Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Manoel Anity Gadelha Dias que votaram pelo não provimento do recurso. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE • . Processo n°. : 16327.002777199-15 Acórdão n°. :108-06.468 /tua, MAR J ' El FtANCO JÚNIOR RE' - FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros TÂNIA KOETZ MOREIRA, JOSÉ HENRIQUE LONGO, MARCIA MARIA LORIA MEIRA e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. n o 2 - \. , , Processo n°. : 16327.002777/99-15 Acórdão n°. :108-06.468 Recurso n°. : 121.526 Embargante \: FAZENDA NACIONAL Interessada : BANCO SAFRA S. A. RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, tendo em vista o Acórdão 108-06.302/01, e no tocante às seguintes alegadas contradições: - contradição no fato de que, ao mesmo tempo em que o acórdão afirma ser devida a contribuição social sobre o lucro referente ao mês de dezembro de 1995, considera ser improcedente o lançamento, sob o fundamento que o tributo teria sido pago posteriormente, sem observar que Embargado não pagou posteriormente o tributo devido em dezembro de 1995; - contradição no fato de que ainda se considerado pago o valor do tributo, não houve pagamento dos respectivos juros de mora, requisito de incidência do art. 138 do CTN. ilÉ o Relatório. Ge{)[) ? Processo n°. : 16327.002777/99-15 Acórdão n°. : 108-06.468 VOTO Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, Relator O recurso encontra-se fulcrado no artigo 27 do Regimento deste Colegiado, merecendo ser conhecido. A primeira alegada contradição não se confirma. O Acórdão guerreado define ser inaplicável à espécie a regra da imputação, entendendo que o valor a ser cobrado limitava-se aos encargos moratórias, haja vista a interpretação do disposto no item 6.2. do PN CST 02/96. Destaquei em meu voto: "Não há motivos lógicos para restringir o disposto no Parecer Normativo CST 02/96 aos casos de inobservância do regime de reconhecimento de receitas, pois toda a axiologia subjacente deriva da perquirição, ressaltada no item em destaque, se houve efetivo pagamento dos tributos. O caso de pagamento a destempo possui, economicamente, efeitos idênticos, como também possuem os casos de adições à base de cálculo extra-caontabilmente." E aditei: "Não foi isto o que produziu a ação fiscal, pois através da sistemática da imputação, vislumbrou parcela não recolhida, sobre a qual fez incidir ainda multa de oficio e juros de mora"., O4 , Processo n°. : 16327.002777199-15 Acórdão n°. :108-06.468 Esta conclusão de mérito é suficiente, por si só, para manter-se a decisão acordada no Acórdão vergastado, posto que o cálculo foi efetuado através da imputação e não tão-somente dos juros e multa devidos pelo prazo em atraso. No caso de entender-se de forma diversa, i.é, pela aplicação da imputação, pode lançar mão a Embargante dos recursos à instância especial, meio adequado para reforma da decisão de mérito. Qualquer outro entendimento seria conferir aos embargos efeitos infringentes. Por outro lado, melhor sorte colhe a Embargante quanto à alagada segunda contradição. De fato, não tendo a contribuinte recolhido os juros de mora, não seria aplicável aos acontecimentos em teia o instituto da denúncia espontânea. Não obstante, conforme acima destacado, o primeiro argumento é suficiente por si só para manutenção da decisão anterior desta Colenda Câmara. Observo, entretanto, a pertinência dos presentes embargos quanto à segunda contradição alagada, devendo portanto restar alterada a ementa original, para dela não mais constar referências a denúncia espontânea. Isto posto dou provimento parcial ao S embargos, para que passe a constar como ementa da decisão cameral aquela constante do presente julgado, não se modificando a decisão alcançada no Acórdão 108-06.302. • É o meu voto. Sala das Sessões - DF, em 18 de abril de 2001 RIO JU UEIRA RANCO JUNIOR 5 Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.000460/2002-36
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - FALTA DE RETENÇÃO - RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ä respectiva retenção (Súmula 1 CC n 12).
RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO - AJUDA DE GABINETE E AJUDA DE CUSTO PAGAS COM HABITUALIDADE A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL - COMPROVAÇÃO DOS GASTOS - TRIBUTAÇÃO - ISENÇÃO - Ajuda de gabinete e ajuda de custo pagas com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual estão contidas no âmbito da incidência tributária e, portanto, devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração Ajuste Anual, quando não comprovado que ditas verbas destinam-se a atender despesas de gabinete, despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município.
COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL - O fato de o produto da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte pelos Estados e Municípios, integrar sua receita orçamentária por força de disposições constitucionais, não implica na atribuição de competência às unidades da Federação para ditar normas a respeito de sua fiscalização e cobrança.
MULTA DE OFÍCIO - CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA - Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1º CC nº. 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº. 4).
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-22.716
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, que negava provimento ao recurso, e Remis Almeida Estol, que provia integralmente o recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Nelson Mallmann
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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4.-=:;*119 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Recurso n°. : 151.070 Matéria : IRPF - Ex(s): 1998 e 1999 Recorrente : JOSÉ CARLOS VAZ DE LIMA Recorrida : 3a TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP II Sessão de : 17 de outubro de 2007 Acórdão n°. : 104-22.716 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - FALTA DE RETENÇÃO - RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ã respectiva retenção (Súmula 1° CC n° 12). RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO - AJUDA DE GABINETE E AJUDA DE CUSTO PAGAS COM HABITUALIDADE A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL - COMPROVAÇÃO DOS GASTOS - TRIBUTAÇÃO - ISENÇÃO - Ajuda de gabinete e ajuda de custo pagas com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual estão contidas no âmbito da incidência tdbutária e, portanto, devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração Ajuste Anual, quando não comprovado que ditas verbas destinam-se a atender despesas de gabinete, despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL - O fato de o produto da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte pelos Estados e Municípios, integrar sua receita orçamentária por força de disposições constitucionais, não implica na atribuição de competência às unidades da Federação para ditar normas a respeito de sua fiscalização e cobrança. MULTA DE OFÍCIO - CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA - Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n°. 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°. 4). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ CARLOS VAZ DE LIMA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, que negava provimento ao recurso, e Remis Almeida Esto!, que provia integralmente o recurso. • '---9-11-612S FARIA HELENA COTTA CA-Itgiir PRESIDENTE I• -1 LeZfe1)12LIST FORMALIZADO EM: 13 NOV 7007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros HELOiSA GUARITA SOUZA, GUSTAVO LIAN HADDAD e ANTONIO LOPO MARTINEZ. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 Recurso n°. : 151.070 Recorrente : JOSÉ CARLOS VAZ DE LIMA RELATÓRIO JOSÉ CARLOS VAZ DE LIMA, contribuinte inscrito CPF/MF sob o n° 573.393.338-00 com domicílio fiscal na cidade de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, a Rua XV de Novembro, n°. 3470 - Apto 82 - Bairro Centro, jurisdicionado a DRF em São José do Rio Preto - SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 73/86, prolatada pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo - SP, recorre, a este Primeiro Conselho de Contribuintes, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 94/130. Contra o contribuinte foi lavrado, em 06/08/02, Auto de Infração - Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 31137) com ciência através de AR em 20/08/02, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 130.360,67 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a titulo de imposto de renda pessoa física, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês ou fração, calculados sobre o valor do imposto, relativo aos exercícios de 1998 e 1999, correspondentes, respectivamente, aos anos-calendário de 1997 e 1998. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora entendeu ter havido omissão e rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em razão de ter sido detectados pagamentos a titulo de ajuda de custo, sem a devida retenção do imposto de renda na fonte. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3°, e §§, da Lei n°. 7.713, de 1988; artigos 1° ao 3°, da Lei n°. 8.134, de 1990; artigos 1°, 30 e11 da Lei n°. 9.250, de 1995 e artigo 21 da Lei n°. 9.532, de 1997. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 Os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal, entre outros, os seguintes aspectos: - que através de correspondência encaminhada pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, datada de 26 de novembro de 2001, em decorrência de procedimento fiscal instaurado junto aquela Casa Legislativa, esta Secretaria da Receita Federal foi informada que, a partir de maio de 1997, os srs Deputados, no exercício de seus mandatos, passaram a contar com verbas denominadas "Auxílio-Encargos Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem", de valor mensal correspondente a 1.250 UFESP'S; - que o contribuinte aqui fiscalizado exerceu seu mandato no período de maio de 1997 a fevereiro de 1998, conforme relação encaminhada pela Assembléia; - que intimado a informar e comprovar se os valores que integraram a referida verba de "Auxílio-Encargos Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem", foram oferecidos à tributação, conforme Termo de Intimação Fiscal datado de 23/07/2002 e encaminhado por via postal, o contribuinte não conseguiu produzir tal comprovação; - que, desta forma, os valores não oferecidos à tributação, abaixo identificados, caracterizam-se como omissão de rendimentos, posto que a ajuda de custo isenta do imposto de renda é somente aquela que se reveste de caráter indenizatório, destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiário e de seus familiares, expressamente identificada pelo inciso I, artigo 40, do RIR/80, devendo os referidos valores serem considerados nos meses de seus efetivos créditos. Em sua peça impugnatória de fls. 42/69, apresentada, tempestivamente, em 13/09/02, o autuado, após historiar os fatos registrados no Auto de Infração, se indispõe -.-t 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para considerar insubsistente a autuação, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: - que, quanto a sujeição passiva e a fonte pagadora, tem-se que o sujeito passivo é a fonte pagadora, por substituição, e não quem recebe. O ajuste nasce de outra obrigação, que é posterior a primeira, mesmo porque no caso os sujeitos passivos são diferentes; - que resta evidente então, que nos termos do fixado pelas Leis 7.713, de 1988 e 8.134, de 1990, os rendimentos ditos omitidos, teriam, pudessem ser tributados, que o ser na fonte, sendo sujeito passivo, por disposição legal, em substituição, o empregador, no caso, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, por vinculação empregaticia, como acusa o lançamento; - que, quanto à natureza jurídica dos valores pagos, tem-se que os pagamentos reclamados pelo fisco como sujeitos a tributação pelo imposto sobre a renda, tomados como valores omitidos, em relação de trabalho vinculado à pessoa jurídica, teve por objetivo, conforme consta no artigo 11 da resolução 783/97, da Assembléia Legislativa de São Paulo, cobrir gastos necessários ao funcionamento dos gabinetes dos senhores deputados, no legítimo exercício do cargo para o qual foram eleitos; - que com a criação da referida verba mensal, o que buscou a Diretoria da Assembléia Legislativa, na verdade, foi o corte as despesas mensais que tinha para possibilitar o pleno e completo exercício dos objetivos perseguidos pelos parlamentares, como: fornecimento de combustível, peças de veículos, custos de manutenção de frota de automóveis, despesas com hospedagem, impressão de livros e matéria didática, cópias reprográficas, material de escritório, assinaturas de jornais e revistas, e todo a gama de despesas que até então eram pagas pela mesma; --i 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 - que constitui o auxílio encargos gerais de gabinete e auxílio hospedagem, adiantamentos para o suporte de gastos necessários e imprescindíveis ao exercício do cargo de parlamentar, nada mais. O seu caráter é indenizatório; - que diante da situação criada com a dúvida instalada pelo fisco, em data de meados de 1999, cuidou a Assembléia Legislativa de procurar melhor compreender a situação criada pela Resolução, que tem força de lei, tendo por isso consultado um mestre na área tributária, o Prof. Roque Antonio Carrazza, o qual, em novembro de 1999, sobre o assunto concluiu no sentido de que jamais poderia ela ser tomada como sujeita ao imposto sobre a renda; - que, portanto, considerando que os valores recebidos, longe de se constituírem valor novo agregado aos vencimentos dos senhores deputados, os quais se destinam a suportar as despesas dos mesmos, no exercício de sua regulares atividades, as quais não se limitam à freqüência na Assembléia Legislativa, mas também e em especial a deslocações constantes por todo o Estado de São Paulo, com concentração em suas bases eleitorais, por imprescindíveis sãos as despesas com locomoção, estadias, atendimentos etc; - que não há porque, então, se argumentar como defendido pelo fisco, pelo menos verbalmente, que mesmo o mandamento inserido no inciso I, do artigo 40, do RIR/94, já demonstrava, em sentido contrário, que a ajuda de custo pelo instituto da isenção alcançado, só dizia respeito aos casos destinados a suportar as despesas com o transporte, frete e locomoção do beneficiado de um município para o outro, sujeito ainda à comprovação; - que, quanto da incidência do imposto sobre a renda na fonte e seu beneficiário, tem-se que da leitura do artigo 157, I, da Constituição Federal emerge que a competência tributária nos casos de IRFON pertence à União, enquanto que o produto da arrecadação ao estado membro ou Distrito Federal. Argumenta-se então que, em caso como 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 dos autos, ainda que pertencente ao Estado ou Distrito Federal, é a União Federal quem tem o direito de arrecadar o imposto (capacidade tributária ativa); - que, ainda que assim seja, resta evidente que a não retenção na fonte, pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, não cuida de uma operação entre o beneficiado com o pagamento e a União, mas sim entre a Assembléia Legislativa e a União. Por outro lado, sendo a primeira integrante do Poder Legislativo do Estado, a conclusão inexorável é a de que o que se está pretendendo seja recolhido pertence ao Estado e não a União; - que se o Estado de São Paulo, por seu integrante Poder Legislativo, não reclama o que lhe seria devido, muito pelo contrário, concorda com o não recolhimento, resta evidente que à União só cabe, no caso, considerara valor como integrante da cota que lhe cabe por disposição inserida no inciso II, do artigo 157, da Lei Maior; - que faz prova a favor do impugnante, por outro lado, o fato de que partiu da Assembléia Legislativa a informação da não tributação dos valores recebidos por conta de adiantamento de despesas; - que foi a fonte pagadora quem (a) informou sobre o caráter de indenização da verba ajuda de custo como não sujeita ao imposto de renda; (b) foi ela, em razão de seu entendimento, quem deixou de reter na fonte o que é exigido pelo fisco federal; - que, por outro lado, tendo em vista a utilização da SELIC, ainda que algo fosse devido - o que se admite apenas e tão somente para argumentar e, "ad cautelam", em razão do princípio da eventualidade - restaria ilegítimo o valor ao final reclamado, na exata medida em que inconcebível a utilização de tal "indexador", criado e utilizado para remuneração de títulos privados, na atualização monetária de tributos federais. .—t 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Terceira Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo - SP concluiu pela procedência da ação fiscal e manutenção do crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que alega o impugnante, em primeiro plano que, se algum imposto fosse devido, o seria pelo regime de fonte, sendo o sujeito passivo, por substituição, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo; - que o art. 11 da lei n°. 8.981, de 1995 observa que, a partir de 1° de janeiro de 1995, a pessoa física deverá apurar o saldo em reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário, e apresentar anualmente declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal; - que se conclui, assim, de forma inequívoca, que a responsabilidade tributária da fonte pagadora quanto à retenção na fonte e ao recolhimento do imposto, na condição de sujeito passivo responsável, não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, na condição de contribuinte, em oferecê-lo à tributação; - que o contribuinte noticia que as verbas apontadas pelo Fisco, como omitidas, referem-se a valores mensais pagos pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, para cobrir gastos necessários ao funcionamento dos gabinetes dos Deputados, no legitimo exercício do cargo para o qual foram eleitos, tendo, assim, essas verbas, caráter indenizatório, não havendo, outrossim, base para a pretensão deduzida no lançamento, já que inexistiram, no caso, acréscimo patrimonial, bem como riqueza consumida; - que se analisando os documentos acostados aos autos, relativos à fonte pagadora Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, bem como o Termo de Verificação Fiscal (fls. 29/30), constata-se que a apuração de omissão de rendimentos ...........„...------, 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 tributáveis, nos anos-calendário 1997 e 1998, refere-se as verbas recebidas pelo contribuinte, na condição de parlamentar, a título de "Auxílio-Encargos Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem", verbas essas, consideradas pela mencionada fonte pagadora como não-tributáveis; - que o pagamento a parlamentar, a título de "Auxilio-Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio Hospedagem", configura remuneração por serviços prestados no exercício de emprego, cargos ou funções, constituindo rendimento produzido pelo trabalho, revestindo-se de todas as características formais e legais de fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza; - que, com efeito, o rendimento em questão, ainda que denominado "Auxílio" pela fonte pagadora, traduz, na realidade, aquisição de disponibilidade econômica, porquanto acresce o património do beneficiário e não repõe patrimônio anteriormente existente, constituído por rendimentos ou proventos que já se sujeitaram à tributação, se devida, na forma da lei; - que a enumeração das isenções constantes no art. 40 do RIR/94 é taxativa, e não exemplificativa, não podendo prosperar, ainda, o pleito alternativo do contribuinte em estender, para as verbas em questão, a isenção de que trata o inciso 1 do 'referido artigo (ajuda de custo destinada a suportar as despesas de transporte, frete e locomoção do beneficiado, de um município para outro); - que fazendo menção ao art. 157, I, da Constituição Federal, o recorrente defende a tese de que o Estado de São Paulo, sendo o beneficiário da arrecadação reclamada, se devida, e se este, por seu integrante Poder Legislativo, não reclama o que lhe seria devido, mas, pelo contrário, concorda com o não-recolhimento, resta evidente que à União só cabe, no caso, considerar o valor como integrante da cota que lhe cabe por disposição inserida no inciso II, do art. 157, da Constituição Federal; „.......„...„...-----t 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 - que se frise que o art. 157, I, da Constituição Federal, ao dispor que pertence aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do imposto da União sobre a renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos por eles pagos a qualquer título, está tratando, única e exclusivamente, da questão da "Repartição das Receitas Tributárias", ou da participação das pessoas políticas - Estados e Distrito Federal - no produto da arrecadação; - que, portanto, não é lícito ao Estado-Membro ou aos seus Poderes deixar de reter o imposto, devendo ser observado que, mesmo lhe pertencendo o produto da arrecadação, não pode abrir mão dela sob o fundamento do exercício de um suposto direito; - que também não procede à tentativa do impugnante em enquadrar a percepção das verbas em análise no campo da não-incidência tributária, uma vez que a Constituição Federal, berço desta não-incidência, não elenca hipóteses aplicáveis a este caso concreto, que pudessem servir de lastro à pretensão do contribuinte; - que não se verifica, relativamente ao caso em tela, qualquer prática reiterada a autoridade administrativa, no sentido de excluir acréscimos legais quando da tributação de verbas recebidas por parlamentares a título de "Auxílio-Gabinete", não se vislumbrando, também, para efeito de exoneração dos acréscimos legais, a possibilidade de aplicação da analogia entre os casos que envolvem essas verbas, pagas com habitualidade, e os casos que tratam da percepção isolada, pelo empregado, de quantias que, numa primeira análise perfunctória, poderiam se enquadrar como "ajuda de custo" de que trata o art. 40, inciso I, do RIR/94; - que havendo previsão legal para o cálculo dos juros de mora, efetuado em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumulada mensalmente, não cabe à autoridade julgadora exonerar a correção dos valores legalmente estabelecida, carecendo, assim, de amparo 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 legal à discordância do impugnante em relação ao cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC. As ementas que, resumidamente, consubstanciam os fundamentos da decisão de Primeira Instância são as seguintes: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997, 1998 Ementa: MAJORAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS - Ausente da legislação tributária federal dispositivos que determine a exclusão da remuneração paga a Parlamentar a titulo de "Auxílio-Encargos Gerais de Gabinete e Auxilio-Hospedagem", esta deve ser incluída entre os rendimentos brutos para todos os efeitos fiscais. Compete à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, bem como estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação. O caráter indenizatório e a exclusão, dentre os rendimentos tributáveis do pagamento efetuado a assalariado devem estar previstos pela legislação federal para que seu valor seja excluído do rendimento bruto. Não pode o Estado-Membro ou seus Poderes, mediante invasão da competência tributária da União, estabelecer, no campo do imposto de renda, isenção ou casos de não-incidência tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL. SELIC - Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Lançamento Procedente". Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 08/03/06, conforme Termo de Intimação de fls. 90/93 e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, dentro do e„...„....„...------7 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 prazo hábil (06/04/06), o recurso voluntário de fls. 94/130, instruído com os documentos de fls. 131/134, no qual demonstra total irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. É o Relatório. • 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. A matéria de que trata estes autos se restringe tão-somente aos valores recebidos a título de "Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio- Hospedagem" da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e consignada pela fonte pagadora como rendimentos isentos ou não tributáveis. De fato, analisando-se os documentos acostados aos autos, relativos à fonte pagadora Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, bem como o Termo de Verificação Fiscal, constata-se que a apuração de omissão de rendimentos tributáveis, nos anos-calendário 1997 e 1998, referem-se as verbas recebidas pelo contribuinte, na condição de parlamentar, a título de "Auxílio-Encargo Gerais de Gabinete e Auxílio-Hospedagem", verbas essas, consideradas pela mencionada fonte pagadora como não-tributáveis. Observa-se, ainda, que em correspondência encaminhada pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, datada de 26 de novembro de 2001, em decorrência de procedimento fiscal instaurado junto aquela Casa Legislativa, que a Secretaria da Receita Federal foi informada que, a partir de maio de 1997, os srs Deputados, no exercício de seus mandatos, passaram a contar com verbas denominadas "Auxílio-Encargo Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem", de valor mensal correspondente a 1.250 UFESP'S. 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 Em sua defesa o contribuinte noticia que as verbas apontadas pelo Fisco, como omitidas, referem-se a valores mensais pagos pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, para cobrir gastos necessários ao funcionamento dos gabinetes dos Deputados, no legítimo exercício do cargo para o qual foram eleitos, tendo, assim, essas verbas, caráter indenizatório, não havendo, outrossim, base para a pretensão deduzida no lançamento, já que inexistiram, no caso, acréscimo patrimonial, bem como riqueza consumida. Desta forma, para que haja melhor compreensão no julgamento deste feito, será adotada uma metodologia didática para a apreciação das múltiplas contestações interpostas pelo Recorrente, cuja abordagem será desenvolvida em função dos prismas a seguir descritos: a) Quanto ao aspecto da ilegitimidade passiva do recorrente; b) Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio Hospedagem / Ajuda de Custo - Incidência Tributária; c) O poder de tributar da União, Estados e Municípios; d) Multa e responsabilidade de fonte pagadora; e) Juros moratória - taxa SELIC. Quanto ao aspecto da ilegitimidade passiva do recorrente, tem-se que de uma leitura atenta da peça recursal logo evidencia que o suplicante entende que o imposto de renda na fonte em discussão é típico de imposto por antecipação do devido na declaração e só poderia ser exigido da fonte pagadora. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 A jurisprudência firmada neste Tribunal Administrativo quanto à matéria, após longo estudo e debate, se desenvolveu no sentido da legalidade de tais lançamentos quando a ação fiscal ocorrer depois de encerrado o ano-calendário. Assim, após a análise da questão em julgamento só posso acompanhar a decisão de Primeira Instância, já que o meu entendimento, acompanhado pelos dos demais pares desta Câmara, sobre o caso é convergente, pelas razões alinhadas na seqüência: Indiscutivelmente, estamos diante de um imposto com característica de imposto, que poderia ter sido exigido na fonte, conhecido como antecipação do devido na declaração. O Código Tributário Nacional - CTN reconhece a existência de duas possíveis entidades pessoais no pólo passivo de qualquer relação jurídica tributária, quais sejam: o contribuinte e o responsável (art. 121, parágrafo único). Desta forma, somente pode ser sujeito passivo a pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador - hipótese em que a pessoa é contribuinte -, ou a pessoa que não seja o contribuinte, mas tenha necessariamente algum tipo de vínculo com o fato gerador - hipótese prescrita no art. 128 do CTN para a figura do responsável. O art. 45 do CTN conceitua o contribuinte do imposto de renda como a pessoa que seja titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou provento tributável. Como, também, no parágrafo único do mesmo artigo estatui que "a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam". Assim, aquele que aufere a renda ou o provento é o contribuinte do imposto de renda, por ter relação direta e pessoal com a situação que configura o fato gerador desse tributo, que é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou provento. 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 Por outro lado, a fonte pode ser responsabilizada legalmente pelo cumprimento da obrigação de recolher o imposto de renda porque possui um vínculo com o fato gerador, eis que efetua o pagamento ou crédito que decorre da renda ou do provento tributável, embora não tenha relação natural com o fato sujeito à tributação, já que não é a pessoa titular da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou do provento tributável. Nesta Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Jurisprudência é pacífica no sentido de que quando a fonte tenha efetuado a retenção e fornecido o respectivo comprovante ao beneficiário da renda ou do provento, e caso o imposto seja considerado antecipação do imposto devido pelo beneficiário na declaração de ajuste anual, este tem o direito de compensar o imposto retido, ainda que a fonte não o tenha recolhido, já que a responsabilidade passa a ser exclusiva da fonte pagadora. Da mesma forma, a Jurisprudência é pacífica no sentido de que se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o ano-base da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. Em síntese, a fonte tem o direito de descontar o imposto de renda na fonte quando paga a renda ou provento e por outro lado, o contribuinte tem o direito de receber da fonte o informe de rendimento e retenção, para que possa exercer os efeitos de direito daí eventualmente derivados, inclusive o de compensar o imposto retido na fonte com o imposto que tiver que pagar na declaração de ajuste anual. Assim, é conclusivo que, segundo a lei tributária, para que o contribuinte possa exercer o direito de compensar o imposto pago na fonte com o imposto a pagar sobre 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 os rendimentos na declaração anual de ajuste, é necessário que a fonte lhe forneça o comprovante de retenção. No caso em análise, é fato inegável que o valor pago para o suplicante tem origem em rendimentos tributáveis sujeitos à retenção na fonte como antecipação do imposto devido na declaração. Por outro lado, tem-se como regra básica que a percepção de rendimentos pode gerar a obrigação de ser pago o tributo correspondente; para tanto, a legislação ordinária fixa os parâmetros que, uma vez atingidos, dão lugar ao nascimento da obrigação tributária. Dentre as regras traçadas pela lei tributária, está a que marca o momento em que se considera ocorrida à disponibilidade da renda ou dos proventos e, conseqüentemente, em que nasce a obrigação tributária correspondente. A responsabilidade pela retenção do imposto, no caso dos autos, nos termos da lei que a instituiu, se dá a título de antecipação daquele que o contribuinte, pessoa física, tem o dever de apurar em sua declaração de ajuste anual. A pessoa física beneficiária é o titular da disponibilidade econômica, ou seja, é efetivamente o contribuinte. O fato de a fonte não efetuar a retenção, a título de antecipação do devido na declaração, não exime o contribuinte - pessoa física de incluir os rendimentos recebidos em sua declaração de ajuste anual. Logo, considerando que as pessoas físicas beneficiárias dos rendimentos pagos, sobre o qual se poderia, na época oportuna, ter-se exigido o imposto de renda da fonte pagadora a titulo de antecipação (antes do encerramento do ano-calendário), encontram-se relacionadas nominalmente na listagem da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, cabe a constituição dos lançamentos de oficio junto àqueles contribuintes, 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 uma vez comprovado que os mesmos deixaram de oferecer estes valores à tributação em suas declarações de ajuste anual. No caso de imposto incidente na fonte, a título de redução na declaração, a ausência da retenção não exime o beneficiário de declarar todos os rendimentos recebidos no ano-base, pois a pessoa jurídica ou física beneficiária é efetivamente o sujeito passivo - contribuinte, nos exatos termos da lei. Em face de julgamentos levados a efeito neste Colegiado, constatou-se, ainda, que o Fisco, em lançamento de ofício, ora exigia o imposto de renda junto à fonte pagadora, ora exigia o imposto do beneficiário, pessoa física ou jurídica, seja lançando os rendimentos omitidos na declaração, seja deslocando rendimentos declarados como isentos/não tributáveis para rendimentos tributáveis. A legislação regente não dá guarida a essa opção, quanto ao mesmo fato (rendimento). Por ocasião do lançamento, só há um sujeito passivo. A lei não dá guarida ao fisco de eleger, conforme as circunstâncias, ora um, ora outro. Tendo-se a identificação do beneficiário, sobre ele deve recair o imposto, visto ser sujeito passivo - contribuinte da relação jurídica. Dando-se a ação fiscal dentro do ano-base, a exigência há de ser na fonte pagadora, nos exatos preceitos da lei. Qualquer outro procedimento poder-se-ia chegar à situação de se exigir o mesmo imposto tanto da fonte pagadora como do contribuinte pessoa física ou jurídica, tipificando bis in iden. Há possibilidades para tanto, por exemplo: fonte pagadora em determinada Região Fiscal e pessoa física ou jurídica em outra; pessoa física ou jurídica não mais com vinculo com a fonte pagadora, sem que essa possa informar ao beneficiário do rendimento ter sofrido a ação fiscal para recolher o imposto não retido e a pessoa física ou jurídica beneficiária também sofrer ação fiscal. Em outra situação, poder-se-ia exigir o imposto na fonte quando o beneficiário sequer estaria sujeito à apresentação da declaração, quando, então, a exigência do imposto na fonte, após o prazo da entrega da declaração, seria improcedente, visto que a 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 incidência, nos termos legais, é tão-somente a título de antecipação. Antecipar o quê se, nesse caso, sequer o beneficiário encontrava obrigado a apresentar a DIRPF. Assim, é que o legislador, nos casos de incidência na fonte, quanto a rendimentos pagos e não sujeitos a ajuste anual, previu ser de inteira responsabilidade da fonte pagadora o recolhimento de imposto não retido. Fala-se, aqui, do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, com ênfase aos seus artigos 99, 100 e 103. Referidos artigos encontram-se consolidados nos arts. 574 e parágrafo único, 576 e 576 do RIR/80; 791, 795 e 919 do RIR/94; e 717, 721 e 722 do RIR/99, citando os dois primeiros a titulo de ilustração e, o último, em vigência. Apesar de os três Regulamentos acima citados considerarem os dispositivos legais previstos no Decreto-lei n° 5.844, de 1943, como também aplicáveis à obrigação da fonte de reter o imposto quando do pagamento de rendimento sujeitos à incidência na fonte a título de antecipação, não é este o ordenamento jurídico previsto naquele diploma legal. Na sistemática do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, no "Titulo I - Da Arrecadação por Lançamento - Parte Primeira - Tributação das Pessoas Físicas" (arts. 1° a 26) previa-se a incidência de imposto de renda anual, por cédulas, deduções cedulares e abatimentos) e ainda não contemplava a incidência de imposto na fonte sobre os rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual. Na "Parte Segunda - Tributação das Pessoas Jurídicas" do art. 27 a 44. Os artigos 45 a 94 referem-se a casos especiais de incidência de imposto (espólio, liquidação, extinção e sucessão de pessoas jurídicas, empreitadas de construção, atividade rural, transferência de residência para o País, administração do imposto pela entrega da declaração, pagamento do imposto em quotas, meios, local e prazo de pagamento). 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 O Título II - Da Arrecadação das Fontes que interessa à formação de convicção para julgamento do lançamento em questão, desdobra-se em III Capítulos, que são: O Capítulo I envolve os seguintes rendimentos: quotas-partes de multas (art. 95), títulos ao portador e taxas (art. 96), rendimentos de residentes ou domiciliados no estrangeiro (art. 97) e de exploração de películas cinematográficas estrangeiras (art.98). Esses rendimentos sujeitavam-se ao imposto de renda na fonte a aliquotas específicas. O Capítulo II - Da retenção do Imposto determina, no art. 99, o momento em que compete à fonte reter o imposto referente aos rendimentos especificados nos arts. 95 e 96. E, no art. 100, o momento da retenção quanto aos rendimentos tratados nos arts. 97 e 98. O Capítulo III - Do Recolhimento do Imposto disciplina a obrigatoriedade de recolher aos cofres públicos o imposto retido e o prazo desse recolhimento (arts. 101 e 102, respectivamente). E, em seu art. 103, espelha o seguinte ditame legal: "Art. 103. Se a fonte ou o procurador não tiver efetuado a retenção do imposto, responderá pelo recolhimento deste, como se o houvesse retido? Dos dispositivos legais acima, pode-se constatar os seguintes fatos: 1 - No Decreto-lei n° 5.844, de 1943, ainda não havia sido instituído o regime de tributação de imposto na fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado e não assalariado, que eram tributados tão-somente na declaração anual; 2 - Os artigos 95 a 98 do referido Decreto-lei contemplam quatro tipos de rendimentos que se sujeitavam ao imposto na fonte e não eram incluídos na declaração 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 anual. Ou seja, embora não expressamente na lei, a incidência era de exclusividade de fonte; 3 - Na seqüência, tratando-se de rendimentos que sofriam a incidência de imposto de renda na fonte quando do pagamento ao beneficiário, sem que aqueles rendimentos se sujeitassem à tributação na declaração anual, sabiamente o legislador, no art. 103, instituiu a figura típica do responsável pelo imposto, caso não tivesse efetuado a retenção a que estava obrigado. Assim, em casos que tais, instituiu-se a figura do substituto, conforme defendido na doutrina. É de notório conhecimento o disciplinamento do inciso III, do art. 97, do CTN, através do qual somente a lei pode estabelecer a definição de sujeito passivo. Ocorre que, ao longo dos anos, o artigo 103 do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, equivocadamente, vem constituindo matriz legal de artigo de Regulamento do Imposto de Renda, baixado por Decretos, os quais têm a função de tão-somente consolidar e regulamentar a legislação do imposto de renda. Assim, nos termos do art. 99 do CTN, "O conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos das leis em função das quais sejam expedidos, ...". Logo, não pode dispositivo regulamentar, baixado por Decreto, estender o conceito de sujeito passivo, no caso de responsável, onde a lei não o fez. A responsabilidade, no caso da fonte pagadora obrigada a reter o imposto de renda, a título de redução daquele a ser apurado na Declaração de Ajuste Anual, se dá tão-somente dentro do próprio ano-base. Cabível, sem contudo, pretender firmar posição, o entendimento de ser o ato de reter o imposto, na sistemática de antecipação, mera obrigação acessória. 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 Isto porque o fato de a fonte pagadora não efetuara retenção do imposto na fonte, a título de antecipação, por mero equívoco ou mesmo omissão, não significa que o beneficiário do rendimento esteja desobrigado de incluir esses rendimentos entre aqueles sujeitos na declaração, pois, efetivamente, é ele o contribuinte. Nesse sentido, vasta é a jurisprudência deste Colegiado e também a das demais Câmaras deste Conselho, competentes para julgar a matéria, podendo-se citar os seguintes Acórdãos 102-43.925, 104-12.238 e 106-11.335. Pode-se, pois concluir, o equívoco quanto à eleição da fonte, como sujeito passivo (responsável-substituto), quando a retenção é, por lei, mera antecipação do devido na declaração e a exigência se dá após o correspondente ano-base. Até porque, perante o órgão fiscalizador e julgador administrativo, em primeiro ou segundo grau, a pessoa física ou jurídica são os beneficiários dos rendimentos e, portanto, sujeito passivo/contribuinte na declaração de rendimentos. Daí a firme jurisprudência administrativa no sentido de se manter a exigência do imposto de renda apurado na declaração anual, decorrente da inclusão dos rendimentos que não sofreram a incidência na fonte. A este respeito à própria Secretaria da Receita Federal fez publicar o Parecer Normativo SRF n°. 01, de 24 de setembro de 2002, onde se aborda o tema, na mesma linha de pensamento deste Tribunal Administrativo. Qual seja: em se tratando de imposto retido na fonte no regime de antecipação, a responsabilidade do contribuinte é supletiva à do substituto tributário, que passa a ser excluído do pólo da sujeição passiva a partir da data para a entrega da declaração de rendimentos do beneficiário pessoa física, ou, após a data prevista para encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, conforme se depreende dos excertos abaixo transcritos: 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 "Sujeição Passiva tributária em geral 2. Dispõe o art. 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: (—). 4. A fonte pagadora, por expressa determinação legal, lastreada no parágrafo único do art. 45 do CTN, substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizando- se como responsável tributário. 5. Nos termos do art. 128 do CTN, a lei, ao atribuir a responsabilidade pelo pagamento do tributo à terceira pessoa vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, tanto pode excluir a responsabilidade do contribuinte como atribuir a este a responsabilidade em caráter supletivo. 6. A fonte pagadora é a terceira pessoa vinculada ao fato gerador do imposto de renda, a quem a lei atribui a responsabilidade de reter e recolher o tributo. Assim, o contribuinte não é o responsável exclusivo pelo imposto. Pode ter sua responsabilidade excluída (no regime de retenção exclusiva) ou ser chamado a responder supletivamente (no regime de retenção por antecipação). (...). Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Responsabilidade tributária na hipótese de não-retenção do imposto 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tão-somente na declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. 13. Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. (...). 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. Penalidades aplicáveis pela não-retenção ou não pagamento do imposto 15. Verificada, antes do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a não-retenção ou recolhimento do imposto, ou recolhimento do imposto após o prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da multa de ofício estabelecida nos incisos I e II do art. 44 da Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 957 do RIR/1999, conforme previsto no art. 90 da Lei n°. 10.426, de 24 de abril de 2002, verbis: C..). 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9° da Lei n°. 10.426, de 2002, constatando-se que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, ser-lhe-ão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de oficio e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora." As decisões prolatadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem-se manifestado, sistematicamente, no mesmo sentido, conforme se constata nas decisões abaixo: Acórdão CSRF 01-03.661 - DOU 22/04/03: "IRF - ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - FALTA DE RETENÇÃO - RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA - Constatada pelo Fisco a ausência de retenção do Imposto de Renda na Fonte, a título de antecipação do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, após o término do ano-calendário, incabível a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de Imposto de Renda na Fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, o beneficiário do rendimento." Acórdão CSRF 01-04.565 - DOU 12/08/03: "IRF - RESPONSABILIDADE - Nas hipóteses de falta de retenção e recolhimento do IR Fonte como antecipação do devido no ajuste anual da pessoa jurídica, o tributo só pode ser exigido da fonte até o fim do ano base, cabendo a partir daí a exigência na pessoa física beneficiária, eleita pela lei como contribuinte e que deveria incluir os rendimentos em sua declaração, 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 (Dec. Lei 5.844/43 arts. 76, 77 e 103, Lei n 8.383/91 arts. 8°, 11, 13, § único e 15 inc. II)." Acórdão CSRF 01-03.775 - DOU 04/07/03: "IRF - ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - FALTA DE RETENÇÃO - RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA - Constatada pelo Fisco a ausência de retenção do Imposto de Renda na Fonte, a título de antecipação do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, após o término do ano-calendário, incabível a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de Imposto de Renda na Fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda se for o caso, deverá ser efetuado em nome dos contribuintes, beneficiários, sobretudo se, sendo estes diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, os benefícios resultaram de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (CTN, artigos 135, 137, 1 e II, e 14)." Assim sendo, não tem sentido a argumentação do suplicante para que se exija da fonte pagadora o imposto em questão, já que o mesmo representa simples antecipação do tributo devido pelo suplicante envolvido e o lançamento ocorreu depois de encerrado o período de apuração em que o rendimento deveria ser tributado. Quanto ao "Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio- Hospedagem" recebidos de forma habitual, em si, é de se ressaltar, que este Conselho firmou entendimento que vantagens outras, pagas sob a denominação de subsídio fixo, anuênios, ajuda de custo e de gabinete, e que não se revestem das formalidades previstas no inciso XX, do art. 6° da Lei N.° 7.713, de 1988, são tributáveis, devendo integrar os rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual. Nesta vertente, entre outros, os Acórdãos abaixo cujas ementas transcrevo: Acórdão n°. :102-44.928 "IRPF - RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO - AJUDA DE CUSTO - TRIBUTAÇÃO - ISENÇÃO - Ajuda de Custo paga com habitualidade à membros do Poder Legislativo Estadual está contida no 26 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 âmbito da incidência tributária e, portanto, deve ser considerada como rendimento tributável na Declaração Ajuste Anual, se não for comprovada que a mesma destina-se a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. Não atendendo estes requisitos não estão albergados pela isenção prescrita na legislação tributária." Acórdão n°.: 102-45.691 "IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - AJUDA DE CUSTO - Ajuda de custo paga com habitualidade e, que não se destina atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita a comprovação posterior, está contida no âmbito da incidência tributária, devendo ser considerada como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual." Acórdão n°.: 104-19.016 "AJUDA DE CUSTO - Os valores recebidos a título de Ajuda de Custo quando condicionados à freqüência nas sessões legislativas são tributáveis, eis que não se confundem com indenização de gastos decorrentes de mudança definitiva de local de trabalho que estão acobertados pela isenção." Acórdão n°.: 104-19.027 "AJUDA DE CUSTO - PAGAMENTO COM HABITUALIDADE - TRIBUTAÇÃO - Os valores recebidos a título de ajuda custo somente são isentos quando pagos em caráter eventual e destinados a custear as despesas de mudança do local em que se exerce a atividade profissional. Pagamentos habituais e sem vinculação com a mudança motivada por terceiros devem ser oferecidos à tributação." Acórdão n°. : 104-19.186 "IRPF - PARLAMENTAR - AJUDA DE CUSTO - Somente não se sujeitam à tributação as verbas recebidas a título de ajuda de custo, quando comprovadannente gastas com passagens aéreas, serviços postais e tarifas telefônicas, por parlamentares no exercício de seus mandatos." Acórdão n°.: 106-13.043 "AJUDA DE CUSTO DE PARLAMENTAR - VERBA EXTRAORDINÁRIA - TRIBUTAÇÃO - RESPONSABILIDADE OBJETIVA E DIRETA - Ajuda de 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 custo somente pode ser considerada isenta de IR se o beneficiário comprovar o atendimentos dos requisitos estabelecidos no art. 6°, inciso XX da Lei n°. 7.713/88, o que não restou evidenciado nestes autos. Mesmo destino no que tange a verba por comparecimento em sessão extraordinária, sem previsão legal de isenção. Meros argumentos de caráter social não elidem a responsabilidade tributária do contribuinte, notadamente quando ciente previamente, e após os procedimentos fiscalizatórios comprovados da ocorrência do fato gerador do IR. Lançamento de Ofício procedente? É de se reforçar ainda a observação de que compete à União legislar sobre o imposto de renda incidente sobre os rendimentos e proventos de qualquer natureza. A luz do disposto no § 4° do art. 30 da Lei n.° 7.713, de 23 de dezembro de 1988, para fins de tributação independe a titulação que se dê ao rendimento, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Reza o citado dispositivo legal: "Art. 3° - O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9° e 14 desta Lei. (.--). § 40 - A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título? Não prospera, portanto, a afirmação de que o "Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio-Hospedagem" recebidos de forma habitual e paga pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo para os deputados, têm caráter indenizatório. O disposto no Art. 6° do acima citado diploma legal em seu inciso V, exclui do campo da incidência tributária somente a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho e FGTS (CLT artigos 477 e 499) e até o limite garantido por Lei. 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 Nesta direção têm sido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça conforme decisão, entre outras, prolatada pelo Exmo Sr Ministro ARI PARGENDLER, da 26 Turma, nos autos do Recurso Especial n° 187.189/RJ de 19/11/998, publicada no DJ de 01/02/1999, cuja ementa transcrevo a seguir "EMENTA. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESCISÃO INCENTIVADA DO CONTRATO DE TRABALHO. A jurisprudência da Turma se firmou no sentido de que todo e qualquer valor recebido pelo empregado na chamada demissão voluntária está a salvo do imposto de renda. Ressalva do entendimento pessoal do relator, para quem a indenização trabalhista que está isenta do imposto de renda é aquela que compensa o empregado pela perda do emprego, e corresponde aos valores que ele pode exigir em Juízo, como direito seu, se a verba não for paga pelo empregador no momento da despedida imotivada - tal como expressamente disposto no artigo 6°, V, da Lei n° 7.713, de 1988, que deixou de aplicado sem declaração formal de inconstitucionalidade. Recurso Especial conhecido e provido." Desta forma não há porque o "quantum" pago ao recorrente a título de "Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio-Hospedagem" recebidos de forma habitual, sem necessidade de comprovação, para atender sua atividade de parlamentar estar fora do campo da incidência tributária. De conformidade com o prescrito no art. 176 do Código Tributário Nacional, a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão e, a lei, deve ser interpretada literalmente. Somente a ajuda de custo paga por entidade do poder pútiiico ou privado para atender as despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiário e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior, está fora do campo da incidência tributária consoante disciplina legal prevista no inciso XX, do art. 6° da Lei N.° 7.713, de 1988. 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 Assim, somente não se sujeitam à tributação as verbas recebidas a título de "ajuda de custo", quando comprovadamente gastas com passagens aéreas, serviços postais, hospedagens, tarifas telefônicas e outros serviços, por parlamentares no exercício de seus mandatos. Sustenta, ainda, o suplicante a tese de que a União é incompetente para atuar como pólo ativo no presente procedimento administrativo fiscal. Com a "permissa máxima data vênia", a tese merece alguns reparos. Preliminarmente, é de se destacar que nossa Carta Magna no Título VI - DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO - Capitulo I - DO SISTEMA TRIBUTÁRIA NACIONAL, dita as normas que devem ser observadas pela União, Estados e Municípios. Os art's 145 a 162 disciplinam os princípios gerais, o poder e a limitação de tributar e da repartição das receitas tributárias. Reza o inciso III do art. 153 da Constituição Federal: "Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (..-). III - renda e proventos de qualquer natureza:" O art. 43 do Código Tributário Nacional - Seção IV - Imposto de Renda e Proventos de qualquer Natureza, dispõe: "Art. 43 - O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos não compreendidos no inciso anterior." O ilustre e festejado mestre Prof. Dr. CELSO RIBEIRO BASTOS, "in" Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário - 9 Edição - Editora Saraiva - ao abordar em seu Capítulo II - a Competência Tributária, preleciona: "2. DISTRIBUIÇÃO DE COMPETÊNCIAS É um dos suportes fundamentais da Federação o poder instituir e arrecadar tributos próprios. Não poderia haver uma efetiva autonomia dos diversos entes que compõem a Federação se estes dependessem tão-somente das receitas que lhes fossem doadas. Não. Sem a independência econômica e financeira não pode haver qualquer forma de autonomia na gestão da coisa pública. Daí porque a nossa Constituição Federativa esmerar-se em conferir tributos próprios às diversas entidades que a compõem (à União, aos Estados-Membros, ao Distrito Federal e aos Municípios)." Análise do acima exposto nos leva a concluir indubitavelmente que a competência de instituir e arrecadar o Imposto sobre Renda e Proventos de qualquer Natureza é da União que, portanto, tem o poder de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito o passivo. Isto é o que está prescrito no art. 194 do CTN, a seguir transcrito, "in verbis": "Art. 194 - A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, . em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação." Assim, não há como prosperar a tese do Recorrente quanto a União atuar como pólo ativo nos autos deste procedimento administrativo fiscal. A competência para Instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre Renda e Proventos de qualquer Natureza" é da União conforme disciplina as disposições constitucionais e legais acima descritas. "-t 31 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 O que não se pode confundir é o poder e a competência de tributar com a repartição das receitas tributárias, estas com indiscutível e inatacável objetivo de promover a gestão orçamentária e financeira do Poder Público. De fato a Seção VI, do Capítulo I, do Título VI da Constituição Federal trata da repartição da receitas tributárias e, o art. 157, prescreve: "Art. 157- Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre a renda e proventos de qualquer natureza, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem:..." Ora, o dispositivo constitucional acima em hipótese alguma autoriza interpretar que pelo simples fato de pertencer aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem, tenha sido outorgado aos Estados Membros da Federação competência para ditar normas quanto a instituição, arrecadação e fiscalização do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Note-se que aqui se faz referência a imposto da União e não dos Estados, Municípios e Distrito Federal. Portanto, o objetivo do disposto no artigo retro-mencionado é a de promover a repartição da receita tributária pertencente à União e, neste particular, o artigo 159 estabelece as normas para sua distribuição disciplinado em seu § 1° que para efeito de cálculo a entrega a ser efetuada de conformidade com o previsto em seu inciso I, excluirá a parcela da arrecadação do imposto de renda e proventos de qualquer natureza pertencente aos Estados e ao Distrito Federal nos exatos termos do disposto no inciso I do art. 157. Neste particular, adverte HUGO DE BRITO MACHADO, "in" Curso de Direito Tributário, 19° Edição - Atlas: --i 32 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 "Não se há de confundir a condição de sujeito ativo com a de destinatário do produto da arrecadação ou fiscalização de tributos, ou da execução de leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária. Essas atribuições podem ser conferidas por uma pessoa jurídica de direito público a outra, mas isto não implica transferência da condição de sujeito ativo? Ademais, se o Estado deixar de promover a retenção do imposto de renda devido, renunciando, portanto, a arrecadação que lhe pertence, o sujeito passivo da obrigação tributária na qualidade de titular da disponibilidade económica e jurídica do rendimento (Art. 45, do CTN), terá que oferecê-lo à tributação em sua Declaração de Ajuste Anual. Por derradeiro, frise-se que nos autos deste procedimento administrativo fiscal não se está discutindo o destino do imposto de renda retido na fonte, mas, sim, o fato de o Recorrente não ter incluído no conjunto dos rendimentos tributáveis a parcela à ele atribuído a título de "Ajuda de Custo" (Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio-Hospedagem). Quanto ar a questão relativa a legalidade da exigência da multa de ofício de 75% sobre o valor do imposto, entendo que a razão esta com o suplicante, pelos motivos abaixo expostos. Quanto ao mérito da discussão, os autos dão provas de que, o suplicante é realmente o sujeito passivo do tributo reclamado nestes autos, independentemente de ter havido ou não a retenção na fonte. Outrossim, por força do protesto interposto pelo suplicante, é indiscutível e inatacável que o contribuinte, utilizando-se das informações prestadas pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, considerou, nos anos-calendário 1997 e 1998, os valores recebidos na condição de parlamentar, como não-tributáveis, sendo induzido a erro escusável no preenchimento de sua Declaração de Ajuste Anual. ......„....„------r 33 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 É de se admitir que o suplicante agiu de boa fé ao utilizar-se das informações prestadas pela fonte pagadora (Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo), motivo porque, invocando os princípios da legalidade e da justiça fiscal, entendo que não lhe deve ser imputada a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo esta Corte de Julgamento, a exemplo das decisões prolatadas nos Acórdãos n.° s 104-17.289, 104- 16.923, 104-16.925, 104.17.270, 104.17.126, 104-17.135, 104-17.255, 104-17.084, 102- 45.588 e 104-17.256 da lavra de ilustres e dignos Conselheiros deste Conselho, dos quais transcrevo, de forma exemplificativa, a ementa do Acórdão 102-45.588: "MULTA DE OFICIO - COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS EXPEDIDO PELA FONTE PAGADORA - DADOS CADASTRAIS - EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE - Tendo a fonte pagadora informado no Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados que os rendimentos decorrentes de passivos trabalhistas deferidos em sentença judicial são isentos e não tributáveis e considerando que o lançamento foi efetuado com base nos dados cadastrais espontaneamente declarados pelo sujeito passivo da obrigação tributária que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável e involuntário no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, incabível a imputação da multa de ofício, sendo de se excluir sua responsabilidade pela falta cometida." Os autos não deixam dúvidas de que, o contribuinte foi induzido a erro pela fonte pagadora, a qual informou serem isentos ou não tributáveis, os valores pagos ao contribuinte a título de "Ajuda de Custo" (Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio-Hospedagem), o que levou a não declará-los em suas Declarações de Ajuste Anual dos respectivos exercícios. Assim, entendo que deve ser exigido do contribuinte tão somente o imposto e os encargos de mora, dispensando-o do recolhimento da multa de ofício, tendo em vista não ter ele agido de forma dolosa ou mesmo culposa na presente omissão. ..........„.„.„----, 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 Por fim, não procede à argumentação sobre os juros de mora decorrente da aplicação da taxa SELIC e do artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996. O contribuinte em diversos momentos de sua petição resiste à pretensão fiscal, argüindo inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de lei, entretanto, não vejo como se poderia acolher algum argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n°. 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). Matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF n°. 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Para o caso dos autos (inconstitucionalidade e Taxa Selic) aplicam-se as Súmulas: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n°. 2)" e "A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°. 4)". --7 35 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 19515.000460/2002-36 Acórdão n°. : 104-22.716 Em razão de todo o exposto e por ser de justiça voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Sala das Sessões - DF, em 17 de outubro de 2007 NE SOd/C1:1,7 36 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1
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Numero do processo: 18336.000672/2002-69
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/07/2002
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo obscuridade do julgado sobre ponto a que devia se pronunciar, cabível a apresentação de embargos de declaração.
EMBARGOS ACOLHIDOS.
Numero da decisão: 302-38918
Decisão: Por unanimidade de votos, conhecidos e providos os Embargos Declaratórios, nos termos do voto do relator. Esteve presente o advogado Rafael de Matos Gomes da Silva, OAB/DF – 21.428.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, conhecidos e providos os Embargos Declaratórios, nos termos do voto do relator. Esteve presente o advogado Rafael de Matos Gomes da Silva, OAB/DF – 21.428.
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Fls. 156 41' i5:- `• MINISTÉRIO DA FAZENDA,,...f .0 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÃISIARA Processo n° 18336.000672/2002-69 Recurso n° 130.892 Embargos Matéria INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA Acórdão n° 302-38.918 Sessão de 11 de setembro de 2007 Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado PETRÓLEO BRASILEIRO S/A. - PETROBRÁS • Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/07/2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo obscuridade do julgado sobre ponto a que devia se pronunciar, cabível a apresentação de embargos de declaração. EMBARGOS ACOLHIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, conhecidos e providos os Embargos Declaratórios, nos termos do voto do relator. ir vi5h. JUDITH D • I ARAL M • RCONDES ARMANDO - residente0 _ LUCIANO LOPES DE • 'M - DA MORA 5- Relator , • % , ., Processo n.° 18336.000672/2002-69 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.918 Fls. 157 Partici iparam, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, Corintho Oliveira Machado, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Estiveram presentes a Procuradora da Fazenda Nacional Paula Cintra de Azevedo Aragão e o Advogado Rafael de Matos Gomes da Silva, OAB/ DF -21.428. ai III Processo n.° 18336.000672/2002-69 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.918 Fls. 158 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso até a decisão de primeira instância, adoto o relato daquele órgão julgador até aquela fase: Trata o presente processo de lançamento de multa de oficio isolada, conforme Auto de Infração de fls. 01-04. De acordo com a descrição dos fatos, o contribuinte deixou de recolher a multa de mora, quando do pagamento, fora do prazo legal, da diferença da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico — CIDE, relativa à Declaração de Importação n°02/0578147-5, registrada em 02/07/2002. 1. O recolhimento da diferença decorreu da retificação da quantidade efetivamente importada, conhecida após o procedimento de arqueação. Nos termos do art. 8° da Instrução Normativa SRF n° 175, de 2002, o • importador tem o prazo de vinte dias para realizar o recolhimento do tributo e acréscimos legais. A fiscalização, tendo constatado que o recolhimento foi efetuado sem o acréscimo de multa de mora, efetuou o lançamento da multa de oficio isolada, equivalente a 75% do valor recolhido extemporaneamente, com fundamento legal no art. 44, inciso I e ,f 1°, inciso II, c/c art. 61, §§ 1° e 2°, da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3. Cientificado do lançamento em 09/10/2002 (ti. 01), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 27-37, em 31/10/2002, por meio da qual apresenta as seguintes razões de defesa: o Terceiro Conselho de Contribuintes tem decidido favoravelmente à impugnante em processos que tratam de matéria idêntica, devendo ser adotado, neste processo, o mesmo posicionamento do Egrégio Conselho, julgando-se improcedente o lançamento; tendo em vista a complexidade do mercado internacional e a especcidade da mercadoria importada, tanto o seu preço varia dia-a- • dia, como a quantidade do produto eventualmente apresenta diferenças, dados que somente serão conhecidos após a chegada do produto ao porto de destino, quando já iniciado o procedimento de importação; aproveitando-se do disposto no art. 138 do CIN, efetuou o ajuste no valor da importação, uma vez que houve diferença na quantidade da mercadoria descarregado, dando notícia ao Fisco e fazendo o pagamento da diferença da CIDE, com juros, mas sem multa; o não pagamento da multa de mora decorre do art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, atividade de colaboração entre o contribuinte e o Fisco, em que é conferido àquele o beneficio de pagamento do tributo acrescido somente de juros, estando implícito que não incide multa, uma vez que não consta da redação do citado artigo; não estava sob procedimento fiscal, quand efetuou o pagamento da diferença de tributo, acrescida de juros; ,.. . 1 Processo n.° 18336,000672/2002-69 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.918 Fls. 159 a tese defendida é plenamente aceita pelos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, citando várias ementas de Acórdãos administrativos e judiciais, bem como a opinião de doutrinadores; o art. 44, inciso I, e o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, não têm o condão de alterar o instituto da denúncia espontânea, matéria reservada à Lei Complementar, sendo que o CTIV foi recepcionado pela Constituição Federal com o status de Lei Complementar, não podendo ser alterado por lei ordinária; de acordo com artigo publicado na Gazeta Mercantil, o parcelamento de débitos tributários, confessados pelos contribuintes, estão livres da incidência da multa de mora, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE julgou procedente o lançamento, conforme Decisão DRJ/FOR n° 4.600, de • 30/06/2004 (fls. 44/50), assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/07/2002 Ementa: RECOLFILIÍENTO DE TRIBUTO APÓS O VENCIMENTO SEM O ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA. PENALIDADE. O recolhimento de tributo após o vencimento do prazo previsto na legislação, sem o acréscimo de multa de mora, constitui infração punível com multa de setenta e cinco por cento sobre o valor pago com atraso. Lançamento Procedente Às, fls. 52 o sujeito passivo toma ciência do acórdão, apresentado recurso voluntário, arrolamento de bens e documentos, fls. 55/139, tendo sido, então, encaminhados os 11/ autos para este Conselheiro. Apresentado o feito a julgamento, foi provido o recurso voluntário interposto, conforme decisão de fls. 143/149. Intimada a União, esta apresenta embargos de declaração, alegando obscuridade no julgado, que tratou do tema com base na IN° 104/99 ao invés da IN n.° 175/2002. Em virtude da ocorrência de obscuridade, é posto em pauta o julgamento novamente. kArsÉ o Relatório. ... . Processo n. 0 18336.00067212002-69 CCO3/CO2b Acórdão n." 302-38.918 Fls. 160 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Analisando o recurso apresentado e a decisão recorrida, se verifica que efetivamente ocorreu um erro naquela, já que o voto se baseou na IN.104/99 ao invés da IN 175/2002. Apesar dos prazos serem diferentes daquelas normas, a situação fática e jurídica não se altera, já que o pagamento realizado pelo contribuinte se deu dentro do prazo estipulado pela IN n.° 175/2002. Em face do exposto, conheço dos embargos de declaração e os acolho • integralmente, no sentido de afastar a obscuridade ocorrida, passando a constar o voto neste sentido: Versa o presente recurso sobre exigência de Multa de Oficio isolada, incidente sobre a complementação da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico — CIDE, paga em data posterior, ao registro da DI referente à Declaração de Importação n° 02/0578 147- 5, registrada em 02/07/2002, na modalidade Despacho Antecipado de Importação. O objeto deste processo refere-se à exigência da penalidade prevista no arts. 43, 44, inciso I e § 1°, inciso II, c/c art. 61, §§ 1° e 2°, da Lei n°9.430/96 por falta de recolhimento de multa de mora relativa à complementação da CIDE — Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, pela empresa Petrobrás — Petróleo Brasileiro S/A, A Lei n° 10.336, de 19/12/2001, instituiu a CIDE-Combustíveis, que se trata de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de gasolina e suas correntes, diesel e suas correntes, querosene de aviação e • outros querosenes, óleos combustíveis, gás liquefeito de petróleo (GLP), inclusive o derivado de gás natural e de nafta, e álcool etílico combustível. O art. 13 da referida Lei determina, em seu parágrafo único, que a CIDE sujeita- se às normas do processo administrativo fiscal previstas no Decreto n°70.235/72. Em assim sendo, a matéria objeto deste litígio é da competência dos Conselhos de Contribuintes. Os fatos geradores da CIDE-Combustíveis são a comercialização dos produtos acima citados no mercado interno, ou sua importação. A base de cálculo da referida Contribuição é a "unidade de medida" adotada na Lei n° 10.336/2001, para cada um dos produtos a ela sujeitos. Na importação, o pagamento da Contribuição deve ser efetuado na data do ètv.v.,registro da respectiva Declaração de Importação. • Processo n.° 18336.00067212002-69 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.918 Fls. 161 Em outras palavras, a importadora utilizou-se da "modalidade antecipada" de registro da declaração de importação, legalmente prevista. Correto o procedimento adotado, uma vez que o despacho antecipado aplica-se aos casos de: • mercadorias transportadas a granel e descarregadas diretamente para silos, oleodutos, depósitos próprios ou veículos apropriados; • mercadorias inflamáveis, corrosivas, radioativas ou com características de periculosidade; • plantas, animais vivos, frutas _frescas e outros produtos facilmente perecíveis ou suscetíveis de danos causados por agentes externos; • papel para impressão de jornais, revistas e livros; • • mercadorias transportadas por via terrestre, fluvial ou lacustre. • mercadorias importadas por órgão da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal, inclusive autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas. Quando da utilização do "despacho antecipado", o desembaraço das mercadorias somente se efetivará depois da complementação ou retificação dos dados da declaração no Siscomex, o que significa, em outras palavras, somente após o pagamento de eventuais diferenças de crédito tributário relativo à declaração de importação registrada, aplicando-se a legislação vigente na data da efetiva entrada da mercadoria estrangeira no território nacional. Na hipótese dos autos, a mercadoria importada a granel, de acordo com o apurado no laudo de arqueação, foi descarregada em volume maior do que o declarado na DI, o que levou a importadora Petrobrás, visando sanar a irregularidade, a entrar com pedido de retificação da DI, com a conseqüente alteração da quantidade da carga, apresentando DARF • com o valor da CIDE correspondente à diferença de metros cúbicos apurados a maior. Este recolhimento foi efetuado no prazo previsto no regime, e correspondeu ao tributo, acrescido dos juros de mora, sem a multa moratória. Foi exatamente este o fimdamento da lavratura do Auto de Infração — falta de recolhimento da multa de mora. Ocorre que o art. 8° da IN SRF n° 1175/2002, determina, in verbis: Art. 8°. Na hipótese de retificação da declaração de importação o importador deve apresentar a respectiva solicitação à unidade local da SRF responsável pelo despacho aduaneiro, instruindo-a com os documentos justificativos e, quando for o caso, do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DAR?) que comprove o recolhimento da diferença de impostos apurada, com os acréscimos legais previstos para os recolhimentos espontâneos, no prazo de vinte dias, contado da a inatura do Termo de Responsabilidade referido no art. 1 ° do art. 4° • Processo n.° 18336.000672/2002-69 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.918 Fls. 162 Parágrafo único. As diferenças de impostos apuradas pela fiscalização aduaneira, em procedimento de oficio, após decorrido o prazo a que se refere o artigo anterior, bem assim aquelas apuradas no curso do despacho aduaneiro em razão de outras irregularidades constatadas, estarão sujeitas à penalidades previstas na legislação. De conformidade com a disposição expressa na N 175/2002, é concedido o prazo de 20 (vinte) dias para o recolhimento dos valores devidos, sem a incidência de qualquer penalidade moratória. Como a recorrente utilizou a modalidade de despacho antecipado, as normas vigentes lhe facultam proceder ajustes na Declaração de Importação no prazo de vinte dias a contar da realização do "Laudo Técnico de Arqueação e Quantificação", forte no art. 8° da IN SRF 175/2002. A recorrente realizou os procedimentos previstos na norma supra no prazo • estipulado, recolhendo a diferença da CIDE quando tomou conhecimento dos fatos ocorridos, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, tanto que somente a multa de oficio é que foi lavrada contra aquela. Neste sentido, tomou conhecimento da quantidade de mercadoria importada através do "Laudo Técnico de Arqueação e Quantificação" realizado em 11/07/2002, fls. 17/23, momento em que se iniciou o prazo de vinte dias para o ajuste da declaração de importação (DI) e pagamento das diferenças de tributos e juros devidos. A DI foi retificada em 22/07/2002, fls. 06/10, e o DARF de pagamento das diferenças devidas foi realizada em 19/07/2002, fls.16, antes, então, do prazo final de vinte dias previsto na norma específica. Tendo sido respeitado o prazo previsto na N SRF n° 175/2002, não há que se falar em mora. Ademais, mesmo que fosse entendido que a recorrente estava em mora com a • Fiscalização, com o advento da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, que alterou o art. 44 da Lei n° 9.430/96, deixou de ser aplicada a multa de oficio isolada sobre os pagamentos de tributos realizados sem a incidência de multa de mora. Assim, também forte no art. 106 do CTN, seria indevida a multa aplicada à recorrente. Pelas razões acima expostos, dou provimento ao recurso voluntário interposto, prejudicados os demais argumentos. Fato seguinte, a ementa deve assim passar a constar: Assunto: CIDE Data do fato gerador: 06/07/2002 Ementa: CIDE. DESPACHO ANTECIPADO. COMPLEMENTA ÇÃO. Havendo o importador retificado sua Declaração de Importação e recolhido a respectiva complementação da CIDE no prazo concedido • Processo n, 18336.000672/2002-69 CCO3CO2 Acórdão n.° 302-38.918 Fls. 163 pela legislação fiscal em caso de despacho antecipado, passa a valer, para quase todos os efeitos fiscais, a data da retificação facultada pela Instrução Normativa N.° 175/02, não ocorrendo mora in casu. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Assim, existindo omissãq no julgado, conheço dos embargos de declaração e, no mérito, os acolho. Sala das Sessões, em 11 setembro de 2007 LUCIANO LOPES EIDA MORA S — Relator o • Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003372/2003-04
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DECADÊNCIA - LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996 E 1997 – LEI 9.249/95 – ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 – IMPOSSIBILIDADE – Antes do advento da Lei 9.532/97, o regime de tributação dos lucros de filiais, controladas e coligadas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei 9.249/95 qualquer elemento que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Os lucros auferidos durante os anos-calendário de 1996 e 1997 deveriam ser adicionados em 31 de dezembro de cada ano, na proporção da participação societária, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. O lançamento de ofício deve, portanto, reportar-se a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador, e se realizado após cinco anos, caduco estará o direito do fisco de constituir o crédito tributário.
CAPITULAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa quando a impugnante demonstra perfeito entendimento do auto de infração e de sua causa.
ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL.- Os prejuízos apurados no período devem ser usados pela fiscalização para reduzir o tributo lançado, mas a não utilização não implica nulidade do lançamento, devendo o valor ser ajustado no julgamento.
TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS . Não obstante o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, em se tratando de Direito Tributário a prevalência da norma internacional decorre de sua condição de lei especial em relação à norma interna.
CONVENÇÃO BRASIL-PORTUGAL PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. De acordo com o Artigo X da Convenção, os
lucros auferidos por empresa residente em Portugal e controlada por empresa residente no Brasil, quando remetidos
ou pagos ou creditados (disponibilizados), conceituam-se como dividendos (nº 4 do Artigo X), podendo ser tributados no Brasil .
LUCRO NO EXTERIOR- DISPONIBILIZAÇÃO-EMPREGO- A expressão “o emprego do valor, em favor da beneficiária.” contida no no artigo 1º, § 2º, “b”, item 4, da Lei 9.532/97 abrange os casos em que o emprego do valor foi feito pela própria beneficiária.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Correta a lavratura do auto de infração contra apenas um dos responsáveis solidários, sendo dada ciência do feito aos demais, pois o instituto da solidariedade permite que o crédito tributário seja exigido de um dos responsáveis solidários ou de todos, até o seu montante
JUROS DE MORA - A obrigação tributária não paga no vencimento sujeita-se a juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito,
Numero da decisão: 101-95.476
Decisão: ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do lançamento em relação aos lucros apurados por controlada nos anos de 1996 e 1997, vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora) Paulo Roberto Cortez e Caio Marcos
Cândido, e, no mérito, por unamimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para determinar que na apuração da matéria tributável remanescente sejam considerados os prejuízos compensáveis apurados pela empresa PPL no ano de 1998, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora) e Paulo Roberto Cortez que também afastavam a multa de ofício e o Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o
Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior.
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T10:57:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T10:57:42Z; Last-Modified: 2009-07-08T10:57:44Z; dcterms:modified: 2009-07-08T10:57:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T10:57:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T10:57:44Z; meta:save-date: 2009-07-08T10:57:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T10:57:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T10:57:42Z; created: 2009-07-08T10:57:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; Creation-Date: 2009-07-08T10:57:42Z; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T10:57:42Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA* f e - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n 2 . : 16327.003372/2003-04 Recurso n 2 . : 144.538 Matéria: : IRPJ — ano-calendário: 1998 Recorrente : BBA Creditanstalt Finanças e Representações Ltda. Recorrida : 42 Turma de Julgamento da DRJ São Paulo Sessão de : 26 de abril de 2006 Acórdão n2 . : 101- 95.476 DECADÊNCIA - LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996 E 1997 — LEI 9.249/95 — ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 — IMPOSSIBILIDADE — Antes do advento da Lei 9.532/97, o regime de tributação dos lucros de filiais, controladas e coligadas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei 9.249/95 qualquer elemento que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Os lucros auferidos durante os anos-calendário de 1996 e 1997 deveriam ser adicionados em 31 de dezembro de cada ano, na proporção da participação societária, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. O lançamento de ofício deve, portanto, reportar-se a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador, e se realizado após cinco anos, caduco estará o direito do fisco de constituir o crédito tributário. CAPITULAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa quando a impugnante demonstra perfeito entendimento do auto de infração e de sua causa. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL.- Os prejuízos apurados no período devem ser usados pela fiscalização para reduzir o tributo lançado, mas a não utilização não implica nulidade do lançamento, devendo o valor ser ajustado no julgamento. TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS . Não obstante o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, em se tratando de Direito Tributário a prevalência da norma internacional decorre de sua condição de lei especial em relação à norma interna. CONVENÇÃO BRASIL-PORTUGAL PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. De acordo com o Artigo X da Convenção, os ,4671;. Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 lucros auferidos por empresa residente em Portugal e controlada por empresa residente no Brasil, quando remetidos ou pagos ou creditados (disponibilizados), conceituam-se como dividendos (n° 4 do Artigo X), podendo ser tributados no Brasil . LUCRO NO EXTERIOR- DISPONIBILIZAÇÃO-EMPREGO- A expressão "o emprego do valor, em favor da beneficiária." contida no no artigo 1°, § 2°, "b", item 4, da Lei 9.532/97 abrange os casos em que o emprego do valor foi feito pela própria beneficiária. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Correta a lavratura do auto de infração contra apenas um dos responsáveis solidários, sendo dada ciência do feito aos demais, pois o instituto da solidariedade permite que o crédito tributário seja exigido de um dos responsáveis solidários ou de todos, até o seu montante JUROS DE MORA - A obrigação tributária não paga no vencimento sujeita-se a juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BBA Creditanstalt Finanças e Representações Ltda. ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do lançamento em relação aos lucros apurados por controlada nos anos de 1996 e 1997, vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora) Paulo Roberto Cortez e Caio Marcos Cândido, e, no mérito, por unamimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para determinar que na apuração da matéria tributável remanescente sejam considerados os prejuízos compensáveis apurados pela empresa PPL no ano de 1998, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora) e Paulo Roberto Cortez que também afastavam a multa de ofício e o Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior. 2 , , Processo n.° 16327.003372/2008-04 , Acórdão n.° 101-95.476 ,,,,,,, /1 „----Ve 7(------- ,, , ,,, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS ,, PRESIDENTE ,, 4“4-0i Rata, MÁRIO JU. 47 EIR A r'dRANCO JÚNIOR / f, , ,,, ,,,,, RED O" o ESIG DO FORMALIZADO EM: o ,-/ f\ nn on,r1C, .„,,o' , k U U ! Uijkj , Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO , RODRIGUES CABRAL e VALMIR SANDRI. Ausente o Conselheiro HÉLCIO HONDA. 1, , , , , , ,, , ,„ „,,,,, , ,, , , „, , , , , ,, ,, , , ,,, ,,, ,, ,, ,,„ , , ,,, , 3 , Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Recurso n°. : 144.538 Recorrente : BBA Creditanstalt Finanças e Representações Ltda. RELATÓRIO Contra a empresa BBA Creditanstalt Finanças e Representações Ltda. foi lavrado, em 25/09/2003, Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, em virtude da não "adição ao lucro líquido ..., na determinação do lucro real", no ano-calendário de 1998, "dos lucros auferidos no exterior, por filiais, sucursais, controladas, ou coligadas". Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 65 e 66), a contribuinte possuía 25% do capital da Piquerobi Participações Ltda. (PPL), sediada em São Paulo, que, por sua vez, detinha 100% do capital da empresa Piquerobi (Lubrax) Investimentos e Serviços Ltda. (PIS), sediada na Ilha da Madeira - Portugal. À época, o restante do capital da PPL era detido por duas outras empresas sediadas em São Paulo, a SP Holding Ltda., no percentual de 37,54%, e a SPH Ltda., no percentual de 37,46%. Em 28/12/1998, a PPL, por intermédio de seus controladores, decide transferir integralmente o patrimônio da empresa PIS a título de pagamento de resultados e redução de capital, para seus controladores. Na data de sua transferência, a PIS apresentava o montante de Lucros Acumulados de ESC 1.998.954.717,00, correspondente a R$ 14.069.842,67. Tais lucros deveriam ter sido adicionados pela PPL, na apuração do Lucro Líquido do exercício de 1998, conforme o Art. 25 da Lei n. 9249/95, Art.2°, Parágrafo 9 da IN 038/96 (que regulamenta os Arts. 25, 26 e 27 da Lei 9249/95) e Art. 1, § 2°, Alínea b, Item 4, da Lei 9.532/97. O valor tributável considerado foi o montante de lucros acumulados até a data da transação (ESC 1.998.954.717,00 =R$ 14.069.842,67) acrescido da parcela de lucros auferidos no ano de 1998 até a data considerada (ESC 264.014.988,50 = R$ 1.843.022,23). Constou ainda do Termo de Verificação que o prejuízo fiscal do ano de 1998 já foi compensado integralmente pela autuação lavrada em 16/01/2003 (Processo N° 16327.000078/2003-32) 4 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Como no ano de 2000 a PPL sofreu Cisão Total, tendo o seu patrimônio passado integralmente para os controladores, o BBA foi autuado na qualidade de responsável solidário pela PPL, e as empresas SP Holding Ltda. e SPH Ltda. passaram a ser sujeitos passivos solidários na autuação, tendo recebido cópia do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal. O BBA entrou com impugnação tempestiva invocando a impossibilidade de aplicação da norma tributária interna, tendo em vista a existência de tratado internacional ( Convenção entre a República Federativa do Brasil e Portugal para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre o Rendimento). Alegou, ainda, vícios essenciais na capitulação legal da conduta e na apuração do valor lançado, por não ter sido considerado, no cálculo do montante devido, que a PPL apresentava prejuízos fiscais, e erro de forma, dizendo não corresponder à realidade a data do fato gerador apontada pela fiscalização, visto que o lançamento em foco pretendeu atingir lucros auferidos no exterior, por controladas/coligadas, referente ao ano-calendário de 1996 e 1997, acumulados desde 1996. Suscitou, outrossim, a decadência. No mérito, alegou que a legislação de regência extrapola a Constituição, o CTN e afronta os princípios da legalidade e da segurança jurídica, tratando-se de situação semelhante à legislação do Imposto sobre o Lucro Líquido, cuja regra impunha a tributação, junto aos sócios, dos lucros apurados pela pessoa jurídica, ainda que inexistente a efetiva distribuição. Aduz que o fato descrito como sendo a conduta sujeita à incidência - transferência de titularidade de investimento no exterior, em 28/12/1998, da PPL para seus controladores - não apresenta relação com a capitulação no art. 10, parágrafo 2°, alínea "b", item 4, da Lei n.° 9.532/97 ("o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior"). Diz que o fato descrito revela que a disponibilização não ocorreu pois não se concretizou qualquer ato por parte da fonte produtora no exterior, no sentido de empregar os lucros acumulados, em favor de quem quer que seja, visto que a disponibilização exigiria a prática de ato manifesto, nesse sentido, de autoria exclusiva de quem auferiu lucros, ou seja, da sociedade estrangeira. Da mesma forma, o fato descrito não encontra respaldo na IN SRF 38/96, pois não houve qualquer compra e venda de participações societárias. /7) ( 5 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Acrescenta que a fiscalização não apurou qual o lucro efetivamente auferido no exterior até a data do evento, 28/12/1998, e a proporcionalização do lucro do exercício efetuada em função do número de dias do ano (362/365) não apresenta qualquer relação com as características do fato gerador e não tem respaldo na legislação de regência, afrontando o art. 142 do CTN. Afirma que a solidariedade prevista no art. 207, III e Parágrafo único, I, do RIR/99, diz respeito única e exclusivamente ao imposto, não cabendo a exigência da multa, por falta de previsão legal para a sua aplicação aos devedores solidários, e que o art. 132 do CTN atribui responsabilidade pelos tributos vencidos à pessoa jurídica incorporadora. Conclui que, não havendo imposto exigível, não há mora, e portanto, não cabe a exigência dos respectivos encargos. A SP Holding Ltda. e a SPH Ltda., responsáveis solidários, apresentaram uma única impugnação, adotando os argumentos de defesa da BBA. Aduzem que o auto de infração foi lavrado contra a BBA, e que a entrega posterior aos responsáveis solidários do "Termo de Intimação e Entrega de Documentos" não tem o condão de constituir, contra estas impugnantes, qualquer crédito tributário, pois não foram destinatárias de qualquer ato administrativo fazendário hábil à produção dos efeitos próprios à exigência de recolhimento de tributo. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo julgou procedentes os lançamentos, conforme Acórdão n° 5444, de 28 de maio de 2004, cuja ementa tem a seguinte dicção: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/1998 Ementa: TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. TRATADO INTERNACIONAL. Tratado internacional para evitar a dupla tributação não garante isenção de imposto. Não comprovada a tributação na Ilha da Madeira, sobre o lucro, cabe a exigência. CAPITULAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há cerceamento do direito de defesa quando a impugnante demonstra perfeito entendimento do auto de infração e de sua causa. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. DATADO FATO GERADOR TRIBUTÁRIO. LUCROS DISPONIBILIZADOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. A data do fato gerador do lucro disponibilizado não se confunde com a data do auferimento do lucro. ír-j 6 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 DECADÊNCIA. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. LUCROS DISPONIBILIZADOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. Não ocorreu o decurso do prazo decadencial, qualquer que seja a modalidade do lançamento, se o fato gerador deu-se em 31/12/1998 e o lançamento foi efetuado em 25/09/2003. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MULTA O CTN excepciona a aplicação de penalidade apenas nos casos dos artigos 134 e 138. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Correta a lavratura do auto de infração contra apenas um dos responsáveis solidários, sendo dada ciência do feito aos demais, pois o instituto da solidariedade permite que o crédito tributário seja exigido de um dos responsáveis solidários ou de todos, até o seu montante. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1998 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. LUCROS DISPONIBILIZADOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. A instância administrativa não se manifesta a respeito de suposta inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da legislação tributária. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. O saldo de R$ 0,01, passível de compensação, não afeta o valor exigido. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. LUCRO DISPONIBILIZADO POR CONTROLADA NO EXTERIOR. PAGAMENTO DO LUCRO. EMPREGO DO LUCRO EM FAVOR DA BENEFICIÁRIA TRANSFERÊNCIA DE QUOTAS DE CONTROLADA DIRETA NO EXTERIOR PARA AS PESSOAS JURÍDICAS SÓCIAS DA CONTROLADORA DIRETA NO PAÍS. A transferência de quotas de controlada direta no exterior aos sócios da controladora, a título de pagamento de resultados, configura emprego do valor em favor da beneficiária, caracterizando pagamento de lucro disponi bi lizado. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. LUCRO DISPONIBILIZADO POR CONTROLADA NO EXTERIOR. PROPORCIONALIZAÇÃO DO LUCRO DO PERÍODO. Presume-se — salvo prova em contrário — que os negócios efetuados em "paraísos fiscais" sejam todos de caráter financeiro, de forma que a apuração do lucro do exercício "pro rata tempore" é plenamente justificada, especialmente por ser prática bancária internacional a utilização de juros simples. (§(//' 7 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Lançamento Procedente. Ciente da decisão, a empresa BBA Creditanstalt Finanças e Representações Ltda. ingressou com recurso a este Conselho no qual reedita as razões de impugnação, inclusive quanto às preliminares. SPH Ltda. E SP Holding Ltda. Ingressaram com recurso insurgindo-se contra o alargamento da previsão de responsabilidade solidária a imposto veiculada pelo art. 207 do RIR/99 e pugnando pela necessidade de ato de lançamento para a produção de efeitos. Caso ultrapassadas essas questões, tomam para si todos os argumentos levantados no recurso pela BBA. É o relatório. 8 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 VOTO Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora O recurso é tempestivo e atende os pressupostos para seguimento. Dele conheço. Os fatos que deram origem ao lançamento sob litígio envolvem as seguintes empresas: 1—BBA Creditanstalt Finanças e Representações Ltda., domiciliada no Brasil, doravante tratada como BBA; 2—Piquerobi Participações Ltda., domiciliada no Brasil, doravante tratada como PPL; 3—SP Holding Ltda, domiciliada no Brasil, doravante tratada como SP; 4—SPH Ltda., domiciliada no Brasil, doravante tratada como SPH; 5—Piquerobi (Lubrax) Investimentos e Serviços Lda., sediada na Ilha da Madeira, Portugal, doravante tratada como PIS. O marco temporal, segundo consta do Termo de Verificação Fiscal, é o dia 28 de dezembro de 1998. Em 28 de dezembro de 1998 a composição societária das envolvidas era a seguinte: -1/ 9 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 BBA SP SPH (Brasil (Brasil (Brasil) (37,46 (25%) (37, 54 %) OZ. V PPL (Brasil) (100%) PIS (Ilha da Madeira- Portugal) Naquela data a PIS apresentava lucros acumulados, produzidos em anos anteriores, de R$ 14.069.842,67. A matéria tributável apurada pela fiscalização corresponde à parcela de lucros acumulados em 28.12.1998 (R$ 14.069.842,67) acrescida da parcela de lucros auferidos no ano de 1998, até a data considerada (R$ 1.843.022,23). Integram o presente processo três recursos, sendo que as razões de defesa estão explicitadas no primeiro, interposto por BBA Creditanstalt Finanças e Representações Ltda, e são adotadas pelos dois outros. Passo a apreciá-lo. Na peça recursal, após a descrição dos fatos, a Recorrente articula a defesa nos seguintes tópicos: • Preliminares: O Decadência do direito de constituir crédito tributário relativamente aos lucros formados anteriormente a 1998. 10 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdâo n.° 101-95.476 o Vício na capitulação legal da conduta. o Incorreção na identificação dos fatos geradores. o Vício na apuração do valor lançado • Insubsistência material do lançamento: o Aplicação de tratado internacional que obstaculiza o lançamento. o Inadequação, ao ordenamento, jurídico da disciplina normativa da tributação das coligadas e controladas no exterior. o Proporcionalização do lucro do exercício de 1998. o Inexistência de solidariedade relativamente às penalidades. o Impossibilidade de imputação dos encargos da mora. PRELIMINARES Decadência A empresa suscitou a preliminar de decadência relativamente aos lucros formados anteriormente a 1998. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o termo inicial para contagem do prazo de decadência é a data da ocorrência do fato gerador. No caso, constatou a fiscalização que em 28 de dezembro de 1998 a empresa PPL transferiu integralmente o patrimônio da PIS para BBA, SP e SPH, a título de pagamento de resultados e redução de capital. A decadência invocada se refere a lucros acumulados, formados antes de 1998. De acordo com o disposto no artigo 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior deveriam ser computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. A matéria foi disciplinada pela Instrução Normativa n° 38/96 que, dando-lhe uma interpretação conforme, estabeleceu: Art. 2° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do período-base, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados. 11 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 § 1° Consideram-se disponibilizados os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, no Brasil, pela filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. § 2° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, considera-se: I - creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior; II - pago o lucro, quando ocorrer: a) o crédito do valor em conta bancária em favor da matriz, controladora ou coligada, domiciliada no Brasil; b)a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; c) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; d) o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Entendo que a IN 38/96 não padece de inconstitucionalidade nem pode ser tida corno "ilegal". Trata-se de norma de integração, que veio disciplinar a lei, numa interpretação "conforme" a Constituição. O art. 1° e § 1° da Lei n° 9.532/97 reza que os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, considerando-se os lucros disponibilizados para a empresa no Brasil, no caso de coligadas ou controladas, pelo pagamento ou crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior, conforme definido no art. 2°. Tem-se, assim, que na vigência da Lei 9.249/95, em relação aos lucros auferidos por intermédio de coligadas e controladas, o fato gerador ocorria com o pagamento ou crédito, conforme disciplinado pelos parágrafos 1° e 2° do artigo 2° da Instrução Normativa SRF 38/96. Na vigência da Lei 9.532/97 o fato gerador permaneceu o mesmo, por força do disposto no seu art. 1° e § 1 0 . Se o fato gerador sempre foi o pagamento ou crédito (conforme !N 38/96 e conforme Lei 9.532/97), o que se tributa são os dividendos, e não os lucros auferidos. E por determinação legal, qualquer que seja a opção de pagamento do contribuinte (lucro real trimestral ou lucro real anual), considera-se ocorrido o fato 12 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 gerador em dezembro do ano em que ocorreu a disponibilização. Ou seja, a data de ocorrência do fato gerador é o dia 31 de dezembro do ano-calendário correspondente ao período em que os lucros se consideram creditados ou pagos pela investida. No caso, os lucros formados antes de 1998 foram disponibilizados para a PPL em 28 de dezembro de 1998. Dessa forma, o fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 1998. Uma vez que o auto de infração se aperfeiçoou em 25 de setembro de 2003, o lançamento não se encontra atingido pela decadência. Rejeito a preliminar. Vício na capitulação legal da conduta Sob esse título, alega a Recorrente que o auto de infração elenca, a título de enquadramento legal, normas distintas (Lei 9.249/95, art. 25; Lei 9.430/96, art. 16; Lei 9.532/97, art. 1°), além de disposições regulamentares, sem atentar para o fato de que cada uma das leis invocadas teve seu período de eficácia nitidamente demarcado no tempo, não sendo possível que todas elas, indistintamente, regulem o fato gerador apontado como ocorrido em 31/12/98. No caso, não ocorreram os apontados vícios. A fiscalização considerou tratar-se de fato gerador ocorrido em 31/12/98, compreendendo lucros apurados em 1996 e 1997 e no curso do ano de 1998. A legislação de regência é, efetivamente, representada pelas leis indicadas no auto de infração, conforme já abordado na preliminar (Lei 9.249/95, disciplinada pela IN 38/96, que a ela atribuiu interpretação conforme a Constituição, para os lucros formados antes de 1998, e Lei 9.532/97, para os lucros formados em 1998). O art. 16 da Lei 9.430/96, também mencionado no auto de infração, não teve o condão de retirar a eficácia do art. 25 da Lei 9.249/95, como alega a Recorrente. O dispositivo em questão reza expressamente que: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I - considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II - arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas, quando não for possível a determinação de seus resultados, com observância das mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real. (negritos acrescentados) 77 13 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Não vislumbro, assim, o vício reclamado. Além disso, conforme jurisprudência dominante neste Conselho, eventuais vícios na capitulação legal, ainda que existissem, não causariam a nulidade do auto de infração, uma vez que a descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal permite identificar perfeitamente a acusação, o que de fato ocorreu, e que se constata a partir da alentada defesa apresentada. Incorreção na identificação dos fatos geradores. Alega a Recorrente que a fiscalização expressa como data de ocorrência do fato gerador o dia 31 de dezembro de 1998, não obstante tenha alcançado lucros produzidos em 1996 e 1997. A matéria já foi examinada ao se enfrentar a preliminar de decadência. De acordo com a legislação de regência o fato gerador ocorre na no encerramento do balanço da investidora de 31 de dezembro correspondente ao período em que se consideram disponibilizados os lucros. E tanto os lucros de períodos anteriores ao ano de 1998, como os formados no ano de 1998, consideram- se disponibilizados em 31 de dezembro de 1998, por força da IN 38/96, que deu interpretação conforme ao artigo 25 da Lei 9.249/95, e do art. 10 e § 1° da Lei 9. 532/97. Vício na apuração do valor lançado Alega a BBA que a PPL, que no entender da fiscalização teria sido beneficiada com a distribuição dos lucros de modo a ensejar a tributação que lhe é imposta na qualidade de responsável solidária, apresentava prejuízos fiscais, impondo-se a conclusão pela impropriedade numérica do valor lançado de ofício sem que tenha sido confrontado com o referido resultado negativo. A decisão de primeira instância afirmou que o prejuízo de 1998 já foi compensado integralmente pela autuação lavrada em 16/01/2003 (processo n° 16.327.000078/2003-32). Pondera a Recorrente que o mencionado processo se refere a prejuízos da BBA, e que o prejuízo a ser considerado para fins de compensação com o imposto em lançamento não é o de sua titularidade, mas o de titularidade da PPL. Diz que, tendo havido cisão, não se comunica à incorporadora o saldo de prejuízos da sociedade cindida, razão pela qual há de se levar em conta não o saldo de 14 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 prejuízos da "responsável solidária", mas sim o da própria sociedade cindida, no exercício social em que teria surgido a obrigação tributária objeto da autuação. A matéria tributável neste processo são os lucros auferidos pela PPL, por intermédio de sua controlada no exterior, a PIS. Nos termos da lei, esses lucros devem ser computados no lucro real da PPL relativo ao balanço levantado em 31/12/98. Esclarece o Termo de Verificação Fiscal que no ano de 2000 a PPL sofreu cisão total, tendo seu patrimônio passado integralmente para seus controladores (BBA, SP e SPH) , que passam a ser responsáveis solidários pelas obrigações da cindida. Logo, a matéria tributável é a parcela de lucro real apurada a menor pela PPL em 1998, pela não inclusão dos lucros auferidos por intermédio da PIS. Por conseguinte, deve ser recomposta a base de cálculo do imposto de renda da PPL, correspondente ao balanço encerrado em 31 de dezembro de 1998, tendo razão a Recorrente quanto a esse aspecto. Todavia, erros dessa natureza, na apuração da matéria tributável, não implicam nulidade do lançamento, mas apenas em sua retificação para considerar os prejuízos compensáveis. Conforme consta dos autos (fls. 256 e 259), na declaração do período de 01/01/98 a 24/07/98 (cisão parcial) a PPL apurou prejuízos compensáveis no montante de R$ 106.986,97, e na declaração relativa ao ano-calendário de 1998 apurou prejuízos compensáveis no valor de R$ 39.308,07. Assim, na apuração da matéria tributável, devem ser considerados os prejuízos compensáveis apurados pela PPL, levando em consideração que: (a) no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida pode compensar seus próprios prejuízos com lucro real do próprio período- base e de períodos-base subseqüentes, proporcionalmente à parcela do patrimônio líquido remanescente; (b) deve ser observado o limite máximo de 30% do lucro liquido depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação. MÉRITO Aplicação de tratado internacional que obstaculiza o lançamento Em sua defesa, a Recorrente invocou a Convenção destinada a evitar a dupla tributação em matéria de imposto de renda, firmada entre o Brasil e Portugal, 15 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 promulgada no Brasil através do Decreto n° 63.393/71, mencionando especialmente o artigo VII, parágrafo 1, que outorga a competência tributária a Portugal e não ao Brasil. Essa convenção foi denunciada em 1999, estando, portanto, vigente à época dos fatos. A decisão de primeira instância considerou que a convenção invocada não é tratado internacional destinado a garantir isenção de imposto, mas, sim, a evitar a dupla tributação. Assim, sem examinar o inteiro teor do tratado, concluiu que é falsa a assertiva que "o lucro da pessoa jurídica domiciliada na Ilha da Madeira SÓ PODE SER TRIBUTADO EM PORTUGAL". Acrescentou que bastaria à interessada comprovar a tributação sobre o lucro efetuada em Portugal, para ver afastada ou proporcionalmente diminuída a exigência, nos termos do art. 26 da Lei n.° 9.249/95, lembrando, ainda, que a Ilha da Madeira está incluída na relação dos países, jurisdições ou dependências que não tributam a renda ou a tributam a uma alíquota máxima inferior a vinte por cento, comumente denominados "paraísos fiscais". A Recorrente invoca a norma prevista no Tratado Internacional, que se opõe à regra segundo a qual os lucros auferidos no exterior são tributáveis no Brasil. Há, assim, um conflito em torno da norma a ser aplicável. Por um lado, entende a decisão de primeira instância ser inaplicável o Tratado, devendo prevalecer a norma interna. Por outro lado, pugna a Recorrente pela supremacia da norma internacional sobre a interna. Como é sabido, a antinomia das normas se resolve pela aplicação dos critérios da hierarquia, da cronologia e da especialidade. A questão, no presente caso, envolve matéria doutrinariamente discutida, relacionada à prevalência dos tratados internacionais sobre as normas internas. Não obstante haja ainda muita divergência sobre existência ou não de hierarquia entre tratados e legislação interna, o Supremo Tribunal Federal, com o julgado RE 80.004/SE, decidiu no sentido da inexistência de hierarquia e da possibilidade de lei interna posterior incompatível com o tratado ser validamente aplicada. Não obstante a crítica que a decisão mereceu por parte dos internacionalistas, que defendem que quando o Brasil não tem mais interesse no tratado deve denunciá-lo e não unilateralmente aprovar uma lei modificando o conteúdo do tratado, essa tese prevalece na jurisprudência da Corte Suprema. 16 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Embora o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, o fato é que não se discutiu, naquela Corte, o art. 98 do CTN, que tem status de lei complementar, portanto de hierarquia superior à lei ordinária (O julgado que consagrou o entendimento de inexistência de hierarquia - RE 80.004/SE tratava da Lei Uniforme sobre Letras de Câmbio e Notas Promissórias). Assim, ainda que se considere não ter, o tratado internacional, primazia hierárquica sobre a lei interna, em se tratando de norma tributária, essa primazia decorreria do art. 98 do CTN. Esse é o entendimento predominante na doutrina. E para aqueles que consideram que o art. 98 do CTN não pode estabelecer essa hierarquia, a questão vai se resolver pelo critério da especialidade, posto que o tratado, geralmente, é especial em relação à lei interna. Ricardo Lobo Torres 1 ensina : "É particularidade do Direito Tributário brasileiro reconhecer a prevalência do tratado internacional sobre a legislação nacional. Diz o art. 98 do CTN que 'os tratados e a s convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha'. Observe-se que não se trata, a rigor, de revogação da legislação interna, mas de suspensão da norma tributária nacional, que readquirirá a sua aptidão para produzir efeitos se e quando o tratado for denunciado. Essa característica do Direito Tributário brasileiro não se estende a outros ramos do Direito, nem mesmo ao Financeiro, pois o Supremo Tribunal Federal não generalizou a tese do primado do Direito Internacional; admitiu, pelo contrário, que a norma internacional sobre letras de câmbio e noras promissórias, incorporada à legislação interna, fosse revogada por lei ordinária posterior." O tema é assim abordado por Heleno Torres2: "Como diz Tixier; Gest, uma convenção sobre a renda e o capital é um simples acordo entre dois sistemas fiscais, que não possui como objetivo a pretensão de substituir o Direito Tributário interno dos Estados contratantes, mas permitir um relacionamento harmonioso dos sistemas entre si, oferecendo um complemento comum aos mesmos para atingir as finalidades ás quais se destina. Deste caráter de subsidiariedade, as convenções de Direito Internacional Tributário, pelo tipo de relação com o direito interno, passam a ter a natureza de /ex specialis, limitando-se a colocar em vigor um mecanismo para evitar o concurso de pretensões impositivas entre estados contratantes. O termo "especial" pode ser usado sob dias perspectivas distintas. Pode designar, em primeiro lugar, a preeminência da norma convencional, de modo que o direito interno não possa derrogar ulterionmente as suas disposições (prevalência de aplicabilidade); como o principio lex posterior generalis non derrogat lex priori speciali pode valer como presunção de interpretação, de modo que a interpretação das leis ulteriores não pode derrogar o conteúdo das normas constantes do diploma convencional". 1 Curso de Direito Financeiro e Tributário, 9a edição, Renovar, Rio de Janeiro, 2002, pg. 45 2 Pluritributação Internacional sobre as Rendas das Empresas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1997, pág. 393 e 394. 17 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Sobre o artigo 98 do CTN, menciona, o mesmo autor3 , que "...quanto às convenções de Direito Internacional Tributário, temos na legislação infraconstitucional um dispositivo específico predisposto para definir a relação entre aquelas e o ordenamento interno". E identifica a natureza da mencionada regra como de "declaração de recepção e incorporação, ao sistema tributário brasileiro, das disposições contidas nos textos dos tratados de matéria tributária". E demarca as duas funções do art. 98 do CTN, a saber: " recepção sistêmica das normas convencionais e, quando da execução destas, um comando comportamental — modalizado deonticamente como 'proibido"- destinado ao legislador ordinário, de veto a qualquer pretensão de alteração in fieri, por via unilateral, do que fora pactuado, nos termos do princípio pacta sunt servanda intra pars — o que confirma o princípio da prevalência de aplicabilidade das normas internacionais sobre o direito interno". Explica o autor que a primeira parte da regra (revogação e modificação da legislação interna) não significa que o Estado abre mão de sua soberania fiscal, devendo ser compreendida nos seus angustos limites, no âmbito das respectivas relações concretas entre os Estados contratantes. Para os demais, os sistemas se mantêm em vigor nas mesmas condições anteriores à assinatura da convenção. A segunda parte ("..e serão observadas pelas que lhes sobrevenham), que é a afirmação do princípio pacta sunt servanda, regula as relações entre as normas convencionais e as normas ulteriormente introduzidas no sistema do Direito Tributário interno. Esclarece o autor: "....Esse dispositivo assegura o cumprimento das disposições pactuadas, mas, de modo algum, veda à atividade legislativa a possibilidade de inovação sistêmica, salvo a edição de normas dirigidas exclusivamente contra uma ou todas as disposições da convenção. É uma restrição ao sistema, quanto à produção normativa, posta para evitar possíveis hipóteses de desobediência ao conteúdo das convenções, isoladamente, coartando qualquer possibilidade de futura ab-rogação ou derrogação por parte da lei interna às convenções em espécie. Ambas as normas são igualmente válidas e aplicáveis, com a prevalência aplicativa para a norma internacional, na composição semântica da norma individual e concreta, quanto aos fatos previstos no texto convencional, mantendo-se a disciplina deste, até que, pelo procedimento próprio (denúncia), lhe seja retirada a validade. Em homenagem ao principio do pacta sunt servanda, uma convenção internacional vincula os Estados que a tenham celebrado internacionalmente, no limite temporal fixado para sua vigência, ou sine die, caso não se decrete sai inaplicabilidade (denúncia);..". No caso concreto, levanta-se a contrariedade do art. 25 da Lei 9.249/95 com a norma do Artigo Vil, 1, da Convenção, que estabelece que os lucros ?3 Mesma obra, páginas 399 e seguintes. 18 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ai situado, caso em que os lucros atribuíveis a esse estabelecimento permanente são tributáveis no outro Estado. Tendo em vista o princípio do pacta sunt servanda, a norma a prevalecer deve ser a norma internacionalmente acordada, de tributação pelo país onde se situa o estabelecimento permanente. A Recorrente invoca o Artigo VII da Convenção, que trata de Lucros das Empresas. De acordo com o que dispõe esse artigo, só Portugal pode tributar os lucros auferidos em Portugal por uma empresa em Portugal que seja controlada de empresa brasileira. Ocorre que a Recorrente deixou de atentar para o Artigo X da Convenção, que trata de Dividendos. A Convenção entre Brasil e Portugal, promulgada pelo Decreto 69.393/71, no seu Artigo X reza: Artigo X Dividendos 1.Os dividendos atribuídos ou pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante podem ser tributado outro Estado. 2. Esses dividendos podem, no entanto, ser igualmente tributados no Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos e de acordo com a legislação desse Estado, mas o imposto assim estabelecido não excederá 15 por cento do montante bruto dos dividendos. As autoridades competentes dos Estados Contratantes estabelecerão, de comum acordo, a forma de aplicar estes limites. 3. O termo "dividendos", usado neste artigo, significa os rendimentos provenientes de ações, ações ou bônus de fruição, partes de minas, partes de fundador ou outros direitos, com exceção dos créditos, que permitam participar nos lucros, assim como os rendimentos derivados de outras partes sociais assimilados aos rendimentos das ações pela legislação fiscal do Estado de que é residente a sociedade que os distribui. O termo inclui também os rendimentos auferidos pelo sócio oculto, em regime de conta em participação. 4. Serão também considerados dividendos os lucros remetidos ou pagos ou creditados por um estabelecimento estável situado num Estado Contratante à empresa do outro Estado Contratante a que este pertence, sendo aplicável o disposto no n° 2. Aos lucros do estabelecimento estável situado no Brasil, de empresa de Portugal, que forem reinvestidos no primeiro Estado, será aplicável o tratamento 19 • Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 tributário dispensado aos lucros de empresas do Brasil incorporados ao capital, sem que, todavia, a tributação de tais lucros possa vir a exceder o limite estabelecido no n° 2. 5. O disposto nos n°s 2 e 4 não afetará a tributação da sociedade ou do estabelecimento estável no tocante aos lucros que deram origem aos rendimentos ai mencionados. 6. O disposto nos n's. 1 e 2 não é aplicável se o beneficiário efetivo dos dividendos, residente de um Estado Contratante, exercer atividade no outro Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos, por meio de um estabelecimento estável aí situado, e a participação relativamente à qual os dividendos são pagos estiver efetivamente ligada a esse estabelecimento estável. Neste caso, são aplicáveis as disposições do Artigo VII." Dividendos são lucros disponibilizados. Alberto Xavier esclarece que no Direito Tributário Internacional, o termo "dividendos" é mais compreensivo que no direito interno brasileiro, pois enquanto neste assume a acepção restrita de rendimento das sociedades anônimas, naquele abrange não só os lucros distribuídos por estas, mas também pelas sociedades em comandita por ações, por sociedades por quotas de responsabilidade limitada. Assim, nas Convenções assinadas pelo Brasil, que seguem o modelo da OCDE, o conceito de dividendos é o de rendimentos oriundos de uma participação societária nos lucros de sociedades de capitais.4 A própria redação do artigo X esclarece que o termo dividendos compreende quaisquer participações nos lucros, exceto créditos. Assim, para os fins dos tratados que seguem o modelo da OCDE, lucros pagos são dividendos, e se regem pelo artigo X. De acordo com a legislação brasileira, consideram-se pagos os lucros empregados por controlada/coligada no exterior em favor do investidor brasileiro beneficiário . E o artigo 3 do Modelo OCDE, que contém regras de interpretação autêntica dos tratados, determina, no item 2, que para os efeitos de aplicação da Convenção por um Estado Contratante, qualquer termo ou expressão não definido de outra forma terá, a menos que o contexto requeira outra coisa, o sentido que lhe atribua a legislação desse Estado. Assim, uma vez que a legislação brasileira atribui aos lucros empregados pela investida no exterior em favor da investidora no Brasil o sentido de dividendos, o artigo de regência é o X. Nesse caso, os tratados prevêem que a tributação será pelo Estado de residência do investidor (no caso, o Brasil), admitindo a 4 In Direito Tributário Internacional do Brasil, São Pulo, Ed. Resenha Tributária, 1077, pág. 312 e seguintes. 20 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 tributação também pelo outro Estado. Como se vê, de acordo com o Artigo VII, os lucros auferidos pela empresa portuguesa (PIS) controlada pela empresa brasileira (PPL) só poderiam ser tributados em Portugal. No entanto, tais lucros, quando remetidos ou pagos ou creditados pela empresa portuguesa (PIS) a empresa no Brasil (disponibilizados), caracterizam-se como dividendos (n° 4 do Artigo X), e podem ser tributados no Brasil (n° 1 do Artigo X). Essa é exatamente a hipótese dos autos. Os lucros apurados pela PIS estão sendo objeto de tributação porque foram utilizados pela beneficiária PPL para pagamento aos seus investidores de resultados apurados e redução de capital (disponibilização na forma do art. 2°, § 2°, "b", 4 da Lei 9.532/97 ou do art. 2°, § 2°, alínea "d", da IN 38/96) . Inadequação, ao ordenamento jurídico, da disciplina normativa da tributação das coligadas e controladas no exterior. Registro que não serão objeto de apreciação as argumentações que representem apenas manifestações contra disposições legais às quais não cabe a este Conselho negar aplicação. O que está em questão é a legislação que impõe a tributação de lucros auferidos no exterior através de coligadas ou controladas. Tendo em vista o que dispõem os inciso II e III do artigo 248 da Lei 6.404/76, sobre o valor do investimento, após a correção para manter a expressão do valor monetário (no caso, atualização cambial) deve ser aplicado o percentual de participação da investidora na coligada ou controlada. A diferença positiva entre o valor assim obtido e o custo de aquisição atualizado poderá ser decorrente de lucros obtidos pela coligada ou controlada ou de reavaliação de bens efetuada pela coligada ou controlada. Se decorrente de lucros apurados pela coligada ou controlada, deve ser computada como receita no resultado do exercício. Essa a norma contábil. Portanto, o resultado de equivalência patrimonial apenas atesta a apuração de lucros por meio de controladas ou coligadas. A norma fiscal (art. 23 do DL 1.598/77) determinava que esse resultado não seria computado na apuração do lucro real. Uma vez que contabilmente f/J? 21 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 já havia influenciado o lucro líquido do exercício, seria excluído para apuração do lucro real. Com a introdução, pelo artigo 25 da Lei n° 9.249/95, da tributação para as pessoas jurídicas sobre bases universais, essa norma foi mantida pela legislação (IN 38/96 e Lei 9.532/97, art. 1°), que previa que o oferecimento à tributação só deveria ocorrer quando o lucro fosse disponibilizado. Veja-se que, contabilmente, o resultado positivo (lucro) auferido através da coligada ou controlada já se materializou por ocasião da apuração da equivalência patrimonial, tendo afetado o lucro líquido. Assim, o PL da investidora (PPL) já se encontra afetado pela valorização do investimento na subsidiária integral (PIS), correspondente aos lucros nela acumulados. Se esse investimento é utilizado para restituir capital aos sócios da investidora, é óbvio que a investidora dispôs dos lucros que auferiu através da coligada no exterior. Ao decidir reduzir a zero seu capital (e conseqüentemente se extinguir), a PPL restituiu aos seus sócios (BBA, SP, SPH) não apenas o capital aplicado, mas também o lucro auferido por intermédio da PIS, atestado pela avaliação mediante equivalência patrimonial. Ou seja, os lucros auferidos por interrmédio da PIS foram disponibilizados pela PPL em seu próprio benefício, para pagar seus sócios e reduzir a zero seu capital. Deve, também, ser apreciada a alegação de que a situação fática caracterizadora do fato gerador não se adequa à previsão normativa, que pressupõe o emprego dos lucros, auferidos no exterior, em favor de um beneficiário. Argumenta a Recorrente que o emprego só se pode dar por parte de quem aufere o lucro (a empresa estrangeira), fazendo uso do valor respectivo para satisfazer necessidade ou conveniência do sócio, como sucedâneo da efetiva distribuição do lucro. No voto condutor do Acórdão 101-95.302/95 assim me manifestei sobre a questão: "A Recorrente centra sua defesa em afirmar não ter ocorrido a subsunção do fato à norma, dizendo que o fato alcançado pela norma é o "emprego do lucro pela controlada estrangeira em beneficio do controlador nacional" e que, nesse caso, tal não teria ocorrido, eis que a própria Recorrente transferiu sua participação societária na Itaúsa Portugal para uma terceira pessoa. Pondera que a ocorrência do fato gerador, conforme descrito na norma, exigiria que a ação fosse praticada pela controlada, e não pela controladora. Equivoca-se a Recorrente. A norma tributária em questão trata da tributação, pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, dos rendimentos auferidos no 22 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 exterior. É que, antes da publicação da Lei n° 9.249/95, os resultados auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil poderiam ser excluídos da apuração da base de cálculo do imposto de renda e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro — CSLL. O artigo 25 da Lei 9.249/95 alterou essa situação, ao determinar o cômputo, na apuração do lucro real, dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por pessoa jurídica em qualquer operação praticada no exterior. O art. 1° da Lei 9.532/97 introduziu regra quanto ao momento em que os lucros no exterior se consideram auferidos pela empresa brasileira. Portanto, a obrigação tributária, surge com o auferimento do lucro, e a norma invocada pela Recorrente para sustentar não ter ocorrido o fato gerador cuida apenas de estabelecer presunção quanto ao momento de sua ocorrência. Assim, muito feliz a decisão de primeira instância ao se valer de lição de Paulo de Barros Carvalho e argumentar que: (a) "O verbo núcleo do Imposto de Renda não é "empregar", mas sim "auferir"; (b) "O agente que pratica o verbo, ou seja, o núcleo do aspecto material, não é outro senão o contribuinte (no caso, o controlador). Não é um terceiro (a controlada), portanto"; e, (c) "os dispositivos que compõem o artigo 1 0 da Lei n° 9.532197 definem o aspecto temporal, ou melhor, excepcionam o aspecto temporal geral do imposto de renda, que é o próprio momento de aquisição de renda, do aumento de património." Argumento análogo foi enfrentado pelo ilustre Conselheiro Mário Junqueira franco Júnior, designado para redigir o voto vencedor, condutor do Acórdão 94.747/2005, a quem peço vênia para transcrever adotar suas lúcidas ponderações : "O ordenamento jurídico tem suas bases muito mais ligadas a interpretações sistemáticas e finalísticas, a ensejar um conjunto sustentado em certa axiologia, ainda que mutável no tempo, do que a restritivas interpretações literais, que insistem em produzir a falácia de que tudo deve estar minuciosamente escrito, como se a tanto o ser humano fosse capaz Tais interpretações restritivas, que se apóiam, indevidamente, no dito princípio da legalidade estrita e da segurança jurídica, levando ambos ao extremo e deturpando seu conteúdo, apenas fazem sucumbir, como num passe de mágica, a verdadeira capacidade contributiva, e eliminam, com ares de juridicidade, um dever de contribuir, inerente ao convívio em sociedade. Ora, a disponibilização de que trata a norma é o uso do valor adicionado pelos lucros auferidos no exterior, para quaisquer fins, ainda que seja para pagamento de dívida. É assim que deve ser interpretada a expressão "o emprego do valor, em favor da beneficiária.." No caso, ela mesma, a beneficiária, empregou o valor para liquidação de obrigação sua. Assim, entendo que existiu disponibilização, a teor do disposto no artigo 1 0, § 2°, "b", item 4, da Lei 9.532/97." Proporcionalização do lucro do exercício de 1998. Alega a Recorrente iliquidez do tributo exigido, uma vez que a fiscalização adotou como critério a proporcionalização do valor do lucro registrado no balanço de 1998, em função do número de dias do ano decorridos até a data da deliberação de redução do capital (363/365). Também este argumento não merece prosperar. A data do evento foi 28 de dezembro, e tenho como razoável o critério de expurgar a titulo de lucro auferido nos três últimos dias parcela correspondente a 3/365. Considerando que se 23 (f()L Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 trata de período de tempo irrisório, compreendendo dias notoriamente festivos, e especialmente considerando que a natureza da empresa (investimentos e serviços), o ordinário é que nesse período não haja nenhum pico de incremento patrimonial. Se assim ocorreu, por não ser o ordinário, deve a Recorrente prová-lo. O que não se pode admitir como razoável é que a fiscalização, que não tem competência para auditar a empresa estrangeira, apure qual o lucro efetivamente por ela auferido entre os dias 01/01/98 e 28/12/98. Inexistência de solidariedade relativamente às penalidades. Argumenta a Recorrente que a responsabilidade a ela atribuída não alcança as penalidades. Sobre esse tema, leciona Luciano Amaro5: CL Outra questão que merece registro é a das multas por infrações que possam ter sido praticadas antes do evento que caracterize a sucessão. Tanto nas hipóteses do art.132 como nas do art. 133, refere-se a responsabilidade por tributos. Estariam aí incluídas as multas? Várias razões militam contra essa inclusão. Há o princípio da personalização da pena, aplicável também em matéria de sanções administrativas. Ademais, o próprio Código define tributo, excluindo expressamente a sanção de ilícito (art. 3°). Outro argumento de ordem sistemática está no art. 134; ao cuidar da responsabilidade de terceiros, esse dispositivo não fala em tributos, mas em "obrigação tributária"(abrangente também de penalidades pecuniárias, ex vi do art. 113, § 1°) Esse artigo, contudo, limitou a sanção às penalidades de caráter moratória (embora ali se cuide de atos e omissões imputáveis aos responsáveis). Se, quando o Código quis abranger penalidades, usou de linguagem harmônica com os conceitos por ele fixados, há de entender-se que, ao mencionar responsabilidades por tributos, não quis abarcar as sanções. Por outro lado, se dúvida houvesse, entre punir ou não o sucessor, o art. 112 do Código manda aplicar o princípio in dublo pro reo. O Supremo Tribunal Federal, em vários julgados, negou a responsabilidade do sucessor por multas referidas a infrações do sucedido." O entendimento da jurisprudência administrativa também tem sido no sentido de que a sucessora só responde pelas multas por infrações à legislação tributária se o lançamento foi formalizado antes do evento sucessório, a exemplo dos seguintes acórdãos: 5 AMARO, Luciano, Direito Tributário Brasileiro, e Edição, Saraiva, S.Paulo 7 24 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Ac. 103-20.172, Sç. 08/12/99- Relator- Neicyr de Almeida (unânime) EMENTA: IRPJ-CSLL- SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO-RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR- MULTA FISCAL PUNITIVA-INADMISSIBILIDADE- Restando provado nos autos que o lançamento fiscal se consumou posteriormente à data da incorporação — abarcando fatos tributáveis preexistentes ao ato sucessório — não há como acoimar o adquirente em oposição ao artigo 129 e seguintes do CTN. Res.. 203-00029, Sç. 08/12/98- Relator- Renato Scalco lsquierdo (unânime) EMENTA: SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO Inexigível da empresa sucessora a multa por infrações tributárias se o lançamento foi formalizado após a incorporação. Recurso provido em parte. (retifica Ac. 203-04.974) Ac. 101-92.418, Sç. 12/11/98- Relator- Celso Alves Feitosa (unânime) EMENTA: ....MULTA DE LANÇAMENTO DE OFíCIO-RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR- EXCLUSÃO. A multa por lançamento de ofício não é aplicável à empresa incorporadora, tendo em vista que sua responsabilidade, de acordo com os estritos termos do artigo 132 do CTN, restringe-se ao tributo, não se estendendo à multa de caráter punitivo. Ac. 103-19.683, Sç.14/10/98- Relator- Marcio Machado Caldeira (unânime) EMENTA: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO-RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES O sucessor não responde pela multa de natureza fiscal que deve ser aplicada em razão de infração cometida pela pessoa jurídica sucedida, em exigência fiscal formalizada após a incorporação... Impossibilidade de imputação dos encargos da mora. Argumenta a Recorrente que não sendo exigível o imposto, também não o são os encargos da mora. Note-se que o Recorrente menciona equivocadamente a multa de mora, embora fazendo referência à multa aplicada no auto de infração, de 75%. Quanto aos juros de mora, o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O art. 5° do Decreto-lei 1.736/79, determina que " a correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive no período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial" Assim, não pode prosperar o pleito da Recorrente no que se refere aos juros de mora. 25 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 SP Holding Ltda. e SPH Ltda. apresentam, como única alegação distinta das que a BBA apresentou, o fato de o auto de infração ter sido lavrado contra a BBA, apenas com a posterior entrega aos responsáveis solidários do "Termo de Intimação e Entrega de Documentos" . Alegam que esse procedimento não tem o condão de constituir contra elas qualquer crédito tributário, pois não foram destinatárias de qualquer ato administrativo fazendário hábil à produção dos efeitos próprios da exigência de recolhimento de tributo, nos termos do art. 142 do CTN e do art. 90 do Decreto n.° 70235/72, na redação dada pela Lei n.° 8.748/93. Esse argumento de defesa foi desconstitu ido pela decisão de primeira instância, cuja fundamentação transcrevo e adoto: "18 O exame do argumento exige um passo inicial no caminho do entendimento do que seja responsabilidade solidária, instituto do Direito Civil, e não do Direito Tributário como dão a entender as impugnantes. 19 De Plácido e Silva, em seu "Vocabulário Jurídico", vol. IV, Ed. Forense, 12 ed., 1996, pág. 266, explica: "SOLIDÁRIO. De sólido, do latim solidus (inteiro, consolidado) exprime a qualidade de tudo o que deva ser cumprido ou feito por inteiro, sem divisão, ou fracionamento. (.-.) Mesmo na técnica das sociedades, o sentido de solidário traduz o de total, ou por inteiro . desde que a responsabilidade solidária significa responsabilidade particular e subsidiária do sócio por toda a dívida da sociedade não resgatada por ela." 20 E, por sua vez, Maria Helena Diniz, em seu "Dicionário Jurídico" - 4° vol., Ed, Saraiva, 1998, leciona, às págs. 186, 415 e 416: " RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Direito Civil. Responsabilidade resultante de obrigação solidária passiva. SOLIDARIEDADE. 1. Na linguagem jurídica em geral: a) qualidade de solidário; b) estado em que duas ou mais pessoas assumem igualmente as responsabilidades de uma empresa ou negócio, obrigando-se todas por uma ou uma por todas; (...). 3. Direito Civil . Existência numa mesma obrigação de multiplicidade de credores ou de devedores, ou de uns e outros, onde cada credor tem direito à totalidade da prestação, como se fosse o único credor, ou cada devedor está obrigado pelo débito todo como se fosse o único devedor. Logo o credor, havendo solidariedade, pode exigir de qualquer dos co- devedores a divida por inteiro, e o adimplemento da prestação por um dos devedores libera todos ante o credor comum. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Direito Civil. Relação obrigacional, oriunda de lei ou de vontade das partes, com multiplicidade de 26 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 devedores, sendo que cada um responde in totum et total/ter pelo cumprimento da prestação na sua integralidade, como se tivesse contraído sozinho o débito." (grifou-se) 21 O instituto da solidariedade e suas decorrências constam na Lei n.° 10.406/2002, o novo Código Civil: "Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores." (grifou-se) 22 Portanto, andou bem a fiscalização lavrando o auto de infração contra um dos responsáveis solidários e dando ciência do feito aos demais, pois há apenas um crédito tributário a ser exigido de um dos responsáveis solidários ou de todos, até o seu montante. Pensar diferentemente seria admitir que deveriam ter sido lavrados três autos de infração, e nesse caso, ou o crédito tributário estaria sendo exigido em triplo, o que é inadmissível, ou a partição do crédito tributário descaracterizaria a solidariedade imposta pelo Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 5°, § 1°. Argumento improcedente." Pelas razões expostas, rejeito 2s preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e dou provimento parcial ao recurso para: a) determinar que na apuração da matéria tributável sejam considerados os prejuízos compensáveis apurados pela PPL no ano de 1998, observando que: (i) no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida pode compensar seus próprios prejuízos com lucro real do próprio período-base e de períodos-base subseqüentes, proporcionalmente à parcela do patrimônio líquido remanescente; (ii) deve ser obedecido o limite máximo de 30% do lucro líquido depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação; b) cancelar a multa aplicada. Sala das Sessões, DF, em 26 de abril de 2006 CaA • — SANDRA MARIA FARONI 27 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 VOTO VENCEDOR Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, Redator Designado Peço vênias à ilustre Conselheira Relatora para discordar quanto às exigências dos lucros gerados no ano-calendário de 1996 e 1997, posteriormente disponibilizados. Creio que sobre os mesmos deveria o fisco ter observado que o fato gerador, à luz das regras dispostas pela Lei 9.249/95, seria o dia 31 de dezembro do ano-calendário da apuração do lucro no exterior. Minha divergência está fulcrada na ilegalidade da IN SRF 38/96, na extensão dos dispositivos da mesma que modificaram o aspecto temporal da hipótese de incidência prevista na Lei 9.249/95. Sendo este ato normativo incapaz de promover tal alteração, haja vista que sua função seria simplesmente regulamentar as disposições legais, não podem surtir efeitos suas determinações de que o fato gerador só ocorreria com a efetiva disponibilização dos lucros auferidos. A Lei 9.249/95, assim dispôs, em seus artigos 25 e 26: "Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. ...omissis... 28 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 § 2° Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I - as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II - os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III - se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV - as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3° Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I - os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II - os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do período-base da pessoa jurídica; III - se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV - a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4° Os lucros a que se referem os §§ 2° e 30 serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia 29 1)1 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5° Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6° Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1°, 2° e 30." Destaquei nas transcrições trechos que considero relevantes a identificar a verdadeira proposição legal. Inicialmente, o caput determina que os lucros sejam computados no balanço de cada ano, já indicando inexistir qualquer elemento de efetiva disponibilização como requisito. Isto fica ainda mais claro com o disposto no inciso I do § 2°, ao determinar que a apuração dos lucros deva ser demonstrada a cada exercício fiscal em que foram auferidos. Fulminando qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer, data venha, a determinação do inciso II do mesmo § 2° põe pá de cal na questão, pois requer a adição, ao lucro da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária. Ora, só há sentido em estabelecer o critério "na proporção de sua participação acionária" se estivermos tratando de uma tributação anterior à efetiva distribuição ou disponibilização dos lucros, pois, se desta última hipótese estivesse a lei a tratar, a tributação, por certo, recairia sobre o montante efetivamente disponibilizado. Ressalto que o mesmo critério de proporção foi escolhido pelo legislador para o caso das coligadas, ex vi do inciso I do § 30 supra. Q,r) 1)t 30 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Por fim, o disposto no § 40 acima destacado é coerente com o conjunto de disposições da própria norma. A utilização da taxa de câmbio do dia das demonstrações financeiras em que os lucros tenham sido apurados realiza o sentido da proposição normativa, pois converte para moeda nacional na própria data da geração dos lucros, e não na data de sua futura e ainda incerta disponibilização. Extraio, portanto, dos dispositivos da Lei 9.249/95, o convencimento de que a tributação recaía à época sobre o montante auferido, e não sobre o montante disponibilizado, certo ainda que tudo o que auferido pelas filiais, controladas ou coligadas durante o ano-calendário deveria ser adicionado em 31 de dezembro do ano-calendário respectivo. A doutrina parece adotar idêntica orientação, conforme Alberto Xavier, Luis Eduardo Schoueri e Miguel Hilu Neto, nas seguintes passagens: "Em face das inúmeras perplexidades e discussões suscitadas pelos arts. 25 e seguintes da Lei 9.249/95, veio a ser editada a Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal n° 38, de 27 de junho de 1996. Conforme resulta do preâmbulo desta Instrução Normativa, o objetivo de sua edição consistiu em compatibilizar o regime dos arts. 25, 26 e 27 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, com o artigo 43 do Código Tributário Nacional, diploma de força hierárquica superior ao da lei ordinária. Com este objetivo, a Administração fiscal viu-se forçada a modificar radicalmente o sistema da lei, por via de mero ato administrativo, estabelecendo no seu art. 2° o diferimento da tributação dos lucros das sociedades estrangeiras para o momento em que forem 'disponibilizados' para a controladora ou coligada brasileira, assim considerados 'os lucros pagos ou creditados' (§ 1° do art. 2°). Com a renúncia á tributação imediata dos lucros acumulados no exterior antes de 'disponibilizados' e com a fixação do momento temporal da sua tributação por ocasião de sua 'disponibilização', pretendeu-se compatibilizar o regime de tributação dos lucros de controladas e coligadas no exterior com o requisito da 'disponibilidade' econômica e jurídica de renda" constante do art. 43 do Código Tributário Nacional. 31 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Sucede, porém, que esta inovação por via de mero ato administrativo não assentava em qualquer base legal, pois — como atrás se viu, a Lei n° 9.249/95 não continha a previsão expressa de incidência do imposto sobre lucros distribuídos ou "disponibilizados'." (Alberto Xavier, Direito Tributário Internacional do Brasil, Forense, 2004, p.p. 452 e 453). "Em sendo as instruções normativas atos administrativos veiculados no intuito de otimizar a aplicação da lei regulamentada, é sabido que não existe possibilidade jurídica de imposição de obrigação nova, dado o primado geral da legalidade, muito menos de instituição de exação nova, dado o primado especifico da estrita legalidade tributária. Guardando em mente essa limitação, analisamos o texto da Lei 9.249/95 a qual, em nenhum momento previu a tributação de 'lucros disponibilizados'. Consoante o acima aduzido, a lei reguladora previa sim a tributação dos lucros auferidos no exterior por empresas brasileiras, mas absteve-se de prever a tributação de 'lucros disponibilizados'. Dessa forma, temos que a IN 38/96 criou uma nova exação tributária, deslocando o aspecto temporal da hipótese de incidência do imposto de renda para o momento da disponibilização dos lucros e não mais o momento do auferimento. Demonstra-se, portanto, a ilegalidade do mencionado dispositivo, contra a qual nos insurgimos desde sua edição." (Luis Eduardo Schoueri e Miguel Hilu Neto, Sobre a Tributação dos Lucros Disponibilizados do Exterior, Imposto de Renda — Alterações Fundamentais vol. II, Dialética, 1998, p. 129). A conseqüência desse entendimento é confirmar a necessidade da adição ocorrer em 31 de dezembro de 1996 e de 1997, para os lucros auferidos naqueles anos-calendário por filiais, controladas e coligadas no exterior. Sendo esse o regime legal, o lançamento de oficio deve se reportar à data de 31 de dezembro como momento de ocorrência do fato gerador, e não ao período-base no qual o lucro lá gerado veio a ser disponibilizado. Esse já seria um vício no presente processo: erro quanto ao período- base. 71) 32 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Mas há mais. Ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Tendo em vista que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo apenas em 25/09/2003, já decorrido mais de um lustro dos fatos geradores, caduco o direito de lançar. Quanto às exigências remanescentes, ouso discordar com relação ao cancelamento da penalidade No acórdão 108-06408, quando ainda pertencia à colenda Oitava Câmara, manifestei entendimento de que não há falar em cancelamento de penalidade por sucessão quando as empresas pertencem ao mesmo grupo empresarial, pois presente o elemento subjetivo necessário à imputação da penalidade. Reconheço, entretanto, haver jurisprudência quanto ao tema, mas nunca se discutiu a hipótese de controle societário, como a inibir o cancelamento da penalidade. No aresto supracitado, assim fundamentei: "No tocante à multa devo reconhecer existir jurisprudência a respeito do tema que suportaria a tese esposada pela recorrente. Ocorre que por dois motivos devo rechaçá-la. Inicialmente, não alcanço interpretação tão distante a impedir o lançamento de multa de oficio nos casos de incorporação. A palavra tributo constante da redação do artigo 132 não é suficiente a excluir a imposição de penalidade de ofício, mormente quando a incorporadora sucede, a título universal, integralmente nos direitos e obrigações. Tivesse o legislador decidido por excluir a penalidade, usaria a redação do parágrafo único do artigo 134, por ser mais específica. A existência deste parágrafo, na mesma seção referente a responsabilidade, leva-me ao entendimento que só nos casos encampados por este artigo estaria a obrigação limitada ao principal. 33 Processo n.° 16327.003372/2008-04 Acórdão n.° 101-95.476 Mas não é somente por este motivo que no caso em tela afasto a argumentação da recorrente. Também para aqueles que definem como de caráter personalíssimo a penalidade, hão de observar que incorporada e incorporadora pertenciam ao mesmo grupo, tendo inclusive o mesmo representante. ....omissis.... Inconcebível, portanto, conferir ao instituto da incorporação a faculdade de estancar a aplicação de multa de ofício, mormente quando o fato societário se dá entre empresas de um mesmo grupo econômico, o que, comprovadamente, consta dos autos." Creio que a confirmação do controle impõe a presença da administração e do conseqüente necessário elemento subjetivo. Não se pode acolher a possibilidade de se evitar a penalidade pelo simples rearranjo societário no mesmo grupo empresarial. Ex positis, voto por declarar a decadência para os lucros gerados nos anos-calendário de 1996 e 1997, acompanhando a relatora nas demais preliminares. No mérito, para as exigências remanescentes, voto por manter a multa de ofício lançada, acompanhando a ilustre Relatora quanto ao restante do seu brilhante voto. É como voto. Sala das S ssõe . - 'à F, e 26 de abril de 2006 i /444,49 MÁRI JI.P 4 c• UEIR RANCO JÚNIOR ïc ,, , , 34 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1
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Numero do processo: 35476.004500/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/01/1999
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN.
I - Segundo a súmula nº 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional; II - Seja pela regra do art. 173 do CTN, seja pela do art. 150, § 4º, as contribuições ora lançadas estariam decadentes, tendo em vista o transcurso de ambos os prazos.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-000.338
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: Rogério de Lellis Pinto
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N,4„-Z5zub;:t SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35476.004500/2006-11 Recurso n° 147.969 Voluntário Acórdão n° 2401-00.338 — 4" Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 4 de junho de 2009 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente SOTREQ S/A Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 31/01/1999 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. - Segundo a súmula tf 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional; II - Seja pela regra do art. 173 do CTN, seja pela do art. 150, § 4°, as contribuições ora lançadas estariam decadentes, tendo em Vista o transcurso de ambos os prazos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. - ACORDAM os membros da 4" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por A. nimidade de votos, em declarar a decadência das contribUições apuradas. ELIAS SAM 10 RE - Presidente / ROGÉRI LELLIS PINTO - Relator - Processo n°35476.004500/2006-1I S2-C4T1 Acórdão n° 2401-00.3'38 Fl. 223 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Maria Bandeira, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 1 Processo n°35476 004500/2006-11 S2-C4T1 Acórdão n " 2401-00338 Fl. 224 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa SOTREQ S/A, contra decisão notificação exarada pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária em Campinas-SP, a qual julgou parcialmente procedente a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, no valor originário de R$ 75.974,85 (setenta e cinco mil novecentos e setenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos), lavrado em decorrência da não elisão de responsabilidade solidária de débitos previdenciários da empresa contratada. Aduz a empresa solidária em seu recurso que as GRPS apresentadas demonstrariam a inexistência de qualquer débito da prestadora, impossibilitando a cobrança do presente levantamento. Sustenta que o levantamento fora efetuado ilegalmente mediante arbitramento, tendo por base a IN n° 3 de 2005, que somente poderia ser aplicada a fatos geradores oconidos posteriormente a sua vigência.. Afirma que apresentadas as GRPS e a contabilidade estando regular, não haveriam motivos para arbitrar contribuições eventualmente devidas, já que nenhuma hipótese do art 33 da Lei do Custeio Previdenciária estaria presente. Sustenta que o lançamento tal qual como efetuado representa verdadeifa ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa, já que não disporia de meios para comprovar a inexistência de valores pendentes de pagamento. Reafirma que a solidariedade somente se opera diante da existência de débito, que somente ser aferido pela análise do real contribuinte, o que não fora feito, lavando assim a improcedência da autuação. A própria SRP apresentou resposta ao recurso, onde pugna pela manutenção do débito. É o relatório.. t, 3 Processo n°35476.004500/2006-11 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00338 Fl 225 1 Voto Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade conheço do recurso interposto.- , Alega o contribuinte, em sede de preliminar, que o crédito tributário em questão teria sido alcançado pela decadência, haja vista a extrapolação do qüinqüídio fixado pelo CTN, o que faz com razão. Sem embargos, é sabido que a questão do prazo decadencial das contribuições sociais, foi objeto de constantes e ácidas discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto jurisprudencial. Analisando a matéria, o a STI, por meio de seu plenário, fixou seu entendimento e em decisão unânime, reconhecendo a inconstitucionalidade do art, 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo a prevalência do prazo quinquenal previsto no CTN. Na esteira do entendimento exarado pelo STI, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, e também de forma unânime, reconheceu o mesmo vício de constitucionalidade que pairava sobre as diretrizes insertas no art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, entendendo que os prazos decadências das contribuições sociais, onde se incluem as previdenciárias, devem respeitar os limites temporais do CTN, norma geral a quem a Constituição atribui a prerrogativa de tratar o tema. 1 Eliminando as divergências interpretativas que impediam a aplicação prática dos prazos decadenciais fixados na norma Codificada em relação às contribuições previdenciárias, o STF acabou por editar a súmula vinculante ri° 8, impondo a sua observância pelas demais instâncias judiciárias e administrativas. A referida súmula restou vazada nos seguintes termos: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5" DO DECRETO-LEI N" 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N" 8 212/1991, QUE TRAT4M DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO". Assim é que, hoje resta inequívoca que a decadência das contribuições previdenciárias, encontram-se reguladas pelas normas e prazos fixados pelo Código Tributário Nacional, não devendo, portanto, qualquer observância às inconstitucionais previsões do art 45 e 46 da Lei n°8.212/91. Se encontra-se resolvida a aplicação do CTN no que tange a decadência das contribuições previdenciárias, o mesmo não se pode dizer em relação a qual regra deve ser aplicada, ou seja, em todas as situações a do § 4° do art 150, cuja contagem (para fins de homologação) se dá a partir da ocorrência do fato gerador, ou se o art. 173, I, que diz 'que o referido cálculo se inicia a partir do 1° dia do exercício seguinte aquele em que o débito poderia ser constituído. j_ 4 Processo n°35476 004500/2006-11 S2-C4T1 Acórdão n ° 2401-00.338 Fl. 226 Em verdade, as contribuições previdenciárias são inegavelmente tributos sujeitos a homologação por parte do Fisco, na medida em que a legislação previdenciária confere ao próprio contribuinte o dever de antecipar o recolhimento dos valores que lhe são reputados, justamente a situação definida no caput do art 150 do CTN. Como efeito, mesmo em se tratando de tributos ditos homologáveis, parte da doutrina vem reconhecendo, na esteira da jurisprudência do próprio STJ (Resp 757922/SC), que a regra prevista no § 40 do art 150 do CTN, somente se aplicaria naquelas situações onde o contribuinte efetivamente tenha efetuado algum recolhimento, sobre o qual caberia então ao Fisco pronunciar-se em 05 anos, sob pena de, transcorrido esse prazo, não mais poder constituir o débito remanescente. Para os defensores dessa tese, portanto, a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetue a referida homologação a partir da ocorrência do fato gerador, somente ocorre naquelas hipóteses em que o contribuinte tenha efetuado algum recolhimento. Do contrário, não havendo antecipação alguma por parte do contribuinte, não haveriam valores a serem homologados, e por conseqüência, incidindo a partir de então regra geral de decadência fixada no art. 173 do Códex:. Não obstante esse raciocínio, filio-me aqueles que acreditam que oi fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado § 40 do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de forma que o fato da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do mencionado dispositivo legal, sendo, em veálade, regra a regular a situação telada. Desta feita, temos que a nosso ver, e na linha do que diz o abalizado professor Alberto Xavier, ia Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, 3" Ed, Pág.. 100, "o que é relevante, pois, é saber se, eia . face da legislação, o contribuinte tem ou não o dever de antecipar o pagamento," (...) "a linha divisória que separa o art. 150 ,sç 4' do 173 do CTN está, pois, no regime jurídico do tributo (..)". De qualquer forma, e alheios à discussão acima citada, os débitos constantes da presente NFLD encontram-se decadentes, mesmo que consideremos a regra do art. 173 do CTN, haja vista que as competências envolvidas nesta NFLD são até 01/99, tendo o lançamento sido concluído em 26/12/2005, estando, portanto, decadentes mesmo se considerarmos o exercício seguinte como marco inicial para contagem da decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso interposto, para acatar a preliminar aventada pelo Contribuinte, e reconhecer a decadência das contribuições ora lançadas. Sala das Sessõ s em 4 de junho de 2009 ROGÉJWDLELLIS PINTO - Relator -
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