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Numero do processo: 37098.002430/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1998 a 30/06/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar a empresa de exibir à Fiscalização qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a
Seguridade Social, nos termos do artigo 33, §§ 2° e 3ª, da Lei n°8.212/91. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme
preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, capta, da Lei n° 8.212/91 e artigo 8° da Lei n° 10.593/2002, c/c Súmula n° 05, do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE DECORRENTE DE INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A multa por descumprimento de obrigação acessória bem como os juros com base na taxe SELIC tem previsão legal e a inconstitucionalidade ou ilegalidade das mesmas não deve ser discutida no âmbito deste conselho.
INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NUMERO DE INFRAÇÕES.
Para as infrações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não toma o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda possa aplicar a multa.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - INOCORRÊNCIA - Para a exclusão da multa em face de denúncia espontânea é necessário que a regularização da
situação ocorra antes do inicio da ação fiscal.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-000.930
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/06/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar a empresa de exibir à Fiscalização qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, nos termos do artigo 33, §§ 2° e 3ª, da Lei n°8.212/91. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, capta, da Lei n° 8.212/91 e artigo 8° da Lei n° 10.593/2002, c/c Súmula n° 05, do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. APLICAÇÃO DE PENALIDADE DECORRENTE DE INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa por descumprimento de obrigação acessória bem como os juros com base na taxe SELIC tem previsão legal e a inconstitucionalidade ou ilegalidade das mesmas não deve ser discutida no âmbito deste conselho. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NUMERO DE INFRAÇÕES. Para as infrações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não toma o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda possa aplicar a multa. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - INOCORRÊNCIA - Para a exclusão da multa em face de denúncia espontânea é necessário que a regularização da situação ocorra antes do inicio da ação fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar a empresa de exibir à Fiscalização qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, nos termos do artigo 33, §§ 2° e 3', da Lei n°8.212/91. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, capta, da Lei n° 8.212/91 e artigo 8° da Lei n° 10.593/2002, c/c Súmula n° 05, do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumpnmento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. APLICAÇÃO DE PENALIDADE DECORRENTE DE INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa por descumprimento de obrigação acessória bem como os juros com base na taxe SELIC tem previsão legal e a inconstitucionandade ou ilegalidade das mesmas não deve ser discutida no âmbito deste conselho. INFRAÇÃO. 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C ?"7 dEJMARCEL _ /”Inir : S D ZA COSTA — Relator , Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Ryeardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 • Processo n°37098.002430/2006-38 S2-C4T1 Acórdão nã 2401-00.930 Fl. 179 Relatório Trata — se de Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 33, §§ 2.° e 3.°, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, combinado com o art. 233 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 07, a empresa omitiu informações ao não lançar todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, na construção do edificio residencial Campo Belo, o que levou a fiscalização a desconsiderar a contabilidade entre 05/1998 a 06/2004. A Secretaria da Receita Previdenciária tomando conhecimento das alegações do contribuinte baixou processo em diligência para manifestação da fiscalização. A fiscalização se manifestou às fls. 80. Ato continuo, o contribuinte foi intimado para se manifestar sobre as informações trazidas pelo INSS, contudo quedou-se inerte tendo transcorrido in albis a manifestação do sujeito passivo. Inconfonnada com a Decisão Notificação de fls. 85/90, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em síntese: A desnecessidadc do depósito recursal no valor de 30% do débito fiscal tendo em vista a alteração do art. 33 do decreto 70.235/72. A exclusão da multa aplicada tendo em vista a existência de denúncia espontânea conforme prescreve o art. 138 do CTN. Que a cobrança da presente multa caracteriza confisco, o que é vedado pela Constituição Federal de1988. Requer o provimento do recurso com a anulação do Auto de Infração. É o relatório. .441 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES Preliminarmente cumpre esclarecer que, embora haja nos autos a comprovação de que alguns documentos solicitados abrangem período decadente, a multa prevista para a infração sob desvelo (art. 283,11, "j" do RPS) não se altera em função do número de documentos não disponibilizados ao fisco, mesmo que parte da documentação supostamente sonegada seja relativa a competências já alcançadas pela decadência, inquestionavelmente há documentos não exibidos ao fisco que dizem respeito a período recente, tendo-se em conta que o lançamento data de 19/04/2005, com a solicitação de documentos até a competência 06/2004. Também devemos salientar que a lavratura do presente AI se deu em nítida harmonia a disposição legal, frise-se que pela análise dos documentos presentes no presente processo, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, quais sejam: - Autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF-, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento,- Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — T1AD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; - Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Ao contrário do que entende a recorrente não há como excluir a multa por ocasião de denúncia espontânea haja visto o não cumprimento dos requisitos necessários, em especial o fato de não ter ocorrido a regularização da situação antes do início da ação fiscal. A penalidade presente no AI sob julgamento tem como fato gerador o descumprimento da obrigação da empresa de apresentar os elementos solicitados pelo fisco, prevista no art. 33, §§ 2.° e 3Y, da Lei n.° 8.212/1991. Tem-se, então, que o fisco, uma vez constatada a infração, deverá aplicá-la independentemente do cumprimento da obrigação de recolher o tributo devido, não havendo possibilidade jurídica de se afastar a imposição dessa penalidade, pelo fato de se exigir a multa de mora em outro lançamento. Assim, não só correto foi a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo autoridade previdenciária, como encontra-se devidamente fundamentada a multa aplicada.. Desse modo, a autuação deve persistir integralmente. Por fim temos que o presente AI foi lavrado em estrita observância às normas legais vigentes e foram dadas á recorrente todas as oportunidades de =reOodafalta,oque não ocorreu. 4 Processo ir 37098.00243012006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.930 Fl. 180 CONCLUSÃO: Ante ao exposto, Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2010 4r MARCELO •Içier DOUZA COSTA - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000519/00-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jan 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1996
RECONHECIMENTO DA RECEITA
Os custos incorridos até a cessão dos direitos e das obrigações do contrato à autuada devem ser considerados para efeito do reconhecimento da receita.
Verificada a insuficiência da receita tributada, deve ser mantido o auto de infração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1202-000.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VALERIA CABRAL GEO VERCOZA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1996 RECONHECIMENTO DA RECEITA Os custos incorridos até a cessão dos direitos e das obrigações do contrato à autuada devem ser considerados para efeito do reconhecimento da receita. Verificada a insuficiência da receita tributada, deve ser mantido o auto de infração. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 RECONHECIMENTO DA RECEITA Os custos incorridos até a cessão dos direitos e das obrigações do contrato à autuada devem ser considerados para efeito do reconhecimento da receita. Verificada a insuficiência da receita tributada, deve ser mantido o auto de infração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Valéria Cabral Géo Verçoza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carlos Alberto Donassolo, Flávio Vilela Campos, Gilberto Baptista. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 199 2 Relatório Tratase de autuação decorrente do reconhecimento, a menor, de receita no anocalendário de 1996 por não haver considerado os custos incorridos com o contrato de cessão firmado com a OAS na fórmula de cálculo para apuração da receita. O valor do crédito apurado foi de R$ 252.575,32 (fl. 01) Adoto o relatório de 1a. Instância por bem resumir os fatos que ensejaram a autuação. Conforme relatado no “Termo de Verificação Fiscal NR 01”(fls. 09 a 15) a fiscalização apurou que a Contribuinte reconheceu valor a menor de receita no ano calendário de 1996, em decorrência de não ter considerado os custos incorridos com o contrato cedido pela OAS na fórmula de cálculo para apuração da receita. 2. A construtora OAS Ltda. cedeu à Engelux todos os direitos e obrigações relativos ao contrato com a Cooperativa Habitacional Vivenda Ltda. estando compreendido no preço acordado o valor dos serviços executados correspondente a R$ 2.002.244,00 relativo às etapas II, III, e IV. A fiscalização apurou que tal valor foi registrado como despesas operacionais. 3. A fiscalização informa que: 3.1 – O custo para concluir a 2a etapa do empreendimento é de R$ 12.075.902,52; 3.2 – O valor a ser pago à OAS de R$ 2.002.244,00 não está incluído no custo acima, uma vez que o mesmo foi considerado como despesa operacional. 3.3 – O custo do item 3.2 referese a serviços realizados referentes às 2a, 3a, e 4a etapas do empreendimento. 3.4 – O referido valor ainda não havia sido liberado pela tomadora dos serviços quando da celebração do citado contrato de cessão; 3.5 – Embora o custo de R$ 2.002.244,00 não tenha sido orçado pela Contribuinte, “da sua realização depende a liberação de recursos das etapas, uma vez que as mesmas são realizadas através das medições da Caixa Econômica Federal (agente financeiro e mutuante da operação )”. 3.6 – “Assim, também é correto afirmarse que o custo de R$ 2.002.244,00 considerase ocorrido à partir da primeira medição para liberação dos recursos”. 3.7 – A Contribuinte realiza a avaliação do andamento do contrato com base nos custos incorridos. Ou seja, reconhece a receita na mesma proporção dos custos realizados. 3.8 – Como não tinha condições, pelos documentos apresentados, de determinar com exatidão a parcela do valor acima mencionado correspondente à 2a. etapa, foi considerado o rateio pelo preço do contrato para cada Etapa, apurandose o Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 200 3 valor de R$ 838.940,24, correspondente a 41,90235702% do preço contratado da 2a Etapa, R$ 19.799.863,19 em relação ao total das três Etapas de R$ 47.252.385,30. 3.9 – Demonstra na fl. 14, os cálculos para apurar o valor de R$ 1.375.541,24 considerado a menor de receita. Ou seja, R$ 5.510.408,75 de custos incorridos mais R$ 838.940,24 que não havia sido considerado, total de R$ 6.349.348,99 correspondente a 52,5786% do custo total estimado de R$ 12.075.902,52. Aplicandose este percentual no preço total desta Etapa, no valor de R$ 19.799.863,19, chegase ao valor da receita a ser considerada no anocalendário de 1996 no valor de R$ 10.410.504,82 e não o contabilizado de R$ 9.034.963,57. Diferença a tributar de R$ 1.375.541,24. 4. – Em decorrência do apurado foi oferecido à tributação o valor de R$ 1.375.541,24 considerado a menor de receita, sendo lavrado o Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, em 23/03/2000, no valor de R$ 252.757,32 (incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 29/02/2000 e descontado o imposto já recolhido) com o enquadramento legal descrito no auto (fls. 87 a 92). 5 – A empresa apresentou impugnação protocolada em 20/04/2000 (fls. 97 a 102), alegando, basicamente, o abaixo relatado: 5.1 – Preliminarmente alega cerceamento de defesa, destacando que o Decreto lei 70.235, em seu artigo 10, define os requisitos formais obrigatórios a serem observados pela autoridade autuante para plena validade do auto de infração. 5.2 – Alega que nos incisos III e IV estão previstas a exigência da descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, “para dar pleno conhecimento ao autuado da motivação da autuação”; 5.3 – Alega que a falta de clareza pode levar a uma autuação desmotivada e não possibilitando a autuada a se defender ou apresentar de forma incompleta a impugnação. Alega que no caso se verifica uma total falta de clareza de elemento crucial para o perfeito entendimento da autuação, qual seja, a capitulação legal do fato gerador pretendido, ou seja, o art. 195, I, do RIR/94, abaixo transcrito: (...) 5.4 – Alega que, em todo o termo de constatação identifica a autuação como decorrente de receita declarada a menor, relativa a apuração de receita de contratos de longo prazo pela IN 21/79. Diferença entre a receita obtida pela Impugnante e a declarada; 5.5 – Destaca que o enquadramento legal da autuação referese a indedutibilidade de parcelas de custos, despesas, encargos, provisões, participações ou outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido; 5.6 – Quanto ao mérito, alega que a fiscalização “baseouse em elementos falaciosos”. Alega que a parcela de R$ 2.002.244,00 constantes da cláusula 12a da cessão de contrato de empreitada Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 201 4 referese a custos incorridos pela primeira contratante e que foram repassados para a Impugnante. Destaca que a descrição destes custos dentro do contrato “apenas esclarece a correta quantificação dos mesmos, sem qualquer repercussão maior na esfera tributária”. 5.7 Alega que tanto é verdade “que a remuneração total pelo repasse da empreitada, através do citado contrato é de 9%, conforme cláusula 10a, importância estimada em R$ 3.453.681,00, conforme cláusula 8a, que será suportada pela autuada inclusive na forma de retenção nos recebíveis pagos pelo agente promotor, ou seja, a Cooperativa Habitacional Vivenda Ltda., que representa o devedorcomprador”; 5.8 – Destaca ainda a impugnante que, “salientamos, por oportuno, que a remuneração do primeiro empreiteiro, estabelecida contratualmente em 9%, já é corretamente contabilizada pela autuante, e considerada dentro da sistemática preconizada pela IN 21/79, o que resultaria fatalmente em duplicidade de base de cálculo, caso prospere a presente autuação, injustiça que não poderá ser admitida pela autoridade julgadora”; 5.9 – A Impugnante continua, destacando que “só para argumentar, já que temos absoluta certeza da procedência da defesa acima exposta, ainda é visível a falta de transparência no cálculo de fls., 6/7, quando o Sr. Auditor Fiscal apura a receita de forma como preconizado pela IN 21/79”. “Ora, quando incluída a proporção do suposto custo de R$ 2.002.244,00 na 2a etapa, que corresponde a R$ 838.940,24, foi omitida sua inclusão no divisor, apenas incluindose o mesmo no dividendo, o que resulta numa diferença brutal de cálculo, com consequências no valor final da autuação”. “O cálculo correto seria da seguinte forma:” 19.799.863,19 x (5.510.408,75 + 838.940,24) =R$ 9.734.244,83 (12.075.902,52 + 838.940,24) 5.10 – Concluindo, registra que, “como a diferença apurada anteriormente era de R$ 10.410.504,82 resulta em valor a maior em R$ 676.259,99, o que sugere que, ao menos, para clareza de todo o procedimento, tal autuação deveria ser baixada em novas diligências para apuração correta dos valores. Em 14 de dezembro de 2006, a 1a Turma da DRJ/SPO I julgou procedente em parte o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como descrito às fls. 153 (IRPJ mantido em R$ 52.662,30 e multa de ofício em R$ 39.496,72). O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1996 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 202 5 Ementa: ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. COMPREENSÃO DA INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A menção a mais de um artigo como o dispositivo legal infringido não vicia o lançamento quando a descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal e em campo próprio do formulário do Auto de Infração, permite a empresa conhecer a infração a ela atribuída. Inexistindo motivo que impossibilite a defesa, não há nulidade do lançamento. RECONHECIMENTO DE RECEITA Os custos incorridos até a Cessão dos direitos e das obrigações do contrato à atuada devem ser considerados para efeito do reconhecimento da receita. Aceito o levantado pela empresa de considerar os custos incorridos pela cedente no valor total dos custos previstos para conclusão da obra, para efeito de cálculo. Lançamento procedente em parte. Os fundamentos do voto condutor da decisão de 1a Instância estão descritos a seguir: 1 – Nulidade do auto de infração por não haver sido indicado corretamente o dispositivo legal. Entendeu a autoridade julgadora que o fato de o art. 195, I, do RIR/94 não se enquadrar à autuação não trouxe nenhum prejuízo à Contribuinte uma vez que o outro artigo citado na autuação corresponde à descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal. 2 – Quanto ao mérito (fl. 152/153), reproduzo, abaixo, o voto: Quanto ao mérito, a alegação de que os custos incorridos pela empresa que realizou a cessão estavam desvinculados da continuidade do contrato, não posso aceitar, pois, conforme foi apurado pela fiscalização a receita correspondente não tinha sido recebida da contratante dos serviços e seriam pagos à Impugnante. Quanto ao preço acertado com o Cedente do contrato no valor de R$ 3.453.681,00 e que será suportado pela Impugnante inclusive na forma de retenção nos recebíveis pagos pelo agente promotor, entendo que independente da apuração do resultado a ser considerado, sendo somente a forma de liquidação do preço acertado pela transferência do contrato Com relação ao reconhecimento da remuneração da Cesso do contrato que a Impugnante alega ter sido contabilizado pela sistemática da IN 21/79 e que se for mantido o presente auto de infração haveria o reconhecimento em duplicidade da base de cálculo a mesma não demonstra tal contabilização que acarretaria o alegado. Quanto à colocação da Impugnante, que destaca ser somente para argumentar, com referência ao cálculo da receita reconhecida a menor, aceito o apresentado pela Impugnante no sentido de considerar o valor de R$ 838.940,24 de custos incorridos na 2a Etapa da obra no custo total a ser incorrido de R$ 12.075.902,52. A própria fiscalização menciona no Termo de Verificação Fiscal que o custo incorrido pela empreiteira que repassou o contrato não está incluído no custo para concluir a obra. Consequentemente aceitando os cálculos da Impugnante, as receitas a serem reconhecidas no ano correspondem ao valor de R4 9.734.244,83. Como foi Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 203 6 contabilizado o valor de R$ 9.034.963,57 existe a diferença não considerada de R$699.281,26. O valor a ser lançado do Imposto de Renda : Receita não declarada R$ 699.281,26 Alíquota 15% R$ 104.892,19 Adicional 10% R$ 69.928,12 IRPJ R$ 174.820,31 Cálculo do Imposto de Renda, valor postergado: IRPJ R$174.820,31 IRPJ pago R$ R$ (122.158,01) IRPJ devido R$ 52.662,30 Multa 20% R$ 24.431,59 Juros 23.11% R$ 28.230,71 IRPJ Pago R$ 122.158,01 Quanto ao pedido de diligência para que sema procedido o recálculo, não vejo a necessidade, pois, os dados presentes nos autos são suficientes para realizálo. Em vista do que consta do processo, voto no sentido de julgar o lançamento procedente em parte, conforme demonstrado abaixo: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (EM R$) 1996 Tributo Lançado Exoneraado Mantido IRPJ 103.590,90 (50.928,60) 52.662,30 Multa/Ofício 77.693,17 (38.196,45) 39.496,72 A contribuinte foi cientificada da decisão de 1a Instância em 01 de agosto de 2007 e , irresignada, apresentou recurso voluntário em 31 de agosto de 2007. Em suas razões recursais alega que houve erro de cálculo na decisão recorrida. Vejamos os argumentos (fls. 168 a 176): Em suma o auto de infração foi lavrado porque entendeu a autoridade lançadora que a ora recorrente deixou de considerar a quantia de R$ 1.375.541,24 na base de cálculo do IRPJ do período de 1996. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 204 7 Assim, sobre essa base de cálculo foi constituído o IRPJ à alíquota de 15% ... e mais o adicional à alíquota de 10% ... totalizando o crédito constituído de R$ 343.885,31 que a recorrente devia ter recolhido em 31/03/1997. Como a recorrente só recolheu esse valor total de R$ 343.885,31 em 31/03/1998, mas sem multa e sem juros, conforme se pode observar inclusive da imputação de pagamento realizada pela autoridade lançadora à fl. 87 dos autos, considerouse que dessa quantia apenas R$ 240.294,41 serviram para se abater do crédito constituído, já que R$ 48.058,87 e R$ 55.532,03 foram lançados respectivamente a título de multa de mora (20%) e juros Selic (23.11%) sobre o crédito pago considerado, em razão do atraso de um ano no pagamento. Desse modo imputandose assim R$ 240.294,41 sobre o total de R$ 343.885,31 que devia ter sido recolhido em 31/03/1997, houve a diferença não recolhida de R$ 103.590, 30, sobre a qual foi lavrada a multa de ofício de 75% e mais juros Selic de 68,82% quando da autuação. O total do auto de infração foi então de R$ 252.575,32 sendo R$ 103.590,90 de crédito principal, R$ 77.693,17 de multa de ofício e R$ 71.291,25 de juros de mora. Por ocasião do julgamento de 1a Instância administrativa, o lançamento só foi mantido em parte. Considerouse que na verdade a base de cálculo omitida do IRPJ foi de R$ 699.281,26 e não o valor de R$ 1.375.541,24 lançado no auto de infração. Tendo por base essa base de cálculo de R$ 699.281,26 devia a recorrente então ter recolhido o valor de R$ 174.820,31 de IRPJ em 31/03/1997, conta esta inclusive feita no próprio acórdão de julgamento da impugnação administrativa. Em sendo assim, e conforme ficou decidido definitivamente por ocasião desse julgamento, a considerar o valor que deixou de ser pago de R$ 174.820,31 em 31/03/1997, nada devia ser constituído a título de IRPJ. Isso porque o valor de R$ 343.885,31 pago pela recorrente em 31/03/1998 a quantia de R$ 240.294,41 foi levada a efeito de imputação de pagamento em 31/03/1997. Verificase, portanto, que o valor considerado crédito de IRPJ na imputação é superior ao que devia ser pago pela recorrente, tendo em vista o que decidido claramente pela autoridade julgadora de 1a instância. Todavia, foi mantida em parte a autuação em razão de ter havido manifesto erro de cálculo por parte dessa autoridade, daí o porque de ser ter requerido na petição de interposição deste recurso a correção do erro nos termos do artigo 32 do Decreto no. 70.235/72 pela própria autoridade julgadora. E o erro de cálculo consistiu no total que devia ser considerado na imputação do pagamento. Pois bem, como em razão da diminuição da base de cálculo de R$ 1.375.541,24 para R$ 699.281,26 reduziuse por consequência o crédito de IRPJ de R$ 343.885,31 para R$ 174.820,31, uma redução de 50,836806608%, a autoridade julgadora de forma equivocada também diminuiu o valor considerado na imputação no mesmo patamar. Vale dizer, assim, que o crédito objeto da imputação de R$ 240.294,41 foi reduzido para R$ 122.158,01. (...) E como se considerou então no julgamento só esse valor de R$ 122.158,01 para efeito de imputação sobre um total devido de R$ 174.820,31, restaram R$ Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 205 8 52.662,30 de crédito principal constituído, e sobre o qual houve a multa de ofício de 75% (R$ 39.496,72) e os juros pela Selic (R$ 180.742,27 em 31/07/2007). Porém, salta aos olhos o erro de cálculo. O valor a ser considerado para efeito de imputação em pagamento não deve ser diminuído na mesma proporção de 50,836806608%. Levandose à data de 31/03/1997, quando devia ter sido pago o IRPJ constituído, efetivamente se deve considerar o montante de R$ 240.294,41 de crédito principal de IRPJ pago pela recorrente, conforme auto de infração. Por ter havido a diminuição da base de cálculo do tributo constituído, consequentemente foi diminuído o total do seu crédito tributário, e aqui sim na mesma proporção. Mas o valor recolhido pela recorrente espontaneamente e antes da fiscalização, considerado na imputação, nenhuma relação tem com isto, Deve ser o valor de R$ 240.294,41 objeto da imputação considerado na íntegra, sem abatimentos ou descontos,. Uma questão de pura aritmética. Em conclusão, e tendo em vista que o decidido no julgamento de 1a Instância administrativa, como devia a recorrente ter recolhido R$ 174.820,31 a título de IRPJ em 31/03/1997, segundo a fiscalização , em como a recorrente acabou recolhendo R$ 240.294,41 nessa data, em razão da imputação, ou seja, um valor bem superior ao que devido, deve o lançamento fiscal ser julgado totalmente improcedente, ao contrário do que constou em referida decisão, o que, aliás, pode ser feito inclusive pela própria autoridade julgadora prolatora dessa decisão, conforme, repitase, artigo 32 do Decreto no. 70.235/72 Feitas essas considerações, a recorrente reiterou seus argumentos com relação ao erro em se considerar o valor pago à Construtora OAS como custo da obra. Segundo a recorrente, o valor de R$ 838.940,24 considerado pela fiscalização como custo incorrido não reflete a realidade. Tal valor foi apurado com base no rateio de R$ 2.002.244,00 pagos pela Construtora OAS antes da cessão do contrato em relação às várias etapas de execução da obra. Entende a Recorrente que se não foi ela quem incorreu nesses custos, de forma alguma poderia lançálos dentro do sistema dos custos incorridos x custos orçados. Isso feriria um dos princípios básicos da contabilidade que é o da entidade. A Recorrente defende a idéia de que o valor de R$ 2.002.244,00 estaria embutido na comissão a ser paga à OAS, estimado em R$ 3,5 milhões, aproximadamente, e que representaria uma despesa operacional e não custo da obra. Ao final requereu fosse dado provimento ao recurso a fim de cancelar o lançamento fiscal de IRPJ tanto porque a imputação do pagamento foi feita de forma incorreta quanto pelo fato de os valores repassados pela recorrente à OAS não representarem custo incorrido. Diante das alegações da Recorrente de erro de cálculo na decisão de 1a Instância, os autos foram encaminhados novamente à DRJ/SPO I para apreciação. O Presidente da 1a. Turma de Julgamento assim se manifestou sobre o erro de cálculo apontado pela recorrente: (fl. 189) Cabe informar à Impugnante que no caso de lançamento de crédito tributário que envolva a situação da postergação do reconhecimento de receita, caberia Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 206 9 somente a cobrança de multa e juros, pois, entendese que no ano subseqüente o imposto devido de alguma maneira foi recolhido, já que tal receita foi devidamente reconhecida aumentando o resultado tributável. Porém, a administração tributária na emissão do auto de infração utiliza o critério de imputação de pagamento, que consiste em considerar o valor devido côo se o mesmo tivesse sido recolhido posteriormente, Desta maneira, como esta 1a Turma apurou o valor devido de R$ 174.820,31, presumese que esta quantia foi recolhida posteriormente, sendo, então, aplicado o mesmo critério para desconsiderar o valor da multa e dos juros. Desta forma, foi apurado somente o valor do imposto presumidamente recolhido de R4 122.158,01. Esse valor menos o devido de R$ 174.820,31 corresponde à quantia de R$ 52.662,30 de imposto ainda devido. Cabe destacar que não existem recolhimentos exatamente nos valores de R$ 343.885,31 ou de R$174.820,31 e que estes valores somente são considerados para se apurar o valor do imposto pago a menor nas duas situações, quando da autuação e quando da decisão desta 1a Turma. Repitase que a outra maneira de cobrar o devido pela postergação do reconhecimento da receita seria através do lançamento da multa e dos juros. Consequentemente, está correto o cálculo realizado na decisão no. 11.945 de 14/12/2006 prolatada pela 1a Turma de Julgamento, devendo o processo ser enviado à DERAT/DICAT/EQCOB, para que seja dada ciência deste despacho à interessada e providenciado o devido encaminhamento do Recurso Administrativo Voluntário apresentado ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes. A contribuinte foi cientificada da manifestação da DRJ em 14/11/2007. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 207 10 Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de lançamento por falta de apropriação adequada dos resultados relativos ao contrato de empreitada (longo prazo) firmado entre a Recorrente e a Construtora OAS. Da análise dos autos e da legislação aplicável verificase que o acórdão de 1a Instância não merece qualquer reparo. De acordo com o disposto no artigo 358 do RIR/94 temos o que segue: Art. 358. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada períodobase (Decretolei nº 1.598/77, art. 10): I o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorrido durante o períodobase; II parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no períodobase. § 1º A percentagem do contrato ou da produção executada durante o períodobase poderá ser determinada (DecretoLei nº 1.598/77, art. 10, § 1º): a) com base na relação entre os custos incorridos no período base e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção; ou b) com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. § 2º Na apuração dos resultados de contratos de longo prazo, devem ser observados na escrituração comercial os procedimentos estabelecidos nesta Seção, exceto quanto ao diferimento previsto no art. 360, que será procedido apenas no Livro de Apuração do Lucro RealLALUR. O i. AFRF, ao realizar o lançamento, considerou proporcionalmente às etapas da obra o valor não reconhecido pela Recorrente como custo, no montante de R$ 2.002.244,00. A parcela correspondente à 2a. Etapa foi de R$ 838.940,24. Entretanto, ao calcular a diferença Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 208 11 a ser tributada, equivocouse ao não usar o mesmo critério de adição tanto no numerador quanto no denominador. Assim o custo proporcional à 2a etapa da obra foi adicionado apenas no numerador. Tal equívoco, porém, foi corrigido na decisão de 1a instância que adotou, inclusive os cálculos apresentados pela Recorrente e considerou a diferença a ser tributada de R$ 699.281,26, chegando ao IRPJ de R$ 174.820,31. Ao fazer a imputação de valores para apurar o quantum devido, a autoridade julgadora chegou ao crédito tributário descrito às fls. 153 (IRPJ R$ 52.662,30 e Multa/ofício R$ 39.496,72). A forma de cálculo utilizada para apurar o imposto devido foi claramente justificada na manifestação da DRJ contida às fls. 189 que considerou que houve postergação do imposto e calculou somente a diferença. Adoto, neste momento, a fundamentação do cálculo, que transcrevo a seguir: Cabe informar à Impugnante que no caso de lançamento de crédito tributário que envolva a situação da postergação do reconhecimento de receita, caberia somente a cobrança de multa e juros, pois, entendese que no ano subseqüente o imposto devido de alguma maneira foi recolhido, já que tal receita foi devidamente reconhecida aumentando o resultado tributável. Porém, a administração tributária na emissão do auto de infração utiliza o critério de imputação de pagamento, que consiste em considerar o valor devido como se o mesmo tivesse sido recolhido posteriormente, Desta maneira, como esta 1a Turma apurou o valor devido de R$ 174.820,31, presumese que esta quantia foi recolhida posteriormente, sendo, então, aplicado o mesmo critério para desconsiderar o valor da multa e dos juros. Desta forma, foi apurado somente o valor do imposto presumidamente recolhido de R$ 122.158,01. Esse valor menos o devido de R$ 174.820,31 corresponde à quantia de R$ 52.662,30 de imposto ainda devido. Cabe destacar que não existem recolhimentos exatamente nos valores de R$ 343.885,31 ou de R$174.820,31 e que estes valores somente são considerados para se apurar o valor do imposto pago a menor nas duas situações, quando da autuação e quando da decisão desta 1a Turma. Repitase que a outra maneira de cobrar o devido pela postergação do reconhecimento da receita seria através do lançamento da multa e dos juros. Diante do exposto, deve ser mantida a autuação nos moldes do voto da decisão de 1a. Instância. Assim sendo, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Valéria Cabral Géo Verçoza Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 13808.000519/0081 Acórdão n.º 120200.455 S1C2T2 Fl. 209 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O
score : 1.0
Numero do processo: 35301.012701/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006
LAVRATURA FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
0 recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo no merece ser conhecido.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2401-001.457
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RECURSO INTEMPESTIVO. NA.0 CONHECIMENTO. 0 recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo no merece ser conhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em no conhecer do recurso, no /termos do voto do relator. (.,.. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente r \, KLEBER FERREIRA DE ARAUJO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD n° 37.010.044-1, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A notificação, lavrada em nome da contribuinte já qualificada nos autos, traz em seu bojo contribuições dos segurados empregados e as seguintes contribuições patronais: para a Seguridade Social, para financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidênCia de incapacidade labor ativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT) e aquelas i destinadas outras entidades e fundos, 0 crédito em questão reporta-se à competências de 01/2004 a 02/2006 e assumiu o montante, consolidado em 30/06/2006, de R$ 135.992,29 (cento e trinta e cinco mil, novecentos e noventa e dois reais e vinte nove centavos). De acordo corn o Relatório da NFLD, fls. 55/80, o crédito tributário teve como base de incidência os valores pagos a titulo de UNIFORME disportibilizado em pecúnia pela empresa a parte do seu quadro funcional. Nesse sentido, afirma o fisco, por não se amoldar a norma isentiva prevista na alínea "r" do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991, é cabível a incidência de contribuição sobre a referida 'verba. . A empresa apresentou impugnação, fls. 204/212, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que declarou, fls. 290/295, Pi ocedente o lançamento. Transcorrido o prazo recursal sem que a empresa se manifestasse, foi lavrado, em 08/03/2007, Termo de Trânsito em Julgado, fl. 303, do qual a empresa tomou ciência em 29/03/2007, fl. 306. - ..Ern, 19/07/2007, a notificada interpôs recurso voluntário, fls. 311/319, no qual, em síntese, alegou que: a) a NFLD 6 nula, posto que não consta na mesma a capitulação legal que daria suporte a inclusão dos diretores da empresa no pólo passivo do crédito em questão; b) falta ao relato do fisco os requisitos de clareza e precisão, fato que impede a empresa de se defender, inquinando de nulidade a NFLD; c) o deposito para garantia de instância é inconstitucional; d) nenhuma contribuição cabe sobre o ressarcimento da empresa aos seus empregados, pela aquisição de uniformes. Ao final, pede a nulidade da NFLD ou que lhe sejam encaminhados esclarecimentos adicionais sobre o procedimento fiscal, de modo a sanear as omissões e contradições do Relatório Fiscal. 2 Processo n° 35301.012701 12007-66 S2-C41 1 AcOrdao n." 2401-01.457 Fl 365 A empresa ajuizou ação na Justiça Federal em São João do Menti (RJ), em 03/09/2007, na qual obteve êxito no sentido de que o seu recurso fosse recebido independentemente do depósito para garantia de instância, desde que tempestivo.. Em 10/12/2007, a recorrente apresenta novo recurso, fls. 342/347, no qual alega a tempestividade do mesmo, corn respaldo na decisão proferida pelo Poder Judiciário do Distrito Federal, 2, Vara, em que foi deferida parcialmente a tutela antecipada, nos autos do processo n.° 200734.00.040550-2. A peça apresentada, alem desse argumento, repete os já expostos anteriormente. E o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator 0 recurso foi interposto fora do prazo tendo-se em conta a ciéncia da decisão a quo em 05/12/2006, fl. 299, e apresentação do recurso em 19/07/2007. Lavrado o Termo de Transito em Julgado em 08/03/2007, if 303, a empresa recorreu ao Judiciário e obteve provimento no seguinte sentido (ver fls. 336/337): Por outro lado, reconsidero, em pane, a decisão de fis. 141/142, para assegurar o seguimento dos recursos administrativos mencionados a .11s. 87/140, independentemente do depósito prévio de 30% da exigência tributána, desde que tempestivos e que inexis tam outros óbices para admissibilidade dos mesmos (Processo n."2007.51.10.005523-4) A exegese da norma concreta acima mencionada permite-nos concluir com segurança que não havia respaldo para o seguimento do recurso, haja vista que o mesmo era manifestamente intempestivo. Posteriormente a empresa apresenta novo recurso, fls, 342/347, alegando que o mesmo deveria ser considerado tempestivo, em face de nova decisão judicial, desta feita proferida pela 2.a Vara Federal da Seção Judiciária de Brasilia, nos autos do processo n.° 2007.34.00.040550-2. Vale a pena transcrever a parte dispositiva do decision ali exarado (ver fls. 355/358): Dessa forma, defiro parcialmente a tutela antecipada para determinar aos réus que deem processamento aos recursos administt ativos interpostos pelas autoras e que não foram conhecidos, posto que desacompanhados do depósito prévio, bem assim para conceder a elas o prazo de cinco (05) dias para a reapresenta cão dos recursos cujas peps não foram recebidas pata protocolo em :face da orientação normativa interna que previa a inconstitucional exigência. Verifica-se também essa nova decisão não garantia o seguimento do recurso, porquanto o comando acima transcrito referia-se a peças que deixaram de ser protocolizadas em razão da falta do depósito, o que na verdade não OCOTTell. Os recursos apresentados não tiveram seguimento ern razão da sua interposição intempestiva e não havia, nem há, na seara do direito previdencidrio, qualquer norma impeditiva de protocolização de peças recursais, ainda que apresentadas a destempo ou em repartição incompetente para processar o feito. Mas hi outro fato que tenho que trazer aos autos. Em consulta à página eletrônica da Justiça Federal Seção Judiciaria do DF (http://Www.df.tufl.gov.beinteiro jeor/consulta.php), pude constatar que o processo em questão foi extinto sem julgamento do mérito por litispendôncia, em razão da identidade da causa de pedir, das partes e do pedido corn a ação proposta anteriormente perante a Justiça Federal em Sao João do Menti (processo também já referido). 4 Processo n°35301 012701/2007-66 S2-C41'1 Acórdão n ° 2401-01A57 Fl 366 Assim, voto pelo não conhecimento do recurso, em face de sua intempestividade. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 I. d . kAiJ 12, V\ri -\.;( KLEBER -FERREIRA DE ARAÚJO — Relator MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS — Q.01 — BLOCO "J" — ED. ALVORADA —11° ANDAR EP: 70396-900 — BRASÍLIA (DF) Tel: (0xx61) 3412-7568 PROCESSO: 35301.012701/2007-66 INTERESSADO: VIAÇÃO SANTA SOFIA S/A TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 2401-01.457 de folhas / Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providências de sua alçada. Quarta Câmara da Segunda Seção .1t,Bivasitiu4;44 ' .!.1( aria •14-a‘ci.:71P-ca Md. 4(170
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Numero do processo: 35320.004963/2006-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Mar 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/08/1999
DECADÊNCIA.
0 Supremo Tribunal Federal, através da Sumula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.695
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Camara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois foi reconhecida a decadência do direito de exigibilidade da totalidade das contribuições apuradas, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1996 a 31/08/1999 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Sumula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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DECADÊNCIA. Recorrente SUISSA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1996 a 31/08/1999 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Sumula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Camara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois foi reconhecida a decadência do direito de exigibilidade da totalidade das contribuições apuradas, nos termos do voto do relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Gloria Faria (Suplente). Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdencidria (DRP), Duque de Caxias/RJ, fls. 0112 a 0121, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 032 a 042, o lançamento refere-se a contribuições destinadas A. Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Ern 06/07/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 074 a 087, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconfoti iada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0127 a 0139, acompanhado de anexos. Posterioimente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fis. 0156. o relatório. 2 Processo n° 35320.004963/2006-48 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.695 Fl. 15S Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"são inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário n inciso V do art. 156 do crN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeit que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no a 150, § 4°, do CTN (este ultimo diz respeito ao lançamento por homologação). O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados.. 3 I - do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo iinico. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo á. homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. sS' 1° - 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. ,§' 2' Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando a extinção total ou parcial do crédito. sS' 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porem considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, sera ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Publica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. "Ementa: .... II. Somente quando não ha pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CT7V. ...." (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2" Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ' Ementa: Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4'; e 173, I, do Código Tributário Nacional. 4 Sala das Sessões5 2 de março e 2010 / R OLIVEIRA — Relator Processo n° 35320.004963/2006-48 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.695 Fl. 159 Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciciria) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ...." (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1" Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado - seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN - devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. Ocorre que, no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 07/2006, data da ciência, e os fatos geradores ocorreram entre as competências 08/1996 a 08/1999, portanto torna-se irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das regras existentes. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 35320.004963/2006-48 Recurso n°: 155.771 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto â Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2407-00.695 Brasilia 29 & abril de 2010 ELIAS SA AIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000710/2003-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE
AJUSTE ANUAL - O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar a Declaração de Ajuste Anual. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão abrangidos pelo art. 138 do CTN.
DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS - As decisões judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
Numero da decisão: 2201-000.863
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão abrangidos pelo art. 138 do CTN. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS - As decisões judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário. Francisco Assis de Oliveira Júnior - Presidente. (Assinado Digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 06/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/12/2010 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Eduardo Tadeu Farah - Relator. (Assinado Digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Janaína Mesquita Lourenço de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Antônio Dantas de Alencar, já qualificado nos autos, apresenta Recurso Voluntário objetivando a reforma da decisão da 6ª Turma da DRJ - São Paulo/SP II. A fiscalização lavrou auto de infração de fls. 05/09, relativa a multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2001, no valor de R$ 2.461,06. Inconformado, apresentou o autuado Impugnação de fls. 01/04, alegando, em síntese que: a) estava impossibilitado de apresentar a declaração, já que seus documentos encontravam-se desaparecidos; b) a declaração foi entregue espontaneamente, sendo indevida a aplicação de qualquer penalidade, tendo em vista o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional; c) é indevida a multa, já que houve antecipação do imposto devido, tendo sido multado por um valor já pago e quitado; d) as inúmeras jurisprudências colacionadas reforçam o entendimento de que é indevida a aplicação da penalidade, na forma do art. 138 do Código Tributário Nacional. A autoridade julgadora “a quo” manteve o lançamento, conforme decisão de fls.17/20, assim ementada: Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O cumprimento de obrigação acessória, após escoado o prazo legal para seu adimplemento, não se configura denúncia espontânea, sendo exigível a multa indenizatória decorrente da impontualidade do contribuinte. Lançamento procedente Cientificado da decisão de primeira instância em 21/08/2007 (AR de fls. 34), apresentou o autuado, dentro do prazo legal, Recurso Voluntário de fls. 37/42, alegando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 06/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/12/2010 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13811.000710/2003-98 Acórdão n.º 2201-00.863 S2-C2T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A matéria em debate nos autos é por demais conhecida pelos membros desta Câmara, já que se trata da aplicação da multa pelo atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício de 2001. O recorrente estava obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do exercício em questão, como não cumpriu esta obrigação no prazo fixado, foi notificado a pagar a multa prevista no art. 88 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, que assim determina: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará à pessoa física ou jurídica: I – à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago: II – à multa de duzentas UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1°. O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas UFIR, para as pessoas físicas; b) de quinhentas UFIR, para as pessoas jurídicas. Ressalte-se que com a edição da Lei nº 9.250, de 26/12/95, art. 2º, os valores expressos em UFIR, constantes da legislação tributária, foram convertidos em reais, pelo valor da Ufir vigente em 1º de janeiro de 1996. Vê-se do excerto legal reproduzido que a apresentação da declaração de rendimentos é uma obrigação para aqueles que se enquadram nos parâmetros legais e deve ser realizada no prazo fixado pela lei. Assim, em que pese alegue o recorrente que estava impossibilitado de apresentar a declaração, já que seus documentos encontravam-se desaparecidos, não há nenhuma lei tributária que preveja a hipótese de isenção ou benefício fiscal em razão da situação relatada pelo insurgente nos casos de entrega a destempo da DIRPF, sob pena de contrariar frontalmente o princípio da reserva legal. Em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, entendo que a multa moratória constitui infração formal (obrigação acessória autônoma) e, por sua natureza compensatória, não está acobertada pelo referido artigo, que abarca apenas as cominações exigidas quando o caso for de confissão espontânea de débitos ainda não conhecidos pela autoridade fiscal. Destarte, não é o caso da multa por atraso na entrega de declarações, que têm prazo previsto na lei para cumprimento. Portanto, a entrega extemporânea da declaração do Imposto de Renda, mesmo que seguida do pagamento do tributo, estará sujeita a aplicação da multa de caráter moratório, na forma do art. 88 da Lei nº 8.981/95, supracitado, posto que houve o cometimento de uma infração de natureza formal em descumprimento da obrigação de caráter acessório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 06/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/12/2010 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Essa questão foi amplamente examinada neste Colegiado, consoante as ementas destacadas: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – IRPF - EXERCÍCIO DE 1997 - A partir de primeiro de janeiro de 1995, a falta ou a apresentação da declaração de rendimentos fora do prazo fixado, quando dela não resulte imposto devido, sujeita a pessoa física à multa mínima equivalente a 200 UFIR. (Lei nº 8.981 de 20/01/95 art. 88 § 1º letra “a”). Não se aplica o instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN nos casos de falta ou atraso no cumprimento de obrigação acessória. Recurso negado. (Ac 102-44.512, 8.11.2000, Rel. Cons. José Clovis Alves). ... IRPF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado (Ac. CSRF/01-02.952, Rel.designada Leila Maria Scherrer Leitão). Finalmente, as decisões judiciais invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise vinculando, apenas, as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Eduardo Tadeu Farah (Assinado Digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 06/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/12/2010 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000810/2001-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/2000
IPI. NÃOCUMULATIVIDADE.
RESSARCIMENTO. A legislação do IPI,
tratando da sistemática da nãocumulatividade,
prevê a possibilidade de,
apurado saldo credor do imposto num determinado período após a dedução
do saldo devedor no mesmo período, transferir o valor do crédito para o
período de apuração seguinte ou, ainda, restituir ao Contribuinte o mesmo em
espécie.
Numero da decisão: 3302-000.653
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber
José da Silva e José Antonio Francisco. O Conselheiro Alan Fialho Gandra apresentou
declaração de voto.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
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Matéria RESTITUIÇÃO DE IPI Recorrente TOMÉ S/A INDÚSTRIA DE AUTOPEÇAS Recorrida DRJ SANTA MARIA/RS Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/2000 IPI. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. A legislação do IPI, tratando da sistemática da nãocumulatividade, prevê a possibilidade de, apurado saldo credor do imposto num determinado período após a dedução do saldo devedor no mesmo período, transferir o valor do crédito para o período de apuração seguinte ou, ainda, restituir ao Contribuinte o mesmo em espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco. O Conselheiro Alan Fialho Gandra apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 14/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 356DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Tratase de pedido de restituição de saldo credor de IPI cumulado com pedidos de compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. A recorrente teve reconhecido judicialmente o direito de escriturar créditos de IPI decorrente de suas aquisições de insumos/matérias primas isentas, não tributadas ou sujeitos à alíquota zero. Por bem retratar a matéria, transcrevo o relatório produzido pela Delegacia Regional de Julgamento: O estabelecimento industrial acima identificado formulou O Pedido de Restituição de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI (fl. 1, cumulativamente com os pedidos de compensação das folhas 2 e 131 a 137), incidente na aquisição de insumos isentos, nãotributados ou tributados com alíquota "zero", aplicados na industrialização de produtos tributados, efetuadas durante o período mediado pelas datas de 01/09/1988 e 30/09/2000, no valor de R$ 913.087,57, com base no que entende ser a "mais recente posição adotada pelo Supremo Tribunal Federal, secundada pelo Superior Instância Administrativa [sic], especificamente o 2° Conselho de Contribuintes, através de suas 1ª e 2ª Câmaras." (fl. 4), conforme petição que acompanha o Pedido, (fls. 3 a 11). 1.1 Adicionalmente, requer correção dos créditos. Instrui o seu pedido com rol de entradas de mercadorias que entende dar direito ao crédito (fls. 25 a 31) e com cópias de peças que compõem o Mandado de Segurança nº 98.15051954, impetrado pelo requerente contra o senhor Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul, inclusive de acórdão do TRF4 a Região, que julgou a AMS nº 1999.04.0782882/RS, interposta pelo requerente contra a decisão judicial que denegou a segurança requerida no MS acima citado. 1.2 De acordo com o Parecer DRF/CXL/Saort nº 9, de 28 de março de 2002 (fls.143 a 145), na petição inicial do MS de que se trata, o impetrante pretendia que fosse "reconhecido seu direito de beneficiarse/utilizarse dos créditos de IPI oriundos da compra de insumos/matériaprima isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquotazero, bem como realizar o creditamento relativo a operações cujo crédito de IPI não fora aproveitado pelos últimos dez anos, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, na sistemática de apuração do mesmo tributo, com valores corrigidos por índices que reflitam a real desvalorização da moeda nacional, inclusive a Selic a partir de janeiro de 1.995". 1.3 O referido Parecer considerou que o TRF4 a Região, ao dar provimento à apelação, proveu a segurança nos termos em que ela foi pleiteada, reconhecendo o direito ao creditamento na escrita fiscal do apelante, nada dispondo sobre a compensação, já que esta não teria constado do pedido, não podendo sequer ser cogitada na decisão judicial. Assim sendo, o Parecer propôs o deferimento do aproveitamento dos créditos acumulados até 31/12/1998, na escrita fiscal do IPI, para dedução do IPI devido, Fl. 357DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11020.000810/200133 Acórdão n.º 330200.653 S3C3T2 Fl. 340 3 nos termos do art. 5 da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999. 1.4 Quanto aos créditos posteriores àquela data, em vista do que dispõe o § 2°, inc. II, do art. 2° da INSRF nº 33, de 1999, e também do provimento judicial, o Parecer considerou que o contribuinte poderia optar pelo ressarcimento ou pela compensação do saldo credor apurado na escrita fiscal, estando desobrigado pelo provimento judicial da obrigação de estornar os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados. 1.5 O Parecer DRF/CXL/Saort nº 9 foi integralmente acolhido pelo DRF Caxias do Sul, que indeferiu o pedido, por estar em desacordo com a decisão judicial que amparouo, conforme Despacho Decisório, folha(s) 146. 2. Regularmente intimado da decisão (A.R., fl. 214), o requerente formulou a reclamação das folhas 215 a 239, subscrita por representante legal, devidamente habilitado nos autos (instrumento de mandato nas fls.240 a 243) e instruída com os documentos às folhas 244 a 250. 2.1 Após requerer a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação deixou de ser homologada, em decorrência do indeferimento dos créditos pretendidos, e sintetizar a demanda, a Defesa controverte o Despacho Decisório com os seguintes argumentos: a) De que a INSRF nº 33, de 1999, não é aplicável ao caso, vez que os créditos pretendidos não se enquadram na hipótese aventada pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999; b) De que o requerente interpôs Embargos De Declaração e Recurso Especial ao STJ, com vistas à discussão de questões relativas ao prazo prescricional e à aplicação da correção monetária sobre os créditos, e que tais recursos aguardam julgamento pela Segunda Turma; c) De que a Fazenda Nacional não interpôs recurso contra decisão que reconheceu o direito ao creditamento, o que teria proporcionado o trânsito em julgado da matéria; d) De que o creditamento e a compensação realizados pelo requerente obedecem exatamente ao disposto no Acórdão; e) De que o art. 170A da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — CTN é inaplicável, por ter sido introduzido no ordenamento jurídico após a impetração do MS, transcrevendo decisões judiciais que entende socorrêlo; f) De que a Administração Pública está vinculada às decisões judiciais, conforme doutrina de Hely Lopes Meirelles. 2.2 Citando doutrina e jurisprudência administrativa e judicial, requer o acolhimento de suas razões e a reforma da decisão Fl. 358DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 administrativa, para que se lhe defira a restituição e a compensação pleiteadas. A par dos argumentos acima sintetizados, a DRJ de Santa Maria entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que assim ficou ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/09/1988 a 30/09/2000 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. Em sede de créditos fictos, reconhecidos judicialmente e para os quais não haja previsão legal, o ressarcimento é deferido com base nos estritos limites da literalidade da decisão judicial. Solicitação Indeferida. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente alega que: a) obteve decisão favorável em Mandado de Segurança que reconheceu “seu direito de beneficiarse/utilizarse dos créditos de IPI oriundos da compra de insumos/matériaprima isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquotazero, bem como realizar o creditamento relativo a operações cujo crédito de IPI não fora aproveitado, na sistemática de apuração do mesmo tributo, determinandose à digna Autoridade apontada como coatora que se abstenha de qualquer ato tendente à glosa do creditamento relativamente ao IPI efetuado pela Impetrante, ou que impeça a Impetrante de exercer suas atividades empresariais e societárias.”; b) ao não reconhecer o direito a restituição, a Receita Federal estaria descumprindo ordem judicial; c) o art. 74 da Lei 9.430/96, prevê expressamente a possibilidade de compensação dos créditos reconhecidos judicialmente, como é o caso da Recorrente; d) Por fim, “considerando que, no acórdão que concedeu a segurança pleiteada pela recorrente, não há nenhuma restrição quanto aos limites para a restituição/compensação dos créditos de IPI oriundos de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, e o disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que possibilita ao contribuinte utilizar quaisquer débitos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal para proceder a compensação dos créditos de IPI, in casu, ou outros tributos, é imprescindível que haja a homologação dos pedidos de ressarcimento/compensação em comento.” É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES Fl. 359DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11020.000810/200133 Acórdão n.º 330200.653 S3C3T2 Fl. 341 5 O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, a Recorrente interpôs Mandado de Segurança sob nº 98.15051954, perante a Justiça Federal de Caxias do Sul, visando o reconhecimento do direito de escriturar créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos/matérias primas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero. No pedido efetuado em seu Mandado de Segurança, assim ficou assentado: “seja deferida a medida liminar ora requerida a fim de ver garantido à Impetrante seu direito líquido é certo de beneficiar se/utilizarse dos créditos de IPI oriundos da compra de insumos/matéria prima isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, bem como realizar o creditamento relativo a operações pretéritas cujo crédito de IPI não fora aproveitado, na sistemática de apuração do mesmo tributo, determinandose à digna Autoridade apontada como coatora que se abstenha de qualquer ato tendente à glosa do creditamento relativamente ao IPI efetuado pela Impetrante, ou que impeça a Impetrante de exercer suas atividades empresariais e societárias” Este direito somente foi reconhecido através de decisão exarada pelo TRF da 4ª Região, que reconheceu o direito da Recorrente nos termos em que foram requeridos na inicial. Do voto condutor do Acórdão produzido no autos da Apelação em Mandado de Segurança n° 1999.04.01.0782882/RS, destaco: “Destarte, não reconhecido o crédito quando da aquisição de matériasprimas livres dó tributo, insubsistente a isenção, pois o pagamento, na prática, seria apenas postergado, suportando o beneficiador do produto a sua própria carga e aquela decorrente da benesse concedida. Por outro lado, tenho que a regra do art. 155, Constituição Federal, somente se aplica ao ICMS, não podendo ser estendida ao IPI. Ressaltese, por fim, que a Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no seu art. 11, previu expressamente a possibilidade de aproveitamento do IPI e inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero. Assim sendo, merece acolhida a pretensão da impetrante. Isto posto, dou provimento à apelação da autora para, reformando a sentença, conceder a segurança pleiteada.” Contra esta decisão a Recorrente apresentou embargos de declaração, seguidos de Recurso Especial onde questionava apenas questões relativas a correção monetária dos créditos e o prazo prescricional. O Recurso Especial não foi conhecido, em decisão que transitou em julgado em 07/10/2005. Fl. 360DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 A DRF de Caxias do Sul ao analisar o pleito do Recorrente assim se manifestou, por meio do Parecer DRF/CXL/Saort n° 9, de 28 de março de 2002: 3. Assim sendo, ao dar provimento à apelação e reformar a sentença, o TRF/4a Região concedeu a segurança nos estritos termos em que pleiteada, ou seja reconheceu o direito ao creditamento na, escrita fiscal do apelante, nada mais dispondo sobre compensação, que não constou do pedido e, por conseguinte, não podia sequer ser cogitada na decisão judicial. 4. O artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 33/99, de 04 de março de 1.999, após estabelecer, em seus itens I e II, o momento em que devem ser registrados os créditos do IPI relativos a insumos adquiridos para emprego nos produtos industrializados, permitiu, no § 2°, inciso que, "ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n° 21/97, de 10 de março de 1.997." 5. Porém, o artigo 5° da citada Instrução Normativa estabelece que "os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1.998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação." 6. Por conseguinte, a interessada obteve provimento judicial para escrituração dos créditos (e não compensação) acumulados até 31 de dezembro de 1.998. 7. Já quanto aos créditos posteriores, além do amparo judicial para o creditamento na escrita fiscal (inclusive, por força da decisão do TRF/4 a Região, no que se refere aos insumos não tributados), passou a interessada a ter o abrigo (com exceção dos insumos não tributados) também do § 2°, inciso II, do artigo 2°, da INSRF n° 33, de 1.999, podendo optar pelo ressarcimento ou compensação, mas obedecendo estritamente, nesse caso, ao disposto no citado artigo 2º e seus §§ 1° e 2°, da mesma Instrução Normativa (excluese a obediência ao disposto no § 3°, em vista da decisão judicial). Como se vê, a decisão da DRF afastou a possibilidade de utilização dos créditos acumulados até 31/12/1998 em compensação com outros tributos administrados pela SRF, por afronta ao disposto no art. 5º da IN/SRF 33/99, uma vez que tal dispositivo determinava a utilização destes créditos acumulados somente para a dedução do IPI devido. Já em relação ao período posterior a 31/12/1998, a decisão, em respeito a determinação judicial, entendeu que a Recorrente poderia efetuar pedidos de ressarcimento e compensação do saldo credor nos termos do § 2°, inc. II, do art. 2° da INSRF nº 33, de 1999, que assim prescreve: Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: Fl. 361DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11020.000810/200133 Acórdão n.º 330200.653 S3C3T2 Fl. 342 7 (...) § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: (...) II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997. Ocorre contudo, que o pedido de ressarcimento protocolado corresponde a todo o período compreendido de 01/08/1998 a 30/09/2000. Ou seja, não foi efetuado ao final de cada trimestre calendário. A Recorrente por sua vez, entende que a Instrução Normativa nº 33/99 não é aplicável ao caso sob análise, e que tem direito ao ressarcimento e a compensação nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. O RIPI/98 assim disciplinava a matéria: Art. 178. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º , inciso II, e Lei n.º 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte (Lei n.º 5.172, de 1966, art. 49, parágrafo único). § 2º O direito à utilização do crédito está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento. Art. 191. Poderão ser concedidas outras formas de compensação do imposto, inclusive com outros tributos ou contribuições federais, desde que mediante requerimento do sujeito passivo e observadas as normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal (Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 73 e 74). Art. 192. A restituição do imposto fica condicionada à verificação da quitação de tributos e contribuições federais do interessado (Decretolei n.º 2.287, de 1986, art. 7º, Lei n.º 9.069, de 1995, art. 60, e Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 73 e 741). 1 Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Fl. 362DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 8 Por sua vez, a Lei 9.430/96, em seus art. 73 e 74, assim regulavam a compensação de créditos dos contribuintes: Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Como se vislumbra da leitura dos dispositivos acima transcritos, não existe na legislação qualquer vedação ou imposição de procedimento a ser adotado pelo contribuinte na utilização de seus créditos. É certo que devam ser instituídos procedimentos para controle e análise dos pedidos de compensação ou de ressarcimento, como bem determina o art. 191 do RIPI/98, mas este procedimentos não podem obstáculos ou motivo para serem afastados por completo o direito aos créditos a que faz jus a Recorrente, ainda mais quando reconhecidos por decisão judicial Neste sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes: IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO PORTARIA MF N° 38/97 PERÍODO DE APURAÇÃO MENSAL, ENQUANTO A PORTARIA DETERMINA APURAÇÃO TRIMESTRAL IRRELEVÂNCIA DESTA FORMA PARA FRUIÇÃO DO DIREITO Em que pese o art. 4 0, § 40, da Portaria MIE n° 38/97, determinar que o pedido seja apresentado por trimestre calendário, não se pode negar o direito ao crédito presumido, tendo sido os demais requisitos preenchidos. Recurso voluntário provido. (Primeira Câmara do Segundo Conselho. Processo : 10830.001228/9867. Relator: Gilberto Cassuli. 19.09.2001) Ressaltase, por oportuno, que o direito ao crédito que está sendo pleiteado pelo Recorrente não foi contestado pela autoridade administrativa, que inclusive reconheceu sua existência. Cumprenos destacar ainda que como bem informou o acórdão exarado pela DRJ, a aplicação ou não do disposto no art. 170 A do CTN, não foi tratada pela despacho Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Fl. 363DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11020.000810/200133 Acórdão n.º 330200.653 S3C3T2 Fl. 343 9 decisório e não foi motivo do indeferimento do pedido, motivo pelo qual tratase de matéria estranha aos autos. Não obstante, tendo o Mandado de Segurança sido interposto em 1998, inaplicável o comando esculpido no dispositivo do Código Tributário, uma vez que introduzido no mudo jurídico somente em 2001, com o advento da Lei Complementar 116/01. Seus efeitos não podem retroagir, conforme pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Tendo em vista e pedido de restituição formulado foi indeferido pela autoridade fiscal, deve o mesmo ser conhecido e os créditos pleiteados analisados e quantificados pela autoridade preparadora, nos termos das decisões exaradas pelo judiciário no Mandado de Segurança 98.15051954, afastadas as determinações da IN/SRF nº 33, devendo os eventuais créditos apurados serem utilizados nas compensações informadas no presente processo. Neste sentido voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 364DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000061/2006-70
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENOPORTE SIMPLESAno-calendário: 2001OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.MULTA DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.787
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENOPORTE SIMPLESAno-calendário: 2001OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.MULTA DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 17/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Luciano Inocêncio dos Santos, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase de processo de lançamento de oficio para exigência de crédito tributário no valor de R$ 472.725,08 (fls. 02), sobre períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2001, documentado em Autos de Infração (AI) de tributo e contribuições pagos sob a sistemática do Simples, relacionados a seguir: a) Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) — R$ 34.710,90 (fls. 03/07); b) Programa de Integração Social (PIS) — R$ 34.710,90 (fls. 08/16); c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) — R$ 60.381,17 (fls.17/25); d) Contribuição p/Financiamento da Seguridade Social (COFINS) — R$ 120.762,37 (fls. 26/34); f) Contribuição para a Seguridade Social (INSS) — R$ 222.159,74 (fls. 35/43). A autuação foi motivada por: a) Omissão de Receitas – Depósitos Bancários não escriturados, com fundamento no art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3 0, §1°, alínea "a", 50, 70, §1°, 18, da Lei n° 9.317/96, art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 30 da Lei n° 9.732/98; arts. 186, 188, 199, 287 e 849 do RIR/99. b) Insuficiência de recolhimento, com fundamento no art. 5º da Lei n° 9.317/1996 c/c art. 3º da Lei n° 9.732/98; art. 186 e 188, do RIR/99. O autuante esclarece, na "Descrição dos Fatos" de fl. 04/05, que o contribuinte não justificou a origem dos valores creditados/depositados e, por meio da presunção legal de que os Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10650.000061/200670 Acórdão n.º 180300.787 S1TE03 Fl. 440 3 depósitos/créditos não justificados em suas contas bancárias caracterizam omissão de receita (arts. 199, 287 e 849 do RIR/99), foi lançada a totalidade dos valores constantes no anexo ao Termo de Intimação Fiscal de 05/01/2006 (fls. 70/75), com exceção dos valores cujo histórico é "créd autor". Aduz, ainda, que na análise inicial dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras (fls. 84/191), foram considerados todas as conciliações bancárias, as receitas constantes na conta "caixa" do Livro Razão 2001 (fls. 192/227), como também os empréstimos. Ciente do feito em 17/01/2006 (AR de fls. 243), a autuada apresentou impugnação em 15/02/2006 (fls. 245/350), alegando, em suma, que sua atividade principal é a compra de jóias em leilões da Caixa Econômica Federal, com posterior revenda para pessoas fisicas e jurídicas, especialmente fora da cidade de Uberaba. Esclarece, ainda, que nessa atividade mantém relacionamento comercial com diversos comerciantes do Brasil, efetuando empréstimos recíprocos, uma vez que o capital de giro da grande maioria é reduzido. Alega que a fiscalização, ao efetuar o levantamento da movimentação bancária dos extratos do exercício 2001, considerou todos os depósitos e créditos em conta como venda de mercadorias, o que não é verdade, com a inclusão de diversos valores que representam simplesmente empréstimos efetuados à empresa. Relaciona, às fl. 308/312, o valor dos empréstimos efetuados à empresa impugnante por pessoas físicas, através de cheques depositados na sua conta bancária no BCN e na CEF, erroneamente considerados, pela fiscalização como venda de mercadorias. Informa, outrossim, que os valores constantes dos extratos da CEF com o título CRÉDITO AUTORIZADO, referese a empréstimos efetuados pela própria CAIXA. Portanto, à vista do levantamento efetuado, conclui a fiscalizada que os valores apurados no trabalho fiscal por simples presunção não podem prevalecer, considerando que o autuante efetuou lançamento tributário sobre todos os créditos, tanto de cheques quanto crédito por descontos de cheques. Ante o exposto, requer a revisão dos cálculos dos Autos de Infração, alterando o valor das vendas aleatoriamente encontradas de R$ 2.140.222,94 para R$ 310.129,91, valor sobre o qual, segundo a contribuinte deverá ser aplicada a alíquota do Simples Federal” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) A empresa foi intimada em 05/01/2006, fls. 69/76 a comprovar documentalmente a origem dos valores depositados/creditados em suas contas bancárias, sendo que já haviam sido excluídos os lançamentos a crédito cujos históricos permitiram identificar que se tratava de conciliações bancárias, de receitas escrituradas na conta caixa do Livro Razão 2001 (fl. 192/227), como também de empréstimos e financiamentos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 b) Posteriormente, foram excluídos do lançamento os créditos de histórico "CRED AUTOR", ou CRÉDITO AUTORIZADO, da CEF, considerados como empréstimos concedidos, como destacou a Fiscalização na Descrição dos Fatos, fl. 04/05. c) Somente em 15/02/2006, fls. 246/250, em sua contestação, a contribuinte apresentou valores de depósitos e de cheques compensados, agrupados mensalmente. Observase que nada foi apresentado que comprovasse essa alegação (e no livro Razão de fls. 192/227, não há qualquer menção ou registro). Portanto, tratase de meras alegações de empréstimos informais, sem prova material. d) É interessante estabelecer uma correlação entre as receitas declaradas, fls. 229, e essa alegada movimentação de recursos tomados como empréstimos mensalmente. Observa se a disparidade entre os alegados empréstimos tomados e a receita bruta informada no ano; mas, principalmente, a alegação veio desacompanhada de qualquer prova material, além de não constarem os alegados empréstimos do Livro Razão da empresa. e) Acresçase aqui que o trabalho de fiscalização foi cuidadoso e à contribuinte foi dada toda a condição e possibilidade de desfazer a presunção mediante apresentação de provas materiais, o que não foi feito. f) Esclareçase, ainda, que a insuficiência de recolhimento, em face da mudança de aliquota do Simples, advém da omissão de receita apurada. Sendo assim, há de ser mantida, também, a infração 002 dos autos de infração denominada "INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO". Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) O valor lançado é irreal, posto que, a recorrente jamais auferiu este valor a título de renda, não obteve o valor patrimonial elencado no relatório que acompanhou o auto de infração, não se beneficiou de qualquer forma e a qualquer título, e ainda não obteve a receita bruta que ensejou o lançamento. b) A presunção adotada para a realização do lançamento do IR pelos auditores fiscais, fundaramse em fatos irreais e com vício na presunção, devendo se considerar a desconstituição da relativa certeza e veracidade da autuação fiscal, sob pena, sem dúvida, de implicar em grave abuso de poder, violação ao princípio do devido processo legal, e de cerceamento de defesa. c) Cabia aos auditores provar a incidência do fato gerador do IR, e não realizar a soma de todos os depósitos/créditos das contas correntes da Recorrente e aplicar a tabela do IR, pois "data vênia", assim fica fácil para a fiscalização fazer o auto de infração, pois não considerou que a hipótese de incidência do IR é sempre a auferição de rendas e proventos, ou seja, um aumento no patrimônio da recorrente, o que não ocorreu, posto que os depósitos não caracterizam auferição de renda. d) O art. 42 da Lei 9.430/96, não traz essa segurança entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (provável), posto que, entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura. Vale dizer, nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato. e) Na área Judicial, consoante a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10650.000061/200670 Acórdão n.º 180300.787 S1TE03 Fl. 441 5 f) A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. g) O depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não constitui, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque, a posse de numerário alheio, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica. h) Nem todo o ingresso financeiro constituise em acréscimo patrimonial, sendo necessário se verificar cada caso concreto, e não lançando por oficio conforme foi realizado, com base na soma dos depósitos/créditos que houve no exercício de 2001, sendo que houve somente uma movimentação financeira, onde houve entrada e saída, ou seja, uma circulação de dinheiro, a qual não gerou renda ou acréscimo patrimonial para a Recorrente, e muito menos majoração na renda bruta para mudar a alíquota do Simples. i) Se não bastasse a inconstitucionalidade da presunção estipulada pelo art. 42 da lei 9.430/96, o mesmo artigo transfere o ônus probatório ao investigado, "pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operacões.", tamanha a discrepância, entre o texto da lei e a Constituição da República, que preceitua no art. 5°, LVII, a presunção de inocência de qualquer investigado, até o trânsito em julgado da sentença condenatória. j) A multa aplicada é desproporcional e confiscatória, infringe o princípio constitucional da proibição de aplicação de tributo com efeito confiscatório, artigo 150, inciso IV da Constituição Federal. k) Afigurase inaplicável a Taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora tributários. É o relatório. Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 19/01/2009 (AR de fls. 360). O recurso foi protocolado em 16/02/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente defende a tese de que os depósitos bancários de pessoas jurídicas, em montante superior à receita declarada, não autorizam lançamento do IRPJ, pois não representam a realidade econômica do depositante a ensejar suporse ocorrida venda de mercadorias e/ou serviços como fato gerador do tributo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 Passemos a analisar o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações da Lei nº 10.637/2002, abaixo reproduzido, foi aplicado corretamente: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares."(NR) O dispositivo legal em comento consiste numa presunção legal. As presunções legais, assim como as humanas, extraem, de um fato conhecido, fatos ou conseqüências prováveis, que se reputam verdadeiros, dada a probalidade de que realmente o sejam. Se, presente “A”, “B” geralmente está presente; reputase como existente “B” sempre que se verifique a existência de “A”, o que não descarta a possibilidade, ainda que pequena, de provarse que, na realidade, “B” não existe. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10650.000061/200670 Acórdão n.º 180300.787 S1TE03 Fl. 442 7 Como preleciona o insigne mestre José Luiz Bulhões Pedreira “o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Na presente presunção legal, temos o seguinte: A = existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. B = configuração de omissão de receitas ou de rendimentos. A fiscalização anexou aos autos os extratos bancários da contribuinte e confrontoua com sua escrituração contábil, verificando a incompatibilidade das receitas escrituradas com a movimentação financeira. A partir destas constatações, intimou regularmente a contribuinte a comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (fls. 69/75,). Não foi apresentada qualquer documentação até o presente momento, limitandose a recorrente a afirmar que os depósitos são decorrentes da venda de bens e/ou transferências entre as contas fiscalizadas. A presunção legal contida no art. 42 permite reputar como fato existente a omissão de receitas (fatos ou conseqüências prováveis –B), determinando inclusive a sua forma de apuração e dispensando a autoridade fiscal de comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Nesta esteira, uma vez caracterizado o fato índice que dá suporte à presunção legal, cumpre ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentação que demonstre o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, sob pena de ser este reputado como receita omitida. A recorrente menciona a súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, publicada no Diário da Justiça em 07/10/1985, in verbis: “Súmula nº 182 Lançamento Imposto de Renda Extratos ou Depósitos Bancários Legitimidade É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários.” Ora, tal súmula foi publicada antes da edição da Lei n° 9.430/1996, e não pode ser aplicada a fatos geradores ocorridos após a introdução na legislação da presunção legal do art. 42. A imposição da multa de ofício de 75% é determinada pelo art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” A hipótese legal de aplicação da multa restou plenamente configurada na situação fática descrita na presente autuação, sendo que as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que determinam o percentual de 75% da multa, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, conforme Súmula CARF nº 2: “Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.“ Do mesmo modo, não podem ser apreciadas as alegações relativas à inconstitucionalidade da presunção estipulada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996 e da inaplicabilidade da taxa Selic para calcular os juros moratórios. No tocante à taxa Selic, cumprenos ainda citar a a Súmula CARF nº 4: “Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Não merece reparos a decisão recorrida, cujos fundamentos são tomados também como razões de decidir no presente voto. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10909.003797/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
BUSCA DA VERDADE MATERIAL No processo administrativofiscal
tributário predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros procedimentos dos contribuintes, bem como vícios formais da Administração Tributária, desde que não impliquem em prejuízo
ao contribuinte e, por conseqüência, ao PAF.
Recurso de Ofício Provido.
Numero da decisão: 1402-000.421
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de ofício para superar a nulidade do Ato Declaratório de suspensão da isenção, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que se apreciem as demais matérias discutidas na impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 BUSCA DA VERDADE MATERIAL No processo administrativofiscal tributário predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros procedimentos dos contribuintes, bem como vícios formais da Administração Tributária, desde que não impliquem em prejuízo ao contribuinte e, por conseqüência, ao PAF. Recurso de Ofício Provido.
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Recorrente 3A TURMA DRJ EM FLORIANOPOLIS SC Interessado CONVENÇÃO DAS IGREJAS EVANGÉLICAS ASSEMBLÉIA DE DEUS DE SANTA CATARINA E SUDOESTE DO PARANÁ ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 BUSCA DA VERDADE MATERIAL No processo administrativofiscal tributário predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros procedimentos dos contribuintes, bem como vícios formais da Administração Tributária, desde que não impliquem em prejuízo ao contribuinte e, por conseqüência, ao PAF. Recurso de Ofício Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício para superar a nulidade do Ato Declaratório de suspensão da isenção, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que se aprecie as demais matérias discutidas na impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 2 Relatório A 3a. TURMA da DRJ EM FLORIANÓPOLIS(SC), em observância ao artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). recorre a este Conselho contra a decisão proferida em primeira instância, que julgou improcedente as exigências contra a organização denominada CONVENÇÃO DAS IGREJAS EVANGÉLICAS ASSEMBLÉIA DE DEUS DE SANTA CATARINA E SUDOESTE DO PARANÁ. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de exigência de crédito tributário no montante de R$14.142.298,33, cujo principal é discriminado no quadro abaixo, com exigência de multa de ofício no percentual de 75%, relativo aos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, tendo em vista ter sido Suspensa a Isenção Tributária da interessada e constituído o crédito tributário na modalidade Lucro Arbitrado. Tributo/Contribuição Valor em Reais IRPJ 3.984.222,83 CSLL 773.677,52 PIS 276.264,87 COFINS 1.275.069,43 Os procedimentos de fiscalização foram abordados em dois processos administrativos, o de nº 10909.001217/200741, que tratou da Suspensão da Isenção Tributária, foi juntado aos presentes autos, os quais tratavam inicialmente do lançamento de ofício. Resumo A contenda em análise nos presentes autos teve início com o procedimento fiscal no curso do qual foram expedidos dois documentos alertando a interessada sobre o entendimento da fiscalização, que propunha a Suspensão da Isenção Tributária da interessada, visto que esta teria: a) remunerado seus dirigentes; b) aplicado seus recursos em atividades estranhas aos seus objetivos sociais; e c) deixado de cumprir obrigações acessórias. A fiscalização também esclareceu que a interessada não poderia ser classificada como entidade Imune, pois, “não se pode afirmar em momento algum que é um templo, que tenha em sua essência a finalidade de difundir a religião, pregando o evangelho, ou mesmo servindo para culto de seus fiéis”. Também foi destacada a opção feita pela interessada no preenchimento das DIPJ, que sempre se autoenquadrou como entidade Isenta, circunstância que inviabilizaria a lavratura de ato com o propósito de Suspender a Imunidade. A interessada apresentou petições se contrapondo aos documentos expedidos pela fiscalização, enfatizando ser entidade religiosa e alegando que a verdade material deveria prevalecer. Também contestou a ocorrência das infrações indicadas pela fiscalização. Sobreveio Parecer confeccionado pela SARAC/DRF/ITJ, no qual o Ato Declaratório Executivo que Suspendeu a Isenção se apoiou. A fundamentação da Suspensão da Isenção segue a linha do que fora proposto pela fiscalização, embora tenham sido apreciados os argumentos apresentados pela interessada. Como conseqüência, foi lavrado Auto de Infração para a exigência do IRPJ e tributos reflexos, por meio do Arbitramento do Lucro, pois a escrita da interessada foi tida como imprestável para a apuração pelo Lucro Real, já que teria sempre “se tratado como sendo uma entidade religiosa, imune aos tributos e contribuições”. Além disso, não teria sido contabilizada movimentação financeira em conta própria Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 2 3 no período de 2002 a 2004, por ocasião da incorporação das contas correntes da Caixa de Evangelização, entidade com CNPJ próprio, em afronta ao princípio da entidade. Tanto na Manifestação de Inconformidade apresentada contra a Suspensão da Isenção, como na impugnação ao Auto de Infração, a interessada argumentou ser entidade religiosa, favorecida pela Imunidade Tributária, que lhe foi negada sem o devido processo legal. Voltou a argumentar que a verdade material deve prevalecer e procurou demonstrar a sintonia dos gastos incorridos com as finalidades descritas em seu Estatuto Social. Ainda trouxe à colação jurisprudência administrativa para demonstrar que o Arbitramento do Lucro ocorre apenas em condições extremas; contestou a afronta ao princípio da entidade, e buscou refúgio na Lei das Sociedades Anônimas, nº 6.404/1976, argumentando que eventual tributação deveria recair sobre as Igrejas Membro e não sobre ela. Do Procedimento Fiscal Consta nas fls. 144 a 149, Notificação Fiscal da qual a interessada tomou ciência em 25/04/07, por meio da qual a fiscalização comunicou ter constatado não estarem sendo cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária para o gozo do benefício da Isenção, havendo prazo de trinta dias para a apresentação de alegações e provas. Como fatos que determinariam a Suspensão da Isenção foram apontados: a) a remuneração de seus dirigentes; b) a aplicação de recursos em atividades estranhas aos seus objetivos sociais; e c) deixar de cumprir obrigações acessórias. No mesmo documento, após transcrição dos primeiros artigos do Estatuto Social, a fiscalização registrou: Como se percebe, foi criada uma entidade para representar uma classe, qual seja: as Igrejas Membros da Assembléia de Deus. Não se pode afirmar em momento algum que é um templo, que tenha em sua essência a finalidade de difundir a religião, pregando o evangelho, ou mesmo servindo para culto de seus fiéis. As Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus é que se prestam para a finalidade acima mencionada. Prova disso é que existência de 153 Igrejas Sedes, fls. 34. Citamos como exemplo o CNPJ 84.308.303/000166 Igreja Evangélica Assembléia de Deus Rua Andrade, 35 Centro Itajaí/SC. Em 26 de janeiro de 2007, a própria CONVENÇÃO, fls. 37, declara que é uma entidade das igrejas e que tem por finalidade a orientação, a organização e a fiscalização das Igrejas membros, as quais se submetem às regras por elas instituídas na formulação do que os estatutos estabelecem. Conceituando CONVENÇÃO, segundo o Dicionário Aurélio: A própria CONVENÇÃO assume sua condição de Associação Civil, entregando as DIPJs para a Receita Federal, informando se uma ASSOCIAÇÃO CIVIL, fls. 26 a 33. À Luz dos fatos, passaremos a tratar a CONVENÇÃO como sendo uma Associação Civil, prevista no art. 53 e seguintes do Código Civil Brasileiro. Estando sujeita às regras das pessoas jurídicas isentas e não das pessoas jurídicas imunes. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 4 Em 03/07/07 a interessada tomou ciência de outro documento expedido pela fiscalização, a Informação Fiscal, contida nas fls. 150 a 153, que se inicia com histórico da Notificação Fiscal, e tem como principais elementos os trechos abaixo: Quanto às alegações do contribuinte, que foi afastada a imunidade sem o devido processo legal, fls. 283, não podem ser acolhidas, pois se trata de pessoa jurídica isenta, conforme já descrito acima. Não se pode tirar algo de quem não tem. O contribuinte não tem imunidade tributária. Dessa forma, não podemos abrir um processo legal para afastar a imunidade tributária. (Transcreve o art. 150, VI, “c”, § 4º da CF, e os arts. 9º e 14 do CTN) O contribuinte é uma entidade, criada para representar uma classe, qual seja: as Igrejas Membros da Assembléia de Deus. Fls. 02 Para fazer jus à imunidade tributária, deveria estar contido no que autoriza o inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Interpretação literal. Em momento algum podese afirmar que o contribuinte seja: Templo de qualquer culto; partido político; entidade sindical dos trabalhadores; instituição de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos. Depois, fazendo referência a documentação contida nos autos, a autoridade fiscal reafirmou as infrações: remuneração de dirigentes; aplicação dos recursos em atividades estranhas aos objetivos sociais da entidade; e não cumprimento de obrigações acessórias. Em 26/09/07 foi expedido o Parecer SARAC/DRF/ITJ nº 84/2007, que culminou na proposição de Suspensão do Benefício da Isenção Tributária, ementado como segue: SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. FALTA DE OBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. ASSOCIAÇÃO CIVIL. OCORRÊNCIA DE INFRAÇÕES. Período: anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Gozar de isenção tributária reclama pleno atendimento aos requisitos formais e materiais previstos na legislação ordinária. Associação civil que apresenta DIPJs, com autoenquadramento, como isenta do IRPJ e pratica infração pela inobservância dos requisitos legais, se sujeita à suspensão da isenção tributária, através de ato declaratório suspensivo do benefício, nos termos do § 2º do art. 12, parágrafo único do art. 13 e § 3º do art. 15, da Lei nº 9.532/97, combinado com o art. 32, da Lei nº 9.430/96 e art. 174 do Decreto nº 3.000/99. Deferimento da suspensão da isenção tributária. No Parecer SARAC/DRF/ITJ nº 84/2007 é feito um cuidadoso histórico dos procedimentos fiscais adotados, bem como dos argumentos e dos documentos apresentados pela interessada. No início da parte que fundamenta a decisão é fixada uma “moldura jurídica” para o caso como segue: A expressão “entidades sem fins lucrativos”, prevista no art. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, engloba diversas instituições, tais como as associações civis ou sociedade civil que devem prestar serviços para os quais houverem sido instituídas; além disso, deverão colocar à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, destacamse ainda as instituições recreativas, culturais e científicas entre outras. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 3 5 No caso dos autos tratase de uma “ASSOCIAÇÃO CIVIL ou SOCIEDADE CIVIL” conforme prova abaixo destacada: a) pelo registro do estatuto da CIADESCP, como segue: “Certifico e dou fé que o Estatuto da Convenção (...), registro de Sociedades Civis (Pessoa Jurídica)...” (fls. 19, verso). b) pelas “Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJs” prestadas pela própria CIADESCP e entregues oficialmente para a Secretaria da Receita Federal, conforme provam as DIPJs dos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, onde o AUTOENQUADRAMENTO foi o seguinte: “Tipo de Entidade: Associação Civil” (fls. 26, 28, 30 e 32, respectivamente). [...] Nos quatro anoscalendário a CIADESCP fez o seu AUTOENQUADRAMENTO como ASSOCIAÇÃO CIVIL; nunca informou que era imune, nem que tinha outro tipo de enquadramento (fls. 26, 28, 30 e 32). Logicamente não informou porque, realmente, não corresponderia com as suas disposições estatutárias, que objetivamente a enquadram como “associação civil”. A referida “moldura jurídica” está estabelecida em decorrência do AUTO ENQUADRAMENTO feito, pela própria CIADESCP, em cada época que apresentou suas DIPJs, nos anoscalendários 2002, 2003, 2004 e 2005, onde declarou que a instituição enquadravase, naquele período, como “Forma de Tributação do Lucro: Isenta do IRPJ” e o “Tipo de Entidade: Associação Civil” (fls. 26, 28, 30 e 32). A Auditoria Fiscal da Receita Federal respeitou, rigorosamente, este AUTO ENQUADRAMENTO feito pela CIADESCP, para realizar a fiscalização tributária e expedir a Notificação Fiscal (fls. 01/06), na qual relatou os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência das infrações. Pelas razões retro mencionadas o autoenquadramento ou a “moldura jurídica” acima destacada, NÃO PODERÁ SER ALTERADA, pela CIADESCP, ATRAVÉS DAS ALEGAÇÕES APRESENTADAS (fls. 269/320 e 686/703) contra a presente Notificação Fiscal (fls. 01/06 e fls. 682/685) com a pretensão de querer considerála com direito à “imunidade tributária” e/ou reenquadrála como outro tipo de entidade. Tal pretensão esbarra: a) na impossibilidade jurídica, diante da inexistência de previsão legal de se fazer um reenquadramento pela via da impugnação à Notificação Fiscal (fls. 01/06); b) na impossibilidade de alterar os fatos, já relatados na Notificação Fiscal (fls. 01/06), que determinam a suspensão do benefício de isenção tributária, por infração aos requisitos legais e que já está pendente de decisão sobre a procedência ou não das alegações, com vista à expedição de ato declaratório suspensivo do benefício de exclusão do crédito tributário. O Estatuto da CIADESCP, datado de 26/07/1986 apresentava como objetivo social a promoção da “pregação do evangelho, trabalhos missionários, amparo e manutenção dos obreiros ativos e inativos, bem como a assistência social, educacional e beneficiente” [sic; fls. 14]; em 06/07/1994 foi aprovado o estatuto subseqüente com alteração do seu objetivo social para o seguinte: “promover a pregação do Evangelho, trabalhos missionários, amparo e manutenção dos ministros, bem como a assistência social, educacional e beneficente” (fls. 20); estes são os objetivos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 6 estatutários que se mantiveram no período da ocorrência das infrações no relatório fiscal. Constam três parágrafos abordando a diferença entre isenção e imunidade feita pela doutrina, e o encerramento desse ponto como segue: O art. 15 da Lei 9.532/97, conjugado com o art. 174 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 e alterações posteriores), fixam os requisitos e condições que a ASSOCIAÇÃO CIVIL deverá cumprir para ter direito à isenção tributária; estabelecem igualmente, a previsão, no caso da prática de infração a estes dispositivos com sujeição da associação civil à suspensão do benefício. Diante do exposto ficou evidente que são impróprias e estranhas, ao caso dos autos, todas as alegações da CIADESCP relativas à imunidade tributária. Em seguida foram enfrentados diversos argumentos de defesa, dentre os quais destaco: c) “CERCEAMENTO DE DEFESA/ AFASTADA IMUNIDADE SEM O DEVIDO PROCESSO LEGAL/ NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO/ ART. 5º, INCISO lv DA CF, ART. 75 DO CÓDIGO CIVIL” (fls. 283/286 e fls. 687/688): A Notificada está equivocada pelos argumentos da presente tese. Não é demais repetir, que foi a própria Notificada a autora do seu autoenquadramento como ISENTA. Além disso, não são procedentes as afirmações da CIADESCP de que “este órgão Federal não possibilita ao contribuinte outra qualificação mais próxima da realidade da organização religiosa, quando menciona o “tipo de entidade”; e que “O mesmo acontece com o “Código da Natureza Jurídica” (fls. 283). Estas afirmações são improcedentes porque o sistema ao abrir a tela para a “Nova Declaração” pediu, em cada um dos anos das infrações (2002 até 2005), o “CNPJ”, o “Anocalendário” (...) a “Forma de Tributação do Lucro: ...” (entre outras, como já mencionado acima, abriu a opção para clicar em: “Imune do IRPJ” ou “Isenta do IRPJ”). A CIADESCP não teve dúvida, nos quatro anos em que ocorreram as infrações, clicou em “Isenta do IRPJ”. Não poderia ter errado quatro anos seguidos; ou melhor, até hoje apresenta a sua declaração como isenta. É lógico que as janelas posteriores, como “Tipo de Entidade” ofereceram opções que se ajustavam aos casos de ISENÇÃO e não de imunidade. Além disso, estas possibilidades jurídicas de opções NÃO são possibilitadas por “este órgão Federal” e sim pela legislação reguladora da matéria tributária; rigorosamente de acordo com a norma jurídica vigente. Igualmente não é procedente a alegação de que a Auditoria Fiscal afastou a suposta imunidade da Notificada sem dar oportunidade de defesa. Não procede porque a Auditoria Fiscal encontravase encontrase impossibilitada, de fato e juridicamente, de lavrar notificação fiscal visando a suspensão de imunidade que NÃO FOI DECLARADA pela CIADESCP, nos anoscalendários: 2002, 2003, 2004 e 2005. A suspensão só pode ser contra algo que existe e o que existe é apenas o decorrente do auto enquadramento = ISENTA DO IRPJ. E foi neste sentido que a Auditoria Fiscal se pronunciou nas razões que fundamentam a Notificação Fiscal, como segue: “A própria CONVEÇÃO assume sua condição de Associação Civil, entregando as DIPJs para a Receita Federal,” (fls. 02); e, depois nos esclarecimentos prestados: “Quanto às alegações do contribuinte, que foi afastada a imunidade sem o devido processo legal, fls. 283, não podem ser acolhidas, pois se trata de pessoa jurídica isenta, conforme já descrito acima. Não se pode tirar algo de quem não tem.” (fls. 683); deste esclarecimento foi reaberto o prazo para a associação civil se manifestar, como realmente aconteceu, sem alterar a situação já estabelecida nos autos (fls. 686/703). Assim, restou demonstrado que na “moldura jurídica” desse processo encontrase em análise as ocorrências das infrações que motivam a suspensão da ISENÇÃO tributária; portanto, não é e não poderia ser objeto de estudo uma eventual suspensão de imunidade, inclusive, porque não foi objeto de auto enquadramento. Diante do exposto, não ocorreu afastamento sumário de eventual Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 4 7 direito de imunidade, não existe prova de cerceamento de defesa e não há amparo legal para que seja declarada a nulidade desta notificação fiscal, que tem como objeto a suspensão da isenção tributária. Por fim, foram listadas as infrações incorridas pela interessada, como segue: Concluída a análise dos elementos que estabeleceram o contraditório, a seguir serão destacados os fatos, que caracterizam o descumprimento das condições ou requisitos legais do benefício da “isenção condicionada” de tributos federais, evidenciados pela Auditoria Fiscal (fls. 01/06 e 463/466) já confrontado com os argumentos e provas apresentadas pela CIADESCP (fls. 125/356 e fls. 467/493) e de acordo com entendimentos doutrinário, jurisprudenciais e dispositivos legais específicos: a) a CIADESCP remunerou, de forma direta, seus dirigentes (pastores, evangelistas, presbíteros e demais obreiros), por serviços prestados, quando pagou os seus salários/prebendas, mantendo a responsabilidade jurídica de empregadora; a título de exemplo, destacase o caso de Nirton dos Santos que era Dirigente?Presidente da Notificação (fls. 04), no anocalendário 2003 e recebeu neste ano, diretamente, da CIADESCP o valor de R$ 5.500,00 (fls. 258); outro exemplo, destaca o caso de Arcelino Victor de Mello que era Dirigente/Vice Presidente da Notificada (fl. 04), no anocalendário 2004 e recebeu neste ano, diretamente, da CIADESCP o valor de R$ 35.000,00 (fls. 252); ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “a”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; b) a CIADESCP remunerou, de forma indireta, seus dirigentes (pastores, evangelistas, presbíteros e demais obreiros), por serviços prestados, quando pagou os seus salários/prebendas, mantendo a responsabilidade jurídica de empregadora; a título de exemplo, destacase o caso de Valmor Leonel Batista que era Dirigente/2º VicePresidente da Notificada (fls. 04), no anocalendário 2005 e recebeu neste ano, indiretamente, da CIADESCP (que repassava os valores para a Caixa de Evangelização da Assembléia de Deus de SC e Sudoeste do Paraná; ver folhas 276) os seguintes valores: R$ 33.641,00 (ano: 2003, fls. 237), R$ 55.716,00 (ano: 2004, fls. 239) e R$ 59.058,00 (ano: 2005, fls. 241); ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “a”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; c) a CIADESCP remunerou, de forma indireta, seus dirigentes, por serviços prestados, ao pagar uma Previdência Complementar, custeada com dinheiro da própria “associação civil” (CIADESCP); ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “a”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; d) a CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; ou seja, aplicou seus recursos em atividades estranhas aos objetivos sociais ao pagar valores desviando recursos para outras pessoas jurídicas denominadas Igrejas Assembléias de Deus; ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “b”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; e) a CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; ou seja, aplicou seus recursos em atividades estranhas aos objetivos sociais ao pagar rendimentos, denominados de “prebendas”, em favor dos denominados Ministros; ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “b”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 8 f) a CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; ou seja, aplicou seus recursos em atividades estranhas aos objetivos sociais ao pagar auxílio médico para diversas pessoas físicas; ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “b”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; g) a CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; ou seja, aplicou seus recursos em atividades estranhas aos objetivos sociais ao pagar auxílio funeral; ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “b”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; A partir dos elementos do processo administrativo nº 10909.0001217/200741 e do Parecer SARAC/DRF/ITJ nº 84/2007, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Itajaí expediu o Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 23, de 26/09/2007 (fl. 522), por meio do qual Suspendeu a Isenção Tributária da interessada nos anos calendário 2002, 2003, 2004 e 2005. A ciência da interessada ocorreu em 05/10/2007. Como conseqüência, passando a interessada à condição de pessoa jurídica tributável da mesma forma que as demais, foi lavrado o auto de infração do IRPJ e seus decorrentes (CSLL, PIS e Cofins), com o seguinte registro na descrição dos fatos (fl. 538): Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas abaixo enumeradas: Contribuinte manteve escrituração como entidade imune. Enquadramento Legal: art. 530, inciso II, do RIR/99. No Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, de fls. 579 a 588, que compõe o mencionado auto de infração, constam mais elementos que esclarecem os motivos do lançamento, dos quais destaco: 01 DO CONTRIBUINTE CONVENÇÃO DAS IGREJAS EVANGÉLICAS “ASSEMBLÉIA DE DEUS” EM SC SO PR obteve o registro de seus estatutos sob o nº 529 no livro 03 do Registro de Sociedades Civis Pessoa Jurídica em 26 de setembro de 1986. Tendo por objetivo: promover a pregação do evangelho, trabalhos missionários, amparo e manutenção dos obreiros ativos e inativos, bem como assistência social, educacional e beneficente. Fls. 14 a 19. Em 06 de julho de 1994, em Assembléia Geral Extraordinária, foi aprovado o cancelamento total do estatuto anterior e aprovado o novo estatuto. Registrado sob o nº 0960, no Livro A04 do Registro de Títulos e Documentos e das Pessoas Jurídicas em Itajaí SC. Fls. 20 a 23. Estatuto Geral “... Art. 1º A Convenção das Igrejas Evangélicas “Assembléia de Deus” em Santa Catarina e Sudoeste do Paraná é formada pela união indissolúvel de todas as igrejasmembro registradas com o mesmo nome e pelo Ministério, passando a ser denominada neste EstatutoCONVENÇÃO, com sede e foro na cidade de Itajaí, Estado de Santa Catarina, à Av. Marcos Konder, 1313. Art. 2º A CONVENÇÃO tem por objetivo primordial promover a pregação do Evangelho, trabalhos missionários, amparo e manutenção dos ministros, bem como a assistência social, educacional e beneficente. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 5 9 Art. 3º A CONVENÇÃO foi fundada em 20 de setembro de 1948 e tem duração por tempo indeterminado. Art. 7º A CONVENÇÃO será administrada por uma Diretoria denominada JUNTA EXECUTIVA composta por quatro pastores, eleitos anualmente pela Assembléia Convencional Ordinária, sendo os cargos assim constituídos; A um presidente; b um vicepresidente; c um secretário; d um tesoureiro. ...” Como se percebe, foi criada uma entidade para representar uma classe, qual seja: as Igrejas Membros da Assembléia de Deus. Criouse em 31/10/75 a CEADESCP CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS, para estabelecer e deferir os pedidos assistenciais. A CEADESCP é subordinada a CIADESCP. Fls. 36 Os recursos financeiros para a CIADESCP são provenientes de 10% (dízimo) dos proventos dos obreiros (pastores, evangelistas e presbíteros), repassado pelas igrejas membros. Os recursos financeiros para a CEADESCP são provenientes 4,4% das arrecadações das Igrejas membros, sendo 3,3% destinado à Caixa de Assistência Social e 1,1% destinado à Evangelização. Fls. 49 e 50. A administração da CIADESCP é constituída anualmente em assembléia especialmente convocada, por voto secreto, conforme abaixo, FLS. 34: (tabela mostrando os componentes da diretoria e seus mandatos) [...] A contabilidade do contribuinte não está preparada para apurar o lucro real do período, até mesmo porque o próprio contribuinte sempre se tratou como sendo uma entidade religiosa, imune aos tributos e contribuições. Em 22 de fevereiro de 2007, a CONVENÇÃO DAS IGREJAS EV ASSEMBLEIA DEUS SC SO PR CNPJ 82.606.823/000120, informa que incorporou as contas corrente e cobrança de outra entidade, qual seja: CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO CNPJ 83.242.230/000194. Utilizou também as contascorrente para movimentação financeira de uma entidade para outra, sem a preocupação dos registros contábeis. O quer se dizer aqui é que não houve respeito ao princípio da entidade. Não há registros nos livros contábeis, de empréstimos entre CONVENÇÃO, CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO e IGREJAS MEMBROS. No período de 2002 a 2004, não foi contabilizada a movimentação financeira em conta própria de Bancos Conta Movimento. [...] Diante da impossibilidade em apurar o lucro real do período, passamos a arbitrar o lucro, conforme legislação abaixo. Demonstração das receitas do contribuinte, conforme seu Razão Contábil, fls. 154 e seguintes: (tabela fls. 583, 584 e 585) Foi promovido o arrolamento de bens e registrado que não foi formalizada Representação Penal para Fins Penais, pois tratase de processo com conhecimento do Ministério Público, conforme Ofício/Gab. Nº 508/2005 e nº 164/2001 da Procuradoria da República no Município de Itajaí/SC. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 10 Da Defesa Manifestação de Inconformidade (fls. 1449 a 1505). Protocolo em 06/11/07. A peça tem início com referência à Lei das Sociedades Anônimas, nº 6.404/1976, art. 265, que expressaria uma tendência do agrupamento permanente das empresas, na forma de conglomerados, os quais, porém, não adquiririam personalidade jurídica própria. De modo que no caso dos autos, sendo o grupo formado pela união das igrejas evangélicas assembléia de Deus, caso incidisse tributação, seria no CNPJ daquelas. Assim, a decisão da DRF/ITJ confrontaria com o disposto nos inciso I, II, VIII e § 3º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Em seguida é feito um histórico sobre o conteúdo do Parecer SARAC/DRF/ITJ nº 84/2007, bem como dos argumentos de defesa apresentados no curso do procedimento fiscal, com ênfase na questão da imunidade, amparada em textos de doutrina. Ao final requereu a improcedência ou revogação do Parecer SARAC/DRF/ITJ nº 84/2007 e do Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 23, de 26/09/2007, assim como o reconhecimento da imunidade ou da isenção, com base nos seguintes argumentos resumidos abaixo: 1 O Ato Declaratório nº 23/2007 está firmado, contudo não menciona o cargo e a matrícula do serventuário federal, devendo ser nulificado. 2 Preliminares 2.1 Cerceamento de defesa: a) indeferimento da perícia; b) indeferimento da audiência pública; c) indeferimento de ofício a instituição bancária Besc Itajaí SC art. 5º, inciso LV, da Carta Magna, para anular o feito a partir daquele ato. 2.2 Cerceamento de defesa. Afastada imunidade sem o devido processo legal. Nulidade da notificação. Art. 5º, inciso LV da CF, art. 75 do Código Civil, para anular o feito a partir daquele ato. Pelo parecer do SARAC, afastaram o reconhecimento do “erro de fato”, “erro de direito” e a primazia da realidade quando interpretaram pela inexistência da imunidade da recorrente. Acontece que, quando do cadastramento junto ao “programa CNPJ 2.1”, cadastrase como “pessoa jurídica”; em seguida cadastrase pelo código 101 “inscrição do primeiro estabelecimento”; abre a página da identificação, foi optado pelo que mais se aproxima da organização como sendo o código 3999 “outras formas de associação”; finaliza como enquadramento da “atividade econômica” sendo o código 94.910/00 “atividades de organização religiosas”, daí é expedido o COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL. O erro do enquadramento é de fácil percepção, e possibilidade ampla de reconhecimento pela recorrida, pois, enquadrada na letra “e) Isenta de IRPJ” quando poderia ter sido realizado na letra “d) Imune de IRPJ”, ora as organizações religiosas gozam de imunidade, por mais que persista o erro de enquadramento ou erro de direito, tudo está abraçado pela primazia da realidade. A recorrente é o “braço administrativo” das igrejas, ou melhor, é o “coração administrativo” das igrejas assembléia de Deus, tendo total aplicação a imunidade perseguida. A Constituição Federal de 1988 reza, em seu art. 5º, inciso LV, que “os litigantes, em processo judicial ou administrativo e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a elas inerentes”. Conseqüentemente, é direito assegurado a todos o chamado “devido processo legal”, ou na expressão inglesa due process of law, o que significa que Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 6 11 todos têm direito, em defesa de sua pessoa e deus bens, na regra que foi inserida desde o art. 75 do Código Civil: “a todo direito corresponde uma ação, que o assegura”. No campo tributário, é de se realçar o comendo do Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal (Decreto n. 70.235/72). O código de atividade foi admitido pela Notificante e daí reconhecida como organização religiosa, conseqüentemente está na condição de imune e não isenta como argüi. De acordo com o procedimento previsto na Lei 9.430/96, em primeiro lugar a entidade deve receber a notificação fiscal com informação da suspensão, que no caso presente, obrigatoriamente, deveria ser contra a IMUNIDADE, de plano o auditor passou a suspender a ISENÇÃO. Conforme já decidiu o Conselho Superior, é caso de nulidade do feito em desrespeito ao devido processo legal. “Normas Processuais Nulidade A supressão de etapa obrigatória na tramitação do processo administrativo fiscal pode ocasionar o cerceamento de defesa do contribuinte e causa a nulidade dos atos posteriores à fase suprimida que dela dependeriam. Preliminarmente acolhida. Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do processo (Processo nr. 13941.000068/9988. Recurso nr.121.069. Sessão 13.04.00. Acórdão nr. 10611.255. Consas. Thaisa J. Pereira Relatora)” Em virtude dos direito Constitucionais ceifados diante do afastamento da imunidade tributária da CIADESCP, e passando a tratar como associação isenta, deve a presente notificação fiscal ser anulada e outra ser lavrada, abrindo prazo para a defesa da suspensão da imunidade, em conformidade com o art. 5º, inciso LV da CF, art. 75 do Código Civil, assim também preservando os princípios reconhecidos no art. 2º caput e inciso I da Lei 9.784/99. 2.3 Imunidade elemento viabilizador dos direitos sociais. [...] Sendo assim, a imunidade tributária das organizações religiosas e demais instituições condicionamse apenas ao preenchimento dos requisitos dispostos no art. 14 do CTN, que foi recepcionado pela atual Constituição, ou seja, a não distribuição de parcela de seu patrimônio ou de sus rendas, a aplicação integral no país de seus recursos e escrituração contábil regular. Cabe aqui um parêntese acerca da nova redação dada pela mencionada Lei Complementar 104/2001, ou inciso I, do art. 14 do CTN, que determina aos entes imunes “não distribuírem qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título”, dispositivo que somente admite interpretação conforme à norma constitucional, que se limita a exigir dessas entidades a nãolucratividade, entendida, assim, a nãoparticipação nos resultados, a nãoexploração comercial e a não distribuição de lucros aos seus membros, sob pena de desvirtuarse o espírito da norma. Entretanto o legislador ordinário no afã de restringir o gozo desse benefício impõe a essas instituições exigências novas, não contempladas pela legislação competente aqui referida e, muito menos ainda, pela norma constitucional vigente. 2.4 Direito adquirido. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 12 A recorrente foi criada em 1948 tendo seu registro junto a Receita Federal desde 22.03.1973, no cadastro consta como “organização religiosa”m tendo como impasse que a recorrida admitiu tal registro e diz que a recorrente não é “organização religiosa” mas sim “associação”, portanto, podendo gozar dos benefícios da isenção e não da imunidade, que por erro, declarou pelo DIPJ como isenta. Assim, por excesso de formalismo, foi declarado nulo no período de 2002 a 2005. Como queira o parecer do SARAC, mesmo afastando a imunidade, por orientação de nossos doutrinadores; “... não pode ser exigível o reconhecimento do imposto pelo contribuinte que se utilizou o benefício fiscal estritamente dentro dos parâmetros legais, mesmo que, posteriormente fosse verificada a existência de qualquer motivo que ensejar o indeferimento do pedido e reconhecimento da redução do imposto.” Para melhor nortear o direito da recorrente, nossos Tribunais têm orientado que não podese aplicar com excesso de rigorismos as exigências burocráticas, como presente caso, onde tudo foi devidamente justificado, senão vejamos; “É da essência dos precedentes do E. STJ repudiar o cancelamento da isenção por mera irregularidade burocrática, nas hipóteses em que não se nega a entidade educacional o atingimento de fins filantrópicos, máxime porque a Carta Federal contempla textualmente a isenção” (Resp nr. 251.944/RN Resp nr. 392/025/SC) Ainda, a lei de Introdução ao Código Civil concede ao julgador visão ampliada aos fins sociais; Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Assim, tanto necessária é a recorrente para existência das Igrejas e suas organização administrativa, tida e havida como “organização religiosa” criada há mais de cinqüenta (50) anos, podendo ser reconhecido seu direito adquirido como já assim interpretou o Superior Tribunal de Justiça; “Direito Adquirido. Entidade Filantrópica. Imunidade Tributária. A Seção, por maioria, concedeu, sob a conotação do direito adquirido, a segurança para fins de manutenção do regime de isenção e imunidade tributária à entidade beneficente, mormente por se tratar de entidade que sobrevive com o mesmo perfil há mais de quarenta anos, e sem condições de atender às exigências criadas pelo novo ordenamento jurídico, não obstante o entendimento de que as leis tributárias não respeitam direito adquirido por força, tão somente, dos atos constitutivos de tais entidades.” (MS 8.499DF, Rel. originário Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Castro Meira, julgado em 26/2/2004.) Pela análise superficial dos fatos e da existência da recorrente, têmse motivos plausíveis para afastar a suspensão perseguida pelo parecer do SARAC e revogar o ato declaratório nr. 23/2007, devendo, ser analisado com o aplicativo contido no inciso I do art. 108 do CTN c/c o art. 53 da Lei 9.784/99. 2.5 Organização religiosa criação necessária p/ expansão da religião/ Abrangência da imunidade a todas atividades correlatas/ Art. 1º e art. 2031 do Código Civil. Não se trata de “matéria estranha ao caso dos autos” pois a interpretação objetiva e pessoa do AuditorFiscal Luiz Carlos Menon trouxe a NOTIFICAÇÃO FISCAL datada de 17.04.2007, assim, referiuse, f. 02; “Não se pode afirmar em momento algum que é um templo, que tenha em sua essência a finalidade de difundir a religião, pregando o evangelho, ou mesmo servindo para o culto de seus fiéis. As igrejas Evangélicas Assembléia de Deus é que se prestam para a finalidade acima mencionada. Prova disso é que existência de Fl. 12DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 7 13 153 Igrejas Sedes, fls. 34. Citamos como exemplo o CNPJ 84.308.303/000166 Igreja Evangélica Assembléia de Deus Rua Andrade, 35 Centro ItajaíSC.” demonstra que a imunidade dada as organizações religiosas aparece com a existência de templo+difundir o evangelho+servindo culto aos fiéis,+somente as igrejas estão incumbidas de tal fim, como já comentado, se tem alguém que pode difundir o evangelho são os obreiros e membros e não o espaço físico, mas a doutrina e a jurisprudência têm interpretação pacificada. A NORMA DE NÃO INCIDÊNCIA encontra na letra b, do inciso VI do art. 150 da CF há já pacificaram a interpretação, tanto pela doutrina como pela jurisprudência da mais alta Corte. No doutrinar de Celso Ribiero Bastos e Ives Gandra Martins menciona “A equipe de Limongi França reduz a expressão ao lugar em que os cultos se realizam é o lugar onde se realizam cerimônias ou cultos religiosos. Também denomina o edifício destinado ao culto religioso. Com esse vocábulo se designa as em que se realizam as sessões da Maçonaria.” É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir imposto sobre os templos de qualquer culto (CF Emenda 1/69, art. 19, III, b) (Enciclopédia Saraiva do Direito, Saraiva, 1982, v. 72, p. 205). Ampliam aqueles doutrinadores a imunidade traçada pela CF/69 quando comentam a CF/88 e assim se pronunciam: “Entendendo que não apenas o prédio em que o culto ocorre, mas todas as atividades correlatas são imunes, desde que dirigidas às suas finalidades superiores” Da doutrina ao caso concreto, no interpretar da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, onde pelo magistério do seu relator e acompanhado pelos demais, estende a imunidade não só ao prédio, mas, ao patrimônio, rendas e serviços de organização religiosa (MITRA DIOCESANA) ligada à Igreja Católica: RE 325822/SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO. Relator(a) p/ Acórdão: Min. GILMAR MENDES. Julgamento: 18/12/2002. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. EMENTA: Recurso extraordinário. 2. Imunidade tributária de templos de qualquer culto. Vedação de instituição de impostos sobre o patrimônio, renda e serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades. Artigo 150, VI, “b” e § 4º, da Constituição. 3. Instituição religiosa. IPTU sobre imóveis de sua propriedade que se encontram alugados. 4. A imunidade prevista no art. 150, VI, “b”, CF, deve abranger não somente os prédios destinados ao culto, mas, também, o patrimônio, a renda e os serviços “relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas”. 5. O § 4º do dispositivo constitucional serve de vetor interpretativo das alíneas “b” e “c” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Equiparação entre as hipóteses das alíneas referidas. 6. Recurso extraordinário provido. Quando o Código Civil instituído em 10.01.2002, acrescido da Lei 10.825 de 22.12.03, percebeu o legislador da impossibilidade do cumprimento estabelecido às igrejas, quando daí passou a vigorar o seguinte texto: Art. 44 São pessoas jurídicas de direito privado: I ... Fl. 13DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 14 II ... III ... IV as ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS; V ... Par. 1º São livres a criação, a organização, a estrutura interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. Art. 2031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007. Parágrafo Único. O disposto neste artigo não se aplica às ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS nem aos partidos políticos. Os dispositivos civil reconhecem a impossibilidade das igrejas serem administradas por elas mesmas, quando então encontramos os “braços administrativos” ou “coração administrativo” nominadas como “organizações religiosas” que possibilitam a sobrevivência, organização e assistência social à seus integrantes. A igreja católica se organiza através da CNBB e da Mitra Diocesana. Não é demais lembrar que o mesmo direito e interpretação dados à igreja acima mencionada e suas organizações são estendidas às demais em todo território nacional, por força do art. 5º II e 150, I onde encontramos garantias fundamentais e o “princípio da estrita legalidade tributária.” É de clara evidência que a recorrente é uma organização imprescindível para a organização das Igrejas Evangélicas do Estado de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná, o que por si só deve receber o benefício da imunidade tributária, diante a extensão reconhecida, pela doutrina, Constituição Federal, Lei Adjetiva Civil e como pá de cal pelo Supremo Tribunal Federal. 2.6 Do confisco. Conforme “relação de bens e direito para arrolamento”, os bens da recorrente atingem o montante de R$ 604.172,18 (seiscentos e quatro mil cento e setenta e dois reais e dezoito centavos), enquanto que o “demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo atingiu a importância de R$ 14.142.298,33 (quatorze milhões cento e quarenta e dois mil, duzentos e noventa e oito reais e trinta e três centavos). Ou seja, vinte e uma (21) vezes maior o valor apurado diante do patrimônio da recorrente. Diante disso deve ser reconhecida a pretensão do nãoconfisco estabelecido no art. 150 inciso IV, pois, o reconhecimento está a disposição no sistema tributário devendo ser aplicado pelo intérprete ou julgador, pois é uma garantia fundamental. 2.7 Reconhecimento da elisão fiscal. [...] É legítima a eleição propositada de formas jurídicas (lícitas, obviamente) que resultem ou possam resultar em menor incidência tributária ... Deve ser reconhecida a elisão fiscal no ato declaratório nr. 23/2007, não sendo acatado o parecer do SARAC, visto o caminho escolhido pela entidade para tributação (isenta ou imune) não modifica seus traços de organização religiosa imune, devendo ser acatado o princípio da primazia da realidade ou erro de fato ou de direito. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 8 15 2.8 Da ilegalidade do arrolamento de bens. ... ato este deve ser nulificado visto a publicação do ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO RFB nr. 9, de 05.06.2007 onde consta em seus artigos o seguinte: Art. 1º Não será exigido o arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento de recurso voluntário. Art. 2º A autoridade administrativa de jurisdição do domicílio tributário do sujeito passivo providenciará o cancelamento, perante os respectivos órgãos de registro, dos arrolamentos já efetuados. Ora, em vigor o ato declaratório nr. 9, deve ser reconhecida a ilegalidade do arrolamento datado de 25.09.2007 e com cientificação de 05.10.07, por violação orientadora do STF e acatado pelo órgão federal. 3.1 A posição do conflito na ótica da recorrente e sua estrutura administrativa e financeira. Neste item a interessada faz referência aos atos expedidos no cursos da fiscalização, que teria “afastado de plano a imunidade tributária” e reclamado a “suspensão da isenção referente aos anoscalendário 20022005. Sobre sua finalidade transcreve trechos de seu Estatuto Social e afirma: Definidos são os rumos da organização, pois, evangelizar=Pregar o evangelho; missionar; doutrinar/evangelização=ação de evangelizar; doutrinação/evangelismo=doutrina política e religiosa baseada no Evangelho. Quanto à palavra beneficência=Ato ou hábito de fazer o bem; caridade/beneficente=que faz o bem; caridoso/beneficiação=ato de beneficiar; melhoramento; favorecimento. Apresenta os organogramas da CIADESCP e da CEADESCP e conclui: Assim, não podendo prosperar a pretensão do ato declaratório, processo e parecer, com nulificação e estendidas as suas conseqüências de enquadramento da recorrente como empresa PRESTADORA DE SERVIÇOES e tributação inerente. 3.2.1 Enquadramento da recorrida como “Associação Civil” ou “Sociedade Civil” letra “a”. A interessada pede a aplicação por analogia de dispositivo contido na Lei nº 6.404/76, trazendo à colação texto de doutrina que trata da formação de conglomerados econômicos, e conclui este item: Ora, a legislação e sua interpretação já orientam tais casos como acima magistralmente lecionado, mesmo que não tivesse acobertada a recorrente pelo manto da imunidade ou da isenção, como queiram interpretar os auditores, o grupo é formado pela união das igrejas evangélicas assembléia de Deus, caso incidisse tributação seria no CNPJ daquelas, tal decisão confronta os incisos I, II, VIII e § 3º do art. 50 da Lei 9.784/99. 3.2.2 Das declarações da DIPJs letra “b”. Repete argumentos apresentados no item 2.2 Cerceamento de Defesa. 3.3.1 Da remuneração dos dirigentes letra “a”. [...] Fl. 15DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 16 Como os membros da diretoria também são membros Presidentes de Igrejas sedes, confundemse como remunerados pelo cargo da entidade, quando na realidade são remunerados como Pastores Presidentes de Igrejas sedes e não como pagamento da diretoria. (ANEXO 2 DA PRIMEIRA IMPUGNAÇÃO E NOVAMENTE JUNTADO COMO ANEXO 4 DESTE RECURSOS Atas das assembléias ordinárias de Igrejas sedes onde os membros da diretoria exercem a função de pastores presidentes; 3 Folhas de pagamentos (exemplos anuais) e diário de lançamentos das referidas igrejas constando o pagamento efetuado via convênio pela CIADESCP). [...] Equivocase o nobre Auditor, quando alega que a Notificação assume juridicamente a responsabilidade como empregadora e, que paga os salários prebendas e obreiros das Igrejas. Preambularmente, quando afirma que a organização religiosa assume responsabilidades trabalhistas, a interpretação pacífica da Justiça Especializada é no sentido da não existência de vínculo empregatício com pastores, evangelistas, presbíteros, missionários, senão vejamos: (transcreve ementa do TST) Faz referência aos arts. 2º, 3º, 9º, 14 e 44 da Lei nº 10.741/2003, Estatuto do Idoso, que entende aplicável ao caso dos autos, e prossegue: Contabilmente a Notificada registra somente para efeito fiscal as entradas e saídas dos valores pelos quais ela faz os repasses das Igrejas sedes. Outro sim reiteramos para o Auditor que as folhas de pagamento eram cadastradas e confeccionadas pelas CONVENÇÃO e CAIXA para uniformização e padronização de todas as Igrejas, respeitandose os descontos legais e pagamentos das contribuições inerentes (INSS; UNIMED; IRRF; UNIODONTO), afim de que uma só entidade uniformizasse as informações que dizem respeito da Receita Federal e Poderes Públicos. Além do mais, economizase (CPMF) para uma simples contabilização de números com relação às remessas das Igrejas e retorno para cumprimento dos pagamentos (anexo 3 DA PRIMEIRA IMPUGNAÇÃO E anexo 4 DESSE RECURSO; Razão das contas de manutenção de ministros, prebendas e obreiros; mensalidade seguro de vida; convênio previdência complementar) [...] No interpretar da jurisprudência consolidada pelo Conselho onde a contabilidade deve preencher objetividade, distante da contabilidade empresarial: “Esta escrituração, no entanto, não precisa atender a todas as regras da boa técnica contábil. Basta que seja suficiente para comprovar o preenchimento dos requisitos apontados nos incisos I e II do art. 14 do CTN. Esta linha de pensamento, digase de passagem foi sufragada pelo E. 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, quando decidiu não ser necessária “a adoção de escrituração comercial, segundo a boa técnica contábil, e com observância das normas constantes da legislação tributária, nos moldes que é exigida das demais empresas submetidas ao regime de tributação, com base no lucro real ou presumido. A escrituração exigida objetiva, tãosomente, a verificação pela fiscalização do cumprimento dos requisitos contidos nos incisos I e II do art. 14 da Lei n. 5.172, de 1966” Assim, afastando a conclusão do parecer do ato declaratório e processo pelo que neste item consta, e também no próprio interpretar do Conselho Federal devendo ser mantida a isenção ou reconhecida a imunidade. 3.3.2 Da aplicação em recursos em atividades estranhas letra “b”. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 9 17 Conforme mencionado na primeira impugnação 2.2 DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS EM ATIVIDADES ESTRANHAS AOS SEUS OBJETIVOS SOCIAIS (f.5/4.2) Mencionado anteriormente que a CIADESCP e a CEADESCP traçam um paralelo de objetivos e administração que vem sendo explicado desde o organograma e se segue demais teses de defesa. Transcreve trechos dos Estatutos Sociais das citadas entidades. 3.3.3 Deixar de cumprir com as obrigações acessórias letra “c”. Nega ter deixado de cumprir com obrigações acessórias e argumenta: [...] Neste período a conta caixa, suportou os débitos e créditos relativos a movimentação financeira conforme livros diários período 2002 a 2004 em poder da própria Receita Federal. Todos os depósitos e saques por cheque foram registrados como movimento de dinheiro no caixa. Outrossim, as receitas, despesas e investimentos estão nas declarações DIPJ 2002 a 2005, perfeitamente compatíveis com a movimentação de banco. O documento de f. 38 é de clara evidência que a incorporação se deu em 2002 a 2005, não como relatado em 2007. A incorporação da Caixa ao contrário do alegado pelo Sr. Fiscal se encontra amparado por ata circunstancial (ANEXO 4 DA primeira impugnação) e os devidos lançamentos contábeis efetuados em 30/04/2002 no livro diário da entidade (esse em poder da Receita Federal), cujos lançamentos anexamos a presente, ainda neste mesmo diário encontramse lançamentos contábeis das receitas e pagamentos das manutenções de ministros e obreiros, cujos valores eram meramente contábeis sem CPMF, uma vez que os pagamentos eram efetuados pelas igrejas (ANEXO 5 da primeira impugnação e desse recurso). Resolução CFC 530/81, Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, p Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômic0contábil. Quanto à falta do registro de empréstimo, assim, podemos traduzir, os empréstimos eram lançados (não pela emissão dos cheques, mas sim pela conta caixa). (ANEXO 6 da primeira impugnação e anexo 3 do presente recurso) O direito tributário já contemplou situações onde o apego ao perfectível ou legalismo, quando há muito assim vem agindo sem dolo, criouse a TEORIA DO ABUSO DE FORMA; [...] Fl. 17DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 18 Somase ainda ao presente caso, cabendo a Notificada invocar o CAMINHO MENOS ONEROSO; [...] 4.1 A CIADESCP remunerou, de forma direta seus dirigentes (pastores, evangelistas, presbíteros e demais obreiros) letra “a” e “b”. [...] É pacífico que Pastores e demais obreiros não têm vínculo empregatício, mas necessitam de uma subsistência mensal, mais ainda largamente respondido e materializado pelos anexos 2 da primeira impugnação tendo como item 2.1; também mencionado na segunda impugnação e neste recurso respondido no item 3.3.1, sendo tal argumentação imprestável para sustentar a notificação e o ato declaratório. (Anexo 2 da primeira impugnação e para dirimir qualquer dúvida estão sendo juntadas neste recurso como anexo 3) 4.2. A CIADESCP remunerou, de forma direta seus dirigentes ao pagar a previdência complementar letra “c”. Comprovouse que o convênio com a previdência complementar tem como instituidora a recorrente, quando os valores são pagos pelas igrejas sem o desconto dos pastores e obreiros e repassado a instituição financeira por força contratual. Consta nas informações prestadas às fls. 42 que aditada em 12.04.07, no item 6 BRADESCO PREVIDÊNCIA, SEGURO DE VIDA. A entidade mantém com o BRADESCO PREVIDÊNCIA E SEGUROS convênio para assegurar aos que aderem aos planos de aposentadoria complementar e seguro de vida, que é suportada pelas contribuições recebidas pelas igrejas, sem reembolso dos obreiros. Também respondido no item 2.1 da primeira impugnação, mencionado na segunda e conta desse recurso no item 3.3.2, sendo tal argumentação imprestável para sustentar a notificação e o ato declaratório. 4.3 A CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos desviando a Igreja Evangélica Assembléia de Deus letra “d”. Insustentável tal pretensão visto o contido nos estatutos e regimentos da recorrente, devendo servir de base para afastar tal pretensão o contido no item 3.1 dessa peça. 4.4 A CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos desviando a remuneração ou prebendas em favor dos ministros letra “e”. Ipsis literis do mencionado na resposta 4.1. 4.5 A CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos desviando a pagar auxílio médico e funeral em favor dos ministros letras “f” e “g”. Tudo devidamente respondido e comprovado conforme item 2.1 e 2.2 da primeira impugnação e neste recurso no item 3.3.2. Caso prospere o ato declaratório, parecer SARAC e a notificação fiscal, passarão as igrejas e a recorrente por um colapso devastador, colocandoa em grandes dificuldades imediatamente os Pastores e as igrejas que dependem diretamente da Notificada. Ademais, a Notificada agiu de pronto atendimento aos pedidos feitos pelo Auditor Fiscal, independentemente da sua formalização, tudo em conformidade com o que preconiza o inciso V do art. 14 e incisos II e III do art. 340, todos do CPC c/c art. 4º e incisos I, II, III, IV da Lei 9.784/99. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 10 19 Finaliza, afirmando que em momento algum recebeu ou recebe subvenção do governo federal, estadual ou municipal, tendo como renda exclusiva em conformidade com o organograma anteriormente apresentado. [...] Impugnação ao Lançamento (fls. 593 a 624) (protocolo de 06/11/2007) Inicia essa peça apresentando argumentos contrários ao arbitramento do lucro, trazendo à colação decisões do Conselho de Contribuintes e da 1ª instância administrativa, que esclarecem ser essa uma forma de tributação possível apenas em condições extremas, como a existência de falhas insanáveis na escrita do contribuinte. E desenvolve sua argumentação como segue: Ora, foram entregues as DIPJs, os livros; diário e razão, muito embora não lançados os movimentos de banco (bancoconta movimento), TODAS AS RECEITAS E DESPESAS INERENTES A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA FORAM LANÇADOS VIA CAIXA, e confirmado o anteriormente dito, SUPORTOU PASSIFICAMENTE OS DÉBITOS E CRÉDITOS BANCÁRIOS CUJO OS RESULTADOS TODOS FORAM LANÇADOS NOS RESPECTIVOS LIVROS, o que não deve prosperar este termo, conforme interpretação do Conselho; [...] No interpretar da jurisprudência consolidada pelo Conselho onde a contabilidade deve preencher objetividade, distante da contabilidade empresarial; “Esta escrituração, no entanto, não precisa atender a todas as regras da boa técnica contábil. Basta que seja suficiente para comprovar o preenchimento dos requisitos apontados nos incisos I e II do art. 14 do CTN. Esta linha de pensamento, digase de passagem foi sufragada pelo E. 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, quando decidiu não ser necessária “a adoção de escrituração comercial, segundo a boa técnica contábil, e com observância das normas constantes da legislação tributária, nos moldes que é exigida das demais empresas submetidas ao regime de tributação, com base no lucro real ou presumido. A escrituração exigida objetiva, tãosomente, a verificação pela fiscalização do cumprimento dos requisitos contidos nos incisos I e II do art. 14 da Lei n. 5.172, de 1966” [...] Caso persista a declaração de isenção, deve, portanto ser reconhecido o arbitramento de lucro presumido como excesso de rigorismo ou nítido caráter de punição, que deve ser acolhido este recurso para afastar o arbitramento do lucro presumido e que venha ser aplicado o lucro real. Prossegue reproduzindo os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, caso seja mantida a tributação pelo Lucro Real, pede que sejam observados os seguintes itens: em conformidade com inciso I do art. 32 da Lei 9.430 de 27.12.1996, incisos X e XII do art. 2º, parágrafo 1º do art. 56 (cinco dias para reconsideração); parágrafo 3º do art. 56 (explicitar os motivos da não reconsideração, por redação dada pela Lei 11.417 de 19.12.06); Fl. 19DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 20 art. 61 (declarar o efeito suspensivo) e art. 64º, 64º A, 64º B todos da Lei 9.784/99, A decisão recorrida está assim ementada: IMUNIDADE. ENTIDADE RELIGIOSA. O constituinte, ao declarar na norma inserta na letra b do art. 150, da Constituição Federal, que é vedado instituir imposto sobre "templos de qualquer culto", pretendeu fosse abrangido pela imunidade tributária não o "prédio" onde realizado o culto, mas a instituição como um todo. Precedente: TRF400117259. Relatora Vivian Josete Pantaleão Caminha, Processo: 200104010578424. É permitida a tributação do patrimônio, da renda e dos serviços de entidades religiosas, apenas quando não se relacionam com suas finalidades essenciais. Circunstância não comprovada nos autos. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. A autuada foi cientificada em 01/08/2008, fl. 1878; a seguir os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso de oficio É o relatório. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 11 21 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso de ofício preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Vejamos os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido: Como visto no Relatório, há diversas questões preliminares e de mérito trazidas pela interessada frente à Suspensão de sua Isenção Tributária e aos Autos de Infração que constituem o crédito tributário relativo ao IRPJ e seus reflexos. Todavia, desde logo esclareço minha posição em favor do reconhecimento da Imunidade Tributária da interessada, por ser esta entidade de natureza religiosa, a quem deve ser aplicado o disposto no art. 150, “b”, da Constituição Federal de 1988. Por força desse entendimento, diversos itens das peças de defesa deixarão de ser apreciados. O texto constitucional: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: [...] b) templos de qualquer culto; [...] § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. [...] (Grifei) Notese que a Constituição Federal estabelece como única limitação à fruição da Imunidade Tributária pelos Templos, o disposto no § 4º do art. 150, ou seja: a imunidade compreende somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais dessas entidades. Assim, a suspensão da Imunidade só poderia ocorrer caso fossem verificadas esses condições, o que autorizaria a constituição do crédito tributário correspondente. Nesse sentido vejase a jurisprudência administrativa abaixo: Ementa: IMPOSTO DE RENDA – PESSOA JURÍDICA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL IMUNIDADE. A imunidade concedida aos templos de qualquer culto não é de caráter amplo e irrestrito, alcançando apenas as rendas relativas às finalidades essenciais da entidade religiosa, o que, não ocorre, quando recursos são empregados na concessão de empréstimos para membros da Igreja, sejam eles a título gratuito ou oneroso. A existência de escrituração contábil permite que se adote a tributação dos lucros pelo lucro real, admitindose a proporcionalização dos resultados na forma preconizada no Parecer Normativo CST 73/75. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Acórdão 10193037. Data da Sessão: 12/04/2000. PRIMEIRA CÂMARA. Relator: Jezer de Oliveira Cândido.) Fl. 21DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 22 Pela interpretação do disposto no § 4º do art. 150 da Constituição Federal, resta claro que a vedação de instituição de imposto sobre o patrimônio relacionase, unicamente, com as finalidades essenciais das entidades citadas. O próprio constituinte estabeleceu uma hipótese de imunidade condicionada, ou seja, não são todos os bens da pessoa jurídica que estão imunes aos impostos, mas somente aquela parcela do patrimônio que tenha relação com as finalidades essenciais da entidade. Sobre esse assunto, transcrevo a seguir entendimento esposado pelo professor Roque Carrazza: “Não devemos nos esquecer que ‘as vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas’ (art. 150, § 4º, da CF). Logo, se, por exemplo, um partido político abrir uma loja, vendendo, ao público em geral, mercadorias, deverá pagar ICMS, ainda que os lucros revertam em benefício das suas atividades. Por quê? Porque a prática de operações mercantis não se relaciona, nem mesmo indiretamente, com as finalidades de um partido político.” (in Curso de Direito Constitucional Tributário. 7ª ed: 1995. São Paulo: Malheiros, p. 369) A regra visa evitar que, sob o manto da imunidade, seja violado o princípio da isonomia, como bem explica Aurélio Pitanga Seixas Filho: “Assim como a imunidade recíproca em favor das pessoas jurídicas de direito público não abrange a exploração de atividades econômicas regidas por normas aplicáveis a empreendimentos privados, do mesmo modo se as entidades filantrópicas, assistenciais e educacionais exercerem alguma atividade extravagante, isto é, fora de suas funções próprias favorecidas, deverão se sujeitar ao regime jurídico tributário próprio dessa atividade empresarial para não ferir o princípio máximo da isonomia tributária, de que situações idênticas não podem pagar tributos diferentes, já que o exercício de uma atividade econômica ou empresarial deve sujeitar as pessoas ao pagamento do mesmo tributo para não agredir o princípio da livre concorrência. O privilégio concedido a alguém dentro de um mesmo setor econômico ou empresarial configura uma concorrência desfavorável para os demais participantes.” (in Justiça Tributária. 1998. São Paulo: Max Limonad, p. 56). Ressaltese que o ônus da prova da vinculação cabe ao contribuinte. Neste ponto, pertinente a lição de Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo: “Significa que não é a Administração Tributária que tem que provar a não vinculação para poder cobrar o imposto e sim o particular que deve demonstrar a pertinência do patrimônio, da renda ou do serviço à finalidade essencial sua para poder gozar o benefício constitucional.” (in Direito Tributário na Constituição e no STF, 7ª. ed.: 2004. Rio de Janeiro: Impetus, p. 134) Esse entendimento já foi manifestado pelo Supremo Tribunal Federal. O Informativo STF nº 108, de 7 de maio de 1998, noticia a decisão da Segunda Turma da Corte, no julgamento do RE 206.169SP, nos seguintes termos: “Imunidade Tributária: Ônus da Prova Incumbe ao contribuinte a prova da relação entre o patrimônio e a finalidade essencial da entidade, prevista no § 4º do art. 150 da CF (“As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a renda e o serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas."). Com base nesse entendimento, a Turma confirmou despacho do relator que negara seguimento a recurso extraordinário, em que se sustentava ser do fisco, e não Fl. 22DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 12 23 do contribuinte, o ônus da prova. RE 206.169SP, rel. Min. Marco Aurélio, 27.4.98.” É certo que desde o início dos procedimentos de fiscalização até as decisões recorridas, a interessada não foi considerada entidade imune; esse equívoco fez ruir todo o trabalho que se seguiu. Inicialmente existe a controvérsia sobre o alcance do termo “Templos” insculpido na alínea “b” do inciso VI do art. 150 da Carta de 1988. A fiscalização manifestou seu entendimento sobre esse ponto da seguinte forma (fl. 145): “Não se pode afirmar em momento algum que é um templo, que tenha em sua essência a finalidade de difundir a religião, pregando o evangelho, ou mesmo servindo para culto de seus fiéis.” As Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus é que se prestam para a finalidade acima mencionada. Prova disso é a existência de 153 Igrejas Sedes, fls. 34. Citamos como exemplo o CNPJ 84.308.308/000166 Igreja Evangélica Assembléia de Deus Rua Andrade, 35 Centro Itajaí/SC. Em 26 de janeiro e 2007, a própria CONVENÇÃO, fls. 37, declara que é uma entidade das igrejas e que tem por finalidade a orientação, a organização e a fiscalização das Igrejas membros, as quais se submetem as regras por elas instituídas na formulação do que os estatutos estabelecem. Conceituando CONVENÇÃO, segundo o Dicionário Aurélio: “... encontro, reunião ou assembléia de indivíduos ou representações de classe, de associações, etc., onde se delibera sobre determinados assuntos; conferência; congresso ...” Ocorre que essa leitura limitada do termo “Templos” inviabiliza a livre organização das instituições religiosas. Parece por demais óbvio que uma religião, um “culto”, necessita mais do que um edifício para alcançar seus propósitos, os quais, em última instância, podem ser resumidos como a difusão e a vivência de uma determinada fé religiosa. Assim como qualquer outra organização, também as igrejas, à medida que se expandem, necessitam de unidades para as quais convirjam as questões de natureza administrativas e eclesiásticas, provenientes de seus diversos “templos”. Ou seja, além dos edifícios onde são realizados os rituais religiosos, também as unidades que ocupam posições superiores nos organogramas de uma determinada ordem, devem ser compreendidos como partes integrantes do “culto”, da “fé”, que tenha tomado forma em uma determinada “instituição religiosa”, esteja essa constituída em uma única ou em diversas pessoas jurídicas. Não é demais lembrar que somente dispondo de unidades centralizadoras as igrejas podem realizar estudos teológicos voltados à formação e à orientação de seus quadros, necessários para que seu “culto” tenha forma definida, e não se fragmente em diferentes cultos professados em cada um de seus “templos”. Nesse sentido, vejase a jurisprudência abaixo: Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. ABRANGÊNCIA. A imunidade prevista na Constituição que veda a instituição de impostos sobre "templos de qualquer culto" deve ser interpretada de forma extensiva, a fim de abranger o patrimônio, renda e serviços relacionados com crenças religiosas enquanto instituição. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 24 Decisão: A TURMA, POR UNANIMIDADE, NEGOU PROVIMENTO À APELAÇÃO E À REMESSA OFICIAL. (Acórdão: TRIBUNAL QUARTA REGIÃO. Classe: AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. Processo: 200270000644420 UF: PR Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA. Data da decisão: 22/02/2006 Documento: TRF400121178. Relator(a):ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA) Ementa: TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. ART. 150, VI, b, CF. MITRA METROPOLITANA DE FLORIANÓPOLIS. O constituinte, ao declarar na norma inserta na letra b do art. 150, da Constituição Federal, que é vedado instituir imposto sobre "templos de qualquer culto", pretendeu fosse abrangido pela imunidade tributária não o "prédio" onde realizado o culto, mas a instituição como um todo. Decisão: A TURMA, POR UNANIMIDADE, NEGOU PROVIMENTO À REMESSA OFICIAL, NOS TERMOS. (Acórdão: TRIBUNAL QUARTA REGIÃO. Classe: REO REMESSA EX OFFICIO. Processo: 200104010578424 UF: SC Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA. Data da decisão: 26/10/2005 Documento: TRF400117259. Relator(a): VIVIAN JOSETE PANTALEÃO CAMINHA) Os elementos contidos nos autos demonstram que a interessada é parte integrante da Igreja Assembléia de Deus, conforme fica claro pelos esclarecimentos prestados à fiscalização, contidos nas fls. 36 e 37, que se coadunam com os trechos do Estatuto descritos nas peças lavradas pela fiscalização e nas petições apresentadas pela interessada, e que podem ser conferidos com os Estatutos de fls. 14 a 19. A CIADESCP CONVENÇÃO DAS IGREJAS EVANGÉLICAS ASSEMBLÉIA DE DEUS DO ESTADO DE SANTA CATARINA E SUDOESTE DO PARANÁ, foi criada em 20 de setembro de 1948, com o fito de organizar as igrejas, assim, determinando a : 1) finalidade; 2) constituição; c) administração; d) patrimônio; e) dissolução; f) jurisdição das igrejas. A finalidade da CIADESCP consiste no direcionamento e cuidados de Pastores, Evangelistas e Presbíteros que estão nas cidades abrangentes, para que as linhas mestras como “igreja evangélica” não se modifique. Podendo ainda, estabelecer trabalhos missionários “para pregação do evangelho ou apoio a igrejas que não possuem pastores.” Dentre as finalidades, a manutenção dos Obreiros (Pastores, Evangelistas e Presbíteros). Em sua constituição tinha com fim a responsabilidade dos “Inativos” e assistência social (criada outra entidade subordinada a esta, para com mais propriedade estabelecer e deferir os pedidos assistenciais CEADESCP Caixa de Evangelização das Assembléias de Deus do Estado de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná). Em sua constituição estão as “igrejas membro” denominadas Igrejas Assembléia de Deus de diversas cidades, tendo inscrição individualizada junto a Receita Federal, contudo, são “uma e indivisíveis” recebendo e acatando orientações em todos os setores, tanto administrativos e ministeriais. Das igrejas é que provem exclusivamente “percentual sobre a arrecadação das igrejas.” A administração da CIADESCP é constituída anualmente em assembléia especialmente convocada. Isto por voto secreto, entre os membros convencionais aptos a votarem. Nesta convocação, ainda são realizados cultos, ensinamentos e orientações eclesiásticas e administrativas aos responsáveis das igrejas membro. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 13 25 O patrimônio será direcionado a outra entidade em caso de extinção, somente em assembléia devidamente convocada e por dois terços (2/3) dos membros convencionais. Quanto à alegada impossibilidade de expedição de ato com o propósito de Suspender a Imunidade da interessada, concordo com a autoridade a quo, que Suspendeu a Isenção Tributária, tendo em vista ser essa a situação em que a interessada tinha se autoenquadrado. Todavia, a análise sobre a natureza das atividades da interessada e da argumentação de que desenvolveria atividades religiosas não poderia deixar de ser feita. Ocorre que, tendo em vista os elementos contidos nos autos, verificase que desde o procedimento de fiscalização foi dito que a interessada não preenchia as condições necessárias para ser enquadrada como entidade religiosa imune, pois não era um “templo” onde os fiéis compareciam. Ou seja, a questão da imunidade foi enfrentada de forma parcial, prevalecendo entendimento desfavorável à interessada. Não se pode ter outro entendimento, pois do contrário significaria dizer que teria sido constituído crédito tributário contra entidade que se sabia imune, em favor do enriquecimento sem causa do Estado. Dessa forma, ainda que os argumentos trazidos pela interessada de que ocorreu afronta ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal mereçam atenção, entendendo terem sido apresentados pelas autoridades fiscais os motivos pelos quais a interessada não se enquadraria como entidade religiosa. Assim, vejo condições de solucionar de vez a controvérsia. Para tanto, valhome do princípio da economia processual, pois analisados os elementos existentes nos autos, restou comprovado ser a interessada entidade religiosa, nos termos do disposto na alínea “b” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, fazendo jus à imunidade tributária. Ainda deve ser observado o princípio da verdade material, que faz cair por terra o argumento do autoenquadramento como entidade Isenta. Ementa: BUSCA DA VERDADE MATERIAL No processo administrativo, predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. (Acórdão nº: 10247.972. Sessão de: 18 de outubro de 2006. Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos. RELATOR: ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO) Conclusão Nessas condições, não tendo sido apresentadas nas decisões recorridas elementos que demonstrem a ocorrência das situações previstas no § 4º do art. 150 da Constituição Federal, voto pela improcedência do Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 23, de 26 de setembro de 2007, e do Auto de Infração do IRPJ, assim como seus reflexos. Pois bem, da análise dos fatos narrados no relatórios fiscais de fls. 144153, bem como dos fundamentos da decisão de recorrida, acima transcritos, verificase que a decisão de 1a. instancia não apreciou todos os fundamentos que levaram a fiscalização a suspender a imunidade da organização. Isso porque entendeu que a CONVENÇÃO é entidade Fl. 25DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 26 religiosa, nos termos do disposto na alínea “b” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, fazendo jus à imunidade tributária. A meu ver, merece reparos os fundamentos da decisão recorrida que levaram o colegiado a concluir que a “CONVENÇÃO” é uma entidade religiosa e que, em principio faria jus a imunidade constitucional sobre seu patrimônio, rendas e serviços. Entendo que no presente caso, cabe razão ao Fisco em suas conclusões, que transcrevo do próprio relatório da decisão recorrida: (...) Como se percebe, foi criada uma entidade para representar uma classe, qual seja: as Igrejas Membros da Assembléia de Deus. Não se pode afirmar em momento algum que é um templo, que tenha em sua essência a finalidade de difundir a religião, pregando o evangelho, ou mesmo servindo para culto de seus fiéis. As Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus é que se prestam para a finalidade acima mencionada. Prova disso é que existência de 153 Igrejas Sedes, fls. 34. Citamos como exemplo o CNPJ 84.308.303/000166 Igreja Evangélica Assembléia de Deus Rua Andrade, 35 Centro Itajaí/SC. Em 26 de janeiro de 2007, a própria CONVENÇÃO, fls. 37, declara que é uma entidade das igrejas e que tem por finalidade a orientação, a organização e a fiscalização das Igrejas membros, as quais se submetem às regras por elas instituídas na formulação do que os estatutos estabelecem. Conceituando CONVENÇÃO, segundo o Dicionário Aurélio: A própria CONVENÇÃO assume sua condição de Associação Civil, entregando as DIPJs para a Receita Federal, informando se uma ASSOCIAÇÃO CIVIL, fls. 26 a 33. À Luz dos fatos, passaremos a tratar a CONVENÇÃO como sendo uma Associação Civil, prevista no art. 53 e seguintes do Código Civil Brasileiro. Estando sujeita às regras das pessoas jurídicas isentas e não das pessoas jurídicas imunes. (..) A expressão “entidades sem fins lucrativos”, prevista no art. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, engloba diversas instituições, tais como as associações civis ou sociedade civil que devem prestar serviços para os quais houverem sido instituídas; além disso, deverão colocar à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, destacamse ainda as instituições recreativas, culturais e científicas entre outras. No caso dos autos tratase de uma “ASSOCIAÇÃO CIVIL ou SOCIEDADE CIVIL” conforme prova abaixo destacada: a) pelo registro do estatuto da CIADESCP, como segue: “Certifico e dou fé que o Estatuto da Convenção (...), registro de Sociedades Civis (Pessoa Jurídica)...” (fls. 19, verso). b) pelas “Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJs” prestadas pela própria CIADESCP e entregues oficialmente para a Secretaria da Receita Federal, conforme provam as DIPJs dos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, onde o AUTOENQUADRAMENTO foi o seguinte: “Tipo de Entidade: Associação Civil” (fls. 26, 28, 30 e 32, respectivamente). [...] Fl. 26DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 14 27 Nos quatro anoscalendário a CIADESCP fez o seu AUTOENQUADRAMENTO como ASSOCIAÇÃO CIVIL; nunca informou que era imune, nem que tinha outro tipo de enquadramento (fls. 26, 28, 30 e 32). Logicamente não informou porque, realmente, não corresponderia com as suas disposições estatutárias, que objetivamente a enquadram como “associação civil”. A referida “moldura jurídica” está estabelecida em decorrência do AUTO ENQUADRAMENTO feito, pela própria CIADESCP, em cada época que apresentou suas DIPJs, nos anoscalendários 2002, 2003, 2004 e 2005, onde declarou que a instituição enquadravase, naquele período, como “Forma de Tributação do Lucro: Isenta do IRPJ” e o “Tipo de Entidade: Associação Civil” (fls. 26, 28, 30 e 32). Em verdade, a CONVENÇÃO é uma associação de entidades religiosas, sem fins lucrativos, e que faz jus a isenção de tributos, desde que obviamente aplique os recursos em suas atividades. Tal qual dispõe seu estatuto e declarou à Receita Federal. Todavia, a fiscalização apontou vários fatos que determinariam a suspensão da “isenção” da organização, que salvo melhor juízo também poderiam ensejar a suspensão da imunidade, conforme a seguir transcrito: 4. DOS FATOS QUE DETERMINAM A SUSPENSÃO DA ISENÇÃO 4.1 REMUNERAÇÃO DE SEUS DIRIGENTES: A administração da CONVENÇÃO é constituída anualmente em assembléia especialmente convocada, por voto secreto, conforme abaixo: Art.12, § 2o c/c art.15 § 3o da Lei n° 9.532/97 assim determina "... para gozo da isenção ... estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos": a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados (grifo nosso) A CONVENÇÃO paga os salários/prebendas dos obreiros das Igrejas Evangélicas de Deus, assumindo juridicamente a responsabilidade como empregadora, mesmo que o dinheiro para o pagamento seja retirado diretamente do caixa de cada Igreja, onde o obreiro presta seus serviços. Anexamos cópia de documentos, de três membros dirigentes da convenção, comprovando essas operações, fls. 236 a 265. A CONVENÇÃO manteve convênios com BrasilPrev, com Bradesco Previdência Complementar e Seguro de Vida. Tais convênios foram custeados, principalmente, com dinheiro dos fiéis, e não há reembolso integral por parte daqueles que são beneficiados com estes convênios. Declaração da CONVENÇÃO, fls.41 e 42. Assim fica claro que a CONVENÇÃO está remunerando de forma indireta os seus dirigentes, oferecendo uma Previdência Complementar, com dinheiro da própria entidade. Anexamos cópia do Razão Contábil onde estão registrados estes gastos, fls.43 a 84. 4.2 APLICAR RECURSOS EM ATIVIDADES ESTRANHAS AOS SEUS OBJETIVOS SOCIAIS: Art. 12, § 2o c/c art. 15 § 3o da Lei n° 9.532/97 assim determina "... para gozo da isenção ... estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos": Fl. 27DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 28 a) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais (grifo nosso) Os gastos, já mencionados no item 4.1, com Previdência Complementar e Seguro de Vida não são objetivo social da entidade CONVENÇÃO, ferindo assim o que preceitua a legislação em comento. Anexo Razão Contábil, fls.43 a 84. Contas de Auxilio Especial e Auxilio Emergencial, onde são destinados recursos financeiros para os Templos/Igrejas. Isso também não constitui objeto social da CONVENÇÃO. 4.3 DEIXAR DE CUMPRIR OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS: Art. 12, § 2o c/c art. 15 § 3o da Lei n° 9.532/97 assim determina "... para gozo da isenção ... estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos": a) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão (grifo nosso) Em 22 de fevereiro de 2007, fls.38, a CONVENÇÃO informa que incorporou as contascorrente e cobrança de outra entidade, qual seja: CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO CNPJ 83.242.230/000194. Utilizou também as contas corrente para movimentação financeira de uma entidade para outra, sem a preocupação dos registros contábeis. O quer se dizer aqui é que não houve respeito ao principio da entidade. Não há registros nos livros contábeis, de empréstimos entre CONVENÇÃO, CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO e IGREJAS MEMBROS. No período de 2002 a 2004, não foi contabilizado a movimentação financeira em Bancos Conta Movimento, fls.13. 5.1 Por todo o exposto e à vista dos documentos acostados aos autos, resta evidenciado que a CONVENÇÃO não está observando os requisitos previstos na legislação tributária para o gozo do beneficio da ISENÇÃO tendo em vista a prática das infrações relacionadas no item 4. Vejamos o disposto no art. 14 do CTN: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Fl. 28DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 140200.421 S1C4T2 Fl. 15 29 Com a devida vênia, a decisão de 1a. instância aplicou o chamado princípio da verdade material apenas para ultrapassar o auto enquadramento da Convenção em entidade sem fins lucrativo isenta do IRPJ e contribuições, que considerou ter sido errôneo. Já em relação ao despacho de suspensão da isenção, esse princípio não foi considerado, mesmo não havendo qualquer à entidade, que pode se defender plenamente. É certo que o princípio) da legalidade deve prevalecer, mas nesse caso foi o próprio contribuinte que ensejou a forma do ato. Aplicase aqui o disposto no art. 60 do Decreto 70.235/1972 (PAF): art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifei) Diante do exposto, voto no sentido em anular parcialmente a decisão de primeira instância, determinando que outra seja proferida para enfrentamento das demais questões em litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 29DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10320.000927/2005-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por força da técnica legal de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de cervejas, águas e refrigerantes, denominada de tributação monofásica, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da revenda desses produtos, são submetidas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.879
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena. Ausente a Conselheira Nanci Gama. O Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes declarou-se impedido de votar.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA NÃO- CUMULATIVA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por força da técnica legal de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de cervejas, águas e refrigerantes, denominada de tributação monofásica, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da revenda desses produtos, são submetidas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena. Ausente a Conselheira Nanci Gama. O Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes declarou-se impedido de votar. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento- Relator. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 2 EDITADO EM: 21/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento e Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 08-13.485, de 13 de junho de 2008 (fls. 41/47), proferido pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE (DRJ/FOR), em que, por unidade de votos, indeferiram a solicitação, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Ano-calendário: 2005 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de cervejas, águas e refrigerantes, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Solicitação Indeferida Por bem descrever os fatos, transcrevo a seguir o relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata-se de manifestação de inconformidade com a decisão da Delegacia da Receita Federal de São Luís/MA, que indeferiu pedido de restituição de créditos oriundos da aquisição de bebidas referidas no art. 49 da Lei nº 10.833/04, na qualidade de distribuidora e revendedora, tendo em vista a sistemática de incidência não-cumulativa adotada para as contribuições do PIS e COFINS. Entendeu a DRF que a pretensão da requerente encontra óbice na legislação que rege a matéria, conforme conclusão às fls. 17. Inconformada, a requerente impugnou o ato denegatório (fls. 29/39), alegando em síntese o seguinte: Que realmente opera única e exclusivamente com os produtos a que alude o art. 49 da Lei nº 10.833/04 e, por conseguinte, sua Fl. 80DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000927/2005-01 Acórdão n.º 3102-00.879 S3-C1T2 Fl. 77 3 receita bruta não está sujeita a recolhimento de PIS e Cofins, em função do disposto no art. 50 da mesma Lei. Por outro lado, o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 assegura a manutenção de créditos quando vendas sejam efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS e do PIS, revogando disposições legais que vedavam esse direito. A Instrução Normativa SRF n° 404, de 12/03/2004 não se presta para regulamentar o previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, pois além de ser anterior a mencionada Lei se colide com esta. Discorre sobre as sistemáticas de substituição tributária em suas várias vertentes, para concluir que mesmo em se tratando de incidência monofásica do tributo, como no caso em espécie, não se pode esquecer que referida incidência reflete sobre toda a cadeia produtiva, onerando-a. Assim, para resguardar os interesses do contribuinte que se encontra no final da cadeia produtiva, o legislador permitiu que aquele mantivesse os créditos vinculados a essas operações, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Pugnou pelo deferimento do seu pleito com a conseqüente homologação da compensação declarada. É o relatório. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, por via postal (fl. 52), em 14/07/2008. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 56/72, protocolado em 13/08/2008 (fl. 55), reapresentado as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e propugnando, ao final, pelo provimento do presente Recurso, reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações. Em cumprimento aos despachos de fls. 74/75, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de agosto do corrente ano, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente controvérsia. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 4 Nos presentes autos, informou a Interessada a compensação de parte do valor (R$ 520.382,24) do crédito da Cofins do 1º trimestre de 2005 (fl. 06), com os débitos tributários discriminados na Declaração de Compensação de fl. 01. De acordo com o formulário de fl. 04, informou a Interessada que o suposto crédito compensado decorria de crédito da Cofins apurado de acordo com o artigo 17 da Lei 11.033/2004, combinado com o disposto no artigo 50, inciso I, da Lei 10.833/2003. Por meio do Despacho Decisório de fls. 14/18, o titular da Unidade da Receita Federal de origem não homologou as compensações declaradas, com o argumento de que não existia o crédito utilizado na compensação em tela, uma vez que a Interessada exercia o comércio varejista de bebidas, cuja receita de venda estaria submetida ao regime de tributação monofásica, excepcionada do regime da não-cumulatividade e sujeita a alíquota zero, logo, não havia que se cogitar de débito nem crédito das referidas Contribuições. Por sua vez, a Turma julgadora de primeiro grau manteve a não homologação das referidas compensações, também com base no argumento de que, em razão da técnica de tributação concentrada nos fabricantes e importadores das referidas bebidas, as receitas de venda de tais produtos pelos comerciantes atacadistas e varejistas seriam “submetidas à alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens”. Por outro lado, no presente Recurso, sustentou a Interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de cervejas, águas e refrigerantes, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Assim, fica evidenciado que a presente controvérsia diz respeito ao direito de crédito das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, referente à aquisição de cervejas, águas e refrigerantes, produtos revendidos pelas pessoas jurídicas que exercem a atividade de comércio varejista de bebidas, atividade exercida pela Interessada. I – DO MÉRITO No presente Recurso, alegou a Interessada que, por força do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, teria direito ao crédito das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre às aquisições de cerveja, água e refrigerante junto aos fabricantes, apesar de a receita de venda de tais produtos estar sujeita a alíquota zero. Antes de adentrar na análise da presente controvérsia, é oportuno fazer uma rápida digressão sobre as formas de tributação das referidas contribuições. Das formas de tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Até o advento das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, a tributação das pessoas jurídicas de direito privado pelas contribuições para o PIS/Pasep e Cofins era feita segundo a sistemática da cumulatividade e dos regimes especiais de tributação. Após a vigência das referidas Leis, ao lado dos citados regimes, foi instituída a sistemática da não- cumulatividade, para fins de apuração e cobrança das referidas Contribuições. De acordo com a sistemática da cumulatividade, a apuração do valor das referidas Contribuições era feita mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% (Contribuição para o PIS/Pasep) e 3,00% (Cofins) sobre a receita das vendas, sem direito a dedução de qualquer valor a título de crédito. Atualmente, essa modalidade de tributação é reservada, em Fl. 82DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000927/2005-01 Acórdão n.º 3102-00.879 S3-C1T2 Fl. 78 5 termos gerais, para as pessoas jurídicas não tributadas pelo lucro real (lucro presumido, Simples Nacional etc). Por sua vez, no regime da não-cumulatividade, as alíquotas foram majoradas para 1,65% (para a Contribuição para o PIS/Pasep) e 7,60% (Cofins), porém, passou a ser permitida a dedução dos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, discriminados nas respectivas Leis. Segundo essa nova sistemática, do confronto entre os débitos (calculados mediante aplicação das ditas alíquotas sobre as receitas de venda) e os créditos (calculados mediante aplicação das ditas alíquotas sobre valor dos custos, despesas e encargos) que poderá resultar em contribuição a pagar ou saldo credor, a ser transferido para os períodos seguintes. Neste regime, regra geral, estão incluídas as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, com as exceções estabelecidas em dispositivos legais diversos. Paralelamente aos dois regimes gerais, continuou em vigor os denominados regimes especiais de tributação que tem como característica o fato de a incidência dar-se em relação ao tipo de receita de venda de determinados produtos, sendo irrelevante a condição ou a forma tributação pelo Imposto de Renda da pessoas jurídica. Dentre esses regime especiais, pela pertinência ao caso em tela, cabe destacar o intitulado regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou fabricante tem suas alíquotas majoradas, de modo a incorporar os efeitos da incidência das fases posteriores da cadeia de negócios (atacado e varejo). Em contra-partida, os comerciantes atacadistas (ou distribuidores) e varejistas têm as alíquotas das referidas Contribuições reduzidas a zero. Em suma, pode-se dizer que as características principais do regime monofásico são (i) a concentração da cobrança das ditas Contribuições em uma única fase da cadeia de negócios, substituindo as incidências das etapas seguintes, e (ii) as receitas serem decorrentes da venda de determinados produtos, tais como combustíveis, produtos farmacêuticos e bebidas (caso em apreço). Da tributação das receitas de venda de cerveja, água e refrigerante pelas contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Conforme mencionado precedentemente, a partir da vigência dos citados diplomas legais, a cobrança e apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre a receita de venda de cerveja, água e refrigerante passou a ser realizada segundo o regime de incidência monofásica, concentrada na fase primeira da cadeia de venda de tais produtos, ou seja, nos fabricantes (produto nacional) e importadores (produtos estrangeiros). No período de apuração dos créditos em apreço, a matéria estava disciplinada nos arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, in verbis: Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no Fl. 83DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 6 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). § 1 o O disposto neste artigo, relativamente aos produtos classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água, refrigerante e cerveja sem álcool. § 2 o A pessoa jurídica produtora por encomenda dos produtos mencionados neste artigo será responsável solidária com a encomendante no pagamento das contribuições devidas conforme o estabelecido neste artigo. Art. 50. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS em relação às receitas auferidas na venda: I - dos produtos relacionados no art. 49, por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 2 o da Lei n o 9.317, de 5 de dezembro de 1996; (...) (grifos não originais) Opcionalmente, as pessoas jurídicas que auferissem os referidos tipos de receita poderiam adotar o regime especial de apuração e de pagamento das referidas Contribuições, com base em valores fixados por unidade de litro do produto (alíquota específica), nos termos do art. 52 1 da Lei nº 10.833, de 2003. De acordo com a referida técnica de tributação especial, a cobrança e apuração das ditas Contribuições, incidentes sobre as receitas de venda dos citados produtos, era realizada em fase única, da seguinte forma: a) nos importadores e fabricantes: os débitos eram calculados mediante a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento), para a Contribuição para o PIS/Pasep, e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento), para a Cofins; b) nos atacadistas e varejistas: não havia débitos, pois as alíquotas foram reduzidas a zero, de outra parte, sendo vedado o direito ao crédito, relativamente à aquisição dos respectivos produtos, nos termos seguir exposto. Da vedação do direito ao crédito nas aquisições de cerveja, água e refrigerante pelos comerciantes atacadistas e varejistas. 1 “Art. 52. A pessoa jurídica industrial dos produtos referidos no art. 49 poderá optar por regime especial de apuração e pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, respectivamente, em: I – água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, R$ 0,0212 (duzentos e doze décimos de milésimo do real) e R$ 0,0980 (noventa e oito milésimos do real; II - bebidas classificadas no código 2203 da TIPI, R$ 0,0368 (trezentos e sessenta e oito décimos de milésimos do real) e R$ 0,1700 (dezessete centésimos do real); III - preparações compostas classificadas no código 2106.90.10, ex 02, da TIPI, para elaboração de bebida refrigerante do capítulo 22, R$ 0,1144 (um mil, cento e quarenta e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,5280 (quinhentos e vinte e oito milésimos do real). (...)”. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000927/2005-01 Acórdão n.º 3102-00.879 S3-C1T2 Fl. 79 7 No que tange aos comerciantes atacadistas e varejistas, há expressa vedação legal ao desconto de crédito relativo às aquisições dos citados produtos. Em relação à Contribuição para o PIS/Pasep, tal proibição encontra-se determinada na alínea “b” do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrita: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (...) (grifos não originais). No que concerne à Cofis, a vedação encontra-se disposta na alínea “b” do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.865, de 2004, que segue reproduzida: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (...) Em consonância com o disposto nos transcritos preceitos legais, a referida modalidade de receita foi excluída da sistemática de tributação não-cumulativa, expressamente determinado nos incisos VIII e IX do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.865, de 2004, e da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, que seguem transcritos: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) VIII - no art. 49 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; Fl. 85DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 8 IX - no art. 52 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; (...) Lei nº 10.833, de 2003: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VIII – no art. 49 desta Lei, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IX - no art. 52 desta Lei, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) (...) Assim, fica cabalmente demonstrado que, por força dos referidos preceitos legais, a receita auferida (pelos atacadistas e varejistas) na revenda dos citados tipos de bebidas está expressamente excluída da sistemática da não-cumulatividade, não estando, por conseguinte, sujeita a incidência de alíquota positiva nem tampouco ao direito a crédito. Corrobora o asseverado, a forma de apuração do crédito das referidas Contribuições, determinada para a pessoa jurídica que obtenha receita sujeita a regimes distintos tributação, nos termos do § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que seguem reproduzidos: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (...) (grifos não originais) Lei nº 10.833, de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 86DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000927/2005-01 Acórdão n.º 3102-00.879 S3-C1T2 Fl. 80 9 § 7 o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (...) (grifos não originais) De acordo com os mencionados comandos legais, resta claro que apenas a receita sujeita a incidência não-cumulativa gera crédito a ser utilizado no abatimento dos débitos das referidas Contribuições. Do significado e alcance jurídicos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. No presente Recurso, sustentou a Interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de cervejas, águas e refrigerantes, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observa-se de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da não-cumulatividade. Como visto, por força do art. 2º, § 1º, incisos VIII e IX, e do art. 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de bebidas, adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido nos artigos 49 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. Analisando a redação do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, verifica-se que ele utiliza o vocábulo “manutenção” dos créditos. Por outro lado, a alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, veda a utilização de crédito na aquisição de produtos relacionados nos artigos 49 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. Logo, ao invés de manutenção de crédito, como alegado pela Recorrente, o citado comando legal proíbe expressamente aos atacadistas e varejistas o direito de crédito nas aquisições de tais produtos. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não-incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência não-cumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de Fl. 87DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 10 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das sistemáticas de apuração e cobrança das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de tributação, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Corrobora o asseverado, o fato de a Lei nº 11.033, de 2004, não conter cláusula de revogação expressa da alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, conforme exigido no art. 9º 2 da Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998. Obviamente, também não se aplica ao caso a figura da revogação tácita, segundo a qual a lei posterior revoga a anterior com ela incompatível, pois, conforme precedentemente demonstrado, inexiste qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004, posto que tais dispositivos tratam de matérias distintas, respectivamente, (i) vedação de concessão de crédito, no âmbito dos regimes especiais de incidência, e (ii) manutenção de créditos relativas aquisições vinculadas às receitas exoneradas de tributação pelas ditas Contribuições, no âmbito do regime da não-cumulatividade. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e aquel’outra estabelecida no inciso I do art. 50 da Lei nº 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegar-se- ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvê-lo em dobro. Além disso, tal procedimento levaria a concessão de um “benefício fiscal” completamente esdrúxulo, que afrontaria toda a lógica e racionalidade da forma de financiamento da seguridade social, baseada na solidariedade de toda a sociedade, conforme disposto no art. 195 da Constituição Federal. O suposto “benefício fiscal” apresentaria contornos ainda mais graves, tendo em conta que ele favoreceria um setor econômica que se caracteriza pelo fornecimento de produtos supérfluos e, na sua maioria, nocivos a saúde da população. Em decorrência, chegar- se-ia ao disparate de as receitas de venda de produtos essenciais, a exemplo dos produtos alimentícios, arcarem com uma incidência normal das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, enquanto que a receita de venda de bebidas passaria a ser desonerada da cobrança de tais 2 "Art. 9º A cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis ou disposições legais revogadas". (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) Fl. 88DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000927/2005-01 Acórdão n.º 3102-00.879 S3-C1T2 Fl. 81 11 Contribuições e ainda contemplada com um “benefício fiscal” adicional, correspondente ao valor recolhido pelo fabricante e importador, a ser suportado pela Fazenda Nacional. Ante o exposto, fica amplamente demonstrado que, seja pela prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de cervejas, águas e refrigerantes estão sujeitas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Da natureza jurídica da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004. No presente Recurso, alegou ainda a Interessada que, ao regulamentar a tributação dos produtos relacionados nos arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003, o inciso VI do art. 23 3 da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, criou um novo regime jurídico não previsto na citada Lei. Com a devida vênia, mais uma vez incorre em equívoco a Recorrente. Inicialmente, cabe esclarecer que o art. 23 da citada Instrução Normativa trata das normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a Lei nº 10.833, de 2003, enquanto o disposto nos artigos 49, 50 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003, trata do regime de apuração e cobrança das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins devidas pelas pessoas jurídicas fabricantes e importadoras de cervejas, águas e refrigerantes, a partir da vigência da referida Lei. Por conseguinte, o citado art. 23 não tratou da forma de tributação estabelecida nos referenciados preceitos legais, que se encontravam vigentes no período de apuração dos supostos créditos pleiteados nos presentes autos. Assim, fica esclarecido que a citada Instrução Normativa em destaque, não tratou da regulamentação da forma tributação prevista nos arts. 49, 50 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003, nem tampouco do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Ademais, não criou qualquer novo regime de incidência tributária para as citadas Contribuições. De fato, a dita Instrução Normativa dispôs, exclusivamente, acerca da incidência não-cumulativa da Cofins, na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, sem acrescentar, em relação a esse ponto, qualquer inovação ao conteúdo normativo da referida Lei. Dessa forma, contrariamente ao alegado pela Recorrente, a citada Instrução Normativa nada mais fez do que reproduzir o que já se encontrava expressamente determinado na dita Lei, portanto, nada inovando nem colidindo com qualquer preceito legal, especialmente, com o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. 3 “Art. 23. Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a Lei nº 10.833, de 2003, não se lhes aplicando as disposições desta Instrução Normativa: (...) VI - as receitas de venda dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, de 2000, a Lei nº 10.147, de 2000, a Lei nº 10.485, de 2002, o art. 2º da Lei nº 10.560, de 2002, e os art. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da Cofins; (...)”. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 12 Além disso, cabe ressaltar que a referida Instrução Normativa cumpre função meramente interpretativa, com o nítido objetivo de padronizar procedimentos a serem observados no âmbito da Administração tributária. Não é demais lembrar que a definição da natureza jurídica dos atos normativos administrativos é ditada pela própria lei em função da qual são expedidos. Assim, com exceção das matérias de reserva absoluta de lei, previstas no art. 97 do CTN e no art. 150, inciso I, da Constituição Federal, nos demais casos, a lei pode atribuir às autoridades administrativas a edição de atos normativos com a finalidade de complementar alguns assuntos que, por critério de racionalidade, economicidade e conveniência, são melhor disciplinados na esfera administrativa. Com efeito, se o assunto é de reserva de lei ou se encontra completamente nela disciplinado, qualquer ato administrativo que venha a dispor sobre tal matéria, em decorrência do princípio da hierarquia das normas, terá função meramente interpretativa e eficácia retroativa, ex tunc (art. 106, I, do CTN), tendo por finalidade padronizar os procedimentos que deverão ser executados pelas autoridades administrativas hierarquicamente inferiores, de modo que os atos legais sejam fielmente cumpridos no âmbito da Administração tributária. A título de exemplo dessa condição, por pertinente, cito o disposto no 23 do da Instrução Normativa em destaque, o qual simplesmente reproduz aquilo que está escrito no art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Por outro lado, se a matéria não é de reserva legal e a própria lei remete à autoridade administrativa a incumbência de complementar alguns pontos, é inquestionável que o ato normativo administrativo expedido com base nessa prerrogativa terá força normativa e, no que concerne à matéria delegada e desde que obedecido os parâmetros legais, eficácia imediata e prospectiva, ex nunc (art. 3º da Lei de Introdução do Código Civil). Como exemplo, calha mencionar o disposto no art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, que atribuiu ao Ministro da Fazenda competência para expedir as instruções necessárias ao cumprimento da dita Lei, especialmente, no que tange a definição de receita de exportação, conforme exposto no excerto a seguir transcrito: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. (grifos não originais) Dessa forma, fica exaustivamente demonstrado que o disposto na Instrução Normativa SRF nº 404, de 2003, trata da incidência apenas da Cofins no âmbito do regime da não-culatividade, portanto, não tendo qualquer efeito em relação à apuração e cobrança das contribuições do PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de cerveja, água e refrigerante, submetida ao regime da tributação monofásica ou concentrada, nos termos dos artgos 49, 50 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. II. DA CONCLUSÃO Diante das considerações expostas precedentemente, chego a conclusão de que, no período de apuração dos créditos em apreço, as receitas de vendas de cerveja, água e Fl. 90DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000927/2005-01 Acórdão n.º 3102-00.879 S3-C1T2 Fl. 82 13 refrigerante estava submetida ao regime incidência monofásico ou concentrada, em que a cobrança das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, nos termos dos artigos 49 e 50 ou 52 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.865, de 2004, era feita exclusivamente dos importadores e fabricantes dos referidos produtos, enquanto que as receitas de venda auferidas nas etapas de atacado e varejo estavam sujeita à alíquota zero. Em consequência, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência não-cumulativa e submetida à alíquota zero, quando auferida pelos comerciantes atacadistas e varejistas (caso em apreço), por conseguinte, nessas etapas, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Assim, comprovado não haver o suposto direito creditório informado pela Recorrente, tenho que o titular da Unidade da Receita Federal de origem decidiu com acerto ao não homologar as compensações declaradas nos presentes autos. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter integralmente o Acórdão recorrido. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 91DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000876/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2005
Ementa: DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 –
INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código
Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de
pagamento ou não.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2005
Ementa: SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIOS DE INCENTIVO -
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - INCIDÊNCIA
Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de
incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio
tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão
pela qual, possui natureza jurídica salarial
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.441
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento devido à regra
decadencial expressa no Inciso I, Art. 173, do CTN, os fatos geradores apurados até a
competência 11/2001, anteriores a 12/2001, inclusive 13/2001, nos termos do voto da Redatora
Designada. Vencidos os Conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Rogério de Lellis
Pinto, que votaram pelo provimento do recurso, pela aplicação da regra decadencial expressa
no § 4°, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso,
no mérito, nos termos do voto do Relator. Redatora Designada: Ana Maria Bandeira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2005 Ementa: DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2005 Ementa: SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIOS DE INCENTIVO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2005 Ementa: SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIOS DE INCENTIVO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173, do CTN, os fatos geradores apurados até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, inclusive 13/2001, nos termos do voto da Redatora Designada. Vencidos os Conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Rogério de Lellis Pinto, que votaram pelo provimento do recurso, pela aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator. Redatora Designada: Ana Maria Bandeira. Marcelo Oliveira - Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator. Ana Maria Bandeira-Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA, NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, ANA MARIA BANDEIRA, ROGÉRIO DE LELLIS PINTO, RONALDO DE LIMA MACEDO, LOURENÇO FERREIRA DO PRADO Fl. 470DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000876/2007-69 Acórdão n.º 2402-01.441 S2-C4T2 Fl. 450 3 Relatório Trata-se de NFLD lavrada para se exigir o valor de R$ 1.555.586,23, em virtude da falta de recolhimento da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), de contribuições devidas pela empresa e de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO e SEBRAE) incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados através de cartões eletrônicos (FLEXCARD e PREMIUM/PREMIER CARD) administrados pela Incentive House S.A. e Incentive Premier Ltda., no período de 08/2001 a 12/2005. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 216/313) requerendo a total improcedência da NFLD. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF (fls. 316/322), ao analisar o presente processo, julgou o lançamento totalmente procedente, sob o entendimento de que: a) O fato das Circulares MPS/SRP/DEFIS n os 15/2006, 16/06 e 19/2006 não terem sido anexadas ao processo não cerceou o direito de defesa da Recorrente; b) O prazo decadencial para lançamento das contribuições previdenciárias é de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/1991; c) As verbas pagas a título de prêmio por incentivo à produtividade constitui remuneração dos empregados, estando sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 326/437) alegando que: (i) as verbas recebidas pelos empregados são decorrentes de programa de estímulo ao aumento de produtividade, não integrando o salário de contribuição e não configurando, via de consequência, fato gerador das contribuições previdenciárias; (ii) o lançamento é nulo, por ofensa ao seu direito de defesa; (iii) houve o arbitramento do fato gerador das contribuições; (iv) os períodos de 08/2001 a 12/2001 estão albergados pela decadência, conforme preceitua o art. 150, parágrafo 4º, do CTN. A Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário – DICAT informou que o recurso é tempestivo. Após, em cumprimento ao art. 6º da Lei nº 11.941/2009, a Recorrente protocolou petição (fl. 446) requerendo a desistência parcial do recurso, para incluir os débitos relativos ao período de 10/2002 a 01/2007 no parcelamento especial, remanescendo a discussão quanto aos débitos referentes ao período de 01/1996 a 09/2002. É o relatório. Fl. 471DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Vencido Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Cumpre esclarecer que o período fiscalizado foi de 01/1996 a 12/2005 (fls. 39/47), mas que o período efetivamente autuado é de 08/2001 a 12/2005 (fls. 50/51). Desta forma, a afirmação prestada pela Recorrente de que a presente discussão remanesce para o período de 01/1996 a 09/2002 não está correta, sendo importante frisar que os débitos ainda em discussão, após a desistência parcial da Recorrente, abrangem o período de 08/2001 a 09/2002. Antes de analisar o mérito, passo à análise da decadência suscitada no recurso voluntário. Havia, na época da lavratura da notificação, previsão legal para que a Seguridade Social constituísse os créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/91). Todavia, o Supremo Tribunal Federal 1 , em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 8 2 , a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, faz-se mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/91 para aplicar as regras decadenciais previstas no Código Tributário Nacional. É o que passo a expor. Como é cediço, as contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento são classificadas como tributos sujeitos a lançamento por homologação, conforme preceitua o art. 150, caput, do CTN. Assim, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial desses tributos começa a contar da data da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do parágrafo 4º do referido artigo, independentemente da existência ou não de pagamento antecipado. Isto porque, a norma contida no art. 150 do CTN tem como objetivo delimitar a natureza jurídica do tributo sujeito a lançamento por homologação, devendo sempre ser aplicada quando o tributo objeto da discussão se insere em tal modalidade de lançamento, salvo se comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.882-9. 2 “Súmula 8 - São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 472DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000876/2007-69 Acórdão n.º 2402-01.441 S2-C4T2 Fl. 451 5 A Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF já manifestou seu entendimento nesse mesmo sentido. Veja-se: “(...)CSLL - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4º do seu art. 150. (...) A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade não exercida pelo sujeito passivo, do qual pode resultar ou não o recolhimento do tributo. Por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de suprir a omissão apontada e ratificar o Acórdão n.º CSRF/01-04.556, de 18 de agosto de 2003. Manoel Antonio Gadelha Dias - Presidente.” (CSRF, Recurso nº 129.396, PAF nº 10680.016784/00-86, 1ª Câmara, Rel. Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Sessão de 19/09/2006) “DECADÊNCIA. FRAUDE. O direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Se caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, o prazo decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173, I, do CTN.” (CSRF, Recurso nº 147.683, PAF nº 11041.000537/2004-41, 1ª Turma da 4ª Câmara, Rel. Carlos Alberto Freitas Barreto, Sessão de 19/08/2009) “DECADÊNCIA. CPMF. TERMO DE INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DE CINCO ANOS. AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação é a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador.” (CSRF, Recurso nº 240.780, PAF nº 16327.001439/2006-19, 1ª Turma da 4ª Câmara, Rel. Odassi Guerzoni Filho, Sessão de 18/09/2009) Diante disso, uma vez que os fatos geradores remanescentes no processo ocorreram entre 08/2001 a 09/2002, e que a Recorrente obteve a ciência do lançamento apenas em 08/10/2007 (fl. 213), entendo que a decadência total das quantias que remanescem em discussão neste processo se operou em 09/2007, motivo pelo qual o saldo remanescente deve ser extinto, nos termos do art. 156, inc. V, do CTN. Fl. 473DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Todavia, considerando a possibilidade de haver divergência no entendimento relativo à decadência, pelo menos em relação à parte do período decaído, passo a analisar o mérito do recurso interposto. O presente lançamento versa sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas por meio dos cartões de premiação fornecidos pelas empresas Incentive House S.A. e Incentive Premier Ltda. A Recorrente alega que tais verbas têm caráter de distribuição de lucro, sendo, portanto, desvinculado da remuneração dos funcionários, nos termos do art. 7º da CF/88 e art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91. Entretanto, cumpre esclarecer que os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracteriza-se pelo seu aspecto condicional. Uma vez que a condição prevista pelo empregador é atingida por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, sendo uma contraprestação do serviço prestado, possuindo, por conseqüência, natureza jurídica salarial. A Recorrente defende que tais prêmios são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganhos eventuais), uma vez que o pagamento é vinculado exclusivamente à eventual superação das metas ou expectativas de desempenho pré- determinadas pela mesma. Afirma também que a decisão de 1ª instância ofendeu os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa ao consignar que os pagamentos teriam sido feitos com habitualidade, posto que, em nenhum momento, ficou provado nos autos tal questão (fl. 335). Contudo, vale ressaltar que, uma vez que os funcionários têm conhecimento de que toda a vez que concluírem determinada tarefa/meta farão jus a certa remuneração, fica clara a habitualidade nesses pagamentos. O que se observa nas planilhas anexadas pela fiscalização (fls. 128/256) é que era bastante habitual o recebimento desses valores pelos funcionários, e que, em muitos casos, o valor por eles recebido era o mesmo em diversos meses, o que evidencia que o pagamento desses valores tinha o objetivo, na verdade, de disfarçar o pagamento de salários (nesse sentido, a título exemplificativo, vide planilhas de fls. 251/253). Não há, assim, qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, posto que a Recorrente compreendeu todos os motivos que ensejaram a lavratura da presente NFLD, sendo-lhe oportunizado provar o contrário. Outrossim, o pagamento de prêmios por cumprimento de condição específica leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da CLT, abaixo transcrito: “Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, Fl. 474DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000876/2007-69 Acórdão n.º 2402-01.441 S2-C4T2 Fl. 452 7 prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.” Resta claro, portanto, que as verbas pagas pelos programas de incentivo de produção intermediados pelas empresas Incentive House S.A. e Incentive Premier Ltda. são destinados a retribuir o trabalho prestado pelo segurado empregado, perfazendo todos os requisitos do salário de contribuição previstos no art. 28, inc. I, da Lei nº 8.212/1991, in verbis: “Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Não obstante, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF já pacificou o entendimento de que as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, na forma de crédito em cartão eletrônico, constitui fato gerador das contribuições previdenciárias. Veja-se: “CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - CO-RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS - MULTA - RETROATIVIDADE (...). A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia (...).”(CARF, PAF nº 37284.000982/2007-95, Recurso nº 242.887, 2º Conselho, 6ª Câmara, Cons. Rel. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieria, Sessão de 04/02/2009) “PREVIDENCIÁRIO – CO-RESPONSÁVEIS - DECADÊNCIA SALÁRIO INDIRETO – PRÊMIO INCENTIVO – INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO –AFERIÇÃO INDIRETA– SELIC – MULTA –VINCULAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE. (...) Verbas pagas através de cartões de premiações “Incentive House” integram o salário de contribuição. Art.28 da Lei n. 8.212/91.(...) Recurso negado.” (CARF, PAF nº 37166.001191/2007-29, Recurso nº 241.271, 2º Conselho, 5ª Câmara, Cons. Rel. Liege Lacroix Thomasi, Sessão de 20/11/2007) “SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO - PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC. Fl. 475DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA (...) A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária (...).” (CARF, PAF nº 13896.002045/2007-16, Recurso nº 251.263, 2º Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma, Cons. Rel. Cleusa Vieira de Souza, Sessão de 06/05/2009) Correta, portanto, a autuação. A Recorrente ainda afirma em seu recurso que teria ocorrido nulidade na lavratura da autuação e na decisão de primeira instância, em razão de suposta violação aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Contudo, é necessário destacar que não há nenhuma nulidade na autuação e na decisão de primeira instância, pois restaram claramente demonstrados na autuação os motivos que levaram a fiscalização à lavratura da autuação, tendo a Recorrente compreendido completamente a questão, tanto é que apresentou impugnação e recursos devidamente fundamentados, em que pese improcedentes. Diante disso, em que pese os débitos terem sido devidamente lavrados pela autoridade administrativa, considerando o entendimento vigente na época de que o prazo decadencial para a lavratura de contribuições previdenciárias era de 10 anos, o período remanescente no presente processo, após a desistência parcial da Recorrente (fl. 446), deve ser julgado improcedente, por estar decaído. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR- LHE TOTAL PROVIMENTO. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 476DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000876/2007-69 Acórdão n.º 2402-01.441 S2-C4T2 Fl. 453 9 Voto Vencedor Conselheira Ana Maria Bandeira, Redatora Designada Ouso divergir do Conselheiro Relator no que tange ao dispositivo utilizado para a contagem do prazo decadencial. De fato, o lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103-A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, pode-se concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verifica-se que o lançamento remanescente refere-se a período compreendido entre 08/2001 a 09/2002 e foi efetuado em 08/10/2007, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 477DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 “Art.173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplica-se o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após Fl. 478DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000876/2007-69 Acórdão n.º 2402-01.441 S2-C4T2 Fl. 454 11 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, trata-se do lançamento contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, aplica-se o art. 173, inciso I do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive. Fl. 479DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 12 Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que ocorreu a decadência até 11/2001. No mérito, mantenho o restante do lançamento. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 480DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 22/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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