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Numero do processo: 14485.000014/2007-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1995 a 29/02/1996
Documento: NFLD n° 35.872.3620,
de 21/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.022
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
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DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marthius Sávio Cavalcante Lobato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI 2 Relatório Adoto integralmente o relatório de fls.172/173: Tratase de crédito previdenciário lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.872.3620, emitida em 21/12/2005, lavrada pela Auditora Fiscal Sandra Akemi Takai, matrícula 1.334.762, relativa a contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social rubricas segurados, empresa, e contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho rubrica sat/rat, incidentes sobre a remuneração de trabalhadores contratados por cessão de mãodeobra na execução de serviços de manutenção, nas competências 08/95 a 12/96, de acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 120/124, que substituiu o Relatório Fiscal, de fls. 24/26, no montante de R$ 25.595,54 (vinte e cinco mil, quinhentos e noventa e cinco Reais e cinqüenta e quatro centavos), consolidado em 20/12/2005. 2. O Relatório Fiscal esclarece: 2.1. os serviços foram prestados pela empresa INSTALAÇÕES ELÉTRICAS MAUSO LTDA., CNPJ 61.131.603/000117, com endereço na Rua Orindiuva, 168, Vila Maria, São Paulo, SP, CEP 02130040; 2.1. o lançamento foi resultado do exame de notas fiscais e faturas, através das quais verificouse a colocação de segurados à disposição do contratante para a realização de serviços de instalações elétricas, executados no estabelecimento da contratante; 2.2. a empresa deixou de apresentar contrato de prestação de serviços, cópia das folhas de pagamento específicas e guias de recolhimento específicas dos segurados que prestaram serviço, ensejando a lavratura de Auto de Infração pela não apresentação de todos os documentos solicitados pela fiscalização; 2.3. o débito foi lançado em razão da não apresentação pela empresa contratante das cópias autenticadas das guias de recolhimento (GRPS) quitadas e respectivas folhas de pagamento específicas, conforme disposição do art. 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91 e OS INSS/DAF n° 83, de 13/08/93; 2.4. os valores foram apurados com base nas notas fiscais apresentadas, obtendose o salário de contribuição pela aplicação de 40% (quarenta por cento) sobre o valor total do serviço, conforme discriminativo, nos termos do item 11 da OS INSS/DAF n° 83/93; 2.5. será emitido subsídio fiscal encaminhado à Delegacia circunscricionante do estabelecimento sede da empresa prestadora de serviço. 3. Cientificado pessoalmente da notificação em 21/12/2005 (fls. 1), irresignado, o contribuinte interpôs aos 03/01/2006, sob protocolo n° 35464.000039/200658, a defesa, de fls. 36/52, acompanhada de Instrumento de Procuração e Substabelecimento (fls. 53/55), cópia de Atas de Assembléia de 29/11/2002 e 29/04/2005 (fls. 56/57), cópia de notas fiscais de prestação de serviço (fls. 58/93), Termos de Rescisão Contratual (fls. 94/100), cópia de GRPS (fls. 101/102), e cópia de Consulta ao Extrato do Devedor do Sistema Dívida da Procuradoria — CDEBEXT, CCREDEXT, CCRED e CDEB (fls. 103/110). Apresentado a tempo e modo a impugnaçao. A Fazenda Nacional julgou procedente o lançamento, afastando a decadência requerida em defesa, aplicando a decadência decenal. Desta decisao, apresentou recurso a demandante, reiterou a Decadencia e no merito, insistindo em seus fundamentos já analisados pela instancia “a quo” . Fl. 288DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI Processo nº 14485.000014/200717 Acórdão n.º 2403001.022 S2C4T3 Fl. 151 3 É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI 4 Voto Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato relator DA TEMPESTIVIDADE Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Conheço. DA DECADÊNCIA A decisão recorrida afastou a decadência argüida pelo recorrente sob o fundamento de que a mesma seria decenal, nos termos dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional. CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI Processo nº 14485.000014/200717 Acórdão n.º 2403001.022 S2C4T3 Fl. 152 5 In casu, contase o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º c/c artigo 173, I , ambos do CTN. Conforme Relatório Fiscal de fls. 174/178 o período das irregularidades compreendeu a competência de 01/08/1995 a 29/02/1996, NFLD n° 35.872.4023, de 21/12/2005. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período total, compreendido entre: 01/08/1995 a 29/02/1996 (nos termos do art. 150, § 4º artigo 173, I , ambos do CTN.), conforme explicado. Acolho a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso voluntário, extinguindose o crédito tributário. CONCLUSÃO Ante todo o exposto e do mais que nos autos consta, conheço do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO aplicando a Sumula Vinculante n. 8 do STF, reconhecendo a Decadencia total, com base no artigo 150, § 4º c/c artigo 173, I , ambos do CTN., extinguindose o crédito tributário, nos termos dos fundamentos supra. Marthius Sávio Cavalcante Lobato Fl. 291DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI
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Numero do processo: 10950.725834/2012-98
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2009
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELA PRÓPRIA FISCALIZADA. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do lançamento em face de provas obtidas por meios ilícitos na situação em que os extratos bancários foram apresentados pela própria fiscalizada, em cumprimento do dever legal de prestar informações ao Fisco e em resposta a intimação escrita da Autoridade Fiscal. Não se cogita, na espécie, de quebra de sigilo bancário.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ATIVIDADES DE REVENDA DE MERCADORIAS E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
No caso em que o contribuinte do Simples Nacional exerça atividades de revenda de mercadorias e de prestação de serviços e seja apurada omissão de receita de que não se consiga identificar a origem, a autuação será feita utilizando a maior alíquota prevista em lei, por expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2009
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A multa de 75% estabelecida pelo art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, é de natureza objetiva e deve ser aplicada sempre que, em procedimento de ofício, se verifique a falta de pagamento de tributo, falta de declaração ou sua declaração inexata, independentemente da intenção do agente.
Numero da decisão: 1302-001.313
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Exercício: 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELA PRÓPRIA FISCALIZADA. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento em face de provas obtidas por meios ilícitos na situação em que os extratos bancários foram apresentados pela própria fiscalizada, em cumprimento do dever legal de prestar informações ao Fisco e em resposta a intimação escrita da Autoridade Fiscal. Não se cogita, na espécie, de quebra de sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ATIVIDADES DE REVENDA DE MERCADORIAS E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM. ALÍQUOTA APLICÁVEL. No caso em que o contribuinte do Simples Nacional exerça atividades de revenda de mercadorias e de prestação de serviços e seja apurada omissão de receita de que não se consiga identificar a origem, a autuação será feita utilizando a maior alíquota prevista em lei, por expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A multa de 75% estabelecida pelo art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, é de natureza objetiva e deve ser aplicada sempre que, em procedimento de ofício, se verifique a falta de pagamento de tributo, falta de declaração ou sua declaração inexata, independentemente da intenção do agente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 953 1 952 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.725834/201298 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.313 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2014 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente TORNEARIA PARANAVAÍ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELA PRÓPRIA FISCALIZADA. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento em face de provas obtidas por meios ilícitos na situação em que os extratos bancários foram apresentados pela própria fiscalizada, em cumprimento do dever legal de prestar informações ao Fisco e em resposta a intimação escrita da Autoridade Fiscal. Não se cogita, na espécie, de quebra de sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ATIVIDADES DE REVENDA DE MERCADORIAS E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM. ALÍQUOTA APLICÁVEL. No caso em que o contribuinte do Simples Nacional exerça atividades de revenda de mercadorias e de prestação de serviços e seja apurada omissão de receita de que não se consiga identificar a origem, a autuação será feita utilizando a maior alíquota prevista em lei, por expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 58 34 /2 01 2- 98 Fl. 953DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 954 2 A multa de 75% estabelecida pelo art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, é de natureza objetiva e deve ser aplicada sempre que, em procedimento de ofício, se verifique a falta de pagamento de tributo, falta de declaração ou sua declaração inexata, independentemente da intenção do agente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório TORNEARIA PARANAVAÍ LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0641.190, de 27/05/2013, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do minucioso relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: O auto de infração de fls. 641705, exige do sujeito passivo acima identificado crédito tributário de R$ 286,78 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fl.641), R$ 286,78 de CSLL (fl.645), R$ 784,69 de Cofins (fl.649), R$ 183,99 de PIS (fl.653) e, R$ 2.360,07 de Contribuição Patronal Previdenciária (fl.657), todos calculados em observância às normas que regulam o Simples Nacional, em face de insuficiência de recolhimentos para os fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2008, em relação à revenda de mercadorias. 2. Ainda neste procedimento consta o auto de infração de fls. 708787, onde é exigido o valor de R$ 44.289,99 de IRPJ (fl.708), R$ 43.163,25 de CSLL (fl. 712), R$132.215,20 de Cofins (fl.716), R$ 31.104,75 de PIS (fl.720) e, R$ 429.175,24 de Contribuição Patronal Previdenciária, calculados pela sistemática do Simples Nacional, para os fatos geradores ocorridos durante o ano calendário de Fl. 954DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 955 3 2008, em face de receitas não escrituradas e insuficiência de recolhimentos, em relação à prestação de serviços (Anexo III). 3. O enquadramento legal para o lançamento dos tributos é o que segue: […] 4. A razão da multa aplicada a todos os casos foi de 75%. 5. Cientificado das peças do processo em 18/01/2013, apresentou em 18/02/2013, impugnação ao Feito, fls. 799880, onde alega que todas as argumentações que deram origem aos autos de infração ora atacados não merecem acolhida, em virtude de ilegalidades e interpretações que geram, ao final, a nulidade dos autos e, em especial, o cancelamento do ADE que acarretou sua exclusão ao Simples Nacional. 6. Alega a nulidade do lançamento, posto que, excluída ao Simples Nacional, apresentou manifestação de inconformidade na forma da legislação aplicável (art. 39 da Lei Complementar nº 123 de 2006) acarretando a suspensão de seus efeitos, até a decisão final. Assim, o lançamento deve ser decretado nulo de pleno direito, diante da prejudicial que impede a constituição do crédito tributário em apreço, sob pena de negar vigência o direito à ampla defesa, contraditório e, sobretudo, suspensão da exigibilidade assegurados no art. 39 da LC nº 123, de 2006, Decreto nº 70.235, de 1972 c/c o art. 23, parágrafo único da IN SRF nº 608, de 2006 e art. 151, III do CTN. 7. Prossegue afirmando que foram constituídos autos de infração onde são exigidos um total de R$8.467,00 de suposta receita de revenda de mercadorias e R$1.483.691,07 de receitas de prestação de serviços, porém, no seu entender, a exigência deve ser declarada nula uma vez que a fiscalização teria utilizado meios ilícitos e arbitrários, que acabou por tornar o processo eivado de vícios. Ressalta que o crédito teve origem com a edição do ADE nº 01, de 08/01/2013 que excluiu a contribuinte ao Simples Nacional, do qual foi cientificado juntamente com os autos de infração e que tal fato, aliado à feitura dos autos, fere diretamente os direitos constitucionais da reclamante, impondo seja reconhecida sua ilegalidade, desde a origem. 8. Sustenta que cabe ao fisco provar a origem dos depósitos bancários, nos termos do art. 24 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011 que transcreve. Conclui que como não houve prova real da omissão de receitas e estando o auto de infração calcado em mera presunção pede a nulidade do feito. 9. Adentrando ao mérito, alega que os depósitos que teriam extrapolado as receitas declaradas nas DASN d 2008 e 2009 possuem origem em contratos de mútuo, transferências financeiras entre as contas da reclamante, antecipações de recursos financeiros (descontos de títulos de crédito), mas não se tratam de receita, razão pela qual não se pode admitir o prosseguimento do presente processo. 10. Afirma que depósito bancário não é sinônimo de receita e que, em face de sua exclusão ao Simples, a autoridade fiscal efetuou o lançamento por arbitramento para os fatos ocorridos no ano calendário de 2008 e pelo lucro presumido para os fatos ocorridos em 2009 e 2010 e mais, que toda a ação foi calcada no malfadado artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que estabeleceu a presunção de omissão de receitas aos depostos bancários, cuja origem não reste comprovada. Fl. 955DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 956 4 11. Repisa a alegação de que depósitos bancários não são sinônimo de obtenção de rendas ou engrossamento de patrimônio, restando ainda improvada qualquer exteriorização de riqueza, conforme exige o artigos 43 do CTN, c/c artigo 153, III da Constituição Federal e artigos 37, “caput”, art. 55, XIII, 846, 923 e 924 todos do RIR, de 1999. 12. Defende que o auditor presumiu a obtenção de renda, dando por ocorrido o fato gerador e fazendo surgir a obrigação tributária, que para constituir o crédito tributário ele deve cumprir os requisitos do artigo 142 do CTN, provando a real existência do fato gerador, constatando a efetiva ocorrência fática ou jurídica descrita na norma, qual seja: exteriorização de riqueza e realização de gastos incompatíveis com a renda disponível, o que não restou comprovado. Acrescenta que a constituição do crédito tomandose por base, simplesmente, os depósitos bancários é ilegal. Transcreve uma série de ementas proferidas pelo antigo Conselho de Contribuintes, hoje CARF e prossegue, sempre defendendo a necessidade de se provar o acréscimo patrimonial. 13. Discorre acerca dos princípios norteadores do Processo Administrativo Fiscal, defendendo que ao auditor cabe a busca incessante pela verdade material. Menciona a Súmula 182 do extinto TFR e o Decretolei nº 2.471, de 1º de setembro de 1988, que determinou o arquivamento dos processos que tivessem origem na cobrança do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. 14. Fala em revogação do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, haja vista a Lei Complementar nº 105 prever que o lançamento com base em depósitos bancários depender, da demonstração do real e efetivo acréscimo patrimonial e argumenta que a posse de numerário alheio, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica. 15. Alega que a quebra do sigilo bancário, sem a devida autorização judicial é ilegal e que não há que se alegar entrega espontânea, uma vez que os contribuinte são obrigados a fazêlo, sob ameaças, veladas ou não. Afirma que examinar dados bancários e extrair cópias de extratos sem autorização judicial fere os direitos assegurados pelos incisos X e XII do artigo 5º da Constituição Federal e que o STJ já proclamou a necessidade de intervenção judicial para a quebra do sigilo bancário, conforme julgamento do Renº 389.808P)R, precedido de Ação Cautelar nº 33. Assim, significa que o fisco ao quebrar, por conta própria, o sigilo bancário do contribuinte e valerse desses dados para efetuar o lançamento utilizase de prova ilícita, em face do disposto no inciso LVI do artigo 5º da Constituição Federal, artigo 332 do Código de Processo Civil e artigo 157 do Código de Processo Penal. Faz menção a que o assunto possa ser levado ao judiciário. 16. Questiona os seguintes valores: a) em 20/02/2008, teria ocorrido o estorno do valor de R$ 2.150,00; b) em 11/05/2009 teria havido uma transferência da conta ca CEF para o BB, no valor de R$ 9.998,00; c) em 18/04/2008 houve um crédito proveniente de empréstimo particular no montante de R$ 60.000,00 que não pode ser considerado. 17. Além destes, outros excessos teriam sido praticados, conforme planilha de conciliação que sustenta ter anexado à peça de defesa e que devem ser excluídos. Fl. 956DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 957 5 18. Reclama de uma pretensa desproporção entre a suposta omissão de receitas de revenda de mercadorias e as receitas de prestação de serviços, sem que tenha restado demonstrada a fundamentação legal para tal. Afirma que na Demonstração de Resultado do Exercício encerrado em 31/12/2008, com receita bruta anual declarada de R$ 2.216.043,68, reconheceu 83,68% como receita proveniente de serviços e 16,32% relativa à venda de mercadorias, enquanto que na autuação teriam sido considerados 99,5% a título de prestação de serviços e apenas 0,5% de prestação de serviços. Pede a revisão do auto. 19. Discorda do percentual da multa (75%) e diz que ela é indevida por não ter havido comprovação de fraude. Baseia sua alegação na Súmula CARF nº 14. Menciona, ainda a Súmula CARF nº 25 e a nº 34. 20. Ao final, pede: a) Seja declarada a nulidade do Lançamento diante da questão prejudicial externa, haja vista ausência de julgamento da impugnação realizada frente ao processo administrativo fiscal de exclusão do Simples Nacional Ato Declaratório Executivo n. 01 de 08 de janeiro 2013. b) Seja declarada a nulidade do auto de infração n.10950.725834/201298, em razão da constatação de omissão de receitas com base em provas ilícitas e pelo excesso de autuação. c) Seja desconsiderado como omissão de receitas, os créditos demonstrados na Planilha de Conciliação Bancária. d) Requer revisão do auto de infração para a adoção da mesma proporção entre revenda e prestação de serviços, conforme consta na Demonstração do resultado do exercício encerrado em 31/12/2008. e) Que seja cancelada a incidência da multa de oficio sobre a diferença dos tributos supostamente não declarados, por não haver comprovação de fraude. f) Sejam considerados como regulares e suficientes para a comprovação de depósitos bancários, todos os documentos que seguem a presente impugnação. A 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0641.190, de 27/05/2013 (fls. 882/905), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 CRÉDITOS BANCÁRIOS. Por presunção de natureza legal, os depósitos/créditos junto a instituições bancárias não comprovados com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores com esses créditos autorizam o lançamento de ofício como omissão de receitas. Fl. 957DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 958 6 SIMPLES NACIONAL. AUTUAÇÃO POR OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. Nas autuação das empresas do regime do Simples Nacional, que exerçam mais de uma atividade e seja apurada a omissão de receita de que não se consegue determinar a origem, será utilizada a maior das alíquotas relativas à faixa de receita bruta de enquadramento do contribuinte, dentre as tabelas aplicáveis às respectivas atividades. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutala amparada em demonstração com base em oferta de provas hábeis e idôneas, descabendo solicitar ao fisco que supra aquilo que deixou de juntar à peça de defesa. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS VOLUNTARIAMENTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, de maneira voluntária, em atendimento às intimações efetuadas pela autoridade tributária no decorrer da ação fiscal, não caracterizam quebra de sigilo bancário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. REGRA GERAL E ESPECIAL. VINCULAÇÃO. Só em casos especiais, devidamente expressos na Constituição Federal ou na legislação infraconstitucional, os julgados administrativos e judiciais têm efeitos erga omnes e em razão disso vinculam o julgador administrativo no seu ofício de julgar. Fl. 958DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 959 7 A regra geral é que as decisões administrativas e judiciais tenham eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissão legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Discussões acerca da constitucionalidade ou legalidade das leis exorbitam da esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. MULTA DE OFÍCIO – PERCENTUAL APLICÁVEL – LEGALIDADE. Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. Ciente da decisão de primeira instância em 06/06/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 915, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/07/2013 conforme carimbo de recepção à folha 917. No recurso interposto (fls. 917/941), a recorrente repisa, com as mesmas palavras, os argumentos trazidos na peça impugnatória para, ao final, concluir com idênticos pedidos. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. De plano, constato que os argumentos de recurso não se dirigem contra a decisão recorrida, mas sim contra o lançamento. Em outras palavras, não são combatidos os fundamentos mediante os quais a impugnação foi rejeitada, limitandose a interessada a repetir as razões de impugnação. Desta forma, passo a apreciar os pedidos formulados pela contribuinte, à luz de seus argumentos e das razões de decidir adotadas pela Autoridade Julgadora em primeira instância. Fl. 959DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 960 8 O primeiro pedido da recorrente é a declaração de nulidade do lançamento diante da questão prejudicial externa, haja vista ausência de julgamento da impugnação realizada frente ao processo administrativo fiscal de exclusão do Simples Nacional Ato Declaratório Executivo n. 01 de 08 de janeiro 2013. Não vislumbro a questão prejudicial externa suscitada. O presente processo cuida de autos de infração para constituição de créditos tributários, na sistemática do Simples Nacional, por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008, tão somente. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 582, item 3; fl. 590, item 7) se encontra claramente especificado que o mencionado Ato Declaratório Executivo nº 01 produziria seus efeitos a partir de 01/01/2009, e que seu controle administrativo se faz em outro processo, a saber, nº 10950.725831/201254. Naquele mesmo processo são controlados os lançamentos por fatos geradores dos anos calendário 2009 e 2010. Desta forma, não há qualquer óbice a que os lançamentos discutidos no presente processo sejam julgados independentemente do andamento e decisão do outro processo, muito embora o contrário não necessariamente seja verdade, conforme bem ressaltou o julgador em primeira instância. Este pedido deve, assim, ser rejeitado. A seguir, a recorrente requer que seja declarada a nulidade dos autos de infração aqui discutidos, em razão da constatação de omissão de receitas com base em provas ilícitas e pelo excesso de autuação. O exame dos autos demonstra que não ocorreu qualquer “quebra” do sigilo bancário, no sentido que lhe deseja atribuir a recorrente. De fato, os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte (vide fl. 34), mediante intimação escrita (fls. 4/6), em cumprimento do dever de prestar ao Fisco as informações necessárias e indispensáveis ao procedimento de fiscalização. Descabe falar na existência de supostas “mais diversas ameaças, veladas ou não” (fl. 935), sem provas. A matéria foi extensamente analisada no voto condutor do acórdão recorrido, e não há que se fazer reparo ao que ali consta. Quanto aos questionamentos acerca da constitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é de se trazer à colação o conteúdo da súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As súmulas CARF foram objeto da Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010, publicada no DOU de 07/12/2010, e são de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 960DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 961 9 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimados, os recorrentes poderiam afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentassem, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados nas contacorrentes da pessoa jurídica. Fl. 961DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 962 10 A obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração e apuração dos tributos devidos está prevista na legislação fiscal, e aplicase, com pequenas variações, aos contribuintes tributados com base no lucro real, presumido ou optantes pelo Simples Nacional, situação da recorrente no anocalendário 2008. Confirase o teor do art. 26 da Lei Complementar nº 123/2006: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. §1º [...] § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Ao descumprir a obrigação de escriturar, a interessada queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por suas contascorrentes. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Quanto à alegada necessidade de comprovação, por parte do Fisco, da utilização dos valores movimentados em instituições bancárias a evidenciar renda consumida, tal tese já foi pacificamente ultrapassada no âmbito deste Conselho, a ponto de resultar na Súmula nº 26, abaixo transcrita1: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Resta, afinal, claramente demonstrada a inaplicabilidade ao caso em tela da Súmula 182 do extinto TRF e do art. 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/1988, que se referem a legislação pretérita àquela que embasou a presente autuação. Os fatos descritos e comprovados nos autos são aqueles necessários e suficientes para que se mantenha o presente lançamento de omissão de receitas. Na sequência, passo a apreciar o que a recorrente denomina “excessos de autuação”. Tratase dos valores consignados na planilha juntada à impugnação, fls. 835/876, 1 Conforme Consolidação na Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010, publicada no DOU de 07/12/2010. Fl. 962DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 963 11 mediante a qual a interessada pretende comprovar a origem de parte dos créditos bancários questionados pelo Fisco. A recorrente requer, nessa linha, que “sejam considerados como regulares e suficientes para a comprovação de depósitos bancários, todos os documentos que seguem a presente impugnação”. Do exame da mencionada planilha, constato que ali constam informações dos anoscalendário 2008 e 2009. Apenas as informações do anocalendário 2008, relevantes para este processo, serão aqui analisadas. Mais uma vez, a pretensão da recorrente não pode ser atendida. A planilha se encontra desacompanhada de documentos comprobatórios. Assim, não podem ser aceitas alegações tais como “venda imobilizado” ou “empréstimo particular”. Os estornos de lançamentos já foram levados em conta pelo Fisco, como se pode observar na planilha de fls. 594/640 (a consolidação foi feita pela diferença entre créditos e débitos bancários, de tal forma que o valor lançado a crédito é numericamente anulado por igual valor lançado a débito). Quanto aos créditos bancários identificados como cheques descontados ou duplicatas descontadas, com muita clareza se aplica a presunção legal de tratarse de receitas da atividade. Ressalto que esta mesma planilha, despida de provas, vem sendo apresentada desde o procedimento de fiscalização e também na fase impugnatória, recebendo a mesma análise e sendo rejeitada pelos mesmos motivos. Também aqui o faço, por não identificar a comprovação na origem de qualquer crédito específico objeto de lançamento. A seguir, a interessada requer revisão do auto de infração para a adoção da mesma proporção entre revenda e prestação de serviços, conforme consta na Demonstração do resultado do exercício encerrado em 31/12/2008. O pedido já havia sido rejeitado em primeira instância, e o mesmo faço aqui, diante das disposições expressas que determinam a aplicação da maior alíquota prevista em lei, no caso em que não seja possível identificar a origem da omissão de receitas, exatamente a situação sob análise, confirase: Lei Complementar nº 123/2006: Art. 39. [...] § 1o [...] § 2o No caso em que o contribuinte do Simples Nacional exerça atividades incluídas no campo de incidência do ICMS e do ISS e seja apurada omissão de receita de que não se consiga identificar a origem, a autuação será feita utilizando a maior alíquota prevista nesta Lei Complementar, e a parcela autuada que não seja correspondente aos tributos e contribuições federais será rateada entre Estados e Municípios ou Distrito Federal. Resolução nº 30 do Comitê Gestor do Simples Nacional, de 07/02/2008: Art. 10. No caso em que a ME ou a EPP optante pelo Simples Nacional exerça atividades incluídas no campo de incidência do Fl. 963DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 964 12 ICMS e do ISS e seja apurada omissão de receita de que não se consiga identificar a origem, a autuação será feita utilizando a maior das alíquotas relativas à faixa de receita bruta de enquadramento do contribuinte, dentre as tabelas aplicáveis às respectivas atividades. Resolução nº 94 do Comitê Gestor do Simples Nacional, de 29/11/2011: Art. 83. No caso em que a ME ou EPP optante pelo Simples Nacional exerça atividades incluídas no campo de incidência do ICMS e do ISS e seja apurada omissão de receita de que não se consiga identificar a origem, a autuação será feita utilizando a maior das alíquotas relativas à faixa de receita bruta de enquadramento do contribuinte, dentre as tabelas aplicáveis às respectivas atividades. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 39, § 2º) Não há, como deseja a recorrente, a possibilidade de adoção da proporção entre revenda e prestação de serviços apurada em sua Demonstração do Resultado do Exercício, estando a aplicação da alíquota mais elevada em estrita consonância com os dispositivos legais acima transcritos. Assim, nego provimento também a este pedido. Afinal, a recorrente requer que seja cancelada a incidência da multa de oficio sobre a diferença dos tributos supostamente não declarados, por não haver comprovação de fraude. Mais uma vez a interessada se equivoca. A multa de ofício de 75% aplicada ao lançamento é a prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, e independe da intenção do agente, bastando que se verifique a falta de pagamento, a falta de declaração ou a declaração inexata, e que sua aplicação se dê em procedimento de ofício, como aqui ocorreu. As súmulas CARF nº 14 e nº 25, invocadas pela recorrente, dizem respeito à multa qualificada, no percentual de 150%, previstas no parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007), e não encontram aplicação na situação vertente. Também aqui nego provimento ao recurso voluntário, mantendo as multas aplicadas ao lançamento. Em conclusão, diante de todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 964DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.725834/201298 Acórdão n.º 1302001.313 S1C3T2 Fl. 965 13 Fl. 965DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09599.HJV7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR VEIGA ROCHA em 17/02/2014 13:28:00. Documento autenticado digitalmente por WALDIR VEIGA ROCHA em 17/02/2014. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 20/02/2014 e WALDIR VEIGA ROCHA em 17/02/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/04/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0422.09599.HJV7 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 675E45E599EDB1720FC1401BA0FCFA37718815FE Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10950.725834/2012-98. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15922.000271/2008-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1995 a 30/04/2000
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL . QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
CORRESPONSÁVEIS. SÓCIOS. NOTIFICAÇÃO FISCAL. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO.
A indicação de sócios na Notificação Fiscal não pode ser interpretada como conduta prejudicial ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sócios gerentes, o que só ocorrerá
em sede de execução fiscal, após serem preenchidos os requisitos legais autorizadores.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
SEBRAE
Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo.
SAT.
Contribuição adicional para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, para empresas cuja atividade preponderante ofereça risco de acidente do trabalho considerado leve, médio ou grave.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 11/1999, com base no art. 150 §4º do CTN. No mérito, por maioria de votos em dar
provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto nas indicações dos corresponsáveis.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DECADÊNCIA PARCIAL . QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. Fl. 336DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. CORRESPONSÁVEIS. SÓCIOS. NOTIFICAÇÃO FISCAL. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios na Notificação Fiscal não pode ser interpretada como conduta prejudicial ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sóciosgerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, após serem preenchidos os requisitos legais autorizadores. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEBRAE Submetemse à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. SAT. Contribuição adicional para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, para empresas cuja atividade preponderante ofereça risco de acidente do trabalho considerado leve, médio ou grave. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 11/1999, com base no art. 150 §4º do CTN. No mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto nas indicações dos corresponsáveis. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 2403000.805 S2C4T3 Fl. 51 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 338DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.155 a 185 contra decisão da Secretaria da Receita Previdenciária da Unidade de Bragança Paulista (fls.125 a 142) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 35.707.2219, no valor consolidado de R$ 134.419,15 (cento e trinta e quatro mil, quatrocentos e dezenove reais e quinze centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 65 a 69, a autuação corresponde às contribuições devidas à Seguridade Social, no período de maio de 1995 a abril de 2000, relativas à parte dos segurados, empresa, SAT/RAT e Terceiros. Na auditoria, foram considerados fatos geradores a remuneração paga às pessoas físicas contratadas para prestarem serviços à recorrente. Constatouse que foram contratados nesse período pedreiros, serventes, carpinteiros, pintores, empreiteiros, dentre outros, os quais foram considerados empregados para fins tributários na forma do art.12, I, da Lei n 8.212/91. O período total do levantamento do débito compreendeu as competências 05/1995 a 04/2000. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 23/12/2004 e apresentou impugnação às fls. 80 a 111 alegando em síntese: Que é indevida a responsabilidade dos presidentes da associação, tendo em vista que estes só são responsabilizados quando for constatada a ocorrência das hipóteses do art.135 do Código Tributário Nacional, requerendo, por tal motivo, a exclusão destes do rol de corresponsáveis; A ilegalidade das contribuições destinadas ao SEBRAE, SESC e INCRA; A inconstitucionalidade das alíquotas do SAT; Ser indevido o salárioeducação; A ilegalidade da taxa SELIC; Que a prescrição/decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário é de apenas 5 (cinco) anos, trazendo julgados dos Tribunais Superiores (STJ e STF) para fundamentar seu pleito. Por fim, requereu o cancelamento da NFLD e a conseqüente exclusão da multa imposta. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a Secretaria da Receita Previdenciária da Unidade de Bragança Paulista proferiu decisãonotificação (n°21.426.4/0122/2005) nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. CORESPONSÁVEIS. SAT. SELIC. Fl. 339DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 2403000.805 S2C4T3 Fl. 52 5 1 O AFPS tem o dever de informar, no relatório de co responsáveis, todos os representantes legais da associação, consoante o disposto no artigo 688 da IN INSS/DC n° 100/2003. 2. A contribuição para o SAT é legal e constitucional. 3. Não há norma que impeça a utilização da taxa SELIC como juros de mora, sendo o artigo 34 da Lei n° 8.212/91 legal e constitucional. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.155 a 185, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação, bem como requereu que o recurso fosse recebido com o arrolamento de bens. Às fls.194 e 195, a recorrente acosta petição de arrolamento de bens. Às fls.198 e 199, há Despacho da Seção do Contencioso Administrativo Previdenciário de Jundiaí informando o não seguimento do recurso por ausência de depósito de 30% do valor do crédito exigido. Em razão disso, o débito foi inscrito em Dívida Ativa, bem como foi expedida a CDA correspondente e foi ajuizada execução fiscal contra a recorrente, a qual impetrou Mandado de Segurança (n° 2005.61.23.017628) para ter o direito de discutir a cobrança sem a exigência do depósito recursal. O juiz monocrático denegou a segurança pleiteada, mas houve reforma desta decisão pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região, tendo ficado determinado que o regular processamento do recurso interposto no presente processo administrativo, independe de depósito recursal. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls.155 a 185) sem a realização do depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido, tendo a recorrente arrolado os bens em petição própria. Além disso, a recorrente impetrou Mandado de Segurança para ter o direito de discutira validade do crédito sem essa exigência e, após ter tido o pleito negado em 1 instância, obteve decisão favorável junto ao TRF/3 Região, o qual determinou o prosseguimento do recurso administrativo sem as exigências indevidas. Cabe destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal nem arrolamento de bens como requisitos de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impendese ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. DA PRELIMINAR I – DA DECADÊNCIA PARCIAL: A recorrente alega tanto em sua impugnação como em seu recurso voluntário ter havido prescrição com às competências cobradas na presente NFLD, mesmo que em Fl. 341DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 2403000.805 S2C4T3 Fl. 53 7 momento processual indevidamente, tendo em vista que a decadência e a prescrição, mesmo sendo institutos que, quando aplicados, resolvem o mérito da demanda, devem ser argüidos em sede de preliminar, motivo pelo qual inicio meu voto manifestandome acerca da correta aplicação de um desses. No presente caso, a aplicação da prescrição tornase impossibilitada, tendo em vista que a mesma tem seu prazo inicial a contar da data que o crédito for definitivamente constituído. Considerando que a própria natureza da discussão do processo administrativo é suspender a exigibilidade/constituição definitiva do crédito, entendo que o único instituto aplicável para o caso em tela é a decadência, então vejmos: As controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderão ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos, estabelecendo ainda esta legislação o marco inicial para a contagem desses prazos. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento Fl. 342DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n Fl. 343DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 2403000.805 S2C4T3 Fl. 54 9 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No presente caso, foi verificada a ocorrência de recolhimento antecipado em razão das diferenças constatadas nos Discriminativos de Débito. Desta feita, sabendo que a ciência da NFLD deuse em 23/12/2004, e, as datas das competências que estão sendo objeto de discussão abrangerem os períodos de 05/1995 a 04/2000, têmse que as competências 05/1995 a 11/1999 estão acobertadas pela decadência com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional, haja vista que o fisco só poderia cobrar, com fundamento neste artigo, a partir da competência 12/1999. DO MÉRITO: I.– DA INDICAÇÃO DOS PRESIDENTES – AUSÊNCIA DE VÍCIOS: A recorrente alega ainda que os sócios da empresa não possuem legitimidade para figurar no pólo passivo da ação fiscal, tendo em vista que o mero inadimplemento da obrigação não caracteriza infração legal que permita o redirecionamento da cobrança aos sócios. Todavia, cabe esclarecer que a figuração dos sócios na relação de corresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o §3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Fl. 344DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os Relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 688 da Instrução Normativa INSS/DC de 18/12/2003 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 688. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos (VÍNCULOS), que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Ademais, o art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Por fim, entendo que a indicação dos presidentes da recorrente não representa nenhum vício na NFLD do presente caso, motivo pelo qual entendo que não seja caso de nulidade nem de exclusão desses do documento de autuação. II – DA IMPOSSIBILIDADE DO CARF MANIFESTARSE ACERCA DE (IN)CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS: Fl. 345DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 2403000.805 S2C4T3 Fl. 55 11 A recorrente alega dentre os seus argumentos que as contribuições destinadas a terceiros (SESC, SEBRAE, INCRA), bem como as devidas pela empresa relativa ao seguro acidente de trabalho e ao salárioeducação e a aplicação da taxa SELIC são inconstitucionais. Cabe destacar que as normas legais que servem de fundamentação legal para a auditoria, até que sejam declaradas inconstitucionais pela Suprema Corte (STF), estão em plena vigência no ordenamento jurídico e devem ser utilizadas pelos agentes públicos, os quais exercem suas atividades vinculados à lei. A atividade exercida pelo agente público é um poderdever, não podendo haver discricionariedade para a aplicação da lei, o que só é admitido quando a própria norma autoriza. Assim, estando a legislação vigente, deparandose o agente administrativo com uma situação que lhe exija a aplicação de norma infraconstitucional, esta será aplicada em todos os termos, sendo vedada a conduta de afastar a incidência dessa norma, sob pena de violação ao Princípio da Legalidade. Ademais, a Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2° e 3° da Lei n° 11.457/2007, veda, em seu art.18, que o Contencioso Administrativo Federal afaste aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade: Art. I8 É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: 1 tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF); em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4 2 do Decreto n2 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda NacionaL. Além disso, vale destacar que a Portaria n 256 do Ministério da Fazenda, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, veda aos julgadores do Contencioso Administrativo Federal afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal acima citado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 346DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, o CARF sumulou a matéria em comento, Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; Dessa forma, não há como se acolher a pretensão do contribuinte em relação à possibilidade da autoridade julgadora afastar norma infraconstitucional, sob o argumento das normas que tratam das contribuições destinadas ao INCRA, SEBRAE e das contribuições relativas ao SAT, SalárioEducação estarem investidas de inconstitucionalidade. III – DA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS PELA FISCALIZAÇÃO: III.1 – DA LEGITIMIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SEBRAE: Fl. 347DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 2403000.805 S2C4T3 Fl. 56 13 A cobrança das contribuições destinadas às outras entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido consolidouse a jurisprudência do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Ante os expostos, não procede o argumento da recorrente de que a contribuição destinada ao SESC/SEBRAE é inconstitucional. III.2 – DA LEGITIMIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA: Fl. 348DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; Fl. 349DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 2403000.805 S2C4T3 Fl. 57 15 III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; Ademais, a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. Fl. 350DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Desse modo, entendo que a cobrança da contribuição destinada ao INCRA não viola o ordenamento jurídico brasileiro, motivo pelo qual a parcela destina à essa verba deverá ser mantida. III.3 – DA LEGITIMIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO SAT: A contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho – SAT, seguiu os princípios constitucionais tributários e nos moldes do art. 97 do Código Tributário Nacional CTN, a Lei 8.212/91 tratou da instituição da referida contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), definindo o seu fato gerador, fixando a base de cálculo e as alíquotas aplicáveis, restando ao decreto apenas a regulamentação da aludida contribuição, o qual, por sua vez, estabelece os graus de risco conforme a atividade precípua da empresa. O Decreto apenas expressa os graus de risco e o que seja atividade preponderante, enquanto a fixação de todos os elementos da obrigação tributária se encontra na referida lei. E, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo, inclusive, a desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: Fl. 351DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 2403000.805 S2C4T3 Fl. 58 17 “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, I; art. 5º, II ; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido”. (RE 343.4462/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2003). Desse modo, não há inconstitucionalidade na fixação das alíquotas do Seguro Acidente de Trabalho, motivo pelo qual a cobrança dessa verba deverá ser mantida. III.4 – DA LEGITIMIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO SALÁRIOEDUCAÇÃO: Com relação à contribuição social ao salárioeducação, sua constitucionalidade é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança, conforme plenamente indicado no relatório de fundamentos legais, impedindo este órgão colegiado de afastar sua aplicação, conforme Súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, já mencionada neste voto. Súmula nº 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Fl. 352DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Desse modo, não havendo nenhuma decisão plenária do Supremo Tribunal Federal que tenha declarado inconstitucional a contribuição relativa ao salárioeducação, a sua cobrança também deverá ser mantida. IV – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Não obstante a recorrente ter argumentado que a inclusão da taxa SELIC na cobrança de tributos é ilegal, há que considerar que a atualização de débitos tributários é calculada com base nos juros da taxa SELIC, conforme previsão da Lei n 8.212/91: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras Fl. 353DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 2403000.805 S2C4T3 Fl. 59 19 entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91 e, no caso em tela, incidirá sobre as competências não acobertadas pela decadência (12/1999 a 04/2000). Fl. 354DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 V – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a decadência das competências 05/1995 a 11/1999 com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional. No mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que a cobrança da NFLD nº 35.707.2219 seja mantida com relação às competências 12/1999 a 04/2000, devendose proceder ao recálculo da multa de mora previsto no art.35, caput, da Lei n 8.212/91 com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 355DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 2403000.805 S2C4T3 Fl. 60 21 Fl. 356DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 37280.000229/2006-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
RO Negado e RV Provido.
Numero da decisão: 2403-000.811
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência total do crédito tributário por qualquer dos critérios do CTN.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. RO Negado e RV Provido.
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DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. RO Negado e RV Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência total do crédito tributário por qualquer dos critérios do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37280.000229/200659 Acórdão n.º 2403000.811 S2C4T3 Fl. 212 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário, este apresentado às fls.317 a 350 contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária Rio de Janeiro Sul (fls.282 a 307) que julgou PARCIAL PROCEDENTE o lançamento constante na NFLD n° 35.866.1773, no valor consolidado em 27/12/2005 de R$ 406.476,30 (quatrocentos e seis mil e quatrocentos e setenta e seis reais e trinta centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 35 a 42, a presente NFLD referese ao débito de responsabilidade solidária da empresa NET RIO S.A., tomadora do serviço mediante a cessão de mãodeobra, com a empresa prestadora referente às contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social das obrigações previdenciárias do segurado empregado, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em função do grau de incidência de incapacidade laborativa. Asseverou que a origem do fato gerador da exação teve como lastro o que determina o Art. 30, inciso VI, da Lei 8.212, de 24.07.91 originado pelo descumprimento dos parágrafos 1° e 2° do artigo 42 do Decreto 612, de 21.07.92 em vigor na época da ocorrência. Que os fundamentos legais do débito se reportam ao tempo do fato gerador como bem preceitua o Art. 144 Do Código Tributário Nacional. Destacou a deficiente apresentação da documentação por parte da prestadora para a empresa contratante, a NET Rio SA. Informou que esta deixou de exigir do executor a quitação da nota fiscal, fatura, recibo, nota autenticada da guia de recolhimento e a respectiva folha de pagamento ficando esta fiscalização em dificuldades por esta falta. Asseverou que o parágrafo 3° do artigo 31, da Lei 8.212, de 24.07.91, o parágrafo 2° do artigo 46 do Decreto 612, de 21.07.92 e o parágrafo 2° do artigo 42 do Decreto 2.173 de 05.03.97, possibilita ao contratante se elidir da responsabilidade solidária se for comprovado pelo cedente de mãodeobra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal /fatura, na forma estabelecida pelo INSS. Disto colimou que por não terem sido apresentados os documentos que comprovassem efetivamente a remuneração dos empregados, as guias de recolhimento às notas fiscais dentre outros, foi realizado o lançamento por aferição indireta com o respectivo auto de infração ficando demonstrada a competência do débito. Ainda segundo o relato fiscal, esclareceu que a auditoria procedeu ao lançamento deste crédito com base na verificação dos movimentos contábeis e nas notas fiscais/ faturas, salientou que as guias (GRPS) apresentadas estavam desvinculadas das notas fiscais/faturas, assim como as folhas de pagamentos exibidas não eram específicas para o serviço contratado. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Cabe destacar que a ação fiscal que resultou na lavratura da NFLD nº. 35.866.1773 identificou o levantamento LGM junto a NET RIO SA e procedeu à intimação dos responsáveis solidários de acordo com o art.31 da Lei n 8.212/91. Em 16 de junho de 2005 a recorrente apresentou requerimento com pedido de dilação do prazo por 60 (sessenta) dias para apresentação dos contratos e documentos de terceiros do período de 1997/1998. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 27/12/2005 e apresentou impugnação às fls. 78 a 104 carreada de documentos, alegando em síntese que: Preliminarmente: Entendeu ser absolutamente precária a conclusão fiscal que concebeu a lavratura desta NFLD; No Mérito: Da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD: Que deve ser oferecida a todos os contribuintes tidos como responsáveis pelo adimplemento de obrigação lançada como devido em NFLD a plena ciência aos termos de tal instrumento de cobrança fiscal previdenciária, inclusive, com a oportunidade para apresentação de correspondente defesa administrativa; E que não ocorrendo os atos administrativos necessários à cientificação com seu respectivo prazo de defesa a todos os responsáveis, restaria somente a decretação de nulidade dos demais atos administrativos consumados a partir de então, pois não bastaria somente o a indicação no termo de lavratura da NFLD; Asseverou que o raciocínio é de que seja chamada a empresa envolvida nesta NFLD, para que se manifeste, sendo que, do resultado de sua manifestação ou mesmo em ocorrendo omissão, deverá o contribuinte ora defendente ser comunicado, antes da emissão da DN, e que ainda pelo disposto pela Lei 9784/99 que regula o Processo 411 Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal que claramente determina a obrigatoriedade da intimação dos interessados nos casos em que lhe sejam impostos deveres, ônus, sanções, etc. Da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD Considerou relevante o fato da devedora principal desta obrigação fiscal ser a empresacontratada, cuja defesa é determinante para o mais adequado desfecho deste feito administrativo, observados os primados da verdade material. Portanto, cientificar o contribuinte quanto aos termos da evidenciada defesa, é medida que deve ser adotada pelo fisco previdenciário, resguardandose, assim, em favor do notificado, as vertentes da ampla defesa e do contraditório na processualística administrativa; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37280.000229/200659 Acórdão n.º 2403000.811 S2C4T3 Fl. 213 5 Da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade: Defendeu o entendimento ora adotado pela Administração Fazendária Nacional desde o advento do parecer 2376/001 do posicionamento de evitar lançamentos em duplicidade, recomendações contidas no Parecer CJ/MPAS 2.376/2000, que consta do preâmbulo do ato normativo mencionado. Da inexistência de providências fiscais hábeis à caracterização da ocorrência de cessão de mãodeobra hábil à geração de solidariedade previdenciária. Que não ficou demonstrado no Relatório Fiscal, convictamente, a efetiva ocorrência de cessão de mãodeobra devendo ser anulada é a decisão notificação que não considerou a ausência de todos os elementos no relatório fiscal. Por fim, requereu que fosse reconhecida a nulidade desta NFLD, tendo em vista a generalização inadequada verificada no RF/NFLD, que não demonstra com clareza e objetividade a efetiva ocorrência de cessão de mãodeobra. Às fls. 210 a 213, encontrase acostada manifestação a respeito da realização de investigação fiscal suscitada em sede de defesa. A Delegacia da Receita Previdenciária, tendo em vista a impugnação da recorrida, por meio de diligência, no sentido de promoção fiscal, requereu pronunciamento conclusivo do Auditor Fiscal da Previdência Social AFPS notificante, para os aspectos elencados em termo. Em resposta à solicitação, nas fls. 263 e 264 o serviço de fiscalização em 20/10/2006 se pronunciou sobre a NFLD n°. 35.866.1773 informando que a empresa não trouxe elementos comprobatórios de que a atividade da prestadora de serviços estivesse apontada no anexo I da OS 165/97. 7. Disto, face à empresa prestadora de serviços estar enquadrada no SIMPLES e por ter apresentado apenas 2(duas) GRPS vinculadas (comp. 09 e 10/98), o débito deve ser mantido somente no que se refere à rubrica 11 do DAI , abatendose a parte do segurado recolhida nos meses de 09 e 10/98. Período Valor anterior Valor corrigido 09/1998 R$ 34.756,50 R$ 33.585,33 10/1998 R$ 50.674,79 R$ 49.419,75 A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação às fls. 269 a 279 contra as conclusões fiscais exaradas no que chamou de debelado informe fiscal. Informou que ainda permanecem mazelas, intrínsecas à esta NFLD, culminando por caracterizála como um ato administrativotributário nulo de pleno direito. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Instada a manifestarse acerca da impugnação, o Serviço do Contencioso Administrativo Fiscal da Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro – Sul proferiu decisãonotificação (DN n 17.403.4/0116/2007) nos seguintes termos: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CESSÃO DE MÃODE OBRA — CONSTRUÇÃO CIVIL O Art. 31, § 30 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.032/95, bem como o Art. 46, § 2° do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 612/92 (vigente até a competência março de 1997) e o Art. 42 ; 2° do Regulamento de Organização e Custeio da SealuidJ:.je Social, aprovado pelo Dec. 2173/97 (aplicado competência dezembro de 1998) definem a forma de da responsabilidade solidária. Não cumpridos os requisitos, a tomadora é responsável pelas previdenciárias oriundas do fato gerador comum. Também a norma do Art. 30, inciso VI, incide no presente lançamento. TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda. A Secretaria da Receita Previdenciária tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituído, sem que o devedor tenha qualquer benefício de ordem. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Irresignada com a decisão supra, a recorrente apresentou recurso voluntário às fls. 317 a 350, ratificando os argumentos apresentados na impugnação, aduzindo, em sede de preliminar, o reconhecimento da decadência quinquenal do Código Tributário Nacional. Às fls.352 e 353, a recorrente peticionou requerendo a aplicação da Súmula Vinculante n 8, a qual, uma vez aplicada, será responsável pelo cancelamento da presente NFLD. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37280.000229/200659 Acórdão n.º 2403000.811 S2C4T3 Fl. 214 7 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR DA DECADÊNCIA TOTAL: A recorrente alega em seu recurso voluntário e em petição avulsa ter havido decadência total com relação às competências cobradas na NFLD 35.866.1773. Assim, passo a analisar o pedido: Vale destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderão ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos, estabelecendo ainda esta legislação o marco inicial para a contagem desses prazos. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37280.000229/200659 Acórdão n.º 2403000.811 S2C4T3 Fl. 215 9 tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No presente caso, não há relevância em ter ou não ocorrido o recolhimento antecipado, tendo em vista que da ciência em 27/12/2005 até as competências, que estão sendo objeto de discussão (01/1997 a 12/1998), datase pelo menos 7 (sete) anos, ou seja, prazo superior para a constituição do crédito tributário nos moldes do Código Tributário Nacional, seja pelo art.150, §4° ou pelo art.173, I. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para NEGARLHE PROVIMENTO. Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a decadência dos valores relativos às competências de 01/1997 a 12/1998, independentemente do critério de contagem previsto no Código Tributário Nacional e em razão da Súmula Vinculante n 8. É como voto. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10410.008074/2007-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2007
Ementa:
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar. Na forma da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, são inconstitucionais o parágrafo único do
artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA.
A empresa se sujeita à obrigação de reter e recolher as contribuições dos seus empregados e dos contribuintes individuais a seu serviço.
PEDIDO DE PERÍCIA. INUTILIDADE. INDEFERIMENTO.
Os pedidos para realização de perícia, que não demonstrem a utilidade da providência para a solução da lide, não devem ser acatados.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA PARA DECISÃO SOBRE PROCEDÊNCIA.
Uma vez interposta a Representação Fiscal para Fins Penais, cabe ao Ministério Público, órgão que detém a titularidade privativa da ação penal pública, e não a este Conselho decidir sobre procedência de Representação para Fins Penais.
EMISSÃO DE MANDATO COMPLEMENTAR. EXTINÇÃO.
INEXISTÊNCIA. Não se caracteriza extinção do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, quando emitida a sua prorrogação tempestivamente.
RETROATIVIDADE BENIGNA
O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.773
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do crédito lançado para as competências até 11/2002, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no Art.150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, promovendo o recálculo da
multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2007 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar. Na forma da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. A empresa se sujeita à obrigação de reter e recolher as contribuições dos seus empregados e dos contribuintes individuais a seu serviço. PEDIDO DE PERÍCIA. INUTILIDADE. INDEFERIMENTO. Os pedidos para realização de perícia, que não demonstrem a utilidade da providência para a solução da lide, não devem ser acatados. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA PARA DECISÃO SOBRE PROCEDÊNCIA. Uma vez interposta a Representação Fiscal para Fins Penais, cabe ao Ministério Público, órgão que detém a titularidade privativa da ação penal pública, e não a este Conselho decidir sobre procedência de Representação para Fins Penais. EMISSÃO DE MANDATO COMPLEMENTAR. EXTINÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não se caracteriza extinção do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, quando emitida a sua prorrogação tempestivamente. RETROATIVIDADE BENIGNA O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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AÇUCAREIRA USINA CAPRICHO Recorrida FAZENFA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2007 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar. Na forma da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. A empresa se sujeita à obrigação de reter e recolher as contribuições dos seus empregados e dos contribuintes individuais a seu serviço. PEDIDO DE PERÍCIA. INUTILIDADE. INDEFERIMENTO. Os pedidos para realização de perícia, que não demonstrem a utilidade da providência para a solução da lide, não devem ser acatados. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA PARA DECISÃO SOBRE PROCEDÊNCIA. Uma vez interposta a Representação Fiscal para Fins Penais, cabe ao Ministério Público, órgão que detém a titularidade privativa da ação penal pública, e não a este Conselho decidir sobre procedência de Representação para Fins Penais. EMISSÃO DE MANDATO COMPLEMENTAR. EXTINÇÃO. INEXISTÊNCIA. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Não se caracteriza extinção do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, quando emitida a sua prorrogação tempestivamente. RETROATIVIDADE BENIGNA O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do crédito lançado para as competências até 11/2002, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no Art.150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, promovendo o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 261 3 Relatório Li o Relatório de Primeira Instância, compulsei com os autos e não percebi necessidade de emendas. Assim transcrevoo na íntegra : “ O LANÇAMENTO Trata o presente processo administrativo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD identificada pelo DEBCAD n.° 37.003.1865, a qual foi posteriormente cadastrada no sistema de protocolo da Secretaria da Receita Federal do Brasil sob o número de processo constante nos dados identificadores acima. De acordo com o relatório de trabalho da auditoria fiscal , são objeto do lançamento em questão as contribuições descontadas das remunerações dos segurados empregados e aquelas retidas dos segurados contribuintes individuais quando do pagamento pelos serviços prestados à empresa notificada. Acrescenta o auditor notificante que em razão dos fatos geradores contemplados na NFLD sob enfoque não terem sido declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e ainda pelo fato das contribuições descontadas não terem sido repassadas à Seguridade Social houve o encaminhamento de Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente, haja vista as omissões verificadas consistirem, em tese, delitos tipificados no Código Penal. A seguir o agente do fisco passa a descrever os fatos geradores de contribuição e os itens de apuração (levantamentos) onde os mesmos foram agrupados. Posso resumir essa descrição: a) Levantamento C13 diz respeito às remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço à empresa. Os valores constam de planilhas anexadas e se encontram também demonstrados no Relatório de Lançamentos (fls.30/45); b) Levantamentos FP4, FP5 e FP6 contemplam as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, estando demonstradas em planilhas e no Relatório de Lançamentos (fls. 30/45); O auditor especifica a documentação de que se valeu para efetuar a apuração do crédito previdenciário, menciona a apropriação, dos recolhimentos apresentados pela contribuinte e a dedução dos valores repassados aos segurados a titulo de saláriofamília e saláriomaternidade. Acrescenta, ainda, que a Fl. 262DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 base legal que dá suporte ao lançamento consta do relatório "Fundamentos Legais do Débito FLD". Foram anexadas, por amostragem, cópias de folhas de pagamento apresentadas pela empresa fiscalizada. A IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento por via postal com aviso de recebimento AR, fl.160, o sujeito passivo apresentou em 11/01/2008, impugnação, fls. 161/182, na qual alega em síntese: a) que a sua defesa é tempestiva; b) extinto o MPF por decurso de prazo, posto que não houve ciência de prorrogação do mesmo, a autoridade fiscal já não mais se encontrava revestida da competência para lavrar o lançamento; c) mesmo que se considere válido o lançamento sem cobertura de MPF, ainda assim o auditor era incompetente, posto que o crédito fiscal não poderia ser lançado pela mesma autoridade responsável pelo cumprimento do MPF extinto; d) com a extinção do MPF,somente poderia haver exame da documentação da empresa, com a determinação expressa da autoridade hierarquicamente superior, o que efetivamente não ocorreu; e) o lançamento das contribuições concernente ao período compreendido entre 01/2000 e 12/2001 foi equivocado, uma vez que ultrapassa o qüinqüênio decadencial previsto no art. 150, § 4.° do Código Tributário Nacional CTN; f) há necessidade de perícia contábil para se segregar da base de cálculo utilizada na apuração do crédito os valores remuneratórios das quantias indenizatórias, posto que os demonstrativos e documentos colacionados pela auditoria não permitem a correta visualização das parcelas incidentes e não incidentes de contribuições sociais. Para tal indica os quesitos a serem solucionados e o seu assistente técnico; g) a impugnante não utilizou qualquer expediente fraudulento para omitir valores lançados pela fiscalização, assim deve ser cancelada a Representação Fiscal n.° 10410.008353/200764, haja vista não haver amparo legal que justifique a mencionada providência; Por fim, passa a requerer: a) a anulação do lançamento atacado; b) o deferimento do pedido de perícia; c) que o presente processo seja julgado conjuntamente com as demais NFLD lavradas na mesma ação fiscal. ” Fl. 263DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 262 5 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Após analisar aos argumentos da impugnante, conforme documento de fls.199, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Recife DRJ/REC, em 29 de maio de 2008 emitiu o Acórdão n° 1122.347 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.390, onde reiterou as alegações que fizera em instância “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.255, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES Da decadência De plano, em atenção ao artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal – RICARF, é relevante observar que o lançamento em comento referese a créditos suplementares. O Relatório de Documentos Apresentados – RDA de fls.47 a 57, registra que houve recolhimentos anteriores à ação fiscal, recolhimentos estes que, portanto, se subsumem à tese “pagamentos antecipados” reiteradamente esposada por parte do STJ. O período de apuração do crédito tributário compreendeu as competências 03/2001 a 05/2007 e a notificação ocorreu em 13/12/2007 conforme Aviso de Recebimento AR de fls. 150 . Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: Fl. 265DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 263 7 a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” A Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 através do artigo 2°, § 4°, extinguiu a então Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social promovendo a unificação das receitas dando origem a atual Receita Federal do Brasil. Assume grande importância saber que a partir da Lei nº 9.528/97 é que se introduziu a obrigatoriedade de os sujeitos passivos das contribuições previdenciárias apresentarem a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Então, somente da competência janeiro de 1999 em diante, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, na forma do disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. Na referida GFIP, deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. As empresas estão obrigadas à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. Desse modo, com a introdução da GFIP na legislação previdenciária, se institui para os contribuintes o dever que não existia antes de janeiro de 1999 de declarar, e , espontaneamente, antes de eventual ação fiscal que lhe exija, antecipar os pagamentos, os valores que entendam devidos à Previdência Social e proceder a demais obrigações acessórias. Obrigado a isso, a legislação das contribuições previdenciárias submeteu o sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pagamento este, por analogia, também sujeito a ulterior homologação. Logo, inserido na dicção do artigo 150. Segundo leciona Hugo Brito Machado, em Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas, Editora Saraiva, Edição exclusiva ANFIP, pg. 847: “ Por homologação é o lançamento feito quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa no que concerne à sua determinação. Operase pelo ato em que a autoridade, tomando conhecimento da determinação feita pelo sujeito passivo, expressamente a homologa( CTN, art. 150), ou então, mediante homologação tácita, que se opera pelo decurso de prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário, pelo lançamento.(CTN, art. 150, § 4°) ”. Nestas condições as contribuições para a Previdência Social e suas obrigações principais e acessórias se subsumem à lançamentos por homologação expressa ou tácita. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Também é relevante saber que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. Apresentado tal contexto, inserido nele é que estarei conduzindo minha análise. É muito relevante notar que, isto posto, de forma alguma o legislador condicionou a homologação, nos termos do artigo 150, à antecipações de pagamento até porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 264 9 Entendo, ainda, que a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações. O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa. Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto, aplicando se forma menos severa, tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência. Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Art. 150 CTN : (...) “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN, a leitura atenta logo nas primeiras palavras do caput, se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; Fl. 269DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 265 11 dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite , sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Manifestandose sobre a decadência o legislador foi econômico e objetivo definindo na forma do artigo 150 § 4º que : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Outro ponto de relevo que entendo deva ser destacado da leitura do § 4º do artigo 150 é que na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fica explícito que não se aplicará o referido artigo para o reconhecimento da decadência. Entretanto, nem de forma explícita, tampouco implícita, ficou determinado a capitulação do artigo 173 para a determinação da decadência dos valores fraudados. A meu juízo, a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação importa conduta criminosa e a decadência ou a prescrição devem ser analisadas e em foro próprio não comportando benefício tributário. Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 270DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : Fl. 271DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 266 13 “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma convenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório, termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB, a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. Conforme Relatório Fiscal de fls.75, a empresa foi autuada e sofreu Representação fiscal para fins Penais. Se a Autoridade Fiscal estivesse convicta e pudesse comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, teria expressado a circunstância no Relatório de Fundamentos legais o inciso II do artigo 290 do Decreto 3.048/99 : “ Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) II agido com dolo, fraude ou máfé;” Na forma do comando do § 4º do artigo 150 do Código tributário Nacional – CTN, o legislador determina a necessidade de comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação para a não aplicação do preceituado nos parágrafos anteriores do mesmo artigo: “ Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ( ...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”( grifei) A Quinta Turma do STJ, em 25/11/10 (Acórdão publicado no DJe em 14/2/2011), ao julgar o Habeas Corpus (HC) no 139.998/RS, concedeu, por unanimidade, a ordem impetrada, para trancar o Inquérito Policial no 1774⁄ 08SR⁄ DPF⁄ RS, relativo ao crime de descaminho (art. 334 do Código Penal), por entender que, “ a deflagração da persecução penal no delito de descaminho pressupõe o trânsito em julgado da decisão na esfera administrativa, somente após o que se poderá falar em ilícito tributário” . O relator do recurso, Ministro Jorge Mussi, do Supremo Tribunal de Justiça – STJ, tribunal este cujas reiteradas teses sobre a aplicação do artigo 150 em comento vincula este Egrégio Conselho, manifestandose a respeito da exigência de lançamento definitivo do crédito tributário para a instauração da ação penal relativa a crime, destacou ao final o caput do art. 83 da Lei no 9.430/96, ao inciso II do art. 1° do Decreto no 2.730⁄ 98 e ao art. 3o, § 7o da Fl. 273DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 267 15 Portaria SRF no 326⁄ 05, para ressaltar que “ a própria legislação sobre o tema reclama a existência de decisão final na esfera administrativa para que se possa investigar criminalmente a inclusão total ou parcial do pagamento de direito ou imposto” Então, sem o trânsito em julgado na instância administrativa, não se inicia a ação penal, desse modo, não se tendo certeza de que um crime fora praticado não se pode na esfera administrativa promover a sua condenação afirmandose que o dolo fora configurado sem sua definitiva prova na forma do preceituado na parte final do artigo 150, § 4° do CTN. Cumpre ressaltar que conforme o artigo 17, IV, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal RICARF, uma das atribuições deste Conselho é zelar pela legalidade do procedimento de julgamento. É relevante perceber que ao observar a legalidade não se pretende punir ou beneficiar. Aduz que o Princípio da Legalidade tem mais característica de garantia constitucional do que de direito individual, pelo fato de não resguardar um bem da vida específico, e sim garantir ao particular a prerrogativa de rechaçar injunções impostas por outra via que não a da lei. Isto posto, usando da prerrogativa do livre convencimento não de forma arbitrária mas fundamentando e esposando o Princípio da Legalidade, entendo que o contribuinte fica beneficiado com a dúvida prevista no artigo 112 do Código Tributário nacional – CTN para ver declarada a decadência na forma do artigo 150,§4° do CTN. É muito relevante e significativo reparar na propriedade de se exortar na lide o preceituado no artigo 112 do CTN em razão de, neste artigo, o legislador alterar a praxe e não tratar o sujeito passivo da contribuição como contribuinte mas sim como ACUSADO bem como fazer referência à IMPUTABILIDADE expressões típicas do direito penal: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação” Segundo Pedro Nunes em sua Obra Dicionário de Tecnologia Jurídica, 13ª Ed. Pg. 53, acusado é o sujeito passivo de uma ação penal. Dizse , principalmente, daquele a quem é imputada a autoria de uma infração da lei penal. É Alguém indiciado de crime. É réu. A lei lhe assegura ampla defesa. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Na mesma Obra, às pg. 609, imputabilidade é o conjunto de circunstâncias especiais que demonstram nexo causal entre o ilícito penal e seu suposto autor. Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 03/2001 a 05/2007, e ainda que a empresa fora notificada em 13/12/2007 (AR. de fls. 150, na forma do artigo 150, §4° do CTN, bem como em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, todo o crédito lançado para a competência 11/2002 e anteriores, encontrase fulminado pelo instituto da decadência. Do cerceamento de defesa O contribuinte argüi nulidade por cerceamento de defesa por ter negado a perícia solicitada em sede de impugnação. Reitera que a base de cálculo considerada pela fiscalização diverge do figurino legal alegando que os documentos que instruem o auto de infração não permitem à empresa conferir se a fiscalização só incluiu na base de cálculo as verbas destinadas a retribuir o trabalho de seus empregados ou avulsos. Assevera que : “ Efetivamente, nem o DAD Discriminativo Analítico de Débito nem DSD Discriminativo Sintético de Débito nem as planilhas da Folha de Pagamento anexas à autuação indicam as rubricas que compõem a base de cálculo das contribuições lançadas. De outra banda, a listagem dos trabalhadores, também, não esclarecem a questão.( grifei) 13. Por isso, para que a empresa possa demonstrar que foram incluídos valores de natureza indenizatória na base de cálculo considerada pela fiscalização fazse necessária e é justificável a realização de perícia, nos termos do art. 16, § 4°, do Decreto 70.235/72 1 , para determinar o quantum da base de cálculo referese a verbas que não se destinam a retribuir o trabalho.” ( grifei) A litigância de máfé ocorre quando uma das partes de um processo litiga intencionalmente com deslealdade. Os doutrinadores Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery conceituam o litigante de máfé como: "a parte ou interveniente que, no processo, age de forma maldosa, como dolo ou culpa, causando dano processual à parte contrária. É o improbus litigator, que se utiliza de procedimentos escusos com o objetivo de vencer ou que, sabendo ser difícil ou impossível vencer, prolonga deliberadamente o andamento do processo procrastinando o feito. As condutas aqui previstas, definidas positivamente, são exemplos do descumprimento do dever de probidade estampado no art. 14 do CPC". Fl. 275DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 268 17 A Lei 5.869/73 nos seus artigos 14 e 17, preceitua que : “ LEI 5.869/73 (...) Art. 14. São deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo: ( Redação dada pela Lei n 10.358, de 27.12.2001) I expor os fatos em juízo conforme a verdade; II proceder com lealdade e boafé; III não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são destituídas de fundamento; IV não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou defesa do direito. V cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final. ( Incluído pela Lei n 10.358, de 27.12.2001) Parágrafo único. Ressalvados os advogados que se sujeitam exclusivamente aos estatutos da OAB, a violação do disposto no inciso V deste artigo constitui ato atentatório ao exercício da jurisdição, podendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa em montante a ser fixado de acordo com a gravidade da conduta e não superior a vinte por cento do valor da causa; não sendo paga no prazo estabelecido, contado do trânsito em julgado da decisão final da causa, a multa será inscrita sempre como dívida ativa da União ou do Estado.( Incluído pela Lei n 10.358, de 27.12.2001) (...) Art. 17. Reputase litigante de máfé aquele que:( Redação dada pela Lei n 6.771, de 27.2.1980) I deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; :( Redação dada pela Lei n 6.771, de 27.2.1980) II alterar a verdade dos fatos; :( Redação dada pela Lei n 6.771, de 27.2.1980) ” Fl. 276DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 NELSON NERY JÚNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY, ambos do Ministério Público paulista, conceituam litigante de máfé como : "a parte ou interveniente que, no processo, age de forma maldosa, com dolo ou culpa, causando dano processual à parte contrária. É o improbus litigator, que se utiliza de procedimentos escusos com o objetivo de vencer ou que, sabendo ser difícil ou impossível vencer, prolonga deliberadamente o andamento do processo procrastinando o feito. As condutas aqui previstas, definidas positivamente, são exemplos do descumprimento do dever de probidade estampado no art. 14 do CPC" (Código de Processo Civil e Legislação Processual Extravagante em Vigor, RT Editora, 1994, pág. 248), lembrando PONTES DE MIRANDA que "a indiferença às más consequências, se no caso era de exigirse cuidado, pode ser tida como falta de boa fé". O destaque acima foi colocado em razão de que os argumentos apresentados pela Recorrente beiram a litigânciademáfé na medida em que as folhas de pagamentos colacionadas por amostragem, confeccionadas pela própria recorrente, são realizadas demonstrando as rubricas uma a uma. Ademais, na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto 70.235/72 o atendimento ao pedido é uma faculdade do Julgador: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine( Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993)” (...) “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Nesta linha, temos que o procedimento fiscal foi minudenciado, na medida em que oferece para produção de prova a descrição detalhada dos fatos e a sua fundamentação legal foi esclarecida. Foi possibilitado ao Contribuinte, ao contrário do que alega, o contraditório e a ampla defesa, de acordo com a estrita legalidade administrativa e com o mandamento constitucional previsto na Carta Magna. Assim, não se vislumbra no presente caso a necessidade da produção de novas provas periciais.Os elementos constantes do processo são suficientes para formar convicção a respeito da questão. Portanto, apresentase desnecessária e prescindível a produção de prova pericial. Da nulidade dos Mandados de Procedimentos Fiscais MPF’S Fl. 277DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 269 19 No item 52. de seu Recurso a Recorrente alega que : “ Diante de tais alegações, objetivamente lançadas pela contribuinte, a decisão recorrida nada falou sobre a necessidade de obediência ao prazo máximo de 120 dias nem sobre a necessidade de nomeação de outro auditor fiscal. A DRJ utilizou o MPFC como panacéia para os vícios de competência da fiscalização, o que, conforme demonstrado nas linhas anteriores, não é admissível se se quer aplicar a legislação tributária.” No item 53, requereu a nulidade nos seguintes termos : “ 43. Inegável, por conseguinte, que o auto de infração é nulo, por violar o art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72 e os arts.15, II, 16 e 19 da Portaria RFB n° 4.066/ 2007.” A Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, DOU de 2.5.2007 a qual balizou as emissões , registra nos artigos 12 e 13 os prazos de validade: “Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. (...) Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto 70.235, de 1972. A mesma Portaria prevê, ainda, nos artigos 15 e 16, os casos de extinção dos MPF’s conforme abaixo: Da Extinção do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto.” Do voto de Primeira instância: Às fls. 320, O Julgador de primeira instância assim se manifestou: “ Tratarei inicialmente da alegação defensória que diz respeito ao Mandado de Procedimento FiscalMPF. A impugnante tomou ciência, através de seu Diretor Administrativo, de que estava sob ação fiscal mediante o M.PF n.° 09408513F00, fl. 43, em 19/06/2007. Dos termos da ordem de serviço, os trabalhos de fiscalização deveriam ser executados até 12/10/2007. Em 05/09/2007, portanto, antes de expirado o MPF, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar MPFC n.° 09408513C01, o qual prorrogou o MPF anterior para 11/12/2007. Chamo atenção que o sujeito passivo tomou ciência da nova ordem de execução em 10/09/2007, fl. 44. Considerandose que a data da lavratura da NFLD foi 30/11/2007, não há, assim, o que se falar em fiscalização desprovida de MPF autorizador. A Portaria RFB, n° 4.066, de 02/05/2007, quando trata da prorrogação dos prazos relativos ao MPF, dispõe: Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1° A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 72, inciso VIII: §2° Na hipótese do §1° o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Vêse, portanto, que não se deu a expiração do MPF original, ao revés ocorreu a sua prorrogação até o dia 11/12/2007, o que está em plena sintonia com a norma de regência acima, sendo desprovido de sustentação jurídica o argumento de defesa que argüi a invalidade do lançamento por falta de competência do auditor para executar o procedimento fiscal, seja pela expiração Fl. 279DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 270 21 do MPF, seja pela impossibilidade do agente ser autorizado a executar novo mandado, quando o anterior tenha expirado.” De fato o Julgador de primeira instância não abordou a hipótese prevista no parágrafo único do artigo 16, por desnecessário como adiante se verificará: “ Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto.” ( grifei ) Complementando aquela argumentação, há que se observar o comando do artigo 14 da mesma Portaria que ressalta que os prazos serão contínuos : “Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto 70.235, de 1972”. Atenção também deve ser dada ao art. 13, § 2° da Portaria MPS/SRP N° 3.031, de 16 de dezembro de 2005 : “ PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 DOU DE 22/12/2005 Retificada no DOU DE 09/06/2006 ( ... ) Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos doart. 7°, inciso VIII § 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, o servidor responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo IX .( grifei) ( ... ) Art. 19. Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 2º do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, constarão no processo administrativo fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento fiscal em si. ( grifei) Fl. 280DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Art. 20. Os MPF de que trata esta Portaria serão emitidos em três vias, que terão as seguintes destinações: I sujeito passivo; II processo administrativo fiscal, quando instaurado; III arquivo da Delegacia da Receita Previdenciária do domicílio do sujeito passivo. ” Neste sentido considerando o comando de que os prazos serão contínuos, às fls. 67, consta emitido o DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO DE MPF AUDITORIA PREVIDENCIÁRIA, onde se registra informado ao contribuinte a data de emissão do mandado complementar, a data do dia da prorrogação e a data da validade do mandado complementar, 11/12/2007, posterior a data de encerramento da ação fiscal ocorrida em 30/11/2007 na forma do Termo de Encerramento de fls. 73. “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL No.: 09408513 PRORROGAÇÃO: DATA: 12 de Outubro de 2007 EMISSÃO: 14/06/2007 VALIDADE: 11 de Dezembro de 2007” Em razão das considerações complementares se comprova que o procedimento não sofreu solução de continuidade. Desse modo, não há que ser reformada a decisão de primeira instância.Portanto, não dou provimento. Da Representação Fiscal Para Fins Penais. A Recorrente reitera que deve ser retirada a Representação Fiscal n° 10410.008353/200764 instaurada pela fiscalização, porquanto as circunstâncias dos autos não se subsumem à hipótese normativa de seu deflagramento. Por oportuno, reiterese, também, o manifestado em primeira instância: “Esta matéria é estranha ao lançamento tributário, portanto à lide que ora se julga, não cabendo a este órgão de julgamento administrativo enveredar por esta seara. Cabe ao Ministério Público, órgão que detém a titularidade privativa da ação penal pública, posicionarse sobre a procedência ou não da Representação encaminhada pelo agente tributário.” Portanto, não dou provimento DO MÉRITO Da multa Conforme Relatório FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO – FLD, às fls. 39, item 601.09, o cálculo do valor da multa moratória, teve por base os parâmetros Fl. 281DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008074/200709 Acórdão n.º 2403000.773 S2C4T3 Fl. 271 23 estabelecidos pelo art. 35,I, II, III da Lei 8.212/91. Entretanto o artigo retro foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art.5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” Da penalidade menos severa O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 282DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, em PRELIMINAR, determino que se reconheça a DECADÊNCIA do crédito lançado para as competências anteriores a 11/2002, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no Art.150, § 4º, CTN e, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL promovendo o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 283DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11065.001641/2008-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006
PRELIMINAR.NULIDADE.INCOMPETÊNCIA.AUDITOR FISCAL. NÃO
RECONHECIMENTO.
O auditor fiscal designado para o cumprimento da ação fiscal não infringiu os limites determinados para a auditoria, motivo pelo qual não há o que se falar em causa de nulidade.
PRELIMINAR. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543-C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicado quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTO A SEGURADOS. PRÊMIOS. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS
COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35, CAPUT, DA LEI N 8.212/91.
OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO
TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Na presente autuação, foi verificado que ocorreu o pagamento habitual, aos segurados da empresa, como contrapartida à assiduidade destes ao trabalho, revestindo-se tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35, caput, da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.909
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência da competências até 04/2003, com base no § 4º, do artigo 150, do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial para determinar o recalculo do valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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O auditor fiscal designado para o cumprimento da ação fiscal não infringiu os limites determinados para a auditoria, motivo pelo qual não há o que se falar em causa de nulidade. PRELIMINAR. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicado quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTO A SEGURADOS. PRÊMIOS. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35, CAPUT, DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente autuação, foi verificado que ocorreu o pagamento habitual, aos segurados da empresa, como contrapartida à assiduidade destes ao trabalho, revestindose tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35, caput, da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência da competências até 04/2003, com base no § 4º, do artigo 150, do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial para determinar o recalculo do valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato (substituído pelo conselheiro Igor Araujo Souza) e Marcelo Magalhães Peixoto (substituído pelo conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva). Relatório Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 2403000.909 S2C4T3 Fl. 132 3 Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 114 a 127 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (fls.95 a 99) que julgou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento constante do Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.020.1370, originariamente no valor de R$ 25.196,75 (vinte e cinco mil, cento e noventa e seis reais e setenta e cinco centavos) e que, após decisão de 1 instância, foi reduzido para R$ 13.929,48 (treze mil, novecentos e vinte e nove reais e quarenta e oito centavos) com o reconhecimento da decadência das competências 10/1998 a 11/2002 com base no art.173, I , do Código Tributário Nacional. Segundo o relatório fiscal às fls.55 a 58, a cobrança referese às contribuições da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados destinadas a outros fundos e entidades (INCRA 0,2% e SEBRAE 0,6%), totalizando o percentual de terceiros em 0,8%. Ademais, o relatório atesta que os valores que não sofreram incidência da contribuição previdenciária referemse a pagamentos efetuados com frequência aos seus segurados a título de prêmios, fornecidos através de ranchos de alimentação. Durante a ação fiscal, foi verificado que a empresa vinha remunerando seus segurados através de um prêmio denominado: PRÊMIO ASSIDUIDADE, o qual era pago aos funcionários que estivessem melhor assiduidade, não havendo nenhuma relação com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), tendo sido ainda ressaltado que tal prática é vedada pela Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego n 03 de 01/03/2002. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 14/05/2008 e apresentou impugnação às fls. 63 a 80 alegando em síntese: Preliminarmente: Que a autuação deve ser declarada nula, tendo em vista que o auditor fiscal responsável pela auditoria não tem competência para apreciar a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT); Que não foi observado o prazo decadencial de cinco anos previsto no art.173, I, do Código Tributário Nacional para os fatos geradores ocorridos até dezembro de 2002; No Mérito: O valor exorbitante da multa, que chega a possuir caráter confiscatório; A ilegalidade da taxa SELIC; Que os valores cobrados configuramse como cesta básica, revestindose de caráter social, motivo pelo qual não deverão sofrer incidência de tributo. Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação para que fosse, em preliminar, declarada nula a cobrança. Caso a preliminar fosse ultrapassada, requereu o acolhimento da prejudicial de mérito para que fosse reconhecida a decadência dos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2002 com base no art.173, I, do Código Tributário Nacional, bem como postulou a improcedência da autuação. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7° Turma da DRJ/Porto Alegre/RS proferiu acórdão (n°1017.471) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006 Auto de Infração DEBCAD n° 37.020.1370 1. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. 2. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. Às contribuições destinadas a terceiros aplicamse as previsões legais relativas à decadência contidas no Código Tributário Nacional, conforme a hipótese da existência ou não de recolhimentos. Decadência configurada. 3. JUROS. MULTA. A inclusão de contribuições em lançamento por descumprimento de obrigação principal dá ensejo à incidência de juros e • multa de mora, ambos de caráter irrelevável. 4.PARCELAS REMUNERATÓRIAS. Constitui fato gerador da obrigação principal a totalidade da remuneração do segurado empregado, excluídas apenas, as parcelas expressamente definidas em lei. Lançamento Procedente em Parte. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.114 a 127, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação, aduzindo a necessidade de ser o recurso conhecido sem ser cumprida a exigência do depósito de 30%, bem como a necessidade de ser reconhecida a decadência da competência 12/2002. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 2403000.909 S2C4T3 Fl. 133 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls.114 a 127). Acontece que à época da discussão do crédito, exigiase do sujeito passivo que quisesse recorrer ao Contencioso Administrativo Federal o depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido. Desse modo, a recorrente pleiteou inicialmente o afastamento dessa exigência sob o argumento de que a mesma seria inconstitucional. Cabe destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal como requisito de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impendese ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. DA PRELIMINAR: I – DA AUSÊNCIA DE MOTIVOS PARA A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A recorrente alega que o nobre auditor fiscal responsável pelo cumprimento da auditoria extrapolou os limites de sua atuação quando supostamente analisou a execução do Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT. Ocorre que, cabe destacar que não houve nenhum tipo de abuso de poder por parte do fiscal, o qual limitouse a verificar o cumprimento das obrigações sociais previdenciárias nos moldes do Mandado de Procedimento Fiscal n 09434911 F00 e nos termos do MPF da fls.14 e 19 no período de 01/1998 a 12/2007. Durante a auditoria, não houve análise da execução do PAT, como entende ter ocorrido a recorrente, o que houve foi simplesmente a verificação da ocorrência ou não de fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias. Constatouse, portanto, ao final da fiscalização e após a análise minuciosa da documentação apresentada pelo contribuinte e solicitada via TIAD, que a empresa estava pagando determinados valores aos empregados denominados de PRÊMIO ASSIDUIDADE, parcela que jamais poderia estar relacionada às regras do PAT, por vedação da Portaria MTE 03/2002. O simples fato de pagar valor a título de prêmio e este ser fornecido por rancho alimentação não significa dizer que se trata de análise de execução do programa, pois o objetivo principal de se averiguar o cumprimento das regras do PAT é excluir tal parcela da incidência de contribuição social previdenciária, nos moldes do art.28, § 9º, “c” da Lei n 8.212/91. Assim, realmente não cabe ao auditor do presente caso analisar a execução do programa e o cumprimento de suas regras, mas cabelhe verificar o cumprimento das obrigações tributárias, o que foi feito em auditoria e constatado que a empresa vinha remunerando seus segurados habitualmente com um prêmio fornecido/vinculado à alimentação, não havendo razões para decretar a nulidade da autuação, tendo em vista que o procedimento fiscal deuse nos moldes legais sem a extrapolação de poderes por parte da nobre autoridade lançadora. II – DA DECADÊNCIA QUINQUENAL COM BASE NO ART.150, §4° DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: Não obstante a decisão de 1 instância ter reconhecido a decadência das competências 10/1998 a 11/2002, vale destacar que a aplicação do instituto teve como fundamento jurídico o art.173, I, do CTN. Todavia, entendo que o mais correto para o caso em tela seja a aplicação do art.150, §4° do mesmo diploma, tendo em vista que esse Conselho tem firmado o entendimento de que este dispositivo deve ser aplicado quando for verificado o recolhimento antecipado da exação, em respeito à decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ). Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No presente caso, foi verificada a ocorrência de recolhimento, por se referirem os Discriminativos de Débitos à diferença apurada, o que se leva a crer, que houve um pagamento parcial, pelo menos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 2403000.909 S2C4T3 Fl. 134 7 Desta feita, sabendo que a ciência da autuação deuse em 14/05/2008, e, as datas das competências que não foram reconhecidas como decadentes compreenderem os períodos de 12/2002 a 12/2006, têmse que os valores cobrados no AIOP relativos às competências 12/2002 a 04/2003 estão acobertados pela decadência com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional, haja vista que o fisco só poderia cobrar, com fundamento neste artigo, a partir da competência 05/2003. Passemos à análise do mérito. DO MÉRITO: I – DO PAGAMENTO DE PRÊMIO ASSIDUIDADE: A recorrente alega que o pagamento realizado aos seus segurados não poderá ser tributado, tendo em vista que se trata de remuneração de parcela in natura da alimentação, o que não estaria no campo de incidência da contribuição previdenciária. Cabe destacar que a conduta praticada pela recorrente é vedada pela Portaria do MTE 03 de 01/03/2002, pois o objetivo desse prêmio é pagar, através de ranchos alimentação, aqueles funcionários que tenham melhor assiduidade no trabalho. Assim, resta caracterizada a prática de pagamento habitual de premiação, que sofrerá incidência nos termos do art.22, I, da Lei n 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).Destacouse. Desse modo, o trabalho dos segurados empregados será remunerado por verbas de qualquer título. No caso em tela, além do salário base, há certos valores que são pagos aos segurados como forma de parabenizálo pela sua assiduidade. Assim, o pagamento desses prêmios é feito a quem tiver melhor assiduidade no trabalho, devendose analisar a frequência com a qual esses beneficiados são pagos, tendo em vista que esse pagamento só fará parte da base de cálculo da contribuição previdenciária em comento se estiver caracterizada a habitualidade. Diante da documentação analisada em auditoria, ficou caracterizada a habitualidade do pagamento desses prêmios. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A habitualidade do pagamento de prêmios, através de ranchos alimentação, também se confirma na atitude do empregador pagar ao seu quadro de pessoal com frequência e gerar no ambiente profissional uma expectativa de sempre receber referido bônus pela assiduidade. Sobre esse requisito ser essencial para caracterizar a natureza dos valores recebidos pelos empregados, o Supremo Tribunal Federal manifestou seu entendimento, através da Súmula nº 209: Súmula 209 – SalárioPrêmio, salário –produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade. Portanto, considerando que a Lei n° 8.212/91 determinou que sobre todos os créditos e rendimentos recebidos pelos empregados, inclusive prêmios, pagos com habitualidade, com a finalidade de remunerar o trabalho prestado, deva incidir contribuição social previdenciária, entendo que no caso em tela a incidência deve ser mantida de modo integral, não podendo prevalecer as alegações da nobre recorrente. II – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: A recorrente alega ainda que a multa moratória é exorbitante e que a taxa SELIC é ilegal. Todavia, conforme entendimento consolidado deste Conselho, e, considerando a cobrança em tela com relação às demais competências que não foram acobertadas pela decadência, há que se destacar que esses débitos serão recolhidos com a incidência de multa e juros na forma da legislação, Lei n 8.212/91: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 2403000.909 S2C4T3 Fl. 135 9 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001641/200817 Acórdão n.º 2403000.909 S2C4T3 Fl. 136 11 Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. Em sede de preliminar, afastar o pedido de nulidade por vício formal pelos motivos já expostos e reconhecer a decadência até a competência 04/2003 com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional. No mérito, manter a cobrança com o recálculo da multa de mora previsto no art.35, caput, da Lei n 8.212/91 com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16641.000147/2009-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DESCONSTITUÍDA.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ACOMPANHA A PRINCIPAL.
Sendo desconstituída a obrigação principal, não há descumprimento de obrigação acessória, vez que esta acompanha a principal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-000.816
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DESCONSTITUÍDA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ACOMPANHA A PRINCIPAL. Sendo desconstituída a obrigação principal, não há descumprimento de obrigação acessória, vez que esta acompanha a principal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Auto de Infração sob o n. 37.225.0947, consolidado em 06/08/2009, cuja notificação ocorreu em 14/08/2009, decorrente da recorrente ter deixado de arrecadar, mediante desconto do valor da aquisição da produção rural, as contribuições do produtor rural pessoa física no período compreendido entre 01/2004 a 12/2006. Fato esse que ensejou na aplicação da multa no montante de R$ 1.329,18 (mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). Pelo citado, a recorrente infringiu a seguinte legislação: art. 30, IV da Lei n. 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 9.528/97, cumulado com o art. 200, I e II e parágrafo 7o do Decreto n. 3.048/99 (RPS). Diante disso, foi aplicada a multa com base na seguinte legislação: art. 92 e 102 da Lei n. 8.212/91, cumulado com o art. 283 caput e parágrafo 3o e art. 373 do Decreto n. 3.048/99 (RPS). DA IMPUGNAÇÃO Devidamente citada, a recorrente apresentou impugnação tempestiva nas fls. 52/82, alegando, em síntese: Não reteve a contribuição dos seus fornecedores porque comercializou seus produtos com empresas exportadoras. Por esse motivo, estava amparada pela imunidade prevista no art. 149, § 2o, I da Constituição Federal, acrescentada pela Emenda Constitucional n. 33/2001. A atual redação do art. 25 da lei n. 8.212/1991, não traz fato gerador da referida contribuição, contrariando o princípio da legalidade, previsto no art. 150 da CF/88 e no art. 97 do CTN. Para fundamentar, cita o voto proferido no RE n. 363.852/MG. Entende que os conceitos de receita e faturamento, oriundos da EC 20/1998, só poderiam ser objetos de incidência de contribuição social se definidos em legialação posterior. Defende a inconstitucionalidade na utilização de uma mesma hipótese de incidência para várias contribuições sociais, como o caso da COFINS. Pelas razões expostas estariam violados os princípios constitucionais da legalidade, segurança jurídica e igualdade. Cita precedentes do STF. Alega a inconstitucionalidade da utilização da Taxa SELIC nos juros moratórios. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos da impugnante, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Juiz de Fora – MG DRJ/JFA, emitiu o Acórdão n° 0933.119, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Fl. 157DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000147/200931 Acórdão n.º 2403000.816 S2C4T3 Fl. 2 3 Inconformada, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 112/135, com os mesmos argumentos da defesa. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 138, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO JULGAMENTO DO RE N. 363.852/MG Antes de se adentrar no mérito, mister destacar que o caso em tela, não se refere à obrigação principal, mas descumprimento da obrigação acessória de arrecadar o tributo. Contudo, para análise, com exceção da decadência, segue a mesma análise no julgamento do Proc. n. 16641.000144/200905. Destaca a recorrente a declaração de inconstitucionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV da Lei n. 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/1997, no julgamento do supracitado RE, em data posterior ao acórdão da DRJ, bem como a aplicação da jurisprudência para o caso em tela. Assim como ressaltado pela DRJ, o art. 26A, § 6o, I do Decreto n. 70.235/72, prevê como possível o afastamento de lei que já fora declarada como inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Não obstante a DRJ ter reconhecido que a legislação de referência para o lançamento da NFLD em tela era a mesma da discutida nos autos do RE, entendeu que a nova redação do art. 25 da Lei n. 8.212/91, dada pela Lei n. 10.256/01, por ter vindo em data posterior à EC 20/98, não seria objeto do RE n. 363.852/MG. Ocorre que, o STF declarou inconstitucional os citados artigos por entender que a matéria deveria ser regulamentada por Lei Complementar, por esse motivo, ao contrário do entendimento da DRJ, a nova redação do art. 25, por outra Lei Ordinária, não desvincula o caso em tela ao RE. Assim como se pode constatar, na jurisprudência do Egrégio STF, no RE que transitou em julgado no dia 1o/06/2011, verbis: Fl. 159DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000147/200931 Acórdão n.º 2403000.816 S2C4T3 Fl. 3 5 RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) (grifo nosso) Pela ausência de Lei Complementar regulamentadora da Contribuição Previdenciária que origiou a presente NFLD, deve ser julgado procedente o presente Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 160DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001204/2010-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/06/2010
INFRAÇÃO. DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE.
A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
Numero da decisão: 2403-000.780
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 30/06/2010 INFRAÇÃO. DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
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DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhaes Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, acórdão 09 – 33.393 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação ao lançamento. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), a autuação deuse pelo fato de a empresa ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, a contribuição da empresa e os totais recolhidos, no período 01/2006 a 12/2006, o que caracteriza infração ao artigo 32, II, da lei 8.212/91. No Relatório Fiscal, constam 3 exemplos de escrituração conjunta de fatos geradores e não geradores de contribuições: • Férias – a empresa não fez distinção entre féria trabalhadas e indenizadas. • Décimo terceiro Salário – a empresa não fez distinção entre décimo terceiro trabalhado e indenizado. • A empresa utiliza a conta “51227 – Serviços Prestados por Pessoa Jurídica” para lançamentos de recibos de pagamentos de pessoas físicas (contribuintes individuais). A multa aplicada totaliza R$ 14.107,77, conforme artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Lançou mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. • Recolhei todas contribuições devidas. • Os erros cometidos são erros formais que não trouxeram prejuízo algum à previdência. • Apresentou os documentos que possuía à fiscalização. • Entende a multa abusiva. É o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10640.001204/201066 Acórdão n.º 240300.780 S2C4T3 Fl. 94 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Segundo consta no Relatório Fiscal, a autuação deuse pelo fato de a empresa ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, a contribuição da empresa e os totais recolhidos, no período 01/2006 a 12/2006. Tal fato caracteriza infração ao artigo 32, II, lei 8.212/91. Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Segundo o artigo 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O lançamento decorreu do não cumprimento da obrigação acessória, sendo o procedimento irregular da empresa bem descrito no Relatório Fiscal. O valor da multa aplicada teve por base os artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, II, “a” e 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, sendo os valores de referência atualizados pelo artigo 8, IV, da Portaria Interministerial MPS/MF 350, de 30/12/2009. Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10640.001204/201066 Acórdão n.º 240300.780 S2C4T3 Fl. 95 5 Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2010: IV o valor da multa pelo descumprimento das obrigações, indicadas no: a) caput do art. 287 do Regulamento da Previdência Social RPS, varia de R$ 185,61 (cento e oitenta e cinco reais e sessenta e um centavos) a R$ 18.561,52 (dezoito mil quinhentos e sessenta e um reais e cinquenta e dois centavos); b) inciso I do parágrafo único do art. 287 do RPS, é de R$ 41.247,82 (quarenta e um mil duzentos e quarenta e sete reais e oitenta e dois centavos); e c) inciso II do parágrafo único do art. 287 do RPS, é de R$ 206.239,04 (duzentos e seis mil duzentos e trinta e nove reais e quatro centavos); Entendo, portanto, procedente o lançamento. CONCLUSÃO: Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 97DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 14751.000692/2008-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO RECONHECIMENTO.
Sendo garantidos os meios de defesa ao contribuinte, não há motivo para que seja decretada a nulidade da autuação sob o argumento de ter tido essa garantia violada.
AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SUBSTITUIÇÃO. DEFINIÇÃO LEGAL. EXCEÇÃO. SERVIÇOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS.
Nos casos em que a atividade da empresa seja a produção rural, o que foi verificado no caso em tela, a contribuição devida por essa agroindústria estará definida pelo art.22-A da Lei n 8.212/91, a qual substituirá a contribuição prevista nos incisos I e II do art.22 da mesma legislação (rubricas: patronal e SAT).
Todavia, há uma ressalva na Lei n 8.212/91 que não permite a ocorrência dessa substituição, qual seja, a prestação de serviços pelos empregados da agroindústria a terceiros, hipótese em que as contribuições sociais previdenciárias serão pagas nos moldes estabelecidos pelo art.22 do comando legal citado, tendo em vista que essa prestação obriga o pagamento do tributo sobre a folha de salário do prestador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nas preliminares por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial para determinar o recalculo do valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO RECONHECIMENTO. Sendo garantidos os meios de defesa ao contribuinte, não há motivo para que seja decretada a nulidade da autuação sob o argumento de ter tido essa garantia violada. AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SUBSTITUIÇÃO. DEFINIÇÃO LEGAL. EXCEÇÃO. SERVIÇOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. Nos casos em que a atividade da empresa seja a produção rural, o que foi verificado no caso em tela, a contribuição devida por essa agroindústria estará definida pelo art.22A da Lei n 8.212/91, a qual substituirá a contribuição prevista nos incisos I e II do art.22 da mesma legislação (rubricas: patronal e SAT). Todavia, há uma ressalva na Lei n 8.212/91 que não permite a ocorrência dessa substituição, qual seja, a prestação de serviços pelos empregados da agroindústria a terceiros, hipótese em que as contribuições sociais previdenciárias serão pagas nos moldes estabelecidos pelo art.22 do comando legal citado, tendo em vista que essa prestação obriga o pagamento do tributo sobre a folha de salário do prestador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nas preliminares por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial para determinar o recalculo do valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato (substituído pelo conselheiro Igor Araujo Souza) e Marcelo Magalhães Peixoto (substituído pelo conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.000692/200873 Acórdão n.º 2403000.910 S2C4T3 Fl. 221 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife/PE que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração n° 37.167.3186, decorrente da não comprovação do recolhimento de contribuições destinadas à seguridade social, no valor inicial de R$ 516.342,29 (quinhentos e dezesseis mil, trezentos e quarenta e dois reais e vinte e nove centavos). Segundo o relatório fiscal, a fiscalização procedeu à lavratura desse Auto de Infração ao verificar que não houve o recolhimento das contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social correspondentes às contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a empregados na forma do art.22, I e II, da Lei n 8.212/91; às contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais; na forma do art.22, III, da Lei n 8.212/91 e às contribuições incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural própria prevista no art.22A, incisos I e II da Lei n 8.212/91 durante as competências 01/2004 a 12/2004 (Rubricas: Patronal, SAT/RAT, Rural, Contribuintes individuais e Autônomos). Além disso, constatouse que a recorrente exerce, dentre outras atividades, a fabricação, o reprocessamento e a comercialização de álcool de todos os tipos, bem como de subprodutos da cadeia alcoquímica e a exploração industrial, agrícola, comercial e agropecuária, tendo sido considerada uma agroindústria. A auditoria, por sua vez, identificou os fatos geradores das contribuições sociais através de lançamentos, caracterizados de acordo com a tabela abaixo: Levantamento Fato Gerador Período Rúbrica Produção Rural Própria Comercialização/ Venda da produção rural própria 01/2004 a 12/2004 SAT/RAT e RURAL Remunerações Aferidas Remunerações de empregados na prestação de serviços a terceiros. 05/2004 e 06/2004 Empresa e SAT/RAT Remunerações Cont.Indiv. Remunerações pagas a contribuintes individuais (autônomos) 01/2004 a 05/2004; 07/2004 a 12/2004. Cont.individuais Remunerações Transp. Autônomos Remunerações pagas a contribuintes individuais (transp. autônomos) 02/2004, 04/2004, 09/2004 a 12/2004 Cont.individuais/autônomos Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Desta autuação, a recorrente foi notificada em 01/08/2008 e apresentou impugnação às fls. 110 a 116, instruída de documentos às fls. 117/169, alegando em síntese: Ser uma empresa agroindustrial complexa que emprega centenas de trabalhadores de forma direta, além dos empregados das empresas que orbitam de forma indireta o seu negócio, o que gera uma enorme gama de transações comerciais com reflexos nas mais diversas áreas do direito tributário, permitindo enquadrála num patamar de contribuinte de médio a grande porte, a merecer tratamento diferenciado relativamente ao prazo concedido para elaboração das defesas administrativas, não sendo assim, sob pena de cerceamento de defesa; Inocorrência do fato gerador relacionado com o levantamento de código “RA1”, impossibilidade de elaboração de folha de pagamento para prestação de serviço se não há alocação de empregados de forma exclusiva. A empresa não tem em seu objeto a prestação de serviço, mas produção de álcool e açúcar, pois se trata de indústria da cana, que recolhe suas contribuições ao INSS incidentes sobre o faturamento. A obrigação de providenciar folhas de pagamento específicas para cada tomador de serviço é destinada apenas aos contribuintes que atuam no segmento da prestação de serviço por meio de cessão de mão de obra ou empreitada de construção civil, bem assim outros serviços taxativamente discriminados em regulamento, não se incluindo o serviço indicado no relatório elaborado pela fiscalização; Que as cópias das guias de recolhimento anexadas comprovam que a liquidação se deu no prazo previsto e obedeceu a forma legal, o que não foi apreciado na auditoria; A imprescindibilidade da realização da perícia, a fim de esclarecer as questões já levantadas no bojo da impugnação, com o intuito de atender à exigência legal de formulação antecipada dos quesitos, afim de evitar preclusão deste direito. Por fim, requereu um novo prazo para a apresentação de elementos adicionais, bem como postulou que fosse designada perícia afim de dirimir as questões levantadas e que ao final fosse julgado totalmente IMPROCEDENTE o lançamento, extinguindose o crédito dele decorrente. Às fls.172, há despacho da 7 turma da DRJ de Recife determinando o esclarecimento de possível apropriação das guias de recolhimento juntadas à impugnação. Em resposta a esse despacho, a Seção de Fiscalização informou que as GPS’s pagas sob o código 2607 não foram consideradas em razão dos fatos geradores não terem sido declarados em GFIP e que, mesmo após intimação para apresentar novas GFIP’s, quedouse inerte. Às fls. 177 a 179 consta Termo de Encerramento de Diligência Fiscal informando o resultado da solicitação do Despacho 269/2009 acompanhado da intimação ao contribuinte. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7° Turma da Delegacia da Receita Federal Julgamento no Recife proferiu acórdão (n 1127.680) nos seguintes termos: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.000692/200873 Acórdão n.º 2403000.910 S2C4T3 Fl. 222 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVLDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECOLHIMENTOS, APROPRIAÇÃO. CABIMENTO. Enseja retificação no lançamento a apropriação de recolhimentos comprovados pelo contribuinte e não apreciados anteriormente. AGROINDUSTRIA. SUBSTITUIÇÃO. SERVIÇOES A TERCEIROS. As receitas derivadas de prestação de Serviços a Terceiros não integram a base de cálculo da substituição e sujeitamse ao regime geral de apuração das contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PERICIA.DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidas as perícias prescindíveis ao deslinde da questão. No processo em tela, não restou comprovada a necessidade de conhecimento técnico específico para responder aos questionamentos da defesa. DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrados a ocorrência de força maior, fato novo ou superveniente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada com a decisão supra, a recorrente apresentou recurso voluntário às fls.198 a 206, alegando em síntese: Cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de prorrogação de prazo para complementação da defesa e juntada posterior de documentos relevantes ao deslinde da questão; Não ter sido considerado o recolhimento efetuado, ainda que tenha ocorrido uma redução substancial do saldo lançado; Inocorrência do fato gerador relacionado com o levantamento “RA1” Remunerações de empregados na prestação de serviços a terceiros; Por fim, requereu que fosse o recurso provido para que o crédito tributário, lançado através do Auto de Infração n 37.167.3186 fosse declarado extinto. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.000692/200873 Acórdão n.º 2403000.910 S2C4T3 Fl. 223 7 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA PRELIMINAR: I – DA AUSÊNCIA DE MOTIVOS PARA A DECRETAÇÃO DE NULIDADE SOB O ARGUMENTO DE CERCEAMENTO DE DEFESA: Inicialmente, a recorrente alega que seu direito de defesa foi cerceado, tendo em vista que no julgamento de 1 instância o requerimento de prorrogação de prazo para complementação de defesa, bem como a juntada posterior de documentos foram indeferidos. Entretanto, a postulação não pode ser acolhida pelos motivos abaixo expostos. Um dos motivos elencados pela recorrente que deveria ser objeto de análise pelo colegiado de 1 instância seria a situação do sujeito passivo como empresa de médio a grande porte, o que a elevaria a um patamar de tratamento diferenciado com relação a outras pessoas jurídicas. Vale destacar que o Decreto n 7.574/2011 (atual legislação que regulamenta o processo administrativo federal) não prevê hipótese de prazo para apresentação de defesa complementar, não diferenciando prazos para empresas de pequeno, médio ou grande porte, tampouco preleciona que sejam juntados documentos a qualquer tempo depois de apresentada a impugnação, salvo nos casos em que a exibição dessas provas fique impossibilitada naquele momento. Sobre essa apresentação de documentos em momento posterior à defesa, mediante uma impugnação complementar, entendo que seja possível nos casos de demonstrada a impossibilidade de exibir tais provas no primeiro momento. A recorrente alega tão somente que a documentação é volumosa e, por isso, é desproporcional à obrigação de apresentar tais documentos em 30 (trinta) dias a contar da ciência da lavratura do Auto de Infração. Cabe aqui esclarecer que a empresa foi intimada a apresentar um rol de documentos através do TIAF (fls.22 e 23) e dos TIAD’s (fls.24 a 31), datados de 07/03/2008 e 02/06/2008 e 03/07/2008, respectivamente. Ou seja, a recorrente teve mais de 4 (quatro) meses para conseguir apurar os documentos que entendia serem relevantes para o deslinde da questão, considerando que só foi intimada da autuação em 01/08/2008 e ainda levando em conta que a prova cabal para sua defesa estava em um dos documentos já exigidos em ação fiscal, em outras palavras, não havia prova documental nova. Desse modo, entendo que o cerceamento de defesa não pode ser conhecido, sendo impossibilitada a decretação de nulidade nesse sentido. DO MÉRITO: I – DO RECOLHIMENTO POSSIVELMENTE NÃO CONSIDERADO: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A recorrente alega que as GPS’s juntadas comprovam a liquidação do crédito tributário, não havendo mais o que se falar em saldo remanescente. Além disso, destacou que em algumas competências o valor lançado foi inferior ao efetivamente recolhido, devendo essa diferença ser convertida em favor do contribuinte através processo de restituição ou compensação com eventual débito. Compulsando atentamente os autos, mediante análise do Discriminativo Analítico de Débito, GPS’s e Planilha de Retificação, verifiquei que a apropriação dos valores foi realizada nos moldes corretos, tendo sido considerados todos os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo através de exclusão de quantias das lançadas inicialmente, motivo pelo qual a alegação de que tais pagamentos não foram considerados não deve prevalecer. II – DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO CÓDIGO “RA1”: Sobre essa rubrica, alega a recorrente que não tem como objeto a prestação de serviços, mas tão somente produz álcool e açúcar, recolhendo a contribuição social incidente sobre o faturamento desta produção. Aduziu informando que não está obrigada a providenciar folhas de pagamento específicas para cada tomador de serviço, pois não presta serviço mediante cessão de mão de obra. Referido código (RA1) referese às contribuições previdenciárias referentes à parte patronal e o SAT/RAT cujo fato gerador foi a remuneração dos segurados empregados prestadores de serviços a terceiros. Vale salientar que nos casos em que a atividade da empresa seja a produção rural, o que foi verificado no caso em tela, a contribuição devida por essa agroindústria estará definida pelo art.22A da Lei n 8.212/91, a qual substituirá a contribuição prevista nos incisos I e II do art.22 da mesma legislação (rubricas: patronal e SAT). Na presente autuação, a auditoria lançou sobre a produção rural valores em conformidade com o preceito legal sob o levantamento PP1, o qual já teve seu recolhimento parcial e devidamente considerado. Todavia, há uma ressalva na Lei n 8.212/91 que não permite a ocorrência dessa substituição, qual seja, a prestação de serviços pelos empregados da agroindústria a terceiros, hipótese em que as contribuições sociais previdenciárias serão pagas nos moldes estabelecidos pelo art.22 do comando legal citado, tendo em vista que essa prestação obriga o pagamento do tributo sobre a folha de salário do prestador. Desse modo, não merece prosperar o argumento da recorrente em afirmar que não está obrigada a elaborar folha de pagamento para esses empregados, tendo em vista que a determinação legal é clara quanto à essa exigência: Art.22A – (...) (...) 2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Sendo assim, verifico que o fato gerador do levantamento RA1 efetivamente ocorreu com a prestação de serviços a terceiros, estando correto o valor lançado pela fiscalização por aferição indireta nas competências 05 e 06 do ano de 2004, tendo em vista que não foram apresentados os nomes nem as remunerações dos empregados que prestaram serviços a terceiros. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.000692/200873 Acórdão n.º 2403000.910 S2C4T3 Fl. 224 9 III – DA MULTA MORATÓRIA E DOS JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando a apreciação de todos os pontos trazidos à baila e verificada a manutenção da cobrança nos moldes da decisão de 1 instância, que excluiu parcela considerável do crédito lançado, há que se destacar que esse saldo devedor será acrescido de multa moratória e de juros na forma do art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 4 – CARF: A partir de 1º de abril de 1995,os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é correta com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. IV – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observarem alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.000692/200873 Acórdão n.º 2403000.910 S2C4T3 Fl. 225 11 No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei nº 11.941/2009. Desse modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei nº 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, na preliminar, NEGARLHE PROVIMENTO. No mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, mantendo a decisão de 1 instância, com o recálculo da multa de mora previsto no artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10730.001106/84-94
Data da sessão: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 1986
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: - ISENÇÃO - IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS.
- Exigência para recolhimento de impostos acrescidos de multas, formulada pela fiscalização ante a alegação de que houve a tentativa de transferência de veículo de Diplomata.
- O importador produziu prova pericial, com a participação da fiscalização, de que o veículo encontrava-se, por ocasião do julgamento na câmara recorrida, sob sua posse e uso.
- Quando do julgamento do recurso especial juntou-se prova comprobatória da continuidade do uso do veículo pelo sujeito
passivo.
- Em matéria Tributária, em certos casos, a Lei inverte o ônus da prova, deixando o Fisco de beneficiar-se do princípio da presunção de verdade de suas afirmações para ficar no dever de prová-las.
- Negado provimento ao recurso especial Por maioria de votos, vencido Cons. Hélio Loyolla de Alencastro.
Numero da decisão: CSRF/03-01.344
Decisão: Acordam os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido, em parte, o Cons. Hélio Loyolla de Alencastro (Relator) que excluía a penalidade prevista no art. 169, I, "b", do DL. 37/66. Designado Relator o Cons. -Wilfrido Augusto Marques.
Nome do relator: HELIO LOYOLLA DE ALENCASTRO
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RP/301-0.104 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: ERNESTO ISIDRO V/TOLA . • . . - ISENÇÃO - ImposTo DE IMPORTAÇÃO E IM-• POSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. • - Exigência para recolhimento de impostos acrescidos de multas, formulada pela • fiscalização ante a alegação de quehou ve a tentativa de transferência de ver • culo de Diplomata. • • - O importador produziu prova pericial, com a participação da fiscalização, de que o'velculo encontrava-se, por oca- sião do julgamento na câmara recorri- • da, sob sua posse e uso. • • - Quando do julgamento do recurso espe- cial juntou-se prova comprobatória da continuidade do uso do veículo pelo su- jeito passivo. • - Em matéria Tributária, em certos casos, a Lei inverte o anus da prova, deixan- do o Fisco de beneficiar-se do princI-. pio da presunção de verdade de suas a- . firmaçêes para ficar no dever de pro- vá-las. • - Negado provimento ao recurso especial Por maioria de votos, vencido Cons. Hé- • lio Loyolla de Alencastro. Vistos, relatados e discutidos os presente autos de re curso interposto pela FAZENDA NACIONAL: Acordam os Membros da Câmara Superior de Recursos Eis- . • • • .1.10 , SERVO POBLICO rEDERAL. PROCESSO N9 10730/001.106/84-94 ' r 13,1 N: Acórdão n9-CSR1'/03-01.344 satt` N.: •1,* cais, por maioria de votos, negar provimento aorecurso espedial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido, em parte, o Cons. Hélio Loyolla de Alencastro • (Relator) que excluia a penalidade prevista no art. 169, I, "b", do DL. 37/66. Designado Relator o Cons. -Wilfrido AugustoMarqués. • Sala das -s Oes(DF), em 30 de junho de 1986. SEBASTI . 0 keegn UES CABRAL -VICE-PPESIDENTE NO EXER- A5O1 r CICIO DA PRESIDÊNCIA W/.% wedAUGUS -REIATOR DESIGNWE0 t a I LUIZ FERIANDO Lio, PANJE KMAES-PROCUIWCOR DA FAZENDA NA CICNAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conse- lheiros: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE (Suplente Convocado), JOSE FAÇANHA MAMEDE, EDWALDO REIS DA SILVA, PAULO CÉSAR DE AVILA • E SILVA e URGEL PEREIRA LOPES. • • • • • . • • • . • • •. • PROCESSO No 10730-001.106/84-94 , SERMO PÚBLICO FEDERAL j (I a RECURSO No RP/301,0.104 ..4.1‘ %At): RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL çk RECORRIDA : PRIMEIRA CAMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: ERNESTO ISIDRO VITOLA RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por seu Procurador junto à eg. lg CSmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, recorre,tempestiva- . mente, a este Colegiado, com fulcro no art. 32, inc. I, do Decre- to n g 63.304/79, e permissivo regimental, objetivando a reforma do Acerta) n g 301-25.169, assim ementado: "Isenção. AutomOvel de diplomata. Transferencia a terceiros, não comprovada, visto que, docu- mentalmente, o veiculo continua na posse e pra priedade do importador' . Recurso provido." O recurso especial da Fazenda está arrazoado, nos se- guintes termos ("verbis"): "Trata-se de infração ao disposto no art. 111do Decreto-Lei n g 37/66. O Mercedes Benz, placa AW:3402, importado com os beneficies do Decreto-Lei acima citado, foi apreen, dido pela Policia Federal em mãos de Geraldo Magela • de Oliveira em Niterei, no entanto, o veiculo foi ia:- • , portado pelo Sr. Ernesto Isidro Vitola, funcionaria •é da Embaixada Argentina. - Ora, e condicional à isenção que o veiculo so- , mente sere dirigido no Brasil pelo proprietario, pes- soa de sua família ou motorista profissional a servi- ço, devidamente autorizado. O senhor Geraldo Magelade • Oliveira não nada disso. • Para fugir a infração cometida, com b evidente perda da isenção fiscal, o requerente com a cumplici- dade de Geraldo Magela de Oliveira tras aos autos bis terias rocambolescas, ingénuas e do tipo lacrimiso.Ve jaulas --Como todo culpado o senhor Geraldo Flagela acu sa a Policia Federal, por esta estar cumprindo o seu dever, de coativa e arbitreria. Por conta de uma ponte de serena, feita om 1961, o Sr. Vitola pretendo um parágrafo junto ao DL. • fitr :g( ..132,:ti," V- PROCESSO N g 10730-001.106/04-94 i:\ 4ri SERVIÇO FUMO FEDERAL 37/66, a não ser esta hipetese não vejo nenhuma-re- lação ao alegado 'as fls. 111 com o presente proces- so. Prosseguindo a fase hospitalar, 'às fls. 1.12, re coita medica aconselhando a não dirigir autos, data da do Rio de Janeiro, 24 de abril de 84, medico Dr. Isnard Borges Machado — Rúa 23 n g 22 - Centro (en- dereço de"Goiania), note-se que o Vitola "sentiu-se mal" em Cabo Frio, o carro apareceu em Niteroi e a receita e de Goiania e, creio, informaram mal o Sr. • Vitola: abril não e mas para ferias em Cabo Frio. Neste mesmo fatídico 24 de abril o carro e apreendi do pela Policia Federal mas, o Sr. Vitola justifica, o carro, solidario, neste 24 de abril, também preci sou de medico, daí o telefonema ao cumplice, perdão, . quero dizer Sr. Magela, para leva-lo a uma oficina. As fls. 113 um atestado medico advertindo: olha vo- , ce e um safenado não faz força dirigindo veículos, so as vezes. Datado de 27 de abril, este de Brasi-. lia. No Brasil tememos os idos de agosto, na Argen- tina nao sei, mas, Sr. Vitola, adote para ter cuida • do os idos de abril. . Finalmente; em nenhum momento se constata no processo a presença do Sr. Vitola no dia 24 de . abril de 1924, em dias anteriores ou posteriores a esta data, em Cabo Frio, Niteroi ou Rio de Janeiro, - a no ser a evidente falsidade da receita de fls. 112. Caracterizado esta o uso e, em decorrencia, posse por terceiros do veiculo Mercedes Benz, placa AW:3402, internado no pais através os permissivos - do Decreto-lei n g 37/66, em nome do diplomata Ernes - to Isidro Vitela, houve, assim, infraçao ao art. 11 do citado Decreto-Lei. Pelo provimento." Com guarda do prazo legal, o sujeito passivo ofere- ceu suas contra-alegaçaes, consubstanciadas nas razSes de 130/132, em que diz: "A presunçao edificada pelo fisco e de que o re.correntà teria vendido ao Sr. Geraldo Flagela de Oliveira, --e-Mercedes-Benzi -placa - AW: 34112-7- • Decreto-Lei 37/66, artigo 11. Á- 1C. • • 14)0.7e, f Vsj SERVIÇO PUBLICO FEDERAL • Ora, tambem no direito tributaria, a pretWitn- çao "juris tantum", a mais adotada no Brasil l impoe a prova em contrario sob pena de se adotar como verda- deiro o fato a determinada pessoa. • Na hipotese sub judice, o interessado compro- . vou atraves de documentação hábil e indanea que nao vendou o precitado veiculo em tempo algum. Carreou para os, autos certidão do Detran posterior a la- vratura do Auto de Infração, comprovando que o veia:: lo efetivamente lhe-pertence. Nao bastasse isso, a fiscalizaçao da Receita Federal em Brasília, fazendo prevalecer o seu costu- meiro zelo, atendendo requerimento do interessado, constatou pessoalmente que o automevel se encontra em poder do contribuinte na Embaixada da Argentina. • A conclusão á por demais simples. Se não res- .. tou duvida quando a idoneidade dos documentos trazi- dos à colação; se verdadeira e a afirmativa do fisco em relaçao a posse do automovel,como pode subsistir a imputação de uma infração fiscal se não existiu o • fato gerador dessa obrigação? Seria racional a exis- tôncia do EFEITO se • CAU5A? Essa a questão. • Mais a mais, ja existe nos autos decisao judi. cial que afasta a prentenção do fisco em relação a e comercializaçao do veiculo. Também no resta duvida • quando a condição de safenado do contribuinte, dos socorros medicas recebidos e antes de mais nada de • sua permanencia em Cabo Frio no mes de abril. Ou o fato de entender o Sr. Procurador que abril não e temporada de veraneio, impede, que uma pessoa, por determinação medica, permaneça alguns dias na praia naquele periodo? Tudo isso, conduz a seguinte conclusão: Dian- - te de ausáncia de elementos de convencimento (provas incontestes) que justifiquem a pretensão da Fazenda • Nacional, alternativa outra não tinha o Sr. Procura- dor senso sofismar. E foi o que fez em seu recurso. • Por todo o exposto, requer o contribuinte se-.• ja mantida a decisão da Câmara Recorrida, negando . pfovimento-ao-tecaru,-da-Fatunta-ftw.iunal-í-plo-r---,n-r de direito e da mais elevada JUSTIÇA." • Éo relaterio. • k/Ç•. • • • mr, nT/ i t SERVIÇO POOLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730/001.106/84-94 Acórdão n4-CSRF/03-01.344 41."•• VOTO VENCEDOR DO CONSELHEIRO WILFRIDO AUGUSTO MARQUES Trata-se de decidir exigência formulada para recolhimento do imposto de importação e do imposto sobre produ- tos industrializados, acrescidos de multas, pela infração apon- tada no auto de fls. 51, a seguir transcrito: "Pela transferência a terceiro do uso do automó- vel marca MERCEDEZ-BENZ, ano 1983, modelo 280 4 SE, de cor branca, chassi n9 WCB - 126022-12- • 074692, motor n9 110989-12-027579, importadocan isenção de tributos, ao amparo do art. 15, inci so IV do Decreto-Lei n9 37/66, fica o autuado obrigado ao recolhimento dos tributos gravames cambiais, por infração do art. 11 do mesmo di- ploma legal, além do pagamento das multas comi- nadas no art. 106, item II, letra "a" do mesmo Decreto-Lei, art. 393, inciso II do Regulamento aprovado pelo Decreto 83.263/79 e art. 29, le- tra "b" da Lei n9 6.562/78, conforme discrimina do no verso." • Como se Vê, a exigência prende-se atransferencia • do veículo importado e liberado com isenção dos impostos em de- corrência da condição do importador que é funcionário adminis- trativo da Embaixada da Argentina, em Brasília-DF. • Apesar do grande esforço demonstrado pela fisca- lização em provar a transferência do veiculo, restou . a frustra . ção ante o fato incontestável de que o veículo enantra-sena pos se e uso do Sr. Ernesto Isidro Vitola, conforme comprovam doou mentos acostados aos autos, destacando-se o Termo de Verificação lavrado pelo FTF - Ademar Moreira da Delegacia da Receitaem nra sília-DF, vazado nos seguintes termos: • • "No exercício das funções de Fiscal de tributos Federais, a pedido do interessado verificamos que o automóvel marca Mercedez Benz, Série 280- • • • • , • L.t SERVO MILICO FEDERAL PROCESSO N9 10730/001.106/84-94 f( Acórdão n9-CSRF/03-01.344 ft. Ç1/4 SE, cor branca, placa de n9 AW - 3402-1W, CHASSIS WDB-126022-1207692, motor n9 110989-12-027579, fa bricado pela DAIMLER BENZ, Alemanha, equipadoco-m teto solar,* rádio becker México e ar condiciona do, se encontrava na garagem da Embaixada da Ar- gentina nesta Capital, sob a propriedade, posse, • uso e guarda de Ernesto Isidro Vitola, funciona- • • rio da referida Embaixada. Para contar e surtir • seus efeitos legais, lavraram o presente Termode • Verificação que vai devidamente assinado". Gri- fos nossos, documento de fls. 89. • Robustecendo esta prova, o Sujeito passivo, jun- ta fotocópia do Certificado de Registro e Licenciamento de veí- culo e expediente da Embaixada da República Argentina solicitan- ) do ao Ministério das Relaçaes Exteriores a concessão da isenção de taxas para o emplacamento do veículo, para o exercício de 1986. Assim, enquanto o importador produz farta prova documental, a fiscalização pautou seu procedimento na presunção de que o veículo teria sido transferido. Sobre as presunçOes e provas no processo adndnis • • trativo GERALDO ATALIBA, in Estudos e Pareceres de Direito Tri- butário-Editora Revista dos Tribunais-São Paulo - 1978, vol- 2, páginas 338/339, assim orienta, verbis: "Em matéria tributária, a administração fica na cómoda posição de não precisar provar as pró- prias afirmaçaes. Pelo estabelecimento'depresun ções, entretanto, em certos casos, a lei inver- te o ónus da prova, em princípio cabente ao con tribuinte. • Não o inverte totalmente, porém. O Contri- buinte jamais fica em posição cômoda. A inver- são no caso, consiste, precisamente, em . adotar • o princípio geral (em regra não adotado pelo Di reito Tributário) pelo qual ónus probandi inctiR bit ei qui dicit non ei qui negat. Nestes casos, deixa_o fisco de se beneficiar do princípio da presunção de verdade de suas a- • firmaçaes para ficar no dever de prová-las., • • • • • 05 4, IN Ft.°‘Ye. SERV/DO FOC/LIGO FEDERAL PROCESSO N9 10730/001.106/84-94 "t 4115k6'd Acórdão n9-CSRF/03-01.344 plcs.i4e Ocorre, como regra, em matéria de repressão à infraçàes fiscais. Isto porque a administração deve atendercon comitantemente a dois valores consagrados pela ordem jurídica: a arrecadação e o respeito ao pa trimainio e à liberdade individual." Ante estas consideraçOes voto no sentido de ne- gar provimento ao recurso especial. • Brasilia-DF, em 30 de junho de 1986. cor WIL 'IDO ,; GUST MAIW- RELATOR DESIGNADO • • SERVIÇO rOnico FEDERAL VOTO VENCIDO '41‘2) \'‘.< • - Conforme se verifica, o presente processo trata da apreensao do automovel,Mercedes Benz, cor branca, placa AW 3402- DF,. chassis n g WDB 126022-12-074692, ano 1983, feita por agentes da Policia Federal, no Rio de Janeiro, 'a Av. Amaral Poixoto,onde se encontrava na posse e uso do Sr. GERALDO MAGELA DE OLIVEIRA, nao obstante o veiculo ter sido importado em nome de ERNESTO IS! ORO VITOLA, funcionário administrativo da Embaixada da Argentina, e liberado com restriç ges de somohte ser dirigido pelo proprie- teria, pessoa de sua família ou motorista profissional a seu ser viço, ou seja, com carteira prOfissional assinada, alem de devi- damente autorizado. Remetido o Auto de Apredentação e Apreensão, a DRF/ Niterei, feitas as apurações preliminares, formalizou o procedi- mento fiscal, para efeito de exigencia do c. t. constituído do II e IPI, dispensados na importação, correçáo monetária e juros moraterios, multa do art. 106, II, "a", do Dl. n g 37/66, por in- fringencia do art. 11, do mesmo diploma legal (transferencia ir- regular a terceiros), bem assim das penas cominadas no art. 393, II, do Decreto n g 83.263/79, e 169, 1, "b", também do Dl. ng.... 37/66, com a nova redação da Lei n g 6562/78. Dito isto,- A transferáncia irre'gular do veiculo está devidamen te configurada, pelo fato de (1) o autom jvel. ter sido encontrado no uso e posso do Sr. Magela, ho Rio de Janeiro -quando o impor • tador e o proprietario formal,- Sr. E-rnesto Isidro Vitola, reside em Brasília-DF, onde trabalha na Embaixada da Argentina --, bém assim, (2) ante as declarações do primeiro (Sr. Flagela), presta- das na Divisão de Policia Fazendária do DPF/Niter g i-RJ., confor- , me copia do termo de fls. 14, na qual confessa que adquiriu o au • , • r tomovel referido e oferece detalhos do negocio jurídico de com- • pra e venda operado entre ele e o Sr. Vania, "in verbis". "QUE, o depoente e proprietário do veiculo a- preendido, nesta data, e tem,a esclarecer que a aqui sin.() do automevel ora questionado deu-se por com- pra regular em empresa estabelecida na Praça do Rio de Janeiro/RJ - CORVET -; QUE, o declarante reali- zou a compra do veiculo que e de procedôncia estran --7-94iray-apos-iJatificar_que_n_masmo havia.sido_legit i _ memento internado em nosso Pais, isto e que o auto) la • • f te ' SERVIÇO POSEMO FEDERAL Pfr3 \ JY era procedente de embai xada,digo, embaixada r"e'bue o SOU anterior proprietario era funcionaria do corpodi plomatico da Embaixada da Argentina; QUE, o depoente recebeu da empresa responsável pela venda os documen tos de importaçao que comprovava e comprovam o acima alegado; QUE, o declarante, objetivamente não come -m teu qualquer inflação, digo, infração, quer ' fiscal, quer penal, credenciou despachante especializado pa- ra que os atos atinentes 'a transferância da proprie- . dade do veiculo fossem processados consoante na lei, tendo, inclusive, deixado em mãos do despachante a • importância de Cr$ 38.000.000,00 (trinta e oito mi- lhoes de cruzeiros), digo, que melhor esclarecendo determinou ao despachante que providenciasse em Eira- silia/DF, junto ao Itemarati, a obtenção das autori- zaçães necessárias a transferancia bem como a elabo- raçao do celculo das obrigaçoes tributárias inciden- tes sobre o veiculo, em face da compra por ele con- cretizada;QUE, o depoente dessa forma, protesta pe- la oportuna apresentaçao dos documentos habeis.e le- gitimidade da posse e da propriedade do tem que, de • fato e dc direito, lhe pertence, sustentando veemen- temente ter agido de boa fe na aquisição do mercedez • benz apreendido pela Policia Federal". • Por outro lado, as a/egaçães do sujeito passiva -quer • na fase impugnateria, quer no recursb volunterio e nas contra-a- legaçaes --não se respaldam em documentaçao icranea para levar ao provimento do apelo voluntário, "data venia" daqueles que acompa nharam o voto vencedor. • Sena°, vejamos: - O Sr. Vitola, confirmando as declaraçães do Sr. Ma • gela, diz que, de ferias em Cabo Frio, veio a Niteroi ir,como nao estava passando bem de saúde, estacionou o carro na Av. .Amaral • Peixoto, em frente ao Banco Uai". - Em seguida, telefonou para o Sr. Magela, pessoa de sua amizade, solicitando-lhe que conduzisse o carro ate uma ofi- cina de reparos, uma vez que estava impossibilitado de conduzir o trecitado veiculo. - Quando o Sr. Magela se propunha a executar a tare-. fa, ou seja, levar o automovel para a oficina, foi interceptado por agentes da Policia Federal. 1 g"• se -9- ) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL ir/ ,1 `4e - Para justificar seu alegado estado dsçsd deo ` no azado dia da apreensão (24/4/04), junta uma receita ' afb'à, dada em papel timbrado do INPS - Secretaria de Assistencia Médica e . assinada pelo Dr. Isnard Borges Machado, com a prescrição'do se- guinte teor: "Lorax 1 2 mg. - 2cx. tomar 2 compridos ao deitar e 1 comp. 2x ao dia. Aconselho não dirigir autos durante o uso desta medicação Rio de Janeiro 24 de abril 84". • - Anexa ainda, atestado de medico do Instituto de Doenças Cardiovasculares de Brasília- Dr. Tobias datado de 27/IV/84, no qual se afirma ter o Sr. Vitola submetido-se a uma cirurgia (ponte safena),sendo-lhe coétra-indicado fazer esforços • intensos e conduzir veículos (grifei) por longos períodos. - Segundo documento fornecido pelo Dr. Mendaz, em paPel timbrado do Departamento de Diagnostico Y Tratamiento de Enfermidades Toracicas Y Cardiovasculares do Sanaterio Guemes, de Cordoba, o Sr. Vitola foi operado em19/01/81. • Em concluso, toda a inverossimilhança da estaria' • contada pelos Sr. Vitola/Magela, já foi devidamente analisada no voto vencido do relator do proceseo ria 2 ã instância recureal,Con- e selheiro Hamilton de Sa Dantas, cujos suplementos invoco e leio •em sessao. Na realidade, as alegaçães do sujeito passivo no tem a menor eficácia para ilidir o fato da posse e uso do autoria:). vel por terceiros, não incluído este nas exceçUes previstas para dirigir o veiculo, e, muito menos, invalidar a confissão do Sr. Magela, feita perante a autoridade policial no dia da apreensao - 24/4/84 declaraçãos essas somente contestadas muito tempo depois, conforme esclarecimentos prestados em 06/08/85 (718.106/ • 107), sob argBiçao de que fora um ato praticado sob coaçao, cujo teor leio em sessão. Esta, sem devida, e tambám outra alegaçao destituída de qualquer procedencia e, a rigor, reforça o elenco de provas da fraude operada. Tambiém a documentação do DETRAN ecos tada aos autos, em que figura o nome do Sr. Ernesto Isidro Vito- la, no faz prova da ref. titularidade do direito sobre o , bem, uma vez que, no comercia de carros estrangeiros importados por diplomatas ou integrantes de embaixadas e organismos internacio- -------natsr-a-transferencia-fermal-somente-se opeaa-apoa- -Lcao-curco- do período de carencia - 3 anos --, quando a depreciação do valo • • 1 p — / s5V J,5 ' n .le SERVIÇO POOLSCO FEDERAL e integral e a transmissao e feita sem pagamento de tivitogs. 'taitsn Igualmente, o eventual desfazimento do negocio, não elide a aço fiscal, sabido que as infraç3es es leis tributárias são forMais, objetivas, e se configuram pela realização do pressuposto de fato da norma. A verdade) sendo fato rusno° e noteriope que—apils as medidas implementadas em 1975 e 1976, com o advento dos Dec're n g s 1427, 142B e 1455, entre elas a sistematica de guia de importação suspensa para o ingresso de veículos — estruturou-se e•um comercio paralelo, de compra e venda de carros importados, en volvendo pessoas da chamada classe "A", intermediários diploma- tas e funcionais estrangeiros já nominados, que frustra a politi ca governamental e, e evidencia, elide a tributaçao; na general! r .)dado das operaçoes, as partes situadas nos pelos da relaçao juri dica nem Se conhecem e os allenantes,sequerientram na posse dire ta do veiculo, pois são meros "presta-nome" ou li testa-de ferro",re cebendo, em compensação, uma prOpina de US$ 25,000.00, pela assi natura, em branco, dos formularias. • Assim, incumbe es autoridades fazerem a prova indi reta do negScio jurídico, levantando o vet., que encobre a fraude, com os elementos coletados, uma vez que, sendo uma atividade mar ginal, inexistem os documentos formais de uma esmera e venda re- . guiar, de papel passado, como se costuma dizer vulgarmente. "In casa", no entanto, alem da exuberante prova in dicieria, tem-se uma prova direta da melhor qualidade, que e a. confissão . feita pelo prOprio adquirente do automevel l riquissina em detalhes, inclusive, a respeito da operaçao realizada, e que não pode ser invalidada por mera contradita do próprio declaran- te, dando curso a uma estaria inverossímil e engendrada muito' • tempo depois. A multa por falta de CI., contudo, e inaplicavelao caso "sub judice", uma vez que a importação n ga estava sujeita a tal documento para sua efetividade; a fraude operou-se na trans- ferencia do bem, des que feita a terceiro que não gozava de igual tratamento tributário e dentro do perliSdo • de carência, sem o prg via recolhimento dos tributos dispensados no ingresso do veículo. Em face do exposto, dou provimento, em parte; ao recurso especial da Fazenda Nacional, para, reformando o ac. re- corrido, excluir da exigencia o "quantum" referente á multa do art. 162, I, "b", do 01. n g 37/66, por ter incarvel.na V V . . • Brasflia -DF , 30 de junho de 1986. / HÉLIO LO/OLLA DE ALENCASTRO - Relator C5C S'28119tili ffhlerg flS Em FIO AMADOR O EREL.0 F.NNOCi. • • • "
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