Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19679.018959/2003-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1991
PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado.
Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou-se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste.
No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 26 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 15 de outubro de 1990, por superar o prazo decenal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.132
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1991 PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou-se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 26 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 15 de outubro de 1990, por superar o prazo decenal. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 19679.018959/2003-16
anomes_publicacao_s : 201205
conteudo_id_s : 4976856
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun Sep 20 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.132
nome_arquivo_s : 920202132_19679018959200316_201205.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 19679018959200316_4976856.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4752167
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359773945856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2208; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 80 1 79 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19679.018959/200316 Recurso nº 153.668 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.132 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PETER BIELESCH ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1991 PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 26 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 15 de outubro de 1990, por superar o prazo decenal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.018959/200316 Acórdão n.º 920202.132 CSRFT2 Fl. 81 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator FORMALIZADO EM: 22/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório O processo trata de pedido de restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda sobre o montante recebido como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário – PDV, protocolado em 26 de dezembro de 2003 (fl. 1) e versando sobre a retenção indevida do tributo efetuada em 15 de outubro de 1990 (fls. 12 a 17). Tanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem (fls. 20 a 21), quanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 35 a 39) indeferiram o pedido, por considerarem que já havia terminado o prazo de cinco anos, contado a partir do pagamento, para a repetição do indébito tributário. De modo contrário, o Acórdão no 10248.272, da 2a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 1 de março de 2007 (fls. 57 a 62), por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, por entender que a contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de tributo se inicia na publicação do ato administrativo que reconhece ser indevida a exação, no caso a Instrução Normativa SRF n° 165/98. Transcrevese a ementa do julgado: DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — PDV — TERMO INICIAL — O instituto da decadência decorre da inércia do titular de um direito em exercêlo. Devese, portanto, tomar a data da publicação da norma que veiculou ser indevida a exação como o dies a quo para a contagem do prazo decadencial. Decadência afastada. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.018959/200316 Acórdão n.º 920202.132 CSRFT2 Fl. 82 3 Cientificada dessa decisão em 16 de julho de 2007 (fl. 63), a Fazenda Nacional manejou, no dia seguinte, recurso especial por contrariedade aos arts. 165 e 168 do Código Tributário Nacional – CTN, com fundamento no art. 7o, I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007 (fls. 65 a 73), onde defende que o direito de pleitear a restituição se extingue após o prazo de 5 anos do pagamento indevido, sendo esse o entendimento dos arts. 3o e 4o da Lei Complementar no 118/2005. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 74 a 75. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional (fl. 78v), o contribuinte não apresentou contrarrazões (fl. 79). É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.018959/200316 Acórdão n.º 920202.132 CSRFT2 Fl. 83 4 da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendose considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que se não acontecer de forma expressa, darseá tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.018959/200316 Acórdão n.º 920202.132 CSRFT2 Fl. 84 5 como indevida, entendimento que prevalecia na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que foi adotado no acórdão recorrido. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos, por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante na inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 09 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica apenas aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, com trânsito em julgado em 17 de novembro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei passa a ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.018959/200316 Acórdão n.º 920202.132 CSRFT2 Fl. 85 6 prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Entendo que, como o provimento judicial determina a manutenção da teoria dos 5+5 para as ação ajuizadas antes de 09 de junho de 2005, no âmbito do CARF, devemos utilizála para os pedidos administrativos protocolados antes dessa data. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.018959/200316 Acórdão n.º 920202.132 CSRFT2 Fl. 86 7 Penso que a adoção de uma interpretação extremamente literal, de que o entendimento não se aplicaria aos processos administrativos uma vez que o acórdão fala de ações judiciais, equivaleria a um descumprimento da essência da norma, que é o de garantir o direito à orientação consolidada no STJ para quem buscou exercer seu direito antes da vigência da nova lei. Assim, no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 26 de dezembro de 2003, ele poderia versar sobre pagamentos efetuados após 26 de dezembro de 1993. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV CORREÇÃO MONETÁRIA TERMO DE INÍCIO DA ATUALIZAÇÃO MOMENTO DA RETENÇÃO INDEVIDA Imposto retido na fonte sobre indenização recebida por adesão ao PDV não se caracteriza como antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, mas retenção e recolhimento indevidos, estando no campo da não incidência do imposto de renda. A declaração de ajuste anual não é meio hábil para restituir integralmente o imposto que incidiu na fonte sobre rendimentos isentos ou não tributáveis, pois somente corrige a restituição a partir do mês seguinte ao prazo de entrega da declaração, e não a partir do mês da efetiva retenção indevida Assim, a atualização monetária deve incidir a partir do mês do pagamento indevido e não do mês seguinte à data da entrega da declaração. Ainda, a taxa Selic deve incidir somente a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10616.823, 6a Câmara/1o CC, sessão de 07/03/2008, Relator Giovanni Christian Nunes Campos) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito para o contribuinte de apresentar regramatriz de repetição de indébito tributário (art. 165 do CTN), independente do ajuste formalizado pela entrega da declaração, de modo que os juros e correção monetária passam a correr já a partir da retenção indevida, sendo a SELIC aplicável a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10423.154, 4a Câmara/1o CC, sessão de 24/04/2008, Relator Gustavo Lian Haddad) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA CORREÇÃO MONETÁRIA Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho, em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito do contribuinte de ser Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.018959/200316 Acórdão n.º 920202.132 CSRFT2 Fl. 87 8 ressarcido do indébito tributário, devendo a correção monetária de seu crédito ser apurada já a partir da retenção indevida. (Acórdão n° 10248.131, 2a Câmara/1o CC, sessão de 24/01/2007, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) PDV. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre verbas de PDV, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção: com atualização monetária pela UFIR, até 31/12/1995, e pela SELIC, a partir de 01/01/1996. (Acórdão n° 920201.370, 2a Turma/CSRF, sessão de 11/04/2011, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 15 de outubro de 1990, há que se reconhecer que já estava extinto o direito. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para reconhecer a decadência do direito de se pleitear a repetição do indébito. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000165/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO. PROVA.
Deve persistir a presunção legal de omissão de receitas com base na falta de escrituração de pagamentos efetuados quando o conjunto probatório trazido pelo Fisco aos autos prova que a autuada foi a autora dos pagamentos em questão. As notas fiscais emitidas por fornecedor em nome da autuada, aliadas à identificação dos depósitos bancários na conta do fornecedor,
correspondentes aos pagamentos, alguns dos quais trazendo mesmo o nome da interessada, é suficiente para formar a convicção acerca da autoria dos pagamentos.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. INSS.
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se aos lançamentos reflexos, não havendo razão particular para tratamento diferenciado.
Numero da decisão: 1301-000.792
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO. PROVA. Deve persistir a presunção legal de omissão de receitas com base na falta de escrituração de pagamentos efetuados quando o conjunto probatório trazido pelo Fisco aos autos prova que a autuada foi a autora dos pagamentos em questão. As notas fiscais emitidas por fornecedor em nome da autuada, aliadas à identificação dos depósitos bancários na conta do fornecedor, correspondentes aos pagamentos, alguns dos quais trazendo mesmo o nome da interessada, é suficiente para formar a convicção acerca da autoria dos pagamentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. INSS. O decidido em relação ao IRPJ aplica-se aos lançamentos reflexos, não havendo razão particular para tratamento diferenciado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 16024.000165/2009-90
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 5077684
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.792
nome_arquivo_s : 130100792_16024000165200990_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 16024000165200990_5077684.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4749376
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359790723072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 470 1 469 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16024.000165/200990 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.792 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente WAGNER BENEDITO ANTUNES DE OLIVEIRA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO. PROVA. Deve persistir a presunção legal de omissão de receitas com base na falta de escrituração de pagamentos efetuados quando o conjunto probatório trazido pelo Fisco aos autos prova que a autuada foi a autora dos pagamentos em questão. As notas fiscais emitidas por fornecedor em nome da autuada, aliadas à identificação dos depósitos bancários na conta do fornecedor, correspondentes aos pagamentos, alguns dos quais trazendo mesmo o nome da interessada, é suficiente para formar a convicção acerca da autoria dos pagamentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. INSS. O decidido em relação ao IRPJ aplicase aos lançamentos reflexos, não havendo razão particular para tratamento diferenciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000165/200990 Acórdão n.º 130100.792 S1C3T1 Fl. 471 2 Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Diniz Raposo e Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório WAGNER BENEDITO ANTUNES DE OLIVEIRA ME, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1427.522, de 04/02/2010, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 20/08/2009 (ciência em 02/09/2009, fl. 300), para constituição de crédito tributário referente aos tributos integrantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, quais sejam, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (fl. 299), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) (fl. 305), Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) (fl. 311), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fl. 317), e Contribuição para Seguridade Social (INSS) (fl. 323), acrescidos de multa de ofício, além de juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 784.013,76, tudo relativo ao anocalendário 2005, conforme demonstrativo consolidado de fl. 01. As infrações apurada pelo Fisco foram duas, detalhadas no Relatório Fiscal nº 001 (fls. 288/290v): a) Omissão de receitas, apurada com base em pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração. Sobre essa infração foi aplicada multa qualificada de 150%. b) Insuficiência de recolhimento, em razão das alterações de faixa e percentual de tributação pelo Simples. Sobre essa infração foi aplicada a multa de 75%. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Consta no Relatório Fiscal que o autuante, ao iniciar a fiscalização, constatou que no endereço da contribuinte estava funcionando a empresa “Legione Barboti ME”, CNPJ 08.151.641/000159. Informa o autuante que foi lavrado o Termo de Regularização Fiscal nº 001 (fl.25), em nome do proprietário da contribuinte Sr. Wagner Benedito Antunes de Oliveira, no qual foram solicitados os livros Caixa ou Diário e Razão e as notas fiscais de compra. Não consta que a contribuinte tenha atendido tal solicitação. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000165/200990 Acórdão n.º 130100.792 S1C3T1 Fl. 472 3 Relata o fiscal que intimou a fornecedora Sorocaba Refrescos S/A para relacionar e apresentar as notas fiscais das vendas efetuadas à contribuinte no ano calendário de 2005 e os comprovantes de entrega e documentos que registraram a contabilização e recebimento das referidas notas fiscais. Acrescenta que solicitou à citada fornecedora a informação do nome de todos os vendedores que efetuaram vendas à contribuinte, se tais vendas foram autorizadas pelo Sr. Wagner Benedito Antunes de Oliveira, CPF 270.735.06806, se as mercadorias faturadas foram entregues no endereço do estabelecimento da contribuinte e se os pagamentos foram efetuados pelo Sr. Wagner ou por conta e ordem deste. Informa, ainda, que a contribuinte foi intimada e não comprovou a origem dos recursos utilizados para pagamento das notas fiscais de compras relacionadas pela Sorocaba Refrescos S/A. Comparando os documentos apresentados pela empresa Sorocaba Refrescos S/A com a receita bruta declarada pela contribuinte, o autuante concluiu que os pagamentos das compras foram efetuados com recursos estranhos à escrituração. Tendo em vista as circunstâncias do cometimento da infração apurada, a fiscalização entendeu estar presente a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, formalizando a representação fiscal para fins penais. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls.331/340, subscrita pelo procurador José Renato Nogueira (fls.341/342), alegando: • Conforme o relatório fiscal foram constatadas compras incompatíveis com a receita bruta declarada no anocalendário de 2005. Foi constatado pela fiscalização que no seu endereço estava funcionando a empresa Legione Barbot ME, CNPJ 08.151.641/000150, tendo sido lavrado o Termo de Regularização (ciência à fl.26); • Consta no processo as notas fiscais apresentadas pela Sorocaba Refrescos S/A (fls. 41 a 227), sua fornecedora. Podese observar que não existe qualquer documento que demonstre ou comprove que recebeu ou postou sua assinatura em qualquer canhoto de recebimento das mercadorias; • Constam, às fls. 228/232, termos de intimação por edital, para que comprovasse a origem dos recursos financeiros utilizados para o pagamento das notas fiscais acostadas aos autos. Encontramse, às fls. 241 a 277, os comprovantes de entrega das mercadorias, conforme solicitado à fl. 234; • A fornecedora Sorocaba Refrescos foi intimada (fl. 278) a informar o nome de todos os vendedores que efetuaram as vendas e se estas foram autorizadas pelo comprador, bem assim se a entrega dos produtos foi feita no endereço do comércio e se os pagamentos foram efetuados por Wagner; • Consta, à fl. 283, as informações prestadas pela fornecedora acima citada; • Ocorre que não efetuou referidas compras e tampouco omitiu receita. O Fisco desconsiderou por completo o fato de existir outra empresa no local, que foi constituída no anocalendário de 2005, objeto das irregularidades fiscais; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000165/200990 Acórdão n.º 130100.792 S1C3T1 Fl. 473 4 • Desde 10 de dezembro de 2001 o local encontrase arrendado para o Sr. José Augusto Barboti e sua parente Ligiani Barboti, conforme faz prova a cópia dos contratos em anexo: 1)Contrato Particular de Arrendamento lavrado em 10/12/2001, tendo como arrendatários José Augusto Barboti e Valdeci Ferreira de Queiroz; 2)Contrato de Locação lavrado em 1º de dezembro de 2005, onde figura como locatário José Augusto Barboti, constando na 1ª cláusula que sua vigência se deu em 1/08/2005 (Obs: esse contrato, que era uma renovação, foi firmado pelo pai do impugnante, que era seu procurador à época e não foi assinado pelo locatário); 3)Contrato de Locação firmado em 1/07/2006, entre Moacir Antunes de Oliveira (pai do impugnante), em substituição ao contrato anterior, para figurar como locatária Ligiane Barboti; 4)Aditamento de Contrato de Locação Comercial, lavrado em 1º/05/2008, no qual Ligiane Barboti reconhece no primeiro parágrafo a vigência do contrato firmado em 1º/08/2005, ou seja, demonstra de forma cabal que a impugnante não poderia ter efetuado as compras no período apurado; • Noutras palavras, foi José Augusto Barboti e Ligiane Barboti que, se utilizando indevidamente do seu CNPJ, comercializaram com a empresa Sorocaba Refrescos S/A, uma vez que detinham a posse do estabelecimento comercial por força de contrato de locação do ponto comercial e como a entrega foi feita no estabelecimento comercial provavelmente não se procedeu a checagem da identidade dos compradores; • Não mudou seu endereço, sendo certo que seus locatários, José Augusto Barboti e Ligiane Barboti, além de utilizarem indevidamente o nome da empresa para revender produtos da Sorocaba Refrescos, constituíram, depois do ilícito, uma empresa, cujo endereço de cadastro é Av. Marginal Brasil, 533, sendo que sua localização física é no número 120, conforme constatado pelo auditor em seu relatório; • Somente em agosto de 2008 teve conhecimento das irregularidades na empresa aberta em seu nome, mas não tinha noção do tamanho das transações efetuadas em nome da empresa, sendo certo que, quando compareceu ao escritório de contabilidade, foi informado que a situação fiscal estava normal, razão pela qual acreditou que o fato de o locatário ter utilizado o nome da empresa para manter o estoque do comércio em nada o prejudicaria; • Perguntase: Como poderia efetuar as compras e receber as mercadorias no endereço declinado nas notas fiscais se não exercia a posse do local? • Existe prova documental de que a venda foi efetuada “em nome” de Wagner Benedito Antunes de Oliveira ME, conforme inclusive informado pela Sorocaba Refrescos S/A à fl. 283 e as notas fiscais e comprovantes de entrega das mercadorias, mas não que o próprio tenha efetuado; • O Sr. Wagner Benedito Antunes de Oliveira não exerce atividade comercial, sendo empregado com registro em carteira na iniciativa privada, e jamais teria condições financeiras para efetuar transações comerciais de tal vulto, ou seja, mais de dois milhões de reais em 47 dias, correspondente a 173 pedidos nesse período; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000165/200990 Acórdão n.º 130100.792 S1C3T1 Fl. 474 5 • Ora, até outubro de 2005 foram feitos 15 pedidos, no valor total de R$ 2.539,99, e, de repente, dois milhões em compras que a impugnante não participou, é, no mínimo, estranho e duvidoso os representantes da Sorocaba Refrescos efetuarem referidas transações com um pequeno comércio; • Concluindo, o fato de as transações comerciais terem sido efetuadas em nome da impugnante não pode ser suficiente para a formação de um indício de omissão de receita e, ao se esbaterem com as provas aqui acostadas, não consegue formar uma situação suficiente de presunção de omissão de receita; • A autuação de omissão de receita não sobreviverá pelas seguintes razões: O fiscal não construiu o arcabouço de provas que legitimassem a manutenção da presunção embasando a dita omissão de receita cometida pelo impugnante, uma vez que a transação comercial, se realmente foi realizada, foi feita por José Augusto Barboti e Ligiane Barboti que até a presente data detêm a posse do comércio por meio de contrato de locação e, nesta condição, provavelmente utilizaramse do cadastro que a impugnante tinha com a Sorocaba Refrescos e realizaram as transações comerciais sem o conhecimento do mesmo; Explicou e comprovou com documentos que, não tendo a posse do comércio onde foram entregues as mercadorias, não poderia têlas recebido; Os esclarecimentos juntados à fl. 283 não demonstram ou comprovam que foi a impugnante que realmente efetuou as compras ou fez os pedidos, ou mesmo efetuou o pagamento de mais de dois milhões à Sorocaba Refrescos, sendo certo que esta deverá prestar esclarecimentos nesse sentido; A própria Sorocaba Refrescos informa nos autos que só existem dois pagamentos que teriam sido feitos por Wagner Benedito Antunes de Oliveira ME, mas não informa de que maneira tais pagamentos foram efetuados; • Solicita, se necessário, a prova pericial para se comprovar que não efetuou pagamentos, não fez pedidos e não recebeu as mercadorias. Requer oitiva do vendedor da empresa Sorocaba Refrescos que efetuou as 173 vendas no período compreendido entre 14/11/2005 a 31/12/2005, para que se esclareça se os referidos pedidos foram feitos por Wagner B. A de Oliveira, ou a seu pedido, bem como do contador dos locatários; • Requer a expedição de ofício para que a empresa Sorocaba Refrescos demonstre e esclareça quem efetuou e como foi a forma de pagamento das compras relativas às notas fiscais de fls. 47 a 227, bem assim esclareça quem autorizou a venda de valores tão altos a um pequeno comércio, e, por fim, informe se é normal a realização de venda da forma como foi feita (ex: 31/12/2005 15 vendas). A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1427.522, de 04/02/2010 (fls. 391/398), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2005 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000165/200990 Acórdão n.º 130100.792 S1C3T1 Fl. 475 6 OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza omissão de receitas a falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados para pagamento de notas fiscais de compra não escriturados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. INSS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as provas que o contribuinte possuir. Ciente da decisão de primeira instância em 18/03/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 411, a contribuinte apresentou recurso voluntário postado em 19/04/2010 conforme folha 465. No recurso interposto (fls. 412/419), a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, especialmente quanto às alegações de que, à época dos fatos (2005), o imóvel onde seria o domicílio da empresa estaria arrendado/locado a terceiros (Sr. José Augusto Barboti e Sra. Ligiani Barboti). Desta forma, seriam essas pessoas que, utilizandose do nome de sua empresa, teriam efetuado as compras e pagamentos junto à Sorocaba Refrescos. Por sua ótica, essas afirmações estariam comprovadas diante dos contratos que apresenta. Quanto à empresa constituída pelos locatários, assim se manifesta: Os locatários, José A. Barboti e Ligiane Barboti constituíram após o ilícito uma empresa, somente em 29/06/2006, mas o endereço declarado no de cadastro é Av. Marginal Brasil, n.° 533, sendo certo que sua LOCALIZAÇÃO FÍSICA é no numero 120, conforme constatado pelo auditor em seu relatório. Ou seja, como a firma individual Wagner Benedito Antunes ME, continua Cadastrada no n.° 120, que o local do ponto comercial, os locatários abriram uma empresa e declararam outro endereço, como sendo sua sede, conforme foi apurado pelo auditor. Discorda da conclusão a que chegou a Turma Julgadora em primeira instância, quanto às irregularidades nos contratos apresentados, e sustenta que “o fato de ter sido o pai do recorrente quem firmou os contratos de locação, não muda a situação real, de quem estava a frente do comércio no ano calendário 2005, ou seja, Ligiane Barboti, sendo Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000165/200990 Acórdão n.º 130100.792 S1C3T1 Fl. 476 7 certo que continua no local até a presente data”. Acrescenta informações acerca da pessoa física do Sr. Wagner Benedito Antunes de Oliveira (ajudante, auxiliar e porteiro da Cervejaria Petrópolis), na busca de demonstrar a incompatibilidade com a acusação de compra e venda de mais de dois milhões de reais em bebidas. Afirma, ainda, que ingressará em juízo com ação de indenização em face dos locatários e Declaratório de Inexistência de Relação Jurídica em face de Sorocaba Refrescos, no que se refere às transações comerciais objeto da presente autuação. Aponta, finalmente, a necessidade de esclarecimentos adicionais junto à Sorocaba Refrescos acerca dos supostos pagamentos por ela efetuados. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e cancelamento do débito fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno de autos de infração por omissões de receitas, apuradas com base na presunção estabelecida pelo art. 40 da Lei nº 9.430/1996, base legal do art. 281, inciso II, do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), confirase: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I [...]; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a existência de pagamentos não escriturados. Naturalmente, o fato indiciário deve restar provado além de qualquer dúvida, sob pena de se estabelecer presunção sobre presunção, o que não se admite. Desde a fase impugnatória, a linha de defesa adotada pela recorrente é de negar a autoria dos pagamentos, escudandose: (i) na alegação de que o local da sede da empresa, onde teriam sido recebidas as mercadorias adquiridas, estaria desde 2001 na posse de terceiros (locatários); (ii) na falta de capacidade financeira do titular Sr. Wagner Benedito Antunes de Oliveira; (iii) na falta de comprovação acerca de quem realmente fez os pagamentos à Sorocaba Refrescos; tudo culminando na conclusão de que as compras e os Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000165/200990 Acórdão n.º 130100.792 S1C3T1 Fl. 477 8 pagamentos teriam sido efetuados pelos indigitados terceiros (locatários), utilizandose indevidamente do nome da recorrente. Inicialmente, quanto à alegada falta de capacidade financeira do titular, Sr. Wagner Benedito Antunes de Oliveira, tal argumento não é suficiente para afastar a acusação de omissão de receitas. É incontroverso que o referido senhor é o titular da pessoa jurídica autuada, operando há anos no ramo comercial, muito embora em escala reduzida, se tivermos em consideração os valores declarados ao fisco nos anos anteriores e mesmo no anocalendário 2005, objeto de autuação. Embora as operações de compra e venda que resultaram, afinal, na autuação, possam ser tidas como atípicas em seus valores e frequência, se confrontadas com as operações de períodos anteriores, não são por certo impossíveis. A seguir, compulsando os autos, constato que as alegações da interessada de que o local do estabelecimento (Av. Marginal Brasil, 120, Rec. Maravilha II, Boituva, SP) se encontraria desde 2001 de posse de terceiros é frágil. Inicialmente, porque os contratos apresentados ainda na fase impugnatória apresentam irregularidades e lacunas, não se prestando a comprovar cabalmente a alegação da interessada. Confirase a análise que segue: • 1. Contrato particular de arrendamento (fls. 346/349), de 10/12/2001, firmado entre Wagner (arrendante) e José Augusto Barboti e Valdeci Ferreira de Queiróz (arrendatários). Objeto: arrendamento do comércio situado à Av. Marginal Brasil, 120. Vigência: 10/12/2001 a 09/12/2002. Duas testemunhas, sem reconhecimento de firma. Não se refere ao período autuado. • 2. Contrato de locação (fls. 350/353), de 01/12/2005, firmado entre Moacir Antunes de Oliveira (locador) e José Augusto Barboti (locatário). Objeto: locação do imóvel comercial situado à Av. Marginal Brasil, 120, 120B e 130. Vigência: 01/08/2005 a 30/07/2010. A cláusula 18ª estabelece que “este contrato substitui o contrato de locação assinado em 01 de agosto de 2.005”, o qual não consta dos autos. Sem testemunhas, assinado somente por Moacir. • 3. Contrato de locação (fls. 354/357), de 01/07/2006, firmado entre Moacir Antunes de Oliveira (locador) e Ligiane Barboti (locatária). Objeto: locação do imóvel comercial situado à Av. Marginal Brasil, 120, 120B e 130. Vigência: 01/07/2006 a 30/06/2011. A cláusula 18ª estabelece que “este contrato substitui o contrato de locação firmadas (sic) anteriormente”, sem especificar a qual contrato se refere. Sem testemunhas. Firmas dos signatários reconhecidas em 02/08/2007. Não se refere ao período autuado. • 4. Aditamento de Contrato de Locação Comercial (fls. 358/359), de 01/05/2008, firmado entre Moacir Antunes de Oliveira (locador) e Ligiane Barboti (locatária). Objeto: estipulação de que a quitação dos aluguéis do período de 01/05/2008 a 30/07/2009 se faria mediante um imóvel de propriedade de José Augusto Barboti e sua esposa. Consta ser “conforme contrato de locação firmado entre as partes, em 01 de dezembro de 2005, do imóvel comercial, situado à Av. Marginal, nº 120, 120 B e 130, no Recanto MaravilhaII, com vigência de 01 de agosto de 2.005 e término em 30 de julho de 2.010”. Duas testemunhas. Firmas dos signatários reconhecidas Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000165/200990 Acórdão n.º 130100.792 S1C3T1 Fl. 478 9 em 17/12/2008. Não se refere ao período autuado. Faz referência a um contrato que não consta dos autos. Também a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI 2006 – SIMPLES (anocalendário 2005), às fls. 02 e segs., dá conta de que o contribuinte não se encontrava inativo, auferindo receitas em diversos meses do ano em que teriam ocorrido os fatos geradores objeto da autuação. O endereço que ali consta é Av. Marginal Brasil, 120, Rec. Maravilha II, Boituva, SP. Da mesma forma, as declarações dos anos anteriores (AC 2001 até AC 2004) registram atividade e movimentação em todos os anoscalendário, muito embora não em todos os meses, e o endereço é o mesmo anteriormente referido. Em outras palavras, ainda que se pudesse, por hipótese, tomar por verdadeira a afirmação da interessada de que o imóvel situado à Av. Marginal Brasil, 120, não se encontrava sob sua posse desde o ano de 2001, seria forçoso concluir que a pessoa jurídica continuou suas operações em outro endereço, do qual não foi dado conhecimento ao Fisco nem ao competente órgão do Registro de Comércio. De se observar que a constatação do Fisco de que naquele endereço funcionava outra empresa (Legione Barboti, CNPJ 08.151.641/000159, nome de fantasia Augusto’s Restaurante e Churrascaria, fls. 20/24) somente veio a acontecer quando do procedimento de fiscalização, em 11/08/2008, três anos após o período autuado. Por outro lado, o endereço em que a interessada exercia suas atividades perde um pouco de relevância, quando se atenta para a informação prestada pela fornecedora Sorocaba Refrescos (fl. 283) de que as mercadorias por ela vendidas eram retiradas pelo adquirente “de dentro da Sorocaba Refrescos S.A., inexistindo entrega em seu endereço”. Em outras palavras, não há qualquer garantia acerca do destino dos produtos, se a Av. Marginal Brasil, 120, como consta nas notas fiscais, ou qualquer outro. Não é, portanto, o endereço que consta das notas fiscais emitidas por Sorocaba Refrescos que há de ser decisivo para o deslinde da questão. Fica, tão somente, o registro de que a alegação não se encontra sustentada por provas cabais. Devemos, então, voltar todas as atenções para os pagamentos, sua comprovação e autoria. Afinal, a efetividade dos pagamentos é o fundamento da presunção legal em que se baseou a autuação. Compulsando os autos, constato que a fornecedora Sorocaba Refrescos, mediante intimação do Fisco, apresentou documentação detalhada das vendas feitas à pessoa jurídica Wagner Benedito Antunes de Oliveira. As notas fiscais de vendas (cópias às fls. 47/227) emitidas em nome da interessada e listadas às fls. 42/45 constituem, em primeira análise, robusta prova das operações de compra e venda. No que toca aos pagamentos, no campo “dados adicionais” das notas fiscais há a informação de que os valores teriam sido pagos com cheque para o mesmo dia da emissão da nota. No entanto, em resposta a intimação (fl. 29), a Sorocaba Refrescos apresentou a resposta de fl. 31 acompanhada da planilha de fls. 32/35, na qual afirma que todos os pagamentos foram feitos em dinheiro. Em nova intimação (fl. 234), o Fisco solicitou detalhamento dos recebimentos. A intimada apresentou a resposta de fl. 239, acompanhada de planilha (fls. 240/243) e de cópias de seus extratos bancários (fls. 244/277). Alerta a fornecedora que “todos os pagamentos foram realizados com dinheiro, portanto, muitas vezes temos no extrato bancário o total recebido no dia e que compõem também as notas fiscais desse cliente”. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000165/200990 Acórdão n.º 130100.792 S1C3T1 Fl. 479 10 De seu exame, considero mais relevantes aqueles depósitos em que o depositante é inequivocamente identificado no extrato bancário como Wagner Benedito, vide quadro abaixo, em que o depósito bancário é relacionado à(s) correspondente(s) nota(s) fiscal(is) emitida(s) em nome da recorrente: Pagamentos NF Correspondente Fl. Data Valor Histórico do Extrato Bancário Nº Data Emissão Valor Fl. NF FL. Planilha 260 06/12/2005 27.530,00 TRANSF.AG.DINH. WAGNER ANTUNES 227045 07/12/2005 27.529,92 127 242 265 12/12/2005 13.866,24 TRANSF.AG.DINH. WAGNER BENEDITO ANTUNES 228031 12/12/2005 7.501,44 133 242 228032 12/12/2005 6.364,80 134 242 265 12/12/2005 18.497,28 TRANSF.AG.DINH. WAGNER BENEDITO ANTUNES 228030 12/12/2005 18.497,28 132 242 265 12/12/2005 25.063,20 DEP.TRANSF.AG. WAGNER ANTUNES 228033 12/12/2005 25.063,20 135 242 Observo, ainda, que em muitos casos se verifica a rigorosa coincidência de datas e valores que seria desejável entre as notas fiscais e os respectivos depósitos bancários. Não obstante, em outros casos isso não ocorre, o que se explica pelo fato de que os depósitos bancários abrangem também recebimento por vendas a outros clientes, conforme enfatizado pela fornecedora. Também muitos dos depósitos não têm os depositantes identificados, o que é coerente com pagamentos realizados em dinheiro e depositados pela própria beneficiária, ou por seus prepostos. Tenho, assim, por comprovado o vínculo comercial existente entre a recorrente e sua fornecedora Sorocaba Refrescos, o que dá credibilidade à afirmação desta última de que os depósitos bancários em sua contacorrente se destinaram ao pagamento, pela interessada, das compras representadas pelas notas fiscais de fls. 44/277. Ao final do exame do conjunto probatório trazido aos autos, considero não haver dúvidas acerca da autoria dos pagamentos feitos à Sorocaba Refrescos. E sendo esse o fato indiciário eleito pela lei para que se possa presumir a omissão de receitas, sua prova, não afastada pela interessada, é motivo suficiente para que se mantenha a autuação fiscal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000204/2006-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário:
2003, 2004
FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. É cabível o arbitramento do lucro
se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a
ampararia na tributação com base pelo lucro real.
RECEITA BRUTA CONHECIDA. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando
conhecida à receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais
fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento.
ARBITRAMENTO CONDICIONAL DO LUCRO. Inexiste arbitramento
condicional. Logo, o ato administrativo de lançamento desse natureza não é
modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência e/ou
recusa foi a causa do arbitramento.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO
FISCAL. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo
em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.985
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base pelo lucro real. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida à receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento. ARBITRAMENTO CONDICIONAL DO LUCRO. Inexiste arbitramento condicional. Logo, o ato administrativo de lançamento desse natureza não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento. DECLARAÇÃO RETIFICADORA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 14751.000204/2006-66
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5082360
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1402-000.985
nome_arquivo_s : 140200985_14751000204200666_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Antonio José Praga de Souza
nome_arquivo_pdf_s : 14751000204200666_5082360.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4750836
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359795965952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.000204/200666 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.985 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria AUTO DE INFRACAOIRPJ Recorrente COMERCIO DE ALIMENTOS ASSIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base pelo lucro real. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida à receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento. ARBITRAMENTO CONDICIONAL DO LUCRO. Inexiste arbitramento condicional. Logo, o ato administrativo de lançamento desse natureza não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento. DECLARAÇÃO RETIFICADORA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14751.000204/200666 Acórdão n.º 140200.985 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório COMERCIO DE ALIMENTOS ASSIS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: I DA EXIGÊNCIA FISCAL. Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, em 17/08/2006, os Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, anos calendário 2003 e 2004, fls. 05 a 14, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, anos calendário 2003 e 2004, fls. 15 a 21, da Contribuição para o PIS, anos calendário 2003 e 2004, fls. 22 a 28 e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, anos calendário 2003 e 2004, fls. 29 a 35, conforme demonstrativo a seguir: Crédito Tributário Em R$ NATUREZA Imposto/ Contribuição Juros de Mora Multa Proporcional Total do CT IRPJ 111.853,84 39.643,35 83.890,36 235.387,55 PIS 40.043,68 14.559,62 30.032,69 84.635,99 CSLL 66.534,24 23.439,30 49.900,66 139.874,20 COFINS 184.817,33 67.198,61 138.612,96 390.628,90 TOTAL 850.526,64 Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, cujos enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração do IRPJ (fls. 06 a 09), o autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: • A fiscalização inicialmente se restringiu aos levantamentos e apurações da sistemática do SIMPLES dentro do período 01/2003 a 12/2004. Posteriormente, com a exclusão da empresa, o MPF foi complementado com a inclusão do IRPJ dentro do mesmo período. • Após o recebimento dos documentos da empresa (ReduçõesZ das impressoras de Cupons Fiscais, Mapa Resumo de ECF, informações de compras do Livro de Registro de Entradas, informações de estoque dos Livros de Inventário e Declarações Simplificadas), a fiscalização elaborou planilhas com informações do total das vendas da empresa (fls. 69/130). A empresa confirmou as receitas levantadas pelo Auditor e as divergências entre os valores apurados e os declarados (fls. 139). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14751.000204/200666 Acórdão n.º 140200.985 S1C4T2 Fl. 0 3 • Por ter ultrapassado o limite de permanência no SIMPLES, a empresa foi excluída do regime simplificado mediante o Ato Declaratório Executivo n.º 33 de 22/07/2006 da DRF/João Pessoa, com efeitos desde a data da sua abertura. • Cientificada da exclusão e intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais, a empresa afirma não possuir tais livros, fls. 153. • O lançamento do IRPJ foi então realizado com base no lucro arbitrado, com reflexos na CSLL, PIS e COFINS e tendo por base a sua receita conhecida (fls.149). • A empresa efetuou pagamentos pelo SIMPLES que não foram considerados pela fiscalização. II DA IMPUGNAÇÃO. Contestando os autos de infração a contribuinte apresentou sua impugnação as fls. 199/204, no qual solicita o prazo de 90 dias para que seja retificada as DIPJ e apresentada a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais sobre o Lucro Real desde 24/07/2003, com base nos artigos 833 e 835 do RIR/99, bem como demonstrativos de cálculos do PIS e COFINS não cumulativos. Afirma que por ausência de informação incorreu nestes lamentáveis erros e pede a extinção dos autos de infração pelo lucro arbitrado. A decisão recorrida está assim ementada: EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base pelo lucro real. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida à receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento. ARBITRAMENTO CONDICIONAL DO LUCRO. Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento. DECLARAÇÃO RETIFICADORA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos. PAGAMENTOS EFETUADOS A TÍTULO DE SIMPLES. IRPJ. CSLL. Quando da exigência de ofício do IRPJ e da CSL, devem ser considerados os recolhimentos proporcionais relativos aos dois tributos efetuados para os mesmos períodos de apuração pela sistemática unificada do Simples. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14751.000204/200666 Acórdão n.º 140200.985 S1C4T2 Fl. 0 4 aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito. MATÉRIA NÃO CONTESTADA RECEITA DE VENDAS. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Impugnação procedente em parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido na parte mantida, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14751.000204/200666 Acórdão n.º 140200.985 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto • Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte, para permanecer na sistemática do SIMPLES, declarou à Receita Federal valores a menor de suas receitas nos anos calendário de 2003 e seguintes. Uma vez que a contribuinte não trouxe no recurso voluntário novas provas e considerando que os fundamentos da decisão recorrida não merecem reparos, peço vênia para tanscrevelos e adotálos com razões de decidir (verbis): O procedimento fiscal iniciouse em 17/03/2006 data em que tomou ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 38. No dia 17/7/2006 a empresa confirmou os valores obtidos pela fiscalização, fl. 139. No dia 25/07/2006 é cientificada da sua exclusão do Simples e intimada a apresentar os livros fiscais e contábeis, fl.151. Em 02/08/2006 a contribuinte afirma não possuir escrita contábil, fls. 153. Em relação às empresas excluídas do Simples, dispõe a Lei nº 9.317/96: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Como a contribuinte não optou pela tributação através do lucro presumido ou real anual (estimativa) ficou sujeita a tributação pelo lucro real trimestral, para a qual é indispensável à completa escrituração contábil/fiscal. Como a empresa não possui os livros e documentos necessários à apuração do lucro real trimestral, restou a fiscalização proceder à apuração do IRPJ e CSLL através do lucro arbitrado considerando como base de cálculo a receita bruta conhecida, conforme preceitua o artigo 530, inciso III do RIR/1999. Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I– II .................................. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. Portanto, correta a apuração pela fiscalização do IRPJ considerando a empresa tributada pelo lucro arbitrado. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14751.000204/200666 Acórdão n.º 140200.985 S1C4T2 Fl. 0 6 Cabe salientar que a apuração pelo lucro arbitrado não se constitui numa sanção tributária, mas apenas numa modalidade de apuração do imposto, autorizada por lei, quando impossível for a apuração do imposto devido pelo lucro real ou presumido, conforme o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "ARBITRAMENTO NÃO É PENALIDADE O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro (Ac. CSRF/010.123/81)." Quanto a apresentação da escrita contábil após o lançamento verificouse que durante a ação fiscal a contribuinte afirmou não possuir escrituração contábil para apuração do lucro real, de acordo com a informação constante à fl. 153, o que ensejou o arbitramento do lucro consoante art. 530, inciso III do RIR/99, portanto, comprovada a inexistência na apresentação dos livros que amparariam a tributação com base no lucro real, cabível é o arbitramento do lucro. Atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do ato administrativo de lançamento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos em lei (C.T.N. art. 141). Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência foi a causa do arbitramento. Este entendimento é pacífico na jurisprudência administrativa. Como podemos observar no voto do Acórdão da CSRF, o relator e presidente Amador Outerelo Fernández, após citar a legislação que obriga as pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real a possuir escrituração contábil completa e atualizada e a que autoriza o arbitramento do lucro no caso de falta de apresentação de livros, expôs: Sendo certo que o ato administrativo de lançamento é um ato vinculado, exigese para sua validade o atendimento de certos pressupostos objetivos (no caso, a ocorrência das hipóteses previstas em lei para o arbitramento do lucro) e também subjetivos (competência do agente etc). Todavia, uma vez atendidos esses pressupostos objetivos e subjetivos, isto é, regularmente constituído o crédito somente se modifica ou se extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos em lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional, na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias, segundo o art. 141 do Código Tributário Nacional ( Lei n° 5.172, de 25.10.66, e Ato Complementar n° 36, de 13/03/1967, art. 7°). Se a lei declara que, na ausência de escrita regular ou no caso de recusa de sua apresentação (fatos que impedem a regular apuração do lucro real, eis que ao Agente Fiscal é vedado apurar o lucro real, inexistindo escrituração contábil, armando o a lei com diversos critérios de arbitramento. Cf. Acórdão n° 1.7/521), é facultado ao Fisco o arbitramento do lucro, sem prejuízo da imposição da multa de lançamento ex officio cabível: não se pode admitir que a posterior apresentação do documentário, isto é, o arrependimento, torne nulo o trabalho fiscal.. Admitirse o contrário, equivaleria a um arbitramento condicional, não previsto em lei ou, ainda, implicaria em dizer Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14751.000204/200666 Acórdão n.º 140200.985 S1C4T2 Fl. 0 7 se que o ato administrativo de lançamento ficaria sem efeito, quando o contribuinte, após autuado, comprovasse possuir escrita e se dispusesse a apresentála, o que, convenhamos, por afrontar a lógica e o bom senso, somente seria admissível se a lei expressamente o dissesse. À luz das normas vigentes, não há lugar para qualquer regularização, uma vez lavrado o Auto de Infração, e qualquer tentativa interpretativa em sentido contrário, além de ficar desprovida de consistência jurídica, também não seria salutar do ponto de vista da política e administração tributárias.” Prossegue citando textualmente, dentre outras, a legislação que obriga os agentes do Fisco a lavrarem auto de infração sempre que apurarem infração às disposições legais, atos normativos relativos ao processo administrativo fiscal e modos de extinção, suspensão, modificação e exclusão do crédito tributário previstos no CTN, e conclui: Como inexiste qualquer diploma legal que estabeleça a exclusão da exigência do crédito tributário pela superveniência de regularização da escrita, após a lavratura do auto de infração (seja na fase impugnatória ou recursal, seja na fase de inscrição da dívida ou antes da prolação da sentença judicial de primeiro grau): a conclusão inarredável é a de que o contribuinte perdeu a faculdade de pagar o tributo com base no lucro real, em razão de não haver atendido às condições em lei estabelecidas para tal fim. O mesmo entendimento vigorou em julgados posteriores do Primeiro Conselho de Contribuintes, como se verifica na ementa abaixo reproduzida: ARBITRAMENTO – INTIMAÇÕES SUCESSIVAS – Tendo o contribuinte, sucessivamente intimado a apresentar seus livros comerciais e fiscais, declarado formalmente não têlos escriturado e estar impossibilitado de fazêlo, a autoridade fiscal está autorizada a arbitrar o lucro, obedecendo os critérios estabelecidos em lei. A apresentação dos livros na fase da impugnação não surte qualquer efeito em relação ao lançamento, eis que não existe arbitramento condicional. Recurso provido em parte. (Acórdão 10193.113, em 13/07/2000). ARBITRAMENTO – APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO – IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL. O arbitramento do lucro, quando realizado em prazo hábil, sem percalços que provoquem grave dificuldade ao contribuinte na reconstituição de sua escrituração, deve ser entendido, tãosomente, como meio único na obtenção das bases de cálculo dos tributos. A apresentação da escrituração após o lançamento de ofício não invalida a apuração das bases de cálculo pelo arbitramento. Não existe lançamento condicional. Recurso parcialmente provido. (Acórdão nº 10806.053, de 16/03/2000). Assim, incabível o pedido para apresentação de escrita contábil, posterior ao arbitramento. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14751.000204/200666 Acórdão n.º 140200.985 S1C4T2 Fl. 0 8 Quanto aos artigos citados pela impugnante, que tratam de retificação e revisão da declaração, é de se esclarecer ser incabível o seu pedido de retificação, posto que efetuado após procedimento fiscal em que se arbitrou o lucro e se efetuou o lançamento de ofício. Tal entendimento encontra respaldo legal no Decreto nº 70.235/1972, que dispõe acerca do processo administrativo fiscal, a seguir reproduzidos: Decreto nº 70.235/1972: "Art. 7.º. O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III começo do despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1.º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas" Constatase que desde a lavratura do termo de início da fiscalização, portanto, antes mesmo de efetuado o lançamento, a contribuinte já havia perdido a espontaneidade, não podendo mais, a partir deste momento, retificar a sua declaração de rendimentos ou tributar valores antes não declarados sem a devida incidência dos competentes acréscimos legais. Conclusão Após a exclusão do Simples, a contribuinte teve suficiente oportunidades para apurar seus resultados tributáveis pela sistemática do lucro real no transcurso da ação fiscal, mas não logrou fazêlo. Nessas hipóteses o arbitramento dos lucros é o procedimento cabível, nos termos da legislação do IRPJ e CSLL. Uma vez que o montante da receita tributada está correto, haja vista que os valores foram fornecidos pela própria contribuinte, tendo a decisão de 1a. instância excluído da exigência os recolhimentos pelo Simples, nada mais resta a ser ajustado. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000946/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1998
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento do tributo aplica-se,
para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.234
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1998 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11330.000946/2007-35
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4882692
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.234
nome_arquivo_s : 2401002234_11330000946200735_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 11330000946200735_4882692.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4748866
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359906066432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.645 1 1.644 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000946/200735 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.234 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1998 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Por entender que o relatório do voto proferido no julgamento da DRJ é bastante claro e conciso, vou utilizálo para retratar a marcha processual experimentada pela presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD até a prolação da decisão recorrida. DO LANÇAMENTO Tratase de crédito previdenciário apurado contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls 43/46, foi apurado com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços mediante cessão de mão de obra, pela empresa AERÓLE0 TAXI AÉREO S/A, CNPJ 15.209.117/000157, em cumprimento ao contrato 105.2.085.944, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/1991, redação vigente à época dos fatos geradores, nas competências 05/1995 a 05/1998, no montante de R$ 428.729,20 acrescidos de juros e multa, a serem calculados na época da liquidação do crédito. 2. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. 3. 0 crédito engloba as contribuições previdenciárias relativas a parte da empresa e dos segurados empregados, além das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 4. A PETROBRAS, notificada do lançamento, apresentou impugnação através do instrumento de fls. 62/68, alegando, em síntese que: Da inexistência da cessão de mão de obra. 4.1. verificouse a ocorrência da decadência do direito de constituição do crédito tendo em vista o decurso de prazo maior do que cinco anos; 4.2. não se caracterizou a cessão de mão de obra e portanto a responsabilidade solidária, pois não estão presentes os dois pressupostos para tal: existência de serviços contínuos e a colocação do empregado a disposição do contratante; Da solidariedade 4.3. é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da divida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. 4.4. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte devedor originário e, somente após constituído o crédito é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000946/200735 Acórdão n.º 240102.234 S2C4T1 Fl. 1.646 3 4.5. inexistindo o lançamento contra os devedores principais, não pode o INSS vir cobrar da recorrente obrigação do devedor originário que não se configurou, pois é preciso demonstrála e quantificála; 4.6. não procede fazer incidir as contribuições sobre uma base de calculo presumida, aplicandose a alíquota sobre um percentual das notas fiscais, eis que tal norma foi criada pelo INSS; 4.7. o INSS utiliza critério, sem previsão legal, para apurar as contribuições devidas, impedindo a recorrente de chamar o devedor originário ao processo administrativo; 4.8. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo. 4.9. requer a extinção do crédito tributário, cancelando o lançamento tributário, e protesta pela juntada, a posteriori, de documentação superveniente; DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A empresa contratada, cientificada do lançamento, apresentou contestação através do instrumento de fls. 02/07 do Anexo I, alegando, em síntese que: 5.1. Os serviços prestados não são cessão de mãodeobra. Faz uma síntese de como os serviços são prestados e remete dados históricos. 5.2. Pela análise das GRPS, verificase que não há Crédito Tributário devido. 5.3. As folhas de pagamento confirmam isto, pois todos os descontos dos empregados estão demonstrados. 5.4. Os registros do livro caixa demonstram a veracidade das informações. Não há Crédito Tributário a ser apurado. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada os autos foram encaminhados A Junta notificante, para apreciação; 6.1. a Junta Fiscal notificante elaborou Informação Fiscal, As fls. 142/143, concluindo pela não alteração do débito, já que os elementos trazidos aos autos em nada d alteraram o levantamento. DO JULGAMENTO E RECURSO 7. 0 Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação n° 17.401.4/0599/2004, de 02/07/2004, fls. 144/153. Devidamente notificadas a PETROBRAS em 06/07/2004 e a "AER6LEO" em 16/07/2004 (fls. 154/155). Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 8. A PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS (fls. 158/164). A empresa prestadora dos serviços também apresentou Recurso em (fls.171/184). 9. Após a elaboração das ContraRazões, As fls. 186/189, o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2a Câmara de Julgamento do CRPS, através Acórdão 520, de 13/05/2005 (fls. 191/195), decidiu anular a Decisão Notificação — DN, determinando que o INSS verificasse a existência do crédito lançado na contabilidade do contribuinte — prestador de serviços. 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vicio insanável que acarretasse a nulidade da DN, a ex Secretaria da Receita Previdenciária SRP interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 196/200). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim como do Pedido de Revisão (fls. 201 e 208), sendo concedido as mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da "PETROBRAS" e da "AEROLEO", as quais se manifestaram contra o referido Pedido de Revisão, fls. 203/206 e 209/217, respectivamente. 13. 0 Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2 Câmara de Julgamento, conforme Decisório n° 1425, de 31/10/2005, sob a alegação de que o pedido não se enquadrava nas hipóteses do artigo 60 e incisos da Portaria MPS n° 88/2004 (fls. 252/254). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que no interregno transcorrido entre o julgamento do pedido de revisão e o reinicio do Contencioso Administrativo, o Conselho Pleno do CRPS exarou o Enunciado n°30, editado pela Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, da seguinte forma: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. Cumprindo as determinações do Acórdão do CRPS, o Auditor Fiscal efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil —SRFB/SRP, sendo analisadas as informações disponíveis relativas A empresa contratada, prestadora de serviços, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, nem emissão de CND de baixa, nem constam débitos lançados no mesmo período do presente lançamento (fls. 282/288). Assim, elaborouse Relatório Fiscal Aditivo (fls. 290/293 — Vol. II), notificando a PETROBRAS em 06/06/2007 e a "AERÓLEO" prestadora dos serviços, em i 26/07/2007 (fls. 310). DA NOVA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 16. A PETROBRÁS, ainda irresignada, apresentou nova impugnação em 27/06/2007 (fls.298/305 — Vol. II), alegando, em síntese: Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000946/200735 Acórdão n.º 240102.234 S2C4T1 Fl. 1.647 5 16.1. a elaboração de novo Relatório Fiscal, com base no Enunciado 30 do CRPS, não encontra respaldo na Lei 9.784/1999. Houve determinação de verificar se havia crédito na contabilidade da empresa contratada; 16.2. a fiscalização descumpriu a decisão do CRPS, ignorando a segurança e ordem jurídica, pois deixou de promover a diligência que lhe foi determinada; 16.3. o Enunciado 30 não pode desconsiderar decisão do CRPS já prolatada e nem pode ser aplicado ao presente caso. Invoca a Lei 9.784/1999, artigo 2°, parágrafo único, inciso XIII, e os arts. 54, §2° e 57 do Regimento Interno do CRPS, PT/MPS 88/2004; 16.4. houve omissão da fiscalização ao não impulsionar o processo, prejudicando a defesa do contribuinte; 16.5. referese A Circular Conjunta INSS/DIRAR/CGFISC/CGCOB/CGARREC n°. 06/2002, especificamente em seu item 1.1, para corroborar o argumento de que é possível a fiscalização verificar se determinada empresa, prestadora de serviços, efetivou seus recolhimentos, evitando a cobrança equivocada na empresa tomadora de serviços; 16.6. mantém os mesmos termos da Impugnação anteriormente apresentada, sobre inexistência de cessão de mãodeobra; da solidariedade e da mensuração da base de cálculo; DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 17. A "AEROLEO" apresentou nova impugnação em 27/08//2007 (fls. 322/334— Vol. II), alegando, em síntese: 17.1. o Enunciado n° 30 a despeito de sua flagrante ilegalidade, não poderá ser aplicado ao presente caso em respeito h. coisa julgada administrativa na medida em que é posterior ao acórdão do próprio CRPS; 17.2. não pode o INSS deixar de cumprir as diligencias determinadas pelo aludido acórdão, em detrimento do direito das empresas que foi assegurado pelo acórdão do CRPS, mediante um procedimento meramente burocrático e ilegal que não se aplica ao presente caso, sob pena de, inclusive, de o chefe do setor encarregado pela execução do julgado responder pessoalmente pelos prejuízos que causar em razão da referida ilegalidade; 17.3. o INSS está executando o acórdão com base no referido Enunciado n° 30 que, a toda evidencia contraria e prejudica flagrantemente o sentido do acórdão n° 1956, o que também é vedado pelo artigo 57 do Regimento Interno do CRPS; 17.4. requer, portanto, desde logo, o cumprimento do acórdão n° 1956, devendo o INSS promover a competente ação fiscal prévia para, com base no exame da contabilidade do prestador de serviços, verificar o adimplemento das contribuições previdenciárias no período fiscalizado; Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 17.5. conforme exposto no recurso que foi integralmente acolhido pelo CRPS a defendente não disponibiliza funcionários lnica e exclusivamente para os serviços objeto do contrato pactuado com a Petrobrds, inclusive porque tais contratos não demandam uma prestação de serviços dia a dia; 17.6. a decisão proferida nos processos administrativos fiscais, como é o caso do acórdão n° 1956, do CRPS, tem em relação à Administração Tributária ou Fiscal força vinculativa, ou seja, faz coisa julgada formal no sentido de que não é mais atacável no mesmo processo. A DRJ no Rio de Janeiro I julgou procedente o lançamento em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1998 DECADÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MAO DE OBRA.CRÉDITO LANÇADO NA TOMADORA. I 0 direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. II A responsabilidade solidária não comporta beneficio de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. Lançamento Procedente A Petrobras interpôs recurso tempestivo, alegando, em síntese, que: a) a NFLD, por não indicar com clareza a causa da responsabilidade solidária que lhe é imputada, merece a nulificação; b) as contribuições lançadas estão fulminadas pela decadência; c) o Enunciado n.º 30 do CRPS não pode ser aplicado retroativamente; d) a diligência determinada pelo CRPS não foi cumprida a contento, portanto, há de ser refeita; e) devese observar as normas que cuidam de evitar a constituição de créditos previdenciários em duplicidade; f) na espécie inexistiu a cessão de mãodeobra; g) o Fisco não pode exigir o crédito do devedor solidário, sem antes fiscalizar o devedor direto; h) a mensuração da base de cálculo proporcional ao valor das notas fiscais não é autorizada pela Constituição Federal; Ao final, requereu: Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000946/200735 Acórdão n.º 240102.234 S2C4T1 Fl. 1.648 7 a) a nulificação da NFLD ou a declaração de sua improcedência; b) o reconhecimento da decadência; c) a realização de diligência, para que se atenda ao determinado pelo CRPS. A Aeróelo Taxi Aéreo também apresentou recurso, aduzindo que: a) fazese necessária a realização de auditoria com base na sua contabilidade conforme determinou o CRPS; b) o Enunciado n.º do CRPS não pode ser aplicado aos fatos geradores ocorridos anteriormente a sua expedição; c) a falta de cumprimento da decisão do CRPS que determinou a realização de análise contábil na empresa prestadora fere a coisa julgada administrativa e subverte a hierarquia administrativa. Ao final, pede que se dê cumprimento à determinação do CRPS para que se fiscalize a empresa contratada com base em sua contabilidade ou, caso assim não se entenda, que se aproveitem os recolhimentos efetuados extinguindose o crédito. É relatório. Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições ou para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000946/200735 Acórdão n.º 240102.234 S2C4T1 Fl. 1.649 9 Na situação sob enfoque, verifico que, há recolhimentos para a empresa prestadora, principalmente para as competências 12/1997 a 05/1998 (ver fls. 611/614). Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade todas as competências lançadas, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 29/09/2003 e 21/102003, para a Petrobrás e para a sua contratada, respectivamente. Deixo de me pronunciar sobre as demais questões constantes do recurso em atendimento ao princípio da economia processual. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo a decadência para todo o período lançado. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917106/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 14/09/2001
COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO.
Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos
referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal
tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que
tenha transitado em julgado a respectiva decisão.
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO.
IMPOSSIBILIDADE.
É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar
tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de
inconstitucionalidade.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 14/09/2001
SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins
relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões
regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/09/2001 COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO. Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/09/2001 SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 15374.917106/2008-39
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4831033
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.459
nome_arquivo_s : 330201459_15374917106200839_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 15374917106200839_4831033.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4749686
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359911309312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 95 1 94 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917106/200839 Recurso nº 909.704 Voluntário Acórdão nº 330201.459 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2012 Matéria Cofins Declaração de Compensação Recorrente JOÃO MAURÍCIO DE ARAÚJO PINHO CONS. E ADVOGADOS S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/09/2001 COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO. Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/09/2001 SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 50 a 57) apresentado em 15 de abril de 2009 contra o Acórdão no 1333.443, de 16 de fevereiro de 2011, da 4ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 43 a 46), cientificado em 07 de abril de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de 14 de setembro de 2001, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins, prevista no inciso II do art. 6º da LC 70/1991, foi revogada pelo art. 56 da Lei 9.430/1996. RECOLHIMENTO DEVIDO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo sido constatadas a correção do recolhimento efetuado e a inexistência de crédito em relação a esse pagamento, não há que se reconhecer o direito da interessada ao pretenso crédito. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá las. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 20 de dezembro de 2004. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 06305.25069.201204.1.3.04 6356, em 20/12/2004, de crédito referente a valor que teria sido Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.917106/200839 Acórdão n.º 330201.459 S3C3T2 Fl. 96 3 recolhido a maior, em 14/09/2001, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (cód. 2172), atinente ao período de apuração 8/2001 no valor original de R$ 61.233,02, com débito de Contribuição para o PIS (cód.59796) referente ao período de 2ªquin. /dez. / 2004, no valor original de R$ 5.000,00. 2. Por meio do Despacho Decisório nº 781147113, emitido eletronicamente (fl. 9), o Delegado da Derat/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3 Cientificada, em 25/08/2008 (fl.9), a Interessada, inconformada, ingressou, em 11/09/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 12, na qual alega, em síntese, que: 3.1 O presente processo objetiva compelir o suplicante ao pagamento de crédito fiscal já compensado; 3.2 O despacho decisório considera que o pedido deve ser indeferindo diante da existência de crédito; 3.3 O pagamento referente a este processo já foi realizado em DARF anexo; 3.4 Qualquer impugnação ao crédito conforme art. 150, § 4º do CTN só poderia ser realizada até 2006. Por conseguinte, o pagamento se tornou definitivo em razão da decadência; 3.5 Como este foi o único fundamento para o indeferimento do pedido de compensação e a suplicante junta em anexo o comprovante do DARF respectivo, a decisão recorrida tem de ser revista para que se dê o pagamento como realizado, até porque é impossível contestálo, quer materialmente em função da comprovação do recolhimento, quer juridicamente em função da decadência; 3.6 O pagamento se refere à Cofins. Segundo o enunciado da Súmula 276 do STJ, em 14.05.2003: “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da cobrança para o financiamento da seguridade social (Cofins), independente do regime tributário adotado. Com base na súmula todas as sociedades civis de profissões regulamentadas poderão buscar direito de não pagar a Cofins e pedir restituição ou compensação dos valores pagos indevidamente a partir de 1996”; 3.7 Como a suplicante se enquadra exatamente nas condições referidas na aludida decisão, o pagamento reputase indevido e o crédito apurado pode ser usado para quitação de tributos por compensação, como ocorreu; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 3.8 Ressalta, porém, que este ponto não foi levantado para fundamentar o indeferimento do pedido de compensação, que é discutido e aponta apenas a inexistência do pagamento feito; 4. Por estas razões, a suplicante está certa de que a questão será melhor examinada e a decisão recorrida reformada. 5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. No recurso, inicialmente a Interessada alegou haver ocorrido homologação tácita. Acrescentou que, quando houve o pagamento, vigorava a Súmula STJ n. 276, segundo a qual “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS irrelevante o regime tributário adotado”. Citou, ainda, os arts. 100 e 144 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que não se trata de auto de infração, mas de não homologação de compensação. Ainda assim, segundo dispõe o art. 74, § 5º, da Lei n. 9.430, de 1996, o prazo de homologação tácita é de cinco anos, contados da transmissão da declaração: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso, conforme esclarecido no relatório, a declaração de compensação foi transmitida em 03 de fevereiro de 2004 e o despacho decisório foi exarado em 09 de maio de 2008, dentro do prazo legal. O equívoco da Interessada foi considerar como termo de início do prazo a data de recolhimento da contribuição, o que não se coaduna com a lei. Quanto ao mérito, sua pretensão esbarra em outra questão, que se inicia pela não aplicação ao presente caso da disposição do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf Ricarf (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.917106/200839 Acórdão n.º 330201.459 S3C3T2 Fl. 97 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Em relação a tal matéria, a Portaria Carf n. 1, de 2012, esclareceu que somente caberia o sobrestamento de processos administrativos, nos casos de o STF houver determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários: Art. 1°. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. No caso dos autos, voltando à análise da isenção, a repercussão geral da matéria foi decidida no RE n. 575.093 (STF, < http://www.stf.jus.br/ portal/ diarioJustica/ verDiarioProcesso.asp? numDj =92&dataPublicacaoDj =23/05/2008 &incidente =3747060 &codCapitulo =2&numMateria =12&codMateria =7>, acesso em 03 fev 2012): COFINS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LEI Nº 9.430/96 PROCESSO LEGISLATIVO ISENÇÃO DISCIPLINA MEDIANTE LEI ORDINÁRIA RESERVA DE PLENÁRIO. Possui repercussão geral controvérsia sobre a observância do processo legislativo e do princípio da reserva de Plenário, considerada revogação de isenção por meio de lei ordinária. Entretanto, no referido RE, não foi determinado o sobrestamento dos demais RE que trataram da matéria, de forma que descabe o sobrestamento dos processos administrativos que versem sobre a matéria. Nesse contexto, aplicase, no entanto, o art. 62 do Ricarf e a Súmula Carf n. 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. [...] Súmula CARF n. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É certo que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse na conclusão de que o regime de apuração do imposto de renda não condicionaria a isenção da Cofins prevista no art. 6º, II, da Lei Complementar n. 70, de 1991, que não fez ressalvas s relativas à isenção. A principal premissa desse entendimento é o fato de que a opção pela forma de tributação não pode alterar a natureza da sociedade civil, à vista do estritamente disposto no art. 1º do Decreto nº 2.397, de 1987. Entretanto, a Lei nº 9.430, de 1996, revogou expressamente a referida isenção. O Superior Tribunal de Justiça posicionou pela impossibilidade de uma lei ordinária revogar disposição instituída por lei complementar, pela suposta existência de hierarquia entre lei complementar e ordinária. No entanto, tratase de questão de natureza constitucional, matéria cuja competência para apreciação é do Supremo Tribunal Federal. De fato, desde a Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, de 1993, o STF já havia se posicionado pela inexistência de hierarquia entre lei complementar e ordinária e, mais ainda, pelo entendimento de que a LC nº 70, de 1991, teria natureza material de lei ordinária, podendo, portanto, ser revogada por uma lei formalmente ordinária. No âmbito dos recursos extraordinários 377.457 e 381.964, o Tribunal posicionouse pela constitucionalidade da revogação (DJe241, DIVULG 18122008, PUBLIC 19122008, EMENT VOL0234608, PP01774): EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.917106/200839 Acórdão n.º 330201.459 S3C3T2 Fl. 98 7 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. Portanto, o entendimento do STF temse firmado em sentido contrário ao do STJ e deve, assim, não há como, administrativamente, considerar que a referida isenção não tenha sido revogada. Nesse contexto, o STJ reviu seu posicionamento anterior, alinhandose ao entendimento do STF, conforme demonstra a ementa a seguir reproduzida (AgRg no Ag 1248980 / DF 2009/02187450, Relator(a): Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento: 16/08/2011, Data da Publicação/Fonte: DJe 19/08/2011): TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. COFINS. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. ISENÇÃO. LC N. 70/91. REVOGAÇÃO. ART. 56 DA LEI N. 9.430/96. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE ORIENTA NO SENTIDO DA JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 377.457/PR. DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DA REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO. 1. No tocante à decadência/prescrição do crédito tributário, essa matéria sequer foi objeto de conhecimento pelo Tribunal de origem, o que acarreta a ausência de prequestionamento, conforme o teor do entendimento consubstanciado na Súmula 282/STF. 2. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, em 17/9/2008, ao concluir o julgamento do RE 377.4573/PR, decidiu que não existe relação hierárquica entre lei complementar e lei ordinária e que a possibilidade de revogação da isenção concedida pela LC 70/91, por meio da Lei 9.430/96, encerra questão exclusivamente constitucional concernente à distribuição material entre as espécies legais. Na mesma oportunidade, o Pretório Excelso, ponderando preceitos constitucionais relativos à matéria tributária (arts. 195, I, e 239), afirmou que a LC 70/91 é materialmente ordinária. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 3. Considerando que as leis confrontadas (art. 6º, II, da LC 70/91 e art. 56 da Lei 9.430/96) são materialmente ordinárias e ostentam normatização incompatível em si, é de se concluir pela prevalência do diploma mais moderno e, por conseguinte, pela legitimidade da revogação da isenção da Cofins (art. 2º, § 1º, da LICC lex posterior derrogat priori). 4. Agravo regimental não provido. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001185/2002-04
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONHECIMENTO - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – Não deve ser conhecido o Recurso Especial de Divergência quando ausente a
similitude fática entre o acórdão recorrido e aquele apontado como
paradigma.
Numero da decisão: 9101-001.297
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : CONHECIMENTO - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – Não deve ser conhecido o Recurso Especial de Divergência quando ausente a similitude fática entre o acórdão recorrido e aquele apontado como paradigma.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13808.001185/2002-04
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4875412
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-001.297
nome_arquivo_s : 910101297_13808001185200204_0112.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : KAREM JUREIDINI DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 13808001185200204_4875412.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
id : 4749350
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359933329408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13808.001185/200204 Recurso nº 139.162 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.297 – 1ª Turma Sessão de 26/01/2012 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ELETROPAULO METROPOLITANA ELETRICIDADE DE SÃO PAULO S.A. CONHECIMENTO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – Não deve ser conhecido o Recurso Especial de Divergência quando ausente a similitude fática entre o acórdão recorrido e aquele apontado como paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonsêca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.001185/200204 Acórdão n.º 9101001.297 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão n° 10196.868, proferido pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O auto de infração exige IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, decorrente da constatação de que a contribuinte teria deixado de adicionar ao lucro real as parcelas pertinentes aos encargos com o patrocínio dos Planos de Benefício e Suplementação de Aposentadorias (PSAP), junto à Fundação CESP, consideradas excedentes aos limites fixados no artigo 11, § 2º, da Lei nº 9.532/97. Impugnado o lançamento, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o lançamento procedente. Interposto Recurso Voluntário, o Acórdão nº 10196.868, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para que fossem restabelecidas as deduções concernentes as contribuições pagas pela contribuinte em face do contrato de ajuste, na parte relativa aos aposentados, bem como aos funcionários que foram transferidos para outras sociedades resultantes do processo de cisão da Eletropaulo Eletricidade. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anos calendário: 1999 a 2001 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – Não caracterizados vícios na formalização da exigência, não prosperam as alegações de nulidade. Imperfeições na quantificação do crédito tributário, mesmo que tivesse ocorrido, o que, no caso concreto não se vislumbra, não dariam necessariamente lugar à nulidade do auto de infração, podendo o lançamento ser aprimorado por meio processo administrativo fiscal, que constitui uma revisão interna do lançamento. IRPJ – CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA PRIVADA – LIMITE Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. IRPJ – RECOMPOSIÇÃO ATUARIAL DE FUNDO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA – Os ajustes decorrentes de déficit técnico apurado anterior a Lei n. 9.532/97, não devem compor o somatório dos pagamentos para efeito do limite de dedução de que trata o art. 11, da Lei n. 9.532/77. Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.001185/200204 Acórdão n.º 9101001.297 CSRFT1 Fl. 3 3 TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CSLL Tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que possui com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida à exigência reflexa, mormente quando não houve fatos novos a ensejar decisão diversa.. JUROS SELIC “Súmula 1º. CC n. 4: A partir de 1º. De abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO – “Súmula 1º. CC n. 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Lançamento Procedente em Parte.Em face do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Especial, argumentando (i) pela ilegitimidade passiva, vez que o lançamento foi efetuado contra pessoa jurídica extinta; (ii) a decadência do lançamento, nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, uma vez não comprovada a conduta fraudulenta; (iii) redução da multa de ofício qualificada em 150% para 75%, tendo em vista não ter sido comprovada a conduta fraudulenta. Em face do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, em que argumenta que o contribuinte deixou de adicionar, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL as parcelas excedentes aos limites fixados no artigo 11, § 2º da Lei nº 9.532/97. Aduz que a referida norma passou a produzir efeitos a partir de 01/01/1998, sendo que o período objeto de lançamento vai de 1998 a 2000. Com a referida lei, mudou o regime jurídico tributário, independentemente do momento em que a autuada havia contratado, não havendo assim, violação ao direito adquirido e ao princípio da irretroatividade das leis. O despacho de fls. 2.233 deu seguimento ao Recurso Especial. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 2.258/2.278, no qual requer não seja conhecido o Recurso Especial da d. Procuradoria por ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma. É o relatório. Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.001185/200204 Acórdão n.º 9101001.297 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo e houve despacho de admissibilidade. No entanto, tendo em vista as alegações do contribuinte em suas contrarrazões, em que requer o não conhecimento do Recurso Especial, entendo salutar reapreciar a divergência. A Recorrente cita como paradigma o acórdão nº 10321.188, apontando a seguinte divergência (fls. 2.205): “No paradigma apontado, a CEMIG postulou que fosse excluído do cálculo, para se saber se o limite de 20% previsto no artigo 11, § 2º da Lei nº 9.532/97 foi ou não atingido, o valor dos encargos financeiros acrescentados aos montantes pagos à FORLUZ, que não constituiriam diretamente benefícios previdenciários, pois resultaria de cláusula contratual. O paradigma entendeu não proceder tais argumentos. De forma semelhante, a Eletropaulo sustentou que deveria ser excluído do referido cálculo, o montante dos encargos amparados por contrato (de ajuste), que não constituiriam diretamente benefícios previdenciários. O acórdão recorrido acolheu tal tese, divergindo, portanto, do paradigma” De outro lado, afirma o contribuinte em suas contrarrazões que embora o seu caso também envolva a aplicação do artigo 11 da Lei nº 9.245/95, trata de situação diversa daquela ocorrida no acórdão paradigma. Isto porque o caso tratado no acórdão paradigma envolvia pagamentos realizados pela CEMIG referentes a encargos financeiros devidos pelo atraso nas contribuições para a previdência privada de quadro de empregados próprio da empresa; enquanto que no presente caso, os pagamentos se referem a contrato de ajuste relativos a empregados que não compõem sua própria folha de salários. Ainda, a recorrente fundamenta seu recurso na ausência de direito adquirido do contribuinte, o que foi utilizado como razão de decidir pelo acórdão apontado como paradigma. No entanto, não é esse o fundamento do acórdão recorrido para dar parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte. O voto condutor do acórdão recorrido não fundamenta a não aplicação do limite de dedutibilidade (artigo 11, § 2º da Lei nº 9.532/97) no direito adquirido da recorrente, mas na ausência de disposição expressa para a situação específica da contribuinte, a qual não estaria abarcada pelo limite previsto em lei, verbis: “Quanto à questão trazida aos autos pela Recorrente por ocasião de sua Sustentação oral e no Memorial anexado aos autos (fls. 2161/2173), qual seja, que os pagamentos realizados sob o amparo do Contrato de Ajuste não guarda qualquer relação ou proporcionalidade com a sua folha de salários, pois se referem a beneficiários que não fazem mais parte do seu Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.001185/200204 Acórdão n.º 9101001.297 CSRFT1 Fl. 5 5 quadro de empregados por força da privatização ocorrida no anocalendário de 1997, que no seu entendimento é o que exige a Lei n. 9.532/97 para estipular a limitação de 20%, e sendo assim, não deve compor o somatório dos pagamentos para efeito do limite, entendo que a razão encontrase com a Recorrente. De fato, o § 2°, art. 11, da Lei n. 9.532/97, ao limitar a 20% dos salários e remunerações do período, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, dispôs: Art. 11. A dedução relativa às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere à alínea e do inciso II do art. 8°. da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, somada às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual — FAPI, a que se refere à Lei n. 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da pessoa física, fica limitada a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. § 1°. (...). § 2°. Na determinação do lucro real e da base de calculo da contribuição social sobre o lucro liquido, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do art. 13 da Lei n. 9.249, de 1995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual — FAPI, a que se refere à Lei n. 9.477, de 1997, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a 20% (vinte por cento) do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. Assim, da interpretação do disposto acima, depreendese que a limitação de 20% das despesas com contribuições para a previdência privada, diz respeito tão somente ao total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa vinculados ao referido plano, não fazendo qualquer referência a pagamentos decorrentes de recomposição atuarial passada, não podendo, dessa forma, abranger os pagamentos efetuados para saldar dívida pretérita (contraída pela empresa em 30.09.97), eis que tais pagamentos não guardam qualquer relação com a folha de salário da Recorrente como exige o dispositivo acima citado. Da leitura do acórdão recorrido claramente se verifica que o provimento reportase ao fato de existir uma obrigação autônoma em relação ao contrato celebrado pela Eletropaulo, que não guarda qualquer relação direta com encargos financeiros ou qualquer natureza de contribuição ao plano de previdência do quadro próprio de empregados da contribuinte. Os valores exonerados correspondem a contratos de ajuste firmados pela Eletropaulo no plano do Programa Estadual de Desestatização e não guarda relação com sua folha de salários ao tempo do fato. Decidiuse que a dívida pretérita não pode servir de parâmetro para comparação da folha de salários da contribuinte, ressalvando o acórdão Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.001185/200204 Acórdão n.º 9101001.297 CSRFT1 Fl. 6 6 recorrido que a limitação da Lei nº 9.532/97 diz respeito tão somente aos salários dos empregados e à remuneração dos dirigentes da empresa no respectivo período. Neste ponto, de se ressaltar que na diligência, solicitada pela Câmara a quo, foram segregados os valores pagos a títulos de despesas com contribuições para a previdência privada, os valores pagos para amortizar as obrigações assumidas com a Fundação CESP e as contribuições normais e extraordinárias correntes com os salários dos empregados e remuneração de dirigentes, excluindo deste últimos os valores pagos para amortizar a obrigação assumida com a Fundação CESP. Reproduzo o pedido de diligência (fls. 1.383) e o trecho do relatório que informa sobre a segregação dos valores (fls. 2.109/2.113): Questionamento “a) apresentar, separadamente, com base em demonstrativos devidamente comprovados com documentos hábeis e idôneos, os valores pagos a titulo de despesas com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual FAPI, a que se refere à Lei n° 9.477, de 1997, bem como os valores pagos para amortizar a obrigação assumida com a Fundação CESP em 30 de setembro de 1997; b) apresentar cálculo comparativo (em percentuais) entre as contribuições normais e extraordinárias correntes pagas (excluindo apenas os valores pagos para amortizar a obrigação assumida em 1997), com os salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa vinculados ao referido plano nos exercícios fiscalizados, a fim de considerar os limites fixados no artigo 11, § 2°, da Lei n° 9.532/97.” Resposta: “Após os minudentes exames na vasta documentação que instruem o presente processo, podese inferir que há pequenas diferenças entre os pagamentos a titulo de despesas com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do artigo 13 da Lei n° 9.249, de 1.995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual FAPI, a que se refere à Lei n° 9.477, de 1.997, bem como os valores pagos para amortizar a obrigação assumida com a Fundação CESP em 30 de Setembro de 1.997, contabilizados nas rubricas correspondentes, conforme Quadro Demonstrativo de fls. 1402, 1428, 1525, 1589 e 1915, comparados com os valores constantes na DECLARAÇÃO DE REPASSE DE RECURSOS PREVIDENCIÁRIOS, de fls. 1403.” Justamente em função da resposta à diligência é que o acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso do contribuinte, para excluir da tributação “as deduções concernentes as contribuições pagas pela contribuinte em face do contrato de ajuste, na parte relativa aos aposentados, bem como aos funcionários que foram transferidos para outras sociedades resultantes do processo de cisão da Eletropaulo Eletricidade”. Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.001185/200204 Acórdão n.º 9101001.297 CSRFT1 Fl. 7 7 De se esclarecer ainda que o voto condutor do mesmo acórdão rechaça o argumento de que o regime aplicável é aquele do momento da contratação, anterior portanto aos efeitos da Lei nº 9.532/97, verbis: Portanto, por ocasião da celebração do Contrato (1997), e com base na legislação de regência, o regime adotado para efeito de apropriação das despesas já era o de competência, e, por conseguinte, as despesas pretéritas contratadas, na pior das hipóteses, já deveriam ter sido reconhecidas dentro daquele próprio anocalendário. Sendo assim, os argumentos despendidos pela Recorrente no sentido de que por ocasião do Contrato o nascimento da obrigação de pagar os valores adicionais à FUNCESP (1997) havia ocorrido sob a égide do artigo 301 do RIR/94 não tem corno prosperar, eis que naquele anocalendário o regime ali adotado para as contribuições às entidades de previdência privada já era o de competência. Vejase que no mesmo sentido desse último argumento é que o acórdão paradigma está fundamentado: Daí se infere, portanto, que a legislação de regência a ser respeitada para o efeito da apuração do lucro real em cada exercício é a legislação que nele estiver vigendo, respeitado obviamente os princípios constitucionais superiores. A lei n° 9.532/97 e o dispositivo enfatizado estão no poder limitativo que o legislador infraconstitucional possui em face das normas que presidirão a apuração do tributo em cada exercício, bastando apenas que seja aprovada no exercício anterior Não enxergo portanto que os "novos limites atingiria de pleno direito constituído e, portanto, adquirido à sombra de lei antiga" Portanto, não se verifica similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, mormente pois envolvem a (in)dedutibilidade de pagamentos de natureza distinta, em contextos também distintos, além de ambos os julgados convergirem no sentido de afastar a alegação de direito adquirido do contribuinte e no sentido de não aplicar o regime anterior àquele previsto na Lei nº 9.532/97. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da d. Procuradoria, por ausência de divergência jurisprudencial. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.001185/200204 Acórdão n.º 9101001.297 CSRFT1 Fl. 8 8 Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000676/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001,2002, 2003
IRPF ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO ENQUADRAMENTO LEGAL LANÇAMENTO
NULO.
A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001,2002, 2003 IRPF ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO ENQUADRAMENTO LEGAL LANÇAMENTO NULO. A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 19515.000676/2007-14
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4876001
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.956
nome_arquivo_s : 920201956_19515000676200714_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515000676200714_4876001.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4749904
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359951155200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.000676/200714 Recurso nº 168.648 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.956 – 2ª Turma Sessão de 15 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TSENG CHIH PING ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001,2002, 2003 IRPF ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO ENQUADRAMENTO LEGAL LANÇAMENTO NULO. A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso especial negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 29/02/2012 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 285/282) interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 220200.167 (fls. 272/281) proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Segunda Seção do CARF, com fulcro nos arts. 67 e 68, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22 de junho de 2009. Como consignado abaixo, a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Segunda Seção do CARF julgou, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: IRPF ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO ENQUADRAMENTO LEGAL LANÇAMENTO NULO A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso provido. A i. PGFN apresenta como paradigma para conhecimento e provimento da sua pretensão o Acórdão 10196620: EMENTA — IRPJ e outro. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO — Não inquina de nulidade o auto de infração eventual impropriedade na indicação do enquadramento legal, ou mesmo a referência a artigo do Regulamento do Imposto de Renda, quando a descrição dos fatos das infrações nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. OMISSÃO DE RECEITAS — Caracterizase como omissão de receitas a divergência apurada entre os valores declaiados em DIPJ e as notas ficais emitidas pelo contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.000676/200714 Acórdão n.º 920201.956 CSRFT2 Fl. 2 3 MULTA QUALIFICADA AUSÊNCIA DE TIPICIDADE PARA SUA APLICAÇÃO Deve ser afastada a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado o dolo por parte do sujeito passivo. Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção proferiu despacho que deu seguimento ao recurso interposto [fls. 294/296]: [...] Assim, a mera leitura dos acórdãos recorrido e paradigma permite concluir que são acórdãos divergentes, pois tratam de matérias tributárias iguais, de fato e de direito, de forma diferente. Ou seja, tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no acórdão recorrido entendeuse, que a precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Por sua vez, no paradigma, ao contrário do que se concluiu no recorrido, considerouse, que não inquina de nulidade o auto de infração eventual impropriedade na indicação do enquadramento legal, ou mesmo a referência a artigo do Regulamento do Imposto de Renda quando a descrição dos fatos das infrações nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. Intimado para oferecer contrarrazões, o Contribuinte argumenta que [fls. 299 314]: (i) o recurso não deve ser conhecido, pois há ausência de identidade fática. No acórdão recorrido, ficou averbado que a nulidade do auto foi decretada em razão da falta de descrição precisa da infração imputada ao sujeito passivo. No acórdão paradigma, por sua vez, a descrição da infração era precisa e a questão versava sobre a consequência jurídica a ser atribuída pelo erro no enquadramento legal dado pela autoridade lançadora; (ii) caso seja conhecido, que lhe seja negado provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256 de de 22 de junho de 2009, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar parte do relatório da decisão recorrida (verbis): Em desfavor do contribuinte, TSENG CHIH PING, em 23/03/2007, o Auto de Infração de fls. 149 a 151, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004, 2003 e 2002 (respectivamente anoscalendário 2003, 2002 e 2001), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 4.659.031,41, dos quais R$ 1.537.444,97 correspondem ao imposto, R$ 2.306.167,45 à multa proporcional e R$ 815.418,99 aos juros de mora, calculados até 28/02/2007. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 137 a 144) e item "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", do Auto de Infração (fls. 150 e 151), o procedimento apurou a ocorrência da seguinte infração: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Omissão de rendimentos, conforme Termo de Verificação. Foi aplicada a multa qualificada de 150%. O trabalho da Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF n° 463, de 30/04/2004, foram investigadas contas mantidas no exterior por instituições financeiras que atuavam como prepostos bancáriosfinanceiros de pessoas fisicas e jurídicas brasileiras. Dentre as pessoas fisicas encontravase o contribuinte Sr. Tseng Chih Ping, como beneficiário de recursos financeiros movimentados no exterior. A CPMI do Banestado realizou investigações acerca da movimentação financeira junto às instuições financeiras "Merchants Bank e MTB HUDSON BANK". O juizo da Suprema Corte do Estado de Nova Iorque, Estados Unidos da América, autorizou, em 29 de agosto de 2003 a liberação para as autoridades brasileiras, de informações acerca de movimentação financeira obtidas junto à "BEACON HILL SERVICE CORPORATION". O Laudo de Exame Econômico Financeiro n" 12812005INC constatou os relacionamentos das contas mantidas junto ao Merchants Bank com aqueles comuns às contas mantidas junto à instituição Beacon Hill, bem como identificou os campos existentes nas ordens de pagamento. Também, no mesmo sentido, os Laudos e Exame Econômico Financeiro n0141212005INC e n0196/2006INC. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.000676/200714 Acórdão n.º 920201.956 CSRFT2 Fl. 3 5 As movimentações junto ao MTB Hudson Bank., conta n° 71685 Azteca Financial Corp e a conta n" 3982071688 Abalone Investiments Inc, identificaram o contribuinte Tseng Chih Ping a título de beneficiário e a conta beneficiária de n° 354620601, tendo como banco recebedor o General Bank., ABA 122 037841 e Citibank NYC ABA 21000089. Intimado a esclarece os fatos, o contribuinte alegou não ser detentor de contas bancárias no Merchants Bank. e MTB Hudson Bank. Intimado a explicar as transferências para os bancos General Bank Rosemead —ABA 122037841 conta 35460601 e Citibank. 'NYCABA 21000089 conta 88090523, identificadas nas mídias magnéticas examinadas pelas autoridades americanas e brasileiras como tendo Tseng Chih Ping como beneficiário, o contribuinte limitouse a informar desconhecer tais operações. Segundo o Termo de Verificação Fiscal: […] Cientificado do auto de infração, 23/03/2007, o contribuinte apresentou, em 24/04/2007, a impugnação de fls. 160 a 189, apresentando os seguintes argumentos de defesa. Nos trabalhos de fiscalização houve discricionariedade por parte do Auditor Fiscal da Receita Federal, e, como se sabe, não cabe qualquer espécie de escolha no exercício da função, devendo agir nos estritos limites impostos pela lei, isto é, os atos praticados são vinculados e não discricionários. Preliminar: Erro na identificacão do sujeito passivo O contribuinte afirma que desconhece a titularidade das contas beneficiárias identificadas no exterior e também desconhece a existência dos recursos nelas movimentados. O fato de não haver sido encontrado nenhum homônimo do impugnante, através de pesquisas realizadas em âmbito nacional não é o bastante para que se possa concluir, com certeza, a sua titularidade das contas beneficiárias. A pesquisa de homônimos deveria ser realizada em bases internacionais, ainda mais porque o nome do contribuinte e comum entre pessoas da nacionalidade chinesa. Poderia ser realizada pesquisa de passaportes, por exemplo. Deveria ser buscada a verdade material, princípio da administraçã o pública. Citou trechos da doutrina que sustentam a necessidade de se buscar a verdade material, em obediência também ao princípio inquisitório, devendo o Fisco proceder a diligências buscando esclarecer os fatos tributários. Ferido está o critério pessoal da exação em tela, devendo, por isso mesmo, ser declarado nulo o lançamento, uma vez que não Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 restou comprovado que o impugnante seja de fato o titular dos recursos movimentados no exterior. […] Em 5 de dezembro de 2007, os membros da 6' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares, e considerou procedente em parte o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Tendo havido a perfeita identificação do contribuinte como beneficiário de recursos enviados ao exterior, pelos dados obtidos das instituições financeiras envolvidas, não há por que prevalecer a alegação de erro na, identificação do sujeito passivo. Preliminar rejeitada; PRELIMINAR VIOLAÇÃO AO SIGILO BANCÁRIO O sigilo bancário, neste caso, foi afastado por ato de autoridade judicial estrangeira, no exercício da soberania do Estado estrangeiro e meramente transferido às autoridades brasileiras, por ordem da Justiça Federal. Não constitui violação da intimidade o simples acesso à movimentação bancária do contribuinte, vez que os atos administrativos reputamse pautados na impessoal idade e os funcionários da administração tributária tem o dever legal de manter sigilo das informações a que tem acesso em função do cargo. Preliminar rejeitada PRELIMINAR. DECADÊNCIA. ANOCALENDÁRIO 2001. Tendo havido a constatação do intuito doloso no sentido de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, o prazo decadencial a ser considerado é aquele do lançamento de oficio, isto é, extinguese após cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ficando afastada a figura da homologação. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECURSOS ENVIADOS AO EXTERIOR A nãocomprovação da origem dos recursos financeiros enviados para contas bancárias mantidas no exterior e não informados nas respectivas declarações de ajuste anuais autoriza a autuação lastreada na apuração de omissão de rendimentos. MULTA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Não pode ser inquinado pela alegação de confisco o lançamento do imposto de renda da pessoa fisica que atendeu aos preceitos legalmente estabelecidos e exigiu tributo resultante da constatação de omissão de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.000676/200714 Acórdão n.º 920201.956 CSRFT2 Fl. 4 7 rendimentos, bem como impôs multa de oficio que apresentou como base de cálculo o correspondente imposto apurado. No que tange, ainda, à invocação da figura do confisco, refoge à competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA (150%). A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a majoração da multa de oficio, consubstanciadas pela tentativa de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto, é de se manter a multa de oficio qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). […] Cientificado em 11/06/2008, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 08/07/2008, o Recurso Voluntário, de fls. 226/261, acompanhado de anexos reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas, que aditando os seguintes pontos: a verdade material; Da necessidade de observância do principio da legalidade; Da preliminar de nulidade do auto de infração, pela fiscalização não buscar Da irregular violação de sigilo bancário; Do prazo decadencial do lançamento; Da impossibilidade de incidência do IR sobre a movimentação financeira; Da inexistência de comprovação de infringência aos dispositivos legais combatidos; Da confiscatoriedade e ausência de razoabilidade da pena aplicada; Da indevida aplicação da taxa selic; Analisado o lançamento e argumentos colacionados pelo Contribuinte, o i. Conselheiro Relator entendeu pela nulidade do lançamento, pois: Conforme o auto de infração, o lançamento decorre da apuração de omissão de rendimentos. Preliminarmente, cabe apontar uma questão prejudicial, entendo que ocorreu um erro na identificação da infração, de acordo com os documentos ocorreram depósitos bancários no exterior e em dólares tendo como beneficiário o contribuinte, mas esse fato apenas não têm o condão de comprovar que tais depósitos se referem a rendimentos recebidos pelo contribuinte. Está comprovado que os referidos depósitos originaramse de recursos da conta no exterior, entretanto não restou comprovado pelo Fisco o motivo da transação ou a que título se deram os Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 depósitos. Observese, que no auto de infração o Fisco relacionou, em tabela, valores de depósitos bancários creditados em suas contas nos anos de 2001, 2002 e 2003. Fato é que, na ação fiscal, não restou comprovada a natureza dos recursos depositados como "rendimentos" recebidos de modo a evidenciar a omissão de rendimentos recebidos. Em suma, entendo que, se existe previsão legal de presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e se, de fato, essa origem não foi comprovada, descabe o lançamento com base na infração "Omissão de Rendimentos Recebidos", infração esta distinta e com enquadramento legal específico. Portanto, necessitaria estar provada pelo Fisco, mediante documentação hábil e idônea, a natureza da percepção dos recursos depositados nas referidas contas bancárias, para que fosse possível aferir, se, de fato, tratavamse de rendimentos tributáveis recebidos de fontes no exterior. Como essa prova não é clara, não há como prosperar o lançamento com a infração e enquadramento legal indicado. O entendimento acima exposto tem se consolidado no CARF, conforme se dessume da leitura do Acórdão 202001252, de Relatoria do i. Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPFExercício: 2001, 2002, 2003 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDA DE FONTES DO EXTERIOR. TRANSAÇÕES FINANCEIRAS OCORRIDAS NO EXTERIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO INILUDÍVEL DE QUE O CONTRIBUINTE FEZ AS TRANSAÇÕES E QUE DELAS SE BENEFICIOU. IMPOSSIBILIDADE DE CONSIDERAR AS TRANSAÇÕES, EM SI MESMAS, COMO RENDIMENTOS OMITIDOS.Para imputar ao contribuinte fiscalizado uma omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior, oriunda de transferências financeiras, mister desnudar o fato gerador da obrigação, demonstrando a origem, a causa e quem fez o pagamento. Uma transação financeira, em si mesma, da qual sequer se sabe de forma iniludível como o sujeito passivo nela figurou, não pode ser considerada como omissão de rendimentos.Recurso provido.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Dito isso, mantenho o entendimento afirmado no acórdão recorrido. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.000676/200714 Acórdão n.º 920201.956 CSRFT2 Fl. 5 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000093/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.084
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade de contribuições para o levantamento FP1. II) Por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições lançadas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que para o levantamento CI, declarou a decadência até a competência 11/2001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201002
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 16641.000093/2007-41
anomes_publicacao_s : 201002
conteudo_id_s : 5067100
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.084
nome_arquivo_s : 240101084_16641000093200741_201002.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16641000093200741_5067100.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade de contribuições para o levantamento FP1. II) Por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições lançadas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que para o levantamento CI, declarou a decadência até a competência 11/2001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
id : 4753681
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359988903936
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-19T14:24:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-19T14:24:00Z; Last-Modified: 2011-08-19T14:24:00Z; dcterms:modified: 2011-08-19T14:24:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:53aa4d6b-813a-49b4-a88e-6cf5e0fceabf; Last-Save-Date: 2011-08-19T14:24:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-19T14:24:00Z; meta:save-date: 2011-08-19T14:24:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-19T14:24:00Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-19T14:24:00Z; created: 2011-08-19T14:24:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2011-08-19T14:24:00Z; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-19T14:24:00Z | Conteúdo => S2-C4T1 FL 197 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16641.000093/2007-41 Recurso n° 156.015 Voluntário Acórdão n° 2401-01.084 — 4' Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, CONTRIBUINTE Recorrente INDÚSTRIA DE CONSERVAS SCHRAMM LDA Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 PRÊVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Camara / la Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade de contribuições para o levantamento FP1. II) Por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições lançadas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que para s vantamento CI, declarou a decadência até a competência 11/2001. Designado para r digir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. ELIAS SAMPA FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora W%1 KLEBER FERREIRA DE A ÚJO — Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. Processo n° 16641.000093/2007-41 S2 -C4T1 Acórdão n.° 2401-01.084 Fl. 198 Relatório A presente NFLD de n° 37.066.956-8, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos as pessoas fisicas que lhe prestaram serviços enquanto segurados empregados e contribuintes individuais. 0 lançamento compreende competências entre o período de 02/1999 a 12/2001, sendo que os fatos geradores incluidos nesta NFLD foram apurados por meio das folhas de pagamento e documentos descritos nos Livros Diário, conforme relatório fiscal fls. 63 a66. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/10/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa tempestiva pela notificada, fls. 78 a 122. Foi exarada Decisão-Notificação que confirmou a procedência total do lançamento, fls. 135 a 143. Tendo em vista que a empresa não foi encontrada para recebimento do AR encaminhado com os acórdãos proferidos pelos membros da 7a Tuima da DRJ — Porto Alegre/RS, que julgou procedente os débitos, foi publicado edital de n° 04/013/2008 ern 24/03/2008. Não concordando com a decisão do órgão previdencidrio, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 150 a 194. Em síntese a empresa alega: 1. Preliminarmente, impossibilidade de constituir o crédito em virtude da fluência do prazo decadência nos teimos do art. 150, §4° 2. Descabida a exigência de contribuição sobre os pagamentos destinados a contribuintes individuais, uma vez que sua exigência funda-se em pagamentos de fretes, honorários profissionais e pro-labore, hipóteses já apreciadas e afastadas pelo STF, quanto ao cabimento da exação. 3. Incabível a exigência de contribuições a. titulo de SAT, uma vez que o dispositivo legal que determina a sua aplicação não determinou o conceito de atividade preponderante, fator indispensável a exigência 4. Incabível, também a contribuição em relação a terceiros, tendo em vista a recorrente não estar obrigada ao pagamento das exações indicadas no relatório de autuação, vez que inexiste relação jurídico-tributária com os entes nominados na notificação, por não vislumbrar relação com as atividades desenvolvidas pelo INCRA e SEBRAE. 5. Inexiste relação jurídica, ainda para que o recorrente seja compelido a recolher contribuições para o INCRA/FUNRURAL/SENAR. 6. Na NFLD em tela a autoridade fiscal agravou os percentuais de 10 para 25%, fato que vem a colidir com o que dispõe a legislação ordinária. 7. Deve ser desconstituida a NFLD com relação a multa moratória aplicada, por significar verdadeiro confisco praticado em contrariedade com o principio da capacidade contributiva. 8. Ilegal, ainda a aplicação dos juros posto que afronta o art. 97 e 161 do CTN. 9. Requer a insubsistência e improcedência da decisão proferida em primeiro grau, para que se cancele o auto de infração hostilizado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contra-razões. o relatório. Processo n° 16641.000093/2007-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.084 Fl. 199 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 196. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em primeiro lugar cumpre-nos apreciar o argumento de que o crédito encontra-se decadente, o que entendo razão assiste em parte ao recorrente nos termos abaixo expostos. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Sumula Vinculante de n ° 8, sendo vejamos: Súmula Vinculante n° 8"Sdo inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da sumula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdencidria constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdencidrias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇ'ÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATiCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.° DO ART 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁ TICO -PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STI. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRENCL4. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Lirnonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com 6 Processo n° 16641.000093/2007-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.084 Fl. 200 dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CT1V), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notifica cão de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4 0, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ott simulação, nem sido 'notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 40, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notifica cão do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CT1V, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificacdo de vicio formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificaçâo do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdencidrias após a publicação da Súmula vinculante no 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o credito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) Processo n° 16641.000093/2007-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.084 Fl. 201 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela not ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo A. homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Sendo vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° - 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributciria quaisquer atos anteriores a homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando a extinção total ou parcial do crédito. § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simula geio. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do ca-N, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdencidrias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4 0, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 40 . Tal circunstância é observada no levantamento FP1, onde foi apurado valores pagos aos segurados empregados, não declarados no documento GFIP, porem onde houve recolhimento parcial por parte do recorrente, conforme podemos identificar no relatório DAD. Assim, com relação a essa modalidade de levantamento entendo aplicável o art. 150, 54°. Contudo, entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdencidrias 6 . no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiar-se pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusar-se ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. Observa-se que no levantamento CI, não houve por parte do recorrente nem o reconhecimento da rubrica como fato gerador de contribuições, tampouco recolhimento antecipado, tendo em vista que o próprio recorrente em seu recurso descreve serem indevidas contribuições sobre fretes, honorários ou mesmo pro-labore, razão porque não hi que se falar em recolhimento antecipado. Consubstanciado nestes argumentos, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM 0 PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC), ou mesmo da obrigação descrita no levantamento CI, objeto da NFLD em tela, onde não ocorreu por parte do recorrente qualquer recolhimento. Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente, porque caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poder-se-ia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que s6 se antecipa, aquilo que se considera. Não há como considerar que houve antecipação de pagamento, para aplicação do art. 150, § 40, de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o e, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. 1 0 Processo n° 16641.000093/2007-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.084 Fl. 202 Entendo que dever-se-á considerar que houve antecipação para aplicação do § 40 do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. Em assim sendo, considerando que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, com a cientificação do sujeito passivo em 19/10/2007 e que os fatos geradores ocorreram no período de 02/1999 a 12/2001, para o levantamento FP1 aplicável a tese do art. 150, 4°, razão porque totalmente decadente, ¡A para o levantamento CI entendo aplicável o art. 173 do CTN, portanto, deve ser declarada a decadência do lançamento até a competência 11/2001. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal, as contribuições até a competência 11/2001 para o levantamento CI e a totalidade de contribuições para o levantamento FP1, e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Voto Vencedor Conselheira Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito aos critérios para fixação do "prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. Verifica-se na espécie, conforme consta no Relatório de Documentos Apresentados, que ,para todas as competências presentes na NFLD, há recolhimentos de contribuições. Todavia, não há como identificar a quais fatos geradores as mesmas estão vinculadas. cediço que na Guia da Previdência Social — GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único — "Valor do INSS" — todas as contribuições previdencidrias, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar os levantamentos FP1 e CI para verificar a decadência. Nesse sentido, deve ser aplicado para a contagem do prazo decadencial o critério do art. 150, § 40 do urN,. Assim, verificando-se que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 19/10/2007, vislumbro que a decadência operou-se para todo o período, qual seja de 02/1999 a 12/2001 e para todos os levantamentos. E esse o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça., conforme se observa da ementa abaixo reproduzida (REsp n2 1034520/SP, Relatora: Ministra Teori Albino Zavascki, julgamento em 19/08/2008, DJ de 28/08/2008): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE 140 HOUVE ANTECIPAÇÁO DO PAGAMENTO (CT1V, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CT1V, ART. 150, § 40) PRECEDENTES DA 1' SEÇÃO. DECISÃO ULTRA PETITA. INVIABILIDADE DE EXAME EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, DESPROVIDO.: Assim, voto pelo reconhecimento da decadência para as competências de 02/1999 a 12/2001, tanto para o levantamento FP1, como para o levantamento CI. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 KLEBER FERREIRA DE A A UJO — Redator Designado 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÃMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 16641.000093/2007-41 Recurso n°: 156.015 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.084 asilia, 2 de abril de 2010 J ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 16327.915389/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação,
substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados,
sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de
compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF
original, a desconstituição da causa original da não
homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de
despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do
crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 330201.406
sessão de 26/01/2012
Numero da decisão: 3302-001.498
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 330201.406 sessão de 26/01/2012
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 16327.915389/2009-93
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5170364
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.498
nome_arquivo_s : 3302001498_16327915389200993_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
nome_arquivo_pdf_s : 16327915389200993_5170364.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4750374
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360047624192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.915389/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.498 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2012 Matéria PER/DCOMP DCTF RETIFICADORA Recorrente BANCO ITAÚ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 330201.406 sessão de 26/01/2012 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 24/06/2008 (fls. 17), no qual é pretendida a compensação de IOF no valor de R$126.513,27, com vencimento em 25/06/2008, cujo crédito teria se originado de recolhimento indevido de CPMF. Através do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 15, a DRF de origem denegou a compensação pleiteada, considerando que o alegado direito creditório já fora utilizado para a quitação de débito da requerente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A manifestação de inconformidade apresentada pelo interessado (fls. 01/08) foi considerada improcedente pela Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, através do Acórdão nº 0532.464, sessão de 07/02/2011 (fls. 33/35, assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalenário: 2006 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. DIREITO DE CRÉDITO. REGIME DE RETENÇÃO. ÔNUS FINANCEIRO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Cientificado dessa decisão em 09 de março de 2011 (AR. de fls. 39), no dia 07 de abril seguinte o interessado apresentou recurso voluntário a este Conselho, no qual foram trazidos os argumentos de defesa a seguir sintetizados: que o tributo não compensado não lhe poderia ser exigido em face de o direito creditório terse originado de recolhimento indevido de CPMF que equivocadamente fora retida e posteriormente estornada sendo, assim, legítimo o direito ao crédito e a conseqüente homologação da compensação declarada; Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 16327.915389/200993 Acórdão n.º 3302001.498 S3C3T2 Fl. 2 3 que a decisão recorrida não reconhecera o direito creditório sob o fundamento de que o argüido pagamento indevido ou a maior não fora devidamente comprovado, sendo que os documentos então acostados à manifestação de inconformidade comprovariam, de forma inequívoca, o seu direito creditório; que, conforme amplamente exposto na defesa apresentada, o Recorrente recolheu CPMF, indevidamente, no mês agosto de 2006, tendo em vista que, nos termos do artigo 8º, da Lei nº 9.311, de 24.10.1996, os lançamentos em conta corrente de depósito das sociedades de investimento e dos fundos de investimento são tributados à alíquota zero, passando à transcrição do referido dispositivo; que os extratos das contas (doc. 05) demonstram o estorno dos valores retidos indevidamente, evidenciando que o Recorrente suportou o ônus do pagamento da CPMF indevidamente retida, sendo incontroversa a conclusão de ter sido o Recorrente o responsável pelo pagamento da CPMF; que no processo administrativo, diferentemente do que ocorre no processo judicial, prevalece o princípio da verdade material em detrimento da verdade formal, cumprindo à autoridade administrativa, para a solução do litígio, promover a incessante busca do que realmente traduz a verdade dos fatos, fazendo citações doutrinárias para corroborar seus argumentos. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Relator. O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Extraise do relatório que o pleito do recorrente é no sentido de serlhe reconhecido direito creditório que teria se originado de recolhimento da Contribuição CPMF que fora retida indevidamente sobre movimentação financeira de sociedades de investimento e de fundos de investimento que, nos termos do artigo 8º da Lei nº 9.311, de 24/10/1996, seriam tributadas à alíquota zero. O Despacho Decisório Eletrônico, emitido em 07/10/2009 (fls. 15), considerou não mais existente o direito creditório, porquanto o mesmo já teria sido utilizado para a compensação de débitos do requerente. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a decisão recorrida, além de considerar que o direito creditório não fora devidamente comprovado quanto à sua real existência, trouxe mais um fator que também impediria a homologação pretendida, qual seja, o fato de a CPMF ser um tributo cujo ônus recai sobre o titular da movimentação financeira, sendo a instituição que a retém apenas responsável pela sua cobrança e recolhimento, cabendo a esta a comprovação de que o pagamento a maior ou indevido fora por ela suportado. Conclui o órgão de julgamento administrativo de primeiro grau que, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Consta às fls. 23/24 dos autos que em 28/08/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data anterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$137.692.232,40, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$137.457.015,74, e mais R$235.216,66, com suspensão. Do acima exposto, entendo que, nesta assentada, a questão básica a ser enfrentada por este Colegiado diz respeito à possibilidade de validação da DCTF retificadora, para efeito da comprovação da real existência do indébito fiscal que gerador do questionado direito creditório. A propósito, na manifestação de inconformidade é asseverado que a não homologação teria ocorrido pela entrega da DCTF original sem a contemplação do valor desse crédito, o que é indispensável para o cruzamento de informações nos sistemas da RFB, acrescentando que, no entanto, mencionada DCTF original foi retificada em 28/08/2009, apresentando o crédito controvertido (fls. 03). Assevera ainda na manifestação de inconformidade (fls. 04) que, consoante se observa dos documentos anexos, em maio de 2006 a empresa apresentou sua Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, apurando para extinção por pagamento o valor da CPMF (5869) no montante de R$137.457.015,74, tendo sido efetuado o recolhimento mediante guias DARF’s (anexas), no valor total de R$137.836.505,77, ou seja, em valor maior que o devido e Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 16327.915389/200993 Acórdão n.º 3302001.498 S3C3T2 Fl. 3 5 declarado para pagamento em espécie, conforme abaixo relacionado, e que seria esse recolhimento a maior, no valor de R$379.490,03, a origem do crédito em questão: Resumindo o que foi acima exposto, temos que: Com relação ao Despacho Decisório – fls. 15: Características do DARF: Valor total – R$137.830.410,19, que teria sido totalmente utilizado para o pagamento de outros débitos. Com relação à DCTF retificadora – fls. 23/24: Débitos do período: R$137.692.232,40 Créditos: Pagamento através de DARF R$137.457.015,74 Suspensão R$235.216,66. Aduz a recorrente que esse pagamento a ser feito através de DARF, no valor de R$137.457.015,74, fora efetuado pelo valor de R$137.836.505,77, mediante guias DARF’s (anexas), sendo essa diferença, no valor de R$379.490,03, a origem do crédito. A esse propósito, peço vênia para transcrever o voto proferido pelo i. Conselheiro José Antonio Francisco no Acórdão nº 330201.406, julgado na sessão desta 3ª Turma Ordinária em 26/01/2012, da qual participei como membro do Colegiado, que com muita precisão soube equacionar o caso e delinear a solução mais adequada, a cujos fundamentos me filio e adoto como razões de decidir: O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, seria necessária a comprovação da liquidez e certeza dos indébitos, o que a Interessada não teria efetuado. Ocorre que a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da IN RFB no 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 6 Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito da Interessada pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. A respeito do segundo ponto levantado na decisão recorrida, sobre a quem coubera o ônus pelo alegado pagamento indevido, a recorrente aduz que esses valores retidos indevidamente teriam sido estornados e que assumira todo o encargo financeiro ocasionado pelo equívoco cometido, ressaltando que os extratos das contas (doc. 05) demonstram o estorno dos valores. Dessa forma, até por uma questão de economia processual, fazse necessário que a autoridade de fiscalização verifique também se a documentação apresentada é suficiente para comprovar se, de fato, o ônus financeiro pelo alegado pagamento indevido recaíra sobre o recorrente. Nessa ordem de juízos, adotando os fundamentos do voto condutor do Acórdão nº 330201.406, acima transcrito, voto por dar provimento parcial ao recurso, para Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 16327.915389/200993 Acórdão n.º 3302001.498 S3C3T2 Fl. 4 7 determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito do interessado pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.006627/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS
E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE
PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 1997
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE
Ao reproduzir no recurso voluntário, “ipsis literis” a peça contestatória sem
apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro à decisão
proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os
fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos
pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade,
segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da
pretensão à reforma.
PRELIMINAR DE NULIDADE.
Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do
Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar
em nulidade do procedimento fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO
NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para
se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº
2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para
discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a
constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida
ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa
dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela
própria Constituição Federal.
EXCLUSÃORETROATIVIDADE
DO ATO DECLARATÓRIO. O
ato de exclusão é meramente declaratório, e os efeitos da exclusão se
produzem a partir do mês subsequente ao em que for incorrida a
situação excludente.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 1803-001.234
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto
que acompanham o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor
Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 1997 PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Ao reproduzir no recurso voluntário, “ipsis literis” a peça contestatória sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro à decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. EXCLUSÃORETROATIVIDADE DO ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão é meramente declaratório, e os efeitos da exclusão se produzem a partir do mês subsequente ao em que for incorrida a situação excludente. Recurso Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10920.006627/2007-21
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5010234
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.234
nome_arquivo_s : 180301234_10920006627200721_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Sergio Luiz Bezerra Presta
nome_arquivo_pdf_s : 10920006627200721_5010234.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4750168
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360051818496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 138 1 137 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.006627/200721 Recurso nº 925.536 Voluntário Acórdão nº 1803001.234 – 3ª Turma Especial Sessão de 15 de março 2012 Matéria SIMPLES Recorrente TRANSPORTADORA PRINCIPE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 1997 PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Ao reproduzir no recurso voluntário, “ipsis literis” a peça contestatória sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro à decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006627/200721 Acórdão n.º 1803001.234 S1TE03 Fl. 139 2 EXCLUSÃO RETROATIVIDADE DO ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão é meramente declaratório, e os efeitos da exclusão se produzem a partir do mês subsequente ao em que for incorrida a situação excludente. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0625.252 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, constante das fls. 112 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o processo de exclusão da ora reclamante, da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo n2 102 (fl. 98), de 02 de junho de 2008, de emissão do Delegado da Receita Federal em JoinvilleSC, com efeitos a partir de 10/03/1997, fundamentado na prática reiterada de infração à legislação tributária, em afronta ao disposto no inciso V do artigo 14 da Lei nº. 9.317, de 1996. 2. A ação que culminou com a exclusão da contribuinte ao Simples teve origem em Representação Administrativa (fls.01/15) e foi instruída com os documentos de fls. 16 a 82. Na análise a Seção de Controle e Acompanhamento TributárioSACAT propôs a exclusão da contribuinte ao Simples, em face da caracterização de hipótese que não permite a sua permanência na sistemática. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006627/200721 Acórdão n.º 1803001.234 S1TE03 Fl. 140 3 3. Cientificada do feito em 19/06/2008 (f1.99), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls.100/103), onde alega que sua exclusão se revela precipitada e antijurídica pois a) em relação às supostas irregularidades arguidas nos lançamentos, apresentou impugnação, não havendo em nenhum dos casos, decisão definitiva; b) que tais lançamentos estão com sua exigibilidade suspensa, por força do disposto no inciso III do art. 151 do CTN; c) que não poderia ter sido efetuada sua exclusão ao Simples, sem estarem efetivamente constituídos os atos fiscais que motivaram a representação; d) que enquanto não consolidados os lançamentos, o ato declaratório é nulo de pleno direito e; e) que, se ao final restar comprovada a improcedência dos lançamentos, restará sem efeito a razão motivadora de sua exclusão. 4. No tópico seguintes, levanta a preliminar de decadência, posto que a autuação abrangeu período de 10 (dez) anos, sob a égide dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991; que o lançamento é inconstitucional, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal que emitiu a Súmula Vinculante n° 08 e, em assim sendo, os períodos de competência que já foram atingidos pela decadência não podem ser considerados para fins de efeito do ato de exclusão, conforme disposição do Art. 1° do Decreto nº 2.346, de 1997. 5. Sobre as irregularidades apontadas pelo fisco afirma que em relação aos fatos geradores e/ou procedimentos que entendeu como devidos, as informações, escrituração contábil e recolhimentos tributários, estes foram efetuados normalmente, à época própria e no prazo legal e que, outros procedimentos que no seu entender são indevidos estão sendo objeto de discussão, em processos autônomos. 6. Quanto à exclusão em si, argumenta que seus efeitos só podem alcançar os fatos supervenientes ao entendimento da SRF, por força do princípio da segurança jurídica, devendo, também, ser respeitado o espírito dos comandos constitucionais que garantem tratamento jurídico diferenciado e favorecido às empresas de pequeno porte. Pede o cancelamento do ato ora atacado”. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 28/01/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0625.252 entendendo “por unanimidade de votos afastar as preliminares levantadas e, no mérito, julgar improcedente a manifestação de inconformidade e assim, indeferir o pedido de reforma do ato de exclusão ao Simples”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 04/03/1997 OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006627/200721 Acórdão n.º 1803001.234 S1TE03 Fl. 141 4 A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRÁTICA REITERADA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O contribuinte que infringe a legislação tributária deve ser excluído do Simples de ofício com efeitos a partir do mês em que fique caracterizada a reiteração na prática infracional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/03/1997 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do procedimento fiscal, quando comprovado que não houve cerceamento do direito de defesa, e foram cumpridos os demais requisitos previstos no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972). EXCLUSÃO DO SIMPLES DECADÊNCIA A alegação de que já teria ocorrido a preclusão do direito de a Fazenda Pública exigir eventuais créditos tributários que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES não tem o condão de invalidar o ato declaratório de exclusão, posto que tal instituto se aplica a questões probatórias e; eventual alegação de decadência deve ser oposta no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso porventura sejam constituídos de ofício. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio”. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/02/2010, (AR constante das fls. 116v) a TRANSPORTADORA PRINCIPE LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0625.252, recorre em 05/03/2010 (118 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006627/200721 Acórdão n.º 1803001.234 S1TE03 Fl. 142 5 Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Mesmo diante dos argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 0625.252, a Recorrente, no recurso voluntário, limitouse a reproduzir, “ipsis literis” a peça contestatória sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba – PR. Na verdade não houve qualquer insurreição contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada. Assim procedendo, a Recorrente feriu o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem ser dialéticos e discursivos; devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. Na verdade o princípio da dialeticidade consiste no dever do recorrente de indicar todas as razões de direito e de fato que dão base ao seu recurso, visto ser impossível ao CARF avaliar os vícios existentes na decisão de primeiro grau, sem que o interessado apresente todas as suas razões. Sobre o assunto, leciona Nelson Nery Júnior: “(...) o recurso deverá ser dialético, isto é, discursivo. O recorrente deverá declinar o porquê do pedido de reexame da decisão. (...) As razões do recurso são elemento indispensável a que o tribunal, para o qual se dirige, possa julgar o mérito do recurso, ponderandoas em confronto com os motivos da decisão recorrida. A sua falta acarreta o não conhecimento. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal, é necessária a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da referida decisão judicial” (Nelson Nery Júnior in “Teoria geral dos Recursos”. São Paulo; Ed. Revista dos Tribunais, 2004, p. 176 e 177). Analisando o tema o Superior Tribunal de Justiça, assim decidiu “verbis”: “(...) o presente recurso não tem porte para infirmar a decisão recorrida, pois restringiuse o agravante, a reiterar ipsis literis, os motivos expendidos no especial; Consequentemente, o presente agravo não impugna, como seria de rigor, o fundamento da decisão recorrida, circunstância que obsta, por si só, o acolhimento da pretensão recursal” (AG nº. 479378/RJ, rel. Ministro Barros Monteiro, DJ de 14/2/2003). Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006627/200721 Acórdão n.º 1803001.234 S1TE03 Fl. 143 6 “(...)Ao interpor o recurso de apelação, deve o recorrente impugnar especificamente os fundamentos da sentença, não sendo suficiente a mera remissão aos termos da petição inicial e a outros documentos constantes nos autos. Precedentes.” (REsp nº. 722.008/RJ, rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, j. em 22/5/2007). Diante a ação deliberada da Recorrente em desconsiderar todos os argumentos apresentados pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 28/01/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0625.252, meu entendimento inicial conduzia para não reconhecer do recurso voluntário. Porém, buscando o fim maior do processo administrativo fiscal, que é a verdade material, passo a analisar a decisão de decisão de primeiro grau como se o recurso estivesse posto. Primeiramente, quero me ater a preliminar de nulidade do procedimento fiscal. Entendo que a preliminar de nulidade do procedimento fiscal é descabida, pois vejo que o procedimento fiscal foi realizado segundo as determinações contidas no art. 142 do CTN e o auto de infração foi lavrado com observância dos requisitos prescritos pelo art. 10 do Decreto nº. 70.235/72. Passando a questão maior dos autos, que é saber o motivo que ensejou a exclusão da Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Para elucidar a questão, trago a tona parte do relatório da representação fiscal, constante das fls. 94 dos autos, “verbis”: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006627/200721 Acórdão n.º 1803001.234 S1TE03 Fl. 144 7 Diante do visto acima existem duas situações apontadas no MPF, quais sejam: a) elementos que, em tese, sugeriam a existência de Grupo Econômico e b) não foram contabilizadas as movimentações financeiras da conta corrente nº 4.7511, agência 3.1550 em que a Recorrente figura como titular. Porém, não houve tanto na impugnação quanto no Recurso (esta último, como já dito uma copia do primeiro) qualquer argumentação fática, limitandose unicamente a afirmar, às fls. 102 e 103 (impugnação) e 122 (recurso) o seguinte: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006627/200721 Acórdão n.º 1803001.234 S1TE03 Fl. 145 8 Observando os espartanos argumentos acima, vejo que o Recorrente não trouxe argumentos para impugnar o ato de exclusão, como também não apresentou os números dos referidos “processos autônomos” nem tampouco qual a fase que se encontram. Desta forma, a mera informação de que existem “processos autônomos” não pode ter o condão de suspender o ato de exclusão do simples. Observando os documentos que constam dos autos, fica claro que a Recorrente, sistematicamente e durante todo o período abrangido no MPF, integrava um grupo econômico, inclusive com o nome bem similar: A sociedade Príncipe Transporte e Turismo Ltda., inscrita no CNPJ/MF nº. 73.759.326/000170 e a empresa Transportes Dressel Ltda., inscrita no CNPJ/MF nº. 9.670.550/000178. Observando os autos, constato que a sociedade Príncipe Transporte e Turismo Ltda. CNPJ/MF nº. 73.759.326/000170, possui o seguinte quadro de representantes legais: Já a Recorrente possui o seguinte quadro de representantes legais: Observando as participações societárias não resta dúvida que a Recorrente faz parta de um grupo econômico de fato de propriedade dos integrantes da Família Dressel o que impede a sua manutenção no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Isso porque o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES não é, simplesmente, um método de administração tributária; tratase de um verdadeiro Instituto Jurídico de nível constitucional que fora introduzido, no ordenamento Brasileiro, pelo constituinte originário e aperfeiçoado pelo constituinte derivado. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006627/200721 Acórdão n.º 1803001.234 S1TE03 Fl. 146 9 A arquitetura jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES obedeceu a dois princípios fundamentais que estão escritos na Constituição da República e direcionados às microempresas e às empresas de pequeno porte: a) Com tratamento favorecido (inciso X do art. 170 da CF/88); e b) Com tratamento Diferenciado (art.179 da CF/88). Durante dos fatos tidos como puníveis, a Administração do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES era pelo Decreto nº. 6.038/ 2007 que instituiu o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – CGSN. E, O artigo 12 da Resolução CGSN nº. 4/2007 (e suas alterações) traz uma lista expressa de 25 situações que impedem a fruição do tratamento favorecido, conforme pode ser visto abaixo: “Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: I que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); II – de cujo capital participe outra pessoa jurídica; III – (...) IV – de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos da Lei Complementar nº 123, de 2006, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso I do caput deste artigo; V – cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada pela Lei Complementar nº 123, de 2006, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso I do caput deste artigo; VI – cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso I do caput deste artigo; VII – (...)” A breve leitura da lista acima já demonstra que existem restrições postas em razão da atividade ou atividades conjugadas desenvolvidas pelas sociedades. Para aferição da concretude destas proibições, por atividade, são irrelevantes as declarações dos contribuintes postas em atos societários, como acontece na declaração do objeto social em contratos ou estatutos de constituição, ou mesmo em declarações cadastrais às instituições de administração tributária, creditícias, classistas ou previdenciárias. Aferese a proibição pelo conteúdo econômico o que acontece no caso da Recorrente. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006627/200721 Acórdão n.º 1803001.234 S1TE03 Fl. 147 10 Assim, observando tudo que consta nos autos, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada por seus próprios fundamentos. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso para manter a exclusão da Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES com efeitos a contar de 10/03/1997. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
score : 1.0
