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Numero do processo: 11543.001055/2007-09
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
São isentos do imposto de renda os proventos e complementações de
aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.664
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos e complementações de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R Assinado digitalmente em 15/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, 20/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11543.001055/200709 Acórdão n.º 2801001.664 S2TE01 Fl. 80 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04 a 07, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, consubstanciando saldo de imposto a restituir no valor de R$1.959,00. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 44): De acordo com a Descrição dos Fatos, de fl. 05, foi apurado o seguinte: a) Total dos Rendimentos Tributáveis – Rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, no valor de R$ 395.004,44, sendo R$ 373.951,96 (conforme declarado na DIRPF original), recebidos da Companhia Docas do Espírito Santo – CODESA, na Ação Trabalhista RT 1155/94, da 5a. Vara Trab. De Vitória e R$ 21.052,48, recebidos da PORTUS – Instituto de Seguridade Social (contribuinte não declarou, mas apresentou comprovante de rendimentos). Rendimentos tributados com base nos valores informados nos documentos fornecidos pela CODESA e comprovante de rendimento apresentado pelo contribuinte. b) Imposto de Renda Retido na Fonte – O valor da Linha 05 – Imposto Retido na Fonte, foi alterado em razão da inclusão de imposto compensável a este título, no valor de R$ 105.947,54, erroneamente informado na Linha de CarnêLeão e Imposto Complementar. A inclusão do IRRF, no valor de R$ 105.947,54, está de acordo com a documentação relativa à Ação Trabalhista RT 1155/94 fornecida pela CODESA. c) Carnêleão e imposto complementar – Dedução indevida a título de carnêleão. Efetuada a glosa da dedução com carnê leão e imposto complementar, no valor de R$ 107.213,19, por falta de comprovação. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 a 03), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 44 e 45): a) No ano de 2001, ajuizou através do processo n° 1155.1994.005.17.001, no Tribunal Regional do Trabalho da 17a. Região, uma reclamação trabalhista contra a empresa CODESA – Companhia Docas do Espírito Santo – CNPJ 27.316.538/000166, sendo, posteriormente, a mesma condenada por sentença judicial a pagar as importâncias reclamadas. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R Assinado digitalmente em 15/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, 20/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11543.001055/200709 Acórdão n.º 2801001.664 S2TE01 Fl. 81 3 b) Só teve o imposto de renda retido na fonte no final do pagamento, isto é, o imposto de renda só foi recolhido no dia 24/03/2004, conforme cópia do DARF em anexo, no valor de R$117.099,39, valor correto a ser considerado. c) As importâncias recebidas no processo judicial acima citado foram declaradas na DIRPF/2003 incorretamente. O valor total recebido após o desconto de 20% de honorários advocatícios foi de R$ 176.700,92 e não o valor de R$ 373.951,96 para o ano calendário 2002, bem como o valor retido na fonte não foi apenas de R$ 105.947,54, mas sim de R$ 117.039,99, conforme cópia de DARF em anexo. Quanto ao fato de ter informado o rendimento como isento e não tributável, está com processo de revisão junto ao INSS para comprovar ser portador de moléstia grave desde 1996, conforme documento em anexo. d) Tem prioridade no atendimento, conforme determina a Lei n° 10.741/2003. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 2ª Turma DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou procedente o lançamento. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que a interessada é portadora de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 17/03/2008 (fls. 48), o contribuinte apresentou, em 07/04/2008, o Recurso de fls. 49 a 51, argumentando, em síntese, que: • Independentemente da isenção, conforme afirmou na impugnação, o lançamento merece correção, pois não auferiu o total de R$373.951,96, no anocalendário 2002, relativos à ação trabalhista. Tal quantia, extraída da cópia de prestação de contas de seu advogado, engloba parcelas recebidas no anocalendário 2001, mas tal fato foi ignorado no acórdão recorrido. Fl. 86DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R Assinado digitalmente em 15/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, 20/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11543.001055/200709 Acórdão n.º 2801001.664 S2TE01 Fl. 82 4 • Solicitou a isenção perante sua fonte pagadora, o INSS, mediante processo. Apresentou os documentos necessários. Foi comunicado que é considerado portador de moléstia grave desde 31/10/2000 (ofício nº 26, da Gerência Executiva de Benefícios por Incapacidade da Previdência Social). • Depois de cientificado do acórdão recorrido, protocolizou pedido para que o INSS emitisse laudo médico oficial com todos os requisitos para comprovar sua condição de portador de moléstia grave, conforme demonstra documentação anexa. • Incabível a dúvida da comissão julgadora de primeira instância quanto à natureza das verbas recebidas em decorrência da ação trabalhista, pois são complementação de aposentadoria, conforme documentação anexa. DILIGÊNCIA REALIZADA Em sessão de julgamento de 28 de maio de 2009, os membros da 4ª Turma Especial da 3ª Seção/CARF, conforme Resolução de fls. 60 a 64, decidiram converter o julgamento em diligência a fim de que a Fiscalização verificasse a que se refere o processo nº 35067.002044/200769, mencionado nos documentos apresentados pelo contribuinte às fls. 49 a 51. Solicitouse, ainda, que, na hipótese de se tratar de processo de pedido de isenção do imposto de renda, fosse verificado se consta parecer de junta médica e qual foi a conclusão em relação à moléstia que aflige o contribuinte, em especial no tocante à data de início da moléstia e ao prazo de validade do diagnóstico. Em decorrência, foram juntados os documentos de fls. 66 a 75, noticiando que o processo nº 35067.002044/200769 referese a pedido de isenção do imposto de renda e que o interessado apresenta as patologias CID 134 e CID 150, cardiopatia grave, desde 31/10/2000. Em 16/03/2011, o interessado volta a comparecer aos autos para solicitar a juntada do ofício expedido pela Gerência Executiva do INSS/ES (fls. 77) e do laudo de fls. 78, bem como para pedir prioridade no julgamento, invocando o Estatuto do Idoso (fls. 76 a 78). O processo retornou a esta Conselheira, numerado até as fls. 78, em cujo verso consta termo de juntada dos documentos de fls. 76 a 78. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Frisese, inicialmente, que o litígio restringese ao montante dos rendimentos passíveis de serem considerados tributáveis no exercício 2003. Conforme inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos Fl. 87DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R Assinado digitalmente em 15/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, 20/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11543.001055/200709 Acórdão n.º 2801001.664 S2TE01 Fl. 83 5 pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Nos termos do § 4º do RIR/1999, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Ante o exposto, considerando que o interessado encontrase aposentado desde 1990 (fls. 26), que os valores recebidos do INSS e da Portus referemse a aposentadoria e complementação de aposentadoria, essa última condição já reconhecida no acórdão recorrido (fls. 47), que as verbas pleiteadas na justiça trabalhista são referentes à complementação de aposentadoria (documento de fls. 22, expedido pelo TRT da 17ª Região), bem como que o interessado é considerado portador de cardiopatia grave desde outubro de 2000, cabe, conforme pleiteado, considerar a totalidade dos rendimentos tributáveis computados no lançamento como isentos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 88DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R Assinado digitalmente em 15/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, 20/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 11080.930130/2009-99
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803000.237
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. O Dr. Leonardo Pimentel Bueno – OAB/DF nº 22.403 – fez sustentação oral. Relatório COMPANHIA DE GERAÇÃO TÉRMICA DE ENERGIA CGTEE formulou em papel pedido de restituição dos créditos de PIS e COFINS, relacionados ao período de novembro de 2004 a julho de 2005, no valor original de R$ 3.985.103,55 (três milhões, novecentos e oitenta e cinco mil, cento e três reais e cinqüenta e cinco centavos) objeto do processo administrativo nº 11080.003212/200969. Transmitiu ainda a Declaração de Compensação DComp nº 34448.10870.140208.1.3.047973 com vistas à extinção de débitos próprios, montantes a R$ 75.290,43, com direito creditório decorrente de pedido de restituição de indébito por pagamento amaior do que o devido, objeto do processo admnistrativo fiscal 11080.003212/200969. Neste processo, o contribuinte fundamentou seu pedido de restituição no fato de ter tributado as receitas decorrentes dos contratos de suprimento de energia elétrica com base no regime nãocumulativo, pelo PIS (1,65%), a partir de dezembro de 2002, e pela Cofins (7,6%), a partir de fevereiro de 2004, até fevereiro de 2006, quando deveria têlas tributado sob o regime cumulativo. Para tanto, retificou suas DCTF's, para constar os débitos Fl. 548DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.930130/200999 Resolução n.º 3803000.237 S3TE03 Fl. 549 2 de PIS e Cofins do período de dezembro de 2002 a fevereiro de 2006 com base no regime cumulativo, apoiandose no inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que previu a possibilidade de que as receitas de contratos de fornecimento de serviços a preço predeterminado, com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, pudessem ser tributadas pela sistemática da cumulatividade. A Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil submeteu a matéria à apreciação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, resultando na edição do Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007. Esse Parecer esclareceu que “contratos iniciais” e “contratos bilaterais”, empregados pelo contribuinte para a comercialização de energia, perdem o caráter de contratos de preço predeterminado, tendo em vista reajuste efetuado pelo IGPM e, pela variação tributária, portanto, não se subsumindo na exceção prevista no art. 10, XI da Lei nº 10.833, de 1003. O contribuinte formulou consulta respeito da matéria à Superintendência Regional da Receita Federal na 10ª Região Fiscal, objeto do processo 11080.006335/200951, solucionada nos termos da Solução de Consulta nº 228, de 14 de dezembro de 2009, assim ementada: CONTRATOS FIRMADOS ANTERIORMENTE A 31 DE OUTUBRO DE 2003. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE COM BASE NO IGPM. Para efeito de definir o regime de incidência da Cofins aplicável às receitas relativas a contratos com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, o cômputo do IGPM no percentual de reajuste de preços, descaracteriza a condição de preço predeterminado, ainda que nesse percentual de reajuste seja também considerada a variação de determinados custos de produção, o que implica a sujeição dessas receitas à incidência nãocumulativa. Não obstante, quando o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, não superar o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção, e desde que o referido reajuste leve em conta termos de custos de produção ou insumos, a condição de preço predeterminado não se terá descaracterizado, consoante explicitação do § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658, de 2006. Nessa hipótese, e cumpridos os demais requisitos dessa Instrução, as receitas em questão submetemse à incidência da Cofins na forma cumulativa, até que venha a suceder a perda do caráter de preço predeterminado, ocasião em que as receitas passarão a sujeitarse à incidência não cumulativa, de modo definitivo. Com base no entendimento acima exposto e na informação Fiscal SEFIS/DRF/POA, a DRF/POA indeferiu a restituição objeto do processo 11080.003212/2009 69 e não homologou a compensação declarada na DComp nº 34448.10870.140208.1.3.04 7973, tudo nos termos do Despacho Decisório DRF/POA nº 2.132, de 05/11/2010 (fls. 388 a 393). Fl. 549DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.930130/200999 Resolução n.º 3803000.237 S3TE03 Fl. 550 3 Em Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 64), o declarante, em síntese, insistiu no entendimento de que os contratos celebrados com as sociedades contratantes de seus serviços atendem aos requisitos erigidos no inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, e por isso permanecem tributados no regime da cumulatividade, o que o torna detentor de créditos por indébitos recolhidos na sistemática da não cumulatividade. Refere ainda a apresentação de Recurso Especial de Divergência contra o entendimento da Solução de Consulta nº 228, proferida pela SRRF10/DISIT. Apontou a impossibilidade da cobrança dos débitos compensados com créditos referentes aos períodos de apuração janeiro e fevereiro de 2006, uma vez que esses períodos foram objeto de auto de infração (processo 11080.722655/201096), o qual estaria pendente de análise. Ao final requereu a nulidade do Despacho Decisório com reconhecimento integral do crédito e conseqüente homologação das compensações declaradas ou ainda que fosse proferida nova decisão pela DRF de origem. Alternativamente, caso não fosse declarada a nulidade do Despacho Decisório, pleiteou a sua reforma integral e o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações declaradas. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/POA. O Acórdão nº 10039.498, de 5 de julho de 2012, fls. 417 a 431, teve ementa vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. PIS. REGIME DA CUMULATIVIDADE. RECEITA. CONTRATOS A PREÇO PREDETERMINADO. EFEITOS. A possibilidade de manter no regime da cumulatividade do PIS receitas oriundas de contratos a preço predeterminado, celebrados anteriormente a 31/10/2003, produz efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 550DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.930130/200999 Resolução n.º 3803000.237 S3TE03 Fl. 551 4 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 437 a 489, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as razões já defendidas na Manifestação de Inconformidade, assim resumidas: a) A Instrução Normativa nº 658, de 4 de julho de 2006, que regulamentou a Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, criou regra não prevista em lei, o que acarretou violação do princípio da estrita legalidade em matéria tributária; b) O conceito jurídico de preço predeterminado é estabelecido mediante o uso de uma interpretação sistemática do direito civil, estando o seu emprego pelo direito tributário restrito aos limites impostos pelas regras extraídas dos arts. 109 e 110 do CTN. Assim, preço predeterminado é aquele que as partes têm conhecimento objetivo e real do preço acordado no instante da celebração do contrato, não se confundindo esse conceito com a idéia de preço fixo; c) A legislação vigente reconhece que a aplicação de cláusulas de reajuste não descaracteriza o preço predeterminado (art. 109 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, e Nota Técnica 224/2006SFF/ANEEL); d) O IGPM reflete o custo da produção e é índice de recomposição de preço, razão pela qual não descaracteriza a predeterminação do quantum fixado nos contratos da Recorrente e, tendo por escopo evitar os efeitos nocivos do tempo para a relação contratual, é índice que se amolda perfeitamente ao comando do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005; e e) O conceito econômico de preço predeterminado é contraposto ao entendimento esposado pelo acórdão atacado, uma vez que, como visto, a incidência de IGPM como índice de correção nos contratos fiscalizados não implica a alteração dos valores percebidos pela Recorrente; tal índice visa apenas a preservar os valores contratados no tempo, de modo que o importe nominalmente recebido pelos seus serviços não seja economicamente corroído ao longo de um dado período. Ao fim, requer: I. o julgamento conjunto do presente processo administrativo com o processo administrativo nº 11080.003212/200969, pois são feitos intrinsecamente relacionados, tendo por base exatamente os mesmos fatos e as mesmas razões jurídicas; II. seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para reformar integralmente o acórdão recorrido, reconhecendose integralmente o direito à restituição dos créditos de contribuição social objetos da declaração de compensação indicada nos autos. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.930130/200999 Resolução n.º 3803000.237 S3TE03 Fl. 552 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 437 a 489 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 10039.498, de 5 de julho de 2012. Conforme relatado, o presente processo tem como objeto, exclusivamente, o encontro de contas declarado na DComp nº 34448.10870.140208.1.3.047973. O direito creditório aventado na peça recursal, referente a Pedido de Restituição de PIS, é objeto de outro processo, de nº 11080.003212/200969, com tramitação independente e que, segundo consta do sítio do CARF, está, desde o dia 24/09/2012, na atividade RECEBER PROCESSO TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL@GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF. Andamentos do Processo Data Tramitação Fase Ocorrência 24/09/2012 ORDINÁRIA RECEPÇÃO RECEBER PROCESSO TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL Unidade: CARF Orgao Julgador: GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF A confirmação do direito creditório oposto na(s) compensação(ões) declarada(s) é questão prejudicial ao julgamento do mérito do recurso voluntário ora sub judice. Por essa razão, voto por que se converta o presente julgamento em diligência, baixandose o presente processo ao órgão fiscal da jurisdição do contribuinte, para que a Autoridade Preparadora ateste, nos autos, o resultado da decisão final do processo nº 11080.003212/200969, repercutindo seus efeitos na compensação de que se trata. Adicionalmente, a Autoridade Preparadora deverá atestar a competência do servidor que subscreve o Despacho Decisório DRF/POA nº 2.132, de 05/11/2010 (fls. 388 a 393). Após, devolvase o processo a esta 3ª TE/3ª SEJUL/CARF/MF para julgamento. Sala das Sessões, em 25 de outubro de 2012 Alexandre Kern Fl. 552DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10580.001430/2001-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1301-000.027
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o processo seja juntado ao Processo nº 10768.015242/9920, hoje, em trâmite na Delegacia da Receita Federal em Salvador e que só retorne após o
julgamento deste, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o processo seja juntado ao Processo nº 10768.015242/99 20, hoje, em trâmite na Delegacia da Receita Federal em Salvador e que só retorne após o julgamento deste, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Waldir Weiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10580001430/200116 Resolução n.º 1301000.027 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório A recorrente qualificada em epígrafe sucedeu a empresa BBMH participações S.A., e nessa qualidade requereu a restituição de créditos provenientes da retenção de imposto de renda na fonte sobre distribuição de lucros de fundos imobiliários e do saldo da contribuição social sobre o lucro líquido, referentes ao exercício de 2000, com vistas a compensar tais créditos com débitos do IRRF apurados em 04 de fevereiro de 2001 elaborou o pedido de folha 01. Consoante parecer nº. 342/2005, elaborado pelo SEORT (fls. 60 – 62) e Despacho Decisório (fl. 63) reconheceuse parcialmente o crédito pleiteado, assentando, para tanto, que não há em falar pedido de restituição do imposto retido na fonte, como mencionado acima, posto, a bem da verdade, este se traduz em um dos componentes dedutíveis que integram o cálculo do imposto de renda a pagar, apurado na declaração de rendimentos (fls. 15). Posto isso, o pedido da recorrente foi analisado tendo em conta as origens dos créditos pleiteados, como sendo saldos negativos de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido apurados na declaração do exercício de 2000, que conforme demonstrados às folhas 15 e 16 totalizaram R$ 3.079.959,48 e R$ 140.343,03 respectivamente. Feito isso, considerou a autoridade administrativa, que a Instrução Normativa 21/97 disciplinou os procedimentos para a restituição e compensação dos tributos ou contribuições administrados pela SRF recolhidos indevidamente ou a maior que o devido, destacando suas regulares alterações sofridas no curso do tempo, de modo que, verificou que o saldo de imposto de renda a recuperar apurado na DIPJ já teria sido analisado no processo administrativo nº. 10580.008151/200012, no qual se reconheceu a existência de um crédito no valor de R$ 3.035.183,48. Ressaltou, entretanto, que a totalidade daquele crédito já foi utilizado pelo contribuinte em outras compensações, mas, a recorrente apresentou declaração retificadora para aquele período, na qual modificou o saldo credor do IR, acrescentandoselhe a quantia de R$ 44.776,00 referente ao imposto de renda retido na fonte sobre ganhos auferidos em aplicações no fundo de investimento imobiliário Gafisa, que até então não havia sido contabilizado, o que se confirmaria pelo espelho do informe de rendimentos (fl. 33) e do razão contábil (fl. 34). Com relação ao crédito proveniente do saldo da CSLL destacado na DIPJ de 2000, verificou a autoridade administrativa que este decorreu de valores pagos por estimativa ao longo do correspondente ano calendário, mas que em decorrência da apuração de prejuízos fiscais no fim do exercício deveriam ser restituídos à recorrente, ressaltando, porém, que se impunha glosar a quantia de R$ 37.670,00 referente à compensação de parte do débito de CSLL devido por estimativa em abril de 1999, efetuada pela recorrente por meio do processo 10768.015242/9920, tendo este sido indeferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (fls. 37 – 48). Quanto aos demais valores, comprovouse o efetivo recolhimento (fls. 28 e 30), reconhecendose assim, crédito a restituir em montante igual a R$102.673,03. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10580001430/200116 Resolução n.º 1301000.027 S1TE02 Fl. 3 3 Após atingir a conclusão de que a recorrente fazia jus à parte dos créditos tributários apurados na DIPJ do exercício de 2000 nos montantes de R$102.673,03 e R$ 44.776,00 referentes ao saldo credor do IR e da CSLL respectivamente, aquela autoridade administrativa salientou que antes de dar entrada no presente feito, a recorrente já utilizara o direito creditório ali reconhecido, mediante compensações realizadas em DCTF ou registradas no razão contábil, pelo que, elaborou demonstrativo em que se evidenciam as compensações já realizadas, concluindo como sendo remanescente o saldo creditório de R$ 31.668,64 e R$ 53.948,53 a título de saldo d IR e CSLL respectivamente, homologando as compensações (fl. 01) até o montante dos ditos créditos. Ciente do deferimento parcial de seu pleito, a recorrente se opôs (fls. 84 – 86) às compensações de ofício noticiadas à folha 68 por meio da Comunicação nº. 38/2006, uma vez que tais débitos, relacionados no item 3 da tabela lá estampada, não lhe podem ser exigidos. Isso porque, a extinção via compensação, dos débitos decorrentes dos processos administrativos nºs. 10580.500742/200442 (fls. 97 – 98) e 10580.500743/200497 (fls. 99 – 100), é objeto de análise no processo administrativo nº. 10768.015242/9920 (fls. 101 – 153), bem como, no processo nº. 10580.017612/9961, dele decorrente (fls. 154 – 164). A recorrente esclareceu, portanto, que Instrução Normativa 600/2005, que convalidou as regras de compensação no seio da Receita Federal, determina em seu artigo 26, § 2º que a compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação. De mais a mais, destacou que por força do Recurso Voluntário interposto em 26 de novembro de 2004 (fls. 143 – 152) nos autos do processo administrativo 10768.015242/99 20 (fls. 101 – 153), que à época pendia de julgamento, consoante extrato de folha 153, os aludidos débitos se encontravam, no mínimo, com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151 do CTN e artigo 74, § 11, da Lei nº. 9.430/96, obstando fossem compensados de ofício com os créditos reconhecidos nesse processo. Quanto aos demais débitos, indicados no item 3, da mesma Comunicação nº. 38/2006 (fl. 68), segundo alegou a recorrente, a despeito de não serem objetos da compensação de ofício por conta da insuficiência dos créditos reconhecidos nesse processo, foram regularmente extintos pelo pagamento, como se comprovaria pelos comprovantes de arrecadação emitidos pela própria SRF (fl.165 – 169). Traçado esse panorama, a recorrente na mesma petição de folhas 81 a 86 formalizando sua oposição à compensação de ofício proposta na Comunicação nº. 38/2006, requereu, fossem baixados os débitos indicados no item 3 já referido, cujo pagamente se comprovava com a documentação descrita acima. Consignou por fim, que no prazo legal apresentaria competente Manifestação de Inconformidade, contra a parte do Despacho decisório que lhe foi desfavorável, o que efetivamente fez às folhas 175 – 179, sede em que, alegou cabimento e tempestividade, descrevendo como fundamentos para a reforma da decisão o que abaixo sintetizo. Relembrou de início, que por meio do presente processo, instaurado na vigência da Instrução Normativa 21/97, a recorrente pretendeu restituiser de créditos do IR e da CSLL provenientes do período base de 1999, exercício 2000, para os fins de compensálos com Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10580001430/200116 Resolução n.º 1301000.027 S1TE02 Fl. 4 4 débitos próprios de IRRF apurados em 24 de fevereiro de 2001, e posterior restituição do remanescente em espécie. Segue rememorando, com relação ao crédito de IR, que o Parecer nº. 342/05 (fls. 60 – 63), levando em consideração compensações já realizadas em sede de processo diverso, como alhures relatado, se concluiu por um crédito final de R$ 31.668,64. Em se tratando do crédito de CSLL a mesma decisão, glosou a quantia de R$ 37.670,00, deduzindose do mesmo crédito compensações já efetuadas, restando alfim o montante R$ 53.948,53, contudo, a título informativo, a recorrente consignou quanto às deduções de R$ 24.543,00 e R$ 4.661,61 que muito embora, estejam numericamente corretas, existe, talvez por equívoco da revisão nos documentos contábeis juntados a estes autos, imperfeições quanto à denominação dos tributos e/ou período indicado no referido parecer de folhas 60 – 63, assim dispondo. O débito de R$ 28.168,00 (considerandose o valor antes da deflação apurada pela autoridade administrativa, quando passou a R$ 24.543,00) referese a compensação de R$ 20.343,00 a título de CSLL do período base de setembro de 2000, e de R$ 7.825,00 a título de CSLL do período base de outubro de 2000, o débito de R$ 5.407,00 feita a mesma ressalva anterior quanto a deflação considerada, referese a compensação efetuada com débito de CSLL do período base de novembro de 2000. Feitas essas considerações, que segundo afirma a própria recorrente em nada devem prejudicar as compensações efetuadas, informou que sua irresignação quanto aos créditos de CSLL postulados advêm da glosa de R$ 37.670,00, decorrente de um débito objeto de discussão no processo administrativo nº. 10768.015242/99 (fls. 204 – 351), que à época da Manifestação de Inconformidade ainda pendia de análise e julgamento do Recurso Voluntário, e que tal situação suspende a exigibilidade do débito em questão. De sorte que a Manifestação de Inconformidade apresentada, pretendia reformar o Despacho Decisório, a fim de que fosse reconhecido seu direito à restituição/compensação do crédito de CSLL correspondente a R$ 37.670,00 indevidamente glosado, bem como, os demais créditos já reconhecidos dando integralidade ao pretendido nos pedido de folhas 01 e 02, requereu, alternativamente, o sobrestamento do feito até que sobreviesse decisão do processo administrativo 10768.015242/9920 . A solicitação foi indeferida, nos termos do acórdão e voto de folhas 370 – 375, sob a sustentação de o referido processo 10768.015242/9920, trata de compensação de crédito com débito de terceiro (fl. 208) sendo detentora do crédito a empresa FACTISA FOMENTO MERCANTIL S.A. e devedora da ora recorrente, sendo que o pedido de restituição da CSLL foi indeferido (fls. 298 – 299), em vista do não atendimento do contribuinte à intimação para apresentação de documentação contábil comprobatória do crédito pleiteado. Aduz o órgão julgador, que a empresa detentora do crédito (FACTISA) apresentou recurso administrativo (fls. 303 – 306), que a DRJ do Rio de Janeiro decidiu, por maioria de votos, devolver à unidade de origem a análise do pedido, quando em sede de manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou os documentos e os dados, cuja falta motivou o indeferimento na origem, de conformidade com acórdão nº. 6.825, de 25 de fevereiro de 2005, às fls. 317 – 325. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10580001430/200116 Resolução n.º 1301000.027 S1TE02 Fl. 5 5 De modo, que não vislumbrou certeza e liquidez na parte do credito não reconhecido, tal qual a autoridade administrativa e quanto à petição de oposição a compensação de ofício entendeu não dispor de competência para tal perquirição cabendoa à DRF de origem, indeferindo, portanto a solicitação. Devidamente notificada da decisão em 01 de agosto de 2006 (fl. 380), a recorrente se opôs à compensação de ofício (383 – 385) apresentando Recurso Voluntário em 29 de agosto de 2006 (fls. 608 – 617), no qual alega em síntese, que os créditos discutidos no processo 10768.015242/9920 são distintos dos aqui discutidos e a parte não homologada nos presentes autos, e, por conseguinte glosada, foi extinta naqueles autos, pelo que deveria ser reconhecida e homologada a compensação da parte em discução, traçando suas considerações e elaborando demonstrativos. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10580001430/200116 Resolução n.º 1301000.027 S1TE02 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator O recurso foi tempestivo e preenche as condições de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Com o panorama traçado no relatório acima, o que se pode extrair para debate nesses autos é o inconformismo da recorrente com glosa levada a efeito no momento da análise do pedido de compensação objeto desse feito (fls. 60 – 62), referente à compensação de parte do débito de CSLL devido por estimativa em abril de 1999, débito que a recorrente pretendeu compensar em autos diversos (PA nº. 10768.015242/9920). Vejase que a autoridade administrativa cuidou de ponderar toda situação da contribuinte, cotejou de forma minudente seus créditos perante a Receita Federal, vislumbrou que a recorrente efetuou recolhimentos por estimativa ao longo do ano calendário referido, mas que em decorrência de prejuízos fiscais no fim do exercício, estes eram passíveis de restituição, todavia, também constatou que parte do débito de CSLL devido por estimativa em abril de 1999 não teve reconhecida a compensação efetuada nos autos referidos, estando portanto, adstrita à glosa a autoridade fiscal. A recorrente em sua manifestação de inconformidade concordou expressamente com a apuração do saldo credor de IR, mas alegou que o não reconhecimento do direito creditório apurado no processo 10768.015242/9920 ainda pende de solução administrativa, o que obstaria a glosa realizada. Realmente a decisão naquele processo é prejudicial ao presente, o que afeta a análise da liquidez e certeza do crédito, quesito indispensável para compensação. Assim, sem o desfecho no processo 10768.015242/9920 fica impossível o julgamento do presente processo, ao menos até que sobrevenha decisão definitiva quanto a homologação ou não. Encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que o processo seja juntado ao Processo nº 10768.015242/9920, hoje, em trâmite na Delegacia da Receita Federal de origem e que só retorne após o julgamento daquele. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 18186.001202/2007-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2003 a .31/01/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONCESSÃO DE ABONO - OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR
O salário-de-contribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a titulo de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL Â VALIDADE DO LANÇAMENTO - INOCORRÉNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 2211212009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributaria.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECALCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8,212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art, 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art, 35-A, para disciplinar a multa de Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua
principio da retroatividade benigna, impõe-se o calculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recalculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3 0 Lei 9.430/1996 c/c art. 5°, § 3° Lei 9A30/1996) e da multa de oficio (com base no art, 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte..
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.222
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, no mérito em
dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.Vencida na questão de multa de mora a conselheira Nribia Moreira Banos Mazza.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a titulo de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos. PREVIDENCIARIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL  VALIDADE DO LANÇAMENTO - INOCORRÉNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIARIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdencidrio não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. 4 Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 2211212009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tribuidria. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECALCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8,212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art, 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art, 35-A, para disciplinar a multa de Visto que o artigo 106, II, c do CTN detennina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua principio da retroatividade benigna, impõe-se o calculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada corn base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recalculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (corn base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3 0 Lei 9.430/1996 c/c art. 5°, § 3° Lei 9A30/1996) e da multa de oficio (com base no art, 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, no mérito em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.Vencida na questão de multa de mora a conselheira Nribia Moreira Banos Mazza. ' L.. • CARLOS ALBERTO EES STRINGARI - Presidente ..... r_ Iva IP.21 T 1 PAULO MAURI • P NHEIRO MONTEIRO — Relator Processo n° 18186.001202/2007-98 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.222 Fl. 219 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magallides Peixoto e INhabia Moreira Barros Mazza (Suplente). Ausentes os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato, 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, fls. 160 a 213, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I - SP, fls. 144 a 155, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD ti° 37.073.604-4, no montante de R$ 49.245,92 (quarenta e nove mil, duzentos e quarenta e cinco reais e noventa e dois centavos). Segundo a Auditoria-Fiscal, de acordo coin o Relatório Fiscal, fls. 27 a 30 a 18 a 74, o lançamento refere-se a as contribuições devidas pela empresa destinadas Seguridade Social incidentes sobre a remuneração a titulo de abono especial, correspOndentes h parte dos empregados, porem não descontadas dos mesmos, A parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (para competências a partir de 07/97) e, as destinadas aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEERAE. O Relatório Fiscal, As fls. 27 a 30, mostra que a prática reiterada de a empresa empregadora de remunerar, sob o titulo "ABONO ESPECIAL", concedido aos empregados por intermédio de acordos coletivos de trabalho, firmado nos anos de 2003 a 2006, coin o respectio sindicato dos trabalhadores, gerou a expectativa aos trabalhadores pela premiação, conferem-lhes propriedades retributivas e, consequentemente, constituem-se em elementos remuneratórios do trabalho. Fundamenta o caráter remuneratório dos abonos concedidos nos seguintes dispositivos legais: § 1° do art. 457 da Consolidação das Lei dos Trabalho, no inciso I do art. 28 da Lei 8212/91, no art. 65 e art. 71 da Instrução Normativa SRP n°03 de 14/07/2005. Ainda, o Relatório Fiscal, As fls. 17 a 18: Dos Fatos apurados.- O levantamento FPS. refeiv-se à remuneração concedida a segurado(s) que prestou(aram) serviço empresa com o titulo de abono especial, dita remuneração encontra-se consignada na follia de pagamento e não declarada na OFIR Valoi es pagos em dezembro/2003, janeiro/2004, dezembro/2004, janeiro/2005, dezembro/2003, janeiro/2001, dezembro/2005 e janeiro/2007.. Da fundamentação legal: Além dos dispositivos legais citados neste relatório, quanta ao . fato gerador e os acréscimos legais, constam do anexo Discriminativo Analitico de Débito - DAD e do anexo Fundamento Legal do Débito —FLD. 0 período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 09374172F00, foi de 04/2003 a 01/2007, as fls. 20. O período do débito, conforme o Relatório Fiscal, As fls. 27 a 30, é de 12/2003 a 01/2007. Processo n" 18186 001202/2007-98 S2-C4T3 Acórdão n ° 2403-00.222 Fl 220 A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 01.06.2007, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação, As fls. 83 a 135, corn Anexo As fls. 136 a 143. A Recorrida — Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Sao Paulo I SP analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, emitindo o Acórdão n°16-15.141 — 13 az Turma, As fls, 144 a 155, com a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOCIAIS Período de apuração 01/12/2003 a 31/01/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O Relatório Fiscal e os Anexos da NFLD oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. FORMALIDADES LEGAIS. A Notificacão Fiscal de Lançamento de Débito NFLD encontra-se revestida das formalidades legais, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO O salário-de-contribuição compreende a totalidade das rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer durante o més, destinados a retribuir o trabalho. CONCESSÃO DE ABONO. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a titulo de abonos não expressamente desvinculados do salário, por forger de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA E TAXA SEL1C Sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS que estejam em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC e multa de mora, ambos de caráter irrelevcivet INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder .Judiciário. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Sao Paulo I — SP no Acórdão n° 16 - 15.141 — 13 " Turma, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 160 a 213, onde alega em síntese: Em sede Preliminar. (a) Do abono especial A fiscalização entendeu que sobre o abono pago aos seus empregados incide contribuição previdenciória consoante piesume estar plevista no artigo 71 da instrução Normativa SRP/03 de 14/07/05. Vale salientar que o abono foi pago con: base na CONVENÇÃO COLETIVA de TRABALHO, convenção esta realizada firmada com a Força Sindical em 07/11/2005. 0 maior absurdo é que a contribuição previdenchiria foi estabelecido não em Lei, mas simplesmente nunta Instrução Normativa, o que .fere todo o ordenamento jurídico pátrio, bem como o principio da legalidade que exige que nenhum tributo será instituído sem previsão legal que o defina. Outro ponto a ser levado em consideração pelos ilustres julgadores é que a própria lei de custeio da Previdência estabelece que não integra o salário de contiibuicão o abono especial, por não estar vinculado ao salário do empreQado, conforme inserto no §9° do artigo 28 da Lei 8.212/91, tem 7. A própria Lei de custeio da previdência é clara ao definir que o abono especial não integra o solário de contribuição para . fins de incidência providenciaria. 0 abono é a quantia que o empregador concede a seus empregados de forma espontânea e em caráter transitório ou eventual ou por determinação legal (b) Da nulidade da NFLDapor preterição aos direitos de defesa — a imprecisão e os erros de capitulação da infração e da multi' É suficiente confrontar o período de apuração abrangido pela NFLD, coin as dezenas de capitulações das supostas "infrações", para constatar que vários dos dispositivos capitulados são inaplicáveis à impugnante, quer porque já se achavam revogados ou ainda não vigentes, no período excogitado, quer porque não apresentam qualquer pertinência com a sucinta descrição da suposta "infração" acusada. (c) a omissão fiscal quanto a elementos essenciais á produção de defesa hábil inexistência de Relatório Fiscal Mas como se não bastasse, verifica-se ainda que inexiste um demento básico, essencial e indispensável papa a lavratura da NFLD em questão, qual seja: o "RELATÓRIO FISCAL". Logo, a defesa ora apresentada necessita de maiores dados para que a mesma não se torne totalmente cerceada, impossibilitando a impugnante de examinar, conferir e de contestar a realidade, existência e a substância dos ininteros em que se baseia acusagão fiscal. 6 Processo n° 18186.001202/2007-98 S2-C4T3 Acórddo n ° 2403-00.222 Fl 221 (d) a omissão fiscal quanto a elementos essenciais ti produção de defesa hail — falta definição dos fatos 2eradores O texto legal da Seguridade Social, em especifico o artigo 243 do Decreto 3.048, é cristalino quando afirma que Not Fiscal de Lançamento deve possuir discrimhzação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, (e) Ofensa a princípios constitucionais Assim, em face das omissões na lavratura da NFLD e na especificação e no fornecimento a inipugnante de "elementos da acusação", que eram essenciais à produção de defesa hábil, a ação fiscal ora impugnada se mostra ilegal e nula de pleno direito, por ter sido instaurada com preterição aos "direitos da defesa" e ao "principio do contraditório" que a constituição e as leis vigentes asseguram a todo acusado em n pi .oces,so administrativo-fiscal (art. 5°, L1V, LV e LVI), No Mérito: ,(1) Auxilio-creche e cesta básica A NFLD ora combatida procura tornar liquido e certo rubricas concernentes à auxilia-creche e cesta básica. A pretensão de registrar esses valores como devidos á Previdência Social constitui-se em verdadeiro absurdo O ,sç 9°, alíneas "c" e "s" do artigo 28 da lei 8212/91 disciplina. Ora o texto da lei é cristalino, o auxilio-creche e a cesta básica concedida ao trabalhador não integram o solário de contribuição, portanto, não incide contribuição previdencidria sobre essas parcelas. As importâncias pagas ao segurado empregado a titulo de auxilio creche e cestas básicas constituem-se em verbas de natureza indenizatória e não rentuneratória. fe) Dos Acréscimos Lezais — Juros — Taxa SELIG' A taxa Selic não possui definição prevista em lei e fere o principio da estrita legalidade tributaria, razão pela qual não pode ser aplicada como forma de atualização de débitos tributários. Ora, o período objeto de cobrança estampado na NFLD abrange as competéncia,s relativas ao período de 10/03 a 12/03, 04/04 a 02/05 e 05/05. Tem-se de outro lado que a Taxa SELIC foi criada pela Lei N.° 8.981, de 20.01.1995, Acresça-se a este o fato de que o principio constitucional concernente ao tema Seguridade Social, contido no artigo 195, ,sç 6° da Carta Magna, determina que lei que institua ou modifique as contribuições sociais só podem ser cobradas noventa (90) dias após sua promulgação, pode concluir-se que ainda que a SELIC fosse de regular validade no mundo jurídico para aplicação de con Sectários legais sobre tributos, sua aplicação só poderia fls. 217. incidir sobre as obrigações pi evidenciárias nascidas a partir da competência 04/1995_ No entanto, pode verificar-se que a SELIC, de forma ilegal e inconstitucional, está sendo coin ada sobre todo o período do lançamento fiscal.. A confecção do índice mensal da Taxa SELIC é atribuição que . foi delegada ao Banco Central, todavia, cabe ressaltar que o Banco Central tem competência financeira, mas não tem COMPetada tributário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, o relatório. 8 Processo n° 18186.001202/2007-98 Acend5o n.° 2403-00.222 S2-C4T3 Fl ") 11 Voto Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 0 recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fi. 217. Anota-se ainda que o Supremo Tribunal Federal — STF ao editar a Súmula Vinculante n°. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Stimula Vinculante 21 inconstitucional a evigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe V, 210, p. I, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p 1. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Preliminares e ao seguir ao Mérito. DAS PRELIMINARES (a) Do abono especial A Recorrente argumenta: A s fiscalização entendeu que sobre o abono pago aos seus empregados incide contribuição previdenciária consoante presume estar prevista no artigo 71 da Instrugdo Normativa SRP/03 de 14/07/05. Vale salientar que o abono foi pago com base na CONVENÇÃO COLETIVA de TRABALHO, convenção esta realizada firmada com a Faro Sindical em 07/11/2005. 0 maior absurdo é que a contribuição previdencitiria foi estabelecido não em Lei, mas simplesmente numa Instrução Normativa, o que fere todo o ordenamento jurídico pátrio, bem como o principio da legalidade que exige que nenhum tributo será instituído sem previsão legal que o defina. Outro ponto a ser levado em consideração pelos ilustres julgadores ê que a própria lei de custeio da Previdência estabelece que não integra o salário de contribuição o abono especial, por não estar vinculado ao salário do empregado, conforme inserto no §9 0 do artigo 28 da Lei 8.212/91, tem 7 A propria Lei de custeio da previdência é clam ao definir que o abono especial não integra o solário de contribuição para .fins de incidência providenciaria. O abono é a quantia que o empregador concede a seus empregados de . forma espontânea e em caráter transitório ou eventual ou por determina cão Analisemos. A Constituição Federal, em seu art. 201, par ágrafo — hoje transformado no parágrafo 11' desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.° 20, de 15 de dezembro de 1998 — determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer titulo, serão iiicotparados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e canse quente repercussão em beneficias, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] A Lei Orgânica da Seguridade Social, Lei n° 8.212/91, em consonância com a norma constitucional supratranscrita, assim define salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições à seguridade social: Ai 1. 28, Entende-se por salério-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a renumeiagdo auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste solaria!, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo ti disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Sem grifos no original) .1 Frente à disciplina legal supra, denota-se que o fato gerador do tributo em tela está presente no conceito de remuneração, ou seja, todo o plexo de contraprestações efetivadás pelo empregador ao empregado, corn o intuito de retribuir o serviço prestado, não sendo relevante o titulo juridico utilizado para realizar o pagamento, isto 6, o nome da verba não possui relevância, mas sim se, no caso concreto, o montante despendido tem intuito de retribuir'o trabalho. De outra parte, a Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os beneficios da Previdência Social, em seu art. 29 torna o salário-de-contribuição como base para o cálculo do valor do salário de beneficio. Conforme previsto no § 60 do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados-, ao Dist, Ito Federal e aos Municípios; ek‘10 Processo n° 18186.001202/2007-98 S2-C4T3 AcOrao n 2403-00.222 Fl 223 6." Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art 155, § .2.", NI, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993) Assim, o § 20 do art. 22 da Lei if 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 90 do art. 28 da mesma Lei: Art, 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada ir Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de . § 2" Não integram a remunera cão as parcelas de que trata o §. 9" do art. 28. O § 90 do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o salário-de-contribuição. Art. 28. Entende-se pot- salário-de-contribuição: § 9' Não integram o salário-de-contribuição para Os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10.12.97) a) os beneficios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário-maternidade; (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10 12.97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei n° .5 929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n" 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente a dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Althea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei n°9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas ir indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço-FGTS; 3 recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 479 da CL T; 4. recebidas a titulo da indenização de que trata o art 14 da Lei n" 5 889, de 8 de junho de 1973; .5. recebidas a titulo de incentivo a demissão; 6recebidas a titulo de abono de férias na forma dos arts 143 e 144 da CLT; (Redação dada peld Lei n°9.711, de 1998). 7.recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei n" 9.711, de 1998) 8.recebidas a titulo de licença-prêmio indenizada; (Redação dada pela Lei n°9,711, de 1998). 9.recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 92 da Lei n2 7238, de 29 de outubro de 1984, (Redação dada pela Lei n" 9.711, de 1998). J,) a parcela recebida a titulo de vale-transporte, na forma da legislação própria; g,) a ajuda de custo, em pat-cela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei no 9,528, de 10.12 97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; 0 a importância recebida a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos. da Lei n" 6.494, de 7 de dezembro de 1977; ,j) a participagão nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei especifica; I) o abono do Programa de Integração Social-PIS e do Programa de Assistência ao Servidor Público-PASEP, ('Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10 12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação . fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de protecão estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; ('Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10 12.97) 11) a importância paga ao empregado a titulo de complementação ao valor do auxilio-doença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa, (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10.12 97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art, 36 da Lei n" 4.870, 12 Processo no 18186 001202/2007-98 S2-01 -13 Acórdão n.° 2403-00.222 Fl 224 de 1" de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei n" 9,528, de 101 2.97), p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível a totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9" e 468 da (J'LT; (Alinea acrescentada pela Lei n" 9.528, de 10.12,97) q) o valor relativo a assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei n" 9,528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veiculo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.5.28, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacita cão e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Alínea acrescentada pela Lei n" 9.528, de 10.12.97) 1.5 t)o valor relativo a plano educacional que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n2 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n" 9.711, de 1998). U,) a importância recebida a titulo de bolsa de aprendizagem garantida ao adole.scente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei n" 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10.12.97) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10,12.97) x) o valor da multa prevista no § 8" do art. 477 da CLT (Alínea acrescentada pela Lei n" 9.528, de 10,12.97) .4-- 13 Verifica-se que a legislação aplicável à espécie determina, em urn primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total do'I I empregado, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Somente em urn segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de não-incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Nesse contexto, os denominados abonos são verbas passíveis de incidência previdencidria, na medida em que conceituahnente tratam-se de adiantamentos salariais, confonne nos ensina Mauricio Godinho Delgado', colacionarnos: Retomado o conceito próprio do abono, como antecipação salarial efetuada pelo empregador ao empregado, torna-se inquestionável sua natureza jurídica, como salário (art. 457, § 1". A jurisprudência foi além, contudo .firmou-se no sentido de conferir à parcela todos os efeitos própilos ao salário básico — o que significa que prevalece no Direito brasileira o entendimento de que o abono, depois de concedido, não pode ser retirado do contrato pelo empregador. Como bem ressaltado na doutrina citada, o próprio Diploma Celetista elenca como integrante da remuneração os abonos, in verbis: Art 457. Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contrapresta cão do serviço, as gorjetas que receber. I" Integrant o salário, não só importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratifica cães ajustadas, diárias para viagem e abonos paeos pelo empregador, (Sem grifos no original) De outro giro, cumpre salientar que o fato de a negociação coletiva mencionar que os abonos concedidos possuem natureza indenizatária, isso não tern o condão de alterar a natureza jurídica da verba, tendo em vista que o art. 457 da CLT' e o art., 22, 1, da Lei de Custeio (n° 8.212/91) são normas cogentes não sendo possível afastar a sua aplicação em razão de urn acordo ou convenção coletiva, principalmente em razão da nulidade prévia delineada pelo art. 9 0, CLT. art. 457 Outro não é o entendimento do Colendo TST acerca da indisponibilidade do da CLT, vejamos: TST mantém natureza salarial de produtividade na Brasil Telecom Embora a Constituição Federal assegure a validade dos acordos coletivos, estes são limitados nas normas de ordem pública, onde não 116 margem para livre manifestação das partes.. Com este entendimento, a Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento a recurso de revista da Brasil Telecom contra decisão que a condenou a integração da "verba produtividade" ao salário, corn pagamento de diferenças nas verbas rescisórias. A condenação foi definida em primeiro grau e mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4" Região (Rio Grande do Sul). O Regional entendeu que o adicional deve incidir sobre DELGADO, Mauticio Godinho. Curso de direito do trabalho 9. ed. So Paulo: Lir, 2010. p. 691. 7 1 " 7 Processo n° 18186.001202t2007-98 S2-C4T3 Acórdilo n.° 2403-00.222 Fl 17 5 remunera cão do empregado por ter "¡Jidda natureza salarial', embora a "verba produtividade" tenha sido instituída no acordo coletivo cont natureza indenizatória. 0 ministro José Simpliciano Fernandes, relator do processo, ressaltou que o objeto da controvérsia estava em definir se possível que as partes, por meio de acordo coletivo, atribuam natureza indenizatória a uma parcela que, por suas características, ostente naturalmente caráter "No caso, o TRT considerou demonstrada a natureza salarial", afirmou o relator. "Assim, ent que pese o acordo coletivo que a institui ter determinado sua não incorporação ao salário, conforme o artigo 457, ,yç I", da CLT, tem-se por devida sua integração", Ao proferir sett voto durante a sessão de julgamento, o ministro qfinnou que as partes não podem, ainda que por acordo coletivo, definir natureza diversa à verba, porque com isso estariam burlando preceito de ordem pública, uma vez que implicaria isenção das contribuições fiscais e previdenciárias its quais as panes estariam obrigadas, por força de lei." (RR 44809/2002-900-04-00.5) Vale ressaltar ainda que, mesmo que porventura se ventile a hipótese de validação trabalhista de negociação coletiva que atribua natureza jurídica diversa aos abonos, como as contribuições previdencidrias são tributos, portanto, sujeitas 6. regência do CTN, cabe mencionar o art. 123: Art.123 - Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Diante da nonnatividade elencada, infere-se que os contratos firmados entre as partes, inclusive os coletivos, não possuem força vinculante para o Fisco, pois os mesmos só criam regras válidas para as partes, não para um terceiro, in casu, Previdência Social, principalmente em face do principio da indisponibilidade do crédito tributário. A Medida Provisória n° 1.586-9, de 21/05/1998, publicada no D,O.U. de 22/05/1998, reeditada até a MP n° 1.663-15, convertida na Lei n° 9.711, de 20/11/1998, acrescentou o item "7" à alínea "e" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, assim dispondo: Art. 28 (..) § Não integram o salário de contribuição: ( e) as importâncias. 7. recebidas a and° de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (sem grifos no original) cOn Da leitura deste dispositivo, verifica-se que a partir de 22/05/1998 os abonos expressamente desvinculados do said -6o, isto 6, apenas quando uma lei que cria algum abono especifico e o desvincule expressamente do salário é que realmente pode se considerar alterada a natureza jurídica da parcela em cheque,. O Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, corn a redação dada pelo Decreto n° 3.265/99 A alínea "j" do inciso V do § 9° do art. 214, explicita e ratifica "esta interpretação ao reportar-se aos "abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". Destarte, como restou firmado pelo Egrégio TST, na decisão acima ventilada, e na regulamentação feita pelo art. 214, § 9°, inciso V. alínea "j", do Dec, 3.048/99, bem como em face da regra de interpretação restritiva prevista no art. 111, inciso II, do CTN, apenas Lei pode conceder isenção previdencidria a algum abono. Dec. 3.048/99 - Art. 214. Entende-se poi salário-de- contribuição • Não integram o salário-de-contribuição, e, xclusivamente: - as importâncias i ecebidas a titulo de j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por for-0 de lei; (Redação dada pelo Decreto re 3..265, de 1999) Código Tributário Nacional - Art. 111. Interpr eta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre; I - suspensão ou exclusão do crédito tributário If - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigacões tributárias acessórias. Os abonos pagos por liberalidade do empregador não estão dentre as parcelas excluídas do salArio-de-contribuição previdencifirio definidas no § 9° do art. 28 da Lei no 8.212/91, de modo que desde a edição da Lei n° 8.212/91 os abonos pagos pelo empregador aos seus empregados, seja por sua liberalidade ou por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho sofrem incidência de contribuições à seguridade social. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente acerca da não incidência da contribuição social previdenciária sobre os abonos especiais pagos. (b) Da nulidade da NFLD por preterição aos direitos de defesa — a imprecisão e os erros de capitulação da infração e da multa A Recorrente argumenta: É suficiente confr ontar o período de apuração abrangido pela NFLD, com as dezenas de capitulações das supostas "infrações", para constatar que vários dos dispositivos capitulados são inaplicáveis à imptmnante, quer porque já se achavam revogados ou ainda não vigentes, no period° excogitado, quer porque não apresentam qualquer pertinência com a sucinta descrição da suposta "infração" acusada. 16 Processo n° 18186.001202/2007-98 S2-C4T3 Acordão n 2403-00.222 Fl 226 Analisemos, Foi realizada auditoria-fiscal coin o objetivo de efetuar a cobrança das diferenças apuradas pelas entre os valores declarados pela Recorrente em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações á Previdência Social — GFIP corn os recolhimentos efetuados em Guias da Previdência Social – GPS, a partir de base de dados constantes nos sistemas de informação da Receita Federal do Brasil. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei II° 8,212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD 35.566.705 -3 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo As contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação et época da lavratura da NFLD le 35 .566.705-3) Lei 710 8.212/91 Art. .37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a .fiscalização lavrará notificagao de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento, IN MPS/SRP 11 ° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, Ito âmbito da SRP.. IV - Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo as contribuições devidas à Previddncia Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Reconente, não confiro razão Recorrente pois, de plano, nota-se que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vicio insanável e tampouco cerceamento de defesa. Pode-se elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF- F. com a competente designação do Auditor-Fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciciria; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo efe rido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos li geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de inflação ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuaras impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC - Instruções para o Contribuinte b DAD- Discriminativo Analítico do Débito c. DSD - Discriminativo Sintético do Débito d. RL Relatório de Lançamentos e. RDA - Relatório de Documentos Apresentados f FLD- Fundamentos Legais do Débito g. REPLEG- - Relatório de Representantes Legais VÍNCULOS - Relatório de Vínculos i. MPF — Mandado de Procedimento Fiscal j. MID — Termo de Intimação para Apresentação de Docunzentos k TEAF - Termo de Encerramento da Ação Fiscal 1. REFISC — Relatório Fiscal Cumpre-nos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individrializado do tributo devido De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: "Art 142. Compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Analisando-se a NFLD 35.566,705-3 e seus anexos, tem-se que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art 142, CTN . Ademais, não compete ao Auditor-Fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumpri-lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de debito de forma vinculada, constituindo o credito previdencidrio. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Processo if 18186 001202/2007-98 S2-C4T3 AcórdEio n.° 2403-00.222 Fl 227 Art. 24,3, Constatada a falta de recolhimento de qualquer. contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuiçães devidas e dos períodos a que se. referent, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes Desta forma, oprocedimento fiscal atendeu todas as determina des legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e os erros de capitulação da infração e da multa. (c1 a omissão fiscal quanto a elementos essenciais (i produção de defesa hábil —inexistência de Relatório Fiscal A Recorrente argumenta: Mas como se não bastasse, verifica-se ainda que ineXiste um elemento básico, essencial e indispensável para a lavratura da NFLD em questão, qual seja: o "RELATÓRIO FISCAL". Logo, a defesa ora apresentada necessita de maiores dados para que a mesma não se torne totalmente cerceada, impossibilitando a impugnante de examinam; conferir e de contestar a realidade, a existência e a substância dos números em que se baseia a acusação fiscal. Analisemos. De plano, cumpre informar que o Relatório Fiscal está disposto às fls. 17 a 18. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão Recorrente pois, de plano cumpre informar que o Relatório Fiscal está disposto às fis. 17 a 18. Ademais, nota-se que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vicio insanável e tampouco cerceamento de defesa. Pode-se elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF- F, com a competente designação do Auditor-Fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a 19 lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considelasse pertinentes . a. IPC - Instruções para o Contribuinte b. DAD- Discriminativo Analítico do Débito c. DSD - Discriminativo Sintético do Débito d RL - Relatório de Lançamentos e. RDA - Relatório de Documentos Apresentados FLD- Fundamentos Legais do Débito g, REPLEG- Relatório de Representantes Legais h. VÍNCULOS- Relatório de Vínculos MPF Mandado de Procedimento Fiscal T1AD — Termo de Intimação para Apresentação de Documentos k TEAT' - Termo de Encerramento da Ação Fiscal I. REFISC — Relatório Fiscal Cumpre-nos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal fbi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrênCia do fate, gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria • tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único A atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, " (d) a omissão fiscal quanto a elementos essenciais ti produção d:e_.tkk_sahribil=k1:miefildsliodifg_natoserttdores Nulidade da NFLD por falta de motivo e forma do ato administrativo. A Recorrente argumenta: O texto legal da Seguridade Social, em especifico o artigo 243 do Decreto 3.048, é cristalino quando afirma que Notificação Fiscal de Lançamento deve possuir discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. „ 20 Processo n' 18186 001202/2007-98 S2-C4T3 Acórdão n 2403-00.222 Fl 128 Pais bem, analisando-se a formação da NEW 'sub examen?", tem-se que o mesmo não preenche os requisitas FORMA e MOTIVO. Não há no caso em tela, a presença dos requisitos supracitados, estando o ato administrativo praticado pelo Sr Agente Fiscal eivado de máculas concebidas a partir da mó- intenção do Sr. Fiscal no uso incorreto de suas atribuições legais, na ausência desse requisito, a melhor doutrina e a lei determina o declaração da nulidade do ato administrativo, nesse caso, a NFLD. Analisemos. Cumpre-nos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Observa-se que o Relatório de Lançamentos - RL, às fls. 07 a 08, relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, corn observações, quando necessárias sobre sua natureza ou fonte documental. Acrescente-se que: o Relatório DAD — Discriminativo Analítico de Debito, As fls. 04 e 05, discrimina os valores originados das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais; enquant o . que o Relatório DSD — Discriminativo Sintético de Debito, As fls. 06, apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados, agrupados por estabelecimento; o Relatório RDA — Relatório de Documentos Apresentados As fls. 09 a 13, relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificação anteriores; e o Relatório FLD — Fundamentos Legais do Debito informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão Recorrente pois o Relatório de Lançamentos RL acrescido dos Relatórios DAD DSD RDA e FLU revestem o rocedimento fiscal de todas as determina ties letais atinentes à discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. 21 Ademais, também não confiro razão à Recorrente em relação it nulidade da NFLD por vicio no motivo e na forma da NFLD, pois o lançamento fiscal foi elaborado nos tennos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individaliado do tributo devido. (e) Ofensa a princípios constitucionais A Recorrente argumenta: Assim, em face das omissões na lavratura da NFLD e na especifica cão e no fornecimento a impugnante de "elementos da acusação", que eram essenciais a produção de defesa hábil, ação fiscal ora impugnada se mostra ilegal e nula de pleno direito, por ter sido instaurada com preterição aos "direitos da defesa" e ao "principio do contraditório" que a constituição e as leis vigentes asseguram a todo acusado em processo administrativo-fiscal (art. 50, LIV, LV e LVI), Analisemos, Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas h competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. processo Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o administrativo fiscal, e dá outras providências: "Art, 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitztcionalidade, (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) §JC (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) § 2' (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11,941, de 2009) y`i" 3C (Revogado). (Redação dada peta Lei n° 11.941, de 2009) § (Revogado) (Redação dada pela Lei no 11.941, de 2009) § 5' (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) § 62 0 disposto no caput deste artigo »ão se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluido pela Lei n° 11.941, de 2009) I — que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal,. (lncluldo pela Lein° 11.941, de 2009) — que fundamente crédito tributário objeto de • (Incluido pela Lei n° 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 22 Processo n° 18186.001202/2007-98 S2-C4T3 Acórdão n." 2403-00.222 Fl 229 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; (incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 4.3 da Lei Complementar na- 7.3, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo .Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar. re 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009)"(o). Ademais, há a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributári Súmula CARFn° 2.: 0 CARP não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei Mbutária. NO MÉRITO (f) Auxilio -creche e cesta básica A Recorrente argumenta: A NFLD ora combatida procura tornar liquido e certo rubricas concernentes à auxilia-creche e cesta básica. A pretensão de registrar esses valores como devidos à Previdência Social constitui-se em verdadeiro absurdo O ,f 9°, alíneas "c" e ''s" do artigo 28 da lei 8112/91 disciplina. Ora o texto da lei é cristalino, o auxilio-creche e a cesta básica concedida ao trabalhador não integram o solário de contribuição, portanto, não incide contribuição previdencidria sobre essas parcelas As importâncias pagas ao segurado empregado a titulo de auxilio creche e cestas básicas constituem-se em verbas de natureza indeniza/ária e não remunera/ária. Analisemos. Outrossim, alega a Recorrente pela não incidência de contribuição social previdenciária nas rubricas auxilio-creche e cesta básica. Certamente houve um erro material na defesa da Recorrente pois esta presente NFLD em nenhum momento aborda a questão de incidência de contribuição social previdencidria nas rubricas auxilio-creche e cesta básica. Desta forma, pelos princípios da economia processual e da celeridade., não será debatido este tópico pois a presente NFLD em nenhum momento aborda essa questão. (z) Dos Acréscimos LeRais — Juros — Taxa SELIC A Recorrente argumenta: A taxa Sella não possui definição pi evista em lei • e fei e o principio da estrita legalidade tributária, razão pela qual não pode ser aplicada como forma de atualização de débitos tribirtários. Ora, o pe.' iodo objeto de cobrança estampado na NFLD abrange as competências relativas ao período de 10/03 a 12/03, 04/04 a 02/05 e 05/05. Tem-se de outro lado que a Taxa SEL1C foi criada pela Lei N° 8.981, de 20.01.1995. Acresça-se a este o fato de que o principio constitucional concemente ao tema Seguridade Social, contido no artigo 195, ,yç' 6° da Carta Magna, determina que lei que institua ou modifique as contribuições sociais só podem ser cobradas noventa (90) dias após sua promulgação, pode concluir-se que ainda que a SELIC fosse de regular validade no mundo jurídico para aplicação de consectários legais sobre tributos, sua aplicação s6 poderia incidir sobre as obrigações previdenciárias nascidas a partir da competência 04/1995. No entanto, pode verificar .-se que a SEL1C, de forma ilegal e inconstitucional, está sendo cobrada sobre todo o period° do lançamento fiscal. A confecção do índice mensal da Taxa SELIC é atribuição que foi delegada ao Banco Central, todavia, cabe ressaltar- que o Banco Central tem competência financeira, mas não tem competência tributária. Analisemos. Insurge-se a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registre-se, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei n° 8,212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custodia, nos termos do artigo 34 da Lei n°8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluidas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas coin atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável, (Restabelecido corn redação alterada pela MP n°1,571/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9 528/9T A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n°8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula n° 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC, Súmula CARF n' 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de 24 Processo ri° 18186.001202/2007-98 S2-0473 Acórdão n.° 2403-00.222 Fl. 230 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC corno juros de moia, com fulcro no artigo 34 da Lei a' 8.212/91, na redação anterior A dada pela Lei 11.941/2009. DA MULTA DE MORA Esta Colenda Tunna de Julgamento vein se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recalculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de nwra aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91 que determinava aplicação de multa que progredia co forme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, 11, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, The comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, principio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la COM a multa aplicada coin base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalacia da multa inais benéfica. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade c) infração dos dispositivos interpretados; - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe c/c tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalva-se a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recalculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (corn base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3 0 Lei 9.430/1996 c/c art. 5°, § 3° Lei 9.430/1996) 25 e da multa de oficio (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NÃO ACOLHER AS PRELIMINARES SUSCITADAS, e, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. E como voto. Sala das Sessões, e 20 de outubro de 2010 ic 'Say jam% 1' PAULO MAU Cie PINHEIRO MONTEIRO - Relator 26 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 18186.001202/2007-98 Recurso n°: 156.251 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2403-00,222 Brasilia, 06 de Dezembro de 2010 „ 4111 e AL,ENA ,VA Chefe da Secretaria da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: ] Apenas com Ciência ] Com Recurso Especial ] Com Embargos de Declaracão Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional 11
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Numero do processo: 11474.000237/2007-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - NÃO APRECIADA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO,
Diversas questões envolvidas na Notificação Fiscal, tais como a decadência, que não poderia ser regida pela Lei n° 8212/91; a impossibilidade de exigência: de contribuições previdenciárias sobre verbas não remuneratórias,
das contribuições ao Salário — Educação, ao SESC/SENAC e ao SEBRAE, bem como da taxa SELIC, não podem ser anuladas por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário,
Neste sentido, o art. 26-A, eaput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula ri° 2 do CARF, publicada no DOU. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF N° 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8,212/1991. Após, editou a Súmula
Vinculante 8, publicada em 20,06,2008, nos seguintes termos:"São
inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
A recorrente teve ciência da NELI) no dia 27.012007, o período do débito é de 01/1997 a 12/2006. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CIN.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SALÁRIO IN NATURA - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A alimentação ia natura, fornecida aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias„
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO GFIP -
APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GHP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária,
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI N°
8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. .32, IV, LEI N°8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8,212/91 - PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO
NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -
CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n" 8,212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8,212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada
pela Lei 11.941/2009.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 2403-000.189
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer do recurso, em acolher a preliminar de decadência até a competência de 02/2002 inclusive, com base no art. 150 parágrafo 4º do CTN.. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães
Peixoto, No mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art 32-A da Lei 8,212/91, na redação dada pela Lei 11,941/2009.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - NÃO APRECIADA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO, Diversas questões envolvidas na Notificação Fiscal, tais como a decadência, que não poderia ser regida pela Lei n° 8212/91; a impossibilidade de exigência: de contribuições previdenciárias sobre verbas não remuneratórias, das contribuições ao Salário — Educação, ao SESC/SENAC e ao SEBRAE, bem como da taxa SELIC, não podem ser anuladas por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário, Neste sentido, o art. 26-A, eaput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula ri° 2 do CARF, publicada no DOU. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF N° 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8,212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante 8, publicada em 20,06,2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência da NELI) no dia 27.012007, o período do débito é de 01/1997 a 12/2006. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CIN. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SALÁRIO IN NATURA - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A alimentação ia natura, fornecida aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias„ PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GHP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária, CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI N° 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. .32, IV, LEI N°8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8,212/91 - PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional - CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n" 8,212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8,212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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PREVIDENCIARIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF N° 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8,212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante 8, publicada em 20,06,2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vineulantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência da NELI) no dia 27.012007, o período do débito é de 0111997 a 12/2006. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4", CIN. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SALÁRIO IN NATURA - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A alimentação ia natura, fornecida aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias„ PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE 'IODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GHP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária, CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5', LEI N° 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. .32, IV, LEI N°8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI 1\l" 8,212/91 - PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional - CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 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Relatório Trata-se de recurso voluntário, às fls.. 156 a 157, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis - SC, Acórdão ir 07-11,656 — 5" Turma, fls. 123 a 129, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração IV, 37.060.156-4, com ciência da recorrente em 27,03.2007, conforme Aviso de Recebimento — AR às fls. 119, com valor consolidado de R$ 104.025,82 (cento e quatro mil, vinte e cinco reais e oitenta e dois centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls, 09, o Auto de Infração n". 37.060.156-4, Código de Fundamentação Legal — CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, ou seja, não informou à previdência social os valores pagos a seus segurados empregados referentes à alimentação não inscrita no PAT. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc, IV e §§ 3' e 5', acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8,212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373, A multa é apurada por competência, sendo seu valor total a sorna dos valores de cada competência em que ocorreu a Infração. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, foi de 01/1997 a 12/2006, fls. 06. O período do débito, conforme os anexos do Relatório Fiscal da Infração, fls. 09, é de 01/1999 a 12/2006. A recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 27.03.2007, conforme Aviso de Recebimento AR n" 702841665BR, às fls. 119, O Relatório Fiscal da Infração da Aplicação da Multa, fls. 10, mostra que o autuado é primário, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto ri' 3,048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art, 291 do Decreto n° 3.048/1999. Não conformada com a Notificação Fiscal, a Recorrente apresentou impugnação, fls. 79 a 94. Foi emitido Acórdão ri° 07-11.656 — 5" Turma, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis — SC, ils, 123 a 129, que confirmou a procedência do lançamento. 5 Processo Ir 11474 000237/2007-15 S2-C4T3 Acórdão n 2403-00,189 Fi 160 Inconformada com a decisão da recorrida, a "Zçsítrulaçaetesentqji.recurso voluntário, fls. 137 a 151, onde alega, em apertada síntese: Em sede preliminar: (a) A nulidade da decisão de primeira instância, A Recorrente sustentou a inconstitucionalidade e a ilegalidade de diversas questões envolvidas na Notificação Fiscal, tais como: (a) a decadência, que não poderia ser regida pela Lei n° 8 212/92; (b) a multa. (b) A decadência, pois é matéria de lei complementar, nos termos do art. 146, inciso III, alínea "b" da Constituição Federal (CF), requisito não atendido pela Lei n° 8.212/91. Diz que a decadência tem inicio com a ocorrência do .fato gerador e que como a notificação do lançamento se deu em março de 1997, as competências anterior afevereiro de 200.2 estão decadentes. No mérito: (c) A base de cálculo da contribuição social é a folha de salários e demais rendimentos do trabalho e que, todas as demais verbas pagas estão fora do seu campo de incidência, São flagrantemente inconstitucionais as contribuições que (a) até a EC n° 20/98, eram calculadas sobre verbas que não tivessem natureza salarial, e (b) a partir da EC n° 20/98, têm sido exigidas sobre valores que não representam remuneração pelo trabalho. Inconstitucional e ilegal a exigência de contribuição previdenciária sobre verbas que não preenchem tais requisitos, como no caso da alimentação fornecida aos empregados, por não possuir natureza salarial ou renumeratória. (d) Alimentação — fornecimento "in natura" - Irreleviincia da inscrição no PAT A Recorrente .fornecia alimentação aos seus empregados, arcando apenas com parte do custo total, sendo que outra parte era descontada dos empregados. A Lei n° 8.21.2/91, em seu art 28„sç 9, "c", exclui a parcela in natura a titulo de alimentação, recebidas de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, Ademais, o fato do artigo em comento prever que a alimentação in natura deve ser concedida segundo as normas do Ministério do Trabalho e da Previdência Social, não acarreta nenhum obstáculo à exclusão da parcela iii natura do salário-de- contribuição de empresa não inscrita no PAT, porque estas preservam o mesmo objetivo, que é proporciona,' ao empregado condições adequadas para o exercício de suas funções, preservando sua saúde e bem-estar, 6 AS.51.112, a simples .falta de inscrição no PAT não desvirtua a real finalidade do beneficio, bem como não acarreta qualquer prejuízo ao fiencionário. Além disso, caso se entenda de maneira inversa, o empregado poderá inclusive ser prejudicado com o cancelamento do . fUrnecimento da alimentação Innatura Tem que o beneficio pode ser pago independentemente de inscrição no P4 T, conforme jurisprudência que arrola. (e) da inconstinicionalidade da multa. A multa exigida da Recorrente, que corresponde a RS 104 025,82, e equivale, em todas as competências, a 100% das contribuições supostamente devidas, revela-se claramente confisca/ária, de sorte que a sua exclusão é medida impreterível, .frente ao comando do art. 150, IV, da CF. (f) Recálculo da multa com base no art. 32-A, 11, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 151 É o relatório., 7 Processo n" 11474.000237/2007-15 S2-C4T3 Acórdão n " 2403-00189 Fl 161 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 153. Anota-se ainda que o Supremo Tribunal Federal — STF ao editar a Súmula Vinculante d. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa, Súmula Mnculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo, Fonte de Publicação . DJe n" 210, p. 1, em 10/1112009 DOU de 10/11/2009, p. I DAS QUESTÕES PRELIMINARES (a) A nulidade da decisão de primeira instância. A Recorrente sustentou a inconstitucionalidade e a ilegalidade de diversas questões envolvidas na Notificação Fiscal, tais como: (a) a decadência, que não poderia ser regida pela Lei n° 8.212/91; (b) a multa. Não assiste razão à Recorrente pois as diversas questões envolvidas na Notificação Fiscal, tais como a decadência e a multa, não podem ser anuladas por alegações de inconstitueionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art, 26-A, caput do Decreto 70235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: "Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) § 1° (Revogado) (Redação dada pela Lei n° 11 941, de 2009) § 2° (Revogado) (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) § 3° (Revogado.) (Redação dada pela Lei n° 11..941, de 2009) § (Revogado) (Redação dada pela Lei n° 11 941, de 2009) 8 5 (Revogado) (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) 6' O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo. (Incluido pela Lei n° 11.941, de 2009) — que . já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) II — que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei n° 11..941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaraldrio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts 18 e 19 da Lei n' 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei n° 11,941, de 2009) h) súmula da Advocacia-Geral da União, na firma do art. 43 da Lei Complementar d-73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo .Presidente da República, na forma do art 40 da Lei Complementar n' 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009)"(gn) Ademais, há a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da ineonstitucionalidade de lei tributária, Súmula CAR.Fn" 2. O C'ARF não é competente para se pronunciam' sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (b) Da decadência A decadência, pois é matéria de lei complementar, nos termos do ar!. 146, inciso III alínea "b" da Constituição Federal (CF), requisito não atendido pela Lei n° 8.212/91 Diz que a decadência tem inicio com a ocorrência do fato gerador e que como a notificação do lançamento se deu em março de 1997, as competências anterior a março de 2002 estão decadentes.. Deve-se verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal - STF, conforme o Informativo STF n° 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n' s 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei IV 8.212/91, atribuindo-se, à decisão, eficácia ex nune apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11,6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante n" 8, publicada em 20,062008, nestes termos: 9 Processo o' 1474000237/2007-15 S2-C4T3 Acórdão o" 2403-00.189 Fl 162 Súmula Vinculante n" 8 - São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei I 569/77 e os artigos 4.5 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção I, P.i. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional no 45/2004, ia verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar .súniula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas . federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida CM lei. § 1" A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2" Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade § 3" Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n..)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal, Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9,784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal, "A ri. 64-13. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciéncia à autoridade ~lotara e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuros decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal" 10 Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CAIU' do Ministério da Fazenda, Portaria MF n" 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: "A ri, 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARP.' afastar a aplicação ou deixar de observa,- tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, ou II - que fundamente crédito tributário objeto de a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos mis. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de/alho de 2002, b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do ar!, 4.3 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na fbrma do art 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 (gn)" Portanto, em razão da declaração de ineonstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional - CTN. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4 0, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "A ri. 1 73. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ii - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (g n.) 11 Processo ri" 11474 000237/2007-15 S2-C4T3 Acórdão ri " 2403-00.189 Fl 163 Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 40, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, § 1" - O pagamento antecipado pelo obrigado nos ternos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento, § 2" - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer' atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3" - Os atos a que se rqfere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n)" Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. "Ementa. ....1.. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador:Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, 1, do Código Tributário Nacional." (STJ.1" Turma, AgRg no Ag 97.2.949/RS, MinDenise Arruda.,ago/08.) "Ementa: . ..4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5Hipótese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicando-se a regra do art. 173, 1, do CTN " (STJ. .2" Turma, 12 AgRg no Ag 939.714/RS, Rel. Min. Eliana Calmon fev/08 ) . (gn ) "Ementa • . .. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a Mação do termo a guia do prazo decadencial paru a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4", e 173, 1, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exanze, que cuida de lançamento por homologação ("contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (.) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN.. " (ST1 EREIsp 278727/DF Rel... Min Franciulli Netto. 1" Seção. Decisão.. 27/08/0.3. LU de 28/10/03, p 184.) . n.) Urna corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica urna regra especial disposta no art, 150, § 4', CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada má-fé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4", CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art.. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária pode-se citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres, Eduardo Sabbag2 , Mauro Luis Rocha Lopes 3 e Leandro Paulsen4., Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 40, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STj e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4° CTN. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, os Levantamentos referem-se a salário in natura, recebido pelo trabalhador, da empresa não inscrita no PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador, instituído pela Lei no. 6.321 de 14.04A 976. Observando-se o Relatório Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF, às fls. 08, tem-se que a NFLD correlata a este Auto de Infração é a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37060A55-6. Nesta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n° 37,060.155-6,, no Relatório Fiscal, às fls. 139, tem -se que: Não existe apropriação indébita por tratar-se de aferição indireta nos levantamentos de salários natura. TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed, Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009 p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha, Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Irnpetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed, Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p 1036. Processo tr° 11474 000237/2007-15 82-C4T3 Acórdão ri 2403-00.189 Fl 164 Não houve desconto da contribuição dos segurados emprecados, sendo que esta foi calculada pela aliquota mínima. Desta forma, considerando-se que Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD 37,060.155-6 se refere a diferenças que a Auditoria-Fiscal reputou sujeitas à tributação, ou seja, Levantamentos de salário in natura, recebido pelo trabalhador, da empresa não inscrita no PAT, considero que houve a antecipação de pagamento posto que, pelo que se infere do Relatório Fiscal, a recorrente declara em GFIP a remuneração do segurado. Ademais, no Relatório Fiscal, a Auditoria-Fiscal, expressamente, se manifesta pela não existência de apropriação indébita, Outrossim, devemos observar o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, na qual se determina que os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32 A empresa é também obrigada a; ) 11. Em relação aos créditos tributários, os docunientos comprobatários do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei n" 11,941, de _2009) Então, em função do exposto em relação à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n° 37,060.155-6 no ponto em que a mesma se refere a diferenças que a Auditoria-Fiscal reputou sujeitas à tributação, além do atendimento ao insculpido no art. 32, § 11, Lei 8,212/1991, há que se aplicar a regra de decadência para os tributos lançados por homologação, insculpida no art. 150, § 4', CTN. Verifica-se, da análise dos autos, que: O período do débito, conforme os anexos do Relatório Fiscal da Infração, fis, 09, é de 01/1999 a 1212006. A recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 27.03.2007, conforme Aviso de Recebimento — AR n° 702841665BR, às fls. 119, Dessa forma, constata-se que já se onerara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 40. CTN. Por todo o exposto, acato parcialmente a preliminar ora examinada, no que tange à decadência excluindo w~ffluicompetência 02/2002 inclusive, nos termos do art. 150., CTN, e passo ao exame de mérito, DO MÉRITO Não (c) A base de cálculo da contribuição social é a folha de salários e demais rendimentos do trabalho. Inconstitucionalidades. 14 A base de cálculo da contribuição social é a Iblha de salários e demais rendimentos do trabalho e que, todas as demais verbas pagas estão fora do seu campo de incidência São flagrantemente inconstitucionais as contribuições que (a) até a EC n° 20/98, eram calculadas sobre verbas que não tivessem natureza salarial, e (b) a partir da EC n° 20/98, têm sido exigidas sobre valores que não representam remuneração pelo trabalho. Inconstitucional e ilegal a exigência de COntribuicão previdenciária sobre verbas que não preenchem tais requisitos, como no caso da alimentação fornecida aos empregados, por não possuir natureza salarial ou remuneratória. Não assiste razão à Recorrente pois estas diversas questões alegadas, não podem ser anuladas por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art., 26-A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: "Art 26-A. No âmbito do processo administrativo .fiscal, .fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei n°11941, de 2009) §- 1" (Revogado). (Redação dada pela Lei n°11 941, de 2009) § 2" (Revogado). (Redação dada pela Lei n" 11 941, de 2009) sç 32' (Revogado) (Redação dada pela Lei n°11 941, de 2009) § 42 (Revogado). (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009) § 5e (Revogado). (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009) ót) O disposto no capta deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo • (Incluído pela Lei n°11 941, de 2009) 1 — que já tenha .sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (incluido pela Lei n° 11.941, de 2009) — que fundamente crédito tributário objeto de: (incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei ir' 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluido pela Lei n° 11.941, de 2009) b) súmula cla Advocacia-Geral da União, na forma do art 4.3 da Lei Complementar . 11'73, de 10 de fevereiro de 1993, ou (Incluído pela Lei n° 11 941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art 40 da Lei Processo n° 11474 000237/200715 S2-C4 T3 Acórdão n." 2403-00,189 Fl 165 Complementar n' 73, de 10 de fevereiro de 1993. (incluído pela Lei n° 11.941, de 2009)"(gn). Ademais, há a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.,U em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, Súmula CARFn" 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a iticonstitucionalidade de lei tributária. (d) Alimentação — fornecimento "in natura" Irrelevância da Inscrição no PAT A Recorrente fornecia alimentação aos seus empregados, arcando apenas com parte do custo total, sendo que outra parte era descontada dos empregados.. A Lei a' 8212/91, em seu art.. 28, ,Y ; 9°, "c", exclui a parcela in natura a titulo de alimentação, recebidas de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Ademais, o fato do artigo em comento prever que a alimentação ia natura deve ser concedida segundo as normas do Ministério do Trabalho e da Previdência Social, não acarreta nenhum obstáculo à exclusão da parcela ia nattera do .salária-de- contribuição de empresa não inscrita no PAT, porque estas preservam o mesmo objetivo, que é proporcionar ao empregado condições adequadas para o exercício de suas funções, preservando sua saúde e bem-estar.. Assim, a simples falta de inscrição no PAT não desvirtua a real finalidade do beneficio, bem como não acarreta qualquer prejuízo ao funcionário. Além disso, caso se entenda de maneira inversa, o empregado poderá inclusive ser prejudicado com o cancelamento do fornecimento da alimentação in natura. Tem que o beneficio pode ser pago independentemente de inscrição no PAT, conforme jurisprudência que arrola. Conforme o constatado no Relatório Fiscal, às fis. 138 ai 39, na Impugnação da recorrente, às fis, 141 a 163, e o Anexo à Impugnação com cópias de notas fiscais juntadas, às fis, 177 a 35.3, a empresa fornece alimentação aos empregados, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme o disposto expressamente na legislação. A Lei n° 6,3.21, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Art .3° Não se inclui como salário de contribuição a parcela paca imatura' pela empresa, nos programas rde alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho O Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n'6.321/76: 16 Art. 1° A pessoa jurídica poderá deduzi]; do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da &iguala cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no período-base, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social - MTPS nos termos deste regulamento. ) § 4° para os efeitos deste Decreto, entende-se como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde ( .) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. O 2 101, de 23 de dezembro de 1996). Ar!. Nos praeramas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência. Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer çfejtos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou cio Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador Desta fbrma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o salário-de-contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9 0 , c, Lei 8,212/1991, o fornecimento de alimentação integra o salário-de-contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, (Lei 8. 212/1991) Ar! 28. Entende-se por salário-de- contribuição; (•) § 9" Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei /7" 9.528, de 101 2.97) (..) c) a parcela "hz natura" recebida de acordo com os Ministério o Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n" 6.321, de 14 de abril de 1976; Ademais, embora existam decisões judiciais em sentido contrário, o Poder Judiciário também apresenta posicionamentos neste sentido da exigibilidade da contribuição previdenciária: 17 Processo tf 11474 000237/2007-15 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00189 Fi 166 TRIBUTÁRIO. - À EXECUÇãO FISCAL CONTRIBUIÇO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS A FUNCIONÁRIOS DO BANCO ACORDO COLETIVO HABITUALIDADE E FINALIDADE NATUREZA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO, INCIDÊNCIA. EXIGIBILIDADE LANÇAMENTO DECADÊNCIA PARCIAL - Os pagamentos habituais efetuados pelo banco aos seus funcionários empregados, tais coma ajuda de custo para supervisar de contas, prémio produção, salário, licença prêmio, gratificação semestral, auxilio creche-babá e ajuda de custo aluguel/alimentação/transporte compõem a remuneração e integram o salário de contribuição, donde exigível a contribuição previdenciária sobre tais verbas (Lei CF, art. .201 1 1 'c Lei 8212/91, art 28, I). 11 - O acordo coletivo e a convenção coletiva de trabalho não têm o condão de gfastar a lei, dispondo sobre a natureza jurídica de verbas percebidas pelo empregado, nem tampouco exclui-las da incidência da contribuição previdenciária. (TRF.3 REO — REMESSA EX- OFICIO 429742 - Processo a' 98030621629 SP. Decisão 28/05/200.2. .2° Turma. Relatora Des, Marianina Galante. DJU 28/02/2002). Desta forma, não prospera a argumentação da recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdenciária na parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. (e) da ineonstitueionalidade da multa A multa exigida da Recorrente, que corresponde a R$ 104.025,82, e equivale, em todas as competências, a 100% das contribuições supostamente devidas, revela-se claramente confiscatória, de sorte que a sua exclusão é medida impreterível frente ao comando do art. 1.50, IV, da CF. Não assiste razão à Recorrente pois esta questão alegada da inconstitueionalidade da multa, não pode ser anulada por alegações de inconstitucionalidade, já que tal questão é reservada à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70,235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: "Ar!. 26-A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Redação dada pela Lei n° 11 941, de 2009) 1 0 (Revogado) (Redação dada pela Lei n° 11 941, de 2009) 20 (Revogado) (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) 30 (Revogado) (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) 41'. (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11,941, de 2009) 5" (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11,941, de 2009) § O disposto no capta deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo' (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) .1 — que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) II — que fundamente crédito tributário objeto de . (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declara tório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei no 11,941, de 2009) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na firma do art 43 da Lei Complementar . n'73, de 10 de .fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei. Complementar . 73, de 10 de . fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009)"(gn). Ademais, há a Súmula IV 2 do CAIU', publicada no D.O,U, em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARI' . se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, Súmula CARFn" 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (1) Recálculo da multa com base no art. 32-A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória n" 449/2008, convertida na Lei 11,941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: 'Art. 32-A.O contribuinte que deixar de apresentai .- a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas' I- de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições infirmadas ., ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3"; e Processo n" 1 1474 000237/2007-15 Aeól dão n " 2403-00.189 S2-C4T3 F I 167 II- de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de der informações incorretas ou omitidas §F-Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo . fixado para entrega da declaração e como termo .final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de ii?fração ou da notificação de lançamento .sç22 Observado o disposto no ,yç 3°, as multas serão reduzidas: I- à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio, ou II- a sete.nta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fitado em intimação §..r A multa mínima a ser aplicada será de: I- R$ .200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II-R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos". Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas, Art.106 - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito (,) Ii - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática No caso da presente autuação, Auto de Infração n", 37,009.482-4, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei IV 8112/1991 e do art. 32, § 5', da Lei ri' 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art 32, § 4', da Lei n° 8,212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art 32, inciso IV, Lei n°8212/1991 c/c o art. 32, § 5', Lei n" 8112/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. .32, inciso 1V, Lei n° 8.212/1991 c/c o art 32-A, Lei n°8212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do tecurso, NAS PRELIMINARES, acolher a decadência até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4 0, CTN, NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art, 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Sala das Sessõ etembro de 2010 PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n": 11474,000237/2007-15 Recurso n°: I.59590 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado , junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2403-00.189 Brasilik, 25 de outubro de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10925.902345/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. POSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório. Assim, existindo provas no processo do pagamento indevido e da sua disponibilidade, ainda que sob código de receita equivocado, deve ser homologada a compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.568
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, que negou provimento ao recurso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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COMPENSAÇÃO Recorrente COOPERATIVA DE ALIMENTOS E AGROPECUÁRIA TERRA VIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. POSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório. Assim, existindo provas no processo do pagamento indevido e da sua disponibilidade, ainda que sob código de receita equivocado, deve ser homologada a compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, que negou provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Florianópolis que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que não teria sido observado requisito essencial, qual seja, a retificação de DCTF antes da transmissão da PER/DCOMP. A ora recorrente apresentou pedido de ressarcimento e declaração de compensação (PER/Dcomp) em face do suposto pagamento indevido da COFINS no 3º e 4º trimestre de 2004 e no 1º e 2º trimestre de 2005. A DRF Joaçaba/SC emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação. Contra esta decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que a despeito de as bases de cálculo das Contribuições PIS faturamento Código 6912 e COFINS faturamento Código 5856, relativa ao período pleiteado, estarem negativas, a contribuinte procedeu ao seu recolhimento. O equívoco teria se dado em razão de, mesmo tendo a empresa migrado para a sistemática não cumulativa, procedeu ao cálculo do tributo no antigo regime cumulativo. Afirmou que o erro pode ser verificado, por exemplo, observando a DCTF do 3° trimestre de 2004, recibo n. 36.97.31.31.8974, onde constavam valores a recolher com os códigos 8109 para PIS faturamento/PJ e 2172 para a COFINS faturamento/PJ e a DCTF do terceiro trimestre de 2004, recibo n.° 22.75.64.84.3410, com os Códigos da Receita 58561 COFINS não cumulativa e 69121 PIS não cumulativo. Por fim, acrescentou que o equívoco teria sido corrigido através das DCTFs Retificadoras datadas de 21/05/2009, recibo n° 29.52.22.44.6608, onde apresenta as bases zeradas para o 3° trimestre de 2004, recibo n° 34.58.24.34.0891, onde apresenta as bases zeradas para o 4° trimestre de 2004, recibo n° 14.87.50.65.8135, onde apresenta as bases zeradas para o 1° semestre de 2005. A DRJ Florianópolis julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho, alegando, em apertada síntese, que apresentou provas da existência do crédito. Acrescentou que com o processamento das DCOMP’s acima citadas, caracterizaria a existência jurídica do crédito. Todos os pedidos de compensação (PER/DCOMP) apresentados são de datas posteriores as DCOMP’s apresentadas. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10925.902345/200978 Acórdão n.º 3301001.568 S3C3T1 Fl. 93 3 Em face das alegações do contribuinte, e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência à repartição de origem, para que verificasse se estava correto o valor indicado pela Recorrente como pagamento a maior, bem como se ele não estava alocado a outro débito. Em resposta à diligência solicitada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC esclareceu o seguinte: No âmbito do julgamento do Recurso Voluntário da lide administrativa instaurada no processo acima identificado, a 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Despacho nº 3803000.142, remeteu os autos à DRF/JoaçabaSC para que fossem esclarecidas as seguintes questões: 1. Se está correto o valor indicado pela interessada como pagamento a maior; e 2. Se o referido pagamento não está alocado a outro débito Quanto à primeira questão, em consulta aos sistemas informatizados da RFB, identificamos um pagamento com as características apontadas pela contribuinte na PER/DCOMP, inclusive quanto ao valor. Porém, tal pagamento foi retificado do código de receita 2172 para o 5856, conforme corrobora tela de sistema anexada ao processo. Em relação ao segundo questionamento, após a retificação da DCTF ocorrida em 21/05/2009, na qual a contribuinte eliminou todos os débitos de Cofins (5856), o pagamento encontrase integralmente disponível nos sistemas da RFB. Cumpridas as demandas do órgão julgador, proponho a devolução deste processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito de COFINS em virtude de ter realizado, equivocadamente, o seu pagamento sob a sistemática cumulativa, quando já teria migrado para o regime não cumulativo e sua base de cálculo, do período, seria negativa. Para demonstrar o seu direito, instrui sua Manifestação de Inconformidade com os DARF’s nos quais consta o código de receita 2172, bem como indicou o número de recibo da DCTF retificadora, onde apresentou as bases zeradas para o período. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 A autoridade recorrida entendeu que, independentemente da existência de crédito, a presente compensação não poderia ser homologada, uma vez que as DCTF’s retificadoras foram transmitidas a destempo, após o PER/DCOMP. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em DCOMP, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houve retificação da DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos). Neste ponto, entendo que não assiste razão à autoridade recorrida, que considera a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório sem efeito, vez que não espontânea. Ora, nos termos do art. 138 do CTN, a espontaneidade é relevante apenas para excluir a responsabilidade pela infração. Por conta disso, e tendo em vista que não estamos falando de ausência de pagamento de tributo, mas, pelo contrário, de pagamento a maior, não há que se obstar a análise de documento fiscal, pela simples razão de ter sido transmitido após o início do procedimento de restituição. Por outro lado, também o art. 9º, § 1º, II, da IN 255/02, não se presta para fundamentar a conclusão de que a DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório não poderia ser analisada. Com efeito, o texto deste enunciado normativo é muito claro ao prescrever que não será aceita a retificação da DCTF que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do inicio de procedimento fiscal. Ou seja, o que se veda é a entrega de DCTF para retificar débito sob procedimento fiscal e não crédito, como o fez a Recorrente. Neste contexto, resta evidente que a alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório. Foi justamente por ultrapassar esse requisto formal e por entender que a Recorrente trouxe aos autos elementos que indicam que o recolhimento da COFINS foi feito sob o regime equivocado, o que representa forte indício de pagamento indevido que determinei, num primeiro momento, a conversão do Recurso Voluntário em diligência à Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10925.902345/200978 Acórdão n.º 3301001.568 S3C3T1 Fl. 94 5 repartição de origem, para que verificasse se estava correto o valor indicado pela Recorrente como pagamento a maior, bem como se ele não estava alocado a outro débito. Em resposta à diligência solicitada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC esclareceu o seguinte: No âmbito do julgamento do Recurso Voluntário da lide administrativa instaurada no processo acima identificado, a 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Despacho nº 3803000.142, remeteu os autos à DRF/JoaçabaSC para que fossem esclarecidas as seguintes questões: 1. Se está correto o valor indicado pela interessada como pagamento a maior; e 2. Se o referido pagamento não está alocado a outro débito Quanto à primeira questão, em consulta aos sistemas informatizados da RFB, identificamos um pagamento com as características apontadas pela contribuinte na PER/DCOMP, inclusive quanto ao valor. Porém, tal pagamento foi retificado do código de receita 2172 para o 5856, conforme corrobora tela de sistema anexada ao processo. Em relação ao segundo questionamento, após a retificação da DCTF ocorrida em 21/05/2009, na qual a contribuinte eliminou todos os débitos de Cofins (5856), o pagamento encontrase integralmente disponível nos sistemas da RFB. Ou seja, confirmou a autoridade fiscal que a Recorrente efetivamente realizou pagamento do valor indicado pela contribuinte na declaração de compensação em análise, o qual, inclusive, teve o código de receita retificado de 2172 para 5856, conforme documento anexo. Ademais, esclareceu o auditor fiscal que o referido pagamento encontrase integralmente disponível nos sistemas da RFB, ou seja, que não foi alocado a outro débito. Neste contexto, não resta dúvida quanto a existência e a disponibilidade do crédito financeiro apurado pelo contribuinte. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecendo a disponibilidade dos créditos informados pelo contribuinte, autorizar seja homologada a declaração de compensação dos débitos fiscais até o valor correspondente aos créditos decorrentes dos pagamentos indevidos ora reconhecidos. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10218.000571/2006-56
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2001
Ementa:MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle
administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2001
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei ng. 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n 8 08 do STF.
TERMO INICIAL.
Tendo ocorrido antecipação do pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a fluir da data de ocorrência do fato gerador.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.007
Decisão: ACORDAM os membros da 3ªurma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO: I) por maioria de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. Vencida a Conselheira Andréia Dantas Lacerda Moneta; e II) quanto ao mérito, por unanimidade de votos, um dar provimento parcial ao recurso, para declarar a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/2001 e 30/11/2001, na linha da súmula n9 08 do STF, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida DRI-BELÉM/PA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 Ementa:MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PISWASEP Ano-calendário: 2001 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei ng. 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n 8 08 do STF. TERMO INICIAL. Tendo ocorrido antecipação do pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a fluir da data de ocorrência do fato gerador. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO: I) por maioria de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. Vencida a Conselheira Andréia Dantas Lacerda Moneta; e II) quanto ao mérito, por unanimidade de votos, um dar provimento parcial ao recAso, para ef,de tarar a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributt d./referente 1 ', aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/2001 e 30/11/2001, na linha da súmula n9 08 do STF, nos termos do voto do Relator. -0( . n / G SON MACE ta ROSENBURG FILHO /Presidente ky AL n • NDRE 1 RN Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luís Guilherme Queiroz Vivacqua e Andréia Dantas Lacerda Moneta. Relatório Cuida-se de recurso (fls. 415 a 430) interposto pelo recorrente acima qualificado, contra o Acórdão n2 01-9.415, de 2 de outubro de 2007, da DRYBEL, fls 399 a 407, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões Pão constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiadas sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26-A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei n°11.196/2005). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judiciaL ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULA ÇÁO DA ADMINISTRATIVA. L autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, desde que Mio tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. - MPF. FALHAS r *CEDI -MENTAIS. VICIO FORMAL. INOCORRENCIA. • 2 • Processo n° 10218.000571/2006-56 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.007 Fl. 93 Eventual desrespeito às regras relativas ao MPF não implica a nulidade dos atos administrativos posteriores, haja vista seu caráter subsidiário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DEZ ANOS. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente Cuida-se de auto de infração para fommlização da exigência da contribuição que deixou de ser declarada e paga, em face de nova apuração procedida pela Fiscalização da DRF-Marabá, para adicionar à base de cálculo apurada pelo contribuinte as receitas de serviços relativos à habilitação de celulares e outras tarefas contratadas com Telepará Celular S/A e Amazônia Celular S/A. Impugnado o feito, a DRJ/BEL houve por bem em julgá-lo procedente, em julgado com a ementa acima transcrita. Vem agora o autuado, em sede de recurso voluntário, pedir reforma da decisão da DRJ/BEL, reapresentando os mesmos argumentos já defendidos por ocasião da interposição da impugnação: Decadência do direito da Fazenda pública de promover a constituição do crédito tributário, e; Nulidade formal do lançamento, por incapacidade do agente, em face da não apresentação do mandado de procedimento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 415 a 430 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-BEL n2 01-9.415, de 2 de outubro de 2007. Preliminar de nulidade As preliminares suscitadas no recurso não merecem prosperar, em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, porque é mero instfumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização não implicando nulidade do procedimento fiscal a emissão e o trâmite desse instrumento 3 Esse tem sido o entendimento dos Conselhos de Contribuintes, conforme demonstram os Acórdãos n's 103-22.297; 202-15.847; 105-15.327; e 102-46.676, cuja ementa deste abaixo se transcreve: "NORMAS PROCESSUAIS - FALTA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO LANÇAMENTO - INEXISTÊNCIA — 24 Portaria SRF n° 1.265, de 1999, que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, em virtude do principio da legalidade (CF, art. 5°, inc. II) e da hierarquia das leis, não se sobrepõe às disposições do Código Tributário Nacional - CTN, as do Decreto n°70.235, de 1972, em especial às dos arts. 7° e 59, que versam, respectivamente, sobre o inicio do procedimento fiscal e sobre as hipóteses de nulidade do lançamento. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL - Disposições das Leis n`s 2.354, de 1954, e 10.793, de 2002 e do Decreto-Lei n' 2.225, de 1985, se sobrepõem à Portaria SRF n°1.265, de 1999. MANDADO DE PROCEDIM_ENTO FISCAL - O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitar-lhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta." (Acórdão n°102-46.676, Recurso n°136.803; Relator José Oleskovicz; Data da Sessão: 16/03/2005). Rejeite-se a argüição. Preliminar de decadência O Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União, do dia 20/06/2008, o enunciado da Súmula vinculante n7 08, in verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de sumula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4' do art. 2` da Lei n° 11.417/2006: Súmula vinadante n°8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Mi,,, Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Venoso, DJ 28/8/P 2. Legislação: ,.., ..• - / Q\t 4 Processo n° 10218.00057112006-56 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.007 Fl. 94 Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5', parágrafo único Lei n° 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, ha de se definir o termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Para a solução da presente lide, merecem ser colacionados os Acórdãos do STJ vazados nos seguintes termos: No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a I' Turma do STS assim se pronunciou: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (C77V, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 49.PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. 1.omissis 2.omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.I73, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia) para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para /,,i o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar Icfr do fato gerador, conjárme estabelece o § 4° do art. 150 do CTN. I Precedentes da I" Seção: ERESP I01.407/SP, MM. Ari "-- C1‘.. / 5 Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473ISP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216758/SP, Min. Teori Zavascici, I3J de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, confirme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do c riv: 5 Recurso especial a que se nega provimento." Mais uma vez a 1' Turma do STJ pronunciou-se sobre o tema: "EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (C1?'!, ARI: 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 40) DA 1" SEÇÃO. I. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 81212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidatle no REsp n' 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa" e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" —, há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estaberce o § 4° do art. 150 do CT7V: 4..recedentes jurisprudenciais. a~O, o, Processo rd' 10218.000571/2006-56 82-TE03 Acórdão of 2803-00.007 Fl. 95 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, 1, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: "Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelá-lo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4" deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, 1, deste mesmo Código. E; em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Raulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6' ed., p. 1011) "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência — homologação tácita, extintiva do crédito — ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada" (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404). Assim, em havendo antecipação, total ou parcial, dos recolhimentos, conforme exige o art. 150, § 1° do CTN, o prazo decadencial deverá começar a fluir a partir da ocorrência do fato gerador. Caso não haja recolhimento, aplicar-se a regra do inc. Ido art. 173. No caso concreto, verifica-se que o contribuinte, ainda que parcialmente, tomou a providência preconizada no art. 150, § 4° do CTN, pelo que, em 14/12/2006, data da lavratura do Auto de Infração de que se trata, estava decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorri,dbs em 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/0/2901, 31/08/2001, (I‘ 7 31/10/2001 e 30/11/2001. Cancele-se portanto o lançamento de principal correspondente a esses períodos de apuração, no valor de R$ 4.743,81 (quatro mil, setecentos e quarenta e três reais e oitenta e um centavos), bem assim o de seus consectários legais. Conclusões Em face do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a exigência de principal em R$ 4.743,81 (quatro mil, setecentos e quarenta e três reais e oitenta e um centavos), bem assim a de seus consectários legais. Sala das Sessões, em 10 de março de 2009 ALEt NDRE Kk N - t!All( ...) k' . . .. , 8 Processo 16) 10218.00057112006-56 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.007 Fl, 96 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, Brasília, Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: ( I Apenas com Ciência; [ ] Com Recurso Especial; [ ] Com Embargos de Declaração; [ II Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional (identificação e assinatura) 9
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001287/2007-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1999 a .31/07/200.3
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO .32, I,
DA LEI N° 8_212/91 C/C ART. 225, I, DECRETO N° .3.048/99 C/C ART.
225, § 90, DECRETO N° 3,048/99 - DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE
PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU DEVIDAS AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A SEU SERVIÇO
Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2403-000.198
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos, em
conhecer do recurso, não acolher a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso,
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO 1/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a .31/07/200.3 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO .32, I, DA LEI 1\1° 8_212/91 C/C ART. 225, I, DECRETO N° .3.048/99 C/C ART. 225, § 90, DECRETO 1\1° 3,048/99 - DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU DEVIDAS AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A SEU SERVIÇO Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, 1) Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, não acolhei- a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Processo n" I 330 001287/2007-54 Acórdão ri" 2403-00,198 S2-C4T3 El 129 Relatório Trata-se de recurso voluntário, às fls. 118 a 125, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I - RJ, Acórdão n" 12-17.377 — 13" Turma, às fls. 111 a 116, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração n°. 37.107.124-0, com ciência da recorrente em 08.08.2007, às fls, 01, com valor consolidado de RS 1,195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos). O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal — CFL .30, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. .32, I, combinado com art. 225, I e § 9', do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Conforme o relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 19, a descrição sumária da infração: 1. A empresa deixou de preparar .folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos os segurados Contribuintes Individuais (Categoria 13) a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB, 2 A relação de nomes dos Contribuintes Individuais (Categoria 1,3) ausentes da Folha de Pagamento foi extraída da Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - CEP, entregue pela Empresa. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 09382.390F00, foi de 08/1999 a 08/2003, fls. 6, O período objeto do auto de infração, conforme o disposto no Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 20 a 2.3 é de 05/2001 a 08/2003, A recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 08.08.2007, conforme fls. 01. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 25, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3,048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. A capitulação da multa aplicada tem sede na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. 1, alínea "a" e art. 37.3, O valor, para este código de fundamentação legal (CFL - 30), é de R$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos), com base no art. 9 0, inciso V, da Portaria MPS N° 142, de 11 de abril de 2007. Contra a autuação, a RecorTente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 65 a 80. Após análise, a DRJ Rio de Janeiro 1 - RJ emitiu o Acórdão n° 12-17.377 — 13" Turma, às fls., 111 a 116, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada. Inconformada com a decisão, a Recorrente a e resentou recurso voluntári fls. 118 a 125, na qual alega em síntese que: Preliminarmente, da decadência parcial do período objeto da autuação fiscal, até a competência julho/2001, inclusive, pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 173, CTN em razão da inconstitucionalidade do art. 45, Lei 8.212/1991. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 127. É o relatório. Processo n" 11330.00 l287/200754 S2-C4T3 Acórd5o o ° 2403-00198 Fl 130 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 132. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao exame do mérito, DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA A recorrente alega a decadência da parte da obrigação acessória compreendida até a competência 07/2001, inclusive, nos termos do art. 173, 1, CTN, com a redução proporcional da multa. Cumpre resgatar que a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 08.08.2007, às fls. 01, e que o Auto de Infração se refere ao período de 05/2001 a 08/2003, conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 20 a 23. Ainda assim, a autuação foi lavrada devido a Recorrente ter deixado de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9', do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° .3.048, de 06/05/1999. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal — CFL n'. 30, o valor da multa é único, com base no art. 9°, inciso V, da Portaria MPS N° 142, de 11 de abril de 2007, aos valores da época, R$ L195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos)„ sendo que não há mitigação da multa por ocorrências, Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 08.08.2007, e o Auto de Infração se refere ao período de 05/2001 a 08/2003, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 08/2003, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional. ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de que houve a decadência parcial da obrigação acessória em questão. DO MÉRITO. A recorrente não suscitou quaisquer pontos em sua defesa atinentes ao mérito. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, não acolher a PRELIMINAR e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como votcL Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2010 PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator asia —Mad alena 64. ,A7 1v1rNIS1ÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS - QUADRA 01 - BLOCO "3" ED ALVORADA 11' ANDAR— CEP: 70396 — 900 — Brasília - DF lei: (0xx61) 3412-7568 Home Page:http:// www carffazendagov br PROCESSO : fl 3'3'0 . 0 0 (200.) -5-(--( INTERESSADO: sk MC 4.,A CA- , ,)jr-NC TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 2-(-M-(r..) folhas Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providências de sua alçada,
score : 1.0
Numero do processo: 16020.000022/2008-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/12/1998
DECADÊNCIA.SÚMULA VINCULANTE DO STF N°8
São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário
PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTRATADOS PARA EXECUÇÃO EM SEUS PRÓPRIOS CONSULTÓRIOS. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO,
1. Médicos e outros autônomos contratados que prestam serviços em seus próprios consultórios, sem prejuízo do atendimento de sua clientela particular, sem nenhuma vigilância ou controle direto do contratante, não o fazem segundo as condições previstas no art, 3º da CLT ensejadoras do reconhecimento do vínculo empregatício.
2. Os serviços foram prestados nos consultórios particulares dos prestadores de serviço, o que descaracteriza a exclusividade do atendimento, tendo em vista que os mesmos podiam atender aos conveniados da contratante e aos seus pacientes particulares ou de outros convênios, não se configurando, subordinação hierárquica.
3. Quanto ao pagamento de honorários médicos, com base na tabela da Associação Médica Brasileira - AMB, verifica-se que seriam decorrentes dos serviços efetivamente prestados, pagos conforme a quantidade de atendimentos realizados de acordo com suas próprias agendas e conveniência não configurando salário ou remuneração de trabalhador assalariado.
4. Há o reconhecimento de que os serviços foram prestados por força de contratos, inexistindo subordinação e exclusividade na prestação de serviços, mantendo-se a autonomia, além de serem percebidos honorários médicos por atendimento e, não, salário.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2403-000.137
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher a preliminar de decadência até a competência 11/97, inclusive, com base no Art. 150, § 4° do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e
Carlos Alberto Mees Stringari, No mérito Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: IGOR ARAÚJO SOARES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/12/1998 DECADÊNCIA.SÚMULA VINCULANTE DO STF N°8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTRATADOS PARA EXECUÇÃO EM SEUS PRÓPRIOS CONSULTÓRIOS. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO, 1. Médicos e outros autônomos contratados que prestam serviços em seus próprios consultórios, sem prejuízo do atendimento de sua clientela particular, sem nenhuma vigilância ou controle direto do contratante, não o fazem segundo as condições previstas no art, 3º da CLT ensejadoras do reconhecimento do vínculo empregatício. 2. Os serviços foram prestados nos consultórios particulares dos prestadores de serviço, o que descaracteriza a exclusividade do atendimento, tendo em vista que os mesmos podiam atender aos conveniados da contratante e aos seus pacientes particulares ou de outros convênios, não se configurando, subordinação hierárquica. 3. Quanto ao pagamento de honorários médicos, com base na tabela da Associação Médica Brasileira - AMB, verifica-se que seriam decorrentes dos serviços efetivamente prestados, pagos conforme a quantidade de atendimentos realizados de acordo com suas próprias agendas e conveniência não configurando salário ou remuneração de trabalhador assalariado. 4. Há o reconhecimento de que os serviços foram prestados por força de contratos, inexistindo subordinação e exclusividade na prestação de serviços, mantendo-se a autonomia, além de serem percebidos honorários médicos por atendimento e, não, salário. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T19:16:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T19:16:57Z; Last-Modified: 2010-11-18T19:16:57Z; dcterms:modified: 2010-11-18T19:16:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:930b3427-2ece-40e8-be52-7a17ec5cbf69; Last-Save-Date: 2010-11-18T19:16:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T19:16:57Z; meta:save-date: 2010-11-18T19:16:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T19:16:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T19:16:57Z; created: 2010-11-18T19:16:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2010-11-18T19:16:57Z; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T19:16:57Z | Conteúdo => S2-C4T3 F1 884 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16020.000022/2008-37 Recurso n" 157.657 Voluntário Acórdão n" 2403-00.137 — 4 Câmara / 3" Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2010 Matéria DESCARACTERIZAÇÃO DE AUTÔNOMO Recorrente CLIMED CLÍNICA MÉDICA DE BOITUVA S/C LTDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA EM SOROCABA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/12/1998 DECADÊNCIA.SÚMULA VINCULANTE DO STF N°8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTRATADOS PARA EXECUÇÃO EM SEUS PRÓPRIOS CONSULTÓRIOS. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO, 1. Médicos e outros autônomos contratados que prestam serviços em seus próprios consultórios, sem prejuízo do atendimento de sua clientela particular, sem nenhuma vigilância ou controle direto do contratante, não o fazem segundo as condições previstas no art, 3' da CLT ensejadoras do reconhecimento do vínculo empregatício. 2. Os serviços foram prestados nos consultórios particulares dos prestadores de serviço, o que descaracteriza a exclusividade do atendimento, tendo em vista que os mesmos podiam atender aos conveniados da contratante e aos seus pacientes particulares ou de outros convênios, não se configurando, subordinação hierárquica. 3. Quanto ao pagamento de honorários médicos, com base na tabela da Associação Médica Brasileira - AMB, verifica-se que seriam decorrentes dos serviços efetivamente prestados, pagos conforme a quantidade de atendimentos realizados de acordo com suas próprias agendas e conveniência não configurando salário ou remuneração de trabalhador assalariado. 4. Há o reconhecimento de que os serviços foram prestados por força de contratos, inexistindo subordinação e exclusividade na prestação de serviços, mantendo-se a autonomia, além de serem percebidos honorários médicos por atendimento e, não, salário. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos., ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência até a competência 11/97, inclusive, com base no Art. 150, § 4° do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari, No mérito Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente z IVACIR JÚLIÃE SOUZA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari Ivaeir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato, 2 Processo n" 16020,000022/2008-37 52-C4T3 Acórdão o 2403-00,137 Fl. 885 Relatório Conforme Relatório Fiscal de folhas 25/28, trata-se Notificação Fiscal de Levantamento de Débito - NFLD : " proveniente de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente a parte da Empresa, Segurados e do Seguro do Acidente do Trabalho até 06/97 e do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho no período de 07/97 a 12/98 e as destinadas aos Terceiros: SE- Salário Educação, INCRA- Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, SENAC — Serviço Nacional do Comercio, SESC — Serviço Social do Comércio e SEBRAE- Serviço Brasileiro de Apoio as Micros e Pequenas Empresas. 2- Período do Lançamento do Crédito: 04/97 a 12/98 3- Trata-se de crédito lançado por esta . fiscalização contra a empresa acima identificada, que teve como Fato Gerador: 3, I- A descaracterização de segurados autônomos, caracterizando-os como segurados empregados, por entender que na verdade, os mesmos enquadram-se no ArtiRo 12, inciso 1 alínea "a" da Lei 8212191, conforme relacionados no Relatório de Profissionais Caracterizados como Empregados em anexo. 4- Verificando-se os lançamentos contábeis e Folhas de Pagamentos de Pessoal e Autônomo, ficou demonstrada a existência do vínculo laborai destes segurados com a empresa, na qualidade de empregados, vinculados ao Regime Geral de Previdência e esta caracterização ficou estabelecida pela atividade fim da notificada e a relação de trabalho com estes profissionais, entre os quais destacam-se os elementos Pessoalidade, Não Eventualidade, Subordinação e Remuneração, assim definido em Lei", (grifas de minha autoria)" Em síntese: o levantamento da débito refere-se as contribuições previdenciárias devidas sobre pessoal denominado autônomos pela empresa mas que a fiscalização não os considerou como tal classificando-os como empregados. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, a empresa apresentou impugnação de folhas 47/52 onde alegou: - Que para o real e efetivo cumprimento de seu objeto social, a requerente vale-se de serviços profissionais (médicos e dentistas) contratados na forma de prestadores de serviço autônomo, face a circunstância e demanda que os serviços exigem, 3 - Que os médicos e dentistas que prestam serviço para a Climed, relacionados na lista elaborada pelo fiscal, são meros prestadores de serviços. Isto por que a Climed contrata com o particular a assistência médico-hospitalar, repassando, tais serviços aos profissionais por elas contratados (médicos e dentistas), que atendem os conveniados da Climed nos seus respectivos consultórios, localizado em sede distinta da impugnante, ganhando para tanto um valor prefixado a título de consulta médica. - Que a relação jurídica entre a irnpugnante a os profissionais relacionados pela autoridade fiscal, encontram-se fulcrada nos artigos 1.288 e seguintes do Código Civil, afastando-se qualquer relação trabalhista entre as partes, - Que falta o requisito da não eventualidade e subordinação para caracterizar a relação jurídica empregatícia. - Que os serviços prestados pelos médicos eram realizados sem qualquer subordinação, na medida que as consultas eram realizadas nos próprios consultórios dos médicos, os quais inclusive poderiam se recusar a atender os conveniados da Climed. - Que a autoridade fiscal não é dotada de competência para estabelecer e declarar relação de emprego entre uma pessoa fisica e urna pessoa jurídica. - Que tal mister é ato privativo do poder jurisdicional, o que é incompatível com o nosso ordenamento jurídico. Cabe à autoridade fiscal verificar se os requisitos de uma detelininada lei encontra-se presente no caso concreto. - Que os contratos dos convênios médicos e recibo de pagamento de autônomos, colacionados evidencia o fato de que os profissionais, relacionados em lista anexa à NFLD, demonstra a inexistência de qualquer relação jurídica trabalhista com a requerente, - Que a contribuição social exigida pelo INSS, já foi recolhida indevidamente pela impugnante, na medida que, no período de 08/89 a 10/95, constituíram base de cálculo da inconstitucional contribuição social sobre a remuneração dos profissionais autônomos.. - Que o INSS pretende é através de meios irregulares, classificar os autônomos corno empregados, para contornar a decisão do Supremo Tribunal Federal, que julgou inconstitucional as expressões autônomos e administradores contidas no inciso I do art. 3° da lei 7,787/89 e inciso I do art. 22 da lei 8.212191, - Que nesse sentido, não é o INSS que tem o direito á percepção do valor constante no auto de infração guerreado, mas sim, a impugnante que, tendo pago tal quantia indevidamente, conforme as guias de pagamentos em anexo, detém o direito a repetição do indébito fiscal. - Afirmou, também, que as remunerações pagas aos profissionais autônomos, contratados pela impugnante e listados pelo INSS como empregados, constituíram base de cálculo para o recolhimento da inconstitucional contribuição previdenciária sobre as remunerações dos autônomos (lei 7,789/89 e 8.212/91), recolhimento este comprovado através das guias trazidas aos autos. DA DILIGÊNCIA A Delegacia de julgamento, para melhor se posicionar, requereu diligência com base no seguinte argumento : 4 Processo ri° 16020 000022/2008-37 S2-C4T3 Acórdão n' 2403-00,137 H 886 "10. O processo .foi baixado em diligência para que o auditor notificante fornecesse mais subsídios para o julgamento, como por exemplo, a demonstra ão da subordinação e da não eventualidade das serviços prestados.. Isso, porque, a empresa trouxe os contratos elaborados entre as médicos e a impugnante, no intuito de demonstrar que os vínculos pactuados era de prestação de serviço autônomo."( grifei) Atendendo a diligência solicitada, a autoridade fiscal produziu informação conforme parte do Relatório abaixo: ff ) 3 - Conforme contratos anexados como exemplo o de .fls. 05 (vol 1) com o profissional a Eliane Aparecida Rosa Primo, não é o que nos leva a crer, vejamos então 3,1- Em sua cláusula Segunda (Obrigações da contratada.) fica caracterizada a subordinação, já no item "a" fica claro que a contratada se obriga a atender os usuários da Climed, sem discriminação de qualquer espécie; item "a" - A contratada deverá fornecer à contratante relatórios de despesas e procedimentos realizados, dentro de quinze (15) dias quando solicitado. (grifei) 3,2- Cláusula Terceira —Os atendimentos serão efetuados com hora mareada; Cláusula Quarta — Os serviços prestados serão pagos no décimo dia útil do mês subseqüente e conforme parágrafo primeiro o valor a ser pago será de acordo com a Tabela da AMB (Associação Médica Brasileira).( grifèi) 4.2- Ressalta-se ainda, que para haver o vínculo labora! é necessário que o trabalho prestado seja necessário aos objetivos da contratante, o que ocorre no caso em tela, visto que as prestações de serviços inserem-se na dinâmica normal da empresa, médicos, dentistas, fisioterapeutas etc, e são essenciais á consecução da atividade fim desta empresa em caráter permanente, para atender os objetivos propostos pelo convenio; 4,3- Devemos considerar ainda a norma prescrita no artigo 6 da CLT cujos termos são Artigo 6- -Não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador e o executado no domicílio do empregado, diErIlL2m.e.. caracterizado a relação de emprego" 4,4 - Por seu turno a circunstância de terem os empregados (Médicas, Dentistas, fisioterapeutas, etc) seus próprios consultórios, n 'do elide o laço empregatício, de vez que nada impede a reunião desses .fatores. A sua ocorrência pressupõe a compatibilidade com os serviços prestados ou a presunção de mera liberalidade do empregador.. 5- Diante do exposto encaminho o presente pra apreciação do setor competente pra prosseguir DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em face dos argumentos do relatório da diligência, a Delegacia da Receita Previdenciária em Sorocaba decidiu pela procedência do lançamento exarando DECISÃO- NOTIFICAÇÃO de n° 2L03810154/2006 de folhas 810, RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, com a decisão daquela Delegacia, a empresa apresentou recurso voluntário, f1s.829, onde reiterou as alegações que fizera em primeira instância alegando , em síntese - Que a remuneração percebida pelos médicos e dentistas que prestam serviços à recorrente não configura salário, - Que tal assertiva decorre da própria base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para realizar o lançamento tributário, onde verifica-se urna variação incompatível com o princípio que pauta as relações de emprego / irredutibilidade do salário, - Que sem subordinação e sem salário, não há falar em vínculo empregatício, quedando-se as relações jurídicas estabelecidas entre a recorrente e os profissionais prestadores de serviço pautadas pela órbita do Código Civil, mais precisamente nas disposições que regem o contrato de prestação de serviços - arts, 1,128 e seguintes. - Que a recorrente, no período declinado no ato administrativo de constituição do crédito tributário, escriturou, contabilmente, todas as relações jurídicas mantida com os profissionais de saúde corno sendo relação de prestação de serviço, inclusive recolhendo, ainda que inconstitucionalmente, a respectiva contribuição, na forma do artigo 3 0 , I, in fine, da Lei ri.° 7387/89. Colacionou jurisprudência no sentido de sustentar a inexistência de relação de emprego de médicos e atendimentos de segurados em consultório particular. É o relatório. 6 Processo 0" 16020 000022/2008-37 S2 -C4T3 Acórdão o ° 2403-00,137 Fl. 887 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, conforme fls,845 e 883. Portanto, dele conheço. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Em preliminar, quedo-me a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal — STF. SÚMULA VINCULANTE DO STF N°8 "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art, 10.3-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art.. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas .federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: 'Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 7 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, corno no caso das contribuições previdenciárias, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4', do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (-) 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) O acima disposto pretendeu caracterizar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art, 173 ou art, 150 do CTN, identificando a natureza do tributo, no caso por homologação) para em seguida declarar da maneira devida a decadência das contribuições previdenci árias. Em face do até aqui exposto, a aplicação do art, 150, § 4', é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. De acordo com o previsto no art, 28 da Lei n c' 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Desse modo, entendo que qualquer eventual recolhimento, sobre uma ou mais rubricas, caracteriza antecipação. Ao efetuar os recolhimentos, na forma do leiaute da guia de recolhimento - GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra de imediato de modo claro e efetivo quais fatos geradores estão sendo contemplados com tal pagamento, razão das auditorias fiscais. Entendo que, mesmo a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação. 8 Processo n° I 6020.000022/2008-37 Acórdão n.° 2403-00L137 Assim, em ocorrendo a circunstância supra, e ainda em razão da natureza do tributo ser por homologação, vejo no caso presente tipificada aplicação do § 4' do art. 150 do CTN. Aduz que o crédito foi constituído, efetivamente, com o recebimento da notificação, conforme Aviso de Recebimento — AR de folha 29, em 06/12/2002.. Desse modo, efetuadas as contas qüinqüenais na forma do § 4" do art. 150 do CTN, concluo que os créditos relativos a todo o período da ação fiscal compreendido entre 04/97 a 11/97, encontram-se fulminados pelo instituto da decadência. Por conseguinte, restam não alcançadas as competências 12/97 a 12/98. Sobre as competências não alcançadas se quer verificar é a existência do vínculo empregatício. Então, buscando fundamento na Consolidação das Leis do Trabalho — CLT, Lei 5.452, de 1' de maio de 1943 vamos observar : DECRETO-LEI N.° 5.452, DE 1" DE MAIO DE 1943: ) "Art. 3" - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário" Isto posto, da dinâmica e da lógica dos elementos colacionados nos autos no sentido há de surgir caracterizado ou não o preceituado no artigo supracitado.Senão vejamos : SOBRE O RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA Relevante citar que a diligência foi solicitada para esclarecer a instância "a quo" sobre a demonstração da subordinação e da não eventualidade dos serviços prestados : "10. O processo .foi baixado em diligência para que o auditor (notificante fornecesse mais subsídios para o julgamento, como por exemplo, a demonstração da subordinação e da não eventualidade dos serviços prestados, Isso, porque, a empresa trouxe os contratos elaborados entre os médicos e a inzpugnante, no intuito de demonstrar que os vínculos pactuados era de prestação de serviço autônomo."( grzfei) Analisando o relatório da diligência, não se encontra alcançado o solicitado ou seja "a demonstração da subordinação e da não eventualidade dos serviços prestados", Senão vejamos: O argumento que o Auditor Fiscal entendeu como definitivo para a caracterização da subordinação consta registrado em seu relatório como sendo a cláusula segunda do contrato de prestação de serviços : " 3 - Conforme contratos anexados como exemplo o de fls. 05 (vol I) com o profissional a Eliane Aparecida Rosa Primo, não é o que nos leva a crer, vejamos então S2-C4T3 FL 888 9 3.1- Em sua cláusula Segunda ("Obrigações da Contratada. ),fica caracterizada a subordinação, já no item "a" fica claro que a contratada se obriga a atender os usuários da Climed, sem discriminação de qualquer espécie; Item "a"- A contratada deverá fornecer à contratante relatórios de despesas e procedimentos realizados, dentro de quinze (15) dja=llflo,.sVic.by . o, "(grifei) Analisando o relatório da diligência, não se encontra alcançado o solicitado ou seja "a demonstração da subordinação e da não eventualidade dos serviços prestados". No relato acima, não se consegue vislumbrar de modo lógico e claro que o simples fato de a parte contratada ter que, quando solicitado, fornecer relatórios de despesas e procedimentos realizados possa caracterizar subordinação nos termos de urna relação empregado/empregador. Não se pode confundir subordinação profissional com submissão a regras pactuadas, assim corno não se pode inferir a existência de contrato de emprego a partir do simples cumprimento de ajustes contratuais de qualquer espécie. Caso estivesse o relatório se referindo a algo como o livro de registro de ponto da contratante com assinaturas do prestador, pedidos de folga, solicitações/autorizações de férias, relatórios diários de suas tarefas em atendimento às metas determinadas pelo contratante ou algo tão contundente quanto, então haveríamos de sucumbir às evidências e declarar o vínculo empregatício. Desse modo, não restou provado que os contratados não poderiam - sem autorização do contratante - majorar ou reduzir a carga horária de atendimento, alterar os dias e horários de sua realização ou até os suprimindo, solicitar férias e receber os devidos pagamento o que configuraria perfeito comando e controle do contratante sobre as atividades dos profissionais, por isso ditas autônomas, Por outro giro, afiguram-se, também, frágeis os argumentos que pretendem caracterizar a não eventualidade da prestação dos serviços apenas em razão dos prestadores trabalharem no mesmo nicho do objeto da empresa : " 4- Verificando-se os lançamentos contábeis e Folhas de Pagamentos de Pessoal e Autônomo, .ficou demonstrada a existência do vinculo laborai destes segurados com a empresa, na qualidade de empregados, vinculados ao Regime Geral de Previdência e esta caracterização ficou estabelecida pela atividade fim da notificada e a relação de trabalho com estes profissionais, entre os quais destacam-se os elementos: Pessoalidade,Não Eventualidade, Subordinação e Remuneração, assim definido em Lei", ( grifos de minha autoria) " É certo que o objetivo da empresa deve ser perene, mesmo assim enquanto não houver alteração contratual neste sentido. Entretanto não se pode inferir que por ser perene o objeto bem como os serviços, têm os prestadores de atuar, também, de forma não eventual. Assim, não enxerguei o liame proposto urna vez que não percebi relaçã‘ direta ou até mesmo indireta que caracterizasse a não eventualidade exigida. Processo e 16020.000022/2008-37 S2-0113 Acórdão n." 2403-00.137 Fl. 889 Quanto a remuneração proporcionada com base na tabela da Associação Médica Brasileira – AMB, seguramente esta não sofre aumentos por dissídio coletivo não se caracterizando pois remuneração salarial. É de se notar, ainda, que a variação dos valores pagos aos prestadores pela produção observada nas variadas competências, algumas até sem remuneração, não permite entendimento de pagamento de salário até porque que isto implica reduções não permitidas pela legislação trabalhista. Abaixo, reedito os principais itens do Relatório da Diligência solicitada: " 3 - Conforme contratos anexados como exemplo o de fls. 05 (vol I) com o profissional a Eliane Aparecida Rosa Primo, não é o que nos leva a crer, vejamos então 3.1- Em sua cláusula Segunda (Obrigações da Contratada. ).fica caracterizada a subordinação, já no item "a" . fica claro que a contratada se obriga a atender os usuários da Clinted, sem discriminação de qualquer espécie; 11C111 "a" - A contratada deverá fornecer à contratante relatórios de despesas e procedimentos realizados, dentro de quinze (15) dias quando solicitado. 3,2- Cláusula Terceira —Os atendimentos serão efetuados com hora mareada; 3.3- Cláusula Quarta — Os serviços prestados serão pagos no décimo dia útil do mês subseqüente e conforme parágrafo primeiro o valor a ser pago será de acordo com a Tabela da AMB (Associacão Médica Brasileira). ( grifei) 4..2- Ressalta-se ainda, que para haver o vinculo laborai é necessário que o trabalho prestado seja necessário aos objetivos da contratante, o que ocorre no caso em tela, visto que as prestações de serviços inserem-se na dinâmica normal da empresa, médicos, dentistas, _fisioterapeutas etc, e são essenciais á consecução da atividade fim desta empresa em caráter permanente, para atender os objetivos propostos pelo convenio; Devemos considerar ainda a norma prescrita no artigo 6 da CLT cujos termas são Artigo 6- -Não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador e o executado no domicilio do empregado, desde que esteia caracterizado a relação de emprego" - Por seu turno a circunstância de terem os empregados (médicas. Dentistas, fisioterapeutas, etc) seus próprios consultórios, não elide o laço empregatício, de vez que nada impede a reunião desses fatores. A sua ocorrência pressupõe a compatibilidade com os serviços prestados ou a presunção de mera liberalidade do empreeador. 53 Não bastasse todo o exposto, vamos encontrar o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, a contrario senso, não com assento no pólo ativo como no presente mais sim no pólo passivo de reclamação trabalhista, onde em ação idêntica, os autônomos prestadores de 1 serviços médicos contratados pelo Instituto, mediante credenciamento, requerem o vínculo eppiçgatício com bases em ale a ões de mesmo teor que às do Auditor Fiscal. Na oportunidade o Instituto - que ora pugna pelo vínculo — reagiu ,tal qual a ora recorrente, alegando a improcedência do pedido. Logicamente por assistir razão às suas alegações de impugnação, por não existir o vínculo empregaticio reclamado em tais circunstâncias, o Instituto obteve êxito. Relevante registrar que o êxito do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS em tais ações, confronta diretamente com os argumentos da autoridade fiscal no relatório da NFLD que pretende provar justamente o contrário e se assim, também, entendessem os Magistrados, aqueles reclamantes hoje estaria laborando no INSS sem concurso público Segue, então, os registros abaixo das decisões favoráveis ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS nas ações do gênero : "RELATOR JUIZ FEDERAL CONVOCADO JOSE NEIVA/NO AFAST RELATOR RECORRENTE: JOÃO CARLOS CARVALHO DA SILVA ADVOGADO VÁ/IA ETINGER DE ARAÚJO E OUTROS RECORRIDO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL — INSS PROCURADOR .• PAULO JOSE CANDIDO DE SOUZA ORIGEM SEGUNDA VARA FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (8800211780) RELATÓRIO Trata-se de reclamação trabalhista ajuizada por JOÃO CARLOS CARVALHO DA SILVA em face do INSTITUTO NACIONAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL — INPS, pretendendo seio a parte reclamada condenada a reconhecer o vínculo ~pregoado com todas as conseqüências advindas de tal relação, com a incidência de correção monetária sobre os créditos a que tem direito e as diferenças salariais pertinentes aos vencimentos do quadro médico permanente do INAMPS-INPS a partir de 17/10/1977. A MM. Juíza a (pio 'Meou improcedente o pedido, condenando o reclamante em honorários advocaticios fixados em R$ 100,00 (fls. 391/395). O reclamante interpôs recurso ordinário (17s, 400/403), sustentando que "as provas contidas nos autos demonstram que é prática aparentemente comum no recorrido o credenciamento de médicos como examinadores e, posteriormente, seu remanejamento para a ..fiurção de médico perito, ante a ausência de concurso público": Salienta que "o médico perito desempenha atividades nos moldes previstos no art 3° da CLT, COM todos os requisitos caracterizadores do vínculo empregatício", sendo certo que "o trabalho do recorrente é, na verdade, camuflado sob o titulo de médico 12 Processo n° 16020 000022/2008-37 S2-C4T3 Acórdão n ° 2403-00.137 Fl 890 examinador/credenciado, sendo, de fato, médico perito" (7l, 402). Argumenta que "a CLT não distingue o salário pago de forma .fixa daquele variável" e que "a dependência econômica se dá em decorrência de todos os vínculos do médico, e, logicamente, o havido COM o recorrido encontra-se entre eles", Alega, ainda, que, "quanto à subordinação, o simples .fato do recorrente atender aos segurados nos horários pré-determinados já a caracteriza", não havendo que se falar em 'plena autonomia, apenas na autonomia técnica". Aduz que "não poderia simplesmente recusar atendimento; nos dias pré-fixados atendia, necessariamente, aos segurados do recorrido, como único médico cardiologista que realizava perícias" (fl. 403).( grifei) Foram apresentadas COMra-raZÕCS ((Is. 414/416). O Ministério Público Federal opinou pela manutenção da sentença (7/. 420). É o relatório. Peço dia para julgamento. Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2007. JOSÉ ANTONIO LISMA NEIVA Juiz Federal Convocado VOTO "TRABALHISTA. MÉDICO CREDENCIADO DO INPS INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATICIO. 1. Médico credenciado que presta serviços em seu próprio consultório, sem prejuízo do atendimento de sua clientela particular, sem nenhuma vigilância ou controle direto da autarquia, não tem a seu favor as condições previstas no art. 3' da CLT, ensejadoras do reconhecimento do vínculo empregatício, 2. Os serviços médicos foram prestados no consultório particular do reclamante, á que descaracteriza a exclusividade do atendimento, tendo em vista que o mesmo podia atender aos segurados da Previdência e aos seus pacientes particulares ou de outros convênios, não se configurando, ainda, subordinação hierárquica, 3. Quanto ao pagamento de honorários médicos, disciplinado no item 6..4 da RS n" INPS 1,19/66, verifica-se que solam decorrentes dos serviços efetivamente prestadou_pagos de acordo com a quantidade de atendimentos realizados aos segurados encaminhados ao seu consultório pelo médico perito do Instituto, para a realização dos exames complementares (cardiologia e eletrocardiografia), de forma a permitir o diagnóstico acertado na perícia a qual estava se submetendo o segurado, não configurando salário ou remuneração de trabalhador assalariado. 13 mérito, nezo-lhe 4.. No depoimento pessoal prestado pelo reclamante, há o reconhecimento de que os serviços foram prestados por força de credenciamento, inexistindo subordinação e exclusividade na prestação de serviços, mantendo-se a autonomia, além de serem percebidos honorários médicos por atendimento e, não, salário. Os depoimentos prestados pelas testemunhas arroladas pelas partes confirmam a inexistência de vinculo empregaticio, 5. Recurso ordinário conhecido e desprovido." Conheço do recurso ordinário, porque presentes os pressupostos de provimento. adinissibilidade.No De acordo com o documento de fl, 44, o reclamante .foi credenciado para exercer a função de médico examinador cardiologista, nas especialidades de cardiologia e eletrocardiografia. O item 3,2 da Resolução INPS 1.19 traz a definição de médicos examinadores (fl. 134)- "3.2 — Médicos Examinadores — são aqueles que realizam os exames especializados ou complementaras, ou mesmo clinico, sem atribuição de concluir em caráter decisório sobre a incapacidade do segurado." No item 1.1 da Ordem de Serviço INPS/SSP-062. 06, de 05 de janeiro de 1988, e no item 4 da Ordem de Serviço INSS/DSS N. 308, de 24 de setembro de 1993, consta, respectivamente, o seguinte (fls. 200 e 209): "1 1 — Em nenhuma hipótese será permitido o trabalho de credenciado em dependências ou setores próprios das entidades integrantes do SINPAS" — É vedado.' 4.1 — O trabalho do credenciado em dependências ou setores próprios do INSS" O ato de nomeação do reclamante como credenciado (BSI, n," 198, de 17/10/77 — fl. 232) tem o seguinte teor: "DESPACHO: AUTORIZO o Dr. João Carlos Carvalho da Silva a prestar serviços sob a . forma de credencial, executando exames médicos-, ericiais em consultório ' articular nas especialidades de cardiologia e ektrocardiografia, ao Grupamento Médico- Pericial na Agência em Barra do Pirai." Os documentos de fls. 42/47 comprovam que os serviços foram prestados no consultório particular do reclamante o que descaracteri a a exclusividade do atendimento tendo em vista gyet=s2,modiaatender(pwdosda~ência e aos seus pacientes particulares ou de outros convênios, não se confieurando,.ainda, subordinação hierárquica. Quanto ao pagamento de honorários médicos, disciplinado no item 6.4 da RS n," INPS 1.19/66 (fl. 135) — Anexo III ("64 — Quando os médicos autorizados prestarem serviços em 14 Processo n° 16020 000022/2008-37 S2-C4T3 Acórdão ° 2403-00,137 Fl. 891 consultório particular, os honorários serão calculados com base exclusivamente nas unidade de serviço produzidas"), verifica- se que seriam decorrentes dos serviços efetivamente prestados, pagos de acordo com a quantidade de atendimentos realizados aos segurados encaminhados ao seu consultório pelo médico perito do Instituto, para a realização dos exames complementares (cardiologia e eletrocardiografia), de forma a permitir o diagnóstico acertado na perícia a qual estava se submetendo o segurado, não configurando salário ou remuneração de trabalhador assalariado. ( GRIFEI) No depoimento pessoal prestado pelo reclamante, há o reconhecimento de que os serviços foram prestados por .força de credenciamento, inexistindo subordinação e exclusividade na prestação de serviços, mantendo-se a autonomia, além de serem percebidos honorários médicos por atendimento e, não, salário. Vale conferir alEuns trechos (17s. 334/336): "(_) que recebia pagamento por meio de depósito bancário, em função do número de atendimentos realizados no mês e de acordo com uma tabela que individualizava valores unitários, em função do trabalho prestado; ( que foi credenciado inicialmente em outubro de 1977, tendo havido diversos recadastramentos para confirmação de dados cadastrais, sem periodicidade definida; („) que o reclamante teve que indicar quais os dias e horários de que dispunha para atendimento dos segurados; que houve horários e dias diferenciados ao longo do tempo em função do volume dos atendimentos necessários aos segurados do INPS; que o reclamante podia modificar os dias e horários de atendimento desde que comunicasse previamente à chefia do INPS; (.,) que costuma tirar quinze dias de férias por ano; que o próprio reclamante decide quando vai tirar férias e comunica ao INSS; que nunca lhe foi determinado o período de férias, nem negociada data diferente; que não recebe qualquer pagamento quanto ao período de férias; (...) que se quisesse reduzir o horário de atendimento aos segurados deveria antes conversar e negociar com o chefe do departamento de perícias do INSS, em função da demanda; que ao longo do tempo a relação entre os rendimentos auferidos com os pacientes particulares e os recebidos pelo INSS foi variável; que no início o que recebia do INPS era muito superior ao que recebia de seus pacientes; que há cerca de seis anos passou a atender os segurados em uma única tarde, pois houve redução dos segurados que eram submetidos a perícia; (..) que nunca atendeu a segurado nas dependência do INPS ou do INSS; („) que os opinamentos emitidos pelo reclamante eram submetidos a outro médico do INPS que decidia acerca do afastamento ou aposentadoria do segurado; (..) que a decisão acerca da manutenção ou não do opinanzento do reclamante era tomada pelo médico do INPS que houvesse feito a solicitação e que estivesse acompanhando o segurado; que os laudos conclusivos eram sempre emitidos pelos médicos do INPS; que os médicos do INPS, que solicitavam e emitiam os laudos conclusivos eram 15 enquadrados nos quadros do INPS como médicos peritos,. („) que nunca recebeu ordens de serviço, regulamentos, circulares, oficias; que recebia apenas requisição de exames diretamente dos médicos solicitantes; que o reclamante tem convênio com a UNIMED há cerca de dez anos; ( ..) que trabalha dentro da UNIA/1ED, atendendo com salário fixo, na qualidade de cooperado e que atende também no seu consultório, mediante pagamento de valor unitário por atendimento, ( ,.) que não .foi aprovado em concurso público para o INSS,' que nunca houve controle de freqüência do reclamante pelo INPS ou INSS,' que nunca lhe foi dito que não poderia atender os segurados em seu consultório fora do horário de atendimento do INPS, ou seja, em sábados ou dias de semana, à noite (. ) IP , Conforme muito bem destacado pelo hW Juíza a quo 07, 395): "Ainda no depoimento em exame, verifica-se haver o autor esclarecido que: ele próprio indicou os dias em que poderia atender aos credenciados; que no mesmo consultório atendia pacientes particulares e de planos de saúde e que podia modificar os horários de atendimento, desde que, naturalmente, comunicasse, agindo, como se pode ver, com plena autonomia. Poderia ele, assim, nzajorar ou reduzir a carga horária de atendimento, alterando os dias e horários de sua realização ou até os suprimindo, o que configura peoreito comando e controle do reclamante sobre sua própria atividade profissional, por isso dita autônoma. Não possuía chefia, controle ou orientação técnica, sequer se encontrava submisso a poder disciplinar, sendo-lhe impostas apenas as obrigações legais exigíveis aos profissionais da medicina e regras básicas (e restritas) do contrato de credenciamento — diga-se — existentes em qualquer contrato. Não se pode confundir autonomia profissional com não submissão a regras, assim como não se pode inferir a existência de contrato de emprego a partir do simples cumprimento de ajustes contratuais de qualquer espécie," A afirmativa contida no recua() do reclamante 07, 402), no sentido de que "o trabalho do recorrente é, na verdade, camuflado sob o título de médico examinador/credenciado, sendo, de fato, médico perito" é contraditória com o contido em seu depoimento pessoal, no qual declara "que os opinanientos emitidos pelo reclamante eram submetidos a outro médico do INPS que decidia acerca do afastamento ou aposentadoria do segurado; ( „) que a decisão acerca da manutenção ou não do opinamento do reclamante era tomada pelo médico do INPS que houvesse .feito a solicitação e que estivesse acompanhando o segurado; que os laudos conclusivos eram sempre emitidos pelos médicos do INPS; que os médicos do INPS, que solicitavam e emitiam os laudos conclusivos eram enquadrados nos quadros do INPS como médicos peritos; que recebia apenas requisição de exames diretamente dos médicos solicitantes" (ff 335), 16 Processo n" 16020 000022/2008-37 S2-C4T3 Acórdão n ° 2403-00.137 F I 892 Ressalte-se que os depoimentos prestados pelas testemunhas arroladas pelas partes confirmam a inexistência de vínculo empregatício, conforme trechos adiante transcritos; "(„) que o reclamante era credenciado como médico examinador porque era especialista, diferentemente da depoente que era credenciada como médica perita; que a depoente tinha autonomia para, não concordando com o laudo do médico examinador, não homologá-lo e emitir conclusão diversa; (..) que o único controle que havia era o dos atendimentos realizados,' que o médico examinador só poderia colocar no laudo opinamento acerca da capacidade laborativa do segurado, mas a decisão e conclusão final era somente do médico perito; que sempre existiram médicos peritos nos quadros do INSS; que não havia médicos examinadores nos quadros do INSS; que médicos integrantes do quadro do INSS desde a época em que a depoente foi credenciada e até hoje foram admitidos mediante concurso público (..)" (fls, 337/338). "(„) que não existe subordinação dos médicos credenciados, sejam os médicos peritos, sejam os médicos examinadores, relativamente à administração e às chefias técnicas da autarquia; que a subordinação existe apenas quanto a médicos peritos dos quadros do INSS; (..) que o controle do trabalho do credenciado é feito com base nos atendimentos que têm como máximo o número de 104 por mês; que a carga horária de trabalho é a disponibilizada pelo credenciado, que pode majorá- la ou reduzi-la em /unção do seu interesse, bastando que solicite à Gerência a alteração; que automaticamente será lançada no sistema a nova carga horária e adequado o encaminhamento do segurado; que o credenciado pode atender fora dos horários de funcionamento do INSS, inclusive aos sábados; que os médicos do quadro são submissos à carga horária de quatro a oito horas diárias, com controle de freqüência pela anotação de horário de entrada e de saída em livro de ponto; que, na hipótese do credenciado não ser encontrado pelos segurados nos dias e horários por ele informados, não há previsão nem aplicação de sanção; que apenas a Gerência entre em contato para saber se houve algum problema, ou se o credenciado não tem interesse em manter o credenciamento; que não existe e nunca existiu norma do INSS exigindo que no horário disponibilizado pelo credenciado ele atenda exclusivamente os segurados; que ele pode atender também seus pacientes particulares no horário destinado ao atendimento dos segurados,' que não é permitido o atendimento de segurados por credenciados nas dependências do INSS e nunca , foi permitido; que é possível que eventuahnente o credenciado seja convocado para prestar algum esclarecimento sobre o laudo ou receber alguma orientação, se houver má qualidade do laudo emitido, mas não é situação comum; que o laudo emitido pelo credenciado examinador traz informações sobre o quadro do paciente, diagnóstico e opinamento quanto à capacidade laborativa; (..) que os médicos do quadro têm remuneração mensal fixa, independente do número de atendimentos, enquanto os credenciados recebem por atendimento" (fls. 338/339). 17 Dessa forma, médico credenciado que presta serviços em seu próprio consultório, sem prejuízo do atendimento de sua clientela particular, sem nenhuma vigilância ou controle direto da autarquia, não tem a seu favor as condições previstas no art. 3° da CLT, ensejadoras do reconhecimento do vínculo empregatício. Assim, ante a inexistência da relação de emprego, descabe o deferimento das verbas dela decorrentes. Sobre o tema, vale conferir os seguintes julgadas; "TRABALHISTA. MÉDICO CREDENCIADO. INAMPS. RELAÇÃO LABORAL. INEXISTÊNCIA 1 — O fato de o recorrente ter sido credenciado para prestar serviços em seu próprio consultório, mediante remuneração por unidade, não caracteriza a relação de emprego, porque não se pode considerar empregador aquele que não dirige a prestação pessoal do serviço, como é, 170 caso, a posição do INAMPS, quando credencia médico para trabalhar em seu próprio consultório, dele médico, sem exigência de exclusividade. Seguindo esse entendimento, no caso dos autos, há falta dos requisitos estabelecidos nos artigos 2" e 3" da CLT, para que se caracterize a relação labora!, II - Recurso improvido, para manter a sentenca. fTRF-2° Região, 1" Turma, RO 8902033546, Rel. Des. Fed. Chalu Barbosa, DJ 13/12/1994, priz 72806) "TRABALHISTA. MÉDICO CREDENCIADO DO INAMPS. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATICIO. 1 — Qualquer que seja a duração do credenciamento, o trabalho médico, pago por unidade de serviço e prestado sem subordinação hierárquica, não configura relação de emprego, - Recurso inzprovido." (TRF-2" Região, 2" Turma, RO 8902034844, Rel. Des. Fed. Castro Aguiar, DJ 10/08/1995) "TRABALHISTA. ODONTÓLOGO CREDENCIADO JUNTO AO INAMPS. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DE VÍNCULO EMPREGA TICIO. 1, Odontólogo credenciado junto ao INAMPS e que atende em seu consultório, sem horário certo, sem subordinação hierárquica e sem salário fixo, não é empregado, sendo irrelevante, no caso, o tempo do credenciamento. 2. Vínculo e,npreatício ,unio reconhecido. 3. Recurso improvido." (TRF-2" Região, 3" Turma, RO 8902034852, Rel. Des. Fed. Paulo Barata DJ 12/08/1993i "TRABALHISTA. MÉDICO CREDENCIADO. VÍNCULO EMPREGA TICIO. 18 Processo n° 16020 000022/2008-37 S2-C4T3 Acórdão n '2403-00.137 P1 893 I — Médico credenciado pela autarquia previdenciária, prestando serviços em seu consultório particular, não preenche os requisitas do artigo 3° da CLT, não se configurando a relação empregatícia — Recurso improvido." !TRF-2" Região, 1" Turma, RO 9002006209, Rel. Des. Fed. Tânia Heine, DJ20/11/1990) "TRABALHISTA. MÉDICO CREDENCIADO DO INAMPS. CARACTERIZA CÃO DE VINCULO EMPREGA TICIO. IMPOSSIBILIDADE. Sendo os recorrentes médicos credenciados do INAMPS o recorrido apenas encaminhava pacientes a seus consultórios, sem dirigir a prestação dos serviços e sem determinar horário de trabalho.. Inexistente, portanto, a subordinação caracterizadora do vinculo empregatício, Recurso intprovido." (TRF-3" Região, 2" Turma, RO 90030233764, Rel. Des. Fed. José Kallás, DJ 01/12/1993, pág. 1422, Isto posto, Conheço do recurso ordinário e jj gglh É como vota JOSÉ ANTONIO LISI3ÔA. NEIVA Juiz Federal Convocado ACÓRDÃO Vistos e relatados os presentes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2. Região, por unanimidade, provimento ao recurs 1jJorma do Relatório e do Voto, que ficam fgendo parte do presente julgado. Rio de Janeiro, 06 de novembro de 2007 (data do julgamento). JOSÉ ANTONIO LISSÔA NEIVA , Juiz Federal Convocado" Analisando todo o contexto, considerando que quando os prestadores de serviços médicos e demais autônomos contratados - na forma de credenciamento pelo próprio Instituto Nacional do Seguro Social — INSS - alegam vínculo empregaticio por executarem suas atividades nas mesmas circunstâncias dos contratados pela Recorrente a Autarquia se insurge rechaçado o vínculo, no há falar em descaracterização de autônomos em semelhantes pactos regidos pelo direito civil. É incoerente o mesmo ente ter atitudes diferentes para a mesma questão 19 Sala das em 19 de agosto de 2010 - IVACIR JÚLIO DE SOUZA — Relator Quando no pólo ativo quer caracterizar o vínculo empregatício, quando no pólo passivo o nega. Ademais, retornando à dicção do artigo 3° da CLT, não restaram caracterizados os pressupostos ali definidos : DECRETO-LEI N.' 5.452, DE 1" DE MAIO DE 1943: ) "Art. 3" - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário" Dessa modo, por tudo que foi exposto, na forma do § 4' do artigo 150 do Código Tributário Nacional — CTN, declaro decadentes os créditos lançados compreendidos no período 04/97 a 11/97. Não obstante a decadência verificada, todo o período levantado de 01/04/1997 a 30/12/1998 foi descabido em razão de que prestadores de serviço, contratados para os executar em seus próprios consultórios, sem prejuízo do atendimento de sua clientela particular, sem nenhuma vigilância ou controle direto do contratante, não se inserem nas condições previstas no art. 3° da CLT ensejadoras do reconhecimento do vínculo empregatício, CONCLUSÃO Portanto, conheço do recurso para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, É como voto. 20 Z.N, /MINISTÉRIO DA FAZENDA 44 -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo no : 16020000022200837 ,Recurso IV: 157657 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3' do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão ri° 2403-00A.37 Brasília, 2jale,setembro de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ J Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [ I Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 13609.000066/2006-04
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.237
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos opostos, vencido o Conselheiro João Bellini Junior que não os conhecia, por intempestivos e, no mérito, por unanimidade de votos, em converter o julgamento dos embargos em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos opostos, vencido o Conselheiro João Bellini Junior que não os conhecia, por intempestivos e, no mérito, por unanimidade de votos, em converter o julgamento dos embargos em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, João Bellini Junior, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que o sujeito passivo alega obscuridade no Acórdão nº 1202001.013 proferido por esta 2ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, sessão de 7 de agosto de 2013, relativamente à seguinte matéria , fls. 3678/3679: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .0 00 06 6/ 20 06 -0 4 Fl. 3624DF CARF MF Impresso em 25/03/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13609.000066/200604 Resolução nº 1202000.237 S1C2T2 Fl. 3.625 2 “Conforme atesta a cópia autenticada anexa do AR n° SK838111351BR, este Contribuinte postou o recurso voluntário no dia 06/12/10, e não 07/12/10 como consignado por engano no v. acórdão 1202001013. Portanto, resta inconteste a tempestividade do recurso voluntário, tendo em vista que o próprio acórdão reconhece que o último dia do prazo para apresentação do recurso voluntário foi o dia 06/12/10.” O Acórdão nº 1202001.013, ora embargado, decidiu pelo não conhecimento do recurso voluntário, por intempestivo, com a seguinte ementa: TEMPESTIVIDADE. CONDIÇÃO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Não se conhece do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, por não atender a uma das condições de admissibilidade, uma vez que intempestivo, a teor do art. 33 do Decreto n° 70.235/72 e alterações. Pela análise dos fundamentos do acórdão embargado e do que consta na cópia do AR das fls. 3998, juntado com os embargos, observase que o embargante pode ter razão em suas alegações de tempestividade do recurso voluntário, pelo que merece apreciação por esta Turma julgadora. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Inicialmente, cumpre verificar a tempestividade dos embargos apresentados. A ciência do acórdão embargado ocorreu em 24/09/2013, uma terçafeira, AR de fls. 3677. Assim, o termo inicial da contagem de cinco dias para a apresentação dos embargos se iniciou no dia seguinte, em 25/09/2013, uma quartafeira, e o termo final se encerraria no dia 29/09/2013, um domingo, prorrogandose para o primeiro dia útil seguinte, segundafeira, dia 30/09/2013. Já o contribuinte apresentou os embargos no dia 02/10/2013, portanto fora do prazo de cinco dias como prevê o art. 65, § 1º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Em que pese os embargos terem sido apresentados intempestivamente, é de se levar em conta fato idêntico ocorrido na mesma unidade preparadora ARF/Pedro Leopoldo/MG – por ocasião do julgamento de outro processo, de número 13609.000058/2006 50. Nesse último processo, o contribuinte alegou, por ocasião dos embargos apresentados, que teria entregue o recurso voluntário por via postal, juntando com os embargos cópia do AR como prova da tempestividade do recurso, com data de 06/12/2010, e não 07/12/2010 como constava no carimbo aposto ao recurso apresentado. Em razão disso, este CARF retornou esse mesmo processo em diligência à unidade preparadora, para que se manifestasse sobre o alegado. Em despacho, a ARF/Pedro Leopoldo/MG confirmou a data de Fl. 3625DF CARF MF Impresso em 25/03/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13609.000066/200604 Resolução nº 1202000.237 S1C2T2 Fl. 3.626 3 entrega do recurso voluntário como sendo 06/12/2010, data da postagem nos correios, e considerou tempestiva a sua apresentação. Como mencionado, no presente processo ocorreu o mesmo fato. Junta a defesa, nos embargos, cópia do AR das fls. 3685, com data de postagem do recurso voluntário no dia 06/12/2010, diferentemente da data de entrega do recurso voluntário que foi considerada no acórdão embargado, cujo carimbo de recepção contém a data 07/12/2010, fls. 3629, por isso considerado intempestivo, pois apresentado após o prazo de 30 dias legalmente previsto. Despacho exarado pelo órgão preparador no presente, de fls. 3663, menciona que o recurso voluntário encontravase perempto, tendo o processo sido encaminhado a este CARF para julgamento, nos termos do art. 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, que acolheu a perempção. O acórdão exarado por esta turma julgadora, considerando intempestivo o recurso voluntário, encontravase correto com os documentos constante dos autos à época. Em que pese os presentes embargos estarem intempestivos, entendo que por se tratar de situação idêntica ocorrida em outro processo, na mesma unidade preparadora, ARF/Pedro Leopoldo/MG, que acabou por reconhecer o equívoco de considerar o recurso intempestivo, justificase o conhecimento do quanto alegado nos embargos opostos neste processo, uma vez que o contribuinte não pode ser prejudicado por um possível erro da unidade preparadora do processo. Vejase o que diz o embargante, fls. 3678/3679: ““Conforme atesta a cópia autenticada anexa do AR n° SK838111351BR, este Contribuinte postou o recurso voluntário no dia 06112110, e não 07/12/10 como consignado por engano no v. acórdão 1202001013. Portanto, resta inconteste a tempestividade do recurso voluntário, tendo em vista que o próprio acórdão reconhece que o último dia do prazo para apresentação do recurso voluntário foi o dia 06/12/10.” Assim, entendo necessário que a unidade preparadora examine a cópia do AR das fls. 3685, código de rastreamento SK838111351BR, com carimbo datado de 06/12/2010, que indicaria que o recurso voluntário teria sido postado nos correios em 06/12/2010, portanto, dentro do prazo legal de 30 dias para interposição do recurso voluntário. Com efeito, a respeito da entrega de impugnações/recursos por meio postal, transcrevo o Ato Declaratório Normativo nº 19 de 26 de maio de 1997 que trata da matéria e que contém o seguinte teor: ADN COSIT 19/97 ADN Ato Declaratório Normativo COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT nº 19 de 26.05.1997 D.O.U.: 27.05.1997 Processo Administrativo Fiscal. Remessa da Impugnação pelos Correios. Para os efeitos da tempestividade, considerase como data da entrega a da postagem da petição, devidamente comprovada (AR). O CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada do art. 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, no Decreto de 15 de abril de Fl. 3626DF CARF MF Impresso em 25/03/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13609.000066/200604 Resolução nº 1202000.237 S1C2T2 Fl. 3.627 4 1991 e na Portaria nº 12, de 12 de abril de 1992, do Ministério Extraordinário para a Desburocratização, Declara, em caráter normativo, as Superintendências da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, quando o contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem, constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo; c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso. Sandro Martins Silva CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação Da leitura do ADN COSIT 19/97 acima transcrito, verificase das alíneas “a” e “b”, que será considerada como data da entrega a data da respectiva postagem e o órgão destinatário deverá anexar cópia do Aviso de RecebimentoAR ao competente processo, o que não foi feito à época. Por fim constato que, após consulta efetuado no site dos correios na internet, em 20/02/2014, não se localizou informações a respeito da postagem do AR das fls. 3685, código de rastreamento “SK838111351BR”, ora em exame, que apareceu com a seguinte mensagem: “Não é possível exibir informações para o código informado. Se o objeto foi postado recentemente, por favor tente novamente mais tarde. Adicionalmente, verifique se informou o código correto.”. Em vista do exposto, existe a necessidade de verificação da autenticidade e da relação existente entre o AR apresentado juntamente com os embargos e o recurso voluntário, de modo que se propõe o conhecimento dos embargos e a conversão do seu julgamento em DILIGÊNCIA, retornando o presente processo à unidade preparadora de origem, ARF/Pedro Leopoldo/MG, para que a autoridade administrativa se manifeste a respeito das seguintes questões: a) baseado na cópia do Aviso de RecebimentoAR das fls. 3685, verificar a sua autenticidade e a relação existente, entre o AR e o recurso voluntário, de fls. 3629 a 3654; b) emitir despacho conclusivo a respeito do AR juntado e da tempestividade do recurso voluntário; c) cientificar a recorrente do conteúdo do despacho mencionado no item anterior, com intimação para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias; d) após, retorno a este CARF para julgamento. Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 25/03/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13609.000066/200604 Resolução nº 1202000.237 S1C2T2 Fl. 3.628 5 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 25/03/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/03/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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