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4760785 #
Numero do processo: 10730.002013/87-93
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-80798
Nome do relator: Não Informado

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Recorrida : — DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM NITERÓI — (RJ) . FISCALIZAÇÃO NO CURSO DO PERÍODO—BASE' - MULTAS - A exigencia da multa previs ta no art. 79, .§ 39 do Decreto-lei n--9 1.598/77, com a nova redação dada pe- lo art. 38 da Lei n9 7.450/85, somente prospera se a dita omissão de receitas for detectada do confronto dos fatos ensejadores com o registro contábil do contribuinte, sem o que se revestem de meros indícios a indicar a necessidade - de um aprofundamento dos trabalhos fis cais, com vistas a se confirmar se ve ou não omissão de receitas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AEROBARCOS DO BRASIL TRANSPORTES MARITIMOS E TURISMO S/A.:_, ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento' ao recurso, nos termos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões (DF), em 20 de novembro de 1990 a URGEL-PE'E LakES - PRESIDENTE .540%- b0 RODIG NEÜBER - RELATOR _ VISTO EM AFONSO C'LSO FERREIRA P.- CAMPOS — PROCURADOR DA FA SESSÃO DE: 2 2 Nov1990 ZENDA NACIONALv.v Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MI RANDA, CRISTóVÃO ANCHIETA DE PAIVA, RAUL PIMENTEL, CELSO ALVE-ã- FEITOSA e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. Ï9;:íg SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 RECURSON9: 97.502 ACÓRDAON9: 101-80.798 RECORRENTE : AEROBARCOS DO BRASIL TRANSPORTES MARITISOS E TURISMO S/A. RELATõRIO "Trata o presente processo de auto de infração lavrado às fls. 14, contra a empresa acima qualifi- cada, mediante o qual foi constituído credito tribu tãrio no valor equivalente a 100.358,04 OTN, corre -s- - pondente à multa prevista no artigo 79, § 29, do Decreto-lei n9 1598/77, com a redação atribuída pe- lo artigo 38, da Lei n9 7.450/85, em decorrência da apuração de omissão de receita, no curso do período -base de 1987, conforme descrito no referido auto e nos termos e documentos de fls. 8/13 e 15/58 ca- racterizada por: 1 - Moedas estrangeiras (fls.3) Cr$ 45.116.593,83 2 - Anotações de depósitos constan tes de pasta retida (fls.4), T que não transitaram pelas contas bancárias , mantidas nos bancos SAFRA e UNIBANCO Cz4 2.172.719,00 3 - Anotações de receitas mantidas à margem de escrituração contã bil e relacionadas na mesma pasta (fls. 5/6) C$ 11.039.780,00 4 - Depósitos na conta do UNIBANCO n9 0194-127.724-4, em nome de Amaro Cavalcante (fictício) no período de 09.10.87 a 07.12.87 (fls. 23/26, 32 e 35/37) , Cz$ 34.710.311,55 5 - Aplicações de curto prazo no UNIBANCO (fls. 33 e 38/52) Cz$ 1.831.824,87 ..._ 6 - Depósitos mantidos na conta do banco SAFRA n9 000.377-2, em 4) DMF DF/19 C-C - Secgraf 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 3. Acórdão n9 101-80.798 nome de Amaro Cavalcante (fic ticio) no período de 06.01.87 a 31.07.87 (fls. 27/29 e 53/ /58, Cz.$ 9.458.275,78 7 - Aplicações efetuadas no banco SAFRA (fls. 54/58) Cz4 642.993,70 Inconformada com a exigência fiscal, a Autuada' apresentou, com observância do prazo regulamentar 3 e após lhe haver sido concedida prorrogação do pra-: zo para defesa (fls. 61 e 63), a impugnação de fls. 66/88 e anexos de fls. 89/916, argüindo, em síntese, que: a) em nenhum momento ficou comprovada a omissão de receita, pois, conforme termo lavrado, o seu li vro Diário estava escriturado até 11.11.87, eri — quanto a alegada receita omitida refere-se a . data posterior; b) a soma da receita escriturada da empresa no pe- ríodo de 01/87 a 11/87, adicionada ã considerada omitida perfaz um valor superior ao que seria obtido por toda a sua frota em operação (6 embar cações), se utilizada sua ocupação plena e consT deradas as tarifas aprovadas pela Secretária Estado de Transportes, conforme atestam os do- cumentos acostados de n9 1 (fls. 89/97), 2 (fls. 98/135), 3 (fls. 136/151), 4 (152/370), 5 (fls. 371/510), 6 (511/569) e 7 (570/625); b.1) o consumo total de combustível, pessoal, manuten - ção, etc., do período evidenciam também a impos;" sibilidade de terem sido realizadas viagens que tivessem gerado as receitas que os auditores lhe pretendem imputar; c) no tocante ao item 1 (moedas estrangeiras), o critério de conversão para moeda nacional adota- - do pela auditoria presume que toda a receita omitida se deu no dia 30.11.87, o que seria im- possível; c.1) o documento de fls. 3, corresponde a anotações do grau de comprometimento dos acionistas brasi- leiros em relação ao investidor estrangeiro (fo- lhas 627), no que se refere a garantias pes- soais nos empréstimos contraídos pela empresa (fls. 628/630); c.2) tais importâncias poderiam, inclusive ter sido consignadas em contas de compensação, não cons- tando porém da escrituração em face da dispen- sa resulante das normas emanadas da Lei 6404/76; c.3) quanto ao item 2 do quadro de fls. 30, as moe- "2, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 4. Acórdão n9 101-80.798 das encontradas no cofre da empresa, cuja exis- tência reconhece, pertencem aos sócios Hamilton Amarante Carvalho (U$ 1,000.00), em decorrência' de sobra de moeda adquirida por ocasião de via_ gens ao exterior (doc. fls. 716/719) e ao Sr. Tse Min Hsu, ausente do País, conforme declara- ção de fls. 720, juntada por seu procurador e declaração de rendimentos de fls. 722/728, rela- tiva ao ano-base de 1986; d) no que diz respeito ao item 2 do auto de infra- ção (anotações de depósitos de fls. 4) falta com provação material da existência dos aludidos de--- pósitos e foi descumprido o requisito de descri- ção dos fatos exigidos para validade do auto de infração, na forma do item III, do art. 10, do Decreto n9 70235/72; , e) com relação ao item 3 da peça vestibular da au tuação (doc. de fls. 5/6), não se trata de recei tas mantidas à margem da escrituração contábil 7 pois, conforme comprovam os documentos de fls. 732/733 os valores ali consignados referem-se a receitas de arrendamento do terminal da Ribeira, recebidas da Cia. de Navegação do Estado do Rio de Janeiro, regularmente escrituradas; f) com referência aos itens 4 a 7 do auto, após dis correr a respeito dos procedimentos internos d-e- recolhimento e depósito de sua receita diária, fazendo juntar, inclusive, as declarações de seus empregados de fls. 734/736 e os respectivos . registros de fls. 734/739, bem como boletas de caixa e depósitos de fls. 740/917, argumenta que o lançamento do crédito tributário se fez com base em declarações de funcionários da empre- sa que não participam de tal rotina e que não .._...- correspondem à realidade dos fatos; f.1) Amaro Cavalcante, nome do titular das contas' bancárias e aplicações efetuadas, não tem ne- nhuma vinculação com a empresa; f.2) os AFTN cometeram, outrossim, diversos equívo- cos como cumputo dos seguintes valores corres-- pondentes a extornos: - em 03.11.87, do depósito de Cz$ 3.868.582; - em 05.11.87, do depósito de Cz$156.678,60; - em 30.11.87, do depósito de Cz$ 8.814.000;00; - em 31.03.87, do depósito de Cz$ 800.000,00; - em 29.05.87, da importãncia de Cz$ 200.000,00. Finaliza reiterando pela realização de dili- gências para comprovação do alegado. ? ' ' , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 5. Acórdão n9 101-80.798 Ouvidos os autores do procedimento fiscal, es tes se manifestaram na forma da informação de fls.- 918/926, acrescentando que: a) o critério de conversão de moeda estrangeira a dotada decorreu da impossibilidade de precisai' a data de efetivo ingresso dos recursos na em- presa; a.1) não obstante, face às alegações da empresa, cor roboradas com os documentos de fls. 628/715, fi cou comprovada a existência de, tão somente, anotações de obrigações por avais para efeito' comparativo entre os sócios, sem constatação fi - sica de moeda estrangeira, devendo o item ser excluído; a.2) em relação às moedas estrangeiras encontradas,a documentação apresentada é bastante para emba-, sar os argumentos expendidos; b) quanto ao item 2 do A.I., a importância total lançada corresponde ã soma dos valores de Cz$' 1.170.533,00 e Cz$ 1.002.186,00, anotadas no documento de fls. 4, que não transitaram pe- las contas bancárias citadas; c) no tocante ao item 3, as receitas ali relaciona das totalizam Cz$ 11.039.780,00 e os documentos trazidos à colação correspondem apenas a Cz$ 2.122.550,00 (fls. 732) e Cz$ 6.952.200,00 (fo- lhas 733), sem relação com o fato; d) com relação aos demais itens, o lançamento foi efetuado com base nas declarações prestadas no ' curso da ação fiscal, mas em face das alega çOes de fls. 85, opinam pela realização de di- ligência para esclarecer os quesitos que enume ram; d.1) no que se refere aos equívocos que teriam sido - cometidos no levantamento dos valores, refutam os referentes aos possíveis estornos que teriam - sido relacionados no quadro III, uma vez que os documentos correspondentes referem-se a avisos' de crédito; acolhem a reclamação no que se re- lacione com os valores de Cz$ 800.000,00 e Cz$' 200.000,00 e propõem o agravamento da exigência pela inclusão da parcela de Cz$100.000,00, re- sultante de diferença a menor computada no depósito de 26.01.87, no Banco Safra S.A., no valor real de Cz$ 363.985,00. Concluindo, propõem complementação da diligên- ciajá sugerida pela resposta a novos quesitos for mulados. - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 6. Acórdão n9 101-80.798 Deferida a diligência na forma do despacho de fls. 927, esta se processou de acordo com os docu- mentos de fls. 928/1417, resultando no relatório de fls. 1418/1424. Retornando os autos aos autores do procedimento estes se manifestaram pelo despacho de fls. 1413." Em 23.11.88, a impugnante juntou a petição de fls. 1.',427, invocando a aplicação ao caso do Decreto-lei n9 2.471/88. A Divisão de Tributação, no parecer de fls. 1.434/ /1.441, solicitou esclarecimentos aos autuantes, fls. 1.438/1.439, e converteu o julgamento em diligencia para esclarecimentos de di versos quesitos. Resposta dos autuantes às fls. 1.457/1.459, e re sultado da diligência realizada na empresa, com vistas a identi- ficar suas contas bancárias, fls. 1.468/1.472. Decisão de primeiro grau, fls. 1.474/1.485, julgan do o lançamento parcialmente procedente, sob a seguinte ementa: "IMPOSTO DE RENDA-PESSOA JURÍDICA. Caracteriza o - missão de receita para os efeitos do parágrafo 397 art. 7 do DL 1598/77 com a redação dada pelo art. 38 da Lei 7.450/85, a comprovação da existência de moeda estrangeira em poder da empresa, não contabi lizados, a omissão de registro contábil de rendi- mento e os depósitos bancários mantidos em nome de titular inexistente. O disposto no inciso VII, ar- tigo 9 do DL 2471/88 não se aplica aos casos quali- ficados em lei como crimes. Lançamento procedente em parte." O decisório singular excluiu da base de cálculo' da multa as parcelas de Cz$ 9.074.750,00 (item 3, AI, parte); Cz$ 800.000,00 e Cz$ 200.000,00, consideradas comprovadas, e manteve a parte litigiosa remanescente, equivalente a 90.726,15 OTNs ou a 559.780,40 BTNFs. As fls. 1.486/1.489, cópias de ofícios dirigidos ao Banco Central, Departamento de Polícia Federal e Procuradoria' fr/7 PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 7. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 101-80.798 da Fazenda Nacional, representando contra a autuada. Ciência da decisão em 01.03.90, conforme "A.R." de fls. 1.491. Segue-se o recurso voluntário a este Conselho, in terposto em 30.03.90, fls. 1.497/1.505. Argumenta em resumo que: • houve circunstância coincidente do mês de dezem- bro com a realização da Blitz; , . transcreve a ementa do Acórdão n9 101-77.878/88, e destaca trecho do voto proferido pelo Conselheiro Dr. Urgel Pe- reira Lopes, a respeito das cautelas necessárias ã aplicação do dispositivo legal em questão; • ressalta que os autuantes eram os mesmos naquele processo e opinaram pela manutenção do feito, neste processo se manifestaram pela exclusão da exigência contida no item 1 do AI e esclareceram que procederam a tributação de todos os valores encontrados durante a Blitz, sem uma análise mais acurada. Trans- creveu trecho da informação fiscal; • ficou evidenciada a intenção de se manter a exi— gência a qualquer custo, quando os autuantes foram interpelados pelo despacho de fls. 1.441, com o claro objetivo de _ levá-los, a modificar a informação e o entendimento quanto ã subsistência da autuação; em diversos tópicos da decisão constata-se equivo — cos e distorções dos fatos; . reitera "in tantum" as razões constantes da im- pugnação e rechaça os argumentos e conclusões do Sr. Delegado - da DRF de Niterói, constantes dos itens 27 e 54 da decisão, tendo em vista: . k , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 8. Acórdão n9 101-80.798 1 - as comprovações apresentadas em sua defesa; 2 - as conclusões da diligência levada a efeito e a documentação apresentada na oportunidade; 3 - o reconhecimento da insubsistência da exigên- cia pelos Auditores Fiscais, autores do feito. . rechaça, ainda, as ilações da autoridade julgado ra que não correspondem ã realidade dos fatos, pois, a recorren- te, não reconheceu a titularidade dos depósitos ao invocar o De- creto-lei n9 2.471/88; não e verdade que os autuantes tributaram apenas os ren,dimentos auferidos; o procedimento dos AFTN's consis tiu em relacionar e totalizar os depósitos constantes dos extra- tos; a autoridade julgadora procurou sustentar a exigência com ba se em declarações que não correspondem ã realidade dos fatos, a- tribuídas indevidamente a funcionários da empresa e em documen- tos carimbados ã guisa de autenticação pelos autores do procedi- mento fiscal. A atipicidade de condutas adotadas neste proces- so, poderá resultar numa inominável arbritariedade caso prevaleça o lançamento "ex-officion. Apela para o espírito de compreensão e justiça des te Conselho, no sentido de dar provimento ao recurso. Em 05.04.1990, intimada, folhas 1.507/1.508, a contribuinte recolheu a multa equivalente a 11.591,26 BTNF, mais encargos, conforme DARF de folhas 1.509, relativa ã parte remanes cente do item 3, do AI, não litigiosa. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 9. Acórdão n9 101-80.798 -=, Em 26.06.90, a repartição de origem juntou aos autos os documentos de fls. 1.513/1.515 e aduziu os comentários de fls. 1.516. É o relatório.A'r II) VOTO Conselheiro aNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator: O recurso é tempestivo. O art. 38 da Lei n9 7.450/85, tem a seguinte re_ dação: "Art. 38 - os parágrafos 29 e 39 do arti go 79 do Decreto-lei n9 1.598, de 26 de dezem- bro de 1977, passam a vigorar com a seguinte re- dação: "Art. 79 - § 29 - A autoridade tributária pode proce- der ã fiscalização do contribuinte durante o cur so do período-base, ou antes do termino da ocol.- rência do fato gerador do imposto. § 39 - verificado pela autoridade fiàcal, antes do encerramento do período-base, que o con tribuinte omitiu registro contábil total ou pai.- cial de receita, ou registrou custos ou despe sas cuja realização não possa comprovar, ou que tenha praticado qualquer ato tendente a reduzir o imposto do exercício financeiro correspondente inclusive na hipótese do § 19, ficará sujeito a multa em valor igual ã metade da receita omitida ou da dedução indevida, lançada e exigível ainda que não tenha terminado o período-base de inci- dência do imposto." Depreende-se da leitura atenta deste dispositivo _ legal que as omissões ou ações devem ser constatadas através do confronto dos respectivos fatos ensejadores com o registro con- tábil do contribuinte. SERVIÇO NWW FEDEM PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 10. Acórdão n9 101-80.798 No trecho do voto proferido no Acórdão número 101-77.878/88, transcrito pela recorrente, sobressai o entendi- mento que predomina nesta Câmara, segundo o qual a aplicação da penalidade fiscal em tela exige comprovação segura, explorando- -se os indícios encontrados de modo aprofundado e criterioso , com o objetivo de apurar e delimitar as irregularidades de modo inquestionável. Referido dispositivo legal exige cautela e pru- dência na sua aplicação. É que se trata de uma penalidade, mul- ta igual à metade da receita omitida, e essa receita deve ser oferecida normalmente à tributação no exercício financeiro cor- respondente, sem o que poderá ser tributada, novamente, como base de cálculo do imposto de renda, além da multa de lançamen- to de oficio prevista no art. 728 do RIR/80. No caso dos autos a Blitz fiscal foi coroada de êxito do ponto de vista da coleta de dados para ulterior proce- dimento fiscal, mas o êxito ficou nisto. A Blitz foi realizada às vesperas do final do ano e no curto espaço de tempo entre o inicio, 10.12.87 e tér- mino da ação fiscal, 28.12.87, o Fisco mal teve tempo de soli- citar ao UNIBANCO e ao Banco Safra, documentos sobre as contas em nome de Amaro Cavalvante. Não houve exame da escrituração comercial e fis cal da empresa. O Fisco limitou-se a apor visto na última folha escriturada do Livro Diário. Os próprios autuantes, na informação, propuseram diligencia para resposta, entre outros quesitos, se a empresa estava desobrigada de emitir documentos fiscais relativos à suas receitas; se sujeita ao ISS; se mantinha escrituração regular ' do Livro Diário; confirmar se os cálculos da autuada, a propó- sito da alegação de omissão de receita impossível em virtude de soma da receita real mais a autuada superar a receita total possível, dada pela ocupação total dasembarcações;e se as quan "9, smnommuconum PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 11. AcOrdão n9 101-80.798 tias mencionadas na impugnação estão ou não efetivamente conta- bilizadas na empresa, no dia e mês a que se referem (item 3 do auto de infração). Este fato demonstra o açodamento com que se hou- ve o Fisco. Neste ponto, chega-se à conclusão de que o Fis- co não tinha claro os seus objetivos: se coletar dados; se i- dentificar irregularidades para aplicação escorreita da multa; ou se simplesmente aplicar por aplicar multa. Estes aspectos se avolumam ainda mais quando se analisa as assertivas dos agentes do Fisco sobre os questiona— mentos que lhes foram formulados pela Divisão de Tributação, fo_ lhas 1.457/1.459. Iniciaram e finalizaram, argumentando, in verbis: "Preliminarmente, cumpre-nos esclarecer que os fiscais, signatários do A.I. de fls. 14, tive ram que encerrar a ação fiscal antes de 31.12.87, autuando a empresa em 28.12.87, procedendo ã tributação de todos os valores encontrados du- rante a "blitz", sem uma análise mais acurada . Se assim não procedessem, correriam o risco de não mais poderem faze-lo durante aquele período base,-2 em face do disposto no Art. 38 da Lei n9 7.450/85." !! Ratificamos, assim, mais uma vez, o_nosso .ponto de vista quanto ã manutenção dos valores tribu- táveis e dos que devem ser excluídos de tributa- ção, contidos na contestação de fls. 919/925,bem como a manifestação de fls. 1413. Finalmente, cabe ressaltar, mais uma vez, que, pelas características da ação fiscal ("bli- tz") e considerando que, se a mesma não fosse concluída ate o último dia do mês de dezembro (inicio da ação fiscal em 10.12.87 e termino em 28.12.87) não caberia a aplicação da multa excep cional de lançamento ex officio (Lei n9 7.450/80, Art. 38), fato este que, certamente, é do conhe- cimento do ilustre Chefe da Divisão de Tributa- ção." Ora todos estes fatos confirmam a necessidade de -, f mwwopumwomum PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 12. Acórdão n9101,80.798 se aprofundar as investigações fiscais para aplicação conscien- te da penalidade em questão. Verifica-se que, após o encerramento do período- basee por dois anos, as autoridades fiscais correram a ado- tar uma série de providências, muito apropriadas ã uma ação fiscal normal, se se quisesse lançar o imposto, mas que no caso me pareceram mais atidudes tendentes a manter a exigência. Em junho de 1989, a repartição, através de ofi- cio, ainda estava a solicitar extratos ao Banco Safra. Apesar de ter transcorrido prazo mais do que ra zoável para aprofundamento dos trabalhos fiscais na empresa,não se teve noticia da sua adoção. n de se ressaltar que os resultados da diligên- cia já apontavam neste sentido. Duas parcelas constantes da ficha de fls. 06 foram regularmente contabilizadas e a recorren te providenciou o recolhimento da exigência sobre a parcela re- manescente. A diligência realizada em 10.11.89, fls. 1.468/ /1.472; indicou que a empresa mantinha diversas contas bancá- rias, mas não consta que se tènha pesquisado no sentido de se constatar a existência de vinculo com a conta bancária fria ou com as parcelas citadas nas fichas de fls. 03 a 06, as quais a exemplo das anteriores podetiam estar regularmente contabiliza- das. Não ficou provado nos autos que as anotaçõescons tantes da fl. 03, "saldo em dólares a favor de..." se referem a receitas omitidas na empresa. Da mesma forma, não existe nos autos, nenhuma prova de que a empresa fosse responsável pela contas correntes- - -bancária mantidas no UNIBANCO e no Banco Safra, sob o nome fictó de Amaro Cavalcante. sunnonnwonum PROCESSO N9 10730-002.013/87-93 13. Acórdão n9 101-80.798 A existência de moeda estrangeira no cofre da empresa, cuja titularidade foi assumida por dois sócios que com provaram viagens ao exterior, não significa f por si só,que se o- riginaram em receitas omitidas na empresa, do que também não e- xiste prova nos autos, alem de se tratar de quantia irrisória face ao movimento financeiro da empresa e ao mesmo tempo compa- tível com os deslocamentos e com as posses das pessoas físicas. Em suma, excluindo o item 3 do auto de infração, cuja irregularidade foi confirmada, em parte, comprovadamente do exame da escrituração da contribuinte, como conseqüência de resposta a quesito especifico da diligência, tudo o que temos em mãos são elementos, riquíssimos diga-se de passagem, a aconse lhar um desdobramento dos esforços fiscais, com o fito de se confirmar, ou não, e, se fosse o caso, quantificar de modo segu ro, o valor sujeito ã multa no próprio ano-base, o que se reve lou impossível, ou o valor sujeito ao imposto mediante lançamen to de oficio pelos procedimentos normais, se os trabalhos fos sem concluídos após o término do período-base. Pelas razões expostas oriento o meu voto no sen tido de dar provimento ao recurso. dikt PO RODRIGUE 1EUBER - RELATOR , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1

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Numero do processo: 10907.000403/92-54
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-86500
Nome do relator: Não Informado

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CONTRLDUiNTES 1"'Rfif.:::E . 3S(3 1-1F; „ et.:)(,)1/ „ 43'0 Sess2(o de 29 de abril de 199 ,1 ACORDA() NR. 101-86.500 k -son r • 8 1, 1.:**-.11,10 :0E :1 9(3 .2 C.2., r cst )1,13 E . I'l( t IHS Jrri t E 1:1 1‘)¡:**4 F.:et:0r IRE E 11 E' f:311:::1.3.11\11.:)t - jurci equivalense à taxa Reterenc1aI Diària somenue 1Cm ingar a partir do advento do artigo Jo., inciso 1. da Medida Provisória nr„ 299, de 29/07/91 í.D.O. JO/07/91), convertida em lei pela 1 r. de 29/09/;91. VisIos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CONSTEMO - CONSTROÇA0 CIVIL LTDA.:: ACORDAM os Membros da Primeira C'âmara do Primeiro Con' selho de Con1ribu1n1es, por maioria de votos, dar provimento, parcial ao rectu. so, para ajustar a exig@ncía ao decidido no processo prinf.j pal, atuaves do acórdb nr. 1 M-W-:598, de 27/04/94, bem como para ex cluív o encargo da )RD relativo ao per:lodo de fev. a J1/07/91, nos t.ermos do relatório e voto que passam a integrar o presente TuJgado. Vencidos os ConseAlK?iros Jezer de 01.1veira Cãndido, Manoel Antonio Oa. deiha Dias (Relator) e Mariam Seif, que exclulam menos o encargo da TRD. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rau! Pimen tel. Sala ras Sesses, em 29 de abril. de 1994 f--.)R •-• -------. PRESIDEN1E , r.;.:E (3E.: 1)E. (.31'ti0( vls)0 EM 1UTZ FERIVITM,01.1VE1RA DII ORAES PROCURADOR DA FA SESSO ZENDA NWIC.Ff..W1N 4 f") r 4 I SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL E.: C) s R ?..).:..)(") o 6 d 01. -86 „ i""1. p /".1C1 (;) p e I' k UI g !, OS Seg. g.. e I. he r'g.ES F" f":11-.1(;) SC) O DE:A SS 11:1: R: A NI '1)1A „ :R (3 1,1 :1: Ali 1:3 01 % 1 „ 5) (3 k 1:31E1.3 'NO R C)I)1:',.: C.)1.1E:S 3 MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 10907/000.403/92-54 RECURSO No: 73.459 - I.R.F. - ANO DE 1987 ACORDO No: 101-36.500 RECORRENTE: CONSTENG - CONSTRUCP40 CIVIL LTDA, RECORRIDA: INSPETORIA DA RECEITA FEDERAL EM PARANAGUA (PR) RELATORI O A contribuinte supra identificada recorre a este Conselho da decisão da autoridade julgadora de primeiro grau, que Julgou procedente a exigência fiscal formalizada no Auto de infração de fls. 01. Trata-sé de tributação reflexa de outro processo instaurado contra a mesma contribuinte na área do Imposto de Renda Pessoa 3urídica, protocolizado na repartição local sob o no 10345/000.401/92-29. Nestes autos cogita-se da cobrança do imposto de renda na fonte sobre valores relativos a omissão de receitas, redutores do lucro liquido do ano de 1987, consoante estabelecido no artigo So do decreto-lei no 2.065183. Mantida a tributação no processo matriz em primei- ra instáncia, igual sorte coube a este litígio naquele grau de jurisdição, conforme decisão de fls. 22/23. Cientificada da decisão em 06/04/93, e ainda inconformada, a contribuinte ingressou em 05/05/93 com o recurso voluntário de fls 26. Como razbes do recurso, a contribuinte reedita os fundamentos apresentados no processo principal. , ‘,441E o relatório. 4 4 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSEIHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO [IR. 10902 '000.40J/92 50 ACORDg0 NR. 101'86.500 Y o X0 Yr.I.NcEPP Conselheiro g RAUL PIMENTEL, Relator-Designdog f:**4 C: O fl .; F.? IthO u r p.. .i;:t1 01' !, exe fO ip "À 1 :;!. como f.. ic:o de Gol' U" çcti mc)r“..., 1 .5't de 1.o:;. I s 5: C ;:t k ck ci t I I: c) I' ál.e) 0 V. II titfi. t Mantenho o entendimento de que .:à155 *.i.O 1.0F .:à*Z2.J.0 ao gonlri buinte, pelo menos, no que se refere ao periodo que antecedeu A edição da Medida Provisória nr. 298, de 01 de agostode 1991, posteriormente converlido na 1 ei nr. 8.2,18, de 29 de agosto de 1991. Com efeito, o artigo JJ da cilada Medida Provisóvia, allevando a redação da lei or. 8.1/7, de 01 de março de 1991, nao dá legitimidade á exigOncia fiscal, no particular, nab SÓ porque dei),ou de estabelecer que a nova incidncia ê a titulo de luros, como também pela SMA manifesta inconstitucionalidade. Reporlo-MQ HQSLit oportunidade, ao Voto proferido pelo - 11ust:re Conselheiro CELSO ALVES FEIrOSA no Acórdão nr. 101-85.158, ensejo do j ulgamento do Reuurso nv. 100.2/2. Naquele trabalho nosso Ilustre Par, além do considera çdes pessoais, rQUflik i. dQ5 estudos sobre a questão, da jau) á dos Conse. PAULO IRWIN DE CARVALHO VIANA e JONAS FRANCISCO DE: OLIVEIRA, que bem demon:sti-am jleq,Rlid,:ide do evAlérjo de corre0o que vem sendo adotado sistemalicamente pela administração tributária. .-,p,, • 5 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCE51 MR. I n907 . 000.40....M92 54 Acól . dae In'. 101 06.500 Peço à Secretarja da i. : 2 ?..n:AFck que iunle ao pveonle cOpia daquele Arelo, cuies fundamenlols adolo nesla opeuluwidade vaz'àe de decidi! . Ante o expostog volo poL dar pvevimentu ao recui . se para excluir da exigOnci.a o encavqo Cl a IRD lelaiivo ao pe/Jodo de feverejve a julho de 1991. 13rasjija O g.. ), em 29 do abril de 1990 - (j) — 1., 1 111-1.4 f I. A t I; :: vk À! 6 MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCFS0 No 10907/000.4W/94 ACORDA0 Np 101-86.500 VOTO VENCIDO Conselheira MARIAM SEIF, Relatora O recurso foi. interposto no prazo legal E com observância dos demais pressupostos processuais, razão porque dele tomo conhecimento. No mérito, trata-se de processo decorrente, tendo este Colegiada, apreciando o processo principal (no 109071000.401/92-29), resolvido manter a decisão de primeiro grau, entendendo improcedente a irresignação da contribuinte. E cediço, nesta instância administrativa, de que no caso de lançamento dito reflexivo há estreita relação de causa e efeito entre o lançamento principal e o lançamento decorrente, uma vez que ambas as exigências repousam em Um mesmo embasamento lático. Assim, entendendo-se verdadeiros ou falsos os fatos alegados, tal exame enseja decisões homogêneas em relação a cada um dos lançamentos. Nestas circunstâncias, o exame feito em um dos processos atinentes a lançamento ensejado pelo mesmo suporte fático, especialmente no processo intitulado principal, serve também para os demais. Não que dizer com isso que a decisão de um vincula a de outro. No entanto, não havendo no processo decorrente nenhum elemento novo que seja apto a alterar a convicção do julgador, por questão de coerência lógica, a decisão deve ser tomada em igual sentido. Como salientado, no presente caso observa-se que este Colegiado, apreciando os fatos ensejadores do lançamento principal, que motivaram a presente exigência, concluiu no res- pectivo processo, que o inconformismo da recorrente quanto à exigência do imposto de renda da pessoa jurídica não procedia, como faz certo o Acórdão nos 101-26. de 27/04/94. 7 MINISTERI1DA FAZENDA PRIMEIRO ONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 10907/000.403/92-54 Acórdão á 101-86. Ora, sendo assim, e tendo em vista que não se apresentanestes autos qualquer elemento novo capaz de alterar o entendimeto anteriormente fixado, impe-se que decisão consentâna seja adotada. Em face de tais considera:0es, nego provimento ao recurso. Brasili Ir 29 de abril de 1994 : • MHRI:11 RELATORA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1

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Numero do processo: 10467.001704/88-54
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-80101
Nome do relator: Não Informado

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JAN Sessão de 15 de maio de 19 90 ACÓRDÃO N2....10.1=.8.0....101 Recurso n2 95.871 - IRPJ - EX: DE 1987 Recorrente JOPAUTO - ACESSÓRIOS PARA AUTOS LTDA. Recorrid a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM JOÃO PESSOA(PB). IRPJ-PRE,DIINAR-Não,cercelam a , Q9.ef:Osr3:? a lavratura de auto que descreve e enquadra corretamente a infra-. ção imputada ao sujeito passivo, nem a decisão que, apreciando a defesa, expõe as razões de suas conclusões. PASSIVO FICTICIO - Omissão de re ceita. A manutenção no passivo de obri-j gações já pagas indiciam a ocor- rência de receitas contabilmente não registradas. - Preliminar rejeitada. - Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOPAUTO - ACESSÓRIOS PARA AUTOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preli - - minar arguida e, no mérito, dar provimento, em parte, ao recurso,pa ra excluir da tributação a importância de Cz$ 20.000,00,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões (DF), em 15 de maio de 1990 URG PERE •• LO R ES - PRESIDENTE / CRISTÓVÃO ANCH,ETA DE PAIVA - RELATOR VISTO EMEM AFONSO • LSO ALVES FEIT•.A - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONALSESSÃO DE: 2 1 AN1990 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA,CEL SO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER E JOSÉ E- DUARDO RANGEL DE ALCKMIN. ESTEVE AUSENTE POR MOTIVO JUSTIFICADO O CONSELHEIRO FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA. J.0)73A 147)Tg , ,47: :.,1); SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO Nt? 10467-001.704/88-54 ' RECURSO NQ: 95.871 - ACÓRDÃO NO: 101-80.101 RECORRENTE : JOPAUTO-ACESSÓRIOS PARA AUTOS LTDA. 1RELATÓRIO JOPAUTO - Acessórios para Autos Ltda., jurisdiciona_ da pela DRF - João Pessoa (PB), foi autuada, com fulcro no artigo 180 do RIR/80, por omissões de receitas no valor de Cz$ . 1.680.360,00, ante a falta de comprovação das contas de Passivo' seguintes, constantes do balanço de 31.12.1986: "Fornecedores": Cz$ 1.602.214,87 "Outras Contas": Cz$ 78.146,00 . Do demonstrativo de fls. 23, depreende-se: 1 - que o saldo de "Outras Contas" (Cz$ 78.146,00 ) foi integralmente tido por fictício; 2 - que a parcela fictícia (Cz$ 1.602.214,87) do saldo de "fornecedores" (Cz$ 2.816.005,00) é subdividida em três itens: . a - Cz$ 956.575,30, correspondentes a títulos cons- .tantes da relação do contribuinte (f is. 7/22) e não aceitos pela fiscalização (fls. 26/29) e. . apreendidos (fls. 30/181); b - Cz$ 528.897,94, correspondentes títulos constan_ ) • 447,;----- DMF • DF /19 C-C - &regela • 1600/75 . . 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proce S SO n9 10467-001.704/88-54 Acórdão n9 101-80.101 tes da relação do contribuinte (f is. 7/22) mas não apresentados ã fiscalização; c - Cz$ 116.741,63, correspondentes ã diferença en tre o saldo de "Fornecedores" (Cz$ 2:816.005,00) e o total da relação do contribuinte (Cz$ 2.699.263,27 (fls. 7/22). O prazo dé impugnação foi prorrogado pelo despacho de fls. 193 até o dia 13 de julho de 1988. Em 7.7.88, foi apresen tada a defesa de fls. 196/209. No longo, repetitivo e confuso ar- razoado, a contribuinte diz, em sintese, que: 1 - que o lançamento, pela abundância de erros que contém, cerceia a defesa; 2 - que esses erros se manifestam; a) na falta de demonstração do passivo autuado; b) na falta de critério uniforme de demonstração do passivo ficticio; c) em erros de soma do de- monstrativo assinado pela empresa mas elaborado pela fiscalização (fls. 6/22); d) em outros erros de soma; e) na não demonstração dos "fornecedores" cujo passivo totaliza Cz$ 528.897,94; f) idem, de "outras Contas", no valor de Cz$ 13.931,73; g) falta de demons trativos auxiliares, h) dificuldade de entender os demonstrativo4 inclusive o fundado em n9 do CGC do fornecedor; i) dificuldade de localizar o processo; 3 - que isso é cerceamento de defesa; 4 - que da tributação, o autor do feito não descon tou: a) os prejuízos acumulados (Cz$ 529.078,68) b) o imposto de 44,96 OTN, inclusive PIS, pago no exercício segundo a notificação emitida em 12.12.87; c) o saldo de caixa de Cz$ 626,50; d) os cus tos pagos e incorridos necessários a obtenção da suposta receita' omitida; 5 - que no procedimento adotado há tributação, "ao , , . 4, ; i ,, , : SERMO POUCO FEDERAL Processo n9 10467-001.704/88-54 , Acórdão n9 101-80.101 :,, • :: , , excluir obrigações pagas e em seguida abater no saldo dessa con- ta em 31.12.86". 6 - que os demonstrativos somam "pé com cabeça"; , , 7 - que sua escrita contábil coincide com a de- claração, em detrimento da ação fiscal, • 8 - que o auto é "improspero" e precisa ser sanea do nos termos do artigo 32 do Decreto n9 70.235/72, "para, em seguida, ser devolvido ã impugnante para defesa, com os demons-- trativos de praxe". 9 - Para corrigir o trabalho fiscal, impõe-se ' uma pericia, que fica requerida; :, 10 - que elabora 6 quesitos (fls. 203/204) - que 1 leio para os pares -, deixando a indicação do perito e endereço ,, para após o deferimento do pedido; !, , ,, , 11 - Prossegue no que chama "mérito" invocando :a :, : constituição (Ninguém é obrigado a fazer alguma coisa, senão em , , virtude de lei) e o benefício da dúvida. Discorre sobre lucro ,, real, fato gerador e base de cálculo. Fala que a omissão de re- ceita não está provada. Quer se mantida a tributação, que se de- ,, , termine a base em 50% dos valores omitidos (Art.89 §, 69 DL n9 : 1648/78); , , : :. , 12 - Por fim requer: , , a) bom senso , ,, b) tratamento diferenciado, por ser primária c) provimento para a impugnação; d) deferimento da perícia; e) demonstrativos com critérios e valores certos '/ , . Qíg 5. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10467-001.704/88-54 Acórdão n9 101-80.101 f) compensação 0:e.dísprejili2óaculnuliados; g) reabertura do prazo para impugnar ante o cer- ceamento da defesa h) oferecimento de novas provas. Informação fiscal às fls. 400/404. O Autor mostra que seus demonstrativos estão, em princípio, corretos, não vendo onde poderia estar a dificuldade' de entendimento da contribuinte. Para ele, a impugnação só tem efeito, em benefí- cio da defesa, em relação a um erro de Cz$ 2,00 na soma da rela ção de fls. 26/29 e na compensação do prejuízo do exercício,"de vidamente ajustado", no valor de Cz$ 2.551.189,00. Quanto ao mais, opina pela manutenção do feito e indeferimento da perícia A autoridade singular indefere a perícia, por desnecessária e entende que os demonstrativos anexos ao auto são elucidativos. Que, assim, a tributação só seria ilidida an- te a comprovação de realidade do passivo. Não feita essa prova, mantém-se a imposição. Admite, porem, a compensação do prejuízo fiscal do presente exercício e do imposto de renda indevidamen- te apurado, e recolhido pela empresa, através da declaração do exercício de 1987. Exclui também a imposição sobre os Cz$ 2,00 referente ao erro de soma do fiscal. Ciente em 2.10.89, a interessada recbrre em 30 do mesmo mês (fls. 419), pelo arrazoado de fls. 400/434. Por ele conclui pedindo. "Provimento ao seu recurso voluntário, com o sa- neamento do feito (demonstrativos claros, compen sação de prejulZos acumulados, anulação da decil são recorrida) e novos prazos para impugnação,emi_ homenagem ao duplo grau de jurisdicão, se essa Alj?' 047,, 6. SERVIÇO POUCO FEDERAL Processo n9 10467-001.704/88-54 Acórdão n9 101-80.101 egrégia corte não preferir optar pelo arquivamen to puro e simples do feito principal e decorrenl tes, por ,insubsistente ã constituição do crédito tributário". Para tanto, em sintese,a recorrente argumenta que teria ocorrido cerceamento da defesa pela autoridade singu- lar que não apreciou nem corrigiu as falhas do auto de seus anexos, conforme argumentado na impugnação. Diz que a interpreta- ção fiscal é nebulosa, não traduzindo uma clara e convincente imputação. Chega a desafiar quem seja capaz de demonstrar a par cela de Cz$ 528.897,94 componente da autuação. Invoca jurispru- dência administrativa de nulidades. Fala em falta de Critério na determinação do passivo, ausência de clareza em demonstrati- vos, necessidade da pericia negada e falta de apreciação e cor- reção de erros, inclusive que não se definiu porque eram iná- beis os documentos justificadores do passivo. Para compensação' de prejuízos acumulados, diz juntar o LALUR. Aduz, ainda, que sua escrita contábil anexada (Fornecedores e Outras Contas) não foi apreciada pela autoridade e inobstante isso, a correção de- la milita contra a ação fiscal. É o relatório. VOTO Conselheiro CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, Relator: O recurso é tempestivo. Conheço dele. O grande argumento que permeia o prolixo e desali nhavado recurso é o de cerceamento do direito de defesa, tanto no auto, quanto na decisão, uma vez que a imputação não atendeu' a critério certo, não foi claramente demonstrada, assim como a defesa não foi integralmente apreciada nem foram corrigidos os erros apontados. ,AY 7. sumico poucoHmuL Processo n9 10467-001.704/88-54 Acórdão n9 101-80.101 Não me convencida procedência da argumentação. A imputação foi suficientemente clara e a impugnação apreciada a- dequadamente. A, dificuldade de entendimento, manifestada pela re corrente, decorre, a meu ver, muito mais do preconceito da re- corrente em relação ã forma de se determinar o passivo não ver- dadeiro, do que de vícios e falhas do auto_e do julgamento. O procedimento fiscal e a decisão fundam-se em dispositivo legal inscrito no artigo 180 do RIR/80: "Art. 180 - O fato de a escrituração indicar ... manutenção, no passivo, de-obriga-- ções já pagas, autoriza a presunção' de omissão no registro de receita ressalvada ao contribuinte a prova • da improcedência da presunção". De conformidade com esse dispositivo, a parte foi intimada a comprovar e detalhar a composição dos saldos em 31 . .12.86 de: Fornecedores: Cz$ 2.816.005,00 "Outras Contas" passivas: Cz$ 78.146,00. Para tanto, a defendente apresentou as relações' de fls. 6 (Outras Contas) e fls. 7/22 (Fornecedores), assinadas pelo seu contador bem como parte dos documentos nelas menciona- dos. A proposito dessas relações, é de se afirmar que elas são da autoria de quem as assinou, e não da fiscalização como quer a recorrente em alegação não comprovada. Pois bem,de posse desses elementos, a fiscaliza- ção elaborou os demonstrativos de fls. 23/29 e 187, dos quais se depreende com clareza a imputação, mormente para quem ler as observações ao pé da fls. 23 e no cabeçalho e pé de fls.... 25/29. 04)).. 8. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10467-001.704/88-54 Acórdão n9 101-80.101 O saldo de "Outras Contas" foi integralmente tido por fictício, seja porque os documentos apresentados no valor de apenas Cz$ 13.931,73 (f is. 25) representam "títulos já liquida-- dos, figurando do balanço " (f is. 25, seja porque a parcela com plementar de Cz$ 64.214,27 não se fez acompanhar de qualquer do cumentação (f is. 23-obervação &o pé). Já quanto a "Fornecedores", o demonstrativo de fls. 23 é explícito: para o saldo de 2.816.005, o contribuinte relacionou. apenas 2.699.263,27. Daí resulta, de plano, que a diferença é ficticia e perfaz o montante de Cz$ 116.741,73. Mas o passivo de "Fornecedores" ficticio não é somente esta diferen- ça. A ela se acrescem tanto os valores dos títulos constantes da relação do contribuinte (f is. 7/22) e não aceitos pela fiscaliza ção, já que se tratam de títulos liquidados (f is. 30/181) cons-- tantes ,do balanço (fls. 26/29 - ao pé) (Çz$ 956.575,.30), quanto os valores, daqueles "títulos relacionados mas não apresentados ã fiscalização" (fls. 23- 1 observação ao pé): Cz$ 528.897,94... Obviamente este último grupo de títulos são aqueles constantes da relação de fls. 7/22, depois de excluídos os de fls. 26/29.1br tal sorte, o "Fornecedores" autuado como ficticio é a soma das três parcelas: 1 - Cz$ 116.741,73 (diferença) 2 - Cz$ 956.575,30 (títulos já liquidados apreendi dos) 3 - Cz$ 528.897,94 (títulos não apresentados) Soma Cz$.1.602.214,97 Por esse relato extraído dos demonstrativos ane-- xos ao auto, verifica-se, com clareza, o montante e o critério' de levantamento do passivo fictício, o qual não merece censura e oferece ao sujeito passivo todos os elementos necessários á ela- boração da defesa27, NiVt' - 9. sehmoNalcon" Processo n9 10467-001.704/88-54 Acórdão n9 101-80.101 De sua parte, a autoridade singular fez o possi- vel para apreciar os desconexos e por vezes obscuros argumentos de defesa. Salientou a base legal da imposição, evidenciou a ma teria tributável e a inexistência de prova da realidade do pas- sivo, justificou a razão do indeferimento da perícia e acabou por acolher o pedido de compensação de prejuizo do exercício e do imposto indevidamente recolhido, e corrigiu um erro de que se convenceu. Assim, implicita owexplicitamente, a impugnação foi apreciada, não se justificando agora sua anulação por cer-- ceamento do direito de defesa. Por todo ° exposto, não acolho a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Quanto ao mérito, porém, creio que a decisão me- rece uma pequena retificação. No que tange a "Fornecedores", a relação do contribuinte de fls. 7/22 apresenta em verdade um er_ ro de soma. Ao invés de somar CZ$ 2J699.263,00, como querem o auto e a decisão, o seu total é de Cz$ 2.719.263,00, como afir- ma o recurso. Assim, há de se excluir essa importância de Cz$.. 20.000,00 .daquela ma-Eéria tributável traduzida na diferença de Cz$ 116.741,73, que passa a ser de Cz$ 96.741.73. No que diz respeito ã importância de Cz$ 956.573,30, referente aos docu-- mentos apreendidos (fls. 30/181) e relacionados de fls. 26/29 a correção da soma já foi operada pela autoridade singular.Aqui, confirmo a imposição, uma vez que os documentos de fls. 30/181' não .trazem qualquer indicação de que ainda não haviam sido li- quidados em 31.12.86. Ao contrário todos tem vencimento ante- rior a esta data e a maior parte traz quitação no Curso do próprio ano de 1986. Assim, a tributação é procedente, como o é aquela referente ã parcela de Cz$ 528.897,94, já que, embora os títulos tenham sido relacionados pelo contribuinte, eles não foram apresentados. Logo não se comprovou a realidade desse pas sivo. Igualmente, a tributação do saldo integral de "outras 5Coo tas" é procedente, uma vez que a maior parte (Cz$...d , 0 10. SERVIÇOPOLICOFEDERAL Processo n9 10467-001.704/88-54 Acórdão n9 101-80.101 64.214,27) não foi comprovada por qualquer documento e a parce- la restante (Cz$13.931,73) corresponde aos títulos de fls 182/186 que apresentam qUitaão no próprio ano base de 1986. Assim, não comprovada realidade desses passivos com documentos hábeis de nada valem os elementos contábeis jun- tados. Também por absoluta falta de provas não se pôde prover o pedido de compensação de prejuízos de exercícios ante- riores. A recorrente, embora alegue anexar o LALUR corresponden te, não o faz. Salientese„; , ainda, que a perícia contábil re- querida é, para os fins de comprovação do passivo, inteiramente inócua, já que tratando-se, de matéria fática bastava a entrega dos documentos comprobatórios do passivo. Ademais, antes que ã contabilidade, os quesitos' reportam a questões jurídicas Xbi-tributação dedutibilidade de custos, compensação de prejuízos, cerceamento de defesa. Saliente-se por fim, que na forma do artigo 180 do RIR/80, o passivo não comprovado é inteiramente tributado co mo receita omitida, não se justificando a dedutibilidade de cus tos. Por todo o exposto, dou provimento parcial para excluir da tributação o valor de Cz$ 20.000,00. É o meu voto. (1) .;. 7- CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1

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Numero do processo: 00082.550365/81-66
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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Recorrido Delegacia da Receita Federal em Bauru - SP IRPJ -- REMUNERAÇÃO "PRO LABORE” -- A re- tribuição por serviços prestados pelos sócios deve corresponder a uma remunera- ção mensal, fixa e predeterminada, medi- ante registros contábeis feitos mês-a-rês, e não por um 'único registro de fim do e- xercício, no qual nem sequer se refere a que meses as retiradas pertencem. LUCROS DISTRIBUTDOS — Diferença encon- trada na conta de lucros acumulados, sem que tenha havido movimento que reduzisse o saldo da citada conta, se tem como lu- cros distribuídos aos sócios. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E CORREÇÃO 140- NETARIA DO BALANÇO — A capitalização ir- regular de reservas provoca distorções na correção monetária do património liquido, com imediata repercussão na apuração do resultado do exercício. Desde que a re- serva se capitaliza integralmente, nada justifica que ela permaneça com saldo ou se dela se e'stornam valores, apenas o sal- do é passível de capitalização. 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por KHALIL OBEID & FILHOS LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contrib -Antes, por unanimidade de votos, negar provi- mento ao recurso Art j //' / v.v Sala das Ses-, (DF), em 11 de Maio de 1982. 4401r ,o, AMA" $UTV' a F , NDEZ - PRESIDENTE 11°1in9 S - RELATOR • VISTO EM ÁGoS INHO •'ES - PROCURADOR DA FA- SESSÃO DE: 1 4 MAI ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse lheiros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NU NES, AGOSTINHO SERRANO FILHO, RAUL PIMENTEL, FERNANDO CÍCERO VEL - LOSO e LUIZ ANDRÉ NETO (Suplente). SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0825-50. 365/81-66 RECURSO N.° : 84.919 ACÓRDÃO N.° : 101-73.304 RECORRENTE: KHALIL OBEID & FILHOS LTDA. RELATÓRIO KHALIL OBEID & FILHOS LTDA., empresa com sede na cidade de Bauru, Estado de São Paulo, submetida a ação fiscal de que resultou a lavratura do Auto de Infração de fls. 1/2, no qual se consignam, em relação aos exercícios de 1978 a 1980, a ocorrên- cia de irregularidades distribuídas por 13 itens, cujos pormenores também se descrevem no Termo de Verificação Fiscal de fls. 4/8. Resolvendo a petição impugnativa, com que a empresa apenas contestara contra a exigência do crédito tributário cons- tante dos itens 3, 8, 10, 12 e 13 da peça vestibular, o Delegado da Receita Federal em Bauru, na conformidade da Decisão 0825-235/81 (fls. 117/134) e com base no parecer fiscal de fls. 78/86 através do qual se apreciaram as razOes de defesa, julgou-a paraLaInentepro cedente, excluindo da tributação, integralmente, o valor consigna- do no item 3 e, em parte, as quantias indicadas nos itens 8 e 12. Além de confirmar a incidência do imposto sobre as importancias constantes dos itens 10 e 13, a autoridade singular, ao julgar a impugnação, acresceu ao crédito fiscal os encargos decorrentes da aplicação da aliquota de 5%, que não fora objeto da autuação, so- bre a importáncia de Cr$ 571.200 *O (item 10 do auto), tendo rea- berto o prazo de impugnação.g__ V.) " D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO P13BLICO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 3 - Acórdão n9101-73.304 A petição ímpugnativa, referente ao agravamento da exigencia tributãria, foi julgada com indeferimento pela Decisão n9 825-17/82 (f is. 170/171), proferida pelo Delegado da Receita Federal em Bauru, tendo a empresa tomado ciencia desta decisão em 27.1.1982 (AR á fls. 173) contra a qual inter-pós, em 1.3.1982, re- curso nos termos da petição de fls. 175/176. Contra o ato da autoridade monocratica julgadora , proferido anteriormente pela . Decisão 825-235/81, a empresa opas recurso tempestivo na forma da petição de fls. 140/151, a respei- to da mataria que sobrou ao litígio após o julgamento da impug- nação de fls. 16-23, assim discriminada, com observãncia dos res- pectivos números dos itens do Auto de Infração e referencia às le- tras e folhas da decisão recorrida: Exercício de 1978, ano-base de 1977: item 10 -- letra d, fls. 122 -- Complemento de retiradas "pro labore", valor su- jeito às allquotas comum de 30% e adi- tiva de 5%, esta como lucros distri- buídos, após o julgamento da impugna- ção Cr$ 571.200,00 item 13 -- letra e, fls. 123 -- Diferença verificada no desenvolvimento da conta "Lucros Acumulados", entre os lucros apurados em 31.12.1976 e 31.12.1977 e o saldo constante do balanço de 31.12.1977, valor autuado apenas para cobrança do imposto sob a alíquota a- ditiva de 5% Cr$ 391.200,00 Exercício de 1979, ano-base de 1978: item 08 -- letra c, fls. 124/126 -- Erros no cálculo da correção monetária do .5 balanço Cr$ 1.159.032, , er. Ao, ti ,/7L9 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 4 - Acórdão n9 101-73.304 Exercicio de 1980, ano-base de 1979: item 08 -- letra d, fls. 126/127 -- Erros no cálculo da correção monetária do balanço Cr$ 1.772.524,09 item 12 -- letra f, fls. 127/132 -- Aumento de capital com reservas insuficientes. Cr$ 1.264.793,15 No desenvolvimento e debate da questão a respeito de cada um dos itens da autuação, que permanecem sob litigio, se- rão expostas, a seguir, de forma suscinta,as razões de natureza fiscal e as contraditas da defesa. Item 10 -- Complemento de retiradas upro labore" -- Cr$ 571.200,00 A questão se refere ao fato de haver a empresa efetua- do, em 31.12.1977, um lançamento no valor de Cr$ 144.000,00 que cita como retiradas referentes ao perlo- do de janeiro/77 a dezembro/77 (1/77 a 12/77), como se verifica da folha 20 verso do Diário 7, xerocopiada e integrada a fls. 93 do processo. Esse lançamento se fez a crédito da conta "Caixa". E na mesma data de 31.12.1977, houve dois outros lançamentos contábeis, um a débito de "Retiradas" e a credito de "C/Correntes" de Cr$ 391.200,00 (fls. 23 verso do Diário 7, a fls. 94 do processo) e outro, também a crédito de "Caixa", de Cr$ 180.000,00 (fls. 24 do Diário, a fls. 95 do proces- so). O valor de Cr$ 571.200,00 se refere à soma des- tas duas importancias. Como a empresa se compOe de seis sócios, o procedimento fiscal admitiu que, em ra- zão daquele lançamento de Cr$ 144.000,00, aretirada men- sal para cada um fosse de Cr$ 2.000,00. A justificativa da tributação se baseia no fa- to de que não se trata de remuneração mensal, fixa e predeterminada e que o histórico dos dois últimos lan- çamentos indicados não faz referência aos meses, como cita o primeiro. ///k52 Contra-aparteou a defesa dizendo que embor, 'W) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 5 - Acórdão n9 101-73.304 contabilizadas posteriormente de uma só vez, as retira- das se mantêm nos limites estabelecidos em lei e o im- posto de fonte fora recolhido mensalmente. E mais, que rendo rebater a afirmação fiscal de retirada mensal de Cr$ 2.000,00, a recorrente divide aquelas importãncias de Cr$ 144.000,00, Cr$ 391.200,00 e Cr$ 180.000,00 pelo número de sócios encontrando respectivamente as parce- las de Cr$ 24.000,00, Cr$ 65.200,00 e Cr$ 30.000,00, pa ra afinal dizer: "Como se vê, todos os lançamentos são de 31.12.1977 não existindo o lançamento mês-a-mês de Cr$ 2.000,00 e "posteriormente, em 31.12, portanto a destempo, a complementação", como é afirmado na fls.79, transcrita na Decisão", fls. 143. A replica fiscal acentua que os registros con- tábeis não oferecem condições para determinar o valor da remuneração mensal atribuída a cada sócio a não ser aquela de Cr$ 2.000,00, não dispondo a empresa de com- provantes dos pagamentos efetuados, e que nem mesmo houve contabilização alguma a respeito da retenção e do recolhimento do imposto de fonte, acrescenta, dada a ausencia de assentamentos contãbeis mes-a-més, que não hã como se poder verificar se os valores foram recolhi- dos corretamente. Item 13 -- Diferença verificada no desenvolvimento da conta de "Lucros Acumulados" e considerada lucros distribuídos para cobrança do imposto aditivo de 5% -- Cr$ 391.200,00 Afirma a defesa que não se trata de lucros dis- tribuídos, porém contabilização defeituosa de remunera- ção "pro labore", alegando que a importãncia de Cr$ ... 391.200,00 corresponde ao lançamento feito em "C/Corren tes" e que fora diminuída do lucro do ano-base, sem que tivesse sido efetuado o registro contábil a débito da conta de lucros. A réplica fiscal pOe em relevo que a tese •=q ///g57 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 6 - AcOrdão n9 101-73.304 recorrente implicaria em admitir o débito das retiradas por duas contas e que por existir lançamento em idên- tica importância conta de despesas gerais, evidencia que a baixa ocorrida em "Lucros Acumulados" não foi a título de retiradas, tendo, a seguir, feito uma demons- tração a partir do balanço de 31.12.1975 (f is. 79). Item 12 -- Aumento de capital com reservas insuficientes -- Cr$ 1.264.793,15. A importância inicial de Cr$ 1.439.666,53 se reduziu para a de Cr$ 1.264.793,15, na conformidade da exposição feita a fls. 80/84. Dizendo que a fiscalização deixou de conside- rar o valor da Reserva Especial, na importância de Cr$ 1.482.045,00, constituída em 31.5.1978 pela correção especial do ativo imobilizado nos termos do Decreto-lei n9 1.598, de 26.12.1977, a defesa afirma que o aumento de capital realizado, no ano de 1979, incorporou reser- vas existentes. A versão que o fisco dá ao caso é a de que di- ta importância foi considerada na recomposição dos va- lores que fizera a partir do aumento de capital reali- zado em 1976, quando a empresa aproveitou a importância de Cr$ 1.022.000,00 como parte do montante de Cr$ 1.022.326,04 da Reserva de Correção Monetária do Ativo Imobilizado e que o destino atribuído aos Cr$ 326,04 remanescente, não incorporado ao capital é desconheci- do, acrescentando que sem se atinar com a razão, a ci- tada reserva figura no Não Exigível do balanço de 31.12.1976, pelo mesmo total de Cr$ 1.022.326,04, como se não tivesse sido utilizada no aumento de capital. E esclarecendo que o saldo da conta de "Reser- va de Correção Monetária do Ativo Imobilizado" cons- tituída em 31.5.1978, na importância de Cr$1.482.045,00 se reduzira a Cr$ 1.150.909,37, pela transferência SERVIÇO PÚBLFC0 FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 7 - Acórdão n9 101-73.304 1 Cr$ 331.135,63 para a conta "Bens Reavaliados" (f is. 101), e, em síntese, diz expressamente, a fls. 84: "a) -- O resultado da correção especial foi re- duzido para Cr$ 1.150.909,37 e este va- lor submetido à correção do balanço de 31.12.1978; i b) -- A reserva de Cr$ 1.022.326,43, que cor- rigida resultou em Cr$ 1.390.363,36, só pode ser aceita como parcela da referida na alínea "a". Inexistem explicaçõs pa- ra a sua existência, ou lançamentos que a pudessem ter gerado. Lembramos que reserva de Cr$ 1.022.326,04 fora incor- porada ao capital em 28.9.76; c) -- Pretende a impugnação legitimar duas re- servas quando apenas uma tem existência concreta (...)." Partindo dal, o autuante refez os cálculos an- teriores, conforme demonstrações efetuadas de fls. 81/ 83, acompanhando a evolução do Patrimônio Liquido desde o balanço de 31.12.1975, atravês dos saldos das reser- vas e lucros acumulados que se capitalizaram até o au- mento do capital realizado em 17.9.1979, apurando in- suficiência de Cr$ 1.264.793,15. Item 8 -- Erros no cálculo da correção monetária do balanço: -- Exercício de 1979 -- Cr$ 1.159.032,47 -- Exercício de 1980 -- Cr$ 1.772.524,09 As importàncias inicialmente submetidas à tri- butação eram, respectivamente, Cr$ 1.219.367,39 e Cr$ 2.102.150,37. Esses valores foram retificados ao sa- lientar a defesa que os demonstrativos constantes do Termo de Verificação Fiscal (fls. 418) continham erros, talvez ocasionados, como diz, pelos próprios defeitos de escrituração da recorrente. A seguir a defesa pro- cedeu a uma recomposição dos cálculos, vindo admitir que as diferenças seriam de Cr$ 671.786,25 e Cr$ 1.013.494,48, em cada um daqueles exercícios Uls.18/ 4? , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 8 - Acórdão n9 101-73.304 A dive-rgencia entre os cálculos da recorrente e os do fisco se relacionam com valores da conta Cons- trução, n9 49 trimestre de 1978, Cr$ 651.584,57 em vez de Cr$ 1.217.912,67, e, no 39 trimestre de 1979, Cr$ ... 1.114.494,72 em vez de Cr$ 1.170.859,82,e da conta Re- serva da Correção Monetária Especial do Ativo Imobili- zado, na importância de Cr$ 1.482.045,00, referente ao Património Liquido do balanço de 31.12.1978. De acordo com as explicaçóes constantes de fls. 84/86, que fazem parte da informação fiscal pela qual se examinaram as contraditas da impugnação, as im- portâncias indicadas como divergentes foram considera- das no refazimento dos cálculos, salientando a maneira como a de Cr$ 1.482.045,00 foi admitida, reportando-se aos esclarecimentos referidos no item anterior de n9 12. De acordo com as guias DARFs a fls. 153 e demons- trativo a fls. 152, a recorrente efetuou o recolhi '- ' to do credito tributário correspondente ã parte não litigiosa.0 // g o relatório. SERVIÇO PÚBLLCO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 9 - Acórdão n9 101-73.304 VOTO Conselheiro SYLVIO RODRIGUES, Relator: A empresa interpós dois recursos à ação fiscal: um, contra a Decisão n9 0825-235/81, pela qual se lhe julgou a petição impugnativa, quando se opOs "á cobrança do crédito tribu- tário constante da peça vestibular da autuação; outro, contra a Decisão n9 0825-17/82 que lhe indeferiu a impugnação, oferecida em razão da reabertura do prazo de defesa, oposta à majoração do lançamento, para cobrança do imposto adicional de 5%, como lucros distribuldos, sobre a importância de Cr$ 571.200,00, que, antes, não constara da exigência fiscal. O primeiro recurso é tempes- tivo, porém, o segundo, não. A empresa tomou ciência, em 27.1.1982 (AR a fls. 173), do indeferimento da petição impugnativa com que se insurgira contra a cobrança daquele imposto aditivo de 5% e ofereceu recurso somente em 1.3.1982 (fls. 175/176), a destem- po, portanto. Todavia, essa intempestividade do segundo recur- so é relativa, sem nenhuma conseqüência para o julgamento da ques- tão, uma vez que, na hipótese dos autos, se trata de um aces- sório, porquanto a parte principal, a respeito da tributação da importância de Cr$ 571.200,00, consistente em indagar se a ma- neira como tal importância se contabilizou pode ser tida, em fa- ce dos artigos 179 e 222, allnea "a", do RIR/75, como despesa o- peracional pertinente â. remuneração mensal, predeterminada e fi- xa, atribuída aos sócios da recorrente, foi objeto de contesta- ção no primeiro recurso, tempestivamente prestado. A remuneração mensal dos serviços prestados por sócios, diretores ou administradores de sociedades comerciais ou civis, ou por titulares de empresas individuais, além de estar sujeita a limites, deve ser atribuída mãs-a-mes em importênci,1 ,(0 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 10 - Acórdão n9 101-73.304 fixa e predeterminada. O fato de ser fixa não significa, porem, que a remuneração "pro labore" do dirigente não possa reajustar- Ser fixa não implica, portanto, que ela permaneça sempre a mesma. Todavia, reajustada em determinado momento, a remunera- ção do dirigente deve tornar-se inalterável por algum tempo. As remuneraçOes dos sócios, ou dirigentes de em- presa, são livremente fixadas ou determinadas pelos órgãos compe- tentes da pessoa jurídica. A legislação fiscal do imposto de renda não cerceia essa liberdade, apenas se restringe a estabe- lecer limites e condiçóes para que as referidas remunerações se- jam aceitas como despesas operacionais dedutiveis. Um das condiçóes, contrárias à dedução da despe- sa, é a de não se admitirem registros contábeis das retiradas que englobem remunerações de vários meses, principalmente os que se fazem no mes de encerramento do exercício, evitando-se mani pula- çOes na apuração dos resultados das transações mercantis. A recorrente procedeu, por ocasião do balanço en- cerrado em 31.12.1977, a tr .-és lançamentos contábeis, a debito da conta de Retiradas, fazendo, apenas um deles, menção em seu his- tórico, que eram retiradas referentes ao período de janeiro de 1977 adezembro de 1977. Esses três lançamentos registram as im- portâncias de Cr$ 144.000,00, Cr$ 391.200,00 e Cr$ 180.000,00. Os lançamentos nas importâncias de Cr$ 391.200,00 e Cr$ 180.000,00, compõem o total de Cr$ 571.200,00, cuja dedução se glosou para sub- mete-10 à tributação sucessiva sob a allquota comum de 30% e ali- quota aditiva de 5%, como lucros distribuídos. Exceto, quanto ao lançamento na importância de Cr$ 144.000,00, os outros dois que totalizam Cr$ 571.200,00 nenhuma referencia fazem a que meses as retiradas pertenceriam. Mesmo que fosse permitido registro contábil que englobasse vários meses, não haveria, assim, como determinar o valor fixo mensal para cada só- cio, uma vez que não há comprovantes dos pagamentos efetuados. E quanto as guias DARPs, por cópia, as quais a d 0 'Y SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 11 - Acórdão n9 101-73.304 fesa alude, dizendo que houve recolhimentos do imposto de fonte, eles nem sequer receberam registro na contabilidade da empresa, não havendo, portanto, condições de verificar-se a que valores de remunerações se referiram, como evidencia o ato recorrido. E o fato de terem os sócios indicado, em suas declarações de ren- dimentos, os valores recolhidos, nada comprova pertinentemente aos requisitos necessários à dedutibilidade, uma vez que as declara- ções de rendimentos, por serem apresentadas posteriormente ao ano- .laziEei são prestados pelo total, podendo ate tais recolhimentos si- do efetuados pelos próprios sOcios, dado que nos registros da em- presa não há menção ao pagamento do imposto de fonte. Assim examinada a questão fundamental acerca da tributação da importância de Cr$ 571.200,00, considerada sob o an- gulo fiscal como lucros distribuldos, claro está que ela se su- jeita também ao imposto aditivo de 5%, de que trata o artigo 227 do RIR/75, dal a irrelevância que se pode admitir à intempesti- vidade do recurso oposto, a destempo, contra o ato recorrido, me- diante o qual a autoridade singular julgou a petição impugnativa, com a qual a empresa se insurgiu contra a cobrança do citado adi- cional de 5%. Não somente a importância de Cr$ 571.200,00 se su- jeita ao imposto sob a allquota de 5% sobre lucros: dtátribuídos. Tambem sobre a importância de Cr$ 391.200,00 a incidéncia da mesma aliquota cabível. A postulante ao incorporar, em 28.9.1976, o mon- tante dos lucros acumulados, não deixou saldo algum na conta (fls. 78). No balanço de 31.12.1976 acusou o lucro final de Cr$ 1.656.130,00 (fls. 88), e como no curso do ano-base de 1977 não movimentou a conta de lucros acumulados, não há explicação plau- sível para que viesse indicar, na peça de fls. 89, o saldo ante- rior de Lucros e Perdas como Cr$ 1.264.930,00. Como no balanço de 31.12.1977 a recorrente apurou, na conformidade da peça o lucro real de Cr$ 2.726.473,00 somado ao saldo anterior de Cr$ 1.656.130,00, deveria totalizar Cr$ 4.382.603,00 e não Cr$ /7 ,) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 12 - Acórdão n9 101-73.304 3.991.403,00 como indica, no passivo do balanço, a fls. 166. Sempre procurando salientar com as imperfeiçOes da contabilidade da empresa, a defesa afirma que a diferença de Cr$ . 391.200,00 corresponde a uma daquelas três importâncias (Cr$ 144.000,00, Cr$ 391.200,00 e Cr$ 180.000,00) que atribuira como retiradas aos sócios, dando margem a que se suponha ter aquela quantia sido deduzida do saldo anterior de Lucros e Perdas. Se bem que à primeira vista a afirmação da defesa possa impressionar pela coincidência de valores, isto não passa de simples imaginação, dado que o montante daquelas três importân- cias, Cr$ 715.200,00, se transferiu, integralmente, para despe- sas gerais, na conformidade do quadro 18 da declaração de rendi- mentos do exercício de 1978, período-base de 1.1.1977 a 31.12.1977 (f is. 167). Ora, se aquele montante de Cr$ 715.200,00 compOe par- cela do desdobramento da soma de despesas gerais, que atinge a Cr$ 4.941.629,00, e esta soma se deduziu do resultado do exercício demonstrado no quadro 19, torna-se evidente que a afirmação da de- fesa não procede. Então se compreende que se prevalesse o argumen- to da defesa, a importância de Cr$ 391.200,00 ficaria duplamente deduzida: uma, às expensas do saldo de lucros anteriores que foi considerado como base Cr$ 1.264.930,00 (fls. 168), em vez de Cr$ 1.656.130,00 (fls. 166)'; outra, integrada no montante de Cr$ 715.200,00 (fls. 167) que compas o total de despesas gerais, Cr$ 4.941.620,00, subtraído, no quadro 19, da soma das receitas ope- racionais, para composição do lucro real de Cr$ 2.726.473,00. As- sim sendo, a soma desta importância com a de Cr$ 1.656.730,00, do saldo de lucros do período imediatamente anterior (f is. 166), te- ria que se refletir, no período-base da declaração de rendimentos do exercício de 1978, pelo valor de Cr$ 4.382.603,00 e não Cr$ 3.991.403,00. A diferença de Cr$ 391.200,00 desapareceu por en- canto e como não há procedência na afirmação da defesa, é de ad- mitir-se que o desaparecimento ocorreu em proveito dos sócios co- mo lucros distribuídos. Oponível ao argumento de que se trata de contabir )7,2 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 13 - Acórdão n9 101-73.304 zação defeituosa e não lucros distribuídos, releva, em síntese, dizer que é da própria essencia dos defeitos que surgem infrações legislação fiscal. A postulante não se insurgiu quanto ao fato de ter efetuado, com erro, a correção monetária dos valores patrimoniais. Apenas, solicitou a retificação de parcelas constantes da conta "Construção" e referentes ao 49 trimestre de 1978 e 39 trimestre de 1979, no que foi integralmente atendida nos exatos valores em que impugnou as importâncias tomadas nos cálculos expostos no Ter- mo de Verificação Fiscal. O litígio permanece quanto "à tomada do valor de Cr$ 1.482.045,00, havido como Reserva de Correção Monetá- ria Especial do Ativo Imobilizado. A defesa pretende que a reser- va seja considerada em seu valor absoluto, sem os reajustamentos que o procedimento fiscal realizou, não só quanto à parcela de Cr$ 331.135,63 que a empresa estornou daquela reserva reduzindo-a para Cr$ 1.150.909,37, mas tambem quanto à importância de Cr$ .... 1.022.326,04 que a interessada incorporara, em 28.9.1976, ao capi- tal social, sem contudo dar baixa desta importância na conta de Re serva Monetária do Ativo Imobilizado, da qual fora ela aproveita- da. Em relação importância de Cr$ 1.022.326,04, acon- tabilidade da recorrente, em vista da falta de baixa na conta da qual ela deveria ser retirada, passou a representá-la pelo dobro em seus registros, na conta de Capital e na conta de Reserva Mone- tária do Ativo Imobilizado, acarretando dupla conseqüencia com a correção monetária do mesmo valor, uma, no ajuste monetário do no- vo capital social, onde a citada importância já se encontrava em- butida, outra, na própria conta da reserva, que inexplicavelmente ficara intacta, sem se reduzir a zero coze era de esperar. O valor de Cr$ 1.150.909,37, ao qual se reduziu a Reserva Especial de Cr$ 1.482.045,00 depois de lhe ser deduzido o estorno de Cr$ 331.135,63, dá para formar a convicção de que dita reserva foi considerada na recomposição dos cálculos de fls. 83, quando aquele valor liquido, através do índice de 1,36, se apré SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0825-50.365/81-66 - 14 - Acórdão n9 101-73.304 priou no produto de Cr$ 1.565.236,74. Com esta apropriação, após haveransido efetuadas as devidas correçOes monetárias, a insuficiên- cia das reservas ocorrida no aumento de capital se reflete em Cr$ 1.264.793,15 como expõe o cálculo a fls. 83. Por outro lado, em face daquela dupla correção mo- netária do mesmo valor de Cr$ 1.022.326,04, uma delas deve ser da- da como insubsistente, exatamente a que corresponde à conta de Re- serva de Correção Monetária do Ativo Imobilizado, por esgotamento da conta quando da sua incorporação ao capital social, contraria- mente às pretensOes da recorrente que, na conformidade da demons- tração sob o item 1.22, a fls. 31, procedeu a cálculo do ajuste mo netária da reserva, como se ela tivesse existência real, tendo também corrigido o capital social, no valor de Cr$ 5.000.000,00 onde dita reserva está incorporada, como se observa do cotejo do demonstrativo sob o item 1.21 (f is. 35), com a exposição efetuada a fls. 81, sob o titulo "Situação e Alterações de 1976". Isto posto e considerando os recolhimentos efetua- dos na conformidade dos cãlculos a is. 152 e DA U, a fls. 153, ne / gar provimento ao urso é o vot. do relatar., ri "lifo - 44 101 "ei Ádát. 44111r* wr v io C$DRI p 'S, Relator jra0:. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1

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4759158 #
Numero do processo: 11065.101272/2006-91
Data da sessão: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a .30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento de Cofins às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado
Numero da decisão: 201-81.140
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, deu-se provimento para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os créditos do ICMS realizados; II) por maioria de votos, deu-se provimento para reconhecer os créditos relativos a combustíveis, lubrificantes e remoção de resíduos industriais. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco, Josefa Maria Coelho Marques, Maurício Taveira e Silva, quanto aos combustíveis, e José Antonio Francisco e Mauricio Taveira e Silva também quanto à remoção de resíduos; e III) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à Selic. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Alexandre Gomes e Gileno Gurjào Barreto. Fez sustentação oral, em 12/03/2008, em 07/05/2008 e em 02/06/2008, o advogado da recorrente, Dr. Dilson Gerent, OAB-RS 22.484.
Matéria: COFINS_NT--
Nome do relator: Walber Jose da Silva

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-03T19:42:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-03T19:42:48Z; Last-Modified: 2009-08-03T19:42:49Z; dcterms:modified: 2009-08-03T19:42:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-03T19:42:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-03T19:42:49Z; meta:save-date: 2009-08-03T19:42:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-03T19:42:49Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-03T19:42:48Z; created: 2009-08-03T19:42:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-03T19:42:48Z; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-03T19:42:48Z | Conteúdo => MF-SECtél \IDEY:150,;;:gjkl:C. -,9""1:7:1BUINTES Brasjia —1 ft 01-1 ccovcolFls. 315 -5-§9 : 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, PRIMEIRA CÂMARA Processo e 11065.101272/2006-91 Recurso e 148.458 Voluntário Matéria Cofins Acórdão n° 201-81.140 Sessão de 02 de junho de 2008 Recorrente INDÚSTRIA DE PELES MlNUANO LTDA. Recorrida DRJ em Porto Alegre - RS ASSUNTO: CONTFUBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui receita e, portanto, o seu valor não integra a base de cálculo da Cofins. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, deu-se provimento para excluir da base de cálculo do PIS e da Cotins os créditos do ICMS realizados; II) por maioria de votos, deu-se provimento para reconhecer os créditos relativos a combustíveis, lubrificantes e remoção de resíduos industriais. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco, Josefa Maria Coelho Marques, Maurício Taveira e Silva, quanto aos combustíveis, e José Antonio bti1/4/\- COÇ - SEG: r • . ^r^rrrliBUINTES Processo e 11065.101272/2006-91 CCO2/01 Acórdão n.° 201 -81.140 Brasilia 12- , Fls. 316 CrL 5:21.r.u>e mat .ctope 91745 Francisco e Mauricio Taveira e Silva também quanto à remoção de resíduos; e III) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à Selic. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Alexandre Gomes e Gileno Gurjào Barreto. Fez sustentação oral, em 12/03/2008, em 07/05/2008 e em 02/06/2008, o advogado da recorrente, Dr. Dilson Gerent, OAB-RS 22.484. »H' • O.R.0,60-th.n./ JAPAi OSE )A MARIA COELHO MARQUES Presidente , JOSÉ DA ILVA Relato 2 CoNTRIBUINTES Processo n° 11065.101272/2006-91 ..sEGuNce CCO7JC01CO:ir • ., Acórdão n.° 201-81.140 Fls. 317 Brasr,:a. f_or StideUnsa Met: .W1745 Relatório A empresa INDÚSTRIA DE PELES MINUANO LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não-cumulativa, previsto no § I do art. 6' da Lei if 10.833/2003, relativo ao 2 trimestre de 2006. A DRF em Novo Hamburgo - RS indeferiu, em parte, o pedido da interessada, alegando que: I - não foi incluída na base de cálculo da Cofins as receitas com créditos de ICMS transferidos para terceiros; e 2 - no cálculo do beneficio pleiteado a recorrente utilizou indevidamente créditos decorrentes de: a) dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados pela frota de veículos; e b) dispêndios com a remoção de resíduos industriais. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações consta do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A TI Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre - RS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão n9 10-13.218, de 06/09/2007, ratificando o entendimento da DRF em Novo Hamburgo - RS e, também, indeferindo o pedido de atualização monetária do ressarcimento pela Selic. Ciente desta decisão em 03/10/2007, a interessada ingressou, no dia 11/10/2007, com o recurso voluntário de fls. 261/284, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 - o montante do ICMS registrado no ativo da recorrente, realizado na forma prevista na legislação deste imposto - pagamento a fornecedores -, não se constitui em receita, razão pela qual não pode ser mantida a decisão recorrida. Cita jurisprudência administrativa; 2 - os combustíveis e lubrificantes consumidos pela frota de veículos (doze caminhões e duas Kombis) têm vínculo direto com a atividade da empresa. Servem para o transporte de produtos e insumos entre estabelecimentos da recorrente; 3 - os resíduos são retirados (restos de couro, gordura, lodo, etc.) dos tanques onde o couro é tratado e transportados por caminhões, duas ou três vezes por dia. Para realizar este serviço contratou e paga uma pessoa jurídica; e 4 - sobre o crédito pleiteado deve ser aplicada a taxa Selic desde a data de protocolização do pedido de ressarcimento. Cita jurisprudência da CSRF. .W5tiL 3 Mi: - EY: c:.:1‘• • ,. • ;.'.'131./INTErr. . .Processo n° 11065.101272/2006-91 r. apt/C01• Acórdão n.• 201-81.140 Bra9til:a, 1 ! /2— , 0, Fls. 318 ,5::•:•:, 5. Cat: Sia sg745 Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 314. É o Relatório. 451(k' 4 _ J7ES Processo n° 11065.101272/2006-91 1 CCO2/C01 Acórdão n.°20141.140 817/3.a oíre, Fls.319 61745 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, por esta razão, dele conheço. Como relatado, a recorrente requereu o ressarcimento de crédito de Cofins, previsto no § 1 2 do art. 62 da Lei n2 10.833/2003, que abaixo transcrevo: "Art. 9 A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa _física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n2 10.865, de 2004). Iii - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § 12 Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 32, para fins de: 1- dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 2* A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1 2 poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3 O disposto nos §§ 1 2 e 2a aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8 2 e 7 do art. O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1 2 não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação." (grifei) O disposto no § 32 acima reproduzido não deixa nenhuma dúvida de que os créditos passíveis de ressarcimento são aqueles "apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação" e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado, como entende a decisão recorrida. Portanto, a despesa realizada que gera direito a crédito de Cofins passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto. Porque é ''' •• °•°-mF _ ELGuNt-:05- . n ,, •• • " Processo n° 11065.101272/2006-91 Brasilia. CCOVCOI Acórdão n.• 201 -51.140 Sasio5"..iiat:3sa Fls. 320 Ala Sispe 91745 só isto que a lei exige. Não somente os créditos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem empregados no processo produtivo dos produtos exportados podem ser ressarcidos. Todo e qualquer "custo, despesa ou encargo" vinculado à receita de exportação, desde que gere crédito, na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.833/2003, pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto nos §§ 1 2, 22 e 32 do art. 62 da Lei n2 10.833/2003 e regulamentado pelos arts. 21 e 22 da IN SRF n2 460/2004, abaixo reproduzidos com a redação original: "A ri. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, que não puderem ser deduzidos na forma do inciso Ido § 1° do art. 5° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso Ido § 1° do art. 6° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão ser utilizados na compensaç'do de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. Art. 22. Poderão ser objeto de ressarcimento os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cotins a que se refere o art. 21 que, ao final de um trimestre do ano civil, remanescerem na escrita contábil da pessoa jurídica após efetuadas as deduções e compensações cabíveis." (grifei) Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado, a exemplo do frete (inciso IX do art. 3 2 da Lei n2 10.833/2003). No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transportam produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver o direito ao crédito. No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3 2 da Lei n2 10.833/2003. E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do PI. Insumos são todos os "custos, gastos ou despesas" vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o § 32 do art. 62 da Lei n2 10.833/2003. iti‘X 6 • Processo rt• 11065.101272/2006-91 o? \ CCO2/C01 Acórdão n.° 201-81.140 ErazIko, ia; Fls. 321 ' Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 32 da Lei n2 10.833/2003). O Fisco pretende incluir na base de cálculo do PIS e da Cofins o valor dos créditos de ICMS cedidos (realizados) a terceiros, que considera receita, no que a empresa recorrente não concorda porque entende que a realização dos créditos de ICMS, por qualquer das modalidades previstas na legislação especifica do imposto, não se constitui em receita. Com razão a recorrente. Transcrevo, abaixo, parte da ementa e dos fundamentos da Decisão SRRF/PRF/Disit n2 47, de 11/12/1998, que são esclarecedores sobre a natureza dos créditos de ICMS escriturados em razão de aquisição de mercadorias, mantidos e não utilizados na conta gráfica e realizados por uma das modalidades previstas pela legislação do ICMS, inclusive transferência a terceiros: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. INCIDÊNCIA. O recebimento, em forma de créditos do ICMS, de direitos decorrentes de transações realizadas e escrituradas pela empresa, e a recuperação de créditos do ICMS, mediante qualquer das modalidades previstas na legislação especifica, não constituem fato gerador para a Contribuição para o PIS/PASEP. Dispositivos Legais: Artigos 2° e 3° da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998. (-) FUNDAMENTOS LEGAIS A principio, cumpre observar que, conforme dispõe o ff 30 do artigo 231 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/1/94 - RIR/94, os impostos não-cumulativos, recuperáveis mediante créditos na escrita fiscal, não integram o custo das mercadorias revendidas e das matérias-primas utilizadas na produção. Nesse sentido, sendo o ICMS não-cumulativo, os valores pagos na aquisição de matérias primas e mercadorias não integram o respectivo custo, constituem crédito compensável com o que for devido na saída subseqüente. Entretanto, ocorrendo a hipótese de não incidéncia na saída subseqüente com manutenção do direito ao crédito, caso das operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados, fica inviabilizada a compensação pela sistemática usual, restando à empresa adotar as àlC1/4k/ 7 7r. ^ti • Processo n° 11065.101272/2006-91 if;? CCO2/C01 Acórdão n.• 201-81.140 grasl'a Eis. 322 „ • • w2W.:',/uv.5 formas alternativas de recuperação do crédito disciplinadas pelo artigo 69 do Regulamento do ICMSI Mister se faz ressaltar que a recuperação de créditos do ICMS, escriturados em conta patrimonial representativa de direitos a recuperar, mediante qualquer das modalidades previstas na legislação de regência, constitui fato administrativo pennutativo, uma vez que apenas modifica a composição dos bens e direitos integrados ao patrimônio, não altera a situação líquida da empresa. Da mesma forma, não altera o patrimônio líquido, o recebimento, em forma de créditos do ICMS, de direitos decorrentes de transações realizadas pela empresa, devidamente contabilizadas e computadas no resultado do exercício, por tratar-se de fato administrativo permutativo." Não tenho dúvida de que a realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui receita e, portanto, o seu valor não pode integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Com relação à incidência da taxa Selic no ressarcimento de crédito de PIS e de Cofias não-cumulativos, ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para o pleito da recorrente. Ao contrário, há vedação expressa (§ 5 2 do art. 51 da IN SRF n2 460/2004). A recorrente cita jurisprudência, já superada, da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a incidência de juros Selic no ressarcimento de crédito presumido do IPI. Em decisões mais recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais reformou seu entendimento para considerar indevida a incidência de juros Selic no ressarcimento de crédito presumido do IPI, a exemplo do Acórdão CSRF/02-02.824, Sessão do dia 16/10/2007 (Recurso Especial da PFN n2 203-129.791). Independente do posicionamento da CSRF, estou convicto de que, à míngua de previsão legal, não há como efetuar o ressarcimento com qualquer acréscimo, inclusive a titulo de juros Selic. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito aos créditos relativos à aquisição de combustíveis e lubrificantes e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais e, também, para excluir da base de cálculo da exação o valor relativo à realização de créditos do ICMS, transferidos a terceiros. Sala das S es, em O de junho de 2008. WALBE JOSÉ DA S VA Regulamento do ICMS do Estado do Ceará. 8 Page 1 _0065900.PDF Page 1 _0066100.PDF Page 1 _0066300.PDF Page 1 _0066500.PDF Page 1 _0066700.PDF Page 1 _0066900.PDF Page 1 _0067100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10510.000323/90-27
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-81720
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Recorrida : DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM ARACAJU (SE). IRPJ - Não se conhece do recurso, sendo intempestiva a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMPRESA SÃO CARLOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhe- cer do recurso, face ã intempestividade da impugnação, nos ter- mos do relatório e voto que passam a integrar o presente julga- do. ala •as Se sões (DF), em 15 de julho de 1991 440". MAR 'Á S'11:7 - PRESIDENTE AN,CHIETA DE PAIVA - RELATOR VISTO EM AFONSO 4. FERREIRA D r CAMPOS - PROCURADOR DA FA ZENDA NACIONAL — SESSÃO DE: Q4 gni/ 4 ,, , I 1' JUL In I Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Con- selheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. . DAMEFP/DF- SECOD N2 064/90 J.H. il 2 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10510-000.323/90-27 RECURSON9 : 98.380 ACORDÃO N2: 1 0 1-81 . 720 RECORRENTE: EMPRESA SÃO CARLOS LTDA. RELATÓRIO Mediante ação fiscal contra Empresa São Car- los Ltda., jurisdicionada pela DRF - Aracaju (SE), foi lavrado o auto de infração de fls. 1/7, de que o sujeito passivo tomou ciên cia em 30 de abril de 1990 (segunda-feira). Em 01-06-90 (sexta- feira), lavrou-se o termo de revelia de fls. 127 e às fls. 128, nessa mesma data, foi apresentada a impugnação, onde nega a ocor- rência de omissões de receita nos exercícios de 1986 e 1987 e con " corda com a exigência das insuficiências de correção monetária de bens do permanente. Informação fiscal às fls. 287: o autor opina pela procedência em parte da impugnação, por entender inexistente a omissão de receita de Cr$ 273.933.276 relativa ao exercício de 1986, base julho 84/junho 85. Às fls. 289/290, com fulcro no artigo 21 do Decreto 70.235/72, consta proposta de retificação da exigência im_ pugnada intempestivamente. Às fls. 291, a autoridade singular de- termina, com apoio no parágrafo 22 do mesmo artigo 21, a retifi- cação da exigência, que e formalizada através da decisão de fls.' 292/294, contra a qual se interpõe recurso de oficio, não conheci .. .- • *.adP ad quem (fl g_ 297) Cientificado em outubro de 1990 (fls. 299),' V 411,--"---^ ) DAMEFP/DF - SECOS N2 065/90 4.14. ). / SERVIÇO MOUCO FEDERAI. PROCESSO N 2 10510-000.323/90-27 3 Acórdão n 2 101-81.720 o sujeito passivo recorre em 11 deste mesmo mês, através do ar- razoado de fls. 301/304, pelo qual insiste na não ocorrência de omissão de receita também no exercício de 1987, base julho/ 85 a dezembro de 1986. É o relatório. - 11k4 § SERVIÇO MOUCO FEDERAI. PROCESSO N 2 10510-000.323/90-27 4 AcOrdão n2 101-81.720 VOTO Conselheiro CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, Relator: Ciente da autuação em 30-04-90 (segunda-fei ra), o prazo de 30 dias para a defesa começou a ser contado em 02-05-90 (quarta-feira), primeiro dia útil subseqüente à ciên- cia, e terminou em 31 de maio de 1990 (quinta-feira). A impugna ção de 01-06-90 (fls. 128) e intempestiva, não merecendo censu- ra o termo de revelia nessa data lavrado. É tranqüila a jurisprudência deste Conse-- selho de que não se toma conhecimento do recurso, quando intem pestiva seja a impugnação interposta. Por tudo isso, não conheço do recurso. . É o meu voto. A CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1

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Numero do processo: 19515.002279/2005-15
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 203-13644
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais

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CCO2/CO3 Fls. 341 "*4 - MINISTÉRIO DA FAZENDA ; s Ia SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4.° 31.:jr TERCEIRA CÂMARA Processo n° 19515.002279/2005-15 Recurso n° 153.551 Voluntário Matéria IPI, MULTA REGULAMENTAR Acórdão n° 203-13.644 Sessão de 2 de dezembro de 2008 Recorrente GRAFCOST GRÁFICA E EDITORA LTDA. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIF - PAPEL IMUNE A falta e/ ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF- _ Papel Imune,- -rieli pessoainfidica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar nos termos da legislação tributário vigente. PENALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO Em face da duplicidade de interpretação de lei tributária, aplica- se aquela que comine penalidade menos onerosa ao sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 LANÇAMENTO. NULIDADE É válido o procedimento administrativo desenvolvido em conformidade com os ditames legais. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO ICONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar • Sovimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Odassi e. ,Tzoni Filho. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CCA1R.19U:t1TES CONFERE COM O acaguij_ Brciala, _g o 1 Pc2j, f.. e9 ___ 1 Iv!an!deifti: 4n hi" "" i"l ., ..hra - MR1, SIM, 9.1r.à kl Processo n° 195 15.002279/2005-15 CCO2/CO3',. • Acórdão n.° 203-13.644 Fls. 342 74 , • ,r, 4, .0 ROSE URG FILHO Presidente r JOSÉ ADÃO V O DE MORAIS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando • Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. MF-SEGUNDÕZÕWIll-II5j;E7Tfirr11rr.e» CONFERE CCM o ORn74144,1 )'4 I Brasília,__Ii(2_2_ nac._ .!:_2_ Medule Cutle Oliveira - _ .. _ . _ • - _ _ . . . . - - Mal Slapc G! Tpr,n 2 . . . . 1 Processo n° 19515.00227912005-15 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.644 Fls. 343 Relatório Contra a recorrente acima, foi lavrado o auto de infração às fls. 31/33, exigindo- lhe crédito tributário, no valor de R$ 875.000,00 (oitocentos e setenta e cinco mil reais), por falta de entrega das Declarações Especiais de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF — Papel Imune), referentes ao 4° trimestre de 2002, aos 1", 2°, 3° e 4° de 2003 e aos 1° e 2° de 2004. Cientificada do lançamento e intimada a recolher o crédito tributário, interpôs impugnação (fls. 39/46), requerendo o seu cancelamento, alegando, em síntese, que a penalidade aplicada tem efeito confiscatório, infringindo a CF de 1988, art. 150, IV, que veda expressamente a utilização de tributo com efeito de confisco e, ainda, a desproporcionalidade da penalidade em relação à infração cometida por ela. Analisada a impugnação, a DAI em Ribeirão Preto julgou o lançamento procedente, conforme acórdão n° 14-15.384, datado de 28/03/2007, às fls. 225/229, assim ementado: "DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. . _ A não-apresentação, ou a apresentação da DIF-Papel Imune após os prazos estabelecidos pela legislação, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista." Inconformada com esse acórdão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às lis. 246/261, requerendo a este 2° Conselho de Contribuintes que julgue nulo o auto de infração, cancelando-se conseqüentemente o lançamento. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: i) sua condição de pequena empresa, a concessão do regime especial para operar com papel imune, sua vigéncia e o pedido de cancelamento em 01/02/2006; ii) ilegalidade, enriquecimento sem causa e confisco; e, iii) desproporcionalidade da penalidade à infração, concluindo que não causou qualquer prejuízo aos cofr-s públicos, devendo ser aplicado o disposto no CTN, art. 112, II, aplicando-se uma penalidait mais favorável ao acusado. É o relatório. 11 Á t:4 --"ãouNoo CONSELHO fia COI;f1::":51—N'7ES CONFERE COMOCR:GIRAI. &adia, 80 I 03 Marilde Cot de C... Mat. Srapc 91C 3 Processo n° 19515.002279/2005-15CCOVCO3 Acórdão n.° 203-13.644 V.F-SEGli-NO0 dISNSEI:SE:75.) n41à757iViiES CONFERE COM O CR;GIMAI. Fls. 344 Bre alia 4.31) / 03 I 0.9 Marl!de Cursgide Mat. Slope O l eso Voto Conselheiro JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Conforme constou do relatório e se verifica das matérias suscitadas no recurso voluntário, a questão de mérito posta a este Conselho se restringiu à nulidade do auto de infração. Ao contrário do entendimento da recorrente o auto de infração somente seria nulo se tivesse sido lavrado por agente incompetente e/ ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, art. 59, in verbis: "Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. - - § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (.)." No presente caso, o auto de infração em discussão foi lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal, servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de oficio. Ainda, sobre o auto de infração, aquele Decreto, determina: "Art. 10 — O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I — A qualificação do autuado; II — O local, a data e a hora da lavratura; 111—A descrição do fato; IV — A disposição legal infringida e a penalidade aplicável;r. 4 .f;.EGU!,;DO CONSELH C) DE '.'n"UN T EsT CONFERE COM O OR:G1::P.L Processo n° 19515.002279/2005-15 •-g CCO2JCO3 Acórdão n.° 203-13.644 Fls. 345• es, de 01:v2:ra 1.1:,t. S 4-e 91€7,p. VI — A assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Também, conforme se verifica, o auto de infração em discussão contém todos os requisitos elencados acima e a fundamentação legal. Possíveis incorreções, como deficiências na descrição dos fatos e do enquadramento legal não o tomam nulo nem anulável e sim defeituoso ou ineficaz até a sua retificação. Contudo, nenhuma incorreção e/ ou deficiência foi apontada e provada pela recorrente. Quanto às alegações de confisco e de desproporcionalidade da penalidade aplicada não, cabe ao julgador graduar seu percentual e/ ou valor, mas tão somente cumprir a legislação tributária que a instituiu. No entanto, constata-se que o fundamento legal do lançamento comporta mais de uma interpretação quanto à graduação da penalidade aplicada. A multa por descumprimento da obrigação acessória pela falta de apresentação da DIF — Papel Imune está prevista na Medida Provisória (MP) n°2.158-35, de 24/08/2001, art. 57, inciso 1, na Lei n°9.779, de 19/01/1999, art. 16, e na 1N-SRF n°71, de 24/08/2001, art. 12, -que assim dispõem: MP n° 2.158-35, de 2001: "Art57. O descumpritnento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n° 9:779, de 1999, acarretarà-a aplicação das seguintes penalidades: 1- R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; 11 - cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento." Lei n° 9.779, de 1999: "Art.16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável." IN SRF n° 71, de 2001: "Art. 12. A não apresentação da DIF - Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade ii/! prevista no art. 57 da Medida Provisória n°2.158-34, de 27 de julho d-e). 2001." 411.- ,:eGihwl:C;C:CMSELti:) JãTFES CONFERE Cai O OREitINAL J09, Processos' 19515.002279/2005- l 5 Brastlia, 3o, Q.3 ._ CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.644 Fls. 346 Merlde Curtain de Oliveira Mat. Slape 91550 Em relação à obrigação acessória, quanto à entrega empestiva da DIF-Papel Imune, levando-se em conta que esta declaração é trimestral, o inciso I do art. 57 da MP, transcrito acima, permite dupla interpretação sobre a expressão "RS 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário". Uma, o valor da multa pode ser de até R$ 15.000,00 (quinze mil reais), conforme o número de meses compreendidos pela declaração; ou, uma segunda, de múltiplos de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), conforme o número de meses-calendários correspondentes ao atraso no cumprimento ou na formalização da autuação. Deve-se levar em conta que a DIF — Papel Imune é uma declaração trimestral, diferente de outras declarações, cujas multas também encontram amparo no inciso I do art. 57 da MP n° 2.158-35, de 2001, como é o caso das declarações mensais previstas nas Instruções Normativas SRF n° 325, de 30/0412003; . n° 396, de 06/02/2004 e n°445, de 20/08/2004. Muitas destas normas regulamentadoras declaram expressamente que lhes valem a segunda interpretação. A IN 71, de 2001, que trata exclusivamente da DIF — Papel Imune, nada contempla sobre esse item. Essa omissão pode ter dois significados: ou o efeito multiplicador da multa é aplicável ao atraso na entrega da 0W — Papel Imune, em virtude de interpretação sistemática (se para as outras declarações é assim, porque não seria para esta?), ou o legislador administrativo não quis adotar a mesma regra das outras declarações (se nada disse, é porque não quis). Tomamos a liberdade de citar e transcrever a interpretação favorável à multa progressiva expendida julgador Celso Lopes Pereira Neto, no julgamento do Acórdão DRJ/REC n° 13.624, de 27 de outubro de 2005, in verbis: _ "Suponhamos que haja, na jurisdição de uma mesma Unidade da SRF, dois contribuintes na mesma situação: mesma natureza do negócio (por exemplo, gráfica), mesmo porte, com o registro especial que as autoriza a realizar operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. E ambas deixam de apresentar a Declaração DIF — Papel Imune, referente ao mesmo trimestre- calendário. A autoridade administrativa tem imediatamente, nos sistemas da SRF a informação de que ambas descumpriram a obrigação acessória. No entanto, em relação a uma delas, age imediatamente autuando-a pela infração cometida. Em relação à outra, a falta de ação e autuação faz com que o "taxímetro fique rodando" até que a empresa seja incluída em alguma fiscalização. Parece-nos que isto configuraria um tratamento claramente desigual em relação a contribuintes em situação equivalente. Também, não nos parece que esta (aplicação de taxímetro) fosse a intenção da lei, para os casos de declarações periódicas. Haveria mais sentido para solicitações e intimações isoladas, casos em que o não atendimento configuraria embaraço à ação fiscal. Porém, não compete ao julgador administrativo de primeira instância da Receita Federal do Brasil decidir sobre a justeza, legalidade ou inconstitucionalidade de Instruções Normativas, mas apenas dar-lhes cumprimento. Ora, o montante da penalidade vai depender exclusivamente da ação da.Á DRFs em fiscalizar as pessoas jurídicas obrigadas a entregas de DIF — Papel Imune. Se exigi 4 multa Processo n°19515.002279/2005-15 CCO2/CO3 • Acórdão n.° 203-13.644 Fls. 347 no mês imediatamente seguinte ao trimestre, esta será correspondente a apenas um Inês, se demorar mais de um mês, a multa será multiplicada por tantos meses quantos tiverem decorrido desde a data limite, fixada para sua entrega, podendo chegar a 60 (sessenta) vezes por cada declaração trimestral, gerando um montante impagável e muitas vezes superior ao patrimônio liquido da pessoa jurídica, como no presente caso. Diante da duplicidade de interpretações sobre a lei tributária que comina penalidade, parece-nos imprescindível aplicar-se ao presente caso o art. 112 do CTN que assim dispõe, in verbis: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação."(destaque não-original.) Dessa forma, entendo que a interpretação mais favorável ao sujeito passivo é a que limita a penalidade em R$ 15.000,00 (quinze mil reais) por declaração em atraso, reduzida a R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais), quando se tratar de optantes pelo Simples. Conforme constou dos autos, a requerente não é optante pelo Simples, não se aplicando a ela a redução da penalidade, nos termos do parágrafo único do art. 57 da MP n° 2.158-35, de 2001. _. .- No presente caso, segundo constou do termo de constatação fiscal às fls. 27/28, a recorrente deixou de apresentar no prazo legal as DIF-Papel Imune referentes ao 4° trimestre de 2002, aos 1°, 2°, 30 e 4° trimestres de 2003 e aos 1° e 2° trimestres de 2004, ficando sujeita a multa regulamentar, no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) por cada trimestre, totalizando R$ 105.000,00. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, voto pelo provimento parcial ao presente recurso voluntário, reduzindo o lançamento para R$ 105.000,00 (cento e cinco mil reais). Sala das Sessões, es 2 de dezembro de.2008 JOSÉ AD NO DE MORAIS IV MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONIRISUINTES CONFERE COM O oRhoir:AL Drasi6a. / 09 Munida Cu da Ouvemr:ano Mot. Siais,. 01650 7

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Numero do processo: 13807.000905/90-01
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-91382
Nome do relator: Não Informado

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Numero do processo: 11516.002599/2005-45
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: NULIDADE. DO ACÓRDÃO — APRECIAÇÃO DE QUESTÕES — PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. Não se divisa falta de apreciação da presunção legal de omissão de receitais. Vazio foi o pedido de prova pericial quanto à exclusão do Simples, sem os requisitos estabelecidos no diploma processual. Os quesitos foram formulados na impugnação aos autos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e a estes se referem. Pedido de prova testemunhal não consta no inconformismo à exclusão do Simples; há pedido genérico, sem especificidade — sobre a identificação precisa do propósito, sem nomeação — na parte final da peça impugnatória aos autos de infração após expressão de praxe. Ainda que se admita a fungibilidade quanto ao ato de exclusão do Simples,. não se entrevê omissão a causar nulidade do acórdão a quo. Exigência da COFINS, Erro material no acórdão de origem, insuficiente a inquiná-lo de nulidade. As questões foram enfrentadas ainda que sob o título de PIS, para o qual as quaestiones desafiadas foram idênticas, NULIDADE DO ACÓRDÃO — ART. 2" DA PORTARIA SRF 6.129/05 O preceito em questão prevê que os processos em andamento, de exclusão do Simples e de exigência de crédito tributário, serão juntados por anexação, para serem julgados em conjunto. Inexiste ilegalidade em sua aplicação retroativa, porquanto se cuida de norma de caráter procedimental ou formal, que visa à eficiência e a economia processuais. NULIDADE DO LANÇAMENTO — EXAÇÕES IMPOSTAS Nada há que objete sejam lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pelo fato de a exclusão do Simples não ter seu desfecho selado. A questão é de prejudicialidade. Se derruído o ato de exclusão do Simples, prejudicados e fulminados estarão os autos de infração. Diverso senso equivaleria a, por exemplo, impedir a exaração de multa sobre tributo lançado de oficio, por se encontrar este ainda sob exigibilidade suspensa. NULIDADE DO LANÇAMENTO — ART. 9 0 DA PORTARIA SRE 4,238/05 Se as infrações em relação a tributo contido no MPF -E, com base nos mesmos elementos de prova, também configurarem infrações a normas de outros tributos, estes se consideram incluídos no procedimento de fiscalização. Descabida a alegação de que não houve ciência inequívoca de fiscalização quanto a CSLL, PIS e COFINS com eiva de nulidade. EXCLUSÃO DO SIMPLES A lei prevê como hipótese excludente do Simples a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas. Diante do texto e contexto, as interpretações finalistica e sistemática conduzem à exegese de que a hipótese compreende não só o nascimento da pessoa jurídica como as demais etapas da vida da pessoa jurídica. Se houvesse outros dispositivos que versassem sobre a pessoa jurídica em si, como capitulação de causa excludente do Simples, ganharia força a interpretação de que, na minudência propositada pela lei, caso se pretendesse alcançar etapas diversas ao nascimento da pessoa jurídica, ela assim o teria expressamente feito. Não é o que sucede. INTERPOSTA PESSOA — SIMULAÇÃO ABSOLUTA O caso é de simulação absoluta, e não relativa, pois se cuida de examinar se a sucessão a título singular dos sócios ocorreu ou não — em caso negativo, nenhum negócio jurídico houve. A presença de uma causa sinzulandi associada aos dados representados nos autos são elementos sobremaneira fortes a descortinar a consecução de simulação absoluta. IRPJ, CSLL - ARBITRAMENTO DO LUCRO — COEFICIENTES Sem o Livro Caixa devidamente escriturado, o arbitramento do lucro é de rigor. A atividade desenvolvida pela contribuinte constitui prestação de serviços, e não industrialização por encomenda, com suporte na lei complementar que discrimina serviços tributáveis com o ISS. A legislação do IPI também afasta a atividade da configuração de industrialização. Corretos os coeficientes aplicados para arbitramento do lucro. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS — PIS — COFINS — FATURAMENTO EM SENTIDO ESTRITO Os requisitos ou pressupostos para a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas por depósitos bancários de origem incomprovada se encontram preenchidos, sem vícios, com expurgos de todos os valores apresentados pela recorrente, que denunciam estornos, cheques devolvidos e transferências entre contas de mesma titularidade, Nada trouxe aos autos a contribuinte, com a peça impugnatória e mesmo com o recurso, além do que já havia sido apresentado à fiscalização, a derruir a presunção legal de omissão de receitas. Que as receitas presumidamente omitidas são de prestação de serviços, isso deflui do encadeamento fático coletado peia fiscalização e da própria presunção. Receitas que compõem o faturamento em sentido próprio ou estrito, sujeitas à incidência de PIS e de COFINS. DESCONTO DE RECOLHIMENTO SOB O REGIME DO SIMPLES O caso é de mero abatimento do valor pago sob o Simples do valor das autuações, e que não se confunde com compensação. O abatimento é de rigor. MULTA QUALIFICADA Diante de simulação absoluta, em geral, a presença do dolo específico é de menor dificuldade de detecção. No caso vertente, resulta da simulação absoluta e das circunstâncias que a rodeiam, o concurso de dolo específico na conduta perpetrada pela contribuinte, a justificar a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — LAVANDERIA ÁGUA PURA Nada impede que o mesmo espaço seja utilizado por mais de uma pessoa jurídica para desenvolver a mesma atividade. Basta que haja devido controle das atividades praticadas por uma e outra, sob pena de confusão de atividades que desemboca na confusão patrimonial. É o que se dá no caso vertente. Presença de interesse comum entre a contribuinte e a Lavanderia Água Pura Ltda. (que possui os mesmos sócios), na situação que constitui fato gerador dos tributos. Responsabilização solidária imposta que não merece reparos. INCONSTITUCIONALIDADE — MAJORAÇÃO DE ALiQUOTA Sobre a alegação de inconstitucionalidade da majoração da aliquota de CSLL, a questão é objeto da Súmula CARF ri' 2, segundo a qual falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei.
Numero da decisão: 1103-000.188
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para deduzir os valores pagos sob o regime do Simples, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS TAKATA

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As questões foram enfrentadas ainda que sob o título de PIS, para o qual as quaestiones desafiadas foram idênticas, NULIDADE DO ACÓRDÃO — ART. 2" DA PORTARIA SRF 6.129/05 O preceito em questão prevê que os processos em andamento, de exclusão do Simples e de exigência de crédito tributário, serão juntados por anexação, para serem julgados em conjunto. Inexiste ilegalidade em sua aplicação retroativa, porquanto se cuida de norma de caráter procedimental ou formal, que visa à eficiência e a economia processuais. NULIDADE DO LANÇAMENTO — EXAÇÕES IMPOSTAS Nada há que objete sejam lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pelo fato de a exclusão do Simples não ter seu desfecho selado. A questão é de prejudicialidade. Se derruído o ato de exclusão do Simples, prejudicados e fulminados estarão os autos de infração. Diverso senso equivaleria a, por exemplo, impedir a exaração de multa sobre tributo lançado de oficio, por se encontrar este ainda sob exigibilidade suspensa. NULIDADE DO LANÇAMENTO — ART. 9 0 DA PORTARIA SRE 4,238/05 Se as infrações em relação a tributo contido no MPF -E, com base nos mesmos elementos de prova, também configurarem infrações a normas de outros tributos, estes se consideram incluídos no procedimento de fiscalização. Descabida a alegação de que não houve ciência inequívoca de fiscalização quanto a CSLL, PIS e COFINS com eiva de nulidade. EXCLUSÃO DO SIMPLES A lei prevê como hipótese excludente do Simples a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas. Diante do texto e contexto, as interpretações finalistica e sistemática conduzem à exegese de que a hipótese compreende não só o nascimento da pessoa jurídica como as demais etapas da vida da pessoa jurídica. Se houvesse outros dispositivos que versassem sobre a pessoa jurídica em si, como capitulação de causa excludente do Simples, ganharia força a interpretação de que, na minudência propositada pela lei, caso se pretendesse alcançar etapas diversas ao nascimento da pessoa jurídica, ela assim o teria expressamente feito. Não é o que sucede. INTERPOSTA PESSOA — SIMULAÇÃO ABSOLUTA O caso é de simulação absoluta, e não relativa, pois se cuida de examinar se a sucessão a título singular dos sócios ocorreu ou não — em caso negativo, nenhum negócio jurídico houve. A presença de uma causa sinzulandi associada aos dados representados nos autos são elementos sobremaneira fortes a descortinar a consecução de simulação absoluta. IRPJ, CSLL - ARBITRAMENTO DO LUCRO — COEFICIENTES Sem o Livro Caixa devidamente escriturado, o arbitramento do lucro é de rigor. A atividade desenvolvida pela contribuinte constitui prestação de serviços, e não industrialização por encomenda, com suporte na lei complementar que discrimina serviços tributáveis com o ISS. A legislação do IPI também afasta a atividade da configuração de industrialização. Corretos os coeficientes aplicados para arbitramento do lucro. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS — PIS — COFINS — FATURAMENTO EM SENTIDO ESTRITO Os requisitos ou pressupostos para a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas por depósitos bancários de origem incomprovada se encontram preenchidos, sem vícios, com expurgos de todos os valores apresentados pela recorrente, que denunciam estornos, cheques devolvidos e transferências entre contas de mesma titularidade, Nada trouxe aos autos a contribuinte, com a peça impugnatória e mesmo com o recurso, além do que já havia sido apresentado à fiscalização, a derruir a presunção legal de omissão de receitas. Que as receitas presumidamente omitidas são de prestação de serviços, isso deflui do encadeamento fático coletado peia fiscalização e da própria presunção. Receitas que compõem o faturamento em sentido próprio ou estrito, sujeitas à incidência de PIS e de COFINS. DESCONTO DE RECOLHIMENTO SOB O REGIME DO SIMPLES O caso é de mero abatimento do valor pago sob o Simples do valor das autuações, e que não se confunde com compensação. O abatimento é de rigor. MULTA QUALIFICADA Diante de simulação absoluta, em geral, a presença do dolo específico é de menor dificuldade de detecção. No caso vertente, resulta da simulação absoluta e das circunstâncias que a rodeiam, o concurso de dolo específico na conduta perpetrada pela contribuinte, a justificar a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — LAVANDERIA ÁGUA PURA Nada impede que o mesmo espaço seja utilizado por mais de uma pessoa jurídica para desenvolver a mesma atividade. Basta que haja devido controle das atividades praticadas por uma e outra, sob pena de confusão de atividades que desemboca na confusão patrimonial. É o que se dá no caso vertente. Presença de interesse comum entre a contribuinte e a Lavanderia Água Pura Ltda. (que possui os mesmos sócios), na situação que constitui fato gerador dos tributos. Responsabilização solidária imposta que não merece reparos. INCONSTITUCIONALIDADE — MAJORAÇÃO DE ALiQUOTA Sobre a alegação de inconstitucionalidade da majoração da aliquota de CSLL, a questão é objeto da Súmula CARF ri' 2, segundo a qual falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei.

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Recorrida .3" TURMA DA DRJ/FLOR1ANÓPOLIS Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: NULIDADE. DO ACÓRDÃO — APRECIAÇÃO DE QUESTÕES — PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. Não se divisa falta de apreciação da presunção legal de omissão de receitais. Vazio foi o pedido de prova pericial quanto à exclusão do Simples, sem os requisitos estabelecidos no diploma processual. Os quesitos foram formulados na impugnação aos autos de IRRI, CSLL, PIS e COFINS e a estes se referem. Pedido de prova testemunhal não consta no inconformismo à exclusão do Simples; há pedido genérico, sem especificidade — sobre a identificação precisa do propósito, sem nomeação — na parte final da peça impugnatória aos autos de infração após expressão de praxe. Ainda que se admita a fungibilidade quanto ao ato de exclusão do Simples, não se entrevê omissão a causar nulidade do acórdão a quo. Exigência da COFINS, Erro material no acórdão de origem, insuficiente a inquiná-lo de nulidade. As questões foram enfrentadas ainda que sob o título de PIS, para o qual as quaestiones desafiadas foram idênticas, NULIDADE DO ACÓRDÃO — ART. 2" DA PORTARIA SRF 6.129/05 O preceito em questão prevê que os processos em andamento, de exclusão do Simples e de exigência de crédito tributário, serão juntados por anexação, para serem julgados em conjunto. Inexiste ilegalidade em sua aplicação retroativa, porquanto se cuida de norma de caráter procedimental ou formal, que visa à eficiência e a economia processuais. NULIDADE DO LANÇAMENTO — EXAÇÕES IMPOSTAS Nada há que objete sejam lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pelo fato de a exclusão do Simples não ter seu desfecho selado. A questão é de prejudicialidade. Se derruído o ato de exclusão do Simples, L Pmeesso n" 11516.002599/2005-45 S1-C1113 Acórdào n " 1103-00, 188 El 2 prejudicados e fulminados estarão os autos de infração. Diverso senso equivaleria a, por exemplo, impedir a exaração de multa sobre tributo lançado de oficio, por se encontrar este ainda sob exigibilidade suspensa. NULIDADE DO LANÇAMENTO — ART. 9 0 DA PORTARIA SRE 4,238/05 Se as infrações em relação a tributo contido no MPF -E, com base nos mesmos elementos de prova, também configurarem infrações a normas de outros tributos, estes se consideram incluídos no procedimento de fiscalização. Descabida a alegação de que não houve ciência inequívoca de fiscalização quanto a CSLL, PIS e COFINS com eiva de nulidade. EXCLUSÃO DO SIMPLES A lei prevê como hipótese excludente do Simples a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas. Diante do texto e contexto, as interpretações finalistica e sistemática conduzem à exegese de que a hipótese compreende não só o nascimento da pessoa jurídica como as demais etapas da vida da pessoa jurídica. Se houvesse outros dispositivos que versassem sobre a pessoa jurídica em si, como capitulação de causa excludente do Simples, ganharia força a interpretação de que, na minudência propositada pela lei, caso se pretendesse alcançar etapas diversas ao nascimento da pessoa jurídica, ela assim o teria expressamente feito. Não é o que sucede. INTERPOSTA PESSOA — SIMULAÇÃO ABSOLUTA O caso é de simulação absoluta, e não relativa, pois se cuida de examinar se a sucessão a título singular dos sócios ocorreu ou não — em caso negativo, nenhum negócio jurídico houve. A presença de uma causa sinzulandi associada aos dados representados nos autos são elementos sobremaneira fortes a descortinar a consecução de simulação absoluta. IRPJ, CSLL - ARBITRAMENTO DO LUCRO — COEFICIENTES Sem o Livro Caixa devidamente escriturado, o arbitramento do lucro é de rigor. A atividade desenvolvida pela contribuinte constitui prestação de serviços, e não industrialização por encomenda, com suporte na lei complementar que discrimina serviços tributáveis com o ISS. A legislação do IPI também afasta a atividade da configuração de industrialização. Corretos os coeficientes aplicados para arbitramento do lucro. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS — PIS — COFINS — FATURAMENTO EM SENTIDO ESTRITO Os requisitos ou pressupostos para a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas por depósitos bancários de origem incomprovada se encontram preenchidos, sem vícios, com expurgos de todos os valores apresentados pela recorrente, que denunciam estornos, cheques devolvidos e transferências entre contas de mesma titularidade, Nada trouxe aos autos a contribuinte, com a peça impugnatória e mesmo com o recurso, além do que já havia sido apresentado à fiscalização, a derruir a presunção legal de omissão de receitas. PI ()cesso n" 11516 002599/2005-45 S1-C T3 Acórdão n 1103-00.188 F1 3 Que as receitas presumidamente omitidas são de prestação de serviços, isso deflui do encadeamento fático coletado peia fiscalização e da própria presunção. Receitas que compõem o faturamento em sentido próprio ou estrito, sujeitas à incidência de PIS e de COFINS. DESCONTO DE RECOLHIMENTO SOB O REGIME DO SIMPLES O caso é de mero abatimento do valor pago sob o Simples do valor das autuações, e que não se confunde com compensação. O abatimento é de rigor, MULTA QUALIFICADA Diante de simulação absoluta, em geral, a presença do dolo específico é de menor dificuldade de detecção. No caso vertente, resulta da simulação absoluta e das circunstâncias que a rodeiam, o concurso de dolo específico na conduta perpetrada pela contribuinte, a justificar a aplicação da multa qualificada.. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — LAVANDERIA ÁGUA PURA Nada impede que o mesmo espaço seja utilizado por mais de uma pessoa jurídica para desenvolver a mesma atividade. Basta que haja devido controle das atividades praticadas por uma e outra, sob pena de confusão de atividades que desemboca na confusão patrimonial. É o que se dá no caso vertente. Presença de interesse comum entre a contribuinte e a Lavanderia Água Pura Ltda. (que possui os mesmos sócios), na situação que constitui fato gerador dos tributos. Responsabilização solidária imposta que não merece reparos, INCONSTITUCIONALIDADE — MAJORAÇÃO DE ALiQUOTA Sobre a alegação de inconstitucionalidade da majoração da aliquota de CSLL, a questão é objeto da Súmula CARF ri' 2, segundo a qual falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para deduzir os valores pagos sob o regime do Simples, nos termos do relatório e voto que p,ssam a 'ntegra o presente julgado, - ALOYSIO .1(1 PE Ç ILVA - Presidente 1 MrOS TAKATA — Relator EDITADO EM: o 5 G nj 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Mário Sérgio Gomes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hugo Correia Sotero„ 3 Processo o" 11516 002599/2005-45 SI-C1T.3 Acordão n." 1103-00.188 El 4 Relatório A recorrente foi excluída de oficio do Simples federal e contra ela foram lavrados os autos de infração constantes no demonstrativo a seguir: VALOR JUROS (ATÉ . 30/11/2005) MULTA 75% . OU.150 %) :TOTAL A. 1. : IRPJ 193.001,94 159.253,76 279.924,46 632.180,16 EME= 15.452,99 1111~1~ 23.179,43 51.557,66 CSLL 26.844,01 22.128,54 39.193,93 allefflerie CORNS 71.322,00 59.655,78 106.982,93 alleenne ..TOTAIS • •••• 306620-,94 253-.96332 A49.280,75 :1.009.865,01 DA EXCLUSÃO DE OFICIO DO SIMPLES Em decorrência da representação fiscal da Seção de Orientação e Análise 'Tributária (Saort) da DRF em Florianópolis/SC, foi determinada pela autoridade administrativa a verificação da regularidade fiscal da recorrente junto ao Simples nos anos-calendário de 2000 e 2001, mediante o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF-F n 2 09.2,01.00-2004-00651-7 (fls. 5 e 102). Durante o procedimento fiscal ficou constatada a interposição de pessoas ("laranjas"), além da prática de omissão de receitas, o que levou à apresentação de Proposta de Exclusão do Simples (fls. 1 a 4), o qual resumidamente descreve: a) A recorrente é uma empresa que executa o beneficiamento, na forma de tinturaria, de roupas e tecidos, Iniciou as suas atividades em 1".09,1986, com sede na cidade de São Ludgero/SC, Entregou declarações de IRPJ fazendo a opção pela tributação no regime do SIMPLES para os anos-calendário 2000 e 2001; b) Foi selecionada para fiscalização provocada por representação fiscal oriunda da Saort (processo13964.000233/2002-36), no qual a recorrente solicita a Reinclusão no RUIS; c) Foi constatada nas alterações de contrato social (fls. 8 a 11), datadas de 1 0/02/2000 e 3/03/2000, a inclusão de Adair José Alievi e Hélio Santos de Souza Filho, respectivamente, como novos sócios da recorrente em substituição a Ademir Speck e Valmir Casagrande; d) Na tentativa de proceder à entrega do Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Inicio de Ação Fiscal, em 20/12/2004, não fáram localizados os "sócios" da recorrente e se constatou que no mesmo local funcionava outra empresa com atividade idêntica tendo como razão social "Lavanderia Água Pura Ltda.", cujos sócios são os antigos sócios da Lavanderia Casagrande Ltda, os srs, Ademir Speck e Valmir Casagrande, como informado pelo sr..Jaime Soethe, contador da empresa visitada; e) Conforme Termo de Declaração (ff 30), o ar. Jaime Soethe declarou que: foi contador da recorrente; não conhece Adair José Alievi e Hélio Santos de Souza Filho; os funcionários da Lavanderia Casagrande Ltda. foram demitidos e readmitidos na Lavanderia Água Pura; os sócios da "Água Pura" assumiram o ônus com as demissões, demais gastos trabalhistas e impostos estaduais (ICMS).. 1 Processo n" 11516 002599/2005-45 S1-C1T3 Acórdão n 1103-K188 Fl 5 Lz. 0 Como se verifica pelos Termos de Declaração (fls. 31 e 32), Adair José Alievi e Hélio Santos de Souza Filho foram empregados como interpostas pessoas ("laranjas") na composição societária da recorrente; g) Em 30/06/2005, foi comunicada aos verdadeiros sócios da recorrente, Ademir Speck e Valmir Casagrande, a realização de procedimentos fiscais que comprovam a utilização de interpostas pessoas, conforme Mandado de Procedimento Fiscal (11, 5), Termo de Início de Ação Fiscal (lis. 6 e 7) e Termo de Constatação Fiscal n" 1 (fls. 33 e 34); h) Os verdadeiros sócios suprarelacionados apresentaram os documentos solicitados pela fiscalização, inclusive extratos bancários, bem como tomaram ciência do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n 2 02 (fls. 35 a 41), lavrado em 2/09/2005, e apresentaram requerimento em 12/09/2005 (fls. 42 e 4.3) na qualidade de responsáveis pela recorrente; i) Os extratos bancários apresentados pela recorrente indicam Omissão de Receitas, conforme cientificados pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal tr 2. 02, apontando diferenças entre os valores declarados (R$ 124..658,42, para o ano calendário de 2000, e R$ 8,375,55, para o ano-calendário de 2001) e os valores creditados nas contas correntes (R$ L513.791,55, para o ano-calendário de 2000, e R$ L354.106,74, para o ano- calendário de 2001), j) Ante o exposto, a Autoridade Fiscal concluiu que essas relevantes diferenças, não ilididas pela recorrente, demonstram o evidente intuito de fraudar o fisco, restando também comprovado que ela utilizou interpostas pessoas na sua composição societária nos anos de 2000 e 2001, bem como incidiu na prática reiterada de infrações à legislação tributária. Ante a Proposta de Exclusão do Simples, foi lavrado o Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS n" 52, de 29 de setembro de 2005 (li, 50), o qual exclui a recorrente do Simples, com efeito a partir der- de janeiro de 2000. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada com sua exclusão do Simples, a recorrente interpôs, tempestivamente manifestação de inconformidade (fls. 62 a 66), na qual sinteticamente alega que: a) O termo "constituição" refere-se, na lei, à formação inicial do quadro societário; em seu caso, as pessoas indigitadas como "interpostas" não participaram da constituição inicial da pessoa jurídica; apenas compraram as quotas dos sócios originais, a quem oportunamente as revenderam, em atos legais de cessão; b) A alegada infração reiterada à legislação tributária não está provada nem demonstrada nos autos do processo de exclusão de oficio, pois ali não se encontram quaisquer notificações ou autos de infração que a provem. Para que houvesse essa prova, seria necessário que fossem juntadas nos autos do processo de exclusão cópias das notificações e dos autos das supostas infrações cometidas pela impugnante. Por outro lado, a dita omissão de receita restou ilidida através dos demonstrativos de créditos bancários justificados, apresentados pela recorrente à autoridade administrativa, conforme documentos anexados à manifestação; '., Processo o" 1516 002599/2005-45 si-C.113 Acórdào ii 0110300.188 Fl 6 c) A reiteração do fato típico "infração à legislação tributária" detectado no ano-calendário de 2000 apenas se configuraria em dezembro de 2001, data a partir da qual — se fosse o caso -, a exclusão poderia ter efeito; d) Requer, por fim, a declaração de nulidade do ato de exclusão e sua manutenção no Simples. Caso assim não o seja, que sua exclusão surta efeitos apenas a partir de dezembro de 2001. DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Em decorrência da exclusão de oficio da pessoa jurídica do Simples, foram lavrados os autos de infração do IRPJ, da CSL, do PIS e da COFINS (fls. 460 a 502), conforme já informado no início deste relatório, pela seguinte infração à legislação tributária: a) Omissão de receitas da prestação de serviços gerais, apurada por meio de arbitramento, "tendo em vista que o contribuinte, excluído do Simples através do Ato Declaratório DREB/FNS n" 52 de 29,091005 e intimado a proceder a escrituração fiscal e contábil com base no Lucro Real, não o fez e autorizou a tributação do IRPJ pelo Lucro Arbitrado, conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal." (fl. 461); Do Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal (fls.. 447 a 459), colhem-se as seguintes informações, além daquelas já descritas na Proposta de Exclusão do Simples: a) Em decorrência do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n" 02, a recorrente apresentou cópias das 5" e 6 alterações contratuais, registradas na JUCESC em 6/10/2005 e 7/10/2005, respectivamente, em que Valmir Casagrande e Ademir Speck são restabelecidos como sócios de direito da empresa ara autuada, (fis. 112 e 117 a 122); b) Em 9/08/2005, a recorrente apresentou os documentos solicitados, inclusive extratos bancários do ano-calendário 2001, que comprovam movimentação em todos os meses do ano, contrariando a informação de encerramento de atividades (embora tenha apresentado baixa registrada junto à Secretaria de Estado da Fazenda/SC, em 7/02/2001); c) A autoridade fiscal procedeu ao levantamento de valores creditados em contas correntes da recorrente entre janeiro/2000 e dezembro/2001, conforme planilhas às fis. 79 e 92, que, comparados com as receitas declaradas pela recorrente, comprovam a omissão de receitas nos anos-calendário de 2000 e 2001; d) A recorrente foi intimada, conforme Termo de fis„ 109 e 110, a proceder' à escrituração contábil dos livros Diário, Razão e Lalur, para que se tornasse possível a apuração do Lucro Real entre 1".01.2000 e 31,12,2001, haja vista a sua exclusão do Simples; e) Considerando a incapacidade e a negativa da recorrente em proceder à escrituração contábil dos anos-calendário 2000 e 2001, manifestados no documento de fl. 112, não restou alternativa a não ser arbitrar o lucro nos termos dos art. 530, I, c/c o art. 532, do RIR/99, com fundamento em dois tópicos: pela receita declarada e conhecida; pela receita omitida, nos termos do art.. 287 e §§, do R1RJ99, o resultado apurado pelo somatório dos depósitos e créditos em contas correntes da fiscalizada e por todas as exclusões posteriormente apresentadas pela recorrente (fis, 123 e 124); Processo n' 11516.002599/2005-45 S1-CIT3 /ken! dão n " 1103-00-188 F1 7 O Por se tratar de pessoa que, comprovadamente, omitiu receitas tributáveis e se utilizou de interpostas pessoas no evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71 e 72, da Lei 4.502, de .30 de novembro de 1964, a multa sobre os créditos tributários não declarados objeto desta fiscalização será qualificada conforme impõe o art. 44, II, da Lei 9,430/96, à alíquota de 150% (cento e cinquenta por cento); g) Depreende-se pelo histórico dos fatos que as alterações cadastrais realizadas de forma fraudulenta tinham por objetivo eximir os verdadeiros responsáveis da prática de ilícitos tributários. A transferência de titularidade das quotas da fiscalizada, dos sócios Valmir Casagrande e Ademir Speek para os "laranjas" Adair José Alievi e Helio Santos de Souza Filho, bem como a manutenção da mesma atividade no mesmo endereço e com o mesmo quadro societário, apenas sob a guarida de nova razão social — "LAVANDERIA ÁGUA PURA LIDA," (vide Contrato Social às fls. 55 a 68), comprovam a tentativa de iludir a administração tributária, Tanto assim restou evidenciado que os envolvidos procederam à retificação da composição societária da fiscalizada; h) Nos autos há o reconhecimento, pelos verdadeiros sócios, srs. Ademir e Valmir, da responsabilidade dos atos praticados pela empresa fiscalizada, não se havendo negado a atender às intimações fiscais e a fornecer os elementos solicitados no procedimento fiscal (extratos bancários); i) No entanto, constata-se que o exercício das atividades operacionais da fiscalizada continuou, sem interrupção, sob uma outra razão social, a empresa "LAVANDERIA ÁGUA PURA. LTDA." Reprise-se, por relevante, no mesmo local, sob a mesma gerência, com os mesmos funcionários. Supõe-se que toda simulação jurídica praticada (art. 167, § 1', I e II, do Código Civil/2002) foi com o objetivo da fiscalizada se evadir de pagar o débito tributário que estava "confessado" no REFIS; j) Nestas condições, torna-se evidente que esta última razão social, "LAVANDERIA ÁGUA PURA LTDA." é solidária na responsabilidade fiscal pelos ilícitos tributários ora imputados à "LAVANDERIA CASAGRANDE LTDA.", conforme previsto no art. 124, I, c/c os arts, 129 e 132, da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com os lançamentos de IRPJ e os decorrentes relativos ao PIS, à COFINS e à CSL, a recorrente desafiou impugnação (fls. 514 a 531). Em arguição preliminar, sustenta a recorrente a ilegalidade e decorrente invalidade dos autos de infração, por terem sido emitidos com violação dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da publicidade, em razão de: a) Estar ainda incluída no Simples, em razão da interposição de manifestação de inconformidade contra sua exclusão — com efeito suspensivo e ainda não apreciada - o que invalidaria os lançamentos a título de IRPT, PIS, COFINS e CSL; b) Quanto aos lançamentos das contribuições sociais, o procedimento fiscal ter ocorrido com relação ao IRPJ e em nenhum momento ter sido cientificada de qualquer fiscalização sobre as contribuições a PIS, COFINS e CSL„ 7 Processo n" 11516 002599/2005-45 si-Cl 13 Acórdão n 1103-00.188 1:1 8 Quanto às alegações de mérito, argumenta em relação a cada um dos autos de infração. Inicialmente, todas as referentes ao IRP.1 e, em seguida, apenas no que tiverem de próprio, as referentes às contribuições sociais exigidas: IMPUGNAÇÃO RELATIVA AO IRPJ a) "Do Auto de Infração para lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica" (fis, 516/517): O primeiro argumento de mérito repete a preliminar de nulidade por considerar-se a impugnante ainda incluída no Simples, fato que, uma vez reconhecido, inviabilizaria o arbitramento da base de cálculo do IRPJ, feito em razão de a impugnante não ter apresentado aos agentes do fisco sua escrituração fiscal e contábil com base no lucro real; b) "Da decadência do direito de lançar" (fi. 517): A recorrente foi notificada do lançamento em 1"/12/2005, Assim, os fatos geradores ocorridos antes de 2/12/2000 foram alcançados pelo fenômeno da decadência, o que retira do fisco o direito de constituir o crédito tributário referente a esses períodos; c) "Da impossibilidade de aplicar-se o lucro real arbitrado" (fls. 517/518): com fulcro na assunção de ainda ser optante do Simples, afirma que, em vez do lucro arbitrado, sua tributação deveria ter sido feita com base no lucro presumido; d) "Da atividade empresarial da contribuinte e do equívoco na base de cálculo pelo lucro real arbitrado" (fL 518): afirma que sua atividade não é "prestação de serviços" mas "industrialização por encomenda", o que a tornou contribuinte do ICMS (art. 27, § 1 2 do Anexo 2 do RICMS/SC, Decreto 2870, de 2001, inscrição estadual 251,471..306, baixada cont1 certidão à fl. 43)„ Assim sendo, o coeficiente aplicável à sua atividade, na apuração do lucro presumido, é de oito por cento e não de 32 %, "conforme regra do art.. 518 do RIR/99.." Outrossim, com esse coeficiente não haveria lançamento do imposto adicional, e) "Do bis in idem" (fis, 518/519): "Observa-se no auto de infração do IRPJ, que a recorrente foi notificada para lançamento dos valores declarados pelo SIMPLES e dos valores da alegada omissão de receita. Contudo, o Fisco, ao lançar o IRPI sobre os valores declarados pela contribuinte no SIMPLES, não considerou o pagamento já realizado neste regime de tributação, pois, conforme dito alhures, a opção pelo SIMPLES, inclui o pagamento do IRR1 e as contribuições, conforme veicula o art, 3 2, § 1 2 da Lei n2 9,317/96." f) "Do excesso da multa" (fl& 519/520): A autoridade fiscal, sob a alegação de tentativa de fraude da contribuinte, por suposta utilização de interpostas pessoas e omissão de receitas, aplicou multa qualificada com a aliquota de 150 %, nos termos do art. 44, II, da Lei 9.430/96, Todavia, é de destacar que não há qualquer evidência nos autos de prática dolosa da contribuinte com intuito de fraudar o fisco. Há apenas suposição de tentativa de fraude; IMPUGNAÇÃO RELATIVA AO PIS E À COHNS (lis 520 a 523) g) "Da inconstitucionalidade do enquadramento legal que define a base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social." (f1„522): O presente auto de infração tem como enquadramento legal o art. 3 0 da Lei 9,718/98. Contudo, o § 1" do art. 3" dessa lei foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conforme documento anexado à impugnação. Desta forma, a base de cálculo utilizada no auto de infração 8 Processo n" I 1516 002599/200545 S1-C113 Acórdão n." 1103-00.188 Fi . 9 é inconstitucional, tendo em vista ainda que a contribuinte tem como atividade não a prestação de serviços, mas a de industrialização por encomenda. Destarte, também neste tópico observa- se a invalidade do auto de infração, por considerar a atividade da contribuinte como prestadora de serviços e por utilizar-se de preceito legal declarado inconstitucional pelo STF; IMPUGNAÇÃO RELATIVA À CSL (fis. 525 a 528) h) "Da ilegalidade na cobrança do adicional de contribuição": A autoridade fiscal no auto de infração fez incidir contra a recorrente o adicional de contribuição do art, 6" da Medida Provisória (MP) L858/1999. Primeiramente, tem-se a destacar que o adicional veiculado por MP é ilegal e inconstitucional, sendo que a instituição e majoração dos tributos devem ser obrigatoriamente veiculadas por lei, conforme regra constitucional do art. 150, 1, da CF. Depois, porque é indevida a cobrança do adicional da CSL, no caso em tela, pois a recorrente é optante pelo Simples, e de acordo com o art. 3" da Lei 9.317/96, esta contribuição está incluída naquele regime de tributação. Ressalta-se também, nos termos do próprio art. 6" da MP 1.858/99 em seu parágrafo único, que é aplicável o adicional apenas nas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, o que não é o caso presente, tendo em vista que a recorrente é tributada pelo Simples; i) "Da Alegação de Interpostas Pessoas no Quadro Societário da Contribuinte" (tis. 528/529), Além dos argumentos já anteriormente descritos neste relatório, a recorrente nega a interposição, bem como a contratação dos seus empregados dispensados, pela "sucessora" Lavanderia Água Pura Ltda,, pois só há nos autos comprovação relativa a apenas uma funcionária. Quanto a operar no mesmo endereço, argumenta ser comum a localização de mais de um estabelecimento no mesmo endereço, com diferença apenas de sala; j) "Da Alegação da Sujeição Passiva Solidária" (tis, 529 e 530): neste item a recorrente rejeita a solidariedade na sujeição passiva com a "sucessora" Lavanderia Água Pura Ltda. por falta de qualquer comprovação por parte da fiscalização. Além de negar novamente a interposição de pessoas, afirma não ter sido provado que exerce a mesma atividade da alegada "sucessora", nem que funcionem no mesmo local, e destaca que a "sucessora" na verdade está ativa desde sua constituição em 31/8/1998, conforme seu Contrato Social (tis, 156 a 160). Sobre a alegação fiscal de que o objetivo da simulação jurídica praticada seria de evadir-se do pagamento do débito tributário confessado no Refis, informa que, conforme consulta eletrônica que anexa (processo n 2 1098.3.450889/2001-07), continua beneficiada por essa moratória, sem que tenha havido decisão administrativa de excluí-la; k) Por fim, requer a recorrente, alternativa e sucessivamente: o acolhimento das arguições preliminares; a declaração de improcedência dos autos de infração, pelas razões colocadas; a substituição do arbitramento pelo lucro presumido e reconhecimento de sua atividade como de "industrialização por encomenda", aplicando-se o coeficiente de 8% para determinação da base de cálculo destes tributos, excluindo-se em quaisquer das hipóteses, o adicional de imposto e de contribuição e se reduzindo o percentual da multa de 150% para 75%, para assim, reduzirem-se os valores dos autos de infração; o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1 2 do art. 3' da Lei 9,718/98, referente à base de cálculo do PIS e da COFINS, para se reconhecer a invalidade dos autos de infração a eles referentes; que sejam rejeitadas as alegações do fisco de interposição de pessoas estranhas no quadro social da recorrente, bem corno a rejeição da alegação de sujeição passiva solidária da Lavanderia Água Pura Ltda.; a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a pericial, juntada de novos documentos e depoimento testemunhal. 9 Processo n" 11516.002599/2005-45 S l -C 1.1"3 Acordão n." 1103-00.188 Fl 10 DA DECISÃO DA .DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 611012006, acordaram os membros da 3" Turma de Julgamento da DRJ/Florianópolis, por unanimidade de votos, julgar procedentes a exclusão da recorrente do Simples, nos termos do ADE DRES 52, de 29/09/2005, da DRE em Florianópolis/SC, bem corno os lançamentos de IRPJ e decorrentes relativos ao PIS, à COFINS e à CSL, acrescidos de multa de oficio de 75 "A e de 150 %, conforme especificado nos correspondentes autos de infração, e dos juros de mora, calculados à época do pagamento, com base na taxa Selic, sob a fundamentação abaixo sintetizada: a) Quanto à exclusão do Simples, a reiteração da infração à legislação tributária foi devidamente comprovada pela autoridade fiscal, a qual motivou, juntamente com a interposição de pessoas, a exclusão de oficio do Simples e, em decorrência, a constituição do crédito tributário da Fazenda Pública por meio dos autos de infração que também são objeto de apreciação, em razão da unificação dos dois processos; b) Dessa forma, votou-se pelo indeferimento da solicitação de permanência e julgada procedente sua exclusão de oficio do Simples, com efeitos a partir de 1"/01/2000, nos termos do ADE DREB/ENS n° 52, de 29/09/2005; c) Quanto à arguição preliminar da recorrente dos autos de infração, a primeira preliminar baseia-se na assunção de que os processos de exclusão e de lançamento seriam julgados em separado, e argúi a nulidade dos autos de infração, por não terem sido precedidos cio julgamento da manifestação de inconformidade contra sua exclusão do Simples. Tendo em vista a unificação dos processos e a prévia apreciação da manifestação de inconformidade, tal preliminar deixa de ter sua razão; d) Em segunda preliminar, alega a recorrente não ter sido previamente cientificada de que o procedimento fiscal abrangeria, além do IRPJ, o PIS, a COFINS e a CSL Tal preliminar resta prejudicada tendo em vista o art, 9" da Portaria 4,328/2005, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela RFB; e) Quanto ao mérito, especificamente ao IRPJ, inicia a recorrente alegando a decadência do direito de lançamento por parte da autoridade fiscal.. Este argumento não deve prevalecer', pois a parte final do § 4° do art, 150, do CTN afasta a aplicação deste artigo, caso reste comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; f) Sobre a impossibilidade de a autoridade fiscal aplicar o lucro arbitrado, essa argumentação não deve prevalecer, pois a recorrente perdeu sua condição de optante pelo Simples em razão de sua própria conduta em violação da legislação tributária que deveria ter observado, Assim, perdeu o direito à dispensa de escrituração contábil e fiscal; g) Quanto à atividade empresarial da recorrente e do equivoco na base de cálculo pelo lucro real arbitrado, embora a argumentação da recorrente se volte para a redução do coeficiente utilizado para arbitramento da base de cálculo do IRRT, sob a alegação de que se trata de serviços prestados em processo de industrialização, não testa dúvida de que se trata, efetivamente, da prestação de serviços e, destarte, correto o coeficiente utilizado; to Processo n" 1516 002599/2005-45 SI-C1T3 Acórdão n," 1103-00.188 Fl II h) Quanto ao bis in idem, urna vez desenquadrada do Simples, a recorrente foi submetida à tributação ordinária pelo regime do lucro arbitrado e ora em sede de impugnação, reclama de ser cobrada duas vezes pelo mesmo tributo o que, a seu ver, significa, em última análise, a nulidade do auto de infração. Como se trata de recolhimentos indevidos, em face da exclusão de oficio retroativa do Simples, caberá à impugnante solicitar sua restituição/compensação à Delegacia da Receita Federal jurisdicionante; i) É cabível a multa qualificada, no percentual de 150%, pois ficou comprovada a ocorrência de fraude; j) Sobre os lançamentos de COFINS, PIS e CSL, neste processo são reflexos das mesmas irregularidades apuradas no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ. Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao auto de infração do IRPJ prevalece em relação aos decorrentes, em vista da íntima relação de causa e efeito; k) É procedente a solidariedade tributária entre as duas sociedades empresárias (Lavanderia Casagrande e Lavanderia Agua Pura), tendo em vista os argumentos já exarados referentes à interposição de pessoas e com o fato de o estabelecimento, por suas características de imóvel de esquina, ter acesso direto a duas vias públicas e, em decorrência, a possibilidade de, mesmo irregularmente, receber duas numerações viárias; 1) Quanto à solicitação de prova pericial, dada a documentação trazida nos autos, considerou-se suficiente as provas acostadas, e sobre elas não pairam quaisquer dúvidas, nem foram desqualificadas pela impugnante, restando pelo seu indeferimento. Devidamente cientificada, inconformada com a decisão do r. acórdão, a recorrente, em 21/11/2006 apresentou recurso voluntário, no qual basicamente reitera as alegações apresentadas em suas manifestação de inconformidade e impugnação, adicionalmente argumentando que: a) Preliminarmente, alega nulidade do acórdão pela não apreciação de todos os argumentos de defesa, restando configurado assim cerceamento de defesa. A recorrente aduz que não fora analisado o pedido de prova testemunhal e que o indeferimento da produção de prova pericial demonstra claramente o cerceamento de defesa. É o relatório. 1l - Processo n" 11516 002599/2005-45 S Acórdão n. o 1103-00A88 H 12 Voto Conselheiro MARCOS TAKATA, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Principio com a apreciação da irresignação da recorrente quanto à exclusão de oficio do regime do Simples federal Precipito a análise das preliminares de nulidade relacionadas ao tema, A recorrente articula a nulidade do decisório a giro, sob o argumento de que no acórdão não foram apreciadas as alegações de que a omissão de receitas furam através demonstrativos de crédito bancário justificados, apresentados pela recorrente. Também, que o argumento utilizado para afastar a prova pericial é vazio e furtivo, bem como não resultou analisado o pedido de produção de prova testemunhal. De início, observo que não se divisa a falta de apreciação quanto à omissão de receitas aiegadamente ilididas.. O arguido pela recorrente fui simplesmente que na fase inquisitória — em que se dá a chamada instrução primária que desemboca no ato de lançamento — haviam sido apresentados demonstrativos de créditos bancários que afastavam a caracterização de presunção de omissão de receitas. Não coligiu novos elementos a combater a presunção de omissão de receitas. Ora, isso foi espancado pelo acórdão a quo, ao se dizer que a desconformidade entre as declarações anuais do Simples e a efetiva e provada movimentação financeira da empresa ficara claramente estabelecida, sendo que nos meses de fevereiro a agosto, e outubro a dezembro, de 2001 nada fora declarado. Lacônico foi o pronunciamento, mas houve. O laconismo se deve à ausência de carreamento de contraprova aos autos com a peça impugnatória. E, corno já havia sido descrito no Termo de Constatação Fiscal, os valores furam acatados pela fiscalização os valores do demonstrativo apresentados pela recorrente, vale dizer, foram expurgados do valor de omissão de receitas. Rejeito, pois, essa preliminar de nulidade. Igualmente rejeito as preliminares referentes à prova pericial e à prova testemunhal. A diverso senso do que diz a recorrente, vazio foi seu pedido de prova pericial na manifestação de inconformidade ao ato de exclusão do Simples. Ao pedido de perícia é imanente a formulação dos quesitos relativos aos exames desejados, como soa o art 16, IV, do Decreto 70.235/72 (PM), Os quesitos furam formulados na apresentação da impugnação aos autos de infração de IRPJ, CSL, PIS e COHNS e a estes se referem (11 532). 61/ 12 Processo n" 1516002599/2005-45 SI-C1T3 Acórdão n." 1103-00..188 El 1.3 á Ademais, a perícia não constitui direito subjetivo da parte, competindo ao órgão julgador deferi-la ou mesmo determiná-la de ofício (caso em que se nomina por diligência), se entender necessária — art. 18, capta, do PAF. E o órgão julgador não a reputou necessária — sem prejuízo de o pedido de perícia ser inepto. Quanto ao pedido de produção de prova testemunhal, é de se ver que ele sequer consta da peça impugnatória ao ato de exclusão do Simples (Es. 62 a 66). Simplesmente há um pedido genérico, sem especifidade (sobre a identificação precisa do propósito, sem nomeação), na parte final da peça impugnatória aos autos de infração de IRP.I, CSL, PIS e COFINS, após a expressão de praxe "requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidas". Ainda que se admita sua fungibilidade quanto ao ato de exclusão do Simples, não entrevejo omissão a causar nulidade do acórdão a quo, o fato de tal pedido não ter sido expressamente rejeitado, diante do generalismo de tal pedido.. Prossigo com o exame de mérito. Os arts. 13 e 14, da Lei 9.317/96 relacionam as hipóteses excludentes do Simples. E o art. 15 dessa lei regula o termo inicial da produção de efeitos da exclusão do Simples. O art. 14 da Lei 9..317/96 tem a seguinte dicção: Art. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa Jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses... I - exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e ,s ç .2" do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; II - embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não . fornecimento de infbrmações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n" 5,172, de 25 de outubro de 1966 (Ststema Tributário Nacional); Iii - resistência à .fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio .fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades da pessoa .jurídica ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade, IV - constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; V - prática reiterada de infração à legislação tributária,. VI - comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, VII - incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva, ')ki 13 Processo u" 1 5 16 002599/2005-45 SI-C1 I3 Acórdão n " 1103-011188 F I 14 No que interessa ao caso vertente, o art. 15 dessa lei dispõe: Art., lí A exclusão do SIMPLES nas condições de que n-atam os arts. 13 e 14 surtirá efeito.. ( V - a pai/li, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior (•• O que se coloca aqui é se o art. 14, IV, da Lei 9.317/96 compreende somente o nascimento da pessoa jurídica ou se alcança também outros momentos da vida da pessoa jurídica. O art. 14 em causa não traz outras hipóteses quanto à pessoa jurídica em si, como causa excludente de oficio do Simples. Diante desse texto e contexto, a interpretação finalística e sistemática do preceito legal em comentário me conduzem à exegese de que a hipótese consagrada nessa norma legal compreende não só o nascimento da pessoa jurídica como as demais etapas da vida da pessoa jurídica, Esclareço. Se houvesse outros dispositivos que versassem sobre a pessoa jurídica em si, como capitulação de causa excludente de oficio do Simples, a conclusão poderia ser outra, pois, em tal circunstância, ganharia força a intelecção de que, na minudálcia propositada pelo legislador, e, assim, pela lei, caso se pretendesse alcançar etapas diversas ao nascimento da pessoa jurídica, a lei assim o teria expressamente .feito. Não é o que sucede, no caso. Nesse diapasão, ou seja, sistematicamente, vejo como possível a inteligência de que por constituição da pessoa jurídica se comunica não só o momento do nascimento, mas o ser em si durante toda sua vida, o que atinge as diversas etapas ou momentos de sua existência, E, nessa linha de raciocínio, e no contexto legislativo posto, a exegese de que o art, 14, IV, da Lei 9,317/96 (in)forma somente o nascimento da pessoa jurídica seria desprivilegiar e defraudar a finalidade da norma legal. Por tais razões, meu entendimento é o de que não se tem como afastada a aplicação do preceito legal em questão, de plano, ou abstratamente; significa dizer, ele pode ser aplicável ao suporte fático em jogo. Ultrapassada essa primeira etapa, a questão que se põe é se houve ou não interposição de pessoas como sócios da recorrente. Ou, tecnicamente, a questão que se coloca é se houve ou não simulação absoluta.. Simulação absoluta, e não relativa, pois se cuida de examinar se a sucessão a título singular dos sócios da recorrente ocorreu ou não: em caso negativo, não houve nenhum negócio jurídico. Não se trata, portanto, de se verificar se há um negócio oculto, dissimulado, que é o negócio válido, por trás do negócio simulado, que conforma a simulação relativa, Processo o 11516.002599/200545 Sl-CIT3 Acórdão o." 1103-00.188 Fl 15 Como se constata dos autos (fls.. .35 e 17.3), no endereço da recorrente figura também a Lavanderia Água Pura Ltda. A funcionária Elisiani Ferreira, da Lavanderia Água Pura Ltda, declarou não conhecer os sócios e responsáveis da recorrente — no caso, os srs, Aldair José Alivei e Hélio Santos de Souza Filho, sucessores a título singular, por cessão de quotas, dos sócios srs, Valmir Casagrande e Ademir Speck (fis. 35, 36, 72 e 73). Em diligência feita ao escritório do contador da recorrente, que também é contador da Lavanderia Agua Pura Ltda„ foi constatado que a sra. Elisiani Ferreira, assim como outros funcionários da Lavanderia Água Pura Ltda„ era anteriormente registrada como funcionária da recorrente (fis. 174), O referido contador, si'. Jaime Soethe, declarou, mediante Termo de Declaração (ff. 126), que: - fora contador da recorrente, desde sua constituição, em 26/08/1986 até a baixa de sua inscrição junto à Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina; - não conhece os sócios da recorrente, Aldair José Alievi e Hélio Santos de Souza Filho; - não é responsável pelo pedido de reinclusão no Refis da recorrente; - os antigos sócios da recorrente, Valmir Casagrande e Ademir Speck, tinham procuração para proceder à demissão dos funcionários da recorrente e de admiti-los na Lavanderia Agua Pura Ltda, Que o ânus com as demissões, bem como outros gastos trabalhistas, não seria de responsabilidade dos novos sócios da recorrente; - que os débitos com impostos estaduais (ICMS) também não seriam de responsabilidade dos novos sócios da Lavanderia Casagrande Ltda. Ainda, conforme é estampado nos autos, em 20/1.2/04 foi localizado o suposto sócio sr, Hélio Santos de Souza Filho, em Criciúma/SC, que declarou, mediante Termo de Declaração (fls. 145 a 147): - não conhecer, nem saber da existência da recorrente; - que a assinatura constante na alteração contratual não é sua; - não conhecer os srs, Adair José Alievi nem Valmir Casagrande; - jamais participara de aquisição semelhante em São Ludgero, ou em outra cidade; - detecta erros grosseiros na assinatura falsa, apresentando a carteira de identidade atual; - que trabalhos nos últimos 8 anos nas empresas Rafael Gomes Vannerlati (5 anos) e Michele Cardoso Daniel. Noutra data (30/06/05), também em Criciúma/SC, foi localizado o suposto sócio sr. Adair José Alievi, o qual declarou, mediante Termo de Declaração (fis, 148 a 151): - que não conhecia os srs, Ademir Speck e Valmir Casagrande, e tampouco a localização da recorrente nem o município de São Ludgero; Processo n" 1 1516 002599/2005-45 Acórdão 1103-00A 88 El / 6 - que atualmente trabalha na Lavanderia Criativa em Maracajá; - que as assinaturas constantes na alteração contratual não eram suas, apresentando os documentos (RO) para comprovar. Nota-se que os elementos coletados nos autos indicam fortemente a consecução de simulação absoluta dos negócios jurídicos de cessão de quotas da recorrente, pelos srs.. Ademir Speck e Valmir Casagrande aos srs. Hélio Santos de Souza Filho e Adair José Alievi, Mas, havia a chamada causa simitlandi, para que se fizessem os supostos negócios jurídicos simulados? Nesse passo, importa retomar o quadro que desencadeou o procedimento fiscal. A recorrente havia sido excluída do Refis por falta de pagamento. Ao tentar manter sua permanência no Refis, sob a alegação de que paralisara temporariamente suas atividades, não havendo propriamente inadimplência, a fiscalização detecta uma movimentação bancária da recorrente supostamente incompatível com as receitas por ela declaradas nas Declarações Anuais Simplificadas, relativas aos anos-calendário de 2000 e 2001, Operou-se então a representação fiscal (fls. 108 e 109), que precipitou o procedimento fiscal do qual resultaram a proposta de exclusão do Simples e os autos de infração de IRPJ, CSL, PIS e COFINS. Por outro lado, havia sido criada outra pessoa jurídica, a Lavanderia Água Pura Ltda., que tem como sócios os srs, Ademir Speck e Valmir Casagrande, no mesmo local da recorrente. Havia, sim, portanto, causa simulandi a justificar a perpetração de negócios jurídicos absolutamente (e não relativamente) simulados. Os "antigos" sócios da recorrente passam a figurar como sócios da Lavanderia Água Pura Ltda. e, supostamente, deixam de ser sócios da recorrente, passando a constar como tais outros. A presença de uma causa simulou& associada aos dados representados nos autos são elementos sobremaneira fortes a descortinar as simulações absolutas (pessoa jurídica em que os sócios declarados não são os efetivos, por simulação de cessão de quotas sociais; sócios interpostas pessoas ou chamados "laranjas"). Ainda, a feitura da reversão das alterações do quadro societário da recorrente perante a Jucesc (fls.. 73 a 78, 218 a 223), mediante o Termo de Intimação n°2 (fls. 40 e 178) e seu pronto atendimento pelos "antigos" sócios, sem opor qualquer questionamento ou protesto, é elemento que pronuncia categoricamente fortes indicações das simulações absolutas em discussão. Alega a recorrente que tanto foi efetiva a sucessão dos sócios que, para a reversão do quadro societário da recorrente, foi necessário o consentimento dos sócios reputados fictícios. Ora, o que se deu foi o contrário. Vê-se que as assinaturas nos instrumentos para reversão são iguais às constantes nos instrumentos de cessão das quotas. As assinaturas discrepam das que constam nos 'Termos de Declaração referidos dos "laranjas". Se fossem efetivas as cessões, aí, por evidente, seria necessária a audiência, ou melhor, o consentimento daquelas interpostas pessoas. 16 Processo n" 11516.002599/2005-45 S1-CIT3 Acórdào n ." 1103-00.188 Fl. 17 Evidenciada está, a meu ver, a concreção da hipótese de "constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios". Quanto à hipótese de reiteração da infração à legislação tributária, entendo que assiste razão à recorrente ao alegar que seu aperfeiçoamento só se dera em final de 2001, de modo a que só a partir de então se operem os efeitos da exclusão do Simples. Contudo, o fundamento para a exclusão não se reservou a essa hipótese. Aliás, digo, o fundamento principal foi a hipótese das interpostas pessoas que não são os verdadeiros sócios da recorrente. Sob o manto dessas considerações, nego provimento ao recurso quanto ao inconformismo à exclusão do Simples. Passo ao exame das questões controvertidas relacionadas aos autos de infração de MV, CSL, PIS e COFINS. Principio com a apreciação das preliminares de nulidade do acórdão de origem bem como dos lançamentos. A alegação de que a Portaria SRF 6,129/05, publicada em 6/12/05, é posterior à notificação da recorrente sobre o processo de exclusão do Simples e dos autos de infração, sendo de aplicação ilegalmente retroativa, não tem foros de juridicidade. Dispõe o art I', II e o art. 2', da Portaria SRF 6.129/05: Art. I" Serão objeto de um único processo administrativo. II - à exclusão do Simples, à suspensão de imunidade ou de isenção ou à não-homologação de compensação e o lançamenw de oficio de crédito tributário delas decorrentes, Art. 2", Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. I", serão juntados por anexação na unidade da SRF em que se encontrem. O art. 2' dessa portaria é nitidamente norma de caráter procedimental ou processual, formal, que visa à eficiência e à economia processuais. Por conseguinte, o preceito é plenamente aplicável aos processos em curso, sem eiva de nulidade. Dúvida não há quanto a isso, e assente é tal intelecção, tanto doutrinária quanto jurisprudencialmente. Rejeito, portanto, essa preliminar de nulidade. Quanto à arguição de que o fato de o processo de exclusão do Simples se encontrar sob exigibilidade suspensa, não havendo como prevalecerem os autos de infração de CSL, PIS e COFINS, pois a recorrente ainda permanece no Simples, com agressão ao devido processo legal, observo o seguinte. 17 Processo n" 11516 002599/2005-45 S ft3 Acórdão n " 1103-00.188 FI 18 Esse silogismo padece de sofisma. Nada há que objetar serem lavrados autos de infração de IRPI, CSL, PIS e COFINS, pelo fato de a exclusão do Simples não ter seu desfecho selado. Aliás, é consectário da própria exclusão do Simples a apuração de IRRI, CS L, PIS e COHNS, ainda que aquela não tenha tido sua solução derradeira no processo administrativo fiscal. A questão é de prejudicialidade. Se derruído o ato de exclusão do Simples, " como corolário os autos de infração de IRPI, CSL, PIS e COFINS resultarão prejudicados e igualmente fulminados, Mas nada interdita que se exarem os autos de infração em questão — o que não significa que estes irão prosperar — na pendência do processo de exclusão do Simples Não se divisa ofensa ao devido processo legal em tal procedimento. Tanto que se pode inclusive lançar tributo que se encontre com sua exigibilidade suspensa, por ex., por liminar, tutela antecipada ou sentença, para se prevenir a decadência, Afirmação contrária seria impedir o lançamento por consecução de decadência. Mais. Aqui não se cuida de exigibilidade suspensa por decisão judicial, que justificada e juridicamente, afaste a imposição de multa. O caso em dissídio é de exclusão que tem sua exigibilidade suspensa, por força do próprio processo administrativo que decorre do ato de exclusão e que não comunica impedimento à lavratura de multa de oficio. Diverso senso equivaleria a, por exemplo, impedir a exaração de multa sobre tributo lançado de oficio, por este se colocar sob exigibilidade suspensa. Outrossim, rejeito igualmente essa preliminar de nulidade, Sobre a alegação de que caberia a ciência inequívoca de fiscalização da recorrente também quanto à CSL, ao PIS e à COFINS, também rejeito a preliminar de nulidade — no caso, de nulidade do lançamento. O art. 9" da Portaria SRF 4,328/05, e, anteriormente, o art. 9" da Portaria SRF 3.007/01 1 , é clamo ao dizer: Art. 9'. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no illPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O que não se pode, segundo entendo, é a "prorrogação" do MPF se dar após o vencimento do prazo do MPF anterior, ou sua emissão após o início de procedimento fiscal relativo a certo tributo, quando o MU' anterior, fora da hipótese do art. 9" citado, ser concernente a tributo diverso,. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. I Que tem exatamente a mesma dicção do art. 9" da Portaria SM' 4 328/05 is Processo €10 1 1516.002599/2005-45 S1-C1T3 Acórdão n." 1103-00.188 Fl 19 Articula, também, a recorrente a nulidade do acórdão a quo, por não se enfrentarem os argumentos contra a exigência da COFINS. Sob este aspecto o que entrevejo é um erro material no decisório de origem. A questão supostamente não enfrentada refere-se à inconstitucionalidade do § 1' do art. 3' da Lei 9.718/98, declarada pelo Pleno do STF, em controle difuso de constitucionalidade. O art. 3 0, § I', da Lei 9.718/98 refere-se ao PIS e à COFINS. Esta questão foi apreciada pelo órgão julgador a quo, ainda que sob o título de PIS. Os argumentos deduzidos pela recorrente contra a imposição da COFINS são todos idênticos aos opostos contra a exigência do PIS. E, no final do decisório, é deduzido que, por possuírem os lançamentos de PIS, COFINS e CSL os mesmos fundamentos fáticos para o lançamento de IRPI, estende-se a decisão quanto ao IRP.I para os demais tributos pela íntima relação de causa e efeito. Entendo que o acórdão de origem não andou bem nesse passo, quanto ao exame in procedendo. Contudo, não vejo eiva que chegue a ponto de inquiná-lo de nulidade, mas de erro material, exatamente por serem todas as questões, e também os argumentos, as deduzidas contra a cobrança da COFINS e do PIS. Diverso seria se alguma das questões desafiadas quanto ao PIS e/ou à COFINS não houvesse sido enfrentada. De se lembrar também que o órgão julgador não é obrigado a debater todos os argumentos colocados pela parte — o que compete ao órgão julgador é a apreciação de todas as questões, e não todos os argumentos, controvertidos pela parte. Por essa ordem de juízo, rejeito a preliminar de nulidade em comentário. Prossigo com o exame merinm causae dos lançamentos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS. Conquanto haja uma preliminar de mérito de decadência, esta será examinada adiante, pois seu desate dependerá da manutenção ou não da multa qualificada. Houve a apuração de omissão de receitas presumida, conforme o art, 42 da Lei 9,430/96, Ou seja, aplicou-se a hipótese legal presuntiva de omissão de receitas por depósitos ou créditos bancários de origem inconiprovada. Tenho para mim que constituem requisitos legais para se manejar este poderoso instrumento legal de presunção de omissão de receitas, a prévia e regular intimação da recorrente para a referida comprovação da origem dos depósitos ou créditos bancários, bem como a análise cuidadosa e individualizada desses, com expurgo daqueles que decididamente não representam receitas, como por ex., os correspondentes a empréstimos, a transferências entre contas de mesma titularidade. Vale dizer, reputo que, na ausência desses requisitos, resulta derruída a presunção legal de omissão de receitas e, por óbvio, a própria caracterização de omissão de receitas — a menos que a fiscalização aprofunde sua investigação e demonstre (comprove) a omissão de receitas e sua quantificação. Compulsando-se os autos, percebe-se que os requisitos ou pressupostos para a aplicação da hipótese legal presuntiva se encontram preenchidos, sem vícios. Tanto assim que a fiscalização promoveu o expurgo de todos os valores apresentados nos demonstrativos da 19 Processo 0" I I 5 I 6 002599/2005-45 SI-C1 13 Acórdão " 1103-00.188 F I 20 recorrente, que denunciam estornos, cheques devolvidos e transferências entre contas de mesma titularidade. Na presunção em comentário, o nexo lógico e causal entre o fáto conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) é estabelecido pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva, e intimar o contribuinte para que ele esclareça os depósitos bancários e comprove sua origem. Daí se cuidar de presunção legal de omissão de receitas, ilidivel diante de contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova). Pois bem. Nada trouxe aos autos a recorrente, junto com a peça impugnatória e mesmo com o recurso, além do que já havia sido apresentado à fiscalização, a derruir a presunção legal de omissão de receitas em discussão, Nenhuma contraprova fez a recorrente para ilidir a presunção legal de omissão de receitas caracterizada, Nada além de retórica. Que as receitas presumidamente omitidas são consequentes à atividade empresarial da recorrente, ou mais precisamente, da prestação de serviços ou de industrialização por encomenda (o que ainda se verá), isso deflui do encadeamento -tático coletado pela fiscalização, e a isso milita a própria presunção. Ademais, sobre isso não controverteu a recorrente: não combateu tratarem-se tais receitas presumidas de atividades diversas às em questão. Tais receitas presumidamente omitidas sujeitam-se à incidência do PIS e da COFINS, mesmo sob o manto da declaração de inconstitucionalidade pelo Pleno do STF, quanto ao § I" do art, 3" da Lei 9.718198, porquanto as receitas cru questão representam ou compõem o faturamento em sentido próprio e estrito. Quer se cuide de receitas pela prestação de serviços, quer se trate de receitas pela venda de produtos industrializados por encomenda, colocam-se elas no âmbito estrito de faturamento„ Nessa ordem de considerações, nego provimento ao recurso quanto aos lançamentos de PIS e de COHNS. Como já se viu, a alegação da recorrente quanto à sua submissão ao regime do Simples já resultou derruída. Para se fazer a opção pelo lucro presumido (o que é fáculdade, e não a regra geral), é necessário que a pessoa mantenha pelo menos o Livro Caixa devidamente escriturado (e isso, para poder apurar o lucro presumido por regime de caixa, e não de competência), com suporte no art. 45, I e parágrafo único, da Lei 8,981/95 c/c o art. 13, § 2', da Lei 9.718/98 (regime de caixa). No caso vertente, a recorrente teria de ter, no mínimo, o Livro Caixa contendo a escrituração de toda a movimentação financeira. Mais, até mesmo sob o regime do Simples, há o dever de o contribuinte manter o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda sua movimentação financeira (art. 7', § 1°, "a", da Lei 9..317/96), Em resposta ao Termo de Intimação n° 3 (fl. 211), em que se requer providenciar a escrituração contábil de 1 0/01/00 a 31/12/01 da recorrente, a recorrente informa 6)7 20 Processo o' 11516.002599/2005-45 SI-C1113 Acórdão o Õ 113-00.188 Fl. 21 não ser possível proceder a tal escrituração contábil e que iria fazer a opção pela tributação com base no lucro presumido e/ou arbitrado (fl. 213). Ora, sem a escrituração devida do Livro Caixa, não há opção ao regime de lucro presumido a ser feita. Evidente que, na hipótese em dissídio, sem a escrituração contábil necessária à apuração do lucro presumido (aliás, mesmo a exigida para o Simples), o arbitramento do lucro é de rigor. Não se processou à regular opção pelo lucro presumido — por não possuir a escrituração devida do Livro Caixa — o que implica a sujeição ao regime geral, que é o lucro real trimestral. Na ausência da escrituração contábil regular, passa-se, do lucro real, à apuração do lucro arbitrado. Mesmo sob outra perspectiva a conclusão seria a mesma: procede-se à opção de apuração do lucro presumido; todavia, na ausência do Livro Caixa devidamente escriturado, concretiza-se a hipótese de arbitramento do lucro. Dessa forma, o arbitramento do lucro, enquanto regime, feito pelas autoridades fiscais não merece reparos, assim corno o arbitramento do lucro com base em receita conhecida, por ser aplicável tanto o art. 530, I, III ou VI e o art. 532, do RIR199: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art 47, e Lei n2 9.430, de 1996, ar!. I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na .forma das leis comerciais e .fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indicias de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação „financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no Processo n" 11516.002599/2005-45 Acórdão n " 1103-00..188 Fl 22 art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei ir2 9249, de 1995, art 16, e Lei n 2 9.430, de 1996, mi. 27, inciso]) Quanto ao percentual aplicável para o arbitramento do lucro a recorrente diz que sua atividade não é de prestação de serviços, mas de industrialização por encomenda, sujeita ao 1CMS. Ao tempo em que as operações foram praticadas, vigia ainda o art. 8" do Decreto-lei 406/68 e a Lei Complementar 56/87, que acomoda a lista de serviços suscetíveis à incidência de ISS (posteriormente, com o advento da Lei Complementar 116/03, os referidos preceitos legais foram revogados). Os itens 72 e 82 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar 56/87 e que se convolou em Lista de Serviços anexa ao Decreto-lei 406/68 (art. 1' da Lei Complementar 56/87) prevêem: 72 - Recondicionamento, acondicionamento, pintura, beneficiamento, lavagem, secagem, tingimento, galvanoplastia, aitodização, corte, recorte, polimento, plastificação e congêneres, de objetos não destinados à industrialização ou comercialização; 82 - Tinturaria e lavanderia. De seu turno, o art.. 80, § 1', do Decreto-lei 406/68 dispõe que os serviços incluídos na lista sujeitam-se apenas ao ISS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias2. Não sobra espaço para dúvidas que a atividade exercida pela recorrente era a de prestação de serviços, a meu ver, Não por menos, o art. 5', XI, do então Decreto 5,637/98 - RIP1/98 (e, atualmente, art, 5 0, XI, do Decreto 4.544/02), ao interpretar devidamente o art. 3 0, parágrafo único, I, da Lei 4..502/64, preceitua que a atividade em discussão não configura industrialização: Art. 5'. Não se considera industrialização; 2 Ressalte-se que, mesmo sob o manto da Lei Complementar 116/03, essa situação não foi alterada, conforme o art 1", § I" e os itens 14.05 e 14,10 da lista anexa a essa lei complementar: Art. I". ( ..) § 2". Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de 'Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. LISTA DE SERVIÇOS ANEXA À LEI COMPLEMENTAR N" 116, DE 31 DE JULHO DE 2003, 14.05 - Restauração, recondicionamento, acondicionamento, pintura, beneficiamento, lavagem, secagem, tingimento, galvanoplastia, anodização, corte, recorte, polimento, plastificação e congêneres, de objetos quaisquer. 14.10 - Tinturaria e lavanderia Processo n° 11516002599/2005-45 S1-C113 Acórdão n" 1103-00,188 F1 23 VIII - a operação efetuada . fora do estabelecimento industrial, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte; a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes, e suas coberturas); b) instalação de oleodutos, usinas hidrelétricas, torres de refrigeração, estações e centrais telefônicas ou outros sistemas de telecomunicação e telefonia, estações, usinas e redes de distribuição de energia elétrica e semelhantes; ou c) fixação de unidades ou complexos industriais ao solo; IX - a montagem de óculos, mediante receita médica (Lei n" 4.502, de 1964, art. .3", parágrafo único, inciso III, e Decreto-lei n°1.199, de 1971, art. 5", alteração 29; X - o acondicionamento de produtos classificados nos Capítulos 16 a 22 tia TIPI, adquiridos de terceiros, em embalagens confeccionadas sob a forma de cestas de natal e semelhantes (Decreto-lei n°400, de 1968, art. 9"), X1 - o conseilo, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador; de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações (Lei n°4,502, de 1964, art. 3", parágrafo único, inciso I); Como bem acentuado pelo acórdão a quo, a preceituação da legislação catarinense de ICMS invocada pela recorrente em nada contribui para sua alegação, porquanto se cuida de saída com suspensão de exigibilidade do ICMS — no caso o art. 27, I, do Anexo 2 do Decreto catarinense 2.870/01 (RICMS/SC): Art. 27. Fica suspensa a exigibilidade do imposto nas seguintes operações internas e interestaduais; 1 - a saída de qualquer mercadoria, para conserto, reparo ou industrialização, desde que retorne ao estabelecimento de origem, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da data da saída, observado o seguinte (Convênios ICM 1.5/74, 25/81, ICMS 34/90 e 151/94).: a) o prazo poderá ser prorrogado uma vez pelo Gerente Regional da Fazenda Estadual, por igual período, mediante requerimento fundamentado do contribuinte,. b) o beneficio não se aplica, nas operações interestaduais, à saída de sucata ou resíduo e de produto primário de origem animal, vegetal ou mineral, salvo se a remessa e o retorno se fizerem nos termos de protocolos celebrados entre os Estados interessados (Convênios ICMS 34/90 e 151/94); - o retorno da mercadoria recebida nas condições descritas no inciso I, observado o disposto no Anexo 3, art. 8", X ("Convênios ICM .2.5/81, ICMS 34/90 e 151/94) Processo n" 1516002599/2005-45 SI-C1 T3 Acórdão " 1103-00J88 F 1 24 Por todo o exposto, reputo Correto o arbitramento efetuado ao coeficiente de 38,4% (32% com acréscimo de 20%), para a determinação do lucro arbitrado, para fins de IRPI, e nego provimento ao recurso.. No que pertine à CSL, com igualdade de razões, cabe o arbitramento do lucro, Desnecessário repetir aqui todos os juizos já expendidos neste julgamento para afastar as alegações repetidas pela recorrente relativas a questões já enfrentadas aqui. Sobre a alegação de inconstitucionalidade da majoração da alíquota de CSL, importa registrar que a questão é objeto da Súmula n" 2 do 1 0 Conselho de Contribuintes (que foi hospedada conforme o art, 2" da Portaria MF 41/09), e atualmente objeto da Súmula CARF if 2 (conforme Portaria CARF 106/09), segundo a qual, in verbis: Súmula CARF n" 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitueionalidade de lei tributária Ainda sobre o arbitramento do lucro, considerando que os períodos em jogo são os dos anos-calendário de 2000 e 2001, o lucro arbitrado deve resultar somente da aplicação do coeficiente de 12%, e sem o acréscimo de 20% (como se dá para o IRPI), com suporte no art. 20 da Lei 9.249/95 e nos arts, 28 e 29 c/c o art. 27, 1 (a contrario sensu), da Lei 9,430/963 , Correto, portanto, o coeficiente aplicado pela autoridade fiscalizadora. 3 Lei 9 249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos a. rts. 30 a 35 da Lei n" 8 981, de 20 de janeiro de 1995. § 1" Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (• • .) - trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Art 16 O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento Parágrafo único No caso das instituições a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei n" 8,981, de 20 de janeiro de 1995, o percentual para determinação do lucro arbitrado será de quarenta e cinco por cento Art 20 A partir de 1" de . janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei n" 8 981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano-calendário Lei 9.430/96: Art, 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 16 da Lei n° 9.249 de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei rf 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art 1" desta Lei; II - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. (• • .) CAPITULO II CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Seção I 244,` Processo n° 11516 002599/2005-45 Si-ci T3 Acórdão n " 1103-011/88 1:[ 25 Palmar o equívoco da recorrente ao afirmar que o fisco "considerou como base de cálculo e alíquota, aquelas da tributação pelo lucro real arbitrado". Primeiro, não há lucro real arbitrado: ou o regime é de lucro real ou de lucro arbitrado; o que competiria dizer seria lucro arbitrado para fins do IRP.J. Segundo, o fisco não considerou como base de cálculo e alíquota, aquelas da tributação do IRP.I pelo lucro arbitrado. A base de cálculo empregada pelo fisco foi a supradescrita: aplicação do coeficiente de 12%, e sem o adicional de 20% (tis. 486 e 489). A alíquota utilizada foi de 9%, a partir do 20 trimestre do ano-calendário de 2000 (fls. 487, 489 e 490) — absolutamente distinta da do IRPL Não merece reparos, pois, o lançamento de CSL, levado a efeito. Ou seja, nego provimento ao recurso quanto ao inconformismo com a exigência da CSL. Sob o nome de bis in idem, a recorrente manifesta sua inesignação por não se ter descontado o valor pago por conta do regime do Simples do valor das autuações: No acórdão de origem foi decidido que cabe à recorrente requerer a restituição ou compensação do referido valor, não havendo lugar para o pretendido pela recorrente.. Divirjo do deduzido no decisório de origem. Entendo que, nesse passo, assiste razão à recorrente. Não se trata de compensação propriamente dita. O caso aqui é de mero abatimento do valor pago sob o Simples do valor das autuações decorrentes justamente da exclusão do regime simplificado. Não tenho dúvidas de que se impõe o abatimento do valor pago, e que não se confunde com compensação, do valor exigido nas autuações, exatamente por se ter processado à exclusão do regime sob o qual se dera pagamento. Outrossim, dou provimento ao recurso para o abatimento em comentário. A questão da interposição de pessoas no quadro societário da recorrente já a apreciei alhures, de forma que passo ao exame da questão da multa qualificada. Apuração da Base de Cálculo e Pagamento Normas Aplicáveis Art 28. Aplicam-se à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts 1 0 a 3', 5" a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Au t 29. A base de calculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, correspondera à soma dos valores: I - de que trata o art. 211 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período 25 Processo n' 11516 002599/2005-45 S 1-C1 I3 Acórdão n 0 11O.3-00i88 F 1 26 As infrações pressupostas nos arts, 71 a 73, da Lei 4.506/64 (elemento normativo do tipo da multa qualificada do art. 44, § 1', da Lei 9.430/96) reclamam o concurso de dolo. O elemento subjetivo integra o tipo da multa qualificada administrativa. Aliás, tenho para mim que o elemento subjetivo do tipo exigido é o dolo específico, e não o dolo genérico, muito menos o dolo eventual, Quer dizer, entendo que o tipo da multa qualificada em comentário reclama a vontade da conduta descrita e a finalidade do resultado condenado (que é o concurso do dolo específico). Vontade e intenção não se confundem. A vontade é muito mais psicológica ao passo que a intenção é racional.. Pois bem, Nos casos em que se conclui pela existência de urna simulação relativa, reputo ser dificil se divisar a presença do dolo específico — a menos que se demonstre uma série de outros elementos fáticos contributivos para conduzir o fio à tomada de juizo quanto ao concurso do dolo, no caso, específico. Também, impõe-se registrar que o ilícito detectado meramente em presunção legal —iii casit, de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96 — por si, é absolutamente insuficiente para se concluir pelo concurso do dolo (dolo específico). Ou seja, o ilícito com base somente na presunção legal de omissão de receitas não permite extrair o juízo de que o comportamento foi praticado com dolo específico. Diversamente do que expus acima, é o que se dá, a meu ver, em casos de simulação absoluta. Diante de urna simulação absoluta, em geral, a presença do dolo específico é de mais fácil (ou de menor dificuldade de) detecção. Discordo, portanto, do argumento deduzido pelo decisório de origem de que a multa qualificada prescinde de dolo, e mais especificamente, que a responsabilidade por essa multa é objetiva, conforme o art. 136 do CTN4. Aliás, mesmo o art, 136 do CTN não diz que a responsabilidade, salvo disposição em contrário da lei, é objetiva: o que ele diz é que a responsabilidade independe da intenção do agente, salvo disposição em contrário da lei. Ora, a culpa, por ex.,, e mesmo o dolo eventual, certamente, não demandam intenção do agente. Prossigo. No caso vertente, como resulta da apreciação da questão da simulação absoluta, e das circunstâncias que a rodeiam, caso da omissão de receitas presumida da recorrente, entendo que houve o concurso de dolo específico, a justificar a aplicação da multa qualificada. Ressalta com nitidez que a simulação absoluta (interposição de pessoas, outros sócios "laranjas") fora perpetrada para se procurar esquivar da sujeição passiva (nomeadamente correspondente aos tributos devidos por omissão de receitas presumidas), passando a supostamente figurar os efetivos sócios da recorrente somente como sócios da outra pessoa jurídica, a Lavanderia Água Pura Ltda., cuja localização é a mesma à da recorrente. Art 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato Processo n" 11516 002599/2005-45 S1-C1T3 Acórdão n " 1103-001 88 El 27 Não é o caso, pois, de juízo extraído com base exclusivamente na presunção legal de omissão de receitas, pelo contrário, essa comparece somente corno elemento periférico. Sob essa ordem de juízo, nego provimento ao recurso sobre a multa qualificada, que a recorrente chama por excesso de multa. Por conta do exposto, igualmente nego provimento ao recurso quanto à consecução de decadência, pois o termo inicial é o do art, 173, I, do CTN, não sendo aplicável o art. 150, § 40, do CTN. Por fim, passo a apreciar a questão da sujeição passiva solidária. O art. 124, I, do CTN, um dos suportes legais invocados pela fiscalização para a sujeição passiva solidária da Lavanderia Água e Luz Ltda.., prevê que são solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato geradors. O interesse a que se refere o art. 124, I, do CTN só pode ser o interesse jurídico — e não qualquer outro. E o interesse não deve ser contrastante ou contraposto, como no caso de contrato (por ex., compra e venda). Não se podem confundir vontades coincidentes, necessárias a um negócio jurídico bilateral como o contrato, com interesse comum.. Como já antecipado, ao examinar a questão da multa qualificada, acentuei que a simulação absoluta fora praticada para se tentar escapar da sujeição passiva, deixando os sócios efetivos de constar no quadro social da recorrente, para só permanecerem corno sócios da Lavanderia Água Pura Ltda,, a qual figura no mesmo local da recorrente.. Veja-se que a fiscalização não disse ou alegou que a Lavanderia Água Pura Ltda é um simulacro, i.e,, que ela é fictícia. Nesse passo, discordo do acentuado pelo acórdão a quo de que ambas as empresas e, assim, ambas as pessoas jurídicas, a recorrente e a Lavanderia Água Pura Ltda., não poderiam ocupar o mesmo espaço no desenvolvimento de suas atividades. Nada impede, segundo penso, que o mesmo local e espaço sejam utilizados por ambas as pessoas jurídicas, para desenvolverem a mesma atividade. Bastaria a existência de devido controle das atividades praticadas por uma e outra — sob pena, é claro, de, por ex., confusão de atividades que desemboca na confusão patrimonial — além de via de "acesso" clara à escolha pelos clientes de qual empresa, assim de qual pessoa jurídica, eles contratam. Não é o que se viu aqui. Ora, justamente por isso, e por tudo quanto expus, há a presença de interesse comum entre a recorrente e a Lavanderia Água Pura Ltda.. na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, conforme o art. 124, I, do CTN. s Art. 124. São solidariamente obrigadas: 1 - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem 27 Processo e 11516.002599/2005-45 S É -Cl 13 Acórdiio " 1103-00.188 Fl 28 Entretanto, não vejo corno se possa responsabilizar a Lavanderia Água Pura, com apoio no art. 132 do CTN, também invocado pela fiscalização, O art. 132 do GIN é aplicável somente em casos de extinção da pessoa jurídica (pois a hipótese de transformação não desloca nem estende a sujeição passiva para outra pessoa jurídica), o que não se dá no caso em dissídio: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fissão, transformação ou incorporação de outra ou cai outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado .fusionadas, Ormadas ou incoiporadas Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual Todavia, a motivação do lançamento recai também sob o apoio do art. 124,1, do CTN, o qual, como deduzi, reputo aplicável ao caso.. Sob o manto dessas ponderações, nego provimento ao recurso quanto à sujeição passiva solidária da Lavanderia Agua Pura Ltda. Por essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso, para deduzir os valores pagos sob o regime do Simples. É o meu voto. Sala das Sessões, em 18 de maio de 2010 /Tf OS TÁKATA 28

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Numero do processo: 10680.000595/2004-87
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: MULTA — CARÁTER CONFISCATÓRIO — afastar sanções pecuniárias expressamente previstas em diplomas legais sob o fundamento de seu caráter confiscatório, implicaria declarar a inconstitucional idade de lei, O que não é da competência de órgãos de "jurisdição" administrativa. RETROATIVIDADE BENIGNA — o inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96, que estabelecia multa isolada de 75% pelo não recolhimento de estimativas, bem como O inciso IV, § 1º do mesmo artigo que qualificava a sanção para o patamar de 150% em razão do elemento volitivo da infração, foram alterados pela Lei 11.488/07, a qual reduziu o índice da multa isolada, em ambos os casos, para 50%. Desse modo, deve a autoridade julgadora, por dever de ofício, aplicar o menor dos percentuais por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina tal procedimento ma os atos não definitivamente.julgados. MULTA ISOLADA - a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo principio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada. penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento.
Numero da decisão: 1201-000.299
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a exigência, vencido o conselheiro Flávio Vilela Campos, que dava provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de oficio isolada ao patamar de 50%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T20:26:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T20:26:22Z; Last-Modified: 2010-09-01T20:26:24Z; dcterms:modified: 2010-09-01T20:26:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b0afb54f-1c5a-4ceb-a661-e2da1c0cfeb8; Last-Save-Date: 2010-09-01T20:26:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T20:26:24Z; meta:save-date: 2010-09-01T20:26:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T20:26:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T20:26:22Z; created: 2010-09-01T20:26:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-09-01T20:26:22Z; pdf:charsPerPage: 2286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T20:26:22Z | Conteúdo => SI-C2T1 I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSEI A10 ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DF JULGAMENTO • • !, Processo ri" 10680,000595/2004-87 Recurso n" 141.459 Voluntário Acórdão n" 1201-00299 — 2" Câmara / t" Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2010 Matéria IR P.' Recorrente MG Master Ltda. (Sue. de Flash Sports Calçados) Recorrida 2 Turma/DRJ-Belo liorizonte/MG Assunto: : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPT Exercício: 1999 Ementa: MUI,TA — CARÁTER CONUISCATORIO — afastar sanções pecuniárias expressamente previstas em diplomas legais sob o fundamento de seu caráter confiscatório, implicaria declarar a inconstitucional idade de lei, O que não é da competência de órgãos de "jurisdição" administrativa.. RETROATIVIDADE BENIGNA — o inciso H, art. 44, da Lei 9..430/96, que estabelecia multa isolada de 75% pelo não recolhimento de estimativas, bem como O inciso IV, § 1" do mesmo artigo que qualificava a sanção para o patamar de 150% em razão do elemento volitivo da infração, foram alterados pela Lei 11.488/07, a qual reduziu o índice da multa isolada, em ambos os casos, para 50%. Desse modo, deve a autoridade julgadora, por dever de ofício, aplicar o menor dos percentuais por força da retroatividade benigna. prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina tal procedimento ma os atos não derinitivamente.julgados. MULTA ISOLADA -- a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo principio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada. penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros d.o colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a exigência, vencido o conselheiro Flávio Vilela Campos, que dava provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de oficio isolada ao patamar de 50%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 'N\ ,.... . 4; ,,,,,i,g101 \ Claudemir .R.(4 -1; es Malaquias=,. Presidente, () rn i )7 (1 Guilheri . Adolfo dos Santos Mendes- Relator. .n g-7 I-L" ' "-.1 .. EDITADO EM: O 6 AU 201(3 't Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolló dos Santos :Mendes, Leonardo Henrique M de Oliveira (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (suplente convocado), Flávio Vilela Campos(substituto de Conselheiro), Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). Ausente justi ficadamente os Conselheiros Valmir Sandri (Suplente convocado), Marcelo Cuba Netto e Regis Magalhães Soares Queiroz. 1 i 1 ,, 2 Processo n" i 0680.000595/200i1-87 514.211 Acórdão ii 1201-00299 H. 2 Relatório O presente feito trata de multa isolada no patamar qualificado de 150% pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ do ano-calendário de 1998. Por meio do acórdão 108-08.654 às fls. 267 a 277, a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte havia dado provimento integral ao recurso voluntário de fls. 198 a 219, sob o fundamento de ilegalidade da aplicação de multa de ofício na sucessora. Já a Câmara de Superior de Recursos Fiscais ao analisar o recurso especial da Fazenda Nacional, deu-lhe provimento por meio do acórdão 9101 -00,068 de fls. .370 a.381 sob o fundamento de ser legal a aplicação d.e multa de oficio, uma vez comprovado nos autos que ambas as sociedades sucessora e sucedida sempre estiveram sob controle comum, e determinou o retomo dos autos à "Câmara de origem ou àquela, que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto". Ao compulsarmos o voto condutor do acórdão 108-08.654, podemos constatar que já foram enfrentadas as seguintes questões: PretimillareS a) decadência; neste ponto, o acórdão considerou caracterizado o evidente intuito doloso da conduta delitiva; b) nulidade do lançamento em razão de cerceamento ao direito de defesa; Mérito e) multa na sucessora; d)adesão ao PAES e suspensão do crédito tributário; e)falta de base legal e constitucional para a aplicação de juros à taxa S14,1C.,; Deixaram, porém, de ser apreciadas as seguintes razões do recurso voluntário: t) concomitância da multa isolada com a multa de oficio; g) caráter confiseatório da multa. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes • Vedação a() confisco De início, cumpre-nos não conhecer das razões acerca do suposto caráter. confiscatório da sanção pecuniária. Afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal -fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei, o que não é da competência deste Colegial() Administrativo, como já. sumulado: Súmula .1 aCC n" 2 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar .sobre a inconstitucionalidade de lei tt ibutária Retroatividade benigna Antes de nos debruçarmos acerca da alegação de concomitância, entendemos ser necessário apreciar de oficio a alteração do diploma legal que ensejou a alteração em prestígio à denominada retroatividade benigna positivada no artigo 106 do CTN, inciso 11, alínea "c": ",4 lei aplica-se a ato ou falo pretérito, tratando-se de alo não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática" Constata-se que o índice sancionador aplicado foi de 150% em razão da aplicação combinada do inciso II, art. 44 da Lei 9,430/96, com o inciso IV, § 1" do mesmo artigo. Abaixo, transcrevemos os referidos dispositivos: Art. 44. Yos casos de lançamento de oficio, .serão aplicadas as seguinle.s multas, calculadas sobre a totalidade ou difèrenea tributo ou contribuição. -ã4(• •• - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de »Ilude, definido nos anis. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de .30 de novembro de .1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou crinnnais cabíveis (• • .) 1" Às multas de que trata este artigo .serão exigidas (•••) iv - isoladamente, no caso de pe.s.soa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social .sobre o lucro líquido, na puma do art. 2", que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente; 4 Processo n'' 0680 000595/2001 -87 S I-C2 Acórdão o." 1201-00299 F.1 3 Esse artigo 44 e seus sub-dispositivos sofreram diversas modificações posteriores.. Para o deslinde da questão, „julgamos suficiente a leitura do seguinte conjunto de enunciados prescritivos, cuja redação está atualmente em vigor e foi conferida pela Lei 1 1.488/07: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas.: (Redação dada pela Lei n" 11 488, de 2007) 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) .sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento Ou re.:olhimento, de . falta de declaração e nos de declaração inexata,. (Redação dada pela Lei n'' 11.488, de .2007) - de 50% (cinqüenta por cento), exi gida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n" 1.1 488, de 2007) a) na 1-Orma do art. 8" da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que (lei SOU dever efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física, (Incluída pela Lei n" /1.488, de 2007) b) na forma do art 2 desta Lei, que deixar de ,ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.. (Incluída pela Lei n" 11.488, de 2007) § 1 O percentual de multa de que trata o inciso Ido capui deste artigo será duplicado nos casos previstos nos afi5- . 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) Constatamos, assim, que a multa pela falta de recolhimento de estimativa no seu patamar objetivo foi reduzida de 75% para 50% (a de 75% estava prevista no inciso 1 do art 44, que não .foi reproduzido), ao passo que foi revogada a qualificação no caso de condutas dolosas (a qualificação só foi mantida no § 1 0 para as multas acompanhadas do lançamento de tributo devido). Desse modo, hoje a sanção prevista, é de 50% independentemente do caráter volitivo da conduta e é esse o patamar sancionador que deve prevalecer no lugar de 150%, Dupla punição Por derradeiro, nos cabe analisar o argumento da dupla punição por meio de multa isolada e de °Rei°. As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta ~Jurídica, ao passo que das segundas se trata de condiria licita, 5 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento dc obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo, Diante da prescrição da norma punitiva, inibe-se o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa O delito.. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas,. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Flector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha. Tributária, EDUC. 1994), por exemplo, nos notici.a o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 30: Art. 3" - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as cirrunstiinelas que a determinaram. aplica-se 00 lato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as "Unções de prevenção.. Explico e exempl i fico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente'? Ora, essa situação .já regada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a .mesma função, dos institutos do -Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplica-se o Princípio da ( .1onsurição. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem tatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo 6 Processo n" 10680 000:595/2004-87 S I-C2 El Acórdão tt " 1201-00299 Fl 4 firn prático", Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída -pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo.. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. -Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, pune-se o falso E. o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo.. "Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, pune-se com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, pune-se a não antecipação com multa isolada„ Assim, consideramos imperioso verificar se houve em relação aos latos que ensejaram a autuação de multas isoladas também a imposição de multa proporcional e em que medida.' O termo de verificação de infração de fls. 09 a 21 reporta não só os fatos que ensejaram a presente autuação, mas todo o conjunto de auditorias que levou à autuação da empresa MO Master Lida em razão de omissões praticadas por 24 (vinte quatro) empresas sucedidas. Foram 24 (vinte quatro) autuações de IRP1 e seus reflexos e 46 (quarenta e seis) autuações relativas a multas isoladas de 1RPJ e CSII, (vinte e três para. cada tributo). Só uma das empresas incorporadas não sofreu autuação de multas isoladas por adotar o regime do lucro presumido. O presente feito é uma dessas quarenta e seis autuações de multa isolada e está relacionado com uma das vinte e quatro autuações de IRP.T e seus reflexos. Nos autos, não consta a referência. ao processo em que fiwain lançados o valor principal dos tributos e as respectivas m-ultas, mas por meio da planilha de fl.. 22, podemos constatar que a estimativa não recolhida decorrente da omissão de receitas foi aferida através do recalculo dos balanços de suspensão/redução com valores positivos até o -último mês da operação de incorporação, isto é, outubro. Assim, mesmo sem compulsarmos os autos do processo principal (o qual, repetimos, não foi identificado no presente feito), somos levados à conclusão de que a base da autuação do valor principal de HOS se identificou com a. base que serviu de cálculo das estimativas.. Isso implica a sua absorção integral,. Conclusão Por togo o enwsto„v) o por dar provimento integral ao recurso voluntário, ‘ 0 vl 4> , -2 Guilhe Adoi fby dos Santos Mendes - Relator , (1: 7 MINIS1 ÉREO DA FAZENDA M-(egt CONSELHO ADMINIS`FRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradotes da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art 81, § .3", do anexo 11, do Regimento Intel no do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009 Brasília, 09 de agosto de 2010. Maria C,onceição d Sousa Rodrigués - Secretária da Câmara Ciência Data: / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [1 apenas com ciência; I com Recurso Especial: [1 com Embargos de De,claração

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