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Numero do processo: 15374.917023/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/01/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/01/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 23 /2 00 9- 21 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Rio de Janeiro I (fls. 121/129), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação da interessada formalizada contra a não homologação de compensação de reclamados créditos pelo pagamento a maior de IOF (código de receita 7893), no valor de R$ 19.176,74, recolhido em 14/01/2004. A compensação não foi homologada sob o fundamento de que, inerente ao pagamento em tela, não havia nenhum crédito disponível para compensação, pois o recolhimento já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito outrora existente. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde afirmou ser entidade fechada de previdência complementar e que se equivocara no cálculo do IOF do período referente a operações de empréstimo, nos termos de laudo técnico apresentado, equívoco este repetido na DCTF correspondente, onde fora declarado como débito o valor indevidamente recolhido a maior. Ressaltou, ainda que os equívocos nas declarações não criam tributos, não podendo, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária. Apresentou planilha demonstrativa do aduzido erro cometido. A manifestação de inconformidade, contudo, não foi acolhida pela primeira instância, a qual, como ressaltado, indeferiu o pleito em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2004. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2004. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/09/2011 (uma sextafeira) (fls. 133). Inconformada, a autuada apresentou, em 19/10/2011 (v. fls. 143 e 145), Fl. 150DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917023/200921 Acórdão n.º 3802002.051 S3TE02 Fl. 148 3 o recurso voluntário de fls. 135/142, onde reafirma a existência de direito creditório por conta do pagamento a maior do imposto, ressaltado ainda: a) que, no preenchimento da última DCTF entregue à Receita Federal, a manifestante equivocouse em seu preenchimento e não demonstrou a existência de crédito de IOF em janeiro de 2004; contudo, referido crédito poderia ser comprovado pela simples comparação entre os valores apresentados como devidos no período e a guia de recolhimento que instruíram a manifestação de inconformidade; b) cita respeitáveis entendimentos doutrinários para defender que os equívocos nas declarações do contribuinte não geram obrigação tributária, não podendo ser considerada receita do Estado; e, c) ressalta que se a confissão do débito pelo contribuinte se deu em virtude de erro, a mesma poderia ser revogada, a teor do disposto no artigo 352 do CPC. O sujeito passivo também pleiteia seja o julgamento convertido em diligência para apuração do indébito e comprovação da regularidade da compensação acaso as provas acostadas aos autos sejam consideradas insuficientes para a demonstração do direito reclamado, como lhe asseguram os artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso, com a conseqüente homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o processo baixado em diligência, nos termos acima propostos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 16/09/2011 (uma sextafeira) (fls. 133). Por sua vez, o recurso voluntário foi postado nos Correios em 19/10/2011 (v. fls. 143 e 145), tempestivamente, portanto. Além disso, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento do tributo devido no período, e que o débito declarado em DCTF não corresponderia à realidade fática. Assevera ainda que a natureza do erro em que teria incorrido seria insuficiente para criar obrigação tributária, e que o artigo 352 do CPC autorizaria a revogação da confissão da dívida em tal condição. De fato, o processo administrativo tributário não pode deixar de homenagear o princípio da verdade material. Exatamente por isso é que esta Turma, ao analisar pedidos de compensação como o presente, admite, em alguns casos, a dispensa de apresentação de DCTF retificadora, mas sempre se caracterizado o erro em que incorreu o sujeito passivo, ou, em outras palavras, se comprovado o indébito declarado na DCOMP, ressalvados os casos em que o contribuinte deliberadamente se recusa ao cumprimento de suas obrigações acessórias. Isso Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 se dá em virtude da possibilidade de retificação de ofício da DCTF, admitida unicamente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como bem destacado na primeira instância. Com efeito, a título comprobatório do direito aduzido o sujeito passivo acostou aos autos parecer contábil de empresa de consultoria privada acompanhado de uma planilha de cálculo. Tal documentação não pode substituir a escrituração contábil e os documentos em que esta se embasa, como, no caso específico dos autos, os contratos dos empréstimos relacionados na citada planilha que deram origem ao IOF, bem como a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes. Mesmo ciente da necessidade de comprovação documental do direito – questão muito transparente na decisão de primeira instância –, a interessada comparece novamente aos autos sem apresentar prova suficiente do reclamado indébito, e requer seja o processo baixado em diligência para a comprovação do seu direito, o que não se pode admitir, uma vez que é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. É este quem detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito impossível homologar a compensação. A verdade material, tão invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. No caso presente, como já dito, a recorrente não trouxe a documentação minimamente necessária à comprovação de seu reclamado direito, não sendo razoável admitir a inversão do ônus da prova para o Fisco. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido a apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Assim, manifestome no sentido de rejeitar a diligência pretendida. Especificamente em relação aos pedidos de reconhecimento de indébitos relativos ao IOF há ainda uma particularidade: a restituição ou compensação desse imposto, em sintonia com o disposto no artigo 61 do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007 (Regulamento do IOF), deve vir acompanhada da comprovação das exigências estabelecidas no do artigo 8º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917023/200921 Acórdão n.º 3802002.051 S3TE02 Fl. 149 5 II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. Assim, em face da natureza do crédito pleiteado, além da necessidade de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado, a recorrente deveria também demonstrar que devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, bem como que providenciou, juntamente com a contribuinte que sofreu a retenção, os estornos dos lançamentos contábeis e as retificações nas declarações entregues à Receita Federal, o que o não ocorreu, conforme anteriormente explicitado. Tudo isso está em sintonia com o disposto no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 8.894/94, segundo o qual o contribuinte do IOF é a pessoa física ou jurídica tomadora do crédito, combinado com o artigo 166 do CTN, que exige que a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, a transferência do respectivo encargo financeiro, seja instruída com a prova de que o pleiteante assumiu o referido encargo, ou de que este está expressamente autorizado por quem efetivamente suportou o imposto. No mais, resta claro que o indébito reclamado carece dos necessários pressupostos de liquidez e de certeza como requisitos indispensáveis à liquidação de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Nesse ponto, a Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 11075.000619/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PASSIVO DE COMMODITIES - PROVISÃO - NÃO CONFIGURAÇÃO
Como a recorrente não registrou, em seu ativo e sua contrapartida no passivo, as commodities que lhe foram depositadas por terceiros, na venda dessas commodities agrícolas depositadas, ela não apurou custo de mercadorias vendidas. Por outro lado, a partir da venda das commodities, a recorrente registrou o passivo relativo aos produtos agrícolas vendidos, sob nome de provisão, contra resultado, pelo dever de devolução aos depositantes. Tal passivo não tem caráter de provisão, mas representa obrigação certa e líquida, passivo efetivo. Se a recorrente tivesse feito a escrituração, em seu ativo e em seu passivo, das commodities agrícolas de que era depositária, ela apuraria custo de mercadorias vendidas. O resultado final é o mesmo. Despesa dedutível como contrapartida do passivo que não tem natureza de provisão.
Numero da decisão: 1103-000.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PASSIVO DE COMMODITIES - PROVISÃO - NÃO CONFIGURAÇÃO Como a recorrente não registrou, em seu ativo e sua contrapartida no passivo, as commodities que lhe foram depositadas por terceiros, na venda dessas commodities agrícolas depositadas, ela não apurou custo de mercadorias vendidas. Por outro lado, a partir da venda das commodities, a recorrente registrou o passivo relativo aos produtos agrícolas vendidos, sob nome de provisão, contra resultado, pelo dever de devolução aos depositantes. Tal passivo não tem caráter de provisão, mas representa obrigação certa e líquida, passivo efetivo. Se a recorrente tivesse feito a escrituração, em seu ativo e em seu passivo, das commodities agrícolas de que era depositária, ela apuraria custo de mercadorias vendidas. O resultado final é o mesmo. Despesa dedutível como contrapartida do passivo que não tem natureza de provisão.
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Por outro lado, a partir da venda das commodities, a recorrente registrou o passivo relativo aos produtos agrícolas vendidos, sob nome de provisão, contra resultado, pelo dever de devolução aos depositantes. Tal passivo não tem caráter de provisão, mas representa obrigação certa e líquida, passivo efetivo. Se a recorrente tivesse feito a escrituração, em seu ativo e em seu passivo, das commodities agrícolas de que era depositária, ela apuraria custo de mercadorias vendidas. O resultado final é o mesmo. Despesa dedutível como contrapartida do passivo que não tem natureza de provisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 06 19 /2 00 9- 11 Fl. 990DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 986 2 Fl. 991DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 987 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ e CSL de fls. 1 a 25, lavrados pela DRF de Uruguaiana, em 5/6/2009, com ciência da recorrente em 30/6/2009, que constituíram, para fatos geradores que teriam ocorrido nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, crédito tributário de IRPJ e CSL no valor de R$ 2.748.433,60, acrescidos de juros de mora calculados até 29/05/2009, multa de ofício e multa isolada exigida sobre as estimativas mensais não pagas. Em 2/10/2008, a recorrente foi cientificada do termo de início de procedimento fiscal, de 11/9/2008, e intimada a apresentar os elementos e esclarecimentos especificados. Recebeu os termos de intimação 1 a 7, que solicitavam apresentação de mais documentos e novos esclarecimentos acerca de sua escrituração contábil. Verificouse que a recorrente adotou o lucro real como forma de tributação do lucro e apuração anual do IRPJ e da CSL para os anoscalendário de 2004 a 2007, conforme escrituração contábil e DIPJs. Contudo, os valores devidos dos referidos tributos não foram pagos, nem informados em DCTF, fato com que concordou a recorrente, conforme resposta ao termo de intimação fiscal n° 7, fl. 353. No período de janeiro/2004 a dezembro/2007 a recorrente constituiu provisão para compras de produtos agrícolas, contabilizando a crédito a conta contábil de passivo “21610451 – PROVISÃO P COMPRAS PROD. DEP.”, e a débito as contas de resultado – custos de vendas e revendas (“31244020 – Compras Milho à Vista”, “31248020 – Compra Soja à Vista”, “31252020 – Compras Sorgo à Vista”, “31256020 – Compras Trigo à Vista”). Os saldos existentes em 31/12 de cada período de apuração das compras à vista de milho, soja, sorgo e trigo das contas contábeis “31244020”, “31248020”, “31252020” e “31256020”, respectivamente, foram transferidos integralmente para a conta de resultado do exercício, conforme razão analítico. Os saldos da conta de provisão “21610451 – Provisão P Compras Prod. Dep.”, existentes em 31/12 dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, não foram adicionados ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL. As reversões dos referidos saldos eram lançadas a crédito nas contas contábeis de receita “41812010” e “41720010 – Reversão Prov. Constituídas” – em janeiro do ano seguinte de cada período de apuração. Em resposta aos termos de intimação fiscal 3 e 7, a recorrente informou que as provisões eram registros das obrigações correspondentes à venda de produtos armazenados de terceiros, mas não explicou por que tais provisões não foram adicionadas ao lucro líquido em 31/12 de cada período de apuração. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 988 4 A constituição dessas provisões não é proibida pela legislação tributária, apenas é vedada sua dedução para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL. E, diante das respostas apresentadas pela recorrente durante a fiscalização, restou claro que os saldos das provisões constituídas em 31/12 de cada período de apuração não foram adicionados ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL. Ainda, a recorrente poderia ter excluído do lucro líquido as reversões lançadas a crédito das contas contábeis “41812010” e “41720010 – Reversão Prov. Constituídas” em janeiro do ano seguinte de cada período de apuração. O fato não configurou postergação de pagamento de IRPJ e CSL, tendo em vista que houve apuração de prejuízo fiscal nos anoscalendário de 2005 a 2007, conforme livro de apuração do lucro real. Considerando a escrituração contábil e fiscal da recorrente e as infrações acima descritas, foram elaboradas as planilhas de fls. 39 a 50 para os anoscalendário de 2004 a 2007. A recorrente deixou de efetuar o pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSL para os meses de janeiro, maio, junho, julho e agosto de 2004. Por essa razão foi aplicada multa isolada de 50% sobre os valores mensais não pagos. A multa referente aos meses de janeiro e maio não foi cobrada em virtude da ocorrência do instituto da decadência. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação em 30/7/2009, de fls. 933 a 944, em que aduz, em síntese, o que segue. Afirmou que consta entre as principais atividades desenvolvidas pela empresa o recebimento e armazenamento de produtos agrícolas e que é obrigação da empresa mantêlos em condições de comercialização, controlando seu grau de umidade, de impureza, de qualidade, entre outros. E, ainda, que essa atividade demanda permanente vigilância dos produtos. Esclareceu que normalmente os produtores rurais mantêm seus estoques, por vezes durante mais de 12 meses, em armazéns de terceiros. Asseverou que, por vezes, comercializa os produtos de terceiros, depositados em seu estabelecimento, sem efetuar a compra desses produtos. Assim, são comercializados em primeiro lugar os produtos armazenados há maior tempo, para que seja mantida a qualidade e, assim, ocorre a troca de estoque. Afirmou que esse procedimento se deve ao fato de que “a iniciativa de venda é dos depositantes e que os preços são o do dia da fixação da venda”. Durante o período de 2004 a 2007, o procedimento de venda de produtos de terceiros sem a sua efetiva compra fez modificar o patrimônio da empresa e, por essa razão, foi efetuado o registro da modificação em sua contabilidade. Quer dizer, o que a recorrente fez e tinha de fazer era a constituição do passivo representativo das obrigações contraídas para com o depositante, de lhe devolver os produtos armazenados. A isso correspondem as chamadas provisões. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 989 5 Assim, ao efetuar provisões de compras, a empresa estava apenas registrando as obrigações contraídas com os depositantes de lhes devolver os produtos armazenados, em face da venda dos produtos depositados. Tratase, portanto, de “registro de obrigação para com fornecedores, visando à reposição dos produtos comercializados”. Acrescentou que o registro foi realizado com base nos dados levantados mensalmente, de acordo com as fichas de estoque permanente, juntadas aos autos às fls. 249 a 320. Afirmou que não foram reconhecidos pela autoridade fiscal os custos que teve para gerar as receitas da venda dos produtos depositados. Dessa forma, caso permaneça o entendimento da autoridade fiscal, será “extremamente penalizada”, tendo em vista o não reconhecimento de seus custos e o fato de ter adicionado a suas bases de cálculo do IRPJ e da CSL as receitas obtidas. Segundo excerto colacionado à fl. 937, proferido pelo AFRF, seu registro contábil estaria correto sob o ponto de vista legal, o agente apenas teria entendido não serem dedutíveis as provisões realizadas. Nesse sentido, não haveria dúvida quanto a sua escrituração contábil, restando apenas o embate acerca das provisões: se são ou não dedutíveis. Asseverou que, uma vez que as receitas obtidas com a venda dos produtos depositados compõem a base de cálculo dos impostos incidentes sobre o lucro, se torna lógico que a despesa incorrida para a obtenção da receita também será dedutível. Do contrário, ocorre infração ao que disposto no art. 43 do CTN. Em seguida, apresentou planilhas às fls. 939 a 943, com os valores indevidamente adicionados e excluídos das bases de cálculo de IRPJ e CSL, bem como tabelas com os valores por ela reconhecidos como devidos. Afirmou que, subsistindo o auto de infração, não poderá cumprir o que lhe for imposto, vez que o valor pretendido ultrapassa sua capacidade “financeira”. Ademais, em seu caso, não houve auferimento de lucro, apenas interpretação diversa da legislação fiscal. Pelo exposto, requereu o cancelamento dos valores impugnados, conforme tabela 1, fl. 939, “readequandose o auto de infração”. DA DECISÃO DA DRJ Em 25/5/2010, acordaram os julgadores da 1ª Turma da DRJ de Santa Maria, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendose, integralmente, a parte litigiosa do crédito tributário exigido, conforme o entendimento que segue. Sobre as parcelas do crédito tributário que não foram contestadas, referentes à insuficiência de pagamento/declaração de IRPJ e CSL, bem como às multas isoladas aplicadas por falta de pagamento de estimativas dos referidos tributos, foi determinado que fossem cobradas em processo apartado. Delimitouse o litígio à infração cometida por não terem sido incluídas, na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSL, as provisões realizadas pela recorrente. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 990 6 Afirmouse que, se tributada a provisão constituída no período de competência contábil através de sua adição ao lucro líquido e à base de cálculo da CSL, pode o contribuinte deduzila em períodos posteriores quando os correspondentes custos ou despesas se tornarem certos ou exatos. Mais. A Receita Federal, no link “Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica 2004”, publicado em seu website, orienta os contribuintes no sentido de que, quando as provisões não forem dedutíveis para fins de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá continuar sua inclusão contábil necessária a sua atividade ou interesses sociais. Entretanto, há que ser feita a adição do respectivo valor ao lucro líquido do período, no lado A do LALUR, para fins de apuração do lucro real. No período em que a provisão for revertida contabilmente poderá ser excluída do lucro líquido. No presente caso, a fiscalização apurou o valor tributável pela diferença entre o saldo existente em 31/12, da conta “21610451 – PROVISÃO PARA COMPRA DE PRODUTOS DEPOSITADOS”, que deveria ter sido adicionada ao lucro líquido, e o valor das reversões realizadas em 31/1, que deveriam ter sido excluídas do lucro líquido, conforme o demonstrativo juntado às fls. 86 e 87. Não foi acolhida a alegação da recorrente sobre o não reconhecimento dos custos despendidos para a obtenção de receitas com vendas de produtos. Isso porque, para que o resultado seja apurado corretamente, é necessário que sejam conhecidas as efetivas transações de compra e venda realizadas pela empresa. Não há previsão legal para o reconhecimento de custo de mercadoria que não tenha sido adquirida pela pessoa jurídica, contrariando a alegação da recorrente sobre ter vendido mercadoria que não comprou. Assim, se o produto depositado por terceiros foi vendido pela recorrente, o reconhecimento dessa receita deveria ter ocorrido no momento da venda, de acordo com a previsão do art. 224 do RIR/99. O custo poderia ter sido reconhecido no momento da efetiva aquisição dos produtos pela recorrente para reposição daqueles que foram vendidos e que pertenciam a terceiros. Vedada, portanto, a antecipação do reconhecimento do custo mediante registro de provisão para compras. RECURSO VOLUNTÁRIO Em 5/7/2010, a recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 973 a 981, reiterando o que alegado em sede de impugnação, acrescentando e reesclarecendo, em síntese, o que segue. Afirmou que a constituição de provisão para recomposição do estoque de terceiros que foi vendido é, na verdade, apuração efetiva de seu resultado líquido. A receita resultante das vendas foi incluída na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, portanto, natural a inclusão do custo necessário para obtêla. Como armazenadora de produtos agrícolas, para cumprir seu dever de mantê los em condições de comercialização, dentro do padrões estipulados (grau de umidade, grau de impureza, grau de qualidade entre outros), a recorrente vai trocando o estoque, comercializando sempre o mais antigo, para manter a qualidade dos produtos. Como reconhece a receita de venda dos produtos, necessariamente tem de se reconhecer o efeito do passivo de Fl. 995DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 991 7 devolver os produtos ao armazenante. A isso correspondem as referidas provisões para compras. Não reconhecer isso implica violar os arts. 43 e 44, do CTN, ou seja, é tributar o que claramente não é renda. O que se agrava, no caso, considerandose que a margem de lucro no armazenamento é mínima. Assim, o art. 13, I, da Lei 9.249/95 deve ser interpretado em seus devidos termos, não sendo caso de sua incidência na situação fática ora descrita. Pelo exposto, requereu o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 992 8 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 958, 960, 961, 972 e 973). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, a lide tem seus limites objetivos fixados na questão da glosa das despesas de provisão para compras de produtos depositados. Das respostas às intimações, bem como do relatório de atividade fiscal (especialmente fls. 28 a 35), notase que a recorrente não computou o CMV – custo de mercadorias vendidas – na apuração do lucro bruto decorrente da venda dos produtos agrícolas armazenados. Não por menos, sua irresignação, seja na peça inaugural, seja na recursiva, investe no reconhecimento dos custos que teve para geração das receitas de vendas dos produtos agrícolas. Pois bem. Se a recorrente escriturasse em seu ativo e em seu passivo os produtos agrícolas armazenados, registros equivalentes às das antigas contas de compensação (vejase que disse equivalentes, e não as próprias contas de compensação), ela reconheceria certamente o CMV – custo de mercadorias vendidas – em contraposição à receita bruta de venda dos produtos agrícolas. E, se a recorrente fizesse tais registros em seu ativo e em seu passivo – ao invés de controlar os produtos armazenados só gerencialmente – ela não iria constituir o passivo no valor registrado, cuja contrapartida em conta de resultado (despesa ou custos) é ora discutida, com a venda dos produtos armazenados. Para maior clareza do que digo, exemplifico com lançamentos contábeis. Pelo armazenamento de soja: D – Soja de terceiros armazenada (ativo) 8.000 C – Soja de terceiros a devolver (passivo) 8.000 Mais recebimento de soja para armazenamento: D – Soja de terceiros armazenada (ativo) 92.000 C – Soja de terceiros a devolver (passivo) 92.000 TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO Soja de terceiros armazenada 100.000 Soja armazenada a devolver 100.000 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 993 9 Pela venda à vista de 1/10 da soja armazenada, por 12.000, com o custo pelo critério PEPS (primeiro que entra primeiro que sai) equivalente a 8.000: D – Caixa ou Bancos 12.000 D – CMV (custo de mercadorias vendidas) 8.000 C – Receita de venda de soja armazenada 12.000 C – Soja de terceiros armazenada (ativo) 8.000 Prosseguindo com o exemplo. Como, na data da venda à vista de 1/10 da soja armazenada, o preço de mercado desse 1/10 é de 12.000, o passivo (soja de terceiros a devolver) passa a ser ajustado para 104.000. Isso, supondose que o estoque restante (ativo) já estivesse a preço corrente de mercado i.e., os 92.000 de estoque restante (vide lançamentos contábeis acima), correspondentes a 9/10 da soja armazenada já estivessem ao referido preço corrente de mercado, e, portanto, o passivo relativo aos 9/10 já estivessem igualmente ao preço corrente de mercado. Aí, então, seria apurado uma despesa de 4.000: D – Despesa de obrigação com terceiros (soja armazenada) 4.000 C – Soja de terceiros a devolver (passivo) 4.000 O resultado líquido seria igual a zero: 4.000 de lucro bruto (receita bruta de venda de 12.000 – CMV de 8.000) e 4.000 de despesas de obrigações por devolução. Notese que o ativo e o passivo (por simplificação, incluemse as contas de resultado no passivo como se fosse o lucro líquido a ser transferido para o passivo PL), retratam o resultado final como descrito: TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO Soja de terceiros armazenada 92.000 Soja armazenada a devolver 104.000 Despesa de obrigação com terceiros 4.000 Lucro bruto – venda de soja (4.000) Ou, ainda, como se cuida de commodities, quando da venda, o ativo já poderia estar a mercado, assim como o passivo, de modo que na venda, a receita seria igual ao custo (CMV). Usandose o mesmo preço corrente de mercado do exemplo acima, sendo que 9/10 da soja armazenada (ou seja, quando recebidos os 9/10 da soja para armazenamento) já estivessem ao preço corrente de mercado. Aí, os lançamentos poderiam ser: Fl. 998DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 994 10 No armazenamento de soja: D – Soja de terceiros armazenada (ativo) 8.000 C – Soja de terceiros a devolver (passivo) 8.000 Mais recebimento de soja para armazenamento: D – Soja de terceiros armazenada (ativo) 92.000 C – Soja de terceiros a devolver (passivo) 92.000 TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO Soja de terceiros armazenada 100.000 Soja armazenada a devolver 100.000 Pela avaliação do estoque de produtos agrícolas (soja armazenada) a preço corrente de mercado: D – Soja de terceiros armazenada (ativo) 4.000 C – Receita de avaliação de commodities a preço corrente de mercado 4.000 E pela atualização do passivo de devolução da soja armazenada: D – Despesa de obrigações com terceiros (soja armazenada) 4.000 C – Soja de terceiros a devolver (passivo) 4.000 Ou, alternativamente a tudo isso acima: D – Soja de terceiros armazenada (ativo) 4.000 C – Soja de terceiros a devolver (passivo) 4.000 Em ambas as formas, temse: TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO Soja de terceiros armazenada 104.000 Soja armazenada a devolver 104.000 Depois, com a venda de 1/10 da soja armazenada: D – Caixa ou Bancos 12.000 D – CMV (custo de mercadorias vendidas) 12.000 C – Receita de venda de soja armazenada 12.000 C – Soja de terceiros armazenada (ativo) 12.000 Fl. 999DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 995 11 Vejase que o resultado seria igual ao procedimento primeiramente descrito: a) Receita de avaliação de 4.000; b) Despesa de obrigações por devolução de 4.000; c) Lucro bruto igual a zero (receita de venda 12.000 – CVM 12.000) d) Resultado líquido final igual a zero. Ou simplesmente lucro bruto igual a zero e só. O que se demonstrou pode ser assim representado (na segunda alternativa descrita, simplesmente não há a linha de despesa e de receita abaixo, mas só o lucro bruto igual a zero – pois a contrapartida do aumento do ativo antes da venda se dá diretamente no aumento do passivo): TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO Soja de terceiros armazenada 92.000 Soja armazenada a devolver 104.000 Despesa de obrigação com terceiros 4.000 Receita de avaliação de commodities (4.000) Lucro bruto – venda de soja 0 Ainda, importante registrar que a avaliação de estoques de produtos agrícolas a preço corrente de mercado para fins tributários de IRPJ é prevista como faculdade pelo art. 14, § 4º, do Decretolei 1.598/77 (reproduzido no art. 297 do RIR/99). E, como não há ressalvas, significa que suas contrapartidas sensibilizam a apuração do lucro real – a receita é tributável e a despesa é dedutível. Do que expus até aqui, fica evidente que o passivo correspondente à obrigação de devolver a soja armazenada – ou os produtos agrícolas armazenados – não tem natureza de provisão. Tal passivo constitui obrigação certa e líquida. Simplesmente que tal obrigação pode sofrer variação, com possibilidade de reflexo em contas de resultado (faço remissão à contabilização alternativa acima referida). Reitero que o resultado final acaba sendo o mesmo. Seguindo a mesma linha de raciocínio até aqui desenvolvida, justamente por não haver o CMV (custo das mercadorias vendidas), a recorrente precisou constituir o passivo, correspondente à obrigação de devolução dos produtos agrícolas armazenados, em contrapartida a despesa. Por seu turno, o não reconhecimento do CMV decorre de não se ter reconhecido e registrado estoque, conforme demonstrei antes – o que significa não se ter Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 996 12 registrado, pois, estoque (ativo), nem o passivo de obrigação de devolução, contrapartida do registro do estoque. Com isso, ao se venderem os produtos agrícolas armazenados, a recorrente reconhecera somente a receita bruta de venda desses produtos, sem custo das mercadorias vendidas (CMV), e isso implicou o reconhecimento do passivo de devolver os produtos agrícolas armazenados vendidos contra despesa (custos). A contabilização seria a seguinte, usandose os mesmos dados anteriores. Não há registro contábil das sojas armazenadas (= não há o ativo, e, pois, estoque; não há o passivo como contrapartida e representativo da obrigação de devolução). Pela venda de 1/10 da soja armazenada, por 12.000: D – Caixa ou Bancos 12.000 C – Receita de venda de soja armazenada 12.000 Pela constituição do passivo correspondente à obrigação de devolver 1/10 da soja vendida (já que a armazenada não vendida não é contabilizada – ativo contra passivo): D – Despesas de obrigação de devolução de soja armazenada 12.000 C – Soja de terceiros a devolver (passivo) 12.000 Notese que o resultado aqui é exatamente o mesmo obtido segundo os procedimentos contábeis que descrevi anteriormente. Lucro bruto igual a 12 e despesa igual a 12; resultado líquido igual a zero. Nem poderia ser diferente. É claro que a forma de contabilização, na medida em que ela represente a realidade jurídica e econômica, não pode alterar o resultado final. É evidente que não tendo o passivo o caráter de provisão, conforme a contabilização formulada anteriormente, igualmente aqui, na presente forma de contabilização do passivo, este não tem caráter de provisão. Quer se contabilize de uma forma ou de outra, em ambos os casos o passivo é representativo de obrigação certa e líquida da recorrente. Obrigação de devolver os produtos agrícolas armazenados. O que varia de ordinário, como disse, é o valor dessa obrigação, em face do preço corrente de mercado dos produtos agrícolas objeto da obrigação ou dever de devolução ao armazenante. Mais. Na descrição que fiz anteriormente sobre outra forma de contabilização, importa observar que, a se fazer a avaliação do estoque armazenado a preço corrente de mercado, sua contrapartida não é uma receita de provisão ativa, mas uma receita pura e simples de avaliação de produtos agrícolas a preço corrente de mercado, que é tributável, para fins de IRPJ. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 997 13 Isso, pois, como disse, é a própria lei que faculta, em caso de commodities do tipo agrícola, a avaliação do estoque a preço corrente de mercado, sem falar em intributabilidade ou em indedutibilidade da contrapartida dessa avaliação. Daí o Ato Declaratório Normativo Cosit 32/94 esclarecer: I a contrapartida do aumento do ativo, em decorrência da atualização do valor dos estoques de produtos agrícolas, animais e extravios destinados à venda, tanto em virtude do registro no estoque de crias nascidas no períodobase, como pela avaliação do estoque a preço de mercado, embora constitua receita tributável pelo imposto de renda, não compõe a base de cálculo da COFINS e do PIS Receita Operacional; II o fato gerador das contribuições de que trata o item I somente ocorrerá quando da venda dos produtos agrícolas, animais e extrativos que compõem o estoque. E, por que a lei tributária do IRPJ permite essa avaliação de produtos agrícolas a preço corrente de mercado? Pela seguinte razão. A própria Lei de S.A., mesmo antes das alterações processadas pelas Leis 11.638/07 e 11.941/09 que alteraram o direito contábil, previa essa possibilidade quando tal fosse o costume mercantil aceito pela técnica contábil (art. 183, § 4º). E a técnica contábil admitia e continua a admitir tal avaliação e o reconhecimento da receita, quando o mercado seja tão líquido que o relevante e o crítico para a mensuração do desempenho seja a produção e não a venda (cf. a propósito Fernando Próspero Neto e Fernando Caio Galdi, IAS 18 – Reconhecimento de receita. Manual de Normas Internacionais de Contabilidade – IFRS versus Normas Brasileiras. Ernst & Young e Fipecafi, São Paulo: Atlas, 2009, p. 160; na mesma linha, Sérgio de Iudícibus, Teoria da Contabilidade. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2009, pp. 49 e 50). Igualmente evidente, pois, que, assim como a avaliação de produtos agrícolas não tem caráter de provisão ativa – sua contrapartida não é de receita de provisão ativa – a mensuração e a variação do passivo da obrigação de devolução de produtos agrícolas ao armazenante não tem caráter de provisão – sua contrapartida não é uma despesa de provisão. Daí a contrapartida da avaliação de produtos agrícolas em estoque ser receita tributável para fins de IRPJ. Conquanto as formas de contabilização que descrevi inicialmente não tenham sido abordadas pela recorrente, procurei as fazer para demonstrar claramente que não se está diante de um passivo representativo de provisão, mas de obrigação certa e líquida. Simplesmente essa pode variar, como de ordinário varia. Sem dúvida que o CMV é calculado mediante apuração do estoque inicial (EI), das compras (C) e do estoque final (EF), de modo que aquele é determinado pela fórmula: CMV = EI + C – EF, como afirmou o órgão julgador de origem. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11075.000619/200911 Acórdão n.º 1103000.873 S1C1T3 Fl. 998 14 A questão é que a recorrente não registrou estoque: nem estoque inicial nem estoque final, e, por isso, ela não apurou o CMV. Por isso também que formulei as diversas contabilizações possíveis, para mostrar que a contabilização feita pela recorrente leva ao mesmo resultado, desnudando a natureza de obrigação certa e líquida de devolução dos produtos armazenados, e não de provisão, sem apuração do CMV (dedutível). Por final, cabe registrar que o autuante não questionou o quantum do passivo representativo da obrigação de devolução dos produtos agrícolas armazenados. O valor do passivo constituído – sua contrapartida não foi questionado, tampouco foi colocada em questão a receita pela venda dos produtos armazenados. A questão que se tornou controversa foi o caráter ou natureza do passivo constituído, que o autuante reputou ser de provisão. Enfim, não me resulta dúvida de que a recorrente fora extremamente infeliz ao “apelidar” erroneamente de provisão o passivo que não tem esse caráter e que, portanto, é perfeitamente dedutível, diante de tudo quanto deduzi, incluindo as diversas formas de contabilização, e sobretudo diante do motivo da glosa das despesas em discussão. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 13 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10530.000133/2001-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
DIREITO AO CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO.
Se o contribuinte não apresenta informações suficientes que permitam identificar que tipo e quantidade de insumo é aplicada em produtos não tributados - em relação aos quais não se permite a manutenção dos créditos de IPI - e não há nos autos nenhum elemento que permita realizar tal avaliação, impõe-se a glosa da totalidade dos créditos.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITOS.
Se o contribuinte sofre a glosa de créditos de IPI, que ocasiona a redução de seu saldo credor do imposto, não possui direito ao ressarcimento de crédito inexistente. Compensação não homologada pela inexistência do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.990
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Fabia Regina Freitas, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 DIREITO AO CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. Se o contribuinte não apresenta informações suficientes que permitam identificar que tipo e quantidade de insumo é aplicada em produtos não tributados em relação aos quais não se permite a manutenção dos créditos de IPI e não há nos autos nenhum elemento que permita realizar tal avaliação, impõese a glosa da totalidade dos créditos. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITOS. Se o contribuinte sofre a glosa de créditos de IPI, que ocasiona a redução de seu saldo credor do imposto, não possui direito ao ressarcimento de crédito inexistente. Compensação não homologada pela inexistência do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 01 33 /2 00 1- 31 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10530.000133/200131 Acórdão n.º 3302001.990 S3C3T2 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Fabia Regina Freitas, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de IPI, cumulado com Pedido de Compensação daquele crédito com débitos de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ, apurados em 12/2000 (fls. 01/02). Os créditos pleiteados derivam de saldo credor acumulado até dezembro/2000, em razão da compra de MP, PI e ME utilizados em produtos com saída imune, não tributada ou submetidas à alíquota zero de IPI. Em 10/06/2005, a fiscalização intimou a Recorrente a apresentar documentos relativos ao período de dezembro/99 a dezembro/04 (fls. 29/30). De acordo com o relatório da fiscalização (fls. 32/33) e do Parecer da DRF (fls. 34/36), o contribuinte não teria apresentado documentos suficientes à comprovação da existência do crédito. Especialmente, o contribuinte não teria apresentado descrição detalhada do processo produtivo que pudesse confirmar a utilização de cada insumo, em cada mercadoria industrializada/vendida pela Recorrente. Tal verificação seria necessária para identificar quais insumos foram consumidos na produção de bens com saída não tributada, na medida em que este tipo de saída não permite a manutenção dos créditos sobre a entrada dos correspondentes insumos (direito garantido apenas para a entrada de insumos aplicados em produtos com saídas imunes, isentas e sujeitas à alíquota zero, nos termos do inciso I, artigo 3º, da Instrução Normativa nº 21/97). O Despacho Decisório (fls. 37) acatou as conclusões do relatório e o parecer acima mencionados, e não homologou a compensação realizada pela Recorrente, determinando também a cobrança dos valores declarados. Sobreveio a Manifestação de Inconformidade da Recorrente (fls. 41/43), por meio da qual esclarece que toda documentação necessária para comprovar a existência do crédito pleiteado – e utilizado na compensação – foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10530.002531/200515, cujo objeto referese ao auto de infração derivado Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10530.000133/200131 Acórdão n.º 3302001.990 S3C3T2 Fl. 12 3 da glosa integral dos créditos da contribuinte. Requereu, assim, o sobrestamento deste feito, pois a decisão naqueles autos impactaria diretamente o que é discutido neste processo. Foi anexada a estes autos cópia da decisão proferida pela DRJ, em 23/09/09, nos autos do Processo Administrativo n° 10530.002531/200515, que manteve o auto de infração e a glosa integral dos créditos da Recorrente (fls. 55/63). A decisão da DRJ foi proferida nestes autos em 18/11/11 (fls. 64/68), tendo sido mantida a não homologação da compensação, por julgar que a Recorrente não comprovou a existência de seu direito creditório. Ainda, a decisão manifestase pela impossibilidade de sobrestamento do feito, reconhece a estreita vinculação deste processo com aquele1 e consigna que nos autos do Processo Administrativo n° 10530.002531/200515 decidiuse que a Recorrente não possuía direito ao saldo credor apurado no período de outubro/00 a dezembro/04, o que levaria à conseqüência de inexistência do crédito pleiteado nestes autos, referente a dezembro/00. Intimada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 73/75), requerendo o sobrestamento deste feito, bem como que este processo seja apensado aos autos do Processo Administrativo n° 10530.002531/200515, para julgamento em conjunto, pois a decisão final a ser proferida naqueles autos impactará a decisão a ser proferida neste processo. Anexa ao Recurso cópia do Recurso Voluntário que foi apresentado nos autos do Processo Administrativo n° 10530.002531/200515 (fls. 76/98). Requer, ainda, em petição apresentada naquele processo, a imediata suspensão da exigibilidade dos débitos, pois os mesmos encontramse em situação de cobrança – assim como vários outros débitos objetos de processos distintos, em que se analisa pedidos de restituição e compensação o que poderá comprometer sua situação no Parcelamento – REFIS a que aderiu. Registrase que, na petição referente ao REFIS, não consta informação no sentido de que os débitos compensados nos presentes autos estariam incluídos no parcelamento. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. 1 Trecho do v. acórdão recorrido: "Verificase que de fato este processo e o de nº 10530.002531/200515 (auto de infração) têm estreita vinculação entre si, pois tem como objeto de mérito, período aqui pleiteado, que foi incluído em auto de infração, cujo resultado definitivo afetará a decisão a ser tomada neste processo." Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10530.000133/200131 Acórdão n.º 3302001.990 S3C3T2 Fl. 13 4 Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo e atende os demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Conforme se verifica da análise dos autos, a controvérsia gira em torno da existência ou não dos créditos utilizados pela Recorrente para promoção da compensação de valores devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Referidos créditos teriam natureza de saldo credor de IPI, acumulado até dezembro/2000, em razão da compra de MP, PI e ME utilizados em produtos com saída imune, não tributada ou submetidas à alíquota zero do imposto2. A Recorrente, de acordo com seu objeto social, exerce a atividade de “exploração do comércio e indústria de materiais tipográficos em geral, confecção de carimbos e flâmulas...”. Segundo a Recorrente a documentação comprobatória da existência do referido crédito foi apresentada à autoridade fiscal nos autos do Processo Administrativo n° 10530.002531/200515. Diante desta afirmação, solicitei que referido processo me fosse distribuído – na medida em que aguardava distribuição neste Conselho – para que fosse realizado o julgamento em conjunto, no que fui atendida. Assim, pude realizar a análise da documentação que a Recorrente alega, nestes autos, comprovar a existência do crédito que é objeto dos Pedidos de Restituição e Compensação aqui tratados. Da análise daqueles autos constatei que sua origem foi um procedimento fiscalizatório implementado pela autoridade fiscal, quando do recebimento do Pedido de Restituição e Compensação objeto destes autos, bem como de outros dois pedidos similares (cujos respectivos processos também vieram a ser distribuídos para minha relatoria). Naqueles autos, após analisar a documentação da Recorrente, a fiscalização promoveu a lavratura de auto de infração visando a cobrança do IPI, pois, em seu entender o contribuinte não teria comprovado adequadamente que tipo de insumo era utilizado na produção de cada um dos produtos que industrializava3. Por consequência a autoridade fiscal 2 Instrução Normativa 21/97: Art. 3º Poderão ser objeto de ressarcimento, sob a forma compensação com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da mesma pessoa jurídica, relativos às operações no mercado interno, os créditos: I decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI, inclusive os relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, para os quais tenham sido asseguradas a manutenção e a utilização;" 3 Trecho do auto de infração: "Os saldos credores objeto dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação resultam de um excesso de créditos sobre os débitos do imposto. Para apuração dos saldos credores, devem ser verificados se os créditos mantidos na escrituração guardam consonância com as determinações legais. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10530.000133/200131 Acórdão n.º 3302001.990 S3C3T2 Fl. 14 5 entendeu que deveria promover a glosa integral dos créditos de IPI escriturados em função da aquisição de insumos – MP, PI e ME, pois, parte dos produtos industrializados pela Recorrente poderiam compor o ativo imobilizado ou ainda, tiveram saída não tributada sendo que tais saídas não autorizam a manutenção dos créditos de IPI apurados na aquisição dos insumos aplicados naqueles produtos. Vale dizer, não identificando qual insumo foi utilizado na produção de mercadorias não tributadas pelo IPI (em sua saída), o fisco promoveu a glosa de todos os créditos da Recorrente, visto que aqueles derivados de insumos destinados ao ativo imobilizado ou utilizados em produto submetido à saída não tributada não poderiam ter sido mantidos pela Recorrente. Em sua defesa a Recorrente alegou, naqueles autos, que não possuía sistema de contabilidade integrada, que lhe permitisse promover a identificação precisa de qual insumo teria sido utilizado na produção de cada produto não tributado a que deu saída. De se destacar que a Recorrente é empresa de pequeno porte e que não se encontrava obrigada a manter o sistema de contabilidade integrada. Em sua defesa, alega tratar se de sistema de alto custo financeiro, com o qual não poderia arcar. O Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente nos autos do Processo Administrativo n° 10530.002531/200515 é intempestivo, razão pela qual não pôde ser conhecido por este Conselho. No entanto, é necessária a análise da documentação acostada aqueles autos – posto que a produção de provas para este caso foi realizada naquele processo para decidir a questão objeto deste processo. Assim, entendo que em respeito ao princípio da verdade material, é possível considerar os documentos acostados naqueles autos para decidir o caso ora sob análise. De fato a legislação não permite que o contribuinte mantenha créditos derivados da aquisição de insumos aplicados em produtos cuja saída seja não tributada pelo IPI, conforme estabelece o artigo 11 da Lei n° 9.779/99, verbis: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 Para esta verificação, é fundamental a descrição do processo produtivo. O contribuinte, porém, não forneceu a descrição deste processo, que indicaria onde se consome cada matériaprima, produto intermediário e material de embalagem constante da base de cálculo do crédito do IPI. O conhecimento do processo é fundamental para que se possa expurgar, da lista de notas fiscais de entrada que o contribuinte forneceu, as que se referem a material de consumo, bens do ativo permanente, e outros que não se incorporam aos produtos fabricados nem são consumidos no processo de industrialização através do contato físico com os produtos fabricados e que, portanto, não geram direito à manutenção dos créditos do I.P.I na escrituração. Ademais, o contribuinte forneceu a relação dos produtos industrializados, e nela se nota a presença de vários produtos não tributados. Com a descrição do processo produtivo, poderíamos verificar se os produtos não tributados possuem insumos comuns com a fabricação de produtos tributados, e calcular o estorno do crédito referente aos produtos não tributados. Como não foi apresentada a descrição do processo, não foi possível efetuar este cálculo. Assim, não nos foi possível assegurar que os valores de crédito de IPI existentes na escrituração estejam corretos." Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10530.000133/200131 Acórdão n.º 3302001.990 S3C3T2 Fl. 15 6 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda.” (destaquei) A Instrução Normativa n° 33/99, ao regulamentar a manutenção dos créditos, acresceu ainda a possibilidade de manutenção daqueles derivados de insumos aplicados em produtos imunes, verbis: “Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1 ° de janeiro de 1999.” (destaquei) Da leitura dos dispositivos supra transcritos constatase que apenas em relação aos produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero de IPI – nos termos da mencionada IN é que seria possível aproveitar créditos derivados da aquisição dos respectivos insumos. Concluise, portanto, que em relação a produtos não tributados pelo IPI, realmente não é permitida a manutenção dos créditos da aquisição de insumos. Todavia, da análise dos documentos acostados ao Processo Administrativo n° 10530.002531/200515, há uma “Relação de Produtos fabricados com Classificação e alíquota do IPI” apresentada pela Recorrente, em cumprimento à diligência solicitada pela DRJ (doc. de fls. 2.290/2.292 – eletrônica 2250/2252). Nesta lista consta a indicação da carga tributária incidente sobre os produtos, constandose a existência de produtos não tributados – NT e alíquota zero. Referido documento indica que a Recorrente produz 69 produtos, dos quais apenas 16 são não tributados pelo IPI. Pareceme, portanto, que a glosa integral dos créditos apurados pela Recorrente, seria medida demasiado extrema. Se de fato a Recorrente não tem direito à manutenção de créditos de IPI apurados quando da aquisição de insumos utilizados na produção de bens não tributados pelo imposto, por outro lado, teria direito à manutenção dos créditos que não foram aplicados em produtos que encontramse nesta situação. Da análise da documentação apresentada, apenas 16 dos 69 produtos produzidos, portanto, não permitiriam a manutenção do crédito. Entendo que 16 produtos não deveriam contaminar a apuração integral de créditos, que é de direito da Recorrente, em relação aos outros 53 produtos. Entretanto, embora a Recorrente não tenha mantido sistema de contabilidade integrada – que permitisse identificar a quantidade de cada insumo, utilizada em cada produto – também não apresentou durante a fiscalização, e na diligência realizada por determinação da DRJ, nenhum dado, informação ou prova complementar que pudesse permitir sequer a proporcionalização da glosa efetuada. A Recorrente, ciente de que parte de seus produtos não se submetiam à incidência do IPI, e que os insumos utilizados nestes produtos não poderiam gerar créditos do imposto, deveria ter criado algum tipo de controle paralelo para poder identificar Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10530.000133/200131 Acórdão n.º 3302001.990 S3C3T2 Fl. 16 7 adequadamente que insumo não geraria os créditos em questão, ainda que por amostragem. Não o fez. De fato, a legislação veda a manutenção dos créditos dos insumos aplicados nos 16 produtos não tributados. Logo, ainda que o contribuinte não tivesse controle paralelo destes insumos, e ainda que não pudesse indicar detalhadamente a quantidade e valor de insumos utilizados na produção destes bens, realizada à época dos fatos, poderia, ao menos, ter apresentado algum tipo de controle de sua produção atual. Algum demonstrativo, alguma prova, alguma relação de insumos que permitisse ao fisco, e aos julgadores, dimensionar quanto dos insumos utilizados se destinavam a produtos não tributados, para limitar a glosa a esta proporção. Assim, por mais que esta conselheira entenda que a glosa integral não seria adequada, para que pudesse proporcionalizar os números, mantendoa apenas sobre o que proporcionalmente tivesse sido aplicado nos produtos não tributados, seria preciso algum tipo de informação que esclarecesse quanto do insumo é utilizado naquele determinado produto, sem o que a presunção fica viciada. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, mantendo a decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10680.018259/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 30/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 30/09/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 82 59 /2 00 7- 33 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.018259/200733 Acórdão n.º 2102002.683 S2C1T2 Fl. 95 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MYLENE SORAYA SABARENSE foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 05/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 4.235,61, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram: dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de previdência privada/FAPI, nos valores de R$ 16.694,14 e R$ 1.980,89, respectivamente. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/03, que foi considerada procedente em parte, pela autoridade julgadora de primeira instância, sendo cancelada a infração de dedução indevida de previdência privada/FAPI e restabelecida a dedução de despesa médica, no valor de R$ 99,14 (Acórdão DRJ/BHE nº 02 30.207, de 22/12/2010, fls. 45/55). Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 25/03/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 51, a contribuinte apresentou, em 14/04/2011, recurso voluntário, fls. 53/61, onde procura demonstrar de forma exaustiva que as despesas médicas foram pagas em espécie. É o Relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.018259/200733 Acórdão n.º 2102002.683 S2C1T2 Fl. 96 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2005, anocalendário 2004, fls. 37/39, a recorrente teve glosadas as seguintes despesas médicas: Profissional/Pessoa jurídica Valor em Reais Sheila Eros Pereira psicologa 4.150,00 Consultas Médicas – Consulte 905,00 Humberto Massote odontólogo 2.120,00 João Feliciano Guimarães psicólogo 6.480,00 Guilherme A S Araújo fisioterapeuta 2.940,00 Total 16.595,00 Registrese que a contribuinte, durante o procedimento fiscal, foi intimada a fazer a comprovação do efetivo pagamento das despesas acima discriminadas, conforme Termo de Intimação Fiscal, fls. 42. Ocorre que tal intimação não foi atendida pela contribuinte, sendo certo que os recibos somente foram apresentados na fase de impugnação do lançamento. No recurso, assim como na impugnação, a contribuinte insiste em afirmar que os pagamentos foram realizados em espécie. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.018259/200733 Acórdão n.º 2102002.683 S2C1T2 Fl. 97 4 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima transcritos, verificase que cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. É bem verdade que, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo, por parte do Fisco, dúvida quanto ao efetivo pagamento das quantias consignadas nos recibos de tratamento médico, outras provas podem ser solicitadas. E este é caso dos autos. Veja que a contribuinte, em DAA, anocalendário 2004, exercício 2005, pleiteou dedução de despesas médicas, no valor total de R$ 16.694,14, que corresponde a 36% dos rendimentos tributáveis líquidos (rendimentos tributáveis menos previdência e imposto de renda na fonte), que foram de R$ 45.485,10. Ou seja, os gastos com despesas médicas foram exagerados, fato que justifica a exigência da comprovação do efetivo pagamento, sendo certo que o comprometimento da ordem de 36% dos rendimentos com despesas médicas, somente se justificaria caso restasse comprovado que a contribuinte ou algum de seus dependentes padecessem de grave doença, o que em nenhum momento ficou demonstrado nos autos. Ressaltese que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica, pleiteando a aceitação de simples recibos, como comprovação de despesas médicas pleiteadas, se o fenômeno econômico não ficar provado. É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Insta dizer que a apresentação de extratos bancários, por si só, não demonstram a efetividade do pagamento das quantias consignadas nos recibos, mormente quando não se verifica nenhuma correlação entre os saques efetivados nas contas bancárias da contribuinte e os valores indicados nos recibos. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.018259/200733 Acórdão n.º 2102002.683 S2C1T2 Fl. 98 5 Nestes termos, considerando que os documentos trazidos aos autos não demonstram a efetividade dos pagamentos dos valores consignados nos recibos, devese manter a autuação. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10580.730522/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
NULIDADES. INOCORRÊNCIA. SANEAMENTO DE ERROS.
Não se há de admitir a nulidade do lançamento, nem da decisão de primeira instância, quando a data do vencimento da obrigação constou incorretamente no lançamento e a Autoridade Julgadora em primeira instância efetuou a necessária correção, especialmente diante da clareza da descrição dos fatos e da ausência de prejuízo à interessada. O mesmo no que toca à menção errada, em um demonstrativo, ao período de apuração, falha amplamente suprida pela descrição dos fatos e que, de igual modo, não trouxe qualquer prejuízo à interessada.
Numero da decisão: 1302-001.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. VIA NÃO ADMITIDA. No anocalendário 2007, a forma admitida pela legislação para a compensação entre créditos e débitos tributários seria mediante a apresentação de declaração (DCOMP). Não se pode aceitar que estimativas mensais de IRPJ houvessem sido quitadas mediante compensação feita exclusivamente na contabilidade do sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 NULIDADES. INOCORRÊNCIA. SANEAMENTO DE ERROS. Não se há de admitir a nulidade do lançamento, nem da decisão de primeira instância, quando a data do vencimento da obrigação constou incorretamente no lançamento e a Autoridade Julgadora em primeira instância efetuou a necessária correção, especialmente diante da clareza da descrição dos fatos e da ausência de prejuízo à interessada. O mesmo no que toca à menção errada, em um demonstrativo, ao período de apuração, falha amplamente suprida pela descrição dos fatos e que, de igual modo, não trouxe qualquer prejuízo à interessada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 05 22 /2 01 0- 90 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.730522/201090 Acórdão n.º 1302001.191 S1C3T2 Fl. 104 2 Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório BOA VIAGEM TRANSPORTES LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 15030.183, de 21/03/2012, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase do auto de infração de fls. 3/6, datado de 06/10/2010, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), do anocalendário de 2007, no valor de R$299.263,18, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros legais. O AuditorFiscal descreve a infração cometida como Falta de Recolhimento/Insuficiência de Recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados informados na DIPJ com os declarados e recolhidos pelo contribuinte. Cientificado em 19/10/2010, o contribuinte apresentou impugnação em 17/11/2010, alegando, em síntese, que: o auto de infração é inservível, pois contém erros insanáveis, pois não considerou que o impugnante fez compensação com valores advindos de anos anteriores e, mesmo admitindo a hipótese de falta de recolhimento da estimativa, a diferença, ou seja, a parte não recolhida, não pode ser deduzida do imposto anual. Assim, o não recolhimento da estimativa faz aumentar o valor a pagar em cota única com vencimento em março de 2008, o que não ocorreu no lançamento de ofício. E ainda pior, não motivou o lançamento, deixando o impugnante a mercê da imaginação. a auditoria partiu do princípio de que o impugnante não recolheu parte das estimativas apuradas no anocalendário de 2007, tendo comparado as estimativas declaradas na DIPJ 2008, no valor de R$903.449,78, e as efetivamente recolhidas, no valor de R$604.186,60, o que resultou em uma diferença de R$299.263,18, tendo esta diferença sido objeto do auto de infração, o qual deu tratamento de estimativa não recolhida em dezembro, entretanto, não é assim que a lei trata da matéria Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.730522/201090 Acórdão n.º 1302001.191 S1C3T2 Fl. 105 3 (transcreve artigos da Lei nº 9.430, de 1996, e Instrução Normativa nº 93, de 1997, que regem a matéria); a interpretação possível para os dispositivos legais transcritos, que regem a matéria, é que a estimativa é a resultante da base de cálculo do imposto apurado na modalidade da receita bruta e acréscimos ou com base no balanço ou balancete de redução/suspensão, tendo como vencimento o final do mês subsequente à apuração e quando recolhido no prazo de vencimento não se submete a acréscimos de taxa de juros; possui ainda a estimativa a peculiaridade de ser débito de vida efêmera e transitória e por isso não pode ser objeto de lançamento nem da consequente inscrição na dívida ativa, pois tratase de valor provisório, posto que deixa de existir a partir da sua utilização como dedução do imposto anual, por sua vez, o saldo do imposto anual é apurado de forma diferente, surge inicialmente da aplicação das alíquotas do imposto e adicional, sobre o qual são deduzidas as estimativas efetivamente recolhidas, sendo a sobra, ou saldo positivo, a cota única a que se refere o legislador, que difere radicalmente da estimativa; no presente lançamento de ofício é possível afirmar que a Auditoria está cobrando estimativas não recolhidas e indevidamente concentradas em dezembro de 2007, confirmando a cobrança de estimativa, ao invés de saldo positivo, a data de vencimento como sendo 31 de janeiro de 2008; os valores das estimativas consignadas como não recolhidas foram, em verdade, objeto de compensação, conforme atesta os assentamentos e registro na contabilidade, com créditos que decorrem de saldo negativo ou de recolhimento a maior nas DIPJ de anos anteriores ao de 2007; Ao final, pede o impugnante que os autos de infração sejam cancelados em razão de não haver previsão legal de cobrança de estimativas em auto de infração e a diferença apontada no lançamento de ofício inexiste. A 2ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 15030.183, de 21/03/2012 (fls. 80/84), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do IRPJ implica o lançamento de ofício, com a aplicação da multa sobre a totalidade do imposto lançado. Por oportuno, esclareço que o provimento parcial se deveu ao reconhecimento de incorreção na data de vencimento do tributo lançado. Enquanto no auto de infração consta como vencimento 31/01/2008, a Turma Julgadora considerou que a data correta deve ser 31/03/2008. No mais, o lançamento foi mantido. Ciente da decisão de primeira instância em 17/10/2012, conforme Aviso de Recebimento à fl. 91, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/11/2012 conforme carimbo de recepção à folha 92. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.730522/201090 Acórdão n.º 1302001.191 S1C3T2 Fl. 106 4 No recurso interposto (fls. 93/101), traz argumentos que podem ser assim sintetizados: A recorrente insiste em que no presente processo teria ocorrido o lançamento de ofício de estimativas não recolhidas de janeiro a maio de 2007, concentradas “com fato gerador único em dezembro”, e sobre estas teria sido aplicada multa de 75%. Acrescenta que na mesma data e procedimento, nos autos do processo nº 10580.730521/201045, a Auditora Fiscal teria lançado multas isoladas no percentual de 50% sobre as estimativas não recolhidas, em cada mês. A partir dessas afirmações, a interessada sustenta a nulidade de ambos os processos, visto que “há duplo lançamento cujo procedimento é ilegal e macula a ambos”. Busca apoio a sua tese na Teoria Geral do Direito e na doutrina de Paulo de Barros Carvalho e Norberto Bobbio. Colaciona, ainda, jurisprudência administrativa em seu favor. Por outra vertente, a contribuinte insiste em que o presente lançamento cuidaria de estimativas não pagas, “concentradas” em dezembro. Questiona mais uma vez a data de vencimento do tributo lançado, e sustenta que o cálculo dos juros estaria em desconformidade com o estatuído pelo art. 6º da Lei nº 9.430/1996. A recorrente pede a nulidade da decisão recorrida, pois faltaria competência legal ao julgador para alterar a data de vencimento da exação. Outra nulidade invocada, desta feita do lançamento: o período de apuração teria sido identificado no demonstrativo de apuração como sendo “01/10/2007 a 31/12/2007”, o que se caracterizaria, por sua ótica, como infringência ao art. 10 do PAF e art. 142 do CTN. Prossegue a interessada, sustentando que os valores das estimativas tidas como não recolhidas na verdade teriam sido compensados, conforme atestariam os assentamentos e registro na contabilidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Inicialmente, deve ser afastada a afirmação da recorrente de que o presente processo cuidaria do lançamento de estimativas não recolhidas dos meses de janeiro a maio de 2007, concentradas “com fato gerador único em dezembro”. Os fatos, na verdade, são muito simples, e a descrição dos fatos que consta do auto de infração (fl. 04) é de clareza meridiana, suficiente para a perfeita compreensão da interessada. Confirase: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.730522/201090 Acórdão n.º 1302001.191 S1C3T2 Fl. 107 5 001 – FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento e declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ com os declarados e recolhidos pelo contribuinte, conforme demonstrado na planilha em anexo, denominada “Demonstrativo da Insuficiência dos Valores Declarados IRPJ – Ajuste anual”. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2007 R$ 299.263,18 75,00 O lançamento é claramente do ajuste anual, apurado em 31/12/2007, sendo que a autoridade lançadora fez abater do valor apurado o montante das estimativas mensais efetivamente pagas. Enquanto na DIPJ havia a indicação de estimativas no total de R$ 903.449,78 (somatório de janeiro a dezembro da linha 12 Imposto de Renda a Pagar da Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa da DIPJ, fls. 15/18), foram encontrados pagamentos de apenas R$ 604.186,60. Ao examinar a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real da DIPJ (fl. 19), constatase que o imposto devido, apurado pelo próprio contribuinte, coincidiu numericamente com o montante das estimativas mensais. Assim, o Imposto de Renda a Pagar (anual, frisese) consignado na DIPJ, linha 19, ficha 12A é de R$ 903.449,78. Desse valor (anual) devem ser abatidas as estimativas recolhidas mensalmente. De se observar que, caso o contribuinte houvesse pago todas as estimativas por ele calculadas e demonstradas na Ficha 11 da DIPJ, não haveria qualquer saldo de imposto a pagar, muito menos a lançar. No entanto, como as estimativas de janeiro a maio não foram efetivamente pagas, em decorrência da coincidência numérica anteriormente apontada, a diferença a pagar no ajuste também coincide numericamente com o montante das estimativas não pagas. Isso não significa, em absoluto, que o lançamento seja de estimativas, mas apenas que o valor numérico é igual. Esclarecido este ponto, devem ser afastadas quaisquer alegações de nulidade do lançamento relacionadas a um hipotético e não verificado “lançamento de estimativas”, da mesma forma que foi feito em primeira instância. A recorrente questiona a duplicidade de lançamento das multas, visto que, em outro processo (nº 10580.730521/201045), teriam sido lançadas multas exigidas isoladamente pela falta de recolhimento de estimativas nos meses de janeiro a maio/2007. Tratase de alegação que somente pode ser examinada nos autos do referido processo nº 10580.730521/201045. Aqui, conforme visto, o lançamento é para constituição do crédito tributário correspondente à parcela de ajuste anual, acompanhado da multa de ofício de 75%, nos termos da lei. No que tange à data de vencimento da obrigação, a então impugnante questionou o fato de que o lançamento apontaria 31/01/2008, o que, por sua ótica, reforçaria tratarse de lançamento de estimativa de dezembro/2007. A Autoridade Julgadora em primeira instância, após consignar seu entendimento de que não se tratava de lançamento de estimativa, reconheceu que a data correta do vencimento deveria ser outra, nos seguintes termos (fl. 83): [...] Entretanto, assiste razão ao impugnante quando alega que o vencimento do IRPJ devido na declaração de ajuste referente ao anocalendário de 2007 seria 31 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.730522/201090 Acórdão n.º 1302001.191 S1C3T2 Fl. 108 6 de março de 2008, e não o indicado no auto de infração 31 de janeiro de 2008. Todavia este falha cometida pelo autuante não invalida o lançamento, devendo ser corrigida a data do vencimento, a partir da qual passa a incidir os juros de mora. Em sede de recurso, a interessada sustenta que essa correção implicaria nulidade da decisão recorrida, por infração ao art 10 do PAF e art. 142 do CTN. Eis os dispositivos em comento: Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº 5.172/1966: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Como se vê, a correção da data de vencimento do crédito tributário feita pela Autoridade Julgadora a quo não implica qualquer nulidade. A descrição dos fatos foi clara o suficiente para permitir a ampla defesa por parte da autuada. Tendo sido feita a correção da data do vencimento, incumbe à Unidade Local da RFB, encarregada da execução do acórdão, promover, se for o caso, o ajuste no cálculo dos juros de mora, de forma a atender ao previsto no art. 6º da Lei nº 9.430/1996. O mesmo se pode dizer com relação à alegação, trazida apenas em sede de recurso, de erro quanto ao período de apuração. É verdade que no demonstrativo de fl. 5 consta, equivocadamente, a informação de que o períodobase seria “01/10/2007 a 31/12/2007”, o que poderia, em tese e apenas se considerada isoladamente, levar ao entendimento de tratarse de apuração trimestral. Entretanto, isso não ocorreu, até mesmo em razão da clara descrição dos fatos que não deixa qualquer dúvida sobre tratarse de apuração anual do imposto. A interessada teve todos os meios para compreender a infração que lhe foi imputada e exerceu com desenvoltura seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Desde que nenhum prejuízo lhe foi trazido e que essa informação em nada altera o lançamento, não se há de reconhecer qualquer nulidade. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.730522/201090 Acórdão n.º 1302001.191 S1C3T2 Fl. 109 7 Afastadas as nulidades suscitadas, no mérito a situação se afigura sem novidades. Alega a recorrente que as estimativas de janeiro a maio de 2007 teriam sido compensadas, conforme atestariam os assentamentos e registro na contabilidade. Nada de novo foi trazido em relação à peça impugnatória. A alegação foi enfrentada no acórdão recorrido da seguinte forma (fl. 83): Notese, também, que a alegação do contribuinte de que efetuou compensação das estimativas do anocalendário de 2007 não se sustenta. Embora conste da DIPJ 2008 valores devidos de IRPJ por estimativa para os meses de janeiro a maio, estes valores não foram declarados nas DCTF apresentadas (fls. 35/46). Pesquisa realizada no sistema SIEF da RFB também não encontrou nenhum pedido de compensação, PER/DCOMP, apresentado desde janeiro de 2007 até a data da autuação, referente aos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de janeiro a maio. Não faço reparos ao quanto decidido. Acrescento, apenas, que, a partir do advento do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, profundas modificações foram trazidas ao instituto da compensação em matéria tributária. Particularmente, a compensação feita exclusivamente na contabilidade do sujeito passivo já não era mais aceita desde muitos anos antes dos fatos aqui apreciados. Por essa ocasião, a única forma admitida para compensar créditos e débitos tributários seria mediante a apresentação de declaração eletrônica de compensação (DCOMP), o que, como visto, não ocorreu. Em assim sendo, correta a decisão de primeira instância que negou os argumentos sobre essa matéria. Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000743/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2001
IRRF. ANTECIPAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA.
Quando se trata de incidência do IRFONTE como antecipação tributária, a responsabilidade da fonte pagadora cessa quando ultrapassado o prazo de apresentação da DIRPF do beneficiário do rendimento, de quem é exigível, na declaração anual de ajuste, o imposto que seja efetivamente devido.
IRPF. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NA PESSOA FÍSICA DO BENEFICIÁRIO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Por ausência de previsão legal a multa de ofício prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com redação data pela Lei nº 11.488, de 2007, para os casos de falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora dos rendimentos, não é aplicável de forma isolada, quando o imposto não for mais exigível desta mesma fonte pagadora.
Numero da decisão: 2201-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Franco de Lima, OAB/SP 195.054.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 06/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ANTECIPAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. Quando se trata de incidência do IRFONTE como antecipação tributária, a responsabilidade da fonte pagadora cessa quando ultrapassado o prazo de apresentação da DIRPF do beneficiário do rendimento, de quem é exigível, na declaração anual de ajuste, o imposto que seja efetivamente devido. IRPF. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NA PESSOA FÍSICA DO BENEFICIÁRIO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Por ausência de previsão legal a multa de ofício prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com redação data pela Lei nº 11.488, de 2007, para os casos de falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora dos rendimentos, não é aplicável de forma isolada, quando o imposto não for mais exigível desta mesma fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 07 43 /2 01 1- 24 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Franco de Lima, OAB/SP 195.054. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 06/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício de Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo ao período de agosto a dezembro de 2000, consubstanciado no Auto de Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.620 327,34, calculados até 30/04/2001. A fiscalização apurou que a cooperativa de trabalho médico infringiu a legislação tributária ao deixar de reter e recolher o IRRF sobre os rendimentos do trabalho não assalariado pagos aos cooperados de 25/08/2000, 24/09/2000, 25/10/2000, 25/11/2000 e 24/12/2000. Em razão da falta de retenção, o rendimento pago foi considerado líquido do imposto de renda, de modo que a base de cálculo foi reajustada nos termos do art. 725 do RIR/1999. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa de ofício de 75%. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: A UNIMED LIMEIRA é uma cooperativa singular de trabalho, que viabiliza a atividade coletiva de seus sócios. A sociedade cooperativa presta serviços aos seus associados, promovendo a sua agregação, organização e composição de um produto que é levado aos usuários ou consumidores, tal como regulado na Lei n° 5.764/1971. A atividade da cooperativa é meramente instrumental, não se confundindo seus atos com os dos profissionais que a compõe. Estes profissionais são considerados trabalhadores autônomos para todos os fins tributários. A cooperativa realiza ato cooperativo, que não se confunde com o objeto das atividades dos sócios. Toda a atuação da cooperativa para possibilitar aos sócios concretização do objeto econômico da sociedade considerase como uma atividade instrumental, que não lhe proporcional, individualmente como pessoa jurídica, qualquer disponibilidade financeira, quer lucro ou mesmo receita ou arrecadação. Seus resultados são distribuídos aos cooperados, proporcionalmente à atividade de cada um. A Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000743/201124 Acórdão n.º 2201002.211 S2C2T1 Fl. 3 3 cooperativa apenas arrecada em nome dos sócios e lhes destina o produto dessa arrecadação, depois de deduzir a parcela de cada um nas despesas da sociedade. No tocante às contratações com pessoas físicas, inexiste qualquer tipo de obrigação relativamente à retenção do IRRF. Por outro lado, quanto aos contratos celebrados com pessoas jurídicas, cabe a esta a retenção na fonte, conforme determina o art. 45 da Lei n° 8.541/1992. Inferese que a relação ocorre diretamente entre o cooperado e a empresa contratante. Se a cooperativa não tem receita da atividade objeto, então não pode ser considerada como fonte do rendimento auferido pelos seus sócios, de modo que não lhe é aplicável o disposto no art. 7o, II, da Lei n° 7.713/1988. Esta norma é dirigida às pessoas jurídicas que pagam ou creditam rendimentos a pessoas físicas. O cooperado não presta serviços à cooperativa, de modo que não se pode afirmar que esta paga rendimentos do trabalho não assalariado àquele. Tampouco se pode afirmar que o simples crédito basta para a incidência do IRRF, pois tratase de operação anterior ao pagamento. O pagamento pressupõe um crédito, ou seja, uma obrigação jurídica, sendo uma das formas de extinção desta. A Lei referese a "rendimentos pagos ou creditados" para fixar um critério temporal, de modo que a obrigação surge quando ocorrer qualquer dos dois. O processo em apreço foi convertido em diligência por deliberação dos membros da 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, para que fosse verificado, relativamente a cada cooperado, se os rendimentos creditados pela cooperativa foram por eles oferecidos à tributação na correspondente DIRPF. Ato continuo, foram juntados aos autos os documentos de fls. 306/483, que contém os extratos das DIRF/2000 e Quadro de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas da DIRPF/2001 dos cooperados. A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou parcialmente procedente o lançamento e afastou da exigência o imposto de renda retido na fonte, mantendo, contudo, a multa e os juros de mora, conforme se colhe da ementa abaixo transcrita: FALTA DE RETENÇÃO DE IRRF EXIGÊNCIA DO IMPOSTO, DA MULTA E DOS JUROS APÓS O PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PELOS BENEFICIÁRIOS DOS RENDIMENTOS Em caso de constatação, após o prazo para apresentação da declaração de ajuste anual pelos beneficiários, de falta de retenção de IRRF sobre rendimentos do trabalho autônomo, o lançamento do imposto deve ser feito contra o contribuinte, sendo cabível exigir da fonte pagadora o pagamento de multa de ofício e de juros moratórios, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Intimada da decisão de primeira instância em 19/05/2011 (fl. 102), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 21/06/2011 (fls. 105 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: Ocorre que como já comprovado e reconhecido pela r. decisão recorrida, os beneficiários realizaram os lançamentos em suas declarações de ajuste anual, o que afastou a exigência do IRRF da ora recorrente, haja vista que o tributo foi quitado pelos contribuintes. (...) Dessa forma, por ausência de lei formal que fundamente a aplicação da multa ora exigida, a pretensão remanescente da Fazenda não deve persistir, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Recurso de Ofício Ao analisar a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a decisão de primeira instância assim concluiu: Na situação de que trata o presente processo administrativo, o autuado é cooperativa de trabalha médico. Os rendimentos percebidos por seus cooperados decorrentes dos serviços prestados a terceiros são a eles distribuídos pela cooperativa. E ela, portanto, quem faz o pagamento ou crédito financeiro dos rendimentos, de modo que a ela compete a retenção na fonte do imposto de renda sobre tais rendimentos. (...) O "caput" do art. 722 acima transcrito é claro ao determinar que a fonte pagadora é responsável pelo recolhimento do imposto de renda, ainda que não tenha efetuado a retenção. Na situação de que trata o presente processo administrativo, constatouse que a UNIMED LIMEIRA não reteve o imposto sobre os rendimentos pagos aos médicos cooperados. Ocorre que, conforme prescreve o parágrafo único do art. 722 do RIR/1999, caso se comprove que o beneficiário já incluiu o rendimento em sua declaração, aplicase apenas a multa prevista no art. 957 do RIR/1999, além dos juros de mora pelo atraso, calculados sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido. Não se exige, nesta hipótese, o imposto propriamente Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000743/201124 Acórdão n.º 2201002.211 S2C2T1 Fl. 4 5 dito, pois o rendimento já foi oferecido à tributação pelo contribuinte. (...) Diante das conclusões veiculadas pelo referido Parecer Normativo, concluise que, na situação de que trata o presente processo administrativo, é descabida a exigência do IRRF da UNIMED LIMEIRA, pois o auto de infração foi a ela cientificado em 21/05/2001, quando já se havia esgotado o prazo para apresentação da DIRPF, previsto no art. 2º, I. da Instrução Normativa SRF n° 25/1997. Assim, a exigência de eventual imposto devido sobre os rendimentos recebidos deve ser feita diretamente junto aos contribuintes beneficiários deles. Pelo que se vê, entendeu a autoridade recorrida que é descabida a exigência do IRRF, pois a contribuinte foi cientificada do Auto de Infração em 21/05/2001, quando já se havia esgotado o prazo para apresentação da DIRPF. Neste caso, a exigência de eventual imposto de renda deveria ser efetuada diretamente junto aos beneficiários dos rendimentos recebidos, conforme se colhe da transcrição da Súmula CARF n º 12: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Em relação à matéria supra a jurisprudência deste E. Colegiado é pacífica, consoante as ementas destacadas: IRFONTE ANTECIPAÇÃO TRIBUTÁRIA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA Quando se trata de incidência do IRFONTE como antecipação tributária, a responsabilidade da fonte pagadora cessa quando ultrapassado o prazo de apresentação da DIRPF do beneficiário do rendimento, de quem é exigível, na declaração anual de ajuste, o imposto que seja efetivamente devido. Acórdão 10419472. ...... NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE Com a declaração anual de ajuste cessa a responsabilidade da fonte pagadora pela eventual retenção e recolhimento do imposto incidente sobre rendimentos sujeitos à antecipação tributária, visto que o contribuinte é o titular da disponibilidade. (Ac 10419073). Isto posto, verificando que a decisão recorrida está fundamenta em elementos de prova, todos eles constantes dos autos, e estando seus argumentos em perfeita sintonia com a legislação de regência, nego provimento ao Recurso de Oficio. Recurso Voluntário A matéria objeto do Recurso Voluntário referese, exclusivamente, a multa de ofício e juros de mora aplicados sobre a fonte pagadora, Unimed Limeira Cooperativa de Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Trabalho Médico, pela ausência de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, sobre os rendimentos do trabalho não assalariado pagos aos cooperados. A multa aplicada foi com base no art. 9º da MP 16/2002, convertida na Lei nº 10.426/2002, cuja redação determinava: Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. (grifei) Por sua vez, a autoridade recorrida apoiouse no Parecer Normativo nº 01, de 24/09/2002, expedido pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT), da Secretaria da Receita Federal, verbis: Penalidades aplicáveis pela nãoretenção ou nãopagamento do imposto 15. Verificada, antes do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a nãoretenção ou recolhimento do imposto, ou recolhimento do imposto após o prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da multa de ofício estabelecida nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 957 do RIR/1999), conforme previsto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, verbis: Lei nº 10.426, de 2002 "Art. 9º Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado." Pelo que se vê, a penalidade pela falta de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte, só foi instituída a partir da edição da Medida Provisória n° 16, de 23 de dezembro, de 2001, convertida na Lei n° 10.426, de 2002. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000743/201124 Acórdão n.º 2201002.211 S2C2T1 Fl. 5 7 Contudo, o fato gerador do imposto retido ocorreu em 2000, ou seja, antes, da norma legal instituidora da penalidade. Portanto, no caso dos autos, a exigência da multa de oficio é indevida, conforme se observa da ementa destacada: IRRF. RECOLHIMENTO COM ATRASO SEM A MULTA DE MORA. PENALIDADE — Somente em relação a fatos ocorridos a partir da edição da Medida Provisória n° 16, de 23 de dezembro de 2001, passou a ser devida a exigência da multa de oficio, isoladamente, no caso de recolhimento de IRRF com atraso, sem a multa de mora. Ademais, legislação posterior deixou de definir o fato como infração passível de punição com multa isolada, aplicandose ao caso a nova regra, por ser mais benigna. (Acórdão n° 10422.210 Sessão de 25 de janeiro de 2007) Ademais, a Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, excluiu a imposição da multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/1996, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento. Confira se a nova redação introduzida pela art. 14 da citada Medida Provisória, convertida na Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” (NR): Portanto, a penalidade não é mais aplicada nas situações em que o imposto não retido é exigível da fonte pagadora. Além do mais, não se pode perder de vista a regra estampada no art. 106, inc. II, do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei nova se aplica a ato ou fato não definitivamente julgados, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Esse entendimento encontrase também pacificado neste Conselho, conforme ementas destacadas: EXIGIDA ISOLADAMENTE FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, prevista no art. 9º da Lei n° 10.426, de 2002, com redação data pela Lei n° 11.488, de 2007, não pode ser aplicada isoladamente nos casos em que o imposto não mais é exigível da fonte pagadora (CARF Acórdão nº 280200.184, 2ª Sessão / 2ª Turma Especial, sessão de 30 de novembro de 2009). FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF – MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE – LEI Nº 11.488, DE 2007 – RETROATIVIDADE BENIGNA – Aplicase ao ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de definilo como infração ou que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. (CARF Acórdão nº 220101.349, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 27 de outubro de 2011). É neste mesmo sentido o entendimento da CSRF, cuja ementa transcrevo: FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000743/201124 Acórdão n.º 2201002.211 S2C2T1 Fl. 6 9 FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora o imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa. Recurso especial negado.(acórdão nº 9202 002.288 08 de agosto de 2012, da 2ª Turma) Destarte, com as presentes considerações, é incabível a exigência da multa isolada. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10865.000743/201124 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.211. Brasília/DF, 14 de agosto de 2013. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 151DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000743/201124 Acórdão n.º 2201002.211 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10855.911833/2009-47
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível.
Numero da decisão: 1802-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 18 33 /2 00 9- 47 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911833/200947 Acórdão n.º 1802001.840 S1TE02 Fl. 225 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto recolhimento a maior de IRPJ Estimativa do período de apuração relativo a 07/2005 de empresa incorporada e cujo débito é de CSLL Estimativa relativo ao período de apuração de 03/2007. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 14 35.855, constante às efls. 97/98: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de IRPJ estimativa mensal (código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 07/2005. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contendo alegações nos termos seguintes: que “no ano base de 2005, a empresa incorporada (CNPJ N° 03.334.055/000126) recolheu a importância deR$ 1.386.499,77 (Hum milhão, trezentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e noventa e nove reais e setenta e sete centavos) como estimativa mensal da IRPJ, conforme cópias dos DARF's PER/DCOMP's e IR retido na fonte, que ora se junta e demonstra abaixo. Ocorre que ao apurar o valor final devido nesse período constatou que seu saldo credor era de R$ 1.346.330,35 (Hum milhão, trezentos e quarenta e seis mil, trezentos e trinta reais e trinta e cinco centavos ) resultando o recolhimento a maior de R$ 40.169,39 (Quarenta mil, cento e sessenta e nove reais e trinta e nove centavos).”; que “julgando estar correta, a Incorporada declarou na DIPJ e na DCTF somente os valores que deveriam ser os recolhimentos devidos, NÃO COMPUTANDO OS VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS A MAIOR E NÃO RETIFICANDO A DCTF.”; Fl. 226DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 que “ao amparo da DIPJ e dos DARFs de recolhimento se conclui que realmente houve o pagamento a maior, ainda que a DCTF não tenha sido retificada.”; que “os Sistemas da Receita Federal do Brasil NÃO PERMITEM, por falta de ferramentas, que a RECORRENTE Incorporadora, ZF DO BRASIL LTDA CNPJ 59.280.685/000110, efetue a retificação da DCTF da empresa incorporada, razão pela qual anexa segue SIMULAÇÃO do que seria a DCTF retificada com a apuração do tributo Código da Receita 2362”; que “a partir da simulação da DCTF retificada, da DIPJ e dos DARFs fica claro que de fato a RECORRENTE Incorporadora é detentora de saldo credor no valor de R$40.169,39 (diferença entre o valor recolhido R$1.386.499,77 e o valor correto de R$1.346.330,35) restando incorreta a conclusão do Despacho Decisório (n° de rastreamento 849906401) de que o crédito é inexistente, sendo considerada, por conseguinte, improcedente a compensação efetuada no PER/DCOMP 26012.55484.300407.1.3.049439 valor do crédito original informado: 19.656,50.”. Ao final requer reforma do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação.. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da peça impugnatória, conforme sintetiza a seguinte ementa (efls. 96): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de IRPJ por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 227DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911833/200947 Acórdão n.º 1802001.840 S1TE02 Fl. 226 5 Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão em 10/01/2012 (efls 110) mostrouse irresignada, pelo que apresentou recurso voluntário em 09/02/2012, suscitando em apertada síntese que: a) a colação de provas no momento recursal é valida à luz do princípio da verdade material, sobretudo quando atrelada a uma decisão que vincula essa necessidade e; b) o crédito pleiteado, seja considerado como pagamento a maior ou saldo negativo está devidamente comprovado pela documentação acostada. É o relato do essencial. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, discutese nos presentes autos sobre a existência de um crédito tributário passível de compensação, na condição de pagamento a maior/saldo negativo, de empresa incorporada à recorrente (ZF LEMFORDER DO BRASIL LTDA.). Preliminarmente, a recorrente pede que sejam analisadas as provas acostadas à peça recursal, em apreço à verdade material. Ora, em que pese o art. 16 do Decreto n° 70.235/72 determinar a apresentação da prova no momento da impugnação (correspondente momento da Manifestação de Inconformidade), está claro na exposição do Acórdão atacado que tais documentos são necessários neste momento para a comprovação do crédito, motivo pelo qual devem ser aceitos e analisados. Já no que tange à compensação (mérito), o Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – condiciona a hipótese de compensação, à existência de créditos líquidos e certos, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [...] À luz desse dispositivo, fica evidente que o contribuinte que apresenta um pedido de compensação deve demonstrar de plano a existência desse crédito. Neste sentido, as obrigações acessórias devem refletir seu pedido, de forma a consolidar sua existência e permitir a homologação da compensação. O presente caso remete ao suposto recolhimento a maior da estimativa de IRPJ do período de 07/2005 da Incorporada, pela apresentação da Declaração de Compensação de n° 26012.55484.300407.1.3.049439. A turma julgadora a quo selou entendimento no sentido de que as estimativas recolhidas têm cunho antecipatório, o que caracterizaria uma “flagrante impropriedade”, e portanto, “não se concebe extinção de obrigação tributária que ainda não existe, vez que o átimo do fato imponível do imposto de renda dáse em 31 de dezembro do anobase” e por isso, julgou incabível seu pleito na modalidade de pagamento a maior. Ora, em que pese a natureza antecipatória do recolhimento da estimativa, não há óbice ao pleito na modalidade de pagamento indevido ou a maior quando resta demonstrada Fl. 229DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911833/200947 Acórdão n.º 1802001.840 S1TE02 Fl. 227 7 por meio de documentação idônea sua existência, não podendo seu direito ao crédito ser negado por este motivo. Neste sentido, este Conselho já pacificou o entendimento através de Súmula: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sob a ótica da recorrente, denotase imprecisão no seu recurso voluntário, quando em relação à origem do crédito, colocase o seguinte: 20. Para aqueles que entendem que se trata de pagamento indevido ou a maior, seguem os fundamentos que garantem o direito à restituição: [...] 21. Para aqueles que entendem que se trata de saldo negativo, o artigo 2° da Lei n° 9.430/96, complementado pelo artigo 230 do Regulamento do IR/99, garante a compensação do saldo negativo, seja em virtude da natureza da sistemática de recolhimento, seja em relação ao disposto no artigo 11 da IN n° 900/2008. Vejamos os textos legais abaixo transcritos: [...] (Grifouse) Como se observa, não há determinação se o crédito supostamente existente é decorrente de pagamento a maior da estimativa, ou se ele é decorrente de um saldo negativo do período. Dos documentos juntados que guardam relação ao pleito, consta às efls 36/40 páginas da DIPJ que demonstram a existência de um saldo negativo no anocalendário de 2005 no montante de R$ 1.326.188,92 para a Incorporada. Tal constatação é um indício da existência de saldo negativo, hipótese que daria direito à recorrente ao indébito nesse montante. A DCTF relativa ao período consta nos autos às efls 53/72, contudo, sem a comprovação através do Recibo de entrega. Assim, ainda que hajam indícios de que o saldo negativo é existente, carecem questões de direito a serem analisadas, como o ato de incorporação com a determinação da transferência dos saldos existentes à empresa incorporadora e a legitimidade do crédito à luz os elementos colacionados aos autos pelo Recurso Voluntário. Cabe registrar que o fato de a recorrente ter indicado na Declaração de Compensação o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, evidenciase que a recorrente efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período e esse excedente deve configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Este colegiado normalmente desconsidera o erro formal no caso do contribuinte indicar nos PER/DCOMP recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. No que tange à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pela recorrente, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a recorrente, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. É este o caso. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911833/200947 Acórdão n.º 1802001.840 S1TE02 Fl. 228 9 Contudo, devido a não determinação pela origem da validade das provas juntadas neste recurso, bem como, da possível necessidade de outros elementos para sua configuração, é de se encaminhar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela recorrente e de outros que se entenda necessários apure, seu direito ao crédito e homologue a compensação até o limite da disponibilidade do crédito. Portanto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso interposto, determinando a remessa dos autos à origem (DRF de Sorocaba/SP). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 232DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 14033.000695/2010-37
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 69 5/ 20 10 -3 7 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000695/201037 Resolução nº 2803000.198 S2TE03 Fl. 583 2 Relatório Tratase de Recuso Voluntário apresentado pela contribuinte contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve o indeferimento ao Pedido de Restituição de valores retidos sobre notas fiscais de prestações de serviços (11% NFS), na forma do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, referente à competência 11/2007. O pedido de restituição foi requerido pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em 18/12/2009. Foi emitido o Despacho Decisório n. R34/SRFB/DRF/BSA, em 28/09/2010, com a decisão de não reconhecimento do direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública, tendo por fundamento, nos termos do enquadramento legal elencado: haver GFIP para competência 11/2006, da CEI n. 38.720.05895/70, sem movimento; e a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2867, a relação massa salarial/faturamento corresponde a 0,00%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. Dessa decisão monocrática, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, que também foi julgada improvida pela DRJ, pelos mesmos motivos. Do acórdão da DRJ, apresentou Recurso Voluntário, repetindo os argumentos da manifestação de inconformidade, nos seguintes termos reduzidos: durante o procedimento de fiscalização a Recorrente atendeu criteriosamente todas as solicitações realizadas pelo Fisco apresentando toda a documentação requerida, inclusive conciliando as informações apresentadas com o seu movimento contábil, afastando, assim, qualquer possibilidade de arguição de omissão, fraude ou simulação por parte da Recorrente em virtude de apresentação inidônea, não apresentação ou apresentação deficiente de documentos solicitados pelo Fisco; os documentos que foram apresentados dizem respeito única e exclusivamente à situação fiscal, vez que em nenhum momento existiu, por parte do Fisco, solicitação de documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros, motivo pelo qual não foram apresentados; devese anular a decisão recorrida, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório e concedendo a restituição pleiteada; a não observância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização; a inaplicabilidade do artigo 447, IV, "c" da IN RFB 971/09 ao caso, vez que as informações constantes nos documentos descaracterizados pelo Fisco são as mesmas que embasaram tal decisão acarretando um confronto de fundamentação (folha de pagamento, GFIP, notas fiscais e o contrato apresentado); Fl. 583DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000695/201037 Resolução nº 2803000.198 S2TE03 Fl. 584 3 não obstante existirem valores retidos dos subcontratados, a Recorrente não utilizou da faculdade de deduzir na nota fiscal emitida ao seu contratante, o valor da retenção já efetuada dos seus subcontratados (art. 127 da IN/RFB 971/09); Com o objetivo de cumprimento das normas de direito tributário que disciplinam sobre procedimento de restituição, bem como para afastar a possibilidade de agressão aos princípios gerais do direito e, por sua vez, evitar o enriquecimento sem causa por parte da União, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante formalização, que está em debate, sendo imprescindível o deferimento do pedido de restituição ora em apreço; a partir das premissas aqui construídas, notadamente, (i) a apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0 se vale apenas dos valores de folha de pagamento ou GFIP própria da Recorrente, descartando qualquer valor de mão de obra subcontratada; e (ii) de que a chamada de massa salarial na verdade é apenas uma parcela dos proventos integrantes da folha de pagamento vez que considera apenas os dados inseridos em GFIP, (iii) concluise que toda a sistemática utilizada pela administração fazendária inclusive o Sistema de Restituição WEB 2.0 são falhos, devendo toda e qualquer apuração através deste ser desconsiderada em sua totalidade; as preliminares suscitadas devem ser acolhidas, dando provimento ao presente recurso em razão da inaplicabilidade do instituto do arbitramento/aferição indireta, conforme restou comprovado, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório da recorrente e consequentemente deferindo o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados; quanto ao mérito, admitido em respeito ao princípio da eventualidade, seja reconhecido o direito creditório da Recorrente em face da legitimidade comprovada através do fiel e criterioso adimplemento de todas as obrigações tributárias concernentes às Contribuições Previdenciárias, bem como às relativas à formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP), anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99 e, consequentemente, deferir o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados. na remota hipótese de não acolhimento dos requerimentos já realizados, seja dado provimento ao presente recurso em virtude da ilegitimidade dos fundamentos que sustentam o acórdão recorrido, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99; nos termos do art. 58, II do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, requer, desde já, seja reconhecido o direito da Recorrente de sustentar oralmente toda a fundamentação ora expendida, quando do julgamento do presente Recurso; requer a reunião dos processos de restituição, nos termos do art. 47 do Regimento Interno do CARF. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000695/201037 Resolução nº 2803000.198 S2TE03 Fl. 585 4 O contribuinte apresentou memoriais ratificando a impugnação e recurso voluntário. É o relatório. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000695/201037 Resolução nº 2803000.198 S2TE03 Fl. 586 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator O recurso voluntário é tempestivo, devendo ser conhecido. Em que pese as alegações da decisão recorrida, em que a verdadeira base para o indeferimento ao pedido de restituição foi a relação de massa laboral, abaixo do valor de 40% do disposto no art. 450, I, da IN SRFB n. 971/2009, sem analise de qualquer um dos documentos ou outras formalidades para o pedido de restituição, o mesmo não pode ser aplicado isoladamente, sem qualquer outro elemento de levantamento, de forma a desconsiderar toda a documentação trazida pelo contribuinte. Observese que o instrumento de aferição indireta utilizado é um instrumento de lançamento do crédito tributário, não do processo de restituição. Inclusive, em momento algum, a primeira decisão fundamentouse na legislação ordinária para fins de fundamentar o indeferimento, não demonstrando o fenômeno da subsunção da norma individual e concreta com base na legislação ordinária, ou em decreto regulamentador. Inclusive, o disposto no art. 447, 450 460, da IN n. 971/2009, são balizas interpretativas para casos em que há realmente necessidade de desconsideração da documentação apresentada pelo contribuinte em casos de apuração do crédito tributário. Ainda, na decisão da autoridade fiscal, não houve a demonstração da ocorrência da hipótese de incidência do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, nem do art. 148 do CTN, que disciplinam a possibilidade de aferição indireta ou arbitramento nos casos que haja negativa do contribuinte de apresentar documentos hábeis e confiáveis a fiscalização quando solicitado. Essa indicação foi feita apenas na decisão da DRJ, inovando a motivação do ato administrativo, o que já é uma infração ao princípio da segurança jurídica. A fundamentação em atos infralegais deve ser sempre ponderada com as normas de hierarquia superiores, sob pena de violação à legalidade. Primeiro, até o presente momento, não há indicativo de qualquer lançamento de crédito tributário contra a contribuinte no que tange os períodos questionados, se o fiscal alega a existência descumprimento à legislação tributária, e a fiscalização não tomou as providências cabíveis até hoje, a falta é do mesmo que incorre em descumprimento de obrigações de pena funcional conforme o art. 142, do CTN. Segundo, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Terceiro, a simples alegação da pouca massa salarial em comparação do faturamento, na atualidade considerando as diversas formas da atividade da construção civil (ex.: construções prémoldadas, as partes do edifício já saem praticamente prontas da fábrica) como o único argumento de rejeição do pedido de restituição, o que abalroa a verdade material e legalidade. Quarto, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por ofício (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec. n. 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição, como o caso (ainda não publicado) do , o qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n. 10020.004375/200892: Fl. 586DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000695/201037 Resolução nº 2803000.198 S2TE03 Fl. 587 6 A DRF – origem após o contribuinte ter retificado as GFIP’s e retransmitidas estas considerou que as falhas do requerimento e da instrução processual devidas a falta de comprovação das alegações foram sanadas e reconheceu parte do pedido do contribuinte como esclarecido na Informação Fiscal,de fls. 131. Desta forma, com base na informação citado o direito creditório foi, assim, reconhecido. (...) Desta forma, atendidas as exigências por parte do requerente faz ele jus ao direito creditório reconhecido pela Informação Fiscal citada, conforme consta da tabela cima. A DRF – origem deve averiguar nos termos da legislação que rege a matéria, se o contribuinte faz jus a restituição, uma vez que reconhecer a existência do direito creditório, não implica e determinar a restituição de plano. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito dar lhe provimento parcial, nos termos da Informação Fiscal prestada pela DRF – origem, reconhecendo o direito creditório da recorrente. Porém, cabendo à DRF – origem verificar o preenchimento das condições para a restituição, conforme legislação de regência. Contudo, o presente caso demanda algumas particularidades, como se há realmente outro motivo para negativa ao pedido, pois nem sequer foi apontada falha ou irregularidade da documentação apresentada. Assim, cabe uma solicitação de diligência à autoridade fiscal para que, indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, havendo qualquer carência de requisito (ex.: preenchimento incorreto de formulário, GFIP, etc) que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação, após emita informação fiscal a respeito, sendo a contribuinte intimada para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Tudo conforme o que estabelece o art. do RICARF/MF. Conclusão Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; Fl. 587DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000695/201037 Resolução nº 2803000.198 S2TE03 Fl. 588 7 (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. É como voto. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 588DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15586.000311/2008-78
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se definitivamente constituída na esfera administrativa a matéria não expressamente impugnada.
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ pela própria Constituição Federal.
Numero da decisão: 1803-001.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se definitivamente constituída na esfera administrativa a matéria não expressamente impugnada. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ pela própria Constituição Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitivamente constituída na esfera administrativa a matéria não expressamente impugnada. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ pela própria Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 03 11 /2 00 8- 78 Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 9/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 15586.000311/200878 Acórdão n.º 1803001.789 S1TE03 Fl. 1.015 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 1233.656 proferido pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro1 RJ, constante das fls. 940 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o presente processo de lançamento formulado contra a interessada acima identificada, que resultou na exigência de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), ambos referentes ao ano calendário 2003, em valores respectivamente iguais a R$ 38.346,97 e R$ 20.461,01, acrescidos de multa de oficio à razão de 75% e de juros calculados com emprego da taxa Selic. Conforme o termo de verificação fiscal (TVF) de fls. 647/656, o lançamento decorreu de diferença na contabilização de receita, posto que, sem amparo legal para tal, a interessada adotou o regime de caixa, quando o aplicável ao caso seria o regime de competência. Inconformada com a autuação, da qual tomou ciência em 07/03/2008 (fls. 673), a interessada interpôs, no dia 07 do mês seguinte, as impugnações de fls. 674/682 e 684/692, nas quais, em síntese, alega: • que o procedimento fiscal desconsiderou as DCTF retificadoras do exercício 1993, bem assim os pagamentos realizados; e • que, com fulcro no art. 150, IV, da Constituição Federal, a multa de oficio se revela abusiva”. A 8ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro1 RJ, na sessão de 08/10/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1233.656 entendendo “NEGAR PROVIMENTO à impugnação, para manter a exigência fiscal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES DE DEFESA. PROVAS. São inócuas as alegações de defesa não comprovadas, por documentação habit e idônea, pelo sujeito passivo e nem passível e verificação de oficio pela autoridade julgadora. Impugnação Improcedente Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 9/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 15586.000311/200878 Acórdão n.º 1803001.789 S1TE03 Fl. 1.016 3 Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão de primeira instância em 27/10/2010 (AR fls. 900), a EXPRESSO SERRANO LTDA., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1233.656, recorre em 24/11/2010 (fls 901 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando alguns dos argumentos da telegráfica peça impugnativa e acrescentando novos contextos em decorrência da decisão proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro1 RJ. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Ante de adentrar no mérito do lançamento, fazse necessário transcrever, na integra, o voto da 8ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro1 – RJ, constante das fls. 940 e 941 dos autos: “A impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dela conheço. No caso em tela, a interessada não se contrapõe As razões do autuante, quanto ao emprego do regime incorreto para a contabilização das receitas auferidas, mas afirma que as diferenças de tributos exigidas de ofício foram, antes do procedimento fiscal, espontaneamente apuradas, declaradas em DCTF retificadoras e pagas. Inicialmente, quero crer que, ao referirse ao exercício 1993, a interessada pretendia, em verdade, mencionar o anocalendário 2003, por mais distante no tempo e na semântica que um esteja do outro. Partindo desse pressuposto e, considerando que nenhuma prova da alegada reapuração previa dos tributos lançados fora levada aos autos, empreendi pesquisa nas bases de dados da Receita Federal, não encontrando nenhuma declaração retificadora ou pagamento que corroborasse a afirmação da defesa. Talvez, justamente por tal inexistência, a interessada nada tenha juntado, revelando que seu argumento não passou de mera retórica de defesa. Quanto ao caráter confiscatório da multa de oficio, cumpre destacar que transcendem o escopo do julgamento administrativo as arguições que versam sobre inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos, hierarquia de leis, bem Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 9/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 15586.000311/200878 Acórdão n.º 1803001.789 S1TE03 Fl. 1.017 4 como arbitrariedade ou injustiça de atos legais ou infralegais, legitimamente inseridos no ordenamento jurídico pátrio. São questões que exorbitam da competência legal desta instância julgadora, enquanto parte integrante da estrutura organizacional do Poder Executivo, ao qual não cabe analisar a validade ou a razoabilidade daquelas normas, mas zelar pela sua correta inteligência e adequada aplicação nos processos fiscais sob sua apreciação. Fundamenta esta posição o art. 7° da Portaria MF n°. 58/2006, com fulcro nos dispositivos do art. 116, 111 da Lei n°. 8.112/90 e do art. 142, § único do CTN. Ante o exposto, é de se concluir pela acuidade do procedimento fiscal, razão pela qual nego provimento à impugnação”. A pequena mais objetiva decisão da 8ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro1 – RJ decorre da impugnação espartana apresentada pela Recorrente constante das fls 678 a 685, que sobre a autuação constante do Termo de Verificação Fiscal nº. 0720100 2007003960, constante das fls. 651 e segs, assim se pronunciou em somente 2 parágrafos, “verbis”: “II Razões de Defesa II— 1. Do erro no levantamento fiscal 3. O levantamento fiscal que apurou o crédito da União foi confeccionado com erro, desconsiderando a retificação das DCTF relativas ao exercício de 1993, bem como os recolhimentos efetuados em relação às retificações levadas a efeito, conforme se observa nos documentos e na planilha em anexo. 4. Assim sendo, deve ser abatido da conclusão fiscal os valores pagos com a retificação, sob pena de onerar, sem base legal o "quantum" devido a titulo de Imposto de Renda”. E só isso, depois a Recorrente traz argumento sobre a suposta natureza confiscatória da multa aplicada, com doutrina e a transcrição de julgados do Supremo Tribunal Federal, onde ressalta parte dos votos dos Ministros, Marco Aurélio, Ilmar Galvão, Sepulveda Pertence e Ellen Grace, estes últimos já aposentados, onde tenta fundamentar da desrazão da multa de 75% (setenta e cinco por cento). Desta forma como os fatos tidos como puníveis apresentados no Termo de Verificação Fiscal não foram contestados na impugnação e nem tampouco no recurso voluntário que somente afirmou o seguinte: “11.1.13. Assim, tal decisão não merece prosperar, haja vista o equivoco da Receita Federal do Brasil, seja no encaminhamento, seja na juntada dos documentos que instruíam a impugnação protocolizada pelo Recorrente, que corroborou no equivoco do Julgador em negar provimento impugnação. 11.1.14. Tendo em vista a possibilidade de sanálo ate decisão final administrativa, a Recorrente acosta aos autos a documentação, em anexo, que comprova o devido recolhimento do IRPJ e da CSLL no período exigido: Período de 2003: Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 9/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 15586.000311/200878 Acórdão n.º 1803001.789 S1TE03 Fl. 1.018 5 comprovantes de arrecadação referentes às competências de 2003 do IRPJ e CSLL; declarações retificadoras do anocalendário de 2003; relatório de arrecadações da Receita Federal do Brasil, em que constam os pagamentos devidamente realizados;” Com esses argumentos tenta a Recorrente alegar a não inexistência de receitas não contabilizadas; porém, não encontrei nos autos qualquer comprovação que a Recorrente tenha conseguido comprovar essa tese; muito menos que a contabilidade tenha espelhado tais operações. Isso simplesmente não aconteceu, segundo as informações e os documentos constantes dos autos. Na verdade, o lançamento de ofício restringiuse à omissão de receita; e caberia a Recorrente comprovar as suas alegações demonstrando que a omissão não aconteceu; o que não o fez. Desta forma e com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não comporta restrições de qualquer ordem, sendo que é ônus exclusivo do contribuinte, comprovar e justificar a origem dos recursos movimentados em sua conta bancária, cabendo à autoridade fiscal tão somente relacionar os créditos e intimar regularmente o contribuinte. Conforme se constata, a autoridade fiscal cumpriu as determinações da norma legal, efetuando ajustes nos valores e expurgando aqueles que foram considerados comprovados ou não representavam novo ingresso de recursos. Ou seja, durante todo o curso do processo, cabia então a Recorrente, efetuar a comprovação demonstrando a origem dos créditos e depósitos, correlacionandoos eventualmente com a receita bruta já declarada e comprovando a origem um a um dos créditos/depósitos. Verificase que tal propósito ficou sensivelmente prejudicado com a notória desorganização e/ou equivoco da escrituração e documentação, fato que evidentemente acabou voltandose contra a própria Recorrente que auferiu receitas em decorrência dos Conhecimentos de Transporte de Carga (C.T.C.) Série U, inseridos em seus Livros Diário e Razão do mesmo período (doc. de fls. 179 a 245) e 2ªs Vias dos C.T.C. Série UXX (doc. de fls. 074 a 82) e não as contabilizou, conforme demonstrado abaixo: Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 9/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 15586.000311/200878 Acórdão n.º 1803001.789 S1TE03 Fl. 1.019 6 É isso em síntese que o Termo de Verificação Fiscal nº. 07201002007 003960, constante das fls. 651 e segs, trouxe; ou seja, uma serie de situações que, smj, não foram contestadas, até a presente data, pela Recorrente; até porque a questão é muito simples: Houve ou não omissão de receita? Antes da minha resposta, gostaria de trazer a tona parte do voto proferido pela Ilustre Conselheira Selene Ferreira de Moraes, ExPresidente desta 3ª Turma Especial nos autos do processo administrativo nº. 11030.000713/200806, Acórdão nº. 180301.220, proferido na Sessão de 14 de março de 2012, da qual participei: “(...) Como já ressaltado no tópico acerca da nulidade da decisão recorrida, a controvérsia a ser analisada no recurso gira em torno da aplicação do art. 282 do RIR/99, e não da sua legalidade ou inconstitucionalidade. O crédito tributário relativo a esta infração foi constituído com fundamento no art. 282 do RIR/99: Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 9/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 15586.000311/200878 Acórdão n.º 1803001.789 S1TE03 Fl. 1.020 7 ‘Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e Decreto Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).’ Extraise do artigo em destaque, em sintonia com os princípios basilares da contabilidade, que o simples registro contábil não constitui elemento suficientemente comprobatório, devendo a escrituração ser fundamentada em comprovantes hábeis para a perfeita validade dos atos e fatos administrativos. Inexistindo nos autos prova documental da origem e entrega do suprimento de numerário efetuado pelos sócios à pessoa jurídica, é de se reconhecer a ocorrência de omissão de receitas. A ausência dos documentos que comprovem a efetividade da entrega dos recursos ao “CAIXA” constitui falha inaceitável tanto pela legislação comercial como pela legislação fiscal. A comprovação exigida nesse caso seria a exibição de cópias dos cheques entregues à Autora e extratos bancários demonstrando a sua compensação. Contrariamente ao que alega a recorrente, a fiscalização trouxe aos autos os indícios na escrituração previstos no art. 282, quais sejam, a existência de lançamentos de suprimentos de caixa efetuados por sócio, sem comprovação da origem dos recursos e da efetividade de sua entrega”. Porém, tomando emprestado e fazendo um paralelo, com a devida vênia e necessárias homenagens a Conselheira Selene Ferreira de Moraes, os argumentos acima, vejo que falta aos autos a comprovação da Recorrente apontado no Termo de Verificação Fiscal. Na verdade a Recorrente silenciou sobre os argumentos do Termo de Verificação Fiscal; e, na falta de outros elementos, o fisco pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de rendimentos. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro1 – RJ. Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 9/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 15586.000311/200878 Acórdão n.º 1803001.789 S1TE03 Fl. 1.021 8 atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse que levou a tributação os recursos decorrentes dos Conhecimentos de Transporte de Carga (C.T.C.) Série U, contabilizadas em seus Livros Diário e Razão do mesmo período (doc. de fls. 179 a 245) e 2ªs Vias dos C.T.C. Série UXX (doc. de fls. 074 a 82). Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente nesses 2.140 (dois mil, cento e quarenta) dias entre o inicio da fiscalização e o presente julgamento. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada; e, isso não o fez! Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 9/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 15586.000311/200878 Acórdão n.º 1803001.789 S1TE03 Fl. 1.022 9 Aqui, não se está falando em indicio de receita tributável, mas em presunção definida em lei, que autoriza, no caso de ausência de comprovação por meios hábeis e idôneos, da existência de receita omitida pela Recorrente que, pela ausência de contestação, espontaneamente confessou a sua conduta. Diante da confissão fica claro que a Recorrente, deliberadamente, omitiu as receitas dos Conhecimentos de Transporte de Carga (C.T.C.) Série U que foram contabilizados em seus Livros Diário e Razão do mesmo período (doc. de fls. 179 a 245) e 2ªs Vias dos C.T.C. Série UXX (doc. de fls. 074 a 82); e, essa confissão outorga, de forma indiscutível, a autoridade fiscal a atribuição dos valores não justificados a condição de receitas omitidas como determina a legislação em vigor. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, entendo que a decisão da 8ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro1 – RJ deve ser mantida integralmente, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter a imposição tributária referente aos lançamentos relativos ao IRPJ e a CSLL. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 9/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Numero do processo: 13971.002653/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
RECONHECIMENTO DO FENÔMENO DA DECADÊNCIA. DADO PROVIMENTO AO RECURSO
Tratando-se de ITR relativo ao ano de 2001, mesmo tendo o Auto de Infração lavrado em 29/12/2005, mas dado ciência ao contribuinte em 05/01/2006, não há como cobrar diferença na apuração do imposto, por força do par. 4º do art. 150 do CTN, que prevê a decadência para os lançamentos por homologação, tal como o caracteriza o art. 10 da lei nº 9.393/96.
Numero da decisão: 2102-002.651
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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DADO PROVIMENTO AO RECURSO Tratandose de ITR relativo ao ano de 2001, mesmo tendo o Auto de Infração lavrado em 29/12/2005, mas dado ciência ao contribuinte em 05/01/2006, não há como cobrar diferença na apuração do imposto, por força do par. 4o do art. 150 do CTN, que prevê a decadência para os lançamentos por homologação, tal como o caracteriza o art. 10 da lei n.o 9.393/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Nubia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 159 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1a Turma da DRJ/CGE, de 26 de abril de 2007 (fls. 92/117), que por unanimidade de votos rejeitou as preliminares arguídas e no mérito negou provimento à impugnação apresentada tempestivamente pelo Recorrente, proprietário de uma área declarada de 1.258,9 hectares, situada no município de Taio SC, mantendo assim a exigência fiscal objeto do auto de infração lavrado em 13/12/2005 (fl. 11), no valor total de R$ 85.940,20, sendo R$ 34.464,31 de imposto, R$ 25.627,66 de juros de mora calculados até 30/11/2005 e R$ 25.848,23 de multa proporcional. Do Demonstrativo de Apuração do ITR constante à fl. 15, depreendese que o lançamento decorre da glosa da declaração como Área de Utilização Limitada de 940,0 hectares, e 252,0 hectares de Utilização Limitada. À folha 19, o autuante consigna Falta de Recolhimento do ITR no valor de R$ 34.464,31. No Termo de Verificação Fiscal o mesmo informa que intimou por duas vezes o contribuinte, para que este apresentasse documentos relativos às áreas questionadas, chegando a pedir prorrogação de prazo, que foi concedida, mas mantendose inerte nas duas oportunidades (fls. 21/22). Não houve questionamento no tocante ao VTN. Notificado do lançamento o Recorrente apresentou impugnação constante das fls. 26/56, assim relatada na decisão de primeira instancia (fls. 92/117): 1— Argüição de decadência: "A impugnação ora interposta deve ser acolhida e provida porque aplicável à regra sobre DECADÊNCIA. Com efeito, a Lei n. 9393, de 19 de dezembro de 1996, através do seu art. 10, passou a estabelecer que o Imposto sobre a Propriedade Rural, doravante apenas ITR, será apurado pelo contribuinte, sujeitandose a homologação posterior: (transcreve o dispositivo mencionado) Diante dessa disposição, aplicável à espécie a regra do art. 150 do Código Tributário Nacional, que prevê: (transcreve o dispositivo mencionado) No caso sob análise, a Impugnada (SRF) sustenta, em seu Auto de Infração, que houve erro na aplicação do grau de utilização da área da Fazenda Corisco. No mesmo ato declara a Impugnada: FATO GERADOR 01/01/2001 Assim, por força do que estabelece o art. 150, §4 0, do CTN, o prazo para a Fazenda Pública se pronunciar encerrou, para o caso sob análise, em 01/01/2006. A Impugnante, entretanto, somente foi intimada sobre o Auto de Infração em 05/01/2006. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 160 3 Desde já destaca a Impugnante que houve o pagamento parcial do ITR, conforme determina a lei. Tanto isso é verdade que a própria Impugnada, em seu Auto de Infração, mais precisamente no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO, fez consignar: (quadro de fl. 28) Assim, a lmpugnante recolheu, em prol da Impugnada, a importância de R$ 1.325,90, devendo, segundo a mesma, recolher a diferença de R$ 34.464,31, valor este sem a inclusão de juros e multa. De qualquer sorte, reiterase que HOUVE DECADÊNCIA e, por isso, o recurso deve ser acolhido e provido para extinguir o Auto de Infração. O Superior Tribunal de Justiça, apreciando essa questão recentemente (dezembro de 2005), decidiu que nos tributos por homologação [como o ITR, art. 10, da Lei n. 9.393/96], o prazo decadencial e contado do fato gerador (que no auto de infração é de 01/01/2001): (transcreve ementas de acórdãos) A própria Receita Federal, ao apreciar o recurso interposto junto ao processo n. 10.925.0004441200328, que tinha como interessada as INDUSTRIAS BONET S/A, decidiu pela decadência: • (transcreve ementa de acórdão) Noutra oportunidade o mesmo órgão decidiu: (transcreve ementa de acórdão) A contagem do prazo decadencial, para fins de lançamento ex officio do ITR, terá início na data da ocorrência do fato gerador, no caso de pagamento, ainda que parcial, realizado antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" II— Argüição de nulidade: " (.)— Ausência de Descrição do Fato. O Auto de Infração apresentado pela SRF é nulo porque não cumpre os requisitos do art. 10, do Decreto N° 70.235/72. Com efeito, embora conste do Auto de Infração que 'a descrição dos fatos que originaram o presente Auto e os respectivos enquadramentos legais encontramse em folhas Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 161 4 de continuação anexas', no referido documento não há esta descrição. Singelamente o Auditor Fiscal da Receita Federal alude que 'em procedimento fiscal de cumprimento das obrigações tributárias (.), em que foram apuradas as infrações abaixo descritas: 001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL —ITR; FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL.' Informa ainda tratarse de fato gerador ocorrido em 01/01/2001, sendo o valor tributável ou imposto de R$ 34.464,31 e com multa de 75%, além de citar os dispositivos legais aplicáveis ao caso. O inciso do art. 10, do mencionado Decreto, determina seja realizada a descrição do fato e não a mera menção ao que supõese tratarse de ausência de pagamento de imposto. Considerando que o contribuinte, ora Impugnante, apresentou DIRT/2001 no prazo e efetuou o devido pagamento, pelo Auto de Infração apresentado não se sabe qual o motivo que gerou o lançamento. • A remissão aos anexos e documentos que segundo o Auditor Fiscal deram origem ao Auto de Infração, não cumpre o requisito do inciso III, do art. 10, do Decreto n° 70.235172, porquanto somente obedece o requisito legal, a descrição minuciosa dos fatos, formalmente, no corpo do Auto de Infração. Neste sentido é o entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, proferida pela Primeira Turma em 10 de dezembro de 2003, através do Acórdão N° 8497: (transcreve parcialmente ementa de acórdão)" 111— Competência para fiscalização de matéria ambiental: "Da análise do Termo de Verificação Fiscal, verificase que ocorreu a glosa total da área indicada como sendo de Reserva Legal e de Preservação Permanente, ato este ilegal e abusivo eis que realizada por autoridade incompetente, porquanto, em que pese a competência da autoridade tributária para a verificação dos dados constantes na Declaração do ITR realizada pela contribuinte, para que seja possível exercer juízo de valor sobre matéria ambiental, isto é, sobre o cumprimento das normas a respeito das averbações de Reserva Legal e Preservação Permanente na Fazenda Corisco, necessariamente deveria estar respaldada por laudo Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 162 5 técnico emitido por autoridade ambiental, isto é, pelos técnicos do IBAMA e do INCRA. Neste sentido: (transcreve ementa de acórdão) A Lei n° 9393, de 19 de dezembro de 1996, que dispõe sobre o ITR determina, em seu artigo 16, que: (transcreve o dispositivo mencionado) Tratase de um poderdever. Com efeito, embora a acepção do termo poder signifique uma capacidade geral de agir para a administração pública, no caso em apreço tratase também de um dever no sentido de obrigação de fiscalização das informações contidas no DIAC e no DIAT por quem entenda, conheça e seja capaz de aferir a correição das informações prestadas. Diante disso, embora o ato de cobrança, lançamento e multa seja da Secretaria da Receita Federal, fazse necessária a intervenção do INCRA, IBAM_A e/ou FUNAI para respaldar e fundamentar o ato praticado pela autoridade fiscal. Ainda que não seja este o entendimento, na hipótese de tratarse de ato discricionário, poderseia admitir o ato isolado da autoridade fiscal desde que não existisse referido convênio. Ocorre que a existência do convênio entre os órgãos ambientais e a SRF implica na obrigatoriedade de respeito às suas competências materiais. A área de Reserva Legal e de Preservação Permanente estão devidamente comprovadas no Ato Declaratório Ambiental, não havendo qualquer impugnação por parte do IBAMA ou da FATM_A. Ressaltese, ainda, o fato da própria Receita Federal informar em seu site, que relativamente às áreas de preservação permanente o contribuinte deverá solicitar ao IBAMA o reconhecimento da área. Portanto, há a expressa determinação de competência administrativa à autoridade ambiental para verificação da área, sendo • ilegal o ato de autoridade fiscal que procede à glosa da área declarada sem a interveniência da autoridade ambiental vinculada ao IBAMA. Estes fatos determinam claramente que não se trata de simples verificação fiscal, mas sim de verificação ambiental, o que retira a competência para glosa da área Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 163 6 da autoridade tributária, determinandose a obrigatoriedade de participação dos técnicos do IBAMA." IV Incompatibilidade entre as informações utilizadas pela Secretaria da Receita Federal e a efetiva situação do imóvel. Principio da Vedação do Confisco: "É sabido que um dos objetivos do 1TR, bem como da definição legal de seu cálculo, é o combate ao uso especulativo da terra. Desde a previsão constitucional em 1988 a respeito da função social da propriedade, o Governo tem por obrigação a oposição à atividade rural meramente especulativa. Sendo assim, estabeleceuse, na Lei n° 9393/96, benesses fiscais ao proprietário que comprovasse o uso adequado da terra, em respeito à legislação ambiental, de forma também a coibir a manutenção da propriedade de terras ociosas. A Indústrias Bonet S.A., proprietária da Fazenda Corisco, na qual situase a área impugnada, tem como objetivo social o desdobramento de madeira. Tal fato, por si só, demonstra que seu objetivo não é o uso especulativo da terra, mas sim sua exploração comercial. A manutenção de área inexplorada, sem motivo razoável, lhe gera prejuízos de ordem econômica, de forma a não ser crível a glosa da área como efetivamente utilizada para fins de cálculo do ITR. No caso, a impugnante está sendo duplamente prejudicada. O primeiro prejuízo é de ordem econômica imediata, pois conforme declaração do 1BAM_4, a Fazenda Corisco encontrase na área de abrangência da Mata Atlântica, como demonstra o documento em anexo. Tal declaração demonstra que a Fazenda Corisco, com área de 1258,9 ha, encontrase dentro dos limites da Mata Atlântica, não podendo ser realizada qualquer exploração para fins agrícolas ou de reflorestamento. O segundo prejuízo, também de ordem econômica, dáse em razão do entendimento equivocado do fiscal tributário. Ora, se há um impedimento para o exercício de atividade madeireira na área informada, não se pode, em decorrência disso, glosar a área para fins de cálculo do grau de utilização. Sendo assim, a glosa da área com a alteração do cálculo do Grau de Utilização da Área Aproveitável do Imóvel, Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 164 7 onera demasiadamente o contribuinte de forma a violar o princípio da proibição do confisco. Não decorre da política fundiária brasileira a oneração excessiva do proprietário que está mantendo floresta inexplorada visando o cumprimento da legislação ambiental com a recomposição de Floresta situada na Mata Atlântica, de forma que a indevida glosa da área indicada por autoridade, repitase, incompetente, acarreta praticamente o perdimento do bem. Nesse sentido, leciona Betina Gruppenmacher que: 'Certo é que será sempre confiscatória a tributação que absorver toda a renda efetiva ou potencial produzida 010 por um imóvel, ou ainda, a tributação que, no caso de imposto sobre a renda, retirar do sujeito passivo quantia tão grande que o desestimule a produzir novamente' (Eficácia e Aplicabilidade das Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar, São Paulo: Resenha Tributária, 1997, p. 108) A exigência fiscal, da forma como foi lançada, sem o prévio laudo ambiental emitido pelo IBAMA, implica em violação ao Princípio da Vedação do Confisco porque desestimula o proprietário rural/contribuinte da manutenção da área, inexplorada como demonstra declaração do IBAMA, por serlhe excessivamente oneroso. Não se trata de área mantida para fins exclusivamente especulativos, mas, como informado anteriormente, de área mantida para preservação do patrimônio natural brasileiro, obrigação do Estado e do Cidadão. A Constituição Federal, ao tratar do Meio Ambiente, dispõe em seu artigo 225, que: 'Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendêlo e preserválo para as presentes e futuras gerações.' • Acrescentese ainda que a Constituição Federal, ao lado de assegurar o direito de propriedade, determina o cumprimento de sua função social, estabelecendo como requisito ao cumprimento, entre outros, o aproveitamento racional e adequado; e, também, a utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente. (CF, art. 186, incisos I e 11) Portanto, se as autoridades ambientais entendem que a área da Fazenda Corisco encontrase na área de abrangência da Mata Atlântica e, se a proprietária, ora impugnante, obedece esta regra e mantém inexplorada Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 165 8 área de 1258,9 ha, o fisco tem obrigação de aceitar a área como integrante de Reserva Legal e Preservação Permanente, sendo ilícita a glosa sem a intervenção da autoridade ambiental que contradiga tudo o que foi exposto. O Tribunal Regional Federal da Região já decidiu a respeito da necessidade da intervenção do INCRA e do IBAMA nesses casos: (transcreve ementa de acórdão) Como é possível observar da decisão trazida pela impugnaste, o lançamento do ITR deve ser precedido de uma vistoria do INCRA, o que não ocorreu no presente caso. Não obstante a declaração do IBAMA comprovando que a área da Fazenda Corisco encontrase dentro da mata Atlântica, as matriculas que comprovam a averbação da reserva legal e Ato Declaratório Ambiental, se o Fisco entender necessário, somente nova vistoria a ser realizada pelo IBAMA terá o condão de comprovar a efetiva ou não utilização da área tal corno declarada no DIRT/2001. A ausência de vistoria que contradiga a DIRT, causa nulidade do lançamento, como, também, já decidiu o Tribunal Regional Federal da 4' Região: (transcreve ementa de acórdão) Desse modo, concluise que o lançamento não pode ser mantido." V — Ilegalidade da Exigência do Ato Declaratório Ambiental: "A área de preservação permanente declarada na DIRTI2001, consistente em uma área de 940,0 ha. • Em 03 de julho de 2003, a Impugnante protocolou junto ao IBAM_A, o Ato Declaratório Ambiental, que comprova que a Fazenda Corisco possui uma área de preservação permanente de 940,2 ha. Não obstante a isso, poderia a SRF impugnar o ADA apresentado, sob o fundamento de que é posterior à DIRT/2001. Em virtude disso, importante ressaltar a ilegalidade da exigência do ADA para fins de comprovação da área de preservação permanente, entendimento este corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça: (transcreve ementa de acórdão) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 166 9 Do corpo do acórdão destacase: (transcreve excerto do acórdão) Assim, NÃO SE FAZIA NECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DO ADA, em 2001, quando ainda vigia a referida Medida Provisória, ao contrário do que lançou a autoridade no auto de infração impugnado. • Notese que se a autoridade fiscal não concordava ou aceitava que a APP possui a dimensão informada na DIRT/2001, deveria determinar que o órgão competente (IBAMA), que possui inclusive convênio com a SRF, promovesse NOVA vistoria para aferir a correção ou não da área declarada, mas jamais lavrar um auto de infração baseada em presunções. O Tribunal Regional Federal da 1 a Região, ao apreciar questão idêntica, decidiu que, mesmo após a vigência da MP n. 216667, continua sendo ilegal a exigência do ADA para excluir da área tributável as áreas de preservação permanente diante da ausência de previsão na Lei n. 9393/96: (transcreve excerto de acórdão) Resta demonstrado, cabalmente, que: a) por ocasião da DITR 2001 vigia a 11/11 3 2166 67 que dispensava a apresentação do ADA; b) a norma tributária, de qualquer natureza, não pode retroagir senão para beneficiar; c) mesmo após a vigência da referida MP os Tribunais continuaram a entender como ILEGAL a exigência do ADA, para exclusão da APP da área tributável porque as portarias ns. 43/97 e 67197, da SRF, exigem mais do que a própria Lei n. 9393/96. Por fim, cumpre ressaltar que a Reserva Legal também está comprovada, com área total de 252,0 ha, através do Ato Declaratório Ambiental em anexo, que não sofreu qualquer impugnação por parte do IBAMA. Notese que se existisse qualquer vício no ADA apresentado pela Impugnante, o IBAMA identificaria e noticiaria o fato. Não foi o que aconteceu. Daí porque, não é possível a Secretaria Receita Federal, órgão manifestamente incompetente para isso, glosar ou colocar em dúvida a regularidade das informações constantes no DIRT/2001. Quando muito, deveria determinar a realização de vistoria ou solicitar novas informações ao IBAMA, mas jamais Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 167 10 emitir Notificação e Auto de Infração partindo de presunções." VI — Inaplicabilidade dos juros e multa: 4110 "O artigo 161 do CTN dispõe que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros moratórios além das penalidades cabíveis. Assim, a mora somente se caracteriza após o vencimento do crédito, na ausência de pagamento pelo sujeito passivo da obrigação. No entanto, antes da própria constituição do crédito, por meio de lançamento, não se pode falar em penalidade pelo seu inadimplemento no prazo fixado, mormente se considerado que o ITR não é tributo sujeito a lançamento por homologação. (transcreve ementa de acórdão) Apresentada a impugnação, a peça de defesa foi julgada e recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE • TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFICIO. No lançamento de ofício, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Na esfera administrativa não é cabível a argüição da violação de princípios constitucionais e da inconstitucionalidade de lei em vigor. O julgamento deve pautarse pela legislação vigente e pelo entendimento da administração tributária. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS NO AUTO DE • INFRAÇÃO. Descabe argüição de nulidade se o lançamento contém a descrição dos fatos, ainda que de forma sucinta, e permite ao impugnante conhecer a infração que lhe foi atribuída. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A exclusão das áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, da área tributável do imóvel Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 168 11 rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA, perante o IBAMA ou órgão conveniado. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA, EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. Conforme a Lei n° 9.393/96, são passíveis de exclusão da área tributável do imóvel as áreas de preservação permanente, previstas n s art. 2.° e 3.° da Lei n° 4.771/65, devidamente comprovadas; as áreas de reserva legal, averbadas à margem da matrícula do imóvel, nos termos do art. 16, da Lei n° 4.771/65; as áreas de reserva particular do patrimônio natural, averbadas à margem da matrícula do imóvel, e reconhecidas por portaria do IBAMA, conforme Decreto n° 1.922/96; e as áreas imprestáveis para a atividade produtiva, se declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual. ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO. O fato de o imóvel estar situado em região de mata atlântica não é suficiente para o reconhecimento de isenção de sua área total. É necessário o reconhecimento especifico por parte do órgão de fiscalização ambiental. A este colegiado, a partir da fl. 121, a Recorrente passou a aduzir as suas razões, iniciando pela decadência do direito da fiscalização constituir o crédito tributário, nulidade do auto de infração, pela falta de descrição do fato, competência da autoridade tributária para exercer juízo de valor sobre matéria ambiental, efeito confiscatório do auto, ilegalidade da exigência do ADA e exclusão dos juros de mora, tal como fizera na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Várias são as questões levantadas na peça recursal, mas uma delas, a primeira argüida, que aborda a decadência, já entendo como suficiente para afastar a pretensão fiscal. Com efeito, o Auto de Infração referese ao ano base de 2001 e tratandose de ITR, o fato gerador ocorreu no dia 1o daquele ano, e não obstante lavrado em 29/12/2005, foi recebido pelo contribuinte em 05/01/2006, conforme dá conta o recibo AR dos Correios, constante da fl. 24. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 169 12 Na decisão recorrida, sob o fundamento de que o lançamento do ITR é da modalidade de Ofício, a exigência foi mantida com a contagem do prazo estabelecida no art. 173 do CTN, mas como é cediço, por força da Medida Provisória n.o 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a modalidade passou a ser por homologação, o que remete a contagem do prazo decadencial para aquele previsto no par. 4o do art. 150 do CTN. Vários são os precedentes deste colegiado a respeito: AutoridadeConselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária TítuloAcórdão nº 220200685 do Processo 10218000608200212 Data18/08/2010 EmentaASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR EXERCÍCIO: 1998 EMENTA: ITR LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA,SENDO A APURAÇÃO E O PAGAMENTO DO ITR EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE, NOS TERMOS DO ARTIGO 10, DA LEI N° 9.393, DE 1996, E INDEPENDENTE DE EXAME PRÉVIO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, O LANÇAMENTO É POR HOMOLOGAÇÃO DEVENDO O PRAZO DECADENCIAL SER CONTADO DO FATO GERADOR, QUE OCORRE EM 01 DE JANEIRO (ART. 150, § 4° DO CTN). ARGÜIÇÃO DE DECADÊNCIA ACOLHIDA.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, ACOLHER A ARGÜIÇÃO DE DECADÊNCIA SUSCITADA PELO RELATOR, PARA DECLARAR EXTINTO O DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. No Extrato de Declaração Original dá conta que com as exclusões levadas a efeito pelo contribuinte das áreas de preservação permanente e de reserva legal, foi apurado o valor de R$ 1.325,90 como devido, e recolhido, sob o código 1070, em 19/02/2002, o valor original de R$ 994,42 (fl. 83). No comprovante de pagamento de fl. 83, o DARF faz referência a Período de Apuração e o Demonstrativo de Apuração do ITR, que compõe o Auto de Infração, faz menção ao Período Base 2001 (fl. 15). Assim, reconhecendo o fenômeno da decadência, para anular a exigência fiscal, deixo de apreciar as outras questões aduzidas pelo Recorrente. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13971.002653/200519 Acórdão n.º 2102002.651 S2C1T2 Fl. 170 13 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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