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O .025 i Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: TOMOJIRO YAMAZAKI 11 DEPÓSITOS BANCARIOS. Quando o contribuinte logra provar, em cada exercício, a origem de mais de 90% (noventa por cento) dos depósi- tos bancários, e que se trata de valores não sujeitos à tributação na sua declaração de rendimentos, são de se admitir infirmadas as presunçOes legais do art. 39, letras "c" e "e" do RIR/75. Entretanto, é indispensável que, da parte re manescente, não conste depósito de valor de tal modo expressivo, em relação aos demais 1, depósitos e aos dados da declaração, cuja origem não se justificaria deixar de provar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, .4r unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especia // ÀSala das Sessaes =IA , 23 de maio de 1980 11-0 4l/W,AMADOR OU ' i ° - , 6 ERN ÁN DEZ PRESIDENTE 1 URGEL PERáfámOiD rS RELATOR Lo 014alit, LE4Mil`1 -41--,MIOMbARÓWSKY PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA (Suplen- te Convocado), JACINTO DE MEDEIROS CALMON, CARLOS DANILO BARBU TO CABRAL DE MENDONÇA, LUIZ MIRANDA, PEDRO MARTINS FERNANDES e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. 1 1 E ZW£ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0940/051.480/75 RECURSO N.° : RP/102.0.025 ACÓRDÃO N.°: CSRF/01-0.071 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: TOMOJIRO YAMAZAKI RELATÓRIO A Fazenda Nacional, através de seu Procurador junto ã 2a.amara do 19 Conselho de Contribuintes, recorre plei- teando a reforma do Acórdão n9 102-17.334, de 02.07.79, prolata- do no julgamento do recurso voluntário n9 30.293, interposto por TOMOJIRO YAMAZAKI. 2. De início, foi o contribuinte intimado a compro var a origem de acréscimo patrimonial, no ano-base de 1973, no montante de Cr$143.107,00. Por força de diligências que se se- guiram, foi-lhe exigida a comprovação da origem de depósitos ban cários no total de Cr$1.653.559,21. Em vista dos elementos produ- zidos pelo contribuinte, foi efetuado o lançamento suplementarso bre Cr$257.990,60 de depósitos bancários cuja origem não compro- vou, lançamento esse mantido pela decisão de primeiro grau. 3. Antes de recorrer, o contribuinte conformou-se e recolheu o tributo sobre Cr$86.918,60. Recorreu do restante , vale dizer: Cr$171.072,00 (257.990,60 - 86.918,60 = 171.072,00). 4. 25i vista de diligências propostas pela Egrégia 2a. Cãmara, demonstrou-se que permaneceram incomprovados, apenas, Cr$31.590,00. 5. No Acórdão recorrido, por maior' , vingou a te- se consubstanciada na Ementa que se transcreve: D M - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 , - 2 - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0940/051.480/75 CSRF/01-0.071 "DEPÓSITOS BANCÁRIOS: A falta de comprova- ção de origem de reduzida parcela de depó sitos bancários, em proporção ao montante apurado no decurso do ano-base, não justi fica a presunção de que representem rendi mentos omitidos." 6. No recurso especial, o douto Procurador argu menta que cabe ao contribuinte declarar todos os seus rendimentos, sendo inadmissível distinguir em função do "quantum" não comprova- do em se tratando de depósitos bancários, e termina por pedir que se "restaure a decisão da autoridade fiscal" 7. O Parecer do Procurador do Contencioso fiscal es- tá bem reunido na respectiva ementa, "in verbis": "EMENTA: DEPÓSITOS BANCARIOS. Ônus da pro va da origem do numerário depositado. Ca- be ao contribuinte, quando solicitado,pro var que os valores movimentados no curso do ano base, além dos já oferecidos á tri butação no exercício financeiro correspori dente, são provenientes de rendimentos nãO tributáveis ou somente tributáveis na fon te. A ausência dessa prova, através de (15 cumentos idóneos, caracteriza omissão d-e- rendimentos tributáveis na Cédula "H". 8. Não houve contra-razOes. É o relatório. VOTO — — — — Conselheiro Urgel Pereira Lopes, RELATOR O recurso foi interposto dentro do prazo legal. A questão dos depósitos bancários tem-se cons- tituído numa das maiores fontes de litígios entre o fisco e os contribuintes. Para se comprovar esse fato basta compulsar qual- quer repositório de jurisprudência administrativa ou judicial so- bre imposto de renda. Ver-se-la, então, que existem decisório g?, Ç-J , 7 1 - 3 - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0940/051.480/75 ACÔRDÃO N9 CSRF/01-0.071 baseados em teses fundamentalmente antagônicas sobre o assunto. Po der-se-la dizer que não são alheias às divergências na jurisprudén- cia as posiçOes filosóficas dos julgadores ante os direitos e de- veres do fisco e dos contribuintes, mormente em matéria de produ- ção da prova, uns inclinando-se pela atribuição do respectivo ônus ao fisco, outros sustentando o inverso. De plano, devem ser desprezadas interpretaçOes que têm como argumentação básica a existência ou não de previsão legal sujeitando à tributação os depósitos bancários. O de que se trata, na realidade, é da tributação de rendimentos depositados em estabelecimentos bancários. Nunca, dos depósitos bancários como tais. Não raro, o uso da linguagem elíptica tem servido de refúgio para raciocínios sofismáticos. Em matéria de imposto de renda, de há muito a ex- periência demonstrou que é forte indício de evasão ilegal de ren- dimentos a existência de renda poupada ou a comprovação de renda consumida em níveis inconciliáveis com os elementos constantes das declaraçaes apresentadas pelos contribuintes. Tendo-se revelado inadequada, para combater a evasão fiscal, a legislação então existente, por deferir à" fiscali zação a obrigação de provar a omissão de rendimentos, mas, também, a tarefa inglória de provar sua natureza jurídica - conforme res- saltou o Conselheiro Pedro Martins Fernandes em excelente voto em separado no Acórdão n9 104-1.113, de 23.01.79, da 4a. Câmara do 19 Conselho de Contribuintes - dois novos diplomas legais vieram revo lucionar os mecanismos à disposição do fisco. O primeiro deles foi a Lei n9 4.069, de 11.06.62, cujo art. 52, alínea "c", hoje incorporado ao RIR/75, art. 39, alínea "c", alcança as hipóteses de renda poupada (= acréscimo patrimonial), considerando tributáveis "as quantias corresponden tes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acres cimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis na declara- ção, por rendimentos não tributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte". /I * - 4 - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0940/051.480/75 ACÓRDÃO N9 CSRF/01-0.071 O segundo foi a Lei n9 4.729, de 14.07.65, cujo art. 99, também incorporado ao RIR/75, art. 39, alínea "e", man- da tributar a renda presumida "... através dos sinais exteriores de riqueza que evidenciem a renda auferida ou consumida pelo con- tribuinte". Temos, portanto, que o legislador erigiu em pre- sunções legais de omissão de rendimentos os casos a que se alude na legislação acima. Presunções legais, não absolutas, mas relati vas, presunções "iuris tantum". Entendo que devem ser repelidos entendimentos que vêem, nestes casos, presunções "facti" ou "hominis". Conforme ensina PONTES DE MIRANDA, in Tratado de Direito Privado, Tomo III, Borsoi, Rio, 1954, 2a. ed., pág . 420: a presunção legal "em vez de meio de prova, é o conteúdo de re- gras jurídicas que estabelecem a existência de fato, fato jurídi- co, ou efeito de fato jurídico (e.g., direito) sem que se possa provar o contrário (praesumptiones iuris et de iure", presunções legais absolutas), ou enquanto não se prova o contrário (presun- ções legais relativas)." Ora, não há a menor dúvida, entre os tributaris- n tas conhecidos, de que a existência de depósitos bancários pode traduzir acréscimo patrimonial. Também está-se firmando o entendimento, inclusi- ve nos arraiais dos defensores da tese de que as importâncias de- positadas estão infensas à tributação, por falta de adequada tipi ficação legal, de que tais depósitos podem configurar sinais exte riores de riqueza. Tratando-se de presunções legais relativas, con- forme vimos acima, o conteúdo das regras jurídicas sobre essas presunções é a existência de acréscimo patrimonial ou sinais ex- teriores de riqueza nas condições das alíneas "c" e "e" do art. 39 do RIR/75. Se, de acordo com PONTES DE MIRANDA (loc. e op. cit.), numa presunção legal relativa temos que o legislador torz //;//: -5- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0940/051.480/75 ACÓRDÃO N9 CSRF/01-0.071 um fato ou ato que pode não ser, como se fosse, ou determinado ato ou fato, que pode ser, como se não fosse, concluiremos que, no ca- so vertente, o acréscimo patrimonial ou os sinais exteriores de ti queza foram tomados como rendimentos omitidos, embora pudessem não o ser. O certo é que, cabendo ao fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e cons- tituindo-se esses fatos em presunçOes legais relativas de existên- eia de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a pre sunção, pena de se laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legar, não me parece tero menor sentido impor ao fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Parece-me elementar que a prova para infirfflarà. presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contri buinte. Os que argumentam em contrário, salvo melhor entendimento, afiguram-se-me saudosos do regime imperante anteriormente ao adven to das Leis n9s 4.069/62 e 4.729/65. Feitas estas breves considera-0es para bem situar a matéria, cumpre consignar que a experiência nos tem demonstrado que os contribuintes que dispOem de meios e modos para infirmar a presunção raramente se estendem em argumentos tergiversantes. An- tes, cuidam de colher as provas possíveis, em trabalho realmente laborioso, de tal modo que invariavelmente deixam no espírito do julgador à convicção de que jamais tiveram a intenção de sonegar tribilto: Por quaisquer circunstâncias viram-se envolvidos num pro cesso fiscal. Todavia, o labor que desevolvem e a maneira como se esforçam para demonstrarem a lisura de seus comportamentos, não po dem deixar de causar impressão favorável. Ora, se é afirmativo o brocardo de- que, "dura lex, sed lex", não é menos válido o que reza: "summum jus, suma in- juria". A virtude está no meio, já diziam os antigos, e a boa justiça há de faz, -se contrapondo-se ao rigor da lei os devi- dos temperamentos. 71) - 6 - SERVIÇO PÚBLICO FEDERALPROCESSO N9 0940/051.480/75 ACÓRDÃO N9 CSRF/01-0.071 As-presunçOes legais relativas são oponíveis as provas em contrário, menos quando a lei as inadmita. As provas em contrário são as geralmente em direito admitidas. Inclusive as presunçOes "facti" ou "hominis", também conhecidas como sim- ples ou comuns. Nestas, parte-se de um fato conhecido (o indício) e, através de um raciocínio lógico, chega-se ao fato desconhecido. O resultado positivo dessa operação será a presunção simples. Tra ta-se de conhecido silogismo, em que de uma premissa menor (fato conhecido) por dedução lógica, chega-se a uma premissa maior (fato probando). Estou em que, quando os contribuintes logram pro var a quase totalidade dos depósitos bancários, afastando dúvidas quanto ã sua intributabilidade, deixando de coligir provas de pe- quenos depósitos, mormente em exercícios mais antigos, não se po- de falar que tenha havido omissão de rendimentos, com ou sem in- tenção. Deve-se reconhecer que aprova de origem dedepósitos bancários, em 2, 3, 4 ou 5 exercícios, não e das mais fáceis, mor mente se o contribuinte não teve a prudência de se munir de regis tros particulares, se e intenso seu movimento bancário. Essa pro- va, como se sabe, por vezes depende da colaboração dos estabeleci mentos bancários, nem sempre solícitos, nesse aspecto. Se e quando o contribuinte consegue provar a ori gem da maioria dos depósitos, e lícito, lógico e, ao menos razoá- vel concluir que o remanescente incomprovado deixou de sê-lo por plausível impossibilidade material, e não porque tenha omitido os rendimentos correspondentes ao pequeno percentual em aberto. No entanto, um problema exsurge:se tal raciocí- nio parte do pressuposto de que o contribuinte se esforçou e con- seguiu comprovar a origem da maior parte dos depósitos bancários, deixando convicto o julgador de que não omitiria rendimentos, por deixar pequen. percentagem incomprovada, qual essa pequena percen tagem? 7'() - 7 - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0940/051.480/75 ACÓRDÃO N9 CSRF/01.0.071 Parece-me necessário fixar alguns critérios, pena de se deixar ampla margem â subjetividade de cada um, até porque as circunstâncias variam em cada caso. A Instância Especial anterior à criação desta Câ- mara Superior, ao apreciar recursos da Procuradoria dos Acórdãos n9s 1.4-2700, de 24.10.77, e 104-2804, de 15.12.77, admitiu que a comprovação de 84%, no primeiro, e 70%, no segundo, elidiam a pre- sunção de omissão de rendimentos. Noutros casos, esposou igual en- tendimento, com percentagens de incomprovação menores. Minha proposição que, se acolhida, poderá servir como ponto de referencia para futuros julgamentos desta Câmara , consiste no seguinte: - admitir como elididas as presunções legais do art. 39, alíneas "c" e "e", do RIR/75 quando o contribuinte, no curso da ação fis- cal, logre comprovar que mais de 90% (noven- ta por cento) dos depósitos bancários não constituem rendimentos que omitira; II - considerar essa percentagem em cada exerci-- cio abrangido pela ação fiscal, e não no conjunto dos exercícios objeto do litígio; III - adotar esse critério, apenas, nos casos em que a percentagem não comprovada comp6e-se de depósitos de pequena relevância financei- ra em relação ao todo. Nunca nas hipóteses em que, embora inferior a 10% (dez por cen- to) do montante dos depósitos, em cada exer cicio, dentre os depósitos incomprovados exista um ou alguns de expressão financeiral tal que ão seria razoável sua incomprova-, ção; // No caso presente, discute-se, apenas, o exercício de 1973. No curso da ação fiscal o contribuinte deixou de compro- ()\-) /// - 8 - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0940/051.480/75 ACÓRDÃO N9 CSRF/01.0.071 var, apenas, 1,91% do depósitos inicialmente levantados pela fisca lização. Nenhum dos depósitos incomprovados tem relevância finan- ceira. Ante o exp el . o, voto no sentido de se negar pro- vimento ao recurso especial if Brasilia- ., 2 ,91/ 3 de maio de 1980 /1 URGEL PEREIRi LOP S - RELATOR. :•• Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10510.003834/2009-17
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006 Ementa: ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. ESTÁGIO REGULAR A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977, não integra o salário de contribuição. A realização do estágio se deu mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino, de acordo com o disposto na Lei 6.494/77 Os
estagiários eram estudantes regularmente matriculados e freqüentando
efetivamente um dos cursos citados no
Numero da decisão: 2302-001.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve ser excluída a parcela relativa aos estagiários. Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior que entenderam não incidir contribuição sobre as parcelas relativas a abono, educação, PLR.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006 Ementa: ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. ESTÁGIO REGULAR A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977, não integra o salário de contribuição. A realização do estágio se deu mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino, de acordo com o disposto na Lei 6.494/77 Os estagiários eram estudantes regularmente matriculados e freqüentando efetivamente um dos cursos citados no
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REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. ESTÁGIO REGULAR A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977, não integra o salário de contribuição. A realização do estágio se deu mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da Fl. 629DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 instituição de ensino, de acordo com o disposto na Lei 6.494/77 Os estagiários eram estudantes regularmente matriculados e freqüentando efetivamente um dos cursos citados no § 1° do art. 1° da Lei no 6.494/77. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve ser excluída a parcela relativa aos estagiários. Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior que entenderam não incidir contribuição sobre as parcelas relativas a abono, educação, PLR. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 02/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Jhonatas Ribeiro da Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003834/200917 Acórdão n.º 230201.859 S2C3T2 Fl. 2 3 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigações Principais, lavrado em 09/11/2009 e cientificado ao sujeito passivo em 16/11/2009, de contribuições destinadas ao INCRA e incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados, abonos, bolsas de estudo, estágio e ressarcimento de despesas com academias de ginástica, aluguel e condomínios de diretores. O crédito abrange o período de 01/2005 a 02/2006. O relatório fiscal de fls. 30/40, traz que os levantamentos presentes no crédito lançado são: Levantamento ABN – referente à remuneração paga aos segurados apurada na folha de pagamento sob a rubrica 1045 Abono Levantamento AFN – atinente a valores ressarcidos aos empregados em decorrência de despesas efetuadas com atividades físicas; Levantamento BEN – referente à remuneração indireta, bolsa de estudo, em desacordo com as hipóteses de não incidência; Levantamento ETD e ETP referente à remuneração paga a estagiários considerados segurados empregados; Levantamento MDN – referentes às despesas com moradia, mudança, aluguel e condomínio de diretores; Levantamento P26, PA2 e PM2 – referente aos valores pagos a título de PLR em desacordo com a legislação; Levantamento RDN – referente a valores constantes das folhas de pagamento aos diretores na rubrica 8005, diferença salarial. Na impugnação o autuado renunciou à parte do lançamento fiscal – Levantamento AFN, parte do Levantamento MDN e parte do levantamento RDN, em vista da adesão ao parcelamento instituído pela Lei n.º 11941/2009. Acórdão de fls.442/445, julgou o lançamento procedente em parte para excluir do lançamento os valores relativos a ajuda de custo, que se constituiu em parcela única em decorrência da mudança de local de trabalho do diretor André Tavares Andrade. Foram emitidos os termos de desmembramento e transferência, TEDE e TETRA, respectivamente, para que a parte incontroversa pudesse ter seguimento em separado, permanecendo neste auto de infração apenas as rubricas impugnadas pelo contribuinte. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde alega em apertada síntese: a) que o abono não é tributado por ser pago uma única vez ao ano; Fl. 632DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003834/200917 Acórdão n.º 230201.859 S2C3T2 Fl. 3 5 b) que a bolsa estudo não integra o salário de contribuição, porque todos os empregados podem pleiteála, desde que não estejam sofrendo punição disciplinar; c) que a CLT retira qualquer gasto com educação da base contributiva; d) que não incide contribuição sobre bolsa estágio, que na época do lançamento estava em vigor a Lei n.º 6494/77, só revogada em 2008, as 4 horas diárias não podem ser aplicadas ao caso, os estagiários desenvolviam atividades conforme a formação de cada um, todos os compromissos de estágio foram submetidos ao crivo das respectivas instituições de ensino, que chancelaram os termos firmados; e) que os critérios para a distribuição dos lucros encontramse detalhadamente previstos nos “Programas de Moedas” e nos acordos coletivos e o pagamento referente a mais de duas parcelas se dá por conta de complementação. Requer o provimento do recurso para reformar o Acórdão e julgar improcedente o Auto de Infração. É o relatório. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Após a renúncia ao contencioso, pelo contribuinte, de determinados levantamentos e da exclusão da verba referente a ajuda de custo devido a mudança de local de trabalho efetuada pelo Acórdão de primeira instância, restam neste Auto de Infração de Obrigação Principal, as contribuições devidas ao INCRA e incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de abono, bolsaestágio, bolsaeducação e participação nos lucros e resultados. No que tange aos abonos pagos por liberalidade do empregador ou previstos em acordos ou convenções coletivas, a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] A Lei Orgânica da Seguridade Social, Lei nº 8.212/91, em consonância com a norma constitucional supratranscrita, assim define saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições à seguridade social: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (sem grifos no original) [...] Frente à disciplina legal supra, denotase que o fato gerador do tributo em tela está presente no conceito de remuneração, ou seja, todo o plexo de contraprestações efetivadas pelo empregador ao empregado, com o intuito de retribuir o serviço prestado, não sendo relevante o título jurídico utilizado para realizar o pagamento, isto é, o nome da verba não possui relevância, mas sim se, no caso concreto, o montante despendido tem intuito de retribuir o trabalho. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003834/200917 Acórdão n.º 230201.859 S2C3T2 Fl. 4 7 De outra parte, a Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os benefícios da Previdência Social, em seu art. 29 toma o saláriodecontribuição como base para o cálculo do valor do salário de benefício. Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da mesma Lei. O § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o saláriode contribuição.Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total do empregado, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de nãoincidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Nesse contexto, os denominados abonos são verbas passíveis de incidência previdenciária, na medida em que, conceitualmente, tratamse de adiantamentos salariais, conforme nos ensina o doutrinador laboral da atualidade, Maurício Godinho Delgado: Retomado o conceito próprio do abono, como antecipação salarial efetuada pelo empregador ao empregado, tornase inquestionável sua natureza jurídica, como salário (art. 457, § 1º). A jurisprudência foi além, contudo: firmouse no sentido de conferir à parcela todos os efeitos próprios ao salário básico – o que significa que prevalece no Direito brasileiro o entendimento de que o abono, depois de concedido, não pode ser retirado do contrato pelo empregador. (Maurício Godinho Delgado, 2003, p. 729) Como bem ressaltado na doutrina retro, a Consolidação das Leis do Trabalho CLT elenca como integrante da remuneração os abonos, in verbis: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.§ 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. (sem grifos no original) Cumpre salientar que o fato de a negociação coletiva mencionar que os abonos concedidos possuem natureza indenizatória, não tem o condão de alterar a natureza jurídica da verba, tendo em vista que o art. 457 da CLT e o art. 22, I, da Lei n.º 8.212/91, são normas cogentes não sendo possível afastar a sua aplicação em razão de um acordo ou convenção coletiva. Outro não é o entendimento do Colendo TST acerca da indisponibilidade do art. 457 da CLT, vejamos: TST mantém natureza salarial de produtividade na Brasil Telecom Embora a Constituição Federal assegure a validade dos acordos coletivos, estes são limitados nas normas de ordem pública, onde Fl. 635DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 não há margem para livre manifestação das partes. Com este entendimento, a Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento a recurso de revista da Brasil Telecom contra decisão que a condenou à integração da “verba produtividade” ao salário, com pagamento de diferenças nas verbas rescisórias. A condenação foi definida em primeiro grau e mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul). O Regional entendeu que o adicional deve incidir sobre a remuneração do empregado por ter “nítida natureza salarial’, embora a “verba produtividade” tenha sido instituída no acordo coletivo com natureza indenizatória. O ministro José Simpliciano Fernandes, relator do processo, ressaltou que o objeto da controvérsia estava em definir se é possível que as partes, por meio de acordo coletivo, atribuam natureza indenizatória a uma parcela que, por suas características, ostente naturalmente caráter salarial. "No caso, o TRT considerou demonstrada a natureza salarial”, afirmou o relator. “Assim, em que pese o acordo coletivo que a institui ter determinado sua não incorporação ao salário, conforme o artigo 457, § 1º, da CLT, temse por devida sua integração”. Ao proferir seu voto durante a sessão de julgamento, o ministro afirmou que as partes não podem, ainda que por acordo coletivo, definir natureza diversa à verba, porque com isso estariam burlando preceito de ordem pública, uma vez que implicaria isenção das contribuições fiscais e previdenciárias às quais as partes estariam obrigadas, por força de lei." (RR 44809/20029000400.5) Vale ressaltar que, embora possa ocorrer a hipótese de validação trabalhista de negociação coletiva que atribua natureza jurídica diversa aos abonos, as contribuições previdenciárias são tributos, portanto, sujeitas à regência do CTN, cabendo mencionar o art. 123: Art.123 Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Portanto, diante das normas expostas, inferese que os contratos firmados entre as partes, inclusive os coletivos, não possuem força vinculante para o Fisco, pois os mesmos só criam regras válidas para as partes e não para um terceiro, no caso, a Previdência Social, principalmente em face do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A Medida Provisória nº 1.5869, de 21/05/1998, publicada no D.O.U. de 22/05/1998, reeditada até a MP nº 1.66315, convertida na Lei n° 9.711, de 20/11/1998, acrescentou o item "7" à alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, assim dispondo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição: (...) Fl. 636DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003834/200917 Acórdão n.º 230201.859 S2C3T2 Fl. 5 9 e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (sem grifos no original) Da leitura deste dispositivo, verificase que a partir de 22/05/1998 os abonos expressamente desvinculados do salário, isto é, apenas quando uma lei que cria algum abono específico e o desvincule expressamente do salário é que realmente pode se considerar alterada a natureza jurídica da parcela em cheque. O Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto nº 3.265/99 à alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214, explicita e ratifica esta interpretação ao reportarse aos "abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". Destarte, como restou firmado pelo Egrégio TST, na decisão acima transcrita, e na regulamentação feita pelo art. 214, § 9º, inciso V, alínea “j”, do Dec. 3.048/99, bem como em face da regra de interpretação restritiva prevista no art. 111, inciso II, do CTN, apenas Lei pode conceder isenção previdenciária a algum abono. Os abonos pagos por liberalidade do empregador não estão dentre as parcelas excluídas do saláriodecontribuição previdenciário definidas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, de modo que desde a edição da Lei nº 8.212/91 os abonos pagos pelo empregador aos seus empregados, seja por sua liberalidade ou por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho sofrem incidência de contribuições à seguridade social. No que se refere aos estagiários considerados como empregados, faço as seguintes considerações. O contrato de estágio, que é regido pela Lei nº 6.494/77 e pelo Decreto nº 87.497/82, abrange apenas os alunos regularmente matriculados e com freqüência, comprovada em cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. A legislação que rege a matéria sofreu a seguinte evolução: LEI No 6.494, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1977 DE 01/1996 ATÉ 27/11/1998 Art. 1º § 1º os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2º grau, ou escolas de educação especial.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) A PARTIR DE 27/11/1998 Art. 1º "§ 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial." (NR) Fl. 637DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Redação inicialmente atribuída pela Medida Provisória nº 1.7094, de 1998, constando a última reedição na Medida Provisória n° 2.16441/01, atualmente em vigor por força do art. 2° da Emenda Constitucional n° 32/01. Portanto, ainda antes do advento da Medida Provisória nº 1.7094, de 1998 (atualmente: Medida Provisória n° 2.16441/01, em vigor por força do art. 2° da Emenda Constitucional n° 32/01), é autorizado o estágio de alunos cursando o ensino médio, conforme art. 1º do Decreto 87.497/82, in verbis: “ARTIGO 1º. O estágio curricular de estudantes regularmente matriculados e com freqüência efetiva nos cursos vinculados ao ensino oficial e particular, em nível superior e de 2o. grau regular e supletivo, obedecerá às presentes normas”. Ademais, as atividades exercidas podem não ser correlatas com o que estagiário estuda na escola, desde que o estágio cumpra função socializante. Nesse sentido é o conceito de estágio curricular do Decreto 87.497/82: ARTIGO 2º. Considerase estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino. Portanto, quanto a este aspecto, entendo que o mesmo não bastaria para desqualificar o estágio, já que o próprio fisco afirma que a realização do estágio se deu mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino, de acordo com o disposto na Lei 6.494/77 Também foram apresentados os instrumentos jurídicos celebrados com as instituições de ensino, nos quais estavam acordadas todas as condições de realização dos estágios (Decreto n° 87.497/82, art. 5°), restando comprovado que os estagiários eram estudantes regularmente matriculados e freqüentando efetivamente um dos cursos citados no § 1° do art. 1° da Lei no 6.494/77. Quanto ao descumprimento da jornada diária máxima de quatro horas trazida pela resolução CNE/CEB n.º 1, de 21/01/2004, DOU de 04/02/2004, com efeito, restou comprovado que os estagiários perfaziam a jornada de seis horas diárias. Entretanto, entendo que tal descumprimento da Resolução editada pelo Conselho Nacional de Educação, não basta para desconfigurar a relação havida de estágio para configurála como relação de emprego, já que cumpridos os demais requisitos expostos pela Lei n.º 6.494/77, vigente à época dos fatos geradores e que dispunha, no artigo 5º: Art. 5º A jornada de atividade em estágio, a ser cumprida pelo estudante, deverá compatibilizarse com o seu horário escolar e com o horário da parte em que venha a ocorrer o estágio. Parágrafo único. Nos períodos de férias escolares, a jornada de estágio será estabelecida de comum acordo entre o estagiário e a parte concedente do estágio, sempre com interveniência da instituição de ensino. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003834/200917 Acórdão n.º 230201.859 S2C3T2 Fl. 6 11 Assim, entendo que a parcela paga a título de estágio, está abarcada pelo disposto na letra do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Outro ponto a ser abordado é a concessão de bolsas de estudo para os segurados empregados destinadas ao custeio de despesas com cursos de graduação, mestrado e de línguas estrangeiras. A questão de mérito reside no fato dos valores pagos para custear o ensino superior e de línguas integrar ou não a remuneração dos segurados empregados da recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, e já citado em parágrafos anteriores, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) Fl. 639DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 640DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003834/200917 Acórdão n.º 230201.859 S2C3T2 Fl. 7 13 h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos Fl. 641DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212/1991, pois o que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que assim dispõe: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Como se pode depreender da análise do art. 21 acima transcrito, a educação superior não se confunde com a básica. O curso de capacitação profissional também não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária. Concluise portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Portanto, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente ao plano de ensino superior teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não ocorreu. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003834/200917 Acórdão n.º 230201.859 S2C3T2 Fl. 8 15 A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. No caso em tela, o oferecimento de ensino superior, mestrados e cursos de línguas estrangeiras aos funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o seu ensino. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de educação superior possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Como visto, é despicienda a análise de extensão a todos os segurados da empresa, pois a verba relativa a ensino superior integrará em qualquer hipótese o saláriode contribuição. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. A PLR é um direito constitucional do trabalhador: CF/88: Fl. 643DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. Em 1991, a Lei n.º 8.212 institui o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, define a base de cálculo das contribuições previdenciárias, dispondo, inclusive, sobre parcelas isentas. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Também a lei de custeio, como a Constituição, reafirma a necessidade de obediência a uma legislação para que a PLR não seja conceituada como remuneração, e, portanto, fora do alcance da incidência contributiva previdenciária. Em 29/12/1994 surge a legislação específica, qual seja a Medida Provisória 794, que dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a PLR integra a remuneração, até 29/12/94. Após essa data, com o surgimento da legislação específica, a MP 794, não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com as disposições contidas na MP. A MP 794 sofreu diversas reedições, convertendose, finalmente, na Lei nº 10.101, de 18/12/2000. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003834/200917 Acórdão n.º 230201.859 S2C3T2 Fl. 9 17 Essa legislação surge como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, pois faz com que o empresariado tenha redução em sua carga tributária, já que há a previsão de isenção dessas parcelas para incidência de contribuição previdenciária e a parcela de PLR, para efeito de apuração do lucro real, poderá ser deduzida como despesa operacional; permite que os trabalhadores obtenham maiores ganhos e incentiva a produtividade, já que sua obtenção depende de um resultado almejado pelas empresas. A Lei 10.101/200 prevê várias exigências e vedações, que a PLR deve seguir para estar de acordo com sua lei específica e obter os efeitos previstos. Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou Fl. 645DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ... Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa: Como se vê, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros seja justa. Não há regras detalhadas na lei sobre as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com Fl. 646DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003834/200917 Acórdão n.º 230201.859 S2C3T2 Fl. 10 19 isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. O artigo 2º, §1º, I da lei possibilita que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas a lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que estão sendo distribuídos lucros aos trabalhadores, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. E quanto ao mecanismo adotado para a repartição individual da parcela do lucro líquido destinada aos trabalhadores, a lei não fixou regras. Cuidou a lei de estabelecer parâmetros para que a empresa, após se comprometer, não venha se esquivar de distribuir lucros aos seus trabalhadores. Apurandose o total a ser distribuído, ao final o montante é repartido de acordo com mecanismos eleitos pela empresa. Frente a todo o exposto, é de se notar que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Real para considerar os valores integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A autoridade fiscal, no uso de suas prerrogativas, tem o ônus de comprovar a dissimulação do sujeito passivo, verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. No caso em exame não restou demonstrado pela recorrente que os valores pagos aos segurados empregados se revestiram das características e cumpriram os pressupostos legais exigíveis para ser efetivamente parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados, devendo, assim integrar o salário de contribuição. Da análise dos documentos constantes dos autos, se pode ver que as Convenções Coletivas de Trabalho apresentadas pela recorrente, estabeleceram a participação nos lucros e fixaram um valor mínimo e máximo de pagamento, mas o valor a ser recebido por cada segurado é determinado pelo Programa de Premiação por Atingimento e Superação de Metas, também chamado de Programa das Moedas, que se encontra descrito no relatório fiscal, fls.30/40. O referido programa foi aprovado na reunião da diretoria executiva em 14/02/2002 e regulamentado pela Resolução de 09/07/2002 e nele se basearam as Convenções Coletivas de 2004 e 2005, que pretendem respaldar o pagamento de PLR. Ocorre que não consta dos autos quais seriam essas metas. Também, não há qualquer documento que comprove a existência de metas a serem atingidas e se os segurados tinham conhecimento das mesmas; Fl. 647DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Desta forma, pela análise dos documentos examinados se conclui que os pagamentos efetuados a título de PLR em 2005 e 2006, não estão adequados à legislação, pois as Convenções Coletivas tomaram como base para o pagamento de PLR, critérios firmados apenas pela recorrente em período bastante anterior aos pagamentos, em 2002, regras unilaterais, relativas à quantificação de percentuais a serem pagos, sem que tenha se vislumbrado qualquer tipo de negociação entre as partes envolvidas, nem qualquer evidência de que os segurados tivessem conhecimento prévio das metas a serem atingidas. De acordo com o expresso na legislação pátria o pagamento de valores a segurados empregados desvinculados do salário, a título de “Participação nos Lucros e Resultados” pressupõe que deve ser apurado o lucro ou o resultado do exercício e que o trabalhador tenha alcançado a meta, o parâmetro previamente pactuado pelas partes (empresa, empregados), para fazer jus ao pagamento do valor estipulado e também quantificado previamente. No caso em tela, não ficou demonstrada a existência de um programa de metas a serem atingidas pelos segurados. O referido “programa de moedas” fixa os percentuais a serem auferidos se as metas forem atingidas, mas quais são estas metas? Não há qualquer prova nos autos de que os trabalhadores tiveram conhecimento das metas estabelecidas. A recorrente não trouxe nenhum elemento que demonstrasse que os segurados estivessem cientes de que resultados a empresa almejava e do que precisavam realizar para alcançálos. Assim, frente a realidade fática encontrada pela fiscalização, correto foi o procedimento de lançar o crédito referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de PLR, porque tais pagamentos não obedeceram aos preceitos legais de que dos acordos deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, ou seja, devem estar evidenciados os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado e estabelecidas as metas a serem atingidas. Por derradeiro, a recorrente pauta suas razões na impossibilidade constitucional de considerar a PLR como verba salarial. Com efeito a Constituição Federal desvinculou totalmente a rubrica do salário, desde que seja efetivamente considerada Participação nos Lucros e Resultados. Aí reside o ponto chave, os valores pagos aos segurados empregados na forma da Lei n.º 10.101/2000, realmente não integram o salário conforme disposição constitucional. Todavia, nos casos em que valores são pagos a título de PLR, mas não se revestem das características necessárias para tanto, o fisco tem o dever e a prerrogativa de levantar tais valores como salário integrante da base contributiva previdenciária. No caso em questão, pelo exame dos documentos apresentados, não restou demonstrado que os valores pagos aos segurados empregados se revestiram das características e cumpriram os pressupostos legais exigíveis para ser efetivamente parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados, devendo, assim integrar o salário de contribuição. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do crédito lançado o levantamento relativo à bolsa estágio. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 648DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003834/200917 Acórdão n.º 230201.859 S2C3T2 Fl. 11 21 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Sessão de 2 1 de agosto de 19 81 .ACORDÃONc"-/P.:-.O• 495 Recurso n° RP/303-0 .350 Recorrente FAZENDA NACIONAL . - Recorrido TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: S.A. MARTINELLI AGÊNCIA MARÍTIMA ' FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPORTADA: parágrafo único do art. 19 do Decreto- lei n9 37/66. Na hipótese de ser conhecida e . apurada a falta em ato de "conferência fi nal de manifesto" (Decreto n9 63.431, de--- 16.10.68, art. 25) toma-se como referência para cálculo dos tributos devidos (conver são da moeda estrangeira e aplicação da-S- aliquotas tarifarias) a data da aludida con . ferencia. Atualização do valor pecuniário das penalidades fiscais (arts. 105 do C.T.N., 110 do Decreto-lei n9 37/66 e 99 da Lei n9 4.357/64) não constitui agrava mento penal, devendo-se aplicar o valor vi gente ã época do lançamento. Recurso Especial provido. // Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Cãmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Francisco Martins Leitevalcante, Luiz Carlos Nogueira e Randolfo Henrique e Souza Net _____i 4"-)( - ,K.. ( Sala das Se 8-_ -'9F), em 21 de ag sto de 1981. , k à DOR OU • ''''̀ g1.17= :4 , ' - NDEZ PRESIDENTE „, -. _ bi EI A , .1:LAT.OR ' , - S' /-i 1.` r. r1 311 ADH Tizt.ON'AbITIS DE CARVALHO PROCURADOR DA FAZEN DA NACIONAL Participaram, ainda, do prese te julgamento, os seguintes Conselhei ros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEI* , , EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. • Or" SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0845/060.545/80 • RECURSO N.°: RP/303-0.350 ACÓRDÃO N.° C SRF/03-0.495 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL Recorrida: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: S.A. MARTINELLI AGÊNCIA MARÍTIMA RELATC5R10 ; O aresto recorrido - Acórdão n9 20.206 (f is. 25/ 28), proferido no julgamento do Recurso n9 98.185, pela Terceira Cámara do Tercei.ro Conselho de Contribuintes, baseou-se no seguin te voto vencedor: - "A recorrente discute, em resumo, a base de cálculo do credito tributário exigido, defendendo a tese de aplicação dos valores vigentes ã "época do fato gerador dos tributos, os quais deixaram de ser recolhidos em virtude da ocorrência da fal ta. O Decreto n9 63.431/68 é claro em seu art. 29r que repete as dis posiçOes contidas no Código Tri butãrio Nacional (art. 143 e 144) e no Decreto- -lei n9 37/66 (art. 23 parágrafo único e 24). A questão da apuração da falta ou o seu conhecimen to pela autoridade aduaneira em nada confunde a -existência do fato gerador da obrigação, pois que a sua apuração é feita diante dos documentos de _importação por ocasião da descarga das mercado- rias. A autoridade toma conhecimento da falta através do manifesto do navio, folhas de descarga do transportador e documentos relativos a faltas e avarias emitidos pela entidade portuária compe tente. O transportador, responsabilizado pela ocor -rencia, deve recolher, segundo o que dispae a lei, os tributos que deixaram de ser recolhidos pelo importador, não lhe cabendo pagar o tributo em va lores superiores ao devido por ocasião do seu fa to gerador, em virtude de ter a autoridade deixa- -) do de proceder à conclusão ou termino da apuração iniciada por ocasião da descarga, quando já conhecia DMF FUN° C -C - Secgref - 1600/75c 2. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/060.545/80 Acórdão n9-CSRF/03-0.495 os fatos e a parte responsável pelas faltas ocor ridas. O parágrafo único do art. 60, do Decreto- -lei n9 37/66, claro a este respeito quando de termina a apuração das faltas segundo dispOe o regulamento (Decreto n9 63.431/68) e a indeniza ção à Fazenda Nacional do valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Dentro do mesmo entendimento deve estar o valor da multa aplicada pelo acréscimo de merca donas. A posição que sustentamos e no sentido de que o fato gerador, ora em discussão, ocorre no momento do despacho aduaneiro. A tese da defen dente traz em seu socorro o Ato Declaratório nri mero 0800/125/75, que reforçou este nosso enteii - dimento quando constituiu o sistema de ,controle sobre manifestos, tornando obrigatóriaa apresen tação da DCI pró-forma, por ocasião do desembara ço aduaneiro, quando fossem constatadas de mercadoria. A conferencia final de manifesto passou, a partir da implantação do novo sistema, a tomar por base o documento do des pacho aduanei no para o estabelecimento dos valores apurados.- Assim, nos termos do Ato Declaratório n9 0800/125, de 06.06.75, do SRRF da 8a. Região Fis cal, não pode esta Câmara desconhecer que a ocor rância do fato gerador se deu na ocasião do de sembaraço aduaneiro, quando a fiscalização tomou conhecimento das faltas e acréscimos ocorridos. Dou provimento ao recurso. O acórdão está assim ementado: "Conferencia final de manifesto. Faltas e acres cimos de volumes. O dólar fiscal, as ali:quotas e as penalidades devem ser calculados de acordo com a época do fato gerador do imposto de impor tação quando a autoridade fiscal toma conhecimeFI: to dos fatos que deram causa ã exigência. Recur- so provido". O minucioso recurso do ilustre Procurador da Fa zenda Nacional junto àquela Câmara (fls. 30/48) que leio na inte gra, pode, entratanto, ser resumido nas seguintes linhas mes tras: 1) quanto à data de referencia para exigencia de tributos e respectiva base de cálculo, no caso de falta de mercadorias ve rificada em conferencia final de manifesto, ó a da representação a que se refere o art. 25, § 19 do Decreto n9 63.431/68, que de- ^ ve prevalecer, conforme já copiosa jurisprudencia desta Câmara Superior, embora o ilustre recorrente manifeste sua preferência H, , , 3. , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/060.545/80 Acórdão n9-CSRF/03-0.495 pessoal pelo declarado na Orientação Normativa Interna n9 15, da Coordenação do Sistema de Tributação, fixando o marco temporal para aqueles efeitos na data em que o responsável for intimado , a recolher o que for devido; 2) a Segunda Câmara do Terceiro Con . selho de Contribuintes, ao julgar recursos abrangendo a mataria de conferencia final de manifesto, de sua competência originã ria, consagrou o entendimento de que a alegação baseada em dispo sitivo do Ato DeclaratOrio n9 800/125/75 (item 6.2) da Superin tendência da 8a. Região Fiscal não pode ser acolhida, por achar- _ -se o mesmo derrogado pelo item IV do Parecer Normativo n9 56/77 da Coordenação do Sistema de Tributação, o qual se sobrepOe ao referido ato declaratório, de caráter administrativo limitado ã DRF em Santos, enquanto o último tem força interpretativa da le gislação tributária, constituindo-se em norma complementar dela - (art. 100 do Código Tributário Nacional); 3) a antiga Instância Especial decidiu reiteradamente que no caso de mercadorias es- trangeiras faltantes na descarga respectiva, os tributos inciden = tes sejam calculados segundo os índices vigorantes na data da conferência final do manifesto; 4) ademais, no caso em espécie, , não consta que a importadora tenha tomado as providências firma das no Ato DeclaratOrio 0850/125/75, nem de outra forma comunica =- do o fato ã repartição, o que poderia ter feito, na oportunidade, a transportadora, com base em seus registros de descarga; a fal ta foi somente conhecida, como nos demais casos, no curso roti- neiro da conferência final do manifesto, quando então procedeu- se a sua apuração. i O ilustre Procurador faz, ainda, consideração so_ bre o valor da penalidade do inciso VI do art. 59 Decreto-lei n9 751/69 a ser exigido;lentendendo deva ser o atualizado pela Por tarja MF n9 39/79. ip 2 o elatOrió4 ' T72- //> , // I/ / ( • , , , • ; . , , 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/060.545/80 Acórdão n9-CSRF/03-0.495 VOTO - Conselheiro PAULO DE ALMEIDA, Relator: O assunto do recurso especial jã e tranqüilo nes ta Câmara Superior, a partir do Acórdão n9-CSRF/03-0.003, no sen tido de que a data de referencia para a conversão da moeda es- trangeira e cáLculo dos tributos devidos, nó caso de falta de mercadorias manifestadas, é a da conferencia final do manifesto - procedimento administrativo previsto na legislação aduaneira especificamente para a apuração de faltas ou acréscimos de volu mes constantes dos conhecimentos arrolados naqgele documento, exe cutado deliberada e sistematicamente pelas repartiçaes interessa das, mediante rotinas adequadas. Inadmissível, portanto, a pretensão de que a au toridade aduaneira toma conhecimento daquelas. ocorrências pelo simples fato de que são anotadas na descarga do navio. Tais ano -taçOes serão naturalmente levados em consideração, mas no momen to oportuno, dentro das rotinas de serviços da repartição, quan do os papeis dos navios são propositalmente examinados para os diversos controles fiscais necessários. A não ser, e claro, que,por qualquer outra for ma, inclusive comunicação expressa do responsável, seja efetiva mente levada ao conhecimento da autoridade com petente a irregula ridade constatada - o que, porem, não ocorreu no caso do proces nn• o , como salientado pelo ilustre Procurador recorrente, ao discu tir a significação do Ato DeclaratOrio n9 0800/125/75 da DRF em Santos. Quanto à penalidade do inciso VI do art. 59 do - Decreto-lei n9 751/69, entendo que o valor a ser exigido é o atualizado pelo referido ato ministerial, por não se tratar de agravação mas de simples correção monetária de seu valor oriaina - rio, o qual não implica em z oração efetiva mas em nova tradu ção monetária do mesmo y v.verso , , n ,, Dou, assim, provimento ao recurso especial. -d/) BraaLLiaqL_D_P. _ _ ., _. In _2_1_ de agosto ie 1981. 2 ._,_....--; ,- // --- - ........._ PAU „---- / .. ° , t „. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 15504.000448/2007-12
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/1999
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES.
Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de obrigação acessória, devem ser observadas as regras do art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2302-002.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Marsico Lombardi, Fábio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de obrigação acessória, devem ser observadas as regras do art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Marsico Lombardi, Fábio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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Fatos Geradores Recorrente FUNDAÇÃO PARA INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS FITEC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de obrigação acessória, devem ser observadas as regras do art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 48 /2 00 7- 12 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 2 Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Marsico Lombardi, Fábio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.000448/200712 Acórdão n.º 2302002.513 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Tratase o Auto de Infração de penalidade aplicada em decorrência da empresa, no período de 02/1999 a 04/1999, ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e Informação à Previdência Social (GFIP) com omissões, referentes ao campo: "Código de Movimentação" e "Data da Movimentação" dos segurados: Marcelo Resende Pires Miranda código "j", data 26.02.1999; Mário Guimarães Boratto — código "j", data 19.03.1999 e Cledi Maria Andrade Glória Costa — código "j , data 14.04.1999, conforme discriminado na planilha de fls. 11 dos autos, infringindo o teor normativo prescrito no art. 32, inciso IV, §6º da Lei nº 8.212/91 acrescentado pela Lei no 9.528 de 10.12.97, c/c o art. 225, IV e §4° do RPS. Na ocasião, foi aplicada a multa estabelecida no art. 32, §6º, da Lei nº 8.212/91 c/c art. acrescentado pela Lei n° 9.528, de 1997, c/c o art. 284, inciso III e art. 373 do RPS, tendo em vista a não ocorrência das circunstâncias agravantes previstas no art. 290, nem a atenuante do art. 291, ambos do RPS. Cientificada da autuação, a empresa apresentou impugnação (fls. 25/28), tempestivamente (fl. 31), alegando que as GFIP's identificadas na ação fiscal referiamse a período remoto, o que dificultou o levantamento dos dados. Segundo informação da Caixa Econômica Federal, não bastaria inserir os dados apontados pela fiscalização na GFIP retificadora, mas sim de todos os demais empregados da empresa. Diante do exposto, pleiteou a suspensão temporária (durante o período a ser concedido para apresentação dos documentos comprobatórios da reparação das irregularidades) dos Autos de Infração no Debcad 37.127.7590 e 37.127.7604, afastando seus efeitos e a cobrança da multa aplicada. Os membros da 7ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (BH), por unanimidade de votos, consideraram procedente o lançamento (fls. 214/222). Intimada do julgado (fls. 112/113), interpôs, em tempo hábil, recurso voluntário (fls. 115) pleiteando a extinção do crédito tributário em decorrência do implemento da decadência. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 4 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Protocolado recurso em tempo hábil, passo à análise das questões suscitadas. Referese o auto de infração ao descumprimento da norma instituída no art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91, por ter a empresa apresentado as GFIP's com omissões, no período de 02/1999 a 04/1999. Para o deslinde da controvérsia, antes mesmo de adentrar no cerne da responsabilidade, merece análise preliminar a questão do prazo decadencial. A obrigação principal é proveniente do pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, configurando sempre com conteúdo patrimonial. A acessória é dever instrumental que visa assegurar o interesse da arrecadação dos tributos, facilitando a atividade fiscalizatória. Tais conceitos foram extraídos do enunciado normativo inserido no art. 113 do CTN: “Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2 A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3 A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária.” Mais adiante, estabelece o art. 115 do CTN que o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na legislação aplicável, imponha a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Assim como na obrigação principal, a obrigação acessória poderá ser exigida do órgão fazendário dentro de determinado prazo. Pois bem! O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 os quais autorizavam a Seguridade Social constituir os seus créditos no lapso de 10 (dez) anos. A partir de então, nos termos do art. 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417/06, o Supremo Tribunal Federal poderia, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e Fl. 278DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.000448/200712 Acórdão n.º 2302002.513 S2C3T2 Fl. 216 5 municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Com a publicação da Súmula Vinculante nº 8, em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional. Desse modo, no caso em exame, por se tratar de descumprimento de obrigação acessória, inexistindo qualquer discussão a respeito da existência de pagamento antecipado, a norma decadencial a ser aplicada é aquela insculpida no art. 173, inciso I, do CTN, a seguir: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” A ação fiscal compreendeu o período de 01/02/1999 a 30/04/1999. A ciência pelo contribuinte ocorreu em 01.11.2007 (fl. 27), isto é, aproximadamente sete anos após o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dito isto, constatase que a cobrança referente às respectivas obrigações acessórias encontrarseia decaída, fulminando a pretensão fazendária. Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para darlhe provimento, reconhecendo o implemento do prazo decadencial, nos termos do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional para o fim de excluir do lançamento todas as competências exigidas (01/02/1999 a 30/04/1999). É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI
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Aplicação da Instrução Normativa n9 049, de 14 de julho de 1982. 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. 1 ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fisc. , p r unanimidade de votos, negar provimento ao recurso espe- cial." )/(47 k-, Sala das !-/ de agosto de 1982. 1 , i , 1 40(,/,/ 1 AMADOR O N.' í / 'NÁNDEZ - PRESIDENTE r 1 _j 'tjániN, ôtê ' e C ),,,é,r., ._ 11. 0 DE v DEI'e. ,k,, . RELATOR 4, Mr LUIZ FERNANDO 0,1 4 VD1. MORAES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: Raul Pimentel, Waldevan Alves de Oliveira, Pedro Martins Fer- nandes, Urgel Pereira Lopes, Luis Miranda e Sebastião Rodrigues Ca- bral. , , , ‘‘J;;:r:4 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NP : 0650/003.064/80 1 RECURSO N.o: RP/104-0.69 1 ACÓRDÃO N.o: CSRF/01-0.256 RECORRENTE N.o: FAZENDA NACIONAL 1 SUJEITO PASSIVO: COMPANHIA BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERAÇÃO RELATÓRIO O Dr. Procurador da Fazenda Nacional junto ã 4a. Câ- mara do 19 Conselho de Contribuintes recorre, tempestivamente,pa ra esta instância especial da decisão consubstanciada no Acórdão n9 104-2.422, de 05 de novembro de 1981, que, dando provimento a recurso voluntário interposto pela COMPANHIA BRASILEIRA DE META- LURGIA E MINERAÇÃO, com sede em UBERABA, MINAS GERAIS, determinou que se excluisse, do excesso tributável, o imposto suplementar que lhe foi adicionada. O relator do Acórdão recorrido, o ilustre Conselhei- ro Dr. FRANCISCO AMARAL MANSO, assim expós a matéria em litígio: "CIA. BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERAÇÃO, C.G.C. n9 33.131.541/0001-08, jurisdicionada pela DRF em Uberaba, MG, foi intimada a recolher a quan- tia de Cr$ 40.425.889,00 (fl. 51), em consequência de ação fiscal na empresa quando se apurou diferença de imposto suplementar de renda recolhido a menor do período 1973 a 1979. Foram exigidos os acréscimos legais. 1 A autuada impugnou a exigência, em parte, contestando a metodologia utilizada para cálculo do excesso de remessas e pleiteando fossem consideradas as remessas líquidas, excluídas as parcelas ebir: a,e D M F - DF/1.0 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 3. Acórdão n9 CSRF/01-0.256 das aos beneficiários e referentes ao imposto suplementàr recolhido,- questionando a necessidade de se promover a pré vio ajuste junto ao Banco Central do Brasil (fls. 53/71 ). Entendendo ser devedora de apenas Cr$ 4.707.283,00 (fl. 72) promoveu o recolhimento dessa quantia, acrescida dos demais encargos legais (fls. 82/83). Contradita fiscal de fls. 86/88, pugna pela manuten- ção do crédito fiscal, excluída apenas a quantia esponta- neamente recolhida pela impugnada. Decidindo o feito, o titular do órgão jurisdicionan- te manteve a exigência fiscal (fls. 90/96), feitos os se- guintes considerandos: "CONSIDERANDO que de conformidade com o item 38 da IN.SRF 0'2/69, o capital e lucros capitalizados se- rão computados na razão do tempo em que tiverem perma necido na empresa, durante o triênio, e com obser- vância dos registros efetuados no Banco Central - do Brasil, apurando-se o efetivo capital médio do triê- nio, de acordo com a escrituração contábil das empre sas e com os referidos registros; CONSIDERANDO que o relatório da fiscalização, fls. 42/46, seú item 6, deixa claro que a empresa, ao calcular o capital médio, levou em conta, na apu- ração do tempo de permanência desse capital na empre- sa, a data da Assembléia Geral que autorizou sua ele- vação, procedimento que não encontra amparo na legis- lação de regência e fere o disposto na Instrução Nor- mativa antes mencionada; CONSIDERANDO que mesmo entendendo serem discutí- veis os critérios adotados pela Secretaria da Recéita Federal quanto ao cálculo do capital médio, a autua- da, alegando razOes de seu exclusivo interesse, pro- moveu o cálculo do imposto suplementar de renda re- sultante dessa irregularidade, conforme demonstrati- vo de fls. 72, cujo recolhimento se comprovou pelas cópias dos DARFs juntados ao processo (fls. 82/83) CONSIDERANDO que houve equívoco da impugnante ao afirmar que os ajustes junto ao Banco Central do Brasil só se fazem indispensáveis quando feitos com valores remissíveis no exterior,'em conformidade com atos ou contratos submetidos àquele órgão, tais como Contratos dê empréstimo; créditos, oriundos de vendas' de mercadorias ou de prestação de serviços, visto que a exigência desses ajustes também se faz preseltequan do da compensação do imposto reco ido com créditos decorrentes de lucros retidos , on , orme preceitua o Parecer Normativo CST-65/76; 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 Acórdão n9 CSRF/01-0.256 CONSIDERANDO que o Parecer NOrmativo CST 77/78 , ao interpretar as normas legais relacionadas com a sistemática do Imposto Suplementar de renda, firmou, em seu item 10, o entendimento de que as remessas são consideradas pelo seu valor liquido, isto é, di- minuídas do imposto recolhido por força do disposto no artigo 344 do RIR/75, não se excluindo, entretan- to, da base de cálculo, o montante : do imposto suple mentar relativo a triênio anterior, que, por simplificação de cobrança, é descontado da própria remessa; CONSIDERANDO que não tem razão a impugnante quando pretende mostrar contradição entre os itens 10 e 21 do Parecer Normativo CST n9 77/78, vis que, em coerência com o preceituado no item 10, os valo- res hipotéticos das remessas efetuadas, constantes do exemplo numérico do item 21, logicamente não fo- ram diminuídos do imposto suplementar e, consequen- temente, não há como levar em consideração, nos cál- culos do imposto do triênio, o valor do tributo apu- rado no triênio anterior; CONSIDERANDO que o entendimento explicitado no item 10 do referido Parecer Normativo, embora sob nova redação, passou a constar, de forma expressa e clara, do atual Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n9 85.450/80, como se vê do § 39 do artigo 559; CONSIDERANDO que somente um daqueles servidores se manifestou taxativamente favorável ã mesma tese defendida pela autuada conforme transcrição contida na defesa (f is. 67), no entanto tal manifestação, em que pese o seu valor como contribuição para o deba- te do tema, constitui ponto de vista pessoal do au- tor, sem nenhúm alcance no sentido de legitimar com portamento divergente do contribuinte, em rela4ã5 às normas legais de regência; CONSIDERANDO que a Lei 4.131/62, ao instituir o Imposto Suplementar de Rènda, teve como ~imo prin cipal limitar o valor das remessas de rendimentos 1:)." ra o exterior, em função do capital e reinvestimen- tos, e dessa forma seria ilógico permitir a dedução desse imposto para estabelecer a base de cálculo do tributo nos respectivos triênios; CONSIDERANDO qUe parte do credito tributário no- tificado foi recolhido pelo contribuinte, conforme provam a- cOp'as xerográficas dos DARFs de fls. 82 e 83; f, Au//ç ,!: SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 5. : Acórdão n9 CSRF/01-0.256 1, ,, , , CONSIDERANDO o parecer fiscal de fls. 86/88, e 'tudo o mais que do processo consta," . ' Regularmente cientificada em 22.04.81 (fls. 101), a autuada recorre a este Colegiado, conforme petição de 1 fls. 102/125, protocolizada em 18.05.81 (fls. 126), reite , rando, em síntese, os argumentos já apresentados na fase- , impugnatória". :, , Justificando a decisão recorrida, diz o relator em seu , ,, bem elaborado voto: i : , , "Versa o litígio unicamente sobre a sistemática de apuração de credito tributário, quando da ocorrência ' do fato gerador determinante do lançamento de imposto , suplementar. ,, , Os rendimentos de capital, remetidos para o exteri- or, estão sujeitos ao imposto de renda, na fonte, à ali- quota de 25%, consoante determinava o art. 344, - 1 do RIR/ 75 (art. 555, I, do RIR/80). Quando, porem, a média das remessas em um triênio excedder 12% do capital e reinves- timentos registrados no Banco Central do Brasil, o _:.:.mon- tante dos lucros e dividendos líquidos efetivamente reme. tidos a pessoas físicas e jurídicas, residentes ou com sede no exterior, fica sujeito a um imposto suplementar de renda. É o que determinava o art. 348 do RIR/75, repro duzido no art. 559 do RIR/80. Exemplo clássico de fato gerador complexivo, o im- posto suplementar é calculado ao final de cada triênio, cabendo à fonte pagadora promover seu recolhimento dentro de 30 dias apôs o decurso do triênio a que corresponder (art. 366, VIII, do RIR/75; o RIR/80 não explicitou pra zo para recolhimento). Faculta-se à fonte pagadora debi- tar o imposto suplementar ao beneficiário no exterior, pa ra desconto por ocasião das remessas subseqüentes (RIR/ 75, art. 348, § 19; RIR/80, art. 559, § 19). Verifica-se que a fonte pagadora foi eleita sujeito passivo responsável (C.T.N., art. 121, II), eis que o contribuinte, beneficiário do rendimento, reside no ex- terior, não podendo ser compelido a efetuar o recolhimen- to do imposto. Como resultado da incidência tributária, o pagamento, a residentes no exterior, de rendimentos de capital, apresentaria a seguinte sistemática: aprovado o pagamento de lucros ou dividendos a acionista; este te- ria um credito, suficiente para provocar a incidência do imposto de renda, a alíquota de 25%; assim, se o credito for de Cr$ 1.000.000,00, ele poderá receber Ct$750. 00, Of A ///) , , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 6. AcOrdão n9 CSRF/01-0.256 , , recolhendo-se, como imposto de renda, a quantia de _:Cr$ 250.000,00; se, porém, a quantia r~:ida (Cr$ 750.000,00), exceder 12% do capital (12,5%, por exemplo), deveria ser promovido novo desconto, a titulo de imposto de renda su- plementar, calculado, "in casu", mediante aplicação da aliquota de 40%, supondo-se, que o capital fosse de Cr$ 6.000.000,00 (remessa correspondente a 12,5%), seria devi_ do imposto suplementar de Cr$ 12.000,00. Desta forma, o exemplo acima, apresentaria o se- guinte resultado: - Cr$ 1.000.000,00 = lucro creditado; - Cr$ 250.000,00 = imposto de renda (25%); - Cr$ 12.000,00 = imposto suplementar; - Cr$ 750.000,00 = quantia remetida; - Cr$ 12.000,00 = débito do beneficiário junto ã'. fonte pagadora. Assim, o beneficiário contaria, na verdade, com dis_ posinibilidade de Cr$ 738.000,00. Toda a exposição foi apresentada no condicional, por que, na realidade, a remessa foi feita sem que se pudes- se reter imposto suplementar, eis que se trata de lança- mento complexivo. Inegavelmente o imposto suplementar é devido ao inicio de um exercício, mas se refere a fato gerador transcorrido no período-base (triênio) anterior. Quem efetivamente está pagando o imposto suplemen- tar é o beneficiário do rendimento, ao ressarcir a fonte pagadora, embora com atraso. O § IQ do art. 299 do RIR/ 66 determinava que a retenção pela fonte pagadora fosse efetuada "por ocasião de cada remessa que exceder à média trienal", dificultando seu cumprimento, pois no correr do triênio seria impossível calcular o capital médio, base para se, apurar o excesso de remessa. Tal dispositivo, po rem evidenciava que, uma vez descontado também o imposto suplementar, -a remessa seria feita pelo seu liquido, sem onerar a fonte pagadora. A IN.SRF-17/71 - consagrou a sistemática atual, determinando que a fonte pagadora efe- tuasse o recolhimento, sendo-lhe facultado descontar "a posteriori" do sujeito passivo - contribuinte. Algumas empresas, como é o caso da recorrente, pas- saram a adotar a sistemática de não efetuar a remessa da quantia total, conservando parte dos dividendos, já subtraido o imposto de renda de 25%. Em decorrência, ao invés de o acionista tornar-se devedor para com a empre- sa, o debito do imposto suplementar seria deduzido de sia conta-corrente, tão logo se desse o recolhimento do tributo. Legalizada a situação, complementava-se a rem-s- sa da quantia restante. O PN.CST-65/76 concedeu a au::'n- cia da administração a esta forma de compensação,. d/ ,/ F' 4.4 . _ , 7. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 Acórdão n9 CSRF/01-0.256 A legislação de regência (art. 348 do RIR/75; art. 559 do RIR/80) estipula que o imposto 'suplementar incide sobre os lucros e dividendos líquidos efetivamente remeti- dos. O adjunto advervial empresta ao texto uma clareza que dispensaria qualquer . interpretação; talvez o termo "lí- quidos" encerre alguma dificuldade, como se verá adiante. Mister se faz considerar que essa legislação foi es- tabelecida para "disciplinar a aplicação do capital estran geiro e as remessas de valores para o exterior", somente gravando, com tributação adicional e assaz onerosa, as em- presas, de cujo relacionamento com seus acionistas pudesse advir algum comprometimento para a empresa nacional. Dal a instituição de barreiras obstacúlando a salda de rendi . mentos, não sendo os valores alcançados pelo fisco en. quanto aqui permanecessem, embora creditados ao acionista no extêrior. Efetuado o credito, o acionista adquire dis- ponibilidade que o torna sujeito passivo da obrigação tri butária, ainda que hão lhe sejam remetidos os rendimentos, cabendo a retenção do imposto quando da realização do sim- ples credito dos rendimentos. Inexiste comando legal para que sejam efetuadas as remessas, incentivando-se, ao con- trário, a permanência, no país, dos valores creditados. , Um único artigo do RIR/75, o 348, (igualmente no RIR/80, o art. 559) cuida da incidência do imposto suple- mentar, consolidando o art. 43 da Lei n9 4.131/62, com a redação outorgada pela lei n9 4.390/64. O mesmo artigo, contudo', consolidou as normas estabelecidas para as - so- ciedades de investimento, com tributação privilegiada, con soânte dispositivos do DL. 1.401/75. O art. 49 desse De---- creto-lei lembrava a vigência dos dispositivos aplicáveis ãs demais situações, ao asseverar: "Art. 49 - O s ganhos de capital, auferidos por residentes ou domiciliados no exterior, relativos a investimentos em moeda estrangeira não abrangidos por este Decreto-lei, continuam sujeitos a tributação na fonte, à razão de 25% (vinte e cinco por cento)" (grifei). A inclusão dessa norma reevocativa não deve levar o hemeneuta a interpretar os dispositivos de um regime tributário, com base nos parámetros estabelecendo para ou- tro, embora consolidados, lado a lado, em um só dispositi- vo regulamentar. O art. 43 da Lei 4.131/62, consolidado no "caput" do art. 348 do RIR/75 (art. 559 do RIR/80), re fere-se a "lucros e dividendos líquidos", sem precisar 5 A alcance deste termo e igualmente sem estabelecer-1 ' q g • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 8. Acórdão n9 CSRF/01-0.256 quer restrição ou limitação. Já o art. 69 do DL. 1.401/75, consolidando no .§, 49 do art. 348 do RIR/75 (§ 109, do art. 559 do RIR/80), -refere-se ao montante '(de dividen- dos, bonificaçOes em dinhéiro e ganhos de capital) liqui- do do imposto de renda, com expressa alusão àquele que incide quando da distribuição do rendimento e cuja alíquo- ta varia de 8 a 15 por cento. É provável que a conceitua- ção legal de liqUidez, estabelecida no DL. 1.401/75, tenha sido transposta para interpretar o "caput H do art. 348 do RIR/75, embora regulem hipóteses diversas e lhes dêem tratamento diferenciado. Tratando-se do imposto suplementar clásèico, consi- dero incorreta a sistemática de, uma vez apurado o exces- so de remessas, se lhe adicionar igualmente o valor do im- posto suplementar relativo ao período anterior. Embora o imposto suplementar, quando debitado ao beneficiário, pro vogue redução da quantia remetida, o que se tributa nã5e o crédito de dividendos ou lucros, mas sua remessa.Quan muito se poderia admitir que as quantias correspondentes — ao imposto suplementar e que foram debitados na conta do beneficiário, ainda estariam pemdentes de liquidação, per- sistindo seu débito para com a empresa (não com o Fisco); em contrapartida, a coluna relativa ao saldo credor 'deve- ria ser igualmente aumentada, criando uma disponibilidade maior que remessa, que perde qualquer interesse quando não utilizada dentro do triênio focalizado. , Entendo, assim, devam ser refeitos . os quadros _dans. 35 e - 36 na parte em que adicionaram as parcelas, assinala das com asterisco, referente ao imposto suplementar de re-F1 da recolhido no período anterior, procedendo-se a novo cáT_ culo das quantias por recolher. Voto, pois, para que se conheça do recurso, porquan- to tempestivo, e, no mérito, se lhe dê provimento a fim de excluir, do excesso tributável, as quantias que foram adicionadas por se referirem ab imposto suplementar reco_ lhido no período anterior". No recurso especial, afirma o Dr. Procurador da Fazenda Nacional-, signatário da referida peça, lida em plenário, que "é de se reconhecer que, quando o artigo 43 da Lei n9 4.131/62, com a re- dação dada pela Lei n9 4.390/64 refere-se a "montante dos lucros e dividendos líquidos efetivamente remetidos, quer significar os valores enviados aos residentes ou domiciliados no e -ror, com a dedução apenas do imposto normal de fonte de 2 %" /I É o relatOrio. f 4 , _, ,, ,,SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 9. Acórdão n9 CSRF/01-0.256 I VOTO DO CONSELHEIRO JACINTO DE MEDEIROS CALMON - RELATOR Alterando dispositivo da Lei n9 4.131; de 10 de setembro de 1962, que institui o registro de capitais estrangeiros e remes- 1 sas para o exterior, a Lei n9 4.390, de 29 de agosto de 1964, cri- ou o imposto suplementar de renda sobre lucros e dividendos líqui- dos remetidos para o exterior. Assim passou a dispor o artigo 34 da Lei n9 4.131/62, com a sua nova redação: "Art. 43. O montante dos lucros e dividendos dos lucros e dividendos líquidos efetivamente remeti dos a pessoas físicas e jurídicas residentes n5 exterior fica sujeita a um imposto suplementar de renda, sempre que a média das remessas em um ttiênio, a partir do ano de 1963, exceder a 12% (doze por cento) sobre o capital e reinvestimen- to registrados nos termos dos artigos 39 e 49 desta lei. § 19. O imposto suplementar de que trata este artigo será cobrado de acordo com a seguinte tabela: - Entre 12% a 15% de lucros sobre o capital e reinvestimento - 40% (quarenta por cento); - Entre 15% e 25% de lucros - 50% (cinquenta por cento); - Acima de 25% de lucros - 60% (sessenta por cen- to). § 29. Este imposto suplementar será descontado e recolhido pela fonte por ocaáião de cada re- messa trienal referida neste artigo". Da nova redação do artigo 43 da Lei n9 4.131/62, que permanece inalterada ao longo dos 18 anos que decorreram desde o advento da Lei n9 4.390, decorrem todos os princípios básicos que norteiam a exigência do imposto suplementar de renda, a saber: 19 - como imposto suplementar, portanto sem a generalida 4A de do imposto que grava todos os rendimentos percebidos po do • r, 2‘ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 10. Acórdão n9 CSRF/01-0.256 ciliados ou residentes no exterior, incide especificamente sobrê rendimentos também alcançados por aquele tributo geral, mas ao con trário daquele, que tem como fato gerador não só a remessa como o credito ou qualquer ato que configure a disponibilidade pelo domi- ciliado no exterior, onera apenas lucros e dividendos líquidos - quando efetivamente remetidos; 29 - a sua base de cálculo se restringe no valor da re- messa de lucros e dividendos líquidos, que ultrapasse a média anu- al de 12% em um mesmo triênio, sobre o capital e reinveStimentos, sendo o valor da base de cálculo expresso em moeda nacional; 39 - a base de cálculo abrange um triênio mas a exigên- cia do imposto é anual, adotado o critério de triênios sucessivos; 49 - o imposto é descontado e recolhido pela fonte paga dora, por ocasião de cada remessa que exceder a média trienal. Ressalvada a hipótese nova introduzida pelo artigo 69 do Decreto-lei n9 1.401, de 07 de maio de 1975, e o incentivo pre- visto no artigo 11 do Decreto-lei 1.219/72, a matéria foi discipli- nada, a partir da Lei n9 4.390/64 pelos Regulamentos do Imposto sobre a Renda baixados em 1966, 1975 e 1980 e pelas seguintes nor- mas complementares: - Ordem de Serviço do antigo Departamento do Imposto de Renda n9 1, de 24 de janeiro de 1967; - Instrução Normativa n9 2, de 12 de setembro de 1969; - Instrução Normativa n9 17, de 30 da abril de 1971; - Parecer Normativo da Coordenação do Sistema da Tri- butação n9 65, de 31 de agosto de 1976; - Parecer Normativo n9 77, de 4 de setembro de 1978; xf „. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 11. AcEirdão n9 CSRF/01-0.256 - Instrução Normativa n9 49, de 14 de julho de 1982; Como se verifica pelo auto de infração em julgamento, a cobrança se apoiou no penúltimo desses atos normativos, ou mais precisamente no item 10 do Parecer Normativo n9 77, de 04 de setem- bro de 1978, assim redigido: "10. Em segundo lugar, as remessas são conside radas pelo seu valor liquido, isto é, diminuídas do im- posto recolhido por força do artigo 344 -do RD05. Não se excluirá, entretanto, da base de cálculo o montante do imposto suplementar relativo a triênio anterior, que, por mera simplificação, descontado da remes- sa". (o grifo é nosso) Como se vê, o ParecPr Normativo n9 77/78 não adotou o critério de adicionar ã base de cálculo o montante do imposto suple mentar de triênio anterior, mas sim considerou tal imposto como par cela já integrante da base de cálculo, não suscetível de exclusão. Admite, assim, implicitamente, o referido Parecer que a expressão legal "lucros e dividendos remetidos" envolve o impos- to suplementar de renda retido e pago pela fonte. Estabelece, por outro lado, a. aludida norma complemen- tar uma interpretação, para a qual não encontramos fundamento ra- zoável, segundo a qual a expressão da Lei "lucros e dividendos lí- quidos efetivamente remetidos" pressupõe a exclusão do imposto so bre remessas para o exterior, mas não a exclusão do imposto _suple- mentar que incide sobre as remessas. Argumentar-se-ia que ao imposto suplementar de renda é aplicável a norma que rege a determinação da bse de cálculo do lucro real da pessoa jurídica, segundo a qual esta não pode dedu- zir, como custo ou despesa, o imposto de renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou como responsável em substituição ao contribuinte (art. 16 t dí Decreto-lei n9 1.598/77 e artigo 225, 19, do RIR/80).f , SERVIÇO PCJIBLLCO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 12. Acórdão n9 CSRF/01-0.256 O argumento afigura-se-nos irrelevante por duas razOes: a referida proibição legal é expressa apenas para apuração do lu- cro, e, em segundo lugar, porque o imposto em debate não e suple- mentar da tributação da pessoa jurídica, e sim da tributação na fon te de remessas de lucros. E se o próprio Parecer Normativo n9 77/, 78 reconhece a dedutibilidade do imposto de 25% para efeito de de- terminação do valor liquido da remessa, não vemos argumento vali- do, de ordem: lógica ou jurídica, para que se mantenha o montante do imposto suplementar do triênio anterior como integrado ao mon- tante das remessas liquidas. A própria-, exceção , feita no §, 39 do artigo 559 do RIR/ 80, sem remissão legal, manda incluir nas remessas excedentes, ain- da que correspondam a resultados auferidos em anos anteriores, as despesas não dedutiveis na apuração do lucro real da pessoa juridi ca, mas ressalva expressamente - quando remetidos para o exterior, deixando implícito que somente se adicionam à base de calculo do imposto suplementar as importancias que embora constituam contabil- mente despesas, não o são para efeito de apuração do lucro real e se constituem por outro lado parcelas destinadas a remessa para o exterior, pressupostos que não se coadunam com as caractéristicas do imposto suplementar de renda retido e pago no Brail. Abalisadas opiniaes de eminentes tributaristas repudi- am, por outro lado, a interpretação consubstanciada no item 10 do Parecer Normativo n9 77/78. Tomemos três desses pronunciamentos como exemplo: 1 - GILBERTO ULHOA CANTO, focalizando o referido item 10 do PN n9 77/78 diz: "6.8 - Trata-se de afirmativa totalmente equi vocada. Não é por mera simplificação de cobrança que se desconta o ISR da própria remessa. Em verdade, nem se pode falar em tal desconto, pois se ele fosse feito não estaria o tributo incidindo sobre lucros e dividen- dos líquidos efetivamente remetidos como quer a 1 . 11 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 13. Acórdão n9 CSRF/01-0.256 ,,,, , mas sim sobre lucros e dividendos disponíveis para re- messa, o que seria correto se se tratasse do imposto co , mum (atualmente de 25%, que grava rendimentos de 'reÉi--1 dentes ou domiciliados no estrangeiro em geral), mas é , completamente errado quando se trata do ISR. Com efei- to, o imposto de 25% tem como fato gerador a aquisi- ção de disponibilidade jurídica ou ecOnómica sobre os rendimentos, disponibilidade esta que, nos termos da lei aplicável, se exteriorize através de pagamento, credito, entrega, emprego ou remessa; logo basta a dis- ponibilidade, qualquer que seja a sua forma dentre as cinco possíveis, para que o imposto de 25% se torne devido, e a sua base de cálculo é o montante sobre o qual foi adquirida disponibilidade. Mas, no caso do ISR o fato gerador e apenas a remessa: não qualquer re messa, mas a remessa que exceda a média trienal de 12726- do capital e dos reinvestimentos registrados no Banco Central do Brasil; e a sua base de cálculo e, como diz a lei, o montante dos lucros e dividendos líquidos efe- tivamente remetidos. 6.9 - A solução indicada no parecer normativo acima referido e claramente errada e ilegal. O procedi mento correto é outro: quando se evidenciar, ao ense- jo da última remessa feita dentro de um mesmo período, que houve excesso sobre a porcentagem de 12% prevista em lei, surgindo, em consequência, o fato gerador de ISR e podendo-se então saber a quanto monta o tributo qüe se tornou devido, a fonte pagadora (empresa na qual o investimento estrangeiro foi feito) efetuará o reco- lhimento do tributo, por conta e a,debito da acionista ou sócia beneficiária que tenha residência ou domicilio no exterior. O respectivo montante será pago, à fonte, pelo titular do rendimento remetido, com lucros. É evi- dente que ao pagar o seu debito o investidor -estran- geiro estará diminuindo as suas disponibilidades para ulteriores remessas, sem que, entretanto, o ISR incide , sobre a sua própria base de cálculo". (CADERNO DE PES- QUISAS TRIBUTARIAS - n9 07 - pgs. 308 a 310 - EDITO- RA RESENHA TRIBUTARIA). • 2 - IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, com o mesmo enfoque, faz o seguinte comentário: "De inicio no texto legal, não se encontra, nem sugerida, a afirmação de que: "não se excluirá da base legal distinta, o montante do imposto s.1er= tar relativo a triênio anterior". /1, Y1 .. •I 11 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 14. Acórdão n9 CSRF/01-0.256 O que se encontra é afirmação distinta, qual seja .a de que o tributo será descontado e recolhido pe la fonte pagadora, por ocasião de cada remessa, que exceder 'à media trienal referida no artigo. As situaçaes previstas no ato regulamentador o no texto legal são duas situaçaes absolutamente di- versas, a saber: a de acrescer, o ato normativo à base de cálculo, representada pelas remessas, quantia cor- respondente ao tributo descontado e a cuidar o ato legal apenas do desconto na fonte, como mera técnica de arrecadação. Em nenhum momento a hipótese prevista de majo ração tributária do parecer normativo é encontrada ou sequer sugerida na hipótese legal. Mais do que isto. O texto legal e claro em concluir a hipotese, ao dizer: "O montante dos lucros e dividendos efetiva- mente remetidos". o que vale dizer, o que não for efetivamente enviado, o que efetivamente não sair do pais, o que efetivamen- te não tiver sido recebido pelo destinatário, não po- derá servir de base de cálculo para ó imposto suple- mentar. Em Direito, as palavras, não são usadas por engano, de forma leviana, com superficialidade redacio nal. Cada palavra tem sua própria densidade, seu valor único e exclusivo, que lhe permite, apenas sob esta perspectativa, ser interpretada. Quando o legislador afirma que somente as re- messas efetivas estão sujeitas ao imposto suplementar, não quer dizer "as remessas efetivas e aquelas que não forem nem efetivas, nem remessas". A adjetivação legis lativa, teologicamente interpretada, não pode ser en- tendida senão em sua clara, nítida e cristalina inten- ção de fazer o imposto incidente exclusivamente sobre o que realmente sai do pais. Isto porque a criação do imposto T suplemen- tar objetivou evitar a sangria de divisas, isto e, a retirada de recursos necessários ao pais, que embora legitimamente adquiridos, são, desta forma incentiva- dos a permanecer no Brasil e desincentivados a dei- xá-1o. Ora, sob tal prisma, apenas aquilo que deixa o pais sujeito está ao imposto suplementar, pois ap r , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 15. Acórdão n9 CSRF/01-0.256 nas esta situação visou o legislador. E, para eliminar qualquer dúvida, ao substantivo remessa acrescentou o adjetivo efetivo ou, em sua exata formulação, adverbi- ou o discurso legislativo com a inequivocidade da ex- pressão "éfetivamente remetidos". Ora, tornar texto escrito o que escrito não está, é pretender dispensável a Constituição Federal, o Código Tributário Nacional, todos os princípios pró- prios do direito tributário e a própria lei ordiná- ria, para outorgar-se ao sujeito ativo da relação tributária também o direito de criação e majoração de tributos, sem lei permissiva". (CADERNO DE PESQUISAS TRIBUTARIAS - n9 7 - pgs. 158 a 160 - EDITORA RESENHA TRIBUTARIA) 3 - JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA, em parecer que integra processo de interesse de BURROUÇHS ELETRÔNICA LTDA., assevera, a fls. 35 e 36 do referido parecer: "O artigo 43 na Lei n9 4.131/62 dispõe cla- ramente que a base do imposto suplementar é o montante dos lucros ou dividendos efetivamente remetidos, o que não se confunde com o montante do lucro brúto distri- buído, antes da retenção dos impostos. a) Lucros ou Dividendos Líquidos Efetivamente Remeti- dos - O texto da lei é cuidadosa em não deixar dúvidas sobre o conceito da base de cálculo do imposto, ao fa- lar, redundantemente, em lucros e dividendos líquidos efetivamente remetidos. O imposto suplementar difere, sob esse aspec to, da incidência geral de 25% sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. Nesta inciden cia, tem aplicação o principio geral da lei constante do § 39 do artigo 97 do DL n9 5.844/43: "a taxa de que trata este artigo incidirá sobre os rendimentos bru- tos ...". Por isso, o imposto de 25% • calculado "por dentro", ou seja, a aliquota é aplicada sobre todo o montante do lucro distribuído, inclusive a parte que será utilizada para a retenção e recolhimento do impos to suplementar. No imposto suplementar, aliquota é aplicada sobre o montante liquido dos lucros ou dividendos efetivamente remetidos. Por soncequinte, o imposto é calculado "por fora" da importância efetivamente re- metida e é retido e recolhido mediante a utiliza,- r, , ' \J . , : SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 16. ,, AcOrdão n9 CSRF/01-0.256 de parte dos lucros distribuídos em cruzeiros, ou seja, . de lucros não remetidos". ,, Adita-se( a tais consideraçOes,de ordem doutrinária, a ,,, recente Instrução Normativa n9 049, de 14 de julho de 1982, :baixa- da pela Secretaria da Receita Federal, publicada no Diário Oficial de 19 de julho de 1982: "I - O imposto suplementar de renda, instituí- do pelo artigo 43 da Lei n9 4.131, de 3 de setembro de 1962, com a redação que lhe deu o artigo 19 da Lei n9 4.390, de 29 de agosto de 1964, será calculado com base nos valores em moeda estrangeira efetivamente remetidos e constantes de contratos de câmbio relativos ã remes- sa de lucros ou valores a estes equiparados, feita a sonversão ã taxa coambial vigente em 31 de dezembro do 1 ultimo ano do triênio em que ocorrer o excesso de re- messas. 1, II - O valor do imposto suplementar recolhido , deve ser debitado ao beneficiário no exterior, e será obrigatoriamente descontado de lucros ou dividendos, , remissíveis segundo a legilação pertinente, na medida em que forem distribuídos, creditados, pagos ou utili- zados". • A referida Instrução Normativa, como norma complementar 1 enquadrada no artigo 100, I, do COdigo Tributário Nacional, dirime , de forma expressa a controvérsia entre repartiçOes fiscais e con- tribuintes, uma vez que aquelas, com base no Parecer Normativo n9 ,,,, 77/78, fizeram lavrar numerosos autos de infração em que incluem , , na base de cálculo do imposto suplementar de renda de triênio pos- terior o imposto cobrado sobre triênio anterior. ,, 1 A interpretação ora acolhida pela superior administra- ção fazendária consagra tese oposta a do referido Parecer Normati- vo, ao determinar que imposto suplementar de renda seja calculado com base nos valores em moeda estrangeira efetivamente remetidos e constantes dos contratos de câmbio relativos a remessa de lucros ou valores a estes equiparados, em consonância com a "mens legis". Ao vincular a base de cálculo do imposto _suplementar de renda ao contrato de câmbio para remessa de lucros, explic'ta :,4, r j: (9 /7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0650/003.064/80 17. Acórdão n9 CSRF/01-0.256 o que deverá ser entendido como valor efetivamente remetido, a Se cretaria da Receita afasta qualquer possibilidade de inclusão, co mo matéria tributável, do imposto suplementar do triênio anterior. Assim somente o que realmente saiu do país e foi recebi do pelo destinatário se conceituará como remessa efetiva para efei to de incidência do imposto suplementar de renda. Ainda mais enfático, o item II da transcrita Instrução Normativa, estabelecendo que o imposto suplementar recolhido deve ser "obrigatoriamente descontado de lucros ou dividendos remissí- veis, segundo a legislação pertinente, na medida em que forem dis- tribuídos, creditados, pagos, ou utilizados", configura, de forma expressa e peremptória, o imposto suplementar de renda como parcela dedutível dos lucros e dividendos remetidos para o exterior. Reputando tal norma complementar como interpretativa, não vemos como deixar de aplicá-la ao presente litígio. Isto posto, nego provimento ao recurso eseecia 4r Brasília DF., 24 de agosto de 1982. J. I TO DE MEDEIROS CAL el - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
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Inoabvel anulta do artigo 521, 1, c do RA. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais., por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julga- do. 'ala ..s Se -es (DF)., em 23 de agosto de 1991. MAR, - PRESIDENTE ' - C Ay mEL ETO RELATOR IRAN LIMA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: =AMAR VIERA DA COSTA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, JOSÉ Ar VES DA FONSECA, JOÃO HOLANDA COSTA, PAULO AFFONSECA DE BARROS FA- RIA JCNIOR e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Defendeu a interessada o Sr. Duarte Osvaldo Afonso - CRE/SP n9 17061/85. `,.. n VA\ DAMEEP/DF- SECOS N 2 064/90 \.4 SERVIÇO RUBLier.: FEDERAL PROCESSO NR 10805-002326/87-11 RECURSO DA PROCURADORIA NP. 303-0.969 ACÓRDÃO CSRFP,3-01.746 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 3 4 CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: COTIA COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO S/A. ACÓRDÃO RECORRIDO N2 303-25.820 RELATÓRIO A Procuradoria da Fazenda Nacional comparece nos autos do processo em referencia para interpor, junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, o recurso especial, de que trata o artigo 32 , § 32 , do Decreto n 2 83.304/79, contra decisão, não unânime, prolatada pela 3 g Câmara do 32 Conselho de Contribuintes, cujo teor foi assim ementado: "PROGRAMA ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO - BEFIEX. Empresas comerciais exportadoras podem atuar como con- signatárias de empresas titulares de Programa Especial de Exportação (BEFIEX), desde que sejam observadas as instruçOes e restriçOes emanadas dos respectivos ór- gãos intervenientes no processo de importação. Incabi- vel a multa do artigo 521, I,"c"do RA. Recurso provido." A recorrente indica, inicialmente, a legislação que jul ga ter sido contrariada pela decisão acima transcrita mencionan- do: o artigo 1 2 do D/L n 2 1219/72; os artigos 111 e 176 do Códi- go Tributário Nacional e o artigo 521, I, "c", do Regulamento Adu aneiro. Prossegue lembrando que a autuada deveria, em obedien- cia ao que estabelece o art. 1 2 do D/L 1279/72, ter comprovado sua condição de estabelecimento industrial e a titularidade do Programa Especial de Exportação. Absteve-se, porém, de faze-1o, procurando, apenas, ver-se ao abrigo da isenção outorgada a ter- ceiro, em razão de negócios havidos eles, encontrando, pois, sua pretensão obstáculo no que prescreve o artigo 176 do CTN, que li mita a outorga de isenção para remete-1a, obrigatoriamente, à legislação específica. Insiste a Fazenda Nacional em considerar irrelevantes - para o deslinde da controvérsia, os liames negociais entre as em presas, acrescentando que a norma contida no art. 111 do CTN A 2. saRvico Pueu,cc gEcaAL PROCESSO N9 10805/002.326/87-11 exige interpretação literal, e não extensiva, da legislação tri- butária que disponha sobre a concessão de isenção, o que não ad- mite a extensão do beneficio a quem não atenda às condiçOes esta belecidas, ainda que sob pretextos, como a alegada consignação. A esse respeito, argumenta que não se alteram os fatos em razão de ter a recorrida comparecido, nos ajustes comerciais ocorridos entre ela e terceiros, na qualidade de consignatária das mercadorias importadas. Na documentação fiscal esta compare- ce como sujeito passivo direto dos tributos incidentes na opera- ção. Abordando a definição do termo "consignatário" tal como en- contra-se no direito comercial, afirma que nem o sentido que ali se lhe empresta serve para alterar o campo da norma isencio- nal de que trata o art. 1 2 do D/L n 2 1.219/72. Referindo-se às manifestaçOes trazidas pelo Contribuin te a seu favor, a Fazenda Nacional refutou o argumento de que as autoridades fazendárias autorizaram-na a "simular" sua condi- ção de importador, para efeito da isenção pretendida, mantendo, porém, sua condição de consignatária junto às demais empresas envolvida. Afirma a recorrente inexistirem a tal autorização, instrução ou ato normativo assim dispondo. Alega que qualquer pes soa pode, efetivamente, comparecer como importador em operaçOes dessa natureza, no entanto, nem todo importador faz jus ao bene- fício fiscal ora discutido. Da resposta à consulta à Secretaria Executiva do BEFIEX afirma não decorrer vantagem alguma à recorrida, pois ali está expresso que as guias de importação de empresas titulares de programas especiais de exportação, cujos consignatários sejam empresas comerciais exportadoras, poderão ser liberadas, para concessão dos benefícios fiscais do D/L 1219/72, desde que os importadores sejam as empresas detentoras do certificado BEFIEX. Tal interpretação encontra-se de acordo com constante da Porta- ria n 2 36/85, do MIC. No presente caso, a importação não foi realizada por empresa detentora do certificado BEFIEX. A recorrida não inter- mediou a importação, tanto que vendeu, com lucros, os bens impor tados. Toda documentação de interesse à tributação aduaneira — acusa como importador a recorrida. Outra seria a situação se a importadora fosse creden- ciada para valer-se do BEFIEX e a autuada comparecesse, efetiva- 1111 ' 3. sER vic o PueL;cc.: PEcERAL PROCESSO 1\1? 10.805/0.02.326/87-11 mente, como consignatária, a quem mercadoria tivesse sido remeti- da à conta do importador. Para finalizar, ressalta a recorrente que causa espé- cie o fato de a interessada ter-se identificado como importadora ao fisco estadual, fazendo, assim, jus a vantagens na área do e classificar-se, simultaneamente, como "consignatária" para man- ter os benefícios aduaneiros. Conclui que, ao apresentar-se como importadora e deten tora de direitos pertinentes a programas especiais de exportação, a recorrida incorreu na hipótese prevista no artigo 521, I, "c", do RA. Não tivesse ela declarado-se em condiçOes de atender aos requisitos impostos no artigo 1 2 , DL 1219/72, não teria sido pos- sível importar e revender com lucros os produtos importados com isenção. Pede, pois com base no exposto, a reforma do acórdão recorrido. Em suas contra-razôes, o contribuinte reafirma sua con dição de consignatária do importador, tendo, para tanto, atendi- do a todas as formalidades exigidas para que pudesse desempenhar seu papel, sem jamais pleitear para si os benefícios da importa- ção. Transcreve o voto proferido pelo Conselheiro Relator, que manifestou-se favorável à sua causa, e acrescenta que a con- sulta formulada pelo 32 Conselho ao BEFIEX resultou na confirma- ção de seu procedimento, quando solicitou a emissão da GI apondo seu nome no campo reservado à consignatária, e o de seu contratan te no campo reservado ao importador. A DI, por sua vez, teve sua emissão calcada na GI, que dessa faz parte integrante, sem que lhe tenha sido exigido a emissão de DCI. Retorna ao voto integrante do acórdão recorrido, fazen do suas as palavras do Conselheiro relator que, interpretando o DL n 2 1219/72, entende ter sido atingido o objetivo econômico que motivou a edição do referido DL, uma vez que o compromisso de ex- portação ocorrido foi cumprido. Defende o relator a tese de que o recolhimento dos tributos suspensos deverá ocorrer somente quan do a beneficiaria do programa deixe de satisfazer tal compromis- so, pois ore que não se pode, simultaneamente, exigir-se os impos tos incidentes na importação e exportação do produto final. 4,45v- 4. SERVIÇO p c'euco FEDERAL PROCESSO N9 108G5,/002.326/87-11 Aponta o contraditor a fragilidade do argumento do Re- curso Especial, fundado na premissa de que a decisão de conselho é contrária à lei. Ressalta que a Procuradoria exige-lhe a comprovação de que detém os requisitos para obtenção do beneficio fiscal a que se reporta a autuação. A isto contrapõe-se declarando que nunca pleiteou tais benefícios para si, os quais afirma terem sido ob- tidos por seu cliente, o importador, a quem foram remetidas as mercadorias importadas e submetidos a processo de industrializa- ção. Quanto ao argumento lançado pela recorrente, de que o julgador teria interpretado extensivamente legislação cuja inter- pretação há de ser literal, conforme determina o CTN, alega não tratar-se de questão relacionada com interpretação, mas sim de me ra constatação da realidade. Afirma que todo o processo de impor-. tação foi conduzido de forma que fosse a mercadoria importada e entregue ao industrial, de acordo com todas as exigencias. No que respeita à cominação da penalidade prevista no art. 521, I, "c", do RA, o contraditór novamente invoca os funda- mentos contidos no já mencionado voto, segundo o qual descabe a aplicação da pena, uma vez que não houve falsidade das provas apre sentadas. No caso vertente, conclui o relator que não ocorreu a hipótese que justifica a apenação, pois a empresa declarou-se co- mo consignatária, sem valer-se de provas falsas. Relativamente à acusação promovida pela Fazenda Nacio- nal, de que a recorrida não intermediou a operação, mas sim ven- deu, auferindo grandes lucros, os bens importados com isenção, li mitou-se a defendente em alegar que os assuntos de natureza nego- ciai não deveriam ser colocados para o deslinde da questão. O pro blema, assegura, é de natureza jurídico/aduaneira e não de econo- mia interna dos negócios realizados. Reportando-se à questão da utilização de linhas de cré dito estaduais, simultaneamente à obtenção da isenção dos tribu- tos aduaneiros, conforme acusa a.recorrente, lembrando que para tanto a empresa apresentou-se ora como importador, ora como con- signatária, , ampara-se, em suas contra-razões, no argumento de que -- o planejamento tributário é utilizado pelas empresas em virtude da complexidade da matéria, sendo lícito maximizar a utilização dos vários incentivos fiscais existentes. . 5. SERVIDO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10805/002.326/87-11 Dessa forma, pede a interessada a manutenção do acOr- dão recorrido. É o relatOrio. 464 111;41 : 0,4 SERViÇO PUBLICO f EDERAL ,eIW)CESSO Ny 10805/002.326/87-11 6. Acórdão n9-CSRE/03-01.746 VOTO Conselheiro UBALDO CAMPELO NETO, relator. Compartilho da opinião do ilustre relator do proces so em tela na Terceira Cámara"do Terceiro Conselho de Contribuin tes Dr. Jose AlveS da Fonseca. Em assim sendo, adoto e transcrevo seu brilhante vo- to na Integra, como se segue abaixo: "Apesar de não ter sido possível conseguir maio res informaçOes sobre a utilização dosificentivos FUk- DAP por empresas consignatárias, entendo que o esseri cial foi esclarecido, estando o processo emcondiçOe -à- de ser julgado. Observa-se que a empresa estava respalda_ para atuar como consignatária nas importaçOes de produtos para programas BEFIEX, por todas as autoridades en- volvidas no processo de importação, ou seja: Na área do Programa BEFIEX, na reuniãO plená- ria do dia 17 de novembro de 1982, a Comissão BEFIEX decidiu autorizar a sua Secretaria Executiva a libe- rar as Guias de rmportação de empresas titulares de Programas Especiais de Exportação, cujo conSignatá- rio seja empresa comercial importadora e desde que a importadora seja a prOpria detentora do CertifiCado BEO_EX; Na área fiscal aduaneira, o Telex Circular BSA/ /CST/PAA n9 521, de 05.08.90, assinado pelo Secretá- rio da Receita Federal, orientava as repartiOes no sentido de que fossem aceitas as DeclaraçOes deIMpor tação formuladas em nome de consignatários indicados nas Guias de Importação, desde que referidos consig- natários constem como importadores nas faturas comer ciais e nos conhecimentos de transporte respectivos; Na área de política de comercio exterior, oitem 4.1.2.4. do Comunicado 133 da CACEX permite que aque les órgão emita, a criterio de sua Direção Ceral;gui as de importação em que o consignatário da mercado- ria seja outro que não o prOprio importador, devendo o pedido de guia de importação ser acompanhado decon - cordáncia expressa do dito consignatário; \ 5~°uBL E R AL PR,QCESW N? 10205/002,326187-11 7. AcrdÃo n?-C.SRE/03-_01,246_ Na 5,rea cambial ( A Tnstrução de Serviço DECM110/ 181 autoriza a contrataçã dê cÃmbio destinada ao paga mento de mercadorias importadas ao amparo de guias de importação, observadas as demais regras que regem as inporta0es, se formalizada por em presas :consignatÃ- rias, como tal indicadas nas respectivas guias desde ._ Que; aj sejam beneficiÃrias do Fundo para o DesenvQ1V - mento das atividades Portuárias, FUNDAP doEspírito San to; ,. .., c) iconstem como mporta idoras nas faturas comerc-_ ais e nos conhecimentos de transporte marítimo e, quan - ._. do for o caso nas declaraOes de importaça(P. Mesmo que esta legislação citada, que converge no sentido de garantir a operação praticada pela recorren te, fosse de hierarquia inferior, incapaz de contra- i riar dispositivos maiores como entende o julgador Sin guiar, ainda assim, deveria se atentar para certos as- pectos do dispositivo Maior que instituiu os ineenti- vos BEFTEX (Decreto Lei 1.219,/72)_, procurando extrair ! os objetivos económicos que o governo tinha em mente AO adotar os incentivos BEFTEX. O objetivo fundamental e bãsico do Programa BEFTEx 6 provocar um saldo positi vo de divisas na balança comercial por parte da empre- sa detentora dos beneftcios f e não 0 recolhimento de . ,tributos, , A recolhimento de tributos 'isentos deverá' ocorrer quando a empresa beneficiãria do programa dei- xar de cumprir o comp romisso ocorrido, o que não se ve rificou no presente caso. Se a empresa , consignat5riã viesse a ser penalizada com O recolhimento dos tribu- tos que incidiriam sobre a importação, no caso do não cumprimento dos compromissos de exportação; , estariam - ocorrendo dois- fatores mutuamente exclusivos, que como o pr6prj_o nome indica são eventos J.Tslpossfveis. Havendo o cumprimento do compromisso não deveria haver recolhimento de tributos isentos e, consequente- mente, não havendo sido cumprido o Compromisso de ex- portação deveria haver o recolhimento de tributos isen Los . O que jamais poderia Ocorrer seria o ,cumptimento. do compromisso de exportar pelo benefici4riodoBTEFIX, e, ao mesmo tempo, algum ter de recolher os impostos_ incidentes sobre a importação beneficiada. Quanto a multa aplicada Cartigo 521, 1, c do RPO_ entendemos ser a mesma, tambem, indevida. A penalidade aplicada deve ocorrer quando houver uso de falsidade nas provas exigidas para obtenção de benefícios e estl nulos previstos no regulamento aduaneiro. Primeiro, eri —_. ! , SFR /IÇO PURL n CO FEE . E,AL PROCESSO N9 10.8G5J002,328/87-11 8. ,INc ,SrdÃo n9-CS4F/03-,.01,746 tendeos que a empresa por no esconder a condiço de consignatara e, por te rr dumpr j:d0 a i:nstru ,c5es citadas nas Sreas do Programa BEFTEX, fiscal aduaneira, de tica de com g rcio exteri'or e cambial, demonstrou une usou de i'aisidade nas provas, procurando sempre se aterH "ás referidas instruç64. SegundO, a empresa 1-19 teou benefT.cios fiscais nem tentou obtios, agindo ape nas como consignataria," Pelo eposto, nego provimento ao recurso es pacial da,; Procuradori=a ia Fazenda Nacional, mantendo, asm, a decisÃo da Co lenda Terce j2;ra Cãmara do Tercero Conselho de Contribuintes. Eis o meu voto Brasília- DF., em 23 de agosto de 1991. ^,NLDO CAMPELO , TO 'RELATOR X4 11¥ keraN,c-11 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 18108.002297/2007-90
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 04/12/2007 a 04/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES.
Constitui infração a empresa deixar de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, conforme art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91.
O relatório fiscal traz em seu bojo todo o procedimento adotado pelo agente fazendário e a multa aplicada devidamente fundamentada. A norma constitucional insculpida no art. 37 foi respeitada. Não há qualquer vício na emissão do lançamento.
Recurso Voluntário negado.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 2302-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Bianca Delgado Pinheiro, André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/12/2007 a 04/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, conforme art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91. O relatório fiscal traz em seu bojo todo o procedimento adotado pelo agente fazendário e a multa aplicada devidamente fundamentada. A norma constitucional insculpida no art. 37 foi respeitada. Não há qualquer vício na emissão do lançamento. Recurso Voluntário negado. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Bianca Delgado Pinheiro, André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 214 1 213 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18108.002297/200790 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.438 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente CONSTRUTORA PLAZA LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 04/12/2007 a 04/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, conforme art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91. O relatório fiscal traz em seu bojo todo o procedimento adotado pelo agente fazendário e a multa aplicada devidamente fundamentada. A norma constitucional insculpida no art. 37 foi respeitada. Não há qualquer vício na emissão do lançamento. Recurso Voluntário negado. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 22 97 /2 00 7- 90 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Bianca Delgado Pinheiro, André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatório Referese o Auto de Infração a penalidade aplicada em face do contribuinte por ter deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, conforme art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91. Na ocasião, foi aplicada a multa estabelecida na Lei nº 8.212/91 c/c art. 283, inciso II, alíena “b” e art. 373 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 com redação dada pelo Decreto 4.729/03. Cientificada da autuação (fl. 02), a empresa apresentou impugnação (fls. 42/61), tempestivamente (fl. 41), alegando, em síntese: a) Que no caso em comento se trata de dupla punição, pois a autoridade fazendária já havia lavrado dois outros autos de infração em face do contribuinte: AI nº 37.079.9275 (sanção por questões contábeis) e AI nº 37.079.9291 (não cumprimento de TIAD); b) Que não foi concedido prazo pela fiscalização para a entrega da documentação, obstruindo o direito de manifestação da Autuada; c) Que a Autuada durante toda a fiscalização realizada em suas dependências, manteve o devido zelo no atendimento, disponibilizando todo o artefato material, documental e consultivo da empresa. d) Que nos termos do art. 112 do CTN a lei tributária que define infração deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; e) Que o julgamento deve ser feito de forma imparcial conforme art. 37 da CF; f) Ao final, pleiteou a improcedência da ação fiscal. Na decisão de 1º grau (fls. 64/70), foi julgado procedente o lançamento sob o fundamento de que a empresa não contestou a falta de apresentação das informações e esclarecimentos solicitados, alegando, no principal, apenas a duplicidade de punição. Neste tópico, não foi reconhecida a duplicidade entre o presente auto de infração e aqueles outros citados (AI nº 37.079.9275 sanção por questões contábeis e AI nº 37.079.9291 não cumprimento de TIAD). Afirmou o julgador singular que, diferentemente do que ocorreu naqueles autos, a infração em análise corresponde à falta de prestação de todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis e outros esclarecimentos necessários e de interesse da fiscalização. Assim detalhou: “5.7.2. O AI n° 37.079.9275 foi lavrado pelo fato da empresa ter deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 18108.002297/200790 Acórdão n.º 2302002.438 S2C3T2 Fl. 215 3 todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (art. 32, II da Lei n° 8.212/91) e o AI n ° 37.079.9291 foi formalizado pela falta de exibição de livros e documentos relacionados com as contribuições sociais (art. 33, §§2° e 3 ° da Lei n° 8.212/91 c/c arts. 232 e 233, parágrafo único do Decreto n° 3.048/99). Como pode ser observado as obrigações acessórias citadas constituem fatos diferentes, tanto é assim que são tratados em dispositivos legais distintos (art. 32, II; art. 32, III e art. art. 33, §§2' e 3° da Lei n° 8.212/91).' Portanto, os referidos autos são decorrentes de obrigações acessórias diversas não existindo duplicidade de punição, como pretende a impugnante.” Grifo nosso. Intimada do julgado (fl. 75), interpôs, em tempo hábil (fl. 76), recurso voluntário (fls. 77/91) repetindo todos os termos dispostos na impugnação. Encaminhados os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segue o julgamento. Eis o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Protocolada a petição dentro do prazo conferido pela intimação de fls. 140, passo à análise das questões suscitadas. Tratase o caso de penalidade aplicada em face do contribuinte por ter deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, conforme art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91 Inicialmente, alegou o contribuinte que foi duplamente punido, porquanto foram lavrados, além deste, outros dois autos de infração: nºs 37.079.9275 (sanção por questões contábeis) e AI nº 37.079.9291 (não cumprimento de TIAD). Compulsando o sistema da Receita Federal, COMPROT, verifiquei que o AI nº 37.079.9275 está relacionado ao PAF nº 18108.002296/200745 e o AI nº 37.079.9291 ao PAF º 18108.002299/200789. Vejamos os acórdãos proferidos nestes processos: a) AI nº 37.079.9275 – o acórdão nº 280300.924 mencionou que a infração cometida pela empresa está relacionada ao fato de ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (art. 32, inciso II, da Lei 8212/91 c/c art. 225, II e §§ 13 a 17 do RPS); b) AI nº 37.079.9291 no Acórdão nº 280300.930 a infração ali identificada corresponde ao fato da empresa ter deixado de exibir documentos ou livros relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91, quando regularmente intimada pela fiscalização, tais como: folhas de pagamento com todos os segurados, contratos de empreitadas ou subempreitadas de obras de construção civil, Livro de registro de inventário, contrato de financiamento entre a Plaza e o Citibank que monta em R$ 2.310.000,00 conforme balancete de 2004. TIAF lançada em 05.06.2007 Comparando os processos acima citados com a presente autuação, temse que a autoridade fiscal autuou a empresa por ter deixado de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, a exemplo: o não atendimento da justificativa solicitada pelo agente fazendário a respeito das folhas de pagamento apresentadas pela empresa de não conter os mesmos valores destacados na Contabilidade. Infração disposta no Art. 32, III da Lei 8.212/91 combinado com os art. 225, III do Decreto 3.048/99. Em contrapartida, os processos citados nos itens “a” e “b” foram lavrados por ter deixado o sujeito passivo de lançar mensalmente os fatos geradores de forma discriminada e não ter exibido documentos/livros relacionados com as contribuições previdenciárias, respectivamente. A ação fiscal ora vergastada tem relação a não justificativa do contribuinte a respeito das folhas de pagamento apresentadas não conter os mesmos valores destacados na contabilidade. Os lançamentos em nada se assemelham. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 18108.002297/200790 Acórdão n.º 2302002.438 S2C3T2 Fl. 216 5 Desse modo, afasto a tese apresentada pelo contribuinte. Em relação à infração deflagrada na presente autuação, dispõe o art. 32, inciso III da Lei nº 8.212/91 c/c art. 225 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: “Lei nº 8.212/91: ... Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.” “Regulamento da Previdência Social: ... Art.225. A empresa é também obrigada a: ... III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; " Embora o contribuinte estivesse obrigado a prestar os esclarecimentos e explicações regularmente solicitadas através do Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF de 01/11/2007 (fls. 23/22), deixou de assim proceder, e, neste ponto, não contestou. A multa aplicada encontra respaldo no art. 283, II do RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 c/c art. 9º, inciso VI da Portaria nº 142 do Ministério da Previdência Social: “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) ... II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: ... b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização;” “MPS Portaria nº 142: Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: ... VI o valor da multa indicado no inciso II do art. 283 do RPS e de R$ 11.951,21 (onze mil novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos);” Não restam dúvidas quanto à procedência da autuação. O relatório fiscal traz em seu bojo todo o procedimento adotado pelo agente fazendário e a multa aplicada devidamente fundamentada. A norma constitucional insculpida no art. 37 foi respeitada. Não há qualquer vício na emissão do lançamento. Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendo a decisão de 1º grau. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721122/2006-89
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/1995
PIS. Regime Jurídico
Até fevereiro de 1996, a contribuição para o PIS/Pasep era exigível com base nas Leis Complementares nºs 7 e 8, de 1970, e, a partir de março de 1996, passou a ser exigível com base na Medida Provisória nº 1.212, de 1995, e alterações.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Maurício Veloso, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/1995 PIS. Regime Jurídico Até fevereiro de 1996, a contribuição para o PIS/Pasep era exigível com base nas Leis Complementares nºs 7 e 8, de 1970, e, a partir de março de 1996, passou a ser exigível com base na Medida Provisória nº 1.212, de 1995, e alterações. Recurso Voluntário Negado
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A verificação dos aspectos materiais da obrigação tributária no intuito de apurar o real indébito, bem assim o indeferimento parcial da restituição em razão da apuração de saldo a restituir inferior ao pleiteado, não depende de lançamento de ofício. Consequentemente, não há que se falar em decadência do direito de promover tais verificações previamente à restituição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/1995 PIS. Regime Jurídico Até fevereiro de 1996, a contribuição para o PIS/Pasep era exigível com base nas Leis Complementares nºs 7 e 8, de 1970, e, a partir de março de 1996, passou a ser exigível com base na Medida Provisória nº 1.212, de 1995, e alterações. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 11 22 /2 00 6- 89 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.721122/200689 Acórdão n.º 3102001.787 S3C1T2 Fl. 156 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Maurício Veloso, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A contribuinte acima qualificada transmitiu, entre 06/12/2005 e 29/12/2005, as declarações eletrônicas de compensação de fls. 02/19, informando créditos da contribuição para o PIS/Pasep oriundos da ação judicial nº 1998.38.000380737 (apelação cível nº 2000.01.00.0684994 do TRF da 1a Região), que haviam sido habilitados por intermédio do processo administrativo nº 10680.014053/200572. As compensações declaradas foram parcialmente homologadas pela autoridade jurisdicionante por intermédio do despacho decisório de fls. 49/52, em que se considerou que, tendo em vista a decisão judicial, a contribuinte não estava, no período em que foram realizados os pagamentos indevidos, sujeita ao recolhimento do PIS com base na receita operacional/faturamento, entretanto, como prestadora de serviço, deveria recolher o PIS Repique. Com isto, foram apurados créditos, em agosto de 2006, no montante de R$ 655.372,25, após atualização monetária segundo os critérios definidos pela Norma de Execução Conjunta Cosar/Cosit nº 08, de 1997. As compensações foram homologadas até o limite do crédito reconhecido. Cientificada da decisão em 11/09/2006 (fl. 76), a contribuinte manifestou, em 22/09/2006 (fl. 77), sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 77/92): . não há de se admitir a limitação ao seu crédito, verdadeiro lançamento por vias oblíquas e indiretas – ilegal, portanto; . em face da apresentação da presente peça, em acréscimo ao que dispõe o artigo 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996, os débitos devem ficar com a sua exigibilidade suspensa, não podendo se erigir em empecilho à expedição de Certidão Negativa de Débitos; . a decisão final, que veio a transitar em julgado, julgou procedente o pedido, determinando a restituição/compensação dos valores pagos ao PIS, com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988, não cabendo à Receita Federal opor óbices outros ao aproveitamento do crédito, porquanto tal matéria não veio a ser objeto de debate nos autos do processo, incorrendo em inequívoco descumprimento de ordem judicial; . acaso a Receita Federal entenda ser devido algum tributo, em substituição ao PIS cobrado com base nos decretos, deve iniciar Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.721122/200689 Acórdão n.º 3102001.787 S3C1T2 Fl. 157 3 o procedimento administrativo previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional e proceder ao lançamento, com todas as suas formalidades; . não houve, na decisão judicial, qualquer alusão à legislação anterior relativa ao PIS (LC nº 7, de 1970), ou ao fato de que somente seria devida a diferença paga a maior, até porque a sentença deve se limitar ao pedido formulado nos autos; . desta forma, totalmente abusiva a decisão de limitar o crédito com tributos supostamente devidos, em exercícios pretéritos, cobertos até mesmo pelo manto inafastável da decadência e também da prescrição; . os próprios saldos relativos aos suposto débitos de PIS Repique referentes aos exercícios de 93, 94 e 95 nunca constaram no conta corrente da SRF e, muito menos, no âmbito da dívida ativa da PGFN, isto é, o tributo nunca veio a ser lançado, não se admitindo que o seja agora; . em análise ao artigo 140 do Regimento Interno anexo à Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, percebese que não se encontra entre as atribuições do Seort, Serviço de Orientação e Análise Tributária, o procedimento para apuração de ocorrência de fatos geradores e cobrança de tributos, falecendo competência, à equipe de restituição, para o procedimento de lançamento, pelo que o despacho decisório foi prolatado por autoridade incompetente para o ato, incorrendo, pois, na hipótese de nulidade prevista no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo este o entendimento do Conselho de Contribuintes; . a Secretaria da Receita Federal valese de um pedido formal de compensação para, via indireta, cobrar tributos supostamente devidos cujo prazo decadencial para o lançamento já se esvaiu há muito, num ato de nítida ilegalidade e abuso de poder, porque o lançamento é ato formal administrativo; . a exigência do chamado PIS Repique somente existiu até a edição da Medida Provisória nº 1.212, de 1995, ficando claro o transcurso do prazo decadencial, não podendo se dizer que a Administração Fazendária estava impossibilitada de proceder o lançamento, pois, a partir de 1995, após a Resolução do Senado nº 49, de 1995, que afastou a vigência dos decretosleis, a Fazenda Nacional já poderia proceder ao lançamento, nem que fosse com o único escopo de prevenir a decadência; . o Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendem ser de cinco anos o prazo decadencial para lançamento do PIS Repique; . acaso se entenda que, com a entrega das DIPJ e DCTF, o crédito tributário em questão (PIS Repique ou PIS faturamento) já se encontra devidamente constituído, fica então bastante clara a fluência do prazo qüinqüenal de prescrição, previsto no artigo 174 do CTN; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.721122/200689 Acórdão n.º 3102001.787 S3C1T2 Fl. 158 4 . em face do princípio da eventualidade, é indevida a cobrança de juros e de multa de mora, haja vista que o crédito para compensação foi apresentado legitimamente, e a mora, somente ocorrerá após o julgamento em definitivo do presente petitório, tanto que a Lei nº 9.430, de 1996, bem como as instruções normativas aplicáveis à matéria, têm expressa previsão de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão recorrido pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/1995 Afastadas as alterações introduzidas pelos DL nº 2.445 e 2.449, de 1988, remanesceu a aplicação da LC nº 7, de 1970, para o cálculo do PIS até fevereiro de 1996, quando entrou em vigor a Medida Provisória nº 1.212, de 1995. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. Solicitação Indeferida Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relarório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Analiso separadamente cada um dos pontos acerca dos quais cabe a este Colegiado se manifestar. 1 Necessidade de Lançamento para Ajuste do Saldo a Compensar Aduz a recorrente, relembrese, que a correção do saldo a compensar demandaria necessariamente a formalização de lançamento, medida inviável em razão do decurso de prazo transcorrido entre a data do fato gerador da contribuição para a qual se pleiteia restituição e a data da verificação fiscal. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.721122/200689 Acórdão n.º 3102001.787 S3C1T2 Fl. 159 5 Com a devida vênia, não vejo como acatar tais alegações. Para tanto, trago à colação o que diz o art. 165, I e II do Código Tributário Nacional. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Ora, como se observa na leitura do os inciso I, o fundamento da repetição é sempre o pagamento maior que o devido, em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador. Vejase a lição de Alberto Xavier1: “O Código Tributário Nacional distingue dois fundamentos da obrigação de restituir em função das causas que conduziram ao pagamento indevido: pagamento espontâneo por erro (incisos I e II do artigo 165) e pagamento em virtude de decisão condenatória (inciso III do mesmo artigo)... Por sua vez, o pagamento espontâneo por erro pode ser objetivamente indevido ou subjetivamente indevido. Nos casos de pagamento objetivamente indevido, o erro tanto pode respeitar à inexistência da obrigação quanto ao seu quantitativo, sem quais forem os fatores que o determinaram (erro na interpretação da lei, erro quanto à natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador, erro na determinação da alíquota aplicável ou erro no cálculo do montante do débito). Nas hipóteses de pagamento subjetivamente indevido, o erro respeita apenas a identificação do sujeito passivo.“ Sendo certo que os aspectos (material, pessoal e temporal) que delimitam a obrigação tributária estão sempre previstos em lei, podese concluir, sem sombra de dúvida, que o fundamento da restituição é sempre o descompasso entre o pagamento promovido pelo Sujeito Passivo e a legislação que disciplina aquele tributo. Consequentemente, não se pode pretender que, quando da liquidação do indébito, deixese de aplicar a lei tributária em razão de um suposto prejuízo do sujeito passivo: dado que o indébito surge da lei, sua apuração seguirá os aspectos (material, pessoal e temporal) dessa mesma lei. 1 Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário. Forense, 1998, 2ª ed., p. 371 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.721122/200689 Acórdão n.º 3102001.787 S3C1T2 Fl. 160 6 Em assim sendo, não há como apurar a existência de saldo a restituir sem revisitar a obrigação tributária e aferir se o montante autolançado é efetivamente superior ao devido e, em caso de resposta negativa, denegar o pedido de restituição. Ademais, cabe destacar que a apuração do saldo a restituir não faz parte do rol dos atos do Fisco cuja implementação exige lançamento, mencionados no art 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, que diz: Art. 9o. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93) (originais não destacados). Finalmente, é importante relembrar, com relação a este aspecto, que a alteração levada a efeito pelo paragrafo 4º desse mesmo artigo 9º, incluído pela Lei nº 11.941, de 20092, imagino, não surte efeito com relação ao presente processo. Sabidamente, o ato precessual deve observar a legislação vigente à época da sua prática. Se, à época da lavratura, ainda não havia norma prevendo a realização de lançamento em hipóteses semelhantes à dos autos, não há como afirmar nulidade retroativa do ato. Ausente a necessidade de lançamento, não há que se falar em decadência do direito de lançar. 2 – Aplicação da Lei Complementar nº 7/70 Outro fundamento da defesa fiz respeito aos efeitos da decretação da inconstitucionalidade DecretosLeis n's 2.445/88 e 2.449/88. Segundo aduz a recorrente, a decisão judicial limitouse a decretar a inaplicabilidade dos decretoslei, nada falando acerca da aplicabilidade da LC nº 7, de 1970. Defende, portanto, que faz jus à integralidade dos recolhimentos efetuados a título de Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor (PIS/Pasep). Com a devida licença, na esteira da remansosa jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes, penso que tal pleito não pode prosperar, pois a decretação da inconstitucionalidade dos Decretoslei, fez com que o recolhimento do PIS voltasse a ser disciplinado pela Lei Complementar nº 7/70. À guisa exemplo, citemse os seguintes julgados: ACÓRDÃO n° 20181.008, julgado em 13/03/2008: 2 § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.721122/200689 Acórdão n.º 3102001.787 S3C1T2 Fl. 161 7 PIS. DECRETOSLEIS Nº 2.445 E 2.449, DE 1988. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 7, DE 1970. VIGÊNCIA. REPRISTINAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A vigência de legislação revogada por lei declarada inconstitucional decorre dos efeitos erga omnes e ex tunc da suspensão de sua execução e não se confunde com a figura jurídica da repristinação. ACÓRDÃO n° 20210761, julgado em 08/12/1998: PIS 1) LANÇAMENTO A teor do Decreto nr. 2.346/97 e da jurisprudência da Suprema Corte, as declarações de inconstitucionalidade encerram efeitos "ex tunc". Declarada inconstitucional uma norma, não tendo havido sua revogação, devese aplicar integralmente a lei anterior, sem falar em repristinação. O sistema de cálculo do PIS, consagrado na Lei Complementar nr. 7/70, encontrase plenamente em vigor e a Administração está obrigada a exigir a contribuição, nos termos deste diploma. 2) BASE DE CÁLCULO E PRAZO DE RECOLHIMENTO. O fato gerador da Contribuição para o PIS é o exercício da atividade empresarial, ou seja, o conjunto de negócios ou operações que dá ensejo ao faturamento. O art. 6 da Lei Complementar nr. 7/70 não se refere à base de cálculo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses depois. A melhor exegese deste dispositivo é no sentido de a lei regular prazo de recolhimento de tributo. ACÓRDÃO n° 20309.622, julgado em 16/06/2004: PIS. INCONSTITUCIONALIDADES DOS DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88. APLICAÇÃO DA LC 07/70. PROCEDÊNCIA.Não ocorre o instituto da repristinação no caso de declaração de inconstitucionalidade de norma revogatória. Ocorre o retorno da lei à sua vigência interrompida. Precedentes judiciais. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO SOBRE OS FATOS GERADORES ALCANÇADOS PELA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 15 DA MP 1.212/95. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE NA LC 07/70.A IN SRF 006/2000 estabeleceu a aplicação da LC 07/70 nos lançamentos do PIS para o período de 10/95 a 02/96. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Constatada a falta de recolhimento da exação impõese a sua exigência por meio de lançamento de ofício, sendo legítima a aplicação da multa de 75%, em conformidade com o art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430/96 e juros de mora, nos termos da Lei nº 8.981/95, c/c o art. 13 da Lei nº 9.065/95, que, dispondo de modo diverso do art. 161 do CTN, consoante autorizado pelo seu § 1º, estabeleceram a Taxa SELIC como juros moratórios. ACÓRDÃO n° 20181.090, julgado em 10/04/2008: MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212, DE 1995, E POSTERIORES. PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.721122/200689 Acórdão n.º 3102001.787 S3C1T2 Fl. 162 8 VIGÊNCIA DA LC Nº 7, DE 1970. REPRISTINAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A prevalência da legislação anterior, em face da declaração de inconstitucionalidade da legislação que a teria revogado, não fosse a inconstitucionalidade, não se confunde com repristinação. Em face do princípio da anterioridade nonagesimal, os efeitos das MP nº 1.212, de 1995, e posteriores atingiram apenas os fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, permanecendo a vigência, até fevereiro de 1996, da LC nº 7, de 1970, à vista da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de1988. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212, DE 1995, E POSTERIORES. EFICÁCIA. No período de março de 1996 a fevereiro de 1999, o PIS era exigível com base na MP nº 1.212, de 1995, e alterações posteriores. ACÓRDÃO nº 29100.137, julgado em 21/11/2008: PIS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212. EFICÁCIA. PRAZO NONAGESIMAL. A exigência da contribuição ao PIS baseada na MP nº 1.212, de 1995 convalidada pelas suas reedições, até ser convertida na Lei nº 9.715, de 1998 iniciouse após decorrido o prazo de noventa dias de sua edição. Até então o PIS era devido com base na Lei Complementar nº 7, de 1970. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação ACÓRDÃO n° 20176.732, julgado em 31/01/2003: NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO NÃO SE CONFUNDE COM REPRISTINAÇÃO. Na hipótese de declaração de inconstitucionalidade, no controle difuso, a Resolução do Senado Federal não "revoga" a lei revogadora de uma anterior que será restaurada (repristinação), mas, isso sim, suspende a sua execução, com eficácia constitutiva negativa e efeitos "ex tunc", próximos da situação de nulidade. De fato, não há dúvida de que o Ordenamento Pátrio não previu a figura da repristinação. O parágrafo 3º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil3 é sufucientemente claro com relação a esse ponto. Ocorre que longe está de se verificar tal hipótese. Na repristinação, a lei anterior volta a viger em razão da revogação da norma revogadora. O que se constata no presente processo é que, para todos os efeitos os Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88 foram declarados inconstitucionais e tal declaração surtiu 3 § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.721122/200689 Acórdão n.º 3102001.787 S3C1T2 Fl. 163 9 efeitos ex tunc. Consequentemente, resta desfeita revogação implementada pelo ato declarado inconstitucional. Assim sendo, restou restabelecida a vigência da Lei Complementar nº 7, de 1970. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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DE NAVEGAÇÃO MARÍTIMA NETUMAR - FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPORTADA: 4. parágrafo fanico do art. 19 do Decreto-lei n9 37/66. Na hipótese de ser conhecida e apurada a falta em ato de "conferencia fi nal de manifesto" (Decreto n9 63.431, cl -e- 16.10.68, art. 25) toma-se como referen cia para calculo dos tributos devidos (ccTri versão da moeda estrangeira e aplicação das alíquotas tarifarias) a data da aludi da conferencia. Atualização do valor pecil niario das penalidades fiscais (arts. 105- , do C.T.N., 110 do Decreto-lei n9 37/66 e 99 da Lei n9 4.357/64) não constitui agra vamento penal, devendo-se aplicar o valor vigente ã epoca do lançamento. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis 1 — cais, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial. Venci— dos os Cons. Randolfo Henrique de . 5. uza Neto, Enila Leite de Freitas I'ft, Chagas e Wilfrido Augusto Marques." ,./ Sala das Sessões - ..e), em 22 de maio de 1981 / , 4''d 1 ...,,,,, ..AMADOR OU. : • --p!e Ektr.,_Nnr•-7---- — PRESIDENTE ,,-."" ..--- • / - , , it ' 41,1 -Á' /---- -- ''--- / - -' -- - --- LU DE,--14.u.' E I .., - -GATOR Af f/P , - Ir p »O /1 ..,0 . ADHEMILSON BAWIti DE /-77.R /V/ALHO - PROCURADOR DA FAZEN . ./ / .... :IN NACIONAL vv Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhel ros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, EDWALDO REIS DA SILVA é SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. • 4 e - 4tMrN,r ~ ei,M 0 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL 56/80PROCESSO N. 0845/058.2_ ,, RECURSO N.° : - RP/303-0.143 , ACÓRDÃO N.° : - CSRF/03-0.299 RECORRENTE: - FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: - CIA. DE NAVEGAÇÃO MARÍTIMA NETUMAR , RELATÓRIO -- O aresto recorrido - AcOrdão n920.027 proferido pe- la Terceira Câmara do Terceiro Conselho de COntrib -uintes, no julga- mento do Recurso n9 97.677 (f is 31/35), baseou-se no seguinte voto - - vencedor (f is. 33/35): _ "Discute-se neste processo a data da ocorrência do fato gerador e, conseqüentemente, a base de cál- culo do crédito tributário. Pleiteia a recorrente que aquela seja a da importação e esta o dólar fis- cal e aliquotas vigentes nessa época, enquanto a de- cisão recorrida defende a aplicação dos valores da data do lançamento, conforme consignados no auto de infração e notificação fiscal. , Trata-se de matéria controvertida na área admi--4 nistrativa onde nem mesmo o Terceiro Conselho de - Contribuintes logrou entendimento unânime, manifes- tando-se, alem das citadas, uma terceira posição: os valores corretos seriam os da data da conferência fi nal de manifesto, entendida como tal representação fiscal em que o responsável é convidado a explicar- as faltas e acréscimos apurados. Prende-se a questão à interpretação do art. 23 e parágrafo do Decreto-lei n9 37/66, ao determinar que, na hipótese do parágrafo único do art. 19 do - mesmo diploma legal, a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade a7-- duaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento ly / , .. D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/ 57/ .. SEFRVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/058.256/80 3. Acórdão n9 -CSRF/03-0.299 - Entende a autoridade singular, a partir do dis- positivo citado e atos, interpretativos, que o fato gerador do tributo ocorre quando se constitui o cré- dito tributário, isto e, na intimação do sujeito pas .' sivo prevista no art. 26 do Decreto n9 63.431/68. - .Entende a recorrente que por ocasião da des- carga, as autoridades aduaneiras tomam conhecimento da falta, pois estão de posse do manifesto do navio . e seu rol de documentos, das folhas de descarga da. • transportadora, das comunicações de avarias e faltas enviadas pela concerssionária da guarda e armazena- mento das mercadoriaá elementos de registro e in- formativos que as tornam aptas a realizar O exame de apuração de faltas e acrescimos. , O desfecho do processo pretende conduzir ã con- vicção de que ,,a autoridade aduaneira só tomou conhe- cimento da falta em 20/03/80,f1s. 03, quando se i- niciou a conferência final do manifesto da carga do navio Netuno, entrado em13/11/76 e que a relação - de fls.04, da Cia. Docas de Santos não prova que a , • ciência pela repartição aduaneira do fato punível te, ilha ocórrido anteriormente a qual embora datada dTc,' Õ9 de dezembr-o de 1976çtenha servido de ponto de par- tida para a apuraçao de que trata a representação de fls. cujos dados foram alí transcritos literal- mente. . - , Como o fato gerador do direito aduaneiro ocorre no registro da declaração de importação ha reparti-, ção competente e dado que faltas e acróscimos de vo- lumes ate pouco tempo não passavam por esse crivo quando da proposição do desembaraço das partidas re- manescentes, seria de se considerar exigível do transportador responsável e obrigação tributária a partir do 459 dia do final da descarga, observada a reserva do Decreto-lei n? 1.455/76, art. 17 § 29, se o sistema de relações das Docas ou outro da fiscali- zação revestisse o caráter de conhecimento legal pe- la autoridade alfandegária da situação irreOular, a- - pós aquele prazo e dispusesse ela de condiçães para apurá-las imediatamente. Vê-se que no caso em foco, a falta de informa- ção própria disponível e recuperável a qualquer mo- . . mento pela administração aduaneira, a meu ver, foi sanada pelo sistema institilido na Delegacia da Re- ceita Federal em Santos, através do Ato Declaratório_. n9 0800-125, de 06/06/75, da Superintendência Regio- nal da Receita Federal em São Paulo, o qual tornou . obrigatória a apresentação de DCI pró-forma pelo ". importador no ato do desembaraço aduaneiro, quando então fossem constatadas faltas, devendo tal docu- mento ser encaminhado ao Setor de Controle de mani- festo, para conhecimento da fiscalização e "instaur k\, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/058.256/80 4. Acórdão n9 -CSRF/03-0.299 ção de processo contra os responsáveit pelo extravio ou falta de volumes e mercadorias", com vistas à con ferêrCia final de manifesto, cuja execnão se basea- rá "nos valores constantes das declaraçoes de impor- tação e na pró-forma". Ao baixar tal ato, a administração se curvou à solução de problema que afetava o desempenho de fun- ções fisco-tributárias e foi de encontro a 'interes- ses do contribuinte e responsáveis. A partir da ob- servância da norma baixada não poderiam mais conviver as administrações portuária e aduaneira indefinida- mente com problemas de controle de volumes, descar- regados ou não, à espera de tardia apuração de res- ponsabilidade, quase sempre beirando os cinco anos decadenciais. Trata-se agora de sistema de informação gerado pela própria fiscalização para agilizar a execuçãO de outros controles pré-existentes, como o manifesto e seus conhecimentos de carga e outros papéis as in- formações de descarga, as comunicações de avarias e faltas etc. Tendo em vista que as faltas apuradas no auto de infração de fl. 1 se deram na vigência do ato de claratOrio n9 0800-125, de 06/06/75, da Superinten- dência Regional da Receita Federal na 8a. Região Fis cal, entendo que a administração aduaneira teve co- nhecimento delas por Ocasião do desembaraço das par- tidas remanescentes, devendo ser procurado aí o mo- mento de incidência do fato gerador da obrigação tri butária e, "ipso facto", o valor, do dólar fiscal, as allquotas e as penalidades vigentes nessa época-, vista do exposto, entendo suprida a exigência do art. 23, § único do Decreto-lei 37/66, e voto para dar provimento ao recurso." O acórdão está assim ementado": "Conferência final de manifesto. O fato gerador re- monta à época do estabelecimento de controles pela administração aduaneira, pelos quais toma conheci- mento dos fatos imputáveis". O minucioso recurso do ilustre Procurador da Fazenda nacional junto àquela Câmara (fls.37/55 ) que leio na integra, pode, entretanto, ser resumido nas seguintes linhas mestras: 1) quanto data de referência 'para exigência' de "tributos é respectiva base de cãlculo,no c,, • - so de falta de mercadorias verificada em conferência final de mani SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/058.256/80 6. Acórdão n9 -CSRF/03-0.299 VOTO Conselheiro PAULO DE ALMEIDA, Relator: O assunto do recurso especial já é tranqüilo nesta Cãmara Superior, a partir do Acórdão n9 CSRF/03-0.003, como bem observou o douto Procurador do Contencioso Administrativo, no sen- tido de que a data de referência para a conversão da moeda estran- geira e cálculo dos tributos devidos, no caso de falta de mercado- rias manifestadas, é a da conferência final do manifesto - pro- cedimento administrativo previsto na legislação aduaneira especifi- camente para a apuração de faltas ou acréscimos de volumes constan- tes dos conhecimentos arrolados naquele documento, executado deli- berada e sistematicamente pelas repartições interessadas, mediante rotinas adequadas. Inadmissivel, portanto, a pretensão de que a autori- - dade aduaneira toma conhecimento daquelas ocorrências pelo simples fato de que são anotadas na descarga do navio. Tais anotações se- rão naturalmente levados em consideração, mas no momento oportuno, dentro das rotinas de serviços da repartição, quando os papeis dos navios são propositalmente examinados para os diversos controles fiscais necessários. A não ser, é claro, que, por qualquer outra forma, inclusive comunicação expressa do responsável, seja efetivamente le' vada ao conhecimento da autoridade competente a irregularidade cons tatada-cque, porém, não ocorreu no caso do processo, como salien- tado pelo ilustre Procurador recorrente, ao discutir a significação do Ato Declaratório n9 0800/125/75 da DRF em Santos. Quanto à penalidade do inciso VI do art. 59 do De- creto-lei n9 751/69, entendo que o valor a ser exigido é o atualiza do pelo referido ato ministerial , por não se tratar de agrava- ção mas de simples correção monetária de seu valor or iginário, o qual não implica m majoração efetiva mas em nova tradução monetá- ria do mesmo. X Dou, a Wa especial ` 15 At.1t0 RELATO1r - rz? :I Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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