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Numero do processo: 10855.003307/2004-05
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.032
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.003307/200405 Recurso nº 163365 Despacho nº 140100.032 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de dezembro de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente IHARABRAS S.A INDÚSTRIAS QUÍMICAS Recorrida 3ª Turma/DRJRIBEIRÃO PRETOSP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente Substituto e Relator Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Presidente Substituto), Nelso Kichel, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, José Sérgio Gomes, João Francisco Bianco. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.003307/200405 Despacho n.º 140100.032 S1C4T1 Fl. 2 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1416.915, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “Em face de procedimentos de malha fazenda relativa à Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIPJ, em nome da interessada, referentes ao ano calendário de 1999, tendo ocorrido aplicação em excesso em Fundos de Investimento do Nordeste – Finor, em detrimento do imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ, foi lavrado o auto de infração de fls.77/82, para exigência do IRPJ, no total de R$ 949.956,62, discriminado à fl. 2, inclusos os consectários legais até 30/11/2004. O lançamento de ofício de IRPJ é decorrente da revisão da DIPJ do Exercício de 2000, protocolizada sob o nº 10855.003280/200442, onde ficou constatado que a contribuinte recolheu Darf com código específico para o Finor 6677, com base em opção efetuada na DIPJ2000 – Ficha 16. Tendo em vista que o processamento apurou pendência fiscal, a SRF teria emitido extrato com as informações a respeito das aplicações efetuadas, não havendo manifestação por parte da contribuinte dentro do prazo legal estabelecido, que para o anocalendário 1999 foi até 28/02/2003. Desta feita, o incentivo fiscal não foi reconhecido, com base no art. 60 da lei nº 9.069, de 1995, sendo elaborado o Demonstrativo de Apuração – Excesso de Aplicação em Incentivos Fiscais (Finam, Finor, Funres) em Detrimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fl. 58), dando ensejo ao presente auto de infração para exigência do IRPJ nos termos do art. 601, § 7º, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR , aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999, e arts. 4º, §§ 6º e 7º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Cientificada da exigência em 15/12/2004, conforme assinatura aposta no respectivo auto de infração, a contribuinte, por intermédio de seu procurador, Akio Akiti, apresentou a peça impugnatória de fls. 85/89, em 11/01/2005, onde alega, em síntese, que: ∙ Optou no curso do anocalendário de 1999 por recolher mensalmente o imposto por estimativa, sujeitandose, obrigatoriamente, à apuração anual do lucro real, tendo mensalmente reduzido ou suspenso o pagamento do imposto com base em balanços/balancetes, tal como demonstrados na ficha 12 da DIPJ 2000, e apontado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; ∙ Poderia manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na DIPJ ou no curso do anocalendário, e cita a legislação pertinente; ∙ Faz parte de um grupo de empresas coligadas, sendo que ela própria possui 17,21% do capital da Bagisa S/A Agropecuária e Comércio, CNPJ 15.194.889/000162, motivo pelo qual concluiu ser obrigada a exercer a opção pela aplicação em incentivo do Finor para assegurar a destinação ao projeto próprio, como atestam os Darf de recolhimentos código 6677, calculados corretamente conforme demonstram as Fichas 12, 13A e 16 da DIPJ 2000; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.003307/200405 Despacho n.º 140100.032 S1C4T1 Fl. 3 3 ∙ Soube que era considerada inadimplente e que sua opção de incentivos fiscais do Finor não haviam sido reconhecidos somente quando recebeu o relatório de “Auditoria DIPJ/2000 – Incentivos Fiscais Finor, Finam, Funres” da Divisão de Administração Tributária – DIVAT em anexo ao auto de infração, que explicita que um extrato de aplicação em incentivos fiscais lhe fora enviado e identifica no campo “IF/REC” (incentivos fiscais reconhecidos pela SRF) o valor “zero”; ∙ Por várias necessidades de comprovar sua regularidade fiscal, vem obtendo normalmente, de 1999 a 2004, a “Certidão Positiva de Tributos e Contribuições Federais Administrados pela SRF com Efeitos de Negativa”, não havendo qualquer menção à falta de recolhimento de IRPJ ou de destinação excessiva ao Finor, não estando, portanto configurada uma situação irregular que motivasse a SRF a lhe negar o reconhecimento do incentivo fiscal exercido, tampouco teria necessidade de manifestar se através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, cujo prazo findarase em 28/02/2003; ∙ No anocalendário de 1999 procedeu rigorosamente da mesma maneira que no anocalendário de 1998 sem que tenha sido objeto de qualquer questionamento naquele período, concluindose pela correção do procedimento adotado; ∙ Desconhece qualquer manifestação anterior da SRF, quer por meio de extratos ou quaisquer outras correspondências ou intimações informando sobre o não reconhecimento de opção para aplicação em incentivos fiscais ou falta ou insuficiência de recolhimento de IRPJ. Requer o cancelamento da exigência, argüindo estar em situação regular e adimplente em relação aos tributos e contribuições federais, não podendo sofrer a penalidade da falta de reconhecimento do incentivo nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, tampouco serlhe aplicada a exigência da apresentação do PERC dentro do prazo estabelecido. É a síntese do essencial.” A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. Não confirmada pela SRF a opção pelo investimento Aplicações em Incentivos Fiscais Finor, sem que a interessada comprove ter apresentado qualquer manifestação no prazo legal, mantémse a exigência do imposto equivalente àquele pago a menor em virtude de excesso de valor destinado para o fundo.” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e complementando com jurisprudência do Conselho e da CSRF a seu favor. Às fls. 197, consta termo de juntada de documentos. No caso foram juntados tela de consulta ao Sistema de Controle de Postagem (fl. 195) relativo ao extrato IRPJOEIF 2000 (de aplicação em incentivo fiscal e AR (Aviso de recebimento – fl. 196) correspondente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.003307/200405 Despacho n.º 140100.032 S1C4T1 Fl. 4 4 É o relatório. VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de recurso contra lançamento de ofício de IRPJ decorrente da revisão da DIPJ do Exercício de 2000, onde ficou constatado que a contribuinte recolheu Darf com código específico para o FINOR 6677, com base em opção efetuada na DIPJ2000 – Ficha 16. Tendo em vista que o processamento apurou pendência fiscal, a SRF teria emitido extrato com as informações a respeito das aplicações efetuadas, não havendo manifestação por parte da contribuinte dentro do prazo legal estabelecido, que segundo o autuante e a DRJ, para o anocalendário 1999, esse prazo se estenderia até 28/02/2003. A Recorrente, por sua vez, contesta o auto de infração atacando os seus pressupostos. Tenta demonstrar, preliminarmente, que não recebera referido extrato; que o procedimento de revisão desse extrato que apurara pendência fiscal ainda seria possível e dentro de prazo legal e, no mérito, tenta demonstrar que não havia pendência fiscal e mesmo que houvesse ainda não caberia o lançamento. Em primeiro lugar, não é verdade que a recorrente não recebera o referido extrato, conforme se pode comprovar através consulta ao Sistema de Controle de Postagem (fl. 195) relativo ao extrato IRPJOEIF 2000 (de aplicação em incentivo fiscal e seu AR (Aviso de recebimento – fl. 196) correspondente. Apesar disso, embora tenha apresentado voto em sentido diverso desta diligência fui convencido pelo Colegiado a baixar o julgamento em diligência para verificar melhor essa questão relativa ao extrato, pois para alguns conselheiros era de fundamental importância. Nesse contexto, em função do dever de cautela e para fornecer maiores subsídios para os votos dos demais Conselheiros, tornouse necessária a conversão do julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: Trazer aos autos cópia do extrato IRPJOEIF 2000 para que esse colegiado possa verificar o seu formato e conteúdo. Apresentar outras informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10670.720018/2007-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.075
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Resolução n.º 140200.075 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Segundo consta do item 3.1 da fl. 233, o objeto da controvérsia constante do recurso cingese a dois pontos, quais sejam: a) a possibilidade de se atender, no decorrer do processo, pedido de retificação da declaração de compensação por ter a contribuinte, quando do preenchimento do PER/DCOMP de fl. 02, registrado saldo negativo de IRPJ e de CSLL, no ano de 2002, respectivamente, os valores de R$ 3.424.039,06 e R$ 1.721.123.30, quando os valores corretos, segundo a DIPJ, eram de R$ 3.567.211.82 e R$ 1.766.382,83. Ano calendário 2002 Valor saldo negativo constante DIPJ Valor negativo original informado na DCOMP fl. 02 IRPJ (3.567.221,82) fl. 26 3.434.039,06 fl. 02 CSLL (1.776.382,83) – fl. 77 1.721.123,30 – fl. 02 b) compensação do imposto de renda retido na Argentina. Em 08/01/2003 a parte interessada protocolizou o pedido de compensação de fls. 07/08 que foi retificado, em 12/02/2003 (fls. 01/02). O pedido da recorrente foi parcialmente deferido nos termos do despacho decisório de fls. 150/158, cientificado em 29/12/2007 (fl. 180). O saldo negativo da CSLL apontado pela requerente foi apurado na DIPJ do anocalendário de 2002 (fls. 74/77) de acordo com a tabela a seguir: Apuração do Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2002 Linha Discriminação Apuração anual R$ 17/01 Lucro liquido antes da CSLL 84.235.971,80 17/02 Provisões não dedutíveis 10.329.401,85 17/03 Despesas não dedutíveis (Lei 9.249/95, art. 13) 1.138.549,99 17/05 Lucros Disponibilizados no exterior 732.676,00 17/10 Ajustes por Diminuição no Valor de Invest. Aval. pelo Patrimônio líquido 24.789,27 17/17 Outras adições 2.029,69 17/18 Soma das adições 12.227.446,80 Exclusões 17/19 ()Reversão dos saldos das provisões não dedutíveis 573.397,16 17/21 () Ajustes por Aumento no Valor de Invest. Aval. p/ Patrimônio Líquido 48.400.429,81 17/27 Soma das exclusões 48.973.835,79 17/28 BC antes da compensação de BC negativa do próprio período de apuração 47.489.582,81 17/31 BC antes da compensação de BC negativa de períodos anteriores 47.489.582,81 17/35 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por Ativ. 4.274.062,45 17/36 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Total 4.274.062,45 Deduções 17/38 () CSLL Mensal paga por estimativa 5.974.504,44 17/40 ()Imposto pago no exterior s/ Lucros, Rendimentos e Ganhos de Cap. 65.940,84 17/42 CSLL a pagar 1.766.382,83 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Resolução n.º 140200.075 S1C4T2 Fl. 3 3 Além da glosa do imposto pago no exterior (R$ 65.940,84), a divergência entre o crédito de CSLL acima referido e o postulado pela recorrente está sintetizada no seguinte quadro elaborado pela autoridade fiscal e nas respectivas notas explicativas: Tabela 1 Relação das ESTIMATIVAS DE CSLL efetivamente extintas pela contribuinte Ord. Período de apuração Data vencimento Código de receita Valor do débito confessado na DCTF (fls. 132 a 135) (R$) Valor efetivamente quitado da estimativa (R$) Veja comprovantes fls. mencionadas abaixo 01 01/2002 28/02/2002 2484 348.192,31 348.192,31 80 02 02/2002 28/03/2002 2484 262.816,99 262.816,99 81 03 03/2002 30/04/2002 2484 291.418,95 291.418,95 82 04 04/2002 31/05/2002 2484 192.752,65 153.559,97 83 a 85 e 95 05 05/2002 28/06/2002 2484 199.960,11 199.960,11 86 06 06/2002 31/07/2002 2484 470.404,96 470.404,96 87 07 07/2002 30/08/2002 2484 934.060,62 934.060,62 88 08 08/2002 30/09/2002 2484 325.270,87 325.270,87 89 09 09/2002 31/10/2002 2484 1.176.378,53 1.176.378,53 89 10 10/2002 29/11/2002 2484 721.350,44 721.350,44 91 e 93 11 11/2002 30/12/2002 2484 1.051.898,00 1.051.898,00 92 12 12/2002 Total 5.974.504,43 5.935.311,75 Obs.: Para quitar a estimativa do período de apuração 04/2002, a contribuinte apontou três créditos: um na modalidade de compensação, no valor de R$ 96.879,91, o qual foi confirmado, o segundo, no valor de R$ 21.365,30, pela modalidade de pagamento mediante Darf, que foi também confirmado, e o terceiro, no valor de R$ 74.507,44, foi analisado no Processo Administrativo n. 10670000.372/9451. Desse terceiro crédito, o valor que será convertido em renda da União é R$ 35.314,76 (consoante planilha inserta naqueles autos, à fl. 269, e cuja cópia se encontra à fl. 95 dos presentes autos). Portanto, o total efetivamente extinto da estimativa do referido período de apuração é R$ 153.559,97 (R$ 96.879,91 + R$ 21.365,30 + R$ 35.314,76). Com a glosa do imposto pago no exterior e a redução das estimativas de R$ 5.974.504,43 para R$ 5.935.311,75, o saldo da CSLL ficou assim sintetizado: Tabela 3 Calculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Apuração Anual Linha da DIPJ Discriminação Valor R$ 17/01 Lucro liquido antes da CSLL 84.235.971,80 Adições 17/02 Provisões não dedutíveis 10.329.401,85 17/03 Despesas não dedutíveis (Lei 9.249/95, art. 13) 1.138.549,99 17/05 Lucros disponibilizados no exterior 732.676,00 17/10 Ajustes por Dimin. no valor de invest. aval. p/ PL 24.789,27 17/17 Outras adições 2.029,69 17/18 Soma das adições 12.227.446,80 Exclusões 17/19 ()Reversão dos saldos das provisões não dedutíveis 573.397,16 17/21 () Ajustes por Aumento no Valor de Invest. Aval. p/ Patrimônio Líquido 48.400.429,81 17/27 Soma das exclusões 48.973.835,79 17/28 BC antes da compensação de BC negativa do próprio período de apuração 47.489.582,81 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Resolução n.º 140200.075 S1C4T2 Fl. 4 4 17/31 BC antes da compensação de BC negativa de períodos anteriores 47.489.582,81 17/35 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por Ativ. 4.274.062,45 17/36 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Total 4.274.062,45 Deduções 17/38 () CSLL Mensal paga por estimativa 5.935.311,75 17/40 ()Imp. pago no exterior s/ Lucros, Rend. e Ganhos de Cap. 0,00 17/42 CSLL a pagar 1.661.249,30 Segundo a autoridade fiscal, os documentos de fls. 114, 115 e 117 a 125 não são suficientes para comprovar o pagamento do imposto no exterior. Acerca dos aludidos documentos, a título de relatório, transcrevo a seguinte passagem do despacho decisório: O formulário a que a contribuinte se refere na manifestação acima (F.713 Declaración Jurada) foi batizado por ela de Documento 2. Uma cópia desse formulário está inserta nos autos à fl. 117. Em uma de suas colunas, intitulada "Det. dei Saldo dei Imp.", há uma rubrica denominada "Retenciones y/o Percepciones" (letra q), cujo valor assinalado para ela, na coluna ao lado (A favor Contrib.), corresponde a P$ 718.048,93 (setecentos e dezoito mil e quarenta e oito pesos e noventa e três centavos). Como afirma a contribuinte em seus esclarecimentos entregues por ocasião do atendimento à Notificação e 29/2007 inserida nos autos às fls. 110 e 111, houve "compensações com o Imposto de Renda Retido no período" e que a comprovação estaria estampada no formulário cognominado F.713 Declaración Jurada. Entretanto, como se vê pelo texto a seguir, extraído de documento cuja cópia se encontra inserta nos autos à fl. 118 ("Acuse de Recibo") apresentado também pela requerente, o signatário afirma: Acusamos recibo de su Declaracion Jurada Original de IMPUESTO A LAS GANANCIAS (SOCIEDADES) del Periodo Fiscal 2000, mediante la presentacion del Formulario 713. Este recibo sirve como comprobante de haber presentado la Declaracion Jurada mencionada, lo cual no significa prestar conformidad a la misma, la que se encuentra sujeta a las normas legales vigentes. Vêse, portanto, que a autoridade lotada na seção Grandes Contribuintes Nacionales do órgão fiscal daquele país, que exarou o recibo em 7 de maio de 2001, garante que a empresa Refractarios Argentinos Sociedad Anônima, de fato, apresentou a Declaração do Imposto, entretanto, acrescenta, não significa que as informações ali prestadas estejam em consonância com as normas legais vigentes. Destaca a autoridade fiscal que, à luz do artigo 6º, § 6º, da a Instrução Normativa SRF n. 213, de 7 de outubro de 2002, as demonstrações financeiras em Reais das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, deverão ser transcritas ou copiadas no Livro Diário da pessoa jurídica no Brasil e que a contribuinte, embora intimada, não demonstrou a transcrição no livro Diário. Pela apuração realizada acima, viuse que, o Saldo Negativo de CSLL, para o ano calendário de 2002, a que a requerente faz jus, corresponde a R$ 1.661.249,30 (um milhão seiscentos e sessenta e um mil duzentos e quarenta e nove reais e trinta centavos). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Resolução n.º 140200.075 S1C4T2 Fl. 5 5 A questão relacionada ao IRPJ não foi objeto de exame neste processo, mas sim no de nº 10670.000149/200319. Em síntese, alegou a recorrente: a) que houve erro no preenchimento da PER/DCOMP, sendo que preencheu a menor o montante do crédito a compensar, no valor de R$ 193.912,36. Sustenta que os valores corretos seriam os seguintes: R$ 3.567.211,82 (IRPJ) e R$ 1.766.382,83 (CSLL), conforme consta da DIPJ; b) que a PER/DCOMP deve ser retificada de ofício, pois a contribuinte não conseguiu fazer a retificação tendo em vista que o sistema da Receita Federal não permite a transmissão depois de instaurado o processo administrativo; c) que o valor pago por meio de DARF, em 28/11/2008, no montante de R$ 193.912,36, devido à impossibilidade da suspensão de exigibilidade do débito, deverá ser devolvido ao contribuinte, com os acréscimos moratórios; d) que merece ser reconhecido o direito creditório sobre o valor original da CSLL de R$ 39.192,68 correspondente ao valor objeto de depósito judicial, pois foi decidido pelo Poder Judiciário que a contribuinte tinha o direito de levantar a quantia. A DRJ de origem, no acórdão de fls. 209/215, por unanimidade, deu parcial provimento à manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório sobre o valor original da CSLL de R$ 39.192,68, correspondente ao valor objeto de depósito judicial. Em síntese, o pleito recursal foi desacolhido em relação a dois pontos: A decisão recorrida pode ser sintetizada por meio da seguinte ementa: APURAÇÃO ANUAL. ESTIMATIVA EFETIVAMENTE PAGA. Para efeito de apuração anual da CSLL, considerase efetivamente paga a contribuição mensal por estimativa que foi quitada por meio de compensação vinculada em DCTF e cujo respectivo crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. É dispensada dessa obrigação somente a pessoa jurídica que comprove que a legislação do país de origem do lucro prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. Solicitação Deferida em Parte A decisão recorrida está alicerçada nos seguintes pontos: a) que não há nos autos qualquer reconhecimento do Formulário AFIP F.713 por parte da Embaixada Brasileira na Argentina, conforme determina o art. 26, § 2°, da Lei n.° Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Resolução n.º 140200.075 S1C4T2 Fl. 6 6 9.249, de 1995 e que o documento de fl. 121, emitido pelo Ministério de Relações Exteriores da Argentina, não se presta a atender o disposto o art. 26, § 2°, da Lei n.° 9.249, de 1995; b) que as demonstrações financeiras da subsidiária Rasa, relativas ao ano calendário de 2002, cuja cópia da transcrição no Diário foi anexada à manifestação de inconformidade, às fls. 203/204, embora se constitua também em condição necessária exigida pela legislação tributária, não tem o condão de dispensar a obrigação de que trata o art. 26, § 2°, da Lei n.° 9.249, de 1995. É dispensada dessa obrigação somente a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (Lei n° 9.430, de 1996, art. 16, § 2°, inciso II); c) No caso, o imposto e o Formulário F.713 em questão referemse ao "período fiscal" do ano de 2000 (fls. 117/118). Entretanto, os comprovantes de pagamentos juntados pela contribuinte à manifestação de inconformidade, às fls. 199/202, referemse a outro "período fiscal", o de 2001, no qual, inclusive, a subsidiária Rasa teve resultado negativo (Quadro 4 da manifestação de inconformidade), não havendo, assim, que se falar em disponibilização de lucro auferido no exterior nesse ano; d) quanto ao erro no preenchimento da Dcomp, entendeu a autoridade fiscal que nos temos do § 1° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 é dever da contribuinte informar os créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002). Assim, segundo a decisão recorrida, não procede o pleito da contribuinte para que sejam retificados os valores dos créditos informados em sua DCOMP; e) finalmente, quanto à restituição da quantia recolhida via DARF em 28/01/2008, não compete a esta Turma de Julgamento manifestarse sobre pedido de restituição que não tenha sido objeto de apreciação prévia pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição da contribuinte (arts. 41 e 48 da IN SRF n.° 600, de 2005). Intimada em 12/06/2008 (fl. 207) a parte interessada, tempestivamente, ingressou com o recurso voluntário em 14/07/2008 (fl. 231/238), alegando, em síntese: a) que reitera os argumentos acerca da necessidade da retificação de ofício da PER/DCOMP, em razão do erro no preenchimento declaração protocolizada; b) que em relação a prova sobre o IR recolhido na Argentina, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 16, retirou a obrigatoriedade imposta no art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995; c) que a Convenção firmada entre o Brasil a Argentina estabelece que a renda somente é tributável em um dos Estados contratantes e, no caso, no Estado onde o estabelecimento está situado; d) colaciona jurisprudência do Conselho de Contribuintes1 sobre a matéria referente ao imposto pago no exterior; 1 TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS. Não obstante o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, em se tratando de Direito Tributário a prevalência da norma internacional decorre de sua condição de lei especial em relação à norma interna. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Resolução n.º 140200.075 S1C4T2 Fl. 7 7 e) anexa a Declaração de Imposto de Renda realizada na Argentina pela empresa controlada pela recorrente e alega que, se necessário, buscará a consularização do documento, mesmo que pelo ordenamento jurídico vigente tal procedimento não seja necessário. É o relatório. CONVENÇÃO BRASILARGENTINA PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. LUCRO DE SUCURSAL BRASILEIRA NA ARGENTINA. No caso específico, a norma interna prevalecerá sobre a norma internacional, posto que a própria convenção internacional admite a possibilidade de modificação do tratamento aplicável às filiais a empresas brasileiras situadas no exterior por meio de alteração da legislação interna brasileira. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. Para fins de compensação do imposto de renda incidente no exterior, a comprovação pode ser feita na forma do art. 16 da Lei 9.430/96. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ACUMULADOS DE PERÍODOS BASE ANTERIORES A 1995. Comprovado nos autos o trânsito em julgado de decisão judicial admitindo a compensação integral dos prejuízos anteriores a 1995, deve ser atendido o pleito do contribuinte de utilizar os saldos dos prejuízos compensáveis com os lucros tributáveis apurados no procedimento em litígio. Recurso provido em parte. PRIMEIRA CÂMARA , 16327.000619/200161, Acórdão 101 94910 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Resolução n.º 140200.075 S1C4T2 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Segundo consta do item 3.1 da fl. 233 e do quanto foi requerido no item 4 da fl. 238, o objeto da controvérsia constante do recurso cingese a dois pontos, quais sejam: a) a possibilidade de se atender, no decorrer do processo, pedido de retificação da declaração de compensação por ter a contribuinte, quando do preenchimento do PER/DCOMP de fl. 02, registrado saldo negativo de IRPJ e de CSLL, no ano de 2002, respectivamente, os valores de no valor de R$ 3.424.039,06 e R$ 1.721.123.30, quando os valores corretos, segundo DIPJ, eram de R$ 3.567.211.82 e R$ 1.766.382,83. Ano calendário 2002 Valor saldo negativo constante DIPJ – fls. Valor negativo original informado na DCOMP fl. 02 IRPJ (3.567.221,82) fl. 26 3.434.039,06 fl. 02 CSLL (1.776.382,83) – fl. 306 1.721.123,30 – fl. 02 b) compensação do imposto de renda retido na Argentina. Em relação à CSLL, à qual se cinge este recurso, no ano de 2000, temse três valores: Valor saldo negativo constante DIPJ – fls. Valor negativo original informado na DCOMP fl. 02 Valor reconhecido pela autoridade fiscal (1.776.382,83) – fl. 77 1.721.123,30 – fl. 02 1.661.249,30 O recurso prendese à glosa dos R$ 65.940,84 pagos no exterior. Este valor acrescido aos R$ 1.661.249,30 reconhecidos pela autoridade fiscal importa em R$ 1.727.190,14. A esta importância se deve acrescer R$ 3.977,72, correspondente à diferença entre os R$ 35.314,76 e os R$ 39.192,68 referente ao valor objeto de depósito judicial reconhecido pela DRJ. Assim, dos cálculos aqui referidos temse R$ 1.731.067,86 de saldo negativo que, por ser maior que o saldo negativo informado na DCOMP, exige exame da matéria (1.661.249,30 + 65.940,84 + 3.977,72 = 1.731.067,86). Em relação à possibilidade de se atender, no decorrer do processo, pedido de retificação da declaração de compensação por ter a contribuinte, quando do preenchimento do PER/DCOMP de fl. 02, registrado saldo negativo de IRPJ e de CSLL, no ano de 2002, respectivamente, nos valores de R$ 3.424.039,06 e R$ 1.721.123.30, quando os valores corretos, segundo DIPJ, eram de R$ 3.567.211.82 e R$ 1.766.382,83, é certo que o pedido de compensação delimita o objeto do litígio. Todavia, nem por isto, o valor informado no pedido de compensação como sendo o valor original do crédito, quando em discordância com o efetivamente apurado, há de prevalecer. O crédito a ser utilizado não surge do valor informado no pedido de compensação, mas sim da apuração feita na DIPJ. Não será pelo fato do sujeito passivo, por erro material ou não, informar no pedido de compensação valor diverso daquele apurado na DIPJ que haverá de prevalecer o que foi informado como sendo saldo original. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Resolução n.º 140200.075 S1C4T2 Fl. 9 9 A autoridade fiscal tem a prerrogativa de confrontar o valor informado na DIPJ e o especificado no pedido de compensação e, constatando erro, fazer a retificação para que o crédito utilizado na compensação não seja maior e nem menor daquele a que o sujeito passivo tem direito. No caso em tela, a autoridade fiscal, com exceção dos valores glosados, confirmou a existência dos créditos informados na DIPJ. Assim, não subsiste, para o caso, o argumento de que as informações constantes no pedido de compensação são de responsabilidade do sujeito passivo. Tal afirmativa é óbvia, pois sendo de responsabilidade do sujeito passivo preencher o PER/DCOMP, só pode ser dele a responsabilidade pelas informações. No entanto, isto não quer dizer que, constatado erro, a maior ou a menor, a autoridade não tenha o poder/dever, de ofício ou a requerimento da parte, de proceder o devido ajuste para que seja considerado no pedido de compensação o valor original efetivamente apurado. Destaco, por oportuno, que não estamos diante de situação em que a contribuinte informa valor original correto com utilização de parte do crédito em compensação anterior. Aqui o sujeito passivo informou valor a menor do montante apurado na DIPJ. Se a autoridade fiscal glosou parte dos valores, como o fez em relação ao imposto pago no exterior e também em relação à estimativa da CSLL de abril de 2002, que neste ponto a impugnação foi parcialmente acolhida pela DRJ, o procedimento correto seria, de ofício, ajustar o valor do crédito original da contribuinte considerando o efetivamente apurado e não aquele informado no pedido de compensação que, no caso, esta a denunciar erro material. Da análise da questão relativa ao Imposto de Renda recolhido na Argentina A Declaracion Jurada de fl. 117 que corresponde, no Brasil, à DIPJ, indica os seguintes valores, em moeda daquele país: Imposto Determinado Dedução de saldo do imposto a favor do contribuinte 1.100.598,63 Retenciones y/o Percepciones 718.048,93 Total anticipos excepto F.515 96.862,66 Saldo a favor DD.JJ.del 07/0512000 307.492,00 Saldo a favor (correspondente ao saldo negativo no Brasil) (21.808,96) Quanto ao fato de que os valores acima especificados, na data da conversão, equivalem a R$ 65.940,84, não há controvérsia. Por tal razão, não me ative à conferência da conversão da moeda. O que interessa saber é se o valor foi pago na Argentina e se prevalece o disposto na Convenção firmada entre o Brasil a Argentina dispondo que a renda somente é tributável em um dos Estados contratantes e, no caso, no Estado onde o estabelecimento está situado. Inicialmente, face o que consta do acórdão recorrido e das razões recursais, inicio o exame da matéria destacando a regra contida no artigo 26, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995, “in verbis”: “Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10670.720018/200777 Resolução n.º 140200.075 S1C4T2 Fl. 10 10 ... § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto.” A norma contida no § 2º acima transcrito é excepcionada pelo § 2º, II, do art. 16 da Lei n° 9.430, de 1996, que estabelece que “fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado”.(grifei) O pagamento do imposto pode se dar por retenções de fonte, antecipações (estimativas) e saldo negativo. No caso da Declaração de fl. 117 foi apurado imposto de P$ 1.100.598,63, que confrontado com as retenções (P$ 718.048,93), as antecipações (P$ 96.862,66) e o saldo anterior a favor do contribuinte P$ 307.492,00, indica que o sujeito passivo além de quitar o imposto apurado ficou com saldo a seu favor. Assim, não há o que se falar em apresentação de documento de arrecadação, pois a compensação também se constitui em meio de pagamento. O fato da autoridade fiscal Argentina, ao receber a declaração (fl. 118), certificar que tal fato não significa que a mesma se encontra em conformidade com a legislação vigente naquele pais está a demonstrar procedimento semelhante às declarações entregues no Brasil, pelo sujeito passivo, com possibilidade de posterior homologação formal ou tácita pela Administração. Isto, todavia, não significa afirmar que as retenções, antecipações e saldo a favor informados à fl. 117 não existiram. Apesar do entendimento do relator de que o processo estava apto para ser julgado, o colegiado entendeu prudente converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal realize os atos necessários, ainda que por meio do adido fiscal na Argentina, para que as autoridades daquele país certifiquem se houve homologação da declaração de fl. 117 e, caso inexistindo, se houve exigência imputando à contribuinte infração pela inexistência das retenções, antecipações e saldo negativo informados na declaração de fl. 117. ISTO POSTO, acolho posição do colegiado para converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal realize os atos necessários, ainda que por meio do adido fiscal na Argentina, para que as autoridades daquele país certifiquem se houve homologação da declaração de fl. 117 e, caso inexistindo, se houve exigência imputando à contribuinte infração pela inexistência das retenções, antecipações e saldo negativo informados na declaração de fl. 117. Ao final dos trabalhos, o Auditor Fiscal responsável pela diligência deverá elaborar relatório consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestese nos autos no prazo de 30 (trinta) dias. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 15956.720019/2011-15
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.268
Decisão: Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência para SOBRESTAR o feito, nos termos do §2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012,visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC) e RE 410.054 -AgR/MG.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência para SOBRESTAR o feito, nos termos do §2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012,visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 AgR/MG. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .0 00 77 6/ 20 09 -7 8 Fl. 2721DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0322.17164.Z2VD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000776/200978 Resolução nº 1401000.268 S1C4T1 Fl. 3 2 Dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente. A constitucionalidade de referido instrumento está em julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 601.314. Ainda, no RE 410.054 AgRg, foi determinado o sobrestamento do feito até o julgamento do processo em repercussão geral. Segundo o art. 62, § 1º Código de Processo Civil, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543b, do CPC”. Ainda, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, o reconhecimento da repercussão geral conduzirá |à aplicado no art. 543B do CPC. Senão, veja se: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (sem grifos no original). Ainda, a Portaria nº 138, de 23 de julho de 2009, do Supremo Tribunal Federal, impõe que todo processo onde tiver havido repercussão geral deverá ser sobrestado, independentemente de determinação expressa nesse sentido. Leiase o dispositivo, in verbis: PORTARIA Nº 138, DE 23 DE JULHO DE 2009 O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 543B, § 5º, do Código de Processo Civil, com a redação da Lei nº 11.418/06, e no art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno, com redação da Emenda Regimental nº 21/07, RESOLVE: Art. 1º Determinar à Secretaria Judiciária que devolva aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais os processos múltiplos ainda não distribuídos relativos a matérias submetidas à análise de repercussão geral pelo STF, os encaminhados em desacordo com o disposto no § 1º do art. 543B, do Código de Processo Civil,bem como aqueles em que os Ministros tenham determinado sobrestamento ou devolução. Fl. 2722DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0322.17164.Z2VD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000776/200978 Resolução nº 1401000.268 S1C4T1 Fl. 4 3 Por fim, a Portaria nº 01/2012 deste Conselho determina o sobrestamento do feito, sempre que, cumulativamente, a matéria encontrase em repercussão geral e tiver havido ordem de sobrestamento de processos por força de referida situação. No caso, essa cumulação de requisitos se apresenta pelos RE 601.314 e RE 410.054 AgRg, ambos do Supremo Tribunal Federal. Pelo exposto, nos termos da Portaria nº 1 do CARF, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente feito até ulterior análise da questão constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Transitada em julgada a decisão do Excelso Pretório, retornem os autos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 2723DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0322.17164.Z2VD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 14/07/2014 11:42:00. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 14/07/2014. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 25/07/2014 e ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 14/07/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 17/03/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.0322.17164.Z2VD Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0CF8B5485543628F7BFF49696B6EBD71472CA6EC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15956.720019/2011-15. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001776/2004-60
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 107-00.717
Decisão: RESOLVEM OS Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES
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MARCOS ViPP C NEDER DE LIMA President- CARLOS ALBERTO GONCALVES NUNES Relator Formalizado em: 3 1 NT 2.008 Participaram, ainda do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Martins Valero, Albertina Silva Santos de Lima, Jayme Juarez Grotto, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Lavig4:„Moraetk de Almeida Nogueira Junqueira e Antonieta Lynch de Moraes (Suplentes Convocadas). Ausentes, justificadamente os Conselheiros Hugo Correia Sotero e Silvia Bessa Ribeiro Biar. e N. Processo n.° 10830.001776/2004-60 Resolução n.° 107-00717 Fls. 2 RELATÓRIO E VOTO A empresa alegou que a maioria de seus depósitos bancários provinha de fomento mercantil e que o seu faturamento em tal operação é o "spread", diferença entre receitas e despesas correspondentes de cada operação, e acostou aos autos abundante documentação como prova de suas alegações. A autoridade julgadora de primeira instância não considerou essa prova porque a empresa declarara o imposto pelo lucro presumido e fora tributada por esse regime, e o regime de apropriação da atividade de "factoring" é o do lucro real, por força do artigo 58 da Lei n° 9.430/96 e do artigo 36 da Lei n° 8.981/95. Além disso, seria necessário que fosse apurada a vinculação, ou seja, a coincidência ente datas e valores dos depósitos bancários, com as alegadas duplicatas ou cheques recebidos. A Recorrente alega que o procedimento implica na tributação do capital empregado em cada operação, e pede a realização de perícia para se determinar o "spread" em rinfl não, afastando-se o valor do depósito correspondente. A prova trazida aos autos pela Recorrente demonstra que ela realmente praticava, ainda que fora de suas atividades operacionais, fomento mercantil, sendo razoável que sua receita fosse o "spread", diferença entre a receita e a despesa de cada operação. Ao contrário, estar-se-ia trazendo para a base tributável o próprio capital investido. Assim, acolho o pedido da empresa e proponho ao Colegiado a realização de perícia para: 1) inicialmente, esclarecer-se se as contas bancárias foram contabilizadas e se as contas credoras suportaram a contrapartida do débito a bancos, se tinham saldo suficiente, e se a movimentação bancária é superior à receita declarada e em quanto; 2) em caso de resposta negativa a esse quesito, verificar se há possibilidade de determinar-se: a) o "spread", através da vinculação entre os valores dos depósitos bancários, com as alegadas duplicatas ou cheques recebidos, nos meses de janeiro a março de 1999, e b) a ocorrência de duplicidade de depósitos, em razão de bloqueio e desbloqueio de depósitos na conta-corrente da empresa no Banco do Brasil S/A. Em sendo possível a determinação dos "spread", elaborar demonstrativo desse confronto e da redução de cada depósito levado à tributação ao "spread" correspondente, e bem assim, se for o caso, das quantias relacionadas em dobro, na mencionada conta-corrente bancária. Compete à repartição preparadora a realização de perícia, com a prévia intimação do contribuinte para indicação de perito e quesitos, a designação do perito da Fazenda Nacional que também poderá indicar quesitos, a aprovação dos quesitos em face do objetivo da perícia, o local dos trabalhos, a indicação da data do início dos trabalhos e o prazo para a sua realização, e, por derradeiro, adotar as demais providências legais e administrativas pertinentes cabíveis, visando dar cabal cumprimento à perícia determinada. Sala das Sessões, em 17 de setembro de 2008 CARLOS ALBERTO GONCALVES NUNES 2 Page 1 _0012900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 12269.000179/2007-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 18/12/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES À FISCALIZAÇÃO
Constitui infração a empresa deixar a empresa de prestar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida
Numero da decisão: 2403-000.396
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES À FISCALIZAÇÃO Constitui infração a empresa deixar a empresa de prestar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Relatório Fl. 62DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, Acórdão 1017.201 8ª Turma, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária acessória. Segundo a fiscalização, a autuação decorreu do fato de a empresa não ter apresentado as informações em meio digital na forma estabelecida pelo INSS. O dispositivo legal infringido e a descrição da infração foram assim apresentados: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da . Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III e na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 8., combinados com o art. 225, III e parágrafo 22 (acrescentado pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.2003) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, a partir de 01/07/2003. Foi aplicada multa de R$ 11.951,21 e está registrado que não houve circunstâncias agravantes ou atenuantes. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega, em síntese, que: • nulidade do lançamento pela ausência do AGD; • a determinação do valor da multa deve tomar por base valor contemporâneo ao seu fato gerador. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Preliminares Nulidade Fl. 63DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000179/200718 Acórdão n.º 240300.396 S2C4T3 Fl. 60 3 Requerente alega nulidade pela ausência do documento Auto de Apreensão, Guarda e Devolução — AGD. Análise da norma que instituiu esse documento evidencia que é documento fiscal para uso em circunstâncias específicas. Abaixo apresento o artigo 606 da Instrução Normativa SRP n°3/2005, que apresenta a finalidade do documento, emitido sempre que houver necessidade de proteger o patrimônio da Previdência Social, instruir processo ou apurar a ocorrência, em tese, de crime ou de contravenção penal. Art. 606. O Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos AGD tem por finalidade registrar o ato administrativo da apreensão, da guarda e da devolução de documentos que digam respeito às obrigações previdenciárias ou a fatos e obrigações relacionados a pagamento de benefícios previdenciários, bem como imitir a SRP na posse dos documentos apreendidos, até que se satisfaçam todas as causas motivadoras da sua lavratura, sempre que houver necessidade de proteger o patrimônio da Previdência Social, instruir processo ou apurar a ocorrência, em tese, de crime ou de contravenção penal. Constato que a fiscalização não entendeu necessário emitir AGD e concluo que isso não caracteriza nulidade. Mérito Valor da Multa O parágrafo 8°, do artigo 32, da Lei 8.212/91 determina que a multa seja aplicada pelo valor vigente na data lavratura do Auto de Infração. Conforme relatório fiscal da aplicação da multa, a multa foi aplicada com base nos valores definidos pela Portaria MPS/GM/142, de 11/04/2007, vigente à época da lavratura do AI. Entendo que as normas foram cumpridas e que o procedimento fiscal foi correto. Conclusão À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 64DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Fl. 65DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10920.004065/2005-19
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 107-00.689
Decisão: RESOLVEM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto5) relator.
Nome do relator: JAYME JUAREZ GROTTO
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RESOLVEM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto5) relator. À-/ • MA- (à VINICIUS NEDER DE LIMA D NTE •- GROTTO • - FORMALIZADO EM: 25 J A N 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUIZ MARTINS VALERO, ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, HUGO CORREIA SOTERO, LISA MARINI FERREIRA DOS SANTOS e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. k - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4:44.`f> SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10920.004065/2005-19 Resolução n°: 107-00.689 Recurso n° : 156.988 Recorrente : TEMAV MANUTENÇÃO ELETRÔNICA COMÉRCIO E INDUSTRIAL LTDA RELATÓRIO Em apreciação recurso voluntário interposto pela empresa TEMAV Manutenção Eletrônica Comércio e Indústria Ltda., contra a decisão prolatada pela 3a Turma de Julgamento da DRJ/Florianópolis, no Acórdão n° 07-8.680, de 06 de outubro de 2006. Trata-se de autos de infração de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, correspondentes aos anos-calendário 2000 e 2001. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 209/219), o lançamento deveu-se à exclusão da empresa do Simples, com efeitos retroativos a partir de 01/01/1997, conforme Ato Declaratório Executivo n° 77, de 08/08/2001. Foi considerada receita bruta o valor das receitas escrituradas nos livros Registro de Serviços e Registro de Apuração do ICMS, acrescidas da receita omitida, pela diferença entre o valor escriturado e o constante das 1 as vias das notas fiscais de serviços. O IRPJ e a CSLL foi apurado com base no lucro arbitrado, por falta de apresentação da escrituração contábil. Não se conformando, a autuada apresentou impugnação com as seguintes alegações, conforme síntese elaborada pelo relator do julgamento de primeira instância: i. ao autuar a requerente por suposta infração, sem especificar, de forma válida, os elementos probatórios de tal convicção, o ato fiscal cria obstáculos para que a interessada possa exercer seu legítimo interesse de defesa;.- 2 • • 41, ??.; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES >;t5 SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10920.004065/2005-19 Resolução n°: 107-00.689 ii. ao fazer acusações de forma incompleta e até mesmo obscura, o indigitado ato fiscal está impossibilitando à requerente o legitimo exercício do direito de se defender, ofendendo a Constituição Federal; iii. mesmo que considerados válidos os lançamentos, ainda assim não merece prosperar o auto de infração, uma vez que a requerente efetuou adesão ao Paes (Parcelamento Especial), conforme recibo à folha 329, e, posteriormente, solicitou revisão dos débitos consolidados no Paes, incluindo preventivamente valores a titulo de IRPJ, conforme comprovante em anexo (fls. 330 e 331); iv.o montante em que está sendo exigido o tributo lançado viola o princípio da capacidade contributiva, previsto no art. 145, § 1°, da Constituição Federal — CF, o que representa verdadeiro confisco, violando, assim, o principio contido no art. 150, inciso IV, também da CF. Cita doutrina a respeito do tema; v. a multa que está sendo exigida viola os princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, o que toma sua cobrança inválida, muito embora prevista em lei. Discorre longamente sobre o tema, citando doutrina e jurisprudência, que entende aplicáveis ao caso; vi.a cumulação da multa por infração com os juros de mora configura bis in idem, ferindo, também, o princípio da capacidade contributiva, em razão da sua absurda desproporção; vii. é indevida a aplicação da Selic como taxa de juros, eis que possui natureza financeira e não pode ser aplicada pelo Fisco, devendo sua aplicação ser restrita. Por afrontar o principio da legalidade, e por representar real majoração tributária, os créditos tributários da Fazenda Pública devem estar sujeitos apenas à correção monetária pela Ufir, à taxa de juros de 1% ao mês (art. 161, parágrafo único, do CTN); viii.em relação à representação fiscal para fins penais, não agiu com dolo, mesmo que em tese. Não obstante, caso assim não entenda o digno julgador, referid 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10920.004065/2005-19 Resolução n°: 107-00.689 representação fiscal deve aguardar o final deste procedimento administrativo fiscal, para, então, ser encaminhada ao Ministério Público Federal; ix. requer, ao final, que as intimações das decisões sejam endereçadas em nome de um dos advogados subscritores, conforme procuração anexa aos autos. Analisando o feito, a 3° Turma de Julgamento da DRJ/Florianópolis, por meio do Acórdão n°07-8.680, de 06 de outubro de 2006 (fls. 569/581), considerou não impugnada a matéria relativa aos valores de IRPJ incluídos no PAES e, quanto à matéria impugnada, julgou procedente o lançamento. A ementa do acórdão tem a seguinte dicção: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS CALÇADAS. O calçamento de notas fiscais caracteriza omissão de receitas tributada de acordo com a legislação em vigor na data do fato gerador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2001 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO E CONTRIBUIÇÕES. Constatada a falta de pagamento de impostos e contribuições, devida é a aplicação da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualcada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei n°4.502/64. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000, 2001 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. EFEITOS Diante da concordância do contribuinte com crédito Tributário objeto do lançamento, eis que os incluiu na Declaração do Parcelamento Especial - Paes, que constitui confissão irretratável de dívida, impedido fica ck___ 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA n:"Argr zt5",pzii :Or PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES );)es'id-.3_27,,f> SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10920.00406512005-19 Resolução n°: 107-00.689 julgador administrativo de pronunciar-se em relação ao conteúdo do feito Fiscal que com os débitos se relaciona. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade e refogem á competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal - STF declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS FRENTE À DECISÃO DO LANÇAMENTO PRINCIPAL - Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo argüições especificas a serem apreciadas ou novos elementos de prova, aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Lançamento Procedente Cientificada em 06/11/2006 (fl. 586), a empresa apresentou tempestivamente, em 06/12/2006, o Recurso de fls. 587/613, em que, em síntese, repete os argumentos apresentados na impugnação, e acresce ser nula a decisão de primeira instância, por ter sido formulada sem a realização da perícia solicitada, contrariando o princípio do contraditório e da ampla defesa. Reclama também de a decisão recorrida ter considerado não impugnado o lançamento de IRPJ, e de não terem sido considerados os valores pagos ou incluídos no PAES a título de Simples. É o Relatórioa->-- 5 e 'te • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10920.004065/2005-19 Resolução n°: 107-00.689 VOTO Conselheiro - JAYME JUAREZ GROTTO, Relator. O recurso é tempestivo e atende os pressupostos para prosseguimento. Dele tomo conhecimento. Conforme relatado, trata-se de lançamento contra empresa excluída do Simples. Diferentemente do entendimento exposto no Acórdão recorrido (terceiro parágrafo do item 3 do voto), entendo que, tratando-se do mesmo período de apuração, os pagamentos realizados pela sistemática do Simples devem ser abatidos do valor apurado pelo regime aplicado às pessoas jurídicas não incluídas naquele sistema de pagamentos. Registre-se que não se trata do instituto da compensação tributária, mas de um acerto de contas entre o valor devido em determinado período de apuração, e o valor já recolhido, espontaneamente, em relação a esse mesmo período. Apenas o saldo, não recolhido, é que pode ser objeto do lançamento de ofício. Lembre-se que o Simples não constitui uma espécie tributária, mas apenas um sistema de pagamento de impostos e contribuições. O § 1° do art. 3° da lei n° 9.317, de 1996, prevê que a inscrição no Simples implica pagamento mensal unificado do IRPJ, PIS/PASEP, CSLL, COFINS, IPI e INSS. Portanto, ao quitar um darf relativo ao Simples, o contribuinte recolhe parcelas desses impostos e contribuições. E, ante os princípios da moralidade e da eficiência que devem nortear a administração pública, a questão relativa à mudança da sistemática de pagamento de tributos não pode ser utilizada como arma para que a Administração Tributária venha exigir o pagamento de impostos e contribuições (acrescidos de multa de ofício) já espontaneamente recolhidos pelo contribuinte. a- 6 eA.L. V. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •;,:flz_V> SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10920.004065/2005-19 Resolução n°: 107-00.689 Por outro lado, a recorrente insiste ter, antes do início do procedimento fiscal, incluído no PAES débitos de IRPJ, juntando como prova o recibo PAES de fl. 329, datado de 31/10/2003, em que consta débitos declarados de IRPJ. Dessa forma, e não havendo nos autos elementos suficientes para a correta mensuração da matéria, proponho o retomo do processo à repartição de origem, para que, em relação aos períodos de apuração objeto do lançamento, aquela repartição informe os valores que, a titulo de Simples e de IRPJ, a interessada recolheu ou incluiu no PAES, devendo também indicar a data do recolhimento ou inclusão, além de informar se estão disponíveis para alocação (se já não foram, de alguma forma, utilizados pela contribuinte). Posto isto, voto no sentido de baixar o processo em diligência, para que sejam prestadas as informações acima referidas. Após, deverá ser cientificada a contribuinte, abrindo o prazo de 30 dias para que se manifeste, se assim o quiser. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 06 de dezembro de 2007. J 7joy Er. EZ- G ROTTO 7 Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028000.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.007063/2007-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 24/05/2005 a 31/07/2007
ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA
A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente Lei n.º 8.212/91.
MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA APLICAÇÃO RETROATIVA CTN, ART. 106
Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se
o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.433
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício
Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 24/05/2005 a 31/07/2007 ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente Lei n.º 8.212/91. MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA APLICAÇÃO RETROATIVA CTN, ART. 106 Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 185 1 184 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007063/200752 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240300.433 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria NOTIFICAÇÃO FISCAL Recorrente MATERNIDADE DE CAMPINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 24/05/2005 a 31/07/2007 ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente Lei n.º 8.212/91. MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA APLICAÇÃO RETROATIVA CTN, ART. 106 Tratandose de crédito não definitivamente julgada, aplicase o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.007063/200752 Acórdão n.º 240300.433 S2C4T3 Fl. 186 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0521.804 9ª Turma , que julgou procedente o lançamento do crédito tributário de R$ 3.446,36, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, decorrente da obra realizada no imóvel da Recorrente situado na Avenida Francisco Glicério 1937, Campinas/SP. A construção a que se refere o lançamento está especificada no trecho da Informação Fiscal, folhas 63 a 68, abaixo transcrito. Durante a Ação Fiscal, após o confronto das áreas construídas existentes no imóvel localizado na Av. Francisco Glicério, 1937, Centro, CampinasSP de propriedade da Maternidade de Campinas, mediante a análise dos carnês de IPTU em 31/12/1996 = 353,29 m2 com as de 31/12/2006 = 377,48 m2 e no Projeto Simplificado — Regularização de Ampliação Comercial CSE 389,02 m2, foi constatada a realização de obras de construção civil, sem a matricula no Cadastro Específico do INSS (CEI) de 35,73 m2. O levantamento das áreas foi feito por esta auditoria fiscal conjuntamente com os engenheiros Fernando T. Querubin — CREA n ° 0685099418 e Akzel D.C. Ches, Eng. Seg. do Trabalho — CREA 173275/D, representantes indicados pela Entidade para acompanhamento dos trabalhos de auditoria nesta área. Tendo em vista a falta de inscrição da obra, foi lavrado o Auto de Infração 192 37.078.8648, e emitida a matricula n 37.790.04498/77, de oficio, conforme § 5°, do 193 inciso V, do artigo 23, da IN/SRP/003/2005 e Cadastro Geral — Dados da Obra (fl. 30). O lançamento foi assim descrito no relatório elaborado pela DRJ: Tratase o presente de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, o qual, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 63 a 68, teve como fato gerador o pagamento de salários pela execução de obra de construção civil, calculados estes com base na área construída e no padrão da obra, conforme análise do IPTU (fls.26), Projeto Simplificado (fls. 27), Alvará de Aprovação n° 597/2005, Anotação de Responsabilidade Técnica — ART (fls. 29), Cadastro Geral — Dados da Obra (fls. 30) e Aviso de Regularização de Obra — ARO (fls. 31). Incidem sobre o salário, referido no item anterior, as seguintes contribuições: Parte dos segurados empregados; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Parte da empresa; Decorrentes do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho; e Destinadas a Entidades e Fundos (Terceiros), a saber: Salário Educação, INCRA, SESI/SENAI, SEBRAE e INCRA. A Informação Fiscal, fls. 63/68, esclarece o procedimento adotado pelo Auditor Nelito de Jesus Ramos Campos durante o procedimento fiscalizatório, nos seguintes termos: 1 — Foi cancelado o direito à isenção das contribuições patronais a partir de 01/01/1997, através do Acórdão n° 2.057, de 28/11/2006, exarado pela 4' Câmara de Julgamento do CRPS. 2 Foram analisados os seguintes documentos: Livros Diários e Razões; Relação de obras de construção civil e, quando houver, respectivas CND; Alvará de licença e Habitese para construção; Comprovantes de matrícula das obras de construção civil; Contratos de empreitada e subernpreitada da obras de construção civil, inclusive pisos superiores e demolição; Projetos aprovados de obra de construção civil; Comprovante de recolhimento de contribuições sociais nas matrículas CEI da obra; Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros; Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados; Relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado, com os respectivos valores, e cópias das escrituras; Certidão de registro/regularidade das obras de construção civil junto à Prefeitura Municipal de Campinas; Comprovantes de pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU. 3 — Os documentos acima foram insuficientes para comprovar a construção da obra em período decadente, nos termos exigidos pelo artigo 466, da IN/SRP 003/2005. 4 A contabilidade da Maternidade foi desconsiderada, uma vez que, a empresa não mantém a escrituração contábil formalizada conforme determina o inciso II, artigo 32 da Lei 8.212, de 24/07/1991, regulamentado pelo artigo 225 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999 e os princípios fundamentais de contabilidade. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.007063/200752 Acórdão n.º 240300.433 S2C4T3 Fl. 187 5 5 Os gastos decorrentes de ampliações ou modificações nos imóveis de construção civil não foram registrados em contas contábeis específicas. 6 — Os impostos, taxas, contribuições sociais, honorários profissionais, prestadores de serviços e outros fatos geradores de contribuições sociais estão registrados na conta 30100013 — 3113 Despesas Gerais Diversas o que motivou a lavratura do Auto de Infração na fiscalização anterior e até o presente momento não foi corrigido. 7 Os Livros Diário LD apresentam somente o balanço sintético, com agrupamento e sem detalhamento das contas, o que dificultou a composição das mesmas; 8 O Resultado do Exercício e o Resultado de Exercícios Anteriores não estão informados nos Balanços escriturados nos Livros Diário, o que impossibilitou identificar se a empresa estava deficitária ou superavitária; 9 As Demonstrações de Origens e Aplicações de Recursos e as Demonstrações de Mutação do Patrimônio não integram a escrituração dos LD até o exercício de 2004, assim como as demonstrações integrantes do balanço patrimonial, do mesmo período, não obedecem ao disposto na Lei 6.404/76 e nas Normas Brasileira de Contabilidade; 10 — Após análise dos documentos elencados no item 2 e o levantamento das áreas construídas, pelo Auditor e Engenheiros indicados pela Maternidade, foi constatada a construção da área de 35,73m2 sem a respectiva regularização perante o órgão público e matrícula no cadastro Especifico do INSS — CEI. 11 — Foi lavrado o Auto de Infração 37.078.8648 e emitida, de ofício, a matrícula 37.790.04498/77 em atendimento ao parágrafo 5°, inciso V, artigo 23 da IN/SRP 003/2005. 12 — A base de cálculo do presente lançamento foi obtida mediante aferição indireta nos termos dos parágrafos 4° e 6°, artigo 33 da Lei 8.212, de 24/07/1991. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 28/08/2007. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: a) da ausência do trânsito em julgado da decisão proferida pelo conselho de recursos da previdência social referente ao ato cancelatório das quotas patronais. b) da decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário. c) da imunidade/isenção. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Preliminares a) da ausência do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Conselho de Recursos da Previdência Social referente ao ato cancelatório das quotas patronais. Conforme ficará demonstrado abaixo, o lançamento ocorreu após decisão definitiva em sede administrativa. Inicialmente vou relatar os julgamentos ocorridos no CRPS. O Acórdão n° 2057/2006, da 04ª CaJ Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, negou provimento, por maioria, ao recurso da entidade e manteve o Ato Cancelatório que cancelou a isenção usufruída pela mesma. Acórdão: 2057/2006 04ª CaJ Quarta Câmara de Julgamento Vistos e relatados os presentes ,autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros dá Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, em CONHECER DO RECURSO E NEGARLHE PROVIMENTO POR MAIORIA, de acordo com o voto Divergente e sua fundamentação. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Brasília DF, 28/11/2006 O decisão teve por base que a entidade descumpriu o requisito contido no inciso V do art. 55 da Lei n° 8.212/91, pois possui a concessão de um terminal rodoviário, cuja administração cabe à uma subconcessionária que é remunerada com base num percentual incidente sobre o lucro do terminal. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. No texto do acórdão consta que apesar de ser responsável pelo terminal, a subconcessionária não é a empregadora formal dos empregados que laboram no mesmo, ainda Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.007063/200752 Acórdão n.º 240300.433 S2C4T3 Fl. 188 7 que os mesmos estejam sob sua subordinação. Os empregados estão formalmente vinculados à entidade que usufruía de isenção. Assim, entendeu o CRPS que a entidade remunerou a subconcessionária e ao mesmo tempo assumiu o ânus dos encargos salariais e previdenciários de empregados que na verdade se subordinavam à subconcessionária. Desta maneira majorou indevidamente o lucro operacional do terminal e, conseqüentemente, repassou à subconcessionária parte desse lucro obtido à custa da isenção usufruída. A recorrente interpôs embargos de declaração contra o Acórdão n° 2057/2006 que negou provimento por maioria ao recurso da entidade e manteve o Ato Cancelatório que cancelou a isenção usufruída pela mesma. Em conseqüência, novo julgamento acerca desse processo ocorreu no CRPS em 27/06/2007 e resultou no Acórdão 1078/2007, onde a 04ª CaJ decidiu, por unanimidade, não conhecer do recurso. Acórdão: 1078/2007, 04ª CaJ Quarta Câmara de Julgamento Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, em NÃO CONHECER DO RECURSO DE REVISÃO POR UNANIMIDADE, de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Brasília DF, 27106/2007 Segundo as regras do processo administrativo vigente à época, a decisão transita em julgado quando é dada ciência da decisão lavrada pelo CRPS — Conselho de Recursos da Previdência Social. O lançamento da presente ocorreu em 28/08/2007, portanto, após decisão definitiva em sede administrativa. b) da decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário. A data de início da obra é 24/05/2005 (conforme cadastro, folha 30). A data de término da obra é 31/07/2007(conforme DISO, folha 31) A ciência do lançamento ocorreu em 28/08/2007. Verificase que não ocorreu a decadência do crédito tributário. c) da imunidade/isenção Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. No caso deste processo, a isenção do recolhimento da cota patronal foi cancelada devido à Maternidade não atender ao disposto no inciso V do artigo 55 da Lei 8.212/91, conforme decisão do CRPS relatada acima. Mérito Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.007063/200752 Acórdão n.º 240300.433 S2C4T3 Fl. 189 9 multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914132/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.090
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Sala de Sessões, em 27 de maio de 2011. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10880.914132/200618 Resolução n.º 140100.090 S1C4T1 Fl. 138 2 Relatório Tratase de Declarações de Compensação, transmitidas à Receita Federal do Brasil em 27/06/03, 04/07/03, 12/08/03, 10/09/03 e 15/10/03 (fls.01/20). Os créditos referem se a saldos negativos de IRPJ (anocalendário 2002). No Despacho Decisório (fl.21), cientificado ao contribuinte em 27/05/08 (fl.25), reconheceuse parcialmente o direito creditório (R$20.369.092,94 dos R$23.052.527,14 pleiteados), tendo sido as compensações homologadas até o limite reconhecido. A DCOMP nº 00695.82488.100903.1.3.022713 foi homologada parcialmente, e a nº 00923.18973.151003.1.3.026236, não homologada. Em primeira instância, mantevese o despacho decisório. O acórdão (fls.94/98) recebeu a seguinte ementa: PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. A restituição/compensação do imposto retido como antecipação IRRF, que supera o imposto devido apurado na DIPJ, fica condicionado à comprovação de que o rendimento que lhe deu causa foi oferecido à tributação. Para a DRJ – São Paulo (SP), in verbis: “(...) De plano, verificase que os informes de rendimentos correspondentes às retenções efetuadas pelo BankBoston (fls. 72 e 73) correspondem a rendimentos auferidos no anocalendário de 2001. Assim, o IRRF correspondente (R$3.750,73 e R$ 12.238,21) não pode ser utilizado para reduzir o IRPJ apurado no anocalendário de 2002. Observase ainda que os documentos de fls. 61 a 71 tratamse na verdade de extratos emitidos pela instituição financeira que detalha a receita financeira auferida mensalmente pelo contribuinte. O IRRF destacado nos citados extratos foi confirmado na DIRF apresentada pela instituição financeira, obtida nos arquivos eletrônicos da Receita Federal do Brasil RFB (fls. 83 e 84). Neste ponto cumpre esclarecer que o processamento não confirmou o IRRF no montante de R$ 2.667.445,26 devido ao fato de o mesmo ter sido retido pelo Citibank NA — CNPJ n° 33.042.953/000171, e não pelo Citibank SA — CNPJ 33.479.023/000180, como informado pelo contribuinte na DIPJ. Apesar de parte do IRRF glosado ter sido confirmado a análise da Ficha 06A — Demonstração do Resultado da DIPJ/2003, revela que a receita financeira oferecida à tributação pelo contribuinte não é compatível com o IRRF compensado. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10880.914132/200618 Resolução n.º 140100.090 S1C4T1 Fl. 139 3 Com efeito, na Ficha 06A o contribuinte informa no item 24 que auferiu a titulo de "Outras Receitas Financeiras " o montante de R$ 38.996.537,12 (nada consta a titulo de ganhos auferidos no mercado de renda variável — item 21), ao passo que conforme detalhado a seguir na Ficha 43 — Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte fl. 89, o Rendimento auferido totaliza o montante de R$ 115.262.636,00. Valores em R$ Natureza do Rendimento Rendimento Bruto IRRF Aplicações Financeiras de Renda Fixa – cód. 3426 2.260.660,00 452.132,00 Operações de Swap – cód. 5273 113.001.976,00 22.600.395,14 TOTAL 115.262.636,00 23.052.527,14 Por pertinente, em relação às operações de SWAP, recomendase a leitura atenta do art. 756 do RIR/99, reproduzido a seguir, que trata da incidência de Imposto de Renda sobre o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de SWAP, e das condições necessárias para que as perdas em operações de SWAP possam ser reconhecidas: Art.756. Estão sujeitos à incidência do imposto, à alíquota de vinte por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap (Lei nº 8.981, de 1995, art. 74, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 36). §1º A base de cálculo do imposto nas operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap (Lei nº 8.981, de 1995, art. 74, §1º). ..... §5º O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento na data da liquidação do respectivo contrato (Lei nº 8.981, de 1995, art. 74, §1º). §6º Para efeitos de apuração e pagamento do imposto mensal sobre os ganhos líquidos, as perdas incorridas em operações de swap não poderão ser compensadas com os ganhos auferidos nas operações de que trata o Subtítulo §7º Somente será admitido o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas nos termos da legislação vigente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 74, §3º). §8º Na apuração do imposto poderão ser considerados como custo da operação os valores pagos a título de cobertura (prêmio)contra eventuais perdas incorridas em operações de swap.(grifouse) Observase do texto acima que a perda em operação de SWAP só pode ser considerada dedutível como despesa operacional, para efeito do cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, se constituírem operações necessárias à manutenção da fonte produtora (art. 299 e 300 do RIR/99 — artigos 45 e 47 da Lei 4.506/1964). Fl. 148DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10880.914132/200618 Resolução n.º 140100.090 S1C4T1 Fl. 140 4 Assim sendo, as perdas com operações de Swap ou de Hegde só serão dedutíveis se de fato existirem os Ativos e Passivos a serem protegidos. Caso contrário, se não existirem esses Ativos e Passivos, as operações serão consideradas meramente especulativas e não necessárias à atividade da empresa, o que as torna não dedutíveis para efeito do cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Já o §7º prevê apenas que as perdas com SWAP somente poderão ser reconhecidas se as operações de SWAP forem registradas de acordo com a legislação vigente, ou seja, as operações de SWAP têm que ser registradas de acordo com as normas regulamentadoras baixadas pelo Banco Central do Brasil. Essas normas dizem que essas operações de swap devem ser registradas em Câmaras de Registro, Custódia e Liquidação ou nas Bolsas de Valores, o que inclui as Bolsas de Mercadorias e Futuros. Assim, os rendimentos auferidos na operação de Swap — cód 5273 deveria ter sido informado na Ficha 06, linha 21 da DIPJ. Eventuais perdas devem ser lançadas na linha 33. Destarte no caso em tela a receita financeira informada na DIPJ (R$ 38.996.537,12), daria suporte a no máximo 33,83% (100 x 38.996.537,12/115.262.636,00) do IRRF compensado na DIPJ, ou seja, R$ 7.798.669,93. Como o processamento da DCOMP, que não pode ser alterado pela autoridade julgadora, reconheceu o crédito de R$ 20.369.092,94, não é possível admitir o crédito pleiteado pelo contribuinte.” No Recurso Voluntário interposto tempestivamente (fls.102/113) alegase em preliminar nulidade da decisão de primeira instância, com base nos seguintes fundamentos, em síntese: teria sido alterado o critério jurídico adotado no despacho decisório; de acordo com a fundamentação do despacho decisório, discutiase apenas a comprovação da certeza e liquidez da diferença a título de IRRF (R$2.683.434,20), sendo que a DRJ, mesmo após confirmála em DIRF, manteve o indeferimento com base no não oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos; seria “...tão evidente a mudança do critério jurídico que os D. Julgadores de 1ª Instância sustetam que a receita financeira informada na DIPJ daria suporte apenas e tão somente a 33,83% do IRRF compensado na DIPJ, ou seja, inferior ao montante então homologado pelo r. despacho decisório”; os artigos 146 e 149 do Código Tributário Nacional teriam sido afrontados; o princípio da segurança jurídica fora violado; decisões administrativas corroborariam a tese da inadmissibilidade de alteração dos critérios jurídicos da decisão. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10880.914132/200618 Resolução n.º 140100.090 S1C4T1 Fl. 141 5 O recorrente ainda requereu a realização de diligência, para fins de “...verificação e comprovação de que o rendimento que deu causa ao IRFonte foi oferecido à tributação”. Complementa: “(...) Ora, a Recorrente, em face da mudança do critério jurídico pela D. DRJ, não teve tempo hábil para localizar, no prazo de 30 dias, os documentos comprobatórios, pois, os mesmos são referentes aos anos calendário de 2000, 2001 e 2002 e foram remetidos aos arquivos de empresa terceirizada para a guarda e armazenamento, cujo retorno demandará algum tempo. 29. Ademais, digase de passagem, a guarda de tal documentação nem mais seria necessária, tendo em vista o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, pois, frisese, mais uma vez, a fiscalização em momento algum questionou a comprovação da tributação do rendimento, mas, tão somente, a comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado através dos Informes de Rendimentos. 30. Portanto, I. Conselheiros, tivesse a Recorrente sido intimada, certamente comprovaria a tributação dos rendimentos, bem como apresentaria os documentos correspondentes. 31. Aliás, é importante desde já destacar que a parcela relevante dos rendimentos auferidos nas operações de Swap foi escriturada em conta contábil de variação cambial (# 43590026), justamente pelo fato de os instrumentos financeiros (Swap) terem sido contratados visando proteção de direitos e obrigações indexados em moeda estrangeira. 32. Diante do exposto, resta notória a necessidade de realização de diligência, vez que a comprovação de que os rendimentos foram integralmente tributados somente poderá ser feita por meio deste procedimento. Inadmitir tal procedimento significa afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material, sobretudo quando há nítida mudança de critério jurídico do lançamento no decorrer do processo, que impossibilitou a produção de provas em tempo hábil. A realização de diligência, portanto, se faz indispensável no caso dos autos!” É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. De acordo com a decisão recorrida, como a própria ementa informa, com relação a determinadas retenções na fonte, abaixo identificadas e não reconhecidas no despacho decisório, inexistiria nos autos comprovação de que os respectivos rendimentos tenham sido oferecidos à tributação: Fl. 150DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10880.914132/200618 Resolução n.º 140100.090 S1C4T1 Fl. 142 6 Segundo o contribuinte, as retenções comprovarseiam com a documentação acostada à manifestação de inconformidade. In verbis: “(...) 12. Portanto, I. Conselheiros, o que se discute era (e é) a comprovação da certeza e liquidez de parcela do crédito pleiteado, qual seja, R$ 2.683.434,20 (diferença entre R$ 20.369.092,94 e R$ 23.052.527,14). 13. Diante disso, a Recorrente protocolou a competente Manifestação de Inconformidade, ocasião em que apresentou todos os comprovantes de retenções de IRFONTE emitidos pelas instituições financeiras, comprovando, por conseguinte, a totalidade do crédito declarado na Per/Dcomp no montante de R$ 23.052.527,14.” Por sua vez, com relação ao oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos, sustenta, como visto acima, que estariam escriturados “...em conta contábil de variação cambial (#43590026), justamente pelo fato de os instrumentos financeiros (Swap) terem sido contratados visando proteção de direitos e obrigações indexados em moeda estrangeira”. Afirma que deixou de realizar a respectiva comprovação documental em razão de ter sido informado sobre aquele requisito apenas com a decisão de primeira instância, razão pela qual não teria tido tempo hábil para providenciála no prazo de trinta dias. Não se pode, de pronto, descartar a possibilidade de que as alegações do recorrente sejam realmente procedentes, haja vista o montante de R$74.991.468,59 declarado a título de “Variações Cambiais Ativas” (fl.88) e, especialmente, o fato de lhe ter sido exigida a comprovação do oferecimento à tributação com a decisão de primeira instância. Portanto, faz se necessário, como medida de cautela a fornecer elementos seguros de convencimento, que a Receita Federal do Brasil aprofunde, excepcionalmente nesta fase processual, a análise anterior, sob pena de restar comprometido o contraditório e a ampla defesa constitucionalmente assegurados. A considerar a envergadura que tais princípios ostentam no processo administrativo, não pode restar qualquer dúvida de que foram devidamente prestigiados. O recorrente, em 24/05/2011, protocolizou no CARF petição acompanhada de documentação que supostamente comprovaria suas alegações. Por todo o exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo DERAT (SP): a) verifique se os rendimentos de aplicações financeiras, relacionados às retenções que totalizam R$2.683.434,20 (vide quadro acima), foram oferecidos à tributação, como afirma e procura comprovar o recorrente, devendo este ser intimado a prestar os esclarecimentos necessários; CNPJ da fonte pagadora Código Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado 33.479.023/000180 5273 7.780.975,22 5.113.529,96 2.667.445,26 60.394.079/000104 3426 3.750,74 0,01 3.750,73 60.394.079/000104 5273 4.660.291,06 4.648.052,85 12.238,21 Total 12.445.017,02 9.761.582,82 2.683.434,20 Fl. 151DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10880.914132/200618 Resolução n.º 140100.090 S1C4T1 Fl. 143 7 b) descreva, em relatório circunstanciado, as providências adotadas; c) cientifique o interessado do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 152DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720739/2014-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 06 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 03/04/2009
PRAZO PARA ANÁLISE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONSEQUENCIAS.
Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o processo administrativo, sendo extrapolado o prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, a única consequência deve ser a incidência da correção monetária, pela taxa SELIC, após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (termo inicial da correção monetária), quando se tratar de pedido de ressarcimento, não havendo previsão para determinar a perempção/prescrição/decadência do direito da Administração Pública constituir definitivamente o crédito tributário.
MULTA ADUANEIRA POR ATRASO EM PRESTAR INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Nos termos da Súmula CARF nº 126, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Numero da decisão: 3402-009.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de mérito de arquivamento do processo em razão da preclusão intercorrente com fulcro no art. 1º, § 1º da Lei n.º 9.873/1999. Vencidas as Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais de Laurentiis Galkowicz, que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva e vedação ao confisco e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: Lázaro Antônio Souza Soares
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CONSEQUENCIAS. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o processo administrativo, sendo extrapolado o prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, a única consequência deve ser a incidência da correção monetária, pela taxa SELIC, após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (termo inicial da correção monetária), quando se tratar de pedido de ressarcimento, não havendo previsão para determinar a perempção/prescrição/decadência do direito da Administração Pública constituir definitivamente o crédito tributário. MULTA ADUANEIRA POR ATRASO EM PRESTAR INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Nos termos da Súmula CARF nº 126, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de mérito de arquivamento do processo em razão da preclusão intercorrente com fulcro no art. 1º, § 1º da Lei n.º 9.873/1999. Vencidas as Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais de Laurentiis Galkowicz, que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva e vedação ao confisco e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 07 39 /2 01 4- 25 Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o Relatório da DRJ – Rio de Janeiro (DRJ-RJO): Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. É o relatório. A 4ª Turma da DRJ-RJO, em sessão datada de 21/12/2017, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação. Foi exarado o Acórdão nº 12-095.014, às fls. 155/158, com a Ementa dispensada nos termos da Portaria RFB nº 2724/2017. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ em 07/03/2018 (conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, à fl. 164), apresentou Recurso Voluntário em 26/03/2018, às fls. 194/210, basicamente reiterando os mesmos argumentos da Impugnação. É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche parcialmente as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento em parte. I – DA PRELIMINAR DE PRECLUSÃO NA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Alega o Recorrente, em apertada síntese, que, partindo do pressuposto de que o crédito tributário em exame foi definitivamente constituído com a lavratura do auto de infração e tendo em vista que o sujeito passivo não pode aguardar a solução definitiva do processo administrativo fiscal durante anos, sob pena de ofensa ao princípio da segurança jurídica, seria manifesta a aplicabilidade do art. 24 da Lei 11.457/2007 ao presente caso. Em seu entender, a inobservância do prazo estabelecido pelo art. 24 da Lei 11.457/2007 acarreta a perempção do direito da Administração Pública constituir definitivamente o crédito tributário e, consequentemente, exigir o seu pagamento, não restando observado pela Administração Tributária o prazo de 360 dias estabelecido pela Lei 11.457/2007. Não assiste razão ao Recorrente. Vejamos o que consta do dispositivo legal invocado: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Como se verifica a partir do texto da norma, não foi estabelecida nenhuma consequência para o descumprimento do referido prazo. Nesse sentido, o STJ já atribuiu, em sede de julgamento de Recurso Especial sob o rito previsto para os recursos repetitivos, qual o único efeito do prazo estabelecido pelo art. 24 da Lei 11.457/2007, conforme consta do precedente abaixo colacionado: Recurso Especial nº 1.573.133/PR, Relatora: Ministra REGINA HELENA COSTA, publicação em 28/05/2021: Trata-se de Recurso Especial interposto por COAMO AGROINDUSTRIAL COOPERATIVA contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região no julgamento de apelação, assim ementado (fls. 950/951e): TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA EM RELAÇÃO A PARTE DOS PEDIDOS. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. NÃO CARACTERIZADO. PEDIDO ADMINISTRATIVO. RESPOSTA. PRAZO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA, NA HIPÓTESE EM QUE CARACTERIZADA MORA DO FISCO. (...) 3. A Lei nº 11.457, de 2007, estabelece, em seu art. 24, o prazo de 360 dias para que a administração decida os requerimentos administrativos de matéria tributária. Assim, Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 agiu acertadamente o juiz da causa, ao determinar à autoridade coatora que profira decisão em prazo razoável nos processos administrativos referidos na inicial, protocolados há mais de 360 dias. (...) 5. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o pedido administrativo de reconhecimento de crédito escritural ou presumido (quando extrapolado o prazo de análise do pedido - 150 ou 360 dias, conforme o caso), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC, a partir da data do protocolo do pedido administrativo. (...) Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 988/992e). Posteriormente, o tribunal de origem realizou o juízo de retratação, com a publicação do seguinte acórdão (fl. 1.266e): JUÍZO DE RETRATAÇÃO. TEMA 1003 DO STJ. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS ESCRITURAIS. TERMO INICIAL DE INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso sob o rito dos repetitivos, firmou o seguinte entendimento: "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n.11.457/2007)". (REsp 1768060/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/02/2020, DJe 06/05/2020). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: (...) VIII. Art. 24 da Lei n. 11.457/2007 – “A falta de propulsão, ou paralisação e indefinição do processo administrativo geram insegurança jurídica ao contribuinte Recorrente, representa abuso de direito, violação à Moral Pública, além de também violar o princípio constitucional da razoabilidade, na medida em que não é sensato a administração ser a primeira a violar a lei” (fl. 1.047e). Com contrarrazões (fls. 1.113/1.134e), o recurso foi admitido (fl. 1.159e). O Ministério Público Federal manifestou-se às fls. 1.227/1.238e. Feito breve relato, decido. (...) Por fim, observo que, na questão atinente ao termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, a Corte a quo adotou entendimento firmado em tese de recurso repetitivo (Tema 1.003 do STJ), como se depreende da leitura das seguintes ementas: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DEMORA INJUSTIFICADA NA ANÁLISE DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO. TERMO INICIAL DE INCIDÊNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA. DIA SEGUINTE AO EXAURIMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS A QUE ALUDE O ART. 24 DA LEI 11.457/2007. ENTENDIMENTO FIRMADO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. RESP. Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 1.767.945/PR. TEMA 1.003/STJ. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp. 1.767.945/PR, de relatoria do eminente Ministro SÉRGIO KUKINA, mediante o rito dos recursos repetitivos, firmou a seguinte tese: O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007) (REsp. 1.767.945/PR, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, DJe 6.5.2020) - Tema 1.003/STJ. 2. Agravo Interno da Empresa a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1588642/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/12/2020, DJe 18/12/2020) (...) Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do RISTJ, CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial, e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Como se depreende do precedente acima, caracterizada a mora do Fisco ao analisar o processo administrativo, sendo extrapolado o prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, a consequência deve ser a incidência da correção monetária, pela taxa SELIC, após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (termo inicial da correção monetária), quando se tratar de pedido de ressarcimento. Portanto, não existe o efeito pretendido pelo Recorrente, qual seja, a perempção do direito da Administração Pública constituir definitivamente o crédito tributário. Além disso, a matéria referente à preclusão (título do tópico do Recurso Voluntário) já se encontra pacificada na seara administrativa, nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de preclusão/perempção. II – DA ALEGAÇÃO DE CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Alega o Recorrente que, munido da cópia do conhecimento de transporte marítimo que lhe foi encaminhado, procedeu no sistema SISCOMEX CARGA as anotações necessárias para a formação do Conhecimento Eletrônico house (HBL) 150.905.036.949.735. Esclarece que, cumprindo suas obrigações, o agente de navegação promoveu em tempo hábil a inclusão das informações perante o sistema fiscalizador da Receita Federal Brasileira, em especial quanto à escala, em porto sob jurisdição da Alfândega do Porto de Santos e as informações a respeito das cargas transportadas, através do Conhecimento Eletrônico master (MBL) n.º 150.905.029.313.359. Fl. 247DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 Assim, afirma que, tendo o representante do armador e o agente de cargas acima mencionados apresentado as informações sobre as cargas transportadas através do Conhecimento Eletrônico master (MBL) acima descrito, associado ao manifesto eletrônico, todos os prazos exigidos pela Receita Federal Brasileira foram cumpridos e, consequentemente, a mesma não sofreu nenhum tipo de dificuldade seja para fiscalização, seja para apuração de créditos destinados ao erário. Ocorre que o Auditor-Fiscal responsável pelo procedimento identificou a ocorrência de uma infração, o que o levou a realizar o lançamento de multa no valor total de R$5.000,00, conforme descrito no Auto de Infração às fls. 54/56: Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi(ram) apurada(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 - NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR O Agente de Carga DHL LOGISTICS (BRAZIL) LTDA., CNPJ 02.836.056/0032-02, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Master (MBL) CE 150905029313359 a destempo às 09:31:51 h do dia 03/04/2009, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil- RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150905036949735. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) Container(s) MSKU7741211, pelo Navio AS CATALANIA, em sua viagem 0905-0906, no dia 28/03/2009, com atracação registrada às 12:12:00 hs. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 09000076396, Manifesto Eletrônico 1509500446858, Conhecimento Eletrônico Máster MBL 150905029313359 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150905036949735. (...) Com efeito, o Conhecimento Eletrônico Máster 150905029313359 foi incluído às 21:55:25 hs de 16/03/2009, a atracação ocorreu em 28/03/2009, às 12:12:00 h h, e a desconsolidação foi concluída a destempo às 09:31:51 h do dia 03/04/2009.(data/hora da inclusão do conhecimento eletrônico agregado HBL 150905036949735). Para o caso concreto em análise a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico agregado em referência em tempo posterior ou igual ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Vejamos o que diz a legislação de regência da matéria, art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto-lei nº 37/66: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Fl. 248DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; Como se verifica, a lei não está limitada à conduta de “deixar de prestar informação”, mas sim de “deixar de prestar informação (...) na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal”. Assim, em cumprimento à determinação legal, o órgão publicou a Instrução Normativa (IN) SRF n° 800, de 2007, regulamentando o dispositivo legal acima transcrito em seu art. 22: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2o As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4o O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto.” Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. III – DA ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 Alega o Recorrente que a responsabilidade atribuída à Recorrente, pela suposta infração à legislação tributária, foi excluída pela denúncia espontânea da infração, nos termos do artigo 102, §§ 1º e 2º, do Decreto-Lei 37/66. Tal questão já está pacificada tanto na instância judicial quanto na administrativa, conforme Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Nesse sentido, trago os seguintes precedentes do STJ: a) Agravo em Recurso Especial nº 1.582.993/SP, Relator Ministro OG FERNANDES, Publicação em 03/11/2021: Trata-se de agravo interposto por BDP South América Ltda. contra decisão que inadmitiu o recurso especial com base nos seguintes fundamentos: i) ausência de violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC; e ii) óbice da Súmula 83/STJ (e-STJ, fls. 346- 349). (...) Ultrapassados os requisitos de conhecimento do presente agravo, passo a examinar o recurso especial manejado, com base no art. 105, III, "a" e "c", da CF/1988, em oposição a acórdão assim ementado (e-STJ, fl. 281): ADUANEIRO - AGRAVO INTERNO-OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE - PRECEDENTES – RECURSO IMPROVIDO. 1. A denúncia espontânea da infração é inaplicável às obrigações tributárias acessórias. Precedentes desta Corte. 2. No caso concreto, houve o descumprimento da obrigação tributária acessória de prestar informação, porque realizada intempestivamente, nos termos da cópia do auto de infração de fls. 48/66. 3. Agravo interno improvido. (...) É o relatório. (...) A infração imputada deriva do desrespeito ao prazo estabelecido pela legislação para o registro de informações. Assim, a conduta que se pretende caracterizar como denúncia espontânea é, na verdade, a própria infração (prestar informação fora do prazo). Ademais, a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea. Nesse sentido: Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 (...) Cumpre registrar que, não obstante a alteração promovida pela Lei n. 12.350/2010, a denúncia espontânea não se aplica aos casos de descumprimento de obrigação acessória autônoma. Corroborando com esse entendimento: (...) Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III e IV, do CPC/2015, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "a" e "b", do RISTJ, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. b) Recurso Especial nº 1.613.686/SC, Relator Ministro GURGEL DE FARIA, Publicação em 30/06/2021: Trata-se de recurso especial interposto por AMTRANS LOGÍSTICA E TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA., com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim ementado (e-STJ fl. 172): ADUANEIRO. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. MULTA. IN RFB 800, DE 2007. 1. Nos termos do art. 37 e do art. 107, inc. IV, alíneas 'e' e 'f' do Decreto-Lei nº 37, de 1966, aplica-se a penalidade de multa ao agente de carga que deixa de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada. 2. A Receita Federal, por meio da Instrução Normativa RFB 800, de 2007, ao estabelecer a forma e o prazo para prestação de informações, apenas regulamentou o disposto na alínea 'e' do inc. IV do art. 107 do Decreto-lei 37, de 1966, sem desbordar dos ditames legais. 3. Inviável a redução dos honorários advocatícios, já arbitrados em consonância com os parâmetros dessa Turma. (...) Passo a decidir. (...) Além disso, "o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça de que a denúncia espontânea não tem o efeito de impedir a imposição da multa por descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Nessa linha: AgInt no AREsp 1.418.993/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 10/2/2020; e REsp 1.817.679/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 11/10/2019" (AgInt no AREsp 1624666/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2020, DJe 05/10/2020). No mesmo sentido: (...) Incide, portanto, no ponto a Súmula 83 do STJ, que também abarca os recursos interpostos com arrimo na alínea "a" do permissivo constitucional, in verbis: "Não se Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO do recurso especial. c) Agravo em Recurso Especial nº 1.359.178/RJ, Relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, Publicação em 23/06/2020: Trata-se de Agravo, interposto por CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA., contra decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que inadmitiu o Recurso Especial manifestado contra acórdão assim ementado: "ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. MULTA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA. INAPLICÁVEL O INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IRRELEVANTE A EXISTÊNCIA DE BOA-FÉ. 1. A recorrente busca a anulação de multa aplicada pela Receita Federal do Brasil por ter deixado de prestar, tempestivamente, as informações sobre as cargas transportadas na forma da obrigação acessória prevista no art. 37 do DL nº 37/66, tendo a autoridade aduaneira aplicado-lhe as multas pertinentes. (...) 3. Por sua vez, a referida multa está prevista no art. 107, IV, 'e', do DL 37/66. 4. A obrigação do agente marítimo tem origem no próprio teor dos indigitados dispositivos legais, afastando-se as alegações de ausência de responsabilidade pela infração imputada. 5. Ademais, não há que se falar em aplicação do instituto da denúncia espontânea diante de descumprimento da obrigação, uma vez que poderia estimular o contribuinte a desrespeitar os prazos impostos pela legislação. 6. Por fim, a afirmação de existência de boa-fé não socorre o recorrente, pois o cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável na hipótese, restando incontroverso, in casu, que não cumpriu. 7. Apelação conhecida e desprovida" (fl. 247e). (...) A irresignação não merece acolhimento. Inicialmente, cumpre ressaltar que o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Nesse sentido: (...) Pelo exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a e b, do RISTJ, conheço do Agravo, para conhecer em parte do Recurso Especial, e, nessa parte, negar- lhe provimento. Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 Prossegue o Recorrente alegando que o Juízo da 8ª Vara Federal de São Paulo admitiu a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea em caso análogo, em sentença proferida nos autos da ação ordinária de n.º 0019687-88.2011.4.03.6100, cuja íntegra instrui este Recurso Voluntário, às fls. 236/239. Vejamos o dispositivo da Sentença: No entanto, consultando o andamento processual dos feitos, constatei que a decisão acima foi revertida pelo TRF da 3ª Região, nos seguintes termos: Acórdão 24023/2018 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA Nº 0019687-88.2011.4.03.6100/SP 2011.61.00.019687-2/SP RELATOR: Desembargador Federal JOHONSOM DI SALVO EMBARGANTE: DHL LOGISTICS BRAZIL LTDA EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE QUALQUER DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC/15. IMPOSSIBILIDADE DE DESVIRTUAMENTO DOS DECLARATÓRIOS PARA OUTRAS FINALIDADES QUE NÃO A DE APERFEIÇOAMENTO DO JULGADO. RECURSO IMPROVIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. As razões veiculadas nestes embargos, a pretexto de sanarem suposto vício no julgado, demonstram, na verdade, o inconformismo da parte recorrente com os fundamentos adotados no decisum e a mera pretensão ao reexame da matéria, o que é impróprio na via recursal dos embargos de declaração (EDcl. No REsp. 1428903/PE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Terceira Turma, j. 17/03/2016, DJ 29/03/2016). 2. Restou devidamente consignado no decisum, a impossibilidade da aplicação dos efeitos do instituto da denúncia espontânea à obrigação tributária acessória e autônoma, mesmo com a alteração do art. 102 do Decreto-Lei 37/66 pela Lei 12.350/10, na forma da jurisprudência consolidada pelo STJ. 3. É certo que "o juiz não fica obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão" (STJ, AgRg. nos EDcl. No AREsp. 565449/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, j. 18/12/2014, DJ 03/02/2015). Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 4. Ausente qualquer omissão, é inviável o emprego dos aclaratórios com propósito de prequestionamento se o aresto embargado não ostenta qualquer das nódoas do atual art. 1.022 do CPC/15 (STJ, EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1445857/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2016, REPDJe 22/06/2016, DJe 08/06/2016). 5. Não há que se falar, portanto, na existência de vício (de contradição ou omissão) a macular a decisão vergastada, tornando imperioso concluir pela manifesta improcedência deste recurso. Sim, pois "revelam-se manifestamente incabíveis os embargos de declaração quando ausentes do aresto impugnado os vícios de obscuridade, contradição, omissão ou erro material" (EDcl no REsp 1370152/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/06/2016, DJe 29/06/2016). No âmbito do STJ, desde o tempo (ainda recente) do CPC/73, tem-se que "a pretensão de rediscussão da lide pela via dos embargos declaratórios, sem a demonstração de quaisquer dos vícios de sua norma de regência, é sabidamente inadequada, o que os torna protelatórios, a merecerem a multa prevista no artigo 538, parágrafo único, do CPC" (EDcl no AgRg no Ag 1.115.325/RS, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 4.11.2011)" (STJ, AgRg no REsp 1399551/MS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 24/11/2015, DJe 01/12/2015). No mesmo sentido: AgInt no AREsp 637.965/SC, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/06/2016, DJe 01/07/2016. 6. No caso dos autos, salta aos olhos o abuso do direito de recorrer perpetrado pela embargante, a justificar, com base no art. 1.026, § 2º, do CPC/15, a multa aqui fixada em 2% sobre o valor da causa, a ser atualizado conforme a Res. 267/CJF. Precedentes. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento aos embargos de declaração, com imposição de multa, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 19 de abril de 2018. Johonsom di Salvo - Desembargador Federal O Recorrente apresentou Recurso Especial, que não foi admitido, nos seguintes termos: DECISÃO Cuida-se de recurso especial interposto por DHL Logistics Brazil Ltda, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão proferido por órgão fracionário desta Corte. Pugna pela admissibilidade recursal para viabilizar a reforma do acórdão recorrido pela Corte Superior. Decido. Discute-se nos autos a exigibilidade da multa aplicada em virtude da transmissão extemporânea de informações acerca de carga embarcada a ser desconsolidada no Porto de Itaguaí-RJ, junto ao sistema SISCOMEX - CARGA. Inexiste ofensa ao art. 489 do NCPC, encontrando-se o acórdão suficientemente fundamentado. Destaca-se, por oportuno, que motivação contrária ao interesse da parte não significa ausência de fundamentação, conforme entendimento do Tribunal Superior. Confira-se: Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 489, § 1º, DO CPC/2015 INEXISTENTE. DECISÃO FUNDAMENTADA EM PACÍFICA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. ENTENDIMENTO CONTRÁRIO AO INTERESSE PARTE. 1. Ao contrário do que aduzem os agravantes, a decisão objurgada é clara ao consignar que a jurisprudência do STJ é remansosa no sentido de que o décimo terceiro salário (gratificação natalina) reveste-se de caráter remuneratório, o que legitima a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica, seja ela paga integralmente ou proporcionalmente. 2. O fato de o aviso prévio indenizado configurar verba reparatória não afasta o caráter remuneratório do décimo terceiro incidente sobre tal rubrica, pois são parcelas autônomas e de natureza jurídica totalmente diversas, autorizando a incidência da contribuição previdenciária sobre esta e afastando a incidência sobre aquela. Inúmeros precedentes. 3. Se os fundamentos do acórdão recorrido não se mostram suficientes ou corretos na opinião do recorrente, não quer dizer que eles não existam. Não se pode confundir ausência de motivação com fundamentação contrária aos interesses da parte, como ocorreu na espécie. Violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015 não configurada. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1584831/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/06/2016, DJe 21/06/2016) No caso vertente, o acórdão recorrido considerou legítimo o crédito discutido nos autos, pois a obrigação de prestar informações acerca de carga embarcada configura obrigação acessória, cujo cumprimento intempestivo caracteriza infração formal e, portanto, motivo suficiente para a aplicação de multa instituída legalmente. Ademais, esta Colenda Corte julgou inaplicável o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de cunho meramente formal, entendimento que se alinha à jurisprudência do Eg. Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa do excerto extraído do julgamento proferido no REsp 529.311/RS, in DJ 13/10/2003, no particular: (...) omissis 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda, sendo pertinente a imposição da multa prevista na Lei nº 8.981/95 (arts. 84, II, e 88, II). 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. Constata-se, portanto, que o v. acórdão está em consonância com a jurisprudência. Sendo assim, o recurso fica obstado nos termos da Súmula nº 83 do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual "não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida", tanto pela alegada ofensa à lei federal como pelo dissídio jurisprudencial. Ante o exposto, não admito o recurso especial. Intimem-se. São Paulo, 04 de outubro de 2018. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 IV – DA ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE Alega o Recorrente que, se o sujeito passivo desconsolidar determinado Conhecimento Eletrônico com atraso de minutos, horas, dias, semanas ou até mesmo meses, a ele se impõe idênticas penalidades, sem determinar a lei que se observe qualquer critério de individualização ou proporcionalidade da penalidade a ser imposta pela autoridade competente. Portanto, em seu entender, verifica-se não haver proporcionalidade entre as infrações supostamente praticadas e as multas impostas, não sendo também razoável que o simples atraso na desconsolidação de determinado Conhecimento Eletrônico acarrete a imposição de tão pesada multa, especialmente pelo fato de o Erário não ter sofrido qualquer prejuízo. Por fim, conclui afirmando que restam também ofendidos os princípios da capacidade contributiva e da vedação do confisco, insculpidos nos artigos 145, §1º, e 150, II e IV, ambos da Constituição Federal. Mais uma vez, não assiste razão ao Recorrente. A lavratura do Auto de Infração se deu em estrito cumprimento dos ditames legais. A atividade do Auditor-Fiscal, nos termos do art. 142 do CTN, é vinculada, não lhe cabendo avaliar se a lei é razoável ou proporcional, ou se ofende aos princípios da capacidade contributiva e da vedação do confisco, pois este juízo compete ao legislador. O que não pode é se afastar da legislação em vigor, e isso não foi evidenciado pelo Recorrente em momento algum. A boa-fé não foi escolhida pelo legislador como razão para impedir a autuação. Pelo contrário, o art. 136 do CTN expressamente determina que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Quanto à alegação de inexistência de prejuízo ao Fisco, tem-se que a multa aplicada não exige a comprovação de qualquer efetivo prejuízo, bastando, para sua aplicação, que ocorra a perfeita subsunção dos fatos à norma. Além disso, deve ser ressaltado que o prejuízo causado à sociedade não se restringe unicamente a um prejuízo financeiro, ou seja, a uma falta de recolhimento de tributos. O próprio art. 136 do CTN, acima colacionado, estabelece expressamente que “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe (...) da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Nesse sentido, os seguintes precedentes do STJ: a) Recurso Especial nº 1.846.073/SP. Relator Ministro Mauro Campbell Marques. Publicação em 08/06/2020: Cuida-se de recurso especial manejado por C.H. ROBINSON WORLDWIDE LOGISTICA DO BRASIL LTDA, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em face de acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 Região que, por unanimidade, deu provimento ao apelo da FAZENDA NACIONAL, resumido da seguinte forma: (...) 1. Cinge-se a controvérsia à legalidade de imposição de pena de multa à agravante prevista no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n.º 37/66. (...) 6. A responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. Comprovados os fatos previstos como infração à legislação tributária, não é necessário quantificar os danos ao erário ou a intenção do agente, pois os prejuízos à administração aduaneira já foram previamente ponderados pelo legislador ao prever a infração. 7. Além do caráter punitivo e repressivo no caso da ocorrência da infração, a multa também possui viés preventivo no que se refere à coerção sobre o comportamento dos participantes da cadeia de comércio exterior a fim de que prestem as informações em tempo hábil, contribuindo para o hígido e eficiente desempenho do poder de polícia estatal. Por esse motivo, o valor da multa estabelecido no patamar fixo de RS 5.000,00 (cinco mil reais) não se afigura desproporcional, tampouco possui caráter confiscatório, pois atende as finalidades da sanção. Precedentes. (...) Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015 c/c o art. 255, § 4º, II, do RISTJ, nego provimento ao recurso especial. b) Recurso Especial nº 1.676.341/SP. Relator Ministro Mauro Campbell Marques. Publicação em 28/11/2017: Trata-se de recurso especial interposto em face de acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cuja ementa assim estabelece: (...) 1. Caso em que a Alfândega do Porto de Itajaí/SC lavrou auto de infração, em 07/02/2013, contra a autora, pela conduta de "não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar" (f. 48/56). A autora, agente de cargas, deixou de prestar informações exigidas, na forma e prazo da IN RFB 800/2007, relativamente a cargas sob a sua responsabilidade. (...) 8. A previsão de prazo para prestação de tais informações não exige, para a aplicação da multa, depois de constatado o descumprimento da obrigação, a prova de dano específico, mas apenas da prática da conduta formal lesiva às normas de fiscalização e controle aduaneiro, não violando a segurança jurídica a conduta administrativa de aplicar a multa prevista na legislação, ao contrário do que ocorreria se, diante da prova da infração, a multa fosse dispensada por voluntarismo da Administração. 9. Também não cabe cogitar de individualização do valor da multa, em observância à proporcionalidade ou razoabilidade, pois o artigo 107, IV, e, do DL 37/1966, com a redação da Lei 10.833/2003, estabelece a previsão de valor fixo para a infração, valendo lembrar que foram praticadas, pela autora, duas infrações sob a vigência da norma que não exigia antecedência mínima de 48 horas, mas qualquer Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 antecedência, até de minutos, à chegada da embarcação e, ainda assim, verificou-se descumprimento por dias, desde que atracado o navio, a indicar que não tem pertinência discutir falta de proporção e razoabilidade, tampouco à luz do argumento de que não seria sancionável a omissão plena de informações, mas apenas o atraso, conclusão esta que não decorre da legislação. (...) É o relatório. Passo a decidir. (...) A previsão de prazo para prestação de tais informações não exige, para a aplicação da multa, depois de constatado o descumprimento da obrigação, a prova de dano específico, mas apenas da prática da conduta formal lesiva às normas de fiscalização e controle aduaneiro, não violando a segurança jurídica a conduta administrativa de aplicar a multa prevista na legislação, ao contrário do que ocorreria se, diante da prova da infração, a multa fosse dispensada por voluntarismo da Administração. (...) Ante o exposto, com fundamento no artigo 932, III e IV, do CPC/2015 c/c o art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento. Além disso, as alegações de ofensa a princípios constitucionais não pode ser conhecida por este Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por não conhecer das alegações de ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva e vedação ao confisco e, no mérito, negar provimento a este pedido. VI - DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por não conhecer das alegações de ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva e vedação ao confisco e, no mérito, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3402-009.737 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720739/2014-25 Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10882.721984/2017-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
EMBARGOS INOMINADOS. CONHECIMENTO. LAPSO MANIFESTO. PROCEDÊNCIA. DECISÃO EMBARGADA. SANEAMENTO. INTEGRAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. PRESENTES.
Para saneamento dos vícios verificados no acórdão, os embargos inominados devem ser conhecidos e integrados à decisão embargada.
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL OU INEXATIDÃO MATERIAL DEVIDA A LAPSO MANIFESTO.
Erro material ou inexatidão material devida a lapso manifesto passível de correção via embargos de declaração consiste na incorreção do modo de expressão do conteúdo, como são o exemplo mais comum os erros de grafia. O erro material não se confunde com error in judicando e os EDcl não se prestam à sua correção.
COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. PRECLUSÃO.
Operada a definitividade da decisão colegiada, ocorre a preclusão administrativa que toma o ato irretratável perante a própria administração para a estabilidade das relações entre as partes.
Numero da decisão: 2402-010.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer dos embargos inominados, sendo vencidos os Conselheiros Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini (relatora) e Ana Claudia Borges de Oliveira, que não conheceram dos embargos inominados, e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, rejeitar os embargos, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibipaino Luz, Diogo Cristian Denny e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Ibiapino Luz.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini Relator
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregorio Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Marcio Augusto Sekeff Sallem, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
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CONHECIMENTO. LAPSO MANIFESTO. PROCEDÊNCIA. DECISÃO EMBARGADA. SANEAMENTO. INTEGRAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. PRESENTES. Para saneamento dos vícios verificados no acórdão, os embargos inominados devem ser conhecidos e integrados à decisão embargada. EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL OU INEXATIDÃO MATERIAL DEVIDA A LAPSO MANIFESTO. Erro material ou inexatidão material devida a lapso manifesto passível de correção via embargos de declaração “consiste na incorreção do modo de expressão do conteúdo”, como são o exemplo mais comum os erros de grafia. O erro material não se confunde com “error in judicando” e os EDcl não se prestam à sua correção. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. PRECLUSÃO. Operada a definitividade da decisão colegiada, ocorre a preclusão administrativa que toma o ato irretratável perante a própria administração para a estabilidade das relações entre as partes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer dos embargos inominados, sendo vencidos os Conselheiros Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini (relatora) e Ana Claudia Borges de Oliveira, que não conheceram dos embargos inominados, e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, rejeitar os embargos, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibipaino Luz, Diogo Cristian Denny e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Ibiapino Luz. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 19 84 /2 01 7- 98 Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.616 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721984/2017-98 (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini – Relator (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregorio Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Marcio Augusto Sekeff Sallem, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Diogo Cristian Denny. Relatório Trata-se de despacho apresentado pela Unidade da Administração Tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão proferido pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção deste Conselho. Cientificados o contribuinte e a Fazenda Nacional dessa decisão conforme determina o art. 63, §3º do Anexo II do RICARF (fls. 339 e 334, respectivamente), os autos foram encaminhados ao setor competente para a realização dos cálculos necessários à execução do julgado (fls. 346/350), tendo, então, aos 31/08/2020, sido proferido Despacho de Encaminhamento com o seguinte teor, anexado a fls. 351: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO A decisão do CARF exonera da autuação verbas de vale transporte pago aos funcionários em dinheiro, as quais não foram objeto de autuação. Restituo para providências. Na sequência, foi proferido, então, aos 03/09/2020, o despacho de encaminhamento de fls. 352, retornando os autos do presente processo a este tribunal para análise, conforme abaixo: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tendo em vista o Despacho de fls.351, retorno o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para análise. Esse último despacho foi aqui recebido como embargos inominados, nos termos do art. 65, § 1º, V, c.c. art. 66, ambos do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/15. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. Conforme relatado, trata-se de despacho de encaminhamento por meio do qual procedeu-se à devolução dos autos deste processo a este Conselho para análise, que se Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.616 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721984/2017-98 encontrava na Delegacia de Origem para execução de julgado embargado (qual seja o acórdão nº 2402007.311), proferido por este colegiado no julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte nestes autos. Em breve síntese, tratam os autos de auto de infração para a constituição de crédito tributário de contribuição a seguridade social, parte patronal, inclusive o adicional GIILRAT, relativa ao período de apuração 01/01/2013 a 31/12/2013, decorrente da exclusão, pelo contribuinte, da base de cálculo dessa contribuição de diversas rubricas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente e o recurso voluntário interposto contra essa decisão, em julgamento realizado neste tribunal aos 04 de junho de 2019, por decisão unânime deste colegiado, foi conhecido em parte para, “na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, excluindo-se do lançamento os valores referentes ao vale-transporte” (fls. 323). A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional deu-se por ciente dessa decisão regularmente aos 28/06/2019 (fls. 334), e o contribuinte foi dela cientificado aos 13/07/19 (fls. 339). Transcorrido “in albis” o prazo para interposição de recurso contra essa decisão por qualquer das partes, os autos foram encaminhados para a realização de cálculo para execução do julgado. Ocorre que quando da realização desse mister, o servidor responsável deu-se conta de que os valores exonerados pela decisão exequenda não houveram sido objeto de autuação. Em razão disso, foi proferido o Despacho de encaminhamento de fls. 352, devolvendo os autos do processo a este conselho para análise. Esse despacho foi recebido como embargos inominados contra o Acórdão n° 2402-007.311, proferido por este colegiado no julgamento do recurso voluntário do contribuinte, nos termos do art. 65, § 1º, V c.c. art. 66, do Anexo II do RICARF, e admitidos sob o seguinte fundamento: ...compulsando aos autos, nota-se, de fato, que o acordão exonerou verba que não foi objeto de atuação, e que o provimento parcial foi dado exclusivamente por razão dessas verbas. Assim, ao confrontar o Voto do acordão embargado com o Termo de Verificação Fiscal e o seu anexo de fl. 102, evidente está que, ao proferir seu voto, o Conselheiro Relator incorreu em lapso manifesto ao exonerar infração que não foi objeto de autuação. Senão vejamos (...) O fato configura inexatidão material devida a lapso manifesto, devendo a alegação ser recebida como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, nos termos do art. 66, caput, Anexo II, do RICARF: Pois bem. O recurso de Embargos de Declaração é disciplinado pelo Regimento Interno deste Conselho no Capítulo VI da Seção I do Título II do seu Anexo II, que trata especificamente Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.616 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721984/2017-98 “Dos Embargos de Declaração”, e contém os seguintes dispositivos (reproduzido o art. 65 apenas em parte, no que é relevante para o deslinde deste feito): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I - por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II - pelo contribuinte, responsável ou preposto; III - pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV - pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de decisões da delegacia da qual é titular; (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; ou (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) (...). Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, dar-se-á ciência ao requerente. Esse recurso também tem previsão no Código de Processo Civil, nos arts. 1022 e 1023, que dispõem: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III - corrigir erro material. Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que: I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento; II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1º. Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. (...). Nesse sentido, sobre o que seja erro material passível de correção via embargos de declaração (ou, como preferiu o art. 66 do RICARF, “inexatidão material devida a lapso manifesto”), ensinam Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, erro material “consiste Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.616 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721984/2017-98 na incorreção do modo de expressão do conteúdo. Os erros de grafia são o exemplo mais comum....”. 1 Por sua vez, na obra Omissão Judicial e Embargos de Declaração, Tereza Arruda Alvim Wambier, citando julgado em que o 2º TACivSP acolheu lição de Salvatore Satta, ensina que “erros materiais são ‘toda divergência ocasional entre a ideia e sua representação, objetivamente reconhecível, que demonstre não traduzir o pensamento ou a vontade do prolator’”. 2 Não é o que se verifica no presente caso. Com efeito, compulsando os autos, constata-se que, de fato, laborou em erro o colegiado ao proferir o acórdão embargado, mas do próprio trecho de seu voto condutor reproduzido nos embargos, resta claro que aquela decisão foi proferida pelo seu prolator de acordo com a sua representação dos fatos e o seu entendimento naquele momento. Anoto, novamente, que esse entendimento foi acompanhado por todos os integrantes do colegiado no momento do julgamento, inclusive pelo ora embargante. É dizer, não se trata, no caso, de erro material, mas sim de “error in judicando”, ou seja, de erro de julgamento, que não é hipótese de cabimento de embargos e, portanto, não pode ser corrigido pela oposição desse recurso. Nesse sentido, é o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Error in iudicando. Os EDcl têm pressupostos certos no CPC/1973 535 [CPC1022], não se prestando para corrigir error in iudicando. Só se admite a interposição do recurso de EDcl quando o erro cometido pela decisão embargada for no procedimento, quer dizer, erro na aplicação de norma de processo ou procedimento (error in procedendo). Quando o erro for de julgamento, ou seja, de aplicação incorreta do direito à espécie, não cabem os EDcl (STF, 2.ª T., EDclROMS 22835-4, rel. Min. Carlos Velloso, v.u., j. 15.9.1998, DJU 23.10.1998, p. 8). 3 Tratando-se de “error in judicando” ocorrido em sede de julgamento de recurso voluntário que resultou em decisão parcialmente desfavorável à União Federal, somente poderia ser impugnado no momento oportuno pela parte interessada e mediante a interposição tempestiva de recurso cabível, ou seja, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mediante a interposição de Recurso Especial, se presentes, no caso concreto, os seus pressupostos de admissibilidade. No entanto, como já esclarecido, a União Federal, por meio da Procuradoria da Fazenda Nacional, deu-se por ciente do acórdão embargado aos 28/06/2019 (fls. 334), e não interpôs nenhum recurso contra essa decisão, que, nos termos do art. 42, II do Decreto nº 70235/72, tornou-se definitiva. Com efeito, dispõe do art. 42 do Decreto nº 70235/72, localizado em sua Seção IX, que trata Da Eficácia e Execução das Decisões, que: Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; 1 NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - NOVO CPC - Lei nº 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, p. 2123. 2 p. 96 3 NERY, op. cit., p. 2127. Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.616 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721984/2017-98 II - de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III - de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. (Destaquei) Está-se diante do que se chama impropriamente de “coisa julgada administrativa”, que “pode ser definida como a imutabilidade, para a administração pública, do comando da decisão proferida no âmbito de um processo administrativo contra o qual não caibam mais recursos”. 4 (Destaquei) Na lição de Hely Lopes Meirelles, “o que ocorre nas decisões administrativas finais é, apenas, preclusão administrativa, ou a irretratabilidade do ato perante a própria administração. É sua imodificabilidade na via administrativa, para estabilidade da relação entre as partes”. 5 (Destaquei) Assim, ainda que tenha havido erro de julgamento, fato inquestionável é que nos termos do art. 42, II do Decreto nº 70235/72, essa situação jurídica se consolidou e se tornou estável e imutável para a administração no âmbito deste processo administrativo fiscal por não ter sido interposto o recurso eventualmente cabível tempestivamente pela parte interessada. Essa situação não pode ser corrigida pela via transversa, e indiscriminadamente utilizada, lamentavelmente, da oposição dos presentes “embargos inominados”, que, como demonstrado, não são cabíveis para a correão de erros de julgamento, especialmente em casos de decisão administrativa definitiva. Pelo exposto, os presentes embargos não podem ser conhecidos. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer dos embargos inominados. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini 4 ROCHA, Sérgio André. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE ADMINISTRATIVO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. São Paulo: Almedina Brasil, 2018, p. 262. 5 DIREITO ADMINISTRATIVO BRASILEIRO, 1998, p. 557, apud ROCHA, Sérgio André. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE ADMINISTRATIVO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. São Paulo: Almedina Brasil, 2018, p. 263. Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.616 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721984/2017-98 Voto Vencedor Conselheiro Francisco Ibiapino Luz – Redator Designado Contrariamente ao bem articulado entendimento da i. Relatora - Conselheira de notória cultura tributária, por quem tenho estima - com todas as vênias que possam me conceder os nobres julgadores que não conheceram dos embargos inominados, na hipótese vertente, vislumbro conclusão diversa. Nessa perspectiva, transcrevo excertos do voto vencido no conhecimento, que muito bem contextualizam a situação posta, nestes termos: Em breve síntese, tratam os autos de auto de infração para a constituição de crédito tributário de contribuição a seguridade social, parte patronal, inclusive o adicional GIILRAT, relativa ao período de apuração 01/01/2013 a 31/12/2013, decorrente da exclusão, pelo contribuinte, da base de cálculo dessa contribuição de diversas rubricas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente e o recurso voluntário interposto contra essa decisão, em julgamento realizado neste tribunal aos 04 de junho de 2019, por decisão unânime deste colegiado, foi conhecido em parte para, “na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, excluindo-se do lançamento os valores referentes ao vale-transporte” (fls. 323). [...] Ocorre que quando da realização desse mister, o servidor responsável deu-se conta de que os valores exonerados pela decisão exequenda não houveram sido objeto de autuação. [...] Esse despacho foi recebido como embargos inominados contra o Acórdão n° 2402- 007.311, proferido por este colegiado no julgamento do recurso voluntário do contribuinte, nos termos do art. 65, § 1º, V c.c. art. 66, do Anexo II do RICARF, e admitidos sob o seguinte fundamento: ...compulsando aos autos, nota-se, de fato, que o acordão exonerou verba que não foi objeto de atuação, e que o provimento parcial foi dado exclusivamente por razão dessas verbas. Assim, ao confrontar o Voto do acordão embargado com o Termo de Verificação Fiscal e o seu anexo de fl. 102, evidente está que, ao proferir seu voto, o Conselheiro Relator incorreu em lapso manifesto ao exonerar infração que não foi objeto de autuação. Senão vejamos (...) O fato configura inexatidão material devida a lapso manifesto, devendo a alegação ser recebida como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, nos termos do art. 66, caput, Anexo II, do RICARF: [...] O recurso de Embargos de Declaração é disciplinado pelo Regimento Interno deste Conselho no Capítulo VI da Seção I do Título II do seu Anexo II, que trata especificamente “Dos Embargos de Declaração”, e contém os seguintes dispositivos (reproduzido o art. 65 apenas em parte, no que é relevante para o deslinde deste feito): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.616 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721984/2017-98 §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I - por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II - pelo contribuinte, responsável ou preposto; III - pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV - pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de decisões da delegacia da qual é titular; (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; ou (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) (...).Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, dar-se-á ciência ao requerente. [...] É dizer, não se trata, no caso, de erro material, mas sim de “error in judicando”, ou seja, de erro de julgamento, que não é hipótese de cabimento de embargos e, portanto, não pode ser corrigido pela oposição desse recurso. Nesse sentido, é o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Error in iudicando. Os EDcl têm pressupostos certos no CPC/1973 535 [CPC1022], não se prestando para corrigir error in iudicando. Só se admite a interposição do recurso de EDcl quando o erro cometido pela decisão embargada for no procedimento, quer dizer, erro na aplicação de norma de processo ou procedimento (error in procedendo). Quando o erro for de julgamento, ou seja, de aplicação incorreta do direito à espécie, não cabem os EDcl (STF, 2.ª T., EDclROMS 22835-4, rel. Min. Carlos Velloso, v.u., j. 15.9.1998, DJU 23.10.1998, p. 8). Tratando-se de “error in judicando” ocorrido em sede de julgamento de recurso voluntário que resultou em decisão parcialmente desfavorável à União Federal, somente poderia ser impugnado no momento oportuno pela parte interessada e mediante a interposição tempestiva de recurso cabível, ou seja, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mediante a interposição de Recurso Especial, se presentes, no caso concreto, os seus pressupostos de admissibilidade. (Destaques no original) Como se vê, a decisão embargada exonerou crédito tributário decorrente de base de cálculo inexistente na reportada autuação, razão por que a unidade preparador da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil opôs manifestados embargos inominados. Contudo, a ilustre relatora dele não conheceu por entender estar caracterizado “erro de julgamento”, e não “erro material”, ficando inviabilizada a adoção do reportado “remédio jurídico”. A propósito, vale transcrever os seguintes trechos do Despacho de Admissibilidade (Processo digital, fl. 357): Fl. 366DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.616 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721984/2017-98 Já o Voto do acórdão embargado restou assim consignado (fls. 330 a 332): 3 Vale transporte A pretensão da recorrente está amparada na Súmula CARF 89, segundo a qual não incide contribuição previdenciária sobre o vale-transporte, mesmo que pago em dinheiro. Veja-se: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. Contrapondo o exposto por meio do voto vencido no conhecimento, aproveito-me da jurisprudência do STF que a própria relatora trouxe aos autos, para inferir que o caso em apreço não se trata “de aplicação incorreta do direito à espécie”, mas tão somente de “erro de procedimento”. Afinal, o “direito” foi aplicado corretamente, embora sob procedimento deficiente - porque ausente a “espécie” vale-transporte -, eis que dito Enunciado é de cumprimento obrigatório pelos conselheiros. Conclusão Ante o exposto, para saneamento dos vícios verificados no acórdão, os embargos inominados devem ser conhecidos e integrados à decisão embargada. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 367DF CARF MF Documento nato-digital
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