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Numero do processo: 11080.905159/2009-32
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS
CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO.
O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.161
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Rangel Perrucci Fiorin, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Daniel Maurício Fedato. O Dr. Camilo de Oliveira Leipnitz – OAB/RS no 58.392 – fez sustentação oral. Relatório Centro Clínico Canoas Ltda. transmitiu, em 23/06/2005, o Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação PER/DCOMP no 34937.46083.230605.1.3.042053, visando a restituirse de indébito ocasionado pelo pagamento de no 1066725591 e a declarar a compensação do direito creditório daí emergente com débitos de PISdo período de apuração de fev/2001. O Despacho Decisório no 825065724, fl. 1, não homologou a compensação porque o referido pagamento foi parcialmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados no PER/Dcomp para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, fls. 2 a 6, por meio da qual o requerente alega que: a) o direito creditório está relacionado com o efetivo pagamento do tributo. Pagamento este comprovado a partir da guia DARF devidamente autenticada pela instituição que recebeu o pagamento; b) o documento legitimador do crédito é a respectiva DARF e não a DCTF e/ou DIPJ; c) o pagamento indevido decorreu de equívoco constatado na apuração do valor devido a título de PIS, período de apuração: fev/2001, que não corresponde ao valor constante da DARF de pagamento. Logo, apenas a instituição fazendária é capaz de autorizar o contribuinte a retificar a DCTF, com isso, restará explícito o direito creditório que a empresa possui. A DRJ/POA2ª Turma julgou a reclamação improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. O Acórdão no 1024.078, de 19 de fevereiro de 2010, fls. 29 e 30, teve emente vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.905159/200932 Acórdão n.º 380301.161 S3TE03 Fl. 64 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/POA2a Turma. O arrazoado de fls. 35 a 46, em sede de preliminar, argui a nulidade da decisão recorrida, que teria alterado a fundamentação do indeferimento de seu pleito, em violação aos arts. 2° e 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. No mérito, sinteticamente, pede reforma, alegando que: a) a instituição fazendária tem o dever de intimar a recorrente para apresentar os documentos contábeis e fiscais para comprovar o erro ocasionado no preenchimento da DCTF, sob pena de incorrer em manifesta ilegalidade; b) conforme entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, a cópia autenticada do DARF é suficiente para comprovação do recolhimento indevido de tributo; c) o pagamento indevido decorreu do equívoco decorrente da apuração do valor devido a título de PIS, na competência de fev/2001; d) apenas a fiscalização tem o poder de autorizar que a empresa retifique a DCTF, motivo pelo qual a recorrente reitera seus argumentos para que seja possível sanar o erro cometido. Conclui, pedindo anulação do acórdão ora recorrido e, alternativa e sucessivamente, sua reforma para homologar o pedido de compensação formulado, haja vista a existência do DARF legitimador do direito creditório. Requer, por derradeiro, sejam, todas as intimações e comunicações do presente procedimento administrativo, inclusive para fins de sustentação oral, realizadas sempre em nome dos procuradores signatários. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 29 e 30 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1024.078, de 19 de fevereiro de 2010. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Preliminar de nulidade da decisão recorrida O recorrente infirma a decisão de piso sob o argumento de que apresentou novo fundamento para o indeferimento do pleito, em infração ao art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. O argumento recursal é o de que, enquanto o Despacho Decisório no 825065724 considerou que não haveria direito creditório para realizar a compensação, porque o valor do DARF teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte, a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a ora recorrente deveria comprovar, por meio de documentos contábeis e fiscais que houve erro no preenchimento da DCTF. A argüição de nulidade não prosperará simplesmente porque inexistiu a alegada inovação. Com efeito, o fundamento fático para o indeferimento do pleito de restituição e para a nãohomologação da compensação declarada foi a integral utilização do pagamento no 1066725591 na extinção de débitos do próprio contribuinte. Tratandose de julgamento de reclamação formulada pelo requerente, fundada na alegação de erro no preenchimento da Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, a decisão recorrida julgoua improcedente porquanto inexistia, nos autos, qualquer prova do erro alegado. Não se trata pois de novo fundamento para o indeferimento do pleito, visàvis o motivo original, mas, tãosomente, de refutação expressa de argumento brandido na reclamação. Rejeito a preliminar. Mérito – A comprovação do indébito O recorrente está prenhe de razão: constatando que houve equívoco na apuração da base de cálculo de um tributo ou contribuição, o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. É o que assegura o inc. I do art. 165 do CTN, transcrito em rodapé pelo recorrente, mas merecedor de maior destaque por caudalosa jurisprudência judicial, e.g.: “Ementa: .... I. Demonstrado o pagamento indevido de tributo, em razão de erro– depósito judicial feito por equívoco, mas convertido em renda da União – impõese a restituição (art. 165, II, do CTN). ....” (TRF1ª Região. AC 2000.01.00.0958800/MA. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 29/10/02. DJ de 13/12/02, p. 47.) “Ementa: .... É clara a autorização normativa à restituição de tributo recolhido indevidamente (art. 165, I, CTN). ....” (TRF2ª Região. AC 1999.02.01.0351647/RJ. Rel.: Des. Federal Ricardo Regueira. 1ª Turma. Decisão: 06/11/00. DJ de 07/12/00.) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.905159/200932 Acórdão n.º 380301.161 S3TE03 Fl. 65 5 “Ementa: .... III. A restituição do tributo recolhido indevidamente encontra arrimo no art. 165, I, do CTN. ....” (TRF5ª Região. AC 2002.05.00.0177105/PE. Rel.: Des. Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria. Decisão: 17/12/02. DJ de 16/04/03, p. 407.) Tenho certeza, o relator da decisão recorrida jamais pretendeu oporse a esse direito. O recorrente, no entanto, articula argumento falacioso, ao pugnar por seu direito à restituição, bradando que o mesmo “.., consoante dispõe o art. 165, inc. I do CTN decorre da ‘cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ...", e não dos valores declarados pelo contribuinte em DIPJ, DCTF...”. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp nº 34937.46083.230605.1.3.042053 comprova um recolhimento, de outro, como bem destacou a decisão recorrida, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento nº 1066725591 seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 1999, que o recorrente demonstrou bem conhecer. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), já referido pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 6 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Ao contrário, em face da legislação tributária aplicável, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento nº 1066725591 não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp nº 34937.46083.230605.1.3.042053 lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.905159/200932 Acórdão n.º 380301.161 S3TE03 Fl. 66 7 espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. O recorrente, contudo, não se dignou a fazêlo, talvez esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Ou, quem sabe, contasse o requerente justamente com a usual dilação temporal do processo administrativo com o propósito de fazer adiar ao máximo o cumprimento da obrigação tributária confessada, como permite supor a sua insistência nos requerimentos de suspensão da exigibilidade do débito oposto na compensação do hipotético direito creditório, aventura jurídica corriqueira depois da edição da Medida Provisória no 66, de 2002. Seja como for, tranqüilizese o contribuinte. Caso realmente disponha do direito creditório alegado, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, tem cinco anos, contados da data do pagamento indevido – desde que devidamente comprovada essa circunstância – para buscar seu direito. Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 2 de fevereiro de 2011 Alexandre Kern 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11080905159200932 Interessada: CENTRO CLÍNICO GAÚCHO LTDA. Encaminhemse, de ordem, os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.161, de 2 de fevereiro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 2 de fevereiro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10611.720563/2013-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/03/2013
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE
De acordo com a Súmula CARF nº 11, Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não deve ser conhecido o pedido de relevação de penalidade, prevista no art. 736 do Decreto nº6.759/09, uma vez que é de competência exclusiva do Ministro da Fazenda.
CONVERSÃO DA MULTA EM ADVERTÊNCIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para a conversão em advertência da multa prevista na alínea c do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66.
Numero da decisão: 3001-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecido o pedido de relevação da penalidade, e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar, que pedia o cancelamento do auto de infração, em razão da ocorrência da prescrição intercorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques dOliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e João Jose Schini Norbiato.
Nome do relator: Marcelo Costa Marques d'Oliveira
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/03/2013 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE De acordo com a Súmula CARF nº 11, Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o pedido de relevação de penalidade, prevista no art. 736 do Decreto nº6.759/09, uma vez que é de competência exclusiva do Ministro da Fazenda. CONVERSÃO DA MULTA EM ADVERTÊNCIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para a conversão em advertência da multa prevista na alínea c do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66.
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NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o pedido de relevação de penalidade, prevista no art. 736 do Decreto nº6.759/09, uma vez que é de competência exclusiva do Ministro da Fazenda. CONVERSÃO DA MULTA EM ADVERTÊNCIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para a conversão em advertência da multa prevista na alínea “c” do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecido o pedido de relevação da penalidade, e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar, que pedia o cancelamento do auto de infração, em razão da ocorrência da prescrição intercorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e João Jose Schini Norbiato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 05 63 /2 01 3- 14 Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.171 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.720563/2013-14 Adoto o relatório da decisão de primeira instância: “O presente processo versa sobre aplicação de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c", do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº10.833 de 29 de dezembro de 2003, pelo descumprimento, por parte da autuada, da obrigação de informar à autoridade aduaneira a chegada de voo procedente do exterior, o que dificultou ou mesmo impediu ação de fiscalização aduaneira. Segundo consta na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais do Auto de Infração: 1) O voo GOL CH 9290, procedente de Montevidéu – Uruguai pousou no Aeroporto Internacional Tancredo Neves – Confins (MG) às 9h21 do dia 30 de março de 2013, trazendo a bordo apenas sua tripulação. 2) A chegada do referido voo não foi informada pela empresa que administra o Aeroporto Internacional Tancredo Neves – Confins (MG) à fiscalização aduaneira jurisdicionante, seja por via telefônica, eletrônica, pessoal ou por qualquer outro meio. 3) A obrigatoriedade de comunicação à RFB, por responsável pelo aeroporto, da chegada/pouso de aeronave não engajada em serviço aéreo regular, caso do voo da GOL CH 9290, encontra-se prevista no art. 59, parágrafo único, do Decreto nº 6.759 de 5 de fevereiro de 2009. 4) Os servidores da RFB responsáveis pela fiscalização de pátio de aeronaves e de passageiros/tripulação somente tomaram conhecimento da chegada do referido voo, ao serem informados pelo Sr. Elton Cassemiro, prestador de serviços terceirizado da RFB, que havia visualizado, pelo monitor de imagens, uma movimentação de pessoas sob acompanhamento de funcionário da GOL, na sala de desembarque internacional. 5) Cientes do fato, os auditores-fiscais da RFB entraram em contato, via telefone, com o Centro de Operações Aeroportuárias (COA) da Infraero, a quem cabia informar as chegadas de voos à RFB. 6) Tendo o representante do COA–Infraero informado à fiscalização aduaneira que fora comunicado pela GOL sobre a chegada do referido voo, e que o COA– Infraero não comunicou tal fato à RFB, pois caberia a GOL fazê-lo. Após o contato com a Infraero, os auditores-fiscais entraram em contato com a GOL, tendo sido informados pela empresa aérea que a chegada do referido voo foi comunicada ao COA– Infraero a quem caberia informar à RFB sobre o voo. 8) Na mesma data da chegada do voo, foi lavrado o Termo de Circunstaciamento nº 2013.03.30-001, para descrever a ocorrência e fazer constar que a ausência de comunicação do voo impossibilitou a vistoria da aeronave e prejudicou seriamente a fiscalização dos pertences trazidos pela tripulação. 9) Em 05/04/2013, com base no Termo de Circunstaciamento nº 2013.03.30- 001, foi lavrado o Termo de Ocorrência IRF/BHE/SAVIG Nº 1304.0501, do qual a Infraero teve ciência em 09/04/2013. 10) A ausência da comunicação da chegada do voo, por parte do operador aeroportuário, descumprindo o disposto no art. 59, parágrafo único, do Decreto nº6.759 de 2009, causou prejuízos irreparáveis ao controle aduaneiro e à fiscalização do voo GOL CH 9290, sujeitando o infrator à aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decreto-Lei nº 37 de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº10.833 de 2003. Da Impugnação Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.171 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.720563/2013-14 Em 17/06/2013, foi apresentada a impugnação de fls. 14/26, onde a impugnante manifesta discordância quanto ao lançamento nos seguintes termos: 1) A Infraero, empresa pública federal administradora do Aeroporto Internacional Tancredo Neves em Confins (MG), foi notificada de Auto de Infração para aplicação de multa de R$ 5.000,00, por ter deixado de comunicar à autoridade aduaneira jurisdicionante à chegada do voo internacional GOL CH 9290, na data de 30/03/2013. 2) Em casos de voos internacionais charters e fretamentos, ou para nacionalização deve haver uma coordenação formal entre a companhia aérea e o COA-Infraero, cabendo a este adotar as providências necessárias à operação do voo (posição de alocação da aeronave, da esteira de bagagem, deslocamento da aeronave), incluindo a comunicação do pouso da aeronave à RFB, conforme disposto no art. 59, parágrafo único, do Decreto nº6.759 de 2009. 3) No caso do voo charter GOL CH 9290, houve descumprimento de norma da Agência Nacional de Aviação Civil IAC nº1.224 de 2000, já que a GOL não coordenou o voo com o COA–Infraero. 4) O COA-Infraero somente veio a tomar conhecimento da operação, por volta da 9h17 do dia 30/03/2013, pelo sistema TATIC, que é utilizado pela torre de controle para lançar o plano de voo, bem como pelo sistema de rádio da torre de controle, quando a aeronave já estava na aproximação para o pouso. Em consulta ao Sistema de Movimentação de Aeronaves no Pátio – SMAP, foi verificado o registro das seguintes operações relativas ao voo: - 9h18: aterrissagem da aeronave; - 9h21: estacionamento da aeronave na posição R18 do pátio principal de SBCF. 5) Assim que teve conhecimento da operação, o encarregado de plantão do COA-Infraero entrou em contato, via telefone, com a GOL, aproximadamente às 9h18, para obter detalhes sobre os trâmites da operação, inclusive para prestar a informação à RF13. Na ocasião, o representante da GOL foi questionado quanto ao fato da não coordenação do voo com o COA-Infraero, bem como foi alertado sobre a obrigatoriedade da empresa aérea informar previamente à RF13 sobre a operação de voo internacional, por conta do disposto no art. 56, do Decreto nº6.759 de 2009. 6) Logo após o encerramento da ligação com a GOL, o encarregado do COA- Infraero, antes que lhe fosse possível adotar qualquer providência, recebeu uma ligação, aproximadamente às 9h20, do Auditor-fiscal da RF13 Paulo Roberto que lhe questionou a respeito do referido voo. 7) Foi quando o encarregado de plantão do COA–Infraero comunicou ao auditor-fiscal da RF13 que acabara de ter conhecimento a respeito da previsão de pouso da citada aeronave para as 9h18 e que inclusive a aeronave já se encontrava em solo. 8) Resta claro, portanto, que o COA-Infraero não havia comunicado previamente à RF13 a chegada do referido voo por desconhecimento do fato, não tendo a Infraero incorrido em omissão. 9) De acordo com a legislação, a administração aeroportuária deve comunicar a operação à RF13, imediatamente após a aterrissagem da aeronave e não previamente. Entre a aterrissagem da aeronave e o momento previsto para que o COA-Infraero comunicasse a chegada do voo à RF13, houve o contato telefônico de iniciativa do Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.171 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.720563/2013-14 auditor-fiscal, tendo naquele momento sido a ele informado que a aeronave havia aterrissado. 10) Os prejuízos à fiscalização aduaneira sobre o referido voo devem ser atribuídos à empresa aérea GOL, já que ela descumpriu o disposto no IAC nº1224, de 30 de abril de 2000. 11) Por conta do descumprimento ao que determina o IAC nº1224, a GOL foi notificada pela Infraero para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido, no entanto até a data de apresentação desta impugnação a GOL não apresentou resposta. 12) É obrigação da companhia aérea informar previamente à RF13, sobre o tipo de operação a ser executada e sobre a chegada de voos internacionais, conforme previsto no art. 56 do Decreto nº6.759 de 2009. Art.56. Os agentes ou os representantes de empresas de transporte aéreo deverão informar à autoridade aduaneira dos aeroportos, com a antecedência mínima estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os horários previstos para a chegada de aeronaves procedentes do exterior. 13) A companhia aérea GOL foi duplamente omissa ao não cumprir com suas obrigações de coordenação com o COA-Infraero, bem como por não informar à RF13 sobre a previsão de chegada do voo. Caso a GOL tivesse cumprido com suas obrigações legais e administrativas, não haveria a suspeita de cometimento pela Infraero de embaraço à fiscalização aduaneira. 14) A Infraero não agiu com dolo, nem mesmo com culpa, pois era impossível saber a respeito da programação do voo sem HOTRAN aprovado ou pedido formal ao aeroporto, conforme disposto na IAC 1224. Logo, era inexigível conduta diversa da que fora adotada pela Infraero, uma vez que agiu conforme os fatos se apresentaram. 15) Com base no que dispõe o art. 95 do Decreto-Lei nº 37 de 1966 a responsabilidade pela infração deveria recair sobre a GOL, já que sua conduta omissiva foi determinante para a ausência da informação da chegada do voo. 16) Considerando que houve um lapso de apenas três minutos entre a aproximação do pouso e o aviso à RFB, o que diminuiu a possibilidade de a fiscalização ser seriamente prejudicada, há a possibilidade de relevação da penalidade, conforme previsto no art. 736 do Decreto nº6.759 de 2009. 17) Caso não seja acatado o pedido de relevação da penalidade, solicita-se, pelo Princípio da Eventualidade, a conversão da penalidade de multa em pena de advertência nos termos do art. 735, inciso I, alínea “e”, do Decreto nº 6.759 de 2009. 18) Dos pedidos: Por todo o exposto, a autuada requer a V. Sa. inicialmente a relevação da aplicação da pena no Processo Administrativo citado, a fim de que seja retirada a penalidade imposta. Na eventualidade de ser mantida a penalidade, a autuada requer seja convertida a pena de multa em pena de advertência. Por fim, requer sejam endereçadas todas as intimações futuras à Superintendência do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, situada no município de Confins, Minas Gerais, CEP 33.500-900, Caixa Postal 10022. É o que importava relatar.” A DRJ julgou a impugnação improcedente. O Acórdão não foi ementado. Em síntese, o procedimento fiscal foi ratificado, em razão do seguinte: Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.171 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.720563/2013-14 a) de acordo com o art. 736 do Decreto nº 6.759/09 – Regulamento Aduaneiro / RA, relevar penalidades compete ao Ministro da Fazenda; b) as alegações de que a empresa aérea descumpriu normas da ANAC e da legislação aduaneira não têm o condão de afastar sua responsabilidade pela prestação de informações; c) a conversão da penalidade em advertência não tem previsão legal; e d) a boa-fé alegada não afasta a exigência da multa, nos termos do § 2º do art. 94 do DL nº 37/66. O contribuinte interpôs recurso voluntário. Em sede de preliminar, pede o cancelamento do auto de infração, pela ocorrência da prescrição intercorrente. No mérito, descreve os fatos e, tal o fez na impugnação, atribui à empresa de transporte aéreo a responsabilidade pelo atraso na prestação da informação sobre a chegada do voo. E consigna que reitera os demais argumentos incluídos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de auto de infração para cobrança da multa da alínea “c” do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66, pelo descumprimento da obrigação de informar à autoridade aduaneira a chegada de voo procedente do exterior, prevista no art. 59 do Decreto nº 6.759/09 – Regulamento Aduaneiro / RA. Em sede de preliminar, informa que o procedimento administrativo ficou paralisado por mais de sete anos, pelo que deve ser cancelado o auto de infração, em razão da ocorrência da prescrição intercorrente, prevista no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99. Afasto o argumento, pois, de acordo com a Súmula CARF nº 11, “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” No mérito, a recorrente descreve os fatos e, tal o fez na impugnação, atribui à empresa de transporte aéreo a responsabilidade pelo atraso na prestação da informação sobre a chegada do voo. E consigna que reitera os demais argumentos incluídos na peça inaugural de defesa. Isto posto, por concordar com os argumentos apresentados pela DRJ para negar provimento à impugnação, com fulcro no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, adoto a decisão de primeira instância como minha razão de decidir: “Mérito A impugnante pede que a multa que lhe foi aplicada por embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, seja relevada, com base no art. 736, do Decreto nº 6.759 de 2009, ou que, em caso de indeferimento do pedido de relevação da multa, seja ela convertida em uma penalidade mais branda, no caso a penalidade de advertência. Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.171 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.720563/2013-14 Do Pedido de Relevação da Penalidade Conforme disposto no art. 736, do Decreto nº 6.759 de 2009, que regulamenta o caput do art. 4º, do Decreto-Lei nº 1.042 de 21 de outubro de 1969, transcrição a seguir, compete ao Ministro de Estado da Fazenda relevar penalidades, facultada a delegação de competência. “Art. 736. O Ministro de Estado da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, atendendo (Decreto-Lei nº 1.042, de 21 de outubro de 1969, art. 4º, caput): I- a erro ou a ignorância escusável do infrator, quanto à matéria de fato; ou II- II- a eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1º A relevação da penalidade poderá ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal (Decreto-Lei nº 1.042, de 1969, art. 4º, § 1º). § 2º O Ministro de Estado da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui (Decreto-Lei nº 1.042, de 1969, art. 4º, § 2º).”(grifei) Por meio da Portaria MF nº 214, de 28 de março de 1979, Item I, Alínea “f” a referida competência foi delegada ao Secretário da Receita Federal, o qual subdelegou a competência ao Subsecretário de Tributação e Contencioso, conforme art. 2º-13 da Portaria RF13 nº 224, de 7 de fevereiro de 2019 (incluído pela Portaria RF13 nº 841, de 8 de maio de 2019). Dessa forma, o pedido de relevação de penalidade deve ser realizado em âmbito próprio, que não em sede de julgamento administrativo de primeira instância, devendo o julgador considerá-lo não conhecido, já que não dispõe de competência para apreciar tal matéria. Do Prejuízo a Procedimento de Fiscalização Conforme previsto no art. 59, parágrafo único, do Decreto nº 6.759 de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro), a impugnante, na posição de administradora do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, estava obrigada a informar à RFB a chegada do voo GOL CH 9290, assim que ocorresse a aterrissagem do voo. Art.59. As aeronaves de aviação geral ou não engajadas em serviço aéreo regular, quando procedentes do exterior, ficam submetidas, no que couber, às normas desta Seção. Parágrafo único. Os responsáveis por aeroportos são obrigados a comunicar à autoridade aduaneira jurisdicionante a chegada das aeronaves a que se refere o caput, imediatamente após a sua aterrissagem. O contido no Termo de Circunstaciamento nº 2013.03.30-001 (fls. 10/11), emitido às 10h40 do dia 30.03.2013, pela SEVIG/EFA-Equipe de Fiscalização Aduaneira da IRF/13HE, com ciência na mesma data ao Supervisor de Aeroportos da empresa GOL Linhas Aéreas, é bem esclarecedor quanto ao fato de a Infraero não ter informado à RFB a chegada do voo GOL CH 9290 procedente do exterior, descumprindo assim o determinado no Regulamento Aduaneiro. No exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal, no contexto dos procedimentos fiscais relacionados com a Operação de Vigilância e Repressão a ilícitos aduaneiros, relatam-se os seguintes fatos ocorridos em 30/03/2013: - Pousou neste aeroporto o voo Gol CH 9290, procedente de Montevidéu-Uruguai. Este voo teve como cidade de início Florianópolis, seguiu transportando passageiros para Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.171 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.720563/2013-14 Montevidéu e trouxe apenas tripulação para o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, pousando às 09:21 do dia 30/03/2013; - Os servidores da Receita Federal do Brasil Paulo Roberto Oliveira Londe e Neusa Magalhães Pereira da Silva, além do prestador de serviços terceirizados Elton Cassemiro relatam não terem sido informados da chegada da aeronave, seja por via telefônica, eletrônica, pessoalmente ou por qualquer outro meio. Somente houve a ciência da chegada da aeronave em questão quando o Sr. Elton Cassemiro visualizou movimentação de pessoas na sala de desembarque internacional deste aeroporto e procurou saber do que se tratava; - O prestador de serviços terceirizados Elton Cassemiro também informou que funcionário da Gol Linhas Aéreas Inteligentes veio junto com a tripulação e saiu pela área interna do aeroporto. Não foi possível ao Sr. Elton identificar o citado funcionário da Gol; - Tendo em vista o ocorrido, não foi possível fazer vistoria na aeronave e a fiscalização dos pertences trazidos pelos 6 (seis) tripulantes foi seriamente prejudicada; - Em contato telefônico com o COA (Central de Operações) da Infraero, conversando com o Sr. Wilson, este informou que foi avisado pela Gol Linhas Aéreas Inteligentes e que o funcionário da Gol estaria incumbido de avisar a Receita Federal sobre a chegada deste voo. O Sr. Wilson não comunicou a Receita Federal sobre a chegada da aeronave em questão; - Procurado pessoal da Gol Linhas Aéreas Inteligentes, chegou-se ao Sr. Júlio César Godoy, Supervisor de Aeroportos da Gol, que declarou, após conversar com seu pessoal: a) A Polícia Federal foi avisada, contactando-se na Polícia Federal o Sr. Vicente; b) O COA (Central de Operações) da Infraero foi avisada através do Sr. Wilson; c) Não houve comunicação para a Receita Federal; d) O pessoal em terra da Gol Linhas Aéreas Inteligentes, tendo informado ao COA (Central de Operações) da Infraero sobre a chegada da aeronave, entendeu que este ficaria incumbido de informar a Receita Federal sobre o fato em questão. Para atestar que o não cumprimento da exigência contida no parágrafo único, do art. 59, do Regulamento Aduaneiro impossibilitou a vistoria aduaneira da aeronave do voo GOL CH 9290 e prejudicou seriamente a fiscalização dos pertences trazidos pelos seis tripulantes do voo, foi lavrado, em 05.04.2013, o Termo de Ocorrência IRF/BHE/SAVIG Nº 1304.0501 (fl. 12), com ciência dada em 09.04.2013 à Gerente de Operações da Infraero. No exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal, no contexto dos procedimentos fiscais relacionados com a Vigilância e a Repressão a ilícitos aduaneiros, tomamos conhecimento por meio do Termo de Circunstaciamento nº 2013.03-30-001 de fatos ocorridos em 30/03/2013 relacionados ao voo GOL CH 9290, procedente de Montevidéu-Uruguai, que infringiram o procedimento prescrito no Capítulo III (DAS NORMAS ESPECÍFICAS) – SEÇÃO II (DOS VEÍCULOS AÉREOS) arts. 56, 59, § único do Regulamento Aduaneiro – Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009: (...) Desta forma constatou-se que o não cumprimento de procedimento prescrito no Regulamento Aduaneiro impossibilitou a vistoria aduaneira da aeronave do voo GOL CH 9290 e prejudicou seriamente a fiscalização dos pertences trazidos pelos 06 (seis) tripulantes que compunham o referido voo. (...) Da leitura dos citados termos, resta claro que a Infraero não cumpriu a determinação contida no parágrafo único do art. 59 do Regulamento Aduaneiro, ao deixar de informar a aterrissagem do voo GOL CH 9290. No presente caso, foi a própria fiscalização aduaneira que, ao notar uma movimentação atípica no terminal de Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.171 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.720563/2013-14 desembarque internacional, entrou em contato com o COA-Infraero para que fossem esclarecidos os motivos daquela movimentação, isso, reforce-se antes de qualquer comunicação da chegada do referido voo por parte da administração do aeroporto. Inclusive, o momento em que a fiscalização aduaneira detectou a movimentação no terminal de desembarque internacional indica que já havia transcorrido um certo tempo desde a aterrissagem e posicionamento da aeronave para o desembarque da tripulação, ou seja, tempo mais que suficiente para que a Infraero fizesse a devida comunicação à fiscalização aduaneira. Evidente, também, os prejuízos causados aos procedimentos de fiscalização a que seriam submetidos tanto a aeronave, quanto os seus tripulantes, sendo cabível a aplicação da multa de 5.000,00 (cinco mil reais) prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decreto-Lei nº 37 de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833 de 2003. Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; As alegações apresentadas pela impugnante de que a não prestação da informação de chegada do voo se deve ao fato de a empresa aérea GOL ter descumprido o disposto no parágrafo 4.1 da Instrução de Aviação Civil (IAC) nº 1.224 de 20001, que dispõe sobre alterações em voos regulares e realização de voos não regulares, não têm o condão de afastar a sua responsabilidade quanto à necessidade de informar a chegada do voo procedente do exterior à RFB: “4.1 – Antes de iniciar as operações dos vôos não–regulares previstas no capítulo anterior, a empresa interessada deverá coordenar com a Administração do(s) Aeroporto(s) envolvido(s) e os Órgãos de Controle de Tráfego Aéreo, com vistas a disponibilizar a infra-estrutura aeronáutica necessária, para atendimento do vôo e dos passageiros.” Conforme inclusive consta no Termo de Circunstaciamento nº 2013.03.30-001, o Sr. Júlio César Godoy, Supervisor de Aeroportos da GOL, declarou que tanto a Polícia Federal, quanto o COA-Infraero, na pessoa do Sr. Wilson, foram avisados sobre a chegada do voo GOL CH 9290, o que denota que houve uma falha nos procedimentos internos da Infraero. Sobre a alegação de que caberia à empresa GOL efetuar a comunicação da chegada do voo à RFB, conforme determina o art. 56 do Regulamento Aduaneiro, o que não foi feito, tal fato também não tem o condão de afastar a responsabilidade da impugnante quanto à necessidade de informar a chegada do voo procedente do exterior à RFB. Note-se que são obrigações distintas, previstas em artigos distintos do Regulamento Aduaneiro. Da boa Fé do Contribuinte Sobre a alegação de que não houve dolo ou culpa na conduta da impugnante, uma vez que agiu conforme os fatos se apresentaram, há que se considerar o disposto no parágrafo único, do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que impõe o lançamento da multa prevista em lei quando constatada a ocorrência do respectivo fato gerador, independentemente de ter o autuado agido ou não com dolo ou culpa. Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.171 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.720563/2013-14 Art. 142.Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifei) No mesmo sentido dispõe o § 2º, do art. 94, do Decreto-Lei nº 37 de 1966: Art.94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. (...) § 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifei) Destarte, a eventual boa-fé do sujeito passivo, como alegada pela impugnante, não afasta a exigência do crédito tributário, uma vez que a lavratura do Auto de Infração constitui ato administrativo vinculado. Ou seja, ocorrendo a situação fática apontada como infração à legislação tributária, deve-se proceder ao seu lançamento, e aplicar, ao infrator, a penalidade imposta por tal legislação, consoante fundamentação legal consignada no Auto de Infração. Afasta-se, portanto, a referida alegação. Da conversão de Pena de Multa em Pena de Advertência Por fim, no que diz respeito ao pedido para substituir a multa imposta por uma advertência, cumpre destacar que não há dispositivo legal que ampare tal pedido. Conclusão Ante o exposto, estando caracterizado que a fiscalização aduaneira foi seriamente dificultada, ou mesmo impedida, pela não prestação de informação à RFB da chegada do voo GOL CH 9290, voto pela improcedência da impugnação, mantendo-se a aplicação multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decreto-Lei nº 37 de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833 de 2003.” Em suma, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecido o pedido de relevação da penalidade, e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar, que pedia o cancelamento do auto de infração, em razão da ocorrência da prescrição intercorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-002.171 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.720563/2013-14 Fl. 105DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16707.004071/2003-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento (art. 12 da Lei 7.713/88), mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo.
RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por
antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. (Súmula CARF n.º 12)
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-000.535
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, e no mérito, dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento (art. 12 da Lei 7.713/88), mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. (Súmula CARF n.º 12) Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, e no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) VALÉRIA PESTANA MARQUES Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN 2 ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valéria Pestana Marques (Presidente), Carlos Nogueira Nicácio , Sidney Ferro Barros, Jorge Cláudio Duarte Cardoso e Lúcia Reiko Sakae.. Relatório Contra a contribuinte, foi lavrado auto de infração com a exigência do Imposto de Renda Suplementar, acrescido de multa de ofício de 75%, em decorrência da revisão de sua Declaração de Rendimentos correspondente ao exercício 2002, anocalendário 2001, tendo em vista que a fiscalização constatou as seguintes irregularidades: 1 – Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. Tributado o valor de R$ 173.503,30, referente à ação judicial contra o Banco Bradesco S/A, já deduzidos os honorários advocatícios de R$ 18.124,75; 2 – Dedução indevida a título de carnêleão. Excluído o valor de R$ 13.492,28 lançado na DIRF como CarnêLeão e Imposto Complementar, uma vez que o mesmo se refere a pagamento de imposto de renda. A DRJ de Recife, julgou o lançamento procedente em parte, conforme trechos do Acórdão a seguir transcritos: 1. Os principais pontos contestados pela contribuinte são os seguintes: a. Que a fiscalização não levou em consideração, ao apurar a base de cálculo do IR suplementar, os valores das verbas trabalhistas não tributáveis, para fins do IR, tendo sido tributadas, verbas de caráter indenizatório; b. Que a sentença judicial determinou ao Reclamado na ação trabalhista (Banco Bradesco) que esse efetuasse os cálculos do imposto de renda incidente sobre as referidas verbas trabalhistas, de acordo com as tabelas do imposto de renda vigentes à época em que deveriam ter sido percebidas as referidas verbas trabalhistas, no sentido de ser respeitado o princípio da progressividade; c. Que o verdadeiro responsável pelo recolhimento e pagamento do Imposto é o Branco Bradesco, substituto legal tributário. 2. Com relação à Isenção do Imposto de Renda sobre as verbas trabalhistas a. Não resta dúvida de que as verbas recebidas, elencadas nas planilhas de fls. 84/86, elaborada pela SEI – Secretaria de Execução Integrada, cujos cálculos foram homologados pelo juízo trabalhista e sobre as quais recairá a isenção do imposto de renda, são as seguintes: i. FGTS mais multa de 40%; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Processo nº 16707.004071/200315 Acórdão n.º 280200.535 S2TE02 Fl. 2 3 ii. Aviso Prévio (não trabalhado); b. Neste contexto, fica fora da isenção as verbas relativas aos juros moratórios incidentes sobre as demais verbas tributáveis, por não se revestirem esses, de natureza indenizatória, bem como o auxílio alimentação; c. Analisandose a Declaração de Rendimentos do IR da contribuinte, em consonância com as informações contidas nas planilhas de fls (84/86) depreendese que os rendimentos por ela oferecidos à tributação, decorrentes da indenização trabalhista, incluem as verbas correspondentes a rendimentos tributáveis por ela percebidos a título de horas extras, auxílio alimentação, férias proporcionais e 13º salário, ficando à margem da tributação, porém, os rendimentos tributáveis, correspondentes aos juros moratórios incidentes sobre as verbas referenciadas; d. Contudo o lançamento incidiu sobre o total das verbas recebidas pela contribuinte, inclusive sobre os rendimentos isentos; e. Desta forma o total dos rendimentos tributáveis passa a ser de R$ 137.451,05, e não de R$ 173.503,20, conforme indicado no auto de infração. 3. Da alíquota do IR incidente sobre os valores tributáveis. a. Não obstante a Exma Juíza do Trabalho tenha determinado em sua sentença que: “ O Banco Bradesco, observasse, ao calcular o valor do IR a alíquota correspondente ao quantum debeatur à época própria, verificandose, assim, o princípio da progressividade, previsto na CF”, Tal determinação dirigida à fonte pagadora e não ao Delegado da Receita Federal em Natal, não devendo este ou a auditora fiscal, obediência à ordem judicial; b. Que estando a autoridade administrativa, vinculada à lei, não há como calcular o imposto incidente sobre as verbas trabalhistas tributáveis de forma diferente da estabelecida no art. 46, § 2º da Lei 8.541 de 1992; 4. Da definição do sujeito passivo da obrigação tributária. a. A obrigação atribuída à fonte pagadora de reter e recolher o imposto de renda incidente sobre os rendimentos pagos, não tem o condão de isentar o beneficiário dos rendimentos, de oferecer tais rendimentos à tributação, por ocasião da apresentação da Declaração de Ajuste Anual do IR, desde que a tributação sobre tais rendimentos seja a antecipação do imposto devido na declaração; 5. Da Dedução a título de carnêleão Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN 4 a. No que diz respeito à glosa da dedução a título de carnêleão, assiste razão à contribuinte quanto à sua improcedência, pois se trata apenas de um erro de fato no preenchimento de sua declaração, uma vez que ela comprova, por meio do DARF (fls. 94) que o valor constante no item 06 de sua DIRPF de fls. 120, corresponde ao recolhimento do Imposto de Renda por ela efetuado por ocasião do recebimento do rendimento em comento, pelo fato de a fonte pagadora não haver cumprido a decisão judicial quanto à retenção e recolhimento do mesmo imposto. A contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ em 11/12/2006 pessoalmente (fls. 201) e interpôs Recurso Voluntário em 18/12/2006 (fls. 204/222) alegando em sua defesa: 1. Que o verdadeiro responsável pelo recolhimento e pagamento do Imposto é o Branco Bradesco, substituto legal tributário. 2. Que a sentença judicial determinou ao Reclamado na ação trabalhista (Banco Bradesco) que esse efetuasse os cálculos do imposto de renda incidente sobre as referidas verbas trabalhistas, de acordo com as tabelas do imposto de renda vigentes à época em que deveriam ter sido percebidas as referidas verbas trabalhistas, no sentido de ser respeitado o princípio da progressividade; 3. Que devem ser acolhidos os seus cálculos, eis que respaldados em sentença transitada em julgado, devendo ser considerada a alíquota vigente mês a mês, respeitandose o princípio da progressividade, bem como ser excluída da base de cálculo do imposto,os juros de mora, dada sua natureza meramente indenizatória; 4. Requer a exclusão da multa, dada a sua flagrante boafé, que se respaldou em sentença transitada em julgado da Justiça do Trabalho para pagar o tributo em tela. É o relatório. Voto Conselheiro ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN O Recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos legais, dele conheço e passo à análise do mérito. 1 No tocante à responsabilidade do Banco Bradesco pelo recolhimento do Imposto de Renda, na qualidade de substituto tributário, não assiste razão à contribuinte, conforme a seguir será demonstrado. Há que se verificar as disposições contidas no Parecer Normativo COSIT nº. 01, de 2002, o qual abaixo em parte transcrevo, e é integralmente acolhido por mim: ......................................................................................................... Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Processo nº 16707.004071/200315 Acórdão n.º 280200.535 S2TE02 Fl. 3 5 IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. ......................................................................................................... Sujeição passiva tributária em geral 2. Dispõe o art. 121 do CTN: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." 3. Como visto, a sujeição passiva na relação jurídica tributária pode se dar na condição de contribuinte ou de responsável. Nos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN 6 rendimentos sujeitos ao imposto de renda na fonte o beneficiário do rendimento é o contribuinte, titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, a que se refere o art. 43 do CTN. 4. A fonte pagadora, por expressa determinação legal, lastreada no parágrafo único do art. 45 do CTN, substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizandose como responsável tributário. 5. Nos termos do art. 128 do CTN, a lei, ao atribuir a responsabilidade pelo pagamento do tributo à terceira pessoa vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, tanto pode excluir a responsabilidade do contribuinte como atribuir a este a responsabilidade em caráter supletivo. 6. A fonte pagadora é a terceira pessoa vinculada ao fato gerador do imposto de renda, a quem a lei atribui a responsabilidade de reter e recolher o tributo. Assim, o contribuinte não é o responsável exclusivo pelo imposto. Pode ter sua responsabilidade excluída (no regime de retenção exclusiva) ou ser chamado a responder supletivamente (no regime de retenção por antecipação). 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. ......................................................................................................... Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Responsabilidade tributária na hipótese de nãoretenção do imposto 12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tãosomente na declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Processo nº 16707.004071/200315 Acórdão n.º 280200.535 S2TE02 Fl. 4 7 13. Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. Nesse sentido, dispõe o art. 722 do RIR/1999, verbis: "Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei nº. 5.844, de 1943, art. 103). 13.1. Nesse caso, a fonte pagadora deve arcar com o ônus do imposto, reajustando a base de cálculo, conforme determina o art. 725 do RIR/1999, a seguir transcrito. "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº.4.154, de 1962, art. 5º e Lei nº. 8.981, de 1995, art. 63, § 2º)." 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. ......................................................................................................... 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN 8 b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. (grifos meus) ......................................................................................................... Ou seja, a própria sistemática do regime de fonte e de declaração de ajuste anual confere ao Fisco Federal o poder de exigir do contribuinte o imposto devido sobre os rendimentos tributáveis, mesmo que não tenha sido anteriormente retido. Há, com isso, mero deslocamento temporal do gravame a ser suportado pelo contribuinte, que deixa de ser o momento da percepção dos rendimentos e passa a ser o do vencimento do imposto devido na declaração. Tal discussão foi pacificada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que publicou a Súmula CARF 12 que assim dispõe. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição de crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, neste ponto,não assiste razão a contribuinte. 2 – Base de cálculo e Alíquota incidente sobre as Verbas Trabalhistas. No presente caso observase que a Exma Juíza do Trabalho determinou em sua sentença o seguinte “ O Banco Bradesco, deverá observar, ao calcular o valor do IR a alíquota correspondente ao quantum debeatur à época própria, verificandose, assim, o princípio da progressividade, previsto na CF”. As verbas recebidas pela contribuinte, elencadas nas informações contidas nas planilhas de fls (84/86), cujos cálculos foram homologados pela justiça do trabalho são as seguintes: a. Verbas trabalhistas referentes ao processo 0868928 da JCJ de Natal/RN; b. Valores devidos referentes às horas extras/dia, e seus reflexos nas verbas rescisórias, desde o ano de 1987 até 1991; c. Sobre os valores, recebidos em 2001 foi calculado o imposto de renda, conforme o disposto no § 2º do art. 146, da Lei 8.541/1992. Aspecto importante para deslinde da questão diz respeito ao fato de ser o rendimento tido como omitido, proveniente de ação trabalhista. Com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 sedimentouse o entendimento de que não pode prevalecer a tributação integral de verbas recebidas acumuladamente segundo a tabela progressiva vigente no mês do recebimento. De tal Parecer sobreveio o AD PGFN nº 1/2009, com o seguinte teor: “ATO DECLARATÓRIO Nº 1, DE 27 DE MARÇO DE 2009 O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, desta Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Processo nº 16707.004071/200315 Acórdão n.º 280200.535 S2TE02 Fl. 5 9 ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13/05/2009, DECLARA que fica autorizada a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.". JURISPRUDÊNCIA: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). LUÍS INÁCIO LUCENA ADAMS” É fato que efetivamente, o valor recebido pela Contribuinte originouse de verbas devidas em diversos períodos anteriores ao ano 2001, parcelas estas que, se levadas à tributação na época própria, talvez sequer resultassem em imposto devido. Conforme já assim se manifestou o Conselheiro Sidney Ferro Barros, em seu voto que aqui reproduzo, não se trata de negar validade ao art. 12 da Lei nº 7.713/1988: “Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.” O mencionado Parecer, transcrevendo trecho retirado do voto proferido quando do julgamento do REsp 424225/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2003, DJ 19/12/2003 p. 323, sublinhou o modo como o Pretório Superior equacionou a questão: “A aparente antinomia dos dois dispositivos se resolve pela seguinte exegese: o primeiro disciplina o momento da incidência; e o segundo, o modo de calcular o imposto. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento (art. 12 da Lei 7.713/88), mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos (art. 521 do RIR)(...) Desse modo, configurase descabida, por afronta ao citado art. 521, a aplicação das tabelas e alíquotas referentes ao mês em que recebidas as diferenças acumuladas, acarretando um ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente o pagamento das diferenças salariais reconhecidas em juízo.”. Ora, se mantida a exigência em tela é possível que se estaria, contrariamente ao que foi sedimentado pelo STJ e recepcionado pela PGFN, homenageando a tributação de valores recebidos acumuladamente exatamente nos moldes reprovados – ou seja, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN 10 segundo a aplicação de alíquotas do imposto vigente no mês de recebimento (e no ano deste 2001). No caso dos autos, a situação é idêntica aos julgados acima apontados, logo, por se referir a rendimentos de anos anteriores recebidos acumuladamente em decorrência da reclamação trabalhista RT 0868928, o valor lançado de ofício no auto de infração deve ser excluído da base de cálculo, nos termos do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010. Ao mesmo tempo, não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídico, mas tão somente afastar a exigência indevida. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. DF/BRASÍLIA. Sala das sessões, 19 de outubro de 2010. (assinado digitalmente) ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN
score : 1.0
Numero do processo: 11543.005071/2003-39
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS NA VIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
A propositura de ação judicial importa a renúncia à discussão administrativa relativamente à matéria sub judice. Quanto à matéria diferenciada, há de ser conhecido o recurso.
DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.
Cabe ao órgão julgador de segundo grau deixar de anular a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação e apreciar o mérito quando, com os documentos presentes nos autos, puder decidir em favor do contribuinte. Aplicação dos princípios da economia processual e da eficiência.
DEPÓSITO E JUROS DE MORA.
Reconhecido o depósito do montante do crédito tributário, por meio de autorização judicial, não somente fica suspensa a exigibilidade do crédito tributário com também não cabe a cobrança de juros de mora. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-000.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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A propositura de ação judicial importa a renúncia à discussão administrativa relativamente à matéria sub judice. Quanto à matéria diferenciada, há de ser conhecido o recurso. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Cabe ao órgão julgador de segundo grau deixar de anular a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação e apreciar o mérito quando, com os documentos presentes nos autos, puder decidir em favor do contribuinte. Aplicação dos princípios da economia processual e da eficiência. DEPÓSITO E JUROS DE MORA. Reconhecido o depósito do montante do crédito tributário, por meio de autorização judicial, não somente fica suspensa a exigibilidade do crédito tributário com também não cabe a cobrança de juros de mora. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Valéria Pestana Marques - Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Relator. EDITADO EM: 17/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valéria Pestana Marques (presidente da turma), Carlos Nogueira Nicácio (vice-presidente), Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator), Ana Paula Locoselli Erichsen, Lúcia Reiko Sakae e Sidney Ferro Barros. Relatório Pelo caráter esclarecedor sirvo-me do relatório produzido no acórdão recorrido: “1. Foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 84/109, em nome de HONÓRIO PINHEIRO RAMALHO, relativo ao exercício de 1999, ano-calendário 1998, para formalização e cobrança de crédito tributário, no valor de R$ 44.294,48, aí inclusos juros de mora, conforme detalhado às fls. 105, sem incidência de multa de ofício. 2 O auto de infração é decorrente do desenvolvimento do programa de trabalho associado à operação fiscal baseada em Omissão de Rendimentos, tendo por parâmetro de seleção Rendimentos Auferidos em Decorrência de Ação Judicial, de modo que foi determinado, por meio de MPF-F, o início do procedimento fiscal ern face do(a) contribuinte acima identificado. 3 A ação fiscal restringiu-se ao exame da infração omissão de rendimentos, auferidos durante o ano de 1998, em decorrência da reclamação trabalhista n° 575/1990, movida pelo S1NDPREV em desfavor do EX-INAMPS (União) e baseou-se nos esclarecimentos prestados pelo(a) contribuinte, nos documentos apresentados pelo Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência no Estado do ES (S1NDPREV), nos documentos constantes da citada reclamação trabalhista, nas peças processuais constantes do Mandado de Segurança n° 99.0001456-1, impetrado na Justiça Federal pelo SINDPREV, bem como nos dados constantes do Sistema Informatizado da SRF. 4 Em decorrência dos trabalhos de fiscalização, foi apurada a infração "Apuração Incorreta do Imposto de Renda Pessoa Física/Imposto de Renda a Pagar com Exigibilidade Suspensa - Medida Judicial", bem como lavrado o auto de infração e o respectivo Termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 84/109, do qual tomou ciência o(a) interessado(a) em 15/01/2004, conforme AR de fls. 111. 5 Ressalte-se que, neste caso em particular, o valor do imposto, no montante de R$24.270,95, foi lançado com a sua exigibilidade suspensa, sem incidência da multa de ofício no percentual de 75%, haja vista que o referido montante foi depositado judicialmente, conforme detalhado às fls. 101/102. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.005071/2003-39 Acórdão n.º 2802-00.549 S2-TE02 Fl. 153 3 6 Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação em 12/02/2004, alegando, em síntese, que entende indevida a incidência do imposto de renda sobre as verbas trabalhistas que recebeu, em face da RT 575/1990, movida pelo SINDPREV em seu favor contra o EX-INAMPS. 7 Afirma que, na verdade, não houve qualquer omissão de receitas, e que tal fato resta evidenciado pelo levantamento feito pela fiscalização, com a indicação exata de todos os valores declarados pelo impugnante na sua declaração de ajuste anual e declaração retificadora, esta levada a efeito em razão da impetração da medida judicial, ambas mantendo conformidade com os documentos apresentados. 8 Alega que efetuou o depósito judicial no valor de R$24.720,95, com amparo em decisão judicial, e não porque entendeu devido o imposto sobre valores que recebeu a título de verbas trabalhistas.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) não conheceu da impugnação sob o fundamento de que a matéria em litígio no presente processo administrativo foi, também, objeto de apreciação junto ao Poder Judiciário, conforme ações judiciais próprias. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa: A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual-, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Ciente da decisão de primeira instância em 22/05/2002 (fls. 134), o requerente apresentou recurso voluntário em 19/06/2007 (fls. 135). Na peça recursal alega o seguinte: PRELIMINAR Como se trata de dois autos de infração lavrados sob a alegação de apuração incorreta de lançamento a menor do imposto de renda pessoa física, tendo por base a mesma Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda ano calendário de 1998 e, sendo o 2° lançamento, relativamente à discussão quanto à exigência de Juros de Mora sobre valor depositado judicialmente, complemento do primeiro, requer, por decorrência, sejam distribuídos ao mesmo Julgador, a fim de evitar prejuízos ao Recorrente na interpretação dos fatos. MÉRITO 1) caso a decisão judicial seja favorável ao fisco nenhum prejuízo haverá os cofres públicos, sendo pois, indevido o lançamento dos juros de mora sobre valores integrais depositados relativos a tributos e contribuições em discussão na esfera judicial ou administrativa, e, ao contrário ocorrerá prejuízo ao Contribuinte e enriquecimento sem causa da União pela duplicidade no recebimento de tais verbas; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 2) a cobrança de imposto sobre as verbas recebidas em ação trabalhistas não foi impugnada administrativamente porque foi objeto da ação judicial; 3) contesta nestes autos a cobrança de juros de mora por entender incabível em caso de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente do depósito judicial devidamente comprovado; 4) em sua defesa aponta disposições do decreto 2.850/1998 e da Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, destaca o art. 4º do referido decreto que prevê o dever da caixa econômica federal de repassar à Receita Federal o depósitos com o respectivo acréscimo de juros; 5) alega violação a princípios constitucionais e da administração pública; 6) que não se aplica aos autos a legislação que fundamentou o acórdão recorrido (artigo 1°, parágrafo 2°, do Decreto- lei n° 1.737/79; do artigo 38, parágrafo único da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980 e os preceitos do ADN-COSIT n° 3, de 14 de outubro de 1996), em virtude da matéria em litígio não ser aquela objeto de apreciação junto ao Poder Judiciário; e 7) requer a anulação da decisão de primeira instância e o acolhimento da impugnação na íntegra. Constam no processo: 1) decisão interlocutória proferida no Mandado de Segurança/Processo n.° 99.0002545-8 ( fls. 63); 2) certidão registrando redistribuição do Mandado de Segurança nº 99.0002445-8 por conexão ou continência, para ser julgado juntamente com o de nº 99.0001456-1 (fls. 65); e 3) sentença proferida no mandado de segurança 99.0001456-1 (ls. 67/83). É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.005071/2003-39 Acórdão n.º 2802-00.549 S2-TE02 Fl. 154 5 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele deve-se tomar conhecimento. PRELIMINAR Este processo e o outro mencionado pelo recorrente foram distribuídos a este mesmo relator e ambos estão sendo julgados na mesma sessão de julgamento. Pedido deferido. MÉRITO Consoante Termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal de fls.84/104 foram lavrados dois autos de infração no mesmo dia 24/12/2003, um deu origem ao Processo n° 11543.005070/2003-94, servindo para exigir o pagamento do imposto de renda no valor R$ 12.125,40, acrescido de juros de mora no valor R$ 10.003,45 e multa proporcional de R$9.094,05, totalizando R$ 31.222,90, refere-se ao valor do imposto de renda não coberto pelo depósito judicial. Foi lavrado na mesma data o segundo auto de infração, que deu origem ao Processo n° 11543.005071/2003-39, objeto do presente Recurso, para exigir o pagamento do imposto de renda no valor de R$24.270,95 e juros de mora no valor de R$20.023,53, totalizando R$44.294,48, sem a cobrança de multa, esse lançamento teve por finalidade prevenir a decadência do crédito tributário objeto de depósito judicial que foi realizado com amparo no mandado de segurança 99.0001456-1, tendo como base legal com base o inciso IV do art. 151 do CTN c/c art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O órgão julgador de primeira instância não conheceu a impugnação por ter reputado ocorrida renúncia à instância administrativa, decorrente da existência de ação judicial em que se discute o mesmo objeto do presente processo administrativo. Fundamentaram a decisão de primeira instância o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 198, §2º do art. 1º do Decreto-lei n° 1.737, de 20 de dezembro de 1979 e Ato Declaratório Normativo Coordenação Geral do Sistema de Tributação (ADN-COSIT) da Secretaria da Receita Federal n° 3, de 14 de outubro de 1996. Alega o requerente que não há identidade entre o objeto da ação judicial e o mérito deste processo, sustenta que no processo judicial se discute a incidência do Imposto de Renda sobre verbas recebidas por condenação da União em decorrência de reclamação trabalhista, neste, se discute se é devida ou não a exigência, pela fiscalização, de Juros de Mora sobre importância depositada por força de medida judicial. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 O instituto da renúncia à instância administrativa deve ser apreciado, mediante os dados do caso concreto, sendo aplicado quando houver identidade entre os elementos que compõem a ação (a denominada identidade tríplice a envolver as partes, a causa de pedir e o pedido) e o processo administrativo. Se houver matéria submetida ao julgamento administrativo que não tenha sido objeto da ação judicial, estritamente sob essa parte deve se manifesta o julgador administrativo, reconhecendo-se a renúncia ao direito de recorrer administrativamente na outra parte. No Mandado de Segurança nº 99.0002545-8 objetivou-se a autorização para depósito do montante integral para o fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Por força de conexão ou continência o referido writ for redistribuído para ser decidido juntamente com o mandado de segurança 99.0001456-1. A fim de verificar a existência ou não de identidade de pedido e causa de pedir, convém analisar o relatório da sentença proferida pelo juízo da Seção Judiciária no Espírito Santo. Foram formulados múltiplos pedidos cumulados, a saber: a) declaração da condição suspensiva, na forma do art. art. 117, I, do CTN, determinando-se ao Impetrado que se abstenha de proceder qualquer retenção sobre os valores recebidos na Reclamação Trabalhista nº 575/90, até final decisão da ação rescisória; b) declaração do direito à compensação, de eventual valor pago a titulo de Imposto de renda, com o total a ser restituído, no caso de a ação rescisória interposta em face da sentença exarada na Reclamação Trabalhista nº 575/90 ser julgada procedente; c) declaração do direito dos substituídos à integralidade das vertas auferidas na Reclamação Trabalhista no 575/90; d) declaração do direito ao pagamento do Imposto de renda com base nos valores históricos e na época própria, determinando-se à autoridade impetrada que somente proceda a cobrança de Imposto se se verificar, caso a caso, sê-lo devido, mês a mês, praticadas as ' deduções, alíquotas e demais vantagens atinentes a legislação-pertinente à época; e) declaração do direito dos substituídos quanto à Indenização compensatória, equivalente ao prejuízo causado, pela União, quando deixou de , pagar os i ' diretos devidos nas épocas próprias, acarretando incidência de . imposto ou majoração de alíquotas, determinando-se à autoridade Impetrada que proceda a compensação, cobrando-se dos substituídos apenas os valores devidos à época própria, e da UNIÃO, o restante devido, com base no valor percebido no ano 1998 (teoria .do caixa), referente a cada um dos substituídos. O impetrante, para tanto, deduz os seguintes fundamentos: a) está em curso ação rescisória tendente à desconstituIção da sentença exarada na RT 575/90, que legitimou o recebimento das verbas glosadas, em - razão do que as mesmas não Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.005071/2003-39 Acórdão n.º 2802-00.549 S2-TE02 Fl. 155 7 podem ser livremente dispostas, por força de condição suspensiva (art. 117, 1, do CTN); b) sucessivamente, se não acolhido o primeiro fundamento e os substituídos tiverem que restituir as verbas auferidas na RT 575/90, Impõe-se a declaração quanto à possibilidade de compensação da importância paga a titulo de imposto de renda com o montante a ser restituído, sob pena de enriquecimento Ilícito; c) a Incidência do Imposto sobre o montante total das verbas pagas em razão da RT 575/90, sem considerar: o mês em que cada parcela deveria ter sido paga, o valor histórico e a alíquota correspondente, ofende o principio da capacidade contributiva; d) também afronta o principio da isonomia, pois Impõe tratamento desigual entre os trabalhadores que recebem as verbas salariais corretamente e os que só.. percebem seus direitos por força de decisão Judicial, urna vez que destes se exclui o cômputo de deduções e isenções; e) Justiça do Trabalho não tem competência para determinar a retenção do Imposto de renda na fonte; f) não há previsão legal do fato gerador; . g) a responsabilidade tributária pelo Imposto de renda, que não tenha sido retido na fonte, é exclusiva da fonte pagadora; h) as verbas recebidas na Reclamação Trabalhista 575/90 perderam a natureza remuneratória, por não poderem ser apuradas em relação às épocas próprias; têm, assim, natureza indenIzatória, tanto que não foram incorporadas para efeito do posicionamento nos cargos que os substituídos ocupam, se negada a natureza indenizatória, deverá ser declarado o direito dos substituídos à incorporação das referências apuradas, com o reposicionamento na carreira; i) não pode incidir Imposto de renda sobre juros e correção monetária; j) é Incabível o desconto do Imposto de renda sobre o montante Integral das verbas pagas em razão da RT 575/90, considerando que, se somadas à remuneração mensal de cada substituído e divididas pelo número de meses laborados, não se ultrapassaria a ,faixa de isenção do tributo; e k) se remanescer a responsabilidade tributária dos substituídos, haverá o direito a Indenização pelo prejuízo causado, com fulcro no art. 159 do Código Civil, em razão da Incidência do Imposto de renda, quando na época Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 própria estariam Isentos, e em razão de elevação da alíquota a ser paga. No auto de infração em julgamento, constituiu-se crédito tributário de R$24.270,95, referente ao valor depositado, acrescido de juros de mora. Os juros de mora, neste processo, não têm vida própria. São mera atualização do valor de depósito feito originalmente para fins de controle administrativo cuja cobrança está obstaculizada em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Neste recurso voluntário não se renova qualquer pedido ou causa de pedir tratados na ação judicial, discute-se, exclusivamente, a cobrança de juros de mora, e isso não faz parte da ação judicial. Diga-se que desde a impugnação o litígio estaria delimitado a esse ponto. A realização do depósito do montante do tributo em litígio tem por principal finalidade fazer cessar os efeitos da mora. Quem deposita o faz para não ter de pagar juros de mora caso seja vencido na ação judicial. Ainda que o lançamento tenha sido feito com a exigibilidade suspensa e que o depósito, uma vez convertido em renda pelo seu valor corrigido será forma de extinguir o crédito tributário integralmente, incluindo seus acessórios (inciso II do §3º do art. 1º da Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998). O lançamento dos juros está se configurando como mero procedimento administrativo de controle do crédito tributário, cuja extinção ocorreria ou pela decisão judicial favorável ao sujeito passivo ou pela conversão em renda. Reputo que esse procedimento não é a melhor forma de garantir segurança jurídica ao cidadão. Penso que o direito material não pode ser suplantado pela práticas administrativas, conseqüentemente, entendo que há interesse de agir pelo fato de terem sido lançados juros de mora para uma futura cobrança, se houver, embora impedir que isso ocorra é a principal finalidade do depósito. Tenho como suficientemente demonstrado pelo recorrente que não se trata de repetir na instância administrativa os pedidos e as causas de pedir da ação judicial. Não há identidade de objeto como constou na ementa do acórdão recorrido. O que se requer neste recurso somente tornou-se possível após o lançamento, trata-se unicamente do inconformismo com a cobrança de juros de mora sobre o depósito. Discordo, portanto, da solução dada no acórdão recorrido. Nesse sentido têm se manifestado esse Conselho, conforme excerto de ementas abaixo: CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL - A propositura de ação judicial importa a renúncia à discussão administrativa relativamente à matéria sub judice. Quanto à matéria diferenciada, há de ser conhecido o recurso.(Acórdão nº 105- 17358, de 17/12/2008, da 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Marcos Rodrigues de Mello) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.005071/2003-39 Acórdão n.º 2802-00.549 S2-TE02 Fl. 156 9 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial.(acórdão nº 303-35829, de 10/12/2008, da 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Luis Marcelo Guerra de Castro) NORMAS PROCESSUAIS - CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS NA VIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL - INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA - PREVALÊNCIA DA UNA JURISDICTIO - No aparente conflito entre magnos princípios a autoridade administrativo-julgadora deverá sopesar e optar por aquele que tenha maior força frente as peculiaridades do caso sub judice, a fim de a decisão assegurar as garantias individuais e realizar a segurança jurídica através do respeito à coisa julgada e à ordem constitucional, aqui revelado pelo prestígio a unicidade de jurisdição. Na concomitância de processos na via administrativa e judicial, o óbice para que a instância administrativa se manifeste não decorre da simples propositura e coexistência de processos em ambas as esferas, ele somente exsurge quando houver absoluta semelhança na causa de pedir e perfeita identidade no conteúdo material em discussão.(...)(acórdão nº 103-20883, de 21/3/2002, da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Mary Elbe Gomes Queiroz) Com essas últimas considerações, primando pela economia processual e com fulcro no §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – mesma inteligência do §2º do art. 249 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil)- , considero que cabe deixar de aplicar a nulidade quando for possível julgar o mérito em favor de quem a declaração de nulidade aproveitaria. No caso dos autos, constata-se que ao chegar à conclusão que a impugnação deveria ter sido conhecida já se está apreciando o mérito. Assim, considero não declarar a nulidade da decisão de primeira instância e julgar o mérito favoravelmente ao sujeito passivo, sem prejuízo de, na hipótese de a decisão judicial ser no sentido de converter o depósito em renda, a Fazenda Nacional receber o valor depositado devidamente corrigido. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso tão somente para excluir do auto de infração os juros de mora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 17/11/2010 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004961/94-11
Data da sessão: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 303-00.717
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia ao DEINT/MICT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia ao DEINT/MICT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 21 de agosto de 1998 PROCURADORIA.C:RAL DA fAZeNC:A Coordenoçao Se-cl , f spraserecseo fr.troiyd;cioi A wa if lifyonal LUCIANA COR 1E4 ROitIZ PONTES Proursdor a d0 Fazanda Ihlacionol LO 3 DE/1998 JO 0 A COSTA P esidente NIL N BARTO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: GUINES ALVAREZ FERNANDES, ANELISE DAUDT PRIETO, MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES e TEREZA CRISTINA GUIMARÃES FERREIRA (Suplente). Ausentes os Conselheiros SÉRGIO SILVEIRA MELO e ISALBERTO ZAVÃO LIMA. 4.4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.197 RESOLUÇÀO N° : 303-717 RECORRENTE : RHODIA FARMA LTDA RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : NTLTON LUIZ BARTOLI RELATÓRIO Em ato de despacho aduaneiro da IRF/São Paulo/SP, foi lavrado Auto de Infração (fls. 02) contra a Recorrente, no valor de 623.602,76 Ufirs, tendo por fundamento fitico a utilização indevida de beneficio fiscal, vez que o contribuinte submetera a análise DI n° 310.399/94, que amparou a importação da mercadoria identificada comercialmente como pefloxacine methane sulfonate, sendo "50 quilos desse produto químico de nome cientifico mesilato do ácido etil- 1- fluoro-6 (metil-4- piperazil) —7 oxo- 4 dihidro 1,4 quinoleina-3 carboxilico dihidratada, tendo classificando-a na posição NBM/TAB 2941.90.9100" com aliquota de 0% para os Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, aliquotas reduzidas conforme "Ex" n° 004, dessa posição. Entendeu a fiscalização, entretanto, com base no Laudo de Técnico n.° 009/94 (fls. 33, 33v0), proferido por técnico dos quadros da Receita Federal, Engenheiro Luiz Aurélio Alonso, tratar-se da mercadoria "MESILATO DE PEFLOXACINA DIHIDRATADA", composto orgânico de constituição química definida isoladamente, caracterizando-se como um antibiótico, enquadrivel no código declarado, mas sem gozar do beneficio contido na "EX" 004 destinado A. PEFLOXACINA, usufruído indevidamente. Considerando a utilização do beneficio indevida, a fiscalização lavrou Auto de Infração exigindo de oficio a diferença do Imposto de Importação, bem como a aplicação de multa, relacionando as Declarações de Importação n's 307.072/94, 301.831/94, 307.857/94, 308.978/94, 310.017/94, 308.330/94, 304.116/94, 300.692/94 e 303.081/94 (fls. 25 a 64), sem, contudo enquadrar regularmente as infrações cometidas, aplicando a multa de oficio de 100% sobre o Imposto de Importação, na forma do art. 4°, inciso Ida Lei n° 8.218/91. Intimada pessoalmente da autuação (fls. 02), em 24/11/94, a autuada apresentou Impugnação (fls. 66/80), tempestivamente, alegando em sua defesa que: Preliminarmente, houve cerceamento do direito de defesa, pois o Auto de Infração não descreveu o enquadramento legal, ou seja, "a disposição legal infringida e a penalidade aplicável", ferindo assim o art. 10, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, o que torna o Auto de Infração nulo; 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 119.197 : 303-717 Ainda em preliminar, alega que a mercadoria não foi Classificada erroneamente, pois a posição atribuida foi a correta 2941.90.9900 e não como relatou a fiscalização, que a mercadoria havia sido classificada na posição 2491.90.9100. No mérito, entende que, tendo em vista que o produto em questão é utilizado na composição de medicamento denominado PEFLACIN (fls. 79/80), e a concessão da aliquota zero, proporcionada pelas Portarias MEFP nos 488/92 e 308/94, foi concedida em pleito da Recorrente junto a Coordenadoria técnica de tarifas, provavelmente, por exclusivo critério interno do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, com o fim de prestigiar a simplificação nominal, foi adotado apenas o nome pefloxacina, ao invés de seu nome químico. Alega ainda que, uma vez que tal beneficio foi concedido especificamente à Recorrente, para a matéria-prima PEFLACIN, em caso de dúvida em relação á. concessão ou não, os autos deveriam ser baixados em diligência fiscal, para manifestação do órgão competente conclusivamente a respeito do caso concreto. Por fim, juntando cópia do processo administrativo que analisou o pleito de redução da aliquota, onde consta o componente MESILATO DE PEFLOXACINA DIHIDRATADO, a Recorrente requereu a nulidade e inépcia do Auto de Infração com o fim de manter a aplicação da aliquota zero em todas as importações. Verifica-se que, durante a fase do preparo do processo, manifestou-se o fiscal autuante (fls. 83/84), alegando que: I. a classificação incorreta do produto importado incorreta, enseja apenas em casos de recolhimento de diferença do crédito tributário pago a menor, vez que aquele procedimento não se acha tipificado como infração; conforme parecer CST n° 477/88 e errôneo enquadramento na TAB do produto descrito com exatidão pelo importador, desde que ratificada essa descrição pela conferência fisica, não caracteriza infração, pois para efeito de declaração da mercadoria prevalece a sua descrição. III.o Auto de Infração lavrado, tem como finalidade, a retificação do enquadramento tarifário adotado erroneamente e a aplicação da penalidade pertinente; concluindo-se que a fundamentação do Auto de Infração lavrado é ilícita, pois em nenhum momento a defendente contradiz o laudo pericial (fls. 23). 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 119.197 : 303-717 IV.em relação à classificação fiscal TAB, por um lapso datilográfico, ao invés de 2941,90.9900 foi declarado 2941.90.9100 que de fato não existe, mas não é suficiente para anular o Auto de Infração. Tendo apresentado impugnação, a Recorrente solicitou, em 15/02/95, o desembaraço de mercadoria importada sob o amparo da DI n° 310.399/94, mediante apresentação de Termo de Responsabilidade com Fiança do Banco Bradesco S/A (fls. 89/91), o qual foi deferido e procedido (fls. 104/105). Considerando a manifestação do Auditor Fiscal do Tesouro nacional (fls. 83/84), a ff(F/SAo Paulo/SP reabriu o trintidio para apresentação de nova impugnação apresentada is fls. 111 e 112. Em seu aditamento a Recorrente, ratifica suas objeçiies preliminares em relação it nulidade do Auto de Infração e reitera os argumentos da inicial (fls. 66/71). Conclui da a fase de instrução, a DRJ/SP prolatou decisão (fls.115 a 124) julgando procedente a ação fiscal, afastando a preliminar de cerceamento do direito de defesa uma vez que os fatos não impedem uma perfeita compreensão da acusação, que foi objeto da impugnação da Recorrente. Entendeu que o produto importado embora coincida com o declarado não é o mesmo que trata a Portaria MEFP n° 308/94, resultando na necessidade de recolhimento dos tributos calculados de acordo com a aliquota vigente para o produto efetivamente importado. Sendo assim, sentenciou que o produto que o contribuinte importou não é exatamente o mesmo a que alude a Portaria Ministerial, conforme comprovação do laudo técnico. A aliquota de 0 % é para o produto PEFLOXACINA, no entanto o produto que chegou ao pais não tem essa denominação nem comercialmente. A decisão recorrida buscou fundamento no art. 111 CTN "Interpreta- se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: H- outorga de isenção", para concluir que não poderia ser estendido o beneficio caso não esteja caracterizado o produto como sendo beneficiado pela redução. O fato de ter sido publicada a denominação do produto de forma errônea, não constitui elemento de defesa para a Recorrente, pois reconhecido o erro, deveria ter sido comunicado a administração para revogar o ato viciado e corrigi-lo retroativamente, vez que o ato administrativo consubstanciado na Portaria MEFP n.° 308/94, produziu plenamente seus efeitos, mas diz respeito tão somente ao produto PEFLOXAONA e não ao MES1LATO DE PEFLOXAONA DIHIDRATADA. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.197 RESOLUÇÃO : 303 -717 A autoridade julgadora, por fim, decidiu pela manutenção do lançamento tributário e multa, determinando o agravamento da exigência pela aplicação dos juros moratórios, calculados is fls. 123, na forma do art. 54, § 2°, e art. 59 da Lei n° 8.383/91, concedendo novo prazo à Recorrente para apresentação de impugnação quanto ao agravamento. Em 30/08/95 foi refeito o auto de infração para aplicação do agravamento da exigência do crédito tributário com o cálculo dos juros, tendo sido juntadas novas planilhas com discriminação complementar quanto ao lançamento tributário. Intimada do agravamento da exigência tributária, 22/09/95, a Recorrente apresentou nova impugnação, tempestiva, em 19/10/95, (fls. 132 a 149) alegando que: I. importou para fabricação de seus medicamentos de uso humano denominado PEFLAC1N, a matéria-prima farmacêutica PEFLOXACINA cujo nome comercial é mesilato do ácido Etil- 1- Fluoro-6 ( metil-4 Piperazil)-7 Oxo-4 Dihidro,1.4 Quinoleina-3 Carboxilico Dihidratado, conforme DI n° 310399, 04/10/94, que recebeu a classificação TAB /SH 2941.90.99.00; II. em virtude de tal situação, no desembaraço aduaneiro, foi aplicada aliquota zero para o Imposto de Importação, com base na Portaria MEPF n.° 488 e prorrogada pela de n° 308. III. a matéria-prima foi retida na Alfândega AISP sendo lavrado posteriormente o Auto de Infração datado de 30/08/94 (fls. 126/127). IV. é a única beneficiária do favor fiscal concedido pelas Portarias MEFP ifs 488/92 e 308/94, que ocorreu justamente em razão do pleito da Recorrente. V. desde o pleito inicial da concessão da aliquota zero da PEFLOXAC1NA em fins de 1991 o produto importado para fabricação do medicamento humano PEFLAC1N, sempre foi exatamente o mesmo que 6 objeto das Declarações de Importações. VI. a Recorrente não pode ser penalizada, pois os próprios órgãos do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento que foram os responsáveis pela concessão adotaram tão somente a denominação comercial PEFLACIN ao invés de utilizarem o nome químico. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 119.197 : 303-717 VII. sendo a única beneficiária com a importação dessa matéria-prima PEFLOXACINA em todo Brasil e já tendo comprovado a fabricação do medicamento de uso humano PEFLACIN, da linha farmacêutica deve-se em caso de dúvida os autos serem levados a diligencia fiscal para que o atual DrgAo Federal CTT/MIC, sucessor do que concedeu em 1992 se manifeste conclusivamente a respeito do caso concreto. Requerem ao final que, conforme prova documental, sejam julgados totalmente improcedentes e insubsistentes as exigências fiscais. Em 23/10/95 foi proposto o encaminhamento da impugnação a DRJ/SP/SECAV para prosseguimento, de acordo com a decisão de 26/02/96 da DRF- JULGAMENTO ficou retificada a decisão da DRJ n° 1.394/95.41.76 retirando-se o agravamento relativo aos juros moratórios, uma ser impossível a separação dos juros moratórios dos demais elementos constitutivos do crédito tributário, sendo desnecessário o agravamento do lançamento. Em relação aos autos, foi solicitado que fossem remetidos a repartição de origem para que fosse cancelado o Auto de Infração de fls. 126/129 e dada ciência a interessada da decisão de fls. 115/123 já devidamente retificada. Tendo tomado ciência da decisão proferida as fls. 154/155, em 11/06/97, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este Egrégio Conselho, em 08/07/97 (fls. 159 a 195) ratificando os termos da impugnação e alegando que: I. desde 1988 importava o insumo MESILATO DE PEFLOXACINA DIHIDRATADA para fabricação do medicamento PEFLAC1N suportando elevados custos com Imposto de Importação de 20%, indagando "porque pleitear a redução tarifária para PEFLOXACINA se é exatamente este o medicamento fabricado pela Recorrente e cuja importação jamais existiu?" II. o favor fiscal foi concedido todas Ls vezes para a matéria-prima farmacêutica PEFLAC1N sendo totalmente impertinente as suposições fiscais de que não se aplicaria a redução para a matéria- prima importada. Recorrente não teria nenhuma ra7ão em pleitear redução tarifária para uma matéria-prima que se apresentasse insensível ao processo industrial (PEFLOXACINA) especialmente considerando as rígidas determinações do Ministério da Saúde para fabricação de medicamentos de uso humano como é o caso do PEFLACIN da sua linha farmacêutica. 6 e MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 119.197 : 303-717 Em desfecho, fazendo considerações a cerca da questão da importação da matéria-prima do produto que industrializa, PEFLOXACINA, nomenclatura utilizada como objeto da portaria ministerial concessora do beneficio, requer a procedência do RECURSO ORDINÁRIO, para que seja decretada a anulação do crédito tributário. Encaminhado A. D. Procuradoria da Fazenda Nacional houve manifestação em contra-razões de recurso, que "a interessada, ainda que de modo mais enfático, reproduz os argumentos da impugnação sem trazer, no entanto, algum elemento novo que justifique a modificação do julgado", requerendo seja negado provimento ao Recurso e mantido o crédito tributário. E o relatório. e 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.197 RESOLUÇÃO N° : 303-717 VOTO Trata-se beneficio de redução de aliquota do Imposto de Importação outorgado pela Administração Pública, por seu órgão competente o então Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, face ao pleito ingressado pela Recorrente, sendo que, quando da publicação das Portarias Ministeriais de concessão e renovação da concessão, houve urn equívoco na denominação do produto beneficiado pela redução do imposto, ou seja, ao invés de ter sido publicado o nome da matéria-prima importada foi publicado o nome comercial do produto final, industrializado pela Interessada. De plano, verifica-se que a argumentação da Recorrente - de que o erro material da norma beneficiadora não seria suficiente para excluir a redução do imposto, inclusive pelo fato de ser ela (Recorrente) a (mica beneficiária dessa redução e que a redução só foi possível a partir de seu pleito ao CTT - poderia ser capaz para o reconhecimento da manutenção do beneficio. Contudo, não há provas nos autos suficientes para tal convencimento, sendo necessário oficiar-se os órgãos envolvidos na concessão da redução para se manifestarem a respeito. Como vem insistentemente alegando a Recorrente, seu pleito junto et antiga Coordenação Técnica de Tarifas, do MEFP, objetivando destaque "EX" no código tarifário 2941.90.900, refere-se efetivamente ao produto importado, ou seja, MES1LATO DE PEFLOXACINA DIHIDRATADA, conforme processo n° 10768- 042417/91-97. Alega, ainda, que o favor fiscal concedido através da Portaria n° 488192, prorrogado pela Portaria MF 308/94, atendeu especificamente ao pleito daquela empresa - RHODIA FARMA LTDA, não podendo ser penalizada em função da simplificação, pelo referido órgão, do nome do produto, optando pelo seu nome comercial, ou seja, apenas "Pefloxacina". Diante do exposto, objetivando a busca de elementos esclarecedores que possam resultar na melhor solução para o presente litigio, voto no sentido de converter o julgamento em diligência ao Departamento Internacional de Tarifas (DE1N'T), do IvIECT, órgão que sucedeu a antiga CCT/MEFP, para que promova a juntada aos autos de cópia do inteiro teor do processo mencionado pela Recorrente que, segundo afirma, ensejou o destaque "EX" 001 - para o produto "Pefloxacina", no código tarifário 2941.90.900, através das Portarias MEFP nos 488, de 22/06/92 e 308, de 30/05/94. Sala das Sessões, em 21de agosto de 1998 NILT;N BAR LI - Relator 8
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Numero do processo: 10314.004961/94-11
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - BENEFÍCIO FISCAL.
As Portarias Ministeriais n.° 488/92 e n.° 308/94 não amparam a
redução tarifária de alíquota de 20% para zero do insumo Mesilato
de Pefloxacina Dihidratado.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 303-30.152
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos impostos e às penalidades, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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As Portarias Ministeriais n.° 488/92 e n.° 308/94 não amparam a redução tarifária de alíquota de 20% para zero do insumo Mesilato de Pefloxacina Dihidratado • RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos impostos e às penalidades, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de março de 2002 J0 7 ' .1%4 1A COSTA ;O Pr sidente 2 2T0N Z BAR172I elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS e MARIA EUNICE BORJA GONDIM TEIXEIRA (Suplente). Ausentes os Conselheiros MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES e CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. Ats/1 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.197 ACÓRDÃO N° : 303-30.152 RECORRENTE : RHODIA FARMA LTDA. RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : NILTON LUIZ BARTOLI RELATÓRIO O presente feito retorna para apreciação desta Eg. Câmara após a conversão do julgamento em diligência, conforme Resolução n.° 303-717, de 03 de Dezembro de 1998, da qual fui relator e cujo relatório de fls. 200/206, adoto e • passo a ler em Sessão. À época, como relator do feito, objetivando a busca de elementos esclarecedores que pudessem resultar na melhor solução para o presente litígio, fui pela conversão do julgamento em diligência ao Departamento Internacional de Tarifas (DEINT), do MICT, órgão que sucedeu a antiga CCT/MEFP, para que promovesse a juntada aos autos, de cópia de inteiro teor do Processo mencionado pela Recorrente que, segundo afirma, ensejou o destaque " EX" 001, para o produto " Pefloxacina" , no código tarifário 2941.90.9900, através das Portarias MEFP n.°s 488, de 22/06/92 e 308, de 30/05/94. Concluída a Diligência, apenso aos autos o Processo n° 10768.042417/91-97, retorna para apreciação e julgamento. Ciente quanto ao resultado da diligência, a Recorrente não • apresentou manifestação. É o relatório. 2 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.197 ACÓRDÃO N° : 303-30.152 VOTO Trata-se de processo que questiona a concessão do benefício de redução de alíquota, de 20% para zero, do Imposto de Importação outorgado pela Administração Pública, por seu órgão competente, o então Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, face ao pleito ingressado pela ora Recorrente nos autos do processo n.° 10768.042417/91-97, apenso ao presente processo em razão de diligência, sendo que, quando da publicação das Portarias Ministeriais n e's 488/92 e 308/94, respectivamente de concessão e renovação da concessão, houve, segundo a Recorrente, um equívoco na denominação do produto beneficiado pela redução do imposto, ou seja, a ora Recorrente alega que ao invés de ter sido publicado o nome da matéria-prima importada (Mesilato de Pefloxacina Dihidratado) foi publicado o nome comercial do produto final (Pefloxacina), por ela industrializado. Concluída a diligência oriunda da Resolução n.° 303-717, a qual objetivou a busca de elementos esclarecedores para a melhor solução do litígio, pude observar que o processo n.° 10768.042417/91-97, apenso aos presentes autos, foi originado pelo pedido de modificação de alíquota do imposto de importação de 20% para zero, referente ao insumo Pefloxacina, fls. 01. Observei que tanto o mencionado pedido como os respectivos documentos que o instruíram foram feitos com base no insumo Pefloxacina, conforme depreende-se dos autos apensados, ou seja, o produto objeto do pleito de redução de alíquota elaborado pela ora Recorrente e analisado pela Coordenação • Técnica de Tarifas foi a Pefloxacina e não o Mesilato de Pefloxacina Dihidratado (fls. 17-A e 18), como pretende sugerir a Recorrente. Sobreveio, assim, a Circular DECEX n.° 76, de 09/03/92, que tornou público o pleito feito pela ora Recorrente à Coordenação Técnica de Tarifas o qual tratava da redução da alíquota do imposto de importação referente ao insumo Pefloxacina. Assim, o insumo que foi analisado e teve sua alíquota reduzida de 20% para zero, em conformidade com o pleito da ora Recorrente e com as Portarias Ministeriais n° 488, de 22/06/92 e n° 308, de 30/05/94 foi a Pefloxacina (código da TAB 2941.90.9900). A Recorrente alega que Pefloxacina é o nome comercial do 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.197 ACÓRDÃO N° : 303-30.152 Mesilato de Pefloxacina Dihidratado e que a intenção das Portarias Ministeriais n. °s 488/92 e 308/94 era de reduzir a aliquota do imposto incidente sobre o insumo Mesilato de Pefloxacina Dihidratado. Entretanto, não há que se confundir ambos os insumos. A própria Recorrente define a Pefloxacina como um insumo utilizado na produção do medicamento, de nome comercial, Peflacin. Outrossim, alega que a Pefloxacina é a primeira quinolona que é ativa no tratamento de infecções sistêmicas graves. Ou seja, de acordo com as informações dadas pela Recorrente pude • constatar que a mesma ora diz ser a Pefloxacina o nome comercial do Mesilato de Pefloxacina Dihidratada, ora que aquela é um insumo utilizado na produção de medicamentos. Visando a esclarecer a contradição da Recorrente observei as respostas aos quesitos elaborados através do Laudo Técnico n° 009/94, acostado aos presentes autos às fls. 23, pois, ao se questionar se o produto importado que estava em análise tratava-se de Pefloxacina as respostas dadas pelo engenheiro credenciado pela IRF foram as seguintes: "1) Não. O produto em questão não se trata de pefloxacina. 2) O produto em questão trata-se de Mesilato de Pefloxacina Dihidratada, um composto orgânico de constituição química definida e isolada, caracterizando-se como um antibiótico, apresentando a fórmula química bruta Ci8H24FN306.S-H20 e os • seguintes nomes científicos: • Metanosulfonato de pefloxacina dihidratado; • Mesilato de pefloxacina dihidratado; • Mesilato do ácido 1-etil-6-flãor-1, 4 dihidro-7- (4-metil piperazinil) -4-oxo-3-quinoleínacarboxicilico dihidratado. 3) O produto em questão apresenta as seguintes características: • Aspecto: pó bege apresentando odor característico; • Composição Química: Mesilato de pefloxacina" Restou claro, ao analisar as respostas do laudo, que o produto importado pela Recorrente e declarado nas DI's não se trata de Pefloxacina, mas sim de Mesilato de Pefloxacina Dihidratado. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.197 ACÓRDÃO N° : 303-30.152 Outrossim, a própria Recorrente em seu Recurso Voluntário de fls. 159/167 atesta que é a única importadora, em todo o Brasil, da matéria farmacêutica: Mesilato de Pefloxacina Dihidratada e sendo assim, não teria interesse em pleitear a redução tarifária para uma matéria-prima que "se apresentasse absolutamente inservivel ao seu processo industrial ("Pefloxacina")" (fls. 165). Neste trecho, utilizado pela própria Recorrente como argumento em seu Recurso Voluntário, pude observar que os produtos Mesilato de Pefloxacina Dihidratada e Pefloxacina não são sinônimos (conforme as palavras da Recorrente) e tampouco se trata de um ser o nome comercial e o outro o nome químico do mesmo insumo. Desta feita, com fulcro no Laudo Técnico n.° 009/94 (através do qual restou comprovado que Pefloxacina e Mesilato de Pefloxacina Dihidratado não são o mesmo insumo, isto é, o primeiro não é o nome comercial deste), nas alegações da própria Recorrente e no processo n.° 10768.042417/91-97, apenso aos autos, concluo que o insumo importado pela RHODIA FARMA LTDA., conforme constata-se nas DI's, trata-se de Mesilato de Pefloxacina Dihidratado (Mesilato do ácido 1-etil-6-flúor-1, 4 dihidro-7- (4-meti! piperazinil) -4-oxo-3- quinoleínacarboxícilico dihidratado), não estando este produto contemplado com a redução tarifária concedida através das Portarias Ministeriais n.°s 488/92 e 308/94. Ante o exposto, é procedente a autuação fiscal. Sendo assim, tomo conhecimento do recurso voluntário, uma vez que foi interposto tempestivamente, e no mérito nego-lhe provimento. Sala das Sessões, em 19 de março de 2002 • L/,-BARTO - Relator 5 'MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES J.4 • -A:, TERCEIRA CÂMARA Processo n.°: 10314.004961/94-11 Recurso n.° 119.197 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador, Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência do ACORDÃO N° 303.30.152 411 Brasília-DF, 21de maio 2002 Jo" H anda osta P esidente da Terceira Câmara Ciente em: Q,3 , 2002 • • 13\) ft» F6Li êJ PER) IDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1
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Numero do processo: 11065.910764/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS
CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO.
O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.122
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado Fl. 74DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Rangel Perrucci Fiorin, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Daniel Maurício Fedato. O Dr. Camilo de Oliveira Leipnitz – OAB/RS no 58.392 – fez sustentação oral. Relatório Centro Clínico Canoas Ltda. transmitiu, em 13/10/2005, o Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação PER/DCOMP no 41205.59553.131005.1.3.043779, visando a restituirse de indébito ocasionado pelo pagamento de no 1356225701 e a declarar a compensação do direito creditório daí emergente com débitos de Cofinsdo período de apuração de nov/2002. O Despacho Decisório no 843610139, fl. 1, não homologou a compensação porque o referido pagamento foi parcialmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados no PER/Dcomp para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, fls. 2 a 6, por meio da qual o requerente alega que: a) o direito creditório está relacionado com o efetivo pagamento do tributo. Pagamento este comprovado a partir da guia DARF devidamente autenticada pela instituição que recebeu o pagamento; b) o documento legitimador do crédito é a respectiva DARF e não a DCTF e/ou DIPJ; c) o pagamento indevido decorreu de equívoco constatado na apuração do valor devido a título de Cofins, período de apuração: nov/2002, que não corresponde ao valor constante da DARF de pagamento. Logo, apenas a instituição fazendária é capaz de autorizar o contribuinte a retificar a DCTF, com isso, restará explícito o direito creditório que a empresa possui. A DRJ/POA2ª Turma julgou a reclamação improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. O Acórdão no 1023.450, de 16 de dezembro de 2009, fls. 30 e 31, teve emente vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.910764/200913 Acórdão n.º 380301.122 S3TE03 Fl. 70 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/POA2a Turma. O arrazoado de fls. 35 a 52, em sede de preliminar, argui a nulidade da decisão recorrida, que teria alterado a fundamentação do indeferimento de seu pleito, em violação aos arts. 2° e 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. No mérito, sinteticamente, pede reforma, alegando que: a) a instituição fazendária tem o dever de intimar a recorrente para apresentar os documentos contábeis e fiscais para comprovar o erro ocasionado no preenchimento da DCTF, sob pena de incorrer em manifesta ilegalidade; b) conforme entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, a cópia autenticada do DARF é suficiente para comprovação do recolhimento indevido de tributo; c) o pagamento indevido decorreu do equívoco decorrente da apuração do valor devido a título de Cofins, na competência de nov/2002; d) apenas a fiscalização tem o poder de autorizar que a empresa retifique a DCTF, motivo pelo qual a recorrente reitera seus argumentos para que seja possível sanar o erro cometido. Conclui, pedindo anulação do acórdão ora recorrido e, alternativa e sucessivamente, sua reforma para homologar o pedido de compensação formulado, haja vista a existência do DARF legitimador do direito creditório. Requer, por derradeiro, sejam, todas as intimações e comunicações do presente procedimento administrativo, inclusive para fins de sustentação oral, realizadas sempre em nome dos procuradores signatários. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 30 e 31 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1023.450, de 16 de dezembro de 2009. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Fl. 76DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Preliminar de nulidade da decisão recorrida O recorrente infirma a decisão de piso sob o argumento de que apresentou novo fundamento para o indeferimento do pleito, em infração ao art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. O argumento recursal é o de que, enquanto o Despacho Decisório no 843610139 considerou que não haveria direito creditório para realizar a compensação, porque o valor do DARF teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte, a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a ora recorrente deveria comprovar, por meio de documentos contábeis e fiscais que houve erro no preenchimento da DCTF. A argüição de nulidade não prosperará simplesmente porque inexistiu a alegada inovação. Com efeito, o fundamento fático para o indeferimento do pleito de restituição e para a nãohomologação da compensação declarada foi a integral utilização do pagamento no 1356225701 na extinção de débitos do próprio contribuinte. Tratandose de julgamento de reclamação formulada pelo requerente, fundada na alegação de erro no preenchimento da Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, a decisão recorrida julgoua improcedente porquanto inexistia, nos autos, qualquer prova do erro alegado. Não se trata pois de novo fundamento para o indeferimento do pleito, visàvis o motivo original, mas, tãosomente, de refutação expressa de argumento brandido na reclamação. Rejeito a preliminar. Mérito – A comprovação do indébito O recorrente está prenhe de razão: constatando que houve equívoco na apuração da base de cálculo de um tributo ou contribuição, o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. É o que assegura o inc. I do art. 165 do CTN, transcrito em rodapé pelo recorrente, mas merecedor de maior destaque por caudalosa jurisprudência judicial, e.g.: “Ementa: .... I. Demonstrado o pagamento indevido de tributo, em razão de erro– depósito judicial feito por equívoco, mas convertido em renda da União – impõese a restituição (art. 165, II, do CTN). ....” (TRF1ª Região. AC 2000.01.00.0958800/MA. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 29/10/02. DJ de 13/12/02, p. 47.) “Ementa: .... É clara a autorização normativa à restituição de tributo recolhido indevidamente (art. 165, I, CTN). ....” (TRF2ª Região. AC 1999.02.01.0351647/RJ. Rel.: Des. Federal Ricardo Regueira. 1ª Turma. Decisão: 06/11/00. DJ de 07/12/00.) Fl. 77DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.910764/200913 Acórdão n.º 380301.122 S3TE03 Fl. 71 5 “Ementa: .... III. A restituição do tributo recolhido indevidamente encontra arrimo no art. 165, I, do CTN. ....” (TRF5ª Região. AC 2002.05.00.0177105/PE. Rel.: Des. Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria. Decisão: 17/12/02. DJ de 16/04/03, p. 407.) Tenho certeza, o relator da decisão recorrida jamais pretendeu oporse a esse direito. O recorrente, no entanto, articula argumento falacioso, ao pugnar por seu direito à restituição, bradando que o mesmo “.., consoante dispõe o art. 165, inc. I do CTN decorre da ‘cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ...", e não dos valores declarados pelo contribuinte em DIPJ, DCTF...”. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp nº 41205.59553.131005.1.3.043779 comprova um recolhimento, de outro, como bem destacou a decisão recorrida, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento nº 1356225701 seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 1999, que o recorrente demonstrou bem conhecer. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), já referido pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e Fl. 78DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 6 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Ao contrário, em face da legislação tributária aplicável, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento nº 1356225701 não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp nº 41205.59553.131005.1.3.043779 lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria Fl. 79DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.910764/200913 Acórdão n.º 380301.122 S3TE03 Fl. 72 7 espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. O recorrente, contudo, não se dignou a fazêlo, talvez esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Ou, quem sabe, contasse o requerente justamente com a usual dilação temporal do processo administrativo com o propósito de fazer adiar ao máximo o cumprimento da obrigação tributária confessada, como permite supor a sua insistência nos requerimentos de suspensão da exigibilidade do débito oposto na compensação do hipotético direito creditório, aventura jurídica corriqueira depois da edição da Medida Provisória no 66, de 2002. Seja como for, tranqüilizese o contribuinte. Caso realmente disponha do direito creditório alegado, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, tem cinco anos, contados da data do pagamento indevido – desde que devidamente comprovada essa circunstância – para buscar seu direito. Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 2 de fevereiro de 2011 Alexandre Kern 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11065910764200913 Interessada: CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA. Encaminhemse, de ordem, os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.122, de 2 de fevereiro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 2 de fevereiro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 81DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 12466.001600/95-31
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 303-00.667
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: GUINES ALVAREZ FERNANDES
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DRJ - RIO DE JANEIRO - RJ R E S O L U ç Ã O N° 303-667 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 26 de fevereiro de 1997 G .' ator / "')(,"OAOO",A.oc"'c DA 'AZfNOA NAciONAl Coordenaçõo.Gerel de repre'enfoçõo Ext,oIUdlcl!l1 •••••• •• _•• _. __[_m_.•'.~_~._.Q.. _"!__~.__'./[J:d.'.~.;Jj.'.~._'.~.f__~._.~._:~_ - ~y "-_ fi. ':1 .Jt..ll. 1991 LUCIANA CORitz RORIZ"~'ÕNTEiS' \U ~ Procuraelora co' Fazenela NQclonoJ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LEVI DAVET ALVES, MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES, NILTONLUIZ BARTOLI, ANELISE DAUDT PRIETO e FRANCISCO RITTA BERNARDINO. Ausente o Conselheiro SÉRGIO SILVEIRA MELO. mfclacl18211 --- ----------. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSOW RESOLUÇÃOW RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 118.211 303-667 ATLÂNTIDA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. DRJ - RIO DE JANEIRO - RJ GUINÊs ALVAREZ FERNANDES RELATÓRIO • Ao proceder revisão em declarações de importação individualizadas às fls. 2, registradas pela Recorrente ante a Alfàndega de Vitória em 13/05/94, referentes a importação de sete automóveis tipo "jipe, marca Daihatsu - modelo Feroza", desembaraçados sob classificação na posição - TAB - 87.03.23.07.00, com alíquota de 35%, para o Imposto e Importação e 8%, para o Imposto Sobre Produtos Industrializados, a fiscalização aduaneira lavrou o auto de infração de fls; 01/03, sob fundamento de que a mercadoria importada deveria classificar -se no código TAB - 87.03.23.10.99, que encampa veículos de uso misto, sujeitos a alíquota de 25% do Imposto Sobre Produtos Industrializados, imputando-lhe a exigência de diferença deste tributo, vinculado à importação, além da multa de 100% prevista no artigo 364 do RIPI, e juros de mora, no montante de 65.320,01 UFIR's. Regularmente intimada, a Autuada, tempestivamente, ofertou a impugnação de fls. 301/326 e documentos de fls. 327/334, argüindo em síntese que: a) O procedimento da fiscalização em ato revisional implica em verdadeira mudança de critério jurídico, já que o desembaraço foi processado sem impugnação da classificação, consoante o magistério jurisprudencial; b) que o desembaraço desses veículos sob a classificação impugnada era feito rotineiramente, o que caracterizaria a prática reiterada observada pela autoridade administrativa, constituindo-se em norma complementar às leis, prevista no art. 100 do CTN, e tornaria indevida a multa e demais imposições; c) que é equivocada a classificação que fundamenta a exigência na alínea "c" da RGI - 38 do Sistema Harmonizado, eis que o correto seria o enquadramento na alínea "a", que determina a prevalência da posição mais específica - "jipe"-, ante a genérica - "veículo de uso misto"; d) que é equivocada a decisão proferida no processo de consulta e Despacho Homologatório nO 45/45, de 15/05/95, que classifica o jipe Feroza como veículo de uso misto, buscando enquadrá-lo de forma mais vantajosa para o fisco, prática repelida pelo Poder Judiciário; 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSON RESOLUÇÃO N° 118.211 303-667 • e) que o veículo preenche todos os requisitos do AD.N. - 32/93, além de possuir outros equipamentos que o caracterizam como jipe, como, "clinômetro, passagem a vau, transmissão mecânica"; f) que a classificação como veículo misto somente se caracterizaria se pudesse transportar mercadorias sem modificação de sua estrutura, que não se configura com o simples rebatimento do banco traseiro, finalidade que não se compatibiliza com a sua destinação, eis que concebido para trafegar em terrenos acidentados; g) que ao se manifestar sobre veículo de dimensões e características similares, a Divisão de Nomenclatura preservou o código 87.03.23.07.00, e a discriminação feita ao jipe "Feroza", constitui ofensa ao princípio de isonomia; h) que a classificação aventada pela fiscalização, viola o princípio da essencialidade, pois enquadra o veículo entre os destinados a transporte de passageiros e de carga, quando na verdade se destina a operar em atividades agrícolas e terrenos acidentados. Postulou por prova pericial, indicando perito e oferecendo quesitos. Às fls. 339/359 foram juntados pela DRF-RJ, Relatório Técnico do I. Nacional de Tecnologia e Despachos Homologatórios COSIT(DINOM) nO245/94 - 05/95 e 28/95. A autoridade julgadora de la instância concluiu pela manutenção da exigência vestibular, sob os seguintes fundamentos: Inicialmente repele a preliminar de impossibilidade da reVlsao do .y lançamentol, tendo em vista que o procedimento está expressamente previsto em textos / '\ legais e regulamentares, contidos nos artigos 44 a 54 do D.L. 3766 e 455/456 do Regulamento Aduaneiro, referendados pela doutrina e ementas jurisprudenciais, que transcreve. Igualmente não acolhe a alegação de mudança de critério jurídico na classificação adotada no ato revisional, por entendê-la matéria de fato, consoante o magistério da doutrina. Observa que não se caracteriza prática reiteradamente adotada pela Administração, o desembaraço de veículos idênticos no período de 18/5 a 8111/94, na classificação impugnada, uma vez que os despachos não estavam conclusos, porque ainda pendentes de revisão. Indefere a perícia técnica requerida, por prescindível, face ao laudo do I.P.T. constante do Relatório Técnico nO100444, emitido em 21/09/94, em decorrência do exame no veículo objeto do feito e anexado aos autos. 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSON RESOLUÇÃON 118.211 303-667 • ~. Quanto ao mérito, aduz que o laudo do I.P.T. conclui que o veículo atende aos requisitos estabelecidos no Ato Declaratório Normativo nO32/93, da CST e pode ser considerado "jipe", adicionando, ao exame de sua capacidade de carga, que ela corresponde a 25% do seu peso e por esse índice é inadequado para tal mister. Entretanto a NESH, nas observações à posição 87.03, esclarece que se consideram veículos de uso misto, os que, com até 9 lugares, possam ter utilizado o seu interior, sem modificação da estrutura, tanto para o transporte de pessoas como de mercadorias, sem qualquer restrição ao peso e sua proporcionalidade para ambas as atividades. Adiciona que o veículo em exame tem os bancos traseiros rebatíveis e nessa operação, sua capacidade volumétrica se altera em 3,382 vezes podendo ser utilizado tanto para o transporte de passageiros como de mercadorias, caracterizando-se como de "uso misto", segundo a NESH. Assim, além de classificar-se como "jipe" é igualmente específica a sua caracterização como "veículo de uso misto" que em consonância com a regra de interpretação número "3C", deve classificar-se na posição situada em último lugar na ordem numérica, no caso a "87.03.2310.99", consoante já foi determinado no Despacho Homologatório COSIT/DINON-45/95 (fls. 351/353)". Repele o argumento de tratamento discriminatório em relação a veículo do mesmo tipo, aduzindo que os paradigmas não atendem às condições para caracterizá-los como de uso misto, por não manterem assentos rebatíveis. Mantém a exigência, com a imputação da multa e juros moratórios. Regularmente intimada, a Recorrente ofertou tempestivo recurso, reiterando a matéria da impugnação e aduzindo que: 1) A decisão cerceou a sua defesa, ao negar a prova pericial tempestivamente requerida, sob fundamento de que já havia laudo do I.P.T., que no entanto, contrariou em suas conclusões. Além disso, afirmou que os veículos similares indicados pela Recorrente como paradigma para merecer igual tratamento, eram diferentes dos em exame, o que não ocorre, e só a prova pericial pode definitivamente esclarecer. 2) Submeteu a despacho a mercadoria, com clareza descritiva, sem qualquer exigência da fiscalização no desembaraço, e o procedimento da fiscalização no ato revisional, caracteriza modificação do critério jurídico, repelido pela doutrina e pela jurisprudência. 3) É indevida a eX1gencla de multa, porque o procedimento da Recorrente se pautou em prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, no caso, o despacho de 200 D.I.s anteriores que desembaraçaram os mesmos veículos sob a classificação impugnada, pretensão que ofende expresso 4 'I MINIsTÉRIO DA FAZENDA lERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES lERCEIRA CÂMARA RECURSO NO RESOLUÇÃO NO 118.211 303-667 dispositivo contido no art. 100 do C.T.N., carecendo de fundamento o argumento do decisório de que os despachos anteriores não estavam concluídos, face ao que dispõe o , artigo 450-1 do Regulamento Aduaneiro. 4) Pelo teor do expresso na posição 87.03, veículos de uso misto são os "station wagon", peruas, que pela disposição da carroceira tem capacidade volumétrica superior aos autos sedan, tais como "Parati, Quantum, etc", hipótese em que jamais se enquadraria o jipe "Feroza". 5) Assim, é indevida a classificação com fundamento na regra3 - "c", equívoco em que já incidira a Divisão de Nomenclatura ao editar o Despacho Homologatório nO45, de 15/05/95, ao invés da "3-a", eis que o veículo em exame caracteriza-se como "jipe", preenchendo os requisitos do ADN 32/93, que é a posição mais específica, devendo prevalecer sobre a mais genérica - "veículo de uso misto". 6) O ato administrativo acima mencionado é norma complementar às leis e tratados, segundo o art. 100, do CTN, que impede a autoridade julgadora de impor novos parâmetros, sob pena de violar o art-/ 142, parágrafo único, da mesma legislação de regência. 7) Foi impedida de comprovar que os paradigmas invocados contém os mesmos dispositivos que consideraram o "jipe" objeto da autuação como "de uso misto", o que caracterizaria a discriminação comprovável pela perícia indeferida e enfatiza que a decisão violou o princípio da essencialidade inerente ao I.P.I. previsto no texto constitucional, ao tributar de forma mais onerosa, veículo destinado a atividade primária e de campo. Conclui postulando a nulidade da imputação, por cerceamento de defesa, ou a sua insubsistência, por ofensa a expressos dispositivos da legislação tributária, e em qualquer hipótese, a exclusão da multa, correção monetária e juros moratórios, face ao que dispõe o art. 100, m -,do Código Tributário Nacional. A Procuradoria da Fazenda Nacional manifestou-se às fls. 404, pela manutenção da exigência. É o relatório. 5 .¥ MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON 118.211 303-667 VOTO Tendo em vista que face às qualificações do veículo objeto do feito, tais como, dimensão, e espaço interior disponível constantes do documento de fls. 350 e verso, remanescem dúvidas se, embora considerado 'Jipe", pode igualmente ser caracterizados como "de uso misto". Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o feito seja encaminhado ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas, através da repartição de origem, a fim de que sejam respondidos os seguintes quesitos: 1) O veículo DAIATSU - Modelo Feroza, tem efetivamente as dimensões, "porta malas normal - 272 V.D.A" e ''banco rebatido" - 920 V.D.A.", constantes das suas especificações arroladas às fls. 350 v.? 2) Se confirmadas tais especificações, qual a área útil aumentada, com o banco rebatido? a) Esse aumento de área utilizável, se existente, pode ou não caracterizá-lo como veículo apto ao transporte de carga? b)Por que? 3) Quais as características básicas de um veÍCulo de uso misto? Há -Limites quantificáveis de área e ou peso, para qualificá-lo? 4) Considerando as qualificações do veículo em exame "pode-se considerá-lo como veículo de uso misto? (station wagon) Por que? 5) Outras informações suplementares que permitam o melhôr esclarecimento do litígio. sões, em 26 de fevereiro de~'997 / 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009342/2003-27
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PDV - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO POR APOSENTADORIA INCENTIVADA - RESTITUIÇÃO PELA RETENÇÃO INDEVIDA - DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA INAPLICÁVEL - O início da contagem do prazo de decadência do direito de pleitear a restituição dos valores pagos, a título de imposto de renda sobre o montante recebido como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário - PDV, deve fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o seu direito ao benefício fiscal.
Decadência afastada.
Numero da decisão: 106-15.940
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir do Recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRJ de origem para exame das demais questões de mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: LUIZ ANTONIO DE PAULA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA C. " • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES-it FIG.SEXTA CÂMARA es„, ethri0 Processo n°. : 10830.009342/2003-27 Recurso n°. : 152.517 Matéria : IRPF - Ex(s): 1993 Recorrente : EDMUNDO IANELLA Recorrida : 33 TURMA/DRJ - SÃO PAULO/SP II Sessão de : 20 DE OUTUBRO DE 2006 Acórdão n°. : 106-15.940 PDV - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO POR APOSENTADORIA INCENTIVADA - RESTITUIÇÃO PELA RETEN- ÇÃO INDEVIDA - DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA INAPLICÁVEL - O inicio da contagem do prazo de decadência do direito de pleitear a restituição dos valores pagos, a titulo de imposto de renda sobre o montante recebido como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário - PDV, deve fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o seu direito ao beneficio fiscal. Decadência afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EDMUNDO IANELLA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir do Recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRJ de origem para exame das demais questões de mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 4 JOSÉ RI :AMA BØ,43ROS PENHA PRESIDENTE Lb/da-- LUIZ ANTONIO DE PAULA REATOR FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, GONÇALO BONET ALLAGE, JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI, ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI e ANTONIO AUGUSTO SILVA PEREIRA DE CARVALHO (Suplente convocado). MHSA • o C<n . MINISTÉRIO DA FAZENDA C.tip t-1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10830.009342/2003-27 Acórdão n° : 106-15.940 Recurso n° : 152.517 Recorrente : EDMUNDO IANELLA RELATÓRIO Edmundo lanella, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 22-25 prolatada pelos Membros da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo — SP/II, mediante Acórdão DRJ/SP011 n° 14.742, de 29 de março de 2006, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fl. 28. 1.Do Pedido de Restituição O requerente protocolizou em 12/12/2003 o Pedido de Restituição de fl. 01, acompanhado dos documentos de fls. 03-14, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre os valores percebidos por adesão ao Programa de Demissão Voluntária — PDV, instituído pela sua ex-fonte pagadora relativo ao ano-calendário de 1992. O Chefe Subst. SEORT/DRJ/CAMPINAS analisou o pedido do requente, e concluiu que o presente pedido de restituição do interessado era improcedente, devido o decurso do prazo decadencial de 5(cinco) anos para o exercício do referido pleito, nos termos Despacho Decisório, de fls. 15-16. 2. Da Manifestação de Inconformidade e do Julgamento de Primeira instância Desse despacho de indeferimento o requerente foi cientificado em 15/06/2005, °AR" - fl. 18, e não se conformando, apresentou Manifestação de Inconformidade de fl. 19, cujos argumentos de defesa foram devidamente relatados pela autoridade julgadora de Primeira Instância à fl. 23. Os Membros da 35 Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em São Paulo — SP/II, após resumir os fatos constantes do pedido de restituição e as razões de inconformidade apresentadas pelo interessado, acordaram, por unanimidade de votos, em indeferir a solicitação do requerente, sem 2 jia • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA o.,0 e o •i• r: J., PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Fls. s+ 6'.> Processo n° : 10830.009342/2003-27 eã (T1'21 Acórdão n° : 106-15.940 apreciação do seu mérito, nos termos do Acórdão DRJ/SP011 n° 14.742, de 29 de março de 2006, fls. 22-25, uma vez já transcorrido o prazo previsto para pleitear a restituição de imposto incidente sobre verbas indenizatórias que teriam sido recebidas por adesão a Programa de Desligamento Voluntário — PDV. 4. Do Recurso Voluntário O manifestante foi cientificado dessa decisão em 11/05/2006, "AR" - fl. 27, e ainda inconformado interpôs o Recurso Voluntário em tempo hábil (31/05/2006), fl. 28, repisando os argumentos já apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório.rn 3 • • • G,.<" ‘", MINISTÉRIO DA FAZENDA o C.— • C " • :. k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES"'"/ n t" rit,..n•• SEXTA CÂMARA Fls. nrr; s. C AmeProcesso n° : 10830.009342/2003-27 Acórdão n° : 106-15.940 VOTO Conselheiro LUIZ ANTONIO DE PAULA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo art. 33, do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972, tendo sido interposto por parte legítima, razão porque dele tomo conhecimento. Da análise dos presentes, verifica-se que o mesmo versa sobre Pedido de Restituição do Imposto . dé Renda Retido na Fonte, segundo o requerente, incidente sobre as verbas provenientes de rescisão do contrato de trabalho por adesão ao Programa de Desligamento Voluntário — PDV, instituído pela sua fonte pagadora — Rockwell Braseixos S/A, CNPJ n° 61.080.3961006-23, ocorrido no ano- calendário de 1992. É entendimento pacifico nesta Câmara, bem como no âmbito da Secretaria da, Receita Federal que as verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da rescisão do contrato por dispensa incentivada têm caráter indenizatório. Assim como, que os valores pagos por pessoa jurídica aos seus empregados a título de incentivo a Programa de Desligamento Voluntário — PDV, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual, Entretanto, cabe analisar quanto ao alcance do instituto da decadência ao direito de requerer a restituição do imposto considerado indevido. E, para isto, torna necessário definir o termo inicial para a contagem do prazo. Para o caso em discussão cabe então observar qual foi o momento em que o imposto cuja restituição ora reclamada, tomou-se indevido. O meu entendimento é diferente do exposto pelas autoridades julgadoras de Primeira Instância, pois, como já manifestei em diversas oportunidades, a fixação do termo inicial para apresentação do pedido de restituição 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA O . • 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESvt, ,;.•;fit''' SEXTA CÂMARA • ^tik: 4°' Processo n° : 10830.009342/2003-27 e.0 maAcórdão n° : 106-15.940 está estritamente vinculada ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Antes deste momento, as retenções efetuadas pela fonte pagadora eram pertinentes, já que em cumprimento da ordem legal. E, o mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo requerente em sua declaração de ajuste anual. Ou seja, antes do reconhecimento de improcedência do imposto, tanto a fonte pagadora quanto o beneficiário agiram dentro da presunção legal. Assim, reconhecida sua inexigibilidade, quer por decisão judicial transitada em julgado, quer por ato da administração pública, somente a partir deste ato está caracterizado o indébito tributário, gerando o direito a que se reporta o artigo 165 do CTN. Os valores recebidos como incentivo por adesão aos Programas de Desligamento Voluntário não eram tidos, pela administração tributária, como sendo de natureza indenizatória, e somente depois de reiteradas decisões judiciais é que a Secretaria da Receita Federal passou a disciplinar os procedimentos intemos no sentido de que fossem autorizados e Inclusive revistos de ofício os lançamentos referentes à matéria. A Instrução Normativa SRF n° 165, de 31 de dezembro de 1998 (DOU de 06/01/99) assim disciplinou: Art. 1°. Fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente à incidência do imposto de Renda na fonte sobre as verbas indenizatórias pagas em decorrência de Incentivo à demissão voluntária. Art. 2°. Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de ofício os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar total ou parcialmente os respectivos créditos da Fazenda Nacionat(destaque posto) O Ato Declaratório SRF n° 003, de 1999, dispôs que: / - os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário — PDV, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário, como verbas de natureza indenizatória, e assim reconhecidos por meio do Parecer PGRVICRJ/1" 1278/98, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anuat..(destaque posto).4? (i/ C • o MINISTÉRIO DA FAZENDA lt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 4". , r‘fifiaj. SEXTA CÂMARA 6`. Cã ms Processo n° : 10830.009342/2003-27 Acórdão n° : 106-15.940 Dessa forma foi aplicado o inciso I, do art. 165, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN que prevê: Art. 165 - O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for à modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 40 do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;...(destaques postos) Portanto, não devolvido ao contribuinte, o que ele pagou indevidamente, não há como impedi-lo de, em solicitando, ver seu pedido analisado e deferido, se estiver enquadrado nas hipóteses para tanto. Desta forma, entendo que somente a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998, publicada em 06 de janeiro de 1999, surgiu o direito do requerente em pleitear a restituição do imposto retido. O contribuinte não pode ser penalizado por uma atitude que deixou de tomar, única e exclusivamente porque era detentor de um direito não reconhecido pela administração tributária, que só veio a divulgar novo entendimento quando da publicação da referida Instrução Normativa. A contagem do prazo decadencial não pode começar a ser computado senão a partir dessa data (06/01/99), pois o requerente não poderia exercer o direito, antes de tê-lo adquirido junto a SRF, através do reconhecimento do Órgão expresso pelos atos relativos à matéria. O pedido de restituição do imposto de renda pessoa física foi protocolado em 12/12/2003. Assim sendo, entendo que não ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição em tela. Entretanto, o que se observa nos autos é que tanto a autoridade preparadora como os Membros da 3 8 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo-SP/II não se manifestaram sobre o mérito da questão. 6 • ' /-• wi MINISTÉRIO DA FAZENDA • C. " 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES t:).> SEXTA CÂMARA tr• • Processo n° : 10830.00934212003-27 eitos% Acórdão n° : 106-15.940 Do exposto, voto para afastar a decadência tributária, devendo os autos retomar à Repartição de origem para que se pronuncie quanto ao mérito do pedido. Sala das Sessões - DF, em 20 de outubro de 2006. -4beeta__ LUIZ ANTONIO DE PAULA 7 Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1 _0023800.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10410.000602/96-96
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 303-00.680
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao DEINT do MICT/Secretaria do Comércio Exterior, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL D`ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES
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DRJ - RECIFE - PE R E S O L U ç Ã O N° 303-680 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao DEINT do MICT/Secretaria do Comércio Exterior, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 01 de julho de 1997 PROCllRADORIA.G~RAL DA fAUNr. A ,--~-('C" AL Coordenoçêo~Gercl <1-:;r.epra~en1oçêo t:dfOil'dL:.lo! _---:ml~lf~=~~.------ LUCIANA COIHEZ RORIZ 1-(,j~7ES .Procur.dora do fazendO Naela""l f'r2~~~..~I1997 ~. • 1. •• Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, NaTON LUIZ BARTOLI, LEVI DAVET ALVES e GUlNÊs ALVAREZ FERNANDES. Ausentes os Conselheiros SÉRGIO SILVEIRA MELO e FRANCISCO RITTA BERNARDINO. mfclfr1l8477 • MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA cÂMARA RECURSO: 118477 - RES}O:l:)!1J:~;~O:303-680 RECORRENTE: JORNAL GAZETA DE ALAGOAS LTDA. RECORRIDA: DRJ/RECIFEIPE RELATOR: MANOEL D' ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES RELATÓRIO Vistos e examinados os autos do presente processo, o qual trata do Auto de Infração, protocolado sob o nO10410.000602/96-96, de fls. 01/10, lavrado e cientificado em 20103/96, versando sobre a autuação do recorrente quanta à falta de recolhimento do 1.1 e I.P.I, em decorrência da aplicação de alíquota de imposto de importação incorreta, "O" (zero), pelo enquadramento indevido em ''EX'' da Portaria MEPF 840/90 dos equipamentos importados, segundo as Declarações de Importação de nO0078 e 0079 (fls. 22/24), ambas de 05/04/91, resultando num crédito tributário no valor de 59.054,81 UFIR's (fls. 11/13). De acordo com as características descritas nos textos informativos sobre os equipamentos (fls. 14/21 e 25/35), estes não se enquadram nas definições dos ''EX'', por não serem "scanner" para composição de fotolitografia nem máquinas fotocompositoras com as especificações definidas no texto, cabendo, portanto, a aplica ção da alíquota prevista para o código NBM 8442-100000 a época, ou seja, 10% (dez por cento).O enquadramento legal da infração apurada repousa nos artigos 55 inciso I, alínea "a"; 63, inciso I, alínea "a" e artigo 112, inciso I do RI.P.I, aprovado pelo Decreto 87.981/82 e artigos 99, 100 a 102, 220,499 e 542 do RA, aprovado pelo Decreto 91.030/85. Tempestivamente, o ora recorrente apresentou impugnação (fls.43/45) em 18/04/96, juntando documentos de fls.46/57, alegando, em síntese, que: importara os produtos, conforme as Guias de Importação n° 0013-91/019-2 e nO 0013-91/018-4, classificando-os nas Declarações de Importação nO0079/91 e n° 0078/91 (fls.l1/13 e 22/24) no Código NBMlSH/TAB n° 8442.10.0000, com ''EX'' da Portaria MEFP 840/90; que, no processo de revisão, a Fiscalização entendeu que "os equipamentos não se enquadram nas definições dos ''EX'' possíveis, por não serem "scanner" para composição de fotolitografia, nem máquinas fotocompositoras com as especificações definidas no texto."; que, embora o material importado, portanto fabricado no exterior, não adote a seqüência de expressões da redação da T.A.B, abrange completamente todos os atributos exigidos; que, protesta pela juntada posterior de parecer técnico, para elucidar definitivamente a questão e comprovar a conduta correta e de boa-fé ao classificar os produtos importados e, portanto, gozar de beneficio tarifário; que as multas aplicadas se revelam extorsivas e até confiscatórias, contrariando a Constituição Federal, em seus artigo 150, inciso IV; que, a multa sobre IPI é descabida e inexigível uma vez 2 • " R E CU RS O: 1 18 .477 RESOLUÇÃO: 303-680 que o fato gerador ocorrera antes da vigência da lei que a criou, a Lei n° 8218/91, devendo, portanto, ser indeferida. Recebida a impugnação pelo Sr. Delegado da DRF de Julgamento/Recife-PE, este julgou procedente a ação administrativa para exigência do crédito tributário em 30/09/96 (fls.62/70), com a seguinte ementa: " IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E fP.I VINCULADO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. Mercadoria corretamente classificada, porém indevidamente enquadrada em aliquota temporária, estabelecida pela Port.MEFP 840/90, com redução do fI para zero por cento, obriga ao recolhimento desse tributo, com a alíquota correspondente, além da d(ferença do fP.I, sem prejuízo das sanções cabíveis. AÇÃO ADMINISTRATIVA PROCEDENTE. " Fundamenta o Sr. Delegado que: a mercadoria importada não se enquadra na descrição proposta pela Porto MEFP 840/90 para o gozo de alíquota especial no tocante ao imposto de importação, pois as características das máquinas importadas vão além das especificações técnicas dos produtos beneficiados pelos "EX"; que, deve-se entender que um "EX" não visa englobar todo um universo de mercadorias, mas tão somente aquela que descreve; que, entendeu desnecessária a elaboração de Parecer Técnico sobre a matéria, conforme pleiteado pelo sujeito passivo, principalmente porque o objeto de litígio não é a classificação dos produtos na NBM e sim o seu enquadramento na Porto MEFP 840/90; que é aplicável à mercadoria a alíquota de 10% (dez por cento) vigente a época, correspondente ao 1.1, obrigando ao recolhimento desse tributo e da diferença do IPI; que cabe a aplicação da multa de oficio de 100% (cem por cento) sobre a diferença do IPI vinculados à importação, nos termos do artigo 80 da Lei 4.502/64, combinado com artigo 2°,alt 22a do Dec.lei 34/66, e artigo 364, inciso 11,do RIPI/82; que, portanto, é completamente descabida a alegação do sujeito passivo de que a multa incidente sobre o IPI teria tido amparo na Lei 8.218/91, revelando desatenção da defesa na fundamentação legal que dera suporte às penalidades aplicadas, porquanto tal dispositivo legal não fora objeto de citação no Auto de Infração, exatamente porque não vigia à época; que, ainda, cabe a aplicação da multa de 50% (cinqüenta por cento ) sobre o 11, em razão da declaração indevida das mercadorias nos documentos de importação, nos termos do artigo 108 do Dec.lei 37/66, regulamentado pelo artigo 524 do RN85. o ora recorrente interpôs, tempestivamente, em 25/11/96, o presente recurso de fls. 74/78, juntando os documentos de fls 79/84, pelo qual alega que: os produtos importados, uma máquina de reprodução gráfica AUTOKON 1030 e o scanner de marca ITEK, foram devidamente classificados nas Declarações de Importação de fls. 11/13 e 22/24, no Código NBM/SH/TAB n° 8442.10.0000, com ''EX'' da Porto MEFP 840/90; que os referidos produtos abrangem todos os atributos exigidos, apesar de não adotar a seqüência de expressões da redação da T.A.B devido à sua fabricação no exterior; que os RECURSO: RESOL. 118.477 303-68 O • ,i" juros e multas aplicados violam a Constituição Federal, em seu artigo 150, incisos lU e IV; que a forma de cálculo empregada pela Receita é completamente abusiva, utilizando juros e T.R sobre um valor já corrigido , ou seja, a moeda atualizada fora novamente corrigida, elevando em mais de 300% o valor cobrado; que ao contribuinte, quando credor da Receita Federal, não lhe é auferido a mesma regalia, ou seja, seu crédito não é corrigido pelos mesmos percentuais que a Fazenda Nacional aplica em sua dívida ativa, agredindo, dessa forma, o princípio da igualdade perante a Lei, previsto pela C.F/88; que, a Lei tributária deve ser anterior à ocorrência do fato imponível - princípio da anterioridade - sendo, portanto, inexigível a multa sobre IPI, uma vez que o fato gerador em discussão ocorrera antes da vigência da Lei nO8.218/91. A procuradoria fora intimada em 02/12/96, e apresentou as contra-razões, conforme £1s.87/89, onde alega, em síntese que: os encargos incidentes sobre o valor principal do tributo fincaram-se em legislação absolutamente anterior ao nascimento do fato gerador, conforme enquadramento legal declinado pela autoridade julgadora às £1s.67 e 68; que, no que tange ao quanto devido, o ora recorrente se limitou a contestar vaga e imprecisamente a correção do crédito tributário, não apontando concretamente onde residira a imperfeição. É o relatório MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES' TERCEIRA cÂMARA • RECURSO N!: 118.477.4 r.~-"~ '".:'~~'º'-,RE S'-Ol:.U Ç'AO': :3 03 - 68 O .\ VOTO O ponto de discussão é a aplicabilidade ou não das definições dos produtos beneficiados pela alíquota estabelecida na Porto MEPF 840/90 aos equipamentos importados pela ora recorrente. Alega a fiscalização que a análise dos textos informativos sobre os equipamentos não as enquadram nas definições dos "ex" possíveis, por não serem "scanner" para composição de fotolitografia nem máquinas fotocompositoras com as especificações - definidas no texto, cabendo, por isso, a aplicação da alíquota prevista para o código NEM 8442.10.000 à época coma alíquota de 10%. Ao analisar os já referidos documentos, conclui-se que os equipamentos importados gozam de detalhamento técnico bem mais sofisticado e complexo do que aqueles descritos na referida portaria, cujas definições são apenas simples e objetivas, visando beneficiar tão somente os produtos que nelas se enquadram. O processo fiscal, dentre outros princípios, é regido pelo Princípio da Verdade Material, sendo de suma importância conhecer os fatos com precisão, a fim de aplicar a eles a norma legal cabível. Tal princípio combinado com o do Livre Convencimento do Julgador, vêm amparados pelo art. 29 da Lei n. 70.235/72. Diante da falta de precisão quanto aos fatos, pelo frágil convencimento em face de informações demasiadamente técnicas, e, principalmente, em obediência aos princípios acima citados, voto para baixar em diligência para serem esclarecidos os seguintes quesitos: i) Tendo em vista que a EX OOivisa beneficiar o " Aparelho "scanner" para composição de fotolitografia e separação de cores ", pode-se considerar que tal definição abranja aquelas referentes ao Scanner ITEK, mod220S (f/s.i5/2i) ? 2) A EX 002 inclui na sua definição o "... teclado de comando programado para português ... ".Tal atributo não fora incluído dentre aqueles referentes à máquina de reprodução gráfica AUTOKON i030.Tal omissão seria o suficiente para se considerar como enquadramento indevido? 5 ,. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO~ 118.477 303-680 • Os quesitos acima descritos serão encaminhados e devidamente apreciados pelo setor de nomenclatura do departamento de Negócios Internacionais (DEINT), da Secretária de Comércio Exterior do Ministério da Indústria e Comércio. Do resultado da diligência seja cientificado o contribuinte para que em prazo razoável adite suas considerações, querendo. Sala das Sessões, em O1 de julho de 1997 Y' CÃO FERRE~MES- Relator 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
